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LEGISLAÇÃO AMBIENTAL 
PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA
Reitor: 
Prof. Me. Ricardo Benedito de 
Oliveira
Pró-reitor: 
Prof. Me. Ney Stival
Gestão Educacional: 
Prof.a Ma. Daniela Ferreira Correa
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
Diagramação:
Alan Michel Bariani
Thiago Bruno Peraro
Revisão Textual:
Gabriela de Castro Pereira
Letícia Toniete Izeppe Bisconcim 
Mariana Tait Romancini 
Produção Audiovisual:
Heber Acuña Berger 
Leonardo Mateus Gusmão Lopes
Márcio Alexandre Júnior Lara
Gestão da Produção: 
Kamila Ayumi Costa Yoshimura
Fotos: 
Shutterstock
© Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114
 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo 
(a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá.
 Primeiramente, deixo uma frase de Só-
crates para reflexão: “a vida sem desafios não 
vale a pena ser vivida.”
 Cada um de nós tem uma grande res-
ponsabilidade sobre as escolhas que fazemos, 
e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica 
e profissional, refletindo diretamente em nossa 
vida pessoal e em nossas relações com a socie-
dade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente 
e busca por tecnologia, informação e conheci-
mento advindos de profissionais que possuam 
novas habilidades para liderança e sobrevivên-
cia no mercado de trabalho.
 De fato, a tecnologia e a comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, 
diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e 
nos proporcionando momentos inesquecíveis. 
Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino 
a Distância, a proporcionar um ensino de quali-
dade, capaz de formar cidadãos integrantes de 
uma sociedade justa, preparados para o mer-
cado de trabalho, como planejadores e líderes 
atuantes.
 Que esta nova caminhada lhes traga 
muita experiência, conhecimento e sucesso. 
Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira
REITOR
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01
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................. 4
1 - PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS AMBIENTAIS ............................................................................... 5
1.1. BREVES CONSIDERAÇÕES HISTÓRICAS .......................................................................................................... 5
1.2. DA ÁGUA COMO DIREITO FUNDAMENTAL DE SEXTA GERAÇÃO ................................................................ 10
1.3. DO AMBIENTE .................................................................................................................................................. 14
1.3.1. DO AMBIENTE ECOLOGICAMENTE EQUILIBRADO .................................................................................... 14
1.3.2. DA EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ESTADO DO PARANÁ ............................................................................... 16
PROTEÇÃO CONSTITUCIONAL DO 
DIREITO AMBIENTAL
PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
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INTRODUÇÃO
A primeira unidade busca a efetivação do direito fundamental ao meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, apresentando aspectos gerais da legislação ambiental e seus 
fundamentos conforme a Constituição Federal da República Federativa do Brasil de 1988.
Antes da apresentação dos direitos fundamentais, destaca-se o princípio da dignidade 
humana, que corresponde a um adjetivo insubstituível ao homem, não equivalente a qualquer 
valor material, sendo intransferível e de valor espiritual inestimável, representado a essência do 
homem, sendo norteador para outros direitos fundamentais. Destaca-se, portanto, os direito 
fundamentias do homem, como primeiros norteadores para proteção integral da pessoa. Com 
isso, verifica-se que os direitos fundamentais surgem como dimensões para o mundo jurídico, 
constituindo garantias indispensáveis para proteção da humanidade e vida em sociedade.
Apresentando em uma ótima historicista, destaca-se que os direitos fundamentais se 
firmaram através das lutas dos povos, por isso, muitos autores tratam essa linha evolutiva como 
gerações. A classificação mais comum são os direitos à liberdade (direitos de 1ª geração); direitos 
sociais e coletivos (direitos de 2ª geração); direitos transindividuais (direitos de 3ª geração); 
e por fim, os direitos decorrentes do avanço tecnológico (4ª geração). Entretanto, autores 
contemporâneos apontem recente evolução dessas dimensões, onde defende-se por exemplo, a 
paz mundial como direitos de 5ª geração e a água potável como direitos de 6ª geração, elencando 
uma das classificações do meio ambiente natural, como direito fundamental do homem.
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1 - PRINCÍPIOS E DIREITOS FUNDAMENTAIS 
AMBIENTAIS 
1.1. Breves considerações históricas
Os princípios fundamentais são colunas do Estado Democrático de Direito. Outrossim, 
estão afiançados na Constituição Federal Brasileira de 1988, em seu art. 5º, in verbis: “Todos 
são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos 
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, [...]”.
Tais direitos são resultados de uma construção histórica e estão presentes em Tratados 
Internacionais, nas Constituições dos Estados Nacionais, Decisões Judiciais, dentre outros. São 
indispensáveis para garantir ao cidadão a busca de uma vida digna com condições mínimas, 
bem como para ratificar o desenvolvimento da personalidade humana, da autotutela, da proteção 
contra o alvitre estatal, entre outros. Falar em direitos fundamentais é um aditamento cultural 
gradativo, pois são anteriores ao ordenamento jurídico e inerentes a própria natureza humana, 
explica Moraes (1998).
Os direitos fundamentais, também são conhecidos como direitos do homem, direitos 
humanos. Contudo, vale ressaltar que quando ditos fundamentais, referem-se às normas jurídicas 
inseridas numa Constituição, sejam subjetivas ou objetivas, que têm por escopo preservar 
a igualdade, liberdade e a dignidade humana. Assim, conforme leciona Dimitri Dimoulis, os 
direitos fundamentais são direitos públicos subjetivos e atingem tanto as pessoas físicas, quanto 
jurídicas. Neste ínterim convém salientar que as normas jurídicas ditas fundamentais não podem 
ser alteradas – cláusulas pétreas – somente acrescentadas, afirma Dimoulis e Martins (2012). 
Conforme ensina Alexandre de Moraes (1998, p. 21), os direitos fundamentais são um conjunto 
institucionalizado de garantias e direitos, que afiança a autotutela:
A constitucionalização dos direitos humanos fundamentais não significou 
mera enunciação formal de princípios, mas a plena positivação de direitos, a 
partir dos quais qualquer indivíduo poderá exigir sua tutela perante o Poder 
Judiciário para a concretização da democracia. Ressalte-se que a proteção 
judicial é absolutamente indispensável para tornar efetiva a aplicabilidade e o 
respeito aos direitos humanos fundamentais previstos na Constituição Federal e 
no ordenamento jurídico em geral. (MORAES,1998, p. 21)
Preponderante destacar também, que o conceito do direito aqui tratado, tem raízes 
no cristianismo, uma vez que este prega a igualdade dos homens, independentemente da sua 
origem. Na Idade Média, por exemplo, ainda que existisse uma grande divisão de classes devido 
à estrutura social, muitos documentos jurídicos retrataram os direitos humanos, visando a 
limitação do poder do Estado. (MORAES, 1998).
Em uma linha historicista, destaca-se que os direitos fundamentais se desenvolveram 
com o passar do tempo e, por isso, muitos autores tratam essa linha evolutiva como gerações. A 
classificação mais comum apresenta quatro: os direitos à liberdade (direitos de 1ª geração); direitos 
sociais e coletivos (direitos de 2ª geração); direitosdo ambiente ecologicamente equilibrado como direito fundamental da pessoa humana; princípio 
da solidariedade intergeracional; princípio da natureza pública da proteção ambiental; princípio 
da prevenção e precaução; princípio da consideração da variável ambiental no processo decisório 
de políticas de desenvolvimento; princípio do poluidor-pagador; princípio do usuário-pagador; 
princípio da função socioambiental da propriedade; princípio da participação comunitária; 
princípio da cooperação entre os povos, segundo Milaré (2009). Não obstante a existência 
desses princípios, os princípios ambientais constitucionais que possuem maior ênfase por parte 
da doutrina são: princípio do desenvolvimento sustentável; princípio do poluidor-pagador; 
princípio da prevenção; princípio da participação e o princípio da ubiquidade, informa Fiorillo 
(2013). Assim, os princípios são normas incorporadas ao ordenamento jurídico, que devem 
ser seguidas, pois são impositivas. Desta forma, os princípios ambientais são considerados em 
diversos aspectos do dia-a-dia da sociedade, como em indústrias, propriedades, comunidades, 
etc. Almeja-se a cooperação entre povos e entre a sociedade e a Administração Pública para a 
preservação do Meio Ambiente.
1.5.1. Princípio do Desenvolvimento Sustentável
O princípio do desenvolvimento sustentável surgiu na Conferência de Estocolmo realizada 
em 1972, e foi repetido nas demais conferências sobre o meio ambiente, sendo principalmente 
empregada a expressão na Conferencia denominada RIO-92, ou ECO-92, onde o termo foi 
empregado em onze de seus vinte e sete princípios, explica Fiorillo (2013).
O princípio do Desenvolvimento Sustentável encontra-se presente na Constituição em 
seu art. 225:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e 
futuras gerações. (BRASIL, 1998).
Tal princípio tem por intuito a manutenção as necessidades fundamentais da produção e 
reprodução do ser humano e de suas atividades, visando garantir uma relação satisfatória que seja 
igualmente equilibrada entre os homens e dos homens com o meio ambiente – para assegurar 
que as futuras gerações tenham a oportunidade de usufruir dos mesmos recursos naturais que 
possuímos atualmente, menciona Fiorillo (2013).
Buscar um ponto que equilíbrio que harmonize o desenvolvimento social, crescimento 
econômico e a exploração dos recursos naturais, não é algo fácil, se faz necessário um adequado 
planejamento territorial que levem em consideração os limites da sustentabilidade, segundo 
Silveira (2012). É notória a importância que tal princípio exerce, tendo em vista a sociedade 
atual, desregrada, à mercê de parâmetros de livre iniciativa e concorrência, o que leva a um 
caminho implacável para a certeza da desordem ambiental. Por outro lado, não há dúvidas de que 
o crescimento econômico é algo importante para a sociedade, e com base nisto é que o legislador 
da Constituição de 1988, notou que o crescimento das atividades econômicas faziam jus a um 
novo tratamento, devendo ser observadas os fatos tangentes a atualidade quanto a preservação do 
meio ambiente, já que a degradação continua refletirá diretamente na diminuição da capacidade 
econômica do País, acarretando em impossibilidade das atuais e principalmente das futuras 
gerações desfrutarem de uma vida com qualidade, informa Silveira (2012).
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Cabe salientar que o principal objetivo do princípio não é impedir o desenvolvimento 
econômico, mas sim garantir existência digna, que pode ser vislumbrada por uma vida com 
qualidade, expõe Silveira (2012). Levando em conta que o desempenho de atividade econômica, 
em grande parte das vezes representa algum tipo de degradação, o que se procura com o 
princípio do Desenvolvimento Sustentável é minimizar a degradação decorrente das atividades 
econômicas lançando-se mão dos instrumentos adequados existentes para que ocorra a menor 
degradação possível, mostra Fiorillo (2013). De forma geral, é possível dizer que o princípio do 
desenvolvimento sustentável visa regular as necessidades fundamentais pertinentes à produção 
e reprodução humana, para equilibrar uma relação dos homens com o meio ambiente, para que 
hajam futuras gerações, e que estas possam usufruir sustentavelmente dos mesmos recursos da 
atualidade.
1.5.2. Princípio do Poluidor-Pagador 
O instituto que traz o nome do princípio deve ser observado com atenção, pois ao se 
deparar com tal princípio muitos têm a falsa percepção que pode-se pagar para poluir, ele não 
é uma forma de contornar a reparação do dano, coloca Miralé (2012). Pode ser observado o 
princípio do poluidor-pagador por duas vertentes de alcance, o que busca evitar que ocorram 
os danos ambientais, tendo como caráter preventivo, e a outra de caráter repressivo, quando 
ocorrido o dano, visa à reparação deste, explica Miralé (2012). Trazendo em um momento inicial 
a obrigação ao poluidor de arcar com as medidas necessárias cabíveis para a prevenção dos danos 
ao meio ambiente que possam ser causados pelo exercício da atividade desempenhada. Já em um 
segundo momento, ocorrendo o dano ao meio ambiente tendo sido ocasionado pela atividade 
desenvolvida, o poluidor será imposto ao poluidor a obrigação de reparação, expõe Fiorillo 
(2013).
Figura 12 - Princípio do poluidor pagador. Fonte: Gonçalves (2015).
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A respeito do princípio do Poluidor-Pagador ensina Guilherme Cano que:
Quem causa a deterioração paga os custos exigidos para prevenir ou corrigir. É 
óbvio que quem assim é onerado redistribuirá esses custos entre os compradores 
de seus produtos (se é uma indústria, onerando-a nos preços), ou os usuários de 
seus serviços (por exemplo, uma Munici¬palidade, em relação a seus serviços de 
rede de esgotos, aumentando suas tarifas). A equidade dessa alternativa reside 
em que não pagam aqueles que não contribuíram para a deterioração ou não se 
beneficiaram dessa deterioração. (CANO, 1983, p. 191)
A previsão do presente princípio é trazida pelo artigo 225 da Constituição Federal 
de 1988, em seu § 3º, dizendo que “As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio 
ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, 
independentemente da obrigação de reparar os danos causados”. (BRASIL, 1988). Diante do 
apresentado, percebe-se a evolução percorrida pelo Direito ambiental em busca de proteger o 
meio ambiente e seus recursos para garantir a qualidade de vida das atuais e futuras gerações.
1.5.3. Princípio da Prevenção
Para o direito ambiental o princípio da Prevenção é um dos mais importantes, visto que 
muitas vezes os danos causados ao meio ambiente são irreversíveis, Celso Antonio Pacheco 
Fiorillo, faz reflexões sobre a importância do princípio na seguinte vertente sobre como poderia 
retornar ao “status quo” algumas situações, como ocorre no caso da reparação de uma espécie 
extinta, ou eliminação dos efeitos de Chernobyl, ou ainda, restituição de uma floresta milenar que 
era habitat de milhares de ecossistemas diferentes após ser devastada, segundo Fiorillo (2013)
Frente à impotência do sistema jurídico, que não é dotado de capacidade para restabelecer 
de forma igualitária as condições em que se encontravam anteriormente o meio ambiente é que 
se emprega o princípio da prevenção do dano ambiental, podendo ser considerado como objetivo 
principal do direito ambiental, mostra Fiorillo (2013). O princípio da prevenção ocupa lugar 
de grande estima desde o ano de 1972 com a realização da Conferencia de Estocolmo, tendo 
sua ascensão na Conferência RIO-92, em que foi considerado como megaprincípio do direito 
ambiental, onde se faz presente sob princípio de nº 15,que traz que
Para proteger o meio ambiente medidas de precaução devem ser largamente 
aplicadas pelos Estados segundo suas capacidades. E m caso de risco de danos 
graves ou irreversíveis, a ausência de certeza científica absoluta não deve servir 
de pretexto para procrastinar a adoção de medidas efetivas visando a prevenir 
a degradação do meio ambiente (Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio 
Ambiente e Desenvolvimento – 1992). (FIORILLO, 2013, p 35)
Nossa Carta Magna também adotou o princípio da prevenção por meio de seu artigo 
225, encontrando-se amparo também na ótica do Poder Judiciário e da administração, refletindo 
de forma positiva na aplicação da jurisdição coletiva, que possuem medidas melhores adaptadas 
aos direitos difusos, visando evitar a continuidade da situação que está causando danos, tendo 
também ações que tenham por objetivo a prevenção de possível dano. Já no quanto diz respeito 
a aplicabilidade do princípio da prevenção sobre a ótica da Administração, este pode se dar por 
intermédio de licenças, sanções administrativas, fiscalizações, bem como as autorizações que 
tenham por escopo a função de proteger o meio ambiente, cita Fiorillo (2013). Assim, é possível 
ver a importância do princípio da prevenção, que deve, em sua grande maioria, ser utilizado e 
aplicado pelo Estado, sob a máxima da facilidade de prevenção ante a dificuldade de reparação, 
especialmente no que diz respeito ao retorno do ambiente deteriorado ao seu status quo.
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1.5.4. Princípio da Precaução
De forma divergente ao princípio da prevenção, que objetiva tomar os devidos cuidados 
para prevenção de desastres já previstos, ou seja, que torna possível haver uma previsibilidade do 
dano, como por exemplo, uma usina nuclear tem como resultado negativo a radiação ou acidente 
nuclear. No entanto, existem alguns fatores que não são previsíveis, por exemplo, os efeitos dos 
transgênicos no organismo humano. Por mais que existam estudos, ainda não é possível destacar 
com precisão quais os efeitos negativos dos transgênicos para o meio ambiente, no plantio, nos 
rios, bem como no organismo humano. Neste sentido, como precaução, a legislação ambiental 
tem como característica informar o consumidor sobre o produto, obrigatoriamente.
Figura 13 - Empresas ainda lutam para evitar o rótulo de transgênico no Brasil. Fonte: Thuswohl. (2013).
1.5.5. Princípio da Participação
Foi previsto pela Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, que compete ao Estado, 
assim como a toda a sociedade civil tutelar sobre a proteção e preservação do meio ambiente, ao 
dispor dessa maneira a Constituição consagra o princípio da participação, ou seja, trata-se de 
um princípio voltado a uma colaboração, ao agir em conjunto pelo Poder Público e os cidadãos. 
O intuito de nossa Lei Maior em lançar legitimidade participativa é o de aumentar a visão do 
exercício de proteção ao meio ambiente, em sentido a isso é que se é possível observar comumente 
o ingresso de ações civis públicas por ONGs voltadas a proteção do meio ambiente. Também é 
considerado como um dos elementos do Estado Social de Direito o princípio da participação, visto 
que todos os direitos sociais são estrutura necessária para obtenção de uma saudável qualidade 
de vida, mostra Machado (2013). São elementos fundamentais para garantir a aplicabilidade do 
princípio da participação ocorrendo assim a efetivação da ação em conjunto que o mesmo versa, 
a informação e a educação ambiental o que devem agir de modo a se complementarem, cita 
Fiorillo (2013). Tem-se, portanto, que o princípio da participação visa abranger toda a sociedade 
civil, além do Estado, na questão da manutenção de um meio ambiente saudável, que perdure 
para futuras gerações.
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1.5.6. Princípio da Ubiquidade 
 
Esse princípio possui como ponto central a tutela constitucional da vida e da qualidade 
de vida, devendo, portanto, ser levado em consideração seja no âmbito política, de atuação ou 
legislativo, toda vez que houver a necessidade de criar alguma obra, atividade, ou tema, ou seja, 
tudo que versar sobre a vida ou qualidade desta deve anteriormente ao seu desenvolvimento 
passar por uma consulta ambiental, para que se possa saber se isso poderá acarretar em 
degradação ambiental, conforme Fiorillo (2013). Como se pode constatar, o meio ambiente é 
de suma importância para que se possa ter uma vida de qualidade. Ao mesmo tempo, o meio 
ambiente é tão frágil ante a ação do homem, que se torna imprescindível sua tutela.
