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Curso: DIREITO 
Disciplina: DIREITO DAS FAMÍLIAS 
Professor: MAURO SERPA 
 
 
Prof.: MAURO SERPA 
D:\Usuários\Desktop\CEUB SUCESSÕES 2020 02\Sucessões 2020\apostilas sucessões 2020 2\1.0 DIREITO DAS 
SUCESSÕES.dotx 
DIREITO DAS SUCESSÕES 
No direito civil, o termo sucessão indica a transmissão de direitos, operada inter vivos ou 
mortis causa. No primeiro caso, implica a substituição ativa dos titulares de direitos, que se 
transmitem aos substitutos destes, por exemplo, a compra e venda, a sucessão na empresa, pela 
qual o adquirente desta passa a responder pelo ativo e passivo do vendedor. No segundo caso, ou 
mortis causa, denomina a transmissão de bens e direitos (herança) de uma pessoa falecida (de cujus) 
a outras, em virtude de lei ou de vontade expressa do morto1. É esta parte em especial o objeto 
do nosso estudo. 
Direito das Sucessões é a parte especial do Direito Civil que regula a destinação do 
patrimônio de uma pessoa depois de sua morte.2 Disciplina concisamente falando, os efeitos da 
morte de uma pessoa natural, na área do Direito.Privado. 
 
A transmissão da herança: 
A herança também pode ser chamada de monte ou espólio. 
A existência de pessoa natural termina com a morte. Verificado esse momento a sucessão 
está aberta. A sucessão abre-se no momento da morte do autor da herança, a propriedade e a 
posse dos bens transmite-se automaticamente aos herdeiros 3, ainda que ignorem o fato do 
falecimento, devendo-se, porém, sem esquecer do direito subjetivo, providenciar o inventário dos 
bens, para se verificar os valores transmitidos e o quinhão de cada herdeiro. 
É defeso em lei, ser objeto de contrato, herança de pessoa viva - PACTO CORVINA. Art. 
426 CC. 
 
 
1 Como morto não tem vontade, melhor dizer última manifestação de vontade. 
2 J. Binder, Derecho De Successiones, pág. 01, trad. de Berdejo 
3 Saisine - Princípio de origem francesa pelo qual os bens do de cujus se transmitem, imediatamente, aos herdeiros 
Curso: DIREITO 
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Da abertura da sucessão: 
 
Verificamos, em um primeiro momento, se o autor da herança tinha em vida domicílio 
certo, atendendo o disposto no art. 1.785 do CC e no 484 do CPC. . 
Abre-se a sucessão no lugar do último domicílio do falecido. De acordo com Orlando 
Gomes: 
"Interessa a determinação do lugar da abertura da sucessão, porque a lei o tem como 
condição de alguns efeitos. Por ele se determina a competência para processar o 
inventario dos bens deixados. Determina, igualmente, o foro as ações dos co-herdeiros, 
legatários e credores, relativas a herança e legados. Atos compreendidos no direito 
sucessório devem praticar-se onde se deu a abertura da sucessão. Tais como, entre outros, 
a renúncia e a abertura de testamento cerrado.5" 
No caso de vários domicílios conhecidos será competente o que primeiro conheceu do 
inventário, por prevenção, excluindo-se os demais. Não se conseguindo determinar um domicílio 
certo será competente o foro da situação dos bens. Quando os bens estiverem em locais diversos 
se estabelece a competência no lugar em que ocorreu o óbito (regra geral). 
A competência territorial para o processamento do inventário impõem um juízo universal 
para as demais ações relativas a herança. Algumas ações não são distribuídas por dependência ao 
inventário: investigação de paternidade cumulada com petição de herança, reconhecimento de 
crédito de credores, ações reais imobiliárias etc. 
A transmissão da posse no instante do falecimento está consagrado no princípio da “saisine” 
= (ideia de que a posse da herança se transmite incontinenti aos herdeiros). 
 
4 Art. 48. O foro de domicílio do autor da herança, no Brasil, é o competente para o inventário, a partilha, a arrecadação, o cumprimento de 
disposições de última vontade, a impugnação ou anulação de partilha extrajudicial e para todas as ações em que o espólio for réu, ainda que o óbito 
tenha ocorrido no estrangeiro. 
Parágrafo único. Se o autor da herança não possuía domicílio certo, é competente: 
I - o foro de situação dos bens imóveis; 
II - havendo bens imóveis em foros diferentes, qualquer destes; 
III - não havendo bens imóveis, o foro do local de qualquer dos bens do espólio. 
5 Orlando Gomes, Sucessões, 5ª edição, pág.16, Editora Forense. 
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Os herdeiros, se os bens encontrarem na posse de terceiros, detêm a qualidade de 
possuidores indiretos. Essa regra deve ser interpretada em conjunto com o art. 1.207 do CC: “O 
sucessor universal continua de direito a posse do seu antecessor;...” O herdeiro subroga-se no 
direito que o falecido desfrutava, no tocante à posse da herança. Se o falecido era titular de uma 
posse justa e de boa-fé o herdeiro adquire uma posse justa e de boa-fé. 
Da Comoriência: 
 
Acha-se o conceito de comoriência na regra do artigo 8o do Código Civil vigente: “Se dois 
ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos 
comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. 
Podemos exemplificar melhor a importância prática dessa regra legal em matéria sucessória: 
Num mesmo desastre morre um casal sem herdeiros necessários. Se o marido falece 
primeiro, recolherão a herança os herdeiros da mulher; se, ao inverso, foi esta quem sucumbiu 
antes, caberá a herança aos herdeiros do marido. Se impossível averiguar seguramente qual deles 
pré-morre, a sucessão de cada um deve ser regulada como se o comoriente jamais houvesse 
existido6. 
É a presunção de morte simultânea, de peculiar interesse no direito sucessório. 
Transmitem-se o domínio e a posse da herança no exato momento do óbito. Ocorrendo a morte 
de parentes sucessíveis, na mesma ocasião, e não sendo possível apurar-se a precedência, em 
situações como de naufrágio, incêndio, etc., orienta-se o nosso direito pelo critério da 
simultaneidade, de modo que cada falecido deixa a herança aos próprios herdeiros. 
 
6 Washington de Barros Monteiro em sua obra Curso de Direito Civil, Direito das Sucessões, 15ª edição 
 
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Havendo interesse sucessório entre essas pessoas, como no caso de serem marido e mulher, 
ou pais e filhos, sendo impossível determinar quem sucedeu ao outro, a transmissão das 
respectivas heranças se efetuará em favor dos herdeiros habilitados de cada um. Mais um exemplo: 
Falecem A e B, casados, sem deixar descendentes nem ascendentes. Um seria herdeiro do 
outro, se ocorrida a morte sucessiva. Mas se houve comoriência, como no caso de falecimento 
em desastre de avião, os bens que eram de A se transmitirão aos seus herdeiros colaterais, o mesmo 
se dando com relação aos bens deixados por B, mas em favor dos seus próprios parentes. 
Será diversa a solução, no entanto, se o direito hereditário dos sucessores decorrer da morte 
de qualquer um dos comorientes, seja qual for a ordem temporal, pois então não haverá dúvida 
quanto ao destinatário da transmissão dos bens. 
Imagine-se o falecimento simultâneo de A, viúvo, e de seu filho B, deixando os parentes C 
(filho de A) e D (filho de B e neto de A). O herdeiro D seria beneficiado da mesma forma, tanto 
no caso de pré-moriência de A (pois metade dos seus bens se transmitiria a B, e desteresultante da morte do cônjuge ou companheiro. 
 
 
Leia o acórdão. Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):REsp 1582178 
 
 
 Do quinhão a ser herdado pelo cônjuge/companheiro. 
 
 No caso do cônjuge/companheiro está sozinho na ordem da vocação hereditária, digo, inexistem 
ascendentes ou ascendentes vivos ou legitimados a suceder, o VIÚVO HERDARÁ TUDO 
INDEPENDENTE DO REGIME DE BENS DO EXTINTO CASAMENTO! 
 
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Observe que no heredograma acima o de cujus deixou vivos irmão, cônjuge, uma filha renunciante, 
um filho premoriente sem descendentes e um filho premoriente sem descendentes. O CÔNJUGE 
SOBREVIVO HERDOU TUDO 
 
Leia e estude: 
 
https://jus.com.br/artigos/74356/direito-real-de-habitacao-do-conjuge-sobrevivente 
 
https://juristas.com.br/2020/02/06/reconhecimento-do-direito-real-de-habitacao-pela-
comprovacao-da-inexistencia-de-outros-bens-imoveis-no-patrimonio-do-conjuge-sobrevivente/ 
 
https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/324986533/existe-direito-real-de-habitacao-
para-o-companheiro-sobrevivente-uniao-estavel 
 
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HERDA TUDO 
https://ww2.stj.jus.br/processo/pesquisa/?aplicacao=processos.ea&tipoPesquisa=tipoPesquisaGenerica&termo=REsp%201582178
https://jus.com.br/artigos/74356/direito-real-de-habitacao-do-conjuge-sobrevivente
https://juristas.com.br/2020/02/06/reconhecimento-do-direito-real-de-habitacao-pela-comprovacao-da-inexistencia-de-outros-bens-imoveis-no-patrimonio-do-conjuge-sobrevivente/
https://juristas.com.br/2020/02/06/reconhecimento-do-direito-real-de-habitacao-pela-comprovacao-da-inexistencia-de-outros-bens-imoveis-no-patrimonio-do-conjuge-sobrevivente/
https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/324986533/existe-direito-real-de-habitacao-para-o-companheiro-sobrevivente-uniao-estavel
https://draflaviaortega.jusbrasil.com.br/noticias/324986533/existe-direito-real-de-habitacao-para-o-companheiro-sobrevivente-uniao-estavel
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
 
Prof.: MAURO SERPA 
D:\Usuários\Desktop\Sucessões 2020\1.2 Sucessão dos colaterais.docx 
Sucessão dos colaterais 
Os colaterais são herdeiros legítimos, mas não são necessários. São herdeiros facultativos que podem 
ser afastados da sucessão legítima por livre determinação testamentária, sem justificativa alguma. 
Art. 1.839. Se não houver cônjuge sobrevivente, nas condições estabelecidas no art. 
1.830, serão chamados a suceder os colaterais até o quarto grau. 
Art. 1.840. Na classe dos colaterais, os mais próximos excluem os mais remotos, salvo o 
direito de representação concedido aos filhos de irmãos. 
Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos unilaterais, 
cada um destes herdará metade do que cada um daqueles herdar. 
Art. 1.842. Não concorrendo à herança irmão bilateral, herdarão, em partes iguais, os 
unilaterais. 
Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. 
§ 1 o Se concorrerem à herança somente filhos de irmãos falecidos, herdarão por cabeça. 
§ 2 o Se concorrem filhos de irmãos bilaterais com filhos de irmãos unilaterais, cada um 
destes herdará a metade do que herdar cada um daqueles. 
§ 3 o Se todos forem filhos de irmãos bilaterais, ou todos de irmãos unilaterais, herdarão 
por igual. 
Art. 1.844. Não sobrevivendo cônjuge, ou companheiro, nem parente algum sucessível, 
ou tendo eles renunciado a herança, esta se devolve ao Município ou ao Distrito 
Federal, se localizada nas respectivas circunscrições, ou à União, quando situada em 
território federal. 
Não havendo descendentes, ascendentes nem cônjuge ou companheiro supérstite serão chamados a 
suceder os colaterais. 
O CC vigente limitou a sucessão aos colaterais apenas até o quarto grau parental. O CC/16 permitia 
até o sexto grau, por isso a importância do Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei 
vigente ao tempo da abertura daquela. Desta forma a data do óbito determinará o final do grau parental 
legitimado a suceder. Até 10/01/2003, início da vigência do CC/02 usaremos o prescrito no CC/16, 
legitimando até o sexto grau na colateralidade, data da morte igual ou posterior a 11/01/2003 uso do CC/02. 
Contudo, não podemos esquecer, que os mais próximos excluem os mais remotos. Os colaterais são 
chamados na seguinte ordem: 
1. IRMÃO E SOBRINHO: Há exceção permitindo o direito de representação em favor dos 
filhos dos irmãos premoriente. 
Art. 1.851. Dá-se o direito de representação, quando a lei chama certos parentes do 
falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse. 
Art. 1.852. O direito de representação dá-se na linha reta descendente, mas nunca na 
ascendente. 
Art. 1.853. Na linha transversal, somente se dá o direito de representação em favor 
dos filhos de irmãos do falecido, quando com irmãos deste concorrerem. 
 
2. SOBRINHO: mesmo estando tio e sobrinho na colateralidade de terceiro grau, o sobrinho 
tem preferência ao tio. A lei assim determinou por entender que são mais “chegados” que 
os tios. 
Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. 
 
3. TIOS 
 
4. SOBRINHO NETO, TIO AVÔ E PRIMO, aqui não há preferência, todos dividem 
igualmente o valor deixado pelo morto. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art1830
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art1830
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
 
Prof.: MAURO SERPA 
D:\Usuários\Desktop\Sucessões 2020\1.2 Sucessão dos colaterais.docx 
 
Do quinhão a ser partilhado e por qual direito de herdar. 
 
IRMÃO: Quando todos forem filhos do mesmo pai e mesma mãe herdam por direito próprio e 
recebem por cabeça. 
 
 
 
 
 
 
IRMÃO E SOBRINHO: Há exceção permitindo o direito de representação em favor dos filhos 
dos irmãos premoriente. Os irmãos herdam por direito próprio e recebem por cabeça e os sobrinhos herdam 
por direito de representação e recebem por estirpe. 
 
Art. 1.851. Dá-se o direito de representação, quando a lei chama certos parentes do 
falecido a suceder em todos os direitos, em que ele sucederia, se vivo fosse. 
Art. 1.852. O direito de representação dá-se na linha reta descendente, mas nunca na 
ascendente. 
Art. 1.853. Na linha transversal, somente se dá o direito de representação em favor dos 
filhos de irmãos do falecido, quando com irmãos deste concorrerem. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Observe que no heredograma acima os filhos do irmão falecido (sobrinhos do morto) representam 
a mãe, irmã premoriente do autor da herança. Esse direito de representação é a exceção à regra de que só 
existe direito de representação na descendência. Contudo a representação termina por ai!!! Ela não segue aos 
filhos do sobrinho. Observe: 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Representação exclusiva para FILHOS de irmão premoriente do falecido, não é representação para 
os DESCENDENTES de irmão premoriente do falecido. 
 
 
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Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
 
Prof.: MAURO SERPA 
D:\Usuários\Desktop\Sucessões 2020\1.2 Sucessão dos colaterais.docx 
 
 
SOBRINHO: mesmo estando tio e sobrinho na colateralidade de terceiro grau, o sobrinho tem 
preferência ao tio. A lei assim determinou por entender que são mais “chegados” que os tios. Os sobrinhos 
herdam por direito próprio e recebem por cabeça. Dividindo a herança por igual 
 
Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TIOS. Na ausência de sobrinhos os tios serão chamados a herdar. Herdam por direito próprio e 
recebem por cabeça, dividindo a herança por igual.$ 
 
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Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
 
Prof.: MAURO SERPA 
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SOBRINHO NETO, TIO AVÔ E PRIMO, aqui não há preferência, todos os colaterais de 
quarto grau, dividem igualmente o valor deixado pelo morto, herdam por direito próprio e recebem por 
cabeça. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sucessão entre irmãos bilaterais e unilaterais 
 
Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos unilaterais, 
cada um destes herdará metade do que cada um daqueles herdar. 
Art. 1.842. Não concorrendo à herança irmão bilateral, herdarão, em partes iguais, os 
unilaterais. 
Art. 1.843. Na falta de irmãos, herdarão os filhos destes e, não os havendo, os tios. 
§ 1 o Se concorrerem à herança somente filhos de irmãos falecidos, herdarão por cabeça. 
§ 2 o Se concorrem filhos de irmãos bilaterais com filhos de irmãos unilaterais, cada um 
destes herdará a metade do que herdar cada um daqueles. 
§ 3 o Se todos forem filhos de irmãos bilaterais, ou todos de irmãos unilaterais, herdarão 
por igual. 
 
Os irmãos podem ser bilaterais (ou germanos) e unilaterais. Irmãos bilaterais são os filhos da mesma 
mãe e mesmo pai. Irmãos unilaterais são os que têm o mesmo pai e mães diferentes, ou a mesma mãe e 
diversos pais. O ordenamento civil vigente, acompanhou solução semelhante as que adotam os códigos 
francês, português, italiano, espanhol e argentino. Diz o artigo 1.841 do Código Civil: “Concorrendo à 
herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos unilaterais, cada um destes herdará metade do que cada 
um daqueles herdar”. O CC/16 também usava essa regra. 
 
Desta forma, morrendo alguém e deixando três irmãos, sendo que dois são bilaterais e o terceiro é 
unilateral, a partilha vai ser desigual. 
 
A solução mais prática a ser usada e dobrar as cotas do bilaterais. Será muito mais fácil que dividir 
ao meio as cotas dos unilaterais. Para não errar na solução vale usar a álgebra e a famosa regra de três. Desta 
sorte, observe pensamento de Antônio Gomes coadunado por mim. 
 
 
 
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Já escutei o argumento de que este artigo 1.841 viola o princípio da igualdade, pelo 
que seria inconstitucional. Bobagem! Primeiro, porque não existe entre irmãos esse 
princípio. Segundo, porque, no caso, nem há igualdade, mas desigualdade, e a lei está 
tratando desigualmente os desiguais, na medida em que se desigualam. O irmão bilateral 
herda uma porção maior porque é parente por uma dupla linha. O irmão bilateral é irmão 
duas vezes. Por essa razão, plenamente procedente, o irmão bilateral deve receber quota 
hereditária dobrada da que couber ao irmão unilateral, ou meio-irmão. 
Relembre-se que os colaterais não são herdeiros necessários. Esses herdeiros 
necessários, ou reservatários, ou obrigatórios, são os descendentes, os ascendentes e o 
cônjuge. Quem tiver esses parentes em linha reta, ou cônjuge, só pode dispor, por 
testamento, da metade de seus bens, pois a outra metade é a legítima desses herdeiros. Os 
colaterais, todavia, são herdeiros legítimos, mas não são necessários, e o titular dos bens 
pode, por testamento, dispor de tudo o que possuir, deixar o seu patrimônio para quem 
quiser, afastando os colaterais de sua sucessão. Neste sentido, edita o artigo 1.850 do 
Código Civil: “Para excluir da sucessão os herdeiros colaterais, basta que o testador 
disponha de seu patrimônio sem os contemplar”. 1 
 
No heredograma seguinte o morto deixou quatro irmãos vivos. Um dos irmãos vivos é filho do 
mesmo pai e da mesma mãe que o autor da herança, já os outros três são filhos apenas da mesma mãe do 
autor da herança. Comece a calcular a cota de cada herdeiro com o seguinte pensamento: Aos irmãos 
bilaterais acresça o número dois e aos unilaterais acresça o número um. Agora some os números escritos. 
Somou e deu 5! Use esse número como denominador de fração onde o primeiro número é o numerador. 
 
 
 
 
 
 
 
Explicando melhor, agora com valores. O morto deixou patrimônio de R$ 500.000,00 e quatro 
irmãos vivos. Um dos irmãos vivos é filho do mesmo pai e da mesma mãe que o autor da herança, já os 
outros três são filhos apenas da mesma mãe do autor da herança. Comece a calcular a cota de cada herdeiro 
com o seguinte pensamento: Represente os irmãos como X. A cada irmão bilateral atribua 2X e para cada 
irmão unilateral apenas 1X. 
 
