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7 1ºAula A Origem da Filosofi a Estamos iniciando mais uma disciplina. Nestas aulas, veremos que a Filosofia auxilia na compreensão de mundo e também leva a cada um a sabedoria de analisar e verificar as análises que tanto precisamos para entender as situações do nosso dia a dia. A Filosofia ajuda também a contribuir para uma construção dos sentidos para a nossa existência; pode ajudar a julgar com tino as circunstâncias, a enfrentar os problemas das situações concretas. Com isso, temos o aperfeiçoamento pessoal e profissional. Nesta primeira aula, iremos fazer uma introdução sobre a origem da FILOSOFIA. Gostaria que vocês prestassem muita atenção. Estudar Filosofia requer atenção e vontade, pois estamos entrando “num mundo” que, para muitos, é um pouco estranho. Mas não se assustem! Lembrem-se dessa frase que ouvi de um amigo: “o difícil não é impossível e o fácil não tem valor”. Então, vamos a nossa primeira aula! Bons estudos! Filosofi a geral 8 Objetivos de APRENDIZAGEM 1 - Introdução à Filosofia 2 - A origem da Filosofia Antiga: pré-socráticos e seus pensamentos 3 - Iniciação ao Pensamento Filosófico Ao término desta aula vocês serão capazes de: • identificar as diferentes abordagens utilizadas pelos pensadores e os resultados por eles alcançados, na busca de uma compreensão cada vez mais satisfatória do significado do universo e do ser humano dentro dele. • compreender o processo de construção do conhecimento no indivíduo inserido em seu contexto social e cultural. • identificar os problemas sócio-culturais e educacionais propondo respostas criativas às questões da qualidade do ensino e medidas que visem superar a exclusão social. Seções de ESTUDO Já datamos o início da Filosofi a. Com isso podemos questionar: o que vem a ser isso? A resposta é: A Filosofi a é um modo de pensar, uma postura diante do mundo. Caros(as) acadêmicos(as), estamos iniciando uma nova disciplina, a qual ajudará vocês a entender as origens de todas as coisas. A Filosofia é muito importante para todos nós, pois desperta a reflexão, análise, coerência, questionamento e acima de tudo o convencimento sobre todas as coisas que desejamos conquistar quanto pesquisadores. Temos como símbolo a coruja. Parece no momento um pouco estranho, mas é importante sabermos sobre isso, pois quase todas as profissões tem um símbolo, uma marca, logomarca... Estarei explicando o porquê da coruja... Vamos lá... Curiosidade: A coruja é utilizada como símbolo da Filosofi a, pois ela é o único animal que enxerga no escuro e tem um ângulo de visão invejável. Quem pratica a Filosofi a consegue enxergar além das possibilidades dadas pela natureza e pelo homem. A importância da Filosofia é exatamente essa, enxergar além da aparência, ir além, ou seja, enxergar o que os outros não conseguem enxergar... Esse comentário veremos a seguir com os Pré-socráticos, sem nenhum instrumento, conseguiram analisar a existência de todas as coisas. O que vem a ser Filosofia? (OLIVEIRA, 2008) Pare e pense. O que te vem à mente quando escrevo essa palavra? Será que isso que pensou está correto? Vamos descobrir? A Filosofia surgiu há muitos séculos. Na história do pensamento ocidental, a Filosofia nasceu na Grécia, por volta do século VI (ou VII) a.C. Por meio de longo processo histórico, surge promovendo a passagem do saber mítico ao pensamento racional, sem, entretanto, romper bruscamente com todos os conhecimentos do passado. Durante muito tempo, os primeiros filósofos gregos compartilhavam de diversas crenças míticas, enquanto desenvolviam o conhecimento racional que caracterizaria a Filosofia. Se considerarmos a Filosofia como a atividade racional voltada à discussão e à explicação intelectualizada das coisas que nos circundam, tem- se o século VI como a data mais provável de sua origem. Nessa época, temos a instituição da moeda, do calendário, da escrita alfabética e da florescente navegação, que favoreceu o intenso contato com outras culturas. Esses acontecimentos propiciaram o processo de desdobramento do pensamento poético em filosófico. De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da Filosofia grega é conhecida como período pré-socrático. Esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até Sócrates (468-399 a.C.). [O pensamento mítico teve início na Grécia, do séc. XXI ao VI a.C. Nasceu do desejo de dominação do mundo, para afugentar o medo e a insegurança. A verdade do mito não obedece a lógica nem da verdade empírica, nem da verdade científi ca. É verdade intuída, que não necessita de provas para ser aceita. É, portanto, uma intuição compreensiva da realidade, é uma forma espontânea do homem situar- se no mundo. Disponível em: http://www. fi losofi avirtual. pro.br/mitologia. htm. Acesso em: 23 fev. 2006.] 1 - Introdução à Filosofi a 9 Saber mais: A Filosofi a parte do que existe, critica, coloca em dúvida, faz perguntas inoportunas, abre a porta das possibilidades, faz-nos entrever outros mundos e outros modos de compreender a vida. A Filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado ou fechado em si mesmo. Ela é, antes de qualquer coisa, uma prática de vida que procura pensar os acontecimentos além de sua pura aparência. Assim, ela pode se voltar para qualquer objeto. Pode pensar a ciência, seus valores, seus métodos e seus mitos; pode pensar a religião, a arte e o próprio homem em sua vida cotidiana. Até mesmo uma história em quadrinhos ou uma canção popular podem ser objetos da reflexão filosófica. Acadêmico, neste ponto podemos verificar que a Filosofia é uma prática, essa prática deve ser constante, não podemos parar. Para a reflexão e a crítica, temos que observar sempre, por isso que não devemos julgar condenar nada e ninguém. Veja que essa prática incomoda, porque questiona o modo de ser das pessoas, das culturas e do mundo. Questiona as práticas políticas, científica, técnica, ética, econômica, cultural e artística. Não há área onde ela não se meta ou não indague. E, nesse sentido, a Filosofia é “perigosa”, “subversiva”, pois vira a ordem estabelecida de cabeça para baixo. Talvez a divulgação da imagem do filósofo como sendo uma pessoa “desligada” do mundo seja exatamente a defesa da sociedade contra o “perigo” que ela representa. O trabalho do filósofo é refletir sobre a realidade, não importa qual seja ela, redescobrindo seus significados mais profundos. Filósofos diferentes têm posturas diversas com relação à imagem institucional