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DESENVOLVIMENTO
MOTOR E PSICOSSOCIAL
2
MÓDULO
THAYNÃ ALVES BEZERRA
ESTA PUBLICAÇÃO NÃO PODE SER 
CO
M
ER
CI
AL
IZ
AD
A
Copyright @ 2025 by Fundação Demócrito Rocha
Presidente
Luciana Dummar
Diretor Administrativo-Financeiro
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Gerente-Geral
Marcos Tardin
Gerente Educacional
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Fabrícia Gois
Coordenadora de Operações
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Analista de Contas
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Analista Financeira
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UNIVERSIDADE ABERTA 
DO NORDESTE – UANE
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Coordenadora de Cursos
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Desenvolvedora Front-End
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MARKETING E DESIGN
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A BOLA DA VEZ: 
ESPORTE E CIDADANIA
Coordenador Geral, Editorial e Revisor
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Coordenador de Conteúdo
Emmanuel Alves Carneiro
Projeto Gráfico e Editora de Design
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Designer Gráfico
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Ilustrador
Rafael Limaverde
Analista de Projetos
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Social Media
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FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA (FDR)
Este fascículo é parte integrante do projeto A Bola da Vez: esporte e cidadania 
(Capacitação em Esporte Educacional), da Fundação Demócrito Rocha, realizado 
através da Lei Estadual de Incentivo ao Esporte, conforme o IV Edital de Projetos 
Desportivos e Paradesportivos - Incentivo ao Esporte Cearense da Secretaria de 
Esportes do Estado do Ceará.
Todos os direitos desta edição reservados à:
Av. Aguanambi, 282/A - Joaquim Távora
CEP 60055-402 - Fortaleza-Ceará
Telefone/WhatsApp: (85) 99183.8515
Fundação Demócrito Rocha
fundacaodemocritorochafdr.org.br
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD
B687 A BOLA DA VEZ Esporte e Cidadania / organizado por 
Emmanuel Carneiro; Ilustrado por Rafael Limaverde - 
Fortaleza : Fundação Demócrito Rocha, 2025.
 96 p. – (A BOLA DA VEZ Esporte e Cidadania ; 6v.)
ISBN: 978-65-5383-148-3 (Coleção)
ISBN: 978-65-5383-150-6 (Módulo 2)
1. Esporte. 2. Educação Física. 3. Ensino. 4. Capacitação. 
5. EAD. I. Fundação Demócrito Rocha. II. Título. III. Série.
 
 2025-474
 CDD 796
 CDU 796
Elaborado por Vagner Rodolfo da Silva - CRB-8/9410
Índice para catálogo sistemático:
1. Esporte 796
2. Esporte 796
Neste módulo, você vai embarcar 
numa jornada para entender como 
nossas habilidades motoras evo-
luem ao longo da vida. Desde os primeiros 
movimentos de um bebê até a prática es-
portiva e o envelhecimento, o desenvolvi-
mento motor é um processo contínuo, 
influenciado por fatores biológicos, am-
bientais e sociais.
Exploraremos teorias clássicas, como 
o “Modelo da Ampulheta”, o “Modelo das 
Restrições” e a “Teoria dos Sistemas Dinâ-
micos”, além de abordar como o desenvol-
vimento motor se relaciona com aspectos 
cognitivos e psicossociais.
Prepare-se para descobrir como corpo 
e mente se conectam no desenvolvimento 
humano! 
Prepare-se, pois essa jornada está ape-
nas começando...
AO FINAL DESTE CAPÍTULO 
ESPERAMOS QUE VOCÊ 
CONSIGA:
• Conhecer os fundamentos do desen-
volvimento motor ao longo da vida;
• Identificar as principais teorias e mo-
delos explicativos do desenvolvimento 
motor, cognitivo e psicossocial;
• Relacionar o desenvolvimento motor 
às fases do desenvolvimento humano;
• Reconhecer a influência de fatores bio-
lógicos, ambientais e da tarefa no com-
portamento motor; e 
• Reconhecer o papel do esporte no apri-
moramento motor e social.