 
 
 
 
Agora calcule o valor de X: 
 2X + X + X + X = 500.000,00 
 5X = 500.000,00 
 X = 100.000,00 (Valor que cada irmão unilateral receberá) 
 2X = 200.000,00 (Valor que cada irmão bilateral receberá) 
 
Os irmãos herdam por direito próprio e recebem por determinação legal (de acordo com o que 
determina a lei no Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos unilaterais, 
cada um destes herdará metade do que cada um daqueles herdar). 
 
 
1 GOMES, Antônio. Disponivel em:https://jus.com.br/duvidas/345089/irmaos-bilateral-e-unilateral/ Acessado em : 26 mar 
2020 
 
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500.000,00 
2X 
 
 X 
 
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https://jus.com.br/duvidas/345089/irmaos-bilateral-e-unilateral/
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Prof.: MAURO SERPA 
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Em relação aos sobrinhos, filho de irmão bilateral ou filho de irmão unilateral, o pensamento será 
o mesmo, mas fica mais fácil calcular primeiro o valor que seria recebido pelos irmãos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 200.00,00/2=100.000,00 100.000,00/2=50.000,00 
 
 
Os irmãos herdam por direito próprio e recebem por determinação legal (de acordo com o que 
determina a lei no Art. 1.841. Concorrendo à herança do falecido irmãos bilaterais com irmãos unilaterais, 
cada um destes herdará metade do que cada um daqueles herdar). Os sobrinhos herdam por direito de 
representação e recebem por estirpe. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
X 
 
 
X 
X= 100.000,00 2X=200.000,00 
500.000,00 
X/2 
 
 
X/2 2X/2 
 
 
2X/2 
 
 
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
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COMORIÊNCIA 
 
Acha-se o conceito de comoriência na regra do artigo 8o do Novo Código Civil: 
“Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar 
se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente 
mortos”. 
 
É a presunção de morte simultânea, de peculiar interesse no direito sucessório. Transmitem-se o 
domínio e a posse da herança no exato momento do óbito. Ocorrendo a morte de parentes sucessíveis, na 
mesma ocasião, e não sendo possível apurar-se a precedência, em situações como de naufrágio, incêndio, 
etc., orienta-se o nosso direito pelo critério da simultaneidade, de modo que cada falecido deixa a herança 
aos próprios herdeiros. 
 
Havendo interesse sucessório entre essas pessoas, como no caso de serem marido e mulher, ou pais 
e filhos, sendo impossível determinar quem sucedeu ao outro, a transmissão das respectivas heranças se 
efetuará em favor dos herdeiros habilitados de cada um. 
Exemplo: Falecem A e B, casados, sem deixar descendentes nem ascendentes. Um 
seria herdeiro do outro, se ocorrida a morte sucessiva. Mas se houve comoriência, 
como no caso de falecimento em desastre deavião, os bens que eram de A se 
transmitirão aos seus herdeiros colaterais, o mesmo se dando com relação aos bens 
deixados por B, mas em favor dos seus próprios parentes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A B 
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Será diversa a solução, no entanto, se o direito hereditário dos sucessores decorrer da morte de 
qualquer um dos comorientes, seja qual for a ordem temporal, pois então não haverá dúvida quanto ao 
destinatário da transmissão dos bens. 
 
Imagine-se o falecimento simultâneo de A, viúvo, e de seu filho B, deixando os parentes C (filho 
de A) e D (filho de B e neto de A). O herdeiro D seria beneficiado da mesma forma, tanto no caso de pré-
moriência de A (pois metade dos seus bens se transmitiria a B, e deste a D), como na situação inversa, de 
falecimento anterior de B (D sucederia por representação). Em nenhuma hipótese haveria sucessão 
exclusiva por parte de C (que teria só direito à metade da herança), de sorte que irrelevante a verificação de 
comoriência, na espécie, para fins sucessórios. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A matéria é evidentemente de conteúdo fático, exigindo prova judicial. Todavia, “a comoriência 
pode ser afirmada no próprio inventário se há dados de fato disponíveis e seguros para tanto, sem 
necessidade de remessa da controvérsia para as vias ordinárias” (ac. un. da 2a Turma do STF, de 2-6-81, 
no Agr. 81.223-7-MG, rel. Min. Décio Meireles de Miranda _ RT _ 552/227). 
 
Subsistindo dúvida, prevalece a presunção legal de comoriência, só afastável por prova inequívoca 
(ac. un. da 4a Câm. Civil do TJSP, na ap. 104.441-1, j. em 27-8-88 _ RT _ 639/62). 
 
Assim, em caso de pagamento de seguro, “é preciso que o beneficiário exista ao tempo do sinistro. 
Se falece no mesmo momento que o contraente do seguro de vida, recebem a prestação os sucessores desse”. 
 
 
 
 
 
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A 
 
 
B 
D 
C 
 
 
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Dos Herdeiros Necessários 
e do Direito de Representação 
 
 
CAPÍTULO II 
Dos Herdeiros Necessários 
 
Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os 
ascendentes e o cônjuge. 
Art. 1.846. Pertence aos herdeiros necessários, de pleno direito, 
a metade dos bens da herança, constituindo a legítima. 
Art. 1.847. Calcula-se a legítima sobre o valor dos bens 
existentes na abertura da sucessão, abatidas as dívidas e as despesas 
do funeral, adicionando-se, em seguida, o valor dos bens sujeitos a 
colação. 
Art. 1.848. Salvo se houver justa causa, declarada no 
testamento, não pode o testador estabelecer cláusula de 
inalienabilidade, impenhorabilidade, e de incomunicabilidade, sobre os 
bens da legítima. 
§ 1 o Não é permitido ao testador estabelecer a conversão 
dos bens da legítima em outros de espécie diversa. 
§ 2 o Mediante autorização judicial e havendo justa causa, 
podem ser alienados os bens gravados, convertendo-se o 
produto em outros bens, que ficarão sub-rogados nos ônus dos 
primeiros. 
Art. 1.849. O herdeiro necessário, a quem o testador deixar a 
sua parte disponível, ou algum legado, não perderá o direito à legítima. 
Art. 1.850. Para excluir da sucessão os herdeiros colaterais, 
basta que o testador disponha de seu patrimônio sem os contemplar. 
 
CAPÍTULO III 
Do Direito de Representação 
 
Art. 1.851. Dá-se o direito de representação, quando a lei chama 
certos parentes do falecido a suceder em todos os direitos, em que ele 
sucederia, se vivo fosse. 
Art. 1.852. O direito de representação dá-se na linha reta 
descendente, mas nunca na ascendente. 
Art. 1.853. Na linha transversal, somente se dá o direito de 
representação em favor dos filhos de irmãos do falecido, quando com 
irmãos deste concorrerem. 
Art. 1.854. Os representantes só podem herdar, como tais, o que 
herdaria o representado, se vivo fosse. 
Art. 1.855. O quinhão do representado partir-se-á por igual entre 
os representantes. 
Art. 1.856. O renunciante à herança de uma pessoa poderá 
representá-la na sucessão de outra. 
 
 A qualidade de herdeiro (legítimo, necessário, facultativo, testamentário ou legatário) 
já foi estudada em aulas anteriores. 
 A discussão que paira na jurisprudência atual é a possibilidade de o companheiro ser, ou 
não ser, herdeiro necessário depois de declarada a inconstitucionalidade do artigo 1790 do 
CC/02. Não é uníssona a resposta doutrinária. Várias correntes podem ser usadas em casos 
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concretos, desta forma, ainda não há posicionamento majoritário que responda a dúvida. 
Observe: 
Flávio Tartuce: 
Assim, em arremate final, por todos os posicionamentos expostos, 
sejam doutrinários e jurisprudenciais, não restam dúvidas de que, 
com a decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a 
inconstitucionalidade do art. 1.790 do Código Civil, o convivente foi 
alçado à condição de herdeiro necessário, mesmo não estando 
expressamente prevista no rol do art. 1.845 a própria codificação 
material. O julgamento da nossa Corte Máxima não traz dúvidas 
quanto a isso, mesmo em relação aos que antes eram céticos quanto 
a tal afirmação doutrinária, caso deste autor. Neste momento, é 
necessário saber interpretar o entendimento do STF, mesmo que à 
custa de posições doutrinárias anteriores, sempre em prol da 
socialidade e da efetividade do Direito Civil.1 
 
Rodrigo da Cunha Pereira, citando o Ministro Fachin: 
Uma das base de sustentação da corrente interpretativa do (a) 
companheiro (a) como herdeiro necessário está na decisão do 
julgamento de inconstitucionalidade do artigo 1790 do Código Civil, 
que fazia diferenciação na herança legitima entre cônjuge e 
companheiro e que teria atingido também o conteúdo do artigo 1845 
que estabelece quem é herdeiro necessário. Mas isto não seria 
possível, pois o rol dos herdeiros necessários é taxativo, e portanto 
não se pode dar interpretação que amplie a norma restritiva. E além 
disto, o STF não disse isto. Ao contrário, como se depreende do voto 
do ministro Edson Fachin, que bem traduziu o espirito da lei: “Na 
sucessão, a liberdade patrimonial dos conviventes já e assegurada 
com o não reconhecimento do companheiro como herdeiro 
necessário, podendo-se afastar os efeitos sucessórios por 
testamento. Prestigiar a maior liberdade na conjugalidade informal 
não é atribuir, a priori, menos direitos ou direitos diferentes do 
casamento, mas, sim, oferecer a possibilidade de, voluntariamente, 
excluir os efeitos sucessórios”. (RE 646.724, Ministro Edson Fachin, 
p. 57).2 
 
 
 
1 TARTUCE, Flávio. O companheiro como herdeiro necessário. Site Migalhas: Família e Sucessões. Artigo de quarta-
feira, 25 de julho de 2018. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/coluna/familia-e-sucessoes/284319/o-
companheiro-como-herdeiro-necessario Acesso em: 31 mar 2020. 
2 PEREIRA, Rodrigo da Cunha. Companheiros são herdeiros necessários ou facultativos? Site Conjur: Processo Familiar. 
Artigo de 30 de setembro de 2018. Disponível em: https://www.conjur.com.br/2018-set-30/processo-familiar-
companheiros-sao-herdeiros-necessarios-ou-facultativos. Acesso em: 31 mar 2020. 
 
https://www.migalhas.com.br/coluna/familia-e-sucessoes/284319/o-companheiro-como-herdeiro-necessario
https://www.migalhas.com.br/coluna/familia-e-sucessoes/284319/o-companheiro-como-herdeiro-necessario
https://www.conjur.com.br/2018-set-30/processo-familiar-companheiros-sao-herdeiros-necessarios-ou-facultativos
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DA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA 
CC Arts. 1.857 a 1.990 
 
 Introdução: - Manifesta-se a sucessão testamentária através de ato de 
última vontade: pelo testamento ou codicilo. 
 O testamento é ato de última vontade, pois através desse ato o autor da 
herança dispõe de seus bens para depois da morte e faz outras disposições. 
 A pessoa tem a liberdade de testar, pois a lei assim lhe assegura; mas, essa 
liberdade fica limitada pelos direitos dos herdeiros necessários. Existindo herdeiros necessários 
(descendentes, ascendentes ou cônjuge), o testador só pode dispor DA METADE de seus bens, 
porque a outra metade é a LEGÍTIMA ou RESERVA daqueles herdeiros necessários, que a ela têm 
direito, exceto nos casos de deserdação ou indignidade. 
 A manifestação de vontade pode ocorrer por meio de: 
1. Formas ordinárias de testar: testamento público, testamento cerrado e testamento particular. 
2. Formas especiais: testamentos marítimo, aeronáutico e militar. 
 De acordo com o art. 1.887 do CC não se admitem outros testamentos 
especiais além dos contemplados nesse dispositivo. O mesmo argumento pode ser utilizado aos 
testamentos ordinários. 
 A lei proíbe o testamento conjuntivo, segundo a regra do art. 1.863 do CC. 
 O testamento conjuntivo, conforme Sílvio Rodrigues, 
“é aquele em que duas pessoas, mediante um só instrumento, e, portanto, por um mesmo ato de 
última vontade, dispõem de seus bens. O testamento conjuntivo é: simultâneo, quando os 
testadores dispõem em benefício de terceiros; recíproco, quando os testadores se instituem um 
ao outro, de modo que o sobrevivente recolha a herança do outro; correspectivo, quando o 
benefício outorgado por um dos testadores, ao outro, retribui vantagem correspondente” (“Direito 
Civil”, vol. 7:157). 
 Conceito: - Maria Helena Diniz conceitua : 
“Testamento é ato revogável pelo qual alguém, de conformidade com a lei, não só dispõe, para 
depois de sua morte, no todo ou em parte (CC , art. 1.857 “caput”), do seu patrimônio, mas 
também faz estipulações extrapatrimoniais, tais como: reconhecimento de filhos naturais (CC , 
art. 1.609, III); nomeação de tutor para o filho menor ou neto (CC , arts. 1.634, IV , e 1.729, 
parágrafo único); permissão ao filho órfão para convolar núpcias com o tutor (CC , art. 1.523, 
IV), reabilitação de indigno (CC , art. 1.818) ; deserdação de herdeiro (CC , art. 1.964) .... “ 
(“Curso de Direito Civil Brasileiro” , vol. 6:134). 
 Para Sílvio Rodrigues: 
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“Assim, o testamento é negócio jurídico unilateral em que o seu autor faz disposição da totalidade 
de seus bens, ou de parte deles, para depois de sua morte. No entanto, são válidas as 
disposições testamentárias de caráter não patrimonial, ainda que o testador somente a elas se 
tenha limitado (p. ex.: o testamento feito, exclusivamente, para reconhecer um filho)” . (ob.cit., p. 
1460.) 
 
 Características do testamento 
 
É UNILATERAL – somente o testador pode fazer o testamento. Reclama-se a presença do testador, 
não de admitindo a interferência de mandatário ou procurador. 
É PERSONALÍSSIMO - conforme art. 1.858, 1ª parte do CC. 
É NEGÓCIO SOLENTE – a lei exige forma extremamente rígida para a sua validade. 
É GRATUITO – o testador não procura obter qualquer vantagem. 
É REVOGÁVEL – conforme parte final do art. 1.858: “.podendo ser mudado a qualquer tempo”. 
É ATO QUE SÓ PRODUZ EFEITOS “CAUSA MORTIS” – só depois da morte do autor da herança, 
isto é, do testador, é que o ato vai produzir efeitos. 
 
 Capacidade de Testar: - Para a validade do testamento, necessário que o 
testador tenha capacidade testamentária. 
 A capacidade testamentária ativa constitui a regra e a incapacidade a 
exceção. Excluindo as pessoas que a lei expressamente proíbe, todas as demais podem fazer 
testamento válido. Os maiores de 16 anos podem fazer testamento (art. 1.860, parágrafo único do 
CC). Mas, desde que não estejam comprometidos mentalmente. Só não podem testar as pessoas que 
se enquadram no art. 1.860 do Código Civil: “Além dos incapazes, não podem testar os que, no ato de 
fazê-lo, não tiverem pleno discernimento”. 
 Para Sílvio Rodrigues: 
“O pródigo, por exemplo, após a sua interdição, só está privado de, sem curador, praticar atos 
que possam comprometer o seu patrimônio, conduzindo-o a um empobrecimento, e que estão 
enumerados no art. 1.782 do Código Civil, o qual não menciona o testamento. O pródigo interdito 
pode fazer testamento” (ob. cit., p. 150). 
 A avaliação da capacidade de testar deve ser feita no momento em que o 
testamento é feito, porque de acordo com o art. 1.861 do CC: “A incapacidade superveniente do 
testador não invalida o testamento, nem o testamento do incapaz se valida com a superveniência da 
capacidade”. 
 A respeito do art. 1.861 do CC ensina Sílvio Rodrigues: 
“Assim, se o testador, após a feitura de seu testamento, foi vítima de moléstia que lhe roubou a 
razão, seu testamento continua válido e eficaz, não podendo ser descumprido com base na 
incapacidade posterior. Se, por outro lado, um menor de 16 anos faz testamento e morre oitenta 
anos depois, nem por isso seu testamento que era nulo, chega a convalescer. O argumento de 
que o testador o queria ver cumprido, tanto que o não revogou durante sua longa vida, é 
improcedente, pois o ato nulo não convalesce com o transcurso do tempo”. (ob. cit., p. 151). 
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 A capacidade testamentária passiva é a capacidade para adquirir por 
testamento. A regra é a capacidade e a exceção é a incapacidade. 
 Pode ocorrer a incapacidade ABSOLUTA ou a incapacidade RELATIVA. 
 Incapacidade ABSOLUTA: - o indivíduo não concebido até a morte do 
testador. É possível, porém, contemplar a prole eventual de pessoas designadas pelo testador (CC 
Art. 1.799, I). Vale a disposição testamentária nesse caso, mas sua eficácia fica na dependência de 
que o herdeiro seja concebido e nasça com vida, observando-se o prazo do art. 1.800, parágrafo 4º do 
CC: “Se, decorridos dois anos após a abertura da sucessão, não for concebido o herdeiro esperado, 
os bens reservados, salvo disposição em contrário do testador, caberão aos herdeiros legítimos”. 
 Incapacidade RELATIVA: - os casos estão previstos no art. 1.801 do Código 
Civil 
 Impugnação do testamento: - O art. 1.859 do CC determina que: “Extingue-
se em cinco anos o direito de impugnar a validade do testamento, contado o prazo da data do seu 
registro”. O registro do testamento, após a morte do testador, será feito por mandado do juiz, de acordo 
com as regras processuais 
 A impugnação é o pedido de declaração de nulidade ou requerer a anulação 
do testamento. O testamento como todo negócio jurídico pode ser anulado por vício do consentimento: 
erro, dolo ou coação. 
 Uma vez decorrido o prazo de 5 anos sem qualquer impugnação não há 
mais como atacar o testamento. 
 
 FORMAS DE TESTAMENTO 
 
Formas ordinárias: 
 
I – Testamento público 
II – Testamento cerrado; 
III – Testamento particular 
 
Formas especiais: 
 
I – Testamento marítimo; 
II – Testamento aeronáutico; 
III – Testamento militar (art. 1.886 do CC) 
 
Formas ordinárias: 
 
 Testamento público: - é o testamento feito perante o tabelião. Os requisitos 
estão previstos no art. 1.864 do Código Civil. 
 No caso de testamento público, todos os requisitos são essenciais, de 
forma que a falta de cumprimento ou a não observância implica nulidade do ato, conforme art. 166, V, 
do CC. 
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Vantagens do testamento público: - fica registrado em cartório e por ser feito por um tabelião, o 
instrumento em regra, não apresenta vícios. 
Desvantagem: - a publicidade. 
 
