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AULA 5 GESTÃO SOCIOAMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Prof. Rodrigo Berté 2 TEMA 1 – O QUE É MARKETING VERDE? O marketing verde, também conhecido como ecomarketing, marketing ambiental ou marketing sustentável, é caracterizado por estratégias adotadas pelas empresas que visam diferenciar os seus produtos no mercado por meio de posturas ecológicas. Essas estratégias podem contribuir com a imagem e a reputação dos produtos fornecidos pelas empresas que adotam essas ações. Uma empresa considerada ‘verde’ é aquela que aplica em toda a sua conjuntura investimentos e ações ambientais, desde a fabricação e a produção de bens até as suas relações com clientes, fornecedores e funcionários. É necessário traçar uma estratégia de marketing ambiental que esteja de acordo com o que se chama os três Rs da sustentabilidade: reciclar, reutilizar e reduzir, em todos os órgãos da empresa tanto no campo interno, promovendo a conscientização dos trabalhadores e estabelecendo a sustentabilidade como um dos valores da empresa, quanto no externo, influenciando fornecedores e clientes e a sociedade em geral para obtenção de práticas ecologicamente viáveis. (Guimarães; Viana; Costa, 2015, p. 96) Em função da problemática ambiental cada vez mais evidente na atualidade, por exemplo, a presença de diversos poluentes nos oceanos, desmatamento e sobre-exploração de recursos naturais, um grande número de consumidores vem exigindo práticas ecologicamente corretas das empresas. O acelerado crescimento demográfico, tecnológico e industrial do último século gerou reflexões, por parte da sociedade em geral, acerca do impacto desse crescimento na qualidade de vida das pessoas e na preservação ambiental (Dalmoro; Venturini; Pereira, 2009). As marcas modernas têm percebido nos últimos anos mudanças importantes no padrão de consumo de seus clientes e vem investindo cada vez mais em soluções sustentáveis e também na divulgação destas ações, por exemplo, produtos que são amigos do meio ambiente. Basicamente, podemos dizer que o marketing verde é uma estratégia de marketing focada em produtos que beneficiam o meio ambiente, com forte apelo emocional, vinculando a imagem da empresa a um consumo ecologicamente consciente. Segundo Peattie e Charter (2003), o marketing verde é definido pela gestão holística dos processos responsáveis por identificar, antecipar e satisfazer as necessidades dos clientes e sociedade, de forma lucrativa e sustentável. Para que o marketing verde seja uma estratégia eficiente, é necessário que seja também uma estratégia autêntica, pois existem vários exemplos de produtos denominados “verdes”, no entanto, na realidade não eram produtos ecologicamente corretos, 3 trazendo, nesses casos, sérios prejuízos para a imagem dessas empresas. Gonzaga (2005) destaca que, junto à demanda sustentável pelo uso dos recursos naturais, a vigilância pelos valores éticos das organizações empresariais tende a crescer. A origem do marketing verde remonta à década de 1960 nos Estados Unidos e Europa, no entanto foi disseminada com mais evidência a partir da década de 1990 e início dos anos 2000, com a popularização da internet e também pela maior facilidade na disseminação de informações. A escassez dos recursos naturais e a degradação de ecossistemas por conta das ações antrópicas, também contribuíram de maneira significativa para a disseminação do marketing verde, fazendo com que os consumidores passassem a pressionar cada vez mais as organizações na produção de produtos ambientalmente corretos. Segundo Sheth e Parvatiyar (1995), o desenvolvimento sustentável pode ser conseguido apenas por organizações proativas em termos de marketing e intervenções governamentais ativas. Segundo Xavier e Chiconatto (2014), há inúmeras organizações preocupadas com seu comportamento ambientalista e seus produtos ecológicos. Dentre as empresas e ações elencadas pelos autores, podemos destacar que: • A empresa Google aplicou 200 milhões de dólares em obtenção de energia eólica por meio de uma rede submarina; • As embalagens (com papel manteiga) do Mcdonalds foram substituídas para reduzir a produção de poliestireno e diminuição de ozônio; • As indústrias pesqueiras que por conta da preocupação com redes de deriva e morte de golfinhos, alteraram