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Disciplina_MÍDIA E SOCIEDADE CONTEMPORÂNEA

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Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Unidade 1
Comunicação e relações humanas
Aula 1
Comunicação: Um Conceito Polissêmico
Comunicação: um conceito polissêmico
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para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante!
Nesta videoaula, você vai mergulhar no universo teórico da comunicação. Mais do que um
campo de trabalho, a comunicação é uma área completa de conhecimento, com conceitos e
práticas próprias.
Nós sabemos que você está ansioso para estrear em sua nova carreira pro�ssional, mas, para
chegar lá, é preciso avançar degrau por degrau, construindo primeiro a base para depois alcançar
o topo!
Vamos aprender juntos?
Ponto de Partida
Se você convive com crianças (ou tem lembranças vivas da infância), sabe que a curiosidade dos
pequenos não tem limite. Em um espaço de poucos minutos, são capazes de fazer múltiplas
perguntas – algumas bem fáceis de responder, outras, nos embaraçam de tal forma que nem
temos ideia de por onde começar.
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
A verdade é que essas perguntas de respostas difíceis não �cam restritas à infância. Ainda que a
praticidade da vida adulta tente sufocar tudo que demanda muito empenho e re�exão, algumas
questões continuam nos pegando desprevenidos. Quer um exemplo? Então responda rápido: o
que é comunicação?
Se você tirou alguns bons segundos para pensar ou titubeou várias vezes, reformulando a
resposta, saiba que está no caminho certo! Pois é: ter respostas muito simples para conceitos
complexos não combina com o processo contínuo de aprendizagem. E por mais que você tenha
clareza das funções da comunicação na sua vida e no mundo, nós sabemos o quanto é difícil
de�ni-la de uma só forma.
Que tal topar o desa�o de estudar o conceito de comunicação, procurando o sentido mais
adequado para a nossa disciplina? Então aperte os cintos que a jornada começa agora!
Vamos Começar!
Comunicação: um conceito polissêmico
Você já ouviu falar de polissemia? Polissemia é um termo utilizado na linguística para classi�car
palavras que têm diversos signi�cados. Quer ver só? Acompanhe a pequena história a seguir:
“Era um dia muito quente de verão. Ana estava de férias e, para se refrescar, foi até o quintal para
tomar um banho de mangueira. Depois, deitada sob a sombra de uma mangueira, pôs-se
cochilar. Já em sono profundo, sonhou que brincava o carnaval, rodopiando em um vestido verde
e rosa – nas inconfundíveis cores da Mangueira”.
No trecho apresentado, a palavra mangueira foi utilizada três vezes – e, nas três, ganhou um
signi�cado diferente, sem deixar de fazer sentido na história. Isso é polissemia!
Quanto mais um termo é polissêmico, mais difícil é de�ni-lo de um jeito só. Esse parece ser o
caso da comunicação. Ainda que, comumente, costumemos associá-la ao diálogo entre duas
pessoas, em que localizamos a �gura de um emissor e de um receptor, a comunicação é bem
mais do que isso.
Há sim a comunicação verbal entre duas pessoas. Mas também há comunicação entre animais,
entre máquinas, entre células de um organismo, entre inteligências arti�ciais, em formato
midiático, digital, individual, massivo… En�m: a comunicação pode ter muitos contextos e
maneiras de se manifestar, o que a torna extremamente polissêmica. Basta um rápido passeio
pela teoria da comunicação para nos depararmos com inúmeros conceitos diferentes, isso sem
contar as outras áreas de conhecimento que também utilizam o termo comunicação.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Neste ponto, você pode estar pensando: e aí? Como resolvemos essa confusão? Luiz Martino
(2001), importante teórico da comunicação, aponta um caminho possível a se seguir – e o
primeiro passo é aceitar a polissemia: 
[…] não se trata de achar a verdade ou eleger um único sentido em detrimento dos vários usos do
termo. A�nal não temos nenhuma razão para negar outras tantas acepções válidas. Ao
tentarmos de�nir um uso para o termo comunicação, o que está em questão é nos colocarmos
de acordo sobre o que falamos, e que por conseguinte nos interessa estudar. Trata-se então de
falar de uma mesma coisa e não de se estabelecer a verdade derradeira sobre o que é
comunicação (Martino, 2001, p. 11). 
O que nos interessa aqui, portanto, não é proclamar o conceito de�nitivo de comunicação, mas
encontrar o sentido que mais se adeque aos nossos objetivos de estudo, trazendo luz à prática
comunicativa e instigando nossa re�exão.
Siga em Frente...
Comunicação: uma prática histórica
Mesmo reconhecendo que a comunicação também pode ser desenvolvida por e entre seres e
coisas, nosso foco será a comunicação humana (considerando seus mais diversos meios e
formatos). Partindo desse ponto de vista, olhar para o passado e compreender em que momento
e contexto surge o termo comunicação é uma ótima pista para delinearmos o conceito que
procuramos.
De acordo com Martino (2001), comunicação vem do latim communicatio – e este termo é
composto por três elementos: a raiz munis, o pre�xo co e o su�xo tio. Munis signi�ca “estar
encarregado de”, enquanto o pre�xo co expressa “simultaneidade, reunião”, e o su�xo tio designa
“atividade”. Communicatio, então, representava uma “atividade realizada conjuntamente”. E foi
este o primeiro signi�cado que o termo recebeu no vocabulário religioso medieval, em que foi
inventado. Mas espera aí: porque os sacerdotes medievais precisaram criar o termo
communicatio?
Martino (2001) explica que, no universo do cristianismo antigo, a vida eclesiástica era marcada
pelo isolamento e pela contemplação. Nessa época, duas correntes monásticas interpretavam
essas práticas de forma distinta: os anacoretas acreditavam na solidão radical e seus monges
viviam completamente sozinhos; já os cenobitas defendiam uma vida em comunidade nos
“cenóbios” (do grego koenóbion), um “lugar onde se vivia em comum”.
Foi nos “cenóbios” que apareceu uma prática designada como communicatio, quando os
monges, então isolados, se reuniam toda noite para “tomar a refeição da noite em comum”. A
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MÍDIA E SOCIEDADE
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peculiaridade da communicatio não está na banalidade do ato de comer, mas de fazer isso
coletivamente, reunindo aqueles que se encontravam isolados.
A originalidade dessa prática �ca por conta dessa ideia de ‘romper o isolamento’, e nisto reside a
diferença entre a communicatio eclesiástica e o simples jantar da comunidade primitiva. Não se
trata, pois, de relações sociais que os homens naturalmente desenvolvem, mas de uma certa
prática, cuja novidade é dada pelo pano de fundo do isolamento. Daí a necessidade de se forjar
uma nova palavra, para exprimir a novidade dessa prática (Martino, 2001, p. 13).
A comunicação como ação coletiva e compartilhada
A história sempre tem muito a nos ensinar – e é recuperando o sentido original da communicatio
que vamos construir nosso conceito de comunicação. Dessa maneira, três características do
termo são essenciais:
A communicatio não designa toda e qualquer relação, mas aquela que se destaca de um
fundo de isolamento.
Na communicatio há a intenção de romper o isolamento.
A communicatio é uma realização em comum.
Assim, comunicar-se não é ter algo em comum no sentido de características ou propriedades
semelhantes, nem ter um hábito coletivo, mas compartilhar um mesmo objeto de consciência em
um processo bem delimitado no tempo.
Desenhar o conceito de comunicação atrelando-o ao seu sentido original e histórico dá “alma” e
signi�cado ao termo. A comunicação é uma invenção, uma prática humana, que rompe o
isolamento e conecta, por um período especí�co, duas consciências distintas em um mesmo
objeto.
Portanto, quando lemos que comunicação é um processo de envio e recebimento de mensagens
por meios verbais ou não verbais entre um emissor eparte em busca das experiências de
entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue de�nir transformações
tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que
imaginam estar falando (Jenkins, 2009, p. 29). 
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Quando tratamos de convergência, é comum a associarmos diretamente à tecnologia,
principalmente aos smartphones, suportes em que imagem, vídeo, áudio, internet, informação,
entretenimento e mais uma in�nidade de coisas convergem. E, de fato, smartphones são
resultados diretos da convergência – mas não seus atores principais. 
A convergência não ocorre por meio de aparelhos, por mais so�sticados que venham a ser. A
convergência ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações
sociais com outros. Cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de pedaços e
fragmentos de informações extraídos do �uxo midiático e transformados em recursos através
dos quais compreendemos nossa vida cotidiana (Jenkins, 2009, p. 30).
Portanto, a ideia de convergência extrapola o âmbito tecnológico, e aí está a necessidade de se
referir a ela como uma nova forma de cultura. A convergência está nas indústrias, nos mercados,
nos públicos e nos relacionamentos. Para Jenkins (2009), até a noção de consumo se alterou,
ganhando contornos mais coletivos, na medida em que somos incentivados a interagir, trocando
ideias sobre quando, como e o que consumimos.
Nesse cenário, a inteligência coletiva emerge como um dos pilares da cultura da convergência.
Nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar as
peças, se associarmos nossos recursos e unirmos nossas habilidades. […] Estamos aprendendo
a usar esse poder em nossas interações diárias dentro da cultura da convergência (Jenkins,
2009, p. 30).
Siga em Frente...
Convergência e plataformas midiáticas 
As plataformas digitais, sobretudo as midiáticas, têm papel fundamental na cultura da
convergência. Ao permitirem (e incentivarem) a interação entre usuários, fazem os �uxos
comunicacionais circularem, alterando a antiga lógica rígida de emissores versus receptores,
adotada pelos meios de comunicação de massa. 
A convergência, como podemos ver, é tanto um processo corporativo, de cima para baixo, quanto
um processo de consumidor, de baixo para cima. A convergência corporativa coexiste com a
convergência alternativa. Empresas de mídia estão aprendendo a acelerar o �uxo de conteúdo de
mídia pelos canais de distribuição para aumentar as oportunidades de lucro, ampliar mercados e
consolidar seus compromissos com o público. Consumidores estão aprendendo a utilizar as
diferentes tecnologias para ter um controle mais completo sobre o �uxo da mídia e para interagir
com outros consumidores (Jenkins, 2009, p. 46). 
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MÍDIA E SOCIEDADE
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O fato da convergência de “cima para baixo” conviver com a de “baixo para cima” não subentende
uma relação sempre harmoniosa – pelo contrário, muitas vezes há con�ito e reações. Desde a
democratização da internet, mídias clássicas são forçadas a se reinventar e se adaptar aos
novos cenários, enfrentando crises de autoridade e audiência. Ainda que a convergência não seja
um “ultimato” aos meios de comunicação de massa, ela representa um risco, “já que a maioria
dessas empresas teme uma fragmentação ou uma erosão em seus mercados. Cada vez que
deslocam um espectador, digamos, da televisão para a internet, há o risco de ele não voltar mais”
(Jenkins, 2009, p. 47).
Que tal retomarmos o exemplo de A mulher da casa abandonada para compreendermos como se
desenham os �uxos comunicativos entre emissores, receptores, plataformas midiáticas e mídia
tradicional?
A primeira constatação que temos é que, como os in�nitos caminhos que alguém pode traçar
para procurar uma informação na internet, os produtos criados dentro da cultura da convergência
vão construindo seus limites sem que o emissor inicial tenha qualquer controle. No caso
analisado, começamos com um podcast, que ganhou repercussão nas redes sociais, sendo
compartilhado, debatido, criticado. Tal engajamento deu novos sentidos e contornos ao material
inicial, já que a ele se somou à produção de conteúdo dos usuários. Acompanhando o interesse
crescente da internet, emissoras de televisão (consideradas mídias de massa) também
passaram a repercutir os desdobramentos do caso – isso sem contar os “�uxos reais”, de
pessoas se deslocando até à casa no bairro paulista, gerando interações off-line. Isso é a cultura
da convergência em movimento, guiada pelos novos modelos de comunicação, pela inteligência
coletiva e pelas plataformas digitais.
A segunda constatação que temos é de que este cenário é irreversível. A interação, a evolução
das plataformas, a transformação da comunicação – nada disso vai regredir, mas progredir. Por
essa razão, cabe a nós, futuros pro�ssionais da área, saber navegar pelos mares agitados da
convergência. 
Vamos Exercitar?
Como bem pontua Jenkins (2009), a convergência é um processo – e não um ponto �nal. Apesar
de analisarmos, re�etirmos e conjecturarmos a respeito das características dessa nova cultura,
nada garante que, em um espaço de poucos anos, tudo seja transformado. A tecnologia evolui
cada vez mais rápido, emprestando essa mesma velocidade à comunicação, aos
relacionamentos e à dinâmica de vida.
Embora essa falta de controle possa parecer aterrorizante, é também fascinante. Você já parou
para pensar que faz parte dessa revolução? Que as portas abertas pela comunicação interativa e
coletiva podem lhe conduzir a lugares e audiências completamente inesperadas? Pense nisso! O
próximo podcast a se tornar um case de cultura da convergência pode ser o seu.
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MÍDIA E SOCIEDADE
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Saiba mais
Se você ainda não ouviu o podcast A mulher da casa abandonada, está mais do que na hora de
ouvir! Além de ser um caso emblemático da cultura da convergência, a série dá ótimas lições de
como conduzir uma narrativa a partir do jornalismo investigativo. O podcast está disponível no
per�l da Folha de S.Paulo nas principais plataformas de streaming.
Que tal se aprofundar mais no diálogo entre mídias tradicionais e internet? O livro TV digital
interativa: convergência das mídias e interfaces do usuário, de João Schlittler e Carlos Costa, é
uma ótima dica. Disponível em sua Biblioteca Virtual.
Referências
CASTELLS, M. A sociedade em rede. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2010.
DIZARD JUNIOR, W. A nova mídia. A comunicação de massa na era da informação. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
JENKINS, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009.
JENKINS, H. Cultura da conexão. São Paulo: Aleph, 2015.
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999.
SCHLITTLER, J. P. A.; COSTA, C. Z. TV digital interativa: convergência das mídias e interfaces do
usuário. São Paulo: Blucher, 2012.
Aula 3
Plataformas Digitais e Relações Sociais
Plataformas digitais e relações sociais
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MÍDIA E SOCIEDADE
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, nós vamos falar do tipo de plataforma digital mais popular no Brasil: as redes
sociais. Somos o terceiro maior consumidor do mundo quando o assunto é rede social. Quais
serão as mais populares? Que implicações podemos tirar desses dados? Aperte o play e vamos
re�etir juntos!
Ponto de Partida
Estudante, chegamos à mais uma aula da disciplina Mídia e Sociedade Contemporânea, que trata
das plataformas digitais. Até aqui, falamos do conceito,da história e do contexto das
plataformas na era da comunicação digital. Nesta aula, vamos falar de como implementar uma
plataforma digital e descobrir quais são as mais utilizadas no Brasil, com foco nas redes sociais
e naquelas voltadas para a música e a educação.
Convidamos você a conhecer a bibliogra�a desta aula para se aprofundar nos assuntos tratados,
além de conferir as dicas de estudo que, com certeza, complementarão o seu aprendizado.
Bom estudo!
Vamos Começar!
Como já pontuamos em outra aula, plataforma digital é um ambiente on-line que conecta quem
produz a quem consome informação e serviços, permitindo uma relação de troca, muito além da
simples compra e venda. Pode ser usada para trabalho, lazer e entretenimento (Patel, 2022). As
plataformas digitais têm inúmeras funcionalidades e servem para diversos objetivos.
Do ponto de vista tecnológico, implementar uma plataforma digital não é tarefa fácil, pois
depende de sólido conhecimento em programação, computação e em sistemas de informação.
Se as plataformas existentes no mercado, pagas e gratuitas, não atenderem a uma demanda
pessoal ou de uma empresa, faz-se necessário criar uma plataforma sob demanda. Por exemplo,
há diversas plataformas para a educação, mas se nenhuma delas atender a uma necessidade
especí�ca de uma determinada escola é necessário criar uma plataforma sob medida.
A maneira mais simples de implementar o uso de uma plataforma digital é criando uma conta
nas já existentes. Há opções para todas as demandas, das tradicionais redes sociais, que
envolvem entretenimento e negócios, às plataformas de educação, serviços bancários, streaming
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etc. Boa parte dessas plataformas tem serviços gratuitos e pagos, sendo que o serviço pago
oferece mais funcionalidades. Para cadastrar-se em cada uma delas é preciso basicamente ter
um e-mail válido, para o qual são enviados uma senha e um link para entrar.
É preciso ter em mente quais objetivos o levam a entrar em uma determinada plataforma – ou
em várias. Vamos citar o caso das redes sociais como Instagram e Facebook. Além dessas duas,
há dezenas de outras redes sociais, umas mais, outras menos conhecidas, algumas para
públicos bem especí�cos. Você não precisa estar necessariamente em todas elas. Veja seu
plano estratégico, quem você representa com essas plataformas e quais públicos quer atingir.
Muitas vezes, mais vale focar duas ou três redes sociais do que estar em mais de dez, sem
conseguir, porém, dar conta de forma otimizada de todas elas. O foco pode ser fundamental no
sucesso. 
As plataformas digitais mais utilizadas no Brasil
As plataformas digitais fazem parte da vida cotidiana moderna, pois são capazes de
proporcionar uma série de facilidades no nosso dia a dia, como pedir comida, comunicar-se com
amigos, estudar e realizar transações bancárias sem sair de casa.
Nesse contexto de mundo altamente conectado e tecnológico, é possível encontrar uma gama
quase in�nita de plataformas digitais, com diversos objetivos e funcionalidades, pagas e
gratuitas. Para Santaella (2017, p. 124), esse universo digital “está provocando um verdadeiro
abalo sísmico nas sociedades humanas”. Já McLuhan (apud Santaella, 2017, p. 123) a�rma que
toda nova tecnologia de comunicação proporciona um ambiente humano totalmente novo:
“Ambientes midiáticos não são meramente passivos, mas intensamente ativos, e criam novas
ecologias que transformam os hábitos, o comportamento, os modos de pensar, de agir, de sentir
e de conviver dos seres humanos”.
Nesse enredo, o Brasil, assim como boa parte do mundo hiperconectado, tem se revelado um
grande consumidor de serviços das diversas plataformas digitais, haja vista que o país tem 152
milhões de pessoas com acesso à internet (Leon, 2021), que também utilizam plataformas, já
que elas “trabalham convergindo tudo o que há de mais valioso nos dias de hoje: conectam
interesses e pessoas, otimizando tempo” (Patel, 2022).
As plataformas digitais oferecem diversos serviços e, no geral, são de fácil uso, além de
acessíveis, por isso que em países como o Brasil são bastante populares. Para cada segmento
do público, incluindo faixa etária, teríamos uma lista diferente das plataformas mais utilizadas.
No âmbito das redes sociais, as preferidas dos brasileiros são Facebook, Instagram, WhatsApp,
YouTube e TikTok.
Essas são as mais populares, mas não são as únicas. Por trás desses conglomerados de
comunicação global, há uma economia bastante pujante nos negócios digitais, o que Castells
(2010) chama de era do capitalismo informacional. Nesse contexto, grandes empresas nacionais
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e internacionais visam se adaptar para oferecer conteúdo aos milhões de clientes com per�l de
consumo bastante diferente. Assistir �lmes não signi�ca necessariamente ir ao cinema; assistir
a uma série não signi�ca necessariamente ver televisão. As plataformas digitais de streaming
estão aí para mostrar isso. As opções no Brasil são variadas e vão da popular Net�ix a
semelhantes como Disney+, Amazon Vídeo e Globoplay, sem esquecer do YouTube.
Vale lembrar que esse cenário é naturalmente dinâmico. Novos hábitos, necessidades e a busca
por novidades por parte da sociedade o fazem bastante volátil e concorrido entre as gigantes da
comunicação no Brasil e no mundo. Oferecer bons serviços a preços atrativos parece ser a
estratégia deste mercado em busca dos novos consumidores de mídia via plataformas digitais.
Siga em Frente...
Precisamos falar de redes sociais
Por sua enorme popularidade, as redes sociais acabam sendo a principal referência quando o
assunto são as plataformas digitais. No entanto, como temos visto até este momento, elas são
apenas um dos muitos tipos de plataforma. Por isso, nunca é demais reforçar que redes sociais
e plataformas digitais não são termos sinônimos. Toda rede social é uma plataforma digital, mas
nem toda plataforma digital é uma rede social.
Dito isso, é importante analisarmos alguns dados para termos uma visão mais completa quando
o assunto é consumo de redes sociais no Brasil. De acordo com a pesquisa divulgada pela
Comscore em 2023, nosso país é o terceiro que mais acessa redes sociais no mundo, �cando
atrás apenas de Índia e Indonésia. 
A análise “Tendências de Social Media 2023” mostra que os 131,5 milhões de usuários
conectados no Brasil têm passado cada vez mais tempo na internet, em especial nessas
plataformas. A categoria foi a mais consumida em dezembro de 2022, somando 356 bilhões de
minutos, o que equivale a 46 horas de conexão por usuário no mês, e representa um aumento de
31% em relação a janeiro de 2020. Além disso, a audiência dessas plataformas superou o tempo
despendido em categorias múltiplas, serviços, entretenimento, trabalho, presença corporativa,
varejo, serviços �nanceiros, entre outras (Pacete, 2023). 
A pesquisa também investigou quais plataformas têm mais consumo cruzado – ou seja, as
redes sociais que apresentam sobreposição no consumo dos usuários. “As que se destacam
são: Instagram e TikTok em relação ao YouTube, 99,1% dos usuários que acessam ambas
também acessam o canal de vídeos.” (Pacete, 2023).
Por �m, é interessante observar as diversas categorias que mais engajam os consumidores nas
redes sociais. No Facebook, os usuários gostam de viagens e telecomunicações; no Instagram,
viagens e saúde; e, no TikTok, telecomunicações e games.
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Tais dados adiantam as diferenças de per�l de usuário entre uma rede social e outra, sem deixar
de mostrar que uma mesma pessoa pode acessar simultaneamente várias plataformas. Isso
também explica o tempo médio despendido em frente às telas pelos brasileiros: 46 horas
mensais. 
Plataformas digitais para música e educação
As plataformas digitais têm inúmeras funções, objetivos e funcionalidades. Existem muitas
plataformas de entretenimento e tantas outras de educação, por exemplo. No campo da cultura,
elas mudaram radicalmente o modelo de negócios na músicae a forma como a sociedade a
consome.
Podemos considerar que tudo isso aconteceu com advento do iPod pela Apple, que revolucionou,
a partir daí, a indústria da música. “O dispositivo, principal antecessor do iPhone, foi sensação
nos anos 2000 e ajudou a revolucionar a relação com a música” (Loubak, 2021). Até a chegada
do iPod, os tocadores de MP3 da época não funcionavam muito bem, devido a questões de
memória, bateria e qualidade do áudio, mas o novo dispositivo propôs uma nova experiência para
ouvir música. 
Em junho de 2002, a segunda geração do iPod se tornou compatível com o sistema operacional
Windows, o que facilitou a proliferação do aparelho. A publicidade também �cou mais forte,
trazendo �guras importantes da música para reforçar a marca: Mick Jagger, Bono Vox, Madonna,
entre outros nomes, estiveram envolvidos nas campanhas do iPod (Loubak, 2021). 
Na esteira dessa novidade, o iTunes também impactou bastante o mercado e a cultura da
música. A plataforma servia como uma espécie de player multimídia do iPod, funcionando como
hub de mídia da Apple. No entanto, embora tenha feito muito sucesso e, talvez, tenha sido a
grande plataforma pioneira e executora de música digital, já não existe mais. Atualmente, o
Spotify é a plataforma digital de música mais popular no Brasil e no mundo. Trata-se de um
serviço de streaming de áudio (música e podcasts) desenvolvido pela startup Spotify AB, na
Suécia, e ativo desde 2008.
A plataforma Deezer também se destaca entre as executoras de música, sendo um serviço de
streaming de áudio, lançado em 2007, e presente em mais de 180 países. De acordo com o site
da plataforma, atualmente são mais de 90 milhões de músicas disponíveis, mais de 100 milhões
de playlists e mais de 4 milhões de programas de áudio em seu acervo, a exemplo de podcasts.
Além de entretenimento, as plataformas digitais também oferecem opções para a educação. De
um modo geral, cada instituição de ensino, seja de nível básico, médio ou superior, tem a sua
própria plataforma digital de educação. Essa série de interfaces virtuais para o uso educativo
tem sido chamada de ambiente virtual de aprendizagem, conhecido também pela sigla AVA, a
exemplo das plataformas Moodle, BlackBoard e Canvas.
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Os AVAs são sistemas que permitem a realização de aulas on-line (e demais estruturas de um
ambiente educacional, com secretaria, biblioteca etc.), e podem ser criados por pro�ssionais de
programação e sistemas de informação. Um exemplo do AVA é o sistema virtual de
universidades para os seus cursos de graduação EAD.
Moodle, que é um ambiente virtual de aprendizagem, é uma plataforma digital de educação de
código aberto para a criação de cursos on-line. Sua sigla signi�ca Modular Object-Oriented
Dynamic Learning Environment, ou seja, ambiente de aprendizado modular orientado ao objeto.
“O Moodle funciona como uma sala de aula online onde professores podem disponibilizar
material didático e propor tarefas interativas, como testes e discussões em fóruns” (Loubak,
2019).
Vamos Exercitar?
Depois desta aula, esperamos que você tire um tempinho para re�etir a respeito de seu próprio
uso das plataformas digitais. Que tipo de usuário você é? Quanto tempo você dedica às redes
sociais? Você faz consumo cruzado? Que papel as plataformas têm desempenhado na sua vida?
Começar olhando para dentro é uma forma corajosa de encarar a realidade e os impactos
irreversíveis que a era digital proporciona. Se o mundo alterou a forma de construir e manter as
relações sociais, é natural que você também faça parte disso. No entanto, como pro�ssional de
comunicação, você precisa ser um agente ativo – utilizando as plataformas digitais com
consciência e senso crítico.
Saiba mais
Que tal pensar um pouco mais a respeito dos impactos da era digital em nossa vida? O livro
Vivendo esse mundo digital, de Cristiano Abreu e colegas, é um ótimo convite para a re�exão.
Disponível em sua Biblioteca Virtual. 
Faz parte do aprendizado �car bem-informado em relação a todas as novidades quando o
assunto é mídia, marketing e comunicação. Nesse sentido, o portal da revista Meio e Mensagem
funciona muito bem como fonte de informação. Vale o clique! 
Referências
ABREU, C. N.; EISENSTEIN, E.; ESTEFENON, S. G. B. Vivendo esse mundo digital. Porto Alegre:
Grupo A, 2013. 
CASTELLS, M. A sociedade em rede. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 2010. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788582710005/pageid/0
https://www.meioemensagem.com.br/
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DEEZER. Página inicial. Disponível em: https://www.deezer.com/br. Acesso em: 4 fev. 2024. 
FRANZÃO, L. 20 anos do iPod: Conheça a história do produto que mudou a história da música.
CNN Brasil, 23 out. 2021. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/20-anos-do-
ipod-conheca-a-historia-do-produto-que-mudou-a-historia-da-musica/. Acesso em: 20 mar. 2022. 
LÉON, L. P. O Brasil tem 152 milhões de pessoas com acesso à internet. Agência Brasil, 23 ago.
2021. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-08/brasil-tem-152-
milhoes-de-pessoas-com-acesso-
internet#:~:text=Pesquisa%20promovida%20pelo%20Comit%C3%AA%20Gestor,anos%20t%C3%A
Am%20internet%20em%20casa%3E. Acesso em: 20 mar. 2022. 
LOUBAK, A. L. O que é Moodle? Conheça a plataforma de ensino à distância. TechTudo, 2 out.
2019. Disponível em: https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/10/o-que-e-moodle-conheca-a-
plataforma-de-ensino-a-distancia.ghtml. Acesso em: 20 mar. 2022. 
PACETE, L. G. Brasil é o terceiro maior consumidor de redes sociais em todo o mundo. Forbes
Tech, 9 mar. 2023. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/03/brasil-e-o-terceiro-
pais-que-mais-consome-redes-sociais-em-todo-o-mundo/. Acesso em: 4 fev. 2024. 
PATEL, N. Plataformas digitais: o que são e quais as melhores para sua empresa. Disponível em:
https://neilpatel.com/br/blog/plataformas-digitais/. Acesso em: 19 mar. 2022. 
RIBEIRO, F. Apple anuncia o �m do iTunes; Relembre a importância do controverso aplicativo.
Canaltech, 4 jun. 2019. Disponível em: https://canaltech.com.br/software/apple-anuncia-o-�m-
do-itunes-relembre-a-importancia-do-controverso-aplicativo-140879/. Acesso em: 20 mar 2022. 
SANTAELLA, L. Redação publicitária digital. Curitiba: Intersaberes, 2017.
