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PERTURBAÇÕES DO SONO
SUMÁRIO
1. Introdução e estrutura do sono ............................ 3
2. Fatores que influenciam o sono ........................... 7
3. Principais transtornos............................................... 9
4. Avaliação clínica e diagnóstica ...........................17
5. Tratamento ................................................................20
6. Perturbações do sono em 
crianças e adolescentes .............................................31
7. Quando referenciar ................................................32
Referências Bibliográficas .........................................35
3PERTURBAÇÕES DO SONO
1. INTRODUÇÃO E 
ESTRUTURA DO SONO
A insônia pode ser definida como 
uma experiência subjetiva de sono 
inadequado, com dificuldade em 
iniciar ou na manutenção do sono, 
despertares precoces e “sono não 
reparador”, com repercussão no 
funcionamento sócio-ocupacional 
diurno. Esta é uma das perturbações 
do sono mais comuns, sendo uma 
das queixas principais dos pacientes 
que recorrem aos cuidados médicos. 
CONCEITO! O sono é um estado rapi-
damente reversível de redução da res-
ponsividade, atividade motora e meta-
bolismo. É um fenômeno observado em 
todos os animais de alguma forma; essa 
universalidade sugere que o ato de dor-
mir provavelmente tem alguma relevân-
cia evolutiva. Os humanos passam apro-
ximadamente um terço de sua vida, ou 
cerca de oito horas por noite, dormindo. 
O propósito de dormir é mal compreen-
dido, entretanto, e existem várias teo-
rias. Essas teorias incluem restauração, 
conservação de energia e consolidação 
da memória. Por outro lado, sono insufi-
ciente resulta em pior desempenho diur-
no, sensação de cansaço ou sonolência 
e efeitos mensuráveis na função do sis-
tema imunológico.
Estudos transversais estimam uma 
prevalência de insônia entre 10 e 
50% dos pacientes da Atenção Pri-
mária à Saúde. As perturbações do 
humor e da ansiedade estão presen-
tes em 30 a 50% dos doentes com 
insônia, as doenças médicas e o abu-
so de substâncias em 10%, sendo 
apenas 10% resultante de perturba-
ções primárias do sono. No DSM-5 é 
eliminado o termo de insônia primá-
ria, passando-se a designar por per-
turbação de insônia.
Muito tem se estudado sobre as fun-
ções fisiológicas do sono. Em estu-
dos de privação do sono e neuroi-
magem, a ativação e desativação 
de determinadas áreas cerebrais, 
cujas funções são conhecidas, su-
gerem que o sono possui impor-
tante papel na consolidação dos 
processos de aprendizagem e me-
mória, na regulação da temperatu-
ra corporal, dos processos autonô-
micos e do apetite. 
4PERTURBAÇÕES DO SONO
De fato, as necessidades individuais 
de sono para manter um nível diário 
adequado de vigília, bem como a sen-
sibilidade e a capacidade de adapta-
ção à privação de sono, são bastantes 
variáveis. A pesquisa Sono na Améri-
ca mostrou que 69% dos norte-ame-
ricanos adultos frequentemente ex-
perimentam problemas de sono, esse 
levantamento evidenciou que cerca 
de dois terços dos indivíduos dormem 
em média menos de oito horas e um 
terço, menos de sete horas por noite. 
No Brasil, estima-se prevalência 
de 63% de queixas relacionadas 
ao sono, as mais frequentes sen-
do roncos (61 %) e insônia (35%), 
sendo esta última mais comum en-
tre aqueles com menor nível educa-
cional. Muitas das diferenças encon-
tradas na literatura devem-se à falta 
de padronização dos instrumentos de 
avaliação e dos critérios diagnósticos. 
Em vista disso, o sistema classifica-
tório para os transtornos do sono é 
fundamental.
Mais de metade dos adultos experi-
mentam alguma vez, pelo menos de 
forma intermitente, alguma espécie 
de distúrbio do sono, que constitui, 
SAIBA MAIS!
Hoje dormimos cerca de 25% menos do que nossos ancestrais dormiam um século atrás, 
embora não haja evidências de que tenhamos menor necessidade de sono. Novos estudos 
têm surgido esclarecendo pontos ainda em aberto na literatura científica. Trata-se, portanto, 
de tema constante de investigações. 
por isso, uma queixa muito frequente 
em medicina de família e comunidade. 
Tratando-se de uma necessidade bá-
sica que ocupa cerca de uma terça 
parte das nossas vidas, o sono pode 
ser definido como um estado regular, 
recorrente, facilmente reversível, que 
se caracteriza por uma inatividade 
relativa e um acentuado aumento do 
limiar de resposta a estímulos exter-
nos quando comparado com o estado 
de vigília. 
SE LIGA! O sono tem como função ge-
ral a facilitação da organização funcional 
do cérebro. Ele é considerado saudável 
quando é de quantidade e qualidade su-
ficiente para manter um nível ótimo de 
vigília durante o dia.
O sono pode ser amplamente seg-
mentado em sono de movimento rá-
pido dos olhos (REM) e sono não REM 
(NREM). 
• Despertar: os adultos normal-
mente ficam acordados por pelo 
menos dois terços do dia de 24 
horas. Pistas comportamentais, in-
cluindo olhos abertos, movimento 
e conversa, demonstram estado de 
5PERTURBAÇÕES DO SONO
alerta. No entanto, à medida que as 
atividades diminuem, as pessoas 
reclinam-se e fecham os olhos. É 
neste momento que as ondas ce-
rebrais desaceleram para um ritmo 
alfa posterior estável. Esse ritmo é 
a ponte entre vigília e sono. Quan-
do esse ritmo diminui ainda mais, o 
sono chegou. Alguns adultos não 
geram o ritmo alfa posterior, difi-
cultando o estadiamento.
• NREM (non rapid eye move-
ment): a maioria dos adultos en-
tra no sono a partir do estado de 
sonolência através do sono NREM. 
O sono NREM é dividido em três 
estágios: estágio N1, estágio N2 e 
estágio N3. É importante ressaltar 
que as regras mais antigas tinham 
quatro estágios de sono NREM; 
nas regras atuais, NREM estágio 
3 e NREM estágio 4 são combina-
dos como estágio N3.
◊ Fase 1: Estágio N1 do sono é a 
transição típica da vigília para 
o sono. É caracterizado por 
frequências de EEG mistas de 
baixa amplitude na faixa teta 
(4 a 7 Hz) por pelo menos 50 
por cento da época. Os mo-
vimentos dos olhos são nor-
malmente lentos e ondulan-
tes O estágio N1 é o estágio 
mais leve do sono; os pacien-
tes despertados geralmente 
não percebem que estavam 
realmente dormindo. O sono 
no estágio N1 geralmente é 
responsável por 5 a 10 por 
cento ou menos do tempo to-
tal de sono em adultos jovens. 
Um aumento da proporção do 
sono em estágio N1 durante 
uma polissonografia pode su-
gerir um distúrbio de fragmen-
tação do sono, como a apneia 
obstrutiva do sono. No entan-
to, também pode representar 
um “efeito da primeira noite” 
de um paciente se adaptando 
psicologicamente ao monito-
ramento em um laboratório do 
sono
◊ Fase 2: Estágio N2 geralmen-
te compreende a maior por-
centagem do tempo total de 
sono em um adulto normal de 
meia-idade, tipicamente 45 a 
55 por cento da noite. É carac-
terizada pela frequência theta 
do EEG. Os benzodiazepínicos 
aumentam o estágio N2 do 
sono. Normalmente, os ben-
zodiazepínicos estão associa-
dos ao aumento da atividade 
do fuso.
◊ Fases 3: Estágio N3 do sono é 
frequentemente referido como 
“sono profundo” ou “sono de 
ondas lentas”. É caracteriza-
do por ondas de EEG delta de 
baixa frequência (0,5 a 2 Hz) 
e alta amplitude com amplitu-
de >75 microvolts, compreen-
dendo pelo menos 20 por cen-
to de um determinado período 
6PERTURBAÇÕES DO SONO
de sono. O sono no estágio 
N3 normalmente é respon-
sável por 10 a 20 por cento 
do tempo total de sono em 
adultos jovens a meia-idade 
e diminui com a idade. O es-
tágio N3 tende a ocorrer mais 
na primeira metade da noite 
e principalmente no início da 
noite, uma vez que a ativida-
de de ondas lentas durante o 
sono representa o impulso ho-
meostático para dormir, que é 
máximo após o período de vi-
gília. Freqüentemente, é mais 
difícil despertar os dormentes 
durante o estágio N3 do sono 
em comparação com os está-
gios N1 e N2, e o estágio N3 é 
um período típico para a ocor-
rência de parassonias NREM.
No seu conjunto, a fase NREM tem 
uma função restauradora, participan-
do na conservação da energia doorganismo e contribuindo para a 
termorregulação, sendo estimulada 
pela prática de exercícios físicos. 
