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37 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 A gestão “Por Processos” difere da gestão “Tradicional” nos aspectos Emprega objetivos externos. Funcionários e recursos são agregados de forma a produzir um produto ou serviço completo. Informação segue diretamente para onde é necessária, sem o filtro da hierarquia. Membros da equipe asseguram que o trabalho seja realizado, estabelecem padrões para avaliação da performance da equipe e incentivam toda a equipe para a superação dos objetivos. Líderes da equipe (process owners) não são definidos por sua posição hierárquica, portanto necessitam negociar com os membros da equipe e exercer influência. Tal estrutura demanda grande esforço de colaboração. Fonte: Adaptado de Ferreira (2014). Na gestão funcional (tradicional), conforme Paim et al. (2009), acontece um fenômeno de pouca ou inexpressiva coordenação, com a consequente redução no entendimento dos processos, especialmente aqueles desconhecidos. Os autores complementam que na perspectiva funcional, a organização fica desconectada consigo mesma, tendo que encarar certos entraves, como: Existe baixa orientação para o mercado ao qual a organização atende. Os objetivos são prioritariamente departamentais. Lógicas de avaliação de desempenho são localmente definidas. Competências dos indivíduos não ultrapassam fronteiras funcionais. Remuneração, reconhecimento e premiação são departamentais. Orçamento definido e aplicado, desconsiderando processos transversais. Inexistem unidades organizacionais responsáveis pelos processos como um todo. Na perspectiva funcional, a organização fica desconectada consigo mesma, tendo que encarar certos entraves De Processo ou Por Processo Os dois conceitos correm por linhas paralelas em todos os meios. Na concepção de Sordi (2008 apud FERREIRA, 2014), não há rivalidade ou exclusão entre os dois conceitos; o que se faz necessário é a medição da distância entre a gestão tradicional da gestão por processos. Afirma que para facilitar a compreensão, podemos relacionar a gestão de processos com o esforço de estabelecer sistemas de trabalho submetidos a descrições, mensurações e controles das atividades em função do que foi planejado. Destaca também que: 38 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Gerir processos é, portanto, monitorá-los para manter a con- formidade e os resultados pretendidos. Esse monitoramento ocorre nas diversas áreas que constituem uma organização de acordo com suas especificidades: a área de gestão de pes- soas, a área de suprimentos, a área de tecnologia e assim por diante. Todas essas áreas têm os seus processos e eles pre- cisam, obviamente, ser monitorados de forma eficiente. No entanto, quando nos referimos à gestão por processos, a perspectiva é mais global ou mais sistêmica: ela envolve o conjunto da organização. A gestão por processo significa gerir a organização considerando a interação entre os processos e entre esses e o ambiente. Em outras palavras, a gestão de processos é uma abordagem administrativa e se apresenta com uma abrangência muito reduzida em comparação com a gestão por processos, que é um estilo de gerenciamento da própria organização (FERREIRA, 2014, p. 21). Caso queira saber mais desta temática, leia o artigo “As Empresas São Grandes Coleções de Processos”, de José Ernesto Lima Gonçalves, disponível em: https://www.scielo.br/j/rae/a/ RgMGb3VwDT8hGWmhwD84zYf/?format=pdf&lang=pt Agora observe o Quadro 6, desenvolvido por Sordi (2008), que mostra as características de uma abordagem administrativa, diferenciando a gestão funcional da gestão por processos. Quadro 6 - Principais diferenças entre a gestão por processos e a gestão funcional CARACTERÍSTICAS ANALISADAS GESTÃO FUNCIONAL GESTÃO POR PROCESSOS Alocação de pessoas Agrupados junto a seus pares em áreas funcionais Times de processos envolvendo diferentes perfis e habilidades Autonomia operacional Tarefas executadas sob rígida supervisão hierárquica Fortalece a individualidade dando autoridade para a tomada de decisões Avaliação de desempenho Centrada no desempenho funcional do indivíduo Centrada no resultado dos processos de negócios Cadeia de comando Forte supervisão de níveis hierárquicos superpostos Fundamentada na negociação e colaboração 39 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 Capacitação dos indivíduos Voltadas ao ajuste da função que desempenham/ especialização Dirigido às múltiplas competências da multifuncionalidade requerida Escala de valores da organização Metas exclusivas de áreas geram desconfiança e competição entre as áreas Comunicação e transparência no trabalho, gerando clima de colaboração mútua Estrutura organizacional Estrutura hierárquica, departamentalização/vertical Fundamentada em equipes de processos/horizontal Medidas de desempenho Foco no desempenho de trabalhos fragmentados das áreas funcionais Visão integrada do processo de forma a manter uma linha de agregação constante de valor Natureza do trabalho Repetitivo e com escopo bastante restrito/mecanicista Bastante diversificado, voltado ao conhecimento/ evolutivo-adaptativo Organização do trabalho Em procedimentos de áreas funcionais/mais linear Por meio de processos multifuncionais/ mais sistêmico Relacionamento externo Pouco direcionado, maior concentração no âmbito interno Forte incentivo por meio de processos colaborativos de parcerias Utilização da tecnologia Sistemas de informação com foco em áreas funcionais Integração e "orquestração dos sistemas de informação” Fonte: Sordi (2008). Ainda de acordo Ferreira (2014), como se refere a uma abordagem mais estratégica, é necessário que a organização cumpra alguns requisitos mínimos para atendimento pela gestão por processos, que são: 1. clareza de sua missão e objetivos (para que a organização exista); 2. identificação e definição dos processos críticos (aqueles que impactam sua razão de ser e objetivos estratégicos); 3. definição dos serviços e/ou produtos que pretendem oferecer em função de um público determinado (cliente ou usuários); 4. disponibilidade dos recursos necessários para gerar os serviços ou produtos pretendidos; 5. capacidade para gerenciar o fluxo de informações e as atividades necessárias para atingir os resultados pretendi- dos e a satisfação dos clientes ou usuários (FERREIRA, 2014, p. 23, grifo nosso). 