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AULA 5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JORNALISMO E SEGMENTAÇÃO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Prof.ª Camila de Andrade Simões 
CONVERSA INICIAL 
Nesta abordagem, vamos explorar diferentes facetas do jornalismo, com 
um olhar atento para as transformações e desafios que ele enfrenta atualmente. 
Entre as várias conexões entre os temas, destacam-se a habilidade de informar 
com clareza e profundidade em contextos que despertam fortes emoções, sejam 
elas ligadas à paixão por um clube esportivo ou à complexidade de conflitos 
internacionais. 
Como manter a objetividade em meio a pressões emocionais e 
tecnológicas? Pode ser necessário narrar uma derrota histórica de um time 
nacional em uma final, enquanto os torcedores reagem com fervor, ou cobrir crises 
internacionais, nas quais cada imagem e palavra escolhida tem o potencial de 
moldar opiniões e impactar decisões globais. 
Além disso, refletiremos sobre o impacto das tecnologias emergentes na 
forma como produzimos, transmitimos e consumimos jornalismo, com exemplos 
como podcasts e transmissões ao vivo. Também vamos discutir como o jornalismo 
organizacional se tornou uma ferramenta estratégica indispensável para 
empresas e instituições que precisam comunicar suas histórias e valores de 
maneira eficaz. 
Assim, trataremos dos seguintes tópicos: 
• Jornalismo esportivo: cobertura de eventos, linguagem e formatos 
• Jornalismo internacional: a importância do contexto global 
• Desafios na cobertura esportiva e internacional em tempos de tecnologias 
digitais 
• Jornalismo organizacional: comunicação estratégica de empresas e 
instituições 
• Tecnologias emergentes e formatos inovadores (ex.: transmissões ao vivo, 
podcasts) 
TEMA 1 – JORNALISMO ESPORTIVO: COBERTURA DE EVENTOS, 
LINGUAGEM E FORMATOS 
Uma partida de futebol pode ser encarada como algo simples. Se os 
alienígenas de Planeta Estranho, do cartunista Nathan Pyle, tivessem que falar 
 
 
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de futebol, provavelmente o reduziriam a 22 humanos tentando fazer com que 
uma esfera passe por dentro de um retângulo mais vezes do que em outro. 
Mas de que maneira esses humanos impulsionam essa esfera? O que os 
motiva? Com quais músculos? Quantos profissionais cuidam desses músculos, 
sejam médicos, fisioterapeutas ou treinadores? Do que a esfera é feita? Quanto 
dinheiro é investido para melhorá-la? Por que alguns humanos recebem tanto 
dinheiro e outros não? 
Há várias questões por trás desses 22 humanos, uma esfera e dois 
retângulos. Entender de futebol – ou de algum dos outros tantos esportes que, 
lamentavelmente, não têm tanto espaço quanto ele – implica adotar uma 
perspectiva interdisciplinar e reconhecer a transversalidade da emoção. 
1.1 Breve histórico 
No Brasil, o jornalismo esportivo começou a se consolidar com o futebol, 
que substituiu o remo como o esporte mais popular no início do século XX, 
segundo Coelho (2011). A predominância do remo nos primórdios é evidenciada 
pelos diversos clubes com “regatas” no nome. 
As primeiras páginas esportivas surgiram na década de 1910, no jornal 
paulistano Fanfulla, escrito em italiano, que documentou jogos e anunciou a 
fundação do Palestra Itália (atual Palmeiras) em 1914. Já no Rio de Janeiro, a 
cobertura esportiva ganhou força em 1923, quando o Vasco da Gama, com um 
elenco majoritariamente negro, venceu a segunda divisão e desafiou o caráter 
elitista do esporte (Teixeira, 2010). 
Publicações importantes surgiram nas décadas seguintes, como o Jornal 
dos Sports, fundado por Mário Filho em 1931, e a Gazeta Esportiva, lançada em 
1928 como suplemento de A Gazeta, transformada em diário separado em 1947. 
Embora o segmento esportivo não fosse prioritário por ser associado a 
classes populares, a paixão pelo futebol cresceu, especialmente no Rio de 
Janeiro, impulsionada pelas crônicas dos irmãos Mário Filho e Nelson Rodrigues, 
que romantizavam jogadores e partidas. Essa narrativa épica começou a ceder 
espaço a uma abordagem mais objetiva nas décadas de 1980 e 1990 (Barbeiro; 
Rangel, 2006, p. 55). 
 
