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Provas
Estudo do instituto das provas no Direito Processual do Trabalho.
Prof. Marcos Dias de Castro
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer e dominar todos os aspectos que envolvem a prova no Direito Processual do Trabalho é aspecto
essencial para o desenvolvimento de todos os profissionais que atuam na Justiça do Trabalho. É preciso que
os operadores do Direito conheçam as questões técnicas que envolvem este instituto crucial para um bom
desempenho profissional e vitória nas lides trabalhistas.
Preparação
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos uma versão atualizada do Código de Processo Civil (CPC) e da
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Objetivos
Reconhecer o objeto e o ônus da prova nas demandas trabalhistas.
Analisar o procedimento da produção antecipada de provas e sua aplicabilidade na Justiça do
Trabalho.
Identificar as principais questões sobre os meios de prova no Direito Processual do Trabalho.
Introdução
Saber o que é necessário provar e quem tem o ônus de provar são circunstâncias que não podem ser
desprezadas quem milita na Justiça do Trabalho. Como compreender o disposto no artigo 818 da CLT? Em
que casos já se aplicava a possibilidade de inversão do ônus da prova, antes da Lei nº 13.467 de 2017? Serão
questões abordadas neste conteúdo. 
O instituto da produção antecipada de provas também merece atenção especial, já que, malgrado sua
previsão estar inserida no Código de Processo Civil, sua aplicabilidade na seara trabalhista é inquestionável.
Serão abordados, ainda, meios de prova aplicáveis à Justiça do Trabalho, em especial o depoimento das
partes, as provas documental, testemunhal e pericial, além da inspeção judicial. 
Todos os temas são essenciais para um trabalho de excelência na área trabalhista. Vamos saber mais sobre
eles? 
• 
• 
• 
1. Objeto e ônus da prova
Conceito de prova
A palavra prova é originária do latim probatio, que emana do verbo probare, significando examinar, persuadir e
demonstrar. De nada adianta à parte ser efetivamente detentora do direito material se não conseguir
demonstrá-lo em juízo, persuadindo o magistrado quanto à sua existência.
Pode-se conceituar a prova como todos os meios considerados idôneos pela lei para demonstrar a existência
ou não de um fato jurídico. Ou, de uma forma mais genérica, pode-se conceituar a prova como o conjunto de
informações que o magistrado tem para resolver o conflito de interesses que lhe é submetido. Há, pois, uma
concepção nos sentidos:
Objetivo
Da prova relacionada à atividade de provar ou
aos meios com que tal atividade se desenvolve.
Subjetivo
Diz respeito ao resultado que tal atividade
produz no espírito do juiz, que então, reputa
comprovada ou não, determinada alegação da
parte.
Torna-se importante frisar que a finalidade da prova é, num primeiro plano, a formação da convicção do órgão
julgador. Trata-se de questão intuitiva de que o primeiro e fundamental destinatário da prova é o julgador,
conforme dispõe o artigo 369 do CPC, que destaca a prova como meio que se destina a influir eficazmente na
convicção do juiz. 
Ressalte-se, contudo, que a concepção moderna de processo, mormente diante do disposto no artigo 6º do
CPC, sustenta que todos os sujeitos processuais, parciais ou imparciais, são destinatários da prova. De forma
mediata ou indireta, pode-se firmar que todos aqueles que possam basear seu comportamento em sociedade
com base no que será decidido, também são destinatários da prova. Ainda mais no atual sistema de
precedentes trazido a lume pelo CPC de 2015, em que os resultados vinculam judicial e extrajudicialmente não
apenas os que participam do processo.
Objeto da prova
Prova-se o que é necessário provar segundo o
princípio da necessidade da prova. Alegações
das partes em juízos não são suficientes, como
regra, para demonstrar a verdade ou não de
determinado fato. É necessário que a parte faça
a prova de suas alegações em juízo, pois fatos
não provados são tidos por inexistentes no
processo.
Contudo, torna-se necessário observar que
nem todos os fatos devem ser comprovados,
somente aqueles que se relacionam com a lide,
ou ainda, que sejam relevantes para a solução da demanda. Em síntese, os fatos que merecem comprovação
são aqueles:
Pertinentes à causa
Relacionam-se diretamente com a
litiscontestação.
Controversos
São objeto de resistência pela outra parte
quanto à sua efetiva existência.
Inverossímeis
Sua existência escapa ao juízo comum do
“homem médio”.
Contudo, alguns casos merecem análise mais detalhada.
Fatos que independem de prova
É o CPC que, no artigo 374, elenca os fatos que não dependem de prova. Citamos os fatos notórios, os fatos
afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária (fatos confessados), os fatos admitidos no
processo (fatos incontroversos) e os fatos que têm em seu favor uma presunção legal de existência ou
veracidade (fatos presumidos). 
Quanto aos fatos notórios, são aqueles inerentes à cultura mediana em determinada sociedade, considerando
o momento de resolução do conflito.
Exemplo
A morte de um pai, empregado de uma empresa, decorrente de acidente de trabalho por culpa do
empregador. É evidente que o filho ao ajuizar a demanda não precisa comprovar o dano moral, neste
caso, in re ipsa. Outro caso é o uso indevido da imagem do trabalhador, sem sua autorização expressa. 
No que diz respeito aos fatos que são objeto de confissão, cabe duas ressalvas. Os casos de confissão ficta,
de natureza relativa, admitem prova em contrário. É o que ocorre no caso do preposto que revela
desconhecimento dos fatos da lide, nos termos do §1º do artigo 843 da CLT ou o caso previsto na Súmula 74,
item I e III do TST (referente à confissão por ausência à audiência de instrução, apesar da intimação). Por
igual, mesmo uma confissão real, de natureza absoluta, quando presente conluio entre as partes, o
magistrado pode valer-se de seu poder-dever de buscar a verdade real. 
Essa última ressalva também cabe no que diz respeito aos fatos incontroversos, bem como àqueles
que estão cobertos por alguma presunção, tanto a relativa (juris tantum) quanto a absoluta (jure et
de jure). 
Mais uma vez, presunções relativas, tanto legais quanto jurisprudenciais (como aquelas previstas nas Súmulas
12, 16, 43, 212 e 443 do TST), também admitem prova em sentido contrário, sendo certo que o inciso IV do
artigo 374 do CPC diz respeito às presunções legais absolutas. 
Por fim, uma palavra sobre as “máximas de experiência”, instituto de uso comum por magistrados trabalhistas
na resolução das demandas que lhes são submetidos. Estamos falando de conhecimentos adquiridos pelo
juiz, tanto por sua cultura pessoal quanto pelo exercício funcional, que o faz presumir a existência de
determinadas situações ou coisas.
Exemplo
Vamos pensar no labor extraordinário no ramo do comércio na época das festas de fim de ano: é comum
que vendedores trabalhem mais, visando à época propícia para maiores ganhos. O juiz pode presumir a
existência de fatos que as regras de experiência comum ou técnica, derivadas de seu exercício funcional
ou da observação do cotidiano da vida, lhe pareçam razoáveis. Há autorização no artigo 375 do CPC e
no artigo 852-D da CLT. 
Contudo, tem-se presunção relativa, que admite prova em sentido contrário, não se enquadrando
especificamente nas regras do artigo 374 do CPC.
Prova do Direito e instrumentos normativos
Sendo o Direito material e Processual do Trabalho ramos jurídicos que cabem à União Federal legislar, nos
termos do artigo 22, inciso I da Constituição, será bastante incomum a necessidade de prova de Direito
estadual ou municipal. Em regra, o juiz não necessita da comprovação, já que iura novit curia, sendo obrigação
do magistrado o conhecimento das regras jurídicas que lhe cabe aplicar aos casos concretos.
Contudo, a regra prevista no artigo 376 do CPC, permite ao
juiz determinar a comprovação dos costumes específicos
de determinadas categorias profissionais ou econômicas,
bem como direito municipal ou estadual que eventualmenteEste entendimento é reforçado pela jurisprudência consolidada na Súmula 331 do
TST, especialmente nos casos em que se discute a responsabilidade subsidiária do ente público. Assim, o
município tem o ônus de demonstrar que cumpriu seu dever de fiscalização, não havendo a presunção
automática de culpa.
Para saber mais sobre esse conteúdo, acesse:
Módulo 1: Objeto e ônus da prova
Teoria estática do ônus da prova
“Exemplos paradigmáticos de aplicação da teoria estática encontram-se
expressos nas Súmulas 460 e 461 do TST. Ela deixa claro que, quando uma
empresa reclamada nega a inexistência de diferenças de FGTS, está, em última
análise, alegando fato extintivo do direito do autor, qual seja, o efetivo
recolhimento de todos os depósitos. A primeira, por sua vez, demonstra que,
quando a empresa nega o direito ao vale transporte, atrai para si o ônus da prova,
pois, em verdade, está alegando fato impeditivo, qual seja, a ausência dos
requisitos indispensáveis para a concessão do benefício.”
Desafio 2
Considerando o entendimento do STF sobre a responsabilidade subsidiária da administração pública em
casos de inadimplência trabalhista pela empresa terceirizada, assinale a alternativa correta.
A O ente público responde automaticamente pelos débitos trabalhistas da empresa terceirizada, de
acordo com o princípio da proteção ao trabalhador. 
B A administração pública só é responsável subsidiariamente se houver prova de sua omissão na
fiscalização das obrigações trabalhistas. 
C A responsabilidade subsidiária da administração pública ocorre somente se houver contrato firmado
diretamente entre o trabalhador e o ente público. 
D A responsabilidade subsidiária da administração pública está proibida pela Constituição Federal de
1988. 
E A fiscalização pelo ente público não interfere na sua responsabilidade subsidiária, pois esta é
presumida.
A alternativa B está correta.
O STF, no julgamento do Tema de Repercussão Geral nº 246 (RE 760.931), firmou entendimento de que a
administração pública só é responsável subsidiariamente se houver prova de que ela foi omissa no dever de
fiscalizar o cumprimento das obrigações trabalhistas pela empresa terceirizada. Este entendimento reflete
a necessidade de comprovação da culpa in vigilando para que o ente público responda por dívidas
trabalhistas da prestadora de serviços.
Para saber mais sobre esse conteúdo, acesse:
Módulo 1: Objeto e ônus da prova
Ônus da prova na Justiça do Trabalho
“O ônus da prova é o encargo (ou dever processual) que incumbe às partes, que descumprido, gera para a
parte recalcitrante uma situação jurídica de desvantagem. Há quem divida o instituto em:
Ônus da prova objetivo
Refere-se às regras de julgamento dirigidas ao julgador, a fim de orientá-lo na decisão na situação de
“insuficiência” ou “inexistência” de provas.
Ônus da prova subjetivo
Refere-se às regras dirigidas às partes, que disciplinam quais fatos e em que circunstâncias lhes incumbem
o encargo probatório.”
5. Conclusão
Considerações finais
Tivemos a oportunidade de estudar aspectos muito importantes da prova do Processo do Trabalho. As
questões que envolvem o ônus da prova, o procedimento de produção antecipada da prova e os meios de
prova são essenciais para todos que militam na seara laboral.
Institutos de vital importância foram objeto de estudo, de modo a propiciar que o conhecimento dos
instrumentos de prova e dos institutos, que informam a fase probatória na Justiça do Trabalho, habilite todos
aqueles que querem atuar na consecução dos direitos fundamentais dos trabalhadores e na pacificação social
dos conflitos entre capital e trabalho. 
Podcast
Ouça agora o objeto e o ônus da prova no Processo do Trabalho.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
 
