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APOSTILA-DE-FUNDAMENTOS-DO-DIREITO-AMBIENTAL-5

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FUNDAMENTOS DO DIREITO AMBIENTAL 
 
 
 
 
 
 
Faculdade de Minas 
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SUMÁRIO 
NOSSA HISTÓRIA ..................................................................................................... 3 
INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 4 
BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIREITO AMBIENTAL .............................. 6 
A preocupação com a natureza ................................................................................. 6 
O meio ambiente como bem difuso ............................................................................ 8 
As expectativas ambientais para o século XXI ........................................................... 9 
CONCEITO DE DIREITO AMBIENTAL E SUA FUNDAMENTAÇÃO ...................... 13 
Definição do meio ambiente e sua classificação ...................................................... 16 
Meio ambiente natural .............................................................................................. 17 
Meio ambiente cultural ............................................................................................. 18 
Meio ambiente artificial ............................................................................................. 20 
Meio ambiente do trabalho ....................................................................................... 21 
Patrimônio genético.................................................................................................. 24 
PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL ................................................................. 28 
Princípio do direito humano fundamental ................................................................. 29 
Princípio da prevenção ............................................................................................. 29 
Princípio da precaução ............................................................................................. 30 
Princípio do desenvolvimento sustentável ............................................................... 31 
TUTELA DO MEIO AMBIENTE ................................................................................ 32 
CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................................... 34 
REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 35 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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NOSSA HISTÓRIA 
 
A nossa história inicia com a realização do sonho de um grupo de empresários, 
em atender à crescente demanda de alunos para cursos de Graduação e Pós-
Graduação. Com isso foi criado a nossa instituição, como entidade oferecendo 
serviços educacionais em nível superior. 
A instituição tem por objetivo formar diplomados nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação 
no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua. 
Além de promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que 
constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de 
publicação ou outras normas de comunicação. 
A nossa missão é oferecer qualidade em conhecimento e cultura de forma 
confiável e eficiente para que o aluno tenha oportunidade de construir uma base 
profissional e ética. Dessa forma, conquistando o espaço de uma das instituições 
modelo no país na oferta de cursos, primando sempre pela inovação tecnológica, 
excelência no atendimento e valor do serviço oferecido. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO 
O Direito Ambiental é um dos mais recentes ramos especializados do Direito 
moderno e, com toda a certeza, é um dos que têm sofrido as mais relevantes 
modificações, crescendo de importância na ordem jurídica internacional e nacional. 
Como em toda novidade, existem incompreensões e incongruências sobre o papel 
que ele deve desempenhar na sociedade, na economia e na vida em geral. A sua 
implementação não se faz sem dificuldades das mais variadas origens, indo desde as 
conceituais até as operacionais. 
A função primordial do Direito Ambiental é organizar a forma pela qual a 
sociedade se utiliza dos recursos ambientais, estabelecendo métodos, critérios, 
proibições e permissões, definindo o que pode e o que não pode ser apropriado 
economicamente (ambientalmente). Não satisfeito, vai além. Ele estabelece como a 
apropriação econômica (ambiental) pode ser feita. Assim, não é difícil perceber que 
o Direito Ambiental é um regulador da atividade econômica, pois ela se faz sobre a 
base de uma infraestrutura que consome recursos naturais. 
O surgimento do Direito Ambiental como disciplina jurídica denota que as 
relações entre o Homem (antropo) e o mundo que o envolve vêm se modificando de 
forma muito acelerada e profunda. O Direito Ambiental é um dos mais marcantes 
instrumentos de intervenção em tal realidade. Thornton e Beckwith (1997, p. 2) nos 
chamam a atenção para o fato de que uma definição de Direito Ambiental vai 
depender muito da definição de meio ambiente, pois uma é subordinada à outra. 
Todavia, muitas vezes as definições de meio ambiente são extremamente amplas e, 
portanto, pouco operacionais. Einstein – o genial físico –, definiu ambiente como tudo 
que não seja eu. Ora, se adotarmos um conceito tão amplo como o de Einstein, tudo 
estará compreendido no Direito Ambiental e, portanto, ele seria uma espécie de 
Pandireito capaz de abarcar toda e qualquer atividade humana, o que, evidentemente, 
é um despropósito. É claro que, ao tratarmos de Direito Ambiental, não estamos 
falando de toda e qualquer atividade humana. Falamos fundamentalmente daquelas 
atividades que afetam as águas, a fauna, as florestas, o solo e o ar em especial. 
 
 
 
 
 
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Normalmente, as leis que tratam desses temas definem padrões de lançamento de 
substâncias químicas, de partículas, padrões de qualidade, proteção de espécies 
animais e vegetais. Certamente, muitas zonas de interseção com diversos outros 
campos do direito existem. Daí, a definição de limites é essencial para que o Direito 
Ambiental possa cumprir a sua principal missão, que é servir como marco regulatório 
e normativo das atividades humanas em relação ao meio ambiente. 
Desse modo, a partir da legislação vigente, da Constituição Federal e da 
doutrina disponível sobre o tema, a presente disciplina apresentará os fundamentos 
do Direito Ambiental. 
No primeiro capítulo será abordada uma breve consideração sobre o Direito 
Ambiental. Posteriormente, apresentaremos o conceito de Direito Ambiental e a sua 
fundamentação, tendo sido subdividido em mais dois tópicos, onde debateremos 
sobre a definição de meio ambiente, a classificação e os princípios do Direito 
Ambiental. Por fim, estudaremos a tutela do meio ambiente, chegando-se, assim, às 
considerações finais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O DIREITO AMBIENTAL 
A preocupação com a natureza 
Não é recente a preocupação do homem com o meio ambiente. Desde tempos 
remotos, nas regiões mediterrâneas, os povos nômades necessitavam de 
fortificações para a defesa contra os ataques de inimigos naturais e de outros povos 
hostis. 
No entanto, essas fortificações tinham outras finalidades, proporcionando 
melhores condições para suas populações, e levaram essas comunidades a uma 
sensível preocupação com o meio com o qual interagiam. 
O crescimento e o estabelecimento de vários grupos familiares, extrapolando 
o limite daqueles existentes, fez com que as populações modificassem o estado 
natural das fontes, buscando uma maior comodidade. 
Como exemplo de interação do homem com o meio ambiente, as águas 
advindas de fontes existentes nas proximidades das grandes cidades tinham de ser 
captadas, armazenadase até lá conduzidas. De fato, os complexos aquáticos sempre 
ofereceram condições de sobrevivência ao homem. Para comprovar essa afirmação, 
basta o exemplo das grandes cidades que foram estabelecidas próximas de grandes 
rios ou lagos, como Londres (Tâmisa), Paris (Sena), Roma (Tibre) e São Paulo 
(Tietê). 
O meio ambiente ligado à história de progresso ou fracasso das civilizações 
faz sentido. Tome-se como exemplo a história da China, que tem uma geografia muito 
parecida com a dos Estados Unidos, porém, ao longo dos séculos, sofreu intensos 
desmatamentos e degradações de outras ordens, resultando em catástrofes 
ambientais. 
Também são inúmeros os casos em que o desequilíbrio ambiental gerou 
guerras por áreas mais prósperas, modificando o quadro histórico, com a supressão 
de culturas, a imposição de regras, a aniquilação de espécies e o massacre de 
 
 
 
 
 
