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História e ensino de história Apresentação “Nossos adolescentes também detestam a história. Votam-lhe ódio entranhado e dela se vingam sempre que podem, ou decorando o mínimo de conhecimentos que o ‘ponto’ exige ou se valendo lestamente da ‘cola’ para passar nos exames. Demos ampla absolvição à juventude. A história como lhes é ensinada é, realmente, odiosa...” (MENDES, 1935). Note quando essa análise foi escrita. Você ficou surpreso ao ver que ela é de 1935? O que isso significa? Será que a responsabilidade é dos professores ou há uma inter-relação entre o currículo, o livro didático e as práticas pedagógicas influenciando essa percepção? Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender um pouco mais sobre o ensino de História, compreendendo que tal ensino tem uma historicidade e muda ao longo do tempo, de acordo com interesses ideológicos e políticos e conforme as "escolas históricas" influenciam. Ainda, você vai conhecer algumas das vertentes históricas que orientaram a escrita da História no Brasil e as possibilidades de investigação em ensino de História. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Resumir o percurso do ensino de História no Brasil.• Analisar as influências das escolas históricas no ensino de História.• Identificar as diferentes vertentes investigativas da História no Brasil.• Infográfico Sabe-se que o ensino de História tem uma historicidade e que mudou muito ao longo do tempo, sendo influenciado por uma série de políticas públicas educacionais e reformas no ensino. Nesse sentido, a formulação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), estabelecendo os conteúdos para a História, também vai impactar nesse ensino. E você sabe quais são as competências, isto é, os direcionamentos que o ensino deve ter para desenvolver nos alunos determinadas habilidades, que a BNCC estabelece para o ensino de História? Acompanhe o Infográfico a seguir para conhecê-las. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Conteúdo do Livro O mundo muda, a escrita da História muda e, por consequência, o ensino de História também. Ainda que muitos desafios enfrentados por educadores no século XX sigam presentes, a realidade sempre apresenta novos questionamentos em relação ao que é e como ensinar História. Será que os motivos pelos quais a História tornou-se uma disciplina escolar no século XIX permanecem os mesmos? O que segue justificando que a História seja uma disciplina escolar? No capítulo História e ensino de História, da obra Introdução aos estudos históricos, você vai estudar a história do ensino de História no Brasil e a influência que as "escolas" historiográficas tiveram nesse processo. Vai aprender, também, quais foram as principais correntes na configuração da história da historiografia brasileira e quais são as possibilidades de pesquisa em ensino de História. Boa leitura. INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS HISTÓRICOS Caroline Silveira Bauer História e ensino de história Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Resumir o percurso do ensino de história no Brasil. Analisar a influências das escolas históricas no ensino de história. Identificar as diferentes vertentes investigativas da história no Brasil. Introdução Como você sabe, os professores de história enfrentam diversos desafios no mundo contemporâneo. Mas será que o ensino de história sempre foi como é hoje? Quais foram as mudanças que aconteceram ao longo do tempo em função das produções historiográficas? Houve alguma inter-relação entre o saber acadêmico (historiografia) e o saber escolar? Neste capítulo, você vai estudar a história do ensino de história no Brasil. Você também vai conhecer as diferentes correntes historiográficas que influenciaram as mudanças ocorridas no currículo, nos livros didáticos e nas práticas dos professores de história. Por fim, você vai ver algumas das vertentes históricas que orientaram a escrita da história no Brasil e as possibilidades de investigação em ensino de história. O ensino de história no Brasil O ensino de história possui historicidade. Isso signifi ca que é impossível considerar esse ensino sem articulá-lo com os contextos e as estruturas da sociedade em que ele está inserido. Também não é viável considerá-lo isola- damente em relação às dinâmicas das disciplinas, dos saberes e das políticas educacionais para o ensino. Assim, o ensino de história varia ao longo do tempo e dos locais em que é desenvolvido. Aqui, você vai ver a periodização da história do ensino de história no Brasil proposta por Schmidt (2012): construção do código disciplinar da história no Brasil (1838–1931); consolidação do código disciplinar da história no Brasil (1931–1971); crise do código disciplinar da história no Brasil (1971–1984); reconstrução do código disciplinar da história no Brasil (a partir de 1984). No período de construção do código disciplinar da história no Brasil, ocorreu a institucionalização da história como disciplina obrigatória. A obri- gatoriedade do ensino de história se deu com a criação do Colégio Pedro II, em 1838, dentro de um programa inspirado no modelo francês, destinado à formação intelectual da elite econômica e política do Império. Segundo Nadai (1993, documento on-line): No Brasil, sob influência do pensamento liberal francês e no bojo do movi- mento regencial, após a Independência de 1822, estruturou-se no município do Rio de Janeiro o Colégio Pedro II (que durante o Império funcionaria como estabelecimento padrão de ensino secundário, o mesmo ocorrendo na República, denominado Ginásio Nacional), e seu primeiro regulamento, de 1838, determinou a inserção dos estudos históricos no currículo, a partir da sexta série. A influência francesa foi assumida pelos seus próprios ideali- zadores. Bernardo Pereira Vasconcelos, ministro e secretário de Estado da Justiça do Império, discursando na sua inauguração, em 25 de março de 1838, afirmou: “Foi preciso buscar no estrangeiro a experiência que nos faltava, a atração irresistível que então exerciam sobre nós as ideias, as instituições e os costumes franceses, impôs-se o modelo francês”. Com o objetivo de realizar a “formação moral” dos alunos, os conteúdos ensinados giravam em torno dos exemplos dos “grandes homens da história”, principalmente clérigos e políticos, responsáveis pela construção da nação. Isso em relação ao ensino da história universal. Já em relação à história do Brasil, o objetivo era compreender o País inserido no mundo ocidental cristão. Esse fenômeno também acompanhava transformações que ocorriam na Europa. Veja o que afirma Nadai (1993, documento on-line): A história como disciplina escolar autônoma surgiu no século XIX, na França, imbricada nos movimentos de laicização da sociedade e de cons- tituição das nações modernas, sendo marcada por “duas imagens gêmeas” História e ensino de história2 no dizer de François Furet: a genealogia da nação e o “estado da mudança, daquilo que é subvertido, transformado, campo privilegiado em relação àquilo que permanece estável”. Genealogia e mudança foram, assim, os suportes do discurso histórico recém-instituído: a investigação das origens da civilização contemporânea só tem