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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO. CENTRO ACADÊMICO DE VITÓRIA. NÚCLEO DE ENFERMAGEM ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DE PACIENTES COM CÂNCER DE PULMÃO DOS MUNICÍPIOS SUCROALCOOLEIROS EM PERNAMBUCO VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – PE 2025 ALLYNNE MARIA CAVALCANTI LIRA ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DE PACIENTES COM CÂNCER DE PULMÃO DOS MUNICÍPIOS SUCROALCOOLEIROS EM PERNAMBUCO Projeto de pesquisa apresentado aos professores da disciplina de Metodologia da Pesquisa como requisito para aprovação na mesma. Orientador: Prof. Dr. Maria da Conceição Cavalcanti de Lira VITÓRIA DE SANTO ANTÃO – PE 2025 RESUMO Introdução: Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer de pulmão é o terceiro tipo mais frequente em homens e o quarto em mulheres – desconsiderando o câncer de pele não melanoma. Em cinco anos, a taxa de sobrevida relativa é de 18% para o câncer de pulmão, caracterizando-se, portanto, um grave problema de saúde pública. Sob essa ótica, a doença pode estar vinculada ao tabagismo e exposição passiva ao tabaco ou agentes carcinogênicos, como por exemplo, queimadas em municípios sucroalcooleiros, além da idade, raça e histórico familiar. Esses fatores são vistos como elementos de risco para o desenvolvimento da doença. Objetivo: Apresentar o perfil epidemiológico de pacientes com câncer de pulmão predominantes dos municípios sucroalcooleiros registrados no hospital universitário de Recife-Pernambuco entre os anos de 2019 a 2023. Metodologia: Trata-se de um estudo de caráter quantitativo, do tipo transversal descritivo, que será realizado em pacientes com câncer de pulmão com idade igual ou superior a 18 anos no Hospital Universitário, localizado na cidade de Recife – PE, a qual a coleta de dados será feita por meio do registro hospitalar de câncer (RHC). Resultados esperados: Após a análise, espera-se ampliar o conhecimento sobre o tema, e ao mesmo tempo, promover uma redução dos casos com a ajuda de novas políticas da região de acordo com as particularidades os quadros obtidos. Descritores: Câncer de pulmão; Perfil epidemiológico; Registros hospitalares SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 6 2 JUSTIFICATIVA 7 3 PERGUNTA CONDUTORA 7 4 REVISÃO DA LITERATURA 8 4.1 Câncer de pulmão 8 4.2 Incidência e mortalidade no Brasil e no mundo 8 4.3 Tipos histológicos 9 4.4 Fatores de risco 11 4.5 Câncer de pulmão associado à agrotóxicos 13 5 HIPÓTESE 14 6 OBJETIVOS 14 6.1 Geral 14 6.2 Específicos 15 7 MÉTODO 15 7.1 Tipo de estudo 15 7.2 Local e período do estudo 15 7.3 População do estudo 15 7.3.1 Tamanho amostral 15 7.3.2 Critérios de inclusão 15 7.3.3 Critérios de exclusão 16 7.3.4 Definição e categorização de variáveis 16 7.4 Operacionalização dos dados 17 7.5 Análise dos dados 17 7.6 Vieses metodológicos 18 7.7 Aspectos éticos 18 7.7.1 Riscos 19 7.7.2 Benefícios 19 8 CRONOGRAMA 20 9 ORÇAMENTO 20 10 RESULTADOS ESPERADOS 21 REFERÊNCIAS 22 1. INTRODUÇÃO A neoplasia pulmonar figura entre os cânceres mais comuns e letais a nível mundial, representando, assim, um grande desafio para a saúde pública. E se tratando do Brasil, o INCA – Instituto Nacional de Câncer estimou um valor de aproximadamente 30.200 novos casos por ano, entre 2020 e 2022, destacando, pois, a relevância nacional. Alguns fatores permeiam a variabilidade da incidência dessa patologia, como por exemplo: fatores regionais, socioeconômicos e comportamentais. Todavia, em áreas agrícolas intensivas como as regiões sucroalcooleiras, existe um perfil epidemiológico específico que muito provavelmente é influenciado por questões como a exposição ocupacional a agrotóxicos e outros produtos químicos. Seguindo esse ponto de vista, se entende que os trabalhadores rurais apresentam maior risco para doenças crônicas, incluindo o câncer, devido ao contato prolongado com esses agentes (Nogueira et al., 2020). Embora a origem do câncer de pulmão seja multifatorial, o tabagismo permanece sendo o principal fator de risco, associado a 85% dos casos globais. A cessação do hábito reduz significativamente o risco, mas não o elimina completamente (Lima et al., 2025). Além disso, a exposição ambiental e ocupacional a pesticidas tem sido apontada como outro fator importante, especialmente em regiões agrícolas. O que nos faz pensar que o uso de agrotóxicos está diretamente associado ao aumento da incidência de cânceres. No Brasil, orgãos a nível federal, como o MAPA – Ministério da agricultura e pecuária, IBAMA – Instituto brasileiro do meio ambiente e dos recursos naturais renováveis e ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, regulamentam esses produtos de forma independente, por meio de avaliações antes da sua aprovação para a utilização. Ainda assim, o uso inadequado