seus procedimentos de pesca; • A Rede Pão de Açúcar trocou sacolas de plástico antigas por outras que duram mais, resultando na economia de mais de 97 milhões de sacolas por ano; • A General Eletric lançou em 2005 dezessete produtos ecológicos, como lâmpadas mais eficientes em relação ao consumo de energia. As sociedades humanas têm passado por mudanças e estão fazendo com que as organizações considerem vários grupos de interessados nas suas tomadas de decisão. De acordo com Peattie e Charter (2003), construir relacionamentos com clientes, fornecedores, empregados, comunidade e outros stakeholders pode 4 ser central para a competividade e formar uma sustentabilidade para o desenvolvimento de estratégias. Dentre os principais benefícios do marketing verde para as empresas, podemos destacar: • Produtos gerados com preocupações ecológicas e sociais tendem agregar um maior valor comercial; • Demonstra que a organização apresenta uma preocupação com o meio ambiente e com o futuro das próximas gerações, trazendo benefícios para o posicionamento da marca no mercado; • O marketing verde ajuda na criação de um diferencial competitivo em relação aos concorrentes em um mercado cada vez mais acirrado; • A partir do momento em que uma organização passa a adotar uma consciência ecológica, consequentemente, atrai consumidores que apresentam uma consonância com seus valores; • Atualmente, as sociedades humanas, de uma forma geral, apresentam uma tendência de exigirem práticas sustentáveis, sendo que muitos clientes optam por pagar um maior valor em produtos ecologicamente corretos; • Por meio do marketing verde, as organizações geram uma maior credibilidade tanto para os consumidores que adquirem os seus produtos, e também para os seus investidores, que passam a observar um maior potencial em suas estratégias e negócios; • Ações bem executadas de marketing verde tendem a gerar uma simpatia em relação a marca, sendo um investimento que pode gerar lucros consideráveis a longo prazo. As organizações que não atenderem ao apelo ambiental dos consumidores tendem a perder a sua sintonia com os mesmos, gerando dificuldades em manter o posicionamento da marca no mercado, sendo que os padrões “verdes” de um produto apresentam a tendência de serem cada vez mais determinantes no processo de decisão de compra. Segundo Karna, Hansen e Juslin (2003), existem três grupos de empresas: • proativos green marketers: enfatizando o redicionamento por meio da sustentabilidade e sistemas de mercado livres; • reativos green marketers: enfatizando a sustentabilidade sob controle governamental; 5 • marketers consumidor: baixo índice de fatores de sustentabilidade. Atualmente, uma organização bem-sucedida pode ter sérios prejuízos na sua imagem se não atuar com responsabilidade ambiental, sendo que existe uma tendência de todas as organizações em acompanhar essas mudanças para sobreviverem em um mercado cada vez mais acirrado e também para obterem mais lucro. Além da questão que envolve a pressão dos consumidores, muito países têm criado legislações e regras visando coibir práticas de empresas que geram impactos ambientais significativos em seus processos, sendo que essas normas vêm se tornando cada vez mais rigorosas, e as empresas que não se adequarem a essa nova realidade podem ter sérios problemas com aplicação de multas e cassação de licenças que autorizam o seu funcionamento. É evidente que o marketing verde traz muitos benefícios para as organizações, além de gerar uma grandevantagem competitiva, portanto as empresas que pretendem realizar ações de marketing verde devem considerar todas as etapas que envolvem esse processo, e não somente a venda do produto, pois os pilares que envolvem a sustentabilidade consideram a responsabilidade social, ambiental e econômica, fazendo com que um fator dependa do outro frente a um mercado cada vez mais globalizado. TEMA 2 – AÇÕES DE GREENWASHING Atualmente, temos nos deparado com uma frequência cada vez maior de empresas que tentam vincular a ideia de sustentabilidade ambiental à publicidade de seus produtos e serviços quando, na realidade, nada possuem de sustentáveis. Segundo Lovato (2013), o paradigma da sustentabilidade ambiental refletiu diversas formas nas relações de consumo e não podemos negar que há exemplos de empresas que demonstram uma preocupação com o meio ambiente e que verdadeiramente mudam suas técnicas de gestão e produção em busca de um uso equilibrado e racional dos recursos naturais, no entanto existe uma parcela significativa do mercado em que a sustentabilidade ambiental apresenta um significado meramente simbólico, não refletindo ações que de alguma forma estejam de fato melhor preservando a natureza. Algumas empresas transmitem a impressão de terem ações ambientais efetivas por meios publicitários e, por meio dessas ações, atraem consumidores desavisados e melhoram a sua imagem por meio de slogans “verdes” falsificados. 