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Instituto Universal Brasileiro Educação de Jovens e Adultos a Distância BRASILEIRO Curso a distância de: SUPLETIVO PREPARATÓRIO ENSINO MÉDIO SérieENSINO MÉDIO HISTÓRIA SÉRIE AULA 7 o BRASIL: ÀS VÉSPERAS DA INDEPENDÊNCIA INTRODUÇÃO Brasil oficialmente teve proclamada a sua independência em 07 de setembro de No entanto, historica- mente, podemos afirmar que o nosso país efetivou a sua independência política a partir da abertura dos portos às nações amigas realizadas por D. João VI em 1808. Iniciava-se, assim, o fim do pacto colonial. Aliado a esse fator, ocor- reram inúmeras revoltas e guerras favoráveis à independência. Mas, a consolidação do país emancipado, só viria a ocorrer com a abdicação do imperador D. Pedro I, quando formalizou-se definitivamente a separação com Portugal. A POLÍTICA EXTERNA DE D. JOÃO VI D. João VI permaneceu no Brasil de a Sua política externa foi marcada pela anexação ao Brasil de dois territórios: a Guiana Francesa e a Província Cisplatina. Em 1808, D. João VI declarou guerra à França e mandou invadir a Guiana Francesa. Esse território só foi devolvi- do à França no final das guerras napoleônicas. Em 1817, tropas luso-brasileiras entraram na cidade de Montevidéu e anexaram o território da província Cispla- tina. No ano de a Cisplatina conseguiu libertar-se com a ajuda da Inglaterra, formou a República Oriental do Uruguai. Veja no mapa da figura 1, os territórios ocupados por D. João VI. Caiena FRANCESA 1809 - 1817 São Luis Belém Recife BRASIL FIGURA 1 - TERRITÓRIOS Salvador OCUPADOS POR D. JOÃO VI OCEANO Rio de Janeiro OCEANO PACÍFICO Colônia do PROVINCIA CISPLATINA Sacramento 1821-1828 Buenos AiresA REVOLUÇÃO DE 1817 PERNAMBUCO Antecedentes Por ser Pernambuco um centro econômico para todo o Nordeste, os movimentos que ali porventura se desen- cadeassem eram sempre repercutidos nas capitanias que se lhe avizinhavam. Em 1817, Pernambuco podia ser apontado como foco de intenso nativismo, que ganhara força com a "Guerra da Libertação" contra os holandeses, e se consolidara com a Guerra dos Mascates. Possuía, então, uma tradição de nativismo, fruto de sua própria evolução histórica. Nos fins do século XVIII e até as duas primeiras décadas do século seguinte, começaram a surgir, no país, inúmeras sociedades secretas de caráter assentadas em ideais democráticos e emancipadores. Em Pernambuco, destacavam-se: o Areópago de Itambé (por inspiração de Manoel Arruda Câmara); as lojas maçônicas Patriotismo (fundadas em Recife, em 1814). Todas essas sociedades eram por uma elite nativa, cuja ideologia se pautava na oposição aos comerciantes e aos nobres portugueses, aos quais sempre eram oferecidos os melhores cargos e frutos da terra brasileira. A princípio, alguns portugueses chegaram a integrar essas sociedades, mas, aos poucos, foram sendo dos e, afinal, expulsos. Tudo isso atestava o nativismo em ebulição que propagava-se na colônia e o qual Pernambuco se dispunha a liderar. A capitania pernambucana sentiu mais forte o peso da opressão colonial com o chamado renascimento Esse renascimento se caracterizou pela retomada das atividades econômicas em ritmo mais acelerado e ocorreu face a acontecimentos históricos mundiais como a separação das treze colônias da América do Norte, a crise dos mercados produtores antilhanos, devido à extinção da escravatura no Haiti, bem como a abolição do tráfico negreiro pelos ingleses e as guerras napoleônicas. Todos esses fatos fizeram com que se acelerassem as atividades econômicas da Colônia, merecendo destaque o fim da concorrência que nos oferecia o açúcar antilhano. A Revolução Industrial é sempre o pano de fundo, pois vai criar novas necessidades e incentivar a busca de matéria-prima nas colônias. Outros produtos passam a ser cultivados em grande escala, como o algodão, o tabaco, e os gêneros alimentícios, já que nessa época se amplia o mercado consumidor. aspecto social mais marcante na Colônia era a aversão entre brasileiros e portugueses, demonstrada clara- mente pelos apelidos com que se chamavam; para os portugueses, os nativos eram "cabras", ao passo que estes os chamavam de "galegos", "pés-de-chumbo", "marinheiros", "mascates", etc. Por outro lado, o sistema colonial que até então vinha sendo posto em prática pela estava destinada a sofrer grandes abalos, devido aos acontecimentos históricos mundiais do princípio do século XIX. Os Estados Unidos já haviam conseguido a sua independência e, em o que se observa é a abertura de uma nova fase na luta pela li- bertação, dessa vez impulsionada pelas colônias espanholas da América. Por volta de 1816, a situação econômica de Pernambuco já não era Rio (capital do Brasil naquela época) tão brilhante e ficou ainda mais difícil com a transferência da Corte Portuguesa para o Rio. que se passou a observar foi uma queda na venda de algodão e açúcar. Além disso, forte seca castigou o Nordeste e os impostos não cessavam de crescer, encarecen- do sobremaneira os produtos existentes na Colônia. A renda da capitania também sofreu grande baixa com as elevadas taxas alfandegárias que sobre os produtos de exportação. A vinda da família real não amenizou os abusos da monarquia; o que houve foi apenas a transferência de operações de seus colaboradores para o Rio de Janeiro. Portanto, todos esses fatores, conjugados, contribuíram para um descontentamento geral e favoreceram o início de um movimento contra à opressão lusa. o movimento Desde 804, Pernambuco vinha sendo governado por Caetano Pinto de Miranda Montenegro, antigo gover- nador de Mato Grosso homem dotado de qualidades liberais. Não ignorava a realização de reuniões secretas na capi- tania, mas, de início, nenhuma atitude de repressão pôs em prática, o que, naturalmente, parecia comprovar uma desconfiança quanto à capacidade de mudar a ordem social, da elite culta de Pernambuco. Sabia até mesmo que, nas referidas reuniões, se demonstrava desprezo pelos produtos vindos de Portugal, como o trigo e o vinho por exemplo, dando-se destaque à mandioca, à aguardente, com brindes à independência. Caetano Pinto não desejava a violência, mas o espancamento de um por um oficial negro, fez com que pusesse em prática a primeira ordem de caráter repressivo: lançou a ordem do dia entre os oficiais e soldados das dois regimentos existentes noRecife, recomendando que não se deixassem enganar por falsas sugestões, por planos irrealizáveis. Dois dias depois, um Conselho de Guerra é reunido e determina a prisão dos treze principais implicados no movimento. Os elementos civis foram aprisionados de maneira pacífica, mas os militares reagiram e provocaram o início da revolta. Ao dar voz de prisão ao Capitão José de Barros Lima, apelidado de "Leão