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PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 1 PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 2 PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Giane Demo Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Juliana Balta Ferreira Silvana Nascimento Carvalho Sandro Garabed Ischkanian A obra de Paulo Freire, especialmente em Pedagogia do Oprimido (1987), consolidou-se como referência central para a compreensão de uma educação emancipatória e humanizadora. Freire denuncia o modelo ―bancário‖ de ensino, em que os educadores depositam informações nos alunos sem diálogo, reproduzindo a opressão e mantendo estruturas de poder. Em oposição, propõe uma pedagogia dialógica, baseada na problematização da realidade e no engajamento ativo dos sujeitos, com o objetivo de formar indivíduos críticos e transformadores da sociedade. No contexto da escola contemporânea, marcada por desigualdades sociais, econômicas e culturais, a proposta freireana continua atual, pois aponta para uma prática educativa que valoriza a experiência dos alunos, reconhece seus saberes e promove a conscientização como caminho para a transformação social. A pedagogia do oprimido não é apenas um método de ensino, mas uma filosofia de vida que coloca o ser humano no centro do processo educativo. Freire (1996) em Pedagogia da Autonomia destaca a necessidade de ensinar a partir da ética, do respeito e do diálogo, considerando os estudantes como sujeitos históricos capazes de intervir na realidade. Ao invés de serem meros receptores, os educandos tornam-se coautores do conhecimento. Essa concepção rompe com a passividade e estimula a reflexão crítica, possibilitando que os alunos compreendam as relações de poder que os cercam e construam alternativas para superar a opressão. Na escola contemporânea, a pedagogia crítica freireana é desafiada por contextos de massificação da informação, pela influência da tecnologia e pela pressão por resultados imediatos. Contudo, permanece essencial enquanto proposta que valoriza a autonomia do sujeito. Libâneo (1986) e Mizukami (1986) reforçam que o ensino não pode se restringir à transmissão de conteúdos, mas deve articular o saber com a prática social, desenvolvendo competências reflexivas. A pedagogia do oprimido contribui para formar cidadãos conscientes, capazes de questionar desigualdades e lutar por justiça social. Freire (1992), em Pedagogia da Esperança, retoma e atualiza suas ideias, defendendo que a educação deve estar sempre ligada à esperança e à utopia do inédito-viável, ou seja, da possibilidade de construir novos caminhos, mesmo em contextos adversos. Esse pensamento conecta-se ao papel do educador como mediador e incentivador da autonomia, que não impõe verdades, mas estimula a reflexão. Como afirmam Freitas (2001, 2014) e Alarcão (2001), a prática pedagógica exige uma postura reflexiva permanente, capaz de integrar teoria e prática, emoção e razão, tradição e inovação. O diálogo não é apenas técnica didática, mas um princípio ético-político que possibilita o encontro entre sujeitos e a construção coletiva do saber. Fischer e Lousada (2010) ressaltam que o risco do diálogo está justamente em sua abertura à transformação, pois, ao compartilhar experiências, os sujeitos são desafiados a rever concepções e a agir sobre a realidade. Esse exercício crítico faz da educação um ato político, inevitavelmente comprometido com a emancipação dos oprimidos. Na escola atual, aplicar os princípios da pedagogia do oprimido implica em valorizar a diversidade cultural, promover a inclusão social e utilizar metodologias participativas que deem voz aos estudantes. Em uma sociedade marcada pela globalização e pela exclusão, como analisa Boaventura de Sousa Santos (2009), é urgente que a educação recupere o papel de fortalecer os sujeitos e ampliar suas capacidades de leitura crítica do mundo. Essa perspectiva amplia o papel da escola de simples transmissora de conhecimentos para espaço de transformação social e política. A pedagogia freireana permanece como um horizonte fundamental para pensar a formação de sujeitos críticos na escola contemporânea. Seu legado orienta práticas pedagógicas que vão além da instrução, buscando a humanização e a transformação da realidade. Mais do que um método, a pedagogia do oprimido é um convite à ação consciente, ao compromisso com a liberdade e à construção de uma sociedade mais justa. Palavras-chave: Paulo Freire; pedagogia do oprimido; educação crítica; sujeito; escola contemporânea. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 3 PAULO FREIRE: THE PEDAGOGY OF THE OPPRESSED AND THE FORMATION OF CRITICAL SUBJECTS IN THE CONTEMPORARY SCHOOL. Giane Demo Simone Helen Drumond Ischkanian Gladys Nogueira Cabral Juliana Balta Ferreira Silvana Nascimento Carvalho Sandro Garabed Ischkanian The work of Paulo Freire, especially Pedagogy of the Oppressed (1987), has been consolidated as a central reference for the understanding of emancipatory and humanizing education. Freire denounces the ―banking‖ model of education, in which educators deposit information into students without dialogue, reproducing oppression and maintaining power structures. In opposition, he proposes a dialogical pedagogy, based on the problematization of reality and the active engagement of subjects, with the goal of forming critical individuals capable of transforming society. In the context of the contemporary school, marked by social, economic, and cultural inequalities, Freire’s proposal remains highly relevant, as it points to an educational practice that values students’ experiences, recognizes their knowledge, and promotes critical awareness as a path toward social transformation. The pedagogy of the oppressed is not merely a teaching method, but a philosophy of life that places the human being at the center of the educational process. Freire (1996), in Pedagogy of Autonomy, highlights the need to teach based on ethics, respect, and dialogue, considering students as historical subjects capable of intervening in reality. Rather than being mere receivers, learners become co-authors of knowledge. This conception breaks with passivity and stimulates critical reflection, enabling students to understand the power relations that surround them and to build alternatives to overcome oppression. In contemporary schools, Freire’s critical pedagogy is challenged by contexts of information overload, the influence of technology, and the pressure for immediate results. Nevertheless, it remains essential as a proposal that values the autonomy of the subject. Libâneo (1986) and Mizukami (1986) reinforce that teaching cannot be restricted to the transmission of content, but must articulate knowledge with social practice, developing reflective competencies. The pedagogy of the oppressed contributes to the formation of conscious citizens, capable of questioning inequalities and fighting for social justice. Freire (1992), in Pedagogy of Hope, revisits and updates his ideas, arguing that education must always be linked to hope and to the utopia of the ―not-yet-realizable,‖ meaning the possibility of creating new paths, even in adverse contexts. This perspective connects to the role of the educator as mediator and encourager of autonomy, who does not impose truths, but stimulates reflection. As Freitas (2001, 2014) and Alarcão (2001) point out, pedagogical practice demands a permanent reflective stance, capable of integrating theory and practice, emotion and reason, tradition and innovation. Dialogue, in this sense, is not merely a teaching technique, but an ethical-political principle that enables encountersmas está intimamente relacionada às condições sociais, econômicas e culturais em que os estudantes estão inseridos. Isso exige que a escola contemporânea reconheça e valorize as experiências de vida dos alunos, promovendo uma educação inclusiva e sensível às diversidades. A valorização do diálogo, da participação e do protagonismo dos estudantes fortalece o engajamento e a motivação, permitindo que o conhecimento seja construído de maneira significativa e contextualizada. A prática pedagógica, nesse contexto, precisa articular teoria e prática, tradição e inovação, para que os processos educativos tenham impacto real na formação de sujeitos críticos e reflexivos. A pedagogia freiriana demonstra que a educação crítica é um instrumento de emancipação, capaz de transformar relações de poder e enfrentar estruturas de opressão. A escola, ao adotar uma abordagem participativa, promove a capacidade de análise e ação sobre a realidade, estimulando os alunos a compreenderem sua posição social e a identificar oportunidades de mudança. A educação transformadora contribui para a construção de cidadãos conscientes de seus direitos e deveres, fortalecendo o senso de responsabilidade coletiva e a capacidade de colaboração em busca de soluções para problemas sociais. Assim, a escola deixa de ser apenas transmissora de informações e passa a ser agente ativo de transformação social. A incorporação de metodologias participativas e da aprendizagem problematizadora reforça a ideia de que a educação deve estimular a reflexão crítica, a autonomia e o protagonismo. Projetos coletivos, debates, estudos