de sabedoria e compreensão. Embora com motivações, distintas, deram importante contribuição para o alargamento das fronteiras. A Filosofia quer encontrar o significado mais profundo dos fenômenos. Não basta saber como funcionam, mas sim o que significam na ordem geral do mundo humano. A Filosofia emite juízos de valor ao julgar cada fato e cada ação em relação ao todo. Assim, filosofar é uma prática que parte da teoria e resulta em outras teorias. Desse modo, embora os sistemas filosóficos possam chegar a conclusões diversas, dependendo das premissas de partida e da situação histórica dos próprios pensadores, o processo do filosofar será 2 - A origem da Filosofi a antiga: pré- socráticos e seus pensamentos Pré-socráticos sempre marcado pela reflexão rigorosa, radical e de conjunto. Vejam o conceito de Filosofia dado por Bornheim, no livro Os filósofos Pré-socráticos: [...] se compreendermos a Filosofi a em um sentido amplo - como concepção da vida e do mundo - poderemos dizer que sempre houve Filosofi a. De fato, ela responde a uma exigência da própria natureza humana; o homem, imerso no mistério do real, vive a necessidade de encontrar uma razão de ser para o mundo que o cerca e para os enigmas de sua existência [...] (2005, p. 7) Epistemologia: gnosiologia ou teoria do conhecimento é a parte da fi losofi a cujoobjeto é o estudo refl exivo e crítico da origem, natureza, limites e validade do conhecimento humano. A refl exão epistemológica incide, pois, sobre duas áreas principais: a natureza ou essência do conhecimento e a questão de suas possibilidades ou seu valor. Viram? A Filosofia é uma arte, temos que dominar essa arte... Será que a explicação correspondeu aos seus pensamentos? Espero que tenha esclarecido ou, pelo menos, expandido suas ideias. Imaginemos, agora, alguém que tomasse uma decisão muito estranha e começasse a fazer perguntas inesperadas. Em vez de “que horas são?” ou “que dia é hoje?”, perguntasse: O que é o tempo? Em vez de dizer “está sonhando” ou “ficou maluca”, quisesse saber: O que é o sonho? A loucura? A razão? Se essa pessoa fosse substituindo sucessivamente suas perguntas, suas afirmações por outras: “Onde há fumaça, há fogo” ou “não saia na chuva para não ficar resfriado”, por: O que é causa? O que é efeito? “seja objetivo”, ou “eles são muito subjetivos” por: O que é a objetividade? O que é a subjetividade? “Esta casa é mais bonita do que a outra”, por: O que é “mais”? O que é “menos”? O que é o belo? Em vez de gritar “mentiroso!”, questionasse: O que é a verdade? O que é o falso? O que é o erro? O que é a mentira? Quando existe verdade e por quê? Quando existe ilusão e por quê? Filosofi a geral 10 A corrente ou a filosofia pré- socrática, podemos dizer que é o inicio da Filosofia, pois os filósofos Pré-socráticos (antes de Sócrates – Filósofo que iremos estudar na aula 02) foram os primeiros que indagaram e questionaram sobre o início ou a origem do universo e conseguintemente a origem de todas as coisas... Logo abaixo, cito o nome dos principais pré-socráticos, peço que não fiquem presos em decorar datas e sim, o pensamento de cada um, pois é muito importante para nós. A palavra mito vem do grego μνθοϛ, e deriva de dois verbos: do verbo μνθεὑω (contar, narrar, falar alguma coisa para os outros) e do verbo μνθεω (conversar, contar, anunciar, nomear, designar). Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem como verdadeira a narrativa, porque confi am naquele que narra; é uma narrativa feita em público, baseada, portanto, na autoridade e confi abilidade da pessoa do narrador. E essa autoridade vem do fato de que ele ou testemunhou diretamente o que está narrando ou recebeu a narrativa de quem testemunhou os acontecimentos narrados. Fonte: www.algosobre.com.br/fi losofi a/mito-e-fi losofi a.html acesso em:12/10/2011. “Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se encontrava também o fi lho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Extraído do Banquete 203a, de Platão: “Quando nasceu Afrodite, banqueteavam-se os deuses, e entre os demais se Neste momento, vocês encontrarão os seguintes pensadores pré-socráticos: Tales de Mileto, Anaximandro de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Xenófanes de Cólofon, Heráclito de Éfeso, Pitágoras de Samos, Parmênides de Eléia, Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazomena e Demócrito de Abdera. A passagem da consciência mítica (veja o significado do mito abaixo) e religiosa para a consciência racional e filosófica não foi feita de um salto. Esses dois tipos de consciência coexistiram na sociedade grega. De acordo com a tradição histórica, a fase inaugural da Filosofia grega é conhecida como período pré-socrático. Esse período abrange o conjunto das reflexões filosóficas desenvolvidas desde Tales de Mileto (623-546 a.C.) até Sócrates (468-399 a.C.). Os primeiros filósofos buscam a arqué, o princípio absoluto, ou seja, principio de todas as coisas, para isso eles buscam a essência, o principio das coisas (primeiro e último) de tudo o que existe. A arqué é o que vem e está antes de tudo, no começo e no fim de tudo, o fundamento, o fundo imortal e imutável, incorruptível de todas as coisas, que as faz surgir e as governa. É a origem, mas não como algo Os pré-socráticos ocuparam-se em explicar o universo e examinavam a procedência e o retorno das coisas. Os primeiros fi lósofos gregos tentaram responder à pergunta: Como é possível que todas as coisas mudem e desapareçam e a Natureza, apesar disto, continua sempre a mesma? Disponível em: Acesso em: 22/fev./2006. encontrava também o fi lho de Prudência, Recurso. Depois que acabaram de jantar, veio para esmolar do festim a Pobreza, e fi cou na porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar - pois o vinho ainda não havia - penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um fi lho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que fi cou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser fi lho o Amor de Recurso e de Pobreza, e fi cou na porta. Ora, Recurso, embriagado com o néctar – pois o vinho ainda não havia – penetrou o jardim de Zeus e, pesado, adormeceu. Pobreza então, tramando em sua falta de recurso engendrar um fi lho de Recurso, deita-se ao seu lado e pronto concebe o Amor. Eis por que fi cou companheiro e servo de Afrodite o Amor, gerado em seu natalício, ao mesmo tempo em que por natureza amante do belo, porque também Afrodite é bela. E por ser fi lho o Amor