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Joana D Diniz – 70 APLICAÇÕES DA EPIDEMIOLOGIA INTRODUÇÃO EPIDEMIOLOGIA = ciência sobre o povo que estuda distribuição, causa/fator e prevenção/controle de doenças (estados de saúde) na população, comunidade ou grupo → avalia métodos e processos uti l izados pela saúde pública para preveni r doenças ! Ciência que estuda o processo saúde-doença em coletividades humanas, anal isando a distr ibuição e os fatores determinantes das enfermidades, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas especí ficas de prevenção, controle ou er radicação de doenças e fornecendo indicadores que si rvam de suporte ao planejamento, administração e avaliação das ações de saúde. (ROUQUAYROL, M. Z., ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e Saúde) PALAVRAS CHAVE DA EPIDEMIOLOGIA: agravo, população, pesquisa, dados, demograf ia , porcentagens, sur tos, epidemia, in tervenção, esta t ís t ica, contro le de vig i lância, áreas de r isco, saúde, doença, prevenção. FUNDAMENTADA na estatíst ica, ciências biológicas e ciências sociais ! A epidemiologia faz DIAGNÓSTICO COMUNITÁRIO da saúde (e não cl ín ico) DIAGNÓSTICO CLÍNICO (indivíduo) – objetivo é melhorar doença da pessoa! DIAGNOSTICO COMUNITÁRIO (população) – objetivo é melhorar o nível da saúde da população! OBS: o diagnóstico cl ínico fornece dados para fazer inferências gerais no diagnóstico comuni tário!! OBJETO DE ESTUDO = processo saúde-doença em populações (começa no per íodo pré-patogênico – sem al teração f is iológica) mas a interação de fatores de risco faz com que haja a evolução pro per íodo patogênico (com mani festações f isiológicas) → o per íodo pré- patogênico e o patogênico é separado pelo horizonte cl in ico (onde começa a surgi r as doenças) PROCESSO SAÚDE-DOENÇA = é individual em cada pessoa, porem quando há um acúmulo de indivíduos você pode traçar um intervalo de confiança que permita uma possibi lidade de acerto numa inferência acerca do problema. A epidemiologia atua em populações, e a população está em um TERRITÓRIO: TERRITORIALIZAÇÃO: condições de vida e de saúde da população → importante para real izar diagnóstico populacional ! → EX: se tem UPA 24h, hospi tal , quantas UBS... APLICAÇÕES #1. DESCREVER CONDIÇÕES DE SAÚDE DA POPULAÇÃO ➢ Fazer diagnóstico (comuni tário) de si tuação de saúde! → EPIDEMIOLOGIA DESCRITIVA! OBS: A meta vai para o plano de saúde, e essa meta veio do diagnóstico ! OBS2: Planos de saúde terminam nas leis orçamentárias! Feitos em municípios pequenos pela própria secretaria da saúde e nos municípios grandes é fei to em cada terri tór io pelas equipes de saúde da família! EX: indicadores de mortalidade, da atenção básica, de desempenho hospitalar . .. Joana D Diniz – 70 #2. INVESTIGAR FATORES DETERMINANTES DA SITUAÇÃO DA SAÚDE ➢ Estudar causalidade ou relação causal da população agrupada por fatores de risco → EPIDEMIOLOGIA ANALÍTICA! EX: risco relativo: fator mais presente em quem apresenta a doença do que em quem não apresenta (→ EX: proporção de casos da doença em quem fuma é maior do que em quem não fuma) #3. AVALIAR IMPACTO DE AÇÕES PARA ALTERAR A SITUAÇÃO DE SAÚDE ➢ Veri ficar o efei to de ações ou programas de saúde , através da avaliação do antes e depois do programa → EPIDEMIOLOGIA ANALÍTICA ! EX: #4. FAZER A VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA ➢ Informação para a realização de ação EX: Moni toramento dos casos de doenças de noti ficação compulsória (diagnóstico de si tuação de saúde) determina a real ização de medidas de controle, vol tadas tanto para os portadores dessas doenças e seus contatos, como para a população em geral! EX DE AÇÕES DE VIGILÂNCIA: vacinação, palestra de educação de saúde, car ro de fumacê , hospitais de campanha, fiscalização pela vigilância sani tária... . E-POSTER OBS: LEITURA GOLDBAUM, M. Epidemiologia e serviços de saúde. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 12, supl. 2, p. 95-8, 1996. O autor fala que a epidemiologia não é mui to apl icada nos serviços de saúde: 1. Descreve r condições de saúde da população ; 2 . Investiga r fato res de te rminantes da s i tu de saúde ; 3 . Aval ia r impacto de ações pa ra a l te ra r a si tuação de saúde → ver i f icando se houve redução da f req . dessas doenças após a di st ribuição dos adubos 1 . 2 . 3 . Joana D Diniz – 70 PADRÃO DEMOGRÁFICO E EPIDEMIOLÓGICO INTRODUÇÃO Se formos veri ficar o que acontece no mundo com relação a expectativa de vida e saúde, veremos que há di ferenças em cada terri tório. Ao nascer nem todos tem a mesma expectativa de vida, vai depender da classe que nasce, condições, sexo... . Transmissão de doenças inter ferindo na mortalidade: BRASIL Vive uma transição demográfica (com diminuição dos jovens e aumento dos idosos) , mas também vive uma transição epidemiológica (adoecimento) , caracterizada: • Redução da mortalidade por doenças transmissíveis e crescimento daquela por doenças não transmissíveis; • Deslocamento da maior carga de morbi - mortal idade dos mais jovens aos mais idosos; • Predomínio da morbidade (carga de doença) sobre a mortalidade (carga de óbi to); o OBS: aumento da expectativa de vida traz o predomínio da morbidade! • Causas externas PERFIL DO BRASIL → doenças transmissíveis, doenças não-transmissíveis e violência Aumento progressivo da urbanização da população (saída da área rural para urbana) OBS: não estamos “renovando” a população – com a diminuição da fecundidade e aumento da expectativa de vida! PIRÂMIDE ETÁRIA DO BRASIL: Joana D Diniz – 70 Razão de dependência = (PESSOA (grupo de risco) ✓ Onde as pessoas adoecem? → VARIÁVEL DE ESPAÇO (mostra dispersão da doença no terri tór io e acha as áreas de risco) ✓ Quando as pessoas adoecem? → VARIÁVEL DE TEMPO (tendências e epidemias – aparição de eventos de forma inesperada) #1. VARIÁVEIS EPIDEMIOLÓGICAS RELACIONADAS A PESSOA: (grupos de risco) • DEMOGRÁFICAS: idade, sexo, grupo étnico...; • SOCIAIS: estado civil , renda, ocupação, instrução...; • ESTILO DE VIDA: tabagismo, tabagismo, consumo al imentar, prática de exercícios físicos, uso de drogas, promiscuidade sexual , comportamento .. . ; • OUTRAS: religião, peso, al tura, pressão arterial , consumo de medicamentos, cuidados de saúde. #2. VARIÁVEIS EPIDEMIOLÓGICAS RELACIONADAS AO ESPAÇO: (onde?) • FATORES POPULACIONAIS (população socialmente estruturada) o DEMOGRÁFICOS: idade, sexo, local de moradia (urbano e rural ), estado civil , profissão, etnia, nível econômico... o SOCIAIS: cul tura, rel igião, organização social , condições socioeconômicas.. . OBS: Definir onde a sociedade socialmente estruturada está em relação a dispersão no terri tório! • FATORES AMBIENTAIS (ambiente físico-biológico) o NATURAIS: localização, relevo, hidrografia, solo, clima, vegetação, fauna... o ARTIFIC IAIS: modi ficações na paisagem, poluição, uso de produtos químicos, contaminações, t ipo de habi tação, condição de saneamento... Joana D Diniz – 70 OBS: Áreas de risco relacionadas ao espaço! • FATORES GEOPOLÍTICOS: envolvem países ou regiões do mundo • FATORES POLÍTICO-ADMINISTRATIVOS: envolvem unidade pol ít ico-administrativas