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SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 38
1 - O DANO AMBIENTAL .......................................................................................................................................... 39
1.1. CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA DO DANO AMBIENTAL .......................................................................... 39
1.2. CLASSIFICAÇÃO DO DANO AMBIENTAL ........................................................................................................ 40
1.2.1. DANO AMBIENTAL COLETIVO, EM STRICTO SENSU, OU PROPRIAMENTE DITO ................................... 41
1.2.2. DO LICENCIAMENTO AMBIENTAL ............................................................................................................. 44
1.2.3. DANO AMBIENTAL INDIVIDUAL OU PESSOAL ........................................................................................... 45
1.2.4. DANO AMBIENTAL MATERIAL ..................................................................................................................... 45
1.2.5. DANO AMBIENTAL MORAL .......................................................................................................................... 45
1.3. MEIO AMBIENTE COMO BEM JURÍDICO ....................................................................................................... 46
2 - RESPONSABILIDADE E REPARAÇÃO DO DANO AMBIENTAL ........................................................................ 47
2.1. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA ........................................................................................................ 48
2.1.1. INFRAÇÕES E SANÇÕES ADMINISTRATIVAS ............................................................................................. 50
2.2. RESPONSABILIDADE PENAL ......................................................................................................................... 50
2.2.1. CRIMES AMBIENTAIS ................................................................................................................................... 53
2.2.2. RESPONSABILIDADE PENAL AMBIENTAL DA PESSOA JURÍDICA .......................................................... 54
OS DANOS AMBIENTAIS E A 
RESPONSABILIDADE JURÍDICA
PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA
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DISCIPLINA:
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
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INTRODUÇÃO
A terceira unidade tem como objetivo apresentar quais os principais danos ambientais, 
qual a previsão legal para tutela dos bens jurídicos ambientais, bem como qual a responsabilidade 
jurídica os responsáveis pelo dano. Neste sentido, destaca-se a natureza do dano ambiental, 
sua relação com o dano na esfera do direito civil, a classificação do dano ambiental, em que há 
destaque no dano ambiental na esfera de direitos difusos, sua indenização na esfera material e 
moral, bem como a classificação do meio ambiente como bem jurídico.
Considerando que o meio ambiental é um bem jurídico, observa-se os meios para sua 
tutela, em que reserva-se com ênfase a ação civil pública, suas competências de legitimação, bemcomo a ação popular, e o interesse de agir e ao fim. Destaca-se também a responsabilidade penal 
para pessoa física e jurídicas dos danos ambientais tutelados.
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1 - O DANO AMBIENTAL
Para o ordenamento jurídico, todos são responsáveis por seus atos, de tal forma que 
devem responder frente ao que for reflexo deles, no caso, onde a prática de algum ato leve por 
consequência o prejuízo a terceiro surgirá, então, a obrigação de responder pelos danos causados, 
menciona Sirvinskas (2013). A responsabilidade tornou-se um instituto jurídico indispensável 
para aquele que vier a causar danos a terceiros, considera-se a responsabilidade como um 
princípio fundamental para uma efetiva aplicabilidade do direito, servindo como alicerce para se 
viver harmonicamente em sociedade.
1.1. CONCEITO E NATUREZA JURÍDICA DO DANO AMBIENTAL
Conforme exposto anteriormente, entende-se como sendo o conceito de dano em 
sentido amplo do direito tudo o que causar lesão a um bem jurídico tutelado. Gonçalves (2012) 
trata do dano em sentido amplo, como sendo a diminuição ou subtração de um bem jurídico, 
pois esse conceito abrange não somente o patrimônio em si, mas também a honra, a saúde, e a 
vida, em síntese tudo que for suscetível de proteção. Reis (2002) acrescenta que o dano é uma 
ideia de prejuízo involuntário que afeta um determinado bem, e que ocorre em decorrência 
de uma violação voluntária de um direito. A imputação da palavra dano vai muito além da 
diminuição de algum bem ou patrimônio, ou desvalorização do mesmo, pois resulta de uma 
agressão antijurídica. Então, pode-se dizer que o dano ambiental é fruto de uma ação ou omissão 
que altera negativamente as condições existentes. E, ainda, que é a perturbação da natureza que 
compromete a capacidade funcional ecológica, e, em decorrência disso, compromete a capacidade 
de aproveitamento humano dos bens ambientais tutelados, expõe Sirvinskas (2013).
Não existe um conceito formal adotado ao dano ambiental, mas quando analisado, o artigo 
3º, inciso II, da lei 6.938/81, que trata da degradação, e do inciso III, que versa sobre a definição 
de poluição, podemos concluir que o dano ambiental é algo que afeta, além da viabilidade de vida 
no planeta, a vida do ser humano em um todo, menciona Testa (2015).
Vivemos em um ordenamento jurídico onde somos titulares de liberdade de agir, no 
entanto, tudo o que causar dano a outrem tem por responsabilidade reparar tal dano, seja de 
forma a desfazer o dano voltando ao status a quo, ou não sendo possível retornar ao que era 
anteriormente será feita a reparação por forma de indenização pecuniária, explica Fiorillo (2013).
O dano ambiental pode ser entendido da mesma maneira com que se dá o dano na esfera 
civil, sendo empregado a este algumas peculiaridades, pois no caso do dano ambiental não há 
uma única vítima a ser alcançada por essa lesão, mas sim uma coletividade, um grupo, uma 
região, ou uma espécie. Grande parte das vezes não é possível se apontar uma só vítima, visto que 
cada situação requer uma análise particular, explica Rodrigues (2016).
No direito comparado, Catalá (1998) destaca o dano ambiental como conceituando-o 
como algo que afeta o conjunto do meio natural ou seus elementos, considerados como 
patrimônio coletivo, independentemente de haver repercussão sobre as pessoas ou seus bens, não 
podendo mais limitar o dano ambiental somente a algo que afete o homem, sua vida, sua saúde, 
seu patrimônio ou seu bem-estar.
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A natureza jurídica do dano ambiental pode ser observada quanto à natureza jurídica 
do direito ambiental em si, ou seja, natureza difusa. A compreensão pode ser percebida por sua 
recepção normativa, devendo ser estudada por meio de duas gerações, sendo a primeira geração 
voltada aos problemas ambientais vinculados ao surgimento da poluição, à compreensão desta, 
assim como a preservação e controle, e a defesa fundamental do meio ambiente; já na segunda 
geração abrange os efeitos no tempo e espaço da degradação ambiental. Esta noção foi traçada 
por uma pungente ecológica de forma sistemática e cientificamente fundamentada, o que se 
faz necessário para o enfrentamento do problema. Entende-se, desta forma, que embora não 
exista um conceito formal específico de dano ambiental na legislação, mas pode ser entendido 
analogamente ao dano, que os doutrinadores consideram como uma lesão, diminuição ou 
subtração de um bem jurídico tutelável, de forma que deve ser reparado. 
1.2. CLASSIFICAÇÃO DO DANO AMBIENTAL
Conforme mencionado anteriormente, o dano se trata de toda ação inaceitável causada 
pelo ser humano ao meio ambiente, e embora o dano ambiental recaia de maneira direta sobre 
o ambiente assim como os recursos e elementos que o compõem, ocorrendo em prejuízo da 
coletividade, esse dano pode, em determinados casos, se apresentar de forma material ou moral, 
sobre o patrimônio, saúde ou interesses de um indivíduo ou grupo determinado ou determinável. 
O dano ambiental pode ser classificado por duas vertentes, quanto ao interesse envolvido, 
podendo ser de cunho coletivo, stricto sensu, ou dano ambiental propriamente, e o dano ambiental 
individual, cita Miralé (2005).
Figura 14 - Caso Chevron pode complicar do Brasil em petróleo. Fonte: Santana (2011).
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Na imagem, destaca-se um dos maiores desastres ambientais no mar territorial brasileiro, 
que foi o vazamento de petróleo na Bacia de Campos/RJ, onde registrou-se o vazamento de mais 
de 380 mil litros de petróleo. Estima-se que a mancha provocada pelo vazamento no mar tenha 
chegado a 162 km², o equivalente a metade da Baía de Guanabara. Foram acumulados na área 
de em 3,7 mil barris de petróleo. Especialistas registraram uma grande quantidade de animais 
mortos nas áreas afetadas pela mancha e décadas serão necessárias até que o habitat marinho 
local se restabeleça. Em setembro de 2013, a empresa americana Chevron, responsável pela 
perfuração do poço que vazou, foi condenada a pagar uma indenização de R$95 milhões ao 
governo brasileiro para compensar os danos ambientais causados, expõe a Revista Época (2011). 
Por outro viés, o dano ambiental ainda pode ser classificado de acordo com a sua extensão, em 
material/patrimonial, e imaterial/ extrapatrimonial / moral.
1.2.1. Dano ambiental coletivo, em stricto sensu, ou propriamente 
dito
Essa modalidade de dano ambiental é entendida como a lesão que ocorre contra o meio 
ambiente em um contexto global, em que é atingido um número determinado de pessoas. Então, 
o dano ambiental coletivo pode ser considerado como a lesão causada ao meio ambiente stricto 
sensu, ou na impossibilidade de identificação dos indivíduos, incidindo em direitos difusos, que 
afetam uma coletividade que pode ser indeterminada ou indeterminável de pessoas. Isso gera 
a falta do aspecto subjetivo e causa a indivisibilidade do bem jurídico tutelado, mostra Miralé 
(2005).
O dano ambiental coletivo tem sua tutela resguardada por meio de ação civil pública, 
mandado de segurança coletivo, ou ação popular, por meio desses instrumentos processuais, é 
possível responsabilizar os transgressores e exigir a reparação do dano, podendo ser reparado in 
natura, ou seja, pelo meio natural, com intuito de que retorne ao estado anterior ao do dano, ou 
se isso não for possível, a reparação por meio de indenização pecuniária, que é destinada a um 
fundo governamental que tem por finalidade a reconstituição dos bens lesados, afirma Cardin 
(2008). Complementando, verifica-se, nas figuras, o que sobrou da vila da cidade de Bento 
Rodrigues (MG), após o desastre da barragem de fundão.
Para tanto, indica-se para complementação de conteúdo, a reportagem sobre o 
desastre ambiental.
Jornal Nacional. Reportagem sobre o vazamento. 
Disponívelem: . Acesso em 
outubro de 2017.
Para complementar o conteúdo, indica-se o vídeo da reportagem: .
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Figura 15 - Barragem de Fundão em Bento Rodrigues. Fonte: Branco (2016).
Figura 16 - Barragem de Fundão em Bento Rodrigues. Fonte: Branco (2016).
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Constatou-se que o problema ocorreu na barragem de fundão, sendo o problema por 
força maior ou não, bem como falha humana ou não, resultou em um dano coletivo, expandindo 
seus efeitos ao longo de 500 quilômetros no Rio doce, com aproximadamente 60 bilhões de litros 
de rejeitos de minério de ferro, atingindo 35 cidades com a lama no Rio doce, 1,5 mil hectares 
afetados com a lama, a morte de 80 espécies na região, sendo que 11 eram ameaçadas de extinção 
e 12 eram espécies exclusivas do rio.
Para uma melhor noção sobre a extensão dos impactos de rejeitos:
Figura 17 - Barragem de Fundão em Bento Rodrigues. Fonte: Branco (2016).
G1. Gloco.com. Rompimento da barragem em Mariana. 
. 
Acesso em fev 2018.
Para complementar o conteúdo, indica-se a reportagem do portal G1, Minas Ge-
rais: http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2015/11/barragem-de-rejeitos-se-
-rompe-em-distrito-de-mariana.html. 
Acesso em fev 2018.
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Neste sentido, constata-se um exemplo de dano ambiental que resultou em efeitos 
coletivos, e que até o presente momento aguarda meios para compensação do dano e recuperação 
de áreas degradadas. Assim, é possível aprender que o dano ambiental coletivo diz respeito ao 
aspecto global, sendo sua reparação tutelada pelo Estado, que a determinará sobre o causador do 
dano, onde, no Brasil, geralmente ocorre de forma pecuniária.
1.2.2. Do licenciamento ambiental 
A princípio, cumpre destacar que o Licenciamento e a Avaliação de Impactos Ambientais 
são instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, segundo o artigo 9º, IV da Lei 6.938/81. 
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 225, § 1º, IV, exige estudo prévio de impacto 
ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa 
degradação do meio ambiente. 
A localização, construção, instalação, ampliação, modificação e operação de 
empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais consideradas efetiva ou 
potencialmente poluidoras, bem como os empreendimentos capazes, sob qualquer forma, 
de causar degradação ambiental, dependerão de prévio licenciamento do órgão ambiental 
competente, sem prejuízo de outras licenças legalmente exigíveis. 
A licença ambiental para empreendimentos e atividades consideradas efetivas ou 
potencialmente causadoras de significativas degradações do meio, que dependerão de um estudo 
prévio de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA), 
em que será dada publicidade, garantida a realização de audiências públicas, quando couber, de 
acordo com a regulamentação. Dependerá de elaboração de estudo de impacto ambiental (EIA) e 
de relatório de impacto ambiental (RIMA), quanto ao licenciamento de atividades modificadoras 
do meio ambiente, tais como: I - Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; 
II - Ferrovias; III - Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; IV - Aeroportos, 
conforme definidos pelo inciso 1, artigo 48, do Decreto-Lei nº 32, de 18 de setembro de 1966; 
v - Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; VI - 
Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230KV; e tantos outros. Essas são algumas 
atividades que devem ser licenciadas. Isto é um rol aberto, exemplificativo, não é um rol taxativo 
ou exaustivo, pois o órgão ambiental pode exigir EIA/RIMA de qualquer atividade que cause ou 
possa vir a causar significativo impacto ambiental.
O Licenciamento ambiental é um procedimento administrativo (exercício do poder de 
polícia) pelo qual o órgão ambiental competente licencia um empreendimento considerado 
efetiva ou potencialmente poluidor ou que possa causar degradação ambiental. Para realizar o 
Licenciamento são exigidos estudos ambientais. Um desses estudos pode ser o EIA/RIMA, pois 
existem outros estudos. O detalhe é que o EIA/RIMA é exigido nos casos de efetivo ou potencial 
SIGNIFICATIVO IMPACTO AMBIENTAL. Não é para qualquer atividade ou empreendimento. 
Respeitado o sigilo industrial, assim solicitado e demonstrado pelo interessado, o RIMA será 
acessível ao público. Etapas do Licenciamento Ambiental Federal (Competência do Ibama).
Muita atenção, pois licenciamento ambiental e Estudo de Impacto Ambiental e 
seu Relatório (EIA/RIMA) não são sinônimos!
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De acordo com a Instrução Normativa IBAMA nº 184 /08, alterada pela Instrução 
Normativa IBAMA nº 14 de 27/10/2011, que estabelece, no âmbito do Ibama, os 
procedimentos para o licenciamento ambiental federal, os procedimentos para o 
licenciamento ambiental deverão obedecer às seguintes etapas: 1º - Instauração 
do processo; 2º - Licenciamento prévio; 3º Licenciamento de instalação; e 4º- Li-
cenciamento de operação. 
A solicitação de EIA/RIMA se dará na fase de licenciamento prévio para empreendimentos 
de significativo impacto ambiental. Em empreendimentos de impacto pouco significativo e que 
não cabem análise locacional, o IBAMA suprimirá a fase de Licença Prévia. Para empreendimentos 
de impacto pouco significativo, o IBAMA exigirá Estudo Ambiental Simplificado e Plano de 
Controle Ambiental, sendo que estes poderão ser licenciados integralmente pelos NLAs.
1.2.3. Dano ambiental individual ou pessoal
A classificação de dano ambiental individual é aquela que diz respeito ao dano que leciona 
um interesse pessoal sobre a própria pessoa ou seus bens, nos ensinamentos de Milaré (2005), 
é aquele que posto à margem da coletividade e que é possível identificar um ou um grupo de 
prejudicados em seu patrimônio particular. O dano ambiental individual também é conhecido 
como dano ricochete ou reflexo.
1.2.4. Dano ambiental material
O dano material busca a recuperação, restituição ou indenização da lesão causada ao meio 
ambiente, ou seja, o dano material é aquele que causa a vítima um prejuízo de ordem econômica.
1.2.5. Dano ambiental moral
Quanto ao dano de cunho moral, é aquele que não vem ofender um determinado interesse 
corpóreo, seja de qualquer brasileiro, de forma individual ou coletiva. Lanfredi (2002) entende 
que danos morais são reflexos negativos de lesões, que ocorrem por meio de constrangimentos, 
situações vexatórias, dores, que venham a atingir a moralidade. Lanfredi (2002) afirma que o dano 
moral é distinto ao dano material, e pode somar em uma mesma situação, quando ocorrerem 
atos lesivos que atinjam a esfera geral da vítima. A previsibilidade do dano moral ambiental é 
algo recente, tendo sido considerada essa modalidade pelo legislador brasileiro, concretamente, 
a partir das alterações advindas pela Lei 8.884/94, no sistema da Ação Civil Pública, menciona 
Lanfredi (2002).
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1.3. MEIO AMBIENTE COMO BEM JURÍDICO
No ordenamento jurídico brasileiro, a Constituição Federal de 1988 elencou em seu artigo 
225 que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é uma nova forma de direito fundamental 
coletivo, sendo um direito subjetivo da coletividade humana. Possui natureza jurídica de direito 
coletivo, de interesse difuso, sendo a sociedade verdadeira titular desse direito, tratar-se de um 
direito da sociedade, uma vez que essedireito é lesionado é legitimado a qualquer um dos seus 
membros que lance tutela sobre o bem, coloca Steigleder (2002).
O direito ao meio ambiente trata-se de um direito fundamental de terceira geração, por 
se tratar de um direito difuso, que tem por objetivo garantir uma existência digna ao ser humano, 
afirma Steigleder (2002). O direito ao meio ambiente, é como um desdobramento do direito à 
vida. De modo amplo, o direito fundamental à vida pode ser entendido como o direito de todo 
ser humano de não ser privado de sua vida, o que está diretamente ligado ao direito que todo ser 
humano tem de poder usufruir dos meios apropriados para sua subsistência e um padrão de vida 
decente, mostra Trindade (1993).
A garantia do direito à vida que a Constituição Federal visa alcançar pode ser observada 
por dois aspectos: a existência com uma boa saúde física dos seres humanos, assim como a uma 
existência digna, com qualidade de vida que faça valer a pena viver. Por meio do artigo 225 
da Constituição Federal, é imposta uma orientação que deixa registrado o reconhecimento do 
direito e dever ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, e ainda, a obrigação aferida ao 
poder público, assim como a coletividade em protegê-lo e preservá-lo. Também está presente 
no artigo a previsão imposta a condutas consideradas lesivas ao bem tutelado, expõe Steigleder 
(2002). Cabe salientar que as principais ações voltadas à tutela do meio ambiente são: a ação 
de responsabilidade civil por danos ambientais; a ação civil pública ambiental; o mandado de 
segurança coletivo; a ação popular; e a tutela cautelar.
