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Marketing ambiental Evolução do debate ecológico, do crescimento do marketing verde, da abordagem de estratégias de Marketing Ambiental e cases de sucesso. Profa. Isabella de Sousa Gonçalves 1. Itens iniciais Propósito Compreender o contexto precursor do Marketing Ambiental, com base na evolução do debate sobre o meio ambiente e sua influência no green marketing, bem como os erros e acertos do green marketing ao longo dos anos. Objetivos Reconhecer o contexto da Agenda Ambiental. Descrever o desenvolvimento do Marketing Ambiental. Identificar as oportunidades de mercado e os cases de sucesso. Introdução Neste tema, vamos entender mais sobre o Marketing Ambiental, que tem se destacado ao longo dos anos, em especial com a evolução da agenda ambiental no debate internacional. Para isso, iremos indicar os precursores da temática, percebendo como o debate relacionado ao meio ambiente evoluiu no XX e chegou ao século XXI. Faremos, a seguir, uma comparação entre o mercado brasileiro e o europeu no contexto atual. Com isso, é possível entender as perspectivas para mercados desenvolvidos e em desenvolvimento, e o que significa haver culturas cada vez mais preocupadas com o meio ambiente em uma realidade globalizada. Por fim, procura-se falar sobre o Marketing Ambiental, os seus diferentes elementos e abordagens, assim como as estratégias que têm sido adotadas. Por meio de tal estudo, percebe-se o que tem sido bem-sucedido ou não, e quais marcas têm se destacado nesse caminho, a partir, principalmente, da transparência. • • • 1. o contexto da Agenda Ambiental Marcos ambientais Neste módulo, vamos abordar a evolução do debate ambiental no século XXI, começando pelo cenário geopolítico. Nesse sentido, serão apresentadas as principais conferências e tratados relacionados ao meio ambiente e o contexto em que ocorreram. Veremos, a seguir, a demanda ambiental e sua influência no mercado, bem como os precursores do Marketing Verde ― uma tendência que veio para ficar. Debate internacional O meio ambiente tem se tornado pauta cada vez mais marcante dos debates internacionais. Isso ocorre devido à evolução da agenda mundial no cenário geopolítico. Os impactos do desenvolvimento econômico no ecossistema nem sempre estiveram evidentes. No entanto, depois de pesquisas e sinalizações do próprio meio ambiente ― como o aquecimento global ―, ficou urgente a necessidade de refletir sobre um desenvolvimento sustentável, a fim de pensar na saúde do planeta no longo prazo. Conferência de Estocolmo A Conferência de Estocolmo pode ser considerada o marco inicial dos debates ambientais. Realizada em 1972, a partir de uma proposta da Suécia à ONU, a conferência contou com a participação de 113 países. O propósito da conferência era procurar formas de diminuir a degradação ambiental e suas consequências. O evento ficou popularmente conhecido como Conferência de Estocolmo, mas seu nome oficial é Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente Humano. Eventos anteriores Alguns eventos anteriores influenciaram o acontecimento da Conferência de Estocolmo. Entre eles, um marco importante foi o relatório preparado por um grupo do MIT denominado The limits of growth. O relatório do MIT alertava sobre os riscos do crescimento populacional e a limitação de recursos naturais disponíveis, diante da projeção do avanço da população em nível mundial. Também houve uma mesa-redonda com especialistas em desenvolvimento e meio ambiente, realizada na Suíça, em 1971. Durante o evento, foram lançadas as bases conceituais da noção de desenvolvimento sustentável, a partir do conceito de ecodesenvolvimento. Legados da Conferência de Estocolmo A Conferência de Estocolmo é sempre lembrada na discussão relacionada ao meio ambiente por ter marcado o fortalecimento do debate internacional sobre a temática. Além disso, o evento iniciou a problematização sobre o desenvolvimento sustentável. Pode-se dizer, também, que a Conferência de Estocolmo foi responsável por fortalecer o papel das ONGs na proteção do meio ambiente. A conferência também procurou criar um mecanismo de intervenção concreto, a partir do Programa das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente (PNUMA), cuja sede foi estabelecida em Nairobi, Quênia. No entanto, ficou evidente que a tentativa não foi bem-sucedida. Mesmo a sede tendo sido escolhida em 1973, a instalação definitiva ocorreu somente 11 anos após essa definição, em 1984. Conferência de Nairobi Em balanço realizado na Conferência de Nairobi, em 1982, foi feita uma reavaliação das condições do meio ambiente a nível mundial. Chegou-se, nessa conferência, a uma conclusão pouco otimista acerca das ações planejadas. Não houve um balanço que demonstrasse qualquer alteração, de forma positiva, na situação do meio ambiente. Rio 92 A Rio 92, no Rio de Janeiro, foi realizada com o mesmo propósito de reavaliar a situação do meio ambiente. A escolha do Brasil como sede foi influenciada pela devastação da Amazônia e pela ocorrência do assassinato de Chico Mendes ― líder ambientalista e sindical, em 1988. Durante o evento, os participantes aprovaram diversas intenções relacionadas à melhoria das condições do meio ambiente. O encontro contou com a participação de 179 países distintos. A Rio 92 foi simbólica, porque foram discutidas questões importantes relacionadas à perspectiva ecológica. Além disso, o encontro gerou um importante documento ― a Agenda 21. Como veremos a seguir, esse documento estabelece um pacto social para a modificação do padrão de desenvolvimento. Agenda 21 A Agenda 21 tinha como principal objetivo refletir sobre soluções para os problemas sociais e ambientais do mundo. Sua perspectiva partia do pensar de forma global, mas agir localmente. Assim, estabelecia um compromisso político, com vistas a combinar o desenvolvimento econômico com as perspectivas sociais e ambientais. O documento era composto por 40 capítulos, que abarcavam uma série de temas distintos, tais como: consumo, sustentabilidade, desenvolvimento