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PROFESSORAS
Me. Bruna Felix Apoloni 
Me. Regina Alves Thon
Quando identificar o ícone QR-CODE, utilize o aplicativo 
Unicesumar Experience para ter acesso aos conteúdos online. 
O download do aplicativo está disponível nas plataformas:
Google Play App Store
Acesse o seu livro também disponível na versão digital.
BIOMECÂNICA 
E CINESIOLOGIA
2 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação 
Cep 87050-900 - Maringá - Paraná - Brasil
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
DIREÇÃO UNICESUMAR
Reitor Wilson de Matos Silva, Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho, Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor 
Kendrick de Matos Silva, Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin, Presidente da Mantenedora Cláudio 
Ferdinandi.
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon, Diretoria de Graduação Kátia Coelho, Diretoria 
de Cursos Híbridos Fabricio R. Lazilha, Diretoria de Pós-Graduação Bruno do Val Jorge, Diretoria de Permanência 
Leonardo Spaine, Diretoria de Design Educacional Débora Leite, Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie 
Fukushima, Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira, Gerência de Curadoria Carolina Abdalla 
Normann de Freitas, Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina da Silva, Gerência de Produção de Conteúdo 
Diogo Ribeiro Garcia, Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey, Supervisora de Projetos Especiais Yasminn 
Talyta Tavares Zagonel Supervisora de Produção de Conteúdo Daniele C. Correia
Coordenador(a) de Conteúdo Mara Cecilia Rafael Lopes, Projeto Gráfico José Jhonny Coelho, Editoração 
Arthur Cantareli SIlva, Matheus Silva de Souza, Designer Educacional Amanda Peçanha Dos Santos, Revisão 
Textual Nágela Neves da Costa, Ilustração André Azevedo e Bruno Cesar Pardinho, Fotos Shutterstock.
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação a Distância; 
APOLONI, Bruna Felix; THON, Regina Alves.
Biomecânica e Cinesiologia. Bruna Felix Apoloni; Regina Alves Thon.
Maringá - PR.:Unicesumar, 2020. Reimpresso em 2024.
178 p.
“Graduação em Educação Física - EaD”.
1. Biomecânica . 2. Cinesiologia . 3. EaD. I. Título.
ISBN 978-85-459-2080-9 CDD - 22ª Ed. 612.86
CIP - NBR 12899 - AACR/2
Ficha Catalográfica Elaborada pelo Bibliotecário
João Vivaldo de Souza - CRB-8 - 6828
Impresso por: 
Em um mundo global e dinâmico, nós trabalhamos 
com princípios éticos e profissionalismo, não somente 
para oferecer uma educação de qualidade, mas, acima 
de tudo, para gerar uma conversão integral das 
pessoas ao conhecimento. Baseamo-nos em 4 pilares: 
intelectual, profissional, emocional e espiritual.
Iniciamos a Unicesumar em 1990, com dois cursos de 
graduação e 180 alunos. Hoje, temos mais de 100 mil 
estudantes espalhados em todo o Brasil: nos quatro 
campi presenciais (Maringá, Curitiba, Ponta Grossa e 
Londrina) e em mais de 500 polos de educação a distância 
espalhados por todos os estados do Brasil e, também, 
no exterior, com dezenas de cursos de graduação e 
pós-graduação. Produzimos e revisamos 500 livros 
e distribuímos mais de 500 mil exemplares por ano. 
Somos reconhecidos pelo MEC como uma instituição de 
excelência, com IGC 4 em 7 anos consecutivos. Estamos 
entre os 10 maiores grupos educacionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos educadores 
soluções inteligentes para as necessidades de todos. 
Para continuar relevante, a instituição de educação 
precisa ter pelo menos três virtudes: inovação, 
coragem e compromisso com a qualidade. Por 
isso, desenvolvemos, para os cursos de Engenharia, 
metodologias ativas, as quais visam reunir o melhor 
do ensino presencial e a distância.
Tudo isso para honrarmos a nossa missão que é 
promover a educação de qualidade nas diferentes áreas 
do conhecimento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento de uma 
sociedade justa e solidária.
Vamos juntos!
Wilson Matos da Silva
Reitor da Unicesumar
boas-vindas
Prezado(a) Acadêmico(a), bem-vindo(a) à 
Comunidade do Conhecimento. 
Essa é a característica principal pela qual a Unicesumar 
tem sido conhecida pelos nossos alunos, professores 
e pela nossa sociedade. Porém, é importante 
destacar aqui que não estamos falando mais daquele 
conhecimento estático, repetitivo, local e elitizado, mas 
de um conhecimento dinâmico, renovável em minutos, 
atemporal, global, democratizado, transformado pelas 
tecnologias digitais e virtuais.
De fato, as tecnologias de informação e comunicação 
têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, lugares, 
informações, da educação por meio da conectividade 
via internet, do acesso wireless em diferentes lugares 
e da mobilidade dos celulares. 
As redes sociais, os sites, blogs e os tablets aceleraram 
a informação e a produção do conhecimento, que não 
reconhece mais fuso horário e atravessa oceanos em 
segundos.
A apropriação dessa nova forma de conhecer 
transformou-se hoje em um dos principais fatores de 
agregação de valor, de superação das desigualdades, 
propagação de trabalho qualificado e de bem-estar. 
Logo, como agente social, convido você a saber cada 
vez mais, a conhecer, entender, selecionar e usar a 
tecnologia que temos e que está disponível. 
Da mesma forma que a imprensa de Gutenberg 
modificou toda uma cultura e forma de conhecer, 
as tecnologias atuais e suas novas ferramentas, 
equipamentos e aplicações estão mudando a nossa 
cultura e transformando a todos nós. Então, priorizar o 
conhecimento hoje, por meio da Educação a Distância 
(EAD), significa possibilitar o contato com ambientes 
cativantes, ricos em informações e interatividade. É 
um processo desafiador, que ao mesmo tempo abrirá 
as portas para melhores oportunidades. Como já disse 
Sócrates, “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida”. 
É isso que a EAD da Unicesumar se propõe a fazer. 
Willian V. K. de Matos Silva
Pró-Reitor da Unicesumar EaD
Seja bem-vindo(a), caro(a) acadêmico(a)! Você está 
iniciando um processo de transformação, pois quando 
investimos em nossa formação, seja ela pessoal ou 
profissional, nos transformamos e, consequentemente, 
transformamos também a sociedade na qual estamos 
inseridos. De que forma o fazemos? Criando 
oportunidades e/ou estabelecendo mudanças capazes 
de alcançar um nível de desenvolvimento compatível 
com os desafios que surgem no mundo contemporâneo. 
O Centro Universitário Cesumar mediante o Núcleo de 
Educação a Distância, o(a) acompanhará durante todo 
este processo, pois conforme Freire (1996): “Os homens 
se educam juntos, na transformação do mundo”.
Os materiais produzidos oferecem linguagem 
dialógica e encontram-se integrados à proposta 
pedagógica, contribuindo no processo educacional, 
complementando sua formação profissional, 
desenvolvendo competências e habilidades, e 
aplicando conceitos teóricos em situação de realidade, 
de maneira a inseri-lo no mercado de trabalho. Ou seja, 
estes materiais têm como principal objetivo “provocar 
uma aproximação entre você e o conteúdo”, desta 
forma possibilita o desenvolvimento da autonomia 
em busca dos conhecimentos necessários para a sua 
formação pessoal e profissional.
Portanto, nossa distância nesse processo de crescimento 
e construção do conhecimento deve ser apenas 
geográfica. Utilize os diversos recursos pedagógicos 
que o Centro Universitário Cesumar lhe possibilita. 
Ou seja, acesse regularmente o Studeo, que é o seu 
Ambiente Virtual de Aprendizagem, interaja nos 
fóruns e enquetes, assista às aulas ao vivo e participe 
das discussões. Além disso, lembre-se que existe 
uma equipe de professores e tutores que se encontra 
disponível para sanar suas dúvidas e auxiliá-lo(a) em 
seu processo de aprendizagem, possibilitando-lhe 
trilhar com tranquilidade e segurança sua trajetória 
acadêmica.
boas-vindas
Débora do Nascimento Leite
Diretoria de Design Educacional
Janes Fidélis Tomelin
Pró-Reitor de Ensino de EAD
Kátia SolangeEm uma análise temporal da antropometria e suas interfaces com a Biomecânica e Ci-
neantropometria, podem ser considerados diferentes parâmetros comum em ambas. 
Na cronologia, parte-se da semântica da palavra, seguindo-se então para a sua evolu-
ção histórica, finalidades, características e aplicações. 
Muito embora a antropometria tenha sua sustentação feita modernamente, a história 
mostra ser antiga a preocupação do homem em mensurar o corpo, e, ao longo do tem-
po, as proporções do corpo foram estudadas por filósofos, artistas, teóricos e arquitetos. 
No que diz respeito a atuação integrada de diferentes profissionais na área da antropo-
metria, De Rose et al. (1984, p. 11) citam que no “Congresso Internacional das Ciências 
da Atividade Física, realizado em Montreal em 1976, foi feita uma tentativa para que 
os especialistas interessados no estudo do ser humano em função do movimento – 
biometristas, antropólogos, biólogos e biotipologistas, fossem reunidos em uma nova 
disciplina; e, ainda, falam do desenvolvimento da Cineantropometria”. 
A importância dessa aproximação também se justifica na colocação de Matsudo (1983), 
quando se refere que a avaliação antropométrica apresenta potencial de informações 
valiosas, particularmente no que se refere à predição e estimação de vários componen-
tes do corpo, pois muitos estudos são realizados no sentido de estabelecer padrão para 
avaliar crescimento, aptidão física e saúde, entre outros. 
Por fim, para enfatizar o papel da antropometria na Biomecânica e na Cineantropome-
tria, destaca-se a necessidade de trabalhos que abranjam e relacionem mutuamente os 
aspectos antropométricos e biomecânicos com as características pessoais dos indivídu-
os, tais como faixa etária, estados de crescimento e desenvolvimento, atividades físicas 
desportivas entre outras. 
[...]
44 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Aspectos Históricos Conceituais da Antropometria e seus Modelos de 
Estudo em Biomecânica
Segundo Roebuk, Kroemer e Thomson (1975), a origem da antropologia física é rela-
tada nas experiências das viagens de Marco Polo de 1273 a 1295, as quais revelaram 
um grande número de raças humanas que se diferenciavam pelo tamanho do corpo e 
altura. Segundo eles, os estudos de Linne, Buffon e White, inauguraram a ciência que 
foi mais tarde chamada de antropometria racial comparativa.
A literatura especializada na Cineantropometria e Biometria, dos tratados mais antigos 
aos mais recentes, apresenta a sua evolução histórica e conceitual, indicando as mu-
danças de paradígmas, muito ricas em detalhes. Neste referencial teórico se tem livros, 
artigos, monografias, dissertações e teses. A título de ilustração, cita-se algumas obras 
que apresentam estes conteúdos, tais como: Sá (1975); De Rose, Pigatto e De Rose 
(1984); Beunes e Borms (1990), Petroski (1999), Guedes (1994). 
Nestas obras, estão contidas informações desde a origem do termo até relatos dos 
antecedentes históricos; reportam-se sobre as diferentes escolas antropométricas, da 
introdução do termo Cineantropometria, o qual segundo De Rose, Pigatto e De Rose 
(1984, p. 11) “foi apresentado pela primeira vez como especialidade emergente no Con-
gresso Internacional das Ciências da Atividade Física, realizado em Montreal em 1976”. 
No contexto da biomecânica, a história da Antropometria, na qual se tenta determinar o 
centro de massa ou de gravidade do corpo ou de um segmento e o momento principal 
de inércia, de acordo com Nigg e Herzog (1995) começou com Borelli em 1679, passando 
por Harless (1860); Braune e Fischer (1889); Weinback em 1938, até Dempster (1955). 
Sendo este último, segundo Amadio (1996) o método mais utilizado em biomecânica 
e acrescenta que, depois de Havanan (1964); Clauser (1969); Hatze (1980); Zatziorsky 
(1983) e Martin (1989) dentre outros, usaram o método analítico para o mesmo fim. 
Portanto, na Biomecânica, a evolução histórica da antropometria está associada à evo-
lução de seus métodos de investigação para a determinação das características e pro-
priedades da massa corporal humana. 
 45
LEITURA
COMPLEMENTAR
Do ponto de vista teórico, a antropometria em biomecânica se vale de modelos que 
possam representar o corpo humano, e independente do modelo adotado, estes de-
vem possibilitar o cálculo de três parâmetros fundamentais que são: massa, centro de 
massa (CM), ou centro de gravidade (CG) e momento principal de inércia (I). Segundo 
Nigg e Herzog (1995), estas três propriedades inerciais são frequentemente requisi-
tadas para as análises quantitativas do movimento humano. Para estes autores tais 
fundamentos se concentram em considerações teóricas, métodos experimentais e mé-
todos teóricos.
Diferentemente, na evolução histórica dos métodos antropométricos, Zatsiorsky et al. 
(citado por Sacco, 1995 e Amadio, 1996) classificam estes em categorias e apresentam 
em forma de tabelas: a) investigações em cadáveres; b) investigações “in vivo” e inves-
tigações analíticas diretas. 
[...]
a) Investigações em cadáveres: nestes métodos após o fracionamento do corpo em seus 
segmentos, determinam-se as características e propriedades da massa corporal huma-
na, ou seja, a massa, seu ponto de equilíbrio e o momento de inércia. Apesar destas 
serem investigações exaustivamente praticadas e seus dados ainda serem muito utili-
zados, segundo Amadio (1996) a comparação de seus resultados com estudos “ in vivo”, 
apresenta um alto grau de dispersão face a fatores como: padrão de segmentação de 
membros e escolha de amostra em cadáveres, entre outros. Os principais estudos des-
ta categoria foram: Borelli em 1979; Meyer em 1863; Weber em 1865; Harless em 1860; 
Braune & Fischer em 1889; Fisher em 1906; Dempster em 1955; Clauser et al., em 1969. 
Fonte: Melo e Santos (2000).
46 
material complementar
Para mais informações sobre os aparelhos e testes isocinéticos, acesse o link a seguir:
http://www.isokinetics.net
Indicação para Acessar
Biomecânica aplicada
Paulo Marchetti, Ruy Calheiros, Mario Charro
Editora: Phorte
Sinopse: nesse livro, os autores agregam os conhecimentos teóricos da 
Biomecânica aos práticos, treinamento e atividade física.
Indicação para Ler
 47
gabarito
1. E
2. E
3. C
4. D
5. A
Me. Bruna Felix Apoloni
Me. Regina Alves Thon
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Composição óssea
• Tipos de ossos
• Processo de formação, crescimento ósseo e cargas 
mecânicas
• Sistema articular
Objetivos de Aprendizagem
• Identificar a estrutura e a composição do sistema 
esquelético.
• Descrever os principais tipos de ossos e a sua classificação 
em relação a sua forma.
• Explicar como ocorre a formação e o desenvolvimento 
dos ossos e a aplicação de cargas mecânicas no sistema 
esquelético.
• Identificar a arquitetura das articulações e a classificação 
quanto à forma e ao número de eixos articulares.
CONSIDERAÇÕES ESQUELÉTICAS DO 
MOVIMENTO E DA COMPOSIÇÃO DO 
CORPO HUMANO
unidade 
II
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a) à segunda unidade do livro Biomecâ-
nica e Cinesiologia. Neste momento, após aprendermos os 
princípios e conceitos básicos aplicados à biomecânica e à 
cinesiologia em nossa primeira unidade, trataremos de um 
outro importante assunto: o sistema ósseo. Aqui, você compreenderá a 
composição e a estrutura do tecido ósseo. O esqueleto adulto contém, 
aproximadamente, 206 ossos, e apesar da imagem do osso, por vezes, re-
meter-nos a uma estrutura rígida e dura, mostraremos que os ossos são 
tecidos dinâmicos e vivos.
O sistema esquelético é subdividido, nominalmente, em esqueleto axial 
ou central (crânio, as vértebras, o esterno e as costelas) e em esqueleto apen-
dicular (ossos que compõe os membros do corpo). Iremos desvendar como 
os ossos são categorizados de acordo com seus formatos e funções gerais. 
Sabemos que o crescimento ósseo começa no início da vida fetal, e o osso 
vivo modifica, continuamente, sua composiçãoe estrutura ao longo da vida. 
No corpo humano, o sistema esquelético é fundamental para dar suporte 
contra forças externas, agir como um sistema de alavancas para produzir 
força, proteger órgãos internos, formar células sanguíneas, entre outros.
Além disso, iremos entender como o osso responde, dinamicamente, à pre-
sença e à ausência de forças e como se comportam essas aplicações de cargas 
mecânicas, no nosso dia a dia e no ambiente esportivo. Diante disso, veremos, 
ao longo desta unidade, a fascinante arquitetura das articulações e classifi-
cações de acordo com sua forma e eixos articulares. Além disso, entenderemos 
os problemas ocasionados pelo processo de desmineralização óssea que acom-
ete astronautas, pacientes acamados e idosos. Seremos capazes de entender a 
complexidade e os problemas decorrentes da osteoporose e osteopenia. 
Bons estudos!
52 
 
Apesar do osso, por vezes, remeter-nos a uma es-
trutura rígida e dura, mostraremos que os ossos 
são tecidos extremamente dinâmicos, continua-
mente formado e remodelado 
pelas forças que está sujeito 
e que representa, aproxi-
madamente, 15 a 20 % 
da nossa massa corpo-
ral (ou peso corporal) 
(HALL, 2013). A compo-
sição, a estrutura do tecido ósseo e a organização estrutu-
ral do osso influenciam, de forma direta, as formas como 
o osso responde aos estímulos mecânicos. A seguir, temos 
uma representação da composição do tecido ósseo.
COMPOSIÇÃO 
DO TECIDO ÓSSEO
COMPOSTOS 
ORGÂNICOS
COMPOSTOS 
INORGÂNICOS 
Cerca de 65% do tecido ósseo - 
fosfato de cálcio, carbonato de cálcio, 
�uoreto de cálcio, hidróxido de cálcio 
e citrato, que são denominados 
hidroxiapatita mineral.
Cerca de 35% do
tecido ósseo - colágeno
Composição 
Óssea
Figura 1 - Compostos orgânicos e inorgânicos que compõem o tecido ósseo / Fonte: as autoras.
 53
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Em relação à estrutura do tecido ósseo, podemos destacar:
• Substância compacta (material inorgânico – 
denominado de osso cortical) – composto por 
cálcio e fosfato, representa de 65 a 70% do peso 
líquido do osso. O osso cortical tem baixa poro-
sidade (5 a 30% do volume), isso significa que 
contém pequena quantidade de poros ou cavi-
dades e menor proporção de fosfato de cálcio e 
de carbonato de cálcio. Assim, é mais rígido, su-
porta maiores tensões e menores deformações.
• Tecido trabecular (material orgânico – deno-
minado de osso esponjoso) – composto por co-
lágeno, representa de 25% a 30% do peso líquido 
do osso. O osso esponjoso tem alta porosidade 
(30 a 90% do volume), é menos rígido, suporta 
menores tensões e maiores deformações.
Você, por acaso, sabe até quando os ossos 
se desenvolvem?
REFLITA
54 
 
Cabe ressaltar que os principais constituintes dos ossos 
são carbonato de cálcio, fosfato de cálcio, colágeno e água. 
Esses elementos fornecem sua rigidez e são determinan-
tes pela resistência à compressão (capacidade de resistir a 
uma força de pressão) ou resistência à tração (capacidade 
de resistir a uma força de estiramento) (HALL, 2013).
Em síntese: 
• Carbonato e fosfato de cálcio: rigidez ao osso e 
resistência à compressão.
• Colágeno: elasticidade ao osso, resistência à tração.
• Água: resistência do osso.
A maioria dos ossos do corpo humano tem as camadas 
externas compostas de osso cortical e osso esponjoso no 
interior. O osso é um material anisotrópico, isto é, resis-
te de maneira diversa às cargas aplicadas em diferentes 
direções. O osso esponjoso é 25% menos denso, 5 a 10% 
menos rígido e cinco vezes mais flexível do que o osso 
Figura 2 - Estrutura interna do osso com as partes compacta e esponjosa
Figura 3 - Estruturas do osso / Fonte: adaptado de Hall (2013).
Periósteo
 55
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
cortical. A Figura 3 nos traz a estrutura básica de um 
osso e como sua constituição é dinâmica.
A partir da Figura 3, podemos destacar que o pe-
riósteo é uma membrana dupla que recobre o osso. As 
epífises (proximal e distal) são discos cartilaginosos en-
contrados próximo das extremidades dos ossos longos. 
A parte diafisária (central) produz, continuamente, no-
vas células ósseas (HALL, 2013).
Vamos esclarecer quando os ossos se desen-
volvem? Nosso corpo passa por épocas de os-
sificação, segundo Rach (1991). O crescimento 
longitudinal do osso ocorre a partir das epífises 
(HALL, 2013). A afirmação de que a idade na 
qual ocorre a fusão epifisária é específica para 
cada epífise, por isso, não deve ser levada ao 
pé da letra. É verdade que a fase de fusão, em 
vários centros, fornece um relógio de tempo fi-
siológico, extraordinariamente, preciso, mas o 
relógio pode funcionar, lenta ou rapidamente, 
de acordo com o estado da secreção endócri-
na, saúde e nutrição do indivíduo. 
Um traumatismo ou esforço excessivo pode 
causar fechamento prematuro, porém um 
mal estado de saúde e desnutrição tendem 
a retardar o processo. Cabe destacar que ne-
nhuma epífise se funde antes da puberdade. 
A maioria se fecha por volta dos 18 anos, em-
bora algumas possam estar presentes até os 
25 anos. As radiografias do grau de ossificação 
dos ossos do carpo fornecem estimativa pre-
cisa da maturidade esquelética e fisiológica 
de pré-adolescentes.
Fonte: Haywood e Getchell (2004).
SAIBA MAIS
56 
 
O esqueleto adulto contém aproximadamente 206 
ossos. O sistema esquelético é subdividido, nomi-
nalmente, em esqueleto axial ou central que é cons-
tituído por crânio, vértebras, esterno e as costelas, 
e em esqueleto apendicular constituído pelos os-
sos que compõe os membros do corpo. O sistema 
esquelético consiste de diferentes tipos de ossos, 
classificados de acordo com o tamanho, a função 
e a proporção entre tecido ósseo esponjoso e com-
pacto. Os tipos de ossos são classificados em: cur-
tos, planos, irregulares e longos. A seguir, descreve-
remos um pouco mais cada um deles. A Figura 4 
exemplifica essa distribuição dos ossos. 
Tipos 
de Ossos
Figura 4 - Tipos de ossos / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
 57
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Os ossos curtos são, aproximadamente, cúbicos e 
apresentam a mesma medida de comprimento e 
espessura. São exemplos de ossos curtos os carpos e 
tarsos. Esse tipo de osso tem um papel importante no 
deslizamento e funcionam na absorção de choque e na 
transmissão de forças (HALL, 2013; RASCH, 1991). 
Os ossos chatos ou planos consistem em duas camadas 
de osso compacto, com osso esponjoso e medula entre 
elas. Protegem os órgãos e as estruturas internas e ofe-
recem amplas superfícies para inserção muscular. São 
exemplos de ossos chatos/planos: costelas, ílio, esterno, 
escápula e ossos do crânio. O osso da costela, por exem-
plo, auxilia o processo de respiração e protege órgãos in-
ternos (HALL, 2013; RASCH, 1991). 
Os ossos irregulares têm formatos diferentes e 
funções especiais no corpo humano. Consiste de osso 
esponjoso com um osso compacto exterior fino. Reali-
zam uma série de funções diferentes: suporte de peso, 
dissipação de cargas e ainda proporcionam locais para 
inserção muscular. Oferecem sustentação e permitem 
os movimentos do corpo nos três planos cardiais. São 
exemplos de ossos irregulares: crânio, sacro, cóccix, 
mandíbula e vértebras (HALL, 2013; RASCH, 1991). 
Os ossos longos têm como função formar a es-
trutura do esqueleto apendicular. São ossos utilizados 
como alavanca no movimento, geralmente, mais com-
pridos que largos. São exemplos de ossos longos: claví-
cula, úmero, rádio, ulna, fêmur, tíbia, fíbula, metatarsos, 
metacarpos e falanges. O osso longo tem um corpo, a 
diáfise, que é uma camada espessa de osso compacto ao 
redor da cavidade medular do osso. O corpo se alarga 
em direção à parte final chamada metáfise. A ponta é 
chamada epífise, separada do corpo por um disco car-
tilaginoso no esqueleto imaturo. As pontas consistem de 
uma camada externa fina de osso compacto, cobrindo 
o osso esponjoso interno. Uma membrana branca fina, 
o periósteo, cobre a parte externa do osso (HALL, 2013; 
RASCH, 1991). 
E o osso do tipo sesamóides é um osso curtoenvol-
vido por um tendão ou cápsula articular. Tem como fun-
ção alterar o ângulo de inserção do músculo. São exem-
plos de ossos sesamóides: patela, primeiro metatarso do 
pé, e o polegar (HAMILL; KNUTZEN, 1999).
A.
B.
C.
D.
Figura 5 - a) ossos curtos – carpos; b) osso plano – escápula; c) ossos irregula-
res – vértebras; d) ossos longos – fêmur / Fonte: Hall (2013).
Figura 6 - Os ossos da mão (carpo) são exemplos de ossos curtos
Fonte: as autoras.
58 
 
O QUE FAZ O OSSO SESAMÓIDE?
Os ossos sesamóides estão embutidos no tendão flexor 
do hálux. O que torna esses ossos pequenos tão impor-
tantes não é a sua localização, mas a natureza com que 
foram concebidos para funcionar como um ponto de 
apoio ou um braço de alavanca para os tendõe. Equi-
valente a seu trabalho como um ponto de apoio, os os-
sos sesamóides também atuam como um guarda-costas 
para seus tendões circundantes, segurando os tendões 
mais longe da articulação. Em cima da proteção, os se-
samóides também servem para reforçar os efeitos de 
tendões do ponto de vista mecânico, como roldanas.
Por que eles doem?
O problema com os ossos sesamóides é a sua localiza-
ção (em alguns indivíduos, o tamanho deles também 
influencia). Eles situam-se em uma área de alta pressão. 
Esse simples fato, combinado com a sua proximidade 
com os tendões e esportes de impacto, propicia inflama-
ção e dor, que chamamos de SESAMOIDITE. Uma pisa-
da pronada no antepé e sobrepeso também contribuem 
para o aumento de carga e a pressão na região. Além de 
andar/dançar/correr na “meia ponta”. Mais do que infla-
mar, eles podem fraturar.
Fêmur
Cartilagem
articular
Patela
Fíbula
Tíbia
Figura 7 - Osso sesamóide – patela
Os sesamóides são encontrados embaixo da 
articulação do dedo grande (hálux) e são ti-
picamente de tamanho pequeno (como dois 
feijões). Há dois ossos sesamóides em cada 
pé, um medial e outro lateral. Algumas pes-
soas podem tê-los separados ao meio, o que 
chamamos de sesamóide bipartido. Saiba 
mais sobre os ossos sesamóides, acessando 
o seguinte link: http://globoesporte.globo.
com/eu-atleta/noticia/2012/06/sesamoides-
-que-ossos-sao-esses-que-causam-tantas-do-
res-no-pes.html.
Fonte: as autoras.
SAIBA MAIS
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/06/sesamoides-que-ossos-sao-esses-que-causam-tantas-dores-no-pes.html
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/06/sesamoides-que-ossos-sao-esses-que-causam-tantas-dores-no-pes.html
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/06/sesamoides-que-ossos-sao-esses-que-causam-tantas-dores-no-pes.html
http://globoesporte.globo.com/eu-atleta/noticia/2012/06/sesamoides-que-ossos-sao-esses-que-causam-tantas-dores-no-pes.html
 59
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
O crescimento ósseo começa na vida fetal, mas o osso 
vivo se modifica continuamente ao longo da vida. Desse 
assunto nos ocuparemos nesse tópico. Muitas mudanças 
representam o crescimento normal e a maturação do 
osso. O crescimento longitudinal ocorre nas epífeses, dis-
cos cartilaginosos encontrados próximos às extremida-
des dos ossos. O lado diafisário (central) de cada epífese 
produz continuamente novas células ósseas. Durante ou 
logo após a adolescência, a lâmina desaparece e o osso se 
funde, encerrando o crescimento longitudinal. A maioria 
das epífeses se fecha por volta de 18 anos, embora algu-
mas estejam presentes até a idade de 25 anos. O periósteo 
é um tecido conectivo que cobre a face externa dos ossos, 
exceto nas faces articulares, que têm a cartilagem hiali-
na. O periósteo é suprido com vasos sanguíneos e ramos 
nervosos e é, extremamente, sensível a lesões e dele se 
origina a maior parte de dor de fraturas e contusões ós-
seas. Os músculos são fixados ao periósteo e não direta-
mente ao osso (HALL, 2013; RASCH, 1991).
Existe a classificação etária do desenvolvimento, 
que possibilita identificar a idade óssea que fornece um 
registro da idade biológica do esqueleto em desenvolvi-
Processo de Formação, 
Crescimento Ósseo e Cargas Mecânicas
60 
 
mento. Como já vimos, as radiografias do grau de ossifi-
cação dos ossos do carpo fornecem estimativa precisa da 
maturidade esquelética e fisiológica de pré-adolescentes.
As células ósseas passam por processos que ocorrem 
devido à atividade de:
ADAPTAÇÕES QUE PODEM OCORRER NO 
TECIDO ÓSSEO 
• Crescimento: os ossos crescem em compri-
mento (até os 20 anos) e diâmetro, em função 
de fatores genéticos; biomecânicos; fisiológicos 
e ambientais.
• Modelamento: aumento da massa óssea (ocorre 
na idade adulta).
• Remodelamento: processo no qual o osso ga-
nha ou perde tecido ósseo, esponjoso ou cortical, 
em resposta ao nível de estresse sustentado.
• Lei do uso e desuso: a Lei de Wolff indica que a 
força óssea aumenta ou diminui conforme as forças 
funcionais sobre o osso aumentam ou diminuem. 
Os ossos adultos ganham ou perdem massa, quan-
do a sobrecarga de um osso excede um dado limiar, 
um novo osso é formado nos locais de sobrecarga e 
a massa total e a densidade ósseas são aumentadas. 
Quando as magnitudes da deformação permane-
cem abaixo de um limiar menor, ocorre a remo-
delagem óssea, com a remoção do osso próximo à 
medula óssea. A intensidade de deformação entre 
esses dois limiares ocorre na “zona de conforto” e 
não desencadeia adaptações ósseas. A remodela-
gem pode ocorrer seja de modo de conservação, 
sem mudança na massa óssea, seja pelo modo de 
desuso, com a perda líquida de massa óssea, carac-
terizado por alargamento da cavidade medular e 
por estreitamento da cortical óssea (HALL, 2013).
Você sabia que essa teoria surgiu em 1836-1902 e foi 
apresentada por Julius Woff? Para o teórico, toda alte-
ração na forma e na função de um osso, ou de uma fun-
ção isolada, é seguida de certas alterações definitivas, em 
sua arquitetura interna, e de uma alteração secundária 
e, igualmente, definitiva. Em sua formação externa, de 
acordo com as leis matemáticas (RASCH, 1991), têm-se: 
• A força da ação da gravidade.
• A ausência de cargas que ocasiona perda de cál-
cio e perda óssea, por exemplo, o período que os 
CÉLULA ÓSSEA RESPONSÁVEL PELA 
PRODUÇÃO DE TECIDO ÓSSEO
OSTEOBLASTO
CÉLULA ÓSSEA RESPONSÁVEL PELA 
REABSORÇÃO DE TECIDO ÓSSEO
OSTEOCLASTO
PERCEBEM CARGAS MECÂNICAS
E LIBERAM SINALIZADORES 
BIOQUÍMICOS.
OSTEÓCITO E 
OSTEÓIDE 
As principais funções do sistema esquelético são: sus-
tentação dos tecidos moles, inserções para músculos, 
ligamentos e fáscia e proteção para muitos órgãos do 
corpo. Além disso, os ossos servem como alavancas e, 
em conjunto com os músculos, cartilagens e ligamentos, 
formam a base para o movimento. Em síntese, as fun-
ções dos ossos podem ser divididas em:
Funções mecânicas: 
• Suporte para o corpo contra forças externas.
• Age como um sistema de alavanca para transfe-
rir força.
• Proteção para os órgãos internos.
Funções fisiológicas:
• Formar células sanguíneas (hemopoiese).
• Armazenar cálcio (homeostase mineral).
 61
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
astronautas permanecem fora da terra no am-
biente sem gravidade.
• O reparo ósseo, processo pelo qual o osso é repa-
rado após uma lesão. 
Propriedades Biomecânicas do Osso
• Uma das estruturas mais duras do corpo. Des-
taca-se, somente, a dentina e o esmalte dentário 
como mais rígidos.
• Um dos tecidos mais metabólicos e, dinamica-
mente ativos no corpo, mantém-se ativo durante 
toda a vida.
• Altamente vascularizado, o osso tem excelente 
capacidade de se autorregenerar e pode alterar 
suas propriedades e configurações em resposta 
às mudanças da demanda mecânica.
• As mudanças na densidade do osso são, comu-
mente, observadas depois dos períodos de desu-
so e de uso intenso.
• As mudanças na forma do osso são notadas du-
rante a recuperação de fraturas e após cirurgias. 
TENSÃO (ESTRESSE MECÂNICO)
Caracteriza-se tensão como a força aplicada no osso por 
unidade de área. A mesma força, quando aplicada em 
ossos com diferentes secções transversais, pode produ-
zir diferentes tensões.
CARGAS TRAUMÁTICAS E REPETITIVASO sistema esquelético também pode ser afetado por 
cargas traumáticas e repetitivas. Uma carga traumática 
é aquela de grande magnitude que aplicada uma única 
vez é suficiente para causar lesão (fratura traumática). A 
carga repetitiva, por sua vez, é de pequena magnitude e 
quando aplicada, uma única vez, não é suficiente para 
causar lesão, mas quando aplicada repetidamente, sim 
(fratura por fadiga, fratura de stress). 
A Figura 9 apresenta a probabilidade de lesão do te-
cido ósseo. Cabe ressaltar que a lesão traumática é oca-
sionada por carga de alta intensidade e baixa repetição. 
A lesão repetitiva, no que lhe diz respeito, é ocasionada 
pela aplicação de carga de baixa intensidade e alta repe-
tição, isto aumenta a frequência da fadiga.
Figura 8 - Tensão aplicada nos ossos / Fonte: Hall (2013).
Figura 9 - A probabilidade de lesão do tecido ósseo é influenciada pela magni-
tude da carga e pela frequência da fadiga imposta ao tecido / Fonte: Hall (2013).
Probabilidade de lesão
Frequência da fadiga
Magnitude
da carga
RESPOSTA ÓSSEA À CARGA
A aplicação ou não de cargas no sistema ósseo pode ocasio-
nar duas situações. A primeira delas é a hipertrofia, carac-
teriza-se pelo aumento da densidade óssea (mineralização), 
em resposta ao aumento das cargas regularmente aplicadas 
62 
 
