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ATIVIDADE 1 NOME: NATANAEL KRINDGES DA SILVA 1. Procedimentos Necessários para Intermediar o Negócio Considerando o Processo de Divórcio do Proprietário A situação de divórcio do vendedor Pedro exige atenção redobrada para garantir a segurança jurídica da transação. · Verificação do Regime de Bens do Casamento: É crucial identificar o regime de bens sob o qual Pedro e sua ex-cônjuge eram casados (comunhão parcial de bens, comunhão universal de bens, separação total de bens ou participação final nos aquestos). Isso determinará a necessidade de outorga uxória/marital (consentimento do ex-cônjuge) para a venda. · Comunhão Parcial ou Universal: Mesmo com o divórcio em andamento, se o imóvel foi adquirido durante o casamento (ou antes, no caso da comunhão universal), a anuência do ex-cônjuge é indispensável. · Separação Total de Bens: Se este for o regime e o imóvel estiver registrado apenas em nome de Pedro, a anuência pode não ser necessária, mas é prudente verificar a data de aquisição e o pacto antenupcial. · Análise da Petição de Divórcio e Partilha de Bens: · Solicitar cópia da petição inicial do divórcio, da decisão que homologou o acordo (se houver) ou da sentença. · Verificar se o imóvel objeto da venda está arrolado na partilha de bens e se há consenso judicial sobre sua alienação. · Idealmente, a partilha já deve estar homologada e averbada na matrícula do imóvel. · Obtenção da Anuência Expressa do Ex-Cônjuge: · Mesmo havendo consenso, é fundamental obter uma declaração formal de anuência do ex-cônjuge com a venda e os termos da negociação, preferencialmente por instrumento público ou particular com firma reconhecida. · Se a partilha já estiver averbada e o imóvel couber integralmente a Pedro, essa anuência pode ser dispensada, mas a análise documental é chave. · Alvará Judicial (se necessário): · Caso o divórcio ainda não tenha sido finalizado e a partilha não definida, ou se um dos cônjuges for incapaz, pode ser necessário um alvará judicial autorizando a venda do imóvel. · Se houver consenso e ambos os cônjuges forem capazes, e o juiz já tiver homologado o acordo de divórcio que prevê a venda, essa homologação pode ter força de alvará, dependendo do teor da decisão. · Representação Legal: Verificar se as partes estão devidamente representadas por advogados no processo de divórcio. · Comunicação Transparente: Manter João (comprador) ciente da situação e dos passos que estão sendo tomados para garantir a segurança da transação. Recomendação Principal: A maior segurança é aguardar a formalização da partilha de bens e sua averbação na matrícula do imóvel. Se a urgência for grande, a obtenção de um alvará judicial específico para a venda ou a anuência expressa e inequívoca do ex-cônjuge (preferencialmente como interveniente anuente na escritura de compra e venda) são caminhos, mas com maior complexidade e risco. 2. Taxas e Tributos Necessários Diversas taxas e tributos incidem sobre operações imobiliárias. É importante que ambas as partes estejam cientes. · Para o Vendedor (Pedro): · Imposto de Renda sobre Ganho de Capital (IRGC): Se houver lucro na venda do imóvel (diferença entre o valor de venda e o valor de aquisição declarado anteriormente), incidirá uma alíquota de 15% sobre esse ganho para imóveis vendidos por até R$ 5 milhões. Existem situações de isenção (ex: venda de único imóvel residencial até R$ 440 mil e não ter vendido outro nos últimos 5 anos; utilização do valor da venda para aquisição de outro imóvel residencial no país em até 180 dias). · No caso da permuta (torna): Se Pedro receber um valor em dinheiro (torna) além do imóvel de João, o ganho de capital será calculado proporcionalmente sobre essa torna. Se não houver torna, e os valores dos imóveis forem equivalentes na permuta, não há ganho de capital a ser apurado. No