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1) De acordo com Spruyt, a emergência do Estado moderno na Europa do século 
XVII não foi uma inevitabilidade histórica dada a existência de outras alternativas 
institucionais no mesmo período como as Cidades-Estados na Itália e a Liga 
Hanseática na Alemanha. Quais são as razões destacadas pelo autor para explicar a 
prevalência do Estado moderno sobre outros tipos de organizações sociais e 
políticas? 
Primeiramente, para explicar o predomínio do Estado moderno de acordo com 
Spruyt é essencial expor as ideias de Tilly, um intelectual que claramente o 
influenciou. 
Segundo Tilly, o Estado moderno prevaleceu sobre outros tipos de organização 
política porque era mais eficiente e, portanto, mais apto a resistir às pressões 
competitivas. Ele vê a construção dessas organizações a partir de duas dimensões: 
intensiva em coerção e intensiva em capital. A primeira se refere à capacidade de 
angariar recursos a partir da extração da própria população e a segunda a partir da 
elaboração de barganhas com os capitalistas urbanos. As Cidades-Estado, por 
exemplo, valiam-se somente da dimensão intensiva em capital. Já o Estado nacional 
se valia das duas, logo, era mais eficiente em mobilizar recursos e, 
consequentemente, capaz de financiar guerras mais duradouras, sobressaindo-se 
sobre as demais instituições políticas. 
Spruyt concorda com Tilly no que se refere ao conceito de seleção competitiva entre 
as formas de governo, no entanto elabora uma explicação diferente para prevalência 
do Estado moderno. Spruyt entendia que as Cidades-Estado e as Ligas das Cidades 
também eram eficientes no levantamento de recurso. Porém, o Estado nacional tinha 
a vantagem de contar com um soberano, alguém que materializasse a autoridade 
máxima no território. Tal figura tornava mais fácil lidar com as barreiras do sistema 
feudal, era apoiada tanto pela nobreza quanto pela burguesia por seus interesses se 
alinharem com os dessas classes e podia representar com credibilidade o seu 
Estado internacionalmente. Para mais, ao mesmo tempo que os Estados Nacionais 
eram mais vantajosos, estes preferiam estabelecer relações com territórios 
organizados politicamente de maneira similar, o que fomentava ainda mais a sua 
prevalência no sistema internacional. 
2) É correto afirmar que o sistema internacional moderno constituído por Estados 
soberanos que emergiu após a Paz de Vestefália é caracterizado pela autoridade 
final do Papa em arbitrar disputas nas Relações Internacionais? 
Não é correto. Com o fim da Guerra dos Trinta Anos e a assinatura do Tratado de 
Vestfália um novo sistema internacional é estabelecido e sua principal característica 
é a soberania dos Estados. A partir desse momento, determinado território tem uma 
figura máxima de autoridade que pode legitimamente exercer seu poder sem admitir 
nenhuma interferência externa. Consequentemente, devido a isso, os Estados 
assumem o papel de os maiores protagonistas nessa nova ordem internacional, pois 
não há instituições maiores do que eles, como por exemplo a Igreja, capazes de 
arbitrar disputas internacionais. Ou seja, o novo sistema pós Vestfália é anárquico: 
não há nenhuma autoridade supraestatal mediadora. 
 3) Quais foram as causas e consequências políticas da Guerra dos 30 anos? Após a 
Paz de Augsburgo (1555), um acordo que estabelecia o cessar de conflitos religiosos 
na Alemanha, os príncipes das pequenas unidades que formavam o Sacro Império 
Romano podiam determinar se a população seria católica ou protestante. O 
imperador do Sacro Império Romano, Fernando II, de origem católica, em 1618, 
tenta impor o catolicismo sobre a região da Boêmia, violando a Paz de Augsburgo. 
Os habitantes de Praga reagem violentamente a essa imposição, em um evento que 
fica conhecidos como Defenestração de Praga e se torna o estopim para Guerra dos 
Trinta Anos. 
Tal conflito, a princípio, parece ser motivado por questões religiosas, dado que o 
Sacro Império Romano estava tentando forçar o catolicismo sobre as unidades 
protestantes. No entanto, aos poucos toma proporções maiores e passa a envolver 
todas as principais potências européias da época e se torna uma disputa pela 
hegemonia e por poder no continente. Isso fica claro quando a França, uma nação 
católica, entra na guerra ao lado dos protestantes, a fim de fazer frente às 
pretensões hegemônicas dos Habsburgos, ou seja, age inteiramente motivada por 
interesses políticos. 
