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Ginecologia e Obstetrícia 1 Diabetes na Gestação Diabetes gestacional Disturbios metabólicos na produção, liberação ou resistência a insulina, que culmina em hiperglicemia. Pode ser DM 1, DM 2 – diabetes antes da gestação que engravidaram e a DMG – diabéticas devido a gestação. Fatores de risco • DMG em gestação anterior • Idade maior ou igual a 35 anos • Obesidade • Sedentarismo • Feto GIG • Antecedente familiar • Malformação fetal • Óbito fetal de causa desconhecida • Polidrâmnio • Síndrome hipertensiva • História clínica sugestiva Obs: o principal fator de risco para uma mulher apresentar DM2 é ter tido DMG. Filhos de mães diabéticas gestacionais descompensadas, apresentam maior risco de apresentar síndrome metabólica, DM e obesidade no futuro. Fisiopatologia A placenta produz alguns hormônios como lactogênio placentário, cortisol, prolactina e GH que aumentam a resistência a insulina ( a resistencia insulinica aumenta conforme aumenta a idade getacional, caindo a partir de 40 semanas em caso de insuficiencia placentária). O aumento da resistência a insulina faz com que uma maior produção de insulina pelo pâncreas não desenvolvendo a DMG. Em casos onde o pâncreas não consegue aumentar essa produção de insulina, em resposta ao aumento da resistencia a insulina, temos o desenvolvimento de DMG. Diagnóstico Glicemia de jejum GJ ≥ 126mg/dL→ DM 2 GJ ≥ 92 e ≤ 125mg/gL → DMG GJ p90 de peso • Macrossomia fetal, peso > 4kg • Hipóxia fetal • Óbito fetal intrautero • Hipoglicemia neonatal • Policitemia • Hipocalemia e hipomagnesemia Porque essas complicações ocorrem: O tratamento negligenciado, infecções, pode levar a um mal controle metabólico, que geram a hiperglicemia. Desse modo devido a difusão facilitada temos hiperglicemia fetal, gerando: Hiperinsulinemia levando a macrossomia fetal, hipoglicemia do RN, ipocalemia e hipomagnesemia e desconforto respiratório. Ginecologia e Obstetrícia 2 Polidrâmio devido poliuria. Oocrre também glicosilação da Hb fetal, levando aumento da afinidade hemoglobina-oxigênio, levando a hipóxia tecidual – policitemia e hiperbilirrubinemia do RN ao nascimento Hipóxia pode levar a policitemia, que leva a trombos, possibilitando óbito fetal Riscos futuros em caso de diabetes materna descompensada: obesidade, síndrome metabólica, diabetes e hipertensão. Risco nas gestantes • Infecções urinárias e genitais • Polidrâmnio • Pré – eclampsia • Trabalho de parto prematuro • Rotura de membranas ovulares • Atonia uterina • Parto cesária Mulher que teve diabetes gestacional, tem risco maior de desenvolver diabetes, intolerância a glicose – principalmente em caso de obesas e usuárias de insulina. Diabetes prévio Diagnóstico Glicemia de jejum ≥ 126mg/dL TOTG ≥ 200 após 2h Glicemia sérica ≥ 200mg/dL em qualquer momento HbA1c ≥ 6,5% Complicações Podem ser complicações micro e macrovasculares. São elas: retinopatia, encefalopatia, cardiomiopatia, neuropatia, nefropatia, pé diabético, entre outras. Orientações pré concepcionais 1. Controle gliêmico adequado, visando HbA1c ≤ 6% 2. Assegurar contracepção e planejamento da gestação 3. Psquisar complicações do DM 4. Reavaliação das medicações em uso 5. Reforças a importância do automonitoramento glicêmico 6. Adequação do peso Controle glicêmico ruim X repercussões Se no início da gestação o controle glicêmico é ruim, temos maior risco de abortamento, malformações congênitas – quanto maior a glicada maior o risco Acima de 12 semanas, podemos ter restriçãod e crescimento intrauterino, ou macrossomia e trabalho de parto pré-termo Para gestante se já tiver retinopatia ou nefropatia, bem como pré eclâmpsia temos o risco de maior progressão dessas patologias Tratamento do DMG Pilares do manejo da DMG • Monitorização glicêmica • Dieta • Atividade física • Caso necessário: insulinoterapia (medicamento de escolha) • Acompanhamento multidisciplinar: psicólogo, especialista – GO ao invés de MFC, enfermeiro e nutricionista Terapia nutricional Avaliação antropométrica da paciente deve ser feita, analisando seu IMC, tabela de ganho de peso durante a gestação: Avaliar os hábitos alimentares e a sua acessibilidade a alimentos Orientações alimentares preconizando alimentos in