40 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Acesse o link a seguir, e veja mais sobre esta temática: . Acesso em: 6 jun. 2017. Como falamos antes, Gestão de Processo e Gestão Por Processo são conceitos distintos, que estão consolidados em perspectivas diferentes, mas não são excludentes. Ferreira (2014, p. 23) afirma que “a organização orientada por processos precisa, necessariamente, de processos bem monitorados, caso contrário inviabiliza a possibilidade de tê-los funcionando eficientemente em rede ou de forma sistêmica”. E complementa: Não obstante, é possível apontar algumas vantagens da gestão por processos, sobretudo quando o contexto exige or- ganizações mais versáteis e dinâmicas: a organização desenvolve-se além do seu desempenho básico; direciona os esforços para resultados, por meio da melho- ria efetiva dos processos essenciais; mudança cultural (de visão por função para visão do todo); facilita a gestão do conhecimento organizacional; permite a compreensão de como as coisas são feitas na organização, revelando problemas, estrangulamento e in- eficiências; redução de custos (retrabalho e problemas logísticos, por exemplo) e conflitos; aumento da satisfação dos clientesou usuários (cidadãos e colaboradores); concentra o foco no que realmente interessa; facilita a gestão das competências; proporciona flexibilidade organizacional (descentralização, organização em rede, alianças estratégicas entre organi- zações) (FERREIRA, 2014, p. 22). Na Figura 6, visualizamos o nível de maturidade de cada tipo de estrutura organizacional. É possível identificar as possibilidades de migração de um estágio intermediário de gestão por processos, em detrimento da opção plena. Gestão de Processo e Gestão Por Processo são conceitos distintos, que estão consolidados em perspectivas diferentes, mas não são excludentes. 41 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 Figura 6 - Estruturas Organizacionais: a transversalidade de um processo Fonte: Maranhão e Macieira (2004). O que podemos entender é que cada organização tem a sua estratégia, pela qual traduzirá sua missão, visão e valor. Isso será a essência de sua existência, e geralmente difere do status quo das outras. Status Quo ou Statu quo é uma expressão do latim que significa “estado atual”. Está relacionado ao estado dos fatos, das situações e das coisas, independente do momento. O termo status quo é geralmente acompanhado por outras palavras, como manter, defender, mudar etc. O conceito inicial do status quo tem origem na expressão diplomática latina “in statu quo res erant ante bellum”, que pode ser traduzido por “no estado como as coisas eram antes da guerra”. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2017. Outra constatação após tudo isso é que, apesar de todos os avanços que temos visto ou ouvido, não são todas as empresas que estão preparadas para encarar uma gestão por processos. É uma decisão muito particular de cada uma, e que exige uma análise cuidadosa da real situação e caracterização de cada organização. 42 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Estratégia Versus Processos O termo estratégia, que vem da palavra grega estrategos, tem sua origem nos meios militares, nas campanhas para guerra, e originalmente se referia ao líder maior de uma tropa. “Seu uso já era conhecido há 500 a.C., e com as mudanças advindas com o tempo, a palavra passou a ser usada também no ambiente empresarial, como uma habilidade gerencial" (RIBEIRO, 2008, p. 10). Nos dias atuais, podemos dizer que o termo estratégia ganhou evidência a partir da década de 1960, com a introdução de ferramentas de medição de desempenho. A estratégia descreve os caminhos a serem trilhados pelas organizações, com seus objetivos básicos de longo prazo e as ações a serem implementadas, visando ao atingimento de suas metas e objetivos. "Essa definição demanda um alinhamento organizacional, principalmente entre estratégia e estrutura, mas já indica que a estratégia e os processos também devem estar alinhados entre si" (PAIM et al., 2009, p. 54). Isso levou a uma mudança de comportamento, pois as organizações começaram a ser vistas como um conjunto integrado de elementos. Surgem também ferramentas que unem estratégia e processos. O ponto crucial da estratégia é a tarefa de alinhar os trabalhos gerenciais e operacionais numa única vertente nas ações e decisões para que se alcance o fim pretendido. Na aplicação da gestão por processos, é preciso ter foco, saber onde se quer chegar e que produto ou serviço é necessário gerar para atingir os objetivos propostos na realização da missão da organização, pois se torna um círculo, que se repete constantemente. Vejamos a Figura 7 para mais entendimento. O termo estratégia, que vem da palavra grega estrategos, tem sua origem nos meios militares, nas campanhas para guerra, e originalmente se referia ao líder maior de uma tropa. Figura 7 - Ciclo da gestão por processos Fonte: IPHAN (2015). 43 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 “Em qualquer forma de entendimento da estratégia, há relação com o conceito de processo”, afirmam Paim et al. (2009, p. 56). Os autores ressaltam que existem cinco definições formais instituídas acerca de estratégia, que são: Estratégia como Plano. Estratégia como Manipulação ou Manobra. Estratégia como Padrão Realizado. Estratégia como Posição. Estratégia como Perspectiva. Estratégia como Perspectiva: “A palavra alemã weltanschauung (visão do mundo) é a que mais se aproxima desse tipo de estratégia: significa a intuição coletiva sobre como o mundo funciona, englobando aspectos como culturas, ideologias, paradigmas. Essa definição relaciona mais a noção de cultura da organização para compartilhar valor que priorize a atuação na melhoria, na coordenação e no aprendizado organizacional orientada pelo conceito de PROCESSOS” (PAIM ET AL., 2009, p. 57). Fonte: PAIM, R. et al. Gestão de processos: pensar, agir e aprender. Porto Alegre: Bookman, 2009. Não esqueça! É importantíssimo que os processos sempre estejam inter-relacionados à estratégia da organização. Assim, torna-se fundamental que cada organização conheça ou comece a conhecer bem seus próprios processos, para poder dar prioridade e prosseguimento a eles, concentrar os esforços em seus usuários diretos e indiretos, e decidir estrategicamente qual estrutura organizacional é apropriada para atingir os objetivos propostos e lograr resultados exponenciais. Não esqueça! É importantíssimo que os processos sempre estejam inter-relacionados à estratégia da organização. 44 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Atividade de Estudos: 1) Assista ao vídeo disponível em e responda: Que aspectos da Gestão de Processos e Gestão por Processos são considerados no vídeo? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Visão Sistêmica das Organizações A expressão sistemas envolve inúmeras concepções, mas a essência de seu conceito é que se refere a um todo, total, completo. Quando pensamos, por exemplo, em sistema circulatório, sistema financeiro, sistema educacional, sistema bancário, pensamos em um conjunto de componentes ou fatores que os compõem. Podemos compreender melhor uma visão sistêmica quando entendemos a forma do pensar sistêmico. De acordo com Teixeira, Salomão e Teixeira (2015, p. 81, grifo nosso): “A visão sistêmica melhora o entendimento e a explicação sobre relacionamento entre as partes de um conjunto e desse conjunto com seu meio. Ela teve sua origem na biologia, uma das matrizes da medicina”. Esse tipo de pensamento pressupõe criar uma forma de anal- isar e uma linguagem para descrever e compreender as forças e inter-relações que modelam o comportamento dos sistemas. A essência do pensamento sistêmico é a mudança de mentali- dade. O pensamento sistêmico parte do conceito de feedback, que revela como as ações podem se neutralizar uma às outras. O pensamento sistêmico simplifica a vida, por ajudar a enxer- gar padrões mais profundos. Foi introduzido nas organizações baseando-se na obra de Senge (2009), A Quinta Disciplina, publicada em 1990 (FERREIRA, 2013, p. 47). Quando pensamos na organização levando em conta todas as suas inter- relações envolvidas, estamos pensando sistemicamente. 45 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 Da Visão Científica Para a Visão Geral do Conhecimento Transversal A importância da criação de uma visão geral do conhecimento está na “necessidade de passar da mecânica da estratégia de negócios” para uma visão mais global nas organizações- transversal. “Incutir a visão implica comunicar a visão organizacional até que os membros comecem a executá-la” (TAKEUCHI; NONAKA, 2008, p. 129). Os autores comentam que, quando a administração consegue transmitir sua visão de conhecimento às pessoas de forma eficaz, está, na realidade, contribuindo para a formação de microcomunidades internas, tornando o nivelamento transversal do conhecimento possível e real. As visões do conhecimento podem também possibilitar a criação de conceitos e a construção de protótipos. Elas têm menor impacto no compartilhamento do conhecimento tácito dentro de uma microcomunidade, mas o processo de incutir uma visão de conhecimento depende, finalmente, da liberação do conhecimento tácito para que este impulsione a inovação. No mínimo, a visão deve levar em conta o fato de que nem todo conhecimento organizacional se manifesta de maneira explícita (TAKEUCHI; NONAKA, 2008, p. 129). Esse entendimento nos leva a pensar nos processos transversais com mais concretude. "Embora alguns processos sejam inteiramente realizados dentro de uma unidade funcional, a maioria dos processos importantes das empresas [...] atravessa as fronteiras das áreas funcionais. Por isso mesmo, são conhecidos como processos transversais" (GUERRINI, 2014, p. 49). A ilustração da Figura 8 procura mostrar o seguinte raciocínio: “se processos transversais são definidos e entendidos, pode ocorrer a definição de indicadores que estejam orientados pelos processos, e não só pelas unidades organizacionais” (PAIM et al., 2009, p. 74). “Incutir a visão implica comunicar a visão organizacional até que os membros comecem a executá-la” 46 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Figura 8 - Indicadores de desempenho a partir de uma visão por processos Fonte: Paim (2009). Visão por processos: “privilegia a análise das atividades transversais à empresa, permitindo o entendimento e a melhoria da UN como um todo em função de seu objetivo final. Ao se decidir o que precisa ser feito, tem-se em mente as atividades que agregarão valor para a UN sem se preocupar em saber, inicialmente, qual será o departamento que as executará”. Fonte: NEUMANN, C. Gestão de sistemas de produção e operações: produtividade, lucratividade e competitividade. Rio de Janeiro: Elsevier, 2013. Quando ocorre o entendimento dos processos transversais, a organização tem uma alternativa para autoavaliação, e começará a ter condições de se posicionar de forma mais consciente de sua própria atuação no meio em que está inserida. Complexidade de Atributos do Processo Paim et al. (2009, p. 105) analisam a complexidade de atributo do processo e comentam que: Complexidade de atributos utilizados para complementar a descrição do processo na forma de modelos que representam mais do que atividades, recursos e objetos em fluxo. Esses atrib- utos podem incluir nível de detalhamento, objetivo, cliente e out- 47 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 ras formas de se escrever os processos. Quanto mais atributos forem necessários para explicar o processo, mais complexa é a sua gestão e execução, mas por outro lado, melhor definido e entendido estará o processo. A complexidade varia em função da natureza das atividades predominantes em um processo. Pelo Quadro 7, podemos visualizar alguns exemplos da natureza das atividades. Quadro 7 - Natureza das atividades Avaliação Atividades nas quais o executor, a partir de um conjunto de alternativas, deve julgar aquelas que mais se adapta à situação colocada. Negocial Atividades marcadas pela existência de vários atores, com interesses e níveis de poder distintos no qual se deve chegar a um resultado pelo consenso. Aprovatória Atividades nas quais há aprovação por um ou mais executores que, em geral, são fundamentais como eventos que disparam outras atividades. Consultiva Atividades com propósito de recolhimento de informações, em geral para suportar a tomada de decisões. Concepção Atividades relacionadas com a criação de novos produtos, serviços, processos, tecnologias etc. Normativa Atividades relacionadas com a documentação/ normatização de outros processos da organização. Planejamento/ Programação Atividades relacionadas com a definição de planos em diferentes horizontes de tempo (curtíssimo, curto, médio e longo prazo). Execução Atividades relacionadas com execução/realização dos planos definidos nos processos de planejamento/programação. Acompanhamento/ Monitoramento Atividades que tratam de identificar como está se dando a execução ao longo do tempo, para fins de comparação entre a programação e a execução real. Controle Atividades que tratam do estabelecimento e da execução de ações para intervir no desempenho de processos, a fim de colocá-los dentro de padrões de desempenho aceitáveis/desejados. Fonte: Adaptado de Paim et al. (2009). Na Figura 9, são revelados três tipos de processos: a) Gestão de processos funcionais; b) Gestão funcional de processos transversais; e c) Gestão por processos. 