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INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL E PROGRAMA BOLSA

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE 
PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE 
DOUTORADO EM CIÊNCIAS DA SAÚDE 
 
 
 
 
 
 
EWERTON AMORIM DOS SANTOS 
 
 
 
INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL E PROGRAMA BOLSA 
FAMÍLIA: ESTUDO COMPARATIVO COM MULHERES DAS COMUNIDADES 
QUILOMBOLAS E DA POPULAÇÃO GERAL DE ALAGOAS, BRASIL 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ARACAJU 
2021
 
 
EWERTON AMORIM DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL E PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA: 
ESTUDO COMPARATIVO COM MULHERES DAS COMUNIDADES 
QUILOMBOLAS E DA POPULAÇÃO GERAL DE ALAGOAS, BRASIL 
 
 
Tese apresentada ao Programa de Pós-
Graduação em Ciências da Saúde da Universidade 
Federal de Sergipe como requisito parcial à 
obtenção do grau de Doutor em Ciências da 
Saúde. 
 
Orientador: Prof. Dr. Ricardo Queiroz Gurgel 
Coorientador: Prof. Dr. Haroldo da Silva 
Ferreira 
 
 
 
 
 
 
 
ARACAJU 
2021 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
FICHA CATALOGRÁFICA ELABORADA PELA BIBLIOTECA DA SAÚDE – BISAU 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE 
 
 
 
 
S237i 
 
Santos, Ewerton Amorim dos 
Insegurança alimentar e nutricional e programa bolsa família: 
estudo comparativo com mulheres das comunidades quilombolas 
e da população geral de Alagoas, Brasil / Ewerton Amorim dos 
Santos ; orientador Ricardo Queiroz Gurgel. – Aracaju, 2021. 
108 f. : il. 
 
Tese (doutorado em Ciências da Saúde) – Universidade 
Federal de Sergipe, 2021. 
 
 1. Segurança alimentar. 2. Quilombolas. 3. Política social. 4. 
Programas de sustentação de renda (Brasil). I. Gurgel, Ricardo 
Queiroz, orient. II. Título. 
 
CDU 612.39(813.5) 
 
CRB-5/1866 
 
 
 
EWERTON AMORIM DOS SANTOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL E PROGRAMA BOLSA FAMÍLIA: 
ESTUDO COMPARATIVO COM MULHERES DAS COMUNIDADES 
QUILOMBOLAS E DA POPULAÇÃO GERAL DE ALAGOAS, BRASIL 
 
 
Tese apresentada para defesa ao Programa de 
Pós-Graduação em Ciências da Saúde da 
Universidade Federal de Sergipe como requisito 
parcial à obtenção do grau de Doutor em 
Ciências da Saúde. 
 
Aprovada em: 25/11/2021 
 
 
 
 
____________________________________________ 
Orientador: Ricardo Queiroz Gurgel 
Universidade Federal de Sergipe 
 
 
____________________________________________ 
1ª Examinador: Profa. Dra. Francilene Amaral da Silva 
Universidade Federal de Sergipe 
 
 
 
____________________________________________ 
2ª Examinador: Prof. Dr. Nassib Bezerra Bueno 
Universidade Federal de Alagoas 
 
 
____________________________________________ 
3ª Examinador: Prof. Dr. Abel Barbosa Lira Neto 
Universidade Estadual de Alagoas 
 
 
____________________________________________ 
4ª Examinador: Prof. Dr. Giulliano Aires Anderlini 
Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
 
 
Ao professor Ricardo Queiroz Gurgel, pela paciência, dedicação e ensinamentos, 
não apenas técnicos mais pessoais ao âmbito profissional. 
 
Ao Professor Haroldo Ferreira, por toda minha trajetória acadêmica, sempre me 
permitindo aprender seguindo sua dedicação ao ensino e pesquisa. 
 
Aos integrantes do Laboratório de Nutrição Básica e Aplicada por contribuírem com 
cada comentário, cada dado coletado e apoio geral na construção dos meus 
trabalhos. 
 
Aos amigos que estiveram ao meu lado, me apoiando a cada empecilho que surgiu 
rumo a conclusão destes trabalhos, em especial minha amiga Maria Rosa e 
Monique. 
 
A minha família, que esteve ao meu lado e que me da sentido em continuar 
crescendo como ser humano. 
 
A minha banca de qualificação e defesa, as professoras Dra. Francilene Amaral da 
Silva e Dra. Sandra Mary Lima Vasconcelos, e os professores Dr. Nassib Bezerra 
Bueno, Dr. Abel Barbosa Lira Neto, Dr. Giulliano Aires Anderlini e Dr. Marco Antonio 
Prado Nunes, por cada contribuição aos meus trabalhos e a minha experiência como 
pesquisador. 
 
Ao meu filho, Cauê Luz, que apesar de tão pequeno, é o simplesmente o significado 
de tudo na minha volta. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
RESUMO 
 
Introdução: Apesar da expansão da abrangência dos programas nacionais de 
combate à pobreza, a exemplo do Programa Bolsa Família (PBF), possivelmente 
ainda persistem grandes divergências no acesso a bens e serviços e qualidade de 
vida quando se comparam os diferentes seguimentos que integram a população 
brasileira, predominando piores indicadores entre os negros e nos grupamentos 
populacionais situados no Norte-Nordeste em relação ao eixo Sul-Sudeste do Brasil. 
Indicadores de saúde e segurança alimentar atualizados são importantes para gestão 
de programas e políticas públicas em geral, especialmente daquelas direcionadas aos 
contingentes populacionais em maior vulnerabilidade social, tais como as 
comunidades quilombolas. Objetivo: Caracterizar, de forma comparativa, os 
diferenciais existentes entre a população quilombola e não quilombola do estado de 
Alagoas no que diz respeito às variáveis associadas à condição de usuário do PBF e 
a ocorrência da insegurança alimentar (INSAN) no domicílio. Métodos: Estudo 
transversal com dados secundários oriundos de dois inquéritos de base populacional, 
aqui identificados como “Pesquisa 2015” e “Pesquisa 2018”. A Pesquisa 2015 utilizou 
amostra probabilística representativa das famílias do estado de Alagoas. Já a 
Pesquisa 2018 foi um estudo que envolveu as comunidades quilombolas do Estado. 
Em ambas, os dados socioeconômicos, demográficos e ambientais foram obtidos nos 
respectivos domicílios por meio de entrevistas aplicadas à “dona da casa”, utilizando-
se formulários estruturados. Para definição da situação de segurança alimentar usou-
se a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar. A análise da associação entre as 
categorias das variáveis dependentes e independentes foi baseada no teste qui-
quadrado. O ajuste para controle de confundimentos foi realizado por regressão de 
Poisson, com ajuste robusto, através de um modelo hierárquico. Ambos os projetos 
foram aprovados pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de 
Alagoas. Resultados: A INSAN esteve associada ao recebimento do PBF. Da mesma 
forma, essa condição estive mais presente nas famílias com menor renda familiar, 
domicílio com menor número de cômodos, pertencer à classe econômica D/E, família 
com crianças menores de 18 anos, escolaridade da “dona da casa” inferior a 4 anos 
de estudo, maior número de pessoas no domicílio e domicílio não próprio. A 
prevalência de INSAN na população quilombola foi superior à da população geral 
(67,4% vs. 58,4%, respectivamente; p<0,001), assim como também a proporção de 
famílias usuárias do PBF (58,5% vs. 52,6%, respectivamente; p<0,001). Apesar do 
recebimento da renda transferida, o perfil de pobreza não foi alterado de forma 
relevante, haja vista a predominância de indicadores de vulnerabilidade social (baixa 
renda, classificação econômica, condições de moradia entre outras características) 
entre os usuários do PBF de ambos os seguimentos populacionais investigados (P 
interação=0,672). Conclusão: A ocorrência da insegurança alimentar é alta, tanto na 
população geral como nas comunidades quilombolas, sendo a situação mais grave 
entre as famílias usuárias do PBF, sobretudo naquelas das comunidades quilombolas. 
Apesar da relevância social dos programas governamentais, é imprescindível que a 
população tenha acesso de forma mais ampla e efetiva a políticas estruturantes, como 
educação, qualificação profissional emprego e renda, a fim de que as disparidades 
sociais e econômicas sejam reduzidas de forma sustentável. 
Palavras chaves: Programas governamentais. Programa Bolsa Família. Segurança 
alimentar e nutricional. Quilombolas. 
 
 
 
ABSTRACT 
 
Introduction: Despite the progress of national programs to fight hunger, such as the 
Bolsa Familia program, there are divergent results in the efficiency of the program, 
when comparingnon-quilombola populations with quilombolas and regions in the north 
and northeast with other regions of the country. There is a lack of data on the food 
security situation in minority groups, which makes it difficult to properly plan programs 
and public policies adapted to the reality of these groups. Objective: To analyze, 
comparatively between the quilombola population and the general population of the 
state of Alagoas, the association between the condition of user of the Bolsa Família 
Program and the occurrence of food insecurity and its associated factors. Methods: 
Cross-sectional population-based study with data from two surveys, which for 
identification purposes will be called: “2015 Survey” and “2018 Survey”. The 2015 
survey used a probabilistic sample representative of families in the state of Alagoas, 
while the 2018 survey was a population-based study of the remaining communities of 
quilombos in Alagoas. In both surveys, data were obtained in the respective 
households through interviews applied to the eligible woman. The situation of Food 
and Nutritional Security was assessed by applying the Brazilian Scale of Food 
Insecurity. The other socioeconomic and environmental variables were obtained 
through structured forms. Descriptive data were presented using absolute and relative 
frequencies. Receipt or not of the Bolsa Família program was compared with the 
different categories of independent variables by survey, using the chi-square test. To 
analyze the determinants of food insecurity, Poisson's multiple regression analysis was 
performed, with robust adjustment, using two hierarchical models. Both projects were 
approved by the Research Ethics Committee of the Federal University of Alagoas. 
Results: It was found that being a PBF user and living in quilombola communities was 
independently associated with INSAN. Likewise, these conditions were more present 
in families with lower family income, households with fewer rooms, belonging to the 
economic class D/E, family with children under 18, schooling of the "housewife" of less 
than 4 years of study, greater number of people in the household and not their own 
household. The prevalence of INSAN in the Quilombola population was higher than 
that of the general population (67.4% vs. 58.4%, respectively; p<0.001), as was the 
proportion of families using the BFP (58.5% vs. 52 .6%, respectively; p<0.001). Despite 
receiving the transferred income, the poverty profile was not significantly changed, 
given the predominance of social vulnerability indicators (low income, economic 
classification, housing conditions, among other characteristics) among PBF users in 
both segments investigated populations (P-interaction=0.672). Conclusion: The 
occurrence of food insecurity is high, both in the general population and in the 
quilombola communities, being the most serious situation among the families that use 
the PBF, especially those from the quilombola communities. Despite the social 
relevance of government programs, it is essential that the population has access to 
broader and more effective policies, such as education, professional qualification, 
employment and income, so that social and economic disparities are reduced in a 
sustainable way. 
 
Keywords: Government programs. Bolsa Familia Program. Food and nutrition 
security. Quilombolas. 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
 
Tabela 1. Famílias beneficiárias e valor repassado por região e Brasil, 2019.... 16 
Tabela 2. Características socioeconômicas e ambientais das famílias em 
Alagoas e nas comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018........ 29 
Tabela 3. Características socioeconômicas e ambientais das famílias 
segundo inserção no Programa Bolsa Família em Alagoas e nas comunidades 
quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. ................................................... 31 
Tabela 4. Prevalência, razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas, e 
intervalo de confiança (IC95%) de insegurança alimentar, em Alagoas e nas 
comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018............................... 34 
Tabela 5. Prevalência, razões de prevalência (RP) brutas e ajustadas, e 
intervalo de confiança (IC95%) de insegurança alimentar, em Alagoas e nas 
comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018............................... 35 
 
 
 
 
 
LISTA DE QUADROS E ILUSTRAÇÕES 
 
 
 
Quadro 1. Tipos, valores e exigências dos benefícios do programa 
bolsa família, 2018............................................................................... 18 
Figura 1. Modelo em blocos hierarquizado proposto para análise do 
programa bolsa família e demais covariáveis associadas a 
insegurança alimentar.......................................................................... 28 
Figura 2. Classificação da segurança alimentar e nutricional segundo 
inserção no Programa Bolsa Família em Alagoas, nas comunidades 
quilombolas de Alagoas e no total. 2015 e 2018................................... 31 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
 
Segurança Alimentar e Nutricional.................................................................... SAN 
Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa............................................. ABEP 
Benefício Variável Jovem.................................................................................. BVJ 
Cadastro Único.................................................................................................. CadÚnico 
Critério de classificação econômica Brasil....................................................... CCEB 
Centros para Controle e Prevenção de Doenças.............................................. CDC 
Com menores de 18 anos ................................................................................ CM18 
Conferência Nacional de Segurança Alimentar ............................................... CONSAN 
Conselho Nacional de Segurança Alimentar..................................................... CONSEA 
Comunidades quilombolas ............................................................................... CQ 
Escala Brasileira de Insegurança Alimentar...................................................... EBIA 
Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.................... FAO 
Intervalos de confiança de 95%......................................................................... IC95% 
Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição .................................................. INAN 
Insegurança Alimentar e Nutricional.................................................................. INSAN 
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada........................................................ IPEA 
Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome............................... MDS 
Ministério Extraordinário de Segurança Alimentar e Combate à Fome............. MESA 
Organização Mundial da Saúde ....................................................................... OMS 
Programa Bolsa Escola..................................................................................... PBE 
Programa Bolsa Família.................................................................................... PBF 
Programa de Erradicação do Trabalho Infantil.................................................. PETI 
Programa Fome Zero......................................................................................... PFZ 
 
 
Programa de Garantia de Renda Mínima.......................................................... PGRM 
Programa Nacional de Alimentação Escolar..................................................... PNAE 
Política Nacional de Alimentação e Nutrição ................................................... PNAN 
Programa Nacional de Alimentação e Nutrição ............................................... PRONAN 
Programa de Transferência de Renda ..............................................................PTR 
Razões de Prevalências.................................................................................... RP 
Serviço de Alimentação da Previdência Social ................................................ SAPS 
Sistema Bolsa Família....................................................................................... SBF 
Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos.................................... SCFV 
Sem menores de 18 anos.................................................................................. SM18 
Salário Mínimo................................................................................................... SM 
Self Report Questionnaire ................................................................................ SRQ-20 
Transtornos Mental Comum.............................................................................. TMC 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................... 10 
2 REVISÃO DE LITERATURA ............................................................................................ 12 
Políticas públicas de combate a fome no Brasil ............................................................ 12 
Bolsa Família e os Programas de transferência de renda no Brasil .......................... 14 
3 OBJETIVOS ........................................................................................................................ 24 
3.1 Geral .............................................................................................................................. 24 
3.2 Específicos ................................................................................................................... 24 
4 CASUÍSTICA E MÉTODOS ............................................................................................. 25 
4.1 Tipo de estudo e planejamento amostral ............................................................ 25 
4.2 Coleta de dados ...................................................................................................... 26 
4.3 Análise estatística ................................................................................................... 27 
4.4 Aspectos Éticos ....................................................................................................... 28 
5 RESULTADOS ................................................................................................................... 29 
6 DISCUSSÃO ....................................................................................................................... 36 
7 CONCLUSÃO ..................................................................................................................... 40 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................. 41 
REFERÊNCIAS ...................................................................................................................... 42 
APÊNDICES ........................................................................................................................... 50 
APÊNDICE A – Artigo 1. ................................................................................................... 51 
APÊNDICE B – Artigo 2. ................................................................................................... 74 
APÊNDICE D – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Pesquisa 
2015. ..................................................................................................................................... 95 
APÊNDICE E – Questionário de coleta de dados, Pesquisa 2015. .......................... 96 
APÊNDICE F – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Pesquisa 
2018. ................................................................................................................................... 100 
APÊNDICE G – Questionário de coleta de dados, Pesquisa Quilombola-2018. .. 101 
ANEXOS ............................................................................................................................... 106 
ANEXO A – Parecer do comitê de ética em pesquisa, Pesquisa Alagoas-2015. . 107 
ANEXO B – Parecer do comitê de ética em pesquisa, Pesquisa Quilombola-2018.
 ............................................................................................................................................. 108 
 
10 
 
1 INTRODUÇÃO 
A Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) consiste na garantia do direito de 
todos ao acesso contínuo e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade 
suficiente, e, sem comprometer o acesso a outras necessidades básicas como saúde, 
educação, habitação, vestuário, transporte e lazer, nem o sistema alimentar futuro 
(BRASIL; BRASIL, 2006), tendo como princípio o direito humano à alimentação 
adequada e soberania alimentar reconhecido como um direito humano básico pelo 
Pacto Internacional de Direitos Humanos, Econômicos, Sociais e Culturais de 1966 
(CONTI, 2014). 
A garantia dos direitos humanos, incluindo o âmbito da alimentação e nutrição, 
é de competência conjunta do Estado, da sociedade e dos indivíduos, sendo um meio 
de atingir a cidadania plena (BRASIL, 2006). E a sua violação determina situações de 
Insegurança Alimentar e Nutricional (INSAN) (PANIGASSI; SEGALL-CORRÊA; 
MARIN-LEÓN; PÉREZ-ESCAMILLA; SAMPAIO et al., 2008). 
As condições socioeconômicas precárias podem ser determinantes da INSAN 
e dos problemas nutricionais populacionais decorrentes de uma alimentação 
insuficiente (PANIGASSI; SEGALL-CORRÊA; MARIN-LEÓN; PÉREZ-ESCAMILLA; 
SAMPAIO et al., 2008). Assim, como forma de combater a fome e a miséria do país, 
o governo federal criou o Programa Bolsa Família (PBF) (BRASIL, 2003), que atua 
por meio de três vertentes principais: Transferência de Renda, que promove o alívio 
imediato da pobreza; as condicionalidades, que fortalecem o acesso a direitos sociais 
básicos nas áreas de educação, saúde e assistência social; e os programas 
complementares de desenvolvimento familiar, que permitem que os beneficiários 
consigam superar a situação de vulnerabilidade. Esse programa destina-se às famílias 
em situação de pobreza e de extrema pobreza e tem o intuito de promover a SAN dos 
seus integrantes e de reduzir as desigualdades sociais do país (SILVA, 2007). 
O programa parte do princípio de que políticas públicas que não sejam aliadas 
a ações de promoção da autonomia do cidadão, ou seja, que não apresentem 
respostas aos problemas estruturais não são suficientes para a promoção da SAN. 
Para que o governo e a sociedade combatam o problema da INSAN no Brasil torna-
se necessário que desenvolvam ações que possam promover a geração de renda, 
além das ações emergenciais que, por si só, não representam a sustentabilidade 
11 
 
social, econômica, cultural e, sobretudo, a autonomia das famílias em vulnerabilidade 
social. 
O Brasil avançou consideravelmente sobre o estado de SAN, entre os anos de 
1990 e 2014, sendo considerado como eficiente na redução das taxas de 
subalimentação e extrema pobreza pela Organização das Nações Unidas para 
Alimentação e Agricultura (FAO) saindo do mapa da fome mundial (FAO, 2014). A 
Pesquisa por Amostra de Domicílio de 2013 registrou que 149,4 milhões de pessoas 
(74,2% dos moradores em domicílios particulares do país) estavam em situação de 
Segurança Alimentar (IBGE, 2013). 
Entretanto, desigualdades regionais foram encontradas na obtenção da SAN 
no país, onde parte da população da região norte e nordeste, assim como grupos 
vulneráveis, não mostraram o mesmo progresso no alcance da SAN que foi 
reconhecido por grupos internacionais (VIANNA; SEGALL-CORRÊA, 2008). 
Populações que vivem em situação de ambientes sociais, econômicos e culturais 
excluídos, como comunidades quilombolas e povos que pratiquem culturas desubsistência como pescadores, artesãos e outros grupos minoritários estão sujeitos à 
INSAN (MELGAR-QUIÑONEZ, 2013). 
Comunidades quilombolas (CQ) são grupos étnico-raciais, segundo critérios de 
auto-atribuição, dotados de relações territoriais específicas e com ancestralidade 
negra relacionada com a resistência à opressão histórica sofrida (FERREIRA; 
PONTES; DE PAULA, 2018) que sofrem pela falta de acesso aos serviços de saúde 
e educação, assim como altas taxas de desemprego e analfabetismo (MONEGO; 
PEIXOTO; DE MORAIS CORDEIRO; COSTA, 2010). 
Apesar do avanço dos programas nacionais no combate a INSAN, verifica-se 
resultados divergentes na eficiência do programa, quando comparado a população 
geral, das comunidades quilombolas (BEZERRA; MEDEIROS; GOMES; SOUZAS et 
al., 2014; SILVA; MEDEIROS; MARTINS; SOUSA et al., 2017). Existe uma carência 
de dados sobre a situação de SAN em grupos minoritários, o que dificulta o 
planejamento adequado de programas e políticas públicas adaptadas a realidade 
desses grupos, levando a permanência da INSAN nestas comunidades. 
Diante desse cenário, a investigação de um PTR no contexto de uma 
comunidade quilombola do nordeste comparativamente com a população do estado, 
permitirá a identificação e resolução de lacunas associadas a INSAN em cada grupo. 
12 
 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
Políticas públicas de combate a fome no Brasil 
No início do século XIX foram iniciados os primeiros estudos sobre carências 
nutricionais na população brasileira (VASCONCELOS, 2005) consequente da análise 
dos hábitos nutricionais da população. A partir da década de 30, trabalhos como “O 
problema fisiológico da alimentação no Brasil” e “Geografia da fome” de Josué de 
Castro que discute sobre as condições precárias da classe trabalhadora e da 
população brasileira enfatizando o problema da fome e suas consequências. Seus 
trabalhos evidenciaram a necessidade de interferência do Estado com políticas 
públicas para a redução da fome, contribuindo para a instauração do salário mínimo 
(ARRUDA; ARRUDA, 2007). 
No início da década de 40, foi criado o Serviço de Alimentação da Previdência 
Social (SAPS) (BRASIL, 1940), responsável pelo desenvolvimento de ações que 
contribuíram para a oferta de uma alimentação adequada que suprisse as 
necessidades nutricionais da classe trabalhadora em uma forma de complementar o 
salário mínimo. Entre as ações desenvolvidas está a implantação de refeitórios em 
grandes empresas e criação de restaurantes populares, que ofertavam refeições a um 
valor acessível; postos de subsistência, que vendiam gêneros a quase preço de custo; 
além de pesquisas sobre a situação alimentar, cursos para a formação de pessoal 
técnico especializado e atividades de educação alimentar (EVANGELISTA, 2012). 
Para conduzir a produção de alimentos, a comercialização e a agropecuária, 
foi instituído em 1942 o Serviço Técnico de Alimentação Nacional, sendo substituído 
em 1945 pela Comissão Nacional de Alimentação que realizava ações sobre a 
produção de tecnologia na indústria de alimentos, pesquisas sobre alimentação, 
hábitos alimentares da população, além de atuar na definição da política nacional de 
alimentação (PEIXINHO, 2013; SILVA, 1995). 
Além da classe trabalhadora, o grupo materno-infantil e escolares foram 
contemplados pelo Plano Nacional de Alimentação, denominado “Conjuntura 
Alimentar e Problemas de Nutrição no Brasil”, que expande a assistência alimentar 
através de ações regionais e nacional, destacando o crescimento e manutenção da 
merenda escolar, ainda vigente como “Programa Nacional de Alimentação Escolar 
(PNAE)”(PEIXINHO, 2013; SARAIVA; SILVA; SOUSA; CERQUEIRA et al., 2013). 
13 
 
