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Gustavo Vitor Tepedino Almeida COORDENADORES Trajetórias do Direito Civil Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) de acordo com ISBD T768 Estudos em Homenagem à Professora Heloisa Helena Barboza Trajetórias do direito civil: estudos em homenagem à professora Heloisa Helena Barboza / coordenado por Gustavo Tepedino, Vitor Almeida. - Indaiatuba, SP : Editora Foco, 648 17cm Alexandre de Serpa Pinto Fairbanks Aline de Miranda Valverde Terra Allan Rocha de Souza Ana Carolina Brochado Telxeira Ana Carolina Velmovitsky Ana Mala Nevares Andressa Souza de Albuquerque Inclui bibliografia e Bruna Lima de Mendonça Calo Pires Carlos Edison do Rêgo Montelro Filho Carlos Henrique Félix ISBN: 978-65-5515-764-2 Dantas Carlos Nelson Konder Daniel Bucar Diana Loureiro de Castro . Eduardo Freitas Horácio 1. 2. Direito 3. Heloisa Helena Barboza, 1. Tepedino, Gustavo. II. Almeida, Vitor. III. Título CDU 347 da Silva Eduardo Nunes de Souza Elisa Costa Cruz Fabiana Rodrigues Barletta Frederico Price Grechi 2023-782 CDD 347 Schulman Giselda Hironaka Gullherme Calmon da Gama . Gullherme Magalhães Martins Gustavo Kloh Muller Neves Gustavo Tepedino João Quinelato Juliana da Silva Ribeiro Gomes Chedlek Lívia Barboza Mala Lucia Maria Ferreira Luiz Edson Fachin Maici Barboza dos Santos 342.1 Elaborado por Vagner Rodolfo da Silva CRB-8/9410 Colombo Manuel Camelo Ferreira da Netto Donato Oliva Nelson Rosenvald Paula Greco T688t Índices para Catálogo Sistemático: Bandelra . Paula Moura de Lemos . Pedro Marcos Nunes Barbosa Raquel Bellini Salles Raul Choerl Roberto Dalledone Machado . Rodrigo da Gula Silva Rose Melo Vencelau 1. Direito civil 347 2023 Samir Namur Rosa Soares . Vanessa Ribeiro Sampalo Souza Vitor Almelda 2. Direito civil 347PERSONALIDADE, CAPACIDADE E PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA NA LEGALIDADE CONSTITUCIONAL Gustavo Tepedino Milena Donato Oliva Sumário: 1. Introdução: tutela da dignidade humana e insuficiência da noção de sujeito de direitos 2. Personalidade, subjetividade, capacidade e legitimidade 3. Incapacidade absoluta e relativa. Releitura das incapacidades e o estatuto da pessoa com deficiência 4. Mecanismos disponíveis no sistema brasileiro para fins de proteção da pessoa com deficiência 5. Conclusão. 1. INTRODUÇÃO: TUTELA DA DIGNIDADE HUMANA E INSUFICIÊNCIA DA NOÇÃO DE SUJEITO DE DIREITOS reconhecimento da vulnerabilidade¹ da pessoa humana nas suas mais variadas configurações é aspecto a ser sempre destacado na Constituição da República de 1988. Ao elevar a dignidade humana ao vértice do ordenamento jurídico, optou o constituinte por se afastar das categorias abstratas e formais em prol de hermenêutica emancipatória. Eis o giro repersonalizante promovido pela Constituição da República de que passa a se preocupar com a pessoa concretamente considerada, conclamando intervenção protetiva, em atenção aos princípios da solidariedade social e da isonomia substancial. Isto significa que o indivíduo, elemento subjetivo basilar e neutro do direito civil codificado, deu lugar, no cenário das relações de direito privado, à pessoa humana, cuja promoção se volta a ordem jurídica como um todo.³ A pessoa humana, para qualificada de na concreta relação jurídica em que se insere, de acordo portanto, apresenta, torna-se a categoria central do direito privado.⁴ sua atividade, e protegida pelo ordenamento segundo o grau de vulnerabilidade com o valor social que 1. Sobre In: a noção cf. BARBOZA, Heloisa Helena. Vulnerabilidade 2009, 106-118. Tânia da Silva e OLIVEIRA, Guilherme de (Coord.). Cuidado e vulnerabilidade. e cuidado: aspectos São Paulo: jurídicos. Atlas, 3. 2. FACHIN, CARVALHO, Luiz Orlando Edson, Estatuto de, A teoria jurídico geral da do relação patrimônio Rio de Janeiro: Renovar, 2006, p. 231-252. V. tb. 4. Direito Civil, Rio de Janeiro: A tutela Renovar, da personalidade 2008, jurídica: no ordenamento seu sentido e civil-constitucional limites, Coimbra: Centelha, 1981, Temas p. 90-98. stessa "Si può dire che fisica si passa dalla considerazione p. kelseniana del de indifferenza dell'individualità persona e per tutta l'identificazione risolta in dei valori di doveri fondativi e soggetto alla persona come come personificata via per il recupero di integrale dalla tramite di e diverso neutralità ad una che impone attenzione del il modo sistema, dunque da una nozione che predicava Editoriale un insieme 2007, di 25). criteri di riferimento" per in cui il Dal diritto soggetto entra alla nella persona, vita, e si Napoli: fa così5 4 GUSTAVO TEPEDINO E MILENA DONATO OLIVA PERSONALIDADE, CAPACIDADE PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA ência da Pessoa É (Lei de se 13.146/2015), destacar, nesse elaborado contexto, em a consonância promulgação com do Estatuto a Convenção da Pessoa com Defici. da capacidade do para as relações para figurar jurídicas como em parte 10 geral, Vale em deve-se dizer, determinadas muito verificar embora falte-lhe relações a legiti- ca- leiro.⁶ com Deficiência (CDPD), que possui status constitucional sobre Direitos A norma tem por objetivo revisitar o modelo abstrato das incapacidades no direito brasi. adquirir legislativa legislador. bens do dos tutelado¹¹ interesses e o em ascendente jogo, cônjuge.¹² para concerne às pessoas com deficiência, devendo-se verificar, no caso concreto, no que condição de vulnerabilidade sem alijá-los do controle de sua vida.⁷ medida estes necessitam de especial amparo, de maneira a tutelar adequadamente em que sua paz, legitimação possível para que, agir, como o tutor consentimento para dos outros descendentes personalidade. e do alienar bem a descendente a rigor, há sem dois o sentidos técnicos para de o conceito associando-se de à qualidade 2. Note-se confunde-se que, com a noção de capacidade tanto às pessoas gozo, físicas quanto às jurídicas. PERSONALIDADE, SUBJETIVIDADE, CAPACIDADE E LEGITIMIDADE para primeiro ser sujeito de direito, conceito traduz aplicável conjunto de características e atributos da pessoa sendo As normas do Código Civil que disciplinam a titularidade e o exercício de direitos 0 segundo, considerada por outro lado, como objeto o de proteção prioritária pelo ordenamento, devem ser interpretadas tendo em conta a centralidade dos valores constitucionais, em especial a dignidade humana e a primazia das situações existenciais. Somente assim peculiar, humana, portanto, à pessoa natural.¹ será possível individuar adequadamente as noções de personalidade, subjetividade, medida em que a busca da realização da dignidade da pessoa humana consubs- capacidade, legitimidade e a normativa aplicável. Na fim último do ordenamento, deve-se apartar conceitualmente a personalidade tancia como valor próprio da pessoa natural, da noção de personalidade tradicionalmente Preceitua o art. 1° do Código Civil de 2002 que "toda pessoa é capaz de direitose empregada, isto é, como aptidão para ser sujeito de direitos e de obrigações, a qual, por deveres na ordem civil". Significa dizer que todas as pessoas, indistintamente, possuem aptidão para participar de relações jurídicas, adquirindo direitos e contraindo deveres. Essa noção qualitativa é tradicionalmente designada pela doutrina como personalidade, ou, ainda, como capacidade de direito ou de gozo.⁸ A capacidade de fato, por sua vez, tado de Direito Civil, cit., 170; TEPEDINO, Gustavo. BARBOZA, Heloisa Helena; MORAES, Maria Celina refere-se à possibilidade de a pessoa exercer por si os seus direitos.