de um país (regiões, estados, municípios, bair ros.. .) OBS: VARIAÇÕES DE INCIDÊNCIA podem ser explicadas pelas condições geográficas, fatores socioeconômicos e ambientais, caracter ísticas culturais e costumes e consti tuição genética : países emergentes, países da América Latina, etc. #3. VARIÁVEIS EPIDEMIOLÓGICAS RELACIONADAS AO TEMPO: (quando?) • VARIAÇÕES REGULARES (dentro do limite da normalidade) o VARIAÇÃO CÍCLICA: relacionada às variações de imunidade coletiva ▪ EX: por conta da vacinação, mui tas doenças cícl icas desapareceram. o VARIAÇÃO SAZONAL: ocorre em função de condições ambientais ▪ EX: estações do ano o TENDÊNCIA SECULAR: aumento na ocorrência de algumas doenças que ocorrem em um intervalo maior que 10 anos ▪ EX: curva do tétano pelos 100 anos - quando descobr iu a vacina houve queda e quando começaram a vacinar houve aumento da cobertura vacinal e uma queda maior ainda!) → consegue ver cer tinho como, onde e os impactos dos avanços da medicina na curva! • VARIAÇÕES IRREGULARES: epidemias (fogem da normalidade) OBS: Variação da distribuição da doença durante o tempo! ESTUDOS DE CASO (EX) VARIÁVEIS EPIDEMIOLÓGICAS: o VARIÁVEIS PESSOAIS = vermelho o VARIÁVEIS DE ESPAÇO = amarelo o VARIÁVEIS DE TEMPO = verde → per íodo de incubação das doenças.. . VARIÁVEIS NÃO EPIDEMIOLÓGICAS: o VARIÁVEIS CLÍNICAS = roxo → exame f ís ico o VARIÁVEIS PESSOAIS = antecedentes pessoais VARIÁVEIS CLINÍCAS + EPIDEMIOLÓGICAS = HIPÓTESES DIAGNÓSTICAS OBS: a IDADE aparece em var iável de pessoa e de espaço; PESSOA: idade do indivíduo; ESPAÇO: idade de um grupo especí fico em determinado local o EX: perf il de idade da população em uma cidade X (mais idoso? mais jovens?) o EX2: idade da população que trabalha em uma usina elétrica) OBS: PASSOS COGNITIVOS QUE O MÉDICO UTILIZA PARA FORMULAR A HIPÓTESE DIAGNÓSTICA: 1. Conteúdo: base de conhecimento que reside na memória do médico 2. Método de aplicação do conhecimento util izado na busca de uma solução para o problema Joana D Diniz – 70 DEFINIÇÃO DE CASO • CONCEITO: conjunto de cri térios aos quais um indivíduo deve atender para ser considerado um caso de agravo sob investigação; • Equivalente em epidemiologia ao DIAGNOSTICO NA CLÍNICA • OBJETIVOS: o Garanti r uni formidade; o Encontrar casos semelhantes; o Excluir doentes por outro motivo VARIÁVEIS EPIDEMIOLÓGICAS E CAUSALIDADE Joana D Diniz – 70 RISCO E CAUSALIDADE INTRODUÇÃO EPIDEMIOLOGIA = estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos estados/ eventos relacionados à saúde em populações especi ficas e a aplicação desses estudos no controle dos problemas de saúde. Identi ficar causas da doença e formas de evitá -la: identi ficar fatores determinantes da si tuação de saúde As expl icações para as causas das doenças variam com a CULTURA e o MOMENTO HISTÓRICO: ▪ Antiguidade: concepção religiosa, desequilíbrio entre elementos; ▪ Idade Média : teoria dos miasmas ▪ Finas do séc. XVI I I: causação social ; ▪ Metade do séc. XIX: bacteriologia ▪ Modelos contemporâneos: mul ticausal idade das doenças, ideia de fatores de r isco (modelos de Leavell e Clark, Lalonde...) CAUSA DE UMA DOENÇA = acontecimento, circunstância , caracter ística ou combinação destes fatores que desempenha papel importante na produção da doença → causa deve preceder o efei to/doença! CAUSALIDADE (RELAÇÃO CAUSAL) = relação entre causas e efei tos ESTUDO DA CAUSALIDADE = busca do conhecimento sobre a relação entre causas e seus efei tos e envolve estudo de associação ! A investigação de uma determinada relação causal se faz pelo processo de