48 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Figura 9 - As três abordagens da gestão de processos Fonte: Paim et al. (2009). Para Paim et al. (2009), o modelo funcional não sabe o que é ou para que serve o processo transversal, apesar da unidade organizacional ficar dentro de um contexto transversal. Processos da "ideia até o produto", "da prospecção de mer- cado até a internalização de novos clientes", "do pedido até o atendimento por completo da demanda (incluindo a compra, produção, entrega, faturamento etc.)" são desconhecidos e não estão documentados, tampouco estão na "cabeça" de to- dos os profissionais. As necessidades e as oportunidades de melhoria nesse modelo surgem dos departamentos e não dos processos (PAIM et al., 2009, p. 125-126). A Figura 10 traz informações sobre o ciclo de alinhamento entre estratégia, estrutura e processos. Entedemos assim que é a partir da visão e missão da empresa que serão definidos os processos necessários para atingir os objetivos estratégicos da organização. Tais processos são realizados através da estrutura organizacional - funcional ou não -, e devem resultar em produtos ou serviços; em seguida passarão pela avaliação dos clientes, proporcionando um feedback e alimentando novamente a visão da organização. É a partir da visão e missão da empresa que serão definidos os processos necessários para atingir os objetivos estratégicos da organização. 49 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 Figura 10 - Ciclo de alinhamento entre estratégia, estrutura e processos Fonte: Maranhão e Macieira (2004, p. 51). Assim, mesmo que uma organização não tenha uma gestão ampla de seus processos, item indispensável para resultados efetivos, a tendência da atualidade está em observar, aplicar e desenvolver a inter-relação entre variados tipos de processos organizacionais em uma cultura de negócio muito mais dinâmica e sistêmica - transversal. Atividade de Estudos: 1) Faça uma analogia de sua casa/família (ambiente micro) com uma organização (ambiente macro) e explique se existe alguma relação com o pensamento sistêmico. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 50 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Algumas Considerações Ao longo deste capítulo, trabalhamos vários conceitos de processos e suas múltiplas facetas, bem como sua importância como instrumentos técnicos para uma organização. A relevância em saber e compreender as principais definições e características da temática gestão de processos egestão por processos se mostra no cotidiano tanto da vida privada quanto da vida em comunidade - somos compelidos a gerenciar processos. Vimos também a questão do conhecimento e aplicabilidade da visão sistêmica/transversal com relação à gestão de processos nas organizações. Vivemos em um ambiente em que todos os componentes que nos cercam estão conectados uns aos outros. De posse desses conhecimentos, podemos partir para voos mais altos! Referências ABNT. NBR ISO 9001:2015. Sistemas de gestão da qualidade: requisitos. 3. ed. Rio de Janeiro. Disponível em: . Acesso em: 10 abr. 2017. ABPMP BRAZIL. BPM CBOK. Guia para o gerenciamento de processos de negócio corpo comum de conhecimento. 1. ed. 2013. Disponível em: . Acesso em: 6 jun. 2017. BRASIL. Guia de referência em gestão de processos. Programa de Modernização Integrada do Ministério da Fazenda – PMIMF. Brasília: Ministério da Fazenda, 2014. Disponível em: . Acesso em: 7 jun. 2017. DICIONÁRIO AURÉLIO. Significado de gestão. 2016. Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2017. FERREIRA, A. R. Gestão de processos. Apostila. Brasília: ENAP, 2014. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2017. 51 Introdução ao Estudo da Gestão de ProcessosIntrodução ao Estudo da Gestão de Processos Capítulo 1 FERREIRA, E. A. Modelo para condução de mapeamento de processo organizacional: uma abordagem BPM com base no MAIA. 2013. 233 f. Dissertação (mestrado) – Universidade de Brasília, 2013. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2017. GUERRINI, F. M. et al. Modelagem da organização: uma visão integrada. Porto Alegre: Bookman, 2014. HAMMER, M.; CHAMPY, J. Reengenharia: revolucionando a empresa em função dos clientes, da concorrência e das grandes mudanças da gerência. Rio de Janeiro: Campus, 1994. IPHAN. Manual interativo de gestão por processos organizacionais: versão 1.0. Brasília: CTEP, 2015. Disponível em: . Acesso em: 20 abr. 2017. JUNIOR, O. P.; SCUCUGLIA, R. Mapeamento e gestão por processos: BPM. São Paulo: M. Books do Brasil Editora Ltda., 2011. MARANHÃO, M.; MACIEIRA, M. E. B. O processo nosso de cada dia: modelagem de processos de trabalho. 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Na perspectiva do saber fazer, neste capítulo você terá os seguintes objetivos de aprendizagem: � Identificar os principais componentes e registros de processo e as maiores dificuldades quanto a sua utilização e entendimento. � Relacionar a relevância em compreender a própria estrutura interna (fornecedor) versus externa (cliente) e vice-versa nas organizações. � Aplicar os principais componentes e registros de processo, com desenvolvimento da melhor estratégia gerencial, no caso concreto. � Realizar a correlação sistêmica dos processos da organização com visão holística para o cliente. 54 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade 55 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Contextualização Neste capítulo veremos assuntos referentes aos Componentes de Processo, descrevendo suas características funcionais, até chegar a sua menor parcela. Também abordaremos a questão dos Registros de Processos, que nos fazem ver claramente sua importância para a organização (tanto para sua história como para solução de problemas referentes à comprovação de ações e procedimentos), seus desdobramentos menores visuais. Prosseguindo, trataremos também da Classificação de Processos, enfatizando os Processos Críticos de Negócios, haja vista que seu desempenho compromete a imagem e a atuação eficaz da organização. E, por último, veremos as Relações Cliente versus Fornecedor. Boa leitura! Componentes de Processo Olá! Agora vamos começar nossa caminhada rumo ao entendimento de conceitos dos principais componentes de um processo. Já vimos no capítulo an- terior várias definições de um processo. Veremos a partir deste momento seus componentes (ou elementos), e identificaremos as subdivisões genéricas de um processo como: a atividade, a tarefa, o evento. a) Principais elementos de um processo Nossos estudos, no capítulo 1, começaram com a definição de processo e seus vários desdobramentos. De forma resumida, processo é um conjunto de atividades com certa sequência definida, originário de inputs (entradas), as quais serão transformadas e ao final resultarão em um produto a um interessado. E esse processo não é unicelular!! Possui outras decomposições em sua estrutura. Para você visualizar e entender melhor, veja a seguir uma estrutura detal- hada. Uma estrutura genérica de um processo pode possuir os seguintes compo- nentes (ou elementos): • Processo – Ex.: comprar produtos ou serviços. Atividade – Ex.: cadastrar fornecedor/cliente no sistema. Tarefa – Ex.: atender/ligar para fornecedor/cliente. o Evento – Ex..: reunião às 15h30min com fornecedor/cliente.Definindo melhor passo a passo: acompanhe! E esse processo não é unicelular!! Possui outras decomposições em sua estrutura. 