 Testamento cerrado: - também chamado de secreto ou místico, porque 
geralmente só o testador conhece o seu teor. As regras desse testamento estão previstas nos artigos 
1.868 a 1.875 do Código Civil. Uma vez aprovado, o testamento cerrado será entregue ao testador. O 
cumprimento do testamento cerrado deve obedecer as do Código de Processo Civil. 
Vantagem: - é secreto (só o testador conhece o seu conteúdo) 
Desvantagem: extravio; e se apresentar aberto ou dilacerado pode resultar em revogação (cf. art. 
1.972 do CC) 
 Testamento particular: - também chamado de hológrafo. Pode ser escrito 
de próprio punho ou através de processo mecânico 
 De próprio punho – requisitos do parágrafo 1º, do art. 1.876. 
 Processo mecânico – requisitos do parágrafo 2º do art. 1.876. 
 Com a morte do testador, publica-se em juízo o testamento, com citação 
dos herdeiros legítimos. Com a presença dos herdeiros ou à sua revelia, depois de devidamente 
citados, as testemunhas serão ouvidas e, se, pelo menos uma delas confirmar a autenticidade do 
instrumento, o juiz mandará cumprir o testamento 
 Na seção do testamento particular, o CC trouxe uma inovação. Artigo 1.879: 
“Em circunstâncias excepcionais declaradas na cédula, o testamento particular de próprio punho e 
assinado pelo testador, sem testemunhas, poderá ser confirmado, a critério do juiz”. 
 Essa forma somente pode ser utilizada em circunstâncias excepcionais, 
como na hipótese de o testador encontrar-se em iminente risco de vida, ou em caso de calamidade. O 
testador escreve de próprio punho a disposição de última vontade, não havendo necessidade de 
testemunhas. 
 Regras para a confirmação e a execução do testamento particular estão no 
Código de Processo Civil. 
Vantagem: desnecessidade da presença do tabelião. 
Desvantagem: extravio; também não há qualquer registro em cartório. Se o testamento não for 
encontrado não se pode cumpri-lo. 
 
 
 
 
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Formas especiais: 
 
 Testamento marítimo e testamento aeronáutico: - o primeiro (testamento 
marítimo) é permitido a pessoa que se encontra em viagem, a bordo de navio nacional, mercante, ou 
de guerra, e que tenha receio de morrer na viagem, sem deixar testamento (CC Art. 1.888); o segundo 
(testamento aeronáutico é permitido a pessoa que se encontra em viagem, a bordo de aeronave militar 
ou comercial (CC , art. 1.889). 
 Regras de ambos os testamentos – artigos 1.888 a 1.892 do Código Civil. 
O testamento marítimo ou aeronáutico ficara sob a guarda do comandante, 
que o entregara as autoridades administrativas do primeiro porto ou aeroporto nacional, contra recibo 
averbado no diário de bordo. Assim, o juiz determina que se faça um testamento quando chegar em 
lugar seguro para testar na forma ordinária, tem 90 dias (contados da chegada em terra) para fazer o 
testamento ordinário. O testamento poderá caducar se o testador não morrer na viagem ou o fizer a 
bordo de aeronave aportada em local onde se possa testar nas formas ordinárias. 
 Testamento militar: - de acordo com Maria Helena Diniz: 
“É a declaração de última vontade feita por militares e demais pessoas (médicos, repórteres, 
engenheiros, telegrafistas, capelães) a serviço das Forças Armadas em campanha, dentro ou 
fora do país, ou em praça sitiada ou com as comunicações interrompidas, não havendo tabelião 
ou seu representante legal (CC, art. 1.893 (“Curso de Direito Civil Brasileiro”, vol. 6:169)). 
 
O testamento militar apresenta-se de três formas: 
1ª - Parecido com o testamento público, aqueles dos parágrafos 1º, 2º e 3º, do art. 1.893 do CC: 
1.1 - Parágrafo 1º - Escrito pelo comandante perante duas ou três testemunhas; 
1.2 – Parágrafo 2º - Escrito pelo oficial de saúde ou pelo diretor do estabelecimento, quando o 
testador estiver em tratamento no hospital; 
1.3 – Parágrafo 3º - Quando o testador for o oficial mais graduado, o testamento será escrito por 
aquele que o substituir. 
2ª - Semelhante ao testamento particular ou cerrado, previsto no art. 1.894 e seu parágrafo único – 
Quando o testador souber escrever e faz o testamento de próprio punho, datando e assinando e 
apresentando aberto ou cerrado, na presença de duas testemunhas ao auditor ou ao oficial de patente 
que lhe faça as vezes neste mister. O auditor ou oficial que receber o testamento, marcará ou colocará 
um sinal em qualquer parte do instrumento o lugar, dia, mês e ano em que lhe for apresentado, e essa 
nota será por ele assinada e pelas testemunhas. 
3ª - A forma nuncupativa, prevista no art. 1.896 do Código Civil – O testamento feito em viva voz pelo 
militar ou pessoa em combate ou ferida no campo de batalha, que apresentam a sua última vontade 
verbalmente a duas testemunhas. Essas testemunhas escreverão o testamento e apresentarão ao 
auditor. Se o não falecer na guerra e convalescer do ferimento, o testamento não terá efeito (CC, art. 
1.896, parágrafo único). 
 
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CODICILOS 
 
 Através do codicilo a pessoa capaz faz disposições especiais e de pequeno 
valor. É também ato de última vontade, mas muito limitado e restrito. O autor do codicilo determina 
providências a respeito de seu enterro, sobre esmolas de pouca monta a certas e determinadas 
pessoas, ou indeterminadamente aos pobres de certo lugar; pode ainda legar móveis, roupas ou jóias 
de pouco valor, de seu uso pessoal. 
Através do codicilo NÃO SE PODE: legar imóveis, deserdar herdeiros ou 
fazer disposição patrimonial de valor considerável. 
 A pessoa que faz o codicilo deve saber ler e escrever, pois esse instrumento 
é escrito, datado e assinado pelo disponente; não se admite que seja escrito ou assinado a rogo. O 
art. 1.885 do CC permite ao autor do codicilo fechá-lo, da mesma forma do testamento cerrado. 
 Com o falecimento do autor do codicilo sua abertura será feita do mesmo 
modo que o testamento cerrado. 
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testamentária.docx 
DAS SUBSTITUIÇÕES 
Pode-se afirmar que testamento é manifestação de vontade, com efeito pós 
morte, onde duas intenções estão bem definidas: uma é deixar “algo” a alguém e outra 
e retirar “algo” da legítima, negando tal coisa aos herdeiros necessários. 
Qual das duas intenções é a mais importante? Não há resposta! 
Caso a intenção primordial seja a retirada “desse algo” da legítima dos herdeiros 
necessários, pode o testador, com receio de que a deixa testamentária caduque, 
nomear substituto ao herdeiro testamentário universal ou ao legatário, também 
nomeado de herdeiro testamentário singular. De acordo com Tauã Lima Verdan, “em 
se tratando de sucessão testamentária, a vontade do de cujus terá o condão de determinar o caminho 
que os seus bens observarão”1 
Ao redigir o testamento, pode o testador fazer constar dele que, na falta do 
herdeiro ou legatário instituído, seja ele substituído por outrem. A substituição, 
portanto, acontece quando o herdeiro ou legatário não pode ou não quer aceitar o 
bem, presumindo-se, como determina o CC, que a substituição foi determinada para 
as duas alternativas, ainda que o testador só a uma se refira. O substituto só terá 
direito ao legado ou herança se o substituído não puder ou não quiser a liberalidade,logo, em havendo a aceitação, restará fulminada a pretensão do substituto. 
Art. 1.947. O testador pode substituir outra pessoa ao herdeiro ou ao legatário 
nomeado, para o caso de um ou outro não querer ou não poder aceitar a herança 
ou o legado, presumindo-se que a substituição foi determinada para as duas 
alternativas, ainda que o testador só a uma se refira. 
Deste modo, há uma dependência da ocorrência de evento futuro e incerto 
que, segundo Diniz, “o não recolhimento da herança pelo substituído só atua se o substituído 
(primeiro instituído) não quiser ou não puder recolher a herança ou o legado, que, então, passará ao 
substituto (segundo instituído) ”2 
O substituído deve ter capacidade para ser instituído em primeiro grau, 
devendo, por necessário, ser aferida tal capacidade quando da abertura da sucessão. 
O substituto, suplente herdeiro ou legatário, sucede no lugar do instituído em 
primeiro lugar, nas mesmas condições referidas. Observe a disposição legal: 
 
1 VERDAN, Tauã Lima. O Instituto do Testamento: Análise do Tema sob a Ótica do Diploma Civilista. Jurid 
Publicações Eletrônicas, Bauru, 15 mar. 2012. Disponível em: . 
2 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito das Sucessões, vol. 06. 24ª ed. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2010, p. 356. 
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testamentária.docx 
Art. 1.949. O substituto fica sujeito à condição ou encargo imposto ao 
substituído, quando não for diversa a intenção manifestada pelo testador, ou não 
resultar outra coisa da natureza da condição ou do encargo. 
A substituição é considerada como uma instituição condicional, entretanto, há 
a possibilidade de ser subordinada a outra condição, ou ainda a um termo ou encargo. 
Ao substituto incumbirá o cumprimento do encargo ou da condição, ressalvada a 
hipótese de ter o testador disposto de forma diversa ou, ainda, se resultar o contrário 
da condição ou do termo. Quando a condição for considerada personalíssima, não 
será possível efetuar a transmissão a outrem, ressalvada a hipótese de o testador assim 
determinar em seu ato de última vontade. 
O CC admite três espécies de substituição testamentária: a vulgar, também 
denominada de ordinária, cuja previsão encontra-se disposta nos artigos 1.947 a 
1.949; a recíproca, entalhada nos artigos 1.948 a 1.950; e, a fideicomissária, artigos 
1.951 a 1.960. Doutrinariamente, há uma quarta modalidade de substituição 
testamentária denominada de compendiosa. 
 
SUBSTITUIÇÃO VULGAR 
Também é chamada de substituição ordinária e pode ser classificada como 
simples ou singular: quando existe apenas um substituto, ou coletiva: quando existem 
mais de um substituto. 
É permitido que sejam instituídos vários substitutos a um só herdeiro, como 
também um substituto a vários herdeiros. 
Art. 1.948. Também é lícito ao testador substituir muitas pessoas por uma só, ou 
vice-versa, e ainda substituir com reciprocidade ou sem ela. 
Flávio Tartuce e José Simão lecionam que a substituição ordinária é “uma 
substituição direta em que nenhuma pessoa se interpõe entre o testador e o substituto. Em suma, o 
testador pode substituir outra pessoa ao herdeiro ou ao legatário nomeado”3, quando verificada 
a hipótese do substituído não querer a liberalidade ou não puder aceitá-la. Ainda 
nessa seara Maria Helena Diniz assegura que “a substituição ordinária pode beneficiar um 
estranho, um parente sucessível ou não, ou um herdeiro legítimo”4. Continua em relação a 
substituição coletiva que: Na substituição coletiva, a liberalidade será dividida entre eles em 
partes iguais, procedendo-se à convocação simultânea e não sucessiva. Qualquer que seja o número 
de substitutos indicados, a instituição é uma só”5 Ao contrário do que ocorre em outras 
 
3 TARTUCE, Flávio; SIMÃO, José Fernando. Direito Civil: Direito das Sucessões, vol. 06. 3ª ed., rev. e atual. 
São Paulo: Editora Método, 2010, p. 379. 
4 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito das Sucessões, vol. 06. 24ª ed. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2010, p. 359. 
5 Idem 
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modalidades, vigerá, como regra, que a liberalidade será, em iguais proporções, 
partilhada entre os substitutos. 
 
SUBSTITUIÇÃO RECÍPROCA 
É aquela em que os herdeiros são substitutos uns dos outros, quando os 
substitutos são os próprios herdeiros ou legatários nomeados para certos bens ou 
conjuntamente. A substituição recíproca determina que entre os vários herdeiros 
nomeados, na ausência de um, os outros o substituirão, na parte do nomeado 
ausente. Como bem defende Venosa, “não se confunde com direito de acrescer, porque não 
se trata de disposição conjunta, mas de três disposições diversas”6. 
O testador institui uma pluralidade de herdeiros ou legatários e os declara, 
expressamente, substitutos um dos outros, na situação em que qualquer um deles 
não quiser ou não puder aceitar a liberalidade. Corrobora o CC ao final do artigo 
1948, já citado: “e ainda substituir com reciprocidade ou sem ela” 
Ocorrendo a hipótese de herdeiros ou legatários serem instituídos em partes 
iguais, considerar-se-á que os substitutos receberão em partes iguais o quinhão vago, 
contudo, se os herdeiros ou legatários forem instituídos em partes desiguais, a 
proporção dos quinhões, estabelecida na primeira disposição, entender-se-á mantida 
na segunda. Observe o citado no CC: 
Art. 1.950. Se, entre muitos co-herdeiros ou legatários de partes desiguais, for 
estabelecida substituição recíproca, a proporção dos quinhões fixada na primeira 
disposição entender-se-á mantida na segunda; ... 
Os percentuais estabelecidos pelo testador em relação aos herdeiros e 
legatários serão estendidos para o quinhão daquele que foi instituído e não aceitou a 
herança. Maria Helena Diniz exemplifica: 
[...] se forem nomeados herdeiros “A” com 1/6 da herança, “B” com 2/6, e “C” 
com 3/6, sendo substitutos entre si. Se “A” não aceitar a herança, sua quota será 
dividida entre “B” e “C” na mesma proporção fixada na primeira disposição, isto 
é, “B” receberá duas partes dela e “C” três7 
Visualizando o exemplo: 
Valor do bem deixado em substituição recíproca: R$ 1.200.000,00. 
Divisão de 1 bem em 6 partes iguais: origina a fração 1/6. R$ 1.200.000,00 
divididos por 6 = R$ 200.000,00 que será a sexta parte. 
 
6 VENOSA, Sílvio de Salvo. Código Civil Interpretado. São Paulo: Editora Atlas S/A, 2010, p. 1.731. 
7 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro: Direito das Sucessões, vol. 06. 24ª ed. São Paulo: 
Editora Saraiva, 2010, p. 361 e 362. 
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A herdará 1/6 =R$ 200.000,00, B herdará 2/6=R$ 400.000,00 e C 3/6=R$ 
600.000.00. 
A herdará 1 parte: R$ 200.000,00, B herdará 2 partes: R$ 400.000,00 e C três 
partes: R$ 600.000.00 
 
A B B C C C 
 
Cláusula primária com substituição recíproca: divide-se a parte do herdeiro A 
entre B e C nas proporções pretéritas determinadas pelo testador: 2 partes para B e 
3 Partes para C. Então o bem não será mais dividido em 6 partes, mas em 5 partes, 
vez que A não quer!!! 
 
R$ 200.000,00/5= R$ 40.000,00 
B herdará R$ 480.000,00 e C R$ 720.000.00 
 
B B C C C 
 
Forma de resolução simples:Quem não quer é A, herdeiro detentor de 1 parte. Retira-se a cota parte de A, 
que é 1 (determinada pelo numerador da fração – 1/6) do denominador que é 6. Então 
o bem deixado, que deveria ser dividido por 6, passará a ser dividido em 5 partes, 
mantendo-se 2 partes para B, que passará a receber 2/5 e 3 partes para C, que passará 
a receber 3/5. 
 
R$ 1.200.000,00/5= R$ 240.000,00 cada cota. 
2 partes para B: R$ 480.000,00 e 3 Partes para C: R$ 720.000.00. 
Caso B seja o abdicador da herança basta diminuir a parte dele - 2 (numerador 
da fração) das cotas em que o bem deveria ser dividido - 6 (denominador da fração). 
O bem deveria ser dividido por 6, mas como B abdicou o bem deve ser dividido por 
4, ficando ¼ para A e ¾ para C. 
É possível, ainda, em se tratando de substituição recíproca, ocorrer a hipótese 
em que há herdeiros ou legatários, instituídos em partes desiguais, sendo, 
posteriormente, incluída mais uma pessoa, no caso de um destes vier a não aceitar 
ou estiver impedido de fazê-lo, como é o caso de premoriência ou mesmo 
indignidade. Nesta situação, o quinhão vago pertencerá, em partes iguais, aos 
substitutos, ou seja, será dividido em proporções iguais aos herdeiros ou legatários 
substitutos. Concluindo o Art 1.950: 
Art. 1.950.; ...se, com as outras anteriormente nomeadas, for incluída mais alguma 
pessoa na substituição, o quinhão vago pertencerá em partes iguais aos 
substitutos. 
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Quando forem nomeados herdeiros “A” com 1/6 da herança, “B” com 
2/6, e “C” com 3/6, sendo substitutos entre si, caso um deles não aceite a herança, 
sua quota será dividida entre “A”, “B” e “D” em partes iguais. 
SUBSTITUIÇÃO COMPENDIOSA 
A substituição compendiosa constitui uma junção da substituição vulgar e da 
substituição fideicomissária. “É o que se verifica na hipótese em que o testador dá substituto 
ao fiduciário ou ao fideicomissário, prevendo que um ou outro não queira ou não possa aceitar a 
herança ou o legado”8, tal hipótese não ultraja o artigo 1.960 do Código Civil, pois 
continua sendo de segundo grau. Chama-se compendiosa uma vez que se encontra 
sob um compêndio, ou ainda, síntese de palavras, contendo em sua estrutura muitas 
substituições. 
Exemplo: Embargos de divergência opostos por A. L. R. H. contra acórdão 
proferido pela Quarta Turma do STJ (Min. Maria Isabel Gallotti) que deu 
provimento ao recurso especial interposto por N. P. A. S/A – N. e parcial 
provimento ao apelo da ora embargante. O acórdão foi assim ementado: 
DIREITO CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA. 
FIDEICOMISSO. FIDEICOMISSÁRIO PREMORIENTE. CLÁUSULA DO 
TESTAMENTO ACERCA DA SUBSTITUIÇÃO DO FIDEICOMISSÁRIO. 
VALIDADE. COMPATIBILIDADE ENTRE A INSTITUIÇÃO 
FIDUCIÁRIA E A SUBSTITUIÇÃO VULGAR. CONDENAÇÃO DE 
TERCEIRO AFASTADA. EFEITOS NATURAIS DA SENTENÇA. 
... 
4. De acordo com o Art. 1.959 do Código Civil, “são nulos os fideicomissos 
além do segundo grau”. A lei veda a substituição fiduciária além do segundo grau. 
O fideicomissário, porém, pode ter substituto, que terá posição idêntica a do 
substituído, pois o que se proíbe é a sequência de fiduciários, não a substituição 
vulgar do fiduciário ou do fideicomissário. 
5. A substituição fideicomissária é compatível com a substituição vulgar e 
ambas podem ser estipuladas na mesma cláusula testamentária. Dá-se o que a 
doutrina denomina substituição compendiosa. Assim, é válida a cláusula 
testamentária pela qual o testador pode dar substituto ao fideicomissário para o 
caso deste vir a falecer antes do fiduciário ou de se realizar a condição resolutiva, 
com o que se impede a caducidade do fideicomisso. É o que se depreende do 
Art. 1.958 e 1.955, parte final, do Código Civil. 
... 
 
8 Neste sentido: VICENTE, Ana Cláudia. Substituição do Direito Sucessório. Disponível em: 
. Acesso em 13 
mai. 2012: “Ocorre com a conciliação da substituição vulgar com a substituição fideicomissária, designando por 
exemplo substituto para o caso de o fideicomissário, ou o fiduciário não poder ou não querer aceitar o beneficio”. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406compilada.htm
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1 
 
FIDEICOMISSO1 
1. Conceito. 
A etimologia de fideicomisso está associada à expressão romana fidei tua comitto, o que bem 
evidencia o caráter fiduciário da substituição fideicomissária, inserindo-se no ordenamento jurídico como 
forma excepcional de nomeação sucessiva de herdeiros ou legatários. 
Não se confundindo com a substituição vulgar (simples, coletiva ou recíproca), em que ocorre 
uma única transmissão, beneficiando ou os primeiros nomeados ou os seus substitutos, o fideicomisso 
implica dupla transmissão hereditária: primeiro, ao fiduciário; e, depois, ao fideicomissário. Havendo 
combinação de substituições vulgar e fideicomissária, dá-se a chamada substituição compendiosa. 
Ressalte-se, desde logo, que a lei veda peremptoriamente a instituição de fideicomisso “além do 
segundo grau” (CC, art. 1.959), o que permite afirmar que serão sempre três as posições jurídicas 
decorrentes do fideicomisso: o fideicomitente (testador), o fiduciário (que sucede em primeiro lugar) e o 
fideicomissário (que recebe a herança ou o legado por último). 
O fideicomisso somente pode ser instituído por testamento, adotada qualquer de suas formas 
legais. Desde que respeitada a legítima dos herdeiros necessários (sobre a qual não pode incidir, sob pena 
de nulidade), admite-se o fideicomisso de herança ou legado, podendo recair sobre móveis ou imóveis. 
 