INFERÊNCIA CAUSAL = comparação do r isco de ocorrência da doença entre expostos e não expostos à causa! EX: o tabagismo é fator de r isco para câncer de pulmão, por o que o risco de morrer por câncer de pulmão é mui to maior nos tabagistas do que nos não tabagistas. Além da incidência ser maior nos fumantes, a chance de desenvolver esse câncer é maior ainda naque les que fumam uma quantidade maior de maços de cigar ro (mecanismo dose-resposta). OBS: fator de efei to = consumo diário de cigarros e efei to = óbi tos por 1000 pessoa/ano RISCO = probabi lidade de acontecimento de um evento qualquer → no caso da epidemiologia, é a probabilidade de ocorrencia de um resul tado desfavorável de um dano ou de um fenômeno indesejado! → EX: doenças, óbi tos, sequelas.. . FATOR DE RISCO = característica ou ci rcunstância que acompanha um aumento da probabi lidade de ocorrência de um efei to indesejado, sem que o di to fator tenha que intervir necessariamente em sua causalidade! → EX: existem pessoas não tabagistas que também desenvolvem câncer de pulmão ( - ele não é a causa obrigatória) OBS: SINERGISMO ENTRE FATORES DE RISCO: mais de um fator de risco sendo analisado para a ocorrência de uma doença → quanto mais fatores de risco tiver exposta, maior a chance de desenvolver a doença/efei to! EX: OBS: fator de risco X fator de proteção : Se resul tado gerado for “ruim” = fator de risco Se resul tado for “bom” = fator de proteção OBS: MECANISMO DOSE-RESPOSTA = quanto maior a quantidade da exposição, maior o r isco EX: enquanto tabagismo é fator de risco, vacina é fator de proteção! Joana D Diniz – 70 MODELOS DE CAUSALIDADE 1. MODELO DE CAUSAS SUFICIENTE E COMPONENTE (ROTHMAN & GREENLAND, 1998) Tem que ter causa necessária + outras causas componentes para que seja o suficiente o sinergismo entre elas, para causar a doença! • CAUSA COMPONENTE: cada um dos fatores de risco virem a desenvolver a doença! • CAUSA NECESSÁRIA: uma doença não pode se desenvolver na sua ausência = causa componente essencial p/ ocorrer doença! o EX: sem exposição do bacilo de Koch não há tuberculose! • CAUSA SUFICIENTE: conjunto de fatores que produz ou inicia uma doença (geralmente não é fator isolado) o EX: fumar é um componente da causa suficiente para hiper tensão ar ter ial OBS: OBS: na hiper tensão arter ial (doençacrônica não infecciosa), a causa necessária varia com a histór ia natural da doença, mas a pr incipal são fatores genéticos! 2 . MODELO HIERÁRQUICO DE CAUSALIDADE Determinantes/causas PROXIMAIS, INTERMEDIÁRIOS e DISTAIS geralmente macroeconomia – inserção socioeconômica da pessoa) → são fatores com di ferentes níveis (que variam entre os fatores mais diretos até os mais indiretos da vida d a pessoa) na determinação de uma doença! EX: EX2: OBS: causa proximal mais importante pra AVC = não tratar hiper tensão arterial ! Atuação nas CAUSAS DISTAIS → sempre que possível , devemos atuar nelas, pois possuem maior efetividade = ESTRATÉGIA POPULACIONAL! Atuação nas CAUSAS PROXIMAIS = ESTRATÉGIA DE ALTO RISCO → pois mesmo tratando, aquele doente pode evolui r para um estado mais grave! INFLUÊNCIA DE FATORES DE RISCO NA CAUSALIDADE São aplicadas especi ficamente para cada caso (individual) e não em doenças em geral → Vale mais para doenças crônicas! • FATOR PREDISPONENTE → EX: idade avançada • FATOR FACIL ITADOR → EX: má alimentação • FATOR DESENCADEADOR (precipitante) → EX: poluição ambiental • FATOR AGRAVANTE (reforçador) → EX: estresse dis ta i s i n te rmed iár ios p rox ima is OBS: os EX dados são para PNEUMONIA EM IDOSOS! ATENÇÃO: Geralmente