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FUNDAMENTOS 
DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
“A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma 
ação integrada de suas atividades educacionais, visando à 
geração, sistematização e disseminação do conhecimento, 
para formar profissionais empreendedores que promovam 
a transformação e o desenvolvimento social, econômico e 
cultural da comunidade em que está inserida.
Missão da Faculdade Católica Paulista
 Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo.
 www.uca.edu.br
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma 
sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, 
salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a 
emissão de conceitos.
Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 3
SUMÁRIO
AULA 01
AULA 02
AULA 03
AULA 04
AULA 05
AULA 06
AULA 07
AULA 08
AULA 09
AULA 10
AULA 11
AULA 12
AULA 13
AULA 14
AULA 15
06
17
26
37
46
56
68
80
92
105
117
127
140
152
162
O QUE É INFORMAÇÃO JORNALÍSTICA
O JORNALISMO BRASILEIRO
JORNALISMO E CIDADANIA
IMPRENSA X EMPRESA
IMPRESSO, TELEVISIVO, RADIOFÔNICO, 
ELETRÔNICO. É TUDO UM MESMO 
JORNALISMO?
QUEM CONSOME TANTAS NOTÍCIAS
DE QUEM É A FALA NO JORNALISMO
TUDO É NOTÍCIA, TUDO VIRA NOTÍCIA
O DIÁLOGO ENTRE COMUNICAÇÃO E DIREITO
DIREITO DE IMAGEM
TRANSMISSÃO DE EVENTOS ESPORTIVOS
CÓDIGO DE ÉTICA DOS JORNALISTAS
INTERNET, ÉTICA E O DIREITO AO 
ESQUECIMENTO
MARCO CIVIL DA INTERNET
LIBERDADE DE EXPRESSÃO E DISCURSO DE 
ÓDIO
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 4
INTRODUÇÃO
Caro aluno de Jornalismo, estamos iniciando uma nova disciplina, fundamental e 
necessária em seu processo de formação como profissional de comunicação.
Traremos importantes contribuições sobre o campo de atuação dos jornalistas, 
centrando nossos estudos no jornalismo como instituição de fortalecimento da 
democracia e do pleno exercício da cidadania.
Abordaremos o direito a livre informação, correta, verdadeira e estruturada de acordo 
com preceitos e conceitos que regem a profissão.
Trataremos sobre a função social da profissão e o compromisso de atuar em favor 
da sociedade que adquirimos ao passarmos pelo processo de formação acadêmica.
Traremos a vocês conceitos sobre as rotinas do jornalismo e discutiremos tópicos 
de cidadania, ética e legislação, sempre com apoio de autores fundamentais.
Esta disciplina foi estruturada em quatro unidades, abordando aspectos relevantes 
e atuais do processo de comunicação. Na primeira unidade, jornalismo e a práxis, 
mostrando que academia e redação devem caminhar juntas no sentido de construir 
um pensamento social abrangente e democrático.
Na unidade dois falaremos detalhadamente sobre jornalismo, as notícias e a Mídia, 
trazendo textos atuais que nos farão refletir sobre o atual momento do jornalismo, as 
transformações advindas pela revolução tecnológica e da comunicação e pensaremos 
sobre o modelo de negócios do jornalismo.
Á partir da terceira unidade iremos apresentar a função social do jornalismo, com 
tópicos relativos a Mídia e Direito e códigos que regem a ética da profissão.
A quarta unidade foi reservada para falarmos sobre comunicação e internet. Quais 
são os direitos e quais são os limites quando se utiliza a Internet para propagar 
informações. 
Temos como objetivo mostrar a vocês, futuros profissionais de comunicação, como 
o jornalismo está estruturado desde sua origem no Brasil, a força da informação como 
instrumento de fortalecimento da cidadania e a função social da comunicação.
Buscaremos também ressaltar a importância do jornalismo local e regional, feito 
de forma ética e por profissionais qualificados, capacitados e comprometidos com a 
profissão, com serão vocês ao final deste curso.
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
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Espero que gostem da disciplina e aproveitem os ensinamentos que aqui serão 
apresentados. Bons estudos!
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
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AULA 1
O QUE É INFORMAÇÃO 
JORNALÍSTICA
Abrimos um jornal, ligamos a TV, acessamos um portal de notícias 
porque aceitamos, em maior ou menor medida, ser informados por 
narrativas que garantem ter “compromisso com a informação”. No 
entanto, é curioso pensar que, ainda que a informação seja a razão da 
existência do jornalismo, uma pergunta como: “O que é a informação?”, 
pode parecer tão inconveniente ao jornalista (Leal, et al. 2014, p, 68).
https://pixabay.com/photos/mic-microphone-sound-check-sing-1132528/
Olá caros alunos e alunas. Iniciamos a partir deste momento mais uma etapa da 
caminhada rumo a formação acadêmica em Jornalismo. Buscaremos, por meio da 
disciplina Fundamentos do Jornalismo, entendermos melhor os caminhos da produção 
jornalística, da notícia e o que realmente importa ao consumidor de informação.
A Ética em seu sentido mais amplo e os tópicos relativos a Comunicação serão 
apresentados. Buscaremos ainda definir os limites entre Mídia e Direito, Jornalismo 
e Direito e a nova postura da Comunicação diante da Internet. Além disso, falaremos 
sobre a relação entre liberdade de expressão e discurso de ódio. 
https://pixabay.com/photos/mic-microphone-sound-check-sing-1132528/
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
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Mas para que tudo isso fique muito claro ao final deste livro, precisamos discutir 
e responder à pergunta desta nossa primeira aula – O que é informação jornalística?
1.1. Informação 
Quando nos deparamos com um semáforo, uma placa de trânsito, um cartaz, um 
outdoor, estamos recebendo informação, estamos sendo comunicados sobre algo. 
As cores, os símbolos, os códigos e sinais nos informam se devemos seguir, parar, 
virar para a direita ou para a esquerda. 
Quando perguntamos a alguém na rua onde fica tal endereço, estamos recebendo 
informação. Quando um atendente indica qual guichê se dirigir, ou quando a placa na 
porta do banheiro indica o gênero, também estamos sendo comunicados sobre algo, 
ou seja, recebendo informações.
Portanto, informação nada mais é do que um conjunto de elementos organizados 
por meio do conhecimento sobre determinado tema, constituindo referências sobre 
um fato ou acontecimento. Pode ser uma informação nova, como sobre uma rua 
que não conhecemos, como pode também ser uma informação que nos deparamos 
diariamente, ao cruzarmos a cidade.
Significado de Informação: Reunião dos conhecimentos, dos 
dados sobre um assunto ou pessoa [...] Esclarecimento sobre o 
funcionamento de algo: informações sobre o aparelho [...] Ação ou 
efeito de informar ou de se informar. (https://www.dicio.com.br/
informacao/)
https://www.freeimages.com/pt/photo/traffic-signs-1526081
https://www.dicio.com.br/informacao/
https://www.dicio.com.br/informacao/
https://www.freeimages.com/pt/photo/traffic-signs-1526081
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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1.2. Informação Jornalística
Quando passamos a falar de informação jornalística, ou seja, no âmbito 
da comunicação, a informação adquire o status de conhecimento dos fatos e 
acontecimentos que se tornam públicos através da Mídia, por meio dos veículos de 
comunicação.
Passamos, portanto, a falar da prática jornalística diária e de uma informação que, 
para alcançar o resultado final, sofre um processo de procura, seleção e tratamento, 
para que chegue até seu destinatário dentro de padrões que possuem elementos 
como: pauta, lide, apuração dos fatos, busca da verdade, clareza de narrativa, pontos 
de vista, além de outros elementos essenciais ao desempenho do jornalismo.
Esta busca constante e incessante pela informação dentro de padrões jornalísticos é 
presente a cada pauta criada, a cadaprocesso de apuração dos fatos e das entrevistas, 
pois a informação não é apenas uma parte do jornalismo, mas sim a aspecto mais 
importante e fundamental do processo e da profissão. A informação é o que confere 
credibilidade ao trabalho jornalístico e ao profissional de jornalismo.
Outra grande diferença é entender que a informação no jornalismo, busca nos 
informar algo e não apenas nos informar sobre algo e por este motivo precisa sempre 
e a todo momento estar correta, mantendo a credibilidade e isenção, fazendo com 
que o leitor, ouvinte ou telespectador tenha autonomia para tirar desta informação os 
elementos para sua análise.
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FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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Para que uma informação seja correta e traga credibilidade, o mais importante 
não é apenas a mídia utilizada, mas sim um longo processo de conquista dos seus 
leitores/ouvintes/telespectadores, como bem nos mostra o exemplo abaixo:
Em meados do século XVIII, mesmo dispondo de vários jornais 
impressos, os parisienses costumavam ir até uma castanheira no 
centro da cidade, a chamada Árvore de Cracóvia, para saber as 
notícias, que eram transmitidas oralmente. Ainda nesse período, uma 
outra forma de divulgar informações em Paris era por meio de uma 
intrincada rede de bilhetes (ZANCHETTA, 2004, p, 9). 
Pelo que vimos, mesmo com a chega de uma nova tecnologia, o jornal impresso, 
os moradores ainda preferiam se informar pelo modo anterior, oralmente ou por carta, 
pois certamente haviam criado, por uma série de elementos, uma identificação com 
o formato de transmissão das notícias. 
Certamente a credibilidade, seleção de quais notícias apresentar e a maneira com 
que as informações eram passadas, foram fundamentais para manter fiel o público 
por um bom tempo, até que a nova tecnologia conseguisse despertar nos cidadãos 
os mesmos sentimentos e suplantasse o modelo anterior.
1.2.1 A informação jornalística nos apresenta um mundo
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FUNDAMENTOS DO 
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Quando dizemos que a informação jornalística nos apresenta um mundo, ao invés 
de representar o mundo, como muitos poderiam indagar, não estamos dizendo que 
a informação é incorreta ou sem validade, ou que o trabalho do jornalista não foi 
executado como deveria. 
Estamos dizendo, sim, que a informação, a narrativa jornalística é a protagonista, 
ou seja, o resultado do trabalho é uma construção, a partir dos dados selecionados 
pelo jornalista, constituindo uma nova realidade baseada nos fatos e acontecimentos 
descritos, tornando-se, portanto, um novo mundo.
A informação passa a ser compreendida nesse sentido, como mediadora entre a 
realidade dos fatos e dos acontecimentos e a realidade da narrativa, produzida pelo 
jornalista, trazendo elementos como novidade, descrição e dados relativos aos fatores 
envolvidos.
Outro ponto a ressaltar é com relação as fontes de informação. O próprio jornalista 
deve ser também considerado como fonte, pois é a partir dele, de seu trabalho de 
pesquisa, entrevistas e testemunha presencial dos fatos, que a narrativa é produzida 
e uma história é contada ou recontada.
Com relação as fontes, também é importante lembrar que o jornalista busca sempre 
fontes legítimas, ligadas diretamente aos fatos e que possuem, muitas vezes, ligação 
com partes envolvidas. São as chamadas fontes oficiais. 
Mas neste caso também é preciso atenção, pois as chamadas “fontes oficiais”, 
constroem seus mundos por meio das histórias que nos contam e o modo como 
enxergam os fatos que vivenciaram, ou ainda, os próprios interesses envolvidos. Sobre 
esta questão, LEAL (2014), nos deixa uma reflexão sobre como devemos estar atentos 
a questão das fontes, para não cometermos o erro de sempre buscarmos as mesmas:
[...] tal noção frequentemente leva o jornalista a eleger certas 
instâncias como fontes de informações mais legítimas. Onde 
podemos encontrar informações? Uma vítima, uma testemunha, 
uma autoridade, um especialista..., mas por que não aquele rapaz 
ali, passando despercebido, com as mãos no bolso, aparentemente 
desinformado? Um documento, uma fotografia, uma declaração, 
tudo isso pode também ser “portador” de informações. Mas não 
poderíamos perceber informações valiosas em lugares imprevistos? 
Um sussurro, uma pausa, uma encruzilhada, uma ideia não concluída? 
(LEAL, Et Al, 2014, p, 70). 
 
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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ANOTE ISSO
Sobre a evolução das técnicas de informação jornalística aliadas a tradição e a 
credibilidade, que conferiam sobrevida aos modelos mais tradicionais, como a 
oralidade e as cartas, cabe aqui refletir um pouco mais sobre isso, pois vivemos um 
momento em que o surgimento da internet nos coloca diante de dilemas parecidos 
aos enfrentados no século XVIII. Sabemos que a internet veio para ficar, mas que 
até o momento ainda não encontrou mecanismos para que as informações que 
transitam por seus canais, tenham as mesmas características de credibilidade 
das chamadas “mídias tradicionais”, rádio, TV e impresso. Como apoio as nossas 
reflexões, usaremos em vários momentos neste livro, a obra 1000 Perguntas Sobre 
Jornalismo, escrito pelo jornalista Felipe Pena. Começaremos pelo trecho abaixo:
O que eram as lettere d’avisi? As lettere d’avisi eram cartas manuscritas não 
periódicas que já́ eram recebidas pelos comerciantes venezianos desde o século 
XIII, no Brolo, a praça central da cidade, em frente ao palácio do Duque. Daí́ também 
serem chama- das de broli ou fogli a mano. Na França, essas cartas eram chamadas 
de nouvelles à la main, e nas cidades alemãs, de Geschriebene Zeitungen. Claro 
que havia um público restrito com interesses específicos (políticos e econômicos, 
obviamente), e seu conteúdo era controlado. Mesmo assim, esse tipo de “jornalismo 
primitivo” já́ provocava reações exaltadas de nobres e religiosos que se sentiam 
prejudicados pela exposição pública. (PENA, 2012, p,4)
1.2.2 O profissional transforma em informação os acontecimentos 
Temos também que evidenciar em toda esta análise do que vem a ser informação 
jornalística, o papel do próprio profissional. O jornalista é responsável não apenas por 
narrar os fatos e acontecimentos, mas também pela escolha dos temas e assuntos. 
O jornalista é quem, por meio do seu trabalho traz notoriedade e relevância a 
informação, conferindo-lhe status de notícia jornalística, ou seja, de interesse da 
sociedade. Lembrando que o jornalista não exerce apenas a função de repórter, mas 
tem presença em todas as instancias da produção jornalística nas diferentes Mídias.
E o papel essencial e fundamental do jornalista fica evidente quando desvinculamos 
a natureza da informação dos lugares preestabelecidos como fontes possíveis e únicas 
e chamamos atenção para o fato de que tudo, em qualquer lugar, a qualquer momento 
pode se tornar informação. 
Quando tudo parece ser informação, entra em cena o jornalista, para mostrar o que 
de fato tem potencial e importância para se tornar informação, como bem descreve 
LEAL (2014): 
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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[...] estamos evidenciando o papel fundamental do jornalista na 
própria constituição da informação. Ele não simplesmente descobre a 
informação e a torna pública; é ele quem percebe certas coisas como 
informação e lhes confere existência nas relações que estabelece ao 
narrá-las. Em outras palavras: a informação não preexiste à busca do 
jornalista, à pauta que a torna necessária, ao olhar que a percebe, à 
pergunta que ela responde, ao texto quelhe dá existência. O jornalismo 
informa a realidade ao permitir que algo se torne informação (LEAL, 
Et Al, 2014, p, 70).
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FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Quando falamos sobre a importância do jornalista na produção da informação e 
como este profissional também é uma fonte, devemos saber que o preparo para 
o trabalho é fundamental, como em qualquer profissão. Na matéria abaixo, quem 
tornou-se notícia foi o jornalista e não sua entrevistada, pelo fato do profissional não 
ter feito a lição de casa e se preparado adequadamente para a entrevista. Quando 
a cantora descobriu que o jornalista não havia ouvido as músicas do seu disco, 
encerrou a entrevista. 
Adele abandona entrevista após saber que jornalista não ouviu seu disco
Segundo PageSix, ela teria saído furiosa; entrevistador se desculpa
Simon Emmett/Divulgação e Bob Wolfenson/Divulgação
A cantora Adele, 33, abandonou uma entrevista no meio depois de saber do 
jornalista nem sequer tinha ouvido seu novo disco, “30”.
De acordo com o PageSix, a cantora britânica teria saído furiosa do local após o 
apresentador da Seven Network, Matt Doran, cometer a gafe. Também haveria um 
show de duas horas especialmente para sua emissora que foi cancelado.
Dessa forma, a Austrália se tornou o único mercado no mundo que não teve uma 
entrevista frente a frente com Adele para promover o lançamento do álbum.
Segundo uma fonte, Matt Doran foi repreendido e punido com uma suspensão de 
suas semanas, pois deveria ter feito a pesquisa necessária para entrevista, o que 
incluiria ouvir o álbum da cantora.
Ao site The Australian, o jornalista se desculpou. “Quando me sentei para entrevistar 
Adele, não sabia que havia recebido por email uma prévia de seu álbum inédito. Foi 
um descuido, mas não um desprezo deliberado. Este é o email mais importante que 
já perdi”, disse Doran.
Fonte:https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2021/11/adele-abandona-entrevista-apos-saber-que-jornalista-nao-ouviu-seu-disco.shtml
https://f5.folha.uol.com.br/astrologia/2021/11/adele-diz-que-escreveu-novo-album-durante-seu-retorno-de-saturno-entenda.shtml
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2021/11/adele-tem-30-seu-novo-disco-vazado-no-telegram-a-um-dia-do-lancamento-oficial.shtml
https://pagesix.com/2021/11/22/adele-leaves-interview-for-host-not-listening-to-album/
https://www.theaustralian.com.au/subscribe/news/1/?sourceCode=TAWEB_WRE170_a_GGL&dest=https%3A%2F%2Fwww.theaustralian.com.au%2Fbusiness%2Fmedia%2Fhansons-cartoon-creates-climate-for-thunberg-role%2Fnews-story%2F73a108111fc0bdf79c9ad20587169cbc&memtype=anonymous&mode=premium&v21=dynamic-cold-control-noscore&V21spcbehaviour=append
https://www.theaustralian.com.au/subscribe/news/1/?sourceCode=TAWEB_WRE170_a_GGL&dest=https%3A%2F%2Fwww.theaustralian.com.au%2Fbusiness%2Fmedia%2Fhansons-cartoon-creates-climate-for-thunberg-role%2Fnews-story%2F73a108111fc0bdf79c9ad20587169cbc&memtype=anonymous&mode=premium&v21=dynamic-cold-control-noscore&V21spcbehaviour=append
https://f5.folha.uol.com.br/celebridades/2021/11/adele-abandona-entrevista-apos-saber-que-jornalista-nao-ouviu-seu-disco.shtml
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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1.3. O poder da informação jornalística
https://pixabay.com/pt/photos/c%c3%a2meras-filmando-6839248/
Quando falamos sobre o poder da informação jornalística, estamos nos referindo 
não apenas a questão da visibilidade pelo fato de serem vistas, pois hoje, devido a 
Internet, torna-se muito fácil e rápido uma informação circular. Estamos falando sobre 
o poder da visibilidade e divulgação através do jornalismo, que é um lugar legítimo e 
por onde as notícias ganham certificação e credibilidade.
Quantas vezes nos deparamos com uma informação divulgada pelas redes sociais ou 
os grupos de relacionamento aos quais pertencemos e rapidamente surge a pergunta 
– “Mas isto é verdade? ”, “Saiu em qual lugar? ”, numa clara referência a necessidade 
desta informação receber a chancela de um veículo de comunicação considerado 
legítimo, como rádio, TV ou meio impresso.
Ao falarmos sobre circulação de informação legitimada, estamos de certo modo, 
considerando aquela informação como verdadeira, ou seja, não existe, a princípio, um 
questionamento sobre a veracidade daquele acontecimento. 
Podem ocorrer questionamentos sobre o interesse na divulgação e a maneira como 
foi produzida a notícia, mas sempre considerando que o ponto de partida é legítimo, 
conforme explica LEAL (2014, p, 73), ao reafirmar que no meio jornalístico, “Informar 
é autorizar algo a existir como informação, tornar algo legítimo de ser mostrado e, ao 
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15
mesmo tempo, é afirmar que aquilo deve ser visto”, ou seja, a informação divulgada 
pela imprensa torna-se aquilo que podemos e devemos saber.
Este poder da informação e, por conseguinte, da Mídia, também se expressa e isto 
é importante saber, não apenas quando a informação circula, mas também quando, 
por algum motivo, deixa de circular. 
Esta constatação torna o poder da imprensa decisivo e absoluto sobre decidir quem 
e o que devem ser divulgados ou não de forma legítima, e nos diz muito não apenas 
sobre o que é divulgado, mas também sobre o que deixa de ser divulgado, conforme 
pontua LEAL (2014).
[...] algo só se torna informação porque uma infinidade de outras 
coisas foi deixada de fora. E é por essa relação que a informação está 
sempre em um limiar político muito delicado: ao informar, o jornalismo 
autoriza certas coisas a ganhar visibilidade pública, define em que 
termos essa visibilidade se constitui e relega à sombra diversas 
outras relações e sentidos que não puderam (seja por capacidade, 
seja por autorização) ser informados (LEAL, Et Al, 2014, p, 74).
ISTO ESTÁ NA REDE
O artigo abaixo, que pode ser encontrado na Internet, é uma excelente reflexão sobre o 
poder da informação jornalística e como a Mídia cria estratégias para legitimar-se junto 
a sociedade na seleção de quais informações devem ou não ser divulgadas. 
Celebração da prática e teoria do fazer jornalístico – Zero Hora 45
Daiane Bertasso Ribeiro e Maria Ivete Trevisan Fossá
Resumo: Partimos do pressuposto de que o jornalismo se constitui em uma 
prática discursiva. Sendo assim, seus textos são entendidos como discursos, 
pelos quais ele constrói a realidade, embora no exercício da profissão persista 
a busca pela objetividade, entendida neste trabalho como uma estratégia para 
produzir efeitos de sentido de “realidade”, “verdade” e “imparcialidade”. Também 
partimos do pressuposto de que atualmente a prática jornalística passa por 
transformações decorrentes da midiatização, recorrendo a estratégias de 
autorreferencialidade, compreendida como a competência discursiva que os 
dispositivos midiáticos possuem de poder falar de si mesmo e de outros campos 
sociais. Para tanto, a nossa reflexão sobre a prática e a teoria do fazer jornalístico 
se estabelece por meio da observação dos produtos midiáticos que celebram os 
45 anos do jornal Zero Hora - RS.
Disponível em: https://redib.org/Record/oai_articulo1720394-a-
celebra%C3%A7%C3%A3o-da-pr%C3%A1tica-e-da-teoria-do-fazer-
jornal%C3%ADstico-%E2%80%93-zero-hora-45-anos.
https://redib.org/Record/oai_articulo1720394-a-celebra%C3%A7%C3%A3o-da-pr%C3%A1tica-e-da-teoria-do-fazer-jornal%C3%ADstico-%E2%80%93-zero-hora-45-anos
https://redib.org/Record/oai_articulo1720394-a-celebra%C3%A7%C3%A3o-da-pr%C3%A1tica-e-da-teoria-do-fazer-jornal%C3%ADstico-%E2%80%93-zero-hora-45-anos
https://redib.org/Record/oai_articulo1720394-a-celebra%C3%A7%C3%A3o-da-pr%C3%A1tica-e-da-teoria-do-fazer-jornal%C3%ADstico-%E2%80%93-zero-hora-45-anos
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVAFACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16
1.3.1 O jornalismo legitima a informação
https://cdn.pixabay.com/photo/2016/02/01/00/56/news-1172463_960_720.jpg
Constatamos, portanto, ao caminharmos para a parte final desta aula, que o poder 
da informação está diretamente ligado ao fato desta informação passar pelos filtros, 
formatação e reverberação propiciados pela Mídia, por meio de seus veículos de 
informação, que conferem a legitimidade necessária aos fatos e acontecimentos.
Segundo RIBEIRO E FOSSÁ (2009), “o poder da informação está basicamente 
resumido ao poder da linguagem jornalística, e esse poder está expresso na forma 
como são construídos os discursos jornalísticos”. Para as autoras, mesmo com a 
variedade de informações disponíveis e os meios para acessá-las, é por meio do 
jornalismo que a informação se estabelece verdadeiramente.
Vive-se hoje em uma sociedade midiatizada, na qual as variedade de 
informações são muitas e estão disponíveis nas mais diversas mídias, 
inclusive naquelas que não possuem a legitimidade conquistada pelo 
jornalismo para informar. O que se observa é que muito embora a 
midiatização tenha mudado muitos aspectos da forma como o campo 
jornalístico disponibiliza as informações e constrói as notícias e tenha 
alterado a relação de mediação deste com os demais campos sociais, 
o jornalismo continua a ocupar o lugar legítimo para produzir efeitos de 
sentido aos acontecimentos midiáticos. (RIBEIRO E FOSSÁ, 2009, p,19).
Obrigado por chegar até aqui e na próxima aula iremos abordar o jornalismo brasileiro 
e suas principais características, além de falarmos também sobre a relação teoria e 
prática no fazer jornalístico.
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FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17
AULA 2
O JORNALISMO BRASILEIRO
Credibilidade é uma das palavras centrais para a imprensa. Para que 
um veículo de imprensa se consolide, é fundamental que ele seja 
respeitado pelo público que pretende atingir (ZANCHETTA, 2004, 
p,12).
https://pt.dreamstime.com/not%C3%ADcia-brasileira-imprensa-e-conceito-do-jornalismo-microfone-ne-image124610183
Muito embora esteja presente em todo mundo, o jornalismo se firma por suas raízes 
nacionais e locais. Assim como os brasileiros se informam por notícias produzidas 
pela imprensa brasileira, os Estados e municípios também aproximam a informação 
dos seus leitores, ou seja, preservam seus territórios, mesmo com a inexistência de 
barreiras físicas e legais que impossibilitem buscar uma informação, por exemplo em 
sites, TVs e jornais de outro país.
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FUNDAMENTOS DO 
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Isto acontece, em grande parte porque forma-se um processo de assimilação cultural 
local e territorial, proporcionando o compartilhamento de sentimentos e aspirações 
comuns no entorno, produzindo estas sensações geração após geração.
Quem não tem viva em sua memória a imagem dos avós e pais lendo um jornal 
em sua cadeira preferida, ouvindo seus programas matinais ou de final de tarde pelo 
rádio, a voz dos locutores tornando tudo familiar e a transcendência de gerações nesta 
prática, mesmo com a possibilidade do uso de novas tecnologias de comunicação e 
informação.
Será que estes traços regionais e culturais tão impregnados no inconsciente da 
sociedade brasileira irão sucumbir após as transformações provocadas pela chegada 
da internet.
E estas mudanças que a cada dia se tornam mais e mais presentes, incontroláveis 
e irreversíveis trarão também mudanças no conteúdo das informações, das notícias, 
das pautas criadas para nos mostrar como está nossa cidade, nosso Estado e nosso 
Brasil. Seremos consumidores globais e não mais locais de informação?
Creio que será preciso, para preservar a força e a importância da comunicação 
local, além da criatividade e originalidade de um pensamento como nação, estado 
e município, manter o compromisso como profissionais do jornalismo, de produzir 
conteúdo que atenda aos anseios desta nova concepção de sociedade. 
Será preciso sim inovar, no modo de pensar o jornalismo, ao mesmo tempo que se 
torna extremamente necessário buscar as inovações, sejam elas no modo de sentir, 
decidir e agir com relação a prática jornalística, na manutenção de uma identidade 
comunicacional própria.
Trabalharemos nesta aula, analisando e discutindo o conceito de práxis, para 
podermos analisar a crise por que passa o jornalismo atual, ao mesmo tempo em 
que entendermos ser este o momento para também discutirmos novos rumos para 
a profissão, debatendo valores do jornalismo e a prática profissional. 
Mas para que tenhamos clareza das discussões presentes e futuras, torna-se 
essencial entender como chegamos até aqui, e o estudo das práxis nos oferece esta 
oportunidade. Segundo HAUSER (2018), “A práxis é um suporte teórico que permitem 
pensar a realidade como uma totalidade processual em constante transformação, 
cujos desafios aparecem articulados, muitas vezes, ao dilema da permanência versus 
transformação”, como é o caso do jornalismo na atualidade.
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O conceito de práxis - Práxis era um termo empregado na Antiguidade 
clássica para designar uma ação que tem seu fim em si mesma, ou 
seja, que não cria ou produz qualquer objeto exterior a si. De acordo com 
Aristóteles, e na interpretação de Sánchez Vásquez (1977), uma ação 
moral ou uma conduta pode ser considerada práxis, mas o trabalho de 
um artesão, cujo resultado é um objeto que passa a existir fora do agente 
criador, tem de ser considerado fabricação ou produção, ou seja, uma 
atividade poética e não prática. (HAUSER, 2018, p, 13).
2.1 Práxis, modo de ver e fazer jornalismo
Em uma rápida pesquisa pela internet, é possível encontrar inúmeras definições 
sobre o que vem a ser práxis. Para que não fiquem dúvidas sobre este conceito, 
adotaremos as definições do Dicionário de Língua Portuguesa, cuja versão online 
pode ser acessada no endereço eletrônico https://www.dicio.com.br.
Importante também delimitar que usaremos a práxis no sentido de entender como os 
estudos acadêmicos, ou seja, a teoria, pode oferecer à prática jornalística ferramentas 
capazes de produzir transformações reais e concretas no fazer jornalístico.
Fonte: https://www.dicio.com.br/praxis/
https://www.dicio.com.br
https://www.dicio.com.br/praxis/
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O entendimento sobre o que vem a ser práxis nos ajuda a compreender melhor a lógica 
presente entre prática e teoria, na construção de uma realidade social capaz de gerar 
conhecimento, mas entendendo que a prática do jornalismo não pode e não deve existir 
sem a teoria, ou seja, a prática totalmente descolada da teoria, ao mesmo tempo em que 
somente a teoria, sem existir a prática, não produz os efeitos estudados e desejados.
Sabemos, até de forma empírica que não existe atividade prática sem a teoria e a 
atividade teórica, simplesmente, nos apresenta apenas uma posição contemplativa e 
analítica sobre o fazer jornalístico. Quem nunca ouviu a frase “na prática, a teoria é outra”, 
em clara alusão ao distanciamento que existe, mas que não deveria existir.
Desta forma, a práxis torna-se mediadora do pensamento ideal de como deve ser 
praticado o jornalismo e como o jornalismo diário, consumido por sua rotina, se afasta 
das teorias que o criaram e vive em uma “bolha”, prejudicial a sua função social.
2.1.1 O jornalismo feito no Brasil
Em estudos anteriores conhecemos a origem lusitana do jornalismo e da imprensa 
brasileira, ao mesmo tempo em que, após a separação entre Brasil e Portugal, houve 
também a busca por uma identidade própria do nosso jornalismo.
Este processo acabou desembocando parajornalistas e políticos, ou podemos dizer, 
mais políticos do que jornalistas, tornando-se, portanto, o pensamento fundador desta nova 
fase do jornalismo brasileiro impregnada por um sentimento de que o jornalismo e seu 
poder serviriam aos interesses dos grupos políticos e por consequência, das oligarquias 
que dominavam o país. 
Algumas vozes, como o jornalista, político e escritor Rui Barbosa se opuseram e viram 
nesta manobra uma clara tentativa de criar uma máquina de imprensa capaz de manipular, 
distorcer e produzir informações de acordo com seus interesses. 
Seu principal paladino, o baiano Rui Barbosa (1920), mostra-se indignado 
com as distorções praticadas pela nossa imprensa, corrompida pelos 
governos republicanos. Ele reitera o compromisso ético da profissão 
com o dever da verdade ao tecer um libelo contra a mercantilização 
dos jornais e o messalinismo dos jornalistas, na era Campos Salles [...] 
E trata também de lembrar que as epidemias de corrupção jornalística 
têm ilustres precedentes forâneos, demonstrando sua familiaridade com 
a literatura estrangeira (MELO, 2009, p,9).
Outro momento importante para se pensar sobre o jornalismo praticado no Brasil foi 
durante o período de ditadura, em que o papel da imprensa passou a ser questionado 
não apenas pela sociedade, mas principalmente por jornalistas que passaram a sofrer 
censura, perseguição política ideológica e nos casos mais gritantes, pagar com a vida 
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por suas posições, como o jornalista Wladimir Herzog, assassinado a mando e pelo 
governo militar em 25 de outubro de 1975. 
Neste período vários nomes despontam na luta contra a opressão e na busca 
por um jornalismo independente. Destaque para o jornalista Alberto Dines, que não 
recuou em suas posições e buscou transformar o momento difícil em oportunidade 
de reflexão sobre o jornalismo pratica no país.
Um dos críticos principais é o jornalista Alberto Dines, cuja reflexão densa, 
oportuna e instigante o aproximou naturalmente da universidade [...] 
quando, pressionada pelo governo militar, a direção da empresa o demite 
traumaticamente, ele decide fazer uma pausa em seu atribulado exercício 
profissional, escrevendo um livro antológico. Seu ponto de partida é 
a crise do papel, que abala a imprensa mundial, impondo mudanças 
radicais nas rotinas jornalísticas. Dines (1974) aproveita o ensejo para 
fazer uma revisão crítica do jornalismo brasileiro, pensando alternativas 
futuras em função de dois elementos: o contexto internacional e o 
cenário histórico brasileiro. No primeiro caso, ele se fundamenta em farta 
e atualizada bibliografia estrangeira [...] no segundo caso, recorre aos 
pensadores nacionais: aos mais antigos, como Alceu de Amoroso Lima, 
Carlos Rizzini ou Marcello de Ipanema, e aos seus contemporâneos, 
como Antônio Costella e José Marques de Melo, ou da profissão, como 
Samuel Wainer e Joelmir Betting (MELO, 2009, p,13).
ISTO ESTÁ NA REDE
Alberto Dines foi um dos mais importantes jornalistas e pesquisadores sobre o 
papel do jornalismo na sociedade. Deixou obras essenciais para debater os rumos 
da profissão e ao mesmo tempo o papel social que o jornalismo deve exercer. 
Foi crítico do distanciamento entre academia e redação e criou o Observatório da 
Imprensa, espaço destinado a discussão sobre jornalismo e jornalistas.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/desinformacao/combate-a-desinformacao-no-brasil-votacao-do-pl-2630-precisa-acontecer-este-ano/
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/desinformacao/combate-a-desinformacao-no-brasil-votacao-do-pl-2630-precisa-acontecer-este-ano/
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Um pouco mais à frente, o jornalismo passa a conviver com uma sociedade mais 
urbanizada, a força dos sindicatos e a industrialização, o que acaba por transformar o 
resultado da produção jornalística em mercadoria. Segundo a jornalista e pesquisadora 
Cremilda Medina, o jornalismo passou a ser um produto à venda.
Cremilda defronta-se com o processo de mutação do jornalismo 
na sociedade urbana e industrial, em que a notícia se converte 
ostensivamente em mercadoria, ou seja, “um produto à venda”. Para 
reverter esse quadro empobrecedor, a autora busca construir um 
modelo de análise da mensagem a partir da consciência do fazer 
jornalístico. Sem ilusões de alterar o sistema, ela trabalha com a 
“possibilidade de sistematizar os caminhos de aperfeiçoamento” 
(MELO, 2009, p,14).
Já no início deste século XXI, as pesquisas se concentram em dois polos. Um 
trabalha pela busca de soluções para oxigenar e renovar o jornalismo brasileiro. E o 
segundo polo demonstra preocupação com a formação e legitimação acadêmica dos 
profissionais de jornalismo. Tudo isso atrelado aos impactos sofridos pela Mídias nos 
primeiros vinte anos deste século.
Discussões como o jornalismo on-line, a digitalização do rádio e as mudanças 
advindas pela Internet, são alguns dos dilemas que povoam tanto as academias quanto 
as redações. 
Busca-se demonstrar, tanto dentro das faculdades e universidades, como nas 
redações, que a sociedade mantém a percepção do seu entorno e toma suas decisões, 
em muito amparada pelas informações que recebe da imprensa profissional, que 
atua como mediadora do pensamento médio dos cidadãos. Caso este equilíbrio seja 
rompido, as consequências podem ser danosas.
Esta corrente emerge com a intenção de conquistar o lugar que 
historicamente cabe ao jornalismo no sistema nacional de ciência e 
tecnologia. Tendo surgido no espaço nacional como área específica 
do conhecimento há 60 anos, o jornalismo enfrentou o reducionismo 
que, nos anos de chumbo, o condenou a figurar como subárea do novo 
campo da comunicação social. Ameaçada de desfigurar-se tanto na 
arena profissional (pela iminência da abolição do diploma) quanto 
na acadêmica (pela tentativa de rebaixamento à vala comum das 
especialidades na árvore disciplinar irrigada pelo CNPq), a atividade 
jornalística vem sendo arregimentada pela sua vanguarda no sentido 
de demonstrar publicamente legitimidade ocupacional e científica. 
(MELO, 2009, p,19).
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Portanto, os desafios postos são enormes, pois as mudanças atuais afetam 
não apenas o faze jornalístico, a forma como a mensagem chega ao cidadão, mas 
reconfigura a sociedade e sua maneira de pensar e interagir com a notícia.
Pede-se na atualidade um jornalismo mais presente, participativo e ao mesmo 
tempo multidisciplinar em suas abordagens. Não se pode tratar a notícia pela 
notícia em si, mas também suas complicações e consequências em todos os 
âmbitos sociais.
Academia e redação precisam e devem atuar juntas no sentido de fazer com que 
o jornalismo, em sua prática diária de informar, possa também, avançar de forma 
interacional rumo aos questionamentos da atual sociedade, centrada na tecnologia, 
informação abundante e em alta velocidade. 
ANOTE ISSO
1000 Perguntas sobre Jornalismo – Felipe Pena fonte: (PENA, 2012, p,41)
Com o que se preocupa o estudo sobre as notícias? O estudo sobre as notícias 
preocupa-se fundamentalmente com a produção jornalística, mas também 
envereda pela circulação do produto, a própria notícia. Esta, por sua vez, é resultado 
da interação histórica e da combinação de uma série de vetores: pessoal, cultural, 
ideológico, social, tecnológico e midiático.
Com o que se preocupa o estudo sobre os efeitos das notícias? Os estudos 
sobre os efeitos das notícias podem ser divididos em afetivos, cognitivos e 
comportamentais, incidindo sobre pessoas, sociedades, culturas e civilizações. Mas 
também acabam influenciando a própria produção da notícia, em um movimento 
retroativo de repercussão.
2.1.2 Caminhos para uma mudança
Quando falamos sobre repensar o jornalismo atual em busca de possíveis novos 
caminhos, uma primeira pergunta a fazerdeve ser - será que podemos repensar toda 
esta prática jornalística, sem incluirmos neste debate a teoria?
O conceito de práxis não nos permite a separação entre as duas práticas, a acadêmica 
e a redacional. Para entendemos as engrenagens de uma redação, é preciso também 
dimensionar a força renovadora do pensamento acadêmico, agindo sobre o pensar, mas 
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também sobre o fazer jornalístico, para que de fato ocorram mudanças ou caminhos 
sejam apontados tanto para os atuais, como para os novos jornalistas.
Para tanto, devemos pensar o jornalismo com suas diferenças, mas também com 
os elementos que unem suas práticas, sem comparações entre Mídias, mas sim 
compreendendo que tudo é jornalismo, seja em uma redação de jornal, emissora de 
rádio, TV ou jornalismo on-line. 
Para ajudar A entender melhor esta questão, LEAL (2014) traz uma interessante 
metáfora, da colcha de retalhos. Isso mesmo, aquela feita por sobras de tecidos 
os mais variados, criando um único mosaico, feito de pequenos pedaços, alguns 
maiores, outros menores, alguns vermelhos, outros verdes, alguns mais resistentes, 
outros frágeis, mas todos fazendo parte da mesma trama. Quando vistos de longe, 
formam uma única peça, o jornalismo, e quando visto em detalhes, suas diferenças 
e particularidades.
Propomos pensar o jornalismo como uma grande colcha de retalhos, 
feito de pequenas partes e, sobretudo, dos diálogos possíveis entre 
elas. Não se trata, assim, de comparar uma e outra prática, um e outro 
produto, mas de compreender que há um universo de potenciais e 
efetivas relações entre tantos pequenos retalhos (LEAL, Et, al, 2014, 
p, 22).
A metáfora da colcha de retalhos também nos mostra que, em jornalismo, dificilmente 
todos os assuntos são abordados por um único veículo e o próprio leitor/ouvinte/
telespectador recorre a sua colcha de retalhos em busca do pedaço que mais lhe 
agrada, ou seja, de quem lhe oferece as informações mais próximas. Não podemos falar 
completas, pois dificilmente é possível informar toda plenitude dos acontecimentos, 
mesmo sobre um único tema.
Todo esse conjunto de normas se propõe a assegurar algo que é, por 
natureza, inviável: a tessitura proposta é aquela possível – ou a mais 
próxima do ideal – diante dos tecidos que lhe são oferecidos. Além 
de ter uma presença forte em nossa colcha imaginária, o retalho 
originário da grande imprensa nem sempre dá conta de reconhecer 
que há costuras, nós, avessos nessa amarração (LEAL, Et, al, 2014, 
p, 23).
Para encerrarmos esta aula trazendo luz sobre a questão das práxis em jornalismo, 
vamos refletir sobre importantes considerações tecidas por HAUSER (2018):
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Conclui-se que o conceito de crise do jornalismo se estabelece 
precisamente nesse vazio entre umas práxis [...] que possa solucionar 
os desafios da atividade no contexto das redes digitais. O vazio é, 
paradoxalmente, um espaço cheio de possibilidades – no qual o 
jornalismo poderá ser reinventado. Em que parâmetros? Isso, 
acredita-se, dependerá do investimento da pesquisa em jornalismo 
para reencontrar possibilidades de diálogo entre a teoria e a prática, 
formular novas teorias e, além disso, propor alternativas para elaborar 
o futuro a partir daquilo que a profissão tem de mais enriquecedor: a 
defesa da diversidade de possibilidades para a autoprodução humana 
na história.
O contexto de crise do jornalismo é profícuo para pensar a sua 
reinvenção num sentido emancipatório porque enfraquece as 
instituições capitalistas que por muitos anos foram proprietárias 
dos principais meios de produção da notícia. As redes sociais digitais 
entram em cena para estabelecer novas disputas sobre a produção 
de informações e demonstrar que o jornalismo pode, em muitas 
frentes, se qualificar no contexto pós-industrial [...] se antes a notícia 
dependia, como qualquer outra mercadoria, dos donos dos meios de 
produção, hoje “a informação se desgarra do imperativo industrial. É 
através da potencialização da comunicação, dos afetos, do trabalho 
voluntário, dos movimentos de colaboração e das interações em 
redes que o jornalismo vai se transformando no contexto da cibe 
cultura (HAUSER, 2018, p, 21).
