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Operação de portos Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir a situação atual da operação dos portos brasileiros. Identificar as melhorias implantadas pelo sistema portuário brasileiro na operação de portos. Reconhecer as dificuldades operacionais encontradas pelos usuários na utilização dos portos brasileiros. Introdução Depois de muitos anos, o Brasil começa a se mobilizar na tomada de de- cisões efetivas referentes a modernização e melhorias em infraestruturas portuárias. Certamente essas decisões irão influenciar diretamente na logística operacional dos portos. A globalização do mercado sempre foi o principal indicador para as empresas, principalmente quando se trata da área operacional, na qual tudo pode acontecer — movimentação de mercadorias de um ponto ao outro por meio de pessoas e equipamentos modernos, execução de operações que exigem mão de obra qualificada e não qualificada, estruturas com leiautes funcionais e grandes investimen- tos em automação de linhas produtivas, e outros fatores decisivos para o crescimento de uma economia, principalmente para o Brasil, que possui vastas quantidades de commodities e ultimamente vem apresentando uma demanda que exige agilidade e eficiência na desova dessas mer- cadorias e das demais que fazem parte da cadeia manufatureira do país. Você verá nesse capítulo informações voltadas à situação atual das operações dos portos brasileiros, um assunto que merece uma atenção especial por parte dos gestores e do Governo Federal. Partindo dessa premissa, também iremos abordar nesse estudo pontos relevantes que tratam das melhorias que foram implantadas pelo sistema portuário brasileiro, principalmente nas operações de portos, os quais demandam ações de melhorias de forma permanente. Vamos abordar também nesse momento situações de dificuldades operacionais vividas pelos usuários Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 1 05/03/2018 16:25:37 do sistema. Não apenas as empresas, mas também o consumidor final é reféns dessa realidade que o sistema portuário vem vivendo atualmente: altos custos operacionais e descaso por parte dos governantes, tornando as operações portuárias inviáveis e obsoletas perante o mercado global. Situação atual da operação de portos brasileiros Estamos vivendo uma época na qual as novas ferramentas digitais estão favorecendo a implantação de melhorias, sejam estas na área operacional ou na administrativa. No comércio exterior, com uma carteira de consu- midores bastante pulverizada a implantação de modelos informatizados e a automação de sistemas operacionais, poderão fazer a diferença na hora do atendimento aos consumidores fi nais. Lembrando que a movimentação das mercadorias importadas e exportadas são feitas quase que 100% por meio dos portos. Segundo a Agência Nacional de Transporte Aquaviários (Antaq), com o objetivo de aprimorar o sistema e uniformizar as classificações de opera- ções de cargas nos portos brasileiros, foi apresentada uma nova proposta de classificação de operações de cargas do Sistema de Desempenho Portuário (SDP), que está de acordo com a utilizada nos sistemas Mercante e Siscomex Carga (BRASIL, 2007). É importante destacar que na IN nº 800 da Receita Federal, estão dispostas algumas operações que são de muita utilidade para o setor portuário, princi- palmente quando se trata do comércio exterior. No Brasil, a operação de portos contempla algumas categorias de transporte, tai como: cabotagem, operação de longo curso exportação e importação, navegação interior, Baldeação de Carga Estrangeira (BCE) e outros. Cada subsistema é responsável em realizar uma determinada operação, necessita cumprir uma determinada tarefa. Assim, de acordo com a classificação das operações, podemos considerar as seguintes definições (BRASIL, 2007): Transbordo de carga — É uma operação na qual a transferência da mercadoria é feita de forma direta de um veículo para o outro, desde que respeitado a documentação vigente e legal. Para esse tipo de ope- ração podemos citar a transferência de carga de um transportador para outro do mesmo tipo, quando esse modelo de processo é realizado, em geral, no transporte de mercadorias para pontos de destino que não são abastecidos diretamente por uma linha regular de transporte. Porém o Operação de portos2 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 2 05/03/2018 16:25:38 conhecimento