Prévia do material em texto
■ a) b) c) 6. EMPREGADO Empregado é a pessoa física que pessoalmente presta serviços não eventuais, sob a dependência de empregador e mediante remuneração (arts. 2º e 3º da CLT). Assim: o empregado é sempre pessoa física. Isto decorre da natureza do contrato de trabalho, pelo qual se contrata a prestação pessoal de serviços (intuitu personae), o que afasta, logicamente, a possibilidade de ser o empregado pessoa jurídica. A pessoa jurídica jamais poderá executar o próprio trabalho, fazendo-o por meio de pes soas físicas. os serviços contratados são prestados de modo não eventual, isto é, a utilização da força de trabalho, como fator de produção, corresponde às necessidades normais da atividade econômica em que é utilizada e se prolongam no tempo. A duração da prestação não importa; pela própria natureza da atividade do empregador, o serviço pode ser prestado apenas durante poucas horas diariamente, bastando que não seja excepcional ou transitório em relação à atividade do estabelecimento. a prestação do serviço é realizada de forma subordinada às ordens do empregador e não se dá sob forma autônoma, isto é, o trabalhador não exerce, ele próprio, uma atividade econômica. É preciso, portanto, para ser empregado, que o trabalhador se d) limite a permitir que sua força de trabalho seja utilizada na atividade econômica e produtiva exercida por outrem, a quem fica, por isso, juridicamente subordinado. o trabalho prestado é remunerado, ou seja, não se dá a título gratuito, porque o contrato de trabalho é oneroso. Não é a falta de estipulação do quantum do salário ou o seu pagamento sob forma indireta que desfiguram a condição de empregado, e sim a intenção de prestar o serviço desinteressadamente, por mera benevolência. Não há distinção entre o trabalho intelectual, técnico e manual (art. 3º, parágrafo único, CLT), sendo proibida a distinção entre essas formas de trabalho e os profissionais respectivos (art. 7º, XXXII, CF). ■ ■ ■ ■ ■ a) 7. EMPREGADOR O legislador define empregador como “a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços” (art. 2º, caput, CLT). Também podem ser empregadores os entes não dotados de personalidade jurídica (condomínio, massa falida, espólio), desde que admitam trabalhadores como empregados. A lei equiparou ao empregador, “para os efeitos exclusivos da relação de emprego” (art. 2º, § 1º, CLT), desde que admitam empregados: os profissionais liberais; as instituições de beneficência; as associações recreativas; outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. Assim, empregador é o tomador dos serviços; aquele que contrata o trabalho prestado de forma pessoal, subordinada, contínua e mediante remuneração pelo empregado. A noção de empregador está essencialmente relacionada ao conceito de empregado, ou seja, se em um dos polos da relação jurídica existir trabalho prestado por alguém com pessoalidade, não eventualidade, subordinação e remuneração, do outro lado haverá um empregador. Portanto, o empregador: pode ser pessoa física ou jurídica, e, ainda, ente despersonalizado; b) c) d) e) ■ pode ter ou não finalidade lucrativa; assume os riscos da atividade econômica (alteridade); exerce o poder de direção, subordinando o empregado às suas ordens; é responsável pelo pagamento dos salários e pelo cumprimento de todos os direitos do empregado estabelecidos pelas normas trabalhistas. 7.1. Poder de direção do empregador Ao ser contratado, o empregado transfere para o empregador o poder de direção sobre seu trabalho, passando a ser subordinado ao mesmo. Assim estrutura-se a relação jurídica objeto do Direito do Trabalho: de um lado, o poder de direção, reconhecido pela ordem jurídica ao empregador e exercido como contrapartida aos riscos da atividade econômica inerentes à própria atividade empresarial; de outro lado, o estado de subordinação do empregado, que se submete às regras de caráter hierárquico e técnico impostas pelo empregador. O poder de direção se divide em poder de organização (ou de comando), em poder de controle (ou de fiscalização) e poder disciplinar. O poder de organização consiste na faculdade que tem o empregador de determinar as atividades que serão exercidas pelo empregado e de definir as condições concretas e as regras gerais de trabalho a serem obedecidas pelo empregado, tais como jornada e horário de trabalho, processos de trabalho adotados no estabelecimento e na empresa etc. O poder de organização permite que o empregador utilize a força de trabalho do empregado da forma que melhor atenda