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Provas
Prof. Marcos Dias de Castro
Descrição
Estudo do instituto das provas no Direito Processual do Trabalho.
Propósito
Conhecer e dominar todos os aspectos que envolvem a prova no Direito
Processual do Trabalho é aspecto essencial para o desenvolvimento de
todos os profissionais que atuam na Justiça do Trabalho. É preciso que
os operadores do Direito conheçam as questões técnicas que envolvem
este instituto crucial para um bom desempenho profissional e vitória nas
lides trabalhistas.
Preparação
Antes de iniciar o estudo, tenha em mãos uma versão atualizada do
Código de Processo Civil (CPC) e da Consolidação das Leis do Trabalho
(CLT).
Objetivos
Módulo 1
Objeto e ônus da prova
Reconhecer o objeto e o ônus da prova nas demandas trabalhistas.
Módulo 2
Produção antecipada de prova
Analisar o procedimento da produção antecipada de provas e sua
aplicabilidade na Justiça do Trabalho.
Módulo 3
Meios de prova
Identificar as principais questões sobre os meios de prova no Direito
Processual do Trabalho.
Introdução
Saber o que é necessário provar e quem tem o ônus de provar
são circunstâncias que não podem ser desprezadas quem milita
na Justiça do Trabalho. Como compreender o disposto no artigo
818 da CLT? Em que casos já se aplicava a possibilidade de
inversão do ônus da prova, antes da Lei nº 13.467 de 2017? Serão
questões abordadas neste conteúdo.
O instituto da produção antecipada de provas também merece
atenção especial, já que, malgrado sua previsão estar inserida no
Código de Processo Civil, sua aplicabilidade na seara trabalhista

é inquestionável. Serão abordados, ainda, meios de prova
aplicáveis à Justiça do Trabalho, em especial o depoimento das
partes, as provas documental, testemunhal e pericial, além da
inspeção judicial.
Todos os temas são essenciais para um trabalho de excelência
na área trabalhista. Vamos saber mais sobre eles?
1 - Objeto e ônus da prova
Ao �m deste módulo, você será capaz de reconhecer o objeto da prova e o ônus da prova nas
demandas trabalhistas.
Conceito de prova
A palavra prova é originária do latim probatio, que emana do verbo
probare, significando examinar, persuadir e demonstrar. De nada adianta
à parte ser efetivamente detentora do direito material se não conseguir
demonstrá-lo em juízo, persuadindo o magistrado quanto à sua
existência.
Pode-se conceituar a prova como todos os meios considerados idôneos
pela lei para demonstrar a existência ou não de um fato jurídico. Ou, de
uma forma mais genérica, pode-se conceituar a prova como o conjunto
de informações que o magistrado tem para resolver o conflito de
interesses que lhe é submetido. Há, pois, uma concepção nos sentidos:
Objetivo
Da prova relacionada à atividade de provar ou aos meios com que tal
atividade se desenvolve.
Subjetivo
Diz respeito ao resultado que tal atividade produz no espírito do juiz, que
então, reputa comprovada ou não, determinada alegação da parte.
Torna-se importante frisar que a finalidade da prova é, num primeiro
plano, a formação da convicção do órgão julgador. Trata-se de questão
intuitiva de que o primeiro e fundamental destinatário da prova é o
julgador, conforme dispõe o artigo 369 do CPC, que destaca a prova
como meio que se destina a influir eficazmente na convicção do juiz.
Ressalte-se, contudo, que a concepção moderna de processo, mormente
diante do disposto no artigo 6º do CPC, sustenta que todos os sujeitos
processuais, parciais ou imparciais, são destinatários da prova. De
forma mediata ou indireta, pode-se firmar que todos aqueles que
possam basear seu comportamento em sociedade com base no que
será decidido, também são destinatários da prova. Ainda mais no atual
sistema de precedentes trazido a lume pelo CPC de 2015, em que os
resultados vinculam judicial e extrajudicialmente não apenas os que
participam do processo.
Objeto da prova
Prova-se o que é necessário provar segundo o princípio da necessidade
da prova. Alegações das partes em juízos não são suficientes, como
regra, para demonstrar a verdade ou não de determinado fato. É
necessário que a parte faça a prova de suas alegações em juízo, pois
fatos não provados são tidos por inexistentes no processo.
Contudo, torna-se necessário observar que nem todos os fatos devem
ser comprovados, somente aqueles que se relacionam com a lide, ou
ainda, que sejam relevantes para a solução da demanda. Em síntese, os
fatos que merecem comprovação são aqueles:
Pertinentes à causa
Relacionam-se diretamente com a litiscontestação.
Controversos
São objeto de resistência pela outra parte quanto à sua efetiva
existência.
Inverossímeis
Sua existência escapa ao juízo comum do “homem médio”.
Contudo, alguns casos merecem análise mais detalhada.
Fatos que independem de prova
É o CPC que, no artigo 374, elenca os fatos que não dependem de prova.
Citamos os fatos notórios, os fatos afirmados por uma parte e
confessados pela parte contrária (fatos confessados), os fatos
admitidos no processo (fatos incontroversos) e os fatos que têm em
seu favor uma presunção legal de existência ou veracidade (fatos
presumidos).
Quanto aos fatos notórios, são aqueles inerentes à cultura mediana em
determinada sociedade, considerando o momento de resolução do
conflito.
Exemplo
A morte de um pai, empregado de uma empresa, decorrente de acidente
de trabalho por culpa do empregador. É evidente que o filho ao ajuizar a
demanda não precisa comprovar o dano moral, neste caso, in re ipsa.
Outro caso é o uso indevido da imagem do trabalhador, sem sua
autorização expressa.
No que diz respeito aos fatos que são objeto de confissão, cabe duas
ressalvas. Os casos de confissão ficta, de natureza relativa, admitem
prova em contrário. É o que ocorre no caso do preposto que revela
desconhecimento dos fatos da lide, nos termos do §1º do artigo 843 da
CLT ou o caso previsto na Súmula 74, item I e III do TST (referente à
confissão por ausência à audiência de instrução, apesar da intimação).
Por igual, mesmo uma confissão real, de natureza absoluta, quando
presente conluio entre as partes, o magistrado pode valer-se de seu
poder-dever de buscar a verdade real.
Essa última ressalva também cabe no que diz respeito
aos fatos incontroversos, bem como àqueles que estão
cobertos por alguma presunção, tanto a relativa (juris
tantum) quanto a absoluta (jure et de jure).
Mais uma vez, presunções relativas, tanto legais quanto jurisprudenciais
(como aquelas previstas nas Súmulas 12, 16, 43, 212 e 443 do TST),
também admitem prova em sentido contrário, sendo certo que o inciso
IV do artigo 374 do CPC diz respeito às presunções legais absolutas.
Por fim, uma palavra sobre as “máximas de experiência”, instituto de uso
comum por magistrados trabalhistas na resolução das demandas que
lhes são submetidos. Estamos falando de conhecimentos adquiridos
pelo juiz, tanto por sua cultura pessoal quanto pelo exercício funcional,
que o faz presumir a existência de determinadas situações ou coisas.
Exemplo
Vamos pensar no labor extraordinário no ramo do comércio na época
das festas de fim de ano: é comum que vendedores trabalhem mais,
visando à época propícia para maiores ganhos. O juiz pode presumir a
existência de fatos que as regras de experiência comum ou técnica,
derivadas de seu exercício funcional ou da observação do cotidiano da
vida, lhe pareçam razoáveis. Há autorização no artigo 375 do CPC e no
artigo 852-D da CLT.
Contudo, tem-se presunção relativa, que admite prova em sentido
contrário, não se enquadrando especificamente nas regras do artigo 374
do CPC.
