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CURSO INTENSIVO PARA RESIDÊNCIAS F I S I OT E R A P I A CINESIOLOGIA, BIOMECÂNICA E CINESIOTERAPIA PROFESSORES Franklin Cajaíba Dultra Priscila Silva Costa Possui graduação em Fisioterapia pela Faculdade Adventista da Bahia (FAFIS), Extensão em Fisioterapia Ortopédica e Traumatológica pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Pós graduação em Fisio- terapia Aplicadada à Ortopedia e Trau- matologia pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Pós graduação em Reabilitação em Medicina do Exercício e Desporto pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto - Portugal (FMUP) / FIFA Medical Centre of Excellence, Pós graduação em Osteopatia pela Escola Bra- sileira de Fisioterapia Manipulativa (EBRA- FIM), Mestrado em Tecnologias em Saúde pela Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (EBMSP). Professor da EBMSP, FA- DBA e UniFTC. Graduada em Fisioterapia pela Universida- de Católica do Salvador (UCSAL). Possui aperfeiçoamento e experiência em Fisiote- rapia Hospitalar, bem como em Unidade de Terapia Intensiva neurológica, geral e car- diovascular. Aperfeiçoamento e experiên- cia em atendimento domiciliar em Fisiote- rapia Neurofuncional, além de experiência em Fisioterapia Ortopédica ambulatorial e Geriátrica domiciliar. ORGANIZADORA REVISOR TÉCNICO Erika Pedreira da Fonseca Marcelo Peixoto Souza Fisioterapeuta, Doutora em Medicina e Saúde Humana, Mestre em Tecnologias em Saúde, Especialista em Reabilitação Neu- rofuncional, Professora da UCSAL, atual- mente Supervisora do Núcleo de Fisiotera- pia da Editora Sanar. Mestre em Educação e Contemporaneida- de pelo PPGEDUC/UNEB (Universidade do Estado da Bahia). Graduado em Fisiotera- pia pelo Centro Universitário (Estácio-FIB). Atualmente é professor assistente do cur- so de Fisioterapia da UNEB. Especialista em Ortotraumatologia e Acupuntura. Ex- periência em Clínica da Dor. 2021 © Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos à Editora Sanar Ltda. pela Lei nº 9.610, de 19 de Fevereiro de 1998. É proibida a duplicação ou reprodução deste volume ou qualquer parte deste livro, no todo ou em parte, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (eletrônico, gravação, fotocópia ou outros), essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas, sem permissão expressa da Editora. Intensivo para residências em fisioterapia: cinesiologia, biomecânica e cinesioterapia Thalita Galeão Fabrício Sawczen Fabrício Sawczen Pedro Muxfeldt Caio Vinicius Menezes Nunes Paulo Costa Lima Sandra de Quadros Uzêda Silvio José Albergaria da Silva Título | Editor | Projeto gráfico e diagramação| Capa | Revisor Ortográfico | Conselho Editorial | Editora Sanar S.A R. Alceu Amoroso Lima, 172 - Salvador Office & Pool, 3ro Andar - Caminho das Árvores CEP 41820-770, Salvador - BA Tel.: 0800 337 6262 atendimento@sanar.com www.sanarsaude.com Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Tuxped Serviços Editoriais (São Paulo-SP) Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário Pedro Anizio Gomes CRB-8 8846 C837ic Costa, Priscila. Intensivo para residências em Fisioterapia: Cinesiologia e Cinesioterapia / Priscila Costa.- 1. ed.- Salvador, BA : Editora Sanar, 2020. 50 p.; il.. E-Book: PDF. Inclui bibliografia. ISBN 978-65-86246-42-1 1. Cinesiologia. 2. Cinesioterapia. 3. Fisioterapia. 4. Medicina. 5. Residências. I. Título. II. As- sunto. III. Costa, Priscila. CDD 615.82 CDU 615.825 ÍNDICE PARA CATÁLOGO SISTEMÁTICO 1. Fisioterapia; cinesiologia. 2. Fisioterapia; Cinesioterapia. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA COSTA, Priscila. Intensivo para residências em Fisioterapia: Cinesiologia e Cinesioterapia. 1. ed. Salvador, BA: Editora Sanar, 2020. EBook (PDF). ISBN 978-65-86246-42-1 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Cortes dos planos Figura 2 - Classificação Funcional das Articulações Diartrodiais Figura 3 - Goniômetro Figura 4 - Classe I: o eixo está localizado entre a força e a resistência Figura 5 - Favorecimento da força (BF>BR) Figura 6 - Favorecimento da distância (BFa cinesioterapia, que é um conjunto de exercícios que busca a pre- venção ou a reabilitação de lesões, utilizando o movimento para treinar o corpo e alcançar um objetivo terapêutico. Nesta aula, iremos abordar os aspectos cinesiológicos e biomecânicos mais prevalentes nas provas de residência, bem como tipos de exercícios mais utilizados na cinesiotera- pia motora. PLANOS E EIXOS DE MOVIMENTO Os movimentos articulares executados pelo corpo humano ocorrem em planos e cada um possui um eixo correspondente. Entenda plano como um trilho por onde o segmento passa ao se mover. Há 3 planos e conse- quentemente 3 eixos. Para ficar mais fácil de entender, irei utilizar como exemplo uma folha de papel e um lápis. Recomendo fazer a prática. Nunca mais você vai esquecer. Ao pegar a folha com as mãos (como se estivesse lendo algo) e caso eu lhe solicitasse que atravessasse o lápis através do papel, notaria que só é possível de uma única forma, o lápis precisa furar a folha de frente para trás (tá, eu sei, poderia ser de trás para frente também, mas não vamos atrapalhar o exemplo com essa ideia). Fez isso? Joia! moniq Realce moniq Realce 8Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia O papel corresponde ao plano e o lápis, ao eixo. Note que seu papel só consegue se deslocar para os lados. Esse é o plano frontal (também co- nhecido como coronal) e seu eixo (o lápis) será anteroposterior. Trazendo para a realidade do corpo humano, todo movimento que ocorra para os lados respeita esse plano. Por exemplo: abdução de ombro e quadril, incli- nação cervical ou do tronco e desvio radial e ulnar (lembra que considera- mos na posição anatômica). Agora, se você pega essa mesma folha que estava de frente e a posiciona em perfil, notará que a única possibilidade de deslocar a folha é para frente e para trás, e o seu lápis a está atravessando de um lado a outro. Portanto, este é o plano sagital. Os movimentos só ocorrem para frente e para trás, como na flexão e extensão de qualquer articulação; e o seu eixo correspondente será laterolateral (algumas literaturas trazem medial-lateral). Por fim, só nos resta o plano transversal ou horizontal, o qual possibilita as rotações. Basta conferir no seu experimento. Ainda com o lápis perfu- rando o papel, vire-o apontado para cima e a folha realizará apenas giros. De acordo com o seu lápis, seu eixo é superior-inferior (ou também conhe- cido como craniocaudal ou ainda longitudinal). Algumas possibilidades de movimentos neste plano são rotação medial (interna) e lateral (externa) e pronação e supinação do antebraço (lembrando que consideramos a posi- ção anatômica). Quadro 1 - Planos e Eixos de Movimento Plano Eixo Frontal Anteroposterior Sagital Laterolateral Transversal Superior-Inferior Fonte: Autoria própria moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce moniq Realce 9Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Dica: O movimento articular ocorre em torno de um eixo que é sempre perpen- dicular ao seu plano. Sempre que um plano atravessa a linha média corporal, seja o plano sagital, frontal ou transverso, é denominado plano cardinal, porque divide o corpo em partes iguais. O ponto em que os três planos cardinais se comunicam representa o centro de gravidade do corpo. No corpo humano, esse ponto está aproximadamente na porção anterior da segunda vértebra sacral. • O plano frontal divide o corpo em parte anterior e posterior; • O plano sagital divide o corpo em parte medial e lateral ou direita e es- querda; • O plano transverso divide o corpo em superior e inferior ou proximal e distal, ou ainda cranial e caudal. Figura 1 - Cortes dos planos Fonte: Lippert LS, 2013. 10Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia AMPLITUDE DE MOVIMENTO A articulação é o local de união entre dois ou mais ossos do esqueleto. As articulações apresentam uma variedade de formas e funções. Algumas não possuem movimentos, outras permitem pouquíssimo movimento e algumas são livremente móveis. Será nesse último perfil que iremos nos concentrar! A articulação sinovial, também chamada de diartrose ou diartrodial, inclui a maioria das articulações do corpo e possui a característica peculiar de permitir movimentos livres. Não há união direta entre as extremidades ósseas, que são conectadas por ligamentos e recobertas por uma carti- lagem. Ligamentos são faixas de tecido conjuntivo fibroso, flexíveis, mas não elásticos e essa condição é fundamental para permitir a mobilidade articular e concomitantemente manter os ossos próximos. A cápsula articular apresenta duas camadas: uma externa e uma interna. A camada externa é constituída por tecido conjuntivo fibroso denso que mantém os ossos da articulação justapostos. A porção interna é formada por uma membrana sinovial que secreta o líquido sinovial; o qual lubrifica a área, reduzindo assim o atrito e facilitando o movimento, além de nutrir. Há uma teoria de que quanto mais móvel é a articulação, há mais probabi- lidade de instabilidade. No entanto, duas coisas interessantes acontecem com a cápsula que contribuem na acomodação óssea. Uma delas é que esse envelopamento da região articular provoca “um certo vácuo”, unin- do as áreas epifisárias. A outra característica é que a produção de sinóvia gera um mecanismo de adesão-coesão, ou seja, a pequena quantidade de líquido potencializa a conexão. Deixa eu te dar um exemplo. Sabe quando você vai a um restaurante, pede uma bebida e o garçom põe aquele supor- te de copo? Daí por vezes ao você levantar o copo o suporte também vem 11Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia junto. Isso ocorre porque há um pouquinho de água nessas interfaces, se- melhante à propriedade da cápsula. GRAUS DE LIBERDADE Os graus de liberdade equivalem ao número de planos em que as articula- ções se movimentam. O critério adotado para classificar funcionalmente relações diartrodiais depende da forma que as superfícies ósseas entram em contato e dos meios de união que podem limitá-las. Articulação Monoaxial ou Uniaxial – realiza movimento angular que ocorre em um plano em torno de um eixo e inclui dois tipos de subclassi- ficações em razão de sua anatomia estrutural: gínglimo (conhecida como dobradiça) ou trocóidea (conhecida como pivô). No gínglimo, os únicos movimentos possíveis são flexão e extensão, que ocorrem no plano sagi- tal em torno do eixo látero-lateral. Já na trocóidea o movimento é de rota- ção (giro) e ocorre no plano transverso em torno do eixo longitudinal. Articulação Biaxial - realiza movimentos em torno de dois planos e eixos (2 graus de liberdade) e incluem três tipos de subclassificações estrutu- rais: condiloide, elipsoidal e selar. A forma de uma articulação condiloide é uma superfície esférica convexa em conjunto com uma superfície opos- ta côncava. Uma estrutura elipsoidal possui uma superfície convexa (qua- se plana) que se articula com um acidente anatômico côncavo e profundo. Já na relação selar, cada componente ósseo possui uma superfície cônca- va e convexa orientadas perpendicularmente uma com a outra, como um cavaleiro em sua sela. Detalhe, nesses tipos não se consegue fazer rota- ções, mas podem fazer flexão/extensão e abdução/adução. Como exem- plo, no polegar, temos a articulação carpometacarpal, que é do tipo selar. 12Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Articulação Triaxial - realiza movimentos em torno de todos os planos, ou seja, possui liberdade para se deslocar em torno dos 3 eixos. Conheci- da também como do tipo esferoidal ou bola e soquete, é a relação articu- lar que possibilita mais movimentos do que qualquer outro tipo, como por exemplo a articulação glenoumerale a do quadril(coxofemural), que permite os movimentos de flexão/extensão, abdução/adução e rotação medial/lateral.. A circundução, por exemplo, é um movimento no qual o segmento percorre uma trajetória circular, perpassando pelos três pla- nos. Confira exemplos na Figura 2 e Tabela 2: Figura 2 - Classificação Funcional das Articulações Diartrodiais Fonte: Houglum PA, 2014. 13Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Quadro 2 - Características das articulações diartrodiais Classificação Forma Plano de Movimento Movimento Exemplo de Articulação Uniaxial Gínglimo Sagital Flexão/Extensão Umeroulnar/ Interfalangianas/ Femorotibial Uniaxial Trocóidea Transverso Rotação e Prona- ção/Supinação Atlantoaxial/ Radioulnar (pro- ximal) Biaxial Condiloide Frontal e Sagital Abdução/Adução e Flexão/Exten- são Metacarpofalan- geanas Elipsoidal Frontal e Sagital Desvio radial/ ulnar e Flexão/ Extensão Radiocarpal Selar Frontal, Sagital e Transversal (acessório) Abdução/Adu- ção, Flexão/Ex- tensão e Rotação (acessória) Carpometacarpal do polegar Triaxial Esferoidal Frontal, Sagital e Transverso Abdução/Adu- ção, Flexão/Ex- tensão e Rotação Glenoumeral e Femoroaceta- bular Fonte: Autoria própria. SENSAÇÃO FINAL DO MOVIMENTO A sensação final do movimento, ou também muito vista na literatura na- cional como end feel, desse jeito sem traduzir, corresponde às caracte- rísticas provocadas por aproximação de estruturas específicas no limite da amplitude articular. Há três tipos de sensação. São elas dura (algumas literaturas indicam forte), firme e mole (também descrita como macia). Uma sensação dura será provocada pelo contato de um osso com outro osso, como durante a extensão do cotovelo. O que limita o movimento será a íntima relação entre ulna e úmero. Dica: esta sensação não permite que a amplitude final de movimento ceda um pouco mais ao adicionar uma pressão externa/passiva. 14Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Na sensação firme, a limitação é sentida digamos que de forma flexível. Isso porque as estruturas que restringirão o movimento são capsuloli- gamentares. A flexão do punho é um exemplo dessa sensação. Por fim, a sensação mole se dá quando os tecidos musculares se aproximam uns dos outros. Por exemplo, quando se realiza uma flexão do joelho, a massa muscular dos isquiotibiais da coxa limita a continuidade do movimento ao se aproximar do tríceps sural da perna. Alterações nessas condições indicarão que a sensação final está anormal e, na maioria das vezes, provocada por alguma desordem ortopédica ou traumatológica. E como você agora já conhece o perfil de cada uma pelos elementos que participam, acredito que irá favorecer no seu diagnóstico. Imaginemos essa situação: chega uma senhorinha, idosa, em seu consul- tório se queixando de dor no joelho. Ao realizar de forma passiva a flexão, você percebe que o joelho “trava” em um determinado momento. Opa! Isso não deveria acontecer, pois esperávamos que o end feel fosse mole. Logo, há uma boa chance de ser uma artrose, por exemplo, daí quando o fêmur se choca contra a tíbia gera tal restrição de característica dura. GONIOMETRIA A goniometria é uma maneira prática de se quantificar a liberdade do mo- vimento articular. Ela é feita através de uma espécie de régua sobreposta, chamada de goniômetro (Figura 3). Na maioria das vezes, para verificar as medidas, o goniômetro será posicionado com seu fulcro na região que corresponde ao eixo articular e seus braços fixo e móvel ao longo das diá- fises dos ossos que compõem a articulação. 15Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Figura 3 - Goniômetro Fonte: https://img.kalunga.com.br/FotosdeProdutos/663460z.jpg Há algumas opções de manuais que especificam os acidentes anatômicos para guiá-los com mais exatidão durante uma avaliação. Acredito que é muito pertinente para o profissional essa quantificação, pois assim pode- -se identificar eventual bloqueio articular; como está o progresso da tera- pêutica e fundamentar laudos, relatórios e atestados. Segue abaixo uma tabela com as amplitudes das principais grandes articulações: Quadro 3 - Movimentos e valores de normalidade das grandes articulações Articulação Movimento Intervalo de normalidade Ombro Flexão 150° a 180° Extensão 40° a 60° Abdução 150° a 180° Adução 20° a 40° Cotovelo Flexão 145° Extensão 0° Antebraço Supinação 80° a 90° Pronação 70° a 80° Fonte: Autoria própria. 16Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Articulação Movimento Intervalo de normalidade Punho Flexão 75° a 90° Extensão 65° a 70° Desvio Ulnar 25° a 40° Desvio Radial 15° a 25° Quadril Flexão 110° a 125° Extensão 10° a 20° Abdução 40 a 55° Adução 10° a 20° Rotação Lateral 40° a 50° Rotação Medial 30° a 45° Joelho Flexão 120° a 160° Extensão 0° Tornozelo Flexão Plantar 40° a 50° Flexão Dorsal 10° a 20° Fonte: Autoria própria. Assista agora a Pocket Aula sobre Cinesiologia e Biomecânica - Parte I clicando no ícone ao lado Continuação Quadro 3 - Movimentos e valores de normalidade das grandes articulações https://sanar.link/aula_fisio_6500 17Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia CADEIA CINÉTICA ABERTA E FECHADA As cadeias cinéticas tratam das relações articulares que permitirão os movimentos do corpo humano. Tais cadeias são divididas em abertas e fechadas e o que vai discernir uma da outra será o comportamento do segmento distal durante a execução de uma determinada ação. Na cadeia cinemática aberta (CCA), durante o deslocamento articular, o segmento distal encontra-se livre para se mover no espaço, ao contrário, na cadeia cinemática fechada (CCF), o segmento distal está fixo e as par- tes proximais que se movem. Por exemplo, digamos que você está na aca- demia e irá exercitar os bíceps. Carregar os halteres fazendo uma flexão de cotovelo corresponderá a uma atividade em CCA. Mas se você se pen- durar em uma barra pelas mãos e daí realizar a flexão de cotovelo, levando seu corpo em direção à barra, será uma CCF. Detalhe, na cadeia aberta, os movimentos são muito variáveis, já que todas as articulações participantes estão livres para contribuir com diversos graus de amplitude. Inclusive, por este motivo julga-se que essa tamanha condição de mobilidade possa vulnerabilizar as articulações a risco de lesões. Até mesmo porque as mudanças de posicionamento articular na CCA ten- dem a ser mais velozes quando comparadas à CCF. Outra característica importante nessa condição é que o movimento de uma articulação é in- dependente de outra, logo o segmento pode se deslocar ou permanecer estático independentemente do que os demais estejam fazendo. Diferentemente, para que ocorra o movimento na cadeia fechada se faz necessário que mais de uma articulação se mova, é o princípio da interde- pendência. E, apesar das variações de amplitudes de movimento da ca- deia cinemática fechada não possuírem tanta velocidade, elas produzem mais potencia e forca para as atividades funcionais. 18Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 01. Sobre as características dos exercícios em cadeia cinética aberta e fechada, identifique como verdadeiras (V) ou falsas (F) as seguintes afirmativas: ] ̣ Exercícios em cadeia cinética aberta recrutam grupos muscu- lares simples e enfatizam contrações excêntricas. ] ̣ Exercícios em cadeia cinética fechada favorecem a proprio- cepção e padrões de movimentos funcionais. ] ̣ Exercícios em cadeia cinética aberta possuem a desvantagem de trabalharem menos propriocepção. ] ̣ Exercícios em cadeia cinética fechada possuem a desvantagem de serem limitados, por serem simples. Assinale a alternativa queapresenta a sequência correta, de cima para baixo. 🅐 F-V-V-F 🅑 V-F-V-V 🅒 V-V-F-F 🅓 F-V-F-V 🅔 V-F-V-F Clique aqui para ver o gabarito da questão. 19Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia SISTEMAS DE ALAVANCAS No corpo, são consideradas três classes de alavancas e cada uma delas tem uma diferença de propósito e vantagem mecânica. As alavancas são rígidas e podem rodar em torno de um ponto fixo quando se aplica uma força. Para o movimento humano então consideramos o osso como ala- vanca e três elementos a compõem: eixo, força e resistência. O ponto fixo que será o eixo, também chamado de fulcro, corresponderá à área de contato entre os ossos, logo, na articulação. A força, que é o motor que garantirá a variação/manutenção de amplitude na alavanca, serão os músculos. Por fim, a resistência, vista também como carga, inclui o peso do segmento e o peso externo que possa estar sustentando (além da gra- vidade). As alavancas são classificadas em: • Primeira Classe (Classe I) = Interfixa • Segunda Classe (Classe II) = Inter-resistente • Terceira Classe (Classe III) = Interpotente Dica importante: Já vimos que os componentes da alavanca são eixo, força e resistência. O que vai definir o tipo de alavanca é justamente qual desses se encontra no centro. Ah! Detalhe: ao analisar a força, ou seja, o músculo, a re- ferência comumente será um dos pontos de inserção e não necessariamente o ventre. Outro destaque são os chamados braço de força (BF), que é a distância entre a força e o eixo, e o braço de resistência (BR), que é a distância en- tre a resistência e o eixo. Quanto maior for o BF, mais fácil se tornará para mover uma resistência! 20Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Figura 4 - Classe I: o eixo está localizado entre a força e a resistência Fonte: Autoria própria. Nas alavancas interfixas, se for colocado o eixo perto da resistência, ha- verá um favorecimento da força (Figura 5). Ao posicionar o eixo perto da força, terá uma alavanca que favorece a distância (Figura 6). Se o eixo for ajustado exatamente no meio entre a força e a resistência (supondo que tenham o mesmo peso), a alavanca favorece o equilíbrio (Figura 4). Figura 5 - Favorecimento da força (BF>BR) Fonte: Autoria própria. Figura 6 - Favorecimento da distância (BFem uma ex- tremidade, a resistência no meio e a força na outra extremidade. 🅔 Uma alavanca de terceira classe possui o fulcro em uma extre- midade com a força no meio e a resistência na extremidade oposta. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Assista agora a Pocket Aula sobre Cinesiologia e Biomecânica - Parte II clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6501 27Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia ANÁLISE DA MARCHA A marcha é a forma que os indivíduos se movimentam de um local a outro, também chamada de caminhada ou deambulação. É o movimento em que se observa o deslocamento do corpo para a frente de maneira eficiente, ou seja, com pouco gasto energético. Requer equilíbrio sobre um mem- bro inferior enquanto o outro se move para frente. Para isso ocorrer, além da ação muscular efetiva, também é necessária a utilização do tronco e membros superiores. É interessante observar que todos nós possuímos uma forma característica de caminhar, a depender do nosso humor, estilo de vida, características emocionais e físicas. Entretanto, sempre irá existir um padrão. Também é importante salientar que nossa marcha sofre alterações de acordo com a fase da vida que nos encontramos, por exemplo, o idoso que possui uma marcha característica decorrente das alterações próprias do envelhecimento. Assim como quando ocorre alguma lesão ou doença musculoesquelética ou neurológica, a marcha pode sofrer alterações e adaptações frente às novas mudanças estruturais e fisiológicas visando permitir o ato de se lo- comover de um local a outro. Dito isso, vamos agora estudar a terminolo- gia da marcha normal, bem como suas fases e subfases. O ciclo da marcha ou passada é o período em que o calcanhar de um pé toca o solo até o momento em que ele volta a tocar o solo novamente. O ciclo da marcha é dividido em duas fases: apoio e balanço, que possui ou- tras subfases. A fase de apoio corresponde a aproximadamente 60% do tempo do ciclo da marcha, durante o tempo em que o pé está em contato com o solo. Inicia-se quando o calcanhar de um pé toca o solo e termina quando este pé sai do solo. Consiste em contato inicial - resposta à carga 28Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia - apoio médio - apoio terminal - pré-balanço. A fase de balanço correspon- de a cerca de 40% do tempo do ciclo da marcha. Ocorre quando o pé não está em contato com o solo, começando no momento que o pé sai do solo e finaliza quando o calcanhar do mesmo pé toca o solo outra vez. Consiste em balanço inicial - balanço médio - balanço final. Funcionalmente, existem três eventos a considerar durante a marcha: 1) aceitação do peso, que ocorre bem no início da fase de apoio (contato ini- cial e resposta à carga), quando o pé toca o solo e o peso do corpo começa a ser transferido para o membro inferior; 2) apoio simples, que aconte- ce quando o peso do corpo está totalmente sobre o membro inferior de apoio para que o outro membro avance para frente, durante o apoio mé- dio e final; 3) avanço do membro inferior, que vai desde a fase de pré-ba- lanço até o final do balanço. Desta forma, o ciclo da marcha possui dois períodos de apoio simples e dois de apoio duplo, que acontece quando os dois pés estão em contato com o solo, por exemplo, quando se inicia a fase de apoio de um membro inferior e terminando a fase de balanço do outro. Durante todo o ciclo da marcha, não há períodos sem apoio, salvo durante a corrida, pois à medida que a velocidade aumenta, o tempo de apoio duplo diminui. Vale lembrar que aqui estamos considerando a nomenclatura do Rancho Los Amigos (RLA) desenvolvido por Jacquelin Perry para as subfases da marcha, sendo que esta foi construída a partir da nomenclatura tradicio- nal, ou seja, as duas formas podem ser encontradas na literatura. Sendo assim, fique atento à terminologia, pois sofrem pequenas divergências a depender do autor. Portanto, é importante o conhecimento de ambas. Ob- servando as figuras 14 e 15 e a tabela seguinte, é possível identificar como ocorre o processo das fases e subfases e as diferenças de nomenclatura. 29Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Figura 14 - Fases e subfases da marcha Apoio Balanço A B A1 A2 A3 A4 A5 B1 B2 B3 Fase de apoio Contato inicial Resposta à carga Apoio médio Apoio final Pré- -balanço Fase de balanço Balanço inicial Balanço médio Balanço final Tarefa multifuncional Aceitação do peso Apoio simples Avanço do membro Tarefa funcional Avanço do membro Fonte: Houglum & Bertoti, 2014 Quadro 4 - Descrição das fases e subfases da marcha Fase/subfase Descrição Fase de apoio Contato inicial Contato do calcanhar no solo, geralmente com o calcanhar; início da aceitação do peso e da fase de apoio (duplo). Resposta à carga O peso do corpo continua a ser transferido para o membro infe- rior e o pé vai em direção ao solo; fim do apoio duplo. Apoio médio Inicia-se a saída do outro membro inferior do solo; início do apoio simples. Apoio final O calcanhar sobe, as pernas avançam sobre o antepé, o tronco se move sobre o membro de sustentação que agora está em exten- são; fim do apoio simples. Pré balanço Começa com o contato do outro pé no solo, continua até que os dedos saiam do solo; início do avanço do membro inferior; início e término do apoio duplo. Fase de balanço Balanço inicial Saída do pé do solo, início do encurtamento (flexão) do membro inferior para realizar aceleração; início da fase de balanço. Balanço médio Flexão máxima de joelho; termina quando o membro inferior se encontra em posição vertical. Balanço final Membro inferior em posição vertical; fim do avanço do membro inferior; membro vai desacelerar para o contato inicial novamente. Fonte: Autoria própria. 30Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Figura 15 - Diferenças de nomenclatura para as fases e subfases da marcha Terminologia Tradicional Toque do calcanhar Terminologia Rancho Los Amigos Contato Inicial Apoio completo do pé Resposta à carga Apoio médio Apoio médio Saída do calcanhar Apoio terminal Saída dos dedos Pré balanço Aceleração Balanço inicial Balanço médio Balanço médio Desacelaração Balanço final Fonte: Autoria própria. O estudo da cinemática da marcha compreende a descrição dos aspectos espaciais e temporais. As características espaciais são possíveis de visu- alizar observando os pés enquanto seguem um padrão de caminhada no solo, como quando vemos nossas pegadas na areia da praia. Estas carac- terísticas são comprimento do passo, comprimento da passada e largura do passo. O comprimento do passo é a distância entre o ponto médio do calcanhar (no momento do contato inicial) do pé até o calcanhar do outro pé. O com- primento da passada é a distância entre o contato inicial de um pé e o contato inicial do mesmo pé, ou seja, é a soma do comprimento do passo direito e esquerdo. A largura do passo corresponde à distância horizontal entre dois pés, ou seja, desde o ponto médio de um calcanhar até o outro. Observando a figura seguinte, é possível visualizar com clareza: 31Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Figura 16 - Passada, comprimento do passo e largura do passo Fonte:https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn%3AANd9GcSFyworfFX 9pOJHPBYt0RUZwYpB1V8jhuR-n6qF0ktcKR14iFLE&usqp=CAU As características temporais descrevem aspectos que se relacionam com tempo, são eles: velocidade e cadência. A velocidade é a distância expressa em metros por segundo ou quilômetros por hora, já a cadência corresponde ao número de passos completados por unidade de tempo, geralmente em passos por minuto. Sendo assim, ao ocorrer alterações no comprimento da passada ou cadência, a velocidade pode ser mudada. Lembrandoque se houver um aumento de velocidade, as fases da marcha terão uma duração menor. Deste modo, a velocidade da caminhada é im- portante na análise da marcha, pois pode influenciar outros fatores, como tempo e distância, gasto energético e atividade muscular. Durante a marcha, ocorre um padrão recorrente de atividade seguido de repouso muscular. O gasto energético do corpo durante a caminhada é mantido relativamente baixo devido ao mínimo de movimentos necessá- rios produzidos pela função muscular eficiente e pelo sistema mecânico efetivo das alavancas articulares. 32Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Os músculos podem atuar como estabilizadores, aceleradores ou desace- leradores. Desta forma, quando estão no papel de estabilizadores, geral- mente o trabalho é isométrico para posicionar uma articulação enquan- to outra se move. Quando os músculos estão agindo como aceleradores, frequentemente utilizam contração concêntrica visando movimentar o seguimento à frente. Por fim, quando os músculos atuam como desace- leradores, contraem excentricamente para reduzir um movimento ou ab- sorver a força produzida. Logo, cada fase da marcha apresenta variadas combinações de tipos de contrações musculares de músculos diferentes e, para facilitar o entendi- mento e a absorção do conteúdo, aqui vamos apontar os principais mús- culos que atuam em cada subfase. Observe a tabela abaixo: Quadro 5 - Principais músculos atuantes e tipo de atividade nas fases e subfases da marcha Subfase Principais músculos Tipo de atividade Contato inicial Tibial anterior Quadríceps Glúteo máximo e Glúteo médio Excêntrica para estabilizar o tornozelo Excêntrica para absorção de impacto do pé no solo Isométrica para estabilizar o quadril Resposta à carga Tibial anterior e quadrí- ceps Glúteo máximo Excêntrica para absorver impacto do pé no solo Isométrica para estabilizar o quadril Apoio médio Gastrocnêmio e sóleo Glúteos máximo, médio, mínimo e Tensor da Fás- cia Lata Estabilizam o tornozelo e restringem o movimento para a frente da tíbia no fêmur, gerando apoio es- tável para o joelho Isométrica para estabilizar a pelve durante o perío- do de apoio unilateral Apoio final Gastrocnêmio Concêntrica para gerar força e preparo para o membro ir para frente na fase seguinte Pré-balanço Gastrocnêmio Sóleo Adutores do quadril Iliopsoas Concêntrica para impulsionar o corpo para frente (aceleradores) Fonte: Autoria própria. 33Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Subfase Principais músculos Tipo de atividade Balanço inicial Tibial anterior Reto femoral e iliopsoas Excêntrica para acelerar o membro para frente Balanço médio Tibial anterior Isométrica para controlar o pé durante a fase de balanço Balanço final Glúteo máximo e isquio- tibiais Quadríceps Tibial anterior Excêntrica para desacelerar o movimento do qua- dril e joelho para frente Preparo do joelho para aceitação do peso do pró- ximo ciclo Mantém posição estável do tornozelo na flexão dorsal neutra para o contato do solo Fonte: Autoria própria. Os membros superiores também têm papel importante no processo da marcha e contribuem auxiliando na estabilização e reduzindo o movimento lateral do corpo. Os músculos do tronco, como transversoespinhal, ereto- res da espinha e quadrado lombar ficam ativos durante o ciclo da marcha, principalmente no contato inicial para evitar a flexão de tronco e movimen- tos da cabeça que ocorrem enquanto o corpo passa da aceleração para a desaceleração. Os músculos abdominais são ativados conforme o aumen- to da velocidade da marcha, buscando gerar maior estabilidade. Diante de tudo que foi estudado, podemos concluir que, se houver algu- ma limitação articular e/ou muscular dos segmentos apresentados, o pa- drão normal da marcha poderá ser alterado, o que pode levar ao aumento do gasto energético devido às compensações corporais que podem vir a ocorrer para que o indivíduo consiga realizar o ato de caminhar. Deste modo, compreender o que é típico capacita o fisioterapeuta a iden- tificar a marcha anormal ou patológica durante a análise observacional, permitindo assim um plano terapêutico adequado para o tratamento das alterações encontradas e suas consequências. Continuação Quadro 5 - Principais músculos atuantes e tipo de atividade nas fases e subfases da marcha 34Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 04. A marcha é uma função que, em muitas situações, deve ser recuperada o mais rápido possível em indivíduos hospitalizados. Em relação à atividade muscular durante a marcha, assinale a al- ternativa INCORRETA. 