• REM (rapid eyes movement): 
Acontece em cada uma 1 hora e 
30 minutos a 2 horas de sono e 
dura cerca de 20 minutos (o que 
corresponde a quatro a cinco ve-
zes por período total de sono, se 
este for de 8 horas), em que ocorre 
o maior afluxo de sangue ao cére-
bro. Está particularmente rela-
cionada com sonhos e fantasias 
e é fundamental para a recu-
peração funcional do cérebro e 
para a consolidação mnésica. O 
sono REM é subdividido em sono 
REM fásico e sono REM tônico. O 
sono REM Fásico é a porção do 
sono REM durante a qual ocorrem 
surtos de movimentos rápidos dos 
olhos, que podem estar associados 
a breves surtos de atividade EMG 
(às vezes chamados de espasmos) 
e / ou aumentos repentinos na ati-
vidade simpática. O sono REM tô-
nico é a porção do sono REM que 
existe entre as explosões fásicas, 
nas quais o tônus muscular baixo 
é consistente.
As designações de estágio discutidas 
acima não são baseadas apenas em 
EEG; parece haver diferenças fisioló-
gicas entre os movimentos oculares 
não rápidos (NREM) e os movimen-
tos oculares rápidos (REM). Em ge-
ral, o sono NREM profundo (N3) ten-
de a ser um período de estabilidade 
respiratória e cardiovascular. O sono 
REM está associado a mais irregulari-
dades na frequência cardíaca, frequ-
ência respiratória, pressão arterial e 
ventilação.
7PERTURBAÇÕES DO SONO
SONO NREM SONO REM
Sistema nervoso autónomo Tônus parassimpático aumentado
Instável, surtos breves na ativida-
de simpática e parassimpática
Sistema cardiovascular
A frequência cardíaca é lenta e 
regular
A pressão arterial está mais baixa
A frequência cardíaca é irregular
Aumentos transitórios na pressão 
arterial
Sistema respiratório
Diminuição leve no impulso ven-
tilatório em resposta à hipóxia e 
hipercapnia
Taxa respiratória diminuída
Diminuição significativa do im-
pulso ventilatório em resposta à 
hipóxia e hipercapnia
Aumento da frequência 
respiratória
Regulação de temperatura
Ponto de ajuste da temperatura 
hipotalâmica diminuída
Mecanismos termorregulatórios 
reduzidos
Sistema reprodutivo
Ereções penianas
Aumento do fluxo sanguíneo 
vaginal
Sonhando Menos vívido Mais vívido, visualmente intenso
Tabela 1. Efeitos fisiológicos do estágio do sono
Fonte: 2020 UpToDate, Inc. 
2. FATORES QUE 
INFLUENCIAM O SONO
O sono pode ser influenciado por 
uma grande variedade de fatores, 
e as perturbações do sono podem 
apresentar-se e evoluir de várias ma-
neiras, correspondendo também a di-
ferentes abordagens para sua inter-
pretação, compreensão, diagnóstico 
e tratamento. O médico de família 
e comunidade, devido ao seu lugar 
de proximidade com as pessoas e 
conhecedor do seu contexto rela-
cional, socioprofissional e familiar, 
tem um papel absolutamente fun-
damental na antecipação e avalia-
ção das perturbações do sono. Ele 
leva em conta tais fatores, de modo a 
fazer uma correta abordagem do pro-
blema, contribuindo para um rápido 
restabelecimento do bem-estar das 
pessoas, diminuindo as suas reper-
cussões pessoais, familiares e so-
cioprofissionais e estabelecendo um 
plano de acompanhamento adequa-
do a curto, médio e longo prazo. Os 
principais fatores que influenciam o 
sono são:
• Idade: Influencia nas horas de ne-
cessidade de sono e no tipo de ci-
clos (estrutura do sono). O adulto 
jovem dorme de 7 a 8 horas/dia e 
essa necessidade diminui com a 
idade até os 50 anos. A partir daí, 
a tendência é acordar várias ve-
zes durante a noite, necessitando, 
assim, de mais horas de sono. O 
sono profundo diminui a partir dos 
30 anos, podendo até chegar a 
desaparecer. 
8PERTURBAÇÕES DO SONO
• Ambiente: As temperaturas ex-
tremas, o ruído (afeta sobretudo 
o sono profundo mesmo que não 
chegue a despertar), a luminosi-
dade, a modificação frequente dos 
ritmos e horários de atividade, a 
mudança de fusos horários ( jetlag), 
todos esses fatores perturbam o 
sono. 
• Psicológicos: O estresse, a an-
siedade, a depressão, a labilidade 
afetiva e de humor, a personali-
dade neurótica. A dificuldade em 
adormecer é mais característica 
das situações de ansiedade, e a 
dificuldade em manter o sono e o 
despertar precoce são mais ca-
racterísticos das perturbações 
depressivas. 
• Orgânicos: Os mais frequente-
mente implicados nas perturba-
ções do sono são a dor, a dispneia, 
a tosse, o prurido, a dispepsia, as 
alterações da micção, as cãibras 
musculares, a angina noturna, a 
asma, a hipertensão arterial e as 
alterações da tireoide. 
• Fármacos: As cafeínas (nomea-
damente chá e café), o álcool, as 
anfetaminas, os corticoides, o pro-
pranolol. Os antidepressivos tricí-
clicos podem provocar mioclonias 
e cãibras. Outras substâncias e 
drogas de abuso. Principalmente 
o tabaco e os psicoestimulantes, 
como a cocaína.
SAIBA MAIS!
As alterações do sono induzem alterações na ativação do sistema nervoso autônomo, sen-
do assim influenciada a PA. Das alterações do sono destacam-se a insónia, a síndrome das 
pernas inquietas, o movimento periódico dos membros durante o sono e a apneia do sono. 
Esta última condição, para além de promover o aumento da PA por alteração na ativação do 
sistema nervoso autónomo, também promove o aumento através de outros mecanismos: 
alterações na função renal devido à retenção de sódio, aumento do volume sanguíneo e ati-
vação do SRAA; disfunção dos barorreceptores arteriais devido às variações constantes no 
ritmo cardíaco e PA; stress oxidativo por diminuição da produção de NO e consequente vaso-
constrição; ativação de processos inflamatórios, em que elevados níveis de proteína C reativa, 
levam à disfunção endotelial, aterosclerose e consequente aumento da PA. Estes fatores de 
risco podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão arterial. 
9PERTURBAÇÕES DO SONO
Estresse, ansiedade, depressão, labilidade 
afetiva, humor, tipo de personalidade
FATORES QUE 
INFLUENCIAM 
O SONO
Cafeína, álcool, anfetaminas, corticoides, 
propranolol, antidepressivos tricíclicos
Tabaco, cocaína, cannabis
Dor, dispneia, tosse, prurido, dispepsia, alterações 
da micção, cãibras musculares, angina noturna, 
asma, hipertensão arterial alterações da tireoide
Temperaturas extremas, ruído, luminosidade, 
alterações do ritmo circadiano
Necessidade de dormir diminui 
com avançar de idade
PSICOLÓGICOS
FÁRMACOS
DROGAS 
DE ABUSO
ORGÂNICOS
AMBIENTE
IDADE
3. PRINCIPAIS 
TRANSTORNOS
Podem-se classificar as perturbações 
do sono em primárias e secundárias.
• Primárias: Correspondem a anor-
malidades na quantidade ou qua-
lidade do sono (dissônias, que po-
dem ser insônias, se há diminuição 
do sono, ou hipersônia, se há 
aumento do sono), ou associa-
das a acontecimentos comporta-
mentais ou fisiológicos anormais 
(parassônias). 
• Secundárias: São consequência 
de perturbações psiquiátricas, mé-
dicas ou ao uso de substâncias de 
abuso.
10PERTURBAÇÕES DO SONO
Insônia
Figura 1. Fonte: https://artritereumatoide.blog.
br/o-que-fazer-em-caso-de-insonia/
Corresponde a 10% de todos os dis-
túrbios do sono. É mais frequente nas 
mulheres e tem predisposição fami-
liar. Apresenta-se normalmente por 
queixas de dificuldade em iniciar ou 
manter o sono, despertares precoces 
e “sono não repousante”, bem como 
queixas diurnas de sonolência, fadiga 
e falta de atenção. Deve distinguir-se 
da insônia secundária a perturbações 
psiquiátricas prévias, perturbações 
médicas ou como consequência do 
uso de substâncias. 
O tratamento deve ser iniciado por 
medidas não farmacológicas (serão 
mais exploradas a seguir), procuran-
do estabelecer um horário regular do 
sono e do despertar e evitando o con-
sumo de álcool ou de cafeínas (café, 
chá) a partir do fim da tarde, exercícios 
físicos intensos 2 horas antes de dor-
mir (sexo pode ser exceção), sonecas 
durante o dia ou fazer sestas, assim 
como permanecer na cama sem von-
tade de dormir. 