⁹ Bodin de et al. Código Civil Interpretado Conforme a Constituição da República. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, 5;MONCADA, Luís Cabral de. Lições de Direito Civil, cit., p. 252 e LOPES, Miguel Maria de Serpa. Curso de Direito Civil. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1995, I, p. 305. 10. da Washington chamada de Barros Monteiro ressalta que: "Do ponto de vista doutrinário, distingue-se a capacidade de 5. a Convenção sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência foi de ratificada direitos humanos pelo Brasil do Século com status XXI, de norma praticar determinado legitimação. Conquanto tenha capacidade de gozo, a criatura humana pode achar-se gozo "(...) Constitui o primeiro tratado do sistema universal nesse aspecto, promove uma reviravolta certos interesses" (Curso ato de jurídico, Direito em virtude de sua posição especial em relação a certos bens, certas inibida de constitucional. capacitas' da 'intervenção e, vontades" (MENEZES, Fernandes: "Assim, São Paulo: Saraiva, 2007, I, 67). pessoas ou cípios cardiais das incapacidades são o 'in dubio pro e no sistema de direito protetivo pautado sobre na substituição a proteção da de pessoa com em: Geral uma vinculação do resultante por legitimidade de uma relação entendemos existente a susceptibilidade V. de certa p. pessoa Na definição exercer um de direito Luís A. ou Carvalho Joyceane CPC do Estatuto da Pessoa com Deficiência. no regime Bezerra de. o direito protetivo no Brasil após a convenção Civilística, a. 4, n. 1, 2015, 5. Disponível no Código Renovar, In: TEPEDINO, Gustavo p. 121). V. tb. Rafael Garcia Rodrigues, A pessoa e causa" o (Teoria Direito Lisboa: Lex, 1995, I, entre essa pessoa e direito ou a vinculação em cumprir impactos do novo e base a Convenção Acesso sobre em: os 28 Direitos jun. 2022). das Legislativo Janeiro: das pessoas dos bens: 2013, 30; AZEVEDO, Álvaro (Coord.). Villaça Código e Civil na perspectiva civil-constitucional. ser humano 6. Deficiência Art. 1°, parágrafo e seu único, Protocolo Lei 13.146/2015: Facultativo, ratificados "Esta Lei com tem pelo o como procedimento Congresso Nacional previsto por no meio desde do do art. 31 no 186, de 9 de Federativa julho de 2008, do Brasil, em conformidade em vigor para o Brasil, de 2009, no plano data de jurídico início externo, de sua vigência no plano Pessoa 11. porsi, Art. 1.749, Código Civil: artigos pessoa, "Ainda 1°a mediante com 103, a autorização São de contrato nulidade, Paulo: judicial, Atlas, particular, não 2007, NICOLAU, não bens pode I, p. móveis tutor, Gustavo ou sob imóveis Rene. pena Código de nulidade: Civil comentado: I adquirir Rio de 12. Art. e 1°, Lei 13.146/2015: destinada instituída a assegurar a Lei e a promover, visando em condições à sua inclusão de social Francisco e da promulgados República pelo Decreto 6.949, de 25 de Brasileira agosto de Inclusão da Pessoa igualdade, com Deficiência exercício dos direitose 1956, 13. da se pode regime ser houverem de bens ascendente consentido. for o da a Parágrafo descendente, único. salvo Em se outros descendentes e o Art. 496, a venda de podem bens ser comprados, confiados à sua ainda guarda pertencentes que ou em hasta ao pública: menor; 8. 7. BEVILAQUA, liberdades com Deficiência), fundamentais MONCADA, Clovis. Código por Luís pessoa Cabral. Civil dos com Lições da Estados deficiência, Relação de Direito Unidos Jurídica. Civil. do Brasil. Coimbra: Coimbra: Rio de Almedina, Janeiro: 2003, 1995, a ser sujeito considerada sob dois separação pontos obrigatória". de ambos casos, dispensa-se de Manuel 138-139; San Tiago A. Luiz Domingues Dantas: desde da Cunha. o "A momento de. capacidade Tratado Teoria em Geral de abstrata, que Direito nasce direitos Civil, essa até que Coimbra: imaginários, momento constitui Coimbra em o com que morre. Tem daqueles um sorte que 136). que 31; GOMES, da pessoa humana, ponto pessoa, de jurídicas. vista, É de personalidade (atinente vista. à Sob estrutura como o ponto de vista dos indicando atributos jurídica Sobre obriga e tem vender, inalterada o o tema, não legislador e já se tem V. altera" ANDRADE, herança, a ao lhe Direito restringir, e já tem Civil, todos como, Rio os de por exemplo, ed. Rio a capacidade de Janeiro: 165-166; da Gonçalves, 14. há como agressões proteção a personalidade como 28-29). atos como jurídicos, elemento das subjetivo situações das pessoa, A e situações atributos jurídicas tutela por vista isso da 9. Orlando. Introdução cit., p.7 6 GUSTAVO TEPEDINO E MILENA DONATO OLIVA PERSONALIDADE, CAPACIDADE PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA jurídicas.¹⁵ concernir a elemento estrutural da relação jurídica, igualmente é atribuída às pessoas a medida da subjetividade. 18 por Por jurídicas. isso conseguinte, mesmo, Somente constituem a as pessoas objeto de proteção a por personalidade, sua máxima vez, são tradicional, dade, Tal conferindo-se-lhe como portanto, a pessoa pode-se humana, a capacidade identificar a pessoa para as jurídica ser sujeito encontra-se de dotada Somente de no subjetivi- ser equiparação a personalidade que, se justificando-se no passado, hoje noções deve de ser personalidade afastada, na e sentido pode 3. E RELATIVA. DEFICIÊNCIA RELEITURA DAS o direito INCAPACIDADES tradicional- doutrina torna objeto de tutela jurídica. Para evitar semelhante medida em que contemporânea aparta a noção de subjetividade daquela de confusão, jurídica esta expressão constitucional. da dignidade da pessoa humana e objeto de tutela privilegiada personalidade. pela ordem ESTATUTO todas as pessoas dispõem dois de diversos capacidade níveis de de fato, incapacidade, diferen- seu Como oferece nem mecanismos para suprir cujos atos da vida civil deverão ser efetuados, relativamente em Desse modo, a equiparação conceitual entre personalidade (na acepção mente ciando absolutamente seu exclusivo incapaz, interesse, por representante da vida civil, definido embora por assistido lei, do por pessoas va) e capacidade deve ser afastada em um sistema no qual a personalidade (entendida subjeti- objetivamente) passa a ser objeto de proteção privilegiada, ocupando a dignidade pessoa humana posição central no ordenamento. Preferível, assim, afirmar que, tal como da incapaz, especialmente em que pratica, designadas efetuada ele próprio, pelo sem legislador os o intermédio atos para este de fim. representante, A manifestação acarreta volitiva a realizados nulidade do ab- a pessoa humana, a pessoa jurídica é dotada de subjetividade, possuindo capacidade solutamente incapaz, dispõe art. 166, I, Código Civil;20 de outra parte, anuláveis.²¹ os atos para ser sujeito de direito.¹⁷ do por ato, relativamente conforme incapaz sem a devida assistência consideram-se A subjetividade, dessa forma, indica uma qualidade, a aptidão para ser sujeito de direito correspondendo ao conceito de capacidade de gozo ao passo que a capacidade 18. V.TEPEDINO, Gustavo; BARBOZA, Heloisa Helena; MORAES, Maria Celina Bodin de et al. Código Civil de fato consiste na intensidade do seu conteúdo, sendo, por isso mesmo, considerada Interpretado Conforme Constituição da República, cit., p.5. 