de caso e o uso consciente de tecnologias ampliam a capacidade de intervenção e análise crítica dos alunos, promovendo a construção do conhecimento de maneira dinâmica e contextualizada. Esse tipo de prática pedagógica aproxima o processo educativo das necessidades reais da comunidade escolar, tornando a aprendizagem mais relevante PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 27 e significativa, ao mesmo tempo em que fortalece a cidadania e o engajamento social dos estudantes. O legado de Paulo Freire reafirma que a escola contemporânea pode e deve ser um espaço de transformação, inclusão e humanização. A formação de sujeitos críticos, conscientes e ativos depende de uma educação que valorize o diálogo, a participação, a reflexão e a ação ética. Ao integrar teoria e prática, tradição e inovação, a pedagogia freiriana oferece ferramentas essenciais para construir um ambiente escolar capaz de preparar cidadãos aptos a contribuir para uma sociedade mais justa, democrática e solidária. A educação, ao assumir seu papel social estratégico, vai muito além da simples transmissão de conteúdos acadêmicos, pois se transforma em um espaço de construção de valores, ética e cidadania, preparando indivíduos capazes de compreender a complexidade das relações sociais e de atuar de forma consciente e responsável em sua comunidade. Os estudantes são incentivados a desenvolver habilidades críticas e reflexivas, aprendendo a questionar práticas injustas, a analisar problemas de maneira profunda e a buscar soluções que promovam o bem-estar coletivo e a equidade social. A formação educacional deixa, assim, de ser um processo meramente técnico e passa a integrar dimensões humanas, sociais e éticas, consolidando a ideia de que o conhecimento deve servir à transformação da realidade. Uma educação voltada para a ética e a reflexão crítica contribui para a construção de sujeitos conscientes de seus direitos e deveres, capazes de participar ativamente da vida democrática e de influenciar mudanças sociais significativas. Ao se engajar em processos educativos que valorizam a autonomia e o protagonismo, o aluno desenvolve competências para atuar de maneira crítica e responsável, compreendendo a importância da solidariedade, da justiça e do respeito à diversidade. Essa formação integral fortalece a capacidade de diálogo, cooperação e tomada de decisão informada, transformando a escola em um espaço que promove cidadania ativa e consciência social. A educação que assume seu caráter transformador prepara indivíduos não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida em sociedade, estimulando a responsabilidade ética e o compromisso com a construção de uma realidade mais justa e equitativa. Ao formar profissionais competentes que também são cidadãos críticos, a escola cumpre sua função social mais ampla, consolidando-se como um agente de mudança capaz de gerar impacto positivo tanto na vida dos estudantes quanto na comunidade em que estão inseridos. A educação se torna um poderoso instrumento de emancipação, inclusão e humanização, reafirmando sua relevância como ferramenta estratégica para o desenvolvimento social e cultural. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 28 REFERÊNCIAS ALARCÃO, I. (Org.). Escola reflexiva e nova racionalidade. Porto Alegre: Artmed Editora, 2001. FISCHER, N. B.; LOUSADA, V. L. Risco (verbete). In: STRECK, D.; REDIN, E.; ZITKOSKI, J. J. 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Fischer and Lousada (2010) stress that the risk of dialogue lies precisely in its openness to transformation, as by sharing experiences, individuals are challenged to rethink conceptions and to act upon reality. This critical exercise makes education a political act, inevitably committed to the emancipation of the oppressed. In today’s school, applying the principles of the pedagogy of the oppressed implies valuing cultural diversity, promoting social inclusion, and adopting participatory methodologies that give students a voice. In a society marked by globalization and exclusion, as analyzed by Boaventura de Sousa Santos (2009), it is urgent for education to reclaim its role of empowering subjects and broadening their capacity for critical reading of the world. This perspective expands the role of the school from being a mere transmitter of knowledge to becoming a space for social and political transformation.Thus, Freire’s pedagogy remains a fundamental horizon for reflecting on the formation of critical subjects in the contemporary school. His legacy guides educational practices that go beyond instruction, aiming at humanization and the transformation of reality. More than a method, the pedagogy of the oppressed is an invitation to conscious action, a commitment to freedom, and the construction of a more just society. Keywords: Paulo Freire; pedagogy of the oppressed; critical education; subject; contemporary school. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 4 1. INTRODUÇÃO A educação contemporânea enfrenta o enorme desafio de formar sujeitos críticos, conscientes de seu papel social e capazes de transformar a realidade em que vivem. O legado de Paulo Freire, especialmente em sua obra Pedagogia do Oprimido (1987), permanece como um farol teórico e prático que aponta caminhos para uma educação libertadora. Em vez de restringir- se à transmissão mecânica de conteúdos, Freire propõe a educação como prática da liberdade, em que professores e alunos constroem coletivamente o conhecimento, questionam estruturas de poder e desenvolvem a consciência crítica necessária para intervir no mundo. A crítica de Freire ao modelo bancário de ensino é ainda atual. Em muitas escolas, o processo educativo continua centrado na memorização de informações e na repetição acrítica de conteúdos, preparando os alunos para avaliações padronizadas, mas não para a vida em sociedade. Esse modelo reproduz desigualdades e não contribui para a emancipação dos sujeitos. A pedagogia freiriana, ao contrário, propõe o diálogo como método e como ética, possibilitando que os estudantes se tornem protagonistas de sua própria formação. Na escola contemporânea, marcada por contextos de massificação da informação, uso intensivo da tecnologia e pressões por resultados rápidos, o pensamento freiriano surge como alternativa fundamental. Ele lembra que a educação não pode ser reduzida a índices de desempenho ou a metas numéricas, mas deve ser vista como um processo humano, dialógico e emancipatório. O diálogo, nesse sentido, não é apenas uma técnica didática, mas uma postura política e ética que reconhece os estudantes como sujeitos históricos. Um dos pontos centrais da pedagogia do oprimido é a ideia de conscientização, ou conscientização, que consiste no desenvolvimento da capacidade crítica dos indivíduos de compreender a realidade e agir para transformá-la. A escola, portanto, não deve ser um espaço de passividade, mas de reflexão crítica, de leitura de mundo e de ação social. Nesse processo, professores se tornam mediadores que estimulam o pensamento, em vez de meros transmissores de informações. A pedagogia crítica proposta por Freire também defende a valorização da cultura e da experiência dos alunos. Ao reconhecer que cada estudante traz consigo saberes construídos em sua realidade cotidiana, a escola rompe com a lógica elitista que desvaloriza o conhecimento popular em favor de uma cultura acadêmica distante de suas vivências. Esse reconhecimento fortalece a identidade dos estudantes e os motiva a participar de forma ativa no processo educativo. Outro aspecto importante do pensamento de Freire é a noção de educação como ato político. Para ele, não existe neutralidade na prática educativa: toda escolha pedagógica reflete PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 5 uma visão de mundo. Escolher entre uma educação libertadora ou uma educação domesticadora é, em si, uma decisão política. O professor contemporâneo precisa ter consciência de sua responsabilidade ética e política no processo formativo. A escola de hoje, muitas vezes, enfrenta a contradição entre a exigência de resultados imediatos e a necessidade de formar cidadãos críticos. Essa tensão pode gerar práticas educativas fragmentadas e superficiais, que priorizam a quantidade em detrimento da qualidade. A pedagogia freiriana aponta o caminho oposto: é preciso investir em metodologias que promovam a reflexão, o diálogo e a participação, mesmo que os resultados não sejam mensuráveis a curto prazo. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 6 A contribuição de Freire também se relaciona com a formação docente. Para que a pedagogia crítica seja efetivada, é necessário que os professores sejam formados com base em uma prática reflexiva, que articule teoria e prática, emoção e razão, tradição e inovação. O professor precisa aprender a questionar sua própria prática, revisitando constantemente seus métodos, suas concepções e sua relação com os alunos. Na era da globalização e da revolução digital, a pedagogia do oprimido continua sendo uma ferramenta essencial. A abundância de informações não garante, por si só, a formação crítica. Pelo contrário, sem mediação pedagógica, a informação pode reforçar estereótipos, desigualdades e alienações. A escola precisa, portanto, ir além da transmissão de dados, ajudando os estudantes a interpretar, analisar e transformar as informações em conhecimento significativo. O uso de tecnologias digitais no espaço escolar trouxe profundas transformações na forma como o conhecimento é produzido, compartilhado e acessado. Plataformas digitais, redes sociais e recursos interativos abriram caminhos para novas metodologias de ensino que podem enriquecer o processo educativo. No entanto, sem um olhar crítico e ético, essas ferramentas podem reforçar desigualdades, ampliar a passividade dos estudantes e reduzir a educação a mera reprodução de informações. A pedagogia freiriana, ao propor o diálogo e a problematização da realidade, oferece uma base sólida para que a tecnologia seja utilizada como instrumento de emancipação e não de opressão. Freire sempre alertou para o perigo de uma educação desumanizadora, que transforma sujeitos em objetos de manipulação. No contexto tecnológico, esse risco é ainda maior, uma vez que os algoritmos, a lógica do consumo e a velocidade da informação podem capturar a atenção dos estudantes sem, necessariamente, promover uma aprendizagem significativa. É nesse ponto que o pensamento freiriano se torna atual e necessário: a tecnologia deve ser usada para criar pontes entre o conhecimento escolar e a realidade vivida, permitindo ao aluno refletir criticamente sobre o mundo digital e suas implicações sociais, culturais e políticas. As plataformas digitais, quando articuladas a uma pedagogia crítica, podem ampliar o alcance do diálogo, permitindo que os alunos participem de fóruns, colaborem em projetos coletivos e compartilhem suas experiências. Esse uso vai além da simples transmissão de conteúdos: transforma a tecnologia em um espaço de troca e construção coletiva de saberes.Para Freire, o conhecimento não é algo dado, mas construído na interação entre sujeitos. A tecnologia pode ser integrada à lógica freiriana de coautoria, desde que o professor assuma seu papel de mediador e instigue a reflexão crítica. As redes sociais, tão presentes na vida cotidiana dos estudantes, também podem ser ressignificadas como ambientes de aprendizagem. Em vez de serem vistas apenas como PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 7 distrações, podem se tornar espaços de discussão, mobilização social e conscientização. Projetos que incentivam os alunos a analisar criticamente as informações que circulam nesses ambientes, a identificar fake news e a compreender os mecanismos de manipulação digital se alinham ao propósito freiriano de desenvolver uma leitura crítica da realidade. A escola, portanto, deve se abrir para dialogar com as linguagens e os espaços digitais que fazem parte da vida dos alunos. Freire defendia que a educação deveria ser acessível a todos, sem excluir aqueles em situação de vulnerabilidade. A chamada exclusão digital ainda é um desafio na escola contemporânea, pois muitos alunos não possuem acesso a dispositivos, internet de qualidade ou recursos tecnológicos básicos. Uma pedagogia crítica, inspirada em Freire, deve lutar para democratizar o acesso às tecnologias, garantindo que elas não sejam privilégio de poucos, mas direito de todos. O uso emancipatório da tecnologia passa, portanto, pela luta por equidade. Os recursos interativos, como jogos educativos, aplicativos de aprendizagem e ambientes virtuais, também podem contribuir para uma prática pedagógica mais motivadora e participativa. Contudo, é fundamental que esses recursos não sejam utilizados de forma acrítica, apenas como entretenimento ou reprodução mecânica de conteúdos. A pedagogia freiriana nos ensina que é necessário contextualizar cada recurso, relacionando-o com os problemas reais vividos pelos estudantes e estimulando a reflexão crítica. Só assim a tecnologia deixa de ser fim em si mesma e se torna meio para a conscientização e a ação transformadora. O professor, nesse cenário, precisa assumir um papel renovado. Não se trata de competir com a tecnologia ou de utilizá-la de forma superficial, mas de guiar os estudantes para um uso consciente e criativo. Isso exige formação docente permanente, baseada em uma prática reflexiva que articule a pedagogia crítica com as novas linguagens digitais. O educador, inspirado em Freire, deve aprender a utilizar as tecnologias não apenas como ferramentas técnicas, mas como instrumentos pedagógicos capazes de ampliar a autonomia dos estudantes e promover sua inserção crítica no mundo digital. A pedagogia freiriana também pode orientar o desenvolvimento de projetos interdisciplinares mediados por tecnologia. Ao integrar diferentes áreas do conhecimento em torno de problemas concretos, a escola aproxima a aprendizagem da realidade e estimula o protagonismo dos estudantes. Trabalhar com projetos colaborativos em ambientes digitais, por exemplo, permite que os alunos compreendam a tecnologia como ferramenta de transformação coletiva e não apenas como objeto de consumo individual. Esse movimento fortalece o senso de comunidade e solidariedade, tão presentes no pensamento de Freire. O uso crítico da tecnologia pode ajudar os alunos a desenvolver competências indispensáveis no século XXI, como pensamento crítico, resolução de problemas, comunicação PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 8 colaborativa e criatividade. Essas habilidades só se tornam significativas quando contextualizadas em uma prática pedagógica que valoriza a participação ativa e a reflexão. Freire sempre defendeu que aprender não é decorar, mas compreender e transformar. A tecnologia só tem sentido quando inserida nesse horizonte emancipatório. É importante destacar que a tecnologia, na visão freiriana, deve estar a serviço da humanização. Em um mundo cada vez mais automatizado, em que máquinas e algoritmos ocupam espaço central, a educação não pode abrir mão da dimensão ética, da solidariedade e da empatia. A pedagogia crítica nos lembra que a tecnologia não é neutra: ela pode servir à opressão ou à libertação, à alienação ou à conscientização. Cabe à escola contemporânea, inspirada em Paulo Freire, assumir o compromisso de utilizá-la como ferramenta de emancipação, capaz de fortalecer sujeitos críticos e transformar a sociedade. Freire também nos ensina a importância da esperança no processo educativo. Em Pedagogia da Esperança (1992), ele reforça que a educação deve estar ligada ao sonho e ao inédito-viável, ou seja, à crença de que novos caminhos podem ser construídos, mesmo em contextos adversos. Essa esperança não é ingênua, mas crítica, pois se apoia na ação concreta e na luta por transformações reais. O papel da escola contemporânea, nesse sentido, é cultivar a esperança crítica nos estudantes, motivando-os a acreditar que podem intervir no mundo e transformá-lo. Isso implica, por exemplo, valorizar a diversidade cultural, promover práticas inclusivas e estimular projetos que integrem a comunidade escolar às demandas sociais mais amplas. Ao refletir sobre a escola de hoje, é possível perceber que muitos de seus problemas — desigualdade de acesso, exclusão social, falta de engajamento dos estudantes — já estavam previstos nas análises de Freire. Por isso, revisitá-lo é mais do que uma homenagem: é uma necessidade prática e teórica para repensar a educação no século XXI. A formação de sujeitos críticos na escola contemporânea depende da capacidade de integrar teoria e prática, conhecimento e ação, reflexão e transformação. A pedagogia freiriana oferece exatamente esse horizonte, pois não separa o ato de aprender do ato de agir no mundo. Educar, para Freire, é sempre um convite à ação consciente. A pedagogia do oprimido amplia o papel do professor, ele deixa de ser visto como detentor único do saber e passa a ser mediador, incentivador e parceiro na construção do conhecimento. Essa mudança redefine a relação de poder na sala de aula, fortalecendo a autonomia dos estudantes. As práticas educativas inspiradas em Freire também ressaltam a importância da coletividade. Em um mundo cada vez mais marcado pelo individualismo, a escola pode ser o PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 9 espaço privilegiado de construção de solidariedade, de trabalho coletivo e de ação comunitária. Isso reforça a dimensão social da educação, que ultrapassa os muros da escola e se conecta com a realidade. A pedagogia do oprimido também se articula diretamente com a cidadania ativa. Formar sujeitos críticos significa capacitá-los não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida em sociedade, como cidadãos conscientes de seus direitos e responsabilidades. Essa é uma das maiores contribuições da pedagogia freiriana para a escola de hoje. A atualidade da pedagogia de Freire está no fato de que ela continua oferecendo respostas para os dilemas da educação contemporânea. Ela orienta práticas que rompem com a passividade, promovem a consciência crítica e estimulam a participação ativa dos sujeitos. Ao colocar o ser humano no centro do processo educativo, Freire nos mostra que a escola deve ser um espaço de liberdade, de diálogo e de transformação social. Refletir sobre a escola contemporânea à luz da Pedagogia do Oprimido é reconhecer que a educação não é neutra, mas sempre carregada de intencionalidade. É decidir se queremos formar sujeitos passivos, preparados apenas para reproduzir o sistema, ou sujeitos críticos, preparados para transformá-lo. Essa escolha é, sem dúvida, um dos maiores desafios e também uma das maiores responsabilidadesde nossa geração. 