contempla a viagem até o destino final, não necessitando a troca deste, pois esta operação tem como objetivo dar sequência à carga. Baldeação — Essa operação acontece quando é feita a transferência de mercadoria descarregada de um veículo e posteriormente carregada em outro. Complementação do transporte internacional — Refere-se ao transporte da carga procedente ou destinada ao exterior e baldeada ou transbordada no país, com o objetivo de entregá-la no destino final constante do respectivo conhecimento de carga. Essas operações são indispensáveis para a logística operacional portuária. Sabemos que, por meio desses processos, o espaço físico útil do veículo para transporte de cargas pode ser aproveitado quase que 100%, o que torna esses meios de transporte mais eficientes e efetivos. Perante as operações que contemplam a movimentação de cargas de um veículo para o outro, conforme disposto na IN nº 800 da Receita Federal, e de acordo com a Antaq, o campo Tipo de Operação da Carga poderá receber os seguintes valores, baseado na finalidade da operação, registros de cargas nacionais e ou estrangeiras. O registro de cargas nacionais, é indicado para aqueles com portos que realizam: 1. Operação de cabotagem (CAB): aquele com portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas em navegação marítima, inclusive quando combinada com a navegação interior. 2. Interior (ITR): aquele com portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais transportadas exclusi- vamente em navegação interior. 3. Baldeação de carga nacional (BCN): aquele com portos de carrega- mento e descarregamento nacionais, para o registro das cargas nacionais submetidas à baldeação ou transbordo, inclusive cargas nacionais que venham a sair temporariamente do país por motivos exclusivamente de logística. Para cargas estrangeiras, indicam-se os seguintes registros: 1. Longo curso exportação (LCE): aquele com porto de carregamento nacional e porto de descarregamento estrangeiro, para o registro das cargas de exportação. 3Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 3 05/03/2018 16:25:38 2. Longo curso importação (LCI): aquele com porto de carregamento estrangeiro e porto de descarregamento nacional, para o registro das cargas de importação, mesmo que a praça de entrega seja no exterior. 3. Baldeação de carga estrangeira (BCE): aquele com pelo menos um porto nacional de carregamento ou descarregamento, para o registro das cargas estrangeiras submetidas a baldeação ou transbordo no país, em complementação ao transporte internacional até o porto de destino final, conforme as seguintes modalidades: ■ longo curso importação (LCI): com baldeação ou transbordo, aquele com portos de carregamento e descarregamento nacio- nais, para o registro de cargas de importação chegadas ao país em manifesto LCI e submetidas a baldeação ou transbordo para complementação do transporte internacional até o porto nacional de destino final; ■ longo curso exportação (LCE): com baldeação ou transbordo, aquele com portos de carregamento e descarregamento nacionais, para o registro de cargas de exportação que sairão do país em mani- festo LCE, após transbordo ou baldeação para complementação do transporte internacional até o porto estrangeiro de destino final; ou ■ cargas de passagem (PAS): com baldeação ou transbordo, aquele com pelo menos um porto nacional de carregamento ou descarrega- mento, para o registro de cargasde passagem que sofrerão transbordo ou baldeação no país para complementação do transporte interna- cional até o porto estrangeiro de destino final. Para operações subsidiárias ou auxiliares: 1. apoio; 2. abastecimento; 3. safamento (ou remoção pelo cais); 4. remoção a bordo; 5. operação intermediária; 6. transferência interna (ANTAQ, 2016). Cabe ressaltar que existem algumas restrições quanto ao acatamento da utilização das classificações da IN nº 800, conforme informa SDP, essa ação pode acarretar na desativação das operações da carga “movimentação de carga” e “transbordo”, a saber, os registros já efetuados no banco de dados do SDP dessas operações serão mantidos. Operação de portos4 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 4 05/03/2018 16:25:39 Quando falamos em operações, é fundamental também que o profissional que irá atuar no setor operacional de um sistema portuário se inteire das demais definições sobre a manipulação de cargas, conforme disposto no Art. 2º da IN nº 800. Das