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Manual do Quarteirão 
Para moradores 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Projecto Maguezi 
 
 
Índice 
Introdução .................................................................................................................. 3 
Fundamentação legal.............................................................................................. 4 
Missão e objectivos de um quarteirão ............................................................... 6 
A liderança do quarteirão ...................................................................................... 8 
O Chefe do Quarteirão ....................................................................................... 8 
O chefe adjunto .................................................................................................... 9 
O chefe das 10 casas .......................................................................................... 9 
Comissões de Trabalho .....................................................................................10 
O papel da liderança no quarteirão ................................................................... 11 
O papel dos moradores no quarteirão .............................................................. 13 
Reuniões no quarteirão ......................................................................................... 17 
Actividades no quarteirão ................................................................................... 20 
Propósito de actividades no quarteirão ...................................................... 21 
Identificação de recursos ................................................................................ 21 
Diretrizes gerais ..................................................................................................... 23 
Eventos festivos no quarteirão ..................................................................... 23 
Falecimento no quarteirão ............................................................................. 24 
Actividades industriais e Estabelecimentos comerciais ....................... 24 
Pedidos e emissão de documentos .............................................................. 27 
Consideraçoes finais ............................................................................................. 28 
 
 
3 
 
Introdução 
Esta brochura tem o propósito de ajudar os moradores dos órgãos locais 
a aprenderem e a cumprirem suas responsabilidades e seus deveres 
como cidadãos dentro do quarteirão. Todos os líderes e membros de 
uma localidade (bairro ou quarteirão) devem ajudar a cumprir os 
objectivos da nação de garantir a todas as pessoas “(...) a justiça social, 
qualidade de vida com a criação de bem-estar material, espiritual e gozo 
dos direitos humanos(...)”. (CRM, 2004). O objetivo é de ajudar os líderes 
locais nos seus objetivos de liderança local. 
O manual para os moradores trata do direito dos moradores á 
informação para o bem exercer da sua cidadania dentro dos quarteirões 
dos bairros municipais de moçambique. 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 
 
Fundamentação legal 
Na República de Moçambique o direito de ter uma nacionalidade1 
constitui fator chave para o exercício de cidadania. A nacionalidade 
inspira em si, o sentimento de pertencer a algum lugar2, onde nos vemos 
como parte de uma estrutura, um bem comum no qual todos temos de 
preservar, proteger3. 
Sendo uma nação, Moçambique tem como objectivos, melhorar o capital 
humano, social e o ambiente de governação4. Para o alcance destes e 
outros desafios, é necessário o envolvimento de todos, de forma ativa e 
organizada, na vida da comunidade, nomeadamente, os chefes locais e 
os moradores no geral. 
As estratégias de governação descentralizada e administração 
desconcentrada foram concebidas para promover o espírito de 
participação, solidariedade e colaboração entre os moradores das 
respectivas circunscrições territoriais organizadas por um 
agrupamento de famílias5 representadas por uma liderança. Nisto 
subentende-se que o líder local e as famílias são os seus próprios 
recursos internos e a eles se deve todo o foco. 
Ao observar a legislação nacional, consta que todas as comunidades, 
não importa quão pobres, têm recursos (muitos ainda por identificar) 
 
1 Nº 1 do artigo 5 e nº1 do artigo 55, da Constituição da República. 
2 Nº 1 e 2 do artigo 7, da Constituição da República. 
3 Alíneas a), b), d) e e) do artigo 4 da Lei do Ambiente. 
4 Agenda 2025; artigo 2 da Lei dos Órgãos Locais e artigo 6 da Lei das 
Autarquias Locais 
5 Lei nº. 10/99, LFFB; Lei nº. 19/97, Lei de Terras 
 
