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USP-RP – R3 Cirurgia – 2014 1. Mulher, 55 anos de idade, realizou radiografi a de tó- rax como rotina pré-operatória de cirurgia plástica estética, que mostrou um nódulo em lobo inferior do pulmão direito. A paciente refere que sempre teve boa saúde, não tem queixas respiratórias, nunca teve o hábito de fumar, tampouco seu esposo, não tem co- morbidades. Nega contato recente com pessoa doen- te e sempre trabalhou como secretária. A tomografi a computadorizada de tórax está abaixo. A melhor op- ção para obtenção de amostra para exame anatomo- patológico dentre as alternativas abaixo é: a) broncoscopia b) punção transtorácica c) citologia de escarro d) toracotomia ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – R3 Cirurgia – 2014 2. Com relação aos nódulos pulmonares solitários, assi- nale a alternativa correta. a) não podem corresponder a metástases pulmonares, uma vez que a característica é a multiplicidade b) o PET scan é o exame que oferece melhor possibili- dade diagnóstica c) entre as causas benignas, a mais frequente é o carci- noide d) os adenocarcinomas pulmonares na forma nodular tem melhor prognóstico que os carcinoides e) a broncoscopia tem baixo rendimento para nódulos de 2,5 cm ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – R3 Cirurgia – 2014 3. Homem com 27 anos de idade conta história de in- fecções pulmonares de repetição e escarros sanguino- lentos. Quanto às hipóteses diagnósticas, assinale a alternativa incorreta. a) aspiração de corpo estranho b) carcinoma broncogênico c) tuberculose d) bronquiectasia e) carcinoide pulmonar ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – R3 Cirurgia – 2014 4. Paciente está com dor em ombro direito com irradia- ção para o membro superior do mesmo lado em sua face ulnar, e, ainda, massa pulmonar visualizada pela tomografi a de tórax no ápice pulmonar com invasão da primeira e segunda costelas. Com base no caso ex- posto, é correto afi rmar que as raízes do plexo bra- quial acometidas pela tumoração são: a) C3 e C4 b) C4 e C5 c) C6 e C7 d) C8 e T1 e) T1 e T2 ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – R3 Cirurgia – 2014 5. Paciente de 65 anos, tabagista, com nódulo pulmonar solitário de 1,5cm de diâmetro, realizou uma tomo- grafi a de tórax com protocolo de Swensen, que resul- tou negativo. Com base no caso descrito, assinale a alternativa correta. a) o exame foi inconclusivo, pois é indicado para nódu- los > 3 cm b) há indicação absoluta de ressecção da lesão c) há elevada probabilidade de malignidade da lesão pulmonar d) há baixa probabilidade de malignidade da lesão pulmonar e) há a necessidade de se repetir a tomografi a, pois o exame fora feito inadequadamente ACERTEI ERREI DÚVIDA Questões para Treinamento Cirurgia Torácica20 t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da IAMSPE – R3 Cirurgia – 2014 6. Paciente em décimo pós-operatório de pneumonecto- mia direita apresenta subitamente tosse com expecto- ração em moderada quantidade, dispneia acentuada e nível hidroaéreo à direita na radiografi a de tórax. Acerca do caso descrito, assinale a alternativa que apresenta uma conduta que não deve ser realizada nesse paciente. a) drenagem pleural à direita b) broncofi broscopia c) antibioticoterapia d) drenagem pleural balanceada à esquerda e) entubação seletiva à esquerda ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – R3 Cirurgia – 2014 7. Observe o raio X de tórax abaixo: O diagnóstico é: a) pneumotórax b) pneumotórax hipertensivo c) hemotórax d) contusão pulmonar ACERTEI ERREI DÚVIDA INCA-RJ – R3 Cirurgia – 2014 8. O tratamento inicial da lesão anterior consiste em: a) drenagem em selo d’água b) restrição hídrica c) drenagem no segundo espaço intercostal d) pressão positiva ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 Cirurgia – 2014 9. Em relação à toracoplastia, podemos afi rmar: a) sendo uma cirurgia arcaica, não tem indicação nos dias de hoje da cirurgia torácica moderna b) a toracoplastia só é efetuada, nos dias de hoje, para tratamento do empiema pleural crônico com fístula bronco pleural pós lobectomia quando a pleura pa- rietal já estiver adequadamente espessada c) a toracoplastia está indicada nas cavernas tubercu- losas dos lobos inferiores quando elas possuem mais de 8 cm de diâmetro e paredes espessas d) a toracoplastia está indicada no tratamento do em- piema pleural pós pneumectomia com fístula bron- co pleural como tratamento único e) a toracoplastia pode estar indicada nas cavernas tuberculosas dos lobos superiores quando elas pos- suem menos de 5 cm de diâmetro e paredes fi nas ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 Cirurgia – 2014 10. A fístula broncopleural é uma complicação temida no pós-operatório, principalmente das ressecções pul- monares. Em relação a ela, podemos afi rmar que: a) a fístula broncopleural é uma complicação comum (5%) após pneumectomia por câncer pulmonar, mesmo quando todos os cuidados com margem de ressecção, tamanho excessivo do coto brônquico e desvascularização brônquica tenham sido tomados b) a fístula broncopleural aparece, mais frequentemente, no período pós operatório imediato, mas pode apare- cer meses após a cirurgia de ressecção pulmonar c) todos os pacientes com fístula broncopleural de apa- recimento precoce devem ser tratados na emergên- cia, inicialmente, por abordagem cirúrgica agressiva d) no pós-operatório precoce de pneumectomia o me- diastino é fi xo e a fístula broncopleural pode ser tra- tada por toracostomia aberta e) no pós-operatório precoce de pneumectomia o me- diastino não é fi xo e a fístula broncopleural sempre deve ser tratada por toracostomia aberta ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-RS – R3 Cirurgia – 2014 11. O quilotórax não traumático guarda estreita relação com as neoplasias malignas. Qual, dentre as neopla- sias abaixo, está mais frequentemente associada a esta complicação? a) carcinoma brônquico b) carcinoma de mama c) mesotelioma maligno da pleura d) linfoma e) carcinoma de esôfago ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-RS – R3 Cirurgia – 2014 12. Em relação ao pós-operatório das cirurgias torácicas, são feitas as seguintes assertivas: I. A insufi ciência respiratória tem como principais fa- tores desencadeantes a manutenção do tabagismo perioperatório, a obesidade e a retenção de CO2. II. O uso regular do cateter epidural reduziu de for- ma signifi cativa a necessidade de drogas paren- terais no controle da dor. III. A reexpansão do pulmão remanescente é o de- terminante básico para a retirada do sistema de drenagem torácica.156 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Está/Estão correta(s) a(s) afi rmativa(s): a) I, apenas b) II, apenas c) I e II, apenas d) II e III, apenas e) I, II e III ACERTEI ERREI DÚVIDA UNESP – R3 Cirurgia – 2014 13. Mulher de 45 anos apresenta dor em pontada na região retroesternal, de fraca intensidade, com duração de poucos segundos, sem irradiação e sem fatores acom- panhantes, de melhora ou piora há 20 dias. AP (ante- cedentes pessoais): palpitação há dois meses, com pou- cos segundos de duração, acompanhada de sensação de mal-estar. Tosse seca crônica. RX simples e tomografi a: O diagnóstico mais provável é: a) tumor de pulmão b) tumor de mediastino c) derrame septado d) tuberculose pulmonar e) aneurisma de aorta ACERTEI ERREI DÚVIDA UNESP – R3 Cirurgia – 2014 14. Adolescente de 14 anos há 3 dias iniciou quadro de tos- se e mal-estar geral. Hoje, apresenta escarro purulento, dor ventilatório dependente em base pulmonar direi- ta, dispneia aos médios esforços e febre (37,9-38,5ºC). Sem outras manifestações e sintomas. AP (anteceden- tes pessoais): episódios prévios de pneumonia há 2 anos, alguns com necessidade de internação. Último evento há cerca de 9 meses. RX e tomografi a: Assinale qual o diagnóstico mais provável. a) abscesso pulmonar pós-pneumônico b) empiema septado c)Um paciente apresenta uma massa de 4,2 cm no lobo superior direito à radiografi a do tórax de triagem. A tomografi a computadorizada do tórax revela uma in- vasão provável da parede torácica, linfonodos hilares direitos aumentados, sem linfadenopatia mediasti- nal. Nesse momento da avaliação, como se classifi ca esse tumor de acordo com o Sistema Internacional para Estadiamento do Câncer Pulmonar? a) T2N1M0, estágio IIA b) T4N1M0, estágio IIIB c) T3N2M0, estágio IIIA d) T4N2M0, estágio IIIA e) T3N1M0, estágio IIIA ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia 125. Qual das patologias abaixo citadas não deve fazer parte do diagnóstico diferencial de um derrame pleu- ral exsudativo com concentração de linfócitos maior do que 80%? a) linfoma b) pleurite tuberculosa172 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da c) sarcoidose d) infarto pulmonar e) quilotórax ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia 126. Com relação ao mesotelioma maligno, qual das se- guintes afi rmativas é verdadeira? a) a citologia do fl uido pleural é diagnóstica em dois terços dos casos b) a histologia do tipo fi brossarcomatosa é mais co- mum que a do tipo epitelial c) a sobrevida média em pacientes não tratados é de aproximadamente dois anos d) a coloração imuno-histoquímica ajuda a distingui- -lo do adenocarcinoma e) a ressecção cirúrgica é claramente benéfi ca na maio- ria dos pacientes ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia. 127. Quanto às malformações relacionadas com anormali- dades vasculares, é incorreto afi rmar que: a) cerca de 80% da SEL (Sequestração Pulmonar Ex- tralobar) se situam entre o lobo inferior esquerdo e o diafragma e associam-se a outras malformações congênitas em 50% dos casos b) a SIL (Sequestração Pulmonar Intralobar) pode apresentar uma forma cisto-bronquiectásica fi stu- lada por infecção secundária, pneumônica ou he- matogênica, policística ou menos frequentemente constituída por um único cisto, com nível líquido e que evolui com sintomas infecciosos ou hemoptise c) a forma pseudotumoral das SIL, não fi stuladas, e das SEL, assintomáticas, quase sempre são um achado radiológico d) a SEL (Sequestração Pulmonar Extralobar) incide igualmente entre os dois pulmões, mas a SIL (Se- questração Pulmonar Intralobar) ocorre de 80-90% à esquerda e) a SIL se caracteriza por revestimento pleural comum com o pulmão normal onde se localiza, enquanto a SEL, por se apresentar separada do pulmão, com re- vestimento pleural próprio e separado do pulmão ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006 128. Em Santa Catarina, no sexo masculino, o câncer de pulmão é a principal causa de mortalidade por neo- plasias malignas, segundo o Sistema de Informação de Mortalidade (SIM). Qual das medidas citadas abaixo seria a mais indicada para diminuir a taxa de morbidade por este tipo de câncer? Assinale-a: a) prevenir o tabagismo b) realizar exame citopatológico de escarro na popula- ção de risco c) realizar raio X de tórax na população de risco d) realizar tomografi a computadorizada de tórax em homens fumantes com idade superior a 60 anos e) realizar baciloscopia direta do escarro ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006 129. Assinale a alternativa que completa corretamente a fra- se abaixo. Na pleurite exsudativa tuberculosa ocorre: a) aumento expressivo do número de linfócitos no lí- quido pleural b) aumento expressivo do número de células mesote- liais no líquido pleural c) baixa concentração de proteínas no líquido pleural d) expectoração abundante e) nenhuma das opções acima ACERTEI ERREI DÚVIDA SES – SC – 2006 130. Com relação aos pacientes enfi sematosos severos, as- sinale a alternativa correta: a) seu volume residual está normal e a capacidade pul- monar total está aumentada b) o volume residual está diminuído e a capacidade pulmonar total está normal c) volume residual está aumentado e a capacidade pul- monar total está diminuída d) volume residual está aumentado e a capacidade pul- monar total está aumentada e) volume residual está diminuído e a capacidade pul- monar total está aumentada ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS- BA – 2006 131. Jovem, 22 anos de idade, sexo masculino, com histó- ria de tosse produtiva há quatro semanas, com febre, sudorese noturna de perda e peso. Evoluiu com he- moptise. O diagnóstico mais provável dessa condição será dado: a) pelo raio X de tórax b) pelo PPD c) pela cultura para piogênicos do escarro d) pela baciloscopia do escarro e) pelo gram e escarro ACERTEI ERREI DÚVIDA Rafael tem 30 anos e procurou seu médico, pois está com dor retroesternal intermitente, que cede com o uso de analgésicos. O Dr. Carlos, seu clínico, faz o exame físico no paciente e nada encontra de anormal. É solicitada radiografi a de tórax, que não apresenta anormalidades. O paciente evolui com tosse e hemop- tise, e é solicitada TC de tórax, que evidencia massa de 8 cm no mediastino anterior. UERJ – 2006 132. O cirurgião foi contatado e sugeriu que a lesão prova- velmente fosse um tumor do tipo: a) timoma b) linfoma c) teratoma d) ganglioneuroma ACERTEI ERREI DÚVIDA 173 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da UFF – 2006 133. Em uma mediastinoscopia, um dos achados abaixo constitui contra indicação absoluta para uma cirur- gia do câncer do pulmão. Aponte-o: a) gânglio positivo subcarinal b) gânglio positivo ipsilateral laterotraqueal c) gânglio positivo traqueal anterior baixo d) gânglio positivo mediastinal contralateral e) nenhuma das respostas acima ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 134. As principais complicações da introdução de uma câ- nula de traqueostomia são: a) fratura e tecido de granulação b) fratura e falso trajeto c) obstrução e hemorragia d) hemorragia e estenose e) falso trajeto e estenose ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM - R3 Cirurgia – 2007 135. A respiração paradoxal está associada a: a) fratura de arcos costais inferiores b) hemotórax traumático c) pneumotórax hipertensivo d) tumor de pulmão e) tórax instável ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM - R3 Cirurgia – 2007 136. Um paciente de 56 anos, sem doença cardíaca prévia, é submetido a pneumectomia direta por neoplasia ma- ligna. Durante o procedimento, opta-se pela ligadura intrapericárdica dos vasos pulmonares, deixando-se o saco pericárdico aberto. Duas horas após o término da intervenção, verifi ca-se PA= 50 x 20 mmHg, pulso de 156 bpm, estase jugular e queda da saturação do sangue arterial. A hipótese principal para o evento em andamento é: a) hérnia cardíaca b) tamponamento cardíaco por coleção intrapericádica c) escape das ligaduras de algum grande vaso d) trombose de cava superior e) compressão aguda do mediastino por vicariância do pulmão contralateral ACERTEI ERREI DÚVIDA HSPM - R3 Cirurgia – 2007 137. É o procedimento cirúrgico no tórax mais frequente- mente necessário em pacientes portadores da síndro- me da imunodefi ciência adquirida: a) lobectomia superior para ressecção de aspergiloma b) lobectomia inferior para ressecção de bronquiectasias c) pleuropneumectomia para ressecção de mesotelio- ma maligno de pleura d) segmentectomia para ressecção de sarcoma de Kaposi e) rafi a de parênquima pulmonar em áreas fi stulosas e abrasão pleural ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG – 2007 138. Para diagnóstico das doenças pulmonares intersti- ciais, a técnica de biópsia mais adequada é: a) biópsia transbrônquica b) punção pulmonar aspirativa c) toracotomia posterolateral d) toracotomia mínima ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG – 2007 139. Um paciente do sexo masculino, 2 anos de idade, em tratamento de pneumonia, evoluindo com febre per- sistente, após 72 horas do início da administração de vancomicina. Apresenta leucocitose com desvio à esquerda e o raio X de tóraxmostra derrame pleural ocupando 2/3 do hemitórax esquerdo. A punção pleural retirou 200 mL de líquido seroso, levemente turvo, com 100% de neu- trófi los, pH: 6,8; DHL: 1200 UI/I; glicose: 30 mg/dL. O exame bacterioscópico revelou presença de cocos Gram (+) e a cultura mostrou crescimento de estafi lo- cocos. Qual é o procedimento a ser adotado nesse caso? a) pleuroscopia com drenagem fechada b) toracocenteses repetidas c) toracotomia com decorticação precoce d) drenagem torácica fechada com injeção de fi brinolí- ticos ACERTEI ERREI DÚVIDA As questões 140 e 141 referem-se ao caso abaixo. Sr. Pedro, 70 anos, é submetido à esofagectomia trans-hiatal por carcinoma do terço médio do esô- fago. Durante o procedimento ocorreu uma hemor- ragia de difícil controle. No 8º dia do pós-operatório apresenta dor torácica e dispneia. O raio X de tórax mostra grande derrame pleural e a toracocentese re- vela líquido esbranquiçado de aspecto leitoso. UFRJ – R3 Cirurgia – 2007 140. O provável sítio da lesão vascular foi: a) artéria pulmonar b) veia ázigos c) veia cava superior d) veias esofagianas inferiores ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – R3 Cirurgia – 2007 141. A conduta inicial em relação ao derrame pleural é: a) toracocentese e dieta hipolipídica b) pleurostomia e dieta hiperproteica c) toracotomia e dieta hiperproteica d) drenagem de tórax e dieta hipolipídica ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – 2006 142. Homem, com 63 anos de idade, etilista crônico é ad- mitido com febre, tosse e expectoração amarelada. A radiografi a de tórax revela condensação pulmonar com derrame pleural ipsilateral, de volume mode-174 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da rado a grande. O líquido pleural obtido pela toraco- centese revela-se turvo e com a seguinte bioquímica: LDH= 1100 mg/dL, pH= 7,22 e glicose= 37 mq/dL. Qual das seguintes afi rmações é a correta? a) o derrame deve ser descrito como um transudato, até que bactérias sejam isoladas b) o derrame deve ser descrito como um transudato, já que o pH não é menor que 7,2 c) um dreno pleural dever ser inserido d) a característica bioquímica não é condizente com derrame parapneumônico e) somente o crescimento de bactérias na cultura deste líquido pleural autorizaria a inserção de um dreno pleural ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006_R3 143. Uma mulher de 56 anos de idade, vítima de trauma- tismo cranioencefálico com tubo endotraqueal, está sendo ventilada mecânica e adequadamente com um volume tidal de 800 mL, frequência respiratória de 12 mrm, uma fração de oxigênio inspirado de 50% e pressão expiratória fi nal positiva de 10 cmH2O. Re- pentinamente, apresenta taquicardia, com múltiplas extrassístoles, hipotensão e hipóxia. Assinale a alter- nativa que indica a causa mais provável. a) embolia pulmonar b) pneumotórax c) infarto agudo do miocárdio d) retenção de secreções traqueobrônquicas e) arritmia cardíaca ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006 144. Quanto ao câncer de pulmão, assinale a alternativa incorreta. a) o câncer de pulmão constitui a principal causa de metástase óssea b) os locais de disseminação mais comuns são os linfo- nodos pulmonares e mediastinais c) em relação à metástase linfonodal, o carcinoma de pequenas células é o mais agressivo d) os adenocarcinomas são o tipo histológico mais comum e) pode haver disseminação para o fígado, suprarre- nais, ossos e cérebro ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006 145. Em relação às causas de hemoptise, assinale a alterna- tiva incorreta. a) tuberculose b) broncolitíase c) fi brose cística d) bronquiectasias e) pneumocistose ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2006 146. Em relação às causas de pneumotórax espontâneo, as- sinale a alternativa incorreta. a) DPOC b) micetoma c) blebs d) fi brose cística e) pneumocistose ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – 2006 147. O exame radiográfi co de rotina de um homem com 22 anos de idade, não tabagista, assintomático e sem his- tória pregressa de doença pulmonar, revela a presença de um nódulo pulmonar de 1,0 cm sem calcifi cação, situado cerca de 4 cm distante da pleura visceral, no lobo superior direito. A tomografi a computadorizada mostra que o nódulo tem bordas lisas, regulares e ne- nhuma calcifi carão. O próximo passo seria: a) toracotomia exploradora b) broncofi broscopia c) observação com radiografi as de tórax a cada 3-6 me- ses durante pelo menos 2 anos d) biópsia transtorácica por agulha e) iniciar tratamento para tuberculose ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – 2006 148. Paciente do sexo masculino, 24 anos, procura o pron- to-socorro com quadro de dor torácica à direita, ven- tilatório dependente, com início súbito, acompanhada de dispneia temporária. Exame físico mostra murmú- rio vesicular diminuído à direita e timpanismo à per- cussão. Indique o diagnóstico mais provável, o exame complementar mais apropriado e seu achado: a) pneumonia/tomografi a computadorizada de tórax/ opacidade local b) atelectasia pulmonar/radiografi a de tórax/opacida- de local c) pneumotórax espontâneo secundário/ultrassono- grafi a de tórax/hiperecoica d) pneumotórax espontâneo primário/radiografi a de tórax/hipertransparência e) derrame pleural/tomografi a computadorizada de tórax/opacidade local ACERTEI ERREI DÚVIDA IAMSPE – 2006 149. Homem com 22 anos, chega ao PS com quadro de dor precordial súbita, de forte intensidade irradiada para o pescoço, acompanhada de dispneia progressiva. Ao exame físico apresenta-se descorado, taquicárdico, hi- potenso, taquidispneico, com abolição do murmúrio vesicular no HTE, hipersonoridade à percussão, abafa- mento de bulhas cardíacas. Neste momento, e em fun- ção do diagnóstico, a conduta mais adequada é: a) realizar radiografi a de tórax, pois se trata provavel- mente de pneumotórax hipertensivo b) realizar eletrocardiograma, pois pode tratar-se de um evento cardiovascular (angina ou infarto do miocárdio). 175 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da c) realizar uma punção torácica esquerda com agulha grossa, para descomprimir o pneumotórax hiper- tensivo d) colher sangue para realização de gasometria arterial, no sentido de avaliar a necessidade de ventilação mecânica e) devido à alta sensibilidade e especifi cidade, realizar a dosagem de troponina sérica, e curva enzimática (CKMB), para afastar ou confi rmar o diagnóstico de infarto ou angina. Medicar com analgésicos e oxigê- nio por máscara ou cateter para alívio dos sintomas ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 R3 – CIRURGIA 150. Em um paciente sadio, de 34 anos, no exame de To- mografi a computadorizada de tórax, que estruturas anatômicas são identifi cadas no mediastino médio em corte sagital mediano? a) átrio direito, veia cava inferior, átrio esquerdo, arté- ria pulmonar direita b) átrio direito, veia cava superior, átrio esquerdo, arté- ria pulmonar direita c) ventrículo direito, aorta ascendente, artéria pulmo- nar direita d) ventrículo direito, aorta ascendente, ventrículo es- querdo, artéria pulmonar esquerda e) ventrículo direito, aorta ascendente, ventrículo es- querdo, artéria pulmonar direita ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo A 151. Em uma mediastinoscopia, um dos achados abaixo constitui contra indicação absoluta para uma cirur- gia do câncer do pulmão. Aponte-o. a) gânglio positivo subcarinal b) gânglio positivo ipsilateral laterotraqueal c) gânglio positivo traqueal anterior baixo d) gânglio positivo mediastinal contralateral e) nenhuma das resposta acima ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo A 152. Traumatopneia signifi ca: a) estridor traqueal após trauma cervical b) dispneia associada a fraturas múltiplas de costelas c) dispneia associada a contusão pulmonar d) ruído produzido pela entrada e saída do ar em uma ferida aberta do tórax e) nenhumadas respostas acima ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo C 153. No estadiamento cirúrgico do câncer do pulmão, uma mediastinoscopia cervical avalia o comprometimento dos glânglios: a) laterotraqueais e hilares b) hilares e subcarinais c) retrotraqueais e traqueais anteriores d) subcarinais e do ligamento triangular e) laterotraqueais ipsilaterais ao tumor ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo C 154. Com relação ao traumatismo do parênquima pulmo- nar ocasionado por projétil de arma de fogo, o proce- dimento denominado tratotomia consiste na: a) abertura da trajetória comunicando a entrada e a sa- ída para obtenção da hemostasia b) traqueostomia para adequar melhor a prótese venti- latória c) cricotireostomia para acesso rápido à via respiratória d) toracostomia com dreno para casos de pneumotórax volumoso e) abertura do diafragma para redução das vísceras ab- dominais ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo C 155. A doença mais comumente associada ao timoma é: a) hiperparatireoidismo b) síndrome de Pierre Marie c) miastenia gravis d) macroglobulinemia e) linfoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo C 156. O tumor mais frequente do mediastino anterior é: a) cisto broncogênico b) linfoma c) neurinoma d) neurilemoma e) timoma ACERTEI ERREI DÚVIDA IPSEMG - 2006 157. Considerando-se sua ocorrência e tratamento, é incor- reto afi rmar que o pneumotórax espontâneo primário: a) acomete, mais comumente, homens jovens b) deve ser drenado sempre pelo risco de pneumotórax hipertensivo c) é reabsorvido em uma taxa de 1,25% ao dia d) pode ser mais bem demonstrado, se pequeno, por radiografi a de tórax em expiração ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 Grupo C 158. A maior parte dos pacientes com trauma torácico, cer- ca de 85%, é tratada com medidas básicas tais como drenagem fechada e analgesia intercostal. Uma toraco- tomia de urgência está indicada na seguinte situação: a) pneumotórax b) contusão pulmonar c) fraturas simples de arcos cortais176 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da d) hemotórax com drenagem de sangue maior do que 200 mL/h e) fl ail chest ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2005 Grupo C 159. Paciente sem queixas respiratórias é submetido à radio- grafi a do tórax como exame pré-operatório de cirurgia plástica. É evidenciado nódulo pulmonar solitário, de contorno bocelado, com calcifi cações em pipoca, loca- lizado no lobo inferior. Assinale a opção correta. a) metástase b) adenocarcinoma c) carcinoma epidermoide d) hamartoma e) tuberculoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2005 Grupo C 160. Paciente do sexo masculino, 23 anos, com retardo psi- comotor, apresenta febre baixa há um mês, com tosse e expectoração pútrida. A radiografi a de tórax mostra lesão cavitária em ápice direito, com nível hidroaéreo. O Gram do escarro revela a presença de cocos e baci- los Gram-negativos e Gram-positivos. Dentre as op- ções abaixo, aponte a mais indicada. a) rifampicina, isoniazida e pirazinamida b) penicilina G e metronidazol c) oxacilina e gentamicina d) sulfametoxazol e trimetoprim e) cefalotina e amicacina ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2005 Grupo C 161. O tumor carcinoide representa 85 a 90% dos chama- dos adenomas brônquicos, atingindo, em 90% dos ca- sos, pacientes com menos de 55 anos, independente do sexo. Assinale as manifestações clínicas mais fre- quentes nos tumores carcinoides brônquicos centrais. a) hemoptise e tosse persistente b) febre e broncoespasmo perene c) infecções recorrentes e insufi ciência respiratória d) atelectasia e dispneia grave e) derrame pleural e hemoptise ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2005 Grupo C 162. Paciente em pós-operatório de cirurgia abdominal extensa apresenta quadro de dispneia súbita e radio- grafi a do tórax com consolidação alveolar homogê- nea na base do pulmão esquerdo, derrame pleural pequeno e elevação da cúpula frênica homolateral. Assinale a opção que apresenta a hipótese diagnóstica mais provável para o caso. a) insufi ciência cardíaca b) embolia pulmonar c) pneumonia por broncoaspiração d) aspiração de corpo estranho e) atelectasia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2005 Grupo C 163. Por defi nição, para que seja dado o diagnóstico de tó- rax fl utuante, é necessário que ocorra: a) enfi sema subcutâneo extenso, gerando deformidade na parede do tórax b) pneumotórax maciço com balanço do mediastino e diminuição do retorno venoso c) traumatopneia com entrada de ar pela ferida da pa- rede torácica d) presença de duas ou mais fraturas em três ou mais costelas consecutivas ou separação costocondral e) fratura do esterno, ocasionando deformidade acen- tuada na região precordial ACERTEI ERREI DÚVIDA HCUFP – 2005 – R3 – Cirurgia 164. Com relação à embolia pulmonar, podemos afi rmar que: a) a tríade de dor torácica, dispneia e hemoptise está presente em mais de 75% dos pacientes b) a angiografi a pulmonar é o exame “padrão-ouro” no diagnóstico da embolia pulmonar c) a abordagem cirúrgica da artéria pulmonar com re- moção do êmbolo está sempre indicada, caso não haja reversão dos sintomas nas primeiras 24 horas de uso de heparina intravenosa d) pacientes portadores de obesidade mórbida devem no pré-operatório de uma gastroplastia, colocar um fi ltro de veia cava inferior, para profi laxia da embolia pulmonar ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – 2005 165. Mulher, 50 anos, obesa, com dispneia aos esforços. Tomografi a computadorizada de tórax sem contras- te: massa de contornos bocelados, 8 cm no seu maior eixo, localizada no mediastino anterior, deslocando a traqueia. As principais hipóteses diagnósticas são: a) linfoma, bócio intratorácico e divertículo esofágico b) linfoma, timoma e leiomioma esofágico c) linfoma, timoma e bócio intratorácico d) timoma, bócio intratorácico e cisto pleuropericárdico e) bócio intratorácico, aneurisma da aorta descendente e linfoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 166. Mulher de 32 anos, portadora de hipertireoidismo devido a bócio difuso tóxico, foi submetida a tireoi- dectomia subtotal, deixando-se 3 g de tecido tireoi- deo em cada lobo. No segundo dia de pós-operatório, começou a apresentar parestesias, abalos musculares, irritabilidade, letargia e ansiedade intensa. A prová- vel causa dessa complicação é: 177 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da a) hipocalcemia b) hipermagnesemia c) hiperparatireoidismo d) hipertireoidismo recorrente ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 167. Um paciente em pós-operatório de hemicolectomia direita, por tumoração em ângulo hepático do cólon, evolui sem qualquer anormalidade até o sexto dia de pós-operatório. A partir deste dia, passa a exibir cur- va térmica constantemente alterada, com temperatu- ra axilar variando entre 38,8-39,5ºC. Considerando que a febre constituiu um importante sinal que pode denotar complicações operatórias, deve-se estar aten- to para a possibilidade de: a) abscesso subfrênico b) atelectasia pulmonar c) deiscência de anastomose d) infecção da ferida operatória ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 168. No decorrer de exames rotineiros em um homem de 55 anos de idade, tabagista de um maço de cigarros por dia, foi descoberta uma lesão numular com depó- sito de cálcio na periferia do lobo superior esquerdo na radiografi a do tórax. A radiografi a de tórax feita no ano anterior nada mostrava de anormal. Neste caso, a certeza diagnóstica é obtida indicando-se: a) cintigrafi a óssea b) TCs seriadas semestrais c) biópsia aberta do nódulo d) broncoscopia com lavado brônquico e) biópsia percutânea com agulha do nódulo ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 169. A radiografi a do tórax de um menino de 10 anos de idade mostra, na incidência em perfi l, uma lesão tu- moral próxima ao diafragma e à coluna vertebral,de formato triangular. O menino está assintomático no momento do exame. A lesão tumoral mais frequente nesta região do mediastino, nesse caso é: a) neurilemoma b) neurofi broma c) neuroblastoma d) ganglioneuroma e) ganglioneuroblastoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 170. Após trauma torácico fechado, paciente chegou disp- neico ao pronto-socorro imediatamente após o início de ventilação controlada, verifi caram-se alta pressão de insufl ação, choque, enfi sema subcutâneo e saída de material serossanguinolento pela sonda. A conduta mais adequada é: a) uso de dobutamina e diuréticos b) drenagem de pericárdio c) drenagem torácica d) diminuir a pressão de insufl ação e) manter respiração espontânea ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 171. Em crianças com piopneumotórax, o dreno pleural poderá ser retirado: a) quando não mais houver borbulhamento do frasco b) após 2 radiografi as sucessivas indicando ausência de espessamento pleural c) após 1 semana de drenagem pleural, desde que o dreno não oscile d) quando o dreno não mais oscilar e não houver dre- nagem de pus e) após pinçamento temporário do dreno e ausência de manifestação clínica ACERTEI ERREI DÚVIDA UERJ – 2001 172. Em relação aos traumatismos torácicos, é correto afi rmar que: a) o pneumotórax hipertensivo deve ser diagnosticado clinicamente, pois o tempo gasto com uma radiogra- fi a pode resultar em agravamento signifi cativo das condições do paciente b) feridas penetrantes abertas do tórax podem compro- meter a ventilação pulmonar quando seu diâmetro corresponder a, pelo menos, duas a três vezes o diâ- metro da traqueia c) em casos de tamponamento cardíaco, para que haja resposta hemodinâmica adequada, torna-se neces- sário remover do saco pericárdico volumes de san- gue não inferiores a 100 mL d) o diagnóstico de rotura da aorta pode ser suspeita- do com base no quadro clínico e diagnosticado, na maioria dos casos através da radiografi a simples de tórax, não sendo necessária a aortografi a e) em grandes séries de necropsia, a rotura do hemi- diafragma esquerdo é muito mais frequente que a rotura do hemidiafragma direito ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – 2003 173. Idoso com diagnóstico prévio de doença pulmonar obstrutiva crônica (VEF1 em 30% do previsto) refere dor torácica súbita e dispneia. Raio X de tórax mostra pneumotórax moderado à direita. O tratamento indi- cado para esse paciente, após a internação hospitalar, é: a) aspirar o pneumotórax com agulha b) colocar um tubo de toracostomia e instilar talco c) colocar máscara com 100% de oxigênio e reavaliar em 12 horas d) nebulizar com broncodilatador e corticosteroide en- dovenoso ACERTEI ERREI DÚVIDA178 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da UNICAMP – 2002 174. Paciente de 30 anos, vítima de acidente automo- bilístico há 30 minutos. Inicialmente apresenta PA= 90 x 60 mmHg e FC= 120 bpm. Há sinais de pneumotórax à esquerda, sendo o tórax drenado e conectado a sistema de selo d’água, seguido de bor- bulhamento contínuo. A administração rápida de 2 litros de cristaloide não melhora as condições he- modinâmicas. Ao exame do tórax persistem sinais de pneumotórax à esquerda. Após revisão da drenagem torácica, que estava adequada, realizou-se radiografi a simples de tórax que mostrou colabamento total do pulmão esquerdo com pneumotórax persistente. Es- ses achados levantam suspeita de: a) tórax instável b) ruptura de brônquio c) ruptura de esôfago d) ruptura diafragmática à esquerda e) rolha de secreção no brônquio esquerdo ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG – 2002 175. Quanto a condutas relativas a patologias pleurais, é incorreto afi rmar: a) a pleuroscopia está bem indicada nos empiemas septados na fase fi brinopurulenta b) a drenagem pleural subaquática está indicada nos empiemas na fase exsudativa com pHde ressecção do abscesso é o tamanho e neste caso, a lobectomia superior direita estaria indicada b) nos abscessos maiores do que 3 cm, próximos à parede torácica, deve ser realizada drenagem percutânea já que o tratamento clínico não é efi caz c) o abscesso pulmonar deve ser tratado inicialmente com antibioticoterapia de amplo espectro, além de fi sioterapia e drenagem postural d) os abscessos pulmonares, como este, devem ser tratados com antibioticoterapia localizada, através da injeção intraca- vitária de gentamicina e) abscessos pulmonares maiores que 3 cm requerem drenagens percutâneas, antibioticoterapia, além de fi sioterapia ACERTEI ERREI DÚVIDA USP– R3 Cirurgia – 2003 184. Paciente do sexo feminino com 26 anos de idade, praticante de atletismo (salto em altura) refere que há 3 dias vem apre- sentando dor em hemitórax direito, ventilatório dependente. Notou-se que seu rendimento nestes últimos dias foi abaixo do esperado e relaciona a dor ao treino. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral. A ausculta pulmonar eviden- cia diminuição dos murmúrios vesiculares e da ausculta da voz em hemitórax direito e a radiografi a de tórax revela pneu- motórax ocupando aproximadamente 40% da cavidade pleural direita. A conduta correta indicada para esta paciente é: a) proceder à drenagem da paciente através de um dreno entre 14 e 22 Fr b) pneumotórax de até 60% podem apresentar absorção espontânea. Se a paciente estiver estável a conduta é expectante c) a drenagem pleural com dreno tubular calibroso é mais indicada do que a drenagem com dreno fi no, pois a efi cácia destes últimos, nos casos de pneumotórax é menor do que 50% d) a toracocentese esvaziadora está indicada naqueles pacientes assintomáticos e deve ser repetida quantas vezes for necessária, pois esta afecção tende à resolução espontânea e) a presença de bolhas ou “blebs” apicais nestes indivíduos justifi ca a ressecção cirúrgica destas lesões através da tora- cotomia, associada a pleurodese com talco, desde o primeiro episódio ACERTEI ERREI DÚVIDA ACERTEI ERREI DÚVIDA Calcule a sua porcentagem: % % % Se você acertou 75% ou mais, parabéns. Se você acertou menos de 50%, retome o texto e reveja as questões. Caso persistam dúvidas, faça contato com o plantão de dúvidas em nosso site: www.sjtresidencia.com.br 180 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 1. O nódulo solitário de pulmão é defi nido como uma lesão arredondada ou ovalada, não escavada, menor que 3 cm e circundada por parênquima pulmonar. É um dos achados radiológicos mais comuns em pacientes assintomáticos e re- presenta um problema diagnóstico, uma vez que pode ser uma forma de apresentação do câncer do pulmão em cerca de 10% dos casos. Outras possibilidades diagnósticas in- cluem tuberculose, fungos (aspergilose, coccidioilomatose) granulomatose de Wegener, pneumonite focal, hamartoma e anormalidades congênitas, como cistos e malformações vasculares. O diagnóstico radiológico confi ável estabelecendo a etiologia benigna do nódulo pode algumas vezes ser feito se uma lesão deste tipo apresentar certos padrões de calcifi cação. Padrões do tipo laminar; difuso; em “pipoca” ou central podem clas- sifi car confi avelmente uma lesão nodular como benigna. Por outro lado, calcifi cações do tipo excêntrica ou pontilhada, quando identifi cadas no interior de um nódulo pulmonar, devem ser consideradas suspeitas de malignidade. Embora não inteiramente específi cos, existem alguns acha- dos morfológicos que podem sugerir malignidade, como: ta- manho maior que 3 cm, margens irregulares e espiculadas e cavitações com paredes espessas. Lesões menores, regulares e estáveis, sugerem benignidade. A identifi cação da presença de gordura no interior de um nódulo pulmonar solitário sustenta o diagnóstico de ha- martoma. TC com cortes fi nos para avaliação densitomé- trica do nódulo é mais sensível que o estudo radiológico na demonstração de calcifi cação e de distribuição de gordura. Nos casos indeterminados, informações adicionais podem ser obtidas com TC com contraste venoso, para avaliação dinâmica do realce do nódulo, com elevado valor preditivo negativo. Um realce maior que 15 UH (unidades Houns- fi eld) tem sido utilizado como parâmetro de distinção entre nódulos benignos e malignos. O estudo do nódulo pulmonar solitário é uma das principais indicações de PET-FDG. O método, na grande maioria das vezes, permite defi nir a natureza benigna ou maligna de um nódulo com sensibilidade e especifi cidade elevadas, sendo superior à TC. A maior utilidade da PET na avaliação de um nódulo pulmonar está ligada ao seu valor preditivo negati- vo. Algumas limitações técnicas são observadas em lesões menores que 1 cm, e a sua especifi cidade também é regio- nalmente dependente, sendo menos em áreas de maior inci- dência de doenças granulomatosas infecciosas, onde resul- tados falso-positivos podem ocorrer com maior frequência. Resultados falso-negativos têm sido observados na presença de hiperglicemia, em depósitos tumorais microscópicos, no tumor carcinoide, no carcinoma bronquioloalveolar e nas pequenas lesões entre 5 e 7 cm. Nos centros em que se dispõe da videotoracoscopia, este é o método cirúrgico inicial de diagnóstico e tratamento no NPS indeterminado. Defi nida a malignidade do nódulo, a maioria dos cirurgiões prossegue com toracotomia. A acurácia diagnóstica da toracotomia é de 100%, além de per- mitir tratamento adequado. A maioria dos serviços de cirurgia torácica utiliza a toracotomia com preservações dos músculos. Os doentes enfi sematosos com NPS maligno têm sido subme- tidos simultaneamente à cirurgia redutora e tratamento do nódulo com bons resultados. Segundo Cummings, usando a teoria bayesiana para quando cálculo da probabilidade de cân- cer for superior a 60%, a toracotomia imediata está indicada; abaixo de 60% e superior a 5%, biópsia transtorácica; inferior a 5%, observação clínico-radiológica. Resposta d. 2. O nódulo solitário de pulmão é defi nido como uma lesão arredondada ou ovalada, não escavada, menor que 3 cm e cir- cundada por parênquima pulmonar. É um dos achados radio- lógicos mais comuns em pacientes assintomáticos e representa um problema diagnóstico, uma vez que pode ser uma forma de apresentação do câncer do pulmão em cerca de 10% dos casos. O estudo do nódulo pulmonar solitário é uma das principais indicações de PET-FDG. O método, na grande maioria das vezes, permite defi nir a natureza benigna ou maligna de um nódulo com sensibilidade e especifi cidade elevadas, sendo superior à TC. A maior utilidade da PET na avaliação de um nódulo pulmonar está ligada ao seu valor preditivo negati- vo. Algumas limitações técnicas são observadas em lesões menores que 1 cm, e a sua especifi cidade também é regio- nalmente dependente, sendo menos em áreas de maior inci- Gabarito Comentado Cirurgia Torácica21 t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da dência de doenças granulomatosas infecciosas, onde resul- tados falso-positivos podem ocorrer com maior frequência. Resultados falso-negativos têm sido observados na presença de hiperglicemia, em depósitos tumorais microscópicos, no tumor carcinoide, no carcinoma bronquioloalveolar e nas pequenas lesões entre 5 e 7 cm. Entre as causas benignas a mais frequente é o granuloma tuberculoso principalmente quando o nódulo solitário localiza-se em seguimentos api- coposteriores de lobos superiores e apicais dos inferiores. O tumor carcinoide do pulmão é neoplasia de baixa maligni- dade que se origina do epitélio brônquico e representa me- nos de 2% de todos os tumores pulmonares. Obviamente o seu prognóstico é bem melhor do que o adenocarcinoma. A broncoscopia tem valor limitado no diagnóstico das afec- ções benignas que se apresentam como NPS. Nos pacientes de risco para neoplasia maligna, apesar do baixo rendimen- to em nosso meio é realizada como parte do estadiamento. Existemdados divergentes na literatura em relação à sensi- bilidade da broncoscopia no NPS maligno, variando de 25% a 78% a positividade, utilizando de levado, escovado e às vezes biópsia transbrônquica. Resposta e. 3. Jovem de 27 anos, não tabágico, com história de infec- ção pulmonar de repetição e escarros sanguíneos tem como diagnósticos diferenciais todas as situações expostas, exceto carcinoma broncogênico. Os dados epidemiológicos contra- riam fortemente esta possibilidade que se tornaria real caso a história fosse de um paciente com mais de 40 anos, espe- cialmente fumante e que viesse apresentando pneumonias de repetição, com a mesma localização ou de resolução pro- longada. Resposta b 4. O quadro corresponde a evolução de um tumor de Pancoast. Um tumor de Pancoast verdadeiro usualmente é um car- cinoma pulmonar de células não pequenas que, em razão de suas relações anatômicas com as estruturas do estreito torácico superior, pode invadir o tronco inferior do plexo braquial (C8 e T1), o tronco simpático, incluindo o gânglio estrelado, os arcos costais superiores, bem como vértebras torácicas e vasos subclávios. Os tumores de Pancoast representam menos de 5% dos carci- nomas pulmonares de células não pequenas, e o seu compor- tamento biológico não difere das demais neoplasias desse tipo. A síndrome de Pancoast é caracterizada por uma apresen- tação clínica que inclui dor no ombro e irradiação para o membro superior, podendo vir acompanhada de perda de força e de atrofi a muscular na mão decorrente da invasão do ramo inferior do plexo braquial, síndrome de Claude Ber- nard Horner, que inclui ptose palpebral, miose, enoft almia e anidrose facial em decorrência do acometimento do gânglio estrelado e, radiologicamente, a evidência de destruição dos primeiros arcos costais ou vértebras torácicas. Apesar de ter como principal causa o carcinoma pulmonar de células não pequenas, pode também ser causada por diversas doenças neoplásicas, infl amatórias ou infecciosas.Resposta d. 5. A tomografi a computadorizada com injeção de contraste baseia-se no fato de que a vascularização do nódulo maligno é bem mais pronunciada que a do benigno, principalmente em sua porção central, ocorrência demonstrada em técnica imunohistoquímica, com a utilização de anticorpos antifa- tor VIII. Feito sob padronização, o método divulgado por Swensen e colaboradores, em 1996, mostrou, com um ponto de corte de 20 Unidades Hounsfi eld, uma sensibilidade de 98%, uma especifi cidade de 73% e uma acurácia de 85%.6 Atualmente, considera-se, de modo geral, que um aumento de mais do que 15 a 25 unidades Hounsfi eld (HU), após uma injeção padrão de contraste, sugere malignidade, mas algu- mas condições infl amatórias, como o granuloma tuberculo- so e a pneumonia criptogênica, podem também aumentar a densidade radiológica. Na prática, o valor preditivo negativo é a mais útil característica do aumento de densidade após a injeção de contraste, pois diminui muito a possibilidade de malignidade. Estes conceitos encontram limitações em nódulos menores do que 1 cm. Resposta d. 6. Todas as possibilidades terapêuticas devem ser almejadas neste paciente, exceto a opção D. A drenagem pleural ba- lanceada à esquerda para este caso não tem fi nalidade tera- pêutica. O procedimento seria realizado com o objetivo de controlar o mediastino do paciente pós-pneumectomia. No entanto, a maioria dos cirurgiões não advogam este procedi- mento pois observaram que o mediastino pode ser controla- do com uma simples aspiração por agulha, ou deixando-se um pequeno cateter intratoráxico durante o ato cirúrgico. Entre os eventos apontados como preocupantes, encontram- -se a hemorragia pós-operatória, a possibilidade de ocorrer contaminação do espaço pleural previamente ou durante o ato cirúrgico e a deiscência do coto brônquico. Resposta d. 7. A imagem do radiograma mostra o HTE com hipertrans- parência, desvio do mediastino contralateral, dados que defi nem o diagnóstico de pneumotórax hipertensivo. Veja abaixo imagem semelhante só que no hemitórax direito. Resposta b. 8. A conduta consiste de imediato em punção do segundo espaço intercostal de acordo com as recomendações abai- xo, levando em conta, que pneumotórax hipertensivo é uma condição principalmente observada em politraumatizado, sendo assim: Executar a avaliação rápida do traumatizado. Abrir vias aéreas com manobra manual. 182 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Administrar oxigênio suplementar sob máscara com re- servatório 10 a 15 litros por minuto. Assistir ventilação caso necessário com BMV e oxigênio. Administrar oxigênio por máscara com reservatório 10 a 15 litros por minuto. Introduzir a agulha no hemitórax afetado na altura do 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular. Acoplar o catéter utilizado a uma válvula de Heimlich. Indicar a descompressão de tórax com agulha somente na presença de descompensação (distúrbio respiratório grave e choque). A realização de radiografi a de tórax não deve atrasar a descompressão do tórax. Caso estas medidas não sejam sufi cientes para manter a oxigenação da vítima proceder a intubação orotraqueal e iniciar ventilação sob pressão positiva. Introduzir dreno de tórax tubular nos pacientes assim que possível. Avaliar o paciente durante o transporte para deterioração respiratória, elevação da pressão inspiratória, deteriora- ção hemodinâmica. Observar escape aéreo e caso haja hemotórax associado avaliar a necessidade de adaptar dois frascos de drenagem e sistema de aspiração contínua. Manter o ritmo cardíaco, oximetria e PNI continuamente monitorizados. Transferir para hospital de referência assim que possível. Resposta c. 9. A toracoplastia é um procedimento de remodelação da ca- vidade torácica para diminuir o seu volume. Isto é possível através de ressecções costais múltiplas, reguladas pela locali- zação e grau de colapso pretendido. Embora a operação tenha sido proposta para o tratamento do empiema, ela encontrou seu lugar inicial entre as técnicas de colapsoterapia da caverna tuberculosa. Atualmente, seu uso tem fi cado mais restrito à obliteração da loja empiemática, com ou sem fístula bronco- pleural, decorrente da complicação de uma ressecção pulmo- nar ou como evolução de processo infeccioso intratorácico. Indicações atuais da toracoplastia 1. Obliteração de cavidade empiemática de localização superior, com ou sem fístula broncopleural, associada à impossibilidade de preenchimento pelo parênquima pulmonar por condições locais ou sistêmicas. 2. Colapso de lesões cavitárias pulmonares sintomáticas (sangra- mento ou infecção), com indicação de ressecção, mas sem condi- ções locais ou sistêmicas de ser realizada (rara). 3. Adequação continente-conteúdo antes ou durante uma ressec- ção pulmonar (rara). 4. Correção estética do abaulamento deformante da parede to- rácica posterior em pacientes com escoliose grave (indicação or- topédica). Tipos de toracoplastia 1. Toracoplastia de Schede 2. Toracoplastia osteoplástica Tipos de toracoplastia (Cont.) 3. Toracoplastia convencional póstero-lateral 4. Toracoplastia axilar 5. Toracoplastia anterior 6. Toracoplastia moldada 7. Toracoplastia de Andrews 8. Toracoplastia interna 9. Plumbagem 10. Toracoplastia traumática Resposta e. 10. A sutura de coto brônquico após uma ressecção pulmo- nar, pneumonectomia, lobectomia ou segmentectomia ainda é o calcanhar de Aquiles destas técnicas operatórias, apesar da acentuada evolução da cirurgia torácica neste século. Se o coto brônquico não cicatrizar corretamente, teremos a deiscência da sutura brônquica e a formação de uma fístula broncopleural. A fístula broncopleural é mais frequente: no idoso que na criança; no homem do que na mulher; nos doentes desnutridos do que nos nutridos; na tuberculose do que no câncer brônquico; nas pneumonectomias do que nas segmentectomias; à direita (4%) do que à esquerda (1%); no brônquio irradiado no pré-operatório do que no não- -irradiado; nos que foram ventilados mecanicamente no pós-opera- tório (9%) do que naqueles que não foram (4%); nos com empiema pleural do que nos sem empiema; em serviços de ensino do que em pacientes. A fístula broncopleural geralmente se manifesta entre o 4º e o 7º dia do pós-operatório. Quanto mais precoce a sua for- mação, mais certamente houve, em nossa opinião, uma falha técnica. É muito rara a formação de fístula broncopleural tar- dia, isto é, meses ou anos após a ressecção pulmonar. Nesta situação podemos interrogar se no período assintomático não havia uma pequena fístula que fi cou bloqueada. Uma outra hipótese para a formação tardia está relacionada com a pos- sível recidiva da infecção ou da neoplasia no coto brônquico. Williams e Lewis em 3.050 ressecções em diversas doenças encontraram 2,7% de fístulas broncopleurais (86 doentes), sendo que 64,1% ocorreram nas pneumonectomias, 27,9% nas lobectomias e 8,1% nas segmentectomias. Na fístula broncopleural aguda é indicada a reabertura do tórax quando as condições clínicas permitirem e o líquido pleural não estiver contaminado. As seguintes medidas de- vem ser tomadas durante a operação: colheita do líquido pleural para bacterioscopia, cultura e antibiograma; localização do orifício fi stuloso e verifi cação da extensão, das condições da margem brônquica e, principalmente, uma análise de possível etiopatogenia da deiscência da sutura; decidir entre ressuturar a deiscência ou seccionar a mar- gem brônquica ou aumentar a ressecção pulmonar. A ressutura da deiscência somente é possível quando a área for muito pequena, até dois pontos, e a margem tiver bom aspecto, sugerindo que houve algum erro técnico na passa- 183 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da gem dos pontos ou o fi o tinha algum problema. Para refor- çar o ponto, podemos apoiá-lo em retângulos de dacron ou de pericárdio autógeno ou bovino etc. Resposta b. 11. Apesar de bastante raro, o quilotórax pode ocorrer em consequência a inúmeras etiologias. Desta forma, Gullane e cols. o classifi caram em: congênito, traumático, obstrutivo e espontâneo. O derrame quiloso neonatal é atribuído às anomalias congê- nitas, como a ausência do ducto torácico, fi stulização entre este e o espaço pleural, ou, ainda, trauma de parto. Associa- -se também à síndrome de Down e ao poliidrâmio. Nesses casos, a sua patogênese é desconhecida. Entre os de origem traumática, estão incluídos os ferimentos causados por arma de fogo e arma branca, os traumas fechados e os iatrogênicos no transcorrer de operação torácica, e os con- sequentes às técnicas diagnósticas. Os ferimentos penetrantes raramente causam quilotórax, devido à situação do ducto, conforme comentado anteriormente, Nos traumas fechados, a hiperextensão da coluna com o deslocamento de vértebras é o mecanismo mais comum de lesão. Os iatrogênicos, consequen- tes às cirurgias cardiovasculares, são os mais frequentes. Em 2.660 cirurgias torácicas, Maloney e Spencer relataram 13 ca- sos de quilotórax, portanto, registraram a incidência de 0,5%. Dentre as técnicas diagnósticas invasivas, a aortografi a trans- lombar é citada como a causa mais comum. A ausência dessa complicação após esofagectomias, que requerem amplas dis- secções mediastinais, e lobectomias pulmonares é inexplicável. As lesões obstrutivas podem ser de origem infl amatória (linfangites), infecciosas (tuberculose, fi lariose) e neoplási- cas (linfomas, linfossarcomas e metástases). Segundo Bower, os traumas dependentes do ato cirúrgico e as neoplasias malignas (entre estas o linfoma é a mais co- mum) são responsáveis por mais da metade de todos os ca- sos de quilotórax. Resposta d. 12. CRITÉRIOS PARA A RETIRADA DO DRENO a) Fluxo de drenagem líquida menor de 150 mL/24 horas (2 mL/kg/dia); b) de 12 a 24 horas após cessada a fuga aérea; c) resolução de intercorrência pleural d) tempo máximo de 10 dias de drenagem, mesmo quando não resolvida a intercorrência pleural. e) pulmão completamente expandido Por exemplo, nas lobectomias uma das complicações mais frequentes é a presença de escape aéreo persistente pelos drenos. É considerada escape aéreo persistente pelos drenos à ocorrência de fuga aérea que se mantém após o sétimo dia de pós-operatório de uma lobectomia. As afi rmativas I e II são absolutamente corretas. A dor pós-toracotomia é grave e a terapia da dor deve incluir um regime combinado incluin- do o uso da via epidural de anestésicos locais e uso sistêmico de drogas anti-infl amatórias não-esteroides. Resposta c. 13. Observa-se na radiografi a convencional de tórax em PA e perfi l uma massa bem delimitada na topografi a do mediasti- no superior e anterior. A TC mostra uma massa bem delimi- tada cuja densidade é de 50 UH, dado este bastante sensível para defi nir a topografi a da lesão no mediastino. Resposta b. 14. Este adolescente com episódios de infecção respiratória e atualmente com quadro clínico e imagem compatíveis com abscesso pulmonar (veja radiografi a de tórax em PA e perfi l) deve ser avaliado com a devida atenção. Vale destacar que a topografi a do abscesso pulmonar neste adolescente encon- tra-se em local não habitual. As localizações preferenciais são os segmentos posterior do lobo superior direito, apico- posterior de lobo superior esquerdo e superiores dos lobos inferiores. Diante destes fatos é interessante levantar a se- guinte suspeita clínica: malformação pulmonar congênita. O sequestro pulmonar é um diagnóstico bastante atrativo. É uma malformação caracterizada pela presença de tecido pulmonar não funcionante que recebe toda ou a maior parte de sua irrigação sanguínea de um vaso anômalo sistêmico. Pode ser classifi cado em duas formas distintas: intralobar (localizado dentro da pleura visceral do lobo comprometi- do) e extralobar (destacado dos outros lobos e com revesti- mento pleural próprio). Este tipo costuma ser assintomático por estar totalmente separado do pulmão, sendo na maioria das vezes achado durante toracotomia por outro motivo. O sequestro pulmonar é causa muito rara de distúrbio no re- cém-nascido. A característica clínica mais frequente é a infec- ção respiratória de repetição. O sequestro pulmonar intralo- bar pode apresentar degeneração cística e quando estes cistos hiperinsufl am podem originar insufi ciência respiratória. O sequestro extralobar não apresenta degeneração cística e só produz sintomas respiratórios no recém-nascido se for de gran- de proporção, causando compressão do parênquima pulmonar. Apesar de não existir comunicação direta com a árvore tra- queobrônquica, as infecções ocorrem através de fenestra- ções existentes na parede alveolar (poros de Khon) ou por via hematogênica. A comunicação com a árvore respiratória pode surgir após formação de abscesso e drenagem brôn- quica. A localização mais comum é nos lobos inferiores, em região basal posterior. Na radiografi a de tórax, a presença de massa triangular ou ar- redondada localizada nos lobos inferiores, principalmente nos segmentos basais posteriores, auxiliam a suspeita diagnóstica. O diagnóstico pré-operatório pode ser feito pela identifi ca- ção do vaso anômalo por aortografi a, tomografi a computa- dorizada de tórax com contraste ou angiorressonância. O tratamento baseia-se na ligadura do vaso anômalo e exci- são do segmento acometido. Devido à falta de plano cirúr- gico por infecções prévias, a conduta mais frequentemente adotada é a lobectomia. Resposta d. 15. Neoplasias de células germinativas (NCG) surgem pre- dominantemente nos testículos ou ovários, porém em 2-5% dos casos de origem é extragonadal. Em adultos, o mediasti- no é o sítio extragonadal mais comum (50-70%), seguido em ordem de frequência por retroperitônio, glândula pineal e regiões suprasselares. Em crianças e adultos jovens,as regi- ões sacrococcígea e intracraniana são as mais comuns. Caracteristicamente as NCG no mediastino anterior e re- presentam 10-15% dos tumores do mediastino no adulto e 6% nas crianças. São mais incidentes em indivíduos en- tre 20-40 anos, com igual distribuição entre os sexos nas crianças e nos adultos com tumores benignos; no entanto, naqueles com tumores malignos, 90% são homens. Apesar de compartilhar características histológicas, sorológicas e 184 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da cirogenéticas com as NCG primárias das gônadas, diferen- ças no comportamento clínico sugerem que NCG gonadais e extragonadais sejam biologicamente distintas. Os tumores não seminomas representam, no adulto, aproxi- madamente 15% dos tumores do mediastino anterior e 5% das NCG mediastinais. NCG não simenoma do mediastino são frequentemente tu- mores invasivos e à TC de tórax aparecem como massas he- terogêneas contendo áreas de necrose e hemorragia. Quase 90% dos pacientes apresentam-se com sinais e sintomas da doença ao diagnóstico, como dor torácica, febre, perda de peso, dispneia e ginecomastia. Em cerca de 85-90% dos ca- sos já existem metástases ao diagnóstico, sobretudo em pul- mão, pleura, linfonodos e fígado. Níveis séricos de AFP e/ou β-HCG encontram-se tipicamente elevados em cerca de 85% dos casos. NCG não seminomas do mediastino são mais prováveis de causar elevações de AFP e menos comumente de β-HCG uqe não seminomas gonadais e retroperitoneais. Série contendo 635 pacientes com NCG extragonadais mos- trou AFP elevada em 74% das NCG não seminomas medias- tinais e 51% das retroperitoneais com medianas de valores de AFP nos tumores mediastinais e retroperitoneais 2.548 ng/mL e 25 ng/mL, respectivamente. Resposta c. 16. A biópsia transbrônquica é o procedimento de escolha no diagnóstico da sarcoidose. A realização de biópsia é absolu- tamente imprescindível para o diagnóstico da sarcoidose. A biópsia transbrônquica é recomendada na maioria dos casos e seu rendimento está associado à experiência do examinador e pode variar entre 40 e 90% quando retirados entre 4 e 5 frag- mentos de tecido. O lavado bronquioalveolar deve ser realiza- do para estudo dos linfócitos CD4 e CD8. Uma relação CD4/ CD8 maior que 3,5 é diagnóstico de sarcoidose, com uma es- pecifi cidade em torno de 94% mesmo quando a biópsia trans- brônquica é negativa. A biópsia da mucosa brônquica pode ser realizada no mesmo procedimento, com um rendimento variando entre 41-57%. Quando as biópsias brônquica e trans- brônquica são negativas, está indicada a biópsia pulmonar a céu aberto. Se houver gânglios mediastinais, indicar a medias- tinoscopia inicialmente, postergando a videotoracoscopia ou a biópsia pulmonar a céu aberto. Quando existe comprometi- mento gangliopulmonar, o diagnóstico é confi rmado em mais de 95% dos casos ao utilizarmos os procedimentos já mencio- nados. Outros locais de biópsias como lesões de pele, mucosas e linfonodos periféricos estão indicados quando mostrarem sinais de comprometimento. As lesões cutâneas que surgem em cicatrizes são um bom sítio para diagnóstico. A biópsia de fígado está indicada quando encontramos indicadores clínicos e bioquímicos do comprometimento do órgão. Resposta b. 17. OS tumores de Pacoast, também conhecidos como tu- mores do sulco superior do pulmão, representam uma classe particular de neoplasias pulmonares. Foram descritos pela primeira vez por Edwin Hare, em 1838. Em 1924, Henry Pancoast, médico-radiologista, professor da Universidade da Pensilvânia, fez a descrição dos achados clínico-radioló- gicos de sete pacientes portadores deste tipo de doença. Ini- cialmente, acreditava-se que esse tumor seria proveniente de células embrionárias residuais do quinto arco branquial. No mesmo ano, o argentino Tobias defi niu a origem deste tipo de tumor como sendo um carcinoma broncogênico. Um tumor de Pancoast verdadeiro usualmente é um carcino- ma pulmonar de células não pequenas que, em razão de sua re- lações anatômicas com as estruturas do estreito torácico supe- rior, pode invadir o tronco inferior do plexo branquial, o tronco simpático, incluindo o gânglio estrelado, os arcos costais supe- riores, bem como vértebras torácicas e vasos subclávios. Os tumores de Pancoast representam menos de 5% dos carci- nomas pulmonares de células não pequenas, e o seu compor- tamento biológico não difere das demais neoplasias deste tipo. A síndrome de Pancoast é caracterizada por uma apresen- tação clínica que inclui dor no ombro e irradiação para o membro superior, podendo vir acompanhada de perda de força e de atrofi a muscular na mão decorrente da invasão do ramo inferior do plexo braquial, síndrome de Claude Ber- nard Horner, que inclui ptose palpebral, miose, enoft almia e anidrose facial em decorrência do acometimento do gânglio estrelado e, radiologicamente, a evidência de destruição dos primeiros arcos costais ou vértebras torácicas. Apesar de ter como principal causa o carcinoma pulmonar de células não pequenas, pode também ser causada por diversas doenças neoplásicas, infl amatórias ou infecciosas. Resposta c. 18. Trata-se de hamartoma pulmonar, uma neoplasia be- nigna provavelmente derivada de células mesenquimatosas da parede brônquica. Representa cerca de 75% dos tumores pulmonares benignos e 6% dos nódulos pulmonares solitá- rios. Aproximadamente 95% estão no parênquima e 5% são endobrônquicos. Raramente hamartomas podem ser múlti- plos e integrar a tríade de Carney (condromas pulmonares, liomiossarcoma epitelioide gástrico e paraganglioma extra- -adrenal funcionante). Ocorre geralmente em pacientes com mais de 40 anos de idade, sendo a incidência máxima entre 50 e 60 anos. É duas vezes mais frequente em homens do que em mulheres. A maioria não causa sintomas. Ocasionalmente pode resultar em tosse, hemoptise ou pneumonia recorrente, quando endobrônquico. Tumor parenquimatoso benigno geralmente solitário me- dindo cerca de 1 a 3 cm de diâmetro, de contornos lisos ou lobulados, constituído predominantemente por tecidos car- tilaginoso e adiposo. Ocasionalmente pode ter diâmetro de 4 cm ou mais. Calcifi cação e ossifi cação da cartilagem po- dem estar presentes e, em alguns casos, são bastante exten- sas. Hamartomas endobrônquicos geralmente são peduncu- lados e compostos predominantemente de tecido adiposo. Na radiografi a de tórax: Nódulo circunscrito com margens lisas ou lobuladas. Pode ocorrer em qualquer localização no parênquima, mas tende a ser periférico e localizado preferencialmente nas bases pulmonares. Cerca de 5% têm calcifi cações evidentes na radiografi a. Calcifi cação múltipla grosseira (“em pipoca”) é caracte- rística, mais incomum. O crescimento do nódulo é lento (cerca de 3 mm ao ano). Hamartomas endobrônquicos podem resultar em atelec- tasia e pneumonias de repetição. Na TC: Nódulo circunscrito sólido com margens lisas ou lobula- das e bem defi nidas. 