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Guilherme Christen Möller - Métodos adequados de solução de conflitos Panaceia para a crise do Poder Judiciário?

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ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 254
ANAIS DO 
SIMPÓSIO BRASILEIRO 
DE PROCESSO 
CIVIL
MÉTODOS ADEQUADOS DE SOLUÇÃO DE CONFLITOS: PANACEIA 
PARA A CRISE DO PODER JUDICIÁRIO?185
ADEQUATE CONFLICT SOLUTION METHODS: PANACEIA FOR THE
CRISIS OF THE JUDICIARY?
Guilherme Christen Möller186*
Resumo
Tendo por objetivo a análise da crise enfrentada pelo Poder Judiciário e os 
métodos adequados de solução de conflitos como paneceia para este problema, 
abordar-se-á neste artigo os principais pontos acerca da temática, para tanto, 
iniciando-se com o estudo acerca do surgimento do direito fundamental ao acesso à 
Justiça e sua marca até o Direito moderno, seguindo-se para a análise do Código de 
Processo Civil de 2015 e os métodos adequados de resolução de conflitos, e, ao fim, 
estudando-se a temática deste trabalho, seriam os métodos adequados de resolução 
de conflitos a panaceia para a crise do Poder Judiciário? Por meio dessa perspectiva, 
conclui-se que os métodos adequados de solução de conflitos devem ser vistos como 
sendo uma das formas de resolver o conflito, não devendo ser encarado como o 
remédio para resolver a crise que o Poder Judiciário enfrenta.
Palavras-chave: Solução de conflitos. Meios adequados. Panaceia. 
Efetividade. Tutela jurisdicional.
Abstract 
With the objective of analyzing the crisis faced by the Judiciary and the adequate 
methods of conflict resolution as a panacea for this problem, the main points about the 
185 Artigo submetido em 19/02/2017, pareceres de analise em 09/03/2017 e 10/03/2017, aprovação 
comunicada em 13/03/2017.
186 Graduando em Direito da Fundação Universitária Regional de Blumenau – FURB, localizada na 
cidade de Blumenau, no Estado de Santa Catarina. Brasil. Mediador Judicial capacitado pela 
Academia Judicial do Estado de Santa Catarina. E-mail: guilhermecmoller@gmail.com
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 255
subject will be discussed in this article, starting with the study about the emergence of 
the fundamental right to access to Justice and its mark up to modern law, followed for 
the analysis of the Code of Civil Procedure of 2015 and the appropriate methods of 
conflict resolution, and, finally, studying the theme of this work, would the appropriate 
methods of conflict resolution be the panacea for the crisis of the Judiciary? From this 
perspective, it is concluded that adequate methods of conflict resolution should be 
seen as one of the ways to resolve the conflict, and should not be seen as the remedy 
to solve the crisis that the Judiciary faces.
Keywords: Conflict resolution. Suitable means. Panacea. Effectiveness. 
Judicial protection.
Sumário 
I – Introdução; II – A crise do Poder Judiciário brasileiro e a visão contemporânea 
do Direito Processual Civil; II.I – O direito fundamental ao acesso à Justiça: Uma 
análise da democratização brasileira até o atual panorama do Direito brasileiro; II.II – 
O Código de Processo Civil de 2015 e os métodos adequados de solução de conflitos; 
II.III – A crise do Poder Judiciário brasileiro e os métodos adequados de resolução de 
conflitos como sua panaceia; III – Conclusão; Referências Bibliográficas.
I – introdução
No ano de 2015 o Poder Judiciário brasileiro chegou à marca de cem milhões 
de processos em tramitação. Essa marca representa, para o Brasil, uma crise desse 
Poder Estatal.
Essa marca é um reflexo de toda uma construção cultural acerca da 
“terceirização do litígio”, de modo a enxergar na jurisdição a única forma de resolução 
dos problemas do Estado com o particular e do particular com o particular.
Por meio de um avanço na democracia brasileira, com o avanço de pensamentos 
e incentivos de políticas públicas para a resolução dos conflitos de forma “congruente”, 
métodos tratados como secundários e alternativos, os quais permaneceram à margem 
da sociedade desde antes mesmo da vigência do Código de Processo Civil de 1939, 
passam a desfrutar de uma força e incentivo nunca visto, ainda mais com a vigência 
de um novo diploma processual civil, o Código de Processo Civil de 2015, o qual 
possui como um de seus pilares a resolução pacífica da lide.
Desta forma, muito se cogita acerca da efetividade desses métodos adequados 
de solução de conflitos para afrontar o modelo clássico de terceirização do litígio, com 
a consequente diminuição das demandas processuais em tramitação e as que por 
ventura possam ser propostas. Essa visão enxerga esses métodos como sendo uma 
suposta “panaceia” para essa crise.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 256
Porém, seria essa a proposta adotada pelo Novo Código de Processo Civil? 
Desta forma, este artigo científico busca estudar essa questão, analisando os principais 
pontos acerca de temática, como a evolução ao direito fundamental ao acesso à 
Justiça, a proposta do Novo Código de Processo Civil e esses métodos adequados de 
solução de conflitos, e, se a alegação de que seriam eles uma panaceia para a crise 
do Poder Judiciário merece prosperar.
Nesta senda, justifica-se, este artigo científico, dada a fragilidade em que o 
Poder Judiciário se contra e a divergência de entendimentos para com a finalidade 
dos métodos adequados de solução de conflitos.
A metodologia para o desenvolvimento desta pesquisa será bibliográfica, para 
que as opiniões dos autores possam ser refletidas e os dispositivos legais interpretados 
e comparados.
O objetivo deste trabalho é analisar se efetivamente as outras formas que não 
sejam a jurisdição devam ser encaradas como sendo a solução para resolver o atual 
problema em que o Poder Judiciário se encontra.
II – A crise do poder judiciário brasileiro e a visão contemporânea do 
direito processual civil
II.I – o direito fundamental ao acesso à justiça: uma análise da 
democratização brasileira até o atual panorama do direito 
brasileiro
A Constituição Federal de 1988 assegura a todo e qualquer cidadão, sem 
qualquer distinção, o acesso à justiça187, ocorre que esse pilar do ordenamento jurídico 
brasileiro é relativamente recente no panorama jurídico, sendo que é fruto de várias 
lutas por democracia. Para que se fosse possível que a Constituição Federal de 1988 
concebesse a garantia do acesso à justiça, um longo percurso fora percorrido.
O Brasil é um país marcado por diversos momentos de autoritarismo, porém, 
sendo dois de suma importância para a formação do que conhecemos por Direito 
187 Analisando-se a Consideração Federal de 1988, é possível extrair do Art. 5º, inciso XXXV, o 
seguinte texto: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à 
vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: XXXV - a lei não 
excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”. BRASIL. Constituição da 
República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 19 de fev. 2017. Art. 5º, inciso XXXV.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 257
contemporâneo e seus ideais188, são esses momentos a Era Vargas e a Ditadura 
Militar. Forte traço em ambos os períodos é a busca pela democracia após o término 
desses modos autoritários.
Veja-se, no mesmo ano em que terminava a Era Vargas, terminava, no outro 
lado do mundo, a segunda maior guerra da história, a Segunda Guerra Mundial.
O estopim para esse período de democratização brasileira encontra-se no ano 
de 1945. Marca-se, esse ano, por ocorrer uma grande contradição na nação brasileira. 
O Brasil havia sido inserido nas relações internacionais e participado minimamente 
na Segunda Guerra Mundial, porém, atenta-se ao fato de que essa participação 
na guerra trouxe um sentimento contraditórioe chance 
de cumprimento natural caso fossem optados métodos como conciliação e mediação, 
porém, em hipótese alguma deve forçar aos jurisdicionados que aceitem esses meios.
Impossível pensar que os reflexos dessa nova proposta serão visíveis logo 
em seus primeiros anos, muito pelo contrário, afinal, foram várias décadas para a 
lapidação de um pensamento litigioso na sociedade, de mesmo modo que serão 
vários anos (ou até mesmo décadas) para a mudança desse pensamento.
Para que esse novo pensamento seja aceito pela sociedade, o próprio ensino 
do direito deve explorar essa nova perspectiva, de modo a apresentar que uma efetiva 
solução para desavenças muitas vezes não se encontra na jurisdição.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 278
Referências bibliográficas
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conflitos no âmbito da administração pública; altera a Lei no 9.469, de 10 de julho 
de 1997, e o Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972; e revoga o § 2o do art. 6o 
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ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 279
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YARSHELL, Flávio Luiz. “Para pensar a Semana Nacional da Conciliação”. Folha de 
São Paulo, 08.12.2009.à população brasileira, colocando em 
choque o sentimento da luta pela democracia que estava ocorrendo na Europa, o qual 
era acompanhado pelo povo brasileiro, e a concordância ao autoritarismo que estava 
ocorrendo no Brasil.