natura e integrais. Realizar uma refeição a cada 3 horas – 6 refeições ao dia, cerca de 1.800 – 2.200Kcal/dia) Orientação da substituição do açúcar por adoçante: sucralose, stevia e aspartame. Exercício físico Diminui a resistência insulínica, aumenta a expressão de GLUT 4, facilitando a difusão da glicose para dentro da célula. Ginecologia e Obstetrícia 3 O mínimo preconizado de exercício físico são 30min 3x na semana A intensidade recomendada do exercício é de moderada intesntidade, não ultrapassando 30-40% da FC basal da paciente Se alimentar antes do exercício para não fazer hipoglicemia Exercícios que podem ser orientados: caminhadas, hidroginástica, alongamentos. Caso apresentem alguma contraindicação ao exercício físico, não devem praticar: Contraindicações maternas • Doenças cardiacas – com repercussão • Anemia grave • HAC e pré eclâmpsia • Doença úlmonar restritiva Contraindicações obstétricas • Trabalho de parto prematuro atual • Gestação múltipla • Incompetência istmocervical • Rotura prematura de membranas ovulares • Placenta Prévia • Hemorragias de segundo e terceiro trimestre Monitoramento glicêmico Consultas frequentes de 7-14 dias Dextros – perfil simples: • Jejum • 1 hora ou 2 horas após o café, almoço e jantar Sendo as metas glicêmicas, que devem ser medidas a partir do início da refeição: Horário Meta glicêmica (mg/dL) Jejum 70 e pós 1h prandial > 100. Em caso de inviabilidade do tratamento não medicamentoso correto preconiza-se segundo o MS o seguinte: Perfil de 4 pontos, 3x por semana. Nas refeições: jejum, pós café, pós almoço e pós jantar. É importante ressaltar que 70-85% dos pacientes irão conseguir controlar a glicemia com DIETA + EXERCÍCIOS. Porém em alguns casos, ocorre um mau controle glicêmico: 1. 30% dos valores alterados 2. Média glicêmica > 120mg/dL Nesses dois casos (por mais que não seja um consenso) é necessário utilizar de medicação e a de escolha é a insulinoterapia. Tratamento medicamentoso Insulinoterapia Tipo Início Pico Duração Lispro, asparte 10-15min 1-2h 4-5h Regular 30-60min 2-4h 6-8h NPH 1-3h 5-7h 13-18h Glargina e detemir 1-2h Não 24h A droga de escolhaserá a NPH, devido seu tempo de ação e dua duração – ação intermediária: Sendo assim ao realizar a aplicação constante, temos esse gráfico ( aplicando NPH no café, almoço e as 22h): Manejo com NPH NPH em 3 doses diárias (podem ser 2 doses) Dose: 0,5UI/kg/dia, sendo que ½ dose no café, ¼ dose no almoço e ¼ da dose às 22h. Sempre a maior dose pela manhã. Ginecologia e Obstetrícia 4 Em caso de viabilidade do tratamento medicamentoso correto preconiza-se segundo o MS o seguinte: Perfil diário de 6 pontos: jejum, após o café, antes do almoço, pós almoço, antes do jantar e pós jantar. Em caso de inviabilidade do tratamento medicamentoso correto preconiza-se segundo o MS o seguinte: Perfil de 4 pontos. Nas refeições: jejum, pós café, pós almoço e pós jantar. Horário Meta glicêmica (mg/dL) Jejum 70 e pós 1h prandial > 100. Se caso alguma das medidas ainda estiverem alteradas, podemos mexer individualmente em cada horário: Aplicando insulina regular, lispro e asparte - ultrarrápidas se necessário, em caso de hipoglicemia. Obs: Se paciente com hiperglicemia pela manhã, se atentar ao que está ocorrendo de madrugada, cerca de 3h (meta de 100) da manhã. Em caso de hipoglicemia na madrugada por exemplo reflete em uma diminuição da NPH e não aumento. Manejo de insulina regular + NPH Nas refeições de café e almoço, podemos realizar junto a NPH e a regular. Primeiro deve-se aspirar a regular e depois a NPH fazendo numa mesma aplicação as duas. Sintomas de hipoglicemia (dextro menor que 70) • Alterações de humor • Fome • Doe de cabeça • Visão embaçada • Tontura • Sudorese • Cansaço extremo ou palidez • Tremores Metformina na gestação A metformina é considerada medicação categoria B, segundo o FDA, mas a ANVISA não libera seu uso. Recomendado a troca de metformina para insulina. Caso a paciente deseje continuar com a metformina, deve ser assinado um termo de responsabilidade. Pode ser utilizada: Em monoterapia em caso de não adesão a insulinoterapia Associada a insulina em caso de glicemia de difícil controle glicêmico Dose: 500 – 2.500mg/dia. Iniciar com 500mg e aumentar aos poucos pois