185 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Cerca de 60% têm focos de gordura (atenuação de -40 UH a -120 UH em pelo menos 8 vóxeis) evidentes na TC com corte fi nos (1 mm). Focos de calcifi cação em cerca de 30% dos casos. Calci- fi cação “em pipoca” ocorre em menos de 5% dos casos. Hamartomas endotraqueais ou endobrônquicos podem ter atenuação de gordura e calcifi cação, ou densidade de partes moles com ou sem focos de calcifi cação. Ge- ralmente causam atelectasia, pneumonite obstrutiva ou dilatação brônquica. Resposta d. 19. A radiografi a de tórax mostra velamento total do hemitó- rax esquerdo com deslocamento do mediastino para o lado da lesão, aspecto que é compatível com atelectasia total do pulmão. Derrame pleural volumoso desloca o mediastino para o lado contrário à lesão. Resposta d. 20. A escala de Hounsfi eld representa os coefi cientes de ate- nuação e se estende de - 1.000,que é o coefi ciênte de atenu- ação do ar (a matéria menos radiopaca), a, didaticamente, + 1.000 representando a densidade dos átomos pesados. Po- demos identifi car outro ponto específi co nessa escala, que é zero, a densidade da água. -1000 1000-100 0 100 200 ar gordura água partes m oles contraste cálcio Escala numérica de Hounsfi eld que representa os coefi cientes de atenuação Densidade 80 HU é densidade que se aproxima da densi- dade de partes moles. A imagem se localiza no mediastino, deixando o parênquima pulmonar livre, portanto tumor de mediastino. Resposta b. 21. Perda ponderal, associada a queixas respiratórias em um idoso deve levantar a suspeita para possível malignidade do aparelho respiratório. A queda anterior ocorrida há dois me- ses com consequente dor persistente no HTE pode sugerir trauma de tórax com fratura de costelas. A radiografi a de tórax mostra hiperinsufl ação do pulmão direito, redução vo- lumétrica do pulmão esquerdo com área de opacifi cação su- perior e retração do mediastino para o lado da lesão, aspecto este, compatível com atelectasia. Considerando a suspeita de câncer de pulmão a causa mais provável da atelectasia é obs- trução brônquica pelo crescimento tumoral. Resposta c. 22. A radiografi a de tórax em PA mostra elevação da hemicúpu- la diafragmática e conteúdo de alças no hemitórax direito. A TC com contraste confi rma esta impressão. Relacione os achados acima com a história do acidente automobilístico e o diagnósti- co mais acertado é hérnia disfragmática traumática. Resposta b. 23. O derrame pleural deve corresponder a doença pleural metastática. Embora o derrame pleural neoplásico possa ser hemorrágico, o aspecto amarelo citrino não exclui o diagnós- tico. Dentre os pré-requisitos para a realização de pleurodese nos pacientes com derrame pleural neoplásico temos: confi r- mação cito ou histológica de malignidade intrapleural, reex- pansão pulmonar (clínica e radiológica) após evacuação da ca- vidade pleural por toracocentese prévia ou drenagem tubular, condição clínica adequada do paciente (expectativa de sobre- vida, estado geral, melhora clínica após toracocentese de alí- vio). Este procedimento não deve ser realizado bilateralmente no mesmo momento já que a aderência entre os folhetos é ob- tida através da irritação e da intensa infl amação das superfícies pleurais, gerando muitas vezes dor de forte intensidade. A toracocentese deve ser realizada com cuidado para não esvaziá-lo rapidamente, pelo risco de edema de reexpansão. A drenagem tubular fechada com o objetivo de evacuar to- talmente coleções pleurais existentes, não é recomendada isoladamente para controle defi nitivo do derrame pleural ne- oplásico, uma vez que a recidiva do derrame após drenagem, quando não é realizado um procedimento concomitante de pleurodese, é elevada. Resposta d. 24. As metástases extratorácicas do câncer do pulmão são mais frequentes para o SNC, os ossos, o fígado e as suprarre- nais nessa ordem. O câncer de pulmão é a neoplasia que mais comumente produz metástases para o SNC. Dez por cento de todos os pacientes com neoplasia pulmonar possuem me- tástases para esse local no momento do diagnóstico e outros 15-20% vão desenvolvê-las no curso de sua doença. Aproxi- madamente 80-85% das metástáses para o parênquima cere- bral comprometem os lobos frontais, enquanto 10-15% delas acometem o cerebelo. Em relação às metástases ósseas, os sítios mais comuns são a coluna, a bacia e o fêmur. A maioria das lesões ósseas são osteolíticas. As metástases hepáticas ocorrem em 1-35% dos pacientes com câncer do pulmão, mais comumente nas fases avança- das da doença. As glândulas suprarrenais são locais comuns de metástases do câncer do pulmão. Sua incidência varia de 1,9-21,4% e, na maioria das vezes, são assintomáticas, por isso, a necessidade de incluir o estudo tomográfi co do andar superior do abdome em todo paciente portador de câncer do pulmão. Sua sensibilidade, com esse objetivo, varia de 41-90%. Resposta b. 25. Empiema pleural é o acúmulo de pus na cavidade pleural. Na fase exsudativa (fase aguda) a toracostomia realizada por meio da colocação de um dreno torácico calibroso na porção mais inferior do derrame é geralmente sufi ciente para retirar todo o líquido pleural e permitir a reexpansão do pulmão. A lavagem da cavidade pleural com soro fi silógico pode ser rea- lizada em empiemas com grande quantidade de depósito de fi brina desde que não haja evidência de fístula broncopleural. Uma grande revisão de aproximadamente 1.300 casos de em- piema mostrou que 60% dos casos se originam de infecções pulmonares preexistentes. Admite-se que a contaminação do espaço pleural possa ocorrer pela passagem direta de bactérias através da pleural visceral, ou seja decorrente da ruptura de absecessos pulmonares periféricos para a cavidade pleural. Na fase crônica, em que o pulmão não expande adequada- mente, mesmo após a remoção do líquido pleural, o trata- mento deve ser realizado por toracotomia e decortição pul- monar ou pleurostomia! Resposta d.186 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 26. O quadro é de mediastinite necrotizante descendente e a causa mais comum é a infecção odontogênica. Os organis- mos mais implicados são anaeróbios e aérobios (fl ora polimi- crobiana). O sucesso do tratamento depende do diagnóstico precoce, antibioticoterapia maciça e ampla drenagem das lo- jas supuradas. A drenagem cervical e do mediastino inferior precoce e agressiva é a chave do tratamento. A toracotomia bilateral, incisão em “concha (clamshell) e até mesmo múlti- plas drenagens devem ser consideradas. Resposta b. 27. As radiografi as torácicas são usadas para avaliar a possibi- lidade de um possível hematoma mediastinal, sendo bastante útil para excluir lacerações da aorta (com um valor prediti- vo negativo de 98% para radiografi as com boa qualidade). O valor preditivo positivo, no entanto, é de apenas 15%, já que imagens obtidas em decúbito dorsal, magnifi cação e rotação do paciente podem simular alargamento do mediastino. Existem muitos sinais radiográfi cos que podem sugerir le- sões da aorta e/ou hematoma mediastinal, porém sempre que possível deve-se confi rmar estes achados com tomogra- fi a computadorizada ou angiografi a. No entanto, a principal indicação para a realização de tomografi a computadorizada deve ser o mecanismo do trauma, não o achado radiológico de alargamento mediastinal. Sinais que são bastante sensíveis, porém pouco específi cos para ruptura de aorta são: alargamento mediastinal e aorta com contorno anormal ou indistinto. O alargamento medias- tinal pode se basear em critérios subjetivos ou na medida do diâmetro mediastinal na altura do arco aórtico (> 8 cm indica alargamento). A irregularidade de contornos do arco aórtico é provavelmente o sinal mais confi ável de ruptura aórtica. Al- guns sinais têm uma especifi cidade relativamente alta, porém baixa sensibilidade, para ruptura da aorta: desvio da traqueia para a direita na altura de T4, desvio da sonda nasogástrica para a direita na altura de T4 e espessamento da linha para- traqueal direita. Pode-se observar ainda deslocamento infe- rior do brônquio principal esquerdo e espessamento apical esquerdo (sangue ocupando o espaço entre o istmo aórtico e a pleura parietal esquerda e estendendo-se superior e late- ralmente ao longo da artéria subclávia esquerda). Resposta e. 28. Nenhuma difi culdade, trata-se de um derrame pleural parapneumônico com características compatíveis com em- piema. Empiema em fase exudativa (fase aguda) é igual a drenagem pleural em selo d´água. Resposta c. 29. A crise miastênica é defi nida como uma exacerbação da fraqueza sufi ciente para por em risco a vida do paciente; ge- ralmente, consiste em insufi ciência respiratória causada por fraqueza do diafragma e dos músculos intercostais. A cri- se raramente ocorre em pacientes que recebem tratamento apropriado,o qual deve ser realizado na unidade de terapia intensiva, com profi ssionais experientes em lidar com a MG, insufi ciência respiratória, doenças infecciosas bem como terapias hídrica e eletrolítica. A possibilidade de a deterio- ração decorrer de doses excessivas de anticolinesterásicos (“crise colinérgica”) é mais bem excluída através da inter- rupção temporária dos agentes anticolinesterásicos. A causa mais comum da crise é uma infecção concomitante, a qual deve ser tratada imediatamente, já que as defesas mecânicas e imunológicas do paciente devem estar comprometidas. O paciente miastênico com febre e no início de infecção deve ser tratado como os outros pacientes imunocomprometidos. Antibioticoterapia precoce e efi caz, assistência respiratória e fi sioterapia pulmonar são essenciais no programa terapêu- tico. A plasmaférese ou a lgIV são úteis para acelerar a re- cuperação. Em relação a timectomia deve-se distinguir duas questões: (1) remoção cirúrgica do timoma e (2) timectomia como tratamento da MG. A remoção cirúrgica do timoma é necessária em virtude da possibilidade de disseminado local do tumor, embora a maioria dos timomas seja benigna. Na ausência de tumor, as evidências disponíveis sugerem que até 85% dos pacientes apresentam melhora após a timectomia; desses, cerca de 35% alcançam a remissão livre de medicação. Entretanto, a melhora costura ser postergada em meses ou anos. A vantagem da timectomia é oferecer a possibilidade de um benefício a longo prazo, em alguns casos reduzindo ou eliminando a necessidade do tratamento clínico contínuo. Em decorrência desses benefícios em potencial e do risco desprezível em mãos hábeis, a timectomia ganhou ampla aceitação no tratamento da MG. É consenso que a timecto- mia deve ser realizada em todos os pacientes com miastenia generalizada que estejam entre a puberdade e pelo menos 55 anos de idade. Ainda está em debate se a timectomia deve ser indicada às criança, aos adultos com mais de 55 anos e pacientes cuja fraqueza se limite aos músculos oculares. Há também evidências de que os pacientes com MG positiva para anticorpos anti-MuSK podem não responder à timec- tomia. Esta deve ser administrada em um hospital onde tal procedimento seja frequente, e a equipe se mostre experiente na assistência pré e pós-operatória, na anestesia e nas técni- cas cirúrgicas da timectomia total. Os anti-AChR são detectáveis no plasma de cerca de 85% dos pacientes miastênicos, mas em apenas 50% daqueles com fraqueza limitada aos músculos oculares. A presença de anti- corpos anti-AChR praticamente fecha o diagnóstico de MG, porém um teste negativo não o exclui. O nível medido de an- ticorpos anti-AChR não refl ete adequadamente a gravidade da MG em pacientes diferentes. Constatou-se que anticorpos contra a MuSK estão presentes em cerca de 40% dos pacien- tes com MG generalizada sem anticorpos anti-AChR, e sua presença é um exame de diagnóstico útil nesses pacientes. A distribuição da fraqueza muscular segue um padrão típi- co. Os músculos cranianos, sobretudo os da pálpebra e os extra-oculares, costumam ser acometidos no início da evo- lução da MG, e diplopia e ptose são queixas iniciais comuns. A fraqueza facial produz uma expressão de “rosnar” quan- do o paciente tenta sorrir. A fraqueza na mastigação é mais perceptível após um esforço prolongado, como ao mastigar carne. A fala pode ter um timbre nasal, causado por fraque- za do palato, ou uma característica “mole” disártrica devido à fraqueza da língua. A difi culdade na mastigação pode ad- vir de fraqueza do palato, da língua ou da faringe, levando à regurgitação nasal ou aspiração de líquidos ou alimentos. Fraqueza bulbar é especialmente proeminente na MG com anticorpos anti-MuSK positivos. Em cerca de 85% dos pa- cientes, a fraqueza torna-se generalizada, afetando também os músculos dos membros. Permanecendo a fraqueza restrita aos músculos extra-oculares por 3 anos, é provável que não se generalize, e diz-se que esses pacientes têm MG ocular. A fraqueza dos membros na MG com frequência é proximal e pode ser assimétrica. A despeito da fraqueza muscular, os 187 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da refl exos tendíneos profundos são preservados. Se a fraqueza respiratória for muito grave a ponto de exigir assistência res- piratória, diz-se que o paciente está em crise. As anormalidades neuromusculares na MG são desenca- deadas por resposta autoimune mediada por anticorpos anti-AChR específi cos. Tais anticorpos reduzem o número de AChR disponível nas junções neuromusculares através de três mecanismos distintos: (1) renovação acelerada dos AChR através de um mecanismo envolvendo o entrecruza- mento e a rápida endocitose dos receptores; (2) bloqueio do local ativo do AChR, isto é, o local onde a ACh normalmente se liga; e (3) lesão da membrana muscular pós-sináptica por anticorpos em colaboração com o complemento. Resposta b. 30. Febre, tosse, expectoração e condensação pulmonar são dados compatíveis com síndrome de condensação pulmonar de etiologia bacteriana. A presença de broncograma aéreo é compatível com condensação benigna, portanto o diagnósti- co é de pneumonia. Resposta c. 31. Derrame pleural desvia o mediastino contralateral; ate- lectasia traciona o mediastino homolateral à lesão. O medias- tino centrado é justifi cado quando da associação de atelecta- sia com derrame pleural. Resposta b. 32. Cisto broncogênico pulmonar na maioria dos casos (dois terços) ocorre nos lobos inferiores. A imagem é geralmen- te de uma opacidade focal bem defi nida, arredonda ou oval, com densidade homogênea. O bócio mergulhante se localiza no mediastino anterior e superior, pode rechaçar a traqueia para a esquerda e não cursa com calcifi cações. O linfoma é ambém uma massa de mediastino anterior mas que não se apresenta com calcifi cações grosseiras. A hérnia de Bochda- lek é uma hérnia diafragmática congênita que se localiza pos- terior e à esquerda. Quando a herniação é a direita recebe a denominação de hérnia de Morgani. Os achados radiólogicos são compatíveis com sarcoidose. O padrão típico consiste em linfonodomegalia hilar bilateral e simétrica e linfonodomegalia paratraqueal direita, mas fre- quentemente também há evidência de linfonodomegalia nas regiões aortopulmonar e subcarinal. Linfonodomegalia hilar unilateral ocorre em apenas 5% dos casos, devendo chamar a atenção para outras causas possíveis de linfonodomegalia. Calcifi cação linfonodal geralmente difusa pode ser vista na radiografi a em até 20% dos casos e costuma ser um achado masi tardio. O padrão em “casca de ovo” é incomum. A doença não se expressa só por envolvimento ganglionar hilar e mediastinal, mas também por doença intersticial com infi ltra- do reticulonodular e/ou nodular. Pode haver áreas de condensa- ção em vidro fosco, porém não são frequentes. Resposta d. 33. Este é um quadro típico de aspiração de corpo estranho (ACE). A apresentação clínica de pacientes com ACE é muito variável, sendo dependente principalmente do grau de obs- trução da via aérea. Fatores importantes também incluem o fato de o evento ter sido testemunhado, a idade do pacien- te, o tipo de material aspirado, o tempo decorrido desde o acidente e a localização do objeto. O atraso no diagnóstico de ACE, e consequentemente no seu tratamento, acarreta maiores complicações. Somente a metade dos casos de ACE é diagnosticada nas primeiras 48 horas. Na presença de uma história de engasgo e sintomas sugestivos, a ACE deve ser presumida, independentemente dos achados na radiografi a de tórax. O diagnóstico de ACE em adultos é complicado pelo fato de que os pacientes nem sempre valori- zam ou lembram-se de uma história de engasgo. O diagnóstico é frequentemente negligenciado, exceto quando o paciente ou testemunhas relatam um episódio típico de asfi xia. A apresen- tação clínica na fase aguda é rara em adultos,hérnia de Bochdalek d) sequestro pulmonar e) tuberculose pulmonar atípica ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG-GO – R3 Cirurgia – 2014 15. Os tumores germinais não seminomatosos do me- diastino: a) representam 30% dos tumores germinais malignos do mediastino b) são pouco agressivos e de crescimento limitado c) apresentam metástases para o pulmão, linfonodos mediastinais e fígado em até 95% dos casos no mo- mento do diagnóstico d) apresentam o marcador beta-hCG (gonadotrofi na coriônica humana B) elevado e a alfafetoproteína ausente em 10% dos casos ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG-GO – R3 Cirurgia – 2014 16. Em qual das condições abaixo listadas a biópsia pul- monar transbrônquica realizada por broncoscopia apresenta maior probabilidade diagnóstica? 157 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da a) metástases pulmonares periféricas b) sarcoidose c) neoplasia pulmonar periférica d) granulomatose de Wegener ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 Cirurgia – 2014 17. Paciente do gênero masculino, 63 anos, fumante, desde os 18 anos, de cerca de um maço/ dia, apresenta ptose palpebral, enoft almia e dor no terço superior do hemi- tórax esquerdo que não cede com analgésico. A radio- grafi a de tórax demonstra massa apical com erosão de arco costal e do processo transverso de vértebra dorsal em correspondência. O diagnóstico provável é: a) mesotelioma pleural b) condrossarcoma c) tumor de Pancoast d) tumor carcinoide e) fi brossarcoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 Cirurgia – 2014 18. Paciente masculino, 45 anos, apresenta nódulo pul- monar no lobo inferior do pulmão direito. A Tomo- grafi a Computadorizada da região revela densidades mistas de partes moles, gordura e cálcio. A principal hipótese diagnóstica é: a) metástase de adenocarcinoma mucinoso b) granuloma c) carcinoma epidermoide d) hamartoma e) adenocarcinoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UNESP – R3 Cirurgia – 2013 19. Homem de 40 anos sofreu trauma por atropelamen- to, cuja radiografi a de tórax é mostrada a seguir, e evidencia: a) volumoso derrame pleural à esquerda b) fraturas de costelas à esquerda c) pneumotórax à direita tomando metade do hemitórax d) atelectasia de pulmão esquerdo e) lesão das primeiras vértebras torácicas ACERTEI ERREI DÚVIDA UNESP – R3 Cirurgia – 2013 20. Mulher de 50 anos teve pneumonia, foi tratada e, no retorno de um mês lhe foi solicitada radiografi a de tórax que mostrava lesão arredondada à esquerda. Tomografi a computadorizada: lesão de densidade 80 HU (fi gura). O diagnóstico mais provável é: a) carcinoma brônquico b) tumor de mediastino c) aneurisma de aorta d) empiema septado e) hérnia diafragmática ACERTEI ERREI DÚVIDA UNESP – R3 Cirurgia – 2013 21. Homem de 62 anos, há seis meses vem perdendo peso, com aumento da tosse e dispneia. Antecedente pessoal: queda no banheiro há dois meses e, desde então, tem tido muita dor no hemitórax esquerdo. Seu RX de tórax é mostrado abaixo. A imagem sugere: a) tuberculose no lobo superior esquerdo e existe fratura costal também à esquerda devido ao trauma b) pneumonia em lobo superior esquerdo e existe fra- tura costal à direita devido ao trauma c) atelectasia por obstrução de brônquio do lobo supe- rior esquerdo e existe fratura costal patológica tam- bém à esquerda158 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da d) fi brose no ápice esquerdo e fratura costal também à esquerda e) comprometimento pleural no ápice do hemitórax esquerdo, com elevação de cúpula diafragmática es- querda, além de fratura de costela ACERTEI ERREI DÚVIDA UNESP – R3 Cirurgia – 2013 22. Homem de 58 anos, pedreiro, há 1 ano e meio iniciou quadro de dispneia aos grandes esforços, quando pro- curou auxílio médico. Informa que o quadro disp- neico vem progredindo e que ultimamente apresenta dispneia aos médios esforços, difi cultando exercer sua profi ssão e alguns episódios aos mínimos esforços. An- tecedentes pessoais: tabagista 50 anos/maço; etilista 2 doses de aguardente ao dia; HAS em uso de captopril 25 mg VO 12∕12 h e hidroclorotiazida 25 mg VO 12∕12 h; negou cirurgias prévias e alergias; acidente auto- mobilístico há 3 anos, com fratura de 3 arcos costais à direita. Seus exames de imagem são apresentados a seguir. A melhor hipótese diagnóstica é: a) neoplasia pulmonar b) hérnia diafragmática c) abscesso pulmonar d) tumor do mediastino e) pneumonia com pneumatoceles ACERTEI ERREI DÚVIDA Unifi cado-MG – R3 Cirurgia – 2013 23. DHU, sexo feminino, 64 anos, aposentada, vinha fa- zendo controle de câncer de mama tratado há qua- tro anos. Há uma semana começou com dispneia aos médios esforços, mas que piorou muito nas últimas horas. Deu entrada no PA em franca dispneia, sendo imediatamente colocada em administração de O2 por cateter nasal. No momento com saturação de oxigê- nio em 92%. Foi realizada radiografi a de tórax, que mostrou derrame pleural bilateral volumoso. Foi so- licitada a avaliação do cirurgião, que indicou toraco- centese. Em relação a este caso e ao derrame pleural de modo geral, assinale a afi rmativa ERRADA: a) a presença de líquido citrino não exclui o diagnósti- co de derrame secundário a neoplasia b) caso seja indicada, a pleurodese não deve ser feita bilateralmente, em um mesmo momento c) deve ser realizada toracocentese, com cuidado para não esvaziá-lo rapidamente, pelo risco de edema pulmonar de reexpansão d) grandes volumes exigem a colocação de dreno tubular ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2013 24. As localizações mais frequentes das metástases à dis- tância no carcinoma pulmonar são: a) pulmão, rins e pâncreas b) cérebro, suprarrenal e ossos c) janela pericárdica e reposição volêmica d) ossos, pâncreas e suprarrenal e) baço, ossos e cérebro ACERTEI ERREI DÚVIDA Santa Casa-SP – R3 CIRURGIA – 2013 25. Com relação ao empiema pleural, assinale a alternati- va INCORRETA: a) é defi nido como uma coleção de líquido purulento entre os dois folhetos pleurais b) na fase exsudativa a drenagem pleural pode ser sufi - ciente para o seu tratamento c) desde que não haja evidência de fístula broncopleu- ral a lavagem com soro fi siológico do espaço pleural pode ser realizada em empiemas com grande quan- tidade de depósitos de fi brina d) a patogenia mais frequente é a inoculação bacteria- na direta no espaço pleural, como por exemplo, em punções ou drenagens torácicas ou ainda em feri- mentos penetrantes no tórax e) a pleurostomia é uma opção terapêutica para os ca- sos de empiema pleural crônico onde já existe encar- ceramento pulmonar ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 CIRURGIA – 2013 26. Uma mulher de 28 anos de idade apresenta dor to- rácica anterior que piora com a tosse, dispneia leve, hipotensão postural e temperatura axilar de 38,7 °C, associada a dor cervical, com aumento do volume do pescoço, 3 dias após restauração dentária em maxilar inferior. A tomografi a mostra coleção em região re- trofaríngea e coleções mediastinais septadas, além de pequena efusão pleural à direita. Nesse caso: a) a manipulação dentária descrita não guarda relação causal com o presente quadro, devendo-se a propedêu- tica focar na investigação de eventual fístula esofágica b) o uso exclusivo de medidas clínicas, sem o desbrida- mento agressivo das coleções descritas, levará muito provavelmente ao óbito c) o germe mais provavelmente envolvido é E. coli 159 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da d) o desbridamento cirúrgico por bitoracotomia (incisão de Clamshell) deve ser evitado, pela alta morbidade e) a bitoracotomia, associada a cervicotomia ampla, deve ser reservada exclusivamente para os pacientes que não respondam à antibioticoterapia de amplo espectrouma vez que, na maioria das vezes, o CE migra para a árvore brônquica distal. Quando um objeto grande é aspirado, causando difi culdade respiratória, afonia, cianose e tosse persistente, o diagnóstico é realizado com maior rapidez. Não é o habitual em adultos, pois o calibre da via aérea permite a ventilação e geralmente uma apresentação clínica mais sutil, muitas vezes com exame físico normal. Isso acaba adiando o diagnóstico, principalmente se o objeto for radiotransparente. O início repentino da tríade clássica (tosse, chiado e diminuição do murmúrio vesicular) muitas vezes não é observado. Nas crianças, o episódio testemunhado de asfi xia, com um quadro de engasgo seguido de acesso de tosse, muitas ve- zes acompanhado de cianose perilabial, principalmente em uma criança previamente saudável, é bastante sugestivo de ACE, com sensibilidade de 76-92% para o diagnóstico. No entanto, nem sempre o episódio é relatado espontaneamente pelos pais, principalmente quando o episódio agudo é autoli- mitado e seguido por um período sem sintomas, que os pais interpretam erroneamente como um sinal de resolução, atra- sando o diagnóstico. A ACE também pode ser suspeitada no primeiro quadro súbito de sibilância, na tosse persistente e na diminuição segmentar do murmúrio vesicular em pacientes com estridor, sibilos localizados ou difi culdade respiratória refratária ao tratamento. Uma história de asfi xia, quando es- pecifi camente solicitada, é encontrada em cerca de 90% dos casos confi rmados de ACE. Quando o diagnóstico é tardio, o período de latência entre o episódio de aspiração e o aparecimento ou piora dos sin- tomas pode durar dias, meses ou anos, dependendo do grau de obstrução da via aérea e da natureza do material aspirado (orgânico ou inorgânico). Resposta e. 34. A grande totalidade dos cânceres de pulmão são de ori- gem epitelial, sendo que aproximadamente 80% de todos os carcinomas broncogênicos é típicamente classifi cado em ti- pos celulares específi cos. Carcinoma de células escamosas, adenocarcinorma e carcinoma de grandes células fazem par- te desse grupo. O carcinoma tipo células pequenas (out cell) representa 15 a 20% dos casos, sendo o mais agressivo dos cânceres de pulmão . Linfoma primário de pulmão represen- ta 1% ou menos. O adenocarcinoma representa cerca de 40% dos casos. O aumento da incidência relativa do adenocarci- noma verifi cado nas últimas décadas é atribuida ao uso de fi ltros nos cigarros a partir da década de 1960. A maioria dos tumores de Pancoast é do tipo escamoso, de crescimento lento e raramente produz metástases a distância. O tumor pode invadir a pleura e a parede torácica, causando a destruição da primeira e da segunda costelas, causando in- tensa dor. Pode também invadir e destruir o corpo vertebral. A Síndrome de Horner é comum no tumor de Pancoast. Ela é secundária ao envolvimento da cadeia simpática e do gânglio es- trelado, causando enoft almia unilateral, ptose palpebral, miose e anidrose ipsilateral da face e do membro superior. Resposta d.188 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 35. Todas as condições relacionadas são causas habituais de linfonodemegalias mediastinais, exceto fi brose pulmonar idiopática, uma condição que representa uma pneumonia intersticial crônica fi brosante sem etiologia defi nida que se caracteriza pelo padrão histopatológico e tomográfi co de pneumonia intersticial usual. Vale frisar que linfonodome- galia acometendo uma ou duas estações de linfonodos e me- dindo até 1,5cm é um achado comum em pacientes com FPI, linfonodomegalias expressivas não, mas de acordo com o que foi dito acima, FPI cursa com pequenos linfonodos mediasti- nais, portanto com ressalvas. Resposta a. 36. O quadro é de miastenia gravis. Os medicamentos anticoli- nesterásicos produzem melhora pelo menos parcial na maioria dos pacientes miastênicos, sendo total em alguns pacientes. A piridostigmina é o agente anticolinesterásico mais amplamente utilizado. Em geral, a ação benéfi ca da piridostigmina oral co- meça em 15 a 30 min e permanece por 3 a 4 h, mas as respostas individuais variam. Inicia-se o tratamento com uma dose mo- derada, como, por exemplo, 30 a 60 mg 3 ou 4 vezes/dia. A fre- quência e dose do fármaco devem ser ajustadas de acordo com as necessidades de cada paciente durante o dia. Por exemplo, os pacientes com fraqueza na mastigação e deglutição podem se benefi ciar do uso do medicamento antes das refeições, de modo que o pico de ação coincida com o horário das refeições. A piridostigmina de ação longa, às vezes, é útil ao paciente du- rante a noite, porém jamais deve ser usada durante o dia devi- do à variável absorção. A dose máxima benéfi ca de piridostig- mina raramente deve exceder 120 mg a cada 3 a 6 h durante o dia. A overdose com os anticolinesterásicos pode aumentar a fraqueza e causar outros efeitos colaterais. Em alguns pacien- tes, os efeitos colaterais muscarínicos dos anticolinesterásicos (diarreia, cólica abdominal, salivação, náuseas) podem limitar a dose tolerada. A atropina/difenoxilato ou a loperamida são úteis no tratamento dos sintomas gastrintestinais. A remoção cirúrgica do timoma é necessária em virtude da possibilidade de disseminação local do tumor, embora a maioria dos timomas seja benigna. Na ausência de tumor, as evidências disponíveis sugerem que até 85% dos pacientes apresentam melhora após a timectomia; desses, cerca de 35% alcançam a remissão livre de medicação. Entretanto, a melho- ra costuma ser postergada em meses ou anos. A vantagem da timectomia é oferecera possibilidade de um benefício a longo prazo, em alguns casos reduzindo ou eliminando a necessida- de do tratamento clínico contínuo. Em decorrência desses be- nefícios em potencial e do risco desprezível em mãos hábeis, a timectomia ganhou ampla aceitação no tratamento da MG. É consenso que a timectomia deve ser realizada em todos os pacientes com miastenia generalizada que estejam entre a pu- berdade e pelo menos 55 anos de idade. Ainda está em debate se a timectomia deve ser indicada às crianças, aos adultos com mais de 55 anos e pacientes cuja fraqueza se limite aos múscu- los oculares. Há também evidências de que os pacientes com MG positiva para anticorpos anti-MuSk podem não responder à timectomia. Esta deve ser administrada em um hospital onde tal procedimento seja frequente, e a equipe se mostre expe- riente na assistência pré e pós-operatória, na anestesia e nas técnicas cirúrgicas da timectomia total.Resposta b. 37. As características radiológicas do NPS são de suma im- portância e, em alguns casos, defi nem a natureza do nódulo. Os seguintes aspectos são analisados: a forma, o diâmetro, os bordos, a sede, a presença e o padrão da calcifi cação, a cavi- tação, a espessura da parede e lesões satélites. São indícios de malignidade: irregularidade dos bordos, presença de espícu- las, cavitação de parede espessa e diâmetro maior que 2 cm. Por outro lado, o diâmetro inferior a 1 cm e a presença de calcifi cação sugerem benignidade. A realização de radiogra- fi as em duas incidências defi ne a posição central da calcifi ca- ção no NPS e caracteriza a localização intraparenquimatosa. Khouri e cols. relatam que entre 10% a 20% das lesões de pequenas dimensões, detectadas nas radiografi as realizadas na incidência posteroanterior, na realidade não eram intra- pulmonares. A presença de lesões satélites está mais frequen- temente associada a granuloma. Os achados considerados como evidências de benignidade são: calcifi cação central, difusa, em pipoca ou laminar, e estabilidade radiológica do NPS por pelo menos dois anos. Resposta d. 38. Pneumotórax espontâneo primário é uma doença de adultos jovens, com 85% dos casos ocorrendo até os 40 anos. Neste caso a persistência de fuga aérea por mais de 4-5 dias após a drenagem inicial é compatível com o diagnóstico de fístula persistente e nesta situação a indicação é cirúrgica:bu- lectomia e pleurodese videotoracoscópica. Indicações cirúrgicas no pneumotórax espontâneo 1. Fuga aérea maciça sem reexpansão pulmonar 2. Fístula persistente por mais que cinco dias 3. Segundo episódio de pneumotórax espontâneo 4. Complicações do pneumotórax (empiema, hemotórax) 5. Indicações ocupacionais (aviadores, mergulhadores, morado- res de áreas distantes) 6. Pneumotórax contralateral prévio 7. Pneumotórax bilateral simultâneo Resposta c. 39. Trata-se de mediastinite necrotizante descendente cujo foco é odontogênico e que tem como organismos mais co- muns fl ora polimicrobiana com anaeróbios e aeróbios. Este tipo de mediastinite apresenta alta morbidade e alta morta- lidade, 40% a 50%. O retardo no diagnóstico e o tratamento inapropriado (drenagem inadequada) são as principais cau- sas de alta mortalidade. O sucesso do tratamento depende portanto do diagnóstico precoce, antibioticoterapia maciça e ampla drenagem das lojas supuradas. A drenagem cervical e do mediastino inferior precoce e agressiva é a chave do tra- tamento. Procedimentos como toracotomia bilateral incisão em “concha” (clamshell) e até mesmo múltiplas drenagens devem ser considerados. Resposta d. 40. As complicações pós-operatórias são fáceis de serem pre- venidas, aderindo-se aos princípios técnicos adequados. O mau posicionamento do tubo pode levar à ulceração, obs- trução, granuloma e hemorragia. A radiografi a pós-opera- tória esclarece a posição do tubo e evita esses problemas. A hemorragia quase sempre é devida a erro técnico e pode ser fatal em caso de inundação da árvore brônquica. Nas pequenas perdas sanguíneas é sufi ciente abrir a ferida cirúrgica e, nas maiores, a reexploração torna-se mandatória. As hemorragias tardias são devidas à erosão de um grande vaso e, mais comumente, à artéria inominada. O tratamento consiste em aplicar compressão na artéria rompida e abertura 189 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da do esterno com ligadura do vaso. A formação de crostas e tampões mucosos deve-se à falta de umidifi cação e de cui- dados com a toalete brônquica. O deslocamento da cânula e subsequente saída pode ser fatal e é devida à falta de atenção injustifi cável. Resposta c. 41. Habitualmente o pneumotórax espontâneo resulta da ruptura de blebs ou vesículas enfi sematosas subpleurais, ge- ralmente localizadas nos ápices dos pulmões ou dos lobos pulmonares. Existe uma incidência de 20% a 50% de recidiva do pneumotórax; 90% das recorrências ocorrem do mesmo lado do episódio inicial. Após o segundo episódio, o índice de recorrência aumenta para 60% a 80%. Os fatores de risco de recorrência incluem: mais que um episódio prévio, bolhas visíveis ao exame radiológico e pacientes longilíneos. Um pneumotórax pequeno, estável, menor que 20%, num paciente assintomático pode ser mantido em observação, o que não é o caso deste paciente, que deve ser submetido a drenagem pleural em selo d´água. O dreno pleural pode ser colocado no 5º ou 6º espaços in- tercostais na linha axiliar anterior ou no segundo espaço intercostal na linha hemiclavicular. A reexpansão completa do pulmão pode ser obtida mesmo na presença de uma fís- tula aérea. Ocorre, então, a aderência entre a pleura parietal e a pleura visceral. A própria presença do dreno promove infl amação secundária, o que deve facilitar a sínfi se pleu- ral. Pode ser aplicada aspiração pleural contínua no sistema de drenagem se a reexpansão for incom pleta, ou, então, se o débito da fístula for maior que a capacidade do dre- no pleural de remover o ar apenas por um sistema em selo d’água. Quando se consegue a aposição das duas superfí- cies pleurais, a fístula geralmente fecha. O dreno pleural é mantido pelo menos 24 horas após o fechamento da fi ’stuia, comprovado pela cessação do borbulhamento no frasco de drenagem. Alguns pacientes com pneumotórax espontâneo primário que apresentam reexpansão completa do pulmão após a drenagem pleural podem ser tratados ambulatorial- mente com a conexão de uma válvula unidirecional ao dre- no pleural (válvula de Heimlich). Nove a 20% dos pacientes com pneumotórax espontâneo re- querem o tratamento cirúrgico. As principais indicações para tratamento cirúrgico são: fístula aérea maciça, que impede a reexpansão do pulmão, fístula aérea que permanece por mais de quatro a cinco dias e o pneumotórax recidivado a partir do segundo episódio. Além disso, existem algumas indica- ções específi cas que devem ser consideradas. Por exemplo, o desenvolvimento de pneumotórax em pacientes que desen- volvam profi ssões como pilotos de aviação, meurgulhadores, alpinistas, paraquedistas, praticantes de esportes “radicais” e indivíduos que vivem em áreas remotas. O tratamento cirúr- gico pode ser associado à abrasão ou pleurectomia para pro- duzir uma sínfi se pleural mais efetiva. A operação pode ser realizada por várias vias de acesso, incluindo a toracotomia lateral, a toracotomia anterolateral, a toracotomia vertical axilar limitada, a toracotomia mediana transesternal permi- tindo a abordagem bilateral. A incisão mais frequentemen- te utilizada atualmente é a toracotomia axilar limitada, sem secção muscular, em que por incisão relativamente pequena obtem-se bom acesso ao ápice pulmonar e ao tratamento da bolha. As bolhas podem ser suturadas, ligadas ou preferen- cialmente grampeadas com sutura mecânica. Resposta d. 42. Abscesso pulmonar é uma coleção localizada de pus, con- tida em uma cavidade originada da necrose subaguda do pa- rênquima pulmonar, a qual foi causada por uma infecção mi- crobiana prévia. Geralmente, é originado como aspiração de conteúdo de orofaringe, levando à infecção pulmonar aspira- tiva e à infl amação supurativa circunscrita seguida de necrose. Uma lesão necrótica escavada do parênquima pulmonar, com mais de 2 cm de diâmetro, é designada como abscesso; cavi- dades menores, usualmente múltiplas, costumam fazer parte do que arbitrariamente se chama de pneumonia necrotizante. No abscesso pulmonar a infecção geralmente é por anaeró- bios e pode estar associada a etilismo, pacientes debilitados, idosos ou a condições que predispõem à broncoaspiração. A radiografi a de tórax convencional demonstra uma área ar- redondada de consolidação precocemente, enquanto um ní- vel hidroaéreo na radiografi a de tórax em decúbito lateral ou em posição ereta é visível mais tardiamente. Estes achados são também defi nidos pela TC, e este exame na fase inicial mostra área hipodensa arredondada, muitas vezes cercada por tecido que realça com contraste intravenoso, dentro de uma área de consolidação: A RNM tem pouca aplicabilidade, diferente da bronscopia que pode ser útil para o diagnóstico para se descar- tar corpo estranho, estenose ou câncer, assim como pode ser usada como terapêutica (drenagem da cavidade). A antibioticoterapia deve ter cobertura para anaeróbios e ae- róbios. A maioria dos pacientes (85%-95%) responde ao tra- tamento clínico com redução rápida no líquido, colapso das paredes e completa cicatrização em 3 a 4 meses. Os pacientes com sintomas de longa duração, com mais de 3 meses antes do tratamento ou cavidades maiores do que 4 a 6 cm apresen- tam menor probabilidade de resposta. A terapia cirúrgia é indicada para a cavitação persistente (> 2 cm e de paredes espessas) após 8 semanas de terapia clínica, incapacidade de se eliminar a sepse, hemoptise (frequente- mente pequena hemorragia sentinela antes de uma hemor- ragia maciça) e para excluir o câncer. Se um abscesso pulmo- nar se romper para dentro da cavidade pleural, uma simples drenagem é sufi ciente, com o paciente sendo tratado como empiema ou fístula broncopleural. A lobectomia é em geral necessária; a taxa de mortalidade