Prova do Direito e instrumentos normativos
Sendo o Direito material e Processual do Trabalho ramos jurídicos que
cabem à União Federal legislar, nos termos do artigo 22, inciso I da
Constituição, será bastante incomum a necessidade de prova de Direito
estadual ou municipal. Em regra, o juiz não necessita da comprovação,
já que iura novit curia, sendo obrigação do magistrado o conhecimento
das regras jurídicasque lhe cabe aplicar aos casos concretos.
Contudo, a regra prevista no artigo 376 do CPC, permite ao juiz
determinar a comprovação dos costumes específicos de determinadas
categorias profissionais ou econômicas, bem como direito municipal ou
estadual que eventualmente se apliquem à relação de direito material
que é objeto de discussão judicial.
No que tange ao Direito estrangeiro, a mesma regra se impõe. É que
dada a competência internacional da Justiça do Trabalho fixada no §2º
do artigo 651 da CLT, o juiz do trabalho pode se deparar com relação de
emprego com atividades no exterior, submetida à legislação de direito
material alienígena (caso mais favorável, nos termos da Lei nº
7.064/82). Também neste caso, caberá ao magistrado determinar ou
não, a comprovação da legislação suscitada pelas partes, também nos
termos do artigo 376 do CPC.
Resta-nos a questão das normas coletivas ou instrumentos normativos.
O juiz tem a obrigação de conhecer os acordos
coletivos e convenções coletivas que se aplicam à
relação jurídica de direito material existente entre as
partes?
Neste aspecto, três posições se formaram. Vamos conferir!
 Com base no princípio da conexão que informa o
processo eletrônico e no princípio da cooperação
(artigo 6º do CPC), defende-se que cabe ao juiz
buscar o instrumento normativo respectivo,
acessando, para tanto, o sistema “mediador”
mantido pelo Ministério do Trabalho e Emprego em
seu sítio na rede mundial de computadores, onde se
encontram registrados todos os instrumentos
normativos em todas as bases territoriais do Brasil.
Não haveria qualquer desculpa para eventual
alegação de desconhecimento da norma coletiva
por parte do Judiciário.
 Defende-se que, para instrumentos normativos, não
se aplica o princípio do jura novit curia, havendo a
necessidade de comprovação do conteúdo e da
vigência da norma coletiva, aplicando-se, por
analogia, o artigo 376 do CPC. Caberia ao
magistrado conceder prazo para tal comprovação e,
caso houvesse inércia da parte, o pedido
fundamentado no acordo ou na convenção coletiva
seria julgado improcedente.
Ônus da prova na Justiça do Trabalho
Ônus da prova e teorias relacionadas
Confira agora o ônus da prova no Processo do Trabalho e as teorias que
o explicam.
Do ponto de vista etimológico, ônus quer dizer carga, fardo, gravame.
Em verdade, porque o juiz está obrigado a julgar, não lhe é possível
abdicar deste dever sobre a alegação de que prova nada lhe diz. Numa
primeira aproximação técnica, pode-se dizer que as regras de ônus da
prova servem ao auxílio do magistrado em seu poder-dever de julgar, já
que à míngua de provas que lhe convençam o espírito quanto às
alegações da parte, pode julgar contra a parte que detinha o ônus da
prova.
 Muito similar à segunda corrente detalhada, difere,
apenas, na consequência, já que a inércia da parte
implicaria a extinção sem resolução do mérito em
razão da ausência de juntada de documento
indispensável para a resolução da lide, com base no
disposto na Súmula 263 do c. TST. Seria solução
benéfica para as partes, pois não se submeteria ao
manto da coisa julgada material.

O ônus da prova é o encargo (ou dever processual) que incumbe às
partes, que descumprido, gera para a parte recalcitrante uma situação
jurídica de desvantagem. Há quem divida o instituto em:
Ônus da prova objetivo
Refere-se às regras de julgamento dirigidas ao julgador, a fim de orientá-
lo na decisão na situação de “insuficiência” ou “inexistência” de provas.
Ônus da prova subjetivo
Refere-se às regras dirigidas às partes, que disciplinam quais fatos e em
que circunstâncias lhes incumbem o encargo probatório.
Existem várias maneiras de se distribuir esse encargo entre as partes,
sendo que o Direito Processual brasileiro disciplina, basicamente, três
formas:
 Regra geral
Trata-se da distribuição estática ou legal, na qual a
própria lei distribui o ônus probatório seguindo
critérios pré-determinados.
 Regra de distribuição dinâmica ou �exível
Trata-se da distribuição do ônus feita pelo juiz,
sendo realizada de forma dinâmica, à luz do caso
concreto que lhe é submetido.
 Regra de distribuição convencional
Trata-se de quando as partes, através de negócio
jurídico processual típico, ajustam de quem será o
encargo probatório (artigo 373, §3º do CPC).
O Direito Processual do Trabalho, contudo, admite apenas as duas
primeiras formas de distribuição do ônus da prova. É que as regras
processuais trabalhistas se revestem de uma imperatividade específica,
em razão do princípio da proteção. Nesse sentido, a Instrução
Normativa 39 de 2016 do TST, no artigo 3º, inciso VII, afastou a
aplicação da distribuição do ônus da prova por convenção das partes.
Teoria estática do ônus da prova
A regra geral no Direito Processual do Trabalho é prevista no artigo 818,
incisos I e II da CLT, que repete o disposto no artigo 373, incisos I e II do
CPC, apenas com a substituição dos termos “autor” e “réu” por
“reclamante” e “reclamado”.
Por fato constitutivo, temos o fato gerador do direito afirmado pelo
reclamante em juízo.
Em outras palavras, é dever do reclamante comprovar o fato que
determinou o nascimento de seu direito. Assim, cabe ao trabalhador
reclamante comprovar o ato ilícito do empregador que lhe gerou danos
materiais ou morais, ou ainda, comprovar o vício de manifestação de
vontade para anular um pedido de demissão. Tudo com base no artigo
818, inciso I da CLT.
Contudo, o reclamado pode deduzir fatos impeditivos ao direito do autor,
vale dizer, fatos cuja existência obsta a produção de efeitos ao fato
constitutivo, pois impede o nascimento do direito. Os fatos impeditivos
são sempre “conaturais” ao fato gerador (constitutivo), e invalida seus
efeitos no nascedouro do direito. Como exemplo, podemos citar os
casos em que o reclamado invoca uma das hipóteses dos incisos I e II
do artigo 62 da CLT, devendo comprovar a condição de “externo” do
trabalhador ou de exercente de “cargo de gestão”.
Já os fatos modificativos são aqueles que enxertam modificação nos
fatos suscitados pelo autor que lhe alteram a natureza ou configuração.
Os fatos constitutivos ocorrem, mas não geram o direito na forma em
que narrada pelo reclamante.
Exemplo
Imagine um caso de acidente de trabalho, que não é negado, mas o
reclamado invoca culpa exclusiva da vítima. Nesse cenário, será do
empregador o ônus de comprovar o fato modificativo.
Por fim, os fatos extintivos são aqueles que retiram a eficácia dos fatos
constitutivos. Estes ocorrem, mas têm os seus efeitos retirados pelo
fato extintivo, que os tornam inexigíveis. Como exemplo, podemos citar
as alegações de pagamento (quitação) ou compensação das horas
extras eventualmente laboradas. Será do reclamado o ônus de
comprovar tais fatos extintivos.
A jurisprudência elenca vários casos de aplicação da distribuição
estática do ônus da prova. O caso da prova na equiparação salarial,
conforme Súmula 6, item VI do TST é paradigmático, eis que deixa
evidente que os fatos constitutivos do direito do autor, identidade de
funções e labor para o mesmo empregador, incumbe ao trabalhador.
Todos os demais requisitos do artigo 461 da CLT, por enquadrarem-se
no inciso II do artigo 818 da CLT, devem ser demonstrados pelo
reclamado, caso sejam invocados em sua peça de defesa.