não é necessár io identif icar todos os componentes de uma causa suficiente para realizar uma prevenção efetiva → identi ficando alguma das causas, já se pode tomar medidas para contensão da doença! Joana D Diniz – 70 ASSOCIAÇÃO E CAUSALIDADE A investigação de uma determinada RELAÇÃO CAUSAL (causalidade) se faz pela avaliação do risco de ocorrência da doença em expostos e não expostos à causa, em um processo denominado inferência causal . INFERÊNCIA CAUSAL: processo através do qual se busca determinar a existência de associação entre 2 eventos (causa/efei to) ASSOCIAÇÃO é a relação ou correlação estatíst ica entre 2 ou + eventos! o Relação: variáveis quali tativas (teste p) o Correlação: variáveis quantitativas (qui- quadrado) ESTUDO DA ASSOCIAÇÃO: usa-se a teoria das probabilidades e técnicas estat ísticas relacionadas para estimar o risco médio (probabilidade) do desenvolvimento da doença em cada grupo (expostos/ não expostos), os quais são comparados (medida s de associação e testes estatísticos) ESTUDO DESCRITIVO X ESTUDO ANALÍTICO (2 grandes vertentes epidemiológicas) ✓ DESCRITIVO: formular hipóteses de causalidade → quando só expõe o caso ✓ ANALÍTICO: testar essa hipótese → quando estuda expostos e não expostos o problema fundamental da inferência causal: é impossível observar simul taneamente a exposição e a não exposição no mesmo indivíduo! ➔ Substi tu i esta impossibilidade pela comparação da ocorrência do efeito em um grupo de indivíduos expostos com um grupo de indivíduos não expostos (deve haver intercambialidade entre os grupos) ATENÇÃO: Uma associação estatisticamente signi ficativa pode ser causal ou não-causal ! • Associação causal ou etiológica: fumo X câncer de pulmão (por exemplo) • Associação não-causal: não há relação! o Espúria: ocorre por um ar tefato (er ros de seleção, registro, obtenção da info, mensuração, classi ficação da exposição e doença, não-resposta e perdas) o Confundimento: explicada por um 3º fator, que funciona como viés Joana D Diniz – 70 AVALIAÇÃO DA EXISTÊNCIA DE CAUSALIDADE ➢ EXISTE ASSOCIAÇÃO ESTATÍSTICA? ✓ Compara-se o risco da doença nos expostos ao fator e nos não expostos ao fator ➢ SE SIM: ✓ Veri ficar o método (problema de viés, tipo de estudo...) ✓ Apl icar critérios de julgamento* ➢ SE NÃO: ✓ Não há relação causal . *CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DE CAUSALIDADE (hill, 1965, modificado) 1. TEMPORALIDADE: sequência cronológica entre causa e efeito → causa tem que PRECEDER efei to. o OBS: mais importante – não pode fal tar! 2 . FORÇA DE ASSOCIAÇÃO: maior frequência da causa determina maior risco do desfecho o Maior o r isco relativo, maior a força de associação estat ística (EX: RR>3) o EX: hábi to de fumar com câncer de pulmão! 3. GRADIENTE BIOLÓGICO (dose-resposta): aumento da exposição mostra-se associado ao aumento de frequência ou gravidade do desfecho. o Aumenta a dose do fator de risco (EX: aumenta nº de cigarros usados), aumenta a associação e o RR! o EX: quanto mais fuma, mais chance tem! 4. CONSISTÊNCIA COM OUTROS ESTUDOS: resultados similares têm sido obtidos com di ferentes métodos, por diferentes pesquisadores, em di ferentes populações. 5. PLAUSIBILIDADE BIOLÓGICA: coerência com a histór ia natural da doença. o Consegue explicar do ponto de vista f is iopatológico (considerando a história da doença), o aparecimento daquele efeito! 6. ANALOGIA COM OUTRAS ASSOCIAÇÕES: relato prévio de outra causa atuando de forma semelhante. 