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1 Nome dos acadêmicos 
2 Nome do Professor tutor externo 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI - Curso (Código da Turma) – Prática do Módulo I - dd/mm/aa 
O Lúdico como Ferramenta Pedagógica na Alfabetização 
do Ensino Fundamental 1: Uma Análise Teórica 
 
 
 
 
Karina Gonzaga¹ 
Tutor Patrícia Kath² 
 
 
RESUMO 
Este artigo explora a relevância do lúdico como estratégia pedagógica no processo de alfabetização 
no Ensino Fundamental 1. Discutiremos como a integração de jogos, brincadeiras e atividades 
prazerosas contribui para o engajamento, o desenvolvimento cognitivo e socioemocional, e a 
construção de uma aprendizagem significativa da leitura e escrita. A metodologia baseia-se em 
revisão bibliográfica de autores que abordam o tema da ludicidade na educação e suas implicações 
para a aquisição da linguagem escrita. Conclui-se que o lúdico não é meramente um recurso 
didático complementar, mas um pilar fundamental para uma alfabetização eficaz e prazerosa, 
impactando positivamente a trajetória educacional das crianças. 
 
Palavras-chave 
Alfabetização, Lúdico, Ensino Fundamental 1, Aprendizagem Significativa, Desenvolvimento 
Infantil. 
 
 
1. INTRODUÇÃO 
 
 A alfabetização no Ensino Fundamental 1 representa uma das etapas mais cruciais no percurso 
educacional da criança. É nesse período que se estabelecem as bases para a proficiência em leitura e 
escrita, habilidades essenciais para a participação plena na sociedade letrada. Tradicionalmente, o 
ensino da alfabetização por vezes se ancorou em métodos mais diretivos e repetitivos, que nem 
sempre consideravam a natureza intrínseca do desenvolvimento infantil e suas formas peculiares de 
aprender. No entanto, nas últimas décadas, a pedagogia do lúdico tem ganhado destaque como uma 
abordagem transformadora, que reconhece o brincar como um veículo poderoso para a construção 
do conhecimento (VYGOTSKY, 1987). 
 A alfabetização, nos primeiros anos do Ensino Fundamental 1, é uma etapa decisiva para a 
trajetória educacional e social da criança. Tradicionalmente, métodos mais formais e focados na 
2 
 
repetição podem não capitalizar a curiosidade inata e a forma como as crianças naturalmente 
interagem com o mundo. É nesse cenário que o lúdico se consolida como uma ferramenta 
pedagógica de valor inestimável. A inclusão de jogos, brincadeiras e atividades prazerosas não 
apenas torna o processo mais envolvente e motivador, mas também potencializa a aprendizagem, 
transformando o desafio de decifrar o código escrito em uma aventura prazerosa e significativa para 
os pequenos. 
 Um dos pilares teóricos que sustentam a relevância do lúdico é a perspectiva vygotskiana. Para 
Vygotsky (1987), "no brinquedo, a criança está sempre acima de seu comportamento usual, acima 
de seu comportamento diário; no brinquedo, é como se ela fosse maior do que é na realidade. Como 
em uma lente de aumento, o brinquedo contém todas as tendências do desenvolvimento sob forma 
condensada e é ele mesmo uma fonte de desenvolvimento". Essa visão ressalta que o ambiente 
lúdico funciona como uma Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), onde a criança pode 
experimentar e operar com conceitos linguísticos mais complexos antes de internalizá-los 
formalmente. Assim, ao brincar com letras e palavras, ela simula usos da linguagem escrita, 
construindo compreensões que seriam mais difíceis de serem alcançadas em atividades puramente 
formais. 
 A contribuição de Piaget (1975) complementa essa compreensão ao destacar o papel do jogo na 
assimilação do conhecimento. Segundo ele, "o jogo é, acima de tudo, assimilação da realidade ao 
eu. É a atividade na qual a criança, livre das pressões do mundo externo, subordina a realidade a 
seus próprios desejos e necessidades". Essa perspectiva demonstra que, no contexto lúdico da 
alfabetização, a criança não é um mero recipiente de informações, mas um agente ativo que integra 
os elementos da língua escrita ao seu próprio universo simbólico. Ela explora, experimenta e atribui 
significado às letras e fonemas, o que favorece uma construção autêntica e duradoura do 
conhecimento sobre o sistema alfabético, longe da memorização descontextualizada. 
 Ademais, a efetividade do lúdico é reforçada pela sua capacidade de integrar a alfabetização às 
práticas sociais de letramento. Conforme Kishimoto (2011) afirma, "O jogo, quando concebido 
como atividade essencial na educação, torna-se um instrumento pedagógico importante, pois sua 
natureza intrínseca permite que a criança aprenda de forma ativa, prazerosa e construtiva." Isso se 
alinha à visão de Soares (2016), que define "Letramento" como a condição de quem não só sabe ler 
e escrever, mas exerce as práticas sociais de leitura e escrita, interagindo com o mundo. O lúdico, 
ao simular situações cotidianas – como a escrita de listas em uma brincadeira de supermercado ou a 
leitura de receitas em um jogo de culinária – proporciona um ambiente rico para que a criança 
compreenda a funcionalidade social da leitura e da escrita, desenvolvendo não apenas a habilidade 
de decodificar, mas também a competência para utilizar a linguagem em contextos reais e 
significativos. 
 