5 
 
que podem ser explorados, de modo que eles, e toda a sociedade, 
possam se desenvolver. 
Os municípios, as províncias, os distritos, os postos administrativos, os 
bairros e os quarteirões foram criados com um fim e propósito. 
Aprender e cumprir nosso papel como moradores nestes lugares 
significa exercer nossa cidadania. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
Missão e objectivos de um quarteirão 
Já sabemos que todos pertencemos a um lugar, e logo temos direitos, 
deveres e responsabilidades. Mas antes precisamos conhecer este 
lugar. Portanto, vamos conhecer uma das menores e mais básicas 
unidades da divisão administrativas do país – o quarteirão. 
Administrativamente o quarteirão é o menor espaço territorial inserido 
num bairro de um posto administrativo e este, inserido num distrito 
Municipal. Ele subdivide-se em casas6. A sua dimensão e ordenamento 
são definidos pelo Plano de Estrutura Urbana tendo em conta critérios 
de dimensão geográfica e demográfica.” 
O quarteirão é um espaço concebido com o objetivo garantir o bem-
estar dos residentes, promover o desenvolvimento da comunidade e 
contribuir para a unidade nacional. Para o cumprimento de tal visão e 
missão, existe o poder local que no âmbito da autonomia administrativa 
goza da sua autoridade para criar, promover ações de desenvolvimento 
local, mobilizar, organizar e dinamizar a participação dos moradores 
nos trabalhos e actividades produtivas para a resolução dos problemas 
locais. 
O poder local é, portanto, a liderança dentro daquele órgão ou 
comunidade local. Em seu trabalho como como o poder local naquele 
órgão local, os chefes locais representam o Estado a nível local7. No 
 
6 O Regulamento de Organização e Funcionamento das Estruturas 
Administrativas dos Bairros Municipais consagra, no seu capítulo I, a 
existência do “bairros e quarteirões”. 
7 O quarteirão como órgão local do Estado têm como função à representação 
do Estado ao nível local para a administração e o desenvolvimento do 
respetivo território. Ao mesmo tempo, eles contribuem para a integração e 
unidade nacionais (art.º 262 da Constituição da República de Moçambique). 
 
7 
 
cumprimento de suas atribuições os chefes locais obedecem ao 
princípio de gestão do reconhecimento e valorização do saber local e da 
ampla participação dos indivíduos. Nesta perspectiva, os moradores 
podem participar devendo usar das suas capacidades físicas e 
intelectuais nas mesmas ações de desenvolvimento local. 
Neste sentido, o quarteirão é o órgão local de base criado dentro das 
estratégias de descentralização e desconcentração da administração 
pública de forma a conceder à iniciativa local ação mais ampla. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
8 
 
A liderança do quarteirão 
O Chefe do Quarteirão 
O chefe do quarteirão é autoridade da administração daquele escalão, 
representa, portanto, Poder local8. Ele é uma pessoa escolhida pela 
respectiva comunidade e que, trabalha em estreita colaboração com as 
autoridades locais para manter a ordem pública e garantir a segurança 
dos moradores. 
Para o alcance de tal capacidade, todos devem criar condições par que 
o chefe do quarteirão se sinta aceite e o ajudem a ser: 
a) Um líder, capaz de: 
• Criar um ambiente propício para que toda a comunidade 
fique motivada e dê o seumelhor em benefício do quarteirão; 
• Mostrar que todos os integrantes do quarteirão são 
importantes para o bom funcionamento do quarteirão; 
• Ouvir as preocupações/opiniões de todos; 
• Manter o quarteirão informado e envolvida no conjunto de 
actividades e tarefas planificadas; 
• Delegar responsabilidades e autoridade, para que o 
quarteirão possa ter iniciativas e procure sempre resolver 
os problemas que se apresentam ao quarteirão; 
• Produzir mudanças positivas que conduzam ao sucesso do 
quarteirão. 
b) Idóneo, zeloso e competente na resolução de problemas. 
 
8 Artigo 271 CRM, 2004. 
 
9 
 
De acordo com as necessidades do quarteirão e a disponibilidade dos 
moradores, o Chefe do Quarteirão pode convidar pessoas para 
representar assuntos de natureza económica, social e cultural assim 
que determinar a necessidade delas. essas representações podem ser: 
o chefe adjunto, chefes de dez casas, e assuntos sociais. 
 
O chefe adjunto 
No exercício das suas funções o chefe do quarteirão é auxiliado por um 
chefe adjunto que ele escolhe entre os membros do quarteirão cujas 
tarefas são geralmente as seguintes: 
 