7. ESPECIFICIEDADE DA ASSOCIAÇÃO: causa levando a 1 só efei to e o efei to ter apenas 1 causa. o Vol ta para a teoria da unicausalidade → então esse cri tério não existe mais! 8. REVERSIBILIDADE: eliminação da causa implica em redução do risco do efei to o Ao deixar de expor a pessoa ao fator de risco, ter diminuição do risco de desenvolver o efei to ! o Se impl icar na redução do efei to, provavelmente é um fator determinante. Mas se não, provavelmente não é ligado a doença. OBS: Nem sempre todos os pontos serão cumpridos, mas isso pode variar pois um deles pode não depender apenas do autor (EX não há consistência com outros estudos pois eles são de baixa qual idade). RESUMINDO O ESTUDO DA RELAÇÃO CAUSAL.. . 1. Hipóteses: são estabelecidas por estudos descri tivos e devem ser investigadas através de estudos analí ticos; 2. Associação estatíst ica (VALOR-Po EX: quando se pesquisa a quantidade de internações por AVC em uma população de velhos não se deve comparar esse resul tado com o padrão de uma pesquisa realizada numa população mais jovem. o OBS: pode-se tomar como padrão a própria situação que você está avaliando, porém em per íodos anteriores. • REFERENTE: contexto em que se escolhe o padrão para fazer a aval iação → deve-se considerar as condições para compará-las de forma adequada. INCIDÊNCIA X PREVALÊNCIA OBS: O evento representa → incidência e prevalência ! - INCIDÊNCIA – relacionado a casos novos (acontece 1x) → tem que saber data de diagnostico/começo da doença, pois depende da duração da doença → mais importante para doenças agudas (incidência é quase igual prevalência) - PREVALÊNCIA – relacionado a casos existentes → út il para planejamento → mais importante para doenças crônicas (apresentam maior prevalência) OBS: imigração de casos aumenta a prevalência , mas não a incidência , pois a pessoa já chega doente. Já a emigração, reduzo o número de prevalência. OBS: quanto maior a incidência (mais casos novos), maior a prevalência OBS: quanto mais curas e óbi tos, menor será a prevalência ! Incidência Prevalência Curas Óbitos Joana D Diniz – 70 𝑃 𝛼 𝐼 𝑥 𝐷 A preva lência (P) é proporcional a incidência (I ) vezes a duração (D) (=tempo de diagnóstico e depuração do caso) O QUE O ÓBITO REPRESENTA. . . . - MORTALIDADE: probabilidade de acontecer óbi to → denominador = pessoas que viriam a morrer, sejam doentes ou não (“para morrer basta estar vivo”) o EX: óbitos pela covid numa população - LETALIDADE: probabilidade (condicionada ao fato do indivíduo estar doente) de acontecer óbi to → denominador = pessoas que viriam a morrer, sejam doentes. o EX: óbitos dos infectados pela covid - ÓBITOS: só ocorre 1 vez, então são sempre “casos novos” TIPOS DE MEDIDAS • FREQUÊNCIAS ABSOLUTAS: número de óbitos, número de casos de uma doença, anos potenciais de vida perdidos, esperança de vida ao nascer • MEDIDAS DE TENDÊNCIA CENTRAL E DE DISPERSÃO: média, mediana, moda ; mínimo, máximo, desvio padrão, quar tis ( r e fer e -se a med iana ) o OBS: desvio padrão = raiz quadrada das medias da di ferença da média e o valor de cada termo OBS: as variáveis quantitativas podem ser transformadas em quali tativas classi ficando-as como: baixo, normal, sobrepeso e obeso, por exemplo → Util iza-se frequência absoluta e números relativizados ! Números relativizados em medidas dos tipos proporção, odds, taxa, razão e índices : • ÍNDICES: integra múl tiplas dimensões ou elemen tos de natureza di ferente → tipo relação: entidades de natureza distinta (numerador e denominador são de dimensões di ferentes). o EX: IMC = peso/(al tura)2, índice de lei tos por habi tantes no ES • TIPO ESCALA OU ESCORE: soma de unidades de diversas magnitudes