Agradeço por nos acompanhar até aqui e fique atento. Na próxima aula trataremos 
sobre a importante questão envolvendo Jornalismo e Cidadania. Bons estudos.
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AULA 3
JORNALISMO E CIDADANIA
A globalização caracteriza-se pela expansão dos fluxos de informações 
que atingem todos os países, afetando empresas, indivíduos e 
movimentos sociais. É a globalização um fenômeno inédito, que 
surge nas últimas décadas do século XX, trazendo consigo uma 
transformação fundamental no funcionamento das sociedades 
humanas? (BARBOSA, 2003, p, 20).
https://media.istockphoto.com/vectors/election-news-seamless-pattern-vector-id677080130
Mesmo recente como profissão, o jornalismo como atividade é prática das mais 
antigas. Quando ainda viviam em cavernas ou em tribos, o homem sempre usou 
estratégias de comunicação para enfrentar inimigos ou animais, registrar sua passagem 
pelos lugares e repassar às novas gerações suas histórias. Estava desta maneira, 
orientando, informando e entretendo seus grupos.
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Este jornalismo pré-histórico tinha como função educar as futuras gerações, no 
sentido de ter vantagens contra seus inimigos, adquirir determinados conhecimentos 
e utilizar estas práticas a seu favor, de forma individual ou por determinados grupos.
Com o passar dos séculos e o intercâmbio entre os povos, houve a necessidade 
de uma comunicação mais abrangente, não para determinados grupos, mas para 
toda sociedade. Nascia neste momento a figura do jornalista, pessoa preparada para 
produzir informações e distribuí-las as pessoas.
Outros fatores como fortalecimento do poder político, grande mobilidade social e 
urbanização fizeram crescer o interesse público sobre o que acontece em todos os 
cantos do planeta, dando origem a uma necessidade social por informação.
Quando a sorte do indivíduo depende mais da sorte da sociedade; 
quando a interdependência política, econômica e social se torna mais 
estreito quando o nível educativo e de cultura se eleva; a pressão 
nacional e internacional é mais forte e os vínculos primários se 
relaxam – o homem, isolado no seio de coletividades abstratas que 
se diluem nas massas ameaçado por todos os ângulos e, todavia, 
solidário com os seus semelhantes, conhecidos ou desconhecidos, 
próximos ou longínquos – este homem desumanizado e desarmado 
busca, no conhecimento dos acontecimentos, não só uma arma 
contra as ameaças senão também um refúgio contra o isolamento 
é o tédio. (BELTRÃO, 2006, p,15).
O autor ainda nos apresenta três grupos de fatores que segundo seus estudos, 
trouxeram ao jornalismo este caráter de necessidade social, exigindo uma especialização 
maior dos jornalistas e empresas de comunicação. Listaremos a seguir os pontos mais 
importantes de cada um dos três fatores apontados.
a) Ampliação e diversificação das atividades e aumento das populações: Quando 
o homem vivia em círculo estreito, dentro de um território limitado, poderia conhecer 
as crenças e procedimentos do pequeno grupo de suas relações [...] o crescimento 
da população foi ampliando este círculo de tal modo que o cidadão se tornou incapaz 
de obter, por si só, todos os dados de que necessita para promover o seu bem estar 
e movimentar-se com precisão no meio da coletividade [...] o direito à informação 
inclui o de apreciar se a escola que vão seus filhos é boa; [...] se os medicamentos 
que compra são eficientes [...] se o carro quemaneja está em boas condições para 
guiar; se a polícia é honrada e se os juízes são incorruptíveis. 
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b) Incremento da mobilidade social e dos meios de comunicação: A descoberta 
e emprego de meios de transporte e de comunicação, que nos permitem operar 
mais longe e mais amplamente, se por um lado deu ao indivíduo possibilidades 
de maior acúmulo de conhecimentos, por outro lhe impôs maiores problemas e 
responsabilidades porque [...] tem somente 24 horas por dia para aprender todas as 
coisas de que necessitava saber há mil anos [...] não só estes meios estão capacitados 
a levar notícias mais longe e mais rapidamente como a mobilidade da comunicação 
favorece a colheita de notícias de lugares longínquos.
c) Fortalecimento do poder político e desenvolvimento do interesse público: 
para defender-se da absorção, para não permitir que o poder político se torne um 
instrumento absolutista e despótico, para uma fiscalização eficiente das funções do 
governo e para não cair nas malhas da polícia e da justiça pela violação das leis – 
há que o indivíduo e a comunidade estarem em dia com os fatos e as ideias [...] em 
consequência desses fatores, os veículos de jornalismo precisam [...] que seja capaz 
de distinguir, na vertiginosa sucessão das ocorrências, aquelas de significação social 
que podem interferir mais ou menos fortemente na vida do cidadão comum e das 
quais precisa ser informado para sua segurança e desenvolvimento pleno de sua 
potencialidade e atividade pessoal.
Fonte: BELTRÃO (2006, pp – 15-18)
3.1 Jornalismo, essencial à vida em sociedade
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Jornalismo é, essencialmente informação. Antes de tudo, da literatura, da história, do 
passado ou do futuro, jornalismo precisa informar, trazer fatos atuais, que despertem 
o interesse do público e fale do momento, do hoje.
Além disso, o jornalismo precisa mostrar a sociedade os impactos destas 
informações no seu dia a dia, em sua família, trabalho e relações. É preciso que os 
fatos sejam interpretados, trazendo a sociedade, além da informação, orientações e 
um direcionamento. 
Quando aumenta o combustível, a conta de energia, da água, do gás por exemplo, 
ou quando muda o preço da cesta básica, ou ainda, quando uma lei é aprovada no 
Congresso, quais serão os impactos sociais destas medidas, além da informação em si.
Talvez esteja nesta constatação, aparentemente simples, de que jornalismo é antes de 
tudo, informação, a explicação do porque o jornalismo operar diariamente, atualizando 
os fatos a cada novo dia. Para que a sociedade seja informada periodicamente, construa 
suas interpretações e juízos de valor no desenrolar dos acontecimentos, sem perder 
um detalhe da notícia e construindo uma narrativa social.
3.1.1 orientar a opinião pública
O jornalismo é exercido pela difusão do conhecimento e valendo-se de recursos 
técnicos disponíveis, o objetivo principal do jornalismo deve ser sempre levar orientação 
a opinião pública. A sociedade deve valer-se desse expediente, ao mesmo tempo em 
que se busca promover o bem comum de todos os cidadãos. 
Jornalismo é informação de fatos correntes, devidamente 
interpretados e transmitidos periodicamente a sociedade, com o 
objetivo de difundir conhecimentos e orientar a opinião pública no 
sentido de promover o bem comum (BELTRÃO, 2006, p,30).
Além das características próprias do jornalismo, atuando nas modalidades oral, visual 
e auditiva, existem alguns elementos que precisam estar presentes nas publicações 
jornalísticas, para que o objetivo de alcançar o máximo de pessoas seja alcançado e 
se consiga cumprir a função social de informar.
BELTRÃO (2006) destaca o que ele chama de atributos necessários a prática 
jornalística e para que uma publicação seja considerada veículo de jornalismo. Segundo 
o autor são seis estes atributos:
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1. Atualidade – jornalismo é a informação de fatos correntes, isto é, de fatos atuais. 
O passado pertence a História; o jornalismo vive do quotidiano, daquilo que passa agora 
procurando extrair do fato registrado aquilo que nele há de substancial, de perene, de 
notável, mesmo que essa substância logo se esvaia e essa perenidade valha, apenas, por 
alguns dias ou horas. A atualidade jornalística, porém, não se limita ao que ocorre sobre a 
marcha do tempo[...], mas também ao que, tendo sucedido, atua sobre a consciência do 
hoje, ao que é oportuno para ser narrado, dito, comentado ou feito agora. Esse aspecto 
da atualidade jornalística, que concilia o presente com o passado e o futuro, é o que 
assegura ao jornalismo um caráter de permanência.
2. Variedade - o jornalismo tem como finalidades essenciais informar, orientar e entreter 
o cidadão que busca [...] informar-se do novo, do imprevisto, do original e, através ou por 
causa do jornalismo, recordar do passado, do já sabido, do quase perdido nos arcanos 
da memória[...] os fatos em que se baseia a obra jornalística, aqueles que, por suas 
características e conteúdo despertam o interesses humano ou a atenção da coletividade, 
não são exclusividade de um determinado setor, de uma única pessoa, de um agrupamento, 
de uma classe ou país. Para transformar estes fatos em notícias encontra-los onde quer 
que residam [...] porque o jornalismo deve ser a mais completa síntese de tudo quanto 
interessa e reclama o organismo social.
3. Interpretação – os fatos, transformados em notícia ou comentário, não são 
divulgados no jornal sem um prévio exame por parte do agente de jornalismo. Ao jornalista 
compete julgar a sua importância, analisá-lo, sintetizá-lo, escolher e divulgar [...]de modo 
que cheguem ao leitor devidamente interpretados. A mera informação, sem um juízo que 
a valorize e interprete, faria o jornalismo sem sentido, sem ordem nem harmonia, deixando 
ao leitor o pesado encargo de procurar as razões e consequências do que acontece. A 
informação jornalística, porém, difere substancialmente da histórica [...] requerendo não 
somente bom senso, honestidade, cultura e imparcialidade por parte do agente como 
uma excepcional aptidão para aprender o centro de interesse [...] o núcleo do fato ou da 
matéria que irá utilizar.
4. Periodicidade – quanto à periodicidade, esta é a menos subjetiva, a mais formal 
das características do jornalismo, pois diz respeito aos intervalos em que se registram 
as suas manifestações. Sem a regularidade e constância das suas aparições, os veículos 
de comunicação e informação não atingiriam suas finalidades sociais. 
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5. Popularidade – a popularidade está ligada substancialmente ao problema máximo do 
jornalismo: o seu livre exercício e a sua capacidade de influir na opinião pública. O jornalismo 
deve servir a comunidade em que exerce, exprimindo os seus ideais, contribuindo para a 
realização das suas causas e soluções dos seus problemas e conflitos, advertindo-a dos 
seus erros e apontando-lhe os caminhos certos para o êxito dos seus empreendimentos. 
É uma instituição social majoritária e não de grupos ou minorias. Até mesmo práticas 
jornalísticas especializadas existe este propósito, pois a busca também é para atingir e 
beneficiar integrantes da sociedade.
6. Promoção – o jornalismo, como qualquer instituição humana, está sujeito a erros e 
imperfeições. Mas, se uma imprensa livre, rapidamente os identifica e corrige, sob pena 
de cair em descrédito perante a opinião pública. Justamente porque suas informações e 
conceitos são desprovidos de caráter imperativo, do poder de decisão e porque nascem do 
contato com a realidade quotidiana, e da captaçãode ideias e ideais da comunidade – é 
que o jornalismo desempenha missão política e social de elevada importância, servindo 
de meio de expressão à opinião pública [...] não compete ao jornalismo executar o bem 
comum, mas advertir e orientar a opinião para que esta, informada e consolidada, o realize. 
Fonte: BELTRÃO (2006, pp – 30-35)
ISTO ESTÁ NA REDE
Um excelente site para pesquisar sobre o tema é a Revista Eletrônica Jornalismo e 
Cidadania, do Grupo de Pesquisa Jornalismo e Contemporaneidade | Programa da Pós-
graduação em Comunicação da Universidade Federal de Pernambuco - PGCOM/UFPE:
Fonte: https://issuu.com/revistajornalismoecidadania/docs 
https://issuu.com/revistajornalismoecidadania/docs
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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3.2 A força da informação local e regional
Nas últimas décadas passamos a ter acesso às informações praticamente em 
tempo real. Não apenas relatadas, mas transmitidas ao mesmo tempo em que 
acontecem, diminuindo fronteiras e trazendo de fato a Globalização para dentro de 
nossas residências, por meio das tecnologias de comunicação.
Se por um lado podemos acompanhar ao vivo o desenrolar de uma guerra, a 
assinatura de um acordo de paz entre as nações e um show musical no meio do deserto, 
queremos também que os fatos que acontecem ao nosso redor sejam transmitidos 
de forma rápida, se possível no momento em que acontecem.
Ao levarmos em conta critérios de noticiabilidade e valor notícia, estudados em 
disciplinas anteriores, perceberemos que as notícias mais próximas são aquelas que 
conseguem despertar maior interesse e cativar o cidadão. Importa mais saber sobre 
o buraco na rua, a lâmpada queimada, a falta de energia elétrica ou de água, do que 
a crise diplomática entre Estados Unidos e China, a erupção de vulcões na Europa ou 
a falta de vacina no continente Africano.
Não que sejamos insensíveis aos dramas das pessoas, ou que os problemas 
internacionais não afetem nossas vidas, mas os problemas locais estão a nossa 
frente todos os dias, na nossa porta, no trabalho, na padaria, nos almoços em família 
e dizem respeito a nossa realidade como sociedade.
Por este motivo, mesmo com toda proximidade trazida pela tecnologia, o cidadão não 
deixará de ter interesse pelos fatos da sua cidade e região, e exigirá que a maneira de 
ser informado também evolua, torne-se mais presente, rápida e dinâmica, se possível 
como acontece em eventos a milhares e milhares de quilômetros de sua casa. 
 
3.2.1 de qual região estamos falando
Quando falamos em informação local e regional, torna-se importante salientar que 
o conceito de região desenvolvido pela mídia, nem sempre é o mesmo conceito de 
região que desenvolve órgãos governamentais, por exemplo.
Divisões políticas e administrativas nem sempre correspondem a divisão feita pela 
mídia, quando busca trabalhar a informação. Pode existir em determinada região as 
divisões feitar por departamentos ou diretorias de Saúde, Educação, Segurança Pública, 
Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, que provavelmente não serão as mesmas divisões 
e subdivisões elaboradas pela mídia.
Por isso, quando falamos da força midiática ou de informação de uma determinada 
região, é preciso atentar para quais cidades ou bairros, de fato, fazem parte da região 
de influência de determinadas mídias.
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Em algumas regiões, as TVs afiliadas, por exemplo, agregam suas regiões de acordo 
com dados comerciais e de abrangência do sinal de retransmissão, independentemente 
de quais regiões administrativas e políticas fazem parte.
O mesmo acontece com emissoras de rádio, que concentram suas regiões de 
audiência de acordo com a presença do sinal de suas antenas, chegando as residências, 
que podem ser diferentes das regiões administrativas, políticas e também diferentes 
das afiliadas de TV. 
Um amplo panorama das minirregiões midiáticas está contido no 
estudo comparativo A imprensa brasileira no final do século (1998). 
Ele inventaria os perfis editoriais de uma amostra representativa 
dos jornais diários que circulam nos municípios do Estado de São 
Paulo. Trata-se de um segmento da mídia bastante fortalecido, numa 
conjuntura de crise da indústria jornalística, justamente pela sua 
aderência ao espaço minirregional em que se localiza. Sem perder 
de perspectiva os signos que fluem dos espaços macrorregionais, 
nacionais ou globais, a maioria desses veículos assume fisionomia 
explicitamente glocal, coexistindo com uma parcela que ainda cultiva 
uma identidade municipalista (MELO, 2009, p, 55). 
Abaixo temos a capa de uma edição online de O Jornal da Cidade, de Marília-SP, 
que apresenta as principais notícias da cidade. 
https://jcmarilia.com.br/category/cidade/
https://jcmarilia.com.br/category/cidade/
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Ao mesmo tempo o informativo trata sobre cidades que fazem parte da região e que 
por serem municípios menores, não possuem veículos de comunicação com notícias 
locais, e são informados por meio da imprensa de cidades maiores pertencentes ao 
seu entorno.
https://jcmarilia.com.br/category/regional/
Este exemplo nos mostra que mesmo com toda tecnologia a disposição da imprensa, 
comunicação em tempo real, informação sem fronteiras por meio da Internet, o dia 
a dia do cidadão é na cidade, nos bairros, nos distritos, onde a grande imprensa não 
chega com tanta participação, e, mesmo que chegasse, não conseguiria informar com 
a mesma sintonia de quem vive o dia a dia destas cidades e regiões.
3.2.2 Cobertura dos serviços públicos com ética
Outro grande e importante diferencial que existe quando falamos em jornalismo 
regional e local é a cobertura da imprensa sobre os chamados serviços públicos. 
https://jcmarilia.com.br/category/regional/
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Segundo BELTRÃO (2006, p, 107), “dia a dia cresce a interferência do poder público 
na vida e atividade dos cidadãos [...] e igualmente se desenvolve o interesse dos 
leitores/ouvintes/telespectadores pela deliberações governamentais, leis, posturas e 
regulamentos”, diz, reforçando que os cidadãos esperam, portanto, que a imprensa, 
a mídia local repercuta e informe sobre estes acontecimentos.
Devido a isso, quase que diariamente, prefeito, vereadores, secretários, diretores e 
integrantes de escalões de prefeitura e câmara municipais encontram-se com membros 
da imprensa local em eventos, solenidades e coberturas jornalísticas.
Querendo ou não, o contato diário acaba por criar uma proximidade destes agentes 
com a imprensa, o que pode facilitar e ajudar o trabalho dos jornalistas, mas por outro 
lado trazer alguns problemas. 
As vantagens são inúmeras, pois os agentes públicos são facilmente encontrados, 
respondem as ligações ou mensagens e os temas e assuntos tratados, quase sempre 
são de conhecimento dos jornalistas ou foram passados com antecedência. 
Este contato também ajuda entrevistas mais longas, permite abordar outros temas 
que não apenas os de momento e traz ao jornalista uma interação profissional que 
dificilmente conseguiriam cobrindo serviços públicos em cidades maiores. 
Já os problemas podem estar nas relações que se criam, quando os agentes 
públicos buscam, por meio desta certa “intimidade”, ou proximidade com os donos 
dos veículos locais, ter sempre matérias positivas ao seu trabalho, buscando esconder 
o que consideram prejudicial a imagem das administrações públicas.
Importante frisar também que esta proximidade não pode transformar a imprensa 
em mero veículo de reprodução do discurso destes órgãos, é preciso linha editorial 
independente, como bem salienta o autor.
Isso não quer dizer que a imprensa deva se transformar em concorrente 
do Diário Oficial”, publicando os despachos das repartições, ocupando 
espaços inteiros commatérias que interessam a pequenos grupos 
de pessoas. Isso torna a imprensa local realmente prolixa, deserto 
de iniciativas, afogada numa onda de deferimentos. O jornalista 
consciente, diante da matéria rotineira que recebe, há de procurar 
selecionar aquelas que façam saltar as fagulhas do interesse público. 
(BELTRÃO, 2006, p, 107). 
3.2.2.1 Relação com as assessorias de imprensa
Outro aspecto que diferencia o jornalismo local e regional é a relação dos jornalistas 
dos veículos de comunicação com as assessorias de imprensa ou comunicação dos 
órgãos públicos locais. Formada por profissionais de comunicação, quase sempre 
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jornalistas, capacitados e qualificados, esta relação torna-se ao mesmo tempo próxima 
e profissional, o que contribui para os dois lados.
Muitos jornalistas que ocupam cargos em assessorias nas pequenas e médias 
cidades já ocuparam lugares também nos veículos de imprensa e jornalistas contratados 
pelas mídias locais, também já trabalharam por determinados períodos em assessorias. 
Esta mediação feita por jornalistas entre o poder público e a sociedade é um modelo 
que o Brasil implantou com sucesso e hoje ajuda a transformar em uma linguagem 
simples e acessível à toda população, o emaranhado de leis e códigos existentes na 
administração pública, como esclarece o autor abaixo.
O Brasil construiu um modelo singular de comunicação entre as 
empresas, o governo, os movimentos populares e a sociedade 
civil, mediado pela mídia, cuja eficácia profissional conquista 
inegável credibilidade pública. O segredo do sucesso está́, sem 
dúvida, na escolha dos agentes mediadores. Enquanto nos países 
metropolitanos os profissionais da persuasão (publicitários, mercado 
logos ou relações públicas) se interpõem entre os jornalistas e as 
fontes noticiosas, essa função tem sido aqui desempenhada pelos 
profissionais da informação. São jornalistas que se colocam do outro 
lado do balcão, na tentativa de facilitar o trabalho de apuração dos 
acontecimentos. (MELO, 2009, p,235). 
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Mesmo estando há décadas ocupando cargos em assessorias, jornalistas ainda são 
questionados se estão fazendo jornalismo. O Portal Comunique-se traz luz a este 
instigante debate. Vale muito a leitura desse artigo disponível na internet.
https://www.comunique-se.com.br/blog/afinal-assessor-de-imprensa-e-jornalista/
https://www.comunique-se.com.br/blog/afinal-assessor-de-imprensa-e-jornalista/
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AULA 4
IMPRENSA X EMPRESA 
Mas é você que ama o passado E que não vê,
É você que ama o passado E que não vê
Que o novo sempre vem
(Como Nossos Pais – Belchior, 1976)
https://cdn.pixabay.com/photo/2021/10/10/18/59/online-6698352_960_720.png
Como diz o cantor e compositor Cazuza, em uma de suas mais famosas músicas, 
“O tempo não para”. Sobre o tempo, Caetano Veloso também escreveu, na música Força 
Estranha que, “O tempo não para, e, no entanto, ele nunca envelhece”.
Estas duas frases nos mostram como o passar dos anos é cruel para o que já 
se estabeleceu, pois, quando tudo parece acomodado, surge o novo e reorganiza a 
ordem das coisas.
Está sendo assim com o jornalismo, após o surgimento da Internet e a chamada 
revolução tecnológica e de comunicação. Está sendo assim com o modelo de negócios 
da Mídia, as narrativas e o monopólio da notícia. Com sua longa experiência em 
jornalismo e na produção diária de notícias, DINES (2009) já antevia esta revolução.
https://cdn.pixabay.com/photo/2021/10/10/18/59/online-6698352_960_720.png
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A história se altera em movimentos pendulares e a comunicação se 
desenvolve, ao longo dela, de forma idêntica [...] aplicando-se o princípio 
do desenvolvimento pendular à comunicação, percebem-se nele tempos 
distintos: O primeiro ocorre quando se inventa ou se aperfeiçoa um 
veículo; nesse momento ele é seletivo, porque desconhecido. Depois 
de divulgado o seu uso, torna-se massificado para, finalmente, em nova 
fase, e evitando o desgaste, acomodar-se e conter-se outra vez [...] assim, 
cada veículo começa de forma restrita pelo simples fato de apresentar a 
introdução de nova tecnologia, desenvolve-se até converter-se, pelo uso, 
em veículo de massa para, depois, buscar audiências novamente restritas 
e dirigidas, porque o homem sempre procura uma forma singular de 
existir dentro do grupo [...] Acontece com a comunicação o mesmo que 
ocorreu com outras tecnologias, como a aviação, que nos seus setenta 
anos de existência sofreu alterações mais radicais do que o navio nos 
seus milênios de vida (DINES, 2009, p, 59). 
Por isso, para sobreviver e manter-se, credibilidade é palavra central para a imprensa. 
E existem inúmeros fatores para atestar e explicar a credibilidade de um veículo de 
comunicação. Podem ser fatores subjetivos, culturais ou conjunturais, levando-se em 
conta momentos por que passa a sociedade e sua relação com o jornalismo.
Mas é inegável que produzir conteúdo confiável e correto torna-se, além de obrigação 
e eticamente desejável, premissa que garante a confiança da sociedade em um veículo 
de comunicação, transformando esta confiança em respeito e novos leitores, ouvintes 
e telespectadores.
Segundo ZANCHETTA (2004), existem procedimentos específicos adotados pela 
imprensa visando a conquista de respeitabilidade, novos consumidores e anunciantes, 
que segundo o autor, são elementos imprescindíveis para independência da linha 
editorial e obtenção de mais recursos por meio dos anunciantes:
a) Utilização de estratégias de comunicação que conferem objetividade às informações;
b) Abrangência, atualidade, dinamismo e atenção diante de um universo amplo de 
questões sociais; 
c) Simultaneidade, ou seja, sugerir que o veículo de comunicação dispõe das 
informações possíveis acerca dos fatos; 
d) Imparcialidade - há necessidade de apresentar distanciamento, observando e dando 
espaço aos diversos agentes ou ângulos que interferem em determinado fato; 
e) Concretude – a seleção de elementos para compor as notícias mostra-se 
desapaixonada e ancora-se em dados e aspectos visíveis, concretos, de algum 
modo observáveis; 
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f) Apuro na linguagem – mantem-se a ideia clássica de que a expressão em linguagem 
culta é prova da correção da própria mensagem;
Fonte: ZANCHETTA, 2004, p, 12-13
Para o jornalista Alberto Dines (2009), a relação entre jornalistas e empresa jornalística 
era diferente, pois o diretor ou proprietário de um veículo de comunicação era jornalista, o 
que, segundo o autor, facilitava o trânsito entre linha editorial, departamento financeiro e 
independência. Com o passar do tempo Dines vê cada vez mais o empresário ocupando 
o lugar do jornalista nas tomadas de decisões.
“Até poucos anos atrás, o diretor proprietário do jornal era jornalista, 
o que facilitava ou até mesmo dirimia a questão, pois a prioridade era 
naturalmente concedida a criação de um grande órgão, ainda que as 
finalidades posteriores pudessem ser, para alguns, menos límpidas. 
Hoje, com as vultosas somas que envolvem o empreendimento 
jornalístico, ou por uma questão de sucessão, a nova liderança 
nos empreendimentos jornalísticos passa a ser assumida pelo 
“empresário” de comunicação. (DINES, 2009, p,125).
4.1 Financiamento
Como dissemos anteriormente, para que existam níveis maiores de independência 
jornalística e editorial, é preciso também que exista independência, ou no mínimo, 
estabilidade financeira, no sentido de consolidar as boas práticas jornalísticas.
Segundo o professor Mário Messagi Junior, da Universidade Federal do Paraná 
(Portal Imprensa, https://portalimprensa.com.br, 2020), “O jornalismo no Brasil [...] 
sempre manteve relação com o poder estatal,como principal fonte de financiamento. 
Veículos brigam por subsídio e governos brigam por espaço na mídia, em uma relação 
que [...] precisa ser urgentemente combatida”. 
A expressão homem de negócios passou a fazer parte da rotina das redações e 
direção das empresas de comunicação, trazendo ao setor uma nova realidade, que para 
muitos tornou-se prejudicial ao segmento, colaborando também, ao lado do surgimento 
da internet e novas tecnologias de comunicação, por instaurar uma crise internacional 
da mídia, perceptível de forma mais clara na virada do século XX para o XXI. 
Buscando reconquistar parte da credibilidade perdida por tantas mudanças e 
interferências externas e a concorrência proporcionada pela Internet, o jornalismo inicia 
este novo século buscando nas origens do jornalismo, na raiz do que deve permear 
https://portalimprensa.com.br
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sempre a comunicação, a essência da relação entre jornalismo e sociedade. Segundo 
DINES (2009), o segredo pode estar em os grandes, olharem para os pequenos, onde 
a proximidade com seu público e a sociedade continua presente e ativa.
O crescimento empresarial e comercial, e a conquista de prestígio por parte de 
empresas de comunicação e os próprios jornalistas precisa ser visto com cautela, 
pois ao mesmo tempo em que se conquistam espaço e respeito junto a sociedade, 
tudo pode ser perdido pela proximidade com o poder, a vaidade e as tentações.
Um grande jornal sempre deve comportar-se como se fosse um 
pequeno jornal. Não apenas por uma questão de humildade, mas 
também em função da preservação de seus princípios. Se um 
dirigente de jornal, ou alguém do escalão que o represente disser, em 
tom de desculpa: “ afinal, há grandes interesses em jogo...”, podemos 
concluir que estamos num grande jornal que já se esqueceu dos dias 
em que foi pequeno.
O mesmo processo ocorre dentro de uma empresa jornalística. 
Enquanto pequeno e ágil, todos dentro do jornal lutam para conquistar 
novas posições e, assim, o empreendimento se desenvolve e projeta. 
Mas quando o destaque é alcançado, amarram-se ao imobilismo, 
pois ninguém quer arriscar as posições conquistadas (DINES, 2009, 
p, 126).
4.1.1 Modelo de negócio
Com tantas mudanças trazidas ao jornalismo nas últimas décadas, seria inevitável 
que o modelo de negócio do jornalismo também fosse afetado, desestabilizando um 
certo equilíbrio existente e sedimentado. 
Na busca por reconquistar espaço editorial, financeiro e audiência, muitas estratégias 
são tentadas, mas é importante que se busca uma forma que, além de tornar o negócio 
jornalismo rentável novamente, se mantenham os valores da instituição e a relação 
de credibilidade que deve existir com a sociedade. 
Outro ponto importante é que os órgãos ou veículos de comunicação precisam 
permanecer sob comando e orientação de profissionais do jornalismo, resistindo 
as facilidades que podem advir de uma transformação do veículo em instituição de 
informação, misto de imprensa oficial com jornalismo “chapa branca”.
A crise do modelo de negócio passa pela forma como o jornalismo tradicional se 
financia, pois, a publicidade das empresas começa a buscar novos caminhos, com 
maior autonomia para investir em publicidade própria, sem precisar atrelar este modelo 
ao modelo do jornalismo tradicional.
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Por outro lado, a imprensa, como a televisão por exemplo, que tem sua programação 
exibida em grade fixa, com horários pré-determinados, enfrenta a maior liberdade 
proporcionada pela internet, onde o cidadão escolhe como e quando interagir e assistir 
seus programas.
O modelo tradicional, que buscou subsidiar para os consumidores seu conteúdo 
por meio da publicidade e financiamento público, tornando acessível a milhões de 
pessoas, por preços baixos ou até de forma gratuita o consumo do jornal, revistas, 
TV aberta e a programação de rádio começa a ser repensado.
O impresso, circulando cada vez mais on-line, abandonou o meio físico do papel 
e busca, através da internet e suas plataformas, manter o espaço publicitário e de 
audiência conquistado há pelo menos um século. 
Segundo dados do site Consultor Jurídico, a “Circulação de jornais impressos no 
Brasil teve queda de 13,6% neste ano de 2021” (https://www.conjur.com.br/2021-
nov-08/circulacao-jornais-impressos-pais-queda-136-2021). Em uma reportagem 
sobre o assunto, com base no IVC, o site selecionou dez dos principais veículos de 
comunicação do país — Folha de S.Paulo, O Globo, O Estado de S. Paulo, Super Notícia 
(MG), Zero Hora (RS), Valor Econômico, Correio Braziliense (DF), Estado de Minas, 
A Tarde (BA) e O Povo (CE) — para fazer um diagnóstico da situação do jornalismo 
impresso brasileiro e constatou que o quadro é dramático.
https://www.conjur.com.br/img/b/grafico-poder-360.jpeg
O site destaca por exemplo o Super Notícia, líder em tiragens, com média diária de 
80.608 exemplares e que teve uma queda de 19% entre as publicações pesquisadas. 
Outro exemplo é A Folha de S. Paulo, que imprime atualmente 55.373 exemplares 
por dia e que em épocas anteriores, superou 1 milhão de exemplares aos domingos. 
https://www.conjur.com.br/2021-nov-08/circulacao-jornais-impressos-pais-queda-136-2021
https://www.conjur.com.br/2021-nov-08/circulacao-jornais-impressos-pais-queda-136-2021
https://www.conjur.com.br/img/b/grafico-poder-360.jpeg
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Por outro lado, é possível enxergar uma luz no fim do túnel, com o crescimento da 
circulação on-line. Segundo dados analisados também pelo site Consultor Jurídico, 
os números são os seguintes: 
Um consolo para as empresas de comunicação é que os efeitos dessa 
queda na circulação dos jornais são amenizados pelo crescimento 
do consumo das versões digitais dos veículos. A subida foi de 6,4% 
em setembro, em comparação com dezembro de 2020. No ranking 
de assinaturas digitais pagas, a Folha é a líder, com 302.880, seguida 
por O Globo, com 301.779 — esses jornais cresceram 8,9% e 14,5% 
neste ano, respectivamente. Na lista de circulação total, em que são 
somados os leitores das versões impressa e digital, O Globo é o líder, 
com 372.061 assinaturas. Até o ano passado, a Folha (358.253) era 
a primeira colocada nesse quesito (https://www.conjur.com.br/2021-
nov-08/circulacao-jornais-impressos-pais-queda-136-2021).
https://www.conjur.com.br/img/b/grafico-poder-3601.jpeg
Olhando para estes números, de queda na circulação, é preciso pensar também 
que a preocupação de hoje não deve ser apenas com a liberdade de imprensa, mas 
também a liberdade das empresas, em manter-se viáveis comercialmente.
O modelo atual é um modelo de negócio que se desenvolveu subsidiando o jornalismo 
por verbas publicitárias e verbas públicas, proporcionando grandes tiragens e audiência, 
com valor baixo para o público. O momento agora é de buscar manter a autonomia 
empresarial, mantendo também a estrutura.
https://www.conjur.com.br/2021-nov-08/circulacao-jornais-impressos-pais-queda-136-2021
https://www.conjur.com.br/2021-nov-08/circulacao-jornais-impressos-pais-queda-136-2021
https://www.conjur.com.br/img/b/grafico-poder-3601.jpeg
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O problema dos compromissos públicos de um jornal leva a análise 
de sua organização interna. Um jornal isento e independente 
pressupõe uma estrutura interna harmônica e liberal, sobre o qual 
pode ser apoiada essa atitude [...] até a década de 1950, no Brasil, o 
sistema dominante era o do jornalista-proprietário da empresa, mola 
central do processo jornalístico. A exceção surgia nos casos em 
que os proprietários mais ligados à atividade política ou econômica 
delegavam o comando a um profissional (DINES, 2009, p, 128).
Hoje a situação é outra, pois vemos muitos financiadoresdo jornalismo com 
potencial para fazer jornalismo dentro de suas próprias empresas, dar visibilidade ao 
que produzem, sem precisar de jornal, rádio ou televisão.
ISTO ESTÁ NA REDE
A pesquisa completa sobre o mercado de circulação de jornais durante o ano está 
no site do Poder 360. Vale a pena conhecer os números. 
Fonte: https://www.poder360.com.br/midia/jornais-tem-alta-de-64-no-digital-e-queda-de-136-no-impresso-em-2021/
https://www.poder360.com.br/midia/jornais-tem-alta-de-64-no-digital-e-queda-de-136-no-impresso-em-2021/
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O monopólio da notícia que a mídia tradicional tinha, de dar visibilidade do mundo 
ao que desejasse foi extinto a partir do momento em que houve o fim do monopólio 
sobre as estruturas necessárias para massificar produtos e pessoas. 
Grandes parques gráficos, estúdios, antenas e equipamentos não são mais 
necessários para que se faça jornalismo de qualidade, em tempo real, por todo o 
mundo e para todas as pessoas.
Hoje as pessoas precisam do mínimo de estrutura para ocuparem os espaços 
públicos e manifestarem suas opiniões e isto faz com que as empresas também 
apostem em suas próprias estratégias de comunicação, sem precisar mostrar a 
sociedade seus produtos por meio da mídia tradicional.
Esta mudança de postura, investindo em marketing e publicidade direta está 
causando enormes problemas financeiros para as empresas jornalísticas, tanto devido 
à concorrência de quem antes eram seus parceiros, como pelo surgimento de novos 
canais e plataformas de comunicação surgidos da própria sociedade, com linguagem 
própria, muitas vezes mais próxima da sociedade.
Isto tudo mostra que o modelo tradicional de financiamento do jornalismo, seja 
no meio impresso, televisivo ou radiofônico precisa se reinventar como modelo de 
negócio, ao mesmo tempo em que precisa voltar a se reconectar com a sociedade, 
para que não perca também o protagonismo da informação.
Como descobrir um novo modelo de negócio para o jornalismo, para a mídia 
tradicional é a questão que se põe e irá exigir muito esforço dos detentores do poder 
midiático e dos profissionais de comunicação, marketing, publicidade e especialmente 
jornalistas.
ANOTE ISSO
 
1000 Perguntas sobre Jornalismo – Felipe Pena fonte: (PENA, 2012, p,206)
Qual seria a revolução do jornalismo digital? Para o professor Antônio Fidalgo, 
catedrático da Universidade da Beira Interior, em Portugal, estamos presenciando 
uma nova sintaxe das notícias, organizadas em níveis de profundidade a partir do 
hipertexto e influenciadas pelas bases de dados.
O que Pierre Lévy diz sobre o jornalismo digital? O professor Pierre Lévy, um dos 
mais importantes teóricos sobre ciber-cultura do mundo, diz que os jornalistas são 
dispensáveis no universo digital, pois qualquer pessoa pode produzir informações.
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As potencialidades do jornalismo digital estão sendo superestimadas? Sim. 
Há certo exagero nas potencialidades dá área. Claro que a internet revoluciona 
a atividade jornalística, mas daí́ a acreditar que o jornalista é um ser dispensável 
e as novas tecnologias acabarão de vez com as barreiras de tempo e espaço, 
produzindo uma sociedade que os teóricos chamam de pós-humana, já́ é demais.
Caros alunos, chegamos ao final desta aula e desta primeira unidade. Esperamos 
que tenham aproveitado ao máximo. Agora completem o aprendizado assistindo às 
vídeo-aulas e realizando as atividades, que ajudam na fixação e entendimento do 
conteúdo passado. 
A partir da próxima aula daremos início a Unidade 2, com o tema: Sobre o Jornalismo, 
as notícias e a Mídia. Abordaremos nesta unidade quatro tópicos extremamente 
importantes: Impresso, televisivo, radiofônico ou eletrônico. É tudo um mesmo 
jornalismo?; Quem consome tantas notícias?; De quem é a fala no jornalismo; Tudo 
é notícia, tudo vira notícia.
Até a próxima aula!
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AULA 5
IMPRESSO, TELEVISIVO, 
RADIOFÔNICO, ELETRÔNICO. 
É TUDO UM MESMO 
JORNALISMO?
O planeta mídia está sofrendo um traumatismo de amplitude 
inédita. O impacto do “meteorito internet”, semelhante àquele que 
fez desparecer os dinossauros, tem provocado uma mudança radical 
em todo o ecossistema midiático [...] a digitalização do mundo está 
transformando rapidamente o biótipo informacional (RAMONET, 
2012, p,15).
https://cdn.pixabay.com/photo/2021/11/11/16/10/question-mark-6786623_960_720.jpg
A sociedade se apropriou do jornalismo, e isto é muito bom. Nunca tivemos na história 
da imprensa brasileira tantas pessoas produzindo conteúdo, buscando comunicar-se 
com outras pessoas das mais variadas formas. 
O jornalismo deixou de ser exclusividade de uma empresa de comunicação, rádio, 
TV, jornal ou revista, para tornar-se elemento de interação social, o que também é 
positivo, apesar da qualidade de muito do que se produz com o rótulo de “jornalismo”, 
seja questionável em vários aspectos.
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FUNDAMENTOS DO 
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O jornalismo é hoje uma atividade onipresente: está em toda parte, em 
todos os momentos, ocupa todas as dimensões do cotidiano. Nunca 
esteve tão vivo e ativo. Basta verificar a proliferação de emissoras 
de notícia 24 horas (rádio e TV) ou a multiplicação de sites, blogs e 
redes de informação e de mobilização social. Estamos imersos no 
jornalismo. Ele se apoderou de nós. O jornalismo é a cultura da vida 
pós-moderna (LEAL, et. Al, 2014, p,9).
Outro ponto a se ressaltar é que, devido a explosão de possibilidade trazidas pela 
Internet e as novas ferramentas de comunicação, o modo como se comunica e 
as estratégias nem sempre são corretas, adequadas e o que é mais preocupante, 
verdadeiras. 
Pessoas e grupos se utilizam das facilidades proporcionadas por este momento 
para colocar em prática o que já dizia há décadas o Velho Guerreiro Abelardo Barbosa, 
o Chacrinha – “eu vim para confundir e não para explicar”.
Estas mudanças nos mostram que é preciso ter um novo olhar sobre o jornalismo, 
debater quem são os produtores e também os consumidores de informação, e perguntar 
– quem são estas vozes que nos falam atualmente por meio dos telejornais, sites, 
blogs, jornais? 
Precisamos repensar também, até que ponto alguns conceitos tidos como canônicos 
para o jornalismo, não os são mais, ou não ocupam mais os mesmos espectros de 
importância no mundo do jornalismo. Mas, antes de tudo, é preciso também muita 
calma e discernimento para analisar o que ocorre hoje. 
Isso não significa que as empresas jornalísticas tenham perdido sua 
centralidade na produção da visibilidade, nem que tenham perdido 
a hegemonia do fazer jornalístico. Significa apenas que o campo 
está cada vez mais tensionado. O jogo de interesses parece ter se 
tornando mais público, e as empresas, mais permeáveis. Em seu 
processo produtivo, o jornalismo profissional necessita hoje fazer 
mais concessões e negociações (LEAL, et. Al, 2014, p,10).
Ao nos depararmos com estas questões também nos surgem novas perguntas como 
– tudo que lemos, ouvimos e assistimos é um mesmo jornalismo? Impresso, televisivo, 
radiofônico ou eletrônico estão misturados e no fundo, precisam ser diferentes? Quais 
são os pontos de convergência e quais os elementos particulares de cada mídia que 
ainda resistem a integração das linguagens e das redações.
Estas perguntas e tantas outras sobre jornalismo surgiram após a criação da 
internet, que oferece aos usuários a experiência de um único ambiente (celular, tablete, 
computador) para circulação, recepção e consumo de informação, provocando uma 
revolução no campo do discurso jornalístico.
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O fatode não ser preciso mais folhear um jornal ou revista, ligar o rádio ou a 
TV para consumir informações, seja com imagem ou apenas áudio fez com que as 
atuais e as novas gerações de usuários indaguem – o que é ter cara de jornal nos 
dias atuais?; qual a linguagem direta e objetiva dos noticiários radiofônicos, ou qual 
a simbiose entre texto e imagem. 
Indagações como estas já surgiam quando o modelo impresso dava os primeiros 
sinais de estagnação em suas tiragens. No livro O Destino do Jornal, o jornalista Lourival 
Sant´Anna traz o depoimento de um diretor (publisher) do jornal americano The New 
York Times, já antevendo as mudanças provocadas pela Internet e a convergência 
midiática.
Jornais (newspapers) não podem ser definidos por sua segunda 
palavra – papel (paper). Eles têm de ser definidos pela primeira – 
notícia (news). Todos nós devemos os tornar agnósticos em relação 
ao método de distribuição. Temos de ser tão fortes on-line, tão fortes 
na TV e no rádio, como somos em notícia impressa (...) não me 
importa quando rodaremos nossa última edição de notícia impressa. 