Essa contradição foi o principal fator de influência em perspectivas 
constitucionais, resultando-se na ruptura da Era Vargas e, a principal luta da época, a 
instituição de uma democracia em solo brasileiro, sendo resultante dessa à elaboração 
de uma nova Constituição, a Constituição de 1946, a qual veio a ser promulgada em 
18 de setembro daquele mesmo ano.189
Nasce, nesse momento de grandes alterações, o ideário nacional-
desenvolvimentista no Brasil, de modo que os ideias liberais poderiam auxiliar no 
desenvolvimento do capitalismo no plano nacional.190
Eurico Gaspar Dutra assume a presidência do Brasil em janeiro de 1946, 
ano subsequente ao término da Era Vargas e à Segunda Guerra Mundial. O foco 
inicial do governo de Dutra é a edificação de uma Constituição pautada em princípios 
liberal-democráticos, de modo que se adotou a forma federativa, e, distribui-se para 
os entes federativos determinadas funções. Além disso, dividiu-se de forma equitativa 
188 O professor Luís Roberto Barroso (Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito 
(O Triunfo Tardio do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, v. 
9, n. 33, 2006) ensina que se está vivendo um Neoconstitucionalismo, do qual decorre outro 
fenômeno denominado de constitucionalização do Direito, uma das principais características do 
Direito contemporâneo. Além disso, Fredie Didier Júnior (Curso de Direito processual civil. 
17. Ed. Salvador: Juspodivm, 2015, v. 1, p. 39-42) elenca quatro principais características do 
pensamento jurídico contemporâneo: 1) Reconhecimento da força normativa da Constituição; 
2) Desenvolvimento da teoria dos princípios; 3) Transformação da hermenêutica jurídica; e 4) 
Expansão e consagração dos direitos fundamentais.
189 AGUIAR, Renan; MACIEL, José Fabio Rodrigues. História do Direito. 7. ed. São Paulo: 
Saraiva, 2016, p. 305.
190 BAGNOLI, Vicente; BARBOSA, Susana Mesquita; OLIVEIRA, Cristina Godoy Bernardo de. 
Introdução à história do Direito. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 172.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 258
os Poderes Estatais para como o Executivo, Legislativo e Judiciário.191
A democracia que tanto se almejava, agora já era realidade, tão realidade 
que até questões como o voto passaram a ser obrigatório, diferentemente do que 
ocorria em 1934. A Constituição de 1946, o principal símbolo da democracia após a 
Era Vargas, possuía traços do liberalismo e da democracia, sendo que era fundada 
em valores que fortaleciam a presença do Estado por intermédio da conexão entre 
líder e massas.192
Ocorre que essa nova forma de Estado ocasionou entre 1945 até 1964 
constantes confrontos de interesses políticos entre os, de um lado, operários urbanos, 
lutando por maiores participações políticas e melhorias em suas vidas, de outro lado, 
a elite da época, os quais não estavam acostumados a serem afrontados no campo 
da política. 193 Questões como o indeferimento da Emenda Constitucional que se 
referia à imediata desapropriação de terras sem prévia indenização, corroboraram no 
terror presenciado àquela época.194 O cenário político estava um caos, tornando esse 
período uma experiência democrática não absoluta.
Frente à todas agitações e manifestações que ocorriam no Brasil, o grupo 
militar iniciou um processo de organização com fim de uma intervenção defensiva, 
tendo, porém, não surgido do nada, bem como não sendo fruto de uma preocupação 
momentânea por parte deles. Esse movimento tem origem do resultado de uma longa 
instabilidade institucional que assombrava o país desde décadas que lhe antecedeu.195 
Desta forma, em 31 de março do ano de 1946, os militares fizeram o 
pronunciamento da implantação da Ditadura no dia seguinte, tendo, no Brasil, 
ocorrendo a falência da democracia pretendida pela Constituição Federal de 1946 e a 
retomada do autoritarismo, porém, agora pelos militares.
Obstante ao processo de intervenção defensivo, a mentalidade militar daquele 
período era clara, o inimigo não era apenas o estrangeiro, mas sim eram aqueles que 
colocassem a ordem do país em risco, em especial os comunistas.196
191 BAGNOLI, Vicente; BARBOSA, Susana Mesquita; OLIVEIRA, Cristina Godoy Bernardo de. 
Introdução à história do Direito. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 172.
192 BAGNOLI, Vicente; BARBOSA, Susana Mesquita; OLIVEIRA, Cristina Godoy Bernardo de. 
Introdução à história do Direito. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 173.
193 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 522-523.
194 BAGNOLI, Vicente; BARBOSA, Susana Mesquita; OLIVEIRA, Cristina Godoy Bernardo de. 
Introdução à história do Direito. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 173.
195 BAGNOLI, Vicente; BARBOSA, Susana Mesquita; OLIVEIRA, Cristina Godoy Bernardo de. In-
trodução à história do Direito. 1. ed. São Paulo: Atlas, 2014, p. 173-174. 
196 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 524.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 259
Assim, a democracia fora friamente interrompida por intermédio de um golpe 
e pausada pelos próximos vinte e um anos.197
Instaurado o regime militar, João Goulart, último presidente antes da ditadura, 
foi deposto de forma totalmente arbitrária, de modo que a nação brasileira ficou sem 
um chefe do Poder Executivo, bem como sem seu substituto legal, o que, segundo a 
Constituição de 1946, resultaria em novas eleições.
Porém, enquanto políticos discutiam acerca do destino de Goulart, a pressão 
dos militares, entre eles, era a limpa do Poder Legislativo, uma vez que consideravam 
que existiam pessoas que eram inaceitáveis exercendo aqueles cargos, pretensão 
que conseguiram seis dias após o golpe, por intermédio de seus ministros, obtendo 
a legislação para dar poderes para a expurgação desses membros do legislativo.198
Com esses amplos poderes que os militares agora detinham, ignoraram atos 
de emergência e publicaram o primeiro Ato Institucional, o qual possuía força maior 
que a Constituição Federal, inclusive, força que todos os demais atos sequentes 
detinham.199 O primeiro ato possuía caráter totalmente antidemocrático e que marcou, 
de fato, o início do Regime Militar no Brasil. Iniciou-se uma época no Brasil em que 
era necessário justificar atos, reinventar palavras e, principalmente, legislar além da 
constitucionalidade.200
Além do primeiro ato, pode-se destacar outros quatro AI201, qual seja AI-2, AI-
3, AI-4, tendo, porém, maior relevância o AI-5.
197 SOARES, Gláucio Ary Dillon. A democracia interrompida. Rio de Janeiro: FGV, 2001.
198 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 526.
199 Para Luís Roberto Barroso (Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo 
Tardio do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, v. 9, n. 33, 2006, 
p. 29) a Constituição, na história brasileira, sempre desfrutou de supremacia formal, porém, 
era a supremacia material que em alguns períodos lhe faltava, como é o caso da Ditadura 
Militar, porquanto os atos daquele regime possuíam força superior àquela, quando, caso ela 
fosse detentora dessa supremacia material, em hipótese alguma poderia ocorrer. A supremacia 
material, entretanto, foi alcançada por esse documento apenas em 1988 com a promulgação da 
Constituição Federal de 1988.
200 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 526-528.
201
 A sigla AI corresponde ao termo Ato Institucional. “Receberam o nome de Ato Institucional uma 
série de normasarbitrárias editadas à época do regime de exceção instalado pelos militares 
no Brasil em 1964, e que tinham por objetivo fazer prevalecer o controle dos militares ante às 
instituições legais do país, procurando dar uma aparência de legalidade aos atos arbitrários que 
iam sendo realizados em nome da chamada Revolução. Além de seus conteúdos arbitrários, os 
AIs eram aprovados sem qualquer consulta popular ou legislativa. Foram editados ao todo 17 
atos institucionais no curto período entre 1964 e 1969, sendo que os responsáveis pelas suas 
edições eram os comandantes-em-chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, ou mesmo 
o próprio Presidente da República, com respaldo dado pelo Conselho de Segurança Nacional. 
(SANTIAGO, Emerson. Atos institucionais. 2011. Disponível em: http://www.infoescola.com/
ditadura-militar/atos-institucionais/. Acesso em: 19 de fev. 2017).