de Recurso e de Pobreza foi esta a condição em que ele fi cou. Primeiramente ele é sempre pobre, e longe está de ser delicado e belo, como a maioria imagina, mas é duro, seco, descalço e sem lar, sempre por terra e sem forro, deitando-se ao desabrigo, às portas e nos caminhos, porque tem a natureza da mãe, sempre convivendo com a precisão. Segundo o pai, porém, ele é insidioso com o que é belo e bom, e corajoso, decidido e enérgico, caçador terrível, sempre a tecer maquinações, ávido de sabedoria e cheio de recursos, a fi losofar por toda a vida, terrível mago, feiticeiro, sofi sta: e nem imortal é a sua natureza nem mortal, e no mesmo dia ora ele germina e vive, quando enriquece; ora morre e de novo ressuscita, graças à natureza do pai; e o que consegue sempre lhe escapa, de modo que nem empobrece o Amor nem enriquece, assim como também está no meio da sabedoria e da ignorância”. Eis com efeito o que se dá (CHAUI, 2002, p. 211) 2 11 Imagem disponível em: http://uquaarilqua.blogspot.com.br/2011/06/ refl exoes-fi losofi cas-e-um-video-muito.html. Justamente, para não fi carmos presos aos modelos colocados, impostos, por alguém ou alguma coisa. A Filosofi a abre os horizontes e nos guia para uma verdade que transcende todas as verdades da ciência. A verdade de nossa existência, a força que nos move para uma busca infi nita. Parece ser difícil compreender Filosofi a com tantos dizeres fi losófi cos e pensamentos. Porém, a sua compreensão exige essa busca. Só entenderemos o sentido da Filosofi a quando entendermos que não podemos somar ou subtrair, multiplicar nem dividir nossa verdade, o bem, o belo, o amor, a existência. Os sentimentos podem ser expressos nas mais diversas formas, mas nunca numa equação matemática, nem numa composição química ou física. (texto extraído: NOVAKOSKI) Disponível em: http://www.beatrizkappke. com/paraqueestudar.htm. Acesso em: 11/09/2011. que ficou no passado e sim como aquilo que, aqui e agora, dá origem a tudo, perene e permanentemente. No vasto mundo Grego, a Filosofia teve como berço a cidade de Mileto, situada na Jônia, litoral ocidental da Ásia Menor. Caracterizada por múltiplas influências culturais e por um rico comércio, a cidade de Mileto abrigou os três primeiros pensadores da história ocidental a quem atribuímos a denominação de filósofos. São eles: Tales, Anaximandro e Anaxímenes. O objetivo dos primeiros filósofos era construir uma cosmologia (explicação racional esistemática das características do universo) que substituísse a antiga cosmogonia (explicação sobre a origem do universo baseada nos mitos). Em outras palavras, os primeiros filósofos queriam descobrir, com base na razão e não na mitologia, o princípio substancial (a arché) existente em todos os seres materiais. Vejam que interessante a análise e a preocupação dos primeiros filósofos... Os pré-socráticos ocuparam-se em explicar o universo e examinavam a procedência e o retorno das coisas. Os primeiros filósofos gregos tentaram responder à pergunta: Como é possível que todas as coisas mudem ou desapareçam e a Natureza, apesar disso, continua sempre a mesma? Para tanto, procuraram um princípio a partir do qual se pudesse extrair explicações para os fenômenos da natureza; um princípio único e fundamental que permanecesse estável junto ao sucessivo vir-a-ser. Tales vai dizer que o princípio de tudo é a água; Anaximandro, o infinito indeterminado; Anaxímenes, o ar; Heráclito, o fogo; Pitágoras, o número; Empédocles, os quatro elementos: terra, água, ar, fogo, em vez de uma substância única. Vejamos as reflexões filosóficas de alguns pensadores pré-socráticos: Estes são os principais elementos que levaram os pré-socráticos a questionar a existência e/ou a origem de todas as coisasFonte: Tales de Mileto (625-558 a.C.) Tales foi comerciante de sal e de azeite de oliva, e enriqueceu como proprietário de prensas de azeitona durante uma safra promissora. Sabe-se que ele previu um eclipse ocorrido em 585 a.C. Tales foi um dos filósofos que acreditava que as coisas têm por trás de si um princípio físico, material, chamado arqué; o arqué seria a água. Ele observou que o calor necessita de água, que o morto resseca, que a natureza é úmida, que os germens são úmidos e que os alimentos contêm seiva, e concluiu que o princípio de tudo era a água. Com essa afirmação, deduz-se que a existência singular não possui autonomia alguma, apenas algo acidental, uma modificação. A existência singular é passageira, modifica-se. A água é um momento no todo, em geral, um elemento. Tales queria descobrir um elemento físico que fosse constante em todas as coisas. Algo que fosse o princípio unificador de todos os seres. Principais fragmentos: Filosofi a geral 12 “... a água é o princípio de todas as coisas ...” “... todas as coisas estão cheias de deuses...” “... a pedra magnética possui uma alma porque move o ferro...” Imagem disponível em: Vejamos o pensamento de Anaximandro (610-546 a.C.), que foi discípulo de Tales... é muito importante observar como eles tinham conhecimento, e como eles buscavam mais e mais, não ficavam satisfeitos com as próprias respostas... Discípulo e sucessor de Tales. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular; todas as coisas são limitadas e o limitado não pode ser, sem injustiça, a origem das coisas. Do ilimitado surgem inúmeros mundos, estabelecendo a multiplicidade; a gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em consequência do movimento eterno. Para Anaximandro o princípio das coisas - o arqué - não era algo visível, era uma substância etérea, infinita. Chamou-se a essa substância de apeíron (indeterminado, infinito). O apeíron seria uma “massa geradora” dos seres, contendo em si todos os elementos contrários. Anaximandro tinha um argumento contra Tales: o ar é frio, a água é úmida e o fogo é quente, e essas coisas são antagônicas entre si. Portanto, o elemento primordial, o ar, não poderia ser um dos elementos visíveis, teria que ser um elemento neutro, que está presente em tudo, porém invisível. Esse filósofo foi o iniciador da astronomia grega. Foi o primeiro a formular o conceito de uma lei universal presidindo o processo cósmico totalmente. De acordo com ele, para que o “vir- a-ser” não cesse, o ser originário tem de ser indeterminado. Estando, assim, acima do “vir-a- ser” e garantindo, por isso, a eternidade e o curso do “vir-a-ser”. O seu fragmento refere-se a uma unidade primordial, da qual nascem todas as coisas e à qual retornam