 
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1.2 A amplitude do Jornalismo Esportivo: além do campo e da quadra 
Embora o futebol ocupe o maior espaço nas páginas e transmissões 
esportivas, o jornalismo esportivo vai muito além disso. Ele também inclui 
modalidades como vôlei, basquete, atletismo, artes marciais e, mais 
recentemente, os E-Sports (Macedo e Falcão, 2019; Heere, 2018). O crescimento 
dos chamados esportes eletrônicos, com competições internacionais que reúnem 
milhões de espectadores, elevou os E-Sports à categoria de fenômeno cultural e 
econômico. 
Os E-Sports possuem uma dinâmica própria, com equipes globais, ligas 
organizadas, altos investimentos e um público engajado. Cobrir esse universo 
exige tanto conhecimento técnico sobre os jogos quanto sensibilidade para 
entender a cultura digital que permeia esse ambiente. Assim como um jornalista 
esportivo analisa as estratégias de um time de futebol, o profissional que cobre E-
Sports precisa compreender táticas de jogo, decisões em tempo real e o impacto 
da comunidade no desempenho dos jogadores. 
Esse panorama revela a pluralidade do jornalismo esportivo, que conecta 
emoção e especialização, seja ao narrar a vitória em uma final da Champions 
League1, o desempenho de um atleta olímpico ou uma jogada decisiva em uma 
final de League of Legends2. 
1.3 Emoção e técnica: características do Jornalismo Esportivo 
Paulo Vinícius Coelho (2011, p. 39) menciona a frase do jornalista Mauro 
Cezar Pereira: “Ninguém entende mais do assunto do que um garoto de 12 anos”. 
Coelho (2011, p. 40) ainda expande a ideia de Mauro Cezar Pereira: 
O menino apaixonado por futebol pode achar que um zagueiro de seu 
clube de coração é o melhor zagueiro de todas as épocas, apenas 
porque fez três ou quatro partidas muito boas. O homem adulto, 
jornalista formado, não se deixa iludir. Justamente porque carrega todo 
o nível de conhecimento que o menino deixou de herança. No caso do 
jornalismo esportivo, o menino deixa uma história muito mais bem 
formada do que a revelada pelo menino que se transforma em jornalista 
político ou da área econômica. Este aprende com o garoto de 12 anos 
os segredos do bom texto. Aprende com a leitura de livro bem escrito, 
com relato bem contado por algum parente paciente. 
Talvez essa seja uma característica importante dos jornalistas esportivos – 
 
1 Acesse para saber mais. 
2 Acesse para saber mais. 
 
 
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e, consequentemente, do jornalismo esportivo. Há entusiastas produzindo e 
consumindo esse jornalismo. A emoção pode estar ligada ao esporte em si, mas 
também pode ir além, tornando-se interdisciplinar, de modo que aprendemos a 
enxergar o que há por trás de um gol, de vencer uma regata, de romper um 
ligamento, de perder um patrocínio, ou de ver um ídolo partir devido a uma 
doença. 
“O compromisso com a verdade jornalística contribui para que a linguagem 
se torne mais descritiva. O ideal é que se tenha um equilíbrio dessas duas 
vertentes: emoção e descrição dos fatos. O esporte não vive sem emoção” 
(Barbeiro; Rangel, 2006, p. 55). Nas primeiras aparições em veículos jornalísticos, 
o jornalismo esportivo apareceu em colunas, geralmente com comentários de 
partidas e gestões de times. Com o tempo, passou de ocupar algumas colunas a 
ter produtos jornalísticos exclusivos. 
Nas últimas décadas, expandiu-se para a internet, noticiando e visibilizando 
os diversos formatos, configurações e culturas esportivas, local e mundialmente. 
1.4 A linguagem do Jornalismo Esportivo 
A linguagem do jornalismo esportivo é marcada por emoção, criatividade e 
aproximação com o público, mas enfrenta desafios, como a necessidade de evitar 
chavões e manter a imparcialidade.Embora o público exija informações precisas, o jornalismo esportivo 
frequentemente recorre a expressões populares, como “pisar na bola”. No 
entanto, o uso excessivo de clichês pode comprometer a qualidade do texto. 
Barbeiro e Rangel (2006, p. 51) alertam: “Seja criativo, fuja dos chavões, solte as 
amarras do texto, coloque paixão sem abdicar dos rigores da informação. Paixão 
jornalística e não clubística, deixemos claro”. 
Além disso, o improviso, essencial na narração ao vivo, requer preparo e 
profundo conhecimento do esporte. A espetacularização do esporte, como a 
criação de “semideuses”, pode comprometer a credibilidade dos veículos e 
alinhar-se mais ao entretenimento do que à informação imparcial. 
1.5 Formatos e tecnologias no Jornalismo Esportivo 
A evolução tecnológica tem transformado o jornalismo esportivo, desde 
equipamentos mais avançados até novos formatos de apresentação de 
 
