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Choque: Fisiopatologia de 
Vida e Morte
Prof: Marcelo Figueiredo
CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINASSAU
Choque 
• O choque foi descrito no século XIX pelo medico John Collins Warren
como “uma pausa momentânea no ato de morrer”.
• Em 1872, ele foi descrito pelo cirurgião Samuel Gross como um
“grosseiro desequilíbrio na máquina da vida”.
• Embora isso não tenha sido discutido sempre nos termos médicos mais
concretos, o choque após trauma foi reconhecido há mais de três
séculos e continua a desemprenhar um papel central entre as principais
causas de morbidade e mortalidade nos pacientes com trauma.
Choque
Definição:
• É um estado de alteração na função celular de metabolismo aeróbico para
metabolismo anaeróbico devido à hipoperfusão das células teciduais. (PHTLS
9º ed)
• Ausência de perfusão tecidual (oxigenação) em nível celular que conduz
ao metabolismo anaeróbico e à perda da produção de energia necessária
para suporte a vida. (PHTLS 9º ed)
• O choque não é definido como pressão arterial baixa, frequência de pulso
rápida ou pelo fria e pegajosa; estas são meramente manifestações
sistêmicas de todo um processo patológico chamado choque.
Fisiologia do choque 
• As células mantêm suas funções metabólicas normais por meio da
produção e do uso de energia nas formas de trifosfato de adenosina
(ATP, de adenosine triphosphate). O método mais eficiente de geração
dessa energia necessária é por meio do metabolismo aeróbico. As
células captam oxigênio e glicose e os metabolizam por meio de
complicados processos fisiológicos que produzem energia, junto com os
subprodutos de água e dióxido de carbono.
Fisiologia do choque (continuação)
• O metabolismo anaeróbico, em contrapartida ao metabolismo aeróbico,
ocorre sem o uso de oxigênio. Ele é um sistema de reserva para a
produção de energia e utiliza a gordura corporal armazenada como
fonte de energia.
• Infelizmente esse metabolismo só funciona por curtos período de
tempo, pois produz menos energia além de produzir outros subprodutos
que são prejudiciais para o organismo como o ácido láctico, e por fim se
tornar irreversível. Entretanto pode gerar energia suficiente para as
células, por um tempo, permitindo que o organismo restaure seu
metabolismo normal, com a assistência do socorrista do APH.
Fisiopatologia do choque
Para uma adequada perfusão celular há necessidade que quatro
componentes estejam intactos:
▪ Sistema Vascular intacto para fornecer sangue oxigenado por todo
corpo: Os vasos sanguíneos.
▪ Troca de ar adequada nos pulmões para permitir que o oxigênio entre
no sangue: Oxigenação
▪ Volume adequado de fluidos no sistema vascular: Glóbulos vermelhos
e plasma.
▪ Bomba funcionante : O coração
Fisiopatologia do choque
Queda das 
hemácias 
pPerfusão 
inadequada
mMetabolismo 
anaeróbico
kPiora da 
hipóxia
AAumento das 
catecolaminas
Morte celular
PRINCÍPIO DE FICK
• O princípio de Fick é uma descrição dos componentes necessários 
para a oxigenação das células no organismo. De forma simplificada 
esses três componentes são:
1. Ligação do oxigênio com as hemácias nos pulmões.
2. Oferta de hemácias às células teciduais.
3. Distribuição do oxigênio das hemácias para as células dos tecidos 
PRINCÍPIO DE FICK
O tratamento pré- hospitalar do choque deve garantir que os componentes 
fundamentais do princípio de Fick sejam mantidos, com o objetivo de 
prevenir ou reverter o metabolismo anaeróbico, evitando assim a morte 
celular e consequentemente, a morte do órgão que leva a morte do 
paciente. Esses componentes são a principal ênfase da avaliação 
primária realizada pelo socorrista e são implementados no manejo do 
paciente com trauma por meio das seguintes ações: 
• Controlar a hemorragia exsanguinante em extremidades.
PRINCÍPIO DE FICK
• Manter via aérea e ventilação adequadas para fornecer quantidades 
adequadas de oxigênio para as hemácias.
• Usar oxigênio suplementar como parte da ventilação do paciente.
• Manter o paciente aquecido para facilitar a oferta de oxigênio, a qual 
pode ser prejudicada por um estado de hipotermia.
• Manter circulação adequada, a fim de perfundir o tecido celular celular 
com sangue oxigenado.
• Interromper o sangramento para manter o máximo possível de 
hemácias para o transporte de oxigênio.
PERFUSÃO CELULAR E CHOQUE 
Os determinantes primários da perfusão celular são o coração (agindo 
como uma bomba ou motor do sistema ), o volume líquido (agindo como 
fluido hidráulico), os vasos sanguíneos (servindo como condutos ou 
encanamentos) e, por fim as células do organismo. Com base nesses 
componentes do sistema de perfusão, o choque pode ser classificado 
em :
1. Hipovolêmico: primeiramente de causa hemorrágica no paciente 
com trauma, relacionado à perda de células sanguíneas e de volume 
com capacidade de transportar oxigênio . Essa é a causa mais 
comum comum de choque no paciente com trauma.
2. Distributivo: ( ou vasogênico)- relacionado a anormalidades no tônus 
vascular podendo ser de várias causas diferentes, incluindo lesão da 
medula espinal e anafilaxia.