Se for necessário recorrer a fármacos 
para o tratamento de insôniainicial 
(dificuldade em pegar no sono), de-
vem-se utilizar hipnóticos de meia-
-vida curta (triazolam, loprazolam, 
estazolam, flunitrazepam, midazo-
lam, zolpidem, entre outros) usando a 
mínima dose eficaz e por curto espa-
ço de tempo (2-4 semanas). Se o pro-
blema for essencialmente manter o 
sono (insônia intermédia ou terminal), 
pode-se admitir a utilização de hipnó-
ticos de meia-vida média/prolongada 
(cloxazolam, alprazolam, bromaze-
pam, nitrazepam, entre outros) pelo 
mais curto espaço de tempo possí-
vel. A abordagem será aprofundada 
adiante. Referenciar, se persistir após 
3 a 4 semanas de tratamento, ou se 
houver dúvidas no diagnóstico.
Hipersônia primária
Sonolência excessiva durante mais 
de 1 mês é evidenciada por períodos 
prolongados de sono ou por episó-
dios de sono diurno quase diariamen-
te. Afeta 1 a 5% dos adultos, inician-
do normalmente entre os 15 e os 30 
anos. A qualidade do sono noturno é 
normal, mas acontecem frequente-
mente sonecas diurnas intencionais 
ou inadvertidas. 
O tratamento deve iniciar-se por 
medidas psicoeducativas de higie-
ne do sono. Se necessário, recorrer a 
11PERTURBAÇÕES DO SONO
fármacos, devendo-se utilizar inibi-
dores seletivos da recaptação da se-
rotonina (ISRS), ou psicoestimulantes 
anfetamínicos. Em caso de dúvidas 
diagnósticas ou falha de tratamento 
ao fim de 4 semanas, justifica-se a 
referenciação.
Figura 2. Fonte: https://dorminhoco.com/hipersonia/
 
Narcolepsia
Sonolência excessiva diurna (causa-
da ou associada a fármacos), com in-
capacidade de se manter acordado, 
acompanhada de alterações do sono 
REM, diariamente, durante pelo me-
nos 3 meses. Por vezes, está associa-
da à catalepsia ou à paralisia do sono 
(incapacidade para executar movi-
mentos voluntários, apesar de estar 
acordado e consciente, acontecendo 
na fase de adormecimento). Em todas 
as entidades, o diagnóstico é clínico, e 
o doente, assim como a família, deve 
ser aconselhado a manter a calma. 
No caso da paralisia do sono, o do-
ente deve tentar focar em mover uma 
pequena parte do corpo até recupe-
rar a movimentação. 
12PERTURBAÇÕES DO SONO
Todos os tipos de narcolepsia têm 
incidência familiar e iniciam-se fre-
quentemente em adultos jovens. Em 
quase metade das vezes, está asso-
ciada a situações de ansiedade gene-
ralizada ou depressão. O tratamento 
SAIBA MAIS!
Forte gatilho 
emocional Catalepsia parcial Catalepsia completa
Fraqueza em 
face e pescoço
Fraqueza em 
membros e 
tronco
Figura 3. Catalepsia. Fonte:http://www.medicinadosonoam.com/wpcontent/uploads/2019/01/CATA.jpg]
 
A catalepsia é uma condição, na grande maioria das vezes, transitória, na qual o paciente 
apresenta uma incapacidade total para mover os membros, a cabeça ou até falar. Em alguns 
casos, os eventos de catalepsia podem ser confundidos com a morte, pois a respiração tam-
bém é afetada. Um episódio de catalepsia pode durar desde minutos a alguns dias, porém, 
habitualmente, dura entre 1 a 10 minutos.
Normalmente, a catalepsia é desencadeada pela excitação emocional. A perda dos movimen-
tos podem ocorrer devido à incapacidade de regular o sono e os estados de vigília. Durante o 
estágio REM do sono, há uma perda natural do tônus muscular. No caso da catalepsia, essa 
característica do sono REM ocorre subitamente durante o dia, causando fraqueza ou paralisia 
total, mesmo quando a pessoa permanece acordada durante o episódio. Os ataques podem 
variar em gravidade, desde uma breve sensação de fraqueza até um total colapso físico.
As causas da catalepsia ainda permanecem desconhecidas em sua plenitude, apesar de ter-
-se sobre elas algumas hipóteses e especulações. O problema tanto pode ter sua origem em 
um traumatismo craniano como em uma má formação congênita de alguma região cerebral 
ou, ainda, ser psicogenética. Ademais, ocorre mais em pacientes com distúrbios do sono e em 
epilépticos, podendo ser um tipo de manifestação de epilepsia em que a pessoa fica imóvel 
ao invés de apresentar convulsões.
da narcolepsia passa por fomentar a 
prática de sestas periódicas ao longo 
do dia e, se necessário, recorrer a fár-
macos. Devem ser utilizados estimu-
lantes anfetamínicos ou antidepres-
sivos tricíclicos supressores do REM 
13PERTURBAÇÕES DO SONO
(amitriptilina, nortriptilina). Em caso 
de dúvidas diagnósticas ou falha no 
tratamento ao fim de 4 semanas, jus-
tifica-se a referenciação.
Perturbações do sono 
relacionadas com a respiração
Sonolência excessiva e/ou insônia de-
corrente de anormalidades ventilató-
rias durante o sono, sendo a principal, 
pela sua frequência e importância, 
a síndrome de apneia obstrutiva do 
sono (SAOS). De início insidioso, atin-
ge 1 a 10% da população adulta e 
cerca de metade das crianças, apare-
cendo, na maior parte das vezes, em 
pessoas com mais de 40 anos. Tem 
tendência familiar e é mais frequen-
te no sexo masculino, sendo a obe-
sidade um importante fator de risco 
(outros fatores de risco são história 
de alergias, pólipos nasais, desvio do 
septo nasal e hipertrofia das amígda-
las – sendo mais comum em crian-
ças). É uma patologia importante, 
pois aumenta a resistência à insulina, 
aumentando o risco de acidente vas-
cular cerebral (AVC) em 20% e o de 
infarto agudo do miocárdio (IAM) em 
40%. O diagnóstico é feito de acordo 
com a informação dada pelo parceiro 
com quem dorme (ronco e apneia) e a 
aplicação da escala de Epworth, mas 
a confirmação obriga ao estudo do 
sono em laboratório específico, iden-
tificando-se quando acontecem pelo 
menos cinco episódios de apneia 
ou hipopneia por hora (a respiração 
mantém-se, mas a ventilação diminui 
em 50%) ou 30 por período de sono. 
É importante ressaltar que respiração 
anormal ou ronco não é sinônimo de 
apneia. 
Figura 4. Obstrução respiratória típica da apnéia obstrutiva do sono.
Fonte: https://www.politecsaude.com.br/produto/apneia-obstrutiva-do-sono/
14PERTURBAÇÕES DO SONO
O tratamento não farmacológico im-
plica redução ponderal, não uso da 
posição supina na cama e exclusão 
de sedativos e álcool à noite. Tais 
medidas, por si só, melhoram a so-
nolência diurna objetiva e a subjetiva, 
assim como resistência à insulina, re-
duzem o risco cardiovascular e me-
lhoram a qualidade de vida do doen-
te, diminuindo o risco de acidentes de 
trânsito. Pode haver necessidade de 
cirurgia (uvulopalatoplastia, amigda-
lectomia), principalmente em crian-
ças. Esses casos devem ser sempre 
referenciados tanto para efeitos de 
diagnóstico como para tratamento 
médico (pressão positiva contínua na 
via aérea [CPAP, do inglês continuous 
positive airway pressure]) ou cirúrgi-
co (otorrinolaringologia), em caso de 
persistência dos sintomas.
Perturbações do ritmo circadiano 
do sono
Nestas perturbações, incluem-se as 
induzidas pelas mudanças de fuso 
horário ( jetlag) ou pelas mudanças de 
turnos de trabalho e correspondem a 
um padrão persistente de distúrbio 
em que os tempos de sono e vigília 
estão atrasados relativamente ao de-
sejável, por desajuste entre o sistema 
circadiano endógeno de sono-vigília 
e os quesitos exógenos. É mais fre-
quente em pessoas idosas ou no fim 
da “meia-idade”, e a queixa principal 
é a dificuldade para adormecer à hora 
razoável. 
O tratamento é essencialmente não 
farmacológico, procurando adiar de 
forma gradual a hora de deitar-se 
durante alguns dias até conseguir 
dormir à hora desejada. Se absoluta-
mente necessário, recorrer a fárma-
cos, devendo-se utilizar hipnóticos de 
meia-vida curta (triazolam, zolpidem, 
alprazolam).
Perturbações devidas a pesadelos
Ocorrência repetida de sonhos assus-
tadores que levam a despertares em 
que o indivíduo fica completamente 
alerta, podendo levar a evitar o sono 
com a consequente sonolência diur-
na. Surgem na fase REM do sono e, 
por isso, quando necessário, devem 
ser utilizados antidepressivos tricícli-
cos como fármacos de eleição (ami-
triptilina, nortriptilina). 