Coroado", o brigadeiro Barbosa de Castro recebeu um golpe de espada, seguido de vários outros golpes. Os oficiais portugueses fugiram e relataram o fato ao governador, que enviou para o quartel o tenente-coronel Alexandre Tomás de Aquino Siqueira, que, mal se aproximou do quartel foi baleado e morto instantâneamente. Recife, a essa altura, se achava em plena revolução. Após recolher-se ao forte do Brum, o governador rendeu-se a 7 de março de 817, partindo para o Rio de Janeiro três dias depois. Os presos políticos foram postos em liberdade, tendo os revoltosos constituído um governo republi- cano provisório no próprio dia 7. Uma vez instituído o sistema republicano de governo, entendia-se que a opressão real havia terminado. Muitos impos- tos foram declarados nulos, e vários oficiais foram promovidos. Uma nova bandeira foi criada, com faixas alternadas em azul- escuro e branco, tendo na parte superior um arco-íris, uma estrela e o sol e, na inferior, uma cruz vermelha. Para a elaboração de uma Lei Orgânica, tomaram-se como modelo as constituições que a França havia tido nos anos da Revolução de liberalismo era sempre a principal característica de todas as atitudes tomadas pelo go- verno provisório. Emissários do novo governo foram mandados para o exterior. Entretanto, nenhum desses enviados conseguiu apoio no exterior, onde o movimento pernambucano era consi- derado uma imprudência. o próprio Hipólito José da Costa, redator do jornal "Correio Brasiliense" em Londres, e propa- gandista de idéias a favor da independência do Brasil, mostrou desinteresse pela causa pernambucana, por julgá-la pre- cipitada e perigosa. A repressão A repercussão do movimento pernambucano, na Colônia, foi enorme; em pouco tempo, também ocorreram revoltas na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Alagoas. No Ceará as tentativas foram frustadas. padre Roma, enviado à Bahia para propagar as idéias revolucionárias, foi preso, assim que desembarcou na barra de e fuzilado. A capitania da Bahia era governada, na época, pelo Conde dos Arcos, o qual se incumbiu da organização da repressão, por terra e por mar, bloqueando Recife. Rodrigo Lobo fora mandado por D. João VI, que lhe ofereceu o comando de quase toda a guarnição da Corte. Os rebeldes são derrotados no Engenho de Utinga, em Pindobas e no Engenho Trapiche. valoroso Domingos José Martins foi vítima de uma emboscada. Os republicanos agora se achavam bloqueados tanto por mar como por terra. A confusão era geral e alguns componentes do governo provisório abandonaram seus postos (padres João Ribeiro e José de Mendonça). Domingos Teotônio Jorge tenta estabelecer uma ditadura e encaminha um ultimatum a Rodrigues Lobo (18 de maio de 1817), propondo uma rendição honrosa. Em caso de recusa, ameaçava depredar a cidade e matar os legalistas (portugueses) presos. Entretanto, o revoltoso sabia que de nada adiantariam as ameaças; não tinha condições para cumpri-las. Assim, abandona Recife a 20 de maio de 1817. Fracassado totalmente o movimento, os republicanos, sob guarda, restituíram os cofres públicos aos vencedores. A partir começam as execuções em massa, os esquartejamentos, os açoites em praça pública, enfim, os atos de extrema crueldade. Na Bahia, o Conde dos Arcos ordena a execução de Domingos José Martins, José Luís de Mendonça e o padre Miguelinho; no Recife, são enforcados Domingos Teotônio Jorge, José de Barros e outros. Completando os atos punitivos, muitas propriedades foram invadidas e saqueadas e engenhos e outros bens con- fiscados. Contudo, no dia 6 de agosto, por ordem de D. João VI, foi instituída a Alçada, cuja presidência se entregou ao desembargador Bernardo Álvares de Carvalho. Esse tribunal chegou a exigir 72 condenações à morte. Entretanto, elas não se efetivaram, pois o Senado da Câmara enviou a D. João um pedido de anistia, que foi plenamente concedido, a 6 de de 1818. Considerações finais sobre o movimento pernambucano Tal movimento foi de importância impar no contexto das lutas de cunho nativista que se iniciaram no século XVIII, estendendo-se até o século seguinte. Contou ele com a adesão do povo em geral, com um número muito grande demilitares e, principalmente, com o clero, que contribuiu com cerca de 70 elementos (60 padres e 10 frades). Entretanto, a revolta precisaria de um chefe militar de pulso firme, que soubesse coordenar os ataques, organizar as tropas. Seus líderes não eram unidos por uma mesma ideologia; entre os elementos do governo provisório se podiam encontrar desde os republicanos mais radicais até os conservadores mais severos. É preciso frisar, ainda, que a classe predominante temia transformações estruturais na sociedade, particularmente no setor da produção, já que o movimento contava com a participação popular. Como exemplo, temos o problema da escravidão, que não foi questionado uma vez sequer pela maioria. Tratava-se, portanto, de uma revolução destinada ao fracasso desde o seu começo, embora contasse com elementos de grande bravura, donos de vontade firme no sentido de modificar o estatuto colonial. Contudo, não haviam sido planejados, estudados, os métodos pelos quais as transfor- mações seriam mantidas, ou seja, não se estudou como garantir a vitória, no caso de ser ela obtida. Efeitos da revolta Podemos destacar como consequências do movimento pernambucano de 1817 as seguintes: 1 Reflorescimento das idéias emancipacionistas. 2 - Propagação mais intensa dos ideais democráticos. 3 - Ascensão de um radicalismo republicano em Pernambuco. 4 Nascimento do ideal constitucionalista, com a adoção de um projeto de constituição, pela primeira vez na o MOVIMENTO DA INDEPENDÊNCIA A Revolução Constitucionalista do Porto Na ausência da Corte, Portugal veio a sofrer três invasões francesas consecutivas, em e 1810. Tal como havia acontecido na Espanha, o povo lutou ferrenhamente contra o estabelecimento do domínio estrangeiro no território português e conseguiu vencer. Contudo, a vitória sobre o inimigo não teria sido alcançada se não fosse a enér- gica intervenção dos ingleses. Realmente, a Inglaterra enviara a Portugal um corpo expedicionário, comandado por Arthur Wellesley (futuro duque de Wellington, vencedor de Napoleão Bonaparte). Ele conseguiu expulsar os franceses em todas as suas tentativas de invasão. Portugal libertou-se do perigo napoleônico, mas caiu em mãos dos ingleses. De fato, por ordem de D. João, a administração do reino passou a ser desenvolvida pelo oficial inglês Beresford, que se integrou ao exército português como marechal. reino português tomou feições de mero protetorado inglês, tal a forma de administração posta em vigor por Beresford. A opressão inglesa chegou a um ponto em que os próprios oficiais portugueses se mantinham submissos aos