é de 1% a 5%. Às vezes, pode ser necessária uma drenagem externa em pacientes critica- mente enfermos se ocorreu uma sínfi se pleural. Resposta c. 43. Estadiamento é a avaliação da extensão da doença neo-plásica de um paciente, permitindo seu agrupamento com outros pacientes, com extensão de doença semelhante e obje- tivando uniformizar os tratamentos e facilitar a análise de da- dos epidemiológicos. O estadiamento se baseia na avaliação do tamanho, da localização e do grau de invasão do tumor primário, bem como na identifi cação da possível presença de doença locorregional ou metastática. Apesar das campanhas antitabágicas, a principal causa do câncer de pulmão continua sendo o tabagismo. A tosse, seca ou produtiva, é o sintoma ,mais comum associada ao câncer do pulmão. A maioria dos pacientes com suspeita de câncer do pulmão é fumante de longa data e frequentemente portador de bronquite crônica. Por isso, a tosse e a expectora- ção, habitualmente presentes nesses pacientes, podem não ser devidamente valorizadas. Portanto, modifi cação no padrão da tosse existente ou alteração na qualidade de expectoração são consideradas suspeitas e merecem investigação.190 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da A tosse pode ser causada por um pequeno tumor agindo como um corpo estranho dentro do brônquio ou pode ser secundária à ulceração da mucosa. É um sintoma comum em todo paciente com câncer do pulmão de qualquer localiza- ção, entretanto ela é mais comumente observada nos porta- dores de tumores centrais. A hemoptise está presente em 1/3 dos casos das neoplasias pul- monares. Por isso, todo episódio de hemoptise em indivíduos com mais de 40 anos deve ser investigado com radiografi a do tórax e broncofi broscopia. Aproximadamente 20% de todos os casos de hemoptise resultam do câncer do pulmão. A quantidade de sangue expelida pela tosse pode variar des- de pequenas quantidades capazes de salpicar ou raiar o escar- ro, até volumosas hemoptises secundárias à ruptura das veias brônquicas resultantes da invasão tumoral. Nas metástases pulmonares oriundas de neoplasias extrapul- monares e hemoptise é rara. O grande volume de sangue que fl ui pelos pulmões através dos vasos pulmonares é o responsável pela precoce e fre- quente disseminação hematogênica do câncer do pulmão. A frequência das metástases extratorácicas varia de acordo com o tipo celular e a diferenciação histológica do tumor: é maior no carcinoma indiferenciado de células pequenas e nos tumores pouco diferenciados. No grupo dos carcinomas pul- monares de células não pequenas, as metástases a distância predominam no adenocarcinoma, seguido pelo carcinoma indiferenciado de grandes células e pelo carcinoma escamoso. As metástases extratorácicas do câncer do pulmão são mais frequentes para o sistema nervoso central, os ossos, o fígado e as suprarrenais, nessa ordem. Estágio IV (qualquer T, qualquer N, M1). No carcinoma pul- monar, as metástases são classifi cadas como intratorácicos (M1a - nódulo pulmonar tumoral no pulmão contralateral, metástase pleural e derrame pleural neoplásico) ou extrato- rácicos (M1b - metástases a distância). O tratamento cirúrgi- co para estes pacientes é absolutamente excepcional e restrito aos pacientes com metástases isoladas, sem acometimento mediastinal e com doença pulmonar completamente resse- cável. Para que os pacientes sejam selecionados corretamen- te, é fundamental um processo de estadiamento minucioso cujo objetivo fundamental é excluir de uma possível cirurgia os pacientes que tenderão a não se benefi ciar dela. Este “ul- traestadiamento” deve contemplar o melhor armamentário disponível, incluindo PET-CT, ressonância magnética de crâ- nio e, é claro, a abordagem invasiva do mediastino, na qual a mediastinoscopia cervical ainda é aceita como padrão ouro. A presença de acometimento de linfonodos dos mediastinais (N2) associada à metástase contraindica o tratamento cirúr- gico, posto que indica doença disseminada. Resposta a. 44. Fique atento às tabelas abaixo: Diferenciação entre transudato e exsudato Testes indicados para classifi car como EXSUDATO um derrame pleural Sensibilidade Especifi cidade · Critérios de Light (presença de um dos critérios) 98% 83% · Proteína líquido pleural / proteína sérica > 0,5 86% 84% · DHL líquido pleural / DHL sérico > 0,6 90% 82% · DHL do líquido pleural > 2/3 do limite superior sangue 82% 89% · Albumina sérica - albumina líquido pleuralanterior têm sido utilizadas tradicionalmente para o diagnóstico do câncer do pulmão e principalmente para o estadiamento mediastinal. A mediastinoscopia cervical alcança os linfonodos paratraque- ais à direita e os subcarinais, e através da mediastinotomia anterior podem-se biopsiar os linfonodos paratraqueais à esquerda, os supra-aórticos e os da janela aortopulmonar. A mediastinoscopia está indicada nos pacientes portadores do carcinoma do pulmão de não pequenas células, candidatos a cirurgia, nos quais a tomografi a computadorizada do tórax identifi cou, no mediastino, linfonodos maiores do que 1 cm no seu menor diâmetro. Resposta b. 48. O tratamento de primeira escolha para a estenose traqueal é a ressecção cirúrgica. A estenose da traqueia implica prejuízos funcionais signifi cativos. Uma traqueia normal de 2 cm tem uma velocidade pico de fl uxo expiratório de 100%. Uma abertura de 10 mm fornece uma velocidade pico de fl uxo expiratório de 80%. Com 5 a 6 mm, obtém-se apenas uma velocidade pico de fl uxo expiratório de apenas 30%. Na prática clínica, a maioria dos pacientes que se apresentam com estenose traqueal pós-intubação possui cicatrizes fi bróticas madu- ras, com mínima evidência de infl amação das vias aéreas. Esses pacientes tipicamente foram submetidos à intubação em um passado relativamente distante, e alguns deles poderiam ter sido tratados para asma antes do diagnóstico correto. A fase precoce da estenose traqueal pós-intubação é caracterizada por ulceração da mucosa e pericondrite, seguidas por formação de tecido de granulação exo-192 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da fítico. Posteriormente, o tecido de granulação é gradualmente substituído por uma cicatriz fi brótica madura, que se contrai e origina a lesão clássica da estenose. O método eleito para o tra- tamento da estenose traqueal – a traqueoplastia – está de acordo com a opinião de diversos pesquisadores. Segundo estudo ita- liano, a ressecção cirúrgica foi considerada a primeira escolha para o tratamento da estenose traqueal, sendo a broncoscopia intervencionista indicada apenas nos casos de falência respirató- ria. Além disso, foi considerado que tratamento pré-operatório, como laser e/ou prótese endotraqueal, poderia aumentar a ex- tensão da injúria e o comprimento da estenose. Similarmente, outros autores consideram a ressecção da estenose como o pa- drão-ouro para o tratamento da estenose das grandes vias aéreas após intubação. Resposta c. 49. Após a realização da pneumectomia e o fechamento da in- cisão, o cirurgião se defronta com o problema de um grande espaço pleural vazio, correspondente ao pulmão ressecado. A pressão no espaço pleural vazio deve ser ajustada a partir do término do ato cirúrgico, em torno de 2 a 4 cm de água na inspiração, e uma pressão positiva de 2 a 4 cm na expira- ção. Esta conduta permite evitar deslocamento mediastinal e hiperdistensão do pulmão remanescente – ambos fenômenos fi siopatológicos que podem agravar a evolução pós-operatória. A drenagem pleural fechada pode determinar um risco maior para o desvio do mediastino. Resposta b. 50. O quadro é de pneumonia (etiologia provável anaeróbios e/ou gram-negativos, levando em conta o etilismo crônico) complicada com abscesso pulmonar (nível hidroaéreo) e der- rame pleural (mediastino deslocado para o lado contralate- ral) de grande volume que pode corresponder a um quadro de empiema. O desbridamento cirúrgico da cavidade pleural (pleuroscopia/videotoracoscopia) para remoção dos coágu- los de fi brina, lise de loculações pleurais lavagem da cavidade é essencial aliada à drenagem pleural fechada. Resposta b. 51. O local mais frequente do enfi sema lobar congênito é o LSE, seguido pelo LMD e LSD. O lobo enfi sematoso costuma causar atelectasia de lobo ou lobos ipsilaterais, desvio do mediastino para o lado oposto e compressão do pulmão contralateral. O lobo enfi sematoso pode herniar para o outro lado através do mediastino anterior. A ressecção do pulmão acometido é terapêutica e bem tolerada. A etiologia permanece ainda não totalmente esclarecida. Pode ser o resultado de obstrução brônquica, doença alve- olar, ou ambos. Algumas causas podem ser potencialmente reversíveis (rolha de muco, secreções, tecido de granulação). Radiografi a de tórax com incidências anteroposterior e lateral: é o exame que confi rma o diagnóstico. Demonstra imagem de radiotransparência aumentada no hemitórax comprometido com esboço de fi na trama broncovascular. É possível confun- dir a zona radiolucente com pneumotórax, mas examinando a chapa com luz brilhante, são vistas as tramas broncovasculares dirigindo-se à pleura parietal. Essa imagem de hiperaeração não tem uma margem claramente demonstrada na radiogra- fi a, sendo difícil precisar a distribuição lobar. A inspiração e expiração mostram persistente hiperaeração do pulmão, com- patível com o diagnóstico de enfi sema obstrutivo. No caso do lobo superior ser enfi sematoso, nota-se pequena sombra triangular, representando o lobo inferior colabado, junto à margem inferior da borda cardíaca. No caso do lobo médio ser enfi sematoso, nota-se pequena área de densidade representando o lobo superior direito co- labado, perto do ápice da cavidade torácica, e outra junto à margem inferior do coração. Há desvio do mediastino para o lado contralateral, desloca- mento para baixo do diafragma e alargamento dos espaços intercostais no lado comprometido. Na incidência lateral pode ser visualizado o mediastino ante- rior com radiotransparência aumentada, revelando uma hér- nia do lobo afetado e o coração deslocado posteriormente. Logo após o nascimento, a radiografi a de tórax pode de- monstrar uma área de maior opacidade nesse lobo doente, causada por retenção anormal de fl uido pulmonar fetal pela obstrução brônquica. Só após eliminar esse líquido ou absor- vê-lo é que costuma surgir hiperaeração. Esse achado é mais comum no lobo polialveolar. Resposta d. 52. O enfi sema bolhoso é congênito, sem doença pulmonar generalizada, ou é uma complicação do DPOC com uma do- ença pulmonar relativamente generalizada. O desafi o é se- parar a incapacitação relacionada às bolhas da causada pelo enfi sema crônico ou pela bronquite crônica. O DPOC é um bom índice do estado de gravidade da doença pulmonar ge- neralizada. Na angiografi a pulmonar, as bolhas são frias e não contêm vasos. As bolhas podem comprimir o pulmão normal com amontoamento da vasculatura pulmonar relati- vamente normal. O DPOC pode mostrar um estreitamento abrupto e afi lamento dos vasos. A opção cirúrgica inclui a ressecção da bolha para deixar tecido pulmonar funcionante. Os pacientes sintomáticos com dispneia progressiva podem submeter-se à remoção das bolhas com bons resultados. A doença precisa estar localizada com espaço aéreo ocupando pelo menos 40% a 50% de um hemitórax. O restante do pa- rênquima pulmonar “bom” está comprimido pelas bolhas. É necessária apenas uma simples remoção da bolha isolada. A lobectomia raramente é indicada, pois o tecido pulmonar bom é removido, o que frequentemente é necessário para uma função independente destes pacientes com um prejuízo pulmonar signifi cativo. Resposta e. 53. Se os linfonodos mediastinais estiverem aumentados de tamanho (> 1 cm), será necessário estadiamento invasivo para defi nir a extensão do comprometimento destes linfonodos. A mediastinoscopia cervical e a mediastinotomia anterior têm sido utilizadas tradicionalmente para o diagnóstico do câncer do pulmão e principalmente para o estadiamento mediastinal. A mediastinoscopia cervical alcança os linfo- nodos paratraqueais à direita e os subcarinais, e através da mediastinotomia anterior podem-se biopsiar os linfonodos paratraqueais à esquerda, os supra-aórticos e os da janela aortopulmonar. A mediastinoscopia está indicada nos pa- cientes portadores do carcinoma do pulmão de não pequenas células, candidatos a cirurgia, nos quais a tomografia compu- tadorizada do tórax identifi cou, no mediastino, linfonodos maiores do que 1 cm no seu menor diâmetro. 193 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 1 2D 2E Ao 4D 4E 10E PA 11E 12E 13E Zona supraclavicular LFNs mediastinais superiores LFNs mediastinais inferiores LFN N1 LFNs aórticos 1 Lfn fúrcula esternal, supraclavicular e cervical 2 D Paratraqueal superior (D) 2 E Paratraqueal superior (e) 3 a Pré-vascular 3 p Retrotraqueal 4 D Paratraqueal inferior (D) 4 E Paratraqueal inferior (E) 5 Subaórtico 6 Para-aórtico 7 Subcarinal 8 Paraesofágico 9 Ligamento pulmonar 10 Hilar 11 Interlobar 12 Lobar 13 Segmentar 14 Subsegmentar Zona superior Zona JAP Zona subcarinal 9 12D 12D 11D 11D 14D 13D 12D 10D 9 8 7 8 6 5 3p 3a 14E Zona interlobar/hilar Zona periférica Figura Estadiamento do câncer do pulmão – normas atualizadas pela In- ternational Association for the Study of Lung Center. As ilustrações acima deixam claro que as opções C e D tam- bém estão corretas. Resposta e. 54. Trata-se de uma síndrome de derrame pleural em adulto jovem sem sinais e sintomas clínicos que sejam compatíveis com derrame parapneumônico. A impressão diagnóstica mais provável é de tuberculose pleural, a conduta, obviamen- te, é drenagem torácica (volumoso derrame pleural) e biópsia pleural com agulha de Cope. Resposta d. 55. Este hidropneumotórax velando todo o HTE em um pa- ciente com diagnóstico de pneumonia comunitária mantendo febre deve corresponder a um quadro de empiema e, sendo assim, a indicação é imediata para drenagem torácica fechada. Suspeita clínica Toracocentese Presença de germes Derrame Radiografia de tórax frente e perfil Líquido de aspecto purulento Definição fase evolutiva Fase aguda Drenagem Pleural fechada Fase de transição: Pleuroscopia Decorticação pulmonar precoce Fase crônica Pleurostomia Decorticação pulmonar Exografia tórax Tomografia computadorizada? Líquido de aspecto não-purulento pH > 7,2 DHL 7,2 DHL 70% Expansão pulmonar pós-toracocentese Drenagem + pleurodese ou VATS + pleurodese Falha da pleurodese Estado geral ruim (PS 1:320). No início, a glicose do líquido pleural pode estar normal, mas, com o tempo, ela vai diminuindo. Aumentada concentração de colesterol é comum, assim como a formação de cristais. Resposta b. 60. Todas são complicações, exceto o edema de re-expansão, observado na drenagem de um derrame pleural no qual a re- tirada foi maior que 1 a 1,5 litro. Complicações da broncoscopia de fi bra óptica Reação adversa à pré-medicação. Reação adversa ao anestésico local. Reação vasovagal. Laringoespasmo. Broncospasmo Pneumotórax Rotura de abscesso pulmonar Hemorragia traumatismo das VAS Hipoventilação Hipoxemia Arritmia cardíaca Infarto do micárdio Febre pós-broncoscopia Resposta a. 61. O diagnóstico já está defi nido. Trata-se de abscesso subfrênico e abscessos esplênicos. Aproximadamente 70% dos abscessos esplênicos resultam da disseminação hematogênica do organismo infectante prove- niente de outra localização, conforme ocorre com a endocardite, a osteomielite e o abuso de drogas intravenosas. O abscesso es- plênico também pode ocorrer como resultado de uma infecção proveniente de uma estrutura contígua, como o cólon, o rim ou o pâncreas. Em muitos casos, os cocos Gram-positivos, como Staphylococcus, Streptococcus, ou espécies de Enterococcus e os organismos entéricos Gram-negativos, são os agentes infectan- tes. Os abscessos esplênicos também podem ser causados por agentes fastidiosos, como o Mycobacterium tuberculosis, Myco- bacterium avium e as espécies Actinomyces. Os pacientes imu- nossuprimidos podem desenvolver múltiplos abscessos fúngi- cos, tipicamente pela infecção pelas espécies Candida. O quadro clínico do abscesso esplênico costuma ser inespe- cífi co e insidioso, incluindo dor abdominal, febre, peritonite e dor torácica pleurítica. A dorabdominal é localizada no quadrante superior esquerdo em menos da metade dos ca- sos e na maioria das vezes é uma dor abdominal vaga. A es- plenomegalia está presente em uma minoria de pacientes. O diagnóstico é feito com maior precisão pela TC; no entanto, ele também pode ser feito pela ultrassonografi a. Dois terços dos abscessos esplênicos em adultos são solitários, e o terço restante é múltiplo. Estas relações se invertem em crianças. A abordagem inicial ao tratamento do abscesso esplênico de- pende de se ele é unilocular ou multilocular. Os abscessos uniloculares são passíveis de drenagem orientada pela TC, e esta abordagem, conjuntamente com a administração de antibióticos sistêmicos, tem uma taxa de sucesso que excede 75% e que pode chegar a 90% quando são considerados ape- nas pacientes com coleções uniloculares. O fracasso de uma resposta clínica imediata à drenagem percutânea deve levar a uma esplenectomia sem demora. Em geral, os abscessos multiloculares devem ser tratados pela esplenectomia, com drenagem do quadrante superior esquerdo e administração de antibióticos. Resposta e. 62. Os comentários da questão 43 deixam claro que o diag- nóstico mais provável é endorcadite infecciosa. Principal- mente se você levar em consideração o quadro de emboliza- ção séptica e sopro cardíaco. Resposta c. 63. Todas as afi rmações são corretas, exceto a opção A, já que derrame pleural hemorrágico está associado a neoplasia, tuberculose, trauma ou embolia pulmonar. Raramente pode ocorrer em derrame parapneumônico. Resposta a. 64. Os timomas são os mais comuns tumores tímicos, acome- tendo, principalmente, o compartimento anterior. A faixa etária varia entre 35 e 70 anos, com idade média de 35 anos. De modo geral, as massas mediastinais anteriores pequenas, sem sinais de invasão por contiguidade e assintomáticos não necessitam de biópsia diagnóstica. A indicação seria a ressecção total da massa. No entanto, alguns casos necessitam de confi rmação diagnósti- ca para melhor abordagem terapêutica. O procedimento pode ser feito por punção aspirativa por agulha fi na com bom rendi- mento nos serviços que dispõem de boa citologia e imunocito- química. Também pode ser feita com agulha do tipo Tru-Cut. A maioria dos timomas tem crescimento muito lento, de for- ma que estes podem ter sintomas inespecífi cos. Estima-se que cerca de 30 a 50% dos tumores são assintomáticos. Algumas vezes são diagnosticados de forma incidental durante exames radiográfi cos admissionais ou no pré-operatório para outras patologias. Outras vezes, em virtude de seu tamanho, vão apre- 195 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da sentar sintomas compressivos como tosse, dor torácica, sensa- ção de “peso” retroesternal ou dispneia leve. Podem também apresentar-se de forma mais agressiva com comprometimen- to dos grandes vasos (veia inominada e veia cava superior), levando à síndrome da veia cava. Esta cursa com turgência jugular, edema facial e de membros superiores e circulação colateral ao nível torácico. Caso invadam o nervo frênico, po- dem cursar com dispneia importante assim como rouquidão no caso de acometimento do nervo laríngeo inferior. A disp- neia pode ser decorrente, também, da invasão da pleura com produção de derrame. A presença de sinais e sintomas mais exuberantes pode denotar mau prognóstico, em razão da pre- sença de lesões de comportamento muito agressivo, como no caso dos carcinomas tímicos pouco diferenciadas ou timomas no estágio III. Derrame pericárdico, perda de peso e caquexia também apontam gravidade do caso, sobretudo se metastático. Diversas doenças são associadas aos timomas. São chamadas síndromes paratímicas e a miastenia gravis é a mais comum, estando presente em cerca de 30% dos casos (variação de 10 a 67% segundo Detterbeck e Parsons). No entanto, apenas 10 a 15% dos casos de MG apresentam timomas. Resposta b. 65. Considera-se escape aéreo persistente a ocorrência de fuga aérea que se mantenha após o sétimo dia de pós-operató- rio de uma lobectomia. Isto deve-se, mais frequentemente, a uma solução de continuidade na sutura brônquica, aerostasia incompleta na sutura de bronquíolos/alvéolos, áreas cruentas extensas ou presença de linhas de sutura sobre áreas bolhosas preexistentes. Após lobectomia por neoplasia esta tem sido a complicação mais freqüentemente observada, respondendo por mais de 25% do total de complicaçõesl. Alguns fatores predisponentes têm sido identifi cados, tais como: presença de enfi sema pulmonar; idade avançada; cissuras incompletas; toracotomia com resseção prévia; sutura manual da cissura incompleta; espaço pleural residual; necessidade de ventilação mecânica. Alguns aspectos de interesse prático devem ser ressaltados. Na presença de escape aéreo de alto débito no pós-operatório imediato que, por vezes, suplanta a capacidade de aspiração do sistema de sucção dos drenos, estão geralmente relacionados à ruptura de sutura brônquica ou à presença de outras lesões brônquicas ou pulmonares não relacionadas a ressecção em si (por exemplo, lesão brônquica contralateral pelo tubo de duplo lúmen, ruptura de bolha de enfi sema ou subpleural por baro- trauma e desgarramento da linha de grampos do parênquima suturado mecanicamente). Estas condições devem ser identi- fi cadas imediatamente, e freqüentemente exigem correção ci- rúrgica. Por outro lado, a presença de escape aéreo contínuo de baixo débito com pulmão expandido à radiografi a do tórax pode apontar para um defeito no sistema de drenagem, nas co- nexões ou na aspiração dos drenos. Não raro estas condições são erroneamente interpretadas como escape aéreo parenqui- matoso e observadas por longos períodos até que se identifi que uma conexão de dreno frouxa ou orifício de drenagem na pele excessivamente largo. Nestas situações a solução é simples (tro- ca das conexões ou ajuste do orifício de drenagem com ponto na pele) e capaz de resolver o problema de imediato. O fato mais frequente, no entanto, é a presença de escape aé- reo intermitente que oscila com a tosse, indicativo de perda aérea parenquimatosa. Esta situação, a princípio, não requer medidas específi cas além da manutenção de aspiração nos drenos, analgesia e fi sioterapia repiratória. A questão da aspi- ração nos drenos divide opiniões. Alguns preconizam que a aspiração contínua tem efeitos deletérios nesta situação, pois tenderia a perpetuar o escape de ar, retardando a remoção dos drenos. Outros mais radicais não utilizam a aspiração mesmo na presença de espaço residual e escape aéreo. Um estudo prospectivo, realizado em pacientes com pneumotó- rax traumáticos (situação análoga à perda aérea por trauma cirúrgico), demonstrou que pacientes submetidos à aspira- ção dos drenos pleurais tinham seus drenos removidos mais precocemente, encurtando assim seu tempo de permanência no hospital. Muitos serviços utilizam aspiração com pressões negativas entre 15 cmH2O a 20 cmH2O na quase totalida- de das ressecções lobares sem que isto tenha resultado em aumento do período de drenagem ou da incidência de fuga aérea prolongada. Ademais, temos observado que esta medi- da minimiza os desmandos e confusões causadas na equipe de médicos assistentes, residentes e de enfermagem quanto ao manuseio dos drenos, quando mantê-los sob aspiração, quando removê-la, além de serem evitados erros freqüentes na instalação dos equipamentos de aspiração típicas dos ser- viços em que este tipo de rotina não está bem estabelecida. Os cuidados transoperatórios importantes na prevenção de escape aéreo prolongado são: manuseio cuidadoso do pa- rênquima remanescente; uso de sutura mecânica na comple- mentação da cissuras, evitar dissecções muito profundas no hilo do lobo; redução do volume da cavidade pleural para adequar-se ao tamanho do lobo remanescente (por exemplo, anestesia frênica, pneumoperitôneo). Nos pacientes em queo escape aéreo persista, na presença de pulmão expandido, a tática mais aplicável é a suspensão da aspiração e mobilização progressiva dos drenos (cerca de 3 cm/dia a 4 cm/dia após o 7º dia de pós-operatório) até sua remoção completa. Isto permite que os pequenos esca- pes parenquimatosos se ocluam pela reação fi brínica pleural secundária. Uma vez que o espaço pleural esteja obliterado, o risco de infecção é pequeno. Com o pulmão incompleta- mente expandido, o problema se agrava e requer manutenção da aspiração para redução do espaço e medidas especifi cas para controle do espaço residual. Neste particular é impera- tivo que se exclua por broncofi broscopia a presença de fístu- la broncopleural e que se obtenham amostras do líquido de drenagem pleural para cultura e antibiograma a cada 3 dias após o 7º dia de pós-operatório, pois aqui o risco de infecção pleural aumenta progressivamente após este período e a ne- cessidade de antibioticoterapia se impõe. Resposta d. 66. O quilotórax, caracteristicamente, é um líquido bran- co-leitoso que contém elevada concentração de gorduras emulsifi cadas (triglicérides, quilomícrons) e apresenta pre- dominância linfocítica na contagem celular. No entanto, dependendo do estado nutricional e dietético do paciente, o derrame pode ser apenas ligeiramente turvo ou até mesmo límpido. O quilotórax ocorre quando os conteúdos do ducto torácico drenam para dentro do espaço pleural. Em casos não cirúrgicos, ele é mais comum do lado esquerdo em virtude da anatomia do ducto torácico. Não há associação habitual entre quilotórax e empiema pleural.196 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da O quilotórax é um exsudato, com níveis de proteína acima de 3 g/dL, pH elevado (entre 7,40 e 7,80) e com altas taxas de tri- glicerídeos, que é o que nos permite concluir pelo diagnóstico. Níveis abaixo de 50 mg/dL afastam o diagnóstico, acima de 110 mg/dL praticamente confi rmam-no. Quando os níveis de triglicerídeos estão entre 50 e 110 mg/dL, deve ser feita a pes- quisa de quilomícrons, e sua presença confi rma o diagnóstico. Os sintomas do quilotórax podem simular os efeitos de um derrame pleural (dispneia, dor torácica, fadiga), podem ser atribuíveis a uma doença subjacente (causa infecciosa ou neoplásica) ou podem ser o resultado dos efeitos metabóli- cos crônicos (nutricional e imunológico) de um vazamento pelo ducto torácico (perda de gordura, proteínas, anticorpos e vitaminas lipossolúveis). As perdas no volume de líquido poderão ser grandes (> 3 L/dia) e produzir instabilidade he- modinâmica se não forem adequadamente repostas. A taxa de mortalidade é de aproximadamente 10%. Após o diagnóstico, o tratamento de um quilotórax consiste inicialmente em uma drenagem por tubo de toracostomia (inserção de um tubo torácico) com reexpansão pulmonar completa e medidas de suporte, como uma dieta com baixo teor de gordura ou dieta livre de gordura suplementada por trigli cérides de cadeia média e reposição ou correção agressi- va de líquidos, eletrólitos e nutrientes. Frequentemente, essas medidas são sufi cientes para promover o fechamento da fístula entre o ducto torácico e a pleura. Se o quilotórax for causado por uma doença maligna, poderá ser necessário o tratamento primário da neoplasia. A radioterapia do mediastino tem sido útil para o tratamento do quilotórax secundário ao linfoma. As medidas conservadoras para o tratamento do quilotórax geralmente são mantidas por 1 a 2 semanas. Se o derrame qui- loso não tiver respondido a este tratamento, estará indicada intervenção cirúrgica. Os procedimentos mais comuns são a ligadura do ducto torácico, ou a ligadura em massa do tecido no hiato diafragmático (em geral, mediante toracotomia di- reita ou por toracoscopia direita), ou o fechamento direto da lesão ao ducto. A instilação de óleo de oliva ou de um creme via sonda nasogástrica, no momento da cirurgia, pode ajudar a identifi car o ducto e a área de vazamento. Raramente a pleu- rectomia e a pleurodese são adjuvantes úteis a estes procedi- mentos cirúrgicos no manejo de um quilotórax persistente. Mais recentemente, foram apregoadas técnicas minimamente invasivas para a obliteração do ducto torácico via canulação ou fenestração da cisterna quilosa pelos radiologistas intervencio- nistas. Malignidade mediastinal (50%), cirurgia torácica (20%) e traumatismo (5%). Portanto opções D e E. Gabarito ofi cial E. 67. Por ser o tórax submetido a variações de pressão durante a mecânica respiratória, os drenos não podem, após a introdu- ção na cavidade pleural, ser mantidos simplesmente abertos para o meio externo, pois conforme a inspiração e a expiração, entraria e sairia ar pelo dreno, ocasionando um pneumotó- rax aberto com consequente balanço sio mediastino. Assim sendo, apenas quando existem pequenas lojas pleurais com o restante das pleuras já aderidas poderemos utilizar a drena- gem aberta do tórax. Nos demais casos, necessitamos de um sistema a ser conectado ao tubo de drenagem que resulte em uma válvula unidirecional, na qual o ar e os líquidos tenham condição de sair pelo dreno e não de entrar na cavidade pleu- ral. Por isso, na grande maioria das drenagens pleurais conec- tamos o dreno em um sistema de drenagem sob selo d’água (defi nindo assim a drenagem pleural fechada). O sistema básico de drenagem consta de um tubo de borracha que deverá ser mergulhado em um frasco com selo d’água, em cuja tampa haverá um respiro para o meio externo que não será conectado com a água. Esse sistema será ligado ao tubo de drenagem por meio de uma conexão, que deverá ser hermética e jamais estenosar o sistema de drenagem. Assim, o selo d’água defi nirá uma válvula unidirecional, tendo o ar condições de sair para o meio externo borbulhando no fras- co, mas não terá condições de entrar no sistema. Com esse sistema simples, conseguimos resolver a maior par- te das indicações de drenagem pleural. Em situações especiais como o hemotórax, pus espesso ou fístula de parênquima pulmonar que impede a adequada expansão pulmonar, po- deremos utilizar um sistema com dois frascos para aspiração contínua, sendo o segundo frasco com três aberturas para conexões, uma será conectada ao aspirador contínuo, outra será conectada ao respiro do primeiro frasco de drenagem, e a terceira, a qual se encontra mergulhada na água, será man- tida aberta para o meio externo. Esse segundo frasco serve para graduar-se o nível de aspiração, que será dependente não da força do aspirador, mas do quanto o respiro se encontra mergulhado na água. Assim, quanto mais mergulhado, maior será a força de aspiração, desde que por esse respiro se mante- nha constantemente a entrada de ar. O nível de aspiração para crianças deve ser de 8 cm a 12 cm mergulhado na água, e nos adultos deve ser de 15 cm a 20 cm. Resposta e. 68. O tratamento de um pneumotórax espontâneo que ocorre pela primeira vez depende de seu tamanho, dos sin- tomas associados e da história pulmonar do paciente. Parar de fumar é uma medida indicada para todos os fumantes. O pneumotórax pequeno ( 40%) quase sempre estão associados a sintomas persistentes que causam limitações físicas e requerem intervenção. A aspira- ção simples, com agulha, de um pneumotórax pode aliviar os sintomas e promover uma rápida reexpansão pulmonar. A descompressão emergencial com uma agulha para o pneu- motórax de tensão é executada do lado afetado colocando-se uma agulha calibre 18 ou um angiocateter dentrodo hemi- tórax na linha hemiclavicular no segundo espaço intercostal anterior. Esta manobra de emergência alivia a tensão criada dentro do tórax. Ela não trata o pneumotórax, sendo neces- sária a inserção subsequente de um dreno torácico. A toracostomia por tubo (inserção de um dreno torácico) e a drenagem por selo d’água são as bases do tratamento do pneumotórax espontâneo. A reexpansão completa do pul- mão, mesmo na presença de um vazamento contínuo, geral- mente pode ser obtida com a aplicação de sucção ao sistema de drenagem. Neste caso em que no 4º PO identifi ca-se a presença de borbulhamento provocado pela tosse, a melhor conduta inicial é acompanhar a drenagem por pelo menos até o 7ª PO. Caso persista fuga de ar após esse período o tra- tamento será cirúrgico. 