Ao fim da guerra, com a assinatura do Tratado de Vestfália (1648), uma nova ordem 
internacional é estabelecida. A partir desse momento, a Razão de Estado, ou seja, 
os interesses do Estado para manutenção do poder, se sobrepõe aos interesses 
religiosos ou ideológicos; os conflitos seguintes não precisam ser justificados por 
qualquer motivo maior religioso, a simples conveniência, ou relevância dele para o 
Estado basta. Além disso, surge o conceito de soberania; um Estado nacional passa 
a ter reconhecidamente exclusividade sobre as decisões tomadas em seu território, 
sem permitir qualquer interferência externa. 
Portanto, após a Guerra dos Trinta Anos, o sistema internacional europeu passa a 
ter como protagonistas Estados nacionais soberanos, que agem motivados por suas 
próprias necessidades práticas, sem admitirem intervenções estrangeiras em seus 
domínios. 
 4) Por que o conceito de poder é fundamental para as Relações Internacionais? 
O poder é essencial para as Relações Internacionais porque ele é capaz de 
assegurar duas coisas fundamentais aos Estados: segurança e prosperidade. Caso 
um Estado não tenha poder ele não é capaz de assegurar sua soberania, muito 
menos sua expansão. 
No diálogo entre os Mélios e os Atenienses descrito na obra História da Guerra do 
Peloponeso, de Tucídides, é possível perceber essa dinâmica. Os Mélios não tem 
poder suficiente para fazer frente às pretensões imperiais de Atenas, com isso, 
perdem sua autonomia e são obrigados a se sujeitar aos interesses de outro povo. Já 
os atenienses, justamente por estarem munidos de poder, são capazes de garantir a 
prosperidade da cidade-estado e a expansão de seus interesses. 
5) Analise o cenário internacional contemporâneo e seus desafios para a política 
externa do Brasil. 
O Brasil sempre foi referência mundial nas pautas relacionadas a preservação do 
meio ambiente. Desde 1992, quando sediou a primeira Conferência das Nações 
Unidas sobre mudanças climáticas, tomou a liderança global no assunto, 
pressionando os países desenvolvidos a compensarem financeiramente as nações 
em desenvolvimento e se voluntariando para reduzir as emissões de gás carbônico 
na atmosfera. No entanto, a posição brasileira quanto às políticas ambientais mudou 
radicalmente desde a eleição de Jair Bolsonaro para presidência; por exemplo, a 
conferência da ONU sobre mudanças climáticas, COP25, que aconteceria no Brasil 
em 2019, foi cancelada e transferida para Espanha a pedido do atual presidente. 
Ações como esta vão completamente ao oposto da direção tomada anteriormente 
pela nação e deliberadamente renegam uma posição de destaque 
internacionalmente em uma questão que promete ser central no decorrer de todo 
século XXI. 
Tais medidas, além de uma perda de soft power e prestígio, trazem consequências 
diretas. O Brasil perdeu capital estrangeiro para preservar seus recursos naturais; 
em 2019, a Alemanha e a Noruega cancelaram um repasse de 299 milhões de reais 
para o Fundo Amazônia. Para mais, há também impactos no setor das exportações; 
no atual cenário, os demais países não desejam estreitar relações econômicas com 
nações que não demonstram comprometimento com as questões de mudança 
climática. 
Ao que tudo indica, a postura adotada por Jair Bolsonaro busca um alinhamento 
com os Estados Unidos e Donald Trump, um presidente notadamente negacionista 
do aquecimento global e responsável por retirar uma das maiores economias do 
globo do Acordode Paris. Tal aproximação, pelo menos ideológica, de fato 
aconteceu e foi estabelecido em janeiro de 2020 o apoio dos EUA a entrada do 
Brasil na OCDE, Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico. 
No entanto, com o processo eleitoral nos Estados Unidos e uma possível eleição de 
Joe Biden, um candidato que expressa preocupação com as pautas ambientais -o 
democrata promete reinserir os EUA no Acordo de Paris, estabelecer uma economia 
com energia 100% limpa e atingir zero emissões de gás carbônico até 2050-, o Brasil 
pode ter que novamente rever seu posicionamento na arena internacional quanto a 
esse assunto para manter uma ponte com os estadounidenses. Medidas nesse 
sentido já são esperadas do governo, por exemplo, se Biden for eleito, o atual 
ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, ao que parece será destituído de sua 
função, dado que representa uma posição alinhada a Donald Trump. 
Por outro lado, no caso de uma reeleição do atual presidente dos Estados Unidos, a 
tendência é que o afastamento político brasileiro das questões ambientais apenas se 
intensifique.

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