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populações. O grande propulsor e fornecedor dos produtos utilizados pelo homem é 
o próprio meio onde ele vive. 
Sustenta-se, inclusive, o vínculo dos fracassos dos grandes eventos históricos 
com a forma errada de interagir com o meio ambiente (DIAMOND, 2005, p. 24). 
Com a produção de lixo, as reduzidas possibilidades de banho e o 
alastramento de epidemias, devido à falta de higiene, a Idade Média manteve da 
Antiguidade o mundo espiritual, mas as práticas higiênicas e de preservação 
ambiental foram esquecidas gradativamente. Esses danos cometidos durante a Idade 
Média puderam ser superados em razão de a população da Europa ser ainda muito 
pequena, e a ocupação de novas terras possível também devido à pequena demanda 
(SIRVINSKAS, 2016, p. 83). 
Os povos medievais não ultrapassaram as fronteiras da exploração e 
mantiveram visões somente de subsistência. O aumento do consumo dos meios 
naturais veio no fim do século XVIII, quando as descobertas científicas começaram a 
introduzir novas medidas, ferramentas e máquinas de exploração (PINKER, 2018, p. 
63). 
A Revolução Industrial veio à tona durante o século XVIII e daí em diante não 
só houve um acréscimo populacional, mas também uma convergência para os 
grandes centros urbanos (DIAMOND, 2005). 
O desenvolvimento tecnológico daí advindo trouxe a erradicação de algumas 
epidemias, a cura de doenças, a descoberta de mecanismos de prolongamento da 
vida humana, alargando as fronteiras do conhecimento, e proporcionou uma explosão 
demográfica sem parâmetros na história. Isso fez com que o homem tivesse um 
domínio quase ilimitado da natureza, o que resultou na chegada de um problema 
chamado degradação ambiental. 
O século XIX foi o do aprimoramento das técnicas já conhecidas, com a 
aceleração e desenvolvimento das técnicas descobertas. Com o século XX e a era 
da globalização, houve um desmedido progresso nas ciências que estudam a 
 
 
 
 
 
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natureza, e surgiram maiores problemas para o meio ambiente (LANFREDI, 2007, p. 
149). 
Os limites do desenvolvimento sustentável não foram respeitados e os efeitos 
rapidamente puderam ser sentidos. Claramente ficou para trás o respeito à natureza, 
e o homem se firmou com o progresso científico de conhecimento, buscando evoluir, 
sempre na crença de que os recursos naturais eram infinitos (MILARÉ, 2015, p. 61). 
O meio ambiente como bem difuso 
O meio ambiente é considerado um bem difuso, pertencente a toda a 
coletividade. Os interesses ou direitos difusos são transindividuais, indivisíveis, e a 
titularidade é exercida por pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de 
fato, conforme disposto no art. 81 do Código de Defesa do Consumidor (Lei n. 
8.078/90) (FIORILLO, 2015, p. 40). 
Os direitos coletivos também são transindividuais, de natureza indivisível, mas 
a titularidade é de um grupo, categoria ou classe de pessoas ligadas entre si ou com 
a parte contrária por uma relação jurídica. 
Os interesses ou direitos individuais homogêneos, por sua vez, são aqueles 
decorrentes de origem comum. 
É importante ressaltar que quando o art. 225 da Constituição Federal refere-se 
a um “bem de uso comum do povo”, não está enquadrando o meio ambiente na 
classificação tradicional de bens públicos (bens de uso comum do povo, de uso 
especial e dominicais/dominiais), pois há um acréscimo no conceito com a expressão 
“essencial à sadia qualidade de vida”. 
De acordo com o Supremo Tribunal Federal: 
“O direito à integridade do meio ambiente – típico direito de terceira geração 
– constitui prerrogativa jurídica de titularidade coletiva, refletindo, dentro do 
processo de afirmação dos direitos humanos, a expressão significativa de 
um poder atribuído, não ao indivíduo identificado em sua singularidade, mas, 
num sentido verdadeiramente mais abrangente, à própria coletividade social” 
(STF, MS 22.164-0 SP, Rel. Min. Celso de Mello, j. 30-10-1995, destaque do 
original). 
 
 
 
 
 
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Ademais, o fato de existir a propriedade privada sobre determinados bens 
ambientais não retira a característica de serem bens voltados para o bem- estar da 
coletividade. Assim, todos podem utilizar tais bens, mas não podem transacionar ou 
dispor deles sem garantir às próximas gerações o suficiente para o seu 
desenvolvimento. 
As expectativas ambientais para o século XXI 
Chegou-se, em pleno século XXI, àquilo que se convencionou chamar de 
“sociedade de risco”, ou seja, aquela em que é mais difícil a tarefa de apresentar 
soluções adequadas para o conflito entre o desenvolvimento tecnológico e a 
obrigação de estabelecer limites à própria capacidade de intervenção sobre o meio 
ambiente (AYALA, 2004, p. 231). 
Além disso, a sociedade de risco também trouxe as dificuldades de operar 
qualquer inovação tecnológica quando seu implemento tiver como contrapontos a 
imprevisibilidade, a incerteza e o desconhecimento dos resultados de seu avanço. 
Todos esses fatores estão em jogo ao se falar da sociedade de risco. 
No lugar daquele conglomerado rural, baseado na produção de bens agrícolas, 
e que levou 10 mil anos para gerar a sociedade industrial, sobreveio esta, pós-
industrial, moderna, contemporânea, em que a degradação e a poluição ambiental 
ganham contornos nítidos de descontrole, não mais sendo possível ao homem 
manejar a natureza como nos séculos passados. 
Portanto, o Direito Ambiental apresenta-se com o papel de sustentar a 
sociedade participativa e democrática, compatibilizando crescimento econômico e 
desenvolvimento sustentável. Fala-se, inclusive, em uma “ecologia do direito”, como 
uma nova ordem, que não seja formada somente por elementos constitutivos 
individuais, mas sim composta por redes e comunidades sociais (CAPRA; MATTEI, 
2018, p. 29). 
O meio ambiente, apesar de figurar esporadicamente, ao longo do tempo 
(FARIAS, 2009, p. 28) em legislações esparsas, somente foi apresentado como 
 
 
 
 
 
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problema global em 1972, na Conferência de Estocolmo, e manteve, aumentando 
ainda mais, a preocupação de seu tratamento na Conferência de 1992, no Rio de 
Janeiro, a ECO-92. 
Desde então as nações começaram a focalizar e a enquadrar a necessidade 
de conservação como metas a serem alcançadas para sua própria sustentabilidade. 
Diante desse quadro foram surgindo propostas para solucionar o problema 
ambiental, abrangendo aspectos físicos e políticos. Atualmente prevalece a do 
“desenvolvimento sustentado”, definitivamente consagrado em 1992, sem o 
abandono da visão antropocêntrica da gestão dos ecossistemas no interesse do 
desenvolvimento dos países e das populações. 
O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do 
presente sem comprometer a capacidade de as gerações futuras atenderem também 
às suas. 
Isso não reflete um estado permanente de harmonia, mas sim um processo de 
mudança no qual a exploração dos recursos naturais, a orientação dos investimentos, 
os rumos do desenvolvimento tecnológico e a mudançainstitucional estão de acordo 
com as necessidades atuais e futuras. Essa forma de pensar, muito em voga 
atualmente, não somente pressupõe melhores condições de vida, ou, mesmo que 
sejam, condições mínimas para os seres humanos. 
Édis Milaré chama esse processo de “desenvolvimento sustentável”, e de 
“sustentabilidade” o atributo necessário no tratamento dos recursos naturais, mais 
precisamente dos recursos naturais (MILARÉ, 2018, p. 77). 
O Superior Tribunal de Justiça já teve a oportunidade de se manifestar e 
assentou que 
“Esse princípio fundamenta-se numa política ambiental que não bloqueie o 
desenvolvimento econômico, porém, com uma gestão racional dos recursos 
naturais, para que a sua exploração atenda à necessidade presente sem 
exauri-los ou comprometê-los para as gerações futuras. A proteção do meio 
ambiente não constitui óbice ao avanço tecnológico, pois está pautada no 
conceito de desenvolvimento sustentável. Assim, a questão está em permitir 
 
 
 
 
 