sentido através das sucessivas etapas de sua formação. A obrigatoriedade do ensino de história no Brasil se insere na con- juntura das transformações advindas da independência. Nesse contexto, era necessário forjar uma história e uma memória para o Estado e para a nação recém-criados. Do ponto de vista do conteúdo, os acontecimentos históricos ensinados se iniciavam com a história portuguesa, a sucessão de reis em Portugal e seus respectivos governos. Posteriormente, falava-se do descobrimento, das capitanias hereditárias, dos governos gerais e das invasões estrangeiras que ameaçaram a integridade nacional. Os conteúdos culminavamcom os grandes eventos da independência e da formação do Estado Nacional. A elaboração dessa narrativa sobre a história brasileira está diretamente relacionada com a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), também em 1838. Os membros do IHGB produziam pesquisas historiográficas e também lecionavam no Colégio. Eles eram responsá- veis pela elaboração dos currículos, dos manuais didáticos e das práticas para o ensino de história. Um dos impactos que as obras produzidas no âmbito do IHGB tiveram no conteúdo que era ensinado nas escolas foi a inclusão do ensino da contribuição das três raças (branco, negro e índio) para a formação da população brasileira, ressaltando as consequências da miscigenação para o País, com explícita hierarquização e valorização da raça branca. O Estado e seus representantes eram considerados os principais agentes da história, por isso os manuais apresentavam uma sequência de fatos e “grandes feitos” realizados por esses “homens notáveis”. A forma como eram apresentados esses conteúdos indica uma compreensão da história como uma verdade indiscutível, estruturada como um processo contínuo, linear, que determina as condições do presente. Conforme Nadai (1993, documento on-line): [...] a história inicialmente estudada no país foi a História da Europa Ocidental, apresentada como a verdadeira História da Civilização. A história pátria surgia como seu apêndice, sem um corpo autônomo e ocupando papel extremamente 3História e ensino de história secundário. Relegada aos anos finais dos ginásios, com número ínfimo de aulas, sem uma estrutura própria, consistia em um repositório de biografias de homens ilustres, de datas e de batalhas. Já no período republicano, ocorreu um redirecionamento do ensino de história para denunciar os “atrasos” que a monarquia legou para a nascente República. A ideia era regenerar os indivíduos e a nação, recuperando a trilha do Brasil rumo ao progresso e à civilização. Veja: Na República, os processos de identificação com a história da Europa foram aprofundados. Em São Paulo, quando da discussão pela Câmara dos Depu- tados do primeiro projeto que se propunha a reformar a instrução pública, em 1892, já se previa como parte dos planos de estudos as “notícias históri- cas ricas sobre a Europa considerada no regime de conquistas, das guerras defensivas e da indústria; biografia dos ocidentais notáveis”. A preocupação com a consolidação da nacionalidade e a formação da nação esteve sempre presente. No plano de estudos referido, sob a denominação “educação cívica e moral da Pátria”, dever-se-ia estudar a “biografia de brasileiros célebres, de notícias históricas do Brasil Colônia e Império e a história da proclamação da República” (NADAI, 1993, documento on-line). Assim, nas primeiras décadas da República, o ensino de história teve um objetivo civilizatório e patriótico. Não houve alterações significativas do ponto de vista do conteúdo ou da concepção de história, nem mesmo investimentos do Estado nas escolas públicas e na formação dos professores, que, na maior parte dos casos, eram autodidatas. Veja: O ensino da História do Brasil iniciava-se no primeiro ano e perdurava até o sexto e não era diferente do da História Universal. Seguia a cronologia política, partindo das “descobertas marítimas e geográficas dos portugueses e espanhóis nos séculos XV e XVI” e atingia o estudo da “ideia republicana no Brasil. Seu triunfo em 15 de novembro de 1889”. Em cada início de novos estudos era pedida uma “recapitulação sumária dos fatos mais importantes de História do Brasil desde 1500 até 1580” (terceiro ano) ou “recapitulação dos fatos mais importantes da História do Brasil desde 1707 até 1750” (quarto ano), etc. No sexto ano previa-se um aprofundamento da história regional. [...] Assim também se faria neste ano a revisão geral da História do Brasil e a explanação do seu desenvolvimento sob o regime republicano (NADAI, 1993, documento on-line). História e ensino de história4 O segundo período, a consolidação do código disciplinar da história no Brasil, foi marcado pelo desenvolvimento de reformas educacionais. A primeira delas, implementada por Francisco Campos, traz uma concepção de história enquanto produto acabado, positivo. A educação assumia funções pragmáticas e utilitárias, apenas de transmissão de informações, principalmente de cunho político, que contribuíssem com a familiarização da população com os pro- blemas enfrentados pelo Brasil em seu desenvolvimento (SCHMIDT, 2012). Do ponto de vista institucional, As primeiras medidas concretas no sentido da inovação do ensino em geral, e o de História em particular, ocorreram com a instalação dos primeiros cursos universitários direcionados para a formação do professor secundário, em 1934. No bojo da criação e instalação da primeira universidade brasileira [...] acorreram [...] cientistas estrangeiros que se preocuparam em introduzir a pesquisa científica nas diversas áreas (das Ciências Humanas às Biológicas e às Exatas), superando a fase de autodidatismo e abrindo perspectivas novas para a atuação docente. Para os campos de História e de Geografia, a contribuição foi principalmente de cientistas franceses. Nomes como Fernand Braudel, Emile G. Leonard, Lucien Febvre, Emile Coonaert, Jean Maugué, Pierre Em sua origem, a história, enquanto disciplina escolar, ocupou um lugar específico. As representações expressavam ideias de nação e de cidadão apoiadas na identidade comum dos diferentes grupos étnicos e classes sociais existentes no País. Em síntese, procurava-se negar a noção de país colonizado, assim como as discrepâncias nas condições de trabalho e de posição das diversas etnias. A ideia era criar uma concepção de nação resultante da união de europeus, africanos e nativos, identificada com as similares europeias. Nesse contexto, a dominação do branco colonizador sobre africanos e indígenas e a sujeição do Brasil à metrópole não eram abordadas. Havia, então, um discurso que destacava a busca do equilíbrio social e a contribuição harmoniosa, sem violência ou conflito, dos diferentes grupos sociais para a construção de uma sociedade democrática e sem preconceitos. É com base nisso que você deve considerar o tratamento dado à escravidão do africano, os silêncios sobre a escravi- zação da etnia indígena e a abordagem reducionista das sociedades tribais e de sua distribuição pelo território nacional. Ainda é preciso levar em conta as representações da ocupação portuguesa que mostram o Brasil como um espaço natural, vazio, o que contribuiu para dar legitimidade à expansão colonial europeia (NADAI, 1993). 