A ação civil pública ambiental (Lei 7.347/85) é um instrumento normativo que se fez 
necessário, a fim de regulamentar outros legitimados para pleitear a tutela do meio ambiente 
junto ao órgão judiciário, uma vez que o ministério público sozinho seria incapaz de atender 
toda a demanda que versasse sobre meio ambiente, e, ao mesmo tempo, fazer a fiscalização. 
Assim, surgiu a Lei 7.347/85, a partir da necessidade de convocar o auxílio de diversas entidades, 
podendo ser de cunho público ou privado, desde que detenham a finalidade de proteção ao meio 
ambiente. Portanto, a legitimidade para propor ação de responsabilidade por danos ambientais, 
transcendeu do Ministério Público para também as associações ambientalistas, expõe Lanfredi 
(2002).
A ação popular (Lei 4.717/65) foi normatizada por meio desta lei, e é um remédio que 
atualmente se encontra previsto na Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, inciso LXXIII, 
é denominado um remédio constitucional que visa melhorar a defesa do interesse público, assim 
como, da moral administrativa, tornando todo cidadão um fiscal do bem comum, tendo como 
uma das finalidades tornar nulos atos lesivos ao patrimônio social, cita Lanfredi (2002).
O mandado de segurança coletiva foi conferido pela Constituição Federal de 
1988, para entidades associativas, partidos políticos, e sindicatos, coloca Lanfre-
di (2002).
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A tutela cautelar é um instrumento processual que possibilita a proteção do meio 
ambiente. Pode ocorrer por meio de ação cautelar em si ou por medida liminar, 
considerada de grande importância no tocante a proteção e prevenção do dano 
ambiental. (LANFREDI, 2002)
Tem-se, desta forma, que o meio ambiente ecologicamente equilibrado é um direito 
fundamental coletivo, ou seja, é um direito subjetivo da coletividade humana, que deve ser 
tutelado pelo Estado, visando a proteção deste bem comum para a existência física e saúde da 
humanidade, de forma a prover uma existência digna, com qualidade de vida.
2 - RESPONSABILIDADE E REPARAÇÃO DO DANO 
AMBIENTAL
Conforme se vem explanando sobre o assunto, o meio ambiente é algo com notória 
importância para a vida e sua qualidade em nosso planeta, de tal forma que frente às transgressões 
que surgiram com o passar do tempo, o ser humano se viu cada vez mais consumista. Então, 
buscando resguardar um de nossos bens mais preciosos, o meio ambiente, e, de forma equilibrada, 
assegurar a qualidade de vida, é que surge a responsabilidade ambiental. Isto buscando uma 
tutela satisfatória, visto que nosso ordenamento jurídico dividiu a responsabilidade sobre o 
dano ambiental em três: responsabilidade ambiental administrativa; responsabilidade ambiental 
penal; e, responsabilidade ambiental civil. Dessa maneira, a responsabilidade sobre o dano 
ambiental tem sua diferenciação fundamental pelos doutrinadores, por meio de uma avaliação 
de valores, estabelecida pelo legislador que distingue pelo fato ocorrido, no caso, se a ação deve 
ser considerada de uma sanção penal, uma sanção civil, ou uma sanção administrativa, menciona 
Fiorillo (2013).
A tríplice penalização é prevista pela Constituição Federal de 1988, por meio de seu artigo 
225, §3º, que expõe que as condutas e/ou atividades que forem consideradas nocivas ao meio 
ambiente, ensejaram aos infratores – sendo estas pessoas jurídicas ou físicas, penalidades penais 
e administrativas, independente da obrigação de reparar os danos causados, conforme Brasil 
(1988). O artigo 4º, em seu inciso VII, da Lei 6.938/81, versa sobre a Política Nacional do Meio 
Ambiente. Este trouxe ao ordenamento jurídico brasileiro o objetivo de imputar ao degradador a 
obrigação de reparar e/ou de indenizar os danos por ele causados, afirma Pinto (2016).
Cretella (2010) aponta que a responsabilidade tem raiz do termo latino respondere, que 
significa “responder”. A responsabilidade pode ser considerada como um dos temas fundamentais 
e de suma importância para o direito, pois é com base nesta que se pode ponderar a real 
eficácia de um ordenamento jurídico, afinal, sem a figura da responsabilidade no ordenamento 
este se tornaria vazio e sem eficácia frente as transgressões normativas. É a partir da ótica de 
responsabilidade que surge o direito à reparação, por parte do agressor, de maneira mais ampla 
possível. Tradicionalmente, a responsabilidade é entendida com o fundamento da culpa, comenta 
Antunes (2010).
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No que diz respeito à reparação, esta é a utilização de um meio que vise a compensar de 
maneira a reverter a lesão ao status quo ante, ou seja, devolver ao estado anterior ao da lesão, 
seria como se a lesão nunca tivesse ocorrido. Tratamos aqui de uma concepção teórica, pois no 
caso concreto, é quase impossível retornar um bem atingido ao estado anterior. Em seu estado 
original, seria o caso da morte de uma pessoa, a destruição de uma obra com valor histórico, ou a 
extinção de uma espécie animal, etc. Tudo isso se torna impossível, visto que a reversão se tratam 
de bem únicos de valores inestimáveis e que não podem ser meramente substituídos, mostra 
Antunes (2010).
Para Rodrigues (2016), quando ocorrido o dano, tornasse vital a sua recuperação o mais 
rápido possível, pois se ocorrer o dano já é ruim, pensando que as consequências desse dano serão 
ainda piores. Em casos de danos ambientais, esses, muitas vezes, são de maneira continuad,a 
tendo caráter por vezes ad futurum e eternum, de modo que quanto mais tempo se passa para 
sua recuperação, maior será o efeito degradador que o meio ambiente sofrerá, podendo a demora 
de recuperação do meio ambiente ser fatal para o mesmo. Na mesma vertente, tem entendido o 
STJ, no tocante ao fator tempo e a lesividade que este pode ter em determinado meio ambiente, 
vejamos:
[...] 15. Não custa pontuar que, na seara ambiental, o aspecto temporal ganha 
contornos de maior importância, pois, como se sabe, a potencialidade das 
condutas lesivas aumenta com a submissão do meio ambiente aos agentes 
degradadores. 16. Tanto é assim que os princípios basilares da Administração 
Pública são o da prevenção e da precaução, cuja base empírica é justamente a 
constatação de que o tempo não é um aliado, e sim um inimigo da restauração e 
da recuperaçãoambiental. [...] (MARQUES, 2011)
2.1. RESPONSABILIDADE ADMINISTRATIVA
A responsabilidade administrativa ambiental surge a partir de uma transgressão aos 
regramentos que revestem o direito administrativo, ocorrendo a transgressão no ambiento 
administrativo. Surge com ela uma sanção a ser imposta ao transgressor, que também é de 
cunho administrativo, podendo ter caráter de multa simples, advertência, interdição da obra ou 
atividade lesiva, cita Piske (2016).
TJDFT. Responsabilidade administrativa por Dano Ambiental - Parte I. Juíza Oriana 
Piske. 
Disponível em: 
. 
Acesso em: 30 out. 2016.
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Como um dos poderes mais expressivos no âmbito administrativo está o poder da polícia, 
na concepção de Maria Sylvia Zanella Di Pietro, existem conceitos em que o poder da polícia era 
compreendido como sendo uma atividade do Estado, que era limitado ao exercício dos direitos 
individuais em prol da segurança. Por outro lado, apresenta-se o conceito moderno de poder 
da polícia, que é considerado como sendo a atividade desempenhada pelo Estado, que limita ao 
exercício dos direitos individuais em favor ao interesse público, explica Piske (2016). O conceito 
legal do poder da polícia pode ser verificado no artigo 78 do Código Tributário Nacional:
Considera-se poder de polícia a atividade da administração pública que, 
limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de 
ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, 
à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao 
exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou ao respeito à 
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. (TAPAI, 2003, p. 113).
 
Pode-se verificar que todas as entidades estatais dispõem de poder de polícia, no que 
diz respeito as matérias que lhe competem. No caso do direito ambiental, é competência dos 
três órgãos estatais proteger o meio ambiente, assim como aplicar as medidas necessárias para 
proteção do bem. Fiscalizando e limitando as atividades e obras que visam o uso e gozo do bem 
ambiental, para garantir a qualidade de vida da coletividade, aplicando as sanções cabíveis nos 
casos, em que ocorre a infringência dos preceitos regramentais administrativos.
Figura 18 - Frascos de veneno jogado em área rural. Fonte: Gargalo (2017)
A título de exemplificação, não necessariamente existe a necessidade do agente ter jogado 
ou enterrado um fraco de veneno, medicação ou agrotóxico para ser responsabilizado. Sua 
conduta passiva de não cuidar de sua área, é considerada uma conduta omissiva, ou seja, passível 
de responsabilização, o que é por boa parte dos responsáveis pela área considerada uma injustiça. 
Entretanto, a injustiça está apenas no campo da subjetividade do agente.
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As sanções ambientais administrativas encontram-se regulamentadas pela por meio da 
Lei 9.605/98, em especial nos artigos 70 a 76, deste diploma legal, em que é possível encontrar a 
definição de infração ambiental na esfera administrativa, como “toda ação ou omissão que viole as 
regras jurídicas de uso, gozo, promoção, proteção e recuperação do meio ambiente”. Atualmente, 
a Lei 9.605/98 teve sua regulamentação pelo Decreto nº 6.514/08, que trouxe pormenorizado 
os tipos de infrações consideradas como administrativas e as sanções a serem aplicadas a cada 
modalidade de infração, bem como estabeleceu o processo administrativo federal competente na 
apuração das infrações ambientais administrativas. 
2.1.1. Infrações e sanções administrativas
Silva (2000) defende que, no que tange as infrações ambientais administrativas, estas devem 
advir de previsão legal, vindo de legislação federal, estadual e municipal, dentro da competência 
que, a cada qual, corresponda, no quesito das infrações e sanções ambientais. Conforme exposto, 
a Lei 9.605/98 dispõe sobre as infrações e sanções aplicáveis ao direito ambiental, no entanto, cabe 
salientar que leis especiais também podem estabelecer sanções administrativas a serem aplicadas 
em caso de descumprimento de suas normas, e neste caso, irá prevalecer as sanções previstas 
pelas leis especiais, cita Piske (2016).
A Lei 9.605/98 apresenta em seu artigo 72 um rol das sanções administrativas ambientais: 
advertência; multa simples; multa diária; apreensão dos animais; produtos e subprodutos da 
fauna e flora; instrumentos; petrechos; equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados 
na infração; destruição ou inutilizarão do produto; suspensão de venda e fabricação do produto; 
embargo de obra ou atividade; demolição de obra; suspensão parcial ou total de atividades; 
restritiva de direitos.
Em conformidade com a Lei 9.605/98, em seu artigo 70, §1º, os órgãos competentes para 
lavrar o auto de infração e instaurar processo administrativo, são os funcionários dos órgãos 
ambientais que integram o Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, órgãos estes que 
são designados para realização da fiscalização, compete ainda aos agentes das Capitanias dos 
Portos, e do Ministério da Marinha.
Entre as sanções administrativas, cabe salientar a advertência, multa simples, multa 
diária; apreensão dos animais, produtos e subprodutos da fauna e flora, bem como instrumentos, 
apetrechos, equipamentos ou veículos de qualquer natureza utilizados na infração, entre outros.
2.2. RESPONSABILIDADE PENAL 
A responsabilidade penal é iniciada a partir de uma conduta de ação ou omissão que vem 
a resultar em algum dano ao bem ambiental, que venha a refletir na desobediência de alguma 
norma penal, levando ao surgimento de uma infração penal. Entretanto, questiona-se, as pessoas 
jurídicas agem conforme vontade (ação) ou omissão de pessoas físicas, resultando em danos 
ambientais.
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Figura 19 - Balanço do Desastre de Mariana. Fonte: Carrera (2016).
Figura 20 - Manifesto Samarco. Fonte: Associação dos Docentes da UESC (2015).
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Figura 21 - Investimentos Usina H. de Belo Monte. Fonte: Filho (2011).
Destaca-se pelas figuras, um manifesto pela responsabilização da mineradora Samarco, 
pelo desastre em Mariana (MG), após o rompimento da barragem de fundão, bem como 
também os investimentos da Norte Energia pelos impactos causados com a construção da Usina 
Hidrelétrica de Belo Monte, considerada a maior hidrelétrica brasileira, uma das maiores do 
mundo, porém, com impactos ambientais em área indígena inestimável.
Prado (2011) explica que em princípio as normas e pressuposto do Direito Penal devem 
ser definidos de maneira autônoma, a fim de evitar remissão a outras regras do ordenamento 
jurídico, no entanto, quando se trata da regulamentação jurídico-penal em contesto de setores 
como ambiente, economia popular, consumidor, setores que estão diretamente ligados com 
fatores histórico-sociais, que exigem que a atividade normativa esteja sempre em constante 
variação e evolução para acompanhar as mudanças sociais. As atividades normativas que visam 
acompanhar tais situações no direito penal são chamadas de normas penais em branco. No 
que diz respeito à norma penal em branco, esta é de cunho lex imperfectas (leis imperfeitas), 
denominam-se assim, pois determinam de maneira integral somente as sanções, dependendo 
está de outra norma para complementação, informa Carvalho (2016). Neste sentido, completa 
Prado (2011) expondo que a norma penal em branco é aquela que necessita de complementação 
por meio de outro dispositivo legal, pois a descrição da conduta punível se apresenta de maneira 
incompleta.
53WWW.UNINGA.BRjurídica não comete os danos ambientais, mas sim aqueles que a 
regem, de forma que a personalidade jurídica deve ser desconsiderada; por outro lado, o STF 
tem o entendimento de que a pessoa jurídica poder unicamente responsabilizada por um dano 
ambiental.
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U N I D A D E
04
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 57
1 - RESPONSABILIDADE CIVIL ............................................................................................................................... 58
1.2. REPARAÇÃO DO DANO: TEORIAS ................................................................................................................... 58
1.2.1. TEORIA SUBJETIVA ........................................................................................................................................ 58
1.2.2. TEORIA OBJETIVA .......................................................................................................................................... 59
1.2.3. TEORIA ADOTADA NO DIREITO AMBIENTAL BRASILEIRO ....................................................................... 59
2 - CUMULAÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, NÃO FAZER E INDENIZAR .......................................................... 60
2.1. RIO DOCE INGRESSA COM AÇÃO JUDICIAL .................................................................................................. 61
2.2. RECUPERAÇÃO IN NATURA ............................................................................................................................ 62
2.3. INDENIZAÇÃO PECUNIÁRIA ........................................................................................................................... 63
2.3.1. FINALIDADE E DESTINAÇÃO DA INDENIZAÇÃO ......................................................................................... 63
2.3.2. LEI DO USO CIENTÍFICO DE ANIMAIS – LEI N. 11.794/2008 ................................................................... 65
2.3.3. POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS .......................................................................................... 66
2.4. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL ......................................................................................................................... 67
2.4.1. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP) ....................................................................................... 67
2.4.2. RESERVA LEGAL (RL) ................................................................................................................................... 69
2.4.3. AS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS ÁREAS CONSOLIDADAS .................................................................... 70
RESPONSABILIDADE JURÍDICA DO 
DIREITO AMBIENTAL 
PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
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INTRODUÇÃO
A quarta unidade tem como objetivo apresentar a responsabilidade jurídica do direito 
ambiental, em especial, destacando a responsabilidade civil, por meio de suas teorias, sendo teoria 
da responsabilidade objetiva e subjetiva da culpa. A análise dessas teorias, leva em consideração 
se houve um caso fortuito, força maior, ou decorrência deuma falha humana, bem como técnica. 
Além do mais, surge também a responsabilidade a partir de uma ação licita, e a necessidade 
de responsabilidade de reparação. Superada a apresentação da responsabilidade civil, aborda-se 
também a responsabilidade de reparação do dano, in natura e reparação pecuniária, garantindo 
o retorno em pecúnia ao meio ambiente. 
Conforme já visto nas unidades anteriores, o meio ambiente tem sua classificação e 
subdivisões, fazendo com que exista, a título de argumentação, o meio ambiente artificial e o meio 
ambiente natural ocupando o mesmo espaço físico. Neste sentido, havendo a responsabilização de 
indivíduo que eventualmente tenha praticado ilícito ambiental (meio ambiente natural urbano), 
pode o valor em pecúnia ser utilizado para proteção, projetos ou organização urbana, ou seja, 
destinado ao meio ambiente artificial? Quais as principais mudanças e impactos do novo código 
florestal brasileiro? O que proporcionará em benefícios aos agricultores? Para essas e outras 
perguntas, convidamos os alunos para a leitura do material, bem como acompanhar as aulas, 
pois terão além dessa resposta, o conhecimento sobre a política reversiva judicial para proteção 
ao meio ambiente, bem como compreender a finalidade e destinação da recuperação ambiental.
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1 - RESPONSABILIDADE CIVIL
Antigamente, a responsabilidade civil era algo que deveria ser observada pela ótica 
subjetiva, que para a caracterização e imputação da responsabilidade se fazia necessário que 
estivessem presentes quatro elementos: a ação ou omissão; o nexo causal; o dano; a presença da 
culpa ou dolo por parte do agente transgressor, cita Bedran e Mayer (2013).
Pelo código civil de 2002, Lei nº 10.406, a responsabilidade em reparar o dano vem 
atribuída por meio de seu art. 927, dispõe que “Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), 
causar dano a outrem, fica obrigado a repará-lo”, no mesmo sentido complementa o artigo 186, 
expondo que “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar 
direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito”, por sua vez 
o artigo 187, do mesmo diploma ambos do mesmo diploma legal traz que “Também comete ato 
ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede manifestamente os limites impostos pelo 
seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos bons costumes” (BRASIL, 2002). Então, a 
responsabilidade, nesses casos, é vista de forma subjetiva, devendo estar presentes os elementos 
que comprovem a culpabilidade do agente, explica Bedran e Mayer (2013).
Quanto ao que dispõe sobre o direito ambiental, a comprovação da responsabilidade pela 
linha subjetiva se torna muito difícil – a demonstração da culpa do agente sobre o dano causado 
–, de tal modo que a doutrina passou a adotar, nesses casos, a teoria objetiva da responsabilidade, 
devido à importância que o direito ambiental tem, afirma Bedran e Mayer (2013).
Para Antunes (2010), no direito ambiental, a responsabilidade gerada pelos danos causados 
ao meio ambiente, em nosso ordenamento, é matéria que desfruta de status constitucional, visto 
que, encontra-se positivada por meio de capítulo na Constituição Federal que trata sobre o meio 
ambiente. Então, cabe salientar que é difícil demonstrar a culpa do agente pela ótica subjetiva – 
quanto ao dano ambiental –, devendo o agente ser responsabilizado de forma objetiva, pois deve-
se considerar o quão importante é o ordenamento jurídico ao direito ambiental.
