Prévia do material em texto
33Seção I - Conhecimentos Gerais IV DISTÚRBIO HIDROELETROLÍTICO Raphael Carvalho Sodré Duarte Diogo Maciel Silva Azevedo 1. HIPONATREMIA Defi nida pelo sódio sérico inferior a 135mEq/L, a hiponatremia di- lucional é a desordem do sódio mais comum na internação, devido a quantidade de fl uídos de manutenção ou ainda reanimação que os pa- cientes recebem, em geral ultrapassando suas necessidades diárias. Des- se modo, a hiponatremia, de maneira geral, indica um excesso de água livre, em vez de um défi cit real de sódio. Os pacientes com hiponatremia dilucional apresentam uma concen- tração sérica de íons cloreto (Cl-) normal ou próximo disso e um sódio urinário elevado. A base do tratamento é a restrição de fl uidos, podendo ser utilizado diurético. Em pacientes submetidos a cirurgias eletivas, a hiponatremia no pós-operatório normalmente se deve a administração excessiva de so- luções endovenosas hipotônicas ou desprovidas de sódio, estimulando a secreção de ADH e retenção de água livre de sódio, presente também nos casos da síndrome pós ressecção transuretral de próstata. A hiponatremia devido a redução real do sódio (Na) é menos fre- quente, mas pode ocorrer, principalmente em pacientes sob uso crônico de diuréticos associado à restrição dietética de sódio. Fístulas gastroin- testinais proximais e dreno biliar são outras causas. Nessas situações, ambos sódio e cloreto estão reduzidos no sangue e ainda encontra-se uma baixa concentração urinária de sódio. A terapia é reposição oral ou intravenosa. Embora na maioria dos casos sejam assintomáticas, as manifestações 34 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL clínicas da hiponatremia podem incluir fraqueza, adinamia, anorexia, fa- diga, vômitos, mal-estar, sonolência, confusão, convulsões e coma, além das manifestações clínicas relacionadas à causa. Nos casos de hiponatremia com níveis acima de 120mEq/L, deve-se tratar com restrição de água livre, substituição da solução de hidratação por uma com maior poder osmótico, deixando a correção com soluções hipertônicas de NaCl reservadas apenas para hiponatremia < 120 mE- q/L. Durante a correção evita-se um aumento do sódio superior a 0,5-1 mEq/L por hora na hiponatremia, para evitar a indução de mielinólise pontina, principalmente nos pacientes com Na+ inferior a 120 mEq/L por mais de 48h. Solução salina hipertônica a 3% costuma ser usada para elevar o sódio acima de 120mEq/L em pacientes sintomáticos. Deve-se atentar ainda para alguns confundidores na determinação do sódio sérico. O principal é a hiperglicemia, que pode ocorrer na ceto- acidose diabética e no estado hiperosmolar não cetótico. As fórmulas abaixo são usadas para correção: Glicose < 400 mg/dL: Na+ corrigido = Na+ mensurado + 0,016 x (Glicose – 100); Glicose > 400 mg/dL: Na+ corrigido = Na+ mensurado + 0,024 x (Glicose – 100); Os Fluxogramas 1 e 2 esquematizam estratégias para o diag- nóstico e tratamento da hiponatremia. 35Seção I - Conhecimentos Gerais Fluxograma 1: Diagnóstico etiológico da hiponatremia Euvolemia Na urinário <10 mEq/L: Perdas extra renais: Vômitos, diarreia, perda para 3º espaço, fistulas, sonda nasogástrica aberta. Na urinário >20 mEq/L: Perdas renais: Diuréticos, diurese osmótica, insufi- ciencia adrenal, acidose tubular renal, nefropatias perdedoras de sal. Hiperlipidemia hiperproteinemia Sinais e sintomas de hipovolemia Hipertonicidade (>295 mOsm/L) Sinais e sintomas de hipervolemia Hiperglicemia Sorbitol Manitol Radiocontrastes Hipotonicidade (<280 mOsm/L) Isotonicidade (280-295 mOsm/L) Doenças do SNC: abscesso, infecçção, trauma, tumor, vascular Doenças Pulmonares: pneumonia, abscesso, tuberculose, ventilação mecânica Neoplasias: pulmão, mama, linfoma, rins, pancreas, sarcoma SSIADH : Hiponatremia, euvolemia, sodio urinário elevado, ácido úrico baixo, tireoide e adrenal normais. Ins. cardíaca, ins. renal aguda ou crônica, sind. nefrótica, gravidez Pós-operatório: tratar dor e vômitos, não usar soluções hipotônicas. Investigação de doenças: Hipotireoidismo (TSH, T4 livre); Addison (corti- sol, cortrosina) HIV (sorologia) Polidipsia psicogênica Medicações: diuréticos tiazídicos, antipsicóticos (clássicos e atípicos), antidepressivos (triciclicos, tetracíclicos e atípicos), Inibidores da recaptação de serotonina, estabilizadores do humor e anticonvulsi- vantes