6 O termo greenwashing consiste na promoção de discursos, propagandas, anúncios e campanhas publicitárias de produtos e serviços que se apresentam como verdes, sustentáveis e ambientalmente corretos. No entanto, as práticas não correspondem aos valores apregoados. Dessa forma, o greenwashing é caracterizado pela criação de uma aparência falsificada de um produto sustentável, quando na realidade não o é, induzindo os consumidores a caírem em um erro e acreditarem que estão contribuindo para a preservação ambiental ao adquirirem esses produtos. Existem situações de greenwashing em que a propaganda de determinado produto (slogans, ilustrações etc.) traz informações relacionadas à defesa do meio ambiente, no entanto não existem medidas reais que visam minimizar os problemas ambientais por meio do processo produtivo desses produtos, que inclusive, podem gerar impactos sobre o meio ambiente. Os consumidores podem tomar algumas medidas para evitar cair em propagandas enganosas relacionadas ao greenwashing, dentre as quais: • Prestar atenção em rótulos de produtos que se dizem ambientalmente corretos, porém não apresentam certificações; • Os consumidores devem conhecer os certificados originais para evitar acreditar em certificados falsos e serem induzidos ao erro; • Prestar atenção em atitudes efetivas nos anúncios e desconfiar da utilização de termos vagos como simplesmente “sustentável”; • Algumas informações podem ser verdadeiras, como “não contém CFC”, que são substâncias prejudiciais para a camada de ozônio, no entanto as utilizações destas substâncias já são proibidas pela legislação, o que não significa necessariamente que o produto seja ecologicamente mais correto que outros da uma mesma categoria; • Observar se a empresa dispõe de algum portal ou meio de comunicação em que seja possível averiguar a veracidade das informações anunciadas, e, em caso negativo, deve-se desconfiar da procedência destas. No cenário brasileiro, o aumento de campanhas publicitárias que se utilizam de greenwashing levou o Conar (Conselho Nacinal de Autorregulamentação Publicitária), no ano de 2011, a incluir novas regras sobre a publicidade que contenha apelos sobre sustentabilidade, trazendo alguns 7 princípios, como exatidão e veracidade. Porém, por ser um órgão de autorregulação, possui suas limitações quanto à sua ação fiscalizadora. O que se pode observar é que o ser humano da pós-modernidade descarrega uma grande carga de seus medos, culpas e anseios no momento que adquire algum bem ou serviço. Acabamos por delegar a solução de nossas crises a terceiros ou a algo. No que diz respeito ao meio ambiente, o ser humano teme, sim, o fim daquilo que abastece o seu mundo – e talvez até mesmo o fim deste mundo. Em contrapartida, sente-se culpado por ser testemunha/partícipe deste quadro, e aguarda passivamente que a crise ambiental seja de alguma forma superada, até porque pouco sabe sobre como pode contribuir para isso. E o mercado, por sua vez, capta e explora de forma economicamente eficiente esses questionamentos da sociedade pós-moderna, oferecendo ao público o desenvolvimento sustentável estampado em embalagens. (Lovato, 2013, p. 165) Uma parcela da sociedade ainda apresenta uma preocupação superficial com problemas ambientais na atualidade, de onde se origina a prática de greenwashing, por isso faz-se cada vez mais necessária a adoção de ações efetivas que inviabilizem essas práticas e proporcionem um acesso cada vez maior a informações concretas sobre a sustentabilidade na geração de produtos e serviços. TEMA 3 – GLOBAL REPORTING INITIATIVE A elaboração de relatórios de sustentabilidade que visam dimensionar os impactos socioambientais oriundos das atividades cotidianas das organizações é uma