Exemplos paradigmáticos de aplicação da teoria estática encontram-se
expressos nas Súmulas 460 e 461 do TST. Ela deixa claro que, quando
uma empresa reclamada nega a inexistência de diferenças de FGTS,
está, em última análise, alegando fato extintivo do direito do autor, qual
seja, o efetivo recolhimento de todos os depósitos. A primeira, por sua
vez, demonstra que, quando a empresa nega o direito ao vale transporte,
atrai para si o ônus da prova, pois, em verdade, está alegando fato
impeditivo, qual seja, a ausência dos requisitos indispensáveis para a
concessão do benefício.
Por fim, importa mencionar que tem se admitido, na jurisprudência,situações atípicas que não redundam em inversão do ônus da prova.
Teoria dinâmica do ônus da prova
A teoria dinâmica permite ao magistrado, de acordo com o caso
concreto, distribuir o ônus da prova de forma diversa daquela prevista
como regra geral (teoria estática), em razão de expressa determinação
legal (inversão ope legis ou legal) ou em razão de circunstâncias do
caso concreto (inversão ope judicis ou judicial).
Há vários casos de inversão legal do ônus da prova como os casos do
artigo 14, §3º, inciso I do CPC e do artigo 38 do CDC. Contudo, na seara
trabalhista, os casos mais proeminentes são os de inversão judicial,
mormente aqueles baseados em presunções, princípios ou na exigência
de prova pré-constituída. Fato é que a previsão para a aplicação da
teoria dinâmica encontra-se no artigo 818, §1º da CLT.
Especificamente, a inversão judicial submete-se a certos pressupostos
que podemos sintetizar da seguinte forma:
 A presença de um dos pressupostos materiais,
quais sejam, a impossibilidade ou excessiva
difi ld d d t i
É notório que a decisão interlocutória que inverte o ônus da prova,
embora desafie agravo de instrumento no Direito Processual Civil
(conforme artigo 1015, XI do CPC e acórdão do STJ no REsp 1.802.025-
RJ), não há recurso cabível na seara trabalhista, em razão do princípio
da irrecorribilidade das decisões interlocutórias.
A inversão judicial do ônus da prova já era prática comum na Justiça do
Trabalho, com a chancela inclusive do TST através de súmulas
específicas.
Vejamos alguns casos específicos:
O caso previsto na Súmula 212 do TST implica clara inversão do ônus da
prova, em razão de uma presunção decorrente do princípio da
continuidade da relação de emprego. Assim, ao empregador incumbe o
ônus de provar o término do contrato de trabalho quando negados a
prestação de serviços e o despedimento do trabalhador.
Outro caso digno de nota é o da Súmula 443 do TST que, claramente,
inverte o ônus da prova quando o trabalhador dispensado for portador
de doença grave que suscite estigma ou preconceito (como a AIDS).
Nesses casos, já há uma presunção de dispensa discriminatória,
dificuldade para uma das partes em cumprir o
encargo probatório, segundo a teoria estática, ou
ainda, a maior facilidade de obtenção da prova do
fato contrário pela outra parte.
 A presença dos pressupostos formais, quais sejam,
decisão interlocutória motivada e que seja proferida
antes da abertura da instrução (para propiciar,
inclusive, o adiamento da audiência), nos termos do
§2º do artigo 818 da CLT.
 A ausência do pressuposto negativo, ou seja, que a
inversão não gere situação em que a
desincumbência do encargo pela parte seja
impossível ou excessivamente difícil (prova
diabólica, nos termos do §3º do artigo 818 da CLT).
incumbindo ao empregador o ônus de comprovar que a dispensa desse
trabalhador não ocorreu.
Por fim, citamos os casos previstos na Súmula 338 do TST. No item I,
temos o caso do empregador que, nos termos do §2º do artigo 74 da
CLT, é obrigado a manter registro de jornada de trabalho de seus
empregados. A omissão do empregador gera presunção de veracidade
da jornada de trabalho alegada pelo trabalhador, que pode ser elidida
por prova em contrário, que deverá ser produzida pelo reclamado. Típico
caso de inversão do ônus probatório, já que, inicialmente, a prova seria
do empregado por se tratar de fato constitutivo de seu direito.
O item III da Súmula 338 do TST também gera inversão do ônus da
prova, pois parte da premissa de que controles de jornada com horários
invariáveis são imprestáveis como meio de prova. Logo, passa a ser do
empregador o ônus de demonstrar a inexistência de horas extras
também nesses casos.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em ação trabalhista, João requereu a condenação da Empresa
DADOS ELETRÔNICOS S/A pelo não recolhimento do FGTS. O autor
não juntou os extratos do FGTS. A reclamada negou os fatos
narrados na inicial e afirmou que todos os depósitos foram
recolhidos durante a contratualidade. Nenhum documento foi
juntado. Diante de tais fatos, assinale a alternativa correta.
A
O pedido deve ser julgado improcedente, pois era
ônus do autor demonstrar a insuficiência de
depósitos.
B
O pedido deve ser julgado procedente, pois era ônus
do réu comprovar o recolhimento dos depósitos.
Parabéns! A alternativa B está correta.
Se houve alegação de correto recolhimento, a parte ré atraiu para si
o ônus da prova (fato extintivo do direito do autor), conforme a
Súmula 461 do TST.
Questão 2
Em audiência trabalhista, o juiz recebeu a defesa da Empresa XYZ
S/A e diante das circunstâncias do caso concreto, proferiu decisão
de inversão do ônus da prova em desfavor da reclamada. Como a
empresa não tinha testemunhas, por entender que o ônus caberia
ao trabalhador, o juiz adiou a audiência para 30 dias depois. Qual o
recurso cabível em face dessa decisão?
C O juiz deve extinguir o feito sem resolução do
mérito, já que o autor não juntou documento
obrigatório (extratos do FGTS).
D
O pedido deve ser julgado improcedente, por falta
de provas.
E
O juiz deve conceder prazo às partes para que
comprovem suas alegações.
A
Recurso ordinário, nos termos do artigo 895, I da
CLT.
B
Agravo de instrumento, nos termos do artigo 1015,
XI do CPC.
C
Agravo de petição, nos termos do artigo 897, “a” da
CLT.
D
Recurso de revista, nos termos do artigo 896, “a” da
CLT.
Parabéns! A alternativa E está correta.
A decisão que inverte o ônus da prova tem natureza de decisão
interlocutória. Então, não há nenhum recurso cabível conforme o
disposto no §1º do artigo 893 da CLT.
2 - Produção antecipada de prova
Ao �m deste módulo, você será capaz de analisar o procedimento da produção antecipada de
provas e sua aplicabilidade na Justiça do Trabalho.
Conceito e natureza jurídica
A produção antecipada de prova é regulamentada nos artigos 381 a 383
do Código de Processo Civil. Ainda que a CLT seja silente a respeito, não
há qualquer dúvida de que tal instituto é aplicável na seara trabalhista,
em razão da omissão na legislação obreira e também da
compatibilidade do instituto com as regras processuais laborais, nos
termos do artigo 769 da CLT.
Anteriormente tratada como ação cautelar, o CPC de 2015 passou a
reconhecer um direito autônomo à produção da prova, totalmente
E
Nenhum recurso, em razão do disposto no artigo
893, §1º da CLT.
independente dos fatos correlacionados às questões de direito material
cuja existência a prova pretende demonstrar (YARSHELL, 2016, p. 1150).
Comentário
Fato é que o próprio artigo 381 do CPC deixa cristalina a circunstância
de que a prova produzida no PAP (como passaremos a denominar o
instituto), não se vincula, sine qua non, a um futuro processo ou a uma
“ação principal”, já que é possível celebrar acordo extrajudicial (inciso II
do artigo 381 do CPC) ou mesmo não ingressar com a demanda, a partir
da percepção da parte de que não é titular de qualquer direito material
(inciso III do artigo 381 do CPC).