oficiais ingleses. Agravava a caótica situação econômica de Portugal, após as invasões francesas, prejudicada ainda mais com a abertura dos portos do Brasil. Por outro lado, a ausência da Corte, aliada a todos esses fatores, ocasionava a propagação de idéias liberais. Os portugueses desejavam a volta do Brasil à condição de simples colônia, através do restabelecimento do pacto colonial. Protestavam contra a permanência de D. João no Brasil, da mesma forma que rejeitavam a ocupação de seu território pelos ingleses. D. João, embora soubesse que sua volta a Portugal era desejada, não mostrava disposição alguma em fazê-lo. Em 1815, eleva o Brasil à categoria de Reino-Unido. Em Portugal, a situação continuava a ser de franco descontentamento, em virtude da alta contínua dos preços, do esbanjamento do dinheiro público, da queda registrada no comércio. Protestava-se principalmente contra a transferência da sede do governo. Dentro desse contexto é que a Maçonaria vai tentar organizar uma conspiração, nos princípios de época em que no Brasil também irrompia o movimento pernambucano. A propósito, tem-se como certo que houve ampla li- gação entre as duas revoltas, já que possuíam interesses coincidentes, principalmente o de implantar um regime repu-blicano de governo, depois de atingida a vitória. Entretanto, a conjuração foi descoberta e condenados à morte seus doze principais líderes, dentre eles o Grão- Mestre da Maçonaria Portuguesa, Gomes Freire de Andrade. Temeroso de que a Maçonaria continuasse a oferecer perigo à monarquia portuguesa, D. João proibiu as sociedades secretas, em maio de A pena de morte e o confisco de bens seriam as punições impostas aos infratores. Após esses acontecimentos, a insistência por parte dos ingleses, no sentido de que D. João retornasse a Portugal, se tornou ainda mais Mas ele julgou que sua retirada do Brasil poderia enfraquecer seu poder e propiciar a independência. Nessa época, D. João já não era mais principe-regente, porquanto D. Maria falecera e agora o trono era totalmente seu. Sua coroação como rei de Portugal e do Brasil ocorreu a 6 de fevereiro de no Rio de Janeiro. Assim, decidiu o rei não tomar grandes decisões, de pronto, preferindo manter o "status quo". Contudo, tomou algumas medidas paliativas no sentido de minorar as dificuldades econômicas de Portugal (1818), tais como redução de direitos sobre produtos vindos de Portugal e aumento de impostos sobre os vinhos estrangeiros, o que sem dúvida algu- ma fazia que os vinhos portugueses fossem preferidos a estes. Assim, as importações portuguesas no Brasil foram pro- tegidas e o ato de D. João representou uma solução a curto prazo para o problema mais imediato de Portugal, qual seja, o da crise nas importações. Entretanto, em Portugal a revolta liberal continuava latente. Nos fins de agosto de 1820, quando Beresford se encontrava no Rio conferenciando com D. João, eclodiu a Revolução Constitucionalista no Porto, que teve em Manuel Fernandes Tomás e José da Silva Carvalho seus principais chefes. Em 1818, subsistia no Porto uma sociedade secreta denominada Sinédrio, cujo grande objetivo era lutar por uma constituição para Portugal, que limitasse os poderes da Monarquia e também afastasse a ditadura imposta por Beresford. A volta da família real para Portugal também era desejada pela Sinédrio, pois implicaria a volta de Portugal aos áureos tempos de metrópole e o Brasil à antiga condição de colônia. Foi justamente a Sinédrio que impulsionou o movimento constitucionalista, visando principalmente à convocação das Cortes, o que não vinha acontecendo desde 698. Beresford ainda tentou desembarcar em Lisboa, sem o conseguir, pois o movimento constitucionalista conquistava adeptos no reino todo, cujas fronteiras se achavam, agora, cercadas militarmente pelos revoltosos. Ao oficial inglês nada restou fazer senão retornar à Inglaterra. No dia 24 de agosto de 1820, os componentes da Sinédrio organizaram uma Junta Provisional do Governo do Reino. É feita a marcha sobre Lisboa e, nos meados de setembro, são exonerados de seus cargos todos os gover- nadores reais. Foram convocadas as Cortes, que, conforme já frisamos, não se haviam reunido desde Adotou-se uma constituição provisória, baseada na que existia na Espanha, imposta a Fernando VII através de uma revolução li- beral, em 1812. o constitucionalismo no Brasil Repercutiu significativamente no Brasil a notícia da revolução constitucionalista do Porto; animaram-se as cor- rentes liberais diante da perspectiva de uma constituição, que, por certo, restringiria os poderes absolutos do rei. D. João hesitava, enquanto o movimento constitucional português ia conquistando sempre mais e mais adeptos. Madeira e Açores manifestaram-se a favor das Cortes e formaram juntas de governo. Grão-Pará fazia o mesmo em janeiro de Ademais, o próprio D. Pedro demonstrava estar propenso a ceder aos constitucionalistas, o que, sem dúvida alguma, lhe era preferível à desagregação total da monarquia. No mês de fevereiro, a Bahia também se declara- va a favor das Cortes e organizava uma junta de governo. Portanto, D. João não podia continuar adiando decisões; assim, a 18 de fevereiro de 821, decretou a ida do D. Pedro a Portugal "para ouvir as representações e queixas dos povos e para estabelecer as reformas, melhoramentos e leis que possam consolidar a Constituição Portuguesa". Esse decreto ainda determinava que a constituição que fosse redigida deveria ser sancionada pelo rei. No Rio de Janeiro, convocou-se uma Junta de Cortes, uma espécie de assembléia, que seria composta de procuradores das câmaras das cidades, das vilas principais, além das ilhas e demais possessões portuguesas.Entretanto, os portugueses do Rio de Janeiro não se achavam satisfeitos com as últimas decisões de D. João e, unidos à guarnição local, decidiram erguer-se em protesto. No dia 26 de fevereiro, no Largo do Rócio (atual Praça Tiradentes), encontraram-se os insatisfeitos e um número expressivo de outros civis, dispostos a fazer seu pronuncia- mento. movimento atemorizou o rei. D. Pedro foi enviado ao local para apurar o que de fato estava ocorrendo e esta- belecer a ordem, se necessário fosse. Já no local da manifestação, inteirou-se o do que as tropas e o povo exi- giam: juramento e reconhecimento à constituição que seria elaborada em Lisboa. D. João volta a Portugal A partir de janeiro (1 821), as Cortes Gerais de Lisboa passaram a reclamar com mais insistência a volta de D. João a Portugal, bem como o embarque dos representantes brasileiros. D. João compreendeu que era impossível continuar no Brasil e, no dia 7 de março, decretou a volta a Portugal, estabelecendo que D. Pedro ficaria no Brasil, na qualidade de regente; ao mesmo tempo, em obediência