19. Observa Pietro Perlingieri que: "Persona non significa ancóra personalità; capacità giuridica e personalità, anche strettamente civilistico, non coincidono, perchè la capacità giuridica, cioè la soggettività, è valore che 15. No que tange aos equívocos resultantes da dualidade de sentidos para termo personalidade, cf. TEPEDINO, siesprime soltanto sul piano strutturale, mentre la personalità è, per definizione, titolarità istituzionale di certe Gustavo; BARBOZA, Heloisa Helena; MORAES, Maria Celina Bodin de et al. Código Civil Interpretado Con situazioni giuridiche soggettive ed è presente anche dove la capacità giuridica o non v'è più o ancóra manca. forme a Constituição da República, cit., 4-5. De acordo com Pietro Perlingieri: "Soggetto situazioni non è personalità; giuridiche Non cioè, identificare personalità e capacità giuridica, in quanto l'ordinamento appresta una forma di quando non ancóra detto che si discorre di personalità. La personalità è valore alla morte della persona, ci si limita al solo profilo della soggettività, del attitudine cioè ad essere titolare obiettivo, di interesse, bene personalità, chel'hanno perduta. Sotto il profilo strettamente civilistico, quindi, la capacità giuridica non s'identifica la tutela della personalità anche favore di nascituri, che ancóra non hanno la capacità giuridica, e di defunti, soggettive rilevante. Valore e bene che si attuano in forma dinamica dalla nascita educazione, con proprie scelte. allesole fisiche)" giuridiche che non hanno diritto a certe forme di tutela della personalità giuridica l'hanno anche le persone perché personalità anche dove manca la capacità giuridica e perché la capacità con giuridicamente a sua volta, si sviluppa con una propria formazione, con una propria valore e non come capacità giuridica la quale, attiene alla dinamica della personalità, alla personalità come della dottrina, dovuto al seguente italiano, ensinamentos (La de persona Davide e suoi diritti, cit., 13-14). Cabe transcrever, ainda no (riservate âmbito appunto Tutto questo concezione consente anche di superare l'equivoco la persona sillogismo: soggettività. capacità Una tale giuridica, quindi soggettività, significa della personalità personalità; non e poichè si limiterebbe anche alla persona fisica unitaria, lanorma con 2 cost. fonda un concetto Messinetti: di 'persona' "Per tutto (o quanto è stato detto, non è difficile desumere do direito che soggettività, essa alla avrebbe persona capacità giuridica. giuridica, Si vuole, la tutela cioè, prospettare la la tutela fisica della e la persona personalità giuridica. in forma della un Costitu- grosso quella manifesta soggettività dell'art. nella titolarità C.C. giuridica presiedono che ad si esigenze esprime e nella finalità nozione 'personalità') di Il capacità che non può La essere norma messo dell'art. in relazione 2 s'estenderebbe mettendo sullo stesso volte non piano, inconsapevole, per lo meno tendenzialmente, dovuto ad una scelta persona Italiane, che non è 2005, rispondente 13). ai principi Almedina, soggettive qualità giuridica in quanto generale tale, delle del soggetto situazioni in virtù giuridiche della quale soggettive: esso rilevare la 'capacità dei soggetti giuridica' quali rappresenta centri di interessi cost. si e 16. 2000, zione" Eis equivoco, a lição V. (La I, molte Parte insuspeita persona Geral, e suoi de t. António I, e diritti. relação 201-204. Napoli: Menezes jurídica Na Edizioni doutrina Cordeiro, têm sido Scientifiche brasileira, Tratado desenvolvidas Rose de que Direito Melo na tem Civil Vencelau Português. Meireles dos interesses Coimbra: anota: meramente "As polarizar noções giuridici, diventa destinatario dell' degli alla effetti vita giuridici del acquista diritto, che l'attitudine derivano alla o possono titolarità derivare di dunque situazioni la patrimoniais. de pessoa, relação personalidade jurídica, A pessoa seja é como sujeito titular de direitos de direito nível (subjetivos), das subjetivo, coisas aquele seja ou fatos, como a obrigado mero central elemento a um nos svolgere posta come ufficio come sicolloca determinare. persona, qualità in soggettiva quanto (...). Così della il generale, significato un precisato soggetto appare intrinseco il capace rapporto chiaro di di tra diventare che la essa capacità non titolare che può giuridica si manifesta degli incidere effetti e la attraverso norma giuridici da le cui vicende che viene dalle tali 17. Sobre (Autonomia a A uma pessoa pessoa o ponto, In: não é em TEPEDINO, privada deve Gustavo si, não ser e apenas reduzida dignidade Tepedino, Gustavo tem ao humana. para Crise mesmo (Coord.). si de titularidades. aduz Rio fontes de Pietro Código normativas Janeiro: Perlingieri: o Civil ser Renovar, na alça hanno e técnica perspectiva patamar "La 2009, trattato personalità legislativa p. 15-16). questo na non parte (La persona geral do Rio Código de Janeiro: diritti 20. effetto 166. quelle nel mondo qualità (sia generali, causalità in sia considerazioni n. cui 33, speciali) giuridica confluiscano Giuffrè, che e, 1983, di escludono quest'ultima fanno conseguenza, la p. capacità del la soggetto legittimità qualificazione giuridica rispetto il punto di ad e sul qualsiasi il essa di riconoscimento come collegamento non tentativo abbiamo possono affermazione Renovar, ed de obblighi, 2002. 2013, come s'identifica p. 12). vorrebbero Nesta la personalità perspectiva, gli studiosi con che la soggettività maggiormente e con la capacità giuridica" 21. do Além dos casos expressamente quando: declarados celebrado na lei, por 374-375). é anulável pessoa absolutamente o negócio jurídico: valore incapaz; giuridico I (...) cit., 14). por8 9 GUSTAVO TEPEDINO MILENA DONATO OLIVA PERSONALIDADE, CAPACIDADE E PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA destituído idônea para a prática, por si mesmo, de atos da vida considerado Formulou-se de vontade regime das incapacidades para a proteção do incapaz, a possibilidade de agir assegurando-se conforme suas próprias ao máximo orientações, ao incapaz deve o respeito ser revisitado às suas da obstante, relativa, o modelo de proteção abstrato, que diferencia a incapacidade em civil. Nada pessoa regime das incapacidades, à vertente personalista constitucional.² discernimen- Os efeitos pecíficas, como no caso do acabou por indevidamente tolher a sua autonomia. es. sem permitir a modulação dos efeitos da incapacidade, salvo em hipóteses absoluta opções 0 de vida, devem em obediência ser proporcionais à exata em medida indevida da ausência supressão do da autonomia notadamente nas situações incapacidade para que intuito protetivo não se reverta Se nas situações patrimoniais mostra-se possível dissociar a titularidade do do de assegurar mecanismos para que aqueles que não possuam cício, nas existenciais tal não se afigura viável.²⁴ Por isso, impossibilitar aos incapazes Cuida-se, discernimento assim, sejam protegidos e para que o exercício das situações o concreto existenciais discerni- a escolha, por si mesmos, de constituir família, procriar, registrar filhos, interferir educação destes, equivale a alijá-los dessas situações existenciais. Daí a necessidade na regime das incapacidades ser aplicado de forma diversa para relações patrimoniais de seja expandido padrões abstratos.² Em uma palavra, a incapacidade, como pleno ao máximo possível, adotando-se como parâmetro mecanismo protetivo, mento, não precisa já se ajustar às necessidades do incapaz, o que se mostra especialmente e Nessa esteira, o Enunciado 138 da III Jornada de Direito Civil assim relevante nas situações existenciais.