PERFUSÃO CELULAR E CHOQUE 
3- Cardiogênico: relacionado à interferência na ação de bomba do 
coração, geralmente ocorre ocorrendo após um ataque cardíaco.
De longe, o tipo mais comum de choque no paciente com trauma é o 
hipovolêmico, resultante de hemorragia, e a abordagem mais segura no 
manejo do paciente traumatizado e chocado é considerar a causa como 
hemorrágico até que se prove o contrário. 
CHOQUE HIPOVOLÊMICO
• Ocorre quando existe uma diminuição do volume de fluidos no corpo, 
devido à perda de sangue (hemorragia) ou grande perda de fluídos 
corporais, através de transpiração excessiva, vômitos, queimaduras ou 
diarreia. 
Perda de 
sangue
Coração 
estimulado
Aumentar o DC 
e a FC
CHOQUE HEMORRÁGICO
• É CLASSIFICADO EM QUATRO CLASSES 
Classe I Classe II Classe III Classe IV
Perda de sangue(ml) 2.000
Perda de sangue (% 
de volume 
sanguíneo) 
40%
FC 140
PA Normal Normal Reduzida Reduzida
FR 14-20 20-30 30-40 >35
Reposição de fluído Cristaloide (SRL) Cristaloide (SRL) SRL + Sangue SRL + Sangue
MECANISMOS COMPENSATORIOS DO ORGANISMO AO CHOQUE
Resposta Neuroendócrina: 
A glândula adrenal vai ativar o sistema nervoso simpático para liberação 
catecolaminas(adrenalina e noradrenalina) essas por sua vez atuam no 
coração nos receptores alfa e beta aumentando a contratibilidade 
cardíaca e aumentando a FC.
Hipotálo-Hipófise libera o hormônio ADH (vasopressina) hormônio 
antidiurético, onde os barorreceptores absorve mais água para manter a 
volêmia. 
Liberação de cortisol pela glândula adrenal que é um hormônio anti-
inflamatório para diminuir a inflamação.
MECANISMOS COMPENSATORIOS DO ORGANISMO AO CHOQUE
Resposta Cardiovascular: a medida que a vasoconstrição arterial 
periférica aumenta , a resistência ao fluxo de sangue aumenta e o 
coração tem que gerar uma força maior para bombear o sangue para o 
sistema arterial. 
Resposta do Sistema Renina- Angiotensina- Aldosterona: a 
característica final desse processo é a vasoconstrição periférica. A 
aldosterona no final do processo ela vai no túbulo contorcido renal e ao 
invés da aldosterona absorver água ela vai absrover sódio para 
aumentar a osmolaridade do sangue impedindo que água saio e vá para 
o interstício. 
MECANISMOS DESCOMPENSATORIOS DO ORGANISMO AO CHOQUE
• Intensa vasoconstrição
• Isquemia dos órgãos 
• Inflamação dissiminada
• Reação imunológica
• Acidose metabólica 
• Coagulopatias
• Enzima lisossômica 
• Trombose 
• Lesão endontelial
• Falência dos órgãos 
• Morte do indivíduo
AS ETAPAS NO MANEJO DO CHOQUE
• Controlar qualquer hemorragia arterial
• Garantir oxigenação
• Identificar qualquer tipo de hemorragia
• Transportar até os cuidados definitivos
• Administrar terapia com líquidos ou sangue quando apropriado
• A hemorragia externa deve ser controlada por meiode compressão 
direta , seguida de curativo compressivo. Se não for rapidamente 
efetivo , deve se usar um torniquete na extremidade no nível da virilha 
ou da axila.
• Pode se usar um agente hemostático em locais onde o torniquete não 
for possível.
AS ETAPAS NO MANEJO DO CHOQUE
• Transporte rápido para os cuidados definitivos
• Não demorar o transporte
• Não infundir líquidos em excesso para evitar mais hemorragias 
e edemas 
• Reavaliação continuada.
 
DÚVIDAS?
PERGUNTAS?
QUESTIONAMENTOS?
	Slide 1: Choque: Fisiopatologia de Vida e Morte Prof: Marcelo Figueiredo CENTRO UNIVERSITÁRIO UNINASSAU 
	Slide 2: Choque 
	Slide 3: Choque
	Slide 4: Fisiologia do choque 
	Slide 5: Fisiologia do choque (continuação)
	Slide 6: Fisiopatologia do choque
	Slide 7: Fisiopatologia do choque
	Slide 8: PRINCÍPIO DE FICK
	Slide 9: PRINCÍPIO DE FICK
	Slide 10: PRINCÍPIO DE FICK
	Slide 11: PERFUSÃO CELULAR E CHOQUE 
	Slide 12: PERFUSÃO CELULAR E CHOQUE 
	Slide 13: CHOQUE HIPOVOLÊMICO
	Slide 14: CHOQUE HEMORRÁGICO
	Slide 15
	Slide 16
	Slide 17
	Slide 18: MECANISMOS COMPENSATORIOS DO ORGANISMO AO CHOQUE
	Slide 19: MECANISMOS COMPENSATORIOS DO ORGANISMO AO CHOQUE
	Slide 20: MECANISMOS DESCOMPENSATORIOS DO ORGANISMO AO CHOQUE
	Slide 21: AS ETAPAS NO MANEJO DO CHOQUE
	Slide 22: AS ETAPAS NO MANEJO DO CHOQUE
	Slide 23

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