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 260
AI-5 é conhecido por ser o ato mais severo de todos, vez que, em suma, esse 
ato concedia, a pessoa que estivesse na chefia do Poder Executivo, todo e qualquer 
poder, com ressalvas ao que não estava previsto, ou seja, nessa linha, o Presidente 
detinha poder, inclusive, sobre outros Poderes, como é o caso do domínio sobre os 
legislativos federais, estaduais e municipais. Assim, atrelando-se ao fator de que as 
eleições para o cargo de Presidente eram indiretas, a pessoa que exercesse tal cargo 
estaria submissa às vontades dos militares, em outras palavras, os militares teriam 
todo e qualquer poder para realizar o que bem entendesse, principalmente, em nível 
jurídico. A Ditadura foi agravada para um regime nunca antes visto, inclusive, regime 
inominado.202
O AI-5 trouxe grande choque à população brasileira, de modo que, como 
resposta ao ato, a partir de 1978, último ano em que o General Ernesto Geisel era o 
Presidente do Brasil, movimentos populares em busca de democracia ressurgiram no 
país.203
Pode-se considerar as greves dos metalúrgicos do Estado de São Paulo como 
marco inicial para as reformas democráticas que estava para acontecer no Brasil, 
mesmo que a legislação da época vetasse o exercício de greve e os líderes das 
greves tivessem ido presos, esses movimentos representaram resistência contra os 
militares.204
O regime militar tornava-se cada vez mais impopular, enquanto os movimentos 
populares cresciam em uma grande escala, fator que encurralou o governo militar e o 
deixou sem saídas, poderia protelar a redemocratização, mas era uma certeza de que 
ela ocorreria em breve.205
Essa redemocratização almejada por parte do povo brasileiro está 
representada em diversos momentos, como é o caso do movimento do ano de 1983, 
quando ocorreram as “Diretas Já!”, movimento que objetivava o fim da eleição indireta 
para Presidente e a retomada do sistema direto, porém, tal movimento foi derrotado 
no congresso.206
O Brasil voltou a ter esperanças para a democracia com a vitória da oposição 
na eleição para Presidente, ocasião em que se elegeu um civil e não mais um militar. 
O presidente eleito acabou por falecer diante de problemas de saúde, tendo seu vice 
202 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 549-551
203 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 526-528.
204 MARCOS, Rui de Figueiredo; MATHIAS, Carlos Fernando; NORONHA, Ibsen. História do 
Direito brasileiro. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014, p. 477-487.
205 MARCOS, Rui de Figueiredo; MATHIAS, Carlos Fernando; NORONHA, Ibsen. História do 
Direito brasileiro. 1. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2014, p. 477-487.
206 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 526-528.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 261
tomado posse do cargo de Presidente do Brasil, José Sarney.207
Diante de todo esse contexto fático, o Brasil caminhou para a elaboração de 
uma nova Constituição Federal, a qual fora promulgada no ano de 1988, Constituição 
que representou a redemocratização almejada pela população brasileira e pode-se 
ver seus reflexos nos dias atuais, inclusive, com a crescente democratização política 
e jurídica do Direito e da sociedade brasileira.208
A democracia alcançada pela Constituição Federal de 1988 jamais fora vista 
em solo brasileiro, algo ímpar e inédito. Diferente não é no tocante ao acesso à justiça, 
sendo que sua incorporação pela Constituição Federal se deu apenas pelo cenário 
democrático que se vivia quando de sua promulgação. Em sentido inverso, seria 
ilógico esse amplo acesso em um regime autoritário.
Porém, marca-se este período por um outro fenômeno, decorrente da 
redemocratização brasileira e, principalmente, da promulgação da Constituição 
Federal de 1988, o Neoconstitucionalismo, isso em uma perspectiva histórica.209
O fenômeno do Neoconstitucionalismo é, sem dúvida, forte aliado para 
os Estados Democráticos de Direito, aliás, como ensina o professor Luís Roberto 
Barroso210, essa organização política surgiu justamente da aproximação entre 
constitucionalismo e democracia, apesar de já ter sido previamente idealizada por 
outros pensadores do Direito.
Tal fenômeno pode ser definido como um novo direito constitucional, surgido 
a partir do século XX, sendo esse fruto de mudanças de paradigmas contidas em 
estudos doutrinários e jurisprudenciais, de modo a enxergarem a Constituição como 
centro da hermenêutica jurídica.211
Além do marco histórico, guarda-se, aqui, pertinência em mencionar, de 
forma sucinta, os marcos filosófico e teórico. Enquanto no marco filosófico entender-
se estar passando por um pós-positivismo212, o marco teórico, por sua vez, refere-se 
207 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 526-528.
208 CASTRO, Flávia Lages de. História do Direito geral e do Brasil. 12. ed. Rio de Janeiro: Lumen 
Juris, 2016, p. 526-528.
209 BARROSO, Luís Roberto. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo 
Tardio do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, v. 9, n. 33, 
2006, p. 3.
210 BARROSO, Luís Roberto. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo Tardio 
do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, v. 9, n. 33, 2006, p. 3.
211 BARROSO. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo Tardio do Direito 
Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ. 2006, p. 3-15.
212 BARROSO. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo Tardio do Direito 
Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ. 2006, p. 5.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 262
ao reconhecimento da força normativa da Constituição213, da expansão da jurisdição 
constitucional, o que acaba por impulsionar a uma nova interpretação Constitucional.214
O Neoconstitucionalismo desencadeia um outro fenômeno, o qual recebe a 
denominação de “constitucionalização do Direito”215. Para BARROSO216, “trata-se de 
fenômeno iniciado, de certa forma, com a Constituição portuguesa de 1976, continuado 
pela Constituição espanhola de 1978 e levado ao extremo pela Constituição brasileira 
de 1988”.
A ideia de constitucionalização do Direito deve ser associada a um efeito 
expansivo das próprias normas constitucionais, de modo que seu conteúdo material 
e axiológico se irradia por todo o sistema jurídico com força normativa. Assim, os fins 
públicos, os valores e os comportamentos contemplados nos princípios e regras da 
Constituição são responsáveis por condicionar a validade, bem como, o sentido de 
todas as normas do Direito infraconstitucional.217
Nessa seara de reconstitucionalização brasileira e, em especial, da 
constitucionalização de direitos fundamentais,o direito ao acesso à justiça renasce, ou 
melhor, nasce, vez que, como alhures dito, a democracia concebida pela Constituição 
Federal de 1988 aos cidadãos brasileiros jamais fora anteriormente observada. 
Possibilitou-se com este grande avanço dogmático uma maior busca pelo Poder 
Judiciário e pela tutela jurisdicional.
Sob a Constituição de 1988, aumentou de maneira significativa a demanda 
por justiça na sociedade brasileira. Em primeiro lugar, pela redescoberta da cidadania 
e pela conscientização das pessoas em relação aos próprios direitos. Em seguida, 
pela circunstância de haver o texto constitucional criado novos direitos, introduzido 
novas ações e ampliado a legitimação ativa para tutela de interesses, mediante 
213 Sobre, ver: HESSE, Konrad. A força normativa da Constituição. Trad. Gilmar Ferreira Mendes. 
Porto Alegre: Sérgio Fabris Editor. 1991.
214 BARROSO. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo Tardio do Direito 
Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ. 2006, p. 6-15.
215 Ensina, Luís Roberto Barroso (Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O 
Triunfo Tardio do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ. 2006) que além dessa 
nomenclatura ser relativamente recente na terminologia jurídica, é um termo polissémico. A 
exemplo, com essa expressão é possível entender-se que, por exemplo, poderia caracterizar 
qualquer ordenamento jurídico em que vigorasse uma Constituição dotada de supremacia. 
Porém, como a Constituição, em grande parte dos ordenamentos jurídicos mundiais, possuí essa 
característica, faltaria especificidade à expressão. Assim, a constitucionalização do Direito não 
deve ser compreendida dessa forma. Além disso, haveria a possibilidade, ainda, da interpretação 
do fenômeno para identificar que a Constituição possuí diversos temas relacionado aos ramos 
infraconstitucionais do Direito em seu texto.
216 BARROSO, Luís Roberto. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo 
Tardio do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, v. 9, n. 33, 2006, 
p. 16.