todas as coisas. Anaximandro recusa-se a ver a origem do real em um elemento particular. Do ilimitado surgem inúmeros mundos e estabelece- se a multiplicidade. A gênese das coisas a partir do ilimitado é explicada através da separação dos contrários em conseqüência do movimento eterno. Principais fragmentos: “... o ilimitado é eterno...” “... o ilimitado é imortal e indissolúvel...” Imagem disponível em: http://mangaepoesia. blogspot.com.br/2011/04/o-vento-e-o-tempo.html Já Anaxímenes (588-524 a.C.), o elemento primordial, principal ou essencial, é o ar, vamos para sua teoria... O princípio de tudo, o arqué seria o ar, e as coisas da natureza seriam o ar condensado em vários graus. A rarefação e condensação do ar formam o mundo. A alma é ar e o fogo é ar rarefeito; quando acontece uma condensação, o ar se transforma em água, se condensa ainda mais se transformando em terra e, por fim, em pedra. Foi o primeiro a afirmar que a Lua recebe do Sol a sua luz. Para esse filósofo, o ar representa um elemento invisível e imponderável, quase inobservável e, no entanto, observável: o ar é a própria vida, a força vital, a divindade que “anima” o mundo. Principais fragmentos: “... do ar dizia que nascem todas as coisas existentes, as que foram e as que serão os deuses e as coisas divinas...” Fonte: Xenófanes de Cólofon (570-528 a.C.) analisa o surgimento ou nascimento das coisas, através do elemento, terra. O elemento primordial para ele é a terra, através do elemento terra desenvolve sua cosmologia. Combate acirradamente a concepção antropomórfica dos deuses, e defende um Deus único, eterno, imóvel. Fragmentos principais: 13 “... tudo sai da terra e tudo volta a terra...” “... tudo o que nasce e cresce é terra e água...” Imagem disponível em: http://www.plantasonya.com.br/ sementes-e-bulbos/como-germinar-sementes-3.html Heráclito de Éfeso (540-476 a.C.) Cognominado de “obscuro”4. Afirmava que todas as coisas estão em movimento como um fluxo perpétuo. O escoamento contínuo dos seres em mudança perpétua se processa através de contrários. A lei fundamental do Universo é o devir, que significa contínuas transformações. Tudo flui e nada fica como é. Coisa alguma é estável. Tudo segue seu curso. Para Heráclito o princípio das coisas é o fogo. O fogo transforma-se em água, sendo que uma metade retorna ao céu como vapor e a outra metade transforma-se em terra. Sucessivamente, a terra transforma-se em água e a água, em fogo. Todas as coisas mudam sem cessar, e o que temos diante de nós em dado momento é diferente do que foi há pouco e do que será depois. Afirmou: “Nunca nos banhamos duas vezes no mesmo rio, pois na segunda vez não somos os mesmos, e também o rio mudou”. Grande representante do pensamento dialético. Concebia a realidade do mundo como algo dinâmico, em permanente transformação. Daí sua escola filosófica ser chamada de mobilista (=movimento). Para ele, a vida era um fluxo constante, impulsionado pela luta de forças contrárias. Assim, afirmava que “a luta é a mãe, rainha e princípio de todas as coisas”. É pela luta das forças opostas que o mundo se modifica e evolui. Heráclito imaginava a realidade dinâmica do mundo sob a forma de fogo, com chamas vivas e eternas, governando o constante movimento dos seres. Ele estabelece a existência de uma lei universal e fixa (o logos), regedora de todos os acontecimentos particulares e fundamentalmente da harmonia universal, harmonia feita de tensões. “... Todas as coisas estão em movimento...” “... O movimento se processa através de contrários...” “... Tudo se faz por contraste;da luta dos contrários nasce a mais bela harmonia...” “... descemos e não descemos nos mesmos rios; somos e não somos...” Imagem disponível em: http://meandros. wordpress.com/2008/10/ Pitágoras de Samos (585 a.C.) É dele a ideia de que o número é o princípio ordenador de todas as coisas, os quais representam a ordem e a harmonia. Assim, a essência dos seres teria uma estrutura matemática. Para Pitágoras, aquele que compreende todas as relações numéricas chega à essência das coisas. Portanto, a substância das coisas é o número. Pitágoras interpretou a forma dualista da teoria dos opostos e a descoberta de ordem matemática, sobretudo do famoso teorema que lhe é atribuído. Os pitagóricos se acham em dificuldades para explicar a multiplicidade e o vir-a-ser, precisamente mediante o uno e o imutável. E julgam poder explicar a variedade do mundo mediante o concurso dos opostos, que são - segundo os pitagóricos - o ilimitado e o limitado, ou seja, o par e o ímpar, o imperfeito e o perfeito. O número divide-se em par, que não põe limites à divisão por dois, e, por conseguinte, é ilimitado (quer dizer, imperfeito, segundo a concepção grega, a qual via a perfeição na determinação); e ímpar, que põe limites à divisão por dois e, portanto, é limitado, determinado, perfeito. Os elementos constitutivos de cada coisa - sendo cada coisa número - são o par e o ímpar, o ilimitado e o limitado, o pior e o melhor. Radical oposição esta, que explicaria o vir-a-ser e o múltiplice, que seriam reconduzidos à concordância e à unidade pela fundamental harmonia (matemática), que governa e deve governar o mundo material e moral, astronômico e sonoro. Principais fragmentos: Filosofi a geral 14 “... o princípio das matemáticas é o princípio de todas as coisas...” Peço que conheçam o teorema de Pitágoras, sua história e sua essência. Imagem disponível em: http://blog-da-uniao.blogspot.com. br/2011_07_03_archive.html Parmênides de Eléia (530-460 a.C.) Parmênides indica que na via da verdade, o homem se deixa conduzir apenas pela razão. Nessa primeira via, ele afirma o princípio lógico- ontológico da identidade. Este princípio pode assumir a formulação: O ser é, o não ser não é. Só por meio da razão é possível desvelar a verdade e a certeza. Isso quer dizer que a razão é instrumento fundamental e único com o qual o homem pode deixar-se conduzir à dupla evidência: O que é é, e o que é não pode deixar de ser. Nessa segunda formulação, o princípio evidenciado é o da imutabilidade. O ser é demonstrado com todo rigor lógico com o raciocínio: “o que é é”, sendo o que é, tem que ser único: “além do que é” só existiria, se possível fosse, o diferente dele, “o que não é” – hipoteticamente absurdo, pois isso desembocaria na atribuição de existência ao não ser, impensável e indizível. Como os mortais hesitam em escolher, ficam a meio caminho, a vaguear, em função “do hábito multiexperiente” da