Continuaremos sendo a grande fonte de notícias e informação 
neste país e talvez no mundo. Vamos fazer na web. Vamos fazer na 
televisão. Vamos fazer no impresso (SANT´ANNA, 2008, p,25).
5.1 Preferências
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Quando falamos sobre crise de identidade, não estamos falando apenas sobre o 
produto jornalístico, mas também sobre seus consumidores. Se existe uma mudança 
na forma de gerar e oferecer conteúdo informativo, existe também uma mudança no 
perfil de quem consome, que busca outras formas de receber notícias e informações.
Falando especificamente sobre os hábitos de consumo da população, é interessante 
trazer alguns tópicos apontados por uma pesquisa realizada na cidade de São Paulo 
em 2008, buscando conhecer melhor consumidores, seus hábitos e o processo de 
mudança por que estavam passando com a chegada da internet e o início da migração 
das mídias para o meio digital. Diz o levantamento:
O que se passa com os jornais é, em grande medida, reflexo do que 
se passa com seus potenciais leitores. Afinal, porque menos pessoas 
estão lendo menos jornal, e por menos tempo? [...] o desejo que as 
pessoas têm de informações atende a quatro funções de sua vida 
cotidiana: consumo, produção, entretenimento e voto. Um indivíduo 
decide sobre qual informação consumir, e sobre como fazê-lo, levando 
em conta a relação custo-benefício. Entre os custos de adquirir a 
informação, estão a assinatura de um jornal, revista ou TV paga, ou 
o tempo gasto assistindo à TV ou navegando na internet. Mesmo a 
informação gratuita envolve um custo de oportunidade, de deixar 
de obter informações por outros meios, naquele lapso de tempo 
(SANT´ANNA, 2008, p, 58-59).
Pelos resultados apresentados na pesquisa, ficou demonstrado que, de maneira 
geral, a informação e os meios de comunicação são vistos como úteis e necessários, 
principalmente para que os trabalhadores possam sobreviver no competitivo mercado 
de trabalho. 
Outra informação relevante é a de que os entrevistados admitiram que não se 
informam por um meio apenas, embora cada um possua suas predileções, os 
entrevistados dizem preferir criar uma rotina, uma combinação pessoal de fontes de 
informação, de acordo com seus horários e rotinas diárias. 
Sobre as mídias, trazemos um quadro resumido sobre a impressão dos entrevistados, 
destacando que estas entrevistas foram feitas com leitores de jornais, pessoas de 
classes A e B, que possuem o hábito de se informarem por meio do jornal, com uma 
leitura mais aprofundada dos assuntos. 
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RÁDIO – o rádio propicia uma primeira aproximação com a notícia. Funciona como 
um filtro, informando quais são os fatos relevantes, para que depois o ouvinte se 
aprofunde neles, em outros meios. Ele fornece as informações de utilidade prática, o 
que no meio jornalístico se chama “serviços”, como trânsito e previsão do tempo. O rádio 
oferece ainda a vantagem de mesclar entretenimento com notícia. Os entrevistados 
consideram que no rádio a notícia não tem profundidade. 
TV – os recursos de imagem e de som da TV permitem entender mais a notícia. 
Para alguns é um meio de comunicação relaxante, descontraído de receber informação. 
Para outro grupo é o meio mais prazeroso. Mas existe também a percepção de que 
a TV trabalho com a fantasia, o mundo não real. Esta ambiguidade faz com que 
existam duas opiniões. Uma considera a TV mais capaz de mostrar o fato como 
ocorreu; outro acredita que a realidade é recriada em busca de agradar um suposto 
imaginário coletivo, ou seja, consideram a TV manipuladora e um veículo que banaliza 
a informação para conquistar as massas.
INTERNET – os participantes da pesquisa qualificaram a internet como um meio 
infinito, no qual se obtêm as informações mais atuais de forma ágil e rápida. É um 
banco de dados, uma janela aberta para obter informações e notícias de qualquer 
parte do mundo. Consideram também que, mesmo trazendo informações em tempo 
real, a internet é atemporal, já que é possível conhecer e pesquisar o passado e o 
presente de forma simultânea. Sobre internet cabe ainda destacar que para pessoas 
na faixa etária de 25 a 40 anos, a internet é um aparelho fantástico, um meio moderno, 
em que você tem o mundo nas mãos. Para a faixa etária de 18 a 23 anos, existe 
uma maior proximidade com a informação, pois a maioria efetua a leitura de títulos 
e notícias apenas pela internet, pois consideram um meio mais prático e rápido, não 
buscando os meios tradicionais, como jornal impresso, rádio ou TV. 
JORNAL – foi definido pelos entrevistados como o meio de comunicação mais 
completo, o que vai mais fundo, o que é investigativo e o que estimula a pensar. O 
jornal também foi elogiado por documentar os fatos. Mesmo os entrevistados que 
não leem jornal diariamente, a opinião é de o impresso desfaz as incertezas do 
receptor diante das várias alternativas de uma mesma notícia. Os entrevistados ainda 
consideram o jornal como fundamental para apresentar as pessoas as notícias do 
dia, por ser o meio mais completo. 
Fonte: SANT´ANNA, 2008, p, 60-73.
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5.2 Em busca de uma nova identidade
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Como vimos anteriormente, a chegada da internet trouxe profundas mudanças 
tanto na questão editorial quando no modelo de negócios da mídia. RAMONET (2021, 
p,10) diz que a crise do modelo surge, primeiramente, com os impasses do modelo 
de negócios do jornalismo após o crescimento da internet. Segundo o autor, “esses 
impasses são explicáveis pela mudança cultural posta pelas novas tecnologias, em 
que o jornalista perde o monopólio da novidade, da produção e da disseminação da 
informação. Novos sujeitos passam a disputar o cenário da informação”.
Na pesquisa apresentada no tópico anterior, SANT´ANNA (2008, p, 142) também 
observa que “sem capacidade de oferecer novidades no plano da informação, os jornais 
diários ainda não encontraram formas criativas de potencializar e tirar proveito das 
aptidões interpretativas que só os meios impressos possuem”, mas que ficam limitados 
pelas 24 horas do dia, ciclo médio de vida dos jornais impressos.
Por um tempo os jornais impressos continuaram sendo produzidos como se os 
leitores não tivessem acesso antes, por meio da internet, de informações sobre os 
fatos da edição que chega às bancas ou em casa a cada dia. 
Tratando a notícia como novidade, só provocavam nos leitores aquela sensação 
de que já leram, ouviram e assistiram aquilo em algum lugar e que o jornal escrito no 
dia anterior,era ainda mais velho. Essa defasagem estrutural e limitação técnica fez 
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com que a notícia parecesse menos interessante e com aspecto zero de novidade e 
ineditismo.
Nesse sentido, o meio jornal sofre de uma crescente, um descompasso, 
entre o seu produto e as demandas do mercado. De um ângulo 
darwinista, como uma espécie que não evoluiu para se adaptar ao 
meio, ou para competir na cadeia alimentar, ele está exposto ao 
risco de extinção. Novos paradigmas no negócio e no jornalismo 
permeiam as discussões sobre como devem reagir os jornais diante 
do acirramento da concorrência, das inovações tecnológicas e das 
mudanças de hábitos de leitura. (SANT´ANNA,2008, p,143-144).
Não apenas o impresso, mas a prática jornalística como um todo foi afetada pelas 
mudanças, que não é somente cíclica ou evolutiva, com o implemente de novas 
tecnologias, mas é estrutural, no sentido de que afeta o modelo de negócio que se 
transformou o jornalismo em todas as suas esferas, TV, rádio e impresso, incluindo-
se também as revistas.
Ao analisar a crise no modelo de negócio do jornalismo, RAMONET (2012, p,16) 
diz que o “DNA da informação mudou, é preciso mudar o DNA dos jornalistas, e não 
somente o código genético da imprensa. O choque atinge também o rádio e a TV, em 
particular os canais de informação. Trata-se de uma mudança de paradigma”.
Entende-se por paradigma, na definição apresentada por RAMONET (2012, p, 16) ao 
citar Thomas Kuhn, como um “conjunto coerente de modelos, conceitos, conhecimentos, 
hipóteses e valores estreitamente ligados. Há uma revolução científica quando um 
quadro conceitual (paradigma) é substituído por outro”.
ISTO ESTÁ NA REDE
Para aprofundar o entendimento sobre os temas tratados nesta aula, recomendo 
a leitura do artigo: O JORNALISMO EM TEMPO DE MUDANÇAS ESTRUTURAIS, 
dos pesquisadores em comunicação Fábio Henrique Pereira e Zélia Leal Adghirni, 
da UNB. NO resumo do artigo dizem que: “um breve cenário do que chamamos de 
mudanças estruturais no jornalismo [...] a partir das transformações na produção, no 
perfil profissional e nas relações com os públicos. Buscamos apresentar um conjunto 
de dados, pesquisas e análises que remetem à nossa preocupação inicial: mudanças 
profundas afetam diferentes aspectos do jornalismo e podem alterar radicalmente a 
forma como será praticado no futuro”: O artigo está disponível em: https://seer.ufrgs.
br/intexto/article/view/19208/12362
https://seer.ufrgs.br/intexto/article/view/19208/12362
https://seer.ufrgs.br/intexto/article/view/19208/12362
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5.2.1 A internet é totalizadora
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Sempre que algo inovador surge, uma das questões é se a nova tecnologia, o novo 
formato ou modelo irá suplantar o anterior, provocar sua extinção por completo ou 
força-lo a se adequar, buscar novas maneiras de entregar o mesmo resultado.
Em jornalismo está questão surge de tempos em tempos, suscitada principalmente 
pela chegada de novas mídias e tecnologias, como foi a televisão em referência ao 
rádio. Após décadas, a TV de fato tornou-se uma mídia mais importante do que o 
rádio, editorial e comercialmente. 
Mas ao contrário do que muitos imaginavam, o surgimento da TV não significou 
a extinção do rádio. Ao contrário, forçou sua evolução tecnológica e a elaboração de 
uma nova linguagem, baseada na revisão dos fundamentos que deram origem as 
narrativas do rádio. Com isso o rádio modernizou-se, continuou conquistando gerações 
e recuperou seu prestígio junto a sociedade.
Com a chegada da internet as mudanças foram mais profundas e afetaram não 
apenas uma mídia, mas todas. E de uma forma nunca vista na história da comunicação. 
A internet trouxe não apenas novas ferramentas e plataformas que facilitam a 
comunicação e a interação dos e entre os usuários, mas extinguiu o monopólio das 
empresas de comunicação em produzir informação. E esta mudança está exigindo a 
discussão de um novo modelo de negócios para o jornalismo e afetando profundamente 
seus fundamentos.
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Por sua capacidade de integrar em um mesmo dispositivo linguagens e elementos 
da TV, rádio e impresso, o fazer jornalístico está em xeque. Algumas mídias como a 
impressa sentiram antes e mais forte, mas todas, de maneira mais ou menos acelerada, 
estão passando por este processo e precisarão, utilizando uma frase corriqueira nos 
dias atuais, “ se reinventarem”.
Mídia da era industrial, a imprensa escrita provavelmente não vai 
desaparecer. Mas a informação não circula mais como antes, 
em unidades controladas, bem corrigidas e formatadas: notas de 
agências, jornais diários impressos, boletins radiofônicos, telejornais. 
Tornada imaterial, ela se apresenta agora sob a forma de um fluido, 
que circula em segmentos abertos da internet quase à velocidade 
da luz...a banda larga permite aos “web-atores” completar cada 
informação, acrescentando a ela uma maior precisão, um comentário, 
uma citação, uma foto ou um vídeo, num trabalho de inteligência 
coletiva ou de “alquimia das multidões” (RAMONET, 2012, p17).
Quando falamos em “internet totalizadora”, é justamente sobre isso que nos 
referimos, uma nova lógica, totalmente diferente do que se pensou durante o processo 
de implantação da indústria, produção em série, preço mais em conta e atingindo um 
número cada vez maior de pessoas.
Este sistema chamado de fordista, em referência a Henry Ford, criado da linha de 
produção industrial, orientou o pensamento empresarial e comercial durante todo o 
século XX. AS mídias levaram este sistema ao limite, seguindo suas características 
técnicas: jornais e revistas em milhares de exemplares, rádio e TV com sinas e antenas 
de retransmissão por todo país massificaram a informação, potencializando seu alcance.
Agora, com a fragmentação provocada pela internet, tudo que a mídia produz ganha 
novos significados, pois a palavra final sobre qualquer tema cabe sempre a quem lê, 
curte, comenta, compartilha, reescreve e acrescenta novos dados.
Claramente não estamos aqui discutindo qualidade, veracidade e compromisso 
ético da informação produzida ou veiculada, pois falta muito disse em grande parte 
das produções que acompanhamos. O que nos cabe neste momento é analisar o leque 
de possibilidades que se abriu com a chegada da internet ao mundo da comunicação.
Conforme constata RAMONET (2021, p,17), na época inicial do pensamento fordista, 
“mesmo que vários operários especializados pudessem contribuir na fabricação de 
um produto, este, no final, era entregue completo, acabado, fechado, e correspondia 
ponto por ponto ao projeto inicial. Esse não é mais o caso”, diz o autor, pois a lógica 
da informação on-line é apresentar algo em estado inicial, que depois será atualizada, 
ou seja, “work im progress”, para usar um termo do próprio autor.
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Portais como o Comunique-se são cada vez mais comuns na internet, pois falam 
de jornalismo para jornalistas, trazendo informações sobre mercado de trabalho, 
inovações e novas tendências em jornalismo. Para jornalistas que já atuam há 
algum tempo, portais e sites como este ajudam a entender o atual cenário do 
jornalismo e manter-se atualizado sobre os rumos da profissão. 
fonte: https://portal.comunique-se.com.br/
Chegamos ao final desta aula, onde discutimos as mudanças que estão ocorrendo no 
modelo de negócios do jornalismo e a busca de cada mídia por manter sua identidade 
junto ao público.
Falamos de maneira detalhada sobre a forçae o impacto causado na comunicação 
e nos veículos de comunicação com a chegada da internet, e como será possível 
manter os fundamentos de cada linguagem, preservar as narrativas que tornaram 
impresso, rádio e TV tão singulares.
Na aula seguinte, dando sequência ao entendimento sobre os fundamentos do 
jornalismo e suas mudanças, falaremos sobre o consumidor de informações, mais 
conhecido na atualidade por “usuário”. 
Quem é este leitor, ouvinte e telespectador? É o que procuraremos mostrar na 
próxima aula, ao mesmo tempo em que falaremos sobre sus hábitos de consumo e 
interação com o jornalismo.
https://portal.comunique-se.com.br/
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AULA 6
QUEM CONSOME 
TANTAS NOTÍCIAS
A NOVELA E OS COSTUMES: Faço uma pergunta – qual o melhor 
gênero de produção brasileira de televisão – humor, esporte, 
noticiários e novelas? Aposto que em qualquer classe social, região do 
país ou grupo cultural a novela ganha. Por quê? Minha hipótese é que 
a novela não tem só os bons atores, a melhor técnica. Ela aprofunda 
a discussão da vida atual e de suas mudanças (RIBEIRO, 2005, p,21).
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Um fato ocorrido no ano de 2005 e que a época repercutiu muito na imprensa e 
nos meios acadêmicos nos ajuda a entender o tema central dessa nossa aula. Nove 
professoras universitários da USP-SP que ministraram palestras para profissionais da 
Rede Globo foram convidados para assistirem a reunião de pauta do Jornal Nacional, 
conduzida pelo apresentador e editor chefe Willian Bonner.
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Um dos presentes, o sociólogo Laurindo Lalo Leal Filho publicou um artigo na revista 
Carta Capital, pouco tempo depois, trazendo várias críticas ao formato de escolha 
dos temas e reportagens abordados no telejornal e principalmente na forma como 
Bonner se dirigia ao público do JN, maior audiência do jornalismo televisivo brasileiro.
O que mais indignou o professor Laurindo foi que Bonner chamava o telespectador 
do Jornal Nacional de Homer Simpson, em referência ao personagem de uma famosa 
série de TV americana. 
Segundo entendimento do professor, Bonner considera que o público do telejornal 
tem dificuldade para entender as informações mais complexas e buscam, por isso, 
descomplicar os assuntos para que Homer Simpson, o brasileiro médio na visão do 
apresentador, possa entender, como narra o professor em seu artigo.
Perplexidade no ar [...] alguns custam a acreditar no que vêem e 
ouvem. A escolha dos principais assuntos a serem transmitidos 
para milhões de pessoas em todo o Brasil, dali a algumas horas, 
é feita superficialmente, quase sem discussão [...] depois de um 
simpático “bom dia”, Bonner informa sobre uma pesquisa realizada 
pela Globo que identificou o perfil do telespectador médio do Jornal 
Nacional. Constatou-se que ele tem muita dificuldade para entender 
notícias complexas e pouca familiaridade com siglas como BNDES. 
Na redação foi apelidado de Homer Simpson. Trata-se do simpático 
mais obtuso personagem [...] pai da família Simpson, adora ficar 
no sofá, comendo rosquinhas e bebendo cerveja. É preguiçoso e 
tem o raciocínio lento [...] dai para a frente, o nome mais citado pelo 
editor-chefe do Jornal Nacional é o do senhor Simpson. “Essa o 
homem não vai entender”, diz Bonner, com convicção, antes de rifar 
uma reportagem que, segundo ele, o telespectador brasileiro médio 
não compreenderia (https://peaobservacao.com.br/wp-content/
uploads/2014/09/de-bonner-para-hommer.pdf).
Poucos dias depois, após a repercussão negativa do caso “Homer Simpson”, Willian 
Bonner publicou, também na revista Carta Capital uma resposta, buscando explicar 
seu ponto de vista e da redação sobre o ocorrido e como enxergam o chefe da família 
Simpson.
https://peaobservacao.com.br/wp-content/uploads/2014/09/de-bonner-para-hommer.pdf
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Nestas ocasiões, sempre abordo, por exemplo, a necessidade de 
sermos rigorosamente claros no que escrevemos para o público. 
Brasileiros de todos os níveis sociais, dos mais diferentes graus de 
escolaridade. E o didatismo que buscamos para o público de menor 
escolaridade não deve aborrecer os que estudaram mais. Neste 
desafio, como exemplo do que seria o público médio nessa gama 
imensa, às vezes cito o personagem Lineu, de A Grande Família. Às 
vezes, Homer, de Os Simpsons. Nos dois casos, refiro-me a pais de 
família, trabalhadores, protetores, conservadores, sem curso superior, 
que assistem à TV depois da jornada de trabalho. No fim do dia, 
cansados, querem se informar sobre os fatos mais relevantes do 
dia de maneira clara e objetiva. Este é o Homer de que falo (http://
www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/sobre-a-
necessidade-de-ser-claro/).
Para nos ajudar a entender este ponto, recorremos ao jornalista e pesquisador em 
comunicação, Alfredo Vizeu Junior, que tendo frequentando tanto as redações como 
as salas de aula, cunhou o tema “audiência presumida”, referindo-se como e ao que 
pensa o jornalista quando passa a escolher as notícias que irão compor um telejornal. 
O pesquisador afirma que: 
os telespectadores devem gostar do noticiário pois do contrário não 
vão assisti-lo, e é preciso que o assistam para que possam ser vendidos 
aos patrocinadores. Assim, a televisão fabrica a sua audiência, assim 
como fabrica os noticiários [...]Através das características prazenteiras 
do aparelho de base, através dos procedimentos ficcionais, através 
de apresentadores atraentes como subtexto erótico das notícias, a 
televisão se fabrica como objeto bom (VIZEU, 2005, p, 69).
O autor também afirma que por meio de um contrato ficcional, estabelece-se um 
vínculo entre o público e o Telejornal, com foco na “audiência presumida”, fazendo 
com que os profissionais busquem construir sua audiência por meio de uma cultura 
profissional existente, que presume saber de antemão o que as pessoas gostariam 
de saber e de que maneira esta notícia deve ser tratada.
Outro ponto citado por VIZEU (2005, p,94) é que ao aplicar estas regras nas redações, 
os profissionais de jornalismo estão na verdade construindo um discurso, ao mesmo 
tempo em que “o trabalho que os profissionais jornalistas realizam, ao operar sobre 
os vários discursos, resulta em construções que, no jargão jornalístico, podem ser 
chamadas de notícias”, criando, portanto, o interesse pela notícia e a exibição da 
notícia de acordo com critérios e parâmetros já estabelecidos.
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/sobre-a-necessidade-de-ser-claro/
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/sobre-a-necessidade-de-ser-claro/
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/jornal-de-debates/sobre-a-necessidade-de-ser-claro/
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6.1 O jornalista pensando pela sociedade 
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Quando falamos sobre consumo de notícias, devemos pensar também sobre a 
produção destas notícias, como elas são pensadas e estruturadas para atingir um 
grande número de pessoas. 
Durante a disciplina Teorias da Comunicação, tratamos de forma detalhada as 
teorias criadas, e para nos orientar sobre Fundamentos do Jornalismo, cabe recorrer 
a algumas destas teorias. 
Lembramos ainda que as teorias elaboradas representam o momento da comunicação 
em que foram elaboradas, sendo, portanto, atualizadas com a evolução da comunicação 
e o passar do tempo, mas nunca são consideradas totalmente extintas ou independentes. 
Sempre teremos traços das teorias anterioresnas atuais, conferindo as teorias um 
processo evolutivo.
Feitas as devidas ressalvas, algumas teorias nos ajudam a entender o processo 
produtivo da notícia e como o jornalismo vê seu público. A teoria do espelho, por 
exemplo, é uma das mais antiga e resumidamente explica que as notícias são como 
são, porque a realidade assim determina, cabendo ao jornalista apenas retratar os 
fatos e acontecimentos o mais próximo possível da realidade.
Esta teoria, mesmo passado muito tempo de sua elaboração, continua viva 
principalmente dentro das redações, no chamado senso comum dos jornalistas, pois 
ajuda a explicar muito do que é divulgado pela imprensa, tendo como argumento 
que a função do jornalista é apenas relatar os fatos. Ao mesmo tempo justifica a tão 
contestada independência jornalística.
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Outro ponto importante deste pensamento é a aplicação da objetividade jornalística, 
que norteia as ações jornalísticas, ao mesmo tempo em que reduz os fatos apenas 
as informações necessárias para o entendimento, sem emissão de opiniões e ao 
mesmo tempo confere ao jornalista o status de produtor de uma realidade final, sem 
viés ou interesses.
 Uma teoria trazida por VIZEU (2005, p,25) joga luz sobre a definição do público 
consumidor de informação. Segundo o autor, “a teoria etnoconstrucionista defende 
que as notícias são o resultado de um processo de produção, definido como 
percepção, seleção e transformação de uma matéria prima, num produto”, em alusão 
a transformação dos fatos, em notícias.
Por esta teoria, além do jornalista buscar ser o espelho da sociedade, retratar de 
forma objetiva os acontecimentos e sem interferir, surgem novos critérios para o 
trabalho do jornalista, com a necessidade de selecionar entre os milhares de fatos e 
acontecimentos diários, a notícia que tenha interesse público, em favor da sociedade 
e que se transforme, portanto, em noticiável.
Dentro desta teoria, dois conceitos já conhecidos por nós são fundamentais: 
noticiabilidade e os valores-notícia, termos que já fazem parte das nossas reflexões 
sobre produção jornalística e por isso mesmo, chegou o momento de aprofundá-los 
em busca de conhecer melhor quem são os consumidores de notícias jornalísticas. 
Buscando orientar nossos estudos sobre estes conceitos que ajudam a delimitar 
e entender melhor quem é a nossa audiência, usaremos uma definição do professor 
Alfredo Vizeu.
Na produção das notícias, temos, de um lado, a cultura profissional 
[...]relativas as funções da mídia e dos jornalistas na sociedade [...] 
por outro lado temos restrições ligadas à organização do trabalho, 
sobre as quais se criam convenções profissionais, que contribuem 
para definir o que é notícia. Estabeleceu-se, assim, um conjunto de 
critérios de relevância, que definem a noticiabilidade de um fato, isto 
é, a possibilidade de ele virar notícia.
Definida a noticiabilidade como um conjunto de elementos com os quais 
as empresas jornalísticas controlam e produzem a quantidade e o tipo 
de fatos, entre os quais vai selecionar as notícias [...] os valores-notícia 
são critérios de relevância espalhados ao longo de todo o processo de 
produção, isto é, não estão presentes só na seleção de notícias, mas 
participam de todas as operações anteriores e posteriores a escolha 
(VIZEU, 2005, p,26). 
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ANOTE ISSO
Sobre os critérios de noticiabilidade, LEAL (2014) nos apresenta um importante 
ponto de vista, para entendermos que estes critérios partem do veículo de 
comunicação, de acordo com sua linha editorial e público alvo, já sendo, de partida, 
um critério de seleção:
A adoção de critérios de noticiabilidade pelos veículos de comunicação 
também indica com qual tipo de público cada um pretende dialogar. Podemos 
citar os leitores supostos por jornais de referência e jornais populares. De 
acordo com Márcia Franz Amaral (2006), uma notícia tem mais chances 
de ser divulgada por um jornal de referência se os indivíduos envolvidos no 
acontecimento forem importantes socialmente, se o acontecimento tiver 
impacto sobre a nação, envolver muitas pessoas, gerar desdobramentos, 
relacionar-se a políticas públicas e puder ser divulgado com exclusividade. 
Em relação aos jornais populares, Franz indica que um acontecimento tem 
mais chances de ser pauta caso tenha capacidade de entretenimento, seja 
próximo geográfica ou culturalmente do leitor, possa ser simplificado, possa 
ser dramatizado, tenha identificação dos personagens com o leitor e seja 
útil. Esses critérios, que não são únicos e variam de estudo para estudo, 
além de orientar o jornalista no momento de produzir seus textos, já que 
facilitam a visualização do possível leitor, ouvinte ou telespectador. Assim 
como nos jornais, os critérios aparecem na produção noticiosa da televisão, 
do rádio e dos portais. Além de adotar pistas que contribuem para filtrar 
o que vai aparecer para os públicos, as organizações midiáticas escolhem 
maneiras de definir os acontecimentos, ou seja, de enquadrá-los.
Fonte: (Leal, et al. 2014, p, 43-44).
6.2 A sociedade pensado e decidindo o que é notícia
Partindo agora para entender de forma mais elaborada quem é o nosso consumidor 
de informação, devemos lembrar que os valores-notícia são norteadores do trabalho 
jornalístico personalizado, ou seja, mesmo com a produção em massa de notícias, 
os valores-notícia mudam de acordo com aspectos sociais, culturais e tecnológicos, 
tornando cada pessoa, grupo ou localidade, única no consumo de determinadas 
informações.
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JORNALISMO
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Para delimitar nossa reflexão, usaremos o que VIZEU (2005) definiu como as cinco 
grandes categorias dos valores-notícia e dentro de cada uma destas categorias, suas 
especificidades. Desta forma, pela tabela abaixo, conheceremos um pouco melhor 
quem é o nosso público alvo e ao mesmo tempo o perfil do consumidor de notícias.
1. Categoria substantiva: ligam-se ao fato e seus personagens. Podem ser: 
a) Importância – grau hierárquico do indivíduo envolvido no fato; impacto sobre a nação e interesse 
nacional; quantidade de pessoas envolvidas no fato; relevância e significação do fato quanto a sua 
potencial evolução e consequência.
b) Interesse (depende da perspectiva do jornalista tem da audiência) – histórias de gente comum 
em situações insólitas ou homens públicos no dia a dia; histórias em que se verificam a inversão 
de papéis (o famoso dono mordendo o cachorro); histórias de interesse humano; história de feitos 
excepcionais e heroicos. 
2. Categorias relativas ao produto: depende da acessibilidade ao fato, deslocamento da equipe ao 
local e potencial de dramaticidade e entretenimento.
a) Brevidade – adequado aos limites do noticiário.
b) Atualidade – relativa ao momento do fato ou acontecimento e sua entrada na programação e 
também sobre a capacidade de ter continuidade a apuração.
c) Atualidade Interna – a importância da notícia dentro da redação, quando e como ela poderá ser 
divulgada.
d) Qualidade – o que será divulgado precisa ter qualidade mínima para ter condições de chegar ao 
público, dentro de um padrão aceitável.
e) Equilíbrio – notícia adequada para o veículo e sua linha editorial e horário, no caso de rádio e TV. 
3. Categorias relativa aos meios de informação: têm a ver com a quantidade de tempo usado para 
veiculação da informação. Depende menos do assunto e mais do como a informação é veiculada. 
Terá mais valor se oferecer bons materiais, imagens, possibilitar continuidade e um formato que 
atenda a narrativa jornalística. São os chamados manuais de redação, que cada veículo prepara e 
seus profissionais seguem.
4. Categorias relativas ao público: esses critérios referem-se à imagem que osjornalistas têm do 
público, mas não possui uma definição única. Vai depender de como o profissional vê seu público 
e como ele o entender. Aqui entram duas preocupações do jornalismo: a estrutura narrativa – que 
deve ter clareza para a audiência; protetividade – notícias que causem pânico ou incompletas, 
faltando detalhes, como em acidentes, por exemplo.
5. Categorias relativas a concorrência: empresas de comunicação competem entre si e buscam 
saber, antecipadamente, a pauta do concorrente. O objetivo é neutralizar as manobras dos 
concorrentes com: a exclusividade do furo; geração de expectativas recíprocas; desencorajamento 
sobre inovações – veículos que mantêm certo conservadorismo e não querem abalar seus clientes 
e consumidores; estabelecimento de padrões profissionais ou modelos referenciais.
Fonte: VIZEU 2005, p, 27-33
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Ao trazermos esta tabela, entendemos que no processo de produção da notícia, os 
elementos apresentados atuam no sentido de organizar a rotina diária de trabalho, 
criando critérios dentro das redações e ao mesmo tempo definindo a relação dos 
veículos com suas audiências.
Cabe-nos também finalizar este tópico trazendo a conclusão de VIZEU sobre o termo 
“audiência presumida”, que usamos no início desta aula. Segundo o autor, a hipótese 
da audiência presumida foi delineada nestes apontamentos, no sentido de que:
Os jornalistas constroem antecipadamente a audiência a partir da 
cultura profissional, da organização do trabalho, dos processos 
produtivos, dos códigos particulares (as regras da redação), da 
língua e das regras do campo das linguagens para, no trabalho da 
enunciação, produzirem discursos. E o trabalho que os profissionais 
do jornalismo realizam, ao operar sobre os vários discursos, resulta 
em construções que, no jargão jornalístico, podem ser chamadas de 
notícias (VIZEU, 2005, p, 94).
6.3 Em busca do destinatário
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Outro aspecto que não poderíamos deixar de mencionar nesta busca por 
identificarmos quem são nossos consumidores de informação na chamada mídia 
tradicional é o formato deste consumidor, nesta também nova formatação de jornalismo, 
on-line e mediado pela internet. 
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Sem termos ainda uma definição clara sobre a audiência rela do jornalismo, até 
por isso tratado de “audiência presumida” pelas referências que nos acompanham, 
agora temos o que RAMONET (2012) chama de prosumers, ou seja, “prodsumidores” 
(produtores-consumidores), termo que reúne o consumidor de notícias, que após a 
chegada da internet, tornou-se também um produtor de notícias, e não apenas um 
passivo leitor, ouvinte ou telespectador.
Hoje, quando falamos de internautas, não se trata de indivíduos 
isolados, mas de cidadãos que fazem parte de um organismo vivo 
[...] basta olhar a velocidade com que se desenvolvem os sites. Em 
escala mundial, o número de usuários tem passado por uma explosão 
[...] esse crescimento alucinante dá aos web-atores um potencial 
comunicacional até então desconhecido [...] a criação profissional 
coexiste com a criação amadora [...] as novas leis da comunicação 
e da informação na internet ainda estão à espera de definição. 
Mas uma coisa parece certa [...] não são mais os jornalistas que 
vão determiná-las, mas os internautas (RAMONET, 2021, p, 25-26).
Estas alterações no papel do produtor e do consumidor de informações provocou 
também uma reconfiguração, retirando da imprensa tradicional o monopólio de 
produzir informações, que agora passa a ser dividida com o cidadão comum, aquele 
que até alguns anos era consumidor de informações e nunca imaginou ser produtor 
de conteúdo, termo mais atual para quem posta informações pela internet.
Em suas análises, LEAL (2014) nos mostra que as produções jornalísticas, sejam 
em impresso, rádio ou TV, são submetidas a critérios que filtrar e definem o que será 
notícia, o que será mostrado ao público e principalmente o que será esquecido, apagado 
ou retirado da pauta. Desta forma, as organizações midiáticas escolhem maneiras de 
definir os acontecimentos. 
A noção de enquadramento foi bastante desenvolvida por Erving 
Goffman (2006), segundo o qual o termo se refere a elementos 
básicos identificados pelos sujeitos para definir uma situação. Em seu 
artigo “O enquadramento como conceito desafiador à compreensão 
do jornalismo”, Carlos Alberto Carvalho (2009) chama a atenção 
para os limites e as possibilidades do conceito de enquadramento 
para o jornalismo. Carvalho se baseia nas contribuições de Goffman 
(2006), Gaye Tuchman (1978) e Maria João Silveirinha para explicitar 
quais dimensões são reveladas pelo conceito. Ele ressalta, à luz das 
considerações de Silveirinha (2005), que o enquadramento se liga a 
valores ou crenças partilhadas pela sociedade e ajuda a entender o 
jornalismo como “prática que negocia cotidianamente com os demais 
atores sociais, inclusive na tentativa de fazer prevalecer pontos de 
vista” (Leal, et al. 2014, p, 44).
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Não nos cabe aqui, repetindo novamente o que já dissemos anteriormente, falar 
sobre qualidade do que é produzido e “postado” como informação, pois sabemos 
que existe um grande abismo entre o jornalista profissional, aquele que domina o 
conhecimento intelectual, as tecnologias e as técnicas do jornalismo, com relação 
aquela pessoa que divulga uma informação sem saber ao menos a veracidade desta 
informação e se existem ali todos os elementos para que o usuário, ao se deparar 
com a notícia possa fazer a correta interpretação.
Além disso, o que nos interessa neste momento é entender que, além do consumidor 
comum e tradicional de informações, temos uma nova audiência que certamente não 
existia. São milhões e milhões de brasileiros que pelos mais variados motivos não 
compravam jornal, não ouviam rádio ou assistiam TV e que agora munidos de um 
smartphone estão aprendendo a interagir com a notícia.
O consumidor de informação tradicional, ao migrar par a internet ou fazer uso de 
novas ferramentas, certamente irá procurar as referências que tinha ao ler um jornal 
impresso, ouvir um noticiário em rádio ou assistir na TV, ou seja, irá adaptar seu modo 
tradicional de ser informado com as novas ferramentas, portais, sites e aplicativos 
para se informar, passando por este processo de transição e adaptação. Este usuário 
podemos ainda enquadrar na “audiência presumida”, ao qual temos um perfil, se não 
completo, próximo disso.
Já com relação aquela pessoa que não consumia informação do modo considerado 
tradicional, e que agora passou a ser informada por meio do seu aparelho celular, das 
redes sociais, dos sites e blogs interativos, é uma audiência nova, com um novo perfil 
social, econômico, novos hábitos e maneiras de buscar informação. 
É inegável que sites, blogs, portais e ferramentas de comunicação foram criadas 
nos últimos anos, adaptam-se rapidamente a sociedade e entram em concorrência 
direta com as mídias tradicionais. 
Quem poderia supor que o Twitter, por exemplo, com a possibilidade de poucos toques 
(inicialmente 140), fosse se transformar numa das mais importantes plataformas de 
comunicação. Hoje, qualquer jornalista da mídia tradicional recorre ao Twitter antes 
de iniciar suas atividades, até para conferir quais são as notícias mais procuradas e 
populares, os chamados trends topics (tópicos de tendência), ou “assuntos do momento”, 
como aparece na tradução em português.
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Nós saímos de um sistema mídia-cêntrico e entramos num sistema 
eu-cêntrico, em que cada internauta possui o poder de comunicar 
sons,textos, imagens, de trocar informações, de redistribuí-las, de 
misturá-las a diversos documentos, de realizar suas próprias fotos ou 
vídeos e de colocá-los na rede, onde massas de pessoas vão vê-las e, 
por sua vez, participar, discutir, contribuir, fazer circular [...] as fontes 
de conteúdos passam por uma competição implacável (RAMONET, 
2021, p28-29).
ANOTE ISSO
Sobre números e pesquisas, o jornalista deve sempre ter um olhar cauteloso, 
buscando não apenas trabalhar com números e tendências, mas sim com o dia 
a dia da sociedade, encontrando na população real, nas ruas, no trabalho, nos 
supermercados, o combustível para suas ações, como nos aponta Felipe Pena:
Como deve ser a atitude de um jornalista diante dos números de uma pesquisa? 
Cautelosa. Tudo pode ser provado pelos números. Se eu como um frango e você 
nenhum, pela estatística, ambos comemos meio frango. Sim, essa frase é um 
clichê, mas há como negá-la? Os estatísticos responderão que é preciso fazer 
ponderações e atribuir valores para adequar a pesquisa à realidade. Pode ser, mas 
quem aplica essas fórmulas? Seja lá quem for, certamente não estará imune às 
influências externas, idiossincrasias, preconceitos e outras intempéries.
Para não ficar no clichê do frango, é possível citar outro exemplo de 
manipulação de números por pesquisas? Sim. Segundo o historiador italiano 
Alessandro Portelli, citado por Sylvia Moretzsohn em sua tese de mestrado, alguns 
pesquisadores usaram métodos de análise estatística e valeram-se de fontes 
documentais para chegar à conclusão de que os escravos de um determinado 
país eram açoitados 0,7 vez por ano. Portelli então pergunta: é possível açoitar 
alguém 0,7 vez? Claro que não, mas em um grupo de cem escravos, se um deles 
receber 70 chibatadas, na estatística todos receberam 0,7. E é óbvio que a realidade 
dos outros 99 não é a mesma daquele que apanhou 70 vezes, mesmo que “a 
experiência excepcional deste último dê cor às expectativas e ao comportamento 
dos demais”, como argumenta o historiador.
É possível citar um exemplo de uso de estatís7tica para aparentar objetividade? 
Sim. Sylvia Moretzsohn usa como exemplo uma das orientações do Manual de 
Redação da Folha de S. Paulo, que recomenda evitar o tom melodramático de 
uma narrativa através da caracterização objetiva da emoção pela utilização de 
números. “O réu fumou 45 cigarros em quatro horas é melhor do que O réu estava 
visivelmente nervoso”, diz o Manual. Mas quem determina a quantidade de cigarros 
que caracteriza o nervosismo do réu? E se ele for um fumante compulsivo? Talvez 
fume o mesmo número de cigarros quando está calmo. PENA (2012, p, 227-231).
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Caminhando para o final desta sexta aula, podemos concluir que tanto o 
telespectador quanto o ouvinte ou o leitor orientam em muito a produção jornalística 
e nos coloca como reflexão a maneira como este público é visto pelos profissionais 
de comunicação, os empresários do segmento e até que ponto suas vontades são 
atendidas e principalmente respeitadas.
Precisamos nos perguntar se oferecemos aos nossos fiéis consumidores de 
informação o compromisso social que norteia o fazer jornalístico, por meio das notícias 
que produzimos. Segundo LEAL (2014, p, 50), “é necessário interpelar o sujeito concreto 
para saber. Na interação com o empírico, há possibilidade de os rumos do contrato 
entre organizações e públicos serem revistos e de se conhecer como o sujeito lida 
com o que é dado a ver pela mídia”.
Na próxima aula abordaremos o “lugar de fala” no jornalismo, buscando entender 
ainda mais quem é o nosso leitor, ouvinte ou telespectador e como podemos continuar 
aplicando os conceitos que norteiam os fundamentos do jornalismo de maneira correta 
e objetiva, buscando cumprir a função social a qual se destina o jornalismo.
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AULA 7
DE QUEM É A FALA 
NO JORNALISMO
Discurso (definição prática): modo de falar e pensar sobre um assunto, 
unido por princípios comuns. Seu intuito é estruturar a compreensão 
e as ações das pessoas sobre determinado assunto (GIDDENS, 2015, 
p,7).
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A imagem que a sociedade tem de um jornalista, foi construída por décadas de 
trabalho na cobertura de eventos como guerras e conflitos, o desvendar de segredos 
que colocam abaixo governos e a busca desenfreada por encontrar os culpados, 
autores de trapaças, crimes contra a sociedade. Além disso a cobertura de catástrofes 
humanitárias, onde o próprio jornalista, por vezes, pagou com a própria vida para trazer 
a sociedade uma imagem, uma entrevista ou um relato.
No Brasil talvez o momento recente de maior visibilidade da imprensa tenha 
sido no Impeachment do ex-presidente Fernando Collor, no final de 1992, quando a 
imprensa tradicional não tinha a concorrência da internet e suas velozes ferramentas 
de comunicação e interação. 
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Milhões e milhões de edições de jornais, revistas semanais com edições esgotadas 
nas bancas e horas de reportagens na TV. A figura do jornalista investigativo, que a 
cada edição trazia uma novidade e desvendava um escândalo, reforçou o imaginário 
de super-herói e culminou com a queda do presidente do país.
No cinema também é comum a imagem do jornalista como um herói, uma espécie 
de mensageiro da verdade, cuja função principal é investigar e trazer à tona para toda 
sociedade as maldades dos poderosos. 
A ideia de um investigador à moda de Sherlock Holmes sempre esteve 
presente na mitologia do jornalismo e no imaginário social. Um perito 
à procura de pistas que lhe permitam revelar mistérios. E essa ideia 
de um profissional ativo, que identifica, seleciona, faz falar e “controla” 
as fontes ainda é predominante quando se pensa no processo de 
apuração das notícias e nos processos que envolvem a obtenção 
de informações. Nessa visão, é quase como se a fonte fosse um 
deposito de dados aleatórios que só ganharão sentido após a ação 
do repórter de colhê-las e organizá-las. E o jornalista é aquele que, 
ou vivencia o fato e é capaz de relatar aquilo de que foi testemunha 
– faz falarem os fatos –, ou aquele que faz falar quem o vivenciou. 
Dessa forma, o profissional de comunicação é representado como 
aquele que comanda, que elabora o discurso, que decide o certo e 
errado e o que será publicado. Ou seja, é quem dá voz ao relato (LEAL 
et, al. pág. 90). 
Nos últimos anos, porém, podemos dizer que esta imagem criada no imaginário 
da sociedade sobre o jornalista, vem passando por uma, digamos, “releitura”. Isto 
porque, com a chegada da internet, criou-se um espaço para o questionamento dos 
jornalistas diante dos fatos e a postura adotada por profissionais em determinadas 
situações, o que não os tornam mais imunes as críticas.
