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História da Engenharia 2 2.1 História da engenharia 14 14 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL 2.1 HISTÓRIA DA ENGENHARIA Nesta unidade aprenderemos um pouco sobre a história da engenharia, a qual se confunde com a própria história da humanidade e da civilização. Alguns pesquisadores retratam a Engenharia como a arte de aplicar conhecimentos científicos e empíricos e certas habilitações específicas à criação de estruturas, dispositivos e processos que se utilizam para converter recursos naturais em formas adequadas ao atendimento das necessidades humanas (FERREIRA, 1986). Portanto a engenharia se conceitua em transformar a natureza a nosso favor, utilizando técnicas, para solucionar os problemas. A palavra engenharia tem origem do Latim Ingenium que significa: caráter inato, talento, inteligência, engenho ou habilidade. Os primeiros estudos mostram a origem da engenharia nos primórdios, no período Paleolítico, refere-se ao período da pré-história que vai de cerca de 2,5 milhões a.C., até cerca de 10000 a.C., nesse período podemos identificar o primeiro engenho. Os hominídeos criaram instrumentos que lhes permitiram suprir suas necessidades imediatas, inventando a pedra lascada, para ficarem com a ponta aguçada e se transformarem em objetos cortantes o material utilizado era madeira, osso ou sílex (um tipo de pedra resistente e quando quebra torna-se “naturalmente” afiada), usada para caça e retirada da pele dos animais para aquecer no período de frio. Estima-se que as mais antigas ferramentas, encontradas na Tanzânia, foram fabricadas há cerca de 1 750 000 anos, por uma população pré-humana, usados de forma bastante rudimentar. Por necessidade as técnicas primitivas tiveram grande avanço e consistência com a descoberta posteriormente da alavanca – quando o homem sentiu que podia mover cargas bem mais pesadas do que as normalmente movia com seus próprios braços. Por volta de 600.00 anos atrás, houve mais um avanço tecnológico e cultual do homem primitivo a descoberta do fogo, conseguido através da fricção de dois pedaços de madeira, fundamentado, provavelmente, na observação dos efeitos de atrito entre as ramas secas balançadas pelo vento. Essa invenção trouxe grande progresso para a civilização, o fogo significou calor e luz, possibilitando vencer o frio e a escuridão, e portanto, abriu caminho para o homem primitivo sobreviver em regiões mais frias, ampliando a ocupação territorial da terra, além de cozer os alimentos, tornando- os mais palatáveis. 15 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL Podemos perceber o indivíduo preocupado em desenvolver técnicas para solucionar problemas e melhorar a qualidade de vida. Entre o período de 12 mil a 4 mil A.C., houve uma grande evolução técnica, o que ocasionou modificações culturais, passando a utilizar: 01_Agricultura; 02_Domesticação de animais; 03_Modelagem cerâmica; 04_Fabricação do vinho e da cerveja Esse período ficou conhecido como Neolítico, com a agricultura e a domesticação de animais, sendo explorado de diversas maneiras, como por exemplo, a ordenha para aproveitamento de leite, a coleta de ovos, a tração animal, além de criar o estoque alimentar de reserva, gerou grandes modificações culturais. Assim, não havia mais necessidade de mudanças frequentes do local de residência para obtenção de alimentos. Esse período foi um divisor de águas, podemos destacar dois grandes engenhos: O arado que permitiu que o ser humano plantasse, tirando da terra o seu sustento, sem precisar caminhar para encontrar alimento; e a criação da organização social, a sociedade começa a surgir, gerado mais recursos e consequentemente novas criações. Chegamos então a Idade de Bronze (2.000 A.C), segundo colocado no livro de Bazzo (2013), com esta nova organização social, o homem começou a dedicar-se a novas descobertas e a realizar obras de maior porte, para poder manter o seu modo de vida, suas novas aspirações e organizações sociais. Pode-se colocar como exemplo as pirâmides de Gizé. Nesse período descobriu-se o uso do metal, sendo o cobre o primeiro a ser reaproveitado, e logo depois o ferro, inicialmente foram utilizados para elaboração de ornamentos (elementos puramente decorativos de arquitetura), mas logo foi utilizado para fabricação de armas e ferramentas. Mais ou menos no mesmo período, a arquitetura foi enriquecida com novas técnicas, deu-se a invenção e a construção das primeiras máquinas simples e da roda que permitiu avançar grandes distâncias, criando comunicação com outros povos, ocasionando a interação entre comunidade através do comércio, pois os mantimentos que sobravam poderiam ser trocados por outras mercadorias entre as comunidades. Essas invenções colaboraram para que se promovesse a transformação das antigas sociedades 16 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL rurais patriarcais em cidades governadas, com regras de convivência política mais elaboradas, com a construção de templos, aquedutos, estradas e palácios. Portanto podemos destacar