Aula 4
Plataformas Digitais: Um Olhar Crítico
Plataformas digitais: um olhar crítico
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https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-08/brasil-tem-152-milhoes-de-pessoas-com-acesso-internet#:~:text=Pesquisa%20promovida%20pelo%20Comit%C3%AA%20Gestor,anos%20t%C3%AAm%20internet%20em%20casa%3E
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-08/brasil-tem-152-milhoes-de-pessoas-com-acesso-internet#:~:text=Pesquisa%20promovida%20pelo%20Comit%C3%AA%20Gestor,anos%20t%C3%AAm%20internet%20em%20casa%3E
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-08/brasil-tem-152-milhoes-de-pessoas-com-acesso-internet#:~:text=Pesquisa%20promovida%20pelo%20Comit%C3%AA%20Gestor,anos%20t%C3%AAm%20internet%20em%20casa%3E
https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2021-08/brasil-tem-152-milhoes-de-pessoas-com-acesso-internet#:~:text=Pesquisa%20promovida%20pelo%20Comit%C3%AA%20Gestor,anos%20t%C3%AAm%20internet%20em%20casa%3E
https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/10/o-que-e-moodle-conheca-a-plataforma-de-ensino-a-distancia.ghtml
https://www.techtudo.com.br/noticias/2019/10/o-que-e-moodle-conheca-a-plataforma-de-ensino-a-distancia.ghtml
https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/03/brasil-e-o-terceiro-pais-que-mais-consome-redes-sociais-em-todo-o-mundo/https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/03/brasil-e-o-terceiro-pais-que-mais-consome-redes-sociais-em-todo-o-mundo/
https://neilpatel.com/br/blog/plataformas-digitais/
https://canaltech.com.br/software/apple-anuncia-o-fim-do-itunes-relembre-a-importancia-do-controverso-aplicativo-140879/
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Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, nós vamos analisar dados e pesquisas que tratam do acesso à internet e do uso
das redes sociais no Brasil. O que será que os números têm para nos mostrar a respeito da
nossa realidade? Como podemos utilizá-los para re�etir a respeito dos impactos das plataformas
digitais em nossa vida? Aperte o play e venha pensar conosco!
Ponto de Partida
Na última aula, nós acompanhamos que, de acordo com a pesquisa realizada pela Comscore em
2023 (Pacete, 2023), o Brasil é o terceiro maior consumidor de redes sociais no mundo.
Ultrapassamos países que, classicamente, eram associados ao alto uso da internet, como
Estados Unidos, por exemplo. No pódio, dividimos lugar com Índia e Indonésia – ambas nações
em desenvolvimento, à semelhança do Brasil.
Mais do que nos surpreendermos com esses dados e, eventualmente, compartilhá-los em
conversas com amigos, precisamos nos inquietar. O que esses números dizem para além dos
seus valores matemáticos? Quais são as consequências do consumo exacerbado de
plataformas digitais, como as redes sociais? Vamos juntos re�etir a esse respeito!
Vamos Começar!
131,5 milhões de usuários. 356 bilhões de minutos. 46 horas de conexão mensais. Pois é. Se
fôssemos pensar em horas ininterruptas, o brasileiro dedica quase dois, dos 30 dias de cada
mês, conectado às redes sociais. Bastante, não é mesmo?
Esses dados, levantados pela Comscore em 2023 (Pacete, 2023), mostram a preferência do
nosso país pelas plataformas digitais sociais, superando todas as outras, como trabalho,
serviços �nanceiros, entretenimento, varejo. Ainda de acordo com o estudo, as redes mais
acessadas pelos brasileiros são o YouTube (com incríveis 96,4% de alcance), Facebook e
Instagram. TikTok e Kwai aparecem logo atrás.
Agora, preste atenção nesses números: Facebook, X (antigo Twitter) e Instagram, juntos,
somaram 15,6 bilhões de ações durante todo o ano de 2022; 10 milhões de conteúdos e 230,8
milhões de compartilhamentos. O Instagram segue sendo a rede de maior volatilidade, no
entanto, é a que concentra a maior cota de ações e comentários entre usuários e marcas.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Nós sabemos que esses dados surpreendem – mas o que eles contam sobre o nosso consumo
das plataformas digitais? Quais implicações eles têm? Você, como futuro pro�ssional da
comunicação, deve ter um interesse ainda maior em pensar a respeito desses números, porque
eles são uma representação direta dos novos comportamentos atrelados à era digital. É com
esses consumidores que você vai falar; são eles a quem você informar, instruir e por aí vai. Por
essa razão, quanto mais preparado você estiver, melhor se sairá no planejamento de estratégias
editoriais e de comunicação. Sem contar o exercício crítico, importantíssimo para criar pessoas
mais atentas e conscientes do seu papel social. 
Compreendendo o cenário brasileiro
Para compreender esses dados de forma mais contextualizada, é necessário abrir o campo de
visão e combinar resultados de diferentes pesquisas. Por isso, começaremos comparando o
consumo das redes sociais no Brasil com o acesso à internet pelo país. De acordo com os
números divulgados pelo IBGE em 2023, pouco mais de 80% dos lares brasileiros têm acesso à
internet. Esse percentual, no entanto, é uma média – o que signi�ca que ele se altera
dependendo da região que analisarmos. 
De acordo com a pesquisa, a conectividade dos domicílios é maior na área urbana, sendo 82%
das residências com internet. Já na zona rural, a inclusão digital chegou a 68% dos domicílios. A
Região Centro-Oeste é a que apresenta maior quantidade de residências com acesso à internet
(83%), seguida do Sudeste (82%), Sul (81%), Nordeste (78%) e Norte (76%). Os principais tipos de
conexão utilizados são �bra óptica ou cabo e rede móvel 3G/4G (Ascom, 2023). 
Apesar de 80% parecer um índice alto, ele revela que 20% dos lares do país não têm acesso à
internet. São 36 milhões de pessoas à margem da era digital. E esse número �ca ainda mais
signi�cativo quando fazemos o recorte por cor, idade e classe socioeconômica: desses 36
milhões, 58% são pessoas negras, a maioria pertencente às classes D e E, com mais 45 anos e
com baixa escolaridade.
Isso mostra que o Brasil tem um claro recorte sociorracial quando tratamos de exclusão digital,
evidenciando o quanto ainda precisamos evoluir no acesso democrático à internet e às novas
tecnologias. Sermos o terceiro país do mundo em consumo de redes sociais não signi�ca dizer
que todos temos acesso a essas plataformas. Pelo contrário – trata-se de um abismo no qual
dezenas de milhões de pessoas sequer têm contato com computadores, celulares e aplicativos.
Siga em Frente...
Sobre redes sociais e saúde mental
E como �ca nossa saúde mental quando falamos do consumo excessivo das redes sociais?
Embora muitos estudos ainda precisem ser desenvolvidos no Brasil, iniciativas realizadas por
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MÍDIA E SOCIEDADE
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outros países já apontam algumas tendências preocupantes.
Em 2023, uma pesquisa orientada pelo psicólogo e pesquisador Jean Twenge, da Universidade
de Michigan, nos Estados Unidos, mostrou que, quando analisamos a Geração Z (ou seja,
pessoas nascidas entre a segunda metade da década de 1990 e 2010), há uma relação
signi�cativa entre ascensão das redes sociais, tempo gasto em frente às telas e o aumento da
depressão entre os adolescentes.
O estudo, que é feito desde 1991, apontou que, em 2023, quase metade dos 50 mil adolescentes
pesquisados concordou com frases como: “não consigo fazer nada direito”; “não aproveito a
vida”; e “minha vida é inútil”. 
[…] as taxas de sintomas depressivos em adolescentes aumentaram enormemente desde a
popularização em massa do smartphone no início de 2010. “Não há dúvida de que essa é a
principal causa do aumento da depressão adolescente agora”, disse [Jean] Twenge. “É de longe a
maior mudança na vida cotidiana dos adolescentes nos últimos 10 a 12 anos. Nada se compara.”
(Sousa, 2023). 
Os resultados obtidos pela pesquisa têm muita gravidade – e é primordial que comunicadores e
consumidores de redes sociais se debrucem sobre esses dados sem ter medo de re�etir, analisar
e repensar suas atitudes, tanto no âmbito pro�ssional quanto no âmbito pessoal.
É muito comum encontrarmos matérias e artigos pela internet que mostram apenas o lado bom
do crescimento das redes sociais, salientando a dinamização e democratização da produção de
conteúdo; os novos nichos de mercado; as inovações do marketing digital. E de fato, são
tendências promissoras, mas que não podem ser analisadas sem contexto e, principalmente, não
podem negligenciar a parte mais importante disso tudo: por trás de todo usuário da internet e
das redes sociais existe uma pessoa. E nós somos muito mais complexos que os nossos
avatares. 
Abundância versus escassez nas plataformas digitais
Martha Gabriel, uma das principais pesquisadoras brasileiras da área da tecnologia e da
inovação, defende que enxerguemos a era digital e suas plataformas a partir de dois polos: o da
abundância e o da escassez.
É evidente que a tecnologia é uma ferramenta fantástica para transformar escassez em
abundância, assim como as redes sociais. Com poucos toques na tela de um smartphone,
somos inundados por conexões, entretenimento e informação. Tudo isso seduz, preenche.
Depois da internet e das plataformas digitais, sentir tédio é quase uma escolha. Porém, como
qualquer escolha, existem consequências.E é neste ponto que encontramos o polo da escassez
– escassez de tempo, de silêncio, de privacidade.
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MÍDIA E SOCIEDADE
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Nossa fuga do tédio tem sérios efeitos colaterais, porque o tédio é uma dor, uma frustação
necessária. O tédio, quando se instala, recruta nossos recursos internos de regulação, ativando
nosso autoconhecimento e nossa criatividade. Se nós não deixamos o tédio vir,
consequentemente, não deixamos nosso cérebro descansar, gerando sobrecarga. Tal sobrecarga
gera ansiedade. Ansiedade gera estresse – e o estresse pode desencadear uma série de outras
coisas, inclusive doenças, como a depressão.
Você percebe como todas as questões estão conectadas? Por isso é tão importante re�etir
sobre pesquisas, tendências de mercado, de comportamento etc. A�nal, os dados são apenas
fragmentos de uma realidade muito mais complexa.
Vamos Exercitar?
Nós temos certeza de que a análise que �zemos nesta aula lhe tocou em algum ponto –
principalmente porque nós todos somos parte dessa realidade. Nós somos os usuários
brasileiros que alçamos o país ao pódio dos maiores consumidores das redes sociais. Que
consequências diretas esse uso excessivo tem na sua dinâmica de vida? Como anda sua saúde
mental? Tire um tempo para pensar nisso, e peça ajuda, se necessário!
Também queremos propor um desa�o: na próxima vez que o tédio aparecer por aí, antes de
acionar seu smartphone, deixe-o �car por uns minutinhos – ele pode até não ser uma ótima
companhia, mas é um amigo mais do que necessário.
Saiba mais
Que tal assistir a palestra completa da professora Martha Gabriel com o tema abundância e
escassez na era digital? Ela está disponível na plataforma TED Talks. Vale o clique!
Outra dica de outro é o livro Você, Eu e os Robôs, também de Martha Gabriel. A obra é um manual
acessível e prático para nos movermos em meio às transformações contemporâneas. Disponível
em sua Biblioteca Virtual.
Referências
36 milhões de pessoas no Brasil não acessaram a internet em 2022, diz pesquisa. G1, 16 maio
2023. Disponível em: https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/05/16/36-milhoes-de-
pessoas-no-brasil-nao-acessaram-a-internet-em-2022-diz-pesquisa.ghtml. Acesso em: 5 de fev.
2024.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597028140/epubcfi/6/2%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dcover%5D!/4/2/2%4051:2
https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/05/16/36-milhoes-de-pessoas-no-brasil-nao-acessaram-a-internet-em-2022-diz-pesquisa.ghtml
https://g1.globo.com/tecnologia/noticia/2023/05/16/36-milhoes-de-pessoas-no-brasil-nao-acessaram-a-internet-em-2022-diz-pesquisa.ghtml
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ASCOM. 80% dos domicílios brasileiros possuem acesso à internet, aponta pesquisa. Ascom –
Ministério das Telecomunicações,  17 maio 2023. Disponível em: https://www.gov.br/mcom/pt-
br/noticias/2023/maio/80-dos-domicilios-brasileiros-possuem-acesso-a-internet-aponta-
pesquisa. Acesso em: 5 fev. 2024.
GABRIEL, M. Você, Eu e os Robôs – Como se Transformar no Pro�ssional Digital do Futuro. São
Paulo: Grupo GEN, 2021. E-book. ISBN 9788597028140. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788597028140/. Acesso em: 5 fev. 2024.
JENKINS, H. A cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009.
PACETE, L. G. Brasil é o terceiro maior consumidor de redes sociais em todo o mundo. Forbes
Tech, 9 mar. 2023. Disponível em: https://forbes.com.br/forbes-tech/2023/03/brasil-e-o-terceiro-
pais-que-mais-consome-redes-sociais-em-todo-o-mundo/. Acesso em: 4 fev. 2024. 
SOUSA, D. Número de adolescentes que ‘não aproveitam a vida’ dobrou com as redes sociais.
Istoé Dinheiro, 20 jun. 2023. Disponível em: https://istoedinheiro.com.br/numero-de-
adolescentes-que-nao-aproveitam-a-vida-dobrou-com-as-redes-sociais/. Acesso em: 5 fev. 2024.
Aula 5
Novas plataformas de comunicação
Novas plataformas de comunicação
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Nesta videoaula faremos o encerramento da Unidade 2, destacando a competência desenvolvida
e os resultados de aprendizagem esperados. Nós vamos destacar, ainda, os conceitos e
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https://istoedinheiro.com.br/numero-de-adolescentes-que-nao-aproveitam-a-vida-dobrou-com-as-redes-sociais/
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re�exões mais importantes para que você, futuro pro�ssional da comunicação, mantenha-se
atento e alinhado às principais tendências do mercado.
Vamos juntos? 
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta unidade, que é interpretar a evolução das plataformas
digitais enquanto meios de comunicação, você precisa, primeiramente, conhecer o conceito de
plataforma digital. Embora as de�nições variem de um pesquisador para outro, de uma maneira
geral, podemos entender as plataformas digitais como “bases tecnológicas capazes de
promover a produção, o armazenamento, a recuperação, a disseminação de informações e
interações, de maneira dialógica ou não dialógica, entre seus usuários”. (Albuquerque; Silva,
2021, p. 67).
Simpli�cando ainda mais, plataformas digitais funcionam como canais de comunicação
baseados em tecnologia – por isso, a interação é seu elemento central. É justamente por sua
“alma interativa” que as plataformas digitais representam uma verdadeira revolução no campo
comunicativo. Elas recon�guram os �uxos e as práticas, até então baseadas em mídias de
massa, em que um emissor produzia mensagens genéricas destinadas a receptores-modelo,
cujas individualidades eram quase sempre ignoradas. Nessa forma de comunicação, era muito
difícil promover um diálogo efetivo entre audiência e meio.
O �nal do século XX viu o acesso à internet ser democratizado e, com ele, a ascensão das
plataformas digitais. Em poucos anos, a interação se tornou palavra de ordem, reorganizando
não só nossa comunicação, mas as maneiras de nos relacionarmos, de nos comportarmos,
como e o que consumirmos. En�m, a tecnologia e suas plataformas inauguraram novas formas
de pensar e viver – reunidas no conceito de cultura da convergência.
É Henry Jenkins (2009), na primeira década dos anos 2000, quem percebe e sintetiza as
características desse novo momento cultural. 
Por convergência, re�ro-me ao �uxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à
cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos
dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de
entretenimento que desejam. Convergência é uma palavra que consegue de�nir transformações
tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais, dependendo de quem está falando e do que
imaginam estar falando (Jenkins, 2009, p. 29). 
Compreender do que se trata e como funciona a cultura da convergência é muito natural para
nós – a�nal, nós vivemos e a praticamos todos os dias. Fazemos parte do movimento
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convergente, mas nem por isso devemos nos deixar levar pelas circunstâncias, sem re�etir a
respeito delas.
É daí que vem a necessidade de interpretarmoso uso das plataformas digitais e seu novo tipo de
comunicação. As transformações que atravessam o tecido social também atravessam o
mercado de trabalho, rede�nindo práticas, competências, habilidades e sensibilidades. O
pro�ssional de comunicação do século XXI deve ser capaz de combinar curiosidade com senso
crítico, abrindo-se às inovações sem fechar os olhos para as consequências que elas podem
trazer.
Por tudo isso, reforçamos que aprender e questionar nunca é demais. Um pro�ssional atento à
sua realidade é também um cidadão consciente de seu papel social. 
Bons estudos! 
É Hora de Praticar!
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Letícia é uma estudante do curso de jornalismo e acaba de conseguir um estágio no jornal
impresso mais antigo de sua cidade – o Jornal do Povo. Apesar de ter resistido bravamente às
transformações tecnológicas e oscilações no número de assinantes, o periódico se viu obrigado
a adequar seu formato e sua forma de comunicação com o público nos últimos três anos. Além
de manter um portal de notícias on-line, reduziu a tiragem impressa a um quinto do que
costumava circular no início dos anos 2000.
A diretoria do Jornal do Povo, no entanto, sabe que essas mudanças são insu�cientes – e, se
quiserem continuar �rmes no mercado, precisam se adaptar e se reinventar na era digital. A
chegada de Letícia e de outros jovens estagiários foi uma aposta da diretoria para “oxigenar” a
redação e a forma de pensar do jornal.
Como primeiro desa�o, o time de jovens jornalistas recebeu a tarefa de elaborar um plano-piloto
de inserção do Jornal do Povo nas redes sociais, criando um per�l o�cial. À Letícia, coube a
tarefa de pesquisar qual seria a rede social mais adequada para o início do processo.
Se você fosse Letícia, quais caminhos seguiria para levantar os dados necessários? 
Que papéis as plataformas digitais exercem atualmente em nosso cotidiano?
Quais impactos diretos as plataformas digitais trazem para a minha pro�ssão?
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Meu uso das plataformas digitais, especialmente as sociais, tem oscilado mais entre o polo da
abundância ou da escassez? 
Existem várias maneiras de reunir dados, pesquisas e informações para a tarefa de Letícia, ainda
mais se levarmos em consideração a inteligência coletiva e o ambiente altamente interativo
proporcionado pela internet. Na web, cada usuário pode criar seu próprio caminho – por isso que
destacamos, aqui, apenas uma das possibilidades de resolução deste estudo de caso.
O primeiro passo de Letícia deve ser estipular, com a diretoria do jornal, que tipo de público eles
pretendem alcançar com as redes sociais. Qual seria o per�l médio de usuário? Jovens e
adolescentes? Adultos? Idosos? Estabelecer uma faixa etária já auxilia a pensar quais redes
sociais se encaixam e quais não. Outra preocupação deve ser o tipo de conteúdo que o jornal
pretende oferecer. O formato principal serão vídeos? Imagens? Textos? Áudios? Cada plataforma
recebe melhor (e engaja melhor, consequentemente) determinados tipos de conteúdo. Sem
contar que o próprio público-alvo tem suas preferências.
De�nindo per�l de público e formato de conteúdo, Letícia já terá boas indicações de quais redes
sociais sugerir, levando a uma escolha mais assertiva para o Jornal do Povo. 
Plataformas digitais ocupam papel central na forma de agir e de se comunicar da sociedade
contemporânea. Por essa razão, preparamos um mapa mental indicando seu conceito e alguns
tipos mais populares de plataforma.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Figura 1 | Plataformas digitais
ALBUQUERQUE, A.; SILVA, T. Plataformas digitais e departamentos de comunicação/relações
públicas: uma revisão sistemática. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, n.
42, 2021. Disponível em: http://www.risti.xyz/issues/risti42.pdf. Acesso em: 20 fev. 2022.
DIZARD JUNIOR, W. A nova mídia. A comunicação de massa na era da informação. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000.
JENKINS, H. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2009.
JENKINS, H. Cultura da conexão. São Paulo: Aleph, 2015.
MARTINO, L. M. S. Teoria das mídias digitais. Rio de Janeiro: Vozes, 2014. 
SILVA, G. C.; SANTOS, M. F. L.; SANSEVERINO, G. G.; MESQUITA, L. Como as plataformas digitais
provocaram uma ruptura no modelo de jornalismo consolidado no século XX. Revista Eptic, v. 22,
n. 1, 2020. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/eptic/article/view/12124. Acesso em: 20
fev. 2022.
,
http://www.risti.xyz/issues/risti42.pdf
https://seer.ufs.br/index.php/eptic/article/view/12124
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Unidade 3
Produtos, processos e discursos midiáticos
Aula 1
Comunicação e Mídia
Comunicação e mídia
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Dica para você
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Olá, estudante!
Depois de passearmos pelas plataformas digitais e as novas formas de comunicação, está na
hora de conhecermos os conceitos de mídia e sociedade de massa. Você vai ver que essas
estruturas e �uxos comunicativos ainda movem nossa sociedade e estão longe de serem
superados. Vamos nessa? 
Ponto de Partida
Imagine que você vive em um mundo no qual não existe mídia impressa, não há jornais ou
revistas. Conseguiu imaginar? E um mundo sem rádio? Tente pensar na sala da sua casa sem a
presença da televisão. Talvez esteja �cando mais difícil. E como seria a sua vida sem celular?
Agora, a cartada �nal: você consegue conceber sua vida sem a internet? Conseguiria passar um
mês sem acesso à rede? Uma semana? Um dia? Algumas horas pelo menos?
Esse exercício nos coloca diante do fato de que, atualmente, é praticamente impossível pensar
nossa vida sem a intermediação da mídia. Qualquer que seja o seu formato, ela é uma instância
onipresente no nosso cotidiano. Mais do que instrumentos de transmissão de mensagens, os
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MÍDIA E SOCIEDADE
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meios de comunicação se tornaram a forma pela qual apreendemos nossa realidade. Como
a�rma Luhmann: “aquilo que sabemos sobre nossa sociedade, ou mesmo sobre o mundo no qual
vivemos, o sabemos pelos meios de comunicação.” (Luhmann, 2005, p. 15).
Nos relacionamos com o mundo através da mídia sem que tenhamos consciência disso ou
mesmo possibilidade de escolha. Como de�ne Sodré (2013), estamos imersos nesse bios
midiático, isto é, todas as nossas relações, sejam elas sociais, econômicas, culturais ou políticas,
são atravessadas pela mídia, suas tecnologias, linguagens e estética.
Por essa razão é tão importante re�etir a respeito do conceito de mídia, da comunicação
midiática e de todos os processos que se engendram a partir dela. Vamos aprender juntos?
Vamos Começar!
Mídia e comunicação midiática
Falar de comunicação midiática passa pela necessidade de uma concepção clara e precisa do
que esse adjetivo implica – isto é, que características particulares a mídia confere à
comunicação.
Segundo o dicionário Priberam da Língua Portuguesa (2021), midiática (mídia + ática) é um
adjetivo que indica algo 1. Relativo à mídia; 2. Que é transmitido, difundido pela mídia. Então, o
primeiro conceito a se de�nir é: o que é mídia?
De acordo com Perassi e Meneghel (2011), “a mídia é o sistema físico que suporta, veicula e
canaliza ou comunica a informação como mensagem”. Quer dizer, a mídia é o sistema físico ou
suporte que, no mundo contemporâneo, faz com que mensagens e informações percorram o
caminho entre emissor e receptor, podendo ser chamado também de mediador, de onde vem a
palavra mídia (media). 
Mídia e comunicação de massa
A história da comunicação midiática está diretamente relacionada ao desenvolvimentodo
sistema capitalista, mais especi�camente à chamada Revolução Industrial (meados do século
XIX), uma continuação do processo de industrialização iniciado um século antes na Inglaterra
(por volta de 1760). Neste momento, o mundo passava por profundas mudanças em várias
esferas: tecnológicas (transporte, comunicação), industriais (novas fontes de energia e aço) e
sociais (aumento da população urbana provocado pelo êxodo rural e pela industrialização).
Thompson (1998) relata que, para atender ao aumento das demandas de um número cada vez
maior de pessoas vivendo nas cidades, tanto a produção quanto a distribuição de bens passaram
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
a ser realizadas em grande escala – ou em massa. Por extensão, a massa passa a ser utilizada
para descrever também a sociedade.
O termo sociedade de massa é utilizado como referência à condição das sociedades surgidas no
seio do sistema capitalista, em que formas tradicionais de associação como comunidade,
classe, etnicidade e religião perderam sua centralidade dando lugar a uma organização social
burocratizada e de grande escala, estruturada para atender às necessidades do sistema. 
Assim, sociedade de massa de�ne uma sociedade marcada pela produção, distribuição e
consumo de bens e serviços em larga escala, guiada por modelos de comportamento
generalizados e que participa da vida cultural e política segundo estes mesmos modelos, num
processo mediado pelos meios de comunicação (Hall, 1996, p. 720-722). 
E aqui encontramos o que particularmente nos interessa nesta aula. No decorrer do século XIX,
ao mesmo tempo que as transformações tecnológicas permitiram o desenvolvimento técnico
dos meios de comunicação capazes de transmitir mensagens a um número cada vez maior de
pessoas, a estruturação desses meios se dá com base nas regras do mercado capitalista. Assim,
chamamos de comunicação de massa o processo industrializado de produção e distribuição de
mensagens culturais para a coletividade, por meio de veículos mecânicos
(elétricos/eletrônicos/digitais), com o objetivo de informá-la, educá-la, entretê-la ou persuadi-la.
Como de�ne Thompson: 
Comunicação de massa refere-se, portanto, à uma série de fenômenos que emergiram
historicamente através do desenvolvimento de instituições que procuram explorar novas
oportunidades para reunir e registrar informações, para produzir e reproduzir formas simbólicas,
e para transmitir informação e conteúdo simbólico para uma pluralidade de destinatários em
troca de algum tipo de remuneração �nanceira (Thompson, 1998, p. 32). 
Se os produtos, processos e discursos midiáticos na sociedade contemporânea são realizados e
transmitidos por meios de comunicação que se organizam segundo o modelo industrial,
compreender as características dessa mediação e as consequências (planejadas ou não) dessa
estrutura justi�cam a relevância do tema. A relação que estabelecemos com esses meios já está
tão entranhada na nossa sociedade que pouco nos damos conta de seus impactos.
Segundo Chauí (2006), é possível identi�car algumas características do fenômeno da
comunicação de massa:
A comunicação de massa envolve certos meios institucionais de produção e de difusão: o
desenvolvimento das indústrias da mídia tornou possível a produção e a difusão
generalizada das formas simbólicas.
Mercantilização das formas simbólicas: os objetos produzidos pelas instituições de mídia
passam por um processo de valorização econômica.
Dissociação estrutural entre a produção das formas simbólicas e sua recepção: (nas
mídias tradicionais) o �uxo de mensagens é predominantemente em sentido único, com
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CONTEMPORÂNEA
�uxo estruturado e limitada capacidade de intervenção ou contribuição dos receptores,
estabelecendo uma parceria desigual no processo de intercâmbio simbólico.
Extensão da disponibilidade das formas simbólicas no tempo e no espaço: uma vez que a
mídia estabelece uma separação entre os contextos de produção e os contextos de
recepção, as mensagens mediadas se tornam disponíveis em contextos muito distintos
daqueles em que elas foram originalmente produzidas.
Circulação pública das formas simbólicas mediadas: a comunicação de massa �ca à
disposição, inicialmente, de uma pluralidade de receptores, mesmo que circulem apenas
entre um relativamente pequeno e restrito setor da população.
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Os processos midiáticos
Segundo Gomes (2017, p. 36), os processos midiáticos podem ser entendidos como um
conjunto de práticas comunicacionais pertencentes ao campo das mídias que operam mediante
dispositivos (TV, jornal, livro, fotogra�a etc.) segundo diferentes linguagens. Quer dizer, assim
como o processo de produção industrial extrapola as relações econômicas e estrutura outras
esferas da nossa vida, o processo de midiatização extrapola o contexto da comunicação e atinge
outros espaços, e nossas interações sociais passam a se estabelecer baseadas no modelo
midiático.
É por meio desses processos midiáticos que estabelecemos contato e criamos vínculo social.
Ou seja, a estrutura midiática – suas técnicas, tecnologias, linguagens e a cultura que ela cria –
atravessa o mundo social, alterando formas de sociabilidade e ressigni�cando nosso contato
com o mundo. Isso não quer dizer que todas as outras mediações sociais tenham desaparecido,
mas a mediação tecnológica tem, no mundo contemporâneo, uma importância maior do que
todas as outras.
A midiatização é, portanto, uma renovação da forma como os sujeitos se apresentam e se
comunicam no mundo, com uma maior dependência das tecnologias infocomunicacionais
(Brittos; Santos, 2012). Por isso, é fundamental que tenhamos nossos olhos abertos aos
processos midiáticos, uma vez que eles atravessam a estrutura dos dispositivos de
comunicação, promovendo mudanças nas esferas sociais. 