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a utilização dos recursos naturais, mas assegurando um grau mínimo de 
sustentabilidade na utilização dos mesmos” (AgRg nos EDcl no REsp 
1.075.325-RS 2008/0160530-9. Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, j. 13-11-
2012). 
A questão é mais importante, é vital, pois desse desenvolvimento e da 
interação do homem com a natureza depende simplesmente seu maior bem: a vida. 
Inclusive, como dito, há quem reconheça uma ordem ecojurídica, com a 
interconexão dos problemas globais e melhores condições de encontrar soluções 
apropriadas para esses problemas (CAPRA, 2018, p. 30). 
O Direito Ambiental apresenta-se como instrumento de adequação das 
políticas de crescimento, promovendo um ajustamento dos custos privados aos 
custos públicos e sociais; certamente, esse ramo do Direito também representa 
objetivos econômicos, mas que não podem ser distanciados da preservação, 
compelindo o desenvolvimento a uma atitude mais racional e controlada de insumos 
naturais (CARNEIRO, 2001, p. 10). 
O Direito tem a tarefa de realizar o bem comum dentro da comunidade em que 
vige. As ingerências sociais, políticas, econômicas etc. são manifestações antes e 
depois do Direito que servem para ordenar o desenvolvimento dessas outras formas 
de adaptação social. 
Interessa aqui, dentre outras abordagens, a análise de algumas dessas 
serventias do Direito Ambiental e os principais pontos merecedores de análise. 
Demais disso, nunca é demasiado mencionar as decisões judiciais que revelam a 
substancial verdadeira importância da aplicação. 
O texto constitucional empresta relevo a essa proteção e os Tribunais 
Superiores assim vêm decidindo, na esteira do que pronunciou o Supremo Tribunal 
Federal, de que 
“todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. Trata-se de 
um típico direito de terceira geração (ou de novíssima dimensão), que assiste 
a todo o gênero humano (RTJ 158/205-206). Incumbe, ao Estado e à própria 
coletividade, a especial obrigação de defender e preservar, em benefício das 
presentes e futuras gerações, esse direito de titularidade coletiva e de caráter 
transindividual (RTJ 164/158-161). O adimplemento desse encargo, que é 
 
 
 
 
 
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irrenunciável, representa a garantia de que não se instaurarão, no seio da 
coletividade, os graves conflitos intergeneracionais marcados pelo 
desrespeito ao dever de solidariedade, que a todos se impõe, na proteção 
desse bem essencial de uso comum das pessoas em geral. Doutrina. A 
ATIVIDADE ECONÔMICA NÃO PODE SER EXERCIDA EM DESARMONIA 
COM OS PRINCÍPIOS DESTINADOS A TORNAR EFETIVA A PROTEÇÃO 
AO MEIO AMBIENTE” (ADI-MC 3.540/DF – Relator Ministro Celso de Mello, 
j. 1º-9-2005, Pleno, DJ, 3-2-2006). 
Continua o Relator, Ministro Celso de Mello, acentuando a importância da 
defesa ambiental e da manutenção dos recursos naturais, inclusive apontando a 
divisão didática com a qual nos acostamos, no sentido de que 
“a incolumidade do meio ambiente não pode ser comprometida por 
interesses empresariais nem ficar dependente de motivações de índole 
meramente econômica, ainda mais se se tiver presente que a atividade 
econômica, considerada a disciplina constitucional que a rege, está 
subordinada, dentre outros princípios gerais, àquele que privilegia a ‘defesa 
do meio ambiente’ (CF, art. 170, VI), que traduz conceito amplo e abrangente 
das noções de meio ambiente natural, de meio ambiente cultural, de meio 
ambiente artificial (espaço urbano) e de meio ambiente laboral. Doutrina. Os 
instrumentos jurídicos de caráter legal e de natureza constitucional objetivam 
viabilizar a tutela efetiva do meio ambiente, para que não se alterem as 
propriedades e os atributos que lhe são inerentes, o que provocaria 
inaceitável comprometimento da saúde, segurança, cultura, trabalho e bem-
estar da população, além de causar graves danos ecológicos ao patrimônio 
ambiental, considerado este em seu aspecto físico ou natural (...)”. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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CONCEITO DE DIREITO AMBIENTAL E SUA FUNDAMENTAÇÃO 
Podemos conceituar o Direito Ambiental como um ramo do direito onde se 
elenca várias normas jurídicas com o intuito de preservar e proteger o meio ambiente, 
assim como tudo que há nele para o bem-estar da população, gerações futuras e, 
também, pelo bem do próprio planeta. 
Há de relatar, ainda, o conceito de diversos doutrinadores e juristas sobre o 
referido tema. Podendo-se citar o Toshio Mukai, (2001, p. 22), “Direito Ambiental é 
um conjunto de normas e institutos jurídicos pertencentes a vários ramos do direito 
reunidos por sua função instrumental para a disciplina do comportamento humano em 
relação ao meio ambiente”. 
Para Jose Afonso da Silva: 
Ramo do direito, considerando dois aspectos: o Direito 
Ambiental objetivo, que consiste no conjunto de normas 
jurídicas disciplinadoras da proteção da qualidade do meio 
ambiente; e o Direito Ambiental como ciência, que busca o 
conhecimento sistematizado das normas e princípios 
ordenadores da qualidade do meio ambiente. (SILVA, 2010, p. 
41 e 42). 
Para Edis Milaré: 
Direito do ambiente é o complexo de princípios e normas coercitivas 
reguladoras das atividades humanas que, direta ou indiretamente, possam 
afetar a sanidade do ambiente em sua dimensão global, visando a sua 
sustentabilidade para presentes e futuras gerações. (MILARÉ, 2001, p. 109). 
Na visão de Fiorillo (2000, p.22), “Direito Ambiental é uma ciência nova, 
porém autônoma. Essa independência é decorrente em razão de aquele possuir seus 
próprios princípios, inseridos na Carta Magna”. 
 
 
 
 
 
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O conceito abordado por Gina Copola abrange de forma que “conjunto de 
normas jurídicas, técnicas, regras e princípios tendentes a assegurar o equilíbrio 
ecológico, o desenvolvimento sustentável, e a sadia qualidade de vida de toda a 
coletividade, e de todo o ecossistema” (COPOLA, 2003, p.29). 
Apesar do Direito Ambiental ser um ramo mais recente do direito, não podemos 
deixar de citar uma definição mais jurídica do que é o Direito Ambiental, trazendo a 
Constituição Federal de 1988, juntamente com a lei de crimes ambientais nº 
6.938/1981, as quais tratam da Política Nacional do Meio Ambiente: 
Art 1º - Esta lei, com fundamento nos incisos VI e VII do art. 23 e no art. 235 
da Constituição, estabelece a Política Nacional do Meio Ambiente, seus fins 
e mecanismos de formulação e aplicação, constitui o Sistema Nacional do 
Meio Ambiente (Sisnama) e institui o Cadastro de Defesa 
Ambiental.                          
 DA POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
[...] 
Art 2º - A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, 
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando 
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos 
interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana, 
atendidosos seguintes princípios: 
I - ação governamental na manutenção do equilíbrio ecológico, considerando 
o meio ambiente como um patrimônio público a ser necessariamente 
assegurado e protegido, tendo em vista o uso coletivo; 
II - racionalização do uso do solo, do subsolo, da água e do ar; 
Ill - planejamento e fiscalização do uso dos recursos ambientais; 
IV - proteção dos ecossistemas, com a preservação de áreas 
representativas; 
V - controle e zoneamento das atividades potencial ou efetivamente 
poluidoras; 
 
 
 
 
 
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VI - incentivos ao estudo e à pesquisa de tecnologias orientadas para o uso 
racional e a proteção dos recursos ambientais; 
VII - acompanhamento do estado da qualidade ambiental; 
VIII - recuperação de áreas degradadas; 
IX - proteção de áreas ameaçadas de degradação; 
X - educação ambiental a todos os níveis de ensino, inclusive a educação da 
comunidade, objetivando capacitá-la para participação ativa na defesa do 
meio ambiente. 
Art 3º - Para os fins previstos nesta Lei, entende-se por: 
I - meio ambiente, o conjunto de condições, leis, influências e interações de 
ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas 
as suas formas; 
II - degradação da qualidade ambiental, a alteração adversa das 
características do meio ambiente; 
III - poluição, a degradação da qualidade ambiental resultante de atividades 
que direta ou indiretamente: 
a) prejudiquem a saúde, a segurança e o bem-estar da população; 
b) criem condições adversas às atividades sociais e econômicas; 
c) afetem desfavoravelmente a biota; 
d) afetem as condições estéticas ou sanitárias do meio ambiente; 
e) lancem matérias ou energia em desacordo com os padrões ambientais 
estabelecidos; 
IV - poluidor, a pessoa física ou jurídica, de direito público ou privado, 
responsável, direta ou indiretamente, por atividade causadora de 
degradação ambiental; 
V - recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e 
subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo, os elementos 
da biosfera, a fauna e a flora.      
 