2. Do fiduciário e do fideicomissário. 
Poderá ocupar a posição de fiduciário qualquer pessoa, física ou jurídica, legalmente apta e 
legitimada a suceder (CC, arts. 1.798 e 1.799), aplicando sê-lhes, portanto, os impedimentos referidos no 
art. 1.801 do CC. Cabe salientar, contudo, que a nomeação de pessoa física ainda não concebida para 
ocupar a posição de fiduciário mostra-se manifestamente contrária à mens legis do instituto, devendo ser 
repelida. 
No que se refere ao fideicomissário, o atual CC restringiu consideravelmente o alcance do 
instituto, estabelecendo que apenas a prole eventual de pessoa viva poderá ser favorecida pela substituição 
fideicomissária (CC, art. 1.952). Impõe-se considerar, ademais, que a capacidade e legitimação da prole 
eventual para suceder, na conformidade do § 4° do art. 1.800 do CC, depende fundamentalmente do seu 
efetivo nascimento no prazo de 2 anos, contados da abertura da sucessão. 
Consigne-se, a propósito, com a devida vênia dos posicionamentos divergentes (v.g., Venosa), 
que o prazo de dois anos acima referido é improrrogável, daí decorrendo a afirmação de que, se o 
fideicomissário não nascer no prazo referido, caduca a disposição, salvo se houver o testador indicado 
substituto simples (prole eventual de outra pessoa) para ocupar a posição de fideicomissário.2 
A ressalva contida na norma ora em análise (“salvo disposição em contrário do testador”) não 
torna admissível a ampliação do prazo de dois anos por vontade do testador, permitindo apenas, como 
 
1 ALVARENGA, Robson. Fideicomisso. Tabelião em Buritama, São Paulo/SP. Disponível em: 
http://www.irib.org.br/biblio/boletimel2621.asp, 16 ser 2006. 
2 Há divergência doutrinária. Assunto não pacificado 
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2 
já referido, a nomeação de substituto simplespara ocupar a posição de fideicomissário, devendo esse 
substituto ser concebido naquele mesmo prazo de dois anos, igualmente sob pena de caducidade.3 
Importa frisar que a natureza cogente dessa norma resulta do interesse público de evitar o 
inconveniente consistente na manutenção da propriedade sob condição resolutiva por longos anos, 
aguardando-se a incerta concepção do fideicomissário, estando, portanto, superada a antiga crítica ao 
instituto do fideicomisso, baseada na alegação de insegurança jurídica proveniente da sistemática legal 
prevista no Código Civil de 1916. 
 
3. Características. Utilidade. Inalienabilidade e sub-rogação. Responsabilidade. 
Com a abertura da sucessão, transmitem-se simultaneamente ao fiduciário e ao fideicomissário 
direitos sobre os bens fideicomitidos. A diferença fundamental está em que o primeiro recebe, desde 
logo, a propriedade da herança ou legado, embora restrita e resolúvel (vale dizer, submetida a condição 
ou termo resolutivos - CC, arts. 1.953); já o fideicomissário recebe mero direito eventual sobre tais bens 
(isto é, sujeito a termo ou condição suspensiva). Daí por que, resolvida a propriedade do fiduciário, ele 
apenas “passa” materialmente os bens ao fideicomissário, que os recebe juridicamente do próprio 
testador. 
A utilidade do fideicomisso está em permitir a atribuição de bens à prole eventual de pessoa a 
quem o testador não quer beneficiar diretamente, evitando-se, ademais, os inconvenientes da 
administração provisória da herança ou legado. A par disso, possibilita o favorecimento, provisório ou 
definitivo, de pessoa diversa (fiduciário) indicada pelo próprio testador. 
Enquanto figurar como proprietário, o fiduciário passa a exercer todos os poderes inerentes ao 
domínio. Contudo, seus atos de disposição (e mesmo a locação) são também resolúveis (CC, art. 1.359), 
podendo o fideicomissário reivindicar os bens de quem estiver na sua posse (direito de seqüela). O 
fiduciário é obrigado a proceder ao inventário dos bens e a prestar caução se for exigido, sem o que não 
poderá entrar na posse dos bens. 
Havendo cláusula de inalienabilidade, surge a controvérsia doutrinária sobre a possibilidade de 
sub-rogação dos bens fideicomitidos. Embora não seja a orientação prevalecente, parece razoável 
sustentar que, afora as hipóteses de bens fungíveis, não há como transferir o vínculo do fideicomisso 
para bens que nunca integraram o patrimônio do testador (princípio da continuidade registral), devendo 
o fiduciário renunciar ao fideicomisso caso não esteja satisfeito com a herança. Ressalte-se, porém, que a 
jurisprudência tem entendido que a cláusula de inalienabilidade subsiste ainda quando consolidada a 
propriedade na pessoa do fiduciário, impondo-se admitir, em tal caso, a sub-rogação, que é prerrogativa 
do proprietário definitivo do bem. 
O fiduciário tem o dever de zelar pelos bens fideicomitidos como um bonus pater familias, em 
atenção aos princípios da probidade e da boa-fé objetiva. Responderá, por culpa ou dolo, pela 
deterioração dos bens ou por danos que excedam o mero desgaste pelo uso normal. Advindo o termo a 
condição, deverá passar os bens ao fideicomissário com todos os acréscimos feitos, sem que se possa 
cogitar de indenização ou retenção por benfeitorias, podendo, no entanto, levantar as voluptuárias. 
 
 
3 Há divergência doutrinária. Assunto não pacificado 
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3 
4. Fideicomisso por ato entre vivos 
A antiga polêmica sobre a admissibilidade do fideicomisso por ato entre vivos encontra-se 
atualmente superada. 
Considere-se, de um lado, que o art. 1.952 do CC somente permite a substituição fideicomissária 
em favor da prole eventual de pessoa viva. De outro lado, o art. 547 do CC, ao tratar da doação, repetiu 
a regra que permite a doação resolúvel em favor do doador, mas inovou o sistema anterior, vedando 
expressamente a cláusula de reversão em favor de terceiro (parágrafo único). 
Conclui-se, por conseguinte, não ser mais juridicamente possível a instituição de fideicomisso por 
ato inter vivos. 
Discute-se, então, se seria admissível o preestabelecimento, pelo doador, de uma segunda doação, 
concomitantemente à primeira, mas sujeita a condição suspensiva, dependendo sua eficácia da 
sobrevivência do doador ao donatário. Tal hipótese, evidentemente, não se confunde com o fideicomisso, 
porquanto ausente a cláusula de reversão em favor de terceiro, sendo nítida a existência de dois negócios 
autônomos (com incidência de dupla tributação). Todavia, a objeção que se levanta é que tal ajuste 
envolveria, na verdade, promessa de doação. 
 
5. Extinção, caducidade e renúncia 
A forma normal de extinção do fideicomisso se dá com a superveniência da morte do fiduciário 
ou do advento da condição ou termo resolutivos estabelecidos pelo testador, resolvendo-se, então, a 
propriedade em favor do fideicomissário. No entanto, se o fiduciário renunciar a herança, morrer 
anteriormente à abertura da sucessão ou dela for excluído, os bens serão transferidos diretamente ao 
fideicomissário, salvo se houver disposição contrária do testador, observado o direito de acrescer (CC, 
art. 1.956). De igual modo, caduca o fideicomisso se a prole eventual não nascer no prazo legal, se o 
fideicomissário renunciar a herança ou se morrer antes do advento do termo ou da condição 
estabelecidos, consolidando-se, então, a propriedade em favor do fiduciário. 
Cuidando-se de imóvel, a despeito da crítica de parte da doutrina, a constituição do fideicomisso 
decorre de averbação na matrícula imobiliária (Lei n° 6.015/73, art. 167, II, 11), cujo cancelamento não 
depende necessariamente de intervenção judicial (v.g., nos casos de morte do fiduciário, advento do 
termo e renúncia por meio de instrumento público). 
Relevante observar que se, ao tempo da morte do testador, já houver nascido o fideicomissário, 
o fideicomisso converter-se-á em usufruto (CC, art. 1.952, parágrafo único). Caberia, então, indagar como 
ficaria a situação do fideicomissário já concebido (mas ainda não nascido) ao tempo da morte do testador. 
Entendemos que o referido dispositivo comporta interpretação extensiva, de modo a abranger também 
a hipótese de já estar concebido o fideicomissário ao tempo da morte do testador, caso em que o nascituro 
teria assegurado o direito de propriedade sobre o bem, cabendo ao fiduciário apenas o direito real de 
usufruto. Sem embargo, sobrevindo a morte do nascituro antes de seu nascimento, não haveria como 
negar a ocorrência de consolidação da propriedade em favor do fiduciário, caducando o fideicomisso, 
nos termos do art. 1.958 do CC. 
 
 
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4 
6. Quem é contribuinte em caso de imóvel rural dado em fideicomisso? 
Em caso de fideicomisso o contribuinte do ITR é o fiduciário. O fiduciário é proprietário do 
imóvel sob condição resolutiva, ao passo que o fideicomissário o é sob condição suspensiva. Portanto, 
enquanto não houver o implemento da condição suspensiva o fiduciário é o contribuinte do ITR. 
O fideicomisso somente pode ser constituído por testamento. No fideicomisso há, 
necessariamente, a participação de três pessoas: o fideicomitente (autor da liberalidade), o fiduciário ou 
gravado (pessoa que sucede em primeiro lugar e que é responsável por transmitir o bem ao 
fideicomissário no implemento de determinada causa) e o fideicomissário (pessoa à qual, por último, se 
transmite a herança ou o legado). 
 
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CAPÍTULOVI 
DO INVENTÁRIO E DA PARTILHA 
Seção I 
Disposições Gerais 
Art. 610. Havendo testamento ou interessado incapaz, proceder-se-á ao inventário judicial. 
§ 1º Se todos forem capazes e concordes, o inventário e a partilha poderão ser feitos por escritura pública, 
a qual constituirá documento hábil para qualquer ato de registro, bem como para levantamento de importância 
depositada em instituições financeiras. 
§ 2 o O tabelião somente lavrará a escritura pública se todas as partes interessadas estiverem assistidas 
por advogado ou por defensor público, cuja qualificação e assinatura constarão do ato notarial. 
Art. 611. O processo de inventário e de partilha deve ser instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar 
da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 (doze) meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar esses 
prazos, de ofício ou a requerimento de parte. 
Art. 612. O juiz decidirá todas as questões de direito desde que os fatos relevantes estejam provados por 
documento, só remetendo para as vias ordinárias as questões que dependerem de outras provas. 
Art. 613. Até que o inventariante preste o compromisso, continuará o espólio na posse do administrador 
provisório. 
Art. 614. O administrador provisório representa ativa e passivamente o espólio, é obrigado a trazer ao 
acervo os frutos que desde a abertura da sucessão percebeu, tem direito ao reembolso das despesas necessárias 
e úteis que fez e responde pelo dano a que, por dolo ou culpa, der causa. 
Seção II 
Da Legitimidade para Requerer o Inventário 
Art. 615. O requerimento de inventário e de partilha incumbe a quem estiver na posse e na administração 
do espólio, no prazo estabelecido no art. 611 . 
Parágrafo único. O requerimento será instruído com a certidão de óbito do autor da herança. 
Art. 616. Têm, contudo, legitimidade concorrente: 
I - o cônjuge ou companheiro supérstite; 
II - o herdeiro; 
III - o legatário; 
IV - o testamenteiro; 
V - o cessionário do herdeiro ou do legatário; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art611
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VI - o credor do herdeiro, do legatário ou do autor da herança; 
VII - o Ministério Público, havendo herdeiros incapazes; 
VIII - a Fazenda Pública, quando tiver interesse; 
IX - o administrador judicial da falência do herdeiro, do legatário, do autor da herança ou do cônjuge ou 
companheiro supérstite. 
Seção III 
Do Inventariante e das Primeiras Declarações 
Art. 617. O juiz nomeará inventariante na seguinte ordem: 
I - o cônjuge ou companheiro sobrevivente, desde que estivesse convivendo com o outro ao tempo da 
morte deste; 
II - o herdeiro que se achar na posse e na administração do espólio, se não houver cônjuge ou 
companheiro sobrevivente ou se estes não puderem ser nomeados; 
III - qualquer herdeiro, quando nenhum deles estiver na posse e na administração do espólio; 
IV - o herdeiro menor, por seu representante legal; 
V - o testamenteiro, se lhe tiver sido confiada a administração do espólio ou se toda a herança estiver 
distribuída em legados; 
VI - o cessionário do herdeiro ou do legatário; 
VII - o inventariante judicial, se houver; 
VIII - pessoa estranha idônea, quando não houver inventariante judicial. 
Parágrafo único. O inventariante, intimado da nomeação, prestará, dentro de 5 (cinco) dias, o 
compromisso de bem e fielmente desempenhar a função. 
Art. 618. Incumbe ao inventariante: 
I - representar o espólio ativa e passivamente, em juízo ou fora dele, observando-se, quanto ao dativo, o 
disposto no art. 75, § 1º ; 
II - administrar o espólio, velando-lhe os bens com a mesma diligência que teria se seus fossem; 
III - prestar as primeiras e as últimas declarações pessoalmente ou por procurador com poderes especiais; 
IV - exibir em cartório, a qualquer tempo, para exame das partes, os documentos relativos ao espólio; 
V - juntar aos autos certidão do testamento, se houver; 
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VI - trazer à colação os bens recebidos pelo herdeiro ausente, renunciante ou excluído; 
VII - prestar contas de sua gestão ao deixar o cargo ou sempre que o juiz lhe determinar; 
VIII - requerer a declaração de insolvência. 
Art. 619. Incumbe ainda ao inventariante, ouvidos os interessados e com autorização do juiz: 
I - alienar bens de qualquer espécie; 
II - transigir em juízo ou fora dele; 
III - pagar dívidas do espólio; 
IV - fazer as despesas necessárias para a conservação e o melhoramento dos bens do espólio. 
Art. 620. Dentro de 20 (vinte) dias contados da data em que prestou o compromisso, o inventariante fará 
as primeiras declarações, das quais se lavrará termo circunstanciado, assinado pelo juiz, pelo escrivão e pelo 
inventariante, no qual serão exarados: 
I - o nome, o estado, a idade e o domicílio do autor da herança, o dia e o lugar em que faleceu e se deixou 
testamento; 
II - o nome, o estado, a idade, o endereço eletrônico e a residência dos herdeiros e, havendo cônjuge ou 
companheiro supérstite, além dos respectivos dados pessoais, o regime de bens do casamento ou da união 
estável; 
III - a qualidade dos herdeiros e o grau de parentesco com o inventariado; 
IV - a relação completa e individualizada de todos os bens do espólio, inclusive aqueles que devem ser 
conferidos à colação, e dos bens alheios que nele forem encontrados, descrevendo-se: 
a) os imóveis, com as suas especificações, nomeadamente local em que se encontram, extensão da área, 
limites, confrontações, benfeitorias, origem dos títulos, números das matrículas e ônus que os gravam; 
b) os móveis, com os sinais característicos; 
c) os semoventes, seu número, suas espécies, suas marcas e seus sinais distintivos; 
d) o dinheiro, as joias, os objetos de ouro e prata e as pedras preciosas, declarando-se-lhes 
especificadamente a qualidade, o peso e a importância; 
e) os títulos da dívida pública, bem como as ações, as quotas e os títulos de sociedade, mencionando-se-
lhes o número, o valor e a data; 
f) as dívidas ativas e passivas, indicando-se-lhes as datas, os títulos, a origem da obrigação e os nomes 
dos credores e dos devedores; 
g) direitos e ações; 
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h) o valor corrente de cada um dos bens do espólio. 
§ 1º O juiz determinará que se proceda: 
I - ao balanço do estabelecimento, se o autor da herança era empresário individual; 
II - à apuração de haveres, se o autor da herança era sócio de sociedade que não anônima. 
§ 2º As declarações podem ser prestadas mediante petição, firmada por procurador com poderes 
especiais, à qual o termo se reportará. 
Art. 621. Só se pode arguir sonegação ao inventariante depois de encerrada a descrição dos bens, com a 
declaração, por ele feita, de não existirem outros por inventariar. 
Art. 622. O inventariante será removido de ofício ou a requerimento: 
I - se não prestar, no prazo legal, as primeiras ou as últimas declarações; 
II - se não der ao inventário andamento regular, se suscitar dúvidas infundadas ou se praticar atos 
meramente protelatórios; 
III - se, por culpa sua, bens do espólio se deteriorarem, forem dilapidados ou sofrerem dano; 
IV - se não defender o espólio nas ações em que for citado, se deixar de cobrar dívidas ativas ou se não 
promover as medidas necessárias para evitar o perecimento de direitos; 
V - se não prestarcontas ou se as que prestar não forem julgadas boas; 
VI - se sonegar, ocultar ou desviar bens do espólio. 
Art. 623. Requerida a remoção com fundamento em qualquer dos incisos do art. 622 , será intimado o 
inventariante para, no prazo de 15 (quinze) dias, defender-se e produzir provas. 
Parágrafo único. O incidente da remoção correrá em apenso aos autos do inventário. 
Art. 624. Decorrido o prazo, com a defesa do inventariante ou sem ela, o juiz decidirá. 
Parágrafo único. Se remover o inventariante, o juiz nomeará outro, observada a ordem estabelecida 
no art. 617 . 
Art. 625. O inventariante removido entregará imediatamente ao substituto os bens do espólio e, caso 
deixe de fazê-lo, será compelido mediante mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse, conforme 
se tratar de bem móvel ou imóvel, sem prejuízo da multa a ser fixada pelo juiz em montante não superior a 
três por cento do valor dos bens inventariados. 
Seção IV 
Das Citações e das Impugnações 
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Art. 626. Feitas as primeiras declarações, o juiz mandará citar, para os termos do inventário e da partilha, 
o cônjuge, o companheiro, os herdeiros e os legatários e intimar a Fazenda Pública, o Ministério Público, se 
houver herdeiro incapaz ou ausente, e o testamenteiro, se houver testamento. 
§ 1º O cônjuge ou o companheiro, os herdeiros e os legatários serão citados pelo correio, observado o 
disposto no art. 247 , sendo, ainda, publicado edital, nos termos do inciso III do art. 259 . 
§ 2º Das primeiras declarações extrair-se-ão tantas cópias quantas forem as partes. 
§ 3º A citação será acompanhada de cópia das primeiras declarações. 
§ 4º Incumbe ao escrivão remeter cópias à Fazenda Pública, ao Ministério Público, ao testamenteiro, se 
houver, e ao advogado, se a parte já estiver representada nos autos. 
Art. 627. Concluídas as citações, abrir-se-á vista às partes, em cartório e pelo prazo comum de 15 
(quinze) dias, para que se manifestem sobre as primeiras declarações, incumbindo às partes: 
I - arguir erros, omissões e sonegação de bens; 
II - reclamar contra a nomeação de inventariante 
III - contestar a qualidade de quem foi incluído no título de herdeiro. 
§ 1º Julgando procedente a impugnação referida no inciso I, o juiz mandará retificar as primeiras 
declarações. 
§ 2º Se acolher o pedido de que trata o inciso II, o juiz nomeará outro inventariante, observada a 
preferência legal. 
§ 3º Verificando que a disputa sobre a qualidade de herdeiro a que alude o inciso III demanda produção 
de provas que não a documental, o juiz remeterá a parte às vias ordinárias e sobrestará, até o julgamento da 
ação, a entrega do quinhão que na partilha couber ao herdeiro admitido. 
Art. 628. Aquele que se julgar preterido poderá demandar sua admissão no inventário, requerendo-a 
antes da partilha. 
§ 1º Ouvidas as partes no prazo de 15 (quinze) dias, o juiz decidirá. 
§ 2º Se para solução da questão for necessária a produção de provas que não a documental, o juiz 
remeterá o requerente às vias ordinárias, mandando reservar, em poder do inventariante, o quinhão do herdeiro 
excluído até que se decida o litígio. 
Art. 629. A Fazenda Pública, no prazo de 15 (quinze) dias, após a vista de que trata o art. 627 , informará 
ao juízo, de acordo com os dados que constam de seu cadastro imobiliário, o valor dos bens de raiz descritos 
nas primeiras declarações. 
Seção V 
Da Avaliação e do Cálculo do Imposto 
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Art. 630. Findo o prazo previsto no art. 627 sem impugnação ou decidida a impugnação que houver sido 
oposta, o juiz nomeará, se for o caso, perito para avaliar os bens do espólio, se não houver na comarca avaliador 
judicial. 
Parágrafo único. Na hipótese prevista no art. 620, § 1º , o juiz nomeará perito para avaliação das quotas 
sociais ou apuração dos haveres. 
Art. 631. Ao avaliar os bens do espólio, o perito observará, no que for aplicável, o disposto nos arts. 872 
e 873 . 
Art. 632. Não se expedirá carta precatória para a avaliação de bens situados fora da comarca onde corre 
o inventário se eles forem de pequeno valor ou perfeitamente conhecidos do perito nomeado. 
Art. 633. Sendo capazes todas as partes, não se procederá à avaliação se a Fazenda Pública, intimada 
pessoalmente, concordar de forma expressa com o valor atribuído, nas primeiras declarações, aos bens do 
espólio. 
Art. 634. Se os herdeiros concordarem com o valor dos bens declarados pela Fazenda Pública, a avaliação 
cingir-se-á aos demais. 
Art. 635. Entregue o laudo de avaliação, o juiz mandará que as partes se manifestem no prazo de 15 
(quinze) dias, que correrá em cartório. 
§ 1º Versando a impugnação sobre o valor dado pelo perito, o juiz a decidirá de plano, à vista do que 
constar dos autos. 
§ 2º Julgando procedente a impugnação, o juiz determinará que o perito retifique a avaliação, observando 
os fundamentos da decisão. 
Art. 636. Aceito o laudo ou resolvidas as impugnações suscitadas a seu respeito, lavrar-se-á em seguida 
o termo de últimas declarações, no qual o inventariante poderá emendar, aditar ou completar as primeiras. 
Art. 637. Ouvidas as partes sobre as últimas declarações no prazo comum de 15 (quinze) dias, proceder-
se-á ao cálculo do tributo. 
Art. 638. Feito o cálculo, sobre ele serão ouvidas todas as partes no prazo comum de 5 (cinco) dias, que 
correrá em cartório, e, em seguida, a Fazenda Pública. 
§ 1º Se acolher eventual impugnação, o juiz ordenará nova remessa dos autos ao contabilista, 
determinando as alterações que devam ser feitas no cálculo. 
§ 2º Cumprido o despacho, o juiz julgará o cálculo do tributo. 
Seção VI 
Das Colações 
Art. 639. No prazo estabelecido no art. 627 , o herdeiro obrigado à colação conferirá por termo nos autos 
ou por petição à qual o termo se reportará os bens que recebeu ou, se já não os possuir, trar-lhes-á o valor. 
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Parágrafo único. Os bens a serem conferidos na partilha, assim como as acessões e as benfeitorias que o 
donatário fez, calcular-se-ão pelo valor que tiverem ao tempo da abertura da sucessão. 
Art. 640. O herdeiro que renunciou à herança ou o que dela foi excluído não se exime, pelo fato da 
renúncia ou da exclusão, de conferir, para o efeito de repor a parte inoficiosa, as liberalidades que obteve do 
doador. 
§ 1º É lícito ao donatário escolher, dentre os bens doados, tantos quantos bastem para perfazer a legítima 
e a metade disponível, entrando na partilha o excedente para ser dividido entre os demais herdeiros. 
§ 2º Se a parte inoficiosa da doação recair sobre bem imóvel que não comportea D), como 
na situação inversa, de falecimento anterior de B (D sucederia por representação). Em nenhuma 
hipótese haveria sucessão exclusiva por parte de C (que teria só direito à metade da herança), de 
sorte que irrelevante a verificação de comoriência, na espécie, para fins sucessórios. 
A matéria é evidentemente de conteúdo fático, exigindo prova judicial. Todavia, “a 
comoriência pode ser afirmada no próprio inventário se há dados de fato disponíveis e seguros 
para tanto, sem necessidade de remessa da controvérsia para as vias ordinárias” (ac. un. da 2a 
Turma do STF, de 2-6-81, no Agr. 81.223-7-MG, rel. Min. Décio Meireles de Miranda _ RT _ 
552/227). 
Subsistindo dúvida, prevalece a presunção legal de comoriência, só afastável por prova 
inequívoca (ac. un. da 4a Câm. Civil do TJSP, na ap. 104.441-1, j. em 27-8-88 _ RT _ 639/62). 
Assim, em caso de pagamento de seguro, “é preciso que o beneficiário exista ao tempo do 
sinistro. Se falece no mesmo momento que o contraente do seguro de vida, recebem a prestação 
os sucessores desse”. 
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Nesse sentido a jurisprudência: “Falecendo no mesmo acidente o segurado e o beneficiário, 
e inexistindo prova de que a morte não foi simultânea, não haverá transmissão de direitos entre 
os dois, sendo inadmissível, portanto, o pagamento do valor do seguro aos sucessores do falecido” 
(ac. un. da 6a Câm. Civil do I TACSP, Ap. 325.164/84, Rel. Ferreira da Cruz — RT — 587/121). 
 