 
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informações. 
1.5.1 Fotojornalismo 
A fotografia esportiva vai além da captura de momentos de ação. Ela conta 
histórias, captura emoções e eterniza eventos históricos. Para isso, exige 
equipamentos adequados e conhecimento profundo do esporte em questão. 
Além de registrar lances, o fotojornalismo esportivo tem um papel 
fundamental na identidade visual de jornais e revistas, sendo muitas vezes 
destaque em primeiras páginas, de veículos impressos aos digitais. 
1.5.2 Infografia e novos formatos 
Infográficos têm se tornado ferramentas essenciais para traduzir dados 
complexos de forma visual e acessível, permitindo que leitores compreendam 
informações como estatísticas, táticas e desempenho esportivo. 
Novas tecnologias, como transmissões em tempo real e análises de dados, 
também têm ampliado as possibilidades do jornalismo esportivo, criando formatos 
interativos e atraentes para um público cada vez mais exigente. 
TEMA 2 – JORNALISMO INTERNACIONAL: A IMPORTÂNCIA DO CONTEXTO 
GLOBAL 
O jornalismo internacional desempenha um papel essencial em um mundo 
profundamente interconectado, no qual eventos ocorridos em um país podem 
gerar impactos significativos em diversas partes do globo. Mais do que relatar 
acontecimentos, cabe aos jornalistas internacionais interpretar, contextualizar e 
traduzir a complexidade de questões históricas, culturais e políticas que moldam 
os cenários globais. Essa tarefa exige preparo técnico, conhecimento 
aprofundado e sensibilidade para compreender e transmitir histórias que vão além 
das fronteiras geográficas. 
Cobrir temas internacionais é um desafio que vai muito além do acesso à 
informação. Em muitos casos, é necessário decifrar a história por trás dos fatos, 
conectando eventos presentes a contextos passados, que muitas vezes 
permanecem desconhecidos do público. Por exemplo, conflitos no Oriente Médio, 
tensões geopolíticas na Ásia ou mudanças econômicas na Europa carregam 
raízes históricas profundas que influenciam diretamente os desdobramentos 
 