1.2. REPARAÇÃO DO DANO: TEORIAS
Surge a reparação do dano para que ocorra a efetiva obrigação de reparação do dano. Para 
tanto, há a necessidade de se comprovar a responsabilidade exercida pelo agente quanto ao dano, 
o que deu ensejo a duas teorias sobre responsabilidade: teoria subjetiva e teoria objetiva, segundo 
Sirvinskas (2013).
1.2.1. Teoria subjetiva
A teoria subjetiva apresentada pelo código civil de 1916, em seu artigo 159, expõe que 
“Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou 
causar prejuízo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”. Isso significa que é necessário fazer a 
comprovação da presença de culpa por parte do agente causador do dano, que pode ser verificada. 
Já pelo atual código civil de 2002, para a responsabilização do dano, é necessária a presença da 
culpa por negligência, da imprudência e imperícia, do dano, e do nexo causal entre a conduta 
e o agente. O código atual também trouxe a possibilidade da responsabilizaçãodo dano moral. 
Essa modalidade de responsabilidade é também denominada como responsabilidade civil por 
ato ilícito, informa Sirvinskas (2013).
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1.2.2. Teoria objetiva
 Na teoria objetiva – ou na teoria contrária ao que se apresenta na teoria de 
responsabilidade subjetiva – não se faz necessária a comprovação de culpa do agente que ensejou 
o dano, ou seja, é irrelevante se havia culpa ou não, basta a existência do fato somado ao dano 
e que exista um nexo de causalidade entre a conduta do agente e o dano. Para essa teoria, a 
responsabilidade de reparação do dano acontece mesmo que o agente tenha agido sem culpa. 
Então, a indenização se dá pelo fato ilícito praticado. No entanto, para a teoria objetiva, o agente 
que sofrer a imputação da responsabilidade tem o direito a pleitear a ação de regresso contra o 
efetivo responsável pelo dano, da mesma forma que é previsto pelo artigo 37, §6º da Constituição 
Federal. Dentro da teoria de responsabilidade objetiva, surgiu um novo conceito denominado 
teoria do risco integral, que é aplicada exclusivamente em casos de responsabilidade objetiva – 
tratada no parágrafo único do artigo 927 do Código Civil de 2002 –, explica Sirvinskas (2013). 
Assim, Mendes (2002, p. 589) afirma que
[...] desimporta e é irrelevante a força maior e o caso fortuito como excludentes 
de responsabilidade. Aplica-se, pois, a teoria do risco integral, na qual o dever de 
reparar independe da análise da subjetividade do agente e é fundamentado pelo 
só fato de existir a atividade de onde adveio o prejuízo. O poluidor deve assumir 
integralmente todos os riscos que advêm de sua atividade, desimportando se o 
acidente ecológico foi provocado por falha humana ou técnica ou se foi obra do 
acaso ou de força maior.
No entendimento de Cavalieri (2010), o instituto “Risco” empregado no caso da 
responsabilidade se refere a perigo que se dá na probabilidade de um dano, e todo aquele que 
exerce uma atividade perigosa, tem por dever assumir o risco e, em consequência, a obrigação de 
reparar o dano por ela causado. 
1.2.3. Teoria adotada no Direito ambiental brasileiro
A teoria de responsabilidade civil ambiental adotada pelo Brasil é a teoria objetiva do 
risco integral. Segundo o entendimento doutrinário ambiental, foi trazida ao ordenamento 
por meio da Lei nº 6.938/81, no parágrafo 1º de seu artigo 14. Para essa modalidade de teoria, 
são desconsideradas as excludentes de responsabilidade, sendo considerada a obrigatoriedade 
de reparar. Não existe uma a necessidade de se verificar a intenção do agente, ou seja, sua 
culpabilidade frente ao dano, bastando somente que se verifique a atividade geradora do dano, 
para surgir a responsabilidade, cita Tozzi (2016).
Nery (1984) é um dos adeptos da teoria da responsabilidade civil ambiental do risco 
integral, seu posicionamento se faz no sentido de que
Ainda que a indústria tenha tomado todas as precauções para evitar acidentes 
danosos ao meio ambiente, se, por exemplo, explode um reator controlador 
da emissão de agentes químicos poluidores (caso fortuito), subsiste o dever de 
indenizar. Do mesmo modo, se por um fato da natureza ocorrer derramamento 
de substância tóxica existente no depósito de uma indústria (força maior), pelo 
simples fato de existir a atividade há o dever de indenizar.
Nos preceitos dessa teoria, não se leva em consideração se houve caso fortuito, força 
ou força maior, basta o simples fato de ter ocorrido o dano para surgir a responsabilidade de 
reparação.
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2 - CUMULAÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, 
NÃO FAZER E INDENIZAR
A existência da obrigação de reparar o dano ambiental é algo que não se pode negar. A 
defesa ao meio ambiente se desenvolve de maneira simultânea, com base nos instrumentos de 
cunho preventivo, repressivo ou reparatório, mostra Cardin (2008). As formas de reparação do 
dano ambiental podem ocorrer de duas maneiras: a reparação por meio de restauração in natura, 
que busca trazer o bem ambiental ao estado anterior da degradação, sendo esta a principal 
reparação e de maior relevância ao âmbito de direito ambiental; e a reparação por meio de 
indenização pecuniária, ou compensação econômica. A restauração in natura, ou seja, natural, 
é tida como uma obrigação de fazer, enquanto a reparação por indenização diz respeito a uma 
obrigação de dar, coloca Cardin (2008).
A legislação que tutela os direitos difusos e coletivos que visam amparar os sujeitos 
vulneráveis tem o dever de ser interpretada de modo que favoreçam a coletividade. Para tanto, 
a hermenêutica jurídica da norma no plano ambiental é regida pelo princípio do indubio pro 
natura, coloca Revista do STJ (2015). O princípio indubio pro natura concerne que nos casos 
onde em que não seja possível realizar uma interpretação inequívoca da norma, a interpretação 
deve ser feita de maneira mais favorável ao meio ambiente, comenta Verdan (2016). A cumulação 
entre a obrigação de fazer e a obrigação de dar é perfeitamente possível, em consonância com o 
que dispõe o artigo 3º da lei 7.347/85, que se trata de pedidos com fundamentos distintos, o que 
afasta a incidência de bis in idem, mostra Cardin (2008).
Na responsabilização civil de um transgressor ambiental, não devemos confundir a 
prioridade de realizar a recuperação in natura, com a impossibilidade de simultaneidade das 
obrigações de fazer, não fazer e indenizar. Como obrigações de fazer – no direito ambiental – 
está a recuperação natural, que tem por intuito retornar o meio ambiente ao estado anterior 
ao do dano. A obrigação de não fazer está voltada para a cessação de atividade lesivas ao meio 
ambiente, ou seja, não praticar qualquer ato que possa ser prejudicial ao meio ambiente. Já a 
obrigação de indenização está ligada ao dever que o degradador tem de indenizar pelos danos 
causados ao meio ambiente. Essa indenização pode se dar pelo motivo de não ser possível a 
recuperação natural pelo dano pretérito, assim como pelo tempo que demorar para ocorrer a 
recuperação integral do meio ambiente. 
Em deprecas ambientais, existe a possibilidade de cumulação simultânea das obrigações 
de fazer, não fazer e indenizar. Isso ocorre pelos preceitos investidos ao princípio do poluidor-
pagador e ao princípio da reparação in integrum, denominadas tipicamente de obrigações 
conjuntivas ou cumulativas, segundo Revista do STJ (2015). No mesmo sentido, Mazzilli (2008) 
explica que nada impede a condenação do réu ao pagamento de indenização pelos danos por ele 
causados, juntamente com o cumprimento de uma obrigação de fazer, explica dando o exemplo 
de que colocar um filtro em uma chaminé de uma fábrica que servirá como proteção e prevenção 
de futuros danos, não impede que se ocorra a condenação do réu ao cumprimento de uma 
obrigação de fazer, bem como ao pagamento de multa a ser fixada nos moldes do art. 11 da Lei de 
Contravenções Penais que vigora sob o nº 3688/41. De modo que a interpretação do artigo 4º VII, 
da Lei nº 6.938/81 que dispõe sobre a Política Nacional do Meio Ambiente, da seguinte maneira: 
Art 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará: (...) VII - à imposição, 
ao poluidor e ao predador, da obrigação de recuperar e/ou indenizar os danos 
causados e, ao usuário, da contribuição pela utilização de recursos ambientais 
com fins econômicos. (BRASIL, 1981)
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Juntamente com o disposto pelo artigo 3º, da Lei nº 7.347/85 da Ação Civil Pública, que 
trata que “a ação civil poderá ter por objeto a condenação em dinheiro ou o cumprimento de 
obrigação de fazer ou não fazer”. Não deve ser feita de maneira simplória, tratando a conjunção 
“ou”, que está presente nos textos legais, como sendo algo facultativo ao agente, como se esse 
pudesse escolher entre a condenação em dinheiro ou o cumprimentoda obrigação de fazer, 
fazendo a compreensão de que as cumulações entre as obrigações não possam ocorrer ao mesmo 
tempo, conforme Brasil (1985). No entanto, é errônea a ideia de que não é possível cumular 
as obrigações, e talvez por interpretação contrária ao real significado que as normas buscam 
trazer é que muitos acabam por incidir em transgressões. No caso dos dispositivos elencados 
anteriormente, a conjunção “ou” possui valor aditivo e não valor alternativo excludente, pois 
sustenta-se como dano ambiental tem caráter multifásico, coloca Revista do STJ (2015).
A cumulação das obrigações no direito ambiental não deve ser vista como uma pena, mas 
sim como medida ressarcitória que busca salvaguardar toda a coletividade, visando, de maneira 
simultânea e complementar, a restauração do meio ambiente afetado, juntamente com a reversão 
para a coletividade dos benefícios econômicos auferidos pelo uso indevido e individual de um 
bem supraindividual, que deve ser protegido por todos, como a própria Constituição Federal 
dispõe em seu artigo 225 “um bem de uso comum do povo”. (REVISTA DO STJ, 2015).
Para Melo (2012), a reparação do dano ambiental deve ser feita de maneira que tente 
alcançar a maior integralidade possível, devendo ocorrer a duplicidade da reparação, sendo 
restaurado ou compensado o dano, somada à indenização correspondente aos danos sofridos. 
Desta forma, a reparação do dano ambiental pode ocorrer por meio de restauração do estado 
inicial da natureza, ou por indenização pecuniária. O principal meio utilizado é a restauração, 
que se traduz como obrigação de fazer. Já a indenização pecuniária seria obrigação de dar. Alguns 
autores, porém, entendem que é possível cumular estas duas obrigações, aplicando-se o que for 
mais favorável à coletividade.
2.1. RIO DOCE INGRESSA COM AÇÃO JUDICIAL 
Pela primeira vez na história da legislação ambiental brasileira, o próprio meio ambiente 
figura como polo ativo de uma ação judicial, o que representa uma confusão jurídica sem 
tamanho. Ou seja, no Direito existe algo que chamamos de capacidade jurídica para ingressar 
com uma ação judicial, por exemplo, João compra uma geladeira da marca Electrolux, mas a 
geladeira apresenta defeito no 1º dia, portanto, João é competente para ingressar com uma ação 
judicial contra a Electrolux. Outro exemplo, João trafegando com seu veículo Gol, é atingido 
na lateral contra um veículo Ônix, ou seja, João é competente para ingressar com uma ação 
judicial contra o proprietário do veículo Ônix. Fazendo um comparativo sobre o caso Rio Doce, é 
como se o próprio veículo Gol estivesse ingressando com uma ação judicial contra o proprietário 
do veículo Ônix, ou seja, em processo civil, existe uma grande confusão e discussão sobre a 
capacidade do Rio. 
O Rio Doce, que sofreu o maior desastre ambiental do Brasil, entrou com ação na 
Justiça para pedir proteção judicial contra futuros desastres. Na ação, o Rio Doce 
está representado pela Associação Pachamama, que atua na América Latina. É a 
primeira vez que acontece algo parecido na história do Brasil. (BITTENCOUT, 
2017)
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A ação foi protocolada em 05 de novembro de 2017, ou seja, dois anos após o vazamento 
da Samarco, e isso representa uma novidade jurídica, bem como divergência processual, uma 
vez que ambientalistas entendem pela possibilidade de ingressar com a ação, bem como outros 
defendem a impossibilidade. Considerando que se trata de um direito difuso, ou seja, de interesse 
e direito de todos, e o meio ambiente tem maior importância do que o processo em si, defende-se 
pela possibilidade de ingressar com a ação. 
De forma contrária, processualistas mais clássicos, entendem que a admissibilidade da 
ação poderá fragilizar o processo, uma vez que qualquer animal poderá ingressar com ação 
judicial contra um agressor por exemplo. É totalmente possível a ação ter continuidade, uma 
vez que o meio ambiente é vida, e sem ele, não existe equilíbrio, não existe fauna, flora, ambiente 
habitável para humanidade, não tendo necessidade de existir o processo, ou seja, dentre todos os 
fatores na balança, o que tem menor peso é o processo.
2.2. RECUPERAÇÃO IN NATURA
É tratada como sendo a atividade que tem por finalidade a reabilitação do bem natural 
que teve sua área lesionada, para essa modalidade de se dá a denominação de recuperação in situ 
(no local). Essa é a principal e ideal forma de reparação do dano ambiental.
Nos entendimentos de Thomé (2012) promover a reparação integralmente do dano é 
afirmar “que o dano ambiental dever ser recomposto na sua integridade, e não limitadamente, 
trazendo uma proteção mais efetiva ao bem ambiental”.
Para Sendim (1998), considera-se recuperação integral do bem degradado quando o 
bem que está sob tutela normativa for garantido novamente, como é o caso de quando a água 
volta a ser sadia. Segundo Catalá (1998), a recuperação in natura deve ser realizada, atentado ao 
ponto de vista ecológico. Distintamente do que se vislumbra nos danos pessoais ou patrimoniais, 
no caso dos danos ambientais, não se pode ter uma visão a partir da relevância econômica e, 
consequentemente, a compensação monetária deve ser de caráter subsidiário em comparação à 
reparação natural.
A intenção do legislador tem como prioridade a aplicação da reparação in natura, existindo 
em grande parte dos casos a possibilidade de ser feita a reparação in natura e a compensação 
ecológica, devendo primeiramente, e principalmente, ser realizada a reparação in natura, e só 
então, quando esta se faz impossível, é que poderá haver a opção pelas medidas compensatórias, 
cita Cardin (2008).
É importante salientar que uma vez imposta a reparação in natura, esta deve ser realizada 
nos moldes previstos de acordo com as normas técnicas pertinentes exigidas pelo órgão público 
competente, previstas pelo parágrafo 2º, do artigo 225 da Constituição Federal:
Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso 
comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder 
Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e 
futuras gerações [...]. 
§ 2º Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio 
ambiente degradado, de acordo com solução técnica exigida pelo órgão público 
competente, na forma da lei. (BRASIL, 1988).
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Para a realização da reparação in natura, é necessária a elaboração de um plano de 
recuperação da região degradada, com finalidade de analisar a viabilidade e eficácia da medida, e 
assim torná-la mais satisfatória.
2.3. INDENIZAÇÃO PECUNIÁRIA
Em relação à reparação do dano ambiental, a indenização pecuniária toma um caráter 
residual, devendo ser considerada como última hipótese. Porém a indenização não cabe apenas 
para reparar o dano ambiental, mas sim como forma de compensação econômica pelo uso 
indevido e pessoal de um bem de uso comum do povo, coloca Cardin (2008).
Uma das maiores dificuldades que os estudiosos do direito vem encontrado em relação a 
indenização pecuniária pelo dano ambiental é a de ponderar valores, posto que o bem ambiental 
é algo de valor imensurável, pois se trata um bem necessário para a manutenção e sã qualidade 
de vida no planeta. No entanto, isso não deve ser empecilho para deixar de aplicar a imposição de 
indenização ao agente degradador, pois se isso ocorrer estaremos convalidando com subsistência 
da impunidade.
Para Sendim (1998, p. 177), a melhor maneira de se estimar o valor econômica do dano 
ambiental é levando em conta
[...] a) a análise da proporcionalidade das medidas de restauração natural; b) a 
compensação dos usos humanos durante o período de execução da restauração 
natural; c) a compensação dos danos ecológicos quando a restauração se revele 
- total ou parcialmente - impossível ou desproporcional.
Nãotransindividuais (direitos de 3ª geração); e por 
fim, os direitos decorrentes do avanço tecnológico (4ª geração). (MORAES, 1998).
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Ainda que se apresenta no trabalho a classificação mais comum, destaca-se que com a 
evolução da ciência jurídica, podemos afirmar que existem outras classificações em sequência, 
defendida por alguns doutrinadores, como por exemplo a paz mundial como direitos de 5ª geração 
e a água como direitos de 6ª geração, coloca Fachin (2010, p. 06). Assim, a primeira geração 
dos direitos fundamentais – iniciada no século XVII – foi marcada pela transição do estado 
autoritário para um estado de direito. Aqui o que se cristalizou foram os direitos à liberdade, 
civis e políticos do homem, afirma Lenza (2011). Posteriormente, com o avanço da revolução 
industrial o cidadão do campo migrou para a cidade e, nestes novos espaços, desenvolveram-
se os direitos econômicos, culturais, sociais e coletivos, configurando a segunda geração, expõe 
Filho (2012).
No fim do séc. XX observou-se uma terceira geração de direitos fundamentais, 
conhecida como direitos considerados transindividuais, ou seja, direitos de pessoas consideradas 
coletivamente. Aqui preconizam os direitos de fraternidade, solidariedade, comunicação, paz, 
conjuntamente a um ambiente tranquilo mesmo com os avanços da tecnologia. Vale ressaltar, 
que devido a esta geração é que os direitos fundamentais estão hoje presentes nos tratados 
internacionais, e assim, a condição do homem enquanto cidadão é o que mais importa, 
independentemente de sua crença, raça, cor, idade, dentre outros, propõe Moraes (1998).
Com os avanços tecnológicos e científicos, o comportamento humano vem se 
modificando e, assim, nasceu a quarta geração dos direitos fundamentais. Nela estão presentes os 
direitos à democracia, informática, clonagens, alimentos transgênicos, pluralismo, entre outros, 
destacando-se que:
Os direitos da nova geração, como foram chamados, que vieram depois daqueles 
em que se encontraram as três correntes de ideias do nosso tempo, nascem 
todos dos perigos à vida, à liberdade e à segurança, provenientes do aumento 
do progresso tecnológico. Bastam estes três exemplos centrais do debate atual: o 
direito de viver em um ambiente não poluído, do qual surgiram os movimentos 
ecológicos que abalaram a vida política tanto dentro dos próprios Estados quanto 
no sistema internacional; o direito à privacidade, que é colocado em sério risco 
pela possibilidade que os poderes públicos têm de memorizar todos os dados 
relativos à vida de uma pessoa e, com isso, controlar os seus comportamentos 
sem que ela perceba; o direito, o último da série, que está levantando debates 
nas organizações internacionais, e a respeito do qual provavelmente acontecerão 
os conflitos mais ferrenhos entre duas visões opostas da natureza do homem: o 
direito à integridade do próprio patrimônio genético, que vai bem mais além do 
que o direito à integridade física. (BOBBIO, 2004, p. 96)
Efetuadas as considerações sobre a evolução dos direitos fundamentais, resta demonstrar 
a partir de que momento eles foram inseridos nas Constituições modernas e sua aplicabilidade. 