• COMPRESSÃO • TRAÇÃO • CISALHAMENTO • TORÇÃO • FLEXÃO 
(atividades físicas regulares). Quanto maior a força regular-
mente aplicada, maior a mineralização do osso. A segunda 
é a atrofia, ocasionada pela diminuição da densidade óssea 
(mineralização) em resposta à redução das cargas, regular-
mente, aplicadas (sedentarismo).
CARGAS MECÂNICAS SOBRE OS OSSOS
O comportamento biomecânico do osso, ou seja, seu 
comportamento sob influências de forças e momentos, 
é afetado por suas propriedades mecânicas; caracterís-
ticas geométricas; intensidade; razão e o modo como as 
cargas são aplicadas (direção e a frequência). Os tipos de 
carga mecânicas que afetam os ossos são:
mento. Quanto maior a carga de compressão, mais teci-
do deve ter o osso para suportá-la, por exemplo, as vér-
tebras lombares e os ossos dos membros inferiores. Uma 
força compressiva, em excesso, pode ocasionar fratura.
Tração
A tração é o oposto da compressão. É um tipo de car-
ga que, atuando axialmente sobre um osso, faz o osso se 
alongar e estreitar, como o indivíduo suspenso, em uma 
barra, e o carregamento de peso. 
Cisalhamento
Cisalhamento é um tipo de carga que tende a provo-
car um deslizamento (ou deslocamento) de uma parte 
de um osso sobre a outra (ou de um osso sobre o ou-
tro). Alguns problemas nos discos vertebrais podem ser 
ocasionados por forças de cisalhamento, isto é, quando 
uma vértebra escorrega anteriormente sobre a outra, por 
exemplo, a força atuando sobre a articulação do joelho, 
durante um agachamento.
Curvamento ou Torção
É um tipo de carga que tende a “torcer um osso”, é 
uma força rotativa, e acontece quando uma força ten-
de a girar um osso em torno do seu eixo longitudinal, 
estando uma de suas extremidades fixas (ou impedi-
da de girar livremente). Um osso pode ser deformado 
devido à força de curvamento. Quando isso ocorre, 
de um lado se formará uma convexidade com forças 
tensivas e do outro se formará uma concavidade com 
forças compressivas. Como exemplo desse conceito, 
citamos: na tíbia, quando um pé permanece fixo e o 
resto do corpo sofre uma rotação (futebol) (HAMILL; 
KNUTZEN, 1999; HALL, 2013).
Figura 10 - Tipos de cargas que afetam os ossos
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Vamos entender melhor cada uma delas
Compressão
A compressão pode ser entendida como um aperto. 
Esse tipo de força é necessário para o desenvolvimento 
e crescimento do osso. É um tipo de carga que, atuando 
axialmente sobre um osso, causa encurtamento e alarga-
 63
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
AS LESÕES ÓSSEAS COMUNS
Em razão das funções mecânicas, realizadas pelos ossos, 
devemos nos atentar e compreender que a saúde do osso 
é muito importante para nossa saúde geral. A saúde óssea 
pode ser prejudicada por lesões e situações patológicas. 
A gravidade de uma fratura óssea dependerá da direção, 
magnitude, taxa de carga e duração do estímulo mecâni-
co, bem como a saúde e a maturidade do osso no momen-
to da lesão. As fraturas são classificadas como simples, 
quando as extremidades do osso permanecem dentro dos 
tecidos circundantes, e compostas, quando uma ou mais 
pontas ósseas projetam-se para fora da pele (HALL, 2013).
As fraturas mais comuns 
• Fratura em galho verde, fratura incompleta, 
quebra na superfície convexa do encurvamen-
to do osso. Tratam-se de lesões muito comum na 
infância e adolescência devido à grande quantida-
de de colágeno e à flexibilidade, geralmente, cau-
sadas por estímulos de flexão ou torção.
• Fratura em fissura. Envolve uma quebra longi-
tudinal incompleta.
• Fratura cominutiva. Trata-se de uma fratura 
completa que fragmenta o osso, geralmente, re-
sultante de uma carga rápida, caracterizada por 
numerosos pequenos fragmentos.
• Fratura transversal. É uma fatura completa e a 
quebra ocorre em um ângulo reto ao eixo do osso.
• Fratura oblíqua. É também uma fatura com-
pleta que ocorre em um ângulo diferente do ân-
gulo reto ao eixo do osso.
• Fratura espiral. É uma fatura completa, causa-
da pela torção excessiva do osso, muito comum 
em esportes de impacto.
64 
 
Figura 11 - Lesões ósseas comuns / Fonte: Hall (2013).
 65
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Além das fraturas que você acabou de conhecer, também 
podemos destacar mais algumas que são menos comuns. 
A Avulsão é um tipo de fratura induzida por uma carga de 
tração, na qual uma parte do osso é puxada para fora por 
um tendão ou ligamento nele inserido (arremessos e sal-
tos, extremamente, explosivos). Os movimentos explosivos 
de arremesso e de salto podem causar fraturas por avulsão 
do epicôndilo medial do úmero e do calcâneo. A fratura 
impactada, por sua vez, é induzida por uma carga de com-
pressão rara, normalmente, acontece quando existem car-
gas combinadas. A fratura por fadiga, por fim, resulta de 
carga repetitiva de pequena magnitude (colo do fêmur). 
MUDANÇAS DEGENERATIVAS ASSOCIA-
DAS AO ENVELHECIMENTO
A literatura aponta que, por volta dos 21 anos, ocorre um 
pico de produção de massa óssea. O envelhecimento pro-
move uma perda progressiva da densidade óssea com o 
processo do envelhecimento. As trabéculas longitudinais 
tornam-se mais finas e algumas são reabsorvidas. Tem-se 
também a redução do osso esponjoso e o afinamento do 
osso cortical, nesse processo, a massa óssea pode ser re-
duzida até 50% da massa trabecular (esponjoso) original 
e até 25% da massa cortical (HALL, 2013).
Existem evidências de que o exercício resistido re-
gular é uma estratégia efetiva para o aumento da massa 
mineral óssea durante o crescimento. Atividade física ou 
participação em esportes deve ser iniciada na pré-pu-
berdade e deve ser mantida durante o desenvolvimento 
da puberdade para que atinja o pico máximo de produ-
ção de massa óssea.
Osteopenia
Patologia que consiste em qualquer condição que envolva 
uma redução fisiológica (em relação à idade) da quantida-
de total de osso mineralizado, precursora da osteoporose. 
Classifica-se osteopenia quando a massa óssea varia entre 
10 e 25% menor que a considerada normal, superior a essa 
porcentagem, classifica-se como osteoporose.
Osteoporose
Trata-se a osteoporose da perda excessiva de compo-
nente mineral e da resistência do osso, observada na 
maioria dos indivíduos idosos, principalmente, mu-
lheres. Cerca de 90% das fraturas, após os 60 anos, re-
lacionam-se à osteoporose. Estudos demonstram que 
a atividade física regular tende a aumentar a minera-
lização óssea em indivíduos com osteoporose (HALL, 
2013). Os programas de atividades físicas para esses 
indivíduos devem ser feitos com cuidado para mini-
mizar os riscos de fraturas.
A osteoporose pode ser considerada um problema 
sério de saúde pública. Em mulheres, a menopausa pre-
coce é um dosindicadores de osteoporose. Os fatores 
de risco incluem ser mulher, de etnia branca ou asiáti-
ca, de idade avançada e com histórico familiar (NAT-
TIV, 2007). A osteoporose tipo I, ou pós-menopausa, 
afeta, aproximadamente, 40% das mulheres com mais 
de 50 anos. A osteoporose tipo II, associada a idade, 
afeta as mulheres e homens após os 70 anos. Distúrbios 
alimentares; amenorreia, ou seja, a ausência de mens-
truação, e a osteoporose constituem uma tríade peri-
gosa e letal para jovens atletas, o desejo de se superar 
em esportes competitivos faz os jovens atletas ficarem 
com o peso muito abaixo do esperado. Outro fator que 
pode ser desenvolvido é a anorexia nervosa e a bulimia 
nervosa que ameaçam a vida de muitas mulheres, pra-
ticantes de esportes de resistência ou atividades rela-
cionadas à aparência (HALL, 2013). 
 
66 
 
O sistema articular, juntamente com o esqueléti-
co e o muscular, é essencial para a produção dos 
movimentos corporais. As articulações são res-
ponsáveis por unir os nossos ossos, permitindo, 
assim, que o corpo se movimente.
BIOMECÂNICA DAS ARTICULAÇÕES HUMANAS
As articulações compõem-se de vários tipos de tecidos, 
e são muito bem projetadas para o desempenho da sua 
função. Em condições normais, as articulações manter 
na mesma linha saudáveis por 70 anos. 
Tipos de Articulações: no corpo humano e na 
grande maioria dos seres vivos vertebrados, existem 3 
principais tipos de articulações (HALL,2013):
• Sinartroses (Fibrosa e Não Sinoviais) – imóveis.
• Anfiartroses (Cartilaginosas) - ligeiramente mó-
veis.
• Diartroses (Sinoviais) - completamente móveis.
Sinartroses (imóveis), fibrosa ou não sinoviais 
As sinartroses são limitadas, em relação ao movimento, 
e se identificam pela junção de dois ossos que são con-
siderados quase imóveis. Tem como função dar estabili-
Sistema 
Articular
 67
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
dade estrutural, absorver choques e vibrações e dissipar 
alguma energia. Permitem pouco ou nenhum movi-
mento. As Sinartroses dividem-se em: Suturas, Sindes-
moses e Gonfoses. Nas Figuras 12 e 13 têm-se exemplos 
de articulação do tipo sinartroses.
Anfiartroses ou levemente móveis (cartilaginosa)
Articulações cartilaginosas que têm uma capacida-
de maior de movimento do que as juntas fibrosas, 
no entanto também apresentam rígidas restrições na 
variação do movimento. Os ossos estão unidos entre 
si por uma fibrocartilagem cuja consistência permi-
te a existência de deformação e de um certo grau de 
movimento (normalmente flexão) entre os segmentos 
ósseos. Tem como principal função absorver choques, 
pois a camada fibrocartilaginosa fornece um bom 
amortecimento das forças que tendem a separar ou 
aproximar os dois ossos (rigidez). Veja os exemplos 
nas figuras 14 e 15. 
Figura 12 - Suturas do crânio
Figura 13 - Sindesmose da tíbia e fíbula 
68 
 
Diartroses ou móveis (sinoviais)
As articulações desse tipo têm a presença da cápsula sino-
vial que contém o fluido sinovial. Esse fluido, em conjunto 
com as capas de cartilagem, que ficam nas extremidades 
dos ossos, ajuda na lubrificação da articulação, permitindo, 
assim, uma ampla capacidade de movimentação. É a articu-
lação mais comum encontrada no corpo humano. Existem 
vários tipos de articulações sinoviais consoante a sua função 
e movimento (eixo) admitido, desde pequenas translações 
até grandes rotações. Como exemplo, temos a diartrose do 
joelho; diartrose do quadril; diartrose do ombro (RASCH, 
1991) apresentadas nas figuras 16, 17 e 18, respectivamente.
Sínfise Púbica
Figura 14 - Anfiartroses vertebrais (discos intervertebrais)
Figura 15 - Sínfise pubiana
Figura 16 - Diartrose do joelho
 69
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Enartrose: é um segmento ósseo esférico o qual encai-
xa-se dentro de uma cavidade com a sua forma, e tem a 
capacidade de rodar em todas as direções, por exemplo, 
a enartrose do quadril.
Condilartrose: é um segmento ósseo arredondado 
ou elíptico e outro com a forma côncava recíproca. Temos 
como exemplo desse tipo ósseo a ondilartrose do cotovelo.
Trocleartrose: é um segmento ósseo em forma de 
polia, tem uma depressão no centro, e outro com uma 
crista que encaixa no canal da polia. Temos como exem-
plo a trocleartrose do cotovelo.
Artrodia (artrose): são segmentos ósseos planos 
que só podem deslizar entre si. São exemplos a artrodia 
entre o atlas e o áxis. 
Características: a placa terminal articular é uma ca-
mada fina de osso compacto sobre o osso esponjoso que faz 
o contorno das pontas dos ossos. Em cima da placa termi-
nal encontra-se a cartilagem articular, um tecido conectivo, 
firme que contorna as pontas dos ossos. A cartilagem ar-
ticular é uma substância avascular constituída de 60 a 80% 
de água e uma matriz sólida composta de colágeno e gel 
proteoglican. A cartilagem não tem suprimento sanguíneo 
e é nutrida pelo líquido que há dentro da articulação. A 
cartilagem tem de 1 a 7mm de espessura, dependendo do 
estresse e da região da superfície articular. A cartilagem é 
muito importante para a estabilidade e a função da arti-
culação, pois distribui as cargas sobre a superfície e reduz 
metade do estresse de contato, permitindo o movimento 
entre dois ossos, com o mínimo de atrito e desgaste.
Figura 17 - Diartrose do quadril
Figura 18 - Diartrose do ombro
Figura 19 - Exemplo de articulação sinovial / Fonte: Hall (2013).
70 
 
Articulações simples, compostas e complexas: as su-
perfícies articulares variam de tamanho e formato, existe, 
tipicamente, uma superfície côncava que encontra uma 
convexa no osso adjacente. Uma articulação com somen-
te duas superfícies articulares é denominada articulação 
simples, por exemplo, quadril ou tornozelo. Uma articu-
lação com três ou mais é chamada de articulação com-
posta, como o punho. Uma articulação com mais de duas 
superfícies articuladoras e com um disco ou fibrocartila-
gem é denominada articulação complexa, como o joelho.
Articulação plana ou deslizante: encontrada no 
pé, entre os tarsos e na mão, entre os carpos. O movi-
mento, nesse tipo de articulação, é denominado não 
axial, pois não ocorre sobre um eixo, consiste no desli-
zamento de duas superfícies planas uma sobre a outra, 
permitindo assim o movimento (RASCH, 1991).
Articulação em dobradiça (gínglimo): permite mo-
vimentos em um plano (flexão e extensão) e é denomi-
nada uniaxial, como as articulações interfalângicas dos 
dedos do pé e mão e articulação ulnoumeral do cotovelo.
Figura 20 - Articulação plana / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 21 - Articulação em dobradiça / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 22 - Articulação atlantoaxial, na base do crânio
Articulação em pivô: permite o movimento em um 
plano (rotação, pronação e supinação) e é uniaxial, como 
a articulação radiolulnar superior e inferior, e a articula-
ção atlanto axial, na base do crânio.
 71
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Articulação condilar: permite movimento primário 
em um plano (flexão, extensão), com pequenas quan-
tidades de movimento em outro plano (rotação), por 
exemplo, o joelho e a articulação temporomandibular.
Articulação em sela: encontrada, somente, na articu-
lação carpometacárpica do polegar, permite dois planos 
de movimento (flexão, extensão, abdução, adução), com 
uma pequena quantidade de rotação. Tem função simi-
lar à articulação elipsóide. 
Figura 23 - Articulação condilar / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 24 - Articulação elipsóide / Fonte: Hamill e Knutzen (1999). Figura 26 - Articulação esferóide / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 25 - Articulação em sela / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Articulação elipsóide: permite movimento em 
dois planos (flexão, extensão, abdução e adução) e é 
biaxial, como a articulação radiocárpica do punho 
e a articulação metacarpofalângica das falanges. 
Articulação esferóide ou bola-e-soquete: permite 
movimento em três planos (flexão, extensão, abdução, 
adução, rotação), é a mais móvel das articulações diar-
trodiais, como a articulação de quadril e ombro.72 
 
Veremos, agora, a classificação das articulações por es-
trutura e ação no quadro abaixo:
CLASSE NOME COMUM NOME TÉCNICO MOVIMENTO EXEMPLOS
Imóveis - 
Sinartrose Fibrosa Sutura Nenhum
Suturas crânio
 
Semimóveis - 
Anfiartrose Ligamentosa Sindesmose Leve movimento pela 
escassa elasticidade
Coracoacromial 
Sindesmose rádio-ulnar 
Tibiofibular
Semimóveis - 
Anfiartrose Cartilaginosa Sincondiose
Sínfese
Negligente apenas para 
deformação do disco
Esternocostal
Corpos de vértebras
Sínfese púbica
Móveis Deslizante Artrosial ou plana Sem eixo: não axial permite 
deslizamento ou torção
Intercápicas
Intertásicas
 Dobradiça Ginglimo
Uniaxial: face côncava 
desliza sobre a convexa 
(permite flexão e extensão)
Cotovelo
 Pivô Trocóide
Uniaxial: permite rotação 
em um eixo vertical ou 
horizontal
Atlanto-axial
Rádio ulnar proximal
 Elipsóide Elipsóide
Biaxial: esferóde ou oval. 
Flexão, extensão, abdução, 
adução e circundação (sem 
rotação)
Carpometacárpica (pulso)
 Bicondilar Bicondilar Biaxial: não realiza a 
rotação
2 a 5 articulações 
metacarpofalângicas (mas 
não do polegar)
 
Esferóide e 
receptáculo
 
Esferóide ou 
Enartrose
 
Triaxial: flexão, extensão, 
abdução, adução e 
circundação e rotação
Quadril
Ombro
 
 Selar Selar
Triaxial: flexão, extensão, 
abdução, adução e 
circundação e rotação.
Carpo-metacárpico do 
polegar
Quadro 1 - Classificação das articulações / Fonte: Rasch (1991).
 73
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Considerações teóricas levaram alguns auto-
res a sugerir que um trabalho intenso crônico, 
como levantamento de peso ou corrida de 
longa distância, durante a juventude, pode 
lesar as cartilagens articulares ou sobrecarre-
gar as epífises e acarretar distúrbios de cres-
cimento. Um fechamento precoce, por exem-
plo, impossibilitaria um indivíduo de atingir 
sua estatura em potencial. Tais considerações 
alertam para a necessidade de cautela nes-
sas atividades. Existe a necessidade de mais 
evidências científicas. Alguns instrutores de 
educação física, frequentemente, observam 
o tamanho dos ossos do pulso, tornozelo e 
quadris a fim de obter melhor estimativa da 
capacidade individual de suportar pesos e 
esforços. Em geral, os ossos de indivíduos 
negros são mais densos que os de brancos, 
e os de um homem mais densos que os de 
uma mulher.
Fonte: Rasch (1991).
SAIBA MAIS
74 
considerações finais
Caros alunos(as), chegamos ao final da nossa segunda unidade. Quanto conhecimento 
você já adquiriu da Biomecânica e da Cinesiologia! Nesta unidade, você aprendeu o 
funcionamento do sistema esquelético. Vamos recapitular? 
O sistema esquelético é um tecido vivo e dinâmico, porque é formado e remodelado, 
continuamente, por meio das forças que são aplicadas sobre ele. O tecido ósseo pode 
ser classificado em cortical, osso mais rígido e menos poroso, e esponjoso, um tipo 
de tecido com alta porosidade e menos rígido. 
Constituído por, aproximadamente, 206 ossos, nosso sistema esquelético é dividido 
em parte axial (crânio, vértebras, esterno e costelas) e apendicular (ossos dos membros 
superiores e inferiores). Além disso, os ossos são de diferentes tipos, como curto; 
longo; plano e irregular. 
Você também aprendeu que os nossos ossos podem crescer em comprimento (longi-
tudinal) e em circunferência. O crescimento longitudinal, que se inicia na vida fetal 
e continua ao longo da vida, ocorre nas epífises. O crescimento em circunferência, 
por sua vez, ocorre por meio do aumento no periósteo, o tecido conectivo que cobre 
a face externa do osso. As células ósseas responsáveis pela produção e reabsorção de 
tecido ósseo são denominadas de osteoblasto, osteoclasto e osteócito. 
O sistema esquelético é fundamental para a nossa vida, porque realiza diversas funções, 
por exemplo: estrutura de suporte para o nosso corpo, protege órgãos vitais, auxilia na 
produção de movimentos por meio das alavancas, forma células sanguíneas. Cargas 
podem ser denominadas de traumáticas, porque são de grande magnitude e podem 
causar lesão no momento da aplicação. A carga repetitiva é de pequena magnitude 
e pode causar lesão, quando aplicada diversas vezes.
Você aprendeu também que outras cargas mecânicas podem afetar os ossos, são 
elas: compressão, tração, cisalhamento, flexão e torção. Por fim, conheceu as fraturas 
mais comuns, a saber: em galho verde, em fissura, cominutiva, transversal, oblíqua e 
espiral. Espero que nossa discussão tenha contribuído para o seu desenvolvimento 
acadêmico. Encontramo-nos na próxima unidade.
 75
atividades de estudo
1. Algumas lesões agudas podem acometer o siste-
ma esquelético. Sobre os principais tipos de fra-
turas, leia, atentamente, as afirmativas a seguir. 
I. Fratura em galho verde: fratura completa, 
quebra na superfície convexa do encurva-
mento do osso, muito comum na infância e 
adolescência.
II. Fratura em fissura envolve uma quebra longi-
tudinal completa.
III. Fratura cominutiva é incompleta e fragmenta 
o osso, geralmente, resultante de uma carga 
rápida, caracterizada por numerosos peque-
nos fragmentos.
IV. Fratura transversal é completa, e a quebra 
ocorre em um ângulo reto ao eixo do osso.
V. Fratura oblíqua é completa, ocorre em um ân-
gulo diferente do ângulo reto ao eixo do osso.
É correto o que se afirma em:
a. I, III, V, apenas.
b. II, III, IV, apenas.
c. III, apenas.
d. IV, V, apenas.
e. V, apenas.
2. A osteoporose é uma situação que promove a 
perda da densidade mineral óssea. Sobre esse 
assunto, assinale a alternativa correta. 
I. Classifica-se osteopenia quando a massa ós-
sea é de 10 a 25% menor que a considerada 
normal, mais do que isso, classifica-se como 
osteoporose.
II. O esporte de rendimento pode ocasionar 
uma combinação perigosa de distúrbios ali-
mentares, amenorréia e osteoporose.
III. Estudos demonstram que a atividade física re-
gular tende a diminuir a mineralização óssea 
em indivíduos com osteoporose.
IV. A osteoporose é percursora da osteopenia, 
sendo considerada uma perda de densidade 
mineral óssea de 15%.
É correto o que se afirma em:
a. I, II, IV, apenas. 
b. I, II, III, apenas. 
c. I, II, apenas. 
d. II, III, apenas. 
e. I, III, IV, apenas.
3. Analise as afirmativas acerca da estrutura e do 
formato dos ossos no corpo humano permitem 
que eles realizem funções específicas. 
I. Os Ossos curtos têm uma haste longa, esta 
permite os deslizamentos e absorve o impacto.
II. Ossos Longos formam a estrutura do esque-
leto apendicular, o fêmur por exemplo, e sus-
tentam o peso do corpo.
III. Os ossos sesamóides auxiliam na alteração do 
ângulo de inserção muscular. 
IV. Ossos irregulares protegem órgãos e tecidos 
moles, como os ossos do crânio e das costelas.
V. Ossos Chatos ou planos têm formatos dife-
rentes para desempenhar funções especiais, 
por exemplo, o sacro e o cóccix. 
É correto o que se afirma em:
a. I, II, apenas.
b. II, IV, apenas.
c. V, apenas.
d. II e III, apenas.
e. III, apenas.
76 
atividades de estudo
4. Tipos de Articulações: no corpo humano e na 
grande maioria dos seres vivos vertebrados, exis-
tem 3 principais tipos de articulações, são elas: 
Sinartroses (Fibrosa e Não Sinoviais), imóveis; 
Anfiartroses (Cartilaginosas), ligeiramente mó-
veis, e Diartroses (Sinoviais), completamente 
móveis. Assinale a alternativa correta:
a. As articulações cartilaginosas ou anfiartroses 
são caracterizadas pela presença da cápsula 
sinovial que contém o fluido sinovial.
b. Nas articulações não sinoviais ou sinartro-
ses, os ossos estão unidos entre si por uma 
fibrocartilagem cuja consistência permite a 
existência de deformação e de um certo grau 
de movimento (normalmente flexão) entre os 
segmentos ósseos.
c. Articulação em sela são consideradas cartila-
ginosas (anfiartrose) e somente encontrada 
na articulação carpometacárpica do polegar, 
permite dois planos de movimento (flexão, ex-
tensão, abdução, adução) com uma pequena 
quantidade de rotação.
d. Articulação em sela, são consideradas móveis 
(diartrose): somenteencontrada na articula-
ção carpometacárpica do polegar, permite 
dois planos de movimento (flexão, extensão, 
abdução, adução) com uma pequena quanti-
dade de rotação. Tem função similar à articu-
lação elipsóide. 
e. A articulação móvel (diartrose) tem como 
função dar estabilidade estrutural, tendo 
a capacidade de absorver choques e vi-
brações, dissipando alguma energia. As 
Sinartroses dividem-se em: Suturas; Sindes-
moses e Gonfoses. 
5. A respeito das cargas mecânicas, assinale a alter-
nativa correta.
a. A Compressão é um tipo de carga que, atu-
ando axialmente sobre um osso, faz com que 
o osso se alongue e fique mais estreito. Ten-
de a aumentar o seu comprimento e diminuir 
seu diâmetro. 
b. Tração pode ser entendida como um aper-
to. Esse tipo de força é necessário para o de-
senvolvimento e o crescimento do osso. É um 
tipo de carga que, atuando axialmente sobre 
um osso, causa encurtamento e alargamento. 
Tende a diminuir o seu comprimento e au-
mentar seu diâmetro.
c. Cisalhamento é um tipo de carga que tende 
a provocar um deslizamento (ou deslocamen-
to) de uma parte de um osso sobre outra (ou 
de um osso sobre outro), por exemplo, a força 
atuando sobre a articulação do joelho, duran-
te um agachamento.
d. Curvamento ou Torção pode ser considerada 
uma força de esmagamento direcionada axial-
mente por meio de um corpo.
e. O comportamento biomecânico dos ossos 
não é afetado pela aplicação de cargas mecâ-
nicas.
 77
LEITURA
COMPLEMENTAR
Vamos entender, agora, um pouco mais sobre a importância da mobilidade nas 
articulações da mecânica do movimento humano. 
A amplitude do movimento é limitada por ligamentos, incluindo a cápsula articular, 
comprimento e extensibilidade dos músculos e fáscias, tendões, a influência dos teci-
dos moles e o próprio contato de um osso contra o outro. A flexibilidade é sinônimo 
de amplitude de movimento articular, altamente, específico para cada articulação. Já a 
hipermobilidade de uma articulação, que é considerada resultante da frouxidão liga-
mentosa, representa um extremo na variação normal da mobilidade articular. 
Devemos identificar e observar as implicações de um padrão de hipermobilidade que 
está associado a queixas músculo esqueléticas. Frequentemente, indivíduos que se 
queixam com “articulações duplas” sofrem dores de crescimento, enquanto crianças, 
quando amadurecem, podem apresentar osteoartrite, dores articulares, luxações re-
correntes e lesões de ligamentos. Muitas pessoas mostram um desenvolvimento mus-
cular fraco. 
O grau de hipermobilidade e as articulações envolvidas podem afetar o desempenho 
em quase todas as atividades. Em geral, a flexibilidade diminui, gradualmente, na idade 
avançada. Vale a pena ressaltar que as posturas habituais e um trabalho pesado crôni-
co levam, por meio da amplitude de movimentos restritos, ao encurtamento adaptativo 
de músculos. Ao longo dos anos, a inflexibilidade tende a tornar-se permanente e irre-
versível, especialmente, quando o desenvolvimento habitual de osteoartrite provoca a 
calcificação de tecidos próximos às articulações.
Um programa bem planejado de exercícios de resistência, provavelmente, aumentará 
a flexibilidade. Isso porque os movimentos são executados por meio de uma amplitude 
de movimento completa e exercícios que incluem ambos os membros de grupos de 
músculos antagonistas. A falta de flexibilidade normal, por sua vez, pode ser conside-
rada por má postura, compressão de nervos periféricos, dismenorréia e outros males.
Podemos destacar que alguns testes de flexibilidade são de fácil acesso e aplicação, 
como o banco de Wells e flexiteste.
Fonte: adaptado de Rasch (1991).
78 
material complementar
Assista ao vídeo disponível no link a seguir para aprofundar seus conhecimentos sobre a classificação dos ossos.
Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=vTnUqF37QRk.
Indicação para Acessar
Leia a reportagem que explica como a ausência de gravidade afeta, negativamente, a densidade óssea, dispo-
nível no link a seguir: https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/passar-seis-meses-no-espaco-e-desafio-para-o-
-corpo-humano,daf98116492da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html.
Indicação para Acessar
https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/passar-seis-meses-no-espaco-e-desafio-para-o-corpo-humano,daf98116492da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
https://www.terra.com.br/noticias/ciencia/passar-seis-meses-no-espaco-e-desafio-para-o-corpo-humano,daf98116492da310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
 79
gabarito
1. D
2. C
3. D
4. D
5. C
Me. Bruna Felix Apoloni
Me. Regina Alves Thon 
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Posição anatômica de referência, planos e eixos do 
movimento
• Movimentos fundamentais: definições e ações de 
movimento
• Mobilidade e lesões osteoarticulares
• Biomecânica da coluna vertebral
Objetivos de Aprendizagem
• Identificar e descrever posições, planos e eixos de 
referência, associados ao corpo humano.
• Compreender a descrição do movimento articular, baseado 
em planos, eixos e termos direcionais relacionados.
• Compreender as posturas habituais do cotidiano e 
estabelecer relações com a amplitude de movimento.
• Entender a importância anatômica da coluna vertebral e 
das curvaturas vertebrais para o movimento. 
TERMINOLOGIA PADRÃO DOS 
MOVIMENTOS CORPORAIS
unidade 
III
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a) a esta terceira unidade do nosso livro 
de Biomecânica e Cinesiologia. Nas unidades anteriores, 
você aprendeu os conceitos básicos das duas áreas que estu-
dam o movimento humano e compreendeu a contribuição 
e a importância do sistema esquelético para o movimento e a com-
posição do corpo. Agora, trataremos de outro assunto fundamental: 
a terminologia padrão dos movimentos corporais. Em um primeiro 
momento, você aprenderá os três conceitos de extrema importância 
para o estudo do movimento: a descrição da posição anatômica; os 
planos anatômicos de referência e os eixos anatômicos de referência. A 
posição anatômica é o ponto de partida para a descrição dos movimen-
tos articulares. Tais movimentos ocorrem nos planos sagital, frontal e 
transverso. Esses conteúdos utilizaremos para identificar e descrever, 
adequadamente, os movimentos corporais. Na sequência, você conhe-
cerá os termos específicos relacionados aos movimentos fundamentais 
que servem para identificar, com precisão, as posições e direções cor-
porais.
Posteriormente, estudaremos o movimento humano, você apren-
derá a mobilidade das nossas articulações e algumas lesões osteoartic-
ulares que podem afetar a amplitude dos movimentos cotidianos e es-
portivos. Destacaremos algumas lesões, como luxação; entorse; bursite; 
artrite e osteoartrite. Por fim, discutiremos a importância anatômica 
da coluna vertebral e das curvaturas vertebrais para o movimento. A 
coluna vertebral é um segmento complexo que contribui, efetivamente, 
para a mecânica do movimento humano. É um segmento com carac-
terísticas de rigidez e elasticidade, que permite movimentos nos três 
planos, além de proteger a medula espinhal. Considerando esses fa-
tores, o estudo da coluna vertebral é parte essencial dos nossos estudos 
em Cinesiologia e Biomecânica.
Bons estudos!
84 
 
Para descrever os movimentos corporais, é necessá-
rio utilizar uma terminologia, universalmente, aceita 
e compreendida por todos. Assim, é de suma impor-
tância que professores, treinadores, alunos e atletas 
conheçam e utilizem termos padronizados para, por 
exemplo, identificar segmentos corporais; aspectos 
da habilidade que precisam ser aperfeiçoados; ensi-
nar um aluno sobre o movimento, entre outros. Além 
disso, a descrição correta dos movimentos articulares 
é essencial para a análise biomecânica dos movimen-
tos. Os movimentos articulares são definidos com 
relação à posição anatômica e descritos por meio de 
planos e eixos perpendiculares (RASCH, 1991).
Nesse sentido, o primeiro item que vamos co-
nhecer é a posiçãoanatômica de referência, também 
denominada de posição inicial ou posição zero. Essa 
é uma postura considerada o ponto de partida para 
descrever os movimentos dos segmentos corporais 
ou articulares. É uma posição ereta, porém não é a 
postura natural que utilizamos no dia a dia. É uma 
orientação corporal que, por convenção, foi padroni-
zada há muito tempo e é uma referência para definir 
os termos relacionados ao movimento (HALL,2000). 
Veja, na Figura 1, a posição anatômica de referência.
Posição Anatômica de Referência, 
Planos e Eixos do Movimento
 85
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Figura 1 - Posição anatômica de referência / Fonte: Hall (2000).
Nesta posição, temos o seguinte posicionamen-
to do corpo: corpo ereto, cabeça para frente, 
braços ao lado do tronco, palmas das mãos para 
frente e pernas unidas com os pés apontando 
para frente. Alguns estudiosos também des-
crevem e utilizam a posição fundamental que 
difere da anatômica, em relação à posição dos 
braços, que permanecem relaxados ao lado do 
corpo com as palmas viradas para o tronco 
(HAMILL; KNUTZEN, 1999).
Figura 2 - Posição 
anatômica e 
fundamental
86 
 