Este artigo propõe-se a analisar o papel do lúdico na alfabetização do Ensino Fundamental 1, 
evidenciando como a integração de atividades prazerosas e significativas pode otimizar o processo 
de aquisição da linguagem escrita. A pesquisa fundamenta-se em uma revisão teórica que busca 
consolidar argumentos em favor dessa abordagem, apresentando seus benefícios e discutindo a 
forma como se manifesta na prática pedagógica. 
 
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 
2.1 O Lúdico e a Aprendizagem 
3 
 
O conceito de lúdico vai além da mera recreação. Para Huizinga (2000), o jogo é uma 
atividade inerente à cultura humana, com características de liberdade, desinteresse material e uma 
ordem própria. Na perspectiva educacional, o lúdico é um modo de ser, de pensar e de agir, que 
permite à criança explorar o mundo, expressar-se e construir significados de forma ativa e prazerosa 
(KISHIMOTO, 2011). 
No contexto da alfabetização, o brincar assume um papel central por se coadunar com as 
características cognitivas e emocionais da criança em desenvolvimento. Piaget (1975) ressalta a 
importância do jogo na construção do conhecimento, pois é através dele que a criança assimila 
informações, elabora esquemas mentais e desenvolve o pensamento simbólico. Vygotsky (1987), 
por sua vez, enfatiza que o brincar é a zona de desenvolvimento proximal (ZDP) da criança, ou seja, 
o espaço onde ela é capaz de realizar tarefas mais complexas com o apoio do adulto ou de pares, 
internalizando conceitos e habilidades. 
A integração do lúdico na alfabetização permite: 
• Engajamento e Motivação: A natureza intrínseca do jogo gera um alto nível de interesse e 
motivação intrínseca nos alunos, transformando a aprendizagem de uma obrigação em um 
desejo. 
• A natureza intrínseca do jogo é um poderoso catalisador para o engajamento e a 
motivação intrínseca dos alunos, especialmente no processo de alfabetização. Ao 
transformar a atividade de aprendizagem de uma mera obrigação em um desejo genuíno, o 
lúdico ressignifica a experiência educacional. Autores como Huizinga (2000) e Kishimoto 
(2011) convergem ao afirmar que o jogo não é apenas uma atividade recreativa, mas uma 
forma essencial de interação com o mundo, permitindo que a criança explore, experimente e 
construa conhecimentos de maneira ativa e prazerosa. Essa abordagem lúdica fomenta um 
ambiente onde a curiosidade e o prazer de descobrir são os principais motores do 
aprendizado, superando a resistência que muitas vezes acompanha métodos mais 
tradicionais. 
• Aprendizagem Significativa: Ao contextualizar as letras, sílabas e palavras em situações de 
brincadeira e uso real, a criança atribui sentido ao que está aprendendo, facilitando a 
internalizaçãodo sistema alfabético e a compreensão de suas funções sociais (SOARES, 
2016). 
Essa transformação, de obrigação para desejo, é crucial para a aprendizagem significativa e 
o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais. Piaget (1975) e Vygotsky 
(1987) destacam a relevância do brincar na construção do conhecimento e na Zona de 
Desenvolvimento Proximal (ZDP), respectivamente, mostrando como o jogo facilita a 
assimilação de informações e a internalização de conceitos. Quando a criança se sente motivada 
4 
 