5História e ensino de história Monbeig, Claude Lévi-Strauss, Paul Arbousse Bastide, Pierre Deffontaines, Jean Gagé, Paul Vanorden Shaw colaboraram para a delimitação do campo das Ciências Sociais no país, sobretudo da História e da Geografia, de seus métodos e objetos (NADAI, p. 1993, documento on-line). Com a industrialização e a urbanização, repensou-se o papel da população brasileira na história. Enquanto alguns estudos continuavam a relacionar o atraso do País ao predomínio de um povo mestiço, outros apontavam a ne- cessidade de se conhecer a identidade nacional, sua especificidade cultural em relação a outros países, como meio de assegurar condições de igualdade na integração do Brasil à civilização ocidental. No debate educacional na década de 1930, tornou-se vitoriosa a tese da democracia racial, expressa em programas e livros didáticos de ensino de história. De acordo com essa tese, na constituição do povo brasileiro predominavam a miscigenação e a total ausência de preconceitos raciais e étnicos. Em 1942, houve nova reforma do ensino, a de Gustavo Capanema. Assim, a escola se moldou como uma instrução cívica renovada, em uma tendência que, em 1971, durante a ditadura civil-militar, terminaria na instituição dos chamados “estudos sociais”. Tais estudos traziam uma concepção de currículoem círculos concêntricos: família, escola, bairro, cidade e país. Influenciados pelos preceitos da “escola nova”, os estudos sociais previam um ensino de história que salientasse a importância de compreender o passado para a compreensão do presente. Em todo esse período, chamam a atenção publicações de órgãos do Ministério da Educação que incentivavam metodologias de ensino como a divisão do conte- údo em unidades didáticas, o uso do museu como espaço de aprendizagem e a utilização de fontes primárias em sala de aula (SCHMIDT, 2012). Veja: Nos anos cinquenta/sessenta, essa renovação, direcionada para o aprofunda- mento dos fundamentos científicos e do papel formador-crítico da disciplina, atingiu a escola secundária, devido ao recrutamento dos docentes ser feito no seio dos licenciados, ainda não em maioria, mas suficientemente expressivo, que propiciou uma outra qualidade ao seu ensino; acontecimento rememorado pelos estudantes que a percebiam como uma das ferramentas para a compreensão do social. Social, produto de ações e de forças contraditórias e múltiplas. Apesar da superação de simples memória ou registro objetivo e imparcial, o conteúdo ainda era direcionado para um discurso explicador, unívoco, generalista, to- talizador e eurocêntrico. Explicava-se o método mas o objeto da ciência ainda era distinto do sujeito que a produzia. O limite era dado pela aceitação de que era possível a reconstituição do passado e que sua “compreensão se alcançava através de uma reconstrução da experiência mediante a interpretação, a mais objetiva possível, de todas as fontes disponíveis”. Todavia, as fontes escritas prevaleciam ainda sobre todas as demais (NADAI, 1993, documento on-line). História e ensino de história6 A terceira fase, a crise do código disciplinar da história no Brasil, coincide cronologicamente com boa parte da ditadura civil-militar brasileira. Durante esse período, houve uma série de tentativas de substituir o ensino de história e de geografia pelo de estudos sociais, com uma redução progressiva do número de horas de história geral e um aumento do número de horas dedi- cadas à história nacional e à história local. Em 1971, com a Lei nº. 5.692, a disciplina de estudos sociais tornou-se obrigatória para os oito anos do então primeiro grau. No segundo grau, que hoje corresponde ao ensino médio, a grade curricular dedicada à história correspondia a, no máximo, duas horas semanais. Nos estudos sociais, foram reforçados valores como pátria e nação, bem como determinadas figuras nacionais consideradas importantes para a narrativa histórica que a ditadura pretendia sustentar. Em 1971, os conteúdos escolares foram reunidos em núcleos comuns concebidos de modo diferente para cada série, a partir do tratamento meto- dológico que deveriam receber. O núcleo de estudos sociais visava, segundo a resolução da época, ao ajustamento crescente do educando ao meio cada vez mais amplo e complexo. O aluno deveria não apenas viver, mas conviver. Assim, dava-se ênfase ao conhecimento do Brasil na perspectiva atual do seu desenvolvimento. Nas primeiras cinco séries do primeiro grau, o núcleo de estudos sociais assumia a forma de atividades de integração social, isto é, estudos das experi- ências vividas. Nas séries seguintes, passou a ser tratado como área de estudo, integrando conteúdos das ciências humanas. No segundo grau, subdividia-se nas áreas de história, geografia e organização social e política brasileira (OSPB). Principalmente a partir da legislação aprovada em 1971, ao lado da educação moral e cívica (EMC) e da OSPB, os estudos sociais esvaziaram, diluíram e despolitizaram os conteúdos de história e de geografia. Novamente foram valorizados conteúdos e abordagens de um nacionalismo de caráter ufanista, agora destinados a justificar o projeto nacional da ditadura implementada em 1964. Considere o seguinte: O controle sobre a disciplina histórica relacionou-se sobretudo à ideologia implantada com o golpe de 1964, quando o ensino foi colocado a servi- ço do regime ditatorial que propugnava a formação de cidadãos dóceis, obedientes e ordeiros: de um lado, ter-se-ia dado “o esvaziamento de seu sentido crítico e contestador” e, de outro, manifestado o seu caráter de “instrumento de veiculação e formação do espírito cívico, entendido como aquele capaz de glorificar os feitos dos autoproclamados heróis” (NADAI, 1993, documento on-line). 7História e ensino de história O quarto e último período, a reconstrução do código disciplinar da história no Brasil, corresponderia ao período de transição política, com o término da ditadura civil-militar e com as críticas aos estudos sociais elaboradas em círculos de profissionais vinculados ao ensino e, mais especificamente, ao ensino de história. Os debates resultaram na formulação de diferentes currículos em estados e municípios. Tais currículos passaram a ser objeto de atenção em nível federal com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB), em 1996, e com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), de 1997, que instituíram os conteúdos mínimos para os ensinos fundamental e médio (SCHMIDT, 2012). Nesses documentos, expande-se a compreensão do que é história e da relação que ela estabelece com a memória nas vivências das crianças e dos adolescentes. Além disso, se estabelece uma diferenciação entre os saberes aprendidos informalmente e os saberes escolares, não com o objetivo de formar “pequenos historiadores”, mas os ensinando algumas ferramentas para elaborar a leitura da realidade. Aqui, vigora uma concepção de ensino e aprendizagem que hierarquiza o saber acadêmico e o saber escolar. Tam- bém predomina uma compreensão cronológica e linear do tempo histórico (SCHMIDT, 2012). Atualmente, há um novo debate sobre as implicações da Base Nacional Comum Curricular do ensino fundamental e do ensino médio no ensino de história. Portanto, existem ainda muitos