Leia o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.347.423-SP (Processo
2012/0208257-5). Relator: Ministro Luis Felipe Salomão. Julgamento em 20 de março de 2017.
 
Assista ao julgamento da ADI 5766, pelo Plenário do STF em outubro de 2021, sobre regras relacionadas à
Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467 de 2017) no canal do STF no YouTube.
Referências
ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador: Juspodivm, 2019.
 
BATALHA, W.de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho. v. I e II. São Paulo: LTr, 1995.
 
BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador: Juspodivm, 2022.
 
CAIRO Jr., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador: Juspodivm. 2019.
 
DIDIER JR., F.; BRAGA, P. S.; OLIVEIRA, R. A. de. Curso de Direito Processual Civil. v. 2. 11. ed. Salvador:
Juspodivm, 2016.
 
RODRIGUES PINTO, J. A. Processo Trabalhista de Conhecimento. São Paulo: LTr, 1991.
 
SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São Paulo: LTr, 2022.
 
SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado. v. 9. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
 
THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. v. 1. 56. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2015.
 
YARSHELL, F. L. Breves comentários ao novo código de processo civil (Coords. Teresa Arruda Alvim Wambier
[et al.]). 3. ed. rev. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
	Provas
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Objeto e ônus da prova
	Conceito de prova
	Objetivo
	Subjetivo
	Objeto da prova
	Pertinentes à causa
	Controversos
	Inverossímeis
	Fatos que independem de prova
	Exemplo
	Exemplo
	Prova do Direito e instrumentos normativos
	Ônus da prova na Justiça do Trabalho
	Ônus da prova e teorias relacionadas
	Conteúdo interativo
	Ônus da prova objetivo
	Ônus da prova subjetivo
	Regra geral
	Regra de distribuição dinâmica ou flexível
	Regra de distribuição convencional
	Teoria estática do ônus da prova
	Exemplo
	Teoria dinâmica do ônus da prova
	Vem que eu te explico!
	Fatos que independem de prova
	Conteúdo interativo
	Prova do direito e instrumentos normativos
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	2. Produção antecipada de prova
	Conceito e natureza jurídica
	Comentário
	Interesse de agir
	Exemplo
	Cabimento para prova documental
	Atenção
	Procedimento
	Procedimento da produção antecipada de provas
	Conteúdo interativo
	Competência
	Fase postulatória
	Exemplo
	Coisa julgada e consequências para ação principal
	Relembrando
	Vem que eu te explico!
	Interesse de agir
	Conteúdo interativo
	Cabimento para prova documental
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	3. Meios de prova
	Depoimento das partes
	Depoimento pessoal e prova testemunhal
	Conteúdo interativo
	Depoimento das partes
	Atenção
	Prova testemunhal
	Classificação da prova testemunhal
	Testemunhas numerárias
	Testemunhas referidas
	Testemunhas instrumentárias
	Exemplo
	Inadmissibilidade e limitações da prova testemunhal
	Prova documental
	435 do CPC
	1.014 do CPC e Súmula 8 do TST
	438 do CPC
	396 do CPC
	Prova pericial
	O exame
	A vistoria
	A avaliação
	Judicial
	Extrajudicial
	Cautelar
	Vem que eu te explico!
	Prova documental
	Conteúdo interativo
	Prova pericial
	Conteúdo interativo
	Verificando o aprendizado
	4. Praticando
	Responsabilidade Subsidiária da Administração Pública em Contratos de Terceirização
	Fundamentação Jurídica
	Constituição Federal de 1988
	Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações e Contratos)
	CLT - Consolidação das Leis do Trabalho
	Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista)
	Jurisprudência
	Discussão Doutrinária
	Conteúdo interativo
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasse apliquem à relação de direito material que é objeto de
discussão judicial.
No que tange ao Direito estrangeiro, a mesma regra se
impõe. É que dada a competência internacional da Justiça
do Trabalho fixada no §2º do artigo 651 da CLT, o juiz do
trabalho pode se deparar com relação de emprego com
atividades no exterior, submetida à legislação de direito material alienígena (caso mais favorável, nos termos
da Lei nº 7.064/82). Também neste caso, caberá ao magistrado determinar ou não, a comprovação da
legislação suscitada pelas partes, também nos termos do artigo 376 do CPC.
Resta-nos a questão das normas coletivas ou instrumentos normativos. 
O juiz tem a obrigação de conhecer os acordos coletivos e convenções coletivas que se aplicam à
relação jurídica de direito material existente entre as partes? 
Neste aspecto, três posições se formaram. Vamos conferir!
 
1. Com base no princípio da conexão que informa o processo eletrônico e no princípio da cooperação (artigo
6º do CPC), defende-se que cabe ao juiz buscar o instrumento normativo respectivo, acessando, para tanto, o
sistema “mediador” mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego em seu sítio na rede mundial de
computadores, onde se encontram registrados todos os instrumentos normativos em todas as bases
territoriais do Brasil. Não haveria qualquer desculpa para eventual alegação de desconhecimento da norma
coletiva por parte do Judiciário.
 
2. Defende-se que, para instrumentos normativos, não se aplica o princípio do jura novit curia, havendo a
necessidade de comprovação do conteúdo e da vigência da norma coletiva, aplicando-se, por analogia, o
artigo 376 do CPC. Caberia ao magistrado conceder prazo para tal comprovação e, caso houvesse inércia da
parte, o pedido fundamentado no acordo ou na convenção coletiva seria julgado improcedente.
 
