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🦠 Stapylococcus aureus Revisão aula luís: Podemos diferenciar Streptococcus de Staphylococcus pelo arranjo na microscopia: em cadeia Streptococcus) ou em cacho Staphylococcus). Além disso, diferenciamos esses dois gêneros pela prova da catalase (não diferencia espécie, é uma enzima que converte o peróxido de hidrogênio em oxigênio e água): Staphylococcus produz a enzima catalase, assim, ocorrerá liberação do oxigênio e observaremos a formação de bolhas; Streptococcus não produzem catalase, assim, não há conversão de peróxido de hidrogênio em oxigênio e água e não observaremos bolhas. O sítio de localização para fazer isolamento de Staphylococcus é a nasofaringe, já o de Streptococcus é a orofaringe. Para isolar Staphylococcus, colhemos uma amostra da nasofaringe e a colocamos em um meio seletivo, como o ágar hipertônico manitol. O ágar hipertônico manitol além de seletivo para Staphylococcus (são halotolerantes, ou seja, suportam altas concentrações de sais NaCl), é indicador (contém uma fonte de carbono que é o manitol e nem toda bactéria é Stapylococcus aureus 1 capaz de fermentar o manitol, ou seja, a partir de sua fermentação conseguimos identificar diferentes especies do gênero Staphylococcus Os estafilococos são cocos Gram-positivos que apresentam resistência a uma ampla gama de condições ambientais, podendo sobreviver em ambientes secos, com pH mínimo de 4.2, máximo de 9.3, com ótimo de 7,07,5 e, as temperaturas mínima de 6 e máxima de 48° C, com ótimo de 37°C. Toleram ainda altas concentrações de cloreto de sódio de até 25%, com ótimo de 710%. São anaeróbios facultativos, não fastidiosos, não móveis, e quando cultivados em meio sólido tendem a se agrupar em cachos que podem ser evidenciados por microscopia óptica através de uma coloração de Gram. Os cocos Gram-positivos da família Staphylococcaceae (que inclui o gênero Staphylococcus) podem ser distinguidos na rotina laboratorial através da prova da catalase, que consiste na pesquisa da presença desta enzima que catalisa a quebra de peróxido de hidrogênio em água e oxigênio molecular, esse último sendo detectado na prova pela produção de uma fase gasosa sob forma de efervescência. Staphylococcus aureus Stapylococcus aureus 2 A identificação laboratorial de S. aureus é relativamente simples quando comparada a identificação específica de outros patógenos porque envolve apenas três provas, caso o isolado tenha sido obtido de material humano. A identificação conclusiva de S. aureus a partir de amostras ambientais, no entanto, envolve a distinção entre Staphylococcus e outros gêneros catalase positivos, o que deve ser feito com uma prova de sensibilidade à bacitracina . Como infecções por cocos Gram-positivos, catalase positivos por outros gêneros que não sejam Staphylococcus são extremamente raras, na clínica, presume-se que isolados de cocos Gram-positivos catalase positivos pertençam ao gênero Staphylococcus. A distinção de S. aureus de outras espécies pertencentes ao mesmo gênero pode ser feita também de forma presuntiva caso o isolado tenha sido obtido a partir de amostras humanas, já que essa é a única espécie de Staphylococcus produtor de coagulase comumente isolada de humanos. A prova da DNAse, que envolve avaliação da produção de nucleases capazes de digerir DNA in vitro, em meio específico contendo DNA, pode também ser realizada em paralelo ou em substituição à prova da catalase. A única espécie de Staphylococcus isolada de amostra humana que apresenta um teste de DNAse positiva é S. aureus. Amostras oriundas de animais não humanos necessitam provas de fermentação de trealose e maltose, que são ambas positivas apenas para S. aureus, quando a identificação conclusiva da espécie é necessária. Stapylococcus aureus 3 Morfologia e fisiologia catalase positivo não formam endósporos anaeróbios facultativos apresentam capsula polissacarídeo halotolerantes mesofilos algumas espécies apresentam pigmentos carotenoides Stapylococcus aureus 