Durante o governo ditatorial, o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição 
(INAN) foi o responsável pelas ações desenvolvidas, atuando sobre a suplementação 
alimentar, na formulação da política nacional de alimentação e nutrição, e na 
elaboração, fiscalização e execução do Programa Nacional de Alimentação e Nutrição 
(PRONAN) (ALVES; JAIME, 2014; PEIXINHO, 2013; SARAIVA; SILVA; SOUSA; 
CERQUEIRA et al., 2013). 
O PRONAN esteve direcionado para gestantes, nutrizes, crianças e escolares 
com ações de: suplementação alimentar; redirecionamento do sistema de produção e 
comercialização de alimentos, dando amparo aos agricultores de pequeno porte; 
combate às carências nutricionais e ao apoio a pesquisas e treinamentos. Entretanto, 
o corte dos recursos destinados a diversos programas durante o início dos anos 90, 
levou ao fim de ações destinadas a alimentação e nutrição (PEIXINHO, 2013; SILVA, 
1995). 
 Em 1993, com a emergente discussão sobre as políticas de combate à fome e 
pobreza, foi constituído o Conselho Nacional de Segurança Alimentar (CONSEA), 
responsável pelo Plano Nacional de Combate à Fome e à Miséria, e pela realização 
da I Conferência Nacional de Segurança Alimentar (CONSAN), que une o governo, a 
sociedade civil e as instituições de ensino e pesquisa, pelo desenvolvimento de 
medidas de segurança alimentar e nutricional (BURLANDY, 2009). 
 Em 1999 ocorre a aprovação da criação da Política Nacional de Alimentação e 
Nutrição (PNAN) que propõe prover medidas para respeitar os direitos humanos à 
saúde e à alimentação e em 2003 foi criado o Ministério Extraordinário de Segurança 
Alimentar e Combate à Fome (MESA) que juntamente com o CONSEA e 
representantes da sociedade civil e do governo, estruturava o Programa Fome Zero 
(PFZ) (ALVES; JAIME, 2014; TOMAZINI; LEITE, 2016). 
 Neste momento se estrutura uma nova modalidade nos programas de combate 
à fome, visto que o foco deixa de ser a doação de alimentos para a TCR, contribuindo 
para a adesão de alimentos e para a movimentação da economia local. O impacto do 
PFZ na garantia da alimentação adequada assim como para a redução das 
desigualdades, levou o governo a unificar os PTR e de doações de alimentos no PBF 
(BRASIL, 2004). 
14 
 
Bolsa Família e os Programas de transferência de renda no Brasil 
O primeiro PTR planejado no Brasil, denominado Programa de Garantia de 
Renda Mínima (PGRM), visava a garantia de uma renda mínima a todos os Brasileiros 
maiores de 25 anos sem a necessidade do cumprimento de alguma condicionalidade, 
todavia o programa não foi implantado. O debate sobre a exigência da contrapartida 
da população e assim a complementação dos programas por meio da exigência das 
condicionalidades, fortalecem a discussão sobre a implantação dos programas, dando 
início a criação de programas municipais com condicionalidades voltadas a educação 
(SUPLICY, 1998). 
Em 2001 é criado o Programa Bolsa-Renda destinado para famílias assoladas 
pela seca no estado de Minas Gerais. Em 2002 o programa é expandido para famílias 
de agricultores estados em calamidade ou emergência. No ano seguinte, é criado o 
programa Nacional de Acesso à Alimentação (Cartão Alimentação) que prioriza as 
famílias cadastradas no programa Bolsa Renda, tendo suas ações voltadas à 
promoção da segurança alimentar e nutricional (SANTOS; PASQUIM; SANTOS, 
2011). 
O primeiro PTR no âmbito federal foi o Programa de Erradicação do Trabalho 
Infantil (PETI), lançado em 1996, todavia, outros programas municipais o 
antecederam, como o Bolsa Família para Educação, Renda Familiar Mínima e 
Garantia de Renda Familiar Mínima, tendo eles em comum as condicionalidades que 
estavam vinculadas apenas a educação, assim como o PETI, que visa retirar crianças 
e adolescentes, de 7 a 14 anos, da condição de trabalho para as escolas por meio de 
incentivo financeiro (CARVALHO, 2004; PIRES, 2013). 
O Programa Bolsa Escola (PBE), criado em 2001, fornecia o benefício de 
R$15,00 reais por beneficiário, até o limite de R$ 45,00, para as famílias com renda 
mensal per capita inferior a R$90,00 que mantivessem as crianças de 6 a 15 anos 
com uma frequência escolar mínima de 85% (BRASIL, 2002). Também em 2001 foi 
criado o primeiroprograma nacional de renda mínima vinculado a saúde: “Bolsa 
Alimentação”, primeiro programa cuja condicionalidades estavam vinculadas a saúde, 
era destinado a gestantes, nutrizes e crianças de seis meses a seis anos e onze 
meses de idade, de famílias com mensal per capita inferior a R$90,00. Entre as 
condicionalidades do programa, destacam-se: a realização de pré-natal para 
gestantes; cumprir o calendário vacinal da criança para nutrizes; e cumprir o 
15 
 
calendário vacinal e a suplementação com vitamina A, para responsáveis de crianças 
de seis meses a seis anos (BRASIL, 2001). 
Em 2003, com o lançamento do PFZ e o entendimento do impacto dos 
Programas de TCR nas famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, o 
governo federal unifica os PTR vinculados a saúde, educação e assistência social 
(Bolsa Escola, Cartão Alimentação, Bolsa Alimentação e Auxílio-Gás) no Programa 
Bolsa Família (PBF) por meio do Cadastro Único (CadÚnico) para todos os seus 
programas sociais (BRASIL, 2004). 
A necessidade da criação de um programa único foi resultado de uma 
estratégia visando a redução de desperdício de recursos devido à ausência de uma 
coordenação geral e a dispersão dos programas em diferentes instâncias executoras, 
o que resultava em um atendimento ineficaz a população, podendo uma família 
receber mais de um PTCR (SILVA, 2007). 
 O PBF foi criado a partir da Medida provisória nº 132, de 20 de outubro 2003 
(BRASIL, 2003) a qual foi convertida na Lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004 
(BRASIL, 2004) e regulamentado pelo Decreto 5.209, de 17 de setembro de 
2004(BRASIL, 2004). Tem como base o auxílio financeiro a famílias em situação de 
extrema pobreza (renda per capita de até R$ 89,00) com qualquer composição familiar 
e pobreza (renda per capita entre R$ 89,01 e R$ 178,00) que tenham gestantes ou 
indivíduos com menos de 17 anos compondo a família (BRASIL, 2018). 
 O programa está vinculado ao Ministério de Desenvolvimento Social e Combate 
à Fome (MDS) (http://mds.gov.br/), criado em 2004 e responsável por políticas de 
segurança alimentar (SAN), assistência social e transferência de renda. Atendendo 
mais de 13 milhões de famílias e repassando mais de 23 milhões de reais (Tabela 1). 
Fazendo parte da estratégia de combate à fome e a pobreza, associado à 
garantia de acesso aos direitos humanos, o programa proporciona a inclusão social 
das famílias fornecendo condições mínimas para que elas possam sair da situação de 
vulnerabilidade social (CABRAL; LOPES; LOPES; VIANNA, 2014). 
 Os benefícios são divididos em 4 grupos diferentes: Benefício Básico, R$ 89, 
pago apenas a famílias extremamente pobres; Benefícios Variáveis, R$ 41 cada, 
tendo um limite de até cinco por família (R$ 205); Benefício Variável Vinculado ao 
Adolescente ou Benefício Variável Jovem (BVJ), no valor de R$ 48 (até dois por 
família), pago às famílias com renda mensal de até R$ 178 por pessoa e que tenham 
adolescentes entre 16 e 17 anos em sua composição (BRASIL, 2018). 
16 
 
É exigida frequência escolar dos adolescentes; e o Benefício para Superação 
da Extrema Pobreza, calculado individualmente para cada família, destinado às 
famílias que continuem com renda mensal por pessoa inferior a R$ 89, mesmo após 
receberem os outros tipos de benefícios. Trata-se de um benefício único, calculado 
de acordo com a renda e quantidade de pessoas da família, para garantir que a família 
atinja o piso mínimo de R$ 89,01 de renda per capita (BRASIL, 2004; 2018). 
 
Tabela 1. Famílias beneficiárias e valor repassado por região e Brasil, 2019. 
Região Famílias beneficiárias Valor repassado N % R$ % 
Centro-Oeste 622.961,00 4,60 976.021.625,00 4,14 
Nordeste 6.895.773,00 50,94 12.194.754.129,00 51,78 
Norte 1.747.897,00 12,91 3.354.636.243,00 14,25 
Sudeste 3.474.017,00 25,66 5.747.787.130,00 24,41 
Sul 796.489,00 5,88 1.275.886.400,00 5,42 
Brasil 13.537.137,00 100,00 23.549.085.527,00 100,00 
Fonte: aplicacoes.mds.gov.br 
 Os Benefícios Variáveis são ainda subdivididos em três modalidades: Benefício 
Variável Vinculado à Criança ou ao Adolescente de 0 a 15 anos, concedido as famílias 
pobres ou extremamente pobres que tenham crianças ou adolescentes de 0 a 15 anos 
de idade em sua composição com acompanhamento da frequência escolar dos jovens 
entre 6 e 15 anos de idade (BRASIL, 2004; 2018). 
Benefício Variável Vinculado à Gestante: Nove parcelas mensais, paga às 
famílias com renda mensal de até R$ 178 por pessoa e que tenham gestantes 
identificadas pela área de saúde e inserida na plataforma e-Gestor AB, Sistema Bolsa 
Família (SBF) até o nono mês. Benefício Variável Vinculado ao Nutriz: Até seis 
parcelas mensais paga às famílias com renda mensal de até R$ 178 por pessoa e que 
tenham crianças com idade entre 0 e 6 meses em sua composição, mesmo nos casos 
em que o bebê não more com a mãe ou faleça antes dos seis meses. Para que o 
benefício seja concedido, a criança precisa ter seus dados incluídos no Cadastro 
Único até o sexto mês de vida (BRASIL, 2004; 2012). 
O valor final será específico para cada caso, sendo a soma dos tipos de 
benefícios previstos, respeitando o máximo para cada modalidade (Quadro 1). Com a 
consolidação do PBF, o governo passa a adicionar condicionalidades, não existentes 
nos programas anteriores (BRASIL, 2003). O programa foi idealizado buscando a 
redução da pobreza de maneira imediata pela transferência de dinheiro, reduzindo a 
17 
 
fome, promovendo a segurança alimentar e nutricional, e a desintegração do ambiente 
familiar (PASE; CORBO MELO, 2017). 
À médio e longo prazo, o programa busca romper o ciclo intergeracional da 
pobreza, exigindo condicionalidades, com a perspectiva de reforçar o acesso a direitos 
sociais básicos nos campos da educação, saúde e assistência social, dando melhores 
condições para os filhos das famílias beneficiadas, estimulando a melhoria do nível 
educacional e das condições de saúde, proporcionando qualificação profissional e 
inserção do mercado de trabalho (LEROY; FERREIRA; MOREIRA; SILVA, 2011; 
PIRES, 2013). 
Tratando das condicionalidades no campo da saúde, as famílias beneficiarias 
precisam ter o acompanhamento do crescimento e desenvolvimento das crianças 
menores de sete anos, do cartão de vacinação, das mulheres de 14 a 44 anos, 
gestantes e nutrizes e dos seus bebês, além de realizar o pré-natal (BRASIL, 2004). 
No campo da educação, todas as crianças e adolescentes entre 6 e 15 anos 
devem apresentar frequência escolar mensal mínima de 85% e os adolescentes entre 
16 e 17 anos devem ter frequência mínima de 75% (BRASIL, 2004). De forma 
complementar, as crianças e adolescentes com até 15 anos em risco ou retiradas do 
trabalho infantil pelo Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), devem 
participar dos Serviços de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV) do PETI 
e obter frequência mínima de 85% da carga horária mensal (PEDROSO; CÔRREA, 
2014). 
Além da adoção é necessário o acompanhamento do cumprimento das 
condicionalidades, para isso foi criado o Índice de Gestão Descentralizada (IGD), 
baseado em dados da gestão do município como os indicadores de condicionalidades 
de educação e saúde, e indicadores do cadastro único de qualidade e de certificação 
(BRASIL, 2011). 
A adoção e acompanhamento das condicionalidades deve-se a necessidade 
de implementação da estratégia, ampliando o acesso aos serviços sociais e 
capacitação para inserção no mercado de trabalho, visto que apenas a transferência 
de renda limita o efeito do programa sem reduzir o quadro de desigualdade social 
(SANTOS; MAGALHÃES, 2012). 
O cadastramento da família no Cadastro Único não significa sua entrada 
automática no PBF, sendo necessário a adequação de todas as exigências do 
programa e acompanhamento das condicionalidades, sendo este um processo 
18 
 
complexo que necessita da articulação dos entes federativos e diferentes setores,como saúde, educação e assistência social (SENNA; BRANDÃO; DALT, 2016). 
Quadro 1. Tipos, valores e exigências dos benefícios do programa bolsa família, 2018. 
Tipo de 
Benefício 
Família com renda 
por pessoa de até 
R$ 89/mês 
Família com 
renda por 
pessoa de R$ 
89 até R$ 
178/mês 
Exigências 
Benefício Básico R$ 89 - 
Concedido à famílias 
em situação de 
extrema pobreza 
independente da 
composição familiar. 
Benefício 
Variável 
(Criança ou 
Adolescente de 
0 a 15 anos, 
Gestante e 
Nutriz) 
R$ 41 (até cinco por 
família) 
R$ 41 (até 
cinco por 
família) 
Concedido às 
famílias pobres e 
extremamente 
pobres com crianças 
e adolescentes entre 
0 e 15 anos e/ou 
gestantes. 
Benefício 
Variável 
Vinculado ao 
Adolescente 
R$ 48 (até dois por 
família) 
R$ 48 (até 
dois por 
família) 
Concedido às 
famílias pobres e 
extremamente 
pobres com 
adolescentes entre 
16 e 17 anos, 
matriculados na 
escola. 
Benefício para 
Superação da 
Extrema 
Pobreza 
Calculado 
Individualmente para 
cada família a partir 
da renda per capita e 
do benefício já 
recebido. 
- 
Concedido às 
famílias que se 
encontrem em 
situação de extrema 
pobreza 
Fonte: Decreto nº 9.396, de 30 de maio de 2018 (BRASIL, 2018). 
 
As famílias cadastradas têm a obrigação, com risco de exclusão do Programa, 
a manutenção de crianças e jovens de 7 a 15 anos na escola e a frequência regular 
aos postos de saúde de crianças menores de 6 anos, e de gestantes, para o 
acompanhamento do pré-natal (BRASIL, 2004). 
Para cada município é estabelecida uma estimativa do número de famílias em 
situação de pobreza, calculada com base nos dados do Censo Demográfico e da 
Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). A família receberá um 
benefício único, calculado de acordo com a composição familiar (BRASIL, 2012). 
19 
 
A Segurança Alimentar e Nutricional e seus métodos de avaliação 
A avaliação da segurança alimentar é complexa, possuindo diversas 
concepções internacionais e diferentes métodos de mensuração dos seus 
determinantes. Há quatro métodos indiretos utilizados nacionalmente: antropometria, 
método da Organização para Alimentação e Agricultura (FAO), pesquisa de 
orçamento familiar (POF) e avaliação do consumo dietético individual. O método de 
avaliação indireta é baseado na construção de linhas de pobreza, e é baseado na 
condição de renda de cada família (SEGALL-CORRÊA; MARIN-LEON; HELITO; 
PÉREZ-ESCAMILLA et al., 2008). Assim, sugere-se que ao aumentar a renda e 
reduzir a desigualdade, melhorará a situação de segurança alimentar da população 
(BELIK, 2012). 
O método da FAO é o método mais comumente utilizado para medir à 
disponibilidade alimentar de um país, por estimar as calorias disponíveis por individuo 
de um determinado território com base na balança de alimentos (SEGALL-CORRÊA; 
PÉREZ-ESCAMILLA; MARANHA; SAMPAIO et al., 2004). Os dados são 
apresentados em per capitas, utilizando-se como base a população do país em 
questão. São necessárias informações sobre produção, exportações, importações, 
estoques, desperdícios de alimentos e o número de habitantes no ano de referência 
da estimativa para aquele país (PEREZ-ESCAMILLA; DE TOLEDO VIANNA, 2012). 
Esse é um método de baixo custo, utilizado em nível mundial e que possibilita 
a comparações de estudos de diferentes países (SEGALL-CORRÊA; PÉREZ-
ESCAMILLA; MARANHA; SAMPAIO et al., 2004). Todavia, a dificuldade da precisão 
das informações mostra-se a maior desvantagem do método, assim como a 
impossibilidade de uma análise individual, visto que é trabalhado com dados 
agregados em nível nacional (DAWE, 2013). 
A insegurança alimentar (IA) é cada vez menos uma questão de disponibilidade 
de alimentos, o problema em questão, apontado desde a década de 70, é a dificuldade 
de acesso (PANIGASSI; SEGALL-CORRÊA; MARIN-LEÓN; PÉREZ-ESCAMILLA; 
MARANHA et al., 2008). A compreensão dos fatores que interferem no acesso em 
grupos familiares específicos, mostra-se mais importante do que uma análise a nível 
nacional (DAWE, 2013). 
O método de avaliação direta, consiste na utilização de um questionário de 
INSAN que consiste de uma escala psicométrica, fundamentada na experiência da 
20 
 
família (SEGALL-CORRÊA; PÉREZ-ESCAMILLA; MARANHA; SAMPAIO et al., 
2004). 
O questionário de INSAN americano, foi concebido por meio de adaptações de 
um estudo com 32 mulheres (RADIMER; OLSON; GREENE; CAMPBELL et al., 1992) 
e adotado, desde 1995, pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (United 
States Department of Agriculture) (USDA, 2010). A partir de uma adaptação desse 
módulo americano, foi validada a Escala Brasileira de Insegurança Alimentar – EBIA, 
utilizada para classificar a situação de INSAN das famílias Brasileiras (SEGALL-
CORRÊA; PÉREZ-ESCAMILLA; MARANHA; SAMPAIO et al., 2004). 
Todo o processo de validação foi acompanhando externamente por 
especialistas de diversas instituições nacionais e internacionais, cumprindo todas as 
etapas previstas nas recomendações internacionais (PÉREZ-ESCAMILLA; SEGALL-
CORRÊA; KURDIAN MARANHA; SAMPAIO et al., 2004). 
Por fim, foi disponibilizado um questionário, com alta validade interna, que pode 
ser comprovada através da aceitação dos participantes, pela análise dos 
especialistas, e através da compreensão dos conceitos por parte dos representantes 
da comunidade locais que participaram dos grupos focais; alta validade preditiva, 
medida pela associação entre gradientes de INSAN e extratos de renda e padrão 
diário de consumo alimentar; alta consistência interna medida por valores do 
coeficiente Alpha de Chronbach acima do recomendado (PÉREZ-ESCAMILLA; 
SEGALL-CORRÊA; KURDIAN MARANHA; SAMPAIO et al., 2004) 
 Desse modo, a EBIA é um questionário confiável que permite a medida direta, 
com base nas informações da família entrevistada, da preocupação da família em 
relação ao medo da falta de comida e não ter condições de adquirir mais, até mesmo 
a experiência direta da restrição alimentar grave, na qual algum componente da 
família pode ficar até um dia sem comer (MARIN-LEON; FRANCISCO; SEGALL-
CORRÊA; PANIGASSI, 2011), Leticia et al. A percepção de INSAN em famílias com 
idosos em Campinas, São Paulo, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, v. 21, p. 1433-
1440, 2005). 
É uma escala que capta a progressiva piora da situação, passando pelos níveis 
intermédios em que as famílias busca estratégias de utilização de menor quantidade 
de alimentos, piora da qualidade nutritiva e diversificação da dieta, em função de 
reduzir custos, como ainda a supressão de algumas refeições, sendo as crianças 
poupadas nas situações de menor gravidade (BERLT; WICHMANN, 2007). 
21 
 
A condição mais grave, refere-se ao ponto onde a família passa por períodos 
concretos de restrição na disponibilidade de alimentos para seus membros, em que 
as crianças são atingidas (SEGALL-CORRÊA; MARIN-LEÓN; MELGAR-QUIÑONEZ; 
PÉREZ-ESCAMILLA, 2014). O escore da classificação da família refere-se a 
pontuação dada para cada resposta afirmativa das perguntas da EBIA, considerando 
a existência ou não de algum morador menor de 18 anos de idade (SEGALL-
CORRÊA; MARIN-LEON; HELITO; PÉREZ-ESCAMILLA et al., 2008). 
 A EBIA é um instrumento de fácil aplicação e baixo custo. Os diferentes níveis 
de insegurança refletem: A) INSAN LEVE: receio ou medo de sofrer INSAN no futuro 
próximo (componente psicológico da insegurança) e problemas de qualidade da 
alimentação da família; B) INSAN MODERADA: restrição na quantidade dos alimentos 
na família;31 C) INSAN GRAVE: fome entre adultos e/ou crianças da família 
(SEGALL-CORRÊA; MARIN-LEON; HELITO; PÉREZ-ESCAMILLA et al., 2008). 
Além da grande vantagem de medir diretamente o fenômeno de interesse, este 
método é, na realidade, o único que permite captar não só as dimensões físicas, mas 
também as dimensões psicológicas da INSAN e ainda classificar os domicílios de 
acordo com sua vulnerabilidadeou nível de exposição a INSAN (PESSANHA; 
VANNIER-SANTOS; MITCHELL, 2008). 
Comunidades quilombolas e o contexto da segurança alimentar 
Na perspectiva histórica, Comunidades Quilombolas (CQs) são regiões de 
refúgio e sobrevivência para nativos, e seus descendentes, do continente africano que 
foram escravizados durante a época colonial no Brasil (FURTADO; PEDROZA; 
ALVES, 2014). Com o fim da escravidão, houve a ampliação da discussão dos direitos 
institucionais da população negra, se expandindo dentro da sociedade civil, nos 
movimentos sociais, políticos e acadêmicos (FAO, 2014). 
A partir da compreensão da identidade e territorialidade dessa população, foi 
possível contempla-la nas políticas públicas pela garantia de outros direitos além 
daqueles atrelados apenas a população quilombola, como a segurança alimentar 
(SANTOS; GARAVELLO, 2016). 
Entretanto, para o planejamento de ações voltadas para a redução da situação 
de INSAN nas CQs é necessário a construção e observação de diversos estudos, e 
mesmo com o avanço das pesquisas, a discussão dos fatores que devem ser 
22 
 
considerados para a sua avaliação nas CQs ainda é incipiente (BEZERRA; 
MEDEIROS; GOMES; SOUZAS et al., 2014). 
Dependendo do método empregado, as conclusões estarão associadas a 
diferentes fatores, por exemplo, quando a abordagem é realizada por meio de 
indicadores demográficos e econômicos, considera-se a realização conforme marcos 
teóricos da SAN; já partindo de uma perspectiva antropológica e etnográfica, segundo 
as ciências sociais, a interpretação dos fatores estará baseada nos indicadores 
qualitativos da SAN (BRASIL, 2014). 
A maioria dos estudos com CQs, utiliza a mesma abordagem de pesquisas com 
populações não quilombolas, por meio da aplicação do EBIA (ALMEIDA; SANTOS; 
NASCIMENTO; OLIVEIRA et al., 2017; ANSCHAU; MATSUO; SEGALL-CORRÊA, 
2012; FERREIRA; SOUZA; MOURA; HORTA, 2014), levando a conclusões 
semelhantes sobre os fatores causais da INSAN, como fatores socioeconômicos, a 
falta de acesso a bens e serviços e o isolamento geográfico (LANDIM; CALDAS; 
MAGALHÃES; OLIVEIRA et al., 2016; MONEGO; PEIXOTO; DE MORAIS 
CORDEIRO; COSTA, 2010). 
A falta de dinheiro é um componente essencial para a ocorrência da INSAN, 
como observado pelos resultados dos estudos que utilizaram a escala (LANDIM; 
CALDAS; MAGALHÃES; OLIVEIRA et al., 2016; MONEGO; PEIXOTO; DE MORAIS 
CORDEIRO; COSTA, 2010), assim, é possível compreender a importância da renda 
para determinação da segurança alimentar e consequentemente de programas que 
auxiliam a complementação da renda. 
O impacto do Programa Bolsa Família na segurança alimentar de grupos 
distintos 
O PBF é considerando um dos pilares para o desenvolvimento do Brasil, com 
impacto significativo na redução da desigualdade de renda, fome e pobreza extrema. 
Em cerca de uma década, o PBF contribuiu com cerca de 20% na redução observada 
da desigualdade de renda (HOFFMANN; JESUS; ALMEIDA, 2018). 
Entretanto, a evolução dos indicadores das CQs não é semelhante ao das 
populações não quilombolas. Mesmo com a redução significativa da pobreza em 
grupos que recebem o benefício, provavelmente porque no Brasil, o acesso ao 
alimento é por meio da compra na maioria das regiões, não se deve desconsiderar 
23 
 
outros indicadores que influenciam e agravam a condição em diferentes populações 
(CABRAL; LOPES; LOPES; VIANNA, 2014). 
Assim, a eficácia do PBF está associada ao planejamento de diferentes ações 
para redução da desigualdade social, de fortalecimento do Sistema Único de Saúde, 
e de programas que garantam o cumprimento das condicionalidades de acordo com 
a realidade de cada grupo, levando a redução da INSAN e da quebra do ciclo 
intergeracional da pobreza (MOURÃO; JESUS, 2011). 
24 
 
3 OBJETIVOS 
3.1 Geral 
Comparar a população quilombola e a população geral do estado de Alagoas, a 
associação entre a condição de usuário do Programa Bolsa Família e a ocorrência da 
insegurança alimentar e seus fatores associados. 
3.2 Específicos 
• Caracterizar os indivíduos, beneficiários e não beneficiários, das comunidades 
quilombolas e da população geral do estado de Alagoas, segundo variáveis sociais, 
econômicas e demográficas; 
• Identificar a prevalência de famílias com insegurança alimentar nas 
comunidades quilombolas e na população geral do estado de Alagoas; 
• Investigar a prevalência de insegurança alimentar entre as comunidades 
quilombolas e nas famílias do estado de Alagoas, segundo acesso a programas 
Bolsa Família. 
• Investigar os fatores associados à insegurança alimentar em famílias beneficiárias 
e não beneficiárias do Programa Bolsa Família das comunidades quilombolas e da 
população geral do estado de Alagoas. 
 