benzodiazepínicos, opioides, clorpropramida, clofibrato, ciclofosfamida, vincristina. Osmolaridade (Osm = 2xNa + Glicose/18 + Ureia/6 Sódio sérico < 135 mEq/L) Sódio sérico < 135 mEq/L 36 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL Fluxograma 2: Tratamento da hiponatremia Reposição de sódio com solução hipertônica 1) Cálculo do déficit de Sódio (Def Na): - Homem: Def Na = 0,6 x peso x variação de Sódio desejada - Mulher: Def Na = 0,5 x peso x variação de sódio desejada Obs.: Var. de sódio desejada = 3 mEq nas primeiras 3 h e de 9 mEq nas 21 h seguintes 2) Divide-se o resultado do Def de Na por 17 para obter o valor em gramas de sódio. Massa de Sódio (gramas) = Def Na/17 3) Volume de NaCl 3% a ser infundido (V): V = Massa de Sódio (gramas) x 100 / 3 Atenção: Fazer dois cálculos. O primeiro para a variação de 3 mEq e o segundo para 9 mEq. Tratamento hiponatremia hipotônica Atenção: Correção do sódio sérico com limite de 0,5 a 1 mEq/hora ou até 12 mEq em 24 horas Hipervolêmica: - Restrição hídrica de 800-1000ml em 24 hora. Pode-se associar Furosemida. Euvolêmica: - Manifestações neurológicas graves (confusão, convulsão, rebaixamento)? Hipovolêmica: -Soro hipertônico 3% [50 mL de Cloreto de sódio 20% + 450mL de Cloreto de sódio 0,9% de NaCL (513 mEq/L)] Sim: - Soro hipertônico 3% (513 mEq/L) - Aumentar em 3 mEq o sódio sérico em 3 horas - Restrição hídrica, furosemi- da, avaliar necessidade de bloqueio do ADH, tratar causa de base - Corrigir mais 9 mEq de sódio nas próximas 21 horas Não: - Restrição hídrica, furose- mida, avaliar necessidade de bloqueio do ADH, tratar causa de base 37Seção I - Conhecimentos Gerais 2. HIPERNATREMIA Defi nida como a concentração sérica de sódio superior a 145 mEq/L, representa um défi cit de água livre. Pode ser dividida em três grandes grupos: Pacientes que não tem acesso à água, diabetes insípido e pacien- tes com doença aguda grave. Determinada pela diminuição acentuada do hormônio antidiurético, o diabetes insípido pode ocorrer nos trau- matismos crânio-encefálicos e nas neurocirurgias; nas grandes perdas insensíveis por febre prolongada, exercícios físicos intensos, queimadu- ras ou perdas gastrintestinais como nas diarreias osmóticas. O achado clínico predominante é a desidratação, evidenciado pelas mucosas. Cursa também com sede, fraqueza muscular, confusão, défi cit neurológico focal, convulsões e coma. A hipernatremia pode ainda oca- sionar no Sistema Nervoso Central (SNC) ruptura vascular com san- gramento cerebral, levando a sequela neurológica permanente. Em geral o paciente desidratado apresenta um comprometimento neurológico proporcional ao grau de osmolaridade sérica, sendo acima de 320mOs- m/L com confusão mental, acima de 340mOsm/L em coma e acima de 360mOsm/L o paciente em apneia. O encontro dos níveis de sódio superiores a 145 mEq/L defi ne hi- pernatremia, mas não informa a sua etiologia. Nesse sentido é impor- tante determinar a osmolaridade urinária, estimando sua osmolaridade a partir da fórmula: Osm Urinária = 2 (Na+ Urinário) + 2 (K+ Urinário). Observe o Fluxograma 3. Assim como na hiponatremia, a velocidade da correção é fundamen- tal, sendo necessário que a reposição de fl uídos obedeça as seguintes regras: Não corrigir acima de 1-2mEq/L por hora; fornecer 50% do défi cit de água nas primeiras 12 a 24h e o restante nas 24h seguintes; 38 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL medireletrólitos a cada 2h durante a reposição para verifi car e corrigir a taxa; a hipernatremia crônica (acima de 48horas) assintomática deve ser corrigida a uma taxa não superior a 0,5mEq/L por hora e não superior a 10mEq/L em 24 horas. Veja o tratamento no Fluxograma 4. Fluxograma 3: Diagnóstico etiológico da hipernatremia Hipervolêmico: avaliar uso excessivo de bicarbonato de sódio Normo ou hipovolêmico: avaliar osmolalidade urinária Urina hipotônica (<250 mosmol/L) Urina concentrada e com débito urinário < 500ml/dia Diabetes insípidus: teste com vasopressina (ADH) Perdas TGI e falta de acesso à água Aumento da osmolalidade urinária: diabetes insípidus central Pequena alteração da osmolalidade urinária: diabetes insípidus nefrogênico Etiologia: Trauma cranioencefálico, tumores do SNC, cistos, histiocitose, tuberculose, sarcoidose, aneurismas, meningite, encefalite, Guillain-Barré e idiopático. Etiologia: congênito, hipercalcemia, hipocalemia, doença cística