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LEGISLAÇÃO AMBIENTAL PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-reitor: Prof. Me. Ney Stival Gestão Educacional: Prof.a Ma. Daniela Ferreira Correa PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Gabriela de Castro Pereira Letícia Toniete Izeppe Bisconcim Mariana Tait Romancini Produção Audiovisual: Heber Acuña Berger Leonardo Mateus Gusmão Lopes Márcio Alexandre Júnior Lara Gestão da Produção: Kamila Ayumi Costa Yoshimura Fotos: Shutterstock © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Só- crates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande res- ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a socie- dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conheci- mento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivên- cia no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de quali- dade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mer- cado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4 1 - PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS AMBIENTAIS ............................................................................... 5 1.1. BREVES CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS .......................................................................................................... 5 1.2. DA ÁGUA COMO DIREITO FUNDAMENTAL DE SEXTA GERAÇÃO ................................................................ 10 1.3. DO AMBIENTE .................................................................................................................................................. 14 1.3.1. DO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO .................................................................................... 14 1.3.2. DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ESTADO DO PARANÁ ............................................................................... 16 PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DO DIREITO AMBIENTAL PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 4WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A primeira unidade busca a efetivação do direito fundamental ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, apresentando aspectos gerais da legislação ambiental e seus fundamentos conforme a Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988. Antes da apresentação dos direitos fundamentais, destaca-se o princípio da dignidade humana, que corresponde a um adjetivo insubstituível ao homem, não equivalente a qualquer valor material, sendo intransferível e de valor espiritual inestimável, representado a essência do homem, sendo norteador para outros direitos fundamentais. Destaca-se, portanto, os direito fundamentias do homem, como primeiros norteadores para proteção integral da pessoa. Com isso, verifica-se que os direitos fundamentais surgem como dimensões para o mundo jurídico, constituindo garantias indispensáveis para proteção da humanidade e vida em sociedade. Apresentando em uma ótima historicista, destaca-se que os direitos fundamentais se firmaram através das lutas dos povos, por isso, muitos autores tratam essa linha evolutiva como gerações. A classificação mais comum são os direitos à liberdade (direitos de 1ª geração); direitos sociais e coletivos (direitos de 2ª geração); direitos transindividuais (direitos de 3ª geração); e por fim, os direitos decorrentes do avanço tecnológico (4ª geração). Entretanto, autores contemporâneos apontem recente evolução dessas dimensões, onde defende-se por exemplo, a paz mundial como direitos de 5ª geração e a água potável como direitos de 6ª geração, elencando uma das classificações do meio ambiente natural, como direito fundamental do homem. 5WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS AMBIENTAIS 1.1. Breves considerações históricas Os princípios fundamentais são colunas do Estado Democrático de Direito. Outrossim, estão afiançados na Constituição Federal Brasileira de 1988, em seu art. 5º, in verbis: “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, [...]”. Tais direitos são resultados de uma construção histórica e estão presentes em Tratados Internacionais, nas Constituições dos Estados Nacionais, Decisões Judiciais, dentre outros. São indispensáveis para garantir ao cidadão a busca de uma vida digna com condições mínimas, bem como para ratificar o desenvolvimento da personalidade humana, da autotutela, da proteção contra o alvitre estatal, entre outros. Falar em direitos fundamentais é um aditamento cultural gradativo, pois são anteriores ao ordenamento jurídico e inerentes a própria natureza humana, explica Moraes (1998). Os direitos fundamentais, também são conhecidos como direitos do homem, direitos humanos. Contudo, vale ressaltar que quando ditos fundamentais, referem-se às normas jurídicas inseridas numa Constituição, sejam subjetivas ou objetivas, que têm por escopo preservar a igualdade, liberdade e a dignidade humana. Assim, conforme leciona Dimitri Dimoulis, os direitos fundamentais são direitos públicos subjetivos e atingem tanto as pessoas físicas, quanto jurídicas. Neste ínterim convém salientar que as normas jurídicas ditas fundamentais não podem ser alteradas – cláusulas pétreas – somente acrescentadas, afirma Dimoulis e Martins (2012). Conforme ensina Alexandre de Moraes (1998, p. 21), os direitos fundamentais são um conjunto institucionalizado de garantias e direitos, que afiança a autotutela: A constitucionalização dos direitos humanos fundamentais não significou mera enunciação formal de princípios, mas a plena positivação de direitos, a partir dos quais qualquer indivíduo poderá exigir sua tutela perante o Poder Judiciário para a concretização da democracia. Ressalte-se que a proteção judicial é absolutamente indispensável para tornar efetiva a aplicabilidade e o respeito aos direitos humanos fundamentais previstos na Constituição Federal e no ordenamento jurídico em geral. (MORAES,1998, p. 21) Preponderante destacar também, que o conceito do direito aqui tratado, tem raízes no cristianismo, uma vez que este prega a igualdade dos homens, independentemente da sua origem. Na Idade Média, por exemplo, ainda que existisse uma grande divisão de classes devido à estrutura social, muitos documentos jurídicos retrataram os direitos humanos, visando a limitação do poder do Estado. (MORAES, 1998). Em uma linha historicista, destaca-se que os direitos fundamentais se desenvolveram com o passar do tempo e, por isso, muitos autores tratam essa linha evolutiva como gerações. A classificação mais comum apresenta quatro: os direitos à liberdade (direitos de 1ª geração); direitos sociais e coletivos (direitos de 2ª geração); direitosdo ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental da pessoa humana; princípio da solidariedade intergeracional; princípio da natureza pública da proteção ambiental; princípio da prevenção e precaução; princípio da consideração da variável ambiental no processo decisório de políticas de desenvolvimento; princípio do poluidor-pagador; princípio do usuário-pagador; princípio da função socioambiental da propriedade; princípio da participação comunitária; princípio da cooperação entre os povos, segundo Milaré (2009). Não obstante a existência desses princípios, os princípios ambientais constitucionais que possuem maior ênfase por parte da doutrina são: princípio do desenvolvimento sustentável; princípio do poluidor-pagador; princípio da prevenção; princípio da participação e o princípio da ubiquidade, informa Fiorillo (2013). Assim, os princípios são normas incorporadas ao ordenamento jurídico, que devem ser seguidas, pois são impositivas. Desta forma, os princípios ambientais são considerados em diversos aspectos do dia-a-dia da sociedade, como em indústrias, propriedades, comunidades, etc. Almeja-se a cooperação entre povos e entre a sociedade e a Administração Pública para a preservação do Meio Ambiente. 1.5.1. Princípio do Desenvolvimento Sustentável O princípio do desenvolvimento sustentável surgiu na Conferência de Estocolmo realizada em 1972, e foi repetido nas demais conferências sobre o meio ambiente, sendo principalmente empregada a expressão na Conferencia denominada RIO-92, ou ECO-92, onde o termo foi empregado em onze de seus vinte e sete princípios, explica Fiorillo (2013). O princípio do Desenvolvimento Sustentável encontra-se presente na Constituição em seu art. 225: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. (BRASIL, 1998). Tal princípio tem por intuito a manutenção as necessidades fundamentais da produção e reprodução do ser humano e de suas atividades, visando garantir uma relação satisfatória que seja igualmente equilibrada entre os homens e dos homens com o meio ambiente – para assegurar que as futuras gerações tenham a oportunidade de usufruir dos mesmos recursos naturais que possuímos atualmente, menciona Fiorillo (2013). Buscar um ponto que equilíbrio que harmonize o desenvolvimento social, crescimento econômico e a exploração dos recursos naturais, não é algo fácil, se faz necessário um adequado planejamento territorial que levem em consideração os limites da sustentabilidade, segundo Silveira (2012). É notória a importância que tal princípio exerce, tendo em vista a sociedade atual, desregrada, à mercê de parâmetros de livre iniciativa e concorrência, o que leva a um caminho implacável para a certeza da desordem ambiental. Por outro lado, não há dúvidas de que o crescimento econômico é algo importante para a sociedade, e com base nisto é que o legislador da Constituição de 1988, notou que o crescimento das atividades econômicas faziam jus a um novo tratamento, devendo ser observadas os fatos tangentes a atualidade quanto a preservação do meio ambiente, já que a degradação continua refletirá diretamente na diminuição da capacidade econômica do País, acarretando em impossibilidade das atuais e principalmente das futuras gerações desfrutarem de uma vida com qualidade, informa Silveira (2012). 33WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Cabe salientar que o principal objetivo do princípio não é impedir o desenvolvimento econômico, mas sim garantir existência digna, que pode ser vislumbrada por uma vida com qualidade, expõe Silveira (2012). Levando em conta que o desempenho de atividade econômica, em grande parte das vezes representa algum tipo de degradação, o que se procura com o princípio do Desenvolvimento Sustentável é minimizar a degradação decorrente das atividades econômicas lançando-se mão dos instrumentos adequados existentes para que ocorra a menor degradação possível, mostra Fiorillo (2013). De forma geral, é possível dizer que o princípio do desenvolvimento sustentável visa regular as necessidades fundamentais pertinentes à produção e reprodução humana, para equilibrar uma relação dos homens com o meio ambiente, para que hajam futuras gerações, e que estas possam usufruir sustentavelmente dos mesmos recursos da atualidade. 1.5.2. Princípio do Poluidor-Pagador O instituto que traz o nome do princípio deve ser observado com atenção, pois ao se deparar com tal princípio muitos têm a falsa percepção que pode-se pagar para poluir, ele não é uma forma de contornar a reparação do dano, coloca Miralé (2012). Pode ser observado o princípio do poluidor-pagador por duas vertentes de alcance, o que busca evitar que ocorram os danos ambientais, tendo como caráter preventivo, e a outra de caráter repressivo, quando ocorrido o dano, visa à reparação deste, explica Miralé (2012). Trazendo em um momento inicial a obrigação ao poluidor de arcar com as medidas necessárias cabíveis para a prevenção dos danos ao meio ambiente que possam ser causados pelo exercício da atividade desempenhada. Já em um segundo momento, ocorrendo o dano ao meio ambiente tendo sido ocasionado pela atividade desenvolvida, o poluidor será imposto ao poluidor a obrigação de reparação, expõe Fiorillo (2013). Figura 12 - Princípio do poluidor pagador. Fonte: Gonçalves (2015). 34WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA A respeito do princípio do Poluidor-Pagador ensina Guilherme Cano que: Quem causa a deterioração paga os custos exigidos para prevenir ou corrigir. É óbvio que quem assim é onerado redistribuirá esses custos entre os compradores de seus produtos (se é uma indústria, onerando-a nos preços), ou os usuários de seus serviços (por exemplo, uma Munici¬palidade, em relação a seus serviços de rede de esgotos, aumentando suas tarifas). A equidade dessa alternativa reside em que não pagam aqueles que não contribuíram para a deterioração ou não se beneficiaram dessa deterioração. (CANO, 1983, p. 191) A previsão do presente princípio é trazida pelo artigo 225 da Constituição Federal de 1988, em seu § 3º, dizendo que “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente da obrigação de reparar os danos causados”. (BRASIL, 1988). Diante do apresentado, percebe-se a evolução percorrida pelo Direito ambiental em busca de proteger o meio ambiente e seus recursos para garantir a qualidade de vida das atuais e futuras gerações. 1.5.3. Princípio da Prevenção Para o direito ambiental o princípio da Prevenção é um dos mais importantes, visto que muitas vezes os danos causados ao meio ambiente são irreversíveis, Celso Antonio Pacheco Fiorillo, faz reflexões sobre a importância do princípio na seguinte vertente sobre como poderia retornar ao “status quo” algumas situações, como ocorre no caso da reparação de uma espécie extinta, ou eliminação dos efeitos de Chernobyl, ou ainda, restituição de uma floresta milenar que era habitat de milhares de ecossistemas diferentes após ser devastada, segundo Fiorillo (2013) Frente à impotência do sistema jurídico, que não é dotado de capacidade para restabelecer de forma igualitária as condições em que se encontravam anteriormente o meio ambiente é que se emprega o princípio da prevenção do dano ambiental, podendo ser considerado como objetivo principal do direito ambiental, mostra Fiorillo (2013). O princípio da prevenção ocupa lugar de grande estima desde o ano de 1972 com a realização da Conferencia de Estocolmo, tendo sua ascensão na Conferência RIO-92, em que foi considerado como megaprincípio do direito ambiental, onde se faz presente sob princípio de nº 15,que traz que Para proteger o meio ambiente medidas de precaução devem ser largamente aplicadas pelos Estados segundo suas capacidades. E m caso de risco de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não deve servir de pretexto para procrastinar a adoção de medidas efetivas visando a prevenir a degradação do meio ambiente (Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento – 1992). (FIORILLO, 2013, p 35) Nossa Carta Magna também adotou o princípio da prevenção por meio de seu artigo 225, encontrando-se amparo também na ótica do Poder Judiciário e da administração, refletindo de forma positiva na aplicação da jurisdição coletiva, que possuem medidas melhores adaptadas aos direitos difusos, visando evitar a continuidade da situação que está causando danos, tendo também ações que tenham por objetivo a prevenção de possível dano. Já no quanto diz respeito a aplicabilidade do princípio da prevenção sobre a ótica da Administração, este pode se dar por intermédio de licenças, sanções administrativas, fiscalizações, bem como as autorizações que tenham por escopo a função de proteger o meio ambiente, cita Fiorillo (2013). Assim, é possível ver a importância do princípio da prevenção, que deve, em sua grande maioria, ser utilizado e aplicado pelo Estado, sob a máxima da facilidade de prevenção ante a dificuldade de reparação, especialmente no que diz respeito ao retorno do ambiente deteriorado ao seu status quo. 35WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.5.4. Princípio da Precaução De forma divergente ao princípio da prevenção, que objetiva tomar os devidos cuidados para prevenção de desastres já previstos, ou seja, que torna possível haver uma previsibilidade do dano, como por exemplo, uma usina nuclear tem como resultado negativo a radiação ou acidente nuclear. No entanto, existem alguns fatores que não são previsíveis, por exemplo, os efeitos dos transgênicos no organismo humano. Por mais que existam estudos, ainda não é possível destacar com precisão quais os efeitos negativos dos transgênicos para o meio ambiente, no plantio, nos rios, bem como no organismo humano. Neste sentido, como precaução, a legislação ambiental tem como característica informar o consumidor sobre o produto, obrigatoriamente. Figura 13 - Empresas ainda lutam para evitar o rótulo de transgênico no Brasil. Fonte: Thuswohl. (2013). 1.5.5. Princípio da Participação Foi previsto pela Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, que compete ao Estado, assim como a toda a sociedade civil tutelar sobre a proteção e preservação do meio ambiente, ao dispor dessa maneira a Constituição consagra o princípio da participação, ou seja, trata-se de um princípio voltado a uma colaboração, ao agir em conjunto pelo Poder Público e os cidadãos. O intuito de nossa Lei Maior em lançar legitimidade participativa é o de aumentar a visão do exercício de proteção ao meio ambiente, em sentido a isso é que se é possível observar comumente o ingresso de ações civis públicas por ONGs voltadas a proteção do meio ambiente. Também é considerado como um dos elementos do Estado Social de Direito o princípio da participação, visto que todos os direitos sociais são estrutura necessária para obtenção de uma saudável qualidade de vida, mostra Machado (2013). São elementos fundamentais para garantir a aplicabilidade do princípio da participação ocorrendo assim a efetivação da ação em conjunto que o mesmo versa, a informação e a educação ambiental o que devem agir de modo a se complementarem, cita Fiorillo (2013). Tem-se, portanto, que o princípio da participação visa abranger toda a sociedade civil, além do Estado, na questão da manutenção de um meio ambiente saudável, que perdure para futuras gerações. 36WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.5.6. Princípio da Ubiquidade Esse princípio possui como ponto central a tutela constitucional da vida e da qualidade de vida, devendo, portanto, ser levado em consideração seja no âmbito política, de atuação ou legislativo, toda vez que houver a necessidade de criar alguma obra, atividade, ou tema, ou seja, tudo que versar sobre a vida ou qualidade desta deve anteriormente ao seu desenvolvimento passar por uma consulta ambiental, para que se possa saber se isso poderá acarretar em degradação ambiental, conforme Fiorillo (2013). Como se pode constatar, o meio ambiente é de suma importância para que se possa ter uma vida de qualidade. Ao mesmo tempo, o meio ambiente é tão frágil ante a ação do homem, que se torna imprescindível sua tutela. 3737WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 38 1 - O DANO AMBIENTAL .......................................................................................................................................... 39 1.1. CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA DO DANO AMBIENTAL .......................................................................... 39 1.2. CLASSIFICAÇÃO DO DANO AMBIENTAL ........................................................................................................ 40 1.2.1. DANO AMBIENTAL COLETIVO, EM STRICTO SENSU, OU PROPRIAMENTE DITO ................................... 