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Sobre o Formador: Agostinho Lourenço” Aldair Ventura” é formado em Comunicação Social, e especialista em Comunicação Institucional e Assessoria de Imprensa. Seu trabalho é treinar pessoas, corrigindo e aperfeiçoando a comunicação interpessoal. Além de promover cursos de Oratória e realizar atendimentos individuais em salas de treinamento, organiza em parceria com várias instituições o ‘Curso de Comunicação Profissional e Oratória’ … Apresentação Prezado(a) estudante, A necessidade de falar bem é uma exigência do mercado de trabalho em praticamente todas as áreas de actuação. Afinal, quando estabelecemos uma comunicação com alguém, temos um objectivo, seja informar, argumentar ou persuadir, que será alcançado de acordo com a nossa capacidade de expressão. Não pense que existem profissionais que independam de uma boa comunicação para uma ascensão social. Quem não se comunica bem, tem dificuldade de legitimar-se na profissão, pois não consegue clareza e, consequentemente, credibilidade no que diz. Diante de questões como essa, a disciplina “A Arte de Falar em Público” revelará meios para que o falante investigue sua capacidade de comunicação, seja crítico ao desempenhá-la e adquira competências para melhorar sua linguagem. A disciplina conta com 4 aulas que focam as seguintes temáticas: história da oratória, DICÇÃO (cuidados com a pronúncia),técnicas de oratória. . Boa aula! O QUE É A ORATÓRIA? A oratória pode ser definida como a arte de falar em público de forma clara, objectiva, estruturada e deliberada. A intenção de quem faz uso da oratória é informar, entreter e até influenciar os seus ouvintes – arte muito utilizada por políticos, por exemplo. Não é fácil definir de forma exacta o momento o qual surgiu a oratória. Os historiadores dizem que ela nasceu na Sicília (Itália) apesar de os Gregos terem sido os grandes responsáveis a transformá-la em um instrumento de prestígio e poder político. A palavra “Oratória” provém do vocábulo latim oratorĭa, que diz respeito à arte de falar com eloquência. O objectivo da oratória é persuadir, e essa é a maior diferença dela para a didáctica: a primeira persuade enquanto a segunda procura ensinar e transmitir conhecimentos. “Quem sabe se expressar verbaliza melhor seus pensamentos em qualquer situação, e, com isso, torna-se uma pessoa mais segura, que aparece mais e tem mais certeza daquilo que fala – passando maior confiança para aqueles que lhe escutam. A pessoa com a oratória desenvolvida passa a pensar mais rápido, com mais segurança e fluidez”. O bom orador é aquele que consegue prender a atenção do público com clareza em suas informações, e, para conquistar essacaracterística,actividades como a leitura frequente e um bom vocabulário são extremamente importantes. Para aqueles que desejam passar a sensação de segurança, o ideal é olhar directamente para o público. “Mas para isso existem ‘truques’ também: se o nervosismo não permite que isso seja feito, olhe fixamente para os pontos da esquerda, da direita e do meio da plateia, de preferência sobre a cabeça da última pessoa de cada ponto”. O uso da oratória pode ser feito para causar bem estar nas pessoas, “pois um bom orador é capaz de provocar sensações de satisfação, crença e alegria, atitude comum de grandes líderes e pastores de igreja”, ressalta. Além disso, a oratória actual foi desenvolvida com o passar dos anos e hoje é utilizada nas mais diversas áreas, desde a já citada política, até o âmbito comercial (para o vendedor promover a sua venda) e judicial (o advogado que apresenta suas alegações). Oratória ou retórica? Oratória significa falar bem para público. Retórica já tem uma definição um tanto diferente. Consiste em usar bem as palavras no sentido mais estrito que é voltado para o convencimento. Oratória e Retórica combinam perfeitamente. Na verdade se harmonizam, uma vez que as duas usam a comunicação. A oratória se refere a um tipo específico de comunicação, aquela feita diante de algum público, seja ele qual for. Tem público e tem alguém para falar diante dele, é oratória. Já no caso