Prévia do material em texto
FMU – Faculdades Metropolitanas Unidas APS: Propedêutica Clínica Aluno: Wellinton Vieira de Morais Júnior Disciplina: Propedêutica Clínica. Professor(a): Dr. Paulo Sergio Pina São Paulo 2025 No primeiro capítulo do livro Semiotécnica, Diagnóstico e Tratamento das Doenças da Boca, de Silvio Boraks (Série Abeno: Odontologia Essencial – Parte Clínica, Artes Médicas, 2013) É abordado o exame clínico, que consiste na coleta de sinais e sintomas para se obter hipóteses diagnósticas. O processo é dividido em duas etapas: anamnese e exame físico. A anamnese é a etapa inicial, em que se investigam os sintomas por meio de uma conversa objetiva com o paciente. Nessa etapa, são colhidas informações importantes sobre os sinais relatados, levando-se em consideração a personalidade, o nível intelectual e o contexto sociocultural do paciente. Mostrar interesse genuíno e criar empatia é essencial para conquistar a confiança do paciente, permitindo que ele relate com mais clareza seus problemas. Durante a anamnese, são levantados dados como: a queixa principal (sendo está a referência central para o sintoma mais relevante), o histórico da doença atual, antecedentes hereditários, situação familiar, antecedentes mórbidos pessoais, hábitos e vícios. Após essa coleta de dados, parte-se para o exame físico, que complementa a anamnese. O exame físico deve ser realizado de forma ordenada, exceto em casos de urgência, nos quais se faz uma anamnese breve e um exame físico direcionado ao problema que motivou a emergência. O objetivo do exame físico é identificar alterações clínicas compatíveis com a queixa do paciente. Os sinais são obtidos por meio dos órgãos dos sentidos do examinador. Dentro do exame físico, utilizam-se recursos denominados manobras semiotécnicas, que incluem: inspeção, palpação, percussão (direta ou indireta), auscultação, olfação, punção, diascopia, exploração cirúrgica, sondagem, raspagem, fotografia e ordenha. O livro também diferencia dois tipos de exame físico: 1. Exame físico geral: observa-se o biótipo do paciente, sua deambulação e eventuais alterações na marcha, na pele (tegumento) e na respiração. 2. Exame físico regional: dividido em exame extrabucal (ao redor da boca) e intrabucal (dentro da cavidade oral). 2) Diferenciar as etapas da anamnese e ressaltar sua importância clínica 1. Identificação – Deve conter as seguintes informações: nome, endereço, idade, estado civil, gênero, raça, profissão e procedência. 2. Queixa principal – Refere-se aos motivos que levaram o paciente a buscar atendimento, devendo ser descrita exatamente com as palavras utilizadas pelo próprio paciente. 3. História da doença atual (H.D.A.) – Consiste no levantamento do histórico da doença, com a descrição do início dos sintomas, sua evolução e características atuais. 4. História médica pregressa – Coleta de informações sobre doenças adquiridas desde o nascimento até a idade atual. 5. Antecedentes familiares – Busca por informações sobre doenças presentes na família, com o objetivo de identificar possíveis condições genéticas ou hereditárias. 6. Hábitos – Etapa fundamental para o diagnóstico e prognóstico. Deve-se investigar o uso de substâncias como drogas, álcool e medicamentos, incluindo tempo de uso, variações e interrupções. 3) Descrever as diferentes etapas do exame físico extraoral e intraoral, e ressaltar a importância de cada uma EXAME FISÍCO INTRAORAL: 1. Observação Geral e Técnica de Exame Etapa: Início da inspeção com a boca aberta, tracionando lábios e mucosas. Importância: Garante um exame ordenado e completo, evitando omissões. A tração correta revela a textura, elasticidade, transparência das mucosas e inserção dos freios, ajudando a identificar alterações precoces. 2. Lábios Etapa: Inspeção visual e palpação bidigital (indicador e polegar). Importância: Por serem externos, os lábios estão mais expostos a fatores de risco como trauma, radiação solar e agentes químicos. Lesões comuns, como câncer de lábio inferior, podem ser detectadas. 3. Fundo de Sulco e Mucosa Alveolar Etapa: Observação e palpação unidigital com o dedo indicador. Importância: Áreas de transição entre estruturas orais; podem apresentar inflamações, retrações gengivais ou lesões de origem protética ou traumática. 4. Gengiva Etapas: · Gengiva Inserida: Avaliação da coloração, espessura e aderência. · Gengiva Livre: Sondagem indireta do sulco gengival. · Papila Interdental: Observação da forma e preenchimento entre os dentes. Importância: A saúde gengival é essencial para prevenção da periodontite. Alterações nessas áreas podem indicar inflamação, perda óssea ou má higiene bucal. 