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Conteudista: Prof. Me. Valdécio Silvério Bezerra Revisão Textual: Prof.ª Dra. Selma Aparecida Cesarin Objetivos da Unidade: Definir o que é liberdade de expressão e refletir sobre os limites da difusão de mentiras no contexto dos mais diversos meios midiáticos em tempos da globalização da imagem, da notícia instantânea e sem a comprovação da sua veracidade; Refletir, também, sobre as bases da Democracia na contemporaneidade. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Fake News: um Atentado à Democracia Fake News: um Atentado à Democracia Todos nós sabemos que o mundo globalizado passa por um momento extremamente delicado, principalmente, quando nos referimos às Nações com regimes políticos democráticos e que tem por prática a representação e os processos eleitorais transparentes, pautados pelo voto popular. Ao propormos essa reflexão em nossos Estudos Plurais, temos como objetivo ressaltar o debate que tem pautado todos os Governos que passaram por processos traumáticos e contestados pela falta de lisura e comprometido por momentos que fugiram à normalidade e infringiram regras consolidadas pela história que caracteriza os regimes democráticos pelo mundo. As Redes Sociais e seus instrumentos de comunicação e a sofisticação dos compartilhamentos eficazes, num curto espaço de tempo, vem se tornando um meio de influir nos embates político-eleitorais como via direta de publicidade eleitoral, e preocupa pelo fato de falta de filtro e comprometimento com a verdade. Iniciemos, então, nossos estudos, em busca da compreensão do que está acontecendo e porque esse estado de coisas preocupa não só os cientistas políticos, mas toda a Sociedade imersa no mundo digital, virtual e midiático. Liberdade de Expressão e seus Limites Na Constituição Federal de 1988, o termo liberdade de expressão não é utilizado literalmente, mas, na continuidade da sua redação, inúmeros artigos permitem associá-los dentro desse direito, sendo que os que fazem essa associação estão no Artigo 5º, nos Incisos a seguir: IV, que menciona que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”; VIII, nesse inciso, é descrito que “ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos 1 / 3 📄 Material Teórico imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei” e, também, no inciso IX, que estabelece que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” (BRASIL, 1988). Além desses dispositivos, o direito à liberdade de expressão é destacado e defendido por outra norma. No Art. 220, é definido que não é possível qualquer tipo de restrição com relação à manifestação do pensamento, à criação e à informação. Essa expressão se consolida no § 2º: “é vedada toda e qualquer censura de natureza política ideológica e artística” (BRASIL, 1988). A liberdade de expressão está ligada ao direito de manifestação do pensamento, à possibilidade de o indivíduo emitir suas opiniões e ideias ou expressar atividades intelectuais, artísticas, científicas e de comunicação, sem interferência ou eventual retaliação do governo. O artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos define esse direito de forma explícita: Ou seja, por qualquer meio de comunicação. No entanto, cabe destacar que o exercício dessa liberdade não é ilimitado. Todo abuso e excesso, especialmente quando verificada a intenção de injuriar, caluniar ou difamar, pode ser punido conforme a Legislação Civil e Penal. - ONU, 1948 “Todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente de fronteiras.” O grande debate que se estabelece no momento gira em torno de quais são os limites da liberdade de expressão, passando, assim, a assumir novos desafios sob vários aspectos, mas também para o Direito. Isso porque a difusão de notícias falsas e desinformação não é novidade, inclusive, quando isso acontece no âmbito do embate político-eleitoral. Se levarmos em conta que vivemos numa era de digitalização universal e em tempos de Big Data, é inimaginável a velocidade de postagens e disseminação em grande escala de informações falsas em curto espaço de tempo e com consequências profundamente impactantes. O problema do conteúdo e limites da liberdade de expressão somente pode ser enfrentado e equacionado, do ponto de vista jurídico, quando existe um consenso (no sentido de uma opinião e prática majoritária) relativamente ao seu sentido e alcance numa determinada ordem constitucional, o que, por sua vez, remete à grande discussão em torno da posição da liberdade de expressão em relação aos demais direitos fundamentais. Hoje, busca-se demonstrar a necessidade de uma regulação sobre as notícias falsas em nosso país, sem que seja ultrapassada a linha tênue existente em face do direito à liberdade de expressão. O melhor caminho seria combater a desinformação com informação, fazendo com Glossário Big Data: é formado pela combinação massiva de dados disponíveis em distintos servidores que podem ser acessados a fim de solucionar a necessidade de informação. Essa tecnologia compõe as ferramentas utilizadas no contexto da 4ª Revolução Industrial ou Indústria 