 
25 
 
4 CASUÍSTICA E MÉTODOS 
4.1 Tipo de estudo e planejamento amostral 
Estudo transversal com dados secundários procedentes de dois inquéritos de 
base populacional, denominados “II Diagnóstico de saúde da população materno-
infantil do estado de Alagoas” e “II Diagnóstico de nutrição e saúde da população 
materno-infantil das comunidades remanescentes dos quilombos do estado de 
Alagoas”, concluídos, respectivamente, em 2015 (Pesquisa Alagoas-2015) e 2018 
(Pesquisa Quilombola-2018). 
Pesquisa Alagoas-2015 
Estudo transversal que teve como objetivo estimar a prevalência e fatores 
associados à INSAN nas famílias do estado de Alagoas (Nordeste do Brasil). 
Foi realizado um processo de amostragem probabilística em quatro estágios, 
sorteando-se: (1º) 30 dentre os 102 municípios do estado; (2º) quatro setores 
censitários por município ponderando pela proporção entre áreas urbanas e rurais; 
(3º); um quarteirão em cada setor censitário e; (4º) uma esquina do quarteirão a partir 
da qual eram elegíveis os 30 domicílios consecutivos a partir da primeira casa 
identificada. 
Dados socioeconômicos, ambientais e de saúde de 3366 famílias foram 
coletados por meio de entrevista durante visitas domiciliares. Maiores detalhes podem 
ser encontrados na publicação de Costa et al. (COSTA; SANTOS; CARVALHO; 
ASSUNÇÃO et al., 2017). O cálculo do tamanho da amostra foi realizado com a 
ferramenta StatCalc do Epi-info, versão 7.2.1.0 (Centros para Controle e Prevenção 
de Doenças - CDC, Washington, EUA). 
Pesquisa Quilombola-2018 
Estudo transversal realizado em 34 comunidades sorteadas dentre as 68 
comunidades remanescentes de quilombos existentes em Alagoas em 2018 (ITERAL, 
2011), as quais encontram-se distribuídas em 27 municípios do estado. As 
comunidades foram selecionadas por amostragem sistemática de forma semelhante 
a Pesquisa Alagoas-2015 e eram elegíveis para o estudo o universo da população 
residente em cada uma dessas comunidades. 
26 
 
4.2 Coleta de dados 
Em ambas as pesquisas, os dados foram obtidos nos respectivos domicílios 
por meio de entrevistas aplicadas à mulher identificada como a “dona de casa”. 
A situação de INSAN foi definida pela aplicação da EBIA (SEGALL-CORRÊA; 
MARIN-LEÓN; MELGAR-QUIÑONEZ; PÉREZ-ESCAMILLA, 2014), cujo formulário 
consta de 14 perguntas fechadas, com respostas “sim ou não” sobre a experiência 
alimentar da família nos últimos três meses. 
Cada resposta afirmativa do questionário representa um ponto, sendo a 
classificação da escala baseada no somatório, variando em uma amplitude de zero a 
14 pontos nas residências com indivíduos menores (CM) de 18 anos e de zero a 8 
pontos em residências que não possuem indivíduos com idade inferior a 18 anos (SM), 
já que as seis últimas perguntas da EBIA são destinadas a essas pessoas (LIGNANI; 
PALMEIRA; ANTUNES; SALLES-COSTA, 2020; SEGALL-CORRÊA; MARIN-LEÓN; 
MELGAR-QUIÑONEZ; PÉREZ-ESCAMILLA, 2014). 
 A escala permite classificar a família em quatro estratos: segurança alimentar 
(0 pontos), INSAN leve (1-5 pontos, CM; 1–3 pontos, SM), INSAN moderada (6–9 
pontos, CM; 4–5 pontos, SM) e INSAN grave (10–14 pontos, CM; 7–8 pontos, SM)(LIGNANI; PALMEIRA; ANTUNES; SALLES-COSTA, 2020; SEGALL-CORRÊA; 
MARIN-LEÓN; MELGAR-QUIÑONEZ; PÉREZ-ESCAMILLA, 2014). 
A classificação econômica das famílias foi obtida com a aplicação do 
instrumento elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) 
(ABEP, 2018), obtendo-se seis diferentes classes: A, B1, B2, C1, C2, D-E. Estas são 
estabelecidas a partir de um sistema de pontuação (0 a 100 pontos) conforme a 
existência e o número de determinados bens de consumo existentes no domicílio, o 
grau de instrução do chefe da família e o acesso a água encanada e rua pavimentada. 
Para fins de análise, na presente pesquisa os estratos originalmente propostos foram 
consolidados em 4 classes A, B, C e D-E. 
A saúde mental da mulher foi avaliada por meio da aplicação do Self Report 
Questionnaire (SRQ-20), desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde para ser 
utilizado como um instrumento de rastreamento de transtornos psiquiátricos menores, 
como ansiedade, angustia e tristeza (HARDING; DE ARANGO; BALTAZAR; 
CLIMENT et al., 1980). É composto de 20 questões do tipo sim/não. A partir de sua 
27 
 
validação, convencionou-se o ponto de corte ≥ 8 respostas positivas para identificação 
de casos prováveis de transtornos mentais comuns (TMC) (MARI; WILLIAMS, 1985). 
As demais variáveis socioeconômicas e ambientais, foram obtidas por 
entrevista seguindo roteiro em formulários estruturados. As variáveis obtidas foram: 
cor/raça da mulher, escolaridade da mulher e do chefe da família (FACCHINI; NUNES; 
MOTTA; TOMASI et al., 2014), renda familiar mensal per capita (em número de 
salários mínimos), número de cômodos na residência (>4 ou ≤ 4) (CARDOZO; 
ROSSATO; COSTA; OLIVEIRA et al., 2020), tipo de construção (alvenaria ou 
diferente), ocupação da casa (se própria ou não), se na família consta criança ou 
adolescente (sim; não), coleta de lixo (se pública ou não), número de pessoas por 
domicílio (>4 ou ≤ 4) (CARDOZO; ROSSATO; COSTA; OLIVEIRA et al., 2020), origem 
da água de uso geral na casa (encanada ou não), origem da água utilizada para beber 
(encanada/mineral ou outra) e se a mulher era hipertensa. O diagnóstico da 
hipertensão seguiu o mesmo protocolo descrito por Lira (LIRA; VASCONCELOS; 
SANTOS; DUARTE et al., 2021). 
4.3 Análise estatística 
Na análise descritiva, foram utilizadas frequências absolutas e relativas. A 
condição de usuário ou não do PTR foi analisada de forma comparativa (quilombolas 
vs. não quilombolas) conforme as diferentes categorias das variáveis independentes, 
para o que usou-se o teste qui-quadrado com nível de significância de 5,0% (p < 0,05). 
Para análise dos fatores associados à INSAN foi realizada análise múltipla por 
regressão de Poisson com ajuste robusto, seguindo um modelo conceitual hierárquico 
adaptado de VICTORA; HUTTLY; FUCHS e OLINTO (1997) (Figura 1). A variável 
independente foi a condição de usuário do PTR. As demais covariáveis que 
apresentaram valor p<0,20 na análise bruta entraram na análise múltipla seguindo o 
modelo hierárquico. 
As covariáveis de interesse foram adicionadas ao modelo em níveis 
hierárquico, no qual as variáveis socioeconômicas constituíram o nível mais distal, o 
nível 1; as variáveis ambientais, o nível 2; e as variáveis de hipertensão e saúde 
mental, o nível 3, o nível mais proximal. A análise hierarquizada iniciou-se com as 
variáveis do nível 1 e subsequentemente foram introduzidas as variáveis dos níveis 
seguintes. 
 
28 
 
Os resultados foram expressos por razões de prevalências (RP) ajustadas e 
respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Foram consideradas 
estatisticamente significantes as associações com valores de p<0,05. 
As covariáveis que apresentaram valores de p > 0,05 foram retiradas do modelo 
e reavaliadas uma a uma quanto a alterações na magnitude das razões de prevalência 
das variáveis que permaneceram no modelo. Por fim, foi incluído um modelo de termo 
para a interação entre os dois modelos finais ajustados. Todas as análises foram 
realizadas no software Stata versão 13.0 (StataCorp). 
 
Figura 1. Modelo em blocos hierarquizado proposto para análise do programa de 
transferência de renda e local da pesquisa e demais covariáveis associadas a 
insegurança alimentar. 
 
4.4 Aspectos Éticos 
Os estudos seguiram as diretrizes estabelecidas pela Declaração de Helsinque 
para pesquisas envolvendo seres humanos. Ambos os projetos foram aprovados pelo 
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (pesquisa Alagoas-
2015: 09093012.0.0000.5013; pesquisa Quilombola-2018: 33527214.9.0000.5013). 
Todos os participantes atestaram sua concordância assinando o Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido. 
29 
 
5 RESULTADOS 
Foram investigadas 5764 famílias, sendo 3299 na Pesquisa Alagoas-2015 e 
2465 na Pesquisa Quilombola-2018. Conforme consta na Tabela 1, 52,6% e 58,5% 
estavam cadastradas no PTR, respectivamente. As famílias das comunidades 
quilombolas se distinguiram pelos piores indicadores socioeconômicos, com a 
maiorias das famílias pertencendo à classe econômica D/E (93,1% vs. 54,7%; 
P<0,001). Também possuíam piores níveis de escolaridade do chefe (70,1% vs. 
40,1%) e da mulher (47,2% vs. 26,2%). Houve grande diferencial em relação ao 
acesso a água encanada na residência (73,1% vs. 29,4%) (Tabela 2). 
Nas duas pesquisas a maioria das famílias possuía renda familiar mensal per 
capita inferior a um salário mínimo, mais do que quatro cômodos na casa e menos do 
que quatro pessoas por domicílio. Construções de alvenaria foram as mais frequentes, 
assim como o acesso a coleta pública de lixo. A maioria das mulheres eram negras 
ou pardas e não tinham hipertensão (Tabela 2). 
Tabela 2. Características socioeconômicas e ambientais das famílias em Alagoas e nas comunidades 
quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis Pesquisa Alagoas-2015 Pesquisa Quilombola-2018 P n % n % 
Programa de transferência de renda 
Sim 1734 52,6 1441 58,5 < 0,001 
Não 1565 47,4 1024 41,5 
Situação de Segurança Alimentar 
SAN 1371 41,6 803 32,6 
INSAN Leve 1107 33,6 808 32,8 < 0,001 
INSAN moderada 523 15,9 501 20,3 
INSAN grave 298 9,0 353 14,3 
Classificação econômica¹ 
B 302 9,2 8 0,3 
C 1191 36,1 162 6,6 < 0,001 
DE 1806 54,7 2292 93,1 
Escolaridade do chefe 
> 4 1923 59,9 717 29,9 < 0,001 
≤ 4 1289 40,1 1684 70,1 
Renda familiar per capita² 
> 1 659 24,8 973 39,5 < 0,001 
≤ 1 1995 75,2 1492 60,5 
Número de cômodos 
> 4 2762 83,8 1936 78,7 < 0,001 
≤ 4 535 16,2 525 21,3 
Família com menores de 18 anos 
Não 770 23,3 870 35,3 < 0,001 
Sim 2529 76,7 1595 64,7 
Tipo de moradia 
Alvenaria 3275 99,3 2341 95,0 < 0,001 
Outros 24 0,7 124 5,0 
30 
 
Escolaridade materna (anos) 
> 4 2306 73,8 972 52,8 < 0,001 
≤ 4 819 26,2 869 47,2 
Cor da pele materna 
Branca 700 22,5 162 8,8 < 0,001 
Outra 2410 77,5 1684 91,2 
Destino do lixo 
Coleta publica 2901 87,9 1264 51,4 < 0,001 
Outra 398 12,1 1197 48,6 
Número de pessoas no domicílio 
≤ 4 2271 68,8 1840 74,6 < 0,001 
> 4 1028 31,2 625 25,4 
Domicílio 
Próprio 2046 62,0 2265 91,9 < 0,001 
Outro 1253 38,0 200 8,1 
Água para consumo 
Rede pública 2427 73,6 731 29,7 < 0,001 
Outra 871 26,4 1732 70,3 
Água para uso geral 
Encanada 2323 70,5 664 26,9 < 0,001 
Outra 974 29,5 1801 73,1 
SRQ 
< 8 1595 51,8 1090 59,1 < 0,001 
≥ 8 1486 48,2 753 40,9 
Hipertensão materna 
Não 2584 83,8 1394 78,9 < 0,001 
Sim 498 16,2 372 21,1 
SAN: Segurança alimentar; INSAN: Insegurança alimentar e nutricional; PTR: Programa de 
Transferência de Renda. ¹CCEB: critério de classificação econômica Brasil. ²Renda em salário mínimo 
(2015: R$724,0; 2018: R$934,0). SRQ: Self Report Questionnaire. 
 
Foram encontradas maiores prevalências de INSAN moderada (20,3% vs 
15,9%) e grave (14,3% vs 9,0%) na população quilombola (Tabela 2). Em ambas as 
pesquisas os beneficiários do PTR apresentarammaiores prevalências de INSAN em 
todos os níveis (Figura 2). 
Na pesquisa Alagoas-2015, as famílias cadastradas no PTR pertenciam 
majoritariamente à classe econômica D/E (72,4%), renda familiar mensal per capita 
menor que 1 salário-mínimo (85,6%), com água para consumo e para uso geral de 
rede pública (66,9% e 64,3%, respectivamente) e com mulher com caso provável de 
TMC (53,7%) (Tabela 3). 
 
 
 
31 
 
Figura 2. Classificação da segurança alimentar e nutricional segundo inserção no Programa de 
transferência de renda em Alagoas e nas comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
 
PTR: Programa de Transferência de Renda; SAN: Segurança Alimentar e Nutricional; INSAN: 
Segurança Alimentar e Nutricional. 
As famílias quilombolas usuárias do PTR apresentaram características 
semelhantes às famílias da pesquisa Alagoas-2015, com exceção da escolaridade do 
chefe, onde as famílias quilombolas cadastradas no programa possuíram maioria dos 
chefes com quatro anos ou menos de estudo (64,2%) e a maioria não tendo 
disponibilidade de água para consumo de rede pública (72,2%). Entre as 
semelhanças, destaca-se a grande parcela da população classificada na classe D/E 
(94,8%), além de não possuírem coleta pública de lixo (50,7%) (Tabela 3). 
 
Tabela 3. Características socioeconômicas e ambientais das famílias segundo inserção no programa 
de transferência de renda em Alagoas e nas comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis 
Pesquisa Alagoas-2015 
P 
Pesquisa Quilombola-2018 
P 
Sem PTR Com PTR Sem PTR Com PTR 
n % n % n % n % 
Classificação econômica¹ 
B 271 17,32 31 1,79 7 0,68 1 0,07 
C 744 47,54 447 25,78 < 0,001 88 8,59 74 5,15 < 0,001 
DE 550 35,14 1256 72,43 929 90,72 1363 94,8 
 
Escolaridade do chefe 
 
> 4 1080 70,31 843 50,3 < 0,001 213 21,5 504 35,8 < 0,001 
≤ 4 456 29,69 833 49,7 779 78,5 905 64,2 
 
Renda familiar per capita² 
> 1 459 36,28 200 14,4 < 0,001 516 50,4 457 31,7 < 0,001 
≤ 1 806 63,72 1189 85,6 508 49,6 984 68,3 
 
Número de cômodos 
32 
 
> 4 1352 86,5 1410 81,31 < 0,001 814 79,59 1,122 78,1 0,357 
≤ 4 211 13,5 324 18,69 209 20,41 316 21,9 
 
Família com menores de 18 anos 
Não 582 37,19 188 10,84 < 0,001 648 63,3 222 15,41 < 0,001 
Sim 983 62,81 1546 89,16 376 36,7 1,219 84,59 
 
Tipo de moradia 
Alvenaria 1556 99,42 1719 99,13 0,328 972 94,9 1,369 95,0 0,927 
Outros 9 0,58 15 0,87 52 5,1 72 5,0 
 
Escolaridade materna 
> 4 1245 85,04 1061 63,88 < 0,001 260 49,4 712 54,1 0,067 
≤ 4 219 14,96 600 36,12 266 50,6 603 45,9 
 
Cor da pele materna 
Branca 352 24,26 348 20,98 0,029 54 10,2 108 8,2 0,158 
Outra 1099 75,74 1311 79,02 473 89,8 1,211 91,8 
 
Destino do lixo 
Coleta publica 1446 92,4 1455 83,91 < 0,001 556 54,3 708 49,3 0,014 
Outra 119 7,6 279 16,09 468 45,7 729 50,7 
 
Número de pessoas no domicílio 
≤ 4 1242 79,4 1029 59,34 < 0,001 909 88,8 931 64,6 < 0,001 
> 4 323 20,6 705 40,66 115 11,2 510 35,4 
 
Domicílio 
Próprio 1022 65,3 1024 59,05 < 0,001 973 95,1 1,292 89,7 < 0,001 
Outro 543 34,7 710 40,95 51 4,9 149 10,3 
 
Água para consumo 
Rede pública 1267 81,0 1160 66,94 < 0,001 331 32,3 400 27,8 0,015 
Outra 298 19,0 573 33,06 693 67,7 1,039 72,2 
 
Água para uso geral 
Encanada 1209 77,3 1114 64,3 < 0,001 295 28,8 369 25,6 0,077 
Outra 355 22,7 619 35,7 729 71,2 1,072 74,4 
 
 
SRQ 
< 8 837 58,0 758 46,28 < 0,001 309 58,7 781 59,3 0,826 
≥ 8 606 42,0 880 53,7 217 41,3 536 40,7 
 
Hipertensão materna 
Não 1202 83,4 1382 84,27 0,493 356 71,8 1,038 81,7 < 0,001 
Sim 240 16,6 258 15,73 140 28,2 232 18,3 
PTR: Programa de Transferência de Renda. ¹ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. 
²Renda em salário mínimo (2015: R$724,0; 2018: R$934,0). SRQ: Self Report Questionnaire. Teste qui-
quadrado e Exato de Fisher 
 
 
 
 
 
 
33 
 
 
As variáveis que se associaram de significantemente à INSAN somente na 
população quilombola foram: Maior número de pessoas no domicílio e não possuir 
água mineral ou encanada para consumo. Por outro lado, as variáveis: menor número 
de cômodos, não possuir domicílio próprio e não possuir abastecimento de água de 
rede pública, associou-se à INSAN apenas na pesquisa Alagoas-2015 (Tabela 4). 
As estimativas da análise ajustada, mostraram que famílias cadastradas no 
PTR apresentam razões de prevalência semelhantes em ambas as pesquisas, sendo 
ligeiramente superior nos quilombolas (1,17 vs. 1,23). As covariáveis que 
permaneceram associadas no modelo final em ambas as pesquisas foram: menor 
renda familiar per capita, famílias com menores de 18 anos, maior número de pessoas 
no domicílio e com mulher apresentando TMC positivo (Tabela 5). 
34 
 
Tabela 4. Prevalência, razões de prevalência (RP) e intervalo de confiança (IC95%) de insegurança alimentar, em Alagoas e nas comunidades quilombolas de 
Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis Categorias 
Pesquisa Alagoas-2015 (n= 3326) Pesquisa Quilombola-2018 (n= 2465) 
% 
RP bruta 
P % 
RP bruta 
P 
(IC 95%) (IC 95%) 
Escolaridade do chefe 
da família ≤ 4 anos 66,4 
1,25 
< 0,001 67,3 
0,98 
0,678 
(1,18-1,33) (0,92-1,04) 
Renda familiar per 
capita em salários 
mínimos¹ 
≤ 1 63,4 
1,52 
< 0,001 72,6 
1,21 
< 0,001 
(1,38-1,67) (1,14-1,29) 
Número de cômodos ≤ 4 72,2 
1,29 
< 0,001 72,6 
1,09 
0,003 
(1,21-1,37) (1,03-1,16) 
Classificação 
econômica² 
C 49,4 
2,09 
< 0,001 46,9 
1,87 
0,309 
(1,60-2,59) (0,55-6,30) 
DE 70,3 
2,98 
< 0,001 69,1 
2,76 
0,097 
(2,43-3,67) (0,83-9,17) 
Família com menores 
de 18 anos Sim 62,4 
1,36 
< 0,001 74,7 
1,37 
< 0,001 
(1,25-1,48) (1,28-1,47) 
Moradia em alvenaria Não 87,5 
1,5 
< 0,001 70,9 
1,05 
0,362 
(1,28-1,75) (0,94-1,18) 
Escolaridade materna ≤ 4 anos 73,7 
1,38 
< 0,001 76,1 
1,11 
< 0,001 
(1,30-1,46) (1,05-1,17) 
Cor da pele materna Diferente de branca 59,6 
1,1 
0,005 72,2 
1 
0,884 
(1,02-1,19) (0,91-1,11) 
Coleta pública do lixo Não 64,1 
1,11 
0,007 70,3 
1,08 
0,003 
(1,02-1,20) (1,03-1,14) 
Número de pessoas 
no domicílio ≥ 4 65,5 
1,18 
< 0,001 80,3 
1,27 
< 0,001 
(1,11-1,25) (1,20-1,34) 
Domicílio próprio Não 66,4 
1,23 
< 0,001 74,5 
1,11 
0,013 
(1,17-1,31) (1,02-1,21) 
Água mineral ou 
encanada para 
consumo 
Não 63,6 
1,12 
< 0,001 70,8 
1,19 
< 0,001 
(1,05-1,19) (1,11-1,27) 
Água de rede pública Não 61,8 
1,08 
0,005 70 
1,15 
< 0,001 
(1,01- 1,1) (1,08-1,24) 
35 
 
SRQ ≥ 8 74,1 
1,7 
< 0,001 86,9 
1,41 
< 0,001 
(1,59-1,81) (1,33-1,48) 
Hipertensão materna Sim 64,3 
1,12 
0,002 70,4 
0,96 
0,388 
(1,04-1,21) (0,89-1,04) 
¹ Renda em salário mínimo (2015: R$724,0; 2018: R$934,0); ²Segundo os critérios de classificação econômica do Brasil (ABEP); SRQ: 
Self-Reporting Questionnaire 
 
 
 
Tabela 5. Prevalência, razão de prevalência (RP) bruta e ajustada, e intervalo de confiança (IC95%) de insegurança alimentar, em Alagoas e nas 
comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis Categorias 
Pesquisa Alagoas-2015 (n= 3326) Pesquisa Quilombola-2018 (n= 2465) 
P 
(interação) % 
RP bruta 
P 
RP ajustada¹ 
P % 
RP bruta 
P 
RP ajustada² 
P 
(IC 95%) (IC 95%) (IC 95%) (IC 95%) 
Cadastro 
no PTR Sim 70,5 
1,56 
(1,46-1,66) < 0,001 
1,17 
(1,09-1,27) < 0,001 77,2 
1,44 
(1,35-1,53) < 0,001 
1,23 
(1,13-1,33) < 0,001 0,672 
PTR: Programa de transferência de renda. ¹Ajustada para: Renda familiar per capita em salários mínimos (R$724,0 (2015) e R$934,0 (2018)); Número de 
cômodos; Classificação econômica segundo ABEP; Família com menores de 18 anos; Número de pessoas no domicílio; Ocupação da casa; Origem da água 
de uso geral na casa; Self-Reporting Questionnaire; Hipertensão materna. ²Ajustada para: Renda familiar per capita em salários mínimos (R$724,0 (2015) e 
R$934,0 (2018)); Família com menores de 18 anos; Número de pessoas no domicílio; Origem da água utilizada paraconsumo e Self-Reporting Questionnaire. 
 