2. DESENVOLVIMENTO Reafirmar o legado de Paulo Freire na escola de hoje é mais do que revisitar uma obra consagrada; é mergulhar no profundo amor pela educação que norteou toda a sua trajetória. Freire não via a educação como um processo frio, técnico ou meramente instrumental, mas como um ato de afeto, de compromisso e de responsabilidade com o outro. Esse amor não era romântico ou ingênuo, mas radical, no sentido de acreditar que cada ser humano carrega em si a potência da transformação, desde que encontre espaço para o diálogo e para a valorização de sua dignidade. Para ele, educar era um gesto político, mas, acima de tudo, um gesto amoroso, porque exigia respeito, acolhimento e confiança na capacidade de cada sujeito de se tornar protagonista de sua própria história. O amor de Paulo Freire pela educação estava intrinsecamente ligado ao amor pelas pessoas. Ele não via o educando como um recipiente vazio a ser preenchido, mas como um ser inacabado, em constante processo de busca e de construção. Ao contrário do modelo ―bancário‖, que desumaniza, Freire acreditava que ensinar é um ato de amor porque implica reconhecer o outro como sujeito de saberes, de experiências e de sonhos. O verdadeiro educador, em sua PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 10 concepção, não deposita conteúdos, mas abre caminhos para que cada aluno descubra sua própria voz e aprenda a ler o mundo antes mesmo de ler a palavra. Esse amor pela educação se expressava também na crença inabalável de Freire na esperança. Ele defendia que não há prática pedagógica transformadora sem a convicção de que a mudança é possível. Essa esperança ativa, que se contrapõe ao conformismo, nasce do amor profundo pela vida e pela humanidade. Ao insistir que ―ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo‖, Freire afirmava que a educação é um encontro marcado pelo afeto, pela solidariedade e pela construção coletiva. Na escola contemporânea, retomar o amor de Paulo Freire pela educação significa romper com a lógica fria da padronização, das avaliações meramente quantitativas e da pressa por resultados imediatos. Significa colocar no centro do processo pedagógico o cuidado com o ser humano, a escuta sensível e o respeito às diferenças. Uma escola inspirada nesse amor não vê o aluno como número ou estatística, mas como sujeito histórico, cultural e social, cuja trajetória deve ser respeitada e cujas potencialidades precisam ser cultivadas. O amor freiriano pela educação também se traduz em coragem. Amar, para Freire, era assumir riscos: o risco de dialogar com quem pensa diferente, o risco de enfrentar estruturas de poder injustas, o risco de acreditar na utopia de uma sociedade mais humana. Sua pedagogia é profundamente amorosa porque não se limita ao presente; ela projeta o futuro, acreditando que cada ato educativo pode contribuir para transformar a realidade. O educador que ama, segundo Freire, não se acomoda diante da opressão, mas a denuncia e a enfrenta, guiado pela fé na potência libertadora da educação. Destacar o amor de Paulo Freire pela educação é reconhecer que esse amor é também uma herança ética para todos os que atuam na escola hoje. Mais do que aplicar métodos, ser fiel a Freire é cultivar uma postura que une conhecimento e sensibilidade, técnica e afeto, crítica e esperança. É compreender que ensinar é um ato de doação, mas também de aprendizagem constante, pois quem ama a educação sabe que sempre há o que aprender com o outro. Trazer esse amor para a prática escolar cotidiana é a forma mais verdadeira de manter vivo o legado de Paulo Freire e de continuar sua luta por uma educação que liberta, humaniza e transforma. 2.1. PERSPECTIVA HISTÓRICO-SOCIAL A compreensão da pedagogia de Paulo Freire exige, necessariamente, um mergulho em seu contexto histórico e social. Sua principal obra, Pedagogia do Oprimido (1987), nasceu em um Brasil atravessado por contradições profundas: desigualdades socioeconômicas acentuadas, altos índices de analfabetismo, exclusão cultural e um sistema educacional elitista que marginalizava as PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 11 camadas populares. A escola, em vez de se constituir como espaço de emancipação, reforçava a submissão, reproduzindo a lógica da opressão por meio de uma educação ―bancária‖, centrada na transmissão unilateral de conteúdos. É nesse cenário que Freire elabora sua proposta, que une prática pedagógica e compromisso político, propondo a educação como um ato de libertação. Freire entendeu que a educação não pode ser neutra. Todo ato educativo está inserido em relações de poder e, por isso, ou contribui para a manutenção do status quo, reforçando estruturas de dominação, ou se compromete com a transformação da realidade. Essa leitura histórico-social é fundamental, pois revela que o processo formativo de sujeitos críticos não ocorre isoladamente, mas se relaciona com as condições materiais e culturais da sociedade. Ao denunciar o caráter reprodutivo da escola tradicional, Freire propôs uma pedagogia que valorizasse o diálogo e a consciência crítica, rompendo com a lógica da alienação. Giane Demo (2025): Giane Demo (2025) ressalta que o legado de Paulo Freire evidencia a necessidade de compreender a educação como prática política, na qual o diálogo e a reflexão crítica permitem a formação de sujeitos conscientes capazes de transformar sua realidade social, promovendo a emancipação dos educandos e estimulando a participação ativa em sua comunidade, rompendo com estruturas de dominação e alienação que ainda persistem na escola contemporânea. Simone Helen Drumond Ischkanian (2025): Simone Helen Drumond Ischkanian (2025) enfatiza que a pedagogia freireana é fundamental para a educação contemporânea, pois fortalece a autonomia dos estudantes, incentiva a construção coletiva do conhecimento e desenvolve habilidades críticas e éticas, permitindo que os alunos se tornem agentes de transformação social capazes de questionar e intervir nos contextos de desigualdade e injustiça que permeiam sua vida cotidiana. Gladys Nogueira Cabral (2025): Gladys Nogueira Cabral (2025) destaca que a obra de Freire inspira educadores a reconhecerem a importância de compreender o contexto histórico e social dos educandos, mostrando que a formação crítica é inseparável da luta por justiça, inclusão e cidadania plena, e que somente a partir de uma pedagogia consciente e participativa é possível gerar transformação social significativa e duradoura. Juliana Balta Ferreira (2025): Juliana Balta Ferreira (2025) observa que Paulo Freire revolucionou a compreensão sobre o papel da escola ao propor que o processo educativo seja centrado no diálogo, na problematização da realidade e na capacitação do estudante como sujeito ativo e reflexivo, enfatizando que a aprendizagem não é um ato mecânico de transmissão de conhecimento, mas um processo de construção conjunta que envolve ética, consciência crítica e engajamento social. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 12 Silvana Nascimento Carvalho (2025): Silvana Nascimento Carvalho (2025) afirma que a pedagogia do oprimido reafirma a importância de uma educação emancipatória, na qual ensinar e aprender são atos éticos, políticos e culturais voltados para a humanização, a valorização da experiência dos alunos e a transformação social, possibilitando que os estudantes reconheçam suas próprias capacidades, questionem estruturas de poder e construam caminhos de liberdade e autonomia. Sandro Garabed Ischkanian (2025): Sandro Garabed Ischkanian (2025) sublinha que a relevância de Freire para a educação atual estáem sua abordagem crítica, que desafia as estruturas de poder na escola e na sociedade, estimulando a consciência histórica, o pensamento autônomo e a capacidade de intervenção dos educandos, permitindo que estes se tornem protagonistas do próprio aprendizado e agentes ativos na construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e solidária. A pedagogia freireana nasce, portanto, como resposta à exclusão. Durante sua experiência com programas de alfabetização de adultos, Freire percebeu que ensinar a ler e escrever ia além do domínio do código linguístico: significava aprender a interpretar o mundo. A alfabetização se tornava um ato político, pois ao aprenderem a ler palavras, os educandos eram chamados a ler também a realidade em que viviam, identificando formas de opressão e possibilidades de superação. Nesse sentido, sua pedagogia insere-se na luta mais ampla por justiça social e pela democratização da sociedade brasileira. Na contemporaneidade, a perspectiva histórico-social de Freire ainda se mostra atual. A escola de hoje continua enfrentando desafios ligados às desigualdades sociais, econômicas e culturais, além de novas formas de exclusão geradas pela globalização e pelo acesso desigual às tecnologias. A pedagogia do oprimido aponta caminhos para que o espaço escolar se torne ambiente de formação crítica, no qual os estudantes sejam incentivados a compreender e a intervir em sua realidade. Essa