Sucessão legítima ou testamentária. 
 
A sucessão dar-se por lei (legítima) ou por manifestação de última vontade (testamentária). 
Caso o inumado não tenha deixado testamento diz-se sucessão ab intestato, deferindo todo 
patrimônio do de cujus às pessoas previamente indicadas pela lei art. 1.829. 
 
Da indivisibilidade da herança: 
 
O direito a sucessão aberta considera-se imóvel para efeitos legais Art. 80 II CC. 
 
Coexistência: 
 
Só pode ser herdeiro os já nascidos ou concebidos no momento da abertura da sucessão 
Art 1.798 CC . Exceção: art 1.597CC 
 
Prazo para abertura do inventário: 
 
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CC 02: Art. 1.796. No prazo de trinta dias, a contar da abertura da sucessão, instaurar-se-
á inventário do patrimônio hereditário, perante o juízo competente no lugar da sucessão, para fins 
de liquidação e, quando for o caso, de partilha da herança. 
CPC 73: Antiga redação do CPC: “O inventário e a partilha devem ser requeridos dentro 
do prazo de 30(trinta) dias a contar da abertura da sucessão, ultimando-se nos 6(seis) meses 
subseqüentes” 
Parágrafo único: O juiz poderá, a requerimento do inventariante, dilatar este último prazo 
por motivo justo” 
A Lei 11.441de 2007 alterou o Art 983 do antigo CPC: “Art. 983. O processo de inventário 
e partilha deve ser aberto dentro de 60 (sessenta) dias a contar da abertura da sucessão, ultimando-
se nos 12 (doze) meses subseqüentes, podendo o juiz prorrogar tais prazos, de ofício ou a 
requerimento de parte. 
CPC 2015 O artigo 611 do Código de Processo Civil menciona: “O processo de inventário 
e partilha deve ser instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar da abertura da sucessão, 
ultimando-se nos 12 (doze) meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar esses prazos, de ofício 
ou a requerimento de parte”. 
De acordo com o Código Civil, o prazo é de 30 dias, mesmo prazo determinado pelo já o 
extinto Código de Processo Civil. A Lei 11.441de 2007 alterou o Art 983 do antigo CPC passando 
o prazo para 60 dias. Segundo o Novo Código de Processo Civil, mais recente que o Código Civil, 
o prazo é de 2 meses. 
Qual é o correto? 
Em primeiro lugar, o prazo do Código Civil sofreu revogação tácita pelo Código de 
Processo Civil, já que este é mais novo. Assim, vigora hoje não o prazo de 30 dias, mas o de 2 
meses. 
E se passar do prazo, o que acontece automaticamente? 
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A resposta, que parece que poucos enxergam, é, a princípio, nada! Isso contraria o que 
muitos advogados incutem nas mentes de seus clientes, de que, passado esse prazo, acontecerá 
algo ruim automaticamente. 
Acontece que o tributo incidente (ITCD) é estadual, todavia, os Estados devem obedecer 
à legislação federal (no caso, ao Código de Processo Civil), o qual não traz qualquer penalidade 
pela inobservância do prazo para abertura do inventário. 
Na verdade, o que a lei faz é somente proibir que os Estados cobrem qualquer multa dentro 
desse prazo (veja-se, é uma proibição aos Estados, não às pessoas). 
Em outras palavras, o Código de Processo Civil somente veda que os Estados cobrem 
qualquer tipo de multa em até 2 meses após o óbito, sem, contudo, colocar qualquer tipo de pena 
para quem fizer inventário depois deste prazo. 
Depois do prazo de dois meses após o óbito pode ocorrer a incidência de multa sobre o 
ITCD que será cobrando, mas não é automático. O Código de Processo Civil deixa a cargo dos 
estados, passados os 2 meses, a possibilidade de cobrarem o ITCD (de competência estadual) com 
multa, caso determinem. 
No DF a tributação prevista do ITCD varia de 4% a 6% de acordo com o valor do 
patrimônio a ser transferido. 
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INTRODUÇÃO 
O Direito Sucessório nasceu com caráter religioso, num sentido extrapatrimonial, 
importando para a família romana, uma continuação da religião doméstica, em que o pater familias 
instituía, na pessoa do herdeiro, o novo titular da soberania familiar. Cabia ao filho continuar o 
culto ao Deus da casa de seu pai e ao fogo sagrado que deveria ser mantido aceso no interior do 
lar. A filha não herdava esse direito, nem tampouco os bens, pois com o casamento ela deveria 
passar a adorar o Deus e o fogo sagrado da casa de seu esposo. 
Mais tarde, esse Direito servia para unir a família e aumentar o patrimônio. mas, com a 
socialização do direito, o Direito das Sucessões deixa de ter caráter individualista e passa a ter 
interesse mais social. De qualquer forma, hoje, o caráter da sucessão é eminentemente econômico, 
caracterizando-se pela transferência do ativo e passivo do falecido para seus herdeiros. 
O fundamento do direito sucessório, devido à sua importante função social, é a 
propriedade, conjugada ou não, com o direito de família. 
 
DA SUCESSÃO EM GERAL (Título I – artigos 1.784 a 1.828 do CC) 
Abertura da sucessão 
Regra: art. 1.784 do CC. - Abre-se a sucessão no momento exato do falecimento, 
transmitindo aos herdeiros legítimos e testamentários do de “de cujus”, tendo eles ciência ou não 
do falecimento. 
1 – Art. 1.787 do CC: legitimação para suceder é a do tempo da abertura da sucessão; no 
momento do falecimento é que o herdeiro deve mostrar a condição de herdeiro. 
2 – O herdeiro que sobrevive, mesmo por alguns instantes, ao falecido, faz sua a herança 
por este deixada. O herdeiro incorpora ao seu patrimônio o patrimônio do falecido e mesmo que 
morra segundos após, transmite-se aos seus próprios herdeiros os bens adquiridos. 
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Espécies de sucessão: legítima e testamentária 
Título universaldivisão cômoda, o juiz 
determinará que sobre ela se proceda a licitação entre os herdeiros. 
§ 3º O donatário poderá concorrer na licitação referida no § 2º e, em igualdade de condições, terá 
preferência sobre os herdeiros. 
Art. 641. Se o herdeiro negar o recebimento dos bens ou a obrigação de os conferir, o juiz, ouvidas as 
partes no prazo comum de 15 (quinze) dias, decidirá à vista das alegações e das provas produzidas. 
§ 1º Declarada improcedente a oposição, se o herdeiro, no prazo improrrogável de 15 (quinze) dias, não 
proceder à conferência, o juiz mandará sequestrar-lhe, para serem inventariados e partilhados, os bens sujeitos 
à colação ou imputar ao seu quinhão hereditário o valor deles, se já não os possuir. 
§ 2º Se a matéria exigir dilação probatória diversa da documental, o juiz remeterá as partes às vias 
ordinárias, não podendo o herdeiro receber o seu quinhão hereditário, enquanto pender a demanda, sem prestar 
caução correspondente ao valor dos bens sobre os quais versar a conferência. 
Seção VII 
Do Pagamento das Dívidas 
Art. 642. Antes da partilha, poderão os credores do espólio requerer ao juízo do inventário o pagamento 
das dívidas vencidas e exigíveis. 
§ 1º A petição, acompanhada de prova literal da dívida, será distribuída por dependência e autuada em 
apenso aos autos do processo de inventário. 
§ 2º Concordando as partes com o pedido, o juiz, ao declarar habilitado o credor, mandará que se faça a 
separação de dinheiro ou, em sua falta, de bens suficientes para o pagamento. 
§ 3º Separados os bens, tantos quantos forem necessários para o pagamento dos credores habilitados, o 
juiz mandará aliená-los, observando-se as disposições deste Código relativas à expropriação. 
§ 4º Se o credor requerer que, em vez de dinheiro, lhe sejam adjudicados, para o seu pagamento, os bens 
já reservados, o juiz deferir-lhe-á o pedido, concordando todas as partes. 
§ 5º Os donatários serão chamados a pronunciar-se sobre a aprovação das dívidas, sempre que haja 
possibilidade de resultar delas a redução das liberalidades. 
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Art. 643. Não havendo concordância de todas as partes sobre o pedido de pagamento feito pelo credor, 
será o pedido remetido às vias ordinárias. 
Parágrafo único. O juiz mandará, porém, reservar, em poder do inventariante, bens suficientes para pagar 
o credor quando a dívida constar de documento que comprove suficientemente a obrigação e a impugnação 
não se fundar em quitação. 
Art. 644. O credor de dívida líquida e certa, ainda não vencida, pode requerer habilitação no inventário. 
Parágrafo único. Concordando as partes com o pedido referido no caput , o juiz, ao julgar habilitado o 
crédito, mandará que se faça separação de bens para o futuro pagamento. 
Art. 645. O legatário é parte legítima para manifestar-se sobre as dívidas do espólio: 
I - quando toda a herança for dividida em legados; 
II - quando o reconhecimento das dívidas importar redução dos legados. 
Art. 646. Sem prejuízo do disposto no art. 860 , é lícito aos herdeiros, ao separarem bens para o 
pagamento de dívidas, autorizar que o inventariante os indique à penhora no processo em que o espólio for 
executado. 
Seção VIII 
Da Partilha 
Art. 647. Cumprido o disposto no art. 642, § 3º , o juiz facultará às partes que, no prazo comum de 15 
(quinze) dias, formulem o pedido de quinhão e, em seguida, proferirá a decisão de deliberação da partilha, 
resolvendo os pedidos das partes e designando os bens que devam constituir quinhão de cada herdeiro e 
legatário. 
Parágrafo único. O juiz poderá, em decisão fundamentada, deferir antecipadamente a qualquer dos 
herdeiros o exercício dos direitos de usar e de fruir de determinado bem, com a condição de que, ao término 
do inventário, tal bem integre a cota desse herdeiro, cabendo a este, desde o deferimento, todos os ônus e 
bônus decorrentes do exercício daqueles direitos. 
Art. 648. Na partilha, serão observadas as seguintes regras: 
I - a máxima igualdade possível quanto ao valor, à natureza e à qualidade dos bens; 
II - a prevenção de litígios futuros; 
III - a máxima comodidade dos coerdeiros, do cônjuge ou do companheiro, se for o caso. 
Art. 649. Os bens insuscetíveis de divisão cômoda que não couberem na parte do cônjuge ou 
companheiro supérstite ou no quinhão de um só herdeiro serão licitados entre os interessados ou vendidos 
judicialmente, partilhando-se o valor apurado, salvo se houver acordo para que sejam adjudicados a todos. 
Art. 650. Se um dos interessados for nascituro, o quinhão que lhe caberá será reservado em poder do 
inventariante até o seu nascimento. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art860
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art642%C2%A73
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Art. 651. O partidor organizará o esboço da partilha de acordo com a decisão judicial, observando nos 
pagamentos a seguinte ordem: 
I - dívidas atendidas; 
II - meação do cônjuge; 
III - meação disponível; 
IV - quinhões hereditários, a começar pelo coerdeiro mais velho. 
Art. 652. Feito o esboço, as partes manifestar-se-ão sobre esse no prazo comum de 15 (quinze) dias, e, 
resolvidas as reclamações, a partilha será lançada nos autos. 
Art. 653. A partilha constará: 
I - de auto de orçamento, que mencionará: 
a) os nomes do autor da herança, do inventariante, do cônjuge ou companheiro supérstite, dos herdeiros, 
dos legatários e dos credores admitidos; 
b) o ativo, o passivo e o líquido partível, com as necessárias especificações; 
c) o valor de cada quinhão; 
II - de folha de pagamento para cada parte, declarando a quota a pagar-lhe, a razão do pagamento e a 
relação dos bens que lhe compõem o quinhão, as características que os individualizam e os ônus que os 
gravam. 
Parágrafo único. O auto e cada uma das folhas serão assinados pelo juiz e pelo escrivão. 
Art. 654. Pago o imposto de transmissão a título de morte e juntada aos autos certidão ou informação 
negativa de dívida para com a Fazenda Pública, o juiz julgará por sentença a partilha. 
Parágrafo único. A existência de dívida para com a Fazenda Pública não impedirá o julgamento da 
partilha, desde que o seu pagamento esteja devidamente garantido. 
Art. 655. Transitada em julgado a sentença mencionada no art. 654 , receberá o herdeiro os bens que lhe 
tocarem e um formal de partilha, do qual constarão as seguintes peças: 
I - termo de inventariante e título de herdeiros; 
II - avaliação dos bens que constituíram o quinhão do herdeiro; 
III - pagamento do quinhão hereditário; 
IV - quitação dos impostos; 
V - sentença. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art654
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Parágrafo único. O formal de partilha poderá ser substituído por certidão de pagamento do quinhão 
hereditário quando esse não exceder a 5 (cinco) vezes o salário-mínimo, caso em que se transcreverá nela a 
sentença de partilha transitada em julgado. 
Art. 656. A partilha, mesmo depois de transitada em julgado a sentença, pode ser emendada nos mesmos 
autos do inventário, convindo todas as partes, quando tenha havido erro de fato na descrição dos bens, podendo 
o juiz, de ofício ou a requerimento da parte, a qualquer tempo, corrigir-lhe as inexatidões materiais. 
Art. 657. A partilha amigável, lavrada em instrumento público, reduzida a termonos autos do inventário 
ou constante de escrito particular homologado pelo juiz, pode ser anulada por dolo, coação, erro essencial ou 
intervenção de incapaz, observado o disposto no § 4º do art. 966 . 
Parágrafo único. O direito à anulação de partilha amigável extingue-se em 1 (um) ano, contado esse 
prazo: 
I - no caso de coação, do dia em que ela cessou; 
II - no caso de erro ou dolo, do dia em que se realizou o ato; 
III - quanto ao incapaz, do dia em que cessar a incapacidade. 
Art. 658. É rescindível a partilha julgada por sentença: 
I - nos casos mencionados no art. 657 ; 
II - se feita com preterição de formalidades legais; 
III - se preteriu herdeiro ou incluiu quem não o seja. 
Seção IX 
Do Arrolamento 
Art. 659. A partilha amigável, celebrada entre partes capazes, nos termos da lei, será homologada de 
plano pelo juiz, com observância dos arts. 660 a 663 . 
§ 1º O disposto neste artigo aplica-se, também, ao pedido de adjudicação, quando houver herdeiro único. 
§ 2º Transitada em julgado a sentença de homologação de partilha ou de adjudicação, será lavrado o 
formal de partilha ou elaborada a carta de adjudicação e, em seguida, serão expedidos os alvarás referentes 
aos bens e às rendas por ele abrangidos, intimando-se o fisco para lançamento administrativo do imposto de 
transmissão e de outros tributos porventura incidentes, conforme dispuser a legislação tributária, nos termos 
do § 2º do art. 662 . 
Art. 660. Na petição de inventário, que se processará na forma de arrolamento sumário, 
independentemente da lavratura de termos de qualquer espécie, os herdeiros: 
I - requererão ao juiz a nomeação do inventariante que designarem; 
II - declararão os títulos dos herdeiros e os bens do espólio, observado o disposto no art. 630 ; 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art966%C2%A74
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art657
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http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art662%C2%A72
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III - atribuirão valor aos bens do espólio, para fins de partilha. 
Art. 661. Ressalvada a hipótese prevista no parágrafo único do art. 663 , não se procederá à avaliação 
dos bens do espólio para nenhuma finalidade. 
Art. 662. No arrolamento, não serão conhecidas ou apreciadas questões relativas ao lançamento, ao 
pagamento ou à quitação de taxas judiciárias e de tributos incidentes sobre a transmissão da propriedade dos 
bens do espólio. 
§ 1º A taxa judiciária, se devida, será calculada com base no valor atribuído pelos herdeiros, cabendo ao 
fisco, se apurar em processo administrativo valor diverso do estimado, exigir a eventual diferença pelos meios 
adequados ao lançamento de créditos tributários em geral. 
§ 2º O imposto de transmissão será objeto de lançamento administrativo, conforme dispuser a legislação 
tributária, não ficando as autoridades fazendárias adstritas aos valores dos bens do espólio atribuídos pelos 
herdeiros. 
Art. 663. A existência de credores do espólio não impedirá a homologação da partilha ou da adjudicação, 
se forem reservados bens suficientes para o pagamento da dívida. 
Parágrafo único. A reserva de bens será realizada pelo valor estimado pelas partes, salvo se o credor, 
regularmente notificado, impugnar a estimativa, caso em que se promoverá a avaliação dos bens a serem 
reservados. 
Art. 664. Quando o valor dos bens do espólio for igual ou inferior a 1.000 (mil) salários-mínimos, o 
inventário processar-se-á na forma de arrolamento, cabendo ao inventariante nomeado, independentemente de 
assinatura de termo de compromisso, apresentar, com suas declarações, a atribuição de valor aos bens do 
espólio e o plano da partilha. 
§ 1º Se qualquer das partes ou o Ministério Público impugnar a estimativa, o juiz nomeará avaliador, que 
oferecerá laudo em 10 (dez) dias. 
§ 2º Apresentado o laudo, o juiz, em audiência que designar, deliberará sobre a partilha, decidindo de 
plano todas as reclamações e mandando pagar as dívidas não impugnadas. 
§ 3º Lavrar-se-á de tudo um só termo, assinado pelo juiz, pelo inventariante e pelas partes presentes ou 
por seus advogados. 
§ 4º Aplicam-se a essa espécie de arrolamento, no que couber, as disposições do art. 672 , relativamente 
ao lançamento, ao pagamento e à quitação da taxa judiciária e do imposto sobre a transmissão da propriedade 
dos bens do espólio. 
§ 5º Provada a quitação dos tributos relativos aos bens do espólio e às suas rendas, o juiz julgará a 
partilha. 
Art. 665. O inventário processar-se-á também na forma do art. 664 , ainda que haja interessado incapaz, 
desde que concordem todas as partes e o Ministério Público. 
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Art. 666. Independerá de inventário ou de arrolamento o pagamento dos valores previstos na Lei nº 
6.858, de 24 de novembro de 1980 . 
Art. 667. Aplicam-se subsidiariamente a esta Seção as disposições das Seções VII e VIII deste Capítulo. 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6858.htm
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6858.htme a título singular 
Sucessão legítima ou “ab intestato” (= sem deixar testamento): É decorrente da lei. 
Ocorrendo o falecimento sem qualquer testamento, a sucessão será legítima, passando o 
patrimônio às pessoas indicadas pela lei (CC art. 1.829). 
Sucessão testamentária: Decorre de manifestação de última vontade, que é expresso em 
testamento. Em nosso direito é possível a existência simultânea dos dois meios: sucessão legítima 
e a sucessão testamentária (CC, art. 1.788, 2ª parte). 
Sucessão a título universal: o herdeiro sucede na totalidade dos bens do falecido, ou em 
uma parte deles. 
Sucessão a título singular: o herdeiro sucede em certo bem do testador. Consta um bem 
certo e determinado. Ex.: no testamento consta que ao herdeiro “A”, passa a ser titular do 
automóvel marca Ford-Fiesta, ano de fabricação 2000, placa: DDZ –2000. Nesse caso tem-se a 
nomeação de legatário porque sucede o testador em coisa certa e determinada. 
 