 
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atuais. Esse olhar histórico é indispensável para que o público consiga 
compreender as camadas que compõem os fatos, indo além das manchetes 
superficiais. 
Os jornalistas internacionais também podem enfrentar barreiras linguísticas 
e culturais significativas, que tornam o trabalho ainda mais desafiador. Dominar 
mais de um idioma pode ser apenas o começo: compreender as nuances culturais 
de uma região, os códigos sociais e as particularidades da comunicação local é 
um aspecto crucial para garantir uma cobertura precisa e responsável. Além disso, 
o acesso direto às fontes nem sempre é viável, especialmente em situações de 
conflito ou tragédia. Nesses casos, agências de notícias e bancos de dados se 
tornam ferramentas indispensáveis, fornecendo informações confiáveis que 
podem ser analisadas e complementadas por perspectivas locais. 
A revolução tecnológica, por sua vez, ampliou o alcance das notícias e 
trouxe novos recursos para a cobertura internacional. O acesso instantâneo a 
informações e dados é uma vantagem, mas também um desafio: é preciso filtrar 
conteúdos, verificar a confiabilidade das fontes e assegurar que as informações 
sejam transmitidas com a devida profundidade. O trabalho do jornalista 
internacional não se limita à reprodução de notícias prontas; ele exige análise 
crítica, capacidade de síntese e a construção de narrativas que conectem o 
público a realidades distantes. 
Outro ponto essencial no jornalismo internacional é a seleção das pautas 
(Massy, 2021). Redações recebem diariamente uma avalanche de notícias de 
agências e correspondentes, e decidir o que será publicado envolve critérios 
muitas vezes subjetivos, que refletem questões como proximidade cultural e 
interesses econômicos. Tragédias humanitárias, por vezes, parecem não ter 
recebido atenção suficiente da imprensa (Massy, 2004, p. 12). Eventos em países 
próximos, geograficamente ou culturalmente, muitas vezes ganham mais espaço 
do que crises de igual ou maior gravidade em regiões distantes ou menos 
conhecidas do público. Essa desigualdade na cobertura é um reflexo dos desafios 
intrínsecos à prática jornalística global, que seria potencialmente enriquecida caso 
passasse a considerar olhares de perspectiva decolonial (Marques, 2024). 
Portanto, o jornalismo internacional vai além da simples transmissão de 
notícias: ele exige preparação constante, atualização cultural, domínio técnico e 
um olhar crítico para interpretar e traduzir o cenário global. Apenas com esse nível 
de comprometimento é possível oferecer ao público uma visão mais completa e 
 
 
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relevante dos eventos que moldam o mundo, fortalecendo o papel do jornalismo 
como um mediador indispensável na era da globalização. 
2.1 A importância do contexto histórico no Jornalismo Internacional 
Um dos maiores desafios do jornalismo internacional é, nas palavras de 
João Batista Natali (2004, p. 8), compreender “um panorama amplo e complexo 
de informações”. Uma notícia inicial, fornecida por agências, pode apresentar os 
fatos básicos. No entanto, qualquer aprofundamento demanda o entendimento de 
questões interligadas, muitas vezes históricas: 
Não é possível entender o que acontece no Oriente Médio sem que 
tenhamos um conhecimento mesmo rudimentar do que foi Império 
Otomano, que existiu a partir de 1290 e em 1923 concluiu seu longo 
processo de desintegração, o que levou a França e o Reino Unido a 
dividir entre si a vasta região. À França, coube o Líbano e a Síria. 
Londres ficou por sua vez com o Iraque, a Palestina e a Transjordânia. 
Bem mais que esferas explícitas de influência, há nessa estrutura de 
protetorado um pouco dos problemas que nos interpelam hoje, como fato 
de os curdos terem ficado sem Estado próprio e se tornarem 
coletividades problemáticas no Iraque e na Turquia. (Natali, 2004, p. 71) 
Especializar-se em jornalismo sobre determinado tema, no caso do 
internacional, exige mais do que conhecimento técnico: é preciso uma imersão 
histórica e cultural. Ariel Palacios, correspondente da GloboNews em Buenos 
Aires, exemplifica isso. Filho de pais argentinos, Palacios nasceu em Buenos 
Aires, mas considera-se brasileiro. A experiência de vida do profissional e as duas 
décadas de trabalho na cidade contribuíram para a compreensão aprofundada da 
Argentina (Militão, 2013). 
2.2 Os desafios do Jornalismo Internacional 
Para jornalistas que não possuem contato prévio com determinada cultura 
ou região, a busca por especialistas, ensaios, artigos científicos e outras fontes 
confiáveis é essencial (Natali, 2004, p. 8). A internet ampliou o acesso a 
informações, mas trouxe o desafio de filtrar conteúdos confiáveis. Bancos de 
dados, como o do Banco Mundial, são recursos valiosos para cobrir assuntos 
internacionais. 
Outro obstáculo é a dificuldade de acesso direto a fontes. Por exemplo, é 
inviável chegar a tempo de entrevistar uma testemunha de umevento em outro 
país. Nesses casos, as agências de notícias desempenham um papel 
fundamental, fornecendo materiais que podem ser editados e utilizados. 
 