caso, como o imóvel de Pedro (R$ 350.000) é mais valioso que o de João (R$ 150.000) e ele receberá R$ 200.000 (R$ 100.000 em dinheiro + R$ 100.000 financiados), o ganho de capital será calculado sobre essa diferença, considerando o custo de aquisição do imóvel de Pedro. · Comissão Imobiliária: Percentual sobre o valor da venda, conforme acordado com a imobiliária/corretor. Usualmente entre 5% e 6%. · Custos com Documentação: Obtenção de certidões negativas e outros documentos que possam ser necessários para comprovar a regularidade do imóvel e do vendedor. · Para o Comprador (João): · Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI): Imposto municipal. A alíquota varia conforme o município (geralmente entre 2% e 3% sobre o valor venal do imóvel ou o valor da transação, o que for maior). · Na permuta: O ITBI incide sobre o valor de ambos os imóveis. Cada permutante paga o imposto referente ao imóvel que está adquirindo. João pagará ITBI sobre os R$ 350.000,00. Pedro pagará ITBI sobre os R$ 150.000,00. Alguns municípios podem ter regras específicas para permuta, como cobrar sobre a diferença de valores, mas o mais comum é sobre o valor total de cada aquisição. · Custos de Cartório (Escritura e Registro): · Escritura Pública: Necessária para formalizar a transação (compra e venda, e a permuta). Os custos são tabelados e variam conforme o valor do imóvel e o estado. · Registro do Imóvel: Após a lavratura da escritura, ela deve ser registrada no Cartório de Registro de Imóveis (CRI) competente para efetivar a transferência da propriedade. Os custos também são tabelados. · Custos do Financiamento Imobiliário: · Taxa de Avaliação do Imóvel: Cobrada pelo banco para avaliar o imóvel que será dado em garantia. · Seguros Obrigatórios: Seguro de Morte e Invalidez Permanente (MIP) e Danos Físicos ao Imóvel (DFI), embutidos nas parcelas do financiamento. · Outras Tarifas Bancárias: Podem existir tarifas de análise de crédito ou administrativas. · Comissão Imobiliária (se aplicável): Em algumas negociações, pode ser dividida ou o comprador arcar com uma parte, mas usualmente é do vendedor. · Custos com Documentação: Obtenção de certidões pessoais. · Para Ambos (na permuta): · Escritura Pública de Permuta (ou Compra e Venda com Dação em Pagamento): Os custos da escritura que formaliza a troca dos imóveis e o pagamento da diferença serão, em geral, divididos ou negociados entre as partes, mas cada um arcará com o registro do imóvel que adquire. 3. Procedimentos Realizados para o Processo de Compra e Venda, Considerando a Permuta A permuta adiciona uma camada de complexidade, pois envolve duas transferências de propriedade simultâneas (ou quase). · Due Diligence Completa de Ambos os Imóveis e Proprietários: · Imóvel de Pedro (R$ 350.000): · Matrícula atualizada do imóvel (validade de 30 dias). · Certidão de Ônus Reais e Ações Reais e Pessoais Reipersecutórias. · Certidão Negativa de Débitos de IPTU. · Certidão Negativa de Débitos Condominiais (declaração do síndico com firma reconhecida e ata da assembleia que o elegeu). · Habite-se ou Auto de Conclusão (para verificar a regularidade da construção). · Plantas aprovadas (se aplicável). · Imóvel de João (R$ 150.000): · Mesma documentação acima. · Proprietários (Pedro, seu ex-cônjuge, e João): · Certidões Negativas de Protestos. · Certidões Negativas de Ações Cíveis e Criminais da Justiça Estadual e Federal. · Certidão Negativa da Justiça do Trabalho. · Certidão Negativa da Receita Federal e Estadual. · Consulta ao SERASA/SPC. · Avaliação dos Imóveis: Embora os valores já estejam definidos, para fins de ITBI e registro, os valores venais de referência ou de mercado podem ser considerados pelos órgãos públicos. No caso do financiamento de João, o banco fará sua própria avaliação do imóvel de Pedro. · Elaboração do Contrato de Promessa de Compra e Venda com Permuta (ou Instrumento Particular de Permuta com Torna): · Este é um documento crucial e deve ser muito bem redigido, preferencialmente por um advogado especialista. · Cláusulas Essenciais: · Qualificação completa das partes (João, Pedro e ex-cônjuge de Pedro, se necessário como anuente). · Descrição detalhada de ambos os imóveis (conforme matrículas). · Valores atribuídos acada imóvel e o valor da "torna" (diferença a ser paga por João: R$ 200.000,00, sendo R$ 100.000,00 em dinheiro e R$ 100.000,00 via financiamento). · Forma e prazo de pagamento da torna. · Condição suspensiva: A efetivação do negócio pode ser condicionada à aprovação final do financiamento de João e à regularização da situação do divórcio de Pedro (ex: averbação da partilha ou obtenção de alvará). · Data da posse de cada imóvel. · Responsabilidade por débitos anteriores (IPTU, condomínio). · Cláusula resolutiva expressa (em caso de inadimplemento). · Previsão sobre quem arcará com os custos de ITBI, escritura e registro de cada imóvel. · Declaração de inexistência de outros ônus ou ações sobre os imóveis, além dos já declarados. · Previsão sobre a apresentação das certidões negativas. · Formalização da Torna: · Parte em Dinheiro (R$ 100.000,00): Definir se será paga como sinal (arras) na assinatura do contrato de promessa ou na data da escritura definitiva. Recomenda-se que o pagamento substancial ocorra na escritura. · Parte Financiada (R$ 100.000,00): O contrato deve prever que esta parte será paga diretamente pelo banco a Pedro, após o registro da escritura com alienação fiduciária em nome do banco. · Escritura Pública: · Pode ser uma única escritura de "Permuta com Torna" ou uma escritura de "Venda e Compra" para o imóvel de Pedro, onde parte do pagamento é o imóvel de João (dação em pagamento), e outra escritura de "Venda e Compra" para o imóvel de João. A opção mais simples e comum é a Escritura Pública de Venda e Compra com Dação em Pagamento e Financiamento Bancário. · Nesta escritura, constarão todas as condições: João compra o imóvel de Pedro por R$ 350.000,00. Paga R$ 150.000,00 entregando seu apartamento (dação em pagamento), R$ 100.000,00 com recursos próprios, e R$ 100.000,00 através de financiamento bancário concedido a João, que será pago diretamente a Pedro pelo banco. · Registro das Operações: · Após a assinatura da escritura, ela deve ser levada a registro nos Cartórios de Registro de Imóveis competentes para cada um dos imóveis. · O imóvel de Pedro será registrado em nome de João (com alienação fiduciária ao banco). · O imóvel de João será registrado em nome de Pedro. · Liberação do Financiamento: O banco geralmente libera os R$ 100.000,00 para Pedro após a apresentação da escritura devidamente registrada com a alienação fiduciária em seu favor. 4. Relação de Documentos Necessários, Incluindo o do Agente Financeiro A documentação é extensa e fundamental para a segurança da transação. A. Documentos dos Vendedores (Pedro e ex-cônjuge, se aplicável): · Pessoais: · RG e CPF (ou CNH válida). · Comprovante de estado civil: · Se casado: Certidão de casamento atualizada (com averbação do divórcio, se já decretado, e da partilha de bens, se já realizada). · Se divorciado/separado: Certidão de casamento com averbação do divórcio/separação e formal de partilha (ou escritura pública de divórcio e partilha). · Se viúvo: Certidão de casamento e certidão de óbito do cônjuge, formal de partilha. · Se solteiro: Certidão de nascimento atualizada. · Comprovante de residência atual. · Profissão e, se possível, comprovante de renda (alguns cartórios e bancos podem solicitar). · Pacto antenupcial registrado, se houver. · Relacionado ao Divórcio: · Cópia da petição inicial do divórcio. · Sentença homologatória do divórcio e da partilha (se houver). · Formal de Partilha (se já expedido e registrado/averbado). · Alvará judicial autorizando