às instruções vindas de Lisboa, foram convocadas as eleições dos deputados que representariam o Brasil, nas Cortes Extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa. No dia 21 de abril, reuniram-se nos edifícios da praça do Comércio (Rio de Janeiro) os eleitores paroquiais, pois lhes seriam dados a conhecer os nomes que comporiam o ministério de D. Pedro. A reunião transcorreu num ambiente de grande agitação, a partir do momento em que foi abordado o problema da viagem de D. João. Discutiu-se a con- veniência ou não dessa partida, pois era certo que, ao partir, a Corte levaria grande soma de valores brasileiros. A assembléia chegou inclusive a instigar as fortalezas da barra a que obstassem a saída de qualquer embarcação, temen- do que os cofres públicos do Estado já estivessem nos navios, prontos para a viagem a Portugal. D. Pedro, em atitude francamente absolutista, resolveu intervir pela força, no que aliás foi incentivado pelo Conde dos Arcos. A Assembléia foi dissolvida; o advogado Marcelino Macamboa e o jovem Duprat, dois autênticos tribunos, foram presos; um dos eleitores foi morto; e muitas pessoas foram feridas. Desse modo, foi encerrada a assembléia, tendo D. Pedro demonstrado a sua aversão aos liberais e a predis- posição em se fazer respeitar pela força. próprio D. João demonstrava a sua apreensão em relação ao liberalismo, tendo-se tornado célebres as palavras dirigidas ao filho, no dia 24 de abril "Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me hás de respeitar, do que para algum desses aventureiros." Passados dois dias, D. João embarcou para Portugal, deixando seu primogênito no Brasil, com plenos poderes, na qualidade de A regência de D. Pedro Desde janeiro de 821, os representantes de Portugal se achavam reunidos em Lisboa, tendo sido escolhido o Ministério e eleita uma regência de caráter conservador, à qual se entregou o poder executivo em nome do rei. A futu- ra constituição foi jurada, mas para o Brasil nada representava, porquanto ainda não se achavam presentes em Lisboa os deputados brasileiros. A capitania do Grão-Pará anunciou a sua adesão ao movimento constitucional, fato que lhe propiciou ser elevada à categoria de Neste ponto, é importante ressaltar que os deputados portugueses não viam o Brasil como um todo, isto é, uma unidade político-administrativa, mas tão somente como um aglomerado de regiões desvinculadas total- mente umas das outras. Os deputados brasileiros que integravam as Cortes foram escolhidos através de eleições, baseadas no seguinte critério: para cada 30 000 cidadãos, considerando-se a população livre, elegeu-se um deputado. Cada povoado elegia compromissários, os quais escolhiam os eleitores paroquiais; estes, por seu turno, elegiam os da comarca, na capital da cabendo a estes últimos a eleição final. Dessas votações, as duas finais eram secretas. Ao final da apuração, o Brasil contava com 70 deputados, dos quais apenas 46 exerceram o mandato. Dispúnhamos de 70 deputados contra os 130 que representavam Portugal e as ilhas do Atlântico. Devido à inferioridade numérica da representação brasileira e ainda levando em conta o fato de que muitos de- putados nossos se aliavam aos deputados portugueses, Minas Gerais, que contava com numerosa bancada, decidiu não se fazer representar em Lisboa. Alegavam os deputados mineiros que sua permanência no Brasil seria bem mais proveitosa.Pernambuco foi a província que primeiro enviou seus representantes (agosto de destacando-se dentre eles: Pedro Araújo Lima e Francisco Muniz Tavares. A seguir, foram os do Rio de Janeiro e São Paulo (setembro e ou- tubro): Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, padre Antônio Diogo Feijó, Nicolau Pereira Campos Vergueiro. Tais deputa- dos haviam sido instruídos por José Bonifácio de Andrada e Silva, vice-presidente da Junta Governativa de São Paulo, no sentido de lutarem para manter a integridade e a indivisibilidade do Brasil; representação brasileira proporcional à portuguesa; instituição dos poderes legislativo, executivo e judiciário e também de um corpo de censores; igualdade de direitos civis e políticos para todos os cidadãos brasileiros; organização de um governo-geral executivo para o Brasil; extinção gradativa da escravidão; fundação de uma cidade central, para funcionar como capital do Brasil; etc. A partir de abril de a regência de D. Pedro foi limitada à circunscrição fluminense, já que as Cortes decla- ravam que todos os governos das demais províncias deveriam desvincular-se do governo do Rio de Janeiro. Por outro lado, as tropas portuguesas, acrescidas de mais um contingente vindo de Lisboa, foram unidas às tropas brasileiras, passando ambas a constituir uma só unidade. Portanto, estavam as Cortes tomando medidas francamente contrárias ao Brasil; prova disso foi o decreto que instituiu juntas governativas para cada província brasileira. No dia 1° de outubro de D. Pedro recebeu ordens expressas para regressar a Portugal, a fim de completar seus estudos políticos. Na verdade, porém, com as últimas deliberações tomadas pelas Cortes, não havia motivos políti- que prendessem o no Brasil, isto é, inexistia cargo político para ele, daí o motivo de haver sido ordenada a sua volta a Portugal. Nos princípios de foram suprimidos todos os órgãos superiores criados por D. João VI, incluindo tribunais e repartições. Como se percebe, as Cortes se opunham a que no Brasil fosse mantido regente, uma vez que isso acarretaria uma monarquia dual, com igualdade de direitos entre os dois reinos, e ela objetivava à recolonização do Brasil, especificamente; essa era a única esperança para Portugal e satisfaria amplamente os interesses dos comerciantes monopolistas. Contudo, nossa situação financeira também era caótica, devido à desvalorização da moeda portuguesa, e, além disso, ao deixar o Brasil D. João VI levara grande parte dos valores do Tesouro, do Banco do Brasil e até do Museu. D. Pedro foi obrigado a diminuir os gastos e a restringir os impostos, medidas bastante sábias, considerando a difícil situa- ção do Brasil, na época. Quando chegaram de Lisboa as "Bases Constitucionais", houve grande agitação nos meios políticos, uma vez que nessa ocasião os representantes brasileiros não haviam sequer chegado a Lisboa. Houve ameaças de rebelião, para impedir que as "Bases" fossem juradas. Mas a tropa portuguesa, sob o comando do general Jorge Avilez, adiantou-se, exigindo que D. Pedro fizesse o juramento. Pressionado, o principe não teve outra escolha senão atender aos portugue- ses, inclusive despedindo o Conde dos Arcos, acusado de nutrir aspirações que contrariaram os interesses lusitanos. Nessa época, começara a funcionar novamente a Maçonaria, que D. João havia proibido em Vai então