3. Muito similar à segunda corrente detalhada, difere, apenas, na consequência, já que a inércia da parte
implicaria a extinção sem resolução do mérito em razão da ausência de juntada de documento indispensável
para a resolução da lide, com base no disposto na Súmula 263 do c. TST. Seria solução benéfica para as
partes, pois não se submeteria ao manto da coisa julgada material.
Ônus da prova na Justiça do Trabalho
Ônus da prova e teorias relacionadas
Confira agora o ônus da prova no Processo do Trabalho e as teorias que o explicam.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Do ponto de vista etimológico, ônus quer dizer carga, fardo, gravame. Em verdade, porque o juiz está obrigado
a julgar, não lhe é possível abdicar deste dever sobre a alegação de que prova nada lhe diz. Numa primeira
aproximação técnica, pode-se dizer que as regras de ônus da prova servem ao auxílio do magistrado em seu
poder-dever de julgar, já que à míngua de provas que lhe convençam o espírito quanto às alegações da parte,
pode julgar contra a parte que detinha o ônus da prova. 
O ônus da prova é o encargo (ou dever processual) que incumbe às partes, que descumprido, gera para a
parte recalcitrante uma situação jurídica de desvantagem. Há quem divida o instituto em:
Ônus da prova objetivo
Refere-se às regras de julgamento dirigidas ao
julgador, a fim de orientá-lo na decisão na
situação de “insuficiência” ou “inexistência” de
provas.
Ônus da prova subjetivo
Refere-se às regras dirigidas às partes, que
disciplinam quais fatos e em que circunstâncias
lhes incumbem o encargo probatório.
Existem várias maneiras de se distribuir esse encargo entre as partes, sendo que o Direito Processual
brasileiro disciplina, basicamente, três formas: 
1
Regra geral
Trata-se da distribuição estática ou legal, na qual a própria lei distribui o ônus probatório seguindo
critérios pré-determinados.
2
Regra de distribuição dinâmica ou flexível
Trata-se da distribuição do ônus feita pelo juiz, sendo realizada de forma dinâmica, à luz do caso
concreto que lhe é submetido.
3
Regra de distribuição convencional
Trata-se de quando as partes, através de negócio jurídico processual típico, ajustam de quem será
o encargo probatório (artigo 373, §3º do CPC).
O Direito Processual do Trabalho, contudo, admite apenas as duas primeiras formas de distribuição do ônus
da prova. É que as regras processuais trabalhistas se revestem de uma imperatividade específica, em razão
do princípio da proteção. Nesse sentido, a Instrução Normativa 39 de 2016 do TST, no artigo 3º, inciso VII,
afastou a aplicação da distribuição do ônus da prova por convenção das partes.
Teoria estática do ônus da prova
A regra geral no Direito Processual do Trabalho é prevista no artigo 818, incisos I e II da CLT, que repete o
disposto no artigo 373, incisos I e II do CPC, apenas com a substituição dos termos “autor” e “réu” por
“reclamante” e “reclamado”. 
Por fato constitutivo, temos o fato gerador do direito afirmado pelo reclamante em juízo. 
Em outras palavras, é dever do reclamante
comprovar o fato que determinou o nascimento
de seu direito. Assim, cabe ao trabalhador
reclamante comprovar o ato ilícito do
empregador que lhe gerou danos materiais ou
morais, ou ainda, comprovar o vício de
manifestação de vontade para anular um
pedido de demissão. Tudo com base no artigo
818, inciso I da CLT.
Contudo, o reclamado pode deduzir fatos
impeditivos ao direito do autor, vale dizer, fatos
cuja existência obsta a produção de efeitos ao fato constitutivo, pois impede o nascimento do direito. Os fatos
impeditivos são sempre “conaturais” ao fato gerador (constitutivo), e invalida seus efeitos no nascedouro do
direito. Como exemplo, podemos citar os casos em que o reclamado invoca uma das hipóteses dos incisos I e
II do artigo 62 da CLT, devendo comprovar a condição de “externo” do trabalhador ou de exercente de “cargo
de gestão”. 
Já os fatos modificativos são aqueles que enxertam modificação nos fatos suscitados pelo autor que lhe
alteram a natureza ou configuração. Os fatos constitutivos ocorrem, mas não geram o direito na forma em que
narrada pelo reclamante.
Exemplo
Imagine um caso de acidente de trabalho, que não é negado, mas o reclamado invoca culpa exclusiva da
vítima. Nesse cenário, será do empregador o ônus de comprovar o fato modificativo. 
Por fim, os fatos extintivos são aqueles que retiram a eficácia dos fatos constitutivos. Estes ocorrem, mas têm
os seus efeitos retirados pelo fato extintivo, que os tornam inexigíveis. Como exemplo, podemos citar as
alegações de pagamento (quitação) ou compensação das horas extras eventualmente laboradas. Será do
reclamado o ônus de comprovar tais fatos extintivos. 
A jurisprudência elenca vários casos de aplicação da distribuição estática do ônus da prova. O caso da prova
na equiparação salarial, conforme Súmula 6, item VI do TST é paradigmático, eis que deixa evidente que os
fatos constitutivos do direito do autor, identidade de funções e labor para o mesmo empregador, incumbe ao
trabalhador. Todos os demais requisitos do artigo 461 da CLT, por enquadrarem-se no inciso II do artigo 818
da CLT, devem ser demonstrados pelo reclamado, caso sejam invocados em sua peça de defesa.
Exemplos paradigmáticos de aplicação da teoria estática encontram-se expressos nas Súmulas 460 e 461 do
TST. Ela deixa claro que, quando uma empresa reclamada nega a inexistência de diferenças de FGTS, está, em
última análise, alegando fato extintivo do direito do autor, qual seja, o efetivo recolhimento de todos os
depósitos. A primeira, por sua vez, demonstra que, quando a empresa nega o direito ao vale transporte, atrai
para si o ônus da prova, pois, em verdade, está alegando fato impeditivo, qual seja, a ausência dos requisitos
indispensáveis para a concessão do benefício.
Por fim, importa mencionar que tem se admitido, na jurisprudência, situações atípicas que não redundam em
inversão do ônus da prova. 
Teoria dinâmica do ônus da prova
A teoria dinâmica permite ao magistrado, de acordo com o caso concreto, distribuir o ônus da prova de forma
diversa daquela prevista como regra geral (teoria estática), em razãode expressa determinação legal
(inversão ope legis ou legal) ou em razão de circunstâncias do caso concreto (inversão ope judicis ou judicial). 
Há vários casos de inversão legal do ônus da prova como os casos do artigo 14, §3º, inciso I do CPC e do
artigo 38 do CDC. Contudo, na seara trabalhista, os casos mais proeminentes são os de inversão judicial,
mormente aqueles baseados em presunções, princípios ou na exigência de prova pré-constituída. Fato é que a
previsão para a aplicação da teoria dinâmica encontra-se no artigo 818, §1º da CLT.
Especificamente, a inversão judicial submete-se a certos pressupostos que podemos sintetizar da seguinte
forma:
 
A presença de um dos pressupostos materiais, quais sejam, a impossibilidade ou excessiva dificuldade
para uma das partes em cumprir o encargo probatório, segundo a teoria estática, ou ainda, a maior
facilidade de obtenção da prova do fato contrário pela outra parte.
 
A presença dos pressupostos formais, quais sejam, decisão interlocutória motivada e que seja proferida
antes da abertura da instrução (para propiciar, inclusive, o adiamento da audiência), nos termos do §2º
do artigo 818 da CLT.
 