Tipos e características de comunicação midiática
Vamos, então, analisar com um pouco mais de atenção essa relação entre mídia, cultura e
sociedade – ou entre comunicação, técnica e mediação – pelo histórico do desenvolvimento dos
meios e seus impactos na sociedade de cada época – uma vez que as mudanças nas
tecnologias de comunicação não resultaram apenas em novos aparelhos, mas estabeleceram
novas formas de linguagem, novas sensibilidades e novas formas de percepção.
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O primeiro processo de comunicação ampliada se deu com o desenvolvimento da mídia
impressa e, neste caso, a técnica prescindiu de duas pré-condições fundamentais: alfabetização
e dinheiro. Quer dizer, para que a técnica tivesse de fato alcance ampliado, era preciso gente que
soubesse ler e com recursos para poder comprar. Inicialmente, essas produções tinham uma
circulação mais limitada, voltada para temas especí�cos, como a medicina e a ciência.
No século XIX, em uma sociedade que ganhava seus contornos urbano e industrial, os jornais e
as revistas aumentaram sua circulação e, além de meios de informação, criaram nichos e per�s
editoriais. Também os folhetins e cadernos de assuntos de atualidades surgiram como uma
modalidade literária mais acessível, de natureza narrativa e destinada ao grande público, com a
�nalidade de promover não a re�exão e formação política, mas entretenimento para uma
população imersa no trabalho industrial.
Os avanços técnicos associaram �guras e imagens aos textos, abrindo caminho para a prática
das manchetes. A própria noção de notícia como informação ultrapassou a referência
comunitária, abrangendo fatos e processos em curso no mundo e, assim, a chamada
comunicação de massa foi se desenhando por meio da mídia impressa, passando a fazer parte
do cotidiano da sociedade urbano-industrial.
Ao longo do século XX, novas tecnologias permitiram a transmissão de mensagens pelo som, um
recurso fundamental também para a mídia impressa, pois permitiu a constituição de agências de
notícias inicialmente pelo telégrafo, depois com o telefone e o rádio. Foi o rádio, aliás, uma
tecnologia que impactou signi�cativamente a relação do público coma informação, uma vez que
os recursos como a voz do locutor, os efeitos sonoros (sonoplastia) e a música trouxeram para a
audiência a possibilidade da experiência, ampliada posteriormente com a comunicação
simultânea por som, imagem e texto: cinema, TV, VHS, DVD, Blu-Ray, internet, celulares são meios
e recursos de comunicação que conjugam texto (legendas e transcrições) com imagens �xas ou
em movimento (fotos ou vídeos).
Do ponto de vista da recepção, é importante destacar dois pontos. As mensagens exigem
posturas e repertórios distintos em razão do meio técnico: as mensagens impressas exigem
certa re�exão e repertório para a compreensão do texto, ao passo que mensagens sonoras
exigem atenção e até um pouco de imaginação do ouvinte. Ambas, contudo, estabelecem
relação de credibilidade em dois níveis: do veículo de imprensa (a empresa, mais
especi�camente), e de quem divulga (o nome que assina a informação).
Nos dois casos, estão implícitos recortes de realidade, isto é, a informação veiculada será
sempre resultante de uma leitura do real: 
Um texto jornalístico não trata apenas de um assunto, mas do que pudemos saber sobre ele. Na
compreensão do texto, estão embutidos os processos da produção discursiva, as decisões que o
jornalista tomou ao escrevê-lo, as informações que ele não conseguiu obter, o cuidado ao relatar
certos fatos, os links casuais que seu autor fez e deixou de fazer (Steinberger, 2005, p. 88-89).
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Vamos Exercitar?
Como a�rma Garcia (2006, p. 60), “midiar é mais que verbo de ação, é uma articulação
competente da informação e do consumo inerente à linguagem”. No mundo contemporâneo,
imerso e conduzido pelas tecnologias digitais, o impacto da produção de produtos e discursos
midiáticos é ainda mais avassalador em razão da velocidade e das distâncias que as mensagens
conseguem percorrer em um espaço de tempo menor, talvez, que um piscar de olhos. Por isso,
devemos analisar a mídia, ou os meios de comunicação, de maneira crítica, pois eles são um
elemento social poderoso, capaz de expor e consolidar vínculos sociais mediados diferentes
linguagens (Garcia, 2006, p. 60).
Seu exercício de re�exão não termina por aqui. Que tal associar o que aprendemos nesta aula
com os conceitos de plataformas digitais e cultura da convergência? Em que medida eles
alteram – e são alterados – pela mídia de massa? Pense nisso! 
Saiba mais
O Capítulo 1 do livro Atuação da mídia apresenta com mais profundidade o conceito de
comunicação de massa e sua relação com a sociedade. Disponível em sua Biblioteca Virtual.
Referências
BRITTOS, V. C; SANTOS, D. G. Processos midiáticos do esporte: do futebol na mídia para um
futebol midiatizado. Comunicação, mídia e consumo, São Paulo, v. 9, n. 26, p. 173-190, 2012.
Disponível em: http://revistacmc.espm.br/index.php/revistacmc/article/view/350/pdf. Acesso
em: 27 abr. 2022. 
CHAUI, M. Convite à �loso�a. São Paulo: Ática, 2006. 
GARCIA, W. Produtos midiáticos: per�s simbólicos e culturais. ECO-PÓS, v. 9, n. 2, ago.-dez. 2006,
p. 54-63. Disponível em: https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/1080/1020.
Acesso em: 30 mar. 2022. 
GOMES, P. G. Dos meios à midiatização: um conceito em evolução. São Leopoldo: Unisinos,
2017. 
HALL, J. A. Verbete sociedade de massa. In: Dicionário do pensamento social do século XX. Rio
de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 1996. 
LUHMANN, N. A realidade dos meios de comunicação. São Paulo: Paulus, 2005. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788563899316/pageid/12
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
MCQUAIL, D. Atuação da mídia: comunicação de massa e interesse público. Porto Alegre: Grupo
A, 2012. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788563899316/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
MIDIÁTICO. Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, 2008-2021. Disponível em:
https://dicionario.priberam.org/midi%C3%A1tico. Acesso em: 30 mar. 2022. 
PERASSI, R.; MENEGHEL, T. Conhecimento, mídia e semiótica na área de Mídia do Conhecimento.
Mídias do conhecimento. Florianópolis: Padion, v. 1, p. 47-72, 2011.
SODRÉ, M. O socius comunicacional. In: VERÓN, E.; FAUSTO NETO, A.; HEBERLÊ, A. L. O.
Pentálogo III: Internet: viagens no espaço e no tempo. Pelotas: Cópias Santa Cruz, 2013. p. 241-
252. 
SOUSA, L. Processos midiáticos, mediações e as ressigni�cações da técnica. Dispositiva, Belo
Horizonte, v. 9, n. 5, p. 100-116, 2020. Disponível em:
http://periodicos.pucminas.br/index.php/dispositiva/article/view/23132. Acesso em: 27 abr.
2022. 
STEINBERGER, M. B. Discursos geopolíticos da mídia. São Paulo: Fapesp, 2005. 
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis, RJ: Vozes,
1998.
Aula 2
Os Estudos Midiológicos
Os estudos midiológicos
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MÍDIA E SOCIEDADE
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Olá, estudante!
Mago, visionário, determinista tecnológico, revolucionário: Marshall McLuhan costuma receber
muitos adjetivos – alguns elogiosos, outros bastante críticos. Mas uma coisa é certa: suas ideias
�zeram história nas teorias da comunicação. E, em um mundo cada vez mais tecnológico, não
podemos deixar de falar dele. Vamos nessa?
Ponto de Partida
Quando o mundo assistiu assustado (e igualmente fascinado) a ascensão dos meios de
comunicação de massa na primeira metade do século XX, pouco se falava das mídias em si. A
grande preocupação eram seus efeitos – e é por isso que muitos pesquisadores só sinalizam a
existência de uma “escola de estudos da mídia” no limiar dos anos 1990, quando computadores
e internet adentraram nossos lares.
No entanto, isso não quer dizer que alguns teóricos não tenham se aventurado nos estudos da
mídia bem antes disso. Esse é o caso de Marshall McLuhan. Já nos anos 1960, suas ideias e
teorias acerca dos meios de comunicação sacudiram a academia. Houve quem amasse – e
houve quem odiasse. Guardadas as devidas ressalvas, e sem incorrermos em anacronismos,
McLuhan, de fato, conseguiu antecipar muita coisa do cenário comunicativo do século XXI. E é
por isso que revisitar seus ensaios é sempre tão interessante.
Prepare-se para entender, de uma vez por todas, porque “o meio é a mensagem”. Vamos lá? 
Vamos Começar!
Quem foi Marshall McLuhan
Hebert Marshall McLuhan nasceu no dia 21 de julho de 1911, em Edmonton, no Canadá. Filho de
um corretor de imóveis e de uma professora, tornou-se bacharel em artes em 1933. Logo em
seguida, ingressou no mestrado em literatura inglesa, ainda no Canadá. Depois, foi para a
Inglaterra para concluir sua pós-graduação em Cambridge.
Na década de 1940, voltou para sua terra natal, construindo a carreira universitária que o deixaria
mundialmente conhecido. Na Universidade de Toronto, trabalhou no Centro de Cultura e
Tecnologia, com Edmund Carpenter e Harold Innis – ambos colegas exerceram forte in�uência
em seus estudos. Além disso, lecionou nos Estados Unidos na Fordham University (Nova York) e
na Universidade de Dallas. Paralelamente, também atuava como consultor em grandes
corporações. Uma de suas clientes mais conhecidas foi a International Business Machines
(IBM).
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
McLuhan faleceu aos 69 anos, em dezembro de 1980, e quase 50 anos depois suas ideias
arrojadas ainda continuam reverberando na academia. França e Simões (2017, p. 190) salientam
que “sua grande contribuição foi a ênfase e a leitura do impacto das tecnologias
comunicacionais.” Mesmo sem ter acompanhado a consolidação da world wide web, sua tese do
desenvolvimento de uma “aldeia global” antecipou a diminuição das distâncias, a globalização e
a convergência por meioda evolução tecnológica.
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Figura 1 | Marshall McLuhan.  Fonte: Wikimedia commons.
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Os meios como extensões do ser humano
Em um de seus livros mais conhecidos, Understanding Media (traduzido no Brasil como Os
meios de comunicação como extensões do homem), McLuhan defende a tese de que as
tecnologias operam como extensões do corpo humano. “Toda extensão é uma ampli�cação de
um órgão, de um sentido ou de uma função que inspira ao sistema nervoso central um gesto
autoprotetor de entorpecimento da área prolongada” (McLuhan apud França; Simões, 2017, p.
190).
De acordo com ele, os meios elétricos funcionam como uma expansão do nosso sistema
nervoso, criando uma espécie de interdependência orgânica com todas as instituições sociais,
alterando de�nitivamente o modo de ser da sociedade.
É essa concepção, de que os meios não apenas estabelecem novas formas de se comunicar,
mas afetam e modi�cam o ser humano, sua forma de se ver e se relacionar, que leva McLuhan a
estabelecer uma organização da história da humanidade em decorrência da presença das
tecnologias de comunicação. A evolução social humana teria se dado em três etapas: cultura
oral, cultura escrita ou tipográ�ca, cultura eletrônica (França; Simões, 2017, p. 191). 
A primeira etapa (cultura oral) compreende as sociedades tribais antes da invenção da escrita,
cuja característica principal estava na vivência grupal. Para ele, o órgão predominante nessa
etapa foi a orelha, compondo o que chama de sociedade acústica. “A cultura oral favorece a
proximidade e o partilhamento; tem forte componente emocional, estimula a criatividade; é
volátil, e se perpetua através da memória coletiva.” (França; Simões, 2017, p. 191).
Depois, com a invenção da escrita e a expansão da alfabetização, inaugurou-se a cultura
tipográ�ca e a hegemonia do olho. A consciência humana passou a ser linear, fragmentando as
tarefas cognitivas e favorecendo o individualismo. 
Ou seja, a era Gutenberg (inaugurada com a invenção da imprensa) traz condicionamentos
individuais e coletivos. Psicologicamente, o livro impresso, como extensão da faculdade visual,
intensi�cou a perspectiva e o ponto de vista �xo; trouxe a ilusão da perspectiva e a ilusão de que
o espaço é visual, uniforme e contínuo. Trouxe também o “dom […] do desligamento e do não
envolvimento – o poder de agir sem reagir” (França; Simões, 2017, p. 191). 
É na era da escrita que se desenvolvem os estados-nação, a Revolução Industrial e a
consolidação do sistema capitalista. Segundo McLuhan, todos esses fenômenos são
consequências diretas das mudanças em nossa consciência e cognição.
Por �m, na etapa da cultura eletrônica, iniciadas a eletricidade e a invenção do telégrafo, vemos
um retorno à palavra falada, restaurando o domínio da sinestesia e a reaproximação dos seres
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humanos em uma nova aldeia planetária. “Em contraposição às outras fases, que privilegiaram
um ou outro sentido, na era da eletricidade é o próprio sistema nervoso central que é estendido,
num ‘abraço global’.” (França; Simões, 2017, p. 192).
Nessa nova era, McLuhan aponta como diferentes mídias ativam seus usuários de formas
diversas – seja o rádio, a televisão ou o cinema. Aqui, entra também sua polêmica classi�cação
dos meios de comunicação entre quentes e frios. A “temperatura” de cada mídia tem a ver com o
impacto que cada uma causa à percepção humana. 
“O meio é a mensagem”
Grande parte do sucesso – e das polêmicas – de McLuhan vinha do tom ensaístico que
costumava usar em suas teses. Ele gostava de apostar em frases de efeito, ainda que lhe
faltassem sustentação em fatos. Foi assim que surgiu a célebre máxima de que “o meio é a
mensagem”.
O que McLuhan quis dizer com essa a�rmativa aparentemente contraditória é que a mídia
também responde por aquilo que é dito e pela forma como é dito. Os meios, suportes ou canais
não são apenas “condutores” da mensagem, mas protagonistas no processo comunicativo.
Na perspectiva do autor, não é o conteúdo transmitido por um meio que responde pelo impacto
que ele vai exercer em determinada sociedade, mas a sua presença; não é na qualidade de
transmissores que eles exercem a sua força, mas pela maneira como modi�cam os indivíduos e
suas relações (França; Simões, 2017, p. 193). 
McLuhan: entre erros e acertos
Assim como outros teóricos clássicos, McLuhan oscila entre teses geniais e outras nem tanto –
a�nal, pesquisadores são pessoas como nós: complexos e suscetíveis a perspectivas
enviesadas. Além disso, não podemos esquecer que McLuhan foi um homem do seu tempo, e
julgá-lo apenas pela régua contemporânea é incorrer em anacronismo. Devemos analisá-lo, na
medida do possível, em seu próprio contexto, com todas as suas potencialidades e limitações.
Gostando ou não de suas teorias, devemos reconhecer seu esforço e pioneirismo ao sinalizar o
papel relevante que as mídias ocupam em nossa vida. Elas, de fato, são muito mais do que
meros suportes. Há, sim, uma recon�guração de percepção e cognição provocada pela inserção
de tecnologias em nosso cotidiano e sociedade. A internet e as plataformas digitais estão aí para
provar que McLuhan estava certo – depois delas, nunca mais fomos os mesmos. No entanto,
isso não quer dizer que ferramentas tecnológicas operam por si, ou que são entidades
descoladas dos seres humanos, como muitas vezes as teorias de McLuhan fazem parecer.
Tecnologias são instrumentos essencialmente humanos, suscetíveis às nossas complexidades e
atravessadas “de cabo a rabo” por nossas condições históricas, sociais e econômicas.
Tecnologias não são neutras e nem acontecem fora das contradições e das forças sociais.
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É daí que provém a grande crítica ao pensamento de McLuhan e a acusação de que ele é um
determinista tecnológico. Ao concentrar seus estudos nos impactos que as mídias exercem
sobre a percepção humana, ele esquece que, inicialmente, as mídias também são criadas e
geridas pela percepção humana. Não é um caminho de uma mão só – é via dupla. 
Ao interpretar seus exemplos históricos, McLuhan subtrai e menospreza toda atividade criativa
do trabalho humano na transformação do mundo […]. Ele não está interessado no
aperfeiçoamento de ser humano, no crescente desenvolvimento e consciência dos poderes
humanos e potencialidades, a crescente capacidade para inventar mudanças e executá-las. Ao
invés, ele dá realce a uma espécie de ‘impacto’ das técnicas, ou o que ele chama
“comunicações”. Como essas técnicas apareceram, não lhe interessa (Finkelstein apud França;
Simões, 2017, p. 195).
Vamos Exercitar?
Conhecer um dos grandes nomes da teoria da comunicação é sempre interessante – não só
pelas contribuições que cada um traz à área, mas também pela forma com que suas ideias
conversam com as transformações históricas e sociais do século XX.
Marshall McLuhan certamente é um pesquisador que sempre vale a pena revisitar. Sua
inclinação tecnológica, que em sua época parecia meio torta, atualmente faz o mais completo
sentido. Estamos vivendo a aldeia global que o professor canadense vislumbrou há mais de 60
anos. Que outras percepções ele teria a acrescentar se tivesse acompanhado o boom da
internet? E se você pudesse entrevistá-lo, que perguntas faria? Pense nisso!
Saiba mais
Marshall McLuhan é um dos nomes mais in�uentes na área da comunicação, por isso vale a
pena conhecê-lo um pouco mais, já que frequentemente você se deparará com suas referências.
Para se aprofundar em suas teorias, vale a pena ler o Capítulo 6 do livro Curso básico de Teorias
da Comunicação, de Vera França e Paula Simões. Disponível em sua Biblioteca Virtual.
Outra fonte de informações interessantíssima sobre o autor é o site The O�cial Site for the
Estate of Marshall McLuhan, que compila o conjunto de produções de McLuhan como biogra�as,
produções acadêmicas, entrevistas e referências ao autor em �lmes, entre muitos outrosmateriais. Vale o clique!
Referências
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788551301746/pageid/187
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788551301746/pageid/187
https://www.marshallmcluhan.com/
https://www.marshallmcluhan.com/
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
FRANÇA, V. V.; SIMÕES, P. G. Curso básico de Teorias da Comunicação. Belo Horizonte: Grupo
Autêntica, 2017.
GOMES, P. G. Dos meios à midiatização: um conceito em evolução. São Leopoldo: Unisinos,
2017. 
LUHMANN, N. A realidade dos meios de comunicação. São Paulo: Paulus, 2005. 
MARTÍN-BARBERO, J. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2008. 
MCLUHAN, M. O meio e a mensagem. São Paulo: IMA Editorial, 2011.
Aula 3
Mídia e Relações de Poder I
Mídia e relações de poder I
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Olá, estudante!
Algumas ferramentas teóricas têm o poder de nos tirar do eixo e fazer questionar muitos hábitos
e práticas que aceitamos como convencionais. A análise do discurso é uma dessas teorias.
Depois dela, acredite, você nunca mais verá a comunicação da mesma forma. Vamos lá?
Ponto de Partida
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Quem nunca paralisou diante de pedidos incessantes de “discurso” depois de uma homenagem?
Ou assistiu de braços cruzados um político discursar do púlpito, �oreando fatos e aumentando
números? É por essas e outras que nem sempre a palavra discurso é recebida com entusiasmo.
Isso acontece porque o senso comum costuma atrelar a noção de discurso a exercícios
retóricos, geralmente baseados na linguagem falada. Discursar é subir no palco, assumir riscos,
convencer, agradar ou desagradar.
Acontece que, na área acadêmica, a palavra discurso pode assumir sentidos diversos – e bem
mais profundos. Quando recorremos às teorias e metodologias da linguística, aprendemos que
discurso é, antes de tudo a linguagem em curso, nos mais diferentes formatos e contextos. Você
discursa o tempo todo, ainda que não perceba.
Que tal embarcar conosco nessa jornada discursiva? Temos certeza de que ela será
transformadora! 
Vamos Começar!
O conceito de discurso
Segundo o dicionário Oxford Languages (2022, [s. p.]), discurso é uma “mensagem oral,
geralmente solene e prolongada, que um orador profere perante uma audiência”, como em uma
formatura ou assembleia, por exemplo. No nosso cotidiano, utilizamos a palavra discurso como
referência a uma fala proferida por alguém de maneira metódica com o objetivo de comunicar,
expor algo, in�uenciar ou persuadir o ouvinte/interlocutor.
Na academia, o termo discurso pode apresentar vários signi�cados em razão da área de estudos,
sendo um conceito comumente utilizado entre linguistas, �lósofos, cientistas sociais e
pro�ssionais da comunicação. Embora ele apresente diferenças e particularidades em cada uma
das áreas, no geral parte-se da noção de discurso como um sistema social de pensamento ou de
ideias. De modo geral, esse conjunto de ideias con�gura uma ideologia que sustenta e é
sustentada pelo discurso. Dessa forma, a análise do discurso permite acessar os pensamentos e
visões de mundo que os grupos e instituições sustentam perante a sociedade a �m de defender
e legitimar seus interesses.
Mikhail Bakhtin (1895-1975) foi um dos mais importantes pensadores do século XX a se dedicar
ao estudo do signi�cado e papel do discurso, constituindo referência para diversas teorias que
discutem e problematizam a comunicação. Ponto-chave da sua análise é a compreensão sócio-
histórica dos processos discursivos, ou seja, segundo o estudioso, todo ato comunicativo é
contextual: toda comunicação está situada em um campo constituído por sujeitos, instituições,
tempos e espaços de�nidos. Por isso, a comunicação não se restringe a uma mensagem
transmitida de uma pessoa para outra, mas de pessoas que estão em uma relação. Nesse
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sentido, a comunicação é uma relação que envolve vários elementos: a alteridade (a relação do
eu com o outro), o interlocutor, os modos e as circunstâncias da interação verbal.
Quando produzimos discurso não estamos sozinhos. Para nos comunicar, utilizamos a
linguagem, um elemento que é essencialmente social, dado que os signos e sujeitos envolvidos
se situam em contextos sócio-históricos especí�cos que permitem a compreensão da
comunicação. Por isso, como de�ne Bakhtin, ao produzir discursos, o sujeito não é a fonte deles,
mas um mediador que dialoga com outros discursos. Dessa forma, a comunicação é um terreno
de interações, con�itos, disputas e marcações sociais que fazem parte de uma época e de
determinado lugar.
Bakhtin (2003) distingue dois gêneros de discurso:
Gêneros primários: discursos constituídos nas circunstâncias de uma comunicação verbal
espontânea, como a réplica do diálogo cotidiano, ou a carta, por exemplo.
Gêneros secundários: discursos predominantemente escritos, que surgem nas condições
de um convívio cultural mais complexo e relativamente muito desenvolvido e organizado,
como nas artes, na ciência, na política etc.
O discurso midiático está inserido nessa segunda categoria. Nela, a comunicação ocorre em
circunstâncias complexas que, durante seu processo de formação, absorvem e modi�cam os
gêneros primários.
Siga em Frente...
A relação entre discurso, sujeito e ideologia
Agora que já conhecemos o conceito de discurso, é importante reforçarmos sua relação com as
noções de sujeito e ideologia – a�nal, é essa tríade que compõe o âmago das teorias da análise
do discurso.
Medeiros (2016, p. 8) explica que o conceito de ideologia utilizado na análise do discurso tem
suas bases no marxismo, que pressupõe uma relação entre os modos de produção dos sujeitos
e suas realidades histórica e social. “Pensando a relação entre as ideias e representações das
pessoas com as suas realidades, a ideologia seria a explicação para que as realidades das
pessoas não fossem percebidas exatamente como são na verdade”.
A ideologia, dentro do escopo marxista, funciona como uma visão invertida da realidade,
conformando os indivíduos em suas posições sociais – ainda que elas sejam injustas e
pautadas na exploração. “Assim, é trazida a noção de alienação: uma vez que as pessoas não se
percebem como produtoras da sociedade, as con�gurações sociais são percebidas como
prontas, estabilizadas, dadas de antemão – e não construídas.” (Medeiros, 2016, p. 8).
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Ainda de acordo com Medeiros (2016, p. 9), podemos citar como características da ideologia:
A Ideologia não tem história: a ideologia é uma realidade não histórica devido à sua
estrutura e ao seu funcionamento. É eterna, atemporal, e, por isso, sem uma história sua.
A Ideologia é uma “representação” da relação imaginária dos indivíduos com suas
condições reais de existência: na ideologia, não são representadas as condições reais de
existência, mas, sim, as relações imaginárias das pessoas com suas condições reais de
existência.
A ideologia interpela os indivíduos enquanto sujeitos: só existe ideologia quando existem
sujeitos e só existem sujeitos porque existe ideologia. Dizer sujeito, então, é dizer sujeito
ideológico, pois ele vive espontaneamente na ideologia.
Assim, podemos a�rmar que não existe discurso sem ideologia – tampouco ideologia sem
sujeito. Portanto, tudo o que lemos, escrevemos, interpretamos, pensamos e enunciamos está
inserido nessa relação. Nós (e todos os outros) somos sujeitos! 
Isso quer dizer que o sujeito não é autônomo nem original diante da Ideologia; por outro lado, a
Ideologia não é uma entidade homogênea que se repete da mesma forma em todos os lugares. A
principal di�culdade no estudo da Ideologia é que, aoum receptor, é também de communicatio
que estamos falando. É compartilhar um mesmo objeto de consciência, é ter algo em comum e
compartilhá-lo com outrem.
Vamos Exercitar?
Nós ainda estamos longe de esgotar a discussão que trata do conceito de comunicação – nem
foi este nosso objetivo nesta aula. Nosso intuito foi instigar a re�exão crítica, o interesse teórico
e histórico a respeito da prática comunicativa humana.
Ainda que pratiquemos a comunicação desde os tempos mais remotos, o termo communicatio
surgiu apenas na Idade Média, carregando com ele um contexto especí�co, que dá, até hoje,
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sentido ao ato comunicativo. Mais do que representar um processo (ou um esquema) engessado
em emissor-receptor, a comunicação é uma atividade essencialmente humana, coletiva e
compartilhada. Portanto, cheia de nuances, especi�cidades e polissemias – exatamente como a
nossa própria existência. 
Saiba mais
Conhecer o conceito de comunicação e re�etir a respeito dele é o primeiro passo para se
aprofundar nas principais teorias e práticas pro�ssionais do vasto campo comunicativo. Por
essa razão, o Capítulo 1 do livro Curso Básico de Teoria da Comunicação, de Vera Veiga França, é
uma indicação certeira. Disponível em sua Biblioteca Virtual. 
Ficar de olho em artigos e eventos cientí�cos da área da comunicação é uma ótima forma de
exercitar a re�exão e ampliar seus conhecimentos. O Portal Intercom reúne tudo isso em um
lugar só. Vale a pena uma visita periódica!
Referências
CORDEIRO, R. Q. F. et al. Teorias da comunicação. Porto Alegre: Grupo A, 2017.
FRANÇA, V. V.; SIMÕES, P. G. Curso básico de Teorias da Comunicação. Belo Horizonte: Autêntica,
2016.
MARTINO, L. C. De qual comunicação estamos falando? In: HOHLFELDT, A.; MARTINO, L. C.;
FRANÇA, V. V. (org.). Teorias da comunicação: conceitos, escolas e tendências. Petrópolis:
Vozes, 2001.
PENA, F. 1000 Perguntas sobre Teoria da Comunicação. São Paulo: Grupo GEN, 2012.
PENTEADO, J. R. W. A Técnica da Comunicação Humana. São Paulo: Cengage Learning Brasil,
2012.
Aula 2
Comunicação e Evolução Humana
Comunicação e evolução humana
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, nós vamos conhecer o interesse da antropologia pela comunicação e a forma
como esta última nos acompanha desde os tempos mais remotos (estamos falando de milhares
de anos atrás).
Prepare-se para compreender como nossa habilidade comunicativa e a fofoca (pois é!)
alavancaram nossa espécie para o topo da cadeia alimentar e do mundo. Nós garantimos que
depois dessa aventura, você nunca mais verá a comunicação da mesma forma! 
Ponto de Partida
Desde que o mundo é mundo, o ser humano tem interesse em si e no outro. Seja
esquadrinhando-se em frente a um espelho, ou fascinado ao observar um estrangeiro, homens e
mulheres sempre dedicaram muito tempo analisando sua existência. Por essa razão, não é
errado dizer que temos alma de antropólogos – essa pro�ssão dedicada a descrever e estudar o
que signi�ca ser humano.
Se a antropologia, em seus mais diferentes campos, preocupa-se em registrar a ação humana
em seus saberes e fazeres, é natural que a comunicação acabe se tornando um objeto de estudo
antropológico. Qual papel a prática comunicativa desempenhou e tem desempenhado em
nossas relações e evolução? Vamos pensar a esse respeito?
Vamos Começar!
Marina Marconi e Zelia Maria Presotto (2022) explicam que a palavra “antropologia” apareceu
pela primeira vez no século XV. No entanto, como já comentamos, o interesse do ser humano
pelo próprio ser humano é muito mais antigo. Em civilizações milenares como a chinesa, a grega
e a romana, é possível encontrar registros e relatos de diferentes povos e culturas.
