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Reparação Tecidual
Daniel Falbo Martins de Souza
Ronaldo de Freitas
A reparação tecidual consiste na substituição
das células mortas ou lesadas por novas células
sadias, originadas dos elementos parenquimato
sos ou do estroma do tecido lesado.
A capacidade de reparação do tecido lesado
é uma resposta da própria vida, portanto, pode
ser considerada um dos mecanismos primáriOS
de sobrevivência, a partir do nascimento. A re
paraçãoé considerada como uma fase da reação
inflamatória, uma vez que não pode ser separada
dos fenômenos vasculares e celulares que ocor
rem emn resposta a uma agress�o.
A proliferação celular pode ser estimulada
por lesão, morte celular e deformação mecânica
dos tecidos e trata-se de um processo essencial
na reparação. A replicaçao celular é controlada
por fatores químicos no microambiente, que es
timulam ou inibem a proliferação celular.
O crescimento pode ser efetuado ao encurtar
o ciclo celular, porém os fatores mais importan
tes são os que recrutam células quiescentes para
o ciclo celular.
Ciclo Celular e Potencial
Proliferativo
As células do corpo são divididas em três
grupos, de acordo Com sua capacidade prolifera
tiva e sua relação com o ciclo celutar.
Q ciclo de crescimento das células consiste
Células lábeis
Também conhecidas como células em divi
são contínua, pois continuam a proliferar du
rante toda a vida, substituindo células que estão
sendo continuamente destruídas. Os tecidos que
contêm células lábeis incluem os epitélios de su
perficie da pele, cavidade bucal, vagina e colo
uterino; a mucosa de revestimento dos ductos
excretores das glândulas do corpo; o epitélio
do trato gastrintestinal e do útero; o epitélio de
transição das vias urinárias, células da medula
óssea e dos tecidos hematopoiéticos.
Células quiescentes
São conhecidas como células estáveis. Nor
malmente, exibem baixo nível de replicação,
porém podem sofrer rápida divisão em resposta
a estímulos, capazes de reconstruir o tecido de
origem. Nesta categoria encontram-se as células
parenquimatosas de praticamente todos os ór
gãos glandulares do corpo, as células mesenqui
matosas (fibroblastos, condrócitos, osteócitos,
células musculares lisas) e as células endoteliais
vasculares.
Encontram-se na fase Go, mas quando esti
muladas passam para a fase G1.
Células permanentes
São células que deixaram o ciclo celular e
incapazes de sofrer divisão mitótica na vida pós
49
nas fases/G1 (pré-síntese), S (síntese de DNA),
G2 (pré-mitótica) e M(mitótica). )
Tratado de Cirurgia Bucomaxilofacial
natal. A esse grupo pertencem as células nervo
sas, células da musculatura esquelética e células
do músculo cardíaco.
Eventos Moleculares no
Crescimento Celular
Os eventos moleculares no crescimento celu
lar são complexos e envolvem uma série de vias
intercelulares e moleculares. Atualmente, sabe
se que a aberração dessas vias pode constituir a
base para o crescimento desordenado do câncer.
Existem três esquemas de sinalização inter
celular.
Sinalização autócrina
As células respondem a substâncias de sinali
zação que elas prprias secretam. Vários fatores
de crescimento polipeptídicos podem atuar des
sa maneira. As células tumorais freqüentemente
produzem quantidades excessivas de fatores de
crescimento que podem estimular sua própria
proliferação.
Sinalização parácrina
A célula produz moléculas que só interagem
com uma célula-alvo em estreita proximidade.
Esta sinalização é comum no reparo de feridas
por tecido conjuntivo, em que um fator produ
zido por uma célula (por exemplo, o macrófago)
exerce seu efeito de crescimento sobre células vi
zinhas, geralmente de tipo celular diferente (por
exemplo, o fibroblasto).
Sinalização endócrina
Os hormônios são sintetizados por células en
dócrinase atuam sobre células-alvo distantes de
seu local de síntese, sendo geralmente transpor
tados pelo sangue.
Receptores de Superfície
Celular
O crescimento celular é iniciado pela ligação
de um agente sinalizador, normalmente um fa
tor de crescimento, a um receptor específico. As
50
proteínas receptoras podem localizar-se na su
perficie celular da célula-alvo, no citoplasma ou
no núcleo. A proteína receptora possui especifj
cidade de ligação para determinados ligantes,
Existem três tipos de receptores de superfície
celular, importantes para o crescimento celular
Por meio de sua ligação a ligantes, enviam sinais
ao núcleo ao utilizarem uma variedade de vias de
transdução de sinal. Algumas vias são mais es
pecíficas para determinados tipos de receptores.
enquanto outras são partilhadas.
Os três principais receptores são:
/ receptores sem atividade catalítica intrín
seca;
/ receptores ligados à proteína G.
receptores com atividade intrínseca de cina.
Sistemas de Transdução de
Sinal
se:
A transdução de sinal é o processo pelo qual,
sinais extracelulares são detectados e converti
dos em sinais intracelulares, os quais geram res
postas celulares específicas.