e engajada, ela tende a persistir nas tarefas, a resolver problemas de forma criativa e a interagir 
de maneira mais colaborativa, conforme observado por Teberosky e Colomer (2003) ao 
abordarem a redução da ansiedade em ambientes lúdicos. Assim, o lúdico não só potencializa o 
aprendizado do sistema alfabético, mas também fortalece a autoconfiança e o desenvolvimento 
integral do indivíduo. 
 
• Desenvolvimento de Habilidades Cognitivas: Jogos e brincadeiras estimulam a atenção, a 
memória, o raciocínio lógico, a resolução de problemas e a criatividade, habilidades cruciais 
para o sucesso no processo de alfabetização. 
• Aspectos Socioemocionais: A interação em jogos coletivos promove o desenvolvimento de 
habilidades socioemocionais, como a colaboração, o respeito às regras, a empatia e a 
capacidade de lidar com frustrações, essenciais para o desenvolvimento integral do 
indivíduo. 
• Redução da Ansiedade e do Medo de Errar: Ambientes lúdicos tendem a ser mais leves e 
acolhedores, diminuindo a pressão sobre o desempenho e o medo de cometer erros, o que é 
fundamental para a construção da autoconfiança no processo de aprendizagem 
(TEBEROSKY; COLOMER, 2003). 
Emília Ferreiro e Ana Teberosky, com suas pesquisas sobre a psicogênese da língua escrita, 
revolucionaram a compreensão dos processos de alfabetização ao demonstrar que a criança é 
um sujeito ativo na construção do conhecimento. Elas evidenciaram que as crianças elaboram 
hipóteses sobre a escrita, testando-as e reformulando-as em um processo contínuo de 
descobertas. Segundo Ferreiro e Teberosky (1999, p. 18): 
A escrita é um objeto de conhecimento para a criança, e ela tenta compreendê-la, não apenas 
copiá-la. As crianças constroem ideias sobre a escrita, elaboram teorias a seu respeito, e essas 
teorias são progressivamente mais complexas e sofisticadas. 
Essa perspectiva corrobora a importância do lúdico, pois um ambiente de brincadeira 
oferece a liberdade e a descompressão necessárias para que a criança explore e confronte suas 
hipóteses sobre o sistema de escrita sem o receio do erro formal. O jogo se torna um laboratório 
onde as crianças experimentam diferentes formas de registro, observam as reações dos pares e 
dos adultos, e ajustam suas compreensões. 
 
2.2 Estratégias e Práticas da Alfabetização Lúdica 
 
5 
 
A aplicação da alfabetização lúdica no Ensino Fundamental 1 não se limita a atividades 
isoladas, mas permeia o planejamento pedagógico e as interações em sala de aula. Algumas 
estratégias e exemplos de atividades que demonstram a efetividade dessa abordagem incluem: 
• Jogos de Consciência Fonológica: Atividades com rimas, aliterações, segmentação de 
palavras em sílabas e identificação de sons iniciais/finais, frequentemente realizadas por 
meio de músicas, parlendas e jogos de escuta, são cruciais para a compreensão do sistema 
alfabético (CAPOVILLA; CAPOVILLA, 2004). 
• Jogos de Reconhecimento de Letras e Palavras: Jogos de tabuleiro, dominós, quebra-
cabeças e bingos com letras, sílabas e palavras são ferramentas eficazes para o 
reconhecimento visual e a memorização. 
• Contação de Histórias e Dramatizações: A leitura de livros, a invenção de histórias e a 
encenação de personagens estimulam a imaginação, a compreensão textual, a fluência verbal 
e o vocabulário, elementos que precedem e acompanham a escrita. 
• Atividades Sensório-Motoras: A escrita na areia, com tinta, modelagem de letras com 
massinha ou o uso de blocos de montar para formar palavras oferecem uma experiência tátil 
e cinestésica que reforça o aprendizado (FERREIRO; TEBEROSKY, 1999). 
• Produção de Textos com Propósito Social: A criação de listas, receitas simples, convites 
ou pequenos bilhetes, mesmo que coletivamente e com a mediação do professor, confere 
funcionalidade à escrita e estimula a autoria desde cedo. 
É fundamental que o professor atue como um mediador consciente, planejando as atividades 
com intencionalidade pedagógica, observando o progresso dos alunos e intervindo de forma 
oportuna para otimizar o aprendizado. A diversificação das propostas e a criação de um ambiente 
rico em estímulos lúdicos são essenciais para atender à heterogeneidade da turma e manter o 
engajamento. 
 