 
 
 
 
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Há de se lembrar, também, que, para alguns entendedores, o Direito Ambiental 
caminha a passos largos, ou seja, ele não é um ramo do direito que caminha sozinho, 
mas sim é interligado a outros ramos do direito, assim como citamos acima na 
Constituição Federal e na lei 6.938/1981. 
Ademais, é necessário ressaltar que, para outros, o Direito Ambiental é um 
ramo autônomo, ou seja, é uma esfera que não tem interferência de outros ramos do 
direito, pois o objeto não se confunde com o objeto de outras vertentes do direito. 
Sendo assim, entendido por Jose Afonso da Silva: 
Talvez seja cedo para se discutir sobre sua autonomia e sua natureza. Pode-
se, não obstante isso, dizer que se trata de uma disciplina jurídica de 
acentuada autonomia, dada a natureza específica de seu objeto ordenação 
da qualidade do meio ambiente com vista a uma boa qualidade de vida, que 
não se confunde, nem mesmo se assemelha, com o objeto de outros ramos 
do Direito. (SILVA, 2002 p. 41) 
Por meio deste, pode-se dizer que o Direito Ambiental é autônomo e 
interdisciplinar, visto que, mesmo tendo a interferência de outros ramos do direito, 
tem seus próprios princípios e objetivos. 
Definição do meio ambiente e sua classificação 
Para seguirmos adiante, precisamos entender primeiro o que é o meio 
ambiente e o que nele há. 
Diante disto, podemos dizer que a palavra “meio” pode significar muitas coisas, 
mas o que mais se aproxima do nosso meio de pesquisa é que meio pode ser um 
local onde se vive ou que é exercido uma atividade. Agora a palavra “ambiente”, 
dentre tantas definições, podemos falar que é tudo aquilo que faz parte do meio em 
que vivemos, tantos seres vivos ou coisas e nós seres humanos. Então, se juntarmos 
as duas palavras podemos definir que: meio ambiente é um local em que vive, envolve 
e cerca tanto seres humanos, quanto seres vivos ou coisas, fato esse que é muito 
importante para sobrevivência de tudo e de todos. 
De acordo com Teresa Emídio: 
 
 
 
 
 
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O meio ambiente concebido, inicialmente, como as condições físicas e 
químicas, juntamente com ecossistemas do mundo natural, e que constitui o 
habitat do homem, também é, por outro lado, uma realidade com dimensão 
do tempo e espaço. Essa realidade pode ser tanto histórica (do ponto de vista 
do processo de transformação dos aspectos estruturais e naturais desse 
meio pelo próprio homem, por causa de suas atividades) como social (na 
medida em que o homem vive e se organiza em sociedade, produzindo bens 
e serviços destinados a atender “as necessidades e sobrevivência de sua 
espécie. (EMÍDIO, 2006, p. 127). 
Para a resolução CONAMA 306:2002, “meio ambiente é o conjunto de 
condições, leis, influencia e interações de ordem física, química, biológica, social, 
cultural e urbanística, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. 
Já de acordo com a ISO 14001:2004: 
Circunvizinhança em que uma organização opera, incluindo-se ar, água, 
solo, recursos naturais, flora fauna, seres humanos e suas inter-relações. 
Uma organização é responsável pelo meio ambiente que a cerca, devendo, 
portanto, respeita-lo, agir como não poluente e cumprir as legislações e 
normas pertinentes. (ISO 14001). 
Todo esse meio no qual ocupamos está em constante modificações e muitas 
vezes estão relacionadas ou sendo impostas pelo próprio homem e, com isso, pode 
se tornar prejudiciais ao meio se não administradas corretamente. 
Diante de todo exposto da definição de meio ambiente, podemos classificá-lo 
segundo estudos como: 
Meio ambiente natural 
O meio ambiente, para fins didáticos, pode ser dividido em quatro categorias 
iniciais de abordagem: natural, cultural, artificial e do trabalho. 
Aqui, no meio ambiente natural, talvez resida o mais comum elemento de 
identificação com a natureza, por se tratar diretamente de flora e fauna. 
O meio ambiente natural envolve, além de flora e fauna, atmosfera, água, solo, 
subsolo, os elementos da biosfera, bem como os recursos minerais. Enfim, toda forma 
de vida é considerada integrante do meio ambiente, em suas diversas formas de 
manifestação. 
 
 
 
 
 
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18 
Decidiu o Tribunal Regional Federal da 2 ª Região, quanto aos requisitos para 
a concessão de liminar em Ação Civil Pública, quando atos sejam ofensivos ao meio 
ambiente, que 
“o fumus boni iuris fica evidenciado nos artigos 20, II, 23,VII e 
225, § 4º, todos da Constituição Federal, o Código Florestal e 
demais normas do Direito Ambiental. O periculum in mora resta 
claro ante a crescente e desordenada ocupação da área, com 
supressão de cobertura vegetal, que põem em risco o equilíbrio 
ecológico, causando danos incalculáveis ao ecossistema e com 
recuperação improvável. Quanto aos prejuízos irreversíveis 
temidos pela parte agravante, assegura-se apenas que a tutela 
da natureza, como garantia de qualidade de vida no planeta, é 
questão de superior relevância” (TRF 2ª Região, AgI 
120.241/ES, j. 1º-6-2004, DJU, 5-7-2004). 
Na mesma esteira, ainda, o Tribunal Regional Federal da 2 ª Região, quando 
apreciou demanda versando a importação de pneus usados, decidiu que 
“a possibilidade de ocorrerem agressões ao meio ambiente, à saúde pública 
e ao risco de desemprego, são fatores que, por relacionarem-se com a 
garantia da segurança interna, justificam a submissão de tal importação ao 
controle governamental, legitimando as restrições impostas pela Portaria n. 
08/2000 da SECEX” (TRF 2ª Região, AgI 19.491/RJ, j. 1º-12-2004, DJU, 3- 
3-2005). 
Meio ambiente cultural 
Como se disse, a divisão do meio ambiente pressupõe a existência também de 
um meio ambiente cultural. 
É dizer, não somente a natureza stricto sensu está protegida pela legislação, 
mas tambémo patrimônio cultural brasileiro, como os elementos referentes à 
formação dos grupos nacionais de expressão, criações artísticas, tecnológicas, obras, 
objetos, documentos, edificações em sentido amplo, conjuntos urbanos, 
paisagísticos, arqueológicos, paleontológicos, ecológicos e científicos. 
No Brasil, essa tendência de proteger bens intangíveis já existe há décadas, a 
exemplo do Decreto-lei n. 25/37, que trata do tombamento de bens, e outras formas 
de expressão e manifestação de identidade do povo brasileiro (SOARES, 2018, p. 6). 
 