Formalmente, apareceram nas Constituições após a Segunda Grande Guerra, em virtude das 
grandes atrocidades ocorridas na época. Destaca-se, também, que foi um período em que diversas 
Constituições aderiram ao modelo principiológico, apresentando em sua formação os princípios 
fundamentais. A partir de então, passou-se a discutir a preocupação global com a proteção dos 
direitos da pessoa humana:
Com a Carta da ONU, em 1945, começa-se a limitar o arbítrio discricionário dos 
Estados sobre seus jurisdicionados. E isso ficou ainda mais evidenciado com a 
Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948. Foi um marco histórico 
para a luta dos direitos e garantias individuais, pois estabeleceu que a promoção 
de tais direitos deveria ser o critério organizador e humanizador na relação 
entre governantes e governados. Os direitos humanos tornaram-se, com a Carta, 
um tema global no mundo pós-Guerra. Representam o reconhecimento do ser 
humano como fim, e não como meio. (FILHO, 2012, p. 65)
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Conforme Napoleão Casado Filho (2012), os direitos do homem têm se modificado na 
história e, ao fim do século XVIII, era tido como absoluto com as mudanças da sociedade, passou 
a ter certas limitações, como é o caso do direito à propriedade. No Brasil, mais precisamente, 
as mudanças passaram a ocorrer com o processo de redemocratização em 1984, por meio 
do movimento “diretas já”, sendo esse o primeiro passo para a mudança posterior ao período 
do Governo Militar (1694-1984), surgindo então a necessidade de uma Constituição Federal 
principiológica, que garanta os princípios e direitos fundamentais, que foi escrita sob as bases da 
igualdade, da justiça, pluralismo, da luta contra o preconceito, entre outros:
A constitucionalização dos direitos humanos fundamentais não significou 
mera enunciação formal de princípios, mas a plena positivação de direitos, a 
partir dos quais qualquer indivíduo poderá exigir sua tutela perante o Poder 
Judiciário para a concretização da democracia. Ressalte-se que a proteção 
judicial é absolutamente indispensável para tornar efetiva a aplicabilidade e o 
respeito aos direitos humanos fundamentais previstos na Constituição Federal e 
no ordenamento jurídico em geral. (MORAES, 1998, p. 21)
Com a Constituição Federal de 1988, o homem passou a ser visto como titular de direitos, 
mas em um sentido mais profundo, ou seja, é a Constituição mais democrática que o país já teve, 
com pilares principiológicos, e conforme o próprio texto em seu artigo 3º dispõe, os objetivos do 
Estado brasileiro consistem em:
[...] uma sociedade livre, justa e solidária; na garantia do desenvolvimento 
nacional; na erradicação da pobreza e na redução das desigualdades sociais 
e regionais; e na promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, 
raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. (BRASIL, 
Constituição de 1988, art. 3º).
Dentre os princípios fundamentais, merece maior reflexão o princípio da dignidade 
humana, disposto no art. 1º, inciso III, da Constituição Federal de 1988. Esta deve ser respeitada 
como um princípio máximo, visto que está relacionado ao mínimo existencial para a pessoa, ou 
seja, não basta apenas o direito à vida:
De toda forma, embora haja direitos formalmente consagrados como 
fundamentais que não apresentam ligação direta com o princípio da dignidade 
humana, é esse princípio que inspira os típicos direitos fundamentais, atendendo 
à exigência de respeito à vida, à integridade física e íntima de cada ser humano 
e à segurança. É o princípio da dignidade humana que justifica o postulado da 
isonomia e que demanda fórmulas de limitação do poder prevenindo o arbítrio 
e injustiça. (MENDES, 2000, p. 34)
Neste aspecto, pode-se dizer que todos os outros princípios e direitos fundamentais 
provêm da dignidade humana, em decorrência da preservação da liberdade, da integridade 
moral, física e psíquica, entre outros. Vale ressaltar, que o homem adquire tal direito com seu 
nascimento, que o acompanha durante toda vida. 
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O importante é realçar que os direitos humanos fundamentais relacionam-se 
diretamente com a garantia de não ingerência do Estado na esfera individual e 
a consagração da dignidade humana, tendo um universal reconhecimento por 
parte da maioria dos Estados, seja em nível constitucional, infraconstitucional, 
seja em nível de direito consuetudinário ou mesmo por tratados e convenções 
internacionais. A previsão desses direitos coloca-se em elevada posição 
hermenêutica em relação aos demais direi previstos no ordenamento jurídico, 
apresentandoexistem, todavia, em nosso ordenamento jurídico, critérios para atribuição do valor 
econômico a ser auferido aos recursos naturais, pois trata-se de uma questão multidisciplinar. 
Encontrando-se frente a tal problemática destaca-se um parecer apresentado pela Engenheira 
Agrônoma Maria Letícia de Souza, que criou a seguinte formula: “valor econômico total = valor 
de uso + valor de opção + valor de existência”, expõe Paraíso (1997).
Já o valor de uso leva em conta a relação do meio ambiente frente ao risco de perca de 
seus benefícios quanto a atual e futuras gerações; e o valor de existência é tangente ao valor 
inerente presente na natureza, ou seja, aquele que lhe é atribuído pelo simples motivo de existir, 
que independe da relação desta com os seres humanos, então, trata-se da importância que o 
bem ambiental tem por si só, por exemplo, seria o caso de um animal raro, menciona Cardin e 
Barbosa (2008). Apesar de parecer um bom ponto de partida, a equação, ainda é deliberado aos 
órgãos público e o judiciário a quantificação da indenização.
2.3.1. Finalidade e destinação da indenização
Uma vez imposta e fixada a indenização pecuniária, a lei determina a destinação que se 
deve dar aos recursos provenientes da indenização pecuniária dos danos ambientais. Cardin e 
Barbosa (2008, p. 17) explicam que 
Sendo determinada a sanção pecuniária para ressarcimento do dano ambiental 
provocado, seja ele material ou imaterial, deverá o valor ser depositado em um 
fundo específico constituído especificamente para receber indenizações dessa 
natureza, gerido por um conselho.
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Para cada Estado-Federação – estados e municípios – deverá existir um fundo destinado 
à arrecadação e administração dos valores recolhidos à título de indenização pecuniária dos 
danos ambientais. O que, na esfera Federal, é denominado Fundo de Direitos Difusos (FDD). 
No Estado do Paraná, temos o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos regido pela Lei 
Estadual nº 11.987/1998, informa Cardin e Barbosa (2008).
Pela Lei 9.008/1995, em seu artigo 1º, §2º está determinado que os recursos que irão 
compor o FDD são:
 § 2º Constituem recursos do FDD o produto da arrecadação: I - das condenações 
judiciais de que tratam os arts. 11 e 13 da Lei nº 7.347, de 1985 II - das multas e 
indenizações decorrentes da aplicação da Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, 
desde que não destinadas à reparação de danos a interesses individuais; III – dos 
valores destinados à União em virtude da aplicação da multa prevista no art. 57 e 
seu parágrafo único e do produto da indenização prevista no art. 100, parágrafo 
único, da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990; IV - das condenações judiciais 
de que trata o § 2º do art. 2º da Lei nº 7.913, de 7 de dezembro de 1989; V - das 
multas referidas no art. 84 da Lei nº 8.884, de 11 de junho de 1994; VI - dos 
rendimentos auferidos com a aplicação dos recursos do Fundo; VII - de outras 
receitas que vierem a ser destinadas ao Fundo; VIII - de doações de pessoas 
físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras. (BRASIL, 1995)
Então, é possível verificar que o artigo da lei suprcitada não confere ao FDD apenas 
recursos advindos das indenizações ambientais, mas também valores decorrentes de violação de 
direitos supraindividuais, transindividuais e metaindividuais, segundo Cardin e Barbosa (2008).
O artigo 1º, parágrafo 3º, discorre sobre o objetivo dos recursos captado por meio das 
indenizações:
 
(...) o objetivo é que os recursos depositados no FDD sejam utilizados para a 
recuperação de bens, na promoção de eventos educativos, científicos, na edição 
de material informativo especificamente relacionado à natureza da infração 
ou do dano causado e na modernização dos órgãos públicos responsáveis 
pelas políticas públicas nas áreas citadas no parágrafo anterior. (BRASIL, LEI 
9.008/1995)
Verifica-se, desta maneira, que o montante originário da indenização, ou reparação 
pecuniária, não vai exatamente para a recuperação do meio ambiente lesado, mas também para 
projetos que visem a conscientização da população quanto à proteção do meio ambiente, de 
forma a viabilizar uma existência saudável para as próximas gerações.
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Figura 22 - Novo código florestal brasileiro. Fonte: WWF (2018).
2.3.2. Lei do uso científico de animais – Lei n. 11.794/2008
A Lei n. 11.794/2008 regulamentou o art. 225, § 1º, VII, da CF/88, estabelecendo 
procedimentos para o uso científico de animais, revogando os dispositivos da Lei n. 6.638/79. 
Após isso, a criação e utilização de animais em atividades e ensino e pesquisa científica em todo 
país, devem seguir as normativas, cadastro e fiscalização do Conselho Nacional de Controle de 
Experimentação Animal (CONCEA), que determinará ou não pela possibilidade.
O CONCEA é presidido pelo ministro de Estado da Ciência e Tecnologia, e integrado 
por representantes de diversos ministérios e/ou instituições, conforme expressa previsão do 
art. 7º da Lei n. 11.794/2008, sendo que, os membros não têm remuneração, são voluntários. 
Entretanto, existem institutos que buscam atender a legislação no que é pertinente ao mínimo, 
porém, burlam procedimentos internos, e fazem pesquisas em animais sem mesmo declarar a 
pesquisa no CONCEA. Alguns dos casos mais conhecidos é do instituto Royal, que em 2013 
utilizou animais para pesquisa de cosméticos.
Instituto Royal. 
Disponível em: 
http://g1.globo.com/sao-paulo/sorocaba-jundiai/noticia/2013/11/instituto-royal-
-relata-nova-invasao-em-sao-roque.html
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Figura 23 - Beagle resgatado do instituto Royal. Fonte: Instituto Luiza Mell (2017).
Na foto, constata-se que animais, por exemplo, esse cachorro da raça Beagle, eram 
utilizados para pesquisas referentes aos efeitos da alimentação, pele e pelagem. Em 2013, mais de 
100 ativistas participaram do resgate de 178 animais.
2.3.3. Política Nacional de Resíduos Sólidos
Após mais de vinte anos no Congresso Nacional, foi aprovada, em 2010, a Lei da Política 
Nacional de Resíduos Sólidos – Lei n. 12.305/2010 –, que tem como objetivo ser aplicada aos 
setores públicos e privados a responsabilidade do gerador do resíduo pela correta destinação 
final deste. Embora sejam poucos os municípios que ainda detém a coleta de resíduos de forma 
desordenada, após a promulgação da Lei 12.305/2010, todos deverão se ajustar à novidade 
legislativa. Com tal obrigatoriedade, é comum encontrarmos reportagens a respeito, como no 
caso de Alagoas, que desde 2015 vem adotando medidas para acabar com lições à céu aberto: 
Política de resíduos avança e Alagoas elimina 36 lixões desde 2015. 
Para melhor complementar o conteúdo, indica-se a reportagem: 
. Acesso em: 27 jan. 2018.
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Para melhor complementar o conteúdo, indica-se a reportagem em rodapé.
Extinção de 36 lixões. 
Disponível em: 
http://www.tnh1.com.br/noticias/noticias-detalhe/meio-ambiente/politica-de-re-
siduos-avanca-e-alagoas-elimina-36-lixoes-desde-2015/?cHash=f3d0574348ba-
2da085f9b594b7e070c4
Desta forma, as pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado responsáveis de 
forma direta ou indireta pela geração de resíduos sólidos, e que desenvolvam ações relacionadas 
à gestão integrada ou ao gerenciamento de resíduos sólidos sujeitam-se às determinações desta 
nova lei, que se articula tanto com a Política Nacional do Meio Ambiente – Lei n. 6.938/81 –, 
quanto com a Política Nacional de Educação Ambiental – Lei n. 9.795/99 –, e com a Política 
Federal de Saneamento Básico – Lei n. 11.445/2007. Com isso, o Ministério Público, em diversas 
esferas, vem atuando com objetivo de fazer com que os municípiose estados cumpram com a 
lei 12.305/2010, entretanto, em casos em que o município já iniciou programas ou medidas para 
extinção e início da coleta seletiva, o Ministério Público vem celebrando com o poder público 
termos de ajuste de conduta, com prazo final a ser cumprido.
O TAC é um acordo extrajudicial – em geral, realizado na fase do inquérito civil – 
que versa sobre a composição do dano ambiental na esfera coletiva, de modo que os lesados 
individualmente continuam com acesso direto à jurisdição (art. 5º, § 6º, da Lei n. 7.347/85). 
Apenas os órgãos públicos estão legitimados a celebrar o acordo (Ministério Público e pessoas 
políticas de direito público interno).
O conteúdo do Termo de Ajuste de Conduta refere-se geralmente à forma de cumprimento 
das normas ambientais, e não a seu conteúdo. Dessa maneira, pode-se conferir um prazo para 
o interessado se adequar, mas não o isentar do cumprimento das determinações. Assim, o 
Município somente ganharia um prazo para atender às novidades jurídicas ou casos complexos.
2.4. O NOVO CÓDIGO FLORESTAL 
Após muitos debates, audiências públicas, projetos de leis aprovados, alterados, revogados 
e com devidas anotações da classe política, surge o tão aguardado e comentado Novo Código 
Florestal, Lei nº 12.651/2012. Dentre a classificação ao meio ambiente, destaca-se o meio ambiente 
natural, que garante a proteção de espaços naturais protegidos, também conhecidos como Área 
de Preservação Permanente (APP) e Reserva Legal (RL). Entretanto, há um destaque especial 
para proteção e controle por meio do Cadastro Ambiental Rural (CAR).
2.4.1. Áreas de Preservação Permanente (APP)
As áreas de preservação permanente são áreas destinadas na propriedade rural, com 
objetivo de proteção do bioma, ou seja, tudo que se relaciona ao bioma, como recursos hídricos, 
a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, 
proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas (Art. 3º, II, da Lei 12.561/12).
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Figura 24 - Mata ciliar conforme o novo código florestal. Fonte: Sistema Faeg (2016).
Sobre a APP – Área de Preservação Permanente – e o Novo Código Florestal, verificou-se 
após a promulgação da lei, mudanças insignificantes perante as audiências públicas destacadas 
na mídia, considerando como parâmetro a antiga Lei nº 4.771, e a Lei 12.561/12 (Novo Código 
Florestal). Alguns doutrinadores defendem que a nova legislação tem como objetivo prestar 
melhores esclarecimentos, dessa forma:
a) ficou expressamente previsto que somente devem ser protegidas como APP’s 
as faixas marginais dos cursos d’água naturais, eliminando a dúvida quanto aos 
regos e canais artificiais;
b) a medição das faixas marginais de app’s passou a ser da borda da calha do leito 
regular dos cursos d’água, deixando de ser a partir do nível mais alto em faixa 
marginal, como acontecia sob a égide da antiga lei, o que dificultava muito a sua 
delimitação;
c) a situação dos lagos e lagoas naturais passou a ser expressamente definida por 
lei, o que não acontecia, ficando claro que, quanto aos reservatórios artificiais 
prevalece o disposto no respectivo licenciamento ambiental, que continua 
obrigatório para qualquer intervenção em curso d’água.
d) importante mencionar o disposto no Art. 62, com disposição expressa 
quanto aos reservatórios artificiais de água destinados a geração de energia ou 
abastecimento público estabelecidos antes de 2001, cuja área de preservação 
permanente se estabeleceu na distância entre o nível máximo operativo normal e 
a cota máxima e que deverá servir regularizar muitas propriedades prejudicadas 
com a Resolução 302 do CONAMA.
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Uma das principais alterações, foi o esclarecimento de que as áreas de preservação 
permanente em veredas é a faixa marginal, em projeção horizontal com a largura mínima de 
50 (cinquenta) metros, a partir do limite do espaço brejoso e encharcado. Também houveram 
alterações mínimas e melhor esclarecimentos, porém não houve uma alteração de grande impacto 
ou prejudicial, ao contrário do que se alegava antes da vigência do novo código, conforme Brasil 
(2012).
2.4.2. Reserva Legal (RL)
Uma das áreas de alterações que garantem bom conteúdo em palestras, discussões e 
pesquisas, por parte de agricultores, é sobre a Reserva Legal. Entretanto, o que causa choque nos 
principais ambientalistas e autoridades é que o questionamento, em sua grande maioria, não tem 
o objetivo de apresentar uma preocupação sobre o quanto é o mínimo que deve ser mantido na 
área com reserva legal.
Agora, é preciso frisar que o momento econômico nacional – ou seja, com a atual crise 
política e econômica do ano de 2017 – faz com que agricultores de todo país busquem meios de 
burlar as regras, alterando a área de reserva legal ao longo dos anos. 
Figura 25 - proteção ambiental e o novo código florestal. Fonte: Greenpeace (2012).
Portanto, é preponderante destacar que houveram mínimas mudanças sobre a reserva 
legal, ao contrário do que aparentou diante as calorosas discussões na mídia. Dentre as obrigações 
sobre a reserva legal, observa-se a do proprietário de preservar o bioma existente na propriedade 
– entre 20% e 80% – a depender da localização do imóvel no território brasileiro, ou seja, depende 
da localização geográfica da propriedade.
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Neste sentido, considerando a existência do imóvel rural localizado na Amazônia legal, 
ou seja, pertencente aos Estado do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, 
Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, a vegetação do bioma deverá ser mantida em 80%. 
Já no que diz respeito ao bioma cerrado, o proprietário deverá manter o bioma em 35% de sua 
propriedade, bem como existe também a exigência de 20% na área situada em região de campos 
gerais, nos termos da nova legislação, cita Brasil (2012). Entretanto, vale ressaltar que deverá ser 
respeitado o percentual de 20% de vegetação nativa da área total do imóvel, quando este estiver 
localizado em qualquer outra região do país que não seja as já destacadas no parágrafo anterior, 
conforme a Brasil (2012).
De forma diversa ao Código Florestal de 1965, pelo menos sobre a responsabilidade de 
proteção à Reserva Legal, esclareceu-se que o ônus devido ao exercício da propriedade, conforme 
o princípio do propter rem, acompanha a coisa, independente do proprietário. É o mesmo 
princípio que rege a obrigação tributária para pagamento de imposto territorial urbano.
