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Práticas pedagógicas em instituições não escolares
A educação não escolar na 
legislação brasileira de educação
Objetivos de aprendizagem
Ao término desta aula, vocês serão capazes de:
• reconhecer o posicionamento da educação não formal na legislação brasileira;
• identificar e interpretar determinados contextos específicos de educação não formal na legislação.
Olá, sejam bem-vindos(as) à aula 2!
Nesse momento, vocês terão a oportunidade de refletir sobre 
o enquadramento da educação não formal na legislação do Brasil.
Vários conceitos serão utilizados para que sua aprendizagem 
seja completa e efetiva. Por essa razão, solicitamos não apenas sua 
atenção, mas também um tempo de dedicação e pesquisa para o 
conteúdo a ser aprendido.
É importante ainda, ter em mente que o segredo do sucesso em 
um curso na modalidade EaD é participar, ou seja, interagir procurando 
sempre cooperar com seus professores e colegas de curso.
Pense nisso!
Bons estudos!
2º Aula
19
1 - Breve introdução sobre a regulamentação da educação 
não formal
2 - A educação não formal na legislação da educação 
brasileira
3 - Alguns contextos específicos de educação não formal 
na legislação
1 - Breve introdução sobre a 
regulamentação da educação não 
formal
Para iniciar nossas reflexões sobre o posicionamento da 
educação não escolar na Legislação Brasileira de Educação, 
primeiro, vamos reconhecer que, como afirma Gohn 
(2010, p. 36) a educação não formal não é composta pela 
mesma ênfase de formalidade que a educação formal e/ou 
escolar, embora ela também tem objetivos intencionalmente 
definidos e planejamento suas ações educacionais, as quais 
podem ser inseridas em diferentes contextos, tais como: “nas 
organizações sociais, nos movimentos sociais, nas associações 
comunitárias, nos programas de formação sobre direitos 
humanos, cidadania e lutas contra as desigualdades e exclusões 
sociais”. 
Se voltarmos nossa atenção para a história brasileira, 
veremos até meados do ano de 1980, a educação não formal, 
de forma geral, foi constantemente considerada pelos 
educadores e pelas políticas públicas, como um âmbito de 
segunda importância (GOHN, 2010). 
Entretanto, partindo da década de 80, esse cenário 
começou a mudar com a regulamentação de leis que passaram 
a normatizar as atividades ligadas à educação social. 
Na década de 90, a educação não formal passa a 
demonstrar um destaque relevante, especialmente em 
decorrência das mudanças no setor econômico, social e no 
mundo do trabalho. Nesse momento, os processos de ensino-
aprendizagem dos grupos são valorados e os valores culturais 
que articulam as ações dos indivíduos ganham relevância 
cada vez maior. “Passou-se ainda a falar de uma nova cultura 
organizacional que, em geral, exige a aprendizagem de 
habilidades extra-escolares” (GOHN, 2008, p. 92). 
Nesta perspectiva, segundo Souza (2013), a educação não 
formal começa a figurar, de forma alternativa, em diferentes 
ambientes e espaços, caracterizando-se como educação não 
formal por se encontrar no lado externo das instituições 
escolares, apresentando um carácter lúdico, cultural e artístico, 
tornando-se, devido a estas características, motivante para o 
seu público-alvo, especialmente no que se refere às crianças e 
aos adolescentes.
PARA REFLETIR
Pense sobre a seguinte afirmação: “a educação do homem começa no 
momento do seu nascimento; antes de falar, antes de entender, já se 
instrui” (Jean Jacques Rousseau). Você concorda com ela? Por que?
Seções de estudo
E então, vamos iniciar efetivamente o estudo sobre a configuração legal 
da educação não formal? Caso tenha dúvidas no decorrer dos estudos, 
acesse o ambiente virtual e utilize as ferramentas indicadas para interagir 
com seus colegas de curso e com seu professor. 
Passemos, agora, ao estudo da Seção 2!
2 - A educação não formal na 
legislação da educação brasileira
Iniciemos pela Constituição Federal de 1988, nela, a 
partir da Redação dada pela Emenda Constitucional n. 64 de 
2010, a educação é entendida como um direito de todos:
Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, 
a alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, 
a segurança, a previdência social, a proteção 
à maternidade e à infância, a assistência aos 
desamparados, na forma desta Constituição 
(BRASIL, 2013a, grifo nosso). 
No capítulo III da Constituição Federal - Seção I “da 
educação”: 
Art. 205. A educação, direito de todos e dever 
do Estado e da família, será promovida e 
incentivada com a colaboração da sociedade, 
visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, 
seu preparo para o exercício da cidadania e sua 
qualificação para o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base 
nos seguintes princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e 
permanência na escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e 
divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções 
pedagógicas [...] (BRASIL, 2013a).
Vale salientar que, a educação e o acesso a ela na 
perspectiva da política social, não é entendida como um 
direito de alguns, mas um direito social, de todos! 
Mourão (2012) nos ensina que os direitos sociais, como 
direitos fundamentais do homem, tratam-se de prestações 
positivas estatais, enunciadas em normas constitucionais, as 
quais podem fomentar condições de vida mais favoráveis aos 
menos favorecidos, na tentativa de proporcionar isonomia 
nas situações sociais.
Observe que a Constituição Federal de 1988, ao passo 
que garantiu a Educação assumida como direito público 
e subjetivo, também assumiu uma concepção de gestão 
democrática como inovação trazida no bojo da democratização 
e organização da sociedade civil.
