Prévia do material em texto
Diabetes Mellitus Gestacional DM gestacional: Tipos: 1. DM diagnosticado previamente à gestação, 2. Hiperglicemia inicialmente detectada na gravidez: a) DMG ↪ Situação transitória de intolerâncias aos carboidratos que ocorrem no curso na gestação, - Prevalência de 18%. b) DM prévio diagnóstico na gestação (Overt Diabetes ou DM franco) ↪ Paciente que já era diabética, porém é diagnóstica somente na gestação. Fatores de risco para hiperglicemia na gravidez ➔ Idade, ➔ Sobrepeso/obesidade, ➔ DM em parente de 1º grau, ➔ Antecedentes pessoais de alterações metabólicas: - HbA1c ≥ 5,7%, - SOP, - Hipertrigliceridemia, - HAS, - Acantose nigricans, - DAC; - Uso de medicamentos hiperglicemiantes Antecedentes obstétricos: ➔ ≥ 2 perdas gestacionais ➔ História prévia de DMG ➔ Polidrâmnio ➔ Macrossomia ➔ Óbito neonatal sem causa determinada ➔ História de Malformação fetal. Fisiopatogenia: Do ponto de vista metabólica subdivide- se as fases metabólicas da gestação em 2 fases, 1. Fase anabólica ↪ 1 e 2 trimestre: mulher cria reservas para armazenamento e o feto vai crescer de forma lenta 2. Fase catabólica ↪ 3 trimestre feto vai crescer de forma mais acelerada e precisar de nutrientes de forma mais constante. Ao longo da gestação, a mulher começa a secretar hormônios catabólicos: ➔ Lactogênio placentário, ➔ GH, ➔ CRH, ➔ Prolactina, ➔ Progesterona. ★ A resistência à insulina aumenta durante a gestação em virtude da elevação de alguns hormônios considerados diabetogênicos, como hormônio do crescimento, cortisol e hormônio lactogênio placentário. Complicações maternas e fetais: 1. Complicações Maternas: a) Curto prazo: ➔ Distúrbios hipertensivos ➔ Polidrâmnio ↪ Excesso de glicose da mãe diabética passa para o feto através de difusão facilitada, pela placenta e com isso, vai estimular a glicosúria fetal, ➔ Cesárea ➔ Atraso do início da amamentação. b) Longo prazo: ➔ DMG em gestações futuras, ➔ DM2 ao longo da vida. 2. Complicações fetais: a) Curto Prazo: ➔ Macrossomia ➔ Distocia e tocotraumatismo ➔ Síndrome do desconforto respiratório ↪ Impede a maturação pulmonar, pois prejudica a ação dos glicocorticoides no surfactante, ➔ Cardiomiopatia hipertrófica ➔ Hipoglicemia ↪ Feto hiperinsulinêmico ➔ Hipocalcemia ↪ Níveis séricos de paratormônios menores, ➔ Hipomagnesemia ➔ Policitemia ➔ Eventos trombóticos ➔ Hiperbilirrubinemia b) Longo prazo: ➔ Obesidade, ➔ DM2, ➔ Doença cardiovascular. ★ Hipo: ➔ Glicemia, ➔ Cálcio, ➔ Magnésio. ★ Aumento: ➔ Bilirrubinas, ➔ Hb. Diagnóstico: 1. Fatores de risco clínico: - Não devem ser utilizados como forma de triagem, já que apresentam baixa sensibilidade 2. Diagnóstico Universal: - possibilidade de diagnóstico de DMG deve ser ofertada a todas as gestantes 3. Teste com melhor sensibilidade/e especificidade: - TOTG com 75g de glicose 4. Viabilidade financeira do teste proposto: - O melhor possível” dentro da capacidade de logística da região. Estudo HAPO: Hyperglycemia and Adverse Pregnancy Outcome ➔ Publicado em 2008, envolveu cerca de 23 mil mulheres de diversos países, ➔ TOTG com 75 gramas de glicose e as glicemias foram avaliadas em jejum, na 1ª e na 2ª hora. ➔ O HAPO comprovou que há correlação positiva e linear entre os valores glicêmicos apresentados e vários desfechos adversos para o binômio mãe-feto. • 2010 - International Association of Diabetes in Pregnancy Study Group (IADPSG) • 2013 - OMS adotou os critérios da IADPSG e sugeriu algumas modificações. Diagnóstico: TOTG Em pacientes submetidas a cirurgia bariátrica, ou cirurgias restritivas disabsortivas, deve-se evitar fazer o teste de TOTG, pelo risco aumentado de síndrome de dumping: - A síndrome de dumping é um problema que ocorre quando a ingestão de alimentos ricos em açúcar ocasiona sintomas de mal estar no paciente, como dores abdominais e sensação de desmaio. Isso acontece pois, na cirurgia bariátrica, o processo do sistema digestivo é alterado. Papel da HbA1c: Complicações Fetais do DM na gestação: DM na gestação: Logo, Se for uma DM diagnosticada previamente a gestação: - Deve se adaptar o tratamento medicamentoso atual as limitações de segurança farmacológica impostas pela gravidez, Hiperglicemia detectada na gravidez: 1. DM franco: - Tratamento farmacológico, 2. DMG: - Dieta e atividade física, tratamento medicamentoso é destinado mais para pacientes refratárias a estas medidas. Tópicos a serem abordados na orientação da gestante com DMG: ➔ O que é DMG? ➔ Risco de macrossomia, polidrâmnio, parto prematuro e internação em unidade de terapia intensiva para o neonato; ➔ Risco de hipoglicemia