4.0. que os próprios locais onde a falsidade foi divulgada indicassem onde encontrar as informações verdadeiras. Uma maior divulgação na Televisão e no Rádio sobre as notícias falsas tem sido uma alternativa que apresenta resultados positivos, sendo uma opção o Estado regulamentar que esses meios de comunicação dediquem uma parte de sua programação para expor informações comprovadamente falsas. Mas, nesse caminho, o conflito de interpretações e posições, sejam elas jurídicas, sejam corporativas, torna o debate quase infindável. O grande ponto de interrogação é que, após a divulgação de uma informação falsa e sua propagação de forma exponencial, o estrago provocado é incomensurável, e como reparar esse prejuízo. Vamos avançar na reflexão sobre liberdade de expressão, tocando no ponto-chave, que colocou essa discussão na ordem do dia, ou seja, todos os que estão sendo responsabilizados alegam cerceamento da liberdade de expressão quando a justiça interfere na propagação das fake news ou informações falsas. O que é Fake News? Não obstante seja uma expressão de grande repercussão social atual, muitos analistas apontam que as fake news não são um fenômeno recente. Sabemos que a propagação de notícias falsas não é uma característica nova e específica da Sociedade contemporânea. Notícias falsas e mentiras vêm sendo disseminadas há muito tempo, atravessando vários períodos da história. O que é diferente, hoje, é a forma de propagação da mentira e das notícias falsas em proporções exponenciais pelas Redes Sociais e pelos Meios de Comunicação. Mas antes de iniciarmos essa discussão, é necessário detalhar e compreender o conceito de fake news e como ele passou a fazer parte do nosso cotidiano. Allcott e Gentzkow definem as fake news como “artigos noticiosos que são intencionalmente falsos e aptos a serem verificados como tal, e que podem enganar os leitores” (SEGURADO, 2021, p. 86). Portanto, a falsificação é deliberada. As pessoas e os Meios de Comunicação que recorrem à difusão de notícias falsas o fazem com diversos objetivos, inclusive adversários que pretendem destruir a reputação de um concorrente. Isso pode acontecer na política, nas relações comerciais e até mesmo em círculos sociais com o objetivo de obter alguma vantagem. Complementando essa definição, podemos tomar como referência o que afirma Segurado: A verdade é que a expressão fake news está cada dia mais presente nos debates e nas diversas esferas sociais, justamente pela produção de impactos no campopolítico, jurídico, filosófico e social, tornando-a um fenômeno mundial e preocupante, principalmente, pela dificuldade de ser penalizado, com a difusão de aplicativos voltados, principalmente, para o relacionamento pessoal difundidos em grandes Redes Sociais (Facebook, Twitter, Instagram, Google+, YouTube, Tik Tok, Badoo), e o profissional (LinkedIn). São aplicativos que atraem muitas pessoas pela interação instantânea em Redes Sociais, um imenso público de perfil indeterminado. Tudo concentrado em celulares, meio físico individual de milhões de pessoas dispondo desses serviços de Internet. No entanto, as ferramentas que revolucionaram a comunicação instantânea, possibilitando se informarem e informarem os outros, têm seu lado nocivo, ou seja, a propagação de fake news. Essa expressão entrou na pauta mundial em 2016, durante a campanha política de Donald Trump, que viria a ser o sucessor de Barack Obama na presidência dos Estados Unidos. - SEGURADO, 2021, p. 87-8 “O Conselho Europeu, órgão da União Europeia para definir orientações e prioridades políticas, desempenha um papel fundamental nesse debate e adotou a seguinte definição para o fenômeno das notícias falsas: mis-information ou informações enganosas são aquelas compartilhadas sem a intenção de causar algum tipo de danos alguém; desinformação ou desinformation é quando se sabe que a informação é falsa e o compartilhamento ocorre com algum objetivo de possíveis efeitos; e, por fim, a má-informação ou mal-information que são informações geradas em âmbito privado, mas com caráter verdadeiro e quando compartilhadas publicamente podem causar dano individual ou coletivo.” O que chama a atenção sobre as fake news não é exatamente seu teor, mas a forma massiva e subliminar de sua utilização e sua eficácia empiricamente comprovada. Isso é viabilizado em decorrência da utilização bem articulada de um conjunto de instrumentos visando a persuadir e a influenciar pessoas por meio de conhecimentos de Psicologia de Massa e de informações. Figura 1 – Fato ou Fake Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem apresenta quatro dados vermelhos, sob fundo amarelo, sendo que os dados estão alinhados um ao lado do outro, sendo que os dois primeiros têm a letra F no primeiro dado e A no segundo. Os dados seguintes estão inclinados e podemos ver as letras C e T na face superior e K e E na face inferior, formando respectivamente as palavras Fact (fato em inglês) e "Fake". Fim da descrição. O grande desafio hoje é distinguir o que é fake e o que é fato. Na era da informação, estamos condicionados a viver com esse dilema, vez que as fake