 
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Como indicado anteriormente, o domínio de mais de um idioma torna-se 
indispensável para jornalistas internacionais. Muitas informações relevantes não 
estão disponíveis em português, e o profissional precisa ser capaz de acessar e 
interpretar conteúdos diretamente em outros idiomas. 
2.3 Seleção de notícias e o papel do gatekeeper 
Uma das habilidades mais importantes na editoria internacional é a 
capacidade de selecionar quais informações serão publicadas (Massy, 2021). 
Redações recebem milhares de notícias de agências diariamente, além de 
materiais como fotos, infográficos e vídeos. Embora essas notícias venham 
prontas para publicação, elas também podem ser usadas como fonte para 
reportagens mais aprofundadas. 
O critério para decidir o que será divulgado envolve fatores subjetivos. É 
Natali (2004, p. 12) quem menciona o fato de que a cobertura de tragédias, por 
exemplo, reflete desigualdades: “Há vidas com mais valor noticioso do que 
outras”. Isso pode ser explicado, em parte, pela proximidade dos jornalistas dos 
eventos. Natali (2004, p. 15) compara a cobertura de dois acidentes aéreos: a 
queda de um Antonov em Angola e a de um Concorde em Paris. A proximidade 
de jornalistas ao local do segundo acidente resultou em uma cobertura muito mais 
detalhada. 
Os desafios do jornalismo internacional evidenciam a necessidade de 
preparação técnica, conhecimento histórico e habilidades específicas para lidar 
com contextos globais complexos. Profissionais da área precisam equilibrar o uso 
de recursos tecnológicos e informações de agências com um olhar crítico e 
aprofundado, além de uma constante atualização cultural e linguística. Somente 
assim é possível oferecer uma cobertura relevante e com a profundidade que o 
público exige. 
TEMA 3 – DESAFIOS NA COBERTURA ESPORTIVA E INTERNACIONAL EM 
TEMPOS DE TECNOLOGIAS DIGITAIS 
As tecnologias digitais revolucionaram o jornalismo, mas também 
trouxeram desafios significativos, especialmente nas editorias esportiva e 
internacional. A velocidade da internet e o acesso global a informações em tempo 
real oferecem oportunidades para coberturas mais dinâmicas e abrangentes, mas 
 
 
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também exigem dos jornalistas novas competências técnicas, estratégias para 
lidar com a sobrecarga de dados e um olhar crítico para evitar a disseminação de 
desinformação. 
No jornalismo esportivo, o impacto das redes sociais é notável. Plataformas 
como Twitter (agora X) e Instagram permitem que atletas e clubes publiquem 
declarações, dados e bastidores sem intermediação da imprensa. Isso altera a 
dinâmica da relação entre jornalistas e fontes, forçando os profissionais a buscar 
ângulos exclusivos ou interpretações mais aprofundadas para se destacarem. 
Além disso, a competição com influenciadores digitais, que frequentemente 
produzem conteúdos sobre esportes, pressiona o jornalista a aliar rigor técnico a 
criatividade. 
Já no jornalismo internacional, as tecnologias digitais facilitaram o acesso 
a bancos de dados globais, imagens de satélite e fontes diretas de informações 
em diversas línguas. No entanto, a abundância de informações pode ser um 
problema: o jornalista precisa identificar fontes confiáveis, verificar dados e evitar 
manipulações, como deepfakes ou conteúdos distorcidos. Além disso, o excesso 
de informação pode criar um paradoxo: embora muito material esteja disponível, 
a audiência pode não absorver reportagens complexas, preferindo notícias 
resumidas e imediatas. 
Outra questão relevante é o papel das ferramentas de inteligência artificial. 
No jornalismo esportivo, por exemplo, algoritmos já são usados para gerar 
análises estatísticas de jogos em tempo real, o que aumenta a pressão por um 
jornalismo interpretativo mais sofisticado. No âmbito internacional, a IA ajuda a 
processar grandes volumes de informações, mas também representa uma 
ameaça em termos de automação de conteúdos básicos, diminuindo a demanda 
por reportagens tradicionais. 
Por fim, o jornalismo em tempos de tecnologias digitais exige um 
profissional multifacetado. É necessário dominar não apenas a apuração e a 
escrita, mas também habilidades de edição de vídeos, conhecimento de redes 
sociais e capacidade de adaptar conteúdos para diferentes plataformas. Assim, 
tanto no jornalismo esportivo quanto no internacional, o desafio está em equilibrar 
a agilidade exigida pelas novas mídias com a profundidade e a precisão que 
sempre caracterizaram o bom jornalismo. 
 