Na década de 90, surgiram regulamentações legais que 
trazem e/ou sugerem a educação não formal em seu escopo, 
agindo como instrumentos para legalização e legitimação da 
participação da sociedade civil na educação dentre os quais, 
destacam-se:
a) o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990);
b) a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (1996);
20Práticas pedagógicas em instituições não escolares
c) a Lei das Organizações da Sociedade Civil de 
Interesse Público – OSCIP (1999). 
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) 
trata sobre o acesso à educação, dentre outros requisitos, 
possibilitando abertura para as iniciativas complementares/
suplementares à escola, oferecidas em parte significativa em 
organizações não governamentais. 
Art. 4º É dever da família, da comunidade, 
da sociedade em geral e do poder público 
assegurar, com absoluta prioridade, a 
efetivação dos direitos referentes à vida, à 
saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, 
ao lazer, à profissionalização, à cultura, 
à dignidade, ao respeito, à liberdade e à 
convivência familiar e comunitária.
Parágrafo único. A garantia de prioridade 
compreende: [...] c) preferência na formulação 
e na execução das políticas sociais públicas; d) 
destinação privilegiada de recursos públicos 
nas áreas relacionadas com a proteção à 
infância e à juventude (BRASIL, 2013b, grifo 
nosso).
Inspirado na Constituição Federal de 1988, o ECA (Estatuto da Criança e 
do Adolescente) trata-se de um agrupamento de regras do ordenamento 
jurídico brasileiro que tem como meta prima a proteção integral da criança 
e do adolescente. Ele foi regulamentado pela Lei 8.069 no dia 13 de julho 
de 1990.
Ainda no ECA, traz em seu escopo, outros excertos 
importantes que se referem aos direitos do adolescente e da 
criança, qual seja: 
Art. 68. O programa social que tenha por base 
o trabalho educativo, sob responsabilidade de 
entidade governamental ou não governamental 
sem fins lucrativos, deverá assegurar ao 
adolescente que dele participe condições 
de capacitação para o exercício de atividade 
regular remunerada.
§ 1º Entende-se por trabalho educativo 
a atividade laboral em que as exigências 
pedagógicas relativas ao desenvolvimento 
pessoal e social do educando prevalecem 
sobre o aspecto produtivo.
§ 2º A remuneração que o adolescenterecebe 
pelo trabalho efetuado ou a participação 
na venda dos produtos de seu trabalho não 
desfigura o caráter educativo (BRASIL b, 
2013).
Como podemos observar, o ECA influenciou 
fortemente tanto social quanto culturalmente os 
pressupostos da Constituição Federal relacionados à 
criança e ao adolescente. Após a regulamentação do ECA, 
aumentou o número de organizações governamentais e não 
governamentais criadas com objetivos de atender crianças e 
adolescentes, especialmente para atendimento nos horários 
diferentes do turno escolar, propondo e desenvolvendo ações 
socioeducativas no eixo da educação não formal.
Em 1996, foi promulgada a nova Lei de Diretrizes e 
Bases da Educação Nacional (LDB), a qual foi a primeira 
legislação da educação que explicitou uma definição de 
educação que engloba, além do âmbito formal, os processos 
educacionais que acontecem em outros espaços/ambientes.
ATENÇÃO
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) regulamenta e normatiza 
o sistema educacional do Brasil, inspirada nos pressupostos da 
Constituição Federal. A versão inicial desta legislação foi criada no ano 
de 1961; Em 1971, foi promulgada a segunda versão que vigorou até a 
promulgação da mais recente LDB, em 1996. A LDB (Lei 9394/96) atual 
se baseia-se no “princípio do direito universal à educação para todos, a 
LDB de 1996 trouxe diversas mudanças em relação às leis anteriores, 
como a inclusão da educação infantil (creches e pré-escolas) como 
primeira etapa da educação básica” (AMORIN, 2013, p. 1).
Vejamos o que a LDB preconiza sobre a educação:
Art. 1º. A educação abrange os processos 
formativos que se desenvolvem na vida 
familiar, na convivência humana, no trabalho, 
nas instituições de ensino e pesquisa, nos 
movimentos sociais e organizações da 
sociedade civil e nas manifestações culturais 
(BRASIL, 2013c).
Note que a LDB, assim como o ECA, também atribui 
valor as iniciativas formativas extraescolares, vinculando-a à 
educação escolar, ao trabalho e às práticas sociais. 
Nessa perspectiva, Príncepe e Diamente (2006) chama 
a atenção para o fato de que a LDB enseja um contexto 
de importantes reflexões que culminam na ampliação do 
definição de educação, o qual começa a transpor os limites 
da escola e, portanto, de uma dimensão se estrutura: a da 
educação não formal.
Ela aborda processos educativos que ocorrem 
fora das escolas, em processos organizativos da 
sociedade civil, ao redor de ações coletivas do 
chamado terceiro setor da sociedade, abrang 
endo movimentos sociais, ONGs e outras 
entidades sem fins lucrativos que atuam na 
área social; ou processos educacionais frutos 
da articulação das escolas com a comunidade 
educativa, via conselhos, colegiados etc. 
(GOHN, 2008, p. 7).
Em outros termos, a instituição formal de ensino perde 
o status de espaço hegemônico de educação e da formação 
do ser humano, uma vez que o conhecimento começa a 
ser construído em outros ambientes/espaços, de maneiras 
alternativas e com objetivos variados.
A LDB ensejou a vivência aproximada de experiências 
sociais nos alunos com o intento de fomentar e desenvolver 
uma formação socioeducativa mais profunda. 