medular, lítio, demeclociclina, foscarnet e anfotericina. Hipernatremia (sódio > 145 mEq/L) Determinação da causa: 39Seção I - Conhecimentos Gerais Fluxograma 4: Tratamento da hipernatremia Tratamento: Hipernatremia (sódio >145) Estado hemodinâmico: hipotenso e taquicárdico? Sim: Soro fisiológico 0,9% IV até estabilização hemodinâmica. Não: Hipernatremia acima de 48 horas assintomática? Não: Reduzir sódio 0,5 - 1 mEq/h e no máximo de 12 mEq/24h. Sim: Reduzir < ou = 0,5 mEq/L/hora e < ou = a 10 mEq/L em 24 horas. Tratamento com solução hipotônica 1) Cálculo da Variação esperada do sódio sérico a cada 1L de soro infundido Variação do Sódio = Na da infusão – Na sérico (com 1 L da solução) água corporal total + 1 - Valor do sódio em cada infusão: - Água corporal Total Soro Glicosado = 0 Homem: 0,6x peso (jovem) ; 0,5x peso(idoso) Cloreto de sódio 0,45% = 77 mEq/L Mulher: 0,5x peso (jovem) ; 0,45x peso(idosa) Cloreto de sódio 0,9% = 154 mEq/L 2) Cálculo do volume de reidratação em 24 h: Volume de reidratação = Variação desejada do sódio (10 ou 12 mEq) + Perdas insensíveis (1500mL) Variação do sódio (com 1 L da solução) Identificar e tratar a causa 40 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL 3. HIPOCALEMIA Defi nida pela concentração sérica do potássio inferior a 3,5 mEq/L, é bem mais frequente que a hipercalemia em pacientes hospitalizados. A hipocalemia de origem extra renal ocorre de forma mais frequente por oferta insufi ciente através da infusão de fl uidos sem potássio, mas também pode ser encontrada em situações de sudorese profusa, diarréia e vômitos. Durante vômitos ocorre hipocalemia, alcalose metabólica hipo- clorêmica e acidúria paradoxal. Causas diversas de hipocalemia incluem uso excessivo de diuréticos de alça, estenose de artéria renal, entre outros. Suas variações só podem ser analisadas em conjunto com as modi- fi cações da concentração hidrogeniônica. Tanto a hipo como a hiper- calemia não signifi cam necessariamente excesso ou falta deste íon. Na acidose pode ser encontrada alta concentração plasmática de potássio, com potássio total normal, assim como sua baixa concentração na alca- lose. Veja o diagnóstico da hipocalemia no Fluxograma 5. Geralmente os pacientes são assintomáticos, mas podem apresentar fraqueza, hipotensão postural, arritmias cardíacas, paralisia de muscula- tura esquelética e lisa (íleo paralítico), tetraparesia fl ácida, hipoventila- ção, parada cardiorrespiratória. No ECG, pode existir onda U, achata- mento de ondas T e depressão do segmento ST. Como arritmias agudas e potencialmente fatais são comuns com K+ < 3,0 mEq/L, a monitorização eletrocardiográfi ca contínua está justi- fi cada, assim como o acesso venoso central para evitar fl ebite. Lembrar que devido ao cotransporte renal de magnésio e potássio, a restauração da normocalemia pode depender do estabelecimento de normomagne- semia. Vide tratamento da hipocalemia no Fluxograma 6. 41Seção I - Conhecimentos Gerais Fluxograma 5: Diagnóstico etiológico da hipocalemia Dosagem de potássio urinário em 24 horas < 15mEq (perdas extrarenais): Avaliar estado acido-básico Acidose metabolica: perda de K pelo TGI Alcalose metabólica: excesso de diuréticos em tempo remoto (não atual), vômitos excessivos. > 15mEq (perdas renais): Avaliar gradiente transtubular de potássio (TTKG): TTKG= [k+]urina X Osm plasma [k+]plasma X Osm urina TTKG >4 : Avaliar estado acidobásico TTKG < 2: -Diurese osmótica -Nefropatia perdedora de sal -Uso atual de diuréticos Acidose metabólica: - Cetoacidose diabética - Uso de anfotericina - Acidose tubular renal tipo1 e tipo 2 Alcalose metabólica: Com hipertensão arterial? Sim: -Hiperaldosteronismo -Síndrome de Liddles -Def. 11Beta-hidroxies- teroide desidrogenase Não: -Hipomagnesemia -Excluir abuso de diurético -Síndrome de Bartter/Gittelman 42 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL Fluxograma 6: Tratamento da hipocalemia Hipocalemia (K<3,5) Avaliação do paciente: anamnese, exame fisico, Ionograma completo (Na, K, Mg, Ca), glicemia, hemograma e eletrocardiograma. Hipocalemia grave (K<3) ou Intolerância gastrointestinal ou perda gastrointestinal (diarreia, vômitos ou fistulas)? Sim Reposição endovenosa: infusão 10-20 mEq/h durante 8-12horas com KCl diluído. Obs.: Respeitar limite de infusão de 40mEq/L em veia periférica. Diluição do KCl deverá ser em soro fiológico a 0,45% . Se hipocalemia