🅐 O tríceps sural tem importante ação durante a fase de impulsão e auxilia na flexão do joelho. 🅑 O quadríceps tem importante ação excêntrica após o contato do calcanhar para limitar a flexão, uma vez que a linha de gravidade está atrás do eixo da articulação do joelho. 🅒 Os flexores superficiais do quadril são responsáveis pelo início da fase de oscilação. 🅓 O glúteo máximo está ativo em fase de impulsão de forma a desacelerar o deslocamento do centro de massa que se desloca anteriormente. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Assista agora a Pocket Aula sobre Análise da marcha clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6499 35Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia CLASSIFICAÇÃO DOS EXERCÍCIOS TERAPÊUTICOS A cinesioterapia é um conjunto de exercícios que busca a prevenção ou tratamento de lesões utilizando o movimento para alcançar um objetivo terapêutico. A cinesioterapia no aparelho musculoesquelético promove o aumento da amplitude articular e força muscular, alívio de dores, melhora da postura, coordenação motora, equilíbrio, entre outros benefícios. Os exercícios terapêuticos podem ser realizados de várias maneiras: ativa, ativa-assistida, ativa-resistida ou passiva. Os exercícios terapêuticos passivos são realizados através de uma força externa, ou seja, o indivíduo não tem participação ativa no movimento. É utilizada quando, por exemplo, o paciente não tem força muscular sufi- ciente para mover a articulação por conta de paralisia, restrição ao leito, fraqueza muscular etc. Desta forma, o fisioterapeuta realiza movimentos fisiológicos da articulação para manter a mobilidade articular e dos te- cidos moles adjacentes, preservar a amplitude de movimento, prevenir contraturas musculares e aderências capsulares, além de reduzir dor. Os exercícios terapêuticos ativos são realizados pela ação do próprio paciente, podendo ter algum auxílio externo, entretanto, a maior força é do paciente. Podem ser da seguinte forma: • Ativa: quando o paciente realiza todo o exercício sem ajuda externa, contraindo a musculatura. • Ativa-assistida: o paciente realiza o movimento ativamente, entretan- to, recebe auxílio do terapeuta em algum momento do exercício que o paciente não consegue realizar. • Ativa-resistida: além do paciente realizar o exercício ativamente, ne- cessita de força muscular adicional para vencer uma resistência impos- 36Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia ta pelo terapeuta com objetivo de fortalecer a musculatura. As contra- ções musculares podem ser: isotônica, quando um músculo se contrai e determina modificações tanto no comprimento muscular quanto no ângulo da articulação para geração de força. Sendo assim, a contração isotônica pode ser dividida em concêntrica e excêntrica. A concêntri- ca ocorre quando há movimento articular, encurtamento do músculo e aproximação das inserções musculares. Já a contração excêntrica ocorre quando há movimento articular, porém o músculo se alonga, afastando as inserções. Quanto a isométrica ocorre a geração de força e aumento de tensão, porém não existe alteração no comprimentodo músculo, ou seja, é estático. Observe a figura: Figura 17 - Tipos de contração muscular Fonte: https://publicinsta.com/hashtag/conc%C3%AAntrica https://publicinsta.com/hashtag/conc%C3%AAntrica 37Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 05. Observe as figuras abaixo e assinale a alternativa que repre- senta a atividade muscular de bíceps e de tríceps. 🅐 Contração concêntrica de bíceps e contração concêntrica de tríceps (1); contração excêntrica de tríceps e contração concêntrica de bíceps (2). 🅑 Contração excêntrica de tríceps e contração excêntrica de bí- ceps (1); contração concêntrica de bíceps e contração concêntrica de tríceps (2). 🅒 Contração concêntrica de bíceps e contração excêntrica de tríceps (1); contração excêntrica de tríceps e contração excêntrica de tríceps (2). 🅓 Contração concêntrica de bíceps e contração excêntrica de bíceps (1); contração excêntrica de tríceps e contração concêntrica de tríceps (2). Clique aqui para ver o gabarito da questão. Acesse aqui o comentário das cinco questões anteriores https://sanar.link/aula_fisio_6749 38Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 06. Sobre cinesioterapia e a sua aplicabilidade prática, numere a segunda coluna de acordo com a primeira. 1. Exercício Isotônico 2. Exercício Isométrico 3. Exercício Isocinético 4. Exercício em cadeia aberta 5. Exercício em cadeia fechada ] ̣ O torque se iguala à resistência. Indicado no início da reabi- litação para indivíduos não condicionados por ser de mais fácil execução. ] ̣ Embora tenha resistência constante, o torque gerado pelo músculo varia de acordo com a mudança no ciclo de comprimen- to-tensão. ] ̣ Treinamento realizado com velocidade constante e resistên- cia variável, que necessita de um maquinário específico para sua realização. ] ̣ Exercício mais próximo da função humana por manter relações musculares e uma das extremidades da cadeia estar fixa. ] ̣ Exercício em que as extremidades estão livres, pode ser reali- zado com halter, caneleira ou com auxílio de aparelhos específicos. A alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo, é 🅐 4-5-3-1-2 🅑 2-3-1-5-4 🅒 2-1-3-4-5 🅓 1-2-3-5-4 🅔 2-1-3-5-4 Clique aqui para ver o gabarito da questão. 39Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia ALONGAMENTO MUSCULAR De forma geral, todos os movimentos que acarretam aumento de ampli- tude de uma articulação são chamados de alongamentos e podem ser passivos ou ativos. Será ativo quando o próprio indivíduo movimenta o segmento e mantém na posição desejada e passivo quando outra pes- soa realiza o movimento. O alongamento muscular promove aumento da flexibilidade tanto dos tecidos contráteis quanto dos não contráteis, au- mentando assim a amplitude de movimento da articulação, prevenindo ou tratando encurtamentos, contraturas musculares e restrições de mobili- dade. É contraindicado o alongamento em locais de processos infeccio- sos agudos e de lesão muscular, bem como em locais de dor intensa e pre- sença de bloqueio ósseo. Os três principais tipos de alongamentos são estático, por facilitação neuromuscular proprioceptiva (FNP) e balístico. O alongamento estático é o mais utilizado, é feito alongando o músculo ou grupo muscular lentamente até a posição desejada, mantendo por uns segundos ou minutos, de acordo com a função desejada. Como é realizado lentamente em um músculo relaxado, este tipo de alongamento não ativa o reflexo miotático. O reflexo de estiramento miotático é gerado pelo fuso muscular que se encontra no centro da fibra muscular, visando impedir o alongamento excessivo e em velocidade demasiada com o objetivo de prevenir lesões. Ou seja, este reflexo gera uma contração no músculo que está sendo alongado ao invés de melhorar a flexibilidade, o que contraria o objetivo do exercício, veremos mais detalhes logo logo!. Alongamento passivo estático pode ser realizado por dispositivos que proporcionam uma carga constante. O alongamento por inibição neuromuscular, também conhecido como mé- todo contrair-relaxar, realiza a contração máxima isométrica da musculatura a ser alongada por resistência manual do terapeuta, depois provoca o rela- xamento desta musculatura e, em seguida, realiza um alongamento estático. 40Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Esta técnica de alongamento utiliza os princípios da facilitação neuro- muscular proprioceptiva (FNP) e caracteriza-se pelo uso de contração muscular ativa com o objetivo de ocasionar inibição autogênica do mús- culo alongado, que é gerada pelos órgãos tendinosos de Golgi (OTG) loca- lizados nos tendões. Assim, quando realizado, ocorre relaxamento mus- cular reflexo que, associado ao alongamento passivo, promove aumento no ganho de amplitude de movimento, sendo bastante utilizado na prática clínica. O alongamento balístico é um alongamento realizado de forma vigorosa e em velocidade rápida. Utiliza vários esforços musculares ativos na tentativa de maior alcance de amplitude de movimento, o que inclusive pode deflagrar o reflexo miotático. Este alongamento geralmente é utilizado na atividade esportiva, por promover maior flexibilidade ativa. 41Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 07. O alongamento muscular é frequentemente empregado nos programas fisioterapêuticos. Considerando seus princípios, indi- cações e contraindicações, assinale a alternativa correta. 🅐 Os bloqueios ósseos consistem em indicações para a prescrição de exercícios de alongamento 🅑 Prevenção de lesões musculoesqueléticas e fraqueza muscular são contraindicações dos alongamentos 🅒 Quando um músculo é alongado, ocorre aumento do tamanho das fibras musculares alongadas. 🅓 O órgão tendinoso de Golgi encontra-se no fuso muscular e o protege do alongamento excessivo. 🅔 O fuso muscular é o principal órgão sensitivo do músculo, sendo sensível ao estiramento rápido e mantido. Clique aqui para ver o gabarito da questão. Assista agora a Pocket Aula sobre Cinesioterapia - Parte I clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6502 42Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia TREINO PROPRIOCEPTIVO Propriocepção é entendida como o conjunto de informações vindas das articulações, músculos, tendões e outros tecidos para o sistema nervoso central que induz respostas reflexas e controle motor voluntário. Além disso, contribui com o manejo postural, estabilidade articular e diversas sensações conscientes. A propriocepção faz parte do sistema somatos- sensorial, que engloba informações mecânicas, dolorosas e térmicas. Uma das formas de transmissões proprioceptivas é proveniente dos me- canorreceptores musculares, mais especificamente no fuso, funcionando como um receptor de estiramento. Esses receptores são especialmente abundantes nos músculos pequenos dos olhos, mãos e pés, pois encon- tram-se em estado frequente de alerta às menores mudanças. Sobre os demais músculos, notamos que a constante descarga de impul- so regulatório faz com que os deixe sempre em prontidão, contribuindo para o tônus muscular, caracterizado por uma quantidade natural de rigi- dez muscular e tensão de repouso. A propagação proprioceptiva em áreas tendíneas fica a cargo dos órgãos tendinosos de Golgi (OTG), justamente por ser orientado em linha com as fibras colágenas do tendão. Quando há tensão sobre esta região, infor- mações eferentes são enviadas ao músculo agonista (que se contrai em excesso) para inibi-lo e a seu antagonista para facilitá-lo. Além destes, possuímos receptores localizados nos ligamentos, cápsulas articulares, meniscos e tecidos cutâneos. Por conseguinte, as mudanças constantes no ângulo articular,na velocidade do movimento, na quanti- dade de compressão ou na distração entre segmentos são levadas pelas vias aferentes até o sistema nervoso central fornecendo noções sobre 43Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia posicionamentos, onde gerarão formas de ativação muscular para estabi- lizar as áreas envolvidas. Assim, participa do controle neuromuscular, que é a ativação inconscien- te dos estabilizadores dinâmicos, que ocorre em preparação e em respos- ta ao movimento articular. Os mecanismos de propriocepção envolvem tanto vias conscientes quanto vias inconscientes! Lembrando que propriocepção não é sinônimo de equilíbrio, pois equi- líbrio envolve um processo dinâmico da postura corporal para manter a projeção do centro de gravidade dentro da área da base de suporte do corpo. Isso requer ajustes constantes da atividade muscular e do posicio- namento articular com base nas informações enviadas pela visão, siste- ma vestibular e do próprio sistema proprioceptivo. Lesões musculoesqueléticas ou nervosas geralmente provocam déficits na propriocepção, alterando o controle neuromuscular. Sendo assim, o treinamento proprioceptivo específico, também chamado de treino sen- sório-motor ou treino motor reativo, é fundamental para a reabilitação e prevenção de lesões, com o objetivo de gerar padrões de ativação muscular adequados através de estímulo postural vulnerável que necessite de esta- bilização muscular preparatória e reativa. Através de exercícios proprio- ceptivos, é possível melhorar a coordenação motora, equilíbrio, tempo de reação a perturbações. Tais exercícios são dinâmicos e multidirecionais, envolvendo equilíbrio em superfícies instáveis e estáveis, devendo ser iniciado após alcançar o incremento de força muscular. 44Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 08. A informação sensorial de cada músculo para a medula es- pinal, indica o estado funcional do músculo a cada instante. Esse mecanismo é exercido por proprioceptores denominados fusos musculares e órgãos tendinosos de Golgi. Quais são as informações relacionadas a esses dois proprioceptores, respectivamente: 🅐 Comprimento do músculo e estado de tensão do tendão 🅑 Comprimento do tendão e estado de estiramento da fáscia 🅒 Comprimento do músculo e estado de tensão da fáscia 🅓 Estado de tensão do tendão e comprimento do músculo 🅔 Estado de tensão do músculo e comprimento da fáscia Clique aqui para ver o gabarito da questão. 09. Define-se tônus muscular como tensão fisiológica: 🅐 da musculatura estriada esquelética para manter o esqueleto em estabilidade. 🅑 da musculatura estriada esquelética para manter o esqueleto em estabilidade quando seu estado de inércia for alterado 🅒 de todas as fibras musculares para manter a homeostase. 🅓 da musculatura estriada sincicial esquelética para manter o esqueleto em estabilidade. 🅔 da musculatura lisa para manter os níveis pressóricos do sangue. Clique aqui para ver o gabarito da questão. 45Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia EXERCÍCIOS PLIOMÉTRICOS Os exercícios pliométricos tem o objetivo principal de promover potência muscular e controle neuromuscular utilizando o ciclo alongamento-encur- tamento (CAE), que gera uma contração muscular excêntrica seguida de uma concêntrica com pouco tempo de diferença entre as contrações, ocor- rendo de forma rápida. A fase inicial do CAE, que é a excêntrica, estimula os receptores musculares e carrega os músculos com energia elástica. Já a fase final do exercício pliométrico, que é a contração ou encurtamento, gera o movimento explosivo que resulta do armazenamento de energia elástica durante a fase excêntrica e sua reutilização como energia mecâni- ca durante a contração concêntrica e a ativação do reflexo miotático. Os reflexos dos fusos musculares e dos órgãos tendinosos de Golgi (OTG) participam do exercício pliométrico. O reflexo miotático é o mais im- portante nesses exercícios. Ele é gerado através dos fusos musculares e ocorre quando um músculo é alongado de forma rápida, provocando a contração do músculo e visando impedir o alongamento excessivo e em velocidade demasiada do músculo com o objetivo de prevenir lesões. Ou seja, na pliometria ocorrem movimentos alongados e excêntricos de for- ma rápida que deflagram esse reflexo, promovendo contração rápida e explosiva, melhorando a ativação neuromuscular e consequente aumen- to do rendimento muscular. O reflexo do órgão tendinoso de Golgi ocorre quando a tensão muscular aumenta a ponto de colocar em risco a integri- dade musculotendinosa, gerando inibição do músculo contraído, causan- do seu relaxamento e evitando uma possível lesão. Os exercícios pliométricos são muito utilizados na prática esportiva, no treinamento de atletas para melhora do rendimento, além de contribuir na prevenção de lesões, pois melhora o controle neuromuscular e proprio- cepção, permitindo ajustes posturais e ativação muscular necessários 46Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia para proteger as articulações durante os movimentos. É importante lem- brar que a pliometria é indicada na fase final do programa de reabilitação, no momento de preparação para o retorno às atividades esportivas, no qual é realizado um trabalho específico levando em consideração os mo- vimentos do gestual das atividades, buscando alcançar os rendimentos anteriores à lesão, se for o caso, bem como prevenir novas lesões. Para iniciar a pliometria na reabilitação, é importante destacar que o indiví- duo deve estar livre de aspectos inflamatórios agudos, sem restrições na amplitude de movimento, flexibilidade e medidas de força similares ao membro contralateral, bem como possuir força muscular e estabilidade articular adequados. Existem várias formas de realizar exercícios pliométricos, que devem ser combinados e aplicados de acordo com a necessidade de cada esporte e podem ser utilizados materiais como cones, bolas, elásticos etc. Os exer- cícios pliométricos são mais frequentes para membros inferiores, sendo os saltos bastante utilizados como saltos no lugar, saltos com mudança de direção, saltos em profundidade, entre outros. 47Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia 10. O paciente M.G.S., 23 anos de idade, motoboy, sofreu acidente de moto com fratura diafisária de tíbia e fíbula de perna direita. Encontra-se restrito ao leito no ambulatório de ortopedia em tração esquelética aguardando cirurgia para fixação interna com haste intramedular na tíbia e placa e parafusos na fíbula. Sinais vitais estáveis, porém queixa-se de dor grau 8 pela escala analógica visual de dor, edema em perna, tornozelo e pé. Com relação ao caso clínico apresentado e aos conhecimentos correlatos, julgue os itens a seguir. Exercícios pliométricos para membros inferiores podem ser incor- porados ao programa de reabilitação de maneira precoce a fim de auxiliar no processo de consolidação óssea. 🅐 CERTO 🅑 ERRADO Clique aqui para ver o gabarito da questão. Acesse aqui o comentário das cinco questões anteriores Assista agora a Pocket Aula sobre Cinesioterapia - Parte II clicando no ícone ao lado https://sanar.link/aula_fisio_6750 https://sanar.link/aula_fisio_6503 48Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia | Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia Questões Comentadas (1-5) Questões Comentadas (6-10) GABARITO: 01 A 02 E 03 C 04 D 05 D 06 E 07 E 08 A 09 A 10 B Para retornar à questão em que estava, clique nos botões abaixo: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 https://sanar.link/aula_fisio_6749 https://sanar.link/aula_fisio_6750 49Curso Intensivo para Residências | Fisioterapia REFERÊNCIAS 1. BOMPA TO. 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Fisiologia do exercício: teoria e aplicação ao condicionamento e ao desempenho. 8ª ed. São Paulo: Manole; 2014. 12. PRENTICE WE, VOIGHT ML. Técnicas em reabilitação musculoesque- lética. Porto Alegre: Artmed; 2003. © 2021 - Todos os Direitos Reservados - R. Alceu Amoroso Lima, 172 - Salvador Office & Pool, 3º andar - Caminho das Árvores, CEP 41820-770, Salvador - BA - Brasil. Tel.: 0800 337 6262 Editora Sanar LTDA - ME. CNPJ: 18.990.682/0001-92 _GoBack _GoBack _GoBack GABARITO: Exercícios pliométricos Treino Proprioceptivo Alongamento Muscular Classificação dos exercícios terapêuticos Análise da marcha Sistemas de alavancas Cadeia Cinética Aberta e Fechada Amplitude de movimento Planos e Eixos de Movimento Cinesiologia, Biomecânica e Cinesioterapia APRESENTAÇÃO