Torres (1995, p. 6) entende ser relevante:
[...] Oferecer às crianças e aos jovens 
conhecimentos que lhes possam ser úteis na 
21
vida adulta, considerando-se, sobretudo que, 
para muitos, a educação básica será a única à 
qual eles terão acesso. 
Para a autora, a educação precisa estar voltada para 
o atendimento das demandas do local, da comunidade ou 
da região, sem a possibilidade de desenvolvimento de uma 
atuação completamente homogênea. 
Ademais, é relevante separar e reconhecer as diferenças 
entre necessidades individuais e sociais, pois se partirmos 
do pressuposto que o conhecimento pode servir à ação 
social, nesse âmbito, ele precisa atender as demandas sociais, 
também! 
Nesta perspectiva, entenderemos liberdade como a 
não fixação de tempo e espaço, a adaptação de conteúdos 
às necessidades de cada contexto. Sobre esta questão, 
Carmo (2013) ratifica o viés de promotora de socialização e 
solidariedade, as relações pouco formais e hierarquizadas não 
indicam uma desorganização ou falta de estrutura no campo 
da educação não formal, pelo contrário, definem sua forma 
de atuação.
Vale observar ainda que, a partir da Constituição de 
1988 e da nova LDB foi ampliada a quantidade de atores e 
o conceito de educação, intensificando a participação de 
organizações não governamentais na educação (CARMO, 
2013). 
Outro documento no qual a educação não formal tem 
seu espaço é o Relatório da Comissão Internacional sobre Educação 
para o Século XXI da Unesco (DELORS, 2001), o qual teve 
sua origem em meio a um contexto de dúvidas e hesitações 
acerca dos rumos, necessidades e potenciais da educação 
contemporânea (RODRIGUES, 2013).
SABER MAIS
Para ampliar seus conhecimentos, acesse o Relatório da Comissão 
Internacional sobre Educação para o Século XXI, cuja referência, segue: 
DELORS, Jacques et al. Educação: um tesouro a descobrir - Relatório 
para Unesco da Comissão Internacional sobre Educação para o Século 
XXI. Paris: Unesco, 2001. Disponível em: http://unesdoc.unesco.org/
images/0010/001095/109590por.pdf. Acesso em: 18 maio 2013.
Este documento preconiza que a educação do Século 
XXI tem como fundamento, quatro pilares básicos (DELORS, 
2001): 
a) aprender a Conhecer;
b) aprender a Viver Juntos;
c) aprender a Fazer;
d) aprender a Ser. 
Vale que o Relatório da Comissão Internacional sobre Educação 
para o Século XXI proporcionou uma reflexão sobre a 
necessidade de se reestruturar o sistema de ensino, para torná-
lo capaz de atender as novas demandas da sociedade. 
Vejamos alguns de seus pressupostos:
O conceito de educação ao longo da vida é a 
chave que abre as portas do século XXI; ele 
elimina a distinção tradicional entre educação 
formal inicial e educação permanente. Além 
disso, converge em direção a outro conceito, 
proposto com frequência: o da “sociedade 
educativa” na qual tudo pode ser uma 
oportunidade para aprender e desenvolver os 
talentos.
Sob essa nova perspectiva, a educação 
permanente é concebida como algo que 
vai muito mais além do que já se pratica, 
especialmente nos países desenvolvidos, 
a saber: as iniciativas de atualização, 
reciclagem e conversão, além da promoção 
profissional, dos adultos. Ela deve abrir as 
possibilidades da educação a todos, com 
vários objetivos: oferecer uma segunda ou 
terceira oportunidade; dar resposta à sede 
de conhecimento, de beleza ou de superação 
de si mesmo; ou, ainda, aprimorar e ampliar 
as formações estritamente associadas às 
exigências da vida profissional, incluindo as 
formações práticas (DELORS, 2001, p. 32).
Delors (2001) ainda defende que seria necessária 
a utilização de tecnologias, para fomentar e alimentar a 
construção contínua dos conhecimentos, levando em conta 
o lugar e a função da educação, na perspectiva de que ela seja 
prolongada ao longo da vida. 
Assim, este documento amplia o campo da educação 
para dimensões que vão além da escola, redefinindo as 
necessidades básicas de aprendizagem, as quais passam a 
abranger conteúdos teóricos e práticos, valores e atitudes 
para viver, sobreviver e desenvolver as capacidades humanas 
(RODRIGUES, 2013). 
Neste caso, a “Educação para Todos” é refletida a partir 
de uma indispensável perspectiva abrangente que perpassa 
os recursos, estruturas institucionais, currículos e sistemas 
convencionais de ensino: dando lugar/espaço para a educação 
não escolar ou não formal. 
Prosseguindo, em nossa construção pelo saber sobre 
o posicionamento da educação não formal na legislação 
brasileira, passaremos ao PNE – Plano Nacional de Educação.
O Plano Nacional de Educação (PNE) foi regulamentado para vigorar de 
2011 a 2020, apresentando dez diretrizes objetivas e 20 metas, seguidas 
das estratégias específicas de concretização. “O texto prevê formas de 
a sociedade monitorar e cobrar cada uma das conquistas previstas. As 
metasseguem o modelo de visão sistêmica da educação estabelecido 
em 2007 com a criação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). 
Tanto as metas quanto as estratégias premiam iniciativas para todos os 
níveis, modalidades e etapas educacionais. Além disso, há estratégias 
específicas para a inclusão de minorias, como alunos com deficiência, 
indígenas, quilombolas, estudantes do campo e alunos em regime de 
liberdade assistida” (BRASIL, 2013d).