prática que vem se popularizando em muitos países, especialmente na Europa e América do Norte. Um número cada vez mais elevado de organizações tem percebido as vantagens da produção dessa modalidade de relatórios, pois geram dados transparentes sobre o nível de sustentabilidade em suas atividades. Esses relatórios são produzidos de forma voluntária e objetivam facilitar a implementação de ações voltadas à sustentabilidade das empresas de maneira objetiva e sistemática, além de gerarem uma transparência interna na corporação. Além disso, esses relatórios produzem informações importantes que estão relacionadas à demanda dos consumidores e à sociedade e também geram transparência em relação aos stakeholders quando se faz necessário demonstrar as ações voltadas à sustentabilidade que vem sendo implementadas nessas organizações. 8 Muitos investidores e acionistas buscam informações presentes em relatórios de sustentabilidade para orientar o processo de decisão em relação à compra de títulos empresariais, em função de que empresas consideradas socialmente justas e ambientalmente corretas estão sendo cada vez mais valorizadas no mercado. As organizações ao elaborarem seus relatórios, têm nas mãos um instrumento que possibilita consolidar um processo de melhoria sistêmica, além de dialogar com a sociedade sua intenção de transparência na busca do desenvolvimento sustentável. Relatórios de sustentabilidade são documentos descritivos de uma realidade e devem oferecer informações de forma integral da situação encontrada, seja positivas ou negativas. (Correa et al., 2012, p. 27) É possível afirmar que a produção de relatórios de sustentabilidade são uma consequência das mudanças ocorridas na sociedade, visto que as organizações devem demonstrar de maneira cada vez mais clara o seu comportamento responsável e ético frente às questões ambientais. Segundo Campos et al. (2013) existem três tipos diferentes de relatórios de sustentabilidade: a. Relatórios sociais, originados na década de 1970, a partir das demandas por balanços sociais referentes aos aspectos sociais das atividades das organizações; b. Relatórios ambientais, com origem no fim dos anos de 1980 e voltados às questões ambientais, podendo incluir ainda aspectos relativos à saúde e à segurança; c. Relatórios anuais, que tendem, desde a metade da década de 1990, a incluir informações quanto aos aspectos éticos, sociais e ambientais das atividades da organização (Daub, 2007). A Global Reporting Initiative (conhecida como GRI) é uma organização internacional independente, fundada no ano de 1997, que visa auxiliar organizaçõese governos a ter uma compreensão de como os seus impactos interferem nas mudanças climáticas, direitos humanos, governança e bem-estar social. A estrutura de sustentabilidade dos relatórios da GRI vem sendo disseminada em empresas multinacionais, médias e pequenas empresas e governos em mais de 90 países e possui parcerias estratégicas com organizações de grande porte, como a Organization for Economic Co-operation and Development (OECD), United Nations Environment Programme (UNEP), United Nations Global Compact (UN Global Compact) e International Organization for 9 Standardization (ISO). A sede da organização GRI está localizada em Amsterdã, na Holanda, e conta com secretarias regionais no continente Africano, China, América do Norte, Oceania, América Latina, Sul e Sudeste da Ásia. Segundo Campos et al. (2013), a missão da GRI consiste em: a. fazer com que relatórios de sustentabilidade corporativa tenham o mesmo nível de qualidade e importância dos relatórios financeiros; b. desenhar e melhorar continuamente as diretrizes de relatórios, refletindo três dimensões de sustentabilidade: econômica, ambiental e social; c. construir uma instituição global e permanente para administrar as diretrizes formuladas. Basicamente, o relatório GRI identifica, avalia e gerencia os indicadores de sustentabilidade das organizações públicas e privadas e apresenta o objetivo de promover o desenvolvimento sustentável. O relatório de sustentabilidade apresenta os impactos ambientais, sociais e econômicos das atividades empresariais, sendo que a sua metodologia é baseada nas diretrizes do GRI. A divulgação desses relatórios beneficia a relação e a comunicação das empresas com seus clientes, investidores e stakeholders, além