Perturbações de terrores 
noturnos
Semelhante às perturbações de pe-
sadelos, são mais frequentesem 
crianças e correspondem à ocorrên-
cia repetida de terror durante o sono 
levando a despertares incompletos 
e abruptos, geralmente iniciados por 
um grito de pânico e que quase nun-
ca respondem às tentativas dos ou-
tros para um completo despertar, vol-
tando a adormecer com amnésia para 
15PERTURBAÇÕES DO SONO
o episódio de terror. Tem um padrão 
familiar e pode ser um primeiro sin-
toma de epilepsia do lobo temporal. 
Esses casos devem ser referenciados 
para psicoterapia individual e, em al-
guns casos, utilizadas baixas doses 
de diazepam. 
Figura 5. Pintura ilustrando o que se acreditava que era 
a origem dos terrores noturnos.
Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Terror_noturno
Perturbações de sonambulismo
Episódios repetidos de despertares 
incompletos no primeiro terço do pe-
ríodo de sono, com franca diminuição 
do estado de alerta e responsividade 
aos estímulos exteriores, olhar vazio 
e relativa ausência à comunicação, e 
os indivíduos podem chegar a realizar 
ações simples (deambular, mastur-
bar-se, despir-se, repetir certas pala-
vras, sobretudo monossílabos). Esses 
casos devem ser referenciados à con-
sulta de especialidade (psiquiatria).
Parassônias não especificadas
Parassonias são eventos físicos ou 
sensações indesejáveis que ocorrem 
durante o sono REM, o sono não REM 
(NREM) ou as transições do sono (in-
clusive na transição sono vigília).
Os eventos podem se manifestar 
como movimentos, comportamen-
tos, emoções, percepções, sonhos ou 
mesmo atividades do sistema nervo-
so autônomo. Com esta designação 
incluem-se: 
Mioclonias noturnas
Contração abrupta e estereotipada de 
certos músculos das pernas durante 
o sono sem consciência por parte do 
indivíduo, levando a frequentes des-
pertares e a sono não reparador. É 
muito frequente depois dos 65 anos 
e, se necessário, podem ser utilizados 
fármacos como benzodiazepínicos de 
meia-vida média/longa (diazepam), 
ou agentes colinérgicos (carbidopa, 
levodopa). 
Síndrome das pernas inquietas
Intenso formigamento nos gastroc-
nêmios ao sentar ou ao deitar, muito 
incomodativo, e que leva a um irre-
sistível impulso de mover as pernas, 
interferindo na conciliação e na quali-
dade do sono.
16PERTURBAÇÕES DO SONO
SE LIGA! A síndrome das pernas in-
quietas pode configurar o primeiro sinal 
de um quadro de aterosclerose.
É também frequente nas pessoas 
mais velhas, podendo necessitar da 
utilização de fármacos, assim como as 
mioclonias noturnas, benzodiazepí-
nicos de ação média/longa (diaze-
pam) ou agentes colinérgicos (carbi-
dopa,levodopa), ou, ainda, agonistas 
dopaminérgicos, como o pergolida e 
a bromocriptina. 
O bruxismo (ranger de dentes) 
e os sonilóquios (monólogos 
de poucas palavras e difícil 
compreensão)
São fenômenos que podem aconte-
cer em vários tipos de parassonias 
e não exigem particular atenção, de-
vendo ser desvalorizados, exceto no 
caso do bruxismo, o qual pode, em 
casos extremos, ser objeto de corre-
ção cirúrgica (ortodôntica). 
Perturbações secundárias do 
sono
Induzidas por outras situações clí-
nicas de natureza psiquiátrica (em 
geral, depressão ou ansiedade ge-
neralizada) ou médica (mais frequen-
temente neurológica, como doença 
de Parkinson ou coreia de Hunting-
ton, endócrinas, com hiper ou hipoti-
reoidismo, síndromes febris, doenças 
musculoesqueléticas particularmen-
te dolorosas), por efeito de medica-
mentos ou utilização de substâncias 
variadas, incluindo drogas de abuso. 
Podem caracterizar-se por insônia 
(forma de insônia mais frequente) ou 
hipersônia. 
Deve-se tratar a afecção principal. No 
entanto, a insônia pode manter-se 
mesmo após o tratamento bem-su-
cedido da patologia principal, poden-
do ser necessário tratar os dois jun-
tos. Muitas vezes, a insônia precipita, 
exacerba ou prolonga outras comor-
bidades, sendo que o seu tratamento 
pode também ajudar no tratamento 
da afecção principal.
17PERTURBAÇÕES DO SONO
4. AVALIAÇÃO CLÍNICA E 
DIAGNÓSTICA
A anamnese deve ser a mais por-
menorizada possível, a fim de se 
esclarecer se, de fato, se trata de uma 
verdadeira perturbação do sono, cole-
tando o máximo de indicações quan-
to à sua etiologia. Os fatores a serem 
PRINCIPAIS 
TRANSTORNOS 
DA ALTERAÇÃO 
DO SONO
Insônia
Hipersônia primária
Narcolepsia
Perturbação relacionadas 
com respiração
Perturbações do ritmo 
circadiano do sono
Perturbações 
devidas a pesadelos
Perturbações de 
terrores noturnos
Perturbações de 
sonambulismo
Parassônias não especificadas
Perturbações 
secundárias do sono
Mioclonias noturnas
Síndrome das pernas inquietas
Bruxismos
Sonilóquios
Depressão e ansiedade
Parkinson
Hiper ou hipotireoidismo
Síndromes febris
18PERTURBAÇÕES DO SONO
levados em conta são, essencialmen-
te, os seguintes: 
• História do sono. Rotinas ao dei-
tar-se, horário do sono, tipo de 
atividades durante o dia, quando 
começaram as perturbações e de 
que tipo são, existência de ronco, 
episódios de sonolência diurna 
(pode ser avaliado por meio da es-
cala de Epworth), sonecas ou ses-
tas, impacto nas atividades do dia 
a dia. 
• História familiar de perturbações 
do sono. 
• Contexto familiar e social, situação 
de vida. 
• Humor. Existência de perturba-
ção afetiva, como ansiedade ou 
depressão.
• Estilo e hábitos de vida. Exercício 
físico, tabaco, álcool, café, chá, dro-
gas, medicamentos, outras subs-
tâncias (como as bebidas “energé-
ticas” ou com guaraná). 
• Fatores ambientais. Ruído, luz, 
animais domésticos, temperaturas 
extremas. 
• Antecedentes pessoais e 
familiares. 
• Avaliação da história social e 
ocupacional. 
No exame físico deve-se realizar um 
exame físico geral, para detecção 
de possíveis causas orgânicas, 
como obesidade, processos obstru-
tivos das vias aéreas, hiper e hipoti-
reoidismo, patologia cardiovascular, 
doenças neurológicas, doenças de-
generativas, doenças musculoesque-
léticas, doenças infiltrativas. Uma vez 
que as perturbações do sono podem 
ser muito variadas e são múltiplos os 
fatores que podem contribuir para o 
seu aparecimento, são também muito 
variados os exames complementares 
de diagnóstico para o seu esclareci-
mento. No entanto, podem ser úteis 
em casos selecionados e consoante a 
história e o exame físico: 
• Laboratoriais gerais, incluindo, par-
ticularmente, hemograma, glice-
mia, função tireóidea (tireotrofina 
[TSH] e tiroxina livre [T4L]), função 
renal (creatinina, microalbuminúria) 
e função hepática (gama-glutamil-
transferase [γ-GT] transaminase 
glutâmico-oxalacética [TGO]). 
• Radiografia torácica. 
• Eletrocardiograma (ECG). 
• Tomografia computadorizada (TC) 
de crânio. 
• Laboratório do sono (em caso de 
suspeita de SAOS).
Podem ser usados também tes-
tes de rastreamento para depres-
são e ansiedade, mas estes não 
substituem uma boa anamnese 
19PERTURBAÇÕES DO SONO
direcionada à investigação de 
transtornos psiquiátricos. A queixa 
de sonolência diurna deve ser dife-
renciada de fadiga, caracterizada por 
cansaço, sensação de fraqueza ou 
falta de energia. A prevalência de so-
nolência diurna excessiva é de apro-
ximadamente 20% da população 
adulta. A sonolência diurna pode ser 
secundária a privação de sono, efeito 
de medicações, uso de drogas ilícitas, 
apneia obstrutiva do sono e transtor-
nos psiquiátricos (as hipersonias de 
origem central primárias, como nar-
colepsia, são menos comuns). É pos-
sível avaliá-la por meio da Escala de 
Sonolência de Epworth. O ponto de 
corte dessa escala é de 10 pontos. 
QUAL A PROBABILIDADE DE VOCÊ COCHILAR OU DORMIR, E NÃO APENAS SE SENTIR CANSADO, 
NAS SEGUINTES SITUAÇÕES? 