Avançando no tempo, vemos a antropologia se tornar uma disciplina acadêmica durante o
Iluminismo, no �nal dos anos 1700 e início dos anos 1800. Nessa mesma época, nações
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europeias avançavam sobre o “novo mundo”, colonizando diversas regiões do planeta.
O leitor mais atento pode ter percebido que existe uma característica comum entre os
“antropólogos” do período a.C. e a antropologia iluminista do século XVIII d.C. Pois é: China,
Grécia, Roma, Europa – todas foram civilizações do tipo “império”, comandando conquistas
estrangeiras, colonizando e, por conseguinte, deparando-se diretamente com o outro, o
estrangeiro, o diferente, e as variações da existência humana.
A antropologia, portanto, nasce
como uma tentativa dos membros das sociedades cientí�cas de registrar objetivamente e
compreender essa variação. A curiosidade relacionada com esses povos e seus costumes
motivaram os primeiros antropólogos amadores. Por pro�ssão, eles eram naturalistas, médicos,
clérigos cristãos, ou exploradores (Marconi; Presotto, 2022, p. 1). 
Obviamente, esse olhar sobre o outro nem sempre foi empático. Como Hannah Arendt (2012)
bem pontua, foram o imperialismo e a colonização europeia que gestaram e organizaram
burocraticamente o racismo, dando cienti�cismo à desumanização de seres humanos. E, por
muito tempo, a antropologia foi praticada em uma cisão completa entre observadores civilizados
e observados primitivos.
Felizmente, os métodos, as re�exões (e inclusive a autocrítica) foram sendo lapidados no
decorrer dos séculos XIX e XX, amadurecendo a antropologia até transformá-la na “ciência que
objetiva descrever no sentido mais amplo possível o que signi�ca ser humano” (Lavenda; Schultz
apud Marconi; Presotto, 2022).
De forma geral, segundo Marconi e Presotto (2022, p. 6) a antropologia é dividida em quatro
campos principais:
Antropologia biológica ou física: estuda as bases biológicas do comportamento humano, bem
como a evolução do homem. Inclui disciplinas como genética, paleoantropologia (estudos da
evolução humana a partir de fósseis de hominídeos), primatologia, etologia, sociobiologia etc.
Arqueologia: estuda vestígios materiais de culturas humanas desaparecidas, como ossadas,
palácios, pirâmides, fortalezas, vias de comunicação, ferramentas etc.; busca conhecer o
passado das sociedades humanas. Descreve o auge e a decadência de culturas e os fatores que
in�uenciaram o seu desenvolvimento. A antropologia contribui na explicação das práticas
culturais, como guerra, caça, horticultura e estrati�cação social.
Antropologia linguística: estuda a variedade de línguas faladas pelo homem, a sua função e
origem, bem como a in�uência da linguagem na cultura e vice-versa.
Antropologia cultural ou social: estudo comparativo das sociedades humanas: sua variabilidade
cultural, estilos de vida, práticas, costumes, tradições, instituições, normas e códigos de conduta
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do passado e do presente.
Se observarmos atentamente, a prática comunicativa é um objeto de estudo possível em
qualquer um desses campos – e assim têm se costurado as relações entre antropologia e
comunicação.
Siga em Frente...
Antropologia e Comunicação
Apesar da evidente conexão entre antropologia e comunicação, na academia, as coisas não se
resolvem de maneira tão simples assim. Etienne Samain (1998), importante expoente da
antropologia brasileira, resume essa relação da seguinte maneira: comunicação e antropologia
se dão muito bem, embora se comuniquem muito mal. Quando desistem de estabelecer
fronteiras e se abrem ao diálogo, a ciência, os métodos e as re�exões avançam sobremaneira.
Não é nosso objetivo nesta aula nos debruçar profundamente sobre a metodologia, a
epistemologia e a interdisciplinaridade da comunicação, mas sinalizarcontrário de algumas noções que podem
ser observadas de fora, é impossível para o sujeito se situar externamente à Ideologia. Você pode
pensar na Ideologia como um tracejado que cerceia as nossas ações no mundo: quando
pensamos sobre Ideologia, já estamos interpelados por ela. Reconhecer a Ideologia não nos
isenta de seus efeitos (Medeiros, 2016, p. 11). 
Michel Foucault, sujeito e relações de poder
A análise do discurso, assim como outros eixos teóricos, é bastante heterogênea, pois foi
construída a partir da contribuição de diferentes intelectuais. Por essa razão, conceitos-chave,
como sujeito, podem variar de um autor para outro. Nesta aula, optamos por apresentar as
concepções de Michel Foucault, mas isso não signi�ca invalidar ou julgar outras de�nições.
Trata-se apenas de um alinhamento teórico – exercício que você também poderá fazer na
medida em que for se aprofundando na análise do discurso.
Uma das características mais interessantes de Foucault (e que também justi�cam a
complexidade do seu pensamento) é a capacidade de articular diferentes áreas de
conhecimento. E seus conceitos de sujeito e discurso não fogem à regra, já que ele os
compreende no entroncamento das relações de poder. 
Para Foucault, o discurso é controlado por minuciosas regras, e estas de�nem quem pode ter
acesso a certos discursos ou pode entrar na ordem do discurso. [...] O que isso quer dizer? Que,
na concepção de Foucault, não existe uma essência, uma verdade universal anterior à
construção de um discurso sobre ela. O discurso é visto como uma luta, uma batalha, e não
como um re�exo ou expressão de algo (Medeiros, 2016, p. 15). 
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Se a noção de discurso, em Foucault, é construída a partir de uma relação de poderes e forças, a
constituição dos sujeitos vai se dar também nessas disputas entre o desejo de “ter” a verdade e
o poder de a�rmá-la. 
Pense, por exemplo, no enunciado “É preciso escovar os dentes após cada refeição”. Você pode
escutar isso de um dentista e di�cilmente vai contestá-lo, a�nal, a pro�ssão dele confere ao seu
discurso a legitimidade sobre alguns discursos, reproduzidos e aceitos como verdades. Mas e se
esse mesmo enunciado vier de um paciente diagnosticado com Transtorno Obsessivo
Compulsivo, que escova os dentes quinze vezes por dia? E se vier de um representante de uma
marca de produtos para higiene bucal? É a isso que Foucault se refere quando a�rma que o
sujeito, em sua teoria, não é uma pessoa, mas uma posição que alguém assume diante de um
certo discurso (Medeiros, 2016, p. 16). 
Assim, é importante reforçarmos que o conceito de sujeito, na análise do discurso, não está
necessariamente atrelado a uma pessoa real, de carne e osso, mas ao papel, à posição que ela
ocupa durante uma interlocução. Dessa maneira, uma mesma pessoa pode ocupar diferentes
posições de sujeito, variando de acordo com os contextos e as relações de poder.
Vamos Exercitar?
Você já deve ter lido (ou até mesmo usado este argumento) que alguns textos ou falas são
“discursos ideológicos”, desquali�cando seu conteúdo. De fato, o senso comum costuma
apontar a ideologia em alguns textos e em outros, não. Isso sem contar que muitas vezes a
ideologia é atrelada apenas a um espectro político, seja ele na extrema esquerda ou na extrema
direita.
Mas depois dessa breve incursão pelas ferramentas da análise do discurso, já temos três
concepções elementares: 1. Todo ato comunicativo, toda linguagem em curso, subentende a
existência de um discurso, esteja ou não o emissor ciente disso; 2. Todo discurso é dito por um
sujeito; 3. Todo sujeito só existe dentro de uma ideologia e dentro de um contexto de relações de
poder. Como bem salienta Medeiros (2016, p. 9): 
Se você não identi�ca imediatamente a Ideologia, isso não quer dizer que ela não esteja
presente. O que acontece é que, como você acabou de ver, é próprio da Ideologia assegurar que
algumas coisas sejam evidentes: ela funciona justamente quando dissimula seu funcionamento.
Como a Análise do Discurso reconhece a Ideologia como constitutiva, não é possível pensar
textos, discursos ou qualquer situação que esteja isenta dela. 
Não é preciso ser um expert em análise do discurso para se bene�ciar das suas ferramentas.
Mesmo conhecendo apenas seus conceitos principais, já nos tornamos mais atentos, tanto aos
discursos que recebemos quanto àqueles que produzimos. Manter a criticidade no radar é
fundamental para formar pro�ssionais de comunicação mais éticos e socialmente responsáveis.
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Olhos abertos e vamos em frente!
Saiba mais
Que tal se aprofundar mais nos conceitos e métodos da análise do discurso? O livro Análise do
discurso, de Laís Medeiros é uma ótima porta de entrada. Disponível em sua Biblioteca Virtual.
Referências
BAHKTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 
CHARAUDEAU, P. Discursos das mídias. São Paulo: Contexto, 2007. 
FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Brasília: Editora UnB, 2001. 
LIMA, V. A. Mídia: teoria e política. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004. 
MARTÍN-BARBERO, J. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2008. 
MEDEIROS, L. V. A. Análise do discurso. Porto Alegre: Grupo A, 2016. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788569726678/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
OXFORD UNIVERSITY PRESS. Oxford Languages. 2022. Disponível em:
https://languages.oup.com/google-dictionary-pt/. Acesso em: 19 abr. 2022. 
SOUZA, J. P. As notícias e os seus efeitos. Coimbra: Minerva Coimbra, 2000. 
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis: Vozes, 1998.
Aula 4
Mídia e Relações de Poder II
Mídia e relações de poder II
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Olá, estudante!
Depois de aprendermos as ferramentas básicas da análise do discurso, está na hora de acioná-
las! Você está pronto para re�etir a respeito das diferentes formas de discurso midiático?
Prepare suas anotações porque esta aula será um divisor de águas na forma como você
consome e se comunica utilizando diferentes mídias. 
Ponto de Partida
Nesta aula, seguiremos falando de comunicação e mídia, partindo da constatação de que esta
constitui uma das principais características da sociedade contemporânea. Mais
especi�camente, voltaremos nossa atenção agora para a prática comunicativa, para a produção
de discursos, entendendo que são mais do que informação, são reproduções de modelos
mentais de compreensão do mundo.
Nesse sentido, a própria ideia de informação pode ser problematizada na medida em que
questões como o que é ou não notícia e como ela será abordada são de�nidas pelos próprios
meios. Dessa forma, juntos re�etiremos a respeito da teoria da análise do discurso e das
maneiras como ela pode contribuir para a formação de pro�ssionais da comunicação.
Vamos nessa?
Vamos Começar!
O discurso midiático
Fairclough (2001) de�ne discurso como prática social. Para o autor, o discurso é um modo de
ação, uma forma como as pessoas agem sobre o mundo e sobre os outros. E justamente por
estar no mundo, o discurso consiste também em uma representação dele, estabelecendo uma
relação dialética entre o discurso e a estrutura social. O discurso constitui objeto de
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conhecimento, sujeitos, relações sociais e estruturas conceituais que produzem imagens e
relações com o mundo,mas dentro de estruturas já existentes.
Partimos, então, da compreensão do discurso como um sistema social de pensamentos e ideias
que se concretiza como ato comunicacional em uma relação dialógica e contextual. Se a
comunicação é a matéria-prima da produção midiática, a prática discursiva que ela enseja (seja
uma notícia, uma peça publicitária ou uma novela) chamamos de discurso midiático.
Como já de�nimos anteriormente, chamamos de mídia o conjunto das instituições que utiliza
tecnologias especí�cas na mediação da comunicação humana. Em termos concretos, quando
falamos em mídia, nos referimos ao conjunto das emissoras de rádio e de televisão, de jornais e
de revistas, do cinema e das outras diversas instituições que utilizam recursos tecnológicos na
veiculação das mensagens (Lima, 2004).
Como descreve Thompson (1998), o surgimento das instituições de comunicação – a mídia –
promoveu transformação signi�cativa na produção, no intercâmbio e armazenamento dos
conteúdos simbólicos, e desde meados do século XX ela se con�gura como o espaço da
produção e circulação de discursos de formas e normas sociais, organizando nossas percepções
e sensibilidades. Isso signi�ca dizer que os signi�cados dos conteúdos simbólicos passam a ser
construídos pelos discursos midiáticos. Na medida em que a mídia produz e reproduz a cultura,
ela intervém sobre a realidade, as ideias e ações dos seres humanos.
Bakhtin (2003) de�ne que a palavra é essencialmente ideológica; e se essa mesma palavra é o
instrumento de trabalho do comunicador, logo, devemos inferir que o discurso da mídia é,
necessariamente, ideológico. Por meio do seu discurso, a mídia cria modelos a serem seguidos,
homogeneíza estilos de vida e contribui para a naturalização de crenças e papéis sociais,
preconceitos e relações de poder. Ao construir signi�cados para o mundo, a mídia constrói
sistemas classi�catórios que in�uenciam nossas leituras desse mundo e nossos sistemas
cognitivos. Por isso, os discursos midiáticos desempenham papel importante na formação dos
modelos mentais responsáveis tanto pela nossa compreensão quanto pela produção de
discursos.
Não é raro vermos argumentos que a�rmam que o que é apresentado pela mídia é o real em si.
Contudo, os discursos midiáticos são muitos, e como vimos em aulas anteriores, existem
recortes de realidade que devem ser considerados nessas análises, pois a própria ideia de
realidade está relacionada a uma leitura do real. Sempre que tentamos dar conta da realidade
empírica, estamos às voltas com um real construído e não com a própria realidade. “[…] O espaço
social é uma realidade empírica compositória, não homogênea, que depende, para sua
signi�cação, do olhar lançado sobre ele pelos diferentes atores sociais, através dos discursos
que produzem para tentar torná-lo inteligível” (Charaudeau, 2007, p. 131).
Siga em Frente...
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O discurso jornalístico
Todo discurso emitido se organiza em um contexto especí�co de valores, crenças, interesses,
posições e relações sociais. Nos discursos midiáticos isso não é diferente. Vamos olhar para
essa questão por meio da análise do discurso jornalístico. A notícia é um objeto linguístico que
se apresenta como a matéria-prima do jornalismo. Por isso, seu estudo permite analisar as
ideologias em atuação na mídia e como elas in�uenciam a sua produção. Como descreve Souza
(2000), as notícias resultam da interação de diversos fatores e: 
[…] resultam de um processo de construção e fabrico onde interagem, entre outros, diversos
fatores de natureza pessoal, social, ideológica, cultural, histórica e do meio físico/tecnológico,
que são difundidos pelos meios jornalísticos e aportam novidades com sentido compreensível
num determinado momento histórico e num determinado meio sociocultural (ou seja, num
determinado contexto), embora a atribuição última de sentido dependa do consumidor da notícia
(Souza, 2000, p. 15). 
Ou seja, a produção da notícia não ocorre em um terreno livre, mas dentro de um contexto e uma
estrutura. Como a�rma Charaudeau (2007, p. 13), se uma das tarefas das mídias é reportar os
acontecimentos do mundo, esse “reportar não é fundamentalmente reproduzir, repetir”. Os textos
midiáticos estão sujeitos a processos de seleção que de�nem quais eventos são dignos de se
tornarem notícia. Os textos da mídia constituem versões da realidade que dependem de
posições sociais, interesses e objetivos daqueles que os produzem. Nesse sentido, a escolha do
que deve ser noticiado, a forma como isso é feito, a seleção das testemunhas, dos ângulos, das
falas etc., con�guram recortes de realidade que demonstram o quanto a visão apresentada é
parcial e, consequentemente, ideológica.
A realidade que se apresenta na notícia é um recorte selecionado que (re)constrói essa realidade
a partir dos recursos especí�cos de cada tipo de mídia. Na imprensa escrita, por exemplo, a
notícia é apresentada segundo critérios determinados de construção do espaço redacional que
correspondem ao grau de importância atribuído a ela, de�nindo-se a partir daí a sua localização
(na primeira página, ou em uma página interna, no alto ou no �m da página, com pré-título, título
ou subtítulo); a tipogra�a (dimensão e corpo dos caracteres de impressão no conjunto dos
títulos); a quantidade de superfície redacional comparada à de outras notícias, entre outros
elementos (Charaudeau, 2007, p. 146-147).
E é interessante notar que os próprios pro�ssionais da mídia não estão alheios a esse processo,
pois todo o imaginário pré-construído in�uencia também a relação do repórter com a notícia e o
discurso, dado que ele, enquanto sujeito imerso neste mesmo corpo social, tem uma visão prévia
do narrado. Nesse sentido, ao mesmo tempo que contribui para a criação de imaginários sociais,
a mídia também se alimenta dos imaginários já difundidos na sociedade, con�gurando-se em um
processo dialético.
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Apesar dessa prevalência da mídia na conformação das sensibilidades por meio da força de seu
discurso, Martín-Barbero (2008) pondera que é preciso problematizar a questão da absorção
desses conteúdos simbólicos, uma vez que os atores sociais modelam suas percepções dos
meios de comunicação por meio do cognitivo, do contato com a técnica e também com o social.
O autor defende que entre o discurso construído pela mídia e os atores sociais há um espaço
formado por crenças, visões particulares e dimensões culturais coletivas que vão atuar no modo
como os atores sociais se relacionam com os meios. Assim, os modelos mentais acessados e
construídos pelo discurso midiático formam a interface entre representações sociais
generalizadas, por um lado, e o uso individual dessas representações na percepção social,
interação e discurso, por outro. 
Redes sociais e os novos desenhos do discurso midiático
A ERA DIGITAL e a cultura da convergência, ainda que não tenham extinguido, colocaram em
xeque a hegemonia do discurso midiático das grandes corporações de comunicação (emissoras
de rádio, TV e imprensa). É inegável que elas ainda ocupam um lugar importante e “regulatório”
na compreensão da realidade, no entanto, cada vez mais têm convivido com novos discursos e
novas formas de pensar o mundo.
Uma das novidades do século XXI foi justamente nossa dispersão como sujeitos. As plataformas
digitais, ao expandirem nosso raio de ação e comunicação, abriram as portas para nos
multiplicarmos em vários papéis, alternando nossas posições de fala em discursos igualmente
múltiplos. Fotogra�as, textos, fotos, vídeos: muitas são as formas de expressão que permitem a
veiculação e a divulgação de discursos e performances de sujeitos.
Em tempos de redes sociais, somos convidados incessantemente a postar, comentar,
compartilhar, repercutir, curtir, criticar, amar e odiar discursos, atravessados por disputas de
forças cada vez mais complexas. Se antes era nítida a verticalização do poder comunicativo (do
tipo macro), agora, ele vem disperso e pulverizado em relações cadavez mais micro. Assim, a
noção de sujeito foucaultiana nunca foi tão útil e requisitada.
Se quisermos manter os radares da criticidade ligados, devemos, mais do que nunca, acionar a
análise do discurso para sabermos, minimamente, nos guiarmos nesse mar de dados,
informações e opiniões. Nesse sentido, Fischer (2013 apud Medeiros, 2016, p. 16) apresenta
uma lista pertinente de perguntas que devemos fazer ao nos depararmos com sujeitos e
discursos:
Quem fala neste texto?
De que lugar fala?
De que autoridade se investe alguém para falar aqui e não em outro espaço?
Quem pode falar sobre isto?
Quais as regras segundo as quais a alguém é permitido a�rmar isto ou aquilo, neste ou
naquele lugar? 
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Vamos Exercitar?
A comunicação nunca teve tantas plataformas e contextos para se efetivar como encontramos
atualmente. Tal fato não só coloca as pro�ssões da área em destaque como multiplica suas
responsabilidades. Ser jornalista, publicitário, relações públicas, produtor audiovisual, entre
tantos papéis, exige um senso crítico apurado e �exibilidade para lidar com �uxos comunicativos
que se alteram constantemente.
Praticar a análise do discurso é uma ótima forma de praticar a autocrítica e a re�exão – ambas
habilidades fundamentais para sermos pro�ssionais e cidadãos melhores. Vamos juntos?
Saiba mais
Para acompanhar uma boa análise da relação entre mídia e política, indicamos o artigo Sete
teses sobre mídia e política no Brasil, do professor Dr. Venício de Lima, no qual ele oferece um
pequeno resumo de algumas das principais teses que têm sido exploradas acerca da relação da
mídia com a política no contexto brasileiro. Além disso, a autor apresenta o acervo de resultados
de pesquisas empíricas existente, constituindo um bom recurso de aproximação com a temática.
Que tal se aprofundar um pouco mais suas re�exões a respeito da mídia? O capítulo “Principais
correntes teóricas na crítica da mídia”, do livro Crítica da Mídia, é uma boa porta de entrada.
Disponível em sua Biblioteca Virtual.
Referências
BAHKTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 2003. 
CHARAUDEAU, P. Discursos das mídias. São Paulo: Contexto, 2007. 
FAIRCLOUGH, N. Discurso e mudança social. Brasília: Editora UnB, 2001. 
JUSKI, J. do R. et al. Crítica da Mídia. Porto Alegre: Grupo A, 2020. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556900452/. Acesso em: 18 fev. 2024. 
LIMA, V. A. Mídia: teoria e política. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004. 
LIMA, V. A. Sete teses sobre mídia e política no Brasil. Revista USP, v. 61, p. 48-57, 2004. 
MARTÍN-BARBERO, J. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de
Janeiro: UFRJ, 2008. 
https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13317
https://www.revistas.usp.br/revusp/article/view/13317
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
MEDEIROS, L. V. A. Análise do discurso. Porto Alegre: Grupo A, 2016. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788569726678/. Acesso em: 18 fev. 2024. 
OXFORD UNIVERSITY PRESS. Oxford Languages. 2022. Disponível em:
https://languages.oup.com/google-dictionary-pt/. Acesso em: 19 abr. 2022. 
SOUZA, J. P. As notícias e os seus efeitos. Coimbra: Minerva Coimbra, 2000. 
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis: Vozes, 1998.
Aula 5
Produtos, processos e discursos midiáticos
Produtos, processos e discursos midiáticos
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Olá, estudante!
Nesta videoaula faremos o encerramento da Unidade 3, destacando a competência abordada
nas últimas discussões e, também, os resultados esperados de aprendizagem. Em nosso
percurso, analisaremos criticamente o papel da mídia e suas diversas relações com a sociedade.
Então, prepare suas anotações porque vem conteúdo importantíssimo por aí! 
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
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Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Para desenvolver a competência desta unidade, que é analisar o papel da mídia e a forma como
os discursos são construídos nesses meios de comunicação, precisamos, primeiramente,
estabelecer o conceito de mídia. Muito são os pesquisadores que se dedicam aos estudos da
mídia, e é por isso que sua de�nição pode variar de um autor para o outro. No entanto, de uma
forma geral, podemos compreender mídia como o “o sistema físico que suporta, veicula e
canaliza ou comunica a informação como mensagem” (Perassi; Meneghel, 2011).
Assim, mídia é o canal, o meio que possibilita a transmissão de informações entre emissores e
receptores. A mídia, como o próprio nome adianta, é uma intermediadora – o que não signi�ca
dizer que ela ocupa um papel de mera coadjuvante no processo comunicativo.
Mídias são tecnologias, ferramentas que o ser humano foi desenvolvendo com sua própria
evolução, que participam ativamente de todas as nossas revoluções históricas, sociais e
econômicas. Assim, não é de se admirar que a trajetória das mídias se confunda com a própria
jornada da comunicação humana. Em cada época, uma mídia foi criada e aperfeiçoada,
destacando-se em seu período, e recon�gurando relações, pensamentos e formas de
compreender o mundo.
Um dos primeiros intelectuais a se atentar para o papel-chave das mídias na sociedade foi o
canadense Marshall McLuhan. Genial e controverso, assegurou seu lugar de destaque nas
teorias da comunicação ao defender a relevância dos meios no processo comunicativo. “O meio
é a mensagem” – preconizou nos anos 1970, quando ainda nem vivíamos a era digital. O olhar
bem calibrado de McLuhan previu a formação de uma aldeia global e os impactos cada vez
maiores da mídia em nossa percepção. É verdade que seu determinismo tecnológico mereça
ressalvas, mas isso não invalida a importância dos seus estudos.
Talvez, o que faltou a McLuhan foram boas doses de análise do discurso (AD) – ferramenta
metodológica da linguística para compreender os usos e as funções da linguagem em nosso
mundo. Pautada, sobretudo, nas noções de discurso, sujeito e ideologia, a AD é um instrumento
crítico e muito útil para pro�ssionais da comunicação. Ao usar uma lupa nas contradições,
disputas de sentido e de poder que envolvem os processos comunicativos, ela nos ajuda a
analisar e pensar o que, por que, quando e como usamos a linguagem (ou o discurso, para
sermos mais precisos).
Em tempos de plataformas digitais e de mesclagem cada vez maior entre emissores e
receptores, mantermos o olhar aguçado e o senso crítico a�ado é fundamental para não nos
perdermos nas múltiplas disputas de sentido das mensagens contemporânea – e, com a análise
do discurso como aliada, tudo isso �ca mais fácil. 
É Hora de Praticar!
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
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Samara Coutinho é uma in�uenciadora digital e tem como foco questões relacionadas à
maternidade e à maternagem. Jornalista por formação, Samara se afastou do mercado de
trabalho com o nascimento da primeira �lha, que a colocou diante de situações que afetam
cotidianamente as mães que trabalham fora. Com o crescimento do alcance das redes sociais,
Samara viu aí uma possibilidade de seguir desempenhando seu trabalho aliando suas
habilidades de comunicação ao mundo materno.
Há pouco tempo, Samara recebeu uma proposta de uma marca de leite infantil para a realização
de uma parceria em que ela deveria mostrar nos seus storiesdo Instagram, de maneira
espontânea, que oferece o leite LeiteBom para a sua �lha de sete meses. Ocorre que, embora
Samara já tenha iniciado a introdução alimentar da �lha, a sua disponibilidade de trabalhar em
casa permitiu que ela pudesse seguir amamentando a menina, seguindo a orientação da OMS
que recomenda o aleitamento materno até os dois anos. Samara já realizou diversas parcerias
publicitárias, mas não está confortável com essa situação e está decidida a recusar a proposta.
Pensando na relação entre comunicação-mídia-sociedade, de que maneira o fato de ser jornalista
in�uencia a decisão de Samara na recusa da parceria, pensando nos temas analisados durante
esta unidade: produtos, processos e discursos midiáticos?
Que impactos a mídia traz em minha vida cotidiana?
De que maneira leio e analiso as mensagens que chegam até mim?
Como posso incorporar a análise do discurso em minha prática pro�ssional? 
Vivemos em uma sociedade imersa em uma lógica de produção e consumo que ultrapassa as
relações econômicas e se expande para todas as esferas da nossa vida: o capitalismo. Nesse
sistema, as estruturas de mercado e consumo estabelecem os parâmetros na produção de bens
materiais e simbólicos, orientando nossa existência objetiva e subjetiva, e neste contexto toda
produção midiática se articula por essa mesma lógica, organizando-se tal qual a produção
industrial.
Se chamamos de produto tudo o que é construído, produzido ou elaborado pela indústria, por
extensão de�nimos como produto midiático tudo o que é produzido pela mídia ou sob sua
in�uência direta.
Por isso, assim como as marcas pautavam suas estratégias de venda com foco no público das
mídias tradicionais, hoje elas voltam seus olhares para as redes sociais, uma mídia que alcança
milhões de pessoas, rompendo barreiras geográ�cas.
As redes abriram caminho para um novo tipo de formador de opinião: o in�uenciador digital –
celebridades ou pro�ssionais de destaque em uma área capazes de in�uenciar as escolhas e a
opinião de outras pessoas. Para o mercado, essas pessoas são vitrines.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Pro�ssional da área de comunicação, Samara conhece a estrutura dos processos, produtos e
discursos midiáticos que, construídos em molde industrial, visam à elaboração de produtos para
venda. Esse é o foco. Ela entende que as empresas perceberam que os in�uenciadores digitais
têm impacto direto sobre seus seguidores, e que o modelo de divulgação das redes chamado de
“recebidos” tem um custo bem mais baixo para a empresa se comparado à produção de uma
campanha publicitária.
Porém, analisando o papel do in�uenciador digital, Samara entende que para a empresa ela
também é um produto midiático. Sua imagem, seu discurso, sua produção de conteúdo, tudo
isso se desenvolve por meio de processos midiáticos e com um discurso que tem esse mesmo
poder de alcance. Enquanto produto, o que ela tem para oferecer? Alcance e credibilidade. No
caso de Samara, podemos julgar que esse fator pesou em sua decisão.
As pessoas seguem os in�uenciadores porque con�am em sua opinião, por isso ela entende que
ser in�uenciador é uma responsabilidade e envolve muito mais coisas que uma simples
publicidade. Quem consome conteúdos na internet busca nichos de assuntos e pessoas com os
quais tenham a�nidade de visão de mundo que, no caso de Samara, são pessoas interessadas
em conteúdo de uma maternidade ativa e consciente.
Para ela, esse agir natural, sem deixar clara a parceria com um produto que ela não apenas não
consome, mas que contraria seu discurso, poderia colocar em risco a credibilidade e a imagem
que ela construiu junto ao seu público ao longo dos anos.