A ausência do pressuposto negativo, ou seja, que a inversão não gere situação em que a
desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil (prova diabólica, nos
termos do §3º do artigo 818 da CLT).
É notório que a decisão interlocutória que inverte o ônus da prova, embora desafie agravo de instrumento no
Direito Processual Civil (conforme artigo 1015, XI do CPC e acórdão do STJ no REsp 1.802.025-RJ), não há
recurso cabível na seara trabalhista, em razão do princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias.
A inversão judicial do ônus da prova já era prática comum na Justiça do Trabalho, com a chancela inclusive do
TST através de súmulas específicas.
Vejamos alguns casos específicos:
O caso previsto na Súmula 212 do TST implica clara inversão do ônus da prova, em razão de uma presunção
decorrente do princípio da continuidade da relação de emprego. Assim, ao empregador incumbe o ônus de
provar o término do contrato de trabalho quando negados a prestação de serviços e o despedimento do
trabalhador.
Outro caso digno de nota é o da Súmula 443 do TST que,
claramente, inverte o ônus da prova quando o trabalhador
dispensado for portador de doença grave que suscite
estigma ou preconceito (como a AIDS). Nesses casos, já há
uma presunção de dispensa discriminatória, incumbindo ao
empregador o ônus de comprovar que a dispensa desse
trabalhador não ocorreu.
Por fim, citamos os casos previstos na Súmula 338 do TST.
No item I, temos o caso do empregador que, nos termos do
§2º do artigo 74 da CLT, é obrigado a manter registro de
jornada de trabalho de seus empregados. A omissão do empregador gera presunção de veracidade da jornada
de trabalho alegada pelo trabalhador, que pode ser elidida por prova em contrário, que deverá ser produzida
pelo reclamado. Típico caso de inversão do ônus probatório, já que, inicialmente, a prova seria do empregado
por se tratar de fato constitutivo de seu direito. 
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O item III da Súmula 338 do TST também gera inversão do ônus da prova, pois parte da premissa de que
controles de jornada com horários invariáveis são imprestáveis como meio de prova. Logo, passa a ser do
empregador o ônus de demonstrar a inexistência de horas extras também nesses casos. 
Vem que eu te explico!
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Fatos que independem de prova
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Prova do direito e instrumentos normativos
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Em ação trabalhista, João requereu a condenação da Empresa DADOS ELETRÔNICOS S/A pelo não
recolhimento do FGTS. O autor não juntou os extratos do FGTS. A reclamada negou os fatos narrados na
inicial e afirmou que todos os depósitos foram recolhidos durante a contratualidade. Nenhum documento foi
juntado. Diante de tais fatos, assinale a alternativa correta.
A O pedido deve ser julgado improcedente, pois era ônus do autor demonstrar a insuficiência de
depósitos.
B O pedido deve ser julgado procedente, pois era ônus do réu comprovar o recolhimento dos depósitos.
C O juiz deve extinguir o feito sem resolução do mérito, já que o autor não juntou documento obrigatório
(extratos do FGTS).
D O pedido deve ser julgado improcedente, por falta de provas.
E O juiz deve conceder prazo às partes para que comprovem suas alegações.
A alternativa B está correta.
Se houve alegação de correto recolhimento, a parte ré atraiu para si o ônus da prova (fato extintivo do
direito do autor), conforme a Súmula 461 do TST.
Questão 2
Em audiência trabalhista, o juiz recebeu a defesa da Empresa XYZ S/A e diante das circunstâncias do caso
concreto, proferiu decisão de inversão do ônus da prova em desfavor da reclamada. Como a empresa não
tinha testemunhas, por entender que o ônus caberia ao trabalhador, o juiz adiou a audiência para 30 dias
depois. Qual o recurso cabível em face dessa decisão?
A Recurso ordinário, nos termos do artigo 895, I da CLT.
B Agravo de instrumento, nos termos do artigo 1015, XI do CPC.
C Agravo de petição, nos termos do artigo 897, “a” da CLT.
D Recurso de revista, nos termos do artigo 896, “a” da CLT.
E Nenhum recurso, em razão do disposto no artigo 893, §1º da CLT.
A alternativa E está correta.
A decisão que inverte o ônus da prova tem natureza de decisão interlocutória. Então, não há nenhum
recurso cabível conforme o disposto no §1º do artigo 893 da CLT.
2. Produção antecipada de prova
Conceito e natureza jurídica
A produção antecipada de prova é regulamentada nos artigos 381 a 383 do Código de Processo Civil. Ainda
que a CLT seja silente a respeito, não há qualquer dúvida de que tal instituto é aplicável na seara trabalhista,
em razão da omissão na legislação obreira e também da compatibilidade do instituto com as regras
processuais laborais, nos termos do artigo 769 da CLT. 
Anteriormente tratada como ação cautelar, o CPC de 2015 passou a reconhecer um direito autônomo à
produção da prova, totalmente independente dos fatos correlacionados às questões de direito material cuja
existência a prova pretende demonstrar (YARSHELL, 2016, p. 1150). 
Comentário
Fato é que o próprio artigo 381 do CPC deixa cristalina a circunstância de que a prova produzida no PAP
(como passaremos a denominar o instituto), não se vincula, sine qua non, a um futuro processo ou a uma
“ação principal”, já que é possível celebrar acordo extrajudicial (inciso II do artigo 381 do CPC) ou mesmo
não ingressar com a demanda, a partir da percepção da parte de que não é titular de qualquer direito
material (inciso III do artigo 381 do CPC). 
Evidentemente, malgrado o mencionado anteriormente, o PAP pode assumir a condição de “ação
preparatória”, na medida em que evita o risco de se perder a oportunidade de produção efetiva da prova. 
Podemos citar como exemplos trabalhistas os seguintes: 
A oitiva de uma testemunha gravemente enferma, mas que tenha participado do evento que ocasionou
um acidente de trabalho com o trabalhador.
O iminente fechamento do estabelecimento empresarial, razão pela qual se faz realizar perícia (OJ 275
da SDI-1 do TST).
A produção de prova documental que se encontra em poder do empregador para que se possa
verificar a viabilidade da demanda e/ou liquidar os pedidos.
Por fim, quanto à natureza jurídica, há certa controvérsia na doutrina. Didier Jr. et al. (2016, p. 142), por
exemplo, defende tratar-se de jurisdição voluntária, negando ao PAP o caráter cautelar. Outra corrente,
citando Yarshell (2016, p. 1165), defende o caráter tipicamente jurisdicional, não se tratando de simples
procedimento de jurisdição voluntária. 
Em verdade, o instituto possui claro caráter de jurisdição voluntária, já que o Poder Judiciário age de forma
imparcial, velando pelatutela dos interesses das partes, mas não emite juízo de valor sobre a prova obtida. No
seu procedimento, como termos oportunidade de descrever, não se admite defesa, interposição de recursos
(como regra geral), razão pela qual a decisão final não resulta de atividade cognitiva exauriente nem se
reveste de coisa julgada material.
Interesse de agir
É lição conhecida que o interesse de agir se configura por:
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Nesse passo, cumpre-nos descrever quando se consubstancia o interesse de agir para que as partes possam
se valer do instrumento em estudo. 
Em geral, não há necessidade de que se indique o pedido a ser formulado em ação futura, pois, como já dito, a
produção antecipada de prova não está vinculada a um processo principal, que pode não vir a existir.
Contudo, em algumas circunstâncias, ainda mais na seara trabalhista, a indicação do direito material pode ser
necessária para deflagar a utilidade da ação de produção de provas.
Exemplo
Se o trabalhador deseja averiguar a correção do pagamento das horas extras que foram laboradas e
registradas nos controles de jornada, deve postular, além da exibição dos controles de ponto, também
dos recibos salariais, pois só assim conseguir aferir a regularidade do pagamento. Caso postulasse a
oitiva de uma testemunha, o interesse utilidade no procedimento não estaria presente, dado o direito
material invocado pela parte. 
Portanto, já na petição inicial da produção antecipada de provas, torna-se necessário identificar o interesse-
necessidade e o interesse-utilidade do procedimento, sob pena de indeferimento liminar.
Cabimento para prova documental
Questão controvertida diz respeito ao cabimento da ação de produção antecipada de provas para obter prova
documental. Theodoro Jr. (2015, p. 917) e Didier Jr. (2016, p. 235) excluem a prova documental daquelas que
podem ser objeto do PAP, porque já existe o procedimento de exibição de documentos, que pode acontecer,
inclusive, no curso da ação principal já ajuizada (artigo 396 a 404 do CPC). 
Contudo, não nos parece ser a melhor posição. O incidente de exibição de documentos ainda persiste, mas
tem natureza exclusivamente incidental. Todavia, parece-nos que nada há na regulamentação legal da
produção antecipada de provas que exclua a prova documental, não cabendo intepretação restritiva do
disposto nos artigos 381 a 383 do CPC. Até porque o uso do PAP pode ser necessário para verificar a
viabilidade ou não da ação judicial de natureza contenciosa, sendo a prova documental, como as demais,
importante na formação da convicção das partes neste aspecto específico.
Atenção
Na produção antecipada de provas, o juiz não emite juízo de valor sobre as provas produzidas e não
profere decisão que seja de observância obrigatória para qualquer juiz em processo futuro, razão pela
qual as consequências previstas no incidente de exibição de documentos não se aplicam ao instituto em
exame. 
Necessidade 
O meio escolhido é imprescindível para
satisfazer a sua pretensão.
Utilidade 
O meio escolhido possui aptidão para
produzir os efeitos desejados.
Procedimento
Procedimento da produção antecipada de provas
Confira agora o procedimento da produção antecipada de provas no Processo do Trabalho.
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Competência
Não há qualquer dúvida quanto à aplicação do instituto à Justiça do Trabalho. Contudo, a competência da
Justiça do Trabalho ocorrerá quando os fatos subjacentes à relação de direito material existente entre as
partes se inserirem em um dos incisos do artigo 114 da Constituição. Em apertada síntese, os fatos precisam
ser oriundos ou decorrentes de uma relação de trabalho. 
Outro ponto importante diz respeito à competência territorial. Aqui, há tensão entre o disposto no §2º do
artigo 381 do CPC (que prevê a competência do juízo onde a prova deva ser produzida ou no domicílio do réu)
e o critério clássico do artigo 651 da CLT (lugar da prestação de serviços). Há claramente a previsão de
competência concorrente, muito criticada pela doutrina, já que a opção pelo foro domicílio do réu poderá levar
à necessidade de uma carta precatória (se o local da prova for diverso). Em verdade, a regra da competência
concorrente prevista no §2º do artigo 381 do CPC deve se adequar à regra de competência territorial
trabalhista.
Assim, a parte interessada em ajuizar a produção antecipada de provas deve compatibilizar as duas regras:
 
1. Se o foro do domicílio do réu for o local da prestação de serviços, deve-se optar por tal foro.
 
2. Se o local da prova for o lugar do labor do trabalhador, este deve ser o foro eleito, mormente se o foro do
domicílio do réu for diverso. 
 
Isso porque as regras de competência territorial trabalhista têm claro aspecto protetivo e não podem ser
afastadas ab initio, salvo nos casos de prorrogação da competência.
Por fim, resta observar que o ajuizamento do PAP não previne a competência do juízo para ação principal que
vier a ser proposta, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC. Assim, a reclamação trabalhista que vier a ser
ajuizada deverá se submeter à livre distribuição, sem prevenção do juízo onde o PAP tramitou anteriormente.
Fase postulatória
A produção antecipada de provas possui especificidades em seu procedimento muito marcantes. Não há
defesa, nem recursos, salvo, nesse último caso, em se tratando de decisão que indeferir totalmente a prova
requerida nos termos do §4º do artigo 382 do CPC. Em verdade, não há necessidade da realização de
audiência para recebimento de defesa (como acontece nos processos trabalhistas em geral), a não ser que o
tipo de prova, cuja produção se deseja, o exija, como nos casos de prova testemunhal ou depoimento de uma
parte). 
De toda sorte, citados os interessados, inicia-se o procedimento da produção da prova, de acordo com o meio
de prova requerido pelo autor. Assim, a prova pericial seguirá o procedimento próprio desse meio de prova,
assim como a prova testemunhal ou documental.
Note-se que é possível às partes cumular a produção de
mais de um meio de prova no mesmo procedimento, desde
que relacionada ao mesmo fato, nos termos do §4º do
artigo 382 da CLT. A única ressalva é se a produção
conjunta acarretar excessiva demora, caso em que o
magistrado poderia indeferir a produção de um dos meios
requeridos e determinar a produção do outro meio mais ágil.
No caso específico do Direito Processual do Trabalho,
entende-se que tal cumulação pode acontecer pela causa
de pedir remota, vale dizer, por fatos decorrentes ou
oriundos de uma mesma relação de emprego. Assim, seria
possível a produção antecipada de uma prova testemunhal para comprovação de horas extras ou salário “por
fora”, assim como a produção de prova pericial, tanto para o adicional de insalubridade quanto de
periculosidade, desde que todos esses fatos estejam inseridos no bojo de uma mesma relação de emprego.
Ainda que o juiz não se pronuncie sobre a prova em si e não exista defesa em sentido técnico,
existem questões de ordem pública que podem ser objeto de contraditório.
Por exemplo, questões como a competência do juízo, a falta de interesse de agir e a inadmissibilidade da
prova são matérias que o juiz poderia conhecer de ofício, sendo possível também às partes invocá-las no bojo
do próprio procedimento. 
Quanto ao recurso, como já dito, só cabe em caso de indeferimento total da prova, conforme parágrafo 3º do
artigo 382 do CPC. Todavia, se a produção da prova acarretar violação a direito líquido e certo da parte,
admite-se o manejo do mandado de segurança.
Exemplo
Imagine um caso em que se viole a intimidade da parte, como na prova de “geolocalização” do
trabalhador, através da requisição junto à operadora telefônica dos locais onde ele se encontrava, em
horários que nada condizem com o horário de trabalho pactuado entre as partes. O mandado de
segurança, previsto na Lei nº 12.016, de 2019, pode ser utilizado em casos como o presente, mormente à
míngua de recurso próprio para atacar as decisõesinterlocutórias proferidas no PAP. 
Coisa julgada e consequências para ação principal
Sendo procedimento de jurisdição voluntária, a produção antecipada de provas não admite contraditório
quanto ao direito material decorrente dos fatos investigados. 
Desse modo, as decisões proferidas no PAP não fazem coisa julgada. Confira!
 