PLANOS E EIXOS
Além da posição anatômica, a descrição do movimento 
baseia-se no sistema de planos e eixos. Os planos de mo-
vimento são planos imaginários posicionados sobre o cor-
po. Os movimentos corporais ocorrem ao longo dos pla-
nos ou paralelo a ele. Além disso, para cada plano, existe 
um eixo perpendicular no qual ocorre o movimento. Os 
três planos de movimento são: sagital, frontal e transverso.
O plano sagital divide o corpo, em direita e esquerda, e 
permite os movimentos de flexão, extensão e hiperexten-
são ao redor do eixo mediolateral ou látero-lateral que 
vai de um lado para outro. Este eixo pode ser em uma 
articulação, atravessar o centro de massa do corpo ou 
um ponto de contato externo. A melhor visualização dos 
movimentos, nesse plano, é obtida lateralmente ao corpo 
(HAMILL; KNUTZEN, 1999).
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Figura 3 - Planos e 
eixos de movimento 
/ Fonte: Hamill e 
Knutzen (1999).
Figura 4 - Movimentos no plano sagital sobre eixos articulares 
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
 87
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Figura 5 - Movimentos no plano sagital sobre o centro de gravidade
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 6 - Melhor visualização de um movimento no plano sagital é lateral
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
O plano frontal bissecciona o corpo, em anterior e poste-
rior (frente e trás), e possibilita os movimentos de adução, 
abdução e inclinações a partir do eixo sagital, anterior e 
posterior ao plano. Alguns exemplos de movimentos são 
abdução/adução da coxa; flexão lateral de cabeça e tron-
co; inversão e eversão do pé. A melhor visualização dos 
movimentos, nesse plano, é à frente ou atrás do corpo.
Figura 7 - Movimentos no plano frontal sobre eixos articulares
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 8 - Movimentos no plano frontal sobre o centro de gravidade
88 
 
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
O plano transverso separa o corpo, em superior e in-
ferior, permitindo os movimentos de rotação, flexão 
(adução) horizontal e a extensão (abdução) horizon-
tal a partir do eixo longitudinal (vertical). Alguns 
exemplos de movimentos, nesse plano, são rotações 
nas articulações vertebrais do ombro e quadril; pro-
nação e supinação do antebraço nas articulações ra-
dioulnares. A melhor visualização desses movimen-
tos é por meio do posicionamento, por cima ou por 
baixo do movimento, para ficar perpendicular ao 
plano de movimento (HAMILL; KNUTZEN, 1999).
Figura 9 - Movimentos no plano transverso sobre eixos articulares
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Figura 10 - Movimentos no plano transverso sobre o centro de gravidade
Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Os movimentos humanos, de modo geral, ocorrem 
em dois ou mais planos de movimento. O lançamento 
de uma bola de beisebol sobre o ombro, por exemplo, 
ocorre nos três planos. O braço que lança a bola apre-
senta, na fase 1 de balanceio para trás, abdução, abdu-
ção horizontal e rotação externa. Na fase 2 de aplica-
ção da força, extensão ou adução, adução horizontal e 
rotação interna. Na fase 3 de seguimento, extensão ou 
adução e rotação interna. Observe a Figura 11.
 89
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Também utilizamos a terminologia grau de liberdade (gl) 
para fazer referência aos movimentos nos planos. O grau 
de liberdade é utilizado para descrever o tipo e a quan-
tidade de movimentos permitidos, estruturalmente pelas 
articulações anatômicas. O grau de liberdade 1 represen-
ta uma articulação que permite ao segmento se mover 
em um plano de movimento. É, então, uma articulação 
uniaxial, porque tem um eixo perpendicular ao plano de 
movimento, por exemplo, a articulação do cotovelo que 
possibilita movimentos de flexão e extensão, interfalân-
gicas, radioulnar e tornozelo. As articulações com grau 
de liberdade 2, denominadas de biaxial, incluem os joe-
lhos, articulações metacarpofalângicas, punho e carpo-
metacárpicas do polegar. O grau de liberdade 3 de uma 
Você sabe o que é perpendicular?
Em geometria, perpendicular é uma termo que 
indica se dois objetos (podem ser retas ou pla-
nos) fazem um ângulo de noventa graus (90°). 
Ou seja, refere-se às retas ou aos planos que 
podem ser interceptados por um ângulo reto.
Fonte: adaptado de Wikipédia (2019, on-line)3.
SAIBA MAIS
Figura 11 - Lançamento de bola de Beisebol sobre o ombro nos três planos / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
articulação, denominada triaxial, indica que ele permita 
movimentos nos três planos. São exemplos as articula-
ções vertebrais do ombro e do quadril.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Geometria
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Reta
https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_(geometria)
https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_(geometria)
https://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%82ngulo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Perpendicularidade
90 
 
Agora que você já conhece os planos e o eixos dos mo-
vimentos, aprenderemos os movimentos fundamentais/
básicos e os termos direcionais. Inicialmente, você co-
nhecerá os termos padronizados, utilizados para des-
crever os movimentos. Na sequência, vamos apresentar 
a você os seis movimentos básicos que ocorrem nas ar-
ticulações corporais: flexão, extensão, abdução, adução 
e rotação, medial e lateral, considerando cada plano de 
movimento nos quais ocorrem. Por fim, você conhecerá 
os termos especializados para descrever movimentos.
Os nomes dos segmentos corporais são padroniza-
dos para facilitar a descrição dos movimentos. A parte 
principal do nosso corpo é composta pela cabeça, pes-
coço e tronco. Esta parte é denominada de porção axial 
do esqueleto que compreende mais de 50% do peso to-
tal de um indivíduo. A porção apendicular do esqueleto 
é formada pelos membros superiores e inferiores. Os 
membros superiores são os braços, antebraços e mãos; 
os membros inferiores, por sua vez, são as coxas, pernas 
e pés. Vejamos as figuras a seguir: 
Movimentos Fundamentais: 
Definições e Ações de Movimento
 91
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Figura 12 - Porção axial do esqueleto Figura 13 - Porção apendicular do esqueleto 
92 
 
Figura 14 - Membro superior
Figura 15 - Membro inferior.
 93
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Para descrever os segmentos corporais também é ne-
cessário utilizar termos padronizados. Considerando o 
membro superior, denominamos o úmero como braço; 
o rádio e a ulna como segmento antebraço; carpos, me-
tacarpos e falanges como mão. Em relação aos membros 
inferiores, o fêmur é denominado como segmento coxa; 
tíbia e fíbula como perna; e tarsos, metatarsos e falanges 
como pé. Veja a descrição completa no Quadro 1.
Ossos Nome do 
segmento
Principal articulação 
envolvida no movi-
mento do segmento
úmero braço ombro
rádio e ulna antebraço cotovelo ou radioulnar
carpos, 
metacarpos 
e falanges
mão punhofêmur coxa quadril
tíbia e fíbula perna joelho
tarsos, 
metatarsos 
e falanges
pé tornozelo
Quadro 1 - Ossos, nomes dos segmentos e articulações envolvidas no movi-
mento dos segmentos corporais / Fonte: adaptado de Hamill e Knutzen (1999).
Para descrever uma posição ou um movimento, tam-
bém é necessário conhecer alguns termos anatômicos, 
são eles: medial e lateral, proximal e distal, superior e 
inferior, anterior e posterior, ipsolateral e contralateral. 
O termo medial é utilizado para indicar uma posição 
relativamente mais próxima da linha média do corpo 
ou de um objeto, ou para indicar um movimento em 
direção à linha média. Quando ocorre um movimento 
para o lado oposto à linha média ou para indicar uma 
posição, relativamente mais afastada da linha média, uti-
liza-se o termo lateral. Vejamos um exemplo: visualize, 
novamente, a figura que representa a posição anatômica 
e observe a posição do dedo mínimo da mão. Podemos 
considerar que o dedo mínimo está do lado medial ou 
lateral do membro? O dedo mínimo está mais próximo 
à linha média do corpo e, por isso, dizemos que o dedo 
mínimo da mão está no lado medial do membro. E o 
polegar? Bom, o polegar posiciona-se na parte lateral da 
mão, afastado da linha média. Não se esqueça, os movi-
mentos e a posição dos segmentos são descritos a partir 
da posição anatômica de referência (posição zero).
Os termos proximal e distal referem-se a uma posi-
ção mais próxima e mais afastada, respectivamente, de 
um ponto determinado. É necessário que tenha um pon-
to de referência, por exemplo, a articulação do ombro. 
Em relação a este ponto, pode-se afirmar que a articula-
ção do cotovelo fica proximal e a articulação do punho 
fica distal. Um ponto de referência também é necessário 
para indicar uma posição superior ou inferior. Um seg-
mento pode estar na parte superior do corpo, quando 
está acima do ponto de referência ou mais próximo do 
topo da cabeça. Considera-se inferior quando está abai-
xo de um segmento ou ponto de referência. Um movi-
mento ou posição relacionado a parte da frente do corpo 
é denominado anterior, e posterior, quando se relaciona 
com a parte de trás do corpo. O termo ipsolateral des-
creve um movimento ou posição de um segmento ou 
referência que está do mesmo lado que um ponto de 
referência. O termo contralateral é para indicar quando 
ocorre no lado oposto. Vejamos o exemplo na marcha: 
o membro inferior, denominado ipsolateral, desloca-se 
para frente, enquanto o membro inferior contralateral 
está em contato com o solo para auxiliar no impulso 
(HAMILL; KNUTZEN,1999).
94 
 
MOVIMENTOS BÁSICOS NO PLANO SAGITAL
Os movimentos que ocorrem no plano sagital são flexão, 
extensão e hiperextensão. É importante ressaltar que os 
movimentos ocorrem a partir da posição anatômica. Os 
movimentos de flexão e extensão ocorrem nas articula-
ções sinoviais como artelhos, tornozelo, joelho, quadril, 
tronco, cotovelo, ombro, punho e dedos. Você pode re-
lembrar as características das articulações na Unidade 2.
A flexão representa o movimento de curvar-se e o 
ângulo relativo entre dois segmentos adjacentes diminui. 
A flexão para além de 180° graus é denominada de hiper-
flexão. A extensão consiste no aumento do ângulo relati-
vo entre dois segmentos adjacentes. É um movimento de 
retorno para a posição anatômica. Denomina-se de hipe-
rextensão o movimento de extensão para além da posição 
zero original (HAMILL; KNUTZEN, 1999).
Figura 16 - Movimentos de flexão, extensão e hiperextensão que ocorrem no 
plano sagital / Fonte: Hall (2000).
Veja, na Figura 17, o movimento do arremesso tipo 
“jump” do Basquetebol. Quais movimentos de flexão e 
extensão você consegue identificar? 
Figura 17 - Arremesso do tipo “jump” do Basquetebol
 95
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Isso mesmo! É possível observar, nos membros inferio-
res, o movimento de extensão do quadril, joelho e tor-
nozelo. E, nos membros superiores, a flexão de ombro, 
extensão de cotovelo e flexão de punho.
MOVIMENTOS BÁSICOS NO PLANO FRONTAL
Os principais movimentos que ocorrem, no plano fron-
tal, são abdução e adução. A abdução é o movimento de 
um segmento corporal que se afasta da linha média do 
corpo. A adução é o movimento de um segmento cor-
poral, aproximando-se da linha média do corpo. São 
movimentos típicos de articulações as metatarsofalân-
gicas, quadril, ombro, punho e metacarpofalângicas. A 
hiperabdução é o movimento para além de 180° graus, e 
hiperadução é para o movimento além da posição zero, 
quando o segmento cruza o corpo.
Figura 18 - Movimentos de abdução e adução que ocorrem no plano frontal 
Fonte: Hall (2000).
MOVIMENTOS BÁSICOS NO 
PLANO TRANSVERSAL 
Os movimentos que ocorrem no plano transversal são 
rotação lateral e medial, movimentos rotacionais ao re-
dor de um eixo longitudinal.
Figura 19 - Movimentos de rotação no plano transversal / Fonte: Hall (2000).
As rotações mediais ou internas são movimentos do 
segmento ao redor de um eixo vertical, que passa pelo 
segmento. A postura de referência é a posição funda-
mental que você aprendeu na primeira aula, desta uni-
dade. A partir desta rotação, o segmento tem a sua su-
perfície anterior direcionada à linha média do corpo, ao 
mesmo tempo que a superfície posterior se move para 
longe. Quando ocorre o movimento contrário, denomi-
namos de rotação lateral ou externa. Ou seja, nesse tipo 
de rotação, a superfície anterior do segmento move-se 
para longe da linha média e a superfície posterior mo-
ve-se em direção à linha média. Para as rotações de ca-
beça e tronco, utilizamos as direções esquerda e direita. 
Desse modo, a rotação para direita ocorre quando, por 
exemplo, a parte anterior do tronco fica para a direita, 
96 
 
pela perspectiva do indivíduo que executa o movimento. 
A rotação para a esquerda e o mesmo movimento para 
a esquerda. As rotações ocorrem em articulações como 
vértebras, ombro, quadril e joelho.
MOVIMENTOS ESPECIALIZADOS
A partir dos movimentos básicos, ocorrem os movi-
mentos especializados. Na sequência, descreveremos os 
seguintes movimentos: dorsiflexão, flexão plantar, pro-
nação, supinação, circundução, flexão lateral, elevação, 
depressão, flexão radial, flexão ulnar, eversão, inversão, 
abdução e adução horizontal.
Na articulação do tornozelo, ocorrem os movimen-
tos denominados de dorsiflexão e flexão plantar (movi-
mentos no plano sagital). O movimento de aproximação 
do dorso do pé da parte inferior da perna é denominado 
dorsiflexão, em síntese, é o movimento do pé para cima 
em direção à perna, diminuindo o ângulo relativo entre 
a perna e o pé. O movimento oposto é chamado de fle-
xão plantar. Na flexão plantar, a base do pé move-se para 
baixo e o ângulo formado entre o pé e a perna aumenta. 
Figura 20 - Flexão (dorsiflexão) e extensão (flexão plantar) na articulação do 
tornozelo / Fonte: Hall (2000).
No segmento antebraço, ocorrem os movimentos 
de pronação e supinação (movimentos no plano trans-
verso). A pronação ocorre quando o antebraço se movi-
menta e a palma da mão gira até ficar voltada para trás, 
tendo como ponto de partida a posição fundamental. Na 
supinação, o antebraço movimenta-se e a palma da mão 
roda até ficar voltada para frente.
Figura 21 - Pronação e supinação / Fonte: Hall (2000).
A circundução é uma combinação de vários movimen-
tos, que ocorrem em qualquer articulação ou segmento, 
capaz de mover-se em duas direções. Elevação e depres-
são são movimentos da cintura escapular, para cima e 
para baixo, respectivamente. Em síntese, elevação é o le-
vantamento da escápula, quando se sobe os ombros, e o 
movimento contrário é denominado depressão. Desvio/
flexão ulnar é o movimento na articulação do punho, no 
qual a mão se move na direção da ulna (lado do dedo 
mínimo) e desvio/flexão radial é o movimento da mão 
em direção ao polegar, na direção do rádio (movimentos 
no plano frontal).
 97
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Figura 23 - Desvio/flexão ulnar e radial / Fonte: Hall (2000).
Flexão lateral direitae esquerda é o nome de um movi-
mento que se aplica apenas para movimentos de inclinar 
a cabeça ou tronco para o lado. 
Figura 24 - Flexão lateral do tronco / Fonte: Hall (2000).
Inversão do pé ocorre quando a borda medial do pé le-
vanta de modo que a sola do pé se vira para dentro, em 
direção ao outro pé. Eversão, quando a parte lateral do 
Figura 22 - Elevação, depressão / Fonte: Hall (2000).
98 
 
pé levanta, de modo que a sola do pé vira para fora, para 
o lado oposto do outro pé. Eversão é o termo utilizado 
para descrever o movimento de rotação externa do pé e 
inversão para a rotação interna do pé. 
Figura 25 - Eversão e inversão / Fonte: Hall (2000).
Você aprendeu que os movimentos de abdução e adução 
ocorrem no plano frontal. Há, porém, um detalhe que 
você precisa conhecer. Observe a Figura 26. Os movi-
mentos representados são do ombro, ocorrem no plano 
transversal e são denominados de abdução e adução ho-
rizontal. Isso acontece, porque são movimentos horizon-
tais ao solo; a abdução horizontal é a junção de extensão 
e abdução; e a adução horizontal de flexão e adução. A 
adução horizontal é o movimento do braço ou coxa pelo 
corpo, em direção à linha média, e a abdução horizontal 
de afastamento da linha média do corpo. 
Veremos um exemplo de adução horizontal no es-
porte. No chute de Futebol (Figura 27), a adução hori-
zontal da coxa é realizada para trazer a perna para cima 
e cruzar o corpo para um chute ou passe.
Figura 26 - Adução e abdução horizontal / Fonte: Hall (2000).
 99
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Figura 27 - Adução horizontal
100 
 
O quadro 02 resume grande parte do conteúdo que você 
aprendeu, nesta unidade. É possível identificar os nomes 
dos segmentos corporais, as articulações envolvidas na 
produção de movimentos, graus de liberdade da articu-
lação e movimentos possíveis de serem realizados.
Quadro 2 - Revisão dos movimentos / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Caro(a) aluno(a), acesse o QrCode explica-
tivo do quadro acima, ele o ajudará enten-
der melhor a revisão dos movimentos.
Indicação para Acessar
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2395
 101
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Nesta aula, realizaremos uma descrição básica das lesões 
e patologias mais comuns que ocorrem nas articulações. 
Cabe ressaltar que nossas articulações suportam nosso 
peso corporal e são sobrecarregadas pela ação das for-
ças musculares. Ao mesmo tempo, fornecem amplitude 
de movimento para os segmentos corporais, sendo esse 
o grande desafio mecânico diário, pois essas articulações 
estão sujeitas a lesões agudas e, por muitas vezes, isso ocor-
re pelo uso excessivo ou indevido de algumas posturas 
corporais; pode, ainda, acarretar infecção e doenças de-
generativas graves. Nesse sentido, descreveremos as lesões 
mais comuns, como entorses; luxação; bursite; artrite; ar-
trite reumatoide e osteoartrite. As lesões musculares mais 
comuns serão abordadas na próxima unidade, após você 
conhecer algumas situações que ocorrem no sistema mús-
culo esquelético, que são as rupturas; contusões; cãimbras e 
dor muscular tardia, induzida pelo exercício (HALL, 2013).
Algumas lesões surgem a partir de práticas tanto 
do ambiente esportivo quanto do ambiente laboral. Por 
isso, muitos profissionais de Educação Física, da Ergono-
mia ou da Biomecânica são requisitados para ajustar os 
implementos para cada indivíduo de forma individual 
para minimizar o risco de lesões. Essa é uma importante 
área de atuação para os profissionais de Educação Física, 
trabalhar para prevenção de futuras lesões ocasionadas 
pelo esforço repetitivo ou doenças osteoarticulares que 
Mobilidade e Lesões 
Osteoarticulares
102 
 
venham se agravar com o tempo. Assim, é possível am-
pliar o leque de atuação do profissional. No âmbito es-
portivo, como treinadores e equipe de trabalho; no am-
biente de trabalho, a prática da ginástica laboral, o que 
possibilita uma compensação de músculos e posturas 
requisitadas no dia a dia do trabalhador.
Vamos começar com uma lesão muito comum do am-
biente esportivo e do nosso dia a dia: as entorses. Estas são 
lesões causadas pelo deslocamento ou torção anormal dos 
ossos da articulação, resultante do estiramento ou ruptura 
dos ligamentos, tendões ou tecidos conectivos que cruzam 
a articulação. Locais mais comuns: tornozelos. Podem ser 
classificados de acordo com a gravidade da lesão, conside-
rados como: primeiro, segundo e terceiro grau. Os princi-
pais sintomas são: edema, dor e instabilidade articular. O 
tratamento tradicional das entorses é feito com repouso, 
gelo, compressão e elevação (HALL, 2013).
O deslocamento dos ossos de uma articulação é 
chamado de luxação. Em geral, essas lesões são 
resultantes de quedas ou outros acidentes que en-
volvam uma grande magnitude de força. Locais 
mais comuns: ombros, dedos, joelhos, cotovelos e 
a mandíbula. Uma luxação no ombro, por exemplo, 
é comumente causada por contato ou alguma for-
ça aplicada no braço, quando este está abduzido ou 
girado, externamente, na posição acima da cabeça. 
A articulação do ombro possibilita mais mobilida-
de que as demais articulações do corpo, mas, desse 
modo, tem alta probabilidade de lesão. Os princi-
pais sintomas são: deformidade articular visível, 
dor intensa, edema, dormência ou formigamento e 
alguma perda da capacidade de movimento articu-
lar. O tratamento: o médico especializado deve ava-
liar, pois é necessário reduzir ou reposicionar a ar-
ticulação luxada o mais breve possível para aliviar a 
dor e garantir a irrigação sanguínea da articulação 
envolvida (HALL, 2013).
A bursite, conhecida como inflamação da Bursa, 
a qual é caracterizada como bolsas ou sacos preen-
chidos por líquido sinovial que minimizam o atrito 
e permitem o deslizamento das estruturas, protegen-
do, dessa maneira, os pontos em que os músculos ou 
tendões deslizam sobre os ossos, como já vimos na 
unidade anterior. Os principais sintomas da bursite 
são: o movimento na área afetada se torna doloroso, 
os movimentos adicionais aumentam as inflamações 
e agravam o problema. As principais causas são: uso 
excessivo e repetitivo; pequenos impactos na área ou 
lesões agudas, com inflamação subsequente da bolsa 
circundante. O tratamento mais indicado é: repou-
so, gelo e medicamentos anti-inflamatórios (HALL, 
2013).
Figura 28 - Entorse no tornozelo
 103
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Menisco
Cápsula
Articular
Bursa
Suprapatelar
Patela
Bursite
Pré-patelar
Bursite
Infrapatelar
Cartilagem
Tíbia
Fêmur
Figura 29 - Exemplo de Bursite
A artrite é uma doença degenerativa das articulações. É 
uma inflamação acompanhada de sintomas, como dor, 
edema, função física prejudicada, fadiga e mudanças 
adversas na composição corporal (perda da massa e au-
mento da adiposidade). É comum no envelhecimento, 
e existem mais de 100 tipos diferentes de artrite, sendo 
as duas mais comuns: osteoartrite e artrite reumatoi-
de, abordadas a seguir. O tratamento indicado envolve 
acompanhamento médico com uso de medicação como 
analgésicos, anti-inflamatórios, glicocorticosteroides, 
além de uma abordagem multidisciplinar, envolven-
do terapia ocupacional e exercício físico (AMERICAN 
COLLEGE OF SPORTS MEDICINE, 2018).
Figura 30 - Artrite no joelho
A artrite reumatoide, tipo de artrite, é uma doença 
autoimune inflamatória, crônica, sistêmica e de etio-
logia desconhecida, com resposta inflamatória loca-
lizada no revestimento das articulações (sinovite). Os 
sintomas principais podem incluir a presença de ero-
sões ósseas, perda de massa muscular, ganho de gor-
dura, aterosclerose acelerada, anemia, fadiga, atrofia 
muscular, osteoporose e outras alterações sistêmicas. 
O tratamento envolve medicação, analgésicos e anti-
-inflamatórios, como citado no item anterior, e acom-
panhamento médico (AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2018).
 
104 
 
A Osteoartrite, outro tipo de artrite, é uma doença de-
generativa das articulações, local e progressiva, que afeta 
uma ou várias articulações. OcorreCoelho
Diretoria de Graduação 
e Pós-graduação
Leonardo Spaine
Diretoria de Permanência
autores
Me. Bruna Felix Apoloni
Mestre em Educação Física, pelo Programa de Pós-Graduação Associado em 
Educação Física UEM/UEL, e graduada em Educação Física, pela Universidade 
Estadual de Maringá (2011). Atualmente, é professora de Educação Física da 
Prefeitura do Município de Maringá; da Fundação Faculdade de Filosofia, Ciências 
e Letras de Mandaguari - FAFIMAN e professora temporária da Universidade 
Estadual de Maringá - UEM.
http://lattes.cnpq.br/8220579407745350
Me. Regina Alves Thon
Doutoranda em Educação Física pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física 
Associado UEM/UEL, na área de concentração: Atividade Física e saúde (UEM). Mestre em 
Educação Física, pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Física Associado UEM/
UEL, na área de concentração: Desempenho Humano e Atividade Física (Biomecânica 
e Cinemetria), pela Universidade Estadual de Maringá (2013). Especialista em Ginástica 
Laboral e Qualidade de vida (2007). Graduada em Educação Física (Licenciatura plena), 
pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Atuou como docente no Curso de Educa-
ção Física de Licenciatura e Bacharelado (2013/2018) nas disciplinas: Natação; Medidas 
e Avaliação; Treinamento Personalizado e Musculação; Prescrição de Exercícios para 
populações Especiais; Bases da Biomecânica e coordenação de estágio. Coordenou um 
Programa de Pós-Graduação em Atividade Física e saúde (2017/2018). Atualmente, par-
ticipa do Núcleo de Estudos Multiprofissional da Obesidade (NEMO) e atua como árbitra 
de natação pela CBDA, Aquat e AANSC.
http://lattes.cnpq.br/7026483146490824
apresentação do material
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA
Prezado(a) aluno(a), por meio deste livro, conheceremos o movimento humano. Isso 
acontecerá a partir da abordagem dos conteúdos, ao longo da disciplina de Biome-
cânica e Cinesiologia. Os movimentos humanos são de extrema complexidade, e a 
Cinesiologia, denominada como a ciência do movimento humano, é fundamental 
para explorarmos esse tema. Em conjunto com os conhecimentos cinesiológicos, 
a Biomecânica será estudada, em nosso livro, porque é uma importante subárea 
da Cinesiologia que possibilita informações sobre a mecânica dos movimentos.
Desse modo, na Unidade 1, falaremos dos conceitos básicos que utilizare-
mos como base ao longo do nosso estudo, permitindo, assim, aprofundarmos 
nosso conhecimento nas unidades posteriores.
Na Unidade 2, discutiremos “As considerações esqueléticas do movimento e 
da composição do corpo humano”. Aprenderemos como o sistema esquelético 
é estruturado: tipos de ossos, células ósseas, classificação, formação e desenvol-
vimento dos ossos. Também discutiremos as aplicações de cargas mecânicas, 
no sistema esquelético e as articulações.
Posteriormente, na Unidade 3, intitulada “Terminologia padrão dos movi-
mentos corporais”, identificaremos e descreveremos posições, planos e eixos de 
referência, associados ao corpo humano, bem como os movimentos em relação 
a termos direcionais; compreenderemos as posturas habituais, no cotidiano, 
e a importância da coluna vertebral e de suas curvaturas para o movimento.
Na Unidade 4, trataremos do tema “Considerações neurológicas do movimen-
to”. Neste momento, discutiremos conceitos relacionados ao sistema nervoso 
para compreender o funcionamento e controle dos movimentos. Além disso, 
falaremos de conceitos relacionados ao sistema muscular como: a organização 
física do músculo, tipos e características das fibras musculares, inserção muscu-
lar, ações musculares, propriedades mecânicas e conceitos que se relacionam e 
influenciam a força muscular.
Para finalizar, na Unidade 5 discutiremos como os conhecimentos cinesio-
lógicos são importantes para a execução dos movimentos cotidianos e como 
utilizar os conhecimentos biomecânicos na prática esportiva e em exercícios 
de musculação.
Esperamos que você se dedique ao máximo aos estudos, para que, em um 
futuro próximo, tenhamos profissionais da Educação Física com amplos conhe-
cimentos cinesiológicos e biomecânicos, capacitados para atuar nos diversos 
campo, em que o conhecimento do movimento humano é essencial.
Um abraço!
Bons estudos!
apresentação do material
sumário
UNIDADE I
INTRODUÇÃO À BIOMECÂNICA
14 Terminologias e Conceitos Básicos da Cinesiologia 
e da Biomecânica
18 Abordagem para Solução de Problemas: Ilustran-
do os Conceitos Básicos da Biomecânica
23 Unidades de Medida Associadas a Grandezas 
Físicas Específicas
27 Métodos de Análise em Biomecânica
UNIDADE II
CONSIDERAÇÕES ESQUELÉTICAS DO MOVIMENTO
E DA COMPOSIÇÃO DO CORPO HUMANO
52 Composição Óssea
56 Tipos de Ossos
59 Processo de Formação, Crescimento Ósseo e 
Cargas Mecânicas
66 Sistema Articular
UNIDADE III
TERMINOLOGIA PADRÃO DOS MOVIMENTOS CORPORAIS
84 Posição Anatômica de Referência, Planos e Eixos 
do Movimento
90 Movimentos Fundamentais: Definições e Ações de 
Movimento
101 Mobilidade e Lesões Osteoarticulares
105 Biomecânica da Coluna Vertebral
UNIDADE IV
CONSIDERAÇÕES NEUROMUSCULARES
DO MOVIMENTO
126 Considerações Neurológicas do Movimento
130 Estrutura Macroscópica do Músculo
137 Características Funcionais do Músculo
141 Mecânica Muscular e Princípios Básicos do Forta-
lecimento Muscular
UNIDADE V
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA APLICADA 
158 Cinesiologia Aplicada à Vida Diária
161 Biomecânica Aplicada ao Esporte
163 Biomecânica Aplicada à Musculação
175 Referências
178 Conclusão geral
Me. Regina Alves Thon
Me. Bruna Felix Apoloni
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Terminologias e Conceitos Básicos da Cinesiologia e da 
Biomecânica 
• Abordagem para solução de problemas: ilustrando os 
conceitos básicos da Biomecânica
• Unidades de medida associadas a grandezas físicas específicas
• Métodos de análise em Biomecânica
Objetivos de Aprendizagem
• Conhecer os aspectos históricos, os conceitos e as definições 
da área de atuação da Cinesiologia e Biomecânica.
• Entender a importância de estudar a Biomecânica, enfatizando 
a preparação do profissional na atuação efetiva de resolução de 
problemas relacionados à saúde e ao desempenho humano.
• Conhecer o sistema de pesos e medidas utilizado 
internacionalmente, em pesquisas científicas, e adotado para o 
uso diário.
• Conhecer os principais métodos de análise para a aplicação 
de conhecimentos biomecânicos na análise do movimento 
humano.
INTRODUÇÃO À BIOMECÂNICA
unidade 
I
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a), caro(a) aluno(a). Abordaremos, nesta 
unidade, conceitos básicos necessários para compreender a 
área de estudo que abrange a Cinesiologia e a Biomecânica. 
Tais conceitos, estudados de forma integrada, serão úteis para 
entendermos a complexidade das principais análises do movimento.
Em um primeiro momento, discutiremos os aspectos relaciona-
dos aos conceitos e as definições que são norteadoras da Cinesiologia, 
conhecida, literalmente, como a grande área de estudo que envolve 
todo entendimento da “ciência do movimento humano”. A Biomecâni-
ca, por sua vez, é uma importante subárea da Cinesiologia e tem como 
significado a combinação do prefixo bio (vida) e o campo da mecâni-
ca, que é o estudo da ação das forças.
O desenvolvimento dos estudos nessa temática tem proporcionado 
cada vez mais informações completas do movimento humano durante 
o esporte de alto rendimento, exercícios físicos, atividades cotidianas, 
saúde, entre outros. Desse modo, abordaremos no primeiro tópico os 
conceitos básicos, as definições e as perspectivas de análises biome-
cânicas. Esses conceitos, aplicaremos para a obtenção de soluções de 
problemas específicos relacionados à biomecânica. No segundo tópico, 
compreenderemos a importância de estudar biomecânica e identifi-
caremos as possibilidades para a solução de problemas sobre os diver-
sos campos de atuação, sob a ótica de análise do movimento.
Na sequência, apresentaremosuma desordem que 
resulta na degradação progressiva das propriedades 
biomecânicas da cartilagem articular. Os locais mais co-
muns são: mãos, quadris, coluna e joelhos. Os principais 
sintomas são: dor, edema, limitação do movimento e 
enrijecimento. A dor alivia com o repouso e a ativida-
de física pode melhorar o quadro. As causas principais 
podem incluir: sobrepeso e obesidade, histórico de lesão 
articular ou cirurgia, predisposição genética e envelheci-
mento. Nos estágios iniciais da doença, a cartilagem arti-
cular perde a aparência lisa e brilhante e se torna áspera 
e irregular. O tratamento sugerido segue as diretrizes da 
artrite reumatóide: acompanhamento médico, terapia 
ocupacional e uso de medicação controlada, por um 
médico, com o uso de analgésicos, anti-inflamatórios e 
glicocorticosteroides. Nesses casos, os exercícios de for-
talecimento muscular, em longo prazo, podem ser bené-
ficos para aliviar os sintomas (AMERICAN COLLEGE 
OF SPORTS MEDICINE, 2018; HALL, 2013).
Figura 31 - Osteoartrite nas mãos
Para ampliar seus conhecimentos acerca 
das lesões mais comuns, nos esportes, leia a 
reportagem, acessando o link: https://www.
educacaofisica.com.br/ciencia-ef/fisiologia/
as-lesoes-nos-esportes/.
SAIBA MAIS
https://www.educacaofisica.com.br/ciencia-ef/fisiologia/as-lesoes-nos-esportes/
https://www.educacaofisica.com.br/ciencia-ef/fisiologia/as-lesoes-nos-esportes/
https://www.educacaofisica.com.br/ciencia-ef/fisiologia/as-lesoes-nos-esportes/
 105
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A coluna vertebral é um segmento complexo e es-
sencial para a mecânica do movimento humano, 
pois fornece a ligação entre os membros superio-
res e inferiores. A coluna vertebral permite o mo-
vimento em todos os três planos de movimento 
e ainda funciona como um importante protetor 
ósseo da delicada medula espinhal (HALL, 2013).
As principais funções básicas da coluna são:
• Sustentação do tronco.
• Proteção da medula.
• Movimento do Corpo.
A coluna vertebral tem que conciliar duas carac-
terísticas contraditórias:
RIGIDEZ X ELASTICIDADE
Isso ela consegue graças à sua construção em pe-
ças superpostas, as 33 vértebras, que são ligadas 
por elementos musculares, ligamentares e fibro-
sos (os discos intervertebrais).
A Constituição Óssea da coluna é ilustrada 
pela Figura 32 que demonstra todo o seguimento, 
da porção superior a inferior, conforme descrito 
no esquema a seguir. As vértebras têm o mesmo 
formato básico, existe um aumento craniocaudal 
progressivo dos corpos vertebrais e progressão no 
tamanho e na orientação dos processos articulares. 
A orientação das articulações zipofisárias determi-
na a capacidade do segmento móvel (HALL, 2013). 
Biomecânica da 
Coluna Vertebral
106 
 