news vieram para ficar e apontam que, no futuro, influenciarão cada vez mais a formação da opinião pública. As Fake News e os Processos Eleitorais O processo eleitoral, em qualquer Democracia, sempre passa ou passou por momentos de instabilidade por motivos os mais diversos e, dentre eles, a propagação de notícias duvidosas ou de veracidade improvável. Essa situação preocupa porque implica a possibilidade de desconstrução do processo democrático equilibrado e íntegro, pois esse tipo de divulgação de notícias falsas tem por objetivo promover o desequilíbrio do processo eleitoral em benefício de um dos lados da disputa, mas de forma ilícita, comprometendo, assim, a lisura do resultado. No processo eleitoral, as fake news têm por objetivo disseminar informações falsas que tem aparência de verdadeiras com a intenção de enganar e gerar compartilhamentos: Reflita A fake news é um devastador míssil arremessado na Constituição Federal que atinge diretamente os direitos e garantias fundamentais, vem revestida duma falsa blindagem de censura que jamais terá a proteção da trincheira do postulado princípio constitucional da liberdade de expressão (ABDOUNI, 2021, p. 5). A proliferação de fake news interfere profundamente no campo eleitoral. Isso foi constatado na Campanha Eleitoral de 2018, quando a divulgação de notícias falsas ganhou protagonismo nunca visto, com divulgação de propaganda massificada por meio de contas digitais geridas por robôs, resultando em danos irreversíveis em candidaturas, colocando em xeque o resultado das urnas, pois o voto deve ser lúcido, voluntário e consciente e, acima de tudo, livre de suborno, corrupção e desinformação. Tal estado de coisas tem gerado estudos mundo afora, a tal ponto que novos verbetes e conceitos estão sendo criados para explicar o momento e movimentos que caracterizam a contemporaneidade. Tanto que alguns pesquisadores começaram a se questionar se seria o campo político responsável pela disseminação da ideia de que vivemos a era da pós-verdade: - ABDOUNI, 2021, p. 17 “As fake news são cada vez mais utilizadas de forma global por grupos políticos para ascender e se manter no poder, a fim de mudar a opinião pública a seu respeito, e por grupos ideológicos que procuram disseminar versões de seu interesse, distorcendo a realidade e propagando mentiras e ódio religioso e racial, o que se combina, frequentemente, com a ação de setores que objetivam faturamentos milionários, produzindo, de forma massiva, vídeos com títulos bombásticos, sem correspondência com os conteúdos, que acabam gerando resultados muitas vezes irreversíveis.” “A noção de pós-verdade também passou a fazer parte dos debates sociais e políticos e chegou a ganhar um verbete no dicionário Oxford que a definiu como um adjetivo relacionado às circunstâncias nas quais os fatos objetivos são menos influentes na formação da opinião pública do que os apelos às emoções ou crenças A utilização dos termos fake news e pós-verdade foram massivamente utilizados na época para tratar os processos descritos acima. Aqui, cabe fazermos um breve relato do que ocorreu na eleição de Donald Trump, em 2016, e com o Brexit, também em 2016. - SEGURADO, 2021, p. 86 Glossário Brexit: surgiu a partir da combinação de outras duas palavras: Britain (Grã-Bretanha) e exit (saída). O termo foi cunhado pela primeira vez pelo ex-advogado Peter Wilding, em 2012. Muitos definem o Brexit como o “divórcio” entre o Reino Unido e a União Europeia. O plebiscito que definiu a saída do Reino Unido da União Europeia ocorreu em 23 de junho de 2016. pessoais. As razões alegadas para a inclusão do termo remetem ao contexto da eleição presidencial nos Estados Unidos, bem como ao referendo do Brexit que aprovou a saída do Reino Unido da União Europeia.” O uso abundante dos termos fake news e pós-verdade foi sendo consolidado durante o processo de campanha para as eleições presidenciais norte-americanas de 2016, em que concorriam ao cargo de Presidente dos Estados Unidos, Hillary Clinton e Donald Trump. Antes de detalharmos o processo que culminou com a eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos, não podemos deixar de explicar de que forma isso ocorreu, vez que existiu uma Empresa que exerceu papel primordial para que Trump chegasse ao poder. Em 2013, capitaneada por Robert Mercer, uma união entre mestres da INFORMÁTICA e da Psicologia criou uma empresa de marketing político chamada Cambridge Analytica (CA). Essa Empresa estava subordinada ao grupo britânico Strategic Communication Laboratories (SCL) e tinha como objetivo atuar na política americana, combinando pesquisa e análise de dados com comunicação estratégica. Resumidamente, a CA coletou informações confidenciais, a partir de 2014, de entre 30 e 87 milhões de americanos usuários do Facebook. Esses dados foram utilizados para influenciar a opinião desses eleitores. A CA reuniu uma equipe de psicólogos e experts em Informática para analisar e usar as características psicológicas dos eleitores americanos para afetar o comportamento deles. Isso foi possível com a difusão em massa de informações falsas, vídeos