Uma alteração importante, talvez que se sobressai às alterações mínimas, é a possibilidade 
do cômputo da APP na reserva legal. Entretanto, somente será possível o benefício que se soma 
e que não resulte em áreas novas para alternativamente de utilizar o solo, bem como ser a área 
restrita à proteção ou em processo de recuperação, assim como a necessidade de inclusão do 
imóvel no Cadastro Ambiental Rural (CAR), segundo Brasil (2012). Outra alteração de extrema 
importância, é sobre a possibilidade de exploração econômica da Reserva Legal, mediante 
manejo sustentável, ou seja, agricultores estão aproveitando a oportunidade para fazer plantio de 
orquídeas, café tipo exportação, e criar caprinos na Reserva Legal, quando nessa última hipótese 
não constar nascente.
2.4.3. As Disposições Transitórias Áreas consolidadas
Um dos pontos de grande discussão, e que com certeza obteve boa parte dos holofotes, 
foi a preocupação da reforma do Código Florestal, e a influência que teria a nova legislação sobre 
as áreas consolidadas, que eventualmente, foram prejudicadas devido à falta de regularidade 
no tempo. Ou seja, imagine uma propriedade que estivesse sem uma reserva registrada, como 
deveria proceder após o código? Embora tenha ganho diversos discursos, de ambientalistascontra 
agricultores e pecuaristas tem posicionamentos contrários devido à necessidade de exploração 
econômica e pensamento vil de que árvore não dá dinheiro para ninguém, destaca-se que a Lei 
12.651/12 não permite a consolidação da Reserva Legal.
Neste sentido, toda e qualquer propriedade rural, independentemente do cultivo ou criação, 
deverá manter a reserva legal conforme legislação em vigor. Assim, conforme anteriormente era 
previsto pela Lei nº 4.771/65, todos os proprietários deverão manter o correspondente mínimo 
de reserva legal exigido pelo art. 12 na nova lei, ou seja, percentuais de 20%, 35% ou 80%, de 
vegetação do bioma. Eventualmente, na existência de áreas com índices inferiores ao contido 
na legislação (20%, 35% e 80%) deverão optar pela recomposição da reserva, ou regeneração 
natural da reserva, por meio de um projeto homologado no instituto ambiental competente, ou 
a compensação da reserva.
Portanto, nota-se que em reação à compensação ambiental, as alterações também foram 
mínimas, pois tanto no art. 44 do antigo código, como na previsão do novo código (art. 66), existe 
a possibilidade de compensação ambiental:
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a) a compensação mediante aquisição de cotas (Art. 66, §5º, I - anteriormente 
Cotas de Reserva Florestal Art. 44-B do Código revogado). Trata-se de uma 
excelente oportunidade para a criação de um mercado organizado de serviços 
ambientais, com negociação de títulos correspondentes a áreas de vegetação 
nativa para compensação. Em mais de 10 anos da previsão legal sob a égide 
da Medida Provisória 2.166/01 o dispositivo nunca foi regulamentado, pelo que 
somos céticos dessa solução;
b) instituição de servidão ambiental (ou arrendamento de reserva ambiental 
(Art. 66, §5º, II; Art. 44-A do Código revogado). Trata-se de um instituto 
de efetividade e que já vinha funcionando como solução eficaz para a cessão 
precária, temporária e reversível de excedentes florestais para compensação 
ambiental;
c) doação ao órgão ambiental competente de área localizada no interior de 
unidade de conservação de domínio público, pendente de regularização 
fundiária (Art. 66, §5º, II; Art. 44, § 6º do Código Revogado).
Porém, uma novidade altera de forma significativa a possibilidade de compensação 
ambiental. Anteriormente, somente seria possível a compensação ambiental, ou seja, indicação 
da reserva legal da propriedade em outra propriedade, desde que a reserva legal fosse no espaço 
geográfico da mesma bacia hidrográfica, ou seja, em uma área de aproximadamente 50 km de 
raio, para fins de exemplificação, conforme a antiga lei, no art. 44, II.
Agora, com a nova legislação, é possível a compensação da reserva legal, com a indicação 
da reserva em outra área, desde que seja no mesmo bioma (Art. 66, §5º, IV), ou seja, na região 
mata atlântica, é possível a indicação em qualquer outra área ou bacia hidrográfica, abrangendo 
a possibilidade de compensação ambiental.
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internacional. Porto Alegre: Fabris, 1993.diversas características: imprescritibilidade, inalienabilidade, 
irrenunciabilidade, inviolabilidade, universalidade, efetividade, interdependência 
e complementariedade. (MORAES, 1998, p. 47)
A dignidade corresponde a um adjetivo insubstituível ao homem, não equivalente a 
qualquer valor material, sendo intransferível e de valor espiritual inestimável. A importância 
do princípio da dignidade da pessoa humana está neste valor único, pois conforme bem leciona 
Kant, ele representa a essência do homem, e, portanto, o norte para outros direitos fundamentais, 
explica Kant (2006). Diante disso, compreende-se que a dignidade humana é um princípio máximo 
a ser respeitado, constituído historicamente pela cultura e luta dos povos, pois é fundamental 
para a valorização do homem como pessoa, para a evolução do indivíduo e, consequentemente, 
da sociedade como um todo, afirma Loureiro (2007). Assim, entende-se primordial o equilíbrio 
entre as relações do Estado com o homem, sob a ótica da dignidade da pessoa humana, para a 
preservação da vida, contemplando o homem como pessoa, segundo Prado (2007).
Figura 1 - Retirantes. Fonte: Cultura Genial. Candido Portinari. (1944)
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Na obra Retirantes do artista Candido Portinari, destaca-se a imagem da miséria do 
brasileiro dos anos de 1940, construída pela desigualdade social, e migração de nordestinos para 
os grandes centros, como por exemplo, São Paulo. Com isso, denota-se a fome, a desnutrição, 
ou seja, a inexistência do mínimo existencial para garantida da dignidade humana. Portanto, 
a defesa da dignidade humana é objeto de luta há tempos, desde o período pós-revolução 
industrial, e consumada com a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 
1948, destacando-se, ainda, outros documentos:
A Declaração dos Direitos do Povo Trabalhador e Explorado, do Congresso 
Soviético Panrusso de 1918, convertido em capítulo Ida Constituição da 
República Soviética da Rússia, de 5 de julho de 1918; a Carta das Nações Unidas, 
de 26 de junho de 1945, as Resoluções da Comissão de Direitos Humanos das 
Nações Unidas, os Pactos sobre Direitos Humanos das Nações Unidas, os Pactos 
sobre Direitos Humanos das Nações Unidas, tais como o Pacto Internacional 
Sobre Direitos Civis e Políticos e o Pacto de Direitos Econômicos, Sociais e 
Culturais, ambos de 19 de dezembro 1966; a Convenção Européia dos Direitos 
do Homem e das Liberdades Fundamentais, de 4 de novembro de 1950, a Carta 
Social Europeia, de 18 de outubro de 1961, a Convenção Americana dos Direitos 
do Homem, de 26 de novembro de 1969, Declaração de Estocolmo sobre o 
Ambiente Humano, junho de 1972, a Carta Africana de Banjul dos Direitos do 
Homem e dos Direitos dos Povos, de 27 de junho de 1981. (LIRA & QUEIROZ, 
2015, 65, grifo nosso). 
Importante destaque, o Pacto de São José da Costa Rica, Convenção Americana sobre 
Direitos Humanos, que teve grande importância na efetivação desses direitos fundamentais e 
também a Declaração de Estocolmo de 1972, que em seu princípio primeiro destaca:
1 – O homem tem o direito fundamental à liberdade, à igualdade e ao desfrute 
de condições de vida adequadas, em um meio ambiente de qualidade tal que 
lhe permita levar uma vida digna, gozar de bem-estar e é portador solene de 
obrigação de proteger e melhorar o meio ambiente, para as gerações presentes e 
futuras. A esse respeito, as políticas que promovem ou perpetuam o “apartheid”, 
a segregação racial, a discriminação, a opressão colonial e outras formas de 
opressão e de dominação estrangeira permanecem condenadas e devem ser 
eliminadas. (DECLARAÇÂO DE ESTOCOLMO SOBRE O AMBIENTE 
HUMANO, 1972)
Entretanto, os princípios elencados na Declaração de Estocolmo surtiram efeito ao longo 
do tempo, principalmente nos países desenvolvidos, o que garantiu o aumento de esforços para 
controle da proteção ambiental. Neste sentido, termos como sustentabilidade e uso sustentável 
de recursos naturais, foram temais abordados em outras conferências, o que resultou 20 anos 
mais tarde, o encontro do Rio 92, ou também conhecida cúpula da terra. Destacou-se no evento 
o discurso de alguém que não era chefe de Estado há época, e que até hoje é considerada uma 
bandeira de proteção ambiental, a jovem Severn Cullis Suzuki, conforme vídeo proposto para 
complementar o conteúdo. Portanto, deve-se levar em consideração a supremacia do direito à 
vida sobre todos os outros direitos, pois neste caso, prevalecerá o mais importante ou o de maior 
tutela jurisdicional, explica Pontes de Miranda (1954). Diante da centralização do homem nas 
relações jurídicas, é dever do Estado a garantia dos direitos fundamentais por meio de normas 
positivas, objetivando o desenvolvimento de uma sociedade democrática de direito, onde o 
interesse público prevaleça sobre o interesse particular. Ou seja, em virtude da dignidade da 
pessoa humana, deve-se a valoração social e constitucional decorre da mesma, não podem assim 
ser menosprezada pelo Estado, sob pena de grave e injusta infração constitucional. 
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Em especial, no que diz respeito ao meio ambiente, consideramos que o meio ambiente 
ecologicamente equilibrado é um direito fundamental, elevado ao ápice dos direitos do homem, 
considerado essenciais para sua existência, deve o estado promover e efetivar a educação 
ambiental, entretanto, também é dever de todos possibilitar essa efetivação.
1.2. Da água como direito fundamental de sexta geração 
Um dos principais objetos de proteção ambiental na contemporaneidade, é a água potável, 
considerada recentemente por Zulmar Fachin como um direito fundamental de sexta geração, 
segundo Fachin e Silva (2010). Como bem prevê a Declaração Universal dos Direitos da Água:
2 - A água é a seiva de nosso planeta. Ela é condição essencial de vida de todo 
vegetal, animal ou ser humano. Sem ela não poderíamos conceber como são a 
atmosfera, o clima, a vegetação, a cultura ou a agricultura.
8 - A utilização da água implica em respeito à lei. Sua proteção constitui uma 
obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão 
não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado (Declaração Universal 
dos Direitos da Água, 1992)
Outro documento importante, e mais recente elaborado pela ONU sobre a proteção à 
água, em que a água potável é condição para vida, foi o Relatório de desenvolvimento humano 
elaborado em 2006:
A água, a essência da vida e um direito humano básico, encontra-se no cerne 
de uma crise diária que afeta milhões das pessoas mais vulneráveis do mundo 
– uma crise que ameaça a vida e destrói os meios de subsistência a uma escala 
arrasadora. (Relatório de Desenvolvimento Humano. ONU, 2006.)
No que diz respeito, a água potável ser considerada um direito fundamental:
Afirma-se, agora, a existência de uma sexta dimensão de direitos fundamentais. 
A água potável, componente do meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
exemplo de direito fundamental de terceira dimensão, merece ser destacada e 
alçada a um plano que justifique o nascimento de uma nova dimensão de direitos 
fundamentais. [...] O direito fundamental à água potável, como direito de sexta 
dimensão, significa um acréscimo ao acervo de direitos fundamentais, nascidos, 
a cada passo, no longo caminhar da Humanidade. Esse direito fundamental, 
necessário à existência humana e a outras formas de vida, necessita de tratamento 
prioritário das instituições sociais e estatais, bem como por parte de cada pessoa 
humana. (FACHIN; SILVA, 2010, p. 48 – 49).
SUZUKI, Severn Cullis. Disponível em: 
. Acesso em: 20 jan 2018.
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Tem-se, portanto, aqui a garantia e a fundamentação doutrinária de que a água potável 
é um direito fundamental de sextageração, devendo ser assegurada sua proteção bem como os 
outros direitos fundamentais como a vida, a saúde, dentre outros. 
A exemplo de desastres ambientais bem como desequilíbrio ambiental, destacam-se dois 
rios de extrema importância, sendo o primeiro o Rio doce, vítima de uma irresponsabilidade 
humana no ano de 2015, que resultou na morte de peixes, influenciou diretamente no ecossistema, 
pois com o acidente da barragem de Mariana- MG, metais pesados juntamente com lama foram 
jogados no Rio, que até hoje.
Destaca-se a distância da tragédia:
[...] um trajeto de cerca 220 km - para ver os estragos provocados pela lama 
que vazou de uma barragem de contenção de minérios em Mariana e atingiu o 
rio. Pelo caminho encontramos paisagens lindas - prestes a ser profundamente 
modificadas, para não dizer destruídas - e locais e comunidades já extremamente 
prejudicados pela tragédia ambiental. Também presenciamos os preparativos 
das cidades do Espírito Santo que começam agora a receber a lama e sofrer com 
a escassez de água potável. Confira neste vídeo a jornada de nossa reportagem e 
veja a diferença entre as áreas intactas e afetadas pela lama da Samarco. (Conheça 
o Rio Doce antes e depois da enxurrada de lama, 2018)
Figura 2 - Rio Doce. Fonte: Greenpeace. Fonte: Gerhardt (2017)
Conheça o Rio Doce antes e depois da enxurrada de lama. 
Disponível em: 
. 
Acesso em 10 jan 2018.
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Entretanto, existe uma sinuosidade entre a doutrina, a legislação e a prática, considerando 
que a maioria dos municípios do Brasil sofrem com a falta do planeamento urbano, e 
principalmente, aspectos voltados à água são frequentemente abordados. Um dos casos mais 
conhecidos dos últimos 5 anos, é sobre a crise na cidade de São Paulo, onde a capacidade do 
reservatório do Sistema Cantareira, que tem capacidade para atender 9,8 milhões de paulistas – 
8,4 milhões só na capital –, chegou à 9,2% de sua capacidade segundo a Sabesp, ou seja, a crise 
hídrica causou prejuízos incalculáveis, segundo Santos e Loiola (2014).
Para tentar reverter a situação, e com objetive de sanar ainda de forma temporária a falta 
de água, a Sabesp iniciou em março de 2014, obras que permitem a captação do chamado volume 
morto – Porção de água que fica no fundo do reservatório, abaixo dos tubos que tiram a água 
e enviam para as estações de tratamento –, com 17 bombas de captação foram instaladas, e a 
expectativa é que a água do volume morto garanta o abastecimento das regiões de São Paulo que 
dependiam do Cantareira até outubro de 2014, quando iniciou a estação de chuvas, e o nível do 
reservatório começaria a subir, cita Santos e Loiola (2014).
A falta do planejamento resultou em uma das piores crises hídricas da maior cidade 
brasileira, sendo que em 2015, os índices da reserva Cantareira começaram a subir paulatinamente, 
marcado já 15,6% em 18 de março de 2015, para abastecer 5,6 milhões de pessoas. Segundo 
Ivanildo Hespanhol, diretor do Centro Internacional de Referência em Reuso de Água (Cirra), 
da Universidade de São Paulo: 
A razão desta situação em que São Paulo se encontra é a falta de planejamento. 
[...] nós continuamos fazendo a mesma coisa que os romanos há 2.000 anos: 
trazendo a água de cada vez mais longe. (SANTOS; LOIOLA, 2014, p. 17).
Neste sentido, conclui-se que é preciso abordar temáticas como essas, de planejamento 
urbano, controle, exploração econômica dos recursos naturais, e a responsabilidade pública e 
privada, bem como, de forma clara e ordenada, solucionar problemas de crises hídricas como a da 
cidade de São Paulo, de mais capitas. É preciso destacar que é errôneo o pensamento de que grade 
parte do consumo de água pertence à indústria e/ou agricultura, uma vez que segundo pesquisas 
realizadas pela Departamento de Engenharia Hidráulica e Sanitária da Escola Politécnica da USP, 
apontam que a agricultura utiliza apenas 3% do consumo estimado, enquanto as indústrias 17% 
e os imóveis urbanos representam 80% do consumo, ou seja, a conscientização é primordial, é 
fundamental, pois atingiria 80% do problema de excesso, informa Santos e Loiola (2014). Desta 
forma, destaca-se que a educação ambiental é de extrema importância para conscientização sobre 
a o uso racional da água, podendo inclusive a tecnologia e as medidas mitigadoras colaborarem 
para esse racionamento, como por exemplo, através da troca de equipamentos sanitários antigos, 
que gostam mais água que os modernos, bem como cisternas e meios para reuso de água da 
chuva para jardinagem, lavagem de carros e calçamentos, o que corresponderia à uma economia 
de até 45%, explica Santos e Loiola (2014).
Assim, podemos considerar que a educação ambiental é o norteador de condutas que vai 
além da conscientização, mas sim da prática em si não somente de não degradar o meio ambiente, 
como uma omissão em degradar, mas sim uma ação de preservação do meio ambiente para a 
presente, e futuras gerações. Conforme destacou, temos que além da participação da sociedade 
na aprovação e elaboração de projetos sustentáveis, devemos destacar que a princípio é preciso 
haver uma efetivação da conscientização ambiental através da educação ambiental, conforme 
destaca Carlos Minc:
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Existe muita gente que ainda acredita que ensinar educação ambiental é uma 
prática estritamente ecológica, isto é, ensinar as crianças sobre fotossíntese, 
crescimentos das plantas, etc. que seria função da disciplina de biologia e com 
isso não abriria espaço para a integração com outras disciplinas. (MINC, 1999, 
p. 39)
Assim, conforme destaca OLIVEIRA (2015), em um artigo intitulado “Educação 
ambiental – ser ou não ser uma disciplina: essa é a principal questão?!”, questiona sobre a 
possibilidade e interesse de criar efetivamente a matéria de Educação Ambiental nas escolas de 
base, considerando ser o melhor caminho para efetivação da educação ambiental:
Partimos do princípio de que há um consenso em torno da importância e 
premência de educar ambientalmente nossas comunidades escolares, o que 
requer de nós tanto uma formação ambiental como cidadãs e cidadãos e também 
uma formação profissional que nos capacite para atuar na escola. Se a educação 
ambiental é importante – e contamos com amparo legal desde a Constituição 
Federal de 1988 até leis bastante específicas que definem a obrigatoriedade dessa 
formação –, a pergunta seguinte seria: como fazer isso? Ou mais: como isso vem 
sendo feito e como sua implementação efetiva tem sido proposta? (MELLO, 
2007, p. 06)
Assim, devemos encontrar uma forma através da educação ambiental para garantir o 
conhecimento amplo, tanto do profissional mais especializado quanto do cidadão comum, 
para a importância de projetos de cidades sustentáveis, como arborização planejada, e a 
partir desse conhecimento, tratarmos de sustentabilidade nos recursos hídricos através do eco 
desenvolvimento.
Neste sentido, tem-se que é preciso uma colaboração ampla no sentido de buscar uma 
conscientização da importância da proteção do meio ambiente, principalmente dos recursos 
hídricos, e promover uma reforma legislativa em prol dessa causa. Essa colaboração deve partir 
das sociedades organizadas, ONGs, Faculdades, Universidades, Projetos Ambientais, Judiciário, 
e poder legislativo local, e a partir daí toda sociedade irá se mobilizar para uma proteção ampla 
e eficaz.
É necessário que as leis ambientais, através de políticas públicas ambientais, sejam 
aplicadas para efetivação do princípio do direito fundamental à sadia qualidade de vida. Assim, 
temos que tais modificações ferem o direito à sadia qualidade de vida. Não podemos considerar 
como efetivado esse direito, quando notoriamente temos uma evolução urbana e retrocesso 
ambiental. Deste modo, não temos garantia de sadia qualidadede vida, se não temos um equilíbrio 
ambiental. A solução está na conscientização, através de um plano sistemático através da educação 
ambiental, e de políticas públicas concomitantemente, em busca de um único objetivo, que é de 
sustentabilidade.
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1.3. Do ambiente 
1.3.1. Do ambiente ecologicamente equilibrado 
Ao logo dos anos, a proteção do meio ambiente vem sendo cada vez mais discutida, 
principalmente a partir da década de 70, onde o homem focou os problemas com o crescimento 
urbano e industrial, e destacou, mesmo que doutrinariamente os problemas ambientais. Com 
essa construção, depois de tratados, convenções internacionais, a Constituição da República 
Federativa do Brasil de 1988, buscando coerência com a tendência mundial, dedicou parte de 
seus artigos à proteção ambiental, em especial em seu artigo 225, que menciona que: “todos têm 
direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado”, ele está a se referir a nós, seres humanos, 
e tem como principal fundamento o princípio intergeracional do Direito Ambiental, que prevê a 
preservação para futuras gerações. Entretanto, o mesmo artigo 225, em seu parágrafo 1º dispõe 
que:
Art. 225. Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:VII 
– proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem 
em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam 
os animais a crueldade.
Ainda assim, com a devida proteção constitucional, temos que a presente apostila nos 
remete mais a um sentido de princípios, que uma efetiva proteção, como veremos na legislação. 
Portanto, no decorrer da história de proteção ambiental, temos como exemplo a Lei 5.197/67, 
que proibiu o comércio de espécimes da fauna silvestre, determinou a edição de lista de espécies 
ameaçadas de extinção, regulamentou as pesquisas científicas e criou contravenções penais. 
Posteriormente, a Lei 7.653/88 elevou as sanções, onde o comércio ilegal passou a ser sancionado 
com 2 a 5 anos de reclusão, onde os crimes tornaram-se inafiançáveis. Do rigor da Lei 7.653, 
passamos à inaplicabilidade da 9.605/98, que, ao tratar dos crimes de morte, caça, venda, transporte 
e outras condutas contra a fauna (artigo 29), atribuiu-lhes a simbólica pena de 6 meses a 1 ano de 
detenção e multa. Assim, com esse pequeno retrocesso legal, temos um enorme impacto jurídico 
atualmente, pois, existem poucas decisões ou julgados com fortes reprimendas aos crimes contra 
a fauna, e uma grande quantidade de condenações como pagamento às instituições, ONGs, ou 
cestas básicas, menciona Prado (2011).
Nosso direito, quando busca proteger essencialmente a dignidade da pessoa humana 
como princípio fundamental, não pode se eximir da proteção da fauna, pois isso contraria o 
princípio ambiental à sadia qualidade de vida, que nada mais é que o equilíbrio ambiental para 
uma vida com dignidade, mostra Fachin e Silva (2010). Ainda nos debates sobre a reforma do 
Código Florestal, tivemos várias frentes em defesa de muitos interesses, valorizando as questões 
econômicas, entretanto, a frente em defesa das questões ambientais foi mais tímida, pois o que 
mais observamos eram apenas debates acerca do tamanho da área de preservação permanente, 
que indiretamente está ligada ao lucro de uma propriedade produtiva (MINISTÉRIO DA 
AGRICULTURA – Código Florestal, 2012).
Na busca deste entendimento, o Estado do Paraná criou o Sistema Estadual de Proteção à 
Fauna Silvestre – SISFAUNA, que prevê a implantação de uma rede de informações sobre a fauna 
denominada REDE PRÓ-FAUNA, que possibilitará a obtenção de uma série de informações 
sobre a fauna paranaense concentrando todas elas, com o objetivo de desenvolver estratégias 
específicas para a conservação de espécies. No que tange particularmente às espécies ameaçadas 
de extinção verifica-se que:
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[...] importância da fauna está estreitamente ligada à biodiversidade, com seus 
múltiplos valores. Mas recentemente vem-se impondo uma outra visão, que 
procura modificar de uma maneira radical o comportamento da espécie humana 
em face das demais espécies vivas, notadamente algumas espécies animais. 
Trata-se de um posicionamento ético, inspirado pela assim chamada “Ecologia 
Profunda”, que pretende incultar uma revisão das atitudes pragmáticas, da 
ambição sem medidas e da crueldade para com o mundo natural. (MILARÉ, 
2009, p. 258)
Ademais, cumpre destacar que em 2015, conforme estabelece o II Comitê da ONU, será 
comemorado o ano do solo, que também passa a ser comemorado no dia 5 de dezembro:
A 68ª Seção do II Comitê da ONU aprovou as resoluções da FAO (4/2013 e 
5/2013) que estabelecem, oficialmente, o dia 5 de dezembro como Dia Mundial 
do Solo e o ano de 2015 como Ano Oficial do Solo: 
1. Decides to designate 5 December as World Soil Day and to declare 2015 the 
International Year of Soils. (UNITED NATIONS. Dia mundial do solo. 2013)
Portanto, verifica-se desde então que o solo e suas complicações vem sendo destacados 
para sua devida proteção, que tem maior eficácia através da notória educação ambiental aplicada 
à preservação do solo.
Tem-se que a educação é o melhor caminho para buscar a preservação através da 
conscientização, pois a educação pode elaborar novos modos de pensar e agir, mudando até 
mesmo a cultura, assim destacamos a educação ambiental, informa Sato (2003).
Por mais célebre que seja a definição de solo por V.V. Dokuchaev (1846-1903), esse conceito 
vem se construindo ao longo da história, ainda existe um déficit muito grande de informações 
sobre o solo, principalmente pela falta de contato. Verifica-se a possibilidade de aplicação da 
educação não formal, que será apresentada posteriormente, para facilitar o desenvolvimento do 
conhecimento sobre o solo.
Nas últimas décadas podem-se constatar grandes mudanças em relação ao meio ambiente, 
sendo essas associadas às atividades antrópicas e seu comportamento com o meio físico, por meio 
da ocupação desordenada e o crescimento dos centros urbanos. Essa ocupação desordenada 
das cidades, muitas vezes financiadas por grandes empresas, age apenas de acordo com seus 
interesses, desrespeitando o meio ambiente, ou seja, interferindo na sua dinâmica natural, mostra 
Mota (1997).
O meio hídrico, porém, caracteriza-se por ser o meio com mais facilidade de ser afetado, 
dessa forma a sua qualidade e quantidade são comprometidas quando ocorre a mudança de seu 
curso ou diminuição dos canais, além de outros fatores que podem ser apontados. Segundo Mota, 
as atividades como o desmatamento, a impermeabilização do solo e o crescimento populacional 
podem provocar mudanças significativas em bacias hidrográficas com o decorrer do tempo, 
particularmente naquelas desenvolvidas em áreas urbanas, menciona Mota (1997). Assim, temos 
que o ambiente ecologicamente equilibrado além de ser um direito, antes é uma necessidade que 
se encontra no âmago da existência da vida, sendo lampejante a súplica da natureza. Portanto, 
faz-se necessário a aplicação imediata de políticas públicas, o que passaremos a tratar doravante, 
com a educação ambiental.
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1.3.2. Da educação ambiental no Estado do Paraná
A educação ambiental instituída primeiramente pela Lei 9795/1999, assegura a integração 
dos órgãos do Sistema Nacional do Meio Ambiente -SISNAMA, instituições educacionais 
públicas e privadas, organizações não governamentais, e todos os entes federativos, para um 
único objetivo, consubstanciar a educação ambiental no sentido de conscientizar a importância 
de preservar o meio ambiente. Assim o Estado do Paraná buscou a efetivação dessa educação. 
Deste modo, foi sancionada a Lei Estadual 17.505 de 11 de janeiro de 2013, que instituiu a Política 
Estadual de Educação Ambiental eo Sistema de Educação Ambiental.
Fazendo um breve esboço e comentário sobre o disposto nos artigos 1º, 2º e 3º, tem-se 
todos os fundamentos e conceito sobre a educação ambiental, pois a Lei Estadual baseia-se na 
Política Nacional do Meio Ambiente. Assim, conforme art. 1º da Lei Estadual, usou-se como 
fundamento e esteio para instituir a Política Estadual de Educação Ambiental, os princípios e 
objetivos elencados na Política Nacional de Educação Ambiental:
Art. 1º. A Política Estadual de Educação Ambiental do Paraná é criada em 
conformidade com os princípios e objetivos da Política Nacional de Educação 
Ambiental (PNEA) e do Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA), 
articulada com o sistema de meio ambiente e educação em âmbito federal, 
estadual e municipal.
Ainda no sentido de dar seguimento à educação ambiental no âmbito do Estado do 
Paraná, a Lei Estadual também definiu o que se entende por educação ambiental, exemplificando 
em seu art. 2º:
Art. 2º. Entende-se por educação ambiental os processos contínuos e 
permanentes de aprendizagem, em todos os níveis e modalidades de ensino, em 
caráter formal e não-formal, por meio dos quais o indivíduo e a coletividade de 
forma participativa constroem, compartilham e privilegiam saberes, conceitos, 
valores socioculturais, atitudes, práticas, experiências e conhecimentos voltados 
ao exercício de uma cidadania comprometida com a preservação, conservação, 
recuperação e melhoria do meio ambiente e da qualidade de vida, para todas as 
espécies.
Destaca-se também o conceito de educação ambiental apresentado pela Política Nacional 
de Educação Ambiental, instituída pela Lei 9795/1999, ainda que de forma mais branda que a Lei 
Estadual 17.505/2013:
Art. 13. Entendem-se por educação ambiental não-formal as ações e práticas 
educativas voltadas à sensibilização da coletividade sobre as questões ambientais 
e à sua organização e participação na defesa da qualidade do meio ambiente. 
Portanto, preservou também em seu art. 3º, o entendimento fundamental ao meio 
ambiente, de que é um direito e dever de todos, atribuindo ao Poder Público e à coletividade o 
dever de preservação, para o presente e para as futuras gerações:
Art. 3º. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
cabendo ao Poder Público e à coletividade o compromisso de desenvolver a 
sustentabilidade, o respeito e a valorização da vida em todas as suas formas de 
manifestação, na presente e nas futuras gerações.
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É preponderante destacar que o art. 3º da Lei 17.505/2013 do Estado do Paraná, é 
totalmente constitucional e faz referência explícita do art. 225 da Constituição Federal de 1988: 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se 
ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as 
presentes e futuras gerações. 
A Legislação Estadual, mais precisamente em seus artigos 11 a 14, trazem os aspectos legais 
para prática da educação ambiental no ensino formal, onde a educação ambiental será realizada 
de forma integrada, interdisciplinar, transdisciplinar no currículo escolar. Posteriormente, trata 
sobre a educação ambiental no ensino superior, assim, destaca em seu art. 17: 
Art. 17. As Instituições de Ensino Superior devem incorporar em seus planos 
de desenvolvimento institucional projetos, ações e recursos que proporcionem 
a implantação das determinações contidas nesta Lei, assegurando a inserção da 
educação ambiental com os seus princípios, valores, atitudes e conhecimentos 
nas atividades de gestão, ensino, pesquisa e extensão. 
Deste modo, destacamos no projeto de educação ambiental o ensino não formal, 
fundamentado pelo previsto no art. 21, da Lei 17.505/2013 do Estado do Paraná:
Art. 21. Entende-se por educação ambiental não formal o processo contínuo 
e permanente desenvolvido através de ações e práticas educativas, executadas 
fora do sistema formal de ensino para sensibilização, formação, mobilização e 
participação da coletividade na melhoria da qualidade da vida.
Portanto, denota-se a legalidade para as instituições de ensino irem de encontro com os 
ditames legais para prática e efetivação da educação ambiental, inserindo em sua educação formal 
conteúdos relacionados ao tema, promovendo também projetos para educação não formal. 
Entretanto, não se restringe apenas às instituições de ensino a prática da educação ambiental, 
existem projetos desenvolvidos pelo poder público que representam a nova geração, como por 
exemplo, um projeto da prefeitura de Maringá que garante hortas comunitárias em áreas que não 
atendem ao zoneamento para habitação ou destinação de outras atividades. 
Figura 3 - Horta Comunitária. Fonte: Ciclovivo. Márcia Souza (2015)
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Tem-se, portanto, que a educação ambiental pode ser projetada para educação básica, 
bem como educação superior, além de projetos sustentáveis realizados pelo poder público em 
todas as duas esferas. Deste modo, compreende-se estar totalmente calçado no âmbito legal, o 
projeto de prática da vivência ambiental da educação superior, para que seja promovido projetos 
de práticas ambientais, uma vez que se trata de uma interdisciplinaridade em ensino não formal, 
contribuindo para formação humana dos alunos, e consolidando o entendimento sobre a 
importância da preservação ambiental para a presente e futuras gerações.
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02
SUMÁRIO DA UNIDADE
INTRODUÇÃO ........................................................................................................................................................... 20
1 - A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA ............................................................................................................................ 21
1.1. O DESPERTAR: LIVRO PRIMAVERA SILENCIOSA ......................................................................................... 21
1.1.1. O CLUBE DE ROMA ......................................................................................................................................... 24
1.2. A ORIGEM: DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO .................................................................................................. 25
1.3. HISTÓRICO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO BRASIL E EVOLUÇAO LEGISLATIVA ..................... 27
1.4. MEIO AMBIENTE NA ATUALIDADE: CONTEXTO MUNDIAL ......................................................................... 28
1.5. PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 ......................................... 31
1.5.1. PRINCÍPIO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ................................................................................. 32
1.5.2. PRINCÍPIO DO POLUIDOR-PAGADOR ........................................................................................................ 33
1.5.3. PRINCÍPIO DA PREVENÇÃO ......................................................................................................................... 34
1.5.4. PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO ......................................................................................................................... 35
1.5.5. PRINCÍPIO DA PARTICIPAÇÃO .................................................................................................................... 35
1.5.6. PRINCÍPIO DA UBIQUIDADE ....................................................................................................................... 36
EVOLUÇÃO DA CONSCIÊNCIA 
ECOLÓGICA INTERNACIONAL
PROF. ME. RODRIGO RÓGER SALDANHA
ENSINO A DISTÂNCIA
DISCIPLINA:
LEGISLAÇÃO AMBIENTAL
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INTRODUÇÃO
A primeira unidade teve como objetivo destacar o desenvolvimento da consciênciaecológica, para a proteção do meio ambiente. O meio ambiente ecologicamente equilibrado tem 
se tornado objeto de grande relevância e centro de discussões, e não é para menos, pois o ser 
humano em sua ânsia de conquistar o mundo não tem mensurado suas ações e os reflexos que 
estas podem e estão trazendo ao meio ambiente.
O meio ambiente não é algo a ser considerado por plano individual, mas sim, um bem 
comum de todos os seres e necessário para a sustentabilidade da vida no planeta. De tal modo 
que é extremamente importante o estudo contínuo sobre maneiras que possam otimizar a 
preservação do meio ambiente, como também a vigilância e aplicação de normas coercitivas que 
impeçam agressores a continuarem suas condutas lesivas ao nosso meio ambiente. Se, contudo, 
essas condutas tiverem sido continuadas, as suas formas de reparação de forma integral, material 
e moralmente. Neste sentido, destaca-se nesta unidade o despertar para a proteção ao meio 
ambiente no início da década de 60, bem como a evolução das questões que envolviam a proteção 
ao ambiente, até resultar na declaração de Estocolmo no início dos anos 70, e a influência do 
cenário protecionista internacional dos anos 70 e 80 para o Brasil.
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1 - A CONSCIÊNCIA ECOLÓGICA 
Hodiernamente é comum a presença da consciência ecológica e as reflexões sobre os temas 
ambientais, no entanto, nem sempre foi assim, houve uma época onde os recursos naturais eram 
encontrados com abundancia e suficiente para suprir de forma satisfatória as necessidades das 
gerações havidas naquele então, acreditava-se que os recursos naturais eram fontes inesgotáveis 
e que se poderia usufruir deles de forma contínua sem que isso levasse a qualquer consequência 
para o planeta e a vida e sua qualidade. Diferente de outras áreas, não existia uma legislação 
ambiental responsável para tutelar a proteção ambiental, até porque, não havia motivo para 
preocupações, ante a abundância dos recursos naturais. Neste sentido, foi preciso o primeiro 
passo para os debates sobre a proteção ambienta, no qual destaca-se a existência de um livro, a 
ser destacado no próximo tópico.
1.1. O DESPERTAR: LIVRO PRIMAVERA SILENCIOSA 
No verão de 1962, o mundo voltou seus olhos para um livro chamado Primavera 
Silenciosa, escrito por Rachel Carson, e, posteriormente considerada a mãe do ambientalismo. 
Sua obra foi um dos primeiros gritos de socorro que seriam bradados pela proteção do meio 
ambiente. O livro tratou das transformações em plantas e animais, e o que uso desenfreado de 
pesticidas nos Estados Unidos poderia ocasionar, acarretando um processo de alteração celular 
das plantas, reduzindo a população de pequenos animais e colocando em risco a saúde humana, 
explica Bonzi (2013).
Destacava-se o uso de pesticidas, como por exemplo o DDT, considerado cancerígeno, 
e defendido por empresários e agricultores. Neste sentido, formou-se uma guerra contra os 
argumentos de Carson, que a cada dia ganhava forma com pesquisadores e universidades. A 
pesticida era utilizada principalmente para combate à mosquitos, como por exemplo, a malária, 
sendo espalhados em larga escala na lavoura, inclusive no uso de máquinas e aviação.
O alerta gerado pela obra criou grande polêmica, levando as indústrias químicas a 
reagirem imediatamente. As informações trazidas na obra revelavam todo o mal que estava 
sendo cometido contra o meio ambiente e por reflexo contra a humanidade, levando o mundo a 
abrir os olhos para a importância em proteger meio ambiente, explica Bonzi (2013). Isso significa 
que, em um momento de plenos avanços industriais e tecnológicos, o mundo voltou seus olhos 
a um aspecto fundamental da manutenção da vida, o meio ambiente. Viu-se que era necessário 
proteger o meio ambiente para preservar a espécie humana, uma vez que, sem um meio ambiente 
saudável, a humanidade pereceria.
A obra resultou em grande discussão sobre o uso do agrotóxico DDT na lavoura, 
momento em que líderes começaram a criar medidas para controle de pesticidas, que ao final, 
resultou em uma revolução histórica europeia contra agrotóxicos nos anos 70 e 80. Entretanto, 
no Brasil somente no ano de 2009 foi que o agrotóxico foi proibido, ou seja, muito tempo após a 
proibição nos países desenvolvidos. Para melhor esclarecimento sobre o tema, destaca-se o vídeo 
com imagens da época.
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Vídeo DDT - 
Acesso em setembro de 2017.
Para complementar o conteúdo, indica-se o vídeo: 
. 
Acesso em: 18 jan 2018.
Figura 4 - Desinfestação com DDT. Fonte: Revista Info Cilento It. (2016)
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Figura 5 - Desinfestação com DDT. Fonte: Revista Info Cilento It. (2016)
Figura 6 - Uso pesticidas em 2016. Fonte: Revista Agro News. Agência Brasil (2017).
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Portanto, verifica-se nas fotos acima, que o DDT era utilizado em seus humanos para 
combate inclusive de piolhos, bem como na lavoura, próximo à crianças e adultos sem qualquer 
equipamento de proteção. Destaca-se que o DDT pode levar até 40 anos para ser expelido do 
organismo humano.
1.1.1. O CLUBE DE ROMA
Após o livro de Carson, iniciou-se um período de reflexão sobre os problemas ambientais, 
e ainda que tímido, possibilitou que intelectuais, políticos locais, empresários e formadores 
de opiniões, discutissem sobre impactos ambientais gerados pelo homem no ambiente em 
que vivemos, INFORMA Club of Roma (2017). Com isso, surge então uma organização não 
governamental no fim dos aos 60, com objetivo de tratar sobre os impactos ambientais gerados 
pelo homem a nível internacional, sendo portado denominado do Clube de Roma:
O Clube de Roma é hoje uma organização não governamental (ONG) que 
teve início em abril de 1968 como um pequeno grupo de 30 profissionais 
empresários, diplomatas, cientistas, educadores, humanistas, economistas e altos 
funcionários governamentais de dez países diversos que se reuniram para tratar 
de assuntos relacionados ao uso indiscriminado dos recursos naturais do meio 
ambiente em termos mundiais. Pelo fato desta primeira reunião ter acontecido 
na Academia dei Lincei em Roma na Itália, o nome sugestivo de ‘Clube de Roma’ 
deu denominação à entidade. (BONZI, 2013, p. 65)
O Clube de Roma, após discussões e pesquisas, encontrou como solução apresentar 
medidas para conter o crescimento desenfreado da humanidade, do consumo, das indústrias, 
da polução em geral, propondo aos líderes mundiais, o projeto Limites do crescimento, que 
posteriormente viraria uma segunda obra de grande importância para a defesa da questão 
ambiental.
Figura 7 - Os limites do Crescimento. Fonte: Donella Meadows Institute (2015).
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Figura 8 - Os limites do Crescimento Econômico. Fonte: EcoDebate. Fonte: Alves (2013).
Os limites do crescimento, eram medidas para controlar o crescimento populacional; o 
crescimento industrial; a insuficiência da produção de alimentos; e o esgotamento de recursos 
naturais, conforme verifica-se no gráfico apresentado pelos intelectuais que forma o Clube.
1.2. A ORIGEM: DECLARAÇÃO DE ESTOCOLMO 
Entre os dias 5 e 16 de junho do ano de 1972, aconteceu a Conferência das Nações Unidas 
sobre o meio ambiente em Estocolmo, na Suécia, promovida pela ONU, com a participação de 
113 países e 250 organizações não governamentais e dos organismos da ONU. Nesta Conferência 
foi aprovada a Declaração de sobre o meio ambiente humano, composta por 26 princípios. Os 
temas atentavam a critérios e princípios comuns aos povos do mundo, considerados necessários 
como inspiração e guia para a preservaçãoe melhoria do meio ambiente, segundo a Declaração 
de Estocolmo (1972)
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Figura 9 - Feliz Aniversário Declaração de Estocolmo. Fonte: Cibim. (2015)
A Declaração de Estocolmo de 1972 foi considerada mundialmente como um marco para 
a tutela do meio ambiente. A partir de então, cientistas, juristas e estudiosos do mundo todo vêm 
se reunindo, trabalhando e buscando maneiras da erradicação de exploração indevida e outras 
condutas lesivas ao meio ambiente, conforme a Declaração de Estocolmo (1972). Esta tinha como 
objetivo estabelecer uma relação entre o homem e todos os impactos ambientais, considerando 
que, o homem é o centro da relação, entre meio ambiente, preservação e devastação: 
O homem é ao mesmo tempo obra e construtor do meio ambiente que o cerca, 
o qual lhe dá sustento material e lhe oferece oportunidade para desenvolver-se 
intelectual, moral, social e espiritualmente. Em larga e tortuosa evolução da raça 
humana neste planeta chegou-se a uma etapa em que, graças à rápida aceleração 
da ciência e da tecnologia, o homem adquiriu o poder de transformar, de inúmeras 
maneiras e em uma escala sem precedentes, tudo que o cerca. Os dois aspectos 
do meio ambiente humano, o natural e o artificial, são essenciais para o bem-
estar do homem e para o gozo dos direitos humanos fundamentais, inclusive o 
direito à vida mesma. (Carta Capital, 2015, Feliz Aniversário Estocolmo!)
Conforme destaca Cavalcanti (1954), apesar da Declaração de Estocolmo não ter obtido 
força de lei, restando apenas como recomendações, percebe-se que surtiu bons efeitos, tendo 
ajudado no processo de despertar da consciência ambiental na população e nos governantes, 
trazendo a preocupação em se manter o meio ambiente saudável e inovando com o conceito 
de desenvolvimento sustentável. A preocupação com o meio ambiente mostrou-se como algo 
crescente no meio intelectual e político, pois percebeu-se que, para a continuação do bem-estar da 
população, era necessário proteger aspectos fundamentais da vida, de cunho comum às diversas 
nações representadas na Conferência de Estocolmo.
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1.3. HISTÓRICO DE PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE NO BRASIL 
E EVOLUÇAO LEGISLATIVA 
Hodiernamente o direito ambiental é algo que tem estado em evidencia no mundo todo, 
no entanto, para que ocorresse sua ascensão ele trilhou um longo caminho. Visto que para falar 
de direito ambiental, devemos nos remeter sempre ao direito que tutela a coletividade em sentido 
amplo, conhecido também como direitos metaindividuais. Essas nomenclaturas são entendidas 
como gêneros, do qual fazem parte os direitos difusos, os coletivos em sentido estrito e os direitos 
homogêneos, conforme apresenta a Lei 8.078/1990, em seu artigo 81, parágrafo único, incisos I, 
II e III, como também na Lei 7.347/1985, artigo 1º, inciso IV, e 2º, expõe Garcia (2014).
A revolução industrial, ocorrida no século XVIII, resultou no surgimento de novas 
formas de produção e consumo, o aumento do consumo potencializado pela revolução tecnologia 
e acesso a informação refletiu em uma explosão demográfica. Frente a tais acontecimentos 
se fez necessário que o direito sofresse uma transformação para que pudesse acompanhar as 
necessidades enfrentadas pela sociedade, informa Sampaio (2014)
O direito está sempre em evolução, e nas últimas décadas tem passado por grandes 
transformações, com o passar do tempo houve também a intensificação de ocorrência dos 
conflitos em massa, surgindo a necessidade de uma visão a voltada para tutelar o interesse geral 
coletivo. No entanto, essa visão só se deu a partir da necessidade de composição processual para 
enfrentamento dos direitos metaindividuais, e assim sendo considerado de maior relevância 
frente aos direitos individuais, explica Fiorillo (2013).
A preocupação com o meio ambiental no Brasil é algo recente, no entanto existem algumas 
normas que datam do tempo do império, como por exemplo as normas sanitárias usadas para 
regulamentar os cortiços na cidade do Rio de Janeiro, coloca Neves (2014). Posteriormente, teve 
sua proteção ambiental iniciada de forma especifica com o Código Florestal de 1.934, com o 
Decreto nº 23.793, em seguida o Código de 1965, Lei nº 4.771 sendo precedido pelo Novo Código 
Florestal vigente, Lei nº 12.651/2012, mostra Rech e Augustin (2015)
Ainda no sentido de proteção ao meio ambiente no ano de 1981, foi promulgada a Lei nº 
6.938 de Política Nacional do Meio Ambiente, outro instrumento que auxiliou foi a Lei da Ação 
Civil Pública sob nº 7.347 de 1985. Outra tutela lançada ao meio ambiente no Brasil ocorreu 
com a promulgação da Lei de Crimes Ambientais nº 9.605/98 trouxe nova perspectiva quanto 
à gravidade da pratica de dano ao meio ambiente alterando para configuração de crimes já que 
anterior a Lei 9.605/98 eram consideradas como meras contravenções penais, expõe Rech e 
Augustin (2015)
A primeira Constituição Federal Brasileira responsável em trazer de forma explicita e 
abrangente a invocação da tutela sobre meio ambiente foi a Constituição de 1988, já que as outras 
Cartas magnas antes existentes não fizeram abordagens significantes do tema, algumas sequer 
mencionavam algo que se referia ao meio ambiente, enquanto outras faziam menções aqui e ali, 
mas sem que se pudesse de fato falar na existência de um contexto constitucional de proteção ao 
meio ambiente, sendo esta considerada também a principal fonte formal do direito ambiental, 
por meio do seu artigo 225, além de todas as outras menções que ela traz sobre o assunto é que 
fica demonstrado quão grande e fundamental é o direito ambiental e a proteção que ele visa, 
conforme Antunes (2010).
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O Direito Ambiental apresenta-se como sendo um dos mais novos ramos do Direito, além 
de novidade tem atraído grande relevância no âmbito jurídico, tanto nacional com internacional, 
por se tratar de algo novo. É um ramo do Direito que tem sofrido muitas incompreensões, no que 
tange ao papel a ser desempenhado pelo Direito Ambiental, quer seja na sociedade, na economia, 
ou na vida em geral. Não se pode negar as dificuldades enfrentadas na implementação do Direito 
Ambiental, que se dão desde as compreensões conceituais, até mesmo as operacionais. Todavia, 
uma verdade há de ser dita: toda a preocupação do Direito voltada ao meio ambiente é algo 
irreversível, menciona Antunes (2010).
Pode-se dizer que o Direito Ambiental sofreu muitas incompreensões conceitualmente 
e em sua aplicação, pois os textos trazidos a respeito do mesmo muitas vezes são genéricos, 
levando muitas pessoas a compreenderem de forma destorcida seu real significado, além do 
que, a fiscalização que encontra certa dificuldade, já que o meio ambiente é algo muito amplo, 
segundo Antunes (2010). O meio ambiente é conceituado infra constitucionalmente, por meio 
da definição que nos traz a Lei nº 6.938/81 (Lei da Política Nacional do Meio Ambiente), onde 
diz em seu art. 3º, I: “Art. 3º Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I — meio ambiente, 
o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que 
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”.
De tal forma que, o meio ambiente deve ser compreendido em um todo, no entanto, 
com intuito de facilitar a identificação e punição da atividade opressora contra as transgressões 
degradantes, bem como o bem imediatamente agredido, nossa Carta Magna se preocupou 
em classificar o meio ambiente como sendo: meio ambiente natural; meio ambiente artificial; 
meio ambiente cultural (que engloba o meio ambiente digital); meio ambiente do trabalho; e o 
Patrimônio genético, informa Fiorillo (2013). Verifica-se, então, que embora houvesse legislação 
pertinente à proteção do meio ambiente desde o tempo do império,por meio de normas 
infraconstitucionais, esta preocupação só se tornou mais explícita a partir da Constituição de 
1988, que trouxe esta necessidade de proteção, classificando o meio ambiente e erigindo, por 
meio de legislação infraconstitucional, penalidades mais severas para as transgressões.
1.4. MEIO AMBIENTE NA ATUALIDADE: CONTEXTO MUNDIAL
Tem-se por costume olhar para o direito como sendo algo individual, isso ocorre desde 
o direito Romano, essa percepção do direito positivo como algo individual teve uma acentuação 
maior no século XIX principalmente onde sofreu reflexos da revolução francesa. Após a segunda 
guerra mundial, verificou-se que grandes temas facilmente se adaptavam a necessidade coletiva, 
por consequência a visão do direito teve que ser renovada, cita Fiorillo (2013).
O mundo tem passado por muitas transformações desde a época em que os recursos 
naturais eram encontrados em abundancia e se acreditava serem inesgotáveis, a globalização, 
juntamente com a evolução tecnológica e a cultura consumerista que predomina na atualidade, 
asseverou a exploração dos recursos naturais que foram acontecendo de maneira desordenada 
e abrupta por parte do homem, trazendo grandes danos ao meio ambiente e podendo afetar 
gravemente a qualidade de vida das atuais e futuras gerações. No entanto, ao perceberem a 
errônea ideia de que os recursos naturais eram inesgotáveis, surgiu, a necessidade de se mudar 
esse cenário, e frear as transgressões causadas ao meio ambiente. A problemática que surgia a 
partir dos danos causados ao meio ambiente, levou o mundo a voltar seus olhos para o tema e 
iniciar reflexões que pudessem minimizar os danos já sofridos e combater ou até mesmo erradicar 
futuros danos, segundo Philippi Jr e Pelicioni (2014).
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Com intuito de salvaguardar o meio ambiente foi que a partir dos anos sessenta 
foram editadas como medidas normas jurídicas mais rígidas pelos países. (AN-
TUNES, 2010).
As Nações Unidas iniciaram reflexões sobre medidas que poderiam ser implementadas 
e que se enquadrasse em um contexto de cumprir com a proteção ambiental e ao mesmo tempo 
não prejudicar o desenvolvimento econômico, já que, um dos principais dilemas encontrados no 
tangente a proteção ambiental era tentar conciliar a redução da exploração dos recursos naturais e 
ao mesmo tempo não barrar o crescimento econômico, visando encontrar um ponto harmônico 
entre os dois polos, afirma Miranda (2010)
Ressurge, então, a ideia de desenvolvimento sustentável, apresentada pelo Relatório da 
Comissão Brundtlland – Nosso Futuro Comum –, que foi visto como a retomada do crescimento. 
Esta ideia busca estabelecer um denominador comum entre a dinâmica do mercado e os recursos 
naturais a serem utilizados, visando assegurar a necessidade das gerações presentes, sem 
comprometer as gerações futuras, expõe Miranda (2010)
A busca pelo equilíbrio entre o desenvolvimento social e a proteção dos recursos 
ambientais, resultou na Conferência das Nações Unidas sobre o meio Ambiente e Desenvolvimento 
Sustentável – CNUMAD, essa Conferência ficou conhecida como ECO-92 ou RIO-92, contou 
com a presença de 172 países, resultando na aprovação da Declaração do Rio composta por 
27 princípios ambientais, tendo ainda como resultado assinatura de cinco importantes acordos, 
sendo estes: Agenda 21; a Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; os 
Princípios para a Administração Sustentável das Florestas; a Convenção da Biodiversidade; e 
a Convenção do Clima, onde trazem metas mundiais para redução da poluição e alcance de 
desenvolvimento sustentável. Da RIO-92 decorreu a aprovação de vários tratados internacionais 
importantes como a Convenção do Clima e a Convenção da Diversidade Biológica. (AMADO, 
2015).
Figura 10 - Rio 92. Fonte: Geo-conceição (2012).
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Figura 11 - Eco 92. Fonte: Carvalho. (2012)
Dez anos depois da RIO-92, em os dias 26 de agosto e 4 de setembro de 2002, aconteceu a 
Conferencia da Cúpula Mundial sobre o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, na cidade de 
Johanesburgo, na África do Sul sobre o desenvolvimento sustentável, conhecida como RIO+10, 
a Cúpula teve como objetivos fazer um balanço das lições aprendidas e os resultados que foram 
obtidos dos acordos assinados entre cerca de 180 países que fizeram parte do RIO-92, chamando 
a atenção da opinião pública mundial para como é importante e urgente que seja cumprido todas 
as ações propostas na RIO-92.
Ambiente Brasil. Do Rio a Johanesburg - Conscientização Crescente, Reação Ar-
rastada. 
Disponível em: 
. 
Acesso em: 14 out. 2016.
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Outro importante instrumento internacional, em prol da proteção ao meio ambiente, 
desta vez, como foco tratar sobre Mudança do Clima. Os vestígios de possíveis mudanças 
climáticas resultaram na criação do Intergovernamental Panel on Climate Change (IPCC).
Em 1997, no Japão aconteceu a terceira Conferência das Partes (COP-3), o que resultou no 
Protocolo de Quioto, tendo como objetivo firmar um compromisso entre os países desenvolvidos 
e os em desenvolvimento para reduzir a emissão de gazes potencializadores do evento estufa, 
explica Miranda (2010). Reuniram-se na cidade do Rio de Janeiro, no ano de 2012, 193 países para 
participarem da Conferência das Nações Unidas que versou sobre o Desenvolvimento Sustentável, 
denominada RIO+20, que indicou em documento formal que a erradicação da pobreza é o maior 
desafio globalmente enfrentado na atualidade, sendo este instituto um requisito indispensável 
para desenvolvimento sustentável, coloca Fiorillo (2013).
Nesta década de 90, o meio ambiente alcançou um patamar jamais antes visto na 
história do país, onde foi possível observar a busca do equilíbrio entre o desenvolvimento e a 
sustentabilidade do meio ambiente, o que reverberou no tempo, quando, 20 anos após a Rio 
92, realizou-se mais uma conferência, a Rio +20, contando com mais países participantes. Isso 
demonstra uma maior adesão ao senso de preservação do meio ambiente. Nota-se que não 
somente no Brasil ocorreram movimentos em prol do meio ambiente, mas também em outros 
países, como Japão. O resultado destas conferências ou reuniões são os acordos ambientais de 
proteção, em que os países comprometem-se a preservar ao máximo possível o meio ambiente, 
além de implantar medidas de redução de poluição, evitando alterações no clima.
1.5. PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL NA CONSTITUIÇÃO 
FEDERAL DE 1988
O direito ambiental é considerado como uma nova ciência, que possui antonímia frente 
aos outros ramos do direito por possuidor seus próprios princípios regentes que estão positivados 
pela Constituição Federal Brasileira de 1988, e diretrizes em leis especiais. Canotilho (2006, p. 
1034-1035) ensina que
[...] os princípios são normas jurídicas impositivas de uma optimização, 
compatíveis com vários graus de concretização, consoante os condicionalismos 
fácticos e jurídicos. Permitem o balanceamento de valores e interesses (não 
obedecem, como as regras, à lógica do tudo ou nada’), consoante o seu peso e 
ponderação de outros princípios eventualmente conflitantes.
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Intergovernamental sobre Mudança do Clima. A. Ricardo J. Esparta e José Rober-
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