Além disso, existe hoje uma presença imensa de grupos, pessoas, autônomos e 
corporações produzindo conteúdo, seja por meio de releases das próprias empresas, 
ou por grupos de interesses localizados e setorizados. E em muitos destes casos, 
jornalistas também atuam junto a estas empresas, desmistificando certa aura de 
imparcialidade existente sobre este profissional.
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7.1 O poder das “fontes” jornalísticas
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Não por acaso a palavra “fonte” tem uma importância muito grande em jornalismo. 
Fonte quer dizer o local onde brota a água do solo, a nascente, onde se consegue 
beber da mais pura e límpida água, sem que esta água já tenha sofrido algum tipo de 
poluição ou desvios durante seu percurso. Quem bebe esta água límpida,portanto, 
sentirá o gosto verdadeiro da água in natura e somente esta pessoa poderá descrever 
com certeza e credibilidade o gosto da água, pois estava lá para afirmar o que diz. 
Em tese, o jornalismo consagra que uma “fonte” é aquela pessoa capaz de oferecer as 
informações iniciais mais importantes, com a certeza de quem está próximo aos fatos, e 
com a credibilidade de quem presencia e acompanha o desenrolar dos acontecimentos.
Sabemos que na prática nem sempre as coisas ocorrem desta maneira, pois existem 
também os interesses da fonte em apresentar estas informações, o que a princípio 
não deslegitima a informação, caso seja confirmada sua veracidade. 
Por este motivo, uma regra de ouro do jornalismo é aprender a escolher suas fontes, 
não utilizar sempre as mesmas fontes e mesmo após receber informações privilegiadas, 
não acreditar em tudo que ouviu e checar as informações antes de torna-las públicas. 
Existem os interesses legítimos das fontes, como contribuir com a sociedade ou 
ajudar na elucidação de algo ilegal, ou até um crime. Pode ser também por interesse 
profissional, por divulgar sua área de atuação ou ações às quais esteja diretamente 
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ligada. E podem ser também interesses de pessoas ou grupos que estas informações 
sejam divulgadas e, mesmo verdadeiras, causem a derrocada ou prejuízo de outras 
pessoas e grupos.
Para o trabalho jornalístico tudo isso é legítimo, desde que a informação repassada 
pela fonte seja verdadeira, pois ainda haverá a produção da notícia, onde caberá ao 
jornalista encontrar o ponto de equilíbrio entre a informação recebida, enviesada talvez, 
e o que irá chegar ao público, ouvindo-se todos os lados envolvidos e a narrativa 
apoiada em fatos concretos e comprovados.
Podemos dizer, portanto, que parte da narrativa jornalística, também é produzida 
pelas fontes de informação, mesmo após os filtros, alterações, checagens e pontos 
de vistas exibidos pelo jornalista.
Quem também é considerado fonte de informação é o próprio jornalista, pois em 
muitos temas parte do profissional a iniciativa de sugerir ou ir atrás de uma pauta 
que acredita ser importante e interessante. 
Não apenas no jornalismo político ou dos acontecimentos factuais, mas em 
editorias como de esporte ou celebridades, o chamado feeling jornalístico faz com que 
o profissional veja algo mais do que os outros e corra atrás da notícia que ninguém 
ainda viu ou divulgou, seguindo outro famoso ditado popular, “quem chega primeiro 
bebe água limpa”. 
7.1.1 A fonte não secou, mas criou várias nascentes
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Quando falamos sobre as mudanças trazidas ao jornalismo com a chegada da 
internet, uma das mais importantes é a relação da imprensa como as chamadas 
fontes de informação, que não precisam mais dos veículos tradicionais de imprensa 
para divulgarem assuntos de seu interesse. Inclusive, jornalistas passam a atuar por 
empresas as quais tinham na mídia a única maneira de aparecer. Hoje, tudo mudou 
e a relação fonte x jornalista x veículo de comunicação, está sendo reescrita. 
[...] principalmente com as reviravoltas ocorridas no campo da 
informação, com as novas tecnologias, a explosão das redes sociais e 
a profissionalização das fontes em assessorias ou grupos organizados 
– que produzem uma enxurrada de releases e promovem suas notícias 
como produtos em uma grande liquidação. Além disso, temos agora 
um novo cenário, marcado pela força adquirida pelos grupos sociais 
no espaço público e por uma demanda cada vez maior por parte de 
setores civis da sociedade por direito e voz [...] “democracia, mercado 
e tecnologia formaram a mistura que criou a lógica da competição 
sustentada em informação [...]. Institucionalizaram-se os interesses, 
as ações, as próprias pessoas [...]. Noticiar passou a ser a mais eficaz 
forma institucional de agir, discursando, e de discursar, agindo”. (LEAL 
et, al. pág. 90).
Outra fonte que não devemos deixar de mencionar são os próprios jornalistas, que 
por atuarem em veículos de comunicação, também empunham bandeiras defendidas 
por estes veículos, o que não significa dizer que não existam em prática todos os 
princípios norteadores do bom jornalismo, mas significa dizer que por sua tradição 
na sociedade, um veículo de comunicação cria uma ideologia própria, que acaba por 
pautar o que é de interesse ou não desta empresa. Isto nos apresenta outra reflexão.
Há que considerar também que a voz do jornalista, presente em 
maior ou menor medida, não é isenta de interesses e pressões. É 
impregnada por uma política editorial, por valores da empresa à 
qual está ligada e representa, e se insere num quadro político, num 
jogo de forças em que inevitavelmente acaba por fazer parte e 
tomar parte. Logo, não podemos deixar de refletir, principalmente 
em um momento de reconhecimento do poder do público (leitores, 
ouvintes, telespectadores, comunidades, grupos de opinião, etc.), 
sobre o impacto que ele tem na constituição de uma notícia. Em 
uma perspectiva relacional e dialógica, ele influencia e está presente 
na mensagem da mesma forma que acaba por ser influenciado e 
oferecer respostas que serão novamente incorporadas a ela, num 
circuito de produção de sentido (LEAL et, al. pág. 91). 
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ANOTE ISSO
O que é jornalismo de resistência? O que chamo de jornalismo de resistência 
consiste na aplicação prática de preceitos li- gados à função social da profissão. Ou 
seja, resistir à concepção mercadológica de jornalismo.
O jornalismo de resistência é anticapitalista e revolucionário? Não. Nada a ver 
com a pretensão de transformar a sociedade pela via revolucionaria, o que acabaria 
produzindo distorções e recairia numa concepção teórica instrumentalista. Muito 
menos com a interpretação messiânica de alçar o jornalista à categoria de salvador 
da pátria. Não se deve defender uma prática marxista de produção noticiosa, mas 
também não podemos nos contentar com a classificação da notícia como simples 
mercadoria ou com as limitações das rotinas produtivas.
Em que se baseia o jornalismo de resistência? Na crença de que há́ possibilidades 
de construção social da realidade através do jornalismo e de que profissional da 
imprensa tem um papel importante nessa dinâmica.
FONTE: (PENA, 2012, p,221)
7.1.1.1 Rompendo com o círculo vicioso da “agenda” jornalística
Aprofundando um pouco mais nossa análise, percebemos também que a cada vez 
mais atual perda do monopólio da pauta e consequentemente diminuição do poder de 
informação em voz única criado pela grande mídia alterou outro ponto deste processo, 
que é a construção de uma agenda, aberta diariamente pelas empresas jornalísticas 
e que transformou a informação em um grande círculo vicioso, com pinceladas e 
retoques de um verniz de atualidade.
Como diz ZANCHETTA (2004, p, 14), “o noticiário dos meios de comunicação é fruto 
de pesquisa sobre o mundo cotidiano, mas também uma espécie de consenso, às 
vezes implícito, entre os meios de divulgação e o público responsável pela circulação 
das informações”. 
Jornalistas trabalham e produzem notícias com base em seu universo cultural, o perfil 
do local de trabalho, áreas específicas de atuação e contato com outros profissionais, 
além da receptividade do consumidor de informação e seu retorno, uma espécie de 
feedback que aprimora o trabalho do jornalista, mas, voltando a ZANCHETTA (2004, 
p,14), “com frequência, informações divulgadas por outros meios são de algum modo 
repercutidas ou servem de base para novas notícias.Existe ainda certa comunhão de 
interesses em determinado contexto e época, com base na qual se destacariam os 
temas de maior prestígio”, com relação aos temas considerados secundários naquele 
momento.
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Não podemos esquecer que o público também contribui para a manutenção de uma 
agenda jornalística, na medida em que se acostuma e confere índices de audiência e 
popularidade as notícias veiculadas.
Isso explica em parte a recorrência de eventos esportivos ou da moda 
e as notas sobre a alta sociedade, entre outras curiosidades que 
ocupam o espaço privilegiado, ganham destaque ou sobrepõem- se a 
questões econômicas e políticas. Não é raro observar acontecimentos 
com forte cunho comercial revestidos de interesse informativo [...] 
festas de grande apelo popular como o Carnaval, campeonatos 
esportivos e corridas automobilísticas [...] a agenda tem uma dinâmica 
fluida, marcada por relações públicas e privadas que se estabelece 
entre os diversos agentes responsáveis pela produção e consumo 
dos materiais de imprensa (ZANCHETTA, 2004, p, 15). 
7.1.1.2 Rede de informações internas e externas
https://cdn.pixabay.com/photo/2017/06/30/10/14/social-media-2457842_960_720.png
Rede de informação interna: A imprensa em geral, sejam os grandes veículos de 
comunicação das grandes e médias cidades, ou os pequenos jornais, rádios e TVs 
locais, preparam sua pauta tendo como preferência algumas editorias. 
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Nos grandes centros, editorias são montadas em locais chaves, próximos aos centros 
de poder político. No interior, a proximidade e em muitos casos convivência diária 
com os agentes políticos, também transforma o poder e suas adjacências em pauta.
Para que consigam, portanto, abordar outros temas como os bairros periféricos 
e os acontecimentos que precisam de maior divulgação, buscam criar redes de 
contatos capazes de rapidamente serem acionados para apuração dos fatos. Segundo 
ZANCHETTA (2004, p,17), “Essa engrenagem precisa estar mobilizada para que, em 
questão de horas, as vezes de minutos, um fato possa ser identificado, avaliado, 
descrito e editado, e seja noticiado, com algum nível de detalhe”.
Rede de informação externa: quando passamos a falar sobre as redes externas de 
informação, começamos a perceber que estes organismos desempenham um papel 
fundamental no apoio a divulgação de notícias além da agenda tradicional da grande 
mídia e devido a chegada da internet, tornaram-se autossuficientes para criarem suas 
próprias formas de divulgação, diminuindo uma dependência que sempre existiu da 
boa vontade destes chamados, órgãos de imprensa tradicionais, em divulgar fatos e 
acontecimentos fora da agenda jornalística.
Participam desta rede instituições como ONGs, associações, clubes de serviços, 
entidades, universidades e os chamados “coletivos”, que conhecem de perto as 
realidades e as necessidades de determinados grupos, que mesmo na urgência de 
vários acontecimentos, não tinham suas vozes reverberadas, fincando muitas vezes 
restritas a pequenas notas dispersas entre o noticiário.
Devido ao fato do poder público e órgãos governamentais possuírem assessorias 
responsáveis por municiar a grande imprensa diariamente, além de parte da renda 
de rádios, jornais e TVs, principalmente do interior do país e nas pequenas cidades, 
também ser por meio das chamadas verbas para divulgação institucional, ter um bom 
tema e informar a imprensa, nem sempre é garantia de divulgação. 
O intercâmbio entre a imprensa e organismos externos nem sempre 
parece tão simples. Governos, organismos não governamentais e 
mesmo empresas gastam muito dinheiro na divulgação de suas 
ações. Equipes compostas às vezes por dezenas de jornalistas, 
acompanhadas pela ação de agências de publicidade e de veículos 
ou informativos próprios, encarregam-se de produzir farto material 
para divulgação. Até boa parte do século XX, uma significativa parcela 
da receita da televisão e dos jornais brasileiros vinha dos cofres 
públicos, o que facilitava o vínculo entre os governos e o jornalismo 
(ZANCHETTA, 2004, p,24).
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ISTO ESTÁ NA REDE
Um tema que ganhou relevância nos últimos anos, principalmente com as 
oportunidades de manifestação surgidas na internet é o que se denomina por “lugar 
de fala”. Quem pode falar por determinados grupos e segmentos da sociedade? A 
pesquisadora Djamila Ribeiro é uma das vozes mais relevantes e uma referência 
quando se fala no tema. Vale a pena entender um pouco mais sobre o tema: 
https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/mas-afinal-o-que-e-lugar-de-fala/
7.2 Uma nova “ordem do discurso” no jornalismo
Percebemos até aqui que na construção de uma notícia existe sempre um grande 
jogo de interesses, onde alguns personagens ganham mais destaque do que outros, ou 
seja, determinadas vozes acabam sendo privilegiadas, enquanto outras simplesmente 
https://www.sabedoriapolitica.com.br/products/mas-afinal-o-que-e-lugar-de-fala/
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são esquecidas. Os grupos que conseguem fazer parte da agenda jornalística, com 
toda certeza ganham relevância e mais espaço.
Mesmo com certo ar de pluralidade e aparentando oferecer espaço para todos, 
notamos que a narrativa jornalística é construída por meio de uma grande rede de 
conexões, como afirma LEAL (2014, p, 94), ao dizer que “Assim, mantém-se a tendência 
por uma voz jornalística monofônica, que representa sempre os mesmos setores, 
atende os mesmos grupos e privilegia visões de mundo e versões atreladas ao contexto 
sociocultural no qual o profissional está inserido”. E isto nos leva a pergunta central 
desta aula:
Mas afinal, quem fala no jornalismo? A pergunta pode parecer 
óbvia, mas significativamente não é. O discurso ali presente 
pertence ao jornalista que relata os fatos? Aos veículos onde as 
notícias são divulgadas? Aos personagens envolvidos? Às pessoas 
que participaram dos acontecimentos ou a eles assistiram? Ou aos 
setores interessados nos acontecimentos? E mais, quem ganha voz 
na imprensa? Quem é acionado e chamado a falar e legitimado como 
porta-voz de informações relevantes. A quem é dada a oportunidade 
de se manifestar na privilegiada arena midiática? Quem define e quem 
diz a suposta “verdade” dos fatos? (LEAL et, al. pág. 91).
Chegamos neste ponto e percebemos que a questão sobre quem fala tem relação 
também com “o que se fala” e “como se fala”, dois elementos presentes na análise 
do que vem a ser um discurso jornalístico, produzido por anos e anos de redação, 
ideologias, governos, interações e rupturas entre sociedade e jornalismo.
Mas a questão sobre a construção do discurso ganhou corpo nos anos 1950, quando 
o filósofo francês Michel Foucault passou a estudar a história das doenças mentais, 
crimes e os sistemas prisionais. Para o filósofo, os discursos criados e moldados 
pela sociedade criam barreiras e organizam uma forma de pensar com influência na 
cultura e nas mídias de massa.
Os suportes discursivos funcionam como paradigmas, definindo 
limites ao que pode ser prudentemente dito sobre um determinado 
assunto e como pode ser dito. As discussões sobre crime, por 
exemplo, são estruturadas de acordo com o discurso dominante da 
lei e da ordem [...] o conceito de discurso de Foucault torna discurso 
e prática discursiva centrais para o estudo do poder. Segundo ele, 
conhecimento e poder são intimamente ligados e não opostos 
(GIDDENS, 2015, p,9). 
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Sobre esta reverberação na sociedade do discurso midiático, que o fortalece ainda 
mais, ZANCHETTA (2009, p, 29)nos lembra que, “boa parte dos episódios acaba 
estampada nas páginas de diferentes jornais como os mesmos dados, a mesma 
abordagem e por vezes o mesmo texto. É também recorrente o quadro de repercussão 
de determinados eventos dentro de um determinado grupo”.
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O discurso sobre a pacificação das favelas no Rio de Janeiro é um bom exemplo 
de como se opera a construção dos discursos pelas autoridades, muitas vezes em 
conivência com a própria imprensa.
A cobertura sobre o processo de pacificação do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro, 
pode servir para ilustrar a questão. Por mais que os veículos de mídia tenham buscado ouvir 
moradores e representantes da comunidade, a cobertura se pautou pelo ponto de vista do 
governo e da polícia. E mais: o discurso jornalístico é construído sobre determinados conceitos 
de segurança, justiça e autoridade e por uma visão dominante que prega, utilizemos aqui a 
expressão estereotipada, que “lugar de bandido é na cadeia”. Antes mesmo da apuração dos 
fatos, reside a noção de que “pacificação” é um processo que busca o bem, e dificilmente uma 
voz dissonante a essa postura ganha espaço. Ou seja, por mais que as matérias trouxessem 
depoimentos de crítica ou insatisfação, o tom geral dos textos era de aprovação à iniciativa.
A questão ganha força graças a uma situação comum ao jornalismo: a preferência por 
fontes estáveis, oficiais e autorizadas. Tal fato remonta ao próprio modelo da organização 
jornalística, marcado pela centralidade da “sala de redação”, do deadline, pelas pressões 
internas e externas e pela necessidade de preencher espaços com material atual, vendável 
e de credibilidade. Nessa dinâmica, é preferível que a fonte seja institucionalizada, de fácil 
acesso e confiável, ou seja, que possua um lugar de fala já legitimado e possa realizar, sem 
grandes investimentos, o papel de escudo do jornalista.
FONTE: (LEAL et, al. pág. 94).
Ao chegarmos no final desta aula, pudemos compreender de maneira mais clara 
que existem personagens centrais no processo de construção da notícia, responsáveis 
por selecionar ou sugerir o que deve ou não ser informação.
Tão importante quanto entender o que é notícia e ganha destaque na mídia é notar o 
que não ganha destaque, o que se torna tema tabu e ao mesmo tempo entra em uma 
rota de esquecimento, tentando-se apagar da memória da sociedade determinadas 
questões, ou ao menos não as tornas relevantes.
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Tratamos também sobre as fontes em suas versões mais variadas, e discutimos 
também a força da construção de um discurso, que acaba legitimando determinadas 
falas e deslegitimando outras, num processo excludente de vários segmentos de 
nossa sociedade.
Mas vimos também que todo discurso aparentemente irremovível do fazer jornalístico, 
entra em uma nova fase, uma rota de colisão com segmentos da própria sociedade 
de ganham visibilidade devido à internet. Ganham fala, voz, imagens e a possibilidade 
de construírem suas próprias visões de mundo, independente do que pensam os 
grandes grupos.
Na próxima aula falaremos sobre o processo de escolha do que é notícia e o que 
poderá tornar-se notícia, de acordo também com critérios jornalísticos, sociais e 
ideológicos pré-estabelecidos.
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AULA 8
TUDO É NOTÍCIA, 
TUDO VIRA NOTÍCIA
Entre a liberdade de informação e os cidadãos, eleva-se a pilha de 
informações hiperabundantes, tão insuportável, ou quase, quanto 
os obstáculos impostos pelas ditaduras. Em outros termos, é o 
“muro da informação” que nos impede de ter acesso a informação. 
Esse excesso bloqueia o caminho para o conhecimento. O homem 
contemporâneo corre, assim, o risco de se tornar um ignorante 
saturado de informações (RAMONET, 2021, p,54).
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Desde os anos 1980, as pessoas sentem com mais força os efeitos da globalização. 
A vida social, aliás, nunca foi e nunca será estática, é um continuo e constante processo 
de mudanças, mas nunca na velocidade como vemos hoje. 
Nas comunicações e no jornalismo mais especificamente, a chegada da internet com 
suas infinitas possiblidades e o surgimento das redes sociais provocaram mudanças 
profundas no modo de produzir, mas também de consumir informação.
Como afirma GIDDENS (2015, p, 20), “a globalização não é um processo de mão 
única de integração cada vez mais próxima, mas um fluxo de mão dupla de imagens, 
informações e influência produzindo diversos resultados”, trazendo efeitos que serão 
sentidos por todos os entes e participantes.
Na mídia o que se percebe é um certo esvaziamento das grandes pautas locais e 
nacionais, e uma relevância temporal cada vez menor das informações que circulam, 
em favor de temas mais superficiais e rotineiros, que em outras épocas certamente 
não ocupariam espaço e tempo da mídia tradicional. 
Por outro lado, e até como forma de explicar este certo esvaziamento de interesse, 
nunca se teve tanto acesso a informação e nunca se produziu tanta informação, ou 
para utilizar um termo atual, nunca se produziu tanto conteúdo.
Para RAMONET (2012), o que está acontecendo é um enfraquecimento gradual 
do que ele chama de “quarto poder”, título atribuído a mídia e que, segundo o autor, 
talvez hoje esteja sendo colocado em xeque, por existir uma crise de credibilidade das 
mídias, devido ao fato de que:
O jornalismo de especulação, de divertimento e de espetáculo triunfa 
em detrimento da exigência de qualidade. A encenação da informação 
sobrepõe-se à verificação dos fatos. Mas mídias on-line, os novos 
jornalistas têm tendência a dedicar espaço sobretudo à difusão de 
notas em vez de pesquisar informações ou desenvolver reflexões. Eles 
se tornaram certamente mais reativos, mas menos mediativos, mais 
atraídos por eventos, mas frequentemente insensíveis ao contexto 
(RAMONET, 2021, p,54).
 Existe também a sensação de urgência pela rapidez, pelo imediatismo de receber e 
interagir com as informações. Está quase obsessão pela rapidez acaba por pressionar 
também as mídias a produzirem mais, aumentando as chances de erros durante o 
processo, perdendo certas referências sobre o verdadeiro valor da notícia, aquilo que 
precisa, pode e deve ser noticiado.
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Estas constatações, aliás, não dizem respeito apenas ao jornalismo. Está urgência 
da sociedade marca o surgimento do que os sociólogos chamam de sujeito pós-
moderno, ou sujeito da pós-modernidade, como afirma LEAL (2014, p,104), “de algum 
modo, viver na (pós/hiper) modernidade é também se valer de gestos constantes e 
sub-reptícios de atualização – tarefa sociotécnica encarnada, de maneira central, no 
processo produção/circulação/consumo de notícias jornalísticas”.
Tratando especificamente da comunicação e do jornalismo na pós-modernidade, 
alguns estudiosos trazem previsões que podem se concretizar, ou não, mas nos ajudam 
e buscar respostas para este fenômeno ainda novo, e que não para de evoluir.
Jean Baudrillard argumenta que a mídia eletrônica destruiu nossa 
relação com o passado [...] em que a sociedade é influenciada, 
acima de tudo, por signos e imagens. Para Baudrillard, a crescente 
proeminência da mídia de massa erode a fronteira entre a realidade 
e a sua representação, deixando apenas uma “hiper-realidade” [...] 
onde a nossa percepção dos acontecimentos e a nossa compreensão 
do mundo social ficam extremamente dependentes de enxerga-los 
por intermédio de alguma mídia de massa [...] da mesma forma, há 
muitas comprovações de que a mídia de fato exerce um papel mais 
importante do que em períodos anteriores, mas nãose pode afirmar 
que as pessoas simplesmente engolem cegamente o conteúdo 
midiático [...] os telespectadores, por exemplo, leem e interpretam 
ativamente o conteúdo da mídia, tirando conclusões próprias [...] há 
também mais fontes alternativas de informações e entretenimento, 
muitas das quais se baseiam na interação [...] e mesmo que algumas 
das mudanças propostas pelos pós-modernistas sejam genuínas e 
capazes de influenciar, a constatação de que constituem em uma 
mudança radical para além da modernidade continua sendo tema 
de debates (GIDDENS, 2015, p,30).
8.1 Para onde caminha o quarto poder?
Em 2008, quando escreveu o livro O Destino do Jornal, o jornalista Lourival Sant´Anna 
já refletia com seus entrevistados sobre a pergunta que abre este tópico –para onde 
caminha o quarto poder? – No caso a imprensa, chamada de quarto poder1 por sua 
considerada força de produzir mudanças políticas e sociais com a mesma autoridade 
dos poderes constituídos (falaremos sobre isso mais adiante).
1 Não nos cabe neste momento discutir a validade ou veracidade desta proposição atribuída a imprensa, “quarto poder”, mas apenas 
entendê-la como aceita de forma empírica pela sociedade e pela própria imprensa em determinado momento histórico, e servindo de base para 
nossas análises nesta aula, por meio dos textos e obras utilizadas como apoio.
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Algumas das constatações, ou previsões feitas pelos especialistas, diretores ou 
Publisher do impresso como os jornais Folha de S. Paulo, O Globo, e O Estado de S. 
Paulo tornaram-se realidade em poucos anos, ou caminham para tornarem-se, menos 
de 15 anos após terem sido apresentadas.
“Há uma dificuldade por parte dos meios de comunicação e dos jornalistas em particular 
em se acomodar a um novo entorno no qual as audiências têm a possibilidade não só 
de responder, mas de falar entre si a propósito do que nós lhes informamos. Isto gera 
processos de movimento informativo que até agora não existiam ou que pelo menos 
não se tornavam públicos [...] a interatividade, ou seja, incorporar o leitor ao discurso 
jornalístico, é algo radicalmente novo, e é a isso que os meios digitais estão conferindo 
um protagonismo”.
“Um movimento centrípeto e outro centrífugo – centrípeto no sentido de que alguns 
elementos acumulam possibilidades tecnológicas que antes só eram possíveis em distintas 
ferramentas tecnológicas individuais. Agora, com uma única ferramenta, podem-se fazer 
muitas coisas. O computador, nesse sentido, está-se convertendo no núcleo estratégico 
de todos esses eletrodomésticos [...] centrífugo, que faz com que todas as ferramentas, 
como os telefones celulares, acumulem também possibilidades que antes eram patrimônio 
do computador [...] há um processo de intercâmbio, no qual, com qualquer ferramenta 
tecnológica, podemos fazer muito mais coisas do que antes”. 
“Na primeira década, a web esteve condicionada por uma limitação física: era preciso 
estar conectado a um computador para poder acessar a rede. Isso já não será mais assim. 
Agora, a internet vai se converter em um tipo de rede ambiental, que vai estar a nossa 
disposição através dos celulares [...] isso vai resultar em uma revolução linguística, porque 
poderemos acessar a informação de maneira direta, a todo momento. A informação de 
última hora nos vai chegar pelos celulares.
FONTE: SANT´ANNA (2008, p 175-177)
A partir destes relatos, cabe-nos perguntar - o que é notícia na pós-modernidade, e 
qual sua relevância para a sociedade. Quem são os produtores de notícias e informações 
na atualidade. Será que tudo isso morreu, ou está se transformando em algo que ainda 
não sabemos com clareza do que se trata?
Como profissionais da comunicação, aprendemos que por meio de técnicas e 
manuais jornalísticos que conferem relevância aos fatos e acontecimentos, podemos 
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elencar hierarquias e trabalhar as informações de acordo com esta relevância, dotada 
de critérios de noticiabilidade e valores-noticia.
O que temos hoje foge a estas regras do jornalismo tradicional, pois é uma construção 
conjunta de informações que se inicia, mas não termina na notícia em si. Persiste e 
ganha novas interpretações com os comentários, as curtidas, os compartilhamentos 
e novas formas de interação. LEAL (2014), nos ajuda nesta reflexão.
Parece inevitável o abandono dogmático de algo que, ironicamente, 
sempre fez parte da identidade de qualquer jornalista, a saber, a tarefa 
de guardião da relevância – ou de caçador de furos. Ao mesmo tempo, 
é inegável que nos contextos de interação alimentados pelo sistema 
perito dos jornalistas, essa sensação existirá (e é bom mesmo que 
continue existindo): o sentimento e o desejo de tocar as franjas dos 
acontecimentos (Mouillaud, 1997), bem como a autoridade nascida 
automática e abruptamente desse obsceno toque, são elementos 
que garantem a permanência, a vitalidade, a legitimidade e a força de 
qualquer experiência jornalística profissional, organizada socialmente 
(LEAL et, al. pág.105).
Podemos afirmar então que o trabalho jornalístico profissional tem seu espaço 
mais do que garantido e continuará atuando de maneira importante e essencial na 
sociedade, mas agora não de maneira única.
Haverá, portanto, um deslocamento do centro das atenções na figura do jornalista 
e da empresa jornalística e midiática, que passa a dividir espaço com produtores de 
conteúdo dos mais variados espectros sociais e econômicos. 
Isso parece nos dizer que a experiência de narrar notícias não é 
tributária apenas da empresa e/ou da profissão jornalística, mas 
refere-se, em última análise, a uma própria atualização do lugar que 
ocupamos no mundo, protagonizada por qualquer um de nós. Em 
outros momentos, quando a conexão entre os territórios não era 
algo instantâneo, a tarefa de atualização da vida social era exercida 
por outros sujeitos – sobretudo aqueles que venciam os lugares e, 
imediatamente, narravam suas experiências (LEAL et, al. pág.105).
Outro ponto tratado na aula anterior e que nos cabe retornar neste momento é o 
fator “agenda” jornalística, que como discutimos, vem a cada dia perdendo relevância 
para a construção de um espaço social mais plural e democrático de apresentação 
das notícias e informações.
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Mas, independentemente destas novas construções, existe uma elaboração diária e 
própria da mídia que de uma maneiro diferente do que já foi em anos anteriores, elabora 
sim uma agenda mínima, que insta na sociedade os primeiros focos de discussão, 
mesmo que posteriormente os caminhos se modifiquem.
o lugar de prescrição e de agendamento da notícia: ela nos “oferta 
diariamente – na televisão, no rádio, no jornal, na internet – o ‘prato’ 
(ou a ‘ordem do dia’) que constituirá alimento de uma conversação 
social” e, como dispositivo, é lugar que pretende convocar e coordenar 
a interação entre os sujeitos e suas falas – já que, ao buscar a 
convergência da prosa social, projeta as interações “noutro plano e 
ali as põem em permanente circulação e rebatimento, instando os 
sujeitos a se tornarem seus interlocutores”. Contudo, o fato de as 
notícias jornalísticas, produzidas pelo complexo aparato midiático, 
rogarem pelo agendamento, oferecendo substrato à conversação 
social, não indica que a notícia seja a única instância, por excelência, 
produtora de experiências de atualidade (LEAL et, al. pág.110).
Por meio destas definições, entendemos existir na atualidade, dois polos 
comunicacionais que se tencionam e se forçam mutuamente, sendo um primeiro 
a mídia enquanto elemento técnico de produção jornalística e um segundo polo 
formado por interlocutores, consumidores e produtores de conteúdo, responsáveis 
pela reverberação dos temas tratados. 
Sendo assim, a notícia jornalística é tantozona de afetação quanto 
de interpelação; de apostas e de inserção dos acontecimentos numa 
cadeia de causa/consequência; é ao mesmo tempo acontecimento 
e lócus de interpretação/sofrimento/passagem; é “lugar de 
experiência e ao mesmo tempo um lugar que interpreta e reconfigura 
a experiência. Fala da experiência do mundo, mas faz parte dessa 
mesma experiência” (Antunes; Vaz, 2006, p. 51).
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ANOTE ISSO
Em sua obra A explosão do jornalismo: das mídias de massa a massa de mídias, 
de 2012, Ignácio Ramonet nos fala sobre o excesso de informação que nos 
bombardeia diariamente e aborda também o que chama de “a morte do quarto 
poder”, tema que nos acompanha nesta aula. Leia atentamente o que diz o 
pesquisador.
Devemos lembrar que, desde a segunda metade do século XIX, a 
imprensa e as mídias constituíram, no seio das democracias, o recurso 
dos cidadãos contra os abusos dos três poderes tradicionais (Legislativo, 
Executivo e Judiciário), que podem falhar e cometer erros [...] nos regimes 
democráticos – nos quais as leis são votadas democraticamente, os 
governos são eleitos pelo sufrágio universal e a Justiça é independente 
do Executivo -, graves abusos também podem ser cometidos [...] em um 
contexto democrático, os jornalistas e as mídias consideram como seu 
dever denunciar essas violações dos direitos. Em determinadas situações, 
eles pagaram caro: atentados, desaparecimentos, assassinatos [...] é por 
essa razão que falamos, durante longo tempo, do “quarto poder”. Tratava-
se na realidade de um contra poder, porque fazia contrapeso aos outros 
três. Foi ele que permitiu, nas democracias modernas, a aparição de um 
novo ator decisivo: a opinião pública (não havia opinião pública antes do 
desenvolvimento das mídias de massa no final do século XIX). 
Este “quarto poder” era, em definitivo, graças ao sentido cívico das 
mídias e à coragem dos jornalistas, aqueles que dispunham os cidadãos 
para criticar, rejeitar, contrapor – democraticamente – decisões políticas 
ou judiciárias certamente legais, mas que podiam revelar-se injustas, ou 
até criminosas. A imprensa tornava-se assim, como sempre foi dito, a 
voz dos sem-vozes.
Nos últimos 20 anos, à medida que se acelerava a globalização 
neoliberal, o conteúdo deste “quarto poder” foi pouco a pouco esvaziado 
de seu significado. Ele perdeu sua função essencial de contra poder.
FONTE: RAMONET, 2012, pág.56
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8.2 Excesso de notícia e o interesse público
https://i0.wp.com/gestaodesegurancaprivada.com.br/wp-content/uploads/De-interesse-p%C3%BAblico-1.jpg?fit=720%2C405&ssl=1
Recorrendo a uma análise funcionalista do que vem a ser a mídia e seus veículos 
e plataformas de comunicação, nos deparamos com o que GIDDENS (2015, p, 237) 
chama de – “produção de informações sobre a sociedade e o mundo como um todo, 
o que cria uma experiência compartilhada de modo que todos nós nos sentimos parte 
do mesmo mundo. A mídia de massa explica os eventos mundiais e auxilia nossa 
compreensão”, ao selecionar, organizar e divulgar os fatos e acontecimentos dentro 
de critérios mínimos de interesse e veracidade.
Ao nos oferecer esta forma de interação conjunta e socializada, mesmo não podendo 
ser considerada totalmente neutra em seus posicionamentos políticos ou ideológicos, 
o interesse público desponta inegavelmente como fator preponderante no trabalho 
da mídia.
Tanto é verdade esta ligação íntima entre interesse público e social, democracia 
e mídia, que GIDDENS (2015, p, 218) nos lembra que “as democracias modernas se 
desenvolveram junto com a mídia de massa [...] em um sentido bastante real, a mídia 
de massa possibilitou e estimulou a cultura democrática [...] e foram vitais para o 
desenvolvimento inicial das democracias”.
https://i0.wp.com/gestaodesegurancaprivada.com.br/wp-content/uploads/De-interesse-p%C3%BAblico-1.jpg?fit=720%2C405&ssl=1
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Paralelo a este papel fundamental desempenhado pela mídia, a proximidade do 
poder público proporcionada pela necessidade de informar trouxe outras questões, 
relacionadas as relações de interesse entre mídia e poder, conforme GIDDENS (2015, 
p, 219), “a política é manipulada no parlamento e na mídia de massa, enquanto os 
interesses comerciais dominam. A opinião pública não é formada por discussões 
abertas e racionais, mas por meio da manipulação e do controle – por exemplo, na 
publicidade.
Nesta dicotomia entre a inegável importância da mídia para a sociedade e sua 
aproximação nem sempre republicada dos centros de poder, surgiu a internet, provocando 
a disrupção de todo este processo e colocando um ponto de interrogação no que vem 
a ser a relevância jornalística e interesse público da notícia.
Talvez um dos elementos mais conhecidos e responsável por legitimar 
o lugar do jornalismo nas sociedades modernas seja seu poder de 
agendamento frente àquilo que, genericamente nomeia-se como 
interesse público. Advoga-se para o conjunto de técnicas, métodos 
e regras de produção jornalística uma espécie de tarefa objetiva, 
supostamente distanciada das paixões e cientificamente comprovada, 
capaz de produzir a verdade do presente [...] é esse mesmo molde, 
portanto, que idealiza uma imagem de interesse público como algo 
que supostamente possa ser alcançado somente pelos sujeitos que 
se distanciam da experiência e que por isso mesmo, sejam capazes 
de esclarecer e de iluminar o restante dos pobres e desqualificados 
mortais, mergulhados no senso comum da vida social (LEAL et, al. 
pág.111).
8.2.1 Notícia como “experiência” e não como “interesse” público 
A chegada da internet e a possibilidade de produção autônoma de notícias a partir 
de um desejo, necessidade ou identificação com determinados temas, nos coloca 
diante de outro dilema instigante para tratarmos sobre o excesso e a relevância das 
informações.
Deixar de entender a notícia apenas como de interesse público, mas trata-la também 
como resultado das experiências da sociedade, em busca de respostas aos seus 
questionamentos prementes e torna-la, portanto, o resultado das experiências de quem 
vivencia o dia a dia da sociedade é um outro caminho proposto, como bem frisam 
os autores.
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JORNALISMO
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Em primeiro lugar, o termo interesse pressupõe algo que parece ecoar 
de um sujeito moderno, fixo, isento de paixões, criado para dominar 
sua própria condição animal e responsável por construir suas escolhas 
a partir de uma motivação unicamente racional-instrumental. Ora, 
essa ideia de sujeito já se estraçalhou há tempos, como nos aponta 
Hall (1999): os cenários de uma modernidade em crise evidenciam a 
existência de sujeitos plurais, múltiplos, partidos, estilhaçados, que 
pertencem a grupos diversos; que possuem não apenas razão, mas 
também sombra e inconsciente e que não conseguem simplesmente 
se livrar de uma experiência comum, esta que acolhe e organiza suas 
histórias junto a histórias de outros. São esses mesmos sujeitos 
que, em vários momentos de sua vida, se assujeitarão às notícias 
jornalísticas, seja como leitores, seja como profissionais-produtores, 
tomando-as enquanto (des) encaixes de uma experiência mais ampla, 
somente realizada (real e potencialmente) junto a outros sujeitos 
(LEAL et, al. pág.112).
Este olhar sobre a experiência e não apenas o interesse como determinante para 
a produção de informações de interesse público nos coloca diante de um produtor 
de conteúdo que tem sua relevância como sujeito ativo do processo e não como um 
profissional capacitado para tal.
Por este prisma, a notícia deixa de ser resultante unicamente de um processo de 
construção jornalística e retransmitida por meios técnicos para ser, segundo LEAL (2014, 
p, 113), “encaixe de uma experiênciapública, por meio de uma configuração provocada 
pela vivência coletiva de uma dada situação, vivência que não se dá meramente pela 
dimensão coletiva ou de compartilhamento de representações e valores”. 
Mas é preciso que também não se faça uma leitura apressada sobre o atual momento, 
considerando que todas as experiências são corretas e a sociedade pode prescindir 
do jornalismo profissional, técnico, ético e produzido por meio da experiência do fazer 
jornalístico e o olhar treinado do profissional, com pesquisa, objetividade e credibilidade.
É preciso existir um meio termo entre o novo, que surge por meio da internet, 
das redes sociais e dos produtores de conteúdo e do tradicional, construído sobre 
fortes alicerces sociais. Conforme LEAL (2014, p,115), “Se a relação entre relevância e 
interesse público não se mostra mais suficiente para explicar o papel social e o lugar 
de afetação pública ocupados pela notícia, a noção de experiência pública traria o 
indigesto perigo de se tomar tudo (e nada) como notícia? ”
O autor nos indaga ainda quais garantias podem ser dadas ao campo profissional 
do jornalismo quanto ao impacto, ao papel, à legitimidade das notícias na sociedade, 
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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e o que dizer aos estudiosos e aos profissionais do campo, que pretendem investigar 
e definir critérios de noticiabilidade? 
Ora, muito antes do que descaracterizar (ou banalizar) o lugar 
social do jornalismo nas sociedades contemporâneas, a visada da 
experiência pretende executar o movimento de deslocamento de 
suas premissas sem, contudo, deixar de reconhecer sua fundamental 
presença na manutenção de um modo de vida moderno em crise 
(LEAL et, al. pág.115).
Nesse sentido chegamos a vários questionamentos que podem nos ajudar a entender 
o valor das notícias na sociedade atual e como devemos agir diante de um mundo 
conectado e sobrecarregado de informações.
Será que ainda podemos utilizar conceitos como interesse e relevância da notícia 
ao tratarmos sobre os mais variados temas. Podemos tratar notícias como de pouco 
utilidade, quando estas notícias despertam o interesse de milhares de pessoas que 
hoje podem receber informações e refletir sobre estes assuntos. Para o autor: 
Tal evidência nos obriga a abandonar juízos de valor ancorados 
previamente num certo intelectualismo militante e arrogante, 
instituído sobretudo junto a inúmeros sujeitos-jornalistas e assumir 
que, a depender da afetação, os fenômenos das celebridades se 
mostram tão relevantes para a vida social contemporânea quanto 
as notícias políticas e os embates econômicos entre os países no 
mundo (LEAL et, al. pág.117).
Neste momento atual, em que as notícias, muitas vezes nos chegam primeiro por 
meio de redes sociais, produzidas e entregues por pessoas comuns e posteriormente 
passam ao campo do jornalismo, precisamos reavaliar conceitos como os valores-
notícia e os critérios de noticiabilidade.
Precisamos indagar se estes mesmos valores e conceitos, criados para tornar o 
jornalismo um elo entre a sociedade e as informações e aproximar o cidadão dos 
seus direitos, ainda são todos aceitos e valorizados como tal?
Creio que como síntese desta aula fica o debate sobre a relevância das notícias e 
como isto afeta a legitimação social do jornalismo. Importante também termos tratado 
sobre a relação existente entre experiência e interesse público na produção jornalística 
e como é possível unir estes dois polos em favor da sociedade, do jornalismo e da 
informação correta, necessária e essencial à sociedade.
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JORNALISMO
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A partir da próxima aula iniciaremos a Unidade 3, focada no tópico Mídia e Direito, 
trazendo importantes reflexões sobre o diálogo entre Comunicação e Direito; direito 
de imagem: atuais e de arquivo; transmissão de eventos esportivos; e o Código de 
Ética dos jornalistas.
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AULA 9
O DIÁLOGO ENTRE 
COMUNICAÇÃO E DIREITO
Existem profissões especiais? Até que ponto o jornalismo é diferente 
de outras atividades da sociedade moderna? O jornalismo é uma 
profissão ou um estado de espírito? (DINES, 2009, p, 134).
https://secgts.org.br/2015/wp-content/uploads/2016/10/igualdade-de-g%C3%AAnero-620x350.png
Caros estudantes, até este momento falamos sobre os conceitos e fundamentos do 
jornalismo enquanto atividade profissional da contemporaneidade, prática essencial 
para o melhor convívio em sociedade, sem, no entanto, nos afastarmos das importantes 
discussões sobre suas origens e percurso histórico. 