³⁰ estipula: "A vontade dos absolutamente incapazes, na hipótese do inc. I do art. 3°,é juridicamente relevante na concretização de situações existenciais a eles desde que demonstrem discernimento bastante para tanto". Enunciado 574 da VI 26. TEIXEIRA, Ana Carolina Brochado; RODRIGUES, Renata de Lima. A renovação do instituto da curatela e a Jornada de Direito Civil estabelece que: "A decisão judicial de interdição deverá fixaros autonomia privada do incapaz no ámbito existencial: uma reflexão a partir da esterilização de pessoa maior incapaz, 36. limites da curatela para todas as pessoas a ela sujeitas, sem distinção, a fim de resguardar 27. Colhe-se dos Tribunais: "Civil. Processo civil. Ação de interdição. Transtorno afetivo bipolar e mental. Com- os direitos fundamentais e a dignidade do interdito (art. provação de incapacidade parcial. Patologia controlada. Capacidade gestão atos cotidianos e remuneração. 1) Nos casos de curatela deve-se sempre considerar a excepcionalidade da medida, bem como a necessidade E mais: sendo a incapacidade limitadora do poder decisório, mesmo nas relações de preservação da esfera personalíssima do interditado, conforme suas capacidades 2) ajuste dos patrimoniais não pode ter alcance que supere a proteção necessária ao incapaz, apri- limites da curatela às condições pessoais do interditado mostra-se possível e, acima de tudo, recomendável. sionando-o em esquemas abstratos e formais. Uma vez que a incapacidade retira da alguns cotidianos, atos da vida civil, possui plena possiblidade de gestão de sua própria remuneração, no que tange aos atos Desta forma, como restou comprovado que a apelante, apesar de não possuir discernimento para a prática de Apelação Cível impõe-se a reforma da Γ. sentença apenas nesse ponto. 3) Apelação conhecida e provida" 22. Art. 1.782 do Código Civil: "A interdição do pródigo só o privará de, sem curador, emprestar, não sejam transigir, de mera dar em 15.05.2022; C.C., TJMG, Apelação C.C., Cível 0027948-17.2018.8.19.0054 Rel. Des. Carlos Santos de em 02.03.2016). tb. TJRJ, T.C., Rel. Des. Ana Maria Duarte Amarante Brito, julgado (TJDFT, alienar, hipotecar, demandar ou ser demandado, e praticar, em geral, os atos que coloquem em risco julgado 25.01.2022; Apelação Cível 1.0000.20.599218-3/001, Rel. Oliveira, julgado quitação, A interdição do pródigo deverá se restringir aos atos que, no caso concreto, reduza capaci- julgado em em 12.02.2008; TJMG, TJRJ, Apelação Cível 1649462-38.2004.8.13.0079 Des. CC., Raimundo Rel. Des. Messias Júnior, patrimônio do incapaz, não sendo merecedora de tutela a sentença que, de forma prática genérica, não acarrete ameaça Cotta, julgado 07.11.2013; Apelação Maurício Barros, dade sem justificativa consistente, debelar. impedindo-lhe Em última análise, de exercer, a sentença por si só, que atos retira cuja a capacidade reduz liberdade 29.04.2022; drigues, TJSP, em Apelação cível TJSP, Des. Donegá Câmara Morandini, Cível, Des. Rel. Renata individual, patrimonial em que que se se pretende expressa modo a dignidade restritivo. da pessoa Na doutrina, humana, cf. devendo MONTEIRO, por isso Washington mesmo ser de 28. Cunha, julgado julgado Ana em em 27.03.2012 e Des. Rel. julgado Piva Ro- em de 23. Direito "O proferida estado Civil, e pessoal interpretada cit., p. patológico 72; RODRIGUES, ainda que Silvio. permanente Direito Civil, da pessoa, cit., de limitações, que I, não 53. seja proibições absoluto e ou exclusões total, e acabam mas que, graduado no incapaz, autonomia cit., privada 36; Carolina do incapaz Brochado no âmbito e RODRIGUES. existencial: Renata uma de Lima. A renovação do instituto Rel. Des. Maia da e faculdades de identificar entender e de insuficiente Rafael desenvolvimento A pessoa e o reflexão ser humano a partir no novo da esterilização Código de pessoa da curatela maior concreto, e parcial, não isto é, se levando pode traduzir em conta em o uma grau série e a qualidade estereotipada do e, déficit principalmente, psíquico, não se justificam Belo mesmo por de aptidão setores porque para seria saber difícil entender definir querer não (...). significado Tal figura geral refere-se do intelectual saber mais ao com ato individual a incapacidad do que que Civil, ao consiste cit., p. na 43. falta das pleno presentar desenvolvimento camisas de força da totalmente pessoa" (PERLINGIERI, desproporcionadas civil Pietro. das pessoas o Direito com Civil deficiência na e os perfis da de vista por setores ou por esferas se configura de interesses; sempre como entender absoluta, e mais ainda o do saber estado querer. da pessoa, A falta 24. "Na Horizonte: 781). categoria V. também: Fórum, orgânica. do ser ALMEIDA, 2019, não Quando existe p. 168-186. Vitor. dualidade o objeto A capacidade de entre tutela sujeito éa do pessoa, interesse e objeto, a perspectiva protegido, pois que da necessidade constituir Pietra outros, derecusar modo, por em para se orientar noção como que uma em não alguns noção responde setores à efetiva e não não em geral idoneidade e de abstrata modo que pode psíquica a incapacità se traduzir para realizar naturale em uma ficção no mais e, necessidade de da do qualquer vezes, ponto não 25. Ressalta ao lógica institucional, Direito mesmo reconhecer, Ana Civil tempo Carolina na o Legalidade em sujeito razão Brochado titular da Constitucional, natureza do Teixeira direito especial e o cit., ponto 764). de referência das objetivo "só faz sentido ele no se deve funcionalizado visto 2009). permitido de A maneira que nos quais pretender armazenar Dessa taxativament a situação variedade a deriva, situação o do fenômeno por lhe do determinado portador um lado, do déficit a de deficiência atos e reflexões patrimonial, forma aos objetivos qualitativamente sob o tendo constitucionais. viés da em autonomia vista diversa que Se no o privada. tenciona que regime tange Revista atribuir às situações Brasileira de às Sucessões, ainda ser que traduzida em na ou na medida Constitucional do que é cit., as proibido escolhas grande p. uma ser 779-780). realizadas e morte de o que vida lhe que é de14 15 GUSTAVO TEPEDINO E MILENA DONATO OLIVA PERSONALIDADE, CAPACIDADE E PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA atos sem praticados prejuízo, ainda, em conflito da possibilidade de interesses a ser ou aferida sob pressão no caso do concreto de invalidação dos deficiência Além disso, apenas quando estritamente apoiador. pessoa a ação da ação. sejam reservando-se se abrigada. De acordo com ou nos o art. casos civilmente 748, em também que incapazes, as o pessoas Ministério arroladas Público no com 3° do possa ser submetida à que constitui, permite-se nos que a pessoa circunstâncias medida protetiva extraordinária, proporcional termos do art. 84, no ajuizamento medida, magistrado deverá delimitar, de maneira clara, estado o 747 do de cada caso, e durará o menor tempo possível. De às acordo necessidades Na sentença que do curador, fixa a bem interdito.⁵⁴ como o os Note-se limites que precisos a curatela, da curatela, consoante à luz do dispõe o ou Código de Processo Civil, são legitimados a propor a ação de curatela com 0 companheiro, parentes em geral, tutores e representante legal da entidade em cônjuge quea mental do atos relacionados aos direitos de natureza patrimonial alcança e civil da pessoa com deficiência instituído pela lei brasileira de inclusão (Lei 13.146/2015). Revista negocial. corpo, à sexualidade, matrimônio, 637 da VIII Jornada de Direito art. do art. somente 85 expressamente os ressalva ao que a definição à privacidade, da curatela à não educação, à Direito Civil, 9, 50, 2016). 