217 BARROSO. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo Tardio do Direito 
Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ. 2006, p. 16.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 263
representação ou substituição processual.218
A tutela jurisdicional perseguida, porém, não pode ser compreendida como a 
mera proclamação de direitos, vez que a proposta do acesso à justiça na concepção 
do sistema jurídico moderno e igualitário é a de garantir os direitos de todos.219
Não basta proporcionar ao jurisdicionado o acesso ao Poder Judiciário sem 
que sejam conferidas as mínimas e satisfatórias condições à justa composição do 
conflito pelo Estado.220
Portanto, em uma visão contemporânea de processo, o direito fundamental 
ao acesso à justiça deve ser analisado e interpretado como uma interligação entre 
processo e Justiça social.221
Trata-se, dessa forma, de um direito fundamental que se revela como uma 
questão de cidadania, de modo que, para a sua fiel compreensão, é necessário a 
mudança de mentalidade, “de sorte a impor a superação de sua dimensão estritamente 
técnica e a adentrar a eficiência da instrumentalidade”.222
Assim, no atual Estado Democrático de Direito que é o Brasil, considerando 
a forte luta por democracia que se teve em solo pátrio no último século, pode-se 
concluir que o acesso à justiça no atual panorama brasileiro garante muito mais do 
que o mero ingresso em juízo e a mera formulação de pedido ao Poder Judiciário 
ao jurisdicionado, garante, porém, o direito a uma tutela justa, adequada ao plano 
material223 e efetiva, inclusive as diretrizes tomadas pelo Código de Processo Civil de 
218 BARROSO, Luís Roberto. Neoconstitucionalismo e Constitucionalização do Direito (O Triunfo 
Tardio do Direito Constitucional no Brasil). Revista da EMERJ, Rio de Janeiro, v. 9, n. 33, 2006, 
p. 44.
219
 CAPPELLETTI, Mauro. Acesso à justiça. Tradução de Ellen Gracie Northfleet. Porto Alegre: 
Fabris, 1988, p. 12.
220 CARACIOLA, Andrea Boari; FERNANDES, Luis Eduardo Simardi; SOUZA, André Pagani 
de. Princípios informadores do Direito Processual Civil. In: Teoria Geral do Processo 
Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 60.
221 CARACIOLA, Andrea Boari; FERNANDES, Luis Eduardo Simardi; SOUZA, André Pagani 
de. Princípios informadores do Direito Processual Civil. In: Teoria Geral do Processo 
Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 60.
222 CARACIOLA, Andrea Boari; FERNANDES, Luis Eduardo Simardi; SOUZA, André Pagani de. 
Princípios informadores do Direito Processual Civil. In: Teoria Geral do Processo Contemporâ-
neo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 61.
223 Nas lições de Francesco Carnelutti (Profilo dei rapporti tra diritto e processo. Rivista di Diritto 
Processuale, ano 35, n. 4, p. 64): “tra diritto e processo existe um rapporto logico circolare: 
il processo serve al diritto, ma affinchè serva al diritto deve essere servitto dal diritto”, o que 
significa dizer, na sua tradução, que entre o direito material e o processo existe uma relação 
circular, sendo que o processo serve ao direito material, mas para que lhe sirva é necessário 
que seja servido por ele. O tema de relação entre direito material e direito processual tem estado 
cada vez mais em pauta no cenário contemporâneo do Direito, isso por uma razão, inobstante 
a autonomia que ambos possuem, um depende do outro, vez que o direito material projeta, faz 
planos e idealiza, enquanto cabe ao direito processual pôr em prática.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 264
2015 correspondem a esta visão.224
II.II – o código de processo civil de 2015 e os métodos adequados de 
solução de conflitos
Em 2015 o Brasil registrou a marca de cem milhões de processos em tramite 
no Poder Judiciário em um caráter lato sensu225. Essa “conquista” se deu justamente 
pela mentalidade da população em como tratar o conflito.
Analisando-se friamente os Códigos de Processo Civil de 1939 e 1973, uma 
semelhança encontrada mora justamente no fator de como tratam a questão do meio 
para a resolução do conflito, com ressalvas superficiais ao último código.
No Código de Processo Civil de 1939, por exemplo, analisando-se por inteiro, 
não é possível vislumbrar qualquer disposição que incentive os litigantes ao acordo, ou 
até mesmo qualquer instituto naquele que vise a destinação de algum ato processual 
para que as partes pudessem estar uma a frente doutra com o intuito de conversarem.
O Código de Processo Civil de 1973, por sua vez, até regula226 a questão do 
incentivo por outros métodos para a resolução de conflitos que não seja o julgamento 
224 O direito fundamental ao acesso à justiça desencadeia outros tantos preceitos fundamentais, 
como, a exemplo, a efetividade jurisdicional (Art. 4º do CPC), efetivo contraditório (Art. 7º do 
CPC), ampla defesa (Art. 9º do CPC), tempestividade na prestação da tutela jurisdicional e 
adequação (Art. 4º do CPC), dentre tantas outras garantias fundamentais asseguradas pela 
Constituição Federal de 1988 e corroboradas pelo Código de Processo Civil de 2015, em 
atenção ao disposto em seu art. 1º. Além de CARACIOLA, Andrea Boari; FERNANDES, Luis 
Eduardo Simardi & SOUZA, André Pagani de (Princípios informadores do Direito Processual 
Civil. In: Teoria Geral do Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 
2016), acompanham a mesma linha de raciocínio do fechamento deste tópico DINAMARCO, 
Cândido Rangel & LOPES, Bruno Vasconcelos Carrilho (Teoria Geral do Novo Processo Civil. 
São Paulo: Malheiros, 2016), THEODORO JÚNIOR, Humberto (Curso de Direito Processual 
Civil. 57. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2016), GRECO, Leonardo. Justiça civil, acesso à 
justiça e garantias. In:ARMELIN, Donaldo (coord.), Tutelas de urgênciae cautelares. São 
Paulo: Saraiva, 2010), DIDIER JÚNIOR, Fredie (Curso de Direito Processual Civil. 17. ed. 
Salvador: Juspodivm, 2015, v.1), WATANABE, Kazuo (Acesso à justiça e sociedade moderna. 
In: GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cãndido Rangel; WATANABE, Kazuo (Coord.) 
Participação e processo. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1988), DONIZETTI, Elpídio (Curso 
didático de Direito Processual Civil. 19. Ed. São Paulo: Atlas, 2016).
225 CONJUR – Consultor Jurídico. Brasil atinge a marca de 100 milhões de processos em tramitação 
na Justiça. 2015. Disponível em: http://www.conjur.com.br/2015-set-15/brasil-atinge-marca-100-
milhoes-processos-tramitacao. Acesso em: 19 de fev. 2017.
226 Pode-se, por exemplo, sustentar essa alegação com o art. 125, inc. IV, da Lei n° 5.869/1973, 
a qual aduz que: “Art. 125. O juiz dirigirá o processo conforme as disposições deste Código, 
competindo-lhe: IV - tentar, a qualquer tempo, conciliar as partes”. Assim, diferentemente do 
diploma processual anterior, o Código de 1973 faz previsões e norteia o julgador para, quando 
possível, tentar conciliar as partes. Há, entretanto, de se considerar que essa disposição foi 
inserida apenas vinte anos após a vigência da redação primária do CPC/73 pela Lei nº 8.952/94. 
BRASIL. Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973. Código de Processo Civil. Disponível em: 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L5869.htm. Acesso em: 19 de fev. 2017. Art. 125, inciso 
IV.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 265
do representante estatal, porém, a louvável melhoria nesse tocante com relação a 
este código não passa de algo inócuo, porquanto da despreparação das pessoas que 
buscassem a realizar os atos processuais destinados para buscar uma conciliação 
entre as partes. Mais do que isso, o problema começa pelo fato de como os juízes 
encaram esses métodos, de modo que é corriqueiro analisar no cotidiano forense 
audiências de conciliação com meros cinco minutos, se não menos.
A mentalidade da população brasileira enxerga no processo o único meio 
possível para a resolução dos seus conflitos. Pensando-se em uma perspectiva 
cultural, esse pensamento não se dá por exclusividade deles, mas sim pelo pensamento 
litigante do contexto social em que foram criados.
Somando-se essa cultura do litígio com a redemocratização brasileira ocorrida 
após 1985, e, corroborada pela promulgação da Constituição Federal de 1988, o 
excesso de processos no Poder Judiciário brasileiro é uma previsão mais que óbvia, 
admira-se que essa marca tenha sido atingida apenas em 2015.
Quando se pensa em conflito, esse, porém, não surgiu apenas no último século 
(tampouco nas últimas décadas em que ocorreu a democratização e redemocratização 
brasileira), na realidade ele é tão antigo quanto a própria humanidade.227
Em breves linhas, destaca-se que antes mesmo da judicialização dos conflitos 
entre particulares, ou seja, o nascimento da jurisdição, o conflito percorreu um grande 
percurso, aventurando-se em formas alternativas para a sua resolução.