 
 
 
 
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O Superior Tribunal de Justiça já adotou esse entendimento por diversas 
vezes, preservando o patrimônio cultural, a exemplo da procedência da 
“ação civil pública alicerçada na existência de danos ao meio ambiente e ao 
patrimônio cultural, na qual se objetiva seja determinada judicialmente a não 
instalação de sistema artificial de iluminação no Penhasco Dois Irmãos, sem 
a prévia autorização dos órgãos responsáveis pelo patrimônio estadual e 
federal (INEPAC e IPHAN), sob pena de desligamento compulsório, em caso 
de descumprimento” (AgRg no Ag. 511604/RJ, Relator Ministro José 
Delgado, j. 14-10-2003, DJ, 19-12-2003). 
Merecem encaixe, nesse contexto cultural, atividades como a música, as 
religiões, a literatura, o teatro, a dança, entre tantas outras manifestações culturais 
existentes (FIORILLO, 2003, p. 57-58). 
A Constituição, em diversas passagens, trata do meio ambiente cultural: 
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e 
acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e 
a difusão das manifestações culturais. 
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza 
material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de 
referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores 
da sociedade brasileira, nos quais se incluem: 
I – as formas de expressão; 
II – os modos de criar, fazer e viver; 
III – as criações científicas, artísticas e tecnológicas; 
IV – as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços 
destinados às manifestações artístico-culturais; 
V – os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, 
arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. 
(...) 
Art. 218. O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a 
pesquisa e a capacitação tecnológicas. 
Todos esses artigos estão dirigidos à promoção e proteção das mais variadas 
formas de manifestação cultural, artística, desportiva e científica de uma nação 
(TORRES, 2005, p. 113). 
Quanto aos sítios arqueológicos, integrantes do patrimônio cultural, assim se 
manifestou o Superior Tribunal de Justiça: 
 
 
 
 
 
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“MEIO AMBIENTE. Patrimônio cultural. Destruição de dunas em sítios 
arqueológicos. Responsabilidade civil. Indenização. O autor da destruição de 
dunas que encobriam sítios arqueológicos deve indenizar pelos prejuízos 
causados ao meio ambiente, especificamente ao meio ambiente natural 
(dunas) e ao meio ambiente cultural (jazidas arqueológicas com cerâmica 
indígena da Fase Vieira)” (REsp 115.599/RS, Relator Ministro Ruy Rosado 
de Aguiar, j. 27-6-2002, DJ, 2-9-2002). 
Em agosto de 2007, o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucionais 
normas do estado de Mato Grosso (inciso V do art. 251 da Constituição estadual e a 
Lei estadual n. 7.782/2002) que tornavam patrimônio do Estado sítios paleontológicos 
e arqueológicos (ADI 3.525). 
A decisão reafirmou o monopólio da União sobre esses sítios, patrimônios 
científicos e culturais. 
O Ministro-Relator, Gilmar Mendes, explicou que, pela Constituição Federal, 
zelar pelo patrimônio histórico-cultural e nacional é competência comum dos entes da 
Federação (da União, dos Estados e dos Municípios). No entanto, isso não significa 
que a incumbência reservada à União possa ser invadida. 
A Lei estadual n. 7.782/2002 previa, por exemplo, que a coleta de fósseis e 
materiais arqueológicos, bem como a sua exploração e transporte, só poderia ser feita 
por meio de autorização expressa e supervisão de institutos mato-grossenses. De 
acordo com a ação da Procuradoria-Geral da República, isso retirava a autoridade do 
IPHAN. 
Meio ambiente artificial 
Já o meio ambiente artificial representa o direito ao bem-estar relacionado às 
cidades sustentáveis e aos objetivos da política urbana, como insculpido na 
Constituição Federal. 
O texto constitucional também empresta relevo a essa proteção: 
Art. 182. A política de desenvolvimento urbano, executada pelo Poder 
Público municipal, conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem por objetivo 
ordenar o pleno desenvolvimento das funções sociais da cidade e garantir o 
bem-estar de seus habitantes. 
 
 
 
 
 
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Art. 183. Aquele que possuir como sua área urbana de até duzentos e 
cinquenta metros quadrados, por cinco anos, ininterruptamente e sem 
oposição, utilizando-a para sua moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o 
domínio, desde que não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural. 
Demais disso, a Lei n. 10.257/01, que trata do Estatuto da Cidade, detalhou as 
formas de manejo e os instrumentos de uma política urbana para as cidades 
brasileiras. 
Essa parte, relativa ao meio ambiente artificial, que diz respeito ao espaço 
urbano que foi construído pelo homem, merece especial atenção, sendo objeto de 
estudo quando se tratar do novo direito urbanístico, reinaugurado pelo Estatuto da 
Cidade e merecedor de capítulo próprio. 
 O Tribunal Regional Federal da 5 ª Região decidiu caso envolvendo o 
patrimônio artificial, entendendo que 
“a ordem jurídica constitucional inaugurada com a promulgação da CF/88 
alargou, sobremaneira, as funções institucionais do Ministério Público, de 
sorte que se mostra viável o manejo de ação civil pública, pelo Ministério 
público Federal, para defender o patrimônio público em geral, incluindo-se 
nesse conceito, também, o histórico e artístico nacional. Precedentes do col. 
STF” (AC 439.086–PE, Relator Desembargador Federal Luiz Alberto Gurgel 
de Faria, j. 12-8-2008). 
Meio ambiente do trabalho 
Por fim, nessa classificação didática majoritariamente adotada pelos autores 
nacionais, está previsto o meio ambiente do trabalho como sendo aquele com 
enfoque na segurança da pessoa humana no seu local de trabalho. 
Esse conceito envolve saúde, prevenção de acidentes, dignidade da pessoa 
humana, salubridade e condições de exercício saudável do trabalho (FARIAS, 2009, 
p. 222). 
Ainda sobre o ambiente do trabalho, determina a Constituição: 
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras atribuições, 
nos termos da lei: 
(...) 
 
 
 
 
 
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22 
VII – participar do controle e fiscalização da produção, transporte, guarda 
e utilização de substâncias e produtos psicoativos, tóxicos e radioativos; 
VIII – colaborar na proteção do meio ambiente, nele compreendido o do 
trabalho. 
Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que 
visem à melhoria de sua condição social: 
(...) 
XXII – redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de 
saúde, higiene e segurança. 
Em diversas ocasiões a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça apreciou 
demandas correlatas ao meio ambiente do trabalho, principalmente nos casos que 
envolviam legitimidade do Ministério Público e a competência para apreciação de 
ações civis públicas, a exemplo do Recurso Especial 265.358/SP, da Relatoria do 
Ministro Humberto Gomes de Barros: 
“I – O Ministério Público está legitimado para instaurar inquérito civil, no 
intuito de colher subsídios para eventual ação civil pública em defesa do meio 
ambiente. II – O exercício das ações coletivas pelo Ministério Público deve 
ser admitido com largueza. Em verdade a ação coletiva, ao tempo em que 
propicia soluçãouniforme para todos os envolvidos no problema, livra o 
Poder Judiciário da maior praga que o aflige, a repetição de processos 
idênticos” (REsp 265.358/SP, Relator Ministro Humberto Gomes de Barros, 
j. 4-9-2001, DJ, 18-2-2002). 
Também o Superior Tribunal de Justiça, na lavra do Ministro Pádua Ribeiro, 
entendeu ser 
“cabível ação civil pública com o objetivo de afastar danos físicos a 
empregados de empresa em que muitos deles já ostentam lesões 
decorrentes de esforços repetitivos (LER). Em tal caso, o interesse a ser 
defendido não é de natureza individual, mas de todos os trabalhadores da 
ré, presentes e futuros, evitando-se a continuidade do processo da sua 
degeneração física. Nessas hipóteses o Ministério Público Estadual tem 
legitimidade para propor a ação porquanto se refere à defesa de interesses 
difusos, coletivos ou individuais homogêneos, em que se configura interesse 
social relevante, relacionados com o meio ambiente do trabalho” (REsp 
207.336/SP, Relator Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, j. 5-12-2000, DJ, 11- 
6-2001). 
Decidindo pela competência da Justiça trabalhista na apreciação da defesa do 
meio ambiente do trabalho e na observância das normas de saúde, segurança e 
higiene, existe forte precedente do Ministro Aldir Passarinho, com supedâneo em 
decisão do Supremo Tribunal Federal: 
 