Abordamos teorias que envolvem o fazer jornalístico, apontando as complexidades 
que abrangem a prática desta atividade profissional em seus elementos estruturantes, 
a utilização dos diversos gêneros jornalísticos, a linguagem adequada e em constante 
modernização, que faz com que o jornalismo seja atual e ofereça a sociedade uma 
visão ampla, diversa e crítica dos fatos e acontecimentos.
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JORNALISMO
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Trataremos à partir de agora, nas Unidades 3 e 4, que englobam as aulas 9 à 15, 
temas atinentes a Jornalismo e Direito, no que concerne ao direito e a liberdade de 
informar e ser informado, ética profissional relativa ao exercício do jornalismo e da 
profissão de jornalista em suas mais variadas práticas, além de tratarmos sobre Direito 
e Mídia, uma relação nem sempre pacífica, mas necessária, quando se trata de levar 
informação a sociedade.
Iremos falar sobre Ética e seus fundamentos, a questão da ética na comunicação 
e no jornalismo, a busca pela verdade no ato de informar e o comportamento que 
deve existir por parte de jornalistas no exercício da profissão. 
Outros fundamentos a serem tratados dizem respeito ao código de ética do 
jornalismo, legislação dos meios de comunicação e o direito a informação, garantido 
à todo cidadão brasileiro por meio da Constituição Federal, mas que nem sempre é 
exercido em sua plenitude.
Desta forma, você conhecerá de maneira mais detalhada os aspectos legais 
da profissão e da prática diária do jornalismo, amparado por uma legislação que 
regulamenta, disciplina e garante a prática em todo território nacional.
9.1 Jornalismo, Ética e direito à informação
Desde o surgimento da imprensa no Brasil no início do Século XIX, ainda durante o 
Império, passou a existir também a preocupação com a credibilidade das publicações. 
Principalmente porque o jornal como veículo de informação chegou ao país por meio 
da família real, que detinha e usava seu poder de decidir o que seria ou não notícia.
Neste período, a censura como proibição à livre circulação de informações e ao 
trabalho de jornalistas já existia, tanto que um outro jornal, o Correio Braziliense, que 
não tinha ligações com a família real e buscava ser mais independente, não era visto 
com bons olhos pela família imperial. 
Para driblar a censura sua edição e impressão ocorriam em Londres, pelo já naquela 
época perseguido e refugiado, Hipólito da Costa. Chegava ao Brasil de navio, o que 
não impedia seu confisco caso os assuntos tratados não agradassem a Monarquia.
No meio deste conflito ficava a população, os consumidores de informação, que 
sabedores de que um jornal autorizado pela Monarquia certamente carregava nas tintas 
a favor do Império e da família real, enquanto o oponente, considerado independente, 
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poderia também ter sua linha editorial contrária aos negócios da Coroa, mas não 
necessariamente a favor dos interesses populares.
Os fatos acima narrados demonstram que sempre existiu uma preocupação com 
a linha editorial e os limites da imprensa, tanto por parte dos detentores do poder ou 
governantes de ocasião, como por parte da sociedade. Busca-se sempre entender oque está “por traz” de uma notícia, a quem ela busca agradar e a quem procura atingir. 
No meio disso tudo ainda existe a figura do jornalista, profissional capacitado, por 
meio de sua formação e seus compromissos e juramentos a buscar a verdade dos 
fatos acima de qualquer interesse pessoal ou de grupos, inclusive os da empresa 
que atua. 
Além disso, o jornalista deve respeitar códigos de conduta da própria profissão e 
a legislação do país, que estabelecem limites sobre sua função, a fim de preservar 
também os direitos da sociedade, beneficiária e alvo do trabalho da imprensa. 
A Constituição Federal quando fala sobre os direitos e garantias fundamentais, 
trata em seu artigo 5º, sobre os direitos e deveres individuais e coletivos e apresenta 
inúmeros incisos tratando sobre acesso a informação e direito da sociedade a informar 
e ser informada livremente.
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e 
de comunicação, independentemente de censura ou licença; X - são 
invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, 
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente 
de sua violação; XIV - é assegurado a todos o acesso à informação e 
resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional; 
(http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm) 
Segundo DINES (2009, p, 135), o jornalista é também um educador, na medida que 
“o jornalismo, por ser uma atividade essencialmente intelectual, pressupõe no seu 
exercício uma série de valores morais e éticos. Sabe-se que o processo de informar 
é um processo formador; portanto, o jornalista, em última análise, é um educador”.
Não apenas como jornalista, mas também como pesquisador, Alberto Dines ressalta 
que esta análise é de caráter geral e aprofunda seus estudos, apresentando o que 
chama de “componentes específicos da atitude jornalística”, subdivididos em três 
grandes grupos.
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JORNALISMO
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a) os de natureza interna, isto é, psicológica: não correspondem àqueles estereótipos 
que o cinema consagrou. O jornalista não necessariamente deve compor o tipo 
expansivo, entusiasta, ágil, “durão”, cuja imagem o público já mentalizou. Pode ser 
até calado e delicado. Porém, internamente deve ser um espírito inconformado e 
inquieto. O jornalista não pode contentar-se com a primeira informação, impressão 
ou inferência, nem acomodar-se ao primeiro obstáculo. Quantas vezes a não notícia 
é uma excelente notícia? Basta trabalha-la.
b) os de sentido operativo – o jornalista se caracteriza pela permanente tomada de 
decisões. Se fotógrafo, é o ângulo da fotografia que importa, uma decisão, portanto. 
Se repórter, importam o enfoque da notícia, a pergunta ao entrevistado e a escolha do 
próprio entrevistado [...] ao escrever, cada palavra é uma decisão, cada informação, 
uma decisão, cada orientação, decisão [...] durante todo tempo em que desempenha 
sua atividade diária [...] o jornalista seleciona e opta [...] o jornalista entrosa-se 
com a responsabilidade muito mais facilmente do que com a punição e o arbítrio. 
Especialmente se essa responsabilidade for um padrão de toda sociedade que ele 
representa. O jornalista sabe que, ao redigir uma nota de três linhas, pode estar 
destruindo uma reputação e uma vida [...] uma forma de incentivar a responsabilidade 
e de obrigar o jornalista a conviver com ela é a criação de códigos de ética. 
c) os de caráter exterior ou formais – referem-se à etapa final da atividade jornalística: 
a expressão do pensamento. O jornalista vive enunciando, parabolizando, cronicando, 
individualizando, generalizando, definindo, montando tendências, compondo 
perspectivas, rejuntando o passado [...] e como instrumento desta percepção, utiliza-
se da linguagem. Nesse sentido, é um cultor dedicado do mais importante tesouro 
cultural de um país: sua língua [...] escrever bem é pensar bem, conceituou o jornalista 
e escritor Otto Lara Resende. Há escritores imbatíveis na graça, leveza ou precisão da 
linguagem. Mas há um número imensamente maior de jornalistas cujo contato diário 
com pessoas, ideias, emoções ou fatos os torna lúcidos pensadores e exemplares 
expositores.
Fonte: DINES, 2009, p, 136-139
Encerrando este raciocínio sobre os componentes específicos da atitude jornalística 
diante de seu trabalho e da sociedade, o autor reflete um pouco mais sobre o papel da 
imprensa e dos veículos de comunicação e a relação que deve existir entre imprensa, 
sociedade e governantes.
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Os jornalistas não são semideuses, mas todos perseguem uma 
melhoria de sua pessoa, porque essa é uma das poucas atividades 
em que o aperfeiçoamento subjetivo é meta profissional. Sob a 
pressão diária dos acontecimentos, isto é, da vida, eles procuram 
objetivos que a um só tempo são formais e íntimos. O jornalista, 
como já se disse, não é pior que o seu patrão, nem melhor que 
os seus governantes. Sabemos que, sociologicamente, não há 
segmentos diferentes em uma população [...] um corte transversal 
em uma corporação de militares, religiosos, jornalistas, engenheiros, 
economistas e governantes de um país revelará os mesmos traços, as 
mesmas marcas dominantes, as mesmas qualificações, os mesmos 
ingredientes. O jornal é o fragmento da história e da memória de um 
país [...] o que não pode haver em uma sociedade que busca seu 
aperfeiçoamento é o espírito de “dedo no gatilho” contra a imprensa. 
Quando governos e elites compreenderem isso, os jornalistas serão 
entendidos. E poderão ser melhor jornalistas (DINES, 2009, p, 141)
9.1.1 Ética e Moral
Falar sobre Ética e Moral nunca foi tarefa fácil, seja relacionada a vida privada, pública 
ou profissional. Se é que de fato existe esta distinção. Ao colocarmos este tema em 
discussão, não buscamos ter uma opinião definitiva ou única sobre o que venham a 
ser considerados, mas sim jogar luz sobre estes dois conceitos que regem a vida em 
sociedade e são norteadores para o exercício de qualquer atividade profissional, mas 
tem um peso fundamental no exercício do jornalismo. 
Principalmente por serem conceitos entronizados no dia a dia da sociedade, cada 
pessoa acaba por ter seu próprio entendimento do que vem a ser ética, como bem 
descreve Álvaro Valls, no livro O que é ética, comumente utilizado nos cursos de 
Comunicação. Logo na abertura o autor nos instiga e nos convida a refletirmos.
A ética é daquelas coisas que todo mundo sabe o que são, mas que 
não são fáceis de explicar quando alguém pergunta. Tradicionalmente, 
ela é entendida como um estudo ou uma reflexão, científica ou 
filosófica, e eventualmente até teológica, sobre os costumes ou 
sobre as ações humanas. Mas também chamamos de ética a própria 
vida, quando conforme aos costumes considerados corretos. A ética 
pode ser o estudo das ações ou dos costumes, e pode ser a própria 
realização de um tipo de comportamento [...] didaticamente, costuma-
se separar os problemas teóricos da ética em dois campos: num 
os problemas gerais e fundamentais (como liberdade, consciência, 
bem, valor, lei e outros); e no segundo, os problemas específicos, de 
aplicação concreta, como os problemas de ética profissional, de ética 
política, de ética sexual, da ética matrimonial, de bioética, etc. É um 
procedimento didático ou acadêmico, pois na vida real eles não vêm 
assim separados (VALLS, 2013, p, 7-8).
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Sobre Moral, também existem as mesmas indagações, como apresenta VALLS 
(2013, p,43) “mas afinal, qual o critério de moralidade? Ela compreende facilmente 
que a consciência moral deveria ser ao menos uma espécie de critério imediato. Agir 
moralmente significaria agir de acordo com a própria consciência. Mas, afora isso, 
agir como? Buscando o quê?”, mostrando que as respostasvariam.
Outro ponto a ser considerado sobre ética e moral diz respeito também as mudanças 
enfrentadas pela sociedade. Costumes mudam, e muito do que consideramos errado 
em épocas passadas, hoje são naturalmente e legalmente aceitos. Mas então devemos 
considerar ética apenas as convenções sociais, que existem de maneira provisória por 
um determinado período? Sobre esta questão também reflete o pesquisador.
Se fosse assim, o que seria um comportamento correto, em ética? 
Não seria nada mais do que um comportamento adequado aos 
costumes vigentes, e enquanto vigentes, isto é, enquanto estes 
costumes tivessem força para coagir moralmente, o que aqui quer 
dizer, socialmente. Quem se comportasse de maneira discrepante, 
divergindo dos costumes aceitos e respeitados, estaria no erro, 
pelo menos enquanto a maioria da sociedade ainda não adotasse 
o comportamento ou o costume diferente. Quer dizer: esta ação 
seria errada apenas enquanto ela não fosse o tipo de um novo 
comportamento vigente.
[...] Não seria exagerado dizer que o esforço de teorização no campo da 
ética se debate com o problema da variação dos costumes. E os grandes 
pensadores éticos sempre buscaram formulações que explicassem, a 
partir de alguns princípios mais universais tanto a igualdade do gênero 
humano no que há de mais fundamental, quanto as próprias variações. 
Uma boa teoria ética deveria atender à retenção da universalidade, ainda 
que simultaneamente capaz de explicar as variações de comportamento, 
características das diferentes formulações culturais e históricas (VALLS, 
2013, p, 10-17) 
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Para refletirmos sobre ética jornalista e moral, ou a falta delas...
No dia 25 de janeiro de 1984, o Jornal Nacional tapeou o telespectador. Mostrou cenas de uma 
manifestação pública na Praça da Sé, em São Paulo, e disse que aquilo acontecia em virtude da 
comemoração do aniversário da cidade. A manifestação era real: lá estavam dezenas de milhares de 
cidadãos em frente a um palanque onde lideranças políticas discursavam. Mas o motivo que o Jornal 
Nacional atribuiu a ela não passava de invenção. Aquele comício nada tinha a ver com a fundação 
de cidade alguma. A multidão estava lá para exigir eleições diretas para a Presidência da República. 
O Jornal Nacional enganou o cidadão naquela noite – e prosseguiu enganando durante semanas a 
fio, ao omitir as informações sobre a campanha por eleições diretas. Para quem só se inteirasse dos 
acontecimentos nacionais pelos noticiários da Globo, a campanha das diretas não existia.
https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2016/06/diretas-ja-20070927-79-original.jpeg?quality=70&strip=info&resize=680,453
No dia 25 de abril daquele ano, a emenda constitucional que restabeleceria o sufrágio universal 
e direito a escolha do presidente da República deixou de ser aprovada por 22 votos no Congresso 
Nacional. O brasileiro só reconquistou o direito de votar para presidente com a Constituição de 1988 
[...] e só voltou a exercê-lo em 1898. O eleito foi Fernando Collor de Mello, cuja candidatura contou 
com o apoio do Jornal Nacional, do Fantástico e dos outros programas jornalísticos da Rede Globo. 
Apoio explícito e assumido. Roberto Marinho, o dono das Organizações Globo, foi muito claro a este 
respeito [...] “Sim, nós promovemos a eleição do Collor e eu tinha os melhores motivos para um grande 
entusiasmo e uma grande esperança de que ele faria um governo extraordinário”. Realmente, Collor 
realizou um governo extraordinário, deixando para a posteridade o registro de vultosas realizações na 
esfera da corrupção. Tão extraordinário que, em 1992, uma outra campanha de massas tomou as ruas, 
lembrando as jornadas pelas diretas de oito anos antes. Mas a bandeira era outra: agora, o que unia 
os manifestantes era e exigência do afastamento do chefe do Executivo federal. O jornalismo da Rede 
Globo adotou o mesmo comportamento de 1984. Ignorou – e, com isso, forçou os seus telespectadores 
a ignorar – inúmeras passeatas e atos públicos que tomavam conta do espaço público nacional. De 
novo, sonegou informação. Na tela da Globo, as jornadas que defendiam o impeachment de Collor 
não tinham vez. Foram aparecer apenas tardiamente, quando o movimento já estava perto da vitória.
Fonte: BUCCI, 2006, p, 29-30
https://veja.abril.com.br/wp-content/uploads/2016/06/diretas-ja-20070927-79-original.jpeg?quality=70&strip=info&resize=680,453
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9.1.2 Ética e Jornalismo
Segundo o Dicionário Onlline de Português, disponível em https://www.dicio.com.br/, 
Ética é “o segmento da Filosofia que se dedica à análise das razões que ocasionam, 
alteram ou orientam a maneira de agir do ser humano, especialmente aquelas que 
estão inerentes em quaisquer regras, preceitos, normas sociais” (acessado 10/02/21), 
ou seja, tratam sobre fusão dos princípios de valor moral e juízo de valor presentes 
nos indivíduos e na sociedade, forjando uma atitude ética que o impede de transgredir 
suas convicções.
Para o jornalista e pesquisador em Comunicação Eugênio Bucci, a ética só existe 
na comunicação social porque o jornalismo, em suas palavras, “é conflito”. Segundo 
Bucci, “quando não há conflito no jornalismo, aí sim, “um alarme deve soar”.
De que adiantam equipes de repórteres de fino trato se o dono 
da rede de televisão põe a emissora a serviço de seu candidato a 
presidente da República, distorcendo os fatos? Para que serve tanto 
cuidado na hora de investigar a privacidade do senador, se não há o 
mínimo de respeito para com os desempregados que, detidos como 
suspeitos por um delegado na periferia, são interrogados diante das 
câmeras como se fossem autores de crimes hediondos? Como pode 
a imprensa fiscalizar o poder – um de seus deveres supremos – 
se ela se converteu num negócio transnacional, oligopolizado em 
conglomerados de mídia que trafica influência junto aos governos 
para conseguir mais concessões de canais e mais facilidades de 
financiamentos públicos? Onde está a independência do jornalismo? 
(BUCCI, 2006, p, 11-12) 
Bucci (2006, p, 12) enfatiza que a ética no jornalismo não pode ficar restrita a 
normatização da conduta dos profissionais de imprensa, pois, “encarna valores 
que só fazem sentido se forem seguidos tanto por empregados da mídia como por 
empregadores – e se tiverem como seus vigilantes os cidadãos do público. A liberdade 
de imprensa é um princípio inegociável, e existe para beneficiar a sociedade”, diz.
https://www.dicio.com.br/
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Em 1994, os donos da Escola de Educação Infantil Base, na zona sul de São Paulo, 
foram chamados de pedófilos. Sem toga, sem corte e sem qualquer chance de 
defesa, a opinião pública e a maioria dos veículos de imprensa acusaram, julgaram 
e condenaram Icushiro Shimada, Maria Aparecida Shimada, Mauricio Alvarenga e 
Paula Milhim Alvarenga. Foi um dos maiores crimes contra a honra de cidadãos 
brasileiros sem a mínima chance de defesa por parte dos envolvidos. A Rede Globo 
foi condenada a pagar R$ 1,35 milhão para reparar os danos morais sofridos pelos 
donos e pelo motorista da Escola Base.
A justiça entendeu que a atuação da imprensa deve se pautar pelo cuidado na 
divulgação ou veiculação de fatos ofensivos à dignidade e aos direitos de cidadania. 
Jornais, revistas, emissoras de rádio e TV basearam-se em “ouvir dizer” sem 
investigar o caso. Quando foi descoberto, a escola já havia sido depredada, os 
donos estavam falidos e eram ameaçados de morte.
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-o-que-foi-o-caso-escola-base-fake-news.phtml
https://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/caso-escola-base-rede-globo-e-condenada-pagar-r-135-milhao.html
https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/historia-o-que-foi-o-caso-escola-base-fake-news.phtmlhttps://www.pragmatismopolitico.com.br/2012/12/caso-escola-base-rede-globo-e-condenada-pagar-r-135-milhao.html
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9.1.3 Ética nas empresas de comunicação e direito social a informação
Outro ponto que deve ser considerado quando se discute ética no jornalismo, é o 
papel dos grupos de mídia e das empresas de comunicação, sejam elas pequenos 
jornais, rádios, sites e TVS ou os grandes grupos midiáticos. Todos devem ter como 
prioridade produzir e informar a sociedade, sem interferência ou predominância de 
interesses públicos ou privados.
Ao jornalismo cabe perseguir a verdade dos fatos para bem informar o 
público, que o jornalismo cumpre uma função social antes de ser um 
negócio, que a objetividade e o equilíbrio são valores que alicerçam a boa 
reportagem [...] a discussão ética só produz resultados quando acontece 
sobre uma base de compromisso. se uma empresa de comunicação não 
se submete na prática às exigências de busca da verdade e do equilíbrio. 
O esforço do diálogo vira proselitismo vazio. E inútil [...] Tudo isso é 
importante, claro, mas é pouco diante das faltas éticas que vitimam a 
sociedade brasileira. [...] As empresas têm razão em sua preferência: do 
caráter dos seus profissionais depende diretamente a qualidade técnica 
dos produtos jornalísticos que serão postos a venda. Mas elas precisam 
devolver essa mesma dedicação e transparência ao público [...] Discutir 
ética na imprensa só faz sentido se significar pôr em questão os padrões 
de convivência entre as pessoas, individualmente, e de toda a sociedade 
no que se refere ao trato com a informação de interesse público e com 
a notícia. A isso precisam se subordinar não apenas os jornalistas, mas 
também os seus patrões e corporações em que funcionam os veículos 
de comunicação. Essa discussão só tem um interessado: o cidadão. 
Ninguém mais. É para ele que a imprensa deve existir – e só para ele. As 
vezes parece que todos nos esquecemos disso (BUCCI, 2006, p, 31-32)
Sobre direito social a informação, torna-se fundamental o entendimento de que, 
ao construir o mundo de maneira simbólica, a informação produzida pela imprensa e 
pelo trabalho cotidiano do jornalismo, deve representar toda diversidade que existe, 
seja em uma pequena cidade, um Estado ou em um país. Segundo KARAM (2014).
É necessário que as diversas concepções, versões, culturas e 
comportamentos estejam presentes [...] Mundos com significados 
diferenciados necessitam de uma ponte entre as várias particularidades, 
para que possam revelar, em seu interior, a universalidade humana 
potencialmente constituinte, a maneira pela qual é possível manter uma 
relação ética particular e universal ao mesmo tempo [...] a linguagem 
jornalística, texto escrito e imagem, necessita de algumas conexões 
com outros significados para os mesmos fatos. A diversidade de 
fontes que expresse a pluralidade social é indispensável para formar a 
compreensão do presente e permitir a intervenção mais consciente no 
futuro. O direito social a informação inclui a diversidade de significação 
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do mundo, e dele fazem parte a palavra e a imagem, o jornalismo escrito 
e a imagem jornalística. E o direito social à informação sentido se for 
conectado a conceitos e valores, como Liberdade [...] Nesse sentido, 
é possível falar em direito social a informação como direito de todos, 
e o jornalismo, como a forma pela qual, cotidiana e potencialmente, é 
possível o acesso imediato ao todo, plural e diverso – que está sendo 
produzido no espaço social da humanidade e no tempo presente 
(KARAM, 2014, p 15-16) 
Sobre comportamentos éticos e morais específicos para a prática do jornalismo 
e da profissão de jornalista, faremos sempre apoiados na legislação existente, seja 
ela de competência local ou universal, mas que estimule em vocês alunos o debate 
sobre questões éticas e morais no fazer jornalístico.
Traremos alguns pontos da Declaração da UNESCO sobre os meios de Comunicação, 
redigida no ano de 1978 e que nos apresenta pontos de reflexão sobre a verdadeira 
função do jornalismo na sociedade. 
O documento reúne princípios internacionais para o setor dos meios de comunicação 
existentes a época, deixando claro comportamentos éticos e morais sobre a atividade 
jornalística considerados corretos. Lembrando, como diz KARAM (2014, p, 56), “a 
formalização de princípios morais e éticos em geral se dá fora da norma jurídica. 
Eles estão implícitos, de certa forma, mesmo que ambíguos, nas Constituições e nas 
legislações específicas sobre o setor.
Artigo 2
(...)
2. O acesso do público à informação deve garantir-se mediante a diversidade das fontes e dos meios 
de informação que disponha, permitindo, assim, a cada pessoa verificar a exatidão dos fatos e 
fundamentar objetivamente sua opinião sobre os acontecimentos. Para este fim, os jornalistas devem 
ter a liberdade de informar e as maiores facilidades possíveis de acesso à informação. Igualmente os 
meios de comunicação devem responder às preocupações dos povos e dos indivíduos, favorecendo 
assim a participação do público na elaboração da informação.
(...)
4. Para que os meios de comunicação possam fomentar em suas atividades os princípios da presente 
declaração, é indispensável que os jornalistas e outros agentes dos órgãos de comunicação, em seu 
próprio país, e no estrangeiro, desfrutem de um estatuto que lhes garanta as melhores condições para 
exercer sua profissão.
(...)
Artigo 5
 Para que se respeite a liberdade de opinião, de expressão e de informação e para que a informação 
reflita todos os pontos de vista apresentados por aqueles que consideram que a informação publicada 
ou difundida sobre eles tenha prejudicado gravemente a ação que realizam com vistas a fortalecer a 
paz e a compreensão internacional, a promoção dos direitos humanos, a luta contra o racismo e a 
incitação à guerra.
Fonte: KARAM (2014, p, 56)
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O autor nos apresenta também os Princípios Internacionais da Ética Profissional 
dos Jornalistas, que são referências essenciais para a discussão sobre as atividades 
jornalísticas. 
Princípio I (O direito dos povos a uma formação verídica)
O povo e o indivíduo têm o direito de receber uma imagem objetiva da realidade, por 
meio de uma informação precisa e global, como também o direito de expressar-se 
livremente através dos diversos meios de difusão cultural e de comunicação.
(...)
Princípio III (A responsabilidade social do jornalista)
No jornalismo a informação é compreendida como bem social e não como mercadoria, 
o que implica que o jornalista comparte a responsabilidade pela informação divulgada, 
e portanto é responsável não só diante dos que controlam os meios de informação, 
mas também, afinal, diante do público em geral, e seus diversos interesses sociais. 
A responsabilidade social do jornalista exige que atue, sob qualquer circunstância, 
em conformidade com a sua consciência pessoal.
(...)
Princípio VI (O direito à vida privada e à dignidade humana)
Parte integrante das normas profissionais do jornalista é o respeito do direito do 
indivíduo à vida privada e à dignidade humana, de acordo com os estipulantes do 
Direito Internacional e nacional, relativos à proteção dos direitos e da reputação das 
pessoas, proibindo-se o libelo, a calúnia, a maledicência e a difamação.
Princípio VII (O respeito do interesse público)
A ética profissional do jornalismo prescreve o respeito da comunidade nacional, das 
suas instituições democráticas e do moral público.
Princípio VIII (O respeito dos valores universais e da diversidade de culturas)
O Jornalista íntegro é partidário dos valores universais do humanismo, sobretudo 
da paz, democracia, direitos humanos, progresso social e a libertação nacional, 
respeitando, ao mesmo tempo, o caráteroriginal, o valor e a dignidade de cada 
cultura, como também o direito de cada povo a escolher e a desenvolver livremente 
seus sistemas políticos, sociais, econômicos e culturais (...)
Fonte: KARAM (2014, p, 57)
Caros estudantes, estamos finalizando esta nona aula, onde iniciamos as discussões 
sobre Jornalismo e Direito, no sentido de provocarmos inúmeras reflexões sobre o papel 
social do jornalismo e do jornalista, além de trazermos a tona discussões essenciais 
sobre ética e moral, que sempre devem nortear nossas ações enquanto cidadãos e 
profissionais de qualquer campo de atual, mas especificamente do jornalismo.
Devemos entender também que esta não é uma questão que se esgota ao final de 
uma aula, da leitura de um livro, término da disciplina ou do curso de jornalismo. Discutir 
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ética e suas aplicações são elementos para toda uma vida. Enquanto respirarmos e 
enquanto nos comunicarmos, seja por meio da profissão que escolhemos, seja por 
meio do jornalismo, a ética deve ser nosso manual de conduta humana, com pontos 
sempre a serem alcançados e melhorados.
Na próxima aula falaremos sobre “direito de imagem: atuais e de arquivo”, um tema 
que perpassa também pela ética profissional, a moral e a legislação, que garante e 
legitima o direito do autor e os direitos autorais, em um mundo cada dia mais conectado, 
sem fronteiras, sem barreiras, mas, diferente do que muitos pensam, com normas e 
regras a serem seguidas. Até mais!
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AULA 10
DIREITO DE IMAGEM
Art. 5o X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a 
imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano 
material ou moral decorrente de sua violação; (Constituição Federal 
de 1988)
https://pixabay.com/pt/photos/c%c3%a2mera-mulher-fot%c3%b3grafo-fotografia-4702468/
Existe no imaginário de muitas pessoas que qualquer imagem feita de alguém em 
espaço público é de livre utilização. Na realidade não é bem assim, principalmente 
quando falamos sobre utilização de imagens no e para o jornalismo, palco de debates, 
pontos de vista conflitantes e exposição pública além do esperado em determinados 
momentos. 
Um fato acontecido em um estádio de futebol ilustra bem a situação e abre espaço 
para nossas observações iniciais. 
https://pixabay.com/pt/photos/c%c3%a2mera-mulher-fot%c3%b3grafo-fotografia-4702468/
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Domingo, eu vou ao Maracanã̃, vou torcer para o time que sou fá̃. Foi nesse espírito que Paulo 
Cardoso, torcedor do Fluminense Football Club, foi assistir a seu time de coração. Contudo, o que era 
para ser uma bela tarde de domingo se tornou uma grande decepção. O escrete tricolor foi derrotado 
e o rebaixamento para a segunda divisão inevitável. Inevitável também foram as lágrimas de Paulo, 
que certamente aguardaria a zombaria dos amigos e torcedores dos times rivais. Porém, no dia 
seguinte, para sua surpresa, a sua imagem, de triste e decepcionado torcedor, estampava a manchete 
do caderno de esportes do principal jornal do país, e cuja matéria retratava aquela partida de futebol.
Decepção semelhante também teve José Candido, fanático torcedor do Vasco da Gama, que foi 
as lágrimas com a derrota do seu time e respectivo rebaixamento anos depois do tricolor. De igual 
modo, coube ao mesmo jornal, com base na imagem daquele triste torcedor, e cuja foto foi captada 
no próprio estádio, informar o descenso do tradicional clube do futebol carioca.
Ambos os torcedores, no entanto, se sentiram ofendidos com as fotos e matérias jornalísticas. 
Aquele momento de tristeza e decepção, antes restrita ao próprio amago e aos que se encontravam 
no estádio, passou a se tornar público, alcançando dimensão antes não imaginada. Para os dois 
torcedores houve, então, violação à sua imagem e sua intimidade, logo, merecedores de indenização 
pelos danos morais sofridos.
Os julgamentos tiveram decisões distintas. Enquanto que o torcedor do Fluminense não obteve 
qualquer indenização, por considerar-se inexistente a violação ao direito à própria imagem e intimidade, 
bem como mera retratação de um fato ocorrido em espaço público, o torcedor do Vasco da Gama, 
por outro lado, teve seu direito de imagem reconhecido, com a condenação da empresa jornalística 
ao pagamento de simplórios dois mil reais.
Fonte: Schreiber, 2013, p 28-29
Estes dois exemplos, idênticos a princípio, mostram o quanto são conflituosas 
questões envolvendo liberdade de informação e direito de imagem. A Justiça, ao tratar 
de demandas surgidas de uma mesma questão, tomou decisões diferentes, deixando 
vários questionamentos sobre a interpretação legal do direito e do direito de informar, 
como também a salvaguarda do cidadão ao ser exposto e sentir-se violado em sua 
privacidade.
Importante também pontuar que a análise inicial desta nossa aula é voltada 
ao direito de imagem, diferente, portanto, de direitos autorais, entendido como 
propriedade intelectual, confusão que segundo, SCHREIBER (2013, p,30) é mais 
comum do que se pensa, pois, quando estamos diante de uma captura de imagem 
humana “ seja uma fotografia, pintura, caricatura ou qualquer outra forma de 
representação física humana, encontramos uma dupla proteção: o direito autoral 
de quem criou o retrato (fotografo, pintor, cartunista etc.) e o direito à imagem da 
pessoa retratada”. 
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Importante ressaltar, desde já́ [...] como foco a análise do uso de fotos 
nas matérias jornalísticas e suas consequências na esfera do direito 
da imagem do retratado. Nesse sentido, consideraremos o direito 
à imagem como um direito autônomo (Nas palavras de Hermano 
Duval, “O direito à imagem é, pois, um Direito Natural, equiparável 
ao da própria vida, que independe de lei, embora esta lhe trace 
limites ou restrições. [...] impossível, por- tanto, asfixiar o direito à 
imagem no estreito quadro de Direitos Privados de personalidade. 
In: Direito à Imagem, São Paulo: Saraiva, 1988, p. 106.) Assim como 
o direito à honra, intimidade e privacidade, todos englobados como 
direitos da personalidade. Assim, e por esta razão, partiremos do 
pressuposto de que a tutela do direito à imagem independe de lesão 
à honra, privacidade ou à intimidade. (Schreiber, 2013, p 30).
10.1 sobre lugar público, pessoa pública e interesse público
Será que de fato o único lugar em que estamos realmente seguros em nossa 
privacidade é o interior das nossas residências, inviolável por lei e considerado um limite. 
Uma ida ao supermercado ou andar pelas ruas do comércio torna-se um consentimento 
para que nossas imagens possam ser capturadas e utilizadas, ou é preciso autorização 
de quem é retratado para que sua imagem seja utilizada como elemento jornalístico. 
https://pixabay.com/pt/photos/mercado-fazer-compras-vender-3304310/
https://pixabay.com/pt/photos/mercado-fazer-compras-vender-3304310/
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10.1.1 locais públicos, com pessoas públicas
O exemplo a seguir nos mostra que, diferente do possa parecer, locais públicos, 
com a presença de pessoas públicas, pode não ser totalmente aberto a registros 
fotográficos, principalmente em momentos não tão usuais, como em um velório, por 
exemplo, onde o registro de cena, além de ser constrangedor, pode significar desrespeito, 
falta de ética e invasão de um momento de dor familiar.
Toma-se, como exemplo, o episódio envolvendo o falecimento do famoso pintor Di Cavalcanti. 
Seu amigo, o cineasta Glauber Rocha, resolveu homenageá-lo e, de forma a imortalizar a despedida 
do prestigiado pintor, compareceu ao seu velório, aberto ao público, no Museu de Arte Moderna do 
Rio de Janeiro. Munido, então, de uma câmerafilmadora, registrou o evento, logo, dentro do legitimo 
exercício da informação e expressão, na medida em que noticiaria tal fato.
No entanto, passou a concentrar o foco de sua lente no rosto do falecido pintor e, ao mesmo tempo, 
no de sua filha que, aos prantos, velava seu querido pai. Não obstante isso, e seguindo à risca o seu 
Cinema Verdade, passou a coordenar as imagens captadas como de uma autêntica obra audiovisual, 
ao ponto de solicitar à filha e demais familiares “mais emoção”.
O uso dessas imagens foi proibido pela família por meio de uma medida liminar. Neste ponto, tanto 
houve o exercício abusivo da liberdade de informação e expressão, como na violação do direito da 
imagem de Di Cavalcanti, exercido por seus sucessores,10 como também na violação da intimidade 
e privacidade da família.
Fonte: Schreiber, 2013, p, 32
ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
O fato a seguir, ocorrido em 1º de Maio de 1994, data da trágica morte do piloto 
brasileiro de Fórmula 1, Ayrton Senna, mostra que o direito de escolha, também 
pode recair sobre o profissional: 
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Alex Ruffo é um dos fotógrafos mais conhecidos da história do automobilismo 
brasileiro e acompanhou de perto os anos finais da carreira de Ayrton Senna. O 
hoje comentarista da Jovem Pan revelou no programa ‘Cadeira Cativa’, do Grande 
Prêmio, parceiro do Ultra POP, que teve oportunidade de fotografar o corpo do 
brasileiro, morto em um acidente no GP de San Marino, mas não o fez.
Ruffo contou que, à época, tinha um ritmo de trabalho que lhe permitia apenas tirar 
fotos das primeiras voltas da corrida para ter de sair correndo e entregar o filme 
a tempo de que chegasse na redação das revistas para as quais trabalhava. Alex 
soube do acidente por colegas japoneses — ele não estava na Tamburello, curva 
onde Senna bateu.
Assim que soube da batida, Ruffo correu para o hospital Maggiore, em Bolonha, 
cidade próxima a Ímola. “Quando saiu a maca com o Ayrton deitado, por uns 15 
segundos na minha frente, eu não levantei a máquina, não por ser purista, mas não 
fazia sentido. Aquilo não seria bom para ninguém, uma foto sensacionalista não ia 
acrescentar em nada além de vender jornal”, disse o profissional.
Ruffo também disse que não se arrependia, mas que pensa “até hoje” se deveria ter 
feito o registro daquele momento. Os colegas de programa contestaram a atitude 
do fotógrafo.
Fonte: https://ultrapop.com.br/esportes/por-que-um-fotografo-brasileiro-se-recusou-a-fazer-foto-do-corpo-de-senna/
10.1.2 pessoas públicas, em locais públicos
Outra maneira de mostrar que nem sempre os limites éticos e os direitos das 
chamadas pessoas públicas são respeitados é no exemplo a seguir, onde, para 
fotografar uma estrela de Hollywood em momento íntimo, foram ultrapassados vários 
limites. Faltou ética ao profissional, pois a atriz não estava em filmagens ou eventos 
destinados a promoção de filmes ou artistas, mas buscando distância da imprensa 
e um pouco de privacidade:
Do mesmo modo que se convencionou dizer que lugar público é sinônimo de uso licito da imagem, 
as pessoas ditas “públicas”12 também veem sofrendo pelo uso indiscriminado de suas imagens. Cita-
se o caso da então bonita e charmosa atriz italiana Sophia Loren, que aproveitava o verão europeu 
em um balneário francês da Côte d’azur com o tão comum, por lá́, topless. 
Dias depois, seus fartos seios estampavam as bancas de jornais do mundo todo. Loren foi indenizada 
pelo uso indevido de sua imagem.13 O uso, por si só́, da sua imagem, já́ configuraria a violação da sua 
personalidade. Nesse caso, porém, contou-se com um agravante: o fotógrafo, através de equipamentos 
de mergulho e potente câmera fotográfica, captou suas imagens de forma maliciosa e clandestina.
Fonte: Schreiber, 2013, p, 32
https://ultrapop.com.br/esportes/por-que-um-fotografo-brasileiro-se-recusou-a-fazer-foto-do-corpo-de-senna/
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Era início da madrugada de 31 de agosto de 1997, quando a Princesa Diana, seu 
namorado Dodi Al-Fayed e o motorista que conduziu um veículo Mercedes-Benz 
morreram após uma forte batida na saída de um túnel, na cidade de Paris, após 
tentarem fugir dos chamados paparazzi (fotógrafos de celebridades), que os 
perseguiam, após saírem de um jantar na capital francesa. A Justiça entendeu que os 
paparazzi também foram culpados pelo acidente, provocando uma grande discussão 
em todo o mundo sobre os limites da cobertura jornalista, principalmente de famosos. 
Fonte:https://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL390894-5602,00-MOTORISTA+E+FOTOGRAFOS+MATARAM+DIANA+DECIDE+JURI+DE+LONDRES.
html
Para conhecer mais sobre o caso e os envolvidos, vale conferir o excelente trabalho 
publicado pelo UOL, trazendo importantes contribuições para o debate sobre limite e 
ética profissional.
Fonte: https://www.uol/tvefamosos/especiais/diana-20-anos-da-morte-da-princesa-do-povo.htm#quem-matou-diana
https://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL390894-5602,00-MOTORISTA+E+FOTOGRAFOS+MATARAM+DIANA+DECIDE+JURI+DE+LONDRES.html
https://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL390894-5602,00-MOTORISTA+E+FOTOGRAFOS+MATARAM+DIANA+DECIDE+JURI+DE+LONDRES.html
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10.1.3 interesse público
Um outro aspecto muito importante a ser levado em consideração diz respeito ao 
interesse público, principalmente em assuntos envolvendo ações policiais. No dia a 
dia nos deparamos com vários acontecimentos, como operações policiais, apreensão 
de indivíduos com drogas ou praticando furtos e, sem a mínima cerimônia, estas 
pessoas terminam estampando capas de jornais, sites e blogs noticiosos. 
Esta atitude, de sair fotografando, registrando e divulgando nomes e imagens de 
indivíduos que a princípio são apenas suspeitos, e podem não se revelar, ou não, os 
verdadeiros criminosos é um ponto de muita atenção e que poderá trazer inúmeros 
problemas jurídicos ao jornalista e ao veículo de comunicação. 
Bom senso e respeito, sem expor estas pessoas são primordiais, pois nem sempre 
divulgar nomes e imagens em nome do interesse público, sem considerar que isto 
possa representar uma violação ao direito de imagem, é preocupante.
Vejamos o recente caso deflagrado pela Policia Federal, apelidado de “Operação Voucher”, consistente 
na apuração de suposto desvio de recursos públicos no Ministério do Turismo. Assessores e funcionários 
do Ministério foram presos e suas imagens, obtidas pela polícia para fichamento, conhecidas como 
mugshot, vazaram à imprensa. Tais fotos, como num clique instantâneo, circulavam na Internet e 
nas capas dos principais jornais do país. O clamor popular pela ridicularização dos presos e de que 
a identificação dos fraudadores era de interesse público colide frontalmente com a própria finalidade 
das imagens, afinal a sua obtenção visava apenas e tão somente o registro policial.
Destaca-se, ainda, o argumento do advogado de um dos retratados, ao pedir a retirada das fotos 
com base no “princípio da dignidade do preso” 
Fonte: Schreiber, 2013, p, 33
Um outro erro muito comum de divulgação precipitado e sem o mínimo de 
comprometimento com a ética profissional vem ocorrendo nos meios eletrônicos. 
Com a facilidade de apagar qualquer postagem feita, o que não é possível em um 
jornal ou revista, jornalistas, ou não, se apressam em publicar imagens e textos, que 
nem sempre se revelam totalmente verdadeiros ou condizem com os fatos. 
E o que é mais grave é que, quando o erro é detectado, muitos acreditam que 
apagando a postagem o caso estará resolvido, ou seja, um simples “delete” e 
pronto. Leia o que diz sobre isso a especialista, doutora em Jornalismo Lívia de 
Souza Vieira:
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ANOTE ISSO
Erratas podem ter menos visibilidade noonline: O formato adequado para correção de erros na Internet ainda não está 
consolidado e seus avanços ocorrem de forma lenta. A doutora em Jornalismo Lívia de Souza Vieira tem se dedicado a estudos 
relacionados ao jornalismo online e à ética. De 2014, quando foi publicada sua dissertação sobre parâmetros éticos na publicação 
de erratas no jornalismo online, para cá, ela notou pequenos avanços, “mas que fazem diferença”.
No trabalho, Lívia identificou o portal G1 como o que tinha as práticas mais adequadas. O diferencial do site estava na 
inserção visível da correção no meio do texto. A prática se mantém. Outro exemplo dado é relativo ao site da Folha de S.Paulo. “A 
Folha não conectava o Erramos com a matéria original, eram duas páginas diferentes. Para eu saber se havia algum erro naquela 
matéria, tinha que ir até a seção Erramos (e ninguém faz isso) ”, lembra sobre as observações que fez há cerca de quatro anos.
Hoje, o jornal insere a data e a hora da atualização logo abaixo da data e horário de publicação. Acrescenta, ainda, um ícone 
que ao ser clicado para o leitor remete para a errata, publicada ao final da matéria. A página Erramos se mantém, permitindo 
que qualquer usuário verifique todas as correções feitas.