disposições preliminares, temos os seguintes termos operacionais (BRASIL, 2007): Unitização de carga: é o acondicionamento de diversos volumes em uma única unidade de carga. Consolidação de carga: é conhecido como o acobertamento de um ou mais conhecimentos de carga para transporte sob um único conheci- mento genérico, envolvendo ou não a unitização da carga. Navegação de longo curso: podemos considerar navegação de longo curso aquela realizada entre portos brasileiros e portos marítimos, sendo eles fluviais ou lacustres estrangeiros. Armador: é visto e conhecido como armador a pessoa física ou jurídica que, em seu nome ou sob sua responsabilidade, prepara a embarcação para a sua utilização no serviço de transporte. O profissional fica res- ponsável em realizar o transporte marítimo de cargas em rotas locais ou internacionais, operando embarcações e movimentando vários tipos de mercadorias entre os portos. Além dessas responsabilidades, cabe às empresas armadoras equipar e manter comercialmente os cargueiros — que podem ou não ser de sua propriedade. É importante salientar que pessoas físicas também podem exercer essa atividade. Transportador: é considerado como uma pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga. Complementação do transporte internacional: refere-se ao transporte da carga procedente ou destinada ao exterior e baldeada ou transbordada no país, com o objetivo de entregá-la no destino constante do respectivo conhecimento de carga. Praça de entrega no exterior: trata-se do país estrangeiro para entrega da carga internacional transportada, quando o porto de destino constante do conhecimento de carga for nacional. Escala: conhece-se por escala a entrada da embarcação em porto na- cional para atracação ou fundeio. Conhecimento eletrônico (CE): documento conhecido como uma declaração eletrônica das informações constantes do conhecimento de carga (Bill of Lading — BL), informado à autoridade aduaneira na forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente (redação dada pela IN RFB nº 1473, de 2 de junho de 2014). 5Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 5 05/03/2018 16:25:39 Manifesto eletrônico: é importante saber que o manifesto de carga deve ser informado à autoridade aduaneira em forma eletrônica, mediante cer- tificação digital do emitente, contendo inclusive os contêineres vazios. Bloqueio: refere-se à marcação de escala, manifesto eletrônico, CE ou item de carga, pela autoridade aduaneira, podendo ou não interromper o fluxo da carga ou a saída da embarcação (redação dada pela IN RFB nº 1473/2014). Evento AFRMM: outro ponto muito importante nas operações portuá- rias, pois envolve custos. Está discriminado na IN nº 800 que o AFRMM é pagamento do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mer- cante efetuado ou o reconhecimento de benefício fiscal registrado no Sistema Mercante por servidor do DEFMM ou RFB, nos termos da legislação específica (redação dada pela IN RFB nº 1473/2014). Embarcação arribada: por fim, esse termo diz respeito à atracação em porto nacional que não visa a operação de carga ou descarga, ela regulariza os casos de abastecimento, conserto e reparo na embarcação, quando necessários. Devemos entender que todas as operações portuárias devem ser estudadas e planejadas em suas várias etapas, desde a emissão de documentos, coleta, ma- nuseio, armazenamento, expedição e entrega ou qualquer outra etapa que possa fazer parte de um serviço de logística integrada dentro da operação portuária, tanto para importação como para exportação (MULTITERMINAIS, 2018). Dentro do sistema de operação de portos está inserida uma série de ope- rações específicas, as quais podemos classificar da seguinte maneira: porto organizado; portos marítimos; portos fluviais; portos lacustres; área do porto organizado; instalação portuária; terminal de uso privado; estação de trans- bordo de cargas; instalação portuária pública de pequeno porte; instalação portuária de turismo; navegação de cabotagem; navegação interior (fluvial e lacustre) e navegação de longo curso. De posse desses operadores, vamos conhecer as operações desenvolvidas por cada um deles, que podemos rela- cionar na seguinte forma: Operações em portos organizados ou em área do porto organizado — Essa área de operação está compreendida pelas instalações portu- árias, como ancoradouros, docas, cais, pontes e píeres de atracação e acostagem, terrenos, armazéns, edificações