e sugestões disparadas para cada perfil de acordo com os resultados das pesquisas, forçando um sugestionamento de comportamento, e deu resultado. Steve Bannon foi vice-presidente da CA e, posteriormente,desempenhou papel de destaque nesse processo todo, vindo a assessorar a campanha de Trump à presidência norte-americana em 2016. Filme Privacidade Hackeada Já a atuação da CA no caso do Brexit passa por investigações interligadas pelo Parlamento e reguladores do governo sob a alegação de ter realizado trabalhos ilegais para a campanha Brexit. A CA usou técnicas poderosas capazes de mudar a face política de qualquer país, mesmo contra a vontade de seus cidadãos. Isso foi possível porque: Privacidade Hackeada | Trailer o�cial | Net�ixPrivacidade Hackeada | Trailer o�cial | Net�ix https://www.youtube.com/watch?v=wjXYCrxRWqc Todo esse bombardeio de notícias falsas influenciou diretamente no resultado do plebiscito, sendo que, depois do resultado, uma parcela significativa da Sociedade britânica estava arrependida. O processo eleitoral no Brasil, em 2018, não ficou de fora do sistema de disseminação em massa de notícias falsas que beneficiaram diretamente o candidato Jair Bolsonaro, levando-o à presidência. Comprovadamente os filhos do candidato e membros da sua campanha contaram com o auxílio de Steve Bannon durante a Campanha. Todo o processo eleitoral foi marcado pelo uso exacerbado de desinformação e fake News. Como exemplo de disparos de desinformação e fake News, foi difundido que o candidato oponente estaria propondo colocar em prática a distribuição do denominado Kit Gay nas Escolas Públicas brasileiras, intermediada pelo Ministério da Educação, cujo candidato já havia sido ministro. Foram inúmeras as vezes em que esses recursos de disseminação em massa de fake news, por robôs, nas Redes Sociais, foi utilizado. Esse tipo de interferência, portanto, não se dá apenas no processo eleitoral, mas na própria conformação discursiva da esfera pública, dimensão fundamental da vida democrática, sustentáculo da convivência em liberdade, processo que desemboca no totalitarismo. Sem querer nos alongar mais no tema, em síntese, podemos apontar como características da estruturação e formulação de notícias falsas durante os processos eleitorais e que concorrem para a desestruturação da democracia liberal. - ABDOUNI, 2021, p. 110 “A desconfiança dos britânicos relativa a União Europeia (UE) foi largamente potencializada pela imprensa inglesa – sobretudo pelos tabloides – que ao longo dos anos veiculou centenas de fake news sobre a Europa, algumas verdadeiramente surreais.” O fenômeno das notícias falsas é essencialmente político em uma Sociedade muito midiatizada e desigual. Segundo: entender as fake news como um exercício de poder que objetiva interferir na Sociedade e no Estado. Terceiro: são experiências extremistas que visam a destruir a própria democracia. Quarto: interferir na Sociedade e no Estado por meio de robôs (algoritmos) com a difusão de inverdades e caos de forma exponencial. Redes Sociais sem Limites A grande preocupação das autoridades públicas e jurídicas estão voltadas aos limites das Redes Sociais no contexto da difusão de notícias falsas. Como enquadrá-las num conjunto de responsabilidades, se é que é possível. Uma primeira interpretação desse espaço de comunicação faz parte dos estudos de Castells (2016), o autor entende que a partir das novas formas de comunicação possibilitadas pela Internet e pelas Redes Sociais, todos passaram a ser simultaneamente remetentes e destinatários, no exercício de uma pretensa simetria no diálogo. Nesse contexto, Castells (2018) alerta para um cenário que cada vez mais distancia verdade e informação, com essa passando ao status de mercadoria, algo a ser consumido, no qual cresce o desinteresse pelo real, e a mentira passa a ser a nova verdade, o que identifica o momento pela qual passamos como pós-verdade. Atualmente, está em vigor no Brasil, o Marco Civil da Internet, Lei nº 12.965/2014), que regula o ambiente digital e as Redes Sociais no país desde 2014, porém essa Lei atua com limitações. Entretanto, a Legislação não responsabiliza as plataformas pelo uso dela, ou seja, pelas publicações feitas por terceiros, ainda que estejam sendo divulgadas informações falsas. A Lei nº 12.965/2014 é uma Lei Ordinária Federal que consiste em atuar como “Constituição de Internet”. As administradoras das Redes Sociais sentiam-se intermediárias passivas prestando serviços aos usuários, eximindo-se de responsabilização por danos causados pelas publicações. O receio era de que esse tipo de Lei ameaçasse a liberdade de expressão. O debate central gira em torno da liberdade de expressão, sendo que os defensores dessa limitação apontam o avanço da tecnologia e, com a urgência em notificar um acontecimento, surge a necessidade de regular os canais de comunicação. Por outro lado, os críticos da proposta alegam que tais medidas podem ferir a liberdade de expressão dos usuários e pode configurar como uma tentativa de censura. O conflito está posto, mas todos entendem que há consenso, algo tem que ser feito, por