Nada impede que o juiz da ação principal futura produza prova indeferida pelo juízo primeiro.
Nada impede que o juiz da ação principal futura entenda que a prova produzida é insuficiente para
formar o seu convencimento.
Embora alguns autores defendam que a ação de produção antecipada de provas tem aptidão para coisa
julgada, no que diz respeito à existência ou não do direito autônomo à prova, é dominante a visão que nem
mesmo este direito à prova se reveste da imutabilidade de coisa julgada material. Isso porque este último
instituto necessita de cognição exauriente, sob o pleno exercício de faculdades processuais das partes, em
procedimento que assegure livre e amplo acesso ao contraditório. Não é o caso do PAP. 
• 
• 
O corolário lógico é que nada impede o ajuizamento de outra ação antecipada de provas mesmo diante de um
indeferimento anterior, ou ainda, nada impede que na ação principal se produza a prova indeferida na
jurisdição voluntária. Se houve coisa julgada material sobre o direito autônomo à prova, não seria possível
rediscutir a admissibilidade da prova na ação principal, o que se afigura como lesão inequívoca ao acesso à
justiça.
Sendo produzida a prova no procedimento em exame, não cabe novo pedido de produção da prova.
Não se trata de coisa julgada material, mas de falta de interesse de agir, já que é desnecessária e inútil a
medida, por já produzida integralmente a prova produzida no PAP anterior. Cabe ressalvar, contudo, que nada
impede na ação futura a realização de nova prova, já sob o contraditório e cognição exauriente.
Resta a questão da interrupção ou não da
prescrição. De fato, a jurisprudência trabalhista
dominante, com fulcro no artigo 202, inciso I do
Código Civil e na Súmula 268 do TST, se
posiciona no sentido de que a prescrição só é
interrompida por uma ação anterior se houver
formulação de pedidos idênticos. 
Parte da doutrina, nesse passo, entende que
como não há possibilidade de formular o pedido
correspondente ao direito material (se faz a
perícia, mas não se pode postular o adicional
de insalubridade, por exemplo), não se pode concluir pela interrupção da prescrição. Ainda que no PAP haja
um delineamento do direito material a ser perseguido, isso acontece apenas para que se avalie a pertinência
da prova a ser produzida. Este é o entendimento tradicional, prevalecente, pela não interrupção da prescrição.
Contudo, tal posição merece ser revisitada. Mesmo o Superior Tribunal de Justiça (STJ) se posicionava no
sentido de que a ação cautelar preparatória de produção antecipada de provas interrompia a prescrição, ainda
que sob a égide do CPC de 1973. Havia coerência neste posicionamento, pois o credor não está inerte, muito
em contrário, utiliza o procedimento para melhor solucionar o conflito que tem uma dimensão metajurídica. 
Relembrando
A produção antecipada de prova pode, inclusive, levar a uma solução convencionada entre as partes,
inclusive extrajudicialmente. 
Em nosso sentir, o inciso V do artigo 202 do Código Civil fornece sentido a esse posicionamento. Afinal de
contas, há ato judicial que já pode constituir em mora o devedor, mormente quando a prova confirma os fatos
que embasam a pretensão de direito material ser exercida. Há, pois, clara interrupção da prescrição em nosso
sentir. Já há decisões do STJ neste particular, sob a égide do CPC de 2015, como o Resp nº 1.1347.423-SP da
relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão (julgado em 20/03/2017). 
Por fim, ressaltamos que uma forma de interromper a prescrição que passa ao largo da controvérsia acima
exposta, que é a cumulação do pedido de produção antecipada de provas junto com o protesto interruptivo da
prescrição. Com essa medida, a interrupção da prescrição seria inquestionável.
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Interesse de agir
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Cabimento para prova documental
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Antônio ajuizou ação de produção antecipada de provas em face da EMPRESA RTP EMPREENDIMENTOS S/A,
realizando perícia perante o Juízo da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Após o fim do laudo pericial, o
juiz arquivou o processo. Antônio, então, ajuizou reclamação trabalhista requerendo o adicional de
insalubridade constatado na perícia e distribuiu a demanda à 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Acerca
da conduta de Antônio, aponte a alternativa correta.
A Antônio agiu acertadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior previne a competência do juízo.
B Antônio agiu acertadamente, pois a prova pericial foi realizada por perito de confiança do juiz da 18ª Vara
do Trabalho do Rio de Janeiro, sendo o magistrado vinculado para resolver o caso.
C Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior não previne a competência do juízo,
devendo o feito ir à livre distribuição.
DAntônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento do PAP anterior não previne a competência do juízo,
devendo o feito ser distribuído à vara subsequente, qual seja, a 19ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.
E Antônio agiu acertadamente, pois se trata de demandas conexas que devem ser resolvidas pelo
mesmo juízo.
A alternativa C está correta.
O ajuizamento de ação de produção antecipada de provas não previne a competência do juízo, pois é um
procedimento cautelar de jurisdição voluntária, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC.
Questão 2
Em procedimento de produção antecipada de provas, Mário requereu a produção de prova pericial para
demonstrar a existência de trabalho em condições insalubres. O juiz do Trabalho da 205ª Vara do Trabalho de
Belo Horizonte indeferiu a prova sob a alegação de que não era pertinente e que deveria ser realizada no bojo
de uma reclamação trabalhista, extinguindo o processo sem resolução do mérito. Como advogado de Mário,
qual seria a medida a ser tomada?
A Nenhuma medida é cabível, pois a decisão não forma coisa julgada material.
B Impetrar mandado de segurança, pois foi violado direito líquido e certo de Mário.
C Ingressar com recurso ordinário, pois é o único caso de cabimento de recursos no procedimento de
produção antecipada de provas.
D Ingressar com pedido de reconsideração, pois é arbitrária a decisão do magistrado.
E Nenhuma medida é cabível, pois a decisão em produção antecipada de provas não admite recurso em
qualquer hipótese.
A alternativa C está correta.
O indeferimento integral da prova autoriza a interposição de recurso imediato, no caso o recurso ordinário,
por se tratar de Direito Processual do Trabalho, nos termos do §3º do artigo 382 do CPC.
3. Meios de prova
Depoimento das partes
Depoimento pessoal e prova testemunhal
Confira agora as principais regras sobre o depoimento pessoal e a prova testemunhal no Processo do
Trabalho.
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A análise dos meios de prova mais utilizados na seara laboral torna-se imprescindível no que diz respeito ao
exercício da jurisdição trabalhista. Em verdade, a opção do legislador processual civil foi a previsão genérica
no artigo 369 do CPC do direito ao uso de todos os meios legais, bem como moralmente legítimos, para
comprovação da verdade dos fatos mencionados no pedido ou na defesa. Em outras palavras:
A previsão no CPC não é exaustiva, sendo permitido às partes e aos magistrados o manejo de meios
de prova não previstos na legislação processual, desde que moralmente legítimos.
Analisaremos, então, os principais meios de prova na Justiça do Trabalho. Vejamos!
 
O depoimento das partes(que em nosso sentir não é tecnicamente meio de prova, mas um meio para
obter a confissão, real ou presumida).
A prova testemunhal (de importância ímpar para as lides trabalhistas).
A prova documental.
A prova pericial.
Depoimento das partes
O depoimento pessoal é o testemunho prestado por uma das partes em juízo. Embora elencado como um dos
meios de prova, o depoimento das partes é meio de confissão, e não meio de prova. Isso porque a parte não
tem como fazer prova em seu favor através de seu depoimento. É previsto nos artigos 139, inciso VIII e 385 do
CPC, bem como nos artigos 820 e 848 da CLT. 
Atenção
Não se pode confundir o depoimento das partes com o interrogatório. Este é determinado de ofício pelo
juiz; pode ser determinado em qualquer estado do processo e pode ser único ou se repetir mais vezes.
Já o depoimento das partes pode ser requerido pela parte adversa; deve ser colhido na audiência de
instrução e julgamento e, em regra, só pode ser realizado uma vez. 
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Torna-se importante salientar que alguns autores trabalhistas chegaram a negar a existência do depoimento
das partes, diante do disposto no artigo 848 da CLT, afirmando a existência apenas do interrogatório,
segundo Rodrigues Pinto (1991). 
Contudo, basta analisar o artigo 820, da CLT para verificar o equívoco desse posicionamento. Ademais, os
princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório propiciam a ideia de que as partes também
podem requerer o depoimento uma da outra, além do fato de que a Súmula 74, I do c. TST admite a confissão 
ficta em caso de não comparecimento da parte intimada em audiência. Tudo isso demonstra a efetiva
existência do depoimento pessoal, formal e solene. No entanto, ainda que se admita a possibilidade de
requerimento do depoimento pessoal, o juiz pode indeferi-lo, desde que fundamente sua decisão, sem que
isso configure cerceamento do direito de defesa. 
Para casos em que a matéria discutida nos autos seja
exclusivamente de direito ou ainda, já havendo confissão
real por uma das partes (conforme artigo 374, II do CPC), o
depoimento das partes torna-se desnecessário, havendo
autorização para que o magistrado o indefira, sem a
configuração de cerceamento de defesa.
De toda sorte, o objetivo primordial do depoimento pessoal
é a confissão. A confissão real, em primeiro plano, mas
também a confissão ficta, que gera presunção relativa.
Nesse último aspecto, haverá confissão ficta em três
situações:
 
1. Hipótese em que autor e/ou réu que faltam à audiência em que deveria haver depoimento pessoal (caso da
Súmula 74, I do TST).
 
