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PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA Unidade 3 Controladoria aplicada CEO DAVID LIRA STEPHEN BARROS DIRETORA EDITORIAL ALESSANDRA FERREIRA GERENTE EDITORIAL LAURA KRISTINA FRANCO DOS SANTOS PROJETO GRÁFICO TIAGO DA ROCHA AUTORIA LEANDRO RODRIGUES 4 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A U TO RI A Leandro Rodrigues Sou graduado em Administração, especialista na área de Finanças e Controladoria. Atualmente, doutorando e professor orientador de monografias em cursos de MBA e tenho experiência profissional na área de Recursos Humanos e também na área acadêmica. Trabalhei durante treze anos em uma usina de açúcar e álcool, passei pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo e hoje sou associado ao Programa de Educação Continuada em Economia e Gestão de Empresas da ESALQ/USP. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso fui convidado pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Conte comigo! 5PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 ÍC O N ES 6 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A Controladoria no processo de gestão .................................. 9 O modelo de gestão organizacional ................................................................. 9 O processo de gestão .......................................................................................15 A Controladoria na estratégia e no planejamento operacio- nal ............................................................................................. 23 A controladoria estratégica ..............................................................................23 Os riscos ...............................................................................................26 A Controladoria no planejamento operacional ............................................ 31 A Controladoria na programação .......................................... 39 O plano orçamentário .......................................................................................40 Organização e elaboração do orçamento .....................................................42 A Controladoria na execução e no controle ......................... 55 O controle das atividades operacionais das empresas .............................. 55 A gestão de custos ............................................................................................62 SU M Á RI O 7PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A PR ES EN TA ÇÃ O O ambiente organizacional tem passado por profundas mudanças, com isso, as empresas precisam de um monitora- mento constante do ambiente e um controle diário de suas ativi- dades, de modo que consigam maior produtividade e se manter competitivas no mercado em que atuam. Qual o papel da Contro- ladoria neste processo de gestão? Qual a sua função no geren- ciamento das atividades operacionais? Como ela pode auxiliar os gestores nas tomadas de decisões ou no controle das ativida- des? Nesta unidade letiva, você vai aprender sobre todos estes aspectos por meio de conceitos e exemplos práticos e a respeito de diversos assuntos que fazem parte do dia a dia do controller. Entendeu? Você vai mergulhar neste universo! 8 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 O BJ ET IV O S Olá. Seja muito bem-vindo àUnidade 3. Nosso objetivo é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término desta etapa de estudos: 1. Apontar o papel da Controladoria no processo de gestão. 2. Explicar a Controladoria na estratégia e no planejamento operacional. 3. Reconhecer o plano orçamentário como instrumento da Controladoria. 4. Comparar a gestão operacional e de custos a partir da Controladoria. Está animado para mais uma etapa rumo ao seu cresci- mento pessoal e profissional? Com disciplina e esforço, é possí- vel chegar ao seu objetivo, por isso vá em frente! 9PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A Controladoria no processo de gestão OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de identificar o papel da Controladoria no processo de gestão que se realiza dentro do subsistema de gestão, que tem como base um modelo concebido a partir dos valores da empresa. E então? Motivado para desenvolver esta competência? O modelo de gestão organizacional Você já sabe a definição de missão, crença e valores. Neste capítulo, vamos aprofundar estes temas, pois eles são cruciais para o desenvolvimento da visão geral da empresa. Antes de mais nada, é importante saber que, quando se fala em gestão, há o conceito associado de administração, assim, a gestão organizacional está diretamente relacionada com funções de administração, ou seja, as formas com que se executam o planejamento, a organização, a direção e o controle dos recursos disponíveis. A forma de implementação e como a gestão é conduzida por uma empresa identificam o modelo adotado nesse ambiente, e o modelo de gestão de uma empresa deve ser compatível com o seu próprio perfil, devendo ser adaptável à sua cultura organizacional. Em síntese, os elementos mais fundamentais da estru- tura e das funções de uma organização são derivados das ca- racterísticas dos processos humanos adotados no modo como os problemas são solucionados e as escolhas racionais humanas são desenvolvidas. 10 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Figura 1 - Representação de gestão de negócios Fonte: Pixabay Neste contexto, cada empresa possui um modelo particu- lar de gestão, o qual pode ser explícito ou não. A maneira como os gestores lidam com os problemas estratégicos e operacionais da sua empresa consiste em um fator determinante. O modelo de gestão é dependente da interação da empresa com o ambiente externo. A partir do modelo de gestão, deve haver um sistema ideal de gestão que assegura a disponibilidade de um sistema de informações que apoia de forma efetiva os gestores nas ações executivas, auxiliando em todos os processos, atividades e operações empresariais. 11PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 SAIBA MAIS A declaração de valores de uma empresa pode ser definida como um conjunto de crenças e princípios que orientam todas as ações e atividades das organizações. Por meio da declaração da visão, a empresa apresenta a sua visão de futuro, onde ela quer chegar e o que ela pretende ser; já a declaração da missão demonstra o propósito de uma organização. As metas podem ser definidas como um caminho que a empresa pretende seguir para atingir o que deseja, são apresentadas em forma de intenções gerais. E os objetivos são enunciados bem específicos e que se relacionam diretamente a uma meta, apresentando detalhes daquilo que deve ser feito, geralmente os objetivos estão relacionados a números e datas (PADOVEZE, 2009). A seguir, você vai conhecer a missão, a visão e os valores da Cacau Show e do Grupo Silvio Santos. Cacau Show: a. Missão – proporcionar ao maior número de pessoas uma experiência memorável e excelência em produtos e serviços, sendo referência em gestão do negócio de chocolate. b. Visão – ser a maior e melhor rede de chocolates finos do mundo, oferecendo aos seus clientes e parceiros uma relação duradoura, com foco no crescimento, rentabilidade e responsabilidade socioambiental. c. Valores – paixão por realizar; mais com menos; inovação; atenção aos detalhes e cultivar relações com carinho e pragmatismo. Grupo Silvio Santos: 12 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 a. Missão – contribuir para a integração da sociedade, por meio da comunicação, prestação de serviços e comercialização de produtos quePadoveze (2009, p. 295). NOTA A mensuração do ciclo econômico e financeiro é feita a partir das informações contidas nos rela- tórios contábeis e transformados em indicadores, por meio dos quais será possível verificar os prazos médios de cada um deles. No quadro a seguir, estão os cálculos referentes aos ciclos econômicos e financeiros, perceba que os resultados são os indicadores dos giros e dos dias referentes às respectivas atividades. Por exemplo, o cálculo da estocagem de materiais, você pode perceber que o estoque tem uma rotatividade de 4,93 vezes durante o ano, permanecendo cerca de 73 dias em estoque. 61PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 12 - Mensuração dos ciclos econômicos e financeiros Estocagem de materiais Giro do Estoque (GE) = Consumo de materiais/Estoque de materiais Dias em estoque (GE) = Estoque de materiais x 360/Consumo de materiais Giro do Estoque = 8.390/1700 = 4,93 vezes Dias em estoque = 1.700x360/8390 = 72,94 (73 dias) Pagamento de fornecedores Prazo médio de Pagamento = Fornecedores (duplicatas a pagar) x 360/Compras de materiais (Bruto) Prazo médio de pagamento = 650x360/6.798 = 34,40 (34 dias) Estocagem de produtos em processo Giro do Estoque = Custo dos produtos vendidos/Estoque de produtos em processo Dias em Estoque = Estoque de produtos em processo x 360/Custo dos produtos vendidos Giro do Estoque = 10.900/800 = 13,63 vezes Dias em Estoque = 800x360/10.900 = 26,42 (26 dias) Estocagem de produtos acabados Giro do Estoque = Custo dos produtos vendidos/Estoque dos produtos acabados Dias em Estoque = Estoque de produtos acabados x 360/Custos dos produtos vendidos Giro do Estoque = 10.900/600 = 18,17 vezes Dias em Estoque = 600x360/10.900 = 19,82 (20 dias) Recebimento de clientes Prazo médio de recebimento = Clientes (duplicatas a receber) x 360/vendas (receitas operacionais brutas Prazo médio de recebimento = 2000 x360/20.000 = 36 dias Fonte: Adaptado de Padoveze (2009, p. 295-296). Não se esqueça, é a Controladoria que vai disponibilizar todas as informações para o gerenciamento, e serão de sua responsabilidade o monitoramento e o controle dos fluxos. Outro tipo de atividade é a gestão do capital de giro. Este é o capital necessário para que as empresas consigam desenvolver as suas atividades operacionais (comprar, produzir, vender). O capital de giro próprio é justamente a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante, utilizando os dados da primeira 62 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 tabela do exemplo anterior, temos: 7.600 – 2.950 = 4.650, então, o total de capital de giro da empresa é 4.650. SAIBA MAIS Existe outro método para a análise do capital de giro que é o modelo dinâmico de Fleuriet. Leia este artigo e conheça como é feito este tipo de análise. Para realizar a leitura, acesse no QR Code: De modo geral, podemos dizer que a gestão do capital de giro é o monitoramento de todo o ciclo operacional, e a res- ponsabilidade da Controladoria na gestão do capital de giro é contribuir com os gestores para que as diversas atividades ope- racionais aconteçam dentro de um determinado padrão (PADO- VEZE, 2009). A gestão de custos Após estudarmos diversos aspectos do processo opera- cional das empresas, em que você conheceu exemplos para o controle destas atividades, vamos tratar de outro tema crucial para a Controladoria que são os custos e o método de custeio. Os custos dos produtos são formados, basicamente, por quatro elementos: os materiais que são utilizados para a fabrica- ção, a mão de obra empregada na indústria, os gastos gerais da produção e a depreciação das instalações e equipamentos. 63PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Os custos representam um elemento relevante para a tomada de decisões nas empresas, e o conhecimento sobre os custos tem o objetivo de auxiliar no planejamento, por exemplo, determinar quais produtos e qual a quantidade devem ser pro- duzidos, além de constituírem um aspecto fundamental na defi- nição do preço dos produtos. Outro aspecto que deve ser considerado a respeito dos custos é que eles são uma ferramenta para o controle do processo operacional. Por meio da coleta dos custos, é possível identificar deficiências na utilização de recursos, aprimorando a eficiência e, consequentemente, aumentando a produtividade. NOTA Nas atividades de controle, os gestores podem comparar os custos reais com o planejado e man- ter o alinhamento entre eles, ou até mesmo propor a revisão dos custos que foram planejados. Na tabela a seguir, você pode observar um exemplo de cálculo de custo de um produto. Tabela 10 - Exemplo do custo total do produto X Material direto 5,00 Mão de obra direta 8,00 Custo unitário direto 13,00 Gastos indiretos de fabricação 8,00 Custo unitário do produto 21,00 Fonte: Adaptada de Figueiredo e Caggiano (2008). A identificação dos custos do material e mão de obra dire- tos são consideravelmente fáceis, mas os gastos indiretos apre- sentam maior complexidade em seus cálculos, principalmente quando a empresa produz vários produtos. 64 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Diante da dificuldade da identificação dos gastos indiretos, qual seria o procedimento ideal? Vamos conhecer as etapas que devem ser executadas para a apuração destes gastos. A primeira etapa a ser executada é alocar todos os gastos indiretos de fabricação aos centros de custos, que podem ser classificados de duas maneiras: os centros de custos de produção e os de serviço. No entanto, existem alguns gastos indiretos, em que será preciso fazer um rateio, ou seja, distribuir estes gastos proporcionalmente aos centros de custos por meio de certos critérios. Na tabela a seguir, está um exemplo de relatório de cus- tos por departamento, você pode observar que existem aqueles de fácil identificação e os outros não identificáveis, os quais ne- cessitarão de técnicas de rateio. Tabela 11 - Relatório de custos por departamento Histórico Total Dep. Corte Dep. Montagem Dep. Manutenção Identificáveis Materiais indi- retos 50.000 25.000 20.000 5.000 Mão de obra indireta 20.000 10.000 5.000 5.000 Depreciação de máquinas 25.000 12.000 10.000 3.000 Subtotal 95.000 47.000 35.000 13.000 Não identi- ficáveis Salário dos supervisores 15.000 Impostos 30.000 TOTAL 140.000 Fonte: Adaptada de Figueiredo e Caggiano (2008). 65PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Então, como podemos fazer o rateio dos gastos referentes ao salário dos supervisores e impostos? Na tabela a seguir, estão os critérios adotados para o rateio destes gastos, lembrando que existem outras bases de rateio para os outros tipos de centro de custo. Tabela 12 - Bases de rateio Bases de rateio Total Dep. Corte Dep. Montagem Dep. Ma- nutenção Número de empre- gados 150 70 50 30 Área ocupada (m²) 100.000 50.000 30.000 20.000 Manutenção (horas) 4.000 2.500 1.500 0 Mão de obra direta (horas) 10.000 7.000 3.000 0 Fonte: Adaptada de Figueiredo e Caggiano (2008). SAIBA MAIS Este artigo trata da análise dos métodos de rateio dos custos indiretos utilizados por empresas dife- rentes. Para realizar a leitura e aprofundar seus conhecimentos sobre o assunto, acesse no QR Code: Vamos fazer o rateio dos gastos indiretos? Observe, na tabela a seguir, como eles foram feitos. Primeiro, foi realizada a divisão dos valores totais dos custos pelo total das bases, multiplicando pelos respectivos valores de cada departamento. 66 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Tabela 13 - Rateio dos gastos indiretos Gastos indi- retos Base Total Dep. Corte Dep. Monta- gem Dep. Ma- nutenção Materiais indiretos Direta 50.000 25.000 20.000 5.000 Mão de obra indireta Direta 20.000 10.000 5.000 5.000 Depreciação de máquinas Direta 25.000 12.000 10.000 3.000 Salário dos supervisores Númerode empregados 15.000 7.000 5.000 3.000 Impostos Área 30.000 15.000 9.000 6.000 Rateio dos custos de manutenção Horas 140.000 69.000 49.000 22.000 -0- 13.750 8.250 (22.000) 140.000 82.750 57.250 - 0- Fonte: Adaptada de Figueiredo e Caggiano (2008). Até aqui foi a primeira etapa, o passo seguinte é alocar os custos ao centro de custos. O que geralmente acontece é que um centro de custo pode ser responsável pela fabricação de mais de um produto, neste caso, é necessário métodos que atribuam a parcela de custos que seja adequada a cada produto, pode-se utilizar o método de custeio por absorção. 67PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 SAIBA MAIS A empresa pode aplicar diferentes métodos de cus- teio. O método de custeio vai indicar quais custos deverão fazer parte da apuração dos custos dos produtos. Neste artigo, os autores realizaram uma pesquisa sobre os diferentes métodos de custeio, apontando suas vantagens e desvantagens. Faça a leitura, acesse no QR Code: Vamos ver um exemplo de como podemos calcular três taxas de rateio para a absorção dos gastos indiretos no custo total de um produto. Na tabela a seguir, há informações dos custos de produção, considerando que este centro de custos é responsável pela produção de mais de um produto, vamos utilizar os custos totais do departamento de corte, da tabela anterior, que é de $82.750. Tabela 14 - Informações do departamento de corte Custo de mão de obra direta $20.000 Horas de mão de obra direta $30.000 Horas-máquina $40.000 Fonte: Adaptada de Figueiredo e Caggiano (2008). A partir dos dados apresentados, o quadro a seguir demonstra as taxas para a absorção dos custos. 68 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 13 - Cálculo das taxas de rateio para absorção dos custos Taxa de rateio com base no custo de mão de obra direta $82.750/$20.000 =$4,14 X 100 = 413,75% ou $ 4,14 Para cada $1,00 de mão de obra direta utilizada na fabricação de cada produto deverá agregar $5,10 de gastos indiretos. Taxa de rateio com base nas horas de mão de obra direta $82.750/$30.000 = $2,76 Para cada $1,00 de mão de obra direta deverá agregar $2,55 de gastos indiretos. Taxa de rateio com base nas horas-máquina $82.750/$40.000 = 2,07 Para cada $1,00 de horas-máquina deverá agregar $2,07 de gastos indiretos. Fonte: Adaptado de Figueiredo e Caggiano (2008). EXPLICANDO MELHOR Por exemplo, se o total de custos diretos por uni- dade de produto referentes à mão de obra ($1,00) e materiais diretos ($4,00) for de $5,00, pode-se di- zer que a estes custos deverá ser acrescentado o valor de $4,14 referente a $1,00 de mão de obra, portanto, o custo total será de $9,14. Lembrando que isto vale para os outros tipos, se o cálculo for pela quantidade de horas, você acrescenta $2,76 para cada hora trabalhada pelo funcionário, se for por hora máquina, acrescenta-se $2,07 por hora- -máquina. Portanto, você percebe que o custo de um produto será afetado pelo tipo de taxa que for escolhida. Outro fato importante que você deve entender é que nos exemplos foram utilizados custos diretos e indiretos, no entanto, como você deve lembrar, existem outros tipos de custos, como os custos fixos e variáveis, ou parcialmente fixos e parcialmente variáveis, neste sentido, o nível de atividade é um fator que impacta na gestão dos custos. 69PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 RESUMINDO Parabéns, você chegou ao final de mais um capítu- lo e também ao final de mais uma unidade letiva. Vamos fazer agora a revisão deste capítulo, no qual você aprendeu sobre o papel da Controladoria na execução e no controle. Iniciamos o capítulo es- tudando sobre aspectos da tomada de decisão e vimos que todas as decisões tomadas pelos gesto- res estão relacionadas ao lucro, e, neste contexto, você conheceu a definição de eventos econômicos. Você aprendeu também sobre os ciclos financeiro, econômico e operacional e como eles se configu- ram nas organizações e atividades relacionadas a estes ciclos. No contexto da gestão operacional ou da execu- ção, a Controladoria desempenha a sua função fornecendo os modelos apropriados para a toma- da de decisão de cada atividade e tem a respon- sabilidade pelo monitoramento e controle. Você conheceu os diversos cálculos para a mensuração dos ciclos econômicos e financeiros, bem como o conceito de capital de giro. Aprendeu ainda sobre a gestão de custos. Você entendeu sobre a formação dos custos e os métodos de rateio para custos in- diretos, além do método para absorção dos custos para os diferentes produtos. Terminamos com um breve comentário sobre os níveis de produção que impactam os custos, considerando a presença de outros tipos de custos, além daqueles estudados durante o capítulo. 70 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 ANDRADE, F. S. Análise de riscos e a atividade de inteligência. Revista Brasileira de Ciências Policiais, [s. l.], v. 8, n. 2, p. 91-116, 2017. ASSAF NETO, A.; LIMA, F.G. Curso de administração financeira. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2014. CACAU SHOW. Sobre a Cacau Show. Cacau Show, [s. l.], c2021. Disponível em: https://www.cacaushow.com.br/para-sua- empresa/institucional.html. Acesso em: 21 jun. 2023. CERTO, S. C. Administração moderna. 9. ed. São Paulo: Prentice Hall, 2003. DAFT, R. L. Organizações: teoria e projetos. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2008. FIGUEIREDO, S.; CAGGIANO, P. C. Controladoria: teoria e prática. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2008. GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W.; BREWER, P. C. Contabilidade gerencial. 14. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. GRUPO SILVIO SANTOS. Nosso jeito. Grupo Silvio Santos, [s. l.], c2023. Disponível em: https://gruposilviosantos.com.br/. Acesso em: 21 jun. 2023. PADOVEZE, C. L. Controladoria: estratégica e operacional. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. PADOVEZE, C. L. Planejamento orçamentário. 2. ed. São Paulo: Cengage Learning, 2010. RE FE RÊ N CI A Sproporcionem às pessoas melhores condições de vida. b. Visão – atingir participação cada vez mais relevante nos segmentos em que atuamos. c. Valores – alegria, criatividade e simplicidade no am- biente de trabalho; alto nível de engajamento de nossa gente; sólida imagem de protagonismo construída em mais de meio século de existência. Entre estes elementos que foram apresentados, vale à pena destacar a missão da empresa. Você sabia que a missão pode aumentar a probabilidade de uma organização ter sucesso? Isto acontece porque ao conhecer a missão da empresa, fica mais fácil para os gestores concentrarem os esforços do pessoal em uma única direção, ela apresenta explicitamente o alvo que a empresa pretende atingir e, desta maneira, os gestores têm sempre em mente a missão da empresa ao tomarem as decisões. Outro ponto a ser considerado sobre a relevância da missão é que ela contribui para uma alocação eficiente de recursos de modo que os gerentes saibam como utilizá-los adequadamente, com a finalidade de atingirem os objetivos organizacionais, e, por fim, a partir da missão, é possível definir áreas de trabalho com atividades que sejam realmente fundamentais. Como você pode observar, a definição da missão da empresa é crucial para melhorar a organização das atividades, e os objetivos organizacionais estão estreitamente relacionados a ela, lembrando que para a concepção da missão foi necessária uma análise do ambiente. 13PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 ACESSE Quer saber como é definida a missão de uma empresa? Acesse o QR-Code disponível aqui e enriqueça seus conhecimentos a respeito desta temática tão importante. Qual a relação deste tema que tratamos inicialmente com o modelo de gestão adotado pela empresa? O modelo de gestão adotado por uma organização tem como base a cultura organizacional, que foi constituída a partir dos valores da empresa, esta interação entre valores e cultura dá forma ao modelo adotado para o gerenciamento. De acordo com Padoveze (2009), um modelo de gestão para ser considerado ideal deve ter uma estrutura que considere os seguintes elementos: o modelo de gestão do sistema empresa que envolve as funções de planejamento, execução e controle; a avaliação de desempenho dos setores e também de seus respectivos gerentes em relação à sua responsabilidade pelos resultados; o modelo de processo decisório, considerando se as decisões são centralizadas ou não e, por fim, a motivação dos gestores para a realização de suas atividades. Na figura a seguir, veja a síntese destes elementos. 14 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Figura 2 - Estrutura do modelo de gestão Modelo de gestão Processo de gestão Processo decisório Avaliação de desempenho Compoetamento dos gestores Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 26). A gestão empresarial está concentrada nos aspectos operacional, econômico e financeiro. O aspecto operacional refere-se às atividades ligadas à qualidade, à quantidade e aos prazos de produção e vendas; bem como à utilização dos recursos e aos produtos ou serviços que foram produzidos. No aspecto econômico, estão todos aqueles elementos referentes aos resultados econômicos. Os prazos de pagamento ou recebimento, por exemplo, dizem respeito aos aspectos financeiros. NOTA Preste atenção em algo essencial: um gestor ao exercer a sua função de administrar uma empresa deve ter em mente que estes elementos (operacio- nal, econômico e financeiro) são interdependentes, ou seja, existe um relação entre eles de modo que o desempenho de um está relacionado ao desem- penho do outro, por isso, é importante que o ges- tor tenha uma visão de todo o sistema empresa. 15PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 O processo de gestão Antes de iniciarmos o estudo sobre o processo de gestão, vamos relembrar o conceito de subsistema de gestão. Você se lembra que um sistema é dividido em partes, e cada parte é um sistema? O subsistema de gestão é o onde todas as decisões são tomadas. O subsistema de gestão é caracterizado pela presença de procedimentos e diretrizes e ele é responsável pelo planejamento e controle das operações. Mas qual a finalidade de você rever este conhecimento neste momento? Porque para entender o conceito de processo de gestão, é preciso entender que ele é todo o processo desenvolvido dentro do subsistema de gestão, tendo como base o modelo de gestão adotado pela organização. Como você também sabe, o subsistema de gestão é res- ponsável pelo planejamento e controle das operações, portanto, esta é também a função do processo de gestão, tendo em vista que ele é todo o procedimento executado dentro deste subsiste- ma, iniciando com a elaboração do planejamento, incorporando todas as etapas envolvidas na execução e no controle de todas as atividades organizacionais. NOTA Todo processo de gestão é realizado a partir de informações obtidas por meio dos diversos sistemas de informação, estes sistemas fornecem todo o auxílio necessário para que o gestor seja capaz de executar a sua função de gerenciamento. De acordo com Padoveze (2009, p. 27), os sistemas de informações financeiros e de controladoria “são os melhores exemplos de sistemas de apoio à gestão e devem estar totalmente integrados à cadeia completa do processo de gestão”. 16 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Neste contexto do processo de gestão, a Contabilidade desempenha um papel importante, exercendo a função de controle. O controle desempenhado pela Contabilidade não diz respeito somente a um controle executado após a ocorrência de determinado evento. Neste sentido, a Contabilidade desempenha um papel relevante a partir de um procedimento de controle que acompanha todo o processo de tomada de decisão e de gerenciamento, assim, está presente no processo de planejamento. Na figura a seguir, você pode entender todo processo de gestão. Veja que ele parte das crenças, dos valores, da missão e característica da empresa, que servem como base para o modelo de gestão que será adotado a partir do qual é elaborado o planejamento estratégico, por meio de diversas análises do ambiente externo, interno e das diretrizes organizacionais. Figura 3 - Processo de gestão Crenças e valores / Missão / Características do negócio Diretrizes organizacionais e estratégicas Diretrizes políticas e estratégicas Plano aprovado Modelo de gestão Planejamento estratégico Planejamento operacional Execução Controle Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 29). 17PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 O processo ainda continua, conforme mostra a figura an- terior, e após a elaboração do planejamento estratégico a em- presa desenvolve todas as suas diretrizes políticas e estratégicas que vão servir de direcionamento para todo o planejamento ope- racional, que envolve definição de objetivos, metas e alocação de recursos. Após a aprovação do plano operacional, ele é colocado em prática e por meio do controle constante é possível verificar se aquilo que está sendo executado está de acordo com o plane- jado. NOTA Vale lembrar que a função de controle da Conta- bilidade tem como principal objetivo o controle econômico e, como já foi observado, este controle é executado antes, durante e depois, em todas as fases das atividades. Então, você entendeu o processo de gestão? O processo de gestão pode ser considerado um processo decisório e neste processo de tomada de decisão estão todas as fases de planejamento, execução e controle. Lembrando que, em todas estas etapas, o gestor vê-se diante de diversas situações, nas quais será necessário tomar decisões, e essas decisões, dependendo de sua abrangência, podem influenciar toda a empresa; e para a tomada de decisão também é necessário que se siga determinados procedimentos. 18 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 SAIBA MAIS Para Daft (2008), oprocesso de tomada de decisão individual pode ser classificado como abordagem racional, que aponta como os gestores devem to- mar decisões, demonstrando todo o processo de tomada de decisão a partir da análise sistemática do problema. O autor enfatiza a necessidade de se- guir estes procedimentos, bem como a perspectiva da racionalidade limitada e apresenta as diretrizes para a tomada de decisão em tempos de dificul- dade e recursos limitados. A ideia central deste aspecto é que os gestores devem tentar utilizar procedimentos sistemáticos para tomar uma boa decisão. Na verdade, modelo racional é o ideal, no entanto, não é totalmente alcançável em situações de incertezas, de complexi- dades e de rápida mudança. Na figura a seguir, é possível visuali- zar o processo de tomada de decisão racional. Figura 4 - Processo racional de tomada de decisão 2 - Definir o problema a ser decidido Solução do problema Identificação do problema 1 - Monitorar o ambiente de decisão 4 - Diagnosticar o problema 6 - Avaliar as alternativas 7 - Escolher a melhor alternativa 8 - Implementar a melhor alternativa 5 - Desenvolver soluções alternativas 3 - Especificar os objetivos da decisão Fonte: Adaptada de Daft (2008, p. 435). 19PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Ele envolve duas partes distintas: a identificação do problema, que se inicia com o monitoramento do ambiente externo e interno, identificando os desvios. A partir desta primeira análise, o gestor vai definir os detalhes do problema e determinar quais os objetivos que devem ser alcançados em consequência da decisão a ser tomada, passando para uma análise mais aprofundada do problema definido, que seria uma etapa de diagnóstico. Após a etapa de diagnóstico e entendidas as causas do problema, inicia-se o processo de solução. Para iniciar a solução do problema, deve-se desenvolver diversas alternativas, feito isto, parte-se para o passo seguinte de análise das várias opções existentes para atingir os objetivos, podendo-se utilizar técnicas estatísticas ou até mesmo a experiência do gestor para estimar a probabilidade de sucesso, após escolher a melhor alternativa, inicia-se a fase de implementação. Se você observar a figura anterior atentamente, você irá perceber que ela é um ciclo, isto quer dizer que após finalizar as oito etapas do processo de tomada de decisão, o processo de monitoramento inicia-se novamente. Como já foi discutido, o processo de tomada de decisão está inserido em todo o processo de gestão. Para um melhor entendimento do exemplo que será apresentado, vamos resumir as oito etapas apresentadas no modelo anterior em apenas três, de acordo com Padoveze (2009): a análise do problema, descrição da solução e a implementação da solução. No quadro a seguir, há um exemplo de como o processo de tomada de decisão pode ser aplicado na solução de problemas específicos, não somente no planejamento estratégico, mas também nas outras etapas do planejamento. 