5. Rebordo Alveolar Etapa: Inspeção de arcadas edêntulas (sem dentes) ou parcialmente edêntulas. Importância: Importante em pacientes com próteses ou em planejamento protético, observando reabsorções ósseas ou alterações mucosas. 6. Mucosa Jugal Etapa: Inspeção com afastadores e palpação bidigital ou digitopalmar. Importância: Frequentemente traumatizada por mordidas, próteses ou alimentos. Pode ser local de lesões brancas, úlceras ou outras patologias. 7. Língua Etapas: · Divisão por regiões: dorso, ventre, bordas laterais e ápice. · Movimentação: observação ativa da mobilidade. · Palpação: bidigital de toda a língua. Importância: Local comum de lesões malignas (principalmente nas bordas laterais). A limitação de movimento pode indicar lesões infiltrativas ou neuromusculares. 8. Soalho da Boca Etapa: Inspeção com afastadores e palpação bidigital (interna e externa). Importância: Local anatômico de glândulas salivares sublinguais e submandibulares. Palpação permite detectar cistos, cálculos salivares e tumores. 9. Glândulas Salivares Etapa: Inspeção dos ductos e ordenha intra e extrabucal. Importância: Identificação de obstruções, infecções ou tumores nos ductos da parótida, submandibular e sublingual. 10. Palato Duro Etapa: Inspeção direta (cabeça fletida para trás) e palpação digital. Importância: Região firme, onde podem aparecer lesões ulcerativas, protuberâncias ósseas (torus) ou alterações relacionadas a próteses. 11. Palato Mole e Úvula Etapa: Observação com a língua protruída e ao pronunciar “Ééé”. Importância: Avaliação funcional do véu palatino. A elevação assimétrica pode sugerir paralisia ou lesão neurológica. 12. Orofaringe (porção visível) Etapa: Pressão da língua contra o assoalho da boca e observação ao pronunciar “Ééé”. Importância: Pode revelar infecções, hipertrofia de amígdalas, lesões ou massas na região posterior da cavidade oral. EXAMES FISÍCO EXTRAORAL 1. Avaliação Geral da Cabeça e Pescoço Etapa: Inspeção e palpação das estruturas externas. Importância: Permite detectar alterações anatômicas, assimetrias, deformidades ósseas ou musculares e alterações na pele ou pelos, que podem indicar síndromes ou distúrbios hormonais. 2. Fácies (Expressão Facial e Aparência Geral) Etapa: Avaliação de coloração da pele, pigmentações, presença de sudorese, textura cutânea, distribuição de pelos e gordura. Importância: Alterações podem indicar doenças sistêmicas, como anemia (palidez), icterícia (amarelado), doenças hormonais (hipertricose), ou problemas dermatológicos. 3. Órgãos dos Sentidos Etapas: · Olhos: Movimentação, reflexos pupilares, vascularização da conjuntiva, alterações visuais. · Nariz: Verificação de obstruções, deformidades, sangramentos. · Ouvidos: Avaliação de forma, dor, presença de secreções. Importância: Alterações nesses órgãos podem indicar doenças locais (infecções, traumas) ou neurológicas (ex: paralisias oculares, ptose palpebral). 4. Cadeias Ganglionares (Linfonodos) Etapa: Palpação das principais cadeias linfáticas da cabeça e pescoço (submandibular, mentoniana, cervical etc.). Importância: Linfonodos aumentados, dolorosos ou endurecidos podem indicarprocessos inflamatórios, infecciosos ou neoplásicos. Avaliação essencial para diagnóstico precoce de doenças graves. 5. Articulação Temporomandibular (ATM) Etapa: Palpação bilateral e auscultação enquanto o paciente abre e fecha a boca. Importância: Identifica disfunções articulares, estalidos, crepitações ou desvios mandibulares, que podem causar dor orofacial e interferir na função mastigatória. 6. Glândulas Salivares Maiores Etapas: · Parótida: Inspeção e palpação da área pré-auricular. · Submandibular: Avaliação da região submandibular. · Sublingual: Localização no soalho bucal. Importância: A detecção de nódulos, inflamações ou paralisia facial pode indicar infecções ou neoplasias. A paralisia associada a nódulo parotídeo sugere possível malignidade. 7. Palpação Óssea e Muscular Etapa: Palpação dos ossos da face e mandíbula, junto com avaliação da musculatura (especialmente o masseter). Importância: Detecta fraturas, assimetrias ósseas, ou confusões clínicas como a hipertrofia muscular sendo confundida com inflamações (ex: caxumba). A contração ativa ajuda a diferenciar causas. 8. Avaliação da Inervação Etapa: Palpação dos trajetos nervosos faciais (especialmente trigêmeo) e testes de estimulação elétrica. Importância: Identifica alterações neurológicas como nevralgia do trigêmeo (dor intensa ao toque em pontos específicos), ou falhas de condução nervosa em casos de lesões. 