A exemplo disso, em um primeiro momento da humanidade, surgiu-se o que 
se conhece por “Autotutela”, ou seja, instituto que pode ser representado por aquele 
famoso jargão “fazer justiça com as próprias mãos”. Ocorre que muito se questionava 
acerca da efetividade esperada para essa forma de dirimir conflitos, vez que em 
muitos casos os mais fracos fisicamente seriam privados da “justiça”, se é que ela 
existia naquele primeiro período. “É fácil concluir que aquele que foi privado de um 
bem ou teve um interesse não atendido em razão da atitude violenta da outra parte 
ficará insatisfeito e tão logo tenha oportunidade irá procurar retomar aquilo que lhe foi 
tirado”.228
A ineficiência da autotutela remete a solução do conflito a outra forma de 
tratamento, a “Autocomposição”, uma forma altruísta de dirimir o conflito, pautando-
se na premissa de que um (ou ambos) conflitante(s) ter de abrir mão do seu próprio 
interesse em prol da outra pessoa. Na realidade, esse sistema possui uma subdivisão 
227 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 7.
228 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 7-8.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 266
em outras três espécies, da qual ele é gênero, a renúncia, a submissão e a transação229. 
Observando-se sumariamente, esse sistema demonstra ser uma grande evolução 
em relação ao sistema anterior, porém, apresentava dois problemas fundamentais, 
a desequiparação no altruísmo esperado pelo sistema ao da humanidade naquele 
período, e o receio das consequências do exercício da autotutela.230
Dada a ineficiência de ambos os sistemas, surge um novo sistema, a 
“Arbitragem”. A arbitragem nada mais é do que um meio de heterocomposição, 
porquanto da necessidade de envolver-se um terceiro para a resolução do conflito 
existente. Esse terceiro recebe a denominação de árbitro e esse papel era, nas 
antigas sociedades, exercido por uma pessoa que detinha respeito da comunidade. 
A imparcialidade do julgador nasce neste momento dessa evolução histórica. 
Inicialmente, a arbitragem era particular e facultativa, e, além disso, mesmo com a 
decisão do árbitro, não havia certeza no seu cumprimento.
Cândido Rangel Dinamarco, por exemplo, explica que a sistemática da 
atuação do Poder Judiciário atual nada mais é do que a evolução do instituto da 
arbitragem, vez que essa tornou-se obrigatória com o passar do tempo, de modo a 
caber ao Estado a resolução dos conflitos entre particulares.231
Retoma-se ao ponto de partida. Como passou a ser do Estado o dever de 
resolver os conflitos existentes entre os particulares (e em alguns casos, conflitos 
entre entes públicos e particulares, fora quando os próprios entes públicos litigam 
entre si), os meios pelos quais eles possam ser resolvidos acabam sendo influenciados 
por todo um contexto fático, especialmente pelas regras de tramite dessa resolução 
nesse Poder Público, no caso, o Código de Processo Civil. Em outras palavras, pode-
se pensar, nessa linha de raciocínio, que o próprio Estado influencia na forma de 
resolução dos conflitos, vez que a tarefa de disciplinar a forma como os conflitos serão 
resolvidos cabe a um de seus Poderes, o Poder Legislativo (se não a todos, mesmo 
que de forma indireta).
Alhures observou-se que a visão de litigiosidade na história do sistema 
processual brasileiro era demasiadamente superior a consensualidade, inclusive, em 
estágios que essa última sequer existia.
229 Nas lições de Luis Eduardo SImardi Fernandes (Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral 
do Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 8), a renúncia 
pode ser definida como a desistência da exigência feita por aquele que formulava a pretensão. 
A submissão, por sua vez, associa-se ao desinteresse na resistência à pretensão. A transação, 
por fim, define-se como sendo um instituto de mútuo sacrifício, de modo que para chegar-se ao 
acordo, ambos os envolvidos desistiam em parte de algo.
230 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 8.
231 CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. 
Teoria geral do processo. 24. Ed. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 27.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 267
Pensa-se, dessa forma, que o resultado atingido no ano de 2015232 nada mais 
é do que um reflexo de má exploração pelo Estado de outros meios para a resolução 
de conflitos que não fosse o julgamento por um terceiro, no caso atual, do Estado-
juiz, sendo que a populaçãotem parcela mínima de culpa nessa crise presenciada 
pelo Poder Judiciário, vez que as leis que estavam à eles disponíveis os remetiam a 
almejar o processo como exclusividade na resolução de conflitos, descartando outros 
meios tão efetivos quanto a jurisdição.
Viu-se acima que existem outros métodos além da arbitragem (no caso, 
jurisdição233) para a resolução de conflitos e é nessa linha que o Novo Código de 
Processo Civil se desenvolve.234
Inclusive, há de se destacar que no mesmo ano em que se atingiu esse 
marco histórico sobre a quantidade de processos tramitando no Brasil, foi aprovado 
e sancionado esse novo diploma legal, possuindo, dentre suas tantas características 
inovadoras, um ar versátil acerca da forma de resolver o conflito. Sustenta a afirmação 
retro nos parágrafos do artigo 3º do Código de Processo Civil de 2015235.
Porém, antes de avançar-se, é necessário delimitar que na visão 
contemporânea de processo, corroborando-se pelo Código de Processo Civil de 2015, 
admite-se além da jurisdição, a arbitragem e a autocomposição como meios para a 
resolução de conflitos, sendo os dois últimos denominados como “meios alternativos 
232 Refere-se aos cem milhões de processos em tramitação no Poder Judiciário brasileiro
233 “À função de compor os litígios, de declarar e realizar o Direito, dá-se o nome de jurisdição” 
(DONIZETTI, Elpídio. Curso didático de Direito Processual Civil. 19. ed. São Paulo: Atlas, 
2016, p. 91). A jurisdição pode, de maneira nada aprofundada, ser pensada como sendo o 
instituto da arbitragem de modo público, no qual o terceiro responsável por seu julgamento seria 
o Estado-juiz e não o árbitro.
234 Ressalva-se com relação à autotutela, vez que é legalmente proibida em nosso ordenamento, 
salvo quando houver permissão para tal, conforme é possível extrair da redação do art. 345, 
caput, do Código Penal: “Art. 345 - Fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, 
embora legítima, salvo quando a lei o permite”. Tal disposição é classificada como exercício 
arbitrário das próprias razões e é vedado tanto na esfera penal, quanto na cível. BRASIL. Decreto-
Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/decreto-lei/Del2848compilado.htm. Acesso em: 19 de fev. 2017. Art. 345, caput.
235 Analisando-se o Código de Processo Civil de 2015, é possível extrair do Art. 3º, §§ 1-3, o 
seguinte texto: “Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito. § 
1º É permitida a arbitragem, na forma da lei. § 2º O Estado promoverá, sempre que possível, a 
solução consensual dos conflitos. § 3º A conciliação, a mediação e outros métodos de solução 
consensual de conflitos deverão ser estimulados por juízes, advogados, defensores públicos e 
membros do Ministério Público, inclusive no curso do processo judicial”. BRASIL. Lei nº 13.105, 
de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/
ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 19 de fev. 2017. Art. 3º, §§ 1-3.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 268
de solução de conflitos”236, já que o primeiro é o meio assegurado pelo Estado com 
relação aos interesses das partes, inclusive, é a redação do caput, do art. 3º, do 
Código de Processo Civil237.
A autocomposição hoje em dia é totalmente diferente daquela vista agora 
acima. A perspectiva esperada é de maior altruísmo entre os conflitantes, já que 
o cenário jurídico e social brasileiro em pleno 2016 possuí capacidade para tal e 
é completamente diverso daquele em que este instituto surgiu, ainda mais que a 
preocupação com a autotutela ficou à beirada da sociedade, pois além de constituir 
crime – salvo quando admitida legalmente238 – (Art. 345 do Código Penal), o Estado 
promove obrigatoriamente a proteção dos interesses dos conflitantes.239
Em um ponto de vista de efetividade na solução dos litígios, a autocomposição 
é significantemente vantajosa, isso quando se tratando de direitos disponíveis, vez 
que se tratando de direitos indisponíveis, até pode de ocorrer uma autocomposição, 
porém, está submissa a fiscalização estatal, de modo a não operar em cem por cento 
a vontade das partes.240
Nessa visão moderna de autocomposição, sendo bilateral, pode ser subdividida 
em negociação, conciliação e mediação.