grandes descobertas nesse período, citamos algumas: 01_Fundição de metais, utilização na fabricação de instrumentos de caça e defesa; 02_Invenção do alfabeto para o uso da escrita e a numeração; 03_Arquitetura – novas técnicas – Invenção da roda e surgimento de pequenas máquinas; 04_Egípcios – Utilização do papiro e canalização do Nilo para irrigação; 05_ Mediterrâneos e escandinavos, criam navios; 06_ China – surgimento do Primeiro Manual da Matemática. Nessa época os engenheiros tinham sua base empírica, pois trabalhavam com base na prática ensinada pelos que o antecediam. Caminhamos para a Idade das trevas ou Idade Média, com aprimoramento da tração animal, avanços na construção civil com edificações que exigiam alta habilidade técnica. Surgimento de regiões de manufatura especializadas (artigos têxteis, joalheria), dando destaque ao artesanato, aumentando o número de artesões, isso acarretou que em Florença na Itália, ocorresse a união(Conselhos Profissionais) entre os joalheiros e artesãos o que levou ao estabelecimento de um núcleo de padronização, que posteriormente foi também aplicado aos construtores e artesãos da nobreza; O Farol de Alexandria, as Pirâmides do Egito, os Jardins Suspensos da Babilónia, a Acrópole de Atenas, o Parténon, os antigos aquedutos romanos, a Via Ápia, o Coliseu de Roma, Teotihuacán e as cidades e pirâmides dos antigos Maias, Incas e Astecas, a Grande Muralha da China, entre muitas outras obras, mantêm-se como um testamento do engenho e habilidade dos antigos engenheiros. Para finalizarmos surge a Idade Moderna, nesse período ouve uma grande ruptura e aceleração da engenharia, o homem passa a aplicar os conhecimentos científicos às técnicas, onde os conceitos técnicos, tais como leis da física, matemática e química são utilizadas na prática dessa nova engenharia. Não se utilizava apenas a prática na construção de maquinas, edificações ou equipamentos, mas também as tensões na estrutura, a melhoria geral do projeto, entre outros. 17 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P roib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL Criou-se nesse período a máquina a vapor que permitiu que a escala de produção aumentasse, o que era feito em escala artesanal. Além de integrar o meio de transporte, como o trem locomotiva, desbravando novas áreas, se a roda já ajudou o trem acelerou e muito a civilização. Houve a transformação do feudalismo para o capitalismo. Nesse período ocorreu a revolução industrial que trouxe grandes avanços para a sociedade. Hoje vivemos na idade contemporânea, marcado por transformações profundas na organização da sociedade, com a configuração do poder político burguês, acompanhada pelo desenvolvimento econômico capitalista que ao longo desse período histórico instaurou-se como forma de organização econômica para todos os continentes do mundo. As inovações e transformações foram profundas podendo exemplificar as pesquisas em medicamentos e em práticas médicas proporcionando um aumento significativo da expectativa e da qualidade de vida das populações. As inovações em maquinários e técnicas de produção gerando a base tecnológica para a expansão do capitalismo. Mas esse desenvolvimento tecnológico foi amplamente utilizado na área militar, resultando em armamentos cada vez mais letais, como as bombas atômicas. Nesse período surge os meios de comunicação: televisão, rádio, telefone celular, fibras óticas, entre outros. A Metalurgia; Lâmpadas elétricas e a eletrônica; Turbinas a vapor; A radioatividade; Energia nuclear; Fotografias, filmes e captura de imagens; O automóvel; os aviões; Cimento e concreto; Asfalto e pavimentação; Arquitetura contemporânea; A internet; O COMPUTADOR PODENDO SER COLOCADO COMO O MARCO HISTÓRICO DESSE PERÍODO, GERANDO A REVOLUÇÃO DIGITAL, ETC. Para complementação, leiam o artigo sobre "ENGENHARIA, ORIGENS E EVOLUÇÃO", publicado no XXXV Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia no ano de 2007. 18 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL A ENGENHARIA NO BRASIL A Engenharia surgiu no Brasil quando de seu descobrimento, com a chegada dos oficiais engenheiros portugueses, que se dedicaram primeiramente às aplicações navais e posteriormente a construções de edificações civis e religiosas, obras de defesa no litoral, demarcação de fronteira, levantamentos topográficos e geográficos. Nessa época, a obra de Engenharia já era entendida porto do o mundo. Devido a distâncias, dificuldades de comunicação, bem como o isolamento político, todos os avanços da engenharia da época só se fizeram sentir em Portugal e nos países mais avançados da Europa, somente bastante depois, no Brasil. Aqui, os princípios da Engenharia não contaram com grandes avanços em seu primórdio, pois a economia era baseada na escravidão, fato que não propiciava a criação de indústrias. No começo, as obras eram rústicas, porém continham elementos que a engenharia moderna não deve ignorar, como por exemplo a funcionalidade e a estética das edificações, apesar de bem precárias. Depois de décadas marcadas por obras de