e vias de circulação interna, bem como pela infraestrutura de proteção e acesso aquaviário ao porto, compreendendo guias-correntes, quebra-mares, eclusas, canais, bacias Operação de portos6 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 6 05/03/2018 16:25:39 de evolução e áreas de fundeio, que devam ser mantidas pela Adminis- tração do Porto de Controle Sanitário. É uma área destinada a atender às necessidades da navegação e da movimentação e armazenagem de mercadorias, concedido ou explorado pela União. Operações em portos marítimos — Cabe aos portos marítimos operar de forma integrada aos demais terminais portuários, recebendo todas as linhas de navegação oceânica. Esse recebimento pode acontecer por meio de terminais marítimos que fazem a ligação com portos secos, armazém geral e outros, trabalhando de forma integrada com o fim de transformar o todo em uma plataforma única de logística em sua região de atuação. Os portos com essa configuração são responsáveis em cobrir cada etapa do processo da cadeia de suprimentos, desde o recebimento de peças e equipamentos importados no porto até o retorno do produto acabado para atender o comércio internacional. Operações em portos fluviais — Esse sistema tem como função receber navegações oriundas e destinadas aos portos dentro da mesma região hidrográfica, ou por meio das águas interiores (rios). Esses portos são conhecidos como atracadouros, terminais e fundeadouros, qualquer outro local que possibilite as operações de carga e descarga de merca- dorias provenientes do transporte por rio navegável. Operações em portos lacustres — Essas áreas são conhecidas como atracadouros, terminais, fundeadouros, locais que possibilitam a ope- ração de carga e descarga de mercadorias provenientes do transporte por lago navegável. Instalação portuária — Para essa operação, podemos entender que é uma parte de um porto que foi concedida a um permissionário ou concessionário. Sendo assim, cada porto pode ter um concessioná- rio ou vários atuando numa determinada área, cada um com as suas responsabilidades e com a sua estrutura de equipamentos. Também é importante sabermos que essa instalação pode ser dentro ou fora de um porto organizado. Além disso, podem ser subdivididas em instalação portuária pública de pequeno porte e instalação portuária de turismo. Diz a Lei nº 12.815, de 5 de junho de 2013, que, para instalações fora do porto, essas serão compreendidasem (BRASIL, 2013): 1. terminal de uso privado; 2. estação de transbordo de carga; 3. instalação portuária pública de pequeno porte; 4. instalação portuária de turismo. 7Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 7 05/03/2018 16:25:39 Terminal de uso privado — Mais conhecidos como TUPs, podem ser alfandegados e não alfandegados, ou ainda alfandegados temporaria- mente. São empreendimentos cuja exploração das atividades portuárias ocorre sob o regime da iniciativa privada, tendo como foco a movimen- tação de passageiros ou a operação ou a armazenagem de mercadorias, destinadas ou provenientes de transporte aquaviário. Estação de transbordo de cargas — Essa área de operação é conhecida como uma instalação situada fora do porto organizado, que objetiva realizar a transferência de carga de um veículo para o outro, sendo uma operação essencial para garantir agilidade e redução de custos quando executada a fim de fazer o escoamento em situações nas quais se utiliza a multi- modalidade, mais de um modal de transporte atuando ao mesmo tempo. Navegação de cabotagem — Esse tipo de operação é de transferência de mercadoria dentro da nossa costa marítima. Como exemplo, podemos citar o transporte que se inicia no Porto de Rio Grande tendo como destino o Porto de Santos, e vice-versa. Também podemos considerar uma operação de cabotagem, quando o percurso acontece de um porto marítimo para a Zona Franca de Manaus. Navegação interior (fluvial e lacustre) — É quando o transporte aquático ou hidroviário acontece por meio das hidrovias, sendo uma navegação de curso não tão longo, geralmente realizado em lagos, lagos e lagunas dentro do país. O transporte lacustre é realizado pelos lagos, já o fluvial é realizado pelos rios, os quais, às vezes, são entendidos como cabotagem. Navegação de longo curso — Atende as demandas voltadas a nave- gações realizadas entre os portos brasileiros e estrangeiros, ou seja, consiste no transporte de cargas ou passageiros entre portos