56 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade • Processo: A definição da palavra processo pode ser sintetizada como sendo um conjunto de atividades inter-relacionadas, visando transformar certas entradas ou insumos em novos resultados ou saídas - como pro- dutos e serviços - com maior valor agregado, para grupos interessados de usuários ou clientes específicos. • Atividade: É uma subdivisão do trabalho em ações que serão desen- volvidas no processo ou subprocesso - com o início e fim já preestabele- cidos, ou seja, é um conjunto de tarefas úteis para gerar parte exclusiva e definível de um produto ou serviço. Para Harrington (1993), as atividades são ocorrências que acontecem dentro do processo ou subprocesso, e em geral são realizadas por pessoa ou departamento e geram um resul- tado específico. Nesse ponto, a ênfase é dada em o que fazer. • Tarefa: É a divisão máxima das atividades em ações ou passos sequen- ciais para a realização de um trabalho, com explicações minuciosas - sua ênfase está em como fazer. É a menor parte de um processo e dá fun- damentação aos procedimentos. • Evento: Todo e qualquer impulso que ocorre e ative os processos no ambi- ente organizacional a produzirem uma resposta. Pode está no início, meio ou fim, e pode ser de tempo, exceção, erro, mensagem, dentre outros. A título de exemplificação - Início da reunião às 15h30min é um exemplo de tempo. Atividades de Estudos: 1) Analise as definições acerca dos principais elementos de um processo e marque a alternativa na ordem correta: • Conjunto de atividades inter-relacionadas, visando transformar certas entradas ou insumos em novos resultados ou saídas como produtos e serviços de maior valor agregado, para grupos interessados de usuários ou clientes específicos. • Ocorrências que acontecem dentro do processo ou subprocesso, e em geral são realizadas por pessoa ou departamento para gerar resultado específico. • Decomposição de atividades em conjunto de passos ou ações para desenvolver o trabalho em determinado cenário. 57 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 • Estímulo que ocorre e que ativa os processos na organização produzindo uma resposta, que podem ser iniciais, finais ou intermediários. Alguns tipos são de: tempo, exceção, erro, mensagem, entre outros. A alternativa na ordem correta de sua respectiva definição é: a) Processo, Evento, Atividade, Tarefa. b) Atividade, Processo, Tarefa, Evento. c) Processo, Atividade, Evento, Tarefa. d) Processo, Atividade, Tarefa, Evento. e) Tarefa, Atividade, Evento, Processo. 2) Exemplifique um tipo de processo com seus elementos principais (lembre-se que um processo genérico divide-se em: atividade, tarefa e evento). ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ Registro de Processos A partir da identificação das estruturas mais comuns de um processo, passemos à fase de fazer o registro dele, que em analogia ao que acontece na vida das pessoas, há o registro dos eventos mais significativos de cada um - registro do nascimento, do casamento, da compra e venda de um imóvel/bem etc. Maranhão e Macieira (2010, p. 126-127) dizem que "os registros são evidências ou a materialidade de um determinado fato ou feito para fins de comprovação administrativa ou legal. Os registros perenizam a história. Na realidade, toda história do homem é construída e mantida mediante respectivos registros recuperados". Os registros são afetados pela quantidade e complexidade de alguns fatores, que são (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010): • A complexidade do produto - fabricação de produtos complexos (aviões, usinas, aplicativos tecnológicos, etc.) Em oposição à fabricação de produ- tos menos complexos (confecção de roupas, picolé, pão, etc.). 58 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade • O tipo de contrato com o cliente - quanto mais complexo em suas cláu- sulas contratuais, maiores serão também as exigência de registros. • A natureza do negócio - há setores que são naturalmente complexos (medicamentos e químicos, por exemplo) em razão dos riscos envolvidos. O Quadro 8 a seguir nos permite visualização de alguns desses registros dos processos. Quadro 8 - Registros de processos Tipos de Registros Finalidade Exemplos Obrigatórios pela legislação vigente Cumprir a Lei → Registros de pessoal → Registros de acidentes Especificações de produtos Comprovar a conformidade e solucionar demandas judiciais → Relatórios de testes fiscais → Relatórios de inspeção de recebimento Especificações de processos Controlar e manter a história dos processos e reforçar a defesa de demandas judiciais → Cartas de controle de processos → Registros de parâmetros de processos (pressão, temperatura, etc.) → Calibração de equipamentos Especificações que impliquem segurança Segurança, redução do preço de apólices de seguros → Recarga de extintores → Inspeções de segurança Pontos críticos de processos Controle de processos e redução de custos → Vários, conforme a natureza do processo Auditoria e inspeções Rastreabilidade e defesa de demandas judiciais → Relatórios de auditoria → Relatórios de inspeção Ação corretiva e ação preventiva Follow-up → Relatórios de Ação Corretiva → Relatórios de Ação Preventiva → Registros de controles das ações Reclamações de clientes Follow-up → Cartas de reclamações → Gravações telefônicas de reclamações Projetos Memória de projeto, follow-up e comprovações de conformidades → Dados de entradas e de saídas → Relatórios de verificações e de validações Fonte: Maranhão e Macieira (2010, p. 128). 