4 Patogênese Quando a relação com o hospedeiro não é comensal, S.aureus pode agir como o agente etiológico de diferentes síndromes bem caracterizadas pertencentes a três categorias distintas da doença. Stapylococcus aureus 5 Infecções superficiais É um tipo de infecção causada pela bactéria Staphylococcus aureus, que afeta principalmente os tecidos moles superficiais do corpo, como a pele e o tecido logo abaixo dela. Essas infecções costumam surgir quando a bactéria entra no corpo a partir do ambiente externo — por exemplo, por meio de feridas cirúrgicas, queimaduras ou cortes. Quando a infecção se instala em torno de um folículo piloso (onde nasce o pelo), ela é chamada de furúnculo. Se a infecção se espalha e atinge vários folículos vizinhos, formando uma região maior e interligada de pus, o quadro é chamado de carbúnculo. Já o impetigo é uma infecção mais superficial da pele, comum no rosto, que não necessariamente envolve os folículos e pode formar bolhas se a bactéria estiver produzindo uma toxina que “descolaˮ as camadas da pele. Outra manifestação é a celulite, que não tem a ver com o problema estético do mesmo nome, mas sim com uma inflamação mais difusa da pele e do tecido subcutâneo. Nesse caso, diferente das outras infecções citadas, normalmente não há formação de pus, mas a área fica dolorida, inchada e vermelha. A celulite pode ser difícil de tratar e, em alguns casos, pode até ser necessário remover cirurgicamente a parte afetada. Stapylococcus aureus 6 Infecções profundas São infeccçoes que vão além da pele e atingem o organismo de forma sistêmica, ou seja, se espalham pelo corpo por meio da corrente sanguínea. Quando isso acontece, a bactéria pode causar bacteremia, uma condição em que ela circula no sangue e pode provocar complicações sérias como choque séptico, formação de coágulos (trombose) e até a morte. Esse tipo de infecção é uma das mais comuns tanto em ambientes hospitalares quanto fora deles. Depois que entra na circulação, o S. aureus pode se fixar em outros órgãos e causar novas infecções em locais distantes do ponto de entrada. Isso pode resultar em abscessos profundos, infecções nos ossos (osteomielite), nas cartilagens, no coração (endocardite) e até no sistema nervoso central, como é o caso da meningite, que pode deixar sequelas neurológicas. Além disso, o S. aureus pode infectar os pulmões, causando pneumonia, que pode surgir diretamente ou se espalhar de outras partes do corpo por via sanguínea. Essa pneumonia pode ser adquirida tanto em hospitais quanto na comunidade. Em casos mais severos, algumas cepas da bactéria produzem uma forma agressiva chamada pneumonia necrotizante, que destrói o tecido pulmonar, causa sangramentos e pode levar rapidamente à morte. Esse tipo mais Stapylococcus aureus 7 perigoso costuma acontecer após infecções respiratórias virais, como gripes fortes. Síndromes toxigênicas A terceira forma de doença causada pelo Staphylococcus aureus envolve não a invasão direta dos tecidos, mas sim a produção de toxinas que afetam o organismo à distância, muitas vezes de forma sistêmica e intensa. Essas toxinas têm uma ação especial porque funcionam como superantígenos, ou seja, conseguem ativar exageradamente o sistema imunológico. Normalmente, durante uma resposta imune, existe uma comunicação rápida e controlada entre duas células: a célula apresentadora de antígenos APC e o linfócito T, que é uma célula de defesa. Esse contato faz com que o linfócito T se ative e produza substâncias inflamatórias chamadas interleucinas. Em condições normais, essa ativação é passageira e regulada. No entanto, quando há superantígenos presentes — como os produzidos por algumas cepas de S. aureus — esse contato entre as células é forçado e prolongado, o que gera uma ativação exagerada dos linfócitos T e uma tempestade de citocinas, que são moléculas inflamatórias. Isso leva a um desequilíbrio do organismo, podendo causarsíndromes graves. Stapylococcus aureus 8 A gravidade e o tipo de síndrome vão depender de