41 1.2.2. DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL ............................................................................................................. 44 1.2.3. DANO AMBIENTAL INDIVIDUAL OU PESSOAL ........................................................................................... 45 1.2.4. DANO AMBIENTAL MATERIAL ..................................................................................................................... 45 1.2.5. DANO AMBIENTAL MORAL .......................................................................................................................... 45 1.3. MEIO AMBIENTE COMO BEM JURÍDICO ....................................................................................................... 46 2 - RESPONSABILIDADE E REPARAÇÃO DO DANO AMBIENTAL ........................................................................ 47 2.1. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA ........................................................................................................ 48 2.1.1. INFRAÇÕES E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS ............................................................................................. 50 2.2. RESPONSABILIDADE PENAL ......................................................................................................................... 50 2.2.1. CRIMES AMBIENTAIS ................................................................................................................................... 53 2.2.2. RESPONSABILIDADE PENAL AMBIENTAL DA PESSOA JURÍDICA .......................................................... 54 OS DANOS AMBIENTAIS E A RESPONSABILIDADE JURÍDICA PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 38WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A terceira unidade tem como objetivo apresentar quais os principais danos ambientais, qual a previsão legal para tutela dos bens jurídicos ambientais, bem como qual a responsabilidade jurídica os responsáveis pelo dano. Neste sentido, destaca-se a natureza do dano ambiental, sua relação com o dano na esfera do direito civil, a classificação do dano ambiental, em que há destaque no dano ambiental na esfera de direitos difusos, sua indenização na esfera material e moral, bem como a classificação do meio ambiente como bem jurídico. Considerando que o meio ambiental é um bem jurídico, observa-se os meios para sua tutela, em que reserva-se com ênfase a ação civil pública, suas competências de legitimação, bemcomo a ação popular, e o interesse de agir e ao fim. Destaca-se também a responsabilidade penal para pessoa física e jurídicas dos danos ambientais tutelados. 39WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - O DANO AMBIENTAL Para o ordenamento jurídico, todos são responsáveis por seus atos, de tal forma que devem responder frente ao que for reflexo deles, no caso, onde a prática de algum ato leve por consequência o prejuízo a terceiro surgirá, então, a obrigação de responder pelos danos causados, menciona Sirvinskas (2013). A responsabilidade tornou-se um instituto jurídico indispensável para aquele que vier a causar danos a terceiros, considera-se a responsabilidade como um princípio fundamental para uma efetiva aplicabilidade do direito, servindo como alicerce para se viver harmonicamente em sociedade. 1.1. CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA DO DANO AMBIENTAL Conforme exposto anteriormente, entende-se como sendo o conceito de dano em sentido amplo do direito tudo o que causar lesão a um bem jurídico tutelado. Gonçalves (2012) trata do dano em sentido amplo, como sendo a diminuição ou subtração de um bem jurídico, pois esse conceito abrange não somente o patrimônio em si, mas também a honra, a saúde, e a vida, em síntese tudo que for suscetível de proteção. Reis (2002) acrescenta que o dano é uma ideia de prejuízo involuntário que afeta um determinado bem, e que ocorre em decorrência de uma violação voluntária de um direito. A imputação da palavra dano vai muito além da diminuição de algum bem ou patrimônio, ou desvalorização do mesmo, pois resulta de uma agressão antijurídica. Então, pode-se dizer que o dano ambiental é fruto de uma ação ou omissão que altera negativamente as condições existentes. E, ainda, que é a perturbação da natureza que compromete a capacidade funcional ecológica, e, em decorrência disso, compromete a capacidade de aproveitamento humano dos bens ambientais tutelados, expõe Sirvinskas (2013). Não existe um conceito formal adotado ao dano ambiental, mas quando analisado, o artigo 3º, inciso II, da lei 6.938/81, que trata da degradação, e do inciso III, que versa sobre a definição de poluição, podemos concluir que o dano ambiental é algo que afeta, além da viabilidade de vida no planeta, a vida do ser humano em um todo, menciona Testa (2015). Vivemos em um ordenamento jurídico onde somos titulares de liberdade de agir, no entanto, tudo o que causar dano a outrem tem por responsabilidade reparar tal dano, seja de forma a desfazer o dano voltando ao status a quo, ou não sendo possível retornar ao que era anteriormente será feita a reparação por forma de indenização pecuniária, explica Fiorillo (2013). O dano ambiental pode ser entendido da mesma maneira com que se dá o dano na esfera civil, sendo empregado a este algumas peculiaridades, pois no caso do dano ambiental não há uma única vítima a ser alcançada por essa lesão, mas sim uma coletividade, um grupo, uma região, ou uma espécie. Grande parte das vezes não é possível se apontar uma só vítima, visto que cada situação requer uma análise particular, explica Rodrigues (2016). No direito comparado, Catalá (1998) destaca o dano ambiental como conceituando-o como algo que afeta o conjunto do meio natural ou seus elementos, considerados como patrimônio coletivo, independentemente de haver repercussão sobre as pessoas ou seus bens, não podendo mais limitar o dano ambiental somente a algo que afete o homem, sua vida, sua saúde, seu patrimônio ou seu bem-estar. 40WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA A natureza jurídica do dano ambiental pode ser observada quanto à natureza jurídica do direito ambiental em si, ou seja, natureza difusa. A compreensão pode ser percebida por sua recepção normativa, devendo ser estudada por meio de duas gerações, sendo a primeira geração voltada aos problemas ambientais vinculados ao surgimento da poluição, à compreensão desta, assim como a preservação e controle, e a defesa fundamental do meio ambiente; já na segunda geração abrange os efeitos no tempo e espaço da degradação ambiental. Esta noção foi traçada por uma pungente ecológica de forma sistemática e cientificamente fundamentada, o que se faz necessário para o enfrentamento do problema. Entende-se, desta forma, que embora não exista um conceito formal específico de dano ambiental na legislação, mas pode ser entendido analogamente ao dano, que os doutrinadores consideram como uma lesão, diminuição ou subtração de um bem jurídico tutelável, de forma que deve ser reparado. 1.2. CLASSIFICAÇÃO DO DANO AMBIENTAL Conforme mencionado anteriormente, o dano se trata de toda ação inaceitável causada pelo ser humano ao meio ambiente, e embora o dano ambiental recaia de maneira direta sobre o ambiente assim como os recursos e elementos que o compõem, ocorrendo em prejuízo da coletividade, esse dano pode, em determinados casos, se apresentar de forma material ou moral, sobre o patrimônio, saúde ou interesses de um indivíduo ou grupo determinado ou determinável. O dano ambiental pode ser classificado por duas vertentes, quanto ao interesse envolvido, podendo ser de cunho coletivo, stricto sensu, ou dano ambiental propriamente, e o dano ambiental individual, cita Miralé (2005). Figura 14 - Caso Chevron pode complicar do Brasil em petróleo. Fonte: Santana (2011). 41WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Na imagem, destaca-se um dos maiores desastres ambientais no mar territorial brasileiro, que foi o vazamento de petróleo na Bacia de Campos/RJ, onde registrou-se o vazamento de mais de 380 mil litros de petróleo. Estima-se que a mancha provocada pelo vazamento no mar tenha chegado a 162 km², o equivalente a metade da Baía de Guanabara. Foram acumulados na área de em 3,7 mil barris de petróleo. Especialistas registraram uma grande quantidade de animais mortos nas áreas afetadas pela mancha e décadas serão necessárias até que o habitat marinho local se restabeleça. Em setembro de 2013, a empresa americana Chevron, responsável pela perfuração do poço que vazou, foi condenada a pagar uma indenização de R$95 milhões ao governo brasileiro para compensar os danos ambientais causados, expõe a Revista Época (2011). Por outro viés, o dano ambiental ainda pode ser classificado de acordo com a sua extensão, em material/patrimonial, e imaterial/ extrapatrimonial / moral. 1.2.1. Dano ambiental coletivo, em stricto sensu, ou propriamente dito Essa modalidade de dano ambiental é entendida como a lesão que ocorre contra o meio ambiente em um contexto global, em que é atingido um número determinado de pessoas. Então, o dano ambiental coletivo pode ser considerado como a lesão causada ao meio ambiente stricto sensu, ou na impossibilidade de identificação dos indivíduos, incidindo em direitos difusos, que afetam uma coletividade que pode ser indeterminada ou indeterminável de pessoas. Isso gera a falta do aspecto subjetivo e causa a indivisibilidade do bem jurídico tutelado, mostra Miralé (2005). O dano ambiental coletivo tem sua tutela resguardada por meio de ação civil pública, mandado de segurança coletivo, ou ação popular, por meio desses instrumentos processuais, é possível responsabilizar os transgressores e exigir a reparação do dano, podendo ser reparado in natura, ou seja, pelo meio natural, com intuito de que retorne ao estado anterior ao do dano, ou se isso não for possível, a reparação por meio de indenização pecuniária, que é destinada a um fundo governamental que tem por finalidade a reconstituição dos bens lesados, afirma Cardin (2008). Complementando, verifica-se, nas figuras, o que sobrou da vila da cidade de Bento Rodrigues (MG), após o desastre da barragem de fundão. Para tanto, indica-se para complementação de conteúdo, a reportagem sobre o desastre ambiental. Jornal Nacional. Reportagem sobre o vazamento. Disponívelem: . Acesso em outubro de 2017. Para complementar o conteúdo, indica-se o vídeo da reportagem: . 42WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 15 - Barragem de Fundão em Bento Rodrigues. Fonte: Branco (2016). Figura 16 - Barragem de Fundão em Bento Rodrigues. Fonte: Branco (2016). 43WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Constatou-se que o problema ocorreu na barragem de fundão, sendo o problema por força maior ou não, bem como falha humana ou não, resultou em um dano coletivo, expandindo seus efeitos ao longo de 500 quilômetros no Rio doce, com aproximadamente 60 bilhões de litros de rejeitos de minério de ferro, atingindo 35 cidades com a lama no Rio doce, 1,5 mil hectares afetados com a lama, a morte de 80 espécies na região, sendo que 11 eram ameaçadas de extinção e 12 eram espécies exclusivas do rio. Para uma melhor noção sobre a extensão dos impactos de rejeitos: Figura 17 - Barragem de Fundão em Bento Rodrigues. Fonte: Branco (2016). G1. Gloco.com. Rompimento da barragem em Mariana. . Acesso em fev 2018. Para complementar o conteúdo, indica-se a reportagem do portal G1, Minas Ge- rais: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/11/barragem-de-rejeitos-se- -rompe-em-distrito-de-mariana.html. Acesso em fev 2018. 44WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Neste sentido, constata-se um exemplo de dano ambiental que resultou em efeitos coletivos, e que até o presente momento aguarda meios para compensação do dano e recuperação de áreas degradadas. Assim, é possível aprender que o dano ambiental coletivo diz respeito ao aspecto global, sendo sua reparação tutelada pelo Estado, que a determinará sobre o causador do dano, onde, no Brasil, geralmente ocorre de forma pecuniária. 1.2.2. Do licenciamento ambiental A princípio, cumpre destacar que o Licenciamento e a Avaliação de Impactos Ambientais são instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, segundo o artigo 9º, IV da Lei 6.938/81. A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, § 1º, IV, exige estudo prévio de impacto ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação do meio ambiente. A localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras, bem como os empreendimentos capazes, sob qualquer forma, de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. A licença ambiental para empreendimentos e atividades consideradas efetivas ou potencialmente causadoras de significativas degradações do meio, que dependerão de um estudo prévio de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), em que será dada publicidade, garantida a realização de audiências públicas, quando couber, de acordo com a regulamentação. Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental (EIA) e de relatório de impacto ambiental (RIMA), quanto ao licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, tais como: I - Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; II - Ferrovias; III - Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; IV - Aeroportos, conforme definidos pelo inciso 1, artigo 48, do Decreto-Lei nº 32, de 18 de setembro de 1966; v - Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; VI - Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230KV; e tantos outros. Essas são algumas atividades que devem ser licenciadas. Isto é um rol aberto, exemplificativo, não é um rol taxativo ou exaustivo, pois o órgão ambiental pode exigir EIA/RIMA de qualquer atividade que cause ou possa vir a causar significativo impacto ambiental. O Licenciamento ambiental é um procedimento administrativo (exercício do poder de polícia) pelo qual o órgão ambiental competente licencia um empreendimento considerado efetiva ou potencialmente poluidor ou que possa causar degradação ambiental. Para realizar o Licenciamento são exigidos estudos ambientais. Um desses estudos pode ser o EIA/RIMA, pois existem outros estudos. O detalhe é que o EIA/RIMA é exigido nos casos de efetivo ou potencial SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL. Não é para qualquer atividade ou empreendimento. Respeitado o sigilo industrial, assim solicitado e demonstrado pelo interessado, o RIMA será acessível ao público. Etapas do Licenciamento Ambiental Federal (Competência do Ibama). Muita atenção, pois licenciamento ambiental e Estudo de Impacto Ambiental e seu Relatório (EIA/RIMA) não são sinônimos! 45WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA De acordo com a Instrução Normativa IBAMA nº 184 /08, alterada pela Instrução Normativa IBAMA nº 14 de 27/10/2011, que estabelece, no âmbito do Ibama, os procedimentos para o licenciamento ambiental federal, os procedimentos para o licenciamento ambiental deverão obedecer às seguintes etapas: 1º - Instauração do processo; 2º - Licenciamento prévio; 3º Licenciamento de instalação; e 4º- Li- cenciamento de operação. A solicitação de EIA/RIMA se dará na fase de licenciamento prévio para empreendimentos de significativo impacto ambiental. Em empreendimentos de impacto pouco significativo e que não cabem análise locacional, o IBAMA suprimirá a fase de Licença Prévia. Para empreendimentos de impacto pouco significativo, o IBAMA exigirá Estudo Ambiental Simplificado e Plano de Controle Ambiental, sendo que estes poderão ser licenciados integralmente pelos NLAs. 1.2.3. Dano ambiental individual ou pessoal A classificação de dano ambiental individual é aquela que diz respeito ao dano que leciona um interesse pessoal sobre a própria pessoa ou seus bens, nos ensinamentos de Milaré (2005), é aquele que posto à margem da coletividade e que é possível identificar um ou um grupo de prejudicados em seu patrimônio particular. O dano ambiental individual também é conhecido como dano ricochete ou reflexo. 1.2.4. Dano ambiental material O dano material busca a recuperação, restituição ou indenização da lesão causada ao meio ambiente, ou seja, o dano material é aquele que causa a vítima um prejuízo de ordem econômica. 1.2.5. Dano ambiental moral Quanto ao dano de cunho moral, é aquele que não vem ofender um determinado interesse corpóreo, seja de qualquer brasileiro, de forma individual ou coletiva. Lanfredi (2002) entende que danos morais são reflexos negativos de lesões, que ocorrem por meio de constrangimentos, situações vexatórias, dores, que venham a atingir a moralidade. Lanfredi (2002) afirma que o dano moral é distinto ao dano material, e pode somar em uma mesma situação, quando ocorrerem atos lesivos que atinjam a esfera geral da vítima. A previsibilidade do dano moral ambiental é algo recente, tendo sido considerada essa modalidade pelo legislador brasileiro, concretamente, a partir das alterações advindas pela Lei 8.884/94, no sistema da Ação Civil Pública, menciona Lanfredi (2002). 46WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA 1.3. MEIO AMBIENTE COMO BEM JURÍDICO No ordenamento jurídico brasileiro, a Constituição Federal de 1988 elencou em seu artigo 225 que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é uma nova forma de direito fundamental coletivo, sendo um direito subjetivo da coletividade humana. Possui natureza jurídica de direito coletivo, de interesse difuso, sendo a sociedade verdadeira titular desse direito, tratar-se de um direito da sociedade, uma vez que essedireito é lesionado é legitimado a qualquer um dos seus membros que lance tutela sobre o bem, coloca Steigleder (2002). O direito ao meio ambiente trata-se de um direito fundamental de terceira geração, por se tratar de um direito difuso, que tem por objetivo garantir uma existência digna ao ser humano, afirma Steigleder (2002). O direito ao meio ambiente, é como um desdobramento do direito à vida. De modo amplo, o direito fundamental à vida pode ser entendido como o direito de todo ser humano de não ser privado de sua vida, o que está diretamente ligado ao direito que todo ser humano tem de poder usufruir dos meios apropriados para sua subsistência e um padrão de vida decente, mostra Trindade (1993). A garantia do direito à vida que a Constituição Federal visa alcançar pode ser observada por dois aspectos: a existência com uma boa saúde física dos seres humanos, assim como a uma existência digna, com qualidade de vida que faça valer a pena viver. Por meio do artigo 225 da Constituição Federal, é imposta uma orientação que deixa registrado o reconhecimento do direito e dever ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, e ainda, a obrigação aferida ao poder público, assim como a coletividade em protegê-lo e preservá-lo. Também está presente no artigo a previsão imposta a condutas consideradas lesivas ao bem tutelado, expõe Steigleder (2002). Cabe salientar que as principais ações voltadas à tutela do meio ambiente são: a ação de responsabilidade civil por danos ambientais; a ação civil pública ambiental; o mandado de segurança coletivo; a ação popular; e a tutela cautelar. A ação civil pública ambiental (Lei 7.347/85) é um instrumento normativo que se fez necessário, a fim de regulamentar outros legitimados para pleitear a tutela do meio ambiente junto ao órgão judiciário, uma vez que o ministério público sozinho seria incapaz de atender toda a demanda que versasse sobre meio ambiente, e, ao mesmo tempo, fazer a fiscalização. Assim, surgiu a Lei 7.347/85, a partir da necessidade de convocar o auxílio de diversas entidades, podendo ser de cunho público ou privado, desde que detenham a finalidade de proteção ao meio ambiente. Portanto, a legitimidade para propor ação de responsabilidade por danos ambientais, transcendeu do Ministério Público para também as associações ambientalistas, expõe Lanfredi (2002). A ação popular (Lei 4.717/65) foi normatizada por meio desta lei, e é um remédio que atualmente se encontra previsto na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso LXXIII, é denominado um remédio constitucional que visa melhorar a defesa do interesse público, assim como, da moral administrativa, tornando todo cidadão um fiscal do bem comum, tendo como uma das finalidades tornar nulos atos lesivos ao patrimônio social, cita Lanfredi (2002). O mandado de segurança coletiva foi conferido pela Constituição Federal de 1988, para entidades associativas, partidos políticos, e sindicatos, coloca Lanfre- di (2002). 47WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA A tutela cautelar é um instrumento processual que possibilita a proteção do meio ambiente. Pode ocorrer por meio de ação cautelar em si ou por medida liminar, considerada de grande importância no tocante a proteção e prevenção do dano ambiental. (LANFREDI, 2002) Tem-se, desta forma, que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito fundamental coletivo, ou seja, é um direito subjetivo da coletividade humana, que deve ser tutelado pelo Estado, visando a proteção deste bem comum para a existência física e saúde da humanidade, de forma a prover uma existência digna, com qualidade de vida. 2 - RESPONSABILIDADE E REPARAÇÃO DO DANO AMBIENTAL Conforme se vem explanando sobre o assunto, o meio ambiente é algo com notória importância para a vida e sua qualidade em nosso planeta, de tal forma que frente às transgressões que surgiram com o passar do tempo, o ser humano se viu cada vez mais consumista. Então, buscando resguardar um de nossos bens mais preciosos, o meio ambiente, e, de forma equilibrada, assegurar a qualidade de vida, é que surge a responsabilidade ambiental. Isto buscando uma tutela satisfatória, visto que nosso ordenamento jurídico dividiu a responsabilidade sobre o dano ambiental em três: responsabilidade ambiental administrativa; responsabilidade ambiental penal; e, responsabilidade ambiental civil. Dessa maneira, a responsabilidade sobre o dano ambiental tem sua diferenciação fundamental pelos doutrinadores, por meio de uma avaliação de valores, estabelecida pelo legislador que distingue pelo fato ocorrido, no caso, se a ação deve ser considerada de uma sanção penal, uma sanção civil, ou uma sanção administrativa, menciona Fiorillo (2013). A tríplice penalização é prevista pela Constituição Federal de 1988, por meio de seu artigo 225, §3º, que expõe que as condutas e/ou atividades que forem consideradas nocivas ao meio ambiente, ensejaram aos infratores – sendo estas pessoas jurídicas ou físicas, penalidades penais e administrativas, independente da obrigação de reparar os danos causados, conforme Brasil (1988). O artigo 4º, em seu inciso VII, da Lei 6.938/81, versa sobre a Política Nacional do Meio Ambiente. Este trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro o objetivo de imputar ao degradador a obrigação de reparar e/ou de indenizar os danos por ele causados, afirma Pinto (2016). Cretella (2010) aponta que a responsabilidade tem raiz do termo latino respondere, que significa “responder”. A responsabilidade pode ser considerada como um dos temas fundamentais e de suma importância para o direito, pois é com base nesta que se pode ponderar a real eficácia de um ordenamento jurídico, afinal, sem a figura da responsabilidade no ordenamento este se tornaria vazio e sem eficácia frente as transgressões normativas. É a partir da ótica de responsabilidade que surge o direito à reparação, por parte do agressor, de maneira mais ampla possível. Tradicionalmente, a responsabilidade é entendida com o fundamento da culpa, comenta Antunes (2010). 48WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA No que diz respeito à reparação, esta é a utilização de um meio que vise a compensar de maneira a reverter a lesão ao status quo ante, ou seja, devolver ao estado anterior ao da lesão, seria como se a lesão nunca tivesse ocorrido. Tratamos aqui de uma concepção teórica, pois no caso concreto, é quase impossível retornar um bem atingido ao estado anterior. Em seu estado original, seria o caso da morte de uma pessoa, a destruição de uma obra com valor histórico, ou a extinção de uma espécie animal, etc. Tudo isso se torna impossível, visto que a reversão se tratam de bem únicos de valores inestimáveis e que não podem ser meramente substituídos, mostra Antunes (2010). Para Rodrigues (2016), quando ocorrido o dano, tornasse vital a sua recuperação o mais rápido possível, pois se ocorrer o dano já é ruim, pensando que as consequências desse dano serão ainda piores. Em casos de danos ambientais, esses, muitas vezes, são de maneira continuad,a tendo caráter por vezes ad futurum e eternum, de modo que quanto mais tempo se passa para sua recuperação, maior será o efeito degradador que o meio ambiente sofrerá, podendo a demora de recuperação do meio ambiente ser fatal para o mesmo. Na mesma vertente, tem entendido o STJ, no tocante ao fator tempo e a lesividade que este pode ter em determinado meio ambiente, vejamos: [...] 15. Não custa pontuar que, na seara ambiental, o aspecto temporal ganha contornos de maior importância, pois, como se sabe, a potencialidade das condutas lesivas aumenta com a submissão do meio ambiente aos agentes degradadores. 16. Tanto é assim que os princípios basilares da Administração Pública são o da prevenção e da precaução, cuja base empírica é justamente a constatação de que o tempo não é um aliado, e sim um inimigo da restauração e da recuperaçãoambiental. [...] (MARQUES, 2011) 2.1. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA A responsabilidade administrativa ambiental surge a partir de uma transgressão aos regramentos que revestem o direito administrativo, ocorrendo a transgressão no ambiento administrativo. Surge com ela uma sanção a ser imposta ao transgressor, que também é de cunho administrativo, podendo ter caráter de multa simples, advertência, interdição da obra ou atividade lesiva, cita Piske (2016). TJDFT. Responsabilidade administrativa por Dano Ambiental - Parte I. Juíza Oriana Piske. Disponível em: . Acesso em: 30 out. 2016. 49WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Como um dos poderes mais expressivos no âmbito administrativo está o poder da polícia, na concepção de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, existem conceitos em que o poder da polícia era compreendido como sendo uma atividade do Estado, que era limitado ao exercício dos direitos individuais em prol da segurança. Por outro lado, apresenta-se o conceito moderno de poder da polícia, que é considerado como sendo a atividade desempenhada pelo Estado, que limita ao exercício dos direitos individuais em favor ao interesse público, explica Piske (2016). O conceito legal do poder da polícia pode ser verificado no artigo 78 do Código Tributário Nacional: Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (TAPAI, 2003, p. 113). Pode-se verificar que todas as entidades estatais dispõem de poder de polícia, no que diz respeito as matérias que lhe competem. No caso do direito ambiental, é competência dos três órgãos estatais proteger o meio ambiente, assim como aplicar as medidas necessárias para proteção do bem. Fiscalizando e limitando as atividades e obras que visam o uso e gozo do bem ambiental, para garantir a qualidade de vida da coletividade, aplicando as sanções cabíveis nos casos, em que ocorre a infringência dos preceitos regramentais administrativos. Figura 18 - Frascos de veneno jogado em área rural. Fonte: Gargalo (2017) A título de exemplificação, não necessariamente existe a necessidade do agente ter jogado ou enterrado um fraco de veneno, medicação ou agrotóxico para ser responsabilizado. Sua conduta passiva de não cuidar de sua área, é considerada uma conduta omissiva, ou seja, passível de responsabilização, o que é por boa parte dos responsáveis pela área considerada uma injustiça. Entretanto, a injustiça está apenas no campo da subjetividade do agente. 50WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA As sanções ambientais administrativas encontram-se regulamentadas pela por meio da Lei 9.605/98, em especial nos artigos 70 a 76, deste diploma legal, em que é possível encontrar a definição de infração ambiental na esfera administrativa, como “toda ação ou omissão que viole as regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente”. Atualmente, a Lei 9.605/98 teve sua regulamentação pelo Decreto nº 6.514/08, que trouxe pormenorizado os tipos de infrações consideradas como administrativas e as sanções a serem aplicadas a cada modalidade de infração, bem como estabeleceu o processo administrativo federal competente na apuração das infrações ambientais administrativas. 2.1.1. Infrações e sanções administrativas Silva (2000) defende que, no que tange as infrações ambientais administrativas, estas devem advir de previsão legal, vindo de legislação federal, estadual e municipal, dentro da competência que, a cada qual, corresponda, no quesito das infrações e sanções ambientais. Conforme exposto, a Lei 9.605/98 dispõe sobre as infrações e sanções aplicáveis ao direito ambiental, no entanto, cabe salientar que leis especiais também podem estabelecer sanções administrativas a serem aplicadas em caso de descumprimento de suas normas, e neste caso, irá prevalecer as sanções previstas pelas leis especiais, cita Piske (2016). A Lei 9.605/98 apresenta em seu artigo 72 um rol das sanções administrativas ambientais: advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais; produtos e subprodutos da fauna e flora; instrumentos; petrechos; equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração; destruição ou inutilizarão do produto; suspensão de venda e fabricação do produto; embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de atividades; restritiva de direitos. Em conformidade com a Lei 9.605/98, em seu artigo 70, §1º, os órgãos competentes para lavrar o auto de infração e instaurar processo administrativo, são os funcionários dos órgãos ambientais que integram o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, órgãos estes que são designados para realização da fiscalização, compete ainda aos agentes das Capitanias dos Portos, e do Ministério da Marinha. Entre as sanções administrativas, cabe salientar a advertência, multa simples, multa diária; apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, bem como instrumentos, apetrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração, entre outros. 2.2. RESPONSABILIDADE PENAL A responsabilidade penal é iniciada a partir de uma conduta de ação ou omissão que vem a resultar em algum dano ao bem ambiental, que venha a refletir na desobediência de alguma norma penal, levando ao surgimento de uma infração penal. Entretanto, questiona-se, as pessoas jurídicas agem conforme vontade (ação) ou omissão de pessoas físicas, resultando em danos ambientais. 51WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 19 - Balanço do Desastre de Mariana. Fonte: Carrera (2016). Figura 20 - Manifesto Samarco. Fonte: Associação dos Docentes da UESC (2015). 52WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 3 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 21 - Investimentos Usina H. de Belo Monte. Fonte: Filho (2011). Destaca-se pelas figuras, um manifesto pela responsabilização da mineradora Samarco, pelo desastre em Mariana (MG), após o rompimento da barragem de fundão, bem como também os investimentos da Norte Energia pelos impactos causados com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, considerada a maior hidrelétrica brasileira, uma das maiores do mundo, porém, com impactos ambientais em área indígena inestimável. Prado (2011) explica que em princípio as normas e pressuposto do Direito Penal devem ser definidos de maneira autônoma, a fim de evitar remissão a outras regras do ordenamento jurídico, no entanto, quando se trata da regulamentação jurídico-penal em contesto de setores como ambiente, economia popular, consumidor, setores que estão diretamente ligados com fatores histórico-sociais, que exigem que a atividade normativa esteja sempre em constante variação e evolução para acompanhar as mudanças sociais. As atividades normativas que visam acompanhar tais situações no direito penal são chamadas de normas penais em branco. No que diz respeito à norma penal em branco, esta é de cunho lex imperfectas (leis imperfeitas), denominam-se assim, pois determinam de maneira integral somente as sanções, dependendo está de outra norma para complementação, informa Carvalho (2016). Neste sentido, completa Prado (2011) expondo que a norma penal em branco é aquela que necessita de complementação por meio de outro dispositivo legal, pois a descrição da conduta punível se apresenta de maneira incompleta. 53WWW.UNINGA.BRjurídica não comete os danos ambientais, mas sim aqueles que a regem, de forma que a personalidade jurídica deve ser desconsiderada; por outro lado, o STF tem o entendimento de que a pessoa jurídica poder unicamente responsabilizada por um dano ambiental. 5656WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 57 1 - RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................................................................................... 58 1.2. REPARAÇÃO DO DANO: TEORIAS ................................................................................................................... 58 1.2.1. TEORIA SUBJETIVA ........................................................................................................................................ 58 1.2.2. TEORIA OBJETIVA .......................................................................................................................................... 59 1.2.3. TEORIA ADOTADA NO DIREITO AMBIENTAL BRASILEIRO ....................................................................... 59 2 - CUMULAÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, NÃO FAZER E INDENIZAR .......................................................... 60 2.1. RIO DOCE INGRESSA COM AÇÃO JUDICIAL .................................................................................................. 61 2.2. RECUPERAÇÃO IN NATURA ............................................................................................................................ 62 2.3. INDENIZAÇÃO PECUNIÁRIA ........................................................................................................................... 63 2.3.1. FINALIDADE E DESTINAÇÃO DA INDENIZAÇÃO ......................................................................................... 63 2.3.2. LEI DO USO CIENTÍFICO DE ANIMAIS – LEI N. 11.794/2008 ................................................................... 65 2.3.3. POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS .......................................................................................... 66 2.4. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL ......................................................................................................................... 67 2.4.1. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) ....................................................................................... 67 2.4.2. RESERVA LEGAL (RL) ................................................................................................................................... 69 2.4.3. AS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS ÁREAS CONSOLIDADAS .................................................................... 70 RESPONSABILIDADE JURÍDICA DO DIREITO AMBIENTAL PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 57WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A quarta unidade tem como objetivo apresentar a responsabilidade jurídica do direito ambiental, em especial, destacando a responsabilidade civil, por meio de suas teorias, sendo teoria da responsabilidade objetiva e subjetiva da culpa. A análise dessas teorias, leva em consideração se houve um caso fortuito, força maior, ou decorrência deuma falha humana, bem como técnica. Além do mais, surge também a responsabilidade a partir de uma ação licita, e a necessidade de responsabilidade de reparação. Superada a apresentação da responsabilidade civil, aborda-se também a responsabilidade de reparação do dano, in natura e reparação pecuniária, garantindo o retorno em pecúnia ao meio ambiente. Conforme já visto nas unidades anteriores, o meio ambiente tem sua classificação e subdivisões, fazendo com que exista, a título de argumentação, o meio ambiente artificial e o meio ambiente natural ocupando o mesmo espaço físico. Neste sentido, havendo a responsabilização de indivíduo que eventualmente tenha praticado ilícito ambiental (meio ambiente natural urbano), pode o valor em pecúnia ser utilizado para proteção, projetos ou organização urbana, ou seja, destinado ao meio ambiente artificial? Quais as principais mudanças e impactos do novo código florestal brasileiro? O que proporcionará em benefícios aos agricultores? Para essas e outras perguntas, convidamos os alunos para a leitura do material, bem como acompanhar as aulas, pois terão além dessa resposta, o conhecimento sobre a política reversiva judicial para proteção ao meio ambiente, bem como compreender a finalidade e destinação da recuperação ambiental. 58WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - RESPONSABILIDADE CIVIL Antigamente, a responsabilidade civil era algo que deveria ser observada pela ótica subjetiva, que para a caracterização e imputação da responsabilidade se fazia necessário que estivessem presentes quatro elementos: a ação ou omissão; o nexo causal; o dano; a presença da culpa ou dolo por parte do agente transgressor, cita Bedran e Mayer (2013). Pelo código civil de 2002, Lei nº 10.406, a responsabilidade em reparar o dano vem atribuída por meio de seu art. 927, dispõe que “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”, no mesmo sentido complementa o artigo 186, expondo que “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”, por sua vez o artigo 187, do mesmo diploma ambos do mesmo diploma legal traz que “Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes” (BRASIL, 2002). Então, a responsabilidade, nesses casos, é vista de forma subjetiva, devendo estar presentes os elementos que comprovem a culpabilidade do agente, explica Bedran e Mayer (2013). Quanto ao que dispõe sobre o direito ambiental, a comprovação da responsabilidade pela linha subjetiva se torna muito difícil – a demonstração da culpa do agente sobre o dano causado –, de tal modo que a doutrina passou a adotar, nesses casos, a teoria objetiva da responsabilidade, devido à importância que o direito ambiental tem, afirma Bedran e Mayer (2013). Para Antunes (2010), no direito ambiental, a responsabilidade gerada pelos danos causados ao meio ambiente, em nosso ordenamento, é matéria que desfruta de status constitucional, visto que, encontra-se positivada por meio de capítulo na Constituição Federal que trata sobre o meio ambiente. Então, cabe salientar que é difícil demonstrar a culpa do agente pela ótica subjetiva – quanto ao dano ambiental –, devendo o agente ser responsabilizado de forma objetiva, pois deve- se considerar o quão importante é o ordenamento jurídico ao direito ambiental. 