59 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Dessa forma, percebemos o quanto é importante fazer registros - corretos e bem elaborados - para a continuidade próspera da organização. Como diria o poeta "registrar é preciso" Para saber mais sobre “Modelagem de Processos” confira o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=PhZRxtibWN0 Atividades de Estudos: 1) Analise as sentenças a seguir: I - São evidências ou materialidade de um determinado fato ou feito para fins de comprovação administrativa ou legal; II - Perenizam a história com dados recuperados; III - São afetados pela quantidade e complexidade de alguns fatores, como: complexidade do produto; tipo de contrato com o cliente; e, natureza do negócio. De acordo com os itens acima Identificamos um tipo de: a) Processo Crítico. b) Estruturas. c) Registro. d) Atividade. e) Elementos. 2) É possível uma organização não utilizar do registro em seus processos? Justifique. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 60 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Classificação de Processos Então, alguém pergunta: - Como podem ser os processos? É simples já vou explicar! Quando elaboramos uma classificação, na verdade estamos hierarquizando algo, ou seja, é um exercício de redução ou pormenorização. Diante disto, é importante compreender que este formato de categorização dos processos é relativo ou dinâmico, pois dependerá do ambiente, “in loco”, que está enquadrado na organização. Mas essa dependência ambiental não impede de fazer surgir os níveis de processos. Veja, de modo detalhado, como os níveis dos processos estão divididos: Os processos podem ser de nível macro (macroprocessos)que poderão derivar processos de menor porte (processos e sub-processos ou falando de outra forma, processos de 1º nível, 2º nível, 3º nível, e assim por diante); depois em detal- hamento maior, surgem as atividades (ações a serem real- izadas dentro de um processo) e por fim as tarefas (que são elementos individuais de uma atividade) (IPHAN, 2015, p. 9, grifo nosso). Há um fenômeno de intercambiação entre os níveis de processo que os torna conectados numa ligação sem fim. Observe a figura a seguir, para maiores esclarecimentos de conceituações de processos. Quando elaboramos uma classificação, na verdade estamos hierarquizando algo, ou seja, é um exercício de redução ou pormenorização. 61 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Figura 11 - Generalização e especialização das definições de processo Fonte: Baldam, Valle, Rozenfeld (2014). Uma forma prática de se compreender esse conjunto de processos existentes em um ambiente organizacional é a classificação. Podemos classificá- los em macroprocessos (aqueles considerados mais amplos e mais abrangentes), processos e subprocessos (sendo que estes últimos são uma subdivisão do processo) (MARANHÃO; MACIEIRA, 2010). Figura 12 - Classificação de processos Fonte: Adaptado de Maranhão e Macieira (2004 apud MARSHALL JUNIOR et al., 2012). 62 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade “A hierarquia de processos é uma abordagem que permite à organização visualizar como seus processos desdobram-se desde uma "visão do todo" – normalmente representada pela Cadeia de Processos - até uma "visão operacional", em geral representada por fluxogramas e procedimentos” (FNQ, 2017, p.16). As grandes corporações possuem tamanho organizacional e processos mais complexos. E, no geral estão classificadas no formato da figura a seguir: Figura 13 – Hierarquia dos processos Fonte: Brasil (2014, p. 11). A Cadeia de valor de uma organização é representada pelos macroprocessos, os quais proporcionarão a capacidade para atingir os objetivos estratégicos, a missão e concretizar a visão. De acordo com o Guia de Referência em Gestão de Processos “a Cadeia de Valor é o conjunto de atividades criadoras de valor desde as fontes de matérias-primas básicas, passando por fornecedores de componentes e até o produto final entregue nas mãos do consumidor” (BRASIL, 2014, p.11). Desse modo, é possível compreender que com a categorização dos processos, a gestão de processos permitirá melhor condução de atitudes para indicar de forma sistemática e plena o ambiente de atuação, em prol da estabilidade deste, e conforme as necessidades da organização, deve implementar ações que venham proporcionar maiores resultados em prol de um desenvolvimento sustentável da organização e demais interessados (stakeholders). A Cadeia de valor de uma organização é representada pelos macroprocessos, os quais proporcionarão a capacidade para atingir os objetivos estratégicos, a missão e concretizar a visão. 63 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Stakeholders – significa público estratégico e descreve uma pessoa ou grupo que tem interesse em uma empresa, negócio ou indústria, podendo ou não ter feito um investimento neles. É uma palavra em inglês muito utilizada nas áreas de comunicação, administração e tecnologia da informação cujo objetivo é designar as pessoas e grupos mais importantes para um planejamento estratégico ou plano de negócios, ou seja, as partes interessadas. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2017. Níveis do Processo Maranhão e Macieira (2010, p. 18) afirmam que "os processos não possuem fronteiras perfeitamente definidas; tanto os limites quanto o fracionamento de processos em outros é uma decisão discricionária, de acordo com as finalidades da respectiva modelagem de processos". Há pelo menos dois tipos de nivelamento de um processo. Um pela ótica tradicional e outro pela ótica do PBM (mais moderna). Por enquanto, neste capítulo apenas enfocaremos a visão tradicional, onde temos genericamente os termos: • Macroprocessos; Processos; Subprocessos. Agora é com você! Veja as definições para compreender melhor. • Macroprocessos: São aqueles que formam o conjunto de processos fundamentais ou críticos para o alcance dos objetivos e a efetiva realização da missão organizacional. Estão diretamente linkados a fornecedores e clientes. Visam primordialmente à obtenção de soluções integradas de produtos e serviços que tenham a capacidade de satisfazer às necessidades dos clientes. Em síntese, são os processos mais abrangentes e de maior alcance nas organizações, pois envolvem mais de uma função. 