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Caso Clínico: Transtorno do Espectro Autista | Ligas 
 
 
Identificação do paciente 
Paciente do sexo masculino A.R.D., 8 anos, caucasiano, nascido e residente na cidade de São 
Paulo. Atualmente cursando o Ensino Fundamental I, na primeira série. 
Queixa Principal 
Sua mãe (M.L.D.) buscou atendimento em ambulatório de psiquiatria relatando brigas constantes 
do filho com o pai, que, segundo ela, se irritava com o comportamento e com as notas escolares 
(exceto matemática) do menino, relatou que também acha que o garoto tenha “manias estranhas” 
e sente que ele é “antissocial”. 
Histórico da doença atual 
M.L.D. diz que o menino demorou para começar as tentativas de fala (começou a vocalizar aos 2 
anos), mas não teve muito atraso para engatinhar ou andar. Ainda disse que o filho nunca 
gostava de visitas, além de se irritar facilmente quando as visitas tentavam interagir com ele. 
Quando o garoto completou 3 anos, seu marido começou a levar o menino para área de lazer do 
prédio, mas disse que o menino era “tímido demais” e não parecia ter afinidade com as outras 
crianças, além de não compartilhar seus brinquedos. 
Os avós, cansados de ouvir as histórias relatadas pelos pais, levaram o menino em um pediatra. 
O médico fez o exame físico do garoto e pediu exames neurológicos. No retorno, disse que o 
menino possuía atraso mental e seria importante acompanhar o caso. Os pais, ao ouvir o relato, 
não se satisfizeram com o diagnóstico e decidiram não deixar os avós levarem o neto em 
nenhuma consulta. 
O casal contou essa história para uma amiga, que falou que seu filho também não gostava de 
outras crianças por perto e não era muito independente e que eles não deveriam se preocupar 
com a situação, que se resolveria quando o menino fosse mais velho. Então o casal achou que 
https://www.sanarmed.com/members/comunidade-sanarmed
https://www.sanarmed.com/members/comunidade-sanarmed
não havia necessidade de procurar outra ajuda, até porque o menino, apesar de apresentar 
atrasos de desenvolvimento, tinha conseguido “se virar” até o momento. 
Logo, matricularam o garoto na escola, na tentativa de melhorar a socialização. Não obtendo 
sucesso, conversaram com a pedagoga da escola, que mostrou resultados satisfatórios do 
menino em matemática, mas relatou muita dificuldade nas outras disciplinas e no convívio com os 
colegas. Os pais tentaram repreendê-lo e até mesmo tirar seus brinquedos favoritos, mas tudo só 
gerou mais brigas. A pedagoga recebeu novamente os pais e indicou o ambulatório de psiquiatria 
para tentativa de um diagnóstico e terapêutica para A.R.D. 
Antecedentes familiares e sociais 
A mãe de A.R.D é dona de casa, caucasiana, nascida e residente em São Paulo, relata não ter 
tempo para acompanhamento médico ou exames, porque tem uma vida muito corrida. Diz estar 
muito preocupada com o filho e com as brigas familiares ficando mais constantes e, por conta 
disso, está vivendo um momento de angústia, mas tem medo de contar para os familiares e estes 
pensarem coisas ruins sobre ela. 
O esposo (P.C.D.) trabalhava como caminhoneiro, mas por conta da pandemia, ficou 
desempregado e atua como entregador de aplicativos; não consegue ficar muito tempo em casa, 
mas sempre cobra muito do filho nas questões de escola, pois sonha que o garoto tenha uma 
“vida melhor”. Ele acredita que A.R.D seja desatento e preguiçoso, porque na família dele 
ninguém teve problemas na escola. 
Além disso, a mãe disse que a família é bem caseira, principalmente porque o filho não 
demostrava gostar de sair de casa ou fazer atividades ao ar livre; sua maior companhia é uma 
amiga que mora na mesma rua que o casal reside. Os avós do menino visitavam mensalmente a 
família, mas agora estão afastados devido ao episódio da consulta com o pediatra. 
Exame físico 
A.R.D. se mostra muito reservado e mesmo quando seu nome é citado durante a consulta, não 
tenta se impor na conversa. Ao ser questionado, responde com poucas palavras e sem fazer 
contato visual. Não demonstra alteração de fisionomia quando questionado sobre as brigas 
familiares ou quando recebeu um beijo de sua mãe. Grande parte do tempo ficou passando a 
mão no brinquedo que carregava consigo (a mãe diz ser um comportamento constante) e não se 
interessou pelos brinquedos que estavam no consultório. 
Suspeitas diagnósticas 
• Transtorno do Espectro Autista 
• Deficiência intelectual 
• Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade 
• Esquizofrenia 
Diagnóstico diferencial 
A fim de diagnosticar o paciente de maneira apropriada é necessário que sejam testadas as 
habilidades motoras grossas e finas, solução de problemas não verbais e outras habilidades 
intelectuais. Outro ponto relevante a ser investigado é a hiperatividade comparando com 
indivíduos da mesma idade mental. Também deve ser examinada a presença de delírios ou 
alucinações. 
No caso apresentado, o garoto apresenta déficit nas habilidades de comunicação, com limitações 
nas interações e pouca/nenhuma abertura social, desviando o olhar nos diálogos direcionados a 
ele. Apresenta bons resultados escolares na disciplina de matemática, não apresenta marcha 
alterada, não possui falta de foco e sim desinteresse em atividades que não são de sua escolha 
ou não fazem parte de sua rotina. Não existe relato de delírios ou alucinações. 
Discussão 
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é caracterizado por prejuízos significativos na 
comunicação e interação social. O portador desse transtorno tem alterações comportamentais, 
incluindo interesses em atividades, desde a infância, que trazem limitações em suas atividades 
diárias. 
O diagnóstico preciso, associado a terapias auxilia os processos de reabilitação do indivíduo em 
questão. Mas é fundamental que haja uma educação em saúde para que nenhum membro da 
família se sinta responsável pela existência um parente autista e as expectativas sobre esse 
indivíduo sejam compatíveis à realidade. Além disso, é importante que a família faça parte do 
processo, traçando assim, juntamente de uma equipe multidisciplinar, as melhores condutas para 
o caso. O tratamento adequado visa atender a família como um todo, englobando o psicossocial 
dos indivíduos. 
A diversidade dos sintomas e das hipóteses de diagnóstico somados com o preconceito e 
estigmas da doença fazem com que ainda existam muitos casos de diagnóstico tardio e 
supressão de tratamentos que poderiam melhorar a qualidade de vida dos pacientes. 
Quando se fala em tratamento, deve-se pensar em diferentes esferas de atuação, visto que não 
existe tratamento medicamentoso específico (caso haja de uso de fármacos são para tratar 
sintomas associados ao transtorno – agressividade, insônia, sintomas obsessivos etc.). O quadro 
do Transtorno do Espectro Autista deve integrar práticas que eduquem o paciente em vários 
aspectos: social, alimentar, motor, fonético; ou seja, multidisciplinar. Sendo assim, é necessário a 
integração de um psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e terapeuta ocupacional. 
Além disso, existem propostas como: aloterapia, musicoterapia, ludoterapia, oficinas terapêuticas, 
equoterapia; que apresentam relevância em grande parte dos tratamentos, variando sua 
efetividade conforme grau de autismo ou vivência do paciente. 
O crescimento da produção científica brasileira dirigida à saúde mental corrobora para formulação 
adequada de políticas públicas. Com isso, é interessante ressaltar que em 2007, o Ministério da 
Saúde estabeleceu um grupo de trabalho para atenção aos autistas na rede do Sistema Único de 
Saúde, mostrando a importância do tema. 
Conclusão 
Após as condutas clínicas, realização do diagnóstico diferencial e encontros com a família 
(dessas vezes incluindo o pai do garoto), foram passadas informações sobre o Transtorno do 
Espectro Autista. O pai do rapaz mostrou maior resistência em relação ao diagnóstico, mas se 
mostrou interessado em rever seu comportamentoe acompanhar o filho, quando possível, nas 
idas ao psicólogo e fonoaudiólogo que farão parte do tratamento. 
Além disso, o casal também se comprometeu a inscrever o filho para iniciar o tratamento com a 
musicoterapia. 
Autores e revisores 
Autor: Gabrielle Schneid 
Liga: Liga Acadêmica Interdisciplinar de Psiquiatria – FAM (LAIP-FAM) 
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar 
sobre o assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de Ligas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
Referências 
American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: 
DSM-5. 5. ed. Porto Alegre: Artmed, 2014. 
KLIN, Ami. Autismo e síndrome de Asperger: uma visão geral. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 
28, supl. 1, p. s3-s11, maio 2006. Disponível em 
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
44462006000500002&lng=pt&nrm=iso. acessos em 01 abr. 2021. 
http://dx.doi.org/10.1590/S1516-44462006000500002 
Organização Mundial da Saúde, OMS. CID 10 – Classificação De Transtornos Mentais e de 
Comportamento: Descrições Clínicas e Diretrizes Diagnósticas. Porto Alegre: Artmed, 1993 
Ministério da Saúde. Autismo: orientação para os pais – Casa do Autista – Brasília, 2000. 
MADASCHI, Vanessa et al . Bayley-III Scales of Infant and Toddler Development: Transcultural 
Adaptation and Psychometric Properties. Paidéia (Ribeirão Preto), Ribeirão Preto, v. 26, n. 64, p. 
189-197, Aug. 2016 . Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-
863X2016000200189&lng=en&nrm=iso. access on 01 Apr. 2021. http://dx.doi.org/10.1590/1982-
43272664201606. 
FAVERO, Maria Ângela Bravo; SANTOS, Manoel Antônio dos. Autismo infantil e estresse familiar: 
uma revisão sistemática da literatura. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, v. 18, n. 3, p. 358-369, 
Dec. 2005 . Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-
79722005000300010&lng=en&nrm=iso. access on 01 Apr. 2021. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-
79722005000300010. 
COSTA, MARIA IONE FERREIRA DA; NUNESMAIA, HENRIQUE GIL DA SILVA. Diagnóstico 
genético e clínico do autismo infantil. Arq. Neuro-Psiquiatr., São Paulo, v. 56, n. 1, p. 24-31, Mar. 
1998 . Available from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0004-
282X1998000100004&lng=en&nrm=iso. access on 01 Apr. 2021. http://dx.doi.org/10.1590/S0004-
282X1998000100004. 
FREIRE, M. H.; MARTELLI, J.; ESTANISLAU, G.; PARIZZI, M. B. O desenvolvimento musical de 
crianças com Transtorno do Espectro do Autismo em Musicoterapia: revisão de literatura e relato 
de caso. Orfeu, [S. l.], v. 3, n. 1, p. 145-171, 2018. DOI: 10.5965/2525530403012018145. 
Disponível em: 
https://revistas.udesc.br/index.php/orfeu/article/view/1059652525530403012018145. Acesso em: 
1 abr. 2021. 
CARMO, R.C.C; RAYMONDI, P.S.S.V; PALLADINO,R.R.R. A comunicação de um adulto 
diagnosticado no Transtorno do Espectro do Autismo: relato de caso. Distúrb Comun, São Paulo, 
32(3): 445-453, setembro, 2020. DOI: https://doi.org/10.23925/2176-2724.2020v32i3p445-453 
TEIXEIRA, Maria Cristina Triguero Veloz et al . Literatura científica brasileira sobre transtornos do 
espectro autista. Rev. Assoc. Med. Bras., São Paulo, v. 56, n. 5, p. 607-614, 2010 . Available 
from http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-
42302010000500026&lng=en&nrm=iso. access on 01 Apr. 2021. DOI: 
http://dx.doi.org/10.1590/S0104-42302010000500026. 
 
Caso Clínico: Transtornos alimentares | Ligas 
Identificação do paciente 
A.C.M., 17 anos, brasileira, estudante do ensino médio, branca, heterossexual, sem religião, 
solteira. 
Queixa principal 
A paciente reclama que não consegue controlar a sua fome e acaba comendo mais do que o 
normal, o que a faz se sentir mal depois. 
História da doença Atual (HDA) 
A paciente apresenta início dos sintomas aos 15 anos de idade, evoluindo com sentimento de 
impotência, e alega: “não consigo controlar minha vontade de comer/fome”; “como até sentir 
preencher um vazio dentro de mim”. Relata que esse comportamento estaria levando a um 
aumento de peso, se tornando um motivo de piada entre amigos e familiares, o que acaba 
aumentando seus episódios de compulsão. 
Não faz uso recorrente de nenhum medicamento. Alega ter sido orientada por seu psicólogo a 
procurar ajuda médica, e que dietas com nutricionistas não foram eficazes. 
Antecedentes pessoais, familiares e sociais 
Além do alegado, a respeito da zombaria de amigos e familiares, relata ter uma família “de bom 
coração, que só quer seu bem”, por isso acentuam pontos relacionados à alimentação e ganho de 
peso. Não possui doenças prévias, e no histórico familiar, não consta ninguém aparentado com 
quadros compulsivos, ou doenças relevantes. 
Nega uso de álcool, cigarros ou drogas de uso recreativo. Ao exame psicológico, apresenta 
quadros de ansiedade. Antecedentes fisiológicos e patológicos sem alterações em saúde física. 
Exame físico 
Exame físico completo sem alterações 
Suspeitas diagnósticas 
● Transtorno de Compulsão Alimentar 
● Anorexia Nervosa 
● Bulimia Nervosa 
Diagnóstico 
Tendo em vista que, apesar do desejo de atender a família, e controlar o peso, não existe uma 
busca direta pela magreza, e, não existindo uso de métodos compensatórios para o aumento da 
ingesta de alimentos e calorias, como dietas restritivas, jejum prolongado, uso de laxantes ou 
vômito induzido, os diagnósticos de anorexia e bulimia são descaracterizados. 
De acordo com o DSM V, o diagnóstico de compulsão alimentar deve atender 4 critérios, 
ocorrendo ao menos 1 vez por semana, no período de 3 meses: (1) comer de modo mais rápido 
do que o normal e até se sentir desconfortavelmente saturado, (2) comer grandes quantidades de 
alimento na ausência da sensação física de fome, (3) comer sozinho e (4) sentir-se culpado ou 
desgostoso com o episódio; De acordo com as diretrizes abaixo: 
A. Episódios recorrentes de compulsão alimentar. 
Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado pelos seguintes aspectos: 
1. Ingestão, em um período determinado (p. ex., dentro de cada período de duas horas) de uma 
quantidade de alimento definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria no 
mesmo período sob circunstâncias semelhantes. 
2. Sensação de falta de controle sobre a ingestão durante o episódio (p. ex., sentimento de não 
conseguir parar de comer ou controlar o que e o quanto se está ingerindo). 
B. Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes 
aspectos: 
1. Comer mais rapidamente do que o normal. 
2. Comer até se sentir desconfortavelmente cheio. 
3. Comer grandes quantidades de alimento na ausência da sensação física de fome. 
4. Comer sozinho por vergonha do quanto se está comendo. 
5. Sentir-se desgostoso de si mesmo, deprimido ou muito culpado em seguida. 
C. Sofrimento marcante em virtude da compulsão alimentar. 
D. Os episódios de compulsão alimentar ocorrem, em média, ao menos uma vez por semana 
durante três meses. 
E. A compulsão alimentar não está associada ao uso recorrente de comportamento 
compensatório inapropriado como na bulimia nervosa e não ocorre exclusivamente durante o 
curso de bulimia nervosa ou anorexia nervosa. 
Especificar se: 
Em remissão parcial: Depois de terem sido previamente satisfeitos os critérios plenos do 
transtorno de compulsão alimentar, a hiperfagia ocorre a uma frequência média inferior a um 
episódio por semana por um período de tempo sustentado. 
Em remissão completa: Depois de terem sido previamente satisfeitos os critérios plenos do 
transtorno de compulsão alimentar, nenhum dos critérios é mais satisfeitopor um período de 
tempo sustentado. Especificar a gravidade atual: O nível mínimo de gravidade baseia-se na 
frequência de episódios de compulsão alimentar (ver a seguir). O nível de gravidade pode ser 
ampliado de maneira a refletir outros sintomas e o grau de incapacidade funcional. 
Leve: 1 a 3 episódios de compulsão alimentar por semana. 
Moderada: 4 a 7 episódios de compulsão alimentar por semana. 
Grave: 8 a 13 episódios de compulsão alimentar por semana. 
Extrema: 14 ou mais episódios de compulsão alimentar por semana. 
Nesse sentido, pode-se afirmar que a paciente possui um Transtorno de Compulsão Alimentar, 
pelo caso atender aos critérios descritos no DSM-V 
Os indivíduos com Transtornos Alimentares geralmente se sentem envergonhados de seus 
problemas alimentares e muito comumente tentam ocultar os sintomas. Há alguns gatilhos para o 
episódio de Compulsão Alimentar, tais como estressores interpessoais, restrições dietéticas, 
sentimentos negativos relacionados ao peso corporal, à forma do corpo e aos alimentos e tédio. 
Discussão do Caso 
O que é um Transtorno Alimentar? 
Segundo o DSM-V, a identificação de um Transtorno Alimentar se dá em presença de uma 
perturbação na alimentação ou no comportamento. Essa perturbação é persistente e tem como 
consequência o comprometimento da saúde física e psicossocial. Os transtornos alimentares são 
classificados em: 
1. Pica: ingestão de substâncias não nutritivas ou não alimentares por determinado tempo; 
2. Transtorno de ruminação: regurgitação repetida do alimento durante determinado tempo; 
3. Transtorno alimentar restritivo / evitativo: restrição alimentar que não satisfaz as 
necessidades energéticas; 
4. Anorexia nervosa: persistente restrição calórica, medo de engordar e perturbação na 
percepção do próprio peso; 
5. Bulimia nervosa: compulsão alimentar, comportamentos que tentam impedir o ganho de 
peso e autoavaliação influenciada pela forma e peso corporal. 
6. Transtorno de compulsão alimentar: compulsão alimentar por pelo menos uma vez por 
semana durante no mínimo três meses. 
Qual é o tratamento adequado? 
O tratamento para Compulsão Alimentar é multidisciplinar. Em uma revisão de literatura realizada 
por Bloc et al (2019) os tratamentos elencados envolvem Entrevista Motivacional, que auxilia nos 
processo de mudança de adicções e resultou em diminuição dos sintomas de Compulsão 
Alimentar; Terapia Cognitivo Comportamental, que reduziram sintomas de depressão e o peso 
corporal,além de obter melhora na autoimagem corporal em sujeitos com Compulsão alimentar; 
Terapia de Vida Interdisciplinar com acompanhamento médico, nutricional, psicológico e 
atividades físicas que demonstrou melhora na qualidade de vida dos pacientes; e tratamentos 
farmacológicos que evidenciam resultados positivos na redução e remissão do comportamento 
compulsivo alimentar. A cirurgia bariátrica não é considerada tratamento para Transtorno de 
Compulsão Alimentar especificamente, e sim para obesidade, pois embora esteja associada ao 
sobrepeso e a obesidade, são transtornos distintos que podem não ter relação de causa e efeito 
um com o outro. 
Qual é o prognóstico do caso? 
O Transtorno de Compulsão Alimentar pode estar associado a maior risco de obesidade e 
sobrepeso. Implica em danos funcionais, físicos e psicossociais. Tem envolvimento em questões 
genéticas e fisiológicas e os indivíduos com este transtorno demoram mais a procurar tratamento 
do que sujeitos com bulimia ou anorexia nervosa, por exemplo. A aplicação de tratamento 
multidisciplinar e a identificação precoce do transtorno pode dar um prognóstico mais favorável ao 
sujeito. 
Conclusão 
Diante do exposto, é válido ressaltar a importância do acompanhamento médico e psicológico do 
paciente que apresenta Transtorno de Compulsão alimentar desde os primeiros momentos da 
patologia. O tratamento deve ser multifatorial, envolver diversas modalidades terapêuticas, 
farmacológicas e não farmacológicas, visto que o acompanhamento psicológico é fundamental 
para devolver qualidade de vida ao paciente. 
Autores e revisores: 
Liga: Liga Acadêmica de Saúde Mental – @liasmeunesaj 
Autor(a) : Iandy Tarecone de Souza Mateus @sagi.tari e Yanne Fernanda de Barros Rola 
@yannefernanda 
Revisor(a): Raíza Pereira – @raizapereira 
Orientador(a): Fátima Vasconcellos 
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar 
sobre o assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de Ligas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
Referências 
AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION et al. DSM-5: Manual diagnóstico e estatístico de 
transtornos mentais. Artmed Editora, 2014. 
BLOC, Lucas Guimarães et al. Transtorno de compulsão alimentar: revisão sistemática da 
literatura. Revista Psicologia e Saúde, v. 11, n. 1, p. 3-17, 2019. 
KAPLAN, H.; SADOCK, B.; GREBB, J. Compêndio de Psiquiatria: ciência, comportamento e 
psiquiatria clínica. 11a Edição, Porto Alegre: Artes Médicas, 2017. PAPELBAUM, Marcelo; 
APPOLINARIO, José Carlos. 
Transtorno da compulsão alimentar periódica e transtorno obsessivo-compulsivo: partes de um 
mesmo espectro? Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo , v. 23, n. 1, p. 38-
40, Mar. 2001. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
44462001000100010&lng=en&nrm=iso. access on 04 Apr. 2021. 
 
Caso Clínico: Transtorno de Personalidade Borderline: tentativa de autoextermínio| Ligas 
Estudo de caso clínico: suspeita de Transtorno de Personalidade Borderline com queixa principal 
de “tentativa de autoextermínio após abandono da irmã”. 
Identificação do paciente 
A.J.M, 24 anos, estudante de jornalismo, residente e procedente de Brasília-DF, branca, católica, 
sexo feminino. 
História da doença Atual (HDA) 
A paciente acompanhada da mãe refere tentativa de suicídio após decisão da irmã de se mudar 
de casa, segundo a paciente a mudança se deve à relação entre as duas, e a irmã estaria a 
abandonando. Afirmou ficar deprimida com frequência e não ser sua primeira tentativa ou ameaça 
de suicídio. A mãe relata que a filha já tem episódios recorrentes de exagero na alimentação e 
nas compras, gasta muito dinheiro com presentes para as pessoas próximas como forma de 
compensar as brigas e ataques de raiva frequentes. A paciente relata ouvir vozes às vezes, 
principalmente nos momentos que está brigando ou irritada, mas que segundo ela, depois não 
escuta mais. A mãe afirma que a filha tem muita dificuldade em ter novas relações sociais. 
Antecedentes pessoais, familiares e sociais 
Antecedentes Pessoais: Internada duas vezes por tentativa de suicídio. Nega alergias e cirurgias. 
Antecedentes Familiares: Irmãos hígidos, avó tem transtorno depressivo, mãe é diabética e pai 
hipertenso. 
Histórico de Vida: fuma socialmente 1-2 maços por semana, afirma consumir álcool diariamente, 
principalmente nos finais de semana. 
Condição Socioeconômica e Cultural: vive com o pai, a mãe, o irmão mais novo e a irmã mais 
velha em um apartamento de 4 quartos na cidade, onde possui acesso a saneamento básico e 
rede de luz. Possui um relacionamento difícil com a família e amigos, briga constantemente com 
os irmãos e amigos próximos. 
Exame psíquico 
Apresenta humor deprimido, alterações de sensopercepção com alucinações transitórias. 
Suspeitas diagnósticas 
• Transtorno de personalidade borderline; 
• Transtorno depressivo maior; 
• Transtorno afetivo bipolar; 
• Esquizofrenia paranoide. 
Diagnóstico do Transtorno de Personalidade Borderline 
O diagnóstico é de transtorno de personalidade borderline, a paciente apresenta pelo menos 5 
critérios presentes no DSM-5, esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado; 
padrão de relacionamentosinterpessoais instáveis e intensos; impulsividade com compulsão 
alimentar, gastos e abuso de substâncias (álcool); recorrência de comportamento, gestos ou 
ameaças suicidas; instabilidade afetiva; raiva intensa e inapropriada e dificuldade de controlá-la 
além de ideação paranoide transitória. 
Discussão do caso de Transtorno de Personalidade Borderline 
O que é o Transtorno de personalidade? 
O transtorno de personalidade se caracteriza como um padrão persistente de comportamento que 
desvia das expectativas sociais e culturais, segundo o DSM-V pode se manifestar em 2 ou mais 
das seguintes áreas: Cognição, afetividade, funcionamento interpessoal, controle de impulsos. O 
padrão deve ser persistente e abranger várias áreas da vida do indivíduo (não se limitar a apenas 
algumas situações) de forma a afetar sofrimento significativo e prejuízo no funcionamento social. 
Por que transtorno de personalidade borderline? 
Pois trata-se de um padrão de instabilidade global do humor, das relações interpessoais, da 
autoimagem, dos afetos e de uma impulsividade acentuada que surge no início da vida adulta, 
estando presente em vários contextos. Fazem esforços absurdos para não serem abandonados, 
apresentam sentimento crônico de vazio e são comuns os atos e ameaças suicidas. 
Como é Realizado o Diagnóstico? 
O diagnóstico é clínico. E, segundo o DSM-5, (Manual de Diagnóstico e Estatísticas de Doenças 
Mentais) os critérios para o diagnóstico são 5 ou mais dos seguintes: 
1. Esforços desesperados para evitar abandono real ou imaginado. 
2. Um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos caracterizado pela 
alternância entre extremos de idealização e desvalorização. 
3. Perturbação da identidade: instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou da 
percepção de si mesmo. 
4. Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas (p. ex., gastos, 
sexo, abuso de substância, direção irresponsável, compulsão alimentar). 
5. Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento 
automutilante. 
6. Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade de humor 
7. Sentimentos crônicos de vazio. 
8. Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la. 
9. Ideação paranoide transitória associada a estresse ou sintomas dissociativos intensos. 
Como é Realizado o Tratamento? 
O que é mecanismo de defesa 
O psiquiatra deve compreender as defesas subjacentes do paciente, os processos mentais 
inconscientes usados para resolver conflitos entre os quatro princípios-guia da vida interior: 
instinto (desejo ou necessidade), realidade, pessoas importantes e consciência. Nos indivíduos 
com transtornos da personalidade, as defesas podem abolir a ansiedade e a depressão no nível 
consciente. Assim, abandonar uma defesa aumenta a consciência de ansiedade e depressão que 
estão entre os maiores motivos pelos quais indivíduos com transtornos da personalidade relutam 
em alterar seu comportamento. 
Psicoterapia 
Terapia dialético-comportamental: terapia desenvolvida especificamente para manejo de 
pacientes com TBP. Com terapeuta e com abordagens individuais, o paciente desenvolve 
habilidades para confrontar e lidar com os impulsos e as emoções volúveis que eles sentem. 
Farmacoterapia 
Pode ser usada no manejo de características específicas do transtorno. Como os antipsicóticos 
para controlar raiva, hostilidade e episódios psicóticos breves. Antidepressivos melhoram o humor 
deprimido comum em indivíduos com transtorno da personalidade borderline. Inibidores da MAO 
(IMAOs) modular com sucesso o comportamento impulsivo em alguns pacientes. 
Autores, revisores e orientadores 
Liga: Liga Acadêmica de Psiquiatria do DF: LIPSI – DF – @lipsi.df 
Autora : Ana Luiza Antony Gomes de Matos da Costa e Silva – @analuizantony 
Revisor(a): Vinicius Uler lavorato 
Orientador(a): Dra Lais da Silva Gonçalves 
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar 
sobre o assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de Ligas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
Referências 
https://www.sanarmed.com/members/lipsi-df
https://www.instagram.com/lipsi.df/
https://www.instagram.com/analuizantony/
KAPLAN, HI. & SADOCK, B. Compêndio de Psiquiatria. 11ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 
2017 
Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5 / American Psychiatric 
Association: Porto Alegre : Artmed, 2014. 
Casos clínicos em psiquiatria / Toy, Klamen – 4. ed.. – Porto Alegre : AMGH, 2014 
 
 
Caso Clínico: Transtorno de Personalidade Paranoide | Ligas 
Uma mulher de 27 anos procura o psiquiatra devido a intensos e constantes conflitos com 
familiares, amigos e colegas de trabalho. Ela alega que todos ao seu redor estão sempre 
tentando enganá-la e prejudicá-la. Apresenta forte desconfiança sobre todos que a cercam e até 
mesmo pelo próprio psiquiatra. Relata ser perseguida no trabalho e na sua própria casa por seus 
pais e irmã. 
Identificação 
J. C. S., 26 anos, natural de São Paulo – SP , analista de sistema do banco do brasil, branca, 
solteira, formada em ciência da computação. 
Queixa Principal 
“Dificuldade de interação social” há 2 anos 
História da Doença Atual 
Paciente relata que há 2 anos começou a ter dificuldades em suas relações pessoais que foram 
se intensificando com o tempo. Afirma ter notado piora nos últimos 6 meses e que por isso 
resolveu procurar o médico. Relata uma forte desconfiança por todos ao seu redor e afirma ser 
perseguida no trabalho e em casa. Afirma ter se afastado da maioria de seus amigos pois os 
mesmo não queriam ver o seu sucesso profissional e nem alavancar sua autoestima. Relata que 
é perseguida no trabalho e que as pessoas ao seu redor fazem tudo para prejudica-la, atrasando 
prazos de entrega e sendo pouco colaborativos nas tarefas coletivas. Em casa ela diz que é 
sobrecarregada para ajudar em muitas tarefas sendo que é sempre criticada por seus pais e irmã. 
Relata já ter sido encaminhada a outros psiquiatras por seu programa de assistência ao 
empregado devido a constantes conflitos no trabalho e por pedido de sua família e amigos mas 
que acredita que todos fazem isso por ter inveja de seu trabalho. Além disso, alega não confiar 
nesses profissionais e achar que estão todos querendo chamá-la de “louca”. 
Antecedentes pessoais, familiares e patológicos 
Antecedentes fisiológicos 
Nascida de parto natural, sem nenhuma intercorrência durante a sua gestação. Afirma ter feito 
pré-natal e nega o uso de álcool ou substâncias ilícitas durante a sua gravidez, sendo que juliana 
foi a primeira filha do casal de uma gravidez planejada e muito aguardada. Nascida a termo em 
parto realizado no hospital. Começou a andar por volta de um ano e a falar por volta de um ano e 
6 meses. Teve um bom desenvolvimento escolar e sempre obteve bons resultados em todas as 
disciplinas. Menarca com com 12 anos e teve sua primeira relação sexual aos 16 anos. Relata ter 
o ciclo menstrual regular e nega qualquer gestação até o momento. 
Antecedentes patológicos 
Relata ter tido catapora, caxumba e sarampo durante a infância. Faz uso de anticoncepcional. 
Nega internações anteriores, cirurgias ou possíveis traumas ósseos. Nega alergias, transfusões 
sanguíneas. Nega internações psiquiátricas pregressas. Nega tabagismo e uso de drogas e 
afirma beber pouco em ocasiões especiais. 
Antecedentes familiares 
Nega doenças genéticas hereditárias, casos de câncer, infarto, hipertensão, diabetes, epilepsia, 
anemias e tuberculose na família. Possui mãe, pai e irmã vivos. 
Personalidade pré mórbida : Relata que até os 25 anos apresentava uma boa rede de amigos e 
namorado. Sem oscilaçõesde humor, sempre bem disposta e alegre. 
Antecedentes sociais 
No bairro em que mora há rede de esgoto, água encanada, energia, internet e uma boa rede de 
apoio. Mora com seus pais e irmã em um apartamento de 4 quartos. Possui uma boa condição 
financeira. Afirma ter uma ótima condição socioeconômica. Relata uma convivência difícil com 
seus pais e irmãs pois os mesmo são muito críticos e constantemente a perseguem e fazem 
acusações injustas. Não apresenta bom grau de sociabilidade, negando ter muitas atividades de 
lazer ou atividades sociais. Possui Segundo grau completo e pós graduação em análise de 
sistema. Trabalha como analista de sistema no Banco do Brasil. 
Exame físico 
Aparência: Apresenta modo de andar alerta, está com vestimenta formal com acessórios e 
maquiagem. Boa higiene pessoal, cabelos arrumados. 
Postura e atitudes na situação do exame: Está desconfiada e um pouco nervosa. Se apresenta 
bastante vigilante e olhava fixamente para o entrevistador. Pede esclarecimentos sobre as 
perguntas, indagando sempre “ o que você quer insinuar com isso?” ou “ para que tantas 
perguntas?”. Apresenta bom humor e afeto tenso, parecendo sempre desconfiada e pouco à 
vontade. Os processos e o conteúdo de pensamento do paciente estão dentro dos limites 
normais. 
O exame físico apresenta-se normal. 
Suspeita diagnóstica 
Transtorno de personalidade paranoide 
Diagnóstico 
Caracteriza-se o quadro da paciente em questão como um transtorno de personalidade paranoide 
devido a presença de forte suspeita, sem base suficiente, de que os outros estão explorando, 
prejudicando ou enganando a paciente. A presença de relatos com dúvidas injustificadas sobre a 
lealdade ou confiabilidade de amigos, colegas de trabalho e familiares. Além disso, nota-se a 
hipervigilância e descarta-se outros transtornos psiquiátricos como esquizofrenia, transtornos 
Psicóticos e condições médicas gerais. 
Discussão do caso 
O que é isso? 
O transtorno de personalidade paranoide se caracteriza por uma intensa desconfiança 
e suspeitas injustificadas. Os indíviduos com esse transtorno têm uma tendência a interpretar as 
ações dos outros como sendo maldosas e maliciosas. Acreditam que todos querem enganá-los e 
prejudicá-los mesmo quando não há justificativa suficiente para esses sentimentos. 
Quais os outros prováveis diagnósticos? 
Esquizofrenia, transtorno delirante ou transtorno da personalidade borderline (TPB). Se 
diferenciam daqueles com esquizofrenia e transtorno delirante pois não apresentam sintomas 
psicóticos como delírios fixos e alucinações. Apesar da similaridade com pacientes de com 
transtorno da personalidade borderline pelas explosões de raiva em relação aos outros, aqueles 
com transtorno da persolidade paranoide dificilmente apresentam outras características presentes 
em indíviduos com TPB, como o envolvimento em múltiplos relacionamentos tumultuados ou 
sentimentos de vazio e tristeza profunda. 
Como é feito o diagnóstico? 
O diagnóstico é clínico e, segundo o DSM-5 (Manual de Diagnóstico e Estatísticas de Doenças 
Mentais) a recomendação é que esse transtorno seja representado e diagnosticado por meio de 
uma combinação de prejuízos no funcionamento da personalidade e por traços de personalidade 
específicos como desconfiança, esquiva de intimidade, hostilidade e crenças incomuns. Sendo 
Qual o tratamento? 
O tratamento é feito com terapia cognitivo-comportamental baseada em uma relação de confiança 
entre médico e paciente. Além disso, em alguns casos isolados pode-se fazer uso de alguns 
medicamentos para o tratamento de sintomas ou crises como antidepressivos ou antipsicóticos 
atípicos prescritos para tratar sintomas específicos. 
Conclusão 
Os pacientes com transtorno da personalidade paranoide apresentam extrema desconfiança para 
com todos que o cercam e acreditam sempre que todos ao seu redor agem com maldade e 
malícia. Sendo que as principais características da personalidade paranoide são: desconfiança, 
esquiva de intimidade, hostilidade e crenças incomuns. 
Para o tratamento de pacientes com transtorno da personalidade paranoide é importante manter 
a discrição, sem tentar ser muito íntimo nem muito amigável, e estabelecer uma relação de 
confiança. 
O diagnóstico diferencial deve ser feito com Esquizofrenia e Transtorno Delirante sendo que a 
principal diferentes entre eles é o transtorno de personalidade paranoide é a presença de 
ideações paranoides e delírios paranoides nos dois primeiros. 
Autores e revisores 
Liga: Liga acadêmica de psiquiatria do Distrito Federal – LIPSI-DF – @lipsi.df 
Autor: Maria Luiza Felipe Rocha Mello 
Revisor: Ana Luiza Silva Teles 
Orientador: Dra Lair Gonçalves dos Santos 
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar 
sobre o assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de Ligas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
Referências 
Transtorno de personalidade paranoide. Uma revisão. 
– https://www.priory.com/psych/para1099.html 
Casos clínicos em psiquiatria – 1. Psiquiatria. I. Klamen, Debra. II. Título. 
 
https://www.priory.com/psych/para1099.html
Caso Clínico: Transtorno de Pânico | Ligas 
Identificação do paciente 
L.G.F., 30 anos, brasileiro, estudante universitário e funcionário da rede privada, branco, 
heterossexual, de origem católica, solteiro. 
Queixa principal 
O paciente apresentava as seguintes queixas: sentia-se deprimido; com um cansaço constante e 
excessivo (físico e mental); irritabilidade; dores de tensão na nuca e na cabeça; taquicardia e falta 
de ar; mudança no estado de ânimo sem razão aparente; relato de medo da morte; medo de sair 
de casa; acessos de nervoso e descontrole emocional, relato de sensação de pânico. 
História da doença Atual (HDA) 
Paciente apresentou início dos sintomas aos 13 anos, relatou crise nervosa, dispneia e sensação 
constante de medo na realização das atividades normais, evoluindo com piora clínica aos 19 anos 
ao apresentar fobia social e apatia. Atualmente refere intensificação dos sintomas, além de 
irritabilidade, dificuldade de concentração, com impacto nas atividades laborais e uma sensação 
eminente de morte (com duração média de 10 à 15 minutos) ao realizar atividades cotidianas, 
como sair de casa. 
Queixa-se de dores crônicas na cabeça, nos músculos intercostais, nos seios nasais e nas órbitas 
oculares. Apresenta também um cansaço constante associado a falta de ar, tremor e sudorese 
excessiva nos membros. 
Já fez uso de fluoxetina, clomipramina e cloridrato de trazodona, sem eficácia clínica. Além disso, 
já fizera tratamento com psicanalista clínico, durante o período de 15 meses, sem relato de 
melhora. A família o descreve como impulsivo, com dificuldade de se relacionar e instável. 
Antecedentes pessoais, familiares e sociais 
O paciente relata falecimento da mãe aos 52 anos, devido a neoplasia cerebral, resultando em 
piora do quadro clínico do paciente e afastamento do restante do núcleo familiar, composto pelo 
pai, irmão gêmeo e irmã mais velha. 
Antecedentes fisiológicos e patológicos sem alterações em saúde física. À avaliação minuciosa, 
apresenta-se com sintomas evidentes de ansiedade, melancolia, porém sem ideação suicida. 
Relata insônia e episódios de sono agitado e descontínuo (insônia de manutenção), sensação de 
medo contínua, falta de libido e inapetência. 
Sem relato de drogas ilícitas, cessou tabagismo aos 26 anos, carga tabágica de 8 maços-ano, 
não faz uso de álcool e oscila entre dias de desânimo e quadros de compulsão por atividades 
físicas e baixo consumo nutricional. 
Exame físico 
Exame físico completo sem alterações 
Suspeitas diagnósticas 
• Depressão 
• Transtorno de Ansiedade• Transtorno de Pânico 
Diagnóstico 
Apesar de preencher critérios clínicos tanto para depressão maior como para transtorno de 
ansiedade, é possível inferir que a sensação constante de medo, os relatos dores crônicas, a falta 
de ar e a agorafobia estão associados a Síndrome do Pânico. 
De acordo com o DSM-V, no Transtorno de Pânico (TP), o indivíduo apresenta um padrão 
instável com ataques de pânicos recorrentes e inesperados, associados ao medo e ao 
desconforto intenso, que estão presentes em uma variedade de contextos, partindo de um estado 
calmo ou de um estado ansioso, alcançando o pico em minutos, durante o qual ocorrem 4 ou 
mais sintomas físicos e cognitivos dos critérios citados abaixo. 
1. Medo de morrer 
2. Medo de enlouquecer ou de perder o controle 
3. Sensações de irrealidade, estranhamento (desrealização) ou desligamento de si mesmo 
(despersonalização) 
4. Dor ou desconforto no peito 
5. Tontura, sensação de instabilidade ou de desmaio 
6. Sensação de sufocação 
7. Ondas de calor ou calafrios 
8. Náuseas ou desconforto abdominal 
9. Sensações de anestesia ou parestesia 
10. Palpitação ou aceleração da frequência cardíaca 
11. Sensação de falta de ar ou asfixia 
12. Sudorese 
13. Tremores 
Para o diagnóstico o(s) ataque(s) deve ter sido seguido das seguintes características: 
• Apreensão persistente acerca de ataques de pânico adicionais ou sobre suas 
consequências, como a perda de controle física e emocional. 
• Mudança comportamental significativa com o intuito de evitar os ataques de pânico, como 
a esquiva de atividades físicas, entre outros. 
Além dessas características a perturbação não deve ser consequência dos efeitos de uma 
substância (drogas de abuso e medicamentos) ou de outra condição médica (hipertireoidismo, 
doenças cardiopulmonares). 
Discussão do caso de Transtorno de Pânico 
1. O que é o Transtorno de Pânico? 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V) define o Transtorno de 
Pânico é a ocorrência de ataques de pânico repetidos e intensos, acompanhados de sensação de 
mal-estar, medo de mudanças comportamentais e até mesmo de outros ataques, fazendo com 
que o paciente evite situações que possibilitem a recorrência desse quadro. A crise estabelece 
seu pico em alguns minutos, acarretando intenso sofrimento psíquico. 
2. Quais os prováveis diagnósticos? 
Transtorno de Pânico. 
De acordo com o DSM-V o Transtorno de Pânico está associado ao relato de 4 ou mais sintomas 
dos 13 característicos, além de sintomas específicos de cada paciente, tais eventos devem estar 
em conjunto com uma mudança comportamental em virtude do medo dos quadros de pânico e 
não associados a outras patologias clínicas que causem a sintomatologia. Além disso, o TP pode 
acontecer em conjunto com a agorafobia. 
3. Qual o tratamento adequado para o Transtorno de Pânico? 
Atualmente, o tratamento mais adequado para esses transtornos é a abordagem multidisciplinar, 
com destaque para associação entre a psicoterapia e o tratamento farmacológico dos sintomas – 
como a sensação de medo constante, a apatia para as tarefas cotidianas, o humor deprimido e os 
ataques repentinos de pânico. Assim, é possível prescrever antidepressivos associados a 
benzodiazepínicos. A psicoterapia focada na terapia cognitivo-comportamental e na terapia de 
exposição são os que demonstram maior eficácia no que diz respeito à psicologia. 
4. Qual é o prognóstico do caso? 
Apesar de serem transtorno de ocorrência crônica com oscilações, como relatado pelo paciente, o 
tratamento continuado com a psicoterapia e o uso correto dos fármacos tende a uma melhora 
significativa da qualidade de vida. 
Conclusão 
Haja vista a sintomatologia multifatorial e os efeitos físicos e psíquicos abordados, torna-se 
evidente a importância do tratamento multidisciplinar, contando com médico psiquiatra e 
psicólogo, com o intuído de reinserir o paciente no ambiente social, além de oferecer mecanismos 
para lidar com os ataques de pânico e, até mesmo, evitá-los. 
Temos como principais aprendizados do caso: 
• O Transtorno de Pânico causa grande sofrimento devido ao contínuo convívio com o medo 
levando o paciente a um distanciamento social exagerado. 
• O tratamento multidisciplinar é indispensável para a tranquilização do paciente e para a 
educação em saúde no que tange ao convívio com a ansiedade. 
• Apesar da cronicidade, o tratamento para o Transtorno de Pânico ajuda a controlar os 
sintomas e assim, melhora a qualidade de vida do paciente. 
Autores, revisores e orientadores: 
Liga: Liga Acadêmica de Saúde Mental – @liasmeunesaju 
Autora: Gabrielle Barros – @gabi_barros 
Revisor: Marcelo Pontes P. Bastos- @mppbastos 
Orientadora: Dra Fátima Vasconcellos 
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar 
sobre o assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de Ligas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
Referências 
AMADERA, G. D. Síndrome de Burnout foi reconhecida como uma doença pela OMS na CID-
11? KIAI.med.br, São Paulo, 15 jun. 2019. Disponível em: https://kiai.med.br/sindrome-de-
burnout-sintomas-tratamento-cid/#Origem-da-Sindrome-de-Burn-out%20. Acesso em 3 abr. 2021. 
BARNHILL, J. W. Ataque e Transtorno de Pânico. Manual MSD, Nova Jérsei, jul 2018. Disponível 
em: https://www.msdmanuals.com/pt-br/profissional/transtornos-psiquiátricos/ansiedade-e-
transtornos-relacionados-a-estressores/ataques-e-transtorno-de-pânico#v1025504_pt. Acesso 
em: 03 abr. 2021. 
CARVALHO, F. L. Síndrome do pânico: uma psicopatologia contemporânea. Trabalho de 
Conclusão de Curso (Pós-Graduação em Psiquiatria). 2011. Curso de Especialização em 
Psiquiatria. Universidade Estácio de Sá, Recife, 2011. Disponível em: 
http://www.saude.mt.gov.br/upload/documento/104/sindrome-do-panico-uma-psicopatologia-
contemporanea-[104-071011-SES-MT].pdf. Acesso em: 3 abr. 2021. 
LEVITAN, M. N. et al. Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento do transtorno 
de ansiedade social. Rev. Bras. Psiquiatr., São Paulo, v. 33, n. 3, p. 292-302, 
Sept. 2011. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516-
44462011000300014&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 03 abr. 2021. SALUM, G. A.; BLAYA, C.; 
MANFRO, G. G. Transtorno do Pânico. Rev. Psiquiatr. Rio Gd. Sul, Porto Alegre, v. 31, n. 2, p. 
86-94, 2009. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-
81082009000200002&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 3 abr. 2021. 
 
Caso clínico ambulatório de psiquiatria: Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) | Colunistas 
Paciente do sexo feminino, 40 anos, procedente de Jaboatão dos Guararapes, parda, 
alfabetizada, divorciada, mãe, atualmente desempregada chega ao ambulatório de psiquiatria. 
Queixa Principal e Duração: 
Sua queixa principal é tremedeira na boca e nas extremidades além de insônia, há alguns 
meses(paciente não lembra com clareza). 
Antecedentes: 
A paciente refere ter diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar, sente rotineiramente falta de 
ânimo para realizar atividades diárias e atividades instrumentais, diz que esse quadro ocorre 
desde sua infância e na época utilizava fenobarbital(Gardenal), o quadro só piorou na 
adolescência, na qual ela teve diversas crises, precisando ser internada 10 vezes em hospitais 
psiquiátricos, nessas crises ela costumava deixar de comer, deixar de tomar banho e deixar de ir 
para escola, além de ficar agitada, nervosa, com insônia, logorreia (de acordo com a paciente 
falando muito, além disso, costumava se despir durante as crises, e foi justamente devido a essas 
crises que ela não conseguiu trabalhar mais, seu marido divorciou dela e seu filho não mora mais 
na mesma casa.Paciente refere já ter pensado, planejado e realizado uma tentativa de suicídio (essa tentativa 
ocorreu durante a gravidez), refere que, na infância sofreu abandono materno, sendo criada por 
familiares, e na adolescência/idade adulta viveu em situação de rua, onde foi abusada 
sexualmente, refere também ter histórico positivo de transtorno afetivo bipolar na família, 
atualmente usa os seguintes medicamentos: 
• Ácido valpróico pela noite; 
• Biperideno, manhã e noite; 
• Haloperidol, manhã e noite; 
• Quetiapina, manhã e noite; 
• Diazepam, noite; 
Por fim, refere ser ex-tabagista e ter comorbidade prévia de hipertensão arterial sistêmica e 
diabetes mellitus tipo 2. 
Hipótese Diagnóstica: 
Transtorno afetivo Bipolar. CID — F31 
Conduta: 
A conduta tomada para essa paciente foi potencializar o estabilizador de humor, aumentando a 
dose do ácido valpróico e diminuir a dose dos demais medicamentos, devido à polifarmácia, em 
especial a remoção do haloperidol, antipsicótico, essa redução deve ser feita escalonadamente e 
não de forma brusca, dessa forma as medicações em uso ficaram: 
• Ácido valpróico, manhã e noite (1-0-1); 
• Haloperidol, noite (0-0-1); 
• Biperideno, manhã e noite (1-0-1); 
• Quetiapina, manhã e noite (1-0-1); 
• Diazepam, noite (0-0-1); 
As receitas dos medicamentos foram renovadas e por fim exames foram solicitados, dentre eles: 
Hemograma, VDRL, anti-HIV, TGO, TGP, Bilirrubina total e frações, uréia e creatinina, 
sódio(Na+), potássio(K+), cálcio (Ca²+), Colesterol total e frações, triglicerídeos, e o retorno 
agendado para 1 mês. 
Revisão de Literatura + Reflexão: 
O transtorno afetivo bipolar é caracterizado por episódios antagônicos de mania e depressão 
(quadros de euforia e de tristeza), eles podem ocorrer de forma alternada ou então com um 
predomínio maior de um dos dois, pacientes mais maníacos ou mais depressivos. 
Atualmente estima-se que 2% da população mundial possui essa doença e a faixa etária de 
prevalência é entre 10 e 40 anos, além disso, não existe nenhum estudo populacional robusto 
que indique um maior acometimento em homens ou mulheres, a doença costuma se dividir 
igualmente em ambos os sexos. 
Ademais, o TAB tem forte fator genético, estima-se que pacientes com familiares de 1º grau 
diagnosticados têm 10 vezes mais chances de também desenvolver a doença, outrossim, 
pacientes que apresentam sintomatologia desde cedo (infância ou adolescência), pacientes com 
histórico de uso de substâncias e pacientes com comorbidades psiquiátricas ou tendências 
suicidas têm um prognóstico piorado. 
O TAB pode ser classificado em 3 tipos: 
O tipo I, caracterizado por episódio de mania grave seguido ou não por episódios depressivos 
(podendo ocorrer o quadro recorrente, no caso episódios de mania distintos um do outro, 
diferença de no mínimo 2 meses de um para o outro), nesses pacientes torna-se impossível o 
diagnóstico da doença no período depressivo, pois o quadro clínico é mimético ao da depressão 
maior. 
O tipo II, se caracteriza pela presença, principalmente de episódios depressivos, podendo ocorrer 
também episódios de hipomania, episódios maníacos são muito raros. 
A ciclotimia, por sua vez, é o quadro bipolar por mais de 2 anos, aqui os sintomas alternam entre 
depressão e hipomania (semelhante ao transtorno bipolar do tipo II). 
O quadro clínico desses pacientes 
Episódios depressivos que se caracterizam principalmente por alterações de humor com 
pessimismo desesperança e tristeza considerável, sentimento de menos valia e inutilidade além 
de anedonia, lentificação do pensamento, perda de apetite, alteração do sono, 
Por sua vez, o episódio maníaco é o completo oposto, muitas vezes as pessoas em volta acham 
até benéfico aquele estado, pois o paciente se torna ativo, eufórico, expansivo, tem aceleração de 
pensamento, mania de grandiosidade, e algumas vezes são até disfóricos, são incansáveis, 
gostam de atividades de alto risco (esportes radicais, jogos de azar) e podem até em quadros 
mais graves apresentar alucinação ou delírio normalmente de natureza de grandiosidade, poder 
ou religião. 
É válido ressaltar também a hipomania, um quadro mais brando da mania (em temporalidade e 
intensidade dos sintomas), normalmente não cursa com sintomas psicóticos como os quadros 
maníacos, mas pode cursar com excesso de energia, insônia e comportamento 
hiperssexualizado. 
Diagnóstico 
O diagnóstico é exclusivamente clínico seguindo os critérios do DSM-5, é vital a diferenciação 
entre os tipos de transtorno bipolar além de diferenciar de outros distúrbios psiquiátricos como, 
depressão maior, distimia, esquizofrenia dentre outras. 
O Tratamento consiste no uso de medicações para o controle dos episódios maníacos ou 
depressivos agudos e para prevenção de novos quadros, isso vai ser feito a partir do uso de 
medicações conhecidas como estabilizadores de humor. 
Tratamento 
O tratamento de primeira linha é feito com o Lítio ou ácido valpróico, outras medicações usadas, 
mas não tão recomendadas são, carbamazepina, topiramato e antipsicóticos, contudo essas 
apresentam diversos outros efeitos colaterais e não trazem uma resposta tão gratificante (mesmo 
que, no Brasil ainda os consideram primeira linha de tratamento). 
Recomenda-se como tratamento de base a monoterapia com o lítio ou com o valproato, e com a 
dose do remédio sendo otimizada, de forma individualizada, de acordo com a resposta 
terapêutica de cada paciente. 
Para episódios maníacos recomenda-se principalmente o lítio e para episódios depressivos e/ou 
hipomaníacos o uso do ácido valpróico mostra melhor resultado. 
A segunda linha de tratamento atualmente consiste na associação dos estabilizadores de humor 
com medicamentos antidepressivos, em especial os ISRS, segundo protocolos como o CANMAT. 
Além disso, o paciente deve ser desencorajado a fazer uso de álcool, cigarro, cafeína e outras 
drogas, licitas ou ilícitas e deve ser estimulado a praticar exercícios físicos regulares e ter 
acompanhamento psicoterápico, de preferência, na modalidade TCC 
Por fim, é possível notar as características da doença no caso clínico trazido acima, a paciente 
tinha quadros depressivos e maníacos (nos quais, quando estava em crise precisava ser 
internada). Atualmente, o TAB vem sendo tratado com estabilizadores de humor, no caso da 
paciente o ácido valpróico, contudo é visível uma clara iatrogenia devido à quantidade de 
medicações receitadas para ela, muitas dessas desnecessárias, inclusive sendo responsáveis 
pela QPD da paciente. 
Dessa forma, a necessidade de um ajuste terapêutico se mostrou necessário, esse deve ser feito 
gradualmente com o desmame parcial das medicações para acabar com a polifarmácia. 
Referências: 
1) CANTILINO, Amaury; MONTEIRO, Dennison C. Psiquiatria clínica. [Rio de Janeiro – RJ]: 
MedBook Editora, 2017 
O texto é de total responsabilidade do autor e não representa a visão da sanar sobre o 
assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de colunistas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
 
Caso Clínico: Balística Forense | Ligas 
Identificação do paciente 
R.F.C, masculino, 23 anos, solteiro, pardo, natural de Araguaína-TO, desempregado, religião 
desconhecida, ensino médio incompleto. 
Queixa principal 
Paciente encontrado em via pública 
História da Doença Atual (HDA) 
Corpo conduzido ao IML após ser encontrado em via pública ás 05:00 horas dessa manhã. Foi 
encontrada lesão perfurocontusa em região frontal do crânio, apresentando forma circular com 
bordas invertidas e com orla de escoriação, contusão e enxugo. 
História Patológica Pregressa: não consta em prontuário 
História Patológica Familiar: não consta em prontuário 
História Fisiológicae Social: usuário de drogas ilícitas, sem moradia fixa, com vasta ficha 
policial. 
Exame físico 
• Cabeça: lesão perfurocontusa em região frontal do crânio, com forma circular, bordas 
invertidas, orla de escoriação, contusão e enxugo. Não foi encontrado orifício de saída. 
• Dorso e membros: apresenta tatuagem em dorso e panturrilha direita. 
Fonte: 
https://production.s3.amazonaws.com/slides/materiais_de_apoio/8852/f8c3d20628cb8e55c8dd8df
ec37d57620b329eb6.pdf 
Suspeita diagnóstica 
Lesão por PAF por disparo a curta distância, lesão por PAF por disparo a longa distância. 
Exame complementar 
Necropsia. 
Diagnóstico 
Devido as características da lesão, como ser perfurocontusa, com forma circular, bordas 
invertidas, orla de escoriação e orla de enxugo (rotação do projétil e retirada de resíduos da 
combustão), podemos ter certeza de que se trata de uma lesão por PAF (projétil de arma de fogo) 
por disparo a distância. 
Discussão do caso 
Já que no caso supracitado foram reveladas as características de uma lesão por PAF por disparo 
a distância, quais seriam as características do de curta distância? 
As lesões por PAF no disparo de curta distância também vão apresentar os elementos já citados, 
porém além deles irão também acarretar zona de chamuscamento (sinal deixado pela chama, 
pele queimada), zona de esfumaçamento (sinal deixado pela pólvora que entrou em combustão – 
falsa tatuagem) e/ou zona de tatuagem (sinal deixado pelo resíduo de pólvora). 
 
Fonte: CROCE, Delton Junior. Manual de Medicina Legal. 7 ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 
345. 
Conclusão 
Com esse caso pode-se agregar o conhecimento básico sobre como diferenciar lesões por PAF 
de curta e longa distância. 
Revisores e orientadores 
Liga: Liga de Medicina Legal – LML – @medicinalegalitpac 
Autor(a) : Gabrielle Rosado Costa – @ gabriellercosta* 
Revisor(a): Valéria Felix da Rocha – @valeria_felix* 
Orientador(a): Ricardo Russi Blois – @rrbois * 
O texto acima é de total responsabilidade do(s) autor(es) e não representa a visão da sanar 
sobre o assunto. 
Observação: esse material foi produzido durante vigência do Programa de Ligas Sanar. A 
iniciativa foi descontinuada em junho de 2022, mas a Sanar decidiu preservar todo o histórico e 
trabalho realizado por reconhecer o esforço empenhado pelos participantes e o valor do conteúdo 
produzido. 
 
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Referências 
CARDOSO, Leonardo Mendes. Noções de Balística, Lesões por PAF e Armas Brancas. In: 
LEONARDO MENDES CARDOSO. Médico Legista – Preparatório para concurso. 2. ed. 
Salvador: Sanar, 2020. Cap. 9. p. 365-375. 
 
CROCE, Delton Junior. Manual de Medicina Legal. 7 ed. São Paulo: Saraiva, 2010, p. 345. 
 
 
https://www.sanarmed.com/resumo-de-sexologia-forense-estupro
https://www.sanarmed.com/assistencia-a-paciente-vitima-de-violencia-sexual-colunistas
https://www.sanarmed.com/residencia-medica-em-medicina-legal-e-pericia-medica-ligas
https://www.sanarmed.com/livros-de-medicina-legal-quais-sao-os-melhores

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