postura crítica é essencial para enfrentar fenômenos contemporâneos como o consumismo, a manipulação midiática e a precarização do trabalho. Autores como Alarcão (2001) e Libâneo (1986) reforçam que a formação crítica depende da capacidade da escola de articular o conhecimento com a prática social. Essa ideia é profundamente freireana, pois sustenta que o processo educativo deve estar conectado à vida cotidiana dos educandos, reconhecendo sua cultura, seus saberes prévios e suas experiências. A educação, sob essa perspectiva, é um diálogo constante entre teoria e prática, entre escola e realidade, entre professor e aluno. Outro aspecto relevante da perspectiva histórico-social de Freire é a centralidade do diálogo. Para ele, o diálogo não é apenas método, mas um princípio ético-político que possibilita o PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 13 encontro entre sujeitos históricos. O diálogo é, ao mesmo tempo, ferramenta e resultado de uma educação crítica, pois exige escuta, respeito e abertura ao outro. Fischer e Lousada (2010) destacam que o diálogo implica risco, justamente porque confronta concepções, valores e crenças, desafiando os sujeitos a se transformarem. Nesse processo, o estudante deixa de ser mero receptor para se tornar coautor do conhecimento. A relevância da perspectiva histórico-social freireana também está em compreender a educação como prática de liberdade. Isso significa que formar sujeitos críticos não é apenas transmitir informações, mas criar condições para que desenvolvam consciência política e autonomia. A pedagogia do oprimido, portanto, é inseparável da luta por cidadania, pela participação democrática e pela construção de uma sociedade mais justa. Em uma escola que muitas vezes privilegia a competição e a padronização, o legado de Freire resgata a necessidade de educar para a cooperação, a solidariedade e a transformação social. Freire também nos convida a pensar o papel do educador como intelectual orgânico, comprometido com a libertação dos oprimidos. O professor não deve se limitar à função de transmissor de conteúdos, mas atuar como mediador, provocador de reflexões e incentivador da autonomia dos estudantes. Nesse sentido, sua pedagogia tem um caráter profundamente ético: ensinar é um ato de amor, de coragem e de compromisso com a justiça social. Essa concepção rompe com a neutralidade pedagógica e reafirma a dimensão política da docência. O contexto histórico em que Freire escreveu seus principais trabalhos pode ter mudado, mas as estruturas de exclusão e desigualdade persistem, ainda que em novas formas. A leitura freireana continua sendo um convite para compreender que a escola é também espaço de luta social, onde se travam batalhas por reconhecimento, por direitos e por inclusão. Retomar sua pedagogia hoje é fundamental para fortalecer uma escola reflexiva, inclusiva e democrática, que valorize a pluralidade cultural e prepare os estudantes para enfrentar os desafios da sociedade contemporânea. A perspectiva histórico-social da obra de Paulo Freire evidencia que sua pedagogia não se limita a um arcabouço teórico abstrato, mas se fundamenta em experiências concretas e na realidade vivida pelas camadas populares brasileiras, tornando o aprendizado uma prática profundamente contextualizada e ligada à vida cotidiana dos educandos. Ao compreender que a educação tradicional muitas vezes reproduz estruturas de dominação e desigualdade, Freire propõe uma metodologia em que o diálogo e a problematização da realidade se tornam ferramentas essenciais para o despertar da consciência crítica, permitindo que os alunos não apenas absorvam informações, mas questionem, interpretem e transformem seu mundo. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 14 Levar a obra de Freire para a escola contemporânea implica reconhecer que o processo educativo deve ir além da transmissão de conteúdos formais e adotar uma postura reflexiva, ética e política, na qual professores e alunos participem ativamente da construção do conhecimento. Esse compromisso exige que os educadores sejam mediadores da aprendizagem, capazes de ouvir, respeitar e valorizar as experiências dos estudantes, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo contínuo e de troca de saberes. Assim, a formação de sujeitos críticos se torna inseparável da construção de cidadãos conscientes e engajados socialmente, capazes de intervir na realidade e propor soluções criativas para problemas coletivos. O conceito freireano de ―inédito viável‖ reforça a ideia de que a educação deve estar sempre voltada para a esperança e a possibilidade de transformação. Essa perspectiva orienta a escola a atuar não apenas como um espaço de reprodução cultural, mas como um ambiente de experimentação e construção de novas formas de convivência, em que o aluno se sente motivado a sonhar e a lutar por um futuro mais justo e humano. A pedagogia do oprimido, portanto, não se limita a preparar indivíduos para o mercado de trabalho ou para a aquisição de habilidades técnicas, mas busca formar cidadãos críticos, conscientes de seu papel social e comprometidos com a transformação das estruturas de poder que perpetuam desigualdades. A perspectiva histórico-social destaca que o processo de formação crítica não ocorre isoladamente; ele está intrinsecamente ligado às condições sociais, econômicas e culturais em que os indivíduos vivem. Ao incorporar essa visão, a escola contemporânea pode atuar como um agente de inclusão e de promoção da justiça social, reconhecendo a diversidade e as necessidades dos estudantes e proporcionando experiências educativas que ampliem suas capacidades de análise, reflexão e ação. O educador, nesse contexto, torna-se um facilitador do pensamento crítico, estimulando o questionamento e a participação ativa dos alunos em debates e projetos que conectem o aprendizado à realidade social. A aplicação prática da pedagogia freireana na escola contemporânea reforça a ideia de que a educação é, simultaneamente, um direito humano e um ato de responsabilidade social. Ao formar sujeitos críticos, a escola contribui para a construção de uma sociedade mais democrática, inclusiva e solidária, na qual os cidadãos não apenas compreendem a realidade, mas são capazes de transformá-la. Honrar o legado de Paulo Freire significa, portanto,assumir o compromisso de ensinar e aprender de forma ética, consciente e engajada, promovendo uma educação que emancipe, humanize e prepare as novas gerações para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo com criatividade, coragem e esperança. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 15 2.2. OS CONCEITOS CENTRAIS DA PEDAGOGIA FREIRIANA Os conceitos centrais da pedagogia freireana constituem fundamentos imprescindíveis para a formação de sujeitos críticos e conscientes na escola contemporânea. O primeiro conceito, a conscientização, refere-se ao processo pelo qual os educandos passam a reconhecer as estruturas sociais que condicionam sua vida, compreendendo as desigualdades, a opressão e os mecanismos de dominação existentes, o que lhes permite atuar de forma crítica e transformadora sobre a realidade em que estão inseridos. A educação dialógica é outro pilar essencial da pedagogia de Freire, pois promove a construção coletiva do conhecimento por meio do diálogo genuíno entre educadores e educandos, rompendo com a unilateralidade do ensino tradicional e valorizando as experiências e saberes prévios dos estudantes. Nesse processo, o diálogo não é apenas um método pedagógico, mas um ato ético-político que fortalece a participação ativa e a autonomia intelectual dos sujeitos. Freire criticou a chamada educação bancária, modelo tradicional em que o professor deposita informações nos alunos como se fossem recipientes vazios. Segundo ele, esse método limita a reflexão, a criatividade e a capacidade crítica dos educandos, transformando a escola em um espaço de reprodução da opressão e do conformismo social. Ao invés disso, propõe uma pedagogia que desperta a consciência crítica e incentiva a ação transformadora. O conceito de problematização da realidade complementa os anteriores, pois incentiva os alunos a questionar e analisar criticamente o contexto social, político e cultural em que vivem, identificando contradições e possibilidades de mudança. Essa abordagem estimula o pensamento crítico e a participação ativa, fazendo da aprendizagem um processo dinâmico, reflexivo e conectado à vida concreta dos estudantes. Freire também enfatiza a importância do respeito à experiência dos educandos, defendendo que cada estudante traz consigo um conjunto único de vivências, conhecimentos prévios e formas de perceber o mundo, que devem ser valorizados no processo educativo. Ao considerá-los coautores do conhecimento, o educador reconhece que o aprendizado não é um ato unilateral, mas sim uma construção compartilhada, na qual o diálogo, a troca de ideias e a reflexão coletiva são centrais para a formação de sujeitos críticos. Esse princípio contribui para que os alunos se sintam respeitados e reconhecidos, fortalecendo sua autoestima e consolidando a confiança em suas próprias capacidades, o que, por sua vez, aumenta sua motivação para participar ativamente das atividades escolares. A valorização