de diferentes países, atuando predominantemente nas exportações e importações de produtos entre diferentes países. Acesse o link ou código a seguir para acompanhar a IN RFB nº 800/2007 e conhecer mais sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados (BRASIL, 2007). https://goo.gl/zDwQzG Operação de portos8 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 8 05/03/2018 16:25:40 https://goo.gl/zDwQzG Melhorias implantadas pelo sistema portuário brasileiro na operação de portos Na vida empresarial, exclusivamente nos sistemas com grandes movimentações de mercadorias, falar em melhorias é saber que a melhoria contínua é uma fi losofi a que deve ser conhecida e adotada por todas as empresas. É por meio dela que é possível detectar falhas em processos-chaves e sugerir soluções a fi m de garantir a saúde fi nanceira de um determinado sistema, mantendo-o vivo e competitivo mediante o mercado global, que vive se reinventando a todo instante, numa dinâmica permanente. Falando em melhorias para o sistema portuário, como exemplo podemos citar o fato que ocorreu no Porto do Rio de Janeiro, onde foram iniciadas as operações com navios de grande porte. Nesse caso, após a homologa- ção do novo canal de acesso, pós-drenagem, o Porto do Rio de Janeiro foi beneficiado com o recebimento de um navio com mais de 300 metros de comprimento, ou seja, medindo 333 m de comprimento de fora a fora (LOA, Lenght Over), 48,24 m de boca e calado de 13,40 m. Relata o Portal Marítimo (REDAÇÃO, 2018) que esse evento ocorreu no início do mês de fevereiro de 2018, no terminal da Libra, no cais do Caju. Para termos noção do tamanho desta embarcação recebida pelo porto do Rio, será ilustrado na Figura 1 o navio mostrando a sua imensidão e a além disso, carregado de contêineres, como vemos: Figura 1. Navio da armadora alemã Happag-Lloyd, Santos Express. Fonte: Redação (2018). 9Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 9 05/03/2018 16:25:41 Outro fator importante que deve ser destacado nessa operação é a proce- dência deste navio, seu ano de fabricação e a sua capacidade de carga. Como podemos ver, é um navio da armadora alemã Happag-Lloyd construído em 2017 e com capacidade de peso bruto de 123.490 toneladas transportadas, correspondente a 10,5 mil TEU (Twenty-foot Equivalent Unit), uma unidade equivalente a vinte pés, sendo um ganho bastante significativo na redução dos custos operacionais, principalmente para operações de longo curso. Cabe também ressaltar na etapa atual, esse processo só foi possível devido aos calados disponíveis no porto, os quais estão preparados para atender navios de até 340 metros com calados de até 14,30 mt. O que vem a ser um “calado”? Para o sistema portuário, “calado” é um termo utilizado para definir a profundidade que um determinado canal deve possuir, com o propósito de facilitar a navegação de embarcações por este local, sendo ele um indicador fundamental para o acesso de grandes navios ao sistema portuário de um país. Ainda falando em melhorias portuárias, outro ponto de destaque foi o investimento realizado pela Cargill em um novo porto fluvial no Pará, que terá como foco principal o corredor Norte. A maior companhia do agronegó- cio mundial de capital fechado assinou o contrato de compra de um terreno de quase 400 hectares na ilha de Urubuéua, no Pará, onde construirá seu maior terminal fluvial graneleiro em capacidade de movimentação no Arco Norte. Ligada ao município de Abaetetuba, a ilha está localizada na região de Barcarena, que ganhou importância nos últimos anos com a chegada das tradings e o escoamento da safra brasileira de grãos (BARROS, 2017). Há uma previsão de custo inicial para esse novo porto de R$ 700 milhões, o que poderá beneficiar a capacidade de movimentação de cargas. Com pers- pectiva de circulação anual de 6 milhões de toneladas de soja e milho, podendo ser ampliado para 10 ou 12 milhões de toneladas. O início das operações está previsto para 2022 e 2025, sendo um marco importante para a geração de riquezas para o país. Devemos também reconhecer os esforços da Secretaria de Portos (SEP/ PR), a qual foi buscar modelos de portos internacionais a fim de conseguir subsídios ao Projeto de Modernização da Gestão Portuária, em andamento nas Companhias Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Pará (CDP) e Rio de Janeiro (CDRJ). De acordo com o Portal Brasil (2014), essa iniciativa tem como principais objetivos