20 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 1 - Método de tomada de decisão aplicado ao processo de gestão Etapas da tomada de decisão I II III Problema Análise do pro- blema Descrição da solução Implementação da solução Pl an ifi ca çã o Estratégia Análise estratégica Formulação da estratégia Implementação da estratégia Mudança organizacional Diagnóstico da estratégia atual Descrição da estratégia desejada Implementação da mudança Outros tipos de planificação Análise do problema Descrição da solução Implementação da solução Fonte: Padoveze (2009, p. 31). EXPLICANDO MELHOR Perceba que, no quadro anterior, temos a descri- ção de três problemas relacionados: estratégia, mudança organizacional e outros tipos de planos. O problema aqui é a respeito da definição da es- tratégia que será seguida pela empresa, neste ca- so, seguimos os passos para a tomada de decisão. Iniciamos com a análise do problema, a análise es- tratégica, nesta etapa, serão realizados vários tipos de estudos, por exemplo, as análises do ambiente interno e externo, após esta etapa, desenvolve-se diversas opções que serão avaliadas a partir das quais será formulada a estratégia, que, finalmen- te, será implementada. O mesmo acontece para os outros tipos de planificação. 21PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Lembre-se que estas três são etapas básicas, e você aprendeu que dentro destas etapas são executados diversos procedimentos, que serão necessários para a tomada da melhor solução. Você entendeu até aqui o modelo de tomada de decisão dentro do processo de gestão. Para finalizar este conteúdo, é preciso destacar que a tomada de decisão envolve a integração entre o modelo de decisão e outros dois modelos, que é o de informação e o de mensuração. O modelo de tomada de decisão você já conheceu. O mo- delo de informação está relacionado à maneira como os resulta- dos da tomada de decisão são apresentados às partes interessa- das. O modelo de mensuração, no campo da Contabilidade, diz respeito a um modelo adequado para a avaliação econômica da empresa em termos de resultados e geração de valor. Para Padoveze (2009), os exemplos de modelos de men- suração, informação e decisão que geralmente são utilizados pela Contabilidade e Controladoria podem ser: balanço patrimo- nial; Demonstrativo de Resultado do Exercício (DRE); modelo de margem de contribuição; e modelos para análise de rentabilida- de de produtos. 22 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 RESUMINDO Encerramos o primeiro capítulo desta unidade. E você, entendeu todo o assunto que abordamos? Vamos resumir o conteúdo para garantir que vo- cê conseguiu aprendê-lo. Vimos os conceitos da declaração de valores, da visão, da missão, de me- tas e objetivos. Ao tratar deste aspecto, você viu a missão, a visão e os valores da Cacau Show e o do Grupo Silvio Santos. Entre estes conceitos, mere- ce destaque a missão da empresa, pois devido à sua relevância ela pode contribuir com o sucesso das organizações, por meio de um melhor geren- ciamento de pessoas e projetos. Você entendeu a respeito do modelo de gestão da empresa e os ele- mentos que devem fazer parte do seu escopo para que seja considerado um modelo ideal. O modelo de gestão é a matriz para o processo de gestão, que são todas as atividades exercidas dentro do subsistema de gestão. É no subsistema de gestão que as decisões são tomadas, é caracterizado pela presença de procedimento e diretrizes e respon- sável pelo planejamento e controle das operações. Neste contexto, você conheceu todas as etapas do processo de gestão e foi possível identificar a presença da tomada de decisão que faz parte de todo o processo. E, para a tomada de decisão, vi- mos que os gestores devem utilizar procedimentos sistemáticos para tomar a melhor decisão possível. E, por fim, você aprendeu que na tomada de deci- são existe a integração de três modelos: o modelo de tomada de decisão; o modelo de informação; e o modelo de mensuração. O modelo de mensu- ração, no campo da Contabilidade, diz respeito à avaliação econômica em termos de resultados e geração valor. 23PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A Controladoria na estratégia e no planejamento operacional OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de com- preender o papel da Controladoria na estratégia e no contexto do planejamento operacional. Nos dois tipos de planejamento, tanto estratégico co- mo operacional, a Controladoria desempenha um papel de destaque. Quer saber mais? Vá em frente e desenvolva mais esta competência! A controladoria estratégica Você já conhece a definição de estratégia e quais os procedimentos necessários para defini-la, bem como quais as etapas necessárias para a elaboração do planejamento estratégico. Neste capítulo, vamos estudar novamente a estratégia, mas com um enfoque no papel da Controladoria. Aotratar da relação dela com a estratégia, presume-se que o profissional contábil possa desempenhar a sua função em conjunto com os outros profissionais responsáveis pela estratégia organizacional. EXPLICANDO MELHOR Muitas pessoas confundem estratégias com metas, mas elas não são a mesma coisa. Vamos imaginar que uma empresa tenha como meta aumentar as suas vendas em 10%, portanto, a meta define onde a empresa quer chegar, e a estratégia serão as ações executadas para se chegar a esta meta. Antes de continuarmos, você vai conhecer dois conceitos: estratégia competitiva e a vantagem competitiva. A estratégia competitiva pode ser caracterizada como o conjunto de ações que tem por finalidade criar vantagem competitiva em determi- nados tipos de produtos ou mercados. 24 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A vantagem competitiva é um diferencial que uma empresa tem em relação a seus concorrentes. Uma empresa pode criar estratégia por meio de liderança em custos baixos ou da diferenciação, em que os produtos apresentam um valor para os consumidores, de modo que este produto seja percebido como único, geralmente, tem como foco aqueles consumidores que não estão preocupados em pagar um preço mais alto por determinados produtos. Existe ainda a estratégia de foco, na qual a empresa se concentra em um mercado regional ou em um público-alvo, tentando alcançar uma vantagem de baixo custo ou uma vantagem de diferenciação (DAFT, 2008). Na figura a seguir, há um modelo de estratégias competi- tivas que pode ser adotado pelos gestores. Figura 5 - Estratégias competitivas Liderança de baixo custo Diferenciação Liderança focada na eficiência, baixo custo Liderança focada na singularidade Exemplos Escopo amplo: Walmart Escopo Limitado: Family Dollar Exemplos Escopo amplo: Apple Escopo Limitado: Edward Jones Investments Fonte: Adaptada de Porter apud Daft (2008, p. 61). 25PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Neste modelo, você percebe que existem a vantagem competitiva e o escopo competitivo. Na vantagem competitiva, os gestores decidem se vão competir por meio de baixos custos ou com um produto único e diferenciado e também poderão decidir se a empresa competirá em um amplo escopo, ou seja, em vários segmentos de consumidores ou em uma área menor em segmentos selecionados. NOTA Neste contexto de definição da estratégia organi- zacional, pode-se dizer que existe uma interação entre a análise, o planejamento e controle. Para que as decisões sejam tomadas, os gestores ne- cessitam de informações provenientes de diversos setores, e aqui vamos destacar o papel da contabi- lidade gerencial, no sentido de fornecer todas as informações financeiras necessárias para a toma- da de decisão estratégica. Neste momento, você já começa a perceber o papel da Controladoria na estratégia, como provedora de informações que deem suporte aos gestores, assim surge o conceito de controladoria estratégica. De acordo com Padoveze (2009), a controladoria estra- tégica pode ser conceituada como uma atividade de Controla- doria, que utiliza as informações provenientes do sistema de informação contábil para fornecer aos responsáveis pelo plane- jamento estratégico todas as informações financeiras e não fi- nanceiras que servirão de apoio para todo o processo de análise, planejamento, implementação e controle da estratégia. Como você pode perceber, a controladoria estratégica não é a respon- sável pela definição da estratégia ou pelo planejamento, mas ela serve como um apoio para os gestores. É importante que você entenda que existem três níveis de estratégia que possuem relação entre si: a estratégia compe- titiva, a estratégia funcional e a estratégia corporativa. 26 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 DEFINIÇÃO A estratégia competitiva diz respeito à criação e manutenção da vantagem competitiva em cada uma das áreas de negócio da empresa; a estratégia funcional considera que todas as estratégias definidas por cada atividade executada na empresa (marketing, produção, recursos humanos etc.) devem ser planejadas e gerenciadas, lembrando que todas essas estratégias estão interligadas entre os diversos setores; e a estratégia corporativa relaciona-se com a decisão de qual tipo de negócio a empresa deve fazer parte e como as atividades podem ser organizadas e administradas (THOMPSON apud PADOVEZE, 2009). Considerando estes diferentes aspectos da estratégia, a controladoria estratégica será responsável por fornecer informações que sejam capazes de atender a estes diferentes níveis. Os riscos Ainda sobre a função da Controladoria na estratégia, veremos o papel da Controladoria no gerenciamento do risco. A empresa não está sujeita somente a riscos financeiros, mas a outros tipos de riscos, como relacionados aos clientes, fornecedores, à tecnologia ou ao câmbio, que merecem igual atenção, pois estes riscos também impactam o desempenho da empresa, por este motivo, as organizações devem contemplar uma estrutura de informações para o monitoramento desses riscos. Os efeitos dos riscos sobre os resultados podem ser mensurados pela Contabilidade por meio da DRE e do balanço patrimonial, considerando que a empresa está exposta a vários riscos. 27PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 ACESSE Este artigo traz um estudo sobre a relação da Controladoria e a gestão de riscos na percepção dos gestores de riscos e controllers. Leia o artigo e conheça os resultados da pesquisa. Acesse o QR- Code disponível aqui: O risco vislumbrado a partir de sua classificação como um perigo ou ameaça é o campo de ação dos gestores responsá- veis pelas atividades de monitoramento dos processos internos, porque este tipo de risco está relacionado a eventos negativos, como perdas, fraudes, falhas em sistemas ou qualquer tipo de irregularidade, e a Controladoria desempenha a função de mo- nitoramento em conjunto com outros órgãos, como a auditoria interna. Para identificar os potenciais riscos que poderão impac- tar a empresa, é preciso, primeiro, analisar o ambiente interno e externo. Esta é uma etapa essencial, pois é por meio deste pro- cesso que será possível detectar, especificar e analisar como os riscos evoluem nas organizações. Na figura a seguir, você pode perceber que a comunicação e a consulta às partes interessadas devem acontecer durante toda a gestão de risco, de modo que haja um entendimento entre as partes sobre os fundamentos das decisões que são tomadas e os motivos que levam à execução de certas ações. 28 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Figura 6 - Modelo de gestão de riscos Análise de riscos Estabelecimento do contexto Identificação de riscos Estimativa de riscos Avaliação de riscos Tratamento de riscos M on itoram en to e an álise crítica Co m u n ic aç ão e c on su lt a Fonte: Andrade (2017). Veja também que a gestão de risco exige um monito- ramento e análise crítica, que devem ser realizados constante- mente, abrangendo todos os aspectos da gestão de risco. Este processo garante a eficiência e a eficácia nos controles e o aper- feiçoamento da avaliação de riscos, além de detectar mudanças no ambiente e identificar riscos emergentes. ACESSE Está interessado em conhecer mais sobre a ISO 31000? Assista este vídeo e mantenha-se atualizado a respeito da gestão de risco nas organizações. Acesse o QR-Code disponível aqui: 29PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Na etapa de estimativa de riscos, o gestor deve avaliar a probabilidade de ocorrência de cada risco e o seu impacto nas organizações por meio de diferentes níveis, conforme apresen- tado no quadro a seguir. Quadro 2 - Análise da probabilidade de ocorrência e impacto dos riscos Análise da Probabilidade Análise do Impacto GRAU VALOR GRAU VALOR Extremamente provável 5 Catastrófico 5 Provável 4 Crítico 4 Ocasional 3 Moderado3 Remoto 2 Leve 2 Improvável 1 Desprezível 1 Fonte: Andrade (2017). Observe o quadro a seguir, os graus e valores foram transformados em uma matriz, em que é possível determinar o grau de risco em uma escala entre muito alto e muito baixo. 30 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 3 - Matriz de gestão de riscos Grau de Probabilidade Matriz de risco Impro- vável1 (0-20%) Remo- to2 (21- 40%) Ocasio- nal3 (41 a 60%) Provável4 (61 a 80%) Extrema- mente Provável5 (81 a 100%) G ra u de Im pa ct o N eg at iv o Catastrófi- co 5 (81 a 100%) ME ME AL MA MA Crítico 4 (61 a 80%) BA ME ME AL MA Modera- do 3 (41 a 60%) BA BA ME ME AL Leve 2 (21-40%) MB BA BA ME ME Despre- zível 1 (0-20%) MB MB BA BA ME LEGENDA Classificação do Risco MB Muito Baixo BA Baixo ME Médio AL Alto MA Muito alto Fonte: Andrade (2017). 31PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 ACESSE Saiba mais sobre as etapas da gestão de risco nas empresas por meio da leitura deste artigo. Acesse o QR-Code disponível aqui: Para finalizarmos este tópico sobre o processo de gestão de risco, devemos nos atentar ao fato de que o gestor inicia a etapa de tratamento de risco implementando a decisão. A Controladoria no planejamento operacional Depois de estudar sobre a contribuição da Controladoria no planejamento estratégico, você vai conhecer, neste tópico, o papel da Controladoria no planejamento operacional. IMPORTANTE É essencial que você saiba, já neste primeiro mo- mento, que o planejamento operacional está inti- mamente relacionado com o balanço patrimonial, portanto, cabe à Controladoria elaborar modelos de decisão, mensuração e informações que este- jam relacionados com a determinação da estrutura de ativos e passivos da organização. Considerando o papel do controller no contexto do pla- nejamento operacional, cabe destacar que a sua função será a de apoiar as diversas decisões, sejam elas de investimento, fi- nanciamento, e decisões de dividendo, uma decisão que impacta 32 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 no valor da empresa. E, como você já sabe, a geração de valor é também de responsabilidade da Controladoria. As contas do ativo representam todos os investimentos realizados pelas empresas. Determinar a estrutura do ativo significa tomar uma decisão de investimento que considere a melhor combinação entre os ativos fixos e o capital de giro. Como você pode perceber esta decisão é realmente com- plicada, considerada uma das mais difíceis na gestão econômica do negócio. Ela provém de várias decisões que foram tomadas anteriormente e que são decorrentes do planejamento estraté- gico da empresa. Para que você entenda melhor o processo de definição da estrutura do ativo, vamos seguir o processo de investimento em uma nova empresa, conforme proposto por Padoveze (2009). A primeira coisa a ser feita é definir o negócio ou setor de atuação e a missão da empresa, após esta etapa é necessário que se especifique qual produto ou a linha de produtos que a empresa irá produzir e vender, nesta fase, várias análises devem ser feitas, como o preço e volume esperado de venda. Na próxima etapa a ser executada, deverão ser definidas em qual parte da cadeia produtiva a empresa irá atuar e qual a tecnologia necessária para a produção dentro do volume estipulado previamente. 33PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 ACESSE Este vídeo apresenta de modo bem didático o conceito de cadeia produtiva. Para assisti-lo e entender o que é cadeia produtiva, acesse o QR- code disponível aqui: A quarta etapa do processo de definição da estrutura do ativo é a definição das tecnologias essenciais da empresa, aquelas que serão necessárias para a etapa de fabricação e comercialização do produto. Feito isto, parte-se para a etapa final, na qual serão detalhadas e definidas as variáveis para as duas tecnologias (produção e comercialização). Figura 7 - Modelo de decisão para estrutura do ativo Etapa 1 Definição do negócio Definição do produto, mercado e preço de venda Etapa 2 Definição do segmento da cadeia produtiva e tecnologia do produto Etapa 3 Definição das tecnologias essenciais (produtiva, comercial e administrativa Etapa 4 Definição das variáveis básicas das tecnologias essenciais (estrutura de produtos, prazos médios de produção, vendas, compras e estoques Etapa 5 Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 456-557). SAIBA MAIS Aprofunde seus conhecimentos sobre a determi- nação da estrutura do ativo, por meio da leitura do décimo terceiro capítulo do livro “Controladoria estratégica e operacional” de Clóvis Luís Padoveze. 34 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Você viu até agora as etapas de decisão para a determi- nação da estrutura do ativo. Seguindo este raciocínio, para qual- quer projeto de investimento que a empresa for realizar, será to- mada uma decisão de financiamento sobre os tipos de recursos financeiros que serão utilizados. No ambiente empresarial, o processo operacional acon- tece continuamente, indicando que este processo são projetos de investimento que acontecem sucessivamente, e as decisões de financiamento vão se juntando às outras decisões anteriores, formando a estrutura de passivo da empresa. Em todas estas atividades, mais uma vez, destaca-se a Controladoria com sua função de contínuo monitoramento, pois uma estrutura de passivo adequada pode gerar resultados eco- nômicos que influenciam o valor da empresa, além de serem ele- mentos importantes na elaboração do orçamento. A estrutura do passivo é conhecida como a estrutura de capital da empresa. NOTA Atente-se para o fato de que na estrutura do passi- vo não são considerados como fontes de capital os passivos decorrentes dos financiamentos dos cus- tos relacionados ao processo operacional, como: fornecedores, contas a pagar, salários, encargos sociais a pagar, impostos a recolher e adiantamen- tos a clientes (PADOVEZE, 2009). No quadro a seguir, você pode observar um exemplo de estrutura de passivo; veja que cada tipo de fonte de capital tem a sua participação no capital total. 35PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 4 - Estrutura do passivo Fontes de capital Valor R$ Participação % Financiamentos 100.000 10 Debêntures 250.000 25 Ações preferenciais 300.000 30 Ações ordinárias 350.000 35 TOTAL 1.000.000 100 Fonte: Padoveze (2009, p. 177). Na definição da estrutura do passivo, é preciso destacar um aspecto essencial que é o grau de endividamento. Veja no quadro a seguir os exemplos de três empresas e seus respectivos graus de endividamento. Quadro 5 - Graus de endividamento Fontes de capital Estrutura A Estrutura B Estrutura C Capital de terceiros (A) 500.000 750.000 Capital próprio (B) 1.000.000 500.000 250.000 Total de fontes - Passivo total 1.000.000 1.000.000 1.000.000 Grau de endividamento (A/B) 1,0 3,0 Fonte: Padoveze (2009, p. 179). Perceba que a empresa representada pela estrutura A é uma empresa com aversão ao risco elevado, pois a sua estrutura de capital é formada basicamente por capital próprio, contrastando com a empresa estrutura C, que pode ser considerada uma empresa com baixa aversão ao risco, é uma empresa arrojada, com grande parte da sua estrutura de capital composta por capital de terceiros. 