Figura 32 - Coluna Vertebral / Fonte: Hall (2013).
Cabe ressaltar que, como há diferenças estruturais 
das costelas, são permitidas amplitudes variáveis de 
movimento entre as vértebras adjacentes nas regi-
ões cervical, torácica e lombar da coluna vertebral. 
Nessas regiões, duas vértebras adjacentes e os teci-
dos moles entre elas são conhecidos como segmento 
móvel, considerado a unidade funcional da coluna 
vertebral (HALL, 2013). 
Cada vértebra tem seu formato e função espe-
cífica. O forame de conjugação é um orifício, e dele 
saem os nervos espinhais (ou raquidianos). A figura, 
a seguir (33), indica a vista sagital e frontal de cada 
vértebra cervical, dorsal e torácica. 
Figura 33 - Vista sagital e frontal das vértebras lombar, dorsal e cervical
FORÇAS QUE ATUAM NA COLUNA
• Peso corporal.
• Tensão nos ligamentos espinhais.
• A pressão nos músculos adjacentes.
• A pressão intra-abdominal.
• Qualquer carga externa aplicada.
A coluna vertebral possui curvaturas naturais, as quais 
devem ser mantidas no cotidiano de cada indivíduo, no 
âmbito laboral do treinamento esportivo, como pode-
mos observar na primeira imagem da figura 34 (Plano 
sagital), ela demonstra que a coluna apresenta quatro 
curvaturas normais.
 107
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
As curvaturas torácica e sacral são côncavas 
anteriormente, estão presentes no nascimen-
to e são chamadas de curvaturas primárias 
da coluna vertebral. As curvaturas lombar e 
cervical, que são côncavas posteriormente, 
desenvolvem-se pela sustentação do corpo 
na posição ereta após a criança começar a 
se sentar e levantar. Como essas curvaturas 
não estão presentes ao nascimento, elas são 
conhecidas como curvaturas secundárias da 
coluna vertebral (HALL, 2013).
Figura 34 - Representação da coluna vertebral
108 
 
Vale a pena ressaltar que, embora as curvaturas cervical 
e torácica variem pouco durante anos de crescimento, 
a curvatura lombar aumenta, aproximadamente, 10% 
dos 7 aos 17 anos de idade. A curvatura vertebral (pos-
tura) é influenciada por hereditariedade, condições pa-
tológicas, pelo estado mental e pelas forças que a coluna 
vertebral está submetida habitualmente (HALL, 2013).
Mecanicamente, as curvaturas permitem que a 
coluna vertebral absorva mais impacto sem lesão 
do que se ela fosse reta. Um exemplo da posição do 
Corpo em Posição ereta, a principal forma de Carga 
sobre a coluna, é axial. Qualquer carga nas mãos e 
tensão contribuem para compressão vertebral. Po-
demos ressaltar que uma das principais funções das 
curvaturas é aumentar a resistência da coluna verte-
bral aos esforços de compressão axial, por exemplo, 
quando estamos na posição em pé, o centro de gra-
vidade total está na parte anterior a coluna vertebral, 
por isso, para manter a posição corporal, o torque 
anterior precisa ser contrabalanceado pela tensão 
dos músculos extensores. 
Agora, estudaremos as principais alterações na 
coluna vertebral: hiperlordose, hipercifose e escolio-
se (HALL, 2013), a saber:
• Hiperlordose: curvatura extrema na região 
lombar da coluna vertebral.
• Hipercifose: curvatura extrema da região to-
rácica da coluna vertebral.
• Escoliose: curvatura vertebral lateral.
As curvaturas típicas da coluna apresentam uma 
curvatura convexa na parte anterior do pescoço (re-
gião cervical); uma curvatura convexa posterior na 
região torácica; convexa anterior na região lombar 
um pouco convexa e posterior na região sacral. As 
curvaturas localizadas anteriormente (cervical e 
lombar) são denominadas lordoses, embora o ter-
mo lordose também seja utilizado para denominar 
condições anormais como hiperlordose lombar. As 
curvaturas localizadas posteriormente (torácica) 
são denominadas cifoses. Postura cifótica refere-se a 
uma curvatura excessiva na coluna torácica. A linha 
da gravidade transecciona as curvaturas vertebrais, 
que permanecem equilibradas anteriormente e pos-
teriormente. As proeminências ósseas na frente da 
pelve se acham no mesmo plano vertical, indicando 
que a pelve está em posição neutra. Qualquer desvio 
de uma parte da coluna vertebral resulta na alteração 
de outra parte para compensar e manter o equilíbrio.
Uma boa postura pode ser identificada quando 
as curvas vertebrais estão em ótimo alinhamento, 
com a linha de gravidade passando pela linha média 
do tronco. A linha de gravidade localiza-se posterior 
ao eixo de rotação das vértebras cervicais e lombares, 
anterior às vértebras torácicas e por meio do corpo 
da quinta vértebra lombar. Vejamos alguns concei-
tos, de forma resumida, fundamentais para o melhor 
entendimento da postura corporal. 
• Postura corporal: este é o termo utilizado 
para descrever as posições das diferentes arti-
culações do corpo em um momento. A postu-
ra correta é a posição na qual um mínimo de 
estresse é aplicado em cada articulação (MA-
GEE, 2002). 
• Boa postura ou postura padrão: é o alinha-
mento esquelético adequado que permite 
uma quantidade mínima de esforço e sobre-
carga, conduzindo à eficiência máxima do 
corpo (KENDALL et al., 1995).
• Má postura: é um hábito que pode ser adqui-
rido na infância e, se não corrigido, pode per-
durar por toda vida, ocasionando por exem-
plo, os desvios posturais (VERDERI, 2005).
 109
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
As figuras, a seguir,exemplificam alguns movimentos 
do cotidiano que, ao longo do tempo, podem acarretar 
problemas posturais e, consequentemente, evoluir para 
patologias irreversíveis.
Tendo em vista as patologias mais comuns, entende-se 
a indispensabilidade de cuidados para com a coluna verte-
bral. A postura correta depende de um bom alinhamento 
do corpo com eficiências fisiológicas e biomecânicas máxi-
mas, o que minimiza os estresses e as sobrecargas sofridas 
ao sistema de apoio pelos efeitos da gravidade. Desse modo, 
para atender à demanda, muitos centros de treinamento e 
prática de exercícios, como o treinamento funcional e a 
musculação, têm aumentado o número de praticantes e 
de profissionais de educação física, ampliando o campo de 
atuação. Entretanto, muitas vezes, devido à prática errônea 
ou à realização equivocada de movimentos nos treinos 
musculares, a chance de adquirir lesões torna-se maior.
Uma área de atuação que compete ao Professor de 
Educação Física, tanto no ambiente esportivo quanto la-
boral, é a Avaliação postural, uma abordagem organiza-
da e sistemática. A avaliação postural pretende registrar 
desvios que possam interferir na performance do indi-
víduo ou causar possíveis problemas de saúde. A seguir, 
um esquema resumido que possibilita a verificação dos 
principais desvios posturais, feito a partir do Método 
Clássico, análise visual ou a observação (KENDALL et 
al., 1995), e a elaboração de um checklist que possibilita 
a verificação de possíveis alterações posturais, por meio 
de avaliação com fotos (fotogrametria). Hoje, existem 
softwares especializados para viabilizar essas avaliações, 
na área clínica, muitos médicos, fisioterapeutas e profis-
sionais de Educação Física fazem uso desses métodos. 
Figura 35 - Posturas cotidianas
110 
 
Figura 36 - Avaliação postural com simetrógrafo / Fonte: as autoras.
Para usar o simetrógrafo:
• Visão Anterior: a linha de referência vertical 
divide o corpo em secções, direita e esquerda, 
quando observamos pelo Plano Frontal (an-
terior/frente).
Ao utilizar a avaliação postura, podemos identificar 
desvios posturais de segmentos corporais, como da 
coluna; dos tornozelos e pés.
Faça sua própria avaliação postural, utilizando 
um aplicativo para smartphone. Este registra 
fotos como um simetrógrafo. O nome do apli-
cativo é ACPP Core2 Posture Measurement.
Fonte: as autoras.
SAIBA MAIS
Normal Escoliose Normal Cifose Lordose
Figura 37 - Exemplos de desvios da coluna
 111
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
PÉ PLANO
PÉ NORMAL
PÉ COM ARCO ALTO
Figura 38 - Alterações posturais do pé e tornozelo
• Visão posterior: a linha de referência vertical 
divide o corpo em parte, direita e esquerda. O 
ponto fica entre os calcanhares e representa o 
ponto básico do plano médio sagital do corpo, 
em alinhamento ideal. Figura 39 - Desnível de escápula
Figura 40 - Pé valgo, normal e varo
112 
 
• Vista lateral: a linha de referência vertical divi-
de o corpo em parte, anterior e posterior de igual 
peso. A referência é levemente anterior ao malé-
olo externo e representa o ponto básico do plano 
médio-coronal do corpo, em alinhamento ideal 
(Vista no Plano sagital) (KENDALL et al., 1995).
Figura 41 - Parte anterior e posterior do corpo / Fonte: Kendall et al. (1995).
As dores que acometem a musculatura da coluna vertebral 
são, em 90% dos casos, ocasionadas por vícios de postu-
ra, estresse postural, contraturas musculares sustentadas e 
vida sedentária; e apenas 10% dessas dores são manifesta-
ções de algum outro quadro clínico (BARONI et al., 2010).
PRINCIPAIS MOVIMENTOS 
DA COLUNA VERTEBRAL 
Flexão/Extensão
• Lateroflexão ou inclinação lateral
• Rotação axial
Os quadros, a seguir, apresentam os movimentos que 
podem ser executados em cada segmento da coluna ver-
tebral e os graus do movimento.
Nível Flexão Extensão Total
Coluna cervical 40 75 115
Coluna dorso-lombar 105 60 165
Coluna lombar 60 35 95
Total 110 140 250
Quadro 3 - Movimentos de flexão e extensão da coluna vertebral
Fonte: as autoras.
Nível Inclinação
Coluna cervical 35 a 45
Coluna dorsal 20
Coluna lombar 20
Total 75 a 85
Quadro 4 - Movimentos de inclinação lateral da coluna vertebral 
Fonte: as autoras.
Nível Rotação
Coluna cervical 45 a 50
Coluna dorsal 35
Coluna lombar 5
Pelve-crânio 90 a 95
Quadro 5 - Movimentos de rotação que podem ser realizados por cada seg-
mento da coluna vertebral / Fonte: as autoras.
Kapandji (2000) afirma que a presença de curvaturas 
da coluna vertebral aumenta a sua resistência aos es-
forços de compressão axial. As curvaturas perdem a 
resistência por cada retificação, isto porque, conside-
 113
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
rando, inicialmente, as forças de compressão axial, po-
de-se determinar que, quando o platô vertebral exerce 
uma força sobre o disco intervertebral, a pressão que 
o núcleo recebe equivale à metade da carga, aumenta-
da em 50%, e a pressão exercida sobre o anel equivale 
à outra metade, diminuída em 50%. Assim, o núcleo 
suporta 75% da carga e o anel 25%, de modo que, no 
caso de uma pressão de 20 kg, ela se distribui em 15 kg 
sobre o núcleo e 5 kg sobre o anel. 
As curvaturas fisiológicas da coluna aumentam 
a resistência aos esforços de compressão axial, pois 
entendemos que a resistência de uma coluna é pro-
porcional ao quadrado do número de curvaturas mais 
um. Possuímos em nossa coluna vertebral três curva-
turas móveis (lordose cervical, cifose torácica e lor-
dose lombar), então, sua resistência é dez vezes maior 
que uma coluna retilínea (ROSA, 2008, on-line)4.
Veremos, agora, o resumo das principais conside-
rações acerca das cargas mecânicas da coluna vertebral:
1. Peso corporal produz cisalhamento e pressão 
sobre a coluna lombar.
2. O cisalhamento é uma força dominante sobre a 
coluna vertebral, durante a flexão e as atividades 
que exigem inclinação do tronco para trás.
3. Cisalhamento excessivo - contribuem para 
hérnia.
4. A carga do terceiro disco lombar, durante a po-
sição ereta.
5. A inatividade dos extensores vertebrais em 
flexão total é chamada de fenômeno de rela-
xamento em flexão, condição na qual, quando 
a coluna vertebral está em flexão total, os mús-
culos extensores relaxam e o torque de flexão é 
sustentado por ligamentos vertebrais.
6. Durante os movimentos de flexão e de exten-
são do tronco, o período de relaxamento da 
flexão é aumentado, o que reduz a estabilidade 
lombar - predispor a lombalgia.
7. Carga assimétrica no plano frontal sobre o 
tronco – aumenta as cargas compressivas e 
cisalhamento sobre a coluna vertebral – mo-
mento de inclinação adicional.
8. Outro fator que afeta a coluna vertebral é a ve-
locidade do movimento corporal.
9. Levantamento de peso: aumenta o cisalha-
mento e a tensão dos músculos paravertebrais.
10. Exercícios de resistência – maneira lenta e 
controlada.
11. Aumento da pressão intra-abdominal ajuda 
enrijecer o tronco para evitar a deformação da 
coluna sob cargas compressivas. Quando se sus-
tenta uma carga estável há um aumento da co-
ativação dos músculos antagonistas do tronco.
12. Carregar uma mochila pesada sobrecarrega 
a coluna, por isso, requer ajustes na postura 
como uma leve inclinação do tronco e da ca-
beça para frente bem como a diminuição da 
lordose lombar. Minimize esses problemas 
posturais e carregue no máximo 15% de carga 
do seu peso corporal. Por exemplo, eu peso 50 
Kg, minha mochila não deve exceder a 7,5 Kg.
13. Em princípio, as patologias mais comuns encon-
tradas na coluna vertebral, ocasionadas pelo ex-
cesso de carga, tanto no trabalho quanto nos trei-
nos, são: a lombalgia, escoliose, hérnia de disco, 
artrose e espondiloliste (PIMENTA, 2001, on-li-
ne)5. Veremos, a seguir, a explicação de cada uma.
A lombalgia pode ser definida como uma dor na região 
lombar, ou seja, na região mais baixa da coluna perto 
da pelve. A dor pode se estender para a região glútea e 
membros inferiores. A escoliose, por sua vez, é uma al-
teração no alinhamento global da coluna, com desvios 
quepodem ser de origem degenerativa ou idiopática 
(sem causa definida). A coluna fisiológica apresenta-se 
como uma linha reta, enquanto que na escoliose existem 
curvas que podem ser únicas ou duplas, tanto na região 
lombar quanto torácica, ou em ambas.
114 
 
A hérnia de disco é uma lesão que ocorre no 
rompimento do disco vertebral e leva ao extravasa-
mento de seu conteúdo para as regiões que passa o 
tecido nervoso, inflamando-o.
A artrose é uma doença que se caracteriza pelo 
desgaste da cartilagem articular e por alterações 
ósseas, entre elas os osteófitos, conhecidos, vulgar-
mente, como “bico de papagaio”.
Espondilolistese consiste no escorregamento de 
uma vértebra sobre a adjacente, podendo ser cau-
sada por degeneração dos componentes da coluna, 
fratura óssea, gerando instabilidade. Porém, quando 
não ocorre o deslizamento, considera-se um defeito 
na pars interarticularis, e pode ser ocasionada por 
falha na constituição óssea do paciente (má-forma-
ção congênita) (PIMENTA, 2001, on-line)5. 
Dentre todas as estruturas corporais, a coluna 
vertebral merece atenção especial, pois além de so-
frer grande risco de lesões, durante o treino, é de 
suma importância pelas suas funções no organis-
mo humano, entre elas: proteção da medula espi-
nhal e dos nervos espinhais; mobilidade do tronco 
e a junção dos membros inferiores e superiores. De 
fato, sua importância para o organismo em geral é 
relevante, razão pela qual o estudo em questão mos-
tra-se adequado e atual, tendo em vista o contexto 
em que está inserido. Haja vista as patologias mais 
comuns, entende-se a indispensabilidade de cuida-
dos com a coluna vertebral.
Para tanto, indispensável é o acompanhamento 
do exercício físico por um profissional de educação 
física, devidamente, habilitado na área, para auxi-
liar e monitorar a realização dos exercícios a fim 
de se evitar a ocorrência de dores, inflamações ou 
quaisquer outras patologias na coluna vertebral.
Além disso, é crucial que se tomem os cuidados bá-
sicos e necessários com a aquisição de um movimento 
novo e correto e a realização de alongamento, aqueci-
mento, postura adequada e fortalecimento do core.
Exercícios aquáticos são benéficos para o 
tratamento da osteoartrite. A temperatura 
ideal da água é de 32 a 36 °C e a ausência da 
gravidade facilita a realização de movimentos 
no meio líquido.
REFLITA
 115
considerações finais
Nesta Unidade 3, você aprendeu diversos temas importantes da biomecânica. Inicial-
mente, vimos diversos termos padronizados, universalmente, que devem ser utilizados 
para descrever movimentos dos segmentos corporais. Para isso, você aprendeu a posição 
anatômica de referência (posição zero) e a posição fundamental. Na sequência, conheceu a 
padronização de nomes para os segmentos braço, antebraço, mão, coxa, perna e pé. Ainda 
na Aula 1, conhecemos os termos que descrevem os movimentos de flexão, extensão, ab-
dução, adução e rotação. Por fim, você percebeu que os movimentos ocorrem em relação 
aos planos sagital, frontal e transverso, e seus respectivos eixos.
Na segunda aula, discutimos os movimentos articulares básicos, flexão; extensão; abdução 
e adução; rotação medial e lateral. Além desses movimentos, existem outros, denominados 
movimentos especializados por exemplo, flexão plantar; abdução horizontal; entre outros. 
Conhecer os movimentos articulares e os planos de movimento nos quais ocorrem é de 
fundamental importância, em diversos segmentos de atuação profissional, por exemplo, 
para um profissional que atuará em uma academia e que, diariamente, auxiliará seus alunos 
na execução de tais movimentos articulares.
Nosso corpo adota posturas e realiza movimentos em, praticamente, todas as atividades 
diárias que realiza. As articulações atuam, diretamente, nas posturas adotadas e nas ampli-
tudes de movimento. Em algumas situações, no entanto, podem ocorrer lesões, devido à 
sobrecarga imposta, uso excessivo ou doenças. Nesse sentido, na Aula 3, aprendemos algumas 
lesões osteoarticulares, entorses, luxação, bursite, artrite, artrite reumatoide e osteoartrite.
Por fim, na quarta aula, a coluna vertebral foi o assunto de nossa abordagem. Nesse tópico, 
entendemos a importância da coluna para os movimentos corporais. Também discutimos 
a necessidade de uma boa postura e os diversos desvios posturais de segmentos que podem 
influenciar a execução de exercícios físicos, de gestos esportivos, além de gerar desconforto.
Um abraço e até a próxima unidade!
116 
atividades de estudo
1. Sobre a posição anatômica, os planos e eixos de 
movimento, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F) 
para a veracidade das alternativas:
(	 )	Os	movimentos	articulares	devem	ser	defini-
dos com relação à posição anatômica e aos descri-
tos por meio de planos e eixos perpendiculares.
( ) Os planos de movimento são imaginários, 
posicionados sobre o corpo, a saber: plano sagital, 
transversal e frontal.
( ) O plano transversal divide o corpo em direita 
e	esquerda	e	permite	os	movimentos	de	flexão,	ex-
tensão e hiperextensão ao redor do eixo.
( ) O plano frontal divide o corpo em anterior e 
posterior e possibilita movimentos de adução, abdu-
ção e inclinações.
( ) O plano sagital secciona o corpo, à direita e 
esquerda. Permite a observação de movimentos de 
flexão,	extensão	e	hiperextensão.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, F, V, V.
b. V, F, F, V, V.
c. F, V, F, V, V.
d. F, F, V, F, V. 
e. V, F, V, V, V. 
2. Considere as lesões e as patologias mais comuns 
das articulações, leia as sentenças a seguir, de-
pois, assinale a alternativa correta.
I. Entorses são lesões causadas pelo deslocamen-
to ou torção anormal dos ossos da articulação, 
resultante do estiramento ou ruptura dos liga-
mentos, tendões ou tecidos conectivos.
II. Luxação é o deslocamento dos ossos de uma 
articulação.
III. A	bursite	é	uma	doença	autoimune	inflamatória,	
crônica e sistêmica.
IV. A	artrite	é	uma	inflamação	da	Bursa	(sacos	pre-
enchidos por líquido sinovial). 
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
3. Em relação aos planos e eixos de movimento, as-
sinale V (verdadeiro) ou F (falso). 
( ) O termo medial é utilizado para indicar uma 
posição,	relativamente,	mais	próxima	da	linha	média	
do corpo ou de um objeto, ou para indicar um movi-
mento em direção à linha média.
( ) O termo distal refere-se a uma posição mais 
próxima	de	um	ponto	de	referência.
(	 )	O	movimento	de	flexão	consiste	em	curvar-se	
e o ângulo relativo entre dois segmentos adjacentes 
aumenta.
 117
atividades de estudo
(	 )	Os	movimentos	de	flexão	plantar	e	dorsifle-
xão ocorrem na articulação do tornozelo.
( ) O termo proximal refere-se a uma posição mais 
próxima	da	cabeça	ou	de	um	ponto	de	referência.
Assinale a alternativa correta.
a. F, F, V, F, V.
b. V, F, F, V, V. 
c. V, V, F, V ,V.
d. V, F, V ,V ,V.
e. F, V, F, F, V.
4. Considerando a biomecânica da coluna vertebral, 
leia as sentenças e assinale a alternativa correta.
I. Todas as vértebras da coluna vertebral são 
iguais em formato e função.
II. A coluna vertebral permite o movimento em to-
dos os três planos de movimento e, ainda, fun-
ciona como um importante protetor da medula 
espinhal.
III. A coluna vertebral é constituída por vértebras, 
por exemplo, as cervicais, torácicas e lombar, 
onde são permitidas amplitudes variáveis de 
movimento.
IV. As quatro curvaturas naturais da coluna verte-
bral são as curvaturas da região torácica, sacral, 
lombar e cervical.
V. As curvaturas naturais não permitem que a co-
luna vertebral absorva mais impacto, sem lesão 
do que se ela fosse reta.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
5. Analise as afirmaçõesabaixo acerca dos os con-
ceitos relacionados à postura e à coluna ver-
tebral e em seguida assinale Verdadeiro (V) ou 
Falso (F).
( ) Hiperlordose: curvatura extrema na região 
lombar da coluna vertebral.
( ) Hipercifose: curvatura extrema da região to-
rácica da coluna vertebral.
( ) Escoliose: curvatura vertebral lateral.
(	 )	 Boa	postura	 ou	postura	 padrão	 é	 o	 alinha-
mento esquelético ideal que envolve uma quanti-
dade mínima de esforço e sobrecarga, e conduz à 
eficiência	máxima	do	corpo.
(	 )	Escoliose	é	definida	como	uma	curvatura	ina-
dequada de qualquer região da coluna vertebral.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, V, F, F.
b. V, V, F, V, F.
c. V, V, V, V, F.
d. F, V ,V, V, F.
e. V ,F, V, F, F.
118 
LEITURA
COMPLEMENTAR
LESÕES E POSTURA NO FUTEBOL
O futebol é um dos esportes mais praticados no mundo. A modalidade transformou-se, 
ao longo do tempo, fazendo com que a exigência física para a prática seja cada vez 
maior. Nesse sentido, a medicina esportiva atua, diretamente, na prescrição de treina-
mento, de acordo com a necessidade de cada atleta. Com o objetivo de evitar lesões, 
considerando a quantidade excessiva de treinamentos e partidas válidas, são impor-
tantes o acompanhamento da sobrecarga de treinamento, o registro dos números e 
tipos de lesões que acometem os jogadores profissionais (COHEN et al.,1997).
No esporte de alto rendimento, como o Futebol, é possível identificar uma alta incidên-
cia de lesões que ocorrem devido ao treinamento de alta intensidade e de repetição. 
Algumas vezes, observamos desequilíbrios musculares promovendo a ocorrência de 
mudanças na postura, dores lombares e até fraturas. Possíveis alterações musculoes-
queléticas podem não ser benéficas para a postura corporal de atletas (LADEIRA, 1999).
Nesse sentido, Kleinpaul, Mann e dos Santos (2010) realizaram um estudo com o ob-
jetivo de verificar a incidência de lesões, os principais desvios posturais e a possível 
associação entre lesões e desvios posturais em jogadores de futebol. Os atletas foram 
divididos, no grupo 1, os atletas que tiveram lesões e, grupo 2, atletas sem lesão. As 
articulações mais acometidas por lesões foram joelho e tornozelo, e um tipo de lesão 
que acometeu vários atletas foi a entorse. Além disso, os autores descreveram que os 
músculos da coxa também apresentam alto índice de lesão. Em relação aos desvios 
posturais, identificaram desvio horizontal da pelve e desvio no alinhamento vertical da 
cabeça, em relação ao acrômio. Não foram encontradas, no entanto, associações entre 
os desvios posturais e a ocorrência de lesão. Os autores, ainda, destacam que as lesões 
como contusões e entorses podem ser tratadas em um período de até duas semanas.
Por fim, os autores descrevem que, no Futebol, há grande incidência de lesões nos 
membros inferiores, o que pode relacionar-se aos desvios posturais, por exemplo, o 
desvio na pelve que acarreta, em sobrecarga, um dos membros inferiores. 
Fonte: as autoras.
 119
material complementar
Biomecânica básica
Susan J. Hall
Editora: Guanabara Koogan
Sinopse: livro revisado, expandido e atualizado com o objetivo de apresentar in-
formações referentes às pesquisas recentes e preparar o estudante para analisar 
a biomecânica humana.
Indicação para Ler
Para conhecer um pouco mais acerca da hérnia de disco, recomendamos a leitura do artigo “Hérnia de 
disco”, do médico Drauzio Varella.
http://drauziovarella.com.br/envelhecimento/hernia-de-disco/
Indicação para Acessar
http://drauziovarella.com.br/envelhecimento/hernia-de-disco/
120 
gabarito
1. A
2. A
3. B
4. D
5. C
UNIDADEIV
Me. Regina Alves Thon
Me. Bruna Felix Apoloni
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Considerações neurológicas do movimento.
• Estrutura macroscópica do músculo.
• Características funcionais do músculo.
• Mecânica muscular e princípios básicos do fortalecimento 
Muscular.
Objetivos de Aprendizagem
• Entender os conceitos relacionados ao sistema nervoso para 
compreender o funcionamento e o controle dos movimentos.
• Identificar a organização física do músculo, tipos de fibras e 
inserção muscular.
• Identificar o potencial da fibra muscular, suas funções, papel 
e ações musculares gerais.
• Conhecer as propriedades mecânicas que influenciam a força 
muscular e identificar alguns princípios e modalidades do 
treinamento para o fortalecimento muscular.
CONSIDERAÇÕES 
NEUROMUSCULARES 
DO MOVIMENTO
unidade 
IV
INTRODUÇÃO
O
lá, seja bem-vindo(a) a mais uma unidade deste livro. Nes-
ta, estudaremos as principais considerações neuromuscu-
lares do movimento e a sua relação com o sistema nervoso. 
Este tema é vital para compreender o funcionamento e o 
controle dos movimentos. O sistema nervoso possibilita a comunica-
ção entre o cérebro e as diferentes partes do corpo. Anatomicamente, 
pode ser dividido em central (encéfalo e medula espinhal) e periféri-
co (nervos sensoriais e motores). Funcionalmente, esse sistema pode 
ser classificado quanto ao seu controle voluntário (sistema nervoso 
somático) e involuntário (sistema nervoso autônomo).
O sistema muscular pode ser dividido em três categorias de mús-
culos: cardíaco, liso e esquelético. Com características especiais e fun-
ções definidas. Nosso foco, entretanto, será a análise dos músculos 
estriados esqueléticos promotores dos movimentos e ações motoras.
É necessário um bom entendimento da Biomecânica neuromus-
cular, assim como a interação entre o sistema nervoso e muscular. 
Todo movimento humano, do piscar de olhos à corrida de um marato-
nista, é gerado pela ação de um músculo. Diante disso, considerando 
o papel dos músculos esqueléticos na determinação do desempenho 
esportivo, um amplo conhecimento acerca da estrutura e das funções 
musculares é importante para todos os envolvidos com o movimento 
humano. Por fim, desvendaremos os inúmeros benefícios propiciados 
pelo treinamento que aumentam os estímulos nervosos, vindos dos 
centros encefálicos superiores, responsáveis pelos comandos motores 
e que, por consequência, chegam à medula espinhal. Outro aspecto 
a ser observado é o treinamento de força, este induz adaptações nas 
propriedades de entrada e saída de estímulos centrais para os múscu-
los recrutados na ação mecânica.
Bons estudos! 
126 
 
Todas as funções do corpo humano são, ou podem 
ser, influenciadas pelo sistema nervoso. O sistema 
nervoso possibilita a comunicação entre o cérebro e 
as diferentes partes do corpo. Anatomicamente, pode 
ser dividido em central (encéfalo e medula espinhal) 
e periférico (nervos sensoriais e motores). Funcional-
mente, esse sistema classifica-se quanto ao seu contro-
le voluntário, mediado pelo sistema nervoso somáti-
co. Este é caracterizado pelos neurônios que inervam 
o sistema esquelético tanto os motores quanto os 
sensoriais. O controle involuntário, por sua vez, é me-
diado pelo sistema nervoso autônomo composto por 
nervos simpáticos e parassimpáticos, que controlam 
diferentes funções corporais, como frequência cardí-
aca, contração do miocárdio, contração dos músculos 
lisos, entre outras (MARCHETTI et al., 2013). 
Considerações Neurológicas 
do Movimento
 127
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A via sensorial conta com receptores especiali-
zados, responsáveis pela conversão do estímulo re-
cebido na periferia em potencial de ação, prolonga-
do até o SNC. Existem diversos tipos de receptores 
sensoriais, por exemplo, os mecanorreceptores (fuso 
muscular, órgão tendinosos de Golgi, corpúsculo de 
Paccini, receptores articulares, entre outros), os ter-
morreceptores (de frio e calor), os fotorreceptores 
(cones e bastonetes – visão) e os quimiorreceptores 
(osmorreceptores, corpos carotídeos e aórticos). Os 
receptores, entretanto, que nos interessam e relacio-
nam-se ao movimento voluntário, são os mecanorre-
ceptores musculares (fuso muscular e órgão tendino-
so de Golgi) (MARCHETTI et al., 2013). 
Figura 2 - Organizaçãodo músculo esquelético
Fonte: MARCHETTI et al. (2013).
Figura 1 - Sistema nervoso / Fonte: Marchetti et al. (2013).
No sistema nervoso periférico (SNP), encontra-se uma 
porção sensitiva ou aferente e uma porção de resposta 
ou eferente. A porção sensitiva/aferente é responsável 
por informar ao sistema nervoso central (SNC) o que 
ocorre dentro e fora do organismo. A porção de respos-
ta/eferente, no que lhe diz respeito, é responsável pelo 
envio de informações do SNC aos diversos tecidos, ór-
gãos e sistemas do corpo, em resposta aos sinais que 
chegam por meio da divisão sensitiva. A porção efe-
rente do sistema nervoso periférico, ainda, é dividida 
em duas partes: o sistema nervoso autônomo (formado 
por neurônios que têm por função controlar/coman-
dar todas as partes do corpo, exceto músculo esqueléti-
co) e o sistema nervoso motor (formado por neurônios 
que têm por função controlar/comandar apenas mús-
culo esquelético) (HALL, 2013).
128 
 
O fuso muscular é um receptor sensorial, localiza-
do em paralelo às fibras musculares (extrafusais). A 
estrutura do fuso muscular é composta por fibras 
modificadas (fibras intrafusais), contidas em uma 
cápsula, com um nervo sensorial espiralado ao redor 
do seu centro, por isso não é capaz de se contrair. 
As extremidades contêm fibras contráteis, inervadas 
por neurônios motores do tipo gama. Ao serem es-
timulados contra as extremidades das fibras intra-
fusais, com distensão da região central, sofre uma 
deformação, ativando o nervo sensorial, que estimu-
la o motoneurônio alfa a ativar as fibras muscula-
res (extrafusais). Sua função principal é informar ao 
SNC o grau de contração, o comprimento muscular 
e a frequência na alteração de seu tamanho (MAR-
CHETTI et al., 2013).
O órgão tendinoso de Golgi, localizado na região do mús-
culo tendínea, é um receptor sensorial, disposto em série 
com as fibras musculares. Sua função principal é avaliar o 
grau de tensão produzido no tendão. Liga-se a neurônios 
Ib que fazem conexão (sinapse) com interneurônios inibi-
tórios, inibindo, desse modo, os respectivos neurônios mo-
tores alfa do músculo em questão. Essa inibição influencia 
a contração, diminuindo o grau de força gerada.
A via motora voluntária envolve, em especial, o moto-
neurônio alfa (neurônio motor tipo alfa), ligando às fibras 
musculares. Portanto, o músculo esquelético é funcional-
mente organizado com base na unidade motora. Esta é 
composta pelo corpo celular, pelos dentritos de um mo-
toneurônio, pelos múltiplos ramos de seu axônio e pelas 
fibras musculares que ela inerva. Cada músculo possui 
um determinado número de unidades motoras e cada 
Figura 3 - Unidade motora e corpo celular / Fonte: Marchetti et al. (2013).
 129
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
unidade motora possui um número de fibras musculares 
inervadas, como mostra a figura adiante.
“A lei do tudo ou nada” ocorre quando a unidade mo-
tora é a unidade ativada por um esforço voluntário, no 
qual todos os seus componentes são ativados sincronica-
mente. Logo, faz todas as suas fibras musculares serem ati-
vadas, sincronicamente, e com o grau de tensão máxima. 
Figura 4 - Esquema da Unidade Motora / Fonte: Marchetti et al. (2013).
A estimulação dos motoneurônios, por meio dos poten-
ciais de ação, inicia o processo de contração muscular. Em 
condições normais, os potenciais de ação percorrem o 
motoneurônio alfa e ativam as fibras musculares da uni-
dade motora. A membrana é despolarizada e o potencial 
de ação é propagado em ambas as direções, ao longo do 
seu comprimento. A resposta imediata das fibras muscu-
lares (unidade motora) à sua despolarização é chamada 
de abalo, definido como a resposta de força no tempo, por 
causa de um único impulso. Outro fator relevante relacio-
na-se à velocidade, na qual o potencial de ação é propaga-
do no axônio motor (MARCHETTI et al., 2013).
130 
 