197 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Nove a vinte por cento dos pacientes com pneumotórax es- pontâneo requerem o tratamento cirúrgico. As principais indicações para tratamento cirúrgico são: fístula aérea ma- ciça, que impede a reexpansão do pulmão, fístula aérea que permanece por mais de cinco dias e o pneumotórax recidiva- do a partir do segundo episódio. Além disso, existem algu- mas indicações específi cas que devem ser consideradas. Por exemplo, o desenvolvimento de pneumotórax em pacientes que desenvolvam profi ssões como pilotos de aviação, mer- gulhadores, alpinistas, paraquedistas, praticantes de esportes “radicais” e indivíduos que vivem em áreas remotas. O tra- tamento cirúrgico pode ser associado à abrasão ou pleurec- tomia para produzir uma sínfi se pleural mais efetiva. A ope- ração pode ser realizada por várias vias de acesso, incluindo a toracotomia lateral, a toracotomia anterolateral, a toraco- tomia vertical axilar limitada, a toracotomia mediana tran- sesternal permitindo a abordagem bilateral. A incisão mais frequentemente utilizada atualmente é a toracotomia axilar limitada, sem secção muscular, em que por incisão relativa- mente pequena obtêm-se bom acesso ao ápice pulmonar e ao tratamento da bolha. As bolhas podem ser suturadas, ligadas ou preferencialmente grampeadas com sutura mecânica. Indicações cirúrgicas no pneumotórax espontâneo 1. Fuga aérea maciça sem reexpansão pulmonar 2. Fístula persistente por mais que cinco dias 3. Segundo episódio de pneumotórax espontâneo 4. Complicações do pneumotórax (empiema, hemotórax) 5. Indicações ocupacionais (aviadores, mergulhadores, morado- res de áreas distantes) 6. Pneumotórax contralateral prévio 7. Pnemotórax bilateral simultâneo Resposta e. 69. A toracocentese (punção da cavidade pleural) é indicada sempre que a presença de líquido pleural for maior que 10 mm à radiografi a de tórax, desde que não haja contraindica- ções. Deve ser lembrado ainda que, em cada toracocentese, retira-se no máximo 1.000 a 1.500 mL; porém, interrompe-se antes disso, caso o paciente apresente dor torácica, tosse im- portante, piora da dispneia ou mal-estar signifi cativo. A remoção de mais de 1.500 mL de líquido pode causar ede- ma pulmonar de reexpansão, o que pode ser uma complica- ção fatal. Se a pressão pleural não for inferior a 20 cm H2O, a complicação não ocorre, mesmo quando grandes volumes (4 L) de líquido são retirados. O edema pulmonar de reexpan- são está mais relacionado à velocidade de retirada do líquido, do que ao volume retirado. Resposta e. 70. Pelo aspecto do líquido aspirado já poderão ser feitas al- gumas hipóteses diagnósticas. O líquido amarelo citrino ou amarelo pálido ou amarelo palha, é típico de todo transudato, e de alguns exsudatos como derrames malignos iniciais, tuber- culose, síndrome das unhas amarelas, derrame metapneumô- nico não complicado etc. Líquido sanguinolento na ausência de trauma sugere malignidade, pancreatite, infarto pulmonar, asbestose pleural benigna e síndrome pós-injúria cardíaca. Esta última, geralmente, ocorre três semanas após cirurgia cardíaca ou infarto do miocárdio, e o lado predominante é o esquerdo. Asbestose pleural benigna ocorre em indivíduos que estão expostos ao asbestos há longo tempo (décadas) e é as- sintomático na metade dos casos. Líquido esbranquiçado ou leitoso amarelado sugere quilotórax, empiema, ou derrame quiliforme. Quando o líquido é centrifugado e continuar tur- vo, deve-se pensar em quilotórax ou derrame quiliforme, mas se o sobrenadante fi car claro, deve existir grande número de polimorfonucleares, prevalescendo a hipótese de empiema. O derrame quiliforme ocorre em doença pleural crônica (anos), geralmente associado a encarceramento pulmonar devido à tuberculose ou pleurisia reumatoide. Líquido marrom pode ser devido a abscesso amebiano do fígado roto para a cavida- de pleural. Este líquido é composto por tecido hepático que sofreu citólise, pequenos pedaços de parênquima hepático e sangue. Líquido preto sugere derrame por aspergilose pleural, e amarelo-esverdeado sugere pleurisia reumatoide. Se o líqui- do é purulento, estamos frente a um empiema; se é viscoso, pode ser mesotelioma por causa da alta concentração de ácido hialurônico; se existem restos necróticos deve ser pensado em pleurisia reumatoide; se é turvo, deve-se pensar em um exsu- dato infl amatório ou alta concentração de lípides. O odor pútrido sugere empiema produzido por germes anaeró- bios, e odor amoniacal sugere urinotórax produzido por obstru- ção de via urinária ispilateral, ou até contralateral. Resposta b. 71. Todas são indicações para drenagem pleural em selo d’água, exceto o empiema pleural com encarceramento pulmonar. Na fase crônica, em que o pulmão não expande adequada- mente, mesmo após a remoção do líquido pleural, o trata- mento deve ser realizado por toracotomia e descorticação pulmonar ou pleurostomia. A descorticação pulmonar consiste na remoção da camada ou “carapaça” fi brótica que envolve o pulmão, permitindo a sua expansão. Esse procedimento é associado com sangramento importante e risco cirúrgico mais elevado que a pleurostomia. A descorticação está indicada para pacientes relativamente jo- vens com boas condições clínicas. A drenagem pleural aberta (pleurostomia) consiste na remoção de um segmento de uma ou mais costelas na parte mais pendente (inferior) do empie- ma e inserção de um tubo de grosso calibre na cavidade para sua irrigação e drenagem. Apesar de não ser uma operação es- teticamente adequada, apresenta resultado funcional excelente e está indicada principalmente nos pacientes debilitados e com risco anestésico elevado. Resposta e. 72. Elementar. Derrame pleural, exsudato com ADA acima de 45 UI é diagnóstico de tuberculose. Há alguns anos têm sido empregados três novos testes para o diagnóstico da tu- berculose pleu ral. Um deles é a adenosina deaminase (ADA), que é uma enzima polimórfi ca envolvida no metabolismo das purinas, catalisando a conversão da adenosina em inosina. É predominante do linfócito T e, portanto, depende da imuni- dade celular. A tuberculose tem como característica mostrar um aumento da subenzima ADA2. O valor limite ainda não está bem defi nido, variando entre 40 UI/L e 70 UI/L, mas vá- rios autores preconizam valores entre 45 UI/L e 50 UI/L. Do- sagens acima desses limites mostraram uma sensibilidade de 90%, especifi cidade de 89% para o diagnóstico da tuberculose e valor preditivo positivo para a doença de 93,7%, mas excluin- do os pacientes com empiema esse valor chegou a 100%. Os 198 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da resultados falso-negativos têm sido encontrados em pacientes imunodeprimidos — HIV positivos. Já os falso-positivos estão em torno de 5 a 10% e são principalmente devido à empiema, linfomas, pleurite reumatoide e doenças neoplásicas. A especifi cidade do exame ainda pode aumentar se a conta- gem de linfócitos superar 75% do total de leucócitos no líqui- do pleural. Outro elemento que está aumentado no derrame pleural tuberculoso é o gama interferon, quetem efi cácia se- melhante à ADA, mas devido ao seu elevado custo é utilizado como segunda escolha. Finalmente a detecção do DNA da micobactéria pode ser feita por meio da Polimerase Chain Reaction (PCR), mas com uma efi cácia bem menor que a ADA, cerca de 70 a 80% de sensibilidade. Resposta c. 73. A síndrome do desfi ladeiro cervicotorácico (SDCT) é se- cundária à compressão do feixe vasculonervoso do membro superior pelas estruturas osteomusculoligamentosas do des- fi ladeiro cervicotorácico. A SDCT, que ocorre mais comumente na mulher jovem, pa- rece ser secundária a alongamento dos músculos e ligamentos que suportam o ombro, com queda do mesmo, provocando um aumento da tensão do plexo braquial, o qual é colocado em maior contato com a primeira costela. Esta síndrome, em sua forma neurogênica, representa sempre uma compressão das raízes do plexo braquial. Na maioria das vezes, há uma susceptibilidade congênita (bandas fi bromusculares, costela cervical), podendo existir um fator que desencadeia os sinto- mas, como por exemplo, uma cirurgia de escoliose. Entretan- to, trauma é o fator predisponente mais importante. Há alta incidência de trauma com hiperextensão cervical na gênese da SDCT. O trauma mantém um círculo vicioso de espasmo muscular, dor e irritação nervosa, difícil de ser quebrado. As forças do trauma produzem estiramento e ruptura muscular com sangramento, que levam ao aparecimento de fi brose, en- curtamento muscular e formação de tecido cicatricial. A compressão arterial subclávia pode ser fonte de embolias periféricas e cerebrais. Scher e cols. classifi caram as lesões vasculares na SDCT em: estádio 0, sem lesão arterial; estágio I, estenose da artéria subclávia com dilatação pós- -estenótica; estádio II, aneurisma de artéria subclávia, trombose mu- ral e lesão de íntima; estádio III, trombose de artéria subclávia e embolização distal. O diagnóstico da grande maioria dos pacientes portadores de SDCT é exclusivamente clínico. Exames complementares são usados para afastar outras condições clínicas incluídas no diagnóstico diferencial. Todos os exames relacionados na questão podem contribuir na defi nição do diagnóstico exce- to a cintilografi a que não tem nenhum papel de signifi cância para este diagnóstico. Resposta c. 74. A correção da hipoventilação, a administração de oxigênio umidifi cado e a reposição volêmica constituem-se nas medidas terapêuticas iniciais. Na ausência de hipotensão sistêmica, a administração intravenosa de soluções de cristaloides deve ser cuidadosamente controlada para evitar uma hiper-hidratação. A terapia defi nitiva consiste em garantir a oxigenação mais completa possível, administrar líquidos cautelosamente e fornecer analgesia para melhorar a ventilação. Isto pode ser conseguido utilizando-se narcóticos endovenosos ou vários métodos de administração de anestésicos locais que incluem bloqueio intermitente do nervo intercostal, intra e extrapleu- rais ou anestesia peridural. Quando empregado apropriada- mente, os agentes anestésicos locais podem produzir uma analgesia excelente e evitar a necessidade de intubação. No entanto, a prevenção da hipóxia é da maior importância no doente traumatizado e, por isso, pode ser conveniente um curto período de intubação e ventilação até que se complete o diagnóstico de todas as lesões. O momento apropriado para a intubação e a ventilação é defi nido pela avaliação cuidadosa da frequência respiratória e da pressão parcial de oxigênio arterial e pela estimativa do trabalho respiratório. Resposta a. 75. A infecção do tecido mediastinal é sempre secundária à in- fecção de estruturas do próprio mediastina ou extensão de in- fecções de outras localizações que mantêm relações anatômicas com este compartimento, como o pescoço, coluna, pulmões, pleura ou abdome. Portanto, dentro deste conceito as medias- tinites agudas ou são de origem traumática ou ainda são con- sequentes de infecções vizinhas, as chamadas mediastinites por contiguidade. Em que pese a possibilidade teórica de terem tam- bém as mediastinites origem linfogênica ou hematogênica, isto é, a infecção de um órgão a distância atingir o mediastino atra- vés dos vasos linfáticos ou septicemias, na prática essas possíveis etiologias não foram confi rmadas. A mediastinite traumática de origem cirúrgica, ou não, é a mais frequente. Resposta d. 76. A localização das bronquiectasias ocorre primariamente nos seguimentos basais dos lobos inferiores. Preferencial- mente nos brônquios médios, estendendo-se para os perifé- ricos. Predominam no LIE e na língula. As bronquiectasias podem ser localizadas e difusas. As localizadas são geralmen- te causadas por obstrução brônquica ou processo localizado. As difusas estão associadas às lesões pneumônicas prévias, doenças granulomatosas, alterações da imunodefi ciência ou a síndromes genéticas. Resposta d. 77. T3: Tumor > 7 cm ou com extensão direita à parede to- rácica (incluindo tumor de Pancoast), ao diafragma, à pleu- ra mediastinal ou ao pericárdio. Tumor com atelectasia ou pneumonite obstrutiva de todo o pulmão. Tumor localizado acom hipofosfatemia. Síndrome de Eaton-Lambert (anti-VGCC): mais frequente no carcinoma de pequenas células. Quadro clínico similar à miastenia gravis; Presença de autoanticorpos de cálcio no axônio da junção neuromuscular, reduzindo liberação de acetilcolina na fenda. Os achados eletromiográfi cos são de- cisivos para o diagnóstico. A má resposta ao uso de agentes anticolinérgicos afasta o diagnóstico de miastenia. Hipocratismo digital e osteoartropatia hipertrófi ca: mais comumente associados ao adenocarcinoma e carcinoma epidermoide. Caracterizam-se por hipocratismo, alterações periósticas, artralgias, ginecomastia e perturbações vasomo- toras. A confi rmação diagnóstica se faz com maior sensibili- dade através de raio X da tíbia (osteoartropatia). Diante desta breve revisão, fi ca claro que o carcinoma de grandes células não tem implicação com tais manifestações. Resposta c. 80. Cavidades pulmonares bacteriologicamente saneadas não raramente se epitelizam e são colonizadas por fungos, podendo formar uma bola denominada bola fúngica e são corretamente denominadas micose secundária do pulmão, ou micetomas, pois os micélios dos fungos irão formar com outros componentes a massa do conteúdo destas cavidades, só devendo ser chamada de aspergiloma, caso este fungo seja isolado e identifi cado como responsável pela colonização. O fungo do gênero Aspergillus é um fungo cosmopolita, sa- prófi ta das vias aéreas, o mais comum e a espécie mais fre- quente é o A. fumigatus, e na situação de colonizante desen- volve sua patogenicidade, apresentando a complicação que é o sangramento (hemoptoicos ou hemoptises recorrentes), sendo formal a indicação cirúrgica. Resposta a. 81. Fique atento ao estadiamento do câncer de pulmão: Estadiamento pelo sistema TMN Defi nição do estadiamento - TNM Tumor Tx Citologia positiva sem evidência de tumor T0 Sem evidência do tumor primário Tis Carcinoma in situ T1 Tumor ≤ 3 cm, sem invasão do brônquio lobar T1A Tumor ≤ 2 cm na sua maior dimensão T1B Tumor > 2 cm, mas 3 cm mas 5 cm mas 7 cm ou com extensão direta à parede toráci- ca (incluindo tumor de Pancoast), ao diafragma, à pleura mediastinal ou ao pericárdio. Tumor com atelectasia ou pneumonite obstrutiva de todo o pulmão. Tumor locali- zado aACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 CIRURGIA – 2013 27. Achado na radiografi a de tórax que NÃO é sugestivo de lesão de vasos mediastinais: a) cap apical na pleura esquerda b) fraturas de 1o e 2o arcos costais c) abaixamento do brônquio fonte esquerdo d) alargamento de mediastino e) desvio da traqueia para a esquerda ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 CIRURGIA – 2013 28. Paciente, 30 anos, está internado com pneumonia comunitária grave. É iniciado tratamento com cefu- roxime e azitromicina, porém, após quatro dias, per- manece com febre e dor pleurítica na base pulmonar direita. Radiografi a de tórax revela obliteração do seio costofrênico à direita, com “sinal da parábola” ocupando cerca de um terço desse hemitórax. Rea- liza-se toracocentese, por meio da qual constata-se presença de líquido pleural turvo, Gram e cultura negativos, pH 7,10, glicose 35 mg/dL, proteínas totais 4,0 g/dl, albumina 1,0 g/dL e LDH 510 UI/L. Exames séricos mostram leucometria 13.200 cél/mm3 (10% bastões), glicose 130 mg/dL, proteínas totais 5,0 g/dL, albumina 1,8 g/dL e LDH 320 UI/L. Nesse momento, a conduta mais apropriada é: a) proceder a leuroscopia com decorticação pleural b) trocar antibiótico para piperacilina com tazobactam c) indicar drenagem pleural em selo d’água d) realizar broncoscopia com coleta de lavado bronco- alveolar e) solicitar tomografi a de tórax com cortes em alta re- solução e uso de contraste venoso não iônico ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 CIRURGIA – 2013 29. Sobre a miastenia gravis, assinale a afi rmativa correta. a) na presença de crise miastênica, os melhores resulta- dos têm sido obtidos com pulso com ciclofosfamida, e os corticoides, nessa situação, podem piorar a mio- patia, devendo ser usados com cautela b) a timectomia pode estar indicada mesmo nos pa- cientes sem timoma, pois esse procedimento pro- move a melhora clínica em até 85% deles, dentre os quais 35% conseguem manterse sem medicação c) a presença do anticorpo antirreceptor de acetilcolina é fundamental para o diagnóstico e está presente em todos os pacientes miastênicos d) o quadro clínico é caracterizado por fraqueza mus- cular predominantemente em região proximal de membros, sendo o acometimento bulbar muito raro e) o mecanismo fi siopatológico principal é a redução dos receptores pré-sinápticos de acetilcolina, que diminuem sua biodisponibilidade na junção neuromuscular ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 CIRURGIA – 2013 30. Paciente com febre, tosse com expectoração, realiza radiografi a do tórax que mostra alargamento do lobo superior direito e condensação com sinal do bronco- grama aéreo e cisura abaulada. Esses sinais radiológi- cos indicam: a) atelectasia b) disseminação linfática de lesão metastática c) pneumonia d) infi ltrado intersticial e) tumor ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 CIRURGIA – 2013 31. Homem, 55 anos, com dispneia, apresenta, na radio- grafi a do tórax, velamento do hemitórax direito com mediastino centrado. Deve-se considerar para o qua- dro a possibilidade diagnóstica de: a) pulmão destruído por processo denominado infl a- matório (tuberculose) b) associação de atelectasia com derrame pleural c) atelectasia d) derrame pleural volumoso e) tumor ocupando toda a região ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 CIRURGIA – 2013 32. Mulher, 50 anos realiza radiografi a do tórax como parte de avaliação pré-operatória de cirurgia abdo- minal, a qual demonstra lesão expansiva com densi- dade de partes moles, com calcifi cações grosseiras de permeio, localizada no mediastino anterior à direita, rechaçando a traqueia. O diagnóstico provável é de: a) cisto broncogênico b) bócio mergulhante c) hérnia de Bochdalek d) sarcoidose e) linfoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 CIRURGIA – 2013 33. Criança apresenta tosse paroxística, febre baixa, disp- neia, cianose, diminuição do murmúrio vesicular, com estertores crepitantes e sibilos após inspiração profunda. Radiografi a do tórax demonstra condensa- ção não homogênea paracardíaca direita e hiperinsu- fl ação do restante desse pulmão. Pulmão contralate- ral normal. O quadro sugere o diagnóstico de:160 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da a) bronquiolite b) fi brose cística c) timoma d) anel vascular e) corpo estranho ACERTEI ERREI DÚVIDA Angelina Caron-PR – R3 Cirurgia – 2012 34. Sobre o Carcinoma Pulmonar, assinale a alternativa incorreta: a) menos que 1% dos tumores pulmonares é de origem não epitelial, e a maioria desses é do grupo de linfomas b) o carcinoma brônquico não de pequenas células pode ser subdividido em adenocarcinoma, carci- noma de células escamosas, carcinoma de grandes células e carcinoma broncoalveolar c) o carcinoma brônquico de pequenas células se ca- racteriza pela elevada tendência a apresentar metás- tases e prognóstico ruim d) cerca de 5% dos carcinomas do pulmão não são re- lacionados ao tabagismo e a maioria desses são ade- nocarcinomas e) a síndrome de Pancoast é carcterizada por dor no ombro e braço associado à Síndrome de Horner ACERTEI ERREI DÚVIDA Angelina Caron-PR – R3 Cirurgia – 2012 35. São condições comuns associadas com aumentos de linfonodos mediastinais e hilares, exceto: a) fi brose pulmonar idiopática b) sarcoidose c) tuberculose d) linfoma e) câncer metastático ACERTEI ERREI DÚVIDA Fundação João Goulart – R3 Cirurgia – 2012 36. Paciente de 11 anos de idade, com quadro clínico de ptose palpebral e fraqueza muscular generalizada, é tratada com prednisona e piridostigmina e, ainda as- sim, apresenta crises de insufi ciência respiratória, ne- cessitando ventilação mecânica. A conduta indicada a seguir deve ser a: a) radioterapia do mediastino anterossuperior b) timectomia transcervical c) quimioterapia com cisplatina d) plasmaférese intermitente ACERTEI ERREI DÚVIDA Fundação João Goulart – R3 Cirurgia – 2012 37. Durante a realização de exames pré-operatórios para correção de hérnia inguinal em um paciente de 55 anos sem história de tabagismo, é descoberto um nódulo pulmonar solitário periférico. Para a defi nição da con- duta terapêutica, considera-se critério de benignidade: a) um nódulo menor que 2,0 cm b) um lavado brônquico mostrando padrão infl amatório c) uma punção-biópsia com agulha fi na negativa para malignidade d) a presença de calcifi cação ACERTEI ERREI DÚVIDA Fundação João Goulart – R3 Cirurgia – 2012 38. Em um paciente jovem, apresentando pneumotórax espontâneo e fuga aérea 4 dias após a drenagem ini- cial, a conduta terapêutica a ser adotada deve ser: a) pleurodese, por meio da infusão de tetraciclina pelo dreno pleural b) toracotomia para segmentectomia apical c) bulectomia e pleurectomia apical por videotoracos- copia d) drenagem em aspiração contínua até o sétimo dia ACERTEI ERREI DÚVIDA Santa Casa-SP – R3 Cirurgia – 2012 39. Jovem de 25 anos é admitido no Pronto Socorro em sepse depois de uma extração dentária. A radiografi a de tórax evidencia derrame pleural à direita e alar- gamento de mediastino. Com relação a este caso, é CORRETO afi rmar que: a) trata-se provavelmente de uma mediastinite necrosan- te descendente causada por bacilos Gram-negativos b) o tratamento cirúrgico deve ser feito preferencial- mente por vídeotoracoscopia associado à drenagem oral do abscesso odontogênico c) o tratamento deve ser o mais conservador possível, pois a manipulação do foco de infecção favorece a disseminação mediastinal d) a mediastinite resultou de abscesso odontogênico, estando indicada cervicotomia e toracotomia e) antibioticoterapia deve ser iniciada imediatamente após a coleta de culturas durante toracotomia ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 Cirurgia – 2012 40. Homem de 62 anos, após 12 dias de traqueostomia, apresenta sangramento súbito e copioso pelo traque- ostoma, seguido de choque hipovolêmico. O provável diagnóstico ee o neuroblastomas originam-se dos gânglios simpáticos. Os tumores da bainha de nervos são os mais comuns em adultos, enquanto os derivados dos gânglios simpáticos são mais frequentes na criança. O sur- gimento de dor intensa, quando se faz a biópsia percutânea, é sinal de massa neurogênica. Resposta a. 201 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 84. T3: Tumor > 7 cm ou com extensão direta à parede torácica (incluindo tumor de Pancoast), ao diafragma, à pleura mediastinal ou ao pericárdio. Tumor com atelectasia ou pneumonite obstrutiva de todo o pulmão. Tumor localizado a 7,2, glicose > 40 mg/dL e HDL 1.000 UI; culturas positivas em 1/3 dos casos. Resposta c. 87. O tratamento do empiema depende da sua fase, mas en- volve a identifi cação do organismo causal, o seu tratamento sistêmico (antibióticos) e a drenagem completa do espaço pleural. Nas fases aguda e fi brinopurulenta precoce, a tora- cocentese poderá ser tanto diagnóstica quanto terapêutica se o derrame for drenado inteiramente. A administração prévia de antibióticos pode levar à coleta de um líquido estéril, mas a coloração pelo Gram (organismos), a contagem de células (predominância dos leucócitos polimorfonucleares no em- piema bacteriano e predominância linfocítica no empiema tuberculoso), a bioquímica (proteína, DHL, amilase e glico- se) e o pH ( 1.000 Conduta individualizada Aumento do derrame, febre persistente ou mau estado geral Toracocentese repetida Sem drenagem pH > 7,2 ou glicose > 40 ou LDHum stent esofágico pode ser colocado. Se isto não contiver a deiscência, então a exclusão esofágica, assim como derivação com colocação de uma gastrostomia e jejunostomia, é indicada. Resposta e. 89. O tratamento inicial do pneumotórax aberto constitui-se no fechamento imediato da lesão através de um curativo esté- ril. O curativo deve ser grande o sufi ciente para encobrir todo o ferimento e fi xado com fi ta adesiva em três de seus lados para produzir um efeito de válvula unidirecional. Quando o doente inspira, o curativo oclui o ferimento, bloqueando a en- trada de ar. Na expiração, o lado que não está fi xado permite o escape de ar de dentro da cavidade pleural. Um dreno de tórax deve ser inserido longe do ferimento tão logo seja possível. A fi xação dos quatro lados do curativo pode causar acúmulo do ar no espaço pleural, resultando em um pneumotórax hiper- tensivo, a menos que o tórax esteja drenado. Qualquer curati- vo oclusivo (gaze vaselinada, lâmina de plástico, etc.) pode ser usado como medida temporária de modo a permitir que a ava- liação prossiga rapidamente. Geralmente o ferimento necessita ser fechado defi nitivamente por procedimento cirúrgico. O tratamento de um pneumotórax espontâneo que ocorre pela primeira vez depende de seu tamanho, dos sintomas as- sociados e da história pulmonar do paciente. Parar de fumar é uma medida indicada para todos os fumantes. O pneumo- tórax pequeno ( 1.000 U/L. Resposta a. 95. O ar ambiente poderá alcançar o espaço pleural após um trauma torácico, como consequências de lesões de parede torácica, lesões do parênquima pulmonar ou do mediastino (esôfago, traqueia, brônquios). À seme lhança do hemotórax, o pneumotórax também admite várias classifi cações. Quanto ao volume: pequeno, médio ou grande. É pequeno quando ocupa um terço da cavidade pleural ou menos; médio, quando ocupa entre um terço e dois terços e grande quando ocupa mais do que dois terços. Quanto à lateralidade, uni ou bilateral. Quan- to ao conteúdo: puro ou misto (pneumotórax e hemotórax). Quanto à evolução: estacionário ou progressivo. O progressivo poderá ser hipertensivo, quando ocorrer acúmulo do ar, sob pressão, no espaço pleural. É uma situação catastrófi ca porque poderá levar o doente à morte em segundo. A ação deverá ser rápida. Uma outra modalidade de pneumotórax é o chamado “aberto ou aspirativo”. É consequente a ampla comunicação entre a cavidade pleural e o meio ambiente. Este tipo de feri- mento, é raro em ambiente civil. Quanto presente, provoca um ruído característico chamado traumatopneia que traduz a pas- sagem do ar através do ferimento, na inspiração. Este tipo de le- são resulta em distúrbio ventilatório grave devido ao equilí brio rápido das pressões atmosférica e pleural, levando ao colapso ipsilateral e desvio do mediastino com todas as suas consequ- ências. Nos traumatismos torácicos, o pneumotórax tem como origem lesões do parênquima pulmonar ou da parededo tórax em 90% dos casos. Lesões esófago, traqueia ou brônquio, feliz- mente são raras. Tal qual no hemotórax, a maioria dos doentes são tratados com uma colocação de um dreno intercostal. Não utilizamos punções pleurais para o esvaziamento de um pneu- motórax pequeno, médio ou grande estabi lizado. Estes proce- dimentos são dolorosos, pouco efi cazes e favorecem, infecção. Se a punção for realizada de imediato, logo após o doente en- trar no serviço de emergência, não terá qualquer validade, pois mesmo ao se conseguir a expansão pulmonar, quando a agulha for retirada, o pulmão se colapsará novamente, visto que, a le- são pulmonar ainda não cicatrizou. A punção pleural só está indicada quando o pneumotórax é hiper tensivo, nesta grave situação, é uma medida salvadora, no entanto provisória, pois deverá ser o mais rápido possível ser substituída pela drena- gem intercostal. A toracotomia está indicada nos doentes, nos quais, o fl uxo de ar pelo dreno intercostal não cessa no tempo esperado, desta maneira há de suspeitar de lesões de traqueia, brônquio ou até mesmo do esôfago. Resposta b. 96. Para o entendimento da fi siopatologia da doença, é ne- cessário o conhecimento da fonte do inóculo e o método pelo qual ele penetra até as vias aéreas inferiores. A cavidade oral contém cerca de 200 espécies de bactérias. A área que contém a mais alta concentração de bactérias anaeróbicas é a fenda gengival. Esse é o local das espécies de anaeróbios, que são mais frequentemente isolados em casos de pneumo- nias de aspira ção e abscessos pulmonaresz. Isso explicaria a associ ação clínica entre abscessos pulmonares e doença da fenda gengival na forma de piorreia ou gengivite. As secre- ções orofaringeanas contêm concentrações de 108 a 109/mL de bactérias, com a relação de anaeróbios para aeróbios de aproximadamente 3:1 a 5:1. Infecções anaeróbicas pulmona- res ocorrem ocasionalmente em pessoas desdentadas e na- queles com boa higiene oral. Em 10% dos casos de abscessos pulmonares, nenhum fator de risco é identifi cado. Anaeróbios da cavidade bucal penetram nas vias aéreas in- feriores devido à perda da consciência e a con sequente su- pressão do refl exo da tosse. O alcoolismo é um fator predis- ponente, comum em pacientes com abscessos pulmonares. Outras causas de perda de consciência que predispõem à as- piração incluem con vulsões, anestesia geral, sedação e coma. Disfagia devido à doença neurológica ou esofági ca, alteração no mecanismo de fechamento da glote por traqueostomia ou entubação orotraqueal podem também predispor à aspira- ção. Mesmo indivíduos nor mais aspiram, especialmente, du- rante o sono. A dife rença entre as pessoas normais e aquelas que subsequentemente sofrem pneumonia ou abscesso pul- monar é a composição do inóculo, a frequência e o volume da aspiração e a propensão de reter o inóculo devido à redu- ção nos mecanismos de defesa, como o refl exo da tosse. Outros mecanismos menos comuns podem deter minar infec- ções anaeróbicas pulmonares como: expan são transdiafragmá- tica de uma coleção subfrênica e disseminação hematogênica de trombofl ebite séptica. Infecções anaeróbicas pulmonares são infrequen tes em crianças, mas ocasionalmente podem ocor- rer após amigdalectomias, presumivelmente porque as criptas amigdalianas são colonizadas por bactérias anaeróbicas. Bactérias anaeróbicas são encontradas em 60 a 85% dos ca- sos, quando técnicas diagnósticas apropria das são utilizadas. Aproximadamente 50% dos pacientes contêm somente bac- térias anaeróbicas, enquanto os outros 50% têm uma combi- nação de bactérias anaeró bicas e aeróbicas. Achados simila- res são encontrados em pacientes pediátricos com infecções pulmonares anaeróbicas.204 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Nas pneumonias por aspiração adquirida no am biente hospi- talar são mais prováveis as infecções mistas, nas quais predo- mina o componente aeróbico. Isso decorre da progressiva co- lonização da via aérea superior com bacilos Gram-negativos duran te a hospitalização. Os principais anaeróbios isolados nas infecções pulmonares são Peptostreptococcus, Bacterioides melaninogenicus e Fusobac- terium nudeatum. Bacterioides fragilis, o qual é de específi co in- teresse devido à resistência à penicilina, foi encontrado em 20% dos casos. Esse resultado tem sido encontrado por muitos auto- res, in cluindo uma taxa de 14 a 21% para Bacteroides fragi lis. Os mesmos organismos têm sido documentados nas pneumonias necrotizantes em pa cientes imunocompetentes. Nos pacientes imunocomprometidos, as infecções oportunísticas por Can- dida albicans, Legionella micdadei, Legionella pneumophila e Pneumocisti carinii são mais prevalentes. Resposta c. 97. O hemotórax é a consequência mais comum de um trauma de tórax, seja ele penetrante ou fechado. O sangue coletado na cavidade pleural pode ser originário de qua- tro fontes: lesão do parênquima pulmonar, lesões de vasos sistêmicos (intercostais, mamários), lesões do mediastino (coração e vasos da base) e ferimentos toracoabdominais. Nestes últimos existe a possibilidade de um sangramento proveniente de uma víscera abdominal ser aspirado para a cavidade pleural. O hemotórax admite várias classifi cações. Quanto ao volume pode ser pequeno (300-350 mL), médio (350- 1.500 mL) ou grande (maior do que 1.500 mL). Quan- to a lateralidade: uni ou bilateral. Quanto ao próprio der- rame: hemotórax ou hemotórax e pneumotórax associados. Quanto à evolução, pode ser estacionário ou progressivo, isto é, a coleção não aumenta com o passar do tempo ou é um sangramento contínuo. Quanto à tensão: normotenso ou hipertensivo. O hipertensivo sempre vem acompanhado de pneumotórax pois é muito improvável senão impossível um doente chegar vivo com um hemotórax hipertensivo puro ao serviço de emergência. A condição de hemotórax hiper- tensivo é incompatível com a vida, nesta situação o doente morre antes do choque hemorrágico. O diagnóstico do hemotórax traumático é fácil. O exame clíni- co e uma radiografi a simples de tórax o identifi ca. A terapêu- tica tem duas fi nalidades: atuar no próprio hemotórax e atuar sobre a fonte de san gramento. Por ser a lesão do parênquima pulmonar responsável por mais de 90% dos casos de hemotó- rax, a drenagem intercostal é o tratamento defi nitivo, pois atua esvaziando a coleção de sangue e rápida expansão pulmonar, permitindo a cicatrização espontânea da lesão que ocasionou o sangramento. No restante dos doentes (10%), a toracotomia ou a laparotomia serão necessárias para reparar a fonte da he- morragia: vasos parietais ou órgãos abdominais e diafragma. Na avaliação inicial, administra-se alta concentração de oxigê- nio (FiO2 de 0,85 a 1). Com o tórax e o pescoço desnudo, pre- para-se o paciente para uma drenagem torácica realizada no 5º espaço intercostal, anteriormente à linha médio-axilar do lado da lesão. Nestas circunstâncias, é pre ciso estabelecer pre- cocemente uma via de administração de fl uidos endovenosos. Após a inserção do dreno, ocorre um grande extrava samento de sangue (pelo menos 1.500 mL). O médico as sistente deve estar atento para um caso de hemotórax volumoso, o qual pode se tratar de um caso com lesão de um vaso de grosso calibre e, portanto, o paciente pode poten cialmente necessi- tar de uma toracotomia de urgência. O médico assistente deve lembrar também que esta quantidade de sangue pode ser coletada em frasco de tórax de autotrans- fusão e este sangue coletado ser readministra do ao paciente. O fato que corrobora de modo marcante para a indica ção da toracotomia de urgência é o fl uxo de sangue do dé bito da drenagem torácica. Quando há perda de sangue maior que 200 mL/hora, por 2 horas subsequentes, fi ca in dicado o pro- cedimento cirúrgico. Resposta a. 98. O carcinoma to tipo células pequenas são tumores de pro- vável origem neuroendócrina. Geralmente são lesões centrais com extensão direta e encarceramento das estruturas dome- diastino. A apresentação periférica é rara, mas com frequência associada a comprometimento linfonodal hilar. No momento do diagnóstico a maioria já mostra sinais de disseminação me- tastática hematogênica ou linfática, às vezes sem evidenciação do tumor primário nos estudos radiológicos. Resposta b. 99. Dentre os diagnósticos diferenciais dos nódulos pulmo- nares, existe o hamartoma. É o tumor benigno mais frequente no pulmão e tem como característica ser um nódulo menor do que 1,5 cm, bem delimitado e calcifi cado, sendo a calcifi - cação mais característica em forma de “pipoca”. Resposta a. 100. Todas as afi rmações estão corretas (leia com atenção), exceto a opção “e” já que Atualmente, o tratamento preconiza- do é clínico, sendo a Penicilina substituída pela Clindamicina (600mg, endovenosa de 6/6 horas) isoladamente ou associada ao Metronidazol ou ainda uma Cefalosporina de 3ª geração associada ao Metronidazol. A mortalidade é de 5 a 10%. Pa- cientes com grandes abscessos (> 6 cm), necrose pulmonar progressiva, lesões obstrutivas, infecção bacteriana aeróbia, imunocomprometimento, idade avançada, debilidade sistê- mica e aqueles que demoraram em procurar atendimento médico têm maior mortalidade e incidência de complicações. A complicação mais comum é o empiema com ou sem fístu- la broncopleural. A aspiração de pus de um grande abscesso pulmonar, por muitas vezes, promove a disseminação da in- fecção e, até mesmo, a asfi xia. Outras complicações, que são raras, incluem abscessos cerebrais e outros abscessos distais, infecção generalizada, hemorragia grave e gangrena pulmonar. A superinfecção com outras bactérias ou fungos pode ocorrer com relação à terapia antimicrobiana. No abscesso pulmonar crônico, podem estar presentes bronquite crônica, enfi sema localizado ou bronquiectasias com recorrência subsequente de pneumonite aguda na área envolvida. Resposta e. 101. A síndrome de Claude-Bernard-Horner, é comum no tumor Pancoast. Ela é secundária ao envolvimento da cadeia simpática e do gânglio estrelado, causando enoft almia unila- teral, ptose palpebral, miose e anidrose ipsilateral da face e do membro superior. Resposta c. 102. Todas as opções estão corretas (leia com atenção) exceto a opção “d” já que a taxa de mortalidade é de 5 a 10%. Resposta d. 103. O hemotórax de pequeno volume, mesmo traumático, pode ser reabsorvido espontaneamente. Todos os outros quadros são de indicação de drenagem imediata. Resposta e. 205 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 104. A presença de acidifi cação do líquido sugere metabolis- mo bacteriano, e não a alcalização. A incidência do derrame pleural parapneumônico pode chegar a 40% das pneumonias, e o pneumococos é o principal germe. O aumento do DHL > 1.000 UI/L e glicose baixa, além de pH ácido, são indicativos de empiema. O uso de fi brinolíticos intrapleural parece não re- duzir o número de pacientes que vão para cirurgia. Resposta a. 105. Todos os sinais descritos são sinais radiológicos de atelec- tasia. Dentre esses, a diminuição dos espaços intercostais é o menos sensível e aparece em atelectasias extensas. Resposta e. 106. A obstrução da veia cava superior é um processo suba- gudo, ou agudo, na maioria das vezes causada por uma ne- oplasia maligna intratorácica. Essas podem ser, em até 90% dos casos, o câncer do pulmão, os linfomas, ou os tumores mediastinais primários ou metastáticos. O câncer do pulmão é o responsável por 46 - 75% de todos os casos da SVCS. Ela é secundária a compressão, invasão e, ocasionalmente, for- mação de um trombo endoluminal. Os pacientes com SVCS apresentam-se com edema e pletora faciais, do pescoço e das pálpebras; além da dilatação das veias do pescoço, do ombro, da parede anterior do tórax e dos membros supeirores. A