desafios em relação ao ensino de história no Brasil. De acordo com Silva Junior (2016, documento on-line): A história do ensino de história no Brasil é marcada por uma versão excludente, opressora e silenciadora de diversos sujeitos que fizeram e fazem parte da constituição do país. Prevaleceu o monopólio cultural detido pelo Norte, um ensino eurocêntrico e um olhar enviesado por estereótipos e visões pouco informadas sobre outras realidades, como, por exemplo, sobre os afrodes- cendentes e indígenas. Hoje, existe uma compreensão de ensino de história difundida a partir dos documentos e normativas que regulam os conteúdos, as competências e as habilidades que tal ensino deve proporcionar. Essa compreensão coloca o aluno como centro da relação de ensino e aprendizagem, como um sujeito que detém conhecimentos ao chegar em sala de aula, conhecimento este que vai ser confrontado com o saber escolar. Os professores de história possuem o objetivo de “alfabetizar historicamente” os alunos, desenvolvendo habilidades para uma leitura historicizada da realidade. História e ensino de história8 As escolas históricas e o ensino de história Como você viu, as diferentes escolas historiográfi cas surgiram por infl uência das transformações culturais, econômicas, políticas e sociais, para além das mudanças internas no próprio campo. Além disso, o ensino de história também se modifi cou ao longo do tempo. Agora, você vai verifi car como as correntes historiográfi cas infl uenciaram as transformações no ensino de história, ou seja, vai ver essas modifi cações no âmbito interno da disciplina. É possível observar essas mudanças a partir de diferentes perspectivas: na conformação do currículo escolar; nos relatos presentes nos livros didáticos; nas atividades propostas pelos professores, que podem ou não estar presentes como componentes curriculares ou estar contidas nos livros didáticos. Assim, existem muitas formas de as escolas históricas se relacionarem com o ensino de história, até mesmo porquemuitas correntes historiográficas realizaram debates epistemológicos sobre a história, analisando suas funções na sociedade. Isso está diretamente relacionado ao ensino e às discussões sobre a compreensão, a explicação e a orientação provenientes da história. Outro aspecto interessante é a forma como os professores concebem e trabalham com as temporalidades, como utilizam as fontes históricas, etc. Aqui, você vai conhecer as influências de três escolas historiográficas: o positivismo; o marxismo; e os Annales e a nova história. Como você vai ver: Essas teorias estiveram arraigadas às tendências pedagógicas, e a História ensinada delas se embebedou, direcionando o modo como se efetivavam o ensino e a aprendizagem formal, ou seja, aquela que é intencional, sistemá- tica e ministrada em instituição específica para essa finalidade (FIALHO; MACHADO; SALES, 2016, documento on-line). A pesquisa realizada por Fialho, Machado e Sales (2016) com um grupo de professores de história constatou as seguintes imbricações do positivismo, do marxismo e da nova história no ensino de história: O ensino da História na perspectiva positivista foi caracterizado pela neu- tralidade, por operações mnemônicas de verdades inquestionáveis e pelo nacionalismo; [...] [com] a teoria marxista, ampliou-se a visão de produtores 9História e ensino de história de História, pois homens comuns são considerados atores sociais e o ensino de História se torna um instrumento de intuito revolucionário; [...] as mais expressivas mudanças no campo da História, no entanto, foram proporcio- nadas com o advento da Escola dos Annales, corrente teórica defensora de uma análise crítica dos fatos e acontecimentos por intermédio do conheci- mento de mundo, com a compreensão crítica mediante a problematização e a mediação de saberes interdisciplinares (FIALHO; MACHADO; SALES, 2016, documento on-line). A seguir, você vai conhecer melhor as influências de cada uma dessas escolas. Positivismo A transformação da história em uma disciplina escolar fez com que certas práticas que eram empregadas nos meios acadêmicos fossem transferidas para o ensino. Assim, o positivismo, ou a chamada “escola metódica”, infl uenciou o modo como a história era ensinada. O ensino de história, portanto, estaria vinculado a uma concepção linear e progressista do tempo, uma sucessão datas, nomes e acontecimentos, marcada por explicações teleológicas e, muitas vezes, metafísicas. O que era relatado era considerado como verdade. Por sua vez, o professor de história apenas apresentava o conhecimento pronto e acabado em relação ao que “verdadeiramente aconteceu”, com objetividade e baseado no preceito da neutralidade. De acordo com Fialho, Machado e Sales (2016), nesse período, a educação e a história ensinada foram marcadas pela falta do pensamento crítico e pela for- mação do chamado “sujeito cívico”. Além disso, a ideia era apresentar os grandes homens e os grandes feitos históricos às novas gerações. A história ensinada era pautada por uma prática inspirada no modelo tradicional, em que se destacava a tendência pedagógica liberal (tradicional, tecnicista e de competências). A didática tinha foco no professor, encarado como detentor e transmissor de conteúdos. Assim, o processo educativo consistia em operações mnemônicas voltadas para a enumeração de datas, heróis e grandes feitos, entre outras informações descon- textualizadas. A história tinha caráter enciclopédico, sem desenvolver análise crítica sobre os conhecimentos, perpetuando a ordem e a ideologia vigentes. Nadai (1993) corrobora essas colocações afirmando que o ensino de história no Brasil concentrava-se na tradução de manuais franceses da “história da civilização”, e os capítulos sobre o Brasil propriamente dito eram apêndices. As práticas docentes centravam-se no texto-base ou na fala do professor. Além disso, o objetivo principal do ensino era a memorização e a recuperação de História e ensino de história10 informações, atividades que dominavam as atividades pedagógicas e as avalia- ções de aprendizagem. Os alunos possuíam uma postura passiva na construção de um conhecimento que era tido como inquestionável e verticalizado. Marxismo Como você já sabe, a historiografi a sofreu transformações signifi cativas a partir do materialismo histórico. As dinâmicas das sociedades explicadas a partir das ações de outros sujeitos que não os “grandes homens” e as modifi - cações históricas explicadas por confrontos, lutas e revoluções fi zeram com que a escrita da história mudasse sua abordagem de datas, fatos e nomes para problemáticas e processos. Essas transformações impactaram significativamente o ensino de história, principalmente em sua dimensão social. Tal ensino passou a ter uma função transformadora, por permitir uma “tomada de consciência” em relação ao espaço ocupado pelos alunos no mundo, capacitando-os para a transformação da realidade. Nesse sentido, expressões como “conscientização” e “senso crítico” tornaram-se comuns em práticas de ensino e aprendizagem no Brasil desde meados da década de 1980. Para Pivatto Junior (2011, documento on-line), estas seriam as posturas do ensino de história a partir de uma visão marxista: O professor de História, tendo