 
 
36 
 
6 DISCUSSÃO 
 A INSAN é um problema multifatorial, associado a variáveis socioeconômicas, 
demográficas, nutricionais (consumo e estado nutricional), de estilo de vida e 
condições de saúde (MORAIS; LOPES; PRIORE, 2020). Apesar dos avanços nas 
políticas públicas e programas de assistência social, a prevalência de INSAN 
encontrada foi alta em ambos os estudos, superando mais da metade da população 
tanto na pesquisa Alagoas-2015 como na Quilombola-2018 e sendo superiores às 
encontradas em estudos locais (GUERRA; ESPINOSA; BEZERRA; GUIMARÃES et 
al., 2013; SCHOTT; REZENDE; PRIORE; RIBEIRO et al., 2020), nacionais (SANTOS; 
SILVEIRA; LONGO-SILVA; RAMIRES et al., 2018) e internacionais (BOCQUIER; 
VIEUX; LIORET; DUBUISSON et al., 2015), o que pode ser explicado pelo piores 
indicadores socioeconômicos associados aos cenário investigados (HOFFMANN; 
JESUS; ALMEIDA, 2018; LANG; ALMEIDA; TADDEI, 2011; VELÁSQUEZ-
MELENDEZ; SCHLÜSSEL; BRITO; SILVA et al., 2011), principalmente nas 
comunidades quilombolas (SILVA; MEDEIROS; MARTINS; SOUSA et al., 2017). 
Em ambas pesquisas, as famílias beneficiárias do PTR, em comparação às não 
usuárias, apresentaram maior frequência de indicadores de risco para INSAN, como: 
ter menores de 18 anos na família, não ter acesso à coleta pública de lixo, família mais 
numerosa, não ter domicílio próprio, não ter acesso à água potável para consumo, 
menor escolaridade do chefe, menor renda familiar per capita, pertencer às mais 
baixas classes econômicas. Esse achado evidencia o adequado foco do Programa, 
contemplando as famílias realmente em situação de maior vulnerabilidade. 
Ser beneficiário do PTR esteve associado a INSAN em outros estudos 
(ALMEIDA; SANTOS; NASCIMENTO; OLIVEIRA et al., 2017; BEZERRA; OLINDA; 
PEDRAZA, 2017; CARMO; GUIZARDI, 2018; GUBERT; SPANIOL; SEGALL-
CORRÊA; PÉREZ-ESCAMILLA, 2017; SOUZA CHEROL; FERREIRA; SALLES-
COSTA, 2020), demonstrando a precariedade econômica, as iniquidades sociais e as 
fragilidades às quais estes beneficiários estão sujeitos, indicando que apesar dos 
avanços das políticas de redução da desigualdade social, os PTR não são capazes 
de resolver o problema da pobreza e da fome (MORAES; PITTHAN; MACHADO, 
2018). 
37 
 
As famílias da pesquisa Alagoas-2015 apresentaram melhores condições 
econômicas, segundo a classificação econômica (ABEP, 2018), com 36,1% de 
famílias na classe C, e na pesquisa Quilombola-2018, houve predomínio da classe 
D/E (93,1%). Reconhecemos como limitação do estudo da diferença da época de 
coleta de dados dos dois grupos, todavia, os critérios utilizados na ABEP permitem 
uma compreensão mais ampla da situação econômica das famílias, não apenas no 
momento da pesquisa, mas como se desenvolveu ao longo de um determinado tempo. 
As condições socioeconômicas, como classe econômica e renda familiar per 
capita, permaneceram associadas à INSAN mesmo após o ajuste. A maior 
prevalência de INSAN é encontrada nas classes D/E, demonstrando a maior 
vulnerabilidade e necessidade das famílias em receber o PTR (FRANCO; BUENO; 
KIRSTEN; DA SILVA LEAL, 2019; PALMEIRA; BEM-LIGNANI; MARESI; MATTOS et 
al., 2019). 
A INSAN esteve associada à presença de criança ou adolescentes no domicílio, 
o que pode levar a uma maior probabilidade de abandono escolar, contribuindo para 
a desvantagem social quando alcançarem a idade adulta (DUSH, 2020). Em um 
estudo realizado com jovens americanos, verificou que experiências de INSAN estão 
positivamente associadas ao número de crianças pelas quais um respondente é 
responsável (HEFLIN; KUKLA-ACEVEDO; DAROLIA, 2019). Pais de famílias em 
INSAN, se privam do alimento para proteger que seus filhos comam, esse esforço 
constante pode induzir a um quadro de TMC como ansiedade e irritabilidade dos pais, 
e consequentemente nas crianças (SHANKAR; CHUNG; FRANK, 2017). 
Em um estudo realizado nos Estados Unidos com beneficiarias de um PTR, 
verificou que após o controle de fatores como pobreza e exclusão social, a INSAN 
grave aumentou a incidência de depressão em mulheres com menor nível 
socioeconômico (HEFLIN; SIEFERT; WILLIAMS, 2005). Assim como observado nas 
duas pesquisas realizadas, a INSAN esteve associada a TMC, mesmo após o ajuste 
do modelo. 
O maior tamanho da família (≥ 4 pessoas) também se manteve associada à 
INSAN, em ambos os inquéritos. Pesquisas conduzidas (COSTA; SANTOS; 
CARVALHO; ASSUNÇÃO et al., 2017; FERREIRA; SOUZA; MOURA; HORTA, 2014; 
SANTOS; SILVEIRA; LONGO-SILVA; RAMIRES et al., 2018; SILVA; DA CRUZ 
SILVEIRA; PADILHA; FROTA, 2020) em diferentes grupos populacionais, incluindo 
quilombolas têm identificado essa associação. O maior número de indivíduos no 
38 
 
domicílio leva a maior necessidade por alimentos (ANSCHAU; MATSUO; SEGALL-
CORRÊA, 2012), o que nem sempre é acompanhado de maior renda familiar, como 
observado nas populações aqui investigadas, em que mais da metade as famílias 
quilombolas apresentavam renda familiar estimada inferior a um salário mínimo e, 
entre as famílias do estado esse valor foi de aproximadamente três quartos (74,4%). 
Domicílios que não tinham água potável para beber apresentaram maior 
prevalência de INSAN nas duas pesquisas, assim como a INSAN também foi 
observada em domicílios com ausência de água tratada avaliados em diversos 
municípios brasileiros (AQUINO; SEQUEIRA-DE-ANDRADE; SILVA; SILVA et al., 
2014; SCHOTT; REZENDE; PRIORE; RIBEIRO et al., 2020; SPERANDIO; PRIORE, 
2015). A precariedade no abastecimento de água constitui fator de risco no que tange 
a saúde pública, por causarem doenças infecciosas e parasitárias que afetam o 
estado nutricional dos indivíduos e, consequentemente, contribuem para a INSAN das 
famílias (GUERRA; ESPINOSA; BEZERRA; GUIMARÃES et al., 2013). 
A hipertensão arterial esteve associada às mulheres de famílias que recebiam 
os recursos do PTR apenas na pesquisa Quilombola-2018. A prevalência de INSAN 
nas mulheres hipertensas variou de 63,4% na pesquisa Alagoas-2015 a 70,4% na 
Quilombola-2018. Vasconcelos et al. (VASCONCELOS; TORRES; SILVA; SANTOS 
et al., 2015) em estudo com hipertensos e/ou diabéticos, dos quais 64,0% eram 
pertencentes à classe econômica D/E e com 83% possuindo renda familiar per capita 
menor que 1/4 do salário mínimo, encontrou que 78% dos hipertensos estavam em 
insegurança alimentar. 
Esses resultados indicam que as pessoas em vulnerabilidade social estão 
expostas a problemas de saúde e pode ser difícil para elas obter os suprimentos 
necessários para o tratamento, como medicamentos, e além disso existe o fato de a 
condição de vida dessas pessoas não permitir o acesso regular e permanente a 
alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, o que compromete a adesão e o 
seguimento da dieta adequada para o controle da hipertensão e de outras doenças 
crônicas não transmissíveis (MARIN-LEON; FRANCISCO; SEGALL-CORRÊA; 
PANIGASSI, 2011; VASCONCELOS; TORRES; SILVA; SANTOS et al., 2015). 
 Estudos nacionais (PALMEIRA; BEM-LIGNANI; MARESI; MATTOS et al., 
2019; SCHOTT; REZENDE; PRIORE; RIBEIRO et al., 2020; SILVA; MEDEIROS; 
MARTINS; SOUSA et al., 2017) e internacionais (BOCQUIER; VIEUX; LIORET; 
DUBUISSON et al., 2015) confirmam que a renda possui papel fundamental para 
39 
 
determinação da INSAN. A quebra do ciclo intergeracional da pobreza exige o 
incremento de renda e observando as variáveis que permaneceram associadas a 
INSAN, percebe-se a perpetuação desse ciclo, onde a baixa escolaridade contribui 
para os menores salários e classes econômicas mais baixas. 
40 
 
7 CONCLUSÃO 
A insegurança alimentar esteve associada a outros fatores, além do 
recebimento monetário oriundo do PTR e pertencer a uma comunidade quilombola. 
Apesar desse auxílio financeiro, a alta prevalência da pobreza foi observada tanto na 
população estadual quanto entre os povos quilombolas. 
Os resultados encontradosconfirmam a necessidade da manutenção e 
fortalecimento do PTR, visto que ele está adequadamente direcionado para as 
famílias mais vulneráveis e, apesar de importante para o combate à insegurança 
alimentar, os PTR devem ser associados a políticas planejadas para a realidade das 
famílias, com ações mais efetivas que contribuam para a promoção da educação, 
saúde e qualidade de vida da população. 
Além dos valores pagos pelo programa, demais estratégias associadas às 
condicionalidades, como exigências de educação, saúde e assistência social podem 
contribuir para um melhor impacto a longo prazo do programa, com a quebra do ciclo 
intergeracional da pobreza, e assim, da insegurança alimentar. 
 
41 
 
8 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 O programa Bolsa família, como uma política de transferência de renda com 
condicionalidades, compõe parte essencial das ações de proteção social no Brasil, 
sendo a mais importante no enfrentamento da insegurança alimentar por 
complementar a renda e assim contribuir no acesso aos alimentos. 
Os resultados encontrados confirmam a necessidade da conservação do PBF, 
visto que ele está adequadamente direcionado as famílias mais vulneráveis. Todavia, 
apesar de importante para o combate à insegurança alimentar, os PTCR devem ser 
associados a políticas planejadas para a realidade das famílias, com ações mais 
efetivas que contribuam na educação e na saúde e consequentemente na qualidade 
de vida da população. 
A metanálise desenvolvida permitiu compreender que a associação entre o 
recebimento do benefício e a insegurança alimentar encontrados nas populações aqui 
estudadas são semelhantes em todos território nacional, entretanto com 
particularidades da realidade cotidiana vivenciada por cada grupo, que mesmo com o 
auxílio da transferência de renda, encontram-se em situação de vulnerabilidade social. 
Os dados desta pesquisa podem encorajar novas discussões sobre o uso de 
evidências para a construção de políticas públicas no combate à fome, e espera-se 
que essas políticas sejam alinhadas a realidade de cada grupo populacional. 
 
 
 
 
42 
 
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50 
 
APÊNDICES 
 
 
A – Artigo 1: Programa de transferência de renda e a segurança alimentar: estudo 
comparativo entre comunidades quilombolas e a população geral de Alagoas, Brasil. 
B – Artigo 2: Programa de transferência de renda e segurança alimentar e nutricional 
no Brasil: Uma revisão sistemática com metanálise. 
C – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Pesquisa Alagoas-2015. 
D – Questionário de coleta de dados, Pesquisa 2015. 
E – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Pesquisa Quilombola-2018. 
F – Questionário de coleta de dados, Pesquisa 2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
51 
 
APÊNDICE A – Artigo 1. 
Programa de transferência de renda e a segurança alimentar: estudo 
comparativo entre comunidades quilombolas e a população geral de 
Alagoas, Brasil. 
Resumo 
Objetivo: Comparar a população quilombola com a população não quilombola quanto à 
associação entre a condição de usuário do Programa Transferência de Renda (PTR) e a 
ocorrência da insegurança alimentar e nutricional (INSAN) e seus fatores associados. Métodos: 
Utilizaram-se dados secundários provenientes de dois estudos transversais, o primeiro concluído 
em 2015 com a população do estado de Alagoas e o segundo concluído em 2018, com famílias 
de comunidades remanescentes de quilombos. A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar foi 
usada para definir a situação de INSAN das famílias. Ambos os estudos foram aprovados por 
comitê de ética em pesquisa. Foram estimadas prevalências e razões de prevalência por 
regressão de Poisson com variância robusta. Resultados: Foram investigadas 5764 famílias 
(n=3299 em 2015; n=2465 em 2018). A INSAN foi identificada em 58,4% das famílias não 
quilombolas e em 67,4% nas famílias quilombolas. A INSAN esteve associada ao recebimentodo PTR; classes econômicas mais baixas; renda familiar per capita ≤1 salário-mínimo, cômodos 
no domicílio ≤4, família com menores de 18 anos, não ter domicílio próprio e domicílios com 4 
ou mais pessoas. Conclusão: A frequência de INSAN foi maior entre famílias quilombolas e, de 
um modo geral, nas famílias usuárias do PTR. Apesar da correta focalização do Programa, 
assistindo grande contingente populacional em condição de pobreza, há necessidade de atrelar 
ao mesmo ações estruturantes visando garantir incrementos socioeconômicos que possam 
reverter de forma sustentável o cenário de baixa escolaridade e capacitação profissional, baixa 
renda e, consequentemente, menor acesso aos bens e serviços. 
 
Palavras-chave: Segurança Alimentar e Nutricional. Fatores socioeconômicos. Quilombolas. 
Programas de Transferência de Renda. Programa bolsa família. 
Abstract 
Objective: To compare the quilombola population with the non-quilombola population regarding 
the association between the condition of user of the Cash Transfer Program (CTP) and the 
occurrence of food and nutritional insecurity (FNI) and its associated factors. Methods: 
Secondary data from two cross-sectional studies were used, the first completed in 2015 with the 
population of the state of Alagoas and the second completed in 2018, with families from remnant 
quilombo communities. The Brazilian Food Insecurity Scale was used to define the FNI status of 
families. Both studies were approved by the research ethics committee. Prevalence and 
prevalence ratios were estimated by Poisson regression with robust variance. Results: 5764 
families were investigated (n=3299 in 2015; n=2465 in 2018). FNI was identified in 58.4% of non-
Quilombola families and in 67.4% of Quilombola families. FNI was associated with receiving the 
CTP; lower economic classes; family income per capita ≤1 minimum wage, rooms in the 
household ≤4, families under 18 years old, not having their own home, and households with 4 or 
more people. Conclusion: The frequency of FNI was higher among Quilombola families and, in 
general, among families using CTP. Despite the correct focus of the Program, assisting a large 
contingent of the population in poverty, there is a need to link structural actions to it to ensure 
socioeconomic increases that can sustainably reverse the scenario of low education and 
professional training, low income and, consequently, lower access to goods and services. 
 
Keywords: Food and Nutritional Security. Socioeconomic factors. Quilombolas. Conditional Cash 
Transfer Programs. Bolsa Família Program. 
52 
 
Introdução 
O conceito de Segurança Alimentar e Nutricional (SAN) apresenta variações de 
acordo com o país, sobretudo quanto aos critérios e indicadores adotados em sua 
classificação (1). Entretanto, o acesso a alimentos seguros e nutritivos, que atendam 
às necessidades dietéticas e respeitem a diversidade cultural, são pontos 
fundamentais para sua definição (2). No Brasil, a legislação a define como a realização 
do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em 
quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, 
tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a 
diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente 
sustentáveis (3). 
A alimentação adequada é um direito fundamental, contemplado na Declaração 
Universal dos Direitos Humanos e na Constituição Federal Brasileira. Todavia, a 
Insegurança Alimentar e Nutricional (INSAN) ainda é um dos maiores problemas da 
humanidade, atingindo cerca de 821 milhões de pessoas (4), das quais 116,8 milhões 
apenas no Brasil (5). 
Embora dados do relatório da FAO (Organização das Nações Unidas para 
Alimentação e Agricultura) de 2014 (6) demonstrem redução da fome no Brasil, a 
INSAN ainda persiste em alta magnitude na população (7), atingindo 55,2% de 
Brasileiros (8). Em nível mundial, estima-se que as formas moderada e grave 
acometam mais de 30% da população (9). 
Os principais fatores associados à INSAN são a baixa renda e menor acesso à 
alimentação adequada. Programas como o de distribuição de cestas básicas de 
alimentos foram instituídos com o intuito de aliviar emergencialmente o problema da 
fome, entretanto, sem uma estratégia para redução das desigualdades sociais (10). 
53 
 
Nesse sentido, em 2003 foi instituído no Brasil o Programa Bolsa Família (PBF) 
(11) visando atender famílias classificadas como pobres (renda familiar per capita 
entre R$89,01 até R$ 178,00) e extremamente pobres (renda familiar per capita de 
até R$89,00), sendo atualmente o maior programa de transferência de renda (PTR) 
do mundo (12, 13). Metade das famílias cadastradas no PTR residem na região 
nordeste (14), caracterizada por apresentar os piores indicadores sociais, sendo que 
Alagoas, especificamente, é o estado da federação com o menor Índice de 
Desenvolvimento Humano (IDH=0,683) (15), o que coloca sua população sob maior 
risco de INSAN. Todavia, em Alagoas existem atualmente 68 comunidades 
quilombolas (16), um contingente populacional de ancestralidade negra ainda mais 
suscetível à INSAN em comparação à população geral de Alagoas e, mais ainda, em 
relação à população brasileira. Isso em virtude do processo histórico de exclusão 
social e racismo institucional (17, 18). 
A Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA) é utilizada para a 
identificação e classificação da INSAN. Trata-se de um questionário aplicado ao 
responsável pela alimentação no domicílio, constando perguntas que contemplam 
desde a preocupação de que venha a faltar comida na residência até a ocorrência da 
fome por falta de disponibilidade de alimentos (19). A EBIA foi validada para uso na 
população brasileira e vem sendo amplamente utilizada nas pesquisas nacionais 
devido à sua consistência interna e externa (20). 
O objetivo deste estudo foi analisar, de forma comparativa entre a população 
quilombola e não quilombola do estado de Alagoas, a associação entre a condição de 
usuário do PTR e a ocorrência da INSAN e seus fatores associados. 
 
 
54 
 
Métodos 
Estudo transversal com dados secundários procedentes de dois inquéritos de 
base populacional, denominados “II Diagnóstico de saúde da população materno-
infantil do estado de Alagoas” e “II Diagnóstico de nutrição e saúde da população 
materno-infantil das comunidades remanescentes dos quilombos do estado de 
Alagoas”, concluídos, respectivamente, em 2015 (Pesquisa Alagoas-2015) e 2018 
(Pesquisa Quilombola-2018). 
Pesquisa Alagoas-2015 
Estudo transversal que teve como objetivo estimar a prevalência e fatores 
associados à INSAN nas famílias do estado de Alagoas (Nordeste do Brasil). 
Foi realizado um processo de amostragem probabilística em quatro estágios, 
sorteando-se: (1º) 30 dentre os 102 municípios do estado; (2º) quatro setores 
censitários por município ponderando pela proporção entre áreas urbanas e rurais; 
(3º); um quarteirão em cada setor censitário e; (4º) uma esquina do quarteirão a partir 
da qual eram elegíveis os 30 domicílios consecutivos a partir da primeira casa 
identificada. 
Dados socioeconômicos, ambientais e de saúde de 3366 famílias foram 
coletados por meio de entrevista durante visitas domiciliares. Maiores detalhes podem 
ser encontrados na publicação de Costa et al. (21). O cálculo do tamanho da amostra 
foi realizado com a ferramenta StatCalc do Epi-info, versão 7.2.1.0 (Centros para 
Controle e Prevenção de Doenças - CDC, Washington, EUA). 
 