cia- nose dos membros superiores e da face é comum. Outros sin- tomas associados a ela são: cefaleia, vertigem, visão borrada, tosse, síncope, dispneia, dor torácica e disfagia. A Associação da SVCS com a obstrução das vias aéreas superiores e com sinais de edema cerebral é sinal de mau prognóstico. Entre as neoplasias pulmonares a que mais comumente causa a SVCS é o carcinoma indiferenciado de pequenas células, em 40% das vezes seguido pelo carcinoma escamoso. A tomografi a computadorizada (TC) de tórax é provavel- mente o exame de imagem mais utilizado na SVCS. Chega a apresentar uma acurácia diagnóstica de 100%. Resposta a. 107. O empiema em idade escolar é causado por pneumo- coco, sendo a drenagem pleural fechada à opção terapêutica. Os parâmetros do líquido pleural são os mesmos do adulto. Normalmente, a resolução do quadro é boa, com pouco ou nenhum espessamento pleural. Portanto, os fi brinolíticos, que podem ser uma opção terapêutica discutível no adulto, não são indicados em crianças, visto a baixa incidência de empiema multisseptado. Resposta a. 108. O quadro em questão é de abscesso pulmonar com sua principal complicação, o empiema pleural. Inicialmente, an- tibioticoterapia e drenagem pleural. Posteriormente, deverá ser submetido a videotoracoscopia no caso de evolução insa- tisfatória. Resposta d. 109. Para quadros de abscesso pulmonar, temos que obser- var a presença de condição predisponente para aspiração. No caso em questão, o que é citado é a presença de tabagismo importante + tosse crônica + lesão cavitária pulmonar. Ou seja, nos casos de lesão cavitária sem condição predisponente para aspiração, deve-se pensar em diagnósticos diferenciais como tuberculose, neoplasia cavitária, empiema septado, en- tre outros. Micetoma é a colonização de uma cavidade pré- -formada por aspergillus e normalmente é assintomático ou causa hemoptoico. Resposta b. 110. O componente cartilagíneo só não está presente em bronquíolos respiratórios, ductos alveolares e intralobulares, além da região subglótica. Resposta a. 111. Todas estão corretas, exceto a opção B, uma vez que a veia do lobo médio drena para veia pulmonar direita. Resposta b. 112. A defi nição da alternativa A é Cornagem. Dispneia as- sociada a fraturas ou contusão pulmonar não têm designação especial. A alternativa D defi ne o termo. Resposta d. 113. O quadro em questão é de diagnóstico diferencial de nódulo pulmonar. Os nódulos considerados benignos e que, portanto, requerem apenas acompanhamento radiológico trimestral por dois anos, são nódulos menores do que 1,5 cm, bem delimitados, calcifi cados e em pacientes com idade in- ferior a 35 anos e sem fatores de risco. São considerados nó- dulos indeterminados, ou seja, que necessitam prosseguir em investigação diagnóstica, quando maiores que 1,5 cm, mal delimitados, não calcifi cados ou com calcifi cações em pon- tos pequenos e em pacientes com mais de 35 anos e fator de risco bem determinado. Neste paciente, o acompanhamento radiológico está bem indicado. Resposta c. 114. O quadro clínico e radiológico nos leva a pensar em um Derrame Pleural Parapneumônico/Empiema. Portanto, está indicada a toracocentese, o que revelou um provável exsu- dato (LDH= 1100 mg/dL). Não temos o diferencial, pois em DP com predomínio linfomononuclear poderíamos encon- trar também estas alterações de pH e glicose. Dentro das al- ternativas que encontramos, a mais correta é a C, pois sendo um exsudato polimorfonuclear, temos mais características de empiema (líquido turvo, DHL > 1000 e glicose abaixo de 40 mg/dL), apesar do pH estar limítrofe. As outras alternativas são incorretas, pois a determinação de transudato é através dos critérios de Light e não devemos depender de Gram ou cultura para classifi car um empiema. Lembrar que esta tam- bém é uma divisão de um DP parapneumônico. Resposta c. 115. Este paciente apresenta quadro clínico de compressão de veia cava superior por um tumor de Pancost. Para cirrose he- pática com hipoalbuminemia, faltam o anasarca e a ascite. Cor pulmonale é comum em associação a doença pulmonar crô- nica comhipóxia e faltam também a hepatomegalia e o ede- ma de MIS. Fístula arteriovenosa em paciente de 60 anos sem história prévia ou trauma local é improvável. Um diagnóstico difícil é em relação à pericardite constritiva. Normalmente, es- tes casos são relacionados a pulso paradoxal e ondas venosas jugulares, e também com sinais de cor pulmonale. Resposta d. 116. O caso em questão é clássico de aspiração. Só faltava a de- terminação do sibilo localizado e pneumonias de repetição. Po- rém, a citação do episódio de sufocação, após os sibilos que não melhoram o caso, é característico de corpo estranho. Asma teria melhorado com a terapêutica habitual. O paciente apresentou refl uxo prévio, porém terminou o quadro como a maior parte das crianças antes de 1 ano de idade. Em relação ao quadro agu- do de laringotraqueobronquite, falta a febre. O diagnóstico e o tratamento são realizados com raio X de tórax para localização da imagem e broncoscopia respectivamente. Resposta d. 206 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 117. Dor torácica tipo pleurítica, súbita, em jovem, lembra Pneumotórax. O exame físico com diminuição do murmúrio vesicular e o achado de timpanismo confi rmam esta suspeita. O exame indicado no caso em questão é o raio X de Tórax e o achado, será uma hipertransparência unilateral. Resposta d. 118. A osteomielite é uma complicação incomum nos empie- mas pleurais. Na fase de organização, normalmente o trata- mento com melhores resultados é o cirúrgico, de preferência por videotoracoscopia. Na fase crônica, a análise mais im- portante é avaliar através de exames de imagem se existem multiloculações. A pleurostomia é uma opção nos empiemas pleurais crônicos, que não responderam a outros tratamen- tos propostos, inclusive cirurgia prévia. Na fase exsudativa, a drenagem em selo d’água é uma excelente opção. Resposta c. 119. Verifi car em anatomia; acidentes anatômicos. Resposta c. 120. A síndrome do sulco superior ou Pancost é constituída da compressão da cava superior + compressão do plexo bra- quial + síndrome de Claude-Bernard-Horner (ptose, miose, anidrose ipsilateral e enoft almia unilateral). Os pacientes po- dem também apresentar destruições de arcos costais, clavícula e outros ossos adjacentes, como escápula e úmero. Resposta a. 121. Tomografi a por emissão de pósitrons (PET) de corpo inteiro é um método bastante útil, que avalia a atividade me- tabólica dos tecidos tendo como base a intensidade de cap- tação de glicose radiomarcada (fl uorodeoxiglicose - FDG) quantifi cada em SUV (standard uptake value); valores aci- ma de 2,5 SUV são indicadores de alta atividade metabólica (exemplo: tecido neoplásico). Tem papel no diagnóstico, es- tadiamento (linfonodal e metastático) e acompanhamento de tratamento dos carcinomas em geral. A PET pode orientar a indicação de mediastinoscopia, punções aspirativas e outras abordagens diagnósticas. É um método sensível de medida dos efeitos biológicos de terapia anticâncer, mas até a melhor padronização e experiência em larga escala, deve ser usado como avaliação adicional aos outros métodos existentes. Pode haver falso-positivos, como nas doenças granulomato- sas, infecciosas e infl amatórias em geral, em pós-operatórios e na região de materiais exógenos de alta atenuação, como clipes metálicos, próteses etc. (“artefatos quentes”). Falso- -negativos podem ocorrer mais frequentemente em lesões nodulares menores que 1 cm de diâmetro, tumores de baixo metabolismo (tumores carcinoides e carcinomas bronquio- loalveolares) e lesões situadas nas bases pulmonares, devido ao artefato de movimentação diafragmática e superposição de imagens da TC e PET assíncronas (“artefatos frios”). Equi- pamentos que fundem as imagens adquiridas na tomografi a computadorizada e na PET (PET-CT) oferecem a conveniên- cia de um produto fi nal com excelente resolução anatômica (aspecto defi citário da PET, por sua natureza) combinada a acurada avaliação metabólica e funcional. Foi demonstrado que, usando os dados agrupados de múlti- plos estudos, a PET combinada com TC é mais precisa para o estadiamento mediastinal do que a TC sozinha, com um valor preditivo positivo de 78% e um valor preditivo negativo alto de 93% — um número que se aproxima das técnicas invasivas de estadiamento. Em termos de doença metastática, já foi de- monstrado que a PET revela as lesões metastáticas não obser- vadas pela TC e por outros meios convencionais em 10 a 20% dos casos. Por utilizar glicose marcada por fl úor, poderá ter sua interpretação alterada em diabéticos. Resposta e. 122. A maneira de identifi car qual a proporção de parênqui- ma pulmonar funcionante e qual está comprometido pela bolha já foi intensamente estudado. Utilizou-se cintilografi a perfusional para avaliar tecidos viáveis e espirometria de de- cúbito. Com o advento da TC espiral, que consegue defi nir com exatidão a área que não participa da ventilação e sua proporção dentro do tórax, tornou-se um exame com boa acurácia e pouco invasivo. Resposta a. 123. Estágio IIa (T1a/1b/2a N1M0 e T2bN0M0): Correspon- dem a cerca de 10% dos casos de câncer do pulmão ressecados. A lobectomia será o procedimento de escolha na maior parte dos pacientes. Ocasionalmente, por conta da extensão tumoral (T2b) algumas situações poderão requerer ressecções maiores (lobectomia com broncoplastia, bilobectomia ou pneumonec- tomia). Os pacientes neste estágio submetidos à ressecção ci- rúrgica completa e em boas condições clínicas são candidatos à quimioterapia adjuvante. A radioterapia pós-operatória parece diminuir a recidiva local, mas nenhum estudo foi capaz de com- provar seu impacto na sobrevida, de modo que seu uso habitu- almente não é reconhecida. Gabarito ofi cial d, gabarito SJT a. 124. Paciente com massa de 4,2 cm no LSD com invasão da parede torácica, linfonodos hilares direitos aumentados na TC corresponde a tumor T3 (Tumor > 7 cm ou com extensão direta à parede torácica (incluindo tumor de Pancoast), ao diafrag- ma, à pleura mediastinal ou ao pericárdio. Tumor com atelectasia ou pneumonite obstrutiva de todo o pulmão. Tumor localizado aD, portanto, por anulação, deveria ser uma das duas. Você tem este tema disponível na sua apostila, aproveite e faça uma breve revisão. Resposta d. 128. Não existe nenhum método de controle para diagnós- tico precoce e consequente diminuição da sua mortalidade. Apenas a parada do tabagismo diminuiria esta mortalidade, a longo prazo. Resposta a. 129. A TB Pleural é caracterizada por 70% de doenças ape- nas na pleura. Na análise do líquido, encontramos exsudato com grande aumento de linfócitos, pobreza de mesotelióci- tos, grande quantidade de proteínas e adenosina deaminase alta. Resposta a. 130. Lembrar que à medida que a obstrução fi ca mais grave, o VEF1 diminui e aumenta a hiperinsufl ação e o volume re- sidual. Aumenta também o volume de reserva expiratório e a capacidade pulmonar total. O que diminui é a capacidade inspiratória (volume corrente + volume de reserva inspirató- rio). Resposta d. 131. O método de escolha para diagnóstico de tuberculose pulmonar é pela baciloscopia do escarro. O raio X de tórax não é método de diagnóstico, e a cultura somente será ava- liada quando da negatividade de três escarros bem colhidos e analisados. Deve-se lembrar que a presença de sangue no escarro diminui um pouco sua positividade, porém deverá ser inicialmente avaliado por pesquisa direta. Resposta d. 132. Apenas as três primeiras são massas de mediastino an- terior, e destas, a que mais frequentemente evolui com dor e invasão brônquica é o linfoma. Resposta b. 133. Todos os gânglios do mesmo lado até o mediastino não contraindicam cirurgia. Apenas gânglios contralaterais e ex- tratorácicos impossibilitam procedimento. Resposta d. 134. Obstrução e estenose são complicações da própria tra- queostomia e não dão passagem da cânula, assim como teci- do de granulação local. Resposta b. 135. Respiração paradoxal é um achado característico de tó- rax instável, que se caracteriza por pelo menos duas fraturas distintas de uma mesma costela e em costelas adjacentes. O que ocorre nestas circunstâncias é um verdadeiro “descola- mento” de parte da caixa torácica em relação ao restante da caixa, e desta forma, temos um movimento desconexo da res- piração desta porção que está “desconectada” do restante da caixa torácica. Resposta e. 136. Como o saco pericárdico foi deixado aberto, não há possibilidade de formação de tamponamento cardíaco, pois o mesmo escaparia pela região do pericárdio que fi cou aber- ta. A herniação cardíaca pelo saco pericárdico aberto é uma complicação possível e, portanto, seu fechamento é obrigató- rio sempre. Qualquer tipo de sangramento em um caso assim seria de grande intensidade, por serem vasos de grande cali- bre envolvidos, além de que o choque hipovolêmico intenso causaria colapso das jugulares e não distensão. Trombose de cava causaria estase jugular, mas não hipotensão. Vicariância é evento mais tardio, e não agudo. Resposta a. 137. Uma das complicações torácicas frequentes em pacien- te com HIV é o pneumotórax, por várias etiologias – pneu- mocistose, TB e outros. Nestas circunstâncias, muitas vezes é necessária a abordagem de fístula via rafi a de parênquima pulmonar e abrasão pleural. Resposta e. 138. Para diagnóstico e biópsia de doenças intersticiais, que são doenças difusas do parênquima pulmonar, a tendência hoje é tentar a menor toracotomia possível, visando minimi- zar os efeitos da recuperação pós-operatória, que para estes doentes é muito difícil, pois a toracotomia é um procedimen- to extremamente doloroso, e poderia levar a hipoventilação, atelectasias e agravamento da oxigenação sanguínea. Assim, a opção é a minitoracotomia. Resposta d. 139. Trata-se de EMPIEMA, provavelmente por estafi loco- cos, conforme achados da análise do líquido do derrame, que tem alto teor de leucócitos, com predomínio de neutrófi los, glicose baixa e DHL alto. A conduta nestes casos é a drena- gem fechada, com pleuroscopia para desfazer aderências e obter uma drenagem fortemente efetiva, sem risco de deixar empiemas encistados, que poderiam complicar a evolução, principalmente em paciente pediátricos. Resposta a. 140. Trata-se de fístula quilosa, pois temos aspecto leitoso, o que é um achado frequente de paciente com lesão de va- sos linfáticos. Como os troncos linfáticos drenam no sistema ázigos, um lesão deste sistema também poderá ocasionar este tipo de derrame pleural. Resposta b. 141. A conduta para fístulas quilosas é conservadora, atra- vés de drenagem de tórax e dietas hipolipídicas, que levam à diminuição da produção de linfa, e consequentemente dimi- nuição do débito da mesma. Resposta d. 142. Normalmente existe líquido na cavidade pleural, em torno de 0,1 a 0,2 mL/kg de peso, sendo que o valor médio é muito variado, de 1 a 10 mL, assim, o derrame pleural é defi nido como qualquer volume de líquido acima de 10 mL detectado no espaço pleural por meios apropriados, com ca- racterísticas físico-químicas próprias, seja de conteúdo he- mático (hemotórax), purulento (piotórax), linfático (quilotó- rax) ou mesmo derrames provenientes de patologias de base divididos em transudatos e exsudatos. A toracocentese diagnóstica permite a avaliação de sufusões pleurais indicando a natureza do líquido. A partir do mate- rial colhido podemos realizar um estudo bioquímico, micro- biológico e citológico direcionando a terapêutica apropriada.208 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da O primeiro passo na análise do líquido consiste em avaliar o aspecto visual, ou seja, a cor (amarelo-citrino ou amarelo- -pálido é típico de transudato, e de alguns exsudatos como derrames malignos iniciais e tuberculose; sanguinolento na ausência de trauma sugere malignidade; purulento estamos frente a um empiema; branco-leitoso sugere quilotórax) e odor (pútrido sugere empiema por germe anaeróbio). O segundo passo é estabelecer se é um transudato ou exsuda- to. A análise bioquímica mostra nos exsudatos: DHL pleural/DHL plasma > 0,6 Proteína pleural/proteína plasma > 0,5 Proteínas totais > 3 g/% DHL pleural > 200 Os transudatos são aqueles em que nenhuma situação acima ocorre. Dentre as sufusões exsudativas, Light observou três parâme- tros do líquido pleural que indicam complicação apresentan- do indicação de drenagem torácica, que são: pH 1000; Alem desses parâmetros, o estudo de células mesoteliais (predo- mina nos transudatos), amilase (valores maiores que o do plasma sugerem pancreatite e ruptura esofágica), creatinina (suspeita de urinotórax), triglicerídeos e colesterol (suspeita de quilotórax), citologia e a bacterioscopia direcionam o diagnóstico. O tratamento da sufusões pleurais se baseia nas característi- cas bioquímicas do líquido, sendo os transudatos e exsudatos não complicados tratados clinicamente, com ênfase na pa- tologia de base e indicada toracocentese de alívio naqueles casos com padrão respiratório restritivo. A drenagem torácica fechada sob selo d’água está indicada nos exsudatos complicados, empiemas, quilotórax e sufusões hemorrágicas. O tempo de drenagem externa variará confor- me a resposta clínica ao antibiótico e medidas terapêuticas outras, próprias para cada entidade patológica. Generica- mente, o dreno poderá ser retirado se preencher integral- mente três critérios, que são: reexpansão clinicorradiológica do pulmão, débito do dreno de tóraxpulmonar, mas predispõe a barotraumas, es- pecialmente se associada a volumes correntes elevados (nor- mal: 500 mL ou 6-7 mL/kg). Os barotraumas levam a lesões alveolares e à formação de pneumotórax hipertensivo, cujo tratamento é a drenagem da cavidade pleural. Resposta b. 144. No Brasil, o câncer de pulmão é a primeira causa de morte por câncer em homens e a segunda em mulheres. Ape- sar da alta efetividade da prevenção primária através da pre- venção e do controle do tabagismo, a sua incidência também permanece elevada. Quatro tipos histológicos respondem por 90% dos casos: Adenocarcinoma – é o mais comum nos Estados Unidos e Japão. É um carcinoma das glândulas mucosas, que possui duas subcategorias: Broncoalveolar: origina-se na periferia e tende a se espa- lhar de forma descamativa; Bronquíoloalveolar: pode ser de qualquer epitélio pró- ximo ou distante aos bronquíolos, espalha-se intralveo- larmente, podendo ter infi ltrado ou nódulos. Metade dos tumores tem marcador para célula do tipo II ou clara; Carcinoma de células escamosas – era o mais frequente no Brasil (atualmente é adenocarcinoma), vem do epitélio brôn- quico, tem localização central e pode ter uma forma polipoi- de ou séssil intraluminal. Costuma dar hemoptise, se espalha localmente, pode ter adenopatia hilar com alargamento do mediastino e o critério essencial para diagnóstico histológico é a presença de pérolas córneas ou de pontes intercelulares; Carcinoma de células grandes – grupo heterogêneo de tu- mores indiferenciados incapazes de serem encaixados em qualquer outra categoria. Duplica-se rapidamente e é muito agressivo. Pode apresentar marcadores de diferenciação para tumores neuroendócrinos; Carcinoma de células pequenas – normalmente são centrais, capazes de infi ltração submucosa que obstrui os brônquios. São agressivos e causam muitas metástases. Possui três sub- tipos celulares: Linfocitoide (oat cell) rápido crescimento, grande capa- cidade de disseminação e, inclusive com invasão cerebral precoce. Apesar do alto grau de resposta ao tratamento, apresenta baixo percentual de cura; Intermediário; Combinado - de células pequenas mais carcinoma epi- dermoide ou adenocarcinoma. Apesar do câncer de pulmão poder metastatizar para qual- quer área do corpo, os locais mais comuns de metástases são os linfonodos mediastinais e pulmonares, podendo acometer também os cervicais e supraclaviculares. As lesões secundá- rias sistêmicas atingem principalmente ossos, suprarrenais, fígado, e cérebro. As metástases podem causar difi culdades respiratórias, dores ósseas, dores abdominais, dores de cabe- ça, fraqueza e/ou confusão mental. O tumores de mama são os principais causadores de metásta- ses ósseas, seguidos por próstata e pulmão. Resposta a. 145. A hemoptise é descrita como a presença de uma expec- toração de sangue proveniente do trato respiratório. O escarro contendo sangue é bastante frequente e nem sempre se constitui em um distúrbio grave. Cerca de 50% dos casos são devidos a infecções como a bronquite aguda ou crônica. Contudo, uma hemoptise abundante requer um diagnóstico rápido por parte do médico. 209 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Os tumores provocam cerca de 20% das hemoptises (sobre- tudo o câncer de pulmão). Principais causas de hemoptise Infecções do trato respiratório Bronquite Pneumonia Tuberculose Infecção por fungo (por exemplo, infecção por Aspergillus) Abscessos pulmonares Bronquiectasia Distúrbios circulatórios Insufi ciência cardíaca Estenose da válvula mitral Malformações arteriovenosas Corpo estranho nas vias aéreas Distúrbios hemorrágicos Trauma Embolia pulmonar Tumor Lesão durante um procedimento médico A hemoptise na fi brose cística representa geralmente erosão da parede das vias aéreas devido a processos infecciosos. Com o aumento no número de pacientes mais velhos, a hemoptise vem aumentando sua frequência. Episódios de pequeno volu- me (de antecedentes de neoplasias prévias eleva a chance do diagnóstico de tumor metastático. Deve-se verifi car a exposição a carcinógenos. A radiografi a de tórax é responsável pelo encontro do NPS e na maioria das vezes não evidencia outros achados que auxi- liem no diagnóstico defi nitivo. Sempre que possível, deve-se comparar com exames anteriores, caso estes existam, bem como correlacionar com sinais e sintomas clínicos. A tomografi a é o exame de maior importância, uma vez que a TC de tórax permite melhor caracterização do nódulo e do me- diastino, fornecendo critérios de benignidade ou de malignida- de, assim como uma melhor localização, o que permite maior acurácia na obtenção de fragmentos por biópsias, nos casos em que se façam necessários tais procedimentos. Geralmente, quanto menor o nódulo, maior a chance de benignidade: 80% dos nódulos benignos são menores do que 2 cm de diâmetro. Entretanto, apenas o tamanho pequeno não exclui malignidade, pois 15% dos nódulos malignos são menores do que 1 cm de diâmetro e aproximadamente 42% são menores do que 2 cm. 210 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da As margens e contornos dos nódulos podem ser classifi ca- dos em lisos, lobulados, irregulares ou espiculados. Apesar da maioria dos nódulos com contornos lisos e margens bem defi nidas ser benigna, estes aspectos não são exclusivos de causa benigna, pois 21% dos nódulos malignos apresentam margens bem defi nidas. Outro aspecto importante na ava- liação de uma TC com NPS é a presença de gordura ou de- terminados padrões de calcifi cação, que sugerem fortemente uma causa benigna. Caso a avaliação das características do nódulo não sejam sufi cientes para defi nir um padrão de be- nignidade, o estudo tomográfi co pode ser complementado com avaliação das características do NPS após injeção de meio de contraste EV. Baseado na premissa de que os nódu- los malignos têm um padrão de vascularização diferente dos nódulos benignos, avalia-se o realce do nódulo observando que se houver um realce menor do que 15 UH a probabilida- de deste nódulo ser benigno é bastante alta. Algumas características imaginológicas utilizadas na dife- renciação dos nódulos pulmonares são as seguintes: Nódulo benigno Nódulo maligno Menor tamanho Maior tamanho Contorno liso Contorno espiculado Conteúdo de gordura Áreas de necrose Calcifi cação central Calcifi cação excêntrica Calcifi cação total Calcifi cação dispersa Calcifi cação em pipoca ou lamelar Calcifi cação fi na Após a obtenção dos estudos radiológicos e de uma história clínica adequada, três são os caminhos a se considerar na in- vestigação do NPS: Observação Para os pacientes em que tanto a história clínica quanto os achados radiológicos caracterizam baixo risco de malignida- de (nódulos com margens bem defi nidas, 35 anos, fumantes) e sem con- traindicações cirúrgicas de maior importância, a indicação de ressecção pode ser feita diretamente, mesmo sem o diag- nóstico histológico estabelecido previamente. Resposta c. 148. O pneumotórax espontâneo primário é uma doença mais comum em adultos jovens, com a maioria dos pacientes estando com idade entre 20 a 30 anos e 85% dos casos com idade abaixo de 40 anos. A incidência anual é de 9 casos a cada 100.000 habitantes, com uma prevalência maior de ho- mens sobre mulheres com um índice de 4-6 para 1. Fuman- tes têm aumento na incidência da doença. A lesão bilateral simultânea ocorre em 10% dos pacientes. Parece haver uma relação com incidência familiar. O pneumotórax espontâneo primário resulta da ruptura de “blebs” ou vesículas enfi sematosas subpleurais, geralmente localizadas nos ápices dos pulmões. Existem na literatura evi- dências da etiologia congênita dessas vesículas, mas o tema é controverso. O “bleb” é um espaço preenchido por ar entre o parênquima pulmonar e a pleura visceral e se desenvolve pela ruptura de parede alveolar com dissecção intrapulmonar pelo ar livre para a superfície pleural. Por outro lado, a observação de que estes “blebs” não têm revestimento epitelial dá apoio a esta etiologia adquirida, apesar de sua patogênese verdadeira ser desconhecida. Uma explicação é que o “stress” mecânico causado pelo peso do pulmão em posição ereta não é dis- tribuído uniformemente ao longo do pulmão, mas é muito mais intenso no ápice do que nas bases. Pela lei de Laplace, a tensão na parede dos alvéolos no ápice é maior, facilitando sua distensão e ruptura. O ar alveolar pode então dissecar ao longo do septo lobular em direção ao hilo, ao longo do tecido peribrônquico. Pode ainda dissecar em direção à periferia do pulmão, formando assim vesículas sob a pleura visceral. A incidência de “blebs” demonstráveis radiologicamente é aproximadamente de 15%. Estão mais frequentemente lo- calizados no ápice dos lobos superiores e, ocasionalmente, ao longo das fi ssuras. Em casos que requerem tratamento cirúrgico, encontra-se bolhas em aproximadamente 85% dos casos. São muito importantes os estudos de recidiva do pneumotórax. Existe uma incidência de 20 a 50% de recidiva do pneumotórax; 90% das recorrências ocorrem do mesmo lado do episódio inicial. Após o segundo episódio, o índice de recorrência aumenta para 60 a 80%. Os fatores de risco de recorrência incluem: mais que um episódio prévio, bolhas visíveis ao exame radiológico e pacientes longilíneos. O pneumotórax pode geralmente ser visibilizado em uma ra- diografi a simples de tórax realizada em inspiração profunda. A característica radiológica do pneumotórax é o distanciamento da pleura visceral da pleura parietal pela presença de ar no es- paço pleural. O ar na cavidade pleural aparece como área hi- perlúcida, com ausência da trama vasobrônquica na periferia do hemitórax. A pleura visceral é geralmente visualizada como uma linha fi na que se destaca por ar no espaço pleural de um lado e ar dentro do parenquima pulmonar do outro. Quando as manifestações clínicas sugerem fortemente um pneumotó- rax e não existem anormalidades ao exame radiológico feito da forma convencional, deve-se repetir o exame em expiração. O tamanho do pneumotórax parece aumentar na radiografi a porque o volume pulmonar fi ca diminuído durante a expira- ção máxima forçada. A expiração também diminui a densida- de radiológica do pulmão, aumentando portanto o contraste entre o pulmão e o ar no espaço pleural. Na tentativa de estimar o tamanho do pneumotórax a partir de uma radiografi a de tórax em duas posições é importante lembrar que o ar na superfície pleural está em volta do pul- mão nas três dimensões, portanto um pneumotórax que pode ser visto apenas na periferia do pulmão pode ocupar até 30% 211 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da do volume da cavidade pleural. Existem métodos de calcular o tamanho do pneumotórax utilizando medidasfeitas no exame radiológico e plotando tais medidas em um normograma - o tamanho do pneumotórax pode ser estimado como porcenta- gem do volume do hemitórax do lado afetado (Rhea, DeLuca & Greene, 1982). O tamanho do pneumotórax pode assim ser classifi cado como pequeno (com menos de 20%), moderado (de 20 a 40%) ou importante (com mais de 40%). Resposta d. 149. O pneumotórax hipertensivo é causado por trauma fe- chado ou ocasionalmente penetrante. O mecanismo respon- sável pela lesão é a penetração de ar na cavidade pleural sem saída do mesmo, oriundo do pulmão, brônquios, traqueia ou pela parede torácica levando a um deslocamento do medias- tino para o hemitórax contralateral e à consequente compres- são do pulmão e dos grandes vasos devido ao aumento da pressão, por isso é chamado pneumotórax hipertensivo. O ar penetra na inspiração, mas não sai na expiração, comprimin- do a veia cava e deformando a junção cavoatrial, levando a uma redução no enchimento diastólico do coração e à dimi- nuição do débito cardíaco. Estas alterações levam à instala- ção rápida de hipóxia, acidose e choque. O diagnóstico é clínico, com o paciente apresentando falta de ar e dor torácica como as queixas mais comuns. O esta- do geral do paciente é muito variável, desde aparentemente saudável até cianótico, taquipneico, agitado e aparentemente muito grave. Os sinais e sintomas podem não corresponder ao tamanho do pneumotórax, o murmúrio vesicular pode estar diminuído ou abolido e o tórax pode estar hipertimpâ- nico, assim como pode haver enfi sema subcutâneo. Os pacientes encontram-se dispneicos, agitados, inquietos, cia- nóticos, taquicárdicos e hipotensos, com alteração progressiva do estado de consciência. Os principais sinais do pneumotórax hipertensivo são a taquicardia, a turgência jugular e a ausência de murmúrio vesicular ipsilateral. A hipotensão não ocorre tão precocemente quanto a hipóxia e pode representar um evento pré-terminal. O tratamento deve ser imediato, com inserção de agulha calibrosa no espaço pleural, enquanto se realiza a dre- nagem torácica fechada no 5º/6º espaço intercostal. Resposta c. 150. Na cavidade torácica, as duas regiões pleuropulmonares são divididas pelo mediastino. O mediastino estende-se do esterno e cartilagens costais à coluna vertebral (faces anteriores das vér- tebras torácicas), e da raiz do pescoço ao diafragma. Abrange todas as vísceras torácicas, exceto os pulmões e as pleuras, que estão alojadas em uma expansão da fáscia serosa do tórax. O mediastino varia de comprimento com o nível do diafragma e a tração do coração ao inclinar-se para um lado e outro, como o leve deslocamento do choque produzido pela ponta do coração. Divide-se em superior e inferior por um plano imaginário que passa anteriormente pelo ângulo esternal e posteriormente pela margem inferior da IV vértebra torácica. O mediastino supe- rior é delimitado anteriormente pelo manúbrio esternal e poste- riormente pelas 4 primeiras vértebras torácicas, localizando-se acima do pericárdio. O mediastino inferior é limitado anterior- mente pelo corpo do esterno e posteriormente pelas 8 últimas vértebras torácicas, podendo ser dividido em anterior (entre o pericárdio e o esterno), médio e posterior (entre o pericárdio e a coluna vertebral). Certas estruturas atravessam o mediastino e por isso aparecem em mais de um compartimento. O mediastino médio é caracterizado pelo saco fi broso do pe- ricárdio e o coração, com os nervos frênicos e seus vasos as- sociados. Além do coração e pericárdio no mediastino médio encontramos a parte ascendente da aorta e o tronco pulmonar. O plano mediano divide o corpo em partes direita e esquerda e toda secção do corpo feita por planos paralelos ao mediano é uma secção sagital (corte sagital). Traqueia Artéria inominada esquerda Veia inominada esquerda Arco aórtico Esterno Aorta ascendente Ventrículo direito Diafragma Átrio direito Fígado Veia cava inferior Esôfago Átrio esquerdo Artéria pulmonar direita Quarta vértebra torácica Resposta c. 151. Pacientes com tumor de pulmão apresentando estadia- mento IIIB (T4, qualquer N, M0 e qualquer T, N3M0) são considerados inoperáveis. Tumores N3 são aqueles apresen- tando envolvimento de linfonodos mediastinais contralate- rais, hilares contralaterais, escalênicos ipsi ou contralaterais ou linfonodos supraclaviculares. Tumores T4 são aqueles que invadem corpos vertebrais, mediastino, coração, grandes va- sos, traqueia, esôfago ou carina ou que contenham efusões pleurais malignas. O tratamento destes tumores é feito por radioterapia externa primária ou quimioterapia. Poucos pa- cientes se tornam elegíveis para um procedimento cirúrgico após tratamento não cirúrgico inicial. Resposta d. 152. Se no tórax houver uma lesão de grande diâmetro (di- âmetro superior ao do brônquio fonte), é possível ouvir um ruído aspirativo devido à entrada e saída de ar por esta leão; este sinal é descrito como traumatopneia. Resposta d. 153. Descrita inicialmente por Carlens em 1959 para o esta- diamento do carcinoma broncogênico e para o diagnóstico das diversas patologias que afetam o mediastino, a medias- tinoscopia continua sendo um procedimento cirúrgico de enorme valor, com relativa alta sensibilidade em mãos expe- rientes. Possibilita a visibilização do conteúdo de determina- das áreas do mediastino superior ao alcance do mediastinos- cópio, cujo principal propósito seria a obtenção de amostras de biópsias para estudo histopatológico. A mediastinoscopia cervical permite acesso aos linfonodos pa- ratraqueais e carinais (níveis 2, 4 e 7 de linfonodos mediastinais). Linfonodos Mediastinais Superiores 1 Mediastinal alto 2 Paratraqueal superior 3 Pré-vascular e Retrotraqueal 4 Paratraqueal inferior (incluindo linfonodos ázigus) Linfonodos Aórticos 5 Subaórtico 6 Paraórtico (aorta ascendente ou frênica)212 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da Linfonodos Mediastinais Inferiores 7 Subcarinal 8 Paraesofágico (subcarinal) 9 Ligamento Pulmonar Linfonodos N1 10 Hilar 11 Interlobar 12 Lobar 13 Segmental 14 Subsegmental Resposta e. 154. Tratotomia é um termo utilizado em neurocirurgia, que se refere à secção do trajeto de um nervo, normalmente o trigêmeo, com o objetivo do tratamento da dor. Em cirur- gia torácica, pode ser utilizado para se referir à abertura do trajeto de um projétil de arma de fogo, para visualização e hemostasia da lesão. Resposta a. 155. Timomas representam a segunda neoplasia em frequên- cia no mediastino, com cerca de 20% do total destas lesões, sendo a primeira lesão em incidência no mediastino anteros- superior. Seu pico de incidência está entre a terceira e a quinta década. São usualmente sintomáticos e os sintomas se devem ao efeito de massa sobre estruturas mediastinais causando tos- se, dispneia, dor torácica, hemoptise e síndrome da veia cava superior. Também se associam a várias síndromes sistêmicas imunológicas. A mais frequente é a Miastenia gravis (MG), seguida por anemia aplásica e Lúpus Eritematoso Sistêmico. Outras doenças menos comuns são a Síndrome de Cushing, a Síndrome de Good (hipogamaglobulinemia e timoma), hi- pergamaglobulinemia, dermatomiosite, artrite reumatoide, megaesôfago, miocardite