O PNE propõe no que se refere ao campos da educação 
dos brasileiros, dois tipos de formação: 
a) a formal: cujo acesso se dá por meio de instituições 
especializadas;
b) a não formal: adquirida por meios diversos, 
inclusive no trabalho. 
22Práticas pedagógicas em instituições não escolares
Sobre esta questão, vejamos os pressupostos do PNE 
(BRASIL, 2013d, p. 29 e 34, grifo nosso), ao firmar que, sobre 
a educação no Brasil, é preciso: 
[...] Mobilizar as famílias e setores da sociedade 
civil, articulando a educação formal com 
experiências de educação popular e 
cidadã, com os propósitos de que a educação 
seja assumida como responsabilidade de 
todos e de ampliar o controle social sobre 
o cumprimento das políticas públicas 
educacionais;
Ademais, o PNE propõe um sistema flexível para 
reconhecer créditos das modalidades, os quais podem ser 
adquiridos tanto na educação formal, quanto na não formal; 
permitindo, assim a certificação de competências adquiridas 
por meios não formais de educação profissionalizante. Vale 
lembrar que a educação profissional tem sua responsabilidade 
compartilhada na mesma proporção pelo setor educacional, 
pelo Ministério do Trabalho, pelas secretarias do trabalho, 
pelos serviços sociais do comércio, da agricultura e da indústria 
e pelos sistemas nacionais de aprendizagem (PARDAL; 
VENTURA; DIAS, 2013; KRUMPFER, 2007). 
O PNE defendeu ainda que os recursos para a educação 
profissional podem vir, portanto, de diversas fontes, sendo 
indispensável contar com recursos da iniciativa privada 
para financiar a qualificação de seus colaboradores, como 
acontece nos países desenvolvidos, ou seja, em síntese, a 
política de educação profissional é, portanto, tarefa que exige 
a colaboração de múltiplas instâncias do Poder Público e da 
sociedade civil (BRASIL, 2013d).
Vale lembrar aqui que, a noção de atendimento às 
necessidades individuais e sociais demanda de uma percepção 
ampliada de educação, na qual é indispensável que tanto as 
necessidades básicas de aprendizagem satisfeitas, quanto a 
realização de uma abordagem das questões sociais de maneira 
coletiva (BRASIL, 2013j). 
Aqui, com referência nas ideias de Machado (2008), se 
reconhece ainda a necessidade de nos preocuparmos com 
temas como a cultura, percebemos que, se ampliarmos a 
compreensão da educação, para além dos espaços formais de 
ensino precisamos, também, valorizar a problematização da 
vida social, da vida humana. Assim, a educação para o uso 
adequado e consciente dos meios de comunicação e para a 
promoção da cidadania, devem ser uma proposta didático-
prática de atuação e intervenção. 
Com vistas a uma compreensão mais profunda sobre o 
posicionamento da educação formal no PNE, vejamos alguns 
de seus objetivos e metas, a ela relacionados (BRASIL, 2013d, 
grifo nosso): 
1. Estabelecer, dentro de dois anos, um 
sistema integrado de informações, em parceria 
com agências governamentais e instituições 
privadas, que oriente a política educacional 
para satisfazer as necessidades de formação 
inicial e continuada da força de trabalho.
[...] 4. Integrar a oferta de cursos básicos 
profissionais, sempre que possível, com a 
oferta de programas que permitam aos alunos 
que não concluíram o ensino fundamental 
obter formação equivalente.
[...] 6. Mobilizar, articular e ampliar a capacidade 
instalada na rede de instituições de educação 
profissional, de modo a triplicar, a cada cinco 
anos, a oferta de educação profissional 
permanente para a população em idade 
produtiva e que precisa se readaptar às 
novas exigências e perspectivas do mercado 
de trabalho.
7. Modificar, dentro de um ano, as normas 
atuais que regulamentam a formação de pessoal 
docente para essa modalidade de ensino, 
de forma a aproveitar e valorizar a experiência 
profissional dos formadores.
8. Estabelecer, com a colaboração entre o 
Ministério da Educação, o Ministério do Trabalho, 
as universidades, os CEFETs, as escolas técnicas 
de nível superior, os serviços nacionais 
de aprendizagem e a iniciativa privada, 
programas de formação de formadores para a 
educação tecnológica e formação profissional.
[...] 10. Estabelecer parcerias entre os sistemas 
federal, estaduais e municipais e a iniciativa 
privada, para ampliar e incentivar a oferta de 
educação profissional.
11. Incentivar, por meio de recursos públicos 
e privados, a produção de programas de 
educação a distância que ampliem as 
possibilidades de educação profissional 
permanente para toda a população 
economicamente ativa.
[...] 14. Estimular permanentemente o uso 
das estruturas públicas e privadas não só 
para os cursos regulares, mas também 
para o treinamento e retreinamento de 
trabalhadores com vistas a inseri-los no 
mercado de trabalho com mais condições 
de competitividade e produtividade, 
possibilitando a elevação de seu nível 
educacional, técnico e de renda.
15. Observar as metas estabelecidas nos demais 
capítulos referentes à educação tecnológica e 
formação profissional. 
Como podemos ver, a educação formal assegura, de 
forma implícita e explícita, seu espaço como um recurso 
importante pra atender as demandas da sociedade na 
formação de seus indivíduos. 
Uma questão que chama nossa atenção, refere-se ao 
fato de que, como observa Machado (2009), não verificamos 
a participação de educadores com habilitação específica 
na elaboração de projetos. Desse modo, figuram na área 
socioeducativa, além de pedagogos, profissionais como 
voluntários, de diferentes áreas e com diferentes níveis de 
formação, sem exigência de qualificação específica e/ou 
mínima, o que, por conseguinte, tem resultado em falta de 
compromisso com os resultados obtidos. 