vários motivos: como forma de combater a potencialização de publicações antidemocráticas nas Redes Sociais, a fragilidade das Mídias Digitais de controlar conteúdo desse teor, estabelecer normas claras para a moderação das plataformas, delimitando liberdade de expressão e valores morais e éticos. Glossário Lei ordinária: trata de assuntos diversos da área penal, civil, tributária, administrativa e da maior parte das normas jurídicas do país, regulando quase todas as matérias de competência da União, com sanção do presidente da República. O Projeto de Lei Ordinária é aprovado por maioria simples. Pode ser proposto pelo presidente da República, por deputados, senadores, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por tribunais superiores e pelo Procurador-geral da República. Os cidadãos também podem propor tal projeto, desde que seja subscrito por, no mínimo, 1% do eleitorado do país, distribuído pelo menos por cinco estados, com não menos de 0,3% dos eleitores de cada um deles. Vejamos alguns dos casos que são referência na discussão sobre a regulação das Redes Sociais que demonstram ser ameaça à democracia (HENRIQUE, 2023): Tais ocorrências evidenciam a necessidade de regramento devido à potencialidade da disseminação do discurso de ódio nas Redes Sociais e as graves ameaças ao funcionamento das democracias e suas Instituições: O Brexit, do Reino Unido; A eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos; A invasão do Capitólio, nos Estados Unidos; O negacionismo em relação à Pandemia de Covid-19, em diversos países, inclusive no Brasil; A invasão ao Congresso Nacional, Câmara e STF, caso mais recente no Brasil. “A Comissão Europeia, em dezembro de 2020, publicou a proposta de Regulamento de Serviços Digitais propondo normas de devida diligência que devem ser seguidas pelos provedores, sob pena de aplicação de multa (até 6% do seu faturamento mundial). Além dessa, há outras sanções no texto, como transparência, elaboração de relatórios sobre atividades de moderação de conteúdo, criação de mecanismos que permitam usuários sinalizarem publicações consideradas ilícitas e, em casos de remoção de conteúdo, as empresas devem expor os motivos dessa decisão. Na Alemanha também foi reconhecida a necessidade de regular as redes e desde 2011 existe a Lei de Imposição do Direito nas Redes de Comunicação, conhecida como Lei do Facebook, para combater discurso de ódio nas redes sociais, além da Como vimos, a preocupação com a regulação das Redes Sociais não se trata de uma preocupação restrita ao nosso país. Temos consciência que, nesse espaço, não pode reinar a ideia de mundo sem lei, em que tudo é permitido. Indiscutivelmente, estamos dando os primeiros passos nesse terreno fluido do avanço tecnológico e das relações descomprometidas, mas se faz importante definir como tal espaço deve ser pautado pelo contexto da civilidade, regrado e dentro das dimensões da Lei e da convivência sob um regime democrático. A Democracia em Tempos de Rupturas Hoje, o que mais preocupa os governos e oslegisladores é, sem sombra de dúvidas, os ataques pelos quais vem passando o Estado Democrático de Direito, haja vista que o convívio em Sociedade exige a observação e o respeito de determinadas regras civilizatórias. - HENRIQUE, 2023 obrigação de remover conteúdos ilegais em até 24 horas. Junto a esta última medida, uma revisão na legislação determinou que as plataformas reportem as remoções de publicações à polícia alemã (BKA) para que possam ser investigadas.” Figura 2 – Como encontrar a saída Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: a imagem mostra um boneco de madeira diante da entrada de um grande labirinto montado com retângulos de madeira predominando a cor marrom em várias tonalidades. A imagem não mostra o fim do labirinto, mas vários percursos com saídas falsas. Fim da descrição. Estamos diante do labirinto e precisamos atravessá-lo para reconstruir os laços de credibilidade e de representatividade, típicos dos regimes democráticos. O problema é encontrar o melhor caminho, que nos levará à saída e às soluções. Em sua obra O Futuro da Democracia, Norberto Bobbio defende a Democracia constituída de um conjunto de regras. Trata-se de uma constituição pactuada de um conjunto de regras fundamentais que estabelecem quem está autorizado a tomar decisões coletivas e com quais procedimentos. Tais regras são chamadas por Bobbio de universais processuais: Para Bobbio, a liberdade política deve ser condição elementar para a tomada de decisões. Liberdade como um valor para os indivíduos compreendidos isoladamente e igualdade compreendida como um valor para os indivíduos nas relações sociais. São conceitos e reflexões que precisamos fazer num momento como esse que vivenciamos. Trata-se de uma preocupação que envolve cada vez mais pessoas e estudiosos não só da Área das Ciências Políticas, mas da Sociologia, da Psicologia, e da Ciências Sociais em geral. - BOBBIO, 2009, p. 58 “1) todos os cidadãos que tenham alcançado a maioridade etária sem distinção de raça, religião, condição econômica, sexo, devem gozar de direitos políticos (...); 2) o voto de todo o cidadão deve ter igual peso; 3) todos aqueles que gozam dos direitos políticos devem ser livres para votar (...); 4) devem ser livres também no sentido de que devem ser colocados em condições de escolher entre diferentes soluções (...); 5) seja para as eleições, seja para as decisões coletivas, deve valer a regra da maioria numérica (...); 6) nenhuma decisão tomada por maioria deve limitar os direitos da minoria [...]” Figura 3 – Manuel Castells Fonte: Wikimedia Commons #ParaTodosVerem: fotografia de Manuel Castells. Ele é um senhor de cabelos brancos, lisos, usa óculos, sua pele é branca, rosto arredondado. Ele está de gravata verde escura, camisa branca de colarinhos e um sobretudo escuro. A foto mostra a parte superior, do ombro para cima, como um busto. Fim da descrição. Por sua vez, Manuel Castells, doutor em Sociologia pela Universidade de Paris, estudioso da Era da Informação, editou uma coleção composta por três livros (A Sociedade em Rede, 1996, O Poder da Identidade, 1997 e Fim de Milênio, 1998). Em publicação recente, Castells debate acerca da Democracia e dos inimigos que a rodeiam, oferecendo uma perspectiva de interpretação que aponta para a ruptura no processo de consolidação das democracias no mundo. Estamos nos referindo ao livro Ruptura: a Crise da Democracia Liberal, cuja primeira publicação ocorreu em 2017. Além de Castells apontar para os tempos da pós-verdade, ressalta também, e de forma ainda mais relevante, uma crise entendida como a do colapso das Instituições representativas, configurada como crise cognitiva e emocional. No contexto dessa realidade, surgem figuras políticas que negam a estrutura partidária e aprofundam a desordem mundial ao pro mover o segregacionismo e o protecionismo. Segundo o autor, a democracia se consolida nas relações de poder social. No entanto, privilegia os poderes já consolidados, por esse motivo não há como afirmar que ela é representativa, exceto se os cidadãos assim acreditarem, “porque a força e a estabilidade das instituições dependem de sua vigência na mente das pessoas” (CASTELLS, 2018, p. 10). Dessa forma podemos compreender qual é o papel dessa onda de fake news que se repetem pelo mundo em ataques frequentes às Instituições constituídas nos países. Essa constatação associa-se à questão de que os eleitores tendem a escolher o que está de acordo com suas predisposições, o que torna permanente os poderes consolidados. Segundo o autor: “A política se profissionaliza, e os políticos se tornam um grupo social que defende seus interesses comuns acima dos interesses daqueles que eles dizem representarem” (CASTELLS, 2018, p. 10). Manuel Castells defende a necessidade da criação de uma nova ordem política e representativa. Dentre as razões para a crise da velha política e a ascensão de novas lideranças toscas, ele menciona a subversão das instituições democráticas, que são tomadas por personalidades narcisistas que, aproveitando-se da repugnância das pes soas – provocada por escândalos de corrupção, violência, crises econômi cas, “manipulação midiática das esperanças frustradas por encantadores de serpentes; [e] a renovação aparente e transitória da representação política” (CASTELLS, 2018, p. 112). Esse contexto social e político tem levado ao poder personagens autoritários e caricatos em todo o mundo nada preocupados com a democracia liberal representativa, por vezes neofacistas ou teocráticos fundamentalistas, propiciando “o entrincheiramento no cinismo político disfarçado de possibilismo realista” (CASTELLS, 2018, p. 112). Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Diante do cenário relatado, percebemos quão complexa é a situação que vivenciamos hoje e o debate sobre como enfrentá-lo é de extrema importância. Trata-se de pensarmos como se dará o processo de representatividade política para o futuro, que condições serão necessárias para a sobrevivência da democracia liberal como a vivenciamos hoje. Não é uma tarefa fácil, mas que precisa ser tratada com a maior prudência possível. Fica a sugestão de seu aprofundamento nos estudos e nas leituras dos pesquisadores e debatedores de tema tão contemporâneo e preocupante. O Debate Público Necessário Leitura A Crise da Democracia Liberal no Início do Século XXI: Duas Abordagens da Teoria Política https://bit.ly/3PiQUi4 Pensamos que o grande debate a travar, diante do que expusemos sobre esse período sombrio caracterizado e representado pela pós-verdade, passa pela conscientização pública e pelo envolvimento da mídia no combate às fake news. Mas será que só isso dará conta de uma gigantesca variedade de instrumentos e ferramentas difíceis de se controlar? Esse, ao nosso ver, é o grande desafio desse início de século XXI. Segundo os primeiros estudos, o mundo da pós-verdade surgiu como resultado de megatendências sociais, como o declínio do capital social, a crescente desigualdade econômica, o aumento da polarização, a diminuição da confiança na ciência e um cenário cada vez mais fracionado da Mídia, tudo potencializado pela disseminação das Novas Tecnologias Digitais, especialmente, por intermédio