de facilitar o estabelecimento de metas que visam uma busca cada vez maior da sustentabilidade em suas atividades. Os relatórios devem conter informações positivas e negativas dos impactos das atividades das empresas sobre o meio ambiente e também deve conter compromissos que visam minimizar os impactos provenientes de suas atividades. As informações presentes no relatório são verificadas de forma independente, o que gera uma maior credibilidade da empresa no mercado e pode trazer inúmeros benefícios para a sua imagem. TEMA 4 – INDICADORES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL EMPRESARIAL DO INSTITUTO ETHOS Os indicadores Ethos de Responsabilidade Social Empresarial são caracterizados por uma ferramenta que pretende auxiliar as organizações na incorporação de conceitos e compromissos que visam o desenvolvimento sustentável no seu processo de gestão. Os indicadores Ethos são estruturados no formato de questionário e objetivam a conscientização, aprendizado e monitoramento da responsabilidade social empresarial. 10 Após o preenchimento dos questionários referentes aos indicadores, as empresas podem enviar as respostas para o Instituto Ethos, e, com base nessas informações, os dados são convertidos em uma pontuação e notas, e são apresentados em um documento chamado Relatório de Diagnóstico que possibilita a organização compará-los com as médias obtidas por outras organizações que responderam ao questionário no mesmo período. As informações cadastrais da empresa, respostas enviadas e o relatório são tratados com confidencialidade pelo Instituto e são disponibilizados a terceiros somente com autorização expressa da própria empresa. Os questionários dos Indicadores Ethos (2021) estão organizados em sete temas: • Valores, transparência e governança; • Público interno; • Meio ambiente; • Fornecedores; • Consumidores e clientes; • Comunidade; • Sociedade. Os indicadores são continuamente aprimorados e baseados em conceitos de negócios sustentáveis e responsáveis. Além disso, possuem integração com as diretrizes de relatórios de sustentabilidade da Global Reporting Initiative (GRI), com a Norma de Responsabilidade Social ABNT NBR ISO 26000, CDP, e outras iniciativas. 11 Figura 1 – Página do site do Instituto Ethos – Indicadores Ethos – Questionário principal Fonte: Instituto Ethos, 2021. De acordo com o Instituto Ethos (2021), o questionário é agrupado em 4 dimensões que seguem o conceito ESG (Environmental, Social and Governance) e complementado pela dimensão visão e estratégia. As dimensões são desdobradas em temas inspirados na Norma ISO 26000, os quais, por sua vez, desdobram-se em subtemas e, posteriormente, em indicadores. O conteúdo dos Indicadores Ethos preserva a estrutura que os consolidou como ferramenta de aprendizado: questões de profundidade, questões binárias e questões quantitativas. Cada indicador é composto por esses três tipos de questões, sendo as de profundidade e as binárias obrigatórias para a elaboração do relatório de diagnóstico. As questões quantitativas são opcionais e recomenda-se que sejam preenchidas na etapa de planejamento. A adoção de indicadores ambientais nas organizações é de grande importância em função de que atuam como métricas, já que possibilitam que tenham uma ferramenta de apoio para a mensuração do desempenho de seus processos em relação a metas ambientais predefinidas, gerando a possibilidade de promover uma maior sustentabilidade em seus processos. 12 TEMA 5 – CRIAÇÃO (OU GERAÇÃO) DE VALOR COMPARTILHADO O conceito de criação de valor compartilhado (CVC) é caracterizado por práticas que envolvem gestão e políticas empresariais que buscam gerar um aumento na competitividade da organização, sendo que busca, simultaneamente, melhorar as condições econômicas e sociais nos locais ou comunidades em que atuam. Com o título de “A Grande Ideia”, Porter e Kramer lançaram a Criação de Valor Compartilhado (CVC) no ano de 2011. Segundo Medeiros et al. (2016), a criação de valor compartilhado (CVC) poderia substituir a responsabilidade social empresarial (CSR) para orientar os investimentos das empresas em suas comunidades. Os programas de CSR focam principalmente na reputação das empresas e têm uma pequena conexão com o negócio, sendo difícil de ser justificado e mantido a longo prazo. A CVC gera a necessidade de