sustentável, pobreza, saúde, educação, indústria, acordos internacionais, comunidade indígena, mulheres, infância, entre outros. Outros acordos e documentos Durante a Rio 92, também foram estabelecidas a Convenção da Biodiversidade, a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, e os Princípios para Administração Sustentável das Florestas. A Convenção sobre Mudança do Clima também foi assinada, na ocasião, por 154 estados. O objetivo dessa convenção era estabilizar a concentração de gases efeito estufa, na atmosfera, em níveis suficientes para evitar consequências perigosas no sistema climático. A convenção também abordava temáticas como a produção alimentar e o desenvolvimento econômico de forma sustentável. Protocolo de Kyoto Outro marco da história do meio ambiente foi o Protocolo de Kyoto. Trata-se de um tratado complementar à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima. A partir dele, foram definidas metas relacionadas às emissões de gases pelos países desenvolvidos. O protocolo foi criado em 1997, mas entrou em vigor apenas em 16 de fevereiro de 2005. A demora ocorreu por ser necessária a ratificação de, ao menos, 55% dos países que representam, pelo menos, 55% das emissões de gases do efeito estufa (GEE). Apenas em 2005 o número mínimo de assinaturas foi atingido. O Brasil, por exemplo, e a União Europeia ratificaram o documento apenas em 2002. No entanto, os EUA, um dos principais emissores gases de efeito estufa, não assinaram o protocolo. Os principais países emissores eram, segundo levantamentos realizados em 1997, China, EUA, países pertencentes à União Europeia, Rússia e Índia. Esses países, juntos, eram responsáveis pela emissão de 60% dos gases de efeito estufa. Metas e ações O protocolo estabelecia como meta a redução de 5% das emissões globais entre 2008 e 2012, em comparação com os níveis de 1990. A necessidade de redução foi amparada em investigações científicas que determinavam que as ações humanaspoderiam ser as causas do aquecimento global. De acordo com as investigações, as alterações climáticas poderiam gerar consequências graves para a biodiversidade, a agricultura, os recursos hídricos e para a saúde humana. Nesse contexto, o Protocolo de Kyoto estabelecia ações básicas, tais como: Promover energias renováveis, tecnologias limpas e eficiência energética; Incentivar a agricultura sustentada; Promover a gestão sustentável das florestas e políticas de reflorestamento. Conferência de Copenhague A Conferência de Copenhague foi realizada em 2009 e tinha como objetivo entender as seguintes questões: Quanto os países industrializados estavam dispostos a reduzir as emissões de gases de efeito estufa? Até que ponto os maiores países em desenvolvimento ― China e Índia ― estão dispostos a limitar o crescimento de suas emissões? Qual ajuda os países em desenvolvimento necessitam para reduzir suas emissões? Como o dinheiro seria administrado? Ficou estabelecido, a partir das discussões, o Acordo de Copenhague. Tal acordo determinava diversas metas, entre elas: Manter o aumento da temperatura abaixo dos 2°C; Garantir o financiamento de 30 bilhões de dólares até 2012 para ações imediatas; Estabelecer o financiamento de 100 bilhões de dólares anuais em 2020, em uma perspectiva de longo prazo; Promover mecanismos para melhorias tecnológicas e de reflorestamento. Houve, além disso, uma tentativa de criar um documento substituto ao Protocolo de Kyoto, mas fracassou. Nesse sentido, diante das metas e das discussões realizadas, os resultados da Conferência de Copenhague foram decepcionantes para muitos. • • • 1. 2. 3. 4. • • • • Rio + 20 O último marco internacional relacionado aos debates sobre o meio ambiente foi a conferência Rio + 20, que contou com a participação de 188 países. O principal objetivo da Rio + 20 era rediscutir o compromisso político com o desenvolvimento sustentável. A conferência se concentrava em dois temas principais: Economia Verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza; Estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável. Fracassos e conquistas Em 2015, a Folha de S. Paulo realizou uma matéria que procurava traçar um balanço do Protocolo de Kyoto. Ficou claro que o acordo havia fracassado, já que as emissões mundiais de gases efeito estufa cresceram 16,2% entre 2005 e 2012, em vez de reduzirem. Comentário Pode-se dizer, no entanto, que houve alguma conquista apesar dos fracassos das diversas conferências internacionais. A principal foi a conscientização da sociedade, além da implementação de projetos ambientais e tecnológicos com vistas a controlar o aquecimento global. Na Europa, por exemplo, principalmente em países como Holanda e Alemanha, a pauta ambiental é vista com grande preocupação, sendo incorporada nas decisões de consumo da sociedade como um todo. Tal importância pode ser vista no crescimento do Partido Verde alemão dos últimos anos. Pode-se dizer que existe um crescimento da demanda socioambiental no mercado, de modo que é importante entender essas questões para pensar em estratégias de marketing eficientes. Tal demanda socioambiental passou a ser incorporada nas estratégias das empresas, especialmente no campo da Responsabilidade Social Corporativa. O meio ambiente na geopolítica Neste vídeo, conheça mais sobre marketing ambiental. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Responsabilidade Social Corporativa • • As preocupações relacionadas ao meio ambiente tiveram um percurso. Como vimos, elas pareceram, primeiramente, em 1970, ganharam maior repercussão ao final do século XX e, nos anos recentes, houve a incorporação do debate no cenário dos negócios. O mundo tem sofrido transformações profundas, vistas nos impactos da natureza. Isso ocorre devido ao uso crescente de energia, além da maior quantidade de produção de lixo e poluição. As consequências atingem o mundo inteiro, de forma que não basta concentrar o debate no nível local. É preciso refletir sobre a questão em nível mundial. Produtos verdes Pensar de forma verde e sustentável deixou de ser a coisa certa a fazer e se tornou algo essencial, inclusive para a sobrevivência no mercado. Produtos verdes têm ganhado aderência no mercado mais do que nunca, e tal tendência deve continuar a crescer. Mesmo durante períodos de recessão, consumidores procuram comprar produtos sustentáveis. Os carros híbridos mais do que duplicaram o market share nos EUA, desde 2005 (IANNUZZI, 2017). Até mesmo nesse país, que não é um dos progressistas nas discussões ambientais, a população tem se atentado para a questão ambiental. Em 2010, por exemplo, em pesquisa realizada com 1.000 norte-americanos, 64% alegaram que estão procurando por mais produtos verdes, um crescimento de 60% em relação ao ano anterior (Shelton Group, 2011). Dessa forma, pensar de forma sustentável tem de ser algo refletido em qualquer modelo de negócios. Tal questão é fundamental, uma vez que mais e mais pessoas estão se engajando em movimentos ambientais. Sustentabilidade nos negócios Diversas empresas já observaram a tendência de crescimento da busca por sustentabilidade e começaram a se movimentar estrategicamente nessa direção. Por isso, incorporam aspectos econômicos, ecológicos e sociais. Essas três dimensões são essenciais para o pensamento sustentável. Vejamos: Adaptada de DYLLICK; HOCKERTS, 2017 Nessa perspectiva, incorporar o modelo sustentável na empresa vai muito além de pensar apenas no meio ambiente. Além disso, para uma noção de sustentabilidade corporativa, é necessário pensar em longo prazo, uma vez que a adoção de estratégias desse campo não ocorre do dia para a noite. Comportamentos sociorresponsáveis estão sendo cada vez mais incorporados nos modelos de negócios e nas estratégias. Para tanto, procura-se abordar questões ambientais e sociais, que são incorporadas em uma perspectiva de Responsabilidade Social Corporativa. Benefícios A adoção de práticas de responsabilidade social é vista como fonte de oportunidades, vantagem competitiva e inovação, de acordo com Porter e Kramer (2006). “A Responsabilidade Social Corporativa está relacionada, principalmente, com as ações de apoio de empresas a outras organizações e indivíduos em diversos campos ― humanitário, médico, social, ambiental e cultural.” (CAMILLERI, 2017) A Reponsabilidade Social é vista por teóricos como um motor que traz benefícios para os negócios e para as empresas. Inclusive, estudos empíricos demonstram que os negócios adquirem vantagens diversas ao se engajarem em comportamentos sustentáveis. Existem determinadas pesquisas, por exemplo, que estabelecem relações entre a prática da responsabilidade social corporativa e a melhoria da performance financeira. Verificando o aprendizado Questão 1 Em qual momento as questões relacionadas ao meio ambiente começaram a entrar na pauta internacional? A Conferência de Copenhague, em 1969. B Conferência de Estocolmo, em 1972. C Protocolo de Quioto, em 1990. D Agenda 21, em 1921. E Rio 92, em 1992. A alternativa B está correta. As discussões relacionadas aos impactos no meio ambiente ficaram em evidência na década de 1970, a partir da Conferência de Estocolmo. A conferência reuniu 113 países e tinha como propósito pensar em formas para reduzir a degradação ambiental e suas consequências. Questão 2 Quais noções estão incorporadas no conceito de sustentabilidade? A Sustentabilidade ambiental, governamental e empresarial. B Sustentabilidade empresarial, social e econômica C Sustentabilidade econômica, ambiental e social D Sustentabilidade econômica, ambiental e empresarial E Sustentabilidade econômica, governamental e empresarial A alternativa C está correta. A noção de sustentabilidade envolve aspectos econômicos, ecológicos e ambientais. Dessa forma, incorporar o modelo sustentável na empresa vai muito além de pensar apenas no meioambiente. 2. O desenvolvimento do Marketing Ambiental Caminhos do Marketing Ambiental Neste módulo, vamos entender mais sobre a evolução do marketing verde, percebendo os seus erros e acertos de estratégia ao longo dos anos, assim como as tendências para o futuro. Além disso, procuramos abordar a realidade do mercado brasileiro na perspectiva sustentável e as expectativas para os anos seguintes. Surgimento do green marketing Podemos situar o início da preocupação ambiental na década de 1970. No entanto, a ideia de Marketing Verde – o green marketing – só surgiu em 1980. "o nascimento da ideia do green marketing acompanhou o rápido crescimento de consumo dos produtos verdes. Na década de 1980, por exemplo, houve um boicote global aos aerossóis CFC, devido aos danos que causavam à atmosfera." Peattie e Crane (2005). O livro The Green Consumer Guide – de Elkington, Hailes e Makower – foi um sucesso de vendas, com cerca de um milhão de cópias vendidas mundialmente. O seu objetivo era traçar estratégias de consumo consciente. No início do livro, os autores atestam que, quando compramos dos mais básicos itens aos produtos de luxo, fazemos escolhas que afetam o meio ambiente. Em pesquisa realizada por Vandermerwe e Oliff (1990), atestou-se que 92% das multinacionais europeias mudaram os seus produtos, adaptando-se às preocupações sustentáveis. Além disso, 85% chegaram a mudar todo o processo de produção. Os números dos Estados Unidos, na década de 1990, também registraram que a introdução de produtos verdes nas casas mais do que dobrou entre 1989 e 1990, crescendo ainda mais em 1991. Fracasso O boom dos produtos ambientais sofreu uma redução na segunda metade da década de 1990. As pesquisas sinalizaram que, mesmo ao identificar uma preocupação dos consumidores com o tema, o consumo não acompanhava os questionamentos necessariamente. Desse modo, o comportamento de compra não acompanhava as crenças. Algumas marcas especializadas em produtos verdes ― Ecover e Down to Earth ― não conseguiram sustentar o crescimento que vinham apresentando. Da mesma forma, algumas linhas especiais de produtos verdes de empresas como Lever Brother e Sainsburys foram descontinuadas. King traçou, em 1985, os problemas mais