Vocação Hereditária 
O CC utiliza legitimação para suceder Alguns doutrinadores utilizam também capacidade 
para suceder. A regra geral sobre a legitimação para suceder está prevista no art. 1.798 do CC. 
Só as pessoas vivas ou já concebidas ao tempo da morte do autor da herança podem ser 
herdeiras ou legatárias. O herdeiro ou legatário têm de sobreviver ao “de cujus”. É o chamado 
“princípio da coexistência”: O sucessor (herdeiro ou legatário) e o “de cujus” devem coexistir no 
momento da morte, ao tempo da abertura da sucessão. 
Ex.: “A” fez um testamento em favor de “B”; no intervalo entre a feitura do testamento e 
abertura da sucessão “B” (herdeiro) falecer, a instituição se invalida. No caso de legado, se o 
legatário falecer antes do testador, caducará o legado (CC, art. 1.939, V) 
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O testador poderá, porém, sentindo que seu herdeiro poderá morrer antes, declarar que 
nessa situação o direito a sucessão passará aos descendentes desse herdeiro (substituição 
testamentária). Ex. “A” institui “B” como herdeiro universal; caso “B” venha a falecer antes de 
“A”, os filhos de “B” receberão a herança de “A”. Os filhos de “B” herdarão em razão da 
substituição determinada no testamento, e não como representantes de seu pai, que é o herdeiro 
instituído, UMA VEZ QUE NÃO HÁ DIREITO DE REPRESENTAÇÃO NA SUCESSÃO 
TESTAMENTÁRIA. 
Quer as pessoas físicas, quer as jurídicas podem receber por testamento. As pessoas 
jurídicas devem estar regularmente registradas (CC, art. 45). 
Exceção à regra geral: Regra geral: art. 1.798: só as pessoas vivas, existentes têm legitimação 
para suceder. A exceção: nascituro que pode suceder tanto na sucessão legítima quanto na 
testamentária. A capacidade sucessória do nascituro dependerá de seu nascimento com vida 
(herança sob condição resolutiva). 
Com a morte do testador, antes do nascimento do herdeiro ou legatário, a titularidade da 
herança ou legado fica provisoriamente, suspensa. Nascendo o herdeiro ou legatário passa ele a 
ser dono da herança desde a abertura da sucessão e não a partir do instante do nascimento; tem o 
herdeiro direito aos bens e a seus frutos, rendimentos e acréscimos. 
No caso de o nascituro nascer morto (natimorto), os bens são devolvidos aos herdeiros 
legítimos do “de cujus”, ou ao substituto testamentário, se tiver sido indicado. 
Com relação à herança deixada à prole eventual, estipula-se o prazo de dois anos para sua 
concepção, após este prazo os bens caberão aos herdeiros legítimos (art. 1.800, § 4º, CC). 
Aceitação e Renúncia da Herança 
Aceitação e renúncia – Atos irrevogáveis: Estabelece o art. 1.812 do CC : “São irrevogáveis 
os atos de aceitação ou de renúncia da herança” . Uma vez manifestada a vontade, não se admite 
arrependimento do aceitante ou renunciante. 
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Aceitação: Conceito: “Aceitação vem a ser o ato jurídico unilateral pelo qual o herdeiro, 
legítimo ou testamentário, manifesta livremente sua vontade de receber a herança que lhe é 
transmitida”. Com a aceitação da herança torna-se definitiva a sua transmissão ao herdeiro, desde 
a abertura da sucessão, conforme dispõe o art. 1.804 do CC. Aceitando a herança o herdeiro, de 
acordo com o art. 1.792 do CC não responde pelos encargos superiores às forças da herança. 
Espécies de aceitação: De acordo com o art. 1.805 do CC a aceitação pode ser expressa ou 
tácita. Alguns autores entendem que configura outro tipo de aceitação denominado “aceitação 
presumida”, prevista no art. 1.807 do CC. 
Expressa: é a aceitação manifestada por escrito. 
Tácita: Art. 1.805, 2ª parte do CC: resulta tão-somente de atos próprios da qualidade de 
herdeiro. Ex.: o herdeiro paga o credor, contrata advogado para acompanhar o inventário. 
Presumida: Art. 1.807 do CC : no caso de algum interessado em saber se o herdeiro aceita 
ou não a herança. Ex.: credor do herdeiro. 
A aceitação deve ser pura e simples; não se admite a aceitação sob condição ou a termo, 
isto é, mediante certo prazo ou tempo. 
 
Renúncia: Conceito: “Renúncia é ato jurídico unilateral, pelo qual o herdeiro declara 
expressamente que não aceita a herança a quem tem direito, despojando-se de sua titularidade”. A 
renúncia deve ser expressa: escritura pública ou termo judicial lançado nos autos do inventário 
(CC, art. 1.806) 
Espécies: Abdicativa ou translativa. 
Na primeira (abdicativa) o herdeiro manifesta a renúncia sem a prática de qualquer ato que 
exprima aceitação. Faz a renúncia da herança em benefício do monte, sem indicar qualquer 
favorecido. 
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Na segunda (translativa) o herdeiro manifesta a renúncia em favor de determinada pessoa, 
citada nominalmente. 
 
DESSEMELHANÇAS - RENÚNCIA ABDICATIVA E TRANSLATIVA. 
Trata-se a renúncia ABDICATIVA do efetivo abandono de um direito em favor do monte 
ou dos demais herdeiros, feita de forma unilateral, o que vem a caracterizar a renúncia 
propriamente disposta no Código Civil. TRANSLATIVA - é figura de alienação, alheia, portanto, 
ao campo da renúncia - Reveste-se ela dos mesmos requisitos que se exige para uma transmissão 
a título gratuito ou oneroso, exigindo-se, inclusive duas declarações de vontade, uma de quem 
transmite algum direito, e a outra de quem o recebe. É o instituto que mais conhecemos como 
CESSÃO DE DIREITOS. 
Liberdade de renunciar. Restrições. De regra a pessoa capaz pode renunciar a herança. 
Deve ser ressaltado que o CC classifica o direito à sucessão aberta como bem imóvel (art. 80, II) 
e diante dessa classificação o renunciante, se for casado, deve obter o consentimento do cônjuge, 
da mesma forma que se fosse alienar os bens imóveis. 
Há uma restrição à liberdade de renunciar a herança. É a hipótese prevista no art. 1.813 do 
CC. Se a renúncia prejudicar os credores, estes poderão, com autorização do juiz, aceitá-la em 
nome do renunciante. Se o renunciante for proprietário de outros bens e tendo condições de saldar 
suas dívidas, sua liberdade de renunciar à herança é possível; nesse caso não se aplica a restrição 
do art. 1.813 do CC. 
Efeitos da renúncia: O principal efeito é o afastamento do renunciante à sucessão. Como 
retroage, o herdeiro renunciante é considerado como se jamais houvesse sido herdeiro, apenas 
herdeiro aparente. (CC art. 1.804, § único). 
Outros efeitos: 
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Na sucessão legítima (CC , art. 1.810) – “a parte do renunciante acresce à dos outros 
herdeiros da mesma classe e, sendo ele o único desta, devolve-se aos da subsequente”. Ex.: o 
falecido tinha 3 filhos e um deles renunciou; a herança se divide entre os outros 2 (o renunciante 
é considerado como se nunca tivesse existido); o falecido tinha apenas 1 filho e este renunciou 
sem deixar descendentes. Nesse caso a herança é devolvida aos ascendentes do falecido (CC , art. 
1.829, II). 
Outro efeito: os descendentes do renunciante não podem representar o renunciante na 
sucessão (CC, art. 1.811, 1ª parte). O renunciante é considerado como não ter sido jamais herdeiro; 
portanto, seus descendentes não herdam por representação na sucessão do renunciante. 
 
RENÚNCIA DE HERDEIRO CASADO - A renúncia quando envolve herdeiro casado, 
no entendimento de Washington de Barros Monteiro, e de Maria Helena Diniz, não necessita de 
anuência do cônjuge, principalmente se o casamento foi realizado sob o regime da separação 
absoluta (CC , art. 1.647 “caput”, parte final, e art. 1.687); porém, outros autores, como Caio 
Maria da Silva Pereira, pensam de forma contrária, afirmando a necessidade da presença do 
cônjuge. Nossa posição se alia no sentido de não se dispensar a presença do cônjuge do herdeiro 
em eventual ato de renúncia, buscando assim uma segurança maior para o que se pretende, 
principalmente quando o herdeiro for casado no regime da comunhão universal de bens, caso em 
que diretamente seu cônjuge terá prejuízo com tal renúncia Justificamos ainda tal posição pelo que 
temos no art. 80 II do CC, o qual considera imóvel para os efeitos legais, o direito à sucessão 
aberta, o que nos leva aos artigos 235 e 242, que, independentemente do regime de bens, exigem 
sempre anuência dos respectivos cônjuges quando se negocia transferência ou oneração de direitos 
imobiliários. 
(Observação: Direito de Representação – a lei chama certos parentes do falecido para 
suceder em todos os direitos que ele sucederia, se vivesse. Ex.: “A” morreu e deixou o filho “B” 
e os netos “C” e “D”. Esses netos são filhos de “E”, que por sua vez era filho de “A”. “E”, filho 
de “A”, morreu antes de seu pai; nesse caso os netos “C” e “D” herdam por representação. A 
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sucessão de “A” divide-se em duas partes. Uma caberá ao filho “B” (que está vivo) e a outra aos 
netos “C” e “D”, descendentes do filho pré-morto (“E”). Os netos herdam por representação, 
pois representam o pai na sucessão do avô. - Importante: NÃO HÁ DIREITO DE 
REPRESENTAÇÃO NA SUCESSÃO TESTAMENTÁRIA) 
(Observação: Na sucessão LEGÍTIMA processa-se por CABEÇA OU ESTIRPE. Por 
cabeça quando todos os sucessores se encontram no mesmo grau. Ex.: irmãos que sucedem o 
pai. Por estirpe quando os herdeiros que estão em grau inferior herdam representando seu 
ascendente e recebem aquilo que cabe à sua estirpe. Na sucessão testamentária a renúncia do 
herdeiro torna caduca a disposição que o beneficia, a não ser que o testador tenha indicado 
substituto (CC, art. 1.947) ou haja direito de acrescer entre os herdeiros (CC, art. 1.943). 
 
Herdeiros: 
❖ Herdeiros legítimos - relacionados por lei (art. 1.829 C.C.) 
❖ Herdeiros necessários - descendente, ascendente e o cônjuge. 
❖ Herdeiros testamentários - instituídos pelo falecido, por testamento. 
 
Vocação Hereditária: (art. 1.829 C.C.) 
Os herdeiros legítimos são chamados a herdar na seguinte ordem: 
1. descendente, em concorrência com o cônjuge; 
2. ascendente, em concorrência com o cônjuge; 
3. cônjuge sobrevivente; 
4. colaterais até 4º grau. 
 