das Redes Sociais da Internet, manipulando dados, informações, fatos, acontecimentos e argumentos em reforço das ideias que compartilha. Basicamente, esse processo, ao potencializar o descrédito na Política e nas Instituições Públicas, visa a afastar o povo do processo de escolha dessas autoridades e transferir aos prepostos do capital, travestidos de “gestores” ou “não políticos”, o orçamento público e o poder de regular a relação entre as pessoas e entre estas e as Instituições, possibilitando a completa apropriação da agenda do governo pelo Mercado. Nesse contexto, as Mídias tradicionais formadoras da opinião pública passam a concorrer com outros influenciadores experts em informação, não necessariamente expressão da verdade. Compreender esse momentoexige de todos a percepção de que, na Democracia construída em debates na internet, por meio de conflito desorganizado, sejam espontâneos ou arquitetados, perdemos a noção central da democracia que é sua capacidade de administrar os conflitos. Assim: “[...] forma política na qual, ao contrário de todas as outras, o conflito é considerado legítimo e necessário, buscando mediações institucionais para que possa exprimir-se. A democracia não é o regime do consenso, mas do trabalho dos e sobre os conflitos.” Sendo assim, notamos a dificuldade de combater esse fenômeno tão complexo. Ele nasce com o nítido objetivo de confundir. É conectado a postulações factuais, almeja dar sentido de novidade e de lógica narrativa, de um lado e, por outro, foge do racional e busca dividir as pessoas e as Instituições estimulando nelas comportamentos, reações e sentimento de rejeição e até de ódio a quem pense diferente. Como dialogar com quem se comporta dessa forma? Pontos que podemos elencar como possíveis ações e atos que instituirão um espaço civilizatório e de regulação às manifestações nesses recursos e ferramentas midiáticas democratizadas, mas que não seguem os ditames do convívio em Sociedade respeitando as regras legais. - CHAUÍ, 2017, p. 19 Figura 4 – Firmando um acordo Fonte: Getty Images #ParaTodosVerem: duas mãos se apertam e a perspectiva de imagem parte de uma foto de baixo para cima, mostrando um prédio que aparenta ser de um tribunal desfocado, também visto de baixo para cima, como se visse tudo deitado no chão. Na imagem, predomina a cor clara em sombras. Fim da descrição. A abordagem de enfrentamento à pós-verdade é muito complexa, mas temos a consciência de que se deve evitar confrontar a visão de mundo das pessoas, pois tendo sua visão desafiada, a crença delas em falsas notícias pode até se aprofundar: Por outro lado, importantes avanços, como já destacamos, podem ser verificados no âmbito normativo brasileiro, com a Lei nº 13.834/2019, que criminaliza a desinformação e determina que propagar fake-news é crime. Órgãos e Instituições que mantêm o Estado Democrático de Direito no Brasil têm se ocupado em combater as falácias e as ameaças da pós-verdade em processos eleitorais. Órgãos da Imprensa contribuem com o esclarecimento, tornando acessível a distinção do que é Fato ou Fake. - SANTOS; LANZARA; VIEIRA, 2022, p. 128 “A instrução cidadã e o acesso à educação de forma ampla e de qualidade são condição sine qua non para que o entendimento esclarecido seja estabelecido e as notícias falsas sejam combatidas. O exercício democrático está intimamente ligado à capacidade de os indivíduos desenvolverem um raciocínio-crítico sobre sua realidade material, diferenciando fatos objetivos de opiniões pessoais.” Na madrugada de 18 de maio de 2020, Leonardo Leal, 22 à época, zapeando o Twitter, viu a reportagem do jornal espanhol El País, que contava como o publicitário norte-americano Matt Rivitz, na época com 48 anos, conseguiu drenar recursos da extrema direita ao alertar empresas de que seus anúncios estavam em mídias divulgadoras de fake news. Ao lado de sua namorada, Mayara Stelle, eles criaram a conta Sleeping Giants Brasil (SGB), conhecida por combater “discursos de ódio” e “notícias falsas” reproduzidas em sites brasileiros no Twitter. Em operação há 7 meses, o perfil Sleeping Giants Brasil publica, no Twitter ou no Instagram, alertas a Empresas sobre anúncios em sites que propagam conteúdos com desinformação ou discurso de ódio. Eles calculam ter retirado de 3 sites de notícias e 2 canais o equivalente a R$ 1,5 milhão em anúncios. Segundo eles, 700 Empresas já seguiram seus alertas e retiraram os anúncios de sites duvidosos. O SGB tem 410 mil seguidores no Twitter e 170 mil no Instagram. No debate em andamento no Congresso sobre o Projeto de Lei das fake news, existe, também, a sugestão do Ministério da Justiça que prevê responsabilização e remoção proativa de conteúdos pelas plataformas. No entanto, estabelece que as Empresas não seriam responsabilizadas por determinadas postagens em violação. Elas só seriam multadas se houvesse descumprimento generalizado do "dever de cuidado". Outro fator que depõe contra as plataformas e deve se impor a elas é a responsabilização, pois são monetizadas e lucram com as visualizações e like dessas mensagens, vídeos e imagens. O viés político é