Machado (2009) ainda explica que essa falta de 
parâmetros, coexiste em um contexto contraditório dentro 
da educação não formal, no qual, acontecem projetos 
23
e experiências socioeducativos que são reconhecidos 
como referência na área, ao mesmo tempo em que se 
verificam projetos precários desde a concepção e formas de 
implementação até os resultados alcançados. 
De formal ampla, as práticas bem sucedidas 
conotam compromissos sociais, baseados em concepção 
transformadora da realidade e uma capacidade de busca 
individual ou institucional sobre novas alternativas de trabalho 
sociopedagógico (MACHADO, 2009).
Além disso, uma pesquisa com pedagogos que atuam na 
área socioeducativa evidenciou falta de referências teórico-
práticas específicas para este âmbito, fazendo que a atividade 
pedagógica realizada se aproxima das práticas das instituições 
formais de ensino (MACHADO, 2008).
PARA REFLETIR
Por que não é recomendável a realização das práticas típicas da educação 
formal, nos espaços não formais de ensino? Pense nisso...
O autor mencionado acima aponta que a carência de 
conhecimentos específicos sobre a educação não formal e 
suas possibilidades educacionais também tem sido observada 
no planejamento e na execução dos projetos socioeducativos, 
na formação profissional de gestores e colaboradores dos 
referidos projetos, nas informações e nos conhecimentos 
reais sobre o público-alvo, nas políticas específicas referentes 
à criança, ao adolescente, ao trabalhador, ao idoso e a outros 
públicos, nas questões relacionadas ao meio ambiente e à 
sustentabilidade, na avaliação dos resultados e na apropriação 
desses resultados da avaliação para os novos projetos. 
Entende-se, aqui, que a ausência de referências específicas 
sobre a educação não formal e suas especificidades tem 
figurado como reflexo da inexpressiva importância de temassocioeducativos nas políticas públicas.
Com a compreensão do contexto geral sobre o posicionamento 
da educação não formal na legislação brasileira, na próxima seção, 
estudaremos alguns contextos específicos de regulamentação de 
educação não formal.
3 - Alguns contextos específicos de 
educação não formal na legislação
Vejamos, a partir de agora, algumas legislações 
específicas para a educação não formal, retomando, como 
exemplo, algumas de suas áreas de atuação, tais como os 
direitos humanos, a educação profissional, a educação 
ambiental não formal, a educação para o desporto não formal 
etc. 
3.1 - Educação não formal sobre 
direitos humanos
Em 2009, foi promulgado o decreto n. 7.037, de 21 de 
dezembro de 2009, o qual, dentre outras providências, aprova 
o Programa Nacional de Direitos Humanos. Este documento 
aponta como uma das diretrizes do referido programa o 
“reconhecimento da educação não formal como espaço de 
defesa e promoção dos Direitos Humanos” (BRASIL, 2013i).
PARA REFLETIR
Na sua opinião, que práticas fariam da educação não formal, um 
efetivo espaço de defesa e promoção dos Direitos Humanos?
Segundo o referido documento, a educação não formal 
em Direitos Humanos precisa inspirar-se nos princípios de 
emancipação e autonomia para posicionar-se como um 
processo de reflexão e construção da consciência crítica. 
A inclusão da educação não formal em Direitos 
Humanos foi pensada especialmente para inserção 
em projetos que objetivam preparar e capacitar líderes 
comunitários, qualificar trabalhadores, alfabetizar jovens e 
adultos etc. Assim, entende-se que a educação não formal 
de direitos humanos precisa voltar-se para a construção de 
diálogo e de parcerias permanentes com a imensa quantidade 
de movimentos populares, dentre os quais destacamos: as 
instituições religiosas, os sindicatos, as ONGs, as OSCIP, 
os clubes, as entidades empresariais e outros segmentos da 
sociedade civil que realizam ações formativas em seu dia a dia.
De acordo com o decreto n. 7.037, a diretriz 20, a qual 
inclui a educação não formal como um espaço para formação 
em relação aos direitos humanos, apresenta como objetivos 
estratégicos: 
Objetivo Estratégico I:
Inclusão da temática da educação em 
Direitos Humanos na educação não 
formal.
Ações programáticas:
 a) Fomentar a inclusão da temática de 
Direitos Humanos na educação não formal, 
nos programas de qualificação profissional, 
alfabetização de jovens e adultos, extensão 
rural, educação social comunitária e de cultura 
popular.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; 
Ministério do Desenvolvimento Agrário; 
Secretaria Especial de Políticas de Promoção 
da Igualdade Racial da Presidência da 
República; Ministério da Cultura; Secretaria 
Especial de Políticas para as Mulheres da 
Presidência da República
b) Apoiar iniciativas de educação popular 
em Direitos Humanos desenvolvidas por 
organizações comunitárias, movimentos 
sociais, organizações não governamentais e 
outros agentes organizados da sociedade civil.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; 
Secretaria Especial de Políticas de Promoção 
da Igualdade Racial da Presidência da 
República; Secretaria Especial de Políticas 
para as Mulheres da Presidência da República; 
Ministério da Cultura; Ministério da Justiça
c) Apoiar e promover a capacitação de agentes 
multiplicadores para atuarem em projetos de 
educação em Direitos Humanos.
Responsável: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República.
d) Apoiar e desenvolver programas de formação 
em comunicação e Direitos Humanos para 
comunicadores comunitários.