1. Pesquisar em ambientes virtuais ou bibliografias impressas, informações conceituais a respeito das doenças bucais mais prevalentes, como a doença cárie, doença periodontal, candidíase protética etc. A escovação inadequada, aliada a hábitos nocivos e a uma alimentação rica em açúcares, pode causar sérios prejuízos à saúde bucal. Quando esses problemas não são tratados a tempo, as consequências surgem rapidamente. É importante lembrar que, além da perda dentária, doenças bucais podem afetar outras partes do corpo. Por isso, manter uma boa higiene oral e adotar hábitos alimentares saudáveis são atitudes essenciais para preservar a saúde como um todo. Câncer de Boca Apesar de muitas pessoas não darem a devida atenção, o câncer de boca é uma doença grave que pode levar à morte. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), em 2013 foram registradas 5.401 mortes causadas por esse tipo de câncer. Os principais fatores de risco incluem predisposição genética, tabagismo, consumo excessivo de álcool e infecção pelo HPV — este último transmitido principalmente por relações sexuais desprotegidas. Os sintomas mais comuns incluem dor na garganta, língua e pescoço, manchas esbranquiçadas e feridas na boca que não cicatrizam. Cárie A cárie é causada pela proliferação de bactérias na cavidade oral, geralmente provocada por uma higiene bucal deficiente. Os principais sintomas são dor e sensibilidade nos dentes. O tratamento varia conforme o estágio da doença: nos casos iniciais, uma simples obturação pode resolver o problema. Se o dente estiver muito danificado, pode ser necessário o uso de uma coroa. Quando a cárie atinge a polpa dentária, o tratamento de canal é a única solução eficaz. Gengivite A gengivite é uma inflamação das gengivas causada pelo acúmulo de placa bacteriana — uma película pegajosa e incolor que se forma sobre os dentes. Os sintomas incluem inchaço, vermelhidão, sensibilidade e sangramento gengival. O tratamento consiste na raspagem supragengival, que remove a placa já calcificada (tártaro), impedindo o avanço da inflamação. Periodontite A periodontite é uma das doenças bucais mais perigosas, pois pode desencadear problemas sistêmicos, como o infarto. Ela ocorre quando a gengivite não é tratada a tempo e se agrava. Os sintomas incluem gengivas inchadas, com coloração avermelhada ou arroxeada, sangramento frequente durante a escovação, sensibilidade, dentes amolecidos e mau hálito persistente. 2. Associar os dados conceituais com a estatística de prevalência e incidência mais recente. Elaborado em 2009 no âmbito do Comitê Técnico Assessor (CTA) em Vigilância em Saúde Bucal do Ministério da Saúde, com a participação da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), o referido projeto foi submetido a consulta pública no site da Coordenação-Geral de Saúde Bucal (www.saude.gov.br/bucal), contando com a colaboração de diversos setores nesse processo. Ainda na esfera federal, a coordenação da pesquisa contou com a participação dos oito Centros Colaboradores do Ministério da Saúde em Vigilância da Saúde Bucal (CECOLs) e do Grupo Gestor da Pesquisa, formado a partir desses centros. A pesquisa, de base amostral, foi realizada nas 26 capitais estaduais, no Distrito Federal e em 150 municípios do interior, abrangendo diferentes portes populacionais. Foram examinados 37.519 indivíduos pertencentes às faixas etárias de 5, 12, 15 a 19, 35 a 44 e 65 a 74 anos. Cerca de 2.000 trabalhadores e trabalhadoras do SUS, das três esferas de governo, foram fundamentais para o sucesso da execução do SB Brasil 2010. A Pesquisa Nacional de Saúde Bucal 2010 analisou a situação da saúde bucal da população brasileira, com o objetivo de fornecer ao SUS informações relevantes para o planejamento de ações de prevenção e tratamento, tanto em nível nacional quanto estadual e municipal. Nos últimos oito anos, o Brasil avançou significativamente em políticas de redução da pobreza e das desigualdades regionais — e a saúde bucal acompanhou esse movimento. Destacam-se o crescimento de 390% das equipes de saúde bucal, a criação de 865 Centros de Especialidades Odontológicas, a habilitação de 674 municípios com laboratórios de próteses dentárias, a distribuição de 72 milhões de kits de escova e creme dental, além da ampliação do acesso à água tratada e fluoretada para cerca de sete milhões de brasileiros. Essas ações resultaram na redução do número de dentes extraídos e na ampliação do acesso aos serviços odontológicos públicos, especialmente para as populações mais pobres, elevando o Brasil ao grupo de países com baixa prevalência de cárie. 3) Confeccionar material informativo que integrem as informações coletadas acima, de maneira sucinta e objetiva. image1.png