Os sistemas mais importantes envolvidos na
regulação do crescimento celular são:
/
/ via de proteinoquinase ativada por mitógeno.
vias da fosfoinositidio-3-cinase.
/
/
/
vias do inositol-lipídio.
via do monofosfato de adenosina cíclico.
via JAK/STAT.
Fatores de transcrição
Os sistemas de transdução de sinal transfe
rem a informação para o núcleo, no qual ocorrem
alterações específicas na regulação da express�o
dos genes. Essa regulação é freqüentemente efe
tuada no nível da transcrição dos genes, que é
controlada por fatores reguladores, conhecidos
como fatores de transcrição, os quais desempe
nham um importante papel no controle do cres
cimento celular.
Dentre os fatores de transcrição encontram
se vários protoncogenes e vários genes supresso
res tumnorais, como o p53.
Regulação da Divisão Celular
Na atualidade, sabe-se que existem dois tipos
de controles moleculares que gerenciam a pas
sagem das células através das fases específicas
do ciclo celular e a organização dos eventos que
levam à divisão celular.
BIBLIOTECA DA UNIAO EDU
Vias de fosforilação protéica
Envolve um grupo de proteínas denominadas
ciclinas.
A entrada e a progressão das células através
do ciclo celular são controladas por mudanças
nos níveis e nas atividades das ciclinas. As cicli
nas são denominadas A, Be E.
Pontos de controle
Representam um segundo modo de regula
ção do ciclo celular e fornecem um mecanismo
de vigilância para garantir a ocorrência de trans
crições críticas na seqüência correta. Quando os
pontos de controle são ativados por lesão ou re
plicação deficiente de DNA, são enviados sinais
para a maquinaria do ciclo celular, resultando na
sua interrupção. Ao retardar a progressão atra
vés do ciclo celular, os pontos de controle permi
tem um maior tempo para o reparo, diminuindo
a possibilidade de mutações.
Fatores de Crescimento
Os fatores de crescimento são polipeptídeos
específicos. Alguns dos fatores de crescimen
to atuam em uma variedade de tipos celulares,
enquanto outros possuem alvos relativamente
específicos. Os fatores de crescimento também
exercem efeitos sobre a locomoção, a contratili
dade e a diferenciação celular.
Seus efeitos podem ser tão importantes para
o reparo de feridas quanto os efeitos de promo
ção de crescimento.
Fator de crescimento
epidérmico (EGF)
O EGF é mitogênico para uma variedade de
células epiteliais e fibroblastos in vitro e causa
divisão dos hepatócitos in vivo.
DO PLAALO.CENTRAL
Capitulo 5- Reparaç�o Tecidual
Fator de crescimento
derivado das plaquetas
(PGDF)
O PGDF é armazenado nos grânulos a das
plaquetas e liberado com a ativação plaquetá
ria. Pode ser produzido por uma variedade de
células, incluindo macrófagos ativados, células
endoteliais, células musculares lisas e celulas
tumorais.
O PGDF provoca tanto migração como proli
feração de fibroblastos, células musculares lisas
e monócitos.Apresenta também propriedades
pró-inflamatórias.
Fator de crescimento dos
fibroblastos (FGF)
lulas.
O FGFé produzido por uma variedade de cé
São atribuídas numerosas funções ao FGF:
/ Angiogênese.
/ Reparo das feridas, promovendo a migração
de macrófagos, fibroblastos e células endote
liais nos tecidos lesados e migração do epité
lio para formação de nova epiderme.
/ Desenvolvimento da musculatura esqueléti
ca e maturação pulmonar.
/ Hematopoiese.
Fator de erescimento
endotelial vascular (VEGF)
0 VEGF promove a angiogênese no câncer,
nos estados inflamatórios crônicos e na cicatri
zação das feridas.
Fatores transformadores de
crescimnento (TGF-B)
Os TGF-ß são produzidos por uma variedade
de células, inchuindo plaquetas, células endote
liais, linfócitos e macrófagos.
Em baixas concentrações, induz a síntese e
secreção de PDGF; em altas concentrações inibe
a expressão dos receptores de PDGE.
O TGF-B também estimula a quimiotaxia dos
fibroblastos e a produção de colágeno e fibronec
51
Tratado de Cirurgia Bucomaxilofacial
tina pelas células, enquanto inibe a degradação
de colágeno.
Citocinas
Sâo proteinas que além das funções como
mediadores da inflamação e resposta imune,
possuem atividades de promoção do crescimen
to para uma variedade de células.
Matriz Extracelular
A matriz extracelular (MEC) é secretada lo
calmente e organiza-se em uma rede nos espaços
que circundam as células.
Três grupos de macromoléculas associam-se
fisicamente para formar a MEC:
/ Proteínas estruturais fibrosas: colágenos e
elastina.
/ Glicoproteínas adesivas: fibronectina e lami
nina
/ Gel de proteoglicanos e hialuronano.