neonatal; ➔ Risco de tocotraumatismo para a mãe e para o feto; ➔ Riscos para o filho de mãe com DMG a longo prazo; ➔ Importância do tratamento imediatamente após o diagnóstico; ➔ Controle glicêmico; ➔ Riscos para a mulher após o parto e no futuro. Tratamento não farmacológico na Gestação: ➔ Priorizar alimentos in natura ou minimamente processados que tenham baixo teor glicêmico. ➔ Fracionar o valor energético total (VET) entre 3 refeições principais (café, almoço e jantar) e 2 ou 3 lanches. ➔ Os adoçantes podem ser utilizados como alternativa ao açúcar (sacarose), ➔ O ganho de peso pela gestante deve ser acompanhado conforme o IMC pré - gestacional. ➢ Atividade Física: ➔ 20 a 30 minutos/dia ➔ Na maioria dos dias da semana (idealmente, todos os dias) ➢ American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG): ➔ 30 minutos, ➔ 5 dias na semana. Metas Terapêuticas: ★ 1 hora pós prandial: Maior correlação com risco de macrossomia e os picos pós-prandiais ➔ 70 a 85% das pacientes com DMG alcançam controle glicêmico apenas com mudanças de estilo de vida, ➔ Perfil Glicêmico = Monitorização glicêmica em casa, ➔ Curva glicêmica gestacional = TOTG Tratamento Farmacológico: Insulina ➔ DM2 em uso de antidiabéticos não insulínicos; ➔ DM franco (Overt Diabetes); ➔ DMG refratária a 2 semanas de dieta e atividade física. ★ O quão alterado um perfil glicêmico deve estar para considerarmos o caso refratário ao tratamento não farmacológico? ➔ > 30% das glicemias fora do alvo; - OU ➔ Evidências de hiperinsulinemia fetal na USG de 3º trimestre: - Circunferência abdominal fetal > 75º percentil; ou - Peso fetal estimado ≥ 90º percentil. Insulinas consideradas seguras para a gestação: E a glargina? ➔ Embora vários estudos sugiram que a glargina não se associa a efeitos deletérios para o binômio mãe-feto, não se trata de uma insulina aprovada pelo FDA. Na bula brasileira, aprovada pela ANVISA, consta que “pode ser utilizada na gravidez, se clinicamente necessário”. ➔ A dose, o tipo de insulina e o momento da aplicação devem ser escolhidos de acordo com o perfil glicêmico de cada paciente. - Dose inicial 0,5 UI/kg/dia, - Ajustes: ➢ 15/15 dias até a 30ª semana semanalmente. Antidiabéticos orais : ➔ Comparada à insulina, a metformina se associa aos seguintes desfechos: - Menor ganho de peso materno; - Menor peso fetal ao nascimento; - Menor risco de macrossomia; - Menor risco de hipoglicemia neonatal; - Menor risco de síndromes hipertensivas gestacionais; - Maior IMC da prole. ★ Porém é uma medicação que cruza a placenta e desconhecemos seus mecanismos a longo prazo. ➔ Comparada à insulina, a glibenclamida se associa aos seguintes desfechos: - Maior peso fetal ao nascimento; - Maior risco de macrossomia; - Maior risco de hipoglicemia neonatal. Quanto considerar a prescrição de metformina? ➔ Impossibilidade de acesso à insulina; ➔ Dificuldade de adesão ao tratamento insulínico; ➔ Como terapia adjuvante em pacientes que necessitem de elevadas doses de insulina (> 100 UI) e permaneçam com controle glicêmico inadequado; ➔ Ganho de peso excessivo em uso de insulina. Interrupção da gravidez na paciente com DM: Assistência Periparto: ★ Durante o trabalho de parto, a glicemia deve ser mantida entre 70 e 120 mg/dL (preferencialmente entre 100 e 120 mg/dL ➔ A diretrizconjunta faz as seguintes recomendações com a finalidade de que esse intervalo seja alcançado: - < 70 mg/dL ↪ Deve -se SG 5-10% IV; - > 120 mg/dL ↪ Deve-se insulina regular SC; ➔ Parto espontâneo: se a dose de insulina basal já tiver sido aplicada, manter infusão de SG 5%, com aferição da glicemia capilar a cada 1-2 horas; ➔ Cesárea programada: após jejum noturno de 8 horas, a gestante deve aplicar 1/3 da dose matinal até ½ da dose total diária de insulina basal. Deve-se manter a infusão de SG 5%, com aferição da glicemia capilar a cada 1-2 horas. ★ Após a saída da placenta, a resistência insulínica diminui de forma abrupta e, na maioria dos casos, o tratamento medicamentoso e a dieta para DM poderão ser descontinuados. Hipoglicemia na Gestação: ★ Insuficiência placentária = Hipoglicemia Classificação modificada de Priscilla White Reclassificação pós-parto da paciente com DMG: ➔ Como a paciente não é mais gestante, não faz mais o 1 hora após, ➔ A HbA1c não é recomendada no pós parto, pois a mulher ainda está saindo de um período metabolicamente especial e a glicada é como se fosse um extrato metabólico dos meses anteriores, ➔ Caso o TOTG ou a GJ realizados após 6 semanas do parto sejam normais, a mulher deverá ser reavaliada anualmente com GJ, TOTG ou HbA1c.