destacar-se a loja maçônica "Comércio e Artes", que desejava a manutenção do Brasil como reino, mas independente de Portugal, e os nomes de José Clemente Pereira, Joaquim Gonçalves Ledo e o padre Januário da Cunha Barbosa. A partir de setembro, começou a circular o "Revérbero Constitucional jornal responsável por severas críticas às Cortes, cujas atitudes sempre se chocavam contra os interesses do Brasil. Preparava-se o caminho da Independência. "Fico" Justamente para combater as Cortes, em suas pretensões de recolonizar o Brasil, apareceu o Clube da Resistência. Através dele, circulavam nas províncias jornais e panfletos, induzindo todos a repelirem as medidas das Cortes e a convencerem D. Pedro a permanecer no Brasil. Realmente, a retirada do significaria a própria dissolução do Brasil, o que contra os interesses da classe dominante, os grandes proprietários rurais. Eles optavam pela monarquia, encarando-a como a forma ideal de governo, porque lhes asseguraria o mercado nacional de escravos e o livre comércio; além disso, com um governo centralizado no Rio, seria mantida a unidade territorial do país. Pensava-se, afinal, em termos de Brasil, em termos de nação. Sabia-se que um apoio popular por certo levaria D. Pedro a desobedecer às Cortes, aqui permanecendo. Dessemodo, o Clube da Resistência organizou abaixo-assinados, pedindo ao que ficasse no Brasil. Emissários foram incumbidos de ir a São Paulo e Minas Gerais, a fim de colher as assinaturas. êxito foi total. Somente no Rio de Janeiro foram colhidas mais de 8000 assinaturas; esse abaixo-assinado foi enviado ao Senado da Câmara no dia 29 de dezembro de 821. No dia 9 de janeiro de 822, D. Pedro recebeu oficialmente as mensagens do povo, no Paço da cidade, pelas mãos de José Clemente Pereira, então presidente do Senado. discurso pronunciado por este deixava claro que a saída de D. Pedro do Brasil significaria a própria independência e a ascensão dos republicanos. Diante da gravidade do que lhe estava sendo exposto, o respondeu que permaneceria no Brasil até que as Cortes e seu pai emitissem algum pronunciamento. Entretanto, foi aconselhado a dar uma resposta mais vibrante, incisiva, que correspondesse ao que o povo esperava. Assim, na Câmara do Rio, pronunciou as célebres palavras: "Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico." A reação portuguesa Como era natural, o pronunciamento de D. Pedro não foi bem recebido entre as tropas portuguesas. Jorge Avilez, à frente da Divisão Auxiliadora, ocupou o Morro do Castelo, numa tentativa de obrigar o principe a obedecer às Cortes, voltando a Portugal. Imediatamente, o Campo de Santana abarrotou-se de tropas, milícias e cidadãos de todas as classes, os quais se prontificaram a apoiar D. Pedro, somando quase 000 homens. Avilez contava com apenas 2000 homens ao todo e percebeu que essa diferença numérica seria desastrosa para ele. Propôs, então, entrar em negociações, retirando-se com seus homens para Niterói. Enquanto isso se passava, o novo Ministério era formado, a 16 de janeiro, José Bonifácio de Andrada e Silva é nomeado para o cargo de Ministro do Reino e dos Negócios Estrangeiros. A primeira providência do Ministério foi a ação militar contra Avilez; era urgente combatê-lo antes que chegassem reforços de Portugal e pudessem favorecer sua posição. Avilez foi cercado por terra e mar, aos seus soldados foram pagos os salários em atraso e uma ordem foi dada no sentido de que embarcassem imediatamente, sob ameaça do ataque. No dia 5 de fevereiro, cinco navios partiam para Portugal, conduzindo Avilez e os soldados que compunham a Divisão Auxiliadora. Multiplicavam-se os passos rumo à Independência e o próprio D. Pedro já pressentia a nossa separação política de Portugal, encarando com naturalidade o processo pelo qual a ela Contudo, logo a seguir a Bahia seria palco de violentas lutas entre portugueses e brasileiros. Ocorre que ao ser nomeado brigadeiro o general português Madeira de Melo, a Câmara local se negou a reconhecer como legítima essa nomeação, alegando que o respectivo documento não contava com a assinatura do secretário de Estado. Isso motivou a violenta reação de Madeira de Melo, que investiu contra as tropas do antigo brigadeiro, Manuel Pedro de Freitas provocando a morte de um grande número de brasileiros. Esses acontecimentos seriam os próprios germes da "Guerra da Independência", como veremos logo mais. Aproxima-se a Independência Desempenhando José Bonifácio a função de Ministro do Reino e dos Estrangeiros, é preciso que lhe conheçamos a ideologia política, fator que explicará o seu papel no processo da Independência. José Bonifácio encarava os republicanos e liberais com desconfiança; para ele, não passavam de perigosos democratas, que poderiam perturbar o processo da unidade nacional em andamento, o qual se completaria com a Independência e a instalação da monarquia. Embora se pudesse pensar no contrário, José Bonifácio não apoiava o absolutismo defendia, isto sim, um governo centralizado, forte, em que preponderasse o Ministério e no qual inexistissem excessos constitucionalistas Os interesses de José Bonifácio iam contra o do grupo maçônico do Rio de Janeiro, para o qual a monarquia constitucional democrática seria a forma de governo ideal. Os órgãos maçônicos, no Rio, contavam com o apoio da imprensa liberal e da Câmara Municipal, da qual era presidente José Clemente Pereira. Embora divergentes, São Paulo e Rio de Janeiro haviam formado um eixo, ao qual as provin- cias de Minas Gerais e Pernambuco, a princípio relutantemente. A 16 de fevereiro, foi criado o Conselho de Procuradores Gerais das do Brasil, uma espécie deassembléia geral representativa das províncias, em que os membros contavam com funções consultivas e de proposição. A idéia da criação desse órgão contava com a aprovação da Câmara do Rio e do Revérbero Constitucional Fluminense. Logo depois, em março de 822, chegou ao Rio o contingente português que deveria substituir a Divisão Auxiliadora. D. Pedro, demonstrando seu afastamento cada vez mais evidente da política portuguesa, ordenou que aquelas tropas retornassem a Lisboa. Antes, ressaltou que poderiam aqui permanecer os oficiais e soldados interessa- dos em servir ao Brasil. Surpreendentemente, 400 soldados (a terça parte do contingente) decidiu ficar, partindo o restante. Em abril, D. Pedro viajou para Minas Gerais, para apaziguar os ânimos de alguns funcionários e dirigentes que se mantinham irredutíveis em sua oposição à autoridade do regente. Nessa província, D. Pedro valeu-se de seus dons de oratória para convencer a todos. "Uni-vos comigo e marchareis constitucionalmente... palavras que lhe são atribuídas, arrebataram a multidão que o ouvia. D. Pedro, agora, além de haver