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Princípios do Processo Penal ● Finalidade do Processo Penal: ↳ O processo penal possui duas finalidades: a) imediata: aplicar o direito penal. b) mediata: proteger a sociedade e a paz social; defender o ordenamento jurídico e realizar a pretensão punitiva do Estado. ● O que são princípios ? ↳ São os valores básicos da sociedade. ↳ Podem ser considerados dogmas que integram o sistema jurídico e oferecem valor ao aplicador do direito. ↳ Dessa forma, o orientam quanto à forma de aplicar e interpretar a norma no caso concreto, assegurando a finalidade do processo penal. ↳ Possui duas funções: a) normativa: já que também é uma norma, possuindo força coercitiva. b) interpretativa: caso a norma gere dúvidas, o conteúdo dos princípios são utilizados. ● Devido processo legal: ⇘ Art. 5º LIV - ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; ↳ Esse princípio tem como objetivo proteger os direitos do indivíduo, desde o primeiro momento de intervenção do Estado. ↳ É uma visão garantista do processo penal. ↳ Efetiva, de fato, os direitos fundamentais do réu. ↳ Todos os demais princípios derivam desse. ↳ Prevê que ninguém pode ser processado senão por crime previsto em lei e sem devido processo legal, ou seja, a pena só é imposta ao réu após o processo. (aspecto material). ↳ As partes manifestam e deduzem seus interesses (aspecto processual). ↳ O Estado deve proteger de maneira eficaz os direitos do homem e não deve cometer excessos. ● Do estado de inocência: ⇘ Art. 5º LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; ⇘ Art. 283. Ninguém poderá ser preso senão em flagrante delito ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente, em decorrência de prisão cautelar ou em virtude de condenação criminal transitada em julgado. ↳ O réu permanece em situação de inocente até que seja declarado culpado. ↳ Inquéritos e processos em andamento não podem agravar a pena-base de outra ação penal. ↳ Prisões provisórias não ferem a presunção de inocência, mas devem ser justificadas (acontecem de forma excepcional). ↳ A acusação deve trazer elementos de prova, para comprovar a acusação feita. ↳ Documentos Importantes: a) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão; b) Declaração Universal dos Direitos Humanos; c) Convenção Americana sobre Direitos Humanos. ● Do contraditório: ⇘ Art. 5º LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; ⇘ Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. ↳ É a essência do processo penal. ↳ Determina que a outra parte deve ser ouvida. ↳ A ampla defesa permite o conhecimento da acusação. ↳ Igualdade processual das partes, trinômio: a) informação: direito de que a parte seja intimada sobre ato processual praticado. b) participação: direito de manifestação a respeito do ato processual praticado. c) influência: possibilidade de influência na decisão do juiz. ↳ Esse princípio vigora, em destaque, durante a SEGUNDA FASE do PP: INSTRUÇÃO! ● Da busca da verdade: ⇘ Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a fizer, sendo, porém, facultado ao juiz de ofício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante. ↳ Verdade, além de ser um dos objetivos do processo, é o que se consegue estabelecer dentro do processo. ↳ A pretensão punitiva é voltada àquele que cometeu a infração penal. ↳ O aplicador do direito busca a verdade dos fatos objeto da ação, tentando descobrir como tudo aconteceu - da forma mais aproximada possível -, sem presumir nada. ● Da publicidade: ⇘ Art. 5º LX - a lei só poderá restringir a publicidade dos atos processuais quando a defesa da intimidade ou o interesse social o exigirem; ⇘ Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; ↳ A publicidade permite que as pessoas tenham a possibilidade de acompanhar processos e atos processuais, a fim de fiscalizarem a atuação punitiva do Estado. ↳ Decorre do princípio democrático. ↳ Em REGRA, os atos processuais são públicos. ↳ Os atos de investigação, do inquérito, são sigilosos. ↳ A publicidade, também, pode ser especial ou restrita em alguns casos específicos. ⇘ Art. 792. As audiências, sessões e os atos processuais serão, em regra, públicos e se realizarão nas sedes dos juízos e tribunais, com assistência dos escrivães, do secretário, do oficial de justiça que servir de porteiro, em dia e hora certos, ou previamente designados. § 1o Se da publicidade da audiência, da sessão ou do ato processual, puder resultar escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem, o juiz, ou o tribunal, câmara, ou turma, poderá, de ofício ou a requerimento da parte ou do Ministério Público, determinar que o ato seja realizado a portas fechadas, limitando o número de pessoas que possam estar presentes. ● Da obrigatoriedade: ↳ Esse princípio só é aplicado no caso de Ação Penal Pública. ↳ Não é absoluto. ↳ Serve para apurar infrações. ↳ É o exercício do “jus puniendi” do Estado, ou seja, exercício do seu direito de punir. ↳ É obrigação da polícia instaurar uma investigação, assim como é dever do MP propor uma ação penal pública. ● Da oficialidade: ↳ Decorre do princípio da obrigatoriedade. ↳ A pretensão punitiva cabe aos órgãos oficiais → Polícia, Ministério Público e Judiciário. ↳ Exceção: ação penal privada. ● Da indisponibilidade do processo: ↳ Também decorre do princípio da obrigatoriedade. ↳ O Inquérito Policial e a Ação Penal, uma vez que são instaurados, DEVEM prosseguir. ● Do juiz natural: ⇘ Art. 5º LIII - ninguém será processado nem sentenciado senão pela autoridade competente; ↳ O juiz natural é aquele que está previamente definido. ↳ O infrator será processado E julgado pelo órgão competente. ↳ Dessa forma, deve ser sentenciado por um juiz que possui sua competência pré-estabelecida pela CF e pela lei. ↳ É VEDADO tribunal de exceção. ↳ Entretanto, as justiça especializadas são permitidas, no âmbito penal existem duas: Militar e Eleitoral. ● Da iniciativa das partes: ↳ Cabe às partes provocarem a prestação jurisdicional. ↳ Tanto na Ação Penal Pública (iniciativa do MP), quanto na Ação Penal Privada (iniciativa da parte). ↳ A parte provoca SE QUISER. ● Do impulso oficial: ↳ O impulso processual é continuidade dos atos processuais. ↳ O juiz, de ofício, dará andamento ao processo até o fim. ● Da imparcialidade do juiz: ↳ Esse princípio deriva do Sistema Acusatório. ↳ O juiz deve julgar o caso de maneira isenta. ↳ Imparcialidade: a) objetiva: competência pré-fixada, antes do fato ocorrer. b) subjetiva: sem impedimentos, incompatibilidade ou suspeição. ↳ Para que exerça sua função com tranquilidade, possui garantias constitucionais→ vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de vencimento. ● Da persuasão racional: ⇘ Art. 155. O juiz formará sua convicção pela livre apreciação da prova produzida em contraditório judicial, não podendo fundamentar sua decisão exclusivamente nos elementos informativos colhidos na investigação, ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas. ↳ Também chamado de livre convencimento. ↳ Juiz deve tomar uma decisão com base com o que está no processo. ● Do “favor rei”: ↳ Decorre do princípio da presunção de inocência. ↳ Caso o juiz esteja em dúvida, deve absolver o réu. ↳ É melhor absolver um possível culpado do que condenar um inocente. ● Do amplo grau de jurisdição: ↳ Esse princípio não está expressamente previsto na CF. ↳ O duplo grau, ou reexame da causa, existe para que as partes tenham maior certeza da aplicação de direito no caso concreto. ↳ É possível fazer essa reapreciação por meio dos RECURSOS.