A negociação está associada a uma tentativa entre as partes de acordar 
acerca de um conflito sem a necessidade da intervenção de um terceiro para auxiliá-las 
236 Por “meios alternativos de resolução de conflitos” é possível associar-se a uma ideia de 
subsidiariedade de tais meios, como ensina Daniel Amorim Assumpção Neves (Novo Código 
de Processo Civil comentado. Salvador: Juspodivm, 2016, p. 8), de modo a demonstrar que 
haveria uma polissemia em seu sentido, porém, não é aqui o sentido proposto para tal termo, 
mas sim o de outros meios para dirimir o conflito que não seja a jurisdição.
237 Analisando-se o Código de Processo Civil de 2015, é possível extrair do Art. 3º, caput, o seguinte 
texto: “Art. 3º Não se excluirá da apreciação jurisdicional ameaça ou lesão a direito”. Trata-se 
do princípio da inafastabilidade da jurisdição, ou acesso à justiça, uma cópia de grande valia do 
texto constitucional, conforme é possível observar no art. 5º, inc. XXXV, da Constituição Federal 
de 1988. BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo Civil. Disponível 
em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. Acesso em: 19 de 
fev. 2017. Art. 3º, caput.
238 Um exemplo de autotutela está no art. 1.283 do Código Civil, direito de vizinhança, quando 
autoriza um vizinho a cortar raízes e ramos de árvores de área limítrofe que invadam o seu 
terreno.
239 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 12.
240 Exemplifica-se. Tratando-se de um pleito visando a cobrança de aluguel, em regra essa cobrança 
é um direito disponível, de modo a poder ser submissa ao instituto da autocomposição e operar 
soberanamente a vontade das partes. Diferente, por exemplo, seria caso essa cobrança não 
fosse oriunda de um contrato de aluguel, mas sim de um débito alimentício. Por mais que possa 
ser submetido tal conflito ao instituto da autocomposição, a vontade das partes está submissa à 
vontade do estado, vez que, caso o Ministério Público entenda por inviável o acordo entabulado 
pelas partes, sua manifestação na qualidade de fiscal da lei será a da não homologação da 
avença.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 269
como uma espécie de facilitador. Na conciliação e mediação, a figura desse terceiro é 
sempre presente, o conciliador e o mediador, respectivamente. Por conciliação, pode-
se entender como uma espécie da autocomposição na qual um terceiro (conciliador) 
auxiliará as partes na obtenção de um acordo para a solução do litígio, enquanto a 
mediação, mesmo que parecida peculiarmente com a conciliação, não pode, com ela, 
ser confundida, haja vista que os propósitos da mediação moram no fato do mediador 
(terceiro responsável pela mediação) auxiliar as partes a restabelecerem o diálogo e o 
bom relacionamento (o último, quando possível) com fito de que os próprios litigantes 
cheguem em um consenso.241
Viu-se agora a pouco que a nomenclatura atribuída à arbitragem mais 
autocomposição é a de “Meios alternativos de solução de conflitos”, visto a garantia 
dos interesses dos cidadãos pelo Estado (Art. 3º do CPC e art. 5º, inc. XXXV, da CF), 
porém, no atual panorama doutrinário, é comum deparar-se com outra nomenclatura 
utilizada por diversos autores, os “Métodos adequados de solução de conflitos”, para 
se referir à arbitragem242, mediação e conciliação.
De modo como existem autores que aderem à expressão “Métodos adequados 
de solução de conflitos”, há,por outro lado, outros autores, como Daniel Amorim 
Assumpção Neves, que contrariam essa nomenclatura.
Registro que não concordo com a parcela doutrinária que prefere renomear 
essas formas de solução dos conflitos de “meios adequados” de solução de conflitos, 
porque adequado é resolver o conflito, não se podendo afirmar a priori ser um meio 
mais adequado do que outro. Se esses são os meios adequados, o que seria a 
jurisdição? O meio inadequado de solucionar conflitos? Compreendo que atualmente 
não seja mais apropriado falar em meios alternativos, o que daria uma ideia de 
subsidiariedade a tais meios de solução de conflitos, mas certamente chamá-los de 
“meios adequados” está bem longe de um nome adequado. Por isso sempre preferi 
chama-los simplesmente de equivalentes jurisdicionais.243
Concorda-se com o autor supracitado, porquanto a nomenclatura remete-se 
a pensar em uma suposta imperfeição na jurisdição, porém, respeita-se os autores 
que sustentam àquela nomenclatura como correta. Aliás, haveria a possibilidade 
de adentrar-se em uma longa e complexa discussão apenas nessa questão da 
nomenclatura, ocorre que não é o objetivo deste artigo.
241 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 12-16.
242 
 O instituto moderno da arbitragem é muito similar ao seu período primário, vez que permanece 
como particular, voluntário e não obrigatório, dentre tantos outros pontos similares entre os 
estágios aqui traçados desse instituto.
243 
 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Novo Código de Processo Civil comentado. Salvador: 
Juspodivm, 2016, p. 8.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 270
Obstante à essa interessante discussão, existem diversos aspectos que 
podem ser tratados entre o Novo Código de Processo Civil e os “métodos adequados 
de solução de conflitos”.
O primeiro e já tratado neste trabalho se refere a promoção de uma solução 
consensual dos conflitos (Art. 3º, § 2º, do CPC), qualquer que seja, quando possível, 
porém, assegurando a jurisdição às partes. Além disso, o Novo Código de Processo 
Civil zela por um incentivo a optar por métodos de solução consensual de conflitos, 
sendo tal tarefa encarregada aos juízes, advogados, defensores públicos e membros 
do Ministério Público, tarefa que deve ser entendida como sendo solidária entre os 
agentes elencados no art. 3º, § 3º, do CPC, fora que não é algo que deva ser zelado 
uma única vez, mas sim um ônus que os compete até o fim do processo.
Outro ponto interessante do novo diploma processual é a positivação da 
admissão da arbitragem (Art. 3º, § 1º, do CPC). Na realidade, no ordenamento jurídico 
brasileiro, não se trata de uma novidade, mas sim um aperfeiçoamento do art. 24 da 
lei dos Juizados Especiais244, vez que a previsão lá constante se refere a possibilidade 
de juízes leigos atuarem como árbitros, ou seja, uma espécie de intermediação entre 
a arbitragem e a jurisdição. Ocorre que no ano subsequente à sanção da lei dos 
Juizados Especiais, foi aprovada e sancionada outra lei, a Lei nº 9.307, de 23 de 
setembro de 1996, a qual regulava totalmente o instituto da arbitragem, sendo que 
a partir desse advento houve o reconhecimento da arbitragem privada245 (similar ao 
estágio primário desse instituto), porém, apenas sobre direitos disponíveis, devendo 
os indisponíveis serem submetidos à jurisdição246.
Assim, a proposta do art. 3º, § 1º, do Código de Processo Civil de 2015 é além 
de aperfeiçoar o art. 24 da lei dos Juizados Especiais (Lei nº 9.099/95), corroborar a 
lei da arbitragem (Lei nº 9.307/96), porém, apenas permitir a utilização dessa “justiça 
privada” e não incentivar sua utilização, vez que os meios que são incentivados por 
esse diploma legal são exclusivamente os que buscam uma solução consensual, o 
que não é o caso da arbitragem por se tratar de uma heterocomposição, ou seja, o 
julgamento do árbitro nos moldes do Estado-juiz.
244 Analisando-se a lei dos Juizados Especiais, é possível extrair do Art. 24, caput, o seguinte texto: 
“Art. 24. Não obtida a conciliação, as partes poderão optar, de comum acordo, pelo juízo arbitral, 
na forma prevista nesta Lei”. BRASIL. Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995. Juizados 
Especiais. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9099.htm. Acesso em: 19 
de fev. 2017. Art. 24, caput. 
245 Analisando-se a lei da arbitragem, é possível extrair do Art. 1º, caput, o seguinte texto: “Art. 1º 
As pessoas capazes de contratar poderão valer-se da arbitragem para dirimir litígios relativos 
a direitos patrimoniais disponíveis”. BRASIL. Lei nº 9.307, de 23 de setembro de 1996. Dispõe 
sobre a arbitragem. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9307.htm. Acesso 
em: 19 de fev. 2017. Art. 1º, caput.