2. Caso em que a parte se recusa a responder às perguntas formuladas pelo juiz (artigo 385, §1º do CPC).
 
3. Na hipótese em que o preposto revela desconhecimento dos fatos em contrariedade à obrigação prevista
no §1º do artigo 843 da CLT, circunstância específica do Direito Processual do Trabalho, já que a lei não
permite a ignorância do representante da empresa quanto a fatos relevantes e pertinentes para a solução da
lide.
Cumpre lembrar que não haverá confissão nos casos do artigo 388 do CPC e quando a falta de resposta às
indagações for imperativo para preservar o direito de não produzir prova contra si (artigo 379, caput do CPC). 
Resta, por fim, observar que, salvo na hipótese de confissão real, nada impede que o magistrado persista na
produção de prova, pois a vedação de produção de prova posterior somente se aplica à parte confessa, não
afetando o exercício, pelo juiz, do poder-dever de conduzir o processo (Súmula 74, item III do TST).
Prova testemunhal
Há consenso geral que este é o meio de prova mais inseguro. Na verdade, sua depreciação tem razões
históricas. Salienta Rodrigues Pinto que, no tempo de hierarquização das provas, com base em seu valor
intrínseco, “o testemunho era colocado no mais baixo nível, a ponto de merecer a alcunha depreciativa de
prostituta das provas, contrapondo-se à confissão em seu trono de rainhas das provas” (1991, p. 206).
De toda sorte, a testemunha é a pessoa física
que tem conhecimento de fatos da lide (que
pode ser direto, como no caso da testemunha
visual ou presencial, ou ainda, indireto), que é
estranha à relação jurídica e que possui
habilitação para depor (não possuindo
nenhuma incapacidade, ou caso de
impedimento ou suspeição).
Classificação da prova
testemunhal
A prova testemunhal, segundo a classificação mais prestigiada, divide-se em: 
Testemunhas numerárias
Aquelas que são chamadas a depor por
indicação das partes, mas dentro de limite
numérico estabelecido em cada sistema
processual.
Testemunhas referidas
Aquelas que vêm ao processo por determinação
direta do juiz, nos termos do artigo 461, inciso I
do CPC.
Testemunhas instrumentárias
Aquelas que comparecem para atestar verdade
de fato ou ato registrado em documento público
ou particular.
Note-se que os limites para as testemunhas numerárias previstas na CLT dependem do rito ao qual se
submete a demanda. Assim, nos termos do artigo 821 da CLT e do §2º do artigo 852-H da CLT, no rito
ordinário, cada parte pode indicar até três testemunhas, no rito sumaríssimo, até duas testemunhas, e no
inquérito para apuração de falta grave, até seis testemunhas. 
Contudo, tal limite goza de certa flexibilidade. 
Exemplo
No caso de litisconsórcio passivo, o limite de indicação de testemunhas deve levar em conta a situação
individual de cada reclamado, pois, a pluralidade das partes depende da vontade do reclamante (no
caso do litisconsórcio facultativo) ou de determinação da lei ou da natureza da relação jurídica de direito
material (no caso do litisconsórcio necessário). 
É de se notar que o limite fixado para as testemunhas numerárias também não se aplica ao juiz. Nos termos do
artigo 765 da CLT, o magistrado tem a prerrogativa de determinar toda e qualquer diligência que entender
necessária à resolução da lide, como diretor do processo. Nada impede que, na busca da verdade real, o juiz
ultrapasse os limites impostos em lei para indicação das testemunhas. 
Por fim, quando houver cumulação objetiva (de pedidos e causas de pedir) ou quando existir a necessidade
de superar o limite legal sob pena de violar o princípio constitucional de acesso à justiça. Assim, um
empregado que, nos últimos cinco anos imprescritos, tenha laborado em cinco estabelecimentos diferentes
(cinco agências bancárias, por exemplo) e postule horas extras por todo o lapso temporal, precisará, no
mínimo, de uma testemunha para cada local onde prestou serviços, a fim de comprovar o labor extraordinário.
Inadmissibilidade e limitações da prova testemunhal
A princípio, é amplo o cabimento da prova testemunhal no Direito Processual do Trabalho, mormente em razão
do princípio da primazia da realidade. Contudo, há casos excepcionais em que se admite certa restrição à
oitiva de testemunhas.
Uma primeira hipótese ocorre quando houver expressa
vedação legal, como no caso do artigo 443 do CPC. É difícil
pensar numa hipótese trabalhista em que fatos só possam
ser provados por documento ou por exame pericial, mas,
em geral, casos de insalubridade e periculosidade que
exigem a perícia (conforme §2º do artigo 195 do CPC),
dispensam a prova testemunhal.
As outras hipóteses são os casos de incapacidade,
impedimento e suspeição. Em verdade, o único dispositivo
da CLT neste particular é o artigo 829 da CLT, que prevê a
impossibilidade de oitiva de “testemunha que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de
qualquer das partes”, caso em que “não prestará compromisso, e seu depoimento valerá como simples
informação”. Malgrado a expressa previsão legal da CLT, a doutrina dominante entende pela aplicação
subsidiária do disposto no CPC, citando como exemplo Schiavi (2022, p. 503).
Não há dúvida, pois, quanto à aplicabilidade dos casos do artigo 447, §1º, §2º e §3º do CPC, que devem ser
sopesados no caso concreto pelo juiz.
O caso mais controvertido quanto à suspeição das testemunhas diz respeito aos casos em que o trabalhador
possui ação na Justiçaem face do empregador e convocado para depor. Em regra, a Súmula 357 do TST
destaca que inexiste impedimento no fato de a testemunha ter ajuizado demanda contra o réu. A suspeição
em casos como este deve ser “objetivada” ao máximo, buscando algum tipo de critério objetivo que
demonstre a promiscuidade ou vício no depoimento que lhe retire a parcialidade. A questão ainda é muito
polêmica nos tribunais trabalhistas, sendo certo, porém, que o simples fato da testemunha possuir ação em
face do réu, não a torna suspeita.
Assim, todos os casos de impedimento, suspeição e incapacidade das testemunhas podem ser
suscitados pelas partes e o meio próprio é o incidente conhecido como “contradita”. 
Ressalte-se que a regra do artigo 457, caput do CPC, quanto ao momento para a parte suscitar o incidente da
contradita, deve ser flexibilizada. No Direito Processual do Trabalho, o rol de testemunhas para intimação não
é a regra geral, conforme artigos 825 e 845 da CLT, sendo comum testemunhas comparecerem
independentemente de intimação. Por isso, a possibilidade de contradita superveniente não deve ser
desconsiderada, já que, em regra, as partes só “conhecem” as testemunhas em audiência, conforme já
sublinhado acima.
Prova documental
Prova documental é a que se produz pela apresentação de documentos representativos dos fatos alegados. É
o veículo por meio da qual o documento (gente da prova) é levado ao processo para análise judicial. 
A CLT faz referência a este tipo de prova de forma não sistemática, podendo citar os artigos 777, 780, 787 e
830, como aqueles mais importantes no que tange à prova documental.
Note-se que os documentos podem ser declarados autênticos pelo próprio advogado da parte, na forma da
redação dada ao artigo 830, da CLT pela Lei 11.925 de 2009, não havendo mais necessidade de juntada de
cópias autenticadas.
No que tange à oportunidade para oferecimento de
documentos, uma primeira corrente defende que os
documentos que estiverem em posse do autor e do réu
devem acompanhar não apenas a petição inicial (artigo 787
da CLT), mas também a contestação (artigo 434 do CPC),
ante o caráter de bilateralidade da ação e da defesa, o que
impõe o tratamento igualitário entre as partes. 
A inobservância de tal regra geraria, segundo esta posição,
a preclusão e a desconsideração do documento juntado
posteriormente.
Outra visão, no entanto, entende que a preclusão é instituto processual que diz respeito aos atos das partes,
mas não se aplicaria ao magistrado. O juiz poderia determinar a juntada de documentos mesmo após os
momentos previstos em lei, enquanto não encerrada a instrução. Esta posição se fundamenta no artigo 765 da
CLT.
Contudo, há ainda uma terceira posição que considera as peculiaridades das demandas trabalhistas e ainda, o
disposto nos artigos 845 e 852-H, §1º da CLT, entendendo que enquanto não houve o encerramento da
instrução, haveria a possibilidade da juntada de documentos, observados dois parâmetros: a) não haja má-fé
(com a juntada proposital de prova “surpresa”); b) não haja prejuízo ao regular cumprimento do contraditório.
Essa última tem sido a posição do TST, valendo citar os acórdãos proferidos no E-RR -
2416-68.2012.5.18.0009 (Relator Ministro Augusto César Leite de Carvalho, Subseção I Especializada em
Dissídios Individuais, DEJT 11/04/2017), ARR - 11-50.2013.5.24.0076 ( Relator Ministro Breno Medeiros, 5ª
Turma, DEJT 04/10/2019), RR-5036-55.2015.5.10.0014 (Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, 5ª Turma,
DEJT 06/09/2018) e RR - 10749-58.2014.5.15.0094 (Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, 4ª Turma, DEJT
09/06/2017).
Como interpretar o artigo 787 da CLT e o artigo 434 do CPC? 
A jurisprudência do STJ é sábia neste ponto, e tem entendido que apenas os documentos indispensáveis
(fundamentais) e substanciais devem ser juntados com a inicial/defesa. Como provas substanciais, temos os
documentos que a lei expressamente exigir para que a demanda seja proposta e como provas fundamentais
temos os documentos que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se referiu na petição inicial, como
fundamento do seu pedido. 
É claro que tudo quanto ao aqui exposto tem como exceção as hipóteses previstas nos artigos:
435 do CPC
Documentos novos.
1.014 do CPC e Súmula 8 do TST
Força maior ou justo impedimento.
438 do CPC
Documento em posse de repartição pública.
396 do CPC
Documento em posse da parte adversária ou de
terceiro particular.
Prova pericial
Consiste a perícia em meio de prova através do
qual se busca a constatação, prova ou
demonstração, científica ou técnica, da
veracidade de situações, fatos ou coisas. É
meio de prova que é determinado quando o juiz
não tem conhecimento suficiente sobre o
assunto que envolve o fato a ser provado. 
No que refere à classificação da prova pericial,
no que diz respeito ao tipo de trabalho técnico
exigido, com base no artigo 464 do CPC,
temos: 
O exame
Consiste na verificação de circunstâncias relativas a pessoas ou coisas.
A vistoria
Diz respeito à constatação da situação de coisa imóvel.
A avaliação
Consiste no trabalho de estabelecimento da relação entre um bem e seu valor monetário.
Quanto à oportunidade, a perícia pode ser: 
Judicial
Quando realizada dentro de um processo em curso.
Extrajudicial
Quando realizada fora do processo, em geral, por consenso entre os interessados.
Cautelar
Quando realizada em jurisdição voluntária, como no caso da perícia em produção antecipada de
provas.
Por fim, quanto à obrigatoriedade de sua realização, a perícia pode ser classificada em: 
Obrigatória 
Quando fixada como meio necessário de
prova. 
Facultativa 
Quando a prova depende de
requerimento das partes ou de
determinação do magistrado. 
O caso dos adicionais de insalubridade e periculosidade corresponde à primeira hipótese, já que o artigo 195,
§2º da CLT permite a conclusão de que a perícia é obrigatória, em se tratando destes pedidos específicos;
adicional de periculosidade de insalubridade. Todavia não se pode esquecer o previsto na OJ 278 da SDI-1 do
c., TST que menciona expressamente que “a realização de perícia é obrigatória para verificação de
insalubridade”, mas que deixa evidente, por outro lado, que “quando não for possível sua realização, como em
caso de fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios de prova”. 
Quanto ao procedimento, a CLT não contém qualquer regra instituindo a produção deste tipo de prova no
Processo do Trabalho. Por isso, o entendimento dominante é que: deve ser aplicado aos casos concretos o
disposto no artigo 464 e seguintes do CPC, porque são compatíveis com o Direito Processual do Trabalho.
Apenas duas regras escapam à previsão legal do CPC, quando se fala em Justiça do Trabalho. Vejamos!
 