Evidentemente, malgrado o mencionado anteriormente, o PAP pode
assumir a condição de “ação preparatória”, na medida em que evita o
risco de se perder a oportunidade de produção efetiva da prova.
Podemos citar como exemplos trabalhistas os seguintes:
A oitiva de uma testemunha gravemente enferma, mas que tenha
participado do evento que ocasionou um acidente de trabalho com
o trabalhador.
O iminente fechamento do estabelecimento empresarial, razão pela
qual se faz realizar perícia (OJ 275 da SDI-1 do TST).
A produção de prova documental que se encontra em poder do
empregador para que se possa verificar a viabilidade da demanda
e/ou liquidar os pedidos.
Por fim, quanto à natureza jurídica, há certa controvérsia na doutrina.
Didier Jr. et al. (2016, p. 142), por exemplo, defende tratar-se de
jurisdição voluntária, negando ao PAP o caráter cautelar. Outra corrente,
citando Yarshell (2016,p. 1165), defende o caráter tipicamente
jurisdicional, não se tratando de simples procedimento de jurisdição
voluntária.
Em verdade, o instituto possui claro caráter de jurisdição voluntária, já
que o Poder Judiciário age de forma imparcial, velando pela tutela dos
interesses das partes, mas não emite juízo de valor sobre a prova
obtida. No seu procedimento, como termos oportunidade de descrever,
não se admite defesa, interposição de recursos (como regra geral),
razão pela qual a decisão final não resulta de atividade cognitiva
exauriente nem se reveste de coisa julgada material.
Interesse de agir
É lição conhecida que o interesse de agir se configura por:
Necessidade
O meio escolhido é
imprescindível para
satisfazer a sua
pretensão.
Utilidade
O meio escolhido
possui aptidão para
produzir os efeitos
desejados.
Nesse passo, cumpre-nos descrever quando se consubstancia o
interesse de agir para que as partes possam se valer do instrumento em
estudo.
Em geral, não há necessidade de que se indique o pedido a ser
formulado em ação futura, pois, como já dito, a produção antecipada de
prova não está vinculada a um processo principal, que pode não vir a
existir. Contudo, em algumas circunstâncias, ainda mais na seara
trabalhista, a indicação do direito material pode ser necessária para
deflagar a utilidade da ação de produção de provas.
Exemplo
Se o trabalhador deseja averiguar a correção do pagamento das horas
extras que foram laboradas e registradas nos controles de jornada, deve
postular, além da exibição dos controles de ponto, também dos recibos
salariais, pois só assim conseguir aferir a regularidade do pagamento.
Caso postulasse a oitiva de uma testemunha, o interesse utilidade no
procedimento não estaria presente, dado o direito material invocado
pela parte.
Portanto, já na petição inicial da produção antecipada de provas, torna-
se necessário identificar o interesse-necessidade e o interesse-utilidade
do procedimento, sob pena de indeferimento liminar.
Cabimento para prova documental
Questão controvertida diz respeito ao cabimento da ação de produção
antecipada de provas para obter prova documental. Theodoro Jr. (2015,
p. 917) e Didier Jr. (2016, p. 235) excluem a prova documental daquelas
que podem ser objeto do PAP, porque já existe o procedimento de
exibição de documentos, que pode acontecer, inclusive, no curso da
ação principal já ajuizada (artigo 396 a 404 do CPC).

Contudo, não nos parece ser a melhor posição. O incidente de exibição
de documentos ainda persiste, mas tem natureza exclusivamente
incidental. Todavia, parece-nos que nada há na regulamentação legal da
produção antecipada de provas que exclua a prova documental, não
cabendo intepretação restritiva do disposto nos artigos 381 a 383 do
CPC. Até porque o uso do PAP pode ser necessário para verificar a
viabilidade ou não da ação judicial de natureza contenciosa, sendo a
prova documental, como as demais, importante na formação da
convicção das partes neste aspecto específico.
Atenção!
Na produção antecipada de provas, o juiz não emite juízo de valor sobre
as provas produzidas e não profere decisão que seja de observância
obrigatória para qualquer juiz em processo futuro, razão pela qual as
consequências previstas no incidente de exibição de documentos não
se aplicam ao instituto em exame.
Procedimento
Procedimento da produção
antecipada de provas
Confira agora o procedimento da produção antecipada de provas no
Processo do Trabalho.
Competência
Não há qualquer dúvida quanto à aplicação do instituto à Justiça do
Trabalho. Contudo, a competência da Justiça do Trabalho ocorrerá
quando os fatos subjacentes à relação de direito material existente
entre as partes se inserirem em um dos incisos do artigo 114 da

Constituição. Em apertada síntese, os fatos precisam ser oriundos ou
decorrentes de uma relação de trabalho.
Outro ponto importante diz respeito à competência territorial. Aqui, há
tensão entre o disposto no §2º do artigo 381 do CPC (que prevê a
competência do juízo onde a prova deva ser produzida ou no domicílio
do réu) e o critério clássico do artigo 651 da CLT (lugar da prestação de
serviços). Há claramente a previsão de competência concorrente, muito
criticada pela doutrina, já que a opção pelo foro domicílio do réu poderá
levar à necessidade de uma carta precatória (se o local da prova for
diverso). Em verdade, a regra da competência concorrente prevista no
§2º do artigo 381 do CPC deve se adequar à regra de competência
territorial trabalhista.
Assim, a parte interessada em ajuizar a produção antecipada de provas
deve compatibilizar as duas regras:
Por fim, resta observar que o ajuizamento do PAP não previne a
competência do juízo para ação principal que vier a ser proposta, nos
termos do §3º do artigo 381 do CPC. Assim, a reclamação trabalhista
que vier a ser ajuizada deverá se submeter à livre distribuição, sem
prevenção do juízo onde o PAP tramitou anteriormente.
Fase postulatória
A produção antecipada de provas possui especificidades em seu
procedimento muito marcantes. Não há defesa, nem recursos, salvo,
 Se o foro do domicílio do réu for o local da
prestação de serviços, deve-se optar por tal foro.
 Se o local da prova for o lugar do labor do
trabalhador, este deve ser o foro eleito, mormente
se o foro do domicílio do réu for diverso.
Isso porque as regras de competência territorial
trabalhista têm claro aspecto protetivo e não
podem ser afastadas ab initio, salvo nos casos de
prorrogação da competência.
nesse último caso, em se tratando de decisão que indeferir totalmente a
prova requerida nos termos do §4º do artigo 382 do CPC. Em verdade,
não há necessidade da realização de audiência para recebimento de
defesa (como acontece nos processos trabalhistas em geral), a não ser
que o tipo de prova, cuja produção se deseja, o exija, como nos casos de
prova testemunhal ou depoimento de uma parte).
De toda sorte, citados os interessados, inicia-se o procedimento da
produção da prova, de acordo com o meio de prova requerido pelo autor.
Assim, a prova pericial seguirá o procedimento próprio desse meio de
prova, assim como a prova testemunhal ou documental.
Note-se que é possível às partes cumular a produção de mais de um
meio de prova no mesmo procedimento, desde que relacionada ao
mesmo fato, nos termos do §4º do artigo 382 da CLT. A única ressalva é
se a produção conjunta acarretar excessiva demora, caso em que o
magistrado poderia indeferir a produção de um dos meios requeridos e
determinar a produção do outro meio mais ágil.
No caso específico do Direito Processual do Trabalho, entende-se que
tal cumulação pode acontecer pela causa de pedir remota, vale dizer, por
fatos decorrentes ou oriundos de uma mesma relação de emprego.
Assim, seria possível a produção antecipada de uma prova testemunhal
para comprovação de horas extras ou salário “por fora”, assim como a
produção de prova pericial, tanto para o adicional de insalubridade
quanto de periculosidade, desde que todos esses fatos estejam
inseridos no bojo de uma mesma relação de emprego.