o conhecimento das construções sociais durante os tempos, tem a capacidade de mostrar que as mudanças no tempo presente são possíveis de serem realizadas. É importante destacar que, durante as aulas de História, o professor consiga desenvolver a criticidade dos seus alunos, não somente sobre o que passou, mas sim sobre o que está acontecendo no tempo presente. Os mecanismos de dominação devem ser analisados e com- preendidos segundo os seus objetivos, entre estes pode-se destacar: a mídia; o mundo do trabalho e seus acondicionamentos; as relações entre empregador e empregado; o poder de persuasão comercial característico da cultura do capital; o Estado enquanto defensor dos interesses de uma classe dominante. Entendendo-se que o presente nada mais é que um continuum do passado, nota-se que o conhecimento histórico tem por si só um discurso, que é a história dos dominadores e dos dominados. O que cada professor de História deve deixar bem claro em suas aulas é que os alunos devem estar atentos a qualquer ação de exploração, e que dada a existência desta, é necessária uma rápida organização e reivindicação contrária. Outro aspecto importante a ser observado é que através da formação de indivíduos mais participantes socialmente, será possível combater a desigualdade social em grande escala. Assim a História passa a ser uma disciplina fundamental para a compreensão do mundo e seu processo de transformação. 11História e ensino de história As transformações pelas quais o paradigma passou ao longo do século XX, abandonando a perspectiva dogmática e doutrinária para retornar aos escritos de Marx, também impactou o ensino de história. De acordo com Pivatto Junior (2011, documento on-line), [...] o pensamento marxista atualizado tende a não se enquadrar ao marxismo ortodoxo e doutrinário limitador das ações humanas. O novo marxismo, traba- lhando com questões mais amplas e reais, busca através das leituras de Marx e Engels, agir de forma coerente. É necessária uma reorientação para mudar a realidade dos verdadeiros agentes históricos que dominam, que lutam, que transformam e que fazem o mundo. Nesse sentido, as escolas e em particular o ensino de História passam a cumprir adequadamente com sua específica função educacional. Por fim, pode-se afirmar que o ensino de História em sala de aula ganha maior sentido, ao passo que tende a formar sujeitos críticos. Com o advento do novo marxismo, é possível fazer do pensamento de Marx e Engels um pensamento libertador e não doutrinador. A conscientização popular mostra-se assim eficaz quando se refere aos problemas sociais e de Estado a serem resolvidos. Desta forma, o próprio conhecimento histórico relacionado com a realidadetende a formar agentes políticos permanentemente ativos, e que pensem pelo coletivo. Ainda é importante você notar que, paradoxalmente, a utilização do pa- radigma do materialismo histórico para a escrita e para o ensino de história coexistiram com o final da ditadura civil-militar. Isso evidencia a resistência de professores e professoras de história frente ao autoritarismo do período. Annales e a nova história Como você viu, o marxismo proporcionou mudanças signifi cativas na com- preensão da história desde meados do século XIX. Da mesma forma, no século XX, os questionamentos levantados pela escola dos Annales e pela nova história também alteraram o ensino de história. A proposta de novas abordagens, novas fontes e novos objetos possibilitou uma transformação na forma como eram concebidos os currículos, no conteúdo do ensino de história e nas práticas realizadas em sala de aula. De acordo com Fialho, Machado e Sales (2016, documento on-line), Essa inovação proposta pela Escola dos Annales ampliou de tal maneira o universo das pesquisas históricas que ensejou visível aumento nas pos- sibilidades de o professor trabalhar em sala de aula com variados temas no ensino da História. Afinal, se as fontes forem bem utilizadas, em uma História e ensino de história12 perspectiva que considere o desenvolvimento cognitivo envolvido na relação entre ensino e aprendizagem em História, tornam-se ferramentas, no sentido amplo que estas podem alcançar, auxiliando a compreensão histórica da educação escolar. Em outro trecho, os autores afirmam que, a partir dessa concepção, A História ensinada se define como um ensino com uma sequência de ativida- des do professor e dos alunos, tendo em vista a assimilação de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades, mediante as quais os alunos aprimoram capacidades cognitivas. Desse modo, a finalidade do ensino da história é proporcionar aos alunos os meios para que assimilem ativamente os conhe- cimentos mediados pela relação entre professor, conteúdos e alunos. Assim, ensinar e aprender são duas facetas do mesmo processo, que se realizam em torno dos conhecimentos, sob a orientação de um professor (FIALHO; MACHADO; SALES, 2016, documento on-line). Essa forma de conceber o ensino de história coloca o aluno na autoria da narrativa sobre o passado ao fazê-lo manusear as fontes históricas. Assim, o aluno passa a ter uma postura muito mais ativa na relação de ensino e aprendizagem. As vertentes historiográficas da história no Brasil Antes de você ver como as correntes historiográfi cas europeias infl uencia- ram a produção da escrita da história no Brasil, é importante que refl ita sobre o conceito de historiografi a. Como você sabe, existem intelectuais dedicados à escrita da história nacional desde o período da América colo- nial. A partir dessa perspectiva, será que a carta de Pero Vaz de Caminha ou os relatos dos padres jesuítas que participaram da colonização são “historiografi a”? Guy Bourdé e Hervé Martin definem a historiografia como o exame dos discursos de diferentes historiadores. Nesse sentido, a perspectiva historio- gráfica é uma ferramenta para o historiador. Já uma “escola” histórica é uma corrente historiográfica que agrega diversos historiadores que possuem pontos de vista similares. Você ainda deve considerar que a historiografia possibilita entender os elementos comuns aos intelectuais de uma época. Portanto, ela representa uma maneira de se estudar a história das ideias. 