24Práticas pedagógicas em instituições não escolares
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; 
Ministério das Comunicações; Ministério da 
Cultura
e) Desenvolver iniciativas que levem a 
incorporar a temática da educação em Direitos 
Humanos nos programas de inclusão digital e 
de educação à distância.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; 
Ministério da Educação; Ministério das 
Comunicações; Ministério de Ciência e 
Tecnologia
f) Apoiar a incorporação da temática da educação 
em Direitos Humanos nos programas e projetos 
de esporte, lazer e cultura como instrumentos de 
inclusão social.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; Ministério 
da Educação; Ministério da Cultura; Ministério do 
Esporte.
g) Fortalecer experiências alternativas de 
educação para os adolescentes, bem como 
para monitores e profissionais do sistema de 
execução de medidas socioeducativas.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; 
Ministério da Educação; Ministério da Justiça
Objetivo estratégico II:
Resgate da memória por meio da 
reconstrução da história dos movimentos 
sociais.
 Ações programáticas:
a) Promover campanhas e pesquisas sobre 
a história dos movimentos de grupos 
historicamente vulnerabilizados, tais como o 
segmento LGBT, movimentos de mulheres, 
quebradeiras de coco, castanheiras, ciganos, 
entre outros.
Responsáveis: Secretaria Especial dos Direitos 
Humanos da Presidência da República; Secretaria 
Especial de Políticas para as Mulheres da 
Presidência da República 
b) Apoiar iniciativas para a criação de museus 
voltados ao resgate da cultura e da história dos 
movimentos sociais.
Responsáveis: Ministério da Cultura; Secretaria 
Especial dos Direitos Humanos da Presidência 
da República (BRASIL, 2013i, grifo nosso). 
Passemos, a seguir, ao estudo sobre a educação não 
formal para o mundo do trabalho!
3.2 - Educação não formal 
profissional
 
Educação profissional pode acontecer a partir dos 
âmbitos formal e não formal da educação.
VOCÊ SABIA
“O trabalho como princípio educativo não é apenas uma técnica didática 
ou metodológica no processo de aprendizagem, mas também um 
princípio ético-político” (FRIGOTTO, 2000, p. 343)? Pense nisso...
O Capítulo III do Título V (Dos níveis e das modalidades 
de educação e ensino) da LDB é dedicado em sua totalidade à 
educação profissional, reconhecendo-a, mesmo no que 
se refere ao âmbito não formal, como parte integrante do 
sistema educacional brasileiro. 
Assim, a educação profissional não formal passou a 
figurar não apenas no que se refere aos cursos técnicos de 
nível médio ou aos cursos de graduação, mas também na 
atualização permanente, na qualificação, a requalificação, a 
reprofissionalização de profissionais de diferentes níveis de 
escolaridade (BRASIL, 2013c). 
Em síntese, a LDB regulamenta a educação profissional 
em sua totalidade (incluindo a educação não formal), 
integrando os tipos de ensino que ligados à educação formal, 
à qualificação permanente para as atividades produtivas, 
mais desenvolvidas no âmbito da educação não formal. 
Vale salientar que, embora a lei não o explicite, a educação 
profissional, nesse contexto, é tratada como um subsistema 
de ensino (BERGER FILHO, 1999).
Outra questão que merece destaque, trata-se da redação 
do capítulo 39 da LDB, o qual refere-se ao tema “educação 
permanente”. Nele, a educação profissional precisa 
encaminhar para um “permanente desenvolvimento de 
aptidões para a vida produtiva”. Neste ínterim, ele destaca a 
relação entre educação escolar e processos formativos, quando 
faz referência à integração entre a educação profissional e as 
“diferentes formas de educação”, o trabalho, a ciência e a 
tecnologia (BERGER, 1999; BRASIL, 2013c). 
Berger (1999) nos relembra que a LDB introduz o caráter 
complementar, ou seja, não formal da educação profissional, 
ampliando seu locus para além das instituições formais de 
ensino, permitindo reconhecer e certificar as competências 
adquiridas nos ambientes/espaços não formais de ensino, seja 
para prosseguir estudos ou para titular-se, de forma inovadora 
em relação à antiga legislação.
ATENÇÃO!!!
Antes de continuarmos tratandosobre a educação não formal para o 
trabalho, é importante sabermos que os profissionais, sejam homens 
ou mulheres, produzam e construam conhecimentos socialmente 
úteis à sua classe, rompendo com a forma capitalista de produção, 
especialmente a do próprio conhecimento, reduzindo a importância do 
mercado (capital) por meio da articulação do espaço possível, necessário 
e existente entre educação e trabalho (FRANCO, MOLON, 2008).
Vejamos os decretos que regulamentaram a educação 
profissional não formal, a partir dos pressupostos da LDB.
Para começar, seguem os pressupostos do decreto n. 
2.208, de 17 de abril de 1997, ao tratar sobre a educação 
profissional não formal:
Art 4 º A educação profissional de nível 
básico é modalidade de educação não formal 
e duração variável, destinada a proporcionar 
ao cidadão trabalhador conhecimentos que 
lhe permitam reprofissionalizar-se, qualificar-
se e atualizar-se para o exercício de funções 
demandadas pelo mundo do trabalho, 
compatíveis com a complexidade tecnológica do 
25
trabalho, o seu grau de conhecimento técnico e 
o nível de escolaridade do aluno, não estando 
sujeita à regulamentação curricular. 
 § 1º As instituições federais e as instituições 
públicas e privadas sem fins lucrativos, 
apoiadas financeiramente pelo Poder Público, 
que ministram educação profissional deverão, 
obrigatoriamente, oferecer cursos profissionais 
de nível básico em sua programação [...] 
aos trabalhadores com qualquer nível de 
escolaridade. 