grave, monitorizarção cardíaca e parâmetros clínicos. Não Reposição via oral: Xarope de KCl a 6% (8 mEq de K em 10ml de solução), 3x dia, 15ml antes de cada refeição. Ao atingir valores normais, manutenção de 40-80 mEq/dia. Persistencia da hipocalemia após 72horas da correção, suspeitar de hipomagnesemia (corrigido com sulfato de magnésio 2-3g/dia Determinação da causa 43Seção I - Conhecimentos Gerais 4. HIPERCALEMIA Defi nida pela concentração sérica de potássio superior a 5 mEq/L, é um distúrbio potencialmente grave, podendo levar a parada cardiorres- piratória. As causas mais frequentes são acidose, hipoaldosteronismo, insufi ciência renal e uso de medicamentos, entretanto existem inúme- ras outras. Os achados clínicos são inespecífi cos, podendo estar presente fraque- za, adinamia, insufi ciência respiratória, paralisia ascendente e arritmias. Os achados no ECG incluem onda T apiculada, achatamento de onda P, pro- longamento do intervalo PR, alargamento do intervalo QRS, ritmo idio- ventricular, formação de onda sinusoidal, fi brilação ventricular ou assistolia. O tratamento visa três objetivos: Redução da concentração plasmá- tica, preservação da condução miocárdia e redução do potássio corporal total. Veja o seu tratamento no Fluxograma 7. Causas de hipercalemia Causas de hipercalemia: Acidose metabólica Dieta (raramente pode ser uma causa isolada) Medicamentos: antiinfl amatórios não esteroidais, antagonistas dos receptores da angiotensina II (losartan, valsartan, irbesartan, candesartan), betabloqueadores, diuré- ticos poupadores de K (amilorida, espironolactona, triantereno), IECAs (captopril, enalapril, lisinopril, fosinopril, ramipril), suplementos de potássio, intoxicação digitá- lica, succinilcolina, heparina, trimetroprim (em alta dose), ciclosporina, pentamidina. Hemólise Hipoaldosteronismo hiporreninêmico Iatrogenia (potássio endovenoso) Insufi ciência adrenal (doença de Addison). Insufi ciência renal aguda ou crônica com Clearance de creatinina menor que 15ml/min Paralisia periódica hipercalêmica Rabdomiólise Síndrome da lise tumoral 44 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL Fluxograma 7: Tratamento da hipercalemia Hipercalemia (K>5,5mEq/L) Eletrocardiograma (ECG) Alterações de ECG sugestivas de hipercalemia? - Onda T apiculada - Achatamento de ondaP - Prolongamento do intervalo PR - Alargamento do intervalo QRS - Ritmo idioventricular - Formação de onda sinusoidal - Fibrilação ventricular ou assistolia Sim: Glucanato de Calcio a 10%. Dilui-se em 100ml de cloreto de sodio ou soro glicosado e infunde por 2 a 5 minutos. Obs.: Evitar se intoxicação digitálica Repetir o ECG. Se as alterações persistirem, refaz o gluconato de calcio em 5-10 minutos. Caso não persistam, tratar a hipercalemia como sem alteraçoes de ECG. Paciente urinando: Furosemida 1mg/kg IV de até 4/4h. Refratário a furosemida ou oligoanúricos com insuficiência renal: Sorcal, 30g diluidos em 100ml de manitol de 12/12h VO. Se hiperaldosteronenis- mo, fludrocortisona 0,1mg/d VO. Pode-se associar a: -Bicarbonato de sodio 50 mEq (50ml da solução a 8,4%) injetado em 20 min até 4/4h. (melhor indicado se acidose, rabdomiólise ou parada cardiorrespiratoria devido ao K. Avaliar uso na presença de hipertensão arterial sistemica) -Beta-2-agonista: nebulizar com 10 gts de fenoterol /salbutamol até de 4/4h. Para manutenção, tratar como K abaixo de 6,1. Buscar e tratar a causa da hipercalemia. Refratário: Pode-se indicar diálise se hipercalemia grave ou paciente oligoanúrico. K acima de 6,1mEq/L K entre 5,5-6mEq/L Não Insulina 10U IV + 500ml de Soro glicosado a 10% OBS.:Se o paciente apresentar hiperglicêmia significativa, administra apenas a insulina. Se o paciente apresentar hipoglicemia, administra glicose hipertônica isolada (glicose 50% 100ml IV). 