 
 
 
 
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23 
“I. Compete à Justiça Obreira o julgamento de ação civil pública onde se 
discute o cumprimento, pelo empregador, de normas atinentes ao meio 
ambiente de trabalho. Precedente do C. STF. (RE n. 206.220/MG, Segunda 
Turma, Rel. Min. Marco Aurélio, DJU de 17.09.1999). II. Recurso não 
conhecido” (REsp 697.132/SP, Relator Ministro Fernando Gonçalves, 
Relator p/ Acórdão Ministro Aldir Passarinho Junior, j. 14-12-2005, DJ, 29-3-
2006). 
Merecem destaques duas passagens do Superior Tribunal de Justiça quanto à 
competência para apreciar demanda versando o meio ambiente do trabalho. 
Entendeu, na hipótese, a Ministra Eliana Calmon, que 
“compete à Justiça comum apreciar ação civil pública proposta pelo 
Ministério Público estadual contra empresa de cosméticos por causar danos 
ao meio ambiente e à saúde de seus operários. Precedentes citados: CC 
16.243-SP, DJ 17/6/1996; RMS 8.785-RS, DJ 22/5/2000, e REsp 315.944-
SP, DJ 29/10/2001” (REsp 310.703-SP, Relatora Ministra Eliana Calmon, j. 
26-11- 2002). 
Noutra passagem, em ação civil pública, com a finalidade de eliminar danos 
causados ao meio ambiente do trabalho, na lavra do Ministro Rui Rosado, ficou 
decidido 
“que a atribuição ao MP estadual para o ajuizamento de ações visando ao 
cumprimento de normas de segurança do trabalho, com base no art. 129 da 
Lei n. 8.213/91, se dá sem prejuízo da competência do MP do Trabalho e da 
própria Justiça do Trabalho em matéria trabalhista com amparo na LC n. 
75/93, art. 83, II e III” (REsp 315.944-SP, Relator Ministro Ruy Rosado, j. 25-
9-2001). 
Assim também em casos de aposentadoria por invalidez, concedida pelo INSS, 
em casos de contaminação e intoxicação por gases em ambiente de trabalho, em 
razão da incolumidade à qual está sujeito o trabalhador em alguns casos específicos 
(REsp 448.583-SP, Relator Ministro Aldir Passarinho Junior, j. 8-4-2008). 
 A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça caminha no sentido de que 
“compete à Justiça comum o conhecimento e julgamento de ações que 
envolvem acidente do trabalho”, e que, “consequentemente, essa Justiça 
também é competente para julgar a ação civil pública quando destinada a 
prevenir acidente do trabalho” (Precedente citado: REsp 493.876-SP, DJ, 12- 
8-2003. REsp 240.343-SP, Relator originário Ministro Aldir Passarinho 
Junior, Relator para acórdão Ministro João Otávio de Noronha, j. 17-3-2009). 
 
 
 
 
 
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24 
Patrimônio genético 
Como dito acima, a maioria dos autores doutrinariamente divide o meio 
ambiente em quatro categorias, sendo elas: natural, cultural, artificial e do trabalho, 
mas não deixam de mencionar uma subespécie bastante recente. 
Trata-se do meio ambiente genético, ou do patrimônio genético (FIORILLO, 
2009, p. 24-26). 
Patrimônio genético deve ser entendido como o conjunto de seres vivos, todos, 
incluindo os homens, os animais, os vegetais, os micro-organismos, que constituem 
a biodiversidade do planeta (SIRVINSKAS, 2004). 
O avanço tecnológico e a enorme evolução da engenharia genética nos últimos 
anos renderam ensejo à tutela desse novel direito, pois estavam em jogo órgãos 
relacionados à vida e à sua manipulação. 
No Brasil, a Lei n. 8.974/95 versou os direitos relacionados aos materiais 
genéticos vinculados à pessoa humana. Atualmente rege a matéria a Lei n. 11.105/05, 
que regulamenta os incisos II, IV e V do § 1º do art. 225 da Constituição Federal, 
estabelece normas de segurança e mecanismos de fiscalização de atividades que 
envolvam organismos geneticamente modificados – OGM e seus derivados, bem 
como cria o Conselho Nacional de Biossegurança – CNBS, reestrutura a Comissão 
Técnica Nacional de Biossegurança – CTNBio, dispõe sobre a Política Nacional de 
Biossegurança – PNB, ao tempo em que revogou a Lei n. 8.974/95. 
Diz a Lei quais são as normas de segurança que devem ser respeitadas ao se 
manipular o patrimônio genético: 
Art. 1º Esta Lei estabelece normas de segurança e mecanismos de 
fiscalização sobre a construção, o cultivo, a produção, a manipulação, o 
transporte, a transferência, a importação, a exportação, o armazenamento, a 
pesquisa, a comercialização, o consumo, a liberação no meio ambiente e o 
descarte de organismos geneticamente modificados – OGM e seus 
derivados, tendo como diretrizes o estímulo ao avanço científico na área de 
biossegurança e biotecnologia, a proteção à vida e à saúde humana, animal 
e vegetal, e a observância do princípio da precaução para a proteção do meio 
ambiente. 
 
 
 
 
 
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25 
É tamanha a preocupação com o avanço dos conflitos que já envolvem essa 
matéria, que a própria jurisprudência dá conta de sua importância para o direito 
brasileiro. 
Assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça, ao analisar a competência 
da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) – órgão diretamente 
ligado à Presidência da República, destinado a assessorar o governo na elaboração 
e implementação da Política Nacional de Biossegurança, e da Justiça Federal para 
dirimir conflitos, pois 
“os eventuais efeitos ambientais decorrentes da liberação de organismos 
geneticamente modificados não se restringem ao âmbito dos Estados da 
Federação em que efetivamente ocorre o plantio ou descarte, sendo que seu 
uso indiscriminado pode acarretar consequências a direitos difusos, tais 
como a saúde pública. Evidenciado o interesse da União no controle e 
regulamentação do manejo de sementes de soja transgênica, inafastável a 
competência da Justiça Federal para o julgamento do feito. Conflito 
conhecido para declarar a competência o Juízo Federal da Vara Criminal de 
Passo Fundo, SJ/RS, o Suscitado” (CComp 41301/RS, Relator Ministro 
Gilson Dipp, j. 12-5-2004, DJ, 17-5-2004). 
Existem interesses concretos e objetivos da União, sendo a competência 
concorrente residual dos Estados para legislar e fiscalizar os assuntos que envolvem 
a matéria. 
Portanto, não há que se falar em competência dos Estados quando houver a 
prática de crimes envolvendo o patrimônio genético, como bem assentou o Superior 
Tribunal de Justiça, onde 
“tendo os denunciados praticado, em tese, crime de liberação, no meio 
ambiente, de organismos geneticamente modificados – plantação de soja 
transgênica/safra 2001 (art. 13, V, da Lei n. 8974/95), verifica-se, consoante 
legislação federal específica, prejuízo a interesses da União, porquanto há 
reflexos concretos da utilização desta tecnologia de plantio na Política 
Agrícola Nacional e na Balança Comercial de Exportação de nosso País” 
(CComp 41279/RS, Relator Ministro Jorge Scartezzini, j.28-4-2004, DJ, 1º-
7-2004). 
 