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A ordem de vocação deve ser respeitada. Os que estão acima excluem os abaixo , os mais 
próximos excluem os mais remotos. Contudo devemos observar se o inumado deixou testamento. 
Atende-se o disposto em testamento. As duas primeiras classes não podem receber menos 
que 50% (cinqüenta por cento) do quinhão, esta metade denomina-se LEGÍTIMA. A legítima dos 
herdeiros necessários não pode ser afastada por testamento. 
" Ao contrário do código anterior, a legitima não mais pode ser clausulada, para a imposição 
de inalienabilidade, impenhorabilidade, ou incomunicabilidade, salvo justa causa declarada no 
testamento (ART. 1.848), a ser depois avaliado pelo juiz." 
EXCLUSÃO POR INDIGNIDADE: os herdeiros ou legatários podem ser excluídos da 
sucessão, por razão de indignidade (rol do art. 1.814, CC), através de ação ordinária (art. 1.815, 
parágrafo único, CC), movida por um interessado. Trata-se de uma pena civil em que se considera 
o indigno como se morto fosse desde o momento da abertura da sucessão. Não se dará a exclusão 
se assim tiver decidido a pessoa ofendida, por testamento ou ato autêntico - reabilitação do indigno 
(art. 1.818, CC). Por ser a indignidade ato personalíssimo, podem os descendentes do excluído 
herdar por representação (art. 1.816, CC). 
CUIDADO!!! Observe o julgado: 
POSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO DE DECLARAÇÃO DE INDIGNIDADE E 
DA EXCLUSÃO DA SUCESSÃO DO HERDEIRO QUE PRATICA ATO INFRACIONAL 
ANÁLOGO AO HOMICÍDIO CONTRA OS PAIS. ALEGADA VIOLAÇÃO AOS ARTS. 
140, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO, E 485, IV, AMBOS DO CPC/15, AO ART. 1.814, I, 
DO CC/2002 E AOS ARTS. 1º, 2º, 3º, CAPUT E PARÁGRAFO ÚNICO, 5º, 27, 103 E 104, 
TODOS DO ECA. 
EMENTA CIVIL. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO DAS SUCESSÕES. AÇÃO 
DECLARATÓRIA DE RECONHECIMENTO DE INDIGNIDADE COM PEDIDO DE 
EXCLUSÃO DE HERDEIRO. OMISSÕES RELEVANTES. INOCORRÊNCIA. QUESTÃO 
EXPRESSAMENTE DECIDIDA NO ACÓRDÃO RECORRIDO. POSSIBILIDADE 
JURÍDICA DO PEDIDO. CONDIÇÃO DA AÇÃO NO CPC/73. QUESTÃO DE MÉRITO 
NO CPC/15. RECONHECIMENTO DA IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA DO PEDIDO. 
RESOLUÇÃO DO PROCESSO COM MÉRITO. APTIDÃO PARA FORMAR COISA 
JULGADA MATERIAL. CONCEITO E CONTEÚDO INALTERADOS. AUSÊNCIA DE 
VEDAÇÃO À PRETENSÃO DO AUTOR, SOB PENA DE JULGAMENTO DE 
IMPROCEDÊNCIA LIMINAR. CONTUNDENTE DIVERGÊNCIA SOBRE A 
NATUREZA DO ROL DO ART. 1.814 DO CC/2002 E SOBRE AS TÉCNICAS 
HERMENÊUTICAS ADMISSÍVEIS PARA A SUA INTERPRETAÇÃO. PEDIDO 
JURIDICAMENTE POSSÍVEL, VEDADO O JULGAMENTO DE IMPROCEDÊNCIA 
LIMINAR. 1- Ação ajuizada em 09/11/2017. Recurso especial interposto em 23/11/2020 e 
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atribuído à Relatora em 19/05/2021. 2- O propósito recursal, para além da negativa de prestação 
jurisdicional, é definir se é juridicamente possível o pedido de exclusão do herdeiro em virtude da 
prática de ato infracional análogo ao homicídio, doloso e consumado, contra os pais, à luz da regra 
do art. 1.814, I, do CC/2002. 3- Não há que se falar em omissão relevante no acórdão recorrido 
que está suficientemente fundamentado e que enfrentou adequadamente a questão devolvida no 
agravo de instrumento interposto pela parte, firmando a sua convicção no sentido de que é 
juridicamente possível o pedido de exclusão da sucessão do herdeiro que ceifou a vida dos pais, 
mesmo na hipótese em que se trata de ato cometido por adolescente. 4- O enquadramento da 
possibilidade jurídica do pedido, na vigência do CPC/73, na categoria das condições da ação, 
sempre foi objeto de severascríticas da doutrina, que reconhecia o fenômeno como uma questão 
de mérito, tendo sido esse o entendimento adotado pelo CPC/15, conforme se depreende de sua 
exposição de motivos e dos dispositivos legais que atualmente versam sobre os requisitos de 
admissibilidadeda ação. Precedentes. 5- O fato de a possibilidade jurídica do pedido ter sido 
realocada como questão de mérito, conquanto provoque reflexos significativos na forma como o 
processo será resolvido, com mérito e aptidão para formar coisa julgada material, não acarreta 
modificação substancial em seu conceito e conteúdo, que continua sendo a ausência de vedação, 
pelo ordenamento jurídico, à pretensão deduzida pelo autor, sob pena de, após o CPC/15, 
conduzir à improcedência liminar do pedido. 6- Na hipótese, a questão relativa à possibilidade de 
exclusão do herdeiro que atenta contra a vida dos pais é objeto de severas controvérsias 
doutrinárias, seja sob a perspectiva da taxatividade, ou não, do rol do art. 1.814 do CC/2002, seja 
sob o enfoque dos métodos admissíveis e apropriados para a interpretação das hipóteses listadas 
no rol, razão pela qual as múltiplas possibilidades hermenêuticas do referido dispositivo induzem 
à inviabilidade do julgamento de improcedência liminar do pedido. 7- Recurso especial conhecido 
e não-provido. 
(STJ - REsp: 1938984 PR 2021/0151974-3, Relator: Ministra NANCY ANDRIGHI, Data de 
Publicação: DJ 19/10/2021) 
 
A Lei 14.661, de 2023 altera o Código Civil ao determinar a perda automática da herança 
nos casos de indignidade, após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória do herdeiro 
indigno. O Código Civil estabelecia que a perda da herança deveria ser declarada em sentença 
judicial e que o direito de demandar na Justiça a exclusão do herdeiro ou legatário seria extinto 
em quatro anos, contados da abertura da sucessão. 
Art. 1.815-A. Em qualquer dos casos de indignidade previstos no art. 1.814, o trânsito em julgado 
da sentença penal condenatória acarretará a imediata exclusão do herdeiro ou legatário indigno, 
independentemente da sentença prevista no caput do art. 1.815 deste Código. 
Conforme a lei sancionada, são indignos e excluídos da herança aqueles que participarem 
de homicídio doloso, ou tentativa, contra a pessoa de quem for herdeiro; os que acusarem 
caluniosamente em juízo o autor da herança ou incorrerem em crime contra a honra; e os que, 
por violência ou meios fraudulentos, inibirem ou obstarem o autor da herança de dispor 
livremente dos bens por ato de última vontade. 
Curso: DIREITO 
Disciplina: DIREITO DAS SUCESSÕES 
Professor: MAURO SERPA 
 
 
Prof.: MAURO SERPA 
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Herança Jacente e Herança Vacante: 
A herança da qual não se conhecem os herdeiros, chama-se jacente. (art. 1.819 C.C.) 
A herança jacente não se confunde com a herança vacante, pois esta resulta do não-
aparecimento de herdeiros, após as diligências legais, desta forma serão declarados vacantes os 
Bens da herança jacente, se, praticadas todas as diligências legais, não aparecerem 
herdeiros. 
Em tal caso, decorridos cinco anos da abertura da sucessão, os bens arrecadados passarão 
ao domínio do Município, ou do Distrito Federal, se localizados em suas respectivas 
circunscrições, incorporando-se ao domínio da União quando situados em território federal. (art. 
1.822 C.C.). OBS: OS ESTADOS FEDERADOS NÃO PARTICIPAM DA HERANÇA 
JACENTE. 
PETIÇÃO DE HERANÇA: 
O herdeiro poderá demandar o reconhecimento de seu direito sucessório, para obter a 
restituição da herança, ou de parte dela, contra quem, na qualidade de herdeiro ou não, a possua 
(art. 1.824, CC). A ação de petição de herança é prescritível, fixando o Código Civil nos artigos 
subsequentes as devidas responsabilidades. 
 
http://www.dji.com.br/processo_civil/heranca_jacente.htm#Bens vacantes
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
Glossário e princípios do direito das sucessões 
 
Sucessão vem do latim, sucedere, que significa uns depois dos outros. A sucessão trata do instituto da 
transmissão, mais especificamente da transmissão causa mortis. 
O direito à sucessão é garantia constitucional. O ato de suceder é direito da personalidade. A qualidade de 
sucessor é inegociável. Inobstante, pode ser negociado o direito de receber, efetivamente, a herança. 
CF/88: Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e 
aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
[...] 
XXX - é garantido o direito de herança; 
Direito das sucessões é, pois, o complexo de normas e princípios que disciplinam a transmissão do patrimônio 
de alguém que morreu a seus sucessores. 
Como visto, ocupa-se o Direito das Sucessões da transmissão mortis causa. Nem tudo é transmitido, com a 
morte. As relações personalíssimas se extinguem. Transmitem-se, apenas, as relações jurídicas patrimoniais. O 
conjunto de relações jurídicas transmitidas recebe o nome de herança. Herança, segundo o art. 80 do CC, é bem 
imóvel e indivisível, ainda que composta, exclusivamente, de bens móveis e divisíveis. 
Aberta a sucessão, forma-se um condomínio forçado, que somente é dissolvido com a sentença de partilha. Os 
herdeiros podem mantê-lo após a sentença. Aí, o condomínio passa a ser voluntário. Caso o herdeiro deseje alienar a 
sua cota parte, deve respeitar o direito de preferência dos demais. 
Exceção à regra da transmissão é o direito autoral. É o único direito da personalidade que se transmite. A parte 
patrimonial é transmitida através de um sistema sucessório próprio. Não segue a regra do CC. Aberta a sucessão, 
transmite-se aos herdeiros pelo prazo de 70 a partir do primeiro dia do ano subseqüente ao da morte do autor. Findo 
esse prazo, a obra cai em domínio público. 
O Direito das Sucessões possui uma terminologia peculiar. 
- Autor da herança: É o falecido. De quem a sucessão se trata. (de cujus, falecido, inumado, extinto etc) 
- Sucessores: Aqueles que são chamados para continuar as relações jurídicas do falecido. 
- Herança: Também chamada de acervo, massa, espólio ou monte hereditário. É o total do patrimônio 
transmitido. 
- Herdeiro universal: recebe uma parte da herança, uma cota fracionada, um quinhão do patrimônio 
- Herdeiro exclusivo: Herda tudo adjudicando todo o patrimônio. 
- Herdeiro legítimo: Contemplado na ordem de vocação hereditária. Podem ser necessários ou facultativos. 
- Herdeiro necessário: Não pode ser afastado da herança pela mera vontade do autor da herança. 
- Herdeiro facultativo: Pode ser afastado da herança pela mera vontade do autor da herança. 
- Herdeiro testamentário: Contemplado em testamento. 
- Herdeiro singular: Recebe bem certo e determinado deixado em testamento, também chamado de legatário. 
- Legado: bem certo e determinado deixado em testamento. 
- Testamenteiro: responsável por fazer cumprir o testamento 
- Sucessão AB INTESTATO ou AB INTESTADO: Sucessão sem testamento. 
- Inumação: Ato de enterrar o defunto 
- Inventário: Processo judicial tendente a promover a divisão do patrimônio dividido entre os sucessores. Pode 
ser substituído por arrolamento. 
- Inventariante: Responsável pelo processo de inventário. 
O Direito das Sucessões compreende: 
- Sucessão em geral: Regras aplicáveis a todas as espécies de sucessões. 
- Legítima: Sucessão de acordo com a ordem legal de vocação hereditária. 
- Testamentária: Sucessão de acordo com a vontade do autor da herança. 
Determinados institutos fogem à regra geral do direito sucessório. Possuem regras sucessórias próprias: 
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- Direito autoral: Já visto. 
- Bens do estrangeiro: Se situados no Brasil, a sucessão se dá de acordo com a lei mais favorável aos 
herdeiros brasileiros, conforme determina o art. 10, § 2o, LICC e o art. 5o, XXXI, CF. 
- Enfiteuse: O bem enfitêutico (terreno foreiro) possui sucessão diferenciada. É transmitido livremente. Pode 
legar, em testamento. Se não houver herdeiros, nem legatários, extingue-se a enfiteuse e a propriedadeconsolida-se na mão do senhorio. 
- Direito Previdenciário: regra própria 
- Seguro de vida: transmissão aos beneficiários 
 
PRINCÍPIOS 
SAISINE: Art. 1.784. Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e 
testamentários. 
LOCAL DA ABERTURA DO INVENTÁRIO: Art. 1.785. A sucessão abre-se no lugar do último domicílio do falecido. 
EXCEÇÕES: ART 49 CPC/15 
TIPOS DE SUCESSÃO: Art. 1.786. A sucessão dá-se por lei ou por disposição de última vontade. 
LEI VIGENTE: Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura 
daquela. 
DIREITO A HERANÇA: Art. 1.788. Morrendo a pessoa sem testamento, transmite a herança aos herdeiros 
legítimos; o mesmo ocorrerá quanto aos bens que não forem compreendidos no testamento; e subsiste a sucessão 
legítima se o testamento caducar, ou for julgado nulo. 
CF ART 5 XXX XXX - é garantido o direito de herança; XXXI - a sucessão de bens de estrangeiros situados 
no País será regulada pela lei brasileira em benefício do cônjuge ou dos filhos brasileiros, sempre que não lhes seja 
mais favorável a lei pessoal do de cujus; 
LEGÍTIMA E TESTAMENTARIA Art. 1.789. Havendo herdeiros necessários, o testador só poderá dispor da 
metade da herança. 
BEM INDIVISIVEL E IMÓVEL : Art. 1.791. A herança defere-se como um todo unitário, ainda que vários sejam os 
herdeiros. 
Parágrafo único. Até a partilha, o direito dos co-herdeiros, quanto à propriedade e posse da herança, será 
indivisível, e regular-se-á pelas normas relativas ao condomínio. 
ART 80, INCISO II 
DÍVIDAS Art. 1.792. O herdeiro não responde por encargos superiores às forças da herança; incumbe-lhe, porém, 
a prova do excesso, salvo se houver inventário que a escuse, demostrando o valor dos bens herdados. 
§ 1o Os direitos, conferidos ao herdeiro em consequência de substituição ou de direito de acrescer, presumem-
se não abrangidos pela cessão feita anteriormente. 
§ 2o É ineficaz a cessão, pelo co-herdeiro, de seu direito hereditário sobre qualquer bem da herança considerado 
singularmente. 
§ 3o Ineficaz é a disposição, sem prévia autorização do juiz da sucessão, por qualquer herdeiro, de bem 
componente do acervo hereditário, pendente a indivisibilidade. 
BEM IMÓVEL Art. 1.793. O direito à sucessão aberta, bem como o quinhão de que disponha o co-herdeiro, pode 
ser objeto de cessão por escritura pública. 
PRELAÇÃO E CONDOMÍNIO FORÇADO: Art. 1.794. O co-herdeiro não poderá ceder a sua quota hereditária a 
pessoa estranha à sucessão, se outro co-herdeiro a quiser, tanto por tanto. 
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
Art. 1.795. O co-herdeiro, a quem não se der conhecimento da cessão, poderá, depositado o preço, haver para 
si a quota cedida a estranho, se o requerer até cento e oitenta dias após a transmissão. 
Parágrafo único. Sendo vários os co-herdeiros a exercer a preferência, entre eles se distribuirá o quinhão cedido, 
na proporção das respectivas quotas hereditárias. 
PRAZO DA ABERTURA DO INVENTÁRIO Art. 611/CPC O processo de inventário e de partilha deve ser 
instaurado dentro de 2 (dois) meses, a contar da abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 (doze) meses 
subsequentes, podendo o juiz prorrogar esses prazos, de ofício ou a requerimento de parte. 
Art. 1.796. No prazo de trinta dias, a contar da abertura da sucessão, instaurar-se-á inventário do patrimônio 
hereditário, perante o juízo competente no lugar da sucessão, para fins de liquidação e, quando for o caso, de partilha 
da herança. 
CPC Art. 983. O processo de inventário e partilha deve ser aberto dentro de 60 (sessenta) dias a contar da 
abertura da sucessão, ultimando-se nos 12 (doze) meses subsequentes, podendo o juiz prorrogar tais prazos, de ofício 
ou a requerimento de parte. (Redação dada pela Lei nº 11.441, de 2007). 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11441.htm#art1
Tema 809: Validade de dispositivos do Código Civil que atribuem direitos 
sucessórios distintos ao cônjuge e ao companheiro. 
 
há repercussão geral 05/02/2018 
Tese: É inconstitucional a distinção de regimes sucessórios entre cônjuges 
e companheiros prevista no artigo 1.790 do CC/2002, devendo ser aplicado, tanto 
nas hipóteses de casamento quanto nas de união estável, o regime do artigo 1.829 
do CC/2002. 
 
Ementa: Direito constitucional e civil. Recurso extraordinário. 
Repercussão geral. Inconstitucionalidade da distinção de regime sucessório entre 
cônjuges e companheiros. 
1. A Constituição brasileira contempla diferentes formas de família 
legítima, além da que resulta do casamento. Nesse rol incluem-se as famílias 
formadas mediante união estável. 
2. Não é legítimo desequiparar, para fins sucessórios, os cônjuges e os 
companheiros, isto é, a família formada pelo casamento e a formada por união 
estável. Tal hierarquização entre entidades familiares é incompatível com a 
Constituição de 1988. 
3. Assim sendo, o artigo 1790 do Código Civil, ao revogar as Leis nºs 
8.971/94 e 9.278/96 e discriminar a companheira (ou o companheiro), dando-lhe 
direitos sucessórios bem inferiores aos conferidos à esposa (ou ao marido), entra 
em contraste com os princípios da igualdade, da dignidade humana, da 
proporcionalidade como vedação à proteção deficiente, e da vedação do 
retrocesso. 
4. Com a finalidade de preservar a segurança jurídica, o entendimento ora 
firmado é aplicável apenas aos inventários judiciais em que não tenha havido 
trânsito em julgado da sentença de partilha, e às partilhas extrajudiciais em que 
ainda não haja escritura pública. 
5. Provimento do recurso extraordinário. Afirmação, em repercussão 
geral, da seguinte tese: No sistema constitucional vigente, é inconstitucional a 
distinção de regimes sucessórios entre cônjuges e companheiros, devendo ser 
aplicado, em ambos os casos, o regime estabelecido no artigo 1.829 do CC/2002?. 
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DA VOCAÇÃO HEREDITÁRIA 
 
 
1. Da sucessão legítima ou ab intestato 
 
Sucessão legítima é a que se cumpre por força de lei; baseia-se na ordem de vocação hereditária, e os 
herdeiros são determinados segundo normas jurídicas. É definida como a ordem de chamamento dos 
herdeiros que sucederão o de cujus quando ocorrer o falecimento sem testamento ou ab intestato. 
 
Essa sucessão é resultante de lei nos casos de ausência, nulidade, anulabilidade ou caducidade de 
testamento (arts. 1.786 a 1.788 do Código Civil). O patrimônio do falecido é repassado às pessoas indicadas 
pela lei, em obediência à ordem de vocação hereditária que está insculpida no artigo 1829 do CC. Vejamos: 
 
Art. 1.786. A sucessão dá-se por lei ou por disposição de última vontade. 
Art. 1.787. Regula a sucessão e a legitimação para suceder a lei vigente ao tempo da abertura daquela. 
Art. 1.788. Morrendo a pessoa sem testamento, transmite a herança aos herdeiros legítimos; o 
mesmo ocorrerá quanto aos bens que não forem compreendidos no testamento; e subsiste a 
sucessão legítima se o testamento caducar, ou for julgado nulo. 
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: 
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com 
o falecido no regime da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 
1.640, parágrafo único); ou se, no regime da comunhão parcial, o autor da herança não houver 
deixado bens particulares; 
II - aos ascendentes, em concorrência com o cônjuge; 
III - ao cônjuge sobrevivente; 
IV - aos colaterais. 
 
A ordem de vocação hereditária é o rol de herdeiros estabelecido pelo ordenamento jurídico, de tal 
forma que os primeiros, progressivamente, excluem os subsequentes. A sucessão legítima representa a 
vontadepresumida do de cujus de transmitir o seu patrimônio para as pessoas indicadas na lei e, se outra 
for sua intenção, deve deixar testamento. Os herdeiros legítimos concorrem à herança na ordem estabelecida 
no art. 1.829, incisos I a IV. 
 
O consorte supérstite concorre com ascendentes e descendentes e passou a ser herdeiro necessário 
com o advento do Código Civil de 20021. Antes, só ascendentes e descendentes eram chamados herdeiros 
necessários. O cônjuge supérstite tem o mesmo tratamento que recebem os herdeiros sem prejuízo da parte 
que lhe caiba na herança (meação) e independente do regime de bens. 
 
O companheiro, que tinha tratamento diferenciado pela literalidade do artigo 1790 do CC, por 
decisão do STF em 2017 nos RE 646.721 e 878.6942, passou a ter o mesmo tratamento dado ao cônjuge 
pelo artigo 1829 do CC, igualando as formas de recebimento da herança entre cônjuge e companheiro. 
 
Os herdeiros necessários, contemplados pelo artigo 1.845 do Código Civil, são os descendentes, os 
ascendentes e o cônjuge. 
 
Art. 1.845. São herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. 
 