Considere o modo de vida que você tem levado recentemente. Mesmo que você não tenha feito algumas 
destas coisas ultimamente, tente imaginar como elas o afetariam. Escolha o número mais apropriado para 
responder cada questão
0 = nunca cochilaria
1 = pequena probabilidade de cochilar 
2 = probabilidade média de cochilar 
3 = qrande probabilidade de cochilar
Situação Probabilidade de cochilar 
Sentado elendo  0          1          2         3
Assistindo TV 0          1          2         3
Sentado, quieto, em um lugar público (por exemplo, 
em um teatro, reunião ou palestra) 
0          1          2         3
Andando de carro por uma hora sem parar, como 
passageiro 
0          1          2         3
Sentado quieto após o almoço sem bebida de álcool 0          1          2         3
Em um carro parado no trânsito por alguns minutos 0          1          2         3 
Uma pontuação superior a 10 é compatível com sonolência excessiva. 
Tabela 2. Escala de Sonolência de Epworth
A sonolência diurna pode ter conse-
quências graves como acidentes au-
tomobilísticos, mas também pode ser 
implicada em desempenho acadêmi-
co e profissional abaixo da expecta-
tiva, bem como ser confundida com 
déficit de atenção. Quando confirma-
da a sonolência diurna, deve-se fazer 
o diagnóstico diferencial entre as di-
versas condições que causam esse 
sintoma, algumas delas não consti-
tuindo transtornos do sono propria-
mente ditos. 
Quem acompanha o paciente duran-
te o sono pode informar sobre dificul-
dades respiratórias e movimentação 
20PERTURBAÇÕES DO SONO
anormal e sobre a presença de 
comorbidades clínicas, gerais ou 
neurológicas.
PRINCIPAIS CAUSAS DE SONOLÊNCIA 
DIURNA
Insônia
Síndrome da apneia obstrutiva do sono 
Dor ou outros sintomas comprometendo o sono 
Privação de sono ou falta de tempo adequado 
para dormir (por exemplo, trabalhadores em 
turno) 
Narcolepsia
Episódio depressivo 
Movimentos periódicos durante o sono
Medicamentos (por exemplo, sedativos, betablo-
queadores, inibidores seletivos da recaptação da 
serotonina) 
Hipotireoidismo 
Doenças neurológica
Tabela 3. Principais causas de sonolência diurna.
5. TRATAMENTO 
Tratamento não farmacológico
Diversos estudos demonstram a efi-
cácia da terapia cognitivo-compor-
tamental (TCC) no tratamento da in-
sônia, sendo que esta é considerada 
por várias sociedades médicas como 
o tratamento padrão. A TCC tem re-
velado uma eficácia comparável aos 
hipnóticos a curto-prazo, mas mais 
eficaz a longo-prazo (> seis meses), 
com manutenção dos ganhos alcan-
çados (o que não se verificou com os 
hipnóticos) e uma eficácia compro-
vada no tratamento da insônia em 
pacientes jovens, idosos e na insônia 
associada a outras patologias, nome-
adamente depressão.
Higiene do Sono:
A higiene do sono inclui um conjunto 
de hábitos comportamentais que faci-
litam o adormecer e a manutenção do 
sono, sendo um denominador comum 
em todas as intervenções terapêuti-
cas utilizadas para as perturbações 
do sono. Esta é útil como coadjuvante 
de outras terapias cognitivas e/ou far-
macológicas, não existindo dados so-
bre a sua utilidade no tratamento da 
insônia aguda.
Passos para higiene do sono:
• Dormir apenas o tempo necessário 
para se sentir descansado. Se com 
8 horas já se sente bem, evite dor-
mir mais do que 8-9 horas, mesmo 
que não tenha compromisso no 
dia.
• Crie uma rotina de acordar sempre 
no mesmo horário, independente 
se for fim de semana ou não e de 
ter tido insônia na noite anterior. 
Então, se o horário estabelecido 
for oito horas da manhã, policie-se 
para sempre acordar neste horário, 
mesmo que tenha dormido pouco 
por conta de insônia na noite an-
terior (p.ex. 4 horas). Você pode 
passar o dia com sono, mas isso 
vai ajudá-lo a regular seu ciclo cir-
cadiano (ciclo do sono).
21PERTURBAÇÕES DO SONO
• Se você tem insônia à noite, re-
comenda-se evitar tirar qualquer 
forma de cochilo ao longo do dia. 
Depois que o sono estiver normal, 
não há problemas em tirar peque-
nos cochilos.
• A prática regular de exercícios 
ajuda a regular o ciclo circadiano. 
Contudo, é importante que esses 
exercícios sejam feitos em horários 
distantes da hora de dormir. Evite 
fazer exercícios 4 horas ou menos 
antes de dormir. O melhor horário 
para a prática dos exercícios é pela 
manhã.
• Mesmo que você não repare di-
retamente, dormir em ambientes 
barulhentos diminui a qualidade 
do sono e pode levar a insônia. Se 
certifique de que o lugar em que 
você dorme não tem muitos baru-
lhos. Se o lugar em que dorme for 
barulhento, recomenda-se com-
prar um “tapa-ouvidos”.
• Fazer um lanche leve antes da hora 
de dormir costuma ajudar muitas 
pessoas a dormir.
• Tomar um banho quente antes de 
dormir.
• Evitar ingerir qualquer tipo de esti-
mulante depois das 18 horas. Es-
timulantes mais comuns são: café, 
coca cola, guaraná, chimarrão e al-
guns tipos de chá. 
• Evitar fazer atividades muito esti-
mulantes na hora antes de dormir 
(p.ex. ver filmes de ação, games no 
computador/online).
• Preferencialmente usar a cama 
apenas como lugar para dormir 
(evite trabalhar ou assistir televi-
são na cama).
• Antes de dormir, faça alguma forma 
de relaxamento (p.ex. respiração).
• Caso você tenha ido para a cama 
e não tenha conseguido dormir em 
20 minutos, é melhor sair da cama 
e dar uma volta antes de tentar 
novamente (pode ler por alguns 
minutos, assistir um pouco de TV, 
etc.).
• Se tiver tentado dormir por duas 
vezes sem sucesso, recomenda-
-se que vá para a cama e fique lá 
sem tentar dormir por 20 minutos. 
Se acabar dormindo, não tem pro-
blema, mas a ideia é ir para a cama 
sem o objetivo de dormir.
Terapia Cognitivo-Comportamental
A TCC inclui diferentes estratégias, 
com o objetivo de identificar pensa-
mentos, crenças e atitudes disfuncio-
nais que perpetuam ou precipitam a 
insônia e substituí-los por comporta-
mentos e cognições mais adequadas. 
Normalmente, consiste num progra-
ma de quatro a oito sessões, por meio 
de uma abordagem com múltiplas es-
tratégias, que inclui o controle de estí-
mulo, restrição do sono, relaxamento, 
22PERTURBAÇÕES DO SONO
terapia cognitiva e intenção parado-
xal. Alguns autores incluem a higie-
ne do sono nas estratégias da TCC. 
A TCC tem eficácia comprovada no 
tratamento da insônia sem ou com 
comorbidades, com manutenção a 
longo prazo dos seus efeitos,sendo, 
assim, recomendada como primeira 
linha de tratamento na insônia sem 
comorbidades.
A TCC em grupo tem-se mostrado 
eficaz no tratamento da insônia, as-
sim como a TCC self-help. Este último 
tenta diminuir a dificuldade de aces-
so dos pacientes a esta terapia, di-
minuindo a necessidade de sessões 
presenciais com o terapeuta, utilizan-
do, em substituição, livros, folhetos, 
vídeos ou internet. 
Controle de Estímulo
O objetivo desta estratégia é auxiliar 
o indivíduo a associar a cama apenas 
ao sono ou atividade sexual e não a 
sentimentos negativos (como o medo 
de não conseguir dormir) ou outras 
atividades que possam interferir no 
sono. O controle de estímulo aumen-
ta a qualidade do sono e tem efeitos 
mantidos a longo prazo. 
Restrição do Sono
Alguns indivíduos com insônia per-
manecem mais tempo na cama para 
tentarem recuperar o “sono perdido”. 
Isto acarreta uma maior dificuldade a 
iniciar o sono na noite seguinte e uma 
maior necessidade de permanecer 
na cama nas manhãs seguintes. Por 
meio desta estratégia, induz-se uma 
privação do sono temporária, reduzin-
do voluntariamente o tempo passado 
na cama até a um nível que o paciente 
não está habituado. Esta restrição não 
deve ser, contudo, inferior a 5-5,5h. 
Esta estratégia está, geralmente, in-
dicada para pacientes em que a ra-
zão entre o tempo total que passam 
a dormir e o tempo total que passam 
na cama é inferior a 85% (esta razão é 
intitulada eficiência do sono), ou seja, 
naqueles que, apesar de estarem 
muitas horas na cama, têm tempo to-
tal de sono baixo. Como efeitos ad-
versos potenciais, a restrição do sono 
pode aumentar a sonolência diurna e 
diminuir o tempo de reação.