 
 
 
 
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Por fim, decidiu o Supremo Tribunal Federal, no tocante a legislação pertinente 
aos Organismos Geneticamente Modificados, ser a competência dos Estados apenas 
residual, já que há lei federal expressa, nos seguintes termos: 
“Alegada violação aos seguintes dispositivos constitucionais: art. 1º; art. 22, 
incisos I, VII, X e XI; art. 24, I e VI; art. 25 e art. 170, caput, inciso IV e 
parágrafo único. Ofensa à competência privativa da União e das normas 
constitucionais relativas às matérias de competência legislativa concorrente. 
(Lei n. 8.974/95)” (MC em ADI 3.035/PR, Relator Ministro Gilmar Mendes, 
DJU, 12-3-2004, Tribunal Pleno). 
Em meados de 2007, a Defensoria Pública de São Paulo propôs Ação Civil 
Pública contra a expansão da monocultura de eucaliptos geneticamente modificados 
pela Votorantim e Suzano, no município de São Luiz do Paraitinga, no Vale do 
Paraíba. A defensoria alegou que rios e nascentes da região secaram, animais e 
pessoas foram contaminados por agrotóxicos e diversos trabalhadores rurais ficaram 
desempregados. 
A falta de água foi uma das maiores queixas da população e de pequenos 
agricultores. Uma árvore de eucalipto adulta consome 30 litros diários de água. 
A ação foi resultado de estudos em conjunto com ambientalistas e atendimento 
à população carente. A ação foi proposta contra as empresas que são proprietárias 
das fazendas de eucaliptos, contra o município de São Luiz do Paraitinga e o Estado 
de São Paulo, que têm o dever constitucional de fiscalizar e exigir o cumprimento das 
normas ambientais. 
O pedido liminar foi para a suspensão do plantio de eucaliptos até que fossem 
feitos estudos de impacto ambiental com audiências públicas junto às comunidades 
rurais afetadas. Por fim, a ação pediu a condenação das empresas a indenizarem os 
prejuízos causados, o corte das árvores cultivadas em área de preservação ambiental 
permanente e a recomposição da floresta nativa. 
Em outra decisão marcante, o Tribunal Regional Federal da 5 ª Região negou 
habeas corpus a um francês acusado de praticar biopirataria. A decisão do Tribunal 
acolheu os argumentos da Procuradoria Regional da República da 5ª Região. 
 
 
 
 
 
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Depois de ser investigado pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin), houve 
a prisão em flagrante quando o francês tentava embarcar para o exterior com diversas 
espécies da flora nativa brasileira, essências e resinas vegetais e pedras de vários 
minerais, sem autorização do IBAMA. 
De acordo com o Ministério Público Federal, a manutenção da prisão 
preventiva foi necessária para garantir a instrução criminal e a ordem pública, porque 
o paciente, devido à gama de contatos especializados que possui, pode influir na 
prova coletada e ainda voltar a delinquir, pois segundo as informações da Abin, realiza 
atividades prejudiciais ao meio ambiente desde a década de 80. 
Assim ficou resolvida a questão: 
“HABEAS CORPUS. LIBERDADE PROVISÓRIA. CONVENIÊNCIA DA 
ORDEM PÚBLICA E DA INSTRUÇÃO CRIMINAL. PRISÃO PREVENTIVA 
MANTIDA. Prisão preventiva fundamentada na existência dos crimes em 
apuração, indícios da participação do paciente e necessidade de garantir a 
ordem pública e a instrução criminal. Denegação da ordem” (HC 2.725-CE, 
Relator Desembargador Federal Ridalvo Costa, DJU, n. 100, Seção 2, p. 
631/650, de 25-5-2007). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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PRINCÍPIOS DO DIREITO AMBIENTAL 
Os princípios do Direito Ambienta têm origem na construção jurídica originada 
no Direito Internacional Ambiental, sendo essa criada de maneira a conter as crises 
ambientais, buscando, através disso, possíveis respostas ou até mesmo descobertas 
cientificas. 
Estes princípios trouxeram uma coerência a respeito do Direito Ambiental, 
fazendo com que tivessem uma facilidade para os entender e, através disso, dê-se 
uma legitimidade jurídica aos Estados para que criassem políticas públicas com o 
intuito de proteger o meio ambiente. 
Quando falamos em proteção do meio ambiente no Brasil, temos vários órgãos 
nacionais que trabalham para tal proteção, sendo esses o Instituto Brasileiro do Meio 
Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) e o Conselho Nacional Do 
Meio Ambiente (CONAMA), sendo tais órgãos da administração pública federal. 
Vamos abordar abaixo alguns princípios mais relevantes do meio ambiente, 
trazendo definições históricas sobre cada um. 
 
 
 
 
 
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 Princípio do direito humano fundamental 
Sendo este o princípio o mais importante do Direito Ambiental, pois sem um 
meio ambiente equilibrado e saudável traria uma má vida para os seres humanos que 
habitam nosso planeta. A constituição federal de 1988, em seu artigo 225, caput, e, 
de acordo com a Declaração de Estocolmo de 1972, que também foi reafirmado pela 
Conferência Rio 92, tem um texto expresso que dispõe de tal forma que: 
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-
se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para 
as presentes e futuras gerações. 
Declaração Rio, “os seres humanos constituem o centro das preocupações 
relacionadas com o desenvolvimento sustentável. Têm direito a uma vida saudável e 
produtiva em harmonia com a natureza”. 
 
Damos sequência, com base nesse princípio, os demais princípios do Direito 
Ambiental. 
 Princípio da prevenção 
Este princípio é próximo ao da precaução e tem como finalidade prevenir os 
riscos e os danos que possam vir a ocorrer. Através disso, o Poder Público toma 
medidas para prevenir essa ocorrência de danos ambientais. 
Pode-se citar aqui um ensinamento do Marcelo Abelha Rodrigues: 
Sua importância está diretamente relacionada ao fato de que, se ocorrido o 
dano ambiental, a sua reconstituição é praticamente impossível. O mesmo 
ecossistema jamais pode ser revivido. Uma espécie extinta é um dano 
irreparável. Uma floresta desmatada causa uma lesão irreversível, pela 
impossibilidade de reconstituição da fauna e da flora e de todos os 
componentes ambientais em profundo e incessante processo de equilíbrio, 
como antes se apresentavam. (RODRIGUES, 2005, p. 203). 
É necessário que seja aplicado alguns procedimentos para a proteção do meio 
ambiente, assim se tornam necessário também uma vasta pesquisa e bastante 
informação para que seja solucionado os problemas ambientais. Sendo assim, Paulo 
 
 
 
 
 
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Affonso Leme Machado organizou em cinco itens aplicáveis para o princípio da 
prevenção, vejamos: 
1º) identificação e inventário das espécies animais e vegetais de um território, 
quanto à conservação da natureza e identificação das fontes contaminantes 
das águas do mar, quanto ao controle da poluição; 2º) identificação e 
inventário dos ecossistemas, com a elaboração de um mapa ecológico; 3º) 
planejamentos ambiental e econômico integrados; 4º) ordenamento territorial 
ambiental para a valorização das áreas de acordo com a sua aptidão; e 5º) 
Estudo de Impacto Ambiental” (Machado, 1994, p. 36). 
Diante dos relatos, podemos concluir que: esse princípio diz respeito ao estudo 
que antecipa saber os danos e riscos que podem vir a ocorrer no meio ambiente e, 
sendo assim, pode-se tomar providências para evitar os devidos danos, assim como 
os risco para o bem do meio ambiente. 
Princípio da precaução 
Este é um princípio cauteloso, que busca atos antecipados, em que há a falta 
de clarezas em pesquisas cientificas para mostrar a ocorrência do dano ambiental. 
Nele traz uma ação para que não ocorra efeitos indesejáveis, ou seja, faz com 
que encontre soluções para que possíveis riscos futuros não aconteçam ou que não 
causem grandes estragos para aqueles que não tem como impedir,mas sim controlar 
estragos maiores. 
Para esse princípio é necessário medidas de proteção ao meio ambiente com 
o intuito de proibir quais quer atividades que possam prejudicar o meio ambiente, 
sendo essas proibições temporárias ou definitivas. Podemos mencionar aqui de 
acordo com O Princípio 15 Da Declaração Do Rio Sobre O Meio Ambiente E 
Desenvolvimento De 1992: 
Com o fim de proteger o meio ambiente, o princípio da precaução deverá ser 
amplamente observado pelos Estados, de acordo com suas capacidades. 
Quando houver ameaça de danos graves ou irreversíveis, a ausência de 
certeza cientifica absoluta não será utilizada como razão para o adiamento 
de medidas economicamente viáveis para prevenir a degradação ambiental. 
O princípio da precaução apesar de ainda ser muito questionado, é bastante 
prestigiado pelo legislador brasileiro, em que diversas normas positivadas, toma 
 