somente mais um dentro do arranjo da ciber-vida, devendo os cidadãos estar atentos aos sistemas e às redes de vigilância e controle. A participação cidadã é também parte da existência do indivíduo e, como sociedade, devemos nos perguntar por que fazemos o que fazemos e por que defendemos o que escolhemos defender. Em 2015, o escritor e filósofo italiano Umberto Eco, ao receber o título de doutor honoris causa em Comunicação e Cultura na Universidade de Turim (Itália), discursou no evento e, numa espécie de desabafo, em relação ao processo de alienação política advindo dessa nova realidade, chegou a chamar de “legião de imbecis” aqueles que espalham notícias falsas, chamando atenção para o fato de que antes da Internet eles falavam apenas “em bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”, e que agora são reputados como “agentes da verdade”, repassando sem qualquer filtro notícias e informações destinadas a espalhar o ódio e a discórdia entre as pessoas. Concluímos, assim, que é esse o universo que caracteriza a Sociedade contemporânea e seus desafios expostos sobre o respeito à democracia. Os estudos do tema tem por objetivo trazer à tona a discussão e a reflexão necessárias em decorrência de uma realidade que precisa ser corrigida se pensamos fugir do abismo que nos aguarda ali na frente. No momento, a busca por soluções passa pelo movimento no sentido de promover o entendimento do verdadeiro sentido da liberdade de expressão, seus limites e o enquadramento dos desvios no regramento e na normatização necessários, a ser criado com o auxílio das mais diversas esferas da Sociedade civil. Se não buscarmos uma solução, sabemos onde vamos chegar, pois quando a democracia termina, “O súdito ideal do governo totalitário não é o nazista convicto nem o comunista convicto, mas aquele para quem já não existe a diferença entre o fato e a ficção (isto é, a realidade da experiência) e a diferença entre o verdadeiro e o falso (isso é, os critérios do pensamento)” (ARENDT, 1989, p. 526). Todos somos responsáveis pelas relações de convivência que caracterizam todas as Sociedades minimamente civilizadas, e isso faz parte do pacto civilizatório que regula as relações sociais e a vida em Sociedade. Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros A Manipulação da Verdade: do Triunfo da Negação às Sombras da Pós-verdade CHARAUDEAU, P. A manipulação da verdade: do triunfo da negação às sombras da pós-verdade. São Paulo: Contexto, 2022. (e-book) Pós-verdade: a Nova Guerra Contra os Fatos em Tempos de Fake News D’ANCORA, M. Pós-verdade: a nova guerra contra os fatos em tempos de Fake News. São Paulo: Faro Editorial, 2018. Os Engenheiros do Caos EMPOLI, G. Os engenheiros do caos. São Paulo: Vestígio, 2022. 2 / 3 📄 Material Complementar Responsabilidade Civil e Redes Sociais: Retirada de Conteúdo, Perfis Falsos, Discurso de Ódio e Fake News VICTOR, J.; LONGHI, R. Responsabilidade civil e redes sociais: retirada de conteúdo, perfis falsos, discurso de ódio e fake news. Indaiatuba: Foco, 2020. (e-book) Leitura A “Mentira Organizada” no Totalitarismo Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE https://bit.ly/43NMmVn ABDOUNI, A. Fake news e os limites da liberdade de expressão. São Paulo: AAA Editora, 2021. ARENDT, H. Origens do totalitarismo. São Paulo: Cia das Letras, 1989. BOBBIO, N. O futuro da democracia. 18. ed. São Paulo: Paz & Terra, 2009. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: Presidente da República, (2016). Disponível em: .Acesso em: 02/02/2023. BRASIL. Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014. Disponível em: . Acesso em: 12/01/2023. BRASIL. Lei nº 13.834, de 4 de junho de 2019. Altera a Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965 - Código Eleitoral, para tipificar o crime de denunciação caluniosa com finalidade eleitoral. Brasília - DF: Congresso Nacional, 2019. Disponível em: . Acesso em 20/06/2023. CASTELLS, M. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 2016. CASTELLS, M. Ruptura: a crise da democracia liberal. Rio de janeiro: Zahar, 2018. 3 / 3 📄 Referências HENRIQUE L. Saiba do que se trata a regulação das Redes Sociais. Politize (on-line). 16 fev. 2023. São Paulo. Disponível em: . Acesso em: 19/02/2023. ONU – ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos, 1948. Disponível em: . Acesso em: 08/02/2023. PRIVACIDADE HACKEADA: Documentário. Direção: Karim Amer; Jehane Noujaim, Título Original: The Great Hack, Netflix, 2019. RODRIGUES, T. M.; BELLATO, C. A crise da democracia liberal no início do século XXI: Duas abordagens da teoria política. Agenda Política. Revista de Discentes de Ciência Política da Universidade Federal de São Carlos, s. l., v. 9, n. 1, p. 253-279, janeiro-abril, 2021. Disponível em: . Acesso em: 19/02/2023. SANTOS, I. M. G. F.; LANZARA, A. P.; VIEIRA, S. M. Democracia do boato: a era da pós-verdade e os desafios para a cidadania. Revista de Políticas Públicas, s. l., v. 26, n. 1, p. 115-132. Disponível em: . Acesso em: 12/02/2023. SEGURADO, R. Desinformação e democracia: a guerra contra as fake news na Internet. São Paulo: Hedra, 2021.