da retórica, isso já não é uma regra. Retórica se refere a como usamos a comunicação independente de ter público ou não. Um texto escrito pode ser retórico, mas nunca será oratória enquanto não for proferido ao vivo diante de um público. Na Oratória, nem sempre, ela é mais ampla, pois aceita tudo, desde que seja para falar em público. Aristóteles define a Retórica assim: "É a faculdade de considerar, para cada questão, o que pode ser apropriado para persuadir". Para Chaim Perelman: "É o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão dos espíritos às teses apresentadas ao seu assentimento." Para a Oratória é importante o conhecimento da técnica. O orador vai demonstrar conhecimento do assunto, ordenação das ideias, começo, meio e fim na exposição, uso adequado da voz, das palavras e do gesto, empatia, olhar voltado ao público e capacidade de manter a atenção do mesmo. Para a retórica, vai necessitar fundamentalmente o recurso das ideias e da capacidade de persuadir pelas palavras. E um bom orador, poderá ser também um bom retórico. 1. A COMUNICAÇÃO: SUA FORMA E CONTEÚDO 1.1 CONHEÇA SEU MATERIAL E COMO SE EXPRESSAR Existem dois aspectos importantes a serem analisados em um profissional: o primeiro é seu conteúdo, seu conhecimento do assunto, e o outro aspecto é a forma como esse profissional é capaz de expressar o que sabe, principalmente se essa pessoa pretende ocupar um cargo que exija liderança, no qual a comunicação clara e objectiva é essencial. São muitos os profissionais que possuem currículos espectaculares, porém têm dificuldade de avançar em processos selectivos de grandes empresas, pois não desenvolveram uma boa forma de se expressar. 1.2 ENCONTRE O EQUILÍBRIO ENTRE O CONHECIMENTO E A DIDÁTICA O bom comunicador apresenta uma forma eficaz e um conteúdo amadurecido ao se expressar em público. Em relação à forma e conteúdo, podem ocorrer as seguintes situações. Primeira: a pessoa que fala bem, mas possui um conteúdo fraco, pode ser bem avaliada no final da apresentação, caso o público não tenha um bom nível intelectual para julgar esse mesmo conteúdo. Segunda: a pessoa que sabe muito de um assunto, tendo assim um excelente conteúdo, porém não se expressa bem, pode ser tachada como um comunicador chato e não empolgar a plateia com suas ideias. O nível sócio educacional do público para o qual se vai falar e o seu grau de conhecimento do assunto abordado é essencial na avaliação da nossa performance como comunicador, então devemos falar pensando a analisando essa importante variável da comunicação. 3. OS PRINCÍPIOS DA ORATÓRIA A oratória possui 3 princípios aos quais o bom comunicador deve se submeter se quiser que sua mensagem seja captada com clareza pelo ouvinte: • Na oratória, os detalhes fazem a diferença; • De vez em quando, tudo pode. Desde que não seja um erro grosseiro; • Tudo que se repete incomoda e/ou distrai o ouvinte. 4. AS TRÊS GRANDES TÉCNICAS DE ORATÓRIA 1ª TÉCNICA: VARIAÇÃO DE VOZ E FALA MANTENHA A VOZ FIRME O ideal é ter uma voz forte e alta para falar em público. Apesar disso, o volume da voz deve ser adaptado ao tamanho da sala onde se está falando. Em alguns casos deve-se utilizar o microfone, pois ele amplifica a voz proporcionando ao ouvinte um conforto para receber a mensagem. Variar a voz, ou seja, falar alto e baixo no decorrer da apresentação, torna a transmissão da mensagem menos monótona e mais vibrante, passando ao ouvinte a sensação de segurança do comunicador ao abordar o tema e agregando, assim, credibilidade a nossa comunicação. VOCÊ SABIA QUE TEMOS DUAS VOZES? Issomesmo! A voz é produzida na garganta e chega aos nossos ouvidos por dentro da cabeça e também pelo ar; já a voz gravada que escutamos de nós mesmos em uma caixa acústica é a nossa voz social e se propaga apenas pelo ar. Então, não estranhe, e saiba que temos duas vozes e que nossa voz é só nossa! CONTROLE A VELOCIDADE DA INFORMAÇÃO O que caracteriza a comunicação na actualidade é a velocidade com que a Informação é transmitida. Sendo assim, prefira na maior parte do tempo falar com uma velocidade mais para rápida, porém, logicamente, de forma que todos possam entender as palavras que estão sendo pronunciadas. Apesar disso, existem momentos em que se podem fazer pausas na nossa fala – existem silêncios que dão ao público a oportunidade de reflectir sobre o que falamos, e isso tem um valor na nossa comunicação. 