em diversas dimensões, podendo ser quali tativas ou quanti tativas → medidas para classif icar indivíduos o EX: escala de Glasgow, escore de Apgar , SQR20 etc. • PROPORÇÃO: todos os elementos do numerado r estão contidos no denominador → varia de 0 a 1 (sendo, 0 = ausência de probabilidade de ocorrência do evento e 1 = ocorrência do evento) o Percentual simples: relação entre frequências da mesma natureza (mortalidade proporcional , sensibilidade/especi ficidade) ▪ EX: número de dengue hemorrágicas/número de dengue total ; o Coeficiente: medem risco de ocorrência do evento → o denominador é a população geral (universo) na qual pode ocorrer o evento representado no numerador → considerando o mesmo tempo de exposição para todos ▪ EX: coeficiente de número de casos de COVID 19 no dia de ontem. Incidência e velocidade de defecção são iguais ou próximas (c/ va lores oscilantes em torno de um va lor médio) = n ível de preva lência será constante. Velocidade de defecção é maior que a incidência = n ível de preva lência tenderá a diminuir . Velocidade defecção é menor que a = n ível de prevalência tenderá a aumentar . (EX: HIV ) OBS: Defecção = resolução do caso Joana D Diniz – 70 OBS: 10n = suficiente para que apareça um número pelo menos na 2ª decimal ! o Coeficiente de incidência (incidência acumulada/cumulativa): mede a probabilidade de um indivíduo da população geral adoecer em um determinado per íodo de tempo. o Coeficiente de mortalidade: mede a probabilidade de um indivíduo da população geral morrer em um determinado per íodo de tempo OBS: mortalidade se comporta de forma semelhante a incidência → a prevalência que se di ferencia um pouco: • PREVALÊNCIA (prevalência pontual): mede a probabilidade de um indivíduo da população geral ser doente em um determinando momento de tempo o Prevalência de período: mede a probabilidade de um indivíduo da população ser doente em determinado per íodo de tempo. • TAXA (densidade de incidência): mede risco de ocorrência do evento num determinado período de tempo, por pessoa → o denominador é a população sob risco na dimensão tempo, ou seja, a experiência da população (considera o tempo de exposição de cada indivíduo) → só é usada em população controlada, onde você acompanha o povo ▪ Expressa a magni tude de mudança em relação ao tempo: é uma medida instantânea no tempo (pontual) ; ▪ Não admite uma interpretação direta e fácil em nível individual ; ▪ Não tem limi te superior , pode ser maior que 1! OBS: só consegue calcular taxa para incidencia não para prevalencia ! → (pois a taxa é uma medida que é em função do tempo)! EX: • ODDS (chance): relação entre probabilidades complementares e contrár ias (odds de o caso ser exposto: probabil idade de o caso ser exposto / probabilidade de o caso não ser exposto) OBS: odds usa quando NÃO TEM população – EX: em caso-controle (estima-se o risco da exposição entre os casos, avaliando os expostos e os não expostos) → EX: doentes + não doen tes ≠ população → não existe coeficiente ! • RAZÃO: relação entre duas frequências na mesma dimensão, mas que pertencem a categorias mutuamente excludentes (razão de masculinidade, risco relativo, razão de odds, razão de probabilidades posi tivas quando se tem a doença = sensibilidade). CASOS ESPECIAIS Coeficiente de mortalidade infantil : óbi tos em menores de 1 ano/nascidos vivos Coeficiente de mortalidade materna: óbi tos maternos/nascidos vivos Taxa de ataque secundário: casos novos em contato/contatos Coeficiente de letalidade: óbitos/casos ▪ É uma medida composta por incidência e dimensão de tempo;