246 
 No mesmo exemplo anterior acerca do pleito para a cobrança de um aluguel, tratando-se da 
cobrança do aluguel, na perspectiva proposta pela lei da arbitragem, esse conflito poderia ser 
submetido ao juízo arbitral, porém, àquela cobrança do débito alimentício, por sua vez, deveria 
de permanecer sob a jurisdição estatal, vez que se trata de um direito indisponível, em regra.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 271
Pontua-se, ainda, com relação ao Novo Código de Processo Civil, a criação de 
um ato processual destinado exclusivamente com o objetivo de buscar uma solução 
pacífica e consensual para o litígio, a chama audiência preliminar, a qual pode ser tanto 
uma conciliação, quanto uma mediação, dependendo da opção feita pelas partes, nos 
moldes do art. 334, caput, do Código de Processo Civil de 2015247.248
Outro ponto de grande valia para a temática aqui explorada é o art. 695 do Novo 
Código de Processo Civil, o qual versa acerca da obrigatoriedade na realização dessa 
audiência preliminar, independente da vontade das partes, no novo procedimento 
especial de família.249
Considerando a fragilidade dos assuntos envolvendo direito de família, não 
apenas o art. 695 do CPC é louvável, mas sim a reserva de um espaço dentro desse 
novo diploma legal para o melhor tratamento dessa matéria.
 
Além desses pontos, há outro de suma importância para os meios consensuais 
no Novo Código de Processo Civil, a seção destinada a regular aspectos dos 
conciliadores e mediadores judiciais (Art. 165 – Art. 175 do CPC), 
regulando questões como a criação de centros judiciários de solução 
consensual de conflitos. A inscrição dos conciliadores e mediadores nos Egrégios 
Tribunais de Justiça. A positivação da conciliação e mediação extrajudicial (Art. 168 
do CPC), dentre tantos outros.
Por fim, vale destacar a criação de uma lei destinada a regular a mediação, 
Lei nº 13.140, de 26 de junho de 2015, a qual deve ser compreendida como uma 
lei especial, da qual, havendo omissões exclusivamente com relação à mediação 
no Novo Código de Processo Civil, essa lei servirá como norte para este instituto. 
Justamente pelo fato da mediação ser diferente da conciliação, seria inviável pensar 
247 Analisando-se o Código de Processo Civil de 2015, é possível extrair do Art. 334, caput, o 
seguinte texto: “Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso 
de improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação 
com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte) 
dias de antecedência”. BRASIL. Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015. Código de Processo 
Civil. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm. 
Acesso em: 19 de fev. 2017. Art. 334, caput.
248 Não há uma obrigatoriedade de que a audiência preliminar deva ocorrer, porém, havendo o 
manifesto interesse de optar por um possível acordo, a audiência será realizada, fora que para 
o ato não ocorrer, é necessário a manifestação deambas as partes na sua não realização (Art. 
334, § 4º, inc. I, do CPC), e, por óbvio, não ocorrerá esse ato quando versar sobre direito que não 
admita autocomposição (Art. 334, § 4º, inc. II, do CPC).
249 
 Daniel Amorim Assumpção Neves, por exemplo, faz pontual comentário acerca dessa mudança: 
“Como já devidamente analisado no procedimento comum, a audiência de conciliação e mediação 
pode não ocorrer quando ambas as partes se opuserem à sua realização. Nas ações de família, 
entretanto, o silêncio do art. 695 do Novo CPC permite a conclusão de que nessas ações a 
audiência é obrigatória, independentemente da vontade das partes” (Novo Código de Processo 
Civil comentado. Salvador: Juspodivm, 2016, p. 1099).
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 272
em uma flexibilização da lei da mediação para a aplicação na conciliação. Caso a 
disposição constante no CPC seja insuficiente para a nova realidade da conciliação, 
será necessário a elaboração de uma lei própria à conciliação.
Na realidade, diferente do que parece, a ideia de meio consensual para a 
solução de problemas aqui estudada não nasceu com o Código de Processo Civil 
de 2015, afinal, tem como marco inicial a Resolução nº 125250, de 2010, do Conselho 
Nacional de Justiça. Versando-se acerca de conciliação e mediação, essa resolução 
é o mais importante instrumento normativo até a edição do Código de Processo Civil 
de 2015.251
Dessa forma, pensar em Código de Processo Civil de 2015 e “métodos 
adequados de solução de conflitos”, em especial a conciliação e a mediação (haja vista 
a característica da arbitragem), remete-se (ou pelo menos deveria) ao pensamento de 
algo essencial ao outro, porquanto um sustenta o outro no pensamento moderno de 
processo, além do mais, trata-se de algo maior do que um resultado meramente eficaz 
e econômico, fala-se de um exercício de cidadania, vez que terão real efetividade e 
serão, de fato, métodos adequados de solução de conflitos, caso os conflitantes atuem 
como protagonistas da decisão que os acompanhará para a vida inteira, aumento 
assim a possibilidade da decisão ser cumprida e de se atingir a realidade daquela 
pessoa.252
Percorrer-se-á um longo caminho até que a mentalidade litigiosa da população 
brasileira possa se adequar a essa nova visão esperada pelo CNJ e pelo CPC/2015, 
porém, é uma mudança louvável e necessária.
II.III – A crise do poder judiciário brasileiro e os métodos adequados de 
resolução de conflitos como sua panaceia
Nesse momento em que o Brasil registra a marca de cem milhões de processos 
tramitando, cogita-se a possibilidade dos meios adequados de solução de conflitos 
como sendo a panaceia para a crise do Poder Judiciário brasileiro.
250 “Esta Resolução, por exemplo: a) institui a Política Pública de tratamento adequado dos conflitos 
de interesses (art. 1º); b) define o papel do Conselho Nacional de Justiça como organizador 
desta política pública no âmbito do Poder Judiciário (art. 4º); c) impõe a criação, pelos tribunais, 
dos centros de solução de conflitos e cidadania (art. 7º); d) regulamenta a atuação do mediador 
e do conciliar (art. 12), inclusive criando o seu Código de Ética (anexo da Resolução); e) imputa 
aos centros de solução de conflitos e cidadania (art. 13); f) define o currículo mínimo para o curso 
de capacitação dos mediadores e conciliadores”. DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito 
Processual Civil. 17. Ed. Salvador: Juspodivm, 2015, v.1, p. 274.
251 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015, v.1, p. 274.
252 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015, v.1, p. 273.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 273
Pensa-se em desenvolver o raciocínio partindo da premissa de que o Poder 
Judiciário não é o único responsável pela solução dos conflitos existentes na sociedade, 
porém, assumindo grande parte do papel (se não integral) da responsabilidade pelo 
atual cenário.253
Todos os meios de solução de conflitos analisados neste trabalho não 
constituem apenas uma reminiscência histórica, com ressalvas à autotutela (quando 
não for legalmente prevista). Pensando-se em uma sociedade contemporânea, 
todos os meios de solução de conflitos possuem o seu respectivo espaço e papel, 
especialmente a arbitragem e a autocomposição, aliás, atualmente é possível verificar 
um redimensionamento do papel da jurisdição estatal, com a revalorização da 
autocomposição e da arbitragem, isso com o objetivo254 de conscientizar que a jurisdição 
não é sempre a via mais indicada para determinados conflitos da sociedade.255
Toda a evolução e construção da jurisdição leva a pensar nela como sendo uma 
forma natural de solução de conflitos, tratando as demais formas como secundárias, 
em outras palavras, solidificou-se a ideia de uma hierarquia na solução dos conflitos, 
de modo a ser a jurisdição a principal representante desse sistema, enquanto a 
autocomposição e a arbitragem (fora a autotutela, isso quando legalmente prevista) 
sendo subsidiárias àquela.256
Nasce, assim, a cultura da terceirização dos litígios, cultura pautada na ideia 
de que delegar ao Poder Judiciário a atribuição da resolução dos conflitos entre as 
pessoas é algo mais natural do que haver um mútuo esforço entre os conflitantes para 
a resolução por si mesmos. “Parecem assumir sua incapacidade de superar suas 
desavenças, transferindo essa função ao Estado”.257
Nesse contexto é possível concluir que a própria geração (seja de juristas ou 
não) foi criada e ensinada nessa “cultura do litígio”, vendo uma solução consensual 
como algo injusto, enquanto a realidade do meio consensual para a resolução dos 
253 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 9.
254 Na realidade o professor Luis Eduardo Simardi Fernandes (Formas de solução dos litígios. In: 
Teoria Geral do Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 10) 
apresenta que além da conscientização para a opção de outros meios de solução de conflitos 
que não sejam a jurisdição, seria objetivo, também, uma forma de desafogar o Poder Judiciário. 
Respeita-se o posicionamento do professor FERNANDES, porém, pensa-se que esse objetivo 
de desafogar o Poder Judiciário seria um dos reflexos dessa conscientização acerca da opção 
por outros meios como a autocomposição e a arbitragem. É um resultado natural e esperado 
para a proposta do Novo Código de Processo Civil.