observação, apenas podem ter um olhar que a nada se dirige, seus ouvidos apenas percebem sons sem significado. Parmênides diz que ao se comprometer com a via da verdade, o homem sábio perceberá que há indícios sobre o que é; seus atributos são revelados como uma necessidade absoluta, necessidades que são a um só tempo do ser e do pensamento, já que ambos são idênticos. O ser é, portanto, alheio a todo devir, está além de toda geração e corrupção; é uno e contínuo, porque a razão não permitiria nascer algo além dele, determina-o, pois, indivisível, igual ao todo, não pode ser maior ou menor que ele mesmo e caso houvesse mais de um ser, à unidade retornaria, já que por imposição lógica ente a ente adere. O ser é imóvel e, pousado em si mesmo, permanece imobilizado em seus limites. O ser é perfeito, pois não é carente; se de nada é carente, não é possível que seja imperfeito e inacabado. Em Parmênides, o um é o todo e o todo é um. Se existissem dois todos, um limitaria a abrangência do outro. Como o ser é infinito, ilimitado, só pode ser um. Ele refere-se a uma esfera. Não se pode deduzir daí que o ser tem o atributo da corporeidade. Trata-se de uma simples imagem, evidentemente influenciado pelas ideias cosmológicas de Anaximandro que geometrizou o espaço, até então aritimetizado. No caso, a esfera dá mais a noção de infinitude, de algo que nunca termina. Quando o poema fala de uma “verdade bem redonda”, a imagem que nos vem à mente é a do ser “esférico”, ou seja, sem começo e sem fim, sem dobras, sem quebras, indivisível, imutável, sempre idêntico a si mesmo. “... pois pensar e ser é o mesmo...” “... o ser é, e o nada, ao contrário, nada é...” “... resta-nos assim um único caminho: o ser é...” Imagem disponível em: Empédocles de Agrigento (490-435 a.C.) O princípio gerador de todas as coisas não seria um único elemento, mas quatro elementos: terra, ar, água e fogo, que se misturam em diferentes proporções e formam as várias substâncias que encontramos no mundo. O que unia e desunia os quatro elementos eram dois princípios: o amor e a luta. Os quatro elementos e os dois princípios seriam eternos, mas as substâncias formadas por eles seriam pouco duradouras. “... duas coisas quero dizer: às vezes, do múltiplo cresce o uno para um único ser; outras, ao contrário, divide-se o uno na multiplicidade..” Imagem disponível em: 15 Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) Acha que tudo o que existe é composto de átomos, partículas invisíveis e indivisíveis. Os átomos, infinitos em número, combinam-se uns aos outros e formam todas as coisas. Os átomos são invisíveis porque são muito pequenos e também porque não possuem qualidades. No universo somente existiriam átomos e vácuo (que representaria a ausência do ser). Todas as qualidades das coisas como cor, cheiro, peso, som, beleza, vida e outras, nada mais são do que movimento e modos de ser diferentes dos agregados de átomos que formam a respectiva coisa. Para ele, é o acaso ou a necessidade que promove a aglomeração de certos átomos e a repulsão de outros. O acaso é o encadeamento imprevisível, a aglomeração de certos átomos e a repulsão de outros. O acaso é o encadeamento imprevisível de causas. A necessidade é o encadeamento previsível e determinado entre causas. Sua concepção mecanicista – “tudo o que existe no universo nasce do acaso ou da necessidade”. Tudo tem uma causa. Fragmentos principais: “...os homens fi zeram do acaso uma imagem como pretexto para a sua própria imprudência...” Imagem disponível em: http:// aniely17.blogspot.com.br/ Nesse momento, terminamos a primeira parte da Filosofia, podemos chamar dos primeiros pensamentos filosóficos. Vamos analisar algumas ideias referentes à necessidade de estudar e estruturar a filosofia em nosso dia a dia. 3 - Iniciação ao Pensamento Filosófi co PARA REFLETIR... HOMEM: o ser que pergunta Normalmente perguntamos sem refl etir sobre o próprio perguntar, sem indagar pelo signifi cado dessa operação da inteligência que se acha na raiz de todo conhecimento e de toda ciência. E ao perguntar pelo perguntar, convertemos essa operação, que nos parece tão banal, tão quotidiana, em tema fi losófi co, a partir do momento em que passamos a considerá-la do ponto de vista da crítica radical. Se compararmos, nesse aspecto, o comportamento humano com o do animal, verifi caremos que o animal não pergunta, não indaga, limitando-se a responder. Mas, por que o animal não pergunta? Não pergunta, porque não precisa perguntar. E por que não precisa perguntar? Porque, para viver e reproduzir-se, dispõe do instinto que o torna capaz de fazer, embora inconsciente e sonambulicamente, tudo o que é necessário para sobreviver e assegurar a sobrevivência de sua espécie. O animal não pergunta, limita-se a responder aos estímulos e provocações do contexto em que se encontra, a responder imediatamente, fugindo do perigo,quando é ameaçado, e atacando a presa quando está com fome. Entre o animal e o contexto em que vive não há ruptura, não há solução de continuidade. Porque o animal é natureza dentro da natureza, instinto, espontaneidade vital, inconsciência [...]. Quando o comportamento do animal não é ditado pelo instinto, pela necessidade de alimentar-se, ou de reproduzir-se, e de mover-se no espaço, é ditado pelos estímulos exteriores que provocam refl exos ou respostas previamente determinados. O animal não precisa saber o que são as coisas, não precisa perguntar, porque sabe, por instinto, tudo o que precisa saber para sobreviver e assegurar a sobrevivência da espécie, do grupo ou da família a que pertence.. Essa ciência está implícita em sua natureza, pois o peixe nasce sabendo nadar, o pássaro sabendo voar, e os gatos e cachorros sabendo andar e correr. A integração no contexto natural é completa, mesmo por parte dos animais que constroem colmeias como as abelhas, edifícios para morar como as formigas, ou teias como as aranhas. Essas construções são obra do instinto, atividade que realiza fi ns determinados sem ter consciência de que os realiza, sem ter a possibilidade, ou a liberdade de não realizá-los. Pois ser abelha e construir colmeias é a mesma coisa, e a mesma coisa, também, é ser formiga e erguer formigueiros, e ser aranha e fabricar as teias. Toda a conduta, toda a atividade do animal está predeterminada, preestabelecida, em sua natureza, inclusive a possibilidade, que se verifi ca em relação a certos animais superiores, de serem adestrados para trabalhar nos circos. Em