Compreender os conceitos centrais da análise do discurso é fundamental para utilizar
corretamente as suas ferramentas. Por isso, é imprescindível não perder de vista a relação entre
sujeito-discurso-ideologia.
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Figura 1 | Análise do discurso
CHARAUDEAU, P. Discursos das mídias. São Paulo: Contexto, 2007. 
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MÍDIA E SOCIEDADE
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GARCIA, W. Produtos midiáticos: per�s simbólicos e culturais. ECO-PÓS, v. 9, n. 2, ago.-dez. 2006,
p. 54-63. Disponível em: https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/1080/1020.
Acesso em: 30 mar. 2022. 
GOMES, P. G. Dos meios à midiatização: um conceito em evolução. São Leopoldo: Unisinos,
2017. 
MCLUHAN, M. O meio e a mensagem. São Paulo: IMA Editorial, 2011. 
MCQUAIL, D. Atuação da mídia: comunicação de massa e interesse público. Porto Alegre: Grupo
A, 2012. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788563899316/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
MEDEIROS, L. V. A. Análise do discurso. Porto Alegre: Grupo A, 2016. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788569726678/. Acesso em: 18 fev. 2024. 
PERASSI, R.; MENEGHEL, T. Conhecimento, mídia e semiótica na área de Mídia do Conhecimento.
Mídias do conhecimento. Florianópolis: Padion, v. 1, p. 47-72, 2011. 
THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma teoria social da mídia. Petrópolis, RJ: Vozes,
1998.
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Unidade 4
Cenários, processos e relações sociais da comunicação na vida contemporânea
Aula 1
A Sociedade Pós-Moderna
A sociedade pós-moderna
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Nesta videoaula, vamos debater o conceito de pós-modernidade, que está longe de ser uma
unanimidade nas ciências humanas. Conheceremos o ponto de vista de estudiosos como
Habermas, Giddens e Bauman. Então, prepare suas anotações porque vem re�exão por aí! 
Ponto de Partida
Alguns embates teóricos são clássicos nas ciências humanas e sociais. No campo da
comunicação de massa, Umberto Eco tornou popular a disputa entre os apocalípticos e os
integrados do início do século XX. De um lado, as escolas norte-americanas que
instrumentalizavam a prática comunicacional, do outro, as escolas europeias que profetizavam o
�m dos tempos com a indústria cultural.
Esse também parece ser o caso da discussão que envolve a existência – ou não – da pós-
modernidade. Há autores que fazem desse conceito seu pilar de sustentação; outros que o
refutam incisivamente; e há, ainda, aqueles que relativizam os dois lados, preferindo o caminho
do meio.
Nosso intuito não é “bater o martelo” sobre a validade (ou a falta dela) do conceito de pós-
modernidade, mas utilizá-lo para promover re�exões a respeito da contemporaneidade e da
história recente.
Vamos nessa? 
Vamos Começar!
Pós-modernidade: um debate em aberto
Os anos 1980 foram o epicentro do debate acadêmico sobre a existência, ou não, da pós-
modernidade. Mais de 40 anos depois, ainda que as discussões ocupem menos espaço, não é
possível dizer que haja um consenso acerca do uso do conceito. Adelman (2009), analisando o
campo da sociologia, diz que a grande cisão entre os que defendem e os que refutam o termo
está na noção de ruptura ou continuidade com a modernidade.
A modernidade, iniciada no século XVIII após a Revolução Francesa e a aceleração da Revolução
Industrial, é compreendida como um momento histórico de mudança de paradigmas. Com suas
revoluções em curso, alterou as noções de economia, trabalho e lucro, propiciando a
consolidação do capitalismo. No campo político, emergiram os Estados-nação e os ideais de
representatividade e voto. Por �m, no que diz respeito à intelectualidade, o racionalismo, a lógica
e a ciência passaram ser as balizas do pensamento.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
A modernidade representa um mundo “desencantado” pelos mitos e pelasreligiões, movido pelo
consumo e pela crença na ciência. Tais direcionais regeram o mundo até metade do século XX,
quando alguns paradigmas passaram a se alterar. A criação de novos meios de comunicação, o
surgimento da internet, a aceleração tecnológica, a exacerbação do consumo, a fragmentação
das identidades e das relações sociais, a descrença na ciência e outros movimentos levaram
alguns estudiosos a questionar se não estávamos perante um novo momento histórico, batizado
de pós-modernidade.
Assim, para aqueles que defendem a existência da pós-modernidade, há uma ruptura
signi�cativa entre um momento e outro – novos paradigmas foram inaugurados, justi�cando a
“virada de chave” de uma era. No entanto, essa concepção não foi (e ainda não é) unânime.
Sociólogos como Habermas e Giddens não enxergam rupturas, mas continuidades entre o
mundo contemporâneo e a consolidação das instituições sociais modernas. Para Habermas,
vivemos o “projeto inacabado” da modernidade, em que as tendências desintegrativas e a
pulverização das identidades sociais ameaçam a capacidade dialógica da democracia moderna
(Adelman, 2009).
Já Giddens observa um agravamento das características modernas na contemporaneidade,
propondo o conceito de “modernidade radicalizada”. Isso, no entanto, não quer dizer que ele não
localize mudanças signi�cativas entre a sociedade do século XVIII e a que encerra o século XX. 
[…] no século XX, e especialmente na sua segunda metade, completa-se a transformação de
certas instituições sociais que promovem transformações da família, da sexualidade, das
relações de gênero, e da vida política, e a incorporação de novos atores e novas formas
(legítimas) de atividade política. As relações de poder e desigualdades em acesso a poder e
recursos são cada vez mais negociáveis e negociadas (Adelman, 2009). 
Esse também é o entendimento de Bauman. Embora seu pessimismo a respeito do período
contemporâneo o aproxime de autores declaradamente pós-modernos (como Jean Baudrillard),
ele é enfático ao apontar um agravamento (mas não rompimento) entre a modernidade e o limiar
dos séculos XX e XXI. Para abarcar as mudanças que acontecem, ele propôs o conceito de
modernidade líquida.
A modernidade líquida representa a �uidez do mundo no qual os indivíduos não têm mais
modelos e padrões de referência tão sólidos quanto os da modernidade clássica. O termo
descreve a condição de constante mobilidade e mudança nos relacionamentos, identidades, na
economia e política global da sociedade contemporânea, em que tudo é tão rápido e inconstante
que os padrões, valores e normas não duram tempo su�ciente para se estabelecerem como um
novo farol de orientação.
Assim, o uso do adjetivo líquida se justi�ca: se pegarmos qualquer elemento sólido e mudá-lo de
recipiente, ele continuará tendo a mesma forma. Ao contrário, um líquido assume a forma do
recipiente que o contém. A água segue sendo água, mas sua forma se altera se estiver em um
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CONTEMPORÂNEA
copo baixo e largo, em uma garrafa, ou até poderá escorrer entre os dedos se tentarmos segurá-
la. Ao de�nir que vivemos a modernidade líquida, Bauman indica que os valores, padrões e
referências de certa forma ainda são os da modernidade, mas não mais exatamente como eram,
pois o mundo mudou.
Sua ênfase está nas mudanças sociais cada vez que, em razão das transformações nas
tecnologias, principalmente de comunicação, permitem que as ideias circulem e se alterem
muito rapidamente. Essas mudanças podem ser vistas com facilidade, por exemplo, nas
abordagens contemporâneas da autoidentidade: na modernidade líquida, a construção de uma
identidade durável e coerente no tempo e no espaço torna-se cada vez mais improvável.
As diferentes formas de ser e agir na vida moderna líquida se re�etem na fragilidade, na
vulnerabilidade e na inclinação à mudança constante. Há uma sensação vaga de estar
submetido a condições que fogem do domínio, provocando o medo e o estresse Assim como os
objetos e itens de consumo são substituíveis rapidamente, isso se dá com os indivíduos que são
colocados nas relações como objetos que caem em desuso e são facilmente descartados. Cada
nova estrutura que substitui a anterior é declarada antiquada e ultrapassada, sua data de
validade é momentânea. O que é entendido como contemporâneo muda de forma, por isso o que
Bauman de�niu como modernidade líquida é a crescente convicção de que a mudança é a única
permanência; e a incerteza, a única certeza.
Siga em Frente...
A contemporaneidade
Já que não há consenso entre a existência ou não da pós-modernidade, o que podemos
considerar como características da contemporaneidade?
O fator considerado determinante das mudanças que assistimos no tempo presente é a
globalização, que por meio de uma série de processos e avanços tecnológicos de diversas
ordens (com destaque para transporte e comunicação) promoveu transformações na nossa
relação com o espaço geográ�co e o tempo, aumentando a conexão entre nações, culturas e
pessoas.
Podemos, ainda, destacar como características da sociedade contemporânea:
A ascensão da tecnologia de comunicação: o caminho percorrido pelas tecnologias de
comunicação que culminaram na tecnologia digital modi�caram o mundo. A internet
mudou os padrões de comunicação e relacionamento. As redes sociais provocaram
mudanças nas conexões entre as pessoas em várias dimensões: sociais, pro�ssionais,
interpessoais, coletivas, amorosas etc.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Economia global: as relações comerciais entre países não são novidade, porém, a relação
de escala hoje é totalmente diferente, o que reestruturou a ordem econômica mundial em
outros eixos, exigindo o desenvolvimento de suporte logístico, técnico, político e até
mesmo legal na de�nição de regras que orientem e conduzam a economia em esfera
global.
Expectativa de vida: enquanto a expectativa de vida média de um indivíduo era de 46 anos
em 1950, graças ao avanço da medicina e da melhora na qualidade de vida a expectativa de
vida média global atualmente chega aos 70 anos. Esse aumento transformou nossa
relação com o tempo e com o mundo, que se vê diante da realidade do envelhecimento de
sua população. Novas de�nições geracionais se apresentam, assim como novas questões
relacionadas ao convívio dessas gerações.
Aumento da alfabetização: em 1820, apenas 12% da população mundial sabia ler e
escrever, ao passo que hoje 86% da população mundial é alfabetizada. Essa métrica aponta
a educação como um fator de desenvolvimento, seja ele econômico, social ou político.
Pessoas mais escolarizadas tendem a encontrar empregos melhores, ascendem
economicamente e têm mais acesso à saúde, chegando à velhice com qualidade de vida.
Também o acesso facilitado a bens e meios de cultura podem alterar o olhar dessas
pessoas para os problemas sociais, provocando impacto em suas visões políticas. Assim, a
alfabetização e o aumento da escolarização acabam produzindo um efeito em cadeia.
Questões sociais: a sociedade contemporânea vive profundos desa�os quando os
assuntos são problemas sociais e a luta para superá-los. Somos marcados por diversas
questões e contradições entre nossa forma de pensar e as ações cotidianas, em uma
relação de avanços e retrocessos constantes. Podemos citar muitos exemplos dessas
relações con�ituosas como o preconceito contra a população LGBTQIA+, a violência
policial contra grupos sociais especí�cos, o racismo sistêmico e estrutural, a desigualdade
de gênero, xenofobia e o impacto desigual da crise climática, dentre inúmeras outras. Isso
pode ser observado em escalas macro e micro: podemos olhar para esses fenômenos por
meio do nosso grupo de convivência, das cidades, países e mesmo em aspecto global por
meio de análises comparadas.
Pobreza e desigualdade social: a pobreza é um dos grandes problemas a ser enfrentado
pelo mundo globalizado. A ascensão das grandes corporações, o declínio das pequenas
produções, a desigualdade de renda, de distribuição e de acesso aos bens, a exploração
desiguale o esgotamento de recursos naturais; todo esse conjunto faz com que
populações e países sejam afetados de maneira diferente pelos problemas
contemporâneos, mas em geral todos são afetados. Por isso, pensar nessa lógica que
estrutura nosso sistema de relações é fundamental para seguirmos avançando. 
Vamos Exercitar?
Nas ciências humanas, há muitas formas de olhar para os fenômenos buscando compreendê-los
e explicá-los. Dependendo da forma como se analisa e das variáveis consideradas, podemos
chegar em considerações diferentes. É dessa forma que operam as proposições teóricas. Elas
são uma caixinha de ferramentas que utilizamos para entender o mundo. Se você precisa
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consertar um problema em um cano de água, di�cilmente uma chave de fenda será de alguma
serventia. Assim também funciona a nossa caixa de ferramentas teóricas: elas ajudam a orientar
nosso olhar na compreensão de um problema e, ao mesmo tempo que explicam muita coisa,
acabam deixando outras sem explicação.
Portanto, agora é a sua vez de pensar na existência, ou não, da pós-modernidade. Você concorda
ou discorda com os autores aqui apresentados? Pense nisso! 
Saiba mais
Zygmunt Bauman faleceu em 2017, por isso, pôde acompanhar os desdobramentos das suas
teorias no século XXI, sendo constantemente acionado a analisar processos e tendências
contemporâneas. Em uma rápida pesquisa, é possível encontrar inúmeras entrevistas, artigos e
documentários com a presença do �lósofo polonês. Vale a pena!
Para aprofundar suas re�exões a respeito da pós-modernidade, sugerimos a leitura do livro A
invenção do futuro, de Jorge Forbes, Miguel Reale Júnior e Tércio Sampaio Ferraz Júnior (2005).
Você pode acessá-lo em sua Biblioteca Virtual.
Referências
ADELMAN, M. Visões da pós-modernidade: discursos e perspectivas teóricas. Sociologias, v. 21,
jun. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/soc/a/QwYJCDbXhf6gHFcQqvKtbTD/#. Acesso
em: 29 fev. 2024. 
BAUMAN, Z. A ética é possível num mundo de consumidores? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,
2011. 
BAUMAN, Z. Amor líquido. Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor, 2004. 
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001. 
FORBES, J.; REALE JÚNIOR, M.; FERRAZ JÚNIOR, T. S. A invenção do futuro: um debate sobre a
pós-modernidade e a hipermodernidade. Barueri: Manole, 2005. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520443453/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
PINTO, T. S. "O que é Idade Contemporânea?". Brasil Escola. Disponível em:
https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-idade-contemporanea.htm. Acesso em:
6 abr. 2022. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520443453/pageid/4
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788520443453/pageid/4
https://www.scielo.br/j/soc/a/QwYJCDbXhf6gHFcQqvKtbTD/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520443453/
https://brasilescola.uol.com.br/o-que-e/historia/o-que-e-idade-contemporanea.htm
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RAMOS, J. E. M. A Idade Contemporânea: cronologia e características. 30 jul. 2020. Disponível
em: https://www.suapesquisa.com/historia/idade_contemporanea.htm. Acesso em: 10 abr.
2022.
Aula 2
A Sociedade da Informação
A sociedade da informação
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Olá, estudante!
Nesta videoaula discutiremos as características da chamada sociedade da informação. Que
benefícios e malefícios experimentamos diante do uso irrestrito das tecnologias de informação e
comunicação na contemporaneidade? Vale a pena re�etir a esse respeito! 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula vamos explorar perspectivas do cenário da comunicação na vida contemporânea,
além das tecnologias de informação e comunicação, e seus impactos na sociedade.
Você já imaginou como seria viver sem internet, sem plataformas digitais, sem recursos
tecnológicos e sem redes sociais?
Como seria não poder acessar informação e adquirir conhecimento a um clique de distância?
Como seria não interagir em grupos virtuais de a�nidade? Como seriam os aprendizados
https://www.suapesquisa.com/historia/idade_contemporanea.htm
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organizacionais, os processos de inovação, estratégias de negócios, transformação industrial e
de serviços, qualidade, produção, marketing e vendas sem a gestão do conhecimento?
Essas questões nos trazem uma série de re�exões para compreender os cenários, processos e
relações sociais na era do capitalismo informacional, que exige rápida adaptação a mudanças de
forma con�ável e responsável. Vamos começar? 
Vamos Começar!
Sociedade contemporânea: informação e conhecimento
Viver sem internet nos dias de hoje é algo inimaginável para muitas pessoas. O fato é que esta
tecnologia foi responsável por impulsionar uma revolução histórica nas formas de produzir e
consumir informação a partir do século XX com a Terceira Revolução Industrial (1950-2010).
Essa fase marcou a substituição gradual da mecânica analógica pela digital, uso de
microcomputadores e criação da internet em 1969, além de avanços na digitalização de arquivos
e o surgimento da robótica.
A Quarta Revolução Industrial, cunhada de Revolução 4.0 por Schwab, então presidente do Fórum
Econômico Mundial e autor do livro A Quarta Revolução Industrial, propõe a convergência e
sinergia de diferentes tecnologias como a internet das coisas, impressão 3D, Big data (análise de
volumes massivos de dados) e realidade aumentada, dentre outras, para gerar conhecimento e
produtividade.
Para muito além de trocas de e-mails e armazenamento de informações, como utilizada no início,
a segunda geração da internet – a internet 2.0 – no século XXI impulsiona o estabelecimento da
era da informação, permitindo que as pessoas usuárias interajam e colaborem entre si como
criadoras de conteúdo, melhorem suas experiências em websites e facilitem o compartilhamento
e a troca de informações, em uma proposta disruptiva de hábitos e processos comunicacionais
enquanto sujeitos-receptores.
O protagonismo assumido pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs) nas relações
sociais da contemporaneidade são ponto de partida para a caracterização da sociedade da
informação e a sociedade do conhecimento. Ainda que esses termos sejam utilizados como
sinônimos, eles sugerem diferenciação e complementaridade a partir de diferentes teóricos e
in�uenciadores das ciências sociais, da economia, da informação e da comunicação.
Para iniciarmos as re�exões acerca da sociedade da informação e da sociedade do
conhecimento, uma de�nição prática utilizada pelo escritor e educador João Kepler (2021, [s. p.])
nos é cara: “Informação signi�ca dados processados sobre alguém ou alguma coisa, enquanto
conhecimento refere-se a informações úteis obtidas através da aprendizagem e da experiência”.
Pensar as perspectivas de cenário na vida contemporânea exige pensar a in�uência das
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tecnologias da informação e comunicação na ampliação e democratização do conhecimento
humano para um capitalismo consciente, que valorize a inclusão da diversidade com equidade e
que não deixe ninguém para trás.
Mas, de fato, ainda que internet e as TICs tenham alcance global, enfrentamos inúmeros desa�os
para a efetiva inclusão digital, seja em espaços e contextos públicos ou privados. Sabemos que
nem todo conteúdo gerado e disponível na internet é acessível ou con�ável. Sabemos que ao
mesmo tempo que as redes sociais fomentam movimentos de impacto positivo são também
armadilhas para a desinformação e violação dos direitos humanos.
A evolução das TICs em países subdesenvolvidosou emergentes, sem um compromisso prévio
assumido por seus respectivos governos – partindo da educação para a inserção das pessoas
nos contextos digitais – certamente pode ser motivo para o desencadeamento de crises
estruturais, afetando a geração de empregos e desenvolvimento social, com o agravamento das
desigualdades.
Vamos, a seguir, compreender os desdobramentos dos principais pontos abordados até este
momento.
Siga em Frente...
TICs e desigualdade social
Pensar a sociedade contemporânea e sua evolução a partir das tecnologias de informação e
comunicação (TICs) exige considerar controvérsias quanto à democratização da informação, da
educação e do conhecimento.
De acordo com Dziekaniak e Rover (2011), ao passo que novidades tecnológicas são acessíveis
apenas para um grupo social, as pessoas menos favorecidas �cam ainda mais distantes de
crescimento e acesso ao novo tecnológico, que deveria impulsionar e direcionar a sociedade.
Dentre os impactos das TICs no desenvolvimento das sociedades estão os novos postos de
trabalho que exigem mão de obra especializada; trabalhos autômatos geralmente
acompanhados por desemprego ou redução da jornada de trabalho/redução salarial, exigindo
educação continuada por parte das pessoas trabalhadoras. Com a demanda por trabalho maior
que a oferta, os salários também se tornam mais baixos, desestimulando o investimento em
autocapacitação, favorecendo o índice de desemprego e o crescimento contínuo da miséria e
das diferenças sociais, culturais e de exclusão em todo o mundo.
Um caminho para a equidade seria o de desenvolvimento de projetos de cunho governamental
idealizados para o acesso ao conhecimento codi�cado, de forma a posicionar países periféricos
mais próximos da posição de igualdade informacional diante dos países centrais. No entanto,
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
esta possibilidade não é do interesse de todas as partes, sobretudo em um momento no qual as
transformações são muito rápidas e o foco estratégico é direcionado à competitividade
internacional pelo lucro e pela geração de riqueza, em um clássico modelo de capitalismo
selvagem.
Assim, cria-se um “círculo vicioso de obsolescência versus atualização, um fosso social entre
aqueles que têm acesso às tecnologias e os que não têm e, provavelmente estes últimos cada
vez tenham menos, dada a realidade de distanciamento que surge entre os dois pólos"
(Dziekaniak; Rover, 2011, p. 4). Conforme os autores, a problemática trazida pela introdução das
TICs vinculadas à geração de riqueza e lucro para o setor empresarial, sem a devida atenção em
políticas públicas que valorizem a inclusão, acarretou à sociedade contemporânea um dos
maiores gaps sociais da história mundial.
Nessa dinâmica são destacadas quatro dimensões que regem a homogeneização e
diferenciação desencadeadas pelas TICs: 1. dimensão espacial: expansão dos mercados em
larga escala alterando a divisão internacional do trabalho; 2. dimensão social: estabelecimento
de linhas divisórias de capacitação ou não capacitação em bases teóricos-produtivas, 3.
dimensão econômica: na qual as organizações são protagonistas se mantendo mais dinâmicas
e competitivas; e 4. dimensão político-institucional: distintos formatos estratégicos para lidar
com a realidade das diferenças.
O contraponto positivo aos impactos negativos das TICs está na a�rmação de Castells (1999
apud Dziekaniak; Rover, 2011, p. 4), “a tecnologia é a sociedade, e a sociedade não pode ser
entendida ou representada sem suas ferramentas tecnológicas.” Para Castells (1999), é a
habilidade das sociedades dominarem as tecnologias da informação e comunicação que traçará
os seus destinos, e embora não seja a tecnologia quem determina a mudança social e a
evolução das nações, é ela a responsável por abarcar o potencial de transformação das
sociedades. Dado esse contexto, quais as perspectivas de evolução da sociedade da informação
e da sociedade do conhecimento? 
Transformações sociais e TICs
Dadas as referências anteriores, faz sentido para você que na expressão sociedade da
informação o enfoque deva estar no termo sociedade e não em informação?
Como dissemos anteriormente, informação trata-se de dados. Já a palavra sociedade considera
pessoas, culturas, formas de organização e comunicação. “A informação tem que ser
determinada conforme a sociedade, e não a sociedade conforme a informação” (Burch, 2005
apud Dziekaniak; Rover, 2011, p. 5).
No entanto, colocar a informação a serviço da sociedade exige mais do que uma simples
intenção: é preciso planejamento e mobilização para o desenvolvimento de políticas públicas que
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
permitam acesso e efetiva participação de todas as pessoas em diferentes áreas do
conhecimento.
A partir da expressão viralizada “nada sobre nós, sem nós”, é recomendável que essas políticas
sejam heterogêneas; maleáveis, pensadas na transversalidade e com recortes da diversidade,
respeitando as diferenças e suas complexidades, em uma “troca vantajosa para ambas as
partes: cidadão e Estado. Não se faz política pública somente para e pela sociedade, mas com a
sociedade” (Freitas, 2007 apud Dziekaniak; Rover, 2011, p. 6), permitindo que as pessoas se
apropriem de suas histórias.
Cabe também comentar o efeito das políticas públicas nas corporações, replicando o contexto
do público ao privado em termos de acesso à informação, manipulação da informação, geração
de aprendizagem e gestão do conhecimento.
As vivências das pessoas, motivadas por melhorias sociais, educacionais e econômicas, assim
como a geração de competências fundamentadas no aprendizado empírico, idealizam para a
sociedade do conhecimento uma tecnologia que não contenha em si “potencialidades de
inovação enquanto agente, e sim, enquanto instrumento” (Nehmy; Paim, 2002 apud Dziekaniak;
Rover, 2011, p. 6).
Assim, para além da sociedade da informação, a sociedade do conhecimento parece ser o
caminho mais próspero para todos. “Uma sociedade em que a informação, a educação e a
comunicação, baseadas nas potencialidades das TICs, possam desenvolver-se, transpor e
romper as barreiras geográ�cas, econômicas, políticas e sociais” (Dziekaniak; Rover, 2011, p. 6).
Nesse contexto é fundamental reiterar a necessidade de rompimento de barreiras quanto à
acessibilidade digital – um direito constitucional das pessoas com de�ciência, infelizmente
ainda hoje invisibilizadas.
Vamos Exercitar?
Este é o momento de re�etir a respeito do seu papel na sociedade contemporânea. Em tempos
de conceito ESG (Environmental, Social and Governance) ou ASG (ambiental, social e
governança), Agenda 2030 da ONU e seus 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS),
como você interpreta a utilização do potencial da informação e das TICs para a geração de
impactos positivos?
Você produz e consome conteúdos em plataformas multimídia com qual intuito? Você converte
as informações acessadas em conhecimento para si e para as demais pessoas, seja em âmbito
pessoal ou pro�ssional? Como o exercício de sua pro�ssão pode impactar a informação e o
conhecimento para a evolução das pessoas, dos negócios e do meio ambiente?
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
A sociedade contemporânea precisa se apropriar do entendimento de que além da informação é
preciso munir as pessoas de conhecimento e cultura, a �m de empoderá-las e torná-las capazes
e competentes no exercício de decisões e realizações em prol de um futuro mais justo, saudável,
inclusivo e equânime. Sabemos que os caminhos são muitos e a jornada é longa, mas lembre-se
de que você não está só. Vamos juntos!
Saiba mais
Para se aprofundar ainda mais no conceito de sociedade da informação, bem como nos seus
desdobramentos, recomendamos a leitura do livro Sociedade da informação – para onde vamos,
de Renato Martini (2017). Você pode acessá-lo em sua Biblioteca Virtual.
Que tal se divertir, e ao mesmo tempo pensar no uso da tecnologia na sociedade
contemporânea? Séries como Black Mirror, ao imaginarem (ou anteciparem) futurosusos para as
plataformas digitais, nos fazem analisar a relação que temos atualmente com esses
dispositivos. Vale a pena conferir!
Referências
DZIEKANIAK, G.; ROVER, A. Sociedade do conhecimento: características, demandas e requisitos.
Revista de Informação, v. 12, n. 5, p. 1-9, outubro 2011. Disponível em:
https://egov.ufsc.br/portal/conteudo/artigo-sociedade-do-conhecimento-caracter%C3%ADsticas-
demandas-e-requisitos. Acesso em: 28 fev. 2022. 
KEPLER, J. Como transformar educação em conhecimento. A Gazeta do Povo, Curitiba, 19 fev.
2021. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/nova-economia-com-joao-
kepler/como-transformar-informacao-em-conhecimento/. Acesso em: 1 mar. 2022. 
MARTINI, R. Sociedade da Informação – para onde vamos. São Paulo: Trevisan, 2017. E-book.
ISBN 9788595470196. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595470196/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
ROCK CONTENT. Conheça a história da Internet, sua �nalidade e qual o cenário atual. Rock
Content, 27 jan. 2020. Disponível em: https://rockcontent.com/br/blog/historia-da-internet/#4.
Acesso em: 1 mar. 2022. 
SANTOS, L. Conheça as quatro Revoluções Industriais que moldaram a trajetória do mundo. CFA
– Conselho Federal de Administração, Brasília, 6 dez. 2019. Disponível em: https://cfa.org.br/as-
outras-revolucoes-industriais/. Acesso em: 1 mar. 2022.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788595470196/pageid/1
https://egov.ufsc.br/portal/conteudo/artigo-sociedade-do-conhecimento-caracter%C3%ADsticas-demandas-e-requisitos
https://egov.ufsc.br/portal/conteudo/artigo-sociedade-do-conhecimento-caracter%C3%ADsticas-demandas-e-requisitos
https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/nova-economia-com-joao-kepler/como-transformar-informacao-em-conhecimento/
https://www.gazetadopovo.com.br/vozes/nova-economia-com-joao-kepler/como-transformar-informacao-em-conhecimento/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595470196/
https://rockcontent.com/br/blog/historia-da-internet/#4
https://cfa.org.br/as-outras-revolucoes-industriais/
https://cfa.org.br/as-outras-revolucoes-industriais/
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Aula 3
A Sociedade da Virtualização
A sociedade da virtualização
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, conheceremos os principais conceitos propostos por Pierre Lévy, importante
pesquisador das áreas da tecnologia, da informação e da comunicação. Prepare-se para pensar
o ciberespaço e a cibercultura de uma forma diferente, percebendo o seu papel nesses espaços.
Vamos juntos? 