dominado o governo, a tropa e o povo, podia contar com o apoio mineiro. Ao chegar da bem sucedida viagem, o entusiasmo no Rio de Janeiro era geral. No dia 4 de maio, uma portaria determinava que, de todos os decretos da Corte, apenas teriam validade aqueles que contassem com o "cumpra-se" do Portanto, afastava-se o Brasil cada vez mais da órbita portuguesa. A Maçonaria oferece a D. Pedro o título de Defensor Perpétuo do Brasil e ele o aceita, a 13 de maio de 1 822. Os acontecimentos precipitavam-se e a idéia da constitucionalização tomara conta de todos; D. Pedro mesmo era favorável a uma lei básica, à convocação de um legislativo no Brasil. Assim, a 3 de junho de foi convocada a primeira Assembléia Geral Constituinte para o Brasil. Era, noutros termos, a própria declaração da soberania nacional. Contudo, em muitas províncias reinava a agitação; São Paulo era um exemplo. Uma revolta local foi organizada contra o irmão de José Bonifácio, Martim Francisco Ribeiro de Andrada, obrigando-o a refugiar-se no Rio de Janeiro, onde mais tarde seria nomeado Ministro da Fazenda. Tudo se fazia em prol da Independência; Gonçalves Ledo, em seu Manifesto, assinado pelo próprio D. Pedro, estimulava a todos que lutassem por ela. Nos princípios de agosto, José Bonifácio redigiu um Manifesto aos governos e nações amigas, pedindo-lhes que comerciassem diretamente com o Brasil, em atitude francamente anticolonialista. A partir disso, nomearam-se Encarregados de Negócios na Inglaterra, Estados Unidos e França. "Grito do - Desde o manifesto de agosto, de José Bonifácio, podemos afirmar que éramos indepen- dentes de Portugal. Contudo, era preciso que um gesto mais incisivo consagrasse a separação. Tal aconteceu quando de uma viagem de D. Pedro a São Paulo, logo após a revolta promovida contra Martim Francisco. Este vinha substituindo José Bonifácio na Vice-presidência da Junta Governativa, sendo acusado de atitudes absolutistas na província de São Paulo. Demitido Martim Francisco, fazia-se necessária a presença de D. Pedro em São Paulo, para pacificá-lo de vez. Ao partir, D. Pedro investiu D. Leopoldina, sua esposa, de poderes regenciais. Nessa ocasião, as Cortes enviaram ao Rio novos pronunciamentos e exigências. Permitiam, em primeiro lugar, que D. Pedro aqui permanecesse, como regente, até que a Constituição fosse dada por concluída e publicada. regente, todavia, deveria permanecer submisso às Cortes e ao rei, seu pai. Além disso, decidiram formar novo Ministério, com elementos escolhidos pelo rei. Declaravam, ainda, que seriam processados todos aqueles que haviam tramado contra as Cortes, bem como seria con- siderada nula a convocação do Conselho de Procuradores, a partir daquela data. Todas essas deliberações foram enviadas ao regente, através dos portadores Paulo Emílio Bregaro e Antônio Ramos Cordeiro. encontro destes com D. Pedro, que voltava de Santos, ocorreu na colina próxima ao riacho do Ipiranga. A leitura das cartas que lhe mandavam José Bonifácio e D. Leopoldina instigou D. Pedro a tomar uma decisão imediata contra os que restringiam sua autoridade. Declarou, então, estarem rompidas as relações entre Brasil e Portugal, a partir daquele instante (7 de setembro de 1822). Dirigindo-se à comitiva que o acompanhava, afirmou que as Cortes desejavam escravizar o Brasil e, por isso, chegara o momento da Independência, da quebra definitiva, de laços com a Ainda nesse momento, proferiu as célebres palavras: "É tempo! Estamos separados de Portugal! Independência ou Brasileiros, a nossa divisa de hoje em diante será a " Veja no mapa da figura 2, a viagem de D. Pedro e a proclamação da Independência.MINAS GERAIS RIO DE JANEIRO Arelas São João Marcos Bananal Santa Cruz Lorena FIGURA 2 - o PERCURSSO Campo Janeiro DA VIAGEM DE D. PEDRO Saída: Taubaté Pindamonhangaba SÃO PAULO 14 de agosto Chegada: 25 de agosto São Paulo OCEANO Mogi das Cruzes Santos ATLÂNTICO Regressando ao Rio de Janeiro, D. Pedro soube que uma assembléia maçônica decidira aclamá-lo Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil; tal aclamação viria a efetivar-se no dia 12 de outubro de 1822. Primeiro Reinado inaugura-se oficialmente a 1° de dezembro de 1822. o Ministério de José Bonifácio Após a proclamação da Independência, acentuou-se a divergência entre José Bonifácio e Gonçalves Ledo. primeiro via apenas na autoridade e na ordem os princípios básicos do poder; no seu entender, a centralização forte evi- taria a fragmentação. Por sua vez, Gonçalves Ledo, liderando os maçons, abominava a idéia de um imperador abso- lutista e um ministro todo-poderoso. José Bonifácio temia a Maçonaria. Eram constantes as desavenças entre ele e o liberal Gonçalves Ledo. Quando da convocação da Constituinte, José Bonifácio repeliu a idéia, que partira de Ledo, mas, como D. Pedro a acatara, acabou por arrastar José Bonifácio à adesão. Este chegou inclusive a ser eleito Grão-Mestre da recebendo amplo apoio do grupo de Ledo. Contudo, as honras oferecidas a José Bonifácio não alteraram seu ponto de vista em relação aos maçons; nos princípios de junho, reuniu a ala mais conservadora da aristocracia rural, formando uma sociedade secreta: o Apostolado ou Nobre Ordem dos Cavaleiros de Santa Cruz. Curiosamente, Ledo e outros de seu grupo ingressaram no Apostolado, também com o fim de vigiar o grupo de José Bonifácio. Contudo, novas divergências ocorreram. Ledo foi acusado de tramar contra as instituições e D. Pedro, coagido por José Bonifácio, impediu que os trabalhos nas lojas maçônicas continuassem a desenvolver-se. A reação contra D. Pedro não tardou a erguer-se e ele voltou atrás em sua decisão. Em represália, os Andradas se demitiram do Ministério, mas voltaram logo depois, incentivados por manifestações de seus partidários. Nesse clima de tensão, a Maçonaria foi fechada e muitos de seus componentes presos e exilados, dentre eles José Clemente Pereira, Januário da Cunha Barbosa e Nóbrega Coutinho. Gonçalves Ledo refugiou-se em Buenos Aires: a única maneira encontrada por ele para não ser preso. A Guerra da Independência início do Primeiro Reinado caracteriza-se pela luta em prol da unidade nacional. Realmente, após a procla- mação da independência, permaneceram fiéis a Portugal as províncias da Bahia, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina. Vejamos como transcorreram nessas províncias as lutas pela consolidação da independência.Veja o mapa da figura 3, onde localizamos os focos pela luta em prol da independência. VENEZUELA GUIANAS OCEANO EQUADOR MARANHAO RIO GRANDE NORTE PARAIBA PERNAMBUCO SERGIPE BAHIA PERU FIGURA 3 AS GUERRAS MATO GROSSO OCEANO DE INDEPENDÊNCIA BOLÍVIA MINAS GERAIS ESPIRITO SANTO PARAGUAI JANEIRO SÃO PAULO Rio de Janeiro OCEANO SANTA CHILE Brasil am RIO