Essas macromoléculas reúnem-se em duas
organizações gerais: matriz intersticial e mem
brana basal. A matriz é encontrada nos espaços
entre as células epiteliais, endoteliais, muscula
res lisase no tecido conjuntivo. As membranas
são produzidas por células epiteliais e mesenqui
matosas e estão estreitamente associadas à su
perficie celular.
A MEC desempenha muitas funções, por
exemplo, as proteínas da matriz seqüestram mo
léculas, como a água, para proporcionar turgor
aos tecidos moles, e os sais minerais, para confe
rir rigidez aos tecidos esqueléticos e proporcio
nar um reservatório para fatores de crescimento
que controlam a proliferação celular.
A MEC também fornece um substrato para a
aderência, a migração ea proliferação das célu
las, podendo influenciar diretamente na forma e
função celular.
Tipos de Reparo
52
O reparo tecidual envolve dois processos dis
tintos:
/ Regeneração: é a substituição das células le
sadas, por células do mesmo tipo, sem deixar
algumas vezes, nenhum vestígio residual da
lesão anterior.
/ Cicatrização: é a substituição das células le.
sadas por tecido conjuntivo (fibroplasía ou
fibrose), processo que deixa cicatriz perma.
nente.
Na maioria dos casos, ambos OS processos
contribuem para o reparo.
A regeneração ordenada do tecido epitelial da
pele e das vísceras requer a presença da mem
brana basal. Essa matriz extracelular especiali
zada funciona como um arcabouçÇo extracelular
para a regeneração precisa das estruturas pree
xistentes.
A destruição tecidual com lesão das células
parenquimatosas e do arcabouço do estroma
não permite o reparo exclusivo através da rege
neração das células parenquimatosas, mesmo
naqueles órgãos cujas células têm capacidade de
regeneração. Por conseguinte, ocorrem tentati
vas de reparo da lesão tecidual pela substituição
das cêlulas parenquimatosas não-regeneradas
por tecido conjuntívo, o qual, com o decorrer do
tempo, produz fibrose e formação de cicatriz.
Reparo do Tecido Mole
A cicatrização costuma ser dividida como de
primeira, segunda ou terceira intenção.
A cicatrização por primeira intenção ocorre
nos ferinmentos cujas bordas podem ser aprox
madas, como uma incisão limpa na pele que é fe
chada com pontos de sutura. O defeito incisional
reepiteliza rapidamente, sendo fechado graças
Jao depósito de matriz.
A cicatrização por segunda intenção é a cica
trização espontânea da ferida aberta, na qual as
bordas não foram bem aproximadas. O tecido de
granulação preenche a feridae esta se contrai e
se reepiteliza.
A cicatrização por terceira intenção também
é conhecida como cicatrização por primeira in
tenção tardia, na qual a ferida é deixada aberta
propositalmente em virtude de contaminação
significativa. A ferida é fechada alguns dias
depois da redução significativa de sua contami
nação.
O reparo dos tecidos moles é composto por
cinco fases: inflamatória, granulação, epiteliza
ção, fibroplasia e de contração (Fig. 5-1).
Fase inflamatória
Fig. 5-1
A inflamação é a primeira etapa da cicatriza
ção das feridas. Após a lesão tecidual, os vasos
mediatamente contraem-se, produtos teciduais
tromboplásticos são expostos e as cascatas da co Os produtos da cascata da coagulação regu
agulação e do complemento são desencadeadas.lam as células na área lesada. A trombina íntegra
As plaquetas retidas na ferida sofrem desgra
nulação, liberando substâncias biologicamente
ativas que são importantes para a reparação da
ferida. A coagulação e a ativação plaquetária li
mitam a perda de sangue e geram produtos bio
logicamente ativos que convertem os fibroblastos
e as células endoteliais para a reparação.
Epitélio
Desbridamento
resistente a infeccáo
Lise do
colágeno
Injúna
Plaquetas de
coagulaão
Infamacão
Granulócitcos
Remodelação
Reparo da ferida
Visão geral do processo de reparação do tecido mole.
Capitulo 5 - Reparação Tecidual
Os mecanismos de coagulação ativam a pro
trombina em trombina, que converte o fibrinoge
nio em fibrina. A seguir, a fibrina é polimerizada
em um coágulo estável. Se o coágulo é exposto
ao ar, sofre dessecamento, formando uma cros
th que funciona como cobertura temporária da
ferida. A fibrina e a fibronectina existente no
cpágulo fornecem a matriz temporária para a
rhigração celular inicial para a ferida.
Macrófagos
atua como um potente fator de crescimento para
fibroblastos e células endoteliais. Os fragmentos
de trombina degradados estimulam os monócitos
e as plaquetas. O fibrinogênio contém seqüências
peptídicas promotoras de crescimento, e alguns
fibrinopeptídeos são quimioatrativos para os mo
nócitos. O coágulo também induz a angiogênese.