 
55 
 
Pesquisa Quilombola-2018 
Estudo transversal realizado em 34 comunidades sorteadas dentre as 68 
comunidades remanescentes de quilombos existentes em Alagoas em 2018 (22), as 
quais encontram-se distribuídas em 27 municípios do estado. As comunidades foram 
selecionadas por amostragem sistemática de forma semelhante a Pesquisa Alagoas-
2015 e eram elegíveispara o estudo o universo da população residente em cada uma 
dessas comunidades. 
Coleta de dados 
Em ambas as pesquisas, os dados foram obtidos nos respectivos domicílios 
por meio de entrevistas aplicadas à mulher identificada como a “dona de casa”. 
A situação de INSAN foi definida pela aplicação da EBIA (20), cujo formulário 
consta de 14 perguntas fechadas, com respostas “sim ou não” sobre a experiência 
alimentar da família nos últimos três meses. 
Cada resposta afirmativa do questionário representa um ponto, sendo a 
classificação da escala baseada no somatório, variando em uma amplitude de zero a 
14 pontos nas residências com indivíduos menores (CM) de 18 anos e de zero a 8 
pontos em residências que não possuem indivíduos com idade inferior a 18 anos (SM), 
já que as seis últimas perguntas da EBIA são destinadas a essas pessoas (20, 23). 
 A escala permite classificar a família em quatro estratos: segurança alimentar 
(0 pontos), INSAN leve (1-5 pontos, CM; 1–3 pontos, SM), INSAN moderada (6–9 
pontos, CM; 4–5 pontos, SM) e INSAN grave (10–14 pontos, CM; 7–8 pontos, SM) 
(20, 23). 
A classificação econômica das famílias foi obtida com a aplicação do 
instrumento elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (ABEP) 
56 
 
(24), obtendo-se seis diferentes classes: A, B1, B2, C1, C2, D-E. Estas são 
estabelecidas a partir de um sistema de pontuação (0 a 100 pontos) conforme a 
existência e o número de determinados bens de consumo existentes no domicílio, o 
grau de instrução do chefe da família e o acesso a água encanada e rua pavimentada. 
Para fins de análise, na presente pesquisa os estratos originalmente propostos foram 
consolidados em 4 classes A, B, C e D-E. 
A saúde mental da mulher foi avaliada por meio da aplicação do Self Report 
Questionnaire (SRQ-20), desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde para ser 
utilizado como um instrumento de rastreamento de transtornos psiquiátricos menores, 
como ansiedade, angustia e tristeza (25). É composto de 20 questões do tipo sim/não. 
A partir de sua validação, convencionou-se o ponto de corte ≥ 8 respostas positivas 
para identificação de casos prováveis de transtornos mentais comuns (TMC) (26). 
As demais variáveis socioeconômicas e ambientais, foram obtidas por 
entrevista seguindo roteiro em formulários estruturados. As variáveis obtidas foram: 
cor/raça da mulher, escolaridade da mulher e do chefe da família (27), renda familiar 
mensal per capita (em número de salários mínimos), número de cômodos na 
residência (>4 ou ≤ 4) (28), tipo de construção (alvenaria ou diferente), ocupação da 
casa (se própria ou não), se na família consta criança ou adolescente (sim; não), 
coleta de lixo (se pública ou não), número de pessoas por domicílio (>4 ou ≤ 4) (28), 
origem da água de uso geral na casa (encanada ou não), origem da água utilizada 
para beber (encanada/mineral ou outra) e se a mulher era hipertensa. O diagnóstico 
da hipertensão seguiu o mesmo protocolo descrito por Lira (29). 
Aspectos éticos 
Os estudos seguiram as diretrizes estabelecidas pela Declaração de Helsinque 
para pesquisas envolvendo seres humanos. Ambos os projetos foram aprovados pelo 
57 
 
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas (pesquisa Alagoas-
2015: 09093012.0.0000.5013; pesquisa Quilombola-2018: 33527214.9.0000.5013). 
Todos os participantes atestaram sua concordância assinando o Termo de 
Consentimento Livre e Esclarecido. 
Processamento dos dados e análise estatística 
Na análise descritiva, foram utilizadas frequências absolutas e relativas. A 
condição de usuário ou não do PTR foi analisada de forma comparativa (quilombolas 
vs. não quilombolas) conforme as diferentes categorias das variáveis independentes, 
para o que se usou o teste qui-quadrado com nível de significância de 5,0% (p < 0,05). 
Para análise dos fatores associados à INSAN foi realizada análise múltipla por 
regressão de Poisson com ajuste robusto, seguindo um modelo conceitual hierárquico 
adaptado de Fuchs et al. (30) (Figura 1). A variável independente foi a condição de 
usuário do PTR. As demais covariáveis que apresentaram valor p<0,20 na análise 
bruta entraram na análise múltipla seguindo o modelo hierárquico. 
As covariáveis de interesse foram adicionadas ao modelo em níveis 
hierárquico, no qual as variáveis socioeconômicas constituíram o nível mais distal, o 
nível 1; as variáveis ambientais, o nível 2; e as variáveis de hipertensão e saúde 
mental, o nível 3, o nível mais proximal. A análise hierarquizada iniciou-se com as 
variáveis do nível 1 e subsequentemente foram introduzidas as variáveis dos níveis 
seguintes. Os resultados foram expressos por razões de prevalências (RP) ajustadas 
e respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Foram consideradas 
estatisticamente significantes as associações com valores de p<0,05. 
As covariáveis que apresentaram valores de p > 0,05 foram retiradas do modelo 
e reavaliadas uma a uma quanto a alterações na magnitude das razões de prevalência 
das variáveis que permaneceram no modelo. Por fim, foi incluído um modelo de termo 
58 
 
para a interação entre os dois modelos finais ajustados. Todas as análises foram 
realizadas no software Stata versão 13.0 (StataCorp). 
Resultados 
 Foram investigadas 5764 famílias, sendo 3299 na Pesquisa Alagoas-2015 e 
2465 na Pesquisa Quilombola-2018. Conforme consta na Tabela 1, 52,6% e 58,5% 
estavam cadastradas no PTR, respectivamente. As famílias das comunidades 
quilombolas se distinguiram pelos piores indicadores socioeconômicos, com a 
maiorias das famílias pertencendo à classe econômica D/E (93,1% vs. 54,7%; 
P<0,001). Também possuíam piores níveis de escolaridade do chefe (70,1% vs. 
40,1%) e da mulher (47,2% vs. 26,2%). Houve grande diferencial em relação ao 
acesso a água encanada na residência (73,1% vs. 29,4%). 
Nas duas pesquisas a maioria das famílias possuía renda familiar mensal per 
capita inferior a um salário mínimo, mais do que quatro cômodos na casa e menos do 
que quatro pessoas por domicílio. Construções de alvenaria foram as mais frequentes, 
assim como o acesso a coleta pública de lixo. A maioria das mulheres eram negras 
ou pardas e não tinham hipertensão (Tabela 1). 
Foram encontradas maiores prevalências de INSAN moderada (20,3% vs 
15,9%) e grave (14,3% vs 9,0%) na população quilombola (Tabela 1). Em ambas as 
pesquisas os beneficiários do PTR apresentaram maiores prevalências de INSAN em 
todos os níveis (Figura 2). 
Na pesquisa Alagoas-2015, as famílias cadastradas no PTR pertenciam 
majoritariamente à classe econômica D/E (72,4%), renda familiar mensal per capita 
menor que 1 salário-mínimo (85,6%), com água para consumo e para uso geral de 
rede pública (66,9% e 64,3%, respectivamente) e com mulher com caso provável de 
TMC (53,7%) (Tabela 2). 
59 
 
As famílias quilombolas usuárias do PTR apresentaram características 
semelhantes às famílias da pesquisa Alagoas-2015, com exceção da escolaridade do 
chefe, onde as famílias quilombolas cadastradas no programa possuíram maioria dos 
chefes com quatro anos ou menos de estudo (64,2%) e a maioria não tendo 
disponibilidade de água para consumo de rede pública (72,2%). Entre as 
semelhanças, destaca-se a grande parcela da população classificada na classe D/E 
(94,8%), além de não possuírem coleta pública de lixo (50,7%) (Tabela 2). 
As variáveis que se associaram de significantemente à INSAN somente na 
população quilombola foram: Maior número de pessoas no domicílio e não possuir 
água mineral ou encanada para consumo. Por outro lado, as variáveis: menor número 
de cômodos, não possuir domicílio próprio e não possuir abastecimento de água de 
rede pública, associou-se à INSAN apenas na pesquisa Alagoas-2015 (Tabela 3). 
As estimativas da análise ajustada, mostraram que famílias cadastradas no 
PTR apresentam razões de prevalência semelhantes em ambas as pesquisas,sendo 
ligeiramente superior nos quilombolas (1,17 vs. 1,23). As covariáveis que 
permaneceram associadas no modelo final em ambas as pesquisas foram: menor 
renda familiar per capita, famílias com menores de 18 anos, maior número de pessoas 
no domicílio e com mulher apresentando TMC positivo (Tabela 4). 
Discussão 
 A INSAN é um problema multifatorial, associado a variáveis socioeconômicas, 
demográficas, nutricionais (consumo e estado nutricional), de estilo de vida e 
condições de saúde (31). Apesar dos avanços nas políticas públicas e programas de 
assistência social, a prevalência de INSAN encontrada foi alta em ambos os estudos, 
superando mais da metade da população tanto na pesquisa Alagoas-2015 como na 
Quilombola-2018 e sendo superiores às encontradas em estudos locais (32, 33), 
60 
 
nacionais (34) e internacionais (35), o que pode ser explicado pelos piores indicadores 
socioeconômicos associados aos cenários investigados (36-38), principalmente nas 
comunidades quilombolas (39). 
Em ambas pesquisas, as famílias beneficiárias do PTR, em comparação às não 
usuárias, apresentaram maior frequência de indicadores de risco para INSAN, como: 
ter menores de 18 anos na família, não ter acesso à coleta pública de lixo, família mais 
numerosa, não ter domicílio próprio, não ter acesso à água potável para consumo, 
menor escolaridade do chefe, menor renda familiar per capita, pertencer às mais 
baixas classes econômicas. Esse achado evidencia o adequado foco do Programa, 
contemplando as famílias realmente em situação de maior vulnerabilidade. 
Ser beneficiário do PTR esteve associado a INSAN em outros estudos (40-44), 
demonstrando a precariedade econômica, as iniquidades sociais e as fragilidades às 
quais estes beneficiários estão sujeitos, indicando que apesar dos avanços das 
políticas de redução da desigualdade social, os PTR não são capazes de resolver o 
problema da pobreza e da fome (45). 
As famílias da pesquisa Alagoas-2015 apresentaram melhores condições 
econômicas, segundo a classificação econômica (24), com 36,1% de famílias na 
classe C, e na pesquisa Quilombola-2018, houve predomínio da classe D/E (93,1%). 
Reconhecemos como limitação do estudo da diferença da época de coleta de dados 
dos dois grupos, todavia, os critérios utilizados na ABEP permitem uma compreensão 
mais ampla da situação econômica das famílias, não apenas no momento da 
pesquisa, mas como se desenvolveu ao longo de um determinado tempo. 
As condições socioeconômicas, como classe econômica e renda familiar per 
capita, permaneceram associadas à INSAN mesmo após o ajuste. A maior 
61 
 
prevalência de INSAN é encontrada nas classes D/E, demonstrando a maior 
vulnerabilidade e necessidade das famílias em receber o PTR (19, 46). 
A INSAN esteve associada à presença de criança ou adolescentes no domicílio, 
o que pode levar a uma maior probabilidade de abandono escolar, contribuindo para 
a desvantagem social quando alcançarem a idade adulta (47). Em um estudo 
realizado com jovens americanos, verificou que experiências de INSAN estão 
positivamente associadas ao número de crianças pelas quais um respondente é 
responsável (48). Pais de famílias em INSAN, se privam do alimento para proteger 
que seus filhos comam, esse esforço constante pode induzir a um quadro de TMC 
como ansiedade e irritabilidade dos pais, e consequentemente nas crianças (49). 
Em um estudo realizado nos Estados Unidos com beneficiarias de um PTR, 
verificou que após o controle de fatores como pobreza e exclusão social, a INSAN 
grave aumentou a incidência de depressão em mulheres com menor nível 
socioeconômico (50). Assim como observado nas duas pesquisas realizadas, a 
INSAN esteve associada a TMC, mesmo após o ajuste do modelo. 
O maior tamanho da família (≥ 4 pessoas) também se manteve associada à 
INSAN, em ambos os inquéritos. Pesquisas conduzidas (21, 34, 51, 52) em diferentes 
grupos populacionais, incluindo quilombolas têm identificado essa associação. O 
maior número de indivíduos no domicílio leva a maior necessidade por alimentos (53), 
o que nem sempre é acompanhado de maior renda familiar, como observado nas 
populações aqui investigadas, em que mais da metade as famílias quilombolas 
apresentavam renda familiar estimada inferior a um salário mínimo e, entre as famílias 
do estado esse valor foi de aproximadamente três quartos (74,4%). 
Domicílios que não tinham água potável para beber apresentaram maior 
prevalência de INSAN nas duas pesquisas, assim como a INSAN também foi 
62 
 
observada em domicílios com ausência de água tratada avaliados em diversos 
municípios brasileiros (32, 54, 55). A precariedade no abastecimento de água constitui 
fator de risco no que tange a saúde pública, por causarem doenças infecciosas e 
parasitárias que afetam o estado nutricional dos indivíduos e, consequentemente, 
contribuem para a INSAN das famílias (33). 
A hipertensão arterial esteve associada às mulheres de famílias que recebiam 
os recursos do PTR apenas na pesquisa Quilombola-2018. A prevalência de INSAN 
nas mulheres hipertensas variou de 63,4% na pesquisa Alagoas-2015 a 70,4% na 
Quilombola-2018. Vasconcelos et al. (56) em estudo com hipertensos e/ou diabéticos, 
dos quais 64,0% eram pertencentes à classe econômica D/E e com 83% possuindo 
renda familiar per capita menor que 1/4 do salário mínimo, encontrou que 78% dos 
hipertensos estavam em insegurança alimentar. 
Esses resultados indicam que as pessoas em vulnerabilidade social estão 
expostas a problemas de saúde e pode ser difícil para elas obter os suprimentos 
necessários para o tratamento, como medicamentos, e além disso existe o fato de a 
condição de vida dessas pessoas não permitir o acesso regular e permanente a 
alimentos de qualidade e em quantidade suficiente, o que compromete a adesão e o 
seguimento da dieta adequada para o controle da hipertensão e de outras doenças 
crônicas não transmissíveis (56, 57). 
 Estudos nacionais (32, 39, 46) e internacionais (35) confirmam que a renda 
possui papel fundamental para determinação da INSAN. A quebra do ciclo 
intergeracional da pobreza exige o incremento de renda e observando as variáveis 
que permaneceram associadas a INSAN, percebe-se a perpetuação desse ciclo, onde 
a baixa escolaridade contribui para os menores salários e classes econômicas mais 
baixas. 
63 
 
Conclusão 
A insegurança alimentar esteve associada a outros fatores, além do 
recebimento monetário oriundo do PTR e pertencer a uma comunidade quilombola. 
Apesar desse auxílio financeiro, a alta prevalência da pobreza foi observada tanto na 
população estadual quanto entre os povos quilombolas. 
Os resultados encontrados confirmam a necessidade da manutenção e 
fortalecimento do PTR, visto que ele está adequadamente direcionado para as 
famílias mais vulneráveis e, apesar de importante para o combate à insegurança 
alimentar, os PTR devem ser associados a políticas planejadas para a realidade das 
famílias, com ações mais efetivas que contribuam para a promoção da educação, 
saúde e qualidade de vida da população. 
Além dos valores pagos pelo programa, demais estratégias associadas às 
condicionalidades, como exigências de educação, saúde e assistência social podem 
contribuir para um melhor impacto a longo prazo do programa, com a quebra do ciclo 
intergeracional da pobreza, e assim, da insegurança alimentar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
64 
 
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68 
 
Figura 1. Modelo em blocos hierarquizado proposto para análise do programa de 
transferência de renda e local da pesquisa e demais covariáveis associadas a 
insegurança alimentar. 
 
SRQ: Self Report Questionnaire. 
 
 
 
 
Figura 2. Classificação da segurança alimentar e nutricional segundo inserção no Programa 
de transferência de renda em Alagoas e nas comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 
2015 e 2018. 
 
PTR: Programa de Transferência de Renda; SAN: Segurança Alimentar e Nutricional; INSAN: 
Segurança Alimentar e Nutricional. 
69 
 
Tabela 1. Características socioeconômicas e ambientais das famílias em Alagoas e 
nas comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis 
Pesquisa Alagoas-2015 Pesquisa Quilombola-2018 
P 
n % n % 
Programa de transferência de renda 
Sim 1734 52,6 1441 58,5 < 0,001 
Não 1565 47,4 1024 41,5 
Situação de Segurança Alimentar 
SAN 1371 41,6 803 32,6 
INSAN Leve 1107 33,6 808 32,8 < 0,001 
INSAN moderada 523 15,9 501 20,3 
INSAN grave 298 9,0 353 14,3 
Classificação econômica¹ 
B 302 9,2 8 0,3 
C 1191 36,1 162 6,6 < 0,001 
DE 1806 54,7 2292 93,1 
Escolaridade do chefe 
> 4 1923 59,9 717 29,9 < 0,001 
≤ 4 1289 40,1 1684 70,1 
Renda familiar per capita² 
> 1 659 24,8 973 39,5 < 0,001 
≤ 1 1995 75,2 1492 60,5 
Número de cômodos 
> 4 2762 83,8 1936 78,7 < 0,001 
≤ 4 535 16,2 525 21,3 
Família com menores de 18 anos 
Não 770 23,3 870 35,3 < 0,001 
Sim 2529 76,7 1595 64,7 
Tipo de moradia 
Alvenaria 3275 99,3 2341 95,0 < 0,001 
Outros 24 0,7 124 5,0 
Escolaridade materna (anos) 
> 4 2306 73,8 972 52,8 < 0,001 
≤ 4 819 26,2 869 47,2 
 
Cor da pele materna 
Branca 700 22,5 162 8,8 < 0,001 
Outra 2410 77,5 1684 91,2 
Destino do lixo 
Coleta publica 2901 87,9 1264 51,4 < 0,001 
Outra 398 12,1 1197 48,6 
Número de pessoas no domicílio 
≤ 4 2271 68,8 1840 74,6 < 0,001 
> 4 1028 31,2 625 25,4 
 
Domicílio 
Próprio 2046 62,0 2265 91,9 < 0,001 
Outro 1253 38,0 200 8,1 
 
Água para consumo 
Rede pública 2427 73,6 731 29,7 < 0,001 
Outra 871 26,4 1732 70,3 
 
Água para uso geral 
Encanada 2323 70,5 664 26,9 < 0,001 
Outra 974 29,5 1801 73,1 
 
SRQ 
< 8 1595 51,8 1090 59,1 < 0,001 
70 
 
≥ 8 1486 48,2 753 40,9 
 
Hipertensão materna 
Não 2584 83,8 1394 78,9 < 0,001 
Sim 498 16,2 372 21,1 
SAN: Segurança alimentar; INSAN: Insegurança alimentar e nutricional; PTR: Programa de 
Transferência de Renda. ¹CCEB: critério de classificação econômica Brasil. ²Renda em salário mínimo 
(2015: R$724,0; 2018: R$934,0). SRQ: Self Report Questionnaire. 
 
 
 
Tabela 2. Características socioeconômicas e ambientais das famílias segundo 
inserção no programa de transferência de renda em Alagoas e nas comunidades 
quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis 
Pesquisa Alagoas-2015 
P 
Pesquisa Quilombola-2018 
P 
Sem PTR Com PTR Sem PTR Com PTR 
n % n % n % n % 
Classificação econômica¹ 
B 271 17,3 31 1,8 7 0,68 1 0,1 
C 744 47,5 447 25,8 < 0,001 88 8,59 74 5,2 < 0,001 
DE 550 35,1 1256 72,4 
929 90,72 1363 94,7 
 
Escolaridade do chefe 
 
> 4 1080 70,31 843 50,3 < 0,001 213 21,5 504 35,8 < 0,001 
≤ 4 456 29,69 833 49,7 779 78,5 905 64,2 
 
Renda familiar per capita² 
> 1 459 36,28 200 14,4 < 0,001 516 50,4 457 31,7 < 0,001 
≤ 1 806 63,72 1189 85,6 508 49,6 984 68,3 
 
Número de cômodos 
> 4 1352 86,5 1410 81,31 < 0,001 814 79,59 1,122 78,1 0,357 
≤ 4 211 13,5 324 18,69 209 20,41 316 21,9 
 
Família com menores de 18 anos 
Não 582 37,19 188 10,84 < 0,001 648 63,3 222 15,41 < 0,001 
Sim 983 62,81 1546 89,16 376 36,7 1,219 84,59 
 
Tipo de moradia 
Alvenaria 1556 99,42 1719 99,13 0,328 972 94,9 1,369 95,0 0,927 
Outros 9 0,58 15 0,87 52 5,1 72 5,0 
 
Escolaridade materna 
> 4 1245 85,04 1061 63,88 < 0,001 260 49,4 712 54,1 0,067 
≤ 4 219 14,96 600 36,12 266 50,6 603 45,9 
 
Cor da pele materna 
Branca 352 24,26 348 20,98 0,029 54 10,2 108 8,2 0,158 
Outra 1099 75,74 1311 79,02 473 89,8 1,211 91,8 
 
Destino do lixo 
Coleta publica 1446 92,4 1455 83,91 < 0,001 556 54,3 708 49,3 0,014 
Outra 119 7,6 279 16,09 468 45,7 729 50,7 
 
71 
 
Número de pessoas no domicílio 
≤ 4 1242 79,4 1029 59,34 < 0,001 909 88,8 931 64,6 < 0,001 
> 4 323 20,6 705 40,66 115 11,2 510 35,4 
 
Domicílio 
Próprio 1022 65,3 1024 59,05 < 0,001 973 95,1 1,292 89,7 < 0,001 
Outro 543 34,7 710 40,95 51 4,9 149 10,3 
 
Água para consumo 
Rede pública 1267 81,0 1160 66,94 < 0,001 331 32,3 400 27,8 0,015 
Outra 298 19,0 573 33,06 693 67,7 1,039 72,2 
 
Água para uso geral 
Encanada 1209 77,3 1114 64,3 < 0,001 295 28,8 369 25,6 0,077 
Outra 355 22,7 619 35,7 729 71,2 1,072 74,4 
 
SRQ 
< 8 837 58,0 758 46,28 < 0,001 309 58,7 781 59,3 0,826 
≥ 8 606 42,0 880 53,7 217 41,3 536 40,7 
 
Hipertensão materna 
Não 1202 83,41382 84,27 0,493 356 71,8 1,038 81,7 < 0,001 
Sim 240 16,6 258 15,73 140 28,2 232 18,3 
PTR: Programa de Transferência de Renda. ¹ABEP: Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa. 
²Renda em salário mínimo (2015: R$724,0; 2018: R$934,0). SRQ: Self Report Questionnaire. Teste qui-
quadrado e Exato de Fisher 
 