APRESENTAÇÃO
Sumário
APRESENTAÇÃO ............................................................................................................................ 19
1. INTRODUÇÃO AO DESENVOLVIMENTO MOTOR ................................................................. 20
2. TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO MOTOR, COGNITIVO E PSICOSSOCIAL ................... 21
3. ESTRATÉGIAS PARA PROMOVER HABILIDADES MOTORAS 
E COMPETÊNCIAS SOCIAIS POR MEIO DO ESPORTE ......................................................... 28
4. ABORDAGENS INCLUSIVAS PARA ATENDER ÀS NECESSIDADES 
DE TODOS(AS) OS(A) ALUNOS(A) .......................................................................................... 29
CON CLUSÃO ................................................................................................................................. 30
REFERÊNCIAS ................................................................................................................................ 31
Você já parou para pensar como o 
movimento humano se desenvolve? 
E mais, por que é importante conhe-
cermos mais sobre ele?
Pra Começar...
Assista a esse vídeo, QR Code a 
seguir, e depois continuamos a 
nossa conversa:
Parece brincadeira, não é? Mas o estudo 
do desenvolvimento motor é relevante para 
compreender como as capacidades físicas 
e motoras se desenvolvem ao decorrer da 
vida. Como uma área interdisciplinar, o de-
senvolvimento motor foca na formação, 
aperfeiçoamento e preservação das ha-
bilidades motoras das pessoas desde a 
infância até a terceira idade, ou seja, inclui 
desde habilidades cotidianas essenciais 
para a sobrevivência do ser humano até as 
atividades mais específicas, como a prática 
esportiva. É uma área do conhecimento de 
grande relevância para estimular o desen-
volvimento saudável do indivíduo, ofere-
cendo-lhe autonomia e qualidade de vida 
em todas as etapas da vida.
INTRODUÇÃO 
AO DESENVOLVIMENTO MOTOR
1.
E você, conhece o conceito 
de Desenvolvimento Motor? 
O desenvolvimento motor é o jeito como 
aprendemos e melhoramos os movimen-
tos do nosso corpo ao longo da vida. Esse 
processo começa quando nascemos, passa 
pela infância, adolescência e continua até 
o fim da vida. Ele acontece aos poucos e é 
influenciado por vários fatores, tais como 
nossos genes, o nosso corpo e o ambiente 
em que vivemos. Também segue um certo 
padrão, onde aprendemos as habilidades 
motoras em uma ordem mais ou menos 
previsível.
Simplificando, o desenvolvimento mo-
tor é sobre como mudamos e melhoramos 
nossos movimentos de forma consciente, 
com algum propósito/intenção. Isso é in-
fluenciado por quem somos, o lugar onde 
estamos e o que estamos tentando fazer. 
Esse processo acontece por etapas, e as ha-
bilidades do nosso corpo vão mudando e se 
reorganizando ao longo do tempo.
20 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
São diversas as teorias que explicam 
e discutem os fenômenos relacio-
nados à área do Desenvolvimento 
Motor. Selecionamos algumas: 
2.1. Modelo da Ampulheta
Tente lembrar de algum bebê que você 
tenha acompanhado o seu crescimen-
to. Pode ser o(a) seu(ua) filho(a), seu(ua) 
irmão(ã), um(a) vizinho(a) etc. 
Agora, vamos relembrar e identificar 
as fases do desenvolvimento motor dessa 
criança.
a) Fase dos Reflexos (do nascimento 
até 1 ano)
Nesta fase, os movimentos do bebê são 
automáticos e ajudam na sobrevivência. 
Esses reflexos podem ser de dois tipos:
• Reflexos primitivos: como sugar, 
quando precisam mamar ou agarrar, e 
como quando colocamos algo em sua 
mão e ele a fecha.
• Reflexos posturais: que ajudam o 
bebê a começar a controlar o corpo, 
como sustentar a cabeça, sentar-se etc.
b) Fase dos Movimentos Simples (do 
nascimento até 2 anos)
Aqui, os bebês começam a realizar movi-
mentos básicos e aprendem a controlá-los. 
Eles passam por quatro etapas:
• Controle motor: ganham mais con-
trole sobre os músculos.• Estabilização: aprendem a equilibrar 
o corpo.
• Manipulação: começam a segurar e 
mexer os objetos.
• Locomoção: aprendem a se deslocar 
(engatinhar/andar).
c) Fase dos Movimentos Básicos (de 2 
a 7 anos)
As crianças desenvolvem habilidades 
importantes como correr, pular, jogar e 
equilibrar-se. Esses movimentos passam 
por três estágios:
• Inicial: os movimentos são simples e 
ainda desordenados, não correm mui-
to bem ainda, nem conseguem pular 
com segurança.