45Seção I - Conhecimentos Gerais 5. HIPOCALCEMIA Na hipocalcemia, o cálcio total está inferior a 8,5mg/dL ou cálcio ionizado abaixo dos valores de referência. Pode ser dividida em hipocal- cemia com paratormônio reduzido (quadros de hipoparatireoidismo) e paratormônio elevado (hiperparatireoidismo secundário a diminuição do cálcio sérico). As principais causas de hipoparatireoidismo no adulto é a paratireoidectomia após tireoidectomias e a destruição autoimune das glândulas. Nos pacientes hospitalizados, está muito relacionada a grande ex- pansão de volume plasmático, quelação ou falta de correção do cálcio paralela a hipoalbuminemia. A fórmula para correção do cálcio na hipoalbuminemia é: Ca++ corrigido= Ca++ mensurado + 0,8 x (4,0 – albumina mensurada) Os achados clínicos incluem parestesias, tetania, espasmo carpope- dal, laringoespasmo, fadiga, irritabilidade, ansiedade, hiperventilação, mialgias, espasmos musculares, rigidez muscular, sinais de Trosseau (com a insufl ação de manguito no braço com 20mmHg acima da PA sistó- lica durante 3min ocorre o espasmo carpal) e Chvostek (espasmos dos músculos faciais com a percussão do nervo facial na região zigomática), convulsões, parkinsonismo, distonias, hemibalismo, coreoatetoses, papi- ledema, labilidade emocional, ansiedade, depressão, hiperpigmentação da pele, dermatites e eczema, hipoplasia dentária e distúrbios da mine- ralização dos dentes podem ocorrer. No ECG, pode existir prolonga- mento do intervalo QT e arritmia. Veja o diagnóstico e tratamento nos Fluxogramas 8 e 9 respectivamente. Causas de hipocalcemia Associada ao PTH diminuído Agenesia da paratireóide Destruição da paratireóide Autoimune Defeitos de função da paratireóide 46 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL Associado ao PTH aumentado Defi ciência de vitamina D Metástases osteoblásticas Resistência a vitamina D (raquitismo ou osteomalácia) Síndrome do choque tóxico Resistência ao PTH (Pseudo-hipopara- tireoidismo) Hiperventilação Medicações Doença aguda grave Pancreatite aguda Lise tumoral maciça Rabdomiólise Fluxograma 8: Diagnóstico etiológico da hipocalcemia Hipocalcemia Determinação da causa: Dosagem de P e Mg P diminuído P aumentado: verificar função renal Dieta deficiente em fósforo Hipoparatireoidismo secundário: dosar vitamina D e metabólitos Alterada: IRC Normal: dosar PTH Calcidiol diminuído: dieta deficiente em vitamina D ou pouca exposição ao sol Calcidiol normal e calcitriol diminuído: IRC e osteomalácia vitamina D dependente PTH normal ou aumentado: pseudo-hipo- paratireoidismo (resistência ao paratormônio) PTH diminuído: hipoparatireoidismo 47Seção I - Conhecimentos Gerais Fluxograma 9: Tratamento da hipocalcemia Hipocalcemia (Ca < 8,5 ou cálcio ionizável diminuído) Presença de hipoalbuminemia? Só interfere na concentraçao do cálcio sérico total. Não interfere no cálcio ionizável. Correção do Ca: Ca corrigido= Ca sérico + 0,8x(4 - albumina) Dosagem de P e Mg Hipocalcemia assintomática: aumentar ingesta de cálcio para 1000mg/dia até normalizar. Pode-se usar formulações de cálcio, como o carbonato ou citrato de cálcio. Hipocalcemia sintomática: 100-200mg de cálcio elementar IV, o que equivale a Gluconato de cálcio IV 1-2g , diluída em solução de dextrose ou salina, preferencial- mente via acesso central, durante 10 a 20 minutos. Obs.: cada ml de Gluconato de cálcio a 10% tem 9 mg de cálcio elementar. Cloreto de cálcio, 27 mg de cálcio elementar. Continuar com reposição lenta IV 0,5 - 1,5 mg/kg de cálcio elementar, retirada progressivamente e instituída rerposição VO. Repor vitamina D: calcitriol 0,25 - 0,5 ug ao dia Mg diminuído: Repor com 2g de sulfato de magnésio (2 ampolas a 10% de 10ml) em 100ml de salina fisiológica em 10 minutos. P elevado: Na DRC: prevenir doença óssea. Uso de quelante de fósforo, preferência pelo carbonato de cálcio. Repor calcitriol. Na síndrome da lise tumoral : ver tratamento à parte. 48 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL 6. HIPERCALCEMIA Defi nida como cálcio sérico maior que 10,5mg/dL e cálcio iônico acima do valor normal. Sua principal etiologia é o hiperparatireoidismo primário, o qual é ocasionado principalmente por um adenoma solitário de paratireoide. Em pacientes internados com câncer, a hipercalcemia da malignidade é o principal causador da hipercalcemia, podendo ocorrer em até 10% dos pacientes portadores de neoplasia. Outras causas são: Hiperparatireoidismo terciário, hipercalcemia hipocalciúrica familiar, hipercalcemia secundária ao lítio, excesso de vitamina D (intoxicação ou doenças granulomatosas que aumentam a hidroxilação da vitamina D), tireotoxicose, insufi ciência adrenal, IRC com doença óssea adinâ- mica, imobilização, feocromocitoma, vipoma, rabdomiólise na fase de recuperação, doença de Paget e medicamentos (intoxicação por vitamina A, síndrome leite-álcali, diurético tiazídico, teofi lina, antiestrogênicos, ganciclovir e hormônio do crescimento). Cerca de 50-60% dos pacientes