13História e ensino de história Grande parte dos pesquisadores afirma que a historiografia é uma disci- plina essencial para o historiador. Sem ela, dificilmente se pode fazer uma reflexão crítica. A maioria dos historiadores começa suas pesquisas a partir de uma bibliografia específica, realizando uma seleção historiográfica. Dessa forma, quase todo historiador trabalha com a reflexão historiográfica, ainda que somente para localizar sua produção no contexto geral do assunto pesquisado. Além disso, o pesquisador deve analisar as obras levando em conta aqueles que as escreveram, considerando ainda por quais motivos elas foram escritas. Nesse sentido, para aprender a pesquisar, é necessário se perguntar como os outros pesquisaram, o que constitui uma preocupação historiográfica. Com relação à historiografia brasileira, Silva e Silva (2009) destacam que ela se insere no contexto da produção ocidental. Sua corrente acadêmica é inspirada no modelo francês, a partir da missão de Fernand Braudel à Universidade de São Paulo (USP), no século XX. A preocupação historiográfica brasileira, contudo, é menos recente, remontando aos cronistas coloniais, que ainda não faziam pesquisa histórica, e à primeira história do Brasil, escrita por Frei Vicente de Salvador no século XVI. Já no século XIX, muitos pesquisadores passaram a se interessar pelo tema. Talvez seja melhor considerar as influências das diferentes “escolas” his- toriográficas na escrita da história no Brasil paralelamente à constituição da história enquanto uma disciplina acadêmica e escolar, em uma perspectiva mais ou menos em sincronia com o que acontecia na Europa. Lá, a elite inte- lectual brasileira realizava a sua formação. Além disso, de lá se “importavam” determinadas interpretações para escrever a história no Brasil, bem como os autores dessa história. Considere, então, a criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasi- leiro, em 1838, como um ponto para avaliar as influências da historiografia europeia na produção historiográfica brasileira. O IHGB foi pioneiro e muito importante na coleta e na sistematização das “fontes históricas”, além de desenvolver estudos etnográficos, geográficos e linguísticos. Durante o período imperial, um de seus principais objetivos era criar uma ideia de nação para o recém-independente e novo país, dotando-o de uma memória e de uma história. História e ensino de história14 A periodização da história brasileira está vinculada às modificações nos regimes políticos e nas formas de governo (colônia, império e república). Mas você sabe quando, como e por que a discussão sobre a história do Brasil começou? Essa discussão se relaciona à criação do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro. Leia o artigo de Julio Bentivoglio “A história no Brasil Imperial: a produção historiográfica na revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (1839–1850)”, disponível no link a seguir. https://goo.gl/j48yw6 Nesse sentido, os membros do IHGB reproduziram em suas análises diversas práticas historiográficas em voga no contexto europeu, para além de reforçar a importância da educação para a conformação de uma elite brasileira. Veja: A concepção do IHGB sobre a natureza do conhecimento histórico foi determinante na configuração da pesquisa e do ensino (através do Colégio Pedro II) no Brasil. Por esses motivos é que a historiografia do império foi durante muito tempo matriz do estudo das instituições políticas e do discurso fundador da nacionalidade. Dentro dessa característica ideológica, só se podia endossar a consolidação da hegemonia política das elites que projetaram a nação. Por isso, situar a produção do IHGB relativamente ao que foi seu programa de intervenção cultural e político interessa tanto à crítica das representações que se instituíram como memória como também para a desmontagem dessa memória da nação brasileira no ensino de História (TOLEDO, 2004, documento on-line). Um dos historiadores brasileiros de maior destaque nesse período foi Francisco Adolfo de Varnhagen. Ele compilou inúmeros documentos que se encontravam dispersos e sem catalogação e escreveu a obra História Geral do Brasil, publicada em dois volumes, respectivamente nos anos de 1854 e 1857. Sua obra estava permeada pelo pensamento europeu do século XIX e pelos ideais de civilização, evolução e progresso. No início do século XX, ocorreu uma mudança na abordagem da escrita da história do Brasil a partir do trabalho de Capistranode Abreu. Dife- 15História e ensino de história rentemente de Varnhagen, Capistrano, em Capítulos de História Colonial, lançado em 1907, enfatiza aspectos da cultura e da etnografia para compre- ender o que seria o brasileiro. A ideia da “mestiçagem” possui importância significativa em sua obra. A partir dos anos 1930, a historiografia brasileira se ramifica em dois grandes campos. O primeiro, que segue os preceitos antropológicos, culturais e etnográficos, possui como um de seus representantes Gilberto Freyre, so- ciólogo pernambucano autor de obras como Casa Grande & Senzala (1933), Sobrados e Mucambos (1936) e Ordem e Progresso (1959), dedicadas a pensar a sociedade brasileira. Nessa perspectiva da história, você pode considerar também o historiador e sociólogo Sérgio Buarque de Holanda, autor de Raízes do Brasil (1936) e outros tantos livros. Ambos os autores foram influenciados pela teoria social weberiana. Paralelamente a essa vertente historiográfica, desenvolvia-se o campo do marxismo no Brasil. Caio Prado Júnior foi considerado o autor que inaugurou as análises da realidade brasileira a partir dessa abordagem com seu livro Evolução Política do Brasil (1933). Esse livro foi seguido das obras Forma- ção do Brasil Contemporâneo (1942), História Econômica do Brasil (1943) e A Revolução Brasileira (1966). Suas análises seguiam as interpretações marxistas vigentes à época, partindo de uma perspectiva econômica, com prioridade para fenômenos infraestruturas como instância determinante da análise histórica. A partir dos anos 1940, na Europa, os Annales realizaram importantes questionamentos que resultaram em uma ampliação de possibilidades para a historiografia: novas fontes, novos objetos e novas problemáticas foram abertas a partir de uma perspectiva interdisciplinar. A produção historiográfica brasileira não ficou imune a essas inf luências. Assim, foi desenvolvida uma série de trabalhos a partir dos preceitos da história social, da história cultural e da micro-história. Contudo, uma produção historiográfica que se reivindicasse herdeira dos historiadores vinculados aos Annales ou às “escolas” historiográficas que surgiram a partir de suas críticas somente ganhou notoriedade no Brasil a partir do final da década de 1970. Nesse período, diversos pesquisadores realizaram seus doutorados em instituições estrangeiras e entraram em contato de forma mais orgânica com essas abordagens. História e ensino de história16 Que tal comparar algumas interpretações sobre a historiografia da escravidão no Brasil? Existem diferentes compreensões em relação à escravidão. Algumas seguem a matriz marxista, outras enfatizam a experiência e a agência dos sujeitos. Além disso, há ainda as que realizam uma leitura da escravidão sob o viés da história econômica. As renovações historiográficas surgidas nos anos 1980 proporcionaram uma mudança significativa nas abordagens sobre os escravizados, resultado das apropriações por pesquisadores brasileiros dos debates da história social realizados na Europa e nos Estados Unidos. Outros temas também passaram a interessar os historiadores, como a história do trabalho, as práticas culturais e religiosas, as atividades de resistência dos escravizados, a reconstituição de trajetórias de vida, etc. Essa renovação rompeu com uma abordagem exclusivamente estrutural da escravi- dão, que, segundo alguns historiadores, reificavam os escravizados, retirando-lhes toda a agência sobre as suas formas de pensar e as suas vidas. As abordagens estruturais trabalhavam com conceitos de origem marxista, mas apropriados de forma muito dogmática, como uma mera transposição do pensamento de Marx para uma realidade bastante diferente da europeia do século XIX, período em que o pensador alemão escreveu a sua obra. Possibilidades de pesquisa