melhorias voltadas: à definição dos papéis e Operação de portos10 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 10 05/03/2018 16:25:41 responsabilidades do poder concedente e das autoridades portuárias locais; o grau de participação e intervenção dos órgãos supervisores na gestão do porto; a realização das fiscalizações, ordenamento e organização de alocação de cargas e operação de tráfego marítimo; consolidar o processo de melhoria da gestão no setor portuário nacional, colocando a administração das Companhias Docas em um novo patamar de competitividade e eficiência; etc. Nessa análise, foram buscados portos que são referência no mundo, dos quais podemos destacar: o Porto de Cingapura, cujo modelo de gestão tem regras típicas do setor privado, embora seja uma empresa de controle estatal; o Porto de Busan, na Coreia do Sul, onde foi percebido a ênfase dada na diver- sificação dos negócios da autoridade portuária, que está expandindo um novo porto fora da zona urbana integrado a um centro logístico e, no porto da zona urbana, vem realizando investimentos no setor de turismo, como terminais de passageiros, centro de convenções, museu e parque aquáticos, hotéis e centros empresariais; o porto de Hong Kong foi a eficiência operacional, impulsionada pela forte competição entre os terminais que operam no porto; e nos portos de Los Angeles e Long Beach, nos Estados Unidos, nos quais a atenção ficou voltada para a autossuficiência financeira,inclusive para investimentos nos acessos aquaviários e terrestres. De acordo com as análises ocorridas, um ponto em comum é o plane- jamento a longo prazo de exploração da área dos portos e novas formas de explorar os ativos imobiliários. Além disso, é importante perceber que portos como Lisboa, Barcelona, Cingapura e Hong Kong são grandes exploradores de outros meios de movimentar a economia, não prezam apenas pelos ar- rendamentos de espaços para os terminais. Como exemplo, podemos citar o porto de Barcelona, onde a exploração da parte comercial na área do porto é bem aproveitada. Existem restaurantes, marinas, hotéis, lojas, parcerias público-privadas que geram receita para a autoridade portuária da cidade, conforme informa Portal Brasil (2014). Acreditamos que, a partir dessas análises, nas quais foram verificadas as melhores práticas aplicadas nos portos desses países, a próxima etapa seja desenvolver o modelo futuro das autoridades portuárias brasileiras. O sistema portuário brasileiro é formado pelo mais variado tipos de gestão. Está previsto na nova Lei dos Portos, de nº 12.815/2013, que os complexos portuários sejam explorados pela União, sendo essa atividade exercida de forma indireta. A gestão poderá ser concedida, arrendada e delegada a 11Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 11 05/03/2018 16:25:41 terceiros, o que já vem acontecendo em alguns estados, como, por exemplo, o Porto de Santos, que é administrado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), e assim por diante (BRASIL, 2013). Segundo a TPC, empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá, no Paraná, existe obra no valor de R$ 554 milhões em andamento, podendo gerar 300 novos postos de trabalho. Esse projeto prevê a ampliação do cais de atracação do TPC em 220 metros e de sua retroárea em 157 mil metros quadrados. A melhoria influenciará na capacidade de recebimento de navios e será possível que o terminal receba três navios cargueiros de grande porte ao mesmo tempo. Confira no link, a seguir mais informações sobre as obras portuárias que estão em andamento e os entraves encon- trados por alguns portos brasileiros para a implementação de melhorias em infraestruturas (REDAÇÃO, 2016). https://goo.gl/YtfVPw Verificamos que as melhorias para os portos brasileiros estão em anda- mento, porém, muitos entraves quanto à liberação de verbas, liberação de autorizações por parte de órgãos públicos para início das obras e a falta de condições financeiras por parte dos portos vem provocando alguns atrasos e demoras na implementação destas melhorias. Dificuldades operacionais encontradas pelos usuários na utilização dos portos brasileiros Como referência para o tratamento deste assunto, vamos utilizar o Porto de Santos. Além de ser um dos que mais movimenta mercadorias Brasil, também Operação de portos12 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 12 05/03/2018 16:25:42 https://goo.gl/YtfVPw é o que mais apresenta causas