contraste, o homem pergunta. E, por que pergunta? Porque precisa perguntar. Mas, por que precisa perguntar? Precisa perguntar porque não sabe e precisa saber, saber o Filosofi a geral 16 que é o mundo em que se encontra e no qual deve viver. Para poder viver, e viver é conviver, com as coisas e com os outros homens, precisa saber como as coisas e os outros homens se comportam, pois sem esse conhecimento não poderia orientar sua conduta em relação às coisas e aos homens. Para o ser humano o conhecimento não é facultativo, mas indispensável, uma vez que sua sobrevivência dele depende. Mas, para que esse conhecimento lhe seja realmente útil e lhe permita transformar a natureza, pondo-a a seu serviço, e lhe permita, também, transformar sua própria natureza, pela educação e pela cultura, para que esse conhecimento possa tornar-se o fundamento de uma técnica realmente efi caz, é indispensável que não seja meramente empírico, mas científi co, ou epistemológico, como diziam os gregos. Ora, o que está na origem do conhecimento, tanto fi losófi co quanto científi co? Na origem desse conhecimento está a capacidade, ou melhor, a necessidade de perguntar, de indagar, o que são as coisas e o que é o homem. E qual é o pressuposto, ou a condição, de possibilidade da pergunta? Se pergunto é porque não sei, ou me comporto como se não soubesse. A pergunta supõe, consequentemente, a ignorância em relação ao que se pretende ou precisa saber, pressupondo também, e ao mesmo tempo, a consciência da ignorância e o conhecimento, por assim dizer, em oco, daquilo que se desconhece e precisa conhecer. A mola do processo é a contradição. Não sei e sei que não sei, e essa consciência da ignorância, a ciência da insciência, é o que me permite perguntar, quer a pergunta se dirija à natureza, quer se enderece aos outros homens. Na origem, na raiz do perguntar, encontramos, portanto, a ruptura, a cisão, a contradição. Não sei, preciso saber e porque sei que não sei, pergunto, na expectativa de que a resposta possa trazer-me o conhecimento que não tenho e preciso ter (COTRIN, 1989) Com o texto acima, podemos iniciar o estudo referente ao Desenvolvimento da Consciência, iremos refletir sobre a origem e o sistema que integram o homem. Temos alguns tipos de conhecimentos, os mais conhecidos: Senso comum, Intelectual, Racional, Intuitivo, Religiosa... Mas para obter o conhecimento precisamos ter consciência... Veja: eu passo uma informação, você assimila, analisa e reflete. Depois, essa informação que foi refletida por você fica na consciência, assim você obtêm o conhecer. Como posso saber se você conhece ou não? Somente através da indagação. Se você sabe e responde, você construiu o conhecimento, é por isso que temos que absorver o máximo de informação... Saber mais Comunicação: São assuntos passados pelos meios de comunicação, com isso não há uma “preocupação” de informar. Informação: São passadas para as pessoas que obtêm conhecimento, todas as formas são passadas e refl etidas de acordo com interesse do conhecedor. Vamos começar os estudos referentes à consciência! Muito já se escreveu sobre as características humanas. Entretanto, talvez nada caracterize melhor o ser humano do que a consciência, isto é, o desenvolvimento dessa atividade mental que nos permite estar no mundo com algum saber, “consciência”. Por isso, a biologia classifica o homem atual como sapiens sapiens: o ser que sabe que sabe. É que o homem é capaz de fazer sua inteligência debruçar sobre si mesma para tomar posse de seu próprio saber, avaliando sua consistência, seu limite e seu valor. Você sabia? O conhecimento humano é a verdade acessível ao homem, e essa verdade é relativa, fi nita e limitada. Existe uma realidade absoluta, mas acesso direto a esta realidade ou percepção direta dela é impossível. O conhecimento da realidade é relativo e limitado ao conhecimento dos vários efeitos produzidos por essa realidade absoluta. É um termo que designa, em fi losofi a, o processo pelo qual o sujeito apreende um objeto. O conhecimento sensível nos é dado por meio dos sentidos já o inteligível depende do uso da razão e têm como objetos tipos gerais, e não individuais e concretos. O processo contínuo de conscientização faz do homem, portanto, um sistema aberto, fundamentalmente relacionado com o mundo e consigo mesmo. O ser humano pode voltar-se para dentro de si, investigando seu intimo, e projetar-se para fora, investigando o universo. Aberto ao ser e ao saber, a conscientização faz o homem dinâmico. Eterno caminhante destinado à procura e ao encontro da realidade. Caminhante cuja estrada é feita da harmonia e do conflito com o ser, o saber e o fazer, essas dimensões essenciais da existência humana. Consciência Crítica A dialética do eu e do mundo. A consciência pode centrar-se sobre o próprio sujeito, sondando a interioridade, ou 17 sobre os objetos exteriores, sondado a alteridade. Portanto, há duas dimensões complementares no processo de conscientização: a consciência de si e a consciência do outro. A consciência de si, isto é, a concentração da consciência nos estados interiores do sujeito, exige reflexão. Alcança-se, por intermédio dela, a dimensão da interioridade que se manifesta através do processo de falar, criar, afirmar, propor e inovar. A consciência do outro, isto é, a concentração da consciência nos objetos exteriores, exige atenção. Alcança-se, por intermédio dela, a dimensão da alteridade que se manifesta através do processo de escutar, absorver, reformular, rever e renovar. O despertar da consciência crítica depende do harmonioso crescimento dessas duas dimensões da consciência: a reflexão sobre si e a atenção sobre o mundo. Se apenas uma delas progride, há uma deformação, um abalo no desenvolvimento da consciência crítica. Supomos, por exemplo, o crescimento só da consciência do outro. Essa atenção unilateral ao mundo, sem a reflexão sobre si mesmo, conduziria à perda da identidade pessoal, à exaltação dos objetos externos, ao alheamento. Por outro lado, imaginemos o crescimento só da consciência de si. Essa reflexão em torno do eu, sem atenção sobre o mundo, conduziria ao isolamento, ao fechamento interior, ao labirinto narcisista (Disponível em: http://pt.wilpedia.org/ wiki. Acesso em: 12/fev./2006). 