comuns que levavam ao fracasso do marketing. É possível adaptá- los ao green marketing para entender em quais casos ele não funcionou. Vejamos: Categoria Explicação Orientação para vendas Muitas empresas utilizaram a temática ambiental apenas como dimensão promocional adicional, sem a tentativa de analisar ou modificar os produtos e seus impactos no meio ambiente. Isso ficou evidente especialmente em indústrias poluentes ― petróleo, química, farmacêuticas e automáticas. Diversas empresas utilizaram estratégias de relações públicas para tentar persuadir o público de suas credenciais ambientais. Esse tipo de abordagem não funciona, uma vez que consumidores contemporâneos e grupos interessados no meio ambientes, como ONGs, não se convencerão de tais mentiras. Setorização Falta de integração entre o setor de marketing e outras áreas do negócio. Em muitas empresas, a preocupação ambiental ficou limitada ao departamento de marketing. Nesse sentido, não foi desenvolvida uma estratégia mais ampla de green marketing, que contemplasse o modelo de negócio da empresa e seus valores. Orientação financeira Preocupação com os lucros no curto prazo, com preocupação limitada para a construção no longo prazo da marca. Muitas empresas ficaram entusiasmadas, por exemplo, com a possibilidade de reduzir custos a partir da diminuição de embalagens ou gastos energéticos. No entanto, não procuraram investir capital no desenvolvimento de produtos e processos sustentáveis. Conservadorismo Muitas empresas se recusam a abraçar a inovação e continuam a adotar uma postura conservadora. Por isso, empresas que tentam apenas adotar uma postura verde em apenas um aspecto têm a tendência a não prosperarem. Isso ocorre, por exemplo, no caso de companhias que apenas se preocupam com a redução da embalagem e não tentam mudar os produtos ou a forma de produção. Problemas do marketing aplicados ao green marketing. Muitos consumidores se tornaram confusos e até céticos com produtos verdes devido a estratégias muito orientadas para vendas, sem uma mudança de cultura. Isso prejudicou a evolução do green marketing na década de 1990. Mudanças Baker e Saren (2010), ao refletirem sobre o marketing de forma geral, estabeleceu quatro aspectos fundamentais para um marketing verdadeiro e efetivo. Peattie e Crane (2005) conseguiram, ao revisitar tal temática, estabelecer relações com um marketing verde efetivo. A seguir, vejamos alguns fatores essenciais sobre o marketing verde. Foco no consumidor As estratégias de green marketing devem começar com uma pesquisa profunda sobre os consumidores, percebendo aspectos como: necessidades, desejos, crenças, atitudes e conhecimento. Além de pensar em clientes atuais, também é necessário refletir sobre os consumidores do futuro. Perspectiva de longo prazo Alcançar uma noção sustentável só é possível a partir de uma concepção de longo prazo. Envolvimento de todos os recursos de uma empresa A ideia de marketing verde precisa ser refletida em toda a estratégia da empresa. É difícil estabelecer uma cultura de longo prazo, uma vez que, muitas vezes, as preocupações ambientais entram em choque com a cultura empresarial antiga. Dessa forma, muitos gestores acabam abandonando as perspectivas sustentáveis. Inovação Para pensar de forma ambiental, é fundamental que haja inovação, de forma a superar uma concepção tradicional e datada. Fatores essenciais para o Marketing Verde. Na segunda metade da década de 1990, as noções de marketing verde evoluíram e começaram a se relacionar, cada vez mais, com uma perspectiva de marketing sustentável. Diversos critérios passaram a ser levados em consideração ao incorporar uma perspectiva ecológica dentro da estratégia de negócios. Entre tais perspectivas, podemos citar: Redefinição do produto, incorporando a cadeia produtiva. Ao comprar um produto orgânico, por exemplo, os consumidores não olham apenas a forma como o produto é produzido, mas o transporte e seus poluentes. Capacidade de mudança do mercado como um todo. Com isso, a ideia é que haja cada vez mais reciclagem, substituição de serviços por bens materiais e formas alternativas de consumo e produção. Ênfase em benefícios do uso do produto e não em necessariamente tê-lo. Há um crescente movimento para alugar coisas, em vez de comprá-las, em respeito a uma lógica sustentável. Percebe-se isso, por exemplo, em serviços de car sharing. Foco em marketing informativo. É necessário pensar em estratégias de marketing que não procurem apenas impressionar o consumidor, comunicando sobre os problemas ambientais. Uma boa estratégia é o marketing de conteúdo, a partir de técnicas de SEO, de forma a trazer respostas de como um produto ou serviço beneficia o meio ambiente e a importância de adotar mudanças em nível individual. Marketing ambiental: erros e acertos Neste vídeo, conheça mais sobre marketing ambiental. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Consumo consciente no Brasil O Instituto Akatu ― voltado para a mobilização da sociedade para o consumo consciente ― realizou a pesquisa Panorama do consumo consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações, em 2018. O objetivo da pesquisa era entender a realidade do Brasil sobre a questão do consumo consciente. A pesquisa visava avaliar, desse modo, a consciência e o comportamento do consumidor brasileiro em relação ao consumo consciente. Além disso, buscava entender a percepção e a expectativa sobre as práticas de sustentabilidade e responsabilidade social das empresas. Foi realizada uma pesquisa quantitativa com consumidores de todas as regiões brasileiras, de forma a avaliar 13 comportamentos específicos. Os comportamentos avaliados pela pesquisa eram: Ler atentamenteos rótulos antes de comprar produtos; Pedir nota fiscal, mesmo quando ela não é oferecida; Separar o lixo para reciclagem em domicílio, mesmo sem haver coleta seletiva; Preocupar-se em usar o verso das folhas de papel quando possível; Fechar a torneira enquanto escova os dentes; Esperar alimentos esfriarem antes de guardar na geladeira; Evitar deixar as lâmpadas acesas em ambientes vazios; Desligar aparelhos eletrônicos quando não há uso; Passar informações sobre produtos e empresas ao maior número de pessoas; Realizar planejamento para comprar alimentos; Realizar planejamento para comprar roupas; Frequência de compra de produtos feitos com material reciclado; Frequência de compra de produtos orgânicos. Os consumidores foram classificados em quatro grupos distintos a partir das respostas. Vejamos: Nível de consciência do consumidor. Os resultados tornaram evidente o crescimento do número de iniciantes nas práticas sustentáveis. Além disso, entre os mais conscientes e engajados, o perfil é majoritariamente feminino (56%), com nível de escolaridade alta e com maior poder aquisitivo (52% são das classes A e B). Entre as principais barreiras apontadas para o consumo consciente, foram elencadas: Esforço ou dificuldade; Preço. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. • • Em relação ao preço, vemos que permanece o mito de que produtos orgânicos são mais caros, por exemplo. A pesquisa também identificou os maiores desejos dos consumidores. Entre os dez citados, sete estão em consonância com uma perspectiva sustentável. Observe a imagem relacionada a seguir: Ranking de preferência do consumidor. A pesquisa revelou que o desejo da população brasileira está no caminho da sustentabilidade, especialmente a partir da vontade de adotar um estilo de vida saudável, com foco em alimentação fresca e nutritiva. Entretanto, o carro próprio é o maior desejo das classes mais baixas, algo que se choca com a concepção sustentável. Percebeu-se, a partir do estudo, que 61% não souberam dizer o que é um produto sustentável. Isso demonstra a necessidade de mais informações sobre sustentabilidade. Sobre o conceito de sustentabilidade, 60% associam a ideia diretamente ao meio ambiente, não abarcando as noções sociais, econômicas e individuais. A partir desses dados, percebe-se que o consumo consciente, relacionado ao meio ambiente, ainda tem muito o que crescer no Brasil. No entanto, esse nicho crescerá ao longo dos anos, acompanhando o movimento dos mercados desenvolvidos, a exemplo da perspectiva europeia. Consumo consciente na Europa A Europa tem tentado adotar políticas para mudar o seu consumo, procurando estar cada vez mais próxima de uma perspectiva consciente. Em 2015, por exemplo, foi adotado o Plano de Ação Europeu (EU Action Plan). O plano procurou regular diversos setores, de forma a estimular uma economia cada vez mais circular. Entre as principais ações, pode-se listar: Transformar os produtos sustentáveis em normas na União Europeia; Empoderar consumidores; Focar em setores que usam mais recursos; Assegurar menos desperdício; Fazer a economia circular funcionar para pessoas, regiões e cidades; Liderar os esforços globais na economia circular. O plano da União Europeia é completo e traz uma série de dados. • • • • • • Por exemplo, o documento informa que, caso os níveis de consumo se mantenham de acordo com os atuais, o mundo seria responsável por consumir, em 2050, o equivalente a três planetas Terra. Também prevê que a produção de resíduos aumentaria 70% até 2050. Economia circular O Plano Europeu para a Economia Circular está especialmente baseado na reciclagem de matérias-primas e na redução de resíduos. O objetivo é tornar os produtos mais duráveis, recicláveis e fáceis de consertar. Esse objetivo pode ser alcançado a partir de uma perspectiva do direito ao reparo, que visa garantir tal viabilidade nos direitos dos consumidores. O modelo da economia circular pretende substituir a economia linear. Sabemos que a economia linear está amparada na extração de matéria-prima e fabricação de produtos, além de posterior venda, uso e descarte. A União Europeia pretende criar 700 mil empregos, até 2020, a partir da economia circular. Vejamos, a seguir, a concepção da economia circular: Modelo de economia circular. A proibição da destruição de bens duráveis é uma das medidas anunciadas. Dessa forma, busca-se garantir a reciclagem e a reutilização desses bens. Um dos focos das políticas é a indústria têxtil. Nesse setor, apenas 1% dos produtos são reciclados, havendo grande desperdício de tecidos e roupas. Também estão previstas novas regras para embalagens e uso de plásticos, de forma a serem incorporadas cada vez mais iniciativas biodegradáveis. Modelo para outros países A Europa sinaliza um movimento econômico que deverá ser adotado, em breve, por outros países. Além disso, como se trata de um bloco com muita força política e econômica, é provável que, em longo prazo, os parceiros comerciais externos também sejam pressionados a adotar medidas cada vez mais sustentáveis. Mesmo que o Brasil ainda não esteja tão evoluído dentro da perspectiva de economia sustentável, as empresas multinacionais também deverão se atentar para as demandas do mercado externo. Como vivemos atualmente em uma economia global, as negociações entre nações são constantes. Verificando o aprendizado Questão 1 Quais fatores são essenciais para o marketing verde? A Foco no consumidor, orientação financeira e setorização. B Foco no consumidor, perspectiva de longo prazo e inovação. C Perspectiva de longo prazo, setorização e orientação para vendas. D Foco no consumidor, perspectiva de longo prazo e setorização. E Foco no consumidor, perspectiva de curto prazo e inovação. A alternativa B está correta. Para um marketing verde eficiente, é necessário realizar uma pesquisa profunda sobre os consumidores, entender que a noção sustentável só é possível a partir de uma concepção de longo prazo e inovar, de forma a superar uma perspectiva econômica tradicional e linear. Questão 2 Qual é a aposta da União Europeia para a sustentabilidade? A Adoção de uma economia sustentável. B Adoção de uma economia linear. C Adoção da economia 3R. D Adoção de uma economia circular. E Adoção de uma economia 5R. A alternativa D está correta. A União Europeia tem tentado estimular uma economia cada vez mais circular, a partir da adoção de produtos recicláveis, mais duráveis e fáceis de consertar. Com o plano, pretende-se substituir o modelo da economia linear, amparada na extração de matérias-primas e posterior descarte de produtos, para uma economia circular. 