pode trazer desconforto gastrointestinal. Tomar junto ou logo após as refeições. Pode ser utilizada em casos específicos como por exemplo: Não temos acesso a insulina Dificuldade de autoadministração de insulina Em casos onde a insulina gere estresse para a paciente – tendo que realizar dieta extremamente restrita, mesmo orientada e não quer usar insulina Necessidade de altas doses diárias de insulina, > 100UI Ganho de peso excessivo em uso de insulina Segmento das pacientes com DMG USG obstétrico mensal a partir de 28 semanas Perfil biofísico fetal Seguimento semanal de acordo com os controles (se estável podem ter consultas com intervalo de até 3 semanas) Parto Em geral realizado com 40 semanas se bom controle glicêmico Se detectado macrossomia, realizar resolução imediata do parto Dificil controle glicêmico – merece atenção, indicado avaliação e se necessário internação para controle do diabetes. Lembrar que antes de 37 semanas temos grande risco de deconforto respiratório no RN. Alterações da vitalidade fetal – verificar se resolução do parto ou não Via de parto: obstétrica. Ou seja, não existe indicação formal de cesariana ou PV somente pelo diabetes. Ver a necessidade de cada paciente após analisar a paciente como um todo. Intraparto 86% das pacientes não irão necessitar de insulina Mantemos uma glicemia de 70-120 O dextro deve ser feito a cada 1-2 horas se necessário insulina. Ginecologia e Obstetrícia 5 Em caso de controle somente com dieta, realizar o dextro a cada 4h. Pós parto imediato DMG • Suspender dieta • Suspender insulina ou hipoglicemiante • Suspender o perfil glicêmico Obs: Pacientes que amamentam apresentam chance menor de desenvolvimento de diabetes após a gestação. Obs: essa paciente necessita de em 6 semanas após o parto realizar TOTG 75g ( jejum e 2h após). Interpretação do exame em cenário ideal: Puérpera 6 semanas após o parto TOTG 75g ( dosagens jejum e 2ª hora) Jejum 70 e pós 1h prandial > 100. Tratamento específico: DM 1 DM 2 Dieta Reforçar orientações e importância do perfil glicêmico completo Reforçar orientações e importância do perfil glicêmico simples Insulina Reavaliar esquema de insulina utilizado Bomba de insulina Reavaliar esquema utilizado e perfil glicêmico completo Hipoglicemiantes orais Trocar por insulina – controverso. Introduzir se dose total, insulina > 100UI Insulinoterapia em pacientes diabéticas prévias Insulinoterapia: esquama multifracionado: 2/3 NPH + 1/3 insulina rápida ou ultrarrápida. • 1° trimestre: 0,5 – 0,6 UI/Kg/dia • 2° trimestre: 0,7 – 0,8 UI/Kg/dia • 3° trimestre: 0,9 – 1,0 UI/Kg/dia Avaliação fetal US morfológico no 1° e 2° trimestre (maior risco de malformação fetal) US obstétrico mensal Ecocardiograma fetal deve ser feita entre 26 -28 semanas Vitalidade fetal com doppler com 20, 26 e 32 semanas. PBF semanal, a partir de 28 semanas. Ginecologia e Obstetrícia 6 Parto Em geral realizado com 40 semanas se bom controle glicêmico Se detectado macrossomia, realizar resolução imediata do parto Dificil controle glicêmico – merece atenção, indicado avaliação e se necessário internação para controle do diabetes. Lembrar que antes de 37 semanas temos grande risco de deconforto respiratório no RN. Alterações da vitalidade fetal – verificar se resolução do parto ou não Via de parto: obstétrica. Ou seja, não existe indicação formal de cesariana ou PV somente pelo diabetes. Ver a necessidade de cada paciente após analisar a paciente como um todo. Em caso de: Piora do controle glicêmico após 37 semanas → internação + controle glicêmico até resolução em 39-40 semanas Impossibilidade de controle glicêmico adequado, apesar de otimização de tratamento → até resolução com 37 semanas Nefropatia → resolução com 37 semanas em casos onde temos creatinina ≥ 1,4mg/dL e ou proteinúria de 24h ≥ 3g/vol na 36ª semana ou s epiora progressiva de função renal. Puerpério Ajustar as medicações e doses, de acordo com controle glicêmico prévio a gestação. Se utilizava hipoglicemiantes orais: manter Se utilizava insulina: • Em caso de bom controle: usar a dose prévia a gestação • Em caso de mal controle: usar metade da dose do final da gestação Obs: Realizar dextro antes da amamentação – pois temos consumo de glicose durante o processo.