ainda é um fator recorrente e causa graves consequências à saúde (Pessoa et al., 2022; Albring et al., 2023). Algumas substâncias presentes nos agrotóxicos foram classificadas como carcinogênicas por instituições como a IARC - Agência Internacional de Pesquisa em Câncer e a EPA - Agência de Proteção Ambiental dos EUA. Apesar disso, o Brasil ainda permite o uso de alguns pesticidas relacionados ao desenvolvimento de neoplasias, mesmo que sejam proibidos em países como os EUA e na União Europeia (Barros et al., 2021). Para realizar uma análise detalhada do perfil epidemiológico de pacientes com câncer pulmonar, é necessário considerar uma série de variáveis que podem contribuir para a compreensão da doença. Entre essas variáveis estão aspectos demográficos, como idade e sexo, além de fatores comportamentais, como hábitos pessoais e rotinas diárias, e até mesmo o histórico ocupacional, que engloba as atividades profissionais ao longo da vida. Atualmente, os dados disponíveis indicam que a maior parte dos casos diagnosticados ocorre em homens acima dos 60 anos, muitos dos quais apresentam um histórico significativo de tabagismo (Nogueira et al., 2021). Esse padrão tem sido observado principalmente em regiões urbanas ou industrializadas, onde estudos epidemiológicos são mais frequentes. No entanto, quando se trata de regiões agrícolas, faz-se necessário um olhar mais atento e adaptado, já que estas áreas possuem dinâmicas socioeconômicas e ambientais distintas. Fatores como acesso limitado a serviços de saúde, diagnósticos tardios e menor conscientização sobre os riscos associados ao tabagismo e outros agentes nocivos podem alterar significativamente o panorama epidemiológico nessas regiões. Portanto, investigar como esses padrões se manifestam em contextos agrícolas torna-se essencial para desenvolver estratégias de prevenção e tratamento mais adequadas à realidade local (Pereira et al., 2023). 2. JUSTIFICATIVA O câncer de pulmão vem sendo um grave problema de saúde pública. Esse impasse vem acontecendo devido a vários fatores, como o baixo acesso à saúde devido a grande desigualdade social que se mantém nos municípios, fazendo com que colabore com o aumento significativo das neoplasias, dificultando tanto para descobrir o diagnóstico quanto para o próprio tratamento; além de que o principal fator de risco, o tabagismo é uma prática evitável, tal como as exposições ocupacionais como ao asbesto e ambientais, como a poluição do ar que podem ser controladas por políticas públicas. Nesse contexto, a incidência possui altas taxas de mortalidade entre os brasileiros e se tornou uma das mais incidentes morbidades entre homens e mulheres. Com o objetivo de observar a incidência desse câncer, o trabalho irá analisar os fatores que podem ajudar a entender melhor o perfil traçado na sua distribuição no Estado de Pernambuco e criar ações de prevenção e controle desse problema, atendendo, assim, às demandas da sociedade. 3. PERGUNTA CONDUTORA Quais são os aspectos epidemiológicos dos pacientes diagnosticados com câncer de pulmão provenientes de municípios sucroalcooleiros, registradosno Hospital Universitário de Recife, Pernambuco, no período de 2019 a 2023? 4. REVISÃO DA LITERATURA 4.1. Câncer de pulmão Sendo uma das principais causas de morte por neoplasias do mundo, o câncer de pulmão segue sendo responsável por aproximadamente 18,7% dos óbitos relacionados ao câncer em nível mundial (OPAS, 2024). Um dos motivos que permeiam essas estatísticas é que a doença é detectada tardiamente, isso porque as manifestações iniciais não são específicas e se confundem com outras patologias do trato respiratório, são elas: tosse persistente sanguinolenta ou não, dor torácica e em membros superiores, astenia, dispneia, perda de apetite que leva a uma consequente perda de peso e fraqueza, além de que há uma certa complexidade em relação aos tratamentos, pois é levado em consideração o tipo do câncer, sua localização e a condição de saúde predisponente do paciente (NHS, 2022). O tumor pode se espalhar por metástase, que é quando as células tumorais se desprendem do tumor original e vão para outras partes do corpo, como os ossos, cérebro, glândulas suprarrenais e fígado através da circulação sanguínea. Observa-se que o câncer de pulmão tem sido alvo de intensas pesquisas, já que sua resistência aos tratamentos e os mecanismos de evasão do sistema imunológico complicam a compreensão dos processos genéticos envolvidos, os quais ainda são, em grande parte, desconhecidos (Danovi., 2025). 