Fibroblastos
Procolágeno
Síntese de colágeno
Flbra de colágeno
Contraçao
Síntese de
proteoglcanos
Polimerização de e 90906k protocolageno
53
Tratado de Cirurgia Bucomaxilofocial
À medida gue se forma o trombo, a hem0s
tasia na ferida é atingida. Após a vasoconstrição
temporária, que varia de5 a 10 minutos, Os pe
auenos vasos locais dilatam-se em resposta às
cininas, aos componentes do complemento e às
prostaglandinas. Leucócitos (primeiro neutrófi
los, mais tarde monócitos) e proteínas plasmáti
cas penetram na região da ferida. Esse infiltrado
inicial de neutrófilos recolhe os restos celulares,
o material que contaminava a feridae as bact¿
rias. Fragmentos ativados do complemento (C5a)
atraem neutrófilose auxiliam no combate bacte
riano.
Os monócitos infiltram o local da ferida mais
tarde e diferenciam-se em macrófagos, que são
vitais na restauração tecidual. Os macrófagos
continuam a consumir restos teciduais e bacte
rianos, além de secretar numerosos fatores de
crescimnento. Esses fatores de crescimento atra
em e ativam células endoteliais locais, fibroblas
tos e células epiteliais, fazendo-as iniciar suas
respectivas funções de restauração.
A depleção de monócitos e macrófagos provo
ca intensa modificação na cicatrização da ferida,
com desbridamento insatisfatório, proliferação
tardia de fibroblastos e angiogênese inadequada.
Os linfcitos penetram na ferida bem mais
tarde. Não foi ainda esclarecido seu papel na re
paração das feridas. A interleucina-1é um pro
duto linfocitário que regula a atividadeda cola
genase, de modo que os linfócitos podem estar
associados à remodelação do colágeno.
54
Fase de granulação
O tecido de granulação é uma matriz frouxa
que aparece em feridas abertas, sendo constituí
do por colágeno, fibronectina e ácido hialurônico,
com densa. infiltração de macrófagos, fibroblas
tos e células endoteliais capilares. A granulação
é mais proeminente em feridas que cicatrizam
por segunda intenção.
O tecido de granulação caracteriza-se por
seu aspecto vernmelho-vivo, carnoSo, uma conse
qüência da migração e da divisão das células en
doteliais, com formação de um rico leito de novas
redes capilares no local da ferida. Os fibroblastos
migram para a ferida, usando a fibrina recém
depositada e a matriz de fibronectina como ar
cabouço. Os fibroblastos proliferam (fibroplasia)
e sintetizam uma nova matriz extracelular. o
crescimento direcionado das células endoteliais
vasculares ocorre ao mesmo temp0 da fibropla
sia durante a formação de tecido de granulação.
estimulado por produtos de macrófagos ativados
e por plaquetas.
A matriz provisória inicial é constituída
fbrina, fbronectina e pelo glicosaminoglicano
(GAG), ácido hialurônico. As glicoproteínas de
adesão (fibronectina, laminina e tenascina) sãn
encontradas na matriz e facilitam a fixaçãoea
migração das células. A medida que os fibroblas.
tos penetram na ferida e a povoam, eles utilizam
a hialuronidase para digerir a matriz provisória
rica em ácido hialurônico e, em seguida deposi
tam GAG maiores e sulfatados. Simultaneamen
te os fibroblastos depositam colágeno em um
arcabouço de GAG e fibronectina de forma de.
sorganizada. Os colágenos tipos I e III são os
principais colágenos fibrilares que constituem a
matriz extracelular da pele. O colágeno tipo III
é, a principio, mais predominante em feridas em
comparação com a pele normal. À medida aue a
ferida amadurece, o colágeno tipo I é depositado
em quantidades cada vez maiores.
Fase da epitelização
por
Na pele, a epiderme espessa-se e as células
basais da borda da ferida aumentam de tama
nho e migram para a ferida. As células basais
fixas em uma zona próxima à borda cortada da
ferida continuam a se dividir, e suas cêlulas
filhas achatam-se e migram sobre a matriz da
ferida como uma lâmina. As glicoproteínas de
adesão celular, como a fibronectina, a vitronec
tiná e a tenascina, formam uma via que facilita
a migração de células epiteliais sobre a matriz
da ferida.
Os queratinócitos dividem-seà medida que é
estabelecida a formação de camadas na epider
me. Os tecidos necróticos e os corpos estranhos
são, gradativamente, separados da ferida à me
dida que as células epiteliais migram sob eles.
Após ser obtida a integridade epitelial, as
células reformam os hemidesmossomos e ligam
se à nova membrana basal, completando assim
uma barreira contra a contaminação adicional e
a perda da umidade. A queratina é formada com
o amadurecimento das células.
Fase dafibroplasia
A finalização da correção de uma ferida em
mamíferos consiste na formação de uma cicatriz.
A cicatriz é definida, morfologicamente, como a
aus�ncia de organização tecidual em compara
ção com o tecido normal adjacente. O depósito
desorganizado de colágeno é importante na for
mação de cicatrizes. Há um equilíbrio entre a
síntese e degradação do colágeno, favorecendo
seu depósito.
A ferida apresenta remodelagem lenta ao
longo de meses até formar uma cicatriz madura.