Embora seja mais fácil e rápido corrigir o erro na Internet, a ausência de critérios éticos pode fazer com que essa facilidade 
sirva como forma de ocultar a falha cometida. Isso acontece, por exemplo, quando a notícia é, meramente, atualizada. “Ou 
seja, se no impresso reclamávamos da pouca visibilidade das erratas, no online pode ser ainda pior, o veículo pode ‘fingir’ que 
o erro não existiu. ”
A imprensa tem falhado ao não dar tanto destaque à correção de erros, acentua Lívia. “O veículo precisa levar em conta os 
diferentes momentos em que leitores distintos podem acessar aquela matéria. E em se tratando de internet, podemos falar de 
anos depois, pois o erro se perpetua quando não corrigido. ”
Os desafios não ficam restritos a esses pontos. O que ocorre, por exemplo, quando a notícia que contém um erro é 
compartilhada nas redes? O alcance é difícil de prever, assim como é imprevisível saber se a versão que terá maior visibilidade 
será a primeira ou a que foi corrigida. Lívia recomenda que os jornais rastreiem os compartilhamentos da notícia para notificar 
os usuários, destaquem a correção nas redes sociais ou enviem a errata pelos feeds de RSS.
Por uma política de correção de erros na Internet: Lívia de Souza Vieira propõe os seguintes procedimentos de correção 
de erros:
1. Ao ser descoberto, o erro deve ser corrigido, sem subterfúgios
2. A correção do erro deve ser feita o mais rapidamente possível
3. A retificação deve ser necessariamente disseminada pelos mesmos canais nos quais a informação incorreta foi divulgada 
(redes sociais, site, blogs, etc)
4. Ao identificar o erro, deve-se seguir os procedimentos:
• em casos de erros ortográficos (grafia incorreta de palavras) e gramaticais (erros de concordância, vírgula, regência, entre 
outros), é permitida a correção sem menção ao erro. No entanto, é importante lembrar que o nome incorreto de uma fonte ou 
uma data errada, por exemplo, devem ser corrigidos com a publicação de uma retificação. Não se trata do tamanho do erro 
(se é uma palavra ou um parágrafo), mas de sua relevância para o leitor.
• em casos de erros de informação (que pode ser uma palavra ou até a notícia inteira), o texto da correção deve ser inserido 
na notícia original, em local visível na página. O repórter deve corrigir a informação e publicar a errata simultaneamente. O 
gerenciador de conteúdo da web jornal deve prever um campo específico para as correções, visando facilitar o procedimento 
pelo repórter.
• em caso de uma notícia inteiramente falsa, imprecisa ou incorreta, é possível substituí-la por uma explicação completa 
acerca daquele fato, mencionando o erro. O título da notícia, inclusive, pode ser modificado para alertar sobre a correção, desde 
que todo esse procedimento seja feito na mesma URL (sem a criação de novos links desconexos com a notícia original).
• O texto da correção deve ser claro e objetivo. É recomendado informar o tempo em que a notícia permaneceu com erro, 
para contemplar os leitores que tiveram acesso a ela em diferentes momentos. Sugestão de padrão de texto, cujo tom pode 
variar de acordo com a linha editorial do veículo: “Das (x) h às (x) h, informamos incorretamente que (…). No entanto, a informação 
correta é (…) e o erro ocorreu porque (…). O texto foi corrigido. Pedimos desculpas aos nossos leitores”.
• A lista de correções de erros deve estar acessível em seção específica, para que o leitor consulte as retificações. Mas só 
isso não basta: a notícia original deve igualmente conter menção à retificação.
Uma notícia jamais deve ser “despublicada”, mesmo que ela contenha graves erros jornalísticos. Tentar apagar o rastro do 
erro nunca é a melhor solução.
Fonte:http://revistapress.com.br/revista-press/capa-revista-press/qual-e-o-alcance-do-erro-jornalistico/
http://revistapress.com.br/revista-press/capa-revista-press/qual-e-o-alcance-do-erro-jornalistico/
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Portanto, caros alunos, tendo como referência os casos que apresentamos, 
percebemos que existem mitos e exageros sobre o que vem a ser “pessoa pública”, 
“lugar público” e “interesse público”, termos tão usualmente utilizados para justificar 
excessos e erros da imprensa. 
Os possíveis parâmetros para definir estes três elementos com a finalidade de 
informação, precisam ser orientados e respaldados em comportamentos éticos, 
responsáveis e legais juridicamente, para que não se torne uso indevido de imagem. 
Não se pode banalizar o uso da imagem, sob pena de infringir direitos individuais 
garantidos por lei, como explicam os juristas.
Roberto Barbosa, por sua vez, em vetusta doutrina, defende que a 
personalidade pública pode ser fotografada sem seu consentimento 
expresso, uma vez que sua atividade ou sua celebridade a atiram 
no “fogo da atualidade” e implicam uma renúncia geral à intimidade 
absoluta de sua existência. (BARBOSA, 1989, p, 80).
Já o contemporâneo autor Luiz Gustavo Grandinetti Castanho de 
Carvalho afirma que: “Qualquer pessoa, por mais pública que seja, tem o 
direito a uma esfera privacidade, de forma que sua intimidade não possa 
ser devassada pelos órgãos da imprensa. Por exemplo, mesmo para um 
notório político, sua família, sua vida familiar, seus hábitos íntimos, seu 
cotidiano dentro de casa não podem ser divulgados. O que pode ser 
divulgado é a parte da sua vida – personalidade – de domínio público, 
como as atividades políticas; não a esfera privada, desconhecida do 
grande público” (CARVALHO, 2003, p, 56).
10.2 Justiça na utilização de imagens
Segundo SCHREIBER (2013) um debate também se instaurou sobre direitos autorias 
de obras artísticas, científicas e literárias serem utilizadas sem a necessidade de 
autorização prévia do autor. Na busca de uma solução considerada equilibrada, criou-
se a “regra dos três passos”, que mesmo não tendo sido elaborada especificamente 
para a imagem, criou o ponto de partida e um referencial também para este segmento.
Assim, desde que o usuário atenda três regras, de forma geral: (i) 
utilização da obra em casos especiais; (ii) desde que essa utilização 
não prejudique a sua exploração normal; e (iii) não cause prejuízo 
aos legítimos interesses do autor, o uso é considerado justo. 
Evidentemente que tal regra não se aplica diretamente aos casos 
de uso da imagem, até́ mesmo pela sua impossibilidade técnica. No 
entanto, o espírito contido na “regra dos três passos” pode influenciar 
a criação de uma autorregulamentação para o uso justo de imagens 
em matérias jornalísticas (SCHREIBER, 2013, p.36)
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Transportando para o uso de imagens, o autor classificou os três pontos que podemser interpretados como legitimadores de uma imagem ter sua utilização considerada 
justa. Segundo SCHREIBER (2013, p, 37-38):
I. O sistema do fair use, assim chamado pela doutrina norte-americana, permite 
que alguém legalmente utilize de forma livre e gratuita a obra protegida por 
direitos autorais com a finalidade de crítica, comentário, noticiar fatos, ensino 
(inclui-se as cópias de obras literárias destinadas ao uso em classe), entre outras 
utilizações. A partir deste pressuposto, temos que a imagem de determinada 
pessoa poderá ́ ser utilizada, sem a necessidade de autorização previa, desde 
que para finalidade de crítica, sátira, comentário ou noticiar um fato. 
II. Outro aspecto que deve ser levado em consideração e em paralelo com o 
sistema criado nos direitos autorais é a vedação do uso da imagem sem 
qualquer conotação de fins publicitários, principalmente na mensagem 
subliminar. Evidentemente que um jornal ou portal da Internet tem como fonte 
de receitas a vendagem regular de exemplares, assinaturas e a inserção de 
publicidade no seu conteúdo [...] Outro exemplo pontual é dado por Notaroberto 
Barbosa, ao afirmar que: O jornal pode publicar, sem autorização, a fotografia 
do Presidente da República ao assinar um decreto importante [...], Mas o 
uso da imagem do Estadista seria totalmente diferente se acompanhada 
da legenda de um fabricante de canetas, com a sugestão ao público de que 
o Chefe do Governo não assinaria com tanta eficiência tantos papéis de seu 
expediente se não fosse a caneta de marca tal.
 
III. A terceira regra estaria para o uso da imagem sem ofensa ao retratado. Vejamos 
o caso da cantora Preta Gil. Em pleno verão carioca, Preta Gil, em companhia 
de sua amiga Sabrina Sato, conhecida apresentadora de TV, resolveram tomar 
banho de sol no badalado Posto 9, na praia de Ipanema. Enquanto a cantora 
não atende aos rigorosos padrões de beleza da sociedade, a apresentadora, por 
outro lado, cativa grande parte do público masculino com generosas curvas de 
seu corpo. A revista Fatos & Notícias, no entanto, explorou, de forma jocosa, tal 
diferença, postando, por meio de montagem, lado a lado as mulheres, em nítido 
caráter depreciativo com a cantora. 
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10.2.1 Autorização prévia e imagens de arquivo
Alguns podem argumentar que com autorização prévia tudo seria resolvido, mas 
como conseguir autorização de milhares de pessoas que aparecem em uma foto de 
estádio, ou pelas ruas da cidade. 
Mas é lógico também que o legislador não tem a intenção de considerar qualquer 
imagem abuso ou que o direito a imagem esteja sendo infringido, como por exemplo 
pessoas andando nas ruas, nas praias, feiras livres ou nas mais variadas situações 
quotidianas.
Temos, portanto, que entender e destacar a importância do contexto em que esta 
imagem foi capturada e sua possível utilização como referência a determinado tema 
que será tratado.
Uma foto de uma jogadora de futebol durante a partida, ou caída chorando de dor é 
tranquilamente aceita como material de cobertura jornalística, mesmo que a jogadora 
esteja fazendo expressões de dor e até chorando.
Mas quando o fotógrafo percebe que a atleta caída no gramado expõe mais do 
que deveria devido a posição que está e registra esta imagem, divulgando para sua 
audiência, não está agindo corretamente, pois fugiu ao contexto, que deveria ser retratar 
jornalisticamente o fato esportivo.
É preciso atenção também ao uso de imagens de arquivo, que se utilizadas fora 
do contexto a que foram destinadas, podem configurar uso indevido. É claro que 
um político conhecido possui várias imagens em poder da imprensa, assim como 
artistas e pessoas consideradas públicas em pequenas e médias cidades, como atletas, 
representantes de órgãos e agentes públicos. 
O problema está em utilizar uma imagem feita, por exemplo, em uma entrevista 
sobre suas ações públicas, em que o entrevistado faz sinal de positivo, e utilizar a 
mesma foto anos depois, fazendo sinal de positivo, para falar sobre um tema que 
talvez ele não concorde. 
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ANOTE ISSO
Durante sua vida profissional, o jornalista irá se deparar com inúmeras situações 
em que terá que decidir de que maneira fará o registro de um acontecimento e 
depois, se deverá e poderá utilizar a imagem capturada. SCHREIBER (2013), nos 
deixa algumas importantes dicas para refletirmos no dia a dia.
a) Em primeiro lugar, que o fotógrafo deve manter a sua aparência normal, ou seja, 
inserido no local em que pretende captar a foto. Em outras palavras, Henderson 
diz que o fotógrafo, aí se encaixa o paparazzo, jamais deverá se ocultar ao 
ponto de se esconder com o objetivo de captar a foto sem a percepção do 
fotografado;
b) (i) o grau de utilidade para o público do fato informado por meio da imagem; 
(ii) o grau de atualidade da imagem; (iii) o grau de necessidade da veiculação da 
imagem para informar o fato; e (iv) o grau de preservação do contexto originário 
onde a imagem foi colhida.
Caros alunos, chegamos ao final de mais uma aula, onde tratamos sobre direito 
de imagem e tudo que envolve esta questão. É um tema muito importante no dia a 
dia do trabalho jornalístico e coloca sempre o profissional em um dilema, sobre como 
levar informação a sociedade, sem ferir princípios pessoas de direito à privacidade.
É preciso que o profissional do jornalismo tenha sempre em mente que é preciso 
respeitar os limites éticos, morais e legais, mas ao mesmo tempo não se deixar intimidar 
por pressões e fazer o seu trabalho, com a consciência de que está mostrando a 
sociedade informações que são corretas, relevantes e necessárias.
Na próxima aula continuaremos neste tema de direitos, deveres e liberdade de 
informar, mas agora tratando sobre transmissão de eventos esportivos. Até mais!
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AULA 11
TRANSMISSÃO DE EVENTOS 
ESPORTIVOS
A ética se preocupa, podemos dizê-lo agora, com as formas humanas 
de resolver as contradições entre necessidade e possibilidade, entre 
tempo e eternidade, entre o individual e o social, entre o econômico 
e o moral, entre o corporal e o psíquico, entre o natural e o cultural e 
entre a inteligência e a vontade (VALLS, 20213, P, 56)
Fonte:https://pixabay.com/pt/vectors/t%c3%b3quio-jogos-ol%c3%admpicos-de-ver%c3%a3o-4770145/
 
https://pixabay.com/pt/vectors/t%c3%b3quio-jogos-ol%c3%admpicos-de-ver%c3%a3o-4770145/
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Esta aula se faz importante e necessária, na medida em que o cerne desta nossa 
disciplina trata sobre ética e moral, ao mesmo tempo que apresenta fundamentos 
essenciais para a prática do bom jornalismo.
Vivemos atualmente, transformações que afetam diretamente o fazer jornalístico. 
Termos como convergência jornalística, convergência nas redações, jornalista 
multimídia, webjornalismo, jornalismo online ou digital e tantos outros termos surgidos 
nas duas últimas décadas, mostram que existe um grande processo de mudança 
em curso, que vai além da chegada da internet, do surgimento de sites e blogs, das 
plataformas e redes sociais e a possibilidade de acessar qualquer conteúdo por meio 
eletrônico, de qualquer lugar do planeta. 
Existe uma mudança em curso no chamado modelo de negócios do jornalismo, 
que está afetando não apenas as empresas, mas o profissional de comunicação e do 
jornalismo, que precisa entender e principalmente estar incluído neste processo, para 
que, ao mesmo tempo em que busca manter seu espaço de trabalho e adequar-se a 
estas mudanças, continuar agindo com a ética profissional exigida. 
Tratar sobre eventos esportivos e suas transmissões, passando pelo direito de 
imagem e também direito de arena, nos coloca diante do entendimento sobre legislações 
voltadas aautorização para produção e veiculação de imagens de eventos, sejam os 
grandes eventos nacionais, dominado pela grande mídia, ou pequenas transmissões 
locais, onde praticamente inexistem contratos ou normas para serem seguidas, 
predominando em geral o acordo entre os órgãos de imprensa local e regional e os 
clubes esportivos envolvidos.
Entender os preceitos da legislação e como aplica-los de maneira correta trará 
ao jornalista e principalmente aquele profissional que atua na cobertura de eventos 
esportivos, a possibilidade de entender que é possível e legal trabalhar a editoria 
esportiva por meio não apenas de textos ou a repercussão do que já foi realizado, 
como sempre fez a imprensa sem acesso as arenas esportivas, mas também utilizar 
novas ferramentas que contemplem a imagem e o áudio e tornam o seu trabalho 
mais dinâmico e eticamente correto.
Segundo RAMONET (2012), todas estas mudanças refletem na questão financeira 
das empresas, em como se financia a venda ou oferecimento de informações, que no 
momento atual também pode ser acessada de forma gratuita pelos consumidores 
de informação.
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Assim, a informação pode ser oferecida gratuitamente. As mídias, na 
internet, a oferecem frequentemente como produto de apelo. Existem, 
na rede, milhares de sites de informações on-line com acesso livre. [...] 
A informação on-line é, portanto, dependente da economia do clique e 
do link. É o número de cliques efetuados pelos internautas nas barras 
publicitárias que determina a rentabilidade de uma informação (nem 
sua fiabilidade, nem sua credibilidade) [...] Como suporte publicitário, 
a internet continua a ganhar partes do mercado perante as outras 
mídias (RAMONET, 2021, p, 116).
11.1 Direito ao espetáculo
Inegavelmente o futebol é o esporte que mais paixão desperta no brasileiro. Seja 
por suas belas jogadas de talento e arte, seja pela identificação cultural e social que 
nós brasileiros sempre tivemos com o futebol. 
Em uma crônica de 1959, um ano após o Brasil conquistar seu primeiro título 
Mundial, Paulo Mendes Campos escreveu a crônica A Bola, onde diz que “...o brinquedo 
mais perfeito que jamais foi inventado, a bola. Ultrapassou a área da infância e da 
juventude, entrou para o reino dos adultos, movimenta multidões e dinheiro”. (http://
cronicabrasileira.org.br/cronicas/15586/a-bola). Tinha razão.
Fonte: https://pixabay.com/pt/vectors/futebol-bola-esporte-arredondar-157930/
http://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15586/a-bola
http://cronicabrasileira.org.br/cronicas/15586/a-bola
https://pixabay.com/pt/vectors/futebol-bola-esporte-arredondar-157930/
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Com o desenvolvimento das tecnologias de geração e principalmente de transmissão, 
não apenas o futebol, mas o mundo dos esportes ganhou ainda mais visibilidade e espaço 
para atuação, resultando em maior audiência e consequentemente, mais dinheiro.
As disputas desportivas envolvem mais do que os ânimos e os 
corpos dos atletas ali presentes. Trata-se, aliás, de mais do que 
mera contenda desportiva: cuida-se, em realidade, de verdadeiro 
espetáculo. O esporte, como afirmava Roland Barthes, “é uma grande 
instituição moderna baseada nas formas ancestrais do espetáculo”, 
assumindo, à sua maneira, a função outrora desempenhada pelo 
teatro, ao reunir a comunidade em torno de uma experiência comum, 
a do “conhecimento de suas próprias paixões” [...] O esporte, mais 
do que um catalisador de paixões, vem tornando-se também um 
negócio – e cada vez mais lucrativo. A voz, o gesto, o rosto a que 
se referira Barthes assumem, no esporte profissional, verdadeira 
feição econômica, tomando hoje a forma do que Antônio Chaves 
chegou a apontar como “dança dos milhões”. A realização daquelas 
e de outras competições, como campeonatos regionais e nacionais 
– especialmente de futebol, quando se pensa no Brasil –, costuma 
envolver parcela expressiva de audiência. Conduz, não raro, a 
acirradas disputas em torno da exclusividade sobre direitos de 
transmissão, cláusulas de confidencialidade, comercialização de 
cotas de patrocínio, dentre outras. (Schreiber, 2013, p, 208-209).
Quando falamos sobre direito de transmissão e direito de arena, usamos o futebol 
como exemplo, por ser o esporte de maior abrangência e presença em todo o mundo. 
Entidades e organizações como Fifa, UEFA, Conmebol organizam os mais rentáveis 
torneios, como Copa do Mundo, Champions League, Europa League, Libertadores, 
além de campeonatos nacionais, regionais e estaduais.
Mas é importante entender que este direito se refere também a todas as práticas 
esportivas, como por exemplo o MMA (Mixed Martial Arts, ou em português, Artes Marciais 
Mistas), que se tornou mundialmente conhecido por meio do UFC (Ultimate Fighting 
Championship), que é uma organização responsável por reunir os maiores lutadores 
em atividade e promover espetáculos de lutas por todo o mundo, vendendo direitos de 
transmissão, explorando a imagem dos atletas e licenciando produtos com a marca.
Temos ainda inúmeros outros exemplos, como a Fórmula 1, administrada por uma 
empresa que prepara e transmite o “circo” da Formula 1 e percorre o planeta com 
seus velozes carros e pilotos. Ou os chamados esportes americanos, ligas de times 
independentes que faturam bilhões administrando e exibindo esportes como basquete 
(NBA), futebol americano (NFL), beisebol (MLB), Hóquei (NHL).
No texto a seguir, fica claro que o processo de transmissão de eventos esportivos 
no Brasil passou por inúmeras mudanças desde sua aprovação e implementação e 
tornou mais abrangente as vedações e proibições de transmissões, principalmente 
de eventos em que existem direitos de exclusividade.
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No Brasil, o direito de arena conta com previsão legal expressa. Trata-se de iniciativa 
considerada inovadora, visto que em outras tradições jurídicas o fundamento dos direitos 
de transmissão repousa essencialmente no costume [...] Há quem aponte também uma 
base constitucional ao direito de arena, com a promulgação da Carta de 1988. Isso porque 
o art. 5o, XXVIII assegura “a proteção às participações individuais em obras coletivas e à 
reprodução da imagem e voz humanas, inclusive nas atividades desportivas”. Além disso, 
invoca-se a proteção conferida, no inciso X do mesmo dispositivo, à imagem das pessoas. 
A Constituição da República, no entanto, não trata especificamente do direito de arena, que 
é, “com efeito, híbrido, mas não se confunde, repita-se, com o direito de proteção à imagem 
ou à voz humana”. Entre nós o instituto ganhou corpo inicialmente na Lei no 5.988/1973 (a 
Lei de Direito Autoral de 1973), no conjunto de direitos conexos. Como é usual acontecer 
em se tratando de um ineditismo jurídico, a inovadora positivação despertou curiosidade, 
ceticismo, esforços de conceituação – e, sobretudo, críticas, já que foi disciplinada em 
diploma que cuidava dos direitos de autor, sem relação propriamente com o desporto.
[...]
Após sucessão de críticas, e com o desenvolvimento e a edição de legislação própria 
para o esporte, a matéria deixou de ser tratada no diploma de direitos autorais, passando 
à órbita desportiva com a promulgação da Lei no 8.672/1993 (a chamada “Lei Zico”). 
Segundo dispunha o art. 24 da Lei Zico, o direito de arena consistia na prerrogativa atribuída 
às entidades de prática desportiva “de autorizar a fixação, transmissão ou retransmissão 
de imagem de espetáculo desportivo” de que participassem. Além disso, o legislador 
determinara que 20% do preço da autorização fossem distribuídos entre os atletas partícipes 
do espetáculo.
[...]
O texto foi em certa medida reproduzido posteriormente pelo art. 42 da Lei Pelé, que 
revogou e substituiu a Lei Zico, e, passou por recentes e sensíveis alterações – algumasdas quais se referem justamente ao direito de arena. A reforma parece ter vindo para, senão 
encerrar, ao menos apaziguar intensos debates, trazendo alterações de caráter, pode-se 
dizer, conciliador. O direito de arena, conforme a atual dicção da lei, consiste na prerrogativa 
atribuída com exclusividade às entidades de prática desportiva de não apenas autorizar, mas 
também negociar ou proibir “a captação, a fixação, a emissão, a transmissão, a retransmissão 
ou a reprodução de imagens” do espetáculo desportivo de que sejam partícipes.
[...]
Além disso, o direito de arena abrange, além da fixação e da (re)transmissão de imagens, 
também a captação, a emissão e a reprodução. O teor do artigo torna, como se vê, mais 
amplo o alcance do instituto. Também ficou claro que essas diferentes formas de captação 
da imagem do espetáculo desportivo podem se dar por qualquer meio ou processo, abrindo 
caminho, assim, para o desenvolvimento tecnológico, que paulatinamente nos oferece 
diferentes, novos e potentes mecanismos de apropriação e transmissão das imagens.
Fonte: Schreiber, 2013, p, 211-215
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11.1.1 no início era o Rádio
Desde sua implantação no Brasil e o início das transmissões, no início dos anos 
1920, o Rádio mostrou que seria o grande companheiro do brasileiro, estivesse ele 
nos grandes centros ou nos mais distantes rincões do país. 
Daí para se transformar em voz oficial do futebol nacional foi questão de tempo, 
e muito pouco tempo, conforme descreve BONIN (et al. 2016, p, 187), no artigo “A 
transmissão radiofônica de jogos de futebol: a incoerente gratuidade de um espetáculo 
esportivo?”, publicado na Revista Brasileira de Ciências do Esporte.
A primeira transmissão radiofônica de um jogo de futebol no Brasil 
gerou controvérsias. Para Soares (1994), ocorreu em 1931, no confronto 
entre as seleções paulista e carioca, com locução de Nicolau Tuma. 
Em contrapartida, segundo a historiadora Lia Calabre o primeiro jogo 
ocorreu em 1927, também numa disputa entre as seleções paulista e 
carioca (Bezerra, 2008).
Independentemente da precisão cronológica, a primeira transmissão 
radiofônica de um jogo de futebol brasileiro gerou pelo menos uma 
grande consequência: o sucesso da parceria rádio-futebol. Ainda 
segundo Bezerra (2008), de um lado tinha-se o rádio, que precisava 
se transformar em veículo de massa para conseguir anúncios de 
empresas; e do outro, o futebol que, para sustentar os novos gastos 
oriundos da profissionalização, necessitava de jogos com grandes 
públicos pagantes.
Durante muitos anos o rádio foi o meio de comunicação mais próximo 
que o brasileiro tinha das narrações esportivas. Porém, a partir de 
1950 houve o processo de inserção da televisão, como veículo de 
transmissão midiática, destinada a grupos empresariais detentores de 
capital suficiente para investir em um meio inovador e de pouco acesso. 
Porém, como todos os meios de comunicação, suas adaptações foram 
progressivas e, ao pensarmos na transmissão dos jogos de futebol, 
de acordo com Madrigal (2009), a dificuldade de transmitir os jogos 
ao vivo pela televisão foi um dos principais fatores que causaram a 
hegemonia da transmissão radiofônica. Além disso, em uma época em 
que 60% do Brasil não dispunham de redes de eletrificação, a dispensa 
de fios e tomadas por parte dos rádios conferiu uma enorme vantagem 
competitiva em relação à televisão (Zucoloto, 2004). (fonte: https://www.
scielo.br/j/rbce/a/LW6hkVpCFPbLjkfn3yHjpSt/?format=pdf&lang=pt )
Aliado a esta capilaridade conquistada pelo Rádio, de chegar com facilidade a 
todos os cantos do país, o Rádio ainda é, até os dias atuais, o mais democrático 
veículo de comunicação e que consegue dialogar com seus ouvintes de uma maneira 
que a televisão, o impresso e a Internet ainda não conseguiram, conforme descreve 
FERRARETO (2000, p,97), ao afirmar que “ o rádio é o jornal de quem não sabe ler, 
é o mestre de quem não pode ir à escola, é o divertimento gratuito do pobre, é o 
animador de novas esperanças, o consolador do enfermo, o guia do são, [...] de forma 
a proporcionar uma informação clara, objetiva e direta”.
https://www.scielo.br/j/rbce/a/LW6hkVpCFPbLjkfn3yHjpSt/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/rbce/a/LW6hkVpCFPbLjkfn3yHjpSt/?format=pdf&lang=pt
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Um outro diferencial do Rádio nas transmissões esportivas de futebol em relação 
a TV por exemplo, é o fato de que as emissoras de rádio não pagam para transmitir 
jogos de futebol em território brasileiro. 
Como vimos anteriormente, por estar contemplada na legislação apenas a cobrança 
de transmissão pela imagem, o rádio sempre ficou de fora desta cobrança, e tudo 
indica que deverá permanecer desta forma, conforme relata trecho do artigo de BONIN 
(2016), que nos ajuda a jogar luz sobre este tema. 
O processo de espetacularização pelo qual passou o futebol brasileiro foi estimulado e posteriormente 
usado pela mídia para sua rentabilidade financeira. Rádio e televisão observaram no futebol um produto 
financeiramente rentável, passaram a usá-lo de maneira intensa em suas programações, por meio 
da venda de cotas publicitárias.
As transmissões de jogos de futebol integram atualmente uma grade extensa de emissoras de 
televisão e, principalmente, de emissoras de rádio, que compartilham do futebol com seus telespectadores 
e ouvintes, respectivamente. Entretanto, observamos que somente a mídia televisiva tem a obrigação 
de pagar pelos direitos de transmissão. O rádio é isento de tal cobrança pelo fato de que a legislação 
brasileira, pautada na Lei Pelé, faz alusão apenas à cobrança integral do evento devido à imagem 
nesse meio projetada.
A Lei Pelé aborda apenas a questão da imagem na transmissão dos jogos de futebol, negligencia 
o áudio e a voz. Ela garante que parte das receitas adquiridas pelo clube com áudio e visual (art. 
42) deverão ser distribuídas entre os jogadores, o que está de acordo com o art. 5° da Constituição, 
ou seja, o direito é dado ao jogador, mas não ao clube. Em uma última mudança da Lei Pelé (MP 
502/2010, que culminou na Lei 12.395/11), estava prevista a inserção do áudio como um produto 
passível de ser negociado pelos clubes, porém, uma emenda proposta pelo senador Álvaro Dias fez 
com que a adição fosse retirada.
Em 2008, o Clube Atlético Paranaense tentou cobrar o direito de transmissão das rádios e alegou 
que as emissoras usam a marca do clube para desenvolver o seu produto, as transmissões. Entretanto, 
o clube perdeu a causa, porque o Poder Judiciário entendeu que a marca (no caso, a imagem) não 
contempla o áudio. Após a investida da agremiação, uma grande parcela dos cronistas esportivos 
posicionou-se contrária à atitude do Clube Atlético Paranaense, por considerar que a transmissão 
radiofônica é um direito adquirido pelas rádios há muitos anos e que ele garante o funcionamento de 
muitas emissoras. Além disso, a transmissão é defendida como uma forma de divulgação gratuita 
do futebol.
Com relação a essa gratuidade na divulgação do futebol, defendida pelos cronistas, podemos 
perceber que, com os novos meios de comunicação, os grandes clubes do futebol brasileiro têm 
outras opções para divulgar a sua marca, como a televisão (que paga pelos direitos de transmissão 
dos jogos) e a internet (em que cada clube tem o seu site oficial). Assim, podemos supor que na 
atualidade o rádio depende mais do futebol do que o futebol do rádio.
Exposto todo esse cenário e entendendo este artigo como propulsor de novas questões e estímulo 
acadêmico para pensá-las, norteamos em nossas considerações finais e início de novos apontamentos: a 
Lei Pelé garante o direito ao acesso gratuito à informação esportiva para fins jornalísticos e educativos? 
As emissoras de rádio usam o futebol para muito além da cobertura jornalística e educativa, transformam 
o esporte em um produtoextremamente rentável? A televisão é obrigada a pagar pelos direitos de 
transmissão, isso se aplica às rádios? Sendo assim, propomos, ao término deste artigo, um estímulo 
ao estudo das questões aqui apresentadas não no intuito de finalizar a discussão, mas sim na tentativa 
de propiciar mais discussões acadêmicas em torno do assunto, principalmente no que se refere à 
coerente ou incoerente gratuidade da transmissão radiofônica integral dos jogos de futebol no Brasil.
Fonte: BONIN, et al. 2016, p, 192
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11.1.2 transmissão “pirata” não é jornalisticamente ético
Fonte: https://t.ctcdn.com.br/sID5hsMB_Kb0bwmzsN8qJ7iJcrM=/1024x0/smart/i304845.jpeg
Em vários artigos e parágrafos do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros percebe-
se a preocupação não apenas com a natureza social do trabalho do jornalista que é 
informar, mas também uma preocupação sobre a maneira com que esta informação 
é obtida e levada a sociedade.
O artigo 6º, item X, do Capítulo II, que trata sobre a conduta do jornalista é claro 
e taxativo, ao dizer: “defender os princípios constitucionais e legais, base do estado 
democrático de direito. E no Artigo 7º, item IX, que diz: “valer-se da condição de jornalista 
para obter vantagens pessoais. 
Estas premissas são básicas do trabalho ético e moral que deve desempenhar o 
jornalista e mostram que, independente da mídia em que atua o profissional, seguir 
a lei e o código de conduta da profissão são atitudes fundamentais, principalmente 
em um mundo onde a facilidade para utilização da internet e das redes sociais traz a 
falsa sensação de anonimato e impunidade. Para um jornalista comprometido com 
sua profissão e a sociedade, isto não é argumento para ultrapassar os limites da ética 
e da moral, além do cometimento de crimes.
Segundo levantamento do site Canaltech (https://canaltech.com.br/), especializado 
em tecnologia, a pirataria na internet em eventos esportivos causa prejuízos bilionários 
aos clubes e a própria imprensa. Conforme apurou o site:
https://t.ctcdn.com.br/sID5hsMB_Kb0bwmzsN8qJ7iJcrM=/1024x0/smart/i304845.jpeg
https://canaltech.com.br/
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O site de stream FirstRow Sports, por exemplo, apresenta uma safra 
de transmissões ilícitas para jogos que vão do hóquei no gelo ao 
basquete e atrai mais de 300 mil visitantes diários, de acordo com 
dados da empresa de análise SimilarWeb.
Somente em janeiro de 2019, fãs do esporte acessaram sites de 
pirataria esportiva 362,7 milhões de vezes, segundo dados da 
empresa de pesquisa de pirataria digital Muso. No Discord, benfeitores 
anônimos distribuem links para transmissões ao vivo de futebol, e 
depois que uma transmissão é retirada, outra é criada imediatamente. 
(https://canaltech.com.br/internet/o-lado-mais-obscuro-do-twitch-
tem-nome-pirataria-159143/)
E para não ficar apenas no futebol, o site tecmundo (tecmundo.com.br), outro 
site especializado em tecnologia mostra levantamento de prejuízos registrados por 
empresas promotoras de lutas, que agora tentam na justiça reaver os prejuízos e punir 
judicialmente empresas e pessoas envolvidas nas transmissões.
Fonte: https://www.tecmundo.com.br/internet/216572-transmissoes-piratas-luta-rendem-processo-us-100-milhoes.htm
Portanto, caro estudante, o objetivo maior desta nossa aula foi trazer para vocês 
a importância de um comportamento ético em todos os momentos do desempenho 
da profissão de jornalista.
Postura e ações éticas são o que a sociedade brasileira espera de profissionais e 
futuros profissionais como nós, que lidamos diariamente com a informação. Não se 
pode admitir um tipo de atitude na apuração e divulgação dos fatos e outra atitude 
ao usar a internet e as redes sociais como fonte de informação.
https://canaltech.com.br/internet/o-lado-mais-obscuro-do-twitch-tem-nome-pirataria-159143/
https://canaltech.com.br/internet/o-lado-mais-obscuro-do-twitch-tem-nome-pirataria-159143/
https://www.tecmundo.com.br/internet/216572-transmissoes-piratas-luta-rendem-processo-us-100-milhoes.htm
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É preciso também cuidado com as parcerias na transmissão de eventos e o trabalho 
do jornalista por meio de webradios, cada vez mais presentes na vida da sociedade. 
Ao mesmo tempo em que oferece inúmeras oportunidades para que o jornalista se 
torne um empreendedor ético e correto da comunicação, a internet pode trazer aos 
profissionais inúmeras armadilhas. 
É preciso sempre muita atenção com as facilidades da internet e agir eticamente 
em todos os momentos, para que o jornalista preserve seu maior patrimônio, que não 
é financeiro ou empresarial, mas sim ético e moral.
Na próxima aula iremos falar de maneira mais detalhada sobre o Código de Ética dos 
Jornalistas, conjunto de normas e regras que orientam o trabalho dos jornalistas, e do 
qual não se deve desviar um milímetro, sob pena de incorrer em traição e desrespeito 
não apenas a profissão, mas principalmente a sociedade.
ISTO ESTÁ NA REDE
Quem quiser entender um pouco mais sobre legislação e direitos de transmissão, 
recomendo o artigo que utilizamos para preparar esta aula, que apresenta de forma 
de maneira simples e objetiva os principais pontos sobre a questão.
Fonte: https://www.scielo.br/j/rbce/a/LW6hkVpCFPbLjkfn3yHjpSt/?lang=pt
https://www.scielo.br/j/rbce/a/LW6hkVpCFPbLjkfn3yHjpSt/?lang=pt
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
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AULA 12
CÓDIGO DE ÉTICA 
DOS JORNALISTAS
A ética jornalística não se resume a uma normatização do 
comportamento de repórteres e editores; encarna valores que só 
fazem sentido se forem seguidos tanto por empregados da mídia como 
por empregadores – e se tiverem com seus vigilantes os cidadãos 
do público. A liberdade de imprensa é um princípio inegociável, ele 
existe para beneficiar a sociedade democrática em sua dimensão civil 
e pública, não como prerrogativa de negócios sem limites na área da 
mídia e das telecomunicações (BUCCI, 2006, p,12) 
Fonte: https://pixabay.com/pt/illustrations/intelig%c3%aancia-artificial-rede-3706562/
Constantemente nos deparamos com problemas éticos em nossas vidas, seja no 
trabalho, em casa, na faculdade ou em vários momentos em que precisamos tomar 
decisões, saber se estamos agindo da maneira que consideramos correta na solução 
daquele problema.
No jornalismo não é diferente, pois em vários momentos, vários mesmos, a dúvida 
sobre nossa conduta e nossas ações acenderá uma luz interna e terá início um debate 
com a própria consciência, até definirmos qual a maneira adequada de agir.
https://pixabay.com/pt/illustrations/intelig%c3%aancia-artificial-rede-3706562/
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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Durante estes questionamentos, o que ajuda a decidir qual caminho seguir, além 
dos valores éticos que trazemos e construímos durante a vida, conta muito a formação 
acadêmica, o compromisso com a profissão que escolhemos e os tratados que fizemos, 
de exercer o jornalismo em favor da sociedade. 
Colocando de outra maneira, além daqueles valores universais que construímos 
no decorrer da vida e entendemos por ética, existem os valores próprios da profissão 
que escolhemos exercer, no caso os valores éticos do jornalismo.
Ao entendermos que existe uma ética própria do jornalismo, desmistificamos alguns 
conceitos, como por exemplo:
a) de que a ética é algo único, que se aplica a todos e a tudo da mesma maneira. 
Não, a ética não é única e não se aplica em todos os momentos da mesma 
maneira;
b) de que a ética se aprende na escola. Na escola temos sim contanto com 
questões éticas e o entendimento sobre ética, mas faz parte de uma construção, 
de um processo, e não é o todo;
c) de que a ética é um tema tratado na academia. Pode até ser tratadoacademicamente, mas a ética é para que seja exercida fora da academia, dentro 
das profissões, no trato com a sociedade, portanto, a ética não é um assunto 
apenas acadêmico;
d) A ética é algo abstrato. A ética é real, ela molda nossa conduta, orienta a 
forma de agir, pensar e refletir sobre a tomada de decisões. Quando a ética é 
profissional, orienta também a forma de lidar com as questões da sua profissão, 
portanto, não é algo abstrato;
e) Cada pessoa tem a sua própria ética. Isto não é verdade, não é a ética que 
se molda a pessoa, mas sim as pessoas que precisam entender as questões 
éticas para agir. Portanto não existe uma ética para cada cidadão, para cada 
família, mas sim uma ética única e universal que deve orientar nossas ações;
f) De que ética e moral são a mesma coisa. Não são, pois moral é um conjunto 
de valores que orientam as ações, a conduta e os julgamentos. Com base nestes 
valores as pessoas fazem escolhas e decidem diante das situações que se 
apresentam cotidianamente. A ética, neste caso, pode ser definida como aquilo 
que as pessoas fazem com a moral, ou seja, de que forma aplicam os conceitos 
e preceitos morais adquiridos. Muitas vezes de forma individual, orientada por 
seus valores pessoais. Em outros momentos de forma coletiva, orientados pelos 
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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grupos sociais aos quais pertencem, que nem sempre irá refletir os valores 
morais e éticas de cada indivíduo. 
Importante também entender que existe uma diferença entre recomendações morais 
e as leis, pois, como o próprio nome diz, são recomendações, enquanto que as leis 
se aplicam de modo igualitário em toda sociedade, com previsão de punição para os 
que as desrespeitam. 
12.1 dúvidas éticas e certezas morais do jornalismo
Emissoras de Rádio, de TV, jornais, revistas, sites dedicados ao jornalismo precisam 
existir não apenas para gerarem lucro aos seus proprietários, mas sim porque receber 
informação é um direito da sociedade e de cada cidadão. 
Quem decide produzir informação, ou conteúdo, para usar uma palavra do momento, 
seja o jornalista ou o dono de uma empresa jornalística, precisa ter em mente que 
mais importante do que os lucros conquistados, é a informação correta, honesta, sem 
interesses obscuros.
Estes direitos estão garantidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, que 
em seu artigo 19 estabelece que, “todo ser humano tem direito à liberdade de opinião e 
expressão; esse direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, 
receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente 
de fronteiras”, (https://institutolegado.org/blog/declaracao-universal-dos-direitos-humanos).
Em nosso país é garantido também pela Constituição Federal de 1988 em seu artigo 
5º, inciso XIV, assegurando que no Brasil é garantido a todo cidadão brasileiro o direito 
de informar e ser informado, por meio do livre acesso a informação e informações 
públicas de relevância para a sociedade.
Segundo KARAM (2014, p,44), quando se fala sobre conduta ética e moral dos 
profissionais de jornalismo, “existem milhares de perguntas que podem ser feitas e 
merecem, antes de uma apressada resposta empírica, profunda reflexão [...] perguntas, 
dúvidas, perplexidades ou apressadas certezas é o que não faltam quando se envolve 
o jornalismo na esfera moral em que se se movimenta”. 
Algumas das perguntas apresentadas pelo autor nos preparam para abordarmos 
em seguida o código de ética dos jornalistas brasileiros:
https://institutolegado.org/blog/declaracao-universal-dos-direitos-humanos
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JORNALISMO
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- como fazer respeitar a privacidade do cidadão, quando ele está no mundo, e seus 
atos, em muitos casos, possuem tal relevância que as demais pessoas precisam ter 
conhecimento deles?
- como respeitar a privacidade da pessoa pública, que, na suavidade da noite, 
vai tecendo uma negociata na qual o Estado perde dinheiro e, por consequência, o 
cidadão se vê prejudicado em serviços de saúde, educação e transporte?
- como defender um jornalista que, em busca de fama, prestígio e poder envolve, 
na informação, a vida privada de uma personalidade pública para obter dividendos 
pessoais e alega, para isso, que o fato possui relevância social?
- como resolver eticamente o problema de uma pessoa fotografada em sua 
privacidade, quando o jornalista diz que isso é de interesse público?
- como revelar a verdade de um acontecimento, quando ele próprio possui várias 
fragmentações e interpretações – tal como a realidade aparente – e as versões são 
diferentes, complexas e não há espaço para todas elas nem para todas as fontes?
- como obter uma boa matéria e escrevê-la com talento e precisão, se o jornalista 
trabalha em três lugares diferentes?
- como selecionar, no mar diário de acontecimentos, aqueles que possuem relevância 
social?
- como resolver a curiosidade social sobre a vida privada das pessoas ou a utilização 
dramas e tragédias do cotidiano em relação à ética?
[...]
Enfim, há muitas perguntas a fazer e responder. As respostas exigem debates e 
reflexões, antes de apressadas conclusões ou autoritárias certezas. Elas também não 
cabem nas generalizações que comparam a ética jornalística com a ética de qualquer 
outra atividade, sem levar em conta, profundamente, a relação específica da atividade 
com a sociedade. [...] por isso, o jornalismo não pode deixar de ser crítico, de traduzir 
a diversidade e conflitos. Isso só seria possível se escondêssemos a humanidade 
de si mesma e a cotidianeidade de todos nós. É o que tentam fazer as ditaduras, 
o jornalismo liberal submetido à lógica do mercado, as censuras, autocensuras e o 
caminho moral... 