Abordaremos neste tópico, a organização física do mús-
culo com foco nos aspectos Biomecânicos do sistema 
muscular. Todo movimento humano, do piscar de olhos 
à corrida de um maratonista, é gerado pela ação de um 
músculo. O músculo é o único tecido do corpo humano 
capaz de produzir força biomecanicamente. Desse modo, 
são usados para manter uma posição, desacelerar um mo-
vimento rápido, promover contração, entre outros (HA-
MILL; KNUTZEN, 1999). A tensão desenvolvida pelos 
músculos aplica compressão nas articulações, aumentan-
do sua estabilidade, porém em algumas posições articula-
res o oposto pode ocorrer, criando instabilidade.
Podemos destacar que as principais funções do teci-
do muscular são (HALL,2013):
• Produzir Movimento: o movimento esquelético é 
criado à medida que as ações musculares geram ten-
são. Esta é, posteriormente, transferida para o osso. 
Os movimentos resultantes são necessários para lo-
comoção e outras manipulações segmentares.
• Manter Posturas e Posições: as ações muscu-
lares de menor magnitude são utilizadas para 
manter posturas. Essa atividade muscular é con-
tínua e resulta em pequenos ajustes na medida 
em que a cabeça é mantida na posição ou o peso 
corporal é equilibrado sobre os pés.
Estrutura Macroscópica 
do Músculo
 131
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
• Estabilizar Articulações: as tensões muscu-
lares são geradas e aplicadas pelas articulações 
por meio dos tendões, provendo estabilidade 
às partes da articulação por onde cruzam. Na 
maioria das articulações, especialmente, as do 
ombro e joelho, os músculos que atravessam a 
articulação, por meio dos tendões, estão entre 
os estabilizadores articulares primários.
Outras funções relevantes são:
• Suportam e protegem os órgãos viscerais bem 
como os tecidos internos de lesões.
• A tensão no tecido muscular pode alterar e 
controlar pressões dentro das cavidades.
• Contribui para a manutenção da temperatura 
corporal pela produção de calor.
• Controlam as entradas e saídas do corpo pelo 
controle voluntário da deglutição, defecação 
e eliminação da urina.
Vale a pena ressaltar a importância das pessoas se man-
terem ativas, ao longo da vida, e investirem na prática 
regular de exercícios físicos com foco no fortalecimento 
muscular. Observamos que, no processo de envelheci-
mento, muitas pessoas perdem o controle voluntário da 
urina e da defecação, muitas vezes ocasionado, simples-
mente, pela fragilidade muscular. Nesse sentido, faz-se 
necessário a intervenção do Professor de Educação Físi-
ca no processo de prevenção de alguns problemas decor-
rentes do envelhecimento. Esses podem ser revertidos 
por meio de um programa bem direcionado, promoven-
do um envelhecimento ativo para população em geral.
Você sabia que os músculos do nosso corpo 
humano representam cerca de 40% a 45% da nossa 
massa corporal (Kg) ou peso, quando subimos em 
uma balança?
Temos que entender que nosso músculo se classifica 
em: liso; esquelético e cardíaco. Nosso foco, no entanto, 
neste tópico, é abordar o músculo esquelético.
• Liso: involuntário (paredes de vasos sanguíneos 
e de órgãos internos);
• Esquelético: voluntário, estriado, ligam-se ao es-
queleto (cerca de 215 pares);
• Cardíaco: involuntário, estriado (músculo do 
coração).
A figura, a seguir, exemplifica a composição dos nossos 
músculos.
músculo esquelético
músculo cardíaco
músculo liso
Figura 5 - Exemplificação dos músculos: Liso; esquelético e cardíaco
O músculo liso ou visceral é mediado pelo sistema ner-
voso periférico autônomo (SNA), tem funcionamento 
involuntário e lento, é uninucleado e sem estrias trans-
versais, como demonstra a Figura 6.
132 
 
Figura 6 - Tecido muscular liso
O músculo estriado cardíaco, por sua vez, é mediado 
pelo Sistema Nervoso Periférico Autônomo (SNA), 
tem um funcionamento involuntário e rápido, é uni 
ou binucleado e com estrias transversais, como de-
monstrado na figura a seguir.
Figura 7 - Tecido muscular cardíaco 
Resumidamente, podemos 
destacar que o músculo car-
díaco denomina-se mio-
cárdio. A frequência 
do batimento cardíaco 
é controlada por um 
grupo de células(mar-
ca-passo cardíaco ou 
nó sinoatrial). 
O músculo cardíaco 
realiza dois tipos de movi-
mentos. Quando se contrai, 
denominamos de sístole e, no 
momento que relaxa, denomina-
mos como diástole.
Lembramos, a partir de conhecimen-
tos anteriores da anatomia e fisiologia, que 
nosso coração sofre alterações significativas e 
positivas com a prática de exercícios físicos, propiciando 
benefícios maiores para seus praticantes, tendo em vista 
que o coração melhora sua capacidade hemodinâmica. 
Faz necessário, entretanto, antes da prática esportiva, 
passar por um cardiologista, pois problemas anatômicos, 
por vezes desconhecidos pelas pessoas, podem promover 
risco à saúde. Com o início da prática esportiva, muitas 
vezes, tem-se sintomas como angias (sensação relatada 
de “aperto” no coração) que não são comuns. Outro si-
nal de alerta a população, de forma geral, é: se familiares 
apresentam problemas cardíacos ou de hipertensão, con-
siderados pela literatura “pré-disposição genética”, não 
podem ser negligenciados antes do início de qualquer 
prática esportiva. Dessa forma, qualquer sinal de incô-
modo, a prática de exercícios deve ser interrompida ime-
diatamente. Devemos destacar também o uso indevido 
de anabolizantes, responsável por problemas do coração, 
rins e outros órgãos importantes do corpo humano.
Figura 8 - Imagem do 
Músculo do Coração
 133
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Por fim, nosso objeto de estudo, o MÚSCULO 
ESTRIADO ESQUELÉTICO, mediado pelo Sistema 
Nervoso Periférico Somático (SNS). Ele possui um 
funcionamento voluntário e rápido, multinucleado 
e com estrias transversais, conforme demonstrado 
pela figura a seguir.
Figura 9 - Músculo estriado esquelético 
Organização Física do Músculo: os grupos mus-
culares ficam contidos em compartimentos e defi-
nidos pela fáscia, uma bainha de tecido fibroso. Os 
compartimentos dividem os músculos em grupos 
funcionais, e servem para manter os músculos orga-
nizados e contidos em uma região. É comum que os 
músculos do compartimento sejam inervados pelo 
mesmo nervo. A figura 10, a seguir, demonstra a or-
ganização da estrutura muscular e como funciona a 
conexão do osso, tendão e músculo.
Figura 10 - Organização da estrutura muscular: osso, tendão e músculo
Fonte: adaptada de Hall (2013).
A organização básica da estrutura muscular será descri-
ta, resumidamente, a seguir (HALL, 2013):
• O músculo inteiro é geralmente envolvido por 
uma fáscia e uma camada de tecido conectivo, 
conhecido como epimísio.
• A próxima estrutura menor é o fascículo, com-
posto de fibras musculares, envoltas por uma 
camada de tecido conectivo, chamada perimísio.
• As fibras musculares contém estruturas menores, as 
miofibrilas. Envolvendo as miofibrilas, há o citoplas-
ma da célula muscular, o sarcoplasma (túbulos T).
• Miofibrilas são unidades presentes no interior 
do sarcômero. No qual, localiza-se as unidades 
contráteis do músculo esquelético, a miosina, fi-
lamento espesso, e actina, filamento fino.
• A fibra muscular (50 mm diam., 10 cm comp.) é 
uma célula muscular individual, envolta pelo en-
domísio, outro tecido conectivo que envolve as 
fibras dentro do fascículo.
134 
 
Figura 11 - Estrutura interna do músculo esquelético
Fonte: Marchetti et al. (2013).
O sarcômero é constituído por:
• 2 linhas Z (discos Z) e três faixas ou bandas.
• Bandas escuras – extremidades da banda A.
• Bandas claras (banda I – sem miosina/ Zona H 
ou região central da banda A – sem actina.
Durante a contração muscular, as proteínas actina e 
miosina deslizam entre si, aumentando o volume mus-
cular. Para ocorrer contração muscular é necessário o 
estímulo do sistema nervoso (HALL, 2013), conforme 
apresentamos no resumo a seguir:
Figura 12 - A Ação do sarcômero durante a contração muscular
Fonte: Brown (2008).
Resumo da Biomecânica da contração muscular 
(HALL, 2013):
• Estímulo nervoso percorre a membrana.
• Atinge o retículo sarcoplasmático.
• Este libera cálcio no sarcoplasma.
• Os íons cálcio entram em contato com as miofi-
brilas, desbloqueiam os sítios de ligação de acti-
na, permitindo a ligação com a miosina, dando 
início à CONTRAÇÃO.
• O estímulo desaparece.
• O cálcio é reabsorvido pelo retículo sarcoplas-
mático.
• Cessa-se a contração.
 135
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Embora esse conteúdo tenha sido abordado na disciplina 
de Fisiologia, relembraremos que a energia para contra-
ção muscular é suprida por moléculas de ATP, produzi-
das durante a respiração celular. O ATP atua na ligação 
de miosina à actina, o que resulta na contração muscular, 
mas a principal reserva de energia nas células musculares 
é a fosfocreatina, onde grupos de fosfatos, ricos em ener-
gia, são transferidos da fosfocreatina para o ADP, que se 
transforma em ATP. Quando o trabalho muscular é inten-
so, as células musculares repõem seus estoques, de ATP e 
de fosfocreatina, e intensificam a respiração celular, utili-
zando o glicogênio como combustível (HALL, 2013).
Cabe, neste momento, retomar as 3 Fontes Energéticas, 
essenciais para o exercício ou qualquer atividade muscular:
• Mecanismo imediato: fosfocreatina.
• Mecanismo Aeróbio: oxidativo.
• Mecanismo Anaeróbio: fermentação lática.
Os músculos mantêm-se, normalmente, em um estado 
de contração parcial, denominado de tônus muscular. 
Quando ocorre a estimulação nervosa, tem-se um pro-
cesso inconsciente que mantém os músculos preparados 
para entrar em ação. 
Nesse sentido, quando o nervo que estimula um 
músculo é cortado, ele perde tônus e se torna flácido. Vale 
a pena, ressaltar que estados de tensão emocional podem 
aumentar o tônus muscular, causando a sensação física 
de tensão muscular. Nessa condição, gasta-se mais ener-
gia que o normal, ocasionando a fadiga. Existem três tipos 
de fibras musculares primárias nos seres humanos:
Tipo 1: são referidos como contração lenta oxidativa.
Tipo 2A: contração rápida oxidativa.
Tipo 2B: contração rápida glicolítica.
Veremos, resumidamente, a seguir, os principais aspectos 
funcionais e estruturais de cada fibra muscular (HALL, 2013).
AS FIBRAS DE CONTRAÇÃO LENTA
• As fibras são vermelhas, devido ao alto conte-
údo de mioglobina no músculo.
• Essas fibras têm baixo tempo de contração e 
são adequadas para o trabalho prolongado de 
baixa intensidade.
• As fibras musculares oxidativas de contração 
lenta ou Tipo I são encontradas em maiores 
quantidades nos músculos posturais do cor-
po, como os músculos da parte superior das 
costas e o sóleo.
• Atletas que exigem alta resistência à fadiga, 
geralmente, têm uma quantidade maior de 
fibras de contração lenta.
FIBRAS DE CONTRAÇÃO 
RÁPIDA E INTERMEDIÁRIA
• As fibras de contração rápida ou Tipo II são 
subdivididas em Tipo IIa, oxidativas-glicolí-
ticas, e Tipo IIb, glicolíticas.
• A fibra do tipo IIa é um músculo avermelha-
do claro, reconhecida como contração rápida 
intermediária, porque pode sustentar ativida-
des por longos períodos ou pode contrair-se 
com um disparo de força e, então, fadigar-se.
• A fibra branca, Tipo IIb, proporciona rápida 
produção de força e fadiga-se rapidamente.
• A maioria dos músculos, se não todos, con-
tém os dois tipos de fibras. 
• O tipo de fibra influi em como o músculo 
será treinado e desenvolvido, assim como 
quais técnicas serão mais adequadas para in-
divíduos com tipos de fibras específicos.
As principais características das fibras músculo es-
queléticas estão descritas no quadro a seguir (HALL, 
2013).
136 
 
A seguir, os tipos de fibras musculares e as modalidades 
esportivas.
Fibras do tipo I – modalidades que exigem:
• baixa produção de força;
• baixa velocidade de contração;
• duração prolongada.
Exemplos: provas de endurance, corrida, ciclismo, triatlo.
Fibras do tipo II – modalidades que exigem:
• alta produção de força;
• alta velocidade de contração;
• curta duração.
Exemplos: musculação, corridas de velocidade.
As fibras do tipo I caracterizam-se por baixa força/
poder/produção da velocidade e resistência elevada; tipo 
IIb,pela força elevada/produção da potência/velocidade e 
resistência baixa; e a do tipo IIa, entre elas. Os músculos 
são constituídos por fibras musculares, e estas, organizadas 
em unidades motoras, agrupadas dentro de cada músculo. 
Uma unidade motora é, simplesmente, um feixe ou agru-
pamento de fibras musculares. 
Característica
Tipo I
Oxidativa de contração 
lenta
Tipo IIa
Glicolítica oxidativa de 
contração rápida
Tipo IIb
Glicolítica de contração 
rápida 
Velocidade de 
contração Lenta Rápida Rápida
Ritmo de fadiga Lento Intermediário Rápido
Diâmetro Pequeno Intermediário Grande
Concentração 
de ATPase Baixa Alta Alta
Concentração 
mitocondrial Alta Alta Baixa
Concentração 
das enzimas 
glicolíticas
Baixa Intermediária Alta
Quadro 1 - Descrição das principais características das fibras músculo esqueléticas / Fonte: adaptado de Hall (2013).
 137
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Os componentes anatômicos dos músculos estriados es-
queléticos possuem uma porção média e extremidades. 
A porção média é carnosa, vermelha e vulgarmente cha-
mada de carne, e recebe o nome de ventre muscular. No 
ventre muscular, predominam as fibras musculares, sen-
do, portanto, a parte ativa do músculo, isto é, a parte con-
trátil. As extremidades, em suas formas de cilindróides 
ou de fita, chamam-se tendões. Quando são laminares, 
recebem a denominação de aponeuroses. Tanto tendões 
quanto aponeurose são esbranquiçadas e brilhantes, 
muito resistentes e, praticamente, inextensíveis. Tendões 
e aponeuroses, geralmente, servem para prender o mús-
culo ao esqueleto. Existem três maneiras para o músculo 
inserir-se no osso: 
• O músculo pode inserir-se diretamente no pe-
riósteo do osso por uma fusão entre o epimísio 
e a superfície do osso, por exemplo, o músculo 
braquial.
• O músculo pode inserir-se por um tendão que 
se funde com a fáscia muscular, por exemplo, o 
músculo bíceps braquial.
• Pode inserir-se, também, por uma bainha de te-
cido fibroso conhecida como aponeurose, por 
exemplo, músculo oblíquo.
Características Funcionais 
do Músculo
138 
 
O POTENCIAL DA FIBRA MUSCULAR 
Irritabilidade: é a capacidade para responder à estimu-
lação, feita por meio de um neurotransmissor químico. 
Sabemos que a fibra muscular é um tecido excitável e 
que o músculo esquelético pode ser recrutado, rapida-
mente, com significante controle para estimar quais e 
quantas fibras musculares serão necessárias para um 
determinado movimento.
Contratilidade: é a capacidade de um músculo para 
encurtar-se, desde que receba uma estimulação suficien-
te. A média de encurtamento é de 57% do comprimento 
em repouso para todos os músculos esqueléticos. A dis-
tância que o músculo se encurta é, geralmente, limitada 
pelas restrições físicas do corpo?
Extensibilidade: é a capacidade do músculo para 
alongar-se além do comprimento de repouso. O músculo 
sozinho não consegue produzir alongamento, é necessá-
rio a ação de outro músculo ou força externa. A extensi-
bilidade do músculo é determinada pelo tecido conecti-
vo, encontrado no perimísio e fáscia que cerca o músculo.
Elasticidade: é a capacidade da fibra muscular de re-
tornar ao seu comprimento de repouso, logo após a força 
de alongamento ser removida. É determinada mais pelo 
tecido conectivo, dentro dos músculos, que pelas próprias 
fibrilas. As propriedades de elasticidade e extensibilidade 
são mecanismos de proteção do músculo que mantém a 
integridade e o comprimento básico do músculo.
Agonistas e Antagonistas
• Os músculos que criam o mesmo movimento 
articular são chamados agonistas, e os múscu-
los opositores, isto é, que produzem movimen-
to articular oposto, são chamados antagonistas.
• Os antagonistas precisam relaxar para permitir que 
ocorra um movimento ou precisam contrair-se, ao 
mesmo tempo que os agonistas, para controlar ou 
reduzir a rapidez de um movimento articular.
• Quando um músculo faz o papel de antago-
nista, fica mais suscetível a lesão no local da 
inserção muscular ou na própria fibra muscu-
lar, pois o músculo contrai-se para retardar o 
movimento, ao mesmo tempo que se alonga.
As Tarefas Desempenhadas pelos Mús-
culos Esqueléticos descreveremos, re-
sumidamente, a seguir. Convido-lhe, 
também, a acessar o QrCode disponí-
vel para melhor absorção do conteúdo.
Indicação para Acessar
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2397
 139
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Estabilizadores e Neutralizadores
Os músculos também são usados como estabilizadores, 
agindo em um segmento corporal de modo que possa 
ocorrer um movimento específico em uma articulação 
adjacente (cintura escapular e pélvica). Os neutraliza-
dores são músculos que se contraem para eliminar uma 
ação articular indesejada, causada por outro músculo.
No exemplo abaixo (figura 13), o deltóide (mús-
culo do ombro) é o agonista, o responsável por criar 
o movimento. O grande dorsal é o antagonista que 
resiste ao movimento de abdução. O trapézio, esta-
biliza e segura a escápula. Por fim, pode ocorrer a 
ação neutralizadora, nesse caso, o músculo redondo 
menor pode neutralizar a rotação externa, que pode 
vir a ser produzida pelo grande dorsal.
Figura 13 - Exemplo de abdução do braço 
140 
 
Outro conteúdo de muita relevância são as ações muscu-
lares, descritas a seguir.
Ação Muscular Isométrica
• Quando a tensão muscular é gerada contra uma 
resistência para manter a posição; levantar um 
segmento corporal ou objeto; abaixar ou contro-
lar um segmento corporal.
• Quando um músculo está ativo e desenvolve 
tensão, porém sem mudança visível ou externa, 
na posição articular (BROWN, 2008). 
Ação Muscular Concêntrica
• Quando um músculo gera tensão ativamente, com 
um encurtamento visível na extensão do músculo. 
• Na ação muscular controlada, concentrica-
mente, as forças musculares somadas que pro-
duzem a rotação se acham na mesma direção 
que a mudança do ângulo articular. Isso signi-
fica que os agonistas são os músculos controla-
dores em uma ação muscular concêntrica.
É possível utilizar o termo contração, porque ocorre 
um encurtamento durante uma ação muscular con-
cêntrica (BROWN, 2008).
Ação Muscular Excêntrica
• Quando um músculo é sujeito a um torque ex-
terno maior que o interno, dentro do músculo, 
ocorre o alongamento do músculo.
• A fonte de força externa desenvolve o torque ex-
terno e este produz uma ação muscular excêntri-
ca, que pode ser a gravidade ou a ação muscular 
de um grupo muscular antagonista.
• Na ação articular excêntrica, as forças muscu-
lares totais que geram rotação são em direção 
oposta à mudança do ângulo articular, signifi-
cando que os antagonistas são os músculos con-
troladores da ação muscular excêntrica.
• Quando um peso é baixado de modo controla-
do, os músculos se alongam e produzem força. 
Esse processo é denominado de ação muscular 
excêntrica (BROWN, 2008).
• As ações excêntricas também são usadas para re-
duzir a velocidade de um movimento.
Figura 14 - Ação muscular concêntrica, excêntrica e isométrica / Fonte: Brown (2008).
Exercício Ação Muscular Comprimento
Relação 
FI-FE
Estático Isométrica Constante FI = FE
Dinâmico Concêntrica Encurta FI > FE
Dinâmico Excêntrica Alonga FIcom foco no fortalecimento muscular.
Nas fibras musculares, encontramos estruturas que 
podem ser definidas como componentes elásticos em 
série (CES), componentes elásticos em paralelo (CEP) 
e componente contrátil (CP). As estruturas em série, 
em relação ao componente contrátil, são caracterizadas 
pelos tendões; as estruturas em paralelo são os tecidos 
conjuntivos (endomísio, perimísio e epimísio) e o com-
ponente contrátil, o sarcômero (MARCHETTI, 2007).
A magnitude da força gerada por um músculo rela-
ciona-se, entre outras coisas, à sua velocidade de encur-
tamento muscular, ao comprimento do músculo a ser 
estimulado e ao seu ângulo de inserção (HALL, 2013).
Você sabia que a organização das fibras mus-
culares depende do seu formato e arranjo? 
Isso determinará se o músculo é capaz de 
gerar grandes quantidades de força ou capa-
cidade de encurtamento. Isso reflete tanto na 
mudança de comprimento quanto na veloci-
dade, dependendo da situação do movimen-
to. Elas podem se classificar como Fusiforme 
e Peniformes.
Fonte: as autoras.
SAIBA MAIS
Mecânica Muscular 
e Princípios Básicos 
do Fortalecimento Muscular
142 
 
OS PRINCIPAIS FATORES MECÂNICOS 
QUE AFETAM A FORÇA MUSCULAR SÃO:
• Relação comprimento x tensão.
• Relação força x velocidade.
• Ângulo de inserção do músculo.
• Relação força x tempo.
A relação comprimento e tensão, para um determi-
nado músculo ou sarcômero, representa a força má-
xima isométrica atingida, de acordo com o seu com-
primento. Ou seja, existe um comprimento ideal, 
no qual as fibras musculares podem gerar sua força 
máxima. No sarcômero, essa relação possui influ-
ência direta com o número de pontes cruzadas de 
miosina, conectadas com os locais ativos na actina 
(MARCHETTI, 2007; BROWN, 2008).
A quantidade de força produzida por um mús-
culo relaciona-se, também, ao comprimento em que 
o músculo é mantido. No corpo humano, a capaci-
dade de produzir força aumenta, quando o músculo 
é, discretamente, alongado. Os músculos com fibras 
paralelas produzem tensão máxima em um com-
primento, levemente, maior que o comprimento de 
repouso, e os músculos peniformes (fibras correm, 
diagonalmente, em relação a um tendão que atraves-
sa o músculo) geram tensão máxima algo entre 120 
a 130% do comprimento de repouso. Isso acontece 
porque os componentes contráteis produzem, ide-
almente, tensão, e os componentes passivos arma-
zenam energia elástica, somando-a à tensão total na 
unidade (HALL, 2013).
Figura 15 - Relação entre comprimento e capacidade de produção de força do 
sarcômero / Fonte: Brown (2008).
A Relação entre Força e Velocidade ocorre no mo-
mento em que a fibras musculares encurtam-se em 
uma velocidade ou rapidez específica, ao mesmo tem-
po em que desenvolvem a força usada para mover um 
segmento ou carga externa.
A relação entre a força concêntrica, produzida por 
um músculo, e a velocidade com a qual ele encurta é 
inversa. À medida que a velocidade de encurtamento 
do músculo aumenta, a ciclagem de pontes transversas 
também aumenta, deixando menos pontes transversas 
ligadas de uma vez.
• Quando a resistência é alta, a velocidade de en-
curtamento deve ser, relativamente, baixa.
• Quando a resistência é baixa, a velocidade de en-
curtamento pode ser, relativamente, alta.
A relação força x velocidade não implica na impossibili-
dade de mover uma resistência elevada a uma velocida-
de alta nem de mover uma carga leve a uma velocidade 
baixa. A relação força x velocidade indica que, para uma 
determinada carga ou força muscular desejada, existe 
uma velocidade máxima de encurtamento possível.
 143
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A relação entre a força excêntrica, produzida por 
um músculo, e a velocidade com a qual ele alonga apre-
senta um comportamento diferente.
• Em cargas menores que a isométrica máxima, a 
velocidade de estiramento é controlada volun-
tariamente.
• Em cargas maiores que a isométrica máxima, 
o músculo é forçado a estirar com velocidade 
proporcional à carga.
Quanto mais forte o músculo, maior a magnitude da for-
ça isométrica, conforme demonstrado na figura 16 a se-
guir. Essa é quantidade máxima de força que um múscu-
lo pode produzir antes de se alongar de fato, conforme a 
resistência aumenta. Entretanto, o formato geral da cur-
va força-velocidade permanece o mesmo, independen-
temente da contração isométrica máxima (HALL, 2013). 
Velocidade de 
alongamento
Velocidade de 
encurtamento
0
Fo
rç
a Excêntrica
Concêntrica
Isométrica
máxima
Figura 16 - Relação força e velocidade para o tecido muscular 
Fonte: Hall (2013).
Quando a resistência (força) é negligenciável, o mús-
culo contrai com velocidade máxima. Conforme a 
carga aumenta, progressivamente, a velocidade de 
contração concêntrica diminui até a zero, no máximo 
isométrico. Conforme a carga aumenta, o músculo 
alonga excentricamente (HALL, 2013).
A relação força-velocidade, conforme a Figura 16, 
considera a variação de tensão muscular máxima, em 
função da velocidade de encurtamento. Em contrações 
concêntricas, a força máxima que um músculo pode 
produzir, em comprimento ótimo, diminui com o au-
mento das velocidades de encurtamento. Para contra-
ções excêntricas, a força que um músculo pode exercer 
aumenta com a aceleração das velocidades de alonga-
mento, até que a velocidade crítica seja atingida, a força 
torna-se constante, independente da velocidade.
A relação do ângulo e a inserção do músculo ocor-
re quando supre uma certa quantia de tensão, transferida 
para o osso pelo tendão ou aponeurose. Vale ressaltar que 
nem toda a tensão produzida pelo músculo será usada 
para gerar a rotação do segmento. Dependendo do ân-
gulo de inserção do músculo, alguma força será dirigida 
para estabilizar ou desestabilizar o segmento, tracionan-
do o osso para afastá-lo ou aproximá-lo da articulação. A 
força muscular será dirigida, primariamente, ao longo da 
extensão do osso e para dentro da articulação, quando o 
ângulo do tendão for agudo ou correr reto sobre o osso. 
Embora a tensão muscular possa ser mantida durante um 
movimento articular, o componente rotatório e o torque 
variarão, dependendo do ângulo de inserção.
À medida que um segmento se move por uma am-
plitude média do movimento articular, o ângulo de in-
serção, geralmente, aumenta e direciona mais força mus-
cular para mover o segmento.
A Relação força x tempo é conhecida quando um mús-
culo é estimulado em um curto período de tempo; o período 
entre o estimulo e o desenvolvimento da tensão é conhecido 
como retardo eletromecânico (AEM), isto é, o período de 
tempo necessário para que o componente contrátil do mús-
culo estire o comprimento elástico em série (HALL, 2013).
144 
 
Os componentes necessários para o desenvolvimen-
to do fortalecimento muscular, descreveremos a seguir. 
No corpo humano, a medida mais direta da “força mus-
cular”, praticada comumente, é a medida do torque má-
ximo, gerado por um grupo muscular inteiro sobre uma 
articulação. A força muscular, então, é medida como 
uma função da capacidade coletiva de geração de for-
ça de um determinado grupo muscular funcional. Mais, 
especialmente, a força muscular de gerar torque sobre 
uma articulação específica (HALL, 2013).
 TORQUE
Componente rotatório nada mais é que o componen-
te da força muscular que atua, perpendicularmente, ao 
eixo longitudinal do segmento. É o responsável pelo 
torque que possibilita o movimento de rotação do seg-
mento em torno da articulação. Já o componente de 
deslizamento é o componente da força muscular que 
atua, paralelamente, ao eixo longitudinal do segmento. 
Dependendo do ângulo de inserção do músculo, tende 
a puxar o osso para fora do centro articular (compo-
nente deslocador) ou empurrá-lo em direção ao centro 
articular (componente estabilizador), conforme de-
monstrado na figura a seguir:
 
Figura 17 - Componentes rotatórios / Fonte: Hamill e Knutzen (1999).
Torque é a força capaz de promover uma rotação. O 
braço do momento de um músculo é afetado pordois 
fatores, igualmente, importantes: (a) distância entre a 
fixação anatômica do músculo ao osso e ao eixo de rota-
ção, no centro da articulação, e o (b) o ângulo de fixação 
do músculo ao osso, tipicamente, uma função do ângulo 
relativo da articulação. A maior quantidade de torque é 
produzida por tensão máxima em um músculo, orienta-
do a 90⁰ do osso fixado, anatomicamente, o mais longe 
possível do centro da articulação (HALL, 2013). 
T = Torque.
F= Força aplicada pelo músculo.
r = distância da articulação ao ponto de inserção 
(raio da figura gerada pelo movimento).
senα = Seno do ângulo formado pela Força e o braço 
da alavanca.
T= F.r. senα.
O treinamento resistido, quando orientado de 
forma adequada para os praticantes, apresen-
ta inúmeros benefícios físicos, como melhoria 
da postura e livramento das dores causadas 
pela lesão pesquisada.
Fonte: as autoras.
REFLITA
TIPOS DE FORÇA MUSCULAR: 
FORÇA, POTÊNCIA E RESISTÊNCIA
Força máxima ou pura é a capacidade máxima do indi-
víduo em uma contração voluntária máxima.
Força-velocidade ou explosiva é a capacidade do sis-
tema neuromuscular em mobilizar o potencial funcio-
nal para manifestar elevados níveis de força no menor 
período de tempo possível.
 145
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Força-resistência ou resistência muscular é a capacida-
de de manter índices de força, relativamente, altos, durante 
o maior período de tempo possível. 
Os efeitos do treinamento de força são a adaptação do 
organismo ao treinamento de força, relacionada às trans-
formações ocorridas. Os Músculos, quando estimulados 
por meio de treinamento de força, sofrem a hipertrofia, 
assim, ocorre o aumento da densidade dos elementos con-
tráteis, dentro a célula muscular. Resumidamente, ocorrem 
os seguintes efeitos:
• Aumento do número de miofibrilas por fibra mus-
cular.
• Acréscimo na quantidade total de proteínas, espe-
cialmente nos filamentos de miosina.
• Maior densidade capilar por fibra muscular.
• Melhoria nos tecidos conectivo, tendinoso e liga-
mentoso.
• Reações bioquímicas que conduzem ao aumento 
do ATP, CP, glicogênio, mitocôndrias e várias en-
zimas.
As principais adaptações do organismo ao treinamento de 
força relacionam-se às transformações ocorridas:
• Sistema nervoso - ramificação dos motoneurônios 
e aumento das células nos gânglios, frequência dos 
impulsos, melhor capacidade funcional ou coorde-
nação inter e intramuscular.
• Tecido ósseo - aumento da densidade óssea, maior 
elasticidade e hipertrofia das saliências ósseas de 
inserção nos tendões.
• Reservas energéticas - reservas de fosfagênios – 
ATP e CP, de glicogênio muscular e hepático, eficá-
cia da circulação sanguínea periférica.
A Potência muscular é o produto da força muscular pela 
velocidade de encurtamento do músculo. Como as fibras 
de contração rápida (CR), desenvolvem tensão mais ra-
pidamente que as de contração lenta (CL), um músculo 
com maior percentagem de fibras CR é capaz de desenvol-
ver maior potência. A potência muscular máxima ocorre, 
aproximadamente, a um terço da velocidade máxima de 
encurtamento do músculo.
A potência muscular é um contribuinte importante 
para atividades que requerem força e velocidade, como 
esforços esportivos que requerem esforços explosivos, por 
exemplo, halterofilismo; arremesso; salto e corridas de ve-
locidade, fundamentados na capacidade de gerar potência 
muscular (HALL, 2013). 
A resistência muscular é a capacidade de o músculo 
exercer tensão ao longo do tempo. Quanto maior o tempo 
em que a tensão é exercida maior a resistência, por exem-
plo, a prática de ciclismo e a corrida de longas distâncias. 
Tipicamente, o treinamento de resistência envolve núme-
ros grandes de repetições com cargas, relativamente baixas
A fadiga muscular pode ser definida como uma re-
dução induzida pelo exercício, na capacidade máxima de 
força do músculo, e quanto mais rapidamente o músculo 
se fadiga, menos resistência ele apresenta? 
Cabe destacar, neste momento, outro fato interve-
niente em um programa de treinamento, a temperatura 
corporal. Quando esta se eleva, a velocidade das funções 
nervosa e muscular aumenta. Isso causa um deslocamen-
to da curva força-velocidade, que torna possível atingir 
um valor maior de tensão isométrica máxima e maior ve-
locidade máxima de encurtamento sobre qualquer carga 
determinada. Vale a pena ressaltar, também, que a função 
muscular é mais eficiente a 38,5 °C.
Vale lembrar que o músculo é protegido de lesões por 
dois tipos de células nervosas: fuso neuromuscular e fuso 
neuro-tendinoso. Se as células musculares forem alonga-
das, os fusos neuromusculares também são alongados. 
Se o músculo for alongado demais, essas células enviam 
para o sistema nervoso central um sinal de que o músculo 
passa dos seus limites. Rapidamente, o SNC desencadeia 
um sinal que faz o músculo se contrair, precavendo, assim, 
uma distensão muscular.
146 
 
