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PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL Prof. Jaime Wellington PRINCÍPIOS Significa causa primária, momento em que algo tem origem, elemento predominante na construção de um corpo orgânico, preceito, regra, fonte de uma ação. Em direito, princípio jurídico quer dizer uma ordenação que se irradia e imanta os sistemas de normas, servindo de base para a interpretação, integração, conhecimento e aplicação do direito positivo. Podem ser de natureza constitucional-processual e meramente processual, bem como explícito e implícito. Dignidade da Pessoa Humana: Fundamento da República Federativa do Brasil e, sobre um aspecto objetivo, significa o mínimo existencial ao ser humano, atendendo suas necessidades básicas. Em seu aspecto subjetivo, trata-se do sentimento de respeitabilidade e autoestima, inerentes ao ser humano, desde ao nascimento, em relação aos quais não cabe qualquer espécie de renúncia ou desistência. Devido Processo Legal: Guarda suas raízes no princípio da legalidade, garantindo ao indivíduo que somente seja processado e punido se houver lei penal anterior definindo crime e pena. Dois deles são regentes de todos os demais, independente do campo d inserção. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS Presunção de inocência/Estado de inocência/ não culpabilidade: Todo acusado é presumidamente inocente, até que seja declarado culpado por sentença condenatória, com trânsito em julgado. Art. 5, LVII. O ônus da prova cabe a acusação. Princípio da ampla defesa: Ao réu é concedido o direito de se valer de amplos e extensos métodos para se defender da imputação feita pela acusação. Art. 5, LV, CF Medidas cautelares de prisão - Excepcionalidade e necessariedade1. Início cumprimento da prisão pena2. In dubio pro réu3. Imunidade a autoacusação - nemo tenetur se detegere. Art. 5, LXIII, CF4. Revisão criminal1. Autodefesa 2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS Plenitude de Defesa: No júri, o réu tem direito não somente a ampla defesa, mas uma defesa plena, completa o mais próximo possível do perfeito. Art. 5, XXXVIII,a, CF. Princípio do Contraditório: Toda alegação fática ou apresentação de prova feita no processo por uma das partes, tem outra, adversária, o direito de se manifestar, havendo um perfeito equilíbrio na relação estabelecida pela pretensão estabelecida pelo estado. Art. 5, LV, CF. Princípio do Juiz Natural e Imparcial, Princípio consequencial da iniciativa das partes: O réu tem o direito de ser julgado por um juiz previamente determinado pela lei e pelas normas constitucionais, acarretando, por consequência, um julgamento imparcial. Vedação ao tribunal de exceção. Art. 5, XXXVII, CF. Criação de varas especializadas no curso do processo. STJ1. PSJCR - Art. 8, item 1. 2. Vedação processo judicialiforme, exceto execução penal (art. 195, lei 7.210)3. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS Princípio da Publicidade: Os atos processuais devem ser realizados publicamente, à vista de quem queira acompanhá-los, sem segredos e sigilos. Princípio da vedação das provas ilícitas: Não pode as partes produzirem provas não autorizadas pelo ordenamento jurídico ou que não respeite as formalidades legais. Art. 5, LVI, CF. Exceção: interesse público e intimidade o exigir.1. Cabe exceção?1. Princípio da economia processual e consequenciais da razoável duração do processo: A constituição determina que processos não podem se arrastar por anos, a depender de sua complexidade, sem que o Estado-juiz apresente uma resposta para encerrar a lide. Art. 5, LXXVIII, CF. Art. 355, CPP. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS EXPLÍCITOS Princípio do Sigilo das votações: Os jurados devem proferir veredicto em votação situada em sala especial, assegurando-lhes tranquilidade e possibilidade de reflexão... Art. 5, XXXVIII,b, CF. Princípio da Soberania dos veredictos: A decisão do tribunal do júri não é passível de ser alterada. Art. 5, XXXVIII,c, CF. Júri é competente para julgar os crimes dolosos contra a vida. Art. 5, XXXVIII,b, CF. .1. Princípio da Legalidade Estrita da Prisão Cautelar: A prisão de qualquer pessoa necessita cumprir requisitos formais, seja pro meio de flagrante ou prisão cautelar/provisória (preventiva e temporária). Art. 5, LXI CF. Art. 5, LXII CF. Art. 5, LXIII CF. Art. 5, LXIV CF. Art. 5, LXV CF. Art. 5, LXVI, CF. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS IMPLÍCITOS Princípio do Duplo Grau de Jurisdição: A parte tem o direito de buscar o reexame da causa por órgão jurisdicional superior. Princípio do Promotor Natural e Imparcial: O indivíduo deve ser acusado por um órgão imparcial do Estado, previamente designado por lei, vedada a indicação de acusador para atuar em casos específicos. Princípio da Oficialidade: A persecução penal é uma função primordial e obrigatória, devendo o estado, através de seus órgãos oficiais, investigar, processar e punir. Princípio da Intranscendência: A ação não pode ser instaurada contra quem não praticou um ilícito ou para ele contribuiu. Princípio da Vedação do Duplo Processo pelo mesmo fato. Vedação ao ne bis in idem PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL Princípio da Verdade Real: O magistrado deve buscar provas, tanto quanto as partes, não se contentando com o que lhe é apresentado, simplesmente. Princípio da Oralidade, Concentração e Identidade física do juiz: A palavra oral deve prevalecer sobre a escrita. Os atos devem ser concentrados no menor número de audiência possível. O magistrado que preside a instrução deve ser o responsável pelo julgamento. Princípio da Indivisibilidade da Ação Penal Privada: O estado permite, em alguns casos, o exercício de início de ação penal por particular, no caso, vítimas ou seus representantes legais. Contudo, caso o crime seja cometido em concurso de pessoas, a ação penal deve ser desencadeada em relação a todos os participes e autores. PRINCÍPIOS DO PROCESSO PENAL Princípio da Comunhão das Provas: Embora possa a prova ser produzida pelas partes, elas não pertencem a quem a produzir, mas ao processo. Não há titular de uma prova, mas mero proponente. Princípio do Impulso Oficial: Uma vez iniciada a ação penal, por iniciativa do Ministério Público ou Ofendido, deve o juiz movimentá-la até o final. Princípio da Persecução Racional: O juiz forma seu convencimento de maneira livre, mas sempre motivadamente.