Gráfico 1 - Percentual de Crianças por Nível de Escrita em Turmas com e sem Intervenção 
Lúdica (Hipótese) 
Turmas com e sem Intervenção Lúdica (Hipótese) 
 PRÉ-
SILÁBICO 
SILÁBICO SILÁBICO-
ALFAB. 
ALFABÉTICO 
 TURMA SEM 
LÚDICO 
35% 30% 20% 15% 
 TURMA COM 
LÚDICO 
10% 25% 35% 30% 
Fonte: Dados hipotéticos elaborados pelo autor, 2025. 
6 
 
 
O Gráfico 1, embora hipotético, ilustra a expectativa de impacto da intervenção lúdica no 
desenvolvimento dos níveis de escrita em crianças do Ensino Fundamental 1, conforme as fases de 
psicogênese da língua escrita de Ferreiro e Teberosky (1999). Na "Turma Sem Lúdico", 
observamos uma maior concentração de crianças nos níveis iniciais de escrita (pré-silábico e 
silábico), com 35% e 30% respectivamente, e uma parcela menor atingindo o nível alfabético 
(15%). Isso pode indicar uma dificuldade na transição para níveis mais avançados de compreensão 
do sistema de escrita quando o aprendizado se dá de forma mais formal e menos engajadora. 
Por outro lado, na "Turma Com Lúdico", há uma inversão significativa. O percentual de 
crianças no nível pré-silábico reduz drasticamente para 10%, enquanto a proporção nos níveis 
silábico-alfabético (35%) e alfabético (30%) aumenta consideravelmente. Esse cenário hipotético 
sugere que a abordagem lúdica pode acelerar o processo de avanço nas hipóteses de escrita, 
permitindo que mais crianças compreendam a lógica do sistema alfabético e se tornem leitores e 
escritores mais proficientes. A maior presença de crianças nos estágios mais avançados de escrita na 
turma com intervenção lúdica corrobora a ideia de que o brincar, ao promover o engajamento, a 
experimentação e a atribuição de sentido, otimiza o desenvolvimento cognitivo necessário para a 
alfabetização. Esse dado, mesmo que simulado, fortalece a tese de que o lúdico não é apenas um 
complemento, mas um motor essencial para uma alfabetização eficaz e significativa. 
 
3. METODOLOGIA 
 
A metodologia empregada na elaboração deste artigo baseou-se em uma revisão 
bibliográfica sistemática. O estudo foi conduzido por meio da pesquisa e análise de literatura 
pertinente à temática da alfabetização, do lúdico e do desenvolvimento infantil, com foco específico 
em sua aplicação no Ensino Fundamental 1. 
As fontes consultadas englobaram livros, artigos científicos, teses e dissertações disponíveis 
em bases de dados acadêmicas, como Scielo, Google Scholar e periódicos especializados em 
educação e psicologia. Foram selecionados trabalhos de autores consagrados e referências no 
campo da psicogênese da língua escrita, da ludicidade na educação e da teoria sociocultural do 
desenvolvimento, como Emília Ferreiro, Ana Teberosky, Jean Piaget, Lev Vygotsky, Johan 
Huizinga, Tizuko Morchida Kishimoto e Magda Soares, entre outros. 
O processo de revisão seguiu as seguintes etapas: 
1. Definição das Palavras-Chave: As palavras-chave utilizadas para a busca incluíram 
"alfabetização", "lúdico", "ludicidade", "Ensino Fundamental 1", "aprendizagem 
significativa", "desenvolvimento infantil" e combinações desses termos. 
7 
 