O chefe das 10 casas 
O quarteirão é organizado por um agrupamento de 10 casas com um 
chefe escolhido pelo chefe do quarteirão ou pelos moradores de cada 
grupo das Dez Casas e, ele tem as seguintes responsabilidades: 
a) Realizar reuniões com os moradores das Dez Casas para 
apresentação, debate e busca de soluções dos problemas do seu 
aglomerado habitacional e do quarteirão; 
b) Divulgar e garantir a implementação das decisões emanadas 
dos órgãos superiores aos moradores das Dez Casas; 
c) Acolher contribuições e sugestões dos moradores das Dez Casas 
e apresentá-las à estrutura imediatamente superior; 
d) Apoiar na resolução de conflitos sociais ou remeter a sua 
resolução para o Chefe de Quarteirão conforme a complexidade 
dos mesmos, desde que não sejam da competência do Tribunal; 
e) Dinamizar os trabalhos a nível das Dez Casas; 
 
10 
 
f) Informar as famílias das Dez Casas relativamente aos 
procedimentos administrativos a serem utilizados na obtenção 
de declarações comprovativas de residência quando 
questionado; 
g) Mobilizar os moradores para a boa conservação e utilização das 
infraestruturas, e higiene no seu aglomerado habitacional e no 
seu Quarteirão; 
 
Comissões de Trabalho 
Atendendo as necessidades, o chefe pode convidar moradores para 
formar comissões de trabalho, tendo cada comissão um representante, 
que se responsabilizará pela dinamização e acompanhamento das 
diferentes áreas actividades como: 
a) Cívica, que tem a ver com a educação cívica, convivência e 
justiça social; 
b) Social, que tem a ver com saúde pública, educação, cultura e 
solidariedade; 
c) Económica, que tem a ver com vias de acesso e drenagem, 
comércio, agricultura e pecuária familiar, bem como outros 
negócios; 
d) Recursos naturais, que tem a ver com aproveitamento da terra, 
recursos hídricos, florestas, fauna bravia e meio ambiente. 
 
 
11 
 
O papel da liderança no quarteirão 
Sob a direção do Secretariado do bairro ou de um membro do Posto 
Administrativo que supervisiona a área, a liderança local é designada 
com a tarefa de coordenar todas as atividades, programas económicos, 
sociais e culturais para a resolução dos problemas do quarteirão. Eles 
tem o dever de promover ações de desenvolvimento local, mobilizar, 
organizar e dinamizar a participação dos moradores nos trabalhos e 
actividades produtivas para a resolução dos problemas locais9. 
Nos seus esforços para cumprir com seus deveres e responsabilidades, 
os líderes dedicam tempo para: 
a) Conhecer a história local; 
b) Conhecer a situação socioeconômica local; 
c) Conhecer os moradores, suas necessidades e anseios; 
d) Reconhecer e valorizar a capacidade ou conhecimento local 
(quadros, estudantes, técnicos, conhecimento tradicional dos 
moradores). 
Na sua missão, os líderes ajudam os moradores a: 
1. Conhecer seus deveres para com a comunidade de: 
a) Servir a comunidade (...), pondo ao seu serviço as suas 
capacidades físicas e intelectuais; 
b) Trabalhar na medida das suas possibilidades e capacidades; 
c) Pagar as contribuições e impostos; 
d) Zelar, nas suas relações (...) pela preservação dos valores 
culturais, pelo espírito de tolerância, de diálogo e, de uma 
maneira geral, contribuir para a promoção e educação cívicas; 
 
9 Artigo 50 da Lei 8/2003 
 
12 
 
e) Defender e promover a saúde pública; 
f) Defender e conservar o ambiente; 
g) Defender e conservar o bem público e comunitário. 
 
2. Realizar tarefas e programas económicos, sociais, culturais “e 
ambientais” de interesse local10: 
a) Promovendo de ações de desenvolvimento económico, social, 
cultural e “ambiental” locais11; 
b) Mobilizando e organizando a participação dos moradores nos 
trabalhos e actividades para a resolução dos problemas locais. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 À semelhança do conselho de povoação o quarteirão, como órgão da 
autarquia local e parte de um bairro da administração municipal de um posto 
administrativo, não está isento da obrigatoriedade da criação de um programa 
de atividades para atender as necessidades locais. (Artigo 88 da Lei nº. 2/97, 
de 28 de maio, Lei das Autarquias Locais). 
11 Artigo 271 CRM, 2004; Artigo 50 da Lei 8/2003 
 