Ainda que o juiz não se pronuncie sobre a prova em si
e não exista defesa em sentido técnico, existem
questões de ordem pública que podem ser objeto de
contraditório.
Por exemplo, questões como a competência do juízo, a falta de
interesse de agir e a inadmissibilidade da prova são matérias que o juiz
poderia conhecer de ofício, sendo possível também às partes invocá-las
no bojo do próprio procedimento.
Quanto ao recurso, como já dito, só cabe em caso de indeferimento total
da prova, conforme parágrafo 3º do artigo 382 do CPC. Todavia, se a
produção da prova acarretar violação a direito líquido e certo da parte,
admite-se o manejo do mandado de segurança.
Exemplo
Imagine um caso em que se viole a intimidade da parte, como na prova
de “geolocalização” do trabalhador, através da requisição junto à
operadora telefônica dos locais onde ele seencontrava, em horários que
nada condizem com o horário de trabalho pactuado entre as partes. O
mandado de segurança, previsto na Lei nº 12.016, de 2019, pode ser
utilizado em casos como o presente, mormente à míngua de recurso
próprio para atacar as decisões interlocutórias proferidas no PAP.
Coisa julgada e consequências para ação principal
Sendo procedimento de jurisdição voluntária, a produção antecipada de
provas não admite contraditório quanto ao direito material decorrente
dos fatos investigados.
Desse modo, as decisões proferidas no PAP não fazem coisa julgada.
Confira!

Nada impede que o juiz da ação principal futura produza prova
indeferida pelo juízo primeiro.

Nada impede que o juiz da ação principal futura entenda que a prova
produzida é insuficiente para formar o seu convencimento.
Embora alguns autores defendam que a ação de produção antecipada
de provas tem aptidão para coisa julgada, no que diz respeito à
existência ou não do direito autônomo à prova, é dominante a visão que
nem mesmo este direito à prova se reveste da imutabilidade de coisa
julgada material. Isso porque este último instituto necessita de cognição
exauriente, sob o pleno exercício de faculdades processuais das partes,
em procedimento que assegure livre e amplo acesso ao contraditório.
Não é o caso do PAP.
O corolário lógico é que nada impede o ajuizamento de outra ação
antecipada de provas mesmo diante de um indeferimento anterior, ou
ainda, nada impede que na ação principal se produza a prova indeferida
na jurisdição voluntária. Se houve coisa julgada material sobre o direito
autônomo à prova, não seria possível rediscutir a admissibilidade da
prova na ação principal, o que se afigura como lesão inequívoca ao
acesso à justiça.
Sendo produzida a prova no procedimento em exame, não
cabe novo pedido de produção da prova.
Não se trata de coisa julgada material, mas de falta de interesse de agir,
já que é desnecessária e inútil a medida, por já produzida integralmente
a prova produzida no PAP anterior. Cabe ressalvar, contudo, que nada
impede na ação futura a realização de nova prova, já sob o contraditório
e cognição exauriente.
Resta a questão da interrupção ou não da prescrição. De fato, a
jurisprudência trabalhista dominante, com fulcro no artigo 202, inciso I
do Código Civil e na Súmula 268 do TST, se posiciona no sentido de que
a prescrição só é interrompida por uma ação anterior se houver
formulação de pedidos idênticos.
Parte da doutrina, nesse passo, entende que como não há possibilidade
de formular o pedido correspondente ao direito material (se faz a
perícia, mas não se pode postular o adicional de insalubridade, por
exemplo), não se pode concluir pela interrupção da prescrição. Ainda
que no PAP haja um delineamento do direito material a ser perseguido,
isso acontece apenas para que se avalie a pertinência da prova a ser
produzida. Este é o entendimento tradicional, prevalecente, pela não
interrupção da prescrição.
Contudo, tal posição merece ser revisitada. Mesmo o Superior Tribunal
de Justiça (STJ) se posicionava no sentido de que a ação cautelar
preparatória de produção antecipada de provas interrompia a prescrição,
ainda que sob a égide do CPC de 1973. Havia coerência neste
posicionamento, pois o credor não está inerte, muito em contrário,
utiliza o procedimento para melhor solucionar o conflito que tem uma
dimensão metajurídica.
Relembrando
A produção antecipada de prova pode, inclusive, levar a uma solução
convencionada entre as partes, inclusive extrajudicialmente.
Em nosso sentir, o inciso V do artigo 202 do Código Civil fornece sentido
a esse posicionamento. Afinal de contas, há ato judicial que já pode
constituir em mora o devedor, mormente quando a prova confirma os
fatos que embasam a pretensão de direito material ser exercida. Há,
pois, clara interrupção da prescrição em nosso sentir. Já há decisões do
STJ neste particular, sob a égide do CPC de 2015, como o Resp nº
1.1347.423-SP da relatoria do Ministro Luis Felipe Salomão (julgado em
20/03/2017).
Por fim, ressaltamos que uma forma de interromper a prescrição que
passa ao largo da controvérsia acima exposta, que é a cumulação do
pedido de produção antecipada de provas junto com o protesto
interruptivo da prescrição. Com essa medida, a interrupção da
prescrição seria inquestionável.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Antônio ajuizou ação de produção antecipada de provas em face da
EMPRESA RTP EMPREENDIMENTOS S/A, realizando perícia perante
o Juízo da 18ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro. Após o fim do
laudo pericial, o juiz arquivou o processo. Antônio, então, ajuizou
reclamação trabalhista requerendo o adicional de insalubridade
constatado na perícia e distribuiu a demanda à 18ª Vara do
Trabalho do Rio de Janeiro. Acerca da conduta de Antônio, aponte a
alternativa correta.
A
Antônio agiu acertadamente, pois o ajuizamento do
PAP anterior previne a competência do juízo.
B
Antônio agiu acertadamente, pois a prova pericial foi
realizada por perito de confiança do juiz da 18ª Vara
do Trabalho do Rio de Janeiro, sendo o magistrado
vinculado para resolver o caso.
C
Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento
do PAP anterior não previne a competência do juízo,
devendo o feito ir à livre distribuição.
Parabéns! A alternativa C está correta.
O ajuizamento de ação de produção antecipada de provas não
previne a competência do juízo, pois é um procedimento cautelar de
jurisdição voluntária, nos termos do §3º do artigo 381 do CPC.
Questão 2
Em procedimento de produção antecipada de provas, Mário
requereu a produção de prova pericial para demonstrar a existência
de trabalho em condições insalubres. O juiz do Trabalho da 205ª
Vara do Trabalho de Belo Horizonte indeferiu a prova sob a
alegação de que não era pertinente e que deveria ser realizada no
bojo de uma reclamação trabalhista, extinguindo o processo sem
resolução do mérito. Como advogado de Mário, qual seria a medida
a ser tomada?
D
Antônio agiu equivocadamente, pois o ajuizamento
do PAP anterior não previne a competência do juízo,
devendo o feito ser distribuído à vara subsequente,
qual seja, a 19ª Vara do Trabalho do Rio de Janeiro.
E
Antônio agiu acertadamente, pois se trata de
demandas conexas que devem ser resolvidas pelo
mesmo juízo.
A
Nenhuma medida é cabível, pois a decisão não
forma coisa julgada material.
B
Impetrar mandado de segurança, pois foi violado
direito líquido e certo de Mário.
C
Ingressar com recurso ordinário, pois é o único caso
de cabimento de recursos no procedimento de
produção antecipada de provas.
Parabéns! A alternativa C está correta.
O indeferimento integral da prova autoriza a interposição de recurso
imediato, no caso o recurso ordinário, por se tratar de Direito
Processual do Trabalho, nos termos do §3º do artigo 382 do CPC.