2. Seleção das Fontes: Inicialmente, foram identificadosestudos que abordavam a relação 
entre o brincar e a aprendizagem, bem como pesquisas sobre as metodologias de 
alfabetização e o papel do professor. Priorizou-se a literatura que discutia os fundamentos 
teóricos e as implicações práticas do lúdico no contexto da aquisição da leitura e escrita em 
crianças. 
3. Análise e Síntese: Os materiais selecionados foram lidos criticamente, com o objetivo de 
extrair conceitos-chave, argumentos centrais e exemplos de práticas pedagógicas que 
corroborassem a tese do artigo. A análise focou na compreensão de como o lúdico contribui 
para o engajamento, a motivação, o desenvolvimento cognitivo e socioemocional, e a 
construção de sentido no processo de alfabetização. 
4. Organização do Conteúdo: As informações coletadas foram organizadas de forma lógica e 
coerente, estruturando o artigo em seções que abordam a fundamentação teórica, as 
estratégias e as considerações finais sobre o tema. 
Esta abordagem metodológica permitiu a construção de um referencial teórico robusto, que 
sustenta a argumentação sobre a relevância e os benefícios da alfabetização lúdica no Ensino 
Fundamental 1, consolidando o conhecimento existente e oferecendo uma análise integrada sobre o 
tema. 
 
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES 
 
A análise teórica empreendida neste estudo corrobora de forma contundente a premissa de 
que o lúdico é uma ferramenta pedagógica de extrema relevância no processo de alfabetização do 
Ensino Fundamental 1. Os resultados da revisão bibliográfica evidenciam uma forte conexão entre a 
ludicidade e o desenvolvimento cognitivo, linguístico e socioemocional das crianças, como previsto 
pelos autores estudados. 
Observa-se que a teoria de Vygotsky (1987) sobre a Zona de Desenvolvimento Proximal 
(ZDP) encontra um campo fértil de aplicação nas práticas lúdicas. No brincar, a criança é 
impulsionada a operar em um nível de desenvolvimento superior ao seu desempenho individual, 
com o apoio do professor e dos pares. Por exemplo, em jogos de rimas ou de formação de palavras, 
as crianças experimentam combinações sonoras e gráficas que, de outra forma, exigiriam um 
esforço cognitivo maior em um contexto formal. Essa experimentação lúdica permite que a criança 
simule e internalize conceitos que estão em seu caminho para a autonomia na escrita e leitura. 
A perspectiva de Piaget (1975) sobre a assimilação do conhecimento por meio do jogo 
também é visível. Ao manipular letras com massinha, ao criar um cardápio para uma brincadeira de 
restaurante, ou ao organizar um bingo de palavras, as crianças não apenas memorizam, mas 
8 
 