aos interesses da empresa. Formas de exteriorização do poder de organização são o regulamento de empresa, que contém regras gerais, abstratas, impessoais e de cumprimento obrigatório no âmbito da empresa, e o quadro de carreira (ou plano de cargos e salários), prevendo promoções alternadas segundo critérios de antiguidade e de merecimento (art. 461, §§ 2º e 3º, CLT). O regulamento de empresa tem natureza contratual e, como consequência, adere ao contrato de trabalho, aplicando-se a ele, portanto, a regra da inalterabilidade das cláusulas contratuais insculpida no art. 468 da CLT. Súmula 51, TST I – As cláusulas regulamentares, que revoguem ou alterem vantagens deferidas anteriormente, só atingirão os trabalhadores admitidos após a revogação ou alteração do regulamento. II – Havendo a coexistência de dois regulamentos de empresa, a opção do empregado por um deles tem efeito jurídico de renúncia às regras do sistema do outro. Súmula 288, TST I – A complementação dos proventos de aposentadoria, instituída, regulamentada e paga diretamente pelo empregador, sem vínculo com as entidades de previdência privada fechada, é regida pelas normas em vigor na data de admissão do empregado, ressalvadas as alterações que forem mais benéficas (art. 468 da CLT). Quanto ao quadro de carreira ou ao plano de cargos e salários, a existência do mesmo impede o reconhecimento do direito a equiparação salarial (art. 461, § 2º, CLT), mas não obsta a reclamação fundada em preterição, enquadramento ou reclassificação (Súmula 127, TST). O quadro de carreira e o plano de cargos e salários não precisam ter qualquer forma de homologação ou registro em órgão público. ■ O poder de controle é aquele através do qual o empregador verifica o exato cumprimento pelo empregado das determinações relativas à prestação do trabalho, ou seja, fiscaliza a atuação do empregado em relação ao cumprimento das obrigações decorrentes do contrato de trabalho. A atividade do empregado, sendo subordinada ao poder de direção do empregador, não é exercida da forma ou do modo pretendido pelo empregado, mas sim da maneira como foi determinada pelo empregador. O poder disciplinar é o direito do empregador de impor sanções disciplinares aos seus empregados, em caso de descumprimento das obrigações contra tuais. No direito brasileiro, as sanções disciplinares que podem ser aplicadas aos empregados em geral são a advertência, a suspensão e a dispensa por justa causa. 7.2. Grupo econômico Existe grupo econômico, para fins trabalhistas, sempre que duas ou mais empresas, embora cada uma delas com personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, ou ainda quando, mesmo guardando cada uma sua autonomia, integrem grupo econômico. Caracterizado o grupo econômico, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas, pelos direitos trabalhistas dos empregados de todas elas (art. 2º, § 2º, da CLT). a) b) c) d) e) f) g) Não caracteriza grupo econômico a mera identidade de sócios, sendo necessárias, para a configuração do grupo, a demonstração do interesse integrado, a efetiva comunhão de interesses e a atuação conjunta das empresas dele integrantes (art. 2º, § 3º, da CLT). Assim, são elementos componentes da estrutura do grupo econômico: existência de duasou mais empresas; autonomia das empresas (personalidade jurídica própria); relação de dominação entre as empresas, através da direção, controle ou administração da empresa principal sobre as filiadas; interesse integrado, comunhão de interesses e atuação conjunta das empresas; atividade industrial, comercial, ou qualquer outra de caráter econômico; vínculo de solidariedade entre as empresas para o fim de garantir os direitos trabalhistas dos empregados; efeito incidente apenas na relação de emprego. Assim, como efeito jurídico do grupo econômico está a caracterização de um vínculo de solidariedade passiva entre as empresas componentes do grupo, ou seja, todas as empresas são responsáveis em igualdade de condições pelos créditos trabalhistas derivados dos contratos de trabalho de todos os empregados. Trata-se de hipótese de solidariedade decorrente de lei, nos exatos termos do art. 265 do Código Civil, e que tem como consequência o fato de o credor ter o direito de exigir e de receber qualquer um dos devedores, parcial ou totalmente, a dívida comum (art. 275 do Código Civil). ■ Súmula 129, TST A prestação de serviços a mais de uma empresa integrante do mesmo grupo econômico, durante a mesma jornada de trabalho, não caracteriza a coexistência de mais de um contrato de trabalho, salvo ajuste em contrário. Súmula 239, TST É bancário o empregado de empresa de processamento de dados que presta serviço a banco integrante do mesmo grupo econômico, exceto quando a empresa de processamento de dados presta serviços a banco e a empresas não bancárias do mesmo grupo econômico ou a terceiros. 