quais superantígenos a bactéria está produzindo. Em resumo, essas toxinas não agem diretamente sobre os tecidos como nas infecções locais ou profundas, mas sim desregulam o sistema imune, provocando reações sistêmicas potencialmente perigosas. SÍNDROME DO CHOQUE TOXICO A forma mais grave de doença causada por toxinas do Staphylococcus aureus é a Síndrome do Choque Tóxico TSS. Essa condição é extremamente séria porque afeta o corpo inteiro e desorganiza completamente o equilíbrio do organismo, levando a uma falência generalizada de sistemas. A responsável por isso é a toxina TSST Toxic Shock Syndrome Toxin), um superantígeno potente que só algumas cepas específicas da bactéria conseguem produzir. Mas não basta a bactéria produzir a toxina — para a TSS se desenvolver, o organismo da pessoa precisa não ter anticorpos contra a TSST. Ou seja, o risco depende tanto da bactéria quanto da resposta imune individual. Quando a TSS se manifesta, os sintomas são graves: febre alta, queda de pressão (hipotensão), manchas vermelhas na pele, descamação e o comprometimento de pelo menos três sistemas do corpo, como o digestivo, muscular, renal, hepático, nervoso, entre outros. Stapylococcus aureus 9 Clinicamente, a TSS é dividida em dois tipos: menstrual e não-menstrual. A forma menstrual ficou conhecida nos anos 1980, quando se descobriu que o uso de tampões absorventes durante o período menstrual aumentava o risco da síndrome. Isso acontece porque algumas cepas de S. aureus colonizam a vagina e, ao encontrarem oxigênio, produzem a toxina TSST. Como a vagina normalmente é um ambiente com pouco oxigênio, certos tipos de tampões — especialmente os de alta absorção, feitos de materiais como poliacrilato e rayon — criavam pequenas bolsas de ar onde a toxina podia ser produzida. A retirada desses produtos do mercado ajudou a reduzir bastante os casos menstruais de TSS. Ainda assim, o uso prolongado de tampões altamente absorventes continua sendo um fator de risco. Por outro lado, cerca de metade dos casos de TSS são não menstruais, geralmente ligados a infecções de pele causadas por cepas produtoras de TSST. Esses casos não têm diminuído ao longo do tempo, diferentemente dos menstruais. TOXINFECÇÃO ALIMENTAR Diferente das outras formas de infecção, aqui o problema não é a bactéria se multiplicando dentro do corpo, mas sim a ingestão de toxinas que já foram Stapylococcus aureus 10 produzidas pela bactéria no alimento antes do consumo. Essa condição é chamada de toxinfecção alimentar estafilocócica. As toxinas envolvidas nesse caso são conhecidas como enterotoxinas estafilocócicas (SEs). Existem mais de onze tipos conhecidos, e diferentes cepas da bactéria produzem combinações distintas dessas toxinas. O principal modo de contaminação ocorre quando alimentos são manipulados por pessoas que carregam o S. aureus produtor de SEs — e esses alimentos são depois armazenados em temperaturas inadequadas, permitindo que a bactéria se multiplique e produza toxinas. Além disso, S. aureus pode contaminar laticínios, especialmente se a bactéria estiver presente no leite por causa de uma mastite (infecção nas glândulas mamárias) em vacas ou outros ruminantes usados na produção. Os sintomas da toxinfecção aparecem rapidamente após a ingestão — normalmente náuseas, vômitos (emese) e, às vezes, diarreia. Como as toxinas são eliminadas do corpo junto com o vômito e as fezes, essa síndrome é geralmente autolimitada e benigna, sem necessidade de tratamento prolongado. Embora essas toxinas sejam superantígenos, o efeito de causar vômito está ligado a outras partes da estrutura da toxina, diferentes daquelas que afetam o sistema imune. Ainda assim, há uma ligação indireta entre as duas funções, pois alterações na parte superantigênica podem interferir também na capacidade de provocar vômito. SINDROME DA PELE ESCALDADASSSS Stapylococcus aureus 11 Ela é provocada por uma toxina chamada toxina esfoliativa ET, que age de forma muito específica sobre a pele. Essas toxinas são serinoproteases, enzimas