13 
 
O papel dos moradores no quarteirão 
O quarteirão não é um limite administrativo, mas uma entidade cultural 
e antropológica, um lugar ao qual os moradores têm consciência de 
pertencer. Só com o senso de pertencimento é que se pode exercer a 
cidadania. Praticar um ato de cidadania é exercer uma participação (não 
apenas cooperar, mas ser protagonista) ativa na comunidade, visando 
promover o bem comum. 
Em seu bairro ou quarteirão, os líderes incentivam cada indivíduo, onde 
quer que residam, a apoiarem a missão do quarteirão e a desempenhar 
o papel de um bom cidadão12 sendo exemplar nos deveres de: 
a) Servir a comunidade nacional; 
Devemos sentir irmandade por todas as pessoas, especialmente por 
aqueles em nossa vizinhança, comunidade e nação. Devemos ser 
leais ao nosso próprio país e povo e fazer tudo o que pudermos a fim 
de ajudar nosso governo a atender às necessidades do povo. 
 
b) Trabalhar na medida das suas possibilidades, capacidades físicas e 
intelectuais; 
Toda pessoa tem o dever de trabalhar, dentro das suas capacidades 
e possibilidades, a fim de obter os recursos para a sua subsistência 
ou em benefício da coletividade. 
A capacidade, compromisso e esforço de suprir as necessidades 
vitais é um elemento essencial de bem-estar. Este esforço envolve 
educação, saúde, emprego, produção e armazenamento doméstico, 
e finanças familiares. Todo membro da comunidade deve se sentir 
incentivado a buscar estes ideais. 
 
12 Deveres para com a comunidade (Artigo 45 CRM, 2004). 
 
14 
 
c) Pagar as contribuições e impostos; 
Toda pessoa tem o dever de pagar os impostos estabelecidos pela 
Lei para a manutenção dos serviços públicos. Quando os cidadãos 
de um país constantemente pagam seus impostos, esse país se 
tornará um lugar melhor para se viver, especialmente quando os 
líderes eleitos não são corruptos. Como um bom cidadão, não 
devemos esperar até que o governo nos pressione para pagar 
nossos impostos. Entenda que o pagamento de impostos é um dos 
nossos direitos humanos fundamentais; e torna-se um crime punível 
sempre que falhamos a este respeito. 
 
d) Preservar os valores culturais e contribuir para a promoção e 
educação cívicas; 
Valores culturais abrangem o conjunto de bens móveis, imóveis, 
saberes, fazeres, celebrações e expressões que possuem valor 
simbólico, histórico, cultural, arquitetónico, ambiental e afetivo para 
uma coletividade. Preservar os valores culturais inclui toda a ação 
de garantir a continuidade desses símbolos como herança 
comunitária. Os membrosde uma comunidade devem se sentir 
encorajados a criar manifestações culturais através de diversas 
formas (música, pintura, esculturas, trabalhos literários, fotografias, 
manifestações populares, dança, etc.); a promover o conhecimento 
cultural através de diversas formas de educação. 
 
e) Defender e promover a saúde pública; 
A compreensão da saúde pública é um componente crítico da boa 
cidadania e um pré-requisito para assumir a responsabilidade pela 
construção de sociedades saudáveis. Todo o cidadão pode defender 
e promover a saúde pública através de engajamento em ações 
 
15 
 
individuais, coletivas e comunitárias para melhorar o conhecimento, 
atitudes, habilidades e comportamentos em saúde. No geral, 
promover e defender a saúde é melhorar: 
• O estado de saúde de indivíduos, famílias, comunidades, 
estados e nação. 
• A qualidade de vida de todas as pessoas. 
 
f) Defender e conservar o ambiente; 
Todo o cidadão tem o direito de viver num ambiente equilibrado e o 
dever de o defender. A cidadania para a preservação do meio 
ambiente deve contemplar atividades e noções que contribuem para 
a conservação do meio ambiente. O meio ambiente é tudo aquilo que 
nos cerca, como a água, o solo, a vegetação, o clima, os animais, os 
seres humanos, todo o património natural, cultural e arquitetónico, 
o dentre outros. Defender e conservar o ambiente é tomar ações 
contra situações como: 
• O desaparecimento de espécies vegetais e animais; 
• A poluição do solo, da água e do ar; 
• A produção de resíduos; 
• A destruição dos ecossistemas aquáticos; 
• A desflorestação e a degradação da Terra. 
 
g) Defender e conservar o bem público e comunitário. 
Bens públicos são bens de titularidade do Estado, e outras que 
embora não pertençam ao estado, estão afetos à prestação de 
serviços públicos. As infraestruturas administrativas e 
equipamentos públicos constituem um património que deve ser 
 