atitudes de sustentabilidade de maneira programada, estando alinhadas com a estratégia corporativa. O enfrentamento de problemas internos das organizações, como desperdício de energia e matéria- prima e a necessidade de treinamento de seus colaboradores que visam compensar deficiências na educação, em vez de gerar um momento nos custos da organização, faz com que ela tenha um crescimento, visto que, para superar esses obstáculos, existe a necessidade de aderir a novas tecnologias e métodos de gestão que visem aumentar a sua produtividade e, consequentemente, aumentem a possibilidade de expandir o seu mercado. A solução está no princípio do valor compartilhado, que envolve a geração de valor econômico de forma a criar também valor para a sociedade (com o enfrentamento de suas necessidades e desafios). É preciso reconectar o sucesso da empresa ao progresso social. Valor compartilhado não é responsabilidade social, filantropia ou mesmo sustentabilidade, mas uma nova forma de obter sucesso econômico. Não é algo na periferia daquilo que a empresa faz, mas no centro. E, a nosso ver, pode desencadear a próxima grande transformação no pensamento administrativo. (Porter; Kramer, 2011, p. 2). O conceito de valor compartilhado identifica necessidades importantes da sociedade, e não somente as necessidades econômicas convencionais, ao passo que as deficiências sociais costumeiramente geram custos internos para as organizações, portanto busca focar em uma abordagem de redistribuição. Um bom exemplo dessa diferença de perspectiva é o movimento “fair trade” no comércio. A meta do fair trade é aumentar a parcela de receita que vai para agricultores de baixa renda com o pagamento de um preço mais elevado pelos mesmos produtos.Embora o sentimento possa ser nobre, o comércio justo tem a ver basicamente com redistribuição, não 13 com a expansão do bolo total de valor gerado. Já a perspectiva do valor compartilhado se concentra em melhorar técnicas de cultivo e fortalecer o cluster local de fornecedores e outras instituições de apoio, a fim de aumentar a eficiência, o rendimento, a qualidade e a sustentabilidade das lavouras. Isso leva a um bolo maior de receita e lucro que benefício tanto o lavrador como a empresa que compra dele. (Porter; Kramer, 2011, p. 4) O valor compartilhado gera uma grande possibilidade de inovação e crescimento nas organizações, concentrando-se nos benefícios para a sociedade. A partir do momento em que as organizações passem a buscar o valor compartilhado em suas atividades, os interesses da sociedade também são atingidos, fazendo com que a organização tenha legitimidade, na visão das comunidades em que atuam. 14 REFERÊNCIAS CAMPOS, L. M. S. et al. Relatório de sustentabilidade: perfil das organizações brasileiras e estrangeiras segundo o padrão da Global Reporting Initiative. Gestão & Produção, São Carlos, v. 20, n. 4, p. 913-926, 2013. CORREA, R. et al. Evolução dos níveis de aplicação de relatórios de sustentabilidade (GRI) de empresas do ISE/Bovespa. Sociedade, Contabilidade e Gestão, Rio de Janeiro, v. 7, n. 2, jul./dez. 2012. DALMORO, M.; VENTURINI, J. C.; PEREIRA, B. A. D. Marketing Verde: responsabilidade social e ambiental integradas na envolvente de marketing. Revista Brasileira de Gestão de Negócios, São Paulo. v. 11. n. 30. jan./mar., 2009. DAUB, C.-H. Assessing the quality of sustainability reporting: an alternative methodological approach. 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Acesso em: 256 ago. 2021. LOVATO, M. L. Greenwashing no Brasil: quando a sustentabilidade ambiental se resume a um rótulo. Revista Eletrônica do Curso de Direito da UFSM. v. 8. 2013. 15 MEDEIROS, H. S. et al. Criação de valor compartilhado: um novo olhar sobre as organizações? Revista Brasileira de Administração Científica, v. 7, n. 1, jan.- mar. 2016. PEATTIE, K.; CHARTER, M. Green marketing. In: BAKER, M. (Ed.). The marketing book. Gran Britannia: Butter Wealth, 2003. SHETH, J; PARVATIYAR, A. Ecological imperatives an the role of marketing. In. POLONSKY, M.; MINTU-WINSATT, A. (org). Environmental marketing: strategies, practice, theory and research. New York: The Haworth Press, 1995. XAVIER, R. N.; CHICONATTO, P. O rumo do marketing verde nas organizações: conceito, oportunidades e limitações. Revista Capital Científico, v. 12, n. 1, jan.- mar., 2014.