que cortam proteínas — e, nesse caso, elas clivam uma molécula chamada desmogleína, responsável por manter as células da epiderme unidas. O resultado disso é o descolamento das camadas da pele, dando origem a lesões bolhosas que lembram queimaduras, além de sintomas como febre e sonolência intensa (letargia). Embora essas toxinas também tenham propriedades de superantígenos, o papel dessa característica na síndrome ainda não é totalmente compreendido. Uma curiosidade importante é que as toxinas esfoliativas podem ser produzidas em um local específico da infecção e, depois, viajar pela corrente sanguínea até outras partes do corpo. Isso significa que nem todas as lesões de pele que surgem na SSSS estão diretamente infectadas pela bactéria — em muitos casos, o S. aureus está em um ponto do corpo, e a toxina age à distância. Quando a toxina afeta apenas uma área restrita da pele, o quadro é mais localizado e aparece como uma forma de impetigo, chamada impetigo bolhoso — caracterizado por bolhas na pele, sem a necessidade de infecção espalhada. Fatores de patogenicidade Stapylococcus aureus 12 Componentes estruturais (celulares) Mureína: causa síndrome do choque toxico e resposta inflamatória Ácido lipoteicoico: Polissacarídeo A, que compoe a parede de petideoglicano, servindo como fator de adesão ás celulas do hospedeiro Capsula: antifagociataria Proteína A muito usada para fazer o teste sorologico. Serve para bloquear a fagocitose. Todas essas formas de doença causadas pelo Staphylococcus aureus — infecções locais, infecções sistêmicas e síndromes por toxinas — estão ligadas à presença e à ativação de genes específicos de virulência que a bactéria carrega. No entanto, não são todas as cepas que possuem o mesmo conjunto de genes. Isso acontece porque o S. aureus tem um genoma muito flexível — ou seja, ele muda facilmente, adquirindo ou perdendo genes ao longo do tempo. Por isso, algumas linhagens são capazes de causar apenas certos tipos de infecção ou intoxicação, de acordo com o conjunto de genes virulentos que possuem e que estão ativos. Além disso, esses genes não estão sempre “ligadosˮ — eles só são ativados em condições específicas, como mudanças no ambiente ou no estado do hospedeiro. Portanto, o aparecimento de uma doença causada por S. aureus depende de três fatores principais: Quais genes de virulência a cepa possui, Se esses genes estão sendo expressos (ativados), E como o organismo infectado reage. Capsula Stapylococcus aureus 13 Quase todas as cepas de Staphylococcus aureus produzem uma cápsula de polissacarídeos que envolve a célula bacteriana. Essa cápsula funciona como uma espécie de escudo: ela dificulta que o sistema imunológico reconheça e destrua a bactéria, inibindo principalmente o processo de fagocitose, que é quando células de defesa engolem e eliminam microrganismos invasores. A cápsula é produzida por um grupo de genes (cluster), e esse grupo varia entre as cepas. Existem onze tipos diferentes de cápsula já identificados, cada um com uma composição química própria, embora todos sejam formados por polímeros de ácidos hexosaminurônicos — um tipo específico de açúcar. Nas infecções humanas, os tipos mais comuns de cápsula são os tipos 5 e 8. Já as cepas que produzem os tipos 1 e 2 têm uma aparência viscosa (“mucóideˮ), são muito mais agressivas (virulentas), mas são raramente encontradas em humanos. Proteínas de superfície O Staphylococcus aureus possui várias proteínas transmembrânicas embutidas na sua parede celular, que se projetam para fora e permitem que a bactéria interaja com superfícies e tecidos do corpo humano. Muitas dessas proteínas funcionam como adesinas, ou seja, ajudam a bactéria a se fixar em estruturas do hospedeiro, algo essencial para iniciar e manterinfecções. Stapylococcus aureus 14 Um grupo importante dessas adesinas são as chamadas MSCRAMMs. Em português, são componentes microbianos de superfície que reconhecem moléculas da matriz extracelular, como colágeno, fibrinogênio e fibronectina. Esses