granulomatosa, leucemia linfoblás- tica aguda de células T, hiperparatireoidismo ectópico puro, encefalite límbica, linfomas e distúrbio da coagulação. A maioria dos pacientes com MG não têm timoma. A in- cidência varia entre 10 e 42% e os homens têm o dobro de posibilidade da mulher de ter timoma. Por esta associação, aos pacientes com MG é recomendada TC ou RNM de me- diastino para determinar a presença de timoma. Resposta c. 156. A neoplasia tida como a mais frequente do mediastino é o tumor neurogênico. Dentre os que se localizam no medias- tino anterior os timomas são tidos como os mais incidentes (30%), seguidos pelos teratomas, tumores da tireoide, linfo- mas e tumores mesênquimais. Existem numerosasclassifi cações para as lesões de medias- tino; a primeira e mais importante é diferenciar os tumores primários, derivados de estruturas anatômicas situadas no próprio mediastino, dos secundários, por extensão metastá- tica de neoplasias de outros lugares. Uma das classifi cações mais aceitas das lesões primárias e ainda vigente é a classifi - cação de Voriety e Coury (1958). Subdivisão do mediastino e diagnóstico diferencial das lesões ocupantes Anterossuperior Adultos – 55% Criancas – 26% Médio Adultos – 20% Crianças – 11% Posterior Adultos – 25% Crianças – 63% Anomalias congênitas e vasculares Tireoide ectópica, cisto pericárdi- co, aneurisma, ectasia de subclávia Conduto torácico, cisto brocogênico e pericárdico Tireoide ectópica, menigocele, conduto torácico Infl amação e infecção Linfadenopatia benigna Linfadenopatia de sarcoidose e in- fecção por HIV Abscesso paravertebral Tumores benignos Adenoma de paratireoide, lipoma, hemangioma, condroma, paragan- glioma do corpo carotídeo, mixo- ma Angioma, lipoma Paraganglioma, tumores neurogê- nicos, mixoma, condroma, lipoma Tumores malignos Timoma (30%), linfoma (20%), tumores germinativos (18%), car- cinoma de tireoide, carcinoma broncogênico, metástase, rabdo- miossarcoma, carcinoide tímico Linfoma (21%), carcinoma bronco- gênico, câncer de traqueia, tumores neurogênicos derivados do nervo vago ou frênico Tumores neurogênicos (53%), lin- fomas, feocromocitomas, câncer de pulmão, câncer de esôfago Resposta e. 157. O pneumotórax espontâneo primário é mais comum em adultos jovens, com a maioria dos pacientes estando com idade entre 20 a 30 anos e 85% dos casos com idade abaixo de 40 anos. Um pneumotórax pequeno e estável, menor do que 20%, em um paciente assintomático, pode ser mantido em observação. Alguns autores mantém o paciente em regime ambulatorial, com controle clínico constante e radiográfi co a cada 24 horas, indicada para comprovar que o pneumotórax não aumenta. Os pa- cientes são orientados para diminuir suas atividades e permanecer nas proximidades da instituição médica. A absorção do ar (nitrogênio) é lenta, e apenas cerca de 1,5% do ar intrapleural é absorvido diariamente na cavidade pleural. Como resultado, pode levar semanas até o pulmão reexpandir completamente. Durante essa observação, o retardo na expansão pulmonar, o aumento do pneumotórax e o aparecimento de sintomas são indicações de drenagem pleural. O pneumotórax pode geralmente ser visibilizado em uma radiografi a simples de tórax, realizada em inspiração profunda. Quan- do as manifestações clínicas sugerem fortemente um pneumotórax e não existem anormalidades ao exame radiológico feito da forma convencional, deve-se repetir o exame em expiração. Na expiração o tamanho do pneumotórax parece aumentar na 213 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da radiografi a porque o volume pulmonar fi ca diminuído duran- te a expiração máxima forçada. A expiração também diminui a densidade radiológica do pulmão, aumentando, portanto o contraste entre o pulmão e o ar no espaço pleural. Resposta b. 158. É bem verdade que a grande maioria da lesões torácicas traumáticas (80 a 85%) são tratadas apenas com drenagem do espaço pleural. Em poucas circunstâncias ocorre de haver indicação para a realização de uma toracotomia de urgência. As indicações clássicas incluem: presença de hemotórax ma- ciço (mais de 1500 mL de sangue à drenagem, sangramento de 200 a 300 mL/hora mantida por 3 horas seguidas); lesão de traqueia, brônquio ou esôfago; lesão de grandes vasos; to- racotomia traumática e tamponamento cardíaco. Resposta a. 159. Pode-se encontrar nódulos pulmonares solitários even- tuais em cerca de 0,2% das radiografi as de tórax solicitadas para diversos fi ns. Cerca de 30% destas lesões são malignas. Na maioria dos casos, trata-se de lesões benignas que po- dem corresponder em sua maioria a adenomas brônquicos e hamartomas. Outras lesões menos comuns como condro- mas, fi bromas, lipomas, leiomiomas, hemangiomas, terato- mas, pseudolinfomas e endometriomas também podem se apresentar como lesões pulmonares únicas. Os hamartomas correspondem ao tipo mais frequente de lesão pulmonar be- nigna, ocorrendo principalmente em adultos. As lesões em geral estão localizadas na periferia do órgão e possuem uma consistência fi rme. Resposta d. 160. A pneumonia aspirativa se associa às condições clínicas predisponentes, como pacientes com sequelas neurológicas, distúrbios mentais e psicomotores, e manifesta-se radiologi- camente atendendo a uma distribuição gravitacional. Predo- mina no pulmão direito envolvendo, sobretudo, o segmento posterior do lobo superior, apical e basal posterior, além dos subsegmentos axilares. Os patógenos anaeróbios são a etio- logia usual. Considerando-se a participação de germes que produzem necrose, é comum a presença de cavitação. Na suspeita de pneumonia aspirativa, cobertura para anaeróbios faz-se necessária e a utilização de amoxicilina-clavulanato, com ou sem um macrolídeo, deve ser considerada. Uma alternativa seria a utilização de uma quinolona associada à clindamicina ou metronidazol. Para pacientes com pneumo- nias adquiridas e tratadas em clínicas de repouso ou asilos, uma quinolona respiratória (isoladamente) ou amoxicilina- -clavulanato + macrolídeo ou, ainda, uma cefalosporina de 2ª geração + macrolídeo, são alternativas. A melhor cobertura disponível na questão é a opção B. O bacilo da tuberculose é um BAAR (bacilo ácido-álcool re- sistente), corado por Ziehl Neelser e que quase não se cora pelo Gram, portanto a possibilidade de se tratar de uma tu- berculose é baixa. Resposta b. 161. Adenoma brônquico corresponde a cerca de metade dos casos de lesões benignas pulmonares. O uso deste termo vem sendo desencorajado, pois uma série de lesões como tumores carcinoides, carcinomas adenocísticos e carcinomas mucoe- pidermoides são diagnosticados sob a alcunha deste termo. Cerca de 25 a 39% dos pacientes com carcinoide pulmonar são assintomáticos. A grande maioria dos pacientes sintomáticos envolvem a árvore traqueobrônquica. Os carcinoides que se desenvol- vem dentro de grandes vias aéreas crescem lentamente e se tornam volumosos. Devido a sua localização e tamanho, es- tes carcinoides centrais podem causar obstrução bronquial. Todas as sequelas resultantes dessa obstrução podem advir, incluindo atelectasia persistente, pneumonia recorrente, abs- cesso pulmonar e bronquiectasia. Carcinoides são tumores caracteristicamente vascularizados e costumam sangrar se- cundariamente à irritação bronquial. A irritação bronquial persistente leva à tosse irritativa. Apesar da maioria desses tumores ser séssil na região intra- bronquial, alguns podem se apresentar com aspecto polipoi- de, que se crescerem muito, podem causar um mecanismo de válvula dentro do brônquio, levando a uma hiperinsufl ação pulmonar distal ao tumor. Carcinoides periféricos pulmonares mais comumente são as- sintomáticas e são descobertos incidentalmente. Devem ser considerados como diagnóstico diferencial na avaliação de lesões pulmonares solitárias. Os carcinoides brônquicos podem ser visualizados como nó- dulos na radiografi a de tórax. Resposta a. 162. A embolia pulmonar ocorre como consequência de um trombo, formado no sistema venoso profundo, que se des- prende levando à obstrução da artéria pulmonar ou de um de seus ramos, daí o termo adotado por muitos grupos de doença venosa tromboembólica. Sua incidência na popula- ção geral é estimada em 5/10.000 pacientes, com mortalidade quatro vezes maior quando o tratamento não é instituído. A incidência de TVP está aumentada nos pacientes submetidos à cirurgia abdominal ou pélvica, ocorrendo em 25% dos pa- cientes sem profi laxia anticoagulante. Na presença de doença maligna associada, a incidência de TVP é de, aproximada- mente, 30%, e uma das principais causas de óbito em cirurgia de neoplasiaa conduta terapêutica mais apropriada são, respectivamente: a) lesão da croça da aorta; esternotomia mediana e su- tura de patch de pericárdio bovino no sítio lesado b) lesão da artéria carótida direita pelo balonete da cânula de traqueostomia; prótese endovascular na carótida c) fístula tráqueoinominada; secção e ligadura da arté- ria inominada d) lesão da artéria tireoideana inferior; cervicotomia exploradora e ligadura dessa artéria e) ulceração de parênquima tireoideano; hiperinsufl a- ção do balonete da cânula de traqueostomia ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 Cirurgia – 2012 41. Homem de 28 anos, piloto comercial de aeronaves, apresenta dor em peso em hemitórax direito, sem disp- neia. A tomografi a computadorizada do tórax revela 161 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da pneumotórax moderado e bolhas (blebs) subpleurais do ápice pulmonar. O paciente informa que seu hobby é o mergulho livre, utilizando-se de cilindros de gás comprimido. Não há relato de episódios semelhantes anteriormente. A melhor conduta para o caso será: a) tratamento conservador, com observação, dado que não há dispneia b) ressecção de segmento pulmonar apical direito as- sistida por vídeo c) pleurodese toracoscópica com talco d) ressecção vídeoassistida dos blebs pulmonares e pleurodese por pleuroabrasão e pleurectomia apical d) drenagem torácica com tubo e selo subaquático, por se tratar de primeiro episódio ACERTEI ERREI DÚVIDA UEL-PR – R3 Cirurgia – 2012 42. Quanto ao abscesso de pulmão, assinale a alternativa correta. a) o abscesso de pulmão primário é defi nido como uma doença infecciosa pulmonar supurativa, com cavidade maior que 10 cm, com nível líquido con- tendo pus ou sangue no seu interior b) o abscesso primário de pulmão tem como etiologia principalmente infarto abscedido, tuberculose pul- monar, necrose tumoral c) os sintomas mais comuns no abscesso de pulmão são febre, calafrios, tosse e dor torácica na fase ini- cial. Numa segunda fase, como sintoma típico, surge a vômica, que é a eliminação de grande quantidade de material purulento, geralmente de odor pútrido d) com o quadro clínico clássico de abscesso, a resso- nância nuclear magnética é indispensável para diag- nóstico e para programação terapêutica e) logo após avaliação clínica e confi rmação diagnós- tica, inicia-se o tratamento específi co para Gram- -positivo ACERTEI ERREI DÚVIDA UEL-PR – R3 Cirurgia – 2012 43. Quanto ao câncer de pulmão, é correto afi rmar: a) seu estadiamento objetiva: auxiliar no planejamento terapêutico, fornecer dados sobre o prognóstico, ava- liar resultados do tratamento, facilitar as trocas de in- formações entre os centros de tratamento, contribuir para a investigação continuada das neoplasias b) com as campanhas antitabágicas, a principal causa do câncer de pulmão, nos últimos 5 anos, são os produ- tos artifi ciais presentes nos alimentos e agrotóxicos c) entre os sintomas do câncer de pulmão, a tosse é o principal, seguida pela hemoptise causada por me- tástases pulmonares d) na investigação das metástases pulmonares, as me- tástases extratorácicas mais frequentes são localiza- das no sistema nervoso central, ossos, fígado e baço, nessa ordem e) no carcinoma pulmonar não pequenas células (cân- cer de pulmão) no estádio IV, em nenhuma situação existem benefícios no tratamento cirúrgico ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF-RJ – R3 Cirurgia – 2012 44. Assinale, dentre as alternativas seguintes, a causa de derrame pleural exsudativo. a) síndrome de Meigs b) insufi ciência cardíaca congestiva c) síndrome nefrótica d) síndrome de Dressler e) hipoalbuminemia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG-GO – R3 Cirurgia – 2012 45. O estudo da tomografi a computadorizada do tórax de um paciente do sexo masculino, de 22 anos de idade, evidencia a presença de volumosa massa no medias- tino anterior associada à alfafetoproteína e a -hCG bastante elevados no sangue. Nesse caso, qual é a hi- pótese diagnóstica inicial? a) tumor seminomatoso do mediastino b) tumor não seminomatoso do mediastino c) carcinoma tímico d) PNET (tumor neuroectodérmico primário) ACERTEI ERREI DÚVIDA UFG-GO – R3 Cirurgia – 2012 46. Um paciente de 65 anos de idade, é tabagista, têm peso elevado e apresenta quadro de tosse e hemoptise. Foi submetido a radiografi a, TC e PET-CT do tórax, que mostram massa de 3,8 cm no lobo superior do pulmão direito e nódulo satélite no mesmo lobo (ambos adeno- carcinomas), ausência de adenomegalias mediastinais e supraclaviculares e sem lesões a distância. Consideran- do o exposto, em que estágio se encontra esta neoplasia? a) T1N0M0 – IA b) T2N0M0 – IB c) T3N0M0 – IIB d) T3N0M1 – IV ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – R3 Cirurgia – 2012 47. Homem, 65 anos, assintomático, tem diagnóstico de neoplasia de pulmão, não de pequenas células, em lobo superior direito. Estadiamento de abdome e sistema nervoso central é negativo para metástases. Tomografi a de tórax: nódulo paratraqueal esquerdo, medindo 1,7 cm. A CONDUTA É: a) lobectomia e esvaziamento mediastinal b) mediastinoscopia para estadiamento c) quimioterapia e cirurgia de resgate d) esvaziamento mediastinal e radioterapia ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – R3 Cirurgia – 2012 48. O tratamento de escolha no paciente com estenose traqueal pós-intubação é: a) dilatação de repetição b) traqueostomia abaixo da estenose c) ressecção da estenose d) prótese endotraqueal ACERTEI ERREI DÚVIDA162 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da UNICAMP – R3 Cirurgia – 2012 49. Na pneumectomia, a drenagem pleural não é habitu- almente usada porque aumenta o risco de: a) sangramento b) desvio de mediastino c) pneumotórax d) infecção por anaeróbios ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – R3 Cirurgia – 2012 50. Homem de 46 anos de idade, tabagista, trabalhador rural e etilista crônico deu entrada no hospital de re- ferência com história de febre e tosse com expectora- ção amarelada há cerca de 10 dias. No início do qua- dro procurou uma Unidade Básica de Saúde em sua cidade e recebeu prescrição de cefalexina para tratar pneumonia. Refere que a despeito do uso da medica- ção, continua febril, com tosse e expectoração amare- lada, dispnéia progressiva aos esforços e desconforto torácico à direita. Diante deste quadro e da radiogra- fi a abaixo, qual a melhor conduta: a) drenagem pleural fechada com aspiração contínua com frasco redutor b) drenagem pleural fechada após debridamento cirúr- gico da cavidade pleural c) drenagem pleural fechada e infusão diária de fi bri- nolítico pelo dreno pleural por 72h d) drenagem pleural fechada com sistema de irrigação pleural contínua utilizando solução salina 0,9% ACERTEI ERREI DÚVIDA HUEC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 51. Com relação ao enfi sema lobar congênito é CORRE- TO afi rmar: a) o lobo superior direito é o mais frequentemente afeta- do, seguido pelo lobo médio e lobo superior esquerdo b) a circulação pulmonar sofre efeito compressivo pela hiperinsufl ação do lobo afetado, de forma que o seu suprimento é fornecido por vasos colaterais que se originam diretamente da circulação sistêmica c) embora não totalmente esclarecido, o mecanismo fi - siopatológico mais provável envolve exclusivamente alterações da elasticidade alveolar, visto que anorma- lidades dos brônquios raramente foram encontradas d) as radiografi as do tórax mostram de forma caracte- rística um campo pulmonar hiperlucente e hiperin- sufl ado do lado afetado, sendo importante o diag- nóstico diferencial com pneumotórax hipertensivo, aspiração de corpo estranho, hérnia diafragmática e cistos pulmonares congênitos e) a drenagem de tórax com aspiração contínua é de- nominada curativa ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 52. São indicações da cirurgia para o enfi sema bolhoso:ginecológica. Os achados clínicos podem ser divididos de acordo com a extensão da embolia: Achados clínicos nas embolias pequenas (submaciças): dor torácica, dor pleurítica, dispneia, taquipneia, tosse, hemopti- se/hemoptoicos, taquicardia, febre, cianose. Achados clínicos nas embolias grandes (maciças): síncope, hipotensão arterial/choque, taquicardia, dispneia, cianose. Na radiografi a do tórax as principais alterações correlacio- nadas com a embolia são: áreas de hipoperfusão pulmonar (sinal de Westmark), imagens cuneiformes (sinal de Hamp- ton), dilatação da artéria pulmonar (sinal de Palla), atelecta- sia, derrame pleural e elevação da hemicúpula diafragmáti- ca. Entre as alterações descritas, a identifi cação de áreas de hipoperfusão é a mais específi ca. A radiografi a de tórax é fundamental no subgrupo de pacientes a serem submetidos à cintilografi a pulmonar de ventilação e perfusão, ajudando a defi nir a probabilidade diagnóstica. Resposta b. 163. O tórax instável ou fl utuante ocorre por defi nição quan- do um segmento da parede torácica não tem mais conti- nuidade óssea com o resto da caixa (no mínimo 2 costelas subjacentes estão fraturadas e em pelo menos 2 pontos) e há separações condocondrais e fraturas esternais, ou uma 214 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da combinação dessas lesões. Isto leva à instabilidade de pare- de torácica, acarretando movimento paradoxal do segmento comprometido durante a respiração. O movimento parado- xal, somado à limitação funcional causada pela dor e pela le- são pulmonar subjacente, produz quadro clínico de hipóxia grave e progressiva. Resposta d. 164. A angiografi a pulmonar é considerada o método pa- drão para o diagnóstico da EP com a visualização da circu- lação pulmonar, após a injeção de contraste iodado. O uso de cateteres mais fi nos e fl exíveis e a melhor defi nição da imagem com a incorporação da técnica de subtração digital têm melhorado a acurácia do método. As principais com- plicações do método são a anafi laxia e a nefrotoxicidade in- duzida pelo contraste, que pode ser minimizada com uma adequada hidratação venosa. A apresentação clínica da EP é geralmente inespecífi ca, difi - cultando o diagnóstico. Os sinais e sintomas dependem, fun- damentalmente, da localização e tamanho do trombo e do estado cardiorrespiratório prévio do paciente. A EP pode ser classifi cada em três síndromes clínicas: colapso circulatório, dispneia não explicada e dor torácica do tipo pleurítica. Estas formas de apresentação clínica estão correlacionadas com os respectivos modelos fi siopatológicos: embolia maciça, em- bolia submaciça e infarto pulmonar. Nos pacientes estáveis clinicamente, a dispneia e a dor torácica são os sintomas mais frequentes, estando a dispneia presente em 73%, e a dor torá- cica tipo pleurítica, em 66% dos pacientes. A embolectomia está indicada na EP maciça, com contrain- dicações para o uso de trombolítico ou, mais raramente, para aqueles que não responderam à trombólise e permanecem instáveis a despeito do tratamento intensivo. O melhor re- sultado cirúrgico é reservado para os casos de obstrução subtotal do tronco da artéria pulmonar ou dos seus ramos principais. A mortalidade dos pacientes submetidos à embo- lectomia é elevada, principalmente pela gravidade daqueles que realizam tal procedimento. Os fi ltros de veia cava estão indicados para a prevenção da EP em pacientes com contraindicação à anticoagulação e naqueles que apresentam recorrência do tromboembolismo venoso, a despeito do tratamento anticoagulante. Em pacientes com grave disfunção cardíaca ou pulmonar - situações de alto risco de tromboembolismo - o fi ltro de veia cava é sugerido por alguns autores, bem como naqueles submetidos à embolectomia. Não há nível de evidência que suporte o uso de fi ltros de veia cava para pacientes a serem submetidos a cirurgias para obesidade mórbida. Resposta b. 165. Vamos recordar um pouco da anatomia: o mediastino anterior contém o timo, os gânglios linfáticos, a aorta ascen- dente e transversa, os grandes vasos e tecido areolar. O me- diastino médio contém o coração, o pericárdio, a traqueia, os hilos pulmonares, os nervos frênicos, os gânglios linfáticos e o tecido areolar. O mediastino posterior contém as cadeias simpáticas, os nervos vagos, o esôfago, o dueto torácico, os gânglios linfáticos e a aorta ascendente. De acordo com a localização das massas mediastinais, pode- mos inferir que tipo de tumor está acometendo determinado compartimento. O quadro abaixo resume as lesões relaciona- das aos compartimentos mediastinais. Resposta c. Distribuição dos tumores e outras massas tumorais do mediastino Todas as partes do mediastino Mediastino anterior Lesões ganglionares Teratoma Cistos broncogênicos Linfangioma Angiomas Mediastino médio Cistos pericárdicos Teratoma Timoma Lesões esofágicas Adenona paratireoide Mediastino posterior Aneurismas Tumores neurogênicos Lipoma Feocromocitoma Mixoma Aneurismas Bócio Cistos enterógenos Lesões espinhais Hérnia hiatal 166. A doença de Graves, ou bócio difuso tóxico, tem origem desconhecida, mas sendo imputada uma causa autoimune, já que estão presentes anticorpos contra antígenos da tireoide. Os fatores ativadores podem ser: o consumo excessivo de iodo, o uso de hormônio tireiodiano e os distúrbios emocionais. Seu tratamento inicial é feito com drogas antitireoidianas, como o propiltiouracil e o metimazol, associados a bloque- adores beta-adrenérgicos, bem como com o uso de iodo ra- dioativo, que tratam mais de 50% dos casos. Quando há intolerância ou difi culdade de se adaptar às dro- gas, ou uma contraindicação absoluta ao uso do iodo radioa- tivo (grávidas e neonatos), indica-se o tratamento cirúrgico, que consiste de uma tireoidectomia subtotal, onde se deixa pequena quantidade de tecido tireoidiano. É comum, especialmente em tireoidectomias totais, a lesão das glândulas paratireoides, mais comumente por isquemia das glândulas, muitas vezes transitória. Com a lesão, os pacientes vão apresentar hipoparatireoidismo, com diminuição do cálcio, já nas primeiras 24 horas de pós- -operatório, com maior queda entre 48 e 72 horas após a ci- rurgia. Assim, os doentes apresentam quadro de hipocalcemia, que se caracteriza inicialmente por dormência e formigamento peribucal, em dedos dos pés e mãos, parestesias e abalos mus- culares, depressão e ansiedade, podendo ter tetania e convul- sões. Podem apresentar o sinal de Chvostek, que é a contração facial pela percussão do nervo facial à frente do ouvido, ou o sinal de Trousseau, que é a oclusão do fl uxo sanguíneo do an- tebraço por três minutos, quando o paciente passa a apresentar espasmos involuntários. O tratamento é feito pela infusão en- dovenosa de gluconato de cálcio ou cloreto de cálcio, seguidos pela administração oral de cálcio e vitamina D. Resposta a. 167. As complicações febris pós-operatórias costumam ocor- rer nos primeiros dois dias por causa de atelectasia, sendo incomuns após o terceiro dia. Em torno do terceiro dia podemos já começar a notar o compro- metimento de ferida operatória, com febre em média até 39ºC, hiperemia da ferida e desconforto ou dor no local da incisão. A partir do quinto dia, não é comum a febre sem um quadro infeccioso associado com febres mais altas, e maior compro- metimento do pacientes começamos a pensar em abscessos intracavitários. Resposta a. 215 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 168. A presença de lesões numulares – em moeda – únicas e periféricas deve ser sempre pesquisada, especialmente se está se apresentando em pacientes tabagistas e homens com mais de 40 anos, dados que aumentam a possibilidade de se tratar de um tumor. Forte indício de lesão maligna também é o fato de a lesão ter aparecido no último ano. A realização de biópsia percutânea não mudaria a conduta, já que, se fosse negativa,a ressecção ainda estaria indicada, para melhor estudo da lesão. O lavado, já que se trata de lesão periférica, teria resultado positivo em apenas 51% dos casos. A cintilografi a de nada acrescentaria e a TC estaria indicada não para seguimento, mas para estadiamento. Resposta c. 169. O mediastino posterior é sede frequente de tumores neu- rogênicos, que são os tumores mais comuns do mediastino. As crianças costumam apresentar uma série desses tumores, sendo o neuroblastoma o tumor mais comum na infância, e se apresentando em 20% dois casos no mediastino posterior. Em 90% dos casos, o diagnóstico é feito até os 5 anos. Resposta c. 170. Os traumas torácicos são lesões graves, potencialmente mortais se não atendidas adequadamente. Muitos dos pa- cientes que chegam com traumas graves necessitam de intu- bação traqueal para assistência ventilatória adequada. A presença de alta pressão de insufl ação sugere resistência ventilatória, e a presença de choque, comprometimento he- modinâmico. Após a intubação, com presença de enfi sema subcutâneo e saída de material serossanguinolento pelo tubo, indicam pos- sível lesão brônquica, onde a realização de drenagem torácica é obrigatória. Resposta c. 171. Os empiemas pleurais e os pio-pneumotórax são com- plicações comuns de processos pneumônicos em crianças, necessitando tratamento com drenagem pleural fechada. Há alguns critérios que devem ser levados em conta para a retirada do dreno, sem que se cause recidiva do derrame. O borbulhamento não é critério, já que pode haver drenagem de pus sem borbulhamento. As radiografi as podem ser usadas como critério para se ob- servar a total expansão pulmonar, mas o espessamento pleu- ral não é indicativo de retirada ou permanência do dreno. O tempo de permanência é dependente do funcionamento do dreno, e o pinçamento pode ser realizado, mas também não se trata de um critério para a retirada. Quando o dreno parar de funcionar (ausência de oscilação) e não houver mais saída de secreção purulenta, está indicada sua retirada. Resposta d. 172. O pneumotórax hipertensivo é quadro de emergência médica, necessitando diagnóstico rápido e clínico, não se po- dendo perder tempo com exames auxiliares como raios X, pois o paciente pode morrer nesse período. Os pneumotórax abertos são caracterizados quando a lesão na parede torácica tem tamanho correspondente a pelo me- nos 2/3 do diâmetro da traqueia, levando ao mecanismo de válvula, e precisando correção para tratamento adequado. No tamponamento cardíaco, a retirada de 20 a 40 mL de sangue por punção subxifoide (Marfan) geralmente causa alívio hemo- dinâmico ao paciente, até a realização de uma janela pericárdica. Nos quadros em que se suspeita de rotura aórtica, o exame de indicação é a aortografi a, já que o raio X nem sempre mostra o alargamento de mediastino. As hérnias diafragmáticas são mais frequentes à esquerda pela presença do fígado, que diminui as lesões à direita. Resposta a. 173. O tratamento de pneumotórax pequeno, de cerca de 20% ou moderado, em torno de 30%, podem ser feito inicial- mente com abordagem clínica; a punção torácica não deve ser realizada, já que é insatisfatória na maioria dos casos, es- pecialmente se o paciente tiver doença pulmonar prévia. A colocação de um dreno pode ser uma possibilidade se não houver resposta inicial ao quadro, mas não há indicação de pleurodese com talco. A nebulização com broncodilatadores e o uso de corticoides não apresentam melhora no quadro, sendo a melhor aborda- gem o uso de uma mascar de oxigênio a 100% e reavaliação em 12 horas, pois a maioria destes casos se resolve com essas medidas. Resposta c. 174. A presença de pneumotórax em casos de trauma deve ser drenado após o diagnóstico clínico. A presença de borbu- lhamento contínuo sugere uma fístula ou lesão de brônquio. É interessante notar que o paciente não melhorou hemodina- micamente após a drenagem e ressuscitação volêmica, bem como permanecem os sinais clínicos e radiológicos de pneu- motórax. Deve-se pensar fortemente em lesões traqueobrôn- quicas, quando um pulmão não reexpande após a drenagem, e não se consegue uma ventilação adequada do paciente. Quadros de lesão brônquica ou traqueal cursam com a presença de pneumotórax, enfi sema subcutâneo, pneumomediastino e hemoptise. Ruptura diafragmática possui outros sinais e o tó- rax instável ocorre quando um segmento da parede torácica não tem mais continuidade óssea com o resto da cavidade torácica. Ruptura de mediastino cursaria com pneumomediastino e me- diastinite grave. A rolha de secreção no brônquio provavelmente não levaria a colabamento total do brônquio, além de não ser quadro comum em lesões agudas traumáticas. Resposta b. 175. Os empiemas pleurais podem ser classifi cados de acor- do com a sua fase evolutiva em: Fase exsudativa ou aguda: presença de líquido estéril, exsu- dato, com glicose normal, LDH 1000, glicose 20.000 mm³ e proteínas > 4,5 mg/dL.216 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da A drenagem fechada dos empiemas está indicada quando há aspecto francamente purulento, aspecto não purulento, mas com bacterioscopia positiva, pH 1000 UI/L. O pHapós o pro- cedimento é obrigatória. Observação clínica não tem indicação, já que o paciente se mantém febril e nova drenagem não resolverá o quadro, já que o mesmo está septado. Drenagem pleural aberta também não é indicada no mo- mento, já que se pode resolver o quadro de outra forma. A toracotomia com decorticação só está indicada se o paciente estiver em fase crônica do empiema, que não permite mais a expansão pulmonar após pleuroscopia terapêutica. Resposta d. 178. Descrito inicialmente por Virchow e relacionado a tu- mores gástricos, este linfonodo se localiza onde o ducto to- rácico desemboca na proximidade da união da veia jugular com a veia subclávia. Quando os tumores digestivos se encontram avançados, a presença de gânglio na região supraclavicular esquerda é sinal da doença e deve ser pesquisado. Diante deste achado pensar principalmente em, câncer gástrico, adenocarcinoma da junção esofagogástrica e pâncreas. Resposta b. 179. Jovem, previamente hígido, com quadro de pneumo- nia adqurida na comunidade, com exame radiológico com padrão de pneumonia lobar, tem como principal etiologia pneumonia pneumocócica. As principais causas de pneumonia comunitária são: Streptococcus pneumoniae: 35% Haemophilus infl uenzae; 10% Mycoplasma pneumoniae: 2 a 15% Infl uenza A: 2 a 10% Chlamydia pneumoniae: 2 a 10% Legionella sp: 30/minuto + 20 PA sistólica 40°C + 15 Pulso > 125/minuto + 10 Laboratório e radiografi a pH 30 mg/dL + 20 Sódio 250 mg/dL + 10 Hematócrito 130 Internação ou UTI Ceft riaxona + macrolídeo Quinolona respiratória Alternativa: quinolona respiratória## * Existem algumas exceções que podem tornar essas recomendações inválidas; ** A depender da evolução clínica e da com- pensação das comorbidades (se presentes); *** Doentes alérgicos ou intolerantes aos antibióticos de 1ª escolha; # Quinolona respiratória: gemifl oxacino ou moxifl oxacino; ## Segundo os Britânicos (2004), em doentes PORT V, caso seja necessário usar uma quinolona, esta deve ser associada à penicilina. 