• Elementar: os movimentos ficam 
mais coordenados.
• Maduro: as crianças realizam os movi-
mentos de forma fluida e eficaz.
TEORIAS 
DO DESENVOLVIMENTO MOTOR, 
COGNITIVO E PSICOSSOCIAL
2.
A Bola da Vez: Esporte e Cidadania (Capacitação em Esporte Educacional) 21
d) Fase dos Movimentos Avançados (a 
partir dos 7 anos)
Nesta fase, as crianças combinam e refi-
nam os movimentos aprendidos para fazer 
atividades mais complexas, como esportes 
ou danças. Ocorrem em três estágios:
• Transitório: começam a aplicar as ha-
bilidades em situações diferentes.
• De aplicação: usam os movimentos para 
tarefas específicas, como jogar futebol.
• De utilização ao longo da vida: con-
seguem usar esses movimentos em di-
versas atividades ao longo da vida.
Cada etapa e estágio traz mudanças 
na forma como nos movimentamos. Essas 
mudanças dependem (1) do nosso corpo, 
(2) do ambiente em que vivemos e (3) das 
atividades que fazemos.
PARA REFLETIR
O nosso desenvolvimento 
depende da relação entre três 
partes principais:
(1) a pessoa, (2) o ambiente 
onde ela vive e (3) as atividades 
que realiza.
Durante a nossa vida, essas 
três partes estão sempre 
conectadas e influenciam o 
nosso crescimento físico, a 
maneira como pensamos, 
sentimos e nos relacionamos 
com os outros, assim como 
a forma como nós nos 
movimentamos.
22 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
Controle Motor de Competência
FASE MOTORA
ESPECIALIZADA
Hereditariedade Ambiente
FASE MOTORA
FUNDAMENTAL
FATORES
FASE MOTORA RUDIMENTAR
FASE MOTORA REFLEXIVA
FATORES
FA
TO
RE
S
AM
BI
EN
TA
IS
INDIVIDUAIS
Para tornar o entendimento dessas fa-
ses mais simples, David Gallahue criou a 
Teoria da Ampulheta, um modelo visual 
que ilustra as mudanças no desenvolvi-
mento motor ao longo da vida. 
A Ampulheta é dividida em três partes 
principais:
1. Porção Inferior: corresponde ao pe-
ríodo da fase motora reflexiva e dos 
movimentos rudimentares. Estes são 
necessários para a sobrevivência e o 
desenvolvimento inicial do bebê;
2. Porção Superior: representa a fase 
de movimentos especializados, nos 
quais as habilidades são refinadas 
para padrões complexos, frequente-
mente relacionados a esportes e ati-
vidades avançadas;
3. Pescoço da Ampulheta: ponto de 
transição entre movimentos rudi-
mentares e fundamentais, no qual ha-
bilidades básicas como correr e saltar 
são desenvolvidas.
Gallahue descreve a relação entre o indi-
víduo, o ambiente e a tarefa. Durante a vida, 
esses fatores estão em constante relação 
com o desenvolvimento físico, cognitivo, 
afetivo e social e o desenvolvimento motor. 
Na prática: Esse modelo serve como 
orientação para práticas pedagógicas na 
escola, na prática de esportes comuns, 
bem como ajuda pais e cuidadores a en-
tenderem o desenvolvimento motor de 
suas crianças e procurar apoio terapêutico 
quando necessário, resultando em um de-
senvolvimento motor saudável.
a ampulheta
Modelo de Desenvolvimento Motor durante o ciclo da Vida de Gallahue
A Bola da Vez: Esporte e Cidadania (Capacitação em Esporte Educacional) 23
2.2. Modelo das Restrições
A Teoria dos Modelos de Restrições, de-
senvolvido por Keith Newell, explica como as 
pessoas se movem, alegando que esse mo-
vimento depende de três fatores que intera-
gem: (1) indivíduo, (2) tarefa e (3) o ambiente.
a) O indivíduo refere-se a própria 
pessoa: todo ser humano possui caracte-
rísticas individuais, como altura, força, ida-
de, níveis de atenção, saúde, entre outras 
que afetam como ela se move. A criança 
pequena, por exemplo, tem braços e per-
nas curtos, então ela pula de forma dife-
rente do adulto; 
b) A tarefa: o que uma pessoa precisa 
fazer, as regras ou objetivos de atividade. 