 
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TEMA 4 – JORNALISMO ORGANIZACIONAL: COMUNICAÇÃO ESTRATÉGICA 
DE EMPRESAS E INSTITUIÇÕES 
O jornalismo organizacional, cujo público-alvo são os participantes da 
organização em si, e não o interesse público, passou por uma série de mudanças, 
amarradas aos processos de desenvolvimento dos meios de comunicação, dos 
movimentos sociais, políticos e econômicos pelos quais a sociedade passa e 
passou e pelos quais o jornalismo passou e passa. 
Com o tempo, a importância dessas publicações cresceu, ampliando seu 
caráter de orientação e auxiliando o trabalhador na adaptação àquele universo 
(Sólio, 2008). 
Responde, portanto, à demanda de auxiliar trabalhadores a 
compreenderem-se em um processo produtivo e a entenderem o sentido do seu 
trabalho no todo. Como efeito, pretende aproximar os diversos setores 
organizacionais, além de conectar departamentos dentro do próprio microcosmo 
de uma organização, entre setores e equipes. 
Tais publicações são feitas dentro das organizações ou, por vezes, por uma 
agência contratada. Sólio (2008) explica que o ideal é a produção por uma equipe 
de comunicação integrada, composta por profissionais de relações públicas, 
publicidade e propaganda e marketing, sendo que o periódico em si deve ser feito 
por jornalistas. Todavia, o que ela verifica é que os 
[...] departamentos de comunicação poucas vezes possuem 
profissionais com conhecimentos teóricos sobre a natureza da atividade, 
seja pela deficiência nos currículos dos cursos que frequentaram antes 
de entrar para o mercado de trabalho seja pelo pouco material produzido 
sobre assunto, seja porque essa tarefa é atribuída a leigos. (Sólio, 2008, 
p. 32) 
De acordo com a pesquisa "Perfil do Jornalista Brasileiro" (ENJAI, 2023), 
um terço dos jornalistas pesquisados trabalhava fora da mídia, principalmente em 
atividades como assessoria de imprensa (43,4%), comunicação ou em funções 
que utilizam conhecimento jornalístico. Essa fatia inclui os jornalistas que atuam 
na produção de jornais organizacionais, entre outras atividades. 
Quanto ao caráter dessas publicações, Sólio (2008) explica que a intenção 
das empresas é garantir a aceitação dos jornais pelos funcionários. Diferente da 
grande imprensa, que valoriza a diversidade de opiniões, “os jornais 
organizacionais trabalham com um consenso” (Sólio, 2008, p. 16). 
 
 
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Todavia, a autora também explicita as negociações intrínsecas ao processo 
de produção desses jornais, seja entre jornalistas, seja entre jornalistas e outros 
profissionais do setor administrativo e afins. “Em muitas situações, indivíduos 
investindo determinado poder dentro da organização arbitram ingerências 
totalmente descabidas, mas que são acatadas” (Sólio, 2008, p. 33). 
O bom jornalismo organizacional, portanto, seria aquele que consegue 
agregar os processos de produção do bom trabalho jornalístico. “Parte-se do 
princípio de que, antes de cumprir o papel de difundir a cultura organizacional, a 
mídia organizacional deve cumprir sua função de jornal, somente assim será 
avalizada pelo receptor” (Sólio, 2008, p. 21). 
A autora também aponta como características de um bom periódico a 
clareza sobre quem é o público,os valores e a cultura da organização e de seus 
funcionários, nos diversos níveis, além do trabalho integrado com os profissionais 
de relações públicas, posicionando o jornal como uma ferramenta dos processos 
comunicacionais da organização. 
Ao analisar os processos de produção de dois jornais organizacionais, Sólio 
(2008) destacou especificidades e tensões e, posteriormente, analisou a recepção 
dessas publicações, buscando entender quais leituras o público-alvo fazia, de que 
formas os objetivos organizacionais eram cumpridos e como a cultura da empresa 
era negociada com os demais processos culturais. 
Figura 1 – Não há valores empresariais deslocados dos fatores culturais e sociais 
 
Fonte: Sólio, 2008, p.19. 
 