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula vamos explorar perspectivas do cenário contemporâneo a partir da elaboração
construída por Pierre Lévy, uma das mais importantes vozes que tratam da relação entre a
tecnologia, os meios de comunicação criados por ela e os seus impactos na sociabilidade. Para
tanto, destacaremos três de seus principais conceitos: cibercultura, ciberespaço e virtualização.
Embora alguns pesquisadores considerem as teorias de Lévy otimistas demais, é inegável o
quanto algumas de suas ideias descrevem o ambiente contemporâneo, permeado cada vez mais
pela cibercultura.
Vamos aprender juntos?
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Vamos Começar!
Pensando a contemporaneidade
No decorrer desta disciplina, destacamos que a sociedade vem passando por transformações
culturais, mercadológicas, econômicas e sociais ao longo de toda a sua história. No campo da
comunicação, ao mesmo tempo que o avanço tecnológico permitiu o desenvolvimento de novas
ferramentas de comunicação, essas ferramentas impactaram a forma como nos comunicamos e
nos relacionamos com o mundo.
Nos últimos anos, o impacto das transformações ganhou novos contornos, alcance e velocidade
em razão das novas tecnologias da informação e comunicação – TICs. A tecnologia digital
permitiu o desenvolvimento dos computadores domésticos com conexão via internet,
modi�cando a forma de produção e disseminação de informações. Atualmente, todos somos, ao
mesmo tempo, emissores e receptores dessas informações.
Nesse contexto, vários estudiosos e pesquisadores nomearam esse momento da sociedade com
termos diversos. Assim, a sociedade do século XXI é chamada de sociedade da informação,
sociedade em rede, sociedade global, sociedade do conhecimento, sociedade pós-industrial,
sociedade da virtualização, entre outros nomes. Apesar das diferenças, em comum essas visões
discutem a sociedade a partir da mudança de paradigma causada pelo advento do computador e
da Internet.
A convergência dos sistemas de comunicação, as tecnologias da informação e o crescimento
das redes integradas tornaram-se responsáveis pela transição de uma sociedade centrada na
produção industrial para uma sociedade agora baseada na informação: 
Podemos dividir a história da humanidade em três importantes eras: agrícola, industrial e digital.
Na era digital a sociedade tem recebido o nome de ‘sociedade da informação’, aquela cuja cultura
e economia dependem essencialmente da tecnologia, da comunicação e da informação. Em
tese, todos participam de alguma maneira da interação, compartilhando o conhecimento com
base nas informações que possuem (Mendes, 2022, [s. p.]). 
É impossível pensar o mundo hoje sem a tecnologia digital. Ela faz parte de nossas vidas; são
milhões de adeptos conectados durante 24 horas por dia realizando inúmeras tarefas, desde
uma simples conversa na rede social, pesquisas de produtos ou comparações de preços entre
lojas, jogos, entre incontáveis outras atividades. Mais que isso, o espaço digital não serve apenas
para troca ou busca de informações, e hoje esse ambiente abarca os mais diversos tipos de
interação social.
Um dos mais importantes nomes nesta área é Pierre Lévy. Lévy é um �lósofo, teórico cultural e
estudioso de mídia especializado na compreensão das implicações culturais e cognitivas das
tecnologias digitais e do fenômeno da inteligência coletiva humana. Para compreendermos o
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
caminho de sua análise, vamos iniciar por sua classi�cação dos dispositivos comunicacionais,
que ele divide em três categorias:
Um-todos: um emissor envia suas mensagens a um grande número de receptores.
Exemplo: meios de comunicação de massa, como rádio, imprensa e televisão.
Um-um: relações estabelecidas entre indivíduo-indivíduo, ponto a ponto, como telefone e
correio.
Todos-todos: dispositivo comunicacional original, possibilitado pelo ciberespaço, pois
permite que comunidades constituam de forma progressiva e de maneira cooperativa um
contexto comum, como as conferências eletrônicas, o ambiente de educação a distância, a
world wide web etc.
Nessa explicação encontramos um dos principais conceitos desenvolvidos pelo autor – e é
justamente para ele que voltaremos nossa atenção agora.
Siga em Frente...
O ciberespaço
As palavras ciberespaço, cibercultura e virtualização podem ser diretamente associadas ao
nome de Pierre Lévy – e é a partir da intersecção entre essa estrutura material da tecnologia que
media nossa comunicação e as estruturas sociais que os conceitos são construídos: 
É impossível separar o humano de seu ambiente material, assim como dos signos e das imagens
por meio dos quais ele atribui sentido à vida e ao mundo. Da mesma forma, não podemos
separar o mundo material - e menos ainda sua parte arti�cial - das ideias por meio das quais os
objetos técnicos são concebidos e utilizados, nem dos humanos que os inventam, produzem e
utilizam […] (Lévy, 1999, p. 21). 
Para o autor, as realidades virtuais compartilhadas que fazem comunicar milhares ou mesmo
milhões de pessoas pelos dispositivos de comunicação todos-todos é o contexto tecnológicotípico da cibercultura (1999, p. 105), que deve ser entendida como o comportamento
sociocultural que provém da relação entre a sociedade, cultura e o espaço eletrônico virtual.
A cibercultura é, portanto, a expressão cultural, a forma como nos relacionamos com o mundo
baseado na tecnologia digital. Mais especi�camente, a cibercultura é a cultura desenvolvida a
partir do ciberespaço.
O ciberespaço é o ambiente em que a comunicação é feita mediante a utilização das redes de
computadores. Porém, é importante compreender que o ciberespaço é mais que a rede, a
internet ou os computadores: "as grandes tecnologias digitais surgiram, então, como a
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de sociabilidade, de organização e
de transação, mas também novo mercado de informação e do conhecimento" (Lévy, 1999, p. 32).
Ou seja, a internet é a infraestrutura de comunicação que sustenta o ciberespaço e sobre a qual
se montam diversos ambientes, como a web, os fóruns, os chats e o correio eletrônico, para �car
apenas com os exemplos mais comuns e disseminados. Tendo a internet como uma das
infraestruturas, o ciberespaço 
É o novo meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores. O termo
especi�ca não apenas a infraestrutura material da comunicação digital, mas também o universo
oceânico de informações que ela abriga, assim como os seres humanos que navegam e
alimentam esse universo (Lévy, 1999, p. 17). 
Dadas suas características, o ciberespaço não se prende aos aspectos da geogra�a física e, por
isso, promove um enredamento dos sujeitos por meio de práticas e atividades que permitem o
desenvolvimento de uma cibercultura, construindo um vínculo próprio com a sociabilidade. Com
as redes digitais planetárias, o navegar no ciberespaço possibilita que o indivíduo observe a
multiplicidade de lugares, processos, oportunidades de vida, de trabalho, de lazer, que se
sucedem por meio de computadores, tablets, celulares e demais dispositivos móveis, uma vez a
relação do sujeito com o espaço se modi�ca.
O sujeito percorre o espaço remotamente em uma relação acorporal que altera a interação entre
matéria e espaço; e a proximidade de espaço, considerada elemento necessário para a troca de
informações, é substituída pela interação via rede. Nesse sentido, Lévy enxerga essa
sociabilidade desenvolvida no ciberespaço a partir de uma ótica positiva, entendendo que o
ciberespaço encoraja uma troca recíproca e comunitária, enquanto as mídias clássicas praticam
uma comunicação unidirecional na qual os receptores estão isolados uns dos outros. 
A virtualização
No seu caminho analítico, Pierre Lévy revisita o conceito geral de virtualidade. Para muitos
contemporâneos deste autor, há uma percepção comum de que uma sociedade que enfatiza as
interações virtuais está fadada à despersonalização. Porém, aqui temos um dos grandes pontos
de destaque da construção deste autor: não há oposição entre "virtual" e "real". Quer dizer, Lévy
concebe a virtualidade como um dos quatro modos de existência, descritos como: realidade,
possibilidade, atualidade e virtualidade. Cada um deles é de�nido em termos de sua relação com
o ambiente, e todos esses modos podem ser vividos pelo sujeito.
Com isso, Lévy constrói uma nova compreensão do viver em um mundo cada vez mais digital. A
virtualização não é, como muitos apontam, uma destruição do pessoal, mas uma transformação.
A virtualização não substitui o real, pelo contrário, ela adiciona; o virtual é o real em potência, o
que pode vir a ser.
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Nesse sentido, o que ele destaca em suas análises é a potencialidade humana em um mundo em
que o virtual permite uma gama de possibilidades, promovendo um comportamento dinâmico e
inquieto. Este dinamismo rompe paradigmas cristalizados e galga avanços tecnológicos: "[…]
quanto mais o digital se a�rma como um suporte privilegiado de comunicação e colaboração,
mais essa tendência à universalização marca a história da informática." (Lévy, 2000, p. 112).
Assim, o ambiente virtual torna-se um local de interação social. Os relacionamentos constituídos
no ciberespaço se ampliam para todas as áreas de produção da vida como a ciência, a medicina,
a educação, o jornalismo etc., gerando uma rede ampla de comunicação e difusão de
conhecimento. 
Os desa�os da cibercultura
Como todas as inovações tecnológicas, as TICs e seus processos associados têm prós e
contras. O mesmo pensamento se aplica para a cibercultura e o ciberespaço. A questão aqui não
é valorativa, até porque a tecnologia não é boa ou má em si. Os impactos e processos devem ser
analisados em razão dos usos e das apropriações feitas dessas tecnologias, ou o que se faz a
partir do que a tecnologia pode fazer.
Exempli�cando: atualmente, a sociedade utiliza os canais de comunicação que emergem no
ciberespaço e da sensação de liberdade que eles fornecem para manifestar suas opiniões. Ao
mesmo tempo que a ausência de barreiras para a entrada de novos participantes pode levar à
criação de um espaço propício à democracia, na medida em que o debate coletivo amplia os
canais formadores de opinião, essa sensação de liberdade plena em que tudo é possível pode
levar ao surgimento ou ampli�cação de vozes antidemocráticas, travestidas de liberdade de
expressão. A tecnologia abarca as duas possibilidades, mas o caminho que seguiremos não é
determinado por ela. Como a�rma Lévy (1999): 
[…] Quanto mais o ciberespaço se amplia, mais ele se torna ‘universal’, e menos o mundo
informacional se torna totalizável. O universal da cibercultura não possui nem centro nem linha
diretriz. […] Este acontecimento transforma, efetivamente, as condições de vida da sociedade.
Contudo, trata-se de um universo indeterminado e que tende a manter sua indeterminação, pois
cada novo nó da rede de redes em expansão constante pode tornar-se produtor ou emissor de
informações, imprevisíveis, e reorganizar uma parte da conectividade global por sua própria
conta (Lévy, 1999, p. 111). 
Para além das disputas de sentido que acontecem na multiplicidade de vozes do ciberespaço,
um dos grandes desa�os da cibercultura é pensar justamente em quem está fora dela. Para
participar ativamente e se bene�ciar das possibilidades in�nitas que emergem na virtualização é
imprescindível ter acesso às tecnologias e à internet. Quem não tem esse acesso �ca
automaticamente marginalizado, reforçando outros marcadores de desigualdade social. 
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Vamos Exercitar?
Não é preciso concordar plenamente com Pierre Lévy para se bene�ciar das suas ideias. Até no
exercício da crítica, precisamos primeiro compreender para depois refutar – e, nesse processo,
crescemos intelectualmente.
O que você tem a dizer a respeito do ciberespaço? Quais papéis você assume na cibercultura?
Pensar em si é umas das maneiras mais efetivas de também re�etir acerca da sociedade e das
constantes mudanças que estamos experimentando. Pratique esse exercício! 
Saiba mais
Por ser um pesquisador contemporâneo e referência nas áreas de informação, comunicação e
tecnologia, é muito fácil encontrar entrevistas de Pierre Lévy nos mais diversos meios: revistas,
jornais, televisão etc. Lévy, inclusive, já esteve no centro do programa Roda Viva, da TV Cultura,
no início dos anos 2000. Vale a pesquisa!
Para se aprofundar no conceito de cibercultura, recomendamos a leitura do capítulo Cibercultura,
do livro Jornalismo digital e cibercultura (Forechi; Flores, 2020). Você pode acessá-lo em sua
Biblioteca Virtual.
Referências
BURCH, S. Sociedade da informação/Sociedade do conhecimento. In: AMBROSI, A.; PEUGEOT, V.;
PIMIENTA, D. Desa�os de palavras: enfoques multiculturais sobre as sociedades da informação.
C & F Éditions, 2005. 
CASTELLS, M. A sociedade em rede. A era da informação: economia, sociedade e cultura.
Volume I. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002. 
FORECHI, M.; FLORES, N. M.; MELO, C. O. Jornalismo digital e cibercultura.Porto Alegre: Grupo A,
2020. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786581492755/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
LEMOS, A. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina,
2002. 
LÉVY, P. O que é o virtual? São Paulo: 34,1996. 
LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo:
34,1993. 
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786581492755/pageid/40
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786581492755/
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998. 
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo. 34, 1999.
Aula 4
A Sociedade da Pós-Verdade
A sociedade da pós-verdade
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Olá, estudante!
A velha máxima “uma mentira repetida mil vezes se torna verdade” parece ter sido substituída
pela adaptação tecnológica: “uma mentira compartilhada mil vezes se torna mais do que
verdade”. Pois é: em tempos de plataformas digitais e fake news, ser jornalista pode ser uma
tarefa árdua! Vamos re�etir juntos a esse respeito?
Ponto de Partida
Um dos efeitos colaterais da cibercultura foi dinamizar a produção e a disseminação de fake
news. Como veremos, criar e colocar em circulação notícias falsas é uma prática antiga – a
novidade contemporânea é a rapidez com que elas são produzidas e extensamente
compartilhadas. A internet, ao permitir uma comunicação todos-todos (para recuperar a
classi�cação de Pierre Lévy), abriu as portas, também, para todo tipo de discurso: dos mais
democráticos, aos mais violentos e irresponsáveis.
Saber navegar nesta nova con�guração do ciberespaço é obrigação de todo comunicador, seja
ele jornalista ou não. Em um momento em que as instituições midiáticas e suas práticas são
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
questionadas como um todo, colocando em xeque a credibilidade de vários pro�ssionais, é
preciso re�etir e agir. 
Vamos Começar!
Opinião pública e “bolhas informacionais”
É inegável que a consolidação do ciberespaço rompeu com a hegemonia da informação
praticada pelos grandes conglomerados de mídia do século XX. A possibilidade de falar e ser
ouvido (e respondido, curtido, compartilhado etc.) acrescentou uma nova possibilidade
comunicacional a quem tem acesso à internet, especialmente às redes sociais. No entanto, o que
se esperava ser a nova ágora grega, tornou-se também uma arena de extremismo na qual
narcisos se admiram em brilhantes “bolhas informacionais”.
Juski et al. (2020, p. 65) explicam que as “bolhas informacionais” são um fenômeno
relativamente recente, impulsionado pelas mudanças de programação das redes sociais. 
[…] antigamente, as redes sociais — com destaque para o Facebook — mantinham os conteúdos
produzidos pelos seus usuários acessíveis de forma integral a todas as pessoas. Com o
aumento considerável do número de usuários na última década, as redes sociais passaram a
utilizar critérios para distribuir os seus conteúdos, tais como a interação dos usuários com
publicações e a relevância das mesmas de acordo com as preferências expressadas por cada
internauta. 
Ou seja, por meio da programação algorítmica, os usuários recebem apenas os conteúdos com
os quais mais engaja – os demais deixam de ser oferecidos. O resultado, então, é a criação de
“bolhas” de pensamento, já que usuários passam a consumir e interagir somente com as
informações que corroboram com suas próprias concepções de mundo. 
Dessa maneira, as informações e os conteúdos produzidos e disseminados pelos seus pares
�cam compilados, ampliando uma “bolha” ou um aspecto de isolamento ideológico em que
apenas informações que reforçam os seus posicionamentos são apresentadas. Em
consequência, o indivíduo acredita que todos os demais internautas pensam como ele e, por
isso, alimenta um ciclo de rea�rmação constante, de modo que nunca se abre ao diferente ou ao
controverso (Juski et al., 2020, p. 66). 
Fechar-se ao controverso, em um contexto político, é cômodo e seguro, a�nal, deparar-se com o
diferente, com a alteridade, é enxergar os limites da nossa própria identidade e convicção. Nesse
sentido, não é inesperado que o conceito de pós-verdade e o fenômeno das fake news sejam
sintomas diretos das “bolhas informacionais”.
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Siga em Frente...
A pós-verdade
O conceito de pós-verdade apareceu pela primeira vez em 1992, no ensaio do escritor Steve
Tesich. Porém, foi somente na segunda década do século XXI que o termo ganhou destaque,
impulsionado, principalmente, pelas discussões desenvolvidas na mídia a respeito das
campanhas presidenciais dos Estados Unidos e o plebiscito do Brexit, no Reino Unido. Ambos os
acontecimentos foram marcados pela ampla disseminação de notícias falsas nas redes sociais.
Em decorrência da popularidade do conceito de pós-verdade, o Dicionário Oxford o incorporou à
sua lista em 2016, relacionando-o a “situações nas quais a subjetividade do indivíduo, incluindo a
sua ideologia e as suas crenças, vale mais do que os fatos objetivos da realidade que o cerca”
(Juski et al., 2020, p. 70) Ou seja, para reiterar suas próprias convicções, reforçando sua “bolha
informacional”, indivíduos aceitam e consomem apenas informações que conformem a realidade
à sua opinião, pouco interessando se são falsas ou manipuladas. Juski et al. (2020, p. 71)
reforçam que
ao analisar os efeitos da pós-verdade, podemos entender melhor a dinâmica da sociedade
contemporânea, em especial, a partir da eclosão das mídias sociais e do amplo
compartilhamento de informações de forma extensiva e em larga escala, mas sem as devidas
veri�cações das fontes. 
O fenômeno das fake news
Compreendendo a formação das “bolhas informacionais” e as aplicações da pós-verdade, �ca
mais fácil vislumbrar porque as fake news ganham tanta projeção no cenário atual.
Estima-se que mais da metade das pessoas que compartilham notícias na internet o façam sem
sequer ler seu conteúdo. Informações demais, tempo de menos, torcida pela sua versão da
história (quando alguma ideologia está em jogo) e, é claro, um pouco de preguiça: está aí o fértil
campo minado da pós-verdade (Branco apud Juski et al., 2020, p. 67). 
Apesar de terem encontrado o período ideal para se propagarem, as fake news não são uma
novidade. O uso político da mentira, da manipulação e do enviesamento de dados sempre foi
comum nos jogos de poder. De acordo com Spadaccini de Teffé (apud Juski et al., 2020, p. 68),
podemos entender as fake news como
conteúdos inverídicos, distorcidos ou fora de contexto que são espalhados como se fossem
notícias reais com a intenção deliberada de promover desinformação ao público. Ou seja, trata-
se de uma ação realizada de modo proposital para interferir na percepção do público sobre a
realidade.
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
O próprio Facebook, ao ser confrontado com a responsabilidade de servir de palco para a
disseminação de fake news estabeleceu um sentido para o termo: “artigos de notícias que
parecem ser factuais mas que contêm distorções intencionais de fatos com o propósito de
provocar paixões, atrair audiência ou enganar” (Weedon; Nuland; Stamos, 2017 apud Ribeiro;
Ortellado, 2018, p. 72).
Vale lembrar, ainda, que Juski et al. (2020) fazem questão de diferenciar fake news de
desinformação. Segundo os autores, as fake news são produtos de uma intenção deliberada de
enganar os receptores, distorcendo fatos e acontecimentos da realidade. Já a desinformação é
uma informação equivocada que é veiculada, mas não necessariamente de forma proposital,
embora os efeitos de ambas possam ser parecidos.
Pradoa relevância, já atestada
pelos estudos antropológicos, da prática comunicativa na evolução e nas relações humanas. 
Comunicação e o triunfo do Homo sapiens
Devemos a Charles Darwin, e à sua teoria da evolução das espécies, a abertura de um novo
horizonte acerca de nossa existência e história. Foi ele quem primeiro vislumbrou nossa
descendência compartilhada com os primatas em 1857 – tese cientí�ca depois comprovada por
meio dos estudos de fósseis nos campos antropológicos da paleontologia humana e da
arqueologia.
Ainda que tenhamos avançado muito no processo de contar nossa própria história, os dados
fósseis encontrados são poucos e insu�cientes para esquadrinharmos completamente nossa
trajetória ao longo dos milênios. É por isso que existem inúmeras teorias e debates cientí�cos
que tentam explicar como e por que prosperamos na batalha evolutiva.
Nosso primeiro ancestral, que dividimos com os primatas, surgiu há cerca de 70 milhões de
anos. Marconi e Presotto (2022) explicam que dele, até o triunfo do Homo sapiens, passamos
por diferentes fases estruturais – e daí surgem nomes como Australopithecus, Homo habilis,
Homo erectus e Homo sapiens. 
Bloco 1
NOME PERÍODO CRÂNIO LOCAL
Australopithecus 4,2 – 1,4 milhão 700 cm³ África
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Homo habilis 2 – 1,5 milhão 750 cm³ África
Homo erectus 1,5 milhão – 300 mil 900 cm³ África, Ásia, Europa
Homo sapiens
neanderthalensis
200 – 40 mil 1300 – 1600 cm³ África, Ásia, Europa
Homo sapiens sapiens 100 mil – hoje 1300 – 1600 cm³ Todos
Bloco 2
CARACTERÍSTICA
Postura semiereta, uso de ferramentas
Fabricação de artefatos rudimentares
Coluna ereta, controle do fogo, caçador habilidoso
Fala, religiosidade, cerimoniais fúnebres
Todas as atuais
Tabela 1 | Principais características de cada um dos ancestrais dos seres humanos. Fonte:
adaptada de Ascari apud Marconi e Presotto (2022).
 
Dentre as muitas características que foram responsáveis pela evolução humana, estão o
desenvolvimento da linguagem e a comunicação. Ambas foram fundamentais para pavimentar
nossa “conquista do mundo” e nos distanciar dos outros animais em termos cognitivos. Foi
também por meio da linguagem e da comunicação que construímos nossas relações sociais e
cultura.
A habilidade inerente ao ser humano, de constituir uma comunicação efetiva e original com seus
pares, é a base precursora da construção de nossas relações sociais. A cultura é
indiscutivelmente o próprio re�exo da comunicação humana. Como bem cita Benveniste (1989),
língua e sociedade não podem ser concebidas separadamente, é pela comunicação que o
homem constrói sua relação com o mundo (Batista, 2008, p. 1-2).
 
Yuval Noah Harari (2015) também confere à linguagem e à comunicação papéis centrais na
evolução do Homo sapiens. Compilando diversos estudos e pesquisas, Harari (2015) defende
que os Homo sapiens triunfaram como espécie humana dominante porque passaram por uma
“revolução cognitiva” até então inédita, desenvolvendo as capacidades mentais de abstrair e
memorizar, por meio da linguagem.
E o que havia de tão especial na nova linguagem dos Homo sapiens? Como vimos, a linguagem e
a comunicação não são privilégios humanos – animais também se comunicam, como insetos,
baleias e chimpanzés. No entanto, nenhuma dessas linguagens é tão versátil e voltada à
transmissão de informações como a nossa. “Podemos, assim, consumir, armazenar e comunicar
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
uma quantidade extraordinária de informação sobre o mundo à nossa volta. […] nossa linguagem
singular evoluiu como um meio de partilhar informações sobre o mundo.” (Gaglietti, 2024).
Compartilhar informações é uma das maneiras mais e�cientes de suscitar a cooperação social –
e cooperar foi fundamental para garantir nossa sobrevivência e reprodução. 
Para dominar a caça e a colheita, eles precisavam aprender a cooperar. E a maneira mais
e�ciente de fazer isso é compartilhando informações sobre o papel de cada indivíduo. Ou seja,
fofocar sobre os outros. Conforme nossos ancestrais foram deixando as �orestas para as áreas
de savana, mais abertas, aumentou a necessidade de trabalharem juntos para conseguirem
caçar com sucesso. Isso forjou um alto grau de trabalho em equipe e compartilhamento de
informações pessoais (Gaglietti, 2024). 
Na medida em que nossa linguagem e comunicação foram se so�sticando, nos tornamos
também capazes de criar �cções, lendas, mitos, deuses e religiões – práticas até então inéditas
no mundo. Tudo isso reforça a teoria antropológica e sociológica de que o ser humano é, antes
de tudo, um animal social. E é justamente a comunicação que consolida nossas relações e laços
sociais, provando que não foi a competição, mas a cooperação que determinou nosso triunfo e
sobrevivência enquanto espécie.
Vamos Exercitar?
Você já tinha parado para pensar no quanto a comunicação desempenhou (e desempenha) um
papel-chave em nossa vida? Ela não é só uma área cientí�ca, ou uma atividade pro�ssional, mas
uma prática intrínseca à nossa existência, atravessando nosso passado, presente e futuro.
Por essa razão, a antropologia tem na comunicação um importante objeto de estudo,
descrevendo e analisando a forma como ela nos une enquanto sociedade. Pensando assim, faz
ainda mais sentido de�nir a comunicação como communicatio – aquela prática dos monges
medievais de romper o isolamento e praticar uma atividade em comum. Foi a comunicação que
nos consolidou como animais sociais, capazes de cooperar uns com os outros e de compartilhar
informações, assegurando nosso triunfo e sobrevivência.
Saiba mais
Se você se interessou pela antropologia, o livro Antropologia – uma introdução, de Marina
Marconi e Zelia Maria Presotto, é uma boa porta de entrada para essa área do conhecimento.
Disponível em sua Biblioteca Virtual.
O livro de Harari que trata da trajetória do Homo sapiens, Sapiens: uma breve história da
humanidade, é um grande best seller mundial e vale cada página. Escrito de forma acessível e
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597022681/epubcfi/6/2%5B%3Bvnd.vst.idref%3Dhtml0%5D!/4/2
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
envolvente, leva antropologia, história e �loso�a até aos leitores mais leigos. O sucesso de
vendas foi tão grande que ele está disponível inclusive na versão em quadrinhos. Vale a leitura!
HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2015.
Referências
ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
BATISTA, J. C. Antropologia e comunicação: Interconexões. Anais do IX Congresso de Ciências
da Comunicação na Região Sul. Guarapuava, 2008. Disponível em:
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2008/resumos/R10-0601-1.pdf. Acesso em: 24
abr. 2024.
GAGLIETTI, M. J. O DNA da fofoca. Caos Filosó�co, 29 set. 2019. Disponível em:
https://caos�loso�co.com/2019/09/29/sapiens-e-o-dna-da-fofoca-parte-1/. Acesso em: 10 jan.
2024.
HARARI, Y. N. Sapiens: uma breve história da humanidade. Porto Alegre: L&PM, 2015.
MARCONI, M; PRESOTTO, Z. M. Antropologia – uma introdução. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2022.
SAMAIN, E. (org.). O Fotográ�co. São Paulo: Hucitec, 1998.
Aula 3
As Relações Humanas e a Tecnologia
As relações humanas e a tecnologia
http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2008/resumos/R10-0601-1.pdf
https://caosfilosofico.com/2019/09/29/sapiens-e-o-dna-da-fofoca-parte-1/
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula trataremos de um assunto que não pode �car para amanhã: inteligência
arti�cial. De que forma as inovações tecnológicas têm alterado nossas relações humanas? É
possível negar ou fugir das novas tecnologias?(2022) reforça esse ponto de vista, demonstrando que a imprensa pode errar e apontar seu
equívoco. As consequências da desinformação, no entanto, são sempre graves: 
“Erros na imprensa nem sempre são intencionais, são erros passíveis de correção. Fake news
(FN) fazem parte de um fenômeno com objetivos próprios de enganar, capitalizar adeptos e
atingir adversários”, é o que Jessica Pepp, Eliot Michaelson e Rachel Sterken (2019) corroboram.
Quando a imprensa erra, mesmo que depois aponte seus erros em alguma seção (erramos) do
jornal ou portal, acaba por fazer um grande desserviço informativo, pois funciona do mesmo jeito
que as FN. Quem leu (ou ouviu, viu) nem sempre vai receber a errata, pois não será no mesmo
segundo, no mesmo lugar, com o mesmo tamanho etc. (Prado, 2022, p. 36). 
Os desa�os do jornalismo do século XXI
Dizer que o jornalismo contemporâneo enfrenta uma crise não é ser alarmista. É, na verdade,
uma constatação dos �uxos comunicacionais e das fake news na atualidade. A Poynter Institute,
em conjunto com o Google, constatou que, em 2022, 4 em cada 10 brasileiros receberam notícias
falsas todos os dias (Guimarães; Rodrigues, 2022). Paralelamente, a descon�ança nos jornalistas
e nos veículos jornalísticos cresce ano após ano (em 2023, segundo a Reuters, 48% dos
brasileiros não con�am na imprensa).