7.3. Sucessão de empregadores Decorre da alteração subjetiva do contrato de trabalho, havendo a modificação do sujeito empregador, mantendo-se intacta a relação de emprego. A sucessão de empregadores é prevista pelos arts. 10 e 448 da CLT, que preveem que: Qualquer alteração na estrutura jurídica da empresa ou na sua propriedade não afeta os contratos de trabalho dos respectivos empregados nem os direitos adquiridos pelos mesmos. A sucessão decorrente de alteração na estrutura jurídica da empresa abrange hipóteses como mudança de sociedade para firma individual ou vice-versa, alteração do tipo societário, fusão, incorporação, cisão etc. Essas modificações formais são irrelevantes para os contratos de trabalho que seguem normalmente seu curso. A sucessão decorrente da alteração na propriedade do empreendimento é representada pela alienação total ou parcial do empreendimento, com a continuação da prestação de serviços, a) b) a) b) c) pelos empregados, para o novo titular. Para que exista a sucessão de empregadores, dois são os requisitos indispensáveis: que um estabelecimento, como unidade econômico- jurídica, passe de um para outro titular (sucedido e sucessor); que a prestação de serviço pelos empregados não sofra solução de continuidade. Fundamento – funda-se essa proteção no princípio da continuidade do contrato de trabalho e no princípio da despersonalização do empregador. Os contratos de trabalho são mantidos com a organização de trabalho e não com as pessoas que estejam eventualmente à frente dessa mesma organização → a intangibilidade dos contratos é preservada pelo Direito do Trabalho. Caracterizada a sucessão, as obrigações trabalhistas, inclusive as contraídas à época em que os empregados trabalhavam para a empresa sucedida, serão de responsabilidade do sucessor (art. 448-A, CLT). Efeitos da sucessão de empregadores: sub-roga-se o novo proprietário em todas as obrigações do primeiro, desenvolvendo-se normalmente o contrato de trabalho, sem qualquer prejuízo para o trabalhador; a contagem de tempo de serviço não é interrompida; as obrigações trabalhistas vencidas à época do sucedido, mas ainda não cumpridas, são exigíveis do sucessor, porque a responsabilidade trabalhista existe em função da empresa; d) e) f) g) h) i) as sentenças judiciais podem ser executadas (embora não tenham sido na época do sucedido), desde que não prescritas, respondendo o sucessor, diretamente, por seus efeitos, inclusive reintegração de estáveis; os empregados cujos contratos de trabalho por ocasião da sucessão estiverem suspensos ou interrompidos têm o direito de reassumir os cargos → a sucessão não extingue as relações de emprego transitoriamente paralisadas por causas legais ou convencionais; os contratos a prazo devem ser respeitados pelo sucessor, persistindo o direito do empregado de cumpri- los até o fim; a contagem dos períodos aquisitivos de férias dos empregados prossegue normalmente; os débitos previdenciários assumidos pelo sucedido passam para o sucessor; o sucedido responderá solidariamente com a sucessora quando ficar comprovada fraude na transferência. Observações: a sucessão não é justa causa para que o empregado dê por rescindido o contrato de trabalho, nem para que pleiteie indenizações. Podem sucedido e sucessor, no contrato de transpasse, prever ação regressiva do segundo contra o primeiro, o que será decidido na Justiça Comum, mas em nada afetará os empregados, ou seja, essa pactuação de natureza civil entre as partes não gera efeitos para afastar a responsabilidade trabalhista do sucessor. Situação que não é propriamente de sucessão, mas é definidora de responsabilidades, é a do sócio retirante da sociedade. Este responde subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas da sociedade relativas ao período em que figurou como sócio, somente em ações ajuizadas até dois anos 1) 2) 3) depois de averbada a modificação do contrato, observada a seguinte ordem de preferência: a empresa devedora; os sócios atuais; e os sócios retirantes (art. 10-A, CLT). No entanto, o sócio retirante responderá solidariamente com os demais sócios quando ficar comprovada fraude na alteração societária decorrente da modificação do contrato (parágrafo único, art. 10-A, CLT).