64 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade O Fornecedor: “É a pessoa ou a empresa que abastece algo a outra empresa ou comunidade. O termo deriva do verbo fornecer, que faz referência a prover ou providenciar o necessário para um determinado fim. Por exemplo: “Estamos a ficar sem folhas: por favor, chama o fornecedor para trazer várias resmas”, “O João está à procura de um novo fornecedor de matérias-primas, pois o seu atual não está em conformidade”, “O fornecedor de água ainda não chegou, pelo que não te posso oferecer nada fresco por enquanto”. Fonte: Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2017. O Cliente: Do latim cliens, o termo cliente permite fazer alusão à pessoa que tem acesso a um produto ou serviço mediante pagamento. A noção tende a ser associada a quem recorrer ao produto ou serviço em questão com assiduidade, ainda que também existam os clientes ocasionais (ou pontuais). Dependendo do contexto, a palavra cliente pode ser usada como sinônimo de comprador (a pessoa que compra o produto), utilizador (a pessoa que utiliza o serviço) ou consumidor (quem consome um produto ou serviço). Fonte: Disponível em: . Acesso em: 28 abr. 2017. • Processos: Os processos são definidos como conjuntos de atividades inter-relacionadas, visando transformar certas entradas ou insumos em novos resultados ou saídas como produtos e serviços de maior valor agregado, para grupos interessados de usuários ou clientes específicos. • Subprocessos: De modo sucinto, os subprocessos nada mais são do que as subdivisões dos processos. Formam um conjunto de atividades necessárias e suficientes para que os processos sejam executados. A existência de subprocessos depende basicamente da complexidade de cada processo. Seu detalhamento se desdobra em descrições de tarefas e se destina a alcançar um objetivo específico. 65 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Tipos do Processo Como todo substantivo da língua portuguesa, o processo também exige suas nomenclaturas, que tipificam as suas categorias. Através desta categorização, é possível determinar inúmeros procedimentos relacionados que poderão ser implementados em cada tipo de processo na organização, conforme Paim et al. (2009). Destacam-se as categorias básicas de processo, como: • Processos de Negócio ou Finalístico: caracterizam a atuação da organização ou empresa (suportados por outros processos internos) - resulta no produto ou serviço adquirido pelo cliente externo; • Processos Gerenciais: direcionado nos gerentes e suas relações; abrangem ações de intervenção ou mediação visando ajustes no desempenho da organização, para promover o funcionamento da organização e seus processos; • Processos Organizacionais (Integração Organizacional): com foco na organização para o funcionamento dos diversos subsistemas desta, visando seu desempenho global, e assegurar apoio adequado aos processos de negócio da organização. Para Marshall Junior et al. (2012),segundo os critérios de excelência (FNQ/ PNQ), os tipos de processos podem ser classificados conforme apresenta o Quadro 9. Quadro 9 - Classificação por tipo de processos Classificação Definição Processos Principais do Negócio (ou finalístico, primários, de cliente, fins, críticos) Processos que, com suas operações, agregam valor diretamente para os clientes. Estão envolvidos na geração do produto e na sua venda e transferência para o cliente, bem como na assistência após a venda e na disposição final. Processos de Apoio (ou organizacional) Processos que sustentam, com suas operações, os processos principais do negócio e a si mesmos, fornecendo bens e serviços. Processo Gerencial (ou processo de gestão) Processo de natureza gerencial, não operacional. Fonte: Adaptado de Marshall Junior et al. (2012, grifo nosso). 66 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Uma visão estrutural dos conceitos de processo (generalização versus especialização), segundo Baldam, Valle e Rozenfeld (2014) está demonstrada na figura a seguir: Figura 14 - Visão estrutural dos principais conceitos de processo Fonte: Baldam, Valle e Rozenfeld (2014, p. 641-642). A importância de categorização dos processos repousa na identificação de seus principais elementos e sua estrutura; o objetivo é poder administrá-lo no formato mais adequado, que proporcione resultados positivos para a organização. Na figura a seguir, podemos ter um entendimento mais consolidado de processos e suas interrelações. Trata-se de uma visão holística do que estudamos até aqui. A importância de categorização dos processos repousa na identificação de seus principais elementos e sua estrutura; o objetivo é poder administrá- lo no formato mais adequado, que proporcione resultados positivos para a organização. 67 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Fonte: Baldam, Valle e Rozenfeld (2014). Neste modelo, Baldam, Valle, Rozenfeld (2014) mostram que é necessário ter habilidade em conhecer o todo, possuir visão do processo de modo sistêmico, para proceder a uma análise mais acurada e tomar decisões estratégicas. Comentam também que as perspectivas de um processo variam de organização para organização, mas que no fundo, processo envolve transformação dos insumos de entrada (materiais, energia, informações, pessoas) em um produto ou resultados com valor agregado na saída, que nem sempre são desejáveis, como, por exemplo, a poluição causada por certo processo de fabricação. As características principais de processo, para Paim et al. (2009), entre outros autores, no que concerne a esse conjunto de atividades integradas estão listadas a seguir: • Complexos e longos (tamanho e/ou duração); • Dinamicidade; • Propriedade - possuem um ou mais responsáveis; • Condicionados à tecnologia; • Interfuncional; • Existência de clientes e/ou usuários; • Utilizam recursos; • Possui controlabilidade; • Suscetível à medições e ações corretivas. Figura 15 - Esquema geral de funcionamento de processos nas organizações 68 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Com as classificações dos processos, a organização ganhará celeridade na uniformização da visão estratégica do negócio, identificando melhor o processo principal a ser monitorado e gerido em prol da obtenção de maiores resultados. Hora de movimento (mental)!! Atividades de Estudos: Assista os vídeos indicados nos links a seguir e analise-os pela perspectiva do assunto estudado até aqui: . . . Agora, faça o que se pede: 1) Identifique quais os macroprocessos, processos e subprocessos que se desenvolvem em cada um. ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 2) Quais são os produtos nos processos identificados da questão 1? ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ ____________________________________________________ 3) Analise as definições acerca das classificações de um processo e marque a alternativa na ordem correta: • São definidos como conjuntos de atividades inter-relacionadas, visando transformar certas entradas ou insumos em novos resultados ou saídas como produtos e serviços de maior valor agregado. 