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Direitos Políticos Marcus Vinícius Lima Conceitos Básicos a) Soberania Popular: Base constitucional; b) Nacionalidade: vínculo político-juríidico com o Estado; c) Cidadania: Pressuposto da nacionalidade, caracterizando-se como titularidade de direitos políticos de votar e ser votado; d) Sufrágio: é o direito de votar e ser votado; e) Voto: ato por meio do qual se exercita o sufrágio; f) Escrutínio: é o modo pelo qual se exercita o voto. 2. Direito Político Positivo (Direito de Sufrágio) Núcleo dos direitos políticos composto pela Capacidade Eleitoral ATIVA como pela Capacidade Eleitoral PASSIVA. 2.1. Capacidade Eleitoral ATIVA Direito de Votar: a) alistamento eleitoral na forma da lei (título eleitoral); b) nacionalidade brasileira (não podem alistar-se como eleitores os estrangeiros — art. 14, § 2.º); c) idade mínima de 16 anos (art. 14, § 1.º, II, “c”); e, d) não ser conscrito durante o serviço militar obrigatório. OBRIGATÓRIOS Maiores de 18 anos FACULTATIVOS Maiores de 16 e menores de 18 anos; Analfabetos; Maiores de 70 anos de idade. CARACTERES: O voto é direto, secreto, universal, periódico, livre, personalíssimo e com valor igual para todos: ■direto: no sentido de que o cidadão vota diretamente no candidato, sem intermediário; ■secreto: não se dá publicidade da opção do eleitor, mantendo-a em sigilo absoluto; ■universal: visto que o seu exercício não está ligado a nenhuma condição discriminatória; ■periódico: já que a democracia representativa prevê e exige mandatos por prazo determinado; CARACTERES: O voto é direto, secreto, universal, periódico, livre, personalíssimo e com valor igual para todos: ■livre: o eleitor pode escolher o seu candidato, ou, se preferir, anular o voto ou depositar a cédula em branco na urna. A obrigatoriedade está em comparecer às urnas, depositar a cédula ou, quando admitido, votar na urna eletrônica e assinar a folha de votação; ■personalíssimo: é vetada a votação por procurador. O voto é exercido pessoalmente pelo cidadão, identificado pelo título eleitoral. (cf. Resolução-TSE n. 23.335/2011); ■com valor igual para todos: destacando-se o importante precedente da Suprema Corte dos Estados Unidos que preconiza a ideia do one person one vote — “uma pessoa um voto” (Gray v. Sanders, 372 U.S. 368 — 1963). 2.2. Capacidade Eleitoral PASSIVA Possibilidade de eleger-se, concorrendo a um mandato eletivo. Direito de ser votado. 2.2.1. Condições de elegibilidade (art. 14, § 3.º, CF), na forma da lei: ■ nacionalidade brasileira; ■ pleno exercício dos direitos políticos; ■ alistamento eleitoral; ■ domicílio eleitoral na circunscrição; ■ filiação partidária; ■ idade mínima de acordo com o cargo ao qual se candidata. Quanto à idade: a) 18 anos para Vereador; b) 21 anos para Deputado Federal, Deputado Estadual ou Distrital, Prefeito, Vice-Prefeito e Juiz de paz; c) 30 anos para Governador e Vice-Governador de Estado e do Distrito Federal; d) 35 anos para Presidente, Vice-Presidente da República e Senador. 3. Direitos Políticos Negativos 3.1. Inelegibilidades a) absolutas: impedimento eleitoral para qualquer cargo eletivo, taxativamente previstas na CF/88; b) relativas: impedimento eleitoral para algum cargo eletivo ou mandato, em função de situações em que se encontre o cidadão candidato, previstas na CF/88 — art. 14, §§ 5.º a 8.º — ou em lei complementar — art. 14, § 9.º. 3.1.1. Inelegibilidade ABSOLUTA ■ Inalistável: não pode ser eleitor não pode eleger-se. Estrangeiros e, durante o serviço militar obrigatório, os conscritos; Analfabeto (o analfabeto tem direito à alistabilidade e, portanto, direito de votar, mas não pode ser eleito, pois não possui capacidade eleitoral passiva). 3.1.2. Inelegibilidade RELATIVA 3.2.1. Inelegibilidade relativa em razão da função (funcional) a) Para um terceiro mandato sucessivo – art. 14, § 5.º, CF – Chefes do Executivo; b) Para um mandato executivo “itinerante” – art. 14, § 5.º, CF – “Prefeito Itinerante” ou “Prefeito Profissional”. (STF - RE 637.485); c) Para concorrer a outros cargos – art. 14, § 6.º, CF – Desincompatibilização – Deve renunciar até 06 (seis) meses antes do pleito; OBS.: A desincompatibilização deve dar-se somente para a candidatura a outros cargos, diversos, diferentes. Para a reeleição, os Chefes do Executivo não precisam, portanto, renunciar 6 meses antes do pleito. 3.2.2. Inelegibilidade relativa em razão do parentesco De acordo com o art. 14, § 7.º, CF, são inelegíveis, no território da circunscrição do titular, o cônjuge e os parentes consanguíneos ou afins, até o segundo grau ou por adoção, do: ■ Presidente da República; ■ Governador de Estado, Território ou Distrito Federal; ■ Prefeito; ■ ou quem os haja substituído dentro dos 6 meses anteriores ao pleito, salvo se já titular de mandato eletivo e candidato à reeleição. 