ARGENTINA DO administrativa do no provincias CISPLATINA Guerras de (URUGUAI) Guerra da Na Bahia Conforme já foi explicado no tópico sobre a reação portuguesa em relação ao "Fico", o brigadeiro por- tuguês Madeira de Melo havia assumido o controle sobre a Bahia e promovido uma série de violências. Todavia, não era o todo que hostilizava o ato de D. Pedro. Algumas câmaras se mostravam a seu favor, tendo a de Cachoeira organizado a Junta Conciliatória e de Defesa. Tal órgão tinha como objetivos apoiar D. Pedro e lutar contra as tropas portuguesas de Madeira de Melo. D. Pedro enviou em auxílio dos uma força naval comandada por Rodrigo De Lamare, da qual fazia parte o brigadeiro Pedro Labatut francês a serviço do Brasil. Essas tropas desembarcaram em Maceió e daí marcharam por terra rumo a Pernambuco, em busca de reforços. Nessa província uma junta já havia sido instalada, em substituição ao governo do português Luís do Rego, deposto e banido para Portugal, pelos patriotas. Os reforços foram concedidos a Labatut, tendo sido efetuado o cerco de Salvador; todavia, Madeira de Melo tam- bém recebeu mais forças portuguesas e iniciou a luta no sentido de derrubar o cerco de Salvador, travando-se o com- bate decisivo em Os brasileiros foram os vencedores, mas novos reforços chegaram de Portugal, obrigando-nos também a recrutar mais tropas. Em maio de 1823, o porto de Salvador foi totalmente bloqueado por nove navios, sob o comando do escocês Lord Cochrane, considerado o primeiro almirante do Brasil. Madeira de Melo foi obrigado a render-se e, perseguido por John Taylor, que fora mandado pela Inglaterra em nosso auxílio, retirou-se para Portugal. Tal fato ocorreu a 2 de julho de 1 823. No Piaui A adesão da vila de Parnaíba à Independência foi quase imediata, mas o governador da região, o major português João José da Cunha Fidié, dispusera-se a combater essa adesão; assim decidido, deslocou-se da capi- tal da dirigindo-se para onde se concentravam os patriotas, mas encontrou firme resistência dos piauienses, os quais receberam auxílio do Ceará. Estes, entretanto, não puderam resistir por muito tempo e foram vencidos em Jenipapo (março de Os combates prosseguiram, porém, e Fidié foi cercado em Caxias, no Maranhão, firmando paz em julho. No Maranhão - Nessa província, não chegou a haver luta armada; Lord Cochrane vinha da Bahia com parte de sua frota, e uma simples ameaça sua, de fazer chegar ao Maranhão toda a armada restante, intimidou a Junta Governativa da região, fiel a Lisboa. A independência foi aceita, incontinenti. No Grão-Pará Nessa província, John Grenfell, enviado por Lord Cochrane, limitou-se a copiar a atitude deste, fazendo o mesmo tipo de ameaça, para tomar Belém. A Junta Governativa da região não teve tempo sequer para emitirum pronunciamento; o povo invadiu suas dependências, exaltando a emancipação política brasileira (agosto de 1823). Nova Junta foi eleita, seguindo-se muitas desavenças e prisões, tendo sido mortas mais de duzentas pessoas, durante o conflito. Esses incidentes seriam os precursores da "Cabanagem", revolta de amplas proporções que abalaria o período regencial. Na Cisplatina Também nessa província sulina se dividiram as opiniões. D. Álvaro da Costa de Sousa encabeçava os que eram fiéis a Lisboa e o tenente-coronel Carlos Frederico Lecor liderava os adeptos de D. Pedro. grupo de Lecor era bem menos numeroso e teve que retirar-se, face às pressões exercidas por D. Álvaro. Mais tarde, preparando-se melhor no interior, conseguiu cercar Montevidéu. Em outubro de 1 823, chegou ao local uma divisão naval brasileira, comandada por Rodrigo Lobo. No mês seguinte, D. Álvaro ordenou a retirada de suas frotas, rumando para Lisboa. Desse modo, chegava a termo a Guerra da Independência. o Reconhecimento da Independência Enquanto no Brasil se forjava a Independência, a política dominante na Europa era a Santa Aliança, que unia as grandes potências européias no ideal de preservar o absolutismo, o colonialismo e combater o liberalismo. No Congresso de Verona, realizado a 14 de dezembro de a Santa Aliança lançara uma proposta de reco- lonização dos países americanos que já haviam conseguido sua independência. Nessa ocasião, já éramos independentes de Portugal, tendo sido os Estados Unidos o primeiro país a nos reconhecer como tal. Seu presidente, na época, era James Monroe, autor da célebre doutrina que tem o seu nome ("A América para os Americanos"). Entretanto, a Inglaterra distanciava-se cada vez mais dos ideais da Santa Aliança, principalmente devido à política desenvolvida por seu primeiro-ministro, Canning, que defendia o "princípio de não intervenção", isto é, o princípio de que cada país deveria escolher sua própria forma de governo. Em relação ao Brasil, dois pontos devem ser observados, na explicação da atitude dos ingleses diante de nossa independência: Os ingleses não queriam a inimizade de Portugal, seu aliado de tantos e tantos anos. 2°) Convinha à Inglaterra continuar em boa paz com o Brasil, pois com ele desenvolvia um comércio espetacularmente lucrativo. Brasil manteve conversações na Inglaterra, com o ministro Canning, através do Marechal Felisberto Caldeira Brant Pontes de Oliveira e Horta, estabelecendo-se que Charles Stuart, diplomata inglês, iria a Portugal, a fim de explicar os motivos que levavam os ingleses a reconhecer a nossa independência. Já em Portugal, Stuart conseguiu convencer D. João VI a não mais interferir no Brasil, aceitando sua independên- cia, tendo sido assinado um tratado nesse sentido, a 29 de agosto de Através desse tratado, Portugal reconheceu a emancipação política do Brasil, exigindo porém a indenização de dois milhões de libras esterlinas; D. João exigia, ainda, que lhe fosse concedido o direito de usar o romântico título de Imperador do Brasil. Vocabulário Abdicar: Renunciar voluntariamente; desistir. Anistia: Perdão geral. Bancada: Representação de um Estado na Câmara ou no Senado. Bloqueio: Cerco ou operação militar, com o fim de cortar a uma praça ou a um porto as comunicações com o exterior. Convênio: Pacto internacional; acordo. Depredar: Devastar; assolar; destruir. Emancipação: libertar-se, ter independência. Estatuto: Lei orgânica ou regulamento de um Estado, associação, etc. Exonerar: Demitir; dispensar; destituir de emprego. Ideologia: Sistema de idéias organizadas como um instrumento de luta política. Incontinenti: sem demora. Sociedade filantrópica secreta, que usa instrumentos do pedreiro e do arquiteto. Obstinação: Teima; tenacidade; pertinácia. Paliativo: Que remedeia provisoriamente; aquilo que tem eficácia apenas momentânea.Pautar: Regular; relacionar. Portenho: Natural de Buenos Aires. Primogênito: Filho mais velho. Protetorado: Estado posto a soberania de outro à dependência. Recobrar: Adquirir de novo; recuperar. Repressivo: Próprio para reprimir, reter, refrear. Repudiar: Rejeitar; repelir; abandonar. Status quo: estado em que se acha certa questão; a ordem vigente. Tribuno: Orador revolucionário ou de assembléias políticas. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ ESTUDAR 1. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Gonçalves Ledo. Algumas são verdadeiras, outras, falsas. Indique as ver- b) José Bonifácio temendo o movimento maçônico dadeiras com (V) e as falsas com (F). Justifique as decidiu pelo fechamento dessa sociedade secreta. erradas. c) apostolado ou nobre ordem dos cavaleiros de Santa Cruz compunham a ala mais liberal da aristocracia a) (V) Com a volta de D. João VI para Portugal, as rural liderado por Gonçalves Ledo. cortes portuguesas decidiram eliminar todos os órgãos Comentário: apostolado ou nobre ordem dos cava- superiores criados no Brasil, por D. João VI. leiros de Santa Cruz compunham a ala conservadora da b) (V) Para combater a influência das cortes portugue- aristocracia rural liderado por José Bonifácio. sas, no Brasil, e a tentativa de recolonização do Brasil, foi criado o clube da resistência. d) Algumas províncias brasileiras lutaram pela con- c) (F) As cortes portuguesas exigiam a permanência de solidação da independência do Brasil, em virtude de gru- D. Pedro, no Brasil. pos partidários que se colocavam fiéis a Portugal, foi o Comentário: Está errada. As cortes portuguesas exi- caso da Bahia, Piauí, Maranhão, Grão-Pará e Cisplatina. giam o retorno de D. Pedro a Portugal. e) Na época que ocorria a independência do Brasil, a Europa vivia o período da Santa Aliança. d) (V) dia 9 de janeiro de 1822 é conhecido historica- f) A Santa Aliança tinha como ideologia a preser- mente como o "Dia do Fico", que representou a per- vação do liberalismo econômico e político. manência do regente D. Pedro, no Brasil. Comentário: A Santa Aliança tinha como ideologia a preservação do absolutismo e do colonialismo. 2. Neste exercício, fazemos algumas afirmações. Algumas estão corretas, outras, incorretas. Indique as g) A primeira nação a reconhecer a independência corretas com (C) e as incorretas com (I). Justifique as do Brasil foram os Estados Unidos, posteriormente, a incorretas. Inglaterra. h) reconhecimento da independência do Brasil a) Após a proclamação da independência dois gru- pelo rei de Portugal, D. João VI, só ocorreu mediante a pos divergentes se articulavam no poder, liderados indenização paga a Portugal, no valor de dois milhões de respectivamente por José Bonifácio de Andrade e Silva e libras esterlinas. EXERCÍCIOS PARA VOCÊ RESOLVER Os cincos testes abaixo possuem cada uma única b) ( ) propunham um projeto de constituição. alternativa correta. Marque com um (X), a alternativa que c) ( ) defendiam o ideal republicano. mais se ajusta à questão. d) ( ) lutavam pela independência do Brasil. 1. A insurreição pernambucana de 1817 foi um movi- 2. A Revolução Constitucionalista da cidade do Porto, em mento que não propunha grandes transformações na Portugal reivindicava através das Cortes Portuguesas, a estrutura da sociedade da época, porque não recolonização do Brasil, que significava a) ( ) reivindicaram a abolição da escravidão. a) ( ) a criação do movimento maçônico.b) ( ) a permanência do pacto colonial. camente a soberania do Brasil porque c) ( ) a implantação da república, no Brasil. d) ( ) o apoio aos movimentos emancipacionistas, no a) ( ) o dia 7/9/1 822 representa o dia da emancipação Brasil. política do Brasil. b) ( o dia 822 representa o dia da dependência 3. "Dia do Fico" é conhecido historicamente como o política com Portugal. episódio que marcou c) ( o dia 7/9/1 822 representa o dia da emancipação econômica com relação à Inglaterra. a) ( ) a volta do principe regente, D. Pedro, para Por- d) ( o dia 7/9/1822 representa a dependência econômi- tugal. ca do país sem a interferência da Inglaterra. b) ( ) a ida do principe regente, D. Pedro, para a In- glaterra 5. primeiro país a reconhecer a independência do c) ( a permanência do regente, D. Pedro, no Brasil foram os Estados Unidos, seguidos sucessiva- Brasil mesmo acatando às ordens das Cortes portugue- mente por: sas. d) ( ) a permanência do regente, D. Pedro, no Brasil, como forma de não acatar às ordens impostas a) ( ) Itália e Espanha. pelas Cortes portuguesas. b) ( ) França e Inglaterra. c) ( ) Inglaterra e Portugal. 4. "Grito do é um episódio que marca histori- d) ( ) Portugal e Espanha. CHAVE DE RESPOSTAS 1. principe regente, D. Pedro, no Brasil como forma de a) (X) reivindicaram a abolição da não acatar as ordens impostas pelas Cortes por- Comentário: A insurreição pernambucana de 817 foi tuguesas que insistiam na volta de D. Pedro à Portugal um movimento que não propunha grandes alterações na e na recolonização do Brasil. estrutura da sociedade da época porque não reivindica- va a abolição da escravidão. 4. Como você já estudou e deve se lembrar, a insurreição a) (X) o dia 7/9/1 822 representa o dia da emancipação pernambucana foi um movimento que ocorreu devido aos política do Brasil. conflitos existentes entre os senhores de engenho e os Comentário: "Grito do é um episódio que As causas foram: a cobrança de altos impos- marca historicamente a soberania do Brasil porque o dia tos pela coroa portuguesa, os privilégios comerciais por- 7/9/1822 representa o dia da emancipação política do tugueses e a atuação dos holandeses no Brasil. Brasil. Como já estudamos, a independência política do Brasil não significou a liberdade econômica e mudanças na 2. estrutura social, uma vez que foi mantida a escravidão e os b) (X) a permanência do pacto colonial. privilégios da aristocracia agrária. Comentário: A Revolução Constitucionalista da cidade do Porto, em Portugal reivindicava, através das Cortes 5. Portuguesas, a recolonização do Brasil que significava c) (X) Inglaterra e Portugal. a permanência do pacto colonial e a condição do Comentário: primeiro país a reconhecer a inde- Brasil como colônia de Portugal. pendência do foram os Estados Unidos seguidos sucessivamente por Inglaterra e Portugal. Os 3. Estados Unidos ao reconhecer a nossa independência d) (X) a permanência do príncipe regente, D. Pedro, no desejavam estabelecer maior influência na América, Brasil, como forma de não acatar às ordens impostas com base na Doutrina Monroe e estabelecer vanta- pelas Cortes portuguesas. gens comerciais, concorrendo com os ingleses, que Comentário: "Dia do Fico" é conhecido historica- pretendiam manter seus privilégios comerciais no mente como o episódio que marcou a permanência do Brasil, a partir da renovação do Tratado de 1810.

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