Jogar basquete, por exemplo, envolve qui-
car a bola enquanto você está correndo, 
mas jogar futebol envolve chutar uma bola 
com os pés. Isso muda a forma como uma 
pessoa movimenta, percebe?
c) O ambiente: tudo em volta, incluindo 
coordenadas espaciais, tipo de solo/piso e 
outras pessoas. Por exemplo, correr na areia 
fofa da praia, assim como correr na beira do 
mar, não é o mesmo que correr em uma 
pista asfáltica, por exemplo, uma vez que é 
mais difícil de se mover, não é? 
FICA A DICA
Quando indivíduo, tarefa 
e ambiente se juntam, 
determinam como uma pessoa 
se move. 
Esta teoria também explica por 
que duas pessoas podem fazer a 
mesma coisa, mas de maneiras 
diferentes. Dois jogadores de 
basquete, um com altura e força 
e outra com outra altura e outra 
força, também arremessam 
a bola ao cesto de formas 
diferentes.
24 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
A Teoria dos Sistemas Dinâmicos explica 
como coisas complicadas, como nossos mo-
vimentos, acontecem de maneira organiza-
da, mesmo sem ninguém dando ordens. 
Essa teoria demonstra que a forma 
como nos movemos depende de como o 
corpo, o ambiente ao nosso redor e a tarefa 
que estamos fazendo interagem entre si.
Alguns conceitos importantes dessa teoria:
• Auto-organização: o nosso corpo tem 
a capacidade de se organizar sozinho. 
Por exemplo: se você pisa em algo es-
corregadio, seu corpo se ajustará rapi-
damente para impedir que você caia, 
sem que você precise decidir conscien-
temente que tem que fazer qualquer 
coisa para não cair; 
• Estabilidade e Instabilidade: algu-
mas vezes, estamos numa situação 
estável, parados, mas pequenas mu-
danças podem tirar-nos dessa esta-
bilidade. Por exemplo, se alguém nos 
empurrar de leve, poderemos recu-
perar a estabilidade nos movendo de 
volta. Por outro lado, se o empurrão for 
forte o suficiente, nós podemos “per-
der o equilíbrio” e precisar “descobrir 
uma maneira de adquirir estabilidade”, 
como dar alguns passos para um lado 
ou outro evitando a queda;
• Atratores: são como caminhos prefe-
ridos que o corpo segue em movimen-
tos. Por exemplo, ao tentar aprender 
a andar de bicicleta, nós buscamos 
vários métodos de pedalar e manter o 
nosso equilíbrio, mas com o tempo e a 
prática, o corpo acaba por “aprender” 
a forma natural e eficiente de fazê-lo. 
Essa forma mais eficiente é o “atrator”;
• Transições: são mudanças repentinas 
no nosso padrão de movimento. 
Um exemplo é quando, por fim, 
uma criança aprende a andar, após 
tentativas instáveis. Ou seja, de repente 
ela consegue se equilibrar para cami-
nhar de maneira firme. É uma “transi-
ção”;
• Variabilidade e Flutuações: quando 
fazemos alguma ação específica vá-
rias vezes, o nosso corpo não se move 
da mesma maneira em todas elas. Por 
exemplo, mesmo caminhando, nossos 
passos não são idênticos, mas isso é 
normal e saudável. Se começamos 
a andar de modo diferente, pode ser 
um indício de que estamos mudando, 
como um novo padrão de movimento, 
ou que temos sinais de algum proble-
ma que precisa ser corrigido;
• Não-Linearidade: nem sempre as coi-
sas obedecem a ordem “causa e efeito 
simples”. Algo simples pode arruinar ou 
mudar tudo. Por exemplo, um peque-
no ajuste na postura durante a corrida, 
pode refletir em excelentes desempe-
nhos. Por outro lado, um dia de treina-
mento intenso pode não ser suficiente 
para promover grande desempenho, a 
não ser que seja repetido várias vezes.
2.3. Teoria dos Sistemas Dinâmicos
A Bola da Vez: Esporte e Cidadania (Capacitação em Esporte Educacional) 25
Pra Começar...
Para facilitar a sua 
compreensão, acesse:
Para avançarmos no entendimento no 
Desenvolvimento Motor é preciso enten-
der que ele e o Desenvolvimento Cogniti-
vo andam juntos. 
Corpo e mente são um só!