ativamente integram os elementos da linguagem escrita ao seu universo simbólico. O lúdico oferece 
um ambiente onde a criança é protagonista de sua aprendizagem, explorando o objeto de 
conhecimento de forma ativa e construindo significados autênticos para o sistema alfabético. Essa 
ação, longe de ser passiva, gera um conhecimento mais consolidado e duradouro. 
A contribuição de Ferreiro e Teberosky (1999) é fundamental para entender como o lúdico 
valida e potencializa as hipóteses que as crianças constroem sobre a escrita. Em atividades como a 
escrita de bilhetes para os colegas em uma brincadeira de correio ou a criação de um "jornal da 
turma", mesmo que com grafias não convencionais, a criança testa suas concepções sobre a relação 
entre fala e escrita. O ambiente lúdico acolhe essas tentativas, permitindo que o professor observe 
as hipóteses da criança (pré-silábica, silábica, silábico-alfabética) e intervenha de forma planejada, 
utilizando o jogo para provocar avanços. O Gráfico 1, embora hipotético, reflete essa correlação ao 
indicar que turmas com intervenção lúdica tendem a apresentar um maior percentual de crianças nos 
níveis mais avançados de escrita, sugerindo que o lúdico age como um catalisador no 
desenvolvimento dessas hipóteses. 
Além dos aspectos cognitivos, a pesquisa reforça que o lúdico atua diretamente nos aspectos 
socioemocionais, conforme apontado por Teberosky e Colomer (2003). A redução da ansiedade e 
do medo de errar em um ambiente descontraído do jogo é crucial para o processo de alfabetização. 
Crianças que se sentem seguras para experimentar, mesmo que cometam erros, demonstram maior 
engajamento e persistência. A interação em jogos coletivos também promove o desenvolvimento da 
colaboração e do respeito às regras, habilidades sociais que impactam positivamente a dinâmica da 
sala de aula e o processo de aprendizagem em grupo. 
Por fim, a consonância entre o lúdico e o conceito de letramento de Magda Soares (2016) é 
inegável. Ao proporcionar contextos para o uso social da leitura e da escrita, o lúdico prepara a 
criança para ir além da decodificação. A confecção de receitas em uma brincadeira de culinária, a 
leitura de rótulos em um "supermercado" simulado, ou a escrita de convites para uma "festa" na sala 
de aula, são exemplos práticos de como o lúdico insere a criança nas práticas de letramento. Isso 
demonstra que o aprendizado da escrita não é um fim em si mesmo, mas um meio para interagir 
com o mundo, conferindo funcionalidade e sentido ao que está sendo aprendido. 
Portanto, os resultados da revisão bibliográfica indicam que a alfabetização lúdica não é uma 
abordagem isolada, mas uma pedagogia integrada que se apoia em sólidas bases teóricas para 
promover um desenvolvimento integral e uma aprendizagem da leitura e escrita mais eficaz e 
significativa. O professor, nesse cenário, emerge como o mediador essencial, capaz de transformar 
o potencial intrínseco do brincar em oportunidades concretas de aprendizagem. 
 
 
9 
 
5. CONCLUSÃO 
 
A alfabetização lúdica no Ensino Fundamental 1 representa uma abordagem pedagógica 
robusta e alinhada com as necessidades do desenvolvimento infantil. Ao integrar o brincar como 
eixo central do processo de ensino-aprendizagem da leitura e escrita, não apenas se otimiza a 
aquisição de habilidades cognitivas e linguísticas, mas também se promove o desenvolvimento 
socioemocional da criança. 
Longe de ser uma metodologia superficial, o lúdico é um caminho profundo para uma 
aprendizagem significativa, prazerosa e duradoura. Sua implementação requer um planejamento 
cuidadoso por parte do educador, que deve saber dosar a liberdade do jogo com a intencionalidade 
pedagógica, transformando a sala de aula em um espaço de descobertas e criatividade. A efetividade 
da alfabetização lúdica não se mede apenas pela proficiência em leitura e escrita, mas pela 
construção de uma relação positiva da criança com o conhecimento e com o ambiente escolar, 
elementos fundamentais para sua trajetória educacional e sua formação como cidadão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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http://portal.mec.gov.br/cne/arquivos/pdf/rceb02_98.pdf. Acesso em: 5 jun. 2025. 
CAPOVILLA, A. G. S.; CAPOVILLA, F. C. Problemas de leitura e escrita: como identificar, 
prevenir e remediar uma abordagem fônica. 5. ed. São Paulo: Memnon, 2004. 
FERREIRO, E.; TEBEROSKY, A. Psicogênese da língua escrita. Porto Alegre: Artes Médicas, 
1999. 
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PIAGET, J. A formação do símbolo na criança: imitação, jogo e sonho, imagem e 
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SOARES, M. Alfabetização e letramento. 7. ed. São Paulo: Contexto, 2016. 
TEBEROSKY, A.; COLOMER, T. Aprender a ler e a escrever: uma proposta construcionista. 
PortoAlegre: Artmed, 2003. 
VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1987. 
PINHO ALVES, J. P. Atividades experimentais: do método à prática construtivista. Tese 
(Doutorado em Educação) – Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 2000. 
TAFNER, Elisabeth Penzlien; SILVA, Everaldo. Metodologia do trabalho acadêmico. Indaial: 
UNIASSELVI, 2011.

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