 
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Alguns dos resultados apontados pela pesquisadora foram que há pouco 
acolhimento da cultura dos funcionários nos discursos dos jornais. “Os valores 
que os empregados trazem são desprezados e acabam se tornando, dentro da 
instituição, uma “cultura paralela”” (Sólio, 2008, p. 20). Isso dificulta a existência 
da própria cultura da empresa, visto que ela existe nas relações que se dão ali 
dentro e se materializa pelo modo como se dirige ao público. 
Silva (2010) analisou outros veículos organizacionais, buscando 
especialmente os aspectos de gênero dessas produções e caracterizando o que 
seria o gênero do jornalismo organizacional. O autor apontou para a habilidade 
desse jornalismo de construir uma narrativa sobre a organização, concatenando 
identidades e culturas, bem como processos de controle e gestão de relações de 
poder entre os sujeitos organizacionais. 
Acerca do gênero discursivo nos jornais pesquisados, Silva (2010) aponta 
que: 
(i) a identidade e a cultura organizacionais são arregimentadas pelo 
discurso do jornalismo organizacional; 
(ii) há construção de uma narrativa sobre a organização, em um sentido 
amplo; 
(iii) há um desenho de uma realidade organizacional; 
(iv) há presença de potencial de espetacularização no discurso; e 
(v) de modos de legitimação e controle. 
TEMA 5 – TECNOLOGIAS EMERGENTES E FORMATOS INOVADORES (EX.: 
TRANSMISSÕES AO VIVO, PODCASTS) 
O avanço das tecnologias emergentes transformou profundamente o 
jornalismo, ampliando as formas de produção e consumo de conteúdos. Novos 
formatos, como transmissões ao vivo e podcasts, oferecem oportunidades para 
que jornalistas e veículos alcancem audiências maiores e mais diversificadas. 
Contudo, essas inovações também trazem desafios em termos de adaptação, 
planejamento e qualidade das narrativas. 
5.1 A ascensão das transmissões ao vivo 
As transmissões ao vivo, viabilizadas por plataformas como YouTube, 
Twitch, Instagram e TikTok, tornaram-se uma ferramenta essencial para o 
 
 
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jornalismo. Elas oferecem a possibilidade de coberturas em tempo real, permitindo 
que o público acompanhe eventos enquanto acontecem, com um senso de 
urgência e autenticidade. 
No jornalismo esportivo, por exemplo, transmissões ao vivo de entrevistas 
coletivas, treinos e bastidores são cada vez mais comuns, aproximando os fãs de 
seus ídolos e times. Já no jornalismo internacional, lives de correspondentes em 
áreas de conflito ou em eventos globais, como cúpulas diplomáticas, ajudam a 
contextualizar os fatos à medida que eles se desenrolam. Como destaca Pavlik 
(2020), o engajamento em transmissões ao vivo depende não apenas da 
qualidade técnica, mas também da habilidade do jornalista em oferecer uma 
narrativa clara, envolvente e confiável, mesmo sob pressão. 
Por outro lado, a produção de lives exige preparação técnica e editorial. 
Conexões instáveis, dificuldades técnicas e erros ao vivo podem comprometer a 
credibilidade do veículo ou do jornalista. Além disso, o imediatismo das 
transmissões pode abrir margem para erros na apuração de informações, 
reforçando a necessidade de preparo prévio e atenção aos detalhes. 
5.2 Podcasts: profundidade e engajamento 
Outro formato que ganhou destaque nos últimos anos é o podcast. Sua 
popularidade deriva de fatores como a conveniência do consumo (podcasts 
podem ser ouvidos em deslocamentos ou durante tarefas rotineiras), a 
diversidade de temas e a possibilidade de aprofundamento nas discussões. 
Podcasts de jornalismo esportivo, como o “GE”, da Globo Esporte, e de 
jornalismo internacional, como o “The Daily”, do The New York Times, ilustram 
como esse formato permite a exploração de tópicos com mais calma e análise. 
Diferentemente de transmissões ao vivo ou reportagens televisivas, os podcasts 
oferecem ao jornalista a chance de elaborar narrativas detalhadas, trazer 
entrevistados com perspectivas únicas e criar uma relação mais próxima com o 
público. 
Além disso, o baixo custo de produção comparado a formatos tradicionais 
democratizou o acesso ao podcasting, permitindo que jornalistas independentes 
e pequenos veículos também se destaquem. Entretanto, a saturação do mercado 
– com milhares de novos podcasts sendo lançados mensalmente – exige 
criatividade e qualidade editorial para se diferenciar. 
 