Esses dois movimentos (fake news e descon�ança no jornalismo) são complementares, a�nal,
como salienta Prado (2022, p. 36), é difícil para o público leigo diferenciar quem está
comprometido com a ética e quem não está:
A princípio, a pecha de publicar FN [fake news] recaiu principalmente sobre os ombros dos
jornalistas, tamanha era, e ainda é, a semelhança estética entre as FN e as notícias. Difícil
diferenciar, especialmente por leigos, quem de fato persegue a ética jornalística e se preocupa
com a veracidade das informações, com os fatos do cotidiano e, consequentemente, com a
credibilidade, de quem sequer pensa nisso. De qualquer modo, parte-se do princípio de que um
jornalista não inventa notícias ou ao menos não deveria fazer isso. 
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
É justamente por essa lacuna de entendimento acerca da pro�ssão dos jornalistas que muitos
pesquisadores defendem que parte do antídoto para a crise contemporânea esteja no
“letramento midiático”, ou media literacy, usando o termo em inglês. Ao incluir os estudos da
mídia no currículo escolar, estaríamos fornecendo subsídios para que receptores compreendam
os fundamentos do jornalismo, seu compromisso ético, seus limites e seus propósitos. Além
disso, ao entender a construção da notícia, o senso crítico aumenta, bem como os
questionamentos a respeito das fontes e ao tratamento dos dados, colaborando para o romper o
ciclo das fake news.
A solução, no entanto, não se esgota na media literacy, passando também pela
responsabilização das plataformas e pela criação de leis especí�cas que condenem os
produtores e disseminadores de fake news. 
Vamos Exercitar?
Ser comunicador na sociedade da pós-verdade é desa�ador – mas não deve ser paralisante. A
luta pela ética, pela informação responsável e pela defesa da cidadania não pode esmorecer.
Pelo contrário, ela deve ser fortalecida e erguer-se como um farol para guiar os novos
pro�ssionais que entram no mercado.
Como estudante de comunicação, é muito importante que você construa um bom repertório
teórico e esteja munido de ferramentas que favoreçam a re�exão, o senso crítico e a atuação
comprometida. Nossa disciplina caminhou justamente por esses objetivos, oferecendo
referenciais clássicos e análises atualizadas para que você pense as relações estabelecidas
entre mídia e sociedade.
Seu trabalho, no entanto, não termina por aqui. O exercício re�exivo e a vontade de aprender
devem ser constantes. Bons estudos e sucesso! 
Saiba mais
Para se aprofundar no debate das fake news, sugerimos a leitura do livro Fake News e
Inteligência Arti�cial, de Magaly Prado (2022). Você pode acessá-lo em sua Biblioteca Virtual.
Uma das formas de acompanhar a reação da imprensa diante das fake news é seguir o trabalho
de agências de fact checking. No Brasil, vários portais e veículos de imprensa contam com
agências, como UOL Confere, Fato ou Fake, Agência Lupa etc. Vale o clique! 
Referências
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788562938917/pageid/4
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788562938917/pageid/4
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
GUIMARÃES, P.; RODRIGUES, C. 4 em cada 10 brasileiros a�rmam receber fake news diariamente.
In: CNN Brasil, Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/4-em-
cada-10-brasileiros-a�rmam-receber-fake-news-diariamente/. Acesso em 29 fev. 2024.
JUSKI, J. do R. et al. Crítica da Mídia. Porto Alegre: Grupo A, 2020. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9786556900452/. Acesso em: 22 jul. 2024.
MEIO & MENSAGEM. Cresce o percentual de brasileiros que não con�a em notícias. Meio &
Mensagem, 16 jun. 2023. Disponível em: https://www.meioemensagem.com.br/midia/cresce-o-
percentual-de-brasileiros-que-nao-con�a-em-noticias. Acesso em: 29 fev. 2024. 
PRADO, M. Fake News e Inteligência Arti�cial: O poder dos algoritmos na guerra da
desinformação. São Paulo: Edições 70, 2022. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788562938917/. Acesso em: 22 jul. 2024. 
RIBEIRO, M. M.; ORTELLADO, P. O que são e como lidar com as notícias falsas. Sur: Revista
Internacional de Direitos Humanos, São Paulo, v. 15, n. 27, p. 71-83, 2018. Disponível em:
https://sur.conectas.org/wp-content/uploads/2018/07/sur-27-portugues-marcio-moretto-ribeiro-
pablo-ortellado.pdf. Acesso em: 22 jul. 2024.
Aula 5
Cenários, processos e relações sociais da comunicação na vida contemporânea
Cenários, processos e relações sociais da comunicação na vida
contemporânea
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Olá, estudante!
https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/4-em-cada-10-brasileiros-afirmam-receber-fake-news-diariamente/
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Nesta videoaula faremos o encerramento da unidade, destacando a competência desenvolvida e
os resultados de aprendizagem esperados. Destacaremos os principais conceitos e re�exões
que precisam ser compreendidos para aprimorar ainda mais seu senso crítico e capacidade de
atuação no mercado da comunicação do século XXI. Vamos lá?
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta unidade, que é analisar os cenários, processos e relações
sociais da sociedade contemporânea sob o prisma de diferentes vertentes teóricas da
comunicação, você precisa, primeiramente, observar o tempo presente. Vários são os estudiosos
que contribuíram para as re�exões no campo da contemporaneidade, propondo ou refutando
conceitos como o de pós-modernidade.
Esquadrinhando as características do mundo a partir da segunda metade do século XX,
Habermas, Giddens, Bauman e outros produziram análises enriquecedoras em vários pontos,
propondo caminhos e re�exões fundamentais para compreendermos o que estamos fazendo e
que tipo de relações estamos construindo.
Pensar o tempo presente passa, também, pela necessidade de considerar o papel-central que as
tecnologias de informaçãoe comunicação têm ocupado em nossa sociedade. Com benefícios e
malefícios, as TICs precisam ser observadas como ferramentas de transformações sociais,
históricas, econômicas e educacionais, abrindo caminhos para alguns, e fechando caminhos
para outros, principalmente quando tratamos de desigualdades de oportunidades.
Re�etir a respeito da contemporaneidade passa, ainda, pelas contribuições de Pierre Lévy, autor
de conceitos como ciberespaço e cibercultura – ambos fundamentais para o funcionamento dos
�uxos comunicacionais atuais. Assim como as TICs, tais práticas não são isentas de �utuações
sociais, desigualdade de acessos e multiplicidade de usos. O ciberespaço pode ser usado tanto
para promover quanto para rechaçar a democracia.
E, assim, chegamos ao último debate importante que precisa ser feito para compreendermos a
sociedade contemporânea: a ascensão das “bolhas informacionais” e as consequentes
instalação do conceito de pós-verdade e disseminação de fake news. Tais fenômenos não são
próprios da atualidade, mas encontram no tempo presente terreno fértil para se desenvolver e se
enraizar com uma profundidade nunca experimentada.
É este, portanto, o cenário que você, futuro comunicador, encontrará pela frente. Por isso, �ca
clara a necessidade de munir-se de repertório teórico, senso crítico e visão aguçada para analisar
com ética e bom-senso a realidade da qual todos fazemos parte. 
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MÍDIA E SOCIEDADE
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É Hora de Praticar!
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Aline é uma garota de 16 anos, aluna do ensino médio, e como todo jovem está sempre
conectada nas redes sociais, acompanhando celebridades e seus artistas favoritos. Ela é
apaixonada por uma boy band que está fazendo um grande sucesso. Dos cinco integrantes, Aline
tem um favorito, que é também o favorito de muitas meninas da sua idade.
Recentemente, o garoto preferido de Aline fez uma postagem nas redes sociais ridicularizando
uma fã. O comentário repercutiu muito mal e, em questão de horas, a banda perdeu milhares de
seguidores e contratos publicitários, uma crise que afetou a imagem de toda a banda.
Diante da repercussão e do movimento de cancelamento, a equipe decidiu afastá-lo do grupo. Ele
tentou se explicar, desculpar-se com os fãs, mas não houve jeito. O impacto econômico foi mais
forte.
Agora, Aline está confusa. De fato, o comentário emitido pelo garoto foi maldoso. Ao diminuir
uma fã, fãs no mundo todo se sentiram atingidos. Mas houve um pedido de desculpas. Além
disso, Aline pensou que todos podemos errar. Aline está sofrendo pressão dos amigos para
“cancelar” seu cantor favorito e, agora, ela mesma tem medo de ser cancelada por eles.
Vamos ajudá-la a pensar nessa questão? A partir do referencial apresentado e debatido nesta
unidade, vamos pensar em como os autores e perspectivas abordadas nos ajudam a pensar a
cultura do cancelamento?
Que características da pós-modernidade mais consigo localizar em minha rotina? Em que pontos
elas me afetam?
Como atuo e que usos faço do ciberespaço?
Eu faço parte de uma “bolha informacional”? Como posso rompê-la? 
Os autores analisados nesta unidade e os conceitos desenvolvidos por eles nos ajudam a
compreender aspectos desta situação vivida por Aline. O impacto da sociedade da informação, a
fragilidade das relações e a dinâmica do ciberespaço nos permitem analisar a situação.
A tecnologia digital e seus meios criam um tipo de mobilização social que age de maneira
privada e que não se organiza socialmente no espaço público. Quer dizer, nas relações sem
mediação, talvez não disséssemos tudo o que pensamos como quando estamos protegidos pelo
suporte.
Isso também tem permitido espaço para uma confusão entre liberdade de expressão e discurso
de ódio.
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
A cultura do cancelamento não visa à reconstrução de relações abaladas ou desgastadas, mas
sim a uma paralisação do que poderia conduzir a rearticulações importantes para a sociedade na
medida em que impossibilita o debate.
Enquanto o debate pode levar a melhoria no sistema social aberto, ao fortalecimento de boas
condutas, educação e formas de comportamento mais inclusivos, sua interdição pode gerar
culturas mais severas a partir da ideia de que existe um poder sem barreiras, levando à
segregação e à censura.
O que Aline está vivendo é próprio deste momento em que o avanço das tecnologias e as
transformações que elas promovem é mais rápido que a elaboração social do impacto desse
processo. Isso é próprio da modernidade líquida de�nida por Bauman, e desse espaço que é um
espaço virtual em razão dos meios, mas também real – o ciberespaço. O cancelamento não tira
a pessoa de circulação ou interdita sua existência física, mas impacta a realidade de indivíduos e
grupos. Embora uma seja uma ação com um caráter coletivo, seu resultado é individual.
Neste exemplo, a modernidade líquida, a sociedade da informação e o ciberespaço se conectam.
Conhecer e compreender os conceitos propostos por Pierre Lévy é uma das formas de pensar a
sociedade e as relações contemporâneas.
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
Figura 1 | Pierre Lévy
 
ADELMAN, M. Visões da pós-modernidade: discursos e perspectivas teóricas. Sociologias, v. 21,
jun. 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/soc/a/QwYJCDbXhf6gHFcQqvKtbTD/#. Acesso
em: 29 fev. 2024.
BAUMAN, Z. A ética é possível num mundo de consumidores? Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor,
2011.
BAUMAN, Z. Amor líquido. Sobre a fragilidade dos laços humanos. Rio de Janeiro: Jorge Zahar
Editor, 2004.
BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2001.
FORBES, J.; REALE JÚNIOR, M.; FERRAZ JÚNIOR, T. S. A invenção do futuro: um debate sobre a
pós-modernidade e a hipermodernidade. Barueri: Manole, 2005. E-book. Disponível em:
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520443453/. Acesso em: 22 jul. 2024.
https://www.scielo.br/j/soc/a/QwYJCDbXhf6gHFcQqvKtbTD/
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788520443453/
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
LEMOS, A. Cibercultura: tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina,
2002. 
LÉVY, P. O que é o virtual? São Paulo: 34,1996. 
LÉVY, P. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática. São Paulo:
34,1993. 
LÉVY, P. A inteligência coletiva: por uma antropologia do ciberespaço. São Paulo: Loyola, 1998. 
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo. 34, 1999Como esse cenário afeta sua vida e sua carreira
pro�ssional?
Fique atento, porque nós vamos responder todas essas perguntas.
Ponto de Partida
O que você pensa quando ouve falar sobre inteligência arti�cial? Você é daquelas pessoas que
logo a associa a tecnologias e equipamentos, pensando em como podem facilitar nossa rotina?
Ou, ao contrário: você pensa imediatamente em um futuro distópico, no qual máquinas e robôs
roubam nossas vidas e trabalho?
Evidentemente que entre uma posição e outra há inúmeras formas de se colocar, sem aderir
completamente um lado ou outro da moeda. O importante mesmo é re�etir: que rumos a
tecnologia já nos reservou? Quais projeções o amanhã tem para nós? E mais: de que forma as
inteligências arti�ciais modi�cam irremediavelmente nossas relações humanas?
Embarque nessa discussão atual conosco, pois garantimos que será não só muito interessante,
mas também um divisor de águas na sua relação com a tecnologia. Vamos lá?
Vamos Começar!
É praticamente impossível falar de inovação e tecnologia sem citar o nome da professora Martha
Gabriel. Atuando há anos nesse campo, ela é uma referência fundamental quando o assunto é
discutir os impactos que os avanços tecnológicos propiciam em nossa vida e em nossa relação
enquanto sociedade.
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
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Um de seus grandes trunfos é conseguir traduzir termos complexos de maneira simples, para
que todos possam acessar e compreender o que tem se produzido em diferentes áreas da
tecnologia, como informática, robótica, biogenética etc.
Para tanto, Gabriel (2021) primeiro constrói o cenário da relação humanidade-tecnologia para,
depois, discutir o conceito e os efeitos da inteligência arti�cial. 
Humanidade e tecnologia: uma relação milenar
Desde que começamos a evoluir como espécie, lançamos mão de diversas tecnologias. Da pedra
lascada à inteligência arti�cial, percorremos um longuíssimo caminho, é verdade. Mas,
independentemente do recurso utilizado, precisamos compreender a interrelação entre a criação
de tecnologias e as transformações que elas propiciam. Ou sejam, elas não só facilitam a
realização de determinadas atividades, como modi�cam nossa maneira de pensar, agir e se
relacionar. 
Assim, as tecnologias não apenas nos instrumentalizam, mas transformam também o nosso
pensamento – cada revolução tecnológica no mundo nos conduz a uma nova mentalidade que
nos permite ser parte dela. A tecnologia tem, portanto, recriado a realidade, fundando e
colapsando civilizações ao longo da história em função das transformações a que dá origem
(Gabriel, 2021, p. 11). 
Partindo desse princípio, �ca evidente que o mais importante não é a tecnologia em si, mas a
forma como ela transforma e afeta nossa realidade. Quanto mais rápido compreendermos e
ajustarmos nossa mentalidade, mais bem-sucedidos seremos.
Mas você pode se perguntar: então todos os recursos tecnológicos criados são neutros e só
trazem benefícios? A resposta é não para as duas perguntas. O primeiro fato que precisamos
assumir é que nenhuma tecnologia é neutra, porquê: 1) nenhum de nós é neutro, todos temos
nossas certezas e convicções, as quais emprestamos a tudo que criamos; 2) as tecnologias
fazem parte da nossa sociedade e economia, portanto, �cam sujeitas às suas lógicas,
inclinações, preferências e exclusões.
Com relação aos benefícios da tecnologia, há de se considerar que para além deles estão os
prejuízos, como dois lados inseparáveis de uma moeda. Todo recurso tecnológico tem “efeitos
colaterais”, que muitas vezes são invisibilizados pela euforia das novas possibilidades, ou pelo
pânico de oferecerem um breve vislumbre de um futuro ainda desconhecido.
Sejamos nós eufóricos ou apanicados, a questão é uma só: não podemos mais ignorar os
debates e as inovações tecnológicas. Ainda mais porque o século XXI nos apresenta um novo
patamar de junção homem-máquina. Se antes as transformações se davam fora do corpo
humano para depois provocar revoluções biológicas físicas/mentais, agora os algoritmos
computacionais, a robótica, a nanotecnologia, a inteligência arti�cial e a biotecnologia permitem
Disciplina
MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
aplicações tecnológicas diretamente em nossos corpos, seja na forma de dispositivos usáveis
(wearables) ou de implantes (insideables).
Ou seja, independentemente de quem você é, ou da pro�ssão que deseja seguir, a tecnologia já
lhe atravessa. Cabe a você tomar minimamente as rédeas do processo ou ser completamente
engolido pelas transformações.
Siga em Frente...
Sobre revoluções cognitivas e civilizacionais
Em nossa disciplina temos visto que a comunicação (e suas diferentes tecnologias) foram
essenciais para nossa evolução e triunfo como espécie. A invenção e o desenvolvimento da
linguagem do Homo sapiens foi fruto de uma primeira revolução cognitiva, alterando
completamente nossa forma de nos relacionarmos com o mundo, com os outros e conosco
mesmos.
Acontece que essa foi só a primeira revolução cognitiva humana. Tivemos mais uma com a
linguagem escrita e o livro, permitindo conexões cerebrais em dimensões inéditas, já que
passamos a acessar ideias e informações de indivíduos de outras épocas e locais. E, mais
recentemente, a internet inaugurou uma terceira revolução cognitiva, potencializando
exponencialmente a conexão de cérebros humanos entre si, além de favorecer, também, a
interação com cérebros computacionais. 
Assim, além da descentralização e democratização ainda maior da informação entre seres
humanos, a internet acrescenta outro “ser”, o computacional, nas relações de troca. Em função
das diferentes capacidades que o cérebro computacional tem, quando comparado com o
humano, essas interações têm o potencial de alçar nossa cognição para um nível totalmente
diferente, gerando verdadeiramente uma nova civilização (Gabriel, 2021, p. 27). 
Se você ainda está processando as mudanças dessa terceira revolução, saiba que, de acordo
com Gabriel (2021), a quarta revolução cognitiva já começou – e ela compreende a introdução da
inteligência arti�cial em nossa vida e rotina, transformando completamente as cognições
individuais e coletivas. Você está preparado? 
Quem tem medo da inteligência arti�cial?
“Desde o momento em que o ser humano começou a projetar computadores, a inteligência
arti�cial (IA) tem sido a última fronteira: conseguir construir um ser arti�cial com as mesmas
habilidades humanas.” (Gabriel, 2021, p. 189).
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Um robô com capacidade de pensar e agir como humano sempre foi uma �gura recorrente em
nosso imaginário. Livros, �lmes, séries – diversas formas de �cção já imaginaram como seria
esse “ser arti�cial”, às vezes bom e, na maioria das vezes, mau.
Esse repertório, somado às manchetes alarmistas que decretaram o �m de muitas pro�ssões
com a abertura da inteligência arti�cial generativa (como o Chat GPT), arrastou muita gente para
o medo e a descon�ança. Mas antes de sermos contra qualquer coisa, é essencial sabermos
exatamente do que ela se trata, não é mesmo? Então, o primeiro passo é desmisti�car a IA.
Você sabia que já convive com inteligências arti�ciais há vários anos? Pois é, bem antes do Chat
GPT, plataformas digitais e aplicativos já lançavam mão da IA. Google, Waze, Apple, Microsoft e
Amazon incorporaram a inteligência arti�cial em seus produtos, sem contar ferramentas de
processamento de imagens, reconhecimento facial, assistentes pessoais computacionais –
todos operados por IA. Ou seja, a inteligência arti�cial já é parte ativa da sua rotina há um bom
tempo. A diferença é que essa tecnologia, antes restrita às grandes corporações, começa a ser
democratizada. E, para extrair o melhor dessa ferramenta, é necessário conhecê-la mais
profundamente.
De acordo com a Gabriel (2021, p. 189), “o termo inteligência arti�cial é utilizado quando
máquinas imitam as funções ‘cognitivas’ que os humanos associam com ‘mentes humanas’,
como ‘aprendizagem’ e ‘solução de problemas’”. Dessa maneira, trata-se de imputar aos
computadores característicascomo:
Conhecimento.
Criatividade.
Raciocínio.
Solução de problemas complexos.
Percepção.
Aprendizagem.
Planejamento.
Comunicação em linguagem natural.
Habilidade de manipular e mover objetos.
Outras habilidades consideradas de comportamento “inteligente”. 
Uma IA, para ser assim considerada, não precisa combinar todas essas características – tudo
depende da sua �nalidade e da maneira como ela desenvolverá a inteligência.
Agora que já conhecemos o conceito, a pergunta que não quer calar é: precisamos ter medo da
inteligência arti�cial?
Certamente essa é uma pergunta complexa que exige uma resposta complexa. Não se trata de
responder um simples sim ou não, mas de analisar o cenário e, sobretudo, acompanhar as
transformações que a IA inaugura – que são irreversíveis. Você pode até não gostar da
inteligência arti�cial, mas isso não a impedirá de modi�car sua rotina, sua forma de trabalho e
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até sua forma de pensar. Desta feita, é melhor ter consciência e certo controle desse processo,
do que ser simplesmente sugado pelo vórtice da história, certo?
Como já dissemos, toda tecnologia tem efeitos colaterais, e cabe a nós enxergar criticamente os
malefícios e extrair o máximo dos benefícios. É preciso ter curiosidade, explorar, experimentar, ou
seja, ter papel ativo, descobrindo usos e potencialidades. 
Assim, a tecnologia pode ampliar nossas capacidades cognitivas, aumentando nossa
inteligência, mas, para que isso aconteça, precisamos primeiro incorporar essas tecnologias
ampli�cadoras em nossas vidas. O simples fato de uma tecnologia existir no mundo não nos
torna automaticamente mais rápidos ou inteligentes. É o seu uso que nos transforma. Por
exemplo, o lápis e papel não me dão nenhum poder, a menos que eu saiba como usá-los; um
carro não nos torna mais rápido, a menos que o usemos. Assim, o poder da tecnologia em
nossas vidas individuais reside no seu uso (Gabriel, 2021, p. 227) 
Portanto, se a evolução das inteligências arti�ciais é cada vez mais rápido, é imprescindível que
também sejamos rápidos na compreensão e apropriação das IAs. Gabriel (2021, p. 227) resume
bem o desa�o que temos pela frente: conforme sistemas computacionais, robôs e assistentes
computacionais pessoais passam a coexistir conosco, é a nossa habilidade de interagir com eles
que determinará o nosso sucesso e evolução. “Nesse sentido, o pensador Kevin Kelly preconiza
que, no futuro, você será pago de acordo com o quão bem você trabalha com robôs.”
Vamos Exercitar?
Em suas palestras (muitas delas disponíveis gratuitamente em plataformas digitais), a
professora Martha Gabriel costuma questionar as pessoas da plateia se elas têm medo de serem
substituídas por robôs no mercado de trabalho. Para as que sinalizam que sim, Gabriel lança
uma provocação: se você não quer ser substituído por um robô, o caminho é simples – não seja
um robô!
A obviedade dessa colocação é simples e potente. Quando realmente nos interessamos pela
tecnologia e pela inteligência arti�cial, desempenhando um papel ativo, descobrimos que não se
trata de uma relação de competição entre humanos e máquinas, mas de colaboração. Se lá no
início de nossa existência como espécie foi a cooperação que de�niu nosso sucesso, aqui
também ela aparece. Não é quebrando ou negando máquinas que impediremos novas
revoluções: é compreendo seu funcionamento e nos apropriando de suas ferramentas que
daremos incríveis saltos cognitivos.
Saiba mais
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Que tal conhecer mais o trabalho da professora Martha Gabriel? Além de ter per�s ativos nas
redes sociais (como Instagram e TikTok), ela também tem palestras gravadas e disponibilizadas
no acervo do TED Talks. Vale o clique!
E, para se aprofundar ainda mais no debate que trata de inteligência arti�cial, leia a Parte 2 do
livro Você, Eu e os Robôs, disponível em sua Biblioteca Virtual.
Referências
GABRIEL, M. Você, Eu e os Robôs – Como se Transformar no Pro�ssional Digital do Futuro. São
Paulo: Grupo GEN, 2021.
GABRIEL, M. Inteligência Arti�cial: Do Zero ao Metaverso. São Paulo: Grupo GEN, 2022.
GUEVARA, A. J. de H. Da sociedade do conhecimento à sociedade da consciência. São Paulo:
Saraiva, 2007. 
KAUFMAN, D. Desmisti�cando a inteligência arti�cial. São Paulo: Grupo Autêntica, 2022.
MARTINO, L. M. S. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes, redes. 2. ed. Petrópolis:
Vozes, 2017.
SANTAELLA, L. A inteligência arti�cial é inteligente? Lisboa: Grupo Almedina (Portugal), 2023.
Aula 4
Comunicação Interpessoal como Ferramenta
Comunicação interpessoal como ferramenta
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788597028140/epubcfi/6/56[%3Bvnd.vst.idref%3Dchapter15]!/4/2
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta aula, compreenderemos de que maneira a comunicação emerge como uma das
habilidades mais importantes do século XXI. Em tempos de plataformas digitais e inteligências
arti�ciais, saber se expressar adequadamente pode garantir sua contratação e ascensão no
mercado de trabalho.
Vamos juntos? 
Ponto de Partida
Década de 1960, José Abelardo Barbosa de Medeiros, o Chacrinha, marcava a história da
televisão brasileira com seus programas populares e de muito sucesso. Seja comandando o
show de calouros ou apresentando as músicas mais tocadas da época, Chacrinha não só
divertia, como distribuía “pérolas” com seus bordões. Um deles, além de dar uma preciosa dica a
todos, tornou-se praticamente uma profecia do futuro que nos aguardava: “quem não se
comunica se trumbica”.
Pois é: mais de 60 anos depois, o ensinamento do Velho Guerreiro continua mais atual do que
nunca. Em um mundo digital, extremamente midiático – e mediado – por plataformas de
comunicação, saber se comunicar é uma habilidade primordial e cada vez mais valorizada no
mercado de trabalho.
E você? Tem se comunicado adequadamente? Vamos pensar sobre isso!
Vamos Começar!
Se você já participou de algum processo seletivo para uma vaga no mercado de trabalho, ou ao
menos deu uma olhada nas descrições de ofertas de emprego, deve ter se deparado com
expressões como comunicação interpessoal, competências (hard skills) e habilidades (soft
skills).
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Tais termos são cada vez mais comuns nos departamentos de RH. Seja em grandes corporações
ou empresas locais, os executivos estão interessados em pro�ssionais competentes,
obviamente, mas que também sejam capazes de se expressar claramente e relacionar-se bem
em equipe; além de demonstrarem habilidades subjetivas, como criatividade, empatia e
motivação. Foi-se o tempo em que ter um grau superior era garantia de contratação na certa.
O mercado de trabalho do século XXI
Em 2022, a plataforma de recrutamento ZipRecruiter divulgou o relatório Perspectivas do
mercado de trabalho para graduados. Com base nos dados das empresas que utilizam os seus
serviços, a consultoria chegou a uma conclusão importantíssima: 93% das companhias
consideram as habilidades sociais (ou soft skills) tão importantes quanto a formação técnica (ou
hard skill). Ou seja, mesmo que você seja muito bom no que faz, se não tiver boa comunicação,
planejamento e gestão de tempo, pode perder a vaga para outra pessoa.
Essa é a ponta de um iceberg que tem se formado há muito tempo. Desde a aceleração
tecnológica do século XX, o mercado de trabalho está se transformando – e, com a evolução das
inteligências arti�ciais, a tendência é que estas possam desempenhar cada vez mais
competências técnicas. Por outro lado, as IAs ainda têm muito chão pela frente quando o
objetivo é performar habilidades sociais. Criatividade, empatia, motivação…Por enquanto,esse
campo ainda é privilégio humano.
Assim, não é de se espantar que as empresas enxerguem nas soft skills uma relevância
equivalente às hard skills. E, segundo os especialistas em RH do século XXI, a comunicação
interpessoal é uma das principais (senão a principal) soft skill esperada em um pro�ssional,
independentemente do seu campo de atuação.
Siga em Frente...
A comunicação interpessoal
A comunicação interpessoal nada mais é do que comunicação. Trata-se do processo de troca de
informações, ideias e sentimentos entre duas ou mais pessoas por meio de métodos verbais ou
não verbais. Muitas vezes, ela inclui troca de informações face a face na forma de voz, nas
expressões faciais, linguagem corporal e gestos. O nível das habilidades de comunicação
interpessoal de uma pessoa é medido pela e�cácia da transferência de suas mensagens.
Nossas habilidades individuais de comunicação interpessoal estão em desenvolvimento desde
que começamos a nos comunicar quando crianças, e variam de pessoa para pessoa. No entanto,
podemos tomar medidas para melhorar nossa capacidade de comunicação – e quando
conseguimos fazer isso, encontramos enormes benefícios. A capacidade de se comunicar com
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seus colegas, membros da equipe e clientes de maneira e�caz é um comportamento necessário
para construir relacionamentos de trabalho fortes e incentivar a troca de ideias.
A comunicação interpessoal e�caz não é apenas sobre palavras. Seus gestos, tom de voz,
expressão facial, linguagem corporal e diferenças culturais também fazem parte do seu estilo de
comunicação interpessoal, que engloba uma enorme variedade de comportamentos. Por
exemplo: em uma entrevista de emprego, as perguntas não são meramente transacionais e,
muitas vezes, os entrevistadores visam ali estabelecer um elo com o entrevistado para além de
questões técnico-pro�ssionais já pensando no relacionamento de trabalho – a�nal, vínculos de
con�ança e respeito são essenciais para um trabalho produtivo.
