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O setor aeroespacial brasileiro

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Ben-Hur Silva

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O setor aeroespacial brasileiro é um dos pilares da soberania tecnológica e do 
desenvolvimento econômico do país. Com uma história que remonta à criação do 
Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e da Embraer, o Brasil consolidou-se 
como um player relevante, especialmente na aviação civil e militar. No entanto, no 
campo espacial, o país atravessa um momento de transição, buscando 
transformar seu potencial geográfico em resultados comerciais e científicos de 
escala global. 
O Programa Espacial Brasileiro (PEB) 
O Programa Espacial Brasileiro é coordenado pela Agência Espacial Brasileira 
(AEB) e executado por instituições como o Instituto Nacional de Pesquisas 
Espaciais (INPE) e o Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial 
(DCTA). Atualmente, o PEB foca em três eixos principais: 
1. Satélites: Desenvolvimento de tecnologia para monitoramento ambiental 
(como o desmatamento na Amazônia), comunicações e defesa. 
2. Veículos Lançadores: O desafio histórico de dominar o ciclo de 
lançamento de foguetes próprios. 
3. Centros de Lançamento: A infraestrutura de solo que coloca o Brasil no 
radar internacional. 
O Trunfo Geográfico: Alcântara 
O Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, é considerado um 
dos melhores locais do mundo para o lançamento de satélites. Sua proximidade 
com a Linha do Equador (2°S) permite que os foguetes aproveitem a velocidade de 
rotação da Terra, gerando uma economia de até 30% em combustível para órbitas 
equatoriais. 
 
Relações Internacionais e Cooperação 
O Brasil não caminha sozinho no espaço. O setor é marcado por parcerias 
estratégicas que visam suprir lacunas tecnológicas e compartilhar custos. 
1. Parceria Brasil-China (CBERS) 
A cooperação mais longeva e bem-sucedida é o programa CBERS (China-Brazil 
Earth Resources Satellite). Iniciada em 1988, essa parceria já lançou diversos 
satélites de sensoriamento remoto. 
• Marco recente: Em julho de 2025, os países anunciaram o 
desenvolvimento conjunto do CBERS-5, consolidando o Brasil em um 
seleto grupo de nações que dominam essa tecnologia. 
2. Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) com os EUA 
Firmado em 2019, o AST permitiu que o Brasil passasse a receber lançamentos 
comerciais de empresas norte-americanas (ou que utilizam tecnologia dos EUA). 
Como cerca de 80% do mercado aeroespacial mundial utiliza componentes 
americanos, esse acordo foi o "divisor de águas" para tornar Alcântara 
comercialmente viável. 
3. Novos Parceiros e a "New Space" 
Em dezembro de 2025, o Brasil realizou um lançamento histórico com a empresa 
sul-coreana Innospace, enviando o foguete HANBIT-Nano a partir de Alcântara. 
Esse evento marca a entrada definitiva do Brasil no mercado da New Space — a 
era em que empresas privadas, e não apenas agências governamentais, lideram a 
exploração espacial. 
Desafios e Futuro: A Criação da Alada 
Para acelerar o desenvolvimento, o governo brasileiro sancionou em janeiro de 
2025 a criação da Alada, uma empresa pública voltada para a comercialização de 
tecnologias aeroespaciais. O objetivo é reduzir a burocracia e permitir que o Brasil 
compita diretamente no mercado global de lançamentos, que movimenta bilhões 
de dólares anualmente. 
Resumo das Principais Instituições e Parceiros 
Instituição/Parceiro 
Função 
Principal 
Impacto Global 
Embraer 
Aviação e 
Defesa 
3ª maior fabricante de aviões comerciais 
do mundo. 
INPE 
Pesquisa e 
Satélites 
Referência mundial em monitoramento 
de florestas tropicais. 
China 
Parceiro 
Satelital 
Cooperação Sul-Sul pioneira em alta 
tecnologia. 
EUA 
Parceiro 
Tecnológico 
Viabilização comercial do Centro de 
Alcântara. 
Coreia do Sul 
Parceiro 
Comercial 
Primeiro lançamento comercial privado 
em solo brasileiro (2025). 
 
O futuro do espaço brasileiro depende da continuidade de investimentos e da 
capacidade de integrar a academia (ITA/INPE) com o setor industrial e o mercado 
internacional. Com a Alada e o fortalecimento de Alcântara, o Brasil deixa de ser 
apenas um observador para se tornar um porto de embarque para o cosmos.

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