das vivências individuais também estimula a empatia entre colegas, favorece a construção de um ambiente colaborativo e ajuda a desenvolver competências sociais essenciais para a vida em sociedade, consolidando a ideia de que aprender é também compreender PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 16 e respeitar o outro. Esse respeito às experiências dos educandos conecta o processo educativo à realidade concreta de cada aluno, tornando o aprendizado mais significativo, engajador e capaz de preparar cidadãos conscientes, críticos e aptos a intervir positivamente em seu contexto social. O inédito viável, que expressa a esperança de transformação e a possibilidade de construir novos caminhos, mesmo diante de contextos adversos. Esse princípio orienta a prática educativa para a criação de alternativas inovadoras e humanizadoras, estimulando os alunos a imaginar e realizar mudanças sociais concretas. A pedagogia freireana ainda se apoia na ação-reflexão-ação, ciclo que permite que educadores e educandos aprendam juntos, experimentem soluções, reflitam sobre os resultados e ajustem suas práticas, consolidando a aprendizagem significativa e comprometida com a transformação social. A formação de sujeitos críticos está intrinsecamente ligada à capacidade de o educando perceber sua própria agência, compreender sua história e sua cultura, e se engajar em ações que promovam justiça social, equidade e cidadania ativa. A escola, portanto, deixa de ser um espaço meramente transmissor de conteúdos e torna-se um ambiente de emancipação. A autonomia intelectual e social é um dos resultados centrais da pedagogia freireana, pois, ao serem estimulados a pensar criticamente e a agir conscientemente, os alunos desenvolvem a capacidade de tomar decisões fundamentadas, intervir na sociedade e contribuir para a construção de um mundo mais justo e democrático. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 17 Os conceitos freireanos oferecem um referencial prático e teórico para transformar a escola contemporânea em um espaço de aprendizado libertador, em que o conhecimento não é imposto, mas construído coletivamente, e em que a educação cumpre seu papel fundamental de formar cidadãos críticos, conscientes e capazes de intervir na realidade para promover mudanças significativas. 2.3. A PRÁTICA DA PEDAGOGIA FREIRIANA NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA TRANSFORMA O PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM Genilde do Nascimento Alves Monteiro Simone Helen Drumond Ischkanian Neusa Venditte Gabriel Nascimento de Carvalho Eliana Drumond A aplicação prática da pedagogia freiriana na escola contemporânea se desdobra em múltiplas dimensões que vão além da simples transmissão de conteúdos, configurando-se como um compromisso ético e político que visa a formação integral do indivíduo. Nesse contexto, o educador deixa de ser a figura central do saber e se transforma em facilitador do processo educativo, promovendo um ambiente de aprendizagem dialógico, em que os estudantes são encorajados a expressar suas ideias, questionar conceitos e construir coletivamente o conhecimento, reconhecendo a validade de suas experiências de vida e de sua realidade social (Freire, 1996; Alarcão, 2001). Ao atuar como mediador, o professor freiriano utiliza estratégias que incentivam a participação ativa, a colaboração e a problematização de situações concretas, permitindo que os alunos estabeleçam conexões entre o conteúdo acadêmico e as questões do mundo em que vivem. Esse enfoque não apenas fortalece a autonomia intelectual, mas também estimula o engajamento social, ao tornar os estudantes conscientes de seu papel enquanto cidadãos capazes de intervir de forma crítica e responsável em sua comunidade (Freitas, 2001; Freitas, 2014). O diálogo passa a ser o eixo estruturante da aprendizagem, criando um espaço seguro para que cada aluno compartilhe suas ideias e construa, junto aos colegas e ao professor, soluções e interpretações significativas. O estímulo ao trabalho coletivo e à construção colaborativa do conhecimento, que valoriza a diversidade cultural, social e econômica presente na sala de aula. Ao engajar os estudantes em atividades que exigem cooperação, negociação de ideias e resolução conjunta de problemas, a escola promove a formação de sujeitos críticos capazes de compreender e PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 18 transformar sua realidade. Essa prática fortalece o senso de comunidade, desenvolve habilidades socioemocionais e reforça a importância de práticas democráticas e inclusivas no processo educativo (Freire, 1987; Drumond Ischkanian, 2025). O protagonismo estudantil, outra dimensão fundamental,é incentivado por meio de metodologias ativas, como projetos interdisciplinares, pesquisas de campo e experiências problematizadoras, que colocam o aluno no centro do processo de aprendizagem. Nessas atividades, os estudantes são incentivados a levantar hipóteses, buscar soluções, refletir criticamente sobre suas escolhas e avaliar os impactos de suas ações, consolidando a compreensão de que a educação não é neutra e que cada ação pode contribuir para a transformação social (Freitas, 2004; Alarcão, 2001). O papel do educador, nesse sentido, é criar condições para que o aprendizado seja significativo, contextualizado e engajante, reforçando a importância da prática reflexiva e da consciência crítica. A aplicação da pedagogia freiriana na escola contemporânea fortalece a ideia de que a educação deve formar cidadãos críticos, éticos e conscientes de seus direitos e responsabilidades sociais. Ao integrar teoria, prática, emoção e razão, o processo educativo passa a ser uma ferramenta de emancipação e transformação, que valoriza tanto a dimensão intelectual quanto a afetiva do aluno. Essa abordagem possibilita que a escola se torne um espaço vivo de aprendizado, reflexão e construção coletiva, alinhado aos princípios de liberdade, autonomia e justiça social defendidos por Freire, mantendo seu legado atual e profundamente relevante para os desafios educacionais contemporâneos (Freire, 1992; Freitas, 2012). Estratégias como a aprendizagem problematizadora, que desafia os estudantes a investigar, questionar e propor soluções para problemas reais de seu cotidiano, são centrais na pedagogia de Freire, pois conectam o conteúdo curricular à realidade concreta dos educandos e permitem que compreendam as relações sociais, políticas e culturais que moldam seu entorno (Freire, 1987; Mizukami, 1986). Projetos coletivos, por sua vez, incentivam a cooperação, a negociação de ideias e a responsabilidade compartilhada, fortalecendo a noção de comunidade e de compromisso com a transformação social, enquanto o uso consciente de tecnologias digitais oferece recursos para pesquisa, colaboração e produção de conhecimento crítico e reflexivo (Freitas; Leite; Lima, 2012; Moraes et al., 2015). A pedagogia de Freire evidencia que o ensino não se restringe à transmissão de conteúdos, mas deve articular teoria e ação, emoção e razão, conhecimento e experiência (Libâneo, 1986; Solé, 2006). Ao implementar metodologias que favorecem a participação, o diálogo e a reflexão crítica, a escola contemporânea se torna um espaço de emancipação, no qual PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 19 os estudantes compreendem seus direitos e responsabilidades sociais e se preparam para intervir de maneira consciente e ética na realidade em que vivem (Freire, 1992; Freitas, 2001). A pedagogia freiriana enfatiza o respeito à diversidade cultural, social e econômica presente na sala de aula, reconhecendo que cada aluno traz consigo saberes prévios e experiências valiosas que enriquecem o processo educativo (Freire, 1996; Alarcão, 2001). Ao valorizar essas vivências, o educador fortalece a autoestima, a motivação e o engajamento dos estudantes, criando um ambiente inclusivo, democrático e participativo, no qual o aprendizado deixa de ser passivo e se torna uma construção conjunta que promove a reflexão crítica e a capacidade de agir sobre a realidade (Drumond Ischkanian, 2025; Rios, 2001). A implementação prática da pedagogia freiriana reafirma a função ética e política da educação, pois demonstra que ensinar é também formar cidadãos críticos, conscientes e transformadores de sua sociedade (Freire, 1982; Santos, 2009). Essa perspectiva coloca a educação como instrumento de libertação e transformação social, orientando os educadores a desenvolverem práticas que promovam a autonomia, a solidariedade, a criatividade e a responsabilidade social, garantindo que o conhecimento adquirido em sala de aula seja mobilizado para a construção de uma sociedade mais justa, inclusiva e humanizada, em consonância com o legado profundo e atual de Paulo Freire. 