3. As oportunidades de mercado e os cases de sucesso Aplicação do Marketing Ambiental Neste módulo, vamos abordar os níveis de estratégias possíveis em uma estratégia empresarial voltada para o meio ambiente. Em seguida, veremos o Pensamento do Ciclo de Vida, conhecido como Lifecycle Approach. Por fim, sinalizaremos os movimentos empresariais relacionados ao meio ambiente, de forma a entender como o pensamento sustentável é uma tendência mundial que veio para ficar. Níveis de estratégia ambiental A Gestão Ambiental das atividades de uma empresa está embasada na seleção de uma estratégia ambiental. Por sua vez, a estratégia ambiental se alinha com os sistemas de gestão, programas e ferramentas relacionadas ao meio ambiente. De acordo com Iannuzzi (2017), as estratégias ambientais podem ocupar quatro níveis de sustentabilidade possíveis: Necessário; Voltado ao mercado; Engajado; Influenciando o futuro. Vamos conhecer cada um desses níveis na tabela a seguir: Necessário A firma se adapta às regulações ambientais, de saúde e de segurança. Trata-se do menor nível de aderência ambiental de uma empresa. Voltado ao mercado A empresa responde aos aspectos regulatórios, mas também reage às expectativas dos clientes, fornecendo produtos, serviçose performance operacional. Engajado A empresa entende suas oportunidades de mercado e, de forma proativa, utiliza tal conhecimento para criar relações de engajamento com a cadeia de valor e outros stakeholders, procurando identificar oportunidades de forma mais rápida. Influenciando o futuro A empresa desenvolve produtos e serviços voltados ao mercado atual e do futuro. Nesse sentido, atende demandas ainda não tão fortemente sinalizadas na sociedade. Para tanto, integra crescimento econômico, saúde ambiental, segurança e bem-estar social dentro das suas operações e práticas de negócios. Os quatro níveis de estratégia Segundo Iannuzi (2017), todas as empresas possuem uma estratégia ambiental, mesmo que ela não seja explicitamente definida. Para muitas delas, a preocupação é de apenas atender às regulações. Em uma estratégia ambiental, cinco elementos são levados em consideração: • • • • Elemento 1 – Segurança humana e ambiental; Elemento 2 – Atendimento à Regulação; Elemento 3 – Gerenciamento de clientes; Elemento 4 – Administração eficiente de recursos; Elemento 5 – Atendimento proativo às preocupações sociais. Os quatro níveis de estratégia abordados no quadro anterior englobam um número de elementos. Por exemplo, em uma estratégia necessária, a empresa terá de se preocupar com os elementos 1 e 2. Para uma orientação voltada ao mercado, os elementos 1, 2 e 3 são essenciais. No caso de uma empresa engajada, haveria uma integração dos elementos 3, 4 e 5, de acordo com os aspectos da empresa. Por fim, em uma empresa classificada como influenciadora do futuro, todos os cinco elementos seriam atendidos com muita atenção e, a partir de tal preocupação, a firma seria vista enquanto líder do mercado nessa questão sustentável. Pensamento do Ciclo de Vida No módulo anterior, falamos sobre as estratégias da União Europeia e sua visão sobre seu futuro econômico. Vimos que a meta é substituir a economia linear pela economia circular. Para isso, uma concepção muito importante é a do Pensamento do Ciclo de Vida (Lifecycle Approach). No caso do Lifecycle Approach, o primeiro passo é realizar uma Avaliação do Ciclo de Vida. Por meio dessa avaliação, pode-se entender os impactos ambientais em potencial de um produto ou serviço. A partir de tal avaliação, é possível: Identificar oportunidades para aprimorar o aspecto ambiental em diversos pontos dos seus ciclos de vida; Auxiliar no processo de decision making ― em indústria, governo ou organizações não governamentais ― em diversos aspectos ― no design de produção, material ou na seleção de produtos. Selecionar indicadores relevantes relacionados com a performance ambiental, estabelecendo formas de medir tais números; Perceber possibilidades de marketing – selos ambientais, rotulagem verde, entre outros). A partir de uma aplicação eficiente do Lifecycle Approach, é possível reduzir o impacto ambiental e, ao mesmo tempo, apresentar bons resultados financeiros. • • • • • 1. 2. 3. 4. Exemplo A Apple, por exemplo, foi pioneira em comprar o iPhone antigo das pessoas, com o objetivo de aproveitar as peças. Tal estratégia é interessante não apenas para o meio ambiente, mas para a própria empresa. Dessa forma, é possível promover a fidelização dos clientes e ainda poupar com matéria-prima. A modalidade de troca oferecida pela multinacional é chamada de Apple Trade In. Na compra de um iPhone novo, a partir do anterior, é possível haver um abatimento entre 45 e 600 dólares. A Samsung, da mesma forma, também passou a oferecer possibilidade similar. Lugar do meio ambiente nos negócios O Marketing Ambiental tem sido incorporado em todos os tipos de produtos e indústrias. A princípio, pode parecer que o Marketing Ambiental atinge apenas os modelos de negócio B2C (Business to Consumer) ― negócios para consumidores. A demanda de um modelo mais sustentável, no entanto, atinge a todos os setores, inclusive o B2B (Business to Business) ― negócios para negócios. Nesse sentido, mesmo os fornecedores devem se preocupar em adotar uma postura mais sustentável. Consumidores e fornecedores Os consumidores têm procurado adotar um consumo consciente, mas até mesmo as empresas estão procurando, ativamente, comprar produtos verdes. Isso ocorre devido às pressões do mercado e como uma forma de ter responsabilidade sobre a cadeia de suprimentos. Em 1990, por exemplo, a Nike recebeu muita pressão sobre as condições de trabalho de empresas que fabricavam os sapatos. Devido a isso, teve de traçar uma série de modificações, entendendo que os seus fornecedores também devem