2.4. Teoria doDesenvolvimento Cognitivo 
de Jean Piaget
Jean Piaget, psicólogo suíço, desenvolveu 
uma teoria do desenvolvimento cognitivo 
dividida em quatro estágios: 
• Sensório-Motor (0-2 anos), 
• Pré-Operacional (2-7 anos), 
• Operacional-Concreto (7-11 anos) e 
• Operacional-Formal (a partir dos 11 
anos). 
O desenvolvimento motor é importante 
no desenvolvimento cognitivo, que, por sua 
vez, influencia a capacidade de aprendi-
zagem e aplicação da habilidade motora. 
Durante o estágio Sensório-Motor, os 
bebês aprendem como agarrar e andar, e 
assim estão aprendendo sobre o mundo 
por meio de habilidades motoras básicas. 
No Pré-Operacional, as crianças apren-
dem habilidades motoras fundamentais, 
como correr e saltar, e começam a utilizar 
linguagem e símbolos. 
No Operacional-Concreto desenvol-
vem habilidades motoras mais complexas, 
enquanto que no Operacional-Formal o 
foco é o pensamento abstrato. Contudo, o 
desenvolvimento das habilidades motoras 
continua ao longo da vida.
2.5. Teorias do 
Desenvolvimento 
Psicossocial
As teorias do desenvolvimento psicosso-
cial, embora centradas no desenvolvimen-
to emocional e social, são relevantes para 
entender o desenvolvimento motor devido 
à natureza holística do desenvolvimento 
humano. 
Erik Erikson e Lev Vygotsky são dois te-
óricos cujas ideias têm implicações para o 
desenvolvimento motor.
Erikson propôs 8 (oito) estágios de de-
senvolvimento psicossocial:
1. Confiança Básica vs. Desconfiança 
Básica: o desenvolvimento motor ini-
cial, como controle da cabeça e rolar, 
contribui para a confiança à medida 
que os bebês exploram com sucesso 
e recebem apoio;
2. Autonomia vs. Vergonha e Dúvida: 
a aquisição de habilidades como an-
dar reforça a autonomia da criança ao 
ganhar independência;
3. Iniciativa vs. Culpa: habilidades 
motoras complexas como correr pro-
movem atividades sociais e autoex-
pressão;
4. Diligência vs. Inferioridade: a com-
petência motora em atividades espor-
tivas influencia a autoestima e a per-
cepção social;
26 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
5. Identidade vs. Confusão de Iden-
tidade: atividades físicas na adoles-
cência contribuem para a formação 
da identidade e interações sociais;
6. Intimidade vs. Isolamento: ativida-
des físicas compartilhadas na idade 
adulta fortalecem laços interpessoais;
7. Generatividade vs. Estagnação: 
atividades físicas que beneficiam ou-
tros promovem um sentimento de ge-
neratividade em adultos;
8. Integridade vs. Desespero: Manter 
a capacidade motora na velhice afeta 
a percepção de integridade pessoal.
Já Vygotsky enfatizou:
1. Zona de Desenvolvimento Proxi-
mal (ZDP): o desenvolvimento motor 
é acelerado por interações sociais, 
onde as crianças aprendem obser-
vando ou com ajuda de outros;
2. Mediação: linguagem e instrução 
verbal são cruciais na aquisição de 
habilidades motoras;
3. Aprendizado e Desenvolvimento: o 
contexto cultural e social influencia o 
desenvolvimento motor e cognitivo.
Ambas as teorias ressaltam a importância 
das interações sociais e do contexto cultural. 
O desenvolvimento é um processo inte-
grado, com condução multidirecional entre 
fatores cognitivos, psicossociais e motores, 
portanto, uma visão holística é necessária.
Jogo da ReFLexão
Você já pensou como as 
brincadeiras simples, como 
correr ou saltar, moldam não só o 
corpo, mas também a mente e as 
emoções de uma criança? 
Que tal refletir sobre quais 
as atividades da sua infância 
mais contribuíram para o 
seu desenvolvimento motor, 
cognitivo e social?
Profundo, não é? Vamos 
mergulhar dentro de nós 
mesmos(as)...
A Bola da Vez: Esporte e Cidadania (Capacitação em Esporte Educacional) 27
• Colocar a Prática no Contexto: é im-
portante aprender quando se está den-
tro de situações reais que acontecem 
no jogo. Exemplo: aprender a driblar, 
enquanto desvia de outros jogadores 
no basquete;
• Usar Aprendizados em Outros Con-
textos: habilidades aprendidas em 
um esporte podem ajudar em outros. 