0 direito ao próprio voto. Nada obstante, o Enunciado 49. ROSENVALD, Nelson. Curatela. Tratado de direito das famílias, Minas Gerais: IBDFAM, 2015, p.759. 50. Art. 85, § 2°, do Estatuto da Pessoa com Deficiência: "A curatela constitui medida extraordinária, devendo saúde, Civil indica ao trabalho ser possível ao a "outorga ao curador de poderes de representação para alguns constar da sentença as razões e motivações de sua definição, preservados os interesses do curatelado". Atalá Correia afirma que a curatela deverá observar as necessidades concretas da pessoa, sobretudo a pessoa com deficiência, vez que sua capacidade é presumida pelalei: artigo 84, EPD, enfatiza que, a pessoa com deficiência será submetida a proporcional às necessidades às circunstâncias de cada 53. da expressa alusão do dispositivo à "doença mental grave", aduz-se que: "(...) independentemente da durando o menor tempo possível A manutenção da legitimidade ativa do Ministério Público para Acerca caracterizaçãode mental grave', se a curatela, num contexto de atuação ministerial, surgir como medida ajuizar a interdição nos casos de 'deficiência mental ou nos termos do artigo 1.769, Código Civil, proteção dos interesses da pessoa com deficiência em situação de risco, estará o Ministério Público apenas explicita a manutenção dessa possibilidade de interdição de deficientes que não consigam legitimado para da ação respectiva. (...) Todavia, em qualquer caso, a atuação do Ministério Público tem caráter subsidiário, ou seja, pressupõe a omissão dos demais legitimados para a propositura da ação (art. 748, doNCPC, eart. 1.769, do Código Civil, com redação dada pela LBI). (ALMEIDA, Luiz Cláudio Carvalho de. os Direitos das Pessoas com Deficiência e a ação de curatela no Novo Código de Processo mental ou intelectual poderá ser submetida a curatela, no seu interesse exclusivo e não parentes 84 do ou tercei- Civil In: BARBOSA-FOHRMANN, Ana Paula (Coord.). Autonomia, reconhecimento e dignidade: curatela, ao contrário da interdição total anterior, deve ser, de acordo com caso o artigo durará menor tempo sujeitos, interesses direitos. Rio de Janeiro: Gramma, 2017, p. 162). ros. Essa proporcional às necessidades e circunstâncias de cada direitos (...). Assim, 54. CPC/2015, "Art. 755. Na sentença que decretar a interdição, o juiz: I nomeará curador, que poderá Pessoa com Tem Deficiência, natureza, portanto, de medida protetiva e não de interdição teve de por exercício finalidade de vedar requerente terdito; da considerará interdição, e fixará os limites da curatela, segundo o estado e o desenvolvimento mental do ser o possível. de que, em nosso direito, sempre impondo-se as características pessoais do interdito, observando suas potencialidades, in- não há que com se falar deficiência mais mental ou intelectual, de todos determinados os atos da vida atos" civil, (Com avanços legais, a pessoas com à patologia, sua extensão interdição, a fim de que sejam examinadas todas imprescindível de prova na ação A propósito, de não tem sido outro o entendimento da jurisprudência: "É habilidades, pela pessoa de curatela específica, para deficiência curador. Cuidar-se-á, mental não apenas, são mais incapazes. Disponível em Acesso em: 19 maio 2022). medida reconhecimento extraordinária vida civil, descabendo a manutenção e limites, com da vistas à avaliação da capacidade da interditanda as circunstâncias relacionadas curatela provisória quando laudo para praticar atos da incapacidade relativa de uma pessoa e a consequente como deixa decretação claro o Estatuto de sua interdição (art. 84, direitos é Só tem cabimento, 55. Art. incapacitante' 85 do EPD: (TJRJ, CC, Agravo juntados de aos autos não afirmam o não conclui pela incapacidade da da e se legitima quando apenas insuficientes como medida ou inexistentes de proteção, os meios do enfermo: que permitam instituto o em exercício renovação. de 450). In: "A curatela negocial. A definição "A curatela afetará tão portanto, deficiente" sua Carlos de seu gênese, patrimônio. Edison (BARBOZA, um do instituto Rêgo Por isso (Org.). de Heloisa proteção é ausência nomeado Direito Helena. do de Civil, incapaz, alguém discernimento, Curatela Rio que de àquele Janeiro: auxilie que para neste Freitas não de que Direito tem intento. não Bastos, condições haja Civil. Em 2015, supressão Rio todas de de cuidar as Janeiro: da situações, autonomia de Forense, dos 2015, constar da sentença as razões àsaúde, da curatela ao trabalho não alcança e ao voto. direito § ao próprio corpo, à sexualidade, de natureza ao patrimonial e 56. "Note-se tenha vínculo pessoa de Estatuto natureza situação ao definição, nomear A curatela preservados curador, constitui o os interesses medida extraordinária, do matrimônio, devendo $ No à medida de Instituições circunscrições de constituir da pessoa restringe a curatela ou apenas comunitária aos atos com de juiz deve dar preferência a pessoa que de ocorrer "A 570). curatela na exata funciona (PEREIRA, como Caio e um proteção. Mário encargo da A ou curatela Silva. um ônus, é mensurável, o qual compreende em sendo quem que, se imputa basicamente no caso críticos a interdição" concreto, duas à luz do novo 51. atribuições: representação funda o pedido e a dimensão caminhada. da incapacidade Direito de Família: elementos capacidade curatela sublinhar direito adoção, de como família por no eà dos atos de para sexuais em exercer igualdade atos de de natureza natureza como patrimonial existencial, exercer o familiar, direito incluindo e o negocial, direito de conservar decidir reafirmando direitos a número de de se a 52. Civil Art. igualdade Edson. à o curatela, sentido 84 brasileiro, Parentesco, do que de conforme EPD: condições Rio "A pessoa o de a laço lei. Janeiro: com de tecido com 2° curatela as É demais Renovar, facultado deficiência na de pessoas. pessoa 2003, à pessoa tem de com cada 281). com deficiência caso, durará ao ao de sua Paula seus efeitos da pessoa com se realize. Em do com ato, haverá devendo as demais de incidir se pessoas. afigurar à guarda, apenas fertilidade, Convém medida se tutela, não são 3° A definição circunstâncias contas de sua administração da pessoa com pessoas e Lei Brasileira de Inclusão, e intelectual Rio Deficiência. nas de Janeiro: relações do seu discernimento" poderá Processo, In: privadas: MENEZES, praticar 2016, Con- ano".11 10 GUSTAVO TEPEDINO E MILENA DONATO OLIVA PERSONALIDADE, CAPACIDADE E PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA foco na pessoa com Após o EPD, são considerados absolutamente preocupações, com Estatuto da Pessoa com Deficiência veio ao encontro dessas jurídica funda-se agora no discernimento necessário e não no diagnóstico apenas dúvida os menores de 16 anos (art. 3° do Código Civil). Embora incapazes estado (como enquadrar adequadamente a pessoa que se encontra, essa alteração suscite médico da valoração de deficiência com psíquica Estatuto, ou a necessidade intelectual mais per de a proteção categoria da abstrata pessoa e com apriorística deficiência que psíquica e cognitiva, tutelando a autonomia do sujeito o máximo vegetativo), o EPD pretende a identificação, no caso concreto, por da exemplo, real aptidão em aferida De acordo no caso concreto, não fato havendo de se possuir algum tipo de deficiência.