3.2.3. Militares a) menos de 10 anos de serviço: embora o texto diga apenas que o militar deverá afastar-se, esse afastamento deve ser entendido como definitivo. Assim, ao se candidatar a cargo eletivo, o militar com menos de 10 anos será excluído do serviço ativo mediante demissão ou licenciamento ex officio e o consequente desligamento da organização a que estiver vinculado. b) mais de 10 anos de serviço: será agregado (afastado temporariamente) pela autoridade superior e, se eleito, passará automaticamente, no ato da diplomação, para a inatividade. 3.2.4. Inelegibilidades previstas em lei complementar De acordo com o art. 14, § 9.º, CF/88, lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de que sejam protegidos os preceitos da: ■probidade administrativa; ■moralidade para o exercício de mandato, considerada a vida pregressa do candidato; ■normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou emprego na administração direta ou indireta. 4. Privação dos Direitos Políticos 4.1. Perda dos Direitos Políticos (arts. 15, I e IV, e 12, § 4.º, II, CF/88) ■Cancelamento da naturalização por sentença transitada em julgado; ■Recusa de cumprir obrigação a todos imposta ou prestação alternativa: (art. 5.º, VIII, CF) ■Perda da nacionalidade brasileira em virtude de aquisição de outra. 4.2. Suspensão dos direitos políticos (arts. 15, II, III e V, e 55, II, e § 1.º, CF/88; art. 17.3, Dec. n. 3.927/2001 c/c o art. 1.º, I, “b”, LC n. 64/90) ■incapacidade civil absoluta; ■condenação criminal transitada em julgado: observar que os direitos políticos ficam suspensos enquanto durarem os efeitos da condenação; ■improbidade administrativa nos termos do art. 37, § 4.º: os atos de improbidade administrativa, portanto, importarão a suspensão dos direitos políticos, bem como a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível. ■exercício assegurado pela cláusula de reciprocidade (art. 12, § 1.º): o gozo dos direitos políticos em Portugal (por brasileiro) importará na suspensão do exercício dos mesmos direitos no Brasil; ■art. 55, II e § 1.º, CF: procedimento do Deputado ou Senador declarado incompatível com o decoro parlamentar — inelegibilidade por 8 anos (art. 1.º, I, “b”, da LC n. 64/90). 5. Servidor Público e mandato eletivo De acordo com o art. 38, CF, na redação dada pelas EC ns. 19/98 e 103/2019, ao servidor público da administração direta, autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, aplicam-se as seguintes disposições: ■ tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou distrital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função; ■ investido no mandato de Prefeito, será afastado do cargo, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua remuneração; ■ investido no mandato de Vereador, havendo compatibilidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, emprego ou função, sem prejuízo da remuneração do cargoeletivo, e, não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso anterior; OBSERVAÇÕES: a) em qualquer caso que exija o afastamento para o exercício de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento; b) na hipótese de ser segurado de regime próprio de previdência social, permanecerá filiado a esse regime, no ente federativo de origem. Dos Partidos Políticos 1. Considerações Gerais “Grupos políticos formados sob influência de convicções comuns voltadas para certos fins políticos.”. (Jellinek) “Grupamentos voluntários de pessoas que comungam de semelhantes pontos de vista e pretendem fazer prevalecer suas ideias para conquistar o poder”. (Masson) 1.1. Natureza Jurídica a) Pessoa Jurídica de Direito Privado – constituída a partir do depósito dos seus atos constitutivos em Cartório Civil de Pessoas Jurídicas e, logo após, o registro de seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral - TSE. b) Caráter Nacional c) Vedação do financiamento por entidades ou governos estrangeiros ou de subordinação a estes. d) Prestação de contas à Justiça Eleitoral (arts. 17 a 27 da Lei 9.504/97); e) Funcionamento parlamentar de acordo com a Lei. 1.2. Liberdade e autonomia partidária a) Vedação das coligações partidárias em eleições proporcionais (EC nº 97/2017). Criação das FEDERAÇÕES de Partidos Políticos – Lei 14.208/2021. 1.3. Fidelidade Partidária Art. 17, § 6º, CF: Os Deputados Federais, os Deputados Estaduais, os Deputados Distritais e os Vereadores que se desligarem do partido pelo qual tenham sido eleitos perderão o mandato, salvo nos casos de anuência do partido ou de outras hipóteses de justa causa estabelecidas em lei, não computada, em qualquer caso, a migração de partido para fins de distribuição de recursos do fundo partidário ou de outros fundos públicos e de acesso gratuito ao rádio e à televisão. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 111, de 2021) image1.jpeg image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg image8.jpeg image9.png image10.jpeg image11.png image12.jpeg image13.jpeg image14.jpeg image15.jpeg image16.jpeg image17.jpeg image18.jpeg image19.jpeg image20.jpeg image21.jpeg image22.jpeg image23.jpeg image24.jpeg