são assintomáticos. Os demais po- dem apresentar mal-estar, letargia, coma, fraqueza muscular, confusão, anorexia, náuseas, vômitos, constipação, poliúria, polidipsia, difi culdade de concentração, ansiedade, depressão, osteíte fi brosa cística (mais ca- racterística do hiperparatireoidismo primário, ocorre reabsorção subpe- riosteal das falanges distais). No eletrocardiograma, pode ocorrer encur- tamento do intervalo QT e arritmias. Na crise hipercalcêmica, onde há uma elevação expressiva dos ní- veis de cálcio, a desidratação é intensa, associada à anorexia, náuseas, vômitos, confusão mental e sonolência. Não há hipotensão devido ao aumento do tônus vascular pelo cálcio. O diagnóstico está exemplifi cado no fl uxograma 10 e o seu tratamento no Fluxograma 11. 49Seção I - Conhecimentos Gerais Fluxograma 10: Diagnóstico etiológico da hipercalcemia Hipercalcemia: Determinação da causa: Dosar PTH Indicações cirúrgicas: a) cálcio sérico >1 mg/dL dos valores de normalidade b) marcada hipercalciúria (>400mg/24h); c) qualquer manifestação de hiperparatireoidismo primário (nefrolitíase, osteíte fibrosa cística, doença neuromuscular clássica). d)Densidade óssea na coluna lombar, quadril ou extremidade distal do rádio que seja maior do que 2 desvios padrão abaixo do picode massa óssea (escore-T < -2,5). e) redução no clearance de creatinina acima de 30% em comparação a individuos pareados por idade. f ) todos com idade < 50 anos. g) pacientes para os quais a vigilância clínica não é desejada ou é impossivel. Aumentado: Hipercalcemia da malignidade. Carcino- mas de pulmão e mama são os principais. Além destes, carcinomas de cabeça e pescoço, células renais, bexiga, etc. Aumento de calcidiol: ingestão excessiva de vitamina D Aumento de 1,25 dihidroxicolecalciferol: investigar linfoma e doenças granulomatosas. Nesses casos, atentar para possibilidade de tratamento com corticóides. Diminuído: Dosar vitamina D e metabólitos PTH aumentado: hiperparatireoidismo primário. PTH diminuído: dosar peptídeo relacionado ao PTH (PTH-rp) 50 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL Fluxograma 11: Tratamento da hipercalcemia Hipercalcemia (Ca sérico > 10,5 ou cálcio iônico aumentado) Atentar para os fatores que influenciam na dosagem do Ca sérico: proteínas, gamopatias monoclonais, desidratação, distúrbios ácido-básicos, modo de coleta. Em caso de hipoalbuminemia: Ca corrigido= Ca sérico + (4 - albumina) x 0,8 Hipercalcemia confirmada: Hidratação com soro fisiológico por volta de 300ml/hora. Deve-se fornecer de 4 a 6 L em 24 horas (varia conforme grau de desidratação e comorbidades). Débito urinário entre 100-150mL/hora. Associar pamidronato 90 mg IV durante 2-4horas OU ácido zolendrônico 4mg IV em 15minutos. Na hipercalcemia grave (Calcemia > 14; cálcio iônico > 7 ou calcemia > 12 com sintomas): associar Calcitonina 4-8U/kg IM ou SC de 12/12horas (reduz cálcio em <24horas). Furosemida 20 - 40mg IV de 6/6 ou 12/12horas após hidratação. Em caso de linfoma, mieloma, sarcoidose ou Ca de mama, pode-se fazer prednisona 1mg/kg Refratários ao tratamento: Diálise peritoneal ou hemodiálise sem cálcio no fluido 51Seção I - Conhecimentos Gerais 7. SOLUÇÕES DE INFUSÃO Durante a internação, os pacientes recebem diferentes tipos de fl u- ídos, seja para tratar hipovolemia ou apenas para repor as necessidades diárias de fl uidos e sais. Cada fl uído tem um objetivo terapêutico distin- to. Abordaremos os fl uidos na reanimação e manutenção. 7.1. Fluidos de reanimação Utilizados para repor grandes volumes após perdas, seu bom resul- tado depende da estimativa do volume perdido, da composição e dos efeitos do fl uído reposto no sangue, no pH, respostas celulares e plaque- tárias, assim como nas mudanças no fl uxo microvascular e na relação oferta/consumo dos órgãos. Os pacientes cirúrgicos podem se tornar hipovolêmicos devido a perda de sangue, perdas gastrointestinais (vômitos, diarréia ou prepara- ções intestinais) ou diminuição da ingestão, bem como as perdas insen- síveis a partir de respiração, evaporação, ou cavidades corporais abertas. O objetivo da ressuscitação é a expansão do plasma para garantir a adequada perfusão e por conseguinte o fornecimento necessário de oxi- gênio, preservando a função dos órgãos. Caso isso não ocorra, a hipoper- fusão dos tecidos conduz ao aumento na produção de lactato, que pode superar a capacidade