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UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI - URCA 
LICENCIATURA EM MATEMÁTICA 
 
 
FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES 
 
 
 
FICHAMENTO 
 
FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: sua relevância no 
contexto da Educação Matemática e aspectos históricos 
 
 
 
 
 
DISCIPLINA: 
PRÁTICA III – FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA 
 
 
 
Juazeiro do Norte 
2017 
FICHAMENTO 
FILHO, R. P.; PORTELA, C. A. FILOSOFIA DA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA: 
sua relevância no contexto da Educação Matemática e aspectos históricos. 
Cad. Pesq., São Luís, v. 14, n. 1, p.46-68,jan./jun. 2.003 
O artigo trata da abordagem da Filosofia da Educação Matemática entendida 
como um pensar reflexivo, crítico e sistemático concernente à prática 
pedagógica da Matemática e ao contexto sociocultural no qual ocorrem 
situações de ensino-aprendizagem da Matemática, trazendo um histórico da 
mesma no contexto da Educação Matemática internacional e brasileira. 
Na introdução, ressalta de que a Educação Matemática existe por cauda da 
Matemática, onde as pessoas podem compartilhar dessas mesmas experiências 
entre si. Daí, a necessidade de uma Educação Matemática capaz de ser 
instituída como uma prática social relevante. Ao longo desse processo, nota-se 
que a área da Educação Matemática tem passado por um processo de 
amadurecimento, de modo que há matemáticos, pedagogos, psicólogos, 
sociólogos e outros profissionais que têm estudado e apresentado explicações e 
propostas concernentes, entre outros assuntos, ao ensino e à aprendizagem da 
Matemática, à cognição, aos processos cognitivos que explicam a produção do 
conhecimento, aos fundamentos desse conhecimento, à linguagem matemática 
e a suas características simbólicas. Contudo, é necessário que as teorias e 
concepções Matemáticas, bem como às suas características da realidade dos 
objetos, linguagem e epistemológica, sejam formuladas numa perspectiva 
pedagógica. Assim o artigo segue, após uma pesquisa bibliográfica, um 
delineamento histórico da mesma no contexto da Educação Matemática, 
ressaltando-se os Congressos Internacionais de Educação Matemática bem 
como algumas Entidades e alguns Grupos de Estudo e de Pesquisa em 
Educação Matemática surgidos no Brasil. 
Buscando através de uma caracterização da Filosofia da Educação Matemática, 
destaca a compreensão de Kilpatrik (1996) acerca dessa área, em que 
considera possuir aspectos acadêmicos e profissionais. Ele esclarece que a 
Educação matemática precisa de perspectivas múltiplas que diferentes 
abordagens trazem para o estudo do ensino e da aprendizagem da Matemática 
no âmbito acadêmico. Já na perspectiva profissional, a Educação Matemática 
deve-se preocupar com a aplicação do conhecimento especializado, com o 
propósito de auxiliar os estudantes e os professores que são seus clientes ou 
usuários, onde admite que a função maior da Educação Matemática prossegue 
da formação de professores paralelamente à busca de conhecimento 
consistente para ser aplicado. 
Ela não pretende ser fechada e completa, trazendo em sua lacunaridade o 
convite ao debate, a partir de questões geradoras desse modo de pensar a 
Educação Matemática e seus temas decorrentes. Ela preserva da Filosofia as 
características de um pensar: 1-analítico, que procura decompor um todo 
complexo para compreender as suas partes; 2-reflexivo, no qual ocorre a volta 
ou o dobrar-se da consciência sobre si mesma para conhecer-se enquanto 
capacidade para o conhecimento, o sentimento e a ação; 3-crítico, que examina, 
duvida, questiona; 4-sistemático, cujos elementos são interdependentes, 
articulados entre si; 5-metódico, de acordo com um certo planejamento e 
procedimentos que garantam a coerência e o exercício da critica; 6-universal ou 
totalizante, que busca uma compreensão abrangente, global; não parcial ou não 
fragmentária daquilo que está sendo investigado. 
No entender de Bicudo e Garnica (2003, p. 13), Constitui-se a filosofia da 
Educação Matemática com tal pensamento reflexivo, crítico e sistemático, 
analítico e abrangente, ressignificando - redirecionando, recontextualizando - as 
questões essenciais postas pela filosofia, pela filosofia da educação e pela 
filosofia da matemática. Constitui-se em trajetória, com pensamento próprio, 
com viço original, mesmo sendo tecida nessas ressignificações de 
questionamentos de outras esferas do pensamento filosófico. 
É possível perceber que os autores delineiam uma trajetória acerca das 
características fundamentais da Filosofia, as quais são preservadas pela 
Filosofia da Educação Matemática, no tocante ao ensino e a aprendizagem. 
Com efeito, a Filosofia da Matemática trabalha as questões básicas da filosofia: 
O que existe? O que é conhecimento? O que vale? -abordando especificamente 
os objetos matemáticos, desdobrando as indagações acima na seguintes: Qual 
é a realidade dos objetos matemáticos? Como são conhecidos os objetos 
matemáticos e quais os critérios que apóiam a verdade das assertivas 
matemáticas? As leis e os objetos matemáticos são descobertos, inventados ou 
construídos? 
Em virtude desses questionamentos se distinguem duas grandes correntes na 
Filosofia da Matemática: a absolutista e a da mudança conceitual. A absolutista 