a venda (se necessário). · Declaração de anuência do ex-cônjuge (se a partilha não estiver finalizada/averbada). · Certidões Negativas Pessoais (do casal, se o bem ainda for comum): · Certidão dos Distribuidores Cíveis da Justiça Estadual (ações cíveis, execuções fiscais estaduais e municipais) – do local de residência e da localização do imóvel (últimos 10 anos). · Certidão da Justiça Federal (ações cíveis, criminais e execuções fiscais federais) – do local de residência e da localização do imóvel (últimos 10 anos). · Certidão Negativa de Débitos Trabalhistas (CNDT) – emitida pelo TST. · Certidão de Protestos de Títulos – dos cartórios de protesto do local de residência e da localização do imóvel (últimos 5 anos). · Certidão Negativa de Débitos Relativos a Créditos Tributários Federais e à Dívida Ativa da União (Receita Federal). · Certidão Negativa de Débitos Tributários Estaduais (Secretaria da Fazenda Estadual). · Certidão Negativa de Débitos Tributários Municipais (Prefeitura – referente a outros tributos além do IPTU do imóvel). · Certidões de objeto e pé de eventuais ações positivas. B. Documentos do Imóvel de Pedro (a ser vendido para João): · Matrícula do Imóvel: Atualizada (emitida há menos de 30 dias) e com Certidão de Ônus Reais e Ações Reais e Pessoais Reipersecutórias, obtida no Cartório de Registro de Imóveis competente. · Certidão Negativa de Débitos de IPTU: Ou carnês pagos dos últimos 5 anos, ou certidão de situação fiscal imobiliária. · Declaração de Quitação de Débitos Condominiais: Assinada pelo síndico (com firma reconhecida) e cópia da ata da assembleia que o elegeu. · Contas de Consumo: Últimas contas pagas de água, luz, gás (para comprovar inexistência de débitos). · Planta Baixa Aprovada pela Prefeitura e "Habite-se" ou Auto de Vistoria/Conclusão: Especialmente se o banco financiador exigir. · ART/RRT (Anotação/Registro de Responsabilidade Técnica): Se houver reformas recentes significativas. C. Documentos do Comprador (João): · Pessoais: · RG e CPF (ou CNH válida). · Comprovante de estado civil: · Se casado: Certidão de casamento atualizada. Se houver pacto antenupcial, apresentá-lo. · Se solteiro: Certidão de nascimento atualizada. · Se divorciado/separado: Certidão de casamento com averbação. · Se viúvo: Certidão de casamento e certidão de óbito do cônjuge. · Comprovante de residência atual. · Comprovante de renda (holerites, extratos bancários, declaração de Imposto de Renda – essencial para o financiamento). · Carteira de Trabalho (CTPS) e extrato do FGTS (se for utilizar). · Certidões Negativas Pessoais (similar ao vendedor, mas o foco é a capacidade de crédito): · Consulta ao SPC/SERASA. · Outras certidões podem ser solicitadas pelo banco. D. Documentos do Imóvel de João (a ser permutado com Pedro): · Mesma documentação listada no item B (Documentos do Imóvel de Pedro). E. Documentos Exigidos pelo Agente Financeiro (Banco) para Aprovação do Crédito de João (além dos pessoais de João e do imóvel de Pedro): · Proposta de Financiamento Preenchida e Assinada. · Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF): Completa, com recibo de entrega, do último exercício. · Comprovantes de Renda Recentes: · Assalariados: Últimos 3 a 6 holerites. · Autônomos/Profissionais Liberais: DECORE, extratos bancários dos últimos 3 a 6 meses, contratos de prestação de serviços, IRPF. · Empresários: Contrato social da empresa, últimos pró-labores, IRPF, faturamento da empresa. · Extrato do FGTS: Se for utilizar para compor o pagamento. · Laudo de Avaliação do Imóvel de Pedro: O banco providenciará a avaliação após a entrega da documentação inicial do imóvel. · Opção de Compra e Venda ou Contrato de Promessa de Compra e Venda: Assinado entre João e Pedro. · Certidões do Vendedor (Pedro e ex-cônjuge, se necessário) e do Imóvel de Pedro: O banco fará uma análise jurídica completa.