2ª TÉCNICA: CONCTATO VISUAL Contacto visual constante O contacto visual é muito importante porque prende a atenção do espectador. Aprenda a construir o pensamento para falar olhando na direcção dos ouvintes, segure o olhar pelo menos 02 segundos em cada região da sala, de forma de que todos ao final de sua fala se sintam olhados várias vezes. NÃO FIXE O OLHAR EM UMA SÓ PESSOA Evite fixar o olhar em apenas uma pessoa enquanto estiver falando: isso incomoda quem está sendo olhado, é um desrespeito para com os demais ouvintes e, se estamos emitindo um julgamento de índole negativa, quem está sendo olhado se sente acusado daquilo que estamos dizendo. Existe apenas uma situação em que fixamos mais o olhar em uma pessoa quando falamos: quando alguém faz uma pergunta. Neste caso inicie a resposta olhando essa pessoa, depois distribua o olhar um pouco e finalize a resposta em quem perguntou, como quem diz: respondido? 3ª TÉCNICA: GESTICULAÇÃO FAÇA GESTOS COERENTES O que é certo ao gesticular: faça gestos que combinem com sua fala, deixe as mãos participarem da conversa e quando não estiverem movimentando aproxime-as de forma discreta.. GESTICULE COM MODERAÇÃO Evite colocar as mãos nos bolsos, cruzar ou prender os braços. Atenção também para não quebrar a munheca quando parar de gesticular ou movimentar uma mão só. Observe-se gesticulando ao falar no telefone ou conversando em actividades sociais com amigos e familiares. Falar e gesticular na frente do espelho também pode ajudar a melhorar a gesticulação. A DICÇÃO A dicção é a forma de se expressar que, devido à pronúncia, pode ser clara ou não. Um problema de dicção, muitas vezes, advém de uma característica da língua oral, um desleixo do falante, ou porque o emissor fala baixo, ou alto, ou rápido ou troca uma letra por outra. Observe descuidos que remetem a problemas de dicção: a) Omissão do “R” e “S” no final das palavras “Vou levar” por “vou levá”; “Fizemos” por “fizemo”. b) Omissão de sílabas “Vamos embora?” por “vambora?” “Você precisa se alimentar bem de agora em diante.” por “Cê pricisa se alimentá de agora indiante.” c) Omissão da semivogal, por ser mais branda, nos ditongos “Peixe” por “pexe”; “Estourou” por “estorô”. d) Rotacismo – troca de r por l “Clássico” por “crássico” e) Troca de “lh” por ditongos “Palhaço” por “paiaço” “Alho” por “aio” f) Intolerância à pronúncia de algumas sílabas “Não sei o que estão fazendo aqui.” por “Num sei o qui tão fazeno aqui”. Altura da voz A tonalidade ou altura da voz diz respeito ao emprego de um som grave ou agudo. Aqui não faremos um estudo profundo sobre esses sons, mas demonstraremos um comportamento do senso comum. Podemos perceber, por exemplo, que cada assunto tem sua especificidade e requer uma tonalidade de voz diferente. Imagine uma repreensão feita com voz aguda, ou um elogio, com voz grave? Nesse caso, percebe-se que a escolha do som deve ser indicada pelo assunto. O mesmo comportamento deve ser adoptado em relação ao timbre, altura da voz. Você já teve oportunidade de participar de seminários em que os palestrantes falam baixo? Ou um professor que não articule as palavras com mais intensidade? Por mais que tenha uma voz suave, meiga e bonita, induzirá a falta de veracidade no que diz. Lembre-se de que um discurso precisa de ênfase, imponência nas palavras, que virá aliado aos recursos utilizados pelo orador, certo? ALGUMAS DICAS PARA UMA BOA DICÇÃO: 1) Treine leituras e ouça sua voz; 2) Pronuncie as palavras compassadamente, sem redução ou troca de letras; 3) Esteja atento à pontuação e ao tipo de assunto tratado; 4) Dê entonação ao que diz (sons graves ou agudos); 5) Não fale alto e nem baixo demais, adeqúe o volume de sua voz. 6) Lembre-se de que o corpo também fala: gestos e olhares, sem exagero, complementarão o que diz. QUE TAL EXERCITARMOS UM POUCO? VOCÊ SABE PARA QUE SERVE O TRAVA-LÍNGUAS? Isso! Serve para melhorar a dicção. Por isso, o exercício é uma primeira leitura, em voz alta, com calma, e a seguir aumentar a velocidade na fala. Perceberá que, aos poucos, sua dicção irá melhorar. Vamos lá? a) Sabendo que sei e sabendo que sabes e o que não sabe e o que não sabemos, ambos saberemos se somos sábios, sabidos ou simplesmente saberemos se somos sabedores. b) Paga o pato, dorme o gato, foge o rato, paga o gato, dorme o rato, foge o pato, paga o rato, dorme o pato, foge o gato. c) Feijão, melão, pinhão, mamão. Meijão, malão, feinhão, pimão. Pifão, feilão, manhão, memão. Majão, pilão, menhão, feimão. d) A sábia não sabia que o sábio sabia que o sabiá sabia que o sábio não sabia e que o sabiá não sabia que a sábia não sabia que o sabiá sabia assobiar. e) Perlustrando patética petição produzida pela postulante, prevemos possibilidade para pervencê-la porquanto perecem pressupostos primários permissíveis para propugnar pelo presente pleito pois prejulgamos pugna pretárita perfeitíssima. COMO EDUCAR A NOSSA VOZ Um dos pré-requisitos para a arte de falar em público é que o orador tenha a voz de um locutor de rádio. Seria bom, não? Mas isso não é privilégio de todos. Portanto, temos que estudar meios de educar a nossa voz, para que ela seja, no mínimo, agradável. É cansativo ficar perto de alguém que tem uma voz que não agrada, ou porque fala alto demais, ou muito rápido ou por que tem voz muito aguda. Por isso mesmo, todo orador tem que se preocupar com a repercussão de sua voz para que não se torne um incómodo aos ouvintes. Peça opiniões de quem entende e, se você não for nenhum apresentador de jornais da Televisão, pratique algumas actividades como: • cuidados com a respiração - Mantenha o corpo ereto para que o ar circule livremente pelo aparelho fonador e o ajude na dicção das palavras. Saiba que, quando respiramos, levamos o oxigénio ao cérebro e essa actividade é responsável por manter nosso controle emocional. • relaxe a musculatura – pronuncie as palavras compassadamente; • não grite, nem cochiche. Use voz média; • não deixe a voz cair, nem a levante em início ou fim de frases ;fale sempre para frente, discorrendo o olhar para todo o público; destaque as sentenças de maior seriedade, varie o tom e a intensidade da voz. Isso auxiliará os ouvintes a entenderem melhor e evitará a monotonia e até mesmo que caiam no sono; • não pigarreie ou tussa (beba bastante água, principalmente em ambientes com ar condicionado); • não use roupas apertadas, principalmente na região do pescoço e da cintura; • evite sprays, pastilhas e balas drops, pois estes atuam como anestésicos, e mascaram sua condição vocal. A seguir, observe um exercício para adquirir uma boa respiração: 1. Deitar-se no chão; 2. Colocar um livro em cima da barriga e outro no peito; 3. Procurar respirar com a parte abdominal, elevando o livro da barriga. CUIDADOS QUE DEVEM SER TOMADOS NAS SITUAÇÕES FORMAIS DE COMUNICAÇÃO! Procure evitar: 1) Gírias - Valeu, caramba, baza e outros. 2) Interrogações repetitivas- Né? Certo? Entende? Concorda? 3) Tratamentos íntimos - Fofa, querida, lindinha, amor. 4) Expressões condicionais - Eu acho que, pode ser, talvez. 5) Vícios próprios da linguagem falada informal - “Tipo assim”, “Deixa eu falar”, “A nem”, “E aí” e outros. Referências KROTH, Elias. O que é comunicação. Disponível em: Acesso em: 07 jul 2013. PORTAL DO ESPÍRITO. Comunicação. Disponível em: Acesso em: 07 jul. 2013. SÓ PORTUGUÊS. Concordância nominal. Disponível em: Acesso em: 21 ago. 2013. Obras Consultadas POLITO, Reinaldo. Assim é que se fala: como organizar a fala e transmitir ideias. 14. Ed. São Paulo: Saraiva, 2000. POLITO, Reinaldo. Como Falar Corretamente e sem Inibições. 87. Ed. São Paulo: Saraiva, 2000. POLITO, Reinaldo. Gestos e Postura para Falar Melhor. 19. ed. São Paulo: Saraiva, 1996. RIBEIRO, Lair. Comunicação Global: O Poder da influência. Belo Horizonte – MG: Ed. Leitura, 2002. Manual do Técnico em Transações Imobiliárias. Vol. 2, 4. ed. Revista e aumentada. Goiânia – GO: AB, 1988. Apostila Arte de Falar em Público – Senac – Go . 2002.