69 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 • São os processos mais abrangentes e de maior alcance nas organizações, pois envolvem mais de uma função; formam o conjunto de processos fundamentais ou críticos para o alcance dos objetivos e a efetiva realização da missão organizacional. • São subdivisões dos processos; formam um conjunto de atividades necessárias e suficientes para que os processos sejam executados; seu detalhamento se desdobra em descrições de tarefas e se destina a alcançar um objetivo específico. A alternativa na ordem correta de sua definição é: a) Macroprocesso, Processo, Subprocesso. b) Processo, Macroprocesso, Subprocesso. c) Subprocesso, Processo, Macroprocesso. d) Processo, Subprocesso, Macroprocesso. e) Macroprocesso, Subprocesso, Processo. Processos Críticos de Negócios Como vimos, uma organização vive em função do desenvolvimento de seus processos e como se alcançarão os resultados pretendidos por meio desses processos. Agora, vamos aprofundar mais o estudo e conhecer o ambiente estratégico da organização que agrega valor direto ao cliente – processos críticos principais. Na figura a seguir, podemos começar a perceber como todas as peças numa organização estão inter-relacionadas. 70 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Figura 16 - Cadeia cliente-fornecedor Fonte: GAV-UFSC (apud UNICAMP, 2003, p. 14). Essa inter-relação é tanta que uma interfere na outra. Por exemplo, se a expectativa dos clientes for bem atendida, o processo vai continuar existindo. Caso contrário, seu fim se aproxima. a) Processos Críticos Os processos críticos estão relacionados à natureza estratégica da organização, visando ao sucesso da instituição. A definição de processos críticos tem sido bastante diversificada, e isto tem dificultado pesquisas e entendimento acerca desta temática na literatura. Os processos críticos são conhecidos com várias nomenclaturas na literatura, das quais citamos: • Processos de Geração de Receita Real; • Processos Principais do Negócio; • Processos de Produção; • Processos de Finalístico; • Processos de Cliente; • Processos Primários; • Processos Chaves; • Processos Fins. Os processos críticos são conhecidos com várias nomenclaturas na literatura. 71 Aplicabilidade do Gerenciamento de ProcessosAplicabilidade do Gerenciamento de Processos Capítulo 2 Ressalto que quando os processos críticos não são gerenciados de modo adequado na organização, isso pode ocasionar dificuldades ou haver impedimentos na concretização dos objetivos estratégicos. Mesmo existindo alguns processos de apoio, como os processos intermediários, que são considerados críticos pela sua relevância ou pelo efeito impactante nos resultados da organização, enfatiza-se que, os processos críticos são considerados finalísticos principais, pois estes estão relacionados ao foco maior do negócio da instituição – o cliente e demais interessados do negócio. O Quadro 10 a seguir nos mostra a categorização básica dos processos. Ressalto que quando os processos críticos não são gerenciados de modo adequado na organização,isso pode ocasionar dificuldades ou haver impedimentos na concretização dos objetivos estratégicos. Quadro 10 - As 3 categorias dos processos de negócio C at eg or ia LIGADOS AO CLIENTE OU DE NEGÓCIO ORGANIZACIONAIS OU DE INTEGRAÇÃO GERENCIAIS O ut ra s N om en cl at ur as na L ite ra tu ra → Processos Principais do Negócio → Processos de Produção → Processos Finalístico → Processos de Cliente → Processos Primários → Processos Críticos → Processos Chaves → Processos Fins → Processos de Geração de Receita Real → Processos de Apoio → Processo Organizacional → Processos de Geração de Receita Virtual → Processo Gerencial → Processos de Gestão A tr ib ut os • São ligados à essência do funcionamento da organização. • São suportados por outros processos internos. • Resultam no produto ou serviços que é recebido pelo cliente. • São centrados na organização. • Viabilizam o funcionamento coordenado dos vários subsistemas da organização • Garantem o suporte adequado aos processos de negócio. • São centrados nos gerentes e nas suas relações • Incluem ações de medição e ajuste do desenvolvimento da organização • Incluem as ações de suporte que os gerentes devem realizar. 72 Fundamentos de Gestão de Processos e da Qualidade Ex em pl os Vendas Desenvolvimento de produtos Distribuição Cobrança Atendimento de pedidos Atendimento de garantia Planejamento estratégico Orçamento Empresarial Recrutamento e seleção Compras Treinamento operacional Fixação de metas Avaliação do resultado da empresa Gestão de interfaces Alocação de recursos Processos Primários Processos de Suporte Fonte: Adaptado de Gonçalves (2000a, p. 7). Em toda e qualquer organização, percebemos uma preocupação comum a todas elas: como melhorar seus processos internos/externos, tornando-os mais eficientes e duradouros em seu ambiente de atuação. Há uma certa inquietação para saber o que faz a organização ir para a frente ou andar para trás. Para Ricardi (2014), elas procuram saber quais são seus processos críticos. E tentam aplicar uma metodologia sistemática que objetive melhorias naqueles seus processos que têm muita relevância e aqueles de baixo impacto para o alcance de seus resultados almejados. "Nas organizações que aplicam esse conceito [...] os processos não têm um valor em sim mesmos, mas buscam, em seu conjunto, atingir as melhorias para o sistema todo" (RICARDI, 2014, p. 88). Então, surge a pergunta: o que são esses processos críticos? Vamos tentar elucidar mais essa questão a seguir! b) Processo Principal (ou Crítico) e de Apoio Quando pensamos em algo crítico - seja a simples ação de atravessar uma rua ou a fabricação de um complexo habitacional, somente para exemplificar, nos vêm à cabeça algo que é decisivo ou crucial para o prosseguimento de qualquer empreendimento humano/organizacional. Os processos, dentro de uma organização se mostram como principal ou críticos, dependendo de seu enfoque; também há outras nomenclaturas, como, por exemplo, processos-chave, processos de produção, etc; por hora, focaremos apenas como principal ou críticos, conforme preconiza Couto e Soares (2004). Pois bem, "processo principal de uma organização [...] é qualquer arranjo de operações e atividades que produzam bens ou serviços, visando essencialmente atender à necessidade de cliente ou usuário externo à organização” (COUTO; SOARES, 2004, p. 64).