Resumidamente, podemos destacar que o desempenho 
muscular é descrito, tipicamente, em termos de força, potên-
cia e resistência musculares. De um ponto de vista biome-
cânico, a força é a capacidade de um grupo gerar torque em 
uma articulação, a potência é a taxa da produção de torque 
em uma articulação, e a resistência é a resistência à fadiga.
Músculos Fusiformes: o arranjo das fibras fusiformes 
é paralelo às fibras musculares, e os fascículos percorrem o 
comprimento do músculo. As fibras em um músculo fusi-
forme correm, paralelamente, à linha de tração do músculo, 
de modo que a força da fibra é na mesma direção da mus-
culatura. Esse arranjo das fibras em forma de fuso oferece o 
potencial para grandes quantidades de encurtamento e mo-
vimentos de alta velocidade no corpo. Isso porque os mús-
culos fusiformes são, tipicamente, mais compridos que os 
outros tipos de músculos e o comprimento da fibra é maior 
que o comprimento do tendão, por exemplo, sartório, bíceps 
braquial e o braquial.
Músculos Peniformes: as fibras correm, diagonal-
mente, em relação a um tendão que atravessa o músculo. 
A forma geral é de pena, já que os fascículos são curtos 
e correm em ângulo. As fibras do músculo peniforme 
correm em um ângulo relativo com a linha de tração do 
músculo, de modo que a força da fibra é em uma direção 
diferente da força muscular. As fibras são mais curtas que 
o músculo, e a alteração no comprimento da fibra indi-
vidual não é igual a alteração no comprimento muscular, 
podem correr, diagonalmente, saindo de um lado do ten-
dão (unipenadas – músculo semimembranoso), dos dois 
lados do tendão (bipenadas – músculo gastrocnêmio), 
ou uma combinação dos dois (multipenadas – músculo 
deltóide). Criam movimentos mais lentos e não são ca-
pazes de produzir movimentos de grande amplitude de 
movimento, no entanto podem produzir mais força. 
O exercício físico é capaz de prevenir doenças 
ocasionadas pelo envelhecimento. A sarcope-
nia é a perda degenerativa da massa muscular 
esquelética e da coordenação, por isso deve-
mos nos manter ativos.
REFLITA
Figura 18 - Músculos / Fonte: HALL (2013).
 147
considerações finais
Nesta unidade estudamos as “Considerações neuromusculares do movimento” e 
pudemos perceber que todas as funções do movimento humano dependem do 
sistema nervoso e, especificamente, da comunicação entre o cérebro e as diferentes 
partes do corpo. Em um primeiro momento, aprendemos que, anatomicamente, 
divide-se em central (encéfalo e medula espinhal) e periférico (nervos sensoriais 
e motores). Funcionalmente, esse sistema pode ser classificado quanto ao seu 
controle voluntário, mediado pelo sistema nervoso somático, caracterizado pelos 
neurônios que inervam o sistema esquelético, tanto os motores quanto os sensoriais. 
Como vimos, no início desta unidade, todo movimento humano, do piscar de 
olhos à corrida de um maratonista, é gerado pela ação de um músculo. O músculo 
é o único tecido do corpo humano capaz de produzir força, biomecanicamente, o 
músculo é a única estrutura ativa do corpo. A tensão desenvolvidapelos múscu-
los aplica compressão nas articulações, aumentando sua estabilidade, porém em 
algumas posições articulares o oposto pode ocorrer, criando instabilidade. 
Podemos destacar que as principais funções do tecido muscular são produzir 
movimentos; manter postura e posições e estabilizar articulações.
Entramos em contato com a informação de que a palavra “músculo” engloba 
diversos tipos de fibras musculares (tipo I, tipo IIa e tipo IIx/IIb). Estas podem 
predispor ou favorecer a realização de um tipo de atividade física ou esporte.
Verificamos, também, a importância das tarefas desempenhadas pelo músculo 
quando atuam em conjunto, possibilitando a sinergia muscular, isto é, agonistas, 
antagonistas, neutralizadores e estabilizadores trabalham de forma harmônica 
na mecânica do movimento. Por fim, podemos destacar que as ações musculares 
isométricas, concêntricas e excêntricas dependem do estado e da atividade mus-
cular. Dessa forma, concluímos mais uma unidade, espero que tenham absorvido 
o máximo de informação possível, vemo-nos na próxima unidade.
148 
atividades de estudo
1. Sobre o sistema nervoso e o controle do mo-
vimento, leia as sentenças a seguir.
I. O sistema nervoso é o responsável pela co-
municação entre o cérebro e as partes do 
corpo.
II. O sistema nervoso é dividido, anatomica-
mente, em parte central (encéfalo e medula 
espinhal) e periférico (nervos sensoriais e 
motores).
III. O sistema nervoso autônomo é responsável 
pelo controle voluntário de algumas funções 
corporais, por exemplo, a frequência cardía-
ca e a contração do músculo cardíaco.
IV. O sistema nervoso periférico apresenta 
uma porção aferente e uma eferente. A 
porção aferente é responsável pelo envio 
de informações do sistema nervoso central 
aos diversos tecidos, órgãos e sistemas do 
corpo.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
2. Considerando o que você aprendeu do mús-
culo esquelético. Assinale Verdadeiro (V) ou 
Falso (F):
( ) Algumas das principais funções do teci-
do muscular são: produzir movimento, manter 
posturas e posições e estabilizar articulações.
( ) O músculo estriado esquelético tem con-
trole voluntário, mediado pelo sistema nervoso 
periférico somático.
( ) Nos sarcômeros estão presentes as unida-
des contráteis do músculo esquelético.
( ) Durante a contração muscular, as proteí-
nas actina e miosina deslizam entre si, diminuin-
do o volume muscular.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, F, V.
b. V, V, V, F.
c. V, F, V, V.
d. F, V, V, V.
e. V, F, F. V.
3. Leia as sentenças e assinale a alternativa corre-
ta sobre o potencial de ação da fibra muscular. 
I. Extensibilidade é a capacidade do músculo 
estriado esquelético de encurtar-se durante 
uma contração muscular.
II. Irritabilidade é a capacidade do músculo es-
triado esquelético de responder um estímulo 
enviado por um neurotransmissor químico.
III. Contratilidade é a capacidade do músculo es-
triado esquelético de encurtar-se quando é 
estimulado para isso.
IV. Elasticidade é a capacidade da fibra muscu-
lar para retornar ao seu comprimento de re-
pouso, depois que a força de alongamento é 
removida.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
 149
atividades de estudo
4. Leia atentamente e analise as questões que 
apresentam as tarefas desempenhadas pelos 
músculos esqueléticos. Assinale Verdadeiro (V) 
ou Falso (F):
( ) Os músculos denominados de agonistas 
são aqueles que criam o mesmo movimento arti-
cular.
( ) Os músculos que se opõem ao movimento 
do músculo agonista são denominados de anta-
gonistas.
( ) Os antagonistas precisam relaxar para per-
mitir que ocorra um movimento ou precisam con-
trair-se, ao mesmo tempo que os agonistas, para 
controlar ou reduzir a rapidez de um movimento 
articular.
( ) Os músculos, denominados neutralizado-
res, são aqueles que, durante um movimento, 
contrair-se-ão para eliminar uma ação articular 
indesejada, causada por outro músculo.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, F, V.
b. V, F, V, V.
c. F, V, V, V.
d. V, V, F, F.
e. V, V, V, V.
5. Estudamos que os tipos de força muscular so-
frem influência de fatores mecânicos. Desse 
modo, leia com atenção as sentenças, a seguir, 
e assinale a alternativa correta.
I. Os principais fatores mecânicos que afetam 
a força muscular são: relação comprimento x 
tensão, força x velocidade, ângulo de inserção 
do músculo e relação força x tempo.
II. Na relação comprimento x tensão, observa-se 
que a força máxima isométrica atingida pelo 
músculo não depende do seu comprimento.
III. Na relação do ângulo e a inserção do mús-
culo, uma quantidade de tensão muscular é 
transferida para o osso pelo tendão ou apo-
neurose.
IV. A força-resistência ou resistência muscular é 
a capacidade de manter índices de força, rela-
tivamente, altos, durante o maior período de 
tempo possível.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas I, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
150 
LEITURA
COMPLEMENTAR
Estudamos, anteriormente, que possuímos fibras musculares diferentes, mas não po-
demos esquecer que quando fazemos um treino de resistência, por exemplo, damos 
ênfase em um tipo de fibra específica. A seguir, discutiremos um pouco mais o biotipo 
genético. Talvez você esteja se perguntando “por que eu preciso saber disso?”. Esse 
conhecimento explica muitas coisas: porque algumas pessoas são melhores em certas 
atividades e piores em outras, e porque há a necessidade de periodizar o treino. 
As fibras tipo tem a contração mais lenta e usam o oxigênio como fonte de energia, 
são músculos que não sofrem muita hipertrofia. São facilmente encontradas na região 
da panturrilha, abdômen e dorsais. Essas regiões, normalmente, têm que manter uma 
contração por muito tempo, seja para nos manter em pé, seja para nos auxiliar na 
postura adequada. Pessoas com esse tipo de fibra muscular tornam-se bons atletas de 
endurance, como maratonistas, ciclistas e triatletas. 
As fibras Tipo II, por sua vez, estudamos que podem se dividir em IIa e IIb. Fibras do 
tipo IIa possuem capacidade de contração rápida e capacidade oxidativa, ou seja, são 
mais resistentes. Fibras do tipo IIb são de contrações rápidas (explosivas), anaeróbi-
cas e sofrem maior hipertrofia. Predominante em atletas de explosão como ginastas e 
velocistas. Exemplifiquemos, Ronaldo era um excelente atacante, conhecido por suas 
arrancadas rápidas que deixavam os zagueiros para trás. Sua predominância muscular 
era de fibras do tipo IIb, mas devia treinar resistência para aguentar a partida inteira, 
afinal ele não ficava apenas dando arrancadas o jogo inteiro. Felizmente, não temos a 
mesma quantidade e tipo de fibras, uma vez que são determinadas pela genética, mas 
conhecer as diferenças é importante. Imagine, agora, um time de futebol, a posição do 
atleta e suas características podem variar, de acordo com suas habilidades e fibras. Isso 
ocorre com atletas de todas as modalidades esportivas, por isso, saber o tipo de fibra 
predominante e sua característica principal pode melhorar seu desempenho. Lembre-
-se que existem outros aspectos físicos que também devem ser treinados.
Todos nós possuímos os três tipos de músculos e, ao iniciar a atividade, os três são 
ativados, mas, de acordo com a intensidade do exercício e o volume do treino, um 
predominará. Não adianta treinar explosão muscular com uma carga muito baixa e por 
muito tempo, ou achar que ganhará resistência muscular com uma carga muito alta. 
Isso, na verdade, o deixa propenso a maior risco de lesão.
Fonte:as unidades de medidas, utilizadas, in-
ternacionalmente em pesquisas científicas e em atividades da nossa roti-
na. No quarto tópico, descreveremos os métodos que podem ser utiliza-
dos visando as diferentes formas de análise biomecânica do movimento. 
Em suma, após o estudo desta unidade, o conhecimento inicial adquirido 
nos fornecerá uma importante base de estudos, que nos possibilitará o 
aprofundamento proposto nas próximas unidades.
14 
Iniciaremos, agora, nosso roteiro de estudos. Primeira-
mente, desvendaremos as principais terminologias norte-
adoras da Cinesiologia e da Biomecânica. Posteriormente, 
entenderemos as principais definições dessas complexas 
áreas de estudo, essenciais aos profissionais da Educação 
Física, pois diversas são as possibilidades de campos de 
atuação desses profissionais. O entendimento básico da 
biomecânica acompanha o homem desde sua existência, 
abrangendo a complexidade dos primeiros passos desa-
jeitados de uma criança (acredita-se uma tarefa ambicio-
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Terminologias e Conceitos Básicos 
da Cinesiologia e da Biomecânica
sa do ponto de vista mecânico); os desafios enfrentados 
no processo de crescimento e desenvolvimento, até che-
garmos no envelhecimento humano, em que a marcha 
se torna, novamente, um obstáculo hesitante e desequi-
librante. Diante desses desafios, a ciência avança todos os 
dias, e esse conhecimento é infinito e nos motiva a cada 
amanhecer, a estudar e aplicar todos os conhecimentos 
adquiridos nessa intrigante área de estudo.
Vamos, então, na figura a seguir, entender o significa-
do de algumas palavras-chave para não ocorrer dúvidas. 
 15
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Durante o processo histórico, tivemos avanços nos 
conhecimentos e, por conseguinte, novas áreas fo-
ram desenvolvidas e reformuladas. Nesse processo, 
tornou-se inevitável o surgimento de uma multi-
plicidade de termos, com vários significados, com a 
proposta de descrever os assuntos relevantes da nossa 
área. O termo “cinesiologia” é a combinação de dois 
verbos gregos “kinein” que significa “mover”, e “logos”, 
“estudar”. Os cinesiologistas estudam o movimento e 
combinam a anatomia, a ciência da estrutura do cor-
po, com a fisiologia, a ciência da função do corpo. Esta 
junção produz a Cinesiologia, a ciência dos movimen-
tos do corpo. Fica claro a necessidade de entendermos 
que Cinesiologia é o estudo do movimento humano e 
a Biomecânica, uma subdisciplina da Cinesiologia. O 
termo “biomecânica”, por sua vez, combina o prefixo 
“bio”, que significa “vida”, com o campo da mecânica, 
que é o estudo da ação das forças.
Faremos, rapidamente, uma retomada do pro-
cesso histórico de reconhecimento das origens da 
Cinesiologia e da Biomecânica. O título de “Pai da 
Cinesiologia”, geralmente, é atribuído a Aristóteles 
(384-322 a. C). Desde sua existência, várias teorias 
e fenômenos foram investigados por cientistas reno-
mados, como as investigações de Christian Wilhelm 
Braune (1831-1892) e Otto Fischer (1861-1917), 
envolvendo técnicas fotográficas para estudos expe-
rimentais, que, ainda, são considerados de grande 
importância no estudo da marcha humana e foram 
capazes de estabelecer o centro de gravidade do 
corpo, em estudo publicado em 1889. Na segunda 
metade do século XX, a Cinesiologia surgiu como 
entidade distinta na família das disciplinas científi-
cas. Como todas disciplinas, suas origens foram des-
pertadas pela necessidade humana e pelos proble-
mas práticos, sua forma organizada tornou-se bem 
Figura 1 - Significado das palavras: termo, definição e conceito / Fonte: as autoras.
16 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
mais abrangente e integrada teoricamente. Como 
disciplina, o foco é o comportamento dos movimen-
tos dos organismos vivos (RASCH, 1991).
O termo “biomecânica” começou a ser utilizado no 
início da década de 70 para descrever a ciência que en-
volvia o estudo dos aspectos mecânicos dos organismos 
vivos. Dentro dos campos da Cinesiologia e da ciência do 
exercício, o organismo vivo mais estudado é o corpo hu-
mano. Uma das definições mais utilizadas para Biomecâ-
nica, segundo Hay (1981, p. 3), “é a ciência que examina 
as forças internas e externas que atuam no corpo e seus 
efeitos”. Para Hall (2013, p. 2), “as forças estudadas in-
cluem tanto forças internas produzidas pelos músculos 
como forças externas que atuam sobre o corpo”. Os bio-
mecânicos utilizam as ferramentas da mecânica, o ramo 
da física que envolve a análise das forças, para estudar 
aspectos anatômicos e funcionais dos organismos vivos.
No Brasil, a história da Biomecânica também começou 
a ser escrita há poucos anos. Essa trajetória foi fortemente 
influenciada pelo apoio que algumas instituições de ensino 
superior, no país, receberam do governo alemão, em 1965. 
Como parte de uma das ações previstas desse convênio, no 
ano de 1976, o professor Harmut Riehle ministrou cursos 
na Escola de Educação Física da Universidade de São Paulo 
e na Universidade de Santa Maria, com o intuito de fomen-
tar o desenvolvimento da área e estabelecer as bases para 
o curso de formação de especialistas em Biomecânica. A 
partir dessas e outas ações posteriores, por esse convênio 
entre Brasil-Alemanha, observou-se o aumento de pesqui-
sadores dedicados aos estudos das questões biomecânicas. 
Tal condição levou a Biomecânica a se expandir além do 
espaço disciplinar da Educação Física, gerando relações 
multidisciplinares. Assim, pode-se citar o primeiro even-
to acadêmico da biomecânica brasileira, a realização do “I 
Encontro Nacional de Docentes de Cinesiologia e Biome-
cânica”, ocorrido em 1988, na Universidade do Rio Grande 
do Sul. A partir desse, impulsionou-se eventos posteriores 
pelo Brasil e, em dezembro de 1992, fundou-se, em Assem-
bleia Geral, a Sociedade Brasileira de Biomecânica (SBB). 
(AMADIO; SERRÃO, 2004).
A Biomecânica é um ramo científico da medici-
na esportiva (Figura 2) que engloba aspectos clínicos e 
científicos do exercício físico e dos esportes e tem, ain-
da, aplicações acadêmicas nas áreas: zoologia, ortopedia, 
cardiologia, engenharia biomédica, fisioterapia, entre 
outras. O American College of Sports Medicine é um 
exemplo de organização que promove a interação entre 
os tópicos da medicina esportiva. 
Figura 2 - Os ramos da medicina desportiva / Fonte: adaptada de Hall (2013).
 17
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Homem vitruviano
É um desenho de Leonardo da Vinci que des-
creve as proporções do corpo humano. É uma 
arte baseada em uma obra do arquiteto ro-
mano Vitrúvio, que elaborou uma série de 
dez livros intitulados De Architectura. É um 
tratado de arquitetura que no terceiro livro 
descreve as proporções do corpo humano 
masculino. No desenho, observamos um ho-
mem nu com os braços e as pernas afastados, 
e as proporções do corpo humano encaixa-
das em uma figura quadrada e redonda. As 
combinações das posições dos braços e das 
pernas formam quatro posturas diferentes. 
Dentre as proporções descritas por Da Vinci, 
temos, por exemplo, que o comprimento da 
mão é um décimo da altura de um homem 
e o comprimento dos braços abertos de um 
homem (envergadura dos braços) é igual à 
sua altura. 
Para saber mais sobre as proporções mate-
máticas do corpo humano de Leonardo da 
Vinci, acesse o site História das Artes, disponí-
vel no endereço https://www.historiadasartes.
com/sala-dos-professores/o-homem-vitruvia-
no-leonardo-da-vinci/.
Fonte: as autoras.
SAIBA MAIS
https://pt.wikipedia.org/wiki/Bra%C3%A7o
https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/o-homem-vitruviano-leonardo-da-vinci/
https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/o-homem-vitruviano-leonardo-da-vinci/
https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/o-homem-vitruviano-leonardo-da-vinci/
18 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Em sua opinião, por que estudar biomecânica? 
Nesta aula, você entenderá como os conceitos da Ci-
nesiologia e Biomecânica são realmente aplicados pelo 
Professor de Educação Física, independentemente da 
suaadaptado de Santiago (2008, on-line)6. 
https://horadotreino.com.br/biotipo-genetico-qual-diferenca-e-dificuldades-de-cada-um/
https://horadotreino.com.br/biotipo-genetico-qual-diferenca-e-dificuldades-de-cada-um/
https://horadotreino.com.br/biotipo-genetico-qual-diferenca-e-dificuldades-de-cada-um/
https://horadotreino.com.br/treino-de-abdomen/
https://horadotreino.com.br/treino-de-abdomen/
https://horadotreino.com.br/treino-de-costas/
https://horadotreino.com.br/treino-de-costas/
https://horadotreino.com.br/desgaste-de-uma-maratona/
https://horadotreino.com.br/desgaste-de-uma-maratona/
 151
material complementar
Treinamento de força
Lee E. Brown
Editora: Manole
Sinopse: este livro foi escrito por uma equipe de especialistas da National Stren-
gth and Conditioning Association (NSCA), uma autoridade mundial no campo da 
força e do condicionamento físico. Apresenta informações importantes sobre o 
desenvolvimento do sistema muscular e orientações para o treinamento de mus-
culação.
Indicação para Ler
152 
gabarito
1. A
2. B 
3. D
4. E 
5. D
UNIDADE V
Me. Bruna Felix Apoloni
Me. Regina Alves Thon
Plano de Estudo
A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta 
unidade:
• Cinesiologia aplicada na vida diária 
• Biomecânica aplicada ao esporte
• Biomecânica aplicada à musculação
Objetivos de Aprendizagem
• Observar a relevância dos conhecimentos cinesiológicos 
para os movimentos cotidianos. 
• Verificar como os conhecimentos biomecânicos podem ser 
utilizados na prática esportiva.
• Investigar como os conhecimentos biomecânicos 
podem ser aplicados nos exercícios de musculação com 
efetividade, minimizando o risco de lesões.
BIOMECÂNICA E 
CINESIOLOGIA 
APLICADA 
unidade 
V
INTRODUÇÃO
O
lá, caro(a) aluno(a), chegamos à última unidade do nosso ma-
terial de biomecânica e cinesiologia. Para encerrar nossa jorna-
da, discutiremos ainda, três conteúdos de extrema importância 
para o profissional de Educação Física. Na Aula 1, abordare-
mos o conhecimento cinesiológico aplicado em movimentos cotidianos, 
como subir e descer escadas; carregar e levantar pesos. Esse conhecimento 
é fundamental para que esses movimentos sejam executados de modo a 
diminuir a incidência de lesões e aumentar a eficiência da execução. Nesse 
sentido, a cinesiologia possibilita um conhecimento aprofundado dos tais 
movimentos, possibilitando descrever as posturas mais eficientes e adequa-
das, do ponto de vista biomecânico e cinesiológico.
Na Aula 2, apresentamos exemplos de movimentos esportivos. Por 
meio destes identificaremos os conceitos de centro de gravidade, equilí-
brio e estabilidade. O percurso que o centro de gravidade de um indiví-
duo faz pode ser um indicador da capacidade de desempenho em vários 
esportes. Isso porque o centro de gravidade pode ser um indicador do 
equilíbrio corporal e da estabilidade.
E, na Aula 3, intitulado Biomecânica aplicada à musculação, você ob-
servará que o conhecimento de vários princípios biomecânicos aumenta 
a qualidade do programa de treinamento resistido. Isso ocorre porque 
esse conhecimento possibilita que o profissional de Educação Física te-
nha a capacidade de selecionar e prescrever os exercícios mais adequados 
para seus alunos. Além disso, tais conhecimentos auxiliam na orienta-
ção da técnica correta de execução dos exercícios, em diversos aparelhos 
da musculação. Neste tópico, serão demonstrados exercícios práticos de 
musculação.
Assim, esperamos que essa quinta e última unidade contribua, signi-
ficativamente, para a sua formação em biomecânica e cinesiologia.
Bons estudos!
 
158 
 
A cinesiologia possibilita um conhecimento aprofunda-
do sobre o movimento humano. Dentre esses movimen-
tos, estão alguns que são executados na nossa rotina, por 
exemplo, levantamento, deslocamento e transporte de 
peso bem como a subida de escadas. O estudo cinesioló-
gico permite a identificação das contribuições anatômi-
cas e funcionais de segmentos corporais, ossos, articula-
ções e músculos para cada movimento que é executado. A 
partir dessa identificação, é possível descrever as posturas 
mais eficientes e adequadas, do ponto de vista biomecâ-
nico e cinesiológico.
Iniciaremos pelo movimento cotidiano de levantar 
um peso do chão. Esse tipo de movimento acarreta diver-
sas lesões na região posterior do tronco. Um trabalhador 
que, constantemente, tem que levantar objetos pesados 
do chão pode sofrer uma lesão aguda ou um alongamen-
to exagerado de músculos e ligamentos. A maneira mais 
indicada para levantar um peso do chão depende do ta-
manho, da forma e posição do objeto e das característi-
cas do indivíduo que executará o movimento. Algumas 
recomendações, no entanto, devem ser seguidas para que 
o movimento ocorra da maneira mais eficiente possível 
(RASCH, 1991). São elas:
• Manter os pés apoiados no solo, o indivíduo não 
deve se equilibrar na ponta dos pés.
• Manter uma distância confortável de afastamento 
dos membros inferiores, denominada de base de 
suporte, o que garante a estabilidade do corpo.
• Manter o peso próximo do corpo.
• Manter a coluna vertebral reta.
Cinesiologia 
Aplicada à 
Vida Diária
 159
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Os princípios descritos, anteriormente, podem ser utilizados para o movimento diário de 
empurrar um peso com pequenas mudanças, por exemplo, posicionar um pé mais próximo 
do objeto que o outro, posicionar as mãos, no nível do centro de gravidade do objeto. O 
movimento é executado por meio da contração de músculos extensores do quadril, joelho 
e tornozelo, extensão de membros inferiores, evitando a extensão de membros superiores.
No movimento de manejo de um objeto acima da cabeça, cabe destacar que ocorre o des-
locamento do centro de gravidade do indivíduo. Isso gera instabilidade e aumenta o risco 
de queda na direção para a qual o objeto foi deslocado. Para evitar possíveis desequilíbrios, 
recomenda-se a colocação de um pé na frente do outro. No início do movimento, o pé dianteiro sustenta o centro de 
gravidade, que será deslocado para o pé traseiro, à medida que o objeto é deslocado.
Para o transporte de pesos, uma postura ereta com o peso acima da cabeça é considerada de alta eficiência, pois a 
projeção do centro de gravidade, na base de suporte, permanece constante em decorrência de movimentos do tronco. 
Alguns princípios também são descritos, por Rasch (1991), para um transporte de peso eficiente. Os mais importantes 
são: dividir a carga em duas parcelas iguais; carregar cada uma em uma mão; manter a coluna ereta e o peso próximo 
ao corpo; se necessário, utilizar alças; selecionar um modelo que exerça menos pressão concentrada sobre a mão que 
segura o objeto e manter os cotovelos, ligeiramente, em flexão. 
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• Inicialmente, realizar uma flexão de joelhos, segurar o objeto com as mãos, contrair os músculos extensores de 
joelhos e quadril.
• Não se mover para outra direção, enquanto segura o peso.
• Adoção de uma postura ereta, após o agachamento e a extensão do joelho e quadril.
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160 
 
Agora, analisaremos o movimento de sentar e levantar. 
Para sentar em uma cadeira, o indivíduo posiciona um 
pé mais próximo da cadeira que o outro, inclina o corpo 
para frente, abaixa o corpo, mantendo a projeção do cen-
tro de gravidade na base de apoio, realiza um relaxamen-
to de músculos extensores do joelho e flexiona essa arti-
culação. Para levantar, ocorre uma inclinação para frente 
a partir do quadril, contrai os músculos extensores dos 
joelhos com transferência do centro de gravidade para 
frente. Em algumas situações, as mãos podem ser utili-
zadas para auxiliar o movimento de sentar e levantar.
No movimento de subir degraus de escadas, são 
ativados alguns músculos, como o sóleo; quadríceps 
da coxa; isquiotibiais e glúteo máximo. Nessa situa-
ção, o músculo glúteo médio realiza contração para 
auxiliar o equilíbrio corporal; o tibial anterior realiza 
dorsiflexão; osisquiotibiais fletem o joelho e o eretor 
da espinha, por meio de contração, auxilia no controle 
da inclinação anterior do tronco. Ao descer as escadas, 
o corpo é mantido mais ereto para que o centro de 
gravidade não fique, exageradamente, à frente da base 
de suporte. A função exercida por diversos músculos, 
durante a descida da escada, é considerada como um 
trabalho negativo, porque é a favor da gravidade e os 
músculos extensores de quadril, joelho e tornozelo 
geram resistência. 
 161
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
O centro de gravidade refere-se a um ponto do corpo, 
ao redor do qual, a massa está distribuída, igualmen-
te, em todas as direções (HALL, 2013). O percurso 
que o centro de gravidade de um indivíduo faz pode 
ser um indicador da capacidade de desempenho em 
vários esportes. A projeção do centro de gravidade 
dentro dos limites da base de suporte pode influen-
ciar a estabilidade. 
O conceito de equilíbrio relaciona-se à estabi-
lidade. De acordo com Hall (2013), estabilidade é a 
resistência à perturbação do equilíbrio. Em diversos 
movimentos esportivos, um dos objetivos principais 
é a manutenção da estabilidade.
Figura 1 - O sumô é uma das modalidades esportivas na qual a estabilidade é um compo-
nente importante
Biomecânica Aplicada 
ao Esporte
162 
 
Alguns fatores afetam a estabilidade de um corpo, por 
exemplo, a quantidade de massa de um corpo. Quanto 
maior a massa, maior é a força necessária para produ-
zir uma aceleração. Desse modo, alguns atletas, como 
de futebol americano, são mais estáveis porque pos-
suem uma dimensão corporal maior. 
Na ginástica, muita massa corporal pode ser pre-
judicial, porque grande parte dos movimentos são re-
alizados com diminuição da estabilidade.
Figura 2 - Alguns atletas de futebol americano que necessitam de maior esta-
bilidade apresentam grande massa corporal
Figura 3 - Posição no Voleibol com diminuição 
da altura do centro de gravidade
A estabilidade 
também é afetada pela 
projeção do centro de gravidade, 
dentro dos limites da base de suporte. 
Quando essa projeção se move para fora ocorre 
uma perturbação da estabilidade. Por esse motivo, 
a base de suporte deverá ter um tamanho apropriado, 
visando a manutenção do centro de gravidade, dentro 
dos limites. Um exemplo de base de suporte aumentado é 
utilizado por lutadores de artes marciais em movimentos 
defensivos. Outro fator que interfere na estabilidade é a 
altura do centro de gravidade. Em diversos esportes, 
atletas abaixam o corpo por meio de uma flexão de 
joelho, quando precisam aumentar a estabi-
lidade. Temos um exemplo na posição 
de expectativa do Voleibol na 
figura 3. 
 163
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
O conhecimento cinesiológico e biomecânico auxiliará 
você, caro(a) aluno(a), a reconhecer diversos princípios 
biomecânicos existentes no treinamento resistido, a saber: 
identificar a técnica correta e eficiente, as contribuições 
anatômicas, articulares e musculares para cada exercício. 
Conhecer, de modo aprofundado, as características dos 
movimentos é essencial na implementação de um progra-
ma de alongamento, fortalecimento ou reabilitação.
No contexto da musculação, a descrição cinesio-
lógica pode ser constituída por cinco itens (MAR-
CHETTI et al., 2007):
• Descrever os ajustes do corpo e do equipamento.
• Descrever a execução do movimento propria-
mente dito.
• Identificar as articulações envolvidas.
• Identificar o movimento da articulação ou seg-
mento.
• Identificar o grupo muscular mais ativo (motor 
primário ou agonista).
Veremos, a seguir, alguns exemplos de análise cinesioló-
gica e biomecânica aplicada a exercícios de musculação:
Biomecânica Aplicada 
à Musculação
164 
 
Figura 4 - Tríceps Pulley
No tríceps pulley, o indivíduo deverá permanecer na 
postura ereta, com os cotovelos estendidos e rádio-ul-
nar em pronação, e posicionar o corpo de forma que a 
barra não ultrapasse o alinhamento vertical da polia. 
Na execução do movimento, realiza-se a flexão de co-
tovelos excêntrica, seguida de uma extensão de coto-
velos concêntrica. Nesse movimento bem popular no 
ambiente da academia, o movimento articular de des-
taque é a extensão de cotovelo e a ativação do músculo 
agonista tríceps braquial. 
O próximo movimento que analisaremos é o supino 
inclinado. O indivíduo deverá se posicionar em decú-
bito dorsal, com os pés apoiados no solo ou no suporte 
do aparelho. O ajuste da pegada deve ser feito em uma 
posição média entre a amplitude máxima da pegada e 
a alinhada com os ombros. O movimento é executado 
por meio de flexão horizontal de ombros. Os movi-
mentos articulares identificáveis são: flexão horizontal 
(adução) de ombros, abdução escapular e extensão do 
cotovelo. Os músculos agonistas são: peitoral maior, 
deltóide (parte anterior), coracobraquial, peitoral me-
nor, serrátil anterior, tríceps braquial.
Figura 5 - Supino 
inclinado
Acesse o QrCode, a seguir, para ficar 
mais claro toda essa explicação na se-
quência dos conteúdos.
Indicação para Acessar
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 165
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Outro exemplo é o da rosca concentrada. O executan-
te deve permanecer sentado, com o tronco inclinado 
à frente e o braço apoiado na parte interna da coxa. 
O movimento executado é de flexão de cotovelo, com 
a aproximação do halter na articulação do ombro e, 
em seguida, o retorno à posição inicial. O movimento 
articular identificável é de flexão de cotovelos com os 
músculos agonistas bíceps braquial, braquial anterior 
e braquiorradial (MARCHETTI et al., 2007).
Assim, a partir desses exemplos práticos, é possí-
vel relacionar os conteúdos biomecânicos e cinesioló-
gicos, que você aprendeu nas unidades anteriores, aos 
exercícios de musculação. Esse conhecimento é fun-
damental para que o profissional de Educação Física 
tenha subsídios teóricos para a montagem de progra-
mas de exercícios com pesos, de modo a alcançar os 
objetivos dos seus alunos.
Figura 6 - Rosca concentrada
166 
 
Na Aula 2 desta unidade, discutimos a importância da 
projeção centro de gravidade dentro dos limites da base 
de suporte para a estabilidade corporal. Nos exercícios 
de musculação, podemos utilizar diferentes bases de su-
porte e tomar os devidos cuidados para a manutenção 
da estabilidade, em todas as situações. O objetivo é mi-
nimizar os riscos de desequilíbrios e lesões.
No nosso corpo, existe uma região central deno-
minada em inglês de core. O core é a região central do 
corpo, englobando região abdominal, lombar e qua-
dril. Essa região é de fundamental importância para 
a manutenção do equilíbrio e estabilidade. Nesse sen-
tido, um programa de treinamento em musculação 
também deverá propor exercícios para o fortaleci-
mento dessa região central, pois essa estabilidade de 
core servirá como base de suporte para a execução de 
movimentos eficientes (BOMPA; CORNACCHIA, 
2000). Considerando os exercícios de musculação, 
podemos apontar mais dois itens de extrema impor-
tância, são eles: torque e alavancas. 
O torque é um efeito rotatório, produzido por uma 
força, também denominado momento de força. Para cal-
cular o torque é necessário multiplicar a força (F) pelo 
braço de momento da força que se refere à distância per-
pendicular a partir da linha de ação da força sobre o eixo 
de rotação (CAMPOS, 2002). Nesse contexto, podemos 
também definir o braço de momento da resistência, 
como a distância horizontal entre o peso/resistência e o 
eixo articular. Quanto maior o braço de momento de 
um músculo, maior será o torque produzido pelo mús-
culo. O mesmo se aplica para o braço de momento da re-
sistência. Em um movimento, uma determinada articu-
lação se move por uma amplitude de movimento. Assim, 
existem variações nos braços de momento dos músculos 
relacionados à articulação. Em uma flexão de cotovelo, 
por exemplo, o braço de momento é maior a 90˚. Essas 
mudanças no braço de momento, ao longo da execução 
do movimento articular, promovem variações no tor-
que. O torqueproduzido por um músculo será menor 
nos instantes em que seu braço de momento é menor.
Figura 7 - Diferentes bases de suporte em exercícios de musculação / Fonte: Marchetti et al (2007).
 167
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
TENDÊNCIA PARA FLEXÃO
(BÍCEPS)
TENDÊNCIA PARA EXTENSÃO
(PESO)
Figura 8 - No exercício de rosca direta existe uma tendência de rotação (tor-
que) para flexão e para extensão / Fonte: Campos (2002).
Os músculos em conjunto com os ossos funcionam, me-
canicamente, como uma alavanca. De acordo com Hall 
(2013), uma alavanca é uma barra rígida que gira ao redor 
de um eixo. De modo geral, o eixo é uma articulação, a bar-
ra rígida é um osso e a força é aplicada pelos músculos. É 
possível identificar três itens nas alavancas do corpo huma-
no: força aplicada; resistência e eixo de rotação.
Uma alavanca de primeira classe é aquela em que o 
eixo de rotação está entre a força aplicada e a resistência. 
Na de segunda classe, a resistência posiciona-se entre a for-
ça aplicada e o eixo. Por fim, na de terceira classe, a força 
aplica-se entre o eixo e a resistência.
Para os exercícios de musculação, além de conhecer 
os tipos de alavancas existentes nos movimentos articu-
lares, é fundamental analisar os braços de momento de 
força e da resistência, em cada exercício realizado. Va-
mos ver o exemplo a seguir:
Figura 9a - Posição inicial e execução do movimento elevação lateral.
Fonte: Campos (2002).
O uso de peso livre é comum em academias, 
pois promove uma maior estabilização das 
articulações e aumenta a tensão muscular. 
Aliado a isso, quando bem executado, ele tra-
balha a postura e a sinergia muscular.
REFLITA
Figura 9b - Posição final e execução do movimento elevação lateral.
Fonte:Campos (2002).
168 
 