que confi guram as difi culdades encontradas pelos usuários na maioria dos portos brasileiros. Sabemos que, de maneira geral, a logística portuária brasileira não vem apresentando grandes perspectivas de melhorias a curto prazo. Certamente, os investimentos que estão sendo feitos não estão gerando os resultados que todos os usuários esperam. Dessa forma, podemos entender que esses esfor- ços ainda não são suficientes para corrigir os entraves que se acumularam durante a evolução dos portos, o que já pode ser percebido em alguns países com economias em expansão e em crescimento permanente. A dificuldade de se gozar de benefícios e a falta de alavancagem da eco- nomia brasileira pode ser percebida de forma clara no principal porto do país, o Porto de Santos, onde diversos entraves ainda são vividos diariamente por parte dos variados modais de transporte. Podemos destacar a baixa integração entre modais, equipamentos de movimentação ineficientes, burocracia elevada da complexidade regulatória e descaso com a infraestrutura que favorece os acessos terrestres e marítimos. O que nos leva a reconhecer que o Porto de Santos deve ser uma referência para o tratamento das dificuldades encontradas pelos portos brasileiros são os números que demonstram que esse porto, dentre os demais alocados no território brasileiro, é o líder do ranking na balança comercial, o qual tem uma participação de 25,4% nas movimentações das trocas, dados de 2013. Ainda, a maior parte do escoamento e a chegada destas mercadorias acontece por meio das rodovias. O conjunto primário de usuários que alavancam o Produto Interno Bruto (PIB) do país, tornando essa área responsável por aproximadamente 67% do todo, está composto por cinco estados: Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Goiás. Já o conjunto secundário dos portos está formado por Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia. Num estudo realizado em 2016, por Wilson de Castro Hilsdorf e Mário de Souza Nogueira Neto, dada a importância do Porto de Santos para a economia brasileira, podemos chegar a uma relação das dificuldades encontradas pelos usuários dos portos, dispostas na Tabela 1. Ela apresenta uma relação das principais dificuldades encontradas, contemplando as causas, o grupo das dificuldades e as tratativas, além das possíveis soluções. 13Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 13 05/03/2018 16:25:42 Consolidação dos resultados da pesquisa Causas Grupo/Dificuldades Ações tratativas Trânsito de contêineres vazios. Indisponibilidade para agendamento de cargas a granel. Dificuldade de fluxo nas áreas portuárias Agendamento prévio para carregamento e descarregamento. Implantação de pátios para armazenagem de contêineres vazios. Recarregamento dos contêineres próximo às áreas de destino. Utilização de pátios reguladores. Divisão das linhas férreas por diferentes concessionárias. Morosidade das moegas de descarregamento dos vagões. Interferência da malha ferroviária Portofer com os acessos rodoviários. Restrições ao modal ferroviário Duplicação dos trilhos na malha de acesso Campinas–Santos. Reestruturação da malha Portofer na margem direita. Implantação de pátios para cruzamento de composições. Demora na liberação de cargas pela alfândega. Demora dos importadores para retirada da carga. Contêineres em perdimento. Horário restrito de funcionamento dos órgãos de fiscalização. Mau aproveitamento da capacidade dos terminais marítimos Liberação de contêineres em regime de declaração de trânsito aduaneiro (Porto Seco). Racionalização do fluxo de importação/ exportação. Desembaraço aduaneiro nos pátios. Tabela 1. Relação das possíveis causas, grupo de dificuldade e possíveis ações corretivas. (Continua) Operação de portos14 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 14 05/03/2018 16:25:43 Em virtude dessa relação, podemos ter uma breve noção de como anda a situação dos portos brasileiros quando se trata do atendimento aos usuários. Cabe aos profissionais que atuam na área da logística, tanto portuária como de forma geral, ficarem atentos a essas oportunidades de melhorias. Inques- tionavelmente, necessitamos de uma corrente ativa e pronta para atuar nas causas que geram esses entraves para a economia do nosso país, a fim de nos possibilitar uma maior competitividade perante o mercado global. Fonte: Hilsdorf e Nogueira Neto (2016). Consolidação dos resultados da pesquisa Causas Grupo/Dificuldades