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Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Turma (FLD207810CSA) / Curso – INVESTIGAÇÃO FORENSE E PERÍCIA CRIMINAL CRISES PÓS-PARTO: HORMÔNIOS QUE PODEM MATAR Autor: Carla Cristina Rodrigues Nascimento Professor regente: Gerson Faustino Rosa MOTIVO DA ESCOLHA DO OBJETO DE ESTUDO A escolha deste objeto de estudo se deu após a escuta das aulas onde foi percebido que os demais colegas tinham em mente abordar comportamentos antissociais que não são em sua maioria comuns ao nosso dia a dia. Mas comportamentos que chegam ao nosso conhecimento através de matérias jornalísticas, filmes, documentários, séries. As crises pós-parto acometem grande parte das mulheres e podem manifestar-se de diversas formas, incluindo o baby blues, depressão pós-parto e psicose pós-parto, cada uma com suas características e gravidade. O baby blues, comum nos primeiros dias, causa instabilidade emocional e choro fácil, mas geralmente desaparece em duas semanas. A depressão pós-parto, mais grave, pode durar semanas ou meses, com sintomas como tristeza persistente, falta de prazer, fadiga e, em alguns casos, pensamentos suicidas. A psicose pós-parto, a forma mais severa, exige atenção médica imediata e pode envolver alucinações, confusão mental e até o acometimento de crimes durante essa crise. Falar sobre esse objeto de estudo traz para nossa realidade um comportamento antissocial que acomete nossas mulheres todos os dias. ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DO OBJETO O caminho utilizado para a obtenção das informações sobre o objeto de estudo escolhido foi o de pesquisas através de sites que pudessem discorrer sobre o tema. Não houve entrevistas, mas uma vontade particular de cunho pessoal de falar sobre esse comportamento antissocial. No geral os autores consultados são psiquiatras que deram entrevistas para páginas que falaram sobre o objeto. Houve a observação de um caso real onde o comportamento antissocial levou a um infanticídio. CONSIDERAÇÕES CRÍTICAS E CRIATIVAS Vamos conhecer um pouco sobre os tipos de crises pós-parto, suas diferenças, o que gera cada um desses comportamentos antissociais e suas consequências. Baby Blues: · Ocorrência: Comum nos primeiros dias após o parto. · Sintomas: Instabilidade emocional, choro fácil, irritabilidade. · Duração: Geralmente desaparece em duas semanas. · Importância: É um fator de risco para depressão pós-parto. Ao site da secretaria de saúde do Ceará, em 09 de Junho de 2022 a psicóloga Ana Crys Benício Lopes falou em entrevista sobre Baby Blues. Romantização da maternidade faz com que a mãe não receba o suporte necessário, diz Ana Crys Benício Lopes. “O baby blues é um dos transtornos emocionais do ciclo gravídico puerperal. Ele é uma reação à condição do pós-parto, quando a gente observa (na paciente) um choro fácil, uma fragilidade emocional e até uma irritabilidade. É muito comum mães relatarem cansaço e sentimento de incompreensão. Elas ficam, realmente, muito sensíveis. Então, quando há, por exemplo, alguma pontuação da família, elas reagem com esse choro fácil, (demonstram) dificuldades adaptativas. Somada à adaptação com o bebê está a questão hormonal. Então, ela terá um tempo difícil, de muita sensibilidade, com seu pico lá pelo quarto ou quinto dia do puerpério.” Afirma ainda que, estima-se que de 80% a 90% das mulheres passam por isso, que essa crise é comumente confundida com a Depressão pós-parto, e que por se tratar, ainda de uma questão hormonal, as mulheres podem reagir de maneiras diferentes. Por ser algo reativo, espera-se que o suporte familiar seja o suficiente, que os familiares entrem nesse processo com um olhar compreensivo e de apoio, oferecendo para a mãe condições para que ela se organize. Depressão Pós-Parto: · Ocorrência: Pode se desenvolver até um ano após o parto. · Sintomas: Tristeza persistente, perda de interesse, fadiga, alterações no sono e apetite, pensamentos suicidas. · Duração: Mais de duas semanas, com possibilidade de prolongamento. · Importância: Requer avaliação e tratamento especializado. Depressão pós-parto, transtorno que afeta 1 a cada 4 mulheres Depressão Pós-parto, site Sergio Franco. O ministério da saúde através do site do governo fala que a depressão pós-parto é uma condição de profunda tristeza, desespero e falta de esperança que acontece logo após o parto. Raramente, a situação pode se complicar e evoluir para uma forma mais agressiva e extrema da depressão pós-parto, conhecida como psicose pós-parto. A depressão pós-parto traz inúmeras consequências ao vínculo da mãe com o bebê, sobretudo no que se refere ao aspecto afetivo. A literatura cita efeitos no desenvolvimento social, afetivo e cognitivo da criança, além de sequelas prolongadas na infância e adolescência. Depressão pós-parto não é uma falha de caráter ou uma fraqueza. O tratamento imediato pode ajudar a gerir os seus sintomas. Importante: Até então, achava-se que apenas as mulheres eram atingidas pela depressão pós-parto. No entanto, os avanços nos estudos têm comprovado que homens também podem desenvolver o problema. Psicose Pós-Parto: · Ocorrência: A forma mais grave, com início rápido nos primeiros dias. · Sintomas: Alucinações, confusão, mania, insônia. · Duração: Indeterminada, requer atenção médica imediata, podendo levar à internação. Importância: É uma emergência psiquiátrica. A condição exige atendimento psiquiátrico imediato. Mulheres com transtorno bipolar têm mais risco de desenvolver o quadro. Psicose pós-parto, site Drauzio Varella. Dra. Samantha Meltzer-Brody, psiquiatra, presidente do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte diz que “A psicose pós-parto é rara. Estima-se que ela atinja cerca de 1 ou 2 mulheres a cada mil. Mas, quando falamos de mulheres com transtorno bipolar, o cenário muda: de 10% a 20% delas desenvolvem o transtorno. O aumento do risco chega a 100%”. Ainda explica que A psicose pode ser a continuação de uma depressão pós-parto não tratada ou surgir isoladamente. Ainda não se sabe o que provoca a psicose, mas assim como em outros transtornos mentais a suspeita é de que ela seja multifatorial, envolvendo fatores genéticos, ambientais e psicossociais. “O histórico psiquiátrico pessoal e/ou familiar, o fato de ter vivenciado algum trauma, gravidez indesejada ou complicações no parto podem estar associados a um risco maior de desenvolvimento da depressão e da psicose perinatal” A psicose pós-parto é um comportamento antissocial que acomete mulheres em seu período puerperal devido a desequilíbrios hormonais e ainda transtornos psiquiátricos pré-existentes. Necessita de diagnóstico clínico até 12 semanas após o parto, podendo causar desde mudanças de humor até alucinações. Crime no período puerperal Caso Ana Beatriz: 'infanticídio' pode 'reduzir' pena e levar a júri popular Crime considera puerpério como atenuante em relação a homicídio. Em 16/04/2025. Eduarda de Oliveira, de 22 anos, confessou para a polícia o assassinato da filha, de 15 dias. Divulgação/Polícia Civil O corpo foi encontrado na casa da família. Divulgação/Polícia Civil Especialistas ouvidos pela CNN apontam que a suspeita de matar a própria filha em Alagoas poderia ser indiciada por 'infanticídio'. O crime prevê de 2 a 6 anos de prisão, consideravelmente menos que o homicídio doloso, que prevê de 6 a 20 anos de cadeia. O motivo é o puerpério, que funciona como uma espécie de fator atenuante. Também conhecido como "período de resguardo", os dois primeiros meses pós-gestação são descritos pela medicina como uma fase de mudanças complexas no funcionamento hormonal das mulheres, alterando a sensibilidade e afetando emoções. A CNN mostrou que a mulher alterou o depoimento e confessou o crime à polícia, mas para se tornar ré ela precisa antes ser indiciada, denunciada e ter a denúncia aceita pela Justiça o que ainda não aconteceu. Por ser um crime contra a vida, o infanticídio prevê a realização de júri popular, tal qual o feminicídio e o homicídio. A diferença, no entanto, para além da pena menor, é que o crimesó se aplica a mães puérperas, não podendo ser usado para caracterizar a conduta de outros envolvidos no contexto, como pessoas que eventualmente teriam auxiliado a acusada a esconder o corpo ou cometer o ato. A psicose pós-parto é o transtorno mental mais grave que pode ocorrer no puerpério. Ela tem prevalência de 0,1% a 0,2% (sendo esse percentual maior em casos de mulheres bipolares), usualmente é de início rápido e os sintomas se instalam já nos primeiros dias até duas semanas do pós-parto. Os sintomas iniciais são euforia, humor irritável, logorreia, agitação e insônia. Aparecem, então, delírios, ideias persecutórias, alucinações e comportamento desorganizado, desorientação, confusão mental, perplexidade e despersonalização. O quadro psicótico no pós-parto é uma situação de risco para a ocorrência de infanticídio. Um estudo feito na Índia com mulheres internadas com quadros psicóticos no pós-parto revelou que 43% delas tinham ideias infanticidas. O infanticídio geralmente ocorre quando ideias delirantes envolvem o bebê, como ideias de que o bebê é defeituoso ou está morrendo, de que o bebê tem poderes especiais ou de que o bebê é um deus ou um demônio. Devem ser sempre investigados nos quadros de psicose pós-parto comportamento negligente nos cuidados com o bebê e ideias suicidas e infanticidas. Entre os fatores de risco para psicose puerperal, estão a primariedade, complicações obstétricas e antecedentes pessoais ou familiares de transtornos psiquiátricos, sobretudo outros transtornos psicóticos. Quanto ao prognóstico, observa-se que cerca de 20% têm remissão completa do quadro e não apresentam recorrências. Estudos sugerem que há recorrência de novo episódio de psicose pós-parto em 18% a 37% das mulheres e que pode haver episódio subsequente, fora do pós-parto, de algum transtorno psicótico ou afetivo em 38% a 81% das mulheres. Como o quadro da psicose pós-parto é grave, geralmente é necessária internação hospitalar. Causas orgânicas devem ser excluídas e o tratamento deve ser o mesmo que o recomendado para transtornos psicóticos agudos. A psicose pós-parto pode ligada ao risco de infanticídio, acontece não por maldade ou intenção consciente da mãe, mas como resultado direto de estados mentais alterados que pode leva-la a delírios persecutórios ou até místicos, colocando assim em risco usa própria vida e a vida de seu bebê. REFLEXÕES FINAIS Fazer esse resumo expandido foi um desafio não na escolha do objeto de estudo que serviria como tema, mas sim na compreensão da montagem da estrutura do mesmo. O que contribui para minha formação por agregar, trazendo o conhecimento de uma nova forma de trabalho a ser estudada. Não teria feito nada diferente e nem escolheria outro tema, tendo em vista que o assunto abordado é atual, como vimos no caso que foi trazido como exemplo. Por fim, o objetivo proposto com a exposição de tal tema é a reflexão de que esse comportamento antissocial que infelizmente tem gerado crimes de infanticídio pode receber mais atenção por meio das famílias dessas puérperas, através de programas governamentais que conscientizem a população do quão sério e perigoso é o período pós-parto. REFERÊNCIAS . image3.jpeg image4.jpeg image5.png image1.jpeg image2.jpeg