Nas Figura 9a e 9b, a sigla L.A.R refere-se à linha de 
ação da resistência, e a sigla E.M. representa a articu-
lação. A partir da análise das figuras, é possível identi-
ficar que, na posição inicial (Figura 9a), encontra-se o 
ponto de menor tensão muscular, isto porque o braço 
de momento da força e da resistência são pequenos. 
Na execução do movimento (figura 9b), o braço de 
momento do músculo deltóide (força) aumenta de 
acordo com o movimento articular do ombro de ab-
dução. Isso é necessário para vencer a resistência do 
halter. É indicado que a abdução seja feita até que os 
braços fiquem paralelos ao solo e que o cotovelo per-
maneça semiflexionado durante a amplitude do mo-
vimento. Esse posicionamento do cotovelo diminui o 
braço de momento da resistência e, consequentemen-
te, o torque e facilita a execução do exercício. 
O conhecimento de princípios biomecânicos 
auxilia a elaboração adequada do programa de 
treinamento resistido. O profissional de educação 
física deverá se aprofundar nesses conhecimentos 
para que consiga identificar e prescrever os melho-
res exercícios para cada indivíduo. 
Lesões graves na coluna podem ser evitadas 
com cuidados simples
O Trauma Raquimedular (TRM) – lesão grave de 
coluna – ocorre na maioria dos casos por conta 
de acidentes de trânsito, quedas, acidentes ao 
mergulhar em local raso, etc. Em entrevista 
ao Jornal da USP no Ar, o professor Tarcísio 
Eloy Pessoa de Barros Filho, titular da área de 
Ortopedia e Traumatologia e vice-diretor da 
Faculdade de Medicina (FM) da USP, falou sobre 
o tratamento dos acidentados. 
Ele esclarece que existem perspectivas expe-
rimentais, como testes em laboratório com 
animais, que ainda não foram eficazes em hu-
manos. [...]. O diagnóstico por imagem deve ser 
feito de forma rápida e o quanto antes possível, 
alinhar novamente a coluna e fixá-la. [...].
 Para prevenir esses traumas, o doutor Tarcísio 
Eloy ressalta a importância de se utilizar cinto 
de segurança de três pontos, encosto alto para 
a cabeça, utilizar airbags e, principalmente, res-
peitar as leis de trânsito, como limite de veloci-
dade e a não ingestão de bebidas alcoólicas. [...].
Fonte: Jornal da USP (2016, on-line)7
SAIBA MAIS
 169
considerações finais
Chegamos ao final da última unidade do módulo Biomecânica e Cinesiologia. O 
objetivo desta unidade era discutir a relação entre os diversos conhecimentos bio-
mecânicos e cinesiológicos, vistos durante o livro, e a prática de movimentos coti-
dianos, esportivos e de musculação. Em movimentos cotidianos, a identificação das 
contribuições anatômicas e das funções exercidas por ossos, músculos e articulações 
possibilita um conhecimento aprofundado da execução do movimento, permitindo, 
assim, visualizar posturas e atitudes eficientes. 
Em gestos esportivos, a adoção de posturas que aumentem a estabilidade e o equilíbrio 
são, amplamente, utilizadas por atletas em diversos momentos da prática esportiva. 
Cabe lembrar que o posicionamento do centro de gravidade é um importante elemento 
para a estabilidade corporal. No treinamento resistido, observamos a presença cons-
tante das alavancas corporais com o objetivo de facilitar a execução de um trabalho, 
aumentando a força aplicada sobre ela. O conhecimento acerca das alavancas e dos 
braços de momento auxilia o profissional a identificar os momentos de maior e menor 
tensão muscular, durante uma amplitude de movimento. Além disso, é fundamental 
conhecer os movimentos da musculação e suas especificidades, antes de prescrever 
um programa de exercícios resistidos. 
Os conhecimentos adquiridos colaborarão para que você, caro(a) aluno(a), tenha a 
percepção da importância dos conteúdos biomecânicos e cinesiológicos para substan-
ciar a prescrição de exercícios físicos e a orientação da técnica correta de execução do 
movimento. A partir dos conhecimentos, aqui, apresentados, é necessário que você se 
aprofunde, cada vez mais, nos estudos de biomecânica e cinesiológia do movimento 
humano, em todas as dimensões.
Esperamos que você, caro(a) aluno(a), transfira os conhecimentos adquiridos em 
biomecânica e cinesiologia para a sua experiência prática, enquanto profissional de 
Educação Física.
170 
atividades de estudo
1. Leia as alternativas a seguir.
I. A cinesiologia possibilita um conhecimento 
aprofundado dos movimentos humanos rea-
lizados, cotidianamente, por exemplo, subir e 
descer escadas.
II. O estudo cinesiológico não permite a identifi-
cação das contribuições anatômicas e funcio-
nais de segmentos corporais, ossos, articula-
ções e músculos para cada movimento que é 
executado.
III. Algumas recomendações podem ser seguidas 
para o movimento de levantar um peso do 
chão. Entre elas podemos citar: não se equili-
brar na ponta dos pés e manter uma base de 
suporte adequada para garantir a estabilidade.
IV. No início do movimento de levantar um obje-
to pesado do chão, é adequado não realizar 
uma flexão de joelhos e concentrar o movi-
mento na flexão da coluna vertebral.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e III estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I está correta.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
2. Quanto à análise cinesiológica de movimen-
tos cotidianos, leia atentamente as afirmati-
vas abaixo e assinale Verdadeiro (V) ou Falso 
(F). 
( ) Em movimentos de deslocamento de um 
objeto acima da cabeça, ocorre deslocamento 
do centro de gravidade do indivíduo, isso gera 
instabilidade.
( ) Algumas estratégias podem ser seguidas 
para o transporte de peso de modo mais efi-
ciente possível, entre elas: dividir a carga em 
duas metades, com pesos aproximados, e car-
regá-lo próximo ao corpo.
( ) A função exercida por diversos músculos, 
durante a descida da escada, é considerada 
como um trabalho negativo, porque é a favor 
da gravidade e, por isso, os músculos extenso-
res de quadril, joelho e tornozelo geram resis-
tência.
Assinale a alternativa correta:
a. V, F, V.
b. F, V, V.
c. V, V, F.
d. V, V, V.
e. F, F, V.
 171
atividades de estudo
3. Sobre o torque, assinale Verdadeiro (V) ou 
Falso (F):
( ) Torque é um efeito rotatório produzido 
por uma força.
( ) O braço de momento da força é denomi-nado a distância perpendicular, a partir da linha 
de ação da força sobre o eixo de rotação.
( ) O braço de momento da resistência é um 
efeito rotatório, produzido por uma resistência.
( ) Em uma amplitude de movimento, não 
existem mudanças nos braços de momento da 
força.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, F, F.
b. F, V, F, F.
c. F, V, V, V.
d. V, F, V, F.
e. V, F, F, F.
4. Leias as sentenças que discutem as alavancas.
I. Uma alavanca é formada por um osso, re-
presentando uma barra rígida e uma força 
aplicada por um músculo.
II. As alavancas são constituídas por uma resistên-
cia, uma força aplicada e um eixo de rotação.
III. Uma alavanca de primeira classe é aquela na 
qual o eixo de rotação está entre a força apli-
cada e a resistência.
IV. Uma alavanca de terceira classe é aquela na 
qual o eixo de rotação está entre a força apli-
cada e a resistência.
Assinale a alternativa correta:
a. Apenas I e II estão corretas.
b. Apenas II e III estão corretas.
c. Apenas I, II e III estão corretas.
d. Apenas II, III e IV estão corretas.
e. Nenhuma das alternativas está correta.
5. Durante a mecânica do movimento, devemos 
observar a ação das alavancas para otimizar 
a qualidade desse movimento. Leia, atenta-
mente, as afirmativas abaixo e assinale Ver-
dadeiro (V) ou Falso (F):
( ) Na alavanca de segunda classe, a resis-
tência posiciona-se entre a força aplicada e o 
eixo articular.
( ) A alavanca de terceira classe apresenta 
a aplicação da força entre o eixo articular e a 
resistência.
( ) Durante a execução de um movimento, 
na musculação, os braços de momento da força 
e da resistência não interferem na tensão mus-
cular produzida.
Assinale a alternativa correta:
a. V, F, V.
b. F, F, V.
c. V, V, F.
d. V, F, F.
e. F, V, V.
172 
LEITURA
COMPLEMENTAR
6 ATIVIDADES FÍSICAS INDICADAS PARA REDUZIR DORES NA COLUNA
O sedentarismo é uma das mais frequentes causas para dores no corpo e na coluna e 
transformar a prática dos exercícios físicos em hábito pode ser difícil para algumas pes-
soas. Para ajudar quem ainda não encontrou uma atividade que agrade, a quiropraxis-
ta Bia Pimentel aponta e explica os benefícios de seis opções que podem se tornar o 
seu novo hobby.
Musculação
 Em casos em que a estabilidade articular está afetada, a musculação é o exercício reco-
mendado, pois o fortalecimento muscular ajuda a restabelecer e resguardar a coluna. 
“A cartilagem que intercala os ossos da coluna vertebral evita que o contato entre um 
osso e outro cause dor. Mas a má postura, idade, sobrepeso e outros fatores causam a 
sua degeneração”, explica Bia. A atividade física que resulta em fortalecimento estimula 
a reconstrução, além de ajudar a realinhar a postura e a perda de peso.
Dança
Além de reduzir o risco de osteoporose, a dança fortalece a musculatura e aumenta a 
flexibilidade e a consciência corporal. Ao prestarmos mais atenção aos movimentos do 
corpo, começamos a reconhecer os próprios limites, as articulações e, principalmente, 
a postura, buscando alinhá-la.
Natação
Atividades feitas na piscina são as mais comumente recomendadas para quem não 
pode sofrer altos impactos nas articulações. A natação é uma modalidade isenta de 
impacto, já que os movimentos são feitos na horizontal e a maior parte da força é em-
pregada nos braços. Além do fortalecimento muscular e dos benefícios para a postura, 
ela alonga e alivia a pressão sobre a coluna, aumentando a amplitude do corpo.
 173
LEITURA
COMPLEMENTAR
Hidroginástica
Recomendada para combater a má postura, dores lombares e cervicais, insônia e se-
dentarismo. Gestantes e atletas também são beneficiados pela atividade, pois ela pre-
vine as dores e aumenta a circulação sanguínea das pernas. Em contrapartida, não 
é um exercício livre de choques. Nas aulas, os alunos pulam, correm e fazem outros 
movimentos em contato com o chão. Apesar dos impulsos serem menores, é preciso 
fazer uma avaliação médica para saber se a prática está liberada.
Caminhada
 Para quem tem pouco tempo ou quer economizar, a caminhada é uma atividade que 
pode ser feita em qualquer lugar, sem custo. “Dar algumas voltas nos quarteirões pró-
ximos de casa ou andar no parque pode combater dores na coluna, nos joelhos e nas 
pernas e aumentar a força e a resistência, contanto que seja feita de forma correta, 
observando se a postura está alinhada”, explica Bia.
Pilates
O trabalho do Pilates é focado em força, desenvolvimento e coordenação do corpo. Os 
movimentos eliminam as tensões e desequilíbrios da coluna cervical e os exercícios 
abdominais dão estabilidade e flexibilidade para a coluna. É fundamental para quem 
já apresenta dores fazer uma avaliação física com um quiropraxista antes de iniciar a 
atividade. O profissional avaliará se o paciente possui limitações antes de recomendar 
o exercício.
Fonte: Rosa ([2019], on-line)8.
174 
material complementar
Biomecânica da musculação
Maurício de Arruda Campos
Editora: Sprint
Sinopse: esse livro foi elaborado para colaborar com os profissionais que traba-
lham com exercícios resistidos, tanto na prescrição do exercício como na orien-
tação da técnica correta e eficiente, por meio do conhecimento biomecânico dos 
aparelhos utilizados em musculação e de alguns exercícios mais executados pelos 
praticantes de exercícios resistidos.
Indicação para Ler
O site “Treino em foco” apresenta uma série de exercícios resistidos, o objetivo é contribuir para o aperfei-
çoamento dos profissionais de Educação Física que atuam nas áreas de Fitness e Wellness, proporcionan-
do-lhes informações relevantes para suas respectivas áreas de atuação. 
https://www.treinoemfoco.com.br 
Indicação para Acessar
https://www.treinoemfoco.com.br/
https://www.treinoemfoco.com.br/
https://www.treinoemfoco.com.br/
 175
referências
AMADIO, A. C. et al. Introdução à análise do movimento humano: descrição e aplicação dos métodos de 
medição. Revista Brasileira de Fisioterapia, São Paulo, v.3, n.2, p.41-54, 1999.
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8Em: https://ciclovivo.com.br/vida-sustentavel/bem-estar/6-atividades-fisicas-para-reduzir-dores-na-
-coluna/. Acesso em: 19 nov. 2019.
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https://ciclovivo.com.br/vida-sustentavel/bem-estar/6-atividades-fisicas-para-reduzir-dores-na-coluna/
https://ciclovivo.com.br/vida-sustentavel/bem-estar/6-atividades-fisicas-para-reduzir-dores-na-coluna/
https://ciclovivo.com.br/vida-sustentavel/bem-estar/6-atividades-fisicas-para-reduzir-dores-na-coluna/
 177
gabarito
1. A
2. D 
3. A
4. C
5. C 
conclusão geral
Caro(a) aluno(a), neste livro, abordamos os mecanismos envolvidos na mecânica corporal. 
Desse modo, discutimos, na Unidade 1, as terminologias básicas dos conceitos relacionados 
à Cinesiologia e à Biomecânica, e conhecemos os principais métodos de análise para a aplica-
ção de conhecimentos biomecânicos, na análise do movimento humano. 
Na Unidade 2, verificamos as considerações esqueléticas do movimento e da composição 
do corpo humano. Identificamos como ocorre a formação e o desenvolvimento dos ossos e a 
aplicação de cargas mecânicas no sistema esquelético, reforçando a importância da arquitetu-
ra das articulações e a classificação, quanto à forma e ao número de eixos articulares. 
Na Unidade 3, tratamos das principais terminologias relacionadas ao padrão dos movi-
mentos corporais, sendo essencial a compreensão da descrição do movimento articular, base-
ado em planos; eixos e termos direcionais relacionados. Entendemos também a importância 
da anatomia da coluna vertebral e das curvaturas vertebrais para o movimento. 
Posteriormente, na Unidade 4, estudamos os conceitos relacionados ao sistema nervoso 
para compreender o funcionamento e o controle dos movimentos, como gerador dos sinais 
que levarão o músculo esquelético ao ciclo contrátil. Sabemos que, por meio da junção neu-
romuscular, o neurônio motor envia o sinal que alterará os elementos das células musculares. 
Estes levarão à contração muscular. Passamos, em seguida, a discutir o papel das proprie-
dades mecânicas que influenciam na força muscular e alguns princípios e modalidades do 
treinamento para o fortalecimento muscular.
Para encerrar nosso módulo, na Unidade 5, trabalhamos os conceitos cinesiológicos, re-
levantes para os movimentos cotidianos, bem como os conhecimentos biomecânicos que 
podem ser utilizados na prática esportiva e na musculação com efetividade, minimizando o 
risco de lesões. Espero que tenha aproveitado os conteúdos trabalhados, em cada unidade, e 
compreendido a importância dessa disciplina, essencial para sua formação profissional.
Um grande abraço.
	UNIDADE I
	INTRODUÇÃO À BIOMECÂNICA
	Terminologias e Conceitos Básicos
da Cinesiologia e da Biomecânica
	Abordagem para Solução 
de Problemas: Ilustrando os 
Conceitos Básicos da Biomecânica
	Unidades de Medida Associadas 
a Grandezas Físicas Específicas
	Métodos de Análise 
em Biomecânica
	UNIDADE II
	CONSIDERAÇÕES ESQUELÉTICAS DO MOVIMENTO E DA COMPOSIÇÃO DO CORPO HUMANO
	Composição 
Óssea
	Tipos 
de Ossos
	Processo de Formação, 
Crescimento Ósseo e Cargas Mecânicas
	Sistema
Articular
	UNIDADE III
	TERMINOLOGIA PADRÃO DOS 
	MOVIMENTOS CORPORAIS
	Posição Anatômica de Referência,
Planos e Eixos do Movimento
	Movimentos Fundamentais:
Definições e Ações de Movimento
	MOBILIDADE E LESÕES
OSTEOARTICULARES
	Biomecânica da Coluna Vertebral
	UNIDADE IV
	CONSIDERAÇÕES 
	NEUROMUSCULARES 
	DO MOVIMENTO
	Considerações Neurológicas 
do Movimento
	Estrutura Macroscópica 
do Músculo
	Características Funcionais 
do Músculo
	Mecânica Muscular 
	e Princípios Básicos 
	do Fortalecimento Muscular
	UNIDADE V
	BIOMECÂNICA E 
	CINESIOLOGIA 
	APLICADA 
	Cinesiologia Aplicada à 
Vida Diária
	Biomecânica Aplicada 
ao Esporte
	Biomecânica Aplicada 
à Musculação
	_GoBack
	_GoBack
	_n0t417cpm97s
	_30j0zll
	_GoBack
	Button 1: 
	Botão 2: 
	Botão 3:área de atuação. Pense no seu cotidiano ou em situa-
ções-problema do seu dia a dia. Como você aplicaria os 
conceitos relacionados a essa área de estudo?
SITUAÇÃO-PROBLEMA
Por que a natação não seria 
o melhor exercício para pessoas 
com osteoporose?
Abordagem para Solução 
de Problemas: Ilustrando os 
Conceitos Básicos da Biomecânica
 19
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Para resolver a situação-problema pro-
posta na página anterior, buscaremos as 
informações básicas. A natação é conhe-
cida como um dos esportes mais com-
pletos e pode trazer inúmeros benefícios 
aos seus praticantes, do ponto de vista do 
bem-estar físico e mental, pois trabalha 
todos os músculos do seu corpo. Como 
é praticada no ambiente líquido, evita o 
risco de lesões, pois temos a ausência da 
gravidade e diminuição do peso corpo-
ral...opa, chegamos ao ponto-chave!
Identifiquemos as propriedades fí-
sicas do meio aquático que devem ser 
devidamente conhecidas a pressão da 
água; a densidade relativa; a flutuação e 
a resistência do fluido. A figura a seguir 
densidade mineral óssea e alterações na microarquitetura 
do osso que aumentam a suscetibilidade à fratura”.
Agora fica mais claro responder à questão-pro-
blema, pois já descobrimos que a água diminui a ação 
da gravidade e reduz o peso corporal. Aliado a isso, 
relembramos que a osteoporose é diagnosticada pela 
baixa densidade mineral óssea. Dessa forma, podemos 
afirmar que a natação não seria o melhor exercício para 
pessoas com o intuito de tratar a osteoporose, pois se faz 
necessário possibilitar estímulos com a presença da ação 
da gravidade sobre o seu corpo para que tenha ganhos 
na densidade mineral óssea. A literatura aponta que, em 
geral, exercícios aeróbicos, com pesos, combinados com 
algum tipo de exercício resistido seja uma boa escolha 
para auxiliar nessa doença (AMERICAN COLLEGE OF 
SPORTS MEDICINE, 2018).
Veja como a aplicabilidade dos conhecimentos da 
biomecânica auxiliam o professor de Educação Física no 
(figura 3) exemplifica a ação das forças que atuam sobre 
o corpo humano, quando imerso.
Sabe-se que a pressão da água é maior que a atmos-
férica e, quanto maior a profundidade, maior é a pres-
são hidrostática e seus efeitos na parte imersa do corpo. 
Todo corpo imerso na água recebe uma pressão exercida 
por ela. Essa pressão é uma força que atua perpendicu-
larmente em cada ponto da superfície corporal dividida 
pela área dessa superfície. O modo pelo qual essa pres-
são hidrostática é transmitida na água é definido na li-
teratura como força por unidade de área, representada 
internacionalmente como Pascal.
Após relembrarmos resumidamente, esses princí-
pios, retomaremos nossa questão-problema, mas ainda 
preciso lhe perguntar: o que é osteoporose? Aprofunda-
remos esse conhecimento nos capítulos seguintes, mas 
cabe ressaltarmos que é muito comum escutarmos essa 
patologia. De forma resumida, segundo o American 
College of Sports Medicine (2018, p. 355), a osteoporose 
“é uma doença esquelética caracterizada por baixa 
Figura 3 - Propriedades físicas da água e as forças que atuam sobre o corpo imerso
Fonte: Bates e Hanson (1998).
20 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
seu cotidiano. Todas as investigações requerem a cone-
xão dos conhecimentos de todas as áreas para resolução 
de problemas. Muitas tarefas demandam a condução de 
análises do movimento, que podem ser tanto de origem 
qualitativa ou quantitativa.
• QUANTITATIVO: relaciona-se ao uso de números. 
Os pesquisadores biomecânicos se baseiam em questões es-
pecíficas da mecânica do movimento dos organismos vivos.
As indagações do cotidiano surgem para melhor ana-
lisarmos o movimento humano, desde, por exemplo, a 
identificação da alteração da marcha até o refinamento 
de uma técnica esportiva. Dependendo do propósito e 
da identificação essencial do problema, podemos seguir 
com as análises qualitativas ou quantitativas.
A Biomecânica estuda a mecânica do movimento dos 
seres vivos, que tem um caráter experimental. Dado um Fe-
nômeno, procuramos informações a respeito dele; depois, 
buscamos entender nosso espaço físico para, a partir desse 
ponto, gerar uma interpretação de dados experimentais.
Esquematizando a pesquisa experimental, podemos 
representá-la da seguinte maneira:
A forma mais apropriada é a análise qualitativa
O analista observa sua realização e faz anotações 
mentais e por escrito.
Literatura – abordagens e técnicas para resolução 
de problemas.
Escrever a informação em um formulário.
Símbolo para as grandezas físicas, diagrama; 
problema; fórmulas; equações.
Quadro 1 - Descrição da pesquisa experimental da análise qualitativa
Fonte: adaptado de Brenzikofer (1993).
Faz-se essencial entendermos a importância 
de “estudar Biomecânica”. Será que todo Pro-
fessor de Educação Física é capaz de dimen-
sionar o quanto é importante o conhecimento 
da Biomecânica para o seu dia a dia?
REFLITA
QUALITATIVO
LONGO
RUIM
RODADO
PESADO
BOM
FLEXIONADO
QUANTITATIVO
SEIS METROS TRÊS SEGUNDOS
CINQUENTA VOLTAS DOIS JOGADORES
• QUALITATIVO: descrição não numérica de qua-
lidade, que pode ser geral, mas, também, pode ser extre-
mamente detalhada. Por exemplo, podemos observar um 
homem caminhando lentamente, parece se inclinar para 
a esquerda, colocando o peso sobre a perna direita, pelo 
mínimo de tempo possível. Temos aqui, uma descrição um 
pouco mais detalhada do movimento (HALL, 2013).
 21
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A partir do que já estudamos, podemos compreender 
algumas abordagens para solução de problemas, tanto 
qualitativamente como quantitativamente, ilustrando os 
conceitos básicos da Biomecânica. 
Faremos um resumo da importância desse co-
nhecimento para pessoas interessadas nas técnicas 
esportivas, de um modo ou de outro. Três grupos se 
destacam: professores de Educação Física, treinadores 
e atletas (HAY,1981).
Para o Professor de Educação Física,
os objetivos são diversos. Podemos 
destacar que a Educação Física é um
meio de educação através das atividades
físicas e a sua repercurssão ampla sobre
o crescimento, desenvolvimento e 
comportamento humano. 
Para o Atleta, à medida que o aluno 
progride ou ganha maior vivência e 
experiência, a orientação oral e uma 
análise do movimento podem ajudar 
mais ainda o desenvolvimento e a 
conscientização de uma habilidade 
motora (HAY,1981).
Desse modo, o
conhecimento da 
biomecânica (e do
aprendizado mecânico
e da fisiologia) é
absolutamente essencial 
ao professor. 
Existe o interesse 
em trabalhar com 
principiantes os 
principais fundamentos
das técnicas
desportivas e nos 
princípios gerais 
da biomecânica
(HAY,1981).
Desta forma, à 
medida que o nível 
da performance 
cresce, o treinador 
necessita de 
conhecimentos 
mais profundos de 
biomecânica 
(HAY,1981).
Para o Treinador, a importância de
um conhecimento de biomecânica 
depende, em certa extensão, do 
esporte que está sendo treinado. O 
treinador trabalha nos níveis mais 
avançados e, por sua vez, está 
interessado não somente nos 
fundamentos básicos, mas também 
em detalhes mais específicos. 
Você sabia que alguns detalhes da técnica esportiva de 
um campeão baseiam-se nos conhecimentos de biome-
cânica? Estes proporcionam a única base sólida e lógica 
para avaliar as técnicas (estilos) para os quais a nossa 
atenção foi atraída pela observação dos campeões. 
Há alguns anos, o campeão mundial de salto em 
altura era um russo chamado Valery Brumel. Brumel 
conservou os recordes mundiais e olímpicos de salto 
em altura e era tão superior aos seus contemporâne-
os que foi considerado inigualável. Naquele tempo, 
como hoje, havia uma grande e muito disseminada 
tendência a treinadores e atletas adotarem cegamen-
te os métodos do campeão do momento. Assim, 
alguns dos métodos empregados por Brumel eram 
relativamente novos para os saltadores em altura e 
por isso ele foi imitado mais do que qualquer outro. 
Alguns saltadores copiavam até a distância que ele 
tomava, a velocidade de abordagem do sarrafo e a 
elevação simultâneade braços no momento de im-
pulsão (HAY, 1981). A Figura 4 demonstra o salto do 
tipo “tesoura”, utilizado por Brumel e outros atletas 
da época. Posteriormente, como podemos observar, 
na Figura 5, o americano Dick Fosbury revolucionou 
a técnica do salto que evolui, cada vez mais, graças, 
em grande parte, aos conhecimentos biomecânicos.
22 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Figura 4 - Valery Brumel no salto com aproximação de frente, em 1964 
Fonte: IAAF (2014, on-line)1.
Figura 5 - Técnica do salto Fosbury, a mais utilizada 
atualmente.
 23
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
As unidades de medida são essenciais para informar as 
unidades corretas que devem ser utilizadas em proble-
mas quantitativos biomecânicos. Além disso, são utiliza-
das para representar as grandezas físicas (HALL, 2013).
Grandeza física
Unidade de 
medida
Símbolo
Comprimento metro M
Massa quilograma Kg
Tempo segundos S
Temperatura Grau Kelvin K
Quadro 2 – Grandezas físicas fundamentais e unidades de medida
Fonte: adaptado de Hamill e Knutzen (1999).
As figuras 6 e 7 apresentam exemplos de atividades coti-
dianas em que utilizamos as unidades de medida. Figura 6 - Aferir nossa massa corporal (Kg) 
Unidades de Medida Associadas 
a Grandezas Físicas Específicas
24 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Na análise biomecânica do movimento humano, algu-
mas grandezas físicas básicas/fundamentais e suas res-
pectivas unidades de medida são amplamente utilizadas. 
Dentre elas, podemos destacar o comprimento, que tem 
como unidade de medida padrão o metro (m); o tempo, 
que é medido em segundos (s) e a massa, representada 
em quilograma (Kg). As grandezas físicas e suas unida-
des de medida citadas podem ser utilizadas, por exem-
plo, na antropometria dos atletas, para medir a distância 
que um atleta do salto em distância atingiu e o tempo 
gasto em uma corrida de Atletismo.
As figuras 8, 9 e 10 são exemplos da utilização das 
unidades de medidas em modalidades esportivas.
Na Biomecânica, outras unidades de medida são derivadas 
dessas unidades básicas descritas no Quadro 2. O Quadro 
3 descreve algumas das grandezas físicas derivadas e suas 
respectivas unidades de medida, utilizadas na biomecânica.
Grandeza física Unidade de medida Símbolo
Ângulo Radiano Rad
Área Metro quadrado m2
Velocidade Metros por segundo m/s
Torque Newtons N-m
Trabalho Joule J
Figura 7 - Medir a altura de uma criança (m). Figura 9 - Mediar o tempo gasto para nadar uma prova de natação (s) 
Figura 10 - Determinar os pesos (Kg) nas provas de Levantamento de peso
Figura 8 - Medir as distâncias percorridas nas provas do Atletismo (m)
Quadro 3 - Grandezas físicas derivadas e unidades de medida
Fonte: adaptado de Hamill e Knutzen (1999).
 25
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Apesar do sistema internacional de unidades (SI) ser o mais empregado no mundo atualmente, os EUA utilizam, 
vastamente, o sistema métrico inglês. Esse sistema de pesos e medidas foi, originalmente, desenvolvido na 
Inglaterra há séculos, para facilitar o comércio e a divisão de terras. Suas principais unidades de medida são: 
polegadas, libra, milha e jardas (HALL, 2013).
No futebol americano, as dimensões do campo são descritas em jardas (sistema inglês). O gramado é um re-
tângulo de 120 jardas, o que equivale a 109,73 m de comprimento e 53 ⅓ jardas, que representa 48,76 m de 
largura. A cada 5 jardas, há, no gramado, uma linha que atravessa o campo de uma lateral até a outra. E a cada 
10 jardas, são marcados os números que indicam a distância até o gol mais próximo.
Figura 11 - Campo de futebol americano com as dimensões em jardas (sistema métrico inglês)
Figura 12 - Campo de futebol com as dimensões em metros
No futebol, as dimensões do campo 
são descritas em metros (sistema 
internacional de unidades), porém, 
diferentemente do futebol america-
no, não são marcadas no campo. As 
medidas mínimas e máximas per-
mitidas do campo são de 90 a 120 
metros de comprimento por 50 a 90 
metros de largura.
RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS 
EM BIOMECÂNICA
Um jogador de beisebol rebate um 
triplo para o fundo do meio-campo. 
Conforme ele se aproxima da tercei-
ra base, nota que o arremesso de devolução na direção 
do receptador é forte e decide parar na home base. O 
receptador recupera a bola a 10 metros da base e corre 
de volta para ela a uma velocidade de 5 m/s. Quando o 
receptador começa a correr, o corredor do outro time, 
que está a uma velocidade de 9 m/s, encontra-se a 15 
metros da base. Considerando que o tempo = distância/
velocidade, quem chegará primeiro à base? 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Metro
26 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Solução:
Etapa 1 - Leia cuidadosamente o problema.
Etapa 2 - Escreva as informações fornecidas:
Velocidade do corredor do outro time = 9 m/s.
Velocidade do receptador = 5 m/s.
Distância do corredor do outro time até a base = 15 m.
Distância do receptador até a base = 10 m.
Etapa 3 - Desenhe um diagrama do problema.
Etapa 4 - Escreva as fórmulas que serão utilizadas:
Tempo = distância/velocidade
Etapa 5 - Identifique a fórmula a ser utilizada: pres-
supõe-se que a fórmula fornecida é apropriada, 
porque nenhuma outra informação relevante para a 
solução foi apresentada.
Etapa 6 - Releia o problema, caso toda informação 
necessária não esteja disponível. Pode-se determi-
nar que toda informação parece estar disponível.
Etapa 7 - Substitua a informação fornecida na fórmula:
Tempo do corredor = distância/velocidade. 
tempo = 15/9
tempo = 1,6 segundos
Tempo do receptador = distância/velocidade
tempo = 10/5
tempo = 2 segundos
A partir da análise do problema e da substituição 
dos valores na fórmula, descobrimos que o jogador 
corredor levará cerca de 1,6 segundos para chegar 
à base e o receptador levará 2 segundos. Ou seja, o 
jogador corredor chegará à base primeiro.
Corredor do outro time
15 m
10 m
Receptador
Fonte: Hall (2013).
Para complementar o seu conhecimento e refletir 
sobre a importância do Sistema Internacional de 
Unidades, acesse o material a seguir: https://brasi-
lescola.uol.com.br/fisica/sistema-internacional-uni-
dades-si.htm. 
SAIBA MAIS
 27
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
VOCÊ SABE O QUE É MOVIMENTO?
O movimento, objeto de estudo da Biomecânica, é defi-
nido como uma mudança de local, posição ou postura 
em relação a um ponto de referência do ambiente. É de 
fundamental importância para o ser humano, pois pos-
sibilita a sua interação com o ambiente no qual está in-
serido (HAMILL; KNUTZEN, 1999).
Qual é a importância de analisar os movimentos 
dos indivíduos? Nos esportes, os atletas buscam cons-
tantemente a superação dos limites: correr mais rápido, 
arremessar com mais eficiência e saltar mais alto, por 
exemplo. Diversos fatores contribuem para a melhora 
do rendimento esportivo: acompanhamento psicológi-
co, nutricional, médico e fisioterápico. Além disso, um 
dos principais fatores para aprimorar o desempenho es-
portivo do atleta consiste em elaborar estratégias para o 
treinamento técnico, tático e físico. Para isso, a Biomecâ-
nica é uma aliada fundamental, porque por meio de seus 
métodos de análise é capaz de fornecer dados relativos à 
Métodos de Análise 
em Biomecânica
28 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
execução dos movimentos esportivos que poderão ser 
utilizados como base para o planejamento e a imple-
mentação de programas de treinamento mais eficazes. 
Nos movimentos cotidianos, a análise biomecânica 
é fundamental para a promoção da saúde, visto que a 
partir dos dados obtidos é possível, por exemplo, iden-
tificar a maneira mais segura e confortável para a exe-
cução de tais movimentos. Um exemplo é a caminhada, 
utilizada como meio de locomoção e forma de manter 
o condicionamento físico. As pesquisas biomecânicas da 
caminhada (marcha) dão subsídios para a caracterização 
do movimento nos diferentes estágios da vida, como in-
fância, idade adulta e terceira idade, permitindo também 