ser socialmente responsáveis. Nesse sentido, algumas empresas já têm adotado políticas de auditoria de fornecedores, com vistas a mensurar as condições de trabalho e as estratégias adotadas para o meio ambiente. Diante disso, até mesmo os fornecedores estão obedecendo metas, como redução de energia, água, resíduos, entre outras questões. Logística Verde A iniciativa de adotar a política de auditorias de fornecedores é parte de um movimento chamado de Logística Verde (Greening the Supply Chain). Os elementos que integram a Logística Verde podem ser vistos a seguir: Elementos da Logística Verde. Adaptado de Ministerio de Agricultura Alimentación y Medio Ambiente Gobierno de España (2008, apud MORA; CAMPUZANO, 2013). Uma das metas de sustentabilidade da Unilever, por exemplo, é aumentar o uso de matéria-prima verde. Nesse sentido, caso alguma empresa seja fornecedora da Unilever, terá de se preocupar em se tornar sustentável. A demanda da Unilever também sinaliza uma oportunidade para outras empresas começarem a se relacionar comercialmente com ela. Nessa mesma perspectiva, a empresa farmacêutica Strides tem como meta reduzir a pegada de carbono, procurando influenciar toda a sua cadeia de fornecedores. Como meta final, ela pretende se tornar um negócio de carbono zero até 2050. Eficiência Para um marketing verde eficiente, alguns elementos são fundamentais. O primeiro passo é pensar em uma narrativa verde, que esteja amparada em fatos e dados científicos. Em seguida, os benefícios ambientais devem ser comunicados de forma apropriada, não sendo exagerados ou enganadores. O Boston Center for Corporate Citizenship elenca cinco recomendações para um Marketing Verde. Vejamos: Seja preciso É fundamental fazer alegações específicas, que também demonstrem impactos quantitativos. Seja relevante Demonstre uma conexão clara entre o produto, o serviço e o meio ambiente. Seja um recurso É interessante fornecer informações adicionais ao cliente, gerando valor e demonstrando a importância de iniciativas sustentáveis. Seja consistente Não caia em contradição ao produzir o conteúdo. Seja realista É sempre possível melhorar no caminho para a sustentabilidade. Nesse sentido, nunca estabeleça que seus produtos são 100% verdes. Uma boa alternativa é utilizar outras escolhas de palavra, como: “nossos produtos são cada vez mais verdes”. O marketing verde é amplamente amparado na comunicação, assim como as estratégias de marketing tradicionais. Não adianta reformular toda a estratégia empresarial, adotando um caminho sustentável, se o mundo não sabe disso. Três aspectos são essenciais na elaboração de uma estratégia de marketing ambiental: Ter uma narrativa credível sobre a relação do produto com o meio ambiente; Atender às expectativas dos clientes sobre a sustentabilidade; Comunicar os atributos verdes do produto de forma assertiva. O meio ambiente nos negócios Neste vídeo, conheça mais sobre marketing ambiental. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para assistir ao vídeo. Cases do mercado Para estabelecer uma estratégia de Marketing Ambiental eficiente, podemos aprender com os cases do mercado. A seguir, vamos apresentar alguns deles. • • • Positiva A marca brasileira procura desenvolver produtos de limpeza ecologicamente responsáveis. Ela está preocupada com o desperdício e adota uma lógica circular,alinhada com a concepção de economia que vimos no último módulo. A marca vende produtos ecologicamente responsáveis. Entre eles, o lava-louças biodegradável; a bucha vegetal compostável, que não gera resíduos; o pano de prato feito de material reciclado; o saco para orgânicos e o multiuso concentrado, que substitui até 10 produtos de limpeza. Também são vendidas, além dos produtos de limpeza, opções de higiene e cuidado pessoal. Timberland A Timberland ― empresa que vende botas ― desenvolveu uma classificação para os seus produtos, chamado de Green Index. Dessa forma, a marca classifica as suas botas em diferentes escalas. Um exemplo dos seus produtos é a Bota Earthkeepers, que usa menos quantidade de matéria-prima extraída e mais materiais reciclados. A Timberland atrai os clientes, porque procura ser transparente sobre as áreas que já conseguiu aprimorar e aquelas que ainda necessitam de mais melhorias. IBM A IBM aposta na venda de softwares com propósitos para outras empresas, tendo como estratégia o B2B (Business to Business). O seu ângulo de marketing foca em tornar os negócios mais eficientes. Isso implica menos desperdício e consequente redução de custos. A IBM oferece como solução o software Maximo, que atua na monitoração de equipamentos para minimizar os impactos ambientais. A partir dos sensores inteligentes, são percebidos elementos como temperatura, umidade, luz e ocupação. De acordo com a IBM, os smart buildings podem reduzir o consumo de energia e a emissão de CO2 entre 50 e 70%. Além disso, também podem reduzir o consumo de água entre 30 e 50%. Verificando o aprendizado Questão 1 Existem diversos níveis de estratégia no Marketing Ambiental. Quais são os elementos contemplados pela estratégia voltada para o mercado? A Segurança humana e ambiental, atendimento à regulação e gerenciamento de clientes. B Administração eficiente de recursos, atendimento à regulação e gerenciamento de clientes. C Segurança humana e ambiental, administração eficiente de recursos e atendimento proativo às preocupações sociais. D Gerenciamento de clientes, administração eficiente de recursos, e segurança humana e ambiental. E Administração eficiente de recursos, segurança humana e ambiental, e gerenciamento de clientes. A alternativa A está correta. Existem quatro níveis de estratégia. A estratégia voltada ao mercado está no segundo nível. Por isso, os elementos 1, 2 e 3 são os contemplados na estratégia, sendo os dois primeiros os mais básicos (segurança humana e ambiental, e atendimento à regulação), e o terceiro voltado às vendas, a partir do gerenciamento de clientes e suas expectativas. Questão 2 A estratégia da IBM de Marketing Ambiental se preocupa com a eficiência de outras empresas, apostando no uso de software para otimizar o gasto de recursos. Qual é o modelo de vendas da empresa? A B2C – Business to Consumer. B B2B – Business to Business. C C2B – Consumer to Business. D Consumer to Consumer. E G2C – Government to Citizen. A alternativa B está correta. A preocupação ambiental também atinge as vendas de empresas para empresas, já que toda a estratégia da empresa importa na era atual, inclusive a sua cadeia de suprimentos. Sabendo dessa demanda, a IBM aposta na venda de software inteligente para auxiliar empresas a gastarem menos recursos, como água e energia, por meio da tecnologia de smart building. 