Fonte: KARAM, 2013, p, 44-46
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ISTO ESTÁ NA REDE
Acessando este site, você confere na íntegra a Declaração Universal dos Direitos 
Humanos, que completou 74 anos em 2022, além de acompanhar vídeos e 
documentários sobre o tema.
https://institutolegado.org/blog/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-integra/
12.2 Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros 
O ano de 1949 marca o surgimento do primeiro código de ética dos jornalistas 
brasileiros, que passou por revisões em 1968, sofreu mudanças em 1986 para se 
adequar a redemocratização do pais e foi novamente revisado e alterado no ano de 
2007, sendo esta sua versão mais recente, conforme artigo que analisa de forma 
comparativa o código antigo e o atual.
https://institutolegado.org/blog/declaracao-universal-dos-direitos-humanos-integra/
FUNDAMENTOS DO 
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O primeiro código dos jornalistas, segundo Christofoletti (2007), 
surgiu em 1949, mas foi revisado em 1968. Em 1986, foi elaborado 
o documento que “serviu de base para a atuação dos jornalistas no 
período da redemocratização brasileira”, estando em vigor desde o 
ano de 1987. Ele foi votado pelo Congresso Nacional da categoria, 
portanto, contou com o apoio de todos os sindicatos filiados e teve, 
como relator, o jornalista Ronaldo Buarque de Holanda.
Desde sua criação, o código de Ética dos Jornalistas teve por objetivo 
fixar normas a que a atuação do profissional dos jornalistas deve 
subordinar-se, seja nas suas relações com a sociedade, com as fontes 
de informação, bem como entre os próprios jornalistas.
Recentemente este documento, que está em vigor há 20 anos, 
passou por uma reformulação, durante a realização do Congresso 
Extraordinário dos Jornalistas, em Vitória (ES), nos dias 3, 4 e 5 de 
agosto de 2007, no qual delegações de 23 estados do país participaram 
da votação, o que segundo Reinholz (2007): “[...] colaborou para a 
formatação de um código que irá auxiliar o dia-a-dia de todos os 
jornalistas”. (FANTINEL, et al. 2008, p,02). 
O código deética dos jornalistas brasileiros tem cinco capítulos: O 1º capítulo trata 
sobre direito à informação; o 2º capítulo fala sobre a conduta profissional do jornalista; o 
3º capítulo é sobre a responsabilidade profissional do jornalista; o 4º capítulo fala sobre as 
relações profissionais; e o 5º capítulo, da aplicação do Código de Ética e disposições finais. 
No site da Federação Nacional dos Jornalistas, FENAJ, é possível conhecer, além do 
código de ética, a legislação sobre a profissão de jornalista.
fonte: https://fenaj.org.br/legislacao-profissional/juridica/
https://fenaj.org.br/legislacao-profissional/juridica/
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12.2.1 Capítulo I – Do direito à informação
Este capítulo trata sobre direito a informação e o direito de informar, ressaltando 
as garantias para o exercício da profissão e o compromisso que deve existir para a 
produção de notícias, tendo como valor maior o interesse público.
Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito 
fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser 
informado e de ter acesso à informação.
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito 
fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum 
tipo de interesse, razão por que:
I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação 
e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou 
diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade 
dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, 
implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo 
as não-governamentais, deve ser considerada uma obrigação social;
V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação 
de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser 
denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
12.2.2 Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista
Neste capítulo estão consignados os compromissos do jornalista com a sua 
profissão. Estão aqui os deveres que um jornalista assume com a sociedade, o veículo 
onde trabalha e consigo mesmo, para o correto exercício da profissão.
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre 
subordinado ao presente Código de Ética.
Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar 
seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação. 
Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
Art. 6º É dever do jornalista:
I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos 
na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
IV – defender o livre exercício da profissão;
V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o 
objetivo de controlar a informação;
VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e 
coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;
XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à 
comissão de ética competente;
XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, 
religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra 
natureza.
Art. 7º O jornalista não pode:
I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária 
legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a 
precarização das condições de trabalho;
II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação 
da informação;
III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, 
mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer 
outros sinais;
V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações 
públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço 
ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou 
de autoridades a elas relacionadas;
VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha 
participado;
IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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12.2.3 Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista
As responsabilidades do jornalista para coma verdade das informações que divulga 
estão expressas neste capítulo. Fica claro que o jornalista é responsável pela informação 
que divulga e pelas opiniões que expressa. Alguns deveres do jornalista na produção 
da notícia também estão elencados neste capítulo.
Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não 
tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura 
de crimes e acidentes;
III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas 
ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas 
as outras possibilidades de apuração;
Art. 12. O jornalista deve:
I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos 
fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente 
aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem 
de patrocínios ou promoções;
V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público 
o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer 
outrasmanipulações;
VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito 
de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou 
por cuja publicação foi o responsável;
VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua 
atividade profissional.
12.2.4 Capítulo IV – Das relações profissionais
Este pequeno capítulo, com apenas dois artigos, trata sobre a relação do jornalista 
com seus companheiros de trabalho, que deve ser sempre respeitosa. O jornalista 
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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também não pode, as custas de manter-se no emprego ou buscar novas oportunidades, 
submeter-se a relações profissionais que firam as leis trabalhistas. 
Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a 
executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam 
as suas convicções.
Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que 
o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
Art. 14. O jornalista não deve:
I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar 
substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer 
mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente 
ao trabalho extra;
II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo 
denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.
12.2.5 Capítulo V - Da aplicação do código de ética e disposições finais
O último capítulo trás as sansões e penalidades a serem aplicadas ao profissional 
que desrespeitar o código de conduta dos jornalistas brasileiros. Trata também sobre 
os mecanismos que podem ser criados pela categoria dos jornalistas, por meio de suas 
entidades, sindicatos e federações, no sentido de constituir comissões responsáveis 
por apurar as infrações cometidas e possíveis penalizações do profissional.
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JORNALISMO
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Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas 
comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos 
jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos 
Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo 
separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos 
os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões 
de ética dos sindicatos;
II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade 
ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por 
jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e 
das comissões de ética dos sindicatos;
VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que 
a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou 
à coletividade.
Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades 
de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da 
decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de 
observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro 
social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de 
prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, 
sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas 
mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.
Vitória, 04 de agosto de 2007.
Federação Nacional dos Jornalistas
Fonte: https://fenaj.org.br/codigo-de-etica-dos-jornalistas-brasileiros/
https://fenaj.org.br/codigo-de-etica-dos-jornalistas-brasileiros/
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Esta revoltante sequência de fotos mostra como uma profissional rasga o código 
de ética em busca de uma imagem mais degradante ainda de refugiados fugindo 
de seus países em guerra. A jornalista de uma TV húngara agride imigrantes para 
que eles caiam e possa render imagens impactantes, como se a situação pela qual 
passam já não seja em si um grande sofrimento.
Fonte:https://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/video-mostra-reporter-hungara-chutando-e-dando-rasteira-em-refugiados.html
https://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/09/video-mostra-reporter-hungara-chutando-e-dando-rasteira-em-refugiados.html
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Caros alunos, ao chegarmos no final desta aula, acreditamos que ficou muito claro 
a importância de um código de ética para orientar a conduta do jornalista durante 
sua jornada profissional.
Ficou claro também de que não adianta existir um código voltado a orientar o pleno 
exercício do jornalismo, se ele ficar guardado em uma gaveta qualquer, ou não for 
minimamente respeitado e seguido.
Ser jornalista na plenitude da profissão significa, além da produção de conteúdo 
para sua audiência, agir com respeito ao cidadão, a sociedade que hipoteca na figura 
do jornalista um representante da verdade e da dignidade humana.
ANOTE ISSO
Para encerrar, recorro ao grande poeta Carlos Drumond de Andrade, que em mais 
um de seus belos poemas nos põe a pensar até que ponto a verdade estará sempre 
do nosso lado. 
Será preciso, como diz o poema, buscar sempre a verdade inteira dos fatos e saber 
que do outro lado, existe uma outra percepção de verdade, que precisa ser vista e 
respeitada pelo jornalista, para que não se torne um profissional arrogante, míope e 
incapaz de ver as diferenças que constroem um mundo melhor.
A verdade dividida
A porta da verdade estava aberta
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só conseguia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia os seus fogos.
Era dividida em duasmetades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era perfeitamente bela.
E era preciso optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
Carlos Drummond de Andrade
Fonte:https://jornaldefilosofiadacomunicacao.blogspot.com/2019/09/analise-de-verdade-dividida.html
https://jornaldefilosofiadacomunicacao.blogspot.com/2019/09/analise-de-verdade-dividida.html
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AULA 13
INTERNET, ÉTICA E O 
DIREITO AO ESQUECIMENTO
No mundo em que há o reconhecimento do outro e onde a palavra 
relação está ligada a algo fora de si mesmo, o indivíduo deixa de ser um 
mero apêndice natural agregado à vida para ser uma ponte que vai da 
individualidade para a totalidade e desta para sua singularidade [...] só 
há sentido falar em direito e ética se estas noções forem vinculadas às 
de compromisso com o outro, com as relações humanas...(KARAM, 
2014, p,23)
Fonte: https://www.politize.com.br/wp-content/uploads/2021/09/closeup-of-a-black-computer-keyboard-and-del-button-1536x1024.jpg
Muitos dos questionamentos atuais do jornalismo, passam também por entender 
o surgimento e o uso da tecnologia e da internet, e de ferramentas de comunicação e 
interação surgidas a pouco mais de 30 anos e que rapidamente tornaram-se essenciais 
para o desempenho da atividade jornalística.
https://www.politize.com.br/wp-content/uploads/2021/09/closeup-of-a-black-computer-keyboard-and-del-button-1536x1024.jpg
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Criadas para facilitar e agilizar a produção de conteúdo e a interação com o 
consumidor de informação, as ferramentas tecnológicas trouxeram também alguns 
dilemas éticos para o fazer jornalístico.
Uma das grandes demandas da sociedade e do jornalismo em especial sempre 
foi armazenar a maior quantidade possível de informações, com o objetivo de serem 
utilizadas no dia a dia. 
Sempre que se traz um fato à tona, contextualizá-lo com os elementos do 
passado ajudam a valorizar a notícia, lhe conferem sequência, credibilidade e um 
maior entendimento.
Este sempre foi, aliás, um dos trunfos da imprensa para cativar sua audiência. 
Quem não gostaria de saber o que foi dito há 10, 15 anos por um candidato a cargo 
político que hoje promete fazer uma revolução se for eleito. Será que existe uma 
coerência em sua trajetória política, e se o que ele disse num passado não muito 
distante condiz com o que ele pensa hoje.
E é justamente nesta possibilidade, transformada em realidade pela 
tecnologia, que reside a questão. Se antes a sociedade e a imprensa eram limitadas 
na possibilidade de acessar tudo que foi dito e pensado “sobre”, e “por” alguém, 
hoje a facilidade em encontrar e explorar praticamente tudo que diz respeito a uma 
pessoa, transforma os cidadãos em reféns do seu próprio passado.
[...] as mudanças tecnológicas potencializaram a alteração desse panorama, 
de maneira que a regra, agora, são computadores e aparelhos eletrônicos 
que permitem a lembrança de tudo. Os transitórios tweets e as atualizações 
de status dos usuários no Facebook são transformados em registros 
permanentes. Os sistemas de pesquisa buscam todos os registros na internet. 
Os telefones celulares e serviços de e-mail geram logs das conversas, 
por mais mundanas e efêmeras que possam ser. E não é preciso ser uma 
celebridade para ser constantemente lembrado. Todos devem esperar serem 
tratados com o escrutínio reservado outrora apenas aos famosos.
O dilema atual reside no fato de os registros do passado – capazes de serem 
armazenados eternamente – poderem gerar consequências posteriormente 
à data em que o evento foi esquecido pela mente humana. Nesse contexto, a 
pior situação já vivenciada por determinada pessoa pode ser vinculada com 
a primeira e mais importante informação a seu respeito. (SCHREIBER, 2013, 
p,185)
Como destaca Schreiber no texto, a pior situação já vivenciada por determinada 
pessoa no decorrer de sua, seja qual período for, pode ser vinculada com a primeira 
e mais importante informação a seu respeito, e fazer com que a imagem de uma 
pessoa na atualidade seja vinculada as suas ações passadas, onde talvez não resida 
mais o seu modo de pensar e de agir.
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 142
Em um artigo sobre memória e esquecimento na contemporaneidade, Sarah 
Catão Lucena (2011), nos apresenta uma importante reflexão, ao analisar um conto 
do escritor Jorge Luís Borges, intitulado “Funes, o arquivista da memória”. Em 
determinado ponto de suas análises questiona se o excesso de memória, ou de 
lembranças, seria de fato algo positivo. 
Seria uma virtude ou uma maldição a capacidade de recordar-se de tudo? Diz 
Funes: -Eu sozinho tenho mais lembranças que terão tido todos os homens 
desde que o mundo é mundo. (BORGES, 2007, p.105). Quão exorbitante 
é essa trajetória de vida, tão morta pela inatividade de estar na prisão do 
passado infindável? Devemos mesmo seguir nessa direção de fazer de 
cada rastro da nossa era um arquivo? A memória exclusivamente, sem a 
completude do seu oposto, se torna obsoleta na sua função: (LUCENA, 2011, 
p, 95)
 Percebemos neste pequeno fragmento do texto que a inquietação maior não é 
com relação a memória ou as lembranças, mas que isto seja eterno e mais importante 
do que o presente. Que se viva uma vida onde buscar o passado constantemente 
contribui para avaliar o presente, como se entre o passado e o momento atual, não 
houvesse ocorrido um lapso temporal e a sociedade não tivesse passado por várias 
mudanças. 
Avaliar o presente com os óculos utilizados no passado requer muito cuidado 
e atenção, para que não se condene alguém a perpetuidade de possíveis erros, 
falhas e incoerências, que neste momento já não servem mais como parâmetro.
Ao mesmo tempo, não é possível considerar tudo que diga respeito ao passado 
como letra morta, pois o trabalho do jornalista tem como fundamentos a coleta, 
redação, publicação e divulgação de informações sobre fatos e acontecimentos, por 
meio de técnicas e procedimentos próprios da profissão, que incluem a busca ao 
passado um de seus importantes elementos.
O que cabe refletir é a necessidade e a maneira como determinadas 
informações são utilizadas na composição da notícia, matéria prima do trabalho 
jornalístico. Questionar este ponto é extremamente válido e necessário, no sentido 
de uma ação ética e coerente por parte do profissional de imprensa.
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 143
O que é o direito ao esquecimento?
Com o avanço das tecnologias de comunicação e a consequente chance de perpetuidade dos dados e notícias divulgados, 
uma discussão tem retornado aos maiores tribunais do país: o direito ao esquecimento. Esse direito trata da possibilidade de que 
determinados fatos, mesmo que verídicos, ocorridos na vida de um indivíduo não venham a ser de conhecimento público, em razão 
do período de tempo decorrido, por meio de veículos de comunicação social
[...]
Onde surgiu o direito ao esquecimento?
Apesar de configurar uma discussão recente no mundo jurídico brasileiro, o direito ao esquecimento, também conhecido como 
o “direito de ser deixado em paz” ou o “direito de estar só”, aparece já há décadas nos casos e decisões judiciais de outros países.
Um dos primeiros casos de que se tem notícia ocorreu no ano de 1918, nos Estados Unidos: Melvin versus Reid. Nesse conflito 
judicial específico, a parte Gabrielle Darley era envolvida com prostituição e havia sido acusada por um homicídio, em seu passado – 
ocorreu que Gabrielle acabou sendo inocentada de tal crime, tendo mudado sua vida pela ressocialização. A discussão sobre o direito 
ao esquecimento deu-se no Tribunal da Califórnia, quando Doroty Davenport Reid resolveu produzir um filme, anos após a absolvição, 
sobre avida privada e passada de Gabrielle. Gabrielle, então, recorreu à justiça e obteve uma reparação aos danos ocorridos por uma 
exposição indevida de sua vida privada. 
Em outras palavras, no caso de Gabrielle, o Tribunal da Califórnia entendeu que ela tinha o direito de ser esquecida por fatos de 
sua vida passada que, naquela atualidade, lhe trariam sofrimento e exposição.
Outro caso conhecido pela luta judicial pelo reconhecimento do direito de ser esquecido ocorreu na Alemanha em 1969: o caso 
“Lebach”. Similar ao que ocorreu com Gabrielle, um dos acusados pelo assassinato dos soldados Lebach tomou conhecimento de 
que um filme contando a história do caso seria exibido na televisão alemã dias antes de sua saída do sistema prisional. No caso 
Lebach, o acusado já havia cumprido sua pena e, segundo seus argumentos na ação judicial, tal exibição do filme prejudicaria sua 
ressocialização e o colocaria em uma exposição abusiva. 
O tribunal constitucional alemão acatou o pedido do acusado e proibiu a exibição do filme com os nomes e dados pessoais do 
autor, alegando que os meios de comunicação não podem ocupar-se dos crimes e dos condenados por tempo ilimitado, recontando 
suas histórias e empreitadas criminosas eternamente.
O direito ao esquecimento no Brasil
Diferentemente do que ocorreu em outros países, como nos casos mencionados dos Estados Unidos e da Alemanha, a discussão 
pelo reconhecimento do direito ao esquecimento é mais recente no Brasil. Tal direito ganhou grande notoriedade no país pelo conflito 
entre direitos constitucionais que acarreta, pela divergência entre os entendimentos de diferentes tribunais e pelos famosos casos 
que discutiram a possibilidade ou não de ser esquecido. 
É importante salientar que o direito ao esquecimento não possui previsão legal expressa, ou seja, não existe uma lei que verse 
especificamente sobre ele ou o reconheça, inclusive, por isso seu reconhecimento, ou não, foi muito discutido.
Para os que acreditam na existência e na concretização desse direito pela legislação brasileira, ele estaria assegurado pela própria 
Constituição Federal de 1988. Os adeptos da corrente que reconhecem o direito de “ser deixado só” argumentam no sentido de que 
esse direito seria um desdobramento dos direitos constitucionais de respeito à vida privada, à honra e até mesmo à própria dignidade 
humana, sendo que o desrespeito ao direito ao esquecimento configuraria uma afronta a esses direitos básicos.
Por outro lado, para aqueles que são contrários ao reconhecimento do direito ao esquecimento no Brasil, a existência de tal direito 
caracterizaria uma agressão à liberdade de imprensa e de expressão em geral, uma perda de história e memória do país e abalaria 
a lógica constitucional de que quando algum fato privado torna-se de interesse público, o último ultrapassa o direito à intimidade e 
a vida privada.
Nesse sentido, como os tribunais brasileiros estavam reféns de entendimentos diversos, os quais em um momento reconheciam 
o direito ao esquecimento como direito legal e constitucional e em outro decidiam pela impossibilidade de sua existência pela colisão 
com a liberdade de expressão, em 2013, foi redigido e aprovado o Enunciado 531 da VI Jornada de Direito Civil do CJF/STJ, o qual 
possuía a seguinte redação: “A tutela da dignidade da pessoa humana na sociedade da informação inclui o direito ao esquecimento.”
Explica-se: um Enunciado, no âmbito jurídico brasileiro, não possui poder de lei. Na verdade, ele serve para divulgar a orientação 
de determinados juízes sobre um referido tema, objetivando criar diretrizes mais certas e concretas para temas controvertidos. A 
aplicação dos Enunciados não é obrigatória, comportando-se os mesmos como uma orientação, uma convenção de determinado 
tribunal – no caso do referido Enunciado, o Superior Tribunal de Justiça. 
Desse modo, o Enunciado acabou por consolidar uma vertente de interpretação, pelo menos por alguns anos, do tema nos tribunais 
brasileiros, tendo reconhecido o direito ao esquecimento como uma decorrência do direito à dignidade humana, previsto na Constituição.
Todavia, como se verá mais adiante, o tema passou por reformas judiciais, recentemente pelo Supremo Tribunal Federal, as quais 
acabaram culminando em um entendimento diverso.
Publicado em 30 de setembro de 2021
Fonte: https://www.politize.com.br/o-que-e-o-direito-ao-esquecimento/
https://www.politize.com.br/o-que-e-o-direito-ao-esquecimento/
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
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13.1 Questões éticas sobre o tema
Fonte: https://i0.wp.com/prisioneroenargentina.com/wp-content/uploads/2017/03/Etica99.jpg?resize=629%2C445&ssl=1
Tão importante quanto discutir se é justo ou correto o direito ao esquecimento, 
questão que já passou inclusive pelo escrutínio da justiça, arbitrando sobre demandas 
específicas de pessoas que se sentiram prejudicas por fatos ocorridos há muito tempo, 
cabe aqui falar sobre quão ético é para o jornalismo utilizar-se deste expediente. 
Até que ponto informações do passado de determinadas pessoas podem e devem 
influenciar sua conduta no presente. KARAM (2014) ao falar sobre condutas e limites 
éticos da imprensa, lembra que:
a preocupação com a questão ética no jornalismo surge com a 
complexidade social e a complexidade crescente da mediação que 
os meios de comunicação exercem sobre a realidade. O jornalismo, 
ao reconstruir o mundo, ao mostrá-lo em sua diversidade de fatos e 
pluralidades de versões, trouxe algo inerente consigo: a necessidade de 
distinguir os acontecimentos de relevância pública e a responsabilidade 
de publicá-los, prevendo consequências e atendendo a princípios 
de pluralidade social. A preocupação com a questão ética surge ao 
mesmo tempo em que se tenta garantir e ampliar o direito social à 
informação (KARAM, 2014, p,53)
https://i0.wp.com/prisioneroenargentina.com/wp-content/uploads/2017/03/Etica99.jpg?resize=629%2C445&ssl=1 
FUNDAMENTOS DO 
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PROF. JOSÉ ROGERIO DA SILVA
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Fonte:https://www.conjur.com.br/2019-ago-28/direito-esquecimento-criou-obrigacoes-meios-comunicacao
13.1.1 código moral provisório
Filósofos e pesquisadores dizem que existem duas formas de enxergar a ética, por 
meio da conduta ideal, que seria aquela desejada e estipulada em códigos e normas, e 
exista a conduta real, que é a que de fato acontece no plano da realidade, aquela que se 
concretiza.
Isto não quer dizer que tudo que se escreve sobre conduta ética só exista no plano 
das ideias, e o que de fato se aplica seja uma outra conduta ética. Em muitos casos elas 
se alinham, em outros se distanciam, cabendo a cada indivíduo a decisão sobre qual 
caminho seguir. 
https://www.conjur.com.br/2019-ago-28/direito-esquecimento-criou-obrigacoes-meios-comunicacao
FUNDAMENTOS DO 
JORNALISMO
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Para lidar com suas questões éticas, o jornalismo tem um código de ética dos jornalistas, 
para que não fique a vontade do profissional decidir como agir a cada momento. Baseado no 
código, o jornalista realiza seu trabalho, sem fugir de uma determinada conduta profissional.
Mas, mesmo tendo um código de ética, o jornalista, durante as situações que se 
apresentam, que são inúmeras e muitas vezes inusitadas, não apenas avalia mas emite 
juízos sobre isso. E no juízo, também existe o juízo de fato e o juízo de valor.
Juízo de fato são aqueles que dizem o que as coisas são, como 
são e porque são. Em nossa vida cotidiana, os juízos se fato estão 
presentes. Já o juízo de valor constitui avaliações sobre coisas, 
pessoas, situações, e são proferidos na moral, nas artes, na política, 
na religião, enfim, em todos os campos da existência social do ser 
humano. Juízos de valor avaliam coisas, pessoas, ações, experiências, 
acontecimentos, sentimentos, estados de espíritos, intenções e 
decisões como sendo boas ou más, desejáveis ou indesejáveis.Trasladando do plano filosófico para o ético, temos os juízos éticos 
de valor, que são também normativos, isto é, enunciam normas que 
determinam o dever ser de nossos sentimentos, nossos atos, nossos 
comportamentos. São juízos que enunciam obrigações e avaliam 
intenções e ações segundo o critério do bem e do mal, ou seja, do 
correto e do incorreto.
[...] juízos éticos de valor [...] enunciam também que atos, sentimentos, 
intenções e comportamentos são condenáveis ou incorretos do ponto 
de vista moral (https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/5754/
Etica-conduta-ideal-e-conduta-real )
Transportando especificamente para o jornalismo, o jornalista Caio Túlio Costa, doutor 
em Ciência da Comunicação e professor de ética traduz estas questões no que denomina 
de “moral provisória” do jornalista e a aplicação de um “código moral provisório” em 
determinadas situações, como por exemplo, utilizar ou não imagens, textos e falas do 
passado para justificar ou explicar o presente.
Segundo COSTA (2009, p, 253), algo como um “código moral temporário é usado pelo 
jornalista de diferentes formas e em diferentes situações – mas sempre com o objetivo 
de relativizar situações e justificar comportamentos reconhecidamente contestáveis do 
ponto de vista da moral”.
O pesquisador diz ainda que se trata de uma “moral provisória”, porque é temporária e 
não irá perdurar para sempre, mas servir a uma determinada situação que requer meios 
duvidosos para obtenção ou uso de informações, ou ainda emissão de juízo de valor por 
parte do profissional sobre utilizar ou não determinado material relativo ao passado de 
pessoas retratadas.
COSTA (2009, p, 253) enfatiza ainda que, “a moral provisória não faz parte apenas do 
ser jornalista, é parte integrante do fazer da indústria da comunicação e é esgrimada 
conforme aparecem as oportunidades de alguma defesa moral”.
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/5754/Etica-conduta-ideal-e-conduta-real
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/5754/Etica-conduta-ideal-e-conduta-real
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O jornalista, se não conhece teoricamente, ao menos intui o que possa 
ser uma moral definitiva do ponto de vista normativo, seja de forma 
mais aprofundada, seja do ponto de vista do senso comum. Sua moral 
provisória, portanto imperfeita, é convocada quando ele precisa dela 
internamente, por uma razão qualquer que a moral idealizada por ele não 
acobertaria – quando, por exemplo, necessita contar uma “mentirinha” 
ou precisa usar uma “meia verdade” para alcançar algum objetivo que 
considera nobre (COSTA, 2009, p, 253).
Os casos mais famosos no Brasil
Embora o tema tenha ganhado mais destaque na atualidade devido às novas interpretações judiciais e consolidações advindas dos maiores 
tribunais do país, os casos mais famosos do Brasil já possuem alguns anos de história.
No quesito da internet como meio de propagação eterna de algumas informações, dados e imagens, uma das mais comentadas decisões 
diz respeito ao caso da Xuxa Meneghel. A ação judicial foi movida pela apresentadora contra o Google Brasil e tinha como intuito a retirada da 
plataforma de resultados de pesquisa online baseadas em palavras-chaves que vinculassem sua imagem com a prática da pedofilia. 
A decisão do juiz de primeiro grau foi favorável à apresentadora e determinou que o Google não apresentasse mais os resultados que 
vinculavam Xuxa a prática delitiva referida. No entanto, a decisão foi reformada pelo STJ, o qual argumentou que “os provedores de pesquisa não 
podem ser obrigados a eliminar do seu sistema os resultados derivados da busca de determinado termo ou expressão, tampouco os resultados 
que apontem para uma foto ou texto específico”(STJ, REsp. Nº 1.316.921 – RJ, 2012, p. 1).
Isto posto, percebe-se que a apresentadora buscava o reconhecimento de seu direito a ser esquecida por um fato ocorrido há décadas 
atrás, no qual atuou em um filme possuindo envolvimento com um adolescente. No caso, a demanda de Xuxa e seu interesse não configuraram, 
segundo o Superior Tribunal de Justiça, motivação suficiente para barrar o interesse coletivo e o direito ao acesso à informação, não sendo 
aplicável ao episódio o direito ao esquecimento.
Outro caso de grande repercussão no país e com resolução diferente do da apresentadora Xuxa diz respeito a Chacina da Candelária – um 
crime que ocorreu na noite de 23 de julho de 1993, nas proximidades da Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro, culminando no assassinato 
de oito jovens. No episódio, um dos acusados respondeu a ação penal e, ao final, foi absolvido. A questão englobou o direito ao esquecimento 
quando, anos depois do ocorrido, a Rede Globo elaborou um programa televisivo denominado “Linha Direta” e apontou o nome do acusado como 
um dos envolvidos que havia sido absolvido. Diante da situação, esse indivíduo ajuizou uma ação contra a emissora exigindo uma indenização 
pela exposição que havia sofrido, argumentando dano a sua intimidade, vida pessoal e anonimato. 
O STJ entendeu que, no caso em tela, a exibição do programa poderia ter ocorrido sem os dados e a imagem do indivíduo absolvido, sem que 
isso acarretasse prejuízo à liberdade de imprensa e de informação. Como a exibição já havia ocorrido, a Rede Globo foi condenada ao pagamento 
de indenização e o indivíduo teve seu direito ao esquecimento reconhecido – decisão que firmou a tese já mencionada do Enunciado 531 da VI 
Jornada de Direito Civil do CJF/STJ de que o sistema jurídico brasileiro protege o direito ao esquecimento.
A importância desse caso está na ratificação do entendimento, por uma das maiores cortes do país, de que os condenados após cumprirem 
sua pena ou os absolvidos após o término da ação penal possuem o direito a serem esquecidos, de modo a não permanecerem estigmatizados 
e a não terem sua ressocialização prejudicada.
Além do caso da Chacina da Candelária, a Rede Globo também respondeu por outro processo de natureza similar: o de Aída Curi. Aída foi 
vítima de um crime sexual seguido de morte no Rio de Janeiro, em 1958. Assim como na Chacina, a emissora fez a exibição da história do crime 
que vitimou Aída no programa “Linha Direta”, fazendo com isso a divulgação do nome da vítima e fotos da ocorrência.
Com a exibição do programa, os familiares de Aída ingressaram com uma ação na justiça, buscando uma indenização por danos materiais, 
morais e à imagem da vítima, alegando que o programa teria relembrado na família todo o sofrimento já vivenciado.
Entretanto, diferentemente do que ocorreu na ação perpetrada pelo absolvido pela Chacina da Candelária, o STJ negou provimento à ação e 
consequentemente considerou indevida a indenização. O argumento utilizado pela Corte para não reconhecer o direito ao esquecimento no caso 
de Aída pautou-se pela importância do crime, o qual constitui verdadeiro fato histórico de interesse público, sendo impossível retratá-lo sem 
a divulgação da imagem da vítima. Além disso, a quantidade de tempo decorrido entre o crime e a exibição do programa – cerca de sessenta 
anos – foi ponto importante para os Ministros ponderarem por esse entendimento.
O caso de Aída Curi teve decisão proferida no Superior Tribunal de Justiça, como mencionado, mas, por meio de recurso, chegou ao Supremo 
Tribunal Federal para uma discussão final. O STF negou provimento ao referido recurso, mantendo a decisão do STJ, e firmando um importante 
entendimento sobre a incompatibilidade do direito ao esquecimento no Brasil com a Constituição Federal.
Fonte: https://www.politize.com.br/o-que-e-o-direito-ao-esquecimento/
https://www.politize.com.br/o-que-e-o-direito-ao-esquecimento/
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13.1.2 o que diz a justiça
Convém lembrar sempre aos nossos alunos que o que se busca nesta aula não é 
falar sobre alguma espécie de censura ou cerceamento ao direito de informar, mas 
sim mostrar que existeum inesgotável acervo de memória sobre a sociedade e as 
pessoas, que precisa e deve ser utilizado, mas sempre com muita atenção.
a atual capacidade de memorização e armazenamento de dados 
nem sempre é um fato negativo. É possível lembrar com maior 
detalhamento momentos importantes das vidas. Com maior 
quantidade de dados, as empresas são capazes de seguir, de forma 
mais eficiente, as tendências do mercado. E também toda a sociedade 
se beneficia, pois evita que erros sejam cometidos duas vezes: para 
aprender com a história requer-se a capacidade social de lembrar 
(SCHREIBER, 2013, p,189)
O que enfatizamos é a necessidade de o jornalista realizar seu trabalho sempre 
de maneira ética, utilizando-se das ferramentas disponíveis para isso, mas nunca 
esquecendo quais são os princípios e fundamentos do seu trabalho. 
Além disso, a ligação entre presente e passado nem sempre é direta, pois com 
o passar dos anos cortam-se as conexões que nos ligam ao passado, e por isso, 
ao acessá-lo é preciso muito cuidado, pois estaremos falando no presente, sobre 
acontecimentos de um outro momento histórico.
Nesse contexto, a fim de examinar a influência das tecnologias 
sobre a memória humana, alguns estudiosos sugerem que quando 
se esquece não se perde a informação em si, mas a ligação até ela. 
Daniel Schacter, professor da Universidade Harvard e um dos mais 
importantes pesquisadores do assunto, argumenta que a memória 
não funciona como um arquivo capaz de armazenar um grande 
número de informações com precisão. A memória humana não é 
inalteravelmente esculpida; pelo contrário, ela é constantemente 
reconfigurada, de maneira que o que se lembra é produto das 
preferências e necessidades atuais. Vale dizer, a memorização 
depende da frequência com que se lembra e do quanto determinada 
memória é importante.
Por isso, no processo de construção da memória, muitas das 
lembranças são alteradas devido às influências externas. O fato de 
se ter memórias do passado não quer dizer que ele ocorreu como se 
imagina, porque, ao longo do tempo, as lembranças sofrem alterações 
para se adequarem às situações atuais (SCHREIBER, 2013, p,189)
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Por todas estas dúvidas existentes não só entre a sociedade ou os jornalistas, mas 
também por decisões da própria justiça, ora a favor, ora contrária, só nos deixa com 
a sensação de que o direito ao esquecimento deve ser analisado caso a caso.
E foi isso que também entendeu e decidiu o Supremo Tribunal Federal (STF), que 
ao julgar um caso de repercussão nacional, concluiu que “direito ao esquecimento é 
incompatível com a Constituição Federal e que eventuais excessos ou abusos no exercício 
da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados caso a caso”. 
E como o assunto é controverso, a decisão dos 11 ministros foi majoritária, mas 
não unânime, ao concluir que a passagem do tempo não impede a divulgação de 
fatos ou informações, desde que sejam “reconhecidamente verídicas”.
Mas O STF deixa claro que cada caso deve ser analisado individualmente, baseado 
nos parâmetros constitucionais e na legislação, tanto civil quando penal. E acrescento 
ainda que também deve ser analisado a luz do código de ética dos jornalistas brasileiros.
STF conclui que direito ao esquecimento é incompatível com a Constituição Federal
Eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser 
analisados caso a caso.
Por decisão majoritária, nesta quinta-feira (11), o Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu que é 
incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento que possibilite impedir, 
em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos em meios de comunicação. 
Segundo a Corte, eventuais excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação 
devem ser analisados caso a caso, com base em parâmetros constitucionais e na legislação penal e civil.
O Tribunal, por maioria dos votos, negou provimento ao Recurso Extraordinário (RE) 1010606, com 
repercussão geral reconhecida, em que familiares da vítima de um crime de grande repercussão nos 
anos 1950 no Rio de Janeiro buscavam reparação pela reconstituição do caso, em 2004, no programa 
“Linha Direta”, da TV Globo, sem a sua autorização. Após quatro sessões de debates, o julgamento foi 
concluído hoje, com a apresentação de mais cinco votos (ministra Cármen Lúcia e ministros Ricardo 
Lewandowski, Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Luiz Fux).
Solidariedade entre gerações
Ao votar pelo desprovimento do recurso, a ministra Cármen Lúcia afirmou que não há como extrair 
do sistema jurídico brasileiro, de forma genérica e plena, o esquecimento como direito fundamental 
limitador da liberdade de expressão “e, portanto, “como forma de coatar outros direitos à memória coletiva”. 
Cármen Lúcia fez referência ao direito à verdade histórica no âmbito do princípio da solidariedade entre 
gerações e considerou que não é possível, do ponto de vista jurídico, que uma geração negue à próxima 
o direito de saber a sua história. “Quem vai saber da escravidão, da violência contra mulher, contra índios, 
contra gays, senão pelo relato e pela exibição de exemplos específicos para comprovar a existência da 
agressão, da tortura e do feminicídio?”, refletiu.
Ponderação de valores
No voto em que acompanhou o relator, ministro Dias Toffoli, pelo desprovimento do RE, o ministro 
Ricardo Lewandowski afirmou que a liberdade de expressão é um direito de capital importância, ligado ao 
exercício das franquias democráticas. No seu entendimento, enquanto categoria, o direito ao esquecimento 
só pode ser apurado caso a caso, em uma ponderação de valores, de maneira a sopesar qual dos dois
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 direitos fundamentais (a liberdade de expressão ou os direitos de personalidade) deve ter prevalência. 
“A humanidade, ainda que queira suprimir o passado, ainda é obrigada a revivê-lo”, concluiu.
Exposição vexatória
Por outro lado, o ministro Gilmar Mendes votou pelo parcial provimento do RE, acompanhando a 
divergência apresentada pelo ministro Nunes Marques. Com fundamento nos direitos à intimidade e à 
vida privada, Mendes entendeu que a exposição humilhante ou vexatória de dados, da imagem e do nome 
de pessoas (autor e vítima) é indenizável, ainda que haja interesse público, histórico e social, devendo o 
tribunal de origem apreciar o pedido de indenização. O ministro concluiu que, na hipótese de conflito entre 
normas constitucionais de igual hierarquia, como no caso, é necessário examinar de forma pontual qual 
deles deve prevalecer para fins de direito de resposta e indenização, sem prejuízo de outros instrumentos 
a serem aprovados pelo Legislativo.
Ares democráticos
O ministro Marco Aurélio também seguiu o relator. A seu ver, o artigo 220 da Constituição Federal, 
que assegura a livre manifestação do pensamento, da criação, da expressão e da informação, está 
inserido em um capítulo que sinaliza a proteção de direitos. “Não cabe passar a borracha e partir para 
um verdadeiro obscurantismo e um retrocesso em termos de ares democráticos”, avaliou. Segundo o 
ministro, os veículos de comunicação têm o dever de retratar o ocorrido. Por essa razão, ele entendeu 
que decisões do juízo de origem e do órgão revisor não merecem censura, uma vez que a emissora não 
cometeu ato ilícito.
Fato notório e de domínio público
Para o presidente do STF, ministro Luiz Fux, é inegável que o direito ao esquecimento é uma decorrência 
lógica do princípio da dignidade da pessoa humana, e, quando há confronto entre valores constitucionais, 
é preciso eleger a prevalência de um deles. Para o ministro, o direito ao esquecimento pode ser aplicado. 
Mas, no caso dos autos, ele observou que os fatos são notórios e assumiram domínio público, tendo 
sido retratados não apenas no programa televisivo,mas em livros, revistas e jornais. Por esse motivo, 
ele acompanhou o relator pelo desprovimento do recurso.
Não participou do julgamento o ministro Luís Roberto Barroso, que declarou sua suspeição, por já ter 
atuado, quando era advogado, em outro processo da ré em situação parecida com a deste julgamento.
Tese – A tese de repercussão geral firmada no julgamento foi a seguinte:
“É incompatível com a Constituição Federal a ideia de um direito ao esquecimento, assim entendido 
como o poder de obstar, em razão da passagem do tempo, a divulgação de fatos ou dados verídicos e 
licitamente obtidos e publicados em meios de comunicação social – analógicos ou digitais. Eventuais 
excessos ou abusos no exercício da liberdade de expressão e de informação devem ser analisados 
caso a caso, a partir dos parâmetros constitucionais, especialmente os relativos à proteção da honra, 
da imagem, da privacidade e da personalidade em geral, e as expressas e específicas previsões legais 
nos âmbitos penal e civel”.
Publicada em: 11/02/2021
Fonte: https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=460414&ori=1
Caros alunos, ao chegarmos no final de mais uma aula, fica claro que o direito ao 
esquecimento é um tema que ainda precisará de muito debate até que se consiga 
https://portal.stf.jus.br/noticias/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=460414&ori=1
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equacionar a maneira correta de tratar as informações do passado com ética, respeito 
aos direitos de cada cidadão e compromisso de informar a sociedade. 
Importante também refletirmos que, sob o pretexto de direito ao esquecimento, não 
se exerça a censura sobre temas que precisam ser sempre lembrados e relembrados 
pela sociedade.
Com a mesma intensidade em que se levantam vozes a favor de um 
direito ao esquecimento, há aqueles que defendam que a busca pelo 
direito ao esquecimento dos usuários poderia levar a violações à 
liberdade de expressão [...] a privacidade tem sido utilizada atualmente 
para justificar a censura, notadamente pelo fato de ser mais elástica 
em comparação com outras medidas de proteção da reputação, visto 
que sua tutela é justificada mesmo quando o fato em questão não seja 
falso [...] não há como negar que certos episódios são insuscetíveis 
de serem esquecidos. São fatos que se prendem à própria essência 
de um povo ou um indivíduo, que marcaram de forma indelével sua 
história, que deve ser recontada para formação da identidade cultural 
do país (SCHREIBER, 2013, p,206)
Na próxima aula abordaremos o marco civil da internet, tema de extrema relevância 
não apenas para os meios de comunicação, mas também toda sociedade, e os 
jornalistas em especial, que lidam diariamente com a informação por meio da internet 
e suas ferramentas de interação. 
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AULA 14
MARCO CIVIL DA INTERNET
O jornalismo deve mostrar tanto aquilo que “humaniza” quanto aquilo 
que “desumaniza” o homem. Deve mostrar tanto a singularidade do 
movimento cotidiano dos indivíduos quanto os comportamentos 
particulares dos grupos e culturas e a conexão universal entre cada 
indivíduo e grupo com a totalidade social (KARAM, p,94)
Fonte: https://www.oficinadanet.com.br/imagens/post/12558/marco-civil-da-internet.jpg
A prática jornalística, a função do jornalismo na sociedade e o jornalismo como 
modelo de negócios vem passando por profundas mudanças nas últimas décadas, 
provocadas principalmente pela chegada das tecnologias digitais, que interferiram na 
maneira como as notícias são produzidas, publicadas e consumidas.
Novos canais de comunicação surgiram e surgem a todo momento e o jornalismo 
torna-se, a cada dia, mais e mais eletrônico e digital, consumido por meio de dispositivos 
como computadores, tablets e smartphones. 