16 
 
preservado e mantido para o bem-estar de todos os moradores13. 
Defender e conservar bens públicos e comunitários é valorizar e 
preservar 
• Rios, nascentes de águas, jazigos minerais, mares, estradas 
e pontes, ruas, praças e jardins públicos, linhas férreas e 
suas estações, espaços de produção (machambas)14; 
• Edifícios ou terrenos destinados a serviço ou 
estabelecimento da administração territorial ou municipal, 
portos e cais, barragens, represas, valas e canais, redes de 
distribuição de água e energia elétrica (postes e candeeiros 
de iluminação pública), postes de linhas telefónicas e 
telegráficas; 
• Monumentos, museus nacionais e obras de artes. 
 
 
 
 
 
 
13 Os Artº. 43,44 e 69 do Código de Postura Municipal da Cidade de Nampula 
fazem menção de vários bens públicos a serem considerados também pelos 
moradores; Compete ao Chefe do Quarteirão, mobilizar para a boa 
conservação e utilização das infraestruturas a nível do Quarteirão (art.º. 11 
alínea “g” da Resolução n.º 71 /AM/2011 de 22 de junho); 
14 Horta em ambiente urbano ou rural nos quintais individuais ou familiares, 
lotes comunitários... (PIMENTEL, 2012). 
 
17 
 
Reuniões no quarteirão 
A interação entre os membros de uma comunidade local (quarteirão) é 
feita a partir de conselhos locais15, por meio dos quais os cidadãos 
participam e influenciam a tomada de decisões para o desenvolvimento 
local. 
O conselho do quarteirão é uma reunião aberta a participação de todos 
os moradores e seus representantes. É presidida pelo chefe do 
quarteirão e constituído por todos os segmentos do quarteirão (o chefe 
do quarteirão, os chefes adjuntos do quarteirão, os chefes das dez 
casas), e outros representantes indicados para execução de trabalhos 
deliberados durante o conselho. 
A reunião do quarteirão tem como principal propósito, fortalecer a 
confiança entre eles com as lideranças, manter o quarteirão informado 
e envolvido no conjunto de actividades e tarefas planificadas. 
Para o efeito, atribui-se16 aos Chefes de Quarteirão e outros líderes 
comunitários um papel fundamental na participação cidadã, sendo esta 
reunião uma oportunidade para: 
✓ Apresentar, a partir de cada segmento socioeconômico, o 
cenário17 geral e mostrar as principais dificuldades e 
 
15 O Conselho Local é um órgão de consulta das autoridades da administração 
local, na busca de soluções para questões que afectam a vida das 
populações, o seu bem-estar e o desenvolvimento sustentável, integrado e 
harmonioso. 
16 Art. 7 e 9 da Resolução n.º 71 /AM/2011 de 22 de junho. 
17 Como titular de Órgão Local, o Chefe do Quarteirão representa, no 
quarteirão, a autoridade central da administração do Estado (Lei 8/2003, Lei 
dos Órgãos Locais) e, no âmbito do conceito de “planificação participativa”, a 
prestação de contas do desempenho da ação governativa demonstra uma 
 
18 
 
oportunidades encontradas durante os encontros dos 
moradores com os líderes das dez casas e outras 
representações locais; 
✓ Apresentar, a partir do registro das principais ideias e propostas 
de soluções colhidos dos moradores, um plano que estabeleça 
visão de futuro, propostas e projetos a serem implementados 
pela comunidade para o alcance do cenário desejado; 
✓ Divulgar e garantir a implementação das decisões emanadas 
dos órgãos superiores aos moradores do Quarteirão; 
✓ Quando conhecidas as ações para o alcance dos objetivos, fazer 
uma narrativa dos eventos e avanços mais importantes em cada 
um dos segmentos socioeconômicos identificados. 
 
governação participativa, capaz de promover a nível local a cidadania, a 
transparência, a abertura, o interesse em atender às necessidades dos 
munícipes e o melhoramento das condições de vida dos cidadãos. Ao 
exemplo do Presidente da república, o Chefe do Quarteirão dirige-se aos 
moradores e presta informações sobre a situação geral da nação (alíneas a e 
b do art.º 159 CRM, 2004); ou pronunciar-se sobre assuntos de interesse para 
os moradores, e sobre a execução de deliberações anteriores (Lei n.º 2/97, Lei 
das Autarquias Locais). 
 