 
72 
 
Tabela 3. Prevalência, razões de prevalência (RP) e intervalo de confiança (IC95%) de insegurança alimentar, em Alagoas e nas 
comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis Categorias 
Pesquisa Alagoas-2015 (n= 3326) Pesquisa Quilombola-2018 (n= 2465) 
% 
RP bruta 
P % 
RP bruta 
P 
(IC 95%) (IC 95%) 
Escolaridade do chefe 
da família 
≤ 4 anos 66,4 
1,25 
< 0,001 67,3 
0,98 
0,678 
(1,18-1,33) (0,92-1,04) 
Renda familiar per 
capita em salários 
mínimos¹ 
≤ 1 63,4 
1,52 
< 0,001 72,6 
1,21 
< 0,001 
(1,38-1,67) (1,14-1,29) 
Número de cômodos ≤ 4 72,2 
1,29 
< 0,001 72,6 
1,09 
0,003 
(1,21-1,37) (1,03-1,16) 
Classificação 
econômica² 
C 49,4 
2,09 
< 0,001 46,9 
1,87 
0,309 
(1,60-2,59) (0,55-6,30) 
DE 70,3 
2,98 
< 0,001 69,1 
2,76 
0,097 
(2,43-3,67) (0,83-9,17) 
Família com menores 
de 18 anos 
Sim 62,4 
1,36 
< 0,001 74,7 
1,37 
< 0,001 
(1,25-1,48) (1,28-1,47) 
Moradia em alvenaria Não 87,5 
1,5 
< 0,001 70,9 
1,05 
0,362 
(1,28-1,75) (0,94-1,18) 
Escolaridade materna ≤ 4 anos 73,7 
1,38 
< 0,001 76,1 
1,11 
< 0,001 
(1,30-1,46) (1,05-1,17) 
Cor da pele materna 
Diferente de 
branca 
59,6 
1,1 
0,005 72,2 
1 
0,884 
(1,02-1,19) (0,91-1,11) 
Coleta pública do lixo Não 64,1 
1,11 
0,007 70,3 
1,08 
0,003 
(1,02-1,20) (1,03-1,14) 
Número de pessoas 
no domicílio 
≥ 4 65,5 
1,18 
< 0,001 80,3 
1,27 
< 0,001 
(1,11-1,25) (1,20-1,34) 
Domicílio próprio Não 66,4 
1,23 
< 0,001 74,5 
1,11 
0,013 
(1,17-1,31) (1,02-1,21) 
Água mineral ou 
encanada para 
consumo 
Não 63,6 
1,12 
< 0,001 70,8 
1,19 
< 0,001 
(1,05-1,19) (1,11-1,27) 
Água de rede pública Não 61,8 
1,08 
0,005 70 
1,15 
< 0,001 
(1,01- 1,1) (1,08-1,24) 
73 
 
SRQ ≥ 8 74,1 
1,7 
< 0,001 86,9 
1,41 
< 0,001 
(1,59-1,81) (1,33-1,48) 
Hipertensão materna Sim 64,3 
1,12 
0,002 70,4 
0,96 
0,388 
(1,04-1,21) (0,89-1,04) 
¹ Renda em salário mínimo (2015: R$724,0; 2018: R$934,0); ² Segundo Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa; SRQ: Self-
Reporting Questionnaire 
 
 
 
Tabela 4. Prevalência, razão de prevalência (RP) bruta e ajustada, e intervalo de confiança (IC95%) de insegurança alimentar, em 
Alagoas e nas comunidades quilombolas de Alagoas. Brasil, 2015 e 2018. 
Variáveis Categorias 
Pesquisa Alagoas-2015 (n= 3326) Pesquisa Quilombola-2018 (n= 2465) 
P 
(interação) % 
RP bruta 
P 
RP ajustada¹ 
P % 
RP bruta 
P 
RP ajustada² 
P 
(IC 95%) (IC 95%) (IC 95%) (IC 95%) 
Cadastro 
no PTR 
Sim 70,5 
1,56 
(1,46-1,66) 
< 0,001 
1,17 
(1,09-1,27) 
< 0,001 77,2 
1,44 
(1,35-1,53) 
< 0,001 
1,23 
(1,13-1,33) 
< 0,001 0,672 
PTR: Programa de transferência de renda. ¹Ajustada para: Renda familiar per capita em salários mínimos (R$724,0 (2015) e R$934,0 (2018)); Número de 
cômodos; Classificação econômica segundo Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa; Família com menores de 18 anos; Número de pessoas no 
domicílio; Ocupação da casa; Origem da água de uso geral na casa; Self-Reporting Questionnaire; Hipertensão materna. ²Ajustada para: Renda familiar per 
capita em salários mínimos (R$724,0 (2015) e R$934,0 (2018)); Família com menores de 18 anos; Número de pessoas no domicílio; Origem da água utilizada 
para consumo e Self-Reporting Questionnaire. 
 
 
 
 
 
74 
 
APÊNDICE B – Artigo 2. 
Programa de transferência de renda e segurança alimentar e nutricional no 
Brasil: Uma revisão sistemática com metanálise. 
RESUMO 
Objetivo: O presente estudo teve por objetivo revisar sistematicamente as evidências da 
literatura acerca da situação de segurança alimentar e nutricional de populações beneficiadas e 
não beneficiadas de um PTR no Brasil. Métodos: Os autores desenvolveram as buscas nos 
bancos de dados PubMed, Web of Science, SCOPUS e Scielo até setembro de 2020, as listas 
de referências dos artigos também foram pesquisadas, assim como foi realizada a busca por 
literatura cinza pelo Google Scholar e Banco de Teses da CAPES. Foram incluídos estudos que 
apresentassem delineamento observacional realizados no Brasil; recorrentes de uma amostra 
representativa e aleatórias; com uma medida direta da exposição programa; com descrição das 
características dos grupos expostos e não expostos; avaliando a situação de segurança 
alimentar e nutricional de acordo com a EBIA; com dados suficientes para cálculo do Odds Ratio. 
Resultados: Foram identificados 458 estudos e 13 artigos foram incluídos para a metanálise. A 
metanálise dos dados combinados dos 13 estudos indica que a insegurança alimentar esteve 
prevalente na população beneficiada do PTR (OR: 2,82; IC95%: 2,45 – 3,25). A análise de 
subgrupo foi gerada a partir da forma de utilização da escala de insegurança alimentar e 
demonstrou resultado semelhante (OR: 2,99; IC95%: 2,59 – 3,45). Conclusão: Os dados desta 
revisão sistemática com metanálise indicam alta prevalência de insegurança alimentar entre 
beneficiados do PTR Brasileiro. 
Palavras chave: População de Baixa Renda. Programas Governamentais. 
Segurança Alimentar e Nutricional. 
ABSTRACT 
Objective: This study aimed to systematically review the evidence in the literature about the food 
and nutritional security situation of populations benefiting and not benefiting from a PTR in Brazil. 
Methods: The authors carried out searches in the PubMed, Web of Science, SCOPUS and Scielo 
databases until September 2020, the reference lists of the articles were also searched, as well as 
the search for gray literature by Google Scholar and CAPES Thesis Bank. Studies that presented 
an observational design carried out in Brazil were included; applicants from a representative 
sample and random; with a direct measure of the exposure program; with a description of the 
characteristics of the exposed and unexposed groups; assessing the food and nutrition security 
situation according to the EBIA; with enough data to calculate the Odds Ratio. Results: 458 
studies were identified and 13 articles were included for meta-analysis. The meta-analysis of the 
combined data from the 13 studies indicates that food insecurity was prevalent in the population 
benefiting from the PTR (OR: 2.82; 95%CI: 2.45 – 3.25). The subgroup analysis was generated 
from the way the food insecurity scale was used and showed a similar result (OR: 2.99; 95%CI: 
2.59 – 3.45). Conclusion: Data from this systematic review with meta-analysis indicate a high 
prevalence of food insecurity among beneficiaries of the Brazilian PTR. 
Keywords: Low-income population. Government Programs. Food and nutrition 
security. 
75 
 
Introdução 
Os programas de transferência de renda (PTR) são estratégias de 
proteção social direcionadas a indivíduos em situação de vulnerabilidade social 
(1) adotados por quase trinta países(2). Surgiram como uma alternativa para 
combate à pobreza e a Insegurança Alimentar e Nutricional (INSAN) partindo do 
princípio que a família compreende melhor quais suas necessidades mais 
urgentes(3). 
O conceito de segurança alimentar e nutricional é complexo, pois passou 
a envolver diversos aspectos em sua construção(4), entre os mais aceitos, 
destaca a promoção de saúde por meio de práticas alimentares que respeitem a 
diversidade cultural e social, economicamente e ambientalmente sustentáveis, 
com a garantia de acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em 
quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades 
essenciais(5). 
Para estimar a INSAN em uma população Brasileira, foi desenvolvida a 
Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (EBIA), um questionário que 
identifica o acesso aos alimentos ou mesmo a preocupação da falta de alimentos 
por meio do relato davivência dos moradores(6). 
Considerando a magnitude do PTR Brasileiro, como o maior programa 
de assistência social do mundo(7), atendendo mais de 13 milhões de pessoas(8), 
e criado a partir da unificação de programas destinados, principalmente, ao 
combate à INSAN (9), além da escassez de revisões sistemáticas sobre a 
segurança alimentar e nutricional (SAN) de famílias beneficiadas pelo programa, 
esse estudo tem como objetivo analisar a situação de segurança alimentar e 
76 
 
nutricional de populações beneficiadas e não beneficiadas de um PTR no Brasil, 
através de uma metanálise de estudos observacionais. 
Métodos 
Este estudo foi realizado de acordo com as diretrizes da Meta-Analysis 
of Observational Studies in Epidemiology (MOOSE) (10). Um protocolo de 
estudo foi desenhado e registrado no banco de dados PROSPERO (número de 
registro CRD42020153777). 
Pergunta de pesquisa 
O presente estudo visou responder a seguinte questão: Qual a situação 
da segurança alimentar e nutricional de beneficiados e não beneficiados por um 
programa de transferência de renda no Brasil? 
Estratégia de busca 
A estratégia de busca foi desenvolvida pelos pesquisadores, 
doutorandos em ciências da saúde, empregada de acordo com o formato PVO 
(População / Problema, Variáveis e Desfecho) adaptado da estratégia PICO por 
Biruel e Pinto (11). 
Dois investigadores (EAS e NBRV) conduziram de forma independente 
uma pesquisa sistemática da literatura em setembro de 2020, utilizando bases 
de dados PubMed, Web of Science, SCOPUS e Scielo. A busca foi atualizada 
em junho de 2021. 
De forma complementar, foram pesquisadas publicações no Google 
Scholar, Banco de Teses da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de 
Nível Superior (CAPES) em busca de 'literatura cinzenta', evitando o possível 
77 
 
viés de seleção e publicação. Somente os 100 primeiros estudos listados no 
Google Scholar foram consultados (excluindo patentes e citações). 
Cada termo foi cruzado individualmente com os demais, garantindo a 
inclusão de todos os artigos relacionados ao tema. As listas de referências dos 
artigos também foram pesquisadas, com o objetivo de identificar mais estudos 
originais que não haviam sido encontrados na pesquisa. 
As buscas foram organizadas tendo a base PubMed como referência 
utilizando-se os seguintes termos: Brazil; Public Assistance [Mesh Term] 
(Assistance, Public); Public Policy [Mesh Term] (Policies, Public; Policy, Public; 
Public Policies; Population Policy; Policies, Population; Policy, Population; 
Population Policies; Social Protection; Protection, Social; Social Policy; Policies, 
Social; Policy, Social; Social Policies); Cash transfer*; income transfer program*; 
Bolsa Família*; Food Safety [Mesh Term] (Safety, Food); Food Supply [Mesh 
Term] (Food Supplies; Supplies, Food; Supply, Food; Food Insecurity; Food 
Insecurities; Insecurities, Food; Insecurity, Food; Food Security; Security, Food). 
Todos os termos foram organizados utilizando-se os operadores lógicos OR e 
AND. Para atender as especificidades das diferentes bases de dados houve 
alteração/ ajustes nos termos usados (Quadro 1). 
Critérios de elegibilidades 
Os estudos foram considerados elegíveis quando: (i) fossem 
observacionais (transversais, caso-controle ou coorte (prospectivo ou 
retrospectivo)) realizados no Brasil; (ii) recorrentes de uma amostra 
representativa das observações; (iii) que usaram uma medida direta da 
exposição programa; (iv) que descrevem as características dos grupos expostos 
e não expostos; (v) avaliando a situação de segurança alimentar e nutricional de 
78 
 
acordo com a EBIA (6); (vi) com dados brutos suficientes fornecidos para avaliar 
a associação entre o recebimento de programa de transferência de renda e a 
situação de segurança alimentar e nutricional; (vii) em idioma português, inglês 
ou espanhol, sem limitação temporal. 
Seleção de estudo 
A seleção dos estudos foi conduzida de forma independente por dois 
autores (EAS e NBRV). Importamos todos os estudos potencialmente elegíveis 
para EndNote (EndNote X7, Thomson Reuters) onde os artigos duplicados foram 
removidos usando a função de “encontrar duplicatas”. 
Os não detectados por esta função foram retirados manualmente 
durante a primeira triagem, que consistiu na leitura do título e resumo. Os 
estudos parcialmente relevantes foram lidos na íntegra. Discordâncias entre os 
dois revisores foram resolvidas por consenso ou por um terceiro revisor (MLS). 
Extração de dados e avaliação da qualidade 
Dois investigadores independentes (EAS e NBRV) extraíram os dados 
dos artigos usando um protocolo pré-definido. As informações sobre o desenho 
do estudo, população elegível, distribuição, critérios de inclusão e exclusão, e 
resultados obtidos. Os dados de resultados incluíram o número de sujeitos em 
condição de usuário do PTR em situação de INSAN e em situação de SAN, e o 
número de sujeitos em condição de não usuário do PTR em situação de INSAN 
e em situação de SAN. 
A validade interna dos estudos foi avaliada, por ambos os revisores, de 
forma independente e seguida por uma discussão para um consenso sobre as 
discordâncias, utilizando a Ferramenta de Avaliação de Qualidade do instituto 
79 
 
Joanna Briggs (joannabriggs.org/critical-appraisal-tools) para estudos 
transversais analíticos. 
Análise de dados 
Para verificar a associação entre a INSAN e a condição de usuário do 
PTR foi estimada a razão de prevalência pelo cálculo do risco relativo (RR), 
utilizando os dados brutos de INSAN entre usuários e não usuários. Para a 
análise ajustada, foram utilizados os dados de Razão de prevalência (RP) 
ajustado, intervalo de confiança superior e inferior. Os resultados foram 
apresentados graficamente utilizando o Forest Plot. Os treze estudos foram 
incluídos na análise bruta, todavia, apenas sete (12-19) forneceram dados 
ajustados para a análise, os demais estudos não foram incluídos, por não 
realizarem a análise ajustada ou por classificarem a condição de usuário do PTR 
de forma inversa aos estudos analisados. 
A análise de subgrupo foi gerada a partir da forma de utilização da 
escala, sendo considerado o grupo “complete” os estudos (12-15, 20, 21) que 
apresentaram a classificação completa da escala, segurança alimentar, 
insegurança leve, moderada e grave. O grupo “SAN vs INSAN” agrupa os 
estudos que unificaram as três categorias de INSAN (16-18). E o grupo 
“Grouped” os estudos que utilizaram as categorias: 1. Segurança alimentar e 
insegurança leve, e 2. Insegurança moderada e grave (19, 22-24), todavia, em 
todos os casos a análise foi realizada de acordo com as categorias SAN e 
INSAN. 
Os estudos foram representados por um quadrado de tamanho 
proporcional ao peso do estudo na metanálise. Valores de p menores que 0,05 
80 
 
foram estatisticamente significantes. A heterogeneidade foi investigada usando 
o Teste Q (25) e quantificado usando o índice I2 [100% x (Q-df) / Q](26). 
A análise foi realizada utilizando o modelo de efeitos aleatórios usando 
o software Stata 13.0 (StataCorp). 
Resultados 
Seleção dos estudos 
Foram encontrados um total de 459 artigos não duplicados, entre artigos, 
teses e dissertações. Após a análise realizada a partir dos títulos e resumos por 
dois revisores, foram excluídos 394 estudos. 65 artigos foram submetidos à 
revisão do texto completo para elegibilidade, destes, 52 foram excluídos por não 
preencherem os critérios de inclusão, sendo 26 trabalhos por não apresentarem 
uma medida direta que caracterize a adesão ou não ao PTR, 13 por não 
declararem a utilização do EBIA, 13 por não apresentarem, direta ou 
indiretamente, uma associação entre a INSAN e o PTR e 13 estudos foram 
incluídos na revisão sistemática com metanálise (Figura 1). 
Os estudos foram publicados em português e inglês, entre os anos de 
2014 e 2020. A população total dos estudos incluídos foi de 31.413famílias, 
sendo 14.288 famílias beneficiárias do PTR. Todos os estudos desta revisão 
sistemática e metanálise são de corte transversal. Em todos os casos a unidade 
estudada foi a família, tendo como variável dependente a INSAN. 
Avaliação da qualidade 
Os estudos incluídos nesta revisão sistemática apresentaram claramente 
os sujeitos e ambiente do estudo, assim como os critérios para inclusão da 
amostra. 
81 
 
Todos os estudos utilizaram o EBIA, verificaram se havia algum membro 
cadastrado no PTR e descreveram as características da amostra, sendo que 
apenas um estudo (20) descreveu os sujeitos de acordo com o recebimento do 
PTR, os demais descreveram a partir da classificação da INSAN, diferindo 
apenas na forma de apresentação, onde cinco estudos analisaram a INSAN na 
sua forma leve, moderada e grave (12, 13, 15, 21), três estudos consideram 
apenas se a família está ou não em situação de INSAN (16-18) e os demais 
agruparam a SAN com INSAN leve e INSAN moderada com grave (14, 19, 22-
24). 
Apenas um estudo (20) não estabeleceu estratégia para lidar com 
fatores de confusão e não os identificou. A análise foi considerada adequada em 
12 estudos, por empregarem a análise multivariável, optando pela regressão 
logística (21, 24), logística multinomial (21) ou regressão de Poisson com 
variância robusta (12-16, 18, 22, 23). Um estudo (17) não descreveu qual método 
de regressão foi utilizado e apenas um estudo foi considerado inadequado por 
não aplicar nenhum método multivariável (20) (Quadro 2). 
Metanálise 
A INSAN esteve associada ao recebimento do programa de 
transferência de renda em 10 dos 13 estudos analisados (12-21). 
A metanálise dos dados brutos combinados dos 13 estudos apresentou 
uma razão de prevalência de 1,54 (IC95%: 1,34 – 1,76), mostrando que famílias 
beneficiadas com o PTR possuem uma maior prevalência de insegurança 
alimentar, quando comparada a famílias não beneficiadas do programa (Figura 
2a). 
82 
 
A análise de subgrupo, dos dados brutos, obtivemos as razões de 
prevalência de 1,62 (IC95%: 1,34 – 1,97), 1,69 (IC95%: 1,30 – 2,19) e 1,26 
(IC95%: 0,93 – 1,70), respectivamente para os grupos: complete (12-15, 20, 21), 
SAN vs INSAN (16-18) e Grouped (19, 22-24) (Figura 2b). A análise ajustada 
obteve resultados semelhantes, onde os usuários do PTR obtiveram maiores 
prevalências de INSAN (RP: 1,43; IC95%: 1,30 – 1,57) (Figura 3a). 
Discussão 
A insegurança alimentar é um problema de saúde pública que atormenta 
populações submetidas a maior vulnerabilidade social (15). A alta prevalência de 
INSAN encontrada nos estudos pode ser explicada pela semelhança nas 
características das populações analisadas, considerando a vulnerabilidade 
econômica a qual estão expostas. 
Fatores como menor renda per capita e menor nível econômico, 
apresentaram associação com a INSAN (12, 13, 16-19, 21), visto que essas 
características estariam relacionadas ao poder aquisitivo das famílias, indicando 
uma redução no poder de compra de alimentos (27). 
Com a redução do dinheiro para a compra de alimentos, agrava-se a 
condição de INSAN, visto que a INSAN moderada remete a redução da 
quantidade nos padrões habituais da alimentação de adultos (18), e esses são 
usualmente mais afetados, visto que diminuem a quantidade de alimentos 
prezando a manutenção do consumo adequado das crianças (28). 
Os PTR tentam garantir a segurança alimentar, aumentando o poder de 
compra das famílias, todavia, a característica mais prevalente entre as famílias 
em situação de INSAN foi o recebimento do benefício do programa (12-21). 
Apesar da contribuição com a renda extra, a pobreza e a fome são problemas 
83 
 
multifatoriais, assim, apenas o benefício não se mostra suficiente para garantir a 
alimentação adequada para toda família (29). 
Além dos indicadores socioeconômicos, condições impróprias de 
saneamento básico, como não ter tratamento para água para beber (14, 22), sem 
coleta de lixo (24) e sem possuir sistema público de esgoto ou uma fossa séptica 
(21), também apresentou associação com a insegurança alimentar. 
Famílias beneficiadas normalmente priorizam a renda do programa na 
aquisição de alimentos (30), entretanto esse peso com o gasto na alimentação 
pode sofrer variações visto as condições precárias que a família está submetida, 
forçando o direcionamento da renda para a manutenção de outras necessidades 
essenciais (31). 
O programa está adequadamente direcionado as famílias com piores 
condições econômicas e sociais, entretanto, com a expansão do programa, 
famílias não elegíveis podem ser contempladas (32), visto que a família pode 
suprimir intencionalmente sua renda relatada (33), tanto no momento do 
cadastro como das pesquisas. 
Tal condição pode limitar a efetividade do programa, visto que ao 
beneficiar famílias não elegíveis, a cobertura não é suficiente para atingir a todos 
em condição de vulnerabilidade social (20), havendo menor disponibilidade do 
benefício e das condicionalidades atreladas ao programa (32). 
Apesar da maioria dos estudos identificados indicar a associação da 
INSAN com o PTR, não é possível associar o recebimento do benefício como 
causa da insegurança alimentar, devido ao padrão metodologico dos estudos, 
visto que todos são estudos de corte transversal. 
84 
 
Possivelmente a heterogeneidade encontrada nas análises refere-se a 
natureza metodológica dos estudos, considerando principalmente as 
divergências entre amostras e locais de estudo. Deve-se considerar o 
desenvolvimento de estudos que vão além da avaliação momentânea, com 
indicadores definidos de forma adequada e acurada, permitindo a avaliação do 
impacto do programa sobre a insegurança alimentar de uma população. 
Conclusão 
A insegurança alimentar apresentou prevalência superior nas famílias 
beneficiarias do PTR. Além do recebimento do PTR, famílias em maior 
vulnerabilidade socioeconômica, com condições precárias de saneamento 
básico, educação e moradia, apresentaram alta prevalência de insegurança 
alimentar. 
Tais achados fortalecem a influência dos determinantes sociais na 
insegurança alimentar, ficando evidente a importância de ações sociais que 
possibilitem a melhora das condições econômicas de grupos vulneráveis, 
assegurando o acesso a alimentos e direitos sociais básicos. 
85 
 
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interpreting inequalities in coverage of maternal, newborn, and child health 
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88 
 
Quadro 1. Termos de pesquisa e suas combinações utilizadas de acordo com as bases de dados. 
Componente 
de revisão 
Termos de pesquisa Termos de pesquisa Termos de pesquisa 
(Scielo, Web of Science e BDTD) (Scorpus e Google Schoolar) (PubMed) 
População Brazil Brazil [Mesh Term] Brazil [Mesh Term] 
Variáveis 
Nutrition Programs and Policies (Nutrition 
Financial Support; Nutrition Programmes 
and Policies)* Public Assistance 
(Assistance, Public); Nutrition Programs 
(Nutrition Programmes, Nutritional 
Programmes, Nutritional Programs); 
Cash transfer*; income transfer program*; 
Bolsa Família* 
Cash transfer; income transfer 
program; Bolsa Família 
Public Assistance [Mesh Term] 
(Assistance, Public); Public Policy [Mesh 
Term] (Policies, Public; Policy, Public; 
Public Policies; Population Policy; Policies, 
Population; Policy, Population; Population 
Policies; Social Protection; Protection, 
Social; Social Policy; Policies, Social; 
Policy, Social; Social Policies); Cash 
transfer*; income transfer program*; Bolsa 
Família* 
Desfecho 
Food and Nutrition Security; (Dietary 
Advocacy; Food Advocacy; Food Rights; 
Nutritional Advocacy; Nutritional Rights; 
Right to Adequate Food; Right to Food) 
Food and Nutrition Security; 
Dietary Advocacy; Food 
Advocacy; Food Rights; 
Nutritional Advocacy; 
Nutritional Rights; Right to 
Food 
Food Safety [Mesh Term] (Safety, Food); 
Food Supply [Mesh Term] (Food Supplies; 
Supplies, Food; Supply, Food; Food 
Insecurity; Food Insecurities; Insecurities, 
Food; Insecurity, Food; Food Security; 
Security, Food) 
Os termos de pesquisa em cada linha foram combinados com "OR" e termos de pesquisa linhas diferentes foram combinadas com 
"AND". *Foram utilizados termos de pesquisa como palavras-chave obtidos de outros estudos com pergunta semelhante. 
 