³⁶ do art. Nessa 3° do vincule será à incapacidade o simples Deficiência revogou os incisos II e III me- sistema das incapacidades, dessa forma, sofreu importante alteração direção, Estatuto da Pessoa são com considerados absolutamente incapazes nele apenas constarem os tatuto da Pessoa com Deficiência, que buscou criar mecanismo protetivo que pelo leve Es- Código Civil, anos. de maneira rol dos que relativamente incapazes é modificado para causa transitória consideração no caso concreto o efetivo poder de autodeterminação do cerne em nores de habituais 16 e os viciados em tóxico, bem como aqueles que, por ou ébrios permanente, não puderem exprimir sua vontade. advento do Estatuto da Pessoa com Deficiência, portanto, a pessoa com de- maneira a contribuir para desenvolvimento da personalidade, é necessário que sejam garantidosa titularidade ficiência Com afigura-se plenamente Nada obstante, ostenta especial vulnerabilidade exercício das expressões de vida que, encontrando fundamento no status personae e no status civitatis, lei busca debelar com a previsão de uma série de medidas que objetivam a inclusão compatíveis com a efetiva situação psicofísica do sujeito. (...) a excessiva proteção traduzir-se-ia em uma tirania" Direito Civil na Legalidade Constitucional, cit., 781-782). ea que vedação à discriminação da pessoa com Além disso, se a pessoa com 31. Art. 2°, Lei 13.146/2015: "Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazode deficiência não lograr ter pleno discernimento para a prática de atos civis, a lei prevê natureza física, mental, intelectual ou sensorial, qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir mecanismos para suprir essa carência na exata proporção em que necessitar a pessoa sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas". 32. art. 4°, III, do Código Civil trata como relativamente incapazes "aqueles que, por causa transitória ou perma- com como se pretende examinar no item subsequente. nente, não puderem exprimir sua vontade", mas, a rigor, o estado vegetativo é incompatível com instituto da assistência. Sobre o tema, BARBOZA, Heloisa Helena; ALMEIDA, Vitor. A capacidade civil luz do Estatuto da Pessoa com Deficiência. In: MENEZES, Joyceane Bezerra de (Org.). Direito das pessoas com deficiência Lei Brasileira psi- 35. Jáem 2010, Ana Carolina Brochado Teixeira e Renata de Lima Rodrigues afirmavam que: "a incapacidade deve quica Inclusão, e Rio de Janeiro: Processo, 2016, 264-265; SOUZA, Eduardo Nunes de; SILVA, entre a validade intelectual nas relações privadas: Convenção sobre os direitos da pessoa com deficiência Rodrigo e da Guia ser sempre construída e delimitada apenas diante do caso concreto, fator que obriga a reestruturação do regime Dos negócios da pessoa vulnerável. In: MENEZES, Joyceane Bezerra deficiência de jurídicos celebrados por pessoa com deficiência psíquica e/ou intelectual: de (Org.), Direito das pessoas seja, incapacidades não podemos que, em uma profunda mudança de perspectiva, impõe o fim de categorias apriorísticas. Ou vamente incapazes preceituar de que certas pessoas, porque enfermas ou deficientes, são absolutamente necessidade de proteção e intelectual nas relações privadas: Convenção sobre direitos Atalá. da Estatuto pessoa com da Pessoa com só podem ser realizadas maneira a abstrata. Essas restrições à capacidade de exercício eà autonomia ou relati- com deficiência Brasileira psíquica de Inclusão. Rio de Janeiro: Processo, 2016, 313; caso concreto" (A renovação partir do de questões devidamente problematizadas e legitimamente dos indivíduos e Lei dúvidas. Consultor Jurídico. Disponível Acesso em: 18 maio 2022. 36. "Assim, uma reflexão fato de partir da esterilização instituto de pessoa da curatela maior e incapaz, a autonomia privada do incapaz no âmbito reconstruídas existencial: no "Vimos Deficiência que a noção de discernimento é nuançada, graduada, ou sendo a medida assim da percebida redução do pelo discernimento, Direito. Assim, diverso deveo para do mente, portadores insira no um rol sujeito dos possuir transtorno mental de qualquer natureza, 35). 33. averiguar e mensurar um raciocínio se alguém não atento tem às discernimento, singularidades em da vista pessoa de uma ("raciocínio categoria genérica, por concreção") como a idade, em por rício. Estatuto da Pessoa mental, incapazes. já que É um se dissocia passo importante transtorno na da busca pela promoção não faz com da igualdade que ele, automatica- dos sujeitos intérprete desenvolve operar quando a incapacidade é determinada mas é a pessoa de carne e em sua Capacidade concretitude para consentir suas 37. em: Art. 19 maio Lei 2022). com Deficiência altera regime civil das incapacidades. necessária incapacidade" Consultor Jurídico. (REQUIÃO, Disponível Mau- exemplo. que Não é a pessoa deverá como estar no abstrato centro sujeito, do raciocínio" Judith; (MARTINS-COSTA, MOLLER, Letícia Judith. Ludwig (Org.). os diferentes Bioética estágios servar número sua de filhos 13.146/2015: união estável; de ter acesso "A II deficiência exercer direitos não afeta sexuais a plena e capacidade civil da pessoa, inclusive Acesso e circunstâncias, esterilização de que de mulheres. Janeiro: Forense, In: MARTINS-COSTA, 2009, 326). silenciosos "Por força passaram da lei devem a ter conhecido ser respeitados seu direito por de só, manifestação, humana plena expressando sabilidade. do ou relativa, Rio a autonomia da capacidade da pessoa. condizente Reflexões Os civil, até com não então sobre o pode seu desenvolvimento, a autonomia ser desprezada negocial. contemporâneas em que nome embora In: TEPEDINO, do não princípio autorize, Estudos Gustavo; da de dignidade FACHIN, Luiz 38. berdades estatuto se destina a oportunidades assegurar com as demais guarda, à tutela, tando, familiar em igualdade fertilidade, de sendo VI vedada exercer informações a esterilização direito adequadas à compulsória; reprodutivos; sobre reprodução V exercer III exercer e planejamento direito direito à família familiar; de para: decidir I IV casar-se sobre con- o à curatela e à Edson Professor (BARBOZA, relevância (Coord.). Ricardo Heloisa para Pereira direito a proteção Helena. e Lira. Rodrigo tempo: da Rio pessoa de da embates Janeiro: Guia humana Silva, jurídicos Renovar, na Autonomia, incapacidades. sua e utopias 2008, concreta discernimento 421-422). vulnerabilidade, Civilistica. Sobre dos e a ulnerabilidade: noção cf., 5., com n. 1, 2016, estudo 1-37. Luciano sobre eficiente para fundamentais que por pessoa e com a promover, em visando condições pessoas". que instrumentos agora a sua de visam inclusão igualdade, à necessários promoção e à adoção, exercício A nova para como dos lei ter constitui adotante uma direitos convivência vida e ou medida das ado- li- 34. as Eduardo Campos sua A alteração invalidades de Nunes Albuquerque: legislativa negociais de Souza; atende à luz "A do à proposta novo sistema exercício constitucional das ser dos integração doindivíduo, averiguada direitos de 75). inclusão dos à somente comunidade. se incapazes: não social contribuírem nos uma valores A presunção leitura a partir dos 39. "A CDPD de direitos (Coord.). Vitor. das Direito A capacidade das à luz da do autonomia Estatuto da da pessoa digna, educação constitucionais. e Curitiba: J.M. Jurídica, 2011, sistema mais de apoio, (art. 12). Nesse exercício da favorecer capacidade se observou dever jurídica exercício de que instituir direito reconhecida da um capacidade protetivo sistema pessoas às pessoas superou de jurídica com apoio com da e sistema salvaguardas deficiência pessoa de com substituição com guiados deficiência limitação para pelo de e e,13 12 GUSTAVO TEPEDINO E MILENA DONATO OLIVA CAPACIDADE PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA 4. MECANISMOS PROTEÇÃO DA DISPONÍVEIS PESSOA COM NO DEFICIÊNCIA SISTEMA BRASILEIRO PARA FINS DE os riscos, atividades visando por auxiliá-lo parte do a com pessoa fins com de que garantir deficiência os apoiadores o exercício, apresentar não com se pessoa A aplicação com Estatuto deficiência desses da Pessoa não com apresente Deficiência pleno prevê discernimento mecanismos para para a as situações em quea mento funcionalidade, mecanismos deve ocorrer na exata medida da prática de atos discernimento sujeito, mas devendo a participação o tem-se termo do de que Ministério apoio ser levado Público, à nos na de tomada fato, somente visto de suas a próprias pessoa homologação com decisões. deficiên- moldes Em e dos espaços e de liberdade impedindo-se da pessoa com quaisquer indevidas supressões ausência da de autonomia Em primeiro lugar, há o processo de tomada de decisão apoiada, no art. 1.783-A do Código que foi incluído no Código Civil a regulamentado cia parte impositiva do Código Civil. do Código Civil, o reque- do EPD, criando-se novo instituto para auxiliar a pessoa com deficiência partir no do art. 116 sua capacidade.⁴³ Por esse expediente, a pessoa com deficiência elege pelo exercíciode Frise-se que, pleito conforme informar prescreve o prazo o de art. limites vigência 1.783-A, do apoio, da medida, 1°, em respeito além de à vontade, ser essencial aos pessoas idôneas, com as quais mantenha vínculo e que sejam da sua confiança, menos duas rente que constem deverá no as informações da pessoa relativas que será aos apoiada. A pessoa consoante beneficiária a preservação do apoio po- da vistas a prestar-lhe apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes com os elementos e informações necessários para Os apoiadores têm dever, ainda, direitos aos interesses a qualquer tempo, requerer sua extinção, o caso de o juiz ou qualquer outra derá, no entanto, autonomia de que dispõe,⁴⁷ não sendo decisão. capacidade autoridade perquirir e os motivos que fundamentaram a portanto, modulado às suas estritas necessidades para o alcance da autonomia possível. Importante portanto, que o CDPD, seguido do EPD, impôs importante mudança paradigmática tendente a privilegiaro que apoiador que atuar de forma negligente, exercendo pressão modelo de apoio e salvaguardas da pessoa com deficiência, sempre proporcional às suas necessidades evoltados Destaque-se ou que não cumpra as obrigações assumidas no termo de apoio, poderá ser à conquista da sua autonomia" (ALMEIDA, Vitor. A capacidade civil das pessoas com deficiência indevida, denunciado e, caso julgada procedente a denúncia, poderá vir a ser destituído por de- curatela, cit., 199-200). 40. Em complemento aos institutos da curatela e da tomada de decisão apoiada, alude-se, em doutrina, à hipótese cisão judicial, nos termos do art. 1.783-A, 7° e 8°, que poderá determinar, ouvida a da guarda de fato: "considerando que o Código Civil prescindiu de uma tipificação ou pessoa apoiada e segundo o seu interesse, novo apoiador. Na hipótese em que a atuação figura da guarda de fato, podemos afirmar que o guardador de fato será toda pessoa que custodie ou atenda alguém necessitado de proteção, sem possuir título legal que o habilite para tanto. Cuida-se de uma são situaçãode negativa do apoiador causar prejuízo para o apoiado, terá ele o dever de reparar o dano,⁴⁸ atenção prolongada no tempo, ocupando uma posição de centralidade real entre as formas em terceira que via entrea as afetadas por uma deficiência." (ROSENVALD, Nelson. A guarda de fato como em: https://ibdfam.org curatela e a pessoas TODA. In: Instituto Brasileiro de Direito de Família IBDFAM. Disponível Acesso em 25 maio suaspreferências, fim, mas com a ciência de todos os efeitos de sua escolha, incluindo-se aqueles mais gravosos. Ao deluta importa humanitária, em garantir à pessoa direito de decidir. Direito este que vem se convertendo em bandeira 41. 2022). TEPEDINO, Gustavo; TEIXEIRA, Ana Carolina Brochado. Fundamentos do Direito Civil. ed. deficiência (...). Com voltada para consolidar a mudança de paradigma na apreciação da autonomia uma do graças àinfluência figura da marcante 'tomada do de art. decisão apoiada' eo reconhecimento da autonomia da pessoa sujeito 42. Forense, Art. 1.783-A 2022, do Código 6: Direito Civil: de Família, "A tomada p. 444. de decisão apoiada mantenha é o processo vínculos pelo e que qual gozem a pessoa de sua com confiança, e informações pelaL que somente Sua poderá (Estatuto ser utilizada da Pessoa nos com restritos Deficiência), limites 12, da da a CDPD curatela da se alteração confirma legislativa como uma diretamente medida in extremis operada elege pelo menos apoio 2 na (duas) tomada pessoas de decisão idôneas, sobre com atos as quais da vida civil, fornecendo-lhes os elementos com 0 objetivode Pessoa com da Deficiência" pessoa disciplina jurídica segue Joyceane as regras Bezerra do Código necessidade Civil, do Código do curatelado de Processo e para Civil atender e aos seus 43. prestar-lhe necessários EPD criou para um que instrumento possa exercer de sua promoção submetê-las dos interesses ao instituto das pessoas da curatela com deficiência tradicionalment Com efeito, este 45. Em sintese, apoiadores com deficiência, atuam cit., 16-18). de. 0 direito protetivo brasil após a do Estatuto da assegurar modelo existente o exercício para da a capacidade proteção na medida dos civil, direitos sem em que da visa pessoa preservar incapaz autonomia a capacidade maior e dignidade. de idade. civil das (...) A pessoas com instituto propiciando já nasce como condições diferenciado instituto de seu destinado exercício a proteger e promovendo as pessoas sua que e os tem perfis comprometida da curatela, autonomia sua cit., 221-222). às do responsável senta Estatuto dedecisão pela da Pessoa tomada intelectual apoiada com de decisão" constitui nas "ao relações (BARBOZA, lado In: e privadas, como MENEZES, auxiliares Heloisa cit., Joyceane Helena; da pessoa Bezerra ALMEIDA, com de deficiência, (Org.). Vitor. Direito A que capacidade será convenção a verdadeira civil sobre à luz caracteriza MEIDA, "Vislumbra-se Vitor. A no capacidade diploma motivação civil das pessoas personalista, na sociedade com deficiência por brasileira procurar (aí atribuir incluído maior força o Poder de uma Judiciário), pessoas acabavame ainda thing (e acabam equivocada, Do Sujeito como à Pessoa: já visto) Uma do Análise Vitor instituto (Coord.). da Incapacidade Direito Civil, Civil entre 39-56). "Assim, 48. MENEZES. reparar dano, que atuação instituído Tomada pela de para de lei que sejam suas instrumento ou mais (MENEZES, de civil Direito pessoas da pessoa idôneas Joyceane com com Bezerra deficiência ela, as de. Tomada mantenha decisão termos apoiada: relação e duração de confiança do apoio um que acordo requer, por meio indicando p. 269). do qual duas a pessoa interessada e, somente das pessoas apre- quais com 44. deficiência, que, muitas vítimas vezes de tolhidas preconceito do livre exercício da de suas Anderson. Ana esclarecimento nagem auxílio Carolina ao na professor comunicação Brochado; acerca Stefano dos dessa ALMEIDA, fatores Rodotà, decisão circundantes Belo aos interlocutores. Horizonte: à decisão, Fórum, Tudo incluindo 2016, para a que ponderação a pessoa posa sobre decidir nos que, 927 do apoiador brasileira se com resultar art. de inclusão em prejuízo (Lei de para apoio da o culpa apoiado, ao Trata-se, exercício na causação