3 - Meios de prova
Ao �m deste módulo, você será capaz de identi�car as principais questões sobre os meios de
prova no Direito Processual do Trabalho.
Depoimento das partes
D Ingressar com pedido de reconsideração, pois é
arbitrária a decisão do magistrado.
E
Nenhuma medida é cabível, pois a decisão em
produção antecipada de provas não admite recurso
em qualquer hipótese.

Depoimento pessoal e prova
testemunhal
Confira agora as principais regras sobre o depoimento pessoal e a prova
testemunhal no Processo do Trabalho.
A análise dos meios de prova mais utilizados na seara laboral torna-se
imprescindível no que diz respeito ao exercício da jurisdição trabalhista.
Em verdade, a opção do legislador processual civil foi a previsão
genérica no artigo 369 do CPC do direito ao uso de todos os meios
legais, bem como moralmente legítimos, para comprovação da verdade
dos fatos mencionados no pedido ou na defesa. Em outras palavras:
A previsão no CPC não é exaustiva, sendo permitido às
partes e aos magistrados o manejo de meios de prova
não previstosna legislação processual, desde que
moralmente legítimos.
Analisaremos, então, os principais meios de prova na Justiça do
Trabalho. Vejamos!
 O depoimento das partes (que em nosso
sentir não é tecnicamente meio de prova,
mas um meio para obter a con�ssão, real
ou presumida)
Depoimento das partes
O depoimento pessoal é o testemunho prestado por uma das partes em
juízo. Embora elencado como um dos meios de prova, o depoimento das
partes é meio de confissão, e não meio de prova. Isso porque a parte
não tem como fazer prova em seu favor através de seu depoimento. É
previsto nos artigos 139, inciso VIII e 385 do CPC, bem como nos artigos
820 e 848 da CLT.
Atenção!
Não se pode confundir o depoimento das partes com o interrogatório.
Este é determinado de ofício pelo juiz; pode ser determinado em
qualquer estado do processo e pode ser único ou se repetir mais vezes.
Já o depoimento das partes pode ser requerido pela parte adversa; deve
ser colhido na audiência de instrução e julgamento e, em regra, só pode
ser realizado uma vez.
Torna-se importante salientar que alguns autores trabalhistas chegaram
a negar a existência do depoimento das partes, diante do disposto no
artigo 848 da CLT, afirmando a existência apenas do interrogatório,
segundo Rodrigues Pinto (1991).
Contudo, basta analisar o artigo 820, da CLT para verificar o equívoco
desse posicionamento. Ademais, os princípios constitucionais da ampla
defesa e do contraditório propiciam a ideia de que as partes também
 A prova testemunhal (de importância ímpar
para as lides trabalhistas)
 A prova documental
 A prova pericial
podem requerer o depoimento uma da outra, além do fato de que a
Súmula 74, I do c. TST admite a confissão ficta em caso de não
comparecimento da parte intimada em audiência. Tudo isso demonstra
a efetiva existência do depoimento pessoal, formal e solene. No entanto,
ainda que se admita a possibilidade de requerimento do depoimento
pessoal, o juiz pode indeferi-lo, desde que fundamente sua decisão, sem
que isso configure cerceamento do direito de defesa.
Para casos em que a matéria discutida nos autos seja exclusivamente
de direito ou ainda, já havendo confissão real por uma das partes
(conforme artigo 374, II do CPC), o depoimento das partes torna-se
desnecessário, havendo autorização para que o magistrado o indefira,
sem a configuração de cerceamento de defesa.
De toda sorte, o objetivo primordial do depoimento pessoal é a
confissão. A confissão real, em primeiro plano, mas também a confissão
ficta, que gera presunção relativa. Nesse último aspecto, haverá
confissão ficta em três situações:
 Hipótese em que autor e/ou réu que faltam à
audiência em que deveria haver depoimento
pessoal (caso da Súmula 74, I do TST).
 Caso em que a parte se recusa a responder às
perguntas formuladas pelo juiz (artigo 385, §1º do
CPC).
 Na hipótese em que o preposto revela
desconhecimento dos fatos em contrariedade à
obrigação prevista no §1º do artigo 843 da CLT,
circunstância específica do Direito Processual do
Trabalho, já que a lei não permite a ignorância do
representante da empresa quanto a fatos
relevantes e pertinentes para a solução da lide.
Cumpre lembrar que não haverá confissão nos casos do artigo 388 do
CPC e quando a falta de resposta às indagações for imperativo para
preservar o direito de não produzir prova contra si (artigo 379, caput do
CPC).
Resta, por fim, observar que, salvo na hipótese de confissão real, nada
impede que o magistrado persista na produção de prova, pois a vedação
de produção de prova posterior somente se aplica à parte confessa, não
afetando o exercício, pelo juiz, do poder-dever de conduzir o processo
(Súmula 74, item III do TST).
Prova testemunhal
Há consenso geral que este é o meio de prova mais inseguro. Na
verdade, sua depreciação tem razões históricas. Salienta Rodrigues
Pinto que, no tempo de hierarquização das provas, com base em seu
valor intrínseco, “o testemunho era colocado no mais baixo nível, a
ponto de merecer a alcunha depreciativa de prostituta das provas,
contrapondo-se à confissão em seu trono de rainhas das provas” (1991,
p. 206).
De toda sorte, a testemunha é a pessoa física que tem conhecimento de
fatos da lide (que pode ser direto, como no caso da testemunha visual
ou presencial, ou ainda, indireto), que é estranha à relação jurídica e que
possui habilitação para depor (não possuindo nenhuma incapacidade,
ou caso de impedimento ou suspeição).
Classi�cação da prova testemunhal
A prova testemunhal, segundo a classificação mais prestigiada, divide-
se em:
Testemunhas numerárias
Aquelas que são chamadas a depor por indicação das partes, mas
dentro de limite numérico estabelecido em cada sistema processual.
Testemunhas referidas
Aquelas que vêm ao processo por determinação direta do juiz, nos
termos do artigo 461, inciso I do CPC.
Testemunhas instrumentárias
Aquelas que comparecem para atestar verdade de fato ou ato registrado
em documento público ou particular.
Note-se que os limites para as testemunhas numerárias previstas na
CLT dependem do rito ao qual se submete a demanda. Assim, nos
termos do artigo 821 da CLT e do §2º do artigo 852-H da CLT, no rito
ordinário, cada parte pode indicar até três testemunhas, no rito
sumaríssimo, até duas testemunhas, e no inquérito para apuração de
falta grave, até seis testemunhas.
Contudo, tal limite goza de certa flexibilidade.
Exemplo
No caso de litisconsórcio passivo, o limite de indicação de testemunhas
deve levar em conta a situação individual de cada reclamado, pois, a
pluralidade das partes depende da vontade do reclamante (no caso do
litisconsórcio facultativo) ou de determinação da lei ou da natureza da
relação jurídica de direito material (no caso do litisconsórcio
necessário).
É de se notar que o limite fixado para as testemunhas numerárias
também não se aplica ao juiz. Nos termos do artigo 765 da CLT, o
magistrado tem a prerrogativa de determinar toda e qualquer diligência
que entender necessária à resolução da lide, como diretor do processo.
Nada impede que, na busca da verdade real, o juiz ultrapasse os limites
impostos em lei para indicação das testemunhas.
Por fim, quando houver cumulação objetiva (de pedidos e causas de
pedir) ou quando existir a necessidade de superar o limite legal sob
pena de violar o princípio constitucional de acesso à justiça. Assim, um
empregado que, nos últimos cinco anos imprescritos, tenha laborado
em cinco estabelecimentos diferentes (cinco agências bancárias, por
exemplo) e postule horas extras por todo o lapso temporal, precisará, no
mínimo, de uma testemunha para cada local onde prestou serviços, a
fim de comprovar o labor extraordinário.