Relaxamento
As técnicas de relaxamento podem 
ser eficazes para reduzir a excitação 
fisiológica e psicológica e, assim, pro-
mover o sono. Estas são mais efica-
zes com o intuito de melhorar a fase 
inicial do sono, e deverão ser utiliza-
das durante o dia, antes de deitar-se 
e no meio da noite se o paciente não 
conseguir dormir.
Terapia CognitivaAs crenças, atitudes disfuncio-
nais, preocupações ou expectativas 
23PERTURBAÇÕES DO SONO
irrealistas sobre o sono podem per-
petuar a insônia, levando mesmo a 
um ciclo vicioso. O objetivo da terapia 
cognitiva é identificar essas crenças 
e atitudes disfuncionais e substituí-
-las por outras mais adequadas. Esta 
estratégia deve ser aplicada por pro-
fissionais especializados em terapia 
cognitiva. 
Intenção Paradoxal
A intenção paradoxal tem como ob-
jetivo diminuir a ansiedade associada 
ao medo de não conseguir adormecer 
ou não dormir o suficiente. O pacien-
te é instruído a tentar não adormecer 
e manter-se acordado o maior tempo 
possível. Isto faz com que o paciente 
relaxe e acabe por adormecer. 
Exercício Físico
O exercício físico parece ter um efeito 
benéfico na qualidade do sono, dimi-
nuindo as queixas de insônia e o uso 
de medicação hipnótica. O exercício 
“agudo” (apenas uma sessão de ati-
vidade física) parece ter benefícios 
leves a moderados na qualidade do 
sono, diminuindo a latência do sono 
e a ansiedade prévia a adormecer e 
aumentando a eficiência do sono e 
o tempo total de sono. Estes benefí-
cios parecem ocorrer apenas após a 
prática de exercício aeróbio mode-
rado (exemplo, uma caminhada) e 
não para exercícios aeróbicos inten-
sos (exemplo, corrida) ou exercícios 
de resistência moderados (exemplo, 
musculação). Programas de exercício 
regular parecem mostrar, nas meta-
-análises, melhorias semelhantes às 
encontradas para os hipnóticos, sen-
do que a maioria dos estudos se refe-
rem ao exercício aeróbico moderado. 
Todavia, deve-se evitar a sua realiza-
ção duas horas antes de deitar-se. 
Acupuntura
Estudos mostram que tem benefí-
cios no tratamento da insônia, ao me-
lhorar a manutenção e eficiência do 
sono. Contudo, devido à baixa qua-
lidade metodológica dos estudos, a 
evidência atual não permite que se 
recomende a acupuntura como um 
tratamento eficaz.
24PERTURBAÇÕES DO SONO
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO
Higiene do Sono 
• Dormir o tempo necessário para se sentir descansado (usualmente 7-8h nos adultos) e 
posteriormente levantar-se da cama; 
• Evitar olhar constantemente para as horas ao deitar; 
• Evitar excesso de líquidos ou refeições pesadas à noite; 
• Evitar cafeína, nicotina e álcool quatro a seis horas antes de ir para a cama, e minimizar 
o seu uso diário; 
• Manter um ambiente calmo, escuro, seguro e confortável no quarto quando for se 
deitar;
 • Evitar um ambiente ruidoso, com luz e temperatura adequada durante o sono; 
• Evitar o uso prolongado de TV, tablet, computadores ou celulares antes de dormir; 
• Tentar resolver as “preocupações” antes de se deitar; 
• Deitar e acordar todos os dias à mesma hora (±30min), incluindo fins-de-semana;
• Evitar exercício vigoroso três a quatro horas antes de se deitar; 
• Evitar dormir durante o dia, especialmente se durar >20-30 minutos
Controle de Estímulo 
• Ir para a cama apenas quando sentir sono; 
• Usar a cama/quarto só para dormir e para a atividade sexual; 
• Não ler, comer, ver TV, fazer telefonemas na cama; 
• Se não conseguir adormecer em 15-20 minutos, o paciente deve levantar-se e deslo-
car-se para outro cômodo da casa e realizar tarefas calmas. Só deverá regressar à cama 
quando sentir sono. Repetir este passo todas as vezes necessárias; 
• Colocar o despertador/alarme para despertar à mesma hora todos os dias, incluindo 
fim-de-semana; 
• Não realizar sestas durante o dia. 
Restrição do Sono
• Determinar o tempo de sono médio do paciente a partir do diário do sono; 
• Utilizar este tempo médio de sono como o novo período de sono concedido em cada 
noite; 
• Definir um tempo de vigília consistente com base no tipo de insônia e necessidade do 
paciente; 
• Evitar realizar sestas durante o dia; 
• Se a eficiência do sono aumentar acima de 90%, aumentar o tempo na cama de 15 a 
30 minutos; 
• Se a eficiência do sono diminuir abaixo de 85%, em seguida, reduzir o tempo na cama 
de 15 a 30 minutos. 
Relaxamento
• Relaxamento muscular progressivo 
• Relaxamento e tensão de diferentes grupos musculares do corpo. 
• Respiração profunda 
• Inclui respiração diafragmática. 
• Treino autogênico 
• Visualização de uma cena/imagem calma e repetição de frases que acalmem o 
paciente. 
• Meditação 
• Biofeedback
 
Tabela 4. Tratamento não farmacológico
25PERTURBAÇÕES DO SONO
Tratamento farmacológico
Há dois grupos principais de hipnóti-
cos: os benzodiazepínicos e os ago-
nistas dos receptores dos benzodia-
zepínicos. Em situações em que haja 
insônia com perturbação depressiva 
ou contraindicações para a utilização 
dos benzodiazepínicos, pode-se re-
correr aos antidepressivos com efei-
to hipnótico. A farmacoterapia deve 
ser considerada em situações agudas 
com necessidade de redução imedia-
ta dos sintomas. A seleção do fármaco 
deve ter em consideração diferentes 
fatores como os sintomas, objetivos 
do tratamento, resposta a tratamen-
tos prévios, preferências do paciente, 
custos, comorbilidades, contraindica-
ções e efeitos secundários.
SE LIGA! O tratamento deve ser inicia-
do com a menor dose eficaz, no menor 
tempo possível. A medicação deve ser 
descontinuada gradualmente para evi-
tar o efeito rebote. Se houver necessida-
de de administrações durante um longo 
período, a administração dos fármacos 
deve ser intermitente, (por exemplo, três 
noites por semana), ou conforme haja 
necessidade.
Fármacos Hipnóticos 
As benzodiazepinas (BZD) e fárma-
cos análogos têm indicação no tra-
tamento da insônia quando os sin-
tomas assumem caráter patológico, 
pelo que não devem ser utilizadas 
por rotina no tratamento sintomático 
de insônias leves a moderadas. Não 
devem utilizar-se simultaneamen-
te mais do que uma BZD hipnótica 
ou fármaco análogo. Previamente à 
prescrição de fármacos hipnóticos, o 
doente deverá ser informado sobre o 
risco de habituação, risco de síndrome 
de privação, risco de toxicidade com a 
ingestão concomitante de álcool e/ou 
sedativos, risco de interferir com as 
funções psicomotoras e risco de que-
das (especialmente nos idosos). 
Agonista dos receptores das 
benzodiazepinas
Estes fármacos produzem um efei-
to hipnótico semelhante às benzo-
diazepinas, tendo como exemplo o 
zolpidem.
SUBSTÂNCIA 
ATIVA 
DOSE DIÁRIA 
(MG) 
INÍCIO DE 
AÇÃO 
DURAÇÃO 
DE AÇÃO 
SEMI-VIDA 
(HORAS) 
CONTRAINDICA-
ÇÕES 
PRECAUÇÕES
Zolpidem 5-10 Rápido Curta 1,5 a 2,4
• SAOS 
• Insuficiência 
pulmonar
• Depressão 
respiratória
• Miastenia gravis 
• IH grave
• Psicose
• Gravidez e 
aleitamento
• Depressão
• História de 
abuso de 
tóxicos
• IH ou IR 
Idosos
Tabela 5. Agonista dos receptores da benzodiazepina.]
26PERTURBAÇÕES DO SONO
O uso deste fármaco está recomen-
dado no tratamento da insônia a curto 
prazo, especialmente na insônia ini-
cial. O zolpidem diminui a latência do 
sono e o número de despertares no-
turnos e aumenta a duração e a quali-
dade do sono. O tratamento com este 
fármaco deve ser curto, com duração 
média inferior a quatro semanas. Um 
ensaio clínico randomizado mostrou 
eficácia do zolpidem até oito meses 
de tratamento, mas sem melhoria nos 
parâmetros subjetivos relativamente 
ao placebo. Os efeitos secundários 
mais comuns são cefaleias, tonturas 
e sonolência. 