 
19 
 
Legalmente18, compete a liderança: 
✓ Acolher sugestões e contribuições dos moradores do 
Quarteirão e apresentá-las ao Secretário de Bairro; 
✓ Dinamizar os trabalhos a nível do quarteirão e participar na 
solução dos problemas; 
✓ Divulgar e garantir a implementação das decisões emanadas 
dos órgãos superiores aos moradores do Quarteirão; 
✓ Mobilizar moradores para a boa conservação, utilização e 
higiene das suas casas; 
✓ Zelar e colaborar na criação de uma convivência harmoniosa 
entre as famílias, boa-vizinhança, solidariedade, combate a 
comportamentos desviantes, cumprimento das obrigações 
comunitárias; 
✓ Registar pessoas carenciadas, idosos desamparados e 
crianças órfãs. 
✓ Estimular a escolarização da rapariga e a alfabetização de 
adultos. 
✓ Incentivar manifestações de arte e cultura; 
✓ Educar os moradores, para o conhecimento e cumprimento 
das suas obrigações fiscais (pagamento de taxas e impostos) 
e para o conhecimento, participação e controle da aplicação 
das receitas nas realizações municipais. 
 
18 Resolução n.º 71 /AM/2011 de 22 de junho; Resolução nº 20/2018, de 26 de 
Outubro (Lei dos Bairros Municipais) 
 
20 
 
Actividades no quarteirão 
O quarteirão deve ser um lugar de realização de programas ou 
atividades de interesse local. Um bom quarteirão é aquele ande 
indivíduos, famílias e líderes agem dentro dos seus recursos, talentos, 
capacidades para implementar os planos de desenvolvimento 
económico, social e cultural a nível local. Para tal, líderes e moradores 
devem inteirar-se da situação socioeconômica local, identificar o seu 
potencial de recursos e se certificar da aplicação dos mesmos para 
atender as necessidades coletivas. 
Sob a direção do Secretariado do bairro ou de um membro do Posto 
Administrativo que supervisiona a área, a liderança local é designada 
com a tarefa de coordenar19 todas as atividades,programas económicos, 
sociais e culturais para a resolução dos problemas do quarteirão. Isso 
inclui: 
• Criar um plano de desenvolvimento do quarteirão que reflita as 
prioridades dos órgãos de escalões superiores. 
• Implementar o plano e gerenciar o trabalho de desenvolvimento 
económico, sociocultural e ambiental da comunidade 
adequadamente. 
O plano de atividades é um instrumento elaborado pela liderança em 
colaboração com os moradores20 e partes interessadas. Visa promover 
 
19 Compete ao Chefe do Quarteirão, dinamizar os trabalhos a nível do Quarteirão 
(art. 9 alínea “a” da Resolução n.º 71 /AM/2011 de 22 de junho); 
20 O plano de atividades um instrumento de planejamento mais próximo do morador 
que registra seus sonhos por melhor qualidade de vida. (art. 9 alínea “c” da 
Resolução n.º 71 /AM/2011 de 22 de junho); 
 
 
21 
 
e apoiar iniciativas locais de desenvolvimento num horizonte temporal. 
contém as regras e linhas gerais para a execução das principais ações 
durante os quais identificaram-se prioridades. 
 
Propósito de actividades no quarteirão 
O propósito das actividades no quarteirão é de fomentar a melhoria da 
qualidade de vida e a coesão social da comunidade, através da 
dinamização de diversos projetos e programas com vista à inclusão, 
promoção, capacitação e participação dos moradores. 
✓ As atividades promovem competências pessoais e sociais, a 
motivação e autoestima 
✓ As atividades devem ajudar os membros a sentir-se integrados 
uns com os outros, com seus líderes e com sua família. 
✓ As atividades são um meio onde todos trabalham juntos para 
alcançar o conjunto de objetivos que trará as melhorias 
necessárias e ajudam os moradores a despertar o sentimento 
de solidariedade e unidade. 
 