pequeno porte, teve início, na Bahia, a fundação de cidades, o que implicou obras maiores. O ano de 1549, com a fundação do Governo Geral e da Cidade de Salvador, Portugal começou de fato a colonizar o país. Esse período foi de suma importância para a Engenharia, por dar início à construção de diversas obras, mais modernas, muitas das quais são preservadas até hoje. A colonização trouxe também a construção de diversos fortes nas fronteiras com o intuito de defender o território de invasões de outros países. A engenharia clássica foi responsável pelo aparecimento de armamentos, fortificações, estradas, pontes, canais, instrumentos etc. Tanto no Brasil como em Portugal, até princípios do século XIX, a palavra “engenheiro” designava propriamente os engenheiros militares conhecidos como oficiais engenheiros. Assim, é possível afirmar que a engenharia moderna nasceu dentro dos exércitos. A descoberta da pólvora e depois o progresso da artilharia obrigaram a uma completa modificação nas obras de fortificação, que, principalmente a partir do século XVII, passaram a exigir profissionais habilitados para o seu planejamento e execução. A necessidade de realizar obras que fossem ao mesmo tempo sólidas e econômicas além de estradas, pontes e portos para fins militares forçou o surgimento dos oficiais engenheiros e a criação de corpos especializados de engenharia nos exércitos. De Portugal para o Brasil foram mandados alguns engenheiros considerados os melhores 19 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL para liderar os projetos de engenharia, como por exemplo o engenheiro Francisco de Frias da Mesquita, autor de importantes trabalhos do período colonial. Esses engenheiros portugueses também tinham a função de passarem seus conhecimentos para os oficiais militares do Brasil. Com a pouca demanda de engenheiros à época, a Coroa começou a enviar alunos para estudar na Europa, os quais deveriam retornar e transmitir seus conhecimentos para os outros oficiais. ESCOLAS DE ENGENHARIA Qual a diferença da Engenharia medieval com a atual? Podemos considerar que a grande diferença consiste na evolução dos conceitos e técnicas baseados no conhecimento científico e prático, como por exemplo o moinho (engenharia antiga) e a hidrelétrica (engenharia moderna) A Engenharia então evolui, pois passou do conhecimento prático, que era dominado apenas por um grupo de pessoas, a um conhecimento científico, sendo transmitido e compartilhado entre as pessoas. Telles (1984) elenca as principais escolas de engenharia são as seguintes: 01_ÉCOLE ROYALE DES PONTS ET CHAUSSÉES: fundada em 1747 em Paris, França. 02_BERGAKADEMIE FREIBERG: fundada em 1765 em Freiberga, Saxônia. 03_ACADEMIA DE MINERÍA Y GEOGRAFÍA SUBTERRÁNEA DE ALMADÉN: fundada em 1777, em Almadén, Espanha. 04_STAVOVSKÁ INŽENÝRSKÁ ŠKOLA: fundada em 1787, em Praga, Boêmia. 05_ACADEMIA REAL DE FORTIFICAÇÃO, ARTILHARIA E DESENHO: fundada em 1790 em Lisboa, Portugal. 06_REAL SEMINARIO DE MINERÍA: fundado em 1792, no México. 07_REAL ACADEMIA DE ARTILHARIA, FORTIFICAÇÃO E DESENHO: fundada em 1792, no Rio de Janeiro, Brasil; 08_ÉCOLE POLYTECHNIQUE: fundada em 1794 em Paris, França, que conseguiu juntar a Ciência com a Engenharia. 09_KAISERLICH-KÖNIGLICH POLYTECHNISCHES INSTITUT: fundado em 1815, em Viena, Áustria. A primeira escola de Engenharia a ser criada na américa foi no Brasil, chamada “Real Academia de Artilharia”, de 1792, no Rio de Janeiro, que tinha como objetivo formar oficiais das Armas e engenheiros para o Brasil Colônia. Em 1823, as matrículas de alunos civis passaram a ser aceitas. 20 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL Atualmente funciona como museu de visitação. Em 1874, a Escola Central desligou-se das finalidades militares, indo para a jurisdição da antiga Secretaria do Império, sendo então criada a "Escola Politécnica", que passou a formar exclusivamente engenheiros civis. A formação de engenheiros militares, bem como a de oficiais em geral, passou a ser na Escola Militarda Praia Vermelha (1874 a 1904). Nesse último ano, a Escola foi transferida para o Realengo, onde eram formados os oficiais de Engenharia e de Artilharia. Os oficiais de Infantaria e de Cavalaria eram preparados em Porto Alegre. E assim foi-se espalhando pelo mundo e pelo Brasil o ensino de Engenharia, dando origem a várias escolas. Em 1962 já existiam 112 cursos de Engenharia, pois com o desenvolvimento e crescimento das sociedades eram necessários mais engenheiros, o que acarretou, de 1960 a 1990, em média 12 cursos novos por ano. 21 M at er ia l p ar a u so e xc lu si vo d os a lu n os d a R ed e d e E n si n o D oc tu m . P ro ib id a a re p ro d u çã o e o co m p ar ti lh am en to d ig it al , s ob a s p en as d a le i. INTRODUÇÃO A ENGENHARIA E ÉTICA PROFISSIONAL Referências: BAZZO, Walter Antônio. Introdução à Engenharia. 4. ed. Santa Catarina, FAPEU UFSC, 2013. HOLTZAPPLE, Mark Thomas; REECE, W. Dan. Introdução à Engenharia: séculos XVI a XIX. Rio de Janeiro: LTC, 2012. TELLES, Pedro Carlos da Silva. História da Engenharia no Brasil. Clavero, 1994.