componentes ajudam o S. aureus a aderir fortemente a tecidos ou até a objetos implantados no corpo, como cateteres ou próteses, dificultando sua remoção pelo sistema imune ou por fluidos corporais. A proteína CNA, por exemplo, se liga ao colágeno e está mais associada a infecções em tecidos duros, como ossos e articulações (casos de osteomielite ou artrite séptica). Já o Clumping Factor (Clf) se liga ao fibrinogênio, que é uma proteína do sangue que recobre superfícies de materiais implantados no corpo — assim, a bactéria consegue se fixar em dispositivos médicos com facilidade. Há também proteínas ligadoras de fibronectina FnBPs), que permitem à bactéria aderir a várias partes do corpo, pois essa molécula está presente em muitos tecidos e fluidos. Além dessas, há uma proteína especial chamada proteína A estafilocócica SpA, que não é uma MSCRAMM, mas também ajuda a bactéria a escapar do sistema imune. Ela faz isso se ligando à parte "errada" dos anticorpos (região Fc), Stapylococcus aureus 15 impedindo que as células de defesa reconheçam e destruam o S. aureus. Isso dificulta os processos de opsonização e fagocitose, que são etapas cruciais na eliminação de microrganismos pelo corpo. Enzimas extracelulares Durante o processo de infecção, o Staphylococcus aureus produz enzimas que são liberadas para fora da célula e ajudam a bactéria a se alimentar e a invadir o corpo humano. Essas enzimas atacam e quebram estruturas do nosso organismo, facilitando a penetração da bactéria em camadas mais profundas do tecido e liberando nutrientes que ela pode usar para se multiplicar. Algumas dessas enzimas são chamadas de invasinas, porque ajudam o S. aureus a invadir tecidos. A maioria delas quebra moléculas do corpo, como proteínas, gorduras e ácidos nucleicos DNA e RNA, funcionando como "tesouras químicas". A nuclease termoestável TNase) corta DNA e RNA, e funciona mesmo em altas temperaturas. As lipases quebram gorduras presentes nas células. Stapylococcus aureus 16 As hialuronidases destroem o ácido hialurônico, uma substância que ajuda a manter os tecidos do corpo unidos. A catalase quebra o peróxido de hidrogênio, uma substância tóxica que nossas células de defesa usam para matar bactérias, ajudando o S. aureus a escapar do sistema imune. Uma enzima muito importante produzida por essa bactéria é a coagulase. Ela forma coágulos de sangue ao redor das bactérias, criando uma “barreira protetoraˮ contra o sistema imune. Isso facilita a formação de abscessos, que são como “bolsas de pusˮ onde a bactéria cresce escondida. Esse processo acontece porque a coagulase ativa uma proteína do sangue chamada protrombina, transformando o fibrinogênio (forma solúvel) em fibrina (forma insolúvel), que forma o coágulo. No laboratório, é possível descobrir se uma amostra de bactéria produz coagulase através de um teste simples com plasma de coelho, observando se ocorre a formação de coágulos. Resistência de S.aureus S. aureus conseguiu adquirir resistência a praticamente todos os antibióticos já desenvolvidos, e essa característica de ter populações estáveis resistentes a antibióticos com alta prevalência no meio ambiente é um sério motivo de preocupação, já que compromete a eficácia da utilização de antibióticos contra infecções estafilocócicas a um longo prazo. Diferentes linhagens apresentam diferentes perfis de resistência aos antibióticos disponíveis no mercado, no entanto, há uma desconcertante alta prevalência de cepas que apresentam resistência a múltiplos antibióticos, e cujas opções terapêuticas sejam muito restritas.S. aureus, hoje, é uma das principais bactérias das infecções hospitalares, mas não restritas a esse meio. Com todos esses fatores de virulência abordados, ela ainda possui resistência antimicrobiana nesses ambientes. Ela possui diferentes mecanismos para que seja resistente a diferentes antimicrobianos: Bomba de efluxo Produção de enzimas (como β-lactamase) Aquisição de plasmídio Stapylococcus aureus 17 Modificação do alvo da droga São