3.1 - Os Modos da ConsciênciaGeralmente relacionamos a consciência apenas à capacidade cognitiva, ou seja, à capacidade de apreensão intelectual de uma dada realidade. No entanto, sendo o homem um ser que se relaciona com a realidade através de múltiplos sentidos e múltiplas capacidades, podemos distinguir alguns modos da consciência que estabelecem essa relação homem-mundo. A consciência mítica - O termo mito tem diversos significados. Pode significar: uma ideia falsa, como quando se diz “o mito da superioridade racial dos germânicos difundido pelos nazistas”; uma crença exagerada no talento de alguém, como em “Elvis Presley foi o maior mito da música popular mundial”; ou ainda algo irreal e supersticioso, como o “mito do saci-pererê”. Quando falamos em mito num sentido antropológico, queremos nos referir às narrativas e ritos tradicionais, integrantes da cultura de um povo, principalmente entre as populações primitivas e antigas... O mito conta uma história sagrada: ele relata um acontecimento ocorrido no tempo primordial... O mito narra como, graças às façanhas dos entes sobrenaturais, uma realidade passou a existir. A consciência religiosa - Compartilha com a consciência mítica o elemento do sobrenatural, a crença em um poder superior inteligente, isto é, a divindade. No entanto, é uma consciência que, historicamente, conviveu e debateu com a razão filosófica e científica. Sua diferença em relação a esses saberes está na crença em verdades reveladas pela fé religiosa, enquanto a filosofia e a ciência se apoiam, sobretudo, na razão para alcançar o conhecimento. A consciência intuitiva - A intuição é uma forma de consciência que pode ser apontada como um saber imediato, ou seja, que não passa por mediações, que ocorre como um insight. A intuição distingue-se do conhecimento formal, refletido, que se constrói através de argumentos. É possível falarmos na existência de uma intuição, falarmos na existência de uma intuição sensível e uma intuição intelectual. Em um outro caso, a intuição tem um caráter sincrético, isto é, representa uma aglutinação de elementos indistintos que, posteriormente, podem ser desdobrados em uma análise. Quando isso se der, estaremos entrando no conhecimento racional. A consciência racional - Ela busca a compreensão da realidade por meio de certos princípios estabelecidos pela razão, como, por exemplo, o de causa e efeito. Essa busca se caracteriza por pretender alcançar uma adequação entre pensamento e realidade, isto é, entre explicação e aquilo que se procura explicar. O conhecimento racional desenvolve um trabalho de abstração e análise. Abstrair significa separa, isolar as partes essenciais. Analisar significa decompor o todo em suas partes. Com isso, busca-se compreender o que define e caracteriza fundamentalmente o objeto em estudo. Retomando a AULA Estamos terminando a aula, neste momento faremos um memorandum, vamos lá. Filosofi a geral 18 1 - Introdução à Filosofia A origem da Filosofia. Nesta seção, não podemos nos esquecer da necessidade de entender o nascimento da Filosofia, como também devemos lembrar que a Filosofia não é um conjunto de conhecimentos prontos, um sistema acabado ou fechado em si mesmo. Nós devemos acompanhar com raciocínio, com clareza e com segurança toda análise e acontecimentos que poderemos acompanhar, ou seja, a Filosofia nos ajuda a dar respostas seguras a todos os questionamentos. 2 - A origem da Filosofia antiga: Pré- Socráticos e seus pensamentos Vimos os principais filósofos pré-socráticos, através da sabedoria e da dinamicidade conseguiram dar respostas para os questionamentos da época. Sem nenhuma tecnologia absorveram conhecimentos e deram respostas as indagações da época. 3 - Iniciação ao pensamento filosófico Trabalhamos com a análise mais direta sobre o processo de filosofar, discutimos nesse ponto sobre a consciência crítica e reflexiva, depois de analisarmos a origem da filosofia e os primeiros filósofos, podemos finalizar com um raciocínio, a importância da Filosofia para a realização pessoal e profissional. Devemos ter mais razão do que emoção, todas as nossas decisões devem ser tomadas com segurança. Nas aulas a seguir estaremos aprimorando a nossa razão, consciência e reflexão. Glossário Valor - Axiologia, ou teoria do valor é a abordagem fi losófi ca do valor em sentido amplo. Sua importância reside principalmente no novo e mais extenso signifi cado que atribuiu ao termo valor e na unidade que trouxe ao estudo de questões econômicas, éticas, estéticas e lógicas que eram tradicionalmente consideradas em separado. Verdade - Na Filosofi a Clínica, há dois tipos de verdade: subjetiva e consensual. A verdade subjetiva é aquela que habita a pessoa que está de acordo com a sua singularidade, sua Estrutura de Pensamento. Quanto à verdade consensual, é aquela estabelecida em conjunto pelas pessoas. Estrutura de pensamento - É o modo como a pessoa está existencialmente no ambiente. A estrutura de pensamento se dá mediante a relação de trinta Tópicos que por interseção estabelecem as condições modais de existência da pessoa. A Estrutura de Pensamento se caracteriza pela sua mobilidade, plasticidade, pois ela muda de pessoa para pessoa, ela muda de época para época, ela muda na própria pessoa durante a vida. Ela procura entender a experiência humana enquanto existência. Metafísica - Metafísica ou fi losofi a primeira constitui a parte mais importante de toda doutrina fi losófi ca, já que investiga os princípios e causas últimas da realidade, a essência do ser ou “o ser como ser”. Seu estudo deve partir de uma análise formal e abstrata da realidade e se denomina ontologia ou metafísica geral. No pensamento moderno, tende a dar o nome de metafísica a toda fi losofi a especulativa que se ocupe de princípios não perceptíveis diretamente de modo empírico, como “alma”, “essência” ou “absoluto”, ou que elabore concepções do mundo não suscetíveis de demonstração científi ca. Assim, na oposição clássica entre idealismo e materialismo, as escolas contemporâneas de tradição empirista -- positivismo, fi losofi a analítica -- tenderam a negar a validade da metafísica como ciência, enquanto correntes como o irracionalismo, o existencialismo e o intuicionismo, embora discordem dos critérios dogmáticos da metafísica tradicional, admitem o caráter de certo modo metafísico de todo empreendimento fi losófi co. Paradigma - É um esquema ou modelo mental que se toma como referência e sobre o qual se constrói um processo intelectual. Em fi losofi a da ciência é o princípio básico que sustenta uma teoria geral e cuja alteração acarreta a mudança de toda a teoria. Axiologia - É a abordagem fi losófi ca Teoria do valor em sentido amplo. Sua importância reside principalmente no novo e mais extenso signifi cado que atribuiu ao termo valor e na unidade que trouxe ao estudo de questões econômicas, éticas, estéticas e lógicas que eram tradicionalmente consideradas em separado. Vale a PENA Dicionário de Filosofia - Disponível em: . Glossary of Religious Mouvements Terms - Disponível em: . Routledge Encyclopedia of Philosophy - Disponível em: . Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência - Disponível em: . . . . Vale a pena ACESSAR 19 . . . . . . . .. . . . A Procura da Felicidade - Título original: The Pursuit of Happyness Direção: Gabriele Muccino. Sinopse: Chris Gardner (Will Smith) é um pai de família que enfrenta sérios problemas financeiros. Apesar de todas as tentativas em manter a família unida, Linda (Thandie Newton), sua esposa, decide partir. Chris agora é pai solteiro e precisa cuidar de Christopher (Jaden Smith), seu filho de apenas 5 anos. Ele tenta usar sua habilidade como vendedor para conseguir um emprego melhor, que lhe dê um salário mais digno. Chris consegue uma vaga de estagiário numa importante corretora de ações, mas não recebe salário pelos serviços prestados. Sua esperança é que, ao fim do programa de estágio, ele seja contratado e assim tenha um futuro promissor na empresa. Porém, seus problemas financeiros não podem esperar que isto aconteça o que faz com que sejam despejados. Chris e Christopher passam a dormir em abrigos, estações de trem, banheiros e onde quer que consigam um refúgio à noite, mantendo a esperança de que dias melhores virão. Felicidade na Filosofia - Este filme pode nos levar a alguns pensamentos e sentimentos sobre o que é a felicidade e se podemos ou não ser felizes. Na história da Filosofia, encontramos diversas respostas Vale a pena ASSISTIR (ou tentativas de resposta) para essa questão. O conceito de Felicidade nasceu na Grécia Antiga: para Tales era feliz quem tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada. Para Demócrito a felicidade era a medida do prazer e a proporção da vida (evitando-se os excessos). Já para Aristipo somente o prazer é bem, porque é algo desejado por si mesmo. A Felicidade seria a soma de todos os prazeres particulares (passados e futuros). Mas para Platão não era assim, a felicidade não está no prazer, mas sim na virtude. Os felizes só são felizes porque possuem a justiça e a temperança; os infelizes são infelizes porque possuem a maldade. Todos os conceitos de liberdade até aqui dizem respeito à situação do homem no mundo. Mas Aristóteles amplia o conceito de Felicidade definindo-a como certa atividade da alma realizada em conformidade com a virtude. Assim, as pessoas podem possuir três tipos de bens: os exteriores, os do corpo e os da alma. Os bens exteriores cumprem uma função utilitária de instrumentos, além do qual se tornam prejudiciais a quem os possui e por isso tornam- se inúteis. Os bens espirituais ao contrário quanto mais abundantes mais úteis. A Ética pós-aristotélica ocupou-se exclusivamente da Felicidade do sábio. O sábio é aquele que acha a Felicidade em si mesmo. Wall-E - Direção: Andrew Stanton. Sinopse: Após entulhar a Terra de lixo e poluir a atmosfera com gases tóxicos, a humanidade deixou o planeta e passou a viver em uma gigantesca nave. O plano era que o retiro durasse alguns poucos anos, com robôs sendo deixados para limpar o planeta. Wall-E é o último destes robôs, que se mantém em funcionamento graças ao autoconserto de suas peças. Sua vida consiste em compactar o lixo existente no planeta, que forma torres maiores que arranha-céus, e colecionar objetos curiosos que encontra ao realizar seu trabalho. Até que um dia surge repentinamente uma nave, que traz um novo e moderno robô: Eva. A princípio curioso, Wall-E logo se apaixona pela recém-chegada. Wall-E é diversão para as crianças, mas também para os adultos. O filme consegue deixar de maneira divertida uma versão possível para o futuro da humanidade. O protagonista busca um sentido maior em sua vida e deixa uma mensagem simples: “aproveite as coisas simples da vida” e por incrível que pareça nos ensina a sermos mais sensíveis. Filosofi a geral 20 Wittgenstein - Direção: Derek Jarman. Sinopse: Este é um retrato invulgar e pleno de humor de um dos mais influentes filósofos do século XX: Ludwig Wittgenstein. A intenção de Derek Jarman é inequívoca: explorar as chaves ideológicas da filosofia e da vida de Wittgenstein, para além do gênio. O filme recupera, com ironia, todo o percurso da vida do filósofo e da sua família, expoente máximo da burguesia austríaca. Retrata ainda toda a luta de Wittgenstein contra a alienação pessoal. O filósofo serviu como voluntário na I Guerra Mundial, foi professor na Áustria rural e operário na União Soviética. Regressa a Cambridge em 1951, onde morrerá vítima de cancro. As últimas palavras de Wittgenstein indiciam o tom irônico com que sempre encarou a sua existência: “Digam a todos que tive uma vida maravilhosa”? Dúvida - Direção: John Patrick Shanley. Sinopse: O ano é 1964 e o cenário é a escola St. Nicholas, no Bronx. O vibrante e carismático padre Flynn (Philip Seymour Hoffman), vem tentando acabar com os rígidos costumes da escola, que há muito são guardados e seguidos ferozmente pela irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), a diretora com mãos de aço que acredita no poder do medo e da disciplina. Os ventos das mudanças políticas sopram pela comunidade e, de fato, a escola acaba de aceitar seu primeiro aluno negro, Donald Miller. Mas quando a irmã James (Amy Adams), uma freira inocente e esperançosa conta à irmã Aloysius sobre sua suspeita, induzida pela culpa, de que o padre Flynn está dando atenção exagerada a Donald, a irmã Aloysius se vê motivada a empreender uma cruzada para descobrir a verdade e banir o padre da escola. Agora, sem nenhuma prova ou evidência, exceto sua certeza moral, a irmã Aloysius trava uma batalha de determinação com o padre Flynn, uma batalha que ameaça dividir a Igreja e a escola com consequências devastadoras. “Dúvida” é um filme sobre... Dúvida. Não somente, outras questões (moralidade, autoridade e religião) são tratadas no filme. Mas tudo é duvidoso e passa longe de esclarecimentos. A partir do filme podemos colocar algumas questões filosóficas: A verdade é relativa? E o que é a verdade? E, ainda: Existe uma relação entre crença religiosa e a verdade? OBS: Não se esqueçam! Em caso de dúvidas, acessem as ferramentas “fórum” ou “quadro de avisos”.