O bom uso da retórica argumentativa é outro exemplo de comunicação interpessoal. O
argumento equilibra a manutenção do relacionamento por meio da negociação de objetivos e
pontos de vista contrastantes. Chats on-line e mensagens de texto via aplicativos como
WhatsApp são também exemplos de comunicação interpessoal, embora não presenciais, assim
como reuniões via plataformas digitais como Teams, Zoom e Skype.
A comunicação interpessoal é crucial para todos os aspectos da vida, mas é especialmente
importante nos espaços pro�ssionais. Empregadores de várias áreas a�rmam que a
comunicação interpessoal é necessária para alcançar uma boa colocação e ascender na carreira.
No dia a dia pro�ssional, a comunicação interpessoal ocorre de várias formas: em reuniões de
equipe, ligações com clientes, memorandos e e-mails, durante avaliações de desempenho,
feedback aos funcionários e até casualmente durante um almoço ou bate-papo.
“Quem não se comunica se trumbica”
Como vimos, embora aprendamos a nos comunicar desde bebês, essa habilidade pode ser
treinada e aperfeiçoada. De acordo com Marcos Gross (2013, p. 17), um bom comunicador é,
acima de tudo, um observador. Alguém atento que consegue perceber seu interlocutor,
procurando pontos em comum e ajustando sua mensagem para que seja recebida da melhor
forma. “Especialistas como Barnard a�rmam que a comunicação e�caz depende da cooperação
e boa vontade no relacionamento interpessoal. Isso signi�ca que devemos buscar sempre os
elementos convergentes com o interlocutor e não ampli�car aquilo no qual somos diferentes.”
Gross (2017, p. 18) ainda sugere três requisitos que devem ser desenvolvidos por cada um de
nós para que sejamos exímios comunicadores interpessoais:
Ter conhecimentos de comunicação: é fundamental conhecer como funcionam as ciências
da comunicação, estudar, ler sobre o assunto, observar a troca de mensagens no cotidiano,
nos meios de comunicação, propaganda e jornalismo, e analisar a forma como as pessoas
compartilham informações no trabalho e nos momentos informais.
Ter habilidades de comunicação: é importante saber como se comunicar e compreender de
que maneira transmitir com e�ciência a mensagem às pessoas – fazer, por meio da
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linguagem, com que os outros entendam com clareza o que se quer falar.
Ter atitudes comunicacionais: é essencial querer se comunicar com boa vontade,
entusiasmo, determinação e �rme intenção de intercambiar informações, escutando e
“passando o recado” aos destinatários.
Vamos Exercitar?
Estudar a comunicação, como você está fazendo agora, já é um belo início para aperfeiçoar e
consolidar suas habilidades comunicativas. Mas, como Gross (2017) adianta, ainda não é o
su�ciente. É preciso ter sensibilidade e empatia para reconhecer seus interlocutores, além de
querer se comunicar com boa vontade. É preciso, também, construir repertório, consumir
comunicação, munir-se de ferramentas, dados e informações que possam turbinar sua retórica e
seus argumentos.
Mesmo que pareça um trabalho árduo, lapidar sua capacidade de comunicação nunca será um
esforço perdido – pelo contrário, é uma atividade altamente compensatória. Do mercado de
trabalho aos relacionamentos, expressar-se com segurança, clareza e efetividade lhe renderá
apenas bons frutos. Mãos à obra! 
Saiba mais
O livro de Marcos Gross, Dicas práticas de comunicação, é um manual simples e objetivo quando
o assunto é comunicação para o mercado de trabalho. Você pode acessá-lo na íntegra em sua
Biblioteca Virtual.
Que tal se inspirar em exemplos de grandes pro�ssionais? O Portal da Forbes no Brasil, além de
trazer as últimas tendências na economia e no mercado de trabalho, reúne diferentes per�s
inspiradores, dedicados às mais diversas áreas. Vale o clique!
Referências
CRISPINO, L. Qual a diferença entre hard skills e soft skills? Exame, 20 set. 2017. Disponível em:
https://exame.com/carreira/qual-e-a-diferenca-entre-hard-skills-e-soft-skills/. Acesso em: 16 jan.
2024.
FLATLEY, M.; RENTZ, K.; LENTZ, P. Comunicação empresarial. Porto Alegre: Grupo A, 2015.
GROSS, M. Dicas práticas de comunicação. São Paulo: Trevisan, 2013.
PENTEADO, J. R W. A Técnica da Comunicação Humana. São Paulo: Cengage Learning Brasil,
2012.
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9788599519479/pageid/1
https://forbes.com.br/
https://exame.com/carreira/qual-e-a-diferenca-entre-hard-skills-e-soft-skills/
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SANTANA, W. Veja as 10 soft skills mais procuradas por 93% das empresas. Época Negócios,
2022. Disponível em:  https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2022/07/veja-10-soft-
skills-mais-procuradas-por-93-das-empresas.html. Acesso em: 16 jan. 2024.
Aula 5
Comunicação e relações humanas
Comunicação e Relações Humanas
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Dica para você
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Olá, estudante!
Nesta videoaula vamos destacar as competências e habilidades desenvolvidas na unidade, além
de pontuar conexões das discussões que desenvolvemos até este momento com o mercado de
trabalho e sua futura atuação pro�ssional.
Então, �que ligado porque só vamos tratar de assuntos importantes! Vamos lá?
Ponto de Chegada
Olá, estudante!
Para desenvolver a competência desta unidade, que é compreender o papel da comunicação na
evolução e nas relações humanas, devemos, primeiramente, estabelecer o conceito de
comunicação – já que se trata de um termo bastante polissêmico.
Para tanto, é importante não negar os muitos sentidos possíveis da comunicação nem cravar
julgamentos do tipo certo e errado. Trata-se, en�m, de demarcar de que tipo de comunicação
estamos falando, colocando todos “na mesma página”.
https://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2022/07/veja-10-soft-skills-mais-procuradas-por-93-das-empresas.htmlhttps://epocanegocios.globo.com/Carreira/noticia/2022/07/veja-10-soft-skills-mais-procuradas-por-93-das-empresas.html
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Depois de debater o conceito de comunicação, precisamos compreender a forma como a prática
comunicativa está intrinsecamente conectada à humanidade, determinando seu
desenvolvimento e evolução. Neste ponto, a antropologia pode ser muito útil, já que seu objetivo
é justamente descrever, no sentido mais amplo possível, o que signi�ca ser humano.
Estudando a trajetória do Homo sapiens, é possível descobrir como a comunicação e a
linguagem foram decisivas em nossa primeira revolução cognitiva, alçando a espécie humana a
patamares inéditos em comparação a outros animais.
E se a comunicação foi fundamental para pavimentar nosso desenvolvimento, ela continua
exercendo papel central em nossa vida e em nossas relações, mesmo em um contexto de
inovações tecnológicas e de sucessivas revoluções cognitivas.
Por isso, também é essencial conhecer a atual era digital e re�etir a respeito dela, que está
permeada por inteligências arti�ciais que ressigni�cam e transformam nossos saberes e fazeres.
Neste cenário, a comunicação continua emergindo como uma das práticas humanas
fundamentais, capaz de nos destacar no campo social e pro�ssional. 
É Hora de Praticar!
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Antônio é um jornalista experiente com mais de 20 anos de carreira. Do começo da sua pro�ssão
até os dias atuais, viu diversas mudanças e reestruturações acontecerem na redação.
Acompanhou a consolidação do uso do computador e da internet, a digitalização dos acervos, a
mudança na maneira de apuração de dados e fatos. Por tudo isso, considerava-se um jornalista
aberto às mudanças e inovações, até ser apresentado ao Chat GPT, inteligência arti�cial
generativa.
Em um curso promovido pela diretoria do jornal, Antônio e seus colegas conheceram a
plataforma e foram incentivados a utilizá-la rotineiramente em seu trabalho. Inteirando-se dos
potenciais da IA, Antônio �cou completamente assustado e, pela primeira vez, temeu por seu
emprego.
Depois de uma noite toda sem dormir, pensando em como driblar o Chat GPT, ele chegou à
conclusão de que esse não era o caminho. Mas também não fazia ideia de como lidar com a sua
insegurança diante das inovações propostas pela diretoria do jornal. Antônio, então, decide
conversar com seus colegas a respeito do que está sentindo.
Disciplina
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Imagine que você é um dos colegas jornalistas de Antônio. Que conselhos você lhe daria? Como
incentivaria o experiente jornalista a passar por mais essa transformação em sua carreira? 
O que é comunicação?
De que forma a comunicação está relacionada ao desenvolvimento da espécie humana?
Como a comunicação interpessoal pode destacar um pro�ssional no mercado de trabalho? 
A comunicação é umas das características mais humanas que temos. Foi por meio dela que nos
desenvolvemos e evoluímos continuadamente. E, por ser um traço fundamental da nossa
espécie, é natural que acompanhe as revoluções cognitivas e tecnológicas que ocorrem de
tempos em tempos.
Para aconselhar Antônio de maneira efetiva, é fundamental que você também se interesse pela
comunicação como atividade primordial – além de estar antenado com as inovações e
discussões mais atuais que tratam de tecnologia.
O primeiro passo, para tranquilizar seu amigo jornalista, é incentivá-lo a aprofundar seu
conhecimento acerca da inteligência arti�cial. Muito provavelmente Antônio está assustado
porque não sabe exatamente qual é o propósito da IA, por isso não consegue enxergá-la como
uma ferramenta, mas como uma inimiga.
Depois, você pode abrir a plataforma e explorá-la junto com Antônio, mostrando usos possíveis e
ensinando-o a otimizar seu trabalho, seja revisando textos, solicitando insights criativos ou até
sugestões de pauta.
Nossa evolução como espécie foi e é marcada por diferentes revoluções cognitivas. Ou seja, é
marcada por transformações irreversíveis na maneira como pensamos, agimos e nos
relacionamos. Até este momento já passamos por quatro revoluções, todas elas, em grande
medida, in�uenciadas pelas tecnologias e por práticas comunicativas. Que outras mudanças o
futuro nos reserva?
Disciplina
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Figura 1 | Revoluções cognitivas
GABRIEL, M. Você, Eu e os Robôs – Como se Transformar no Pro�ssional Digital do Futuro. São
Paulo: Grupo GEN, 2021.
GROSS, M. Dicas práticas de comunicação. São Paulo: Trevisan, 2013.
KAUFMAN, D. Desmisti�cando a inteligência arti�cial. São Paulo: Grupo Autêntica, 2022.
MARTINO, L. C. De qual comunicação estamos falando? In: HOHLFELDT, A.; MARTINO, L. C.;
FRANÇA, V. V. (org.). Teorias da comunicação: conceitos, escolas e tendências. Petrópolis:
Vozes, 2001.
MARCONI, M.; PRESOTTO, Z. M. Antropologia – uma introdução. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2022. 
,
Unidade 2
Novas plataformas de comunicação
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Aula 1
As Plataformas Digitais
As plataformas digitais
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Olá, estudante!
Nesta videoaula, vamos conhecer o conceito de plataforma digital, associando-o à nossa própria
história e realidade – a�nal, somos consumidores vorazes das novas tecnologias de
comunicação.
Antes de dar o play, faça sua lista de plataformas preferidas (lembrando até daquelas que já
foram excluídas) porque vamos fazer um passeio pela linha evolutiva dos últimos 20 anos. Você
está preparado?
Ponto de Partida
Olá, estudante!
Nesta aula, vamos abordar o que são as plataformas digitais, seu processo de evolução e suas
principais características. Neste percurso de aprendizado, vamos entender também por que as
plataformas digitais mudam completamente o cenário dos pro�ssionais de comunicação,
redesenhando as competências necessárias para a atuação na área.
Com isso, esperamos que você tenha uma compreensão mais ampla da importância deste novo
cenário infocomunicacional da sociedade contemporânea, das novas formas de socialização por
meio das redes digitais e da evolução histórica das plataformas.
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Por meio do nosso estudo, você ainda poderá checar seus níveis de conhecimento de tais
plataformas digitais que tanto se fala atualmente. Vamos nessa?
Vamos Começar!
Você já parou para pensar que o termo plataforma digital não sai do radar contemporâneo? O
que, de fato, ele designa? Nós vamos explicar, mas antes vale pontuar que o conceito de
plataforma digital é relativamente novo, assim como muitas coisas deste cenário virtual – que,
atualmente, já está na esfera do metaverso.
De acordo com Silva e Santos (2020), O’Reilly foi o primeiro a usar o termo plataforma digital ao
se referir a um “intermediário digital”. Nessa primeira conceituação, podemos notar a mesma
ideia de mediação característica dos meios de comunicação tradicionais, como rádio e TV.
Quando aplicada ao contexto das plataformas digitais, observamos que elas também fazem uma
mediação entre emissor e receptor da mensagem.
No entanto, há um divisor que separa drasticamente a nova e a velha mídia: a interação. Essa é a
palavra-chave quando falamos em plataformas digitais, porque até o advento da internet, as
mídias analógicas e tradicionais (TV, rádio, jornal etc.) baseavam-se em um modelo de
comunicação vertical e hierárquico, no qual apenas um dos lados emitia informação/mensagem,
enquanto ao outro lado, o público, cabia apenas consumir passivamente tais produtos
midiáticos.
O cenário das plataformas digitaiselimina barreiras físicas e muda estruturalmente a relação
sociedade-mídia, porque, nas plataformas digitais, existe interação – além da possibilidade mais
democrática de criar e distribuir conteúdo em larga escala, o que antes só era possível por meio
dos mass media, ou seja, da grande indústria de mídia tradicional.
Para Albuquerque e Silva (2021, p. 67) as plataformas digitais são “bases tecnológicas capazes
de promover a produção, o armazenamento, a recuperação, a disseminação de informações e
interações, de maneira dialógica ou não dialógica, entre seus usuários”. Nota-se, portanto, que o
dialogismo pode acontecer ou não nas plataformas digitais, enquanto nas mídias tradicionais
sequer ocorria, prevalecendo uma comunicação do tipo monológica (ou seja, baseada em um
monólogo). O dialogismo, portanto, não só é favorecido, como incentivado nos processos e
�uxos comunicacionais via plataformas digitais, pois parte das suas características estão
justamente no diálogo e na interação.
De maneira mais prática, podemos dizer ainda que as plataformas digitais são canais de
comunicação que se baseiam na tecnologia digital. Exemplos destas plataformas são as redes
sociais, como Instagram e YouTube. Mas vale destacar que rede social e plataforma digital são
conceitos diferentes. O Facebook é uma plataforma digital de relacionamento. O aplicativo do
banco é uma plataforma digital para seus serviços bancários, assim como existem plataformas
digitais para outras �nalidades, como entretenimento, educação e transporte.
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Siga em Frente...
Plataformas versus aplicativos
Atualmente, boa parte das plataformas digitais que usamos encontra-se na palma da nossa mão,
no celular – que, na verdade, é mais um minicomputador, por isso é chamado de smartphone.
O smartphone é um dispositivo que precisa da internet, suporte imprescindível para seu
funcionamento pleno. Os aplicativos, e suas diversas funções, são plataformas digitais, mas,
atenção: nem toda plataforma digital é um app. Ou seja, aplicativo e plataforma digital não são
termos sinônimos.
Depois de tantas de�nições possíveis e corretas, podemos resumir o conceito de plataforma
digital como um suporte de tecnologia, capaz de funcionar como um meio de comunicação
altamente interativo, dialógico e que rompe barreiras, permitindo que qualquer pessoa possa
produzir e distribuir conteúdo pelas redes de internet. Além disso, as plataformas digitais podem
ser consideradas símbolos da convergência midiática, reunindo simultaneamente imagem, vídeo,
texto e som. 
Evolução das plataformas digitais
Até este ponto já sabemos o que são plataformas digitais e as suas principais características.
Agora, vamos avançar na evolução destas plataformas ao longo do tempo. Atualmente, com o
avanço da tecnologia da informação e da comunicação, as mudanças são muito rápidas. O que
nasce como uma grande novidade, em pouco tempo pode se tornar obsoleto e ultrapassado.
A genealogia das plataformas digitais remonta à criação da internet, que foi capaz de sair do
estágio analógico para o digital com o sistema binário. Nos anos 1960, para resolver demandas
da Guerra Fria, surgiu a ArpaNet – “mãe” da internet atual. Nessa época, os computadores eram
do tamanho de uma sala e serviam basicamente para fazer cálculos.
A partir de 1990, com a criação e popularização dos computadores domésticos, foi surgindo a
web, que é a parte mais interativa da internet, na qual podemos navegar. Da criação da web para
cá, praticamente tudo mudou – e continua mudando. O computador gigante virou um
computador de mesa, depois um �no notebook, e hoje cabe no bolso, como um computador de
mão, o smartphone.
As plataformas digitais, no início da popularização da internet, envolviam o e-mail, os chats, os
fóruns etc. É preciso destacar que a forma como usamos as plataformas digitais atualmente não
é igual à usada há 10 ou 15 anos, e certamente não será a mesma das próximas gerações, tendo
em vista sua alta capacidade de mudança e transformação constantes.
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Isso acontece porque todo este cenário digital depende de um “universo” conhecido como
ciberespaço – conceito associado a um ambiente de tecnologias. Pierre Lévy foi um dos
primeiros pesquisadores a observar o ciberespaço sob a ótica da cultura, propondo a existência
da cibercultura, ou seja, de práticas culturais próprias do ciberespaço (Martino, 2015).
 Assim, cabe salientar que a evolução das plataformas digitais faz parte do estudo da história
social da mídia. E entender esse processo envolve, também, a ideia de que, além dos fatores
sociais e tecnológicos, os aspectos políticos e econômicos in�uenciam a con�guração desse
cenário.
Na cronologia recente da evolução das plataformas digitais, vimos mudanças de interfaces e
entrada de novos atores. No campo das plataformas digitais de entretenimento e rede social,
temos o exemplo emblemático da superação do Orkut (2004) pelo Facebook (2004); a chegada
do Twitter (2006), do WhatsApp (2009) e, mais recentemente, do TikTok (2016).
Na área musical, evoluímos da rádio web para plataformas de streaming. No campo da TV,
saímos da transmissão das emissoras pelos seus sites para Net�ix e YouTube, por exemplo.
Vale ressaltar que esse processo é dinâmico e está em constante mudança. Como não é
possível enxergar o ponto �nal da linha evolutiva das plataformas digitais, resta observar com
cuidado e atenção nossa realidade, adquirindo novas habilidades e se adaptando a cada
novidade.
 
Plataformas digitais e o mercado de comunicação
Caro estudante, vamos prosseguir nosso estudo nesta aula avançando para o campo prático das
plataformas digitais. Como já foi pontuado, a sociedade contemporânea está em constante
transformação, e no campo da comunicação não é diferente.
Neste cenário, exige-se do pro�ssional da área habilidades básicas para implementar os diversos
produtos de mídia. Atualmente, todo e qualquer planejamento de comunicação deve considerar
as plataformas digitais como parte da sua estratégia, seja na comunicação mercadológica,
institucional, jornalística etc. O mercado atual é digital e on-line, dialogando com as mídias
tradicionais que, embora em menor intensidade, continuam fazendo parte do cotidiano das
pessoas. É preciso dominar as duas opções.
As plataformas digitais podem ser interpretadas de diversas formas em razão do ponto de vista.
No caso da comunicação, o foco está nos tipos de relacionamentos que essas redes podem
proporcionar por meio do processo comunicativo.
Quando pensamos na comunicação dessas plataformas, devemos considerar o modelo
dialógico, a interação e o engajamento. Por exemplo, um jornal impresso antes da internet
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MÍDIA E SOCIEDADE
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mantinha uma interação com seus leitores basicamente por carta e telefonemas. Hoje, os pontos
de contato entre meio e público estão pulverizados em site, WhatsApp, redes sociais, app... Tais
plataformas permitem interação quase que irrestrita com o jornal, compartilhando, comentando,
reagindo, engajando, repostando. En�m, a forma de relacionamento emissor-receptor mudou, e
tais papéis têm se confundido cada vez mais.
Outro fator importante quando levamos em consideração a aplicabilidade das plataformas
digitais diz respeito às características de cada plataforma e de cada per�l de usuário. É sabido,
por exemplo, que há diferenças de público do Instagram, Facebook e TikTok, embora todas
estejam no rol das redes sociais. Cada plataforma tem suas próprias características e usuários,
então é preciso pensar em uma comunicação dirigida para públicos especí�cos, porque a
segmentação também é uma das características desta nova mídia, já que há diversas
ferramentas, inclusive gratuitas, para conhecer com detalhes a audiência.
Vamos Exercitar?
Quando olhamos para a história, muitas foram as mudanças que causaram verdadeiras rupturas:
a verticalização da nossa postura, a invenção da linguagem escrita, as inúmeras revoluções
econômicas epolíticas. É neste rol de marcos da nossa trajetória que também estão a criação da
internet e das plataformas digitais. Depois delas, nossa vida nunca mais foi a mesma.
Talvez seja cedo para analisar o cenário mais amplo – a�nal, ainda estamos vivendo essa
revolução digital, experimentando cada uma das suas novidades, dos seus desa�os, dos seus
benefícios e malefícios. No entanto, um fato é certo: ninguém pode escolher deliberadamente
�car à margem dessas mudanças. Ainda mais se você pretende ser um pro�ssional da
comunicação, área completamente impactada pelas novas tecnologias.
Por isso, conhecer, dominar e re�etir a respeito das plataformas digitais é sua obrigação. Explore
as possibilidades, compreenda os recursos das interfaces, acompanhe as pesquisas periódicas
que tratam de usos, comportamentos e tendências das plataformas. Tais dados são
fundamentais para a construção de pro�ssionais estratégicos e alinhados aos objetivos do
mercado.
Saiba mais
Para se aprofundar nos debates a respeito do ciberespaço e da cibercultura, você pode ler o
capítulo Cibercultura, do livro Jornalismo digital e cibercultura. Acesse a obra em sua Biblioteca
Virtual.
Que tal aprimorar o conteúdo desta aula analisando as plataformas digitais do principal jornal
impresso diário do seu estado? Veri�que o site, as redes sociais e como funciona sua estratégia
https://integrada.minhabiblioteca.com.br/reader/books/9786581492755/pageid/40
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MÍDIA E SOCIEDADE
CONTEMPORÂNEA
para ser uma mídia tradicional ao mesmo tempo em que dialoga com as novas mídias. Tente
responder à pergunta: como esse jornal articula os conceitos e ferramentas tecnológicas para
manter a sua presença nas plataformas digitais?
Referências
ALBUQUERQUE, A.; SILVA, T. Plataformas digitais e departamentos de comunicação/relações
públicas: uma revisão sistemática. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, n.
42, 2021. Disponível em: http://www.risti.xyz/issues/risti42.pdf. Acesso em: 20 fev. 2022. 
FORECHI, M.; FLORES, N. M.; MELO, C. O. Jornalismo digital e cibercultura. Porto Alegre: Grupo A,
2020. 
DIZARD JUNIOR, W. A nova mídia. A comunicação de massa na era da informação. Rio de
Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2000. 
LÉVY, P. Cibercultura. São Paulo: 34, 1999. 
MARTINO, L. M. S. Teoria das mídias digitais. Rio de Janeiro: Vozes, 2014.
SILVA, G. C.; SANTOS, M. F. L.; SANSEVERINO, G. G.; MESQUITA, L. Como as plataformas digitais
provocaram uma ruptura no modelo de jornalismo consolidado no século XX. Revista Eptic, v. 22,
n. 1, 2020. Disponível em: https://seer.ufs.br/index.php/eptic/article/view/12124. Acesso em: 20
fev. 2022.
Aula 2
Plataformas Digitais e a Cultura da Convergência
Plataformas digitais e cultura da convergência
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Para assistir este conteúdo é necessário que você acesse o AVA pelo
computador ou pelo aplicativo. Você pode baixar os vídeos direto no aplicativo
para assistir mesmo sem conexão à internet.
Dica para você
http://www.risti.xyz/issues/risti42.pdf
https://seer.ufs.br/index.php/eptic/article/view/12124
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Aproveite o acesso para baixar os slides do vídeo, isso pode deixar sua
aprendizagem ainda mais completa.
Olá, estudante!
Como já sabemos o que são as plataformas digitais, entraremos em seu universo de
comunicação, tecnologia e… cultura! Pois é, mesmo que você ainda não tenha pensado nisso,
fazemos parte de uma nova cultura, atravessada por múltiplas transformações, �uxos de
conteúdo, experiências e interações inesperadas. Vamos re�etir juntos? 
Ponto de Partida
Quando lemos a palavra conceito, temos a impressão de que se trata de algo difícil e abstrato. E
não é à toa. A�nal, disciplinas teóricas são feitas de conceitos, deixando essa sensação de que
eles só existem no mundo das ideias, sem muita conexão com a vida prática.
Nós até concordamos que alguns conceitos, de fato, são abstratos demais. No entanto, esse,
de�nitivamente, não é o caso da cultura da convergência. Por sermos agentes ativos da era
digital, estamos mergulhados até o topo na dinâmica da convergência, praticando-a
cotidianamente.
Por isso, você pode até não conhecer o conceito teórico da cultura da convergência, mas quando
lê-lo pela primeira vez, temos certeza de que saberá na hora do se trata – e mais, conseguirá
relacioná-lo a inúmeros casos e fatos (inclusive na esfera pessoal).
Vamos nessa?
Vamos Começar!
Nossa aula começa com uma história. Imagine que você acaba de se mudar para um dos bairros
mais ricos e nobres da capital de São Paulo. Entre prédios de luxo e praças arborizadas, você
nota um sobrado caindo aos pedaços e que ocupa quase uma quadra inteira. Como pode existir
um terreno tão grande e abandonado em uma área tão cobiçada como aquela? E, para instigar
ainda mais a sua curiosidade, você descobre que a casa, na verdade, não é abandonada. Uma
senhora mora lá, mas costuma sair muito pouco e, quando sai, está sempre com o rosto coberto
por uma espessa pomada branca.
Nós apostamos que você �cou intrigado para descobrir qual é a história dessa senhora e da
casa… Pois é! Essa curiosidade também foi decisiva para que, em 2022, um jornalista da Folha de
S.Paulo (um dos jornais diários mais importantes do Brasil) começasse a pesquisar e conversar
com outras pessoas do bairro, até decidir produzir um podcast sobre isso. Trata-se da série A
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mulher da casa abandonada, produzida pelo jornalista Francisco Felitti em conjunto com outros
colegas da Folha.
O podcast, dividido em sete episódios, foi um verdadeiro fenômeno de audiência. Reproduzido
milhões de vezes via plataformas de streaming, extrapolou qualquer expectativa positiva: virou
trend nas redes sociais, coreogra�a no TikTok, thread no X (antigo Twitter) e fez centenas de
pessoas irem �sicamente até à casa, em uma espécie de turismo “instagramável” – a�nal, todos
queriam garantir uma fotogra�a ou vídeo em frente ao imóvel.
Não demorou muito para que conteúdos secundários e análises críticas também aparecessem
nas redes sociais e em artigos de opinião de grandes portais da internet. E, em um movimento
inesperado, a televisão clássica passou a se interessar pelo caso. Programas policialescos e do
tipo grande reportagem começaram a mandar suas equipes para cobrir os desdobramentos da
“casa abandonada”.
Em um só dia, Polícia Civil, emissoras de televisão, usuários de redes sociais e ONGs de proteção
animal estavam todos reunidos no quintal da casa abandonada, em um verdadeiro espetáculo
midiático – um desfecho que o jornalista Francisco Felitti jamais imaginou quando decidiu
descobrir quem era a senhora da pomada branca.
Agora, você deve estar se perguntando: por que estamos falando dessa história? Porque ela é a
ilustração perfeita da cultura da convergência! E, acredite, não estamos exagerando. Em 2009 (ou
seja, 13 anos antes do podcast A mulher da casa abandonada), Henry Jenkins, renomado
pesquisador de mídia comparada no MIT (Massachusetts Institute of Technology), dava ao
mundo as boas-vindas à cultura da convergência – tema de um dos seus livros mais conhecidos.
Para tanto, ele usava a seguinte frase:
Bem-vindo à cultura da convergência, onde as velhas e as novas mídias colidem, onde mídia
corporativa e mídia alternativa se cruzam, onde o poder do produtor de mídia e o poder do
consumidor interagem de maneiras imprevisíveis (Jenkins, 2009, p. 29). 
Tal trecho parece ter sido escrito para de�nir o fenômeno do podcast A mulher da casa
abandonada, tamanha sua assertividade acerca do que aconteceu. Isso não comprova o dom da
clarividência de Jenkins (2009), mas a precisão do seu conceito de cultura da convergência. Não
é uma ideia abstrata – é a descrição exata do que estamos experimentando todos os dias. 
Por convergência, re�ro-me ao �uxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à
cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos
dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer

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