Contudo, o STF não deixou claro o posicionamento do companheiro ser ou não ser herdeiro 
necessário. Observe o que afirma o Presidente do IBDFAM-CE Lincoln Mattos Magalhães: 
 
1 AMORIM, Sebastião, OLIVEIRA, Euclides de. Inventários e Partilhas, 16ª ed., São Paulo, Livraria e Editora Universitária 
de Direito, 2003, p. 79. 
2 BRASIL, STF. Disponível em: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13579050. 
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13579050
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Em recente decisão no julgamento dos recursos extraordinários nºs 646.721 e 878.694, o Supremo 
Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade da diferenciação entre casamento e união estável 
para fins sucessórios, prevista no art. 1.790 daquele diploma. Pois bem! Com base na eficácia 
vinculante de tal orientação (art. 927, III, do CPC/15), é correto afirmar que o companheiro foi, a 
partir de então, automaticamente alçado à condição de herdeiro necessário, imunizando-se, dentre 
outros impactos, da possibilidade de ser excluído da sucessão legítima por meio de testamento 
público ou particular? Não obstante o que sugerem as aparências, a leitura do julgado não autoriza 
essa ilação. O que fez a Suprema Corte na oportunidade foi somente emparelhar as regras de 
sucessão do cônjuge e do companheiro, colocando-os na mesma ordem de vocação hereditária e 
submetendo-os aos mesmos critérios concorrenciais em relação a ascendentes e descentes. Nada foi 
dito, contudo, sobre eventuais efeitos desse entendimento em relação ao art. 1.845 do CC/02, nos 
termos do qual apenas os ascendentes e descendentes, além do cônjuge integram a classe dos 
herdeiros necessários. Tanto assim que o próprio STF, ao julgar os embargos declaratórios 
posteriormente opostos contra o acórdão aqui examinado, afirmou que o objeto da demanda não 
postulou manifestação nem acerca do art. 1.845, nem quanto a nenhum outro dispositivo do Código 
Civil em vigor. Dito isso, é de concluir que, embora a ideia da ascensão do companheiro ao status 
de herdeiro necessário represente uma tendência em via de consolidação, o STF ainda não se 
manifestou especificamente, nem firmou precedente obrigatório sobre o assunto. E você, o que 
pensa a respeito?3 
 
O direito de herança é garantido constitucionalmente. A sucessão legítima obedece à ordem do artigo 
1.829 do Código Civil, mas não é absoluta (ver o artigo 5º, inciso XXXI, da Constituição Federal). Os filhos, 
legítimos ou adotivos, herdam em igualdade de condições (art. 227, § 6º, da CF; art. 41, Lei 8069/90 – ECA). 
Observe: 
 
CF 88 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos 
brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à 
igualdade, à segurança e à propriedade, nos ternos seguintes: 
XXX - é garantido o direito de herança; 
XXXI – a sucessão de bens de estrangeiros situados no País será regulamentada pela lei brasileira 
em beneficio do cônjuge ou dos seus filhos brasileiros, sempre que não lhes seja mais favorável a lei 
pessoal do de cujus; 
Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com 
absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, 
à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-
los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão. 
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e 
qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. 
 
 
ECA 90 
 
Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive 
sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos 
matrimoniais. 
§ 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro, mantêm-se os vínculos de filiação 
entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes. 
§ 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o adotante, seus 
ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a ordem de vocação hereditária. 
 
 
 
 
3 MAGALHÃES, Lincoln Mattos. IBDFAM. A sucessão do companheiro segundo o STF. Data de publicação: 27/03/2020. 
Disponível em: https://www.ibdfam.org.br/artigos/1396/A+sucess%C3%A3o+do+companheiro+segundo+o+STF, 
Acessado em: 08 set 2020. 
 
https://www.ibdfam.org.br/artigos/1396/A+sucess%C3%A3o+do+companheiro+segundo+o+STF
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3 
 
 
2. Sucessão dos descendentes e a concorrência do cônjuge ou companheiro supérstite. 
 
Os descendentes são os herdeiros chamados em primeiro lugar e adquirem os bens por direito 
próprio e por cabeça; ou por direito de representação e por estirpe, são conhecidos como herdeiros 
necessários. É importante frisar que o cônjuge, dependendo do regime de casamento, concorre com os 
descendentes, dependendo do regime de bens em que era casado com o falecido, o cônjuge passa a concorrer 
com os descendentes e os ascendentes do autor da herança. (Art. 1829, I). 
 
Art. 1.829. A sucessão legítima defere-se na ordem seguinte: 
I - aos descendentes, em concorrência com o cônjuge sobrevivente, salvo se casado este com o falecido no regime 
da comunhão universal, ou no da separação obrigatória de bens (art. 1.640, parágrafo único); ou se, no regime 
da comunhão parcial, o autor da herança não houver deixado bens particulares; 
 
Quando casado pelo regime da comunhão parcial de bens, separação voluntária e participação final 
dos aquestos, o cônjuge sobrevivo terá direito a uma cota igual a que os descendentes receberem, sendo que 
se for ascendente de TODOS eles, essa cota não pode ser menor que 1/4, mas apenas será herdeiro nos 
bens particulares, que são aqueles que não se comunicam. Devemos ainda observar se a época da morte o 
cônjuge sobrevivente efetivamente estava casado com o falecido (Art.1830 CC). 
 
Vale ressaltar que ao cônjuge/companheiro é garantido o direito real de habitação no imóvel 
destinado a residência do casal, independente da transmissão hereditária desse bem, do regime patrimonial 
do casamento e de ter ou não ter descendência com o consorte supérstite. Observe a lei: 
 
Art. 1.830. Somente é reconhecido direitosucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo da morte do outro, não 
estavam separados judicialmente, nem separados de fato há mais de dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa 
convivência se tornara impossível sem culpa do sobrevivente. 
Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, sem prejuízo da participação 
que lhe caiba na herança, o direito real de habitação relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde 
que seja o único daquela natureza a inventariar. 
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que 
sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros 
com que concorrer. 
 
 
 
2.1. Da forma e do quinhão a ser partilhado entre cônjuge e ascendentes. 
 
O primeiro passo é observar se o regime de bens admite BENS COMUNS (AQUESTOS). Caso o 
regime permita separa-se a meação do consorte sobrevivo (1/2 dos bens comuns), esse valor patrimonial 
não será inventariado pois é propriedade do sobrevivo. 
 
O consorte sobrevivo apenas será concorrente nos regimes de comunhão parcial, participação final 
dos aquestos e separação voluntária e APENAS NOS BENS PRIVADOS do falecido. 
 
Ao sobrevivo e aos descentes do autor da herança que concorrerem por cabeça serão determinados 
quinhões iguais. O sobrevivo não poderá herdar menos do que a quarta parte dos bens particulares/privados 
caso seja ascendente de TODOS os descendentes do falecido. É a reserva legal de ¼ destinada ao 
cônjuge/companheiro sobrevivo. Repetindo: 
 
Art. 1.832. Em concorrência com os descendentes (art. 1.829, inciso I) caberá ao cônjuge quinhão igual ao dos que 
sucederem por cabeça, não podendo a sua quota ser inferior à quarta parte da herança, se for ascendente dos herdeiros 
com que concorrer. 
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 Quando os descendentes forem comuns o consorte sobrevivo não pode herdar menos que ¼ dos 
bens particulares: 
 
 
 
 
 
 $$$$ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando os descendentes forem híbridos, filhos comuns e exclusivos do morto, o consorte sobrevivo 
herda nos bens particulares pela regra geral, divisão por cabeça com todos os filhos do morto. 
 
 
 
 
 
 
 $$$$ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
$+$ 
$ + $$ 
 
$ +$ 
$$$$ 
Patrimônio privado 
ou bens particulares 
Aquestos ou bens comuns 
Meação do falecido 
Meação do sobrevivo (não é herança) 
Viúvo herda ¼ 
dos bens privados. 
Reserva legal 
Os filhos herdarão ¾ dos bens privados e a 
meação do morto. Somam-se os valores e 
divide-se pelos filhos 
 
$+$ 
$ + $$ 
$ +$ 
 
$ +$ 
 
$ +$ 
$$$$ 
Patrimônio privado ou 
bens particulares 
Aquestos ou bens comuns 
Meação do falecido 
Meação do sobrevivo (não é herança) 
Viúvo herda 1/6 dos 
bens privados que 
foram divididos por 
cabeça Os filhos herdarão 1/6 dos bens privados e 
1/5 da meação do morto. Somam-se os 
valores e divide-se pelos filhos 
$ +$ 
 
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OBS: MEAÇÃO E DIREITO HEREDITÁRIO (Herança) 
 
Muito se confunde com os dois institutos, que são totalmente diferentes, tanto no momento em que 
se configuram quanto aos legitimados a receber tais direitos, sem contar que as normas que regem tais 
institutos também não são as mesmas. 
Herança são todos os bens deixados por pessoa falecida e que será herdada por seus sucessores, 
aqueles possuidores do direito hereditário cujo rol é expresso em lei ou por testamento. Portanto o 
recebimento de determinada herança só será consolidado com a morte de um indivíduo, e em regra 
independe do regime matrimonial dos bens. 
Já a meação, é a metade de todo o patrimônio comum de um casal, e decorre do regime de bens 
adotado quando do casamento ou da união estável, e é regida pelo direito de família. Portanto, significa a 
metade de todos os bens que cada cônjuge ou companheiro tem direito em caso de separação ou dissolução 
da união. 
E suma, temos que a meação decorre do regime de bens e o direito hereditário surge com a morte 
de um dos cônjuges ou companheiro. 
 
 
Referências 
 
AMORIM, Sebastião, OLIVEIRA, Euclides de. Inventários e Partilhas, 16ª ed., São Paulo, Livraria e Editora Universitária de 
Direito, 2003. 
GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil brasileiro. Vol. VII. Direito das Sucessões. 3ª edição. São Paulo: Saraiva, 2009. 
MAGALHÃES, Lincoln Mattos. IBDFAM. A sucessão do companheiro segundo o STF. Data de publicação: 27/03/2020. 
Disponível em: https://www.ibdfam.org.br/artigos/1396/A+sucess%C3%A3o+do+companheiro+segundo+o+STF. 
Acessado em: 08 set 2020. 
RIBEIRO, Geraldo Antonio. A condição do cônjuge e do companheiro no direito sucessório. Disponível em: 
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10348/A-condicao-do-conjuge-e-do-companheiro-no-direito-sucessorio. 
Acessado em: 09 set 2020. 
TARTUCE. Flávio. STF entende que art. 1.790 do CC é inconstitucional. Disponível em: 
https://flaviotartuce.jusbrasil.com.br/noticias/380114976/stf-entende-que-art-1790-do-cc-e-inconstitucional. Acessado em 
12.09.2017 
 
Legislação e jurisprudência 
 
BRASIL, STF. Disponível em: http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13579050. 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em: . Acesso em: 
08 set 2020. 
BRASIL. Lei No 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Disponível em: . Acesso 
em: 08 set 2020. 
BRASIL. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente Disponível em: 
. Acesso em: 08 set 2020. 
BRASIL. STF. RE n. 878.694, Rel. Min. Luís Roberto Barroso. j. 10.05.2017. Disponível em 
https://www.jusbrasil.com.br/diarios/documentos/457839374/andamento-do-processo-n-878694-recurso-extraordinario-12-
05-2017-do-stf?ref=topic_feed. Acessado em: 08 set 2020. 
https://www.ibdfam.org.br/artigos/1396/A+sucess%C3%A3o+do+companheiro+segundo+o+STF
https://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/10348/A-condicao-do-conjuge-e-do-companheiro-no-direito-sucessorio
http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=TP&docID=13579050
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Sucessão do cônjuge/companheiro em concorrência com ascendentes 
 
 
Art. 1.836. Na falta de descendentes, são chamados à sucessão os ascendentes, em 
concorrência com o cônjuge sobrevivente. 
§ 1 o Na classe dos ascendentes, o grau mais próximo exclui o mais remoto, sem 
distinção de linhas. 
§ 2 o Havendo igualdade em grau e diversidade em linha, os ascendentes da linha 
paterna herdam a metade, cabendo a outra aos da linha materna. 
 
Art. 1.837. Concorrendo com ascendente em primeiro grau, ao cônjuge tocará um terço 
da herança; caber-lhe-á a metade desta se houver um só ascendente, ou se maior for 
aquele grau. 
 
Art. 1.838. Em falta de descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por inteiro 
ao cônjuge sobrevivente. 
 
Art. 1.839. Se não houver cônjuge sobrevivente, nas condições estabelecidas no art. 1.830, 
serão chamados a suceder os colaterais até o quarto grau. 
 
 
Não havendo descendentes são chamados à sucessão os ascendentes em concorrência com o 
cônjuge/companheiro supérstite. 
 
Concorrência é instituto novo, no direito sucessório brasileiro. Não esteve presenteno anterior 
Código Civil. Herdeiro concorrente, entre nós, agora, é o cônjuge ou o companheiro sobrevivente, 
respeitados certos pressupostos legais. Na chamada hereditária dos descendentes e dos ascendentes poderão 
ser chamados para herdar concorrentemente – conforme o caso – o cônjuge ou o companheiro (arts. 1829, 
1832 e 1790). 
 
O cônjuge/companheiro concorrerá com o ascendente em todos os regimes de bens, tendo 
assegurado o direito de morar no imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela 
natureza a ser inventariado, sem prejudicar sua participação na parte que lhe cabe na herança, contudo, pode 
renunciar ao direito de habitação, no inventário ou por escritura pública, sem prejuízo na sua participação 
na herança. 
 
Somente será reconhecido o direito do cônjuge/companheiro sobrevivente se este não estiver 
separado judicialmente ou separado de fato há mais de dois anos do falecido. 
 
Na sucessão dos ascendentes não existe direito de representação. 
 
 As regras de concorrência do cônjuge com os ascendentes do falecido são bem mais simples, pois 
independem do regime de bens adotado pelas partes, a herança será sempre dividida entre o cônjuge e o 
ascendente. A concorrência se dará em quaisquer dos regimes. 
 
 Verifica-se o regime de bens apenas para saber se há meação a ser entregue ao viúvo. Apartada a 
meação do cônjuge/companheiro sobrevivo soma-se o total deixado pelo morto e opera-se a divisão com 
os ascendentes. Não há a regra pela qual se houver meação não haverá sucessão. Essa premissa só se aplica 
à sucessão em concorrência com o descendente. 
 
 
 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art1830
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2 
 
Do quinhão a ser partilhado entre cônjuge e ascendentes. 
 
 No caso do cônjuge/companheiro concorrer com o pai e a mãe do de cujus ao cônjuge tocar-lhe-á 
um terço da herança, cabendo os dois terços restantes aos ascendentes, sendo um terço para o pai e um 
terço para mãe. 
 
 
 
 
 
 
 
 No caso do cônjuge/companheiro concorrer com apenas um ascendente em primeiro grau, pai ou 
mãe do falecido (sogro/sogra) tocar-lhe-á metade da herança e a outra metade será herdade pelo pai ou pela 
mãe do morto. Neste caso os pais do ascendente morto (avós) não herdarão, vez que inexiste direito de 
representação na ascendência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
No caso do cônjuge/companheiro concorrer com os avós do falecido tocar-lhe-á metade da herança 
e a outra metade será dividida entre as “linhas” paterna e materna. Desta forma a metade que será reservada 
aos ascendentes será dividida entre os avós da linha paterna e os da linha materna. 
 1/8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Quando nem todos os ascendentes existirem, entregar-se-á o patrimônio ao(s) ascendente(s) mais 
próximo do falecido de acordo com as linha parental.
 
1/8 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1/8 
 
 
 
 
 
 
 
1/3 1/3 
1/3 
 
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1/4 
 
1/2 
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$ $ 
$ 
$ 
$ $ 
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
 
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Sucessão do cônjuge/companheiro 
 
 
Art. 1.830. Somente é reconhecido direito sucessório ao cônjuge sobrevivente se, ao tempo 
da morte do outro, não estavam separados judicialmente, nem separados de fato há mais de 
dois anos, salvo prova, neste caso, de que essa convivência se tornara impossível sem culpa 
do sobrevivente. 
 
Art. 1.831. Ao cônjuge sobrevivente, qualquer que seja o regime de bens, será assegurado, 
sem prejuízo da participação que lhe caiba na herança, o direito real de habitação 
relativamente ao imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela 
natureza a inventariar. 
 
.... 
 
Art. 1.838. Em falta de descendentes e ascendentes, será deferida a sucessão por inteiro ao 
cônjuge sobrevivente. 
 
Art. 1.839. Se não houver cônjuge sobrevivente, nas condições estabelecidas no art. 1.830, 
serão chamados a suceder os colaterais até o quarto grau. 
 
 
Não havendo descendentes ou ascendentes vivos, ou legitimados a suceder, são chamados à sucessão 
o cônjuge/companheiro supérstite. 
 
O cônjuge/companheiro herdará em quaisquer regimes de bens, tendo assegurado o direito de morar 
no imóvel destinado à residência da família, desde que seja o único daquela natureza a ser inventariado, sem 
prejudicar sua participação na parte que lhe cabe na herança, contudo, pode renunciar ao direito de 
habitação, no inventário ou por escritura pública, sem prejuízo na sua participação na herança. 
 
O direito real de habitação acontece mesmo que o morto tenha deixado vários imóveis. O 
cônjuge/companheiro supérstite terá direito real de habitação no imóvel em que residia com o extinto. 
Somente será reconhecido o direito do cônjuge/companheiro sobrevivente se este não estiver separado 
judicialmente ou separado de fato há mais de dois anos do falecido. Observe a decisão do STJ de 
04/010/2018. 
 
Direito real de habitação de cônjuge sobrevivente não depende da inexistência de outros 
bens no patrimônio próprio. O direito real de habitação do cônjuge sobrevivente no imóvel do casal, 
nos termos do artigo 1.831 do Código Civil, é garantido independentemente de ele possuir outros 
bens em seu patrimônio pessoal. 
Com esse entendimento, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou 
provimento a um recurso que questionava o direito com a justificativa de que o cônjuge dispõe de 
outros imóveis. 
Para o ministro Villas Bôas Cueva, relator do caso no STJ, a única condição que o legislador 
impôs para assegurar ao cônjuge sobrevivente o direito real de habitação é que o imóvel destinado 
à residência do casal fosse o único daquela natureza a inventariar. “Nenhum dos mencionados 
dispositivos legais impõe como requisito para o reconhecimento do direito real de habitação a 
inexistência de outros bens, seja de que natureza for, no patrimônio próprio do cônjuge 
sobrevivente”, fundamentou. 
 
Exigência controvertida 
 
O relator citou entendimento da Quarta Turma do tribunal no sentido de que o direito real 
de habitação é conferido em lei independentemente de o cônjuge ou companheiro sobrevivente ser 
proprietário de outros imóveis. 
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2002/L10406.htm#art1830
Curso: DIREITO Disciplina: SUCESSÕES Professor: Mauro Serpa 
 
 
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Villas Bôas Cueva destacou que a parte final do artigo 1.831 faz referência à necessidade de 
que o imóvel seja “o único daquela natureza a inventariar”, mas mesmo essa exigência não é 
interpretada de forma literal pela jurisprudência. “Nota-se que até mesmo essa exigência legal – 
inexistência de outros bens imóveis residenciais no acervo hereditário – é amplamente controvertida 
em sede doutrinária. Daí porque esta corte, em pelo menos uma oportunidade, já afastou a 
literalidade de tal regra”, disse ele. 
 
Vínculo afetivo 
 
O objetivo da lei, segundo o ministro, é permitir que o cônjuge sobrevivente permaneça no 
mesmo imóvel familiar em que residia ao tempo da abertura da sucessão, como forma de concretizar 
o direito à moradia e também por razões de ordem humanitária e social, “já que não se pode negar 
a existência de vínculo afetivo e psicológico estabelecido pelos cônjuges com o imóvel em que, no 
transcurso de sua convivência, constituíram não somente residência, mas um lar”. 
 
O relator afirmou que a legislação protege interesses mínimos de quem vive momento de 
“inconteste abalo”

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