255 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 9-10.
256 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 10.
257 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 10.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 274
conflitos seria o de atingir os reais objetivos do conflito, o que, em muitos dos casos, 
a jurisdição é incapaz de fazer.
Certo é, de qualquer forma, que quando a Constituição Federal consagra o 
princípio da inafastabilidade da tutela jurisdicional (art. 5º, inciso XXXV, da Constituição 
Federal), tal previsão constitucional deve ser interpretada como garantia das partes 
à ordem jurídica justa, aos meios adequados de solução de controvérsias, não 
obrigatoriamente pela via da heterocomposição, e muito menos necessariamente pela 
via jurisdicional estatal.258
Dessa forma, o princípio do acesso à justiça na visão moderna busca ir além 
da mera garantia à jurisdição, busca garantir a justiça por intermédio da arbitragem e a 
autocomposição, emespecial o último, sabendo-se que caso não ocorram, a jurisdição 
estatal sempre será um direito a qualquer litigante.
Errôneo é o pensamento de que a autocomposição e a arbitragem seriam a 
solução para a crise do Poder Judiciário.259
Na realidade, trata-se de um pensamento doentio. Os métodos adequados 
de solução de conflitos devem ser encarados como uma das formas de resolver o 
conflito, não necessariamente a mais eficaz, nem mesmo como forma de desafogar 
o Poder Judiciário, rompendo-se a visão hierárquica que se tem acerca dos meios e 
estabelecendo-se uma linha plana de opções aos litigantes.
Além disso, o pensamento dos meios adequados de solução de conflitos como 
panaceia para o Poder Judiciário é algo egoísta, vez que estão sendo tratados acerca 
dos problemas dos conflitantes, e não do Estado. O próprio Estado é o responsável 
principal pelo atual cenário que está sendo vivenciado, sendo algo egoísta impor 
aos conflitantes que optem por meios consensuais caso queiram a jurisdição. A 
jurisdição é um dos meios constitucionalmente assegurados aos litigantes, não 
necessariamente o único, porém, permanece como um direito deles. Versando acerca 
de direitos disponíveis, a função do Estado é demostrar que em muitos dos casos os 
problemas poderiam ser resolvidos com maior facilidade, maior efetividade e chance 
de cumprimento natural caso fossem optados métodos como conciliação e mediação, 
porém, em hipótese alguma deve forçar aos jurisdicionados que aceitem esses meios.
Nessa linha desenvolve Fredie Didier Júnior260: “É perigosa e ilícita a postura de 
alguns juízes que constrangem as partes à realização de acordos judiciais”.
258 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 11.
259 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015, v.1, p. 279.
260 DIDIER JÚNIOR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. 17. ed. Salvador: Juspodivm, 
2015, v.1, p. 280.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 275
A crise que está sendo vivenciada pelo Poder Judiciário será normalizada, 
porém, não devendo a autocomposição e a arbitragem serem tratadas como 
forma de resolver essa problemática, mas sim será a panaceia para essa crise a 
consciencialização de outros métodos tão efetivos quanto à jurisdição, em outras 
palavras, a solução para a crise do Poder Judiciário encontrará um fim, sendo esse 
fim encontrado nos reflexos das políticas públicas que estão sendo iniciadas em pleno 
século XXI.
A conciliação não pode e não deve ser prioritariamente vista como forma de 
desafogar o Poder Judiciário. Ela é desejável essencialmente porque é mais construtiva. 
O desafogo vem como consequência, e não como a meta principal. Essa constatação 
é importante: um enfoque distorcido do problema pode levar a resultados indesejados. 
Vista como instrumento de administração de máquina judiciária, a conciliação passa a 
ser uma preocupação com estatísticas. Sua recusa pelas partes – direito mais do que 
legítimo – passa a ser vista como uma espécie de descumprimento de um dever cívico 
e, no processo, pode fazer com que se tome como inimigo do Estado aquele que não 
está disposto a abrir mão de parte do que entende ser seu direito. Daí a reputar a parte 
intransigente como litigante de má-fé vai um passo curto. Isso é a negação de garantia 
constitucional da ação e configura quebra do compromisso assumido pelo Estado de 
prestar justiça. Esse mesmo Estado proíbe que o cidadão, salvo raras exceções, faça 
justiça pelas próprias mãos.261
Flávio Luiz Yarshell, no trecho acima, resume todo o exposto neste tópico, 
porém de forma restrita à conciliação.
Impossível pensar que os reflexos serão visíveis logo em seus primeiros anos, 
muito pelo contrário, afinal, foram várias décadas para a lapidação de um pensamento 
litigioso na sociedade, de mesmo modo que serão vários anos (ou até mesmo décadas) 
para a mudança desse pensamento.
Para que esse novo pensamento seja aceito pela sociedade, o próprio 
ensino do direito deve explorar essa nova perspectiva, de modo a apresentar que 
uma efetiva solução para desavenças muitas vezes não se encontra na jurisdição. “O 
desenvolvimento dessa nova cultura passa, necessariamente, pela conscientização 
do profissional do direito, desde o início da sua formação, para que possa avaliar, 
frente a um caso concreto, qual caminho parece-lhe mais adequado”.262
III – conclusão
Com essa breve digressão, espera-se ter demonstrado os principais pontos 
da questão em testilha, bem como ter respondido a questão disposta no título deste 
261 YARSHELL, Flávio Luiz. “Para pensar a Semana Nacional da Conciliação”. Folha de São Paulo, 
08.12.2009, p. A3
262 FERNANDES, Luis Eduardo Simardi. Formas de solução dos litígios. In: Teoria Geral do 
Processo Contemporâneo. Luiz Dellore et al. São Paulo: Atlas, 2016, p. 11.
ANAIS DO SIMPÓSIO BRASILEIRO DE PROCESSO CIVIL 276
trabalho, seriam os métodos adequados de solução de conflitos a panaceia para a 
crise do Poder Judiciário?
O Poder Judiciário não é o único responsável pela solução dos conflitos 
existentes na sociedade, porém, assumindo grande parte do papel (se não integral) 
da responsabilidade pelo atual cenário.
Todos os meios de solução de conflitos analisados neste trabalho não 
constituem apenas uma reminiscência histórica, com ressalvas à autotutela (quando 
não for legalmente prevista).
Pensando-se em uma sociedade contemporânea, todos os meios de solução 
de conflitos possuem o seu respectivo espaço e papel, especialmente a arbitragem 
e a autocomposição, aliás, atualmente é possível verificar um redimensionamento do 
papel da jurisdição estatal, com a revalorização da autocomposição e da arbitragem, 
isso com o objetivo de conscientizar que a jurisdição não é sempre a via mais indicada 
para determinados conflitos da sociedade.
Toda a evolução e construção da jurisdição leva a pensar nela como sendo uma 
forma natural de solução de conflitos, tratando as demais formas como secundárias, 
em outras palavras, solidificou-se a ideia de uma hierarquia na solução dos conflitos, 
de modo a ser a jurisdição a principal representante desse sistema, enquanto a 
autocomposição e a arbitragem (fora a autotutela, isso quando legalmente prevista) 
sendo subsidiárias àquela.
O acesso à justiça na visão moderna busca ir além da mera garantia à 
jurisdição, busca garantir a justiça por intermédio da arbitragem e a autocomposição, 
em especial o último, sabendo-se que caso não ocorram, a jurisdição estatal sempre 
será um direito a qualquer litigante.
Errôneo é o pensamento de que a autocomposição e a arbitragem seriam a 
solução para a crise do Poder Judiciário.
Os métodos adequados de solução de conflitos devem ser encarados como 
uma das formas de resolver o conflito, não necessariamente a mais eficaz, nem mesmo 
como forma de desafogar o Poder Judiciário, rompendo-se a visão hierárquica que se 
tem acerca dos meios e estabelecendo-se uma linha plana de opções aos litigantes.
Além disso, o pensamento dos meios adequados de solução de conflitos como 
panaceia para o Poder Judiciário é algo egoísta, vez que estão sendo tratados acerca 
dos problemas dos conflitantes, e não do Estado. O próprio Estado é o responsável 
principal pelo atual cenário que está sendo vivenciado, sendo algo egoísta impor 
aos conflitantes que optem por meios consensuais caso queiram a jurisdição. A 
jurisdição é um dos meios constitucionalmente assegurados aos litigantes, não 
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necessariamente o único, porém, permanece como um direito deles. Versando acerca 
de direitos disponíveis, a função do Estado é demostrar que em muitos dos casos os 
problemas poderiam ser resolvidos com maior facilidade, maior efetividade

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