36 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Outro conceito importante que você deve conhecer é o de alavancagem financeira, que é o efeito causado na rentabilidade do capital próprio, por meio da utilização do capital de terceiros na estrutura de capital. Veja o exemplo no quadro a seguir, considerando uma empresa que espera obter lucro operacional antes do IR de $8.000,00 e taxa de juros a 12%, o primeiro exemplo considera a utilização do capital próprio para o financiamento dos investi- mentos em capital de giro e ativos fixos. Quadro 6 - Balanço patrimonial(exemplo 1) Ativo Passivo Ativo circulante 20.000,00 Ativo permanente 30.000,00 Patrimônio líquido 50.000,00 TOTAL 50.000,00 TOTAL 50.000,00 Fonte: Assaf Neto e Lima (2014, p. 312). ROA = ROE = Lucro líquido / Patrimônio líquido ROA = ROE = 8000,00 / 50.000,00 = 16% Em que ROA é o retorno sobre o ativo e ROE é o retorno sobre o Patrimônio Líquido. No quadro a seguir, você pode observar outro cenário, em que mais da metade dos investimentos foram realizados a partir de capital de terceiros e capital próprio. Neste cenário, a empresa espera obter um lucro de $4.800,00 porque foram descontados 12% de juros, ou seja, 12% de $35.000,00. NOTA Perceba que, no cenário 2, o retorno dos acionistas subiu para 26,33%, um GAF de 1.583, ou seja, para cada $1,00 de recursos de terceiros, os proprietários ganharam 1.583,00, este é o conceito de alavancagem financeira. 37PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 7 - Balanço patrimonial (exemplo 2) Ativo Passivo Ativo circulante 20.000,00 Financiamento 35.000,00 Ativo permanente 30.000,00 Patrimônio líquido 15.000,00 TOTAL 50.000,00 TOTAL 50.000,00 Fonte: Assaf Neto e Lima (2014, p. 314). ROA = Lucro operacional antes do IR / Ativo total ROA = 8000,00 / 50.000,00 = 16% ROE = Lucro operacional após despesa financeira / Patrimônio líquido ROE = 4.800,00 / 15.000,00 = 25.33% Grau de Alavancagem Financeira (GAF) = ROE/ROA = 16%/25,33% = 1,583 SAIBA MAIS Aprofunde seus conhecimentos sobre a determi- nação da estrutura do ativo, por meio dos exem- plos e cálculos do décimo quarto capítulo do livro “Controladoria estratégica e operacional” de Clóvis Luís Padoveze. Você viu como a Controladoria pode contribuir tanto na dimensão do planejamento estratégico, como no planejamento operacional das organizações, fornecendo informações para a tomada de decisões e por meio da sua função de monitoramento. 38 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 RESUMINDO Parabéns, você chegou ao final de mais um ca- pítulo! Vamos agora resumir o conteúdo que vo- cê aprendeu, foram muito importantes. Você se lembra do primeiro tema estudado? Aprendemos sobre a Controladoria na estratégia. Vimos os conceitos de estratégia competitiva e vantagem competitiva. Foi possível definir o papel da con- troladoria estratégica, que provê os gestores com informações em todo o processo de análise, plane- jamento, implementação e controle da estratégia. Você também aprendeu que a estratégia pode ser competitiva, funcional e corporativa, e a Controla- doria deve atender os três níveis. Outro aspecto da Controladoria na estratégia é a análise dos ris- cos, sejam eles financeiros ou não financeiros, por meio de um monitoramento constante, isto devido ao impacto dos riscos nos resultados da empresa. Foram apresentados exemplos, com uma matriz para classificação dos riscos em uma escala de muito a muito baixo. Após compreender sobre a Controladoria na estratégia, vimos também a fun- ção da Controladoria no planejamento operacio- nal, e você teve a oportunidade de aprender con- ceitos essenciais para a definição da estrutura do ativo e da estrutura do passivo. 39PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A Controladoria na programação OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de en- tender o planejamento orçamentário, sua elabora- ção e importância. O orçamento é um instrumento de Controladoria, pois, a partir destas informações, o controller será capaz de realizar todo o monito- ramento e controle das atividades operacionais. Ficou interessado? Estude este conteúdo e adquira mais esta competência! O plano orçamentário Você já conhece o conceito de orçamento, mas você sabia que o orçamento é considerado a principal ferramenta de controle das operações de uma empresa? A controladoria operacional tem como fundamento o planejamento e o controle orçamentário. Então o que significa fazer um orçamento? Quando uma empresa realiza um planejamento orçamentário, ela toma as informações contidas nos relatórios atuais e faz uma previsão destas informações para períodos futuros, basicamente é isto. 40 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 IMPORTANTE De acordo com Padoveze (2010), o modo de estru- turar o orçamento e o processo de avaliação e con- trole podem ser realizados de maneiras diferentes. O autor apresenta dois conceitos que servem de fundamento para a elaboração do planejamento orçamentário: o orçamento de tendências e or- çamento base zero. No desenvolvimento do or- çamento de tendências, a projeção é realizada a partir de dados passados, entende-se que estes eventos aconteceram devido a estruturas orga- nizacionais já existentes e, consequentemente, é possível que estes eventos se repitam, levando-se em conta novos elementos do plano operacional; e o orçamento base zero defende a ideia de que o plano orçamentário não deve ser elaborado a partir de dados passados, de acordo com a sua proposta, deve-se sempre rediscutir a empresa e avaliar as reais necessidades em cada orçamento que for elaborado. Existem dois tipos de orçamento: o orçamento estático e o orçamento flexível. O orçamento estático é o mais comum, por meio do qual a empresa faz as projeções de produção e vendas, que também determinarão as outras atividades. Neste tipo de orçamento, se os volumes projetados não se realizarem, parte dele não será útil para o processo de acompanhamento, controle e análise, bem como para a realização de simulações com base no orçamento. O outro tipo de orçamento, que é o flexível, surgiu com a finalidade de solucionar o problema do orçamento estático, que é justamente a sua inflexibilidade. Neste tipo de planejamento orçamentário, a empresa, ao projetar a produção e vendas, considera um intervalo em que tais volumes poderão se situar. 41PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Para elaborar um plano orçamentário flexível, deve-se fazer uma distinção clara entre custos fixos e variáveis, pois eles servirão de base para este tipo de orçamento. Na tabela a seguir, você pode observar um exemplo de orçamento flexível para os diferentes níveis de produção e vendas. Tabela 1 - Exemplo de orçamento flexível Orçamento por unidade Dados Unitá- rios Níveis de atividades - em unidades 7000 8000 9000 Vendas 31,00 217.000,00 248.000,00 279.000,00 Materiais e componentes 21,00 147.000,00 168.000,00 189.000,00 Outros custos e despesas variáveis 0,80 5.600,00 6.400,00 7.200,00 Total – custos e despesas variáveis 21,80 152.600,00 174.400,00 196.200,00 Margem de contribuição 9,20 64.400,00 73.600,00 82.800,00 Orçamento – gastos mensais Custos fixos de manufatura 37.000,00 37.000,00 37.000,00 Despesas comerciais e administrativas 33.000,00 33.000,00 33.000,00 Total – custos e despesas fixas 70.000,00 70.000,00 70.000,00 RESULTADO OPERACIONAL (5.6000,00) 3.600,00 12.800,00 Fonte: Horngren, Sundem e Straton apud Padoveze (2010, p. 44). 42 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 NOTA A margem de contribuição diz respeito ao valor resultante das vendas menos os custos e despesas variáveis, ou seja, este índice vai nos dizer se as receitas das empresas serão suficientes para o pagamento dos custos e das despesas fixas. Observe no exemplo anterior que, para a quantidade de 7000 unidades, as receitas não seriam suficientes para o pagamento dos custos e despesas fixas, apresentando um resultado operacional negativo. Organização e elaboração do orçamento Você vai entender neste tópico o processo de organização e elaboração de um orçamento, que envolve diferentes agentes e recursos tecnológicos e aqui entra o papel do controller, que geralmente recebe da alta gerência a incumbência da gestão de todo o sistema orçamentário, além de liderar as diferentes etapas da elaboração do orçamento. O planejamento orçamentário é organizado em conjunto de medidas eestruturas. A figura a seguir apresenta todos estes elementos. 43PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Figura 8 - Organização do processo orçamentário Organização do Orçamento Comitê Orçamentário - diretoria, controller, responsável direto pelo orçamento Cronograma - o controller é responsável pela liderança da execução do cronograma Relatórios - o controller define os relatõrios para acompanhamento e controle Sistemas de Apoio - o controller define as tecnologias e os sistemas de apoio Estrutura Contábil - o controller estrutura e monitora o sistema de informação contávil para atender os princípios orçamentários Modelo do Processo Orçamentário - deve ser coerente com a empresa, decorrente de crenças e valores Premissas Orçamentárias - regras maiores e gerais para o próximo orçamento Fonte: Adaptada de Padoveze (2010, p. 48-49). ACESSE Assista a este vídeo e conheça mais sobre o orçamento base zero, seu conceito e suas principais características. Acesse o QR-Code disponível aqui: Importante que você saiba, também, que para a elaboração do projeto orçamentário devem ser seguidas várias etapas. No quadro a seguir, você pode observar as diferentes etapas, atente-se para a presença da Controladoria na maioria das etapas do desenvolvimento. 44 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 8 - Etapas do processo de elaboração do orçamento Etapas Área responsável Etapa 1 Preparação das peças orçamentárias Controladoria Etapa 2 Revisão das peças recebidas Comitê orçamentário Etapa 3 Discussão com os responsáveis Controladoria Etapa 4 Análise para aprovação Todas as áreas com responsáveis por peças orçamentárias Etapa 5 Retorno das peças orçamentárias com as sugestões e determinações do Comitê Controladoria e comitê orçamentário Etapa 6 Ajuste das sugestões e sugestões do Comitê Controladoria e áreas responsáveis Etapa 7 Análise final da aprovação Controladoria Etapa 8 Elaboração do orçamento geral e projeção dos demonstrativos contábeis Controladoria Etapa 9 Controle orçamentário Controladoria Etapa 10 Reporte das variações Áreas responsáveis Fonte: Padoveze (2010, p. 51). Este modelo pressupõe que a Controladoria é o órgão que detém todas as informações e, por isso, é considerado o setor ideal para elaborar a primeira versão do plano orçamentário. O modelo apresentado no exemplo é um modelo gené- rico, no entanto, as organizações também podem optar por um modelo de participação de gerentes de diferentes setores, dando ao processo de desenvolvimento do orçamento toda a transpa- rência que lhe é devida. 45PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 NOTA A etapa de controle é função da Controladoria, é considerada uma atividade de rotina mensal de controle entre o real e o orçado. Ainda sobre o processo de desenvolvimento do orçamen- to, é essencial que você conheça mais alguns aspectos, como a construção de diferentes cenários e a elaboração das premissas. Na construção de cenários, são consideradas três possi- bilidades (otimista, moderada ou pessimista), ou quantas forem necessárias, conforme a realidade da empresa. Os cenários fa- zem parte do planejamento estratégico e são importantes para conhecer o comportamento das organizações dentro de diferen- tes cenários. ACESSE Quer aprender como criar cenários utilizando o Excel? Assista a este vídeo e aprofunde seus conhecimentos. Acesse o QR-Code disponível aqui: Após a criação dos diferentes cenários e escolha do cenário mais provável, a empresa vai preparar o quadro das premissas para o planejamento orçamentário. No quadro a seguir, são apresentadas as premissas que serão utilizadas no desenvolvimento do orçamento. 46 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A partir das informações contidas em seu sistema de informação gerencial, os gestores conseguem ter uma visão do que pode acontecer se ocorrer o cenário considerado provável. Quadro 9 - Premissas para elaboração do orçamento Programa de produção – unidades/ano 200.000 Aumento de lista de preços - % 4% Número de funcionários 4.500 Inflação interna - % 4,6% Encargos sociais previstos – média 92% TJLP – Empréstimos nacionais 10,0% Horas extras máximas 2% Taxa de juros média – empréstimos estrangeiros 3,5% + câmbio Aumentos salariais – data base 4% Taxa de juros média – aplicações financeiras 10% Aumentos de mérito - % mensal 0,2% IR retido na fonte – aplicações financeiras 15% Taxa de câmbio - % 7% Investimentos necessários $1.6000.000,00 Taxa de US$ - inicial $3,10 Políticas de contas a receber 50 dias Taxa de US$ - final $3,32 Política de estocagem 90 dias Inflação anual – país - % 6% Política de fornecedores 30 dias Fonte: Padoveze (2010, p. 57). Tendo em vista a função da Controladoria no planejamento operacional de produção e vendas, que tem como instrumento o orçamento, a partir de agora, você vai entender um pouco mais sobre os diferentes orçamentos que são realizados pelas empresas: o orçamento de vendas e produção; orçamento de materiais e estoque; e o orçamento de despesas gerais. Para que você compreenda melhor a estrutura de um orçamento, será apresentado como exemplo a elaboração do orçamento de vendas. 47PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 O orçamento de vendas é o ponto central de todo o orçamento operacional, porque todo o planejamento operacional deve ser elaborado a partir da demanda dos produtos, durante o período que foi determinado no orçamento. SAIBA MAIS Para o orçamento de vendas, inicialmente, deve-se fazer a previsão das vendas, utilizando métodos estatísticos, coleta de dados diretamente dos cen- tros de vendedores, que serão selecionados pela Controladoria, e o uso final do produto, a partir do conhecimento da empresa a respeito de seus pro- dutos e comportamento do mercado em que atua. Após esta etapa, é realizada a previsão de preços para os produtos, deve-se também identificar to- dos os impostos sobre as vendas e, por fim, reali- zar o orçamento em moeda corrente (PADOVEZE, 2010). Na tabela a seguir, é apresentado um exemplo de previsão de venda de um produto (produto A) em dois mercados. Tabela 2 - Exemplo de previsão de vendas jan fev mar abr mai jun jul ago set out nov dez Total Mercado1 200 200 200 200 200 220 220 220 220 230 230 230 2.570 Mercado2 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 60 720 Produtos comple- mentares TOTAL 260 260 260 260 260 280 280 280 280 290 290 290 3.290 Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 218). 48 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Na tabela a seguir, há o exemplo de previsão de vendas, em que os preços de mercado 1 estão em moeda corrente, e os preços de mercado 2 estão em moeda estrangeira. Tabela 3 - Exemplo de previsão de preços mensais jan fev Mar abr mai jun Aumento de Preços Mercado 1 1,00 1,00 1,02 1,00 1,00 1,00 Aumento de Preços Mercado 2 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Mercado 1 1.000,00 1.000,00 1.020,00 1.020,00 1.020,00 1.020,00 Mercado 2 375,00 375,00 375,00 375,00 375,00 375,00 Produtos complemen- tares Jul ago Set out nov dez Aumento de Preços Mercado 1 1,00 1,00 1,025 1,00 1,00 1,00 Aumento de Preços Mercado 2 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 1,00 Mercado 1 1.020,00 1.020,00 1.045,50 1.045,50 1.045,50 1.45,50 Mercado 2 375,00 375,00 375,00 375,00 375,00 375,00 Produtos complemen- tares Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 219; 2010, p. 74). NOTA Os preços estão conforme a lista de preços, por- tanto, estão com os impostos, esses valores são necessários para o orçamento da receita bruta de vendas. 49PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Na tabela a seguir, estão demonstrados os referidos impostos sobre as vendas que serão considerados no orçamento. Tabela 4 - Impostos Impostos Mercado 1 (%) Mercado 2 ICMS 18,00 - PIS 0,65 - COFINS 3,00 - TOTAL 21,65 - Fonte: Adaptada de Padoveze (2009,p. 219). Quer saber como são feitos os cálculos com base nos dados que foram apresentados? No quadro a seguir, você pode ver como eles são feitos, vamos tomar como exemplo o mês de março. Quadro 10 - Exemplo de cálculos Produto A Mercado 1 Mercado 2 200 (quantidade) x R$ 1.000,00 (pre- ço de venda) x 1,02 (fator de ajuste – aumento de preço) = $204.000 60 (quantidade) x US$315,00 (preço de venda) x 1,00 (fator de ajuste – aumento de preço) x 1,91 (taxa US$) = R$ 42.975 Total = 246.975 Fonte: Adaptado de Padoveze (2009, p. 220). Na tabela a seguir, você pode observar o orçamento para o produto A finalizado. Você percebe que no final foi efetuado um cálculo para os créditos incobráveis de clientes e saldo de contas a receber, estes cálculos foram realizados com base na Receita Operacional Bruta. 50 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Tabela 5 - Orçamento do Produto A Dados-base jan fev mar abr mai jun Taxa de US$ 1,90 1,90 1,91 1,92 1,93 1,94 Produto A 242.750 242.750 246.975 247.200 247.425 268.050 Mercado 1 200.000 200.000 204.000 204.000 224.400 224.400 Mercado 2 42.750 42.750 42.975 43.200 43.425 43.650 Produtos com- plementares 14.565 14.565 14.819 14.832 14.846 16.083 Ao produto A – 0,60 14.565 14.565 14.819 14.832 14.846 16.083 Receita Opera- cional Bruta 257.315 257.315 261.794 262.032 262.271 284.133 Imposto sobre vendas – 21,65% (55.687) (55.709) (56.678) (56.730) (56.782) (61.515) Receita Opera- cional Líquida 201.606 201.606 205.116 205.302 205.489 222.618 Previsão de Crédi- tos Incobráveis - % (5.146) (5.146) (5.236) (5.241) (5.245) (5.683) Saldo de Contas a Receber de clientes no final do mês – 28 dias 240.161 240.161 244.341 244.563 244.786 265.191 Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 221). SAIBA MAIS Aprofunde seus conhecimentos sobre o planeja- mento de vendas, leia o quarto capítulo do livro “Planejamento orçamentário”, de Clóvis Luís Pa- doveze. O autor apresenta exemplos de todas as etapas da elaboração do orçamento de maneira didática, para melhor compreensão do leitor. Bons estudos! O orçamento da produção deverá ser desenvolvido a par- tir do orçamento das vendas. Este tipo de orçamento é funda- mental para a programação das operações da empresa, é a partir dele que serão desenvolvidos outros orçamentos ligados às ati- vidades operacionais, como o orçamento de consumo e compra 51PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 de materiais, além de orçamentos ligados à capacidade (equipa- mentos, instalações e mão de obra direta) e à logística. Observe a tabela a seguir e veja um exemplo de orçamento de produção. Vamos considerar o mês de agosto com estoque final de 1.100 unidades e uma previsão de venda para setembro de 2500 unidades, o estoque final corresponde a 15 dias de venda do mês de junho, então 2500/30 = 83,33 x 15 = 1250. Tabela 6 - Cálculo para orçamento da produção (exemplo) Previsão de vendas – mês setembro = 2.500 unidades (+) estoque final desejado para 30/09 = 1.250 unidades (-) estoque inicial existente em 30/08 = 1.100 unidades = Orçamento de Produção para setembro = 2.650 unidades Fonte: Padoveze (2010, p. 80). Lembrando que a Controladoria contribui com os respon- sáveis pela elaboração do orçamento, disponibilizando informa- ções sobre as quantidades e os volumes de produção e venda que foram orçados. O orçamento de materiais e estoques é a segunda parte do processo orçamentário. É com este orçamento que serão de- terminados os gastos a partir do volume, bem como os gastos que serão realizados para colocar em execução os programas de produção e vendas. Neste orçamento, são consideradas quatro peças: o con- sumo de materiais, o estoque de materiais, as compras de ma- teriais e o saldo final mensal de contas a pagar a fornecedores (PADOVEZE, 2009). 52 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 SAIBA MAIS Aprofunde seus conhecimentos, estudando o quinto capítulo do livro “Planejamento orçamen- tário”, de Clóvis Luís Padoveze. O autor apresenta neste capítulo um rico conteúdo sobre o orçamen- to de materiais e estoques com exemplos de fácil entendimento. Leia o material e enriqueça seus conhecimentos! Você está percebendo a importância do orçamento para as organizações? Existem, ainda, outros orçamentos que devem ser executados pelas empresas, como é o caso do orçamento de despesas gerais. Ele é a terceira fase da elaboração do orçamento, considerada a mais complicada delas, pois se deve elaborar um orçamento para cada setor da empresa, e, como você sabe, pode existir uma quantidade grande de despesas a ser considerada. NOTA Vale a pena destacar que este tipo de orçamento não deve ser elaborado de forma sintética, deve ser apresentado com riqueza de detalhes, de modo que seja o mais analítico possível. Para a elaboração do orçamento de despesas devem ser considerados vários aspectos, como mostra a figura a seguir. Figura 9 - Aspectos do orçamento de despesas departamentais Orçamento de Despesas Departamentais Deve seguir a hierarquia estabelecida. Deparamentalização. Orçamento para cada área. Custos controláveis. Quadro de premissas. Levantamento das informações-base. Observação do comprometimento dos gastos. Orçar cada despesa de acordo com suas características e comportamento. Fonte: Adaptada de Padoveze (2010, p. 135). 53PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Então, quais são as despesas que devem ser orçadas? Existem quatro tipos de despesas: as despesas com mão de obra que devem ser separadas em diretas e indiretas; os consumos de materiais indiretos, que são aqueles materiais que foram utilizados para as atividades departamentais; as despesas gerais dos departamentos ou atividades, ou seja, aquelas relacionadas, por exemplo, a gastos com energia elétrica, aluguéis ou propagandas; e, por fim, as depreciações e amortizações de bens e direitos relacionados aos departamentos. SAIBA MAIS Compreenda um pouco mais sobre o planejamen- to de despesas, consulte o sexto capítulo do livro “Planejamento orçamentário”, de Clóvis Luís Pado- veze. Este orçamento é realmente complexo, mas neste capítulo você vai entender como ele é ela- borado, por meio de exemplos práticos e de fácil entendimento. Vamos agora falar um pouco sobre o controle. Você já sabe que o controle tem por finalidade comparar se aquilo que está sendo executado está de acordo com o que foi planejado, e no plano orçamentário ele é uma ferramenta essencial para que os objetivos sejam alcançados. Neste sentido, cabe à Controladoria o monitoramento e controle do orçamento, portanto, deve sugerir ações corretivas, tanto para os gestores, como para a empresa de um modo geral. 54 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 RESUMINDO Chegamos ao final de mais um capítulo, então, vamos rever o conteúdo dele. Você entendeu as- pectos importantes do plano orçamentário e a sua utilização como instrumento de controlado- ria. Primeiro, você viu que o orçamento pode ser considerado sob dois aspectos: o orçamento de tendências, que é realizado a partir de dados pas- sados, e orçamento base zero. O orçamento pode ser estático ou flexível. Após conhecer estes con- ceitos, você aprendeu sobre a organização e a ela- boração do plano orçamentário e o papel do con- troller em todo este processo. Foram apresentados vários exemplos acerca das etapas da elaboração de um orçamento de vendas, que servirá de base para a elaboração de outros orçamentos, como o de consumo e compra de materiais, e orçamentos ligados à capacidade e logística. Você aprendeu a respeito de algumas características do orçamento de despesas departamentais, considerando toda a sua complexidade de elaboração; e, por fim, foram feitas algumas observações sobre o processo de monitoramento e controle de todo o plano orça- mentário, como função da Controladoria, tanto no âmbito departamental auxiliando os seus gestores individualmentequanto na empresa como um to- do. 55PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 A Controladoria na execução e no controle OBJETIVO Ao término deste capítulo, você será capaz de com- preender que o conhecimento sobre os diferentes ciclos operacional, financeiro e econômico, bem como acerca da gestão de custos é uma caracterís- tica essencial para o controller desempenhar a sua função de apoio aos gestores na tomada de deci- são, no monitoramento e no controle das ativida- des. Motivado para desenvolver esta competência? Vamos lá. Avante! O controle das atividades operacionais das empresas Primeiro, você vai conhecer o papel da Controladoria na execução. Quando falamos em execução queremos dizer aquelas atividades operacionais. Como você já sabe, os gestores precisam tomar decisões diariamente, e todas essas decisões envolvem a geração de lucro. Assim, os gestores precisam de um processo sistemático, constituído por diferentes etapas. Mas quais são essas decisões? São decisões referentes, por exemplo, à compra, venda, ao estoque de materiais, aos pagamentos diversos, entre outras, e todas estas atividades são o que chamamos de eventos econômicos. NOTA De acordo com Padoveze (2009, p. 311), os eventos econômicos “caracterizam-se por representarem diversos tipos de transações que refletem as ocor- rências e variações no patrimônio empresarial”. 56 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Considerando todo este contexto de atividades, é importante que você saiba que existem diferentes fluxos, que são o fluxo operacional, econômico, financeiro e patrimonial. Na figura a seguir, você pode visualizar como estes diferentes fluxos acontecem no ambiente organizacional. Perceba que eles acontecem em ciclos, que são identificados como ciclo operacional, econômico e financeiro evidenciando os períodos em que eles acontecem, geralmente, em quantidade de dias. Figura 10 - Identificação dos ciclos financeiro, econômico e operacional Planejamento Ordem de compra Pagamento das Compras Compra e Estocagem T0 T1 T2 T3 T4 T5 T6 T7 T8 T9 Cédito dos Impostos Consumo de Materiais Produção e Estoque de Produtos Acabados Venda Ciclo Operacional Ciclo Econômico Ciclo Financeiro Recebimento da Venda Processo de Fabricação e Consumo dos demais Recursos Industriais Pedido do Cliente Recolhimento dos Impostos Fonte: Padoveze (2009, p. 290). O ciclo operacional diz respeito a todo o processo de planejamento, execução e controle das atividades. E, como você percebeu por meio da figura anterior, ele envolve todas as etapas das atividades operacionais, no período compreendido entre o planejamento até o recebimento de vendas. 57PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 NOTA A gestão operacional é dever dos gestores e cabe à Controladoria auxiliar os gestores, fornecendo a eles modelos de tomada de decisão que sejam apropriados para cada tipo de atividade e seus respectivos eventos econômicos. Atente-se para o fato de que os demais fluxos (financeiros, econômicos e patrimoniais) são consequência do fluxo operacional, por isso, os gestores devem gerenciar todo o processo, de modo que os objetivos sejam atingidos. A Controladoria também tem a responsabilidade de monitorar e coordenar todos os fluxos e os resultados de cada uma das atividades. Serão apresentados alguns exemplos práticos para que você entenda a mensuração e a gestão do ciclo operacional. Você aprendeu que os ciclos acontecem em determinados períodos de tempo, por isso, o gerenciamento desses ciclos tem como base o acompanhamento dos dias. EXPLICANDO MELHOR Basicamente, a gestão das operações consiste em que as atividades ocorram em menor tempo, pois, se as atividades acontecerem mais rápido, você concorda que o giro será também mais rápido? Então, o giro dos recursos utilizados nas atividades operacionais é maior. Conclusão: quando o giro acontece mais rapidamente, isto significa que a empresa está conseguindo maior produtividade, redução de custos e ganhos superiores. No quadro a seguir, você pode observar um exemplo dos ciclos operacional, econômico e financeiro com cada uma das atividades mensuradas em dias. Lembre-se que o ciclo econômico se refere aos períodos de estocagem e produção até a venda do produto, e o ciclo financeiro envolve as etapas de pagamentos dos materiais adquiridos até o recebimento dos clientes. 58 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Quadro 11 - Ciclo operacional, econômico e financeiro em dias Ciclo Operacional Atividade Dias Planejamento da produção 5 Emissão da ordem de compra 2 Recebimento de material 90 Consumo de materiais de fábrica 60 Processo de fabricação - Produção 60 Estoque de produtos acabados 30 Processamento do pedido do cliente 10 Venda 5 Recebimento da venda 30 Ciclo Operacional 292 Ciclo Econômico Estocagem de materiais 60 Processo de fabricação 60 Produtos acabados 30 Venda 5 Ciclo Econômico 155 Ciclo Financeiro Ciclo Econômico 155 (-) Prazo do fornecedor (30) (+) Prazo de recebimento de venda 30 Ciclo Financeiro 155 Fonte: Padoveze (2009, p. 291-292). NOTA Atente-se ao fato de que os dias que foram apre- sentados são apenas exemplos, no entanto, vale à pena ressaltar que o gerenciamento do ciclo ope- racional deve ser constante, sempre com a finali- dade de buscar meios para a redução do tempo das atividades. Agora, você vai conhecer como são feitas as mensurações dos ciclos econômicos e financeiros. Para estes cálculos, são uti- lizados dados dos demonstrativos contábeis, do balanço patri- 59PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 monial e da demonstração do resultado do exercício (DRE). Para iniciar, vamos considerar as informações das tabelas a seguir. Tabela 7 - Balanço patrimonial Ativo Circulante 7.600 Passivo Circulante 2.950 Caixa/bancos 1.000 Fornecedores 650 Aplicações financeiras 1.500 Salários a pagar 250 Contas a receber de clientes 2.000 Contas a pagar 150 Estoque materiais brutos 1.700 Impostos a recolher 400 Estoque de materiais em processo 800 Empréstimos 1.500 Estoque de materiais acabados 600 Exigível a longo prazo 3.500 Realizável a longo prazo 800 Patrimônio Líquido 3.450 Permanente 1500 TOTAL 9.900 TOTAL 9.900 Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 275-276). Tabela 8 - Demonstração do resultado do exercício Receita Operacional Bruta 20.000 (-)Despesas operacionais 2.500 (-) Impostos sobre vendas 5.000 Comerciais 1.100 Receita Operacional Líquida 15.000 Mao de obra 250 Custo produtos vendidos 10.900 Materiais indiretos 50 Materiais diretos 7.500 Despesas 800 Materiais indiretos 800 Administrativas 1.400 Consumo total de materiais 8.300 Mao de obra 450 Mão de obra 1.500 Materiais indiretos 40 Despesas gerais 1000 Despesas 900 Depreciação 100 Lucro operacional I 1.600 Lucro Bruto 4.100 Receitas Financeiras 150 (-)Despesas financeiras 500 Lucro Operacional II 1.250 Resultados não operacionais (250) Lucro antes do IR 1.000 IR (30%) (300) Lucro do período 700,00 Fonte: Adaptada de Padoveze (2009, p. 274). 60 PLANEJAMENTO E CONTROLADORIA FINANCEIRA U ni da de 3 Na tabela a seguir, são apresentados os cálculos para as compras brutas que foram efetuadas a partir destas informações e que também vamos utilizar nas mensurações. O consumo de materiais é a soma do consumo total de materiais e os materiais indiretos das despesas operacionais comerciais e administrativas. O estoque inicial é um valor aleatório, não está contido nos dados, e os estoques são os valores apresentados no ativo circulante. Tabela 9 - Cálculo das compras brutas Consumo de materiais 8.390 (+) Estoque final de materiais 1.700 (-) Estoque inicial de materiais (1.800) = Compras de materiais líquido 8.290 (+) Impostos sobre compras (18%) 1.492 = Compras brutas 6.798 Fonte: Adaptada de