Ações tratativas Gargalos nos acessos locais ao porto, Rua do Adubo. Restrição de tráfego de veículos pesados na pista descendente da Rodovia dos Imigrantes. Interferências com tráfego urbano. Falta de segregação física entre vias rodoviárias e ferroviárias. Congestionamentos nos acessos Construção de trevo no Km 55 da Rodovia Anchieta. Reforma da Rua do Adubo. Construção ou remodelação das avenidas perimetrais nas margens direita e esquerda. Tabela 1. Relação das possíveis causas, grupo de dificuldade e possíveis ações corretivas. (Continuação) 15Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 15 05/03/2018 16:25:44 De acordo com o balanço feito pela G1 (globo.com), o acesso a terminais é o maior problema nos 10 principais portos brasileiros (2013), a saber: 1. Acesso é problema em Santos. 2. Vitória perde linhas internacionais. 3. Obra pode aliviar trânsito em Itaguaí. 4. Paranaguá teme atraso em projetos. 5. No MA, projeto há 10 anos no papel. 6. Burocracia é entrave em Rio Grande. 7. Profundidade barra navios no Rio. 8. Porto de Itajaí foca em ferrovia. 9. Em Macaé, acesso é pela cidade. 10. Em SC, capacidade ‘comprometida’. Fonte: ACESSO... (2013). ACESSO a terminais é maior problema nos 10 principais portos brasileiros. G1, São Paulo, 2013. Disponível em: . Acesso em: 02 mar. 2018. ANTAQ. Proposta de classificação de operações de carga no SDP. Brasília, DF, 2016. Disponí- vel em: . Acesso em: 14 fev. 2018. BARROS, B. Cargill investe R$700 milhões em novo porto fluvial no Pará. Econômico Valor, São Paulo, 2017. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2018. BRASIL. Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007. Dispõe sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e uni- dades de carga nos portos alfandegados. Receita Federal, Brasília, DF, 2007. Disponível em: . Acesso em: 02 mar. 2018. Operação de portos16 Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 16 05/03/2018 16:25:45 http://globo.com/ http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/06/acesso- http://portal.antaq.gov.br/index.php/2016/12/03/proposta-de-classificacao- http://www.valor.com.br/agro/5232803/cargill- http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=compila BRASIL. Lei nº 12.815, de 5 de junho de 2013. Dispõe sobre a exploração direta e indireta pela União de portos e instalações portuárias e sobre as atividades desempenhadas pelos operadores portuários; altera as Leis nos 5.025, de 10 de junho de 1966, 10.233, de 5 de junho de 2001, 10.683, de 28 de maio de 2003, 9.719, de 27 de novembro de 1998, e 8.213, de 24 de julho de 1991; revoga as Leis nos 8.630, de 25 de fevereiro de 1993, e 11.610, de 12 de dezembro de 2007, e dispositivos das Leis nos 11.314, de 3 de julho de 2006, e 11.518, de 5 de setembro de 2007; e dá outras providências. Brasília, DF, 2013. Disponível em: . Acesso em: 02 mar. 2018. BRASIL. Modelos internacionais ajudam no sistema portuário brasileiro. Portal Brasil, Brasília, DF, 2014. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2018. HILSDORF, W. C.; NOGUEIRA NETO, M. S. Porto de Santos: prospecção sobre as causas das dificuldades de acesso. Gestão e Produção, São Carlos, v. 23, n. 1, p. 219-231, 2016. Disponível em: . Acesso em: 02 mar. 2018. MULTITERMINAIS LOGÍSTICA INTEGRADA. Portos Marítimos, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2018. REDAÇÃO. Foram iniciadas as operações com navios de grande porte no Porto do Rio de Janeiro. Portal Marítimo, Rio de Janeiro, 2018. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2018. REDAÇÃO. Obras de expansão do Porto de Paranaguá vão gerar 300 empregos. O Petróleo, Madre de Deus, 2016. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2018. Leitura recomendada GUEIROS, H. O porto. Enciclopédia Aduaneira, São Paulo, 2016. Disponível em: . Acesso em: 14 fev. 2018. 17Operação de portos Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 17 05/03/2018 16:25:45 http://www.planalto.gov.br/Ccivil_03/_Ato2011-2014/2013/ http://www.brasil.gov.br/infraestrutura/2014/11/ http://www.scielo.br/pdf/gp/v23n1/0104-530X-gp-0104-530X1370-14. https://www.multiterminais.com.br/portos-maritimos http://portalmaritimo.com/2018/02/02/foram-iniciadas-as-operacoes-com-navios-de- http://www.opetroleo.com.br/ http://enciclopediaaduaneira.com.br/rascunho/ Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Cap_7_Logistica_Portuaria.indd 18 05/03/2018 16:25:45 Conteúdo: