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FUNDAMENTOS DO DIREITO AMBIENTAL Faculdade de Minas 2 SUMÁRIO NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIREITO AMBIENTAL .............................. 6 A preocupação com a natureza ................................................................................. 6 O meio ambiente como bem difuso ............................................................................ 8 As expectativas ambientais para o século XXI ........................................................... 9 CONCEITO DE DIREITO AMBIENTAL E SUA FUNDAMENTAÇÃO ...................... 13 Definição do meio ambiente e sua classificação ...................................................... 16 Meio ambiente natural .............................................................................................. 17 Meio ambiente cultural ............................................................................................. 18 Meio ambiente artificial ............................................................................................. 20 Meio ambiente do trabalho ....................................................................................... 21 Patrimônio genético.................................................................................................. 24 PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL ................................................................. 28 Princípio do direito humano fundamental ................................................................. 29 Princípio da prevenção ............................................................................................. 29 Princípio da precaução ............................................................................................. 30 Princípio do desenvolvimento sustentável ............................................................... 31 TUTELA DO MEIO AMBIENTE ................................................................................ 32 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 34 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 35 Faculdade de Minas 3 NOSSA HISTÓRIA A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós- Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo serviços educacionais em nível superior. A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicação ou outras normas de comunicação. A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. Faculdade de Minas 4 INTRODUÇÃO O Direito Ambiental é um dos mais recentes ramos especializados do Direito moderno e, com toda a certeza, é um dos que têm sofrido as mais relevantes modificações, crescendo de importância na ordem jurídica internacional e nacional. Como em toda novidade, existem incompreensões e incongruências sobre o papel que ele deve desempenhar na sociedade, na economia e na vida em geral. A sua implementação não se faz sem dificuldades das mais variadas origens, indo desde as conceituais até as operacionais. A função primordial do Direito Ambiental é organizar a forma pela qual a sociedade se utiliza dos recursos ambientais, estabelecendo métodos, critérios, proibições e permissões, definindo o que pode e o que não pode ser apropriado economicamente (ambientalmente). Não satisfeito, vai além. Ele estabelece como a apropriação econômica (ambiental) pode ser feita. Assim, não é difícil perceber que o Direito Ambiental é um regulador da atividade econômica, pois ela se faz sobre a base de uma infraestrutura que consome recursos naturais. O surgimento do Direito Ambiental como disciplina jurídica denota que as relações entre o Homem (antropo) e o mundo que o envolve vêm se modificando de forma muito acelerada e profunda. O Direito Ambiental é um dos mais marcantes instrumentos de intervenção em tal realidade. Thornton e Beckwith (1997, p. 2) nos chamam a atenção para o fato de que uma definição de Direito Ambiental vai depender muito da definição de meio ambiente, pois uma é subordinada à outra. Todavia, muitas vezes as definições de meio ambiente são extremamente amplas e, portanto, pouco operacionais. Einstein – o genial físico –, definiu ambiente como tudo que não seja eu. Ora, se adotarmos um conceito tão amplo como o de Einstein, tudo estará compreendido no Direito Ambiental e, portanto, ele seria uma espécie de Pandireito capaz de abarcar toda e qualquer atividade humana, o que, evidentemente, é um despropósito. É claro que, ao tratarmos de Direito Ambiental, não estamos falando de toda e qualquer atividade humana. Falamos fundamentalmente daquelas atividades que afetam as águas, a fauna, as florestas, o solo e o ar em especial. Faculdade de Minas 5 Normalmente, as leis que tratam desses temas definem padrões de lançamento de substâncias químicas, de partículas, padrões de qualidade, proteção de espécies animais e vegetais. Certamente, muitas zonas de interseção com diversos outros campos do direito existem. Daí, a definição de limites é essencial para que o Direito Ambiental possa cumprir a sua principal missão, que é servir como marco regulatório e normativo das atividades humanas em relação ao meio ambiente. Desse modo, a partir da legislação vigente, da Constituição Federal e da doutrina disponível sobre o tema, a presente disciplina apresentará os fundamentos do Direito Ambiental. No primeiro capítulo será abordada uma breve consideração sobre o Direito Ambiental. Posteriormente, apresentaremos o conceito de Direito Ambiental e a sua fundamentação, tendo sido subdividido em mais dois tópicos, onde debateremos sobre a definição de meio ambiente, a classificação e os princípios do Direito Ambiental. Por fim, estudaremos a tutela do meio ambiente, chegando-se, assim, às considerações finais. Faculdade de Minas 6 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIREITO AMBIENTAL A preocupação com a natureza Não é recente a preocupação do homem com o meio ambiente. Desde tempos remotos, nas regiões mediterrâneas, os povos nômades necessitavam de fortificações para a defesa contra os ataques de inimigos naturais e de outros povos hostis. No entanto, essas fortificações tinham outras finalidades, proporcionando melhores condições para suas populações, e levaram essas comunidades a uma sensível preocupação com o meio com o qual interagiam. O crescimento e o estabelecimento de vários grupos familiares, extrapolando o limite daqueles existentes, fez com que as populações modificassem o estado natural das fontes, buscando uma maior comodidade. Como exemplo de interação do homem com o meio ambiente, as águas advindas de fontes existentes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser captadas, armazenadase até lá conduzidas. De fato, os complexos aquáticos sempre ofereceram condições de sobrevivência ao homem. Para comprovar essa afirmação, basta o exemplo das grandes cidades que foram estabelecidas próximas de grandes rios ou lagos, como Londres (Tâmisa), Paris (Sena), Roma (Tibre) e São Paulo (Tietê). O meio ambiente ligado à história de progresso ou fracasso das civilizações faz sentido. Tome-se como exemplo a história da China, que tem uma geografia muito parecida com a dos Estados Unidos, porém, ao longo dos séculos, sofreu intensos desmatamentos e degradações de outras ordens, resultando em catástrofes ambientais. Também são inúmeros os casos em que o desequilíbrio ambiental gerou guerras por áreas mais prósperas, modificando o quadro histórico, com a supressão de culturas, a imposição de regras, a aniquilação de espécies e o massacre de Faculdade de Minas 7 populações. O grande propulsor e fornecedor dos produtos utilizados pelo homem é o próprio meio onde ele vive. Sustenta-se, inclusive, o vínculo dos fracassos dos grandes eventos históricos com a forma errada de interagir com o meio ambiente (DIAMOND, 2005, p. 24). Com a produção de lixo, as reduzidas possibilidades de banho e o alastramento de epidemias, devido à falta de higiene, a Idade Média manteve da Antiguidade o mundo espiritual, mas as práticas higiênicas e de preservação ambiental foram esquecidas gradativamente. Esses danos cometidos durante a Idade Média puderam ser superados em razão de a população da Europa ser ainda muito pequena, e a ocupação de novas terras possível também devido à pequena demanda (SIRVINSKAS, 2016, p. 83). Os povos medievais não ultrapassaram as fronteiras da exploração e mantiveram visões somente de subsistência. O aumento do consumo dos meios naturais veio no fim do século XVIII, quando as descobertas científicas começaram a introduzir novas medidas, ferramentas e máquinas de exploração (PINKER, 2018, p. 63). A Revolução Industrial veio à tona durante o século XVIII e daí em diante não só houve um acréscimo populacional, mas também uma convergência para os grandes centros urbanos (DIAMOND, 2005). O desenvolvimento tecnológico daí advindo trouxe a erradicação de algumas epidemias, a cura de doenças, a descoberta de mecanismos de prolongamento da vida humana, alargando as fronteiras do conhecimento, e proporcionou uma explosão demográfica sem parâmetros na história. Isso fez com que o homem tivesse um domínio quase ilimitado da natureza, o que resultou na chegada de um problema chamado degradação ambiental. O século XIX foi o do aprimoramento das técnicas já conhecidas, com a aceleração e desenvolvimento das técnicas descobertas. Com o século XX e a era da globalização, houve um desmedido progresso nas ciências que estudam a Faculdade de Minas 8 natureza, e surgiram maiores problemas para o meio ambiente (LANFREDI, 2007, p. 149). Os limites do desenvolvimento sustentável não foram respeitados e os efeitos rapidamente puderam ser sentidos. Claramente ficou para trás o respeito à natureza, e o homem se firmou com o progresso científico de conhecimento, buscando evoluir, sempre na crença de que os recursos naturais eram infinitos (MILARÉ, 2015, p. 61). O meio ambiente como bem difuso O meio ambiente é considerado um bem difuso, pertencente a toda a coletividade. Os interesses ou direitos difusos são transindividuais, indivisíveis, e a titularidade é exercida por pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato, conforme disposto no art. 81 do Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 8.078/90) (FIORILLO, 2015, p. 40). Os direitos coletivos também são transindividuais, de natureza indivisível, mas a titularidade é de um grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com a parte contrária por uma relação jurídica. Os interesses ou direitos individuais homogêneos, por sua vez, são aqueles decorrentes de origem comum. É importante ressaltar que quando o art. 225 da Constituição Federal refere-se a um “bem de uso comum do povo”, não está enquadrando o meio ambiente na classificação tradicional de bens públicos (bens de uso comum do povo, de uso especial e dominicais/dominiais), pois há um acréscimo no conceito com a expressão “essencial à sadia qualidade de vida”. De acordo com o Supremo Tribunal Federal: “O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração – constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do processo de afirmação dos direitos humanos, a expressão significativa de um poder atribuído, não ao indivíduo identificado em sua singularidade, mas, num sentido verdadeiramente mais abrangente, à própria coletividade social” (STF, MS 22.164-0 SP, Rel. Min. Celso de Mello, j. 30-10-1995, destaque do original). Faculdade de Minas 9 Ademais, o fato de existir a propriedade privada sobre determinados bens ambientais não retira a característica de serem bens voltados para o bem- estar da coletividade. Assim, todos podem utilizar tais bens, mas não podem transacionar ou dispor deles sem garantir às próximas gerações o suficiente para o seu desenvolvimento. As expectativas ambientais para o século XXI Chegou-se, em pleno século XXI, àquilo que se convencionou chamar de “sociedade de risco”, ou seja, aquela em que é mais difícil a tarefa de apresentar soluções adequadas para o conflito entre o desenvolvimento tecnológico e a obrigação de estabelecer limites à própria capacidade de intervenção sobre o meio ambiente (AYALA, 2004, p. 231). Além disso, a sociedade de risco também trouxe as dificuldades de operar qualquer inovação tecnológica quando seu implemento tiver como contrapontos a imprevisibilidade, a incerteza e o desconhecimento dos resultados de seu avanço. Todos esses fatores estão em jogo ao se falar da sociedade de risco. No lugar daquele conglomerado rural, baseado na produção de bens agrícolas, e que levou 10 mil anos para gerar a sociedade industrial, sobreveio esta, pós- industrial, moderna, contemporânea, em que a degradação e a poluição ambiental ganham contornos nítidos de descontrole, não mais sendo possível ao homem manejar a natureza como nos séculos passados. Portanto, o Direito Ambiental apresenta-se com o papel de sustentar a sociedade participativa e democrática, compatibilizando crescimento econômico e desenvolvimento sustentável. Fala-se, inclusive, em uma “ecologia do direito”, como uma nova ordem, que não seja formada somente por elementos constitutivos individuais, mas sim composta por redes e comunidades sociais (CAPRA; MATTEI, 2018, p. 29). O meio ambiente, apesar de figurar esporadicamente, ao longo do tempo (FARIAS, 2009, p. 28) em legislações esparsas, somente foi apresentado como Faculdade de Minas 10 problema global em 1972, na Conferência de Estocolmo, e manteve, aumentando ainda mais, a preocupação de seu tratamento na Conferência de 1992, no Rio de Janeiro, a ECO-92. Desde então as nações começaram a focalizar e a enquadrar a necessidade de conservação como metas a serem alcançadas para sua própria sustentabilidade. Diante desse quadro foram surgindo propostas para solucionar o problema ambiental, abrangendo aspectos físicos e políticos. Atualmente prevalece a do “desenvolvimento sustentado”, definitivamente consagrado em 1992, sem o abandono da visão antropocêntrica da gestão dos ecossistemas no interesse do desenvolvimento dos países e das populações. O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também às suas. Isso não reflete um estado permanente de harmonia, mas sim um processo de mudança no qual a exploração dos recursos naturais, a orientação dos investimentos, os rumos do desenvolvimento tecnológico e a mudançainstitucional estão de acordo com as necessidades atuais e futuras. Essa forma de pensar, muito em voga atualmente, não somente pressupõe melhores condições de vida, ou, mesmo que sejam, condições mínimas para os seres humanos. Édis Milaré chama esse processo de “desenvolvimento sustentável”, e de “sustentabilidade” o atributo necessário no tratamento dos recursos naturais, mais precisamente dos recursos naturais (MILARÉ, 2018, p. 77). O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de se manifestar e assentou que “Esse princípio fundamenta-se numa política ambiental que não bloqueie o desenvolvimento econômico, porém, com uma gestão racional dos recursos naturais, para que a sua exploração atenda à necessidade presente sem exauri-los ou comprometê-los para as gerações futuras. A proteção do meio ambiente não constitui óbice ao avanço tecnológico, pois está pautada no conceito de desenvolvimento sustentável. Assim, a questão está em permitir Faculdade de Minas 11 a utilização dos recursos naturais, mas assegurando um grau mínimo de sustentabilidade na utilização dos mesmos” (AgRg nos EDcl no REsp 1.075.325-RS 2008/0160530-9. Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, j. 13-11- 2012). A questão é mais importante, é vital, pois desse desenvolvimento e da interação do homem com a natureza depende simplesmente seu maior bem: a vida. Inclusive, como dito, há quem reconheça uma ordem ecojurídica, com a interconexão dos problemas globais e melhores condições de encontrar soluções apropriadas para esses problemas (CAPRA, 2018, p. 30). O Direito Ambiental apresenta-se como instrumento de adequação das políticas de crescimento, promovendo um ajustamento dos custos privados aos custos públicos e sociais; certamente, esse ramo do Direito também representa objetivos econômicos, mas que não podem ser distanciados da preservação, compelindo o desenvolvimento a uma atitude mais racional e controlada de insumos naturais (CARNEIRO, 2001, p. 10). O Direito tem a tarefa de realizar o bem comum dentro da comunidade em que vige. As ingerências sociais, políticas, econômicas etc. são manifestações antes e depois do Direito que servem para ordenar o desenvolvimento dessas outras formas de adaptação social. Interessa aqui, dentre outras abordagens, a análise de algumas dessas serventias do Direito Ambiental e os principais pontos merecedores de análise. Demais disso, nunca é demasiado mencionar as decisões judiciais que revelam a substancial verdadeira importância da aplicação. O texto constitucional empresta relevo a essa proteção e os Tribunais Superiores assim vêm decidindo, na esteira do que pronunciou o Supremo Tribunal Federal, de que “todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se de um típico direito de terceira geração (ou de novíssima dimensão), que assiste a todo o gênero humano (RTJ 158/205-206). Incumbe, ao Estado e à própria coletividade, a especial obrigação de defender e preservar, em benefício das presentes e futuras gerações, esse direito de titularidade coletiva e de caráter transindividual (RTJ 164/158-161). O adimplemento desse encargo, que é Faculdade de Minas 12 irrenunciável, representa a garantia de que não se instaurarão, no seio da coletividade, os graves conflitos intergeneracionais marcados pelo desrespeito ao dever de solidariedade, que a todos se impõe, na proteção desse bem essencial de uso comum das pessoas em geral. Doutrina. A ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PODE SER EXERCIDA EM DESARMONIA COM OS PRINCÍPIOS DESTINADOS A TORNAR EFETIVA A PROTEÇÃO AO MEIO AMBIENTE” (ADI-MC 3.540/DF – Relator Ministro Celso de Mello, j. 1º-9-2005, Pleno, DJ, 3-2-2006). Continua o Relator, Ministro Celso de Mello, acentuando a importância da defesa ambiental e da manutenção dos recursos naturais, inclusive apontando a divisão didática com a qual nos acostamos, no sentido de que “a incolumidade do meio ambiente não pode ser comprometida por interesses empresariais nem ficar dependente de motivações de índole meramente econômica, ainda mais se se tiver presente que a atividade econômica, considerada a disciplina constitucional que a rege, está subordinada, dentre outros princípios gerais, àquele que privilegia a ‘defesa do meio ambiente’ (CF, art. 170, VI), que traduz conceito amplo e abrangente das noções de meio ambiente natural, de meio ambiente cultural, de meio ambiente artificial (espaço urbano) e de meio ambiente laboral. Doutrina. Os instrumentos jurídicos de caráter legal e de natureza constitucional objetivam viabilizar a tutela efetiva do meio ambiente, para que não se alterem as propriedades e os atributos que lhe são inerentes, o que provocaria inaceitável comprometimento da saúde, segurança, cultura, trabalho e bem- estar da população, além de causar graves danos ecológicos ao patrimônio ambiental, considerado este em seu aspecto físico ou natural (...)”. Faculdade de Minas 13 CONCEITO DE DIREITO AMBIENTAL E SUA FUNDAMENTAÇÃO Podemos conceituar o Direito Ambiental como um ramo do direito onde se elenca várias normas jurídicas com o intuito de preservar e proteger o meio ambiente, assim como tudo que há nele para o bem-estar da população, gerações futuras e, também, pelo bem do próprio planeta. Há de relatar, ainda, o conceito de diversos doutrinadores e juristas sobre o referido tema. Podendo-se citar o Toshio Mukai, (2001, p. 22), “Direito Ambiental é um conjunto de normas e institutos jurídicos pertencentes a vários ramos do direito reunidos por sua função instrumental para a disciplina do comportamento humano em relação ao meio ambiente”. Para Jose Afonso da Silva: Ramo do direito, considerando dois aspectos: o Direito Ambiental objetivo, que consiste no conjunto de normas jurídicas disciplinadoras da proteção da qualidade do meio ambiente; e o Direito Ambiental como ciência, que busca o conhecimento sistematizado das normas e princípios ordenadores da qualidade do meio ambiente. (SILVA, 2010, p. 41 e 42). Para Edis Milaré: Direito do ambiente é o complexo de princípios e normas coercitivas reguladoras das atividades humanas que, direta ou indiretamente, possam afetar a sanidade do ambiente em sua dimensão global, visando a sua sustentabilidade para presentes e futuras gerações. (MILARÉ, 2001, p. 109). Na visão de Fiorillo (2000, p.22), “Direito Ambiental é uma ciência nova, porém autônoma. Essa independência é decorrente em razão de aquele possuir seus próprios princípios, inseridos na Carta Magna”. Faculdade de Minas 14 O conceito abordado por Gina Copola abrange de forma que “conjunto de normas jurídicas, técnicas, regras e princípios tendentes a assegurar o equilíbrio ecológico, o desenvolvimento sustentável, e a sadia qualidade de vida de toda a coletividade, e de todo o ecossistema” (COPOLA, 2003, p.29). Apesar do Direito Ambiental ser um ramo mais recente do direito, não podemos deixar de citar uma definição mais jurídica do que é o Direito Ambiental, trazendo a Constituição Federal de 1988, juntamente com a lei de crimes ambientais nº 6.938/1981, as quais tratam da Política Nacional do Meio Ambiente: Art 1º - Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 da Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa Ambiental. DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE [...] Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, atendidosos seguintes princípios: I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas representativas; V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente poluidoras; Faculdade de Minas 15 VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso racional e a proteção dos recursos ambientais; VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental; VIII - recuperação de áreas degradadas; IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do meio ambiente. Art 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas; II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das características do meio ambiente; III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades que direta ou indiretamente: a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; c) afetem desfavoravelmente a biota; d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais estabelecidos; IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de degradação ambiental; V - recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos da biosfera, a fauna e a flora. Faculdade de Minas 16 Há de se lembrar, também, que, para alguns entendedores, o Direito Ambiental caminha a passos largos, ou seja, ele não é um ramo do direito que caminha sozinho, mas sim é interligado a outros ramos do direito, assim como citamos acima na Constituição Federal e na lei 6.938/1981. Ademais, é necessário ressaltar que, para outros, o Direito Ambiental é um ramo autônomo, ou seja, é uma esfera que não tem interferência de outros ramos do direito, pois o objeto não se confunde com o objeto de outras vertentes do direito. Sendo assim, entendido por Jose Afonso da Silva: Talvez seja cedo para se discutir sobre sua autonomia e sua natureza. Pode- se, não obstante isso, dizer que se trata de uma disciplina jurídica de acentuada autonomia, dada a natureza específica de seu objeto ordenação da qualidade do meio ambiente com vista a uma boa qualidade de vida, que não se confunde, nem mesmo se assemelha, com o objeto de outros ramos do Direito. (SILVA, 2002 p. 41) Por meio deste, pode-se dizer que o Direito Ambiental é autônomo e interdisciplinar, visto que, mesmo tendo a interferência de outros ramos do direito, tem seus próprios princípios e objetivos. Definição do meio ambiente e sua classificação Para seguirmos adiante, precisamos entender primeiro o que é o meio ambiente e o que nele há. Diante disto, podemos dizer que a palavra “meio” pode significar muitas coisas, mas o que mais se aproxima do nosso meio de pesquisa é que meio pode ser um local onde se vive ou que é exercido uma atividade. Agora a palavra “ambiente”, dentre tantas definições, podemos falar que é tudo aquilo que faz parte do meio em que vivemos, tantos seres vivos ou coisas e nós seres humanos. Então, se juntarmos as duas palavras podemos definir que: meio ambiente é um local em que vive, envolve e cerca tanto seres humanos, quanto seres vivos ou coisas, fato esse que é muito importante para sobrevivência de tudo e de todos. De acordo com Teresa Emídio: Faculdade de Minas 17 O meio ambiente concebido, inicialmente, como as condições físicas e químicas, juntamente com ecossistemas do mundo natural, e que constitui o habitat do homem, também é, por outro lado, uma realidade com dimensão do tempo e espaço. Essa realidade pode ser tanto histórica (do ponto de vista do processo de transformação dos aspectos estruturais e naturais desse meio pelo próprio homem, por causa de suas atividades) como social (na medida em que o homem vive e se organiza em sociedade, produzindo bens e serviços destinados a atender “as necessidades e sobrevivência de sua espécie. (EMÍDIO, 2006, p. 127). Para a resolução CONAMA 306:2002, “meio ambiente é o conjunto de condições, leis, influencia e interações de ordem física, química, biológica, social, cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Já de acordo com a ISO 14001:2004: Circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo-se ar, água, solo, recursos naturais, flora fauna, seres humanos e suas inter-relações. Uma organização é responsável pelo meio ambiente que a cerca, devendo, portanto, respeita-lo, agir como não poluente e cumprir as legislações e normas pertinentes. (ISO 14001). Todo esse meio no qual ocupamos está em constante modificações e muitas vezes estão relacionadas ou sendo impostas pelo próprio homem e, com isso, pode se tornar prejudiciais ao meio se não administradas corretamente. Diante de todo exposto da definição de meio ambiente, podemos classificá-lo segundo estudos como: Meio ambiente natural O meio ambiente, para fins didáticos, pode ser dividido em quatro categorias iniciais de abordagem: natural, cultural, artificial e do trabalho. Aqui, no meio ambiente natural, talvez resida o mais comum elemento de identificação com a natureza, por se tratar diretamente de flora e fauna. O meio ambiente natural envolve, além de flora e fauna, atmosfera, água, solo, subsolo, os elementos da biosfera, bem como os recursos minerais. Enfim, toda forma de vida é considerada integrante do meio ambiente, em suas diversas formas de manifestação. Faculdade de Minas 18 Decidiu o Tribunal Regional Federal da 2 ª Região, quanto aos requisitos para a concessão de liminar em Ação Civil Pública, quando atos sejam ofensivos ao meio ambiente, que “o fumus boni iuris fica evidenciado nos artigos 20, II, 23,VII e 225, § 4º, todos da Constituição Federal, o Código Florestal e demais normas do Direito Ambiental. O periculum in mora resta claro ante a crescente e desordenada ocupação da área, com supressão de cobertura vegetal, que põem em risco o equilíbrio ecológico, causando danos incalculáveis ao ecossistema e com recuperação improvável. Quanto aos prejuízos irreversíveis temidos pela parte agravante, assegura-se apenas que a tutela da natureza, como garantia de qualidade de vida no planeta, é questão de superior relevância” (TRF 2ª Região, AgI 120.241/ES, j. 1º-6-2004, DJU, 5-7-2004). Na mesma esteira, ainda, o Tribunal Regional Federal da 2 ª Região, quando apreciou demanda versando a importação de pneus usados, decidiu que “a possibilidade de ocorrerem agressões ao meio ambiente, à saúde pública e ao risco de desemprego, são fatores que, por relacionarem-se com a garantia da segurança interna, justificam a submissão de tal importação ao controle governamental, legitimando as restrições impostas pela Portaria n. 08/2000 da SECEX” (TRF 2ª Região, AgI 19.491/RJ, j. 1º-12-2004, DJU, 3- 3-2005). Meio ambiente cultural Como se disse, a divisão do meio ambiente pressupõe a existência também de um meio ambiente cultural. É dizer, não somente a natureza stricto sensu está protegida pela legislação, mas tambémo patrimônio cultural brasileiro, como os elementos referentes à formação dos grupos nacionais de expressão, criações artísticas, tecnológicas, obras, objetos, documentos, edificações em sentido amplo, conjuntos urbanos, paisagísticos, arqueológicos, paleontológicos, ecológicos e científicos. No Brasil, essa tendência de proteger bens intangíveis já existe há décadas, a exemplo do Decreto-lei n. 25/37, que trata do tombamento de bens, e outras formas de expressão e manifestação de identidade do povo brasileiro (SOARES, 2018, p. 6). Faculdade de Minas 19 O Superior Tribunal de Justiça já adotou esse entendimento por diversas vezes, preservando o patrimônio cultural, a exemplo da procedência da “ação civil pública alicerçada na existência de danos ao meio ambiente e ao patrimônio cultural, na qual se objetiva seja determinada judicialmente a não instalação de sistema artificial de iluminação no Penhasco Dois Irmãos, sem a prévia autorização dos órgãos responsáveis pelo patrimônio estadual e federal (INEPAC e IPHAN), sob pena de desligamento compulsório, em caso de descumprimento” (AgRg no Ag. 511604/RJ, Relator Ministro José Delgado, j. 14-10-2003, DJ, 19-12-2003). Merecem encaixe, nesse contexto cultural, atividades como a música, as religiões, a literatura, o teatro, a dança, entre tantas outras manifestações culturais existentes (FIORILLO, 2003, p. 57-58). A Constituição, em diversas passagens, trata do meio ambiente cultural: Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais. Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I – as formas de expressão; II – os modos de criar, fazer e viver; III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. (...) Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. Todos esses artigos estão dirigidos à promoção e proteção das mais variadas formas de manifestação cultural, artística, desportiva e científica de uma nação (TORRES, 2005, p. 113). Quanto aos sítios arqueológicos, integrantes do patrimônio cultural, assim se manifestou o Superior Tribunal de Justiça: Faculdade de Minas 20 “MEIO AMBIENTE. Patrimônio cultural. Destruição de dunas em sítios arqueológicos. Responsabilidade civil. Indenização. O autor da destruição de dunas que encobriam sítios arqueológicos deve indenizar pelos prejuízos causados ao meio ambiente, especificamente ao meio ambiente natural (dunas) e ao meio ambiente cultural (jazidas arqueológicas com cerâmica indígena da Fase Vieira)” (REsp 115.599/RS, Relator Ministro Ruy Rosado de Aguiar, j. 27-6-2002, DJ, 2-9-2002). Em agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais normas do estado de Mato Grosso (inciso V do art. 251 da Constituição estadual e a Lei estadual n. 7.782/2002) que tornavam patrimônio do Estado sítios paleontológicos e arqueológicos (ADI 3.525). A decisão reafirmou o monopólio da União sobre esses sítios, patrimônios científicos e culturais. O Ministro-Relator, Gilmar Mendes, explicou que, pela Constituição Federal, zelar pelo patrimônio histórico-cultural e nacional é competência comum dos entes da Federação (da União, dos Estados e dos Municípios). No entanto, isso não significa que a incumbência reservada à União possa ser invadida. A Lei estadual n. 7.782/2002 previa, por exemplo, que a coleta de fósseis e materiais arqueológicos, bem como a sua exploração e transporte, só poderia ser feita por meio de autorização expressa e supervisão de institutos mato-grossenses. De acordo com a ação da Procuradoria-Geral da República, isso retirava a autoridade do IPHAN. Meio ambiente artificial Já o meio ambiente artificial representa o direito ao bem-estar relacionado às cidades sustentáveis e aos objetivos da política urbana, como insculpido na Constituição Federal. O texto constitucional também empresta relevo a essa proteção: Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o bem-estar de seus habitantes. Faculdade de Minas 21 Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. Demais disso, a Lei n. 10.257/01, que trata do Estatuto da Cidade, detalhou as formas de manejo e os instrumentos de uma política urbana para as cidades brasileiras. Essa parte, relativa ao meio ambiente artificial, que diz respeito ao espaço urbano que foi construído pelo homem, merece especial atenção, sendo objeto de estudo quando se tratar do novo direito urbanístico, reinaugurado pelo Estatuto da Cidade e merecedor de capítulo próprio. O Tribunal Regional Federal da 5 ª Região decidiu caso envolvendo o patrimônio artificial, entendendo que “a ordem jurídica constitucional inaugurada com a promulgação da CF/88 alargou, sobremaneira, as funções institucionais do Ministério Público, de sorte que se mostra viável o manejo de ação civil pública, pelo Ministério público Federal, para defender o patrimônio público em geral, incluindo-se nesse conceito, também, o histórico e artístico nacional. Precedentes do col. STF” (AC 439.086–PE, Relator Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel de Faria, j. 12-8-2008). Meio ambiente do trabalho Por fim, nessa classificação didática majoritariamente adotada pelos autores nacionais, está previsto o meio ambiente do trabalho como sendo aquele com enfoque na segurança da pessoa humana no seu local de trabalho. Esse conceito envolve saúde, prevenção de acidentes, dignidade da pessoa humana, salubridade e condições de exercício saudável do trabalho (FARIAS, 2009, p. 222). Ainda sobre o ambiente do trabalho, determina a Constituição: Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, nos termos da lei: (...) Faculdade de Minas 22 VII – participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do trabalho. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança. Em diversas ocasiões a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça apreciou demandas correlatas ao meio ambiente do trabalho, principalmente nos casos que envolviam legitimidade do Ministério Público e a competência para apreciação de ações civis públicas, a exemplo do Recurso Especial 265.358/SP, da Relatoria do Ministro Humberto Gomes de Barros: “I – O Ministério Público está legitimado para instaurar inquérito civil, no intuito de colher subsídios para eventual ação civil pública em defesa do meio ambiente. II – O exercício das ações coletivas pelo Ministério Público deve ser admitido com largueza. Em verdade a ação coletiva, ao tempo em que propicia soluçãouniforme para todos os envolvidos no problema, livra o Poder Judiciário da maior praga que o aflige, a repetição de processos idênticos” (REsp 265.358/SP, Relator Ministro Humberto Gomes de Barros, j. 4-9-2001, DJ, 18-2-2002). Também o Superior Tribunal de Justiça, na lavra do Ministro Pádua Ribeiro, entendeu ser “cabível ação civil pública com o objetivo de afastar danos físicos a empregados de empresa em que muitos deles já ostentam lesões decorrentes de esforços repetitivos (LER). Em tal caso, o interesse a ser defendido não é de natureza individual, mas de todos os trabalhadores da ré, presentes e futuros, evitando-se a continuidade do processo da sua degeneração física. Nessas hipóteses o Ministério Público Estadual tem legitimidade para propor a ação porquanto se refere à defesa de interesses difusos, coletivos ou individuais homogêneos, em que se configura interesse social relevante, relacionados com o meio ambiente do trabalho” (REsp 207.336/SP, Relator Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, j. 5-12-2000, DJ, 11- 6-2001). Decidindo pela competência da Justiça trabalhista na apreciação da defesa do meio ambiente do trabalho e na observância das normas de saúde, segurança e higiene, existe forte precedente do Ministro Aldir Passarinho, com supedâneo em decisão do Supremo Tribunal Federal: Faculdade de Minas 23 “I. Compete à Justiça Obreira o julgamento de ação civil pública onde se discute o cumprimento, pelo empregador, de normas atinentes ao meio ambiente de trabalho. Precedente do C. STF. (RE n. 206.220/MG, Segunda Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU de 17.09.1999). II. Recurso não conhecido” (REsp 697.132/SP, Relator Ministro Fernando Gonçalves, Relator p/ Acórdão Ministro Aldir Passarinho Junior, j. 14-12-2005, DJ, 29-3- 2006). Merecem destaques duas passagens do Superior Tribunal de Justiça quanto à competência para apreciar demanda versando o meio ambiente do trabalho. Entendeu, na hipótese, a Ministra Eliana Calmon, que “compete à Justiça comum apreciar ação civil pública proposta pelo Ministério Público estadual contra empresa de cosméticos por causar danos ao meio ambiente e à saúde de seus operários. Precedentes citados: CC 16.243-SP, DJ 17/6/1996; RMS 8.785-RS, DJ 22/5/2000, e REsp 315.944- SP, DJ 29/10/2001” (REsp 310.703-SP, Relatora Ministra Eliana Calmon, j. 26-11- 2002). Noutra passagem, em ação civil pública, com a finalidade de eliminar danos causados ao meio ambiente do trabalho, na lavra do Ministro Rui Rosado, ficou decidido “que a atribuição ao MP estadual para o ajuizamento de ações visando ao cumprimento de normas de segurança do trabalho, com base no art. 129 da Lei n. 8.213/91, se dá sem prejuízo da competência do MP do Trabalho e da própria Justiça do Trabalho em matéria trabalhista com amparo na LC n. 75/93, art. 83, II e III” (REsp 315.944-SP, Relator Ministro Ruy Rosado, j. 25- 9-2001). Assim também em casos de aposentadoria por invalidez, concedida pelo INSS, em casos de contaminação e intoxicação por gases em ambiente de trabalho, em razão da incolumidade à qual está sujeito o trabalhador em alguns casos específicos (REsp 448.583-SP, Relator Ministro Aldir Passarinho Junior, j. 8-4-2008). A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça caminha no sentido de que “compete à Justiça comum o conhecimento e julgamento de ações que envolvem acidente do trabalho”, e que, “consequentemente, essa Justiça também é competente para julgar a ação civil pública quando destinada a prevenir acidente do trabalho” (Precedente citado: REsp 493.876-SP, DJ, 12- 8-2003. REsp 240.343-SP, Relator originário Ministro Aldir Passarinho Junior, Relator para acórdão Ministro João Otávio de Noronha, j. 17-3-2009). Faculdade de Minas 24 Patrimônio genético Como dito acima, a maioria dos autores doutrinariamente divide o meio ambiente em quatro categorias, sendo elas: natural, cultural, artificial e do trabalho, mas não deixam de mencionar uma subespécie bastante recente. Trata-se do meio ambiente genético, ou do patrimônio genético (FIORILLO, 2009, p. 24-26). Patrimônio genético deve ser entendido como o conjunto de seres vivos, todos, incluindo os homens, os animais, os vegetais, os micro-organismos, que constituem a biodiversidade do planeta (SIRVINSKAS, 2004). O avanço tecnológico e a enorme evolução da engenharia genética nos últimos anos renderam ensejo à tutela desse novel direito, pois estavam em jogo órgãos relacionados à vida e à sua manipulação. No Brasil, a Lei n. 8.974/95 versou os direitos relacionados aos materiais genéticos vinculados à pessoa humana. Atualmente rege a matéria a Lei n. 11.105/05, que regulamenta os incisos II, IV e V do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, bem como cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de Biossegurança – PNB, ao tempo em que revogou a Lei n. 8.974/95. Diz a Lei quais são as normas de segurança que devem ser respeitadas ao se manipular o patrimônio genético: Art. 1º Esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio ambiente. Faculdade de Minas 25 É tamanha a preocupação com o avanço dos conflitos que já envolvem essa matéria, que a própria jurisprudência dá conta de sua importância para o direito brasileiro. Assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar a competência da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) – órgão diretamente ligado à Presidência da República, destinado a assessorar o governo na elaboração e implementação da Política Nacional de Biossegurança, e da Justiça Federal para dirimir conflitos, pois “os eventuais efeitos ambientais decorrentes da liberação de organismos geneticamente modificados não se restringem ao âmbito dos Estados da Federação em que efetivamente ocorre o plantio ou descarte, sendo que seu uso indiscriminado pode acarretar consequências a direitos difusos, tais como a saúde pública. Evidenciado o interesse da União no controle e regulamentação do manejo de sementes de soja transgênica, inafastável a competência da Justiça Federal para o julgamento do feito. Conflito conhecido para declarar a competência o Juízo Federal da Vara Criminal de Passo Fundo, SJ/RS, o Suscitado” (CComp 41301/RS, Relator Ministro Gilson Dipp, j. 12-5-2004, DJ, 17-5-2004). Existem interesses concretos e objetivos da União, sendo a competência concorrente residual dos Estados para legislar e fiscalizar os assuntos que envolvem a matéria. Portanto, não há que se falar em competência dos Estados quando houver a prática de crimes envolvendo o patrimônio genético, como bem assentou o Superior Tribunal de Justiça, onde “tendo os denunciados praticado, em tese, crime de liberação, no meio ambiente, de organismos geneticamente modificados – plantação de soja transgênica/safra 2001 (art. 13, V, da Lei n. 8974/95), verifica-se, consoante legislação federal específica, prejuízo a interesses da União, porquanto há reflexos concretos da utilização desta tecnologia de plantio na Política Agrícola Nacional e na Balança Comercial de Exportação de nosso País” (CComp 41279/RS, Relator Ministro Jorge Scartezzini, j.28-4-2004, DJ, 1º- 7-2004). Faculdade de Minas 26 Por fim, decidiu o Supremo Tribunal Federal, no tocante a legislação pertinente aos Organismos Geneticamente Modificados, ser a competência dos Estados apenas residual, já que há lei federal expressa, nos seguintes termos: “Alegada violação aos seguintes dispositivos constitucionais: art. 1º; art. 22, incisos I, VII, X e XI; art. 24, I e VI; art. 25 e art. 170, caput, inciso IV e parágrafo único. Ofensa à competência privativa da União e das normas constitucionais relativas às matérias de competência legislativa concorrente. (Lei n. 8.974/95)” (MC em ADI 3.035/PR, Relator Ministro Gilmar Mendes, DJU, 12-3-2004, Tribunal Pleno). Em meados de 2007, a Defensoria Pública de São Paulo propôs Ação Civil Pública contra a expansão da monocultura de eucaliptos geneticamente modificados pela Votorantim e Suzano, no município de São Luiz do Paraitinga, no Vale do Paraíba. A defensoria alegou que rios e nascentes da região secaram, animais e pessoas foram contaminados por agrotóxicos e diversos trabalhadores rurais ficaram desempregados. A falta de água foi uma das maiores queixas da população e de pequenos agricultores. Uma árvore de eucalipto adulta consome 30 litros diários de água. A ação foi resultado de estudos em conjunto com ambientalistas e atendimento à população carente. A ação foi proposta contra as empresas que são proprietárias das fazendas de eucaliptos, contra o município de São Luiz do Paraitinga e o Estado de São Paulo, que têm o dever constitucional de fiscalizar e exigir o cumprimento das normas ambientais. O pedido liminar foi para a suspensão do plantio de eucaliptos até que fossem feitos estudos de impacto ambiental com audiências públicas junto às comunidades rurais afetadas. Por fim, a ação pediu a condenação das empresas a indenizarem os prejuízos causados, o corte das árvores cultivadas em área de preservação ambiental permanente e a recomposição da floresta nativa. Em outra decisão marcante, o Tribunal Regional Federal da 5 ª Região negou habeas corpus a um francês acusado de praticar biopirataria. A decisão do Tribunal acolheu os argumentos da Procuradoria Regional da República da 5ª Região. Faculdade de Minas 27 Depois de ser investigado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), houve a prisão em flagrante quando o francês tentava embarcar para o exterior com diversas espécies da flora nativa brasileira, essências e resinas vegetais e pedras de vários minerais, sem autorização do IBAMA. De acordo com o Ministério Público Federal, a manutenção da prisão preventiva foi necessária para garantir a instrução criminal e a ordem pública, porque o paciente, devido à gama de contatos especializados que possui, pode influir na prova coletada e ainda voltar a delinquir, pois segundo as informações da Abin, realiza atividades prejudiciais ao meio ambiente desde a década de 80. Assim ficou resolvida a questão: “HABEAS CORPUS. LIBERDADE PROVISÓRIA. CONVENIÊNCIA DA ORDEM PÚBLICA E DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. PRISÃO PREVENTIVA MANTIDA. Prisão preventiva fundamentada na existência dos crimes em apuração, indícios da participação do paciente e necessidade de garantir a ordem pública e a instrução criminal. Denegação da ordem” (HC 2.725-CE, Relator Desembargador Federal Ridalvo Costa, DJU, n. 100, Seção 2, p. 631/650, de 25-5-2007). Faculdade de Minas 28 PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL Os princípios do Direito Ambienta têm origem na construção jurídica originada no Direito Internacional Ambiental, sendo essa criada de maneira a conter as crises ambientais, buscando, através disso, possíveis respostas ou até mesmo descobertas cientificas. Estes princípios trouxeram uma coerência a respeito do Direito Ambiental, fazendo com que tivessem uma facilidade para os entender e, através disso, dê-se uma legitimidade jurídica aos Estados para que criassem políticas públicas com o intuito de proteger o meio ambiente. Quando falamos em proteção do meio ambiente no Brasil, temos vários órgãos nacionais que trabalham para tal proteção, sendo esses o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Conselho Nacional Do Meio Ambiente (CONAMA), sendo tais órgãos da administração pública federal. Vamos abordar abaixo alguns princípios mais relevantes do meio ambiente, trazendo definições históricas sobre cada um. Faculdade de Minas 29 Princípio do direito humano fundamental Sendo este o princípio o mais importante do Direito Ambiental, pois sem um meio ambiente equilibrado e saudável traria uma má vida para os seres humanos que habitam nosso planeta. A constituição federal de 1988, em seu artigo 225, caput, e, de acordo com a Declaração de Estocolmo de 1972, que também foi reafirmado pela Conferência Rio 92, tem um texto expresso que dispõe de tal forma que: Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo- se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Declaração Rio, “os seres humanos constituem o centro das preocupações relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e produtiva em harmonia com a natureza”. Damos sequência, com base nesse princípio, os demais princípios do Direito Ambiental. Princípio da prevenção Este princípio é próximo ao da precaução e tem como finalidade prevenir os riscos e os danos que possam vir a ocorrer. Através disso, o Poder Público toma medidas para prevenir essa ocorrência de danos ambientais. Pode-se citar aqui um ensinamento do Marcelo Abelha Rodrigues: Sua importância está diretamente relacionada ao fato de que, se ocorrido o dano ambiental, a sua reconstituição é praticamente impossível. O mesmo ecossistema jamais pode ser revivido. Uma espécie extinta é um dano irreparável. Uma floresta desmatada causa uma lesão irreversível, pela impossibilidade de reconstituição da fauna e da flora e de todos os componentes ambientais em profundo e incessante processo de equilíbrio, como antes se apresentavam. (RODRIGUES, 2005, p. 203). É necessário que seja aplicado alguns procedimentos para a proteção do meio ambiente, assim se tornam necessário também uma vasta pesquisa e bastante informação para que seja solucionado os problemas ambientais. Sendo assim, Paulo Faculdade de Minas 30 Affonso Leme Machado organizou em cinco itens aplicáveis para o princípio da prevenção, vejamos: 1º) identificação e inventário das espécies animais e vegetais de um território, quanto à conservação da natureza e identificação das fontes contaminantes das águas do mar, quanto ao controle da poluição; 2º) identificação e inventário dos ecossistemas, com a elaboração de um mapa ecológico; 3º) planejamentos ambiental e econômico integrados; 4º) ordenamento territorial ambiental para a valorização das áreas de acordo com a sua aptidão; e 5º) Estudo de Impacto Ambiental” (Machado, 1994, p. 36). Diante dos relatos, podemos concluir que: esse princípio diz respeito ao estudo que antecipa saber os danos e riscos que podem vir a ocorrer no meio ambiente e, sendo assim, pode-se tomar providências para evitar os devidos danos, assim como os risco para o bem do meio ambiente. Princípio da precaução Este é um princípio cauteloso, que busca atos antecipados, em que há a falta de clarezas em pesquisas cientificas para mostrar a ocorrência do dano ambiental. Nele traz uma ação para que não ocorra efeitos indesejáveis, ou seja, faz com que encontre soluções para que possíveis riscos futuros não aconteçam ou que não causem grandes estragos para aqueles que não tem como impedir,mas sim controlar estragos maiores. Para esse princípio é necessário medidas de proteção ao meio ambiente com o intuito de proibir quais quer atividades que possam prejudicar o meio ambiente, sendo essas proibições temporárias ou definitivas. Podemos mencionar aqui de acordo com O Princípio 15 Da Declaração Do Rio Sobre O Meio Ambiente E Desenvolvimento De 1992: Com o fim de proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deverá ser amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de certeza cientifica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental. O princípio da precaução apesar de ainda ser muito questionado, é bastante prestigiado pelo legislador brasileiro, em que diversas normas positivadas, toma Faculdade de Minas 31 medidas sobre avaliações dos impactos ambientais e o que pode ser gerado. Porém, mesmo sendo reconhecido, ele não é dotado de normatividade, fazendo assim com que não sobreponha aos princípios da legalidade e aos princípios fundamentais da Constituição. Princípio do desenvolvimento sustentável Para finalizarmos a abordagem dos princípios mais relevantes, trago como último o desenvolvimento sustentável, sendo esse um princípio que tem como objetivo a utilização dos recursos naturais para que supra as necessidades dos seres humanos no presente, sem que comprometa o meio ambiente, fazendo com que, através disso, futuras gerações não sejam prejudicadas. Vejamos, também, alguns elementos-chave que o doutrinador Paulo de Bessa Antunes traz em seu conceito sobre este princípio: Há ainda que considerar que o conceito de desenvolvimento tem alguns elementos-chave como aquele que determina: “Os Estados devem tomar, em nível nacional, todas as medidas necessárias para a realização do direito ao desenvolvimento e devem assegurar, inter alia, igualdade de oportunidade para todos, no acesso aos recursos básicos, educação, serviços de saúde, alimentação, habitação, emprego e distribuição equitativa da renda. Medidas efetivas devem ser tomadas para assegurar que as mulheres tenham um papel ativo no processo de desenvolvimento. Reformas econômicas e sociais apropriadas devem ser efetuadas com vistas à erradicação de todas as injustiças sociais”. (ANTUNES, 2019, p. 17) Esse desenvolvimento sustentável tem como finalidade a obtenção de integração dos objetivos econômicos, sociais e ambientais. Ele está previsto no artigo 225, caput, da Constituição Federal de 1988 como já mencionada diversas vezes no presente artigo em linhas acima e também na lei 6.938/81 (Política Nacional De Meio Ambiente) em seus artigos 2º e 4º inciso I: Art.2º- A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. [...] Art 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará: Faculdade de Minas 32 I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; Temos também a declaração do Rio 92 no seu princípio 4º, “para se alcançar o desenvolvimento sustentável, a proteção do meio ambiente deve constituir parte integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente em relação a ele”. Este princípio tem como objetivo trazer o desenvolvimento do país de forma econômica e socialmente, de modo que sejam preservados e defendidos o meio para presente e as futuras gerações. TUTELA DO MEIO AMBIENTE Podemos falar sobre tutela do meio ambiente como sendo estabelecido dois objetos, sendo um imediato e outro mediato, assim como diz José Affonso da Silva em sua obra: Através da leitura do artigo 225 da Constituição Federal infere-se que o legislador estabeleceu dois objetos de tutela ambiental: um imediato e outro mediato. A qualidade do meio ambiente é o objeto imediato, enquanto que a saúde, o bem-estar e a segurança da população, sintetizados na expressão ‘qualidade de vida’, são o objeto mediato (SILVA, 1998). Cabe falar que o direito à vida é um dos princípios fundamentais para vida do homem, e que implica na forma de atuação da tutela do meio ambiente. É de suma importância esse princípio fundamental de direito à vida, pois está acima de qualquer outra garantia abordada no texto constitucional, sendo eles de respeito ao direito de propriedade, a iniciativa privada e ao desenvolvimento. O direito fundamental de a vida está em primeiro quando a de se falar sobre a tutela do meio ambiente, pois por meio desta, se estando em boa qualidade tem um grande valor sobre a qualidade de vida do homem. Faculdade de Minas 33 A problemática começa a afetar a tutela jurídica do meio ambiente quando sua degradação começa a afetar a vida e o bem-estar do homem. Através disso podemos citar m trecho da obra de José Afonso da Silva que fala um pouco de como a degradação do meio ambiente afeta a vida humana. A ação predatória do meio ambiente exsurge sob várias formas, quer destruindo os elementos que o compõem, como, ad exemplum, a derrubada das matas, quer contaminando-os com substâncias que alteram a sua qualidade, impedindo o seu uso natural, como ocorre na poluição do ar, águas, solo e paisagem (SILVA, 1998). Não podemos falar que somente a poluição é verdadeira culpada pela degradação de desequilíbrio ecológico, pois ela sempre existiu de uma forma ou de outra e dificilmente deixará de existir. A vida do ecossistema poderá ser afetada tanto pelo ar, pela terra ou pela água, sendo essas provocadas por intervenção do homem ou algo desprovido de vida. O real problema é quando essa poluição age de maneira nociva ao meio ambiente, causando uma modificação que afetará a vida dos seres humanos de forma direta ou indiretamente, no seu bem-estar, na saúde, na qualidade de vida, na segurança e até mesmo nas condições sanitárias do meio ambiente. Há de se falar que, com trabalhos com a terra, a grande concentração populacional, meios de transportes, empresas, industrias e comercio no geral também agem muitas vezes de maneira prejudicial ao meio ambiente, podendo ser chamada de poluição reprimível. Com o passar dos anos e com o crescimento da degradação do meio ambiente, passou com que fosse dado origem a conscientização ambiental fazendo com que as autoridades começassem a dar mais importância para o meio ambiente e todos seus aspectos. Sendo assim, logo a importância da proteção ao meio ambiente através da criação de leis. Seguindo o raciocínio, faz com que dessa forma haja uma melhor qualidade de vida dos seres humanos e uma preservação ao meio ambiente como um todo. Faculdade de Minas 34 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ainda não foi encontrada a solução para os fenômenos naturais ou humanos que causam a degradação do meio ambiente. A proteção do meio ambiente é a que faz com que seja preservada o a natureza e tudo que está relacionado a ela e que são essenciais para a vida e o equilíbrio ecológico, também age de forma a tutelar o meio ambiente, baseando-se na qualidade de vida do homem e aplicando como uma forma do direito fundamental importante que preserva a vida do ser humano. O desenvolvimento sustentável faz com que o crescimento econômico não afete o meio ambiente, mantendo-o equilibrado para vida humana presente e para gerações futuras. A produção de consumo acaba por interferir na destruição do meio ambiente, faz com que seja reduzida os recursos e até mesmo a extinção das espécies. Com o Direito Ambiental em suas normas, se faz um estudo para queencontre uma solução para equilibrar a vida econômica, sem prejudicar o meio ambiente, fazendo assim com que seja preservado, para a sobrevivência da vida, em todas as suas formas. Só com a conscientização do meio ambiente será possível haver um desenvolvimento sem que cause prejuízos insanáveis ao meio ambiente. Faculdade de Minas 35 REFERÊNCIAS ANTUNES, Paulo de Bessa. Dano Ambiental: uma abordagem conceitual. Rio de Janeiro: Lúmen Júris, 2000. ANTUNES, Paulo de Bessa. Direito Ambiental. 20º edição: atlas, 2019. AYALA, Patryck de Araújo. 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