orgânica de tamponamento, ocasionando acidose metabólica. A acidose metabólica inibe a coagulação, elevando o tempo de pro- trombina e tempo de tromboplastina parcial ativada, assim como inibe a agregação plaquetária. A acidose também acelera a falência de órgãos e sistemas no organismo. A terapia de reanimação volêmica visa atingir os seguintes parâme- tros: PA sistólica acima de 120mmHg ou PA média acima de 70mmHg. Débito urinário acima de 0,5mL/Kg/h. Défi cit de base inferior a 2 ou o 52 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL nível de ácido lático inferior a 2,5. Na sepse deve-se infundir cristalóides para garantir uma pressão ve- nosa central de 14mmHg e tranfusão de hemácias para uma hemoglobi- na de 8g/dL, garantindo o suprimento de O 2 , mensurado por saturação venosa central. Em pacientes hipotensos vítimas de trauma, o ATLS (Advanced Trauma Life Suport) recomenda a infusão imediata de 2L de cristaloides em bolus. A persistência da hipotensão guia para o manejo de choque hemorrágico. 7.2. Fluídos de manutenção Utilizados para repor água, eletrólitos e calorias nos pacientes que não conseguem suprir essas necessidades por conta própria. As calorias são fornecidas por dextrose, evitando a gliconeogênese e retardando o catabolismo muscular. A dextrose não deve ser usada em fl uídos de rea- nimação pela possibilidade de diurese osmótica. A ingestão média de água oscila entre 35-50mL/Kg/dia (ou 1mL/ Kcal/dia). Esses valores podem variar para mais ou menos dependendo da patologia do paciente. Tipos de fl uídos Cristaloides: Baratos, fáceis de armazenar, longa vida útil, baixa incidência de re- ações adversas e efi cazes como fl uídos de manutenção, sem necessidade de testes de compatibilidade especial. Os mais usados são o Ringer-Lac- tato e o soro fi siológico, ambos isotônicos ao sangue. 53Seção I - Conhecimentos Gerais O soro fi siológico (NaCl 0,9%) contem 154mEq/L e apresenta uma pressão osmótica de 308mOsm/L, semelhante ao sangue, o que reduz a incidência de um rápido deslocamento transcompartimental de fl uído após infusão em grande quantidade. Apenas uma pequena porção dos cristaloides infundidos permanece- rá no intravascular. Dois terços irão para o intracelular e do terço restan- te extracelular, 80% irão para o interstício e somente 20% permanecerá no intravascular. Desse modo, pode ser necessária a administração de grandes volumes para garantir a adequada perfusão. Numa situação de perda de pressão oncótica, a administração em grandes quantidades de uma solução salina de maior concentração do sódio e cloreto em com- paração com o plasma pode resultar em acidose hiperclorêmica. O Ringer-Lactato é composto por 130mmol/L de sódio, 4 mmol/L de potássio, 3mmol/L de cálcio e 109mmol/L de cloro, além de lactato, precursor do bicarbonato. A perda de eletrólitos e bicarbonatos ocorre frequentemente, em casos de diarreia, por exemplo. A administração de Ringer-Lactato repõe estas perdas. Entretanto, como os demais cristaloides, apenas uma pequena parte do volume ad- ministrado (25%) permanece no intravascular, sendo necessária a infu- são de grandes volumes para manter a perfusão e a pressão arterial em casos de hipovolemia. A solução salina hipotônica (NaCl a 0,45%) com 75mEq/L de bi- carbonato de sódio também pode ser utilizada na reanimação. Apresen- ta uma concentração de sódio elevada, mas possui pouco cloreto, o que evita a acidose hiperclorêmica. As soluções hipertônicas foram estudadas na reanimação com a in- tenção de que permaneçam em maior parcela no intravascular, e a infusão em bolus mostrou-se segura em diversos tipos de pacientes. Apesar de seu uso em pacientes com trauma cerebral ter se mostrado seguro, não houve evidência de benefícios em relação ao uso de cristaloides isotônicos. 