em ensino de história O campo de pesquisa em ensino de história tem se desenvolvido muito nos últimos anos, com trabalhos que englobam aspectos do ensino e da aprendi- zagem a partir de diferentes abordagens. Você pode considerar como exemplo a forma de organização dos currículos de história, a educação histórica, a didática histórica, os livros didáticos de história, os espaços de aprendizagem formais e não formais de história e a própria história do ensino de história. Antes de ver um panorama sobre essas possibilidades de pesquisa em ensino de história, que tal conhecer um pouco mais sobre esse campo? Durante muito tempo, o ensino de história enquanto objeto de pesquisa foi visto com certo desdém por pesquisadores que afirmavam que os debates sobre as relações de ensino e aprendizagem competiam à pedagogia. Nos últimos anos, essa postura tem sido modificada na academia, mas, para além das transformações que vêm ocorrendo nas universidades, é importante chamar a atenção para a disseminação da ideia do professor-pesquisador: 17História e ensino de história aquele profissional que, nas salas de aula da educação básica, reflete sobre a sua prática, sobre as instituições que influenciam o seu trabalho e sobre o seu entorno na comunidade escolar. De acordo com Lüdke (2008), um professor que assume a postura de problematizador de suas práticas e saberes é aquele que produz significados e conhecimentos para a transformação das práticas e dos saberes escolares. Veja: [...] reflexão não é sinônimo de pesquisa e o professor que reflete sobre a sua prática pode produzir conhecimento sem, necessariamente, ser um pesquisador. Quando ele avança, indo ainda além da reflexão, do ato de debruçar-se outra vez para entender o fenômeno, encurta a dis- tância que o separa do trabalho de pesquisar, que apresenta, entretanto, outras exigências, entre as quais a análise à luz da teoria (LÜDKE, 2001, documento on-line). A seguir, você vai conhecer algumas possibilidades de pesquisa em ensino de história. Primeiramente, considere os estudos que discutem as relações entre a historiografia e a história ensinada. Durante muito tempo, predominou a compreensão de que a história ensinada na educação básica era uma forma “re- sumida” ou “simplificada” dos debates historiográficos realizados na academia. Ocorria, então, uma “transposição didática”, estabelecendo, inevitavelmente, uma hierarquia entre os saberes. Essa visão das relações entre a historiografia e os saberes escolares está sendo debatida e revista. Por isso, as salas de aula e outros espaços de aprendizagem passaram a ser compreendidos como espaços de criação de um saber específico, que guarda relação com o historiográfico, mas não é, necessariamente, subordinado a ele hierarquicamente. Outro objeto que possui uma longa trajetória de reflexões no ensino de his- tória é o livro didático. Existem muitas pesquisas que analisam a sua história, o mercado editorial e as políticas públicas relacionadas à sua circulação. Também são consideradas a organização dos conteúdos, as narrativas presentes nesse “produto cultural” — que afirma, mas também silencia muitas questões — e os usos que os professores fazem dele em sala de aula. Durante a década de 1990, o livro didático foi considerado um “vilão” no ensino de história pela defasagem de suas abordagens frente às renovações historiográficas. Contudo, ele tem sido reabilitado pelas orientações existentes no Plano Nacional do Livro História e ensino de história18 Didático (PNLD), que estabelecem diretrizes e normas para seu conteúdo, e por ser um dos únicos materiais de história que muitos alunos têm à disposição. Mais recentemente, estão sendo desenvolvidas pesquisas no âmbito da educação histórica. Veja como Costa e Oliveira (2007, documento on-line) definem esse campo: Uma das questões em torno das quais giram as discussões na Educação Histórica se dá sobre: como os alunos compreendem a disciplina História? Por essa pergunta, entendamos que ela não está questionando os conteúdos, quanto os alunos sabem sobre quando ou onde algo aconteceu. Ao invés disso, a preocupação é com oque eles entendem que seja a História. Essa compreensão requer dos alunos um entendimento de que História é uma disciplina específica, com uma metodologia própria. Tem ideias e um vo- cabulário característicos, como fontes, investigação, verdade, validade, etc. Requer a percepção de que História não existe por si mesma, mas é produto de um trabalho de determinadas pessoas. É um conhecimento específico. A partir da perspectiva da educação histórica, você pode pensar nas pesquisas de didática da história, que refletem sobre as metodologias de ensino de história, ou seja, sobre as mediações de ensino realizadas a partir de referenciais próprios da história. Ainda como um derivativo da “educação histórica”, existem as pesquisas que discutem conceitos como “consciência histórica” e “cultura histórica”, que são formas de se referir às aprendizagens que os alunos têm para que possam “pensar historicamente”. De forma resumida, Knack e Friderichs (2018) apresentam os seguintes temas como os prediletos dos pesquisadores do ensino de história: historiografia e história ensinada; currículo de história; didática e metodologia do ensino de história; história do ensino de história; formação e prática docente. Essas são apenas algumas possibilidades de pesquisa em ensino de his- tória. Os diversos eventos que vêm sendo realizados para debater a área e as práticas que os professores desenvolvem nas salas de aula, além dos desafios contemporâneos do ensino de história, estimulam cada vez mais o desenvol- vimento de pesquisas no campo. Nesse sentido, como você pode imaginar, essas investigações têm se beneficiado de contatos com outras disciplinas, extrapolando as dimensões historiográficas propriamente ditas. 19História e ensino de história COSTA, A. L.; OLIVEIRA, M. Ensino de história como objeto de pesquisa no brasil: no aniversário de 50 anos de uma área de pesquisa, notícias do que virá. Saeculum, v. 16, jan./jun. 2007. Disponível em: http://www.periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/srh/ article/view/11378. Acesso em: 26 mar. 2019. FIALHO, L. M. F.; MACHADO, C. J. S.; SALES, J. A. M. As teorias da história e a história ensinada no Ensino Fundamental. Educativa, v. 19, n. 1, p. 1043-1065, set./dez. 2016. Disponível em: http://seer.pucgoias.edu.br/index.php/educativa/article/view/5465. Acesso em: 26 mar. 2019. KNACK, E. R. J.; FRIDERICHS, L. História do ensino de História no Brasil: tendências, continuidades, rupturas. Revista Outras Fronteiras, v. 5, n. 1, jan./jul., 2018. Dispo- nível em: ppghis.com/outrasfronteiras/index.php/outrasfronteiras/article/view/309. Acesso em: 26 mar. 2019. LÜDKE, M. O professor, seu saber e sua pesquisa. Educação & Sociedade, v. 22, n. 74, abr. 2001. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/es/v22n74/a06v2274.pdf. Acesso em: 26 mar. 2019. NADAI, E. O ensino de história no Brasil: trajetória e perspectivas. 