2.4. PERSPECTIVA CRÍTICA A perspectiva crítica sobre a pedagogia freiriana evidencia que, apesar de sua profunda relevância teórica e prática, existem obstáculos significativos que comprometem a implementação efetiva de seus princípios na escola contemporânea. A resistência a mudanças nos métodos de ensino é um dos maiores desafios, uma vez que muitos educadores ainda operam dentro de paradigmas tradicionais, pautados na transmissão unilateral de conhecimento e na avaliação centrada apenas em resultados quantitativos, limitando a autonomia e a participação ativa dos estudantes (Freire, 1987; Libâneo, 1986). Essa inércia institucional e cultural evidencia que a transformação educacional exige mudanças profundas na mentalidade e atitudes de todos os atores envolvidos. Escolas públicas e privadas, urbanas e rurais, apresentam disparidades significativas que vão muito além da simples infraestrutura física, abrangendo também diferenças no acesso a recursos tecnológicos, bibliotecas, laboratórios, materiais pedagógicos atualizados e até mesmo à qualificação dos professores, o que impacta diretamente a qualidade do processo de ensino- aprendizagem e a possibilidade de implementação de metodologias críticas e participativas (Freitas, 2001; Alarcão, 2001). Essas desigualdades evidenciam que a educação não é um campo PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 20 homogêneo e que políticas públicas inclusivas precisam ser concebidas de forma estratégica, garantindo não apenas a construção de espaços adequados, mas também a formação contínua de educadores, a oferta de materiais diversificados e contextualizados e o acesso equitativo às tecnologias de informação e comunicação. É fundamental que essas políticas considerem as especificidades culturais, sociais e econômicas de cada comunidade, de modo que a pedagogia freiriana possa ser aplicada de maneira significativa e sensível à realidade local, promovendo aprendizagens contextualizadas e fortalecendo o protagonismo estudantil. Sem essas condições, a proposta de Freire corre o risco de permanecer restrita à esfera teórica, tornando-se um ideal distante da prática cotidiana da escola, incapaz de formar sujeitos críticos, conscientes de sua capacidade de transformar a realidade e engajados no exercício da cidadania. A superação dessas disparidades não é apenas uma questão administrativa, mas ética e política, pois envolve o compromisso com uma educação emancipadora, capaz de garantir igualdade de oportunidades, fomentar o diálogo e construir coletivamente conhecimento que transforme efetivamente a realidade social. A pressão por resultados mensuráveis imposta pelos sistemas educacionais representa outro desafio, pois a avaliação centrada em provas e rankings frequentemente privilegia a memorização em detrimento da reflexão crítica e do diálogo (Fischer & Lousada, 2010; Freire, 1996). Essa lógica conflita diretamente com a pedagogia freiriana, que valoriza a autonomia intelectual, a capacidade de intervenção social e o desenvolvimento integral do estudante. A escola contemporânea precisa, portanto, conciliar demandas externas com práticas pedagógicas que fomentem cidadania, participação e criatividade. A formação docente é outro ponto crucial na perspectiva crítica. Muitos educadores não possuem preparo suficiente para conduzir metodologias participativas, problematizadoras e dialógicas, essenciais para implementar a pedagogia freiriana (Freitas, 2014; Mizukami, 1986). A capacitação contínua, o acompanhamento pedagógico e os grupos de estudo tornam-se estratégias indispensáveis para que a prática crítica seja aplicada de forma consistente e que os estudantesassumam protagonismo em seu processo de aprendizagem. A gestão escolar desempenha papel determinante na implementação da pedagogia freiriana. Instituições rígidas e centralizadas dificultam práticas colaborativas e a participação democrática, enquanto ambientes flexíveis e abertos à inovação favorecem a construção coletiva do conhecimento (Grillo et al., 2008; Freitas, 2012). Isso reforça a necessidade de políticas de gestão que promovam autonomia, criatividade e reflexão crítica, fundamentais para formar sujeitos críticos. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 21 A realidade social e econômica dos estudantes influencia diretamente na prática pedagógica. Alunos em situação de vulnerabilidade enfrentam barreiras para participação plena, demandando articulação entre escola e políticas sociais para garantir suporte psicossocial, orientação e recursos necessários (Freire, 1991; Moraes et al., 2012). Assim, a pedagogia freiriana se conecta à justiça social, buscando equidade no acesso à educação emancipadora. A resistência cultural à autonomia e ao diálogo é outra barreira relevante. Em contextos hierárquicos, incentivar a participação ativa pode gerar tensões, exigindo estratégias pedagógicas graduais que promovam engajamento e segurança na sala de aula (Freire, 1987; Santos, 2009). A mediação cuidadosa do educador é fundamental para que os estudantes se sintam encorajados a contribuir com suas experiências e perspectivas. A avaliação tradicional, baseada apenas em notas, limita a percepção do progresso crítico e reflexivo do aluno. Avaliações formativas, trabalhos coletivos e autoavaliação são mais coerentes com a pedagogia freiriana, pois acompanham o desenvolvimento integral do estudante (Libâneo, 1986; Solé, 2006). Esses instrumentos reforçam a aprendizagem como um processo contínuo de construção do conhecimento. A tecnologia apresenta desafios e oportunidades. Se utilizada de forma superficial, pode reproduzir práticas de educação bancária; quando integrada criticamente, fortalece o diálogo, a colaboração e a análise da realidade (Freitas & Leite, 2012; Moraes et al., 2015). A competência digital crítica se torna, assim, um componente essencial para a prática freiriana contemporânea. A participação da comunidade e das famílias amplia a educação emancipadora, conectando a escola à realidade social dos estudantes e fortalecendo o papel da educação como prática de liberdade (Freire, 1996; Alarcão, 2001). A integração escola-comunidade contribui para formar sujeitos conscientes de sua capacidade de transformação social. O engajamento estudantil em ambientes escolarizados que priorizam a padronização requer estratégias que valorizem criatividade, cooperação e reflexão crítica (Freire, 1992; Freitas, 2001). Ao fortalecer a motivação, a pedagogia freiriana garante que o aprendizado seja significativo e conectado à vida social. A resistência do corpo docente à mudança pedagógica exige formação contínua, mentoria e reflexões sobre a própria prática (Freitas, 2014; Mizukami, 1986). Experimentar metodologias dialógicas permite consolidar a aplicação prática da pedagogia crítica. Políticas públicas voltadas para indicadores quantitativos podem limitar a prática freiriana, exigindo que educadores encontrem estratégias para conciliar demandas administrativas e formação integral do estudante (Freire, 1996; Santos, 1997). PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 22 A desigualdade educacional não é apenas estrutural, mas pedagógica. Escolas que ignoram a diversidade cultural e social reproduzem opressão, enquanto práticas freirianas reconhecem e valorizam essas diferenças como elementos centrais do processo de aprendizagem (Libâneo, 1986; Freire, 1987). A perspectiva crítica evidencia a necessidade de políticas públicas consistentes que garantam formação docente, recursos pedagógicos e apoio institucional (Freitas, 2004; Moraes, 2012), condições essenciais para a implementação da pedagogia freiriana. A articulação entre teoria e prática é fundamental. O educador deve aplicar conceitos de forma coerente com a experiência dos alunos e o contexto social, garantindo a formação de sujeitos críticos (Freire, 1987; Alarcão, 2001). A flexibilidade curricular também é necessária, permitindo abordagens interdisciplinares, contextualizadas e centradas no estudante, em contraste com currículos rígidos e fragmentados (Solé, 2006; Luccarelli, 2009). A avaliação qualitativa deve complementar métodos tradicionais, reconhecendo competências críticas, socioemocionais e éticas (Libâneo, 1986; Freire, 1996). A perspectiva crítica reforça que a escola deve ser agente de transformação social. Superar os desafios e implementar práticas freirianas fortalece a emancipação, o protagonismo e a construção coletiva do conhecimento, consolidando o legado de Paulo Freire como referência fundamental na educação contemporânea. 2.5. PERSPECTIVA TRANSFORMADORA A pedagogia freiriana é essencialmente transformadora, pois considera a educação como prática da liberdade e como instrumento de emancipação humana, permitindo que os estudantes se tornem sujeitos críticos capazes de analisar e intervir na realidade social (Freire, 1987; Freire, 1996). Esse caráter transformador da educação rompe com a lógica da instrução tradicional, que frequentemente reproduz desigualdades e limita a participação ativa dos educandos, sendo essencial para a construção de uma escola que forme cidadãos conscientes e comprometidos com a justiça social (Libâneo, 1986; Alarcão, 2001). O processo de formação de sujeitos críticos, segundo Freire (1992; 1996), envolve a conscientização, que permite aos alunos perceberem as estruturas sociais que influenciam suas vidas e, ao mesmo tempo, reconhecerem sua capacidade de transformação. Freitas (2001; 2014) reforça que a prática pedagógica deve articular teoria e prática, estimulando a reflexão crítica, o diálogo e a participação ativa, de forma a transformar o ambiente escolar em espaço de produção coletiva do conhecimento, respeitando a diversidade cultural e social. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 23 A aplicação prática da pedagogia freiriana exige metodologias que promovam a problematização da realidade, projetos coletivos, aprendizagem dialógica e uso consciente das tecnologias, garantindo que os estudantes sejam protagonistas de seu aprendizado (Freitas, 2012; Moraes et al., 2013; Moraes et al., 2015). Segundo Solé (2006), essas metodologias fortalecem o engajamento dos alunos, permitindo que eles compreendam o mundo de forma crítica, desenvolvendo competências reflexivas e sociais essenciais para a vida cidadã. Ao destacar a dimensão ética da educação, Freire (1996; 2000) enfatiza a importância do respeito à experiência dos educandos, reconhecendo-os como coautores do conhecimento. Essa valorização da experiência individual e coletiva estimula a autoestima, a autonomia e o senso de responsabilidade social, reforçando a ideia de que a escola deve ser um espaço de construção de conhecimento significativo e de promoção da cidadania (Fischer & Lousada, 2010; Alarcão, 2001). A pedagogia freiriana também dialoga com os desafios contemporâneos, como a desigualdade de acesso a recursos e a pressão por resultados quantitativos. Freitas (2004) destaca que políticas públicas inclusivas, formação docente contínua e infraestrutura adequada são condições fundamentais para que a pedagogia de Freire transcenda a teoria e se concretize na prática escolar, permitindo que todos os alunos participem de forma efetiva e crítica no processo educativo. A abordagem crítica de Freire se conecta à perspectiva da educação como ato político, poiso aprendizado não ocorre de forma neutra; ele reflete e influencia relações de poder (Fischer & Lousada, 2010; Freire, 1987). O diálogo educativo, nesse sentido, não é apenas ferramenta didática, mas princípio ético que possibilita aos sujeitos reconhecerem a opressão, construírem alternativas de ação e atuarem como agentes de transformação social (Freire, 1992; Santos, 2009). Autores como Mizukami (1986) e Rios (2001) reforçam que, ao implementar práticas pedagógicas críticas, os educadores devem buscar integrar conhecimento, prática e reflexão, criando espaços educativos que favoreçam a análise das experiências cotidianas e a construção coletiva de soluções. Dessa forma, a escola deixa de ser apenas transmissora de conteúdos e se torna um espaço de empoderamento social e intelectual. O uso de tecnologias, quando orientado por princípios freirianos, amplia o potencial transformador da educação, permitindo que alunos e professores participem de forma mais dinâmica e colaborativa (Freitas, 2012; Moraes et al., 2015). O recurso tecnológico precisa ser mediado criticamente, evitando que se transforme em instrumento de controle ou reprodução das desigualdades, reafirmando o compromisso ético da pedagogia freiriana com a emancipação humana. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 24 A perspectiva transformadora de Freire ainda evidencia que a educação deve estimular a esperança e a construção do "inédito viável", isto é, a capacidade de imaginar e realizar novas formas de organização social e cultural, mesmo diante de adversidades (Freire, 1992; Freitas, 2004). Esse conceito fortalece a ideia de que o conhecimento crítico é inseparável do compromisso com a transformação social, promovendo uma educação profundamente humanizadora. Giane Demo 2025 entende que, ao adotar a pedagogia freiriana, a escola contemporânea deve tornar-se um espaço de construção coletiva do conhecimento, onde a esperança e a criatividade dos alunos são valorizadas como instrumentos para superar desigualdades e fomentar a participação cidadã ativa. Simone Helen Drumond Ischkanian 2025 ressalta que a aplicação da pedagogia do oprimido implica reconhecer os estudantes como protagonistas do próprio aprendizado, permitindo que suas experiências de vida orientem práticas pedagógicas inovadoras e inclusivas, capazes de estimular reflexão crítica e transformação social. Gladys Nogueira Cabral 2025 defende que a educação deve ser entendida como um ato político e ético, em que o ensino e a aprendizagem dialogam com a realidade social, promovendo o desenvolvimento de sujeitos críticos e conscientes de seu papel na construção de uma sociedade mais justa e solidária. Juliana Balta Ferreira 2025 enfatiza que a construção do “inédito viável” proposta por Freire exige que as escolas promovam metodologias participativas, integrando projetos coletivos e tecnologias educativas, para que os alunos compreendam a possibilidade de intervir no mundo de forma autônoma e responsável. Silvana Nascimento Carvalho 2025 destaca que a pedagogia freiriana, ao valorizar o diálogo e a experiência dos educandos, fortalece o engajamento, a autoestima e a capacidade de inovação dos estudantes, contribuindo para uma educação humanizadora que prepara cidadãos críticos, éticos e socialmente ativos. Sandro Garabed Ischkanian 2025 reforça que a perspectiva transformadora de Freire exige que a escola contemporânea não se limite à transmissão de conteúdos, mas desenvolva a consciência crítica, a solidariedade e a criatividade dos alunos, promovendo práticas pedagógicas que incentivem a autonomia, a participação e a mudança social. Libâneo (1986) e Alarcão (2001) reforçam que a escola contemporânea deve estar comprometida com a democratização do saber, articulando ensino, pesquisa e ação social, de modo que o processo educativo se torne instrumento de superação das desigualdades históricas. A PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 25 pedagogia de Freire oferece, assim, referências metodológicas e éticas para a implementação de uma escola crítica, participativa e inclusiva. Moraes, Leite e Gessinger (2013) destacam que experiências como LabTEAR e LabsMóveis mostram como a mediação pedagógica e o uso de tecnologias podem tornar a aprendizagem mais significativa e colaborativa, fortalecendo o protagonismo estudantil e a reflexão crítica, pilares centrais da pedagogia freiriana. Esses exemplos indicam que é possível conciliar inovação tecnológica com educação emancipadora. Freitas (2014) aponta que a prática pedagógica reflexiva é fundamental para formar educadores capazes de intervir de maneira ética e crítica no processo educativo, alinhando teoria e prática e promovendo a autonomia intelectual dos estudantes. Esse compromisso com a reflexão contínua fortalece o caráter transformador da educação freiriana. A dimensão política da pedagogia de Freire, segundo Santos (1997; 2009), evidencia que o educador deve promover práticas de inclusão, diversidade e justiça social, estimulando o engajamento cívico dos alunos e sua participação consciente na sociedade. Nesse contexto, a educação se torna um espaço de resistência à opressão e de construção de uma cidadania crítica. A pedagogia da autonomia, proposta por Freire (1996), mostra que a formação do sujeito crítico depende do equilíbrio entre liberdade e responsabilidade, promovendo uma aprendizagem em que o aluno é capaz de refletir sobre suas ações e sobre a sociedade em que está inserido. Esse princípio reforça a importância de formar cidadãos ativos e conscientes. Freitas (2001) destaca que a implementação prática da pedagogia freiriana exige compromisso institucional, formação docente contínua e planejamento pedagógico reflexivo, garantindo que a teoria não permaneça apenas como ideal, mas se traduza em mudanças reais no cotidiano escolar. Essa integração entre teoria e prática é central para a eficácia transformadora da educação. Freire (1982; 1991) enfatiza que a educação culturalmente significativa valoriza a experiência do aluno, reconhece seu contexto social e promove o diálogo como método de construção do conhecimento. Isso contribui para uma aprendizagem mais consciente, crítica e engajada, fortalecendo a função social da escola. A pedagogia freiriana reafirma que a educação deve ir além da instrução técnica, tornando-se instrumento de libertação e de formação de sujeitos éticos, críticos e capazes de intervir no mundo de maneira autônoma e responsável (Freire, 1987; Freitas, 2014; Alarcão, 2001). Essa visão amplia o papel da escola contemporânea, transformando-a em espaço de cidadania, democracia e justiça social. PAULO FREIRE: A PEDAGOGIA DO OPRIMIDO E A FORMAÇÃO DE SUJEITOS CRÍTICOS NA ESCOLA CONTEMPORÂNEA. Página 26 3. CONCLUSÃO A análise da pedagogia de Paulo Freire evidencia a profunda relevância de compreender a educação como prática da liberdade e como um instrumento capaz de promover transformação social na escola contemporânea. Formar sujeitos críticos vai muito além da simples transmissão de conteúdos, envolvendo o desenvolvimento da consciência social, da autonomia intelectual e da capacidade de intervenção na realidade. A educação deve atuar como espaço de construção coletiva do conhecimento, no qual alunos e educadores compartilham experiências, discutem problemas concretos e exercitam o pensamento reflexivo, consolidando valores de ética, justiça e solidariedade. Nesse sentido, a escola se torna mais do que um local de aprendizado acadêmico; torna-se um ambiente de humanização e formação integral, que prepara cidadãos capazes de atuar de forma consciente e responsável na sociedade. A pedagogia freiriana também mostra que a aprendizagem não ocorre de maneira isolada,