1.2. REPARAÇÃO DO DANO: TEORIAS Surge a reparação do dano para que ocorra a efetiva obrigação de reparação do dano. Para tanto, há a necessidade de se comprovar a responsabilidade exercida pelo agente quanto ao dano, o que deu ensejo a duas teorias sobre responsabilidade: teoria subjetiva e teoria objetiva, segundo Sirvinskas (2013). 1.2.1. Teoria subjetiva A teoria subjetiva apresentada pelo código civil de 1916, em seu artigo 159, expõe que “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”. Isso significa que é necessário fazer a comprovação da presença de culpa por parte do agente causador do dano, que pode ser verificada. Já pelo atual código civil de 2002, para a responsabilização do dano, é necessária a presença da culpa por negligência, da imprudência e imperícia, do dano, e do nexo causal entre a conduta e o agente. O código atual também trouxe a possibilidade da responsabilizaçãodo dano moral. Essa modalidade de responsabilidade é também denominada como responsabilidade civil por ato ilícito, informa Sirvinskas (2013). 59WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 1.2.2. Teoria objetiva Na teoria objetiva – ou na teoria contrária ao que se apresenta na teoria de responsabilidade subjetiva – não se faz necessária a comprovação de culpa do agente que ensejou o dano, ou seja, é irrelevante se havia culpa ou não, basta a existência do fato somado ao dano e que exista um nexo de causalidade entre a conduta do agente e o dano. Para essa teoria, a responsabilidade de reparação do dano acontece mesmo que o agente tenha agido sem culpa. Então, a indenização se dá pelo fato ilícito praticado. No entanto, para a teoria objetiva, o agente que sofrer a imputação da responsabilidade tem o direito a pleitear a ação de regresso contra o efetivo responsável pelo dano, da mesma forma que é previsto pelo artigo 37, §6º da Constituição Federal. Dentro da teoria de responsabilidade objetiva, surgiu um novo conceito denominado teoria do risco integral, que é aplicada exclusivamente em casos de responsabilidade objetiva – tratada no parágrafo único do artigo 927 do Código Civil de 2002 –, explica Sirvinskas (2013). Assim, Mendes (2002, p. 589) afirma que [...] desimporta e é irrelevante a força maior e o caso fortuito como excludentes de responsabilidade. Aplica-se, pois, a teoria do risco integral, na qual o dever de reparar independe da análise da subjetividade do agente e é fundamentado pelo só fato de existir a atividade de onde adveio o prejuízo. O poluidor deve assumir integralmente todos os riscos que advêm de sua atividade, desimportando se o acidente ecológico foi provocado por falha humana ou técnica ou se foi obra do acaso ou de força maior. No entendimento de Cavalieri (2010), o instituto “Risco” empregado no caso da responsabilidade se refere a perigo que se dá na probabilidade de um dano, e todo aquele que exerce uma atividade perigosa, tem por dever assumir o risco e, em consequência, a obrigação de reparar o dano por ela causado. 1.2.3. Teoria adotada no Direito ambiental brasileiro A teoria de responsabilidade civil ambiental adotada pelo Brasil é a teoria objetiva do risco integral. Segundo o entendimento doutrinário ambiental, foi trazida ao ordenamento por meio da Lei nº 6.938/81, no parágrafo 1º de seu artigo 14. Para essa modalidade de teoria, são desconsideradas as excludentes de responsabilidade, sendo considerada a obrigatoriedade de reparar. Não existe uma a necessidade de se verificar a intenção do agente, ou seja, sua culpabilidade frente ao dano, bastando somente que se verifique a atividade geradora do dano, para surgir a responsabilidade, cita Tozzi (2016). Nery (1984) é um dos adeptos da teoria da responsabilidade civil ambiental do risco integral, seu posicionamento se faz no sentido de que Ainda que a indústria tenha tomado todas as precauções para evitar acidentes danosos ao meio ambiente, se, por exemplo, explode um reator controlador da emissão de agentes químicos poluidores (caso fortuito), subsiste o dever de indenizar. Do mesmo modo, se por um fato da natureza ocorrer derramamento de substância tóxica existente no depósito de uma indústria (força maior), pelo simples fato de existir a atividade há o dever de indenizar. Nos preceitos dessa teoria, não se leva em consideração se houve caso fortuito, força ou força maior, basta o simples fato de ter ocorrido o dano para surgir a responsabilidade de reparação. 60WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA 2 - CUMULAÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, NÃO FAZER E INDENIZAR A existência da obrigação de reparar o dano ambiental é algo que não se pode negar. A defesa ao meio ambiente se desenvolve de maneira simultânea, com base nos instrumentos de cunho preventivo, repressivo ou reparatório, mostra Cardin (2008). As formas de reparação do dano ambiental podem ocorrer de duas maneiras: a reparação por meio de restauração in natura, que busca trazer o bem ambiental ao estado anterior da degradação, sendo esta a principal reparação e de maior relevância ao âmbito de direito ambiental; e a reparação por meio de indenização pecuniária, ou compensação econômica. A restauração in natura, ou seja, natural, é tida como uma obrigação de fazer, enquanto a reparação por indenização diz respeito a uma obrigação de dar, coloca Cardin (2008). A legislação que tutela os direitos difusos e coletivos que visam amparar os sujeitos vulneráveis tem o dever de ser interpretada de modo que favoreçam a coletividade. Para tanto, a hermenêutica jurídica da norma no plano ambiental é regida pelo princípio do indubio pro natura, coloca Revista do STJ (2015). O princípio indubio pro natura concerne que nos casos onde em que não seja possível realizar uma interpretação inequívoca da norma, a interpretação deve ser feita de maneira mais favorável ao meio ambiente, comenta Verdan (2016). A cumulação entre a obrigação de fazer e a obrigação de dar é perfeitamente possível, em consonância com o que dispõe o artigo 3º da lei 7.347/85, que se trata de pedidos com fundamentos distintos, o que afasta a incidência de bis in idem, mostra Cardin (2008). Na responsabilização civil de um transgressor ambiental, não devemos confundir a prioridade de realizar a recuperação in natura, com a impossibilidade de simultaneidade das obrigações de fazer, não fazer e indenizar. Como obrigações de fazer – no direito ambiental – está a recuperação natural, que tem por intuito retornar o meio ambiente ao estado anterior ao do dano. A obrigação de não fazer está voltada para a cessação de atividade lesivas ao meio ambiente, ou seja, não praticar qualquer ato que possa ser prejudicial ao meio ambiente. Já a obrigação de indenização está ligada ao dever que o degradador tem de indenizar pelos danos causados ao meio ambiente. Essa indenização pode se dar pelo motivo de não ser possível a recuperação natural pelo dano pretérito, assim como pelo tempo que demorar para ocorrer a recuperação integral do meio ambiente. Em deprecas ambientais, existe a possibilidade de cumulação simultânea das obrigações de fazer, não fazer e indenizar. Isso ocorre pelos preceitos investidos ao princípio do poluidor- pagador e ao princípio da reparação in integrum, denominadas tipicamente de obrigações conjuntivas ou cumulativas, segundo Revista do STJ (2015). No mesmo sentido, Mazzilli (2008) explica que nada impede a condenação do réu ao pagamento de indenização pelos danos por ele causados, juntamente com o cumprimento de uma obrigação de fazer, explica dando o exemplo de que colocar um filtro em uma chaminé de uma fábrica que servirá como proteção e prevenção de futuros danos, não impede que se ocorra a condenação do réu ao cumprimento de uma obrigação de fazer, bem como ao pagamento de multa a ser fixada nos moldes do art. 11 da Lei de Contravenções Penais que vigora sob o nº 3688/41. De modo que a interpretação do artigo 4º VII, da Lei nº 6.938/81 que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, da seguinte maneira: Art 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará: (...) VII - à imposição, ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais com fins econômicos. (BRASIL, 1981) 61WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Juntamente com o disposto pelo artigo 3º, da Lei nº 7.347/85 da Ação Civil Pública, que trata que “a ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer”. Não deve ser feita de maneira simplória, tratando a conjunção “ou”, que está presente nos textos legais, como sendo algo facultativo ao agente, como se esse pudesse escolher entre a condenação em dinheiro ou o cumprimentoda obrigação de fazer, fazendo a compreensão de que as cumulações entre as obrigações não possam ocorrer ao mesmo tempo, conforme Brasil (1985). No entanto, é errônea a ideia de que não é possível cumular as obrigações, e talvez por interpretação contrária ao real significado que as normas buscam trazer é que muitos acabam por incidir em transgressões. No caso dos dispositivos elencados anteriormente, a conjunção “ou” possui valor aditivo e não valor alternativo excludente, pois sustenta-se como dano ambiental tem caráter multifásico, coloca Revista do STJ (2015). A cumulação das obrigações no direito ambiental não deve ser vista como uma pena, mas sim como medida ressarcitória que busca salvaguardar toda a coletividade, visando, de maneira simultânea e complementar, a restauração do meio ambiente afetado, juntamente com a reversão para a coletividade dos benefícios econômicos auferidos pelo uso indevido e individual de um bem supraindividual, que deve ser protegido por todos, como a própria Constituição Federal dispõe em seu artigo 225 “um bem de uso comum do povo”. (REVISTA DO STJ, 2015). Para Melo (2012), a reparação do dano ambiental deve ser feita de maneira que tente alcançar a maior integralidade possível, devendo ocorrer a duplicidade da reparação, sendo restaurado ou compensado o dano, somada à indenização correspondente aos danos sofridos. Desta forma, a reparação do dano ambiental pode ocorrer por meio de restauração do estado inicial da natureza, ou por indenização pecuniária. O principal meio utilizado é a restauração, que se traduz como obrigação de fazer. Já a indenização pecuniária seria obrigação de dar. Alguns autores, porém, entendem que é possível cumular estas duas obrigações, aplicando-se o que for mais favorável à coletividade. 2.1. RIO DOCE INGRESSA COM AÇÃO JUDICIAL Pela primeira vez na história da legislação ambiental brasileira, o próprio meio ambiente figura como polo ativo de uma ação judicial, o que representa uma confusão jurídica sem tamanho. Ou seja, no Direito existe algo que chamamos de capacidade jurídica para ingressar com uma ação judicial, por exemplo, João compra uma geladeira da marca Electrolux, mas a geladeira apresenta defeito no 1º dia, portanto, João é competente para ingressar com uma ação judicial contra a Electrolux. Outro exemplo, João trafegando com seu veículo Gol, é atingido na lateral contra um veículo Ônix, ou seja, João é competente para ingressar com uma ação judicial contra o proprietário do veículo Ônix. Fazendo um comparativo sobre o caso Rio Doce, é como se o próprio veículo Gol estivesse ingressando com uma ação judicial contra o proprietário do veículo Ônix, ou seja, em processo civil, existe uma grande confusão e discussão sobre a capacidade do Rio. O Rio Doce, que sofreu o maior desastre ambiental do Brasil, entrou com ação na Justiça para pedir proteção judicial contra futuros desastres. Na ação, o Rio Doce está representado pela Associação Pachamama, que atua na América Latina. É a primeira vez que acontece algo parecido na história do Brasil. (BITTENCOUT, 2017) 62WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA A ação foi protocolada em 05 de novembro de 2017, ou seja, dois anos após o vazamento da Samarco, e isso representa uma novidade jurídica, bem como divergência processual, uma vez que ambientalistas entendem pela possibilidade de ingressar com a ação, bem como outros defendem a impossibilidade. Considerando que se trata de um direito difuso, ou seja, de interesse e direito de todos, e o meio ambiente tem maior importância do que o processo em si, defende-se pela possibilidade de ingressar com a ação. De forma contrária, processualistas mais clássicos, entendem que a admissibilidade da ação poderá fragilizar o processo, uma vez que qualquer animal poderá ingressar com ação judicial contra um agressor por exemplo. É totalmente possível a ação ter continuidade, uma vez que o meio ambiente é vida, e sem ele, não existe equilíbrio, não existe fauna, flora, ambiente habitável para humanidade, não tendo necessidade de existir o processo, ou seja, dentre todos os fatores na balança, o que tem menor peso é o processo. 2.2. RECUPERAÇÃO IN NATURA É tratada como sendo a atividade que tem por finalidade a reabilitação do bem natural que teve sua área lesionada, para essa modalidade de se dá a denominação de recuperação in situ (no local). Essa é a principal e ideal forma de reparação do dano ambiental. Nos entendimentos de Thomé (2012) promover a reparação integralmente do dano é afirmar “que o dano ambiental dever ser recomposto na sua integridade, e não limitadamente, trazendo uma proteção mais efetiva ao bem ambiental”. Para Sendim (1998), considera-se recuperação integral do bem degradado quando o bem que está sob tutela normativa for garantido novamente, como é o caso de quando a água volta a ser sadia. Segundo Catalá (1998), a recuperação in natura deve ser realizada, atentado ao ponto de vista ecológico. Distintamente do que se vislumbra nos danos pessoais ou patrimoniais, no caso dos danos ambientais, não se pode ter uma visão a partir da relevância econômica e, consequentemente, a compensação monetária deve ser de caráter subsidiário em comparação à reparação natural. A intenção do legislador tem como prioridade a aplicação da reparação in natura, existindo em grande parte dos casos a possibilidade de ser feita a reparação in natura e a compensação ecológica, devendo primeiramente, e principalmente, ser realizada a reparação in natura, e só então, quando esta se faz impossível, é que poderá haver a opção pelas medidas compensatórias, cita Cardin (2008). É importante salientar que uma vez imposta a reparação in natura, esta deve ser realizada nos moldes previstos de acordo com as normas técnicas pertinentes exigidas pelo órgão público competente, previstas pelo parágrafo 2º, do artigo 225 da Constituição Federal: Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações [...]. § 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da lei. (BRASIL, 1988). 63WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Para a realização da reparação in natura, é necessária a elaboração de um plano de recuperação da região degradada, com finalidade de analisar a viabilidade e eficácia da medida, e assim torná-la mais satisfatória. 2.3. INDENIZAÇÃO PECUNIÁRIA Em relação à reparação do dano ambiental, a indenização pecuniária toma um caráter residual, devendo ser considerada como última hipótese. Porém a indenização não cabe apenas para reparar o dano ambiental, mas sim como forma de compensação econômica pelo uso indevido e pessoal de um bem de uso comum do povo, coloca Cardin (2008). Uma das maiores dificuldades que os estudiosos do direito vem encontrado em relação a indenização pecuniária pelo dano ambiental é a de ponderar valores, posto que o bem ambiental é algo de valor imensurável, pois se trata um bem necessário para a manutenção e sã qualidade de vida no planeta. No entanto, isso não deve ser empecilho para deixar de aplicar a imposição de indenização ao agente degradador, pois se isso ocorrer estaremos convalidando com subsistência da impunidade. Para Sendim (1998, p. 177), a melhor maneira de se estimar o valor econômica do dano ambiental é levando em conta [...] a) a análise da proporcionalidade das medidas de restauração natural; b) a compensação dos usos humanos durante o período de execução da restauração natural; c) a compensação dos danos ecológicos quando a restauração se revele - total ou parcialmente - impossível ou desproporcional. Nãotransindividuais (direitos de 3ª geração); e por fim, os direitos decorrentes do avanço tecnológico (4ª geração). (MORAES, 1998). 6WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Ainda que se apresenta no trabalho a classificação mais comum, destaca-se que com a evolução da ciência jurídica, podemos afirmar que existem outras classificações em sequência, defendida por alguns doutrinadores, como por exemplo a paz mundial como direitos de 5ª geração e a água como direitos de 6ª geração, coloca Fachin (2010, p. 06). Assim, a primeira geração dos direitos fundamentais – iniciada no século XVII – foi marcada pela transição do estado autoritário para um estado de direito. Aqui o que se cristalizou foram os direitos à liberdade, civis e políticos do homem, afirma Lenza (2011). Posteriormente, com o avanço da revolução industrial o cidadão do campo migrou para a cidade e, nestes novos espaços, desenvolveram- se os direitos econômicos, culturais, sociais e coletivos, configurando a segunda geração, expõe Filho (2012). No fim do séc. XX observou-se uma terceira geração de direitos fundamentais, conhecida como direitos considerados transindividuais, ou seja, direitos de pessoas consideradas coletivamente. Aqui preconizam os direitos de fraternidade, solidariedade, comunicação, paz, conjuntamente a um ambiente tranquilo mesmo com os avanços da tecnologia. Vale ressaltar, que devido a esta geração é que os direitos fundamentais estão hoje presentes nos tratados internacionais, e assim, a condição do homem enquanto cidadão é o que mais importa, independentemente de sua crença, raça, cor, idade, dentre outros, propõe Moraes (1998). Com os avanços tecnológicos e científicos, o comportamento humano vem se modificando e, assim, nasceu a quarta geração dos direitos fundamentais. Nela estão presentes os direitos à democracia, informática, clonagens, alimentos transgênicos, pluralismo, entre outros, destacando-se que: Os direitos da nova geração, como foram chamados, que vieram depois daqueles em que se encontraram as três correntes de ideias do nosso tempo, nascem todos dos perigos à vida, à liberdade e à segurança, provenientes do aumento do progresso tecnológico. Bastam estes três exemplos centrais do debate atual: o direito de viver em um ambiente não poluído, do qual surgiram os movimentos ecológicos que abalaram a vida política tanto dentro dos próprios Estados quanto no sistema internacional; o direito à privacidade, que é colocado em sério risco pela possibilidade que os poderes públicos têm de memorizar todos os dados relativos à vida de uma pessoa e, com isso, controlar os seus comportamentos sem que ela perceba; o direito, o último da série, que está levantando debates nas organizações internacionais, e a respeito do qual provavelmente acontecerão os conflitos mais ferrenhos entre duas visões opostas da natureza do homem: o direito à integridade do próprio patrimônio genético, que vai bem mais além do que o direito à integridade física. (BOBBIO, 2004, p. 96) Efetuadas as considerações sobre a evolução dos direitos fundamentais, resta demonstrar a partir de que momento eles foram inseridos nas Constituições modernas e sua aplicabilidade. Formalmente, apareceram nas Constituições após a Segunda Grande Guerra, em virtude das grandes atrocidades ocorridas na época. Destaca-se, também, que foi um período em que diversas Constituições aderiram ao modelo principiológico, apresentando em sua formação os princípios fundamentais. A partir de então, passou-se a discutir a preocupação global com a proteção dos direitos da pessoa humana: Com a Carta da ONU, em 1945, começa-se a limitar o arbítrio discricionário dos Estados sobre seus jurisdicionados. E isso ficou ainda mais evidenciado com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Foi um marco histórico para a luta dos direitos e garantias individuais, pois estabeleceu que a promoção de tais direitos deveria ser o critério organizador e humanizador na relação entre governantes e governados. Os direitos humanos tornaram-se, com a Carta, um tema global no mundo pós-Guerra. Representam o reconhecimento do ser humano como fim, e não como meio. (FILHO, 2012, p. 65) 7WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Conforme Napoleão Casado Filho (2012), os direitos do homem têm se modificado na história e, ao fim do século XVIII, era tido como absoluto com as mudanças da sociedade, passou a ter certas limitações, como é o caso do direito à propriedade. No Brasil, mais precisamente, as mudanças passaram a ocorrer com o processo de redemocratização em 1984, por meio do movimento “diretas já”, sendo esse o primeiro passo para a mudança posterior ao período do Governo Militar (1694-1984), surgindo então a necessidade de uma Constituição Federal principiológica, que garanta os princípios e direitos fundamentais, que foi escrita sob as bases da igualdade, da justiça, pluralismo, da luta contra o preconceito, entre outros: A constitucionalização dos direitos humanos fundamentais não significou mera enunciação formal de princípios, mas a plena positivação de direitos, a partir dos quais qualquer indivíduo poderá exigir sua tutela perante o Poder Judiciário para a concretização da democracia. Ressalte-se que a proteção judicial é absolutamente indispensável para tornar efetiva a aplicabilidade e o respeito aos direitos humanos fundamentais previstos na Constituição Federal e no ordenamento jurídico em geral. (MORAES, 1998, p. 21) Com a Constituição Federal de 1988, o homem passou a ser visto como titular de direitos, mas em um sentido mais profundo, ou seja, é a Constituição mais democrática que o país já teve, com pilares principiológicos, e conforme o próprio texto em seu artigo 3º dispõe, os objetivos do Estado brasileiro consistem em: [...] uma sociedade livre, justa e solidária; na garantia do desenvolvimento nacional; na erradicação da pobreza e na redução das desigualdades sociais e regionais; e na promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. (BRASIL, Constituição de 1988, art. 3º). Dentre os princípios fundamentais, merece maior reflexão o princípio da dignidade humana, disposto no art. 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988. Esta deve ser respeitada como um princípio máximo, visto que está relacionado ao mínimo existencial para a pessoa, ou seja, não basta apenas o direito à vida: De toda forma, embora haja direitos formalmente consagrados como fundamentais que não apresentam ligação direta com o princípio da dignidade humana, é esse princípio que inspira os típicos direitos fundamentais, atendendo à exigência de respeito à vida, à integridade física e íntima de cada ser humano e à segurança. É o princípio da dignidade humana que justifica o postulado da isonomia e que demanda fórmulas de limitação do poder prevenindo o arbítrio e injustiça. (MENDES, 2000, p. 34) Neste aspecto, pode-se dizer que todos os outros princípios e direitos fundamentais provêm da dignidade humana, em decorrência da preservação da liberdade, da integridade moral, física e psíquica, entre outros. Vale ressaltar, que o homem adquire tal direito com seu nascimento, que o acompanha durante toda vida. 8WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA O importante é realçar que os direitos humanos fundamentais relacionam-se diretamente com a garantia de não ingerência do Estado na esfera individual e a consagração da dignidade humana, tendo um universal reconhecimento por parte da maioria dos Estados, seja em nível constitucional, infraconstitucional, seja em nível de direito consuetudinário ou mesmo por tratados e convenções internacionais. A previsão desses direitos coloca-se em elevada posição hermenêutica em relação aos demais direi previstos no ordenamento jurídico, apresentandoexistem, todavia, em nosso ordenamento jurídico, critérios para atribuição do valor econômico a ser auferido aos recursos naturais, pois trata-se de uma questão multidisciplinar. Encontrando-se frente a tal problemática destaca-se um parecer apresentado pela Engenheira Agrônoma Maria Letícia de Souza, que criou a seguinte formula: “valor econômico total = valor de uso + valor de opção + valor de existência”, expõe Paraíso (1997). Já o valor de uso leva em conta a relação do meio ambiente frente ao risco de perca de seus benefícios quanto a atual e futuras gerações; e o valor de existência é tangente ao valor inerente presente na natureza, ou seja, aquele que lhe é atribuído pelo simples motivo de existir, que independe da relação desta com os seres humanos, então, trata-se da importância que o bem ambiental tem por si só, por exemplo, seria o caso de um animal raro, menciona Cardin e Barbosa (2008). Apesar de parecer um bom ponto de partida, a equação, ainda é deliberado aos órgãos público e o judiciário a quantificação da indenização. 2.3.1. Finalidade e destinação da indenização Uma vez imposta e fixada a indenização pecuniária, a lei determina a destinação que se deve dar aos recursos provenientes da indenização pecuniária dos danos ambientais. Cardin e Barbosa (2008, p. 17) explicam que Sendo determinada a sanção pecuniária para ressarcimento do dano ambiental provocado, seja ele material ou imaterial, deverá o valor ser depositado em um fundo específico constituído especificamente para receber indenizações dessa natureza, gerido por um conselho. 64WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Para cada Estado-Federação – estados e municípios – deverá existir um fundo destinado à arrecadação e administração dos valores recolhidos à título de indenização pecuniária dos danos ambientais. O que, na esfera Federal, é denominado Fundo de Direitos Difusos (FDD). No Estado do Paraná, temos o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos regido pela Lei Estadual nº 11.987/1998, informa Cardin e Barbosa (2008). Pela Lei 9.008/1995, em seu artigo 1º, §2º está determinado que os recursos que irão compor o FDD são: § 2º Constituem recursos do FDD o produto da arrecadação: I - das condenações judiciais de que tratam os arts. 11 e 13 da Lei nº 7.347, de 1985 II - das multas e indenizações decorrentes da aplicação da Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, desde que não destinadas à reparação de danos a interesses individuais; III – dos valores destinados à União em virtude da aplicação da multa prevista no art. 57 e seu parágrafo único e do produto da indenização prevista no art. 100, parágrafo único, da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990; IV - das condenações judiciais de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 7.913, de 7 de dezembro de 1989; V - das multas referidas no art. 84 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994; VI - dos rendimentos auferidos com a aplicação dos recursos do Fundo; VII - de outras receitas que vierem a ser destinadas ao Fundo; VIII - de doações de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras. (BRASIL, 1995) Então, é possível verificar que o artigo da lei suprcitada não confere ao FDD apenas recursos advindos das indenizações ambientais, mas também valores decorrentes de violação de direitos supraindividuais, transindividuais e metaindividuais, segundo Cardin e Barbosa (2008). O artigo 1º, parágrafo 3º, discorre sobre o objetivo dos recursos captado por meio das indenizações: (...) o objetivo é que os recursos depositados no FDD sejam utilizados para a recuperação de bens, na promoção de eventos educativos, científicos, na edição de material informativo especificamente relacionado à natureza da infração ou do dano causado e na modernização dos órgãos públicos responsáveis pelas políticas públicas nas áreas citadas no parágrafo anterior. (BRASIL, LEI 9.008/1995) Verifica-se, desta maneira, que o montante originário da indenização, ou reparação pecuniária, não vai exatamente para a recuperação do meio ambiente lesado, mas também para projetos que visem a conscientização da população quanto à proteção do meio ambiente, de forma a viabilizar uma existência saudável para as próximas gerações. 65WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 22 - Novo código florestal brasileiro. Fonte: WWF (2018). 2.3.2. Lei do uso científico de animais – Lei n. 11.794/2008 A Lei n. 11.794/2008 regulamentou o art. 225, § 1º, VII, da CF/88, estabelecendo procedimentos para o uso científico de animais, revogando os dispositivos da Lei n. 6.638/79. Após isso, a criação e utilização de animais em atividades e ensino e pesquisa científica em todo país, devem seguir as normativas, cadastro e fiscalização do Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), que determinará ou não pela possibilidade. O CONCEA é presidido pelo ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, e integrado por representantes de diversos ministérios e/ou instituições, conforme expressa previsão do art. 7º da Lei n. 11.794/2008, sendo que, os membros não têm remuneração, são voluntários. Entretanto, existem institutos que buscam atender a legislação no que é pertinente ao mínimo, porém, burlam procedimentos internos, e fazem pesquisas em animais sem mesmo declarar a pesquisa no CONCEA. Alguns dos casos mais conhecidos é do instituto Royal, que em 2013 utilizou animais para pesquisa de cosméticos. Instituto Royal. Disponível em: http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2013/11/instituto-royal- -relata-nova-invasao-em-sao-roque.html 66WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 23 - Beagle resgatado do instituto Royal. Fonte: Instituto Luiza Mell (2017). Na foto, constata-se que animais, por exemplo, esse cachorro da raça Beagle, eram utilizados para pesquisas referentes aos efeitos da alimentação, pele e pelagem. Em 2013, mais de 100 ativistas participaram do resgate de 178 animais. 2.3.3. Política Nacional de Resíduos Sólidos Após mais de vinte anos no Congresso Nacional, foi aprovada, em 2010, a Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos – Lei n. 12.305/2010 –, que tem como objetivo ser aplicada aos setores públicos e privados a responsabilidade do gerador do resíduo pela correta destinação final deste. Embora sejam poucos os municípios que ainda detém a coleta de resíduos de forma desordenada, após a promulgação da Lei 12.305/2010, todos deverão se ajustar à novidade legislativa. Com tal obrigatoriedade, é comum encontrarmos reportagens a respeito, como no caso de Alagoas, que desde 2015 vem adotando medidas para acabar com lições à céu aberto: Política de resíduos avança e Alagoas elimina 36 lixões desde 2015. Para melhor complementar o conteúdo, indica-se a reportagem: . Acesso em: 27 jan. 2018. 67WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Para melhor complementar o conteúdo, indica-se a reportagem em rodapé. Extinção de 36 lixões. Disponível em: http://www.tnh1.com.br/noticias/noticias-detalhe/meio-ambiente/politica-de-re- siduos-avanca-e-alagoas-elimina-36-lixoes-desde-2015/?cHash=f3d0574348ba- 2da085f9b594b7e070c4 Desta forma, as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado responsáveis de forma direta ou indireta pela geração de resíduos sólidos, e que desenvolvam ações relacionadas à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos sujeitam-se às determinações desta nova lei, que se articula tanto com a Política Nacional do Meio Ambiente – Lei n. 6.938/81 –, quanto com a Política Nacional de Educação Ambiental – Lei n. 9.795/99 –, e com a Política Federal de Saneamento Básico – Lei n. 11.445/2007. Com isso, o Ministério Público, em diversas esferas, vem atuando com objetivo de fazer com que os municípiose estados cumpram com a lei 12.305/2010, entretanto, em casos em que o município já iniciou programas ou medidas para extinção e início da coleta seletiva, o Ministério Público vem celebrando com o poder público termos de ajuste de conduta, com prazo final a ser cumprido. O TAC é um acordo extrajudicial – em geral, realizado na fase do inquérito civil – que versa sobre a composição do dano ambiental na esfera coletiva, de modo que os lesados individualmente continuam com acesso direto à jurisdição (art. 5º, § 6º, da Lei n. 7.347/85). Apenas os órgãos públicos estão legitimados a celebrar o acordo (Ministério Público e pessoas políticas de direito público interno). O conteúdo do Termo de Ajuste de Conduta refere-se geralmente à forma de cumprimento das normas ambientais, e não a seu conteúdo. Dessa maneira, pode-se conferir um prazo para o interessado se adequar, mas não o isentar do cumprimento das determinações. Assim, o Município somente ganharia um prazo para atender às novidades jurídicas ou casos complexos. 2.4. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL Após muitos debates, audiências públicas, projetos de leis aprovados, alterados, revogados e com devidas anotações da classe política, surge o tão aguardado e comentado Novo Código Florestal, Lei nº 12.651/2012. Dentre a classificação ao meio ambiente, destaca-se o meio ambiente natural, que garante a proteção de espaços naturais protegidos, também conhecidos como Área de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL). Entretanto, há um destaque especial para proteção e controle por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR). 2.4.1. Áreas de Preservação Permanente (APP) As áreas de preservação permanente são áreas destinadas na propriedade rural, com objetivo de proteção do bioma, ou seja, tudo que se relaciona ao bioma, como recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (Art. 3º, II, da Lei 12.561/12). 68WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 24 - Mata ciliar conforme o novo código florestal. Fonte: Sistema Faeg (2016). Sobre a APP – Área de Preservação Permanente – e o Novo Código Florestal, verificou-se após a promulgação da lei, mudanças insignificantes perante as audiências públicas destacadas na mídia, considerando como parâmetro a antiga Lei nº 4.771, e a Lei 12.561/12 (Novo Código Florestal). Alguns doutrinadores defendem que a nova legislação tem como objetivo prestar melhores esclarecimentos, dessa forma: a) ficou expressamente previsto que somente devem ser protegidas como APP’s as faixas marginais dos cursos d’água naturais, eliminando a dúvida quanto aos regos e canais artificiais; b) a medição das faixas marginais de app’s passou a ser da borda da calha do leito regular dos cursos d’água, deixando de ser a partir do nível mais alto em faixa marginal, como acontecia sob a égide da antiga lei, o que dificultava muito a sua delimitação; c) a situação dos lagos e lagoas naturais passou a ser expressamente definida por lei, o que não acontecia, ficando claro que, quanto aos reservatórios artificiais prevalece o disposto no respectivo licenciamento ambiental, que continua obrigatório para qualquer intervenção em curso d’água. d) importante mencionar o disposto no Art. 62, com disposição expressa quanto aos reservatórios artificiais de água destinados a geração de energia ou abastecimento público estabelecidos antes de 2001, cuja área de preservação permanente se estabeleceu na distância entre o nível máximo operativo normal e a cota máxima e que deverá servir regularizar muitas propriedades prejudicadas com a Resolução 302 do CONAMA. 69WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Uma das principais alterações, foi o esclarecimento de que as áreas de preservação permanente em veredas é a faixa marginal, em projeção horizontal com a largura mínima de 50 (cinquenta) metros, a partir do limite do espaço brejoso e encharcado. Também houveram alterações mínimas e melhor esclarecimentos, porém não houve uma alteração de grande impacto ou prejudicial, ao contrário do que se alegava antes da vigência do novo código, conforme Brasil (2012). 2.4.2. Reserva Legal (RL) Uma das áreas de alterações que garantem bom conteúdo em palestras, discussões e pesquisas, por parte de agricultores, é sobre a Reserva Legal. Entretanto, o que causa choque nos principais ambientalistas e autoridades é que o questionamento, em sua grande maioria, não tem o objetivo de apresentar uma preocupação sobre o quanto é o mínimo que deve ser mantido na área com reserva legal. Agora, é preciso frisar que o momento econômico nacional – ou seja, com a atual crise política e econômica do ano de 2017 – faz com que agricultores de todo país busquem meios de burlar as regras, alterando a área de reserva legal ao longo dos anos. Figura 25 - proteção ambiental e o novo código florestal. Fonte: Greenpeace (2012). Portanto, é preponderante destacar que houveram mínimas mudanças sobre a reserva legal, ao contrário do que aparentou diante as calorosas discussões na mídia. Dentre as obrigações sobre a reserva legal, observa-se a do proprietário de preservar o bioma existente na propriedade – entre 20% e 80% – a depender da localização do imóvel no território brasileiro, ou seja, depende da localização geográfica da propriedade. 70WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA Neste sentido, considerando a existência do imóvel rural localizado na Amazônia legal, ou seja, pertencente aos Estado do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, a vegetação do bioma deverá ser mantida em 80%. Já no que diz respeito ao bioma cerrado, o proprietário deverá manter o bioma em 35% de sua propriedade, bem como existe também a exigência de 20% na área situada em região de campos gerais, nos termos da nova legislação, cita Brasil (2012). Entretanto, vale ressaltar que deverá ser respeitado o percentual de 20% de vegetação nativa da área total do imóvel, quando este estiver localizado em qualquer outra região do país que não seja as já destacadas no parágrafo anterior, conforme a Brasil (2012). De forma diversa ao Código Florestal de 1965, pelo menos sobre a responsabilidade de proteção à Reserva Legal, esclareceu-se que o ônus devido ao exercício da propriedade, conforme o princípio do propter rem, acompanha a coisa, independente do proprietário. É o mesmo princípio que rege a obrigação tributária para pagamento de imposto territorial urbano. Uma alteração importante, talvez que se sobressai às alterações mínimas, é a possibilidade do cômputo da APP na reserva legal. Entretanto, somente será possível o benefício que se soma e que não resulte em áreas novas para alternativamente de utilizar o solo, bem como ser a área restrita à proteção ou em processo de recuperação, assim como a necessidade de inclusão do imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo Brasil (2012). Outra alteração de extrema importância, é sobre a possibilidade de exploração econômica da Reserva Legal, mediante manejo sustentável, ou seja, agricultores estão aproveitando a oportunidade para fazer plantio de orquídeas, café tipo exportação, e criar caprinos na Reserva Legal, quando nessa última hipótese não constar nascente. 