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Exercícios 1) O ensino de História no Brasil tem uma história, adquiriu diferentes contornos disciplinares e atendeu a distintos interesses políticos e ideológicos ao longo do tempo. Leia o trecho a seguir, que é uma análise do ensino de história em um desses períodos: “A História pátria surgia como seu apêndice, sem um corpo autônomo e ocupando papel extremamente secundário. Relegada aos anos finais dos ginásios, com número ínfimo de aulas, sem uma estrutura própria, consistia em um repositório de biografias de homens ilustres, de datas e de batalhas" (NADAI, 1993, p. 146). De acordo com a descrição, é possível afirmar que as influências para essa narrativa histórica e esse ensino provinham: A) do marxismo. B) do positivismo. C) da nova história. D) da micro-história. E) da história cultural. Alguns autores têm proposto periodizações para a história do ensino de História no Brasil. A seguir, é apresentada uma dessas propostas. Faça a correspondência entre cada um dos períodos com sua característica. I. Construção do Código Disciplinar da História do Brasil (1838-1930). II. Consolidação do Código Disciplinar da História no Brasil (1931-1971). III. Crise do Código Disciplinar da História no Brasil (1971-1984). IV. Reconstrução do Código Disciplinar da História no Brasil (1984-...). ( ) Diminuição da cargahorária da disciplina de História e substituição de parte de suas atribuições pela disciplina de Estudos Sociais. ( ) Elaboração das primeiras reformas educacionais de caráter federal. 2) ( ) Aprimoramento da legislação e dos parâmetros curriculares, com foco nas relações de ensino e aprendizagem e no aluno. ( ) Instituição da História como disciplina obrigatória no currículo, e um ensino de História voltado para a conformação de uma identidade nacional. A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: A) IV - III - II - I. B) IV - I - III - II. C) III - I - II - IV. D) II - III - I - IV. E) III - II - IV - I. 3) Para o estudo das influências das "escolas" historiográficas no ensino de História, pode-se usar diferentes materiais que fazem parte do cotidiano escolar dos professores. Nesse contexto, leia as afirmativas a seguir. I. O currículo escolar é um espaço privilegiado para aferir as influências das "escolas" historiográficas porque encontra-se ali a estruturação dos conteúdos históricos a partir de determinada abordagem e temporalidade. II. Os livros didáticos evidenciam em suas narrativas as vinculações historiográficas de seus autores, pois a seleção de temas, as abordagens realizadas e as atividades propostas são indícios de certas filiações a determinadas escolas históricas. III. As práticas dos professores em sala de aula não são um parâmetro para análise das influências historiográficas porque as propostas de atividades, como o trabalho com fontes primárias, não evidenciam práticas epistemológicas da história. Qual(is) está(ão) correta(s)? A) Apenas a afirmativa I. B) Apenas a afirmativa II. C) Apenas as afirmativas I e II. D) Apenas as afirmativas II e III. E) I, II e III. 4) O ensino de História é influenciado diretamente pelas "escolas" historiográficas na medida em que elas aportam uma concepção de história, uma noção de temporalidade e uma forma de abordar o passado. Pensando nisso, leia as afirmativas a seguir. I. Sob a égide do positivismo, o ensino de História apresentava o conhecimento do passado como um dado, uma "verdade acabada", que deveria ser apenas transmitido pelo professor. II. O marxismo permitiu uma renovação no ensino de História, ao reforçar a postura de neutralidade e objetividade do professor, e um ensino destinado a reproduzir um passado acabado. III. Os Annales e a nova história permitiram que novas abordagens temáticas, que antes não apareciam nos currículos escolares e nos livros didáticos, fossem incorporadas ao cotidiano escolar. Qual(is) está(ão) correta(s)? A) Apenas a afirmativa I. B) Apenas a afirmativa II. C) Apenas a afirmativa III. D) Apenas as afirmativas I e III. E) Apenas as afirmativas II e III. 5) A escrita da história do que é chamado de "Brasil" começou a ser feita ainda no período da América portuguesa. A partir da independência da colônia e da configuração do Brasil como um Estado-nação, tem-se um incremento nessa narrativa, a fim de forjar uma história e uma memória. A historiografia brasileira, ramo que se dedica ao estudo da escrita da história no Brasil, tem algumas características e especificidades. Em relação a essa temática, assinale a alternativa correta. A) A historiografia brasileira sofreu fortes influências dos debates historiográficos realizados na Europa e nos Estados Unidos, e isso se refletiu nos estudos sobre a história do Brasil, bem como nas definições sobre a identidade brasileira. B) A historiografia brasileira não sofreu influências dos debates historiográficos realizados na Europa e nos Estados Unidos, já que as discussões nesses lugares não se relacionavam com os problemas brasileiros. C) A historiografia brasileira sofreu fortes influências dos debates historiográficos realizados na Europa e nos Estados Unidos, e isso refletiu nos estudos sobre a história do Brasil, mas não nas discussões sobre a identidade brasileira. D) Os debates historiográficos realizados na Europa e nos Estados Unidos influenciaram a historiografia brasileira, mas somente na temática da escravidão e do movimento operário, em razão do marxismo. E) Os debates historiográficos realizados na Europa e nos Estados Unidos influenciaram a historiografia brasileira somente até o século XX, quando foram progressivamente abandonados em prol da historiografia africana e asiática. Na prática Para pensar em um ensino de História que estimule a criticidade e seja um momento de reflexão para os alunos, é necessário trabalhar com eles o que significa "história". Partir dessa definição será um diferencial para encarar os fatos do passado como algo acabado, pronto, ou como uma atividade em constante construção. No anexo, veja como você pode trabalhar com a pergunta "o que é História?" a partir de uma atividade que pode ser desenvolvida nos ensinos fundamental ou médio. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Saiba mais Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Ensino da História e memória coletiva Na seguinte obra, aprenda um pouco mais sobre as relações entre História e memória no ensino de História. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Ensino de história da África Assista a este vídeo, produzido por Mônica Lima, em que são colocadas algumas questões em relação ao ensino da história da África, seus significados e seus desafios. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Estudos africanos e indígenas No link a seguir, conheça o site da AYA - Biblioteca de estudos pós-coloniais e decoloniais, o qual contém sugestões para o ensino de história indígena e africana. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. História - introdução ao ensino e à prática Com a leitura desta obra, complemente seus estudos sobre o ensino de História, sobre sua historicidade e sobre algumas práticas pedagógicas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Metodologia do ensino de História A fim de aprender um pouco mais sobre as diferentes metodologias de ensino de História, estude esta obra que abrange diferentes níveis de ensino. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!