Inadmissibilidade e limitações da prova testemunhal
A princípio, é amplo o cabimento da prova testemunhal no Direito
Processual do Trabalho, mormente em razão do princípio da primazia da
realidade. Contudo, há casos excepcionais em que se admite certa
restrição à oitiva de testemunhas.
Uma primeira hipótese ocorre quando houver expressa vedação legal,
como no caso do artigo 443 do CPC. É difícil pensar numa hipótese
trabalhista em que fatos só possam ser provados por documento ou por
exame pericial, mas, em geral, casos de insalubridade e periculosidade
que exigem a perícia (conforme §2º do artigo 195 do CPC), dispensam a
prova testemunhal.
As outras hipóteses são os casos de incapacidade, impedimento e
suspeição. Em verdade, o único dispositivo da CLT neste particular é o
artigo 829 da CLT, que prevê a impossibilidade de oitiva de “testemunha
que for parente até o terceiro grau civil, amigo íntimo ou inimigo de
qualquer das partes”, caso em que “não prestará compromisso, e seu
depoimento valerá como simples informação”. Malgrado a expressa
previsão legal da CLT, a doutrina dominante entende pela aplicação
subsidiária do disposto no CPC, citando como exemplo Schiavi (2022, p.
503).
Não há dúvida, pois, quanto à aplicabilidadedos casos do artigo 447,
§1º, §2º e §3º do CPC, que devem ser sopesados no caso concreto pelo
juiz.
O caso mais controvertido quanto à suspeição das testemunhas diz
respeito aos casos em que o trabalhador possui ação na Justiça em
face do empregador e convocado para depor. Em regra, a Súmula 357
do TST destaca que inexiste impedimento no fato de a testemunha ter
ajuizado demanda contra o réu. A suspeição em casos como este deve
ser “objetivada” ao máximo, buscando algum tipo de critério objetivo que
demonstre a promiscuidade ou vício no depoimento que lhe retire a
parcialidade. A questão ainda é muito polêmica nos tribunais
trabalhistas, sendo certo, porém, que o simples fato da testemunha
possuir ação em face do réu, não a torna suspeita.
Assim, todos os casos de impedimento, suspeição e
incapacidade das testemunhas podem ser suscitados
pelas partes e o meio próprio é o incidente conhecido
como “contradita”.
Ressalte-se que a regra do artigo 457, caput do CPC, quanto ao
momento para a parte suscitar o incidente da contradita, deve ser
flexibilizada. No Direito Processual do Trabalho, o rol de testemunhas
para intimação não é a regra geral, conforme artigos 825 e 845 da CLT,
sendo comum testemunhas comparecerem independentemente de
intimação. Por isso, a possibilidade de contradita superveniente não
deve ser desconsiderada, já que, em regra, as partes só “conhecem” as
testemunhas em audiência, conforme já sublinhado acima.
Prova documental
Prova documental é a que se produz pela apresentação de documentos
representativos dos fatos alegados. É o veículo por meio da qual o
documento (gente da prova) é levado ao processo para análise judicial.
A CLT faz referência a este tipo de prova de forma não sistemática,
podendo citar os artigos 777, 780, 787 e 830, como aqueles mais
importantes no que tange à prova documental.
Note-se que os documentos podem ser declarados autênticos pelo
próprio advogado da parte, na forma da redação dada ao artigo 830, da
CLT pela Lei 11.925 de 2009, não havendo mais necessidade de juntada
de cópias autenticadas.
No que tange à oportunidade para oferecimento de documentos, uma
primeira corrente defende que os documentos que estiverem em posse
do autor e do réu devem acompanhar não apenas a petição inicial
(artigo 787 da CLT), mas também a contestação (artigo 434 do CPC),
ante o caráter de bilateralidade da ação e da defesa, o que impõe o
tratamento igualitário entre as partes.
A inobservância de tal regra geraria, segundo esta posição, a preclusão
e a desconsideração do documento juntado posteriormente.
Outra visão, no entanto, entende que a preclusão é instituto processual
que diz respeito aos atos das partes, mas não se aplicaria ao
magistrado. O juiz poderia determinar a juntada de documentos mesmo
após os momentos previstos em lei, enquanto não encerrada a
instrução. Esta posição se fundamenta no artigo 765 da CLT.
Contudo, há ainda uma terceira posição que considera as peculiaridades
das demandas trabalhistas e ainda, o disposto nos artigos 845 e 852-H,
§1º da CLT, entendendo que enquanto não houve o encerramento da
instrução, haveria a possibilidade da juntada de documentos,
observados dois parâmetros: a) não haja má-fé (com a juntada
proposital de prova “surpresa”); b) não haja prejuízo ao regular
cumprimento do contraditório.
Essa última tem sido a posição do TST, valendo citar os acórdãos
proferidos no E-RR - 2416-68.2012.5.18.0009 (Relator Ministro Augusto
César Leite de Carvalho, Subseção I Especializada em Dissídios
Individuais, DEJT 11/04/2017), ARR - 11-50.2013.5.24.0076 ( Relator
Ministro Breno Medeiros, 5ª Turma, DEJT 04/10/2019), RR-5036-
55.2015.5.10.0014 (Relator Ministro Douglas Alencar Rodrigues, 5ª
Turma, DEJT 06/09/2018) e RR - 10749-58.2014.5.15.0094 (Relatora
Ministra Maria de Assis Calsing, 4ª Turma, DEJT 09/06/2017).
Como interpretar o artigo 787 da CLT e o artigo 434 do
CPC?
A jurisprudência do STJ é sábia neste ponto, e tem entendido que
apenas os documentos indispensáveis (fundamentais) e substanciais
devem ser juntados com a inicial/defesa. Como provas substanciais,
temos os documentos que a lei expressamente exigir para que a
demanda seja proposta e como provas fundamentais temos os
documentos que se tornam indispensáveis porque o autor a eles se
referiu na petição inicial, como fundamento do seu pedido.
É claro que tudo quanto ao aqui exposto tem como exceção as
hipóteses previstas nos artigos:
435 do CPC
Documentos novos.
1.014 do CPC e Súmula 8 do TST
Força maior ou justo impedimento.
438 do CPC
Documento em posse de repartição pública.
396 do CPC
Documento em posse da parte adversária ou de terceiro particular.
Prova pericial
Consiste a perícia em meio de prova através do qual se busca a
constatação, prova ou demonstração, científica ou técnica, da
veracidade de situações, fatos ou coisas. É meio de prova que é
determinado quando o juiz não tem conhecimento suficiente sobre o
assunto que envolve o fato a ser provado.
No que refere à classificação da prova pericial, no que diz respeito ao
tipo de trabalho técnico exigido, com base no artigo 464 do CPC, temos:
Quanto à oportunidade, a perícia pode ser:
 O exame
Consiste na verificação de circunstâncias relativas
a pessoas ou coisas.
 A vistoria
Diz respeito à constatação da situação de coisa
imóvel.
 A avaliação
Consiste no trabalho de estabelecimento da relação
entre um bem e seu valor monetário.
 Judicial
Quando realizada dentro de um processo em curso.
 Extrajudicial
Quando realizada fora do processo, em geral, por
consenso entre os interessados.
Por fim, quanto à obrigatoriedade de sua realização, a perícia pode ser
classificada em:
Obrigatória
Quando fixada como
meio necessário de
prova.
Facultativa
Quando a prova
depende de
requerimento das
partes ou de
determinação do
magistrado.
O caso dos adicionais de insalubridade e periculosidade corresponde à
primeira hipótese, já que o artigo 195, §2º da CLT permite a conclusão
de que a perícia é obrigatória, em se tratando destes pedidos
específicos; adicional de periculosidade de insalubridade. Todavia não
se pode esquecer o previsto na OJ 278 da SDI-1 do c., TST que
menciona expressamente que “a realização de perícia é obrigatória para
verificação de insalubridade”, mas que deixa evidente, por outro lado,
que “quando não for possível sua realização, como em caso de
fechamento da empresa, poderá o julgador utilizar-se de outros meios
de prova”.