diferentes mecanismos que ela possui que faz com que o antimicrobiano não haja nela, seja matando-a ou inibindo seu crescimento. Além disso, S. aureus possui genes de resistência a diferentes antimicrobianos. Então hoje existem em ambientes hospitalares a amostra que chama de MRSA, que é S. aureus resistentes a meticilina. Ou seja, já se conhece a bactéria e, para tratar dela é difícil: uma das drogas que tratam infecções por S. aureus resistentes a meticilina é a vancomicina. Só que também já existem amostras resistentes a este antimicrobiano VRSA. Então, o que se sabe desde a descoberta dos genes de resistência é que: desde os S. aureus “bonzinhosˮ (com todas aquelas toxinas) que começou a ser tratado com penicilina, nós começamos a ter S. aureus resistentes a penicilina. Começou a tratar com meticilina, daí apareceram resistentes à meticilina. Após isso, começaram com vancomicina. Nesse último caso, acredita-se que Enterococcus (possui um gene de resistência à vancomicina-vanA transferiram esse gene de resistência às S. aureus por plasmídio. Num primeiro instante houveram amostras resistentes de maneira intermediária à vancomicina e, em 2002, tiveram as primeiras amostras de S. aureus resistentes à vancomicina. E agora? Utilizam daptomicina, linezolida e telavancina. Até hoje não se sabe/conhece nenhuma amostra de bactéria resistente a esses antimicrobianos. Mas, a partir da literatura, sabe-se que, a partir do momento que uma droga é introduzida no mercado para tratamento dessas bactérias multirresistentes, a aquisição de genes de resistência se dá a partir de 2 ou 3 anos de início de tratamento. Ou seja, um tempo muito mais rápido que a capacidade de produzirmos novos antimicrobianos, que dura em média 10 anos. Existe uma divisão entre os MRSA que estão em hospitais daqueles que estão na comunidade, mas há uma semelhança entre as 2 amostras, então não usamos mais essa divisão. Há uma 3ª amostra de MRSA que estava restrita a fazendas de cultivo/cultura de gados, mas que hoje já está sendo disseminada em seres humanos. Ou seja, nunca para essa resistência. BIOFILME POR STAPHYOCOCCUS Quando falamos de infecção por Staphylococcus relacionada a formação de Stapylococcus aureus 18 biofilme, devemos lembrar que a maioria está relacionada a S. epidermidis. S. epidermidis: Não estão restritas a ambiente hospitalar, mas são mais frequentes; Se dá principalmente por uso de dispositivos, como cateteres e sondas, que pode levar a uma maior predisposição desses pacientes a terem infecção que, associada a biofilme, fica mais difícil tratar, pois o antimicrobiano pode não agir, a bactéria pode ser mais resistente, terá persistência da infecção, recorrência da infecção. S. aureus: Também forma biofilme; Adesão inicial > colonização > crescimento > produção de polímeros extracelulares... Adesão inicial é dada principalmente por adesina (molécula adesiva MSCRAMM; Há uma interação desses S. aureus que produz biofilme com nosso sistema imunológico: A principal célula que consegue controlar biofilme de S. aureus é neutrófilo: ele chega e consegue fagocitar, produzir redes de neutrófilos, liberar enzimas de seu citoplasma e controlar até certo ponto esse biofilme; O problema é que tem a produção de α-toxina e leucocidina que inibem a atividade fagocítica de macrófagos e também, por serem citotóxicas, induzem a morte desses macrófagos, que são células de importância na nossa defesa. Essas toxinas também induzem a polarização M2 de macrófagos, que tem perfil mais anti-inflamatório. Ou seja, S. aureus manipula o sistema imunológico do paciente a favor dele:diminui a fagocitose, diminuindo a produção de citocinas pró-inflamatórias, aumenta a resposta a Th1 (mais pró-inflamatória) para causar destruição do tecido do hospedeiro. PROBLEMAS NA INDÚSTRIA Por tudo isso, a formação de biofilme por S. aureus possui alguns impactos nas indústrias que são importantes: 1 Impactos na produção e processamento, com aumento de custos Stapylococcus aureus 19 Stapylococcus aureus 20