1. A primeira é a regra inserida no artigo 852-H, §5º da CLT, que nas causas de rito sumaríssimo, prevê prazo
comum para manifestação sobre o laudo de cinco dias e fixa prazo máximo de 30 dias para solução da prova
pericial no §7º do mesmo artigo 852-H da CLT.
 
2. A segunda, mais importante, diz respeito ao pagamento dos honorários periciais. Fato é que o artigo 790-B
da CLT fixa que a responsabilidade pelo pagamento dos honorários periciais é da parte sucumbente no objeto
da perícia. Assim, numa demanda trabalhista, caso o autor vença um dos itens do pedido, mas seja
sucumbente na postulação que foi objeto da prova pericial, é o reclamante quem deverá arcar com os
honorários periciais.
Note-se que o artigo 790-B da CLT não admite qualquer adiantamento de honorários periciais, confrontando-
se com o disposto no artigo 95 do CPC. Tal visão já constava da OJ 98 da SDI-2 do TST, que admitia o uso de
mandado de segurança contra decisão em sentido contrário. Também na Justiça do Trabalho devem ser
observados os limites para honorários periciais fixados pelo Conselho Superior da Justiça do Trabalho. 
Por fim, ressalte-se que o Plenário do STF, no julgamento da ADI 5766, julgou inconstitucionais os arts. 790-B,
caput e §4º da CLT, entendendo que o beneficiárioda gratuidade de justiça, sucumbente no objeto da perícia,
não deve arcar com os honorários periciais. Nesse sentido, a Súmula 457 do TST estabelece que os
honorários deverão ser suportados pela União Federal, em regra semelhante à disposta no inciso II, §3º do
artigo 95 do CPC.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Prova documental
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Prova pericial
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Em demanda trabalhista submetida ao rito sumaríssimo, Gonzalo postula indenização por danos morais no
valor de R$5 mil (cinco mil reais). Alega ter sofrido várias agressões morais de seu empregador, e apresenta 4
testemunhas. A parte ré, por sua vez, negou os fatos narrados e indica 3 testemunhas. No caso apontado,
A o juiz do Trabalho poderá ouvir até 3 testemunhas indicadas por cada parte.
B o juiz do Trabalho poderá ouvir até 2 testemunhas indicadas por cada parte.
C o juiz do Trabalho poderá ouvir até 6 testemunhas indicadas por cada parte.
D o juiz do Trabalho poderá ouvir até 10 testemunhas indicadas por cada parte.
E não há limite de oitiva de testemunhas para o magistrado.
A alternativa E está correta.
Embora as partes só possam indicar até 2 testemunhas cada, no rito sumaríssimo, para o juiz não existe
este limite. O juiz, como diretor do processo, pode ouvir quantas testemunhas quiser, nos termos do artigo
765 da CLT.
Questão 2
Em uma reclamação trabalhista, Antônio Pires postulou horas extras e adicional de insalubridade, bem como
gratuidade de justiça. Realizada a perícia exclusivamente para o adicional de insalubridade e ouvida duas
testemunhas, foi proferida sentença, em que o magistrado: a) rejeitou o requerimento de gratuidade de
justiça; b) julgou procedente o pedido de horas extras; c) julgou improcedente o pedido de adicional de
insalubridade. Diante da procedência parcial, o juiz condenou a reclamada a pagar os honorários periciais,
fixados em R$2.000,00 (dois mil reais). Sobre a conduta do magistrado na fixação da responsabilidade pelo
pagamento dos honorários, assinale a alternativa correta.
A Agiu corretamente, pois no caso de sucumbência parcial, deve a reclamada arcar com os honorários
periciais.
B Agiu incorretamente, pois foi o reclamante o sucumbente no objeto da perícia.
C Agiu incorretamente, pois ninguém deveria pagar pelos honorários periciais, e sim, a União Federal.
D Agiu corretamente, pois o autor não sucumbiu no objeto da perícia, já que ainda cabe recurso.
E
Agiu incorretamente, eis que a responsabilidade pelos honorários periciais só pode ser fixada após o
trânsito em julgado da sentença.
A alternativa B está correta.
É a parte sucumbente no objeto da perícia que deve arcar com os honorários periciais, sendo que mesmo
vencedor nas horas extras, Antônio foi sucumbente no adicional de insalubridade, objeto único da prova
pericial. Este o teor do artigo 790-B, caput da CLT.
4. Praticando
Responsabilidade Subsidiária da Administração Pública
em Contratos de Terceirização
A empresa Serviços Gerais e Manutenção Ltda. foi contratada, mediante processo licitatório, pelo município
de São Bernardo para realizar serviços de limpeza e conservação em órgãos públicos municipais. Durante a
vigência do contrato, alguns trabalhadores da empresa terceirizada deixaram de receber salários e verbas
rescisórias. Entre esses trabalhadores estava Ana Clara, que atuava como auxiliar de limpeza.
 
Ana Clara ingressou com uma reclamação trabalhista contra a empresa terceirizada e incluiu o município de
São Bernardo como responsável subsidiário, alegando que a administração pública, como tomadora de
serviços, falhou em seu dever de fiscalização.
 
Com base no princípio da proteção ao trabalhador e nas normas brasileiras de terceirização, discuta se o
município deve ou não ser condenado subsidiariamente, considerando o entendimento jurisprudencial sobre o
ônus da prova, a responsabilidade subsidiária e as obrigações do ente público na fiscalização das obrigações
trabalhistas da contratada.
Fundamentação Jurídica
Para resolver o caso, os alunos devem considerar as seguintes normas e princípios, confira.
1
Constituição Federal de 1988
Art. 37, que trata dos princípios da administração pública, especialmente os princípios da
moralidade e da eficiência, e Art. 5º, inciso XXXV, que garante o acesso à Justiça.
2
Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações e Contratos)
Art. 71, § 1º, que estabelece que o inadimplemento das obrigações trabalhistas pela contratada não
transfere automaticamente a responsabilidade ao ente público, salvo em caso de culpa in vigilando
ou in eligendo.
3
CLT - Consolidação das Leis do Trabalho
Art. 818, que versa sobre o ônus da prova, especialmente no que diz respeito a demonstrações de
fiscalização pelo ente público.
4
Lei nº 13.467/2017 (Reforma Trabalhista)
Impacto nas relações de terceirização e nos critérios de responsabilidade das empresas
contratantes.
Os alunos devem também relacionar esses artigos ao princípio da proteção do trabalhador, inerente ao direito
do trabalho, o qual confere ao juiz o poder de, em casos de omissão de fiscalização, impor responsabilidade
ao ente público, ainda que subsidiária.
Jurisprudência
A análise dos alunos deve considerar precedentes relevantes do TST e do STF, que elucidam a aplicação da
responsabilidade subsidiária na terceirização envolvendo entes públicos. Destacam-se as seguintes decisões:
 
Tema de Repercussão Geral nº 246 do STF: No Recurso Extraordinário nº 760.931, o STF firmou
entendimento de que o inadimplemento das obrigações trabalhistas pela empresa terceirizada não
transfere automaticamente ao ente público a responsabilidade pelos encargos, salvo prova de que o
ente público foi omisso na fiscalização das obrigações da contratada.
 
Súmula nº 331 do TST: Em especial, os incisos V e VI, que preveem a responsabilidade subsidiária do
tomador de serviços na terceirização, caso comprovada a falha na fiscalização das obrigações
trabalhistas pela empresa prestadora.
 