Quanto ao procedimento, a CLT não contém qualquer regra instituindo a
produção deste tipo de prova no Processo do Trabalho. Por isso, o
entendimento dominante é que: deve ser aplicado aos casos concretos
o disposto no artigo 464 e seguintes do CPC, porque são compatíveis
com o Direito Processual do Trabalho.
Apenas duas regras escapam à previsão legal do CPC, quando se fala
em Justiça do Trabalho. Vejamos!
 Cautelar
Quando realizada em jurisdição voluntária, como no
caso da perícia em produção antecipada de provas.

 A primeira é a regra inserida no artigo 852-H, §5º da
CLT, que nas causas de rito sumaríssimo, prevê
if t ã b l d d
Note-se que o artigo 790-B da CLT não admite qualquer adiantamento de
honorários periciais, confrontando-se com o disposto no artigo 95 do
CPC. Tal visão já constava da OJ 98 da SDI-2 do TST, que admitia o uso
de mandado de segurança contra decisão em sentido contrário.
Também na Justiça do Trabalho devem ser observados os limites para
honorários periciais fixados pelo Conselho Superior da Justiça do
Trabalho.
Por fim, ressalte-se que o Plenário do STF, no julgamento da ADI 5766,
julgou inconstitucionais os arts. 790-B, caput e §4º da CLT, entendendo
que o beneficiário da gratuidade de justiça, sucumbente no objeto da
perícia, não deve arcar com os honorários periciais. Nesse sentido, a
Súmula 457 do TST estabelece que os honorários deverão ser
suportados pela União Federal, em regra semelhante à disposta no
incisoII, §3º do artigo 95 do CPC.
prazo comum para manifestação sobre o laudo de
cinco dias e fixa prazo máximo de 30 dias para
solução da prova pericial no §7º do mesmo artigo
852-H da CLT.
 A segunda, mais importante, diz respeito ao
pagamento dos honorários periciais. Fato é que o
artigo 790-B da CLT fixa que a responsabilidade
pelo pagamento dos honorários periciais é da parte
sucumbente no objeto da perícia. Assim, numa
demanda trabalhista, caso o autor vença um dos
itens do pedido, mas seja sucumbente na
postulação que foi objeto da prova pericial, é o
reclamante quem deverá arcar com os honorários
periciais.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em demanda trabalhista submetida ao rito sumaríssimo, Gonzalo
postula indenização por danos morais no valor de R$5 mil (cinco
mil reais). Alega ter sofrido várias agressões morais de seu
empregador, e apresenta 4 testemunhas. A parte ré, por sua vez,
negou os fatos narrados e indica 3 testemunhas. No caso
apontado,
Parabéns! A alternativa E está correta.
Embora as partes só possam indicar até 2 testemunhas cada, no
rito sumaríssimo, para o juiz não existe este limite. O juiz, como
diretor do processo, pode ouvir quantas testemunhas quiser, nos
termos do artigo 765 da CLT.
Questão 2
Em uma reclamação trabalhista, Antônio Pires postulou horas
extras e adicional de insalubridade, bem como gratuidade de
justiça. Realizada a perícia exclusivamente para o adicional de
A
o juiz do Trabalho poderá ouvir até 3 testemunhas
indicadas por cada parte.
B
o juiz do Trabalho poderá ouvir até 2 testemunhas
indicadas por cada parte.
C
o juiz do Trabalho poderá ouvir até 6 testemunhas
indicadas por cada parte.
D
o juiz do Trabalho poderá ouvir até 10 testemunhas
indicadas por cada parte.
E
não há limite de oitiva de testemunhas para o
magistrado.
insalubridade e ouvida duas testemunhas, foi proferida sentença,
em que o magistrado: a) rejeitou o requerimento de gratuidade de
justiça; b) julgou procedente o pedido de horas extras; c) julgou
improcedente o pedido de adicional de insalubridade. Diante da
procedência parcial, o juiz condenou a reclamada a pagar os
honorários periciais, fixados em R$2.000,00 (dois mil reais). Sobre a
conduta do magistrado na fixação da responsabilidade pelo
pagamento dos honorários, assinale a alternativa correta.
Parabéns! A alternativa B está correta.
É a parte sucumbente no objeto da perícia que deve arcar com os
honorários periciais, sendo que mesmo vencedor nas horas extras,
Antônio foi sucumbente no adicional de insalubridade, objeto único
da prova pericial. Este o teor do artigo 790-B, caput da CLT.
A
Agiu corretamente, pois no caso de sucumbência
parcial, deve a reclamada arcar com os honorários
periciais.
B
Agiu incorretamente, pois foi o reclamante o
sucumbente no objeto da perícia.
C
Agiu incorretamente, pois ninguém deveria pagar
pelos honorários periciais, e sim, a União Federal.
D
Agiu corretamente, pois o autor não sucumbiu no
objeto da perícia, já que ainda cabe recurso.
E
Agiu incorretamente, eis que a responsabilidade
pelos honorários periciais só pode ser fixada após o
trânsito em julgado da sentença.
Considerações �nais
Tivemos a oportunidade de estudar aspectos muito importantes da
prova do Processo do Trabalho. As questões que envolvem o ônus da
prova, o procedimento de produção antecipada da prova e os meios de
prova são essenciais para todos que militam na seara laboral.
Institutos de vital importância foram objeto de estudo, de modo a
propiciar que o conhecimento dos instrumentos de prova e dos
institutos, que informam a fase probatória na Justiça do Trabalho,
habilite todos aqueles que querem atuar na consecução dos direitos
fundamentais dos trabalhadores e na pacificação social dos conflitos
entre capital e trabalho.
Podcast
Ouça agora o objeto e o ônus da prova no Processo do Trabalho.
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Confira as indicações que separamos especialmente para você!
Leia o acórdão proferido pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso
Especial nº 1.347.423-SP (Processo 2012/0208257-5). Relator:
Ministro Luis Felipe Salomão. Julgamento em 20 de março de 2017.
Assista ao julgamento da ADI 5766, pelo Plenário do STF em outubro de
2021, sobre regras relacionadas à Reforma Trabalhista (Lei nº 13.467 de
2017) no canal do STF no YouTube.
Referências
ALMEIDA, C. L. de. Direito Processual do Trabalho. 7. ed. Salvador:
Juspodivm, 2019.
BATALHA, W.de S. C. Tratado de Direito Judiciário do Trabalho. v. I e II.
São Paulo: LTr, 1995.
BERNARDES, F. Manual de Processo do Trabalho. 4. ed. Salvador:
Juspodivm, 2022.
CAIRO Jr., J. Curso de Direito Processual do Trabalho. 13. ed. Salvador:
Juspodivm. 2019.
DIDIER JR., F.; BRAGA, P. S.; OLIVEIRA, R. A. de. Curso de Direito
Processual Civil. v. 2. 11. ed. Salvador: Juspodivm, 2016.
RODRIGUES PINTO, J. A. Processo Trabalhista de Conhecimento. São
Paulo: LTr, 1991.
SCHIAVI, M. Manual de Direito Processual do Trabalho. 18. ed. São
Paulo: LTr, 2022.
SILVA, H. B. M. da S. Curso de Direito do Trabalho Aplicado. v. 9. 3. ed.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
THEODORO JÚNIOR, H. Curso de Direito Processual Civil. v. 1. 56. ed.
Rio de Janeiro: Forense, 2015.
YARSHELL, F. L. Breves comentários ao novo código de processo civil
(Coords. Teresa Arruda Alvim Wambier [et al.]). 3. ed. rev. e atual. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 2016.
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