 
 
 
 
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31 
medidas sobre avaliações dos impactos ambientais e o que pode ser gerado. Porém, 
mesmo sendo reconhecido, ele não é dotado de normatividade, fazendo assim com 
que não sobreponha aos princípios da legalidade e aos princípios fundamentais da 
Constituição. 
Princípio do desenvolvimento sustentável 
Para finalizarmos a abordagem dos princípios mais relevantes, trago como 
último o desenvolvimento sustentável, sendo esse um princípio que tem como objetivo 
a utilização dos recursos naturais para que supra as necessidades dos seres 
humanos no presente, sem que comprometa o meio ambiente, fazendo com que, 
através disso, futuras gerações não sejam prejudicadas. 
Vejamos, também, alguns elementos-chave que o doutrinador Paulo de Bessa 
Antunes traz em seu conceito sobre este princípio: 
Há ainda que considerar que o conceito de desenvolvimento tem alguns 
elementos-chave como aquele que determina: “Os Estados devem tomar, 
em nível nacional, todas as medidas necessárias para a realização do direito 
ao desenvolvimento e devem assegurar, inter alia, igualdade de 
oportunidade para todos, no acesso aos recursos básicos, educação, 
serviços de saúde, alimentação, habitação, emprego e distribuição equitativa 
da renda. Medidas efetivas devem ser tomadas para assegurar que as 
mulheres tenham um papel ativo no processo de desenvolvimento. Reformas 
econômicas e sociais apropriadas devem ser efetuadas com vistas à 
erradicação de todas as injustiças sociais”. (ANTUNES, 2019, p. 17) 
Esse desenvolvimento sustentável tem como finalidade a obtenção de 
integração dos objetivos econômicos, sociais e ambientais. Ele está previsto no artigo 
225, caput, da Constituição Federal de 1988 como já mencionada diversas vezes no 
presente artigo em linhas acima e também na lei 6.938/81 (Política Nacional De Meio 
Ambiente) em seus artigos 2º e 4º inciso I: 
Art.2º- A Política Nacional do Meio Ambiente tem por objetivo a preservação, 
melhoria e recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando 
assegurar, no País, condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos 
interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. 
[...] 
Art 4º - A Política Nacional do Meio Ambiente visará: 
 
 
 
 
 
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I - à compatibilização do desenvolvimento econômico-social com a 
preservação da qualidade do meio ambiente e do equilíbrio ecológico; 
Temos também a declaração do Rio 92 no seu princípio 4º, “para se alcançar 
o desenvolvimento sustentável, a proteção do meio ambiente deve constituir parte 
integrante do processo de desenvolvimento e não pode ser considerada isoladamente 
em relação a ele”. 
Este princípio tem como objetivo trazer o desenvolvimento do país de forma 
econômica e socialmente, de modo que sejam preservados e defendidos o meio para 
presente e as futuras gerações. 
 
 
TUTELA DO MEIO AMBIENTE 
Podemos falar sobre tutela do meio ambiente como sendo estabelecido dois 
objetos, sendo um imediato e outro mediato, assim como diz José Affonso da Silva 
em sua obra: 
Através da leitura do artigo 225 da Constituição Federal infere-se que o 
legislador estabeleceu dois objetos de tutela ambiental: um imediato e outro 
mediato. A qualidade do meio ambiente é o objeto imediato, enquanto que a 
saúde, o bem-estar e a segurança da população, sintetizados na expressão 
‘qualidade de vida’, são o objeto mediato (SILVA, 1998). 
Cabe falar que o direito à vida é um dos princípios fundamentais para vida do 
homem, e que implica na forma de atuação da tutela do meio ambiente. É de suma 
importância esse princípio fundamental de direito à vida, pois está acima de qualquer 
outra garantia abordada no texto constitucional, sendo eles de respeito ao direito de 
propriedade, a iniciativa privada e ao desenvolvimento. 
O direito fundamental de a vida está em primeiro quando a de se falar sobre a 
tutela do meio ambiente, pois por meio desta, se estando em boa qualidade tem um 
grande valor sobre a qualidade de vida do homem. 
 
 
 
 
 
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A problemática começa a afetar a tutela jurídica do meio ambiente quando sua 
degradação começa a afetar a vida e o bem-estar do homem. 
Através disso podemos citar m trecho da obra de José Afonso da Silva que fala 
um pouco de como a degradação do meio ambiente afeta a vida humana. 
A ação predatória do meio ambiente exsurge sob várias formas, quer 
destruindo os elementos que o compõem, como, ad exemplum, a derrubada 
das matas, quer contaminando-os com substâncias que alteram a sua 
qualidade, impedindo o seu uso natural, como ocorre na poluição do ar, 
águas, solo e paisagem (SILVA, 1998). 
Não podemos falar que somente a poluição é verdadeira culpada pela 
degradação de desequilíbrio ecológico, pois ela sempre existiu de uma forma ou de 
outra e dificilmente deixará de existir. A vida do ecossistema poderá ser afetada tanto 
pelo ar, pela terra ou pela água, sendo essas provocadas por intervenção do homem 
ou algo desprovido de vida. 
O real problema é quando essa poluição age de maneira nociva ao meio 
ambiente, causando uma modificação que afetará a vida dos seres humanos de forma 
direta ou indiretamente, no seu bem-estar, na saúde, na qualidade de vida, na 
segurança e até mesmo nas condições sanitárias do meio ambiente. 
Há de se falar que, com trabalhos com a terra, a grande concentração 
populacional, meios de transportes, empresas, industrias e comercio no geral também 
agem muitas vezes de maneira prejudicial ao meio ambiente, podendo ser chamada 
de poluição reprimível. 
Com o passar dos anos e com o crescimento da degradação do meio ambiente, 
passou com que fosse dado origem a conscientização ambiental fazendo com que as 
autoridades começassem a dar mais importância para o meio ambiente e todos seus 
aspectos. Sendo assim, logo a importância da proteção ao meio ambiente através da 
criação de leis. 
Seguindo o raciocínio, faz com que dessa forma haja uma melhor qualidade de 
vida dos seres humanos e uma preservação ao meio ambiente como um todo. 
 
 
 
 
 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS 
Ainda não foi encontrada a solução para os fenômenos naturais ou humanos 
que causam a degradação do meio ambiente. A proteção do meio ambiente é a que 
faz com que seja preservada o a natureza e tudo que está relacionado a ela e que 
são essenciais para a vida e o equilíbrio ecológico, também age de forma a tutelar o 
meio ambiente, baseando-se na qualidade de vida do homem e aplicando como uma 
forma do direito fundamental importante que preserva a vida do ser humano. 
O desenvolvimento sustentável faz com que o crescimento econômico não 
afete o meio ambiente, mantendo-o equilibrado para vida humana presente e para 
gerações futuras. 
A produção de consumo acaba por interferir na destruição do meio ambiente, 
faz com que seja reduzida os recursos e até mesmo a extinção das espécies. Com o 
Direito Ambiental em suas normas, se faz um estudo para queencontre uma solução 
para equilibrar a vida econômica, sem prejudicar o meio ambiente, fazendo assim 
com que seja preservado, para a sobrevivência da vida, em todas as suas formas. 
Só com a conscientização do meio ambiente será possível haver um 
desenvolvimento sem que cause prejuízos insanáveis ao meio ambiente. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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