54 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL Colóides: São constituídos de substâncias dispersadas em uma solução de suspensão, de modo que exercem pressão oncótica. Diferentemente dos cristaloides, permanecem no intravascular. Podem ser sintéticos, como dextran, gelatina e hidroxietilamido, ou biológicos. O dextran é um po- límero hidrossolúvel de glicose, sintetizado com o uso de uma enzima bacteriana. Embora efi caz como expansor plasmático, seu uso em pa- cientes vítimas de trauma ou cirúrgicos é limitado. Pode causar reações anafi láticas, devido à formação de anticorpos que intermediam a libera- ção de histamina e outros mediadores vasoativos. Promove insufi ciência renal e coagulopatia em alguns pacientes. Gelatina é uma proteína de grande peso molecular, formada pela hidrólise do colágeno. É barata e apresenta poucos efeitos sobre a fun- ção renal em comparação aosoutros coloides. São menos efetivos como expansores plasmáticos do que os demais coloides, que apresentam par- tículas maiores. É facilmente excretada pelos rins e pode induzir reações anafi láticas. O hidroxietilamido é derivado de polímeros naturais de glicose. Apresenta diversos tipos com pesos moleculares diferentes e graus de hidroxietilação (proporção de moléculas de glicose submetidas à hidro- xietilação, o que evita a degradação do polímero). O peso molecular e o grau de hidroxietilação infl uenciam no metabolismo do hidroxietilami- do, infl uenciando na farmacocinética e efeitos colaterais. Quanto menor o peso in vivo, menor a discrasia sanguínea, assim como redução da meia-vida. É um bom expansor plasmático e de baixo custo. Pode causar reações anafi láticas, diminuição do hematócrito e efeitos anticoagulan- tes, sendo esses efeitos dose dependentes. Os coloides biológicos incluem sangue total, plasma fresco congela- do e albumina. O sangue total é usado quando os hemoderivados não estão disponíveis. O concentrado de hemácias, o primeiro hemoderi- vado solicitado na maioria dos choques hemorrágicos, é um expansor de hemácias em massa, mas não constitui num expansor do volume do 55Seção I - Conhecimentos Gerais plasma. Já o plasma fresco congelado é um fl uido de reanimação para expansão de volume, principalmente em queimaduras. A principal vantagem dos hemoderivados é que na ausência de hemorragia em curso, eles permanecem no intravascular. Como des- vantagem, incluem o suprimento limitado de sangue, a aloimunização (formação de anticorpos após a exposição a antígenos não próprios), imunossupressão e infecção com risco de falência de órgãos e reações transfusionais. A albumina é uma proteína biologicamente ativa encontrada no plasma. Na expansão de volume plasmático, apresenta as formulações de 5% e 25%. O seu pequeno tamanho inviabiliza sua permanência in- travascular durante o choque séptico, diminuindo sua efi cácia. É um bom expansor plasmático para grandes volumes de paracentese (acima de 5L), insufi ciência hepática aguda no estágio de pré-transplante e em associação com antibióticos para a peritonite bacteriana espontânea. Em pacientes de UTI com hipovolemia, queimados e hipoalbumi- nemia, a albumina é tão segura quanto os cristaloides. Como desvanta- gens, apresenta a possibilidade de edema pulmonar, propriedades anti- coagulantes e o aumento no custo do tratamento, tornando a albumina menos atrativa como fl uído de reanimação do que outros colóides. No entanto, o uso generalizado da albumina persiste, principalmente em transplantes hepáticos e em pacientes de cirurgia cardíaca. 7.3. Prescrição de fl uídos de reanimação e manutenção Pacientes com grandes volumes de perdas sanguíneas em curso po- dem requerer a administração simultânea de fl uídos de reanimação e manutenção, os quais devem ser calculados. Fluídos de manutenção são calculados através do peso e necessidades calóricas. A administração dos fl uídos de reanimação continua até que a perfusão tecidual e a oxigena- ção estejam adequadamente reestabelecidos. 56 Coleção Pedagógica 12 | Condutas em Cirurgias do HUOL LEITURA COMPLEMENTAR Piper GL, Kaplan LJ. Fluid and Electrolyte Management for the Sur- gical Patient. Surg Clin N Am. 2012;92(2):189-205. Martins HS, Brandão Neto RA, Scalabrini Neto A, Velasco IT. Emergên- cias Clínicas: abordagem prática. 5a ed. São Paulo: Manole; 2010. Towsend Jr CM, Beauchamp RF, Evers BM, Mattox KL. Sabiston text- book of Surgery: Th e biological Basis of Modern Surgical Practice. 18th ed. Philadelphia: Saunders-Elsevier; 2008. Barbosa AP, Sztajnbok J. Distúrbios hidroeletrolíticos. J Ped. 1999;75(2):223-33. Sartoretto BTAC, Sartoretto STAC, Athayde MS, Gentile JKA, Ribeiro Jr MAF. Hipercalemia: conduta na emergência. Emergência Clínica. 2010;5(22):10-3. Perez JA, Gentile JKA, Forcina DV, Otero JM, Ribeiro Junior MAF. Hipocalemia: conduta na emergência. Ver Bras Clin Med. 2010;5(25):114-7. Gentile JKA, Haddad MMCB, Simm JA, Moreira MP. Hiponatremia: conduta na emergência. Rev Bras Clin Med. 2010;8(2):159-64.