Em 2013, a US Food and Drug Ad-
ministration recomendou o uso de 
uma dose menor que os 10mg/dia, 
especialmente em mulheres, vis-
to que doses mais elevadas podem 
estar associadas a uma diminuição 
da capacidade de conduzir. Estudos 
mostraram que concentrações san-
guíneas de 50ng/ml serão capazes 
de diminuir a capacidade de dirigir, 
sendo que estas doses se encontram 
em cerca de 15% das mulheres que 
tomaram zolpidem 10mg oito horas 
antes.
Benzodiazepinas
As BZD estão recomendadas apenas 
na fase aguda das queixas de insônia, 
na menor dose possível, com duração 
de duas a quatro semanas. Estes fár-
macos diminuem a latência do sono 
e o número de despertares noturnos, 
aumentando a duração e qualida-
de do sono. Adicionalmente, as BZD 
podem diminuir asqueixas de ansie-
dade. Previamente à prescrição de 
BZD, dever-se-á avaliar a presença 
de causalidade ou comorbilidade fí-
sica, abuso de álcool ou outras subs-
tâncias, miastenia gravis, insuficiên-
cia respiratória grave, apneia do sono, 
insuficiência hepática grave. Nos pa-
cientes com queixas de insônia inicial 
dever-se-á utilizar uma BZD de curta 
ação e nos pacientes com queixas de 
dificuldade de manutenção do sono 
é preferível uma BZD com ação mais 
prolongada. O diazepam não deve 
ser utilizado, pois é de longa duração 
de ação e pode levar à acumulação 
de metabolitos ativos.
27PERTURBAÇÕES DO SONO
Tabela 6. Título: Benzodiazepinas
SUBSTÂNCIA 
ATIVA 
DOSE DIÁRIA 
(MG) 
DOSE DIÁ-
RIA IDOSO 
(MG) 
INÍCIO DE 
AÇÃO 
DURAÇÃO 
DE AÇÃO 
SEMI-VIDA 
(HORAS) 
INTERAÇÃO 
CYP450 
Triazolam 0,125-0,5
0,0625 
-0,125
Rápido Curta 2-3 Sim
Brotizolam 0,125 - 0,25 0,125 Rápido Curta - -
Estazolam 1 - 2 0,5 Rápido Intermediária 10 – 24 Limitado
Loprazolam 1 – 2 0,5 – 1 Rápido Intermediária - -
Lorazepam 2 – 4 0,5 – 1 Intermediária Intermediária 10 – 20 Não
Temazepam 10 – 20 10 Intermediária Intermediária 3 – 19 Não
Flurazepam 15 – 30 15 Rápido Longo 47 – 100 Limitado
Diazepam 5 – 10 5 Rápido Longo 20 – 50 Limitado
Os efeitos adversos mais comuns 
são sedação matinal, incoordenação 
motora, perturbações mnésicas, so-
nolência excessiva, atraso de tempo 
de reação, redução da libido e desi-
nibição comportamental. Após duas 
a quatro semanas de utilização, au-
menta o risco de desenvolver tolerân-
cia, dependência física e psicológica e 
síndrome de privação. Esta síndrome 
pode durar até três semanas após a 
suspensão de BZD de longa ação e 
caracteriza-se pela presença de sin-
tomas de ansiedade, perda de apetite, 
tremor, sudação e alterações percep-
tuais. A maioria dos hipnóticos são 
depressores respiratórios, pelo que 
podem agravar a síndrome da apneia 
obstrutiva do sono ou hipoventilação. 
Antidepressivos
Os antidepressivos sedativos são fár-
macos comumente prescritos para o 
tratamento da insônia, embora con-
clusões que comprovem a sua eficá-
cia sejam limitadas. Geralmente, as 
doses utilizadas para indução do sono 
são inferiores às utilizadas no trata-
mento da depressão. No momento 
atual, não há evidência que susten-
te a sua eficácia na insônia sem co-
morbilidades médicas ou psiquiátri-
cas, contudo, podem estar indicados 
como primeira linha quando a insônia 
está associada a sintomas depressi-
vos ou de ansiedade ou em pacientes 
com abuso de substâncias.
28PERTURBAÇÕES DO SONO
SUBSTÂNCIA 
ATIVA 
DOSE DIÁRIA 
(MG) 
DOSE MÁ-
XIMA DIÁ-
RIA (MG) 
INÍCIO DE 
AÇÃO 
DURAÇÃO 
DE AÇÃO 
CONTRAINDICAÇÕES E 
PRECAÇÕES
Agomelatina 25 50 - -
• Disfunção hepática 
• Inibidores potentes CY-
P1A2 (exemplo, fluvoxamina, 
ciprofloxacina)
• Monitorizar as transaminases séri-
cas durante o tratamento
Amitriptilina 10 – 20 150 2 – 4 17 – 40
• Infarto Agudo do Miocárdio 
recente
• Arritmias 
• Fase maníaca da doença bipolar 
• Doença hepática grave
Mianserina 30 – 40 90  - - 
• História de epilepsia 
• Deve-se fazer controlea do hemo-
grama ao fim de quatro semanas 
nos primeiros três meses
Mirtazapina 15 15 1,2 – 1,6 20 – 40
• Epilepsia 
• Alterações da função hepática e 
renal
• Hipotensão 
• História de retenção urinária 
• Glaucoma de ângulo aberto 
• Psicose 
• História de doença bipolar 
• Gravidez e aleitamento
Trazodona 50 150 0,5 – 2 8
• Contraindicado - EAM recente 
• Epilepsia 
• Insuficiência hepática ou renal 
• Angina pectoris, distúrbios de con-
dução ou bloqueios AV 
• Hipertireoidismo 
• Glaucoma de ângulo fechado 
agudo 
 
Tabela 7. Antidepressivos com efeito sedativo
Trazodona
Atualmente, não existe evidência 
sustentada da eficácia da trazodona 
no tratamento da insônia. Um estudo 
randomizado concluiu que a trazodo-
na ao final de uma semana de utili-
zação melhorou a latência do sono, 
duração total do sono e número de 
despertares noturnos quando com-
parado com o placebo, contudo, na 
segunda semana de utilização não se 
verificaram diferenças entre a trazo-
dona e o placebo. Por outro lado, na 
depressão com insônia comórbida, 
29PERTURBAÇÕES DO SONO
estudos verificaram melhoria da qua-
lidade do sono e do número de des-
pertares noturnos.
Mirtazapina, Amitriptilina, 
Mianserina
Não há evidência sustentada para a 
eficácia destes antidepressivos, não 
existindo estudos a longo prazo. Eles 
têm um potencial efeito benéfico na 
insônia associada à depressão.
Agomelatina
Tem um efeito potencial na regula-
ção do ritmo circadiano nos pacientes 
com depressão. Verifica-se uma me-
lhoria da qualidade do sono, redução 
da latência do sono e redução dos 
despertares noturnos em pacientes 
com depressão comorbida. Aparen-
temente, tem menos efeitos secun-
dários que outros antidepressivos, 
nomeadamente na disfunção sexual 
ou sintomas de descontinuação
Antipsicóticos 
Não estão recomendados em pacien-
tes sem psicose, dado que não há 
evidência comprovada da sua eficá-
cia. Em relação à quetiapina, os be-
nefícios no tratamento da insônia não 
superam os riscos potenciais da utili-
zação do fármaco, mesmo em doen-
tes com comorbidades, que possam 
justificar o seu uso
Anti-histamínicos 
Não há evidência de que os anti-his-
tamínicos melhorem as queixas de 
insônia. Por outro lado, podem cau-
sar sedação no dia seguinte, assim 
como estão associados a efeitos se-
cundários como diminuição do tempo 
de reação, diminuição da capacida-
de cognitiva, delírio, alterações visu-
ais, retenção urinária e constipação 
intestinal.
Valeriana 
Atualmente, existe uma baixa evi-
dência do benefício da utilização de 
valeriana no tratamento da insônia. 
Contudo, o uso deste fármaco, em al-
guns estudos, parece ter algum efeito 
benéfico ao melhorar subjetivamente 
a qualidade do sono dos pacientes.
Melatonina 
A melatonina apresenta efeitos mo-
destos no tratamento da insônia sem 
comorbilidades, parecendo diminuir a 
latência do sono, aumentar o tempo 
total de sono e a qualidade do sono. 
Todavia, os efeitos observados são 
inferiores ao de outros tratamentos 
farmacológicos. A melatonina pode-
rá ser uma escolha de tratamento na 
perturbação do sono relacionada com 
o ritmo circadiano
30PERTURBAÇÕES DO SONO
• História de insônia
• Qualidade do sono
• Dificuldade em manter/
dificuldade em iniciar o sono
• Diário do sono/ Hábitos de sono
• Fármacos
• Informação do acompanhante
QUEIXAS DE ALTERAÇÃO DE SONO
Perturbação do 
sono relacionada 
com a respiração 
(suspeitar)
Roncopatia? 