terá no p. da da ele 51. p. caso, capacidade 56, do dever 2016). de dano." res- de capacidade17 16 GUSTAVO TEPEDINO E MILENA DONATO OLIVA PERSONALIDADE, CAPACIDADE PROTEÇÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA atos desde da Em que vida que comprovadamente civil, pese inclusive a de necessários natureza existencial, para proteção a serem do curatelado especificados em na 5. CONCLUSÃO da dignidade da pessoa humana jurídico como impõe fundamento a (re)leitura da das República normas da se natureza as decisões patrimonial, de conteúdo regra nos casos geral existencial mais de que graves a curatela de comprometimento deve se restringir cognitivo, a afetar sua dignidade atos de (art. A consolidação III, CRFB) de direito e vértice civil, que do ordenamento passam alcançado, a ser funcionalizados faz-se necessário à tutela reconhecer e promoção a pessoa direito poderes existenciais outrem conferidos deve ser ao levado curador. a cabo De por um poderiam seu lado, titular, afirma-se excepcionalmente de modo que exercício ser abarcadas de liberdades discute-se pelos pessoa. institutos Para que tal objetivo assim, possa ser o paradigma formal e abstrato configurações. do sujeito de se pode poderia gerar grave violação aos interesses do que remeter tal para adentrar emancipatória, subsidiada pelos princípios da incapacidades, substancial em concreto, superando-se, na tutela da personalidade nas suas mais variadas isonomia matéria ser ignorar o fato de que, em certas hipóteses, poderá Por de outro lado, não insuficiente para a proteção daquele que, com maior conjunto nível de vulnerabilidade. regras sobrea Talhermenêutica social, propõe-se a revisitar, em boa hora, o regime no das modelo abstrato necessite de cuidados que extrapolem seus interesses patrimoniais. eda solidariedade à proteção do incapaz, não deve encontrar limitação Nessa Com o fim último de proteção da pessoa vulnerável e de modo excepcional, cujaratio, voltada categoriza, sem temperamentos, incapacidades absolutas e relativas. recomendado, nessas situações, que, na falta de disposições deixadas pelo curatelado tem-se eformal deve-se que privilegiar a modulação dos efeitos da incapacidade no caso concreto, sobre as questões existenciais, o curador atue visando a conservação máxima da direção, repudiando-se a restrição indevida à autonomia, notadamente no exercício das situações integridade psicofísica, só podendo tomar decisões que interfiram no corpo do cura- sua existenciais. Especialmente no âmbito da disciplina destinada às pessoas com deficiência, telado se diante de recomendação médica. Em casos que envolvam intervenções mais caminha-se, na nova perspectiva, rumo à inversão da presunção de incapacidade, em prol no caso concreto, na medida em que a pessoa com deficiência necessita de radicais, exige-se ao curador que atue também com base em autorização judicial, com especial amparo, de maneira a tutelar adequadamente sua condição de vulnerabilidade a participação do Ministério tendo-se sempre como parâmetro crucial as malijá-la do exercício de sua autonomia, sobretudo existencial. preferências e vontades manifestadas pelo curatelado ao longo de sua vida, em prestígio do princípio do melhor interesse do vulnerável.⁵⁹ Nessaesteira, as alterações promovidas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/15) pretendem estimular, como regra, a autonomia do sujeito, assegurando-se 57. "Ainda mais grave, no entanto, é a restrição fora do âmbito patrimonial. Decerto, o excesso de proteção verda- do influxo que a pessoa com deficiência possa realizar suas opções de vida. Nessa direção, sob ordenamento para com pessoas em situação de vulnerabilidade (como os idosos) pode redundar numa proteger da a vertente personalista e emancipatória da Constituição da República, deve-se o deira supressão de sua subjetividade na medida em que decisões sobre desenvolvimento da idosa sujeitaà concretamente pessoa na exata medida da sua vulnerabilidade e da falta de de relevância existencial fiquem a cargo de terceiros. (...) Mesmo no caso da vontade pessoa nas situações portanto, curatela, ou seja, cuja capacidade relativa para as relações jurídicas patrimoniais, seus a sua interesses, conforme seu todeterminação aferidas, e prestigiando-se, tanto quanto possível, sua discernimento existenciais deverá ser preservada, o máximo possível, no exercício Vitor de de Azevedo. A tutela psico- para além de autogestão da própria vida. grande desafio capacidade de au- jurídicas discernimento" (SANTOS, Deborah Pereira Pintos dos; ALMEIDA JÚNIOR, autonomia existencial.In: EHRHARDT física da pessoa JR., idosa Marcos. com deficiência: (Coord.). Impactos em busca do de Novo instrumentos CPC e do de EPD promoção по direito de civil sua brasileiro, Belo interferências Horizonte: pulso da legislativo, açodadas incorporado críticas ou homenagens ao texto frio da do lei, intérprete, é transformar portanto, integridade liberdade sem que a busca àlegalidade da autonomia constitucional, em instrumento de o im- 58. Nessa Fórum, linha: 2016, 346). curador não tem (e nem realizadas terá) poder com sobre autorização o corpo judicial, do curatelado. como a esterilização Em geral, novos de princípios, mulheres severas sobre corpo mental. do A interdito manutenção são deste tipo curatelado de procedimento o quanto possível. se admite, Medidas contudo, irreversíveis sob diante dequalquer da expressão do psicofísica princípio da da pessoa dignidade com da deficiência, pessoa pudesse cuja acabar tutela há por de representar ser prioritária promoção ameaça como à dentre com deficiência os quais se destaca as o respeito físicas, como à vontade amputações à do ou esterilizações, da saúde do curatelado. somente se justificam juiz, o Ministério Heloisa Público Helena alternativa e curador e serão os responsáveis A capacidade diretos pelo civil respeito à luz do aos Estatuto e intelectual da Pessoa com nas relações privadas: 2016, 265). natureza, especialmente quando de todo indispensáveis preservação direitos do curatelado" (BARBOZA, Deficiência. In: MENEZES, Convenção qualquer Além referida certo argumentativo do ato juiz, com nesses casos, Jamais será poderá ainda ser genérica Ela deve, ademais, ser episódica, Barboza; ALMEIDA, de. Direito Vitor. das deficiência pessoas com deficiência Lei Brasileira psíquica de Inclusão, deficiência Rio de Janeiro: para o Processo, exercício dos absoluta. direitos ser mesmo como aliás, não ser 59. Joyceane "embora contemplados sobre recusar os direitos a Bezerra regra qualquer nos seja da arts. pessoa a plena tipo e com de identificado mitigação no e regime abstrato, das da incapacidades mitigação e da pessoa elaborado autonomia com não a estabelecido pode partir da e pessoa da ser de autonomia afastada um com deficiência de para forma 60. Ana jan./mar. abrangidos 232-233. sobre capacidade pela los restrição derechos Revista sempre civil Brasileira da de pessoa la persona com de Direito con discapacidad Civil no Aline Direito negócios menor com en de brasileiro: el Miranda deficiência tempo Valverde: reflexões pode para a revela rigor, Civil que o mesmo problema de já um esquema real. (...) formal Essa e mitigação partir pelo Estatuto de análise da capacidade deve biopsicossocial ser sempre por mar./abr. ao de novo Fernando emancipado Rodrigues na sociedade Martins, de A emancipação consumo. Revista Derecho V. insuficiente 15, p. de Privado Direito da

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