§ 2 º Aos que concluírem os cursos de educação 
profissional de nível básico será conferido 
certificado de qualificação profissional 
(BRASIL, 2013e, grifo nosso). 
Verificamos aqui que há regularização das práticas da 
educação não formal, incluindo a legalidade da certificação 
de suas práticas e projetos educacionais. 
Esta legalização se ratifica no decreto n. 5.154 de 23 de 
julho de 2004, o qual regulamenta que: 
Art. 1º A educação profissional, prevista no 
art. 39 da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 
1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional), observadas as diretrizes curriculares 
nacionais definidas pelo Conselho Nacional 
de Educação, será desenvolvida por meio de 
cursos e programas de:
I - formação inicial e continuada de 
trabalhadores; [...]
Art. 2º A educação profissional observará as 
seguintes premissas:
I - organização, por áreas profissionais, em 
função da estrutura sócio-ocupacional e 
tecnológica;
II - articulação de esforços das áreas da 
educação, do trabalho e emprego, e da ciência 
e tecnologia.
Art. 3 - § 2º Os cursos mencionados no caput 
articular-se-ão, preferencialmente, com os cursos 
de educação de jovens e adultos, objetivando 
a qualificação para o trabalho [...], o qual, após a 
conclusão com aproveitamento dos referidos 
cursos, fará jus a certificados de formação inicial 
ou continuada para o trabalho (BRASIL, 2013f).
Finalmente, ressalvamos a importância da educação não 
formal para o mundo do trabalho, integrar-se, complementar 
ou ser complementada pela educação formal, especialmente 
no que se referem aos níveis básicos, nos quais o discente/
profissional pode até não deter determinada escolaridade 
obrigatória mínima solicitada apara dada profissão; assim, a 
educação não formal, além de formá-lo para o mundo do 
trabalho, pode servir de ponte para estimulá-lo a concluir o 
ensino fundamental ou o ensino médio, regular ou supletivo.
Para facilitar ainda mais sua aprendizagem, sugerimos que realize um 
resumo sobre os temas tratados em cada Aula e leia-o em voz alta, 
utilizando um celular, o computador ou outros equipamentos com 
gravadores de áudio para gravar sua leitura. Outra dica é que procure 
escutar suas gravações periodicamente, especialmente, assim que 
acorda ou antes de dormir, momentos mais propícios, segundo as 
neurociências, uma vez que sua mente estará menos envolvida com 
problemas ou já se preparando para o sono.
Passemos, agora, ao estudo sobre a legislação de outro tipo específico 
de educação não formal.
3.3 - Educação não formal 
desportiva
Antes de tratarmos sobre a educação desportiva 
não formal no contexto da legislação brasileira é preciso 
retomarmos o conceito de desporto. 
De acordo o documentos proposto pelas Comunidades 
Europeias (2007), o desporto pode ser entendido como a 
totalidade das formas de atividade física, formais, não formais 
ou informais, que fomentam e desenvolvem a melhoria das 
capacidades físicas e mentais, as relações sociais, ou intentam 
obter resultados na competição em todos os níveis. 
O mesmo documento infere que além de possibilitar 
melhora da saúde e, por conseguinte, da qualidade de vida, 
o desporto é composto também por um dimensionamento 
educativo formal e/ou não formal, o qual desempenha 
funções lúdicas, recreativas, social e cultural.
PARA REFLETIR
A educação não formal para o desporto, é relevante não apenas como 
um instrumento a valorizar, por si só, mas também, e sobretudo, como 
componente integrante de um todo educativo na área, figurando como 
importante estratégia de aprendizagem e inserção social.
Vejamos como as atividades educativas não formais 
de desporto, são regulamentadas em nosso país.
No Decreto n. 7.984, de 8 de abril de 2013, em seu 
segundo artigo ao tratar do teor educativo não formal: “[...] 
§ 2º: a prática desportiva não formal é caracterizada pela 
liberdade lúdica de seus praticantes” (BRASIL, 2013g, grifo 
nosso). 
Para complementar, é importante levarmos em conta 
que, dentre outras: 
Art. 3º O desporto pode ser reconhecido nas 
seguintes manifestações:
I - desporto educacional ou esporte-
educação, praticado [...] com a finalidade 
de alcançar o desenvolvimento integral do 
indivíduo e a sua formação para o exercício da 
cidadania e a prática do lazer;
II - desporto de participação, praticado de 
modo voluntário, caracterizado pela liberdade 
lúdica, com a finalidade de contribuir para a 
integração dos praticantes na plenitude da vida 
social, a promoção da saúde e da educação, e a 
preservação do meio ambiente [...] (BRASIL, 
2013g, grifo nosso).
Com isso, passemos ao estudo da educação não formal 
ambiental!
26Práticas pedagógicas em instituições não escolares
3.3 - Educação ambiental não 
formal
Segundo o artigo 2 da lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999, 
a qual, dentre outras providências, institui a Política Nacional de 
Educação Ambiental: “a educação ambiental é um componente 
essencial e permanente da educação nacional, devendo 
estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e 
modalidades do processo educativo, em caráter formal e não 
formal” (BRASIL, 2013h). 
Mas, a que exatamente se refere a educação não 
formal?
Vejamos uma resposta para este questionamento no 
Artigo 13 da Lei nº 9.795: 
Art. 13. Entendem-se por educação ambiental 
não formal as ações e práticas educativas 
voltadas à sensibilização da coletividade sobre 
as questões ambientais e à sua organização e 
participação na defesa da qualidade do meio 
ambiente (BRASIL, 2013h).