Identificação de recursos 
Todos os quarteirões ou localidades estão repletos de capacidades, 
talentos ou habilidades a espera de serem explorados. Não importa quão 
pobres sejam, todos têm recursos21 (muitos ainda por identificar) que 
podem ser explorados, de modo que eles, e toda a sociedade, possam se 
 
21 Deveres para com a comunidade (Artigo 45 CRM, 2004). 
 
22 
 
desenvolver. Para tal, é importante propor o que eu, você, nós podemos 
fazer, em vez de apontar o que os outros devem fazer. 
Em suma, podemos considerar como recursos: 
✓ As instituições existentes na nossa circunscrição territorial 
(estabelecimentos comerciais, instituições de ensino e 
formação, instituições de saúde, etc.), 
✓ Pessoas (capacidades, as habilidades e talentos) existentes no 
meio. 
✓ Ao ter consciência do ambiente circundante, valorizar os 
talentos dentro do meio, estaremos mais preparados para 
planejar e realizar atividades que respeitem os anseios de todos 
para a melhoria do lugar a que eles pertencem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
23 
 
Diretrizes gerais 
De acordo com a Lei Fundamental (CRM, 2004) todos tem o dever de 
zelar, nas suas relações pela preservação dos valores culturais e, de 
uma maneira geral, contribuir para a promoção e educação cívicas. Isto 
implica, manter uma postura cidadã de forma a zelar e colaborar na 
criação de uma convivência harmoniosa entre as famílias, boa-
vizinhança, solidariedade, combate a comportamentos desviantes, 
cumprimento das obrigações comunitárias. Uma destas relações são, as 
celebrações ou comemorações que possuem valor histórico, cultural e 
afetivo para uma coletividade. 
 
Eventos festivos no quarteirão 
Comemorações e demais atividades festivas são marcos importantes na 
história do quarteirão e devem, portanto, ser marcados como memória 
local. Para os devidos efeitos, devem ser evitados atitudes e 
comportamentos antissociais que causam desconforto aos 
companheiros do quarteirão, com respeito a: 
✓ Poluição sonora – garantindo o direito a um ambiente calmo e 
sossegado que a vizinhança tem para o exercício das suas 
actividades diárias, e ao silêncio noturno para o devido repouso. 
✓ Poluição do ar e saneamento do meio – garantindo o direito de 
todos ter um ar sadio, livre de poluição pelo acondicionamento 
 
24 
 
adequado do lixo e não exposição de substancias toxicas no 
ambiente22. 
 
Falecimento no quarteirão 
Em situação de morte de morador, os membros do quarteirão devem dar 
toda a assistência à família dentro daquilo que lhe for possível. Caso o 
morador more sozinho, é necessário que se tome algumas providências 
até que se encontre um parente do falecido. No entanto, quando houver 
suspeita de falecimento no interior do imóvel, antes de invadir ou 
arrombar a unidade, o certo é acionar a polícia, para que esta possa 
acompanhar o procedimento, isentando o quarteirão de qualquer 
responsabilidade quanto à reparação civil. 
 
Actividades industriais e Estabelecimentos comerciais 
Vendedores, estabelecimentos comerciais e pequenas indústrias 
operando no quarteirão são activos (pontos fortes) a serem 
considerados como recursos para o alcance das necessidades dos 
moradores. No entanto, como forma de ajudar o Estado a manter um 
registro sobre os meios de vida, incluindo as formas de subsistência, 
 
22 De acordo com o Código de Postura Municipal em vigor, é punida com a 
multa de dois/três salários mínimos nacionais, toda e qualquer forma de 
poluição através de ruídos ou sons, resíduos e efluentes domésticos, 
comerciais, industriais, emitidos na via pública ou a partir de locais de culto , 
desde que o acto e/ou efeitos sejam em quantidades tais que afectem 
negativamente o ambiente nos termos do nº 21 do artigo 1 da Lei nº 20/97, 
de 01 de Outubro. 
 
25 
 
recomenda-se que estas atividades tenham o seu registro na Câmara 
Municipal. 
Em Moçambique, as actividades e indústrias de pequena escala, e 
comerciais praticadas fora dos mercados (Barracas, Bancas, Quiosques, 
Take Away, Fast Food, Comércio ambulatório e Tendas)23 devem ser 
licenciadas de acordo com critérios gerais próprios ao exercício desse 
tipo de actividade. 
São consideradas actividades indústrias de pequena escala: 
a) Alfaiataria; 
b) Carpintaria; 
c) Artesanato de mobílias; 
d) Serralharia, bate-chapas e pintura; 
e) Latoaria; 
f) Oficinas de eletrodomésticos e aparelhos sonoros; 
g) Oficinas de motociclos e velocípedes; 
h) Estações de serviços e automóvel ou garagens; 
i) Bombas de combustível; 
j) Sapatarias; 
k) Barbearias; 
l) Relojoaria; 
m) Fotografia; 
n) Engraxador de sapatos; 
o) Fábrica de blocos; 
p) Fabrico de pão caseiro; 
q) Fábrica de bebidas caseiras; 
r) Lavadores de viaturas. 
 