4. Conclusão Considerações finais Neste tema, foi possível aprender mais sobre o marketing ambiental a partir de uma perspectiva global e histórica, e, dessa forma, entender os caminhos da discussão ambiental e a influência de tais debates no mercado de hoje, em diversos países do globo. A preocupação com o meio ambiente influencia não apenas a relação entre empresas e consumidores, mas outros modelos de negócios, como aquele relacionado a empresas e empresas, mais conhecido como B2B. O tema também demonstrou os elementos principais do Marketing Ambiental para uma estratégia de sucesso, assim como os diferentes níveis. Por fim, foram traçados cases de sucesso no Marketing Ambiental, de forma a apresentar como as empresas Positiv.a; Timberland e IMB têm se destacado nesse campo de atuação. Podcast Para encerrar, ouça sobre marketing ambiental. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ouvir o áudio. Explore+ Assista ao documentário The True Cost, que aborda a indústria da moda e seus efeitos no meio ambiente. Referências BAKER, M. J., SAREN, M. Marketing theory. Thousand Oaks, CA: SAGE, 2010. CAMILLERI, M. A. Corporate sustainability, social responsibility and environmental management. [s.l.]: Springer, 2017. DYLLICK, T.; HOCKERTS, K. Beyond the business case for corporate sustainability. In: Corporate Environmental Responsibility, v. 141, pp. 213-224, 2017. ELKINGTON, J.; HAILES, J.; MAKOWER, J. The green consumer guide. [s.l.]: Guild Publishing, 1989. EUROPEAN COMMISSION. Behavioural Study on consumers’ engagement in the circular economy. [s.l.]: Brussels, Oct. 2018. GURǍU, C.; RANCHHOD, A. International green marketing: a comparative study of British and Romanian firms. International Marketing Review, v. 22, n. 5, pp. 547-561, 2005. IANNUZZI, A. Greener products: the making and marketing of sustainable brands. 2. ed. [s.l.]: CRC Press, 2017. INSTITUTO AKATU. Pesquisa Akatu 2018 ― panorama do consumo consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações. 2018. LEE, K. Opportunities for green marketing: young consumers. In: Marketing Intelligence and Planning, v. 26, n. 6, pp. 573-586, 2008. LIMA, G. B.; LIBONI, L. B.; CARVALHO, D. Marketing Verde e Gestão Ambiental nas organizações: um estudo teórico-conceitual. In: FACEF Pesquisa ― Desenvolvimento e Gestão, v. 18, n. 1, 2015. PEATTIE, K.; CRANE, A. Green marketing: legend, myth, farce or prophesy? In: Qualitative Market Research: An International Journal, v. 8, n. 4, pp. 357-370, 2005. PORTER, M. E., & KRAMER, M. R. Strategy and society: the link between competitive advantage and corporate social responsibility. In: Harvard Business Review, 84(12), 78-92, 2006. SHELTON GROUP. Eco Pulse. February 3, 2011. TUFFANI, M. Dez anos depois, Protocolo de Kyoto falhou em reduzir emissões mundiais. In: Folha de S. Paulo, 16 fev. 2015. VANDERMERWE, S.; OLIFF, S. Customers drive corporations green. In: Long Range Planning, v. 23, n. 6, pp. 10-16, 1990. Marketing ambiental 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. o contexto da Agenda Ambiental Marcos ambientais Debate internacional Conferência de Estocolmo Eventos anteriores Legados da Conferência de Estocolmo Conferência de Nairobi Rio 92 Agenda 21 Outros acordos e documentos Protocolo de Kyoto Metas e ações Conferência de Copenhague Fracassos e conquistas Comentário O meio ambiente na geopolítica Conteúdo interativo Responsabilidade Social Corporativa Produtos verdes Sustentabilidade nos negócios Benefícios Verificando o aprendizado Em qual momento as questões relacionadas ao meio ambiente começaram a entrar na pauta internacional? Quais noções estão incorporadas no conceito de sustentabilidade? 2. O desenvolvimento do Marketing Ambiental Caminhos do Marketing Ambiental Surgimento do green marketing Fracasso Mudanças Redefinição do produto, incorporando a cadeia produtiva. Capacidade de mudança do mercado como um todo. Ênfase em benefícios do uso do produto e não em necessariamente tê-lo. Foco em marketing informativo. Marketing ambiental: erros e acertos Conteúdo interativo Consumo consciente no Brasil Consumo consciente na Europa Economia circular Modelo para outros países Verificando o aprendizado Quais fatores são essenciais para o marketing verde? Qual é a aposta da União Europeia para a sustentabilidade? 3. As oportunidades de mercado e os cases de sucesso Aplicação do Marketing Ambiental Níveis de estratégia ambiental Pensamento do Ciclo de Vida Exemplo Lugar do meio ambiente nos negócios Consumidorese fornecedores Logística Verde Uma das metas de sustentabilidade da Unilever, por exemplo, é aumentar o uso de matéria-prima verde. Nesse sentido, caso alguma empresa seja fornecedora da Unilever, terá de se preocupar em se tornar sustentável. Eficiência Seja preciso Seja relevante Seja um recurso Seja consistente Seja realista O meio ambiente nos negócios Conteúdo interativo Cases do mercado Positiva Timberland IBM Verificando o aprendizado Existem diversos níveis de estratégia no Marketing Ambiental. Quais são os elementos contemplados pela estratégia voltada para o mercado? A estratégia da IBM de Marketing Ambiental se preocupa com a eficiência de outras empresas, apostando no uso de software para otimizar o gasto de recursos. Qual é o modelo de vendas da empresa? 4. Conclusão Considerações finais Podcast Conteúdo interativo Explore+ Referências