Nesse ensejo, o poder público (nas esferas federal, 
estadual e municipal) é responsável por fomentar e 
desenvolver:
I - a difusão, por intermédio dos meios de 
comunicação de massa, em espaços nobres, 
de programas e campanhas educativas, e de 
informações acerca de temas relacionados ao 
meio ambiente;
II - a ampla participação da escola, da 
universidade e de organizações não 
governamentais na formulação e execução de 
programas e atividades vinculadas à educação 
ambiental não formal;
III - a participação de empresas públicas e 
privadas no desenvolvimento de programas 
de educação ambiental em parceria com a 
escola, a universidade e as organizações não 
governamentais;
IV - a sensibilização da sociedade para a 
importância das unidades de conservação;
V - a sensibilização ambiental das populações 
tradicionais ligadas às unidades de conservação;
VI - a sensibi l ização ambiental dos 
agr icultores ;
VII - o ecoturismo (BRASIL, 2013h). 
Lima (2006) nos ensina aindaque a educação ambiental 
não formal é responsável pela promoção de atividades e 
práticas educacionais destinadas à sensibilizar a sociedade, de 
forma coletiva, no que concerne ao conhecimento sobre o 
meio ambiente e na defesa de sua qualidade.
Tendo como referência a legislação, precisamos reconhecer que uma 
prática positiva de educação ambiental não formal precisa basear-
se na realidade local, considerando o contexto histórico, uma vez que 
ela está ligada aos aspectos culturais e sociais da população-alvo. Isso 
porque a educação ambiental não formal tem potencial para tornar 
possível uma a situação futura desejada condizente com os anseios e 
com as possibilidades da comunidade envolvida, fomentando práticas 
de respeito às diversas expressões culturais, de vida.
Nesta aula, reconhecemos o posicionamento da 
Educação não formal na legislação brasileira e, 
identificamos determinados contextos específicos de 
educação não formal na legislação.
Retomando a aula
 
1 - Breve introdução sobre a regulamentação da 
educação não formal
Na seção 1, foi possível observar que a prática da 
educação não formal em nosso país tem ganhado cada vez 
mais status e se fortalecendo, especialmente com o aumento 
de pesquisadores interessados no tema, a realização de 
eventos, encontros e congressos. A educação não formal tem 
ganhado proporções significativas no âmbito da educação na 
sociedade atual, uma confirmação deste fato, ratifica-se nas 
crescentes ações de instituições tanto públicas, quanto não 
governamentais, especialmente na atenção com a criança e 
com o adolescente.
2 - A Educação não formal na legislação da 
educação brasileira
Na seção 2 vimos que a LDB, assim como o ECA, atribui 
valores às iniciativas formativas extraescolares, vinculando-a à 
educação escolar, ao trabalho e às práticas sociais. 
Em 1996, foi promulgada a nova Lei de Diretrizes e Bases 
da Educação Nacional (LDB), a qual foi a primeira legislação 
da educação que explicitou uma definição de educação que 
engloba, além do âmbito formal, os processos educacionais 
que acontecem em outros espaços/ambientes. 
Outro documento no qual a educação não formal tem 
seu espaço é o Relatório da Comissão Internacional sobre 
Educação para o Século XXI da Unesco, bem como, o 
Plano Nacional de Educação (PNE) foi regulamentado 
para vigorar de 2011 a 2020, apresentando dez diretrizes 
objetivas e 20 metas, seguidas das estratégias específicas 
de concretização.
3 - Alguns contextos específicos de educação não 
formal na legislação
Na seção 3 vimos algumas legislações específicas para 
a educação não formal, retomando, como exemplo, algumas 
de suas áreas de atuação, tais como os direitos humanos, a 
educação profissional, a educação ambiental não formal, a 
educação para o desporto não formal etc. 
A Educação não formal sobre direitos humanos, que 
foi regulamentada de acordo com o decreto n. 7.037, a 
diretriz 20, a qual inclui a educação não formal como um 
27
espaço para formação em relação aos direitos humanos. Foi 
regulamentada também, a educação não formal profissional 
de acordo com o Capítulo III do Título V (Dos níveis e 
das modalidades de educação e ensino) da LDB é dedicado 
em sua totalidade à educação profissional, reconhecendo-a, 
mesmo no que se refere ao âmbito não formal, como parte 
integrante do sistema educacional brasileiro. 
Na educação não formal desportiva, vimos como 
as atividades educativas não formais de desporto, são 
regulamentadas em nosso país. No Decreto n. 7.984, 
de 8 de abril de 2013, em seu segundo artigo ao tratar do 
teor educativo não formal: “[...] § 2º: a prática desportiva 
não-formal é caracterizada pela liberdade lúdica de seus 
praticantes” (BRASIL, 2013g, grifo nosso). 
Na educação ambiental não formal, segundo o artigo 
da lei n. 9.795, de 27 de abril de 1999, a qual, dentre outras 
providências, institui a Política Nacional de Educação 
Ambiental: “a educação ambiental é um componente 
essencial e permanente da educação nacional, devendo 
estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e 
modalidades do processo educativo, em caráter formal e 
não formal”.
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Vale a pena ler
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Vale a pena acessar
Espaços não formais de aprendizagem. Disponível em: 
http://www.youtube.com/watch?v=W57XruI9vwg. 
Acesso em: 18 maio 2013.
A elaboração da Constituição Federal de 1988. Disponível em: 
http://www.youtube.com/watch?v=JHNtnLMCtko. Acesso 
em: 18 maio 2013.
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