sustenta que esta constitui um corpo de conhecimento absoluto e certo, que se 
apoia sobre os fundamentos sólidos da lógica dedutiva, capaz de fornecer 
sistemas rigorosos para garantir o conhecimento matemático de maneira 
absoluta. De acordo com essa corrente o conhecimento matemático é eterno, 
embora se possam descobrir novas teorias e verdades para se acrescentarem 
ao já conhecido. A imagem da Matemática impressa filosoficamente em uma 
concepção absolutista é tida como rígida, fixa, lógica, absoluta, fria, objetiva, 
pura, abstrata, remota e ultra-racional. Não é por acaso que esta imagem 
coincide com a imagem pública muito difundida da Matemática como sendo 
difícil, fria, abstrata, teórica, ultra-racional, porém importante. A Matemática 
também possui a imagem de ser remota e acessível somente a alguns seres 
extremamente inteligentes com "mentes matemáticas". 
Em contraste a essa filosofia, surgem as filosofias da mudança conceitual ou 
filosofias falibilistas da matemática que asseveram que a Matemática é 
corrigível, falível e um produto social em mudança Esta segunda corrente 
ressalta a prática da Matemática, o seu lado humano, concebendo a Matemática 
como o resultado de processos sociais. O conhecimento matemático é 
entendido como falível e sempre aberto a revisões, tanto de suas provas ou 
demonstrações como de seus conceitos (Cf LAKATOS, 1976). Nessa corrente 
filosófica a Matemática é vivenciada de uma maneira quente, humana, pessoal, 
intuitiva, ativa, colaborativa, criativa, investigativa, cultural, histórica, viva, 
relacionada com situações humanas agradáveis, o que constitui uma tarefa 
primordial da Filosofia da Educação Matemática a análise crítica e reflexiva das 
propostas e ações educacionais concernentes ao ensino e à aprendizagem da 
Matemática nos diversos contextos em que ocorrem. 
Em síntese, o objetivo central da Filosofia da Educação Matemática é analisar 
criticamente os pressupostos ou ideias fundamentais que inter-relacionam o 
currículo ou a proposta pedagógica, tentando esclarecer suas assertivas e a 
concordância entre as ações visadas. Nesse sentido, a Filosofia da Educação 
Matemática elabora e procura responder a questões tais como: 1- Será que há 
consistência entre a concepção de educação, de ensino, de aprendizagem, de 
conteúdo matemático transmitido e concepções de matemática e de 
conhecimento matemático, entre atividades propostas e desenvolvidas, entre 
avaliação proposta e efetuada na realidade escolar ou educacional? 2- A partir 
da análise realizada, que ações podem ser sinalizadas e com que propósito ou 
em nome de qual política? 
O artigo também traz um esboço histórico acerca da Educação Matemática,a 
qual faz parte de um processo lento a pouco mais de um século, de modo que 
somente próximo do final do século XIX, quando a formação de professores 
secundários se tornou uma função crescentemente importante das 
universidades, é que a Educação Matemática começou a ser reconhecida como 
uma matéria universitária. A pesquisa em Educação Matemática em todo o 
mundo expandiu-se enormemente da metade dos anos 1950 até metade dos 
anos 1970. O movimento da "Matemática Moderna", que influenciou muitos 
países, inclusive o Brasil, estimulou novos periódicos, novas organizações 
profissionais, novos institutos de pesquisa para a Educação Matemática e vários 
novos pesquisadores. Somente na década de 80 do século XX o termo aparece 
em inglês como título da tese de doutorado "Philosophy of Mathematics 
Education" (Filosofia da Educação Matemática), de autoria de Eric Blaire, 
defendida em janeiro de 1981, no Instituto de Educação da Universidade de 
Londres. De 1982 a 1992 surgem, em nível internacional, trabalhos que 
abordam temas de Filosofia da Educação Matemática, apesar de não a 
mencionarem explicitamente. Em 1983 é publicado o importante livro de Hans 
Freudenthal intitulado "Didactical Phenomenology of Mathematics Structures" 
(Fenomenologia Didática das Estruturas Matemáticas). Em 1991, decorridos dez 
anos do trabalho de Blaire, é publicado o livro "The Philosophy of Mathematics 
Education" (A Filosofia da Educação Matemática), de autoria de Paul Ernest, 
professor da Universidade de Exeter, no Reino Unido. 
Em relação aos Congressos Internacionais de Educação Matemática descritos 
no artigo, pretende-se traçar a trajetória dos principais acontecimentos acerca 
da Educação Matemática inerentes as discussões estabelecidas de acordo com 
a temática de cada encontro que ocorre quadrienalmente sob o patrocínio da 
International Comission on Mathematical Instruction (ICMI-Comissão 
Internacional de Instrução Matemática). Da mesma forma são com algumas 
entidades, grupos de estudo e de pesquisa em Educação Matemática no Brasil. 
O artigo conclui que a Filosofia da Educação Matemática não se constitui uma 
fornecedora de fundamentos teóricos a partir da qual a prática poderá realizar-
se linearmente. Assim busca esclarecer os· elementos constitutivos da 
Educação Matemática originando de sua prática. 
Por fim, a Educação Matemática ocorre como uma reflexão-na-ação, sendo que 
a ação dá-se num contexto no qual vivemos com o outro compartilhando 
vivências. Sendo necessário que aqueles que investigam essa área do 
conhecimento procurem conviver com a perspectiva do outro, exercitando 
dialogicamente o respeito aos trabalhos coletivos.

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