4.2. Incidência e mortalidade no Brasil e no mundo O câncer de pulmão representa um dos tipos de neoplasia de maior incidência no Brasil, com uma projeção de 32.560 novos casos para o triênio de 2023-2025. Este tipo de câncer exibe um padrão geográfico notavelmente heterogêneo no território nacional, com as Regiões Sul e Sudeste apresentando as maiores taxas ajustadas de incidência. Na Região Sul, por exemplo, observa-se uma taxa de 24,19 casos por 100 mil homens e 15,54 casos por 100 mil mulheres, valores que são quase o dobro da média registrada nas demais regiões brasileiras. Tal perfil guarda semelhanças com o observado em países do Leste Europeu, onde a alta prevalência do tabagismo tem sido apontada como um fator determinante para a elevada incidência dessa doença (Santos et al., 2023). Quando segmentamos os dados por sexo, vemos que o câncer de pulmão ocupa a terceira posição entre os mais incidentes no sexo masculino, onde se apresenta com maior impacto nas regiões mais desenvolvidas do país como Sul e Sudeste. Já entre o sexo feminino, ele aparece na quarta posição, entretanto, chama a atenção com relação ao aumento progressivo das taxas, que é explicado pelo crescimento do hábito de fumar entre as mulheres (Sung et al., 2021) Os dados evidenciam, além da relação direta entre tabagismo e a doença, a necessidade urgente de ampliar estratégias preventivas e regulatórias para conter o consumo de tabaco. Regiões com maior vulnerabilidade socioeconômica, que concentram índices mais elevados de incidência, demandam atenção prioritária e ações mais incisivas para mitigar os efeitos dessa problemática de saúde pública. FIGURA: DISTRIBUIÇÃO DOS TRÊS TIPOS DE CÂNCER MAIS INCIDENTES (TAXA AJUSTADA) POR UF E SEXO, 2023-2025 Revista Brasileira de Cancerologia, 2023 4.3. Tipos histológicos A classificação histológica do câncer de pulmão é determinada pela análise microscópica de células tumorais, geralmente obtidas por biópsia, que revelam características específicas. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doença é dividida em dois subtipos principais: Carcinoma Pulmonar de Células Não Pequenas (CPCNP) e Carcinoma Pulmonar de Células Pequenas (CPCP). Essa diferenciação é crucial, pois cada categoria apresenta particularidades no comportamento clínico, na resposta a terapias e no prognóstico, orientando assim a escolha do tratamento mais adequado para cada caso. A investigação inicial do câncer de pulmão frequentemente envolve uma combinação de métodos clínicos e radiológicos, como tomografia computadorizada e exames de imagem funcionais. No entanto, o diagnóstico definitivo só pode ser estabelecido após análise histológica ou citológica de amostras obtidas por procedimentos invasivos ou minimamente invasivos. Entre as técnicas mais utilizadas estão a fibrobroncoscopia, considerada menos invasiva e de menor custo, e a cirurgia, que permite a coleta de tecidos para estudo detalhado (Travis et al., 2015). O Carcinoma Pulmonar de Células Não Pequenas (CPCNP) é a forma mais comum da doença, respondendo por cerca de 85% dos diagnósticos. Esse grupo abrange três subtipos histológicos distintos, originários de células específicas do pulmão. O adenocarcinoma (ADC) se destaca como o subtipo predominante, correspondendo a aproximadamente 40% dos casos de câncer pulmonar. Está frequentemente relacionado a alterações genéticas em genes como EGFR, ALK e KRAS, e pode desenvolver-se tanto em pessoas com histórico de tabagismo quanto em não fumantes. Sua localização típica é nas áreas periféricas do pulmão (Herbst et al., 2018). Carcinoma de células escamosas (CEC), também conhecido como carcinoma espinocelular, possui forte associação com o tabagismo e corresponde a aproximadamente 25% dos diagnósticos de CPNPC. Esse subtipo se origina nas vias respiratórias centrais, desenvolvendo-se próximo aos brônquios (Chen et al., 2014). Por outro lado, o carcinoma de grandes células (LCC), embora menos frequente, destaca-se por sua alta agressividade e resistência a terapias convencionais, representando cerca de 10% dos casos de CPNPC . Sua característica histológica, heterogênea e rápida progressão tornam o manejo clínico desse subtipo, particularmente desafiador. O Carcinoma Pulmonar de Células Pequenas (CPPC) figura como uma neoplasia particularmente agressiva, correspondendo a 15% dos casos de câncer de pulmão. Sua origem está quase exclusivamente vinculada ao tabagismo, com raríssimas ocorrências em não fumantes. A doença é marcada por uma evolução rápida e invasiva, frequentemente já disseminada para órgãos distantes no momento do diagnóstico, o que restringe intervenções curativas. Apesar de resposta inicial à quimioterapia, os pacientes enfrentam altas taxas de recidiva, resultando em perspectivas desfavoráveis devido à resistência terapêutica e à progressão acelerada (Byers & Rudin, 2015). Avanços recentes na oncologia molecular têm revolucionado o manejo do câncer de pulmão, principalmente no entendimento dos mecanismos genéticos subjacentes aos subtipos tumorais. No caso do adenocarcinoma , terapias direcionadas que atuam em mutações específicas, como os inibidores de tirosina quinase (EGFR-TKIs) para tumores com alterações no gene EGFR , demonstraram eficácia clínica significativa, prolongando a sobrevida livre de progressão em pacientes elegíveis (Pao & Girard, 2011). Paralelamente, terapias anti-PD-1/PD-L1, como o pembrolizumabe e o nivolumabe, redefiniram o tratamento do CPNPC avançado ao reativar a resposta imunológica contra as células tumorais, especialmente em casos com expressão do biomarcador PD-L1 (Garon et al., 2015). Essas estratégias personalizadas não apenas ampliaram as opções terapêuticas, mas também reforçaram a importância da medicina de precisão na oncologia, integrando dados genômicos e imunológicos para otimizar resultados clínicos. 4.4. Fatores de risco 4.4.1. Tabagismo O tabagismo é amplamente reconhecido como o principal fator de risco modificável para o desenvolvimento do câncer de pulmão, sendo responsável por aproximadamente 85% dos casos diagnosticados. O consumo de cigarros contém mais de 7.000 substâncias químicas, das quais pelo menos 69 são carcinogênicas, incluindo benzopireno, arsênico, formaldeído e nitrosaminas específicas do tabaco (Zhou G., 2019). Hoje se sabe que fumantes têm um risco aumentado de desenvolver câncer de pulmão, enquanto o tabagismo passivo também contribui para o aumento desse risco, especialmente em mulheres e crianças expostas cronicamente. Além disso, o tabagismo induz danos diretos ao DNA, promovendo mutações nos genes supressores tumorais, como TP53, e ativandooncogenes, como KRAS. Essas alterações genéticas contribuem para a transformação maligna das células epiteliais pulmonares (Heberts et al., 2018). A cessação do tabagismo tem sido amplamente associada à redução do risco de câncer de pulmão, com estudos indicando que o risco diminui progressivamente após cinco anos de abstinência, embora nunca retorne aos níveis de indivíduos que nunca fumaram (Reitsma et al., 2020). 4.4.2. Predisposição e alterações genéticas A susceptibilidade genética é um fator determinante no desenvolvimento do câncer de pulmão , particularmente em indivíduos não fumantes. Estudos genômicos identificaram mutações específicas em genes como EGFR (Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico) e ALK (Quinase do Linfoma Anaplásico), fortemente associadas a subtipos de Carcinoma Pulmonar de Células Não Pequenas (CPCNP), como o adenocarcinoma (Soo et al., 2024). Além disso, variantes hereditárias nos genes BRCA1 e TP53 foram ligadas a um risco elevado de neoplasias pulmonares em famílias com histórico oncológico, sugerindo um componente hereditário significativo. Essas alterações genéticas não apenas influenciam a carcinogênese, mas também modulam a eficácia terapêutica e o prognóstico dos pacientes (Wei et al., 2023). 4.4.3. Poluição ambiental A exposição à poluição do ar, particularmente às partículas finas (PM2.5), está associada a um aumento no risco de câncer de pulmão. Estima-se que a exposição prolongada à poluição do ar externo contribui para cerca de 14% dos casos de câncer de pulmão em áreas urbanas densamente povoadas (Berg et al., 2023). Além disso, a queima de biomassa e o uso de combustíveis sólidos em ambientes domésticos são fatores de risco significativos, especialmente em países em desenvolvimento. As partículas finas penetram profundamente nos pulmões, causando inflamação crônica e danos ao DNA. A exposição a PM2.5 pode ativar vias de sinalização pró-inflamatórias, como a via NF-κB, promovendo a carcinogênese pulmonar. Essa ativação leva ao aumento da expressão de citocinas inflamatórias e outros mediadores que favorecem o crescimento tumoral. Adicionalmente, a exposição à radiação ionizante, como o gás radônio, também tem sido associada ao aumento do risco de câncer de pulmão, especialmente em regiões geográficas onde esse gás é naturalmente liberado no ambiente (Chen et al., 2024). 4.4.4. Risco ocupacional Os riscos ocupacionais relacionados à exposição de agentes carcinogênicos desempenham um papel central no desenvolvimento do câncer de pulmão, conforme evidenciado por estudos recentes. Substâncias como amianto e sílica cristalina estão diretamente associadas ao aumento da incidência dessa neoplasia, representando 37,5% e 28,1%, respectivamente, dos casos ocupacionais diagnosticados. Esses agentes, classificados como cancerígenos para humanos (Grupo 1) pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer (IARC), afetam principalmente trabalhadores de indústrias, construção civil e mineração, setores que historicamente apresentam elevada exposição a esses compostos (Brey et al., 2020). A exposição crônica à sílica não apenas aumenta o risco de silicose, mas também potencializa significativamente o desenvolvimento de câncer de pulmão, especialmente em atividades como extração mineral e cerâmica. Além disso, vale ressaltar que a combinação de fatores de risco, como tabagismo e exposição ocupacional, pode elevar exponencialmente a probabilidade de desenvolvimento da doença, chegando a um risco relativo de até 92 vezes em comparação com indivíduos não expostos e não fumantes (Terra Filho, M. & Kitamura, 2006). Nesse contexto, a implementação de medidas preventivas, como o uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPIs), o monitoramento ambiental e a conscientização sobre os perigos dessas exposições, torna-se indispensável para mitigar os impactos na saúde dos trabalhadores. 4.5. Câncer de pulmão associado à agrotóxicos Nos últimos anos, o agronegócio brasileiro experimentou um crescimento expressivo, consolidando-se como um dos pilares da economia nacional. Esse avanço tem sido acompanhado pelo aumento no uso de agrotóxicos, uma prática amplamente adotada para maximizar a produtividade agrícola e expandir as áreas cultivadas. No entanto, o impacto dessas substâncias na saúde humana tem gerado preocupação na comunidade científica, especialmente em relação à possível conexão entre a exposição a agrotóxicos e o desenvolvimento de câncer de pulmão (Mello, 2022). Os agrotóxicos podem penetrar no organismo humano por meio de três vias principais: dérmica, gastrointestinal e respiratória. Essas substâncias podem causar intoxicações de diferentes naturezas, incluindo quadros agudos, subagudos e crônicos. Entre essas vias, a respiratória é particularmente relevante, pois os pulmões são o principal órgão afetado pela inalação de gases, vapores ou partículas tóxicas. O sistema respiratório é altamente vulnerável devido à sua extensa área de superfície alveolar (cerca de 70 metros quadrados) e à sua alta permeabilidade, resultante da rica vascularização. Durante o repouso, o volume de ar que atinge as vias respiratórias é de aproximadamente 5 a 6 litros por minuto, mas esse valor pode aumentar para até 30 litros por minuto durante atividades físicas intensas, como as realizadas por trabalhadores agrícolas. A capacidade ventilatória acentuada dos pulmões permite a absorção rápida de compostos químicos, os quais atingem diretamente a circulação sanguínea sem metabolização hepática, potencializando seus efeitos tóxicos (Domingues et al., 2024). Evidências científicas recentes associam a exposição a agrotóxicos à iniciação de processos cancerígenos no pulmão, mediados por estresse oxidativo (geração de espécies reativas de oxigênio – EROs) e ruptura da integridade genômica, mecanismos que comprometem a funcionalidade celular. Destaca-se o caso do herbicida pendimetalina, de uso massivo no Brasil, cuja exposição experimental demonstrou potencial mutagênico e alterações cromossômicas (Mohd et al., 2023). Entre as principais categorias profissionais expostas a agrotóxicos, destacam-se agricultores e pecuaristas, que lidam diretamente com a aplicação de defensivos agrícolas; agentes de saúde pública, envolvidos em atividades de controle de vetores como mosquitos transmissores de doenças; técnicos de empresas de controle de pragas, responsáveis pela manipulação de produtos químicos em ambientes urbanos e rurais; operadores logísticos, que atuam no transporte, armazenamento e distribuição de agrotóxicos, muitas vezes sem equipamento adequado; e funcionários de indústrias químicas, expostos durante a formulação, embalagem e manipulação de substâncias tóxicas (Prado et al., 2021). Esses grupos enfrentam exposição crônica a xenobióticos, seja por contato direto, inalação de partículas ou contaminação ambiental, necessitando de medidas urgentes de proteção e monitoramento para mitigar riscos à saúde. A inalação de agrotóxicos desencadeia uma resposta imunológica complexa, mobilizando células como linfócitos T e B, neutrófilos e macrófagos. Essas células liberam citocinas pró-inflamatórias (como interleucinas e TNF-α) e mediadores químicos, iniciando um processo de reparo tecidual que, paradoxalmente, gera inflamação crônica. Essa inflamação persistente pode induzir a transição epitelial-mesenquimal (EMT), um mecanismo celular associado à perda de adesão e à aquisição de características invasivas pelas células epiteliais. No microambiente tumoral, compostos carcinogênicos ativam vias de sinalização como o fator induzível por hipóxia-1α (HIF-1α) e o fator de crescimento endotelial vascular (VEGF), que promovem angiogênese, proliferação celular descontrolada e metástase. Essas alterações são particularmente críticas em carcinomas pulmonares, como o carcinoma escamoso e o adenocarcinoma, nos quais a interação entre inflamação e hipóxia favorece a progressão tumoral (Zhao et al., 2024). Além disso, as EROs, quando presentes em níveis elevados, causam danos oxidativos irreparáveisa lipídios, proteínas e ao material genético, exacerbando a inflamação e contribuindo para mutações no DNA. Esses danos podem inibir genes supressores tumorais, como TP53, e ativar oncogenes, como KRAS, BRAF e HER2, promovendo o crescimento e a progressão do câncer de pulmão (Meira et al., 2023). A interação entre esses mecanismos cria um ciclo vicioso que favorece a formação e disseminação de tumores. 5. HIPÓTESE O perfil epidemiológico dos pacientes com câncer de pulmão nos municípios sucroalcooleiros em Pernambuco revela alta exposição a fatores de risco e barreiras ao diagnóstico precoce. 6. OBJETIVOS 6.1. Geral: Descrever as características epidemiológicas de pacientes diagnosticados com câncer de pulmão, provenientes de municípios com atividade sucroalcooleira em Pernambuco, com base nos registros de um hospital universitário entre os anos de 2019 e 2023. 6.2. Específicos: · Investigar os fatores de risco predominantes associados ao câncer de pulmão, com ênfase no impacto do tabagismo e na exposição ocupacional. · Identificar os subtipos mais prevalentes de câncer de pulmão e o estágio da doença no momento do diagnóstico. · Analisar o intervalo de tempo entre a percepção dos primeiros sintomas relatados pelos pacientes e o início do tratamento médico. 7. MÉTODO 7.1 Tipo de estudo O presente estudo adota uma abordagem quantitativa, de natureza transversal e descritiva, com o propósito de analisar o perfil epidemiológico de pacientes diagnosticados com câncer de pulmão, atendidos no Hospital Universitário (HU) de Recife-PE, cujos dados estão registrados no Registro Hospitalar de Câncer (RHC). 7.2 Local e período de estudo A pesquisa será realizada com base em dados coletados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal de Pernambuco, abrangendo o período de janeiro de 2019 a dezembro de 2023. Os municípios sucroalcooleiros de Pernambuco incluídos na pesquisa são: Barreiros, Cabo de Santo Agostinho, Catende, Escada, Gameleira, Goiana, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Lagoa do Itaenga, Moreno, Nazaré da Mata, Palmares, Ribeirão, Sirinhaém, Tamandaré, Timbaúba e Vitória de Santo Antão. 7.3 População de estudo O estudo será realizado com pacientes atendidos no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC/UFPE) que tem diagnóstico de câncer de pulmão, provenientes dos municípios sucroalcooleiros, no período entre 2019 a 2023. 7.3.1 Tamanho amostral A determinação do tamanho da amostra será efetuada após o acesso ao banco de dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC), sujeito à aprovação ética e à obtenção da carta de anuência para utilização dos dados. 7.3.2 Critérios de inclusão Será estabelecido como critérios de inclusão, pacientes com casos de câncer de pulmão, com procedência dos municípios canavieiros em Pernambuco, e que estarão presentes no banco de dados do RHC do HU no ano entre 2019 a 2023. 7.3.3 Critérios de exclusão Serão excluídos pacientes que têm fichas incompletas e ou alguma rasura nas seções das variáveis que vão ser analisadas. 7.3.4 Definição e categorização de variáveis VARIÁVEL DEFINIÇÃO CATEGORIZAÇÃO Ano Período civil de 12 meses utilizado para análise temporal, compreendido entre 1º de janeiro e 31 de dezembro. De 2019 a 2023 Gênero Característica biológica e/ou identidade social atribuída ao indivíduo, com base em aspectos sexuais e socioculturais. - Masculino - Feminino Idade Quantidade de anos completos decorridos desde a data de nascimento do indivíduo até o momento da coleta dos dados. 18 a 80 anos Nível de Escolaridade Grau mais elevado de instrução formal alcançado pelo indivíduo, de acordo com a sua trajetória educacional. - Nenhuma - Fundamental Incompleto - Fundamental Completo - Nível Médio Incompleto - Nível Médio Completo - Nível Superior Incompleto - Nível Superior Completo - Sem Informação Estado Civil Situação legal e relacional do indivíduo no que diz respeito a vínculos conjugais ou união estável. - Solteiro - Casado - Viúvo - Divorciado - União Estável - Sem Informação Ocupação Condição de engajamento do indivíduo em atividades laborais, remuneradas ou não, no momento da coleta dos dados. - Sim - Não - Sem informações Hereditariedade Existência de histórico familiar ou predisposição genética relacionada à condição estudada. - Sim - Não - Sem informações Raça/cor Autodeclaração do indivíduo quanto a sua identidade racial ou cor da pele, segundo classificação do IBGE, relacionada a características fenotípicas e histórico-cultural. - Branca - Preta - Amarela - Parda - Indígena - Sem informação Estadiamento do Tumor (TNM) Sistema internacional de classificação da extensão anatômica do câncer, considerando o tamanho do tumor primário (T), comprometimento linfonodal (N) e presença de metástases (M). (Categorias específicas conforme dados clínicos do TNM) Tabagismo Histórico de exposição ativa ou passiva ao consumo de produtos derivados do tabaco. - Nunca - Ex-consumidor - Sim - Não avaliado - Não se aplica - Sem informação Local de Ocorrência Município pertencente às mesorregiões do estado de Pernambuco onde ocorreu o diagnóstico, tratamento ou notificação do caso. Barreiros, Cabo de Santo Agostinho, Catende, Escada, Gameleira, Goiana, Igarassu, Jaboatão dos Guararapes, Lagoa do Itaenga, Moreno, Nazaré da Mata, Palmares, Ribeirão, Sirinhaém, Tamandaré, Timbaúba, Vitória de Santo Antão Tratamento Tipo de abordagem terapêutica recebida pelo paciente com o objetivo de controlar, reduzir ou erradicar a doença. - Nenhum - Cirurgia - Radioterapia - Quimioterapia - Hormonioterapia - Radiofármacos - Outras - Sem informação 7.1 Operacionalização de dados A coleta de dados será realizada por meio da análise do banco de dados do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) do Hospital Universitário (HU), após aprovação institucional formalizada pela Carta de Anuência do Hospital das Clínicas. O banco de dados inclui registros detalhados de pacientes com diagnóstico confirmado de câncer de pulmão, abrangendo variáveis como ano de diagnóstico, gênero, idade, escolaridade, estado civil, ocupação, histórico familiar (hereditariedade), raça/cor, estadiamento tumoral (classificação TNM), tabagismo, localização anatômica do tumor e tipo de tratamento instituído. Essas variáveis serão comparadas e correlacionadas por meio de métodos estatísticos adequados, com resultados organizados em tabelas descritivas e gráficos ilustrativos para facilitar a identificação de padrões e a interpretação dos dados. A estruturação metodológica visa garantir clareza na apresentação das informações, permitindo inferências robustas sobre o perfil epidemiológico, clínico e terapêutico dos pacientes, além de subsidiar estratégias de intervenção em saúde pública direcionadas ao câncer de pulmão. 7.2 Análise de dados A análise dos dados será realizada por meio de técnicas de estatística descritiva, com os resultados apresentados em tabelas, gráficos e mapas para melhor visualização e interpretação. Para tanto, serão utilizados o software Excel 2019, desenvolvido pela Microsoft, amplamente reconhecido por sua versatilidade na organização e manipulação de dados, e o software EpiInfo, versão 7.1.2, criado pelos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), que é especialmente adequado para análises epidemiológicas e pesquisas em saúde pública. Para garantir a confiabilidade dos resultados, serão adotadas práticas rigorosas de controle de qualidade, incluindo a verificação de consistência dos dados, a identificação e tratamento de valores ausentes ou discrepantes, e a revisão sistemática das saídas geradas pelos softwares. Todos os procedimentos metodológicos serão documentados de forma detalhada, assegurando a reprodutibilidade da análise. 7.3 Vieses metodológicos O estudo pode estar suscetível ao viés de informação. Para mitigar esse risco, a análise dos dados seguirá um protocolo metodológico pré-definido, com critérios claros e padronizados para a seleção e interpretaçãodas variáveis. Esse rigor científico visa assegurar a precisão e a reprodutibilidade dos resultados, minimizando distorções analíticas. Adicionalmente, o pesquisador compromete-se a adotar neutralidade absoluta durante a avaliação dos achados, evitando qualquer interferência subjetiva que possa comprometer a objetividade das conclusões. 7.4 Aspectos éticos Esta pesquisa será realizada em total conformidade com os princípios éticos estabelecidos pela Resolução 466/12 do Conselho Nacional de Saúde, que regulamenta a condução de estudos envolvendo seres humanos. Entretanto, não será necessário submeter o projeto ao Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Acadêmico de Vitória, Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE-CAV), uma vez que a investigação utilizará exclusivamente dados secundários extraídos do banco de dados do Setor de Registro Hospitalar de Câncer do HC/UFPE. Neste caso, não haverá identificação individual dos participantes, nem qualquer interação direta com pacientes ou acesso a informações sensíveis. Os dados coletados serão tratados com absoluto sigilo e confidencialidade, garantindo o anonimato dos indivíduos envolvidos e preservando sua privacidade em todas as etapas do estudo. Além disso, será formalizada a solicitação de dispensa do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Essa solicitação será fundamentada nas diretrizes éticas aplicáveis a pesquisas baseadas em dados secundários, assegurando o cumprimento rigoroso dos princípios de respeito à autonomia, beneficência e não maleficência, além de garantir a integridade e a transparência do processo de pesquisa. 