Julgado TST AIRR 0011284-12.2021.5.15.0071: Este julgado reafirma o entendimento de que incumbe ao
ente público o ônus de demonstrar que realizou a fiscalização. Caso contrário, a responsabilidade
subsidiária pode ser imposta.
 
Essas jurisprudências abordam a necessidade de fiscalização efetiva por parte da administração pública. A
ausência de provas nesse sentido por parte do ente público justifica a imposição de responsabilidade
subsidiária.
Discussão Doutrinária
Para aprofundar o entendimento teórico, recomenda-se que os alunos se apoiem em doutrinas sobre os
princípios da responsabilidade subsidiária, da proteção ao trabalhador e do ônus da prova em direito
processual trabalhista. Autores que discutem a teoria da culpa in vigilando e in eligendo (ex. Nascimento,
Martins) são especialmente relevantes para compreender as nuances da responsabilidade do tomador de
serviços na terceirização.
 
Além disso, é fundamental que os alunos considerem a teoria da distribuição dinâmica do ônus da prova,
conforme abordada no Direito Processual do Trabalho, e suas implicações para o poder público. A aplicação
do Art. 818 da CLT, especialmente na forma prevista pela Instrução Normativa 39 do TST, orienta os juízes
trabalhistas a exigirem do ente público a comprovação de que a fiscalização foi efetiva. Essa doutrina ressalta
que o ônus da prova pode ser adaptado conforme as circunstâncias do caso e que, em situações onde o
controle da documentação trabalhista é mais facilmente realizado pelo tomador de serviços, cabe a este
comprovar sua efetiva fiscalização.
 
Por fim, a doutrina sobre as presunções legais e a proteção ao trabalhador também oferece bases importantes
para justificar a imposição de responsabilidade subsidiária ao município no caso de falhas de fiscalização. A
presunção de veracidade da jornada alegada pelotrabalhador, por exemplo, é aplicada quando o empregador
não mantém os registros devidos (Súmula 338 do TST), sendo possível fazer analogia à falta de fiscalização
do ente público.
Questão 1
Na qualidade de advogado(a), elabore uma argumentação cabível para defender os interesses de seu cliente,
no caso jurídico proposto. Utilize os componentes essenciais da argumentação jurídica: base factual do caso,
normas legais pertinentes, jurisprudência aplicável, doutrina relevante e um raciocínio lógico que conecte os
fatos à conclusão defendida. Fundamente sua argumentação com referência nos termos da legislação
brasileira vigente.
Chave de resposta
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Argumentação para Defesa dos Interesses do Município de São Bernardo
1. Base Factual do Caso
O município de São Bernardo contratou a empresa Serviços Gerais e Manutenção Ltda. para realizar
serviços de limpeza e conservação. Durante o contrato, a empresa terceirizada não honrou seus
compromissos trabalhistas com Ana Clara e outros funcionários. Ana Clara então ajuizou uma reclamação
trabalhista buscando a responsabilização subsidiária do município, alegando ausência de fiscalização. O
município, entretanto, alega ter cumprido seu dever de fiscalização em conformidade com as exigências
legais e defende a improcedência do pedido de responsabilidade subsidiária.
2. Normas Legais Pertinentes
Para fundamentar a defesa, citamos as seguintes normas e princípios:
Lei nº 8.666/93 (Lei de Licitações e Contratos), especialmente o Art. 71, § 1º: "O inadimplemento
dos encargos trabalhistas dos empregados do contratado não transfere automaticamente ao Poder
Público contratante a responsabilidade pelo seu pagamento, seja em caráter solidário ou
subsidiário".
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), Art. 818: Estabelece o ônus da prova no direito processual
trabalhista, sendo essencial que a parte que alega descumprimento da fiscalização comprove a
omissão do ente público.
Súmula Vinculante nº 10 do STF: Reforça que a imposição de responsabilidade subsidiária ao ente
público deve observar os critérios objetivos estabelecidos na legislação, especialmente em
contratos com prestadoras de serviço.
3. Jurisprudência Aplicável
Recurso Extraordinário nº 760.931 (Tema 246 do STF): O STF consolidou o entendimento de que a
responsabilidade subsidiária do ente público não ocorre de forma automática em casos de
inadimplemento trabalhista por empresa terceirizada. A decisão especifica que, para que o
município seja responsabilizado, deve ser demonstrada omissão culposa em seu dever de
fiscalização, conforme estabelecido pela ADC nº 16.
Súmula 331, incisos V e VI, do TST: Determina que o reconhecimento da responsabilidade
subsidiária do tomador de serviços, especialmente o ente público, só é possível quando
comprovada a falha na fiscalização das obrigações trabalhistas da empresa contratada.
4. Doutrina Relevante
A doutrina especializada é clara ao estabelecer que a responsabilidade subsidiária da administração
pública em contratos de terceirização deve ser fundamentada na existência de uma culpa comprovada. O
princípio da culpa in vigilando, aplicado a estes casos, exige que o reclamante traga elementos probatórios
da omissão do ente público.
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Autores como Sérgio Pinto Martins (Processo do Trabalho) argumentam que o ônus de provar a ausência
de fiscalização cabe ao trabalhador, pois o princípio da presunção da inocência aplicável à administração
pública exige que a omissão seja demonstrada antes de se impor qualquer tipo de responsabilidade. Esse
entendimento é reforçado pelo princípio da continuidade do contrato administrativo, que prevê que o ente
público deve ser considerado como parte alheia ao inadimplemento da contratada, salvo prova de
negligência.
5. Raciocínio Lógico
Para defender o município de São Bernardo, o raciocínio lógico parte dos seguintes pontos:
Ausência de Responsabilidade Automática: O Art. 71, § 1º, da Lei 8.666/93 e o entendimento do STF
no Tema 246 firmam que a responsabilidade subsidiária não se aplica de forma automática. Como a
terceirização é lícita, a responsabilidade só pode ser imputada ao município caso seja provada
omissão culposa, o que, até o momento, não foi evidenciado nos autos.
Prova do Dever de Fiscalização Cumprido: O município realizou auditorias periódicas e exigiu
comprovantes de pagamentos trabalhistas da contratada, tomando medidas que asseguram a boa-
fé e a diligência necessária à gestão do contrato. A simples inadimplência da empresa não configura
culpa in vigilando, especialmente se o município demonstrar que tomou medidas de fiscalização
razoáveis.
Princípio da Continuidade do Serviço Público e da Eficiência: Segundo a Lei de Licitações e a
interpretação doutrinária de que o ente público é considerado alheio às obrigações trabalhistas da
contratada, o cumprimento do contrato se dá de forma subsidiária e apenas quando verificada
culpa pela ausência de fiscalização. Sem essa prova, a responsabilização do ente público fere o
princípio da continuidade, além de contrariar a eficiência administrativa.
Distribuição do Ônus da Prova: A aplicação do Art. 818 da CLT, que trata do ônus da prova, é
favorável ao município, pois não cabe ao ente público comprovar a regularidade de cada ato da
contratada, mas apenas demonstrar que adotou práticas de fiscalização. Assim, o reclamante deve
trazer provas da omissão do município, nos moldes da teoria da distribuição dinâmica do ônus da
prova.
6. Conclusão
Diante do exposto, requer-se o afastamento da responsabilidade subsidiária do município de São
Bernardo, uma vez que não houve omissão culposa. O município cumpriu com as exigências de fiscalização
e transparência, limitando sua atuação conforme a legislação vigente e as diretrizes fixadas pelo STF e
TST. Portanto, por falta de prova robusta de negligência por parte do município, é improcedente o pedido
de responsabilidade subsidiária.
Assista ao vídeo a seguir para obter mais explicações sobre o assunto.
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Para saber mais sobre esse conteúdo, acesse: 
1. 
2. 
3. 
4. 
Tema: Processo do trabalho
Módulo: Provas
Título: Fatos que independem de prova 
“No que diz respeito aos fatos que são objeto de confissão, cabe duas ressalvas. Os casos de confissão
ficta, de natureza relativa, admitem prova em contrário. É o que ocorre no caso do preposto que revela
desconhecimento dos fatos da lide 
nos termos do §1o do artigo 843 da CLT ou o caso previsto na Súmula 74, item I e III do TST (referente à
confissão por ausência à audiência de instrução, apesar da intimação). Por igual, mesmo uma confissão
real, de natureza absoluta, quando presente conluio entre as partes, o magistrado pode valer-se de seu
poder-dever de buscar a verdade real. “
Agravo de Instrumento em Recurso de Revista nº TST- AIRR - 0011284-12.2021.5.15.0071
Desafio 1
Diante de uma reclamação trabalhista, Ana Clara incluiu o município de São Bernardo como responsável
subsidiário pela falta de pagamento de salários e verbas rescisórias pela empresa terceirizada. O município,
por sua vez, alegou que a responsabilidade não é automática e que não há omissão de sua parte na
fiscalização das obrigações trabalhistas. A quem cabe o ônus de provar a efetiva fiscalização por parte do
município?
A À reclamante, Ana Clara, pois o pedido de responsabilização subsidiária é dela. 
B À empresa terceirizada, pois é a devedora principal das verbas rescisórias. 
C Ao município de São Bernardo, que deve demonstrar a ausência de culpa in vigilando. 
D Ao município, mas somente se houver indícios concretos de omissão. 
E A ambas as partes, de forma compartilhada, uma vez que se trata de responsabilidade subsidiária.
A alternativa C está correta.
Nos termos do artigo 818 da CLT e do artigo 373 do CPC, cabe ao tomador de serviços (neste caso, o ente
público) demonstrar que houve efetiva fiscalização do cumprimento das obrigações trabalhistas por parte
da empresa contratada.

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