A rede de capilares, inicialmente densa, e o in
filtrado de fibroblastos regridem até que restem
poucos capilarese fibroblastos. As cicatrizes tor
nam-se mais fortes como passar do tempo.
A resistência à tração de uma ferida na pele
aumenta rapidamente da primeira à sexta sema
na após o ferimento. A partir daí, a resistência à
tração aumenta de modo mais lento até um ano
após o ferimento.
Três senmanas após um ferimento a pele tem
30% da resistência normal à tração, enquanto
a fáscia tem 20%. A resistência máxima à tr¡
ção da pele ferida atinge 80% da exibida pela
pele íntegra. O resultado final do reparo é uma
cicatriz, que é mais frágil e menos elástica que
a pele normal, além de não apresentar fåneros,
sendo, portanto, menos funcional que o tecido
íntegro adjacente. O principal beneficio do re
paro é a reorganização rápida da integridade
tecidual.
Fase da contração
A destruição dos tecidos moles e seu reparo
envolvem a migração de inúmeros tipos diferen
tes de células para o local da ferida, formando
uma nova matriz de tecido conjuntivo. Em uma
ferida, a pele íntegra circundante é tracionada
para o defeito pelo processo de contraç�o da fe
rida.
Em oposição à contração da ferida está a con
tratura da cicatriz, na qual o processo de contra
ção ocorre após o fechamento da ferida. A con
Capltulo 5 - Reparação Tecidual
tratura da cicatriz. pode ser deletéria porque o
tecido fibrótico sofre redução na área superficial,
tendo a possibilidade de comprometer a funçäo
mecánica dos tecidos ou das cstruturas vizinhas,
restringindo, por exemplo, um movimento arti
cular.
Existem fortes evidências de que a célula
responsável pela contração da cicatriz éo miofi
broblasto. Este é uma célula mesenquimatosa
com características estruturais e funcionais em
comum com os fibroblastose células musculares
lisas vasculares. Os miofibroblastos geram for
ças contráteis envolvendo a atividade contrátil
muscular actina-miosina citoplasmática.
Os miofibroblastos também possuem uma
entidade singular, o fibronexo, que liga o citoes
queleto à matriz extracelular. O fibronexo é basi
camente uma conexão transmembrana entre os
microflarnentos intracelulares e a fibronectina
extracelular. Portanto, a força de contração da
cicatriz é, provavelmente, gerada pelos feixes de
actina nos miofibroblastos e transmitida para os
lados da ferida por ligações célula-célula e célu
la-matriz.
Reparo do Tecido Ósseo
O tecido ósseo é um dos mais resistentes e
rígidos do corpo humano. E o principal consti
tuinte do esqueleto e serve de suporte para as
partes moles, além de proteger órgãos vitais. Os
ossos funcionam como depósito de cálcio, fosfa
to e outros íons, armazenando-os ou liberando
Os de forma controlada, para manter constante a
concentração desses importantes íons nos líqui
dos corporais.
O tecido ósseo é um tipo especializado de te
cido conjuntivo formado por células: osteoblastos
(produtores da parte orgânica da matriz óssea),
osteócitos (situam-se em lacunas no interior da
matriz), osteoclastos (células gigantes, móveis e
multinucleadas que reabsorvem o tecido ósseo,
participando do processo de remodelação óssea);
e material intercelular calcificado, a matriz ós
Sea.
O osso, como tecido mineralizado, tem por
volta de 75% do seu peso de material inorgânico,
representado por cálcio, fósforo, sódio, magné
55
56 inibidor, o pirofosfato. cipitam
nos
tecidos,
além
dos
ossos,
devido
a
um
xiapatita.
Os
cristais
de
hidroxiapatita
não
se
pre
O necessário
para
causar
precipitação
de
hidro
extracelular
são
consideravelmente
maiores
que
concentrações
dos
íons
cálcio
e fosfato
no
lhquido
pode
ser
causada
pela
deficiência
na
ingestão
do
calcificação
da
matriz
orgânica.
Esta
deficiência
A
deficiência
do
cálcio
ção do colágeno.
O ácido
ascórbico
é
essencial
para
a
forma
Cáleio efosfato
tese
de
colágeno
pelos
osteoblastos.
suficiente
de
aminoácidos
essenciais
para
a
sin
vitaminas
é
fundamental
para
uma
quantidade
A
ingestão
adequada
de
proteínas,
minerais
e
Efeitos
metabolismo ósseo Fatores envolvidos no Volkmann. canais
transversais
ou
oblíquos,
os
canais
de
e
com
a
superficie
externa
do
oss0,
por
meio
de
municam-se
entre
si,
com
a
cavidade
medular
Contém
vasos
e
nervos.
Os
canais
de
Havers
CO
revestido
deendósteo,
o
canal
de
Havers,
que
cas.
No
centro
desse
cilindro
existe
um
canal
e formado
por
4
a
20
lamelas
ósseas
concêntri
tuído
por
um
cilindro
longo,
paralelo
à diáfise
Cada sistema de
Havers
ou
ósteon
é consti
do-os
de
reabsorver
a matriz
óssea.
que ativa os
receptores dos osteoclastos,
íon cálcio. função de reduzir
a concentração sangüínea
do
ticial, da Calcitonina
triz. e
penetram
nOS
OSSOS
através
dos
canais
da
ma
Os
vasos
sangüíneos
do
periósteo
ramificam-se
unem
firmemente
o
periósteo
ao
tecido
ósseo.
bem
o nome
de
fibras
de
Sharpey.
Essas
fibras
são
contínuas
com
as
fibras
do
periósteo
e
rece
denso. Algumas fibras
do paratormônio. vação do cálcio
plasmático
deprime
a produção
óssea
calcificada,
aumentando
a
calcemia.
A
ele
teoclastos,
que
promovem
a
absorção
da
matriz
Sua
vez,
aumenta
a
atividade
e
o
número
de
os
no plasma sangüíneo. lógico
é regular
os
níveis
de
íons
cálcio
e fosfato
na
com
peso
molecular
de
8500.
Seu
papel
fisio
O
hormônio
das
paratireóides
é uma
protei
Paratormônio
perióste0
e
o endósteo,
respectivamente.
juntivas
que
possuem
células
osteogênicas,
o
ficies
externas
e
internas
por
membranas
con
Todos
os
OsSoS
são
revestidos
em
suas
super
ticos. ambas
formando ossos
colágeno
tipos
I,
Ile
proteoglicanos.
peso,
está
representada
fundamentalmente
por
sio
e
flúor.
A
fração
orgànica
do
osso,
25%
do
seu
importantes
no
suporte
e
na
proteção.
mais
antigas
e
calcificadas
possuem
papéis
mais
mais
jovens
são
importantes
para
a
calcemia,
as
cálcio
com
maior
facilidade.
Enquanto
as
lamelas
modelação
contínua,
são
as
que
recebem
e
cedem
as
mais
jovens,
pouco
calcificadas,
devido
à
re.
tendo
uma
calcemia
fisiológica.
As
lamelas
ósse.
o
cálcio
do
plasma
sangüíneo
e
doS
OSSOs,
man
organismo.
Há
um
intercámbio
contínuo
entre
O
esqueleto
contém
cerca
de
g9%
do
cáleio
do
Tratado
ca
rígida,
que
é fortalecida
por
sais
de
cálcio.
As
O osso
é composto
por
uma
matriz
orgâni
pode
levar
a uma
hipo
utricionais
medular,
os
canais
de
Havers
e
os
de
Volkmann.
vestindo as
cavidades do osso
esponjoso, o canal
camada
de
células
osteogênicas
achatadas,
re
O endósteo
é geralmente
constituído
por
uma
inibin
rafoliculares
da
tireóide
secretam
calcitonina,
Quando
ocorre
hipercalcemia,
as
células pa
glândula tireóide.
A
calcitonina
tem
a
pelas
células
parafoliculares,
do
tecido
inters
XO
peso
molecular,
PM
=
3000,
sendo
secretada
A calcitonina
é um
hormônio
protéico
de
bai
colágenas do tecido
ósseo
O periósteo
é
formado
por
tecido
conjuntivo
a secretar seu
hormôni0. O
paratormönio, por
A
hipocalcemia
estimula
as
paratireóides
histologicamente idên
intramembranosa
ou
ossificação
endocondral,
A
histogênese
óssea
pode
ser
por
ossificação
de Cirurgia Bucomaxilofocial
Tratado de Cirurgia Bucomaxilofacial
sio e flúor. A fração organica do osso, 25% do seu
peso, está representada fundamentalmente por
colágeno tipos 1 , 1ll e proteoglicanos.
A histogênese óssea pode ser por ossificação
intramenmbranosa ou ossificação endocondral,
ambas formando ossos histologicamente idên
ticos.
Todos os OssOs são revestidos em suas super
fícies externas e internas por membranas con
juntivas que possuem cêlulas osteogènicas, o
periósteo eo endósteo, respectivamente.
O periósteo é formado por tecido conjuntivo
denso. Algumas fibras colágenas do tecido ósseo
são contínuas com as fibras do periósteo e rece
bem o nome de filbras de Sharpey. Essas fibras
unem firmemente o periósteo ao tecido ósseo.
Os vasos sangüíneos do periósteo ramificam-se
e penetram nos ossos através dos canais da ma
triz.
O endósteo é geralmente constituído por uma
camada de células osteogênicas achatadas, re
vestindo as cavidades do osso esponjoso, o canal
medular, os canais de Havers e os de Volkmann.
Cada sistema de Havers ou ósteon é consti
tuído por um cilindro longo, paralelo à diáfise
e formado por 4 a 20 lamelas ósseas concêntri
cas. No centro desse cilindro existe um canal
revestido de endósteo, o canal de Havers, que
contém vasos e nervos. Os canais de Havers co
municanm-se entre si, com a cavidade medular
e com a superfície externa do osso, por meio de
canais transversais ou oblíquos, OS canais de
Volkmann.
Fatores envolvidos no
metabolismo ósseo
Cálcio efosfato
O osso é composto por uma matriz orgâni
ca rígida, que é fortalecida por sais de cálcio. As
concentrações dos íons cálcioe fosfato no líquido
extracelular são consideravelmente maiores que
O necessário para causar precipitação de hidro
xiapatita. Os cristais de hidroxiapatita não se pre
cipitam nos tecidos, além dos ossos, devido a um
inibidor, o pirofosfato.
56
O esqueleto contém cerea de 99% do cálcio do
organisnno. Há um intercámbio contínuo entre
o cáleio do plasma sangüineo e dos OssOs, man.
tendo uma calcemia fisiológica. As lanelas ósse.
as mais jovens, pouco calciticadas, devido à ro
modelação contínua, s£o as que recebeme cedem
cálcio com maior facilidade. Enquanto as lamelae
mais jovens são inmportantes para a calcemia, as
mais antigas e calcificadas possuem papéis mais
importantes no suporte e na proteção.
Paratormônio
O hormônio das paratireóides é uma protei
na com peso molecular de 8500. Seu papel isio
lógico é regular os níveis de íons cálcio e fosfato
no plasma sangüíneo.
A hipocalcemia estimula as paratireQides
a secretar seu hormÑnio. O paratormônio, por
sua vez, aumenta a atividade eo número de os
teoclastos, que promovem a absorção da matriz
Pssea calificada, aumentandoa calcemia. A ele
vação do cálcio plasmático deprime a produção
do paratormônio.
Calcitonina
A calcitonina é um hormônio protéico de bai
xO peso molecular, PM =3000, sendo secretada
pelas cêlulas parafoliculares, do tecido inters
ticial, da glândula tireóide. A calcitonina tem a
função de reduzir a concentração sangüínea do
íon cálcio.
Quando ocorre hipercalcemia, as células pa
rafoliculares da tireóide secretam calcitonina,
que ativa 0s receptores dos osteoclastos, inibin
do-os de reabsorver a matriz óssea.
Efeitos mutricionais
Aingestão adequada de proteínas, minerais e
vitaminas é fundamental para uma quantidade
suficiente de aminoácidos essenciais para a sín
tese de colágeno pelos osteoblastos.
O ácido ascórbico é essencial para a forma
ção do colágeno.
A deficiência do cálcio pode levar a uma hipo
calcificação da matriz orgânica. Esta deficiência
pode ser causada pela deficiência na ingestão ao
cálcio ou de vitamina D, que promove a absorção
intestinal do cálcio.
A vitamina A é fundamental na coordenação
entre produção e reabsorção óssea.
Piezoeletricidade
A piezoeletricidade é um mecanismo fisico
importante na formação óssea.
A aplicação de uma força sobre uma super
ficie de osso promove a formação de um dipolo.
Na superficie onde age a pressão, cria-se um pólo
positivo, enquanto na face oposta se determina
um pólo negativo.
A carga positiva excita a osteólise, porque
estimula a atividade dos macrófagos que che
gam pela circulação sangüínea. Ao invés, na face
oposta estimula-se a osteogênese por excitação
dos osteoblastos. Tanto o pólo positivo como o
negativo podem estimular a secreção de fatores
de crescimento.
Tipos de Reparo Ósseo
Os eventos que ocorrem durante a reparação
das feridas de tecido mole - inflamação, fibro
plasia e remodelação - também ocorre durante
O reparo de um osso lesado.
A reparaçãoóssea pode ser por primeira ou
segunda intenção.
Reparação óssea por
primeira intenção
A reparação óssea por primeira intenção
ocorre quando há redução anatômica da fratura
e estabilidade dos cotos ósseos, inmpedindo a ne
cessidade da estabilização dada pelo calo ósseo.
Células osteogênicas e capilares proliferam
no osso medular de cada lado da fratura, for
mando novo osso lamelar orientado longitudi
nalmente. Este reparo ocorre desde que o espaço
entre os cotos seja de no máximo 1 mm.
A técnica de osteossíntese que mais se apro
xima a permitir a reparação óssea por primeira
intenção é a fixação interna rígida com placas
compressivas.
Capítulo 5 - Reparaão Tecidual
Reparação óssea por
segunda intenção
Areparação óssea por segunda intenção ocor
re quando o ossoé fraturado e suas extremida
des livres estão separadas por mais de 1 mm de
distância.
Durante o estágio fibroblástico da cicatriza
ção, uma grande quantidade de colágeno deve
ser depositada para unir o espaço entre os cotos.
Os fibroblastos e os osteoblastos produzem tanta
matriz fibrosa que o tecido cicatricial estende
se circunferencialmente além das extremidades
livres do osso, e forma o que é denominado de
calo. Sob condições normais, o tecido fibroso os
sifica-se.
No estágio de remodelação, o osso que foi
produzido desordenadamente é reabsorvido pe
los osteoclastos.
Fases do Reparo Osseo
As fraturas reparadas espontaneamente, co
mo nos tratamentos de redução incruenta, o fa
rão por segunda intenção. O reparo por segun
da intenção possui quatro fases: inflamatória,
Calo cartilaginoso, calo ósse0 e remodelação
(Fig. 5-2).
Inflamatória (0 a 5 dias)
O rompimento dos vasos sangüíneos e o de
eréscimo da oferta sangüínea levam à hipóxia e
à morte celular na região da fratura óssea. Essa
situação engendra necrose das extremidades ós
seas fraturadas. Esta necrose asséptica promove
inflamação e edema local. O processo inflama
tório gera vasodilatação na regi�o por algumas
horas.
A hemorragia provocada pela vasodilatação
local, associada com a lesão dos vasos do endós
teo, periósteo e sistema harvesiano, leva a hema
toma. O hematoma formado nesta fase inflama
tória coincide com o início de uma proliferação
celular.
Entre 8 e 12 horas após o traumatismo, ini
cia-se proliferação celular e a síntese de DNA das
57
Tratado de Cirurgia Bucomaxilofocial
A
B
Fig. 5-2
58
Osteoblasto
Calo externo
Ihas residuais de
cartilagem
Tecido de
granutsçAD
Ostaoblastos penosteats
Cortical ÔSs0a
Calo
intermo
células da camada periosteal. Este processo pro
liferativo envolve todo o osso lesado, diminuindo
em poucos dias, restringindo-se à área da fratu
ra. Estas células são pluripotenciais, podendo
diferenciar-se em osteoblastos, condroblastose
fibroblastos.
Juntamente com o início da proliferação ce
lular, inicia-se a angiogênese. Osfibroblastos for
mados durante o estágio proliferativo migram
para o interior da ferida e inicia um depósito
de colágeno. A combinação de colágeno e uma
Osteoblastos -
C
Hematoma
Tecido de
granulação
IIhas residuais
de cartilagem
Neotormaçao danea
no cato cartitaginos0
Calo externo
A) Estágio final do calo cartilaginoso. O calo ósseo interno uniu os cotos proximal e distal por formação óssea
dos osteoblastos do endósteo. Perifericamente, o calo cartilaginoso será ossificado. B) Calo ósseo. O calo ós
seo interno está completo. A ossificação do calo cartilaginoso deixou pequenas ilhas residuais de cartlagem.
c) Calo ósseo. Fratura com grande deslocamento ilustrando a adaptação do calo ósseo.
Calo
interno
Cortilcal óssea
rica rede capilar forma o tecido de granulaç�o.
Neste estágio, uma baixa tensão de oxigênio e
um baixo pH são constatados no tecido de gra
nulação inicial. Essa condição local, de baixa
tensão de oxigênio e baixo pH, é responsável
pela formação de cartilagem hialina a partir do
hematoma.
Uma segunda situação que pode levar à for
mação de cartilagem hialina entre os cotos ósse
os fraturados é a instabilidade entre eles.
Calo cartilaginoso
(4 a 40 dias)
A formação do calo inicia-se tanto externa
como internamente. Externamente, nódulos
cartilaginosos são separados por septos de te
cido fibroso. Como os vasos sangüíneos dentro
dos septos aumentam, a hipóxia tecidual localé
revertida, e duas alterações ocorrem simultane
amente. Primeiramente, há calcificação da car
tilagem, aprisionando os condroblastos e con
vertendo-os em condrócitos. Ao mesmo tempo,
há aumento do número de osteoblastos, e pela
primeira vez aparecem os osteoclastos.
Enquanto este calo externo é formado, um
calo interno entre os cotos ósseos também se
forma. Esta área possui um melhor suprimento
sangüíneo e conseqüentemente menos tecido
necrosado. Não há formação de fibrocartilagem
entre os ossos, no seu lugar, osteoblastos do en
dósteo formam um calo ósseo direto.
Enquantoo osso inicia sua reparação após a
fratura, o calo estabiliza a região fraturada.
Calo ósseo (4 a 40 dias)
Semelhante à formação óssea endocondral, o
calo cartlaginoso sofre calcificação. Os espaços
internos do calo cartilaginoso permitem uma
penetração e proliferação vascular. O aumento
de tensão de oxigênio associado ao fornecimento
de nutrientes teciduais, pela vascularização lo
cal, promove a diferenciação de osteoblastos.
Os osteoblastos depositam osteóide sobre as
espículas cartilaginosas calcificadas. Este oste
óide sofrerá calcificação e tornar-se-á osso.
Remodelação (25a 50 dias)
Os calos periosteal e endosteal que unem
Os dois cotos ósseos precisam ser remodelados,
porque há sempre uma produção excessiva de
OSSo para fortalecer o local do reparo. Freqüen
temente, esse calo é formado por osso primitivo,
que é reabsorvido lentamente e substituído por
OSsO maduro, que segue os padrões de tensão
normal.
No reparo por primeira intenção não temos a
formação dos calos cartilaginoso e ósse0.
Capitulo 5- Reparação Tecidual
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59
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