2.4.3. As Disposições Transitórias Áreas consolidadas Um dos pontos de grande discussão, e que com certeza obteve boa parte dos holofotes, foi a preocupação da reforma do Código Florestal, e a influência que teria a nova legislação sobre as áreas consolidadas, que eventualmente, foram prejudicadas devido à falta de regularidade no tempo. Ou seja, imagine uma propriedade que estivesse sem uma reserva registrada, como deveria proceder após o código? Embora tenha ganho diversos discursos, de ambientalistascontra agricultores e pecuaristas tem posicionamentos contrários devido à necessidade de exploração econômica e pensamento vil de que árvore não dá dinheiro para ninguém, destaca-se que a Lei 12.651/12 não permite a consolidação da Reserva Legal. Neste sentido, toda e qualquer propriedade rural, independentemente do cultivo ou criação, deverá manter a reserva legal conforme legislação em vigor. Assim, conforme anteriormente era previsto pela Lei nº 4.771/65, todos os proprietários deverão manter o correspondente mínimo de reserva legal exigido pelo art. 12 na nova lei, ou seja, percentuais de 20%, 35% ou 80%, de vegetação do bioma. Eventualmente, na existência de áreas com índices inferiores ao contido na legislação (20%, 35% e 80%) deverão optar pela recomposição da reserva, ou regeneração natural da reserva, por meio de um projeto homologado no instituto ambiental competente, ou a compensação da reserva. Portanto, nota-se que em reação à compensação ambiental, as alterações também foram mínimas, pois tanto no art. 44 do antigo código, como na previsão do novo código (art. 66), existe a possibilidade de compensação ambiental: 71WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 4 ENSINO A DISTÂNCIA a) a compensação mediante aquisição de cotas (Art. 66, §5º, I - anteriormente Cotas de Reserva Florestal Art. 44-B do Código revogado). Trata-se de uma excelente oportunidade para a criação de um mercado organizado de serviços ambientais, com negociação de títulos correspondentes a áreas de vegetação nativa para compensação. Em mais de 10 anos da previsão legal sob a égide da Medida Provisória 2.166/01 o dispositivo nunca foi regulamentado, pelo que somos céticos dessa solução; b) instituição de servidão ambiental (ou arrendamento de reserva ambiental (Art. 66, §5º, II; Art. 44-A do Código revogado). Trata-se de um instituto de efetividade e que já vinha funcionando como solução eficaz para a cessão precária, temporária e reversível de excedentes florestais para compensação ambiental; c) doação ao órgão ambiental competente de área localizada no interior de unidade de conservação de domínio público, pendente de regularização fundiária (Art. 66, §5º, II; Art. 44, § 6º do Código Revogado). Porém, uma novidade altera de forma significativa a possibilidade de compensação ambiental. Anteriormente, somente seria possível a compensação ambiental, ou seja, indicação da reserva legal da propriedade em outra propriedade, desde que a reserva legal fosse no espaço geográfico da mesma bacia hidrográfica, ou seja, em uma área de aproximadamente 50 km de raio, para fins de exemplificação, conforme a antiga lei, no art. 44, II. Agora, com a nova legislação, é possível a compensação da reserva legal, com a indicação da reserva em outra área, desde que seja no mesmo bioma (Art. 66, §5º, IV), ou seja, na região mata atlântica, é possível a indicação em qualquer outra área ou bacia hidrográfica, abrangendo a possibilidade de compensação ambiental. 72WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS ANTUNES. P. B. Direito Ambiental/Paulo Bessa Antunes. 12ª ed. – Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010. AZEVEDO SETTE ADVOGADOS. SUSTENTABILIDADE AMBIENTAL: STF reconhece a responsabilidade penal isolada da pessoa jurídica em crimes ambientais. Carlos Henrique Azevedo. Disponível em . 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(MORAES, 1998, p. 47) A dignidade corresponde a um adjetivo insubstituível ao homem, não equivalente a qualquer valor material, sendo intransferível e de valor espiritual inestimável. A importância do princípio da dignidade da pessoa humana está neste valor único, pois conforme bem leciona Kant, ele representa a essência do homem, e, portanto, o norte para outros direitos fundamentais, explica Kant (2006). Diante disso, compreende-se que a dignidade humana é um princípio máximo a ser respeitado, constituído historicamente pela cultura e luta dos povos, pois é fundamental para a valorização do homem como pessoa, para a evolução do indivíduo e, consequentemente, da sociedade como um todo, afirma Loureiro (2007). Assim, entende-se primordial o equilíbrio entre as relações do Estado com o homem, sob a ótica da dignidade da pessoa humana, para a preservação da vida, contemplando o homem como pessoa, segundo Prado (2007). Figura 1 - Retirantes. Fonte: Cultura Genial. Candido Portinari. (1944) 9WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Na obra Retirantes do artista Candido Portinari, destaca-se a imagem da miséria do brasileiro dos anos de 1940, construída pela desigualdade social, e migração de nordestinos para os grandes centros, como por exemplo, São Paulo. Com isso, denota-se a fome, a desnutrição, ou seja, a inexistência do mínimo existencial para garantida da dignidade humana. Portanto, a defesa da dignidade humana é objeto de luta há tempos, desde o período pós-revolução industrial, e consumada com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1948, destacando-se, ainda, outros documentos: A Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, do Congresso Soviético Panrusso de 1918, convertido em capítulo Ida Constituição da República Soviética da Rússia, de 5 de julho de 1918; a Carta das Nações Unidas, de 26 de junho de 1945, as Resoluções da Comissão de Direitos Humanos das Nações Unidas, os Pactos sobre Direitos Humanos das Nações Unidas, os Pactos sobre Direitos Humanos das Nações Unidas, tais como o Pacto Internacional Sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, ambos de 19 de dezembro 1966; a Convenção Européia dos Direitos do Homem e das Liberdades Fundamentais, de 4 de novembro de 1950, a Carta Social Europeia, de 18 de outubro de 1961, a Convenção Americana dos Direitos do Homem, de 26 de novembro de 1969, Declaração de Estocolmo sobre o Ambiente Humano, junho de 1972, a Carta Africana de Banjul dos Direitos do Homem e dos Direitos dos Povos, de 27 de junho de 1981. (LIRA & QUEIROZ, 2015, 65, grifo nosso). Importante destaque, o Pacto de São José da Costa Rica, Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que teve grande importância na efetivação desses direitos fundamentais e também a Declaração de Estocolmo de 1972, que em seu princípio primeiro destaca: 1 – O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute de condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar e é portador solene de obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e futuras. A esse respeito, as políticas que promovem ou perpetuam o “apartheid”, a segregação racial, a discriminação, a opressão colonial e outras formas de opressão e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser eliminadas. (DECLARAÇÂO DE ESTOCOLMO SOBRE O AMBIENTE HUMANO, 1972) Entretanto, os princípios elencados na Declaração de Estocolmo surtiram efeito ao longo do tempo, principalmente nos países desenvolvidos, o que garantiu o aumento de esforços para controle da proteção ambiental. Neste sentido, termos como sustentabilidade e uso sustentável de recursos naturais, foram temais abordados em outras conferências, o que resultou 20 anos mais tarde, o encontro do Rio 92, ou também conhecida cúpula da terra. Destacou-se no evento o discurso de alguém que não era chefe de Estado há época, e que até hoje é considerada uma bandeira de proteção ambiental, a jovem Severn Cullis Suzuki, conforme vídeo proposto para complementar o conteúdo. Portanto, deve-se levar em consideração a supremacia do direito à vida sobre todos os outros direitos, pois neste caso, prevalecerá o mais importante ou o de maior tutela jurisdicional, explica Pontes de Miranda (1954). Diante da centralização do homem nas relações jurídicas, é dever do Estado a garantia dos direitos fundamentais por meio de normas positivas, objetivando o desenvolvimento de uma sociedade democrática de direito, onde o interesse público prevaleça sobre o interesse particular. Ou seja, em virtude da dignidade da pessoa humana, deve-se a valoração social e constitucional decorre da mesma, não podem assim ser menosprezada pelo Estado, sob pena de grave e injusta infração constitucional. 10WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Em especial, no que diz respeito ao meio ambiente, consideramos que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito fundamental, elevado ao ápice dos direitos do homem, considerado essenciais para sua existência, deve o estado promover e efetivar a educação ambiental, entretanto, também é dever de todos possibilitar essa efetivação. 1.2. Da água como direito fundamental de sexta geração Um dos principais objetos de proteção ambiental na contemporaneidade, é a água potável, considerada recentemente por Zulmar Fachin como um direito fundamental de sexta geração, segundo Fachin e Silva (2010). Como bem prevê a Declaração Universal dos Direitos da Água: 2 - A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura. 8 - A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado (Declaração Universal dos Direitos da Água, 1992) Outro documento importante, e mais recente elaborado pela ONU sobre a proteção à água, em que a água potável é condição para vida, foi o Relatório de desenvolvimento humano elaborado em 2006: A água, a essência da vida e um direito humano básico, encontra-se no cerne de uma crise diária que afeta milhões das pessoas mais vulneráveis do mundo – uma crise que ameaça a vida e destrói os meios de subsistência a uma escala arrasadora. (Relatório de Desenvolvimento Humano. ONU, 2006.) No que diz respeito, a água potável ser considerada um direito fundamental: Afirma-se, agora, a existência de uma sexta dimensão de direitos fundamentais. A água potável, componente do meio ambiente ecologicamente equilibrado, exemplo de direito fundamental de terceira dimensão, merece ser destacada e alçada a um plano que justifique o nascimento de uma nova dimensão de direitos fundamentais. [...] O direito fundamental à água potável, como direito de sexta dimensão, significa um acréscimo ao acervo de direitos fundamentais, nascidos, a cada passo, no longo caminhar da Humanidade. Esse direito fundamental, necessário à existência humana e a outras formas de vida, necessita de tratamento prioritário das instituições sociais e estatais, bem como por parte de cada pessoa humana. (FACHIN; SILVA, 2010, p. 48 – 49). SUZUKI, Severn Cullis. Disponível em: . Acesso em: 20 jan 2018. 11WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Tem-se, portanto, aqui a garantia e a fundamentação doutrinária de que a água potável é um direito fundamental de sextageração, devendo ser assegurada sua proteção bem como os outros direitos fundamentais como a vida, a saúde, dentre outros. A exemplo de desastres ambientais bem como desequilíbrio ambiental, destacam-se dois rios de extrema importância, sendo o primeiro o Rio doce, vítima de uma irresponsabilidade humana no ano de 2015, que resultou na morte de peixes, influenciou diretamente no ecossistema, pois com o acidente da barragem de Mariana- MG, metais pesados juntamente com lama foram jogados no Rio, que até hoje. Destaca-se a distância da tragédia: [...] um trajeto de cerca 220 km - para ver os estragos provocados pela lama que vazou de uma barragem de contenção de minérios em Mariana e atingiu o rio. Pelo caminho encontramos paisagens lindas - prestes a ser profundamente modificadas, para não dizer destruídas - e locais e comunidades já extremamente prejudicados pela tragédia ambiental. Também presenciamos os preparativos das cidades do Espírito Santo que começam agora a receber a lama e sofrer com a escassez de água potável. Confira neste vídeo a jornada de nossa reportagem e veja a diferença entre as áreas intactas e afetadas pela lama da Samarco. (Conheça o Rio Doce antes e depois da enxurrada de lama, 2018) Figura 2 - Rio Doce. Fonte: Greenpeace. Fonte: Gerhardt (2017) Conheça o Rio Doce antes e depois da enxurrada de lama. Disponível em: . Acesso em 10 jan 2018. 12WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Entretanto, existe uma sinuosidade entre a doutrina, a legislação e a prática, considerando que a maioria dos municípios do Brasil sofrem com a falta do planeamento urbano, e principalmente, aspectos voltados à água são frequentemente abordados. Um dos casos mais conhecidos dos últimos 5 anos, é sobre a crise na cidade de São Paulo, onde a capacidade do reservatório do Sistema Cantareira, que tem capacidade para atender 9,8 milhões de paulistas – 8,4 milhões só na capital –, chegou à 9,2% de sua capacidade segundo a Sabesp, ou seja, a crise hídrica causou prejuízos incalculáveis, segundo Santos e Loiola (2014). Para tentar reverter a situação, e com objetive de sanar ainda de forma temporária a falta de água, a Sabesp iniciou em março de 2014, obras que permitem a captação do chamado volume morto – Porção de água que fica no fundo do reservatório, abaixo dos tubos que tiram a água e enviam para as estações de tratamento –, com 17 bombas de captação foram instaladas, e a expectativa é que a água do volume morto garanta o abastecimento das regiões de São Paulo que dependiam do Cantareira até outubro de 2014, quando iniciou a estação de chuvas, e o nível do reservatório começaria a subir, cita Santos e Loiola (2014). A falta do planejamento resultou em uma das piores crises hídricas da maior cidade brasileira, sendo que em 2015, os índices da reserva Cantareira começaram a subir paulatinamente, marcado já 15,6% em 18 de março de 2015, para abastecer 5,6 milhões de pessoas. Segundo Ivanildo Hespanhol, diretor do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), da Universidade de São Paulo: A razão desta situação em que São Paulo se encontra é a falta de planejamento. [...] nós continuamos fazendo a mesma coisa que os romanos há 2.000 anos: trazendo a água de cada vez mais longe. (SANTOS; LOIOLA, 2014, p. 17). Neste sentido, conclui-se que é preciso abordar temáticas como essas, de planejamento urbano, controle, exploração econômica dos recursos naturais, e a responsabilidade pública e privada, bem como, de forma clara e ordenada, solucionar problemas de crises hídricas como a da cidade de São Paulo, de mais capitas. É preciso destacar que é errôneo o pensamento de que grade parte do consumo de água pertence à indústria e/ou agricultura, uma vez que segundo pesquisas realizadas pela Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da USP, apontam que a agricultura utiliza apenas 3% do consumo estimado, enquanto as indústrias 17% e os imóveis urbanos representam 80% do consumo, ou seja, a conscientização é primordial, é fundamental, pois atingiria 80% do problema de excesso, informa Santos e Loiola (2014). Desta forma, destaca-se que a educação ambiental é de extrema importância para conscientização sobre a o uso racional da água, podendo inclusive a tecnologia e as medidas mitigadoras colaborarem para esse racionamento, como por exemplo, através da troca de equipamentos sanitários antigos, que gostam mais água que os modernos, bem como cisternas e meios para reuso de água da chuva para jardinagem, lavagem de carros e calçamentos, o que corresponderia à uma economia de até 45%, explica Santos e Loiola (2014). Assim, podemos considerar que a educação ambiental é o norteador de condutas que vai além da conscientização, mas sim da prática em si não somente de não degradar o meio ambiente, como uma omissão em degradar, mas sim uma ação de preservação do meio ambiente para a presente, e futuras gerações. Conforme destacou, temos que além da participação da sociedade na aprovação e elaboração de projetos sustentáveis, devemos destacar que a princípio é preciso haver uma efetivação da conscientização ambiental através da educação ambiental, conforme destaca Carlos Minc: 13WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Existe muita gente que ainda acredita que ensinar educação ambiental é uma prática estritamente ecológica, isto é, ensinar as crianças sobre fotossíntese, crescimentos das plantas, etc. que seria função da disciplina de biologia e com isso não abriria espaço para a integração com outras disciplinas. (MINC, 1999, p. 39) Assim, conforme destaca OLIVEIRA (2015), em um artigo intitulado “Educação ambiental – ser ou não ser uma disciplina: essa é a principal questão?!”, questiona sobre a possibilidade e interesse de criar efetivamente a matéria de Educação Ambiental nas escolas de base, considerando ser o melhor caminho para efetivação da educação ambiental: Partimos do princípio de que há um consenso em torno da importância e premência de educar ambientalmente nossas comunidades escolares, o que requer de nós tanto uma formação ambiental como cidadãs e cidadãos e também uma formação profissional que nos capacite para atuar na escola. Se a educação ambiental é importante – e contamos com amparo legal desde a Constituição Federal de 1988 até leis bastante específicas que definem a obrigatoriedade dessa formação –, a pergunta seguinte seria: como fazer isso? Ou mais: como isso vem sendo feito e como sua implementação efetiva tem sido proposta? (MELLO, 2007, p. 06) Assim, devemos encontrar uma forma através da educação ambiental para garantir o conhecimento amplo, tanto do profissional mais especializado quanto do cidadão comum, para a importância de projetos de cidades sustentáveis, como arborização planejada, e a partir desse conhecimento, tratarmos de sustentabilidade nos recursos hídricos através do eco desenvolvimento. Neste sentido, tem-se que é preciso uma colaboração ampla no sentido de buscar uma conscientização da importância da proteção do meio ambiente, principalmente dos recursos hídricos, e promover uma reforma legislativa em prol dessa causa. Essa colaboração deve partir das sociedades organizadas, ONGs, Faculdades, Universidades, Projetos Ambientais, Judiciário, e poder legislativo local, e a partir daí toda sociedade irá se mobilizar para uma proteção ampla e eficaz. É necessário que as leis ambientais, através de políticas públicas ambientais, sejam aplicadas para efetivação do princípio do direito fundamental à sadia qualidade de vida. Assim, temos que tais modificações ferem o direito à sadia qualidade de vida. Não podemos considerar como efetivado esse direito, quando notoriamente temos uma evolução urbana e retrocesso ambiental. Deste modo, não temos garantia de sadia qualidadede vida, se não temos um equilíbrio ambiental. A solução está na conscientização, através de um plano sistemático através da educação ambiental, e de políticas públicas concomitantemente, em busca de um único objetivo, que é de sustentabilidade. 14WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 1.3. Do ambiente 1.3.1. Do ambiente ecologicamente equilibrado Ao logo dos anos, a proteção do meio ambiente vem sendo cada vez mais discutida, principalmente a partir da década de 70, onde o homem focou os problemas com o crescimento urbano e industrial, e destacou, mesmo que doutrinariamente os problemas ambientais. Com essa construção, depois de tratados, convenções internacionais, a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, buscando coerência com a tendência mundial, dedicou parte de seus artigos à proteção ambiental, em especial em seu artigo 225, que menciona que: “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, ele está a se referir a nós, seres humanos, e tem como principal fundamento o princípio intergeracional do Direito Ambiental, que prevê a preservação para futuras gerações. Entretanto, o mesmo artigo 225, em seu parágrafo 1º dispõe que: Art. 225. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:VII – proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. Ainda assim, com a devida proteção constitucional, temos que a presente apostila nos remete mais a um sentido de princípios, que uma efetiva proteção, como veremos na legislação. Portanto, no decorrer da história de proteção ambiental, temos como exemplo a Lei 5.197/67, que proibiu o comércio de espécimes da fauna silvestre, determinou a edição de lista de espécies ameaçadas de extinção, regulamentou as pesquisas científicas e criou contravenções penais. Posteriormente, a Lei 7.653/88 elevou as sanções, onde o comércio ilegal passou a ser sancionado com 2 a 5 anos de reclusão, onde os crimes tornaram-se inafiançáveis. Do rigor da Lei 7.653, passamos à inaplicabilidade da 9.605/98, que, ao tratar dos crimes de morte, caça, venda, transporte e outras condutas contra a fauna (artigo 29), atribuiu-lhes a simbólica pena de 6 meses a 1 ano de detenção e multa. Assim, com esse pequeno retrocesso legal, temos um enorme impacto jurídico atualmente, pois, existem poucas decisões ou julgados com fortes reprimendas aos crimes contra a fauna, e uma grande quantidade de condenações como pagamento às instituições, ONGs, ou cestas básicas, menciona Prado (2011). Nosso direito, quando busca proteger essencialmente a dignidade da pessoa humana como princípio fundamental, não pode se eximir da proteção da fauna, pois isso contraria o princípio ambiental à sadia qualidade de vida, que nada mais é que o equilíbrio ambiental para uma vida com dignidade, mostra Fachin e Silva (2010). Ainda nos debates sobre a reforma do Código Florestal, tivemos várias frentes em defesa de muitos interesses, valorizando as questões econômicas, entretanto, a frente em defesa das questões ambientais foi mais tímida, pois o que mais observamos eram apenas debates acerca do tamanho da área de preservação permanente, que indiretamente está ligada ao lucro de uma propriedade produtiva (MINISTÉRIO DA AGRICULTURA – Código Florestal, 2012). Na busca deste entendimento, o Estado do Paraná criou o Sistema Estadual de Proteção à Fauna Silvestre – SISFAUNA, que prevê a implantação de uma rede de informações sobre a fauna denominada REDE PRÓ-FAUNA, que possibilitará a obtenção de uma série de informações sobre a fauna paranaense concentrando todas elas, com o objetivo de desenvolver estratégias específicas para a conservação de espécies. No que tange particularmente às espécies ameaçadas de extinção verifica-se que: 15WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA [...] importância da fauna está estreitamente ligada à biodiversidade, com seus múltiplos valores. Mas recentemente vem-se impondo uma outra visão, que procura modificar de uma maneira radical o comportamento da espécie humana em face das demais espécies vivas, notadamente algumas espécies animais. Trata-se de um posicionamento ético, inspirado pela assim chamada “Ecologia Profunda”, que pretende incultar uma revisão das atitudes pragmáticas, da ambição sem medidas e da crueldade para com o mundo natural. (MILARÉ, 2009, p. 258) Ademais, cumpre destacar que em 2015, conforme estabelece o II Comitê da ONU, será comemorado o ano do solo, que também passa a ser comemorado no dia 5 de dezembro: A 68ª Seção do II Comitê da ONU aprovou as resoluções da FAO (4/2013 e 5/2013) que estabelecem, oficialmente, o dia 5 de dezembro como Dia Mundial do Solo e o ano de 2015 como Ano Oficial do Solo: 1. Decides to designate 5 December as World Soil Day and to declare 2015 the International Year of Soils. (UNITED NATIONS. Dia mundial do solo. 2013) Portanto, verifica-se desde então que o solo e suas complicações vem sendo destacados para sua devida proteção, que tem maior eficácia através da notória educação ambiental aplicada à preservação do solo. Tem-se que a educação é o melhor caminho para buscar a preservação através da conscientização, pois a educação pode elaborar novos modos de pensar e agir, mudando até mesmo a cultura, assim destacamos a educação ambiental, informa Sato (2003). Por mais célebre que seja a definição de solo por V.V. Dokuchaev (1846-1903), esse conceito vem se construindo ao longo da história, ainda existe um déficit muito grande de informações sobre o solo, principalmente pela falta de contato. Verifica-se a possibilidade de aplicação da educação não formal, que será apresentada posteriormente, para facilitar o desenvolvimento do conhecimento sobre o solo. Nas últimas décadas podem-se constatar grandes mudanças em relação ao meio ambiente, sendo essas associadas às atividades antrópicas e seu comportamento com o meio físico, por meio da ocupação desordenada e o crescimento dos centros urbanos. Essa ocupação desordenada das cidades, muitas vezes financiadas por grandes empresas, age apenas de acordo com seus interesses, desrespeitando o meio ambiente, ou seja, interferindo na sua dinâmica natural, mostra Mota (1997). O meio hídrico, porém, caracteriza-se por ser o meio com mais facilidade de ser afetado, dessa forma a sua qualidade e quantidade são comprometidas quando ocorre a mudança de seu curso ou diminuição dos canais, além de outros fatores que podem ser apontados. Segundo Mota, as atividades como o desmatamento, a impermeabilização do solo e o crescimento populacional podem provocar mudanças significativas em bacias hidrográficas com o decorrer do tempo, particularmente naquelas desenvolvidas em áreas urbanas, menciona Mota (1997). Assim, temos que o ambiente ecologicamente equilibrado além de ser um direito, antes é uma necessidade que se encontra no âmago da existência da vida, sendo lampejante a súplica da natureza. Portanto, faz-se necessário a aplicação imediata de políticas públicas, o que passaremos a tratar doravante, com a educação ambiental. 16WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA 1.3.2. Da educação ambiental no Estado do Paraná A educação ambiental instituída primeiramente pela Lei 9795/1999, assegura a integração dos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente -SISNAMA, instituições educacionais públicas e privadas, organizações não governamentais, e todos os entes federativos, para um único objetivo, consubstanciar a educação ambiental no sentido de conscientizar a importância de preservar o meio ambiente. Assim o Estado do Paraná buscou a efetivação dessa educação. Deste modo, foi sancionada a Lei Estadual 17.505 de 11 de janeiro de 2013, que instituiu a Política Estadual de Educação Ambiental eo Sistema de Educação Ambiental. Fazendo um breve esboço e comentário sobre o disposto nos artigos 1º, 2º e 3º, tem-se todos os fundamentos e conceito sobre a educação ambiental, pois a Lei Estadual baseia-se na Política Nacional do Meio Ambiente. Assim, conforme art. 1º da Lei Estadual, usou-se como fundamento e esteio para instituir a Política Estadual de Educação Ambiental, os princípios e objetivos elencados na Política Nacional de Educação Ambiental: Art. 1º. A Política Estadual de Educação Ambiental do Paraná é criada em conformidade com os princípios e objetivos da Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA) e do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), articulada com o sistema de meio ambiente e educação em âmbito federal, estadual e municipal. Ainda no sentido de dar seguimento à educação ambiental no âmbito do Estado do Paraná, a Lei Estadual também definiu o que se entende por educação ambiental, exemplificando em seu art. 2º: Art. 2º. Entende-se por educação ambiental os processos contínuos e permanentes de aprendizagem, em todos os níveis e modalidades de ensino, em caráter formal e não-formal, por meio dos quais o indivíduo e a coletividade de forma participativa constroem, compartilham e privilegiam saberes, conceitos, valores socioculturais, atitudes, práticas, experiências e conhecimentos voltados ao exercício de uma cidadania comprometida com a preservação, conservação, recuperação e melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida, para todas as espécies. Destaca-se também o conceito de educação ambiental apresentado pela Política Nacional de Educação Ambiental, instituída pela Lei 9795/1999, ainda que de forma mais branda que a Lei Estadual 17.505/2013: Art. 13. Entendem-se por educação ambiental não-formal as ações e práticas educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente. Portanto, preservou também em seu art. 3º, o entendimento fundamental ao meio ambiente, de que é um direito e dever de todos, atribuindo ao Poder Público e à coletividade o dever de preservação, para o presente e para as futuras gerações: Art. 3º. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabendo ao Poder Público e à coletividade o compromisso de desenvolver a sustentabilidade, o respeito e a valorização da vida em todas as suas formas de manifestação, na presente e nas futuras gerações. 17WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA É preponderante destacar que o art. 3º da Lei 17.505/2013 do Estado do Paraná, é totalmente constitucional e faz referência explícita do art. 225 da Constituição Federal de 1988: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. A Legislação Estadual, mais precisamente em seus artigos 11 a 14, trazem os aspectos legais para prática da educação ambiental no ensino formal, onde a educação ambiental será realizada de forma integrada, interdisciplinar, transdisciplinar no currículo escolar. Posteriormente, trata sobre a educação ambiental no ensino superior, assim, destaca em seu art. 17: Art. 17. As Instituições de Ensino Superior devem incorporar em seus planos de desenvolvimento institucional projetos, ações e recursos que proporcionem a implantação das determinações contidas nesta Lei, assegurando a inserção da educação ambiental com os seus princípios, valores, atitudes e conhecimentos nas atividades de gestão, ensino, pesquisa e extensão. Deste modo, destacamos no projeto de educação ambiental o ensino não formal, fundamentado pelo previsto no art. 21, da Lei 17.505/2013 do Estado do Paraná: Art. 21. Entende-se por educação ambiental não formal o processo contínuo e permanente desenvolvido através de ações e práticas educativas, executadas fora do sistema formal de ensino para sensibilização, formação, mobilização e participação da coletividade na melhoria da qualidade da vida. Portanto, denota-se a legalidade para as instituições de ensino irem de encontro com os ditames legais para prática e efetivação da educação ambiental, inserindo em sua educação formal conteúdos relacionados ao tema, promovendo também projetos para educação não formal. Entretanto, não se restringe apenas às instituições de ensino a prática da educação ambiental, existem projetos desenvolvidos pelo poder público que representam a nova geração, como por exemplo, um projeto da prefeitura de Maringá que garante hortas comunitárias em áreas que não atendem ao zoneamento para habitação ou destinação de outras atividades. Figura 3 - Horta Comunitária. Fonte: Ciclovivo. Márcia Souza (2015) 18WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 1 ENSINO A DISTÂNCIA Tem-se, portanto, que a educação ambiental pode ser projetada para educação básica, bem como educação superior, além de projetos sustentáveis realizados pelo poder público em todas as duas esferas. Deste modo, compreende-se estar totalmente calçado no âmbito legal, o projeto de prática da vivência ambiental da educação superior, para que seja promovido projetos de práticas ambientais, uma vez que se trata de uma interdisciplinaridade em ensino não formal, contribuindo para formação humana dos alunos, e consolidando o entendimento sobre a importância da preservação ambiental para a presente e futuras gerações. 1919WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 20 1 - A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA ............................................................................................................................ 21 1.1. O DESPERTAR: LIVRO PRIMAVERA SILENCIOSA ......................................................................................... 21 1.1.1. O CLUBE DE ROMA ......................................................................................................................................... 24 1.2. A ORIGEM: DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO .................................................................................................. 25 1.3. HISTÓRICO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO BRASIL E EVOLUÇAO LEGISLATIVA ..................... 27 1.4. MEIO AMBIENTE NA ATUALIDADE: CONTEXTO MUNDIAL ......................................................................... 28 1.5. PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ......................................... 31 1.5.1. PRINCÍPIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ................................................................................. 32 1.5.2. PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR ........................................................................................................ 33 1.5.3. PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO ......................................................................................................................... 34 1.5.4. PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ......................................................................................................................... 35 1.5.5. PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO .................................................................................................................... 35 1.5.6. PRINCÍPIO DA UBIQUIDADE ....................................................................................................................... 36 EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA INTERNACIONAL PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 20WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO A primeira unidade teve como objetivo destacar o desenvolvimento da consciênciaecológica, para a proteção do meio ambiente. O meio ambiente ecologicamente equilibrado tem se tornado objeto de grande relevância e centro de discussões, e não é para menos, pois o ser humano em sua ânsia de conquistar o mundo não tem mensurado suas ações e os reflexos que estas podem e estão trazendo ao meio ambiente. O meio ambiente não é algo a ser considerado por plano individual, mas sim, um bem comum de todos os seres e necessário para a sustentabilidade da vida no planeta. De tal modo que é extremamente importante o estudo contínuo sobre maneiras que possam otimizar a preservação do meio ambiente, como também a vigilância e aplicação de normas coercitivas que impeçam agressores a continuarem suas condutas lesivas ao nosso meio ambiente. Se, contudo, essas condutas tiverem sido continuadas, as suas formas de reparação de forma integral, material e moralmente. Neste sentido, destaca-se nesta unidade o despertar para a proteção ao meio ambiente no início da década de 60, bem como a evolução das questões que envolviam a proteção ao ambiente, até resultar na declaração de Estocolmo no início dos anos 70, e a influência do cenário protecionista internacional dos anos 70 e 80 para o Brasil. 21WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1 - A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA Hodiernamente é comum a presença da consciência ecológica e as reflexões sobre os temas ambientais, no entanto, nem sempre foi assim, houve uma época onde os recursos naturais eram encontrados com abundancia e suficiente para suprir de forma satisfatória as necessidades das gerações havidas naquele então, acreditava-se que os recursos naturais eram fontes inesgotáveis e que se poderia usufruir deles de forma contínua sem que isso levasse a qualquer consequência para o planeta e a vida e sua qualidade. Diferente de outras áreas, não existia uma legislação ambiental responsável para tutelar a proteção ambiental, até porque, não havia motivo para preocupações, ante a abundância dos recursos naturais. Neste sentido, foi preciso o primeiro passo para os debates sobre a proteção ambienta, no qual destaca-se a existência de um livro, a ser destacado no próximo tópico. 1.1. O DESPERTAR: LIVRO PRIMAVERA SILENCIOSA No verão de 1962, o mundo voltou seus olhos para um livro chamado Primavera Silenciosa, escrito por Rachel Carson, e, posteriormente considerada a mãe do ambientalismo. Sua obra foi um dos primeiros gritos de socorro que seriam bradados pela proteção do meio ambiente. O livro tratou das transformações em plantas e animais, e o que uso desenfreado de pesticidas nos Estados Unidos poderia ocasionar, acarretando um processo de alteração celular das plantas, reduzindo a população de pequenos animais e colocando em risco a saúde humana, explica Bonzi (2013). Destacava-se o uso de pesticidas, como por exemplo o DDT, considerado cancerígeno, e defendido por empresários e agricultores. Neste sentido, formou-se uma guerra contra os argumentos de Carson, que a cada dia ganhava forma com pesquisadores e universidades. A pesticida era utilizada principalmente para combate à mosquitos, como por exemplo, a malária, sendo espalhados em larga escala na lavoura, inclusive no uso de máquinas e aviação. O alerta gerado pela obra criou grande polêmica, levando as indústrias químicas a reagirem imediatamente. As informações trazidas na obra revelavam todo o mal que estava sendo cometido contra o meio ambiente e por reflexo contra a humanidade, levando o mundo a abrir os olhos para a importância em proteger meio ambiente, explica Bonzi (2013). Isso significa que, em um momento de plenos avanços industriais e tecnológicos, o mundo voltou seus olhos a um aspecto fundamental da manutenção da vida, o meio ambiente. Viu-se que era necessário proteger o meio ambiente para preservar a espécie humana, uma vez que, sem um meio ambiente saudável, a humanidade pereceria. A obra resultou em grande discussão sobre o uso do agrotóxico DDT na lavoura, momento em que líderes começaram a criar medidas para controle de pesticidas, que ao final, resultou em uma revolução histórica europeia contra agrotóxicos nos anos 70 e 80. Entretanto, no Brasil somente no ano de 2009 foi que o agrotóxico foi proibido, ou seja, muito tempo após a proibição nos países desenvolvidos. Para melhor esclarecimento sobre o tema, destaca-se o vídeo com imagens da época. 22WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Vídeo DDT - Acesso em setembro de 2017. Para complementar o conteúdo, indica-se o vídeo: . Acesso em: 18 jan 2018. Figura 4 - Desinfestação com DDT. Fonte: Revista Info Cilento It. (2016) 23WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 5 - Desinfestação com DDT. Fonte: Revista Info Cilento It. (2016) Figura 6 - Uso pesticidas em 2016. Fonte: Revista Agro News. Agência Brasil (2017). 24WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Portanto, verifica-se nas fotos acima, que o DDT era utilizado em seus humanos para combate inclusive de piolhos, bem como na lavoura, próximo à crianças e adultos sem qualquer equipamento de proteção. Destaca-se que o DDT pode levar até 40 anos para ser expelido do organismo humano. 1.1.1. O CLUBE DE ROMA Após o livro de Carson, iniciou-se um período de reflexão sobre os problemas ambientais, e ainda que tímido, possibilitou que intelectuais, políticos locais, empresários e formadores de opiniões, discutissem sobre impactos ambientais gerados pelo homem no ambiente em que vivemos, INFORMA Club of Roma (2017). Com isso, surge então uma organização não governamental no fim dos aos 60, com objetivo de tratar sobre os impactos ambientais gerados pelo homem a nível internacional, sendo portado denominado do Clube de Roma: O Clube de Roma é hoje uma organização não governamental (ONG) que teve início em abril de 1968 como um pequeno grupo de 30 profissionais empresários, diplomatas, cientistas, educadores, humanistas, economistas e altos funcionários governamentais de dez países diversos que se reuniram para tratar de assuntos relacionados ao uso indiscriminado dos recursos naturais do meio ambiente em termos mundiais. Pelo fato desta primeira reunião ter acontecido na Academia dei Lincei em Roma na Itália, o nome sugestivo de ‘Clube de Roma’ deu denominação à entidade. (BONZI, 2013, p. 65) O Clube de Roma, após discussões e pesquisas, encontrou como solução apresentar medidas para conter o crescimento desenfreado da humanidade, do consumo, das indústrias, da polução em geral, propondo aos líderes mundiais, o projeto Limites do crescimento, que posteriormente viraria uma segunda obra de grande importância para a defesa da questão ambiental. Figura 7 - Os limites do Crescimento. Fonte: Donella Meadows Institute (2015). 25WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 8 - Os limites do Crescimento Econômico. Fonte: EcoDebate. Fonte: Alves (2013). Os limites do crescimento, eram medidas para controlar o crescimento populacional; o crescimento industrial; a insuficiência da produção de alimentos; e o esgotamento de recursos naturais, conforme verifica-se no gráfico apresentado pelos intelectuais que forma o Clube. 1.2. A ORIGEM: DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO Entre os dias 5 e 16 de junho do ano de 1972, aconteceu a Conferência das Nações Unidas sobre o meio ambiente em Estocolmo, na Suécia, promovida pela ONU, com a participação de 113 países e 250 organizações não governamentais e dos organismos da ONU. Nesta Conferência foi aprovada a Declaração de sobre o meio ambiente humano, composta por 26 princípios. Os temas atentavam a critérios e princípios comuns aos povos do mundo, considerados necessários como inspiração e guia para a preservaçãoe melhoria do meio ambiente, segundo a Declaração de Estocolmo (1972) 26WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 9 - Feliz Aniversário Declaração de Estocolmo. Fonte: Cibim. (2015) A Declaração de Estocolmo de 1972 foi considerada mundialmente como um marco para a tutela do meio ambiente. A partir de então, cientistas, juristas e estudiosos do mundo todo vêm se reunindo, trabalhando e buscando maneiras da erradicação de exploração indevida e outras condutas lesivas ao meio ambiente, conforme a Declaração de Estocolmo (1972). Esta tinha como objetivo estabelecer uma relação entre o homem e todos os impactos ambientais, considerando que, o homem é o centro da relação, entre meio ambiente, preservação e devastação: O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para desenvolver-se intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e tortuosa evolução da raça humana neste planeta chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras maneiras e em uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos do meio ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem- estar do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive o direito à vida mesma. (Carta Capital, 2015, Feliz Aniversário Estocolmo!) Conforme destaca Cavalcanti (1954), apesar da Declaração de Estocolmo não ter obtido força de lei, restando apenas como recomendações, percebe-se que surtiu bons efeitos, tendo ajudado no processo de despertar da consciência ambiental na população e nos governantes, trazendo a preocupação em se manter o meio ambiente saudável e inovando com o conceito de desenvolvimento sustentável. A preocupação com o meio ambiente mostrou-se como algo crescente no meio intelectual e político, pois percebeu-se que, para a continuação do bem-estar da população, era necessário proteger aspectos fundamentais da vida, de cunho comum às diversas nações representadas na Conferência de Estocolmo. 27WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA 1.3. HISTÓRICO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO BRASIL E EVOLUÇAO LEGISLATIVA Hodiernamente o direito ambiental é algo que tem estado em evidencia no mundo todo, no entanto, para que ocorresse sua ascensão ele trilhou um longo caminho. Visto que para falar de direito ambiental, devemos nos remeter sempre ao direito que tutela a coletividade em sentido amplo, conhecido também como direitos metaindividuais. Essas nomenclaturas são entendidas como gêneros, do qual fazem parte os direitos difusos, os coletivos em sentido estrito e os direitos homogêneos, conforme apresenta a Lei 8.078/1990, em seu artigo 81, parágrafo único, incisos I, II e III, como também na Lei 7.347/1985, artigo 1º, inciso IV, e 2º, expõe Garcia (2014). A revolução industrial, ocorrida no século XVIII, resultou no surgimento de novas formas de produção e consumo, o aumento do consumo potencializado pela revolução tecnologia e acesso a informação refletiu em uma explosão demográfica. Frente a tais acontecimentos se fez necessário que o direito sofresse uma transformação para que pudesse acompanhar as necessidades enfrentadas pela sociedade, informa Sampaio (2014) O direito está sempre em evolução, e nas últimas décadas tem passado por grandes transformações, com o passar do tempo houve também a intensificação de ocorrência dos conflitos em massa, surgindo a necessidade de uma visão a voltada para tutelar o interesse geral coletivo. No entanto, essa visão só se deu a partir da necessidade de composição processual para enfrentamento dos direitos metaindividuais, e assim sendo considerado de maior relevância frente aos direitos individuais, explica Fiorillo (2013). A preocupação com o meio ambiental no Brasil é algo recente, no entanto existem algumas normas que datam do tempo do império, como por exemplo as normas sanitárias usadas para regulamentar os cortiços na cidade do Rio de Janeiro, coloca Neves (2014). Posteriormente, teve sua proteção ambiental iniciada de forma especifica com o Código Florestal de 1.934, com o Decreto nº 23.793, em seguida o Código de 1965, Lei nº 4.771 sendo precedido pelo Novo Código Florestal vigente, Lei nº 12.651/2012, mostra Rech e Augustin (2015) Ainda no sentido de proteção ao meio ambiente no ano de 1981, foi promulgada a Lei nº 6.938 de Política Nacional do Meio Ambiente, outro instrumento que auxiliou foi a Lei da Ação Civil Pública sob nº 7.347 de 1985. Outra tutela lançada ao meio ambiente no Brasil ocorreu com a promulgação da Lei de Crimes Ambientais nº 9.605/98 trouxe nova perspectiva quanto à gravidade da pratica de dano ao meio ambiente alterando para configuração de crimes já que anterior a Lei 9.605/98 eram consideradas como meras contravenções penais, expõe Rech e Augustin (2015) A primeira Constituição Federal Brasileira responsável em trazer de forma explicita e abrangente a invocação da tutela sobre meio ambiente foi a Constituição de 1988, já que as outras Cartas magnas antes existentes não fizeram abordagens significantes do tema, algumas sequer mencionavam algo que se referia ao meio ambiente, enquanto outras faziam menções aqui e ali, mas sem que se pudesse de fato falar na existência de um contexto constitucional de proteção ao meio ambiente, sendo esta considerada também a principal fonte formal do direito ambiental, por meio do seu artigo 225, além de todas as outras menções que ela traz sobre o assunto é que fica demonstrado quão grande e fundamental é o direito ambiental e a proteção que ele visa, conforme Antunes (2010). 28WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA O Direito Ambiental apresenta-se como sendo um dos mais novos ramos do Direito, além de novidade tem atraído grande relevância no âmbito jurídico, tanto nacional com internacional, por se tratar de algo novo. É um ramo do Direito que tem sofrido muitas incompreensões, no que tange ao papel a ser desempenhado pelo Direito Ambiental, quer seja na sociedade, na economia, ou na vida em geral. Não se pode negar as dificuldades enfrentadas na implementação do Direito Ambiental, que se dão desde as compreensões conceituais, até mesmo as operacionais. Todavia, uma verdade há de ser dita: toda a preocupação do Direito voltada ao meio ambiente é algo irreversível, menciona Antunes (2010). Pode-se dizer que o Direito Ambiental sofreu muitas incompreensões conceitualmente e em sua aplicação, pois os textos trazidos a respeito do mesmo muitas vezes são genéricos, levando muitas pessoas a compreenderem de forma destorcida seu real significado, além do que, a fiscalização que encontra certa dificuldade, já que o meio ambiente é algo muito amplo, segundo Antunes (2010). O meio ambiente é conceituado infra constitucionalmente, por meio da definição que nos traz a Lei nº 6.938/81 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), onde diz em seu art. 3º, I: “Art. 3º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I — meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. De tal forma que, o meio ambiente deve ser compreendido em um todo, no entanto, com intuito de facilitar a identificação e punição da atividade opressora contra as transgressões degradantes, bem como o bem imediatamente agredido, nossa Carta Magna se preocupou em classificar o meio ambiente como sendo: meio ambiente natural; meio ambiente artificial; meio ambiente cultural (que engloba o meio ambiente digital); meio ambiente do trabalho; e o Patrimônio genético, informa Fiorillo (2013). Verifica-se, então, que embora houvesse legislação pertinente à proteção do meio ambiente desde o tempo do império,por meio de normas infraconstitucionais, esta preocupação só se tornou mais explícita a partir da Constituição de 1988, que trouxe esta necessidade de proteção, classificando o meio ambiente e erigindo, por meio de legislação infraconstitucional, penalidades mais severas para as transgressões. 1.4. MEIO AMBIENTE NA ATUALIDADE: CONTEXTO MUNDIAL Tem-se por costume olhar para o direito como sendo algo individual, isso ocorre desde o direito Romano, essa percepção do direito positivo como algo individual teve uma acentuação maior no século XIX principalmente onde sofreu reflexos da revolução francesa. Após a segunda guerra mundial, verificou-se que grandes temas facilmente se adaptavam a necessidade coletiva, por consequência a visão do direito teve que ser renovada, cita Fiorillo (2013). O mundo tem passado por muitas transformações desde a época em que os recursos naturais eram encontrados em abundancia e se acreditava serem inesgotáveis, a globalização, juntamente com a evolução tecnológica e a cultura consumerista que predomina na atualidade, asseverou a exploração dos recursos naturais que foram acontecendo de maneira desordenada e abrupta por parte do homem, trazendo grandes danos ao meio ambiente e podendo afetar gravemente a qualidade de vida das atuais e futuras gerações. No entanto, ao perceberem a errônea ideia de que os recursos naturais eram inesgotáveis, surgiu, a necessidade de se mudar esse cenário, e frear as transgressões causadas ao meio ambiente. A problemática que surgia a partir dos danos causados ao meio ambiente, levou o mundo a voltar seus olhos para o tema e iniciar reflexões que pudessem minimizar os danos já sofridos e combater ou até mesmo erradicar futuros danos, segundo Philippi Jr e Pelicioni (2014). 29WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Com intuito de salvaguardar o meio ambiente foi que a partir dos anos sessenta foram editadas como medidas normas jurídicas mais rígidas pelos países. (AN- TUNES, 2010). As Nações Unidas iniciaram reflexões sobre medidas que poderiam ser implementadas e que se enquadrasse em um contexto de cumprir com a proteção ambiental e ao mesmo tempo não prejudicar o desenvolvimento econômico, já que, um dos principais dilemas encontrados no tangente a proteção ambiental era tentar conciliar a redução da exploração dos recursos naturais e ao mesmo tempo não barrar o crescimento econômico, visando encontrar um ponto harmônico entre os dois polos, afirma Miranda (2010) Ressurge, então, a ideia de desenvolvimento sustentável, apresentada pelo Relatório da Comissão Brundtlland – Nosso Futuro Comum –, que foi visto como a retomada do crescimento. Esta ideia busca estabelecer um denominador comum entre a dinâmica do mercado e os recursos naturais a serem utilizados, visando assegurar a necessidade das gerações presentes, sem comprometer as gerações futuras, expõe Miranda (2010) A busca pelo equilíbrio entre o desenvolvimento social e a proteção dos recursos ambientais, resultou na Conferência das Nações Unidas sobre o meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – CNUMAD, essa Conferência ficou conhecida como ECO-92 ou RIO-92, contou com a presença de 172 países, resultando na aprovação da Declaração do Rio composta por 27 princípios ambientais, tendo ainda como resultado assinatura de cinco importantes acordos, sendo estes: Agenda 21; a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; os Princípios para a Administração Sustentável das Florestas; a Convenção da Biodiversidade; e a Convenção do Clima, onde trazem metas mundiais para redução da poluição e alcance de desenvolvimento sustentável. Da RIO-92 decorreu a aprovação de vários tratados internacionais importantes como a Convenção do Clima e a Convenção da Diversidade Biológica. (AMADO, 2015). Figura 10 - Rio 92. Fonte: Geo-conceição (2012). 30WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Figura 11 - Eco 92. Fonte: Carvalho. (2012) Dez anos depois da RIO-92, em os dias 26 de agosto e 4 de setembro de 2002, aconteceu a Conferencia da Cúpula Mundial sobre o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na cidade de Johanesburgo, na África do Sul sobre o desenvolvimento sustentável, conhecida como RIO+10, a Cúpula teve como objetivos fazer um balanço das lições aprendidas e os resultados que foram obtidos dos acordos assinados entre cerca de 180 países que fizeram parte do RIO-92, chamando a atenção da opinião pública mundial para como é importante e urgente que seja cumprido todas as ações propostas na RIO-92. Ambiente Brasil. Do Rio a Johanesburg - Conscientização Crescente, Reação Ar- rastada. Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2016. 31WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Outro importante instrumento internacional, em prol da proteção ao meio ambiente, desta vez, como foco tratar sobre Mudança do Clima. Os vestígios de possíveis mudanças climáticas resultaram na criação do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC). Em 1997, no Japão aconteceu a terceira Conferência das Partes (COP-3), o que resultou no Protocolo de Quioto, tendo como objetivo firmar um compromisso entre os países desenvolvidos e os em desenvolvimento para reduzir a emissão de gazes potencializadores do evento estufa, explica Miranda (2010). Reuniram-se na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2012, 193 países para participarem da Conferência das Nações Unidas que versou sobre o Desenvolvimento Sustentável, denominada RIO+20, que indicou em documento formal que a erradicação da pobreza é o maior desafio globalmente enfrentado na atualidade, sendo este instituto um requisito indispensável para desenvolvimento sustentável, coloca Fiorillo (2013). Nesta década de 90, o meio ambiente alcançou um patamar jamais antes visto na história do país, onde foi possível observar a busca do equilíbrio entre o desenvolvimento e a sustentabilidade do meio ambiente, o que reverberou no tempo, quando, 20 anos após a Rio 92, realizou-se mais uma conferência, a Rio +20, contando com mais países participantes. Isso demonstra uma maior adesão ao senso de preservação do meio ambiente. Nota-se que não somente no Brasil ocorreram movimentos em prol do meio ambiente, mas também em outros países, como Japão. O resultado destas conferências ou reuniões são os acordos ambientais de proteção, em que os países comprometem-se a preservar ao máximo possível o meio ambiente, além de implantar medidas de redução de poluição, evitando alterações no clima. 1.5. PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 O direito ambiental é considerado como uma nova ciência, que possui antonímia frente aos outros ramos do direito por possuidor seus próprios princípios regentes que estão positivados pela Constituição Federal Brasileira de 1988, e diretrizes em leis especiais. Canotilho (2006, p. 1034-1035) ensina que [...] os princípios são normas jurídicas impositivas de uma optimização, compatíveis com vários graus de concretização, consoante os condicionalismos fácticos e jurídicos. Permitem o balanceamento de valores e interesses (não obedecem, como as regras, à lógica do tudo ou nada’), consoante o seu peso e ponderação de outros princípios eventualmente conflitantes. Centro Clima. Principais Conclusões do Terceiro Relatório de Avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima. A. Ricardo J. Esparta e José Rober- to Moreira. Disponível em: . Acesso em: 14 out. 2016. 32WWW.UNINGA.BR LE GI SL AÇ ÃO A M BI EN TA L | U NI DA DE 2 ENSINO A DISTÂNCIA Em conformidade com o entendimento de Édis Miralé são princípios ambientais: princípioem:<http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/ camaras_setoriais/Hortalicas/26RO/cartilhaCF.pdf>. Acesso em: 17 mai. 2018. MIRANDA. R. N. Direito Ambiental. 2ª ed. São Paulo: Rideel, 2010. MONTES. M. L. Responsabilidade civil pelo dano ambiental. In: 10 anos da ECO-92: o direito e o desenvolvimento sustentável - Ten years after rio 92: sustainable development and law. São Paulo: IMESP, 2002. MORAES. A. Direito constitucional. 5ªed. São Paulo: Atlas, 1998. MOTA. S. Introdução à Engenharia Ambiental – Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental, ABES-RJ, 1ª ed. Tribunais, 2011. NEVES. M. G. 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