Para o profissional do jornalismo, termos como webjornalismo, jornalismo on-line e 
convergência midiática são elementos de uma nova realidade, mediada pela tecnologia 
e que tem na Internet seu ponto de intersecção.
https://www.oficinadanet.com.br/imagens/post/12558/marco-civil-da-internet.jpg
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Cada vez mais as rotinas jornalísticas vão se encaminhando para a 
digitalização. Se, antigamente, o jornalista empunhava um bloco de 
anotações e uma caneta, passando por vários balcões de informação 
e lidando com uma inumerável lista de funcionários públicos e privados 
[...] o que trará destaque à profissão não é a quantidade de contatos 
que um jornalista possui, mas como ele é capaz de adquirir e processar 
dados que estão disponíveis a todo público (SANTOS, 2015, p,14)
Com esta nova realidade, torna-se fundamental para o jornalista conhecer as 
regras de funcionamento da Internet, tema central desta nossa aula, visando aplicar 
corretamente princípios e fundamentos do jornalismo, como a coleta, análise e utilização 
das informações na produção de notícias.
Nosso ponto de partida é o dia 23 de junho de 2014, data que entrou em vigor a 
Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014, que criou o Marco Civil da Internet, uma lei que 
estabelece os princípios, garantias, direitos e deveres para o uso da Internet no Brasil.
Na prática a lei delimita o que é legal ou não no uso da Internet, ao mesmo tempo 
que cria condições e garantias para que empresas e pessoas possam ter seus direitos 
resguardados e protegidos, podendo recorrer à justiça caso sintam-se violados em 
seus direitos.
De maneira geral, a Lei criou e estabeleceu, além de normas para a venda de 
pacotes de acesso a internet, princípios e regras de proteção dos dados pessoais e da 
privacidade dos usuários, reconhecendo o direito de todos os usuários à inviolabilidade 
dos seus registros na Internet e de suas comunicações, só acessíveis sem autorização 
mediante decisão judicial.
“Estamos debatendo a liberdade de acesso à informação, o direito 
à comunicação [...] A aprovação do Marco Civil está relacionada à 
democratização da comunicação, sem a qual não avançamos em 
direitos fundamentais. O Marco civil é uma carta de cidadania”, reforça 
o vice-diretor de Informação e Comunicação do Icict, Rodrigo Murtinho 
(https://www.icict.fiocruz.br/content/marco-civil-da-internet-congresso-
nacional-votar%C3%A1-projeto-de-lei-nas-pr%C3%B3ximas-semanas )
O artigo 3º do Marco Civil disciplina o uso da internet no Brasil e possui importantes 
princípios, sendo alguns fundamentais para o exercício do jornalismo nas redes: I – 
garantia da liberdade de expressão, comunicação e manifestação de pensamento, 
nos termos da Constituição Federal; II – proteção da privacidade; III – proteção dos 
dados pessoais, na forma da lei.
A Internet surgiu por volta dos anos 1960, nos Estados Unidos. Inicialmente era um 
sistema de Intranet, voltado apenas para a troca de informações entre instituições de 
governo e órgãos educacionais. Aos poucos a Intranet foi se abrindo para a sociedade 
como um todo e ai foi questão de tempo até se tornar fenômeno em todo mundo. 
https://www.icict.fiocruz.br/content/marco-civil-da-internet-congresso-nacional-votar%C3%A1-projeto-de-lei-nas-pr%C3%B3ximas-semanas
https://www.icict.fiocruz.br/content/marco-civil-da-internet-congresso-nacional-votar%C3%A1-projeto-de-lei-nas-pr%C3%B3ximas-semanas
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A origem da Internet remonta à década de 1960, quando o governo 
estadunidense formatou a Arpanet, rede de computadores montada pela 
Advanced Research Projects Agency (ARPA). De acordo com Manuel 
Castells, “a ARPA foi formada em 1958 pelo Departamento de Defesa 
dos Estados Unidos com a missão de mobilizar recursos de pesquisas, 
particularmente do mundo universitário, com o objetivo de alcançar 
superioridade tecnológica militar em relação à União Soviética na esteira 
do lançamento do primeiro Sputnikem 1957”.
Hoje, a Internet tem abrangência mundial, contando com bilhões de 
usuários em todo o mundo, de acordo com dados da Organização das 
Nações Unidas (ONU). A regulamentação jurídica da Internet enfrenta 
dois grandes obstáculos já de início: o seu caráter global e a sua estrutura 
não hierarquizada. (SCHREIBER, 2013, p,239)
ISTO ESTÁ NA REDE
No site da Câmara dos Deputados é possível pesquisar sobre a Lei 12.965, suas 
aplicações e interpretações:
Liberdade de expressão: Outro princípio garantido pela nova lei é a liberdade de expressão 
na internet. Agora, um provedor de aplicações de internet (como o Facebook ou o Google, por 
exemplo) só poderá ser responsabilizado por eventuais danos de conteúdos publicados por 
terceiros se, após ordem judicial específica, não tomar providências para tornar indisponível 
o conteúdo apontado como infringente. Hoje há decisões judiciais diferentes sobre a 
responsabilização do provedor no caso de conteúdos publicados por internautas, e vários 
provedores retiram conteúdos do ar a partir de simples notificações.
Na nova lei, a exceção fica por conta de conteúdo de nudez e sexo. Nesse caso, o provedor deve 
retirar o conteúdo a pedido da vítima. O provedor poderá ser punido caso não retire do ar “imagens, 
vídeos ou outros materiais contendo cenas de nudez ou de atos sexuais de caráter privado sem 
autorização de seus participantes quando, após o recebimento de notificação pelo ofendido ou seu 
representante legal”.
Privacidade: A “Constituição da internet” também traz como princípio a proteção da privacidade e 
dos dados pessoais do usuário. Os direitos do internauta, nesse sentido, incluem a inviolabilidade da 
intimidade e da vida privada; e a inviolabilidade e sigilo do fluxo de suas comunicações pela internet.
Os contratos de prestação de serviços deverão ter informações claras e completas sobre os o 
regime de proteção aos dados de navegação do usuário. Deverão estar destacadas das demais 
cláusulas contratuais as informações sobre coleta, uso, armazenamento e tratamento de dados 
pessoais, o que inclui a forma de compartilhamento desses dados com outras empresas. O usuário 
terá a possibilidade de exclusão definitiva de seus dados pessoais após o término dos contratos.
Pela lei, os provedores, mesmo que sediados no exterior, deverão seguir a legislação brasileira, 
incluindo o direito à privacidade e ao sigilo de dados.
Obrigações dos provedores: Segundo o texto, os provedores de conexão deverão guardar os 
registros de conexão do usuário (endereço IP, data e hora de início e término da conexão) pelo 
prazo de um ano. Já os provedores de aplicações e serviços deverão guardar, sob sigilo, os dados 
de navegação dos usuários pelo prazo de seis meses. O objetivo é ajudar em investigações policiais 
de crimes na rede. Esses dados só poderão ser fornecidos, porém, por autorização judicial.
Fonte:https://www.camara.leg.br/noticias/436873-marco-civil-da-internet-entra-em-vigor/
https://www.camara.leg.br/noticias/436873-marco-civil-da-internet-entra-em-vigor/
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14.1 Jornalistas e o Marco Civil da Internet
Em vários pontos o Marco Civil da Internet encontra ressonância no Código de Ética 
dos jornalistas, no que tange as garantias do livre exercício da profissão de jornalista 
e a prática do jornalismo. No Código de Ética dos jornalistas, ao tratar de acesso de 
dados públicos, encontramos, conforme SANTOS (2015, p, 6)
Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito 
fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum 
tipo de interesse, razão por que:
(...)
IV- a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo 
as não-governamentais, é uma obrigação social.
V- a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de 
censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser 
denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
Fonte: SANTOS (2015, p, 6)
14.1.1 quanto à prestação de informações pelas organizações públicas
Com relação ao Marco Civil da Internet, SANTOS (2015, p, 7), destaca dois importantes 
pontos da Lei que atuam em harmonia com o Código de Ética dos jornalistas e tratam 
sobre a prestação de informações por organizações públicas.
Art. 24. Constituem diretrizes para a atuação da União, dos Estados, do Distrito 
Federal e dos Municípios no desenvolvimento da internet no Brasil:
I-estabelecimento de mecanismos de governança multiparticipativa, transparente, 
colaborativa e democrática, com a participação do governo, do setor empresarial, da 
sociedade civil e da comunidade acadêmica;
(...)
III-promoção da racionalização e da interoperabilidade tecnológica dos serviços de 
governo eletrônico, entre os diferentes Poderes e âmbitos da Federação, para permitir 
o intercâmbio de informações e a celeridade de procedimentos;
IV-promoção da interoperabilidade entre sistemas e terminais diversos, inclusive 
entre os diferentes âmbitos federativos e diversos setores da sociedade;
V-adoção preferencial de tecnologias, padrões e formatos abertos e livres;
VI-publicidade e disseminação de dados e informações públicos, de forma aberta 
e estruturada;
(...)
X-prestação de serviços públicos de atendimento ao cidadão de forma integrada, 
eficiente, simplificada e por múltiplos canais de acesso, inclusive remotos. (grifo nosso)
Fonte: SANTOS (2015, p, 7)
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Segundo o autor, estão presentes na Lei do Marco Civil da Internet, notadamente 
no artigo citado, de número 24, em consonância com o inciso II do artigo 25 da 
referida lei, quando diz, “acessibilidade a todos os interessados, independentemente de 
suas capacidades físico-motoras, perceptivas, sensoriais, intelectuais, mentais, culturais e 
sociais, resguardados os aspectos de sigilo e restrições administrativas e legais”, garantias 
ao jornalista do livre exercício de sua profissão.
Ao proporcionar a centralização de informações por meio de um banco de dados, 
oferece condições, possibilidades e facilidades de acesso a informação para a produção 
de conteúdo jornalístico que precise utilizar dados variados. 
A centralização de informações passa a ser um requisito para a 
liberdade de ofício do jornalista porque este, sem a organização das 
informações oferecidas, se vê atolado com a quantidade de dados 
disponibilizados sem critério, em plena Sociedade de Rede (também 
denominada como Sociedade do Conhecimento, da Informação e 
outras nomenclaturas conforme a conjuntura) – na qual a informação 
adquire valor tangível e intangível que penetra os diferentes âmbitos 
sociais 
(...)
o uso da informação é a peça chave para que um cidadão possa se 
tornar um agente ativo (...) ao absorver e produzir novos conteúdos ele 
gera coletivos inteligentes que podem alimentar o ciclo informacional: 
informação – conhecimento – desenvolvimento – informação.
A interoperabilidade bem-aplicada possibilitaria, em tese, que, 
através de uma única consulta, o jornalista possa obter informações 
disponíveis em bancos de dados variados, desde a Receita Federal até 
Prefeituras e órgãos judiciários de todo o país (SANTOS, 2015, p, 8).
14.1.2 quanto à prestação de informações dos órgãos públicos
Falamos no tópico anterior sobre a prestação de informações pelas organizações 
públicas, onde encontramos no Código de Ética dos jornalistas parâmetros de 
congruência com o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965, de 23 de abril de 2014). 
Neste tópico, falaremos sobre a prestação de informações dos órgãos públicos, 
trazendo pontos da Lei de Acesso a Informação (Lei 12.527, de 18 de novembro de 
2011), conforme destaca SANTOS (2015, p, 9-10) no quadro a seguir, reiterando que 
“especificamente acerca de que dados devem ser disponibilizados e como eles deverão 
ser organizadospara sua divulgação na internet, gerando um manual completo para 
a transparência pública”:
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Art. 8º É dever dos órgãos e entidades públicas promover, independentemente de 
requerimentos, a divulgação em local de fácil acesso, no âmbito de suas competências, 
de informações de interesse coletivo ou geral por eles produzidas ou custodiadas.
§ 1º Na divulgação das informações a que se refere o caput, deverão constar, no 
mínimo:
I - registro das competências e estrutura organizacional, endereços e telefones das 
respectivas unidades e horários de atendimento ao público; 
II - registros de quaisquer repasses ou transferências de recursos financeiros;
III - registros das despesas; (...)
VI - respostas a perguntas mais frequentes da sociedade.
§ 2º Para cumprimento do disposto no caput, os órgãos e entidades públicas deverão 
utilizar todos os meios e instrumentos legítimos de que dispuserem, sendo obrigatória 
a divulgação em sítios oficiais da rede mundial de computadores (internet).
§ 3º Os sítios de que trata o § 2º deverão, na forma de regulamento, atender, entre 
outros, aos seguintes requisitos:
I - conter ferramenta de pesquisa de conteúdo que permita o acesso à informação 
de forma objetiva, transparente, clara e em linguagem de fácil compreensão;
II - possibilitar a gravação de relatórios em diversos formatos eletrônicos, inclusive 
abertos e não proprietários, tais como planilhas e texto, de modo a facilitar a análise 
das informações;
III - possibilitar o acesso automatizado por sistemas externos em formatos abertos, 
estruturados e legíveis por máquina;
IV - divulgar em detalhes os formatos utilizados para estruturação da informação;
V - garantir a autenticidade e a integridade das informações disponíveis para acesso;
VI - manter atualizadas as informações disponíveis para acesso;
VII - indicar local e instruções que permitam ao interessado comunicar- se, por via 
eletrônica ou telefônica, com o órgão ou entidade detentora do sítio; e
VIII - adotar as medidas necessárias para garantir a acessibilidade de conteúdo para 
pessoas com deficiência, nos termos do art. 17 da Lei no 10.098, de 19 de dezembro 
de 2000, e do art. 9o da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, 
aprovada pelo Decreto Legislativo no 186, de 9 de julho de 2008.
Fonte: SANTOS (2015, p, 9-10)
Por meio destas observações acerca da legislação, inferimos que existem inúmeras 
congruências entre o Marco Civil da Internet, criado por meio da Lei 12.965/2014 e 
leis que já vigoravam, como a Lei 12527/2011, de Acesso a Informação.
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É importante compreender que, no âmbito jurídico stricto sensu, o 
Marco Civil da Internet não traz nenhuma novidade jurídica – não há 
grandes transformações da realidade atual, nem para usuários comuns, 
que utilizam a internet para fins pessoais, ou para os procedimentos 
judiciais que já corriam desde antes da sua vigência. Porém, é necessário 
atentar-se às mudanças no meio jornalístico trazidas pela legislação 
em cena [...] a melhoria na qualidade do jornalismo em geral através do 
desenvolvimento de novas técnicas de apuração; e a segurança jurídica 
trazida tanto para conteúdos já publicados [...] como da proteção do 
sigilo virtual das fontes jornalísticas.
(...)
Se não inova no Direito, o Marco Civil traz profundas alterações 
na forma de se fazer (e discutir) jornalismo no país. Se antes o 
processamento de dados e a relação com computadores beirava o 
amadorismo, com a automação de procedimentos e informações 
[...] o jornalista se aproximará cada vez mais dos códigos de 
programação para interagir com os bancos de dados públicos, para 
extrair informações socialmente relevantes (SANTOS, 2015, p, 6-10).
ISTO ESTÁ NA REDE
Uma das leis mais importantes sobre o tema, a Lei de Acesso a Informação deve ser 
conhecida e consultada sempre por jornalistas e profissionais da imprensa. Em seu 
primeiro parágrafo apresenta sua relevância para o jornalismo e para a sociedade:
Art. 1º Esta Lei dispõe sobre os procedimentos a serem observados pela União, 
Estados, Distrito Federal e Municípios, com o fim de garantir o acesso a informações 
previsto no inciso XXXIII do art. 5º, no inciso II do § 3º do art. 37 e no § 2º do art. 216 
da Constituição Federal.
Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2011-2014/2011/Lei/L12527.htm
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14.2 Fundamentos essenciais à prática jornalística
Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2015/07/17/22/42/startup-849804_960_720.jpg
Mesmo tendo a Internet democratizado o acesso a informação, as práticas e 
conceitos essenciais ao trabalho jornalístico variam de acordo com as características 
sociais e ideológicas de cada país. Liberdade, credibilidade e objetividade são vistos 
de maneiras diferentes por governantes.
Em países onde os meios de comunicação são controlados pelo Estado, não se pode 
afirmar que exista uma imprensa totalmente independente e autônoma, na medida 
em que os governos podem controlar o que é divulgado por meio da Internet, e até o 
acesso a informação por parte dos profissionais de jornalismo.
Outro aspecto são os países considerados democráticos no acesso a informação, 
ou seja, o livre tráfego de informações, mas que enfrentam também, não podemos nos 
esquecer, as motivações políticas e financeiras dos próprios veículos de comunicação.
Por este motivo, novamente é imperativo que a Internet possua regras, normas e 
uma legislação específica que discipline seu funcionamento, sem deixar apenas nas 
mãos dos grupos de comunicação ou governantes, a função de filtrar as informações.
Somente uma imprensa com normas e regras editoriais transparentes, boas leis 
de utilização da internet e das tecnologias e profissionais comprometidos com suas 
https://cdn.pixabay.com/photo/2015/07/17/22/42/startup-849804_960_720.jpg
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funções perante a sociedade, podem fazer com que a notícia de fato chegue ao cidadão, 
que em contrapartida também pode participar das discussões e contribuir para o 
aprimoramento da democracia.
Não podemos esquecer que o jornalista é um mediador entre os fatos e 
acontecimentos e a sociedade, e no desempenho de suas funções, precisa seguir 
fundamentos e conceitos essenciais ao completo exercício da atividade jornalística.
14.2.1 ética jornalística na Internet
Com o advento da internet, houve também uma mudança na maneira de tratar a 
notícia, e principalmente a correção dos erros na imprensa. Em um jornal impresso, por 
exemplo, o erro permanece eternamente presente e a sociedade tem como descobrir 
e cobrar retratações e o estabelecimento da verdade na edição seguinte.
Nas mídias digitais o que acontece é que um erro pode ser facilmente apagado ou 
alterado, para que o jornalista traga novas versões e formas de interpretação sobre 
determinada notícia veiculada.
Desta forma, os compromissos éticos do jornalista e das empresas jornalísticas 
com a verdade dos fatos e a conduta ética profissional são levados a outro patamar, 
na medida em que um erro pode ser modificado eternamente sem que se admita a 
falha no processo de produção da notícia. 
Para que estas falhas e erros deixem de acontecer ou aconteçam cada vez menos, 
VIEIRA E CHRISTOFOLETTI (2014), nos lembram que o jornalista tem a sua disposição 
um código de ética, além de fundamentos, conceitos, normas e procedimentos a 
serem seguidos.
O erro jornalístico é um objeto de reflexão que se localiza na 
esquina da ética, com a técnica e a qualidade. Não é por acaso que 
muitos questionamentos sobre a conduta e a tomada de decisão 
dos profissionais venham à tona a partir dos equívocos: Por que é 
importanteconfirmar uma notícia antes de publicá-la? É correto que os 
veículos ressaltem seus erros de competência? É válido que um meio 
se desculpe pelo que escrevem seus colunistas? É ético disseminar 
informações, e, se for comprovado que são falsas, simplesmente 
retificá-las? É correto mostrar uma reportagem a uma fonte antes 
de sua publicação para corrigir imprecisões? O papel dos editores 
é somente evitar que erros sejam publicados? Por que jornalistas 
custam tanto a corrigir seus erros? (VIEIRA E CHRISTOFOLETTI, 
2014, p, 92)
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É inegável que o avanço tecnológico e a facilidade para se criar conteúdo por meio 
da Internet faz com que a conduta ética exigida do jornalista seja constantemente 
cobrada e colocada à prova.
Além disso, os limites do papel social do jornalismo e o compromisso do jornalista 
com a verdade dos fatos mostra cada dia mais, a grande diferença que existe em 
relação ao chamado “produtor de conteúdo”, pessoa que pelas facilidades de divulgação 
proporcionadas pela internet, publica suas informações sem respeitar os fundamentos 
básicos da profissão.
As novas tecnologias, ao mesmo tempo em que trouxeram debates atuais e inéditos 
sobre o jornalismo, jogaram luz sobre questões há tempos debatidas na sociedade e 
dentro do próprio jornalismo referentes a produção e divulgação de notícias por parte 
da Imprensa.
Neste sentido, nunca foi tão necessário a utilização de um dos fundamentos mais 
importantes e necessários ao correto exercício do jornalismo, que é a apuração dos 
fatos a serem publicados.
A apuração de dados passa a ter cada vez mais importância no 
trabalho jornalístico – conforme Pereira Jr (2006), a notícia é e 
sempre foi construída através de uma extensa verificação e procura 
de informações, as quais são selecionadas e organizadas visando 
gerar um sentido enquanto reduz-se incertezas, minimizando as 
contradições possivelmente existentes até que reste um relato 
confiável. (SANTOS, 2015, p,15)
Caros alunos, chegamos ao final desta aula, onde pudemos discutir um tema 
extremamente relevante para o trabalho ético e correto dos jornalistas, que foi o 
Marco Civil da Internet e seus desdobramentos.
Nossa próxima aula será a última desta disciplina e traremos, liberdade de expressão 
e discurso de ódio, um tema atual e necessário de ser discutido entre toda sociedade, 
principalmente profissionais da comunicação, como os jornalistas.
Uma linha muito tênue separa a liberdade de expressão, essencial para que exista 
a democracia e o discurso de ódio, uma realidade alicerçada na intolerância, falta de 
empatia e que usa a mesma liberdade de expressão como argumento para ataques 
e práticas violentas. Até mais!
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AULA 15
LIBERDADE DE EXPRESSÃO 
E DISCURSO DE ÓDIO
É possível esconder e alimentar em segredo outras paixões: a ira 
se mostra no rosto, e quanto maior é, de forma mais evidente ferve. 
(SÊNECA, 2020, p,26).
Fonte: https://pep.ifsp.edu.br/images/IMAGENS/2020/liberdade_de_expresso.jpeg
Em uma de suas obras mais conhecidas, Como Manter a Calma, escrita no ano 1 
depois de Cristo, o filósofo Sêneca trata sobre temas que na sociedade contemporânea, 
mediada pela tecnologia e pela internet, tornaram-se muito presentes, como o ódio, 
a raiva e a ira. O filósofo compara a loucos os que são tomados pela ira ou pelo ódio 
e encontra nos dois comportamentos, traços comuns, como no trecho a seguir:
https://pep.ifsp.edu.br/images/IMAGENS/2020/liberdade_de_expresso.jpeg
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Para que você perceba de outra forma que os que são tomados pela ira não são 
saudáveis, observe a própria aparência deles; pois assim como existem sintomas 
próprios dos loucos (o rosto afoito e ameaçador, a feição infeliz, a face selvagem, 
o passo agitado, as mãos inquietas, a cor alterada, a respiração excessiva e mais 
ofegante), os sinais dos que se enraivecem são os mesmos: os olhos inflamam e 
brilham, grande é o rubor por todo o rosto, por causa do sangue que ferve dentro do 
peito, os lábios tremem, os dentes se cerram, os cabelos se arrepiam e se levantam, 
a respiração é forte e chiada; o estalo dos dedos se retorcendo, os gemidos e os 
lamentos, e a fala interrompida por palavras poucos claras, e as mãos que o tempo 
todo se chocam, e os pés batendo no chão e o corpo agitado e lançando enormes 
ameaças de ira, e a face, feia de se ver e medonha, desfigurada e inchada. É difícil 
dizer se esse vício é mais detestável ou mais deformador.
Fonte: SÊNECA (org, ROMM, 2020, p, 26)
Após descrição tão detalhada sobre loucura e ódio, caminhamos mais de dois mil 
anos à frente e nos deparamos com o que diz o sociólogo Anthony GIDDENS (2015, 
p,311) sobre o que vem a ser conflito, reiterando que o conflito é “tão antigo quanto 
a sociedade humana e, embora hoje nós o consideremos como algo inaceitável e 
que deva ser evitado, em termos históricos mais abrangentes, conflitos e conquistas 
influenciaram o universo humano”.
Antes de entrarmos no tema central desta aula, “liberdade de expressão e discurso 
de ódio” Giddens nos apresenta a origem do conceito de discurso, que de maneira usual 
é definido como modo de falar e pensar sobre determinado assunto, unido geralmente 
por princípios comuns. O discurso tem como objetivo estruturar a compreensão e as 
ações das pessoas sobre determinados temas e assuntos. Diz o sociólogo.
O conceito de discurso tem origem na linguística (...) nesse contexto 
se refere à comunicação verbal ou escrita como a que se dá uma 
conversa realizada pessoalmente, debates públicos, salas de bate-
papo on-line, e assim por diante. Contudo, na década de 1950, o 
filósofo britânico J.L. Austin (1962) afirmou que as comunicações 
verbal e escrita não seriam apenas afirmações neutras e passivas, 
mas “atos do discurso”, que influenciariam ativamente o mundo que 
conhecemos (GIDDENS, 2015, p,8)
Quem também tratou sobre o discurso e certamente foi um dos mais influentes 
pensadores sobre o tema foi o filósofo francês Michel Foucault, que segundo GIDDENS 
(2015).
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Foucault relacionou o estudo da linguagem ao predominante interesse 
sociológico no poder e seus efeitos na sociedade. [...] o conceito de 
discurso de Foucault torna discurso e práticas discursivas centrais 
para o estudo do poder [... ] Foucault estudo a história da doença 
mental (loucura), o crime, os sistemas penais e as instituições 
médicas [...] segundo ele, conhecimento e poder são intimamente 
ligados e não opostos (GIDDENS, 2015, p,9).
Trazendo o debate para um campo mais amplo e atual, podemos falar sobre a 
cobertura dos conflitos e guerras feitos pela imprensa recentemente. Ao buscar explicar 
ou justificar as ações como as praticadas no oriente médio, trata todos os conflitos 
como “guerra ao terrorismo”, criando um discurso do “nós contra eles”, que é a base 
do chamado discurso do ódio.
Por outro lado, temos a liberdade de expressão, que se viabiliza por meio da 
democracia, um sistema que possibilita a participação dos cidadãos, de forma individual 
ou coletiva, nos processos de tomada de decisões políticas, seja de forma direta, na 
escolha dos representantes, seja diretamente, sem o intermédio dos agentes políticos.
Não é de hoje que a sociedade contemporânea, cada vez mais plural 
e impulsionada pelos apelos de liberdade, democracia e igualdade, 
depara-se com instigantes questões relacionadas ao exercício do 
direito fundamental de liberdade de expressão. Em relação à sociedade 
brasileira, talvez em razão das enormes dificuldades verificadas em 
um passado recente de ditadura – em que nada poderia ser dito 
de forma impune e expor ideias tinha um custo muito alto – e da 
crescente troca de informações proporcionadapela ampla divulgação 
de temas e notícias pelo mundo (em suas mais variadas acepções e 
culturas), o debate em torno da liberdade de expressão e legitimidade 
de seu exercício esteja assumindo contornos mais profundos.
Não se contraria a máxima de que a liberdade de expressão 
apresenta-se como pilar do Estado Democrático de Direito e, como 
tal, merecedora de tutela firme e específica como o fez a Constituição 
da República de 1988 no Brasil. E tal como a liberdade de expressão, 
outros valores e princípios igualmente essenciais ao estabelecimento 
de um Estado Brasileiro Democrático também receberam destaque 
no texto constitucional (SCHREIBER, 2013, p, 282).
A partir destes entendimentos, buscaremos estabelecer parâmetros para identificar 
até que ponto vai o pêndulo da liberdade de expressão e á partir de qual limite este 
direito dá lugar a um discurso que fere os princípios de dignidade da pessoa humana 
e torna-se um discurso de ódio.
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JORNALISMO
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15.1 Liberdade de Expressão
Fonte: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR1SpGvT5rBvR6F_M32OK57HVYQtVyVeUh6fyNVr_6vvOkTVyURcXq4g7A3n9a9nBxb5w&usqp
=CAU
Quando tratamos sobre liberdade, torna-se fundamental recorrer a Constituição 
Federal, garantidora dos direitos fundamentais de todos os brasileiros, ou seja, a 
liberdade de maneira individual ou coletiva. No artigo 5º, como vemos abaixo, são 
considerados invioláveis os direitos: “à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e 
à propriedade”. 
Quando falamos sobre liberdade de expressão, a Constituição garante livre 
manifestação de pensamento e expressão da atividade intelectual, artística, científica 
e de comunicação. 
A atual Constituição do Brasil é de 1988, após o país ter enfrentando 21 anos de 
ditadura militar (1964-1985), e por este motivo apresenta inúmeros artigos tratando 
sobre as liberdades:
Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer 
natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes 
no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à 
segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo 
assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na 
forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e 
de comunicação, independentemente de censura ou licença;”
Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a 
informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão 
qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º – Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço 
à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de 
comunicação social, observado o disposto no art. 5o, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º – É vedada toda e qualquer censura de natureza política, 
ideológica e artística.” (http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/
constituicao/constituicao.htm)
https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR1SpGvT5rBvR6F_M32OK57HVYQtVyVeUh6fyNVr_6vvOkTVyURcXq4g7A3n9a9nBxb5w&usqp=CAU
https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR1SpGvT5rBvR6F_M32OK57HVYQtVyVeUh6fyNVr_6vvOkTVyURcXq4g7A3n9a9nBxb5w&usqp=CAU
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
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JORNALISMO
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Quando falamos sobre Liberdade de Imprensa, estamos falando sobre os direitos 
relativos à informação e ao jornalismo. Segundo a Constituição de 1988:
a) Garantia do direito de resposta, que deve ser proporciona ao dano que alguém 
tenha sofrido, podendo ainda estarem sujeitos os infratores ao pagamento de 
indenizações, seja por dano moral, material ou dano à imagem;
b) É proibido qualquer tipo de censura, seja de natureza artística, ideológica ou 
política;
c) Nenhuma lei poderá se sobrepor a plena e completa liberdade de informação 
jornalística.
Para as empresas que atuam com jornalismo, os direitos são equivalentes ao direito 
que garante liberdade à artistas, por exemplo, de maneira ampla e irrestrita. Claro que 
respeitando determinados preceitos, também constitucionais.
Em sua função essencial de informar, o jornalismo deve atender de maneira plena a 
sociedade, informando, denunciando e reportando fatos e acontecimentos de interesse 
da população, tornando-se, portanto, uma conquista de todos os brasileiros.
Importante estes esclarecimentos, para que não se confunda liberdade de imprensa 
com liberdade de expressão, pois são de naturezas distintas. Enquanto a liberdade de 
expressão estabelece que qualquer cidadão pode se manifestar livremente, a liberdade 
de imprensa assegura o livre exercício do jornalismo e da profissão de jornalista. 
ANOTE ISTO
“A imprensa é a vista da nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa 
ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam 
e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alvejam, ou 
nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se 
acautela do que a ameaça. (…) Um país de imprensa degenerada ou degenerescente 
é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de ideias falsas e 
sentimentos pervertidos, um país que, explorado na sua consciência, não poderá 
lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições.” – Rui Barbosa
Fonte:http://www.observatoriodaimprensa.com.br/armazem-literario/a-imprensa-eacute-a-vista-da-naccedilatildeo/
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/armazem-literario/a-imprensa-eacute-a-vista-da-naccedilatildeo/
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15.2 Discurso de Ódio
fonte:https://diariodorio.com/wp-content/uploads/2019/05/20190508_162305.jpg
Existem inúmeras definições sobre o que é discurso de ódio. Todas possuem 
semelhanças, mesmo quando tratam de temas extremamente opostos. O problema 
segundo especialistas, está na conduta, na forma de se manifestar por meio do discurso 
e não o tema do discurso em si.
Discurso de ódio são ideias que estimulam algum tipo de discriminação social, 
religiosa ou racial em determinados grupos, geralmente minorias. Pode também ser 
caraterizado por manifestações de intolerância ou ódio contra grupos específicos, 
motivados por preconceito, como deficientes, imigrantes, etnias, regiões do país, grupos 
LGBTQI+.
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Discurso de ódio x liberdade de expressão
[...] o discurso de ódio se configura como crime e atenta às garantias e direitos 
fundamentais de todo cidadão. Entretanto, o principal debate que surge ao falarmos 
dessa prática é a diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão. Isso 
porque, muitos alegam que a liberdade de expressão lhes dá direito de se expressarem 
da maneira que melhor lhe convém sobre todo e qualquer tema. 
O direito à liberdade de expressão é garantido pelo inciso IX do Artigo 5º da Constituição, 
ou seja, uma garantia constitucional. Isso, por sua vez, não significa que ela seja uma 
garantia absoluta, afinal, ela também precisa respeitar outras garantias constitucionais, 
como o direito à intimidade, por exemplo.
Na prática isso significa que você tem a liberdade de expressar suas crenças e 
opiniões, desde que elas não firam outras leis e garantias. Ou seja, ter falas racistas, 
homofóbicas e similares, utilizando do argumento de liberdade de expressão, além 
de ser um ato nada empático e respeitoso, é configurado como crime, por ferir vários 
direitos fundamentais assegurados em nossa atual Constituição.
Fonte: https://www.politize.com.br/discurso-de-odio-o-que-e/
15.2.1 discurso deódio na internet
Para o professor de História Leandro Karnal, em seu livro Todos Contra Todos – o 
ódio nosso de cada dia, a internet surgiu para facilitar a vida de quem odeia. Karnal 
dedica um capítulo do livro para tratar sobre o tema. 
O pesquisador admite que sempre houve a violência e a barbárie na sociedade, mas 
a globalização, aliada ao surgimento da internet e das redes sociais, potencializou e 
facilitou a disseminação do ódio, ao afirmar que “há cem anos, se eu fosse um racista, 
precisaria expressar meu racismo num livro [...] eu teria de escrevê-lo durante meses 
[...], achar um editor e vende-lo [...] Hoje eu faço um post, e com enter, atinjo mais 
gente do que um livro clássico atingiria” (KARNAL, 2017 p, 108).
A internet não criou os idiotas, mas o ataque anônimo nas redes, sem 
o custo do ataque pessoal, deu ao ódio do covarde uma energia muito 
grande. Deu-lhe a proteção da distância física e do anonimato. O pior do 
ódio social, que é universal, agora pode ser dirigido sem custos.
(...)
Junte a proteção do anonimato e da distância, o senso de identidade do 
ódio e acrescente um terceiro elemento importante: posso a todo instante 
dialogar com todos. Isso me empodera [...] repassam mensagens com 
informações falsas no seu WhatsApp. Essa informação falsa e repetida 
sucessivas vezes concentra tanto ódio que aqueles que se opõem é 
que obviamente são considerados mentirosos (KARNAL, 2017, p,110).
https://www.politize.com.br/discurso-de-odio-o-que-e/
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Na aula anterior falamos detalhadamente sobre a Lei que criou o Marco Civil da 
Internet, um grande avanço para a sociedade e o jornalismo como um todo, pois 
disciplinou como se utilizam os dados disponíveis na Internet e as punições e 
penalidades para quem infringe a legislação. 
No quadro abaixo trazemos uma interessante pesquisa sobre discurso de ódio nas 
redes sociais e como o Marco Civil da Internet já está ajudando a organizar o uso de 
dados e as publicações.
Discurso de ódio na internet
A internet, assim como qualquer outro espaço ou ferramenta, pode ser usada para 
exponenciar boas e más ações. Por se tratar de um espaço imenso, muitas pessoas 
acreditam que a internet é “terra sem lei”, ou seja, que é permitido agir da maneira 
que lhes convém, sem lidar com as consequências. Por isso ainda é comum vermos 
comentários intolerantes nas redes sociais.
Uma pesquisa feita por economistas doutorandos da Universidade de Warwick, na 
Inglaterra, trouxe dados relevantes sobre a relação entre discurso de ódio e o uso do 
Facebook. O estudo publicado em 2018 teve como alvo cidades alemãs que se teve 
registro de ataques violentos a refugiados e concluiu que nas cidades em que as 
pessoas eram mais ativas no Facebook, maior foi o número de ataques. Você pode 
saber mais sobre a pesquisa aqui.
Ainda não existe uma lei específica que trate sobre discurso de ódio na rede mundial 
de computadores, entretanto, o Marco Civil da Internet (Lei nº 12.965/2014) é a 
principal fonte a ser utilizada nesta questão. Segundo ele,
“A disciplina do uso da internet no Brasil tem como fundamento o respeito à liberdade 
de expressão, bem como:
[…]
II – os direitos humanos, o desenvolvimento da personalidade e o exercício da 
cidadania em meios digitais;
III – a pluralidade e a diversidade;”
Além disso, as próprias redes sociais contam com mecanismos reguladores de 
conteúdos sensíveis, que devem ser acionados pelos usuários quando os mesmos 
se depararem com alguma publicação de teor intolerante e desrespeitoso. Dessa 
maneira, por mais que não exista uma lei específica, não quer dizer que uma pessoa 
que cometa crime de ódio na internet possa sair impune.
Fonte: https://www.politize.com.br/discurso-de-odio-o-que-e/
https://www.politize.com.br/discurso-de-odio-o-que-e/
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Cético também com relação a possibilidade das redes sociais tornarem-se locais 
de tolerância ou entendimento, o professor KARNAL (p, 112) diz que “o problema do 
Facebook, como de qualquer outra rede social, é que ele fez as pessoas se tornarem 
obrigatoriamente épicas, bonitas e com vidas interessantes. Ao contrário de épocas 
remotas, hoje dói ser alguém comum ou levar uma vida opaca”. 
KARNAL (2017) utiliza as falas de um personagem de romance para enfatizar que, 
mantendo o comportamento perante as redes sociais tal e qual este personagem, as 
chances de despertar a ira e o ódio tornam-se menores. Os conselhos servem não 
apenas aos internautas, mas a todos de maneira geral.
1. Não expressar tudo que pensa;
2. Ser amistoso, mas nunca ser vulgar;
3. Valorizar amigos testados, mas não oferecer amizade a cada um que aparecer 
na sua frente;
4. Evitar qualquer briga, mas se for obrigado a entrar numa, que seus inimigos o 
temam;
5. Ouvir a todos, mas falar com poucos;
6. Usar roupas de acordo com a sua renda, sem nunca ser extravagante;
7. Não emprestar dinheiro a amigos, para não perder amigos e dinheiro;
8. Por fim, ser fiel a ti mesmo, e jamais ser falso com ninguém. (KARNAL, 2017, 
p, 115).
15.2.2 discurso de ódio e a mídia
Como tratamos em aulas anteriores, o trabalho da imprensa o Brasil é livre e não 
sofre restrições governamentais ou censura prévia, mas é preciso que os limites 
estabelecidos sobre o que configura informação, liberdade de expressão e discurso 
de ódio sejam respeitados, sob pena de retratação ou punição no caso de crimes 
serem cometidos. 
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cautelas que devem ser adotadas para evitar que declarações 
mais inflamadas acabem gerando aos instrumentos de imprensa 
responsabilidades de ordem civil [...] Analisada a questão sob o ponto 
de vista dos veículos de comunicação e imprensa, a liberdade de 
expressão assume contornos por demais relevantes, voltados à 
aferição da própria função comunicadora da mídia e de realização 
constitucional da garantia instrumental à informação [...] Os veículos 
de comunicação, portanto, são elementos essenciais à Democracia e, 
por isso, tal como prevê o artigo 220 da Constituição Federal, não são 
passíveis de qualquer tipo de censura, seja de natureza política, ideoló 
gica e/ou artística [...] todavia, tal extensão dos limites inerentes ao 
regular exercício da liberdade de expressão dos órgãos de imprensa, 
de forma alguma, chancela a veiculação de matérias de conteúdo 
de ódio, incitação de violência, preconceito ou marginalização de 
pessoas ou grupos [...] Em outras palavras, a amplitude do caráter 
incensurável e independente da imprensa não alberga a veiculação 
de discursos de ódio.
Dessa forma, nota-se que os abusos da mídia também não serão, 
via de regra, tolerados, não se permitindo que esta divulgue matérias 
de cunho preconceituoso ou mesmo de incitação à violência [...] a 
imprensa também é instrumento de realização do valor dignidade da 
pessoa humana e, por isso, deve, diante de manifestações radicais de 
opinião e expressão, evitar as publicações ou declarações públicas – 
sejam da minoria contra a maioria e/ou vice-versa –, impedindo sua 
indevida utilização enquanto força pública de desordem.
[...]Democracia sem imprensa não é democracia. Imprensa sem 
legitimidade não é imprensa. (SCHREIBER, 2013, p, 300-303)
Caros alunos, ao chegarmos ao final desta aula e também da nossa disciplina, 
esperamos ter atingido os objetivos propostos, no que se refere a tratarmos sobre 
Fundamentos do Jornalismo.
Abordamos tópicos essenciais para o entendimento sobre o fazer jornalístico, código 
de ética e legislação que regem o comportamento correto, adequado e comprometido 
dos jornalistas para com a sociedade.
Agradecemos sua companhia até aqui e lembramos que esta disciplina, em 
consonância com as demais ofertadas no decorrer do curso contribuem para a 
formação de um profissional dotado de senso crítico e capacidadede discernimento 
para transformar em notícia os anseios da sociedade brasileira.
Bons estudos!
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ISTO ACONTECE NA PRÁTICA
Lançada em 2020, esta cartilha tornou-se um importante instrumento de 
orientação. Vale muito conhecer e entender um pouco mais sobre as diferenças e 
limites entre liberdade de expressão x discurso de ódio.
Fonte:http://cepia.org.br/wp-content/uploads/2020/07/CARTILHA-DE-ORIENTA%C3%87%C3%83O-PARA-V%C3%8DTIMAS-DE-DISCURSO-DE-
%C3%93DIO-1.pdf
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JORNALISMO
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https://www.dicio.com.br/
https://josemilagre.jusbrasil.com.br/artigos/136366559/direitos-de-transmissao-e-retransmissao-de-eventos-esportivos
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http://www.intercom.org.br/papers/regionais/sul2008/resumos/R10-0372-1.pdf
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JORNALISMO
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https://www.politize.com.br/tag/liberdade-de-expressao/?https://www.politize.com.br/&gclid=Cj0KCQiAgP6PBhDmARIsAPWMq6m8RVo22myIxUuHznoPQgUUiBaj2wrP6LkzSmRkgrF74ntkKCDVdwYaAqdSEALw_wcB
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FUNDAMENTOS DO 
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em quatro portais noticiosos de referência. Verso e Reverso, XXVIII (68): 90-100, maio-
agosto 2014 - © 2014 by Unisinos – doi: 10.4013/ver.2014.28.68.04 ISSN 1806-6925. 
Disponível em: http://www.revistas.unisinos.br/index.php/versoereverso/article/view/ver.2014.28.68.04 . Acesso em Fevereiro de 2022.
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Telejornalismo. São Paulo - SP. Editora Insular. 2005
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https://redib.org/Record/oai_articulo1720394-a-celebra%C3%A7%C3%A3o-da-pr%C3%A1tica-e-da-teoria-do-fazer-jornal%C3%ADstico-%E2%80%93-zero-hora-45-anos
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