a estruturação de programas de intervenção para esses 
grupos e para grupos especiais, como indivíduos empro-
cesso de tratamento da osteoporose ou lesão ligamentar.
A Figura 14 é um exemplo da descrição das fases da 
marcha, obtida por meio de análises biomecânicas desse 
movimento. A marcha é dividida em duas fases: apoio 
e balanço. O apoio representa o período no qual o pé 
está em contato com a superfície e o balanço refere-se ao 
tempo em que o pé está no ar para o avanço do membro. 
A fase do apoio é subdividida em duplo apoio inicial, 
que é o apoio dos dois pés no chão, no início da mar-
cha; o apoio simples, o contato de apenas um pé no solo, 
e duplo apoio terminal, que ocorre no final do ciclo da 
marcha (PERRY, 2005).
Na segunda aula, vimos a importância da análise 
biomecânica do movimento, que pode ser realizada por 
meio da pesquisa qualitativa ou quantitativa. Cabe des-
tacar, neste momento, que o tipo de análise e o método 
utilizado dependerão, entre outros fatores, do objetivo 
da análise. Por exemplo, se o objetivo do profissional de 
Educação física é verificar a posição do cotovelo do atle-
ta, durante um arremesso de lance livre do basquetebol, 
apenas a observação visual simples é necessária. Se o ob-
jetivo, porém, é analisar as forças aplicadas pela mão, du-
rante o arremesso, faz-se necessário o uso de equipamen-
Figura 14 - Fases da marcha / Fonte: Perry (2005).
 29
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
tos avançados para o registro da execução do movimento 
e conhecimento científico, para a posterior análise.
Como você já conheceu exemplos de abordagens 
qualitativas, agora, iremos nos aprofundar na análise 
biomecânica quantitativa.
ANÁLISE BIOMECÂNICA QUANTITATIVA
A análise biomecânica quantitativa pode ser realizada por 
meio de duas perspectivas denominadas cinemática e ciné-
tica. Veja no quadro as definições resumidas dos termos:
 Termo Definição
Cinemática
Descrição do movimento humano, 
sem preocupar-se com as forças 
que agem no corpo.
Cinética Estudo das forças associadas ao 
movimento.
Quadro 4 - Definição dos termos cinemática e cinética
Fonte: adaptado de Hamill e Knutzen (1999).
Complementando, a cinemática busca investigar as ca-
racterísticas do movimento a partir de uma perspectiva 
espacial e temporal, sem identificar as forças que cau-
sam o movimento. É a forma do movimento, a técnica, 
o tipo e a sequência do mesmo (HALL, 2013). Veja dois 
exemplos de situações que podem ser resolvidas a partir 
da análise cinemática: em que velocidade um objeto se 
move? Qual a altura e a distância que ele atinge?
A cinética identifica as forças associadas ao movi-
mento, ou seja, tenta compreender as forças que provo-
cam o movimento. A análise cinética é considerada mais 
complexa que a cinemática, porque as forças não podem 
ser vistas. O que observamos, por meio das pesquisas 
científicas, são os efeitos das forças. As forças existentes 
são de extrema importância, porque são as responsáveis 
pela criação de todos os nossos movimentos e pela ma-
nutenção de posições e posturas, quando não há movi-
mento (HALL, 2013).
TIPOS DE MOVIMENTO: MOVIMENTO LI-
NEAR E ANGULAR
Para saber qual o método de análise biomecânica é o 
mais adequado para ser utilizado em uma determinada 
situação, é necessário identificar o tipo de movimento. 
Ou seja, a escolha da cinemática, da cinética ou de am-
bas deverá, entre outros fatores, considerar as caracterís-
ticas do movimento e a sua classificação.
O movimento linear ou de translação é aquele em 
que o corpo se move como uma unidade e as partes do 
corpo não se movem em relação às outras. Todas as par-
tes do corpo possuem a mesma velocidade e direção. Se 
este movimento ocorre ao longo de uma via curva é de-
nominado movimento curvilíneo e se ocorre ao longo 
de uma linha reta é denominado retilíneo (HALL, 2013). 
Veja alguns exemplos, nas Figuras 15 e 16.
Figura 15 - Exemplo de movimento linear retilíneo 
Fonte: Hall (2013).
30 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
O movimento angular ocorre por meio da rotação, ao 
redor de uma linha central imaginária, denominada 
eixo de rotação. Nesse tipo de movimento, as partes do 
corpo se movem, constantemente, em relação às outras 
partes. Grande parcela dos movimentos humanos apre-
senta a rotação de um segmento do corpo ao redor do 
eixo de rotação, posicionado no centro da articulação, 
na qual o segmento está fixo (HALL, 2003).
De modo geral, os movimentos são combinações entre o 
movimento linear e o angular. Este tipo de movimento é 
denominado de movimento geral/misto. Para entender 
melhor, observe a Figura 18. Neste exemplo, a bola de fu-
tebol americano faz um movimento linear (translação) 
no ar, concominantemente ao movimento angular (ro-
tação, porque gira ao redor de um eixo central).
Figura 16 - Exemplo de movimento linear curvilíneo
Fonte: Hall (2013).
Figura 18 - O movimento da bola de futebol americano é geral (misto)
Fonte: Hall (2013).
Figura 17 - Exemplo de movimento 
angular (balançar sobre uma barra)
Fonte: Hall (2013).
E, para finalizar, observe a Figura 19: uma sequência 
de imagens da execução do exercício, realizado, ge-
ralmente, no ambiente de academia, conhecido como 
“Agachamento afundo” ou “Afundo com Dumbell”, 
executado com barra longa. Na primeira imagem, o 
deslocamento vertical da barra representa um movi-
mento linear. Na segunda imagem, é possível verificar 
o movimento angular, representado pelo movimento 
das articulações. E, na terceira imagem, observamos 
o exercício, propriamente dito, classificado como um 
movimento do tipo geral (misto).
 31
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
AVALIAÇÃO CINEMÁTICA
Agora que você reconhece os tipos de movimento e 
já conhece a diferença entre cinemática e cinética, co-
nheceremos a importância desse tipo de análise e as 
variáveis que podemos obter ao aplicar os métodos 
cinemáticos. A avaliação cinemática pode auxiliar-
-nos na obtenção de dados/variáveis espaciais e tem-
porais, durante a execução do movimento. A partir da 
interpretação do resultado dessas variáveis, é possível, 
por exemplo, aprimorar a técnica de execução, além 
de aprofundar o nosso conhecimento sobre o padrão 
motor do movimento, mais eficiente mecanicamente. 
Outro detalhe relevante é que a cinemática linear é a 
análise feita de um movimento linear, e a cinemática 
angular, do movimento angular. As variáveis que serão 
descritas a seguir relacionam-se ao movimento linear.
Você deve se perguntar: quais são as variáveis es-
paciais e temporais do movimento? O Quadro 5 des-
creve um resumo dessas variáveis com suas respecti-
vas definições.
Termo Definição
Posição Localização no espaço
Distância Trajetória do movimento
Deslocamento Distância percorrida em linha 
reta da posição inicial até a final
Velocidade escalar
Distância que um objeto 
percorreu dividida pelo tempo 
que levou para percorrê-la
Velocidade vetorial O tempo que leva uma 
mudança de posição
Aceleração Mudança da velocidade em 
relação ao tempo
Quadro 5 - Descrição das variáveis cinemáticas
Fonte: adaptado de Hall (2013); Hamill e Knutzen (1999).
A variável cinemática posição representa a localização, 
no espaço de um objeto ou corpo. Para descrevê-la, é ne-
cessário determinar um ponto fixo como referência.
Distância e deslocamento são variáveis com 
definições diferentes. Para compreender melhor, vamos 
Figura 19 - Movimento linear da barra, movimento angular das articulações e movimento geral (misto) no exercício “afundo” 
Fonte: Marchetti et al. (2007).
32 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
utilizar o exemplo do Atletismo. Uma pista de Atletismo 
tem 400 m. Um atleta que percorre uma volta e meia, nes-
sa pista, terá corrido uma distância de 600 m (400 m + 
200 m). Isso porque, a distância é medida ao longo da tra-
jetória do movimento, podendo ser em linha reta ou não. 
O deslocamento, por sua vez, é medido em linha 
reta a partir de uma posição até a posição seguinte. Em 
outras palavras, é o quão distante o objeto foi movido 
para além de sua posição inicial. Para, então, descobrir 
o deslocamento do atleta, é necessário traçar uma li-
nha reta da posição1 (inicial) até a posição 2 (final). Se 
o atleta tiver percorrido uma distância de 800 m (duas 
voltas completas na pista de Atletismo), o deslocamento 
será igual a zero, porque as posições iniciais e finais são 
as mesmas. Além disso, o deslocamento é uma grandeza 
vetorial e, por esse motivo, além de indicar o compri-
mento da linha entre as duas posições também descreve 
a direção do movimento que pode ser: norte, sul, esquer-
da, direita, para cima, para baixo, por exemplo.
O deslocamento pode ser calculado pela seguinte 
fórmula: ∆s = sf - si, em que: a letra grega “delta” 
(∆) refere-se a uma alteração em um determina-
do parâmetro.
∆s = deslocamento.
F = posição final.
I = posição inicial.
A velocidade é uma combinação dos conceitos de 
deslocamento e tempo. Abordaremos, aqui, os concei-
tos de velocidade escalar e vetorial. Cotidianamente, uti-
lizamos o termo velocidade para descrever a distância 
que um objeto percorreu dividida pelo tempo que levou 
no trajeto. Essa é a velocidade escalar. Por exemplo, nos 
automóveis, o velocímetro indica a velocidade escalar 
(HAMILL; KNUTZEN, 1999).
 33
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
A velocidade vetorial é a mais utilizada na Biomecânica, 
porque além de descrever a magnitude da velocidade tam-
bém indica a direção do movimento. A unidade de medi-
da mais utilizada para essa variável é m/s (metros por se-
gundo), seguindo o sistema internacional de medidas (SI).
Cabe ressaltar que a velocidade final pode ser represen-
tada como v2 e a inicial como v1.
Veremos, agora, alguns exemplos sobre aceleração:
a. Um atleta de esqui aumenta sua velocidade em 
1 m/s, a cada segundo, então, sua aceleração é de 
1 m/s2.
b. Um objeto com aceleração de 2 m/s2 aumenta 
a sua velocidade a 2 m/s, a cada segundo. Assim, 
em uma direção positiva, isso representa que 
com a velocidade inicial igual a zero, um segun-
do depois, a velocidade é de 2 m/s, um segundo 
depois é de 4 m/s, e um segundo depois é de 6 
m/s (HALL, 2013).
No dia a dia, quando utilizamos o termo “acelerando”, 
queremos dizer que um objeto ou corpo aumenta sua 
velocidade. Quando v2 é maior que v1, percebemos que 
a aceleração é um número positivo e que o objeto/cor-
po aumentou sua velocidade em um período de tempo. 
Veja o exemplo, e para resolvê-lo você pode retornar ao 
A velocidade de um corpo ou objeto muda constante-
mente. Mesmo em situações nas quais a velocidade é 
constante, ela é obtida quando é calculada a média da 
velocidade em um intervalo de tempo. Por exemplo, um 
corredor apresentou uma velocidade média na distân-
cia de 300m. Sabemos, porém, que a velocidade muda 
continuamente e essas variações podem ser identifica-
das. Assim, a aceleração é a mudança da velocidade em 
relação ao tempo, ou seja, é a taxa de mudança na velo-
cidade. Pode ser o aumento ou a diminuição na veloci-
dade vetorial. A unidade de medida mais utilizada para 
representar essa variável é m/s2 (metros por segundo ao 
quadrado), seguindo o sistema internacional de medi-
das (HAMILL; KNUTZEN, 1999).
v = posição final – posição inicial
tempo na posição final – tempo na posição inicial
Aceleração = velocidade (m/s)
tempo (s)
a = velocidade final – velocidade inicial
tempo na posição final – tempo na posição inicial
a = mudança na velocidade
mudança no tempo
a = ∆v
∆t
velocidade escalar = distância
tempo (s)
v = deslocamento
tempo (s)
v = ∆s
∆t
34 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Explorando ideias da aula 3, que descreve as etapas para 
resolução de problemas:
Um velocista, ao sair do bloco de partida, apresenta 
velocidade de 3 m/s. Um segundo mais tarde, a velocida-
de é de 5 m/s. Qual é a aceleração?
v1 = 3 m/s
v2 = 5 m/s
t = 1 s 
Nesse exemplo, a v1 é maior do que v2 e com isso a 
aceleração será negativa. A aceleração pode ser igual 
a zero. Isso ocorre quando v1 é igual a v2, ou seja, a ve-
locidade é constante. No entanto, é preciso ter muita 
atenção em relação aos valores positivos e negativos de 
aceleração. Em algumas situações, esses valores podem 
indicar a direção do movimento e, se isso ocorrer, o va-
lor da aceleração, mesmo que positivo, não representa 
que o objeto está acelerando.
Relembrando o que foi descrito, anteriormente, es-
sas variáveis da cinemática linear podem ser aplicadas 
para a análise do movimento angular, o que é denomi-
nado cinemática angular.
AVALIAÇÃO CINÉTICA
A avaliação cinética possibilita informações sobre como 
o movimento é produzido ou como uma posição é man-
tida. Refere-se às forças que produzem o movimento. 
Assim como na cinemática, a cinética linear descreve as 
forças atuantes no movimento linear e a cinética angu-
lar, no movimento angular. Esse tipo de avaliação funda-
menta-se nas três Leis de Newton.
A Figura 20 representa o exercício rosca direta com 
halter. Neste exemplo, a análise cinética nos permite 
concluir que a posição de antebraço estendido é a po-
sição mais fraca para iniciar o movimento. Mais peso 
poderá ser erguido se a rosca direta for iniciada com o 
cotovelo, levemente, flexionado.
a = ∆v
∆t
a = V2 – v1
∆t
a = 5 m/s – 3 m/s
1 s
a = 2 m/s2
O resultado da aceleração é de 2 m/s2. É possível con-
cluir que o valor de v2 é maior que v1, o valor da acelera-
ção é positivo e o objeto/corpo aumenta sua velocidade 
(acelerando). Veja outro exemplo de aceleração:
Um jogador de Beisebol precisa deslizar para parar 
sobre uma determinada base. A velocidade é de 4 m/s, 
quando faz o deslizamento, que dura 0,5 s e, logo após, o 
movimento cessa. 
v1 = 4 m/s
v2 = 0 m/s
t = 0,5 s 
a = V2 – v1
∆t
a = 0 m/s – 4 m/s
0,5 s
a = - 8 m/s2
 35
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
Para estudar a mecânica do movimento humano, é es-
sencial conhecer as três Leis de Newton. São elas: 1° lei 
da inércia, 2° lei da aceleração e 3° lei da ação e reação.
A lei da inércia descreve que um corpo tende a se 
manter em estado de repouso ou velocidade constan-
te, a não ser quando estiver sujeito a uma força externa 
para modificá-lo. A lei da aceleração afirma que, quan-
do uma força é aplicada em um corpo, gera uma acele-
ração de magnitude proporcional à força, na direção da 
força e, inversamente, proporcional à massa do corpo. 
Pode ser representada pela seguinte equação: F = m.a, 
onde F=força aplicada, m= massa do corpo (Kg) e a= 
aceleração resultante (m/s2).
Por fim, a lei da ação e reação indica que, quando 
um corpo exerce uma força sobre o outro, é gerada uma 
força de reação que é igual em magnitude e oposta em 
direção ao primeiro corpo (MARCHETTI et al. 2007).
ESTÁTICA E DINÂMICA
Para o estudo do movimento, a mecânica apresenta 
os sub-ramos estáticos e dinâmicos. A estática é o es-
tudo dos sistemas em repouso ou que estão em mo-
vimento, porém com velocidade constante. Ou seja, 
são sistemas em equilíbrio, definido como uma situ-
ação em que não há aceleração, porque as forças que 
iniciam o movimento de acelerar ou diminuir estão 
neutralizadas por forças opostas, que as anulam. 
Esse tipo de estudo é importante para determinar 
sobrecargas sobre estruturas anatômicas do corpo, 
identificar o tamanho da força que poderia desequi-
librar o sistema e iniciar o movimento. É realizado 
por meio de técnicas cinéticas de análise do movi-
mento que permitem identificar as forças e o local de 
aplicação da força que mantém postura, posição ou 
velocidade constante (HAMILL; KNUTZEN, 1999). 
Veja o exemplo da postura sentada. 
Figura 20 - Exercício rosca direta com halter
Fonte: Brown (2008).
Figura 21 - Postura sentada
36 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
Nesse exemplo, é possível inferir que mesmo sem mo-
vimento, existem forças atuando para manter essa pos-
tura. Existem forças entre as costas e a cadeira, o pé 
e o solo e forças musculares opostas à gravidade para 
manter a cabeça para cima.
A dinâmica é o estudo dos sistemas que possuem 
aceleração (HAMILL; KNUTZEN, 1999). Pode ser utili-
zada, por exemplo, para analisar o movimento que é rea-
lizado para oindivíduo levantar da cadeira. A dinâmica 
pode utilizar a abordagem cinemática ou cinética para 
analisar o movimento. Mais adiante, você perceberá que 
grande parte das análises biomecânicas são dinâmicas. 
MÉTODOS DE ANÁLISE DA BIOMECÂNICA
A biomecânica tem como objetivo descrever as forças 
e as características dos movimentos com relação a leis 
e princípios mecânicos, conhecimentos anatômicos e fi-
siológicos. Os resultados das análises biomecânicas con-
tribuem para o entendimento mais completo do movi-
mento e pode ser aplicado pelo professor/treinador de 
educação física em diversas situações, relacionadas ao 
esporte, como por exemplo: fazer um diagnóstico da 
técnica do movimento, sistematizar e organizar o treina-
mento esportivo, identificar a condição física, identificar 
e reduzir sobrecargas no aparelho locomotor, melhorar a 
eficiência do gesto esportivo e o desempenho.
No cotidiano, os resultados das análises biomecâni-
cas nos auxiliam na prevenção e reabilitação orientados 
à saúde, para descrever padrões patológicos de movi-
mentos; desenvolver equipamentos e métodos para a te-
rapia; conhecer mais sobre a postura e locomoção, e ter 
mais segurança nas atividades da vida diária.
Os resultados de investigações biomecânicas são 
obtidos por meio de métodos científicos. Estes méto-
dos são: antropometria, dinamometria, cinemetria e 
eletromiografia.
Antropometria
A palavra Antropometria vem do grego Anthropo que 
significa “homem” e metry que significa “medida”. É o mé-
todo que identifica as medidas inerciais do corpo do indi-
víduo e descreve as características físicas dos segmentos 
corporais. Isto porque as medidas antropométricas são 
necessárias para a normalização dos dados, a criação de 
modelos físico-matemáticos e para determinar caracte-
rísticas físicas do corpo, como massa; altura; comprimen-
to dos segmentos corporais; circunferência dos segmen-
tos; centro de massa e de gravidade. Alguns instrumentos 
podem ser utilizados, como fita métrica, balança e paquí-
metros digitais. A antropometria é um método comple-
mentar aos outros métodos biomecânicos, os quais des-
creveremos na sequência (AMADIO et al. 1999).
Dinamometria
É um método para a obtenção de variáveis cinéticas do 
movimento, ou seja, possibilita determinar as forças 
externas que produzem o movimento. Estas forças são 
transmitidas entre o corpo e o ambiente. Algumas forças 
externas são: força de reação do solo, pressões, torques, 
impulsos, gradiente de força, força de preensão manual, 
centro de pressão. Alguns indicadores de forças internas 
podem ser obtidos a partir de torques das forças muscula-
res, forças musculares e forças nas superfícies articulares. 
A força, mais comumente identificada, é denomi-
nada Força de Reação do Solo (FRS). Esta age sobre o 
corpo humano durante a fase de contato com o solo e 
representa a terceira Lei de Newton, apresentada a você 
anteriormente. A FRS é representada na forma de vetor 
em função do tempo, tem ação tridimensional com os 
componentes vertical, anteroposterior e mediolateral. A 
variação da FRS ocorre quando, em contato com o solo, 
acontece a transferência de forças externas para o corpo, 
 37
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
o que altera a condição do movimento. Por exemplo, na 
corrida a cada contato do pé com o solo, gera-se uma 
força que retorna com a mesma magnitude e direção 
oposta (BARELA; DUARTE, 2011).
Alguns instrumentos utilizados na dinamometria 
são: a plataforma de força, isocinético, dinamômetro 
manual, células de carga, transdutores de carga e ins-
trumentos para avaliação da distribuição da pressão 
plantar. A Figura 22 representa uma plataforma de força, 
que por meio de quatro sensores posicionados nas suas 
extremidades, registra a força aplicada nas três direções: 
vertical (Z), médio-lateral (X) e ântero-posterior (Y).
adapta a força, produzida durante o movimento. Diver-
sos atletas profissionais realizam esse tipo de teste com o 
objetivo de identificar valores máximos de força, potên-
cia e torque; valores para grupos musculares e articula-
ções em específico; possíveis desequilíbrios e fraqueza 
muscular. Além da avaliação, o instrumento também é 
utilizado para treinamento e recuperação de lesões.
Figura 22 - Plataforma de força / Fonte: Barela e Duarte (2011). Figura 23 - Dinamômetro isocinético / Fonte: Sportslab ([2019], on-line)².
A plataforma de força é o instrumento básico que mede 
a FRS, seus momentos e o ponto de aplicação dessa força. 
A medição é feita por meio de um sinal elétrico propor-
cional à força aplicada. Para isso, são utilizados sensores 
no instrumento como os transdutores de força piezoelé-
trico (sob estresse mecânico é gerado um campo elétrico 
que produz força elétrica) e/ou células de carga strain-
-gauge. Estes sinais são enviados por intermédio de ca-
bos a um amplificador de sinais que permite a mensura-
ção tridimensional da FRS (BARELA; DUARTE, 2011).
O dinamômetro isocinético é um instrumento tam-
bém muito utilizado para medir a força, principalmente 
de membros inferiores. São executados movimentos de 
flexão e extensão em diferentes velocidades e resistên-
cias, ou seja, é uma contração muscular com velocida-
de controlada pelo instrumento e a resistência, que se 
Cinemetria
A cinemetria é um método de análise para descrever 
características cinemáticas do movimento. Por meio 
desse método, é possível obter variáveis, como posição; 
deslocamento; velocidade e aceleração. Os instrumentos 
mais utilizados nesse processo são câmeras de vídeo, sis-
temas opto-eletrônicos, acelerômetros, eletrogoniôme-
tros. Para a coleta de dados, é necessário seguir algumas 
etapas. Um modelo antropométrico é definido anterior-
mente à coleta das imagens, para que seja possível esti-
mar a localização de eixos articulares no corpo humano, 
onde os marcadores serão fixados. 
Esses marcadores, posicionados em pontos anatô-
micos previamente definidos por meio do modelo an-
tropométrico, serão úteis para a obtenção de coordena-
38 
BIOMECÂNICA E CINESIOLOGIA 
das bidimensionais ou tridimensionais de cada ponto 
corporal, em cada quadro da imagem do movimento, e 
junto com funções trigonométricas e cálculos de variá-
veis cinemáticas colocados no software. Na sequência, é 
feito o registro do movimento esportivo e/ou cotidiano, 
por meio de câmeras filmadoras. A frequência de regis-
tro da imagem deve estar em acordo com a frequência 
natural do movimento a ser analisado. Na próxima eta-
pa, o registro do movimento é transferido para o com-
putador e realizado o processamento. Esta etapa, muitas 
vezes é feita pelo próprio software da câmera filmadora 
e consiste em reconstruir, de modo bidimensional ou 
tridimensional, os pontos corporais em movimento e 
calcular as variáveis de interesse (AMADIO et al. 1999).
cas fisiológicas que indicam a velocidade e o padrão de 
recrutamento da ação muscular dos grupos mais ativados 
durante um movimento. O pesquisador precisa atentar-se 
a alguns detalhes, por exemplo, o posicionamento de ele-
trodos nos grupos musculares de interesse e que são ati-
vados durante o movimento. Ao utilizar a eletromiografia 
é possível realizar outras investigações biomecânicas, ao 
mesmo tempo, como a obtenção de variáveis cinemáticas. 
O posicionamento dos eletrodos e os procedimentos da 
avaliação com eletromiografia devem seguir as referên-
cias descritas pela Sociedade Internacional de cinesiolo-
gia e eletrofisiologia (MERLETTI; TORINO, 1999). O si-
nal eletromiográfico é captado por meio dos eletrodos do 
tipo agulha, fio ou de superfície. A seguir, o sinal deve ser 
processado por meio de softwares específicos. Os dados 
obtidos podem ser utilizados para a visualização do pa-
drão da ativação muscular e pode servir como referência 
para comparações entre diferentes tipos de contrações, 
exercícios e sobrecargas de treinamento.
Figura 24 - Os marcadores posicionados no corpo do indivíduo para a 
construção do modelo biomecânico
Figura 25 - Posicionamento de eletrodosno grupo muscular de interesse 
e sinal eletromiográfico
Eletromiografia
Método de análise biomecânica que estuda a atividade 
elétrica dos músculos que se originam da contração mus-
cular. A eletromiografia permite identificar característi-
MÉTODOS DE ANÁLISE PARA DETERMINA-
ÇÃO DE FORÇAS INTERNAS
Um dos grandes problemas científicos da Biomecânica 
consiste em identificar as forças internas do movimento, 
 39
 EDUCAÇÃO FÍSICA 
principalmente, na área esportiva. A compreensão das 
forças internas é essencial para complementar as infor-
mações do padrão de eficiência do movimento.
A análise das forças internas, no entanto, é difícil 
de ser realizada porque é necessário adentrar na parte 
interna do sistema biológico. Por isso, muitas vezes, as va-
riáveis de forças internas se tornam dependentes de me-
dições externas ao organismo. Existem duas abordagens 
para a determinação das forças internas: direta e indireta.
Determinar as forças internas pelo método direto 
é complexo, porque necessita de colocação de transdu-
tores dentro do corpo humano para fazer a medição. 
Geralmente, é feita a inserção de um 
transdutor no tecido bio-
lógico ou em próteses 
Para saber mais sobre modelos biomecânicos, 
acesse o material do professor Dr. Guanis de 
Barros Vilela Junior, disponível no endereço: 
http://www.cpaqv.org/biomecanica/modela-
mentobiomecanico.pdf.
SAIBA MAIS
em indivíduos com algum tipo de lesão. Por esse motivo, 
o método direto é considerado invasivo e, até mesmo, 
impróprio para o ser humano, em algumas situações. O 
método indireto é o mais utilizado para a análise cinética 
do movimento. São avaliações fundamentadas em mo-
delos físico-matemáticos. Esse método permite simular 
o comportamento biomecânico de estruturas corporais 
a partir de um modelo biomecânico que é a construção 
de um objeto, real ou virtual, por meio 
de conhecimentos físicos e 
matemáticos (AMADIO 
et al., 1999).
40 
considerações finais
Nesta primeira unidade, iniciamos nossas discussões com a contextualização histórica 
da Cinesiologia e da Biomecânica. Nosso objetivo principal foi descrever os conceitos 
e as definições norteadores dessa importante e ampla área de estudo, por isso, fizemos 
uma breve e importante reflexão sobre a importância desses princípios, essenciais para 
o Professor de Educação Física no seu cotidiano. 
Observamos, também, que muitas tarefas demandam a condução de análises do mo-
vimento que podem ter origem em análises tanto qualitativas como quantitativas, que 
nos instigam a estudar, cada vez mais. Todas as investigações relacionadas à biomecânica 
requerem, muitas vezes, a conexão dos conhecimentos de todas as áreas para resolução 
de problemas do nosso dia a dia, que surgem para melhor analisarmos o movimento 
humano, desde a identificação da alteração da marcha até o refinamento de uma técnica 
esportiva. 
Abordamos os conhecimentos relacionados ao sistema de pesos e as medidas, utilizadas, 
internacionalmente, em pesquisas científicas e adotadas para o nosso uso diário. Conhe-
cemos as principais formas de análise para a aplicação de conhecimentos biomecânicos 
na análise do movimento humano, e focamos nos quatro principais métodos de análise: 
antropometria, dinamometria, cinemetria e eletromiografia. De forma sucinta, observa-
mos, na antropometria, a análise relacionada às medidas corporais. Na dinamometria, 
analisamos a aplicação de forças em diferentes contextos. Na cinemetria, avaliamos, por 
meio de imagens e vídeos, a mecânica do movimento e, por fim, utilizamos a eletromio-
grafia para medir a ativação muscular em diversos movimentos. 
Espero que você, caro(a) aluno(a), tenha extraído o máximo possível de informação 
desta unidade. Despedimo-nos, aqui, mas nos reencontraremos, na próxima seção, em 
que discutiremos as principais relações cinesiológicas e as biomecânicas do sistema 
esquelético associadas à mecânica do movimento.
 41
atividades de estudo
1. O conhecimento sobre os conceitos básicos da 
Cinesiologia e Biomecânica são essenciais para 
o Professor de Educação Física. A partir do con-
teúdo que foi trabalhado no decorrer da Unida-
de 1, leia as afirmativas abaixo.
I. Cinesiologia é conhecida é como a grande 
área de estudo que envolve o entendimento 
da “ciência do movimento e fisiologia humana” 
e o campo da mecânica, que é o estudo da 
ação das forças.
II. A Biomecânica é uma área de conhecimento 
que tem como significado “ciência do movi-
mento humano”. 
III. A Cinesiologia é uma importante subárea da 
Biomecânica.
IV. O título de “Pai da Cinesiologia”, geralmente, é 
atribuído para Aristóteles.
Sobre as afirmativas anteriores, assinale a alterna-
tiva correta:
a. I, II, IV, apenas.
b. I, III, apenas.
c. II, IV, apenas.
d. III, apenas.
e. IV, apenas.
2. As pesquisas na Biomecânica podem ser de 
caráter qualitativo ou quantitativo. Sobre este 
assunto, assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) A análise quantitativa está relacionada ao uso 
de medidas numéricas para descrever o movi-
mento.
( ) A análise qualitativa é uma descrição não nu-
mérica. Avalia a qualidade do movimento.
( ) O objetivo da análise qualitativa é a obser-
vação sistemática, o julgamento introspectivo da 
qualidade do movimento e a intervenção para 
melhorar o desempenho.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, F.
b. F, F, V.
c. V, F, V.
d. F, F, F.
e. V, V, V.
3. O sistema métrico é de fundamental impor-
tância para os estudos em Biomecânica. Sobre 
este sistema, leia as afirmativas abaixo:
I. O sistema internacional de unidades (SI) pa-
droniza, para cada grandeza física, uma uni-
dade de medida.
II. O SI não pode ser utilizado em nossas ativi-
dades cotidianas, por exemplo, para aferir a 
massa corporal.
III. O SI e o sistema métrico inglês são iguais.
IV. O sistema métrico inglês foi desenvolvido na 
Inglaterra e, atualmente, é, amplamente, uti-
lizado nos Estados Unidos, por exemplo, nas 
medidas do campo de futebol americano.
a. I, II, IV, apenas.
b. I, III, apenas.
c. I, IV, apenas.
d. III, apenas.
e. IV, apenas.
4. Leia com atenção as sentenças a seguir sobre 
Biomecânica e, depois, assinale. Verdadeiro (V) 
ou Falso (F).
( ) A cinemática é o estudo das forças associadas 
ao movimento.
( ) A cinética é a descrição do movimento huma-
no, sem preocupar-se com as forças que agem 
no corpo.
42 
atividades de estudo
( ) Para selecionar um método de análise bio-
mecânica é necessário identificar o tipo de movi-
mento. Os movimentos podem ser do tipo linear 
(retilíneo ou curvilíneo) e angular.
Assinale a alternativa correta:
a. V, V, V.
b. F, F, F.
c. V, F, V.
d. F, F, V.
e. F, V, V.
5. Assinale Verdadeiro (V) ou Falso (F) sobre as va-
riáveis cinemáticas e os métodos de análise em 
biomecânica. 
( ) A velocidade é igual a distância (m), dividida 
pelo tempo (s).
( ) A aceleração é igual a velocidade (m/s), dividi-
da pelo tempo (s).
( ) Os métodos científicos para a análise biome-
cânica são: antropometria, dinamometria, cine-
metria e eletromiografia.
( ) A dinamometria é o método que identifica as 
medidas inerciais do corpo humano, como altura; 
massa corporal; circunferências, entre outros.
( ) A cinemetria estuda a atividade elétrica dos 
músculos, ou seja, permite visualizar o padrão de 
ativação muscular. 
Assinale a alternativa correta.
a. V, V, V, F, F.
b. V, V, V, F, V.
c. F, F, F, V, F.
d. V, V, V, V, V.
e. F, V, V, F, F.
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LEITURA
COMPLEMENTAR
ANTROPOMETRIA EM BIOMECÂNICA: CARACTERÍSTICAS, PRINCÍPIOS E 
MODELOS ANTROPOMÉTRICOS
Hoje, mais do que nunca, a inter e a multidisciplinaridade são requisitos indispensáveis 
na complexa análise do movimento humano. 
Neste sentido, existe a necessidade da convergência de esforços dos responsáveis para 
que as diferentes áreas de pesquisa e seus pesquisadores sejam “grandes” o suficiente 
para compreender a importante contribuição de cada área/disciplina no desvendar dos 
mistérios da organização e manifestação motora.