Exemplo: a coordenação aprendida no 
tênis pode ser útil no badminton.
• Conhecer o Próprio Corpo: enten-
der como o seu corpo se move ajuda 
o(a) aluno(a) a melhorar ainda mais. 
Exemplo: perceber que quando flexio-
na mais os joelhos melhora o seu equi-
líbrio.
• Usar Diferentes Métodos de Ensino: 
misturar métodos, como focar em mo-
vimentos isolados ou no jogo como um 
todo, enriquece a experiência. Exem-
plo: aprender o passe no handebol 
sozinho e depois usar em uma partida.
ESTRATÉGIAS 
PARA PROMOVER HABILIDADES 
MOTORAS E COMPETÊNCIAS 
SOCIAIS POR MEIO DO ESPORTE
3.
Praticar esportes não é bom somente 
para o corpo, mas também ajuda a 
desenvolver habilidades importan-
tes, como movimentar-se bem e se relacio-
nar com os outros. Isso significa que, além 
de melhorar na prática esportiva em si, as 
pessoas que a praticam aprendem a traba-
lhar em equipe, a respeitar regras e a se co-
municar melhor.
Quanto mais alguém praticar, melhor 
fica. E, quanto melhor fica, mais a pessoa 
se interessa em continuar. Isso cria um ci-
clo positivo: praticar leva a melhorar, o que 
dá mais vontade de continuar.
Como os Esportes Ajudam a Aprender 
Melhor?
Aqui estão 8 (oito) dicas para quem quer 
usar o esporte como ferramenta para me-
lhorar as habilidades:
• Experimentar Movimentos Diferen-
tes: tentar diferentes esportes ou, mes-
mo dentro de um mesmo esporte, expe-
renciar movimentos diferentes, ajuda o 
corpo a se adaptar a novos desafios. 
Exemplo: uma criança que joga futebol 
pode aprender a equilibrar-se melhor 
praticando também ginástica ou vôlei;
• Treinar com Objetivo: cada treino 
deve ter um foco, como melhorar a 
precisão de um chute ou a força de um 
saque. Receber orientação imediata, 
como um “tente mirar mais à esquer-
da”, ajuda muito. Exemplo: um técnico 
orientando um jogador de basquete a 
ajustar o ângulo do braço no arremes-
so;
• Corrigir e Melhorar: receber dicas so-
bre como melhorar faz toda a diferen-
ça. Isso pode ser feito mostrando o que 
fazer (demonstração), explicando ou 
até usando vídeos para mostrar erros 
e acertos. Exemplo: um treinador apre-
sentando a postura correta ao correr;
• Progredir aos Poucos: os exercícios 
devem acompanhar o nível da pessoa, 
ficando mais difíceis conforme ela me-
lhora. Isso mantém o treino interes-
sante e desafiador. Exemplo: ensinar 
um passe simples no futebol antes de 
pedir que o(a) aluno(a) participe de 
uma partida;
28 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
Inclusão significa criar um ambiente 
onde todos(as) os(as) alunos(as), in-
dependentemente de suas condições 
ou características, possam aprender e se 
desenvolver juntos. Isso envolve adaptar 
o sistema educacional para atender às 
necessidades de cada um, reconhecendo 
que as diferenças entre as pessoas são 
um valor importante. Ou seja, em uma es-
cola inclusiva, todos(as) têm as mesmas 
oportunidades para aprender, sejam 
eles(as) com ou sem deficiência.
Por exemplo: imagine uma escola 
onde crianças com e sem deficiência pra-
ticam esportes juntos. Nesse ambiente, 
todos(as) têm a chance de desenvolver 
suas habilidades, como coordenação e 
força, mas de forma adaptada à realidade 
de cada um. Isso promove um ambiente 
acolhedor, onde a cooperação e o respeito 
mútuo são essenciais.
Pesquisas científicas mostram que a 
prática de atividades físicas adaptadas aju-
da a desenvolver habilidades importantes 
para a vida, como força e coordenação. 
Para crianças com necessidades especiais, 
como aquelas com deficiência intelectual, 
o esporte pode ser uma ferramenta podero-
sa, trazendo benefícios não só para o corpo, 
mas também para o comportamento e a 
autoestima.
Por exemplo, em esportes coletivos, as 
crianças aprendem a trabalhar em equipe 
e a resolver problemas juntas. Já em ativi-
dades individuais, como o equilíbrio, po-
dem ser feitas adaptações específicas para 
ajudar na evolução dessas habilidades. 