181. A resolução radiológica pode levar até 13 semanas, mas em geral a maioria dos casos não complicados apresenta resolu- ção em seis a oito semanas. Resposta d. 182. A esternotomia mediana é a incisão de escolha para a maioria das operações cardíacas. O esterno é totalmente seccionado no sentido horizontal, descobrindo o mediastino anterior de alto a baixo. Aberto o pericárdio, temos ótima exposição de ventrículo direito, artéria pulmonar, orifício aórtico e aorta descendente, bem como sufi ciente do átrio direito e das veias cavas. As cavidades esquerdas são menos acessíveis. Após a abertura da loja tímica expõe-se a aorta ascendente e o tronco venoso inominado esquerdo. A presença de aderências do ventrículo direito pós-cirurgias prévias pode levar à sua lesão, sendo esta a lesão mais frequente nestas reoperações. Uma aorta aneurismática, o átrio direito ou a veia inominada podem eventualmente ser lesadas também, com hemorragias catastrófi cas ocorrendo em 2 a 6% dos casos de reentradas, com mortalidade global de 37% dos casos. Resposta c. 183. O abscesso pulmonar é uma infl amação purulenta circunscrita no pulmão, caracterizada por cavidade ocupada por pus e delimitada pelo parênquima pulmonar infl amado (excluem-se lesões escavadas provocadas por necrose, tuberculose, mico- ses, tumores e etc.) As causas são: evolução da pneumonia lobar ou broncopneumonia, aspiração de material séptico da boca ou das vias aéreas superiores, septicemia, penetração de material contaminado através de fístulas esofagotaqueobrônquicas, obstrução brôn- quica por câncer, corpos estranhos, infecção secundária em infartos ou embolia séptica, traumatismo torácico, extensão de processo infeccioso infradiafragmático. O tratamento dos abscessos pulmonares inclui o uso de antibióticos sistêmicos de largo espectro, fi sioterapia e drenagem postural. A broncoscopia pode ser realizada para diagnóstico, para se descartar um corpo estranho, uma estenose ou um câncer. Ela tam- bém pode ser usada para o tratamento, auxiliando a drenagem da cavidade, diretamente, ou por meio do cateterismo transbrô- nquico da cavidade. A maioria dos pacientes (85-95%) responde ao tratamento clínico com redução rápida no líquido, colapso das paredes e completa cicatrização em 3 a 4 meses. Os pacientes com sintomas de longa duração, com mais de 3 meses antes do tratamento ou cavidades maiores do que 4 a 6 cm apresentam menor probabilidade de resposta. A terapia cirúrgica é indicada para a cavitação persistente (> 2 cm e de paredes espessas) após 8 semanas de terapia clínica, incapacidade de se eliminar a sepse, hemoptise (frequentemente pequena hemorragia sentinela antes de uma hemorragia maciça) e para excluir o câncer. Se um abscesso pulmonar se romper para dentro da cavidade pleural, uma simples drenagem é sufi ciente, com o paciente sendo tratado como empiema ou fístula broncopleural. A lobectomia é em geral necessária; a taxa de mortalidade é de 1 a 5%. Às vezes, pode ser necessária uma drenagem externa em pacientes criticamente enfermos se ocorreu uma sínfi se pleural. Resposta c. 218 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da 184. Os casos de pneumotórax espontâneo são mais frequentes em pacientes jovens, sem doença pulmonar conhecida previa- mente, com 85% dos casos ocorrendo antes dos 40 anos. A grande maioria dos casos é devida à ruptura de bolhas frequentemente localizadas em ápices pulmonares. O quadro costuma se apresentar com dor torácica aguda e falta de ar, com o exame físico mostrando hipertimpanismo, ausên- cia de frêmito toracovocal e murmúrio vesicular diminuído ou ausente. Os pneumotórax podem ser classifi cados de acordo com o seu tamanho em: pequenos, quando sua área for menor do que 20%; em moderados, entre 20 e 40%; ou volumosos, com mais de 40%. Apenas os menores do que 20% apresentam boa resposta à conduta expectante, pois são reabsorvidos. A toracocentese esvaziadora não parece boa, pois sua efi cácia está em torno de 30 a 60%. A ressecção das bolhas só está indicadaapós o segundo episódio. Os casos de pneumotórax espontâneo são a única exceção ao uso de drenos calibrosos, pois pode-se usar drenos fi nos ou mesmo sondas de Foley, com boa resposta, ao contrário de derrames ou empiemas, em que deve-se usar drenos entre 34 a 38 Fr. Resposta a. 219 Residência Médica 2014 G ab ar ito C om en ta do t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en daa) bolha isolada ocupando 30% ou mais de um hemitórax b) evidencia de pulmão não ventilado, não enfi semato- so comprimido pela bolha c) pneumotórax d) crescimento progressivo da bolha através dos anos e) todas as alternativas anteriores estão corretas ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 53. Em relação ao estadiamento mediastinal, é CORRE- TO afi rmar: a) a mediastinoscopia é segura, efetiva e é o método que tem maior acurácia no estadiamento mediastinal b) a maioria indica a mediastinoscopia nos nódulos acima de 10 mm evidenciados na tomografi a axial computadorizada c) os linfonodos das cadeias 5 e 6 devem ser acessados por videotoracoscopia d) os linfonodos da cadeia 8 e 9 não são acessados pela mediastinoscopia cervical e) todas as alternativas acima estão corretas ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 54. Um paciente com 20 anos, brasileiro, residente na re- gião Sul, sem antecendentes mórbidos pessoais, apre- sentou há 30 dias, tosse seca, dispneia progressiva e temperatura de 37ºC. Ao ser admitido no hospital, estava dispneico. A radiografi a do tórax mostrava ve- lamento do hemitórax direito, com desvio do medias- tino contralateralmente. Nesse caso, qual é a conduta a ser adotada imediata- mente para este paciente? a) toracotomia de emergência b) drenagem torácica tubular c) toracocentese com retirada de material apenas para exame d) toracocentese + esvaziamento do derrame pleural + biópsia pleural com agulha de Cope e) videotoracoscopia ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 55. Um paciente masculino, 25 anos, imunocompetente, com quadro de pneumonia comunitária há 6 dias, tratado em Posto de Saúde com amoxicilina, dipirona e ambroxo, veio ao hospital com febre (38,5ºC), dor torácica e dispneia. A radiografi a do tórax em PA e perfi l esquerdo revelou hidropneumotórax em todo o hemitórax esquerdo com mediastino centrado, sendo 2/3 ocupado por líquido e o restante por ar. Assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico e a conduta a ser realizada: a) hemopneumotórax e drenagem torácica b) empiema pleural e toracocentese c) empiema pleural e decorticação pulmonar d) hidropneumotórax e biópsia pleural e) empiema pleural e drenagem torácica fechada ACERTEI ERREI DÚVIDA 163 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 56. Relacione a fase do empiema com a melhor opção de tratamento. a) estágio 1 (fase exsudativa) = decorticação precoce b) estágio 2 (fase fi brinopurulenta) = videotoracosco- pia + drenagem pleural aberta (pleurostomia) c) estagio 3 (fase organização – crônica) = drenagem torácica fechada e enzimas intrapeurais d) estagio 3 (fase organização – crônica) e grande cavi- dade pleural residual após decorticação sem sucesso e drenagem aberta = retalhos musculares e) estagio 3 (fase organização – crônica) e grande ca- vidade pleural residual e fístula broncopleural após drenagem aberta = lavagem pleural exaustiva e mé- todo de Claguett Geraci ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 57. No tratamento do derrame pleural maligno, é IN- CORRETO afi rmar que: a) o derrame pleural deve ser sintomático e os sinto- mas devem ser relacionados ao derrame pleural b) videotoracoscopia deve ser indicada em todos os pa- cientes, mesmo os com pouco tempo de expectativa de vida c) o talco é o melhor agente para a pleurodese química d) a não expansão pulmonar pós-drenagem é contrain- dicação absoluta para a pleurodese química e) a toracocentese repetida pode ser a melhor opção tera- pêutica para os pacientes com derrame pleural maligno recidivante e com expectativa de vida de até 12 meses ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – R3 CIRURGIA – 2011 58. A Síndrome do Desfi ladeiro Cérvico Torácico é se- cundária à compressão do feixe vasculonervoso do membro superior pelas estruturas osteomusculoliga- mentosas do defi ladeiro cervicotorácico. Com relação a essa sindrome, assinale a alternativa CORRETA: a) a primeira costela é parte de quase todos os meca- nismos compressivos na síndrome do desfi ladeiro torácico b) a costela cervical pode causar ou participar da Sín- drome do desfi ladeiro cérvico torácico c) existem várias bandas congênitas que podem causar a síndrome do desfi ladeiro torácico d) a compressão do plexo é a mais comum e as raizes mais atingidas são C8 e T1 e) todas as alternativas acima estão corretas ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 CIRURGIA – 2011 59. Dos achados laboratoriais comuns na análise bioquí- mica de exsudatos, é característica clássica dos derra- mes pleurais associados à artrite reumatoide: a) celularidade moderada b) glicose baixa c) DHL elevada d) proteína total elevada e) pH em torno de 8,0 ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 CIRURGIA – 2011 60. Um paciente de 45 anos, hígido, foi submetido a bron- coscopia fl exível com biópsias transbrônquicas, sob anestesia tópica, para investigação de nódulo pulmonar. Complicação NÃO relacionada a este procedimento: a) edema de re-expansão b) intoxicação por lidocaína c) hemoptise d) pneumotórax e) bacteremia ACERTEI ERREI DÚVIDA SUS-SP – R3 CIRURGIA – 2011 As questões de números 61 e 62 referem-se ao caso abaixo. Um homem de 65 anos vem ao pronto-socorro quei- xando-se de dor em hipocôndrio esquerdo há 5 dias. Diz que há cerca de 10 dias vinha tendo dor abdo- minal difusa e fraqueza. Teve febre, que não mediu. Piorou muito nos últimos dois dias. Nega ingestão de anti-infl amatórios. Nega alterações do hábito intesti- nal. Hábitos: etilismo social e tabagismo de 5 cigarros por dia. Está em regular estado geral, taquipneico, ta- quicárdico, febril (temperatura axilar: 38 °C), desidra- tado, corado, anictérico e acianótico. Pulso = FC: 110 bpm. Pressão arterial: 140 × 100 mmHg. FR: 24 ipm. Enchimento capilar > 2 segundos. Coração: bulhas rít- micas, normofonéticas, com sopro ++ em foco mitral. Pulmões: ausência de murmúrio vesicular e macicez à percussão na base esquerda, com exame normal no restante dos campos pulmonares. Abdome: sem cica- trizes, doloroso difusamente, mas principalmente em hipocôndrio esquerdo, onde há dúvida sobre sinais de irritação peritoneal. Ruídos hidroaéreos presentes. Palpação de fígado e baço prejudicada pela dor. Toque retal normal. Membros inferiores sem alterações. Está oligúrico e com urina concentrada. Exames laborato- riais: hemoglobina: 14,5 g/dL; hematócrito: 48%; leu- cócitos: 21.000/mm3, com predomínio de neutrófi los; lactato sérico: 60 mMol/L; amilase: 200 UI/L; ureia: 60 mg/dL; creatina sérica: 1,5 mg/dL; urina tipo I sem al- terações signifi cativas. A radiografi a de tórax mostra derrame pleural à esquerda; não se vê pneumoperi- tônio. A ultrassonografi a de abdome mostra coleção subfrênica esquerda e abscessos esplênicos. 61. Melhor conduta: a) tomografi a para descartar neoplasia perfurada de cólon esquerdo b) tomografi a de abdome para marcar o local para punção da coleção; antibioticoterapia ampla para tratar o abscesso de baço c) administração de fl uimucil, 600 mg por via oral, e hidratação vigorosa, para permitir fazer tomografi a de abdome com contraste, para guiar o esvaziamen- to da coleção164 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da d) laparotomia mediana imediata e) antibioticoterapia de amplo espectro e punção da coleção subfrênica, guiada por ultrassom ACERTEI ERREI DÚVIDA 62. Causa mais provável do abscesso: a) pancreatite necro-hemorrágica b) apendicite aguda c) endocardite bacteriana d) leucemia mieloide aguda e) úlcera péptica perfurada ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – R3 CIRURGIA – 2011 63. Em relação ao derrame pleural, assinale a alternativa incorreta: a) o derrame hemorrágico é invariavelmente neoplásico b) a principal causa de quilotórax espontâneo éo linfoma c) o derrame de origem pancreática é geralmente loca- lizado à esquerda d) o derrame pleural é raro no sarcoma ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – R3 CIRURGIA – 2011 64. Em relação aos timomas, assinale a alternativa correta: a) a idade média é de 35 anos b) a punção com agulha Tru-cut é útil no diagnóstico c) a presença de metástases é frequente no momento do diagnóstico d) sempre está associado com miastenia gravis ACERTEI ERREI DÚVIDA UNICAMP – R3 CIRURGIA – 2011 65. Em relação ao escape aéreo no pós-operatório de ressec- ção pulmonar parcial, assinale a alternativa incorreta: a) expansão total do pulmão remanescente minimiza a possibilidade de fístula bronquíoloalveolar b) quando a expansão é parcial, a utilização de aspira- ção contínua deve ser considerada c) quando o pulmão mantem-se expandido, preen- chendo a cavidade pleural, o risco de infecção pleu- ral fi ca muito reduzido d) independente de avaliação endoscópica, fuga aérea persistente depois de 4 a 5 dias, é mandatória a rein- tervenção ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 66. Sobre os conhecimentos do quilotórax, é INCORRE- TO afi rmar que: a) para ser caracterizado como quilotórax a dosagem de triglicerídeos no líquido pleural deve ser maior que 50 mg/dL b) sua ocorrência está associada a uma mortalidade de aproximadamente 10% c) os linfossarcomas e carcinomas metastáticos consti- tuem a maioria dos casos de causa tumoral d) é comum a ocorrência de empiema pleural associa- do ao quilotórax e) a causa mais comum é secundária a lesões denomi- nadas traumáticas ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 67. Sobre a drenagem de tórax em selo d’água, sob as- piração contínua, qual deve ser o valor máximo da pressão negativa aplicada para que não ocorram alte- rações nocivas ao paciente? a) 2 cm de H2O b) 4 cm de H2O c) 8 cm de H2O d) 10 cm de H2O e) 20 cm de H2O ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 68. Paciente advogado, sedentário, 34 anos, dá entrada no setor de emergência com diagnóstico de pneumo- tórax espontâneo por rotura de bolha subpleural. O tratamento inicial constou de drenagem torácica em selo d’água com dreno no 28. Observou-se grande borbulhamento, com alívio considerável da dispneia. No 4º PO da drenagem de tórax, o borbulhamento persiste toda vez que a paciente tosse. Diante desse quadro, a melhor conduta a ser tomada é: a) promover a pleurodese com a introdução de tetraci- clina b) introduzir outro dreno com drenagem em selo de água em separado c) iniciar esquema de drenagem com aspiração contí- nua de duas garrafas d) indicar videotoracotomia para ressecção das bolhas com abrasão pleural e) acompanhar a drenagem pelo menos até o 7º PO ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 69. São intercorrências possíveis após uma toracocentese de alívio, com retirada acima de 1.500 mL, exceto: a) tosse aguda b) edema pulmonar homolateral c) dor torácica d) síncope e) disfonia ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 70. Nos derrames pleurais está indicada a toracocentese diagnóstica. A característica do líquido que mais su- gere um derrame pleural neoplásico é ser: a) amarelo citrino b) sero-hemático 165 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da c) purulento d) quiloso e) seroso ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 71. A drenagem pleural sob selo d’água não é efetiva no tratamento de qual caso? a) pneumotórax traumático b) hemotórax traumático volumoso c) pneumotórax fechado hipertensivo d) empiema pleural fase I e) empiema pleural com encarceramento pulmonar ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 72. Paciente fumante, com dor torácica, emagrecimento e febre é atendido em serviço de pronto atendimento. Tem história de hemotransfusão após acidente au- tomobilístico há 10 anos. Raio X de tórax evidencia derrame pleural à esquerda. Toracocentese com exa- me do líquido revela adenosina deaminase= 80 UI/L, pH= 7, glicose= 30 mg%, LDH= 950 mg%. Esse caso sugere: a) hidrotórax hepático b) pancreatite aguda c) tuberculose pleural d) derrame parapneumônico e) empiema pleural bacteriano ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 73. Dos exames complementares abaixo referidos, aquele que não acrescenta informação importante no diag- nóstico da síndrome do desfi ladeiro torácico é a: a) radiografi a do tórax b) tomografi a computadorizada c) cintilografi a d) arteriografi a e) eletromiografi a ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 74. Entre as alternativas abaixo, qual corresponde ao tra- tamento mais utilizado para o tórax instável? a) tratamento expectante com analgesia b) estabilização externa com pinças de campo, fi os me- tálicos e tração c) estabilização interna por ventilação mecânica d) fi xação costal com grampos de aço e) estabilização costal com barras de titânio ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 75. A mediastinite é uma patologia grave associada com altos índices de morbidade e mortalidade. Qual das alternativas abaixo corresponde à causa mais comum de mediastinite? a) síndrome de Boerhaave b) perfuração esofágica por trauma torácico aberto c) perfuração esofágica por corpo estranho d) infecção cirúrgica pós-esternotomia mediana e) infecção cervical descendente (ex.: abscesso parafa- ríngeo) ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 76. Qual das alternativas abaixo representa localização mais comum das bronquiectasias pulmonares? a) lobo superior direito b) lobo médio c) língula d) lobo inferior esquerdo e) lobo inferior direito ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 77. Um paciente com câncer de pulmão classifi cado como T3N2M0, apresenta um estágio: a) I b) II c) IIIa d) IIIb e) IV ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 78. O tipo histológico de câncer do pulmão que mais fre- quentemente cursa com síndromes paraneoplásicas é: a) carcinoide b) mesotelioma c) adenocarcioma d) carcinoma epidermoide e) carcinoma de células oat ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 79. Síndrome de Cushing, secreção inapropriada de ADH, síndrome de Eaton Lambert, hipercalcemia e osteoartropatia hipertrófi ca são manifestações para- neopásicas. Qual das neoplasias pulmonares não está mais relacionada com essas síndromes? a) adenocarcinoma b) carcinoma de células escamosas c) carcinoma de grandes células d) carcinoma de pequenas células e) tumor carcinoide ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 80. A micose mais comumente associada à colonização de cavernas da tuberculose é a: a) aspergilose b) blastomicose c) criptococose166 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da d) actinomicose e) histoplasmose ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 81. Uma neoplasia pulmonar maligna primária de qual- quer tamanho associada à derrame pleural neoplási- co é classifi cada como: a) T3 b) T4 c) TX d) M1 e) MX ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 82. Qual das alternativas abaixo corresponde ao cisto pri- mário de mediastino mais comum? a) broncogênico b) pericárdico c) esofágico d) gastroentérico e) inespecífi co ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 83. Os tumores abaixo citados são encontrados no me- diastino posterior, EXCETO: a) teratoma b) ganglioneuroma c) quimiodectoma d) feocromocitoma e) neurilenoma ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 84. Na classifi cação TNM para neoplasia de pulmão, en- tende-se por tumor T3: a) tumor com 3,0 cm ou menos em sua maior dimensão, circundado por pulmão ou pleura visceral,e sem evi- dência de invasão proximal a um brônquio lobar b) tumor maior que 3,0 cm ou de qualquer tamanho que invada pleura visceral ou que provoque atelectasia ou pneumonia associada e com derrame pleural discreto c) tumor de qualquer tamanho com extensão direta para a parede torácica, diafragma ou pleura mediastinal d) tumor de qualquer tamanho com invasão do me- diastino, coração, grandes vasos, traqueia ou esôfago e) tumor com 3,0 cm ou menos em sua maior dimen- são, circundado por pulmão ou pleura visceral, e com derrame pleural discreto ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 85. Paciente com lesão pulmonar periférica de 3,5 cm de diâmetro, fortemente suspeita de neoplasia. Foram realizadas duas broncoscopias com biópsia transbrô- nquica sem que o diagnóstico fosse esclarecido. Qual a melhor conduta para esse caso? a) videotoracoscopia com biópsia b) biópsia transparietal guiada por tomografi a c) observação d) toracotomia exploradora e) PET – CT ACERTEI ERREI DÚVIDA PUC-PR – Cirurgia Torácica – 2010 86. A causa mais comum de empiema pleural é: a) tuberculose pleural b) insufi ciência ventricular esquerda c) pneumonia d) tromboembolia pulmonar e) neoplasia ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – R3 Cirurgia – 2010 87. Paciente de 74 anos procura pronto-socorro por qua- dro de tosse com expectoração há 1 semana, queda do estado geral e dor torácica. Realizada radiografi a que mostrou opacidade com aerobroncograma em 1/3 in- ferior de hemitórax direito e velamento do seio cos- tofrênico. Realizada punção pleural diagnóstica. A análise do líquido mostrou pH= 7,4, glicose= 92 mg/ dL, proteína= 4,0 mg/dL, DHL= 500 mg/dL. A conduta nesse momento deve ser: a) dar diuréticos e investigar causa cardiológica, pois trata-se de transudato b) drenagem pleural por se tratar de empiema c) antibioticoterapia para pneumonia e observar evo- lução do derrame pleural d) realizar nova punção para confi rmar valores e) cirurgia precoce para resolução do derrame pleural ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – R3 Cirurgia – 2010 88. Paciente masculino de 17 anos de idade, sexo masculi- no, com antecedente de estenose de esôfago, há 5 dias foi submetido a endoscopia e dilatação esofágica sem complicações aparentes. Há 4 dias iniciou quadro de dor torácica e abdominal progressiva, em epigástrio com irradiação para dorso, inapetência, náuseas e vô- mitos, queda do estado geral. Deu entrada no pronto- -socorro com toxemia, PA= 90 x 60 mmHg, FC= 130 bpm, T= 38,5ºC, taquipneia e ausculta pulmonar com diminuição do murmúrio bilateralmente, e dor abdo- minal à palpação de epigástrio. Após infusão de 3.000 mL de cristaloide permanece com os mesmos parâ- metros hemodinâmicos. A radiografi a de tórax revela derrame pleural bilateral e pneumomediastino. He- mograma com 23.000 leucócitos e desvio à esquerda. Assinale a melhor conduta. 167 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da a) esofagostomia cervical, laparotomia com gastrosto- mia descompressiva e jejunostomia para alimenta- ção precoce b) drenagem torácica bilateral, antibioticoterapia de amplo espectro e passagem de sonda nasoenteral para alimentação precoce c) toracocentese esvaziadora bilateral, antibioticotera- pia de amplo espectro e passagem de sonda nasoen- teral para alimentação d) toracotomia esquerda com rafi a primária da lesão, drenagem torácica bilateral e passagem de sonda na- soenteral para alimentação e) drenagem torácica bilateral, laparotomia com esofa- gectomia e esofagostomia cervical, gastrostomia des- compressiva e jejunostomia para alimentação precoce ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – R3 Cirurgia – 2010 89. Em relação ao pneumotórax, assinale a alternativa correta. a) o pneumotórax aberto pode ser fechado com curati- vo ou sutura sem drenagem pleural b) o tratamento nunca é conservador c) se for hipertensivo, a punção no segundo espaço in- tercostal deve ser realizada obrigatoriamente antes da drenagem pleural d) não é necessária a drenagem pleural em casos de pneumotórax pequeno em doentes que serão trans- portados por via aérea e) mecanismos de trauma como explosões não podem causar pneumotórax sem que haja lesão da pleura e/ ou do pulmão ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP-R3 Cirurgia – 2010 90. Mulher, 65 anos, com dor em ombro direito há dois meses tratado com analgésicos sem melhora. O raio x revela uma massa no ápice do pulmão direito. Uma biópsia transtorácica revelou tratar-se de carcinoma. Carcinomas pulmonares apicais (Tumor de Pancoast) são carcinomas broncogênicos que tipicamente pro- duzem qual das seguintes situações clínicas? a) atelectasia do segmento apical envolvido b) síndrome de Horner (miose, ptose e anidrose facial) c) dor nos dermátomos T4 e T5 d) hemoptise ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – R3 Cirurgia – 2009 91. Clara, 19 anos, inicia quadro de fraqueza muscular associado a ptose palpebral direita. Tomografi a com- putadorizada do tórax: alargamento do mediastino. O diagnóstico provável é: a) timoma com miastenia gravis b) tumor carcinoide de pulmão com síndrome de Cushing c) tumor de pequenas células de pulmão d) tumor do sulco superior de pulmão (Tobias-Pancoast) ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – R3 Cirurgia – 2009 92. Mauro, 50 anos, com dispneia aos médios esforços, tosse e febre. Radiografi a de tórax em posição or- tostática: opacidade em terço inferior de hemitórax direito. Ultrassonografi a: derrame líquido livre em pleura. A próxima conduta é: a) broncoscopia com lavado broncoalveolar b) tomografi a computadorizada do tórax c) toracocentese com biópsia pleural d) pleuroscopia ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – R3 Cirurgia – 2009 93. Joice, 2 anos, com pneumonia estafi locócica. Durante o tratamento evolui com pneumatocele que ocupa a me- tade do hemitórax direito, sem sinais hipertensivos. No momento está eupneica, sem febre, sem pneumotórax e sem derrame pleural. A conduta mais adequada é: a) drenagem com dreno fi no e aspiração b) broncoscopia e aspiração para desobstrução brôn- quica c) drenagem tubular fechada com dreno calibroso d) expectante até a regressão completa ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRJ – R3 Cirurgia – 2009 94. Jair, 30 anos, apresenta quadro clinicorradiológico de pneumonia lobar com derrame pleural no terço inferior do hemitórax esquerdo. Há discreto edema de membros inferiores (+/4+). Submetido a toraco- centese com saída de líquido amarelo-claro. Análise do líquido: pH 7,1, glicose 30 mg/dL, LDH 1200 UI e proteínas 6,1 g/dL. Trata-se, provavelmente, de: a) empiema pleural em fase inicial b) carcinoma bronquíolo alveolar c) infarto pulmonar d) abscesso de pulmão ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRN – Urologia – 2009 95. A terapêutica eletiva no tratamento do pneumotórax traumático hipertensivo é: a) esternotomia b) drenagem intercostal fechada c) toracotomia de reanimação d) toracocentese evacuadora ACERTEI ERREI DÚVIDA FESP – R3 Cirurgia – 2009 96. As bactérias responsáveis pela formação dos absces- sos pulmonares primários atingem o parênquima pulmonar principalmente através da via: a) linfática b) inalatória c) aspirativa d) hematogênica ACERTEI ERREI DÚVIDA168 Cirurgia | Torácica t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da FESP – R3 Cirurgia – 2009 97. Uma mulher vítima de acidente automobilístico en- contra-se dispneica e com murmúrio vesicular abon- do em hemitórax esquerdo. Foi realizada drenagem torácica à esquerda, com saída de 2.000 mL de sangue sendo então indicado toracotomia exploradora. Neste caso, o acesso a cavidade toracica deve ser realizado preferencialmente pelo seguinte espaço intercostal: a) 5º b) 6º c) 7º d) 8º ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2008 98. A neoplasia maligna do pulmão que possui células com imunopositividade para marcadores neuroen- dócrinos, taiscomo cromogranina e sinaptofi sina, é: a) adenocarcinoma b) carcinoma de pequenas células c) carcinoma de células escamosas d) carcinoma bronquíoloalveolar e) linfoma ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-RJ – 2008 99. Fazendo o risco cirúrgico para hemioplastia inguinal de um estivador de 58 anos, em bom estado geral e sem queixas respiratórias, o clínico observou que a radio- grafi a simples de tórax mostrava pequena lesão perifé- rica arredondada, em terço médio do pulmão direito. No prontuário, além de liberá-lo para a cirurgia, o mé- dico registrou que o aspecto radiográfi co era patogno- mônico de Hamartoma, em virtude da identifi cação de: a) calcifi cação “em pipoca” b) halo “em lua minguante” c) imagem “em roda de leme” d) opacidade “em vidro fosco” ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC Clínica Médica – 2008 100. Com relação ao abscesso pulmonar de aspiração (ou primário), assinale a afi rmativa incorreta. a) o abscesso pulmonar é uma lesão necrótica escava- da, contendo pus em seu interior b) a lesão é causada por germes piogênicos, mais co- mumente bactérias anaeróbicas, S. aureus ou Gram- -negativos aeróbicos c) em geral, são lesões únicas, localizadas nos segmen- tos posteriores de lobos superiores ou superiores de lobos inferiores d) ocorre predominantemente em indivíduos adultos, sexo masculino, com doença dentária, perda de consciência e predomínio de fl ora mista e) o tratamento de escolha é sempre uma cefalosporina de 3ª geração associada à clindamicina, tendo uma mortalidade superior a 10% na literatura mundial ACERTEI ERREI DÚVIDA UFRN – 2008 101. Em um paciente portador de câncer de pulmão, po- dem ser encontradas alterações oculares que caracte- rizam a síndrome de HORNER. São elas: a) miose, exofoft almia e ptose palpebral b) midríase, enoft almia e ptose palpebral c) miose, enoft almia e ptose palpebral d) midríase, exofoft almia e ptose palpebral ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2008 102. Sobre o abscesso pulmonar de aspiração (primário), assinale a alternativa incorreta. a) o abscesso pulmonar primário é o mais frequente e decorre de aspiração de material proveniente da boca, vias aéreas superiores e tubo digestivo alto b) o alcoolismo crônico é a situação mais frequente- mente associada ao abscesso pulmonar de aspiração c) o diagnóstico é fundamentalmente clinicorradiológico, sendo o exame do escarro de pouco valor diagnóstico d) o tratamento clínico é a principal forma terapêutica, com mortalidade superior a 20% na literatura mundial e) é pouco frequente a participação de bactérias aeró- bicas isoladamente nos abscessos pulmonares, com exceção dos pacientes com AIDS, transplantados, diabéticos e com neoplasia ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2007 103. Assinale a alternativa incorreta, em relação às indica- ções para drenagem pleural: a) derrame pleural quiloso b) empiema pleural na fase aguda c) derrame denominado pleural neoplásico recorrente ou sintomático d) após todo procedimento operatório em que há aber- tura da pleura e) trauma torácico com hemotórax ou hemopneumo- tórax de pequeno volume, assintomático e não pro- gressivo ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-SC – 2007 104. Assinale a alternativa incorreta em relação ao derra- me parapneumônico: a) a alcalização do líquido sugere a presença de meta- bolismo bacteriano b) ocorre em cerca de 30% dos casos de pneumonia c) toda presença de líquido capaz de provocar um es- pessamento pleural > 10 mm indica a punção para diagnóstico d) dosagens de DHL > 1.000 UI/L e glicosepossui vascularização tanto cervical quan- to torácica ACERTEI ERREI DÚVIDA UFF – 2006 112. Traumatopneia signifi ca: a) estridor traqueal após trauma cervical b) dispneia associada a fraturas múltiplas de costelas c) dispneia associada a contusão pulmonar d) ruído produzido pela entrada e saída do ar em uma ferida aberta do tórax e) nenhuma das respostas acima ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – 2006 113. O exame radiográfi co de rotina de um homem com 22 anos de idade, não tabagista, assintomático e sem his- tória pregressa de doença pulmonar, revela a presença de um nódulo pulmonar de 1,0 cm sem calcifi cação, situado cerca de 4 cm distante da pleura visceral, no lobo superior direito. A tomografi a computadorizada mostra que o nódulo tem bordas lisas, regulares e ne- nhuma calcifi cação. O próximo passo seria: a) toracotomia exploradora b) broncofi broscopia c) observação com radiografi as de tórax a cada 3-6 me- ses durante pelo menos 2 anos d) biópsia transtorácica por agulha e) iniciar tratamento para tuberculose ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – 2006 114. Homem, com 63 anos de idade, etilista crônico, é ad- mitido com febre, tosse e expectoração amarelada. A radiografi a de tórax revela condensação pulmonar com derrame pleural ipsilateral, de volume mode- rado a grande. O líquido pleural obtido pela toraco- centese revela-se turvo e com a seguinte bioquímica: LDH= 1.100 ma/dL, pH= 7,22 e glicose= 37 mg/dL. Qual das seguintes afi rmações é a correta? a) o derrame deve ser descrito como um transudato, até que bactérias sejam isoladas b) o derrame deve ser descrito como um transudato, já que o pH não é menor do que 7,2 c) um dreno pleural dever ser inserido d) a característica bioquímica não é condizente com derrame parapneumônico e) somente o crescimento de bactérias na cultura deste lí- quido pleural autorizaria a inserção de um dreno pleural ACERTEI ERREI DÚVIDA USP-RP – 2006 115. Homem, com 60 anos de idade, alcoólatra e tabagista crônico, compareceu ao pronto-socorro apresentan- do os seguintes achados semiológicos: circulação co- lateral em regiões peitorais e dorso, estase jugular e edema de membros superiores e face. Qual dos diag- nósticos abaixo você indicaria como mais provável? a) cirrose hepática associada à hipoalbuminemia b) cor pulmonale c) fístula arteriovenosa em região cervical d) neoplasia de pulmão envolvendo a cava superior e) pericardite constritiva ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – 2006 116. Os exames indicados para confi rmação diagnóstica do quadro acima descrito são: a) deglutograma com raio X contrastado de esôfago, estômago e duodeno b) raio X de tórax e dosagem de IgE c) cintilografi a gastroesofágica e tomografi a de tórax d) raio X de tórax e endoscopia respiratória e) nasofaringolaringoscopia e raio X de tórax ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – 2006 117. Paciente do sexo masculino, 24 anos, procura o pron- to-socorro com quadro de dor torácica à direita, ven- tilatório dependente, com início súbito, acompanha- da de dispneia temporária. Exame físico mostra murmúrio vesicular diminuído à direita e timpanismo à percussão. Indique o diagnóstico mais provável, o exame com- plementar mais apropriado e seu achado: a) pneumonia/tomografi a computadorizada de tórax/ opacidade local b) atelectasia pulmonar/radiografi a de tórax/opacida- de local c) pneumotórax espontâneo secundário/ultrassono- grafi a de tórax/hiperecoica d) pneumotórax espontâneo primário/radiografi a de tórax/hipertransparência e) derrame pleural/tomografi a computadorizada de tórax/opacidade local ACERTEI ERREI DÚVIDA UNIFESP – 2006 118. Quanto ao derrame pleural associado a pneumonia, pode-se afi rmar que: a) uma das complicações comuns do empiema pleural é a osteomielite, tanto de costela quanto de corpo vertebral b) a fase de organização tem na drenagem pleural em selo d’água o método de escolha no tratamento 171 Residência Médica 2014 Q ue st õe s pa ra T re in am en to t.m e/ m ed ic in al iv re 2 pr oi bi da v en da c) o diagnóstico durante a fase exsudativa permite um tratamento menos invasivo, com boa resposta d) na fase crônica, a análise bioquímica do líquido pleural representa um marco importante na defi ni- ção da conduta e) a pleurostomia representa a opção de escolha no ma- nejo do empiema pleural, tanto na fase I como na II ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 119. Em um paciente sadio, de 34 anos, no exame de to- mografi a computadorizada de tórax, que estruturas anatômicas são identifi cadas no mediastino médio em corte sagital mediano? a) átrio direito, veia cava inferior, átrio esquerdo, arté- ria pulmonar direita b) átrio direito, veia cava superior, átrio esquerdo, arté- ria pulmonar direita c) ventrículo direito, aorta ascendente, artéria pulmo- nar direita d) ventrículo direito, aorta ascendente, ventrículo es- querdo, artéria pulmonar esquerda e) ventrículo direito, aorta ascendente, ventrículo es- querdo, artéria pulmonar direita ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia 120. Todas as opções a seguir são características da síndro- me do sulco superior, exceto: a) midríase b) enoft almia unilateral c) ptose d) anidrose ipsilateral e) destruição na primeira e segunda costela ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia 121. Sobre a tomografi a por emissão de pósitrons (PET) no estadiamento do carcinoma pulmonar de células não pequenas, assinale a alternativa correta: a) a sensibilidade e a especifi cidade do diagnóstico de metástases mediastinais são comparáveis às da to- mografi a computadorizada b) o diagnóstico de metástases cerebrais é mais confi ável com a PET do que com a tomografi a computadorizada c) uma tomografi a por emissão de pósitrons positiva do mediastino abole a necessidade de confi rmação histológica d) metástases mediastinais com menos de 1 cm de diâ- metro estão abaixo dos limites de resolução do exame e) a tomografi a por emissão de pósitrons é menos con- fi ável em pacientes com diabetes mellitus ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 - R3 Pneumologia 122. No enfi sema pulmonar bolhoso, a decisão de remo- ver uma bolha pulmonar depende de sua contribui- ção para o comprometimento funcional e capacidade pulmonar remanescente global de funcionar adequa- damente após a remoção cirúrgica. Existe uma pe- quena melhora quando as bolhas ocupam menos de um terço do hemitórax e quando existem evidências de enfi sema generalizado. Qual dos seguintes estudos pré-operatórios é o melhor exame prognóstico de re- sultados após a bulectomia? a) tomografi a computadorizada com inspiração com- pleta e expiração completa b) um grande volume pulmonar plestimográfi co, em comparação com o volume pulmonar, medido por diluição de hélio c) raio X de tórax em PA, perfi l e ápico lordótica d) estudos da função pulmonar regional e) ventilação-minuto e consumo de oxigênio no limiar anaeróbico ou exercício máximo ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia 123. Paciente de 50 anos de idade, sexo masculino, taba- gista de 30 maços/ano, apresenta um nódulo perifé- rico de 3 cm no lobo superior direito, descoberto em um exame de rotina. A aspiração por agulha fi na re- vela um carcinoma de células não pequenas de pul- mão. A tomografi a computadorizada do tórax reve- la ausência de linfadenopatia hilar ou mediastinal e é determinado que o estágio da doença do paciente é IIA. O hemograma completo, as concentrações de eletrólitos e os exames bioquímicos estão normais. A relação VEFL/CVF é de 3.51/4.51. Qual dos seguintes tratamentos deve ser oferecido? a) cirurgia, seguida por um protocolo de quimiotera- pia baseada em platina b) cirurgia seguida de radioterapia c) cirurgia, radioterapia e quimioterapia d) cirurgia apenas e) radioterapia e quimioterapia ACERTEI ERREI DÚVIDA SES-PE – 2006 – R3 Pneumologia 124.