23 Código de Postura Municipal em vigor 
 
26 
 
s) Outras classificáveis de pequena escala. 
 
Nos quarteirões dos bairros é comum observar-se a prática do comércio 
nas varandas, garagens, e nos quintais das residências. Nos seus 
esforços de liderança, os líderes locais garantem que os proprietários 
de atividades comerciais e industriais nos quarteirões estejam 
devidamente legalizados24. 
O conselho local e as demais reuniões são boas oportunidades para 
apelar e certificar que todos estejam em conformidade com as posturas 
municipais. Para o efeito a liderança usa deste meio ou canal para 
divulgar demais políticas/estratégias ou programas25 disponíveis com 
vista a assegurar que os pequenos empreendimentos industriais e 
comerciais não só iniciem na comunidade, mas que também a se 
mantenham e prosperam. 
 
 
 
 
24 Compete aos líderes locais garantir o cumprimento das posturas Municipais 
(art.º 5 alínea “c” da Resolução n.º 71 /AM/2011 de 22 de junho; Resolução nº 
20/2018, de 26 de outubro - Regulamento de Organização e Funcionamento 
das Estruturas Administrativas dos Bairros Municipais). 
25 Refere-se aqui aos demais incentivos no âmbito das estratégias de 
desenvolvimento da economia local que visam a facilitar o ambiente de 
negócios nos postos administrativos; actores que intervêm no apoio e 
atendimento às pessoas, grupos sociais e famílias em situação de 
vulnerabilidade.27 
 
Pedidos e emissão de documentos 
Ao cumprir seus deveres, o Estado protege nossos direitos como 
cidadãos. Um desses direitos, é o do acesso26 aos demais serviços 
públicos ou privados que exijam de nós informação fidedigna sobre 
nossa proveniência. O chefe de quarteirão e o de 10 casas são 
indispensáveis quando se quer tratar alguma declaração que comprove 
a nossa proveniência. 
Por questões de segurança, o chefe de quarteirão e o de 10 casas são 
responsáveis por informar sobre o desempenho dos moradores, se o seu 
comportamento perturba, ou não, a ordem e unidade local. 
Depois de passar pelo chefe de quarteirão e/ou o de 10 casas, o 
secretário de bairro pode emitir declarações para vários efeitos, pedidas 
pelos moradores sempre que estes pretendam tratar assuntos de seu 
interesse. 
Ao se dirigir ao Secretário do bairro, chefe de quarteirão e/ou de 10 
casas, os moradores devem estar prontos para demonstrar que 
observam suas recomendações de pagar impostos como o Imposto 
Pessoal Autárquico (IPA) e/ou outras taxas. 
 
 
 
 
26 A Constituição da República de Moçambique estabelece um estado de 
Direito que preconiza a edificação de uma sociedade de Justiça social e 
equidade, bem-estar social, de promoção e defesa dos direitos humanos e de 
igualdade dos cidadãos perante a Lei. 
 
28 
 
Consideraçoes finais 
A obra apresentada visa aprofundar o conhecimento sobre quarteirões 
urbanos e promover uma reflexão crítica sobre a cidadania nesses 
espaços. Seu objetivo principal é não apenas informar, mas também 
inspirar os leitores a se tornarem agentes ativos na transformação de 
suas comunidades, destacando a importância de assumir uma postura 
proativa em relação às responsabilidades sociais e cívicas. O texto se 
propõe a ser mais do que uma simples referência; é um estímulo à 
motivação contínua e engajamento dos moradores em ações que visem 
a melhoria de seus ambientes. 
Além disso, o livro almeja cultivar líderes, educadores e visionários que 
se dediquem à construção de quarteirões que sejam seguros, 
sustentáveis e inclusivos. A obra enfatiza a necessidade de trabalhar na 
inovação e criar espaços que não só garantam a segurança, mas que 
também promovam saúde, educação, cultura, saneamento e 
autossuficiência. Com isso, busca-se garantir o bem-estar de todos os 
residentes e fomentar um senso de comunidade mais coeso e 
colaborativo.

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