Além disso, estudos indicam que quando 
as crianças praticam esportescom foco 
nas habilidades motoras básicas e recebem 
feedback constante, elas se tornam mais 
confiantes para participar de jogos e outras 
atividades físicas.
Abordagens 
INCLUSIVAS PARA ATENDER ÀS 
NECESSIDADES DE TODOS(AS) 
OS(A) ALUNOS(A)
4.
A Bola da Vez: Esporte e Cidadania (Capacitação em Esporte Educacional) 29
CONCLUSÃO
O desenvolvimento motor é um proces-
so contínuo e dinâmico, que envolve o 
aprimoramento das habilidades motoras 
ao longo da vida, desde as primeiras etapas 
da infância até a fase adulta. 
Esse desenvolvimento ocorre em fases 
distintas, nas quais as crianças, por meio de 
prática e adaptação, aprendem a coordenar 
seus movimentos, a melhorar sua força e a 
desenvolver a percepção espacial e tempo-
ral. As habilidades motoras fundamentais, 
como correr, saltar, lançar e equilibrar, são 
essenciais não apenas para a prática de es-
portes, mas também para as atividades co-
tidianas e a saúde geral. 
Além disso, ao considerar a diversidade 
entre as crianças, a inclusão no processo 
educativo e esportivo se torna fundamen-
tal, permitindo que todos(as), com ou sem 
deficiência, tenham a oportunidade de se 
desenvolver em um ambiente acolhedor e 
respeitoso. 
A intervenção precoce, personalizada e 
multidisciplinar é crucial para garantir que 
cada indivíduo, independentemente das 
suas particularidades, alcance seu pleno 
potencial motor e social.
Nesse contexto, o papel do(a) professor(a) 
é central. Ele(a) é um(a) mediador(a) en-
tre as necessidades individuais dos(as) 
alunos(as) e os objetivos pedagógicos. 
Para crianças com Transtorno de Coordena-
ção do Desenvolvimento (TCD), por exem-
plo, os(as) professores(as) têm um papel 
fundamental na identificação precoce de 
dificuldades motoras. Para tal, é preciso 
utilizar ferramentas de avaliação apropriadas 
e ajustar as atividades para permitir desafios 
progressivos e realistas. Além disso, os(as) 
professores(as) devem acompanhar o im-
pacto emocional de tais dificuldades, crian-
do um ambiente inclusivo para crianças e 
promovendo a autoestima e o envolvimento 
dos(as) alunos(as).
A literatura tem mostrado diferentes 
abordagens a depender da condição do in-
divíduo. Como exemplo, no estudo de Hai-
bach-Beach et al. (2019), ao analisar crianças 
com TCD, os(as) autores(as) apontam que 
práticas direcionadas à superação de difi-
culdades motoras básicas, como correr ou 
pular, podem reduzir o impacto dessas limi-
tações na vida diária e promover a participa-
ção efetiva em atividades físicas regulares. 
30 FUNDAÇÃO DEMÓCRITO ROCHA | UNIVERSIDADE ABERTA DO NORDESTE
REFERÊNCIAS
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A Bola da Vez: Esporte e Cidadania (Capacitação em Esporte Educacional) 31
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O AUTOR
Thaynã Alves Bezerra
Professora e coordenadora do curso de Educação Física da Universidade Regional 
do Cariri, Campus de Iguatu. Doutora em Educação Física pela Universidade Fe-
deral da Paraíba e mestra em Ciências pela Universidade Federal do Vale do São 
Francisco. Atua como pesquisadora no Grupo de Pesquisa CogMovH (Cognição e 
Movimento Humano). 
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O ILUSTRADOR
Rafael Limaverde
Nascido em Belém/PA, naturalizado cearense, formado em Artes Visuais pelo 
Instituto Federal do Ceará (IFCE), é xilogravurista, grafiteiro, curador, pesquisador 
e ilustrador. Possui mais de 40 livros ilustrados em diversas editoras do país. É um 
dos organizadores do “Festival de Ilustração de Fortaleza”, evento realizado dentro 
da Bienal do Livro do Ceará. É curador das seguintes exposições: “Eco Barroco” no 
Centro Cultural Banco do Nordeste – Fortaleza/CE (2011) e “Bestiário Nordestino”, 
com diversas edições.

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