 
89 
 
Figura 1. Fluxograma do processo de busca e seleção da literatura. 
 
 
BDTD: Base de dados de teses e dissertações; EBIA: Escala Brasileira de Insegurança Alimentar; PTR 
Programa de Transferência de Renda; INSAN: Insegurança alimentar e Nutricional. 
 
 
90 
 
Quadro 2. Qualidade metodológica dos artigos de acordo com a ferramenta de avaliação crítica do instituto Joanna Briggs 
Autor (Ano) Q.1 Q.2 Q.3 Q.4 Q.5 Q.6 Q.7 Q.8 
Bezerra e Pedraza (2015) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Cardozo et al. (2020) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Costa et al. (2017) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Facchini et al. (2014) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Ferreira et al. (2014) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Gubert et al. (2017) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Pedraza e Gama (2015) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Peixoto et al. (2014) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Poblacion et al. (2014) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Rocha et al. (2018) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Silva et al. (2017) ü ü ü ü ü ü ü üSouza et al. (2016) ü ü ü ü ü ü ü ü 
Vega et al. (2014) ü ü ü ü ● ● ü ● 
ü – Sim; ● – Não. Q.1. Os critérios de inclusão na amostra foram claramente definidos? Q.2. Os sujeitos do estudo e o ambiente foram descritos 
em detalhes? Q.3. A exposição foi medida de forma válida e confiável? Q.4. Os critérios padrão e objetivos foram usados para medir a condição? 
Q.5. Foram identificados fatores de confusão? Q.6. Foram estabelecidas estratégias para lidar com fatores de confusão? Q.7. Os resultados foram 
medidos de forma válida e confiável? Q.8. Foi usada uma análise estatística apropriada? 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
91 
 
Quadro 3. Principais características dos estudos incluídos na revisão sistemática. 
Autor (Ano) N (Famílias) Objetivo 
INSAN 
(%) 
PTR 
(%) Variáveis associadas à Insegurança alimentar 
Peixoto et 
al. (2014) 356 
Estimar a prevalência de insegurança alimentar 
e fatores associados na população da área de 
abrangência do Núcleo de Apoio à Saúde da 
Família em Itumbiara, Goiás. 
51,4 21,3 
Receber auxílio do PTR, Residir em moradia com 
acabamento incompleto, Ter mais de cinco moradores por 
domicílio, pertencer às classes econômicas C e D/E. 
Pedraza e 
Gama 
(2015) 
793 
Determinar a prevalência de insegurança 
alimentar e identificar fatores socioeconômicos 
associados à sua ocorrência em famílias com 
crianças menores de cinco anos do município de 
Campina Grande, Paraíba. 
69,2 73,1 
Domicílios sem tratamento da água para beber, com outro 
tipo de sanitário que não individual com descarga, em 
famílias mais numerosas e sem geladeira. 
Bezerra 
e Pedraza 
(2015) 
76 
Avaliar a situação de insegurança alimentar de 
famílias com crianças menores de cinco anos 
residentes em área de vulnerabilidade social e 
sua associação com características biológicas, 
com a situação de saúde das crianças e com o 
contexto socioeconômico familiar. 
96,1 68,4 Famílias com crianças que tiveram perda de peso nos últimos 15 dias e aquelas com destino de lixo não coletado. 
Costa et al. 
(2017) 3365 
Identificar a prevalência e os fatores associados 
à insegurança alimentar (FI) em Alagoas 58,3 52,2 
Receber auxílio do PTR, Chefe do sexo feminino, chefe sem 
renda, chefe com excesso de peso, US $ 4 por membro da 
família, ≥ 4 membros na família, ≤ 4 quartos no domicílio, 
renda familiar inferior ao mínimo salário, família pertencente 
às classes econômicas D ou E, residindo em uma casa sem 
alvenaria ou não possuir casa própria. 
Ferreira et 
al. (2014) 1444 
Identificar a prevalência e os fatores associados 
à insegurança alimentar em famílias do norte de 
Alagoas. 
63,7 50,5 
Receber auxílio do PTR, Famílias com indivíduos < 18 anos, 
cômodos no domicílio <4, escolaridade do chefe da família < 
4 anos, água de beber diferente de mineral, número de 
residentes no domicílio > 4, chefe do sexo feminino e 
escolaridade materna < 4 anos. 
92 
 
Souza et al. 
(2016) 691 
Avaliar a associação de insegurança alimentar 
com condições demográficas e 
socioeconômicas em domicílios em Campinas, 
São Paulo, Brasil. 
35,0 9,6 
Receber auxílio do PTR, Renda per capita mensal menor que 
o salário mínimo, chefe da família desempregado por mais 
de seis meses entre 2004-2010, morando em propriedades 
dadas à família e densidade superior a duas pessoas por 
cômodo, Condição de emprego informal do chefe da família. 
Facchini et 
al. (2014) 10500 
Analisa a insegurança alimentar em domicílios 
urbanos com crianças menores de sete anos de 
idade. 
54,2 (N) 
27,3 (S) 32,1 
Receber auxílio do PTR, Domicílios chefiados por mulheres 
com cor preta e parda/mestiça, com menor escolaridade, 
menor renda familiar per capita. 
Silva et al. 
(2017) 459 
Identificar a prevalência de insegurança 
alimentar em uma área rural do Nordeste do 
Brasil e investigar este desfecho de acordo com 
a residência em comunidades quilombolas e não 
quilombolas. 
52,1 (T) 
64,9 (Q) 
42,0 (NQ) 
47,9 Receber auxílio do PTR, Ser quilombola, ter nível econômico mais baixo, ter quatro residentes ou mais no domicílio. 
Gubert et al. 
(2017) 8856 
Identificar os fatores associados à insegurança 
alimentar entre Comunidades quilombolas no 
Brasil. 
85,6 61,3 
Receber auxílio do PTR, Chefe de família tinha menos de 4 
anos educação, com renda per capita mensal abaixo de US 
$ 44, sem recursos adequados de saneamento básico, sem 
suprimento adequado de água. 
Rocha et al. 
(2018) 306 
Analisar a associação de insegurança alimentar 
com a concentração de hemoglobina e a 
prevalência de anemia em crianças em idade 
pré-escolar no município de Taubaté, São 
Paulo. 
41,2 29,2 Receber auxílio do PTR, Menores salários e a criança da família ser menino. 
Vega et al. 
(2014) 1735 
Caracterizar crianças menores de 2 anos 
beneficiárias de qualquer PTR 50,5 29,4 Receber auxílio do PTR. 
Poblacion et 
al. (2014) 3920 
Estudar o processo de insegurança alimentar e 
fome em domicílios brasileiros com crianças 
menores de cinco anos. 
45,5 
(Brasil) 30,7 
Receber auxílio do PTR, Classes econômicas D e E, Regiões 
(Norte e Nordeste). 
Cardozo et 
al. (2020) 150 
Analisar o poder preditivo de indicadores da 
percepção de insegurança alimentar e 
nutricional comparando famílias beneficiárias e 
não beneficiárias do Programa Bolsa Família. 
70,6 66,7 
Proporção da renda total gasta com gás e aluguel menor que 
15%, Diferença entre o gasto com gás e o salário mensal, 
menor que R$ 580, e Renda mensal total menor que 1 salário 
mínimo. 
PTR: Programa de Transferência de Renda; INSAN: Insegurança Alimentar e Nutricional; (N) Região Nordeste;(S) Região Sul; (T) Total; (Q) Quilombola; (NQ) Não quilombola.
93 
 
Figura 2. (a) Forest Plot sobre a associação entre a insegurança alimentar e o 
programa de transferência de renda. (b) Forest Plot sobre a associação entre a 
insegurança alimentar e o programa de transferência de renda de acordo com a forma 
de classificação da insegurança alimentar. 
 
(a) 
(b) 
Grouped: Classificação agrupada entre SAN e INSAN leve; Complete – classificação dividida entre: 
SAN, INSAN leve, INSAN moderada e INSAN grave; SAN vs INSAN – classificação dividida entre SAN 
e INSAN (leve, moderada e grave). (1): Nordeste; (2): Sul; (3): Quilombola; (4): Não Quilombola. 
 
94 
 
Figura 3. (a) Forest Plot dos dados ajustados sobre a associação entre a insegurança 
alimentar e o programa de transferência de renda. (b) Forest Plot dos dados ajustados 
sobre a associação entre a insegurança alimentar e o programa de transferência de 
renda de acordo com a forma de classificação da insegurança alimentar. 
 
(a) 
(b) 
 
Grouped: Classificação agrupada entre SAN e INSAN leve; Complete – classificação dividida entre: 
SAN, INSAN leve, INSAN moderada e INSAN grave; SAN vs INSAN – classificação dividida entre SAN 
e INSAN (leve, moderada e grave). (1): Nordeste; (2): Sul; (3): Quilombola; (4): Não Quilombola. 
95 
APÊNDICE D – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Pesquisa 2015. 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.) 
“O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe após consentimento livre e esclarecido dos 
sujeitos, indivíduos ou grupos que por si e/ou por seus representantes legais manifestem a sua anuência à participação na 
pesquisa.” (Resolução. nº 196/96-IV, do Conselho Nacional de Saúde). 
Eu, ________________, tendo sido convidado(a) a participar como voluntário(a) da pesquisa 2º DIAGNÓSTICO DE SAÚDE 
DA POPULAÇÃO MATERNO-INFANTIL DE ALAGOAS, recebi do Prof. HAROLDO DA SILVA FERREIRA, da 
Faculdade de Nutrição da UFAL, responsável por sua execução, ou por alguém de sua equipe, as seguintes informações que 
me fizeram entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos: 
• Que o estudo se destina a investigar as condições de nutrição e saúde de mães e crianças residentes no estado de 
Alagoas, visando possibilitar o planejamento de ações de promoção da saúde; 
• Que os principaisresultados que se desejam alcançar são os seguintes: 
- Conhecer o estado nutricional da população; 
- Saber quais as principais doenças que acometem essas pessoas; 
- Investigar se as mães sofrem de hipertensão, colesterol alto, diabetes e excesso de gordura no sangue; 
- Caracterizar a população em relação às condições socioeconômicas, educacionais, de habitação, se tem água 
tratada em casa e qual o destino do lixo e dejetos; 
- Conhecer a população quanto à utilização de serviços de saúde (atenção pré e perinatal, posse e utilização 
do cartão da criança, atualização do calendário de vacinas, assistência médica), se estão recebendo remédio 
para tratar a anemia e a hipovitaminose A, bem como a participação em programas de segurança alimentar. 
• Que para a realização deste estudo os pesquisadores visitarão minha residência para fazer perguntas sobre 
alimentação, condições socioeconômicas e de saúde, além de pesar, medir, verificar a pressão arterial e tirar uma 
gota de sangue da ponta do dedo das crianças e gestantes para exame de anemia e das mulheres de 18 a 50 anos 
para dosagem da glicose, colesterol e triglicerídeos (gordura do sangue); Adicionalmente, essas mulheres serão 
pesquisadas em relação à quantidade de gordura que tem no corpo. Isto será feito utilizando- se um equipamento 
chamado de bioimpedância. Para isso, basta que a pessoa examinada o segure com as duas mãos que, em 5 
segundos, se saberá o resultado. 
• Que responder essas perguntas, furar o dedo para tirar sangue e se submeter aos demais exames informados 
acima serão os incômodos que poderei sentir com a minha participação/autorização; 
• Que, sempre que eu quiser, serão fornecidas explicações sobre cada uma das partes do estudo. 
• Que, a qualquer momento, poderei recusar a continuar participando do estudo e, também, que eu poderei retirar 
este meu consentimento, sem que isso me traga qualquer prejuízo ou problema; 
• Que as informações conseguidas através da minha participação não permitirão minha identificação, nem de 
qualquer membro da minha família, exceto aos responsáveis pelo estudo. 
Finalmente, tendo eu entendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação e a das 
pessoas sob minha responsabilidade nesse trabalho e sabendo dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos 
riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo em dele participar e para isso eu DOU O MEU 
CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADA OU OBRIGADA. 
Cadastro do(a )voluntário(a): 
Contato de urgência: Prof. Dr. Haroldo da Silva Ferreira. Telefone: 0(xx)82-9381-2731. 
Endereço do responsável pela pesquisa: Prof. Dr. Haroldo da Silva Ferreira 
Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas 
Br 101 Norte, S/nº, Tabuleiro dos Martins, 57072-970 - Maceió. Telefones: 3214-1160 
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao 
Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal de Alagoas: Prédio da Reitoria, sala do C.O.C., Campus 
A. C. Simões, Cidade Universitária. Telefone: 3214-1053 
 de de 2014 
 
 
Assinatura ou impressão digital do(a) 
voluntário(a) 
Assinatura do pesquisador responsável 
 
96 
APÊNDICE E – Questionário de coleta de dados, Pesquisa 2015. 
 
FORMULÁRIO 1 - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO 
 
QUE
ST 
1. | || || || | 
MUNICÍPIO 
| || || || || | 
SETOR 
| || || || | 
Q DO SETOR 
| || || || || | 
2. DATA DA ENTREVISTA | || |/| || |/| || | 
3. A casa esta situada na zona: (1) Rural ou (0) Urbana 
4. Quantas pessoas residem nesta casa? | || | 
5. Entrevistador: 
6. Supervisor de campo: 
 
27002 Anadia 27046 Maravilha 
27003 Arapiraca 27052 Messias 
27004 Atalaia 27063 Palmeira dos Índios 
27020 Coité do Nóia 27065 Passo de Camaragibe 
27021 Colônia Leopoldina 27067 Penedo 
27023 Coruripe 27071 Piranhas 
27024 Delmiro Golveia 27077 Rio Largo 
27040 Junqueiro 27080 Santana do Ipanema 
27041 Lagoa da Canoa 27083 São José da Laje 
27043 Maceió 27091 Taquarana 
 
PONTO DE 
REFERÊNCIA 
 
 
 
 
 
II Diagnóstico de Saúde da População Materno-Infantil de Alagoas 
Faculdade de Nutrição/UFAL 
RECIBO DO TCLE 
Tendo eu entendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação e a das pessoas sob minha 
responsabilidade nesse trabalho e sabendo dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que 
a minha participação implicam, conforme consta no TCLE que me foi fornecido e encontra- se sob meu poder, concordo em 
dele participar e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADA OU OBRIGADA. 
 _, de de 2014 
 
 _ 
Assinatura ou digitais do voluntário 
97 
 
Formulário N° 2 - CADASTRO FAMILIAR E ANTROPOMETRIA 
 
 
 
N
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1. NOME 
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9. ANTROPOMETRIA 
 
 
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BI
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CIRCUNFERÊNCIAS 
(cm) 
 
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01 Chefe 
02 
03 
04 
05 
06 
07 
08 
09 
10 
ESTIMATIVA DA RENDA (per capita/salário mínimo): ( ) Até ½ ( ) Mais de ½ a 1 ( ) Mais de 1 a 2 ( )Mais de 2 
* incluir renda do Bolsa Família ou quaisquer outros programas 
2. RELAÇÃO COM 
O CHEFE DA 
FAMÍLIA 
4. ELEGÍVEL 6. RAÇA/COR (autorreferida) 8. CONDIÇÃO DO TRABALHO 9. ANTROPOMETRIA 
1. Chefe; 2. Cônjuge 
3. Filho(A); 4. Filho 
Adotivo 
5. Outro Parente: 
6. Agregado; 
7. Pensionista 
8. Empregado Doméstico. 
(G) = Gestante; 
(C2) = Criança < 2 anos. 
(C5) = Criança 2-5 anos 
(E) = Escolar (5,1 a 10 
anos) 
(M) = Mulheres (20 a < 
50) 
1- Cor Branca 
2- Cor Preta 
3- Cor Parda 
(morena) 
4- Cor Amarela 
5- Raça/etnia Indígena 
0. Não trabalha 
1. Empregado com 
carteira 
2. Funcionário público 
3. Empregado sem 
carteira 
4. Desempregado 
5. Biscateiro 
6. Autônomo 
7. Aposentado/ 
pensionista 
8. 
Criança/estudante 
9. Bolsa família 
Peso e altura: todos elegíveis 
BIA – mulheres 20 a < 50 
anos 
Circunferências (todas): 
mulheres 20 a < 50 anos 
Circunferência da cabeça: 
todos os elegíveis. 
 
ESCOLARIDADE E RAÇA DEVEM SER OBTIDAS PARA O CHEFE, MÃES DE LACTENTES, PRÉ-ESCOLARES E ESCOLARES E MULHERES ≥ 20 a < 50 anos. 
Nenhuma Ensino fundamental [(primário + ginásio) ou 1º grau] Ensino médio (científico/ pedagógico/ 2ºgrau...) Ensino superior IGN 
0 1ª 2ª 3ª 4ª 5ª 6ª 7ª 8ª 1ª 2ª 3ª Incompleto Completo IGN 
00 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 99 
98 
 
Formulário N° 3 - CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA, SOCIOECONÔMICA E AMBIENTAL 
1. Tipo de moradia (predominante): 
(1) Alvenaria (2) Taipa (3) Madeira (4) Palha/Papelão/Lona/Plástico 
 CASA |___| 
 
2. Regime de ocupação: 
(1) Própria (2) Financiada (3) Cedida (4) Alugada (5) Ocupada/Invasão 
OCUP |___| 
 
3. Número de cômodos na casa?________ CMDTOTAL |___| 
4. Quantos estão servindo de dormitório (quarto)? ___________ CMDORME |___| 
5. Origem da água que abastece o domicílio? 
(1) Rede geral de distribuição (2) Poço, cacimba ou nascente (3) Outro meio. 
 
ORIGAGUA |___| 
6. Origem da água usada para beber? 
(1) Rede geral de distribuição (2) Poço, cacimba ou nascente (3) Mineral 
(4) Outro meio: ____________________________________. 
 
AGUABEBE |___| 
7. Essa água recebe algum tipo de tratamento em sua casa antes de ser consumida? 
(1) Adequada (2) Inadequada (88)NSA 
 
AGUATRAT|___| 
8. Onde é colocado o lixo de sua casa? (1) Coleta pública (2) Outro meio 
9. Condição da rua: (1) Asfaltada/pavimentada (2) Terra/cascalho 
 
LIXO |___| 
RUA |___| 
10. AGORA VOU FAZER PERGUNTAS SOBRE O QUE TEM EM SUA CASA E A QUANTIDADE 
A senhora tem <item> aqui em sua casa? (Se SIM, quantos?). 
Televisão em cores? ( ) Não ( )Sim, quantas? 
Rádio? ( )Não ( )Sim, quantos? 
Banheiro? (somente com vaso sanitário) ( )Não ( )Sim, quantas? 
Carro? (Não considerar veículo de trabalho) ( )Não ( )Sim, quantas? 
Empregada(o) fixa na residência ( )Não ( )Sim, quantas? 
Máquina de lavar (Não considerar tanquinho elétrico)( )Não ( )Sim, quantas? 
Vídeo Cassete? ( )Não ( )Sim, quantos? 
Geladeira? ( )Não ( )Sim, quantas? 
Freezer? (Independente ou parte da geladeira duplex) ( )Não ( )Sim, quantos? 
Microcomputador? ( )Não ( )Sim, quantos? 
Lava louça? ( )Não ( )Sim, quantos? 
Micro-ondas? ( )Não ( )Sim, quantos? 
Motocicleta? ( )Não ( )Sim, quantos? 
Secadora de roupa? ( )Não ( )Sim, quantos? 
DVD? ( )Não ( )Sim, quantos? 
11. Alguém da família é beneficiário de algum programa do governo (Programa do leite, 
bolsa família, Projovem, PETI, PRONATEC)? 
(1) Sim: _________________ (2) Não 
 
 TV |___| 
 RADIO |___| 
 BANHEIRO |___| 
CARRO |___| 
EMPREGAD |___| 
MAQLAV |___| 
VIDEOC |___| 
GELAD |___| 
FREEZER |___| 
MICROCMP |___| 
LAVALOU |___| 
 MICROON |___| 
MOTOC |___| 
SECROUPA |___| 
DVD |___| 
 
COMPLEM |___| 
 
99 
 
Formulário N° 4 - ESCALA BRASILEIRA DE INSEGURANÇA ALIMENTAR - EBIA 
Nº ESTAS PERGUNTAS ( 1, 2 e 3) DEVERÃO SER FEITAS EM TODOS OS DOMICÍLIOS. 
1 
Nos últimos 3 meses, a senhora teve preocupação de que a comida na sua casa acabasse antes 
que tivesse condição de comprar mais comida? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
PREOCCOM |___| 
2 
Nos últimos 3 meses, a comida acabou antes que a senhora tivesse dinheiro para comprar 
mais? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder COMIACAB |___| 
3 
Nos últimos 3 meses, a senhora ficou sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e 
variada? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
SDINALIM |___| 
ESTA PERGUNTA (4) SÓ SERÁ APLICADA SE HOUVER MENOR DE 18 ANOS 
4 
Nos últimos 3 meses, a senhora teve que se arranjar com apenas alguns alimentos para 
alimentar sua(s) criança(s)/adolescente(s) porque o dinheiro acabou? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
POUCALIM |___| 
Se em todas as perguntas anteriores (1, 2, 3 e, se aplicável, 4) estiver assinalada a resposta NÃO e/ou NÃO SABE F 
ENCERRE O QUESTIONÁRIO. Havendo pelo menos um SIM, vá para a questão 5. 
5 
Nos últimos 3 meses, a senhora ou algum adulto em sua casa diminuiu a quantidade de 
alimentos nas refeições, ou pulou refeição, porque não havia dinheiro suficiente para 
comprar a comida? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
DIMQUANT |___| 
6 
Nos últimos 3 meses, a senhora alguma vez comeu menos do que achou que devia porque 
não havia dinheiro o suficiente para comprar comida? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
COMMENOS |___| 
7 
Nos últimos 3 meses, a senhora alguma vez sentiu fome, mas não comeu porque não podia 
comprar comida suficiente? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder SENTFOME |___| 
8 
Nos últimos 3 meses, a senhora perdeu peso porque não tinha dinheiro suficiente para 
comprar comida? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder PERDPESO |___| 
9 
Nos últimos 3 meses, a senhora ou qualquer outro adulto em sua casa ficou, alguma vez, um 
dia inteiro sem comer ou, teve apenas uma refeição ao dia, porque não havia dinheiro para 
comprar a comida? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
DIASALIM |___| 
Os quesitos abaixo devem ser perguntados apenas em domicílios que têm moradores menores de 18 anos (crianças 
e/ou adolescentes) se não houver, encerre este formulário. 
10 
Nos últimos 3 meses, a senhora não pode oferecer a(s) sua(s) criança(s)/adolescente(s) uma 
alimentação saudável e variada porque não tinha dinheiro? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
NALIMSAU |___| 
11 
Nos últimos 3 meses, a(s) criança(s)/adolescente(s) não comeu(comeram) quantidade 
suficiente de comida porque não havia dinheiro para comprar mais? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
NQUANSUF |___| 
12 
Nos últimos 3 meses, a senhora alguma vez diminuiu a quantidade de alimentos das 
refeições de sua(s) criança(s)/adolescente(s), porque não havia dinheiro suficiente para 
comprar a comida? (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
DIMQUANC |___| 
13 
Nos últimos 3 meses, alguma vez algum morador com menos de 18 anos deixou de fazer 
alguma refeição, porque não havia dinheiro para comprar a comida? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
NFEZREF |___| 
14 
Nos últimos 3 meses, sua(s) criança(s)/adolescente(s) teve(tiveram) fome, mas a senhora 
simplesmente não podia comprar mais comida? 
 (1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
CRIAFOME |___| 
15 
Nos últimos 3 meses, algum morador com menos de 18 anos teve apenas uma refeição ao 
dia, ou ficou sem comer por um dia inteiro porque não havia dinheiro para comprar a comida? 
(1) Sim (2) Não (99) Não sabe ou recusa responder 
UMAREF |___| 
100 
 
APÊNDICE F – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), Pesquisa 2018. 
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO (T.C.L.E.) 
O respeito devido à dignidade humana exige que toda pesquisa se processe com consentimento livre e esclarecido dos participantes, indivíduos ou grupos que, por si e/ou 
por seus representantes legais, manifestem a sua anuência à participação na pesquisa (Resolução CNS nº 466/12, do Conselho Nacional de Saúde). 
Eu, ______________, assim como os menores de idade sob minha responsabilidade, ___________________________, 
tendo sido convidado(a) a participar como voluntário(a) da pesquisa PROMOÇÃO DA SAÚDE E QUALIDADE DE VIDA EM COMUNIDADES 
QUILOMBOLAS DE DIFERENTES REGIÕES BRASILEIRAS: ESTUDO MULTICÊNTRICO, recebi do Prof. HAROLDO DA SILVA FERREIRA, da 
Faculdade de Nutrição da UFAL, responsável por sua execução, ou por alguém de sua equipe, as seguintes informações que me fizeram 
entender sem dificuldades e sem dúvidas os seguintes aspectos: 
� Que o estudo, a ser realizado durante o ano de 2017, se destina a avaliar a disponibilidade e utilização de serviços de saúde, bem como as condições de saúde e a 
qualidade de vida de mulheres, crianças, adolescentes e de idosos de comunidades quilombolas em diferentes regiões do Brasil; 
� Que os principais resultados que se desejam alcançar são os seguintes: Conhecer o estado nutricional da população; Saber quais as principais doenças que acometem 
essas pessoas; Investigar se as mães sofrem de pressão alta; Caracterizar a população em relação às condições socioeconômicas, educacionais, de habitação, se tem 
água tratada em casa e qual o destino do lixo e dejetos; Conhecer a população quanto à utilização de serviços de saúde (atenção pré e perinatal, posse e utilização do 
cartão da criança, atualização do calendário de vacinas, assistência médica), se estão recebendo remédio para tratar a anemia e a hipovitaminose A, bem como a 
participação em programas de segurança alimentar; 
� Que para a realizaçãodeste estudo os pesquisadores visitarão minha residência para fazer perguntas sobre alimentação, condições socioeconômicas e de saúde, 
além de pesar, medir, verificar a pressão arterial e tirar uma gota de sangue da ponta do dedo das crianças e gestantes para exame de anemia; adicionalmente, 
as mulheres serão pesquisadas em relação à quantidade de gordura que tem no corpo. Isto será feito utilizando-se um equipamento chamado de bioimpedância. 
Para isso, basta que a pessoa examinada o segure o equipamento com as duas mãos que, em 5 segundos, se saberá o resultado. 
� Que responder essas perguntas, furar o dedo para tirar sangue e se submeter aos demais exames informados acima serão os incômodos que poderei 
sentir com a minha participação/autorização; portanto, existe o risco de que eu venha a sentir medo da furada e de me sentir envergonhada por estar 
sendo examinada por pessoas estranhas; 
� Que a pesquisa será acompanhada por membros da equipe do PSF. Os casos de hipertensão, desnutrição (déficit ponderal e/ou estatural), obesidade, 
distúrbios psicológicos e anemia serão cadastrados para acompanhamento pela referida equipe. Os casos mais graves serão comunicados ao gestor de 
saúde municipal para as providências necessárias. 
� Que, sempre que eu quiser, serão fornecidas explicações sobre cada uma das partes do estudo. 
� Que, a qualquer momento, poderei recusar a continuar participando do estudo e, também, que eu poderei retirar este meu consentimento, sem que isso 
me traga qualquer prejuízo ou problema; 
� Que as informações conseguidas através da minha participação não permitirão minha identificação, nem de qualquer membro da minha família, exceto 
aos responsáveis pelo estudo. Essas informações serão registradas em formulários de papel para posterior digitação em um computador de uso exclusivo da 
pesquisa. Todo esse material ficará arquivado durante 5 anos no Laboratório de Nutrição Básica e Aplicada da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de 
Alaogoas, sob guarda e responsabilidade do Prof. Haroldo Ferreira. Caso esse compromisso não seja cumprido e, de alguma forma, eu me sinta prejudicado, terei 
a garantia de que, na forma da lei, receberei dos pesquisadores a devida indenização. Com excessão desta situação, não está prevista qualquer outra forma de 
indenização ou ressarcimento, haja vista que a pesquisa se refere a um estudo observacional, sem uso de métodos agressivos, experimentais ou que, de alguma 
forma, coloquem em risco a integridade física e mental dos participantes, nem tampouco causará a esses voluntários qualquer tipo de despesa; 
� Que os benefícios da minha participação é propiciar a produção de informações que contribuirão para que as autoridades responsáveis pela implementação 
das políticas públicas possam ter um maior embasamento para planejar ações que promovam a saúde da população. 
� Que toda participação tem caráter voluntário e que não haverá qualquer forma de pagamento aos indivíduos da pesquisa. 
� Que o coordenador deste trabalho garante, nos termos da Lei, providenciar com recursos próprios (pessoais) a devida indenização aos voluntários 
que, porventura, vierem a sorfrer quaisquer danos decorrentes da pesquisa. 
� Que eu receberei uma cópia assinada e datada deste documento, chamado de TCLE. 
Finalmente, tendo eu entendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação e a das pessoas sob minha responsabilidade nesse 
trabalho e sabendo dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e dos benefícios que a minha participação implicam, concordo em dele participar 
e para isso eu DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA SIDO FORÇADA OU OBRIGADA. 
Endereço do(a )voluntário(a): Contato 
de urgência: Prof. Dr. Haroldo da Silva Ferreira. Telefone: 0(xx)82-98853-8243. 
Endereço do responsável pela pesquisa: Prof. Dr. Haroldo da Silva Ferreira 
Faculdade de Nutrição da Universidade Federal de Alagoas 
Br 101 Norte, S/nº, Tabuleiro dos Martins, 57072-970 - Maceió. Telefones: 3214-1160 
 
ATENÇÃO: Para informar ocorrências irregulares ou danosas durante a sua participação no estudo, dirija-se ao Comitê de Ética em Pesquisa 
da Universidade Federal de Alagoas: Prédio da Reitoria, sala do C.O.C., Campus A. C. Simões, Cidade Universitária. Telefone: 3214-1041. 
Maceió, ____ de________de 2017 
 
 
 
 
Assinatura ou impressão digital do(a) voluntário(a) Assinatura do pesquisador responsável 
101 
 
APÊNDICE G – Questionário de coleta de dados, Pesquisa Quilombola-2018. 
FORMULÁRIO Nº 1 - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO 
 
ESTADO: AL(1) [ ] GO(2) [ ] RJ(3) [ ] RS(4) [
 ] 
MUNICÍPIO: 
COMUNIDADE: [ ] [ ] 
Cada Centro designará um número de 01 a npara suas respectivas 
comunidades 
 
cad_quest: 
[ ] - [ ] [ ] - [ ] [ ] [ ] 
(Estado – Comunidade – número de ordem dos 
domicílios em cada uma das comunidades) 
1. Data da entrevista dataentrevista | || | / | || | / |||| || | 
2. Quantas pessoas residem nesta casa? npessoascasa | ||
 | 
3. Dessas N pessoas, tem alguma que por questão de trabalho, estudo, tratamento de saúde ou qualquer outro 
motivo, fica muitas vezes por mais de 5 dias da semana fora de casa?Sim (1) Não (0) foracasa |____| 
SE SIM, como é nome dessa pessoa (ou pessoas se mais de uma) 
 , , , 
4. Algum morador tem telefone celular? Qual o número para contato? 
5. Entrevistador: 6. Supervisor de campo: 
 
PONTO DE REFERÊNCIA / 
OBSERVAÇÕES 
 
 
 
 
 
 
RECIBO DO TCLE 
Tendo eu, entendido perfeitamente tudo o que me foi informado sobre a minha participação e a das pessoas sob 
minha responsabilidade nesse trabalho e sabendo dos meus direitos, das minhas responsabilidades, dos riscos e 
dos benefícios que a minha participação implicam, conforme consta no TCLE que me foi fornecido e encontra-se 
sob meu poder, concordo em dele participar e DOU O MEU CONSENTIMENTO SEM QUE PARA ISSO EU TENHA 
SIDO FORÇADA OU OBRIGADA. 
 de de 
 
 
 
 
Assinatura ou digitais do 
voluntário 
102 
 
FORMULÁRIO N° 2 – CADASTRO FAMILIAR E AVALIAÇÃO DO ESTADO NUTRICIONAL 
Nº
 de
 O
rd
em
 
 
 
 
1. NOME 
2
. 
 
r 
e 
l 
a 
ç 
ã 
o 
3
. 
 
s 
e 
x 
o 
 
[1] m 
[2] f 
7. 
 
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a 
d 
e 
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8
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e 
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l 9
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ut
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10
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11
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sa
l* 
(s
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ap
os
en
ta
do
ria
) 
12
. e
sti
ma
tiv
a d
a r
en
da
 
VARIÁVEIS PARA AVALIAÇÃO DO ESTADO 
NUTRICIONAL 
 
 
 
13. peso 
(kg) 
 
 
14. 
altura 
(cm) 
 
15
. b
ioi
mp
ed
ân
cia
 
(%
 g
or
du
ra
) 
Perímetros (cm) 
 1
9. 
he
mo
glo
bin
a (
Hb
) 
 
16
. c
ab
eç
a 
 
17
. p
es
co
ço
 
 
18
. c
int
ur
a 
01 Chefe 
02 
03 
04 
05 
06 
07 
08 
09 
F Se mais de 9 moradores, usar formulário adicional 
Considerando todas essas pessoas que moram nesta casa, poderia me informar se existe: 
F 4. Alguma gestante? (1) Sim (0) Não Se SIM, quem é a pessoa (marque 1 em Elegível) 
F 5. Tem algum morador que apresente deficiência física, visual, auditiva, mental ou de qualquer outro tipo? (1) Sim (0) Não Se SIM quem é a pessoa (marque 8 em Elegível). 
F 6. No domicílio mora alguém que tenha albinismo, anemia falciforme ou qualquer outro tipo de alteração genética? (1) Sim (0) Não Se SIM, quem é a pessoa? (marque 9 em Elegível) 
12. ESTIMATIVA DA RENDA (salário mínimo; R$): ≤ ½: 468,50 [1] > ½ a 1: 468,51 a 937,00 [2] > 1 a 2: 937,01 a 1.874,00 [3] > 2: 1.874,01 OU MAIOR [4] è incluir todas e quaisquer fontes de renda. 
 
2. RELAÇÃO COM O CHEFE 8. ELEGÍVEL 9. COR DA PELE 10. CONDIÇÃO DO TRABALHO (> 18 anos) 13 a 19. AVALIAÇÃO NUTRICIONAL 
1. Pessoa referida como chefe 
2. Cônjuge 
3. Filho(a) 
4. Filho Adotivo 
5. Outro Parente: 
 / 
6. Agregado/Pensionista 
7. Empregado Doméstico 
(1) = Gestante; 
(2) = Criança< 2 anos. 
(3) = Criança 2-5 anos 
(4) = Escolar (5,1 a 10 anos) 
(5) = Adolescente (>10 a 19 a) 
(6) = Mulheres (>19 a < 60) 
(7) = Idoso (≥ 60 anos) 
(8) = Pessoa com deficiência 
(9) = Pessoa com alteração genética 
(10) = Homem (>19 a <60 anos) 
1-
Branca 
2-
Preta 
3-Parda 
(morena) 4-
Amarela 
5-Indígena 
0- Não trabalha 
1- Empregado com 
carteira 2-Funcionário 
público 
3-Empregado sem 
carteira 4-
Desempregado 
5-Biscateiro 
6- Autônomo 
7- Aposentado/pensioni
sta 8-
Criança/estudante 
9-Agricultor familiar 
10-
Pescador/Catador 
F Peso e altura: Todos os indivíduos; 
F BIA: Mulher índice (6), Adolescentes (5) e Homens (10) 
F Os 3 perímetros: Mulher índice (6); 
F Perímetro cefálico: Criança índice < 2 anos (2) e/ou de 2 a 5 
anos (3); 
F Hemoglobina: Gestantes (1), Criança índice < 2 anos* (2) 
e/ou Criança índice de 2 a 5 anos (3)* Não fazer Hb em 
menores de 6 meses. 
103 
FORMULÁRIO N° 3 – CARACTERIZAÇÃO DEMOGRÁFICA, SOCIOECONÔMICA E AMBIENTAL 
 
1. Tipo de moradia (material predominante): (1) Alvenaria (2) Taipa (3) Madeira (4) Palha/Papelão/Lona/ Plástico casa |
 
| 
2. Regime de ocupação: (1) Própria (2) Financiada (3) Cedida (4) Alugada (5) Ocupada/Invasão ocup |
 
| 
3. Número TOTAL de cômodos na casa? cômodos cmdtotal | ||
 | 
4. De onde vem a ÁGUA usada para BEBER, HOJE, em sua casa? (1)Rede geral de distribuição (2)Cisterna 
3)Poço, cacimba ou nascente (4)Água Mineral (5)Carro/caminhão pipa (6) Outro. Qual? 
 
aguabebe |
 
| 
5. Onde é colocado o lixo de sua casa? (1) Coleta pública (2) Queima (3) Terreno baldio (4) Enterrado (5) Outro meio: 
 
lixo|
 
| 
6. Alguém da família é beneficiário de algum programa do governo (Bolsa Família, BPC/LOAS, ProJovem, PETI, 
PRONATEC, Programa do leite, etc)? (1) Sim, (2) Não complem |
 
| 
7. SE SIM, qual/quais (só considerar aqueles que geram renda regular mensalmente)? 
(1) Bolsa Família (2) BPC/LOAS (3) Projovem 
(4) PETI (5) PRONATEC (6) Programa do leite (8) Não é beneficiário 
(7) Outros: 
nomeproggov1 | | 
nomeproggov2 | | 
nomeproggov3 | 
| 
nomeproggov4 | 
| 
8. No total, quanto a família recebe de recursos/benefícios do governo? (em R$/mês) 
Preencha 8.888,88 se NÃO na questão 6. rendasocial| |.| || || |,| ||
 | 
9. Alguém da família tem cadastro da Assistência Social (CRAS/ Cadastro Unico)? (1) Sim, (2) Não cadunico |
 
| 
10. Nesta casa é possível ter acesso à internet (considerar sim ainda que por celular)? (1) Sim (2) Não netcasa |
 
| 
11. Em algum lugar desta comunidade é possível ter acesso à internet (mesmo que por celular)? (1) Sim (2) 
Não 
netarea |
 
| 
Có
di
go
s 
12.Até que série <NOME da pessoa referida como CHEFE – linha 1 do form 2> completou os estudos? (anos 
completos)* 
*escolachefe | |
 | 
Nenhu
ma 
Ensino fundamental [(primário + ginásio) ou 1º 
grau] 
Ensino médio (científico/ 
pedagógico/ 2ºgrau...) Ensino superior I
G
N 
0 1
ª 
2
ª 
3
ª 
4
ª 
5
ª 
6
ª 
7
ª 
8
ª 
1
ª 
2
ª 
3ª Incomple
to 
Comple
to 
I
G
N 
* 00 0
1 
0
2 
0
3 
0
4 
0
5 
0
6 
0
7 
0
8 
0
9 
1
0 
11 1
2 
1
3 
9
9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
F Agora, irei fazer perguntas sobre o que tem em sua casa e a quantidade... 
F PERGUNTA: A senhora tem <item listado abaixo> aqui, em sua casa? (Se SIM, quantos?) 
 
 
 
 
 
BENS DE 
CONSUMO 
Quantidade que 
possui 
(circule) 
Códigos 
de 
pontua
ção 
0 1 2 3 4
+ 
13. Quantidade de AUTOMÓVEIS de passeio, exclusivamente, para uso particular 0 3 5 8 1
1 
carro | | 
14. Quantidade de EMPREGADOS mensalistas (trabalham, pelo menos, 5 dias/semana) 0 3 7 1
0 
1
3 
empregad | | 
15. Quantidade de MÁQUINAS DE LAVAR ROUPA, excluindo tanquinho 0 2 4 6 6 maqlav | | 
104 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
F Caso a pessoa detentora da maior renda na família (chefe pelo critério renda) seja a mesma referida pelo entrevistado como chefe da 
família (linha 1 do form 2), não aplicar as questões 28 e 29. Codifique com base na resposta 12 deste formulário. Adicionalmente use os 
códigos ABEP (**) para a questão 29. 
 
C
ód
ig
os
 
28. Até que série < # nome do chefe_renda> completou os estudos? 
F o código será o número de anos de estudo, conforme constar na linha * *escolacheferenda | | | NÃO 
SOMAR 
29. Codifique a escolaridade do chefe anotando a respectiva pontuação indicada na linha ** **escolachefeabep |
 
| 
Nenhu
ma 
Ensino fundamental [(primário + 
ginásio) ou 1º grau] 
Ensino médio (científico/ 
pedagógico/ 
2ºgrau...) 
Ensino superior IG
N 
0 1
ª 
2
ª 
3
ª 
4
ª 
5
ª 
6
ª 
7
ª 
8
ª 
1
ª 
2
ª 
3
ª 
Incompl
eto 
Completo IG
N 
* 00 0
1 
0
2 
0
3 
0
4 
0
5 
0
6 
0
7 
0
8 
0
9 
1
0 
1
1 
12 1
3 
9
9 
*
* 
0 1 2 4 7 0 
 
30. PONTUAÇÃO ABEP (utilizando a calculadora, qual o somatório das questões 13 a 26 mais a 29) abep | |
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105 
 
FORMULÁRIO N° 4 – ESCALA BRASILEIRA DE INSEGURANÇA ALIMENTAR (EBIA) 
 
 
As perguntas 1, 2 e 3 deverão ser feitas em TODOS os domicílios 
 
1 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) teve preocupação de que a comida na sua casa acabasse antes que 
tivesse condição de comprar ou conseguir mais comida? 
(1) Sim (2) Não (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia1 || 
2 Nos últimos 3 meses, a comida acabou antes que o(a) senhor(a) tivesse dinheiro para comprar mais? (1) Sim (2) Não (9) Não sabe ou recusa responder ebia2 || 
3 Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) ficou sem dinheiro para ter uma alimentação saudável e variada? (1) Sim (2) Não (9) Não sabe ou recusa responder ebia3 || 
Esta pergunta (4) só será aplicada se houver menor de 18 anos. Caso contrário use código 8 
 
4 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) teve que se arranjar com apenas alguns alimentos para alimentar 
sua(s) criança(s)/adolescente(s) porque o dinheiro acabou? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia4 || 
INFORMAÇÃO: Se em todas as perguntas anteriores, for assinalada a resposta NÃO e/ou NÃO SABE, ENCERRE O FORMULÁRIO. Havendo, pelo 
menos, um SIM, vá para a próxima pergunta. 
 
5 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) ou algum adulto em sua casa diminuiu a quantidade de alimentos nas 
refeições, ou pulou refeição, porque não havia dinheiro suficiente para comprar a comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia5 || 
 
6 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) alguma vez comeu menos do que achou que devia porque não havia 
dinheiro o suficiente para comprar comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia6 || 
 
7 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) alguma vez sentiu fome, mas não comeu porque não podia comprar 
comida suficiente? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia7 || 
 
8 
Nos últimos 3 meses o(a) senhor(a) perdeu peso porque não tinha dinheiro suficiente para comprar 
comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia8 || 
 
9 
Nos últimos 3 meses o(a) senhor(a) ou qualquer outro adulto em sua casa ficou, alguma vez, um dia inteiro 
sem comer ou teve apenas uma refeição ao dia, porque não havia dinheiro para comprar a comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia9 || 
As questões abaixo devem ser perguntadas apenas em domicílios que têm moradores menores de 18 anos (crianças e/ou 
adolescentes). Se não houver, encerre este formulário. USE código 8 
 
1
0 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) não pode oferecer a(s) sua(s) criança(s)/adolescente(s) uma 
alimentação saudável e variada porque não tinha dinheiro? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia10 || 
 
1
1 
Nos últimos 3 meses, a(s) criança(s)/adolescente(s) não comeu(comeram) quantidade suficiente de comida 
porque não havia dinheiro para comprar mais? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia11 || 
 
1
2 
Nos últimos 3 meses, o(a) senhor(a) alguma vez diminuiu a quantidade de alimentos das refeições de sua(s) 
criança(s)/adolescente(s), porque não havia dinheiro suficiente para comprar a comida?(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia12 || 
 
1
3 
Nos últimos 3 meses, alguma vez algum morador com menos de 18 anos deixou de fazer alguma refeição, 
porque não havia dinheiro para comprar a comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia13 || 
 
1
4 
Nos últimos 3 meses, sua(s) criança(s)/adolescente(s) teve(tiveram) fome, mas o(a) senhor(a) 
simplesmente não podia comprar mais comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia14 || 
 
1
5 
Nos últimos 3 meses, algum morador com menos de 18 anos teve apenas uma refeição ao dia, ou ficou 
sem comer por um dia inteiro porque não havia dinheiro para comprar a comida? 
(1) Sim (2) Não (8) NSA (9) Não sabe ou recusa responder 
 
ebia15 || 
Agora, vou ler para a senhora algumas perguntas sobre a alimentação em sua casa. 
Elas podem ser parecidas umas com as outras, mas é importante que a senhora responda todas elas. 
106 
 
ANEXOS 
 
 
A – Parecer do comitê de ética em pesquisa, Pesquisa Alagoas-2015 
B – Parecer do comitê de ética em pesquisa, Pesquisa Quilombola-2018. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
107 
 
ANEXO A – Parecer do comitê de ética em pesquisa, Pesquisa Alagoas-2015. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
108 
 
ANEXO B – Parecer do comitê de ética em pesquisa, Pesquisa Quilombola-
2018.

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