7.4.1 Riscos A coleta de dados, realizada exclusivamente a partir de registros secundários do Registro Hospitalar de Câncer (RHC), não expõe os participantes a riscos ou danos diretos, uma vez que não há interação com os indivíduos. No entanto, reconhece-se a possibilidade de eventos adversos não intencionais, como vazamento de dados sensíveis ou comprometimento da integridade das informações. Para mitigar esses riscos, serão implementadas medidas rigorosas de segurança, incluindo criptografia avançada para proteção de dados, controle hierárquico de acesso aos registros, monitoramento contínuo para identificar ameaças e garantia de conformidade com normas éticas (como a Declaração de Helsinki) e legais (Lei Geral de Proteção de Dados – LGPD). Essas ações visam assegurar a confidencialidade, integridade e disponibilidade das informações, alinhando-se às melhores práticas em pesquisas com dados de saúde e reforçando a transparência e a responsabilidade na condução do estudo. 7.4.2 Benefícios A investigação do perfil epidemiológico do câncer de pulmão em municípios sucroalcooleiros de Pernambuco constitui uma contribuição estratégica para o avanço do conhecimento científico e para a promoção de ações de saúde pública eficazes. Ao analisar dados específicos dessas regiões, o estudo fornecerá evidências fundamentais para a formulação de políticas públicas adaptadas às características socioambientais e produtivas de cada localidade. Essas informações permitirão otimizar estratégias de prevenção primária (como campanhas antitabagismo), diagnóstico precoce e abordagens terapêuticas personalizadas , visando reduzir a incidência e a mortalidade associadas à doença. Além disso, o trabalho reforçará a importância de intervenções interdisciplinares , integrando saúde pública, sustentabilidade e desenvolvimento regional, com potencial impacto na melhoria da qualidade de vida das populações afetadas. 8. CRONOGRAMA ANO 2025 2026 MESES JAN. FEV. MAR. ABR. MAI JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV DEZ. JAN. FEV. MAR. ABR. MAI JUN. JUL. AGO. SET. OUT. NOV. DEZ. ETAPAS Referencial teórico Elaboração do projeto Solicitação da dispensa do TLCE Coleta de dados Análise dos dados Elaboração do artigo Revisão e redação final Entrega do Trabalho Defesa do Trabalho 9. ORÇAMENTO ITEM QUANTIDADE VALOR UNITÁRIO TOTAL JUSTIFICATIVA Papel A4 (resma 500 folhas) 1 R$ 33,00 R$ 33,00 Impressões diversas e consentimentos Tinta para impressora (refil EcoTank) 2 R$ 57,23 R$ 114,46 Impressões diversas e consentimentos Marcadores 2 R$ 3,00 R$ 6,00 Destaque de informações importantes Clips e pastas 10 R$ 2,00 R$ 20,00 Organização de documentos Canetas 2 R$ 2,00 R$ 4,00 Escrita / revisão dos dados Notebook 1 R$ 3.000,00 R$ 3.000,00 Redação, leitura de PDFs, organização dos dados Transporte interestadual 3 R$ 60,00 R$ 180,00 Deslocamento ao HC Serviço de revisão de literatura (freelancer) 1 R$ 300,00 R$ 300,00 Suporte na busca e organização de artigos Tradução de artigo (PT-EN) 1 artigo R$ 250,00 R$ 250,00 Submissão em revista internacional Formatação ABNT / APA 1 trabalho R$ 150,00 R$ 150,00 Ajuste final para submissão Revisão textual e gramatical 1 versão R$ 180,00 R$ 180,00 Correção final do texto científico Assinatura de ferramenta antiplágio 1 mês R$ 60,00 R$ 60,00 Verificação de originalidade do texto O pesquisador arcará com todas as despesas do estudo. Não será cobrado do participante ou instituição envolvida qualquer tipo de ônus, nem a título de patrocínio. 10. RESULTADOS ESPERADOS Espera-se que, ao término desta análise do perfil epidemiológico, sejam obtidos conhecimentos e resultados relevantes que possam contribuir para uma compreensão mais abrangente do panorama dos indivíduos investigados. Esses achados poderão subsidiar estratégias que seja voltadas à redução da incidência de câncer de pulmão em pacientes residentes nos municípios sucroalcooleiros de Pernambuco, os quais foram atendidos no Hospital das Clínicas (HC). Ainda, espera-se que o perfil dos casos de câncer de pulmão evidencie a elevada exposição aos fatores de risco relacionados à doença, bem como destaque as barreiras existentes no que diz respeito no acesso ao diagnóstico precoce. Tais evidências, se confirmadas, poderão ser utilizadas como subsídios para o planejamento e implementação de políticas públicas e intervenções específicas, com vistas à mitigação dos impactos da doença e à promoção da saúde pública nessas regiões. 2 REFERÊNCIAS 1. ALBRING, K. M. F.; CEOLIN, S.; COSTA, A. R. DA. Exposição a agrotóxicos e câncer: revisão integrativa de literatura. Research, Society and Development, v. 12, n. 9, e13412943294, 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/374343281_exposicao_a_agrotoxicos_e_cancer_revisao_integrativa_de_literatura. Acesso em: 28 mar. 2025. DOI: http://dx.doi.org/10.33448/rsd-v12i9.43294. 2. BARROS, F. B. DE; LEANDRO, C. S.; SANTOS, J. R. P. DOS; AZEVEDO, F. R. DE; CÂNDIDO, E. L. Agrotóxicos comercializados no Brasil com potencial carcinogênico para humanos: pesquisa documental. Saúde (Santa Maria), v. 47, 2021. 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