Apneias?
Duração > 1-3 meses
Outra insônia 
especificada 
Insônia breve 
(suspeitar)
Sonolência 
diurna excessiva? 
Comportamentos 
bizarros durante 
o sono?
Cataplexia? 
Ataques repetidos 
e irresistíveis de 
sono?
Pesadelos, 
terrores noturnos, 
sonambulismo?
Parassônia 
(suspeitar)
Narcolepsia 
(suspeitar)
SIM
NÃO
NÃO
SIM
SIM
SIM
Duraçãooutras causas/ fatores para a insôniaReferenciar cuidados 
saúde secundários
Fonte: Ribeiro NF. Tratamen-
to da Insônia em Atenção 
Primária à Saúde. Rev Bras 
Med Família e Comunidade. 
2016;11(38):1–14.]
31PERTURBAÇÕES DO SONO
6. PERTURBAÇÕES DO 
SONO EM CRIANÇAS E 
ADOLESCENTES
Nesta faixa etária, as perturbações 
do sono podem ter um significati-
vo impacto negativo no desenvol-
vimento da criança e na dinâmica 
e no equilíbrio familiar, sendo, por 
vezes, desvalorizadas ou erronea-
mente interpretadas e abordadas. 
O padrão do sono em geral estabiliza 
aos 12 meses de idade (14-16 ho-
ras de sono diárias), com diminuição 
progressiva das horas totais de sono 
(sobretudo pela diminuição do sono 
diurno), até estabilizar em 8 horas de 
sono no fim da adolescência. A histó-
ria clínica é fundamental, e deve ser 
realizado um diário do sono durante 2 
semanas para a melhor compreensão 
do problema. 
Lactente Pré-escolar Escolar Adolescente Adulto jovem Adulto Idoso
Recomendado Pode ser 
apropriado
Não 
recomendado
Ho
ra
s d
e 
so
no
Figura 6. Recomendações de duração do sono por idade da National Sleep Foundation.
Fonte: 2020 UpToDate, Inc. e / ou suas afiliadas.]
Insônia
Muito variada na forma de apresenta-
ção e abordagem consoante a idade 
da criança. 
• Bebês e crianças mais novas: 
As dificuldades em adormecer e 
os despertares noturnos são as 
queixas mais frequentes. Como o 
32PERTURBAÇÕES DO SONO
padrão de sono só se estabiliza a 
partir dos 12 meses, não deve ser 
considerado o diagnóstico de per-
turbação do sono antes dessa ida-
de. Todo o processo do sono nessa 
idade depende fundamentalmente 
das características temperamen-
tais da criança, das condições ex-
teriores e das atitudes paternais. 
A atitude do médico de família e 
comunidade deve ser principal-
mente uma escuta empática das 
dificuldades dos pais, evitando 
a culpabilização e motivando-os 
para a criação de rotinas que in-
cluam a regularização dos horários 
de sono da criança. A criança deve 
ser incentivada a adormecer sozi-
nha e em quarto próprio, evitan-
do o “coletivo” (excepcionalmente, 
pode ter indicação em bebês que 
são amamentados, estando, con-
tudo, contraindicado em casos de 
tabagismo, alcoolismo e toxicode-
pendência dos pais). Os eventuais 
rituais de adormecimento devem 
ser simplificados e pouco rígidos, 
podendo ser encorajada a utiliza-
ção de objetos transicionais (ursi-
nho de pelúcia, boneco preferido) 
que apoiam a criança no processo 
de separação dos pais na passa-
gem da vigília para o sono.
• Idade escolar: A manifestação 
mais comum é a resistência em ir 
dormir. O médico de família e co-
munidade deve motivar os pais 
para o estabelecimento de regras 
de horário do sono, assim como 
devem assegurar um ambiente 
tranquilo no quarto de dormir da 
criança. Muito excepcionalmente 
pode haver necessidade de recor-
rer a fármacos que devem ser utili-
zados por um curto período, sendo 
os mais comuns a hidroxizina e o 
clonazepam. 
• Adolescentes: O médico de famí-
lia e comunidade deve trabalhar 
com o adolescente e a família, de 
modo a, consensualmente, ser im-
plementada uma boa higiene do 
sono, que passa por um rigoroso 
cumprimento de horário de sono 
(incluindo fins de semana), evitar 
bebidas estimulantes (café ou be-
bidas com cafeína, bebidas “ener-
géticas” ou com guaraná), evitar 
sestas diurnas e exercícios físicos 
intensos nas 6 horas antes de dei-
tar e evitar ler ou ver televisão na 
cama. Uma perturbação que pode 
suceder é a delayed sleep pha-
se syndrome, que corresponde a 
uma alteração fisiológica do rit-
mo circadiano com dificuldade em 
adormecer a horas aconselháveis 
e que passa pela antecipação pro-
gressiva da hora de acordar e de 
adormecer até alcançar o horário 
pretendido.
7. QUANDO REFERENCIAR 
Existem algumas especificidades re-
lativamente ao tratamento da insônia 
33PERTURBAÇÕES DO SONO
no idoso, durante a gravidez, em pa-
cientes com abuso crônico de álcool 
e em pacientes com depressão. São 
critérios de referenciação para os cui-
dados de saúde secundários a per-
turbação do sono relacionada com a 
respiração, sonolência diurna exces-
siva, narcolepsia, parassonias, dúvi-
das de diagnóstico, má resposta ao 
tratamento adequado (farmacológico 
ou não farmacológico) e referenciação 
para realização de TCC por profissio-
nais especializados. Outras situações 
incluem:
• Dificuldades ou dúvidas de 
diagnóstico. 
• Situações refratárias ao tratamen-
to (mais de 1 mês). 
• Situações que exijam técnicas fi-
siológicas (estudo da estrutura do 
sono) ou psicológicas específicas, 
ou ainda se houver necessidade 
de referenciamento imediato para 
outras especialidades, como psi-
quiatria (suspeita de perturbação 
psicótica) ou otorrinolaringologia/
pneumologia (SAOS).
34PERTURBAÇÕES DO SONO
Fatores que 
influenciam o 
sono:
Anamnese Exame Físico Exames 
complementares 
Rastreamento 
para depressão 
e ansiedade
Principais 
transtornos Tratamento Quando referenciar?
Idade
Ambiente
Psicológicos
Orgânicos
Fármacos
Rotina e 
história do 
sono
Antecedentes 
familiares e 
pessoais
Contexto 
familiar e 
social
Fatores 
psicológicos e 
habito de vida
Fatores 
ambientais 
Exame 
físico geral 
com atenção 
a causas 
orgânicas
Laboratoriais 
gerais 
Radiografia 
torácica
ECG
TC de crânio
Laboratorial 
de sono
Avaliação clínica 
e diagnóstica
Insônia
Hipersônia 
primária
Narcolepsia
Perturbação 
relacionadas 
com respiração
Perturbações 
do ritmo circadiano 
do sono
Perturbações 
devidas a 
pesadelos
Perturbações de 
terrores noturnos
Perturbações de 
sonambulismo
Parassônias não 
especificadas
Perturbações 
secundárias
Não farmacológico Farmacológico
Higiene 
do sono
Terapia 
cognitivo-
comportamental
Controle 
de estímulo 
Restrição 
do sono
Relaxamento
Exercício 
físico
Benzodiazepínico
Agonista dos 
receptores dos 
benzodiaze-
pínicos
Dificuldade 
ou dúvidas de 
diagnóstico
Situações refratárias 
ao tratamento
Situações que 
exijam técnicas 
fisiológicas ou 
psicológicas
Encaminhamento 
para especialistas 
PERTURBAÇÕES DO SONO NA 
ATENÇÃO PRIMÁRIA À SAÚDE 
Definido por experiência subjetiva de sono inadequado, com dificuldade em 
iniciar ou na manutenção do sono, despertares precoces e “sono não reparador”, 
com repercussão no funcionamento socio-ocupacional diurno
35PERTURBAÇÕES DO SONO
REFERÊNCIAS 
BIBLIOGRÁFICAS
GUSSO, G. et al. Tratado de medicina de família e comunidade. 2 ed. Porto Alegre. Artmed, 
2019.
DUNCAN, B. et al. Medicina Ambulatorial: condutas de atenção primária baseada em evi-
dências. 4 ed. Porto Alegre. Artmed, 2013
Ribeiro NF. Tratamento da Insônia em Atenção Primária à Saúde. Rev Bras Med Família e 
Comunidade. 2016;11(38):1–14. 
Neves, Gisele SML; Macedo, Philippe; Gomes M da M. Transtornos do sono: Atualização 
(Parte 1 e 2). Rev Bras Neurol. 2018;54(1):32–8.
Kiran Maski, MD. Insufficient sleep: Evaluation and management. 2020 UpToDate, Inc.
Douglas Kirsch, MD, FAASM. Stages and architecture of normal sleep. 2020 UpToDate, Inc.
36PERTURBAÇÕES DO SONO

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