 
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5.3 Desafios e oportunidades na adoção de formatos emergentes 
Enquanto transmissões ao vivo e podcasts ampliam as possibilidades 
narrativas, eles também desafiam os jornalistas a dominar múltiplas habilidades. 
Ferramentas de edição de áudio, vídeo e streaming são, hoje, parte essencial do 
repertório técnico de muitos profissionais. Segundo Newman (2023), jornalistas 
precisam ser multitarefa, capazes de gravar, editar e publicar conteúdos em 
prazos curtos, sem comprometer a qualidade. 
Outro ponto importante é o consumo de dados. As lives demandam internet 
de alta velocidade, tanto para os produtores quanto para os consumidores, o que 
pode limitar o alcance em áreas com infraestrutura precária. Além disso, a 
monetização desses formatos, especialmente para jornalistas independentes, 
nem sempre é viável, gerando dificuldades para garantir a sustentabilidade do 
trabalho. 
Por outro lado, o engajamento proporcionado por esses formatos cria 
oportunidades para a construção de audiências fiéis. As transmissões ao vivo 
permitem interação direta com o público por meio de comentários em tempo real, 
enquanto os podcasts criam um espaço íntimo de conexão, aumentando a 
confiança na marca ou no profissional que os produz. 
As tecnologias emergentes e os formatos inovadores transformaram a 
prática jornalística, exigindo que os profissionais se adaptem a um novo cenário 
marcado pela convergência de mídias e pela demanda por conteúdos interativos 
e acessíveis. Tanto transmissões ao vivo quanto podcasts representam mais do 
que tendências passageiras: são pilares do jornalismo contemporâneo, que se 
reinventa para atender às necessidades de uma audiência conectada e exigente. 
Para os jornalistas, o desafio está em equilibrar inovação com responsabilidade 
editorial, garantindo que as novas ferramentas sirvam ao propósito fundamental 
do jornalismo: informar, contextualizar e engajar. 
Ao longo deste conteúdo, refletimos sobre as diversas dimensões do 
jornalismo, as nuances e os desafios que o cenário contemporâneo impõe. O 
jornalismo esportivo, com a capacidade de despertar emoções intensas, 
demonstra como a escolha das palavras e o domínio da narrativa são cruciais 
para informar sem perder a objetividade, mesmo em situações polarizadas. Seja 
cobrindo a euforia de uma vitória ou a tristeza de uma derrota, a habilidade de 
conectar-se ao público sem comprometer a precisão é uma arte essencial. 
 
 
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Na esfera internacional, observamos como o contexto global molda a 
percepção das audiências e as decisões que impactam vidas em diferentes partes 
do mundo. O jornalista, diante de crises, guerras ou eventos históricos, precisa 
ser um mediador da informação, fornecendo uma visão ampla e fundamentada 
que ultrapasse barreirasculturais e geográficas. 
As tecnologias emergentes, como podcasts e transmissões ao vivo, 
surgiram como ferramentas poderosas para ampliar o alcance e diversificar 
formatos jornalísticos. Porém, essas inovações trazem desafios, como a 
adaptação às novas demandas do público e a preservação da credibilidade em 
meio à instantaneidade das informações. O equilíbrio entre inovação e 
responsabilidade é fundamental para garantir a qualidade do conteúdo produzido. 
Por fim, no jornalismo organizacional, percebemos como empresas e 
instituições utilizam estratégias comunicativas para alinhar-se ao público e 
fortalecer a própria imagem. Essa vertente reforça a importância do jornalismo 
como uma ponte entre